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DIREITO CIVIL I:
TEORIA GERAL
Cássio Vinícius
Revisão técnica:
Gustavo da Silva Santanna
Bacharel em Direito
Especialista em Direito Ambiental Nacional 
e Internacional e em Direito Público
Mestre em Direito
Professor em cursos de graduação 
e pós-graduação em Direito
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin - CRB -10/2147
S725d Sousa, Cássio Vinícius Steiner de.
Direito civil I: teoria geral [recurso eletrônico ] / Cássio 
Vinícius Steiner de Sousa, Cinthia Louzada Ferreira 
Giacomelli; [revisão técnica: Gustavo da Silva Santanna]. – 
Porto Alegre: SAGAH, 2018.
ISBN 978-85-9502-444-1
1. Direito civil. I. Giacomelli, Cinthia Louzada Ferreira. 
II.Título.
CDU 347.1
Direito_Civil_I_Book.indb 2 06/06/2018 10:09:21
Da prescrição
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Reconhecer o que é prescrição.
  Identificar os prazos e as causas impeditivas, suspensivas e interruptivas 
da prescrição.
  Analisar casos dos tribunais superiores envolvendo prescrição.
Introdução
É famosa, no meio jurídico, a máxima segundo a qual o Direito não 
socorre aqueles que dormem. Um dos modos de compreender como 
ela se corporifica dentro do nosso ordenamento jurídico vem da aná-
lise do instituto da prescrição. De modo simplificado, a prescrição 
consiste na ideia de que o decurso do tempo é capaz de extinguir a 
pretensão de fazer valer um certo direito. Isso se justifica pelo fato de 
que, se a pretensão fosse algo que não se extingue com o decurso 
do tempo, o Direito como um todo padeceria de uma enorme dose 
de insegurança jurídica.
Neste capítulo, você vai ler sobre o instituto da prescrição, o seu 
conceito, bem como as razões pelas quais a prescrição é adotada 
em nosso ordenamento jurídico. Além disso, também vai aprender 
sobre as suas causas impeditivas, suspensivas ou interruptivas, e os 
seus prazos, conforme apresentado no nosso Código Civil. Por fim, 
também serão analisados alguns casos abordados pela jurisprudência 
envolvendo o tema. 
Conceito, modalidades e requisitos
Não é segredo para ninguém que o tempo desempenha um papel fundamen-
tal nas relações jurídicas. De modo amplo, se o aspecto temporal não fosse 
relevante para o Direito, não seria possível, por exemplo, no contexto da 
Direito_Civil_I_Book.indb 139 06/06/2018 10:09:36
vigência das normas, estipular quando elas começam e terminam a viger; 
no contexto dos negócios jurídicos, não seria possível estabelecer seu termo 
inicial ou fi nal; e, em um contexto bem geral, que perpassa todos os ramos 
do Direito, não seria possível falar em prazos. Além disso, outro modo de 
destacar a importância do elemento temporal para as relações jurídicas vem 
do instituto da prescrição.
Na base da prescrição, está a ideia segundo a qual o decurso do tempo 
acaba por trazer consequências para a pretensão de certos direitos. Tendo 
isso em mente, em nosso Código Civil, a prescrição é apresentada sob duas 
modalidades muito distintas, a saber: a prescrição aquisitiva e a prescrição 
extintiva. Enquanto a prescrição aquisitiva comparece na parte especial 
do Código Civil e vem para tornar “[...] inatacável e inabalável a situação 
que o titular vem exercendo continuamente” (PEREIRA, 2011, p. 561), a 
prescrição extintiva, disposta na parte geral do Código Civil, “[...] conduz 
à extinção da pretensão jurídica, que não se exercita por certo período, em 
razão da inércia do titular” (PEREIRA, 2011, p. 561). Vejamos cada uma 
delas com mais detalhes:
Prescrição aquisitiva — A prescrição aquisitiva ou usucapião, segundo Caio 
Mario da Silva Pereira (2011, p. 570), consiste na “[...] aquisição do direito 
real pelo decurso do tempo, e é instituída em favor daquele que tiver, com 
ânimo de dono, o exercício de fato das faculdades inerentes ao domínio, ou a 
outro direito real, relativamente a coisas móveis ou imóveis, por um período 
prefi xado pelo legislador”. Nesse contexto, trata-se de um mecanismo criado 
para garantir que aquele que detém a posse de um bem acaba por avocar para si 
certos direitos reais sobre ele. Assim, podemos inferir que, para se confi gurar 
a prescrição aquisitiva, não basta o mero decurso do tempo, pois também é 
fundamental que haja a posse do bem. Em nosso ordenamento jurídico, a 
prescrição aquisitiva é apresentada na parte especial do Código Civil, entre 
os arts. 1.238 a 1.244.
