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AVALIAÇÃO PANCREÁTICA Resumo O texto oferece uma visão concisa sobre o papel do pâncreas e seus testes associados, incluindo o TLI para detectar IPE em cães e a avaliação da glicose sanguínea e urinária. Destaca a importância desses testes para o diagnóstico e tratamento de distúrbios pancreáticos e desequilíbrios glicêmicos, ressaltando os desafios na interpretação dos resultados. Palavras-chave: Glicose; Insuficiência Pancreática; Pâncreas; Pancreatite. Abstract The text provides a concise overview of the pancreas's role and its associated tests, including TLI to detect EPI in dogs and the evaluation of blood and urinary glucose. It highlights the importance of these tests for diagnosing and treating pancreatic disorders and glycemic imbalances, emphasizing the challenges in interpreting the results. Keywords: Glucose; Pancreatic insufficiency; Pancreas; Pancreatitis. . INTRODUÇÃO Este trabalho aborda aspectos essenciais relacionados ao pâncreas, destacando tanto suas funções exócrinas quanto endócrinas e os distúrbios associados a essas áreas. Inicia-se com uma descrição das funções do pâncreas exócrino, especialmente sua produção de enzimas digestivas, seguida por uma discussão sobre a detecção de lesões pancreáticas e métodos diagnósticos, como o teste TLI e a imunorreatividade da lipase pancreática. Em seguida, explora-se o papel do pâncreas endócrino, com foco nas células β e na produção de insulina, abordando condições como hipoglicemia e hiperglicemia. Por fim, discute-se a avaliação laboratorial da glicose, incluindo métodos de coleta de amostras e glicosúria. O PÂNCREAS O pâncreas é um órgão composto por ambas as funções: exócrina e endócrina. O pâncreas exócrino é composto de epitélio glandular, o qual forma os lóbulos acinares que compreendem cerca de 80% do pâncreas, já as células endócrinas estão concentradas nas ilhotas de Langerhans. PÂNCREAS EXÓCRINO A principal função do pâncreas exócrino é produzir e liberar enzimas digestivas, como proteases, lipase e amilase, que ajudam na digestão dos alimentos. Essas enzimas são armazenadas como proenzimas inativas e ativadas quando necessário. A pancreatite, uma inflamação do pâncreas, é uma das principais lesões pancreáticas, geralmente causada pela ativação prematura das enzimas e vazamento para fora do órgão. Outro distúrbio é a insuficiência pancreática exócrina (IPE), que resulta na produção insuficiente de enzimas digestivas, levando a problemas de digestão. Ambos os distúrbios podem ser detectados por meio de avaliações laboratoriais e apresentam sinais clínicos semelhantes a distúrbios intestinais, como má absorção de nutrientes. 1 DETECÇÃO DA LESÃO PANCREÁTICA O diagnóstico de pancreatite pode ser extremamente difícil de ser estabelecido, especialmente nos casos crônicos ou leves. Cães com pancreatite aguda frequentemente apresentam vômito e dor abdominal, sinais menos frequentes nos gatos. Ademais, os gatos parecem desenvolver mais frequentemente pancreatite crônica do que a doença aguda. Em estudo recente com animais necropsiados, foi indicado que a pancreatite crônica subclínica ocorre mais frequentemente em cães e gatos do que previamente documentado. Embora a maioria dos casos de pancreatite seja considerada idiopática, vários fatores de risco têm sido identificados. Nos gatos, muitos casos de pancreatite têm sido associados a doenças inflamatórias intestinais e do trato biliar . Infecções por trematódeos no fígado e pâncreas também podem causar pancreatite. Diversos testes laboratoriais foram desenvolvidos para diagnosticar pancreatite, mas a maioria deles apresenta significativas limitações. TESTES E MÉTODOS IMUNODIAGNÓSTICOS A. Imunorreatividade Semelhante à Tripsina Sérica A Insuficiência Pancreática Exócrina (IPE) afeta cães, resultando em síntese inadequada de enzimas digestivas. O teste TLI é crucial para o diagnóstico, indicando valores abaixo de 2,5 µg/L para IPE. Embora sensível, sua utilidade na detecção de pancreatite é limitada. O TLI é um teste que detecta tripsinogênio e tripsina no soro, sendo produzido apenas pelo pâncreas. Em animais saudáveis, uma pequena quantidade entra na corrente sanguínea, indicando uma produção adequada de tripsinogênio. No entanto, sua sensibilidade para diagnosticar pancreatite em cães e gatos é limitada, sendo mais útil para detectar insuficiência pancreática exócrina. B. Imunorreatividade da lipase pancreática Esses testes são imunoensaios espécie-específicos que utilizam anticorpos para mensurar as concentrações de lipase originadas especificamente no pâncreas. Radioimunoensaios foram desenvolvidos para detectar a imunorreatividade das lipases pancreáticas canina (cPLI) e felina (fPLI), as quais estão disponíveis comercialmente. Há também disponível um teste rápido para avaliação da cPLI para uso em clínicas.Em cães, a sensibilidade da cPLI em detectar pancreatite é de 65 a 82%, dependendo da gravidade da doença e a especificidade é superior a 95%. Em gatos, a sensibilidade da fPLI para detecção de pancreatite é de 54 a 100%, dependendo da gravidade da doença, e a especificidade é de 91%. Tais ensaios são mais confiáveis para a detecção de pancreatite de moderada a grave e, até o momento, são os testes laboratoriais mais úteis ao diagnóstico da pancreatite em cães e gatos. Diversos testes laboratoriais foram desenvolvidos para diagnosticar pancreatite, mas a maioria deles apresenta significativas limitações. C. Atividade sérica da lipase A mensuração da atividade sérica da lipase para detectar pancreatite varia