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MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 1 APG 26: “CHUVAS DE VERÃO” OBJETIVO 1: DISCUTIR A INFLUÊNCIA DAS ESTAÇÕES CLIMÁTICAS NAS ARBOVIROSES. Arboviroses são as doenças causadas pelos chamados arbovírus, que incluem o vírus da dengue, Zika vírus, febre chikungunya e febre amarela. Esses arbovírus são transmitidos por artrópodes, como os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. O surgimento e ressurgimento de arboviroses ocorrem há séculos. Compreender como a variabilidade climática e as mudanças climáticas de longo prazo afetam a dinâmica de transmissão de arbovírus por artrópodes vetores é um desafio contínuo. Contudo, a frequência e a magnitude dos surtos de vírus transmitidos por artrópodes, particularmente aqueles transmitidos por mosquitos do gênero Aedes, estão aumentando globalmente, sustentados pela convergência de mudanças nas condições climáticas, ambientais e socioeconômicas. Essas mudanças são conhecidas por alterar os ciclos de transmissão de arbovírus envolvendo os vetores antropofílicos e, assim, facilitar uma extensa distribuição geográfica de doenças arbovirais importantes, representando uma ameaça significativa à saúde. O desequilíbrio entre estes fatores pode resultar no aumento e/ou diminuição de casos de arboviroses e de outras doenças infecciosas emergentes e reemergentes. Dentre os eventos climáticos importantes globalmente encontra-se o El Niño Oscilação Sul (ENOS) ou (ENSO) que é formado pelos episódios de El Niño e La Niña. O ciclo ENSO é definido pelas flutuações da temperatura da superfície no Oceano Pacífico equatorial, El Niño refere-se à fase quente do ciclo quando a temperatura da superfície do oceano aumenta, La Niña refere-se ao fenômeno oposto e as condições neutras são períodos de tempo em que a temperatura da água superficial no Pacífico equatorial está próxima da média plurianual. O Oceano Pacífico interage com a atmosfera, alterando os padrões de chuva e as correntes de vento e causando mudanças climáticas em todo o mundo. A dengue, Zika, chikungunya e febre amarela são doenças sensíveis às mudanças ambientais, incluindo variações nas características do clima e da superfície terrestre. Ainda, o surgimento e disseminação destas doenças também podem ser exacerbados por atividades antrópicas, como desmatamento, mineração, urbanização e mobilidade humana, que alteram os habitats naturais dos vetores e aumentam as interações vetor-hospedeiro. Ressalta-se o recente relatório do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), publicado em 27 de fevereiro de 2022, que aponta para o aumento do risco de arboviroses, principalmente a dengue, com estações mais longas e uma distribuição geográfica mais ampla na Ásia, Europa, América Central e do Sul e África Subsaariana, potencialmente colocando bilhões adicionais de pessoas em risco até o final do século. O relatório do IPCC destaca que o aumento das chuvas cria mais habitats/criadouros, entretanto, muita chuva pode lavar os mesmos. Ainda a diminuição das chuvas aumenta o risco de surtos quando pessoas sem acesso a água usam recipientes para armazenamento gerando potenciais criadouros. E, com o aumento da temperatura o ciclo de vida do vetor e do patógeno ocorre de maneira mais rápida e, ainda, aumenta-se a taxa de picadas dos vetores. Existem diversos fatores climáticos, como a umidade relativa do ar e a temperatura que favorecem a reprodução e sobrevivência de agentes patogênicos no meio ambiente e, principalmente, dos vetores de agente infecciosos, tais como o mosquito Aedes aegypti, por exemplo (Confalonieri, 2003). As influencias climáticas apresentam interações com a idade do mosquito, por exemplo, a umidade relativa do ar elevada favorece os mosquitos “jovens” e é prejudicial aos “velhos”. As temperaturas médias e mínimas influenciam de forma positiva respectivamente a mortalidade dos mosquitos “adultos” e “velhos”. Entendendo assim que cidades com temperaturas elevadas favorecem a proliferação e sobrevivência do mosquito. Mudanças climáticas podem afetar a dinâmica de doenças transmitidas por vetores por meio da alteração do ciclo de vida e da distribuição global do vetor, bem como do desenvolvimento do vírus dentro do mosquito. O desenvolvimento dos mosquitos pode ser afetado por algumas variáveis abióticas, como a temperatura. O ciclo de vida dos mosquitos é holometábolo, com as fases de ovo, larva, pupa e adulto. O tempo que leva para um ovo virar um mosquito adulto é por volta de 10 dias, mas esse intervalo pode ser maior ou menor, de acordo com a temperatura do ambiente. Desta forma, destaca-se a necessidade de combinar informações climáticas, ambientais, socioeconômicas e dados de vigilância para fortalecer os sistemas para surtos de arboviroses. O ambiente geográfico modificado e a dinâmica das variáveis climáticas locais (temperatura e umidade relativa do ar) potencializam a proliferação do mosquito e a competência vetorial para transmissão e disseminação de arboviroses. Além disso, observou-se que a manifestação dos primeiros sintomas das doenças, como a dengue, por exemplo, ocorreu principalmente no período chuvoso