Prescrição extintiva — O ponto de partida para a compreensão do conceito 
de prescrição extintiva está na ideia de pretensão. Nesse contexto, Flávio 
Tartuce (2016, p. 312) afi rma que: “[...] a prescrição extintiva, fato jurídico 
em sentido estrito, constitui, nesse contexto, uma sanção ao titular do direito 
violado, que extingue tanto a pretensão positiva quanto a negativa (exceção 
defesa)”. De modo que, enquanto a prescrição aquisitiva tem o poder de criar 
Da prescrição140
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direitos para alguém, a prescrição extintiva é aquela que elimina a pretensão 
de exercer um certo direito em função de uma inércia de alguém por um certo 
período. Assim, tomando por referência o art. 189 do Código Civil, podemos 
extrair pelo menos três requisitos que devem estar satisfeitos para que a 
prescrição seja aplicável: 
  o nascimento de uma pretensão originada pela violação de um certo 
direito; 
  a inércia do titular de tal direito; 
  o decurso do tempo fixado em lei para o exercício da pretensão. 
Entre as razões para a adoção do instituto da prescrição no contexto do 
Direito, podemos citar a ideia de segurança jurídica e da consolidação de certos 
direitos. Caso contrário, por exemplo, teríamos que guardar indefinidamente 
recibos de pagamento. Nesse contexto, segundo Carlos Roberto Gonçalves 
(2011, p. 391), “[...] a prescrição é indispensável à estabilidade e à consolidação 
de todos os direitos. Sem ela, nada seria permanente; o proprietário jamais 
estaria seguro dos seus direitos, e o devedor, livre de pagar duas vezes a 
mesma dívida”.
É muito comum pensar, incorretamente, diga-se de passagem, que a prescrição é 
um instituto que vem para eliminar o direito do agente. Porém, como mencionado, o 
que se extingue é a pretensão, não o direito. Para reforçar esse ponto, Flávio Tartuce 
(2016, p. 312) afirma que:
Na prescrição, nota-se que ocorre a extinção da pretensão; todavia, o 
direito em si permanece incólume, só que sem proteção jurídica para 
solucioná-lo. Tanto isso é verdade que, se alguém pagar uma dívida 
prescrita, não pode pedir a devolução da quantia paga, já que existia 
o direito de crédito que não extinto pela prescrição. 
Assim, conforme este exemplo, caso alguém pague uma dívida, cuja pretensão já 
está prescrita, ele não terá o direito de exigir sua devolução, pois a prescrição não se 
presta a atacar o direito de alguém. 
141Da prescrição
Direito_Civil_I_Book.indb 141 06/06/2018 10:09:36
Prescrição no Código Civil
O Código Civil destina os arts. 189 a 206 para o tema da prescrição extintiva. 
Nesse contexto, valendo-se da própria organização do Código Civil, podemos 
separar os artigos em quatro partes (BRASIL, 2002):
  disposições gerais; 
  causas que impedem ou suspendem a prescrição; 
  causas que interrompem a prescrição; 
  prazos da prescrição.
Veremos cada uma em detalhes a seguir.
Disposições gerais
Nos arts. 189 até 196, temos uma série de disposições gerais sobre a prescrição:
Art. 189 Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, 
pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206.
