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Tutoria 3 – Módulo 2 – Maria Eduarda Miranda 
 
Infecção fúngica 
COMPREENDER AS CARACTERÍSTICAS GERAIS 
DOS FUNGOS 
ꟷ Os fungos, também conhecidos como 
bolores, são organismos eucariontes (com 
células nucleadas), existindo espécies 
unicelulares e pluricelulares, 
respectivamente: as leveduras e os 
cogumelos, cujas células são 
impregnadas externamente por quitina, 
um polissacarídeo nitrogenado. 
ꟷ Esses seres são heterotróficos (não 
sintetizam o próprio alimento), 
incorporando os nutrientes necessários ao 
seu metabolismo através da absorção de 
substâncias após digestão extracorpórea 
(sapróbios), realizada por enzimas 
sintetizadas e secretadas sobre a matéria 
orgânica contida no ambiente. 
ꟷ Os fungos pluricelulares apresentam 
estrutura formada por uma malha 
filamentosa chamada de hifas, 
agrupadas formando um pseudo tecido 
denominado micélio, caracterizado 
conforme sua distinção citoplasmática 
em: 
o Hifas septadas – cujas células são 
individualizadas, cada uma 
contendo o seu núcleo; 
o Hifas cenocíticas – com aparência 
anastomosada (concisa), formada 
por um citoplasma estendido e 
polinucleado. 
ꟷ O micélio assume tanto a função 
vegetativa, quanto reprodutiva. A 
primeira conferindo sustentação, 
crescimento e obtenção de alimentos, e 
a segunda, responsável pela produção 
de esporos (reprodução sexuada), porém 
podendo ocorrer de forma assexuada, 
seja por brotamento ou fragmentação. 
ꟷ A respiração dos fungos pode ser aeróbia 
(na presença de oxigênio) ou anaeróbia 
facultativa, sobrevivendo em ambientes 
com baixa oxigenação 
ꟷ Eucariotos; 
ꟷ Nucléolo possui DNA, RNA e proteínas e é 
o sítio principal de síntese dos ribossomos 
(80s); 
ꟷ Quimioheterotróficos - necessitam de 
matéria orgânica para obtenção de 
energia; 
ꟷ Nutrição por absorção; 
ꟷ Armazenamento de energia: glicogênio, 
manitol, trealose e álcoois; 
ꟷ Parede celular de quitina e glucanas; 
ꟷ Na maioria, são seres haploides; 
ꟷ Podem se apresentar: levedura ou hifas; 
ꟷ Pode ter ciclo assexuada e sexuado. 
CONHECER OS PRINCIPAIS TIPOS DE 
INFECÇÕES FÚNGICAS 
ꟷ As micoses podem ser divididas em: - 
Micoses superficiais: limitadas às camadas 
mais externas da pele e do cabelo. - 
Micoses cutâneas: envolvem as camadas 
mais profundas da epiderme e seus 
tegumentos, o cabelo e as unhas. - 
Micoses subcutâneas: envolvem derme, 
tecidos subcutâneos, músculo e fáscia. 
ꟷ Micoses Superficiais: Suscitam pouca ou 
nenhuma resposta imune do hospedeiro, 
não sendo combatidas por ele. Assim, são 
assintomáticas, de maneira que 
interessam mais à área de cosméticos. 
São fáceis de diagnosticar e tratar. 
o Ptirías Versicolor (Malassezia furfur): 
Os fungos causadores são 
leveduras lipofílicas, que se 
alimentam do sebo presente na 
pele. As células leveduriformes 
podem ser misturadas com hifas 
curtas e ocasionalmente 
ramificadas. Acontece 
principalmente em regiões 
tropicais e subtropicais. Acomete 
principalmente adultos jovens. É 
transmitida através de 
transferência direta ou indireta do 
material queratínico infectado de 
uma pessoa para outra. As lesões 
são pequenas máculas hipo ou 
hiperpigmentadas, assintomáticas, 
localizadas principalmente na 
parte superior do tronco, braços, 
tórax, ombros, face e pescoço. As 
Tutoria 3 – Módulo 2 – Maria Eduarda Miranda 
 
lesões são irregulares, com 
manchas bem demarcadas de 
descoloração, as quais podem 
surgir e ser cobertas por uma 
escama fina. Em pessoas de pele 
negra, as lesões têm aspecto mais 
branco, enquanto que em pessoas 
de pele mais claro o aspecto das 
lesões é castanho-claro ou rosado. 