da região associada a determinadas temperaturas. O monitoramento das condições climáticas locais associada a compreensão da transformação e (re)produção do espaço geográfico, constituiu-se em ferramenta indispensável para a promoção de Políticas Públicas de prevenção de arboviroses. OBJETIVO 2: ANALISAR A EPIDEMIOLOGIA E A TRANSMISSÃO DAS ARBOVIROSES. Os arbovírus que causam doenças em humanos e outros animais de sangue quente são membros de cinco famílias virais: Bunyaviridae, Togaviridae, Flaviviridae, Reoviridae e Rhabdoviridae. Estima-se que haja mais de 545 espécies de arbovírus, dentre as quais, mais de 150 relacionadas MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 2 com doenças em seres humanos, sendo a maioria zoonótica. São mantidos em ciclo de transmissão entre artrópodes (vetores) e reservatórios vertebrados como principais hospedeiros amplificadores. São transmitidas pelo sangue de pacientes virêmicos, por insetos hematófagos, o que não deixa de ser uma preocupação na doação de sangue em áreas endêmicas. O único continente onde os arbovírus não são endêmicos é o Antártico. Estes vírus tendem a ter uma distribuição geográfica e climática restrita, como parte de um subsistema ecológico especial representado pelos vírus, vetores, hospedeiros amplificadores e reservatórios. O Brasil é constituído por uma grande extensão terrestre (pouco mais de 8.500.000 km2, e a maior parte do País tem um clima tropical, sendo um local adequado para a existência do vetor e, portanto, para a ocorrência de arboviroses. As arboviroses são de grande relevância na saúde pública, devido a uma série de fatores, que vão desde a diversidade de agentes infecciosos envolvidos e a pluralidade de manifestações clínicas, até a inexistência de apoio laboratorial eficiente, a inexistência de medidas imunoprofiláticas para a maioria das infecções correntes e a dificuldade na implementação e manutenção de medidas educativas e sanitárias. Aliado a estas dificuldades e inerentes às infecções virais, está a falta de terapia específica, relegando o tratamento das arboviroses ao controle sintomático das manifestações clínicas. Além disso, a extrema complexidade da interação entre o hospedeiro, reservatórios e vetores, na maioria dos casos pouco conhecida, por si só já é um grande desafio.Portanto, estes são motivos suficientes para que novas abordagens de diagnóstico, controle e prevenção destas infecções sejam postas em práticas. Campanhas de educação sanitária precisam ser constantes e a vigilância deve ser reforçada como parte de programas eficazes de controle das doenças em humanos e animais domésticos, além da essencial minimização da participação de vetores. É necessário o melhor entendimento da biologia dos arbovírus, suas interações e consequências no ecossistema. Estas reflexões envolvem ações no desenvolvimento de métodos de diagnóstico laboratorial rápidos e efetivos, treinamento de recursos humanos em todos os níveis de comprometimento, meios efetivos de educação sanitária e melhoria das condições gerais das populações de risco. Entretanto, para que estas ações sejam implementadas são essenciais investimentos e apoio incondicional às iniciativas que podem levar a minimização dos efeitos das arboviroses. DENGUE Até a SE 41 de 2022 ocorreram 1.366.141 casos prováveis de dengue (taxa de incidência de 640,4 casos por 100 mil hab.) no Brasil. Quando comparado com o ano de 2021, ocorreu um aumento de 183,8% casos até a respectiva semana. Para o ano de 2022, a Região Centro-Oeste apresentou a maior taxa de incidência de dengue, com 1.929,8 casos/100 mil habitantes. Até o momento, foram confirmados 920 óbitos por dengue, sendo 796 por critério laboratorial e 124 por critério clínico epidemiológico. CHIKUNGUNYA Até a SE 41 de 2022 ocorreram 168.830 casos prováveis de chikungunya (taxa de incidência de 79,1 casos por 100 mil hab.) no Brasil. Quando comparado com o ano de 2021, ocorreu um aumento de 86,8% casos. Para o ano de 2022, a Região Nordeste apresentou a maior incidência (254,8 casos/100 mil hab.), seguida das Regiões Centro-Oeste (35,0 casos/100 mil hab.) e Norte (25,6 casos/100 mil hab.). Os municípios que apresentaram os maiores registros de casos prováveis de chikungunya até a respectiva semana foram: Fortaleza/CE, com 20.624 casos (755,5 casos/100 mil hab.), Maceió/AL, com 5.220 casos (506,0 casos/100 mil hab.), Brejo Santo/CE com 3.645 casos (7.261,7 casos/100 mil hab.), Crato/CE, com 3.393 casos (2.533,7 casos/100 mil hab.), Salgueiro/PE com 3.121 casos (5.069,8 casos/100 mil hab.), Juazeiro do Norte/CE, com 2.908 casos (1.045,1 casos/100 mil hab.) e João Pessoa/PB com 2.835 casos (343,3 casos/100 mil hab.) Até o momento foram confirmados 79 óbitos para chikungunya no Brasil, sendo que o Ceará concentra 48,1% (38) dos óbitos. Ressalta-se que 35 óbitos estão em investigação no País. ZIKA Com relação aos dados de zika, ocorreram 10.501 casos prováveis até a SE 36 de 2022, correspondendo a uma taxa de incidência de 4,9 casos por 100 mil hab. no País. Quando comparado com o ano de 2021, observa-se um MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 3 aumento de 92,6% no número de casos. Ressalta-se