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Microbiota associada à cárie dental I Introdução → Placa dental cariogênica → Fatores de virulência de bactérias cariogênicas Etiologia da cárie dental → A cárie dental é uma doença infecciosa endógena multifatorial. → As interações entre a dieta e os microrganismos são importantes para determinar o tipo de microbiota que coloniza a cavidade bucal desde o nascimento. Placa dental associada à saúde → Supragengival (acima da margem gengival) → Predominam gram +, AnF (85%) → 20 a 40 células de espessura → Predominam S. sanguinis e S. gordonii → Há o equilíbrio com o hospedeiro e entre os membros da microbiota. Placa dental cariogênica → Supragengival → Situação de desequilíbrio (disbiose). → Composição e espessura ou localização suficientes para retardar a ação do tampão salivar. • Ocorre uma mudança de condições que geram a microbiota propensa à criação de cárie dental. • A espessura da placa não significa se há necessariamente a inflamação, pois, o que determina também é a microbiota. → A ingestão frequente de carboidratos (sacarose) torna o pH da placa mais baixo, tornando a placa dental cariogênica, o que desencadeia a cárie dental. → É mais importante detectar o desequilíbrio ecológico oral que leva à disbiose, do que a detecção de algumas bactérias alvo. Microbiota na saúde e na cárie → Placa associada à saúde • É mais delgada e possui alta diversidade. → Lesão de cárie de esmalte • É mais espessa e possui uma microbiota acidogênica fortemente associada à doença, que dentro dela possui uma alta diversidade. → A cárie dental ocorre pelo resultado de: • Dieta cariogênica (associada à sacarose); • Metabolismo (açúcares) da microbiota disbiótica da placa dental; • Hospedeiro suscetível Placa dental cariogênica e seus fatores de virulência (1) Atividade acidogênica intensa (2) Matriz polissacarídica (3) Mecanismos de colonização da cavidade bucal – biofilme ou retenção mecânica (4) Aciduricidade ou acidofilia Atividade acidogênica intensa → A microbiota deve ter um metabolismo sacarolítico intenso. Importante: Sacarolítico é um metabolismo de carboidratos para obtenção de energia, resultando em produção de ácidos. → Deve produzir ácido orgânico forte (ácido lático) a partir de diversos carboidratos em grande quantidade e rapidamente no biofilme dental. → As bactérias que possuem esse fator de virulência são os Lactobacilos e os Streptococcus do grupo mutans (S. mutans e S. sobrinus). • São as espécies mais acidogênica residentes da cavidade oral; • Streptococcus mutans possui sistema de transporte de açúcares (PEP-PTS) e há obtenção de carboidratos mesmo em baixas concentrações. • Possuem maior produção de ácidos do que outros microrganismos. → As bactérias que possuem uma menor atividade acidogênica são os Streptococcus não-mutans, produtos de pH baixo, como o S. anginosus, S. gordonii, S. mitis e S. oralis, além do Bifidobacterium, Actinomyces e Propionibacterium. • São muito acidogênicos e estão presentes em alto número na placa. → A mancha branca é o primeiro sinal clínico da cárie dental, sendo uma desmineralização causada por ácidos na camada subsuperficial do esmalte. • A remineralização ocorre na camada superficial do esmalte. Matriz polissacarídica → Aumenta a aderência de microrganismos; → É fonte de energia e nutrientes; → Protege microrganismos aumentando a tolerância a antimicrobianos; → Afeta a difusão de substância no biofilme (dificulta). → Os principais componentes da matriz polissacarídica são: • Polissacarídeos extracelulares o Mutano, dextrano e frutano produzidos por S. mutans e S. sobrinus. o Dextrano e frutano produzidos por outras espécies o Polissacarídeo híbrido amido- glucano (mais complexo e insolúvel que os glucanos), produzidos por S. mutans e S. sobrinus. • eDNA o Ativamente secretado produto da lise celular. o Possui propriedades tipo amiloide o Liga-se a componentes poliméricos da matriz. o Serve como fonte de nutrientes. o Serve para a formação de biofilme. → Produção de PEC por S. mutans a partir da sacarose. • Deve haver exclusivamente a sacarose, pois ela fornece a energia necessária para a formação dos polímeros. → A sacarose é a combinação de