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Unidade 8 O impacto da mudança do ponto de vista da cultura organizacional e, por consequência, da gestão é tão grande que, nos anos 1970, os conceitos acerca do tema, que vinham sendo estudados desde o final da Segunda Guerra Mundial, foram reunidos em uma área de estudos da Administração conhecida como gerenciamento de mudança (change management, em inglês). A. A definição de gerenciamento mais u lizada é a de Moran e Brightman (2001, p. 111, tradução do autor): “[...] processo de renovação con nua da gestão, estrutura e competências da organização para servir às necessidades em constante mudança de clientes externos e internos”. Essa disciplina ganhou impulso primeiramente com a globalização, na década de 1980, e mais recentemente desde os anos 2000, com o movimento de aceleração das necessidades de adaptação (mudança) das empresas em função dos avanços tecnológicos (BURKE, 2002). Para o autor Burke (2002), em seu livro Organiza on change: theory and prac ce, a mudança pode ser dividida em três diferentes eixos, que avaliam a sua causalidade, frequência e po (alcance). Assim, a mudança pode ser: A. Planejada ou Emergente B. Episódica (pontual) ou con nua C. De melhoria, transição ou transformacional Igualmente importante, para Burke, é conhecer os principais pensadores e seus modelos de gerenciamento de mudança, porque muitos desses modelos, com menor ou maior grau de adaptação, são u lizados até hoje para criar os planos de gestão de mudança e, assim, minimizar os impactos nega vos que qualquer implantação de mudança gera nas organizações, além de maximizar os ganhos dessas implantações. O modelo de Kurt Lewin é considerado um dos membros fundadores da psicologia social moderna. Seu modelo básico de mudança descreve-a em três fases: A. Descongelamento (unfreeze): ideias an gas e processos históricos são iden ficados e melhorados ou removidos. B. Mudança (changing): novas ideias e processos são iden ficados e implementados. C. Recongelamento (refreezing): as novas ideias e processos tornam-se a forma aceita de fazer as coisas. O modelo de William Bridges seu foco está no aspecto humano das mudanças, nas transições e emoções vividas por pessoas que estão passando por elas. Seu modelo de transição consiste em três fases: A. A finalização (the ending): na qual se pede aos indivíduos que abandonem o modo como as coisas costumavam ser, o famoso SFA: “Sempre Foi Assim”. B. Mudando para o ponto morto (shi ing into neutral): nesta fase, os indivíduos gastam a maior parte de sua energia para lidar com (aceitar) a mudança, enquanto os gestores concentram-se em comunicar o “novo estado”, o plano e propósito dessa nova situação. C. Seguindo em frente (moving forward): na úl ma etapa, o foco muda para a nova visão. Indivíduos que se iden ficarem com as mudanças serão encorajados e recompensados, enquanto aqueles que resis rem serão relegados. As principais críticas ao modelo de Bridges são: 1. A possível menor eficiência quando se consideram as implicações mais amplas da mudança, devido ao foco interno (dentro da organização) do modelo; 2. A concentração da atenção nos efeitos imediatos, em vez de considerar os impactos da mudança na comunidade externa. O modelo de John Kotter: Os oito passos de Kotter são: ● 1. Estabelecer um senso de urgência Deve partir da alta gestão da empresa, que terá que definir a mudança como prioridade da organização. ● 2. Formar uma coalizão de orientação poderosa Toda a alta e média gerência da empresa deve participar do processo de endosso da necessidade de mudança. ● 3. Criar uma “visão” Esta deverá definir claramente a necessidade de mudança, os objetivos pretendidos, os caminhos que serão adotados, o tempo estimado para que ela ocorra e os impactos gerados por ela. ● 4. Comunicar essa “visão” Primeiro internamente, em todos os níveis e das mais diferentes formas possíveis, de maneira que todos os colaboradores sejam alcançados pela comunicação e se engajem no processo. ● 5. Capacitar outros para agir de acordo com a “visão” Garantir que todas as pessoas tenham os conhecimentos técnicos necessários para a implantação eficiente da mudança, sejam eles ligados diretamente à mudança ou mesmo à gestão dos impactos causados por ela. ● 6. Planejar e criar vitórias de curto prazo (quick wins) Estabelecer “pequenos passos” (baby steps) na execução da mudança, de forma a garantir que as pessoas entendam o que está mudando, como está mudando e “para onde está indo”, minimizando, assim, os riscos do processo e mantendo, ao mesmo tempo, a coesão da equipe. ● 7. Consolidar melhorias e produzir ainda mais mudanças Uma vez que as pequenas mudanças vão ocorrendo, novas são introduzidas, de forma que o processo se torne contínuo e passe a fazer parte do dia a dia dos funcionários e da organização como um todo. ● 8. Institucionalizar novas abordagens Na medida em que o ciclo de mudança se torne corriqueiro, ele deve ser introduzido formalmente nos procedimentos de gestão da organização, de forma que a empresa se torne sempre “inovativa” e trate a mudança como algo normal e cotidiano. Os principais desafios da transformação digital o Mudança na cultura da empresa; o Pensar além da “mentalidade de campanha” em esforços de estratégia digital; o Cooperação entre os departamentos e silos de equipe; o Recursos e Alocação de verbas Dados da pesquisa realizada pela consultoria Bain & Company em 2017: o Esse resultado, para a consultoria, reflete o maior grau de dificuldade de implementar mudanças oriundas de projetos de TD em relação a outros pos de mudança, devido tanto às caracterís cas intrínsecas de projetos de TD quanto ao seu maior impacto na organização e em seus colaboradores (LAURENT-PIERRE et al., 2017). o De acordo com a pesquisa, os fatores que mais dificultam a obtenção de sucesso estão ligados a aspectos da cultura organizacional, como: Falta de liderança; Desalinhamento da equipe com os obje vos do plano de TD; Problemas na comunicação correta do plano de TD; Resistência à mudança. curva de mudança (KÜBLER-ROSS, 1997): “os cinco estágios do luto” o A curva de mudança é uma das ferramentas mais amplamente u lizadas como método para ajudar as pessoas a entender suas reações às mudanças, e pode auxiliar os gestores do processo a perceber o que está se passando com cada colaborador, em que estágio ele se encontra e o que fazer para tranquilizá-lo de que aquilo que está sen ndo é normal e que, com paciência e perseverança, o sen mento passará, e o processo será naturalmente internalizado por ele. Também serve para ajustar o processo de mudança, por exemplo, no que tange à comunicação interna acerca deste, ajudando a reduzir as resistências do me. Junto com o MIT, a Deloi e elaborou um estudo que mostra que as competências necessárias para a liderança digital bem-sucedida precisam estar concentradas em mudanças em três áreas (PHILPOT; ROY, 2017): A. Transformação cogni va: os líderes precisam pensar de forma diferente; B. Transformação comportamental: os líderes precisam agir de forma diferente; C. Transformação emocional: os líderes precisam reagir de maneira diferente.