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AULA 6 SEGURANÇA EM TRANSPORTES Prof. Luiz Antonio Forte 2 INTRODUÇÃO Alguns meios de transporte não se encaixam nos modais tradicionais, e outros ainda são promessas de mudanças para o futuro. Nesta etapa, vamos conhecer as características destes outros meios de transporte e seus aspectos de segurança. TEMA 1 – DUTOVIAS Segundo a ANTT (2022), o transporte Dutoviário no Brasil é dividido em: Oleodutos, cujos produtos transportados são em sua grande maioria: petróleo, óleo combustível, gasolina, diesel, álcool, GLP, querosene e nafta, e outros. Minerodutos, cujos produtos transportados são: Sal- gema, Minério de ferro e Concentrado Fosfático. Gasodutos, cujo produto transportado é o gás natural. (ANTT, 2022, on-line) Neste estudo, vamos focar nos dutos que transportam produtos químicos perigosos da classe 3 combustíveis. 1.1 Oleodutos Segundo a ANP (2022a): Oleodutos são dutos terrestres ou marítimos, de transporte ou transferência, que movimentam: a) petróleo, líquidos de gás natural, condensado, derivados líquidos de petróleo e gás liquefeito de petróleo; b) todos os produtos líquidos cujas operações de movimentação sejam reguladas pela ANP, exceto gases liquefeitos por baixa temperatura. Dutos que interligam pontos de atracação (píer, cais, monoboias e quadro de boias) a instalações são denominados genericamente de oleodutos portuários. Os dutos que movimentam hidrocarbonetos líquidos e outros combustíveis, tais como biodiesel, mistura óleo diesel/biodiesel ou etanol, de forma sequencial (polidutos), são considerados oleodutos. (ANP, 2022a, on-line) 1.2 Gasodutos Segundo a ANP: Os gasodutos de transporte se caracterizam como infraestruturas para movimentação de gás natural desde instalações de processamento, estocagem ou outros gasodutos de transporte até instalações de estocagem, outros gasodutos de transporte e pontos de entrega a concessionários estaduais de distribuição de gás natural. A infraestrutura dutoviária de transporte de gás natural é composta, além dos gasodutos em si, por instalações necessárias à segurança, proteção e operação do gasoduto, compreendendo, mas não se limitando, as seguintes: pontos de recebimento, pontos de entrega, estações de interconexão, estações de compressão, dentre outras. (ANP, 2022b, on-line) 3 1.3 Segurança e sinalização No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) é o órgão responsável por estabelecer normas técnicas para a instalação de oleodutos e gasodutos. O Regulamento técnico de dutos terrestres para movimentação de petróleo, derivados e gás natural (RTDT), estabelece que os dutos subterrâneos devam ser identificados e sinalizados de acordo com os itens transcritos abaixo: 20.1 O Transportador deve instalar e manter ao longo das Faixas de Dutos, os seguintes elementos para identificar as instalações e alertar o público sobre a existência das mesmas: marcos de limite de Faixa, marcos de sinalização de Duto enterrado, marcos de leito de anodos, marcos para inspeção aérea, placas de indicação de acesso, placas de identificação de instalações na superfície da Faixa e placas de advertência e orientação com informações e mensagens de prevenção de Incidentes dirigidas às comunidades vizinhas. 20.2 Os formatos, cores, dimensões e quantidades de placas e marcos devem atrair a atenção dos transeuntes, com o objetivo de orientar o público para a existência da Faixa de Dutos, e também possibilitar a correta localização e identificação da instalação sob responsabilidade do Transportador, em atendimento ao disposto no Item 5 e às boas práticas de engenharia. 20.3 As placas de advertência e orientação devem exibir pelo menos, o nome do Transportador, o telefone de acesso gratuito para avisos de emergência, avisos de advertência (por exemplo: cuidado, atenção, perigo) e mensagens apropriadas para cada situação e com ênfase na prevenção de Incidentes. (ANP, 2011, p.36) 4 Na figura 1, podemos ver um exemplo de marco de sinalização de dutovia subterrânea. Figura 1 – Marco de sinalização de tubulação subterrânea de gás natural Crédito: JJ Gouin/Adobe Stock. 