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CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: 
FUNDAMENTOS HISTÓRICOS E INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO.
UNIDADE 2 – Seção: 2.1, 2.2 e 2.3
Professor Ronaldo Braga
“Todos os direitos reservados ao autor desta obra , respondendo na seara civil, criminal e administrativa aquele que infringir a
legislação vigente. Sendo, portanto, proibida a reprodução, divulgação e/ou modificação deste trabalho”.
Direito Feudal e Direito Canônico.
. Direito Feudal: 
É o conjunto de normas consuetudinárias– “habitual, costumeiro” – que regiam
as relações advindas do sistema feudal de produção que era caracterizado pelo
emprego da técnica de rotação de culturas que, garantia um maior tempo de uso
das terras cultiváveis. Baseava-se em grandes propriedades de terra, chamadas
de feudos, que pertenciam aos senhores feudais, e a mão de obra era servil.
Neste, buscava-se o atendimento de necessidades básicas. Durou por 4 séculos
na Europa Ocidental. 
A sociedade feudal era formada por clero, nobre e servos, e o sistema feudal
tinha como objetivo complementar a atividade agrícola. 
 
Hodiernamente, o direito consuetudinário se revela numa
série de costumes, práticas e crenças que são aceitos como
regras obrigatórias de conduta pelos povos indígenas e
comunidades locais, sobretudo as rurais. 
O direito consuetudinário, portanto, é uma parte intrínseca
dos seus sistemas sociais e econômicos e modos de vida.
 
Ainda sobre o Direito Feudal, ressalte-se:
Principais Leis: Uma delas era a formariage que impunha ao
servo que resolvia casar-se com alguma mulher de outro feudo,
a obrigação de pagar uma taxa ao senhor feudal, também
conhecido como suserano. De igual sorte, quando o nobre
resolvia se casar, todo servo era obrigado a pagar uma taxa
para ajudar no casamento, regra também válida para quando
um parente do nobre iria casar. Todo casamento que ocorresse
entre servos deveria ser aceito pelo suserano. 
 
Havia também outros tipos de tributos ou taxas, tais como: 
a. a corveia (trabalho ou serviço gratuito que o servo devia
prestar ao suserano ); 
b. a banalidade(tributo por utilizar as coisas do suserano); 
c. a talha (era um tributo que era pago pelos vassalos para o
custeio da defesa do feudo. Consistia de parte da produção
realizada na unidade agrícola (feudo). Era a porcentagem da
produção obtida do trabalho no manso servil que era para o
Senhor Feudal); 
d. a capitação (era outro tipo de imposto, sob a forma de produtos,
cobrada segundo o número de integrantes de uma família. A “mão
morta” era paga toda vez que um servo falecia e os seus
descendentes procuravam garantir o direito de trabalhar naquelas
mesmas terras, repartir os gêneros que lhes pertencia); 
e. o censo (Os vilões e homens livres contribuíam com um outro
imposto, o censo, baseado no número de indivíduos que compunham
essa população livre. A novidade do censo é que ele era o único pago
em dinheiro, já que todos os outros tributos consistiam em serviços
ou produtos agrários, colocar à disposição sua tropa, ajudantes); 
f. a taxa de Justiça (montante devido de acordo com a complexidade
do caso); 
g. a mão-morta (taxa para permanecer no feudo da família no caso da
morte do senhor feudal provedor); 
h. a albernagem (albergue para acolher-se); 
i. o tostão de Pedro ou dízimo (contribuição em moeda à igreja). 
Todo casamento que ocorresse entre servos deveria ser aceito pelo
senhor feudal, donde estava a mulher pretendente pelo servo de
outro feudo.
 