 Art. 190 A exceção prescreve no mesmo prazo em que a pretensão.
 Art. 191 A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, 
sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; 
tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis 
com a prescrição.
 Art. 192 Os prazos de prescrição não podem ser alterados por acordo das partes.
 Art. 193 A prescrição podeser alegada em qualquer grau de jurisdição, pela 
parte a quem aproveita. 
[...]
Art. 195 Os relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação contra 
os seus assistentes ou representantes legais, que derem causa à prescrição, 
ou não a alegarem oportunamente.
 Art. 196 A prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o 
seu sucessor (BRASIL, 2002, documento on-line).
 De tal bloco de artigos, podemos destacar que o art. 190 deixa claro que, 
quando uma certa pretensão prescreve, também não será possível utilizar o 
direito cuja pretensão tenha prescrevido como exceção, isto é, como defesa. 
No art. 191, temos a ideia de que não é possível renunciar à prescrição antes de 
sua própria consumação, ou seja, primeiro a pretensão de um certo direito deve 
ter sido prescrita pelo decurso do prazo, para depois alguém poder renunciá-la. 
Da prescrição142
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Além disso, fica claro que a renúncia da prescrição pode ser tanto expressa 
quanto tácita, desde que não viole direito de terceiro. 
No art. 192, temos que as partes não podem alterar os prazos prescricionais 
ao seu bel-prazer, ficando submetidas aos desígnios legais sobre o tema. Com 
relação ao art. 193, a prescrição pode ser invocada em qualquer momento do 
processo de conhecimento, de modo que, se ela não foi alegada antes, isso 
não significa que tenha sido tacitamente renunciada. O art. 195 vem para 
proteger os relativamente incapazes nos casos em que os seus tutores legais 
tenham sido omissos nos seus interesses. Nesse contexto, caberá ação contra 
os representantes legais. Por fim, o art. 196 chama atenção para o fato de que 
a prescrição continua em relação aos sucessores depois da morte do de cujus 
(BRASIL, 2002). 
Causas que impedem ou suspendem a prescrição
Entre os arts. 197 e 201 do Código Civil, temos as causas suspensivas ou 
interruptivas da prescrição. Vejamos cada artigo separadamente.
“Art. 197 Não corre a prescrição:
I — entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal;
II — entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar;
III — entre tutelados ou curatelados e seus tutores ou curadores, 
durante a tutela ou curatela” (BRASIL, 2002, documento on-line).
 Na base do art. 197, está a ideia de que certos laços afetivos ou a con-
fiança entre as partes justificam a suspensão do prazo prescricional. Quanto 
a isso, o rol do artigo em questão é taxativo, de modo que só aqueles que 
se enquadram nos incisos I, II e III podem alegar tal causa interruptiva do 
prazo prescricional.
“Art. 198 Também não corre a prescrição:
I — contra os incapazes de que trata o art. 3º;
II — contra os ausentes do País em serviço público da União, dos 
Estados ou dos Municípios;
III — contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em 
tempo de guerra” (BRASIL, 2002, documento on-line).
O art. 198, por sua vez, elenca as causas suspensivas da prescrição que têm 
por base a proteção das pessoas em condições especiais. Além dos casos men-
143Da prescrição
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cionados no artigo, há casos criados por leis especiais (como, por exemplo, o art. 
440 da Consolidação das Leis do Trabalho [CLT] ou o art. 6 da Lei de Falências).
“Art. 199 Não corre igualmente a prescrição:
I — pendendo condição suspensiva;
II — não estando vencido o prazo;
III — pendendo ação de evicção” (BRASIL, 2002, documento on-line).
 No que tange ao art. 199, temos os incisos I e II denotando a ideia de que 
não é possível se falar em prescrição nos casos em que o instituto ainda não 
se tornou disponível. Já, no inciso III, temos a ideia de que, em caso de ação 
de evicção proposta por terceiro, o prazo da prescrição ficará suspenso até 
que ela seja resolvida. 
“Art. 200 Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado 
no juízo criminal, não correrá a prescrição antes da respectiva sentença 
definitiva” (BRASIL, 2002, documento on-line).