5 1.4 Prevenção de acidentes/emergências Os oleodutos e gasodutos devem, obrigatoriamente, ser sinalizados com placas de advertência e totens que indiquem o local onde estão instalados e a profundidade em que se encontram (ANP, 2011). Apesar disso, muitos acidentes com vazamentos e incêndios ocorrem devido à perfuração destes dutos em obras de escavação executadas por empresas públicas ou privadas seguindo plantas de engenharia desatualizadas ou marcações erradas feitas pelas companhias que instalaram os dutos. O Centro para Segurança de Processos Químicos dos Estados Unidos (CCPS) emitiu, em 2008, um alerta de segurança sobre os riscos de oleodutos e gasodutos subterrâneos e sobre medidas básicas de prevenção, o que é muito pertinente para o nosso estudo, e o qual transcrevemos a seguir: Uma equipe de construção estava instalando uma nova tubulação enterrada de água. Durante a escavação, a retroescavadeira atingiu acidentalmente uma tubulação de gasolina ocasionando um pequeno furo. Os vapores de gasolina que vazaram entraram em ignição causando uma grande explosão seguida de incêndio, a morte de cinco trabalhadores, ferimentos graves em outros quatro, a evacuação de pessoas num raio de 0,9 km, danos consideráveis em uma casa próxima e outros danos à propriedade. Uma causa primária do acidente foi a falta de conhecimento da exata localização da tubulação de gasolina pelo pessoal da escavação. Eles estavam seguindo marcações feitas pela companhia de tubulação que eram diferentes dos desenhos de engenharia. Os desenhos mostravam que a tubulação fazia uma curva desviando de uma árvore, que havia sido cortada após a instalação da tubulação. Trabalhadores e supervisores não fizeram a verificação visual da exata localização da tubulação, utilizando-se de ferramentas manuais, como requerido pelas boas práticas. Este acidente ocorreu em uma tubulação numa comunidade, mas existem perigos semelhantes em muitas refinarias, indústrias químicas e fábricas. Muitas indústrias possuem tubulações enterradas transportando materiais perigosos. Essas tubulações podem ser tanto de propriedade das próprias indústrias quanto de companhias de transporte de materiais passando ao lado dessas indústrias – uma companhia de transporte por dutos, uma indústria vizinha, ou companhia local de distribuição de gás. O que pode ser feito para evitar este tipo de acidente: • Antes de começar qualquer escavação certifique-se de ter verificado a localização de tubulações enterradas, cabos elétricos, ou outros tipos de interferências críticas ou perigosas na área a ser escavada. Essa prática deve fazer parte do programa de permissão para escavação da unidade. • Conduza análises de perigos e riscos antes de qualquer atividade envolvendo escavações ou construções. • Registre todo incidente ou “quase perda” em atividades de escavação – tubulações encontradas onde não era esperado existir tubulações, ou em uma local diferente do registrado na documentação. • Conheça a localização de todas as tubulações de produtos perigosos de sua unidade e saiba como agir em caso de vazamento. 6 • Se estiver escavando em áreas onde existam tubulações ou outros perigos certifique-se de estar capacitado nos procedimentos de resposta a emergências (CCPS, 2008, on-line, grifo nosso). TEMA 2 – ELEVADORES Mecanismos manuais para elevar pessoas e cargas são utilizados desde a antiguidade. A partir do século XIX, com o avanço da construção de estruturas muito altas, como a torre Eiffel em Paris, houve a necessidade de projetar e construir máquinas confiáveis e seguras para o transporte vertical de pessoas. Com o avanço da urbanização e a construção de edifícios cadavez mais altos, os elevadores foram se tornando um meio de transporte de cargas e de pessoas amplamente utilizado em obras de construção civil. Neste estudo, vamos focar nos aspectos de segurança do trabalho na utilização deste meio de transporte. 2.1 Elevadores para transporte de carga e pessoas em obras No Brasil, os aspectos de segurança para a instalação, utilização e manutenção de elevadores para transporte de carga e de pessoas em obras de construção são regulamentados pelo item 18.11 da Norma Regulamentadora NR 18 Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção (MTP, 1978). Transcrevemos, a seguir, alguns dos itens da norma: 18.11.2 É proibida a instalação de elevador tracionado com cabo único e aqueles adaptados com mais de um cabo, na movimentação e transporte vertical de materiais e pessoas, que não atendam às normas técnicas nacionais vigentes. 