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Tutoria 3 – Módulo 2 – Maria Eduarda Miranda Infecção fúngica COMPREENDER AS CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS FUNGOS ꟷ Os fungos, também conhecidos como bolores, são organismos eucariontes (com células nucleadas), existindo espécies unicelulares e pluricelulares, respectivamente: as leveduras e os cogumelos, cujas células são impregnadas externamente por quitina, um polissacarídeo nitrogenado. ꟷ Esses seres são heterotróficos (não sintetizam o próprio alimento), incorporando os nutrientes necessários ao seu metabolismo através da absorção de substâncias após digestão extracorpórea (sapróbios), realizada por enzimas sintetizadas e secretadas sobre a matéria orgânica contida no ambiente. ꟷ Os fungos pluricelulares apresentam estrutura formada por uma malha filamentosa chamada de hifas, agrupadas formando um pseudo tecido denominado micélio, caracterizado conforme sua distinção citoplasmática em: o Hifas septadas – cujas células são individualizadas, cada uma contendo o seu núcleo; o Hifas cenocíticas – com aparência anastomosada (concisa), formada por um citoplasma estendido e polinucleado. ꟷ O micélio assume tanto a função vegetativa, quanto reprodutiva. A primeira conferindo sustentação, crescimento e obtenção de alimentos, e a segunda, responsável pela produção de esporos (reprodução sexuada), porém podendo ocorrer de forma assexuada, seja por brotamento ou fragmentação. ꟷ A respiração dos fungos pode ser aeróbia (na presença de oxigênio) ou anaeróbia facultativa, sobrevivendo em ambientes com baixa oxigenação ꟷ Eucariotos; ꟷ Nucléolo possui DNA, RNA e proteínas e é o sítio principal de síntese dos ribossomos (80s); ꟷ Quimioheterotróficos - necessitam de matéria orgânica para obtenção de energia; ꟷ Nutrição por absorção; ꟷ Armazenamento de energia: glicogênio, manitol, trealose e álcoois; ꟷ Parede celular de quitina e glucanas; ꟷ Na maioria, são seres haploides; ꟷ Podem se apresentar: levedura ou hifas; ꟷ Pode ter ciclo assexuada e sexuado. CONHECER OS PRINCIPAIS TIPOS DE INFECÇÕES FÚNGICAS ꟷ As micoses podem ser divididas em: - Micoses superficiais: limitadas às camadas mais externas da pele e do cabelo. - Micoses cutâneas: envolvem as camadas mais profundas da epiderme e seus tegumentos, o cabelo e as unhas. - Micoses subcutâneas: envolvem derme, tecidos subcutâneos, músculo e fáscia. ꟷ Micoses Superficiais: Suscitam pouca ou nenhuma resposta imune do hospedeiro, não sendo combatidas por ele. Assim, são assintomáticas, de maneira que interessam mais à área de cosméticos. São fáceis de diagnosticar e tratar. o Ptirías Versicolor (Malassezia furfur): Os fungos causadores são leveduras lipofílicas, que se alimentam do sebo presente na pele. As células leveduriformes podem ser misturadas com hifas curtas e ocasionalmente ramificadas. Acontece principalmente em regiões tropicais e subtropicais. Acomete principalmente adultos jovens. É transmitida através de transferência direta ou indireta do material queratínico infectado de uma pessoa para outra. As lesões são pequenas máculas hipo ou hiperpigmentadas, assintomáticas, localizadas principalmente na parte superior do tronco, braços, tórax, ombros, face e pescoço. As Tutoria 3 – Módulo 2 – Maria Eduarda Miranda lesões são irregulares, com manchas bem demarcadas de descoloração, as quais podem surgir e ser cobertas por uma escama fina. Em pessoas de pele negra, as lesões têm aspecto mais branco, enquanto que em pessoas de pele mais claro o aspecto das lesões é castanho-claro ou rosado. As lesões fluorescem com uma cor amarelada quando expostas à “lâmpada de Wood”, o que é uma forma de diagnóstico laboratorial. No entanto, isso pode não acontecer se o tratamento já se houver iniciado. Normalmente é uma doença crônica e persistente. Tratamento: