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Farmacologia FÁRMACOS QUE ATUAM NO TRATO GASTROINTESTINAL (TGI) E NO SISTEMA IMUNE Fármacos usados no tratamento de distúrbios gástricos e esofágicos • Ulcera Peptídica Uma lesão que pode ocorrer na parede do estômago (ulcera gástrica) , na primeira parte do intestino delgado (ulcera duodenal) ou, no esôfago inferior (ulcera esofágica). Sintomas: dor abdominal superior noturna ou apresentar dor abdominal superior que melhora com o consumo de alimentos. Na úlcera gástrica a dor pode piorar com a ingestão de alimentos. Outros sintomas incluem arrotos, vômitos, perda de peso e falta de apetite. As complicações podem incluir sangramento, perfuração e bloqueio do estômago. Causas: a Helicobacter pylori e o uso de anti-inflamatórios não esteroidais, os AINEs, tabagismo, estresse devido a doença grave, doença de Behçet, síndrome de Zollinger-Ellison, doença de Crohn e cirrose hepática, entre outros. Diagnostico: manifestações clinicas, endoscopia e exame de sangue • Doença do refluxo gastroesofágico É uma condição médica de longo prazo em que os ácidos do estômago atigem a porção inferior do esôfago, gerando sintomas e/ou complicações Sintomas: sabor do ácido na parte de trás da boca, azia, mau hálito, dor no peito, vômitos, problemas respiratórios e desgaste dos dentes. As complicações incluem esofagite, estenose esofágica e esôfago de Barrett. Fatores de risco: obesidade, gravidez, tabagismo, hérnia de hiato e certos medicamentos (anti-histamínicos, bloqueadores dos canais de cálcio, antidepressivos e medicação para dormir). Causa: fechamento deficiente do esfíncter esofágico inferior (a junção entre o estômago e o esôfago), o que leva à extrapolação do conteúdo gástrico para o esôfago. Diagnóstico: gastroscopia, monitorização do pH esofágico ou manometria esofágica. Fármacos usados no tratamento de distúrbios gástricos e esofágicos • A secreção gástrica pelas células parietais da mucosa gástrica é estimulada por acetilcolina, histamina e gastrina (figura seguinte). • A ligação da acetilcolina, da histamina e da gastrina com seus receptores resulta na ativação da bomba de prótons H+/K+ ATPase, que passa a secretar íons hidrogênio em troca de K+ para o lúmen do estômago. Fármacos usados no tratamento de distúrbios gástricos e esofágicos Fármacos usados no tratamento das úlceras pépticas e do refluxo gastroesofágico • Antagonistas receptores de H2 Efeitos adversos Indicação Mecanismo de açãoFármacos cefaleia, tonturas, diarreia e dor muscular. Em pacientes idosos podem surgir alterações no sistema nervoso central, como confusão e alucinação. A cimetidina tem efeitos endócrinos. Por alterar o pH do estômago, podem interferir na digestão e na absorção de alguns nutrientes e fármacos. úlceras pépticas, úlceras de estresse agudo e doença do refluxo gastroesofágico atuam seletivamente nos receptores H² do estômago, dos vasos sanguíneos e de outros locais cimetidina, ranitidina, famotidina e nizatidina • Inibidores da bomba de prótons H+/K+ ATPase (IBP) Efeitos adversos Indicação Mecanismo de açãoFármacos São medicamentos seguros; porém, a longo prazo, podem induzir fraturas de bacia, coluna e punho. Além disso, interferem na absorção de outros fármacos e na biodisponibilidade da vitamina B12. úlceras pépticas, úlceras de estresse, tratamento de distúrbios ou síndromes endócrinas que levam ao aumento da secreção estomacal, Auxiliam na remoção da H. pylori, agindo como antimicrobiano. São pró-fármacos e dispõem de um revestimento entérico para protegê-los da degradação prematura pelo ácido gástrico. Tal revestimento é removido no intestino, permitindo que o pró- fármaco seja absorvido e transportado até as células parietais, onde é convertido em sua forma ativa e pode, então, ligar-se a H+/K+ ATPase, bloqueando-a por 18 horas Omeprazol, esomeprazol, lansoprazol, pantoprazol e rabeprazol Fármacos usados no tratamento das úlceras pépticas e do refluxo gastroesofágico • Antiácidos • Fármacos usados no tratamento das úlceras pépticas e do refluxo gastroesofágico Efeitos adversos Indicação