que não foram notificados óbitos por zika no País até a respectiva semana do ano de 2022. Até a SE 36 foram registrados 668 casos prováveis de zika em gestantes, destes 143 foram confirmados. Os estados que mais confirmaram casos de zika em gestantes foram Rio Grande do Norte (33), Bahia (26), Alagoas (21) e Paraíba (18), concentrando 68,5% dos casos no Brasil. FEBRE AMARELA Entre julho de 2022 e junho de 2023 (SE 41), foram notificados 485 primatas não humanos suspeitos de FA, das quais um (0,3%) foi confirmado por critério laboratorial. No mesmo período, foram notificados 123 casos humanos suspeitos de FA, dos quais nenhum foi confirmado. A transmissão do vírus entre PNH foi registrada apenas no estado do Paraná, sinalizando a circulação ativa do vírus nesse estado e o aumento do risco de transmissão às populações humanas durante o próximo período sazonal (dezembro a maio). RECOMENDAÇÕES Recomenda-se a intensificação da vigilância na área com transmissão para identificar novos eventos suspeitos, incluindo casos humanos, e a busca ativa e a vacinação de indivíduos não vacinados. A prevenção de surtos e óbitos por FA depende da adoção de ações preventivas e da preparação das redes de vigilância, de imunização, de laboratórios e de assistência, além da comunicação de risco, para aumentar as capacidades de vigilância. OBJETIVO 3: COMPREENDER A EPIDEMIOLOGIA, ETIOLOGIA, FISIOPATOLOGIA, FATORES DE RISCO E MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA DENGUE. - Diferentes sorotipos. - Conhecer os fatores de risco para a ocorrência da Dengue Hemorrágica. INTRODUÇÃO Dengue é a doença causada por um dos quatro tipos do vírus dengue DENV-1, 2, 3, e 4, do gênero Flavivirus, da família Flaviviridae. A maioria dos membros desse gênero são arbovírus (arthropod-borne virus), vírus que necessitam de artrópodes hematófagos para completar o seu ciclo biológico de transmissão. Os vírus pertencentes a esse gênero causam ampla variedade de doenças, incluindo febres, encefalites e febres hemorrágicas. Esse vírus é transmitido ao homem pelo mosquito fêmea Ae. Aegypti. É uma doença sazonal, ocorrendo com maior frequência em períodos quentes e de alta umidade, devido a proliferação do mosquito transmissor nessas condições. EPIDEMIOLOGIA O Aedes aegypti surgiu na África (provavelmente na região nordeste) e de lá se espalhou para Ásia e Américas, principalmente através do tráfego marítimo. No Brasil, chegou durante o século 18, provavelmente nas embarcações que transportavam escravos (os chamados navios negreiros), já que os ovos do mosquito podem resistir, sem estar em contato com a água, por até um ano. Há referências de epidemias de dengue em 1916, em São Paulo, e em 1923, em Niterói, ambas sem diagnóstico laboratorial. Em 1955, uma grande campanha realizada pela Organização Pan-Americana de Saúde levou a erradicar o A. aegypti no Brasil e em diversos outros países americanos. No entanto, a campanha não chegou até seu final e o mosquito permaneceu presente em várias ilhas do Caribe, Guianas, Suriname, Venezuela e sul dos Estados Unidos, voltando a espalhar-se. Em 1963, foi comprovada circulação dos sorotipos DENV-2 e DENV-3 em vários países. No fim da década de 60, o Brasil novamente contava com a presença do vetor em suas principais metrópoles. A primeira epidemia documentada clínica e laboratorialmente ocorreu em 1981-1982, em Boa Vista (Roraima), causada pelos sorotipos DENV-1 e DENV-4. No ano de 1986, com a introdução do sorotipo DENV-1 no Rio de Janeiro, foram registradas epidemias em diversos estados. A introdução dos sorotipos DENV-2 e DENV-3 ocorreu também pelo Rio de Janeiro, em 1990 e 2000 respectivamente. O DENV-3 apresentou rápida dispersão para 24 estados do país no período de 2001-2003. O DENV-4 foi reintroduzido no país em 2010 no estado de Roraima, dali se espalhou para o resto do país. O Brasil apresenta um aumento significativo de casos de dengue, de acordo com o mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. Os dados, que consideram os registros da doença até a primeira semana de setembro, apontam que houve um aumento de 189,1% de casos em comparação com o mesmo período de 2021. Até o dia 5 de setembro, foram contabilizados 1.337.413 casos prováveis de dengue no país. Neste ano, a região Centro-Oeste apresenta a maior taxa de incidência de dengue, com 1.867,3 casos/100 mil habitantes, seguida das regiões: Sul (1.018,0 casos/100 mil hab.), Sudeste (494,4 casos/100 mil hab.), Nordeste (398,5 casos/100 mil hab.) e Norte (227,6 casos/100 mil hab.). Os municípios que apresentaram os maiores registros de casos prováveis de dengue foram: Brasília (DF), com 62.265 casos, Goiânia (GO), com 49.675 casos, Joinville (SC), com 21.365, Aparecida de Goiânia (GO), com21.164 casos, Araraquara (SP), com 20.937 casos e Anápolis (GO), com 19.881. MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 4 Segundo o Ministério, foram confirmados 1.304 casos de dengue grave e 16.114 casos de dengue com sinais de alarme no país em 2022. Até o momento, foram confirmados 854 mortes por dengue, sendo 737 por critério laboratorial e 117 por critério clínico epidemiológico. Os estados que apresentaram o maior