azóis tópicos ou shampoo com sulfeto de selênio. Para infecção mais disseminada, usa-se cetoconazol ou fluconazol por via oral. o Tinea Nigra (Hortaea wernickii): Feoifomicose superficial causada por fungo negro. Composto por hifa demaciácea muitas vezes ramificada. Artroconídios e células alongadas com brotamento também podem estar presentes. Acontece em região tropical ou subtropical, sendo mais prevalente na Ásia, África e América do Sul. É contraída por inoculação traumática do fungo nas camadas superficiais da epiderme. As crianças e os adultos jovens são os mais afetados, principalmente os do sexo feminino. Caracteriza-se por mácula solitária, irregular, pigmentada (de cor castanha a negra), geralmente na palma das mãos ou sola do s pés. Não escamação ou invasão dos folículos pilosos e a doença não é contagiosa. É importante fazer o diagnóstico diferencial dessa micose, pois pode parecer grosseiramente com um melanoma maligno. O tratamento é tópico (pomada de Whtfield, cremes azóis e terbinafina). o Piedra Branca (gênero Trichosporon – T. inkin, T. asahii, T. beigelli, T. mucoides): São fungos leveduriformes que causam infecção superficial do pêlo. Apresenta, hifas, artroconídios e blastoconídios. Acontece principalmente em regiões tropicias e subtropicais, estando relacionada a condições de falta de higiene. Acomete os pêlos das regiões axilares e da virilha. O fungo cresce em torno da haste do pêlo e forma um nódulo branco a castanho ao longo dos fios de cabelo. Os nódulos são macios e pastosos, podendo ser facilmente removidos quando puxados em direção à ponta do fio pelo polegar e dedo indicador. Não danifica a haste do pêlo. Tratamento: higiene e depilação dos pelos afetados; azóis tópicos. o Piedra Negra (Piedraia hortae): Causada por um bolor pigmantado (castanho a negro avermelhado). Afeta os pelos principalmente do couro cabeludo e é assintomática. Não é uma micose muito comum e relaciona-se à falta de higiene, acontecendo principalmente na América Latina e África Central. É caracterizada pela presença de pequenos nódulos negros que ficam em torno da haste do pelo. Tratamento: corte de cabelo e lavagens regulares apropriadas. ꟷ Micoses Cutâneas: Nas micoses cutâneas, os fungos invadem as camadas do extrato córneo. Nesse grupo, encontram- se as dermatofitoses, que consistem em um grupo de micoses provocadas por fungos dermatófitos, os quais são queratinofílicos, ou seja, infectam apenas estruturas queratinizadas, como pele, pelos e unhas, de modo que podem infectar homens e, inclusive, animais. o Dermatofitoses (Trichophyton, Epidermophyton, Microsporium): São fungos queratinofílicos e Tutoria 3 – Módulo 2 – Maria Eduarda Miranda queratinolíticos, sendo capazes de destruir as superfícies queratinosas de pele, pêlo e unhas. Nas biópsias cutâneas, todos os dermatófitos são morfologicamente similares e aparecem com hifas septadas hialinas, cadeias de artroconídios ou cadeias dissociadas de artroconídios. Os dermatófitos podem ser geofílicos (vivem no solo, patógenos ocasionais), zoofílicos (parasitam o pêlo e a pele de animais, infectam, humanos) ou antropofílicos (infectam humanos e são transmitidos direta ou indiretamente de pessoa a pessoa). Os fungos geofílicos e zoofílicos causam reação profunda no hospedeiro, com lesões altamente inflamatórias, mas que respondem bem à terapia. Já as infecções antropofílicas, são não inflamatórias, crônicas e difíceis de curar. Invadem o extrato córneo (camada superior e mais externa da epiderme). As dermatofitoses são referidas com “tineas”. Os sinais e sintomas clínicos variam de acordo com os agentes etiológicos, a reação do hospedeiro e o local da infecção. O padrão clássico das dermatofitoses envolve um anel de descamação inflamatória com diminuição da inflamação em direção ao centro da lesão. Em