Mecanismo de açãoFármacos o hidróxido de alumínio tende a causar constipação, ao passo que o hidróxido de magnésio tende a produzir diarreia. Podem causar ainda hipofosfatemia, alcalose sistêmica e comprometimento renal em pacientes com insuficiência renal. Vale lembrar que pacientes hipertensos não devem consumir os antiácidos que aumentam a disponibilidade de sódio. alívio dos sintomas da úlcera péptica e da azia, podendo auxiliar na cicatrização de lesões duodenais Reagem com o ácido gástrico formando água e sal para diminuir a acidez estomacal; como a pepsina depende do ácido do estômago para ser ativada, acabam reduzindo sua atividade hidróxido de alumínio e o hidróxido de magnésio. • Fármacos protetores da mucosa Efeitos adversos Indicação Mecanismo de açãoFármacos são bem-tolerados, mas interferem na absorção de outros fármacos e não previnem o surgimento de úlceras causadas por AINES ou na cicatrização. Prevenção de ulceras peptídicas e redução de inflamação também como citoprotetores, pois apresentam várias ações que aumentam os mecanismos de proteção da mucosa, prevenindo lesões e reduzindo inflamação. Também são capazes de induzir a liberação de prostaglandina no estômago, diminuindo a produção de ácido gástrico Sucralfato Fármacos usados no tratamento das úlceras pépticas e do refluxo gastroesofágico Tratamento farmacológico da constipação intestinal e da diarreia • Diarreia Aumento da motilidade do TGI e a diminuição de absorção de líquidos Fármacos antimotilidade: dois fármacos são comumente utilizados com essa finalidade, o difenoxilato e a loperamida. Eles têm ação tipo opioide no intestino, inibindo a liberação de acetilcolina e diminuindo o peristaltismo. Apresentam efeitos adversos de sedação, cólicas abdominais e tonturas. Adsorventes: são o hidróxido de alumínio e a metilcelulose. Atuam adsorvendo toxinas intestinais e micro-organismos ou protegendo a mucosa intestinal de irritações causadas por esses agentes. Por apresentar baixa absorção, esses fármacos não provocam efeitos adversos consideráveis. Fármacos que interferem no transporte de íons: o salicilato de bismuto é usado na diarreia do viajante e diminui a secreção de líquidos pelo intestino. Os efeitos adversos mais evidentes são a língua negra e as fezes pretas. • Constipação Distúrbio caracterizado pela falta de evacuação, devido o baixo consumo de líquidos, fibras e consumo excessivo de proteína animal. Irritantes e estimulantes: tais medicamentos causam irritação da mucosa intestinal e estimulam o peristaltismo, sendo indicados para constipações causadas por opioides ou constipações em geral. Efeitos adversos conhecidos são cólicas abdominais, irritação gástrica e dor. Nessa classe estão senna, bisacodil e óleo de rícino. Laxantes aumentadores de volume: os laxantes volumosos incluem coloides hidrofílicos. Esses fármacos formam géis no intestino grosso, causando a retenção de líquidos e a distensão intestinal, o que estimula o peristaltismo. São exemplos a metilcelulose, a semente de linho e fibras. Laxantes salinos e osmóticos: os catárticos salinos, como citrato de magnésio, hidróxido de magnésio e fosfato de sódio, são sais não absorvidos que retêm água no intestino por osmose. Esse processo é capaz de causar distensão intestinal aumentando a atividade peristáltica. O polietilenoglicol (PEG) é indicado para lavagens colônicas, preparando o intestino para procedimentos endoscópicos. A lactulose, um dissacarídeo, também atua como laxante osmótico. Amolecedores de fezes (laxantes emolientes ou surfactantes): estão incluídos nessa categoria docusato sódico, docusato de cálcio e o docusato de potássio. Apresentam tempo de latência de dias e, por isso,são indicados como profiláticos. São capazes de emulsificar as fezes, pois atuam como detergentes. Laxantes lubrificantes: o óleo mineral e a glicerina são considerados lubrificantes e agem facilitando a passagem de fezes endurecidas. Tratamento farmacológico da constipação intestinal e da diarreia Fármacos que atuam no sistema imune – Imunoestimulantes • Agentes estimuladores do sistema