entre as espécies. Em gatos, sua utilidade diagnóstica é limitada, pois frequentemente permanece dentro dos limites normais, enquanto em cavalos e bovinos seu aumento é pouco comum na pancreatite. Em cães, a lipase sérica é incluída no perfil bioquímico padrão e pode ser útil como teste de triagem, embora não seja sensível nem específica. Aumentos de 3 a 5 vezes o 2 limite superior de referência são considerados sugestivos de pancreatite canina, indicando a necessidade de uma avaliação mais detalhada. D. Atividades da amilase e da lipase no líquido peritoneal O líquido peritoneal pode ser usado para diagnosticar lesões pancreáticas em animais, medindo as atividades das enzimas amilase e lipase. Se houver lesão pancreática ativa, essas enzimas aumentam no líquido peritoneal. Atividades enzimáticas mais altas no líquido peritoneal em comparação ao soro sugerem lesão pancreática, embora perfurações duodenais também possam causar esse aumento. A sensibilidade e especificidade dessa medição ainda não foram determinadas. E. Outras anormalidades laboratoriais associadas às lesões pancreáticas Os testes laboratoriais comuns (hemograma e perfil bioquímico) não são suficientes para diagnosticar lesões pancreáticas, mas anormalidades associadas a achados físicos de pancreatite indicam a necessidade de testes mais específicos e sensíveis (como cPLI e exames de imagem). Alterações laboratoriais que podem acompanhar lesões pancreáticas serão discutidas, lembrando que alguns casos de pancreatite, especialmente pancreatite crônica felina, podem apresentar resultados normais nesses exames. PÂNCREAS ENDÓCRINO As células do pâncreas endócrino estão localizadas nas ilhotas de Langerhans, que contêm várias células especializadas: células α (secretam glucagon), células δ (secretam somatostatina) e células PP (secretam polipeptídeo pancreático). A anormalidade funcional mais comum envolve as células β, que representam 60-80% das células da ilhota e produzem insulina. Tanto a deficiência quanto o excesso de insulina podem causar importantes anormalidades no metabolismo da glicose. Esta seção revisa os fatores que afetam o metabolismo da glicose, discute as causas de hipoglicemia e hiperglicemia, e descreve os testes para avaliação dessas condições. AVALIAÇÃO DE GLICOSE A avaliação da glicose envolve a medição dos níveis sanguíneos desse carboidrato, geralmente por meio de exames laboratoriais. Essa avaliação é crucial para diagnosticar e monitorar condições comodiabetes mellitus e distúrbios metabólicos. Os níveis de glicose são um indicador importante da saúde metabólica do animal e ajudam a orientar o tratamento e a prevenção de complicações associadas a desequilíbrios glicêmicos. AVALIAÇÃO LABORATORIAL DOMETABOLISMO DA GLICOSE A. Glicose sanguínea A avaliação inicial do metabolismo da glicose envolve a medição da sua concentração no sangue, geralmente como parte do perfil bioquímico padrão. Isso é crucial para detectar hiperglicemia ou hipoglicemia. Amostras de soro ou plasma devem ser separadas dos eritrócitos em até 30 minutos após a coleta para evitar a glicólise, sendo possível usar anticoagulantes como o fluoreto de sódio para inibir esse processo. Existem analisadores clínicos e aparelhos portáteis para medir a glicose sanguínea, embora os resultados dos glicosímetros possam variar dos métodos de referência. A coleta de amostras varia entre as espécies, com animais monogástricos geralmente requerendo jejum de 12 horas, exceto os 3 potencialmente hipoglicêmicos. Cavalos geralmente não precisam de jejum, mas suplementos energéticos podem afetar os resultados. Ruminantes não precisam de jejum, pois absorvem principalmente ácidos graxos voláteis. A hipoglicemia artificial pode ocorrer devido ao consumo de glicose in vitro em casos extremos de leucocitose ou parasitemia eritrocitária. B. Glicose Urinária A glicosúria, presença de glicose na urina, ocorre quando os níveis sanguíneos ultrapassam os limiares renais, que variam por espécie. A glicosúria pode estar presente mesmo sem hiperglicemia, indicando problemas na reabsorção renal de glicose, geralmente devido a anormalidades nos túbulos renais. Isso pode ser causado por condições adquiridas (como isquemia, nefrotoxinas) ou congênitas (como a glicosúria renal primária e a síndrome de Fanconi). CONCLUSÃO O texto apresenta uma visão geral do papel do pâncreas e suas funções digestivas e metabólicas nos animais. Destaca a importância desses aspectos para o diagnóstico e tratamento de distúrbios pancreáticos e para a avaliação do metabolismo da glicose. Aborda os principais testes laboratoriais utilizados nesses contextos, com destaque para o teste de Imunorreatividade Semelhante à Tripsina Sérica (TLI) na detecção da Insuficiência Pancreática Exócrina (IPE) em cães, além da mensuração da glicose sanguínea e urinária para identificação de desequilíbrios glicêmicos. Também discute os desafios e limitações desses testes, enfatizando a importância de interpretar os resultados com cuidado. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA THRALL, M. A;. Hematologia e Bioquímica: Clínica Veterinária. 2° edição. [S. l.]: Roca, 2005. 1590 p. BLUT´S. Home > Blog > O que é teste TLI e Insuficiência Pancreática Exócrina em cães O que é teste TLI e Insuficiência Pancreática Exócrina em cães. In: Home > Blog > O que é teste TLI e Insuficiência Pancreática Exócrina em cães. BLUT´S - Centro de Diagnósticos Veterinário, 21 fev. 2022. Disponível em: https://www.bluts.com.br/o-que-e-teste-tli-e-insuficiencia-pancreatica-exocrina-em-caes/. Acesso em: 20 maio 2024. 4