18.11.3 Toda empresa fabricante, locadora ou prestadora de serviços de instalação, montagem, desmontagem e manutenção, seja do equipamento em seu conjunto ou de parte dele, deve ser registrada no respectivo conselho de classe e estar sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado. 18.11.4 Os equipamentos de transporte vertical de materiais e de pessoas devem ser dimensionados por profissional legalmente habilitado e atender às normas técnicas nacionais vigentes ou, na sua ausência, às normas técnicas internacionais vigentes. 18.11.5 Os serviços de instalação, montagem, operação, desmontagem e manutenção devem ser executados por profissional capacitado, com anuência formal da empresa e sob a responsabilidade de profissional legalmente habilitado. 18.11.7 Toda empresa usuária de equipamentos de movimentação e transporte vertical de materiais e/ou pessoas deve possuir os seguintes documentos disponíveis no canteiro de obras: a) programa de manutenção preventiva, conforme recomendação do locador, importador ou fabricante; b) termo de entrega técnica de acordo com as normas técnicas nacionais vigentes ou, na sua ausência, de acordo com o determinado pelo profissional legalmente habilitado responsável pelo equipamento; c) laudo de testes dos freios de emergência a serem realizados, no máximo, a cada 90 (noventa) dias, assinado pelo responsável técnico pela manutenção do equipamento ou, na sua ausência, pelo profissional legalmente habilitado responsável pelo 7 equipamento, contendo os parâmetros mínimos determinados por normas técnicas nacionais vigentes; d) registro, pelo operador, das vistorias diárias realizadas antes do início dos serviços, conforme orientação dada pelo responsável técnico do equipamento, atendidas as recomendações do manual do fabricante; e) laudos dos ensaios não destrutivos dos eixos dos motofreios e dos freios de emergência, sendo a periodicidade definida por profissional legalmente habilitado, obedecidos os prazos máximos previstos pelo fabricante no manual de manutenção do equipamento; f) manual de orientação do fabricante; g) registro das atividades de manutenção conforme item 12.11 da NR-12; h) laudo de aterramento elaborado por profissional legalmente habilitado. 18.11.8 É proibido o uso de chave do tipo comutadora e/ou reversora para comando elétrico de subida, descida ou parada. 18.11.9 Todos os componentes elétricos ou eletrônicos que fiquem expostos às condições meteorológicas devem ter proteção contra intempéries. 18.11.10 Devem ser observados os seguintes requisitos de segurança durante a execução dos serviços de montagem, desmontagem, ascensão e manutenção de equipamentos de movimentação vertical de materiais e de pessoas: a) isolamento da área de trabalho; b) proibição, se necessário, da execução de outras atividades nas periferias das fachadas onde estão sendo executados os serviços; c) proibição de execução deste tipo de serviço em dias de condições meteorológicas adversas. 18.11.11 As torres dos elevadores devem estar afastadas das redes elétricas ou estar isoladas conforme normas específicas da concessionária local. 18.11.12 As torres dos elevadores devem ser montadas de maneira que a distância entre a face da cabine e a face da edificação seja de, no máximo, 0,2 m (vinte centímetros). 18.11.12.1 Para distâncias maiores, as cargas e os esforços solicitantes originados pelas rampas devem ser considerados no dimensionamento e especificação da torre do elevador. 18.11.13 Em todos os acessos de entrada à torre do elevador deve ser instalada barreira (cancela) que tenha, no mínimo, 1,8 m (um metro e oitenta centímetros) de altura, impedindo que pessoas exponham alguma parte de seu corpo no interior da mesma. 18.11.13.1 A barreira (cancela) da torre do elevador deve ser dotada de dispositivo de intertravamento com duplo canal e ruptura positiva, monitorado por interface de segurança, de modo a impedir sua abertura quando o elevador não estiver no nível do pavimento. 18.11.14 O fechamento da base da torre do elevador deve proteger todos os lados até uma altura de pelo menos 2,0 m (dois metros) e ser dotado de proteção e sinalização, de forma a proibir a circulação de trabalhadores através da mesma. 