glicose e frutose. • É uma ligação muito forte. • Essa ligação forte deve ser quebrada, e isso ocorre por uma enzima extracelular. → As GTFs são as Glicosiltransferases (exoenzimas), elas servem para quebrar da glicose. • Na quebra da glicose, aproveita a energia e forma um polissacarídeo de glicose, que será um glucano. • O glucano servirá para colonização de S. mutans. → As FTFs são as Frutosiltransferases, que servem para a quebra da frutose. • Aproveita a energia da quebra da ligação para formar um polímero de frutose, também na superfície do S. mutans, tornando-se um frutano. o O frutano serve mais para nutrição. Importante: se der apenas glicose para a S. mutans, não irá gerar glucano, pois a GTF precisa da energia da quebra da ligação da sacarose. Se der apenas frutose, também não conseguirá gerar frutano, já que a FTF precisa da energia da quebra. → Característica dos glucanos • Mutano é insolúvel, possui ligações 1 alfa 1,3. o É mais produzido por S. sobrinus • Dextrano é mais solúvel, possui ligações 1 alfa 1,6. o É mais produzido por S. mutans → Gtfs de S. mutans • GtfB o Superfícies bacterianas (deve estar ligada) e PA. o S. mutans o Converte não produtores de glucano em produtores. o Produz mais mutano. • GtfC o Película adquirida o Possui mais sítios de ligação à PA. • GtfD o Película adquirida o Possui poucos sítios de ligação à PA. o Produz mais dextrano. → A dieta do hospedeiro seleciona uma microbiota que é responsável pela formação da cárie dental. → A produção de PEC de S. mutans é considerada fator de virulência para a cárie dental. • Ocorre bloqueio dos sítios de ligação da película por Gtfs, que seria positivo para bactérias benéficas. • Glucano e frutano podem ser convertidos em ácidos nos períodos entre refeições pela Frutanase e Dextranase. • Participam da colonização sacarose- dependente de S. mutans na placa dental (adesão e coadesão). • Aumentam a estabilidade mecânica da placa por manterem as bactérias unidas entre si e à superfície dental (maior dificuldade de remoção pela limpeza mecânica). Mecanismos de colonização da cavidade bucal – biofilme ou retenção mecânica → É necessário que a bactéria produza e concentre o ácido junto à superfície dental. → Deve estar presente na placa dental: • Toda a microbiota cariogênica. • S. mutans – adesão e coadesão por mecanismos sacarose dependentes e independentes. • S. sobrinus – adesão e coadesão somente por mecanismos sacarose dependentes. → Ou deve estar retida mecanicamente em sulcos e fissuras: • Lactobacilos. → O mecanismo de sacarose independente ocorre na ausência de sacarose. • Adesina do mutans: Ag I/II (proteína P1, SpaP) • Receptor na PA: Glicoproteína salivar (gp340). → O mecanismo de sacarose dependente ocorre na presença da sacarose. • Glicosiltransferases (B, C e D) são proteínas com atividade enzimática extracelulares. o Produzem glucano in situ. o Apresentam afinidade de ligação por: ▪ Superfície de S. mutans ou outras bactérias ▪ Película adquirida ▪ Glucano. • Glucan Binding Proteins (GbpA, GbpB, GbpC e GbpD) são proteínas sem atividade enzimática extracelulares. o Superfície de S. mutans o Apresentam afinidade de ligação a glucanos presentes: ▪ Na superfície de S. mutans ou outras bactérias (coadesão) ▪ Na película adquirida. Aciduricidade ou acidofilia → É a capacidade de bactérias da placa sobreviverem e até metabolizarem melhor em pH ácido. → S. mutans e lactobacilos • Permanecem viáveis • São metabolicamente mais ativos em baixospH. • Traz mudanças na composição da membrana plasmática, como: o Extrusão de íons H+ pelo sistema F1-F0 ATPase; o Aumento da proporção de ácidos graxos monoinsaturados na membrana, que diminuem a permeabilidade dos prótons; o Produção de proteínas específicas em resposta ao estresse ácido (chaperonas, proteases e proteínas de reparo de DNA.) → Ácidos formados na placa dental são o Ácido lático, ácido propiônico e acético e ácido butírico ou capróico. → Neutralização da amônia pela hidrólise de ureia (S. salivarius e Actinomyces) e lisina e arginina (S. gordonii) → Neutralização pelo tampão salivar → Neutralização pelo tampão Ca-Po4 da superfície dental → Desmineralização da superfície dental pode gerar cavitação.