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Análise de Custos
1ª edição
2017
Análise de Custos
4
3
Unidade 4
O custeio por absorção
Para iniciar seus estudos
Já sabemos que o conhecimento dos custos é importante em vários 
aspectos fi nanceiros e em tomada de decisões. Nesta unidade vamos 
evoluir no que se refere à apropriação e a cálculos indispensáveis para 
uma análise consistente da empresa.
Objetivos de Aprendizagem
• conhecer o desenvolvimento do custeio por absorção;
• identifi car os elementos para a composição desse sistema de custe-
amento; e 
• composição do cálculo do custo variável, da margem de contri-
buição e do ponto de equilíbrio em quantidade.
4
Análise de Custos | Unidade de Estudo 4 – O custeio por absorção
4.1 Custeio por absorção
Já vimos nas unidades anteriores a separação entre custos e despesas. Antes de adentrarmos nos métodos de 
custeio é importante relembrar os conceitos.
São considerados custos todo e qualquer gasto referente à produção ou compra de mercadorias e são conside-
radas despesas todos os gastos que se referem à estrutura e administração da empresa e que não estejam direta-
mente ligados à produção ou compra de mercadorias. Realizar esta classificação de forma correta é fundamental 
para a utilização do custeio por absorção.
Tendo reforçados os conceitos, vamos entender que custeio nada mais é que apropriação de custos dele existindo 
diversas variedades, dentre elas, o custeio por absorção. Não há como afirmar qual é a melhor forma de custeio, 
pois elas podem, muitas vezes, ser complementares uma da outra. Além disso, para a gestão, o que vai deter-
minar o tipo ideal é a situação da empresa em análise..
No custeio por absorção serão considerados todos os gastos fixos de produção, sejam eles diretos ou indiretos, 
resultando em um valor unitário com todos os custos apropriados. Vale ressaltar ainda que o custo por absorção é 
um método de custeio que ocorre no momento da produção. Todo custo da produção realizada por esse método 
inclui-se no estoque, cuja baixa se dá no momento da venda, e que se denomina custo do produto vendido (CPV). 
O custeio por absorção é o único método aceito pela legislação fiscal. No entanto, os demais métodos podem ser 
realizados para controles internos.
Como já sabemos, para o custeio por absorção, serão considerados todos os custos fixos de produção. Vejamos 
no quadro abaixo a relação destes em uma fábrica de chocolates:
Figura 4.1 – Custos fixos de janeiro
Fonte: Elaborada pela autora
Com isso, precisamos incorporar o total dos custos fixos de $ 18.500,00, de forma que cada unidade de produto 
absorva uma parte destes. Isso pode ser feito com diversas bases de rateio, mas aqui utilizaremos o tempo de 
produção de cada tipo de chocolate.
Vamos imaginar que cada chocolate com avelã demore 5 minutos para ser produzido, enquanto que cada choco-
late crocante demore 3 minutos. Assim, considerando que serão produzidas 10.000 unidades de cada choco-
late, ao multiplicá-las pelo tempo de produção, teremos 80.000 minutos para a produção total, sendo 50.000 
minutos correspondentes ao chocolate com avelã e 30.000 minutos ao chocolate crocante.
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Análise de Custos | Unidade de Estudo 4 – O custeio por absorção
Tendo o tempo total de produção, com a regra de três podemos encontrar o percentual que cada tipo de choco-
late corresponde do total e em seguida aplicá-lo, encontrando o custo unitário absorvido, conforme segue:
Figura 4.1 – Custo por absorção
Fonte: Elaborada pela autora
Apenas para efeito de comparação, vamos analisar como seria o cálculo do custo variável para essa fábrica de 
chocolates. Nele, o que será considerado como matéria-prima é apenas a quantidade utilizada na produção das 
unidades fabricadas, independentemente da quantidade comprada pela fábrica. Vejamos a seguir:
Figura 4.1 – Custo Variável
Fonte: Elaborada pela autora
Pelo fato de o fisco aceitar apenas o custeio por absorção, algumas empresas podem adotar, para efeito geren-
cial, o custeio variável, com o objetivo de ter uma visão mais clara do custo dos produtos vendidos e, no final do 
período, ajustá-lo por meio de lançamentos contábeis, com base na absorção. O custeio variável é obtido pela 
soma dos custos e despesas variáveis. Vale lembrar que essas despesas estão diretamente ligadas ao adminis-
trativo da empresa. Dessa maneira, a despesa variável altera-se em relação à quantidade vendida, como por 
exemplo, as comissões sobre vendas. Já o custo variável, como vimos, está ligado à produção. Enfim, o custo 
variável total flexiona-se proporcionalmente à quantidade produzida, enquanto que a despesa variável o faz em 
relação à quantidade vendida. 