18.11.15 A rampa de acesso à torre de elevador deve: a) ser provida de sistema de proteção contra quedas, conforme o subitem 18.9.4.1 ou 18.9.4.2 desta NR; b) ter piso de material resistente, sem apresentar aberturas; c) não ter inclinação descendente no sentido da torre; d) estar fixada à cabine de forma articulada no caso do elevador de cremalheira. 18.11.16 Deve haver altura livre de, no mínimo, 2 m (dois metros) sobre a rampa. 18.11.17 É proibido, nos elevadores, o transporte de pessoas juntamente com materiais, exceto quanto ao operador e ao responsável pelo material a ser transportado, desde que isolados da carga por uma barreira física, com altura mínima de 1,8 m (um metro e oitenta centímetros), instalada com dispositivo de intertravamento com duplo canal e ruptura positiva, monitorado por interface de segurança. 18.11.18 O elevador de materiais e/ou pessoas deve dispor, no mínimo, de: a) cabine metálica com porta; b) horímetro; c) iluminação e ventilação natural ou artificial durante o uso; d) indicação do número máximo de passageiros e peso máximo equivalente em quilogramas; e) botão em cada pavimento a fim de garantir comunicação única através de painel interno de controle. 18.11.19 O elevador de materiais e/ou pessoas deve dispor, no mínimo, dos seguintes itens de segurança: a) intertravamento das 8 proteções com o sistema elétrico, através de dispositivo de intertravamento com duplo canal e ruptura positiva, monitorado por interface de segurança que impeça a movimentação da cabine quando: I. a porta de acesso da cabine, inclusive o alçapão, não estiver devidamente fechada; II. a rampa de acesso à cabine não estiver devidamente recolhida no elevador de cremalheira, e; III. a porta da cancela de qualquer um dos pavimentos ou do recinto de proteção da base estiver aberta. b) dispositivo eletromecânico de emergência que impeça a queda livre da cabine, monitorado por interface de segurança, de forma a freá-la quando ultrapassar a velocidade de descida nominal, interrompendo automática e simultaneamente a corrente elétrica da cabine; c) dispositivo de intertravamento com duplo canal e ruptura positiva, monitorado por interface de segurança, ou outro sistema com a mesma categoria de segurança que impeça que a cabine ultrapasse a última parada superior ou inferior; d) dispositivo mecânico que impeça que a cabine se desprenda acidentalmente da torre do elevador; e) amortecedores de impacto de velocidade nominal na base, caso o mesmo ultrapasse os limites de parada final; f) sistema que possibilite o bloqueio dos seus dispositivos de acionamento de modo a impedir o seu acionamento por pessoas não autorizadas; g) sistema de frenagem automática, a ser acionado em situações que possam gerar a queda livre da cabine; h) sistema que impeçaa movimentação do equipamento quando a carga ultrapassar a capacidade permitida. Movimentação de pessoas 18.11.20 O transporte de passageiros no elevador deve ter prioridade sobre o de cargas. 18.11.21 Na construção com altura igual ou superior a 24 m (vinte e quatro metros), é obrigatória a instalação de, pelo menos, um elevador de passageiros, devendo seu percurso alcançar toda a extensão vertical da obra, considerando o subsolo. 18.11.21.1 O elevador de passageiros deve ser instalado, no máximo, a partir de 15 m (quinze metros) de deslocamento vertical na obra. 18.11.22 Nos elevadores do tipo cremalheira, a altura livre para trabalho após a amarração na última laje concretada ou último pavimento será determinada pelo fabricante, em função do tipo de torre e seus acessórios de amarração. 18.11.23 Nos elevadores do tipo cremalheira, o último elemento da torre do elevador deve ser montado com a régua invertida ou sem cremalheira, de modo a evitar o tracionamento da cabine. Movimentação de materiais 18.11.24 Na movimentação de materiais por meio de elevador, é proibido: a) transportar materiais com dimensões maiores do que a cabine no elevador; Este texto não substitui o publicado no DOU b) transportar materiais apoiados nas portas da cabine; c) transportar materiais do lado externo da cabine, exceto nas operações de montagem e desmontagem do elevador; d) transportar material a granel sem acondicionamento apropriado; e) adaptar a instalação de qualquer equipamento ou dispositivo para içamento de materiais em qualquer parte da cabine ou da torre do elevador. (MTP, 1978, p. 30- 34) 9 Figura 2 – Elevador de obras Crédito: Unkas Photo/Adobe Stock. 