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MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 1 APG 27: “LAÇOS DE SANGUE” OBJETIVO 1: REVISAR OS FATORES DE COAGULAÇÃO. HEMOSTASIA Hemostasia é uma sequência de respostas que interrompe o sangramento. Quando os vasos sanguíneos são danificados ou sofrem ruptura, a resposta hemostática precisa ser rápida, localizada na região do dano e cuidadosamente controlada para que seja efetiva. Três mecanismos reduzem a perda de sangue: (1) espasmo vascular, (2) formação de tampão plaquetário e (3) coagulação sanguínea. Quando bem-sucedida, os mecanismos hemostáticos conseguem evitar a hemorragia de vasos sanguíneos pequenos. ESPASMO VASCULAR Quando artérias ou arteríolas são danificadas, o músculo liso em suas paredes contrai-se de imediato, uma reação de espasmo vascular. O espasmo vascular reduz a perda de sangue por vários minutos a algumas horas, tempo durante o qual os outros mecanismos hemostáticos entram em ação. O espasmo é provavelmente causado pelo dano ao músculo liso, por substâncias liberadas de plaquetas ativadas e por reflexos iniciados pelos receptores de dor. FORMAÇÃO DE TAMPÃO PLAQUETÁRIO As plaquetas armazenam uma variedade de substâncias químicas. Dentro de muitas vesículas são encontrados fatores de coagulação, ADP, ATP, Ca2+ e serotonina. Também estão presentes enzimas que produzem tromboxano A2, uma prostaglandina; fator estabilizador da fibrina, que ajuda a fortalecer o coágulo sanguíneo; lisossomos; algumas mitocôndrias; sistemas de membrana que captam e armazenam cálcio e fornecem canais para liberação dos conteúdos dos grânulos; e glicogênio. Também dentro das plaquetas é encontrado o fator de crescimento derivado das plaquetas (PDGF), um hormônio que promove a proliferação de células endoteliais vasculares, fibras de músculo liso vascular e fibroblastos com objetivo de ajudar o reparo das paredes danificadas dos vasos sanguíneos. A formação do tampão plaquetário ocorre da seguinte maneira: 1. ADESÃO PLAQUETÁRIA Inicialmente, as plaquetas entram em contato e se fixam a partes do vaso sanguíneo danificado, como fibras de colágeno do tecido conjuntivo subjacente às células endoteliais danificadas. 2. REAÇÃO DE LIBERAÇÃO DAS PLAQUETAS Essa adesão ativa as plaquetas e suas características mudam de maneira drástica. As plaquetas estendem muitas projeções que possibilitam entrar em contato e interagir umas com as outras; as plaquetas começam a liberar os conteúdos das suas vesículas. ADP liberado e o tromboxano A2 desempenham um papel essencial na ativação das plaquetas vizinhas. A serotonina e o tromboxano A2 atuam como vasoconstritores, promovendo e sustentando a contração do músculo vascular liso, o que diminui o fluxo de sangue pelo vaso lesado. 3. AGREGAÇÃO PLAQUETÁRIA A liberação de ADP torna as outras plaquetas da área visguentas, e essa condição das plaquetas recém- recrutadas e ativadas promove sua adesão às plaquetas originalmente ativadas. Por fim, o acúmulo e a fixação de numerosas plaquetas formam uma massa chamada de tampão plaquetário. O tampão plaquetário é muito eficaz na prevenção da perda de sangue no vaso pequeno. MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 2 COAGULAÇÃO DO SANGUE O processo de formação do gel, chamado de coagulação, consiste em uma série de reações químicas que culmina na formação de filamentos de fibrina. A coagulação envolve inúmeras substâncias conhecidas como fatores de coagulação. Esses fatores incluem os íons cálcio (Ca2+), várias enzimas inativas sintetizadas por hepatócitos e liberadas na corrente sanguínea e diversas moléculas associadas às plaquetas ou liberadas pelos tecidos danificados. A maioria dos fatores de coagulação é identificada por numerais romanos que indicam a ordem da sua descoberta. A coagulação consiste em uma cascata complexa de reações enzimáticas na qual cada fator de coagulação ativa várias moléculas do fator seguinte em uma sequência fixa. Por fim, forma-se a proteína insolúvel fibrina. A coagulação pode ser dividida em três estágios: 1. Duas vias, chamadas de via extrínseca e intrínseca, levam à formação de protrombinase. Uma vez formada a protrombinase, as etapas envolvidas nas duas fases seguintes da coagulação são as mesmas tanto na via intrínseca quanto na extrínseca e, juntas, essas duas fases são chamadas de via comum. 2. A protrombinase converte a protrombina (uma proteína plasmática formada pelo fígado) na enzima trombina. 3. A trombina converte fibrinogênio solúvel (outra proteína plasmática formada pelo fígado) em fibrina insolúvel. A fibrina forma os filamentos do coágulo. VIA EXTRÍNSECA A via extrínseca da coagulação sanguínea apresenta menos etapas que a via intrínseca e ocorre rapidamente. É assim chamada porque uma proteína tecidual chamada de fator tecidual (FT), também conhecida como tromboplastina, passa para o sangue a partir de células do lado de fora dos vasos sanguíneos (extrínsecas aos) e inicia a formação da protrombinase. O FT é uma mistura complexa de lipoproteínas e fosfolipídios liberada das superfícies de células danificadas. Na presença de Ca2+, o FT começa uma sequência de reações que, por fim, ativa o fator de coagulação X. Uma vez ativado, o fator X se combina com o fator V na presença de Ca2+ para formar a enzima ativa protrombinase, completando a via extrínseca. VIA INTRÍNSECA A via intrínseca da coagulação sanguínea é mais complexa que a via extrínseca e ocorre mais lentamente, em geral em alguns minutos. A via intrínseca é assim chamada porque seus ativadores ou estão em contato direto com o sangue ou estão contidos no sangue (intrínsecos ao): não há necessidade de dano tecidual externo. O trauma às células endoteliais causa danos às plaquetas, resultando na liberação plaquetária de fosfolipídios. O contato com as fibras de colágeno (ou com as paredes de vidro do tubo de coleta de sangue) ativa o fator de coagulação XII, que começa uma sequência de reações que, por fim, ativa o fator de coagulação X. Fosfolipídios plaquetários e Ca2+ também podem participar da ativação do fator X. Uma vez ativado, o fator X se combina com o fator V para formar a enzima ativa protrombinase (assim como acontece na via extrínseca), completando a via intrínseca. VIA COMUM A formação de protrombinase marca o começo da via comum. No segundo estágio da coagulação do sangue, a protrombinase e o Ca2+ catalisam a conversão da protrombina em trombina. No terceiro estágio, a trombina, na presença de Ca2+, converte fibrinogênio, que é solúvel, em filamentos de fibrina frouxos, que são insolúveis. A trombina também ativa o fator XIII (fator estabilizador da fibrina), que fortalece e estabiliza os filamentos de fibrina em um coágulo forte. O plasma contém um pouco de fator XIII, que também é liberado pelas plaquetas presas no coágulo. A trombina exerce dois efeitos de feedback positivo. Na primeira alça de feedback positivo, que envolve o fator V, acelera a formação de protrombinase. A protrombinase, por sua vez, acelera a produção de mais trombina e assim por diante. Na segunda alça de feedback positivo, a trombina ativa plaquetas, que reforçam sua agregação e a liberação dos fosfolipídios plaquetários. RETRAÇÃO DO COÁGULO Uma vez formado, o coágulo tampa a área rompida do vaso sanguíneo e, dessa forma, interrompe a perda de sangue. MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 3 A retração do coágulo consiste na consolidação ou fortalecimento do coágulo de fibrina. A retração normal depende da concentração adequada de plaquetas no coágulo, que liberam fator XIII e outros fatores, fortalecendo e estabilizando o coágulo. Assim, pode ocorrer o reparo permanente do vaso sanguíneo. Por fim, os fibroblastos formam tecido conjuntivo na área rompida e novas células endoteliaisóssea confirma o mielograma e observa-se aumento de taxa de reticulina (menor que na mielofibrose). A biópsia da medula óssea mostra hipercelularidade com hiperplasia granulocítica, aumento da proporção de células mieloides em relação às células eritoides e aumento de megacariócitos. A CITOGENÉTICA demonstra a presença do cromossomo Filadélfia em mais de 95% dos pacientes, o gene híbrido bcr- abl pode ser evidenciado pelas técnicas de biologia molecular e serve para monitorar a doença residual após a cura. Ocorre aumento da vitamina B12 sérica em decorrência do aumento da transcobalamina I produzida pelos neutrófilos. Demonstra a translocação 9:22 (cromossomo Filadélfia) em > 95% dos pacientes. • A fosfatase alcalina leucocitária está marcadamente diminuída (ao contrário de outros distúrbios mieloproliferativos). • Os transcritos de fusão BCR-ABL podem ser mensurados por meio da utilização da tecnologia de reação em cadeia da polimerase com transcrição reversa (RT-PCR) quantitativa a partir do sangue periférico ou da medula óssea. • IMUNOFENOTIPAGEM: Com o objetivo de definir a população específica da célula de interesse. Além de ser usada para diagnóstico, o acompanhamento e o prognóstico das leucemias utiliza esse método. Por meio de um citômetro de fluxo conseguimos analisar os antígenos específicos da célula (chamados Cluster of differentiation – CDs) através de anticorpos monoclonais. Através destas marcações conseguimos determinar a origem mieloide da célula leucêmica, com maior precisão do que a citoquímica e a morfologia. CRITÉRIOS PARA FASES ACELERADA E BLÁSTICA EXAMES POR IMAGEM ULTRASSONOGRAFIA (US) ou TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA (TC) do abdome podem ser realizadas. ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO Os pacientes com LMC na fase crônica podem ser estratificados em risco baixo, intermediário ou alto, usando os critérios de Sokal ou Hasford; mais recentemente, o escore EUTOS foi validado como uma ferramenta eficaz usada para estratificar os pacientes em categorias de baixo ou alto risco. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Linfoma esplênico; Síndrome mieloproliferativa; Leucemia neutrofílica crônica; Trombocitemia essencial. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Azevedo, Maria Regina Andrade D. Hematologia Básica: Fisiopatologia e Diagnóstico Laboratorial. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Thieme Brazil, 2019. Ferri, Fred F. Ferri Oncologia e Hematologia - Recomendações Atualizadas de Diagnóstico e Tratamento. Disponível em: Minha Biblioteca, Grupo GEN, 2019. Kumar, Vinay, et al. Robbins & Cotran Patologia - Bases Patológicas das Doenças. Disponível em: Minha Biblioteca, (9th edição). Grupo GEN, 2016. Lorenzi, TF. - Manual de Hematologia – Propedêutica e Clínica. São Paulo, Guanabara Koogan, 4a. ed., 2006. Tortora, Gerard, J. e Bryan Derrickson. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016.reparam o revestimento do vaso. FUNÇÃO DA VITAMINA K NA COAGULAÇÃO Embora a vitamina K não esteja envolvida na formação do coágulo propriamente dito, ela é necessária para a síntese de quatro fatores de coagulação. FATORES DE COAGULAÇÃO OBSERVAÇÃO: Não existe fator VI. A protrombinase (ativador da protrombina) é uma combinação dos fatores V e X ativados. OBJETIVO 2: EXPLICAR A RELAÇÃO DA HEREDITARIEDADE E DA HEMOFILIA. A hemofilia é uma coagulopatia hereditária ligada ao sexo masculino. A transmissão se faz pelo cromossomo X, manifestando-se praticamente apenas nos homens. Entretanto, as mulheres atuam como portadoras. O termo hemofilia é usado para indicar a deficiência do fator VIII (hemofilia A) ou do fator IX (hemofilia B), sendo a primeira muito mais frequente (85% dos casos) do que a segunda (15%). A incidência da hemofilia na população geral é de 1:10.000 na forma A e de 1:60.000 na forma B. Lembrando que a incidência da doenc ̧a de von Willebrand é bem maior (aproximadamente 1:1.000 indivíduos na populac ̧ão geral). TIPOS DE CROMOSSOMOS Todas as células do corpo são constituídas por 23 pares de cromossomos. É nessas estruturas que está o nosso DNA (ácido desoxirribonucleico) e, por sua vez, é no DNA que está toda a nossa informação genética. A informação genética determina não só as nossas características físicas, como a cor dos olhos ou do cabelo, mas também pode determinar a tendência para algumas doenças. Existem dois tipos de cromossomos, o cromossomo X e o cromossomo Y. As mulheres têm dois cromossomos X. Os homens têm um cromossomo X e um cromossomo Y. O CROMOSSOMO RELACIONADO COM A HEMOFILIA É O X O par de cromossomos que determina o sexo do ser humano é XX para mulheres e XY para homens. Cada cromossomo tem numerosos genes. O gene da hemofilia é ligado ao cromossomo X. O homem hemofílico passa o gene para suas filhas, mas não para seus filhos. A filha do hemofílico é sempre portadora do gene da hemofilia, mas não é hemofílica porque seu segundo cromossomo X, que herdou da mãe, não tem o gene da hemofilia e domina o cromossomo X do pai. Esta mulher portadora do gene da hemofilia pode transmiti-lo para 50% de seus filhos homens – que serão hemofílicos – e para 50% das suas filhas, que serão também portadoras. Os casos de mulheres hemofílicas são muito raros, mas uma mãe portadora do gene e um pai hemofílico têm 25% de chance de ter uma filha com a doença. Também há casos de hemofilia não hereditários, que ocorrem em famílias sem antecedentes. Esses casos são provocados por mutações (mudanças inesperadas) espontâneas do gene. MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 4 COMO PASSA O GENE DA HEMOFILIA DE PAIS PARA FILHOS? OBJETIVO 3: ENTENDER A FISIOPATOLOGIA E AS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA HEMOFILIA. A hemofilia pode ser hereditária, congênita ou raramente adquirida. Na doença hereditária, há anormalidade ou deficiência do fator VIII (85% dos casos) ou do IX (15% dos casos), devido à alteração nos genes codificantes das proteínas que os constituem. Como esses fatores são transmitidos por meio de traço recessivo ligado ao cromossomo X, a doença é quase exclusiva da população masculina. Contudo, mulheres homozigotas para o traço da doença também são acometidas. Heterozigotas que sofrem com as hemorragias acredita-se que é devido à inativação do cromossomo X normal na maioria das células. A alteração acontece especificamente no braço longo do cromossomo X, sendo que na hemofilia A o gene comprometido, relacionado à síntese do fator VIII, está em Xq28 e é organizado em 26 éxons e, logo, 25 íntrons. Nesse tipo de hemofilia, 40% dos casos são provenientes de inversão do íntron 22. Já na hemofilia B, o gene comprometido, relacionado à síntese do fator IX, está em Xq27 e é organizado em 8 éxons e, logo, 7 íntrons. Na hemofilia adquirida, responsável por 30% dos casos, há a produção de anticorpos contra os fatores de coagulação, especialmente contra o fator VIII, são os chamados inibidores de coagulação. Diferentemente das hemofilias mais prevalentes, a hemofilia adquirida, por não ter caráter hereditário, costuma aparecer após a quarta década de vida dos pacientes, e não desde a infância, além de seguir proporções semelhantes em ambos os sexos. Outra questão importante é que o padrão de sangramentos também foge do habitual dos casos clássicos, visto que estes pacientes raramente apresentam hemartroses, sendo mais recorrente a queixa por hemorragias cutâneas e de tecidos moles. Homens com alelo defeituoso em seu único cromossomo X transmitem esses genes a todas as suas filhas, que são portadoras obrigatórias, mas a nenhum de seus filhos, pois se trata de uma doença recessiva. Metade dos filhos das mulheres portadoras obrigatórias que herdarem o cromossomo X defeituoso desenvolve o distúrbio de coagulação e metade das filhas serão portadoras obrigatórias. A hemofilia feminina pode surgir como resultado da combinação entre um homem hemofílico e uma mulher portadora (homozigoto para o gene defeituoso do fator VIII ou fator IX) ou em mulheres portadoras que têm o cariótipo 45 XO (síndrome de Turner) e são hemizigotos para o gene defeituoso da hemofilia. As hemofilias são causadas por mais de uma mutação, sendo já comprovadas mutações pontuais missense e nonsense, deleções e inversões, sendo as duas primeiras responsáveis por manifestações mais brandas da doença. A forma mais grave da doença se manifesta, majoritariamente, quando há inversão no intron 22, resultando em recombinação e da translocação do DNA dentro do intron 22 do gene do fator VIII, com áreas de DNA “não funcional” extragênico, mas homólogo, localizadas a distância do intron 22. Os níveis normais do FVIII do plasma normal variam de 50 a 180 U/dl. As mulheres portadoras costumam ter taxas de 30 a 50 U/dl ou até mais. Nos homens hemofílicos, esses níveis variam conforme a gravidade da doenc ̧a: Hemofilia severa ou grave; Hemofilia moderada; Hemofilia leve ou discreta. MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 5 Em alguns pacientes, os níveis de FVIII são relativamente altos (próximos de 30 U/dl), porém a doenc ̧a é grave, uma vez que esse fator não tem atividade normal, isto é, não é biologicamente funcionante. Numa mesma família de hemofílicos, as taxas dos fatores VIII ou IX variam pouco, mas em pacientes que pertencem a famílias diferentes, há grande variac ̧ão. As mulheres portadoras do gene hemofílico também costumam ter taxas desses fatores em níveis limítrofes da normalidade (25-50%). A incide ̂ncia da hemofilia pode ser esporádica, isto é, surgir numa família sem ancestrais portadores da doença. Este fato se relaciona com mutac ̧ões que ocorrem em células germinativas ou somáticas nos pais ou avós (parentes próximos) do paciente. A análise genética pode revelar essas mutac ̧ões. Com grande frequência, elas te ̂m lugar em células germinativas masculinas do lado materno (avô materno), sendo as mães dos hemofílicos portadoras assintomáticas de hemofilia A ou B. HEMOFILIA A A hemofilia A é a doença hereditária associada a sangramento com risco à vida mais comum. É causada por mutações no fator VIII, que é um cofator essencial para o fator IX na cascata de coagulação. A hemofilia A é herdada como um traço recessivo ligado ao cromossomo X e, em consequência, afeta principalmente homens e mulheres homozigotas. Não é comum o