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NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA AO JUÍZO DA (...) VARA FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1º REGIÃO STL COMERCIO DE CELULAR LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no NPJ nº 10.875.866/001-08, localizada no endereço QS 01 Rua 210, Lote 40, Loja 1049 – Edíficio Alameda Sopping - Taguatinga, CEP: 71950-904, neste ato representada por XXX, conforme procuração anexa (...) sito à..., local em que receberá intimações e notificações, com fulcro nos artigos 19 e 20 do Código de Processo Civil e art. 7, inciso XXIX da Constituição Federal, vem, respeitosamente perante Vossa Excelência propor AÇÃO DECLARATÓRIA DE PRESCRIÇÃO em face da União Federal, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ nº 26.994.558/0001-23, localizada em Edifício Multibrasil Corporate, Saus Quadra 3, Lote 5, 6, DF, representada pela Advocacia-Geral da União (AGU). I. FATOS Inicialmente, a empresa que ora peticiona atua no mercado varejista de equipamento de telefonia e comunicação há muitos anos neste ramo. No período de 2013 a 2020 enfrentou uma severa crise financeira condicionando-a a tomada de algumas medidas administrativas. Ocorre que em 19 de agosto de 2024, a empresa recebeu notificação do Ministério do Trabalho e Emprego, sobre o processo 14185.006252/2022-50, com ordem para efetuar o pagamento de verbas do FGTS. Contudo, convém registrar com relação aos colaboradores Fabiana Aparecida Gomes e Kaline Mayara Barros Silva receberam o valor referente ao FGTS diretamente em conta, após acordo judicial, homologado constante nos processo nº 0000947-94.2021.5.10.0105 e processo nº 0001269-02.2016.56.10.0005 respectivamente, e assim, a autora se desincumbiu deste ônus, não cabendo, dessa forma, cobrança em dobro pelo estado. Ainda, destaca-se que conforme entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal, aplica-se ao FGTS o prazo prescricional de 5 anos. Sendo assim, o pleito requerido pelo Ariosvaldo Silva Costa, Gledson Willk Souza Santana, e Paulo Sergio Gomes Araújo, estão, em conjunto, está prejudicado pois o direito está prescrito, haja vista o lapso temporal do desligamento da empresa e da data de lavratura da infração cometida. Do exposto, a empresa, por meio deste, requer-se o reconhecimento de prescrição incidente e ainda que Vossa Excelência ateste os pagamentos de FGTS ora quitados, pelos motivos e fundamentos a seguir expostos. II. DO DIREITO A. DA PRESCRIÇÃO No que se refere aos colaboradores Ariosvaldo Silva Costa, Gledson Willk Souza Santana e Paulo Sergio Gomes Araujo, que pleiteiam o pagamento do FGTS, este encontra-se prescrito. É firmado entendimento do Supremo Tribunal Federal, aplica-se ao FGTS o prazo prescricional de 5 anos, a partir da lesão ocorrida. Neste contexto, firmou-se a prescrição dos 5 anos das parcelas conforme demonstrativo na tabela abaixo: Nome Data de admissão Data de desligamento Ariosvaldo Silva Costa 23/06/2015 08/09/2016 Gledson Willk Souza Santana 01/08/2012 17/07/2016 Paulo Sergio Gomes Araujo 14/04/2016 19/09/2016 Dessa forma, as parcelas referentes a períodos anteriores a abril de 2017 estão todas prescritas e, portanto, não podem ser cobradas em relação aos ex-colaboradoras. Não restando dúvidas, o prazo de prescrição de cinco anos já foi atingido, o que impossibilita qualquer cobrança, inclusive por parte do Ministério do Trabalho e Emprego. Nesse sentido, a administração pública tem o prazo de cinco anos para identificar e notificar infrações, bem como para aplicar e executar multas e suas respectivas cobranças. O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é um direito trabalhista fundamental, cuja gestão e fiscalização são de responsabilidade