2.2 Elevadores para transporte de carga e pessoas em edifícios públicos e privados Segundo a ABNT (2010), mais de 300 mil elevadores estão em operação hoje no Brasil. Para construção e instalação de elevadores elétricos, devem ser seguidas as normas NBRNM207, de 12 de2020 -Elevadores elétricos de passageiros - Requisitos de segurança para construção e instalação; e a norma ABNT NBR 15597/2010 - Requisitos de segurança para a construção e instalação de elevadores — elevadores existentes — Requisitos para melhoria da segurança dos elevadores elétricos de passageiros e elevadores elétricos de passageiros e cargas (ABNT, 2010). Para elaborar as instruções para usuários e para os profissionais que atuam na manutenção de elevadores, deve ser aplicada a norma ABNT NBR 16083/2012 - Manutenção de elevadores, escadas rolantes e esteiras rolantes - Requisitos para instruções de manutenção (ABNT, 2012). 10 2.3 Prevenção de acidentes em elevadores No Brasil, há falta de estatísticas confiáveis sobre acidentes com elevadores. Nos Estados Unidos, o pesquisador Michael McCann (2013) atualizou os registros de acidentes com este tipo de equipamento em cooperação com o Instituto Nacional de Segurança do Trabalho e Saúde – NIOSH. McCann (2013) relata que: Incidentes envolvendo elevadores e escadas rolantes a cada ano matam 31 pessoas e ferem gravemente cerca de 17.000 pessoas nos Estados Unidos, de acordo com a análise de dados do CPWR fornecida pelo BLS (1992-2009) e o CPSC (1997-2010). Os elevadores são os principais culpados, causando cerca de 90% das mortes e 60% dos feridos graves. Metade das mortes anuais são de pessoas que trabalham em ou perto de elevadores - incluindo aqueles que instalam, reparam e mantêm elevadores e trabalham em ou perto de poços de elevadores. Cinquenta e seis por cento das mortes de trabalhadores que trabalham no elevador ou perto dele eixos foram devido a quedas no poço. Incidentes em que os trabalhadores foram pegos em/entre o movimento das partes de elevadores causaram 18% das mortes e incidentes em que trabalhadores são atingidos por elevadores ou contrapesos causaram 16% das mortes. (McCann, 2013, p.15, tradução nossa) Segundo o mesmo estudo, as causas principais das fatalidades entre os trabalhadores que executavam manutenção, inspeção ou atividades próximas a elevadores foram: quedas (57%), aprisionamento entre uma superfície fixa e partes móveis (18%), atingido por objeto que cai, (17%), colapso de estrutura (4%), outras causas (5%) (McCann, 2013, p. 8). Para prevenir a ocorrência de acidentes, o estudo sugere que: • sejam implantadas práticas adequadas e treinamento de prevenção de acidentes; • que no local de trabalho sejam adotadas práticas de desenergizar e bloquear circuitos elétricos e equipamentos mecânicos quando os elevadores estão fora de serviço ou sendo reparados; • os empregadores estabeleçam um programa de espaço confinado, com permissão exigida, sobre práticas de segurança para trabalho em poços de elevadores; • que seja fornecido equipamento de segurança e treinamento de proteção contra quedas durante o trabalho dentro ou perto de poços de elevadores; 11 • os empregadores tenham um programa adequado de inspeção e manutenção; • os empregadores utilizem apenas trabalhadores qualificados para reparo e manutenção de elevadores; • Que todos os acessos aos poços de elevadores, casas de máquinas e portas seja sinalizado com placas de advertência. TEMA 3 – TRANSPORTE FUNICULAR O transporte de passageiros e cargas em locais com geografia muito acidentada sempre foi um desafio para a engenharia. Uma das soluções adotadas foi o transporte funicular, que é feito com a utilização de cabos de aço ou de cremalheiras para a tração dos veículos. 