As lesões fluorescem com uma cor 
amarelada quando expostas à 
“lâmpada de Wood”, o que é 
uma forma de diagnóstico 
laboratorial. No entanto, isso pode 
não acontecer se o tratamento já 
se houver iniciado. Normalmente é 
uma doença crônica e persistente. 
Tratamento: azóis tópicos ou 
shampoo com sulfeto de selênio. 
Para infecção mais disseminada, 
usa-se cetoconazol ou fluconazol 
por via oral. 
o Tinea Nigra (Hortaea wernickii): 
Feoifomicose superficial causada 
por fungo negro. Composto por 
hifa demaciácea muitas vezes 
ramificada. Artroconídios e células 
alongadas com brotamento 
também podem estar presentes. 
Acontece em região tropical ou 
subtropical, sendo mais prevalente 
na Ásia, África e América do Sul. É 
contraída por inoculação 
traumática do fungo nas camadas 
superficiais da epiderme. As 
crianças e os adultos jovens são os 
mais afetados, principalmente os 
do sexo feminino. Caracteriza-se 
por mácula solitária, irregular, 
pigmentada (de cor castanha a 
negra), geralmente na palma das 
mãos ou sola do s pés. Não 
escamação ou invasão dos 
folículos pilosos e a doença não é 
contagiosa. É importante fazer o 
diagnóstico diferencial dessa 
micose, pois pode parecer 
grosseiramente com um 
melanoma maligno. O tratamento 
é tópico (pomada de Whtfield, 
cremes azóis e terbinafina). 
o Piedra Branca (gênero 
Trichosporon – T. inkin, T. asahii, T. 
beigelli, T. mucoides): São fungos 
leveduriformes que causam 
infecção superficial do pêlo. 
Apresenta, hifas, artroconídios e 
blastoconídios. Acontece 
principalmente em regiões 
tropicias e subtropicais, estando 
relacionada a condições de falta 
de higiene. Acomete os pêlos das 
regiões axilares e da virilha. O 
fungo cresce em torno da haste 
do pêlo e forma um nódulo 
branco a castanho ao longo dos 
fios de cabelo. Os nódulos são 
macios e pastosos, podendo ser 
facilmente removidos quando 
puxados em direção à ponta do 
fio pelo polegar e dedo indicador. 
Não danifica a haste do pêlo. 
Tratamento: higiene e depilação 
dos pelos afetados; azóis tópicos. 
o Piedra Negra (Piedraia hortae): 
Causada por um bolor 
pigmantado (castanho a negro 
avermelhado). Afeta os pelos 
principalmente do couro 
cabeludo e é assintomática. Não 
é uma micose muito comum e 
relaciona-se à falta de higiene, 
acontecendo principalmente na 
América Latina e África Central. É 
caracterizada pela presença de 
pequenos nódulos negros que 
ficam em torno da haste do pelo. 
Tratamento: corte de cabelo e 
lavagens regulares apropriadas. 
ꟷ Micoses Cutâneas: Nas micoses cutâneas, 
os fungos invadem as camadas do 
extrato córneo. Nesse grupo, encontram-
se as dermatofitoses, que consistem em 
um grupo de micoses provocadas por 
fungos dermatófitos, os quais são 
queratinofílicos, ou seja, infectam apenas 
estruturas queratinizadas, como pele, 
pelos e unhas, de modo que podem 
infectar homens e, inclusive, animais. 
o Dermatofitoses (Trichophyton, 
Epidermophyton, Microsporium): 
São fungos queratinofílicos e 
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queratinolíticos, sendo capazes de 
destruir as superfícies queratinosas 
de pele, pêlo e unhas. Nas biópsias 
cutâneas, todos os dermatófitos 
são morfologicamente similares e 
aparecem com hifas septadas 
hialinas, cadeias de artroconídios 
ou cadeias dissociadas de 
artroconídios. Os dermatófitos 
podem ser geofílicos (vivem no 
solo, patógenos ocasionais), 
zoofílicos (parasitam o pêlo e a 
pele de animais, infectam, 
humanos) ou antropofílicos 
(infectam humanos e são 
transmitidos direta ou 
indiretamente de pessoa a 
pessoa). Os fungos geofílicos e 
zoofílicos causam reação 
profunda no hospedeiro, com 
lesões altamente inflamatórias, 
mas que respondem bem à 
terapia. Já as infecções 
antropofílicas, são não 
inflamatórias, crônicas e difíceis de 
curar. Invadem o extrato córneo 
(camada superior e mais externa 
da epiderme). As dermatofitoses 
são referidas com “tineas”. Os 
sinais e sintomas clínicos variam de 
acordo com os agentes 
etiológicos, a reação do 
hospedeiro e o local da infecção. 