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Análise de Custos | Unidade de Estudo 4 – O custeio por absorção
Existem também outros métodos que utilizam o conceito de absorção de custos e despesas indiretas fixas: 
método de custeio ABC, método de custeio integral e método de custeio RKW, que serão abordados nas unidades 
a seguir.
No exemplo de custeio por absorção acima, conforme o conceito desse método, fizemos a apropriação apenas 
dos custos fixos produtivos. As despesas operacionais, como salários do administrativo, contas de telefone e 
outras não devem ser absorvidas pelo custo. Caso esse conceito não seja levado à risca, indicadores importantes, 
como a margem de contribuição e o ponto de equilíbrio, poderão ser calculados incorretamente e comprometer 
as decisões tomadas. 
4.2 Margem de contribuição
Para o estudo da margem de contribuição é importante revisarmos os conceitos de custos e despesas variáveis. 
Identificamos um custo total como variável quando este oscilar proporcionalmente à quantidade produzida, ao 
contrário dos custos variáveis unitários, que não se modificam em relação à quantidade produzida. Já as despesas 
variáveis alteram-se em função das vendas ou do faturamento.
Com isso, podemos dizer que a margem de contribuição representa o lucro variável, pois este é encontrado na 
diferença entre o preço de venda unitário do produto e os custos e despesas variáveis por unidade. Então, quando 
a empresa identifica a sua margem de contribuição, sabe exatamente qual o lucro que terá na venda de cada 
unidade do produto. Mesmo que após conhecer esse saldo ainda tenha que aplicar outras deduções antes de 
descobrir o seu lucro líquido, esse indicador não deixa de ser importante, pois é a partir dele que calcularemos 
também o ponto de equilíbrio, que veremos adiante.
Vamos analisar um caso prático para aplicação e conhecimento da margem de contribuição.
Uma empresa com apenas um departamento produz os produtos L, M e N. No mês de fevereiro teve $ 3.100.000 
de custos indiretos de produção, sendo $ 2.455.000 fixos e $ 645.000 variáveis. Já mencionamos anteriormente 
que, apesar de os custos variáveis serem sempre diretos, nem sempre serão assim classificados devido à difi-
culdade de apropriá-los diretamente, sem base de rateio. Assim, consideremos nesta situação os custos com 
energia elétrica e materiais indiretos.
Figura 4.2 – Custos indiretos
Fonte: MARTINS, Eliseu. 2010, p. 176.
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Análise de Custos | Unidade de Estudo 4 – O custeio por absorção
Para os custos diretos de produção temos: matéria-prima e mão de obra direta, no total de $ 700,00 por unidade L, 
$ 1.000,00 por unidade M e $ 750,00 por unidade N. No quadro acima podemos visualizar as quantidades produ-
zidas dos produtos L, M e N, que a empresa está vendendo a $ 1.550,00, $ 2.000,00 e $ 1.700,00, respectivamente.
O objetivo da empresa é identificar qual é o produto mais rentável, para que possa incentivar a sua venda.
Na primeira análise a empresa considera que a maior parte dos custos é constituída por mão de obra indireta, 
fazendo a distribuição com base nas horas de mão de obra direta, conforme segue:
Figura 4.2 – Distribuição baseada na mão de obra direta
Fonte: MARTINS, Eliseu. 2010, p. 176.