número de óbitos foram: São Paulo (259), Goiás (111), Paraná (96), Santa Catarina (88) e Rio Grande do Sul (66). Outras 227 mortes permanecem em investigação. ETIOLOGIA Os vírus dengue (DENV) são transmitidos por mosquitos do gênero Aedes (principalmente o Aedes aegypti e o Aedes albopictus), sorologicamente classificados, com base em ensaios de neutralização, em quatro sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Em termos de virulência, o 2 é o que mais se destaca, seguido pelo 3, depois o 4 e, por último, o sorotipo 1 (então para organizar isso: 2 > 3 > 4 > 1). Imediatamente após a infecção por um dos sorotipos, o indivíduo estará imune à infecção pelos outros sorotipos por período variável (3 a 6 meses). Assim, indivíduos que vivem em áreas consideradas endêmicas, com a cocirculação dos quatro sorotipos, podem, teoricamente, adquirir a infecção pelos quatro sorotipos virais ao longo de sua vida. TRANSMISSÃO A dengue é transmitida pelo Aedes aegypti, um mosquito de hábito diurno, com preferência por ambientes urbanos. Sua proliferação ocorre através da deposição de ovos em água parada, que eclodem posteriormente formando larvas. Esses ovos podem sobreviver por cerca de 1 ano ou mais fora da água, aguardando condições favoráveis para se desenvolver. O mosquito adquire o vírus ao picar uma pessoa doente na fase de viremia, que começa um dia antes do surgimento da febre e vai até o sexto dia de doença. Uma vez infectada a fêmea do mosquito inocula o vírus junto com a sua saliva ao picar a pessoa sadia. O Aedes é capaz de se multiplicar em vários ambientes, como caixas d’água, pneus, calhas de telhas etc. Uma única fêmea do mosquito pode colocar até 150 ovos. Estes, por sua vez, podem resistir por mais de um ano sem umidade. Devido a esses fatores e à capacidade de proliferação, o Aedes se faz presente em mais de quatro mil cidades brasileiras. O período de incubação médio da doença é de quatro a sete dias, e a infecção pode apresentar-se, por exemplo, como assintomática, febre indiferenciada, síndrome da dengue e dengue hemorrágica. FISIOPATOLOGIA CICLO BIOLÓGICO O Aedes aegypti passa por quatro etapas até chegar a forma de mosquito: ovo, larva, pupa e forma adulta. Este ciclo varia de acordo com a temperatura, disponibilidade de alimentos e quantidade de larvas existentes no mesmo criadouro. Em condições ambientais favoráveis, as fases de ovo à forma adulta podem ocorrer de 7 a 10 dias. Por isso, a eliminação de criadouros deve ser realizada pelo menos uma vez por semana para que o ciclo de vida do mosquito seja interrompido. Os ovos são resistentes ao calor e à desidratação, e são depositados em recipientes naturais e artificiais sujeitos a inundações. Quando os ovos estão cobertos por água, as larvas eclodem, ficam penduradas à superfície da água e respiram através de um sifão tipo snorkel na ponta do abdômen. A larva do quarto estágio se transforma em uma pupa, que se mantem na superfície da água, respirando por meio de dois sifões tipo snorkel na extremidade frontal. A pupa é uma fase que não se alimenta, em que o mosquito passa da forma larvar para um inseto adulto. O mosquito adulto emerge da pupa, e normalmente se alimenta de sucos de plantas e néctar para atender sua necessidade de energia. Somente os mosquitos fêmeas se alimentam de sangue, que precisam para produzir seus ovos. MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 5 PATOGÊNESE Os vírus pertencentes à família Flaviviridae são compostos por uma bicamada lipídica derivada da membrana do retículo endoplasmático da célula hospedeira. A superfície da partícula viral contém duas proteínas: a glicoproteína E – em geral glicosilada, representa o principal determinante antigênico do vírus e é responsável pela ligação e fusão à membrana plasmática da célula durante a infecção viral – e a proteína M – não glicosilada, é fragmento proteolítico constituído a partir de uma proteína precursora (prM) durante a maturação das progênies virais. Internamente, é constituído pelo nucleocapsídeo de simetria icosaédrica, composto pelas proteínas do core (C) que envolvem o genoma viral. LEGENDA: Representação esquemática da estrutura genômica e expressão proteica dos flavivírus. A. Estrutura do genoma e elementos do RNA viral. B. Processamento da poliproteína e produtos de clivagem. O genoma de RNA senso positivo codifica para uma poliproteína que, quando clivada, produz dez proteínas: sendo três estruturais (C, M, e E) e sete não estruturais (NS1, NS2A, NS2B, NS3, NS4A, NS4B e NS5). Dentre as proteínas estruturais, a glicoproteína E do envelope desempenha papel central na produção de anticorpos neutralizantes e indução da resposta imune do hospedeiro. Também é responsável por mediar a fase inicial da infecção, caracterizada pela ligação ao receptor ou moléculas de superfície da célula hospedeira, assim como a fusão com a membrana celular. A proteína C, devido ao seu caráter altamente básico, interage com o RNA viral para formar o nucleocapsídeo. A glicoproteína prM é encontrada nas partículas virais imaturas e, após sofrer clivagem proteolítica em sua porção N-terminal, dá origem à proteína M, encontrada somente nos vírus maduros. Além