 Na base do art. 200, está a ideia de que o prazo prescricional ficará suspenso 
nos casos em que a causa que origina a obrigação for originada por fato de 
cunho penal, até que seja proferida a sentença na esfera penal. 
“Art. 201 Suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários, 
só aproveitam os outros se a obrigação for indivisível” (BRASIL, 2002, 
documento on-line).
 Da leitura do art. 201, podemos inferir que as causas de suspenção da 
prescrição são pessoais e que, mesmo na solidariedade, só favorecem aqueles 
taxativamente mencionados pela lei, a não ser que a obrigação seja algo indivi-
sível. Nesse caso, se existem três credores e apenas um deles for absolutamente 
incapaz, embora o prazo não corra para o absolutamente incapaz, ele correrá 
normalmente para os outros dois credores (BRASIL, 2002).
Causas que interrompem a prescrição
Entre os arts. 202 e 204 do Código Civil, temos as causas de interrupção da 
prescrição. Na base da diferença entre a interrupção e a suspenção, está a ideia 
segundo a qual, na interrupção, há um certo comportamento ativo por parte 
Da prescrição144
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do credor, ao passo que, no caso da suspenção, ela é automática e decorre de 
certos fatos previstos em lei (GONÇALVES, 2011):
 Art. 202 A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, 
dar-se-á:
 I — por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o 
interessado a promover no prazo e na forma da lei processual;
 II — por protesto, nas condições do inciso antecedente;
 III — por protesto cambial;
 IV — pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em 
concurso de credores;
 V — por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;
 VI — por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe 
reconhecimento do direito pelo devedor.
 Parágrafo único. A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato 
que a interrompeu, ou do último ato do processo para a interromper.
 Art. 203 A prescrição pode ser interrompida por qualquer interessado.
 Art. 204 A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros; 
semelhantemente, a interrupção operada contra o co-devedor, ou seu herdeiro, 
não prejudica aos demais coobrigados.
 § 1º A interrupção por um dos credores solidários aproveita aos outros; assim 
como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais 
e seus herdeiros.
 § 2º A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário 
não prejudica os outros herdeiros ou devedores, senão quando se trate de 
obrigações e direitos indivisíveis.
 § 3º A interrupção produzida contra o principal devedor prejudica o fiador 
(BRASIL, 2002, documento on-line).
No art. 202, temos as causas da interrupção da prescrição. De modo 
geral, a ideia é proteger o credor diligente e que está em busca do seu direito. 
Além disso, no art. 203, temos que qualquer parte interessada pode suscitar 
a interrupção do prazo prescricional (inclusive um terceiro que tenha um 
interesse legítimo). Por fim, fazendo eco à ideia dos efeitos da prescrição 
de ordem pessoal, no art. 204, temos que, via de regra, a interrupção por 
um dos credores não é aproveitada pelos outros, a menos que os credores 
sejam solidários (§ 1º), bem como quando operada contra um dos herdeiros 
em obrigações de caráter indivisível (§ 2º). Além disso, conforme o § 3º, se 
uma a interrupção for produzida contra o principal devedor, ela prejudicará 
o fiador (por se tratar de contrato acessório) (BRASIL, 2002). 
145Da prescrição
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Prazos da prescrição
Nos arts. 205 e 206 do Código Civil, temos os prazos para prescrição da 
pretensão do seguinte modo:
 Art. 205 A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado 
prazo menor.
 Art. 206 Prescreve:
 § 1º Em um ano:
 I — a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destinados a 
consumo no próprio estabelecimento, para o pagamento da hospedagemou 
dos alimentos;
 II — a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, 
contado o prazo:
 a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em 
que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro 
prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador;
 b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da pretensão;
 III — a pretensão dos tabeliães, auxiliares da justiça, serventuários judiciais, 
árbitros e peritos, pela percepção de emolumentos, custas e honorários;
 IV — a pretensão contra os peritos, pela avaliação dos bens que entraram 
para a formação do capital de sociedade anônima, contado da publicação da 
ata da assembleia que aprovar o laudo;
 V — a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e 
os liquidantes, contado o prazo da publicação da ata de encerramento da 
liquidação da sociedade.