sangramento excessivo ocorrer em mulheres heterozigotas, supostamente como resultado da inativação aleatória do cromossomo X portador do alelo de fator VIII normal na maioria das células (lionização desfavorável). A hemofilia A exibe ampla variação de gravidade clínica, que é bem correlacionada com o nívelde atividade do fator VIII. Indivíduos com menos de 1% dos níveis normais apresentam doença grave; aqueles com 2% a 5% dos níveis normais exibem doença moderadamente grave, enquanto os que apresentam 6% a 50% dos níveis normais têm doença leve. Os graus variáveis de deficiência de fator VIII são, em grande parte, explicados pela heterogeneidade nas mutações causadoras. Tal como ocorre na β-talassemia, as lesões genéticas incluem deleções, mutações nonsense que criam códons de parada e mutações que causam erros no splicing de mRNA. As deficiências mais graves resultam de uma inversão envolvendo o cromossomo X, que cancela completamente a síntese do fator VIII. Com menos frequência, a hemofilia A grave está associada a mutações pontuais no fator VIII que prejudicam a função da proteína. Nesses casos, os níveis de fator VIII parecem normais por imunoensaios. Mutações que permitam a síntese de algum fator VIII ativo estão associadas a doença leve a moderada. Nesses pacientes, a doença pode ser modificada por outros fatores genéticos que influenciam os níveis de expressão do fator VIII, os quais variam significativamente em indivíduos normais. O gene da hemofilia A é dos mais bem estudados do homem e numerosas alterac ̧ões têm sido relatadas, especialmente após a introduc ̧ão da técnica de reac ̧ão em cadeia da polimerase (PCR). HEMOFILIA B (DOENÇA DE CHRISTMAS, DEFICIÊNCIA DE FATOR IX) A deficiência grave do fator IX produz um distúrbio clinicamente indistinguível da deficiência do fator VIII (hemofilia A). A hemofilia B é também herdada como um traço recessivo ligado ao cromossomo X. Um grande espectro de mutações envolvendo o gene que codifica o fator IX é encontrado na hemofilia B. A substituição da timina pela guanina (T-G) na posic ̧ão 21 dessa região está presente na hemofilia B tipo Leiden. Pacientes com essa mutac ̧ão te ̂m notável melhora dos níveis de FIX no sangue após a puberdade, influenciada pelos níveis de hormônios androge ̂nicos que passam a ser secretados. O uso da terapêutica de substituic ̧ão nos hemofílicos é responsável pela formação de anticorpos anti-FVIII e anti-FIX (mais raramente). A deficie ̂ncia de FVIII ou FIX predispõe seus portadores a não reconhecer essas proteínas, uma vez que seu sistema imune não foi capaz de desenvolver tolerância a elas durante a fase de desenvolvimento embrionário. A incide ̂ncia de inibidores é menor na hemofilia B do que na A. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Clinicamente, a hemofilia se manifesta por contusões, hemartroses (sangramentos intra-articulares), sangramento nos músculos, sangramentos espontâneos e sangramentos MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 6 prolongados depois de cortes, sendo as hemofilias A e B indistinguíveis. Cerca de 70% dos hemofílicos A apresentam a forma mais grave da doença, isto é, com atividade do fator VIII menor do que 1%, em comparação com cerca de 30% dos hemofílicos B. Raramente ocorrem sangramentos intracranianos nos partos normais desses bebês, mas caso o procedimento seja traumático ou fórceps, por exemplo, pode haver terríveis hemorragias. Por volta dos 2-4 anos, costumam aparecer as principais manifestações clínicas da hemofilia grave, pois a criança passa a andar por si só e, então, surgem hemartroses. Estas hemorragias são mais frequentes nas grandes articulações, como joelho, cotovelo, tornozelo e quadril. Elas provêm dos capilares subsinoviais, provocando edema e dor intensa. Quando essas hemorragias são recorrentes e não controladas, levam a dano articular irreversível, anquilose, caracterizada pelo espessamento da sinóvia e desgaste da cartilagem, somados a subluxações. Na hemofilia A, em todos os casos sintomáticos, há tendência para contusões fáceis e hemorragia maciça após trauma ou procedimentos cirúrgicos. Além disso, hemartroses também são frequentes. O sangramento recorrente nas articulações provoca deformidades progressivas que podem ser incapacitantes. LEGENDA: Hemartrose espontânea em hemofílico A LEGENDA: Radiografia apresenta degeneração articular LEGENDA: Hematoma dissecante profundo em hemofílico após uma injeção intramuscular. LEGENDA: Ressonância magnética mostra grande hematoma no músculo glúteo maior no mesmo paciente acima. Outras manifestações características são sangramento no trato gastrointestinal e geniturinário, hemorragia intracraniana (segunda causa de morte em hemofílicos, atrás apenas da AIDS), e formação de pseudotumores, devido ao processo de encapsulamento fibroso de hematomas. Não são descritas petéquias. OBJETIVO 4: COMPRENDER AS ESTRATÉGIAS DIAGNÓSTICAS E DE TRATAMENTO DA HEMOFILIA. DIAGNÓSTICO QUANDO SE FAZEM OS EXAMES DE DIAGNÓSTICO? O diagnóstico para hemofilia se dá com base em história de sangramento fácil ou espontâneo, história de sangramento excessivo após procedimentos cirúrgicos, história familiar e exames laboratoriais. De acordo com os níveis dos fatores VIII e IX, o quadro hemorrágico pode ser grave, moderado ou leve. MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 7 GRAVE: Os sintomas aparecem precocemente, já nos primeiros meses de idade, e são espontâneos e frequentes. Aparecem hematomas musculares, hemorragias digestivas ou urinárias e hemartroses. Em crianc ̧as judias, a circuncisão causa hemorragias profusas. Esses pacientes te ̂m níveis muito baixos de VIII:C ou IX (3 1%). MODERADO: Há níveis de 1-5% de atividade de fator VIII:C ou IX no plasma. Nesses pacientes, praticamente não ocorrem hemorragias esponta ̂neas, mas há grande sangramento aos pequenos ou mínimos traumatismos. LEVE: Os níveis plasmáticos de VIII:C e IX oscilam de 5 a 25% (até 40%). Há hemorragias após traumatismos ou intervenc ̧ões cirúrgicas. Entretanto, há indivíduos que passam assintomáticos boa parte da vida, sendo diagnosticada a deficie ̂ncia somente após uma cirurgia. A Biópsia de Vilo Corial (BVC) e a amniocentese auxiliam no diagnóstico pré-natal, além disso, podem ser realizados testes genéticos após o nascimento. A Biópsia de Vilo Corial (BVC) é um procedimento invasivo que consiste na coleta de fragmentos da placenta para estudo das células fetais. A Amniocentese é um processo invasivo, comumente realizado no segundo trimestre de gestação. Consiste na análise de células fetais do líquido amniótico, placenta (tecido do vilo coriônico) ou sangue fetal. O Tempo de Tromboplastina Parcial ativado (PTTa) é maior em hemofílicos A ou B, revelando distúrbio na coagulação. Para distinguir entre hemofilia A ou B, realiza-se um ensaio específico dos fatores VIII e IX, dosando ambos os fatores. Diante de um paciente do sexo masculino que sangra e que, geralmente, refere outros membros da família com quadro semelhante, devem ser solicitados os seguintes testes laboratoriais, que darão resultados anormais: 1. Tempo de coagulac ̧ão: aumentado. 2. Tempo de tromboplastina parcial ativado (TTPA): aumentado. 3. Consumo de protrombina: alterado, com protrombina residual do soro aumentada. 4. Dosagem dos fatores VIII:C ou IX alterada, taxas variáveis. Laboratorialmente, as hemofilias apresentam tempo de protrombina e de trombina normais, tempo de tromboplastina parcial ativada prolongado e redução da concentração plasmática do fator VIII na hemofilia A ou do fator IX na hemofilia B. Sabe-se que o fator XIII tem dois componentes moleculares: um maior e um menor. Quando o primeiro é afetado, desenvolve-se a doença de von Willebrand, um pouco diferente da hemofilia, pois se caracteriza pela disfunção plaquetária nos processos de coagulação, devido a prejuízos na formação do fator de von Willebrand (FvW), além do comprometimento do componente maior do fator VIII. Emcontrapartida, alterações genéticas no segundo levam à hemofilia A. O diagnóstico de hemofilia é feito através de análises sanguíneas específicas e direcionadas para o despiste de distúrbios hemorrágicos. Significa que uma análise de rotina por si só não permite o diagnóstico. Os testes sanguíneos vão avaliar parâmetros como: Tempo de Coagulação – permite determinar quanto tempo o sangue demora a coagular; Níveis de fator de coagulação – determinar a quantidade dos fatores de coagulação no sangue; Presença ou ausência do fator de coagulação – permite definir qual o fator de coagulação que está em falta. Além desses exames, sempre que possível, os pacientes deverão ser estudados por técnicas de biologia molecular, que costumam revelar uma série de mutac ̧ões genéticas. Dentre estas, as mais frequentes se relacionam com a inversão do intron 22 do gene da hemofilia A severa. Esse exame é recomendado para a análise de alterações desse gene (pré-natal ou pós-natal) e para o estudo de mulheres parentes próximas de pacientes. Por meio desse exame, reconhecem-se as “portadoras” tipo