Sua criação e surgimento: Ocorreram invasões
germânicas (bárbaros) que fizeram os grandes
senhores romanos abandonarem as cidades para
morar no campo, em suas propriedades rurais. 
Esses poderosos senhores romanos criaram ali as vilas
romanas, centros rurais que deram origem aos feudos
e ao sistema feudal na Idade Média.
O processo que deflagrou seu fim: A ascensão
da burguesia, a expansão do comércio, o
aparecimento da mão-de-obra assalariada,
aliados ao fortalecimento do poder real - e a
consequente formação dos Estados nacionais -,
foram fatores que abalaram de vez a estrutura
feudal da Europa e provocaram o fim desse
sistema no continente.
Vigorou na Europa Ocidental por 4 séculos, a partir
do século VIII, tendo sua origem no reino franco e,
posteriormente, espalhando-se por todo o Ocidente. 
Aqui, ressalte-se, houve um modo de organização
social, político e social, baseado no regime de
servidão.
 
O ponto inicial que devemos começar a tratar é
que, diferente do que normalmente é veiculado em
obras literárias sérias, não podemos firmar que a
Idade Média é um período de “trevas”. 
Assim como todo processo de construção
histórica, esse período histórico passou por “altos
e baixos”.
 
“Eu diria que a Idade Média não é o período dourado que
certos românticos quiseram imaginar, mas também não é,
apesar das fraquezas e aspectos dos quais não gostamos,
uma época obscurantista e triste, imagem que os humanistas
e os iluministas queriam propagar. É preciso considerá-la no
seu conjunto”. LE GOFF*, 2007, p. 18 
(*). Jacques Le Goff foi um historiador francês especialista em Idade Média. Autor de dezenas de livros e trabalhos, era membro da
Escola dos Annales, pertencente à terceira geração, empregou-se em antropologia histórica do ocidente medieval = 1924/2014.
 
Sob o ponto de vista temporal, a Idade Média está
compreendida entre o período da história da Europa que tem
início com o colapso do Império Romano do Ocidente no
século V. d. C. até o período do Renascimento.
A Idade Média é marcada por uma desconcentração do
poder, ocasionada após a queda do Império Romano do
Ocidente e a miscigenação da cultura romana com a cultura
dos reinos bárbaros.
 
. Direito Canônico: O Direito Canônico é fruto dos estudos
empreendidos pelo catolicismo romano. Assim como o Direito
Romano, enquanto construção histórica o DC está enraizado no
sistema jurídico contemporâneo. De perseguidos pelo Império
Romano desde os seus primórdios, passando pelo espraiamento de
sua doutrina em Roma e nas demais cidades que pertenciam ao
Império Romano, e mais à frente com a adesão à doutrina cristã por
Helena, mãe do imperador Constantino (311 d.C.), que proibiu a
perseguição aos cristãos, culmina no Governo de Teodósio, que em
385 d.C. elevou o cristianismo à religião oficial do Império. 
 
Nesse prisma, destacamos que o Direito Canônico é o conjunto de
leis que rege a estrutura institucional da Igreja Católica Apostólica
Romana. Ele regulamenta todos os segmentos da vida eclesiástica; sua
organização, governo, ensino, culto, disciplina e práticas processuais. 
Foi no século II que começou a formação do Direito Canônico. As
fontes se encontravam nas decretais pontifícias, nos cânones
oriundos de concílios, nos mais variados estatutos promulgados por
bispos, e nas inúmeras regras monásticas com seus livros penitenciais
 