dos empregadores e das autoridades competentes. Entretanto, como qualquer obrigação legal, o FGTS está sujeito a prazos de prescrição que determinam a extinção do direito de reivindicação após determinado período. Este prazo de prescrição se aplica tanto aos valores de FGTS não depositados quanto às eventuais diferenças devidas. Assim, trabalhadores que não reivindicarem ou notificarem a irregularidade do FGTS dentro do prazo de cinco anos não terão direito ao recebimento desses valores, mesmo que o direito ao FGTS tenha sido reconhecido posteriormente. A prescrição serve como um mecanismo para garantir a estabilidade das relações jurídicas e evitar a perpetuação de litígios. Outrossim, entende o Tribunal Superior do Trabalho, súmula 362, que diz: “FGTS. PRESCRIÇÃO (nova redação) - Res. 198/2015, republicada em razão de erro material – DEJT divulgado em 12, 15 e 16.06.2015 I – Para os casos em que a ciência da lesão ocorreu a partir de 13.11.2014, é quinquenal a prescrição do direito de reclamar contra o não-recolhimento de contribuição para o FGTS, observado o prazo de dois anos após o término do contrato; II – Para os casos em que o prazo prescricional já estava em curso em 13.11.2014, aplica-se o prazo prescricional que se consumar primeiro: trinta anos, contados do termo inicial, ou cinco anos, a partir de 13.11.2014 (STF-ARE-709212/DF)” Necessário firmar também que o Superior Tribunal Federal menciona em seu Tema nº 608 o seguinte: “Recurso extraordinário. Direito do Trabalho. Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Cobrança de valores não pagos. Prazo prescricional. Prescrição quinquenal. Art. 7º, XXIX, da Constituição. Superação de entendimento anterior sobre prescrição trintenária. Inconstitucionalidade dos arts. 23, § 5º, da Lei 8.036/1990 e 55 do Regulamento do FGTS aprovado pelo Decreto 99.684/1990. Segurança jurídica. Necessidade de modulação dos efeitos da decisão. Art. 27 da Lei 9.868/1999. Declaração de inconstitucionalidade com efeitos ex nunc. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” Assim, no caso em questão o STF decidiu que a prescrição para a cobrança de valores de FGTS é de cinco anos, estabelecendo um novo entendimento substituindo o prazo trintenário. Vejamos agora o entendimento jurisprudencial também do Supremo Tribunal Federal no julgamento a seguir: “CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. EXECUÇÃO FISCAL DE DÉBITO DE FGTS. PRAZO DE PRESCRIÇÃO ALTERADO (RE 709.212/DF). PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE RECONHECIDA CORRETAMENTE. SENTENÇA MANTIDA. APELAÇÃO NÃO PROVIDA. I - O Supremo Tribunal Federal, depois de reconhecida a repercussão geral do tema, atualizou sua jurisprudência, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 709212, na sessão realizada em 13/11/2014, alterando o prazo prescricional, aplicável à cobrança de débitos referentes ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, de trinta para cinco anos. Contudo, em sede de modulação de efeitos, a Suprema Corte estabeleceu que a referida decisão teria efeitos ex nunc (prospectivos), de modo que "para aqueles casos cujo termo inicial da prescrição ocorra após a data do referido julgamento (13/11/2014) , aplica- se, desde logo, o prazo de cinco anos. Por outro lado, para os casos em que o prazo prescricional já esteja em curso, aplica-se o que ocorrer primeiro: 30 anos, contados do termo inicial, ou 5 anos, a partir desta decisão" (ARE 709212, Relator: Min. Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 13/11/2014, Acórdão Eletrônico Repercussão Geral - mérito DJe-032 Divulg 18-02-2015 Public 19-02-2015). II - A Lei nº 6.830/80 em seu §4º, art.40, prevê que "se da decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional, o juiz, depois de ouvida a Fazenda Pública, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de imediato." III - Assim, considerando que a prescrição já estava em curso na data da prolação da citada decisão do STF, o prazo de controle da prescrição na hipótese, deve considerar a modulação dos efeitos do mencionado julgamento pelo STF. IV- Por fim, a Lei nº 6.830 estabelece em seu artigo 40, §4º que se a decisão que ordenar o arquivamento tiver transcorrido o prazo prescricional, o juiz, poderá de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de imediato. No presente caso, a decisão que determinouo arquivamento foi proferida em 28/04/1994, ou seja, há 30 anos, sendo assim, possível o reconhecimento da prescrição intercorrente na hipótese. V- Apelação desprovida. Sentença mantida (AC 0001758-45.1988.4.01.3500, DESEMBARGADORA FEDERAL ROSANA NOYA ALVES WEIBEL KAUFMANN, TRF1 - DÉCIMA-SEGUNDA TURMA, PJe 02/08/2024 PAG.)” Com isto, em decisão do Recurso Extraordinário 709.212, reafirmamos a alteração do prazo de prescrição para débitos de FGTS de trinta para cinco anos, com efeitos prospectivos a partir de 13/11/2014. No caso julgado, a decisão de arquivamento foi em 28/04/1994, portanto, a prescrição intercorrente pôde ser reconhecida, com apelação desprovida a sentença foi mantida. Por todo o exposto e considerando que o prazo prescricional aplicável ao presente caso é de cinco anos, conforme estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 709.212, de 13 de novembro de 2014, e considerando que o prazo de prescrição para o débito em questão já se findou, requer-se o reconhecimento da prescrição intercorrente, uma vez que já se passaram mais de cinco anos desde o início da contagem do prazo. B. DO PAGAMENTO DO FGTS DIRETAMENTE AO EMPREGADO Primeiramente, é necessário esclarecer que o do FGTS foi efetuado diretamente às colaboradoras Fabiana Aparecida Gomes e Kaline Mayara Barros Silva, conforme os processos nº0000947-94.2021.5.10.0105 e 0001269-02.2016.56.10.0005, respectivamente, desincumbindo a autora deste ônus, não cabendo, dessa forma, cobrança em dobro pelo estado. Dessa forma, o referido pagamento está detalhado no trecho extraído do acordo que segue logo abaixo: Em resposta à questão levantada sobre a existência de débito relativo ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), esclarecemos que não há fundamento para qualquer alegação de inadimplência, considerando que os valores referentes ao FGTS foram devidamente quitados junto às colaboradoras. Portanto, considerando que os pagamentos foram realizados integralmente e perante a justiça, não há que se falar em débito de FGTS em relação a essas colaboradoras. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos recursos repetitivos (Tema 1.176), reconheceu a validade dos pagamentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) feitos diretamente ao empregado após a publicação da Lei 9.491/1997, em virtude de acordos homologados na Justiça do Trabalho. Apesar de esses pagamentos diretos estarem em desacordo com a legislação vigente, o colegiado considerou que não se pode ignorar o fato de que foram respaldados por acordos homologados pelo juízo trabalhista.Vejamos: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA DE NATUREZA REPETITIVA. PAGAMENTO DO FGTS EFETUADO DIRETAMENTE AO EMPREGADO, NA VIGÊNCIA DA LEI 9.491/97, EM DECORRÊNCIA DE ACORDO HOMOLOGADO NA JUSTIÇA DO TRABALHO. EFICÁCIA RECONHECIDA. DECISÃO JUDICIAL IRRECORRÍVEL E COBERTA PELO MANTO DA COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO MEDIANTE AÇÃO RESCISÓRIA, CUJA APRECIAÇÃO COMPETE À JUSTIÇA DO TRABALHO. