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PHILIPPE ARIÈS Profª Luciana Teofilo CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS VINHEDOCurso VIP Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com História Social da Criança e da Família Esta obra nos mostra a importância de em tempos de transformações e incertezas, saber interpretar como as atitudes mudaram em face da infância e das crianças ajudando a compreender o que elas significam para nós. O fio condutor desse percurso é o sentimento da infância e da família. Ao seguir esse fio, nos damos conta da força dos pressentimentos e das observações do imenso e originalíssimo historiador, Philippe Ariès. Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com História Social da Criança e da Família O autor inicia a obra com um percurso histórico acerca das ideias de infância e convenções sociais tão comuns na atualidade, mas que foram construídas com o passar dos séculos e concebidas por diversos povos. Como exemplo, está a questão da identidade, isto é, o número de registro e identificação que é dado a toda criança ao nascer, além disso, a concepção de nome e sobrenome adotados na Idade Média, quando apenas o primeiro já não era suficiente para caracterizar um indivíduo. Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com História Social da Criança e da Família A seguir, escreve que no século XVI, observou-se uma ausência de palavras para se referir às crianças pequenas. Nesse sentido, demonstra que línguas como o inglês e o francês possuíam certas expressões referentes à infância, mas também a outros conceitos - palavras ambíguas - com isso, a criação de novas palavras mais precisas para descrever essa fase da vida começam a ser incorporadas na linguagem. Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com História Social da Criança e da Família Segundo Ariès, na Idade Média, as crianças eram vestidas indiferentemente de idade, isto é, o uso da roupa medieval era comum entre adultos e crianças. No século XVI, a criança de “boa família” passou a não ser mais vestida como os adultos, pelo menos os meninos, pois as meninas da época eram vestidas como “pequenas mulherzinhas”, prática que perdurou até o século XVII. Foi apenas no século XVIII que o traje das crianças tornou-se mais leve, mais folgado, deixando-as mais à vontade. Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com História Social da Criança e da Família De acordo com o autor, no fim do século XVIII o traje das crianças se transforma e nos subúrbios populares, homens começaram usar um traje mais específico, calças compridas, que equivaleriam ao avental. E no século XIX o costume de “efeminar” os meninos só desapareceria após a Primeira Guerra Mundial, afirma. Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com História Social da Criança e da Família Com relação a História dos Jogos e Brincadeiras, Ariès diz que por volta de 1600, as brincadeiras apareciam apenas na primeira infância, a criança jogava os mesmos jogos e participava das mesmas atividades dos adultos. No fim do século XV, os jogos eram mais voltados para a cavalaria, caça e cabra-cega. Também compreende-se que os adultos não se preocupavam tanto com o trabalho como na atualidade, a principal importância eram os jogos e os divertimentos. Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com História Social da Criança e da Família • Século XVI e início do século XVII: A infância ignorada Nesse período, as crianças eram tratadas de formas grosseiras e vivenciavam brincadeiras indecentes. Não havia um sentimento de respeito e nem se acreditava na inocência delas. Inclusive, a pedofilia não era crime, sendo uma prática comum. Além disso, o uso da mesma cama era hábito comum em todas as camadas sociais, a liberdade de linguagem também era natural naquela época. Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com História Social da Criança e da Família Foi então que no final do século XVI, na França e Inglaterra, surge entre os cristãos, uma preocupação acerca do respeito com a infância. Alguns educadores começaram a se preocupar com as linguagens utilizadas em livros e também com o pudor e cuidados com a castidade. Um grande movimento moral refletia com uma vasta literatura pedagógica a fim de promover uma grande mudança. A criança adquire importância dentro da família e começa a se falar sobre a sua fragilidade, comparando-as com os anjos. A concepção moral da infância associava a fraqueza com a inocência, pois refletia a pureza divina da criança. Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com História Social da Criança e da Família A educação passa a ser vista como a obrigação humana mais importante, e começam a se multiplicar os colégios, pequenas escolas, casas particulares, desenvolvendo uma disciplina rigorosa, moralidade e mudanças de hábitos. Essa doutrina desenvolveu alguns princípios: 1°. Não deixar as crianças sozinhas, com uma vigilância contínua. (As crianças ricas eram confiadas a preceptor). 2ª Evitar mimar, habituá-las cedo à seriedade. Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com História Social da Criança e da Família 3° Recato, e preocupação com a decência. Ensinar a ler bons livros, evitar canções populares, comédias, espetáculos, contato com os criados. 4° Evitar tratamentos íntimos, substituir o “Tu” pelo “Vós”. Uma devoção particular passou então a ser dirigida a infância sagrada. O menino Jesus passa a ser representado sozinho (longe da sagrada família). Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com História Social da Criança e da Família Há também uma valorização dos trechos do evangelho, onde Jesus está com as criancinhas. Uma nova devoção do anjo da guarda se estabeleceu. Neste período, os pequenos Santos, e as crianças santas, são valorizadas, como um modelo a ser seguido. A Primeira Comunhão iria se tornar progressivamente a grande festa religiosa da infância. Só seria admitido quem estivesse preparado, tendo um comportamento sério. Portanto, na sociedade medieval, o sentimento de infância não existia. Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com História Social da Criança e da Família Conforme o autor, na escola medieval, misturavam-se todos os alunos de todas as idades – meninos e homens, de seis a 20 anos ou mais, todos em um mesmo local, ensinados por um mesmo educador. Não havia distinção entre a criança e o adulto fazendo, desse modo, com que as pessoas passassem sem transição de uma fase para a outra, “assim que ingressava na escola, a criança entrava imediatamente no mundo adulto”. Philippe Áries deixa um questionamento sobre esse assunto: “Mas como poderia alguém sentir a mistura das idades quando se era tão indiferente à própria ideia de idade?”. Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com História Social da Criança e da Família Sobre a origem das classes escolares, o autor diz que desde o início do século XV, começou-se a dividir a população escolar em grupos de mesma capacidade que eram colocados sob a direção de um mesmo mestre. Mais tarde, passou-se a designar um professor especial para cada um desses grupos. A preocupação de separação das idades só foi reconhecida e afirmada mais tarde. Na verdade, prestava-se mais atenção ao grau do que à idade. Portanto, existia uma relação despercebida, por hábito, entre a estruturação das classes e as idades, quase que como uma “coincidência”. Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com História Social da Criança e da FamíliaNo século XVII, as crianças foram separadas das mais velhas (de 5-7 a 10-11 anos), tanto nas pequenas escolas como nas classes inferiores dos colégios. E, no século XVIII, os ricos foram separados dos pobres, tendo dois tipos de ensinos: uma para o povo, e o outro para as camadas burguesas e aristocráticas. A relação entre esses dois fenômenos é que eles foram a manifestação de uma tendência geral ao chamado “enclausuramento”. Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com História Social da Criança e da Família O autor finaliza apresentando a rigidez da infância escolar, e aponta que os hábitos das classes do século XIX foram impostos às crianças, primeiramente, como conceitos. Esses hábitos no princípio foram hábitos infantis, os hábitos das crianças bem educadas, antes de se tornarem os hábitos da elite desse século e, pouco a pouco, do homem moderno, independente de sua condição social. Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com Vamos Praticar Philippe Ariès, um estudioso francês, foi um dos primeiros a conceituar infância. De acordo com ele, A) a infância passou a ser encarada como uma importante fase da vida apenas a partir do século XX, surgindo, assim, vários estudos sobre o tema. B) até o século XIII não havia distinção entre o mundo adulto e o infantil. C) as visões de cada sociedade sobre a infância não podem ser divididas, sendo muito diferentes e variando de região para região. D) a infância sempre foi vista como uma importante fase da vida, pois nela se estruturam as raízes de uma vida adulta saudável. E) até o século XIX, as crianças viviam no mundo dos adultos, falando, vestindo-se e até participando de festas como eles. Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com AULA CONCLUÍDA! MUITO OBRIGADO, ATÉ A PRÓXIMA! CP - AUTORES VINHEDORETA FINALCurso VIP Licenciado para - C ecília M olina F erreira - 04444798645 - P rotegido por E duzz.com