No quadro acima temos a soma de horas de mão de obra direta. Conhecendo o valor total dos custos indiretos 
de $ 3.100.000, dividiremos este por 155.000horas e encontraremos o valor de $ 20,00 por hora de mão de obra 
direta (hMOD).Com isso é possível identificar a lucratividade de cada produto, conforme vemos a seguir:
Figura 4.2 – Lucratividade com base na mão de obra direta
Fonte: MARTINS, Eliseu. 2010, p. 176.
Visualizando o quadro de lucratividade, concluímos que o produto que deve ter sua venda incentivada é o N, pois 
traz a maior lucratividade, de $ 550,00. O que vemos na imagem acima nomeado como lucro é o que chamamos 
de margem de contribuição, ou seja, a diferença entre o preço de venda e o custo de determinado produto.
A empresa pode optar por diversas formas de distribuição além desta e cada uma pode apresentar distorções na 
margem de contribuição e revelar que outro produto seja o mais rentável, como veremos no caso a seguir.
Optando por atribuir valores à mão de obra direta em vez de horas, supondo que a empresa tenha tido custos por 
hora de mão de obra direta diferentes para cada produto, teremos a distribuição conforme abaixo:
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Análise de Custos | Unidade de Estudo 4 – O custeio por absorção
Figura 4.2 – Custos diretos
Fonte: MARTINS, Eliseu. 2010, p. 177.
Consideremos os mesmos preços de venda e mesma quantidade de unidades vendidas para determinação do produto 
mais rentável por meio da distribuição dos custos indiretos de produção (CIP) por mão de obra direta em valor.
Figura 4.2 – Distribuição baseada na mão de obra direta (valor)
Fonte: MARTINS, Eliseu. 2010. P. 177.
Com base no quadro acima, temos o total de mão de obra direta em valor. Conhecendo o total dos custos indi-
retos de $ 3.100.000, dividiremos este por $ 1.860.000,00 e encontraremos 1,666666..., ou seja, para cada $ de 
mão de obra direta a empresa deve atribuir $ 1,6666 de CIP, o que significa dizer que, para o produto L teremos 
$ 325 (1,666 x $ 195), para o produto M teremos $ 500 (1,666 x $ 300) e para o produto N teremos $ 460 (1,666 
x $ 276).
Com isso, teremos o quadro de lucratividade por produto conforme vemos abaixo:
Figura 4.2 - Lucratividade com base na mão de obra direta
Fonte: MARTINS, Eliseu. 2010, p. 177.
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Análise de Custos | Unidade de Estudo 4 – O custeio por absorção
Nesta nova situação apenas o produto M mantém a mesma margem de contribuição no valor de $ 500. Observe 
que N deixa de ser o produto mais rentável, caindo de $ 550 para $ 490, sendo substituído pelo produto L, que 
atinge uma margem de contribuição de $ 525. 
Com isso, podemos constatar a importância de se escolher o método mais apropriado de distribuição, com base 
na realidade da empresa em questão, pois isso irá determinar a margem de contribuição calculada e consequen-
temente o ponto de equilíbrio.
Saiba mais sobre margem de contribuição conhecendo mais um caso prático na cartilha 
disponível neste link: https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/bis/cartilha-saiba-
mais-o-que-e-margem-de-contribuicao,a45ab88efc047410VgnVCM2000003c74010a
RCRD
4.3 Ponto de equilíbrio
O ponto de equilíbrio mostra quanto a empresa precisa vender para que consiga arcar com todos os custos e 
despesas fi xas e variáveis que ela tem para fabricar ou vender um produto, ou prestar um serviço. Basicamente é 
o ponto a partir do qual a empresa passa a auferir lucros.
Antes de obter o ponto de equilíbrio é preciso calcular o valor dos custos e despesas fi xas mensais e o índice de 
margem de contribuição que vimos no tópico anterior.
Vamos analisar um exemplo para facilitar o entendimento.
Imagine que uma empresa de cosméticos planeja vender 1.000 unidades de determinado perfume a $ 50,00. 