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 831, PARÁGRAFO ÚNICO, E 836, AMBOS DA CLT, E DA SÚMULA 259/TST. COBRANÇA DE MULTAS, CORREÇÃO MONETÁRIA, JUROS MORATÓRIOS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. POSSIBILIDADE. DECISÃO HOMOLOGATÓRIA QUE NÃO PREJUDICA TERCEIROS QUE NÃO PARTICIPARAM DO AJUSTE. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E DESPROVIDO. I. Trata-se, na origem, de Ação Ordinária ajuizada por América Futebol Clube, em face da Caixa Econômica Federal e da União Federal (Fazenda Nacional), objetivando a declaração de regularidade dos pagamentos realizados, a título de FGTS, diretamente a seus empregados, após acordos homologados na Justiça do Trabalho, haja vista a cobrança da verba fundiária em Execução Fiscal. A sentença assegurou a compensação do débito em cobro com os pagamentos realizados diretamente ao trabalhador, sendo mantida pelo Tribunal a quo, que ressaltou a regularidade da quitação efetuada na seara trabalhista. II. O tema em apreciação foi submetido ao rito dos recursos especiais repetitivos, nos termos dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015, e assim delimitado: "Definir se são eficazes os pagamentos de FGTS realizados na vigência da redação dada, ao art. 18 da Lei 8.036/90, pela Lei 9.491/97, diretamente ao empregado, em decorrência de acordo celebrado na Justiça do Trabalho, ao invés de efetivados por meio de depósitos nas contas vinculadas do titular" (Tema 1.176). III. A redação original do art. 18 da Lei 8.036/90 permitia, em caso de encerramento do contrato de trabalho pelo empregador, o pagamento, diretamente ao empregado, de algumas parcelas do FGTS. A partir do advento da Lei 9.491/97, contudo, ficou o empregador obrigado a depositar, por expressa previsão legal (art. 18, caput e § 1º, da Lei 8.036/90), todas as quantias relativas à verba fundiária na conta vinculada do trabalhador, inclusive em sede de reclamatória trabalhista (art. 26, parágrafo único, da Lei 8.036/90), não mais se aproveitando os pagamentos realizados diretamente. IV. Conquanto os comandos normativos referentes à forma de quitação do FGTS fossem claros quanto à necessidade de depósito, em conta vinculado do trabalhador, de todas as parcelas devidas (art. 18, caput e § 1º e art. 26, parágrafo único, ambos da Lei 8.036/90), foram corriqueiras as transações celebradas, entre empregador e empregado, na justiça especializada que culminaram no pagamento do quantum debeatur diretamente ao último. V. Ocorre que, embora realizado em termos contrários ao que dispõe a legislação de regência, não se pode desconsiderar que o acordo foi submetido ao crivo do Judiciário (art. 487, II, alínea b, do CPC/15). A referida decisão é irrecorrível (art. 831, parágrafo único, CLT) e faz coisa julgada material, sujeitando-se tão somente ao corte rescisório (Súmula 259/TST), cuja competência para apreciação é da própria justiça trabalhista (art. 836, da CLT). Nessa senda, não cabe à Justiça Federal, ou ao Superior Tribunal de Justiça, à míngua de competência jurisdicional para tanto, adentrar, em sede de Embargos à Execução Fiscal, Ação Anulatória, Ação Declaratória da Inexistência do Débito, ou por qualquer outra via, na correção do seu mérito, ou desconsiderá-la, para o fim de reconhecer a ineficácia do pagamento realizado em desconformidade com o prescrito em lei. VI. Tal cenário, contudo, não elide o lançamento fiscal das parcelas do FGTS que serão incorporadas ao fundo, consistentes em multas, correção monetária e juros moratórios, conforme art. 2º, § 1º, alínea d, da Lei 8.036/90, e na contribuição social devida pelo empregador, em caso de despedida sem justa causa, consoante art. 1º, caput, c/c art. 3º, § 1º, ambos da Lei Complementar 110/2001, para cobrança diretamente pela Fazenda Nacional, ou, mediante convênio, pela Caixa Econômica Federal (art. 2º, caput, da Lei 