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Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara de Execuções Penais da 
Comarca de São Paulo 
 
Agravante: Joana Lima 
 
Agravado: Ministério Público 
 
Processo de Origem: [Número do Processo] 
 
AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL 
 
Joana Lima, já qualificada nos autos do processo supramencionado, por meio de 
seu advogado que esta subscreve, nos termos do art. 197 da Lei de Execução 
Penal, vem, respeitosamente, interpor: 
 
AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL 
 
em face da decisão proferida por este juízo, que indeferiu o pedido de livramento 
condicional da agravante com fundamento na sua reincidência, conforme razões 
de fato e de direito a seguir expostas. 
 
I. BREVE SÍNTESE DOS FATOS 
 
Joana Lima cumpre pena de 21 (vinte e um) anos de reclusão, fixada pela prática 
de latrocínio (art. 157, § 3º, inciso II, do Código Penal), em regime fechado, na 
cidade de São Paulo, desde 2010. A sentença condenatória foi proferida pela 25ª 
Vara Criminal de São Paulo, tendo transitado em julgado em 4 de setembro de 
2010, sem que houvesse interposição de recurso. 
 
Em 4 de dezembro de 2009, Joana ingressou em uma agência bancária no bairro 
do Limão, em São Paulo, e, com o uso de uma arma de fogo, rendeu o gerente do 
banco e efetuou um disparo, resultando em sua morte. Após subtrair valores do 
cofre da agência, foi detida em flagrante e teve a prisão preventiva decretada. A 
denúncia foi oferecida pelo Ministério Público, que solicitou a aplicação da pena 
máxima devido à reincidência da ré, que já possuía condenação anterior por furto 
qualificado pelo rompimento de obstáculo (art. 155, § 4º, inciso I, do CP). 
 
Considerando a reincidência, o juiz fixou a pena em 21 anos, determinando o 
regime inicial fechado. Com o trânsito em julgado, Joana iniciou o cumprimento da 
pena em regime fechado. 
 
Após cumprir mais de 2/3 (dois terços) da pena, a defesa de Joana requereu a 
concessão de livramento condicional perante o Juízo da 4ª Vara de Execuções 
Penais, com base no cumprimento do requisito objetivo. Entretanto, o pedido foi 
indeferido com a justificativa de que a reincidência impediria a concessão do 
benefício em qualquer circunstância. A defesa foi intimada dessa decisão em 7 de 
novembro de 2024. 
 
II. DO DIREITO 
 
1. Requisito Objetivo Cumprido 
A agravante já cumpriu mais de 2/3 (dois terços) da pena, atendendo ao requisito 
objetivo estabelecido pelo art. 83, inciso V, do Código Penal, que permite o 
livramento condicional para reincidentes após o cumprimento de tal fração da 
pena. Assim, Joana cumpre o requisito temporal para o livramento condicional. 
1.2 Princípio da Razoabilidade e Proporcionalidade 
A decisão que indefere o pedido de livramento condicional, embasada 
unicamente na reincidência da agravante, afronta os princípios da razoabilidade e 
da proporcionalidade, os quais orientam a execução penal no Brasil. O princípio 
da proporcionalidade exige que a decisão judicial seja justa e equilibrada, 
considerando todos os fatores envolvidos, incluindo o bom comportamento e o 
longo período de pena já cumprido pela agravante. A ausência de razoabilidade na 
decisão recorrida, ao desconsiderar o comportamento positivo e o direito de 
ressocialização da agravante, inviabiliza a sua reintegração social, contrariando os 
objetivos da execução penal. 
2. Direito à Ressocialização e o Caráter Progressivo da Pena (art. 1º, III, CF e LEP) 
A Constituição Federal, em seu art. 1º, inciso III, assegura o princípio da dignidade 
da pessoa humana, que é fundamental para a efetivação dos direitos do preso, 
incluindo o direito à ressocialização. A Lei de Execução Penal (art. 1º) tem como 
um de seus objetivos a reintegração do apenado à sociedade, o que implica que a 
execução penal deve ser orientada para a progressão de regime e para a 
concessão de benefícios que viabilizem o retorno gradual ao convívio social. A 
interpretação rígida da reincidência desconsidera o caráter progressivo e 
ressocializador da pena e impede o acesso ao livramento condicional para quem 
já cumpriu grande parte de sua pena com bom comportamento. 
3. Aplicação da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Casos 
Análogos 
A jurisprudência do STJ já reconheceu que a reincidência, por si só, não impede a 
concessão de benefícios como o livramento condicional, desde que o apenado 
tenha cumprido os requisitos objetivos e subjetivos, conforme o REsp nº 
1.660.872/SP. O Tribunal entende que a análise dos requisitos subjetivos, 
incluindo o comportamento carcerário e a adaptação social, é indispensável para 
a concessão do benefício, especialmente em casos onde o apenado apresenta 
condições favoráveis à ressocialização. Desconsiderar esse entendimento 
contraria o princípio da individualização da pena e gera uma decisão 
desproporcional, ignorando a boa conduta de Joana ao longo dos anos de 
cumprimento da pena. 
4. Princípio da Individualização da Pena e Interpretação Constitucional 
A Constituição Federal, em seu art. 5º, inciso XLVI, determina que a pena deve ser 
individualizada, respeitando as particularidades de cada caso e a condição 
pessoal do apenado. Ao decidir pela negativa do livramento condicional com 
fundamento apenas na reincidência, o juízo de execução penal ignora esse 
princípio, deixando de considerar o comportamento e a trajetória de Joana no 
cumprimento da pena. A interpretação constitucional dos direitos do apenado 
exige que o sistema penal brasileiro considere não apenas o passado criminoso, 
mas também o esforço de ressocialização demonstrado ao longo da execução 
penal. 
5. Súmula 439 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) 
A Súmula 439 do STJ dispõe que “admite-se o exame criminológico pelas 
peculiaridades do caso, desde que em decisão motivada”. A decisão de 
indeferimento, fundamentada exclusivamente na reincidência, não foi 
acompanhada de exame criminológico atualizado para avaliar a aptidão de Joana 
para reintegrar-se à sociedade, o que é crucial para a decisão sobre o livramento 
condicional. A falta de um exame específico viola o princípio da individualização 
da pena e representa uma análise insuficiente das condições subjetivas de Joana, 
que já demonstrou comportamento adequado ao longo da execução penal. 
 
III. DOS PEDIDOS 
 
Diante do exposto, requer-se a este Egrégio Tribunal: 
a) O conhecimento e provimento do presente agravo em execução penal, para 
reformar a decisão que indeferiu o pedido de livramento condicional da agravante, 
concedendo-lhe o benefício, com base no cumprimento dos requisitos objetivos e 
subjetivos exigidos e na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ); 
b) A realização de exame criminológico, caso este Egrégio Tribunal entenda 
necessário, para que se possa avaliar com maior precisão as condições subjetivas 
da agravante, respeitando os princípios da individualização da pena e da 
dignidade da pessoa humana; 
c) Alternativamente, caso se entenda pela manutenção do indeferimento, que seja 
realizada nova análise, ponderando-se o comportamento carcerário da agravante 
e os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, para verificar se, com 
base nos elementos do caso concreto, a reincidência deve ser tratada como 
impeditiva do benefício. 
Nestes termos, pede deferimento. 
São Paulo, 14 de novembro de 2024. 
[Nome do Advogado] 
OAB/SP nº [Número]

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