O padrão clássico das 
dermatofitoses envolve um anel de 
descamação inflamatória com 
diminuição da inflamação em 
direção ao centro da lesão. Em 
áreas cobertas por pêlos 
aparecem manchas circulares 
elevadas de alopecia, com 
eritema e escamação, ou como 
pápulas, pústulas, vesículas e 
quérions (inflamação grave 
envolvendo a base do pêlo).Em 
pele lisa aparecem eritema e 
manchas escamosas que se 
expandem centripetamente, 
apresentando clareamento 
central. Pode acontecer também 
a infecção das unhas 
(onicomicose) pelos mesmos 
fungos causadores da infecção na 
pele. O tratamento para as 
dermatofitoses é tópico ou oral, 
sendo, no entanto, principalmente 
oral. 
o Onicomicose por fungos não-
dermatofíticos (Scopulariopsis 
brevicaulis, Scytalidium spp., 
Candida spp. etc): A remoção 
cirúrgica parcial das unhas 
infectadas, mais tratamento com 
itraconazol ou terbinafina via oral 
são recomendados nesses casos. 
ꟷ Micoses Subcutâneas: Podem ser 
introduzidas de forma traumática através 
da pele. Podem envolver camadas mais 
profundas da derme, do tecido 
subcutâneo e do osso, mas não 
costumam se disseminar para órgãos 
distantes. O curso clínico mostra-se 
crônico e insidioso. Os agentes causais 
são, muitas vezes, de baixo potencial 
patogênico e são comumente isolados do 
solo, da madeira e de vegetação em 
decomposição, o que justifica a comum 
exposição de forma ocupacional ou 
relacionada a passatempos. 
o Esporotricose Linfocutânea 
(Sporothrix schenckii): Fungo 
dimórfico, encontrado no solo e 
na vegetação em decomposição, 
que causa infecção crônica. 
Acontece predominantemente 
em locais de clima quente e está 
relacionada ao trabalho em 
florestas, mineração e jardinagem. 
O fungo entra no hospedeiro após 
inoculação traumática dos 
materiais normalmente 
contaminados. Caracteriza-se por 
lesões nodulares e ulcerativas junto 
aos linfáticos que drenam o sítio 
primário de inoculação. O 
tratamento é feito com iodeto de 
potássio via oral em solução 
saturada ou com itraconazol. 
o Cromoblastomicose (Fonsecaea, 
Cladosporium, Exophiala, 
Cladophialophora, Chialophora): 
Também conhecida como 
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cromomicose, é uma infecção 
fúngica crônica, envolvendo pele 
e subcutâneos, caracterizada pelo 
desenvolvimento de nódulos ou de 
placas verrucosas de crescimento 
lento. Os fungos são pigmentados 
(demaciáceos) e penetram por 
inoculação direta com solo 
infectado ou matéria orgânica. As 
lesões iniciais, como já 
mencionado, são pequenas 
pápulas verrucosas e, em geral, 
aumentam de tamanho 
lentamente. Podem apresentar-se 
também na forma de placas. 
Quando bem estabelecida, as 
lesões aparecem como 
crescimentos verrucosos múltiplos 
e grandes, com aspecto de 
couve-flor. São hiperceratóticas e 
deixam o membro distorcido, 
devido à fibrose e ao linfoedema 
secundário. A reação inflamatória 
é supurativa e granulomatosa, 
com fibrose dérmica e hiperplasia 
pseudoepiteliomatosa. O 
tratamento com terapia 
antifúngica específica muitas 
vezes não apresenta resultado, se 
a infecção já estiver em estágio 
avançado. O itraconazol e a 
terbinafina parecem ser mais 
eficazes e podem ser combinados 
com flucitosina em casos 
refratários. 
o Micetoma Eumicótico 
(Acremonium, Fusarium, Madurella, 
Exophiala, Scedosporium): 
Acontece devido à implantação 
percutânea traumática do agente 
e não é uma doença contagiosa. 
É um processo infeccioso, crônico 
e granulomatoso. É caracterizado 
pela formação de múltiplos 
granulomas e abscessos que 
contêm grandes agregados de 
hifas fúngicas conhecidas como 
grânulos ou grãos. Os abscessos 
drenam-se externamente, em sua 
maioria. O processo pode ser 
bastante extenso e deformante, 
com a destruição de músculo, 
fáscia e osso. As lesões aparecem 
principalmente em mãos e pés, 
mas também existem nas costas, 
ombros e parede torácica. A lesão 
inicial parece um nódulo ou uma 
placa subcutânea pequena e 
indolor que aumenta lenta, mas 
progressivamente, de tamanho. 