3.1 Teleféricos O sistema de transporte por teleféricos consiste em um sistema de cabos de aço e motores que tracionam gôndolas de passageiros (Figura 3) ou cadeiras individuais (Figura 4) para acesso a locais com topografia acidentada. Segundo Tischlera e Mailer: por muito tempo os teleféricos foram usados para atravessar áreas topográficas desafiadoras e transportar mercadorias e passageiros de um ponto a outro em vales e montanhas. A instalação de teleféricos foi principalmente focada em estâncias de esqui, parques temáticos ou algumas instalações temporárias em eventos como grandes exposições ao ar livre. (Tischlera; Mailer, 2018, p. 1, tradução nossa) Segundo os autores, mais recentemente os teleféricos começaram a ser considerados cada vez mais como uma alternativa de transporte em áreas urbanas. Por exemplo: em dezembro de 2009, a cidade venezuelana de Caracas inaugurou o Metrocable de Caracas, um teleférico totalmente integrado na rede pública de transportes da cidade, com uma capacidade teóica instalada de 3000 passageiros por hora e que serve a cinco estações numa extensão total de 1,8 km (Tischlera; Mailer, 2018, p. 4). 12 Figura 3 – Teleférico com cabine do Pão de Açúcar Rio de Janeiro Brasil Crédito: f11photo/Adobe Stock Figura 4 – Teleférico com cadeira em Serra Negra, São Paulo, Brasil Crédito: felipecamps/Adobe Stock. 13 3.2 Transporte funicular por trilhos Outra modalidade de transporte que utiliza cabos de aço para tração são os trens funiculares (Figura 5). Neste sistema, a cabine de passageiros corre sobre trilhos e todo o mecanismo funciona pela ação da gravidade. Em uma instalação típica, as cabines são montadas em sistemas de trilhos paralelos. O peso da cabine que desce puxa a outra cabine para subir a elevação. Figura 5 – Funicular em Valparaíso, Chile Crédito:pattilabelle/Adobe Stock. 3.3. Trilhos suspensos Outra modalidade de veículo de transporte funicular é o que opera suspenso em trilhos (Figura 6). A ideia de utilizar trens suspensos por trilhos é antiga. Segundo pesquisa feita por Lobo: algumas cidades do mundo contam com sistemas de monotrilho invertido, e o meio de transporte não é novo. O engenheiro britânico Henry Robinson Palmer (1795-1844) apresentou um pedido de patente para um sistema de trilho único suspenso puxado por cavalos em 1821 e construiu uma demonstraçãono Woolwich Arsenal, na Inglaterra, Reino Unido, logo depois o pioneiro industrial, pensador e político alemão Friedrich Harkort construiu uma pista de demonstração do 14 sistema Palmers, em 1826, em Elberfeld, Alemanha, na época centro comercial da área industrial de Wupper Valley. A primeira ferrovia suspensa foi aberta em Cheshunt, Inglaterra, Reino Unido, em 25 de junho de 1825, usando a patente de Palmer. Foi construída para transportar tijolos, mas como uma manobra de abertura, transportou passageiros. A primeira linha regular de passageiros neste tipo de trem foi aberta em 1901, o sistema de Wuppertal. Funciona até hoje e transporta uma média de mais de 20 milhões de passageiros a cada ano. (Lobo, 2020, on-line) Algumas das vantagens apontadas pelos especialistas é que este sistema de transporte não compete nem interfere com o trânsito de pessoas e veículos nas ruas e reduz o risco de colisões de trânsito e colisões entre composições. Figura 6 – Funicular em trilhos suspensos em Wuppertal, Alemanha Crédito: Tupungato/Adobe Stock. 3.4. Segurança e prevenção de acidentes Como qualquer meio de transporte, os funiculares e monotrilhos podem oferecer riscos de acidentes para os usuários, trabalhadores da operação e manutenção, e para o público em geral. Para os usuários de teleféricos, o principal risco de acidente é o de queda de nível diferente das gôndolas e cadeiras, se não forem seguidas as recomendações de segurança da empresa operadora, principalmente a de não abrir as portas das gôndolas ou soltar a barra de segurança das cadeiras, se 15 houver parada não planejada do equipamento. Outro risco, raro, mas não impossível de ocorrer, é o rompimento de cabos devido a falhas de manutenção e inspeção. Para os trabalhadores que executam serviços de manutenção em teleféricos, trens funiculares e monotrilhos, há riscos de acidentes durante a manutenção dos trilhos, cabos de aço, roldanas e instalações elétricas (quando existentes). As causas mais comuns são prensamento de extremidades, cortes, choque elétrico e quedas de nível diferente. Para transeuntes e público em geral, o risco de acidentes está relacionado com a queda de objetos de gôndolas e cadeiras. TEMA 4 – TRANSPORTE EM DUAS RODAS As primeiras bicicletas foram introduzidas no século XVII, exclusivamente para transporte individual e lazer. As primeiras motocicletas surgiram no final do século XIX, como um desenvolvimento de bicicletas motorizadas. Esses dois meios de transporte são atualmente muito utilizados em grandes centros urbanos para entregas rápidas de pequenos volumes e encomendas, devido à sua grande agilidade no trânsito. Esta agilidade, porém, cobra um alto custo em acidentes. 