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Uma didática da invenção I Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber: a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação e) Que um rio que flui entre dois jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre dois lagartos f) Como pegar na voz de um peixe g) Qual o lado da noite que umedece primeiro. etc etc etc Desaprender oito horas por dia ensina os princípios. BARROS, M. de. “O livro das ignorãnças”. In: Poesia completa. São Paulo: LeYa, 2010, p. 299. A arte de Manoel de Barros é marcada por uma atitude lírica peculiar. No texto, essa peculiaridade se imprime na � abordagem metafísica da natureza como uma crítica à vida urbana pós-moderna. � prescrição poética pela qual se rompe com as atitudes afeitas à vulgaridade e à superficialidade. � linguagem rebuscada e pedante na busca do autoconhecimento do sujeito lírico. � postura de afastamento da visão maniqueísta que torna a realidade social polarizada ideologica - mente. � seleção de imagens comuns ao universo bucólico, retomando-se a poética neoclássica. Resolução A prescrição dada no poema tem por objetivo atingir “as intimidades do mundo”. Ao arrolar as ações que levariam a essa vida autêntica, o eu lírico promove uma crítica irônica às ações instrumentalizadas e pragmáticas do homem moderno. Rompe com o que é comum e superficial. Resposta: B A morte A morte vem de longe Do fundo dos céus Vem para os meus olhos Virá para os teus Desce das estrelas Das brancas estrelas As loucas estrelas Trânsfugas de Deus Chega impressentida Nunca inesperada Ela que é na vida A grande esperada! A desesperada Do amor fratricida Dos homens, ai! dos homens Que matam a morte Por medo da vida. MORAES, V. de. “Poemas, sonetos e baladas”. In: Poesia completa e prosa. 4.a ed., Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2004, pp. 307-308. Vinícius de Moraes tematiza uma questão de ordem universal. Em “A morte”, essa abordagem � trata a finitude da vida como algo inexorável. � critica a autodestruição psíquica inerente aos homens. � apresenta a morte como trânsfuga de Deus. � indica a salvação eterna como uma consequência indiscutível. � representa a coragem do homem diante da finitude existencial. Resolução O poema “A morte”, de Vinícius de Moraes, traz a premissa de que a morte é algo que marca a existên - cia humana. A morte, enquanto “grande esperada”, participa também da existência daqueles que a antecipam por medo da vida. Trata-se, portanto, de um aspecto inelutável, inexorável, ou seja, contra o qual não se pode lutar. Resposta: A QUESTÃO 36 QUESTÃO 37 32 LC • 1.o dia • RESOLUÇÕES ENEM_PROVA1_AMARELO_28_4_ALICE_2024 28/03/2024 16:20 Página 32