Acontece desfiguração devido à 
inflamação crônica e à fibrose. 
Pode ocorrer destruição do 
músculo e do osso. Com o tempo, 
os tratos sinusais aparecem sobre 
a superfície da pele e drenam um 
líquido serossanguinolento que, 
muitas vezes, pode apresentar 
grânulos visíveis. O diagnóstico de 
baseia na distinção dos grãos ou 
grânulos e o tratamento muitas 
vezes não é efetivo, sendo 
necessária a amputação. Deve-se 
diferenciar o micetoma 
eumicótico do micetoma 
actinomicótico, pois o último goza 
de terapia efetiva. 
o Zigomicose subcutânea 
(Conidiobolus coronatus, 
Basidiobolus ranarum): Ocorre 
devido à implantação traumática 
e se desenvolve resposta 
inflamatória granulomatosa e rica 
em eosinófilos. O Conidiobolus 
coronatus está mais relacionado a 
infecções na face de adultos 
(seios paranasais e tecidos moles), 
devido à inalação do fungo. O 
paciente apresenta área rinofacial 
acometida, com tumefação da 
parte superior do lábio ou face, 
firme e indolor. Pode ocorrer 
deformidade facial dramática, 
sendo até necessária cirurgia 
reconstrutiva devido à fibrose. Já o 
Basidiobolus ranarum acomete 
principalmente os membros 
proximais de crianças. Os paciente 
apresentam massas discóides, 
flexíveis e móveis que podem ser 
bastante grandes e localizam-se 
no ombro, na pelve, nos quadris e 
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nas coxas. Eventualmente, as 
massas podem expandir-se e 
ulcerar-se. 
o Feoifomicose Subcutânea 
(Exophiala jeanselmei, Wangiella 
dermatitidis, Bipolaris spp.): Pode 
ser causada por uma grande 
variedade de fungos e é um termo 
utilizado para descrever uma 
ordem heterogênea de infecções 
fúngicas. Pode aparecer no 
formata de infecção superficial, 
subcutânea, invasiva ou 
disseminada. Contrai-se por 
inoculação traumática. 
Apresenta-se sob a forma de um 
cisto inflamatório solitário, com 
cápsula fibrosa, reação 
granulomatosa e necrose central. 
As lesões são firmes ou flutuantes, 
em geral indolores. Podem ocorrer 
placas pigmentadas endurecidas. 
Acomete principalmente pés e 
pernas. O tratamento é feito 
principalmente através de recisão 
cirúrgica. 
ꟷ Micoses siste ̂micas ou profundas: resultam 
da inalação de esporos de fungos 
dimórficos que ocorrem em sua forma 
filamentosa no solo. Nos pulmões, os 
esporos diferenciam-se em leveduras ou 
outras for- mas especializadas, como 
esférulas. A maioria das infecc ̧ões nos 
pulmões é assintomática e limitada. 
Entretanto, em algumas pessoas, a 
doenc ̧a dissemina-se e os organismos 
desenvolvem-se em outros órgãos, 
causando lesões destrutivas que podem 
resultar em morte. Pessoas infectadas não 
transmitem essas micoses siste ̂micas para 
outras pessoas. As características 
importantes das doenc ̧as fúngicas 
siste ̂micas são descritas na. Os fungos 
siste ̂micos são também chamados de 
fungos ende ̂micos, pois são ende ̂micos 
(localizados) de certas áreas geográficas. 
o HISTOPLASMOSE: A histoplasmose é 
uma micose causada pelo fungo 
Histoplasma capsulatum, adquirido 
por inalação de propágulos 
fúngicos. Apresenta sintomatologia 
variada, mas pode acometer 
primariamente os pulmões. 
Ocasionalmente, outros órgãos 
são afetados, evoluindo com 
doença disseminada, sendo esta 
forma mais comum em pacientes 
com SIDA. 
ꟷ Oportunistas: As micoses oportunistas são 
infecções causadas por fungos pouco 
patogênicos em hospedeiros com 
imunidade comprometida, ou pelo uso de 
medicações (p. ex., corticoide, 
quimioterapia, imunossupressores), ou por 
doenças como a Aids. Epidemiologia. Os 
fungos que causam as micoses 
oportunistas estão presentes no ambiente. 