disso, evidências sugerem que a proteína prM também leve à produção de anticorpos neutralizantes. Dentre as sete proteínas não estruturais (NS1 a NS5), alguns papéis já se encontram bem definidos. A NS1 tem sido a mais extensamente estudada, sabendo-se até o momento que participa do processo de maturação viral e pode ser encontrada: Residindo no retículo endoplasmático (RE), colocalizando com o complexo de replicação viral; ancorada na superfície da célula hospedeira e no meio extracelular (sNS1), após sua secreção. As infecções por DENV induzem anticorpos anti-NS1 fixadores do complemento contra epítopos tipo-específicos e grupo-específicos, alguns dos quais têm atividade protetora. A proteção parece ocorrer pela lise das células infectadas, que expressam NS1 na superfície via lise mediada pelo complemento dependente de anticorpo. Sendo assim, acredita-se que a proteína NS1, assim como a proteína E, seja alvo importante durante a indução da imunidade humoral, podendo desempenhar papel significativo na patogênese da doença. Níveis elevados dessa proteína detectados no início da doença têm sido associados ao desenvolvimento das formas graves da doença com a febre hemorrágica da dengue (FHD). Pela sua secreção no meio extracelular, esta proteína tem sido pesquisada recentemente no diagnóstico da dengue durante a fase aguda da doença. A proteína NS2 é dividida nas porções NS2a e NS2b, esta última portadora da atividade proteolítica. As proteínas NS3 e NS5 têm sido associadas aos processos de replicação e transcrição do RNA viral. Atividades de protease e trifosfatase/helicase foram atribuídas à proteína NS3, e a atividade de RNA polimerase dependente de RNA à NS5, descrita como uma das proteínas mais conservadas dos flavivírus. A proteína NS4 é clivada nas proteínas NS4a e NS4b, e ambas, juntamente com a NS2a e a NS2b, associam-se à membrana da célula infectada durante o processo de maturação viral. Sabe-se também que, juntas, as proteínas NS4a, NS4b e NS2a executam diferentes ações: bloqueio da via da interferona (IFN); auxílio no correto ancoramento de proteínas viraise, principalmente, da replicase viral nas membranas celulares, resultando no auxílio à montagem do vírion etc. O conhecimento das proteínas que constituem a estrutura viral e seus genes codificadores é importante para a compreensão da fisiopatologia das formas graves da dengue e das estratégias de diagnóstico, seja pela detecção da proteína NS1, seja pela detecção do material genético viral. MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 6 Os fatores determinantes envolvidos na fisiopatologia da doença ainda não estão totalmente esclarecidos e, portanto, a patogênese das infecções graves pelos vírus dengue e o aparente envolvimento da resposta imune, tanto na proteção como no desenvolvimento da doença. Diversas hipóteses já foram propostas para explicar a patogênese da infecção por dengue, mas até hoje nenhuma é capaz de, isoladamente, esclarecer todos os mecanismos envolvidos. TEORIA DA FACILITAÇÃO DEPENDENTE DE ANTICORPOS A hipótese de maior aceitação se refere a fenômeno denominado aumento da infecção mediado pelos anticorpos (antibody-dependent enhancement of infection – ADE), que preconiza a associação entre infecções secundárias e o aparecimento de FHD. O fato de as infecções secundárias levarem ao aumento da viremia e a maior risco de doença grave, em comparação com as infecções primárias, sugere que a imunidade preexistente ao DENV é fator de risco para FHD. Evidências dessa teoria vieram primeiramente de estudos epidemiológicos realizados na Tailândia, entre os anos de 1960 e 1970, que demonstraram que a maioria das crianças com FHD havia tido infecção secundária por sorotipo diferente daquele responsável pela primeira infecção. Adicionalmente, observou-se que bebês que haviam adquirido anticorpos passivamente das mães apresentaram infecção mais grave de dengue por volta dos 6 meses de idade, quando a concentração de anticorpos adquiridos da mãe se tornava subneutralizante. Segundo essa hipótese, anticorpos resultantes de infecção prévia por determinado sorotipo do vírus não seriam neutralizantes ou teriam títulos muito baixos para neutralizar um sorotipo diferente, responsável pela infecção secundária. Assim, esses anticorpos se ligariam ao sorotipo responsável pela infecção secundária, mas não o neutralizariam, formando complexos vírus-anticorpo que, ao serem reconhecidos e internalizados por fagócitos mononucleares, através dos receptores dirigidos à porção Fc das imunoglobulinas, facilitariam a penetração do vírus em células monocitárias, o que resultaria em maior carga viral e maior intensidade da resposta imune, com maior liberação de citocinas e mediadores inflamatórios, o que poderia levar a doença mais grave. TEORIA DA VIRULÊNCIA VIRAL Apesar da grande aceitação da associação de uma infecção secundária com a forma mais grave da dengue, ela não explica adequadamente todas as observações clínicas e epidemiológicas que ocorrem durante a FHD/SCD e complicações. Parece existir uma relação complexa entre as variantes genéticas do DENV e a resposta imune do hospedeiro, que determinaria o destino das infecções