 § 2º Em dois anos, a pretensão para haver prestações alimentares, a partir da 
data em que se vencerem.
 § 3º Em três anos:
 I — a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos;
 II — a pretensão para receber prestações vencidas de rendas temporárias 
ou vitalícias;
 III — a pretensão para haver juros, dividendos ou quaisquer prestações aces-
sórias, pagáveis, em períodos não maiores de um ano, com capitalização ou 
sem ela;
 IV — a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa;
 V — a pretensão de reparação civil;
 VI — a pretensão de restituição dos lucros ou dividendos recebidos de má-fé, 
correndo o prazo da data em que foi deliberada a distribuição;
 VII — a pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por violação da 
lei ou do estatuto, contado o prazo:
 a) para os fundadores, da publicação dos atos constitutivos da sociedade 
anônima;
 b) para os administradores, ou fiscais, da apresentação, aos sócios, do balanço 
referente ao exercício em que a violação tenha sido praticada, ou da reunião 
ou assembleia geral que dela deva tomar conhecimento;
Da prescrição146
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 c) para os liquidantes, da primeira assembleia semestral posterior à violação;
 VIII — a pretensão para haver o pagamento de título de crédito, a contar do 
vencimento, ressalvadas as disposições de lei especial;
 IX — a pretensão do beneficiário contra o segurador, e a do terceiro prejudi-
cado, no caso de seguro de responsabilidade civil obrigatório.
 § 4º Em quatro anos, a pretensão relativa à tutela, a contar da data da apro-
vação das contas.
 § 5º Em cinco anos:
 I — a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento 
público ou particular;
 II — a pretensão dos profissionais liberais em geral, procuradores judiciais, 
curadores e professores pelos seus honorários, contado o prazo da conclusão 
dos serviços, da cessação dos respectivos contratos ou mandato;
 III — a pretensão do vencedor para haver do vencido o que despendeu em 
juízo (BRASIL, 2002, documento on-line).
Assim, por força do art. 205, podemos compreender que a regra geral 
do prazo prescricional é de 10 anos, a menos que haja algum dispositivo 
especificando prazo diverso. Nesse contexto, no art. 206, podemos encontrar 
uma série de hipóteses com prazos de 1, 2, 3, 4 ou 5 anos (BRASIL, 2002). 
Jurisprudência acerca da prescrição
A jurisprudência de tribunais superiores acerca da prescrição é vasta e nume-
rosa. A título de amostra, segue um caso de suspensão da prescrição extintiva 
e um caso de interrupção da prescrição extintiva.
Caso de suspensão da prescrição extintiva:
CIVIL. PROCESSO CIVIL. APELAÇÃO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. 
AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO DPVAT. PRESCRIÇÃO. AUTOR 
ABSOLUTAMENTE INCAPAZ. PRAZO PRESCRICIONAL. SUSPEN-
SÃO ATÉ A MAIORIDADE CIVIL. AÇÃO INTERPOSTA DENTRO DO 
PRAZO LEGAL. RECURSO PROVIDO. 1. Não há que se falar em pres-
crição contra o menor absolutamente incapaz, cujo prazo somente começa 
a ser contado a partir da maioridade civil. 2. Conforme inteligência do 
artigo 2.028 do Código Civil de 2002, aplicam-se os prazos da lei anterior, 
quando reduzidos pelo CC/2002, e se, na data de sua entrada em vigor, já 
houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada, 
em sendo assim aplica-se à espécie o prazo prescrional de 20 anos, motivo 
porque tempestivo o ingresso da demanda. 3. Apelação conhecida e provida 
(AMAZONAS, 2016, documento on-line).
147Da prescrição
Direito_Civil_I_Book.indb 147 06/06/2018 10:09:36
O acórdão citado, relatado e julgado conforme o entendimento do Tribunal 
de Justiça do Amazonas, trata de uma ação de cobrança de seguro para Danos 
Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT). 