Para a produção de cada unidade a empresa tem um custo de $ 20,00 e mais $ 15,00 de despesas variáveis, além 
de um custo fi xo, que totaliza $ 6.000,00.
Faremos primeiramente a determinação da margem de contribuição por meio da montagem de uma demons-
tração e em seguida aplicaremos a fórmula para o cálculo do ponto de equilíbrio.
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Análise de Custos | Unidade de Estudo 4 – O custeio por absorção
Figura 4.3 – Demonstração do ponto de equilíbrio
Fonte: Elaborado pela autora
Na demonstração foi calculado o índice de margem de contribuição, que representa 30% do total da receita 
operacional, bem como o valor de $ 6.000,00 de custos e despesas fi xas, que já tínhamos no enunciado. Assim, 
é possível calcular o ponto de equilíbrio, que será obtido com a divisão dos custos e despesas fi xas ($ 6.000,00) 
pela margem de contribuição unitária ($ 15,00). O resultado é o número 400, que é a quantidade de unidades 
que a empresa precisa vender para suprir os custos e despesas fi xas e variáveis, ou seja, somente a partir de 400 
unidades é que a empresa passará a ter lucro. Para encontrar o ponto de equilíbrio em valor, basta multiplicar a 
quantidade encontrada (400) pelo preço de venda praticado ($ 50,00): obtemos então, nesse exemplo, o valor de 
$ 20.000,00, que é o mínimo que a empresa precisa vender para suportar os seus custos e despesas.
Com base nessas informações, poderíamos concluir que quanto mais a empresa vender, melhor − e isso é verdade. 
No entanto, é importante ainda analisar até quantas unidades a atual estrutura de custos fi xos suporta, ou seja, 
qual é a capacidade máxima de produção da empresa, pois podem existir casos em que um aumento nas vendas 
signifi ca aumento de estrutura, o que implicaria em investimento e elevaria os custos e despesas fi xas, como 
contratação de pessoal e aumento de área da fábrica, dentre outros. 
É essencial conhecer a capacidade máxima de produção que a estrutura da empresa 
suporta; cada vez que houver necessidade de aumento nos gastos fi xos o ponto de equilí-
brio deve ser recalculado. 
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Análise de Custos | Unidade de Estudo 4 – O custeio por absorção
Vejamos um gráfi co representativo do ponto de equilíbrio:
Figura 4.3 - Ponto de equilíbrio
Fonte: MARTINS, Eliseu. 2010,p. 258.
Neste tópico conhecemos o cálculo do ponto de equilíbrio em unidades. Conheça também 
o cálculo desse índice em valor total e valor diário, e também considerando descontos nas 
vendas, em: https://www.youtube.com/watch?v=5XLAl8E-NOo. 
4.4 Ponto de equilíbrio contábil, econômico e fi nanceiro
O ponto de equilíbrio pode ainda ser suplementado para a realização de outras análises importantes para a 
empresa. No tópico anterior conhecemos o ponto de equilíbrio que chamamos de contábil, que é o que ocorre 
quando o ponto encontrado é sufi ciente para suportar os custos e despesas fi xos, o que para a contabilidade 
signifi ca dizer que neste ponto não há lucro e nem prejuízo para a empresa.
Vamos verifi car como seriam calculados este e os demais pontos de equilíbrio para uma mesma empresa com as 
características abaixo: 
• custos + despesas variáveis: $ 600 por unidade;
• custos + despesas fi xos: $ 4.000.000 por ano;
• preço de venda: $ 800 cada unidade.
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Análise de Custos | Unidade de Estudo 4 – O custeio por absorção
Já sabemos que quando a soma das margens de contribuição de $ 200,00 por unidade for igual ao total de custos 
e despesas fixos, teremos encontrado o ponto de equilíbrio contábil, e a empresa não terá obtido nem lucro, nem 
prejuízo, conforme veremos a seguir. 
Figura 4.4 - Ponto de equilíbrio contábil (PEC)
Fonte: MARTINS, Eliseu. 2010, p. 261.