áreas cobertas por pêlos aparecem manchas circulares elevadas de alopecia, com eritema e escamação, ou como pápulas, pústulas, vesículas e quérions (inflamação grave envolvendo a base do pêlo).Em pele lisa aparecem eritema e manchas escamosas que se expandem centripetamente, apresentando clareamento central. Pode acontecer também a infecção das unhas (onicomicose) pelos mesmos fungos causadores da infecção na pele. O tratamento para as dermatofitoses é tópico ou oral, sendo, no entanto, principalmente oral. o Onicomicose por fungos não- dermatofíticos (Scopulariopsis brevicaulis, Scytalidium spp., Candida spp. etc): A remoção cirúrgica parcial das unhas infectadas, mais tratamento com itraconazol ou terbinafina via oral são recomendados nesses casos. ꟷ Micoses Subcutâneas: Podem ser introduzidas de forma traumática através da pele. Podem envolver camadas mais profundas da derme, do tecido subcutâneo e do osso, mas não costumam se disseminar para órgãos distantes. O curso clínico mostra-se crônico e insidioso. Os agentes causais são, muitas vezes, de baixo potencial patogênico e são comumente isolados do solo, da madeira e de vegetação em decomposição, o que justifica a comum exposição de forma ocupacional ou relacionada a passatempos. o Esporotricose Linfocutânea (Sporothrix schenckii): Fungo dimórfico, encontrado no solo e na vegetação em decomposição, que causa infecção crônica. Acontece predominantemente em locais de clima quente e está relacionada ao trabalho em florestas, mineração e jardinagem. O fungo entra no hospedeiro após inoculação traumática dos materiais normalmente contaminados. Caracteriza-se por lesões nodulares e ulcerativas junto aos linfáticos que drenam o sítio primário de inoculação. O tratamento é feito com iodeto de potássio via oral em solução saturada ou com itraconazol. o Cromoblastomicose (Fonsecaea, Cladosporium, Exophiala, Cladophialophora, Chialophora): Também conhecida como Tutoria 3 – Módulo 2 – Maria Eduarda Miranda cromomicose, é uma infecção fúngica crônica, envolvendo pele e subcutâneos, caracterizada pelo desenvolvimento de nódulos ou de placas verrucosas de crescimento lento. Os fungos são pigmentados (demaciáceos) e penetram por inoculação direta com solo infectado ou matéria orgânica. As lesões iniciais, como já mencionado, são pequenas pápulas verrucosas e, em geral, aumentam de tamanho lentamente. Podem apresentar-se também na forma de placas. Quando bem estabelecida, as lesões aparecem como crescimentos verrucosos múltiplos e grandes, com aspecto de couve-flor. São hiperceratóticas e deixam o membro distorcido, devido à fibrose e ao linfoedema secundário. A reação inflamatória é supurativa e granulomatosa, com fibrose dérmica e hiperplasia pseudoepiteliomatosa. O tratamento com terapia antifúngica específica muitas vezes não apresenta resultado, se a infecção já estiver em estágio avançado. O itraconazol e a terbinafina parecem ser mais eficazes e podem ser combinados com flucitosina em casos refratários. o Micetoma Eumicótico (Acremonium, Fusarium, Madurella, Exophiala, Scedosporium): Acontece devido à implantação percutânea traumática do agente e não é uma doença contagiosa. É um processo infeccioso, crônico e granulomatoso. É caracterizado pela formação de múltiplos granulomas e abscessos que contêm grandes agregados de hifas fúngicas conhecidas como grânulos ou grãos. Os abscessos drenam-se externamente, em sua maioria. O processo pode ser bastante extenso e deformante, com a destruição de músculo, fáscia e osso. As lesões aparecem principalmente em mãos e pés, mas também existem nas costas, ombros e parede torácica. A lesão inicial parece um nódulo ou uma placa subcutânea pequena e indolor que aumenta lenta, mas progressivamente, de tamanho. Acontece desfiguração devido à inflamação crônica e à fibrose. Pode