8.844/94). Tem-se em vista que, além das referidas rubricas não pertencerem ao obreiro, mas ao próprio fundo de garantia, a titular do crédito e/ou o agente operador do fundo não participaram da celebração do ajuste na via laboral, não sendo por ele prejudicados, conforme dicção do art. 506 do Código de Processo Civil. VII. Na espécie, o Tribunal de origem, na mesma linha da sentença de primeiro grau, reconheceu a eficácia das quantias diretamente pagas ao empregado, após a vigência da Lei 9.491/97, no contexto de acordo trabalhista judicialmente homologado, assegurando o prosseguimento da Execução Fiscal pelo valor remanescente da dívida. O entendimento está em conformidade com a tese que ora se propõe. VIII. Tese jurídica firmada: "São eficazes os pagamentos de FGTS realizados diretamente ao empregado, após o advento da Lei 9.491/1997, em decorrência de acordo homologado na Justiça do Trabalho. Assegura-se, no entanto, a cobrança de todas as parcelas incorporáveis ao fundo, consistente em multas, correção monetária, juros moratórios e contribuição social, visto que a União Federal e a Caixa Econômica Federal não participaram da celebração do ajustena via laboral, não sendo por ele prejudicadas (art. 506, CPC)". IX. Caso concreto: Recurso Especial conhecido e desprovido.(Recurso Especial 200359, Min. Teodoro Silva Santos, STJ, Dje: 28/05/2024)”. Por oportuno, ressalta-se que o princípio do bis in idem proíbe que uma pessoa seja julgada ou punida mais de uma vez pelo mesmo fato. No entanto, no caso concreto, a autora está sendo cobrada administrativamente, apesar de já ter sido cobrada judicialmente pelas mesmas verbas, conforme demonstrado. Cabe mencionar, que a jurisprudência do Tribunal Regional Federal é uníssona no sentido de se vedar a cobrança em duplicidade dos débitos de FGTS já pagos de forma direta ao empregado, uma vez que tal situação configura enriquecimento ilícito da Fazenda Pública. Confira-se: “ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. VALORES REFERENTES A DÍVIDA DE FGTS. ALEGAÇÃO DE COBRANÇA EM DUPLICIADE EM RAZÃO DE PAGAMENTO FEITO DIRETAMENTE A EMPREGADOS EM DEMANDAS TRABALHISTAS. LEI 9.491/1997. SENTENÇA CONFIRMADA. I - Preliminar de sobrestamento do feito que não se sustenta, uma vez que, no ato de afetação da questão controversa, na forma do art. 1.036 do CPC, Tema Repetitivo n. 1.176/STJ, REsp paradigmático n. 2.003.509/RN, cuja tese jurídica a ser examinada foi delimitada como "Definir se são eficazes os pagamentos de FGTS, realizados na vigência da redação do art. 18 da Lei 8.036/1990 dada pela Lei 9.491/1997, diretamente ao empregado, em decorrência de acordo celebrado na Justiça do Trabalho, ao invés de efetivados por meio de depósitos nas contas vinculados do titular", não foi determinada a suspensão de julgamento nesta instância recursal, consoante o excerto da decisão: Em face da natureza da controvérsia travada nos autos, determino, nos termos do art. 1.037, II, do CPC/2015, a suspensão do processamento de todos os processos, individuais ou coletivos, que versem sobre a mesma matéria, nos quais tenha havido a interposição de recurso especial ou de agravo em recurso especial, na Segunda Instância, ou que estejam em tramitação no STJ, respeitada, no último caso, a orientação prevista no art. 256-L do RISTJ. II - Orientava a jurisprudência do e. STJ no entendimento de ser admissível a dedução de valores objeto de execução de dívida relativa ao FGTS, pagos diretamente ao empregado, na hipótese de ter sido feito o pagamento até a entrada em vigor da Lei nº 9.491 de 09/09/97, data a partir da qual foi vedado o pagamento direto ao empregado, devendo o depósito ser feito na conta vinculada ao FGTS. III - A propósito: "1. Até o advento da Lei 9.491/1997, o art. 18 da Lei 8.036/1990 permitia que se pagasse diretamente ao empregado as seguintes parcelas: depósito do mês da rescisão, depósito do mês imediatamente anterior (se ainda não vencido o prazo para depósito) e 40% do montante de todos os depósitos realizados durante a vigência do contrato de trabalho, em caso de demissão sem justa causa, ou 20%, em caso de culpa recíproca ou força maior. 