4.1 Serviços de transporte de pessoas e de encomendas com motocicletas Segundo o IPEA (2022), em 2021, no Brasil, havia 222 mil mototaxistas e 322 mil pessoas estavam ocupadas em entrega de mercadorias com motocicletas. De acordo com o anexo 5 da NR 16 (MPT, 1978), as atividades remuneradas nas quais são utilizadas motocicletas (Figura 8) como meio de transporte são consideradas perigosas. Isto reflete bem a realidade das ruas, pois, no Brasil, o índice de acidentes com motocicletas e veículos é extremamente alto. Segundo o IPEA (2021), mais de um terço de todas as mortes em acidentes de trânsito são de motociclistas, e a relação inválido: morto é de pouco mais de 2:1 nos ocupantes de automóveis (ainda menor em ocupantes de veículos pesados) chega a 10:1 entre motociclistas. No Brasil, o transporte remunerado de passageiros e de cargas por motocicletas é regulamentado pela lei n. 12.009, de 29 de junho de 2009 (Brasil, 16 2009). Esta lei estabelece requisitos mínimos de idade, habilitação e de licenças que os profissionais deste modal de transporte devem possuir para exercer as suas atividades. Figura 8 – Entrega com motocicleta Crédito: Goffkein/Adobe Stock. 4.2 Serviços de entregas com uso de bicicletas A utilização de bicicletas para fazer entrega de encomendas não é recente. Os correios utilizam bicicletas para entregar correspondência há décadas, com muito sucesso e baixos índices de acidentes. Nos últimos anos, e especialmente a partir de 2020, houve um aumento significativo no uso de bicicletas para entregas, principalmente de alimentos. Nascimento e Oliveira (2019) relatam em seu estudo que: No Brasil, observou-se nos últimos anos um crescimento no uso de bicicletas para entregas instantâneas. Os principais produtos entregues são documentos (entregues por 100% das empresas), seguidos por alimentos (71%), embalagens (59%), livros (35%) e produtos de e- commerce (24%). O número de entregas diárias depende do tamanho da empresa, da localização e do número de funcionários. Há uma média de 26 entregas diárias para cooperativas e 2.000 entregas para empresas convencionais, com uma média total de 6 entregas/entregador. O peso dos produtos entregues varia entre 200g e 25 kg. O estudo aborda apenas a entrega de mercadorias 17 provenientes do e-commerce (entregas de último quilômetro) e comércio local (entrega ponto a ponto) feita por todos os tipos de bicicletas. (Nascimento e Oliveira, 2019, on-line) A atividade de entregas utilizando bicicletas (Figura 9) não possui nenhum tipo de regulamentação de segurança ou trabalhista, sendo considerada uma atividade informal e trabalho intermitente. O entregador geralmente recebe por entrega. Figura 9 – Entrega com bicicleta Crédito: Creative Lab/shutterstock. 4.3 Riscos de acidentes Nas atividades de transporte utilizando motocicletas e bicicletas, os maiores riscos de acidentes estão relacionados com o trânsito e vias públicas. As situações mais comuns são: quedas do mesmo nível, atropelamentos, colisões com outros veículos, colisões com obstáculos da via. Além das medidas básicas de segurança do trânsito, como respeitar a sinalização e os limites de velocidade e condução defensiva, motociclistas e ciclistas que atuam comercialmente devem utilizar todos os equipamentos de segurança indicados, como capacetes, luvas e coletes refletivos. 18 TEMA 5 – DRONES E VEÍCULOS AUTÔNOMOS Uma tendência atual na área de logística são os estudos sobre a utilização de veículos aéreos não tripulados (VANT) e veículos terrestres autônomos para o transporte de cargas e de passageiros. Muitas empresas anunciaram que estes métodos estariam em operação em curto prazo, porém, surgiram problemas técnicos e legais que impediram a sua total implantação. 