Base do Direito Canônico: É a lei da Igreja Católica, o
conjunto das normas que regulam a vida na
comunidade eclesial, diretamente relacionado ao dia-
a-dia dos católicos de todo o mundo. 
Nasceu no interior do Império Romano e vem até aos
nossos dias mas baseia-se na herança jurídica e
legislativa da Revelação e da Tradição. 
Características do Direito Canônico: As principais
características são: 
. A lei canônica é unitária: A Igreja é uma e, portanto,
seu ordenamento deve ser único. 
. Universalidade: Este direito está sujeito a todas as
pessoas identificadas com a sua religião e, portanto,
dirige-se a toda a comunidade católica.
Fontes do Direito Canônico:
Corpus Juris Canonici: É a lei escrita do direito canônico. ...
Concordatas: São normas que regulam a relação entre a Igreja e os
Estados.
Personalizado: Comportamentos repetidos e seguidos pela
comunidade de fiéis.
Jurisprudência: emitida pelos Tribunais Pontifícios.
Atos administrativos. Batizados, casamentos, crismas, etc.
Podemos destacar como uma das hipóteses do Direito
Canônico o vácuo político deixado a partir da invasão de
Roma e, por conseguinte, a quedado Império Romano do
Ocidente. 
É nesse processo de desconcentração política na Europa
que a Igreja Católica conseguiu, paulatinamente, um
destaque para além do poder espiritual, ingressando nas
estruturas do poder temporal, dentre os quais destacamos o
poder político e o poder jurídico.
Uma das grandes contribuições do Direito Canônico está na
ideia de boa-fé e má-fé. 
Para Mergulhão, “a boa-fé em seu período canônico
impregnou-se das ideias de humanidade, piedade, caridade e
bondade 
Um dos elementos probantes dessas concepções é a celebre
frase de São Cipriano: ‘aequitas est iustitia dulcore
misericordia temperata’”.
Essa “eticização da Boa-Fé foi essencial para a construção
daquilo que conhecemos por Boa-Fé subjetiva”.
EXERCÍCIOS A SEREM RESOLVIDOS EM SALA DE AULA:
1. Qual a finalidade da História, desde os tempos mais remotos?
2. Concomitantemente a história significa o quê?
3. A história é um fenômeno social constitui-se como um processo de libertação e justificação do
presente em relação ao passado. Cite algumas possibilidade que esse fenômeno nos oferece nos
dias atuais. 
4. Qual a importância e o efeito da sociedade se esforçar para assegurar uma determinada ordem
social? 
5. Cite algumas áreas conexas do conhecimento que estudam o homem e a sociedade.
6. Cite algumas características dos Direitos: Hebreu, Hindu, Chinês e Japonês.
7. Cite algumas transformações vivenciadas pela civilização humana desde os seus primórdios até
a época atual.
8. A importância do estudo da história para a compreensão do mundo jurídico nos remete a uma
reflexão cara e que não transige com a exclusão de alguns direitos essenciais à nossa gente. Cite-
os:
9. Discorra sobre Normas consuetudinárias. Dê exemplos.
10. O que são propriedades feudais.
11. Qual a efetividade da Lei formariage? 
12. Quais as relações analógicas das chamadas Taxa da Justiça e do Tostão de Pedro na vida social
presente?
13. Qual a origem do Direito Canônico?
14. Qual a relação da Boa-fé subjetiva copiada do Direito Canônico que se aplica no Direito
contemporâneo?
15. Mergulhão em seus ensinamentos doutrinários acerca da “a boa-fé em seu período canônico
impregnou-se em quais ideias? 
 RENASCIMENTO CULTURAL e RENASCIMENTO JURÍDICO:
Renascimento, ou renascença, faz referência a um movimento
intelectual e artístico surgido na Itália, entre os séculos XIV e XVII, e daí
difundido por toda a Europa.
Foi um movimento cultural, econômico e político que se estendeu por
toda a Europa, inspirado nos valores da Antiguidade Clássica (este
período foi marcado pela prosperidade das civilizações grega e romana,
que influenciaram a Europa, o norte da África e a Ásia ocidental) e
gerado pelas modificações econômicas, tendo por conseguinte,
reformulado a vida medieval e deu início à Idade Moderna.
A concepção medieval do mundo se contrapõe uma nova
visão, vejamos: 
i. Empírica – é aquele conhecimento adquirido durante toda
a vida, no dia-a-dia, que não tem comprovação científica
nenhuma;
ii. Científica – ciência guiada pela razão do homem e da