2. Com a alteração procedida pela Lei 9.491/1997, nada mais poderia ser pago diretamente ao empregado, devendo o empregador depositar todas as parcelas devidas na conta vinculada do FGTS." (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.947.927/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 21/2/2022, DJe de 15/3/2022.) IV - Na hipótese presente, conforme decidido na sentença, uma vez comprovado o pagamento parcial do débito inscrito na Certidão de Dívida Ativa em execução, impõe-se o reconhecimento da inexigibilidade parcial dos créditos objeto da execução fiscal, com a exclusão dos valores já pagos aos empregados, sob pena de enriquecimento ilícito da Fazenda Pública em detrimento do pagamento em duplicidade e maior oneração da parte devedora. V - Apelação da União (Fazenda Nacional) e remessa necessária, tida por interposta, a que se nega provimento. Honorários recursais, a teor do art. 85, § 11, do CPC, ora fixados em 2% sobre o valor originalmente arbitrado. (AC 1046719-96.2021.4.01.3500, DESEMBARGADOR FEDERAL RAFAEL PAULO SOARES PINTO, TRF1 - DÉCIMA-PRIMEIRA TURMA, PJe 15/05/2024 PAG.)”. Dessa forma, deve-se afastar a cobrança realizada administrativamente mediante reconhecimento da quitação das verbas relacionadas às ex-empregadas Fabiana Aparecida Gomes e Kaline Mayara Barros Silva. III. DA TUTELA DE URGÊNCIA O artigo 300 do Código de Processo Civil brasileiro disciplina a concessão da tutela de urgência, uma medida judicial destinada a resguardar direitos que possam estar ameaçados durante o curso de um processo. A tutela de urgência é concedida quando há elementos suficientes que demonstrem a probabilidade do direito pleiteado e a existência de um perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo. Quanto à probabilidade do direito, esta restou demonstrada em razão da violação pela Ré, de débitos já pagos aos empregados, o que viola entendimento do Superior Tribunal de Justiça, referente à validade de tal pagamento. Além disso, estão sendo cobrados débitos já prescritos, o que configura enriquecimento ilícito da Ré. Quanto ao perigo de dano, este se evidencia pela cobrança administrativa que já está sendo exercida que pode implicar na inscrição da Autora em dívida ativa, gerando constrição patrimonial, dentre outros prejuízos agravando significativamente sua situação financeira. IV. DOS PEDIDOS Ante o exposto, requer: a) A citação da ré para em querendo apresente defesa, sob pena de revelia e confissão quanto à matéria de fato; b) Requer a concessão de tutela de urgência para suspender a cobrança até o final da presente ação. c) Requer que seja reconhecida a prescrição quinquenal das parcelas de FGTS anteriores ao mês de abril de 2017, tornando-as inexigíveis as cobranças referentes a estas parcelas; d) A procedência da presente ação para que seja reconhecido os valores pagos na esfera do trabalho, em razão de acordos homologados junto à justiça do trabalho às colaboradoras Fabiana d) Aparecida Gomes (processo nº 0000947-94.2021.5.10.0105) e Kaline Mayara Barros Silva (processo nº 0001269-02.2016.56.10.0005); e) Requer-se a condenação da parte ré ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, na forma da lei; Brasília, 05 de setembro de 2024 ADVOGADO (...) OAB (...) Estagiária: Thaissa Cursino de Lemos Costa CPD: 57608 image1.tmp image2.tmp image3.png image4.png