ocorrer destruição do músculo e do osso. Com o tempo, os tratos sinusais aparecem sobre a superfície da pele e drenam um líquido serossanguinolento que, muitas vezes, pode apresentar grânulos visíveis. O diagnóstico de baseia na distinção dos grãos ou grânulos e o tratamento muitas vezes não é efetivo, sendo necessária a amputação. Deve-se diferenciar o micetoma eumicótico do micetoma actinomicótico, pois o último goza de terapia efetiva. o Zigomicose subcutânea (Conidiobolus coronatus, Basidiobolus ranarum): Ocorre devido à implantação traumática e se desenvolve resposta inflamatória granulomatosa e rica em eosinófilos. O Conidiobolus coronatus está mais relacionado a infecções na face de adultos (seios paranasais e tecidos moles), devido à inalação do fungo. O paciente apresenta área rinofacial acometida, com tumefação da parte superior do lábio ou face, firme e indolor. Pode ocorrer deformidade facial dramática, sendo até necessária cirurgia reconstrutiva devido à fibrose. Já o Basidiobolus ranarum acomete principalmente os membros proximais de crianças. Os paciente apresentam massas discóides, flexíveis e móveis que podem ser bastante grandes e localizam-se no ombro, na pelve, nos quadris e Tutoria 3 – Módulo 2 – Maria Eduarda Miranda nas coxas. Eventualmente, as massas podem expandir-se e ulcerar-se. o Feoifomicose Subcutânea (Exophiala jeanselmei, Wangiella dermatitidis, Bipolaris spp.): Pode ser causada por uma grande variedade de fungos e é um termo utilizado para descrever uma ordem heterogênea de infecções fúngicas. Pode aparecer no formata de infecção superficial, subcutânea, invasiva ou disseminada. Contrai-se por inoculação traumática. Apresenta-se sob a forma de um cisto inflamatório solitário, com cápsula fibrosa, reação granulomatosa e necrose central. As lesões são firmes ou flutuantes, em geral indolores. Podem ocorrer placas pigmentadas endurecidas. Acomete principalmente pés e pernas. O tratamento é feito principalmente através de recisão cirúrgica. ꟷ Micoses siste ̂micas ou profundas: resultam da inalação de esporos de fungos dimórficos que ocorrem em sua forma filamentosa no solo. Nos pulmões, os esporos diferenciam-se em leveduras ou outras for- mas especializadas, como esférulas. A maioria das infecc ̧ões nos pulmões é assintomática e limitada. Entretanto, em algumas pessoas, a doenc ̧a dissemina-se e os organismos desenvolvem-se em outros órgãos, causando lesões destrutivas que podem resultar em morte. Pessoas infectadas não transmitem essas micoses siste ̂micas para outras pessoas. As características importantes das doenc ̧as fúngicas siste ̂micas são descritas na. Os fungos siste ̂micos são também chamados de fungos ende ̂micos, pois são ende ̂micos (localizados) de certas áreas geográficas. o HISTOPLASMOSE: A histoplasmose é uma micose causada pelo fungo Histoplasma capsulatum, adquirido por inalação de propágulos fúngicos. Apresenta sintomatologia variada, mas pode acometer primariamente os pulmões. Ocasionalmente, outros órgãos são afetados, evoluindo com doença disseminada, sendo esta forma mais comum em pacientes com SIDA. ꟷ Oportunistas: As micoses oportunistas são infecções causadas por fungos pouco patogênicos em hospedeiros com imunidade comprometida, ou pelo uso de medicações (p. ex., corticoide, quimioterapia, imunossupressores), ou por doenças como a Aids. Epidemiologia. Os fungos que causam as micoses oportunistas estão presentes no ambiente. A principal porta de entrada desses agentes no organismo humano é a via inalatória, de onde podem ser eliminados sem ocasionar doença em indivíduos imunocompetentes. Não é comum a transmissão de fungos entre indivíduos. o A candidíase é uma infecção causada pelo fungo Candida albicans, que se aloja comumente na área genital, provocando coceira, secreção e inflamação na