primárias e secundárias. As extensas variações genéticas observadas dentro do mesmo sorotipo de DENV possibilitaram a classificação em grupos, denominados genótipos. A evidência de diferentes virulências entre os genótipos foi observada no Peru, com a entrada do DENV-2 em 1995, depois de vários anos de circulação de DENV-1. Com a detecção da epidemia por DENV-2, estimou-se a ocorrência de altos níveis de FHD, uma vez que, em Cuba, a mesma sequência de infecção havia resultado em explosão de casos de FHD. Porém, não foram observados casos de FHD na população peruana. Durante a avaliação dos motivos da ausência de FHD, foram encontradas diferenças estruturais entre as cepas que circularam no Peru e em Cuba. O genótipo americano de DENV-2 que circulou no Peru apresentava habilidade reduzida de replicação em mosquitos e células humanas, se comparado ao outro genótipo, o asiático. Contudo, nem todos os dados são consistentes com a hipótese da virulência do vírus, pois outros estudos não conseguiram correlacionar a patogenicidade aos genótipos circulantes de DENV-2 ou dos outros sorotipos. RESPOSTA IMUNE E “TEMPESTADE DE CITOCINAS” Independentemente do mecanismo fisiopatológico responsável pelas formas mais graves da dengue, existem evidências de que há profundo desarranjo na homeostase das citocinas que governam a resposta imune induzida pela infecção pelos vírus dengue. Alguns estudos mostram que nas formas brandas da doença há resposta predominantemente do tipo Th1. E nos casos graves do padrão Th2, com níveis aumentados de interleucina (IL)-4, IL-6 e IL-10, e níveis reduzidos de IFN-γ e IL-12 nos pacientes graves. A supressão da resposta Th1 estaria relacionada à imunoamplificação (ou amplificação da infecção mediada por anticorpos) a partir da infecção heterotípica e à supressão da produção de IFN-γ. DENGUE GRAVE Infecção viral maciça de macrófagos ativa linfócitos T CD4+, T CD8+, mastócitos e linfócitos B, o que resulta também na produção de citocinas, inclusive IFN-γ, IL-2, IL- 4, IL-5, IL-6, IL-8, IL-10 e linfotoxinas. O complemento é ativado, e as frações C3a e C5a podem ter papel relevante no processo. Assim, o vírus induz a síntese de citocinas e de outros mediadores que, em última instância, atuam sinergicamente no aumento da permeabilidade vascular, consequente à disfunção endotelial, e no consumo dos fatores da coagulação (coagulação intravascular disseminada). A reposição vigorosa de fluidos nessa fase pode levar a rápida recuperação. Alguns estudos mostram o papel potencial de mastócitos e basófilos na patogênese da doença; tais células são permissivas à infecção pelo vírus, resultando na produção de partículas virais e de citocinas vasoativas. Mostram também que os complexos vírus-anticorpos são muito mais potentes MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 7 do que o vírus isolado em induzir ativação celular. Grandes quantidades de IL-6 e IL-1β são liberadas a partir dessas células, que podem ativar o endotélio vascular, modulando a expressão de moléculas de adesão (VCAM-1 e ICAM-1), além de alterar a morfologia das células endoteliais. Envolvimento hepático é praticamente a regra na evolução da dengue e ocorre em quase todos os casos. Vários fatores contribuem para a disfunção hepática: (a) hipóxia, por decréscimo de perfusão do órgão; (b) efeito citopático do vírus, levando à apoptose de hepatócitos (corpúsculos de Councilman-Rocha Lima); (c) fatores imunitários, com papel importante de linfócitos T; (d) agressão por analgésicos (acetaminofeno) utilizados em altas doses para alívio dos sintomas. No fígado, os alvos celulares do vírus são hepatócitos e células de Kupffer. Elevação de enzimas hepáticas (AST, ALT, γ-GT) é constante, com pico de aumento entre o quinto e o sexto dias. Hepatite fulminante, com todo o cortejo de complicações (icterícia, hemorragias, disfunção renal, encefalopatia hepática etc.), não é rara e pode ter indicação de transplante hepático. Nesses pacientes, os níveis de IL- 10, TNF e IL-17 estão bastante elevados, podendo tais citocinas estar implicadas na gênese dessa grave complicação. Hemorragias múltiplas, encontradas na maioria dos casos fatais, envolvem alterações vasculares, plaquetopenia e coagulação intravascular disseminada. Alterações em vasos implicam aumento da permeabilidade vascular, que resulta em perda de plasma e hemácias do compartimento intravascular. A plaquetopenia deve-se a: (1) infecção de megacariócitos pelo vírus, que provoca dano irreversível nessas células; (2) consumo por coagulação intravascular disseminada; (3) bloqueio da trombopoese medular, que ocorre por diminuição na síntese de trombopoetina,hormônio estimulador da plaquetogênese produzido no fígado. A coagulação intravascular disseminada resulta da ativação do sistema do complemento; anafilatoxinas C3 e C5a no pico dessa ativação coincidem com o início do choque e das perdas vasculares. Outros distúrbios da coagulação consistem em diminuição do fibrinogênio, deficiência do complexo protrombínico, tempo de tromboplastina parcial prolongado e aumento de produtos de degradação da fibrina. A liberação de grande quantidade do fator ativador de plaquetas por macrófagos