A principal porta de entrada desses 
agentes no organismo humano é a via 
inalatória, de onde podem ser eliminados 
sem ocasionar doença em indivíduos 
imunocompetentes. Não é comum a 
transmissão de fungos entre indivíduos. 
o A candidíase é uma infecção 
causada pelo fungo Candida 
albicans, que se aloja comumente 
na área genital, provocando 
coceira, secreção e inflamação 
na região. O micro-organismo vive 
normalmente no organismo sem 
causar danos, mas, em situações 
de desequilíbrio, aumenta a 
população e passa a ser danoso 
para o corpo. Isso acontece 
especialmente entre as mulheres, 
já que o fungo habita a flora 
vaginal. Em períodos de baixa 
imunidade, o ambiente quente e 
úmido da região genitalpropicia a 
proliferação descontrolada, que 
muitas vezes exige tratamento. 
Pessoas com o sistema imune 
debilitado ainda podem sofrer 
com a candidíase na boca (é o 
sapinho), na garganta, na pele e 
nas unhas, entre outros locais. 
o A aspergilose são onipresentes no 
ar, no solo e em material em 
decomposição. Como resultado 
estão constantemente a ser 
inalados, sendo assim, o trato 
respiratório o portal de entrada. 
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Várias espécies de Aspergillus 
podem causar doenças em 
humanos sendo os mais 
frequentemente isolados: 
Aspergillus niger, Aspergillus 
nidulans, Aspergillus terreus, 
Aspergillus flavus e, com maior 
predomínio a espécie Aspergillus 
fumigatus. A exposição a este 
fungo no meio ambiente pode 
provocar reações alérgicas em 
doentes hipersensíveis ou então 
aspergilose invasiva e doença 
disseminada em doentes com 
graves problemas de 
imunodepressão. A aspergilose 
invasiva ocorre numa ampla 
variedade de cenários clínicos, é 
variável nas suas manifestações, e 
ainda está associado com uma 
taxa de mortalidade muito 
elevada. A prevenção da 
aspergilose em doentes de alto 
risco é fundamental. Os doentes 
neutropénicos e outros de alto 
risco são, em geral, instalados em 
locais de ar filtrados, de modo a 
minimizar a exposição aos conídios 
de Aspergillus. Contudo a 
dificuldade no diagnóstico do 
fungo causador da infecção, 
devido à falta de um método 
eficaz, leva a que muitas vezes o 
diagnóstico ainda seja apenas 
confirmado na autópsia. 
o CRIPTOCOCOSE: Nas últimas 
décadas, a criptococose 
destacou-se como doença 
parasitária emergente. A 
criptococose tem como agente 
causal o Cryptococcus 
neoformans, que tem contato 
inicial com o hospedeiro através 
da inalação de propágulos viáveis 
aerossolizados provenientes de 
fontes saprofíticas ambientais, os 
quais, no trato respiratório, podem 
resultar em infecção primária, com 
formação de complexo gânglio-
pulmonar primário e disseminação 
hematogênica para qualquer 
órgão, atingindo principalmente o 
sistema nervoso central. A 
interação do hospedeiro com o C. 
neoformans tem amplo aspecto, 
que varia da simples colonização, 
infecção assintomática ou 
oligossintomática até formas 
progressivas e disseminadas, 
geralmente graves, que podem 
levar ao óbito. O C. neoformans 
tem a particular capacidade de 
produzir infecção em ambos 
hospedeiros imunocompetentes 
ou gravemente imunodeficientes. 
Nos hospedeiros 
imunocompetentes, a infecção 
primária tem curso autolimitado, 
regressivo, e, muitas vezes, 
subclínico. 
ENTENDER OS MECANISMOS DE 
AGRESSÃO E DEFESA DOS FUNGOS 
 
ENTENDER AS ETAPAS DO PROCESSO 
CICATRICIAL 
ꟷ Fase Inflamatória 
Esta fase se inicia imediatamente após a lesão, 
com a liberação de substâncias vasoconstritoras, 
principalmente tromboxana A2 e 
prostaglandinas, pelas membranas celulares. O 
endotélio lesado e as plaquetas estimulam a 
cascata da coagulação. As plaquetas têm papel 
fundamental na cicatrização. Visando a 
hemostasia, essa cascata é iniciada e grânulos 
são liberados das plaquetas, as quais contêm 
fator de crescimento de transformação beta - 
TGF-β (e também fator de crescimento derivado 
das plaquetas [PDGF], fator de crescimento 
derivado dos fibroblastos [FGF], fator de 
crescimento epidérmico [EGF], prostaglandinas e 
tromboxanas), que atraem neutrófilos à ferida11. 