5.1 Utilização de drones para entregas Os drones são veículos aéreos não tripulados muito utilizados em atividades recreativas e em algumas atividades profissionais na área esportiva e de entretenimento. Segundo a ANAC (2017) “as aeronaves não tripuladas de peso máximo de decolagem de até 250 gramas não precisam ser cadastradas junto à ANAC ou identificadas”. Para o transporte de cargas, esta é uma limitação importante. Pugliese et.al (2020) descreve, em seu artigo intitulado “Usando drones para o processo de entrega de encomendas” (do inglês, Using drones for parcels delivery process), as limitações e dificuldades encontradas para operacionalizar esta ferramenta de logística fora dos armazéns das grandes empresas americanas: A entrega de encomendas é a fase mais cara da logística de distribuição. Todos os dias, vários veículos, geralmente veículos com motor de combustão interna, tem que atender um grande número de clientes distribuídos espacialmente em uma área urbana. Sua presença gera diversas externalidades negativas, como ruído, congestionamento e emissões de poluentes. Os drones se tornaram uma alternativa válida para apoiar o processo de entrega e diversas grandes empresas, como Amazon e DHL, começaram a usá-los para entregas de encomendas. Por um lado, os drones reduzem drasticamente as externalidadesnegativas, permitindo um processo de entrega mais sustentável. Por outro lado, vários aspectos técnicos devem ser cuidadosamente considerados. Em particular, eles têm uma resistência e capacidade de voo limitadas. Além disso, várias restrições relacionadas à segurança e área de voo devem ser consideradas. Com efeito, nem todos países permitem o uso de drones na área urbana. (Pugliese et.al, 2020, p. 1) 19 Figura 10 – Animação de drone utilizado para transporte interno em montadora de automóveis Crédito: Shutter2U/Adobe Stock. 5.2 Veículos autônomos Atualmente, várias gigantes da tecnologia, como Google, Uber e Tesla possuem protótipos, ou modelos comerciais, como a Tesla, de veículos automotores com a capacidade de dispensarem o condutor para transitar em vias públicas (Figura 11). Muitos especialistas em transporte e segurança de trânsito acreditam que, em poucos anos, os veículos comerciais, como ônibus, táxis e caminhões, não serão mais conduzidos por motoristas humanos, e sim por máquinas com inteligência artificial. Os pesquisadores Tyagi e Aswathy (2021) afirmam, no artigo “Veículos Inteligentes Autônomos (AIV): Declarações de pesquisa, questões em aberto, desafios e caminho para o futuro” (do inglês, Autonomous Intelligent Vehicles (AIV): Research statements, open issues, challenges and road for future), os veículos de transporte do futuro serão veículos inteligentes e autônomos, e a maior razão para que isto aconteça é a segurança. Anualmente ocorre uma quantidade assustadora de acidentes de trânsito no mundo, e isto tem como resultado uma enorme perda de vidas e de riquezas. Segundo os autores, os 20 erros humanos são responsáveis por mais de 80% de todos os acidentes de trânsito registrados. Remover totalmente o fator humano desta equação ainda não é possível,mas os avanços nas tecnologias de inteligência artificial e inteligência autônoma integradas a sistemas eletrônicos de gerenciamento de trafego já começam a apontar nesta direção. Figura 11 – Representação de veículo autônomo Crédito: Metamorworks/Adobe Stock. 21 REFERÊNCIAS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 15597/2010 Requisitos de segurança para a construção e instalação de elevadores — Elevadores existentes — Requisitos para melhoria da segurança dos elevadores elétricos de passageiros e elevadores elétricos de passageiros e cargas. Rio de Janeiro – RJ, 2010. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 16083/2012 Manutenção de elevadores, escadas rolantes e esteiras rolantes requisitos para instruções de manutenção. Rio de Janeiro – RJ, 2012. ANAC. Agência Nacional de Aviação Civil. Regulamento Brasileiro da Aviação Civil Especial RBAC-E nº 94 Requisitos gerais para aeronaves não tripuladas de uso civil. 2017. Disponível em: Acesso em: 06 jun. 2022. ANP. Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Oleodutos de transporte e transferência. 2022ª. Disponível em: Acesso em: 06 jun. 2022. ANP. 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