com infecção secundária heteróloga pode contribuir para a hemorragia, uma vez que esse fator pode induzir o consumo de plaquetas e aumentar a adesividade destas ao endotélio vascular, agravando a trombocitopenia. No entanto, ainda são necessários mais estudos para se compreender melhor o papel da resposta imune durante a infecção pelos DENV e entender por que ocorre “tempestade de citocinas” nos pacientes graves. FISIOPATOLOGIA GERAL Nesse sentido, assim que o paciente é contaminado pelo mosquito, o vírus penetra na corrente sanguínea e nesse primeiro momento ele vai se deslocar preferencialmente para 3 locais: MONÓCITOS; LINFONODOS; MUSCULATURA ESQUELÉTICA; O objetivo nessa etapa é se multiplicar, então o RNA viral vai ser interpretado nos lisossomos para que sejam produzidas proteínas virais, e daí a maturação dos vírions irá ocorrer dentro de organelas como o Complexo de Golgi ou o Retículo Endoplasmático, o que permitirá a liberação dos mesmos novamente na corrente sanguínea após um determinado período. É nesse momento que o vírus irá se disseminar por todo o corpo do paciente estimulando a produção de citocinas pró- inflamatórias – como a TNF-a e IL-6, especialmente – e iniciando a fase sintomática da doença, sendo que uma das estruturas mais afetadas pela inflamação é a parede vascular, o que acaba aumentando a sua permeabilidade. Outras citocinas estimulam a produção de anticorpos, que se ligam aos antígenos virais formando imunocomplexos. Os anticorpos IgM antidengue começam a ser produzidos a partir do quinto e sexto dia. Eles são capazes de neutralizar o vírus de forma que seu aparecimento marca o declínio da viremia. Os anticorpos IgM antidengue podem permanecer detectáveis no soro por até dois meses. FATORES DE RISCO Alguns fatores de risco individuais determinam a gravidade da doença e incluem: Idade; Etnia; Comorbidades (asma brônquica, diabetes mellitus, anemia falciforme); Infecção secundária; Locais com água parada, como: pneus, calhas, ralos, caixas d’água e vasilhames; Piscinas não tratadas adequadamente; Garrafas com o gargalo para cima. Crianças mais novas, particularmente, podem ser menos capazes que adultos, de compensar o extravasamento capilar e estão consequentemente em maior risco do choque do dengue. A dengue grave é, também, regularmente observada durante infecção primária em bebês nascidos de mães imunes à dengue. FATORES DE RISCO PARA A DENGUE HEMORRÁGICA A Dengue Hemorrágica é uma complicação do vírus da Dengue. Também chamada de “Dengue grave”, acontece com alterações da coagulação sanguínea. A Dengue Hemorrágica é mais incidente em pessoas que contraem Dengue pela segunda vez e pode ser decorrente MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 8 dos quatro sorotipos da Dengue (DEN-1, DEN-2, DEN-3, DEN-4). No entanto, algumas pessoas que nunca tiveram dengue, podem já apresentar a forma mais grave da doença. Além disso, o uso de alguns medicamentos que não foram recomendados pelo médico para o tratamento da dengue pode favorecer o desenvolvimento da dengue hemorrágica, pois podem estimular sangramentos e levar a complicações. Exemplos desses medicamentos contraindicados são: ácido acetilsalicílico (AAS), ibuprofeno e outros anti- inflamatórios não esteroidais (AINE). MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A infecção pelo vírus da dengue causa uma doença de amplo espectro clínico, incluindo desde formas oligossintomáticas até quadros graves, podendo evoluir para o óbito. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS CLÁSSICA (“FEBRE QUEBRA OSSOS”) FASE FEBRIL A primeira manifestação é a febre, geralmente alta (39ºC a 40ºC), de início abrupto, associada à cefaleia, adinamia, mialgias, artralgias, dor retroorbitária. O exantema clássico, presente em 50% dos casos, é predominantemente do tipo máculo-papular, atingindo face, tronco e membros de forma aditiva, não poupando plantas de pés e mãos, podendo apresentar-se sob outras formas com ou sem prurido, frequentemente no desaparecimento da febre. Anorexia, náuseas e vômitos podem estar presentes. Segundo Brito (2007), a diarreia, presente em 48% dos casos, habitualmente não é volumosa, cursando apenas com fezes pastosas numa frequência de três a quatro evacuações por dia, o que facilita o diagnóstico diferencial com gastroenterites de outras causas. Ocorrem dores nos músculos e nas articulações (quebra- ossos). Linfonodos aumentados são comuns. FASE CRÍTICA Entre o terceiro e o sétimo dia do início da doença, quando ocorre a defervescência da febre, podem surgir sinais e sintomas como vômitos importantes e frequentes, dor abdominal intensa e contínua, hepatomegalia dolorosa, desconforto respiratório, sonolência ou irritabilidade excessiva, hipotermia, sangramento de mucosas, diminuição da sudorese e derrames cavitários (pleural, pericárdico, ascite). No entanto, a fraqueza pode persistir. Embora desagradável, essa forma típica da dengue é raramente fatal e apresenta poucas sequelas. Os sinais de alarme devem ser rotineiramente pesquisados, bem como os pacientes devem ser orientados a procurar a assistência médica na ocorrência deles. Em geral, os sinais de alarme anunciam a perda