Contudo, tendo esse resultado, significa dizer que a empresa tem seu resultado igual a zero, e assim perde os 
juros sobre capital próprio ora investidos. 
Podemos exemplificar essa perda com a seguinte situação: suponhamos que no início do exercício a empresa 
tenha um patrimônio líquido que totaliza $ 10.000.000,00 e os sócios aplicam esse valor para rendimento de 
10% ao ano. Com isso, pode-se dizer que a empresa almeja um lucro mínimo anual de $ 1.000.000,00. Portanto, 
a empresa somente terá lucro na atividade, se alcançar o valor almejado. Para obtê-lo é necessário calcular o 
ponto de equilíbrio econômico. 
O ponto de equilíbrio econômico será encontrado a partir do momento em que a somatória das Margens de 
Contribuição tiver um total de $ 5.000.000, quando,após a dedução dos custos e despesas fixos no valor de $ 
4.000.000, ainda restem $ 1.000.000, que é o lucro almejado pela empresa. Com isso, temos o ponto de equilí-
brio econômico calculado a seguir:
Figura 4.4 – Ponto de equilíbrio econômico (PEE)
Fonte: MARTINS, Eliseu. 2010, p. 261.
Assim, podemos dizer que se a empresa realizar um volume intermediário entre 20.000 e 25.000 unidades, estará 
alcançando um resultado contábil positivo, mas economicamente ainda estará em situação de perdas, por não 
estar conseguindo recuperar o valor mínimo do juro do capital próprio investido.
Como podemos ver, o ponto de equilíbrio contábil e econômico não são iguais no que se refere a resultado 
financeiro, pois podemos, por exemplo, ter dentro das despesas e custos fixos uma depreciação no valor de $ 
800.000,00, sem que este valor represente desembolso no período. 
Portando, os custos e despesas fixas de $ 4.000.000,00 podem ser reduzidos a $ 3.200.000,00 ao ano. O ponto de 
equilíbrio financeiro será alcançado quando for obtida uma margem de contribuição total com esse valor. 
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Análise de Custos | Unidade de Estudo 4 – O custeio por absorção
Figura 4.4 – Ponto de equilíbrio financeiro (PEF)
Fonte: MARTINS, Eliseu. 2010,p. 261.
Se a empresa se mantiver com as vendas nesse nível, haverá sim um equilíbrio financeiro, mas ainda assim estará 
operando com prejuízo de $ 800.000,00, já que não haverá recuperado a depreciação consumida do Ativo Imobi-
lizado. Considerando ainda o ponto de equilíbrio econômico, estará em prejuízo também com a não remuneração 
dos juros sobre o capital próprio no valor de $ 1.000.000,00, totalizando, em tese, um prejuízo de $ 1.800.000,00.
Agora, se tivermos um total de vendas igual a 22.000 unidades, teremos:
• resultado contábil: 2.000 unidades x $ 200,00 = $ 400.000,00 de lucro;
• resultado econômico: 3.000 unidades x $ 200,00 = $ 600.000,00 de prejuízo;
• resultado financeiro: 6.000 unidades x $ 200,00 = $ 1.200.000,00 de superávit.
Esses números foram calculados tomando por base o volume de vendas em unidades, menos os respectivos 
pontos de equilíbrio; e os números encontrados seriam os mesmos, caso calculássemos utilizando a fórmula: 
receitas totais - custos e despesas totais (contábeis, econômicas e financeiras). 
Nesse formato a empresa teria, ao final do exercício, um caixa de $ 200.000,00, o que, para efeito contábil, signi-
fica dizer que houve um lucro de $ 400.000,00, considerando que $800.000,00 fazem parte da recomposição do 
ativo imobilizado. Ainda assim, este lucro de $ 400.000,00 seria inferior ao lucro mínimo almejado pela empresa, 
de $ 1.000.000,00. 
Como já vimos também em outros indicadores, há que se considerar diversos aspectos relacionados à atividade 
da empresa e também perspectivas contábeis importantes para que os resultados das análises reflitam a situação 
mais próxima possível da realidade da empresa em questão.