Conforme o exposto pela ementa, na medida em que o autor era absolutamente 
incapaz na época do acidente, por força do art. 198, I, do Código Civil, o prazo 
prescricional para a pretensão do seu direito ficou suspensa até que deixasse 
de ser relativamente incapaz.
Caso de interrupção da prescrição extintiva:
AÇÃO MONITÓRIA. NOTA DE CRÉDITO RURAL. PRESCRIÇÃO QUIN-
QUENAL. ASSINATURA. TERMO DE ADESÃO PARA RENEGOCIAÇÃO 
DA DÍVIDA. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONL. OCORRÊN-
CIA. ART. 202, VI DO CÓDIGO CIVIL. 1. Conforme o disposto no artigo 
206, § 5º, I do Código Civil, o prazo prescricional para a cobrança de dívida 
líquida constante em Nota de Crédito Rural é de 05 (cinco) anos. 2. De acordo 
com a redação do art. 202, VI, do Código Civil, a interrupção da prescrição 
dar-se-á por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe 
reconhecimento do direito pelo devedor. 3. Se antes de consumada a prescrição 
do título, a parte devedora procedeu à assinatura de Termo de Adesão para 
renegociação da dívida, manifestando o seu interesse na renegociação do 
débito, imperioso reconhecer que houve interrupção do prazo prescricional, 
consoante o disposto no art. 202, VI do Código Civil. 4. Apelo conhecido e 
provido. 5. Unanimidade (MARANHÃO, 2016, documento on-line).
O acórdão citado, relatado e julgado conforme o entendimento do Tribunal 
de Justiça do Maranhão, trata de uma ação monitória. Conforme o exposto 
pela ementa, trata-se de um caso de cobrança de dívida líquida constante 
em Nota de Crédito Rural. Nesse contexto, conforme o art. 206, I, § 5º, do 
Código Civil, o prazo prescricional é de 5 anos. Além disso, ressaltamos que, 
segundo o art. 202, VI, do Código Civil, o prazo prescricional é interrompido 
“[...] por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reco-
nhecimento do direito pelo devedor” (BRASIL, 2002, documento on-line). 
Assim, como o devedor assinou um termo de adesão para renegociação da 
dívida, restou manifesta uma das condições para que o prazo prescricional 
fosse interrompido. 
Da prescrição148
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AMAZONAS. Tribunal de Justiça. Apl: 06148235120148040001 AM 0614823-51.20
14.8.04.0001. Relator: Maria das Graças Pessoa Figueiredo. Data de Julgamento: 
20 nov. 2016. 
BRASIL. Lei nº. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. 2002. Disponível em: 
. Acesso em: 10 abr. 2018.
GONÇALVES, C. R. Direito civil esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2011. v. 1.
MARANHÃO. Tribunal de Justiça. APL: 0189052015 MA 0001190-48.2011.8.10.0037. 
Relator: Ricardo Tadeu Bugarin Duailibe. Data de Julgamento: 25 jan. 2016. Quinta 
Câmara Cível. DJe, 16 fev. 2016.
PEREIRA. C. M. S. Instituições de Direito Civil. 24. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011.
TARTUCE. F. Manual de Direito Civil. 6. ed. São Paulo: Método, 2016.
Leituras recomendadas
AMARAL. F. Direito Civil: introdução. 5. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2003.
PONTES DE MIRANDA. F. C. Tratado de Direito Privado. 4. ed. São Paulo: RT, 1974. t. 3.
TARTUCE. F. Direito Civil. 10. ed. São Paulo: Método. 2014.
VELOSO. Z. Invalidade do negócio jurídico. 2. ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2005.
VENOSA. S. S. Direito Civil. 13. ed. São Paulo: Atlas,2013.
149Da prescrição
Direito_Civil_I_Book.indb 149 06/06/2018 10:09:36
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Direito_Civil_I_Book.indb 150 06/06/2018 10:09:36

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