O coágulo é formado por colágeno, plaquetas e 
trombina, que servem de reservatório protéico 
para síntese de citocinas e fatores de 
crescimento, aumentando seus efeitos. Desta 
forma, a resposta inflamatória se inicia com 
vasodilatação e aumento da permeabilidade 
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vascular, promovendo a quimiotaxia (migração 
de neutrófilos para a ferida). 
Neutrófilos são as primeiras células a chegar à 
ferida, com maior concentração 24 horas após a 
lesão. São atraídos por substâncias quimiotáticas 
liberadas por plaquetas. Os neutrófilos aderem à 
parede do endotélio mediante ligação com as 
selectinas (receptores de membrana). Neutrófilos 
produzem radicais livres que auxiliam na 
destruição bacteriana e são gradativamente 
substituídos por macrófagos11. 
Os macrófagos migram para a ferida após 48 - 96 
horas da lesão, e são as principais células antes 
dos fibroblastos migrarem e iniciarem a 
replicação. Têm papel fundamental no término 
do desbridamento iniciado pelos neutrófilos e sua 
maior contribuição é a secreção de citocinas e 
fatores de crescimento, além de contribuírem na 
angiogênese, fibroplasia e síntese de matriz 
extracelular, fundamentais para a transição para 
a fase proliferativa. 
ꟷ Fase proliferativa 
A fase proliferativa é constituída por quatro 
etapas fundamentais: epitelização, angiogênese, 
formação de tecido de granulação e deposição 
de colágeno. Esta fase tem início ao redor do 4º 
dia após a lesão e se estende aproximadamente 
até o término da segunda semana. A 
epitelização ocorre precocemente. Se a 
membrana basal estiver intacta, as células 
epiteliais migram em direção superior, e as 
camadas normais da epiderme são restauradas 
em três dias. Se a membrana basal for lesada, as 
células epiteliais das bordas da ferida começam 
a proliferar na tentativa de restabelecer a 
barreira protetora . 
A angiogênese é estimulada pelo fator de 
necrose tumoral alfa (TNF-α), e é caracterizada 
pela migração de células endoteliais e formação 
de capilares, essencial para a cicatrização 
adequada. 
A parte final da fase proliferativa é a formação 
de tecido de granulação. Os fibroblastos e as 
células endoteliais são as principais células da 
fase proliferativa. Os fibroblastos dos tecidos 
vizinhos migram para a ferida, porém precisam 
ser ativados para sair de seu estado de 
quiescência. O fator de crescimento mais 
importante na proliferação e ativação dos 
fibroblastos é o PDGF. Em seguida é liberado o 
TGF-β, que estimula os fibroblastos a produzirem 
colágeno tipo I e a transformarem-se em 
miofibroblastos, que promovem a contração da 
ferida. 
Entre os fatores de crescimento envolvidos no 
processo cicatricial podem ser citados o PDGF, 
que induz a proliferação celular, a quimiotaxia e 
a síntese matricial; o fator epidérmico, que 
estimula a epitelização; o fator transformador 
alfa, responsável pela angiogênese e pela 
epitelização; o fator fibroblástico, que estimula a 
proliferação celular e angiogênese e o fator 
transformador beta, responsável pelo aumento 
da síntese matricial . 
 
 
ꟷ Fase de maturação ou remodelamento 
A característica mais importante desta fase é a 
deposição de colágeno de maneira organizada, 
por isso é a mais importante clinicamente. O 
colágeno produzido inicialmente é mais fino do 
que o colágeno presente na pele normal, e tem 
orientação paralela à pele. Com o tempo, o 
colágeno inicial (colágeno tipo III) é reabsorvido 
e um colágeno mais espesso é produzido e 
organizado ao longo das linhas de tensão. Estas 
mudanças se refletem em aumento da força 
tênsil da ferida. A reorganização da nova matriz 
é um processo importante da cicatrização. 
Fibroblastos e leucócitos secretam colagenases 
que promovem a lise da matriz antiga. A 
cicatrização tem sucesso quando há equilíbrio 
entre a síntese da nova matriz e a lise da matriz 
antiga, havendo sucesso quando a deposição é 
maior. Mesmo após um ano a ferida apresentará 
um colágeno menos organizado do que o da 
pele sã, e a força tênsil jamais retornará a 100%, 
atingindo em torno de 80% após três meses.

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