Com isso, a situação acima apresenta um simples resultado financeiro em que se admite todas as receitas rece-
bidas e todos os custos e despesas pagas, excluindo-se apenas a depreciação. No entanto, existe uma outra 
forma de se encontrar outros pontos de equilíbrio financeiro, na qual o que consideramos acima como “caixa” 
seja transformado em “disponibilidades somadas aos recebíveis de clientes, subtraindo-se fornecedores a pagar 
(insumos de produtos ou serviços)”, ou até mesmo um ponto de equilíbrio que considere as distorções entre os 
prazos médios de pagamento e os prazos médios de recebimento.
E ainda podemos ter uma terceira opção, que é um ponto de equilíbrio financeiro que considere parcelas finan-
ceiras que a empresa obrigatoriamente tenha que desembolsar no período e que não tenham sido incluídas nos 
custos e despesas. 
Com os mesmos dados apresentados nos cálculos de PEC e PEE acima, vamos imaginar que a empresa incluiu 
em seus recursos próprios um valor de $ 8.000.000,00, obtidos por meio de um empréstimo; os impostos sobre 
operações financeiras já haviam sido incluídos nos custos e despesas fixos existentes de $ 4.000.000,00, porém 
a parcela da amortização não, e para isso a empresa precisará amortizar anualmente parcelas de $ 2.000.000,00. 
Sendo assim, sabemos que, além dessa parcela, a empresa precisa alcançar o valor de $ 3.200.000,00, como nos 
cálculos anteriores (custos e despesas – depreciação). 
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Análise de Custos | Unidade de Estudo 4 – O custeio por absorção
Portanto, podemos calcular um segundo ponto de equilíbrio fi nanceiro, com a fi nalidade de alcançar o objetivo 
descrito acima: 
Figura 4.4 – Ponto de equilíbrio fi nanceiro 2 (PEF2)
Fonte: MARTINS, Eliseu. 2010, p. 262.
Diante disso, podemos dizer que a empresa, realizando um volume de vendas de 25.500 unidades, terá um resul-
tado contábil de $ 1.100.000,00, um resultado econômico de $ 100.000,00 e, por fi m, um resultado fi nanceiro 
de $ 1.900.000,00. Caso consideremos tão somente as operações e, para o último exemplo, tendo em vista a 
necessidade de amortização da parcela do empréstimo, o segundo resultado fi nanceiro contará com um prejuízo 
de $ 100.000,00, pois a empresa não obteve todo o valor que precisava para pagamento da amortização de $ 
2.000.000,00.
Podem existir ainda diversas variáveis que infl uenciam esses cálculos, como a infl ação do período, alteração nos 
custos e despesas fi xos, alteração nos custos e despesas variáveis, alteração nos preços de vendas etc., por isso 
é importante conhecer o conceito e o desenvolvimento dos cálculos, para que se possa aplicá-los em qualquer 
situação diversa das que aqui apresentamos.
Conheça um pouco mais sobre essas infl uências e veja os exemplos práticos, fazendo a 
leitura dos capítulos 22.6 a 22.9 da bibliografi a básica desta disciplina (Contabilidade de 
Custos, Eliseu Martins).
15
Considerações fi nais
Nesta unidade demos continuidade ao aprendizado de análise de custos, 
conhecendo o método de custeio por absorção e também o cálculo de 
indicadores importantes para o gerenciamento de empresas:
• custeio por absorção frente ao custeio variável: conceito, como 
utilizar o método aceito pelo fi sco e comparativo com o método 
de custeio variável utilizado para controle interno;
• margem de contribuição: conceitos, cálculos e importância da 
margem para a tomada de decisões;
• ponto de equilíbrio em quantidade: conceito, como calcular e a 
importância da apuração e utilização deste indicador.
Referências bibliográfi cas
16
MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 10 ed. São Paulo: Atlas, 2010.
PADOVEZE, Clóvis Luís. Controladoria Básica. 2 ed. São Paulo: Cengage 
Learning, 2010.

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