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FACULDADE INTEGRADA DE VILA VELHA GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA GABRIELA MARTINS CABRAL GLEICYANE FERREIRA BARCELLOS JHENIFER VIEIRA DIAS STORCK KAIO GUILHERME SALES DE SOUZA MARIANA CASTOLDI DA SILVA MARIA EDUARDA DE SOUZA SILVA TEXTO INFORMATIVO. Trabalho avaliativo, referente ao segundo bimestre do primeiro e décimo período de psicologia, Bases Biológicas, sob a supervisão do Prof. Calos Aberto de Castro Fagundes Rodrigues. 2024 OS TRANSTORNOS ALIMENTARES Os transtornos alimentares abrangem padrões e comportamentos alimentares inadequados e persistentes, muitas vezes associados a emoções intensas, que podem prejudicar tanto a saúde física quanto a psicossocial dos afetados. Esses distúrbios frequentemente incluem mudanças significativas nos hábitos alimentares e uma preocupação excessiva com a imagem corporal. A obsessão pelo peso e pela forma do corpo desempenha um papel importante na identificação desses transtornos. A busca por um corpo ideal pode levar a hábitos alimentares prejudiciais e a uma relação disfuncional com a comida, exigindo intervenções especializadas para a recuperação e tratamento eficaz dessas condições complexas. (SILVA et al., 2017). As formas mais comuns de transtornos alimentares incluem Anorexia Nervosa, Bulimia Nervosa, Transtorno da Compulsão Alimentar e Transtorno da alimentação noturna e afetam tanto mulheres quanto homens. ANOREXIA NERVOSA A anorexia nervosa é um distúrbio alimentar caracterizado por uma visão distorcida do corpo, resultando em obsessão pelo peso e alimentação. Existem dois tipos principais: o restritivo, quando a pessoa reduz a ingestão de alimentos sem compulsão, e o compulsão alimentar/purgativo, com episódios regulares de compulsão seguidos por purgação. Sintomas incluem obsessão por dietas, perda rápida de peso e depressão, entre outros. (DSM-IV, pag. 339, 2014). A fisiopatologia da anorexia nervosa envolve alterações hormonais, como baixos níveis de hormônios gonadais e redução da tiroxina e tri-iodotironina. Além disso, há um aumento na secreção de cortisol, o que pode desencadear complicações como hipertensão e diabetes. Essas alterações afetam áreas importantes do cérebro, como o hipotálamo, córtex cingulado anterior, córtex pré-frontal, amígdala e corpo caloso, influenciando o apetite, a percepção corporal e o controle emocional. Alterações em neurotransmissores, como serotonina, dopamina, norepinefrina e GABA, podem afetar o desenvolvimento e a manutenção da anorexia nervosa. A dopamina regula prazer e recompensa, suas alterações podem reduzir o prazer na alimentação, levando a uma maior restrição em pessoas com anorexia nervosa. A norepinefrina influencia resposta ao estresse e humor, aumentando ansiedade e hiperatividade na anorexia nervosa, resultando em padrões alimentares restritivos e comportamentos obsessivos. O GABA, neurotransmissor inibitório, regula ansiedade e excitação, com mudanças ligadas à anorexia nervosa, intensificando ansiedade e estresse e influenciando comportamentos alimentares restritivos e obsessivos. BULIMIA NERVOSA A bulimia nervosa é um transtorno alimentar caracterizado por episódios de ingestão compulsiva seguidos de tentativas de compensação, como purgação, jejum ou exercício excessivo. Durante esses episódios, ocorre consumo rápido e excessivo de alimentos, com sentimentos de falta de controle. Os comportamentos compensatórios visam evitar o ganho de peso ou aliviar sentimentos de culpa. Além de afetar a saúde física, causando complicações gastrointestinais e desequilíbrios eletrolíticos, a bulimia nervosa tem um impacto significativo na saúde mental e na qualidade de vida, exigindo tratamento especializado que abrange aspectos médicos, psicológicos e nutricionais. (Evelyn Attia e B. Timothy Walsh, 2022, p.1). De acordo com Cristina Sofia Lameirão Gomes (2012, p.6) nesses problemas com a alimentação, encontra-se mudanças em vários neurotransmissores, como a serotonina, a dopamina e a noradrenalina, que têm um papel importante nos nossos desejos e comportamentos alimentares. Essas mudanças começam quando a pessoa está doente e podem continuar mesmo depois de ela se recuperar. Existem muitos tipos de tratamentos para a bulimia nervosas, mas é preciso entender melhor como esses distúrbios funcionam no corpo para poder escolher os remédios certos e desenvolver terapias que sejam mais eficazes para cada pessoa. COMPULSÃO ALIMENTAR O transtorno de compulsão alimentar, segundo o DSM-IV, é caracterizado por episódios repetidos de ingestão excessiva de alimentos em um curto espaço de tempo, acompanhados por uma sensação de falta de controle sobre o