homozigóticas e heterozigóticas. Vários tipos de polimorfismos genéticos podem ser pesquisados em pacientes e em eventuais “portadoras” de hemofilia A ou B (análise dos genes pela PCR). As dosagens do FVIII:C e do FVIII:Ag ou vWF:Ag dão ideia sobre a presenc ̧a de portadoras de hemofilia A e B. Nas portadoras de hemofilia A, costuma haver baixa atividade do FVIII:C e alta atividade do vWF:Ag (maior do que aquela encontrada na populac ̧ão geral). As coagulopatias congênitas hemorrágicas menos frequentes apresentarão padrão laboratorial que dependerá do fator deficiente. DIAGNÓSTICO DA HEMOFILIA A Pacientes com hemofilia A tipicamente apresentam prolongamento de TTP e TP normal. Esses testes indicam anormalidade da via intrínseca da coagulação. MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 8 Ensaios específicos para o fator VIII são necessários para se estabelecer o diagnóstico. A diátese hemorrágica reflete o papel preeminente do complexo fator VIIIa/fator IXa na ativação do fator X in vivo. A explicação exata para a tendência de sangramento nos hemofílicos em locais específicos (articulações, músculos e sistema nervoso central) permanece incerta. DIAGNÓSTICO HEMOFILIA B Como na hemofilia A, o TTP está prolongado e o TP, normal. O diagnóstico da doença de Christmas (que recebeu esse nome em virtude do primeiro paciente identificado com essa condição) é possível somente pela análise dos níveis dos fatores. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Outros possíveis diagnósticos diferenciais são: deficiências nos fatores de coagulação V, VII, X, XI ou fibrinogênio; disfunções plaquetárias; escorbuto; síndrome de Ehlers Danlos; doença de Fabry; e Coagulação Intravascular Disseminada (CID). TRATAMENTO O acompanhamento de um paciente hemofílico implica uma série de provide ̂ncias, além da simples terape ̂utica de substituição, feita com produtos derivados do sangue. Esses produtos devem conter o fator deficiente, VIII ou IX, conforme o caso. Os pacientes devem evitar situac ̧ões de riscos de traumatismos violentos desnecessários. O esclarecimento completo da situação aos familiares e aos pacientes, com eventual encaminhamento destes a grupos ou clubes de hemofílicos, auxilia em seu tratamento global. Nesses clubes, eles recebem orientac ̧ão pedagógica, psicológica, profissional e médica. A conduta clínica diante de uma portadora de hemofilia na fase final de gestac ̧ão deve ser cuidadosa. TERAPÊUTICA DE REPOSIÇÃO A escolha do tipo e dosagem dessa terape ̂utica depende da gravidade da hemofilia, do tipo desta (A ou B) e da sintomatologia hemorrágica a ser controlada. Considera-se que a média do nível de fator VIII:C ou IX:C do plasma normal corresponda aos 100%. Para a hemofilia A, o nível mínimo necessário para a hemostasia é de 25-30% e, para a hemofilia B, este nível é de 20-25%. Nos hemofílicos que te ̂m quadro de sangramento leve, os níveis de fator VIII:C ou IX:C no plasma podem ser mantidos baixos (20-30% na hemofilia A e 15-20% na hemofilia B). De modo geral, nas hemofilias leves são usadas transfusões de concentrado de plasmas obtidos de um ou de poucos doadores de sangue. Os crioprecipitados e, em especial, os produtos comerciais que concentram quantidades de plasmas obtidos de maior número de doadores têm maior pureza dos fatores VIII e IX, porém são também mais perigosos no sentido de possibilitarem a transmissão de doenc ̧as infecciosas em maior porcentagem. Os concentrados protrombínicos não são destituídos de efeitos adversos. Podem causar reac ̧ões alérgicas e fenômenos tromboembólicos (trombose de veias profundas, infartos e embolia pulmonar) e coagulac ̧ão intravascular disseminada. A hemofilia B, tratada durante algum tempo com esses concentrados protrombínicos, pode ser controlada agora com o uso de concentrados de FIX. Estes conte ̂m pouco FII, FVII e FX. A terape ̂utica de substituic ̧ão dos fatores de coagulac ̧ão tem causado sérios problemas devido à possibilidade de transmissão de doenc ̧as como as viroses, parasitoses (doença de Chagas, malária) ou outras (sífilis etc.). DESMOPRESSINA Além da terapêutica de reposic ̧ão, a desmopressina é utilizada em casos de hemofilia A leve, mas não na hemofilia B. Nos hemofílicos A que sangram abundantemente, a terapêutica de escolha ainda é o uso de concentrados de fator VIII a partir de plasma ou recombinante. A DDAVP é usada na dose de 0,3 mg/kg de peso, diluída para infusão durante 15 a 30 minutos. A DDAVP empregada nesta dose deve elevar o nível do FVIII de duas a três vezes o valor inicial (30 a 60 minutos após a aplicac ̧ão). Além da hemofilia A a desmopressina é usada na doenc ̧a de von Willebrand tipo 1. O modo de ac ̧ão dessa droga não está completamente elucidado, porém parece que ela aumenta a liberac ̧ão do FVIII e do vWF dos depósitos (endotélio vascular no caso do vWF). Pode ser usada no controle de sangramentos, presentes nas plaquetopatias congênitas e nos sangramentos provocados por drogas (heparina, agentes antiplaquetários etc.). HEMOFILIA COM ANTICORPOS ANTIFATOR VIII O uso repetido de fator VIII leva alguns pacientes (10-15%) a produzir anticorpos antifator VIII. O controle desses casos se torna mais difícil, uma vez que são pacientes com forma grave da doenc ̧a. Procura-se controlar tal situação ministrando quantidade extra de fator VIII:C para neutralizar os anticorpos presentes, concentrados complexos de protrombina ou fator VIII de origem porcina. Eventualmente, tais casos podem necessitar de plasmaférese. Os hemofílicos B desenvolvem inibidores do FIX mais raramente, pois as preparac ̧ões deste fator são menos antige ̂nicas. MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 9 AGENTES ANTIFIBRINOLÍTICOS O EACA (ácido épsilon-aminocapróico) é um agente empregado para auxiliar a preservac ̧ão dos coágulos formados em pacientes que devem submeter-se a intervenc ̧ões cirúrgicas. Dentre essas cirurgias aquelas da região bucal (dentárias) respondem bem ao uso do EACA em bochechos que devem ser repetidos. Quando há hemorragias internas os antifibrinolíticos não são recomendados. Também não estão indicados em hemofílicos B que estejam recebendo concentrados de complexo de protrombina como tratamento. ANALGÉSICOS Com frequência, os hemofílicos devem receber medicac ̧ão para combater fenômenos dolorosos. As preparac ̧ões que conte ̂m o ácido acetilsalicílico devem ser evitadas por inibirem a agregação plaquetária e facilitarem as hemorragias. ESTRÓGENO E PROGESTERONA Quando tomadas emdoses elevadas, podem provocar aumento dos níveis dos FVIII e FIX, daí o uso nas mulheres que têm menometrorragias. FATOR VIII:C RECOMBINANTE. FATOR IX:C RECOMBINANTE O rFVIII:C foi empregado no tratamento da hemofilia a partir de 1992, enquanto o rFIX:C somente foi licenciado em 1997. A grande preocupac ̧ão dos hemofílicos e dos médicos que os acompanham está no uso de concentrados de FVIII e FIX obtidos a partir de produtos do sangue humano (plas- ma ou albumina) devido à possibilidade de transmissão de doenc ̧as. Para evitar esse risco, os concentrados recombinantes foram obtidos após a transfecção do gene humano normal em cultura de células de animais (hamster) mantidos em laboratório. Esses recombinantes se mostraram eficientes e seguros no controle da hemofilia A e B. Alguns desses produtos são fabricados com albumina humana como estabilizador, porém, já há produtos elaborados sem ela. Os vários centros especializados no tratamento das hemofilias te ̂m indicado o uso de concentrados recombinantes em vez daqueles derivados de plasma, para controle de possível transmissão de doenc ̧as infecciosas (hepatite, síndrome de imunodeficie ̂ncia adquirida, parvovirose etc.). Outro inconveniente que se procura contornar com o uso desses recombinantes é o surgimento de inibidores (anticorpos) dirigidos contra suas moléculas. A principal desvantagem desses produtos é o seu custo elevado. FATOR VII RECOMBINANTE O FVII ativado (FVIIa) torna-se ativo quando entra em contato com o fator tissular (FIII). O complexo formado, FVII/FIII, tem capacidade hemostática, compensando pelo menos em parte a deficiência dos fatores VIII e IX. Daí o emprego do recombinante do FVIIa em pacientes hemofílicos que evoluem com inibidores daqueles fatores (VIII e IX). O contato do FVIIa com o fator tissular tem lugar sempre que houver lesão vascular, com exposic ̧ão do subendotélio. Nessas situac ̧ões há formação de trombina, que é importante na ativac ̧ão das plaquetas e na geração de fibrina, posteriormente. Em hemofílicos que sangram espontaneamente e naqueles que necessitam se submeter a cirurgias mas evoluem com inibidores de FVIII:C ou FIX:C tem sido usado o rFVIIa em doses que variam de caso para caso. Esse rFVIIa é empregado em injec ̧ões repetidas (cada 2, 3 ou 6 horas) ou sob a forma de bolus (30 a 90 mg/kg peso). As dosagens e o modo de aplicac ̧ão variam conforme o quadro clínico e o tipo de cirurgia a que devem ser submetidos os pacientes. O rFVIIa é recomendado para os hemofílicos B com inibidores, uma vez que os concentrados de FIX