natureza. 
Trata-se de um período chamado historicamente de
Renascimento cultural e estava ligado a um maior investimento
da Cultura com destaque: “a imagem, fortalecimento da marca
ou vínculos com a sociedade, além da aproximação do seu
público alvo” e a uma “redescoberta” dos textos jurídicos
romanos com destaque: “aos contratos, leis, regulamentos,
estatutos, certidão de batismo, certidão de casamento,
certidão de óbito, documentos pessoais, autorização de
funcionamento, sentença de condenação, medida provisória,
editais, etc). 
Portanto, foi um movimento laico (sem perseguição ou
favorecimento de qualquer religião) que influenciou o mundo
ocidental. Logo, deu-se o início do enfraquecimento da Igreja católica
Medieval(*).
(*). A Igreja Medieval é o nome dado à Igreja Católica durante a Idade
Média. Ela exerceu grande influência sobre a população no que se
refere aos aspectos culturais, sociais e políticos. 
Nem mesmo a monarquia estava livre de sua atuação.
O Renascimento foi um movimento cultural, econômico e
político, surgido na Itália no século XIV e se estendeu até o
século XVII por toda a Europa. 
Inspirado nos valores da Antiguidade Clássica e gerado pelas
modificações econômicas, reformulou a vida medieval, e deu
início à Idade Moderna.
Principais causas: As conquistas marítimas e o contato
mercantil com a Ásia ampliando o comércio e a
diversificação dos produtos de consumo na Europa. 
Do Renascimento, criou-se o:
i. O HUMANISMO: Um movimento de transição entre a Idade
Média e a Idade Moderna, ou entre o Trovadorismo que ficou
conhecido como um movimento poético-musical que se
desenvolveu na Europa, no período medieval de cujos poemas
eram escritos em forma de cantigas líricas ou satíricas. 
Foi o primeiro movimento artístico que se deu na poesia europeia
além de que tal período literário correspondeu a ideais
filosóficos, morais e estéticos que valorizavam o ser humano. 
ii. O ANTROPOCENTRISMO: É um conceito filosófico que
ressalta a importância do homem como um ser dotado de
inteligência e, portanto, livre para realizar suas ações no
mundo. Ou seja: o homem como centro do Cosmos. 
iii. O INDIVIDUALISMO: É um conceito político, moral e
social que exprime a afirmação e a liberdade do indivíduo
frente a um grupo, à sociedade ou ao Estado. 
Quer dizer autonomia dos sujeitos em suas formas de pensar
e de agir. Livre arbítrio!
iv. O UNIVERSALISMO: Opinião que não reconhece outra
autoridade senão o consenso universal e, segundo a qual
Deus quis a redenção de todos e não só a dos eleitos.
v. O RACIONALISMO: O racionalismo afirma que tudo o que
existe tem uma causa inteligível, mesmo que essa causa não
possa ser demonstrada empiricamente, tal como a causa da
origem do Universo. Privilegia a razão em detrimento da
experiência do mundo sensível como via de acesso ao
conhecimento. 
vi. O CIENTIFICISMO: Doutrina filosófica que afirma ser a ciência
superior a qualquer outro saber ou conhecimento usado para
compreender a realidade. 
vii. E a VALORIZAÇÃO DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA: Padrão
por excelência do sentido estético. A arte classicista procura a
pureza formal e o equilíbrio. os artistas do renascimento
buscavam inspiração nos valores estéticos do período clássico
greco-romano. Eles consideravam que as obras criadas durante a
Roma Antiga tinham valores superiores aos criados na época
Medieval.
As marcas desse movimento são a valoração do humanismo, da razão e do
conhecimento científico. Ali surgira o berço de pensadores como JOHN Locke e
RENÉ DESCARTES. Portanto, foi um movimento laico que influenciou o mundo
ocidental. Importante reforçar que há forte crítica a esta visão do período da
Idade Média (resistências pelas mudanças). 
Os estudos sobre o Corpus Juris foram destacados em Ravena e Bolonha, através
de glosas, ou seja, comentários escritos no corpo do texto, típicos do método do
Trivium, de cujos destaques são esses: (i). A Gramática (esmero); (ii). A Dialética
(raciocínio lógico); (iii). A Retórica (eloquência). 
Essas glosas (interpretações) podiam ser interlineares (escritos entre linhas) ou
marginais (garranchos), a depender do seu tamanho.