comportamento alimentar. As pessoas afetadas frequentemente consomem grandes quantidades de comida, mesmo sem fome, e geralmente comem rapidamente até se sentirem desconfortavelmente cheias. Após esses episódios, é comum experimentarem sentimento de culpa, vergonha e remorso. (DSM-IV, pag. 350, 2014). Nosso corpo controla a ingestão de alimentos usando um sistema complexo, onde certas substâncias chamadas peptídeos e aminoácidos agem como mensageiros, afetando nosso apetite e humor. Essas substâncias, conhecidas como neurotransmissores, como a serotonina e a dopamina, são feitas a partir de precursores encontrados nos alimentos, como triptofano e tirosina. Por exemplo, a serotonina, importante para o apetite e humor, pode ser influenciada pela comida rica em triptofano. Da mesma forma, a tirosina, precursora da dopamina, está ligada ao nosso estado emocional e pode ser afetada pela dieta. Essas interações entre comida e neurotransmissores são complicadas e podem afetar muito nosso comportamento alimentar e nossa saúde mental. (Fernandes e Macário, 2020). TRANSTORNO DA ALIMENTAÇÃO NOTURNA A Síndrome do Comer Noturno é um distúrbio alimentar marcado por um padrão de alimentação deslocado para a noite, com consumo significativo de alimentos após o jantar e durante a madrugada, e pouco apetite pela manhã. Caracteriza-se pelo excesso de comida durante a noite, desregulação do relógio biológico, insônia e mudanças hormonais. Essa síndrome pode resultar em problemas de saúde física e mental, incluindo obesidade e depressão. Na Síndrome do Comer Noturno, as mudanças nos padrões hormonais estão relacionadas ao desequilíbrio do ritmo natural do corpo, afetando a liberação de hormônios como o cortisol e a melatonina. A melatonina, responsável pelo controle do ciclo sono/vigília, parece ter níveis reduzidos em pessoas com esse distúrbio, o que contribui para problemas de sono, como dificuldade para dormir e sono de má qualidade. A diminuição da melatonina pode estar ligada à persistência da insônia e ao humor deprimido. Além disso, os baixos níveis noturnos de leptina, um hormônio relacionado à saciedade, podem aumentar os impulsos de fome durante a noite, interferindo no sono. Estudos também mostram níveis mais altos de cortisol durante o dia em indivíduos com essa síndrome, o que pode contribuir para a complexidade dos sintomas. (HARB, A. B. C. et al., 2010). BIBLIOGRAFIA FERNANDES, Débora; MACÁRIO, Gisele. Compulsão Alimentar: Atuação Multidisciplinar a partir da Abordagem Cognitivo-Comportamental. Revista Visões, Edição, nº1. Volume 7, 2020. Disponível em: http://fsma.edu.br/visoes/ultima-versao/docs/Artigo-6.pdf Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, 5° Edição, 2014. Disponível em: https://www.institutopebioetica.com.br/documentos/manual-diagnostico-e-estatistico- de-transtornos-mentais-dsm-5.pdf BRAZ, Washington; AQUINO, Mayco; OLIVEIRA, Gislene. Avaliação dos transtornos alimentares e seus impactos na qualidade de vida: Uma revisão sistemática da literatura. Id on-Line Rev. Psic. V.17, N. 65, p. 276-296, Fevereiro/2023. Disponível em: https://idonline.emnuvens.com.br/id/article/download/3529/5739ABREU, Cristiano; FILHO, Raphael. Anorexia nervosa e bulimia nervosa: abordagem cognitivo-construtivista de psicoterapia. 2004. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0101-60832004000400010 ATTIA, Evelyn; WALSH, B. Timothy. Bulimia Nervosa. Manual MSD. 2022. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-de-sa%C3%BAde- mental/transtornos-alimentares/bulimia-nervosa HARB, A. B. C. et al.. Síndrome do comer noturno: aspectos conceituais, epidemiológicos, diagnósticos e terapêuticos. Revista de Nutrição, v. 23, n. 1, p. 127– 136, jan. 2010. Disponível em: http://fsma.edu.br/visoes/ultima-versao/docs/Artigo-6.pdf https://www.institutopebioetica.com.br/documentos/manual-diagnostico-e-estatistico-de-transtornos-mentais-dsm-5.pdf https://www.institutopebioetica.com.br/documentos/manual-diagnostico-e-estatistico-de-transtornos-mentais-dsm-5.pdf https://idonline.emnuvens.com.br/id/article/download/3529/5739 https://doi.org/10.1590/S0101-60832004000400010 https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/authors/attia-evelyn https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/authors/walsh-timothy https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-de-sa%C3%BAde-mental/transtornos-alimentares/bulimia-nervosa https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-de-sa%C3%BAde-mental/transtornos-alimentares/bulimia-nervosa https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/72032/2/29311.pdf https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/72032/2/29311.pdf