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ARTIGO 135 – CÓDIGO PENAL BRASILEIRO Art. 135 cp - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte Artigo 135 do código penal comentado - crime de omissão de socorro A primeira coisa a ser feita na análise do artigo 135 do código penal é entender o verbo “deixar”, presente em seu caput. O mesmo aparece no artigo com o sentido de “não fazer algo” ou “não prestar assistência”. Logo em seguida, o mencionado dispositivo cita diversos sujeitos, quais sejam: 1. criança abandonada ou extraviada; 2. pessoa inválida ou ferida ao desamparo ou em grave e iminente perigo; A primeira situação faz referência a criança abandonada ou extraviada. Aqui o legislador buscou uma proteção aqueles que são considerados mais frágeis e que não tem como solicitar ajuda. Logo, para entendermos por completo esse ponto, é necessário compreender que criança, segundo o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), é aquele que não possua 12 anos completos. Tal criança pode estar em duas situações distintas: abandonada ou extraviada. Uma criança abandonada é aquela deixada em um local qualquer pelos seus responsáveis, já a criança extraviada é aquela que perdeu contato com familiares e responsáveis. Em qualquer dessas situações, caso o agente não preste a devida assistência, poderá ter sua conduta enquadrada no tipo penal acima apresentado. Em seguida temos as pessoas inválidas. Considera-se como inválida, qualquer pessoa que por diversos motivos, não consiga realizar as mais simples atividades para a sua segurança, motivo pelo qual precisa de assistência. Em seguida, temos as pessoas feridas. Sujeitos que estejam nessas condições, seja por qualquer violência física que tenha ofendido a sua integridade corporal enquadram-se no rol de pessoas que merecem a devida assistência de outrem. Pedido de socorro a autoridade pública No final do caput do artigo 135 do código penal, o legislador colocou uma opção aqueles que estejam em uma situação que se faz necessário a prestação da assistência. O mencionado dispositivo menciona o trecho “não pedir socorro da autoridade pública”. Ou seja, não sendo possível prestar assistência, há a possibilidade de ajudar, pedindo socorro a autoridade pública, seja pedindo uma ambulância, seja comunicando a autoridade competente. Nesses casos, diz-se que estamos diante de um caso de assistência indireta. É importante mencionar que, dependendo da situação, não é cabível a escolha de uma das opções. Perceba, se determinada pessoa precisa de assistência de forma urgente e o agente pode prestá-la sem que ponha em risco a sua integridade pessoal, não há porque escolher a opção de chamar o socorro público. Por fim, vale mencionar que a assistência não pode envolver risco pessoal a integridade física do agente. Veja, se determinada pessoa está prestes a cair de um prédio e subir ao alto é a única forma de salvar sua vida, caso o agente não o faça, não há de se falar em omissão de socorro, pois subindo ao prédio, estaria ele colocando a sua vida em risco. Neste caso é perfeitamente possível a solicitação de auxílio de autoridade pública.