podem causar reac ̧ões anafiláticas fatais. GENETERAPIA Consiste na introduc ̧ão de uma sequência de DNA de um fator da coagulac ̧ão normal em células de indivíduos portadores de uma sequência (gene) defeituosa para esses fatores. São várias as técnicas utilizadas para modificar a sequência do DNA, entretanto, essa medida terape ̂utica ainda não é realizada no homem, embora continue a ser experimentada em animais, pois pode trazer complicac ̧ões severas. Constitui uma esperanc ̧a no tratamento futuro da hemofilia grave. O gene do indivíduo que recebe uma sequência de DNA normal é corrigido, mas mantém a capacidade de procriar filhos deficientes no fator da coagulac ̧ão em questão. MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 10 APG 28: “DEPENDE DA MEDULA” OBJETIVO 1: ENTENDER A ETIOLOGIA DAS PROLIFERAÇÕES NEOPLÁSICAS DE LEUCÓCITOS. A linhagem linfohematopoiética são todas as células progenitoras que dão origem às células maduras do sangue e às células do sistema imunológico, que incluem os glóbulos vermelhos, glóbulos brancos (leucócitos) e plaquetas. A proliferação destes precursores ocorre na medula óssea, linfonodos, baço e outros órgãos do sistema imune. O tecido linfohematopoiético é um dos tecidos com maior taxa de proliferação de nosso corpo, com produção de bilhões de novas células por dia. Um processo desta escala precisa ser controlado de forma muito fina para que erros de produção sejam identificados e eliminados. Infelizmente, este “controle de qualidade” não é completamente isento de falhas, e muito raramente, defeitos nestes precursores passam desapercebidos e são incorporados ao tecido linfohematopoiético. Quando estes defeitos levam a redução na capacidade de produção a consequência pode ser imperceptível, ou ainda ser apenas de uma redução nas contagens normais das células do sangue. No entanto, quando estes defeitos impedem o amadurecimento destes precursores (“diferenciação”) podemos ter uma consequência mais dramática, que é a substituição gradual do tecido normal pelo tecido indiferenciado. Tal substituição decorre do fato de que o clone (nome dado a todas as células que se originam de um mesmo precursor) indiferenciado costuma proliferar mais facilmente que o clone normal. Com o tempo, este paciente evoluirá para um quadro clínico caracterizado pelo acúmulo de células indiferenciadas (que chamamos de blastos), e ausência de células maduras – leucócitos, hemácias e plaquetas – que resultará em maior risco de infecções, anemia e sangramentos respectivamente. A este quadro clínico damos o nome de leucemia aguda. Na grande maioria dos casos, a etiologia é desconhecida (proliferação local de clones celulares atípicos, sem causa aparente). Sabe-se, no entanto, da existência de vários fatores que se não determinam, pelo menos predispõem à oncogênese. Tais fatores são chamados "Carcinogênicos" (quando determinantes) e "Co-carcinogênicos" (quando predisponentes), e frequentemente agem simultaneamente na formação das neoplasias. Logo, a etiologia é aparentemente multifatorial. Dentre os vários fatores considerados potencialmente carcinogênicos, pode-se citar: FATORES GENÉTICOS Baseia-se na observação prática de que mulheres cujas mães tiveram Ca de mama apresentam 3 vezes mais risco de terem a mesma patologia que outras mulheres sem história materna da neoplasia. Um outro aspecto importante é a ocorrência de neoplasias (ex.: tricoepiteliomas, neoplasias endócrinas múltiplas, "Síndrome de Gardner", retinoblastoma) hereditárias e mesmo de lesões pré-malignas de transmissão hereditária (Xeroderma pigmentoso, "Mancha de Hutchinson" e polipose múltipla de cólon). FATORES IMUNOLÓGICOS A deficiência imunológica parece aumentar a incidência de neoplasias. A explicação mais provável para esta observação reside no fato de que quando ocorre diminuição no número de linfócitos T Killer, ocorre também diminuição da vigilância imunológica facilitando a sobrevida de células com neo-antígenos. São fortes evidências deste fato: AIDS x Sarcoma de KAPOSI, Stress e corticoidoterapia x disseminação de uma neoplasia. O relativo sucesso da imunoterapia em alguns tipos de câncer. FATORES FÍSICOS Radiações ionizantes (potentes mutagênicos): Sobreviventes de Nagasaki e de Hiroshima, residentes do deserto de Mojave, e os "radiologistas pioneiros" x Leucemia mieloide. Radiação Ultravioleta x neoplasias cutâneas (melanomas e carcinomas epidermóides). As radiações seriam oncogênicas pelos seguintes mecanismos: Indução de alterações genéticas que ocasionem perda do controle da reprodução celular; Aceleração do envelhecimento celular com aumento de mutações espontâneas e predisposição à transformação maligna; Ativação de vírus oncogênicos latentes. Traumatismos (próteses mal adaptadas, pancadas e fraturas ósseas freqüentes) x Carcinomas e sarcomas. FATORES QUÍMICOS O principal carcinógeno químico ambiental é a fumaça de cigarro, estando associado a ela 40 a 50 % do total das neoplasias diagnosticadas (95% dos carcinomas MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC)11 broncogênicos, carcinomas de cavidade oral, do esôfago, das vias aéreas superiores, etc.); Fuligem de chaminés x carcinomas epidermóides de escroto (POTTS); Aflatoxinas x Carcinoma colangiocelular; Asbestos x Mesoteliomas e carcinomas pulmonares; Aminas aromáticas (azocorantes, anilinas, naftalenos, nitrosaminas) x carcinomas de vias urinárias (ppte bexiga); Citotóxicos imunodepressores (Alquilantes, ciclofosfamidas, cicasina, uretano, etionina, gás de mostarda nitrogenada, Beta propil lactona, etc.). O papel dos cancerígenos químicos na oncogênese se baseia nas seguintes teorias: Ajuda na seleção de clones de células iniciadas; Supressão de enzimas chave no controle do crescimento celular; Danos diretos ao DNA (ou ao RNA com subsequente transcrição ao DNA); Ativação de vírus oncogênicos latentes. FATORES BIOLÓGICOS DNA VÍRUS HERPES (O mais importante oncogênico dos vírus DNA). Associa-se com Carcinomas uterinos e de cérvix (Herpes II), com o Carcinoma nasofaringeano e com o Linfoma de Burkitt. Podem ocasionar: Infecção produtiva com lise celular; Transformação ou iniciação (inserção do DNA viral no genoma celular ocasionando perda do controle do crescimento celular). ADENOVIRUS Tumores produzidos somente em condições de laboratório. RNA VÍRUS Diferentemente do que ocorre com os DNAvirus, a célula parasitada por um RNA oncogênico é simultaneamente transformada em oncócito ao tempo em que age como fonte de produção de novos vírions. OBJETIVO 2: COMPREENDER OS QUATRO TIPOS DE LEUCEMIA E SUAS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS. LEUCEMIA As leucemias caracterizam-se pela proliferação maligna de células hematopoiéticas na medula óssea. Constituem neoplasias monoclonais, pois as células malignas são oriundas de um mesmo clone que pode ou não envolver o sangue periférico. O defeito reside em uma ou mais alterações genéticas que atingem a célula-tronco ou células progenitoras da medula óssea acarretando a expressão anormal de proto- oncogenes ou anti-oncogenes. Os proto-oncogenes são genes altamente conservados pela evolução, responsáveis pelo crescimento, multiplicação e diferenciação celular normal. O produto codificado por estes genes inclui proteínas reguladoras do ciclo celular a exemplo dos fatores de crescimento e seus receptores, proteínas sinalizadoras, fatores transcricionais, ciclinas e quinases. Os anti-oncogenes ou genes supressores de tumor codificam proteínas capazes de bloquear a divisão celular ou induzir a apoptose de células com material genético alterado. Como exemplo destes podemos citar o gene Rb (retinoblastoma) e o gene p53. Ocorre que anormalidades citogenéticas primárias (causa direta da transformação maligna) ou secundárias (resultantes da instabilidade do genoma da célula maligna) originam um clone de células com potencial de sobreposição à população normal de células em razão da perda de controle do ciclo celular. A instalação do processo leucêmico ocorre da seguinte forma: 1. Dominância clonal. 2. Insuficiência da medula óssea. 3. Infiltração das células neoplásicas em órgãos e tecidos. 