imunológico, também conhecidos como imunoestimuladores, são substâncias (fármacos ou nutrientes) que estimulam o sistema imunitário induzindo a ativação ou intensificando a atividade de qualquer de seus componentes. • Imunoestimulantes específicos: proporcionam especificidade antigênica na resposta imunitária, como vacinas ou qualquer antígeno. • Imunoestimulantes não específicos: atuam independentemente da especificidade antigênica para aumentar a resposta imunitária de outro antígeno ou estimular componentes do sistema imunitário sem especificidade antigênica, como adjuvantes e imunoestimuladores não específicos. Muitas substâncias endógenas são imunoestimuladores Fármacos que atuam no sistema imune – Imunossupressores • Os fármacos imunossupressores (ou agentes imunossupressores ou medicamentos antirrejeição) inibem ou impedem a atividade do sistema imunitário. • Terapia imunossupressora para: prevenir a rejeição de órgãos e tecidos transplantados (por exemplo, medula óssea, coração, rim, fígado); tratar doenças autoimunes ou doenças cuja origem mais provável seja autoimune (por exemplo, artrite reumatoide, esclerose múltipla, miastenia gravis, psoríase, vitiligo, lúpus eritematoso sistémico, sarcoidose, glomeruloesclerose segmentar focal, doença de Crohn, doença de Behçet, pênfigo e colite ulcerativa); tratar algumas outras doenças inflamatórias não autoimunes (por exemplo, controle de asma alérgica a longo prazo). Fármacos Imunossupressores • Inibidores seletivos da produção e da função das citocinas Efeitos adversos Indicação Mecanismo de açãoFármacos nefrotoxicidade, hepatotoxicidade, reações anafiláticas, hipertensão, hiperlipidemia, hiperpotassemia, tremores, hirsutismo, intolerância a glicose e hiperplasia gengival. é eficaz para prevenir a rejeição de transplantes alogênicos de rins, fígado e coração. Também pode ser alternativa para tratamento de artrite reumatoide ativa grave e psoríase recalcitrante suprime preferencialmente as reações imunes mediadas por células. Através do bloqueio da síntese proteica (principalmente da interleucina 2), a ciclosporina diminui o número de linfócitos T; Ciclosporina nefrotoxicidade e neurotoxicidade (tremores, convulsões e alucinações). é recomendado como prevenção para a rejeição do transplante de fígado e rins e é usado com um corticosteroide ou um antimetabólito exerce seu efeito imunossupressor da mesma forma que a ciclosporina Tracolimo hiperlipidemia, cefaleia, náusea e diarreia, além de poder potencializar os efeitos nefrotóxicos da ciclosporina e do tracolimo transplantes renaistem mecanismo semelhante ao da ciclosporina e ao do tracolimo Sirolimo • Antimetabólitos imunossupressores Efeitos adversos IndicaçãoMecanismo de açãoFármacos depressão da medula óssea, náuseas e êmese transplantes de órgãosanálogo estruturalmente aos nucleotídeos de DNA usados na proliferação linfocitária Azatriopina diarreia, náuseas, êmese, dor abdominal, leucopenia e anemia. transplantes de órgãos ou tecidos é um inibidor potente reversível e não competitivo da desidrogenase do monofosfato de inosina, bloqueando a formação de guanosina Micofenolato de mofetila Fármacos Imunossupressores • Anticorpos • Os anticorpos, também chamados de imunoglobulinas (Ig), são proteínas responsáveis por avisar ao organismo quando existe um agente causador de doenças (como bactérias, vírus, entre outros) no corpo. Eles agem para eliminá-lo e, nesse processo, outras células serão ativadas para ajudar nessa tarefa • O uso de anticorpos tem um papel importante no prolongamento da vida do enxerto. • Os nomes dos anticorpos monoclonais convencionalmente contêm a palavra “muro” se forem de origem murina (camundongos), “xi” ou “zu” se forem de quimerizados ou humanizados, respectivamente, e o sufixo “mabe” (anticorpo monoclonal identifica a categoria do fármaco). • Dentre os anticorpos monoclonais utilizados no tratamento de rejeição a implantes estão muromonabe-CD3, basiliximabe e alentuzumabe. • Por se tratar de fármacos altamente específicos e seletivos, apresentam baixa toxicidade. Fármacos Imunossupressores