região. O micro-organismo vive normalmente no organismo sem causar danos, mas, em situações de desequilíbrio, aumenta a população e passa a ser danoso para o corpo. Isso acontece especialmente entre as mulheres, já que o fungo habita a flora vaginal. Em períodos de baixa imunidade, o ambiente quente e úmido da região genitalpropicia a proliferação descontrolada, que muitas vezes exige tratamento. Pessoas com o sistema imune debilitado ainda podem sofrer com a candidíase na boca (é o sapinho), na garganta, na pele e nas unhas, entre outros locais. o A aspergilose são onipresentes no ar, no solo e em material em decomposição. Como resultado estão constantemente a ser inalados, sendo assim, o trato respiratório o portal de entrada. Tutoria 3 – Módulo 2 – Maria Eduarda Miranda Várias espécies de Aspergillus podem causar doenças em humanos sendo os mais frequentemente isolados: Aspergillus niger, Aspergillus nidulans, Aspergillus terreus, Aspergillus flavus e, com maior predomínio a espécie Aspergillus fumigatus. A exposição a este fungo no meio ambiente pode provocar reações alérgicas em doentes hipersensíveis ou então aspergilose invasiva e doença disseminada em doentes com graves problemas de imunodepressão. A aspergilose invasiva ocorre numa ampla variedade de cenários clínicos, é variável nas suas manifestações, e ainda está associado com uma taxa de mortalidade muito elevada. A prevenção da aspergilose em doentes de alto risco é fundamental. Os doentes neutropénicos e outros de alto risco são, em geral, instalados em locais de ar filtrados, de modo a minimizar a exposição aos conídios de Aspergillus. Contudo a dificuldade no diagnóstico do fungo causador da infecção, devido à falta de um método eficaz, leva a que muitas vezes o diagnóstico ainda seja apenas confirmado na autópsia. o CRIPTOCOCOSE: Nas últimas décadas, a criptococose destacou-se como doença parasitária emergente. A criptococose tem como agente causal o Cryptococcus neoformans, que tem contato inicial com o hospedeiro através da inalação de propágulos viáveis aerossolizados provenientes de fontes saprofíticas ambientais, os quais, no trato respiratório, podem resultar em infecção primária, com formação de complexo gânglio- pulmonar primário e disseminação hematogênica para qualquer órgão, atingindo principalmente o sistema nervoso central. A interação do hospedeiro com o C. neoformans tem amplo aspecto, que varia da simples colonização, infecção assintomática ou oligossintomática até formas progressivas e disseminadas, geralmente graves, que podem levar ao óbito. O C. neoformans tem a particular capacidade de produzir infecção em ambos hospedeiros imunocompetentes ou gravemente imunodeficientes. Nos hospedeiros imunocompetentes, a infecção primária tem curso autolimitado, regressivo, e, muitas vezes, subclínico. ENTENDER OS MECANISMOS DE AGRESSÃO E DEFESA DOS FUNGOS ENTENDER AS ETAPAS DO PROCESSO CICATRICIAL ꟷ Fase Inflamatória Esta fase se inicia imediatamente após a lesão, com a liberação de substâncias vasoconstritoras, principalmente tromboxana A2 e prostaglandinas, pelas membranas celulares. O endotélio lesado e as plaquetas estimulam a cascata da coagulação. As plaquetas têm papel fundamental na cicatrização. Visando a hemostasia, essa cascata é iniciada e grânulos são liberados das plaquetas, as quais contêm fator de crescimento de transformação beta - TGF-β (e também fator de crescimento derivado das plaquetas [PDGF], fator de crescimento derivado dos fibroblastos [FGF], fator de crescimento epidérmico [EGF], prostaglandinas e tromboxanas), que atraem neutrófilos à ferida11. O coágulo é formado por colágeno, plaquetas e trombina, que servem de reservatório protéico para síntese de citocinas e fatores de crescimento, aumentando seus efeitos. Desta forma, a resposta inflamatória se inicia com vasodilatação e aumento da permeabilidade Tutoria 3 – Módulo 2 – Maria Eduarda Miranda vascular, promovendo a quimiotaxia (migração de neutrófilos para a ferida). Neutrófilos são as primeiras células a chegar à ferida, com maior concentração 24 horas após a lesão. São atraídos por substâncias quimiotáticas liberadas por plaquetas. Os neutrófilos aderem à parede do endotélio mediante ligação com as selectinas (receptores de membrana). Neutrófilos produzem radicais livres que auxiliam na destruição bacteriana e são gradativamente substituídos por macrófagos11. Os macrófagos migram para a ferida após 48 - 96 horas da lesão, e são as principais células antes dos fibroblastos migrarem e iniciarem a replicação. Têm papel fundamental no término do desbridamento iniciado pelos neutrófilos e sua maior contribuição é a secreção de citocinas e fatores de crescimento, além de contribuírem na angiogênese, fibroplasia e síntese de matriz extracelular, fundamentais para a transição para a fase proliferativa. ꟷ Fase proliferativa A fase proliferativa é constituída por quatro etapas fundamentais: epitelização, angiogênese, formação de tecido de granulação e deposição de colágeno. Esta fase tem início ao redor do 4º dia após a lesão e se estende aproximadamente até o término da segunda semana. A epitelização ocorre precocemente. Se a membrana basal estiver intacta, as células epiteliais migram em direção superior, e as camadas normais da epiderme são restauradas em três dias. Se a membrana basal for lesada, as células epiteliais das bordas da ferida começam a proliferar na tentativa de restabelecer a barreira protetora . A angiogênese é estimulada pelo fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), e é caracterizada pela migração de células endoteliais e formação de capilares, essencial para a cicatrização adequada. A parte final da fase proliferativa é a formação de tecido de granulação. Os fibroblastos e as células endoteliais são as principais células da fase proliferativa. Os fibroblastos dos tecidos vizinhos migram para a ferida, porém precisam ser ativados para sair de seu estado de quiescência. O fator de crescimento mais importante na proliferação e ativação dos fibroblastos é o PDGF. Em seguida é liberado o TGF-β, que estimula os fibroblastos a produzirem colágeno tipo I e a transformarem-se em miofibroblastos, que promovem a contração da ferida. Entre os fatores de crescimento envolvidos no processo cicatricial podem ser citados o PDGF, que induz a proliferação celular, a quimiotaxia e a síntese matricial; o fator epidérmico, que estimula a epitelização; o fator transformador alfa, responsável pela angiogênese e pela epitelização; o fator fibroblástico, que estimula a proliferação celular e angiogênese e o fator transformador beta, responsável pelo aumento da síntese matricial . ꟷ Fase de maturação ou remodelamento A característica mais importante desta fase é a deposição de colágeno de maneira organizada, por isso é a mais importante clinicamente. O colágeno produzido inicialmente é mais fino do que o colágeno presente na pele normal, e tem orientação paralela à pele. Com o tempo, o colágeno inicial (colágeno tipo III) é reabsorvido e um colágeno mais espesso é produzido e organizado ao longo das linhas de tensão. Estas mudanças se refletem em aumento da força tênsil da ferida. A reorganização da nova matriz é um processo importante da cicatrização. Fibroblastos e leucócitos secretam colagenases que promovem a lise da matriz antiga. A cicatrização tem sucesso quando há equilíbrio entre a síntese da nova matriz e a lise da matriz antiga, havendo sucesso quando a deposição é maior. Mesmo após um ano a ferida apresentará um colágeno menos organizado do que o da pele sã, e a força tênsil jamais retornará a 100%, atingindo em torno de 80% após três meses.