plasmática e a iminência de choque. CHOQUE: ocorre quando um grande volume de plasma é perdido através do extravasamento, o que geralmente ocorre entre os dias quatro ou cinco de doença, geralmente precedido por sinais de alarme. O choque na dengue é de rápida instalação e tem curta duração. Podendo levar o paciente ao óbito em um intervalo de 12 a 24 horas ou a sua recuperação rápida, após terapia antichoque apropriada. HEMORRAGIA: outra complicação da dengue grave que ocorre devido ao aumento da permeabilidade vascular e plaquetopenia. É mais frequente em pacientes com histórico de úlcera péptica ou gastrites e devido a ingestão de AAS, AINE e anticoagulantes. DISFUNÇÃO ORGÂNICA: também pode ocorrer grave comprometimento orgânico, como hepatites, encefalites ou miorcardites. Alguns pacientes podem ainda apresentar manifestações neurológicas, como convulsões e irritabilidade. FASE DE RECUPERAÇÃO Nessa fase os pacientes que passaram pela fase crítica apresentam progressiva melhora clínica. O débito urinário se normaliza ou aumenta, podem ocorrer ainda bradicardia e mudanças no eletrocardiograma. Alguns pacientes podem apresentar um rash cutâneo acompanhado ou não de prurido generalizado. Infecções bacterianas poderão ser percebidas nesta fase ou ainda no final do curso clínico. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA DENGUE HEMORRÁGICA O sangramento de mucosas e as manifestações hemorrágicas, como epistaxe, gengivorragia, metrorragia, hematêmese, melena, hematúria e outros, bem como a queda abrupta de plaquetas, podem ser observadas em todas as apresentações clínicas de dengue, devendo, quando presentes, alertar o médico para o risco de o paciente evoluir para as formas graves da doença, sendo considerados sinais de alarme. É importante ressaltar que pacientes podem evoluir para o choque sem evidências de sangramento espontâneo ou prova do laço positiva, reforçando que o fator determinante das formas graves da dengue são as alterações do endotélio vascular, com extravasamento plasmático, que leva ao choque, expressospor meio da hemoconcentração, hipoalbuminemia e/ou derrames cavitários. MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 9 A forma hemorrágica é a mais comum nas crianças, embora no Brasil também acometa adultos de todas as idades. Verifica-se síndrome de aumento da permeabilidade capilar, com o desenvolvimento de coleções líquidas em cavidades naturais (derrame pleural, artrite etc.). A hepatomegalia com elevação das transaminases é bastante comum, ao lado de achados habituais de leucopenia, trombocitopenia e hemoconcetração. Pode manifestar-se com sinais de disfunção de órgãos como o coração, pulmões, rins, fígado e sistema nervoso central (SNC). Alterações cardíacas graves se manifestam com quadros de insuficiência cardíaca e miocardite, associados à depressão miocárdica, redução de fração de ejeção e choque cardiogênico. SARA (Síndrome da angústia respiratória), decorrente de pneumonite, pode levar a insuficiência respiratória, devendo o médico estar atento à sobrecarga de volume que pode ser a causa do desconforto respiratório. OBJETIVO 4: ENTENDER AS ESTRATÉGIAS DIAGNÓSTICAS DA DENGUE. - Uso de anti-inflamatórios não esteroidais. DIAGNÓSTICO Todo caso suspeito de dengue deve ser notificado à Vigilância Epidemiológica, sendo imediata a notificação das formas graves da doença. DURANTE OS 5 PRIMEIROS DIAS DA DOENÇAS O paciente ainda não vai ter desenvolvido sorologia para Dengue, de modo que a única forma que teremos de fazer esse diagnóstico é através da dosagem de partículas relacionadas ao próprio vírus causador. Assim, nossas opções são: Pesquisa de Antígeno Viral (NS1); Teste de Amplificação Genética (RRT-PCR); Imuno-histoquímica tecidual; Cultura. APÓS 5 DIAS Do sexto dia em diante, entra em cena a sorologia com pesquisa de anticorpos IgM e IgG. DIAGNÓSTICO VIROLÓGICO Os métodos virológicos compreendem: Isolamento viral por inoculação em culturas celulares, animais e mosquitos; Detecção de antígenos virais por meio de testes imunoenzimáticos e imunocromatografia; Detecção do genoma viral por transcrição reversa do seu RNA em DNA complementar, seguida de amplificação em cadeia pela polimerase (RT-PCR); Hibridização com sondas moleculares marcadas. O diagnóstico virológico pode ser efetuado a partir do sangue ou de outros fluidos orgânicos, fragmentos de órgãos e, também, macerados de mosquitos. A técnica virológica mais comumente utilizada no Brasil é a tentativa de isolamento viral por inoculação em culturas celulares, particularmente a linhagem C6/36 oriunda do mosquito Aedes albopictus. A confirmação do isolamento viral na cultura celular costuma ser feita de 6 a 10 dias após a inoculação, utilizando-se anticorpos monoclonais tipo-específicos em teste de imunofluorescência indireto. Para se obter um diagnóstico mais rápido, pode-se utilizar a RT-PCR em culturas de células inoculadas com material suspeito. A detecção por imuno-histoquímica de antígenos de vírus dengue tem sido efetuada em material de necropsia obtido de casos fatais de FHD/SCD. Outra técnica que vem se tornando cada vez mais frequente é a transcrição reversa do RNA viral, seguida da amplificