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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 6ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE FORTALEZA/CE
Autos nº: (indicar o número dos autos)
Recorrente: Caio (qualificação completa)
Recorrido: Ministério Público do Estado do Ceará
Processo: Ação Penal nº (indicar o número do processo)
Data: 12 de outubro de 2024
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RECURSO EM SENTIDO ESTRITO
Caio, já qualificado nos autos em epígrafe, por seu advogado que esta subscreve, inconformado com a decisão que recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público, com fundamento no artigo 581, inciso I, do Código de Processo Penal, vem, respeitosamente, interpor o presente RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, requerendo que seja o recurso recebido e processado, com posterior remessa ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, para que seja provido, conforme as razões a seguir expostas:
I – DOS FATOS
Em fevereiro de 2024, após diversas tentativas de cobrança amigável, Caio adentrou a barbearia de José e retirou R$ 4.000,00, deixando bilhete com justificativa e assinatura. Na ocasião, José registrou boletim de ocorrência, culminando com a denúncia oferecida pelo Ministério Público imputando a Caio o crime de furto qualificado pelo rompimento de obstáculo (art. 155, § 4º, inciso I, do Código Penal), a qual foi recebida por este Juízo.
II – DO CABIMENTO DO RECURSO
O presente recurso em sentido estrito é cabível, nos termos do art. 581, inciso I, do Código de Processo Penal, em face da decisão que recebe a denúncia, uma vez que visa demonstrar a ausência de justa causa para a persecução penal.
III – DAS TESES DEFENSIVAS
1. Da Ausência de Animus Furandi (Intenção de Subtrair Definitivamente)
Conforme entendimento consolidado da jurisprudência, o crime de furto exige o elemento subjetivo do dolo, consistente na intenção de subtrair, de forma permanente, coisa alheia. No caso em tela, não há elementos que indiquem o animus furandi, pois o ato de Caio de retirar o dinheiro visou a compensação da dívida não paga por José, além de ter deixado um bilhete assumindo a autoria e justificando o valor retirado, evidenciando sua boa-fé. Dessa forma, não se configura a prática de furto, já que não houve intenção de apropriação ilícita, mas tentativa de reparação por meio de autotutela.
2. Da Caracterização de Exercício Arbitrário das Próprias Razões (Art. 345 do Código Penal)
Em situações nas quais o agente busca satisfazer uma pretensão legítima, o fato pode ser desclassificado para o crime de exercício arbitrário das próprias razões (art. 345 do Código Penal), sendo este o caso de Caio. Ao agir para satisfazer crédito reconhecido, sua conduta configura ato de cobrança impróprio, com pena consideravelmente menor e sem a qualificadora do rompimento de obstáculo, já que a intenção não era subtrair coisa alheia para enriquecimento próprio, mas sim o reembolso de valor devido.
3. Do Princípio da Insignificância
Em complementação à tese de desclassificação, vale ressaltar que a aplicação do princípio da insignificância afasta a tipicidade material do delito. Em casos de dívidas entre particulares, a jurisprudência vem aceitando a aplicação desse princípio em razão da inexistência de lesão grave à sociedade, reduzindo a lesividade social da conduta. Aqui, Caio buscava o ressarcimento de valor que José, de má-fé, deixou de pagar, o que enfraquece a tipicidade do crime imputado.
IV – DOS PEDIDOS
Ante o exposto, requer:
a) O recebimento do presente Recurso em Sentido Estrito, com a sua devida intimação para manifestação do Ministério Público;
b) A reforma da decisão que recebeu a denúncia para o não prosseguimento da ação penal, seja pela rejeição da denúncia, nos termos do art. 395, III, do Código de Processo Penal, em razão da ausência de justa causa, ou pela desclassificação para o delito de exercício arbitrário das próprias razões, nos termos do art. 345 do Código Penal;
c) Subsidiariamente, a aplicação do princípio da insignificância para afastar a tipicidade material da conduta.
Nestes termos, pede deferimento.
Local e data:
Fortaleza, 12 de outubro de 2024.
Advogado:
OAB:

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