4. Imunodeficiência e efeito dos produtos das células tumorais. ETIOLOGIA A etiologia das leucemias não está totalmente esclarecida, porém, acredita-se que as alterações citogenéticas sejam resultantes de um ou mais determinantes ambientais que atuem em um indivíduo particularmente suscetível. FATORES DESENCADEANTES AMBIENTAIS A) RADIAÇÃO IONIZANTE Foi observado o aumento da incidência de casos de leucemia após os acidentes nucleares em médicos radiologistas e indivíduos com policitemia vera tratados com fósforo MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 12 radioativo. A irradiação é, portanto, um agente leucemogênico. De modo geral, as leucemias que ocorrem após irradiações são mieloides agudas. B) DROGAS E AGENTES QUÍMICOS Drogas como o cloranfenicol, fenilbutazona ou benzeno são seguidas de ligeiro aumento da frequência de leucemia, dependendo da exposição e concentração da droga utilizada. Essas drogas podem levar a casos de anemia aplástica com lesão medular e posterior desenvolvimento de uma linhagem anormal de células. C) VÍRUS Alguns vírus são capazes de se incorporar ao genoma de células, tornando-as instáveis e aumentando o risco do estabelecimento de um clone anormal de células (vírus Epstein-Barr, retrovírus HTLV-I e HTLV-II). DO HOSPEDEIRO D) FATORES GENÉTICOS Já foram descritos muitos casos de leucemia em uma mesma família, o que sugere influência ou predisposição genética. A leucemia tem também certa relação com anormalidades cromossomais, já que é bastante observada na síndrome de Down e anemia de Fanconi; acredita-se que, nestes casos, o cariótipo apresente maior fragilidade. A mais consistente anormalidade cromossomal associada à leucemia é o cromossomo Filadélfia (Ph’), uma translocação entre o cromossomo 9 e o 22, encontrada em mais de 95% dos pacientes com leucemia mieloide crônica. E) IMUNODEFICIÊNCIA E DISFUNÇÃO CRÔNICA DA MEDULA ÓSSEA Pacientes portadores de imunodeficiências apresentam maior susceptibilidade para desenvolver doenças linfoproliferativas. Foi comprovada maior incidência de leucemias em portadores de mielodisplasias, anemia aplástica e HPN. CLASSIFICAÇÃO De modo geral, as leucemias podem ser divididas em: leucemias agudas, quando o infiltrado medular demonstra a predominância de blastos e o curso clínico é rápido e agressivo, levando a óbito se não tratado de imediato; e leucemia crônicas, onde existe maior proporção de células diferenciadas ou maduras; tem início insidioso, mostrando curso clínico mais lento. LEUCEMIAS AGUDAS Hematologicamente, caracterizam-se pelo aparecimento predominante na medula óssea e/ou sangue periférico de células blásticas da série mieloide ou linfoide. As leucemias agudas apresentam curso rápido e, muitas vezes, fatal. O diagnóstico é confirmado na presença de mais de 20% de blastos na medula óssea. PATOGENIA Alterações citogenéticas envolvendo genes reguladores do ciclo celular em uma célula progenitora originam um clone anormal de células com bloqueio de maturação dos precursores hematopoéticos, que não apresentam descendentes diferenciados. A proliferação maligna com acúmulo destes precursores na medula óssea suprime a multiplicação e diferenciação das linhagens normais, levando à anemia, neutropenia e plaquetopenia no sangue periférico. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS As leucemias agudas se iniciam com anemia, o que leva o indivíduo a se mostrar pálido e fraco. Infecção e febre ocorrem em decorrência de granulocitopenia. Púrpuras e hemorragias se devem à plaquetopenia. Em razão da infiltração de células em diversos órgãos, é comum ocorrer esplenomegalia, dores ósseas e reumáticas. LEUCEMIA LINFOIDE AGUDA (LLA) A LLA pode ser do tipo B ou tipo T, sendo as primeiras mais frequentes. É um tipo de leucemia que acomete, principalmente, crianças, mas pode ser observada em adultos. O tipo celular é o linfoblasto, que apresenta características diferentes de acordo com a classificação FAB. PATOGENIA A maioria dos pacientes com LLA apresenta um cariótipo anormal ou no número de cromossomos (ploidia), ou mudanças estruturais, como translocações, inversões ou deleções. Entre os pacientes com alterações no número, 51% apresentam pseudodiploidia, 37%, hiperdiploidia e 12%, hipodiploidia. Entre as crianças com LLA-T, cerca de 60% evidenciam um cariótipo anormal. Pode-se observar um padrão distinto de anormalidades cariotípicas recorrentes nesses pacientes, envolvendo tanto o receptor das células T (TCR) quanto lócus não gene TCR. As alterações citogenéticas têm significado prognóstico nas LLA-B, porém não nas LLA-T. MONICK LEBRÃO- MEDXIV (FASAVIC) 13 LEGENDA: LLA subtipo L1 - células primitivas imaturas uniformes, um tanto pequenas, com citoplasma escasso e nucléolos arredondados ou fendidos, geralmente com apenas um nucléolo. LEGENDA: LLA Subtipo L2- células primitivas imaturas que variam consideravelmente de tamanho e quantidade de citoplasma; a proporção núcleo/citoplasma raramente é tão elevada quanto uma L1. Os núcleos são variáveis. LEGENDA: LLA subtipo L3- células primitivas imaturas com citoplasma de coloração azul intenso contendo numerosos vacúolos perinucleares pequenos. A presença de cromatina fina e uniforme, às vezes apresentando ligeiro agrupamento de cromatina, relação núcleo-citoplasmática maior que 1, citoplasma azul pálido sem grânulos e sem bastões de Auer, são diferenças em relação à morfologia dos mieloblastos. O prognóstico das LLA está relacionado com diversos fatores. Crianças com idade entre 2-10 anos apresentam melhor prognóstico, assim como a hiperdiploidia observada na citogenética. Fatores de mau prognóstico incluem: sexo masculino, raça negra, leucocitose infiltração do sistema nervoso central e tipo celular L3. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Achados compatíveis com insuficiência da medula óssea e citopenias periféricas: palidez, hematomas, petéquias. Linfadenopatia ou hepatoesplenomegalia. Febre (doença relacionada ou infecciosa), dor óssea, fraqueza, perda de peso, alterações do estado mental e achados neurológicos associados ao comprometimento do sistema nervoso central (SNC) (se presente). O linfoma linfoblástico de células T geralmente está associado a uma massa mediastinal. LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA (LMA) Caracteriza-se pela proliferação anormal dos precursores mieloides, com perda de diferenciação e maturação celular. O acúmulo de formas blásticas ou formas indiferenciadas de aspectos variados resulta na classificação morfológica dos tipos de LMA propostos pela FAB. LEGENDA: Medula óssea normal e saudável VS Medula óssea de um paciente pediátrico com LMA. PATOGENIA Alterações citogenéticas envolvendo genes reguladores podem ser observadas na LMA. As mais frequentes incluem a t(15;17), presente na M3 aparecem após o tratamento quimioterápico utilizado para vários tipos de câncer a exemplo dos agentes alquilantes e inibidores da enzima topoisomerase II. A LMA desenvolve-se devido a uma série de mudanças genéticas nos precursores hematopoiéticos. Essas mudanças alteram o crescimento e a diferenciação hematopoiéticos normais, resultando no acúmulo de grande número de células mieloides imaturas anormais na medula óssea e no sangue periférico. Essas células podem dividir-se e proliferar-se, mas não podem diferenciar-se em células hematopoiéticas maduras. A progressão para LMA requer uma série de eventos genéticos, iniciando com expansão clonal de uma célula- tronco leucêmica transformada. Os eventos mutacionais específicos necessários para essa progressão não estão ainda bem definidos. A LMA está presente em adultos jovens e aumenta progressivamente com a idade, sendo mais frequente no sexo masculino. MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 14 A leucemia promielocítica aguda (M3) caracteriza-se pela presença de promielócitos com granulações azurófilas bem evidentes e está associada a casos de coagulação intravascular disseminada com consequente tendência hemorrágica (os grânulos possuem material pró-coagulante). Esta leucemia está associada à translocação t(15;17)(q22;q12) que corresponde a uma alteração do receptor α do ácido transretinoico; o tratamento com ácido retinoico oferece bons resultados. Nas leucemias mielomonocíticas agudas (M4 e M5), a célula que predomina tem o núcleo chanfrado com cromatina fina e nucléolos. O citoplasma é abundante e contém granulações positivas para α naftil acetatoesterase (ANAE). Neste tipo de leucemia são comuns a infiltração e o sangramento gengival. Os casos de eritroleucemia (M6) apresentam a proliferação dos precursores eritroides, além dos mieloblastos. Ocorre a presença de eritroblastos em todos os estágios de maturação, podendo aparecer formas atípicas. A reação do PAS é fracamente positiva nos eritroblastos. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Complicações da insuficiência da medula óssea: Hemorragia associada à trombocitopenia; Fadiga e falta de ar associadas à anemia; Infecção associada à neutropenia. Complicações de leucocitose (leucemia hiperleucocitária, leucócitos > 100.000/mcL): Hemorragia retinal com sintomas visuais; Cefaleia e hemorragia intracraniana; Sintomas respiratórios de envolvimento pulmonar. Sintomas sistêmicos Fadiga, febre (geralmente infecciosa, raramente tumor), dor óssea (mais comum na LLA). Complicações hemorrágicas da coagulação intravascular disseminada (CIVD), especialmente na leucemia promielocítica aguda (APML) O exame físico refletirá as consequências das citopenias (hematoma na trombocitopenia, palidez da anemia). Linfonodos, fígado e baço aumentados são raros. O exame geralmente apresenta-se normal. Raramente a doença manifestará lesões cutâneas (leucemia cutânea) ou lesões em massa (sarcoma granulocítico). A hipertrofia da gengiva e o envolvimento de órgãos/pele são mais comuns na leucemia monocítica. LEUCEMIA LINFOIDE CRÔNICA (LLC) Caracteriza-se por proliferação maligna de células linfoides maduras disfuncionais. A doença tem caráter lento e progressivo, sendo rara antes dos 40 anos, predominando na fase senil. As anomalias cromossômicas mais frequentes incluem a trissomia 12 (+12q) e a deleção do 13 (-13q14). As LLC são classificadas em dois grandes grupos de acordo com a imunofenotipagem; tipo B (CD19, CD20 positivos) e tipo T (CD2, CD3, CD4 e CD5 positi-vos), na maioria dos casos a LLC é do tipo B, apenas 10% das LLC correspondem ao tipo T. LEGENDA: Medula óssea de paciente com LLC. PATOGENIA As neoplasias de linfócitos B mais comuns são originadas por células que passaram por uma reação do centro germinativo, iniciada quando linfócitos B estimulados por antígenos migram para dentro dos centros germinativos ou dos folículos dos órgãos linfoides secundários (linfonodos, baço e tecido linfoide associado à mucosa). Os linfócitos B dos centros germinativos proliferam e sofrem dois eventos que permitem a diversificação dos genes das imunoglobulinas (Ig): Hipermutação somática; Mudança da classe da cadeia pesada. MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 15 A maioria dos tumores de linfócitos B maduros apresenta hipermutação somática, e considera-se que esses erros que ocorrem durante a hipermutação somática e a mudança de classe possam ser responsáveis por muitas das mutações adquiridas que ocasionam a transformação do linfócito B. Em cerca de 60% dos casos de LLC, os genes Ig são somaticamente hipermutados; nos casos restantes, parecem derivados de linfócitos B simples. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS No momento do diagnóstico, a maioria dos pacientes apresenta-se assintomática. Muitos casos são diagnosticados com base em resultados laboratoriais incidentais. Os sintomas incluem fadiga, infecções recorrentes (pneumonia, herpes-zóster), aumento dos linfonodos. Sintomas B (febre, perda de peso e sudorese noturna) em 10% dos pacientes no momento do diagnóstico inicial. Linfadenopatia difusa pequena e esplenomegalia são achados típicos no exame clínico, mas estão ausentes na maioria dos pacientes no momento do diagnóstico. A minoria dos pacientes com LLC (∼1%-10%) pode desenvolver anemia hemolítica autoimune ou trombocitopenia imune no momento do diagnóstico ou durante a evolução da doença. A uma taxa de 1% por ano, os pacientes com LLC podem experimentar uma transformação da sua doença em um linfoma agressivo (transformação de Richter), caracterizadopor uma massa linfonodal que cresce rapidamente, desidrogenase lática (LDH) elevada e sintomas constitucionais. LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA (LMC) A LMC foi a primeira neoplasia descrita associada à ativação de proto-oncogenes celulares. Cerca de 95% dos pacientes portadores de LMC, apresentam o “cromossomo Filadélfia (Ph)”, um cromossomo 22 anormal oriundo da translocação t(9;22) (q34;q11). LEGENDA: Medula óssea de pacientes com LMC. PATOGENIA Neste processo, o proto-oncogene c-abl pertencente ao cromossomo 9 é transferido para o cromossomo 22, ligando-se ao gene bcr. O produto deste gene híbrido (bcr- abl) codifica uma proteína com atividade tirosinoquinase au-mentada que interfere no ciclo celular, permitindo a proliferação e diferenciação descontrolada das células leucêmicas. A LMC está associada à fusão de dois genes: bcr (no cromossomo 22) e abl1 (no cromossomo 9), resultando no gene de fusão bcr/abl1. Essa fusão anormal é causada tipicamente pela translocação recíproca entre os braços longos do cromossomo 9 e 22, que origina um cromossomo 22 anormal denominado cromossomo Filadélfia. O gene de fusão bcr/ab1l gera um produto único, a proteína de fusão bcr/abl, que tem um domínio enzimático com atividade catalítica tirosinoquinase. A atividade quinase do bcr/abl1 é elevada, desregulada e implica na patogênese da LMC. A LMC tem curso trifásico: Inicialmente observa-se uma FASE CRÔNICA que dura aproximadamente 3 anos e é caracterizada por hiperleucocitose e predominância de células mieloides maduras. Segue-se uma fase denominada de “FASE ACELERADA” onde as células perdem gradualmente a capacidade de diferenciação e observa-se basofilia, trombocitose e anemia com refratariedade à quimioterapia; A doença torna-se fatal com sobrevida de 2 a 10 meses, com a CRISE BLÁSTICA ou transformação em aguda na presença de mais de 30% de blastos na medula óssea ou sangue periférico. A LMC é rara na criança, acometendo adultos jovens e de meia-idade. Geralmente tem antecedentes de caráter etiológico como exposição ao benzeno ou a irradiação. A instalação do quadro clínico é insidiosa e a doença pode ser descoberta acidentalmente com queixa de mal-estar, perda de peso ou febre. Ao exame clínico nota-se acentuada esplenomegalia que pode estar ou não associada à hepatomegalia. MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 16 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Até 50% dos pacientes são assintomáticos, com diagnóstico baseado em hemogramas anormais. Na fase crônica, pacientes sintomáticos podem apresentar fadiga, perda de peso, saciedade precoce e dor no quadrante esquerdo do abdome. O exame pode revelar esplenomegalia. Ocasionalmente, uma contagem de leucócitos muito alta pode levar a sintomas relacionados com hiperviscosidade. Pacientes em fase acelerada geralmente são sintomáticos com febre, sudorese, perda de peso, dor no abdome e esplenomegalia progressiva. Pacientes em fase blástica, além disso, podem apresentar dor óssea; sintomas de anemia, complicações infecciosas e sangramento também estão presentes. DISTÚRBIOS MIELOPROLIFERATIVOS A LMC é classificada como sendo um distúrbio “mieloproliferativo”, caracterizado por hiperplasia medular da série granulocítica. Outras doenças hematológicas também fazem parte desta classificação, pois tem como característica a ativação constitutiva de uma tirosinoquinase. OBJETIVO 3: DISCUTIR O DIAGNÓSTICO DAS LEUCEMIAS. LEUCEMIA LINFOIDE AGUDA (LLA) EXAMES LABORATORIAIS • HEMOGRAMA COMPLETO revela anemia normocrômica, normocítica e trombocitopenia. • O ESFREGAÇO PERIFÉRICO geralmente revela linfoblastos, mas, em alguns casos, apenas a medula está envolvida. • Os EXAMES DE SANGUE iniciais também devem incluir a avaliação da função orgânica básica (creatinina, bilirrubina), glicemia (os glicocorticoides fazem parte da terapia) e a síndrome de lise espontânea do tumor (K+, Ca++, PO4++, ácido úrico). • EXAMES DE COAGULAÇÃO (triagem de coagulação intravascular disseminada [CIVD]) antes da punção lombar. EXAMES POR IMAGEM • RADIOGRAFIA DE TÓRAX para avaliar a febre e a presença de massa mediastinal. • TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA (TC) para queixas sintomáticas. Deve-se ter cautela quanto à exposição ao agente de contraste em pacientes com evidência de síndrome de lise tumoral espontânea para evitar mais dano renal. EXAME CLÍNICO COMPLETO • Identificação de população celular anormal circulante por CITOMETRIA DE FLUXO. O CD19 identifica a maioria das células B precursoras. Os blastos leucêmicos imaturos devem apresentar ausência de imunoglobulina de superfície e normalmente expressarão CD34 e corante positivo para desoxinucleotidiltransferase terminal (TdT). O CD3 citoplasmático e o CD7 estabelecem a linhagem de células T imaturas na maioria dos casos. Marcadores mieloides aberrantes (CD13, CD33) podem ser observados. • As COLORAÇÕES CITOQUÍMICAS são, algumas vezes, mais fáceis de realizar e os resultados podem ficar disponíveis mais cedo, mas são menos específicos. Blastos na LLA devem ser negativos para as colorações de mieloperoxidase e esterase. EXAME DA MEDULA ÓSSEA • Os EXAMES GENÉTICOS definem categorias de tratamento importantes, das quais a mais importante é a doença do cromossomo Filadélfia positivo (Ph + ) vs. Filadélfia negativo (Ph-), pois elas são tratadas de forma diferente. O status Ph pode ser determinado rapidamente pela reação em cadeia da polimerase (PCR) ou hibridização in situ com fluorescência (FISH) e deve estar disponível dentro de 24 a 48 horas após o diagnóstico. • A CARACTERIZAÇÃO GENÉTICA DE MUTAÇÕES na LLA Ph-like (perfil genético semelhante à doença Ph + , mas anormalidade BCR/ABL), ou mutações de IKZF1 (IKAROS), podem proporcionar informação de prognóstico adicional, mas não estar uniformemente disponíveis. A LLA semelhante à Ph pode responder à terapia com inibidores da tirosina- quinase e pode se comportar de forma mais similar à LLA Ph + . • A punção lombar geralmente é realizada para diagnóstico, se possível, a fim de avaliar o envolvimento do SNC e iniciar a terapia profilática desse sistema. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Transtornos associados à linfocitose (linfócitos > 5.000/mcL): • Adultos: leucemia linfocítica crônica, linfoma de células do manto, linfoma da zona marginal, leucemia de células pilosas. • Adolescentes/adultos jovens: síndromes de mononucleose infecciosa devido a vírus Epstein-Barr ou citomegalovírus, entre outros, podem apresentar anormalidades linfocitárias com aparência sugestiva de blastos leucêmicos. • Transtornos associados a blastos circulantes ou células semelhantes a blastos, como leucemia mieloide aguda, leucemia prolinfocítica, linfoma de células blastoides do manto e linfoma de Burkitt (leucemia/linfoma de células B maduras). • Linfoma linfoblástico. MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 17 • Anemia aplásica: a LLA pode aparecer sem circulação de células leucêmicas e apenas com manifestações de insuficiência da medula óssea. LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA (LMA) DIAGNÓSTICO LABORATORIAL • Contagem sanguínea completa e avaliação do ESFREGAÇO DE SANGUE. Observe que a avaliação morfológica dos blastos pode sugerir origem mieloide ou linfoide, mas CITOMETRIA DE FLUXO OU TESTES CITOQUÍMICOS (geralmente mais rápidos) são necessários para confirmação. Os bastões de Auer são observados em blastos de origem mieloide. • A desidrogenase lática (LDH) é comumente elevada. Outros TESTES BIOQUÍMICOS para avaliar a função dos órgãos (creatinina, enzimas hepáticas) e síndrome de lise tumoral espontânea (ácido úrico, potássio, fosfato, cálcio) devem ser realizados. • ESTUDOS DE COAGULAÇÃO PARA AVALIAR A COAGULAÇÃO INTRAVASCULAR DISSEMINADA (CIVD). A CIVD está sempre presente na APML, mas pode estarem todas as formas de leucemia aguda, especialmente leucemia monocítica aguda. • TIPAGEM DE ANTÍGENO LEUCOCITÁRIO HUMANO (HLA) para possível transplante de medula óssea e suporte plaquetário. • COLORAÇÕES CITOQUÍMICAS. • A MIELOPEROXIDASE pode ser realizada em minutos, + na leucemia de origem mieloide. • A alfanaftil acetato esterase (“esterase não específica”) cora principalmente células monocíticas. • ESTUDOS CITOGENÉTICOS, idealmente na medula óssea, mas podem ser realizados no sangue periférico. A hibridização in situ por fluorescência (FISH) frequentemente é usada como auxiliar na análise cromossômica convencional. • ESTUDOS MOLECULARES para estratificar ainda mais o risco e o prognóstico, que podem afetar as escolhas terapêuticas. • O diagnóstico formal de leucemia não linfocítica aguda é estabelecido se a porcentagem de blastos na medula for ≥ 20%, a menos que t(8;21), inv(16), t(16;16) ou t(15;17) estejam presentes, caso em que a porcentagem de blastos pode ser menor. • A COLORAÇÃO POR MIELOPEROXIDASE (MPO) a 3% de blastos estabelece linhagem mieloide, mas a MPO pode ser negativa em alguns casos de LMA diagnosticados por citometria de fluxo. • Existem critérios específicos para diagnosticar outras formas de ANLL, principalmente para distinguir de mielodisplasia, como a CLASSIFICAÇÃO DA LMA segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Está fundamentado na análise e identificação do tipo de blasto presente no sangue periférico e/ou medula óssea. O tipo celular geralmente é um mieloblasto, com núcleo redondo, cromatina frouxa e nucléolos bem evidentes. O citoplasma é homogêneo, sem granulação aparente ou com poucos grânulos azurófilos. As provas citoquímicas da mieloperoxidase, sudan black e esterase auxiliam no diagnóstico diferencial entre LMA e LLA. Em alguns blastos da LMA é possível observar a presença dos bastões de Auer, que dão rea-ções positivas com a peroxidase e Sudan Black. A leucemia do tipo M0 apresenta blastos com características mieloides indistinguíveis por microscopia ou citoquímica. A natureza mieloide dos blastos é, portanto, demonstrada por marcadores imunológicos do tipo CD13 e CD33. EXAMES POR IMAGEM Os estudos por imagem são tipicamente direcionados para avaliar queixas específicas. • O ECOCARDIOGRAMA ou a VARREDURA DE AQUISIÇÃO MÚLTIPLA (MUGA) geralmente são realizados para verificar se a função cardíaca está adequada de forma a tolerar a terapia com antraciclina (geralmente daunorrubicina), sendo uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) > 50% normalmente considerada aceitável. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Transtornos que podem se manifestar com blastos circulantes ou células com aparência de blastos: Leucemia mieloide aguda/leucemia linfocítica aguda; Mielodisplasia (até 20% de blastos circulantes, se ≥ 20% = LMA); Mielofibrose primária; Leucemia mieloide crônica; Variante blastoide do linfoma de células do manto; Leucemia prolinfocítica; Neoplasia de células dendríticas plasmocitoides blásticas. Os linfócitos atípicos da infecção por Epstein-Barr e citomegalovírus podem ter aparência semelhante a blastos. LEUCEMIA LINFOIDE CRÔNICA (LLC) DIAGNÓSTICO LABORATORIAL Baseia-se na evidência de proliferação linfocítica que se pode manifestar de três maneiras: • Tumores linfoides: é comum a presença de adenopatias indolores nestes pa-cientes. A infiltração linfocitária pode atingir também o baço (esplenomega-lia) e mais raramente o fígado e a pele. • HEMOGRAMA: há leucocitose variável (30 a 200.000/mm3 ) dependendo do es-tágio da doença com predominância de linfócitos maduros podendo aparecer alguns pró-linfócitos e, raramente, linfoblastos. As células no sangue periférico muitas vezes aparecem degeneradas, indicando aumento da fragilidade celular (manchas de Grumprecht). Ainda dentro do quadro hematológico pode haver anemia, geralmente normocítica e do tipo autoimune, MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 18 trombocitopenia e frequente granulocitopenia indicando insuficiência medular. • MIELOGRAMA: caracteriza-se por infiltração medular de linfócitos e mede o grau de evolução da doença. O diagnóstico de LLC requer a presença de um clone de células B > 5000/mm3, por > 3 meses, com um imunofenótipo característico na citometria de fluxo, o qual é essencial para o diagnóstico • As células da LLC são tipicamente positivas para CD5, CD19 e CD23 e fracamente positivas para CD20, enquanto são negativas para CD10, Ciclina D1 e CD103. • Não há indicação para o exame da medula óssea na maioria dos casos, exceto quando a diferenciação entre citopenias autoimunes e infiltração medular pela LLC é difícil. • Hipogamaglobulinemia e LDH elevada podem estar presentes no momento do diagnóstico. • A AVALIAÇÃO CITOGENÉTICA (usando-se hibridização fluorescente in situ [FISH]) é essencial para a análise prognóstica e a seleção ideal do tratamento. • Outros MARCADORES PROGNÓSTICOS incluem: estado mutacional da região variável da cadeia pesada da imunoglobulina (IGHV) (gene não mutado com > 98% de homologia indica prognóstico ruim) e presença de CD38 ou ZAP-70 (também associado a prognóstico ruim). A análise de mutações adicionais está ganhando importância para identificar pacientes com pior prognóstico (mutações nos genes TP53, NOTCH1, SF3B1 e BIRC3). EXAMES POR IMAGEM Exames por imagem (TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA [TC] ou TC por emissão de pósitrons [PET/TC]) não são necessários para pacientes que se apresentam assintomáticos no momento do diagnóstico. Eles são solicitados no caso de problemas clínicos como adenopatia volumosa interna, transformação de Richter ou antes de a quimioterapia ser iniciada. ESTADIAMENTO O estadiamento reflete a carga clínica da doença e auxilia na avaliação do prognóstico e na tomada de decisão quanto ao tratamento. O SISTEMA RAI MODIFICADO distingue três grupos de risco: O SISTEMA BINET divide a LLC em três etapas: O PROGNÓSTICO na LLC pode ser determinado usando-se o CLL-International Prognostic Index (CLL-IPI) (Índice de Prognóstico Internacional da LLC), que inclui cinco fatores: A sobrevida global em 5 anos varia de 93% para o grupo de baixo risco a 23% para o grupo de risco muito alto. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL • Poucas infecções agudas que manifestam linfocitose (mononucleose, coqueluche) • Outros distúrbios linfoproliferativos que envolvem o sangue (podem ser diferenciados por meio de citometria de fluxo): linfoma folicular, linfoma de células do manto, linfoma da zona marginal esplênica, leucemia prolinfocítica, linfoma/leucemia de células T do adulto, leucemia de células pilosas • A leucemia linfocítica aguda pode ser diferenciada pela presença de linfoblastos em vez de linfócitos maduros • Linfocitose policlonal persistente de células B: uma condição benigna rara que afeta pessoas tabagistas (de meia-idade, predominantemente do sexo feminino). LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA (LMC) DIAGNÓSTICO LABORATORIAL • HEMOGRAMA: caracteriza-se por hiperleucocitose, geralmente acima de 50.000/ mm3 podendo exceder 300.000/mm3), com predomínio maciço da série granulocítica. Ocorre um pseudodesvio à esquerda, pois aparecem elementos jovens, sem ordem de maturação. A predominância é de neutrófilos e mielócitos, podendo existir a falta de um componente celular em ordem de maturação (hiato leucêmico). É frequente ocorrer basofilia e eosinofilia. A anemia está presente na maioria dos casos. Trombocitose ocorre em mais de 50% dos casos ao MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 19 diagnóstico. A trombocitopenia está presente em menos de 15% dos pacientes. • MIELOGRAMA: confirma a hiperplasia granulocítica (80 a 95%), sendo que menos de 20% corresponde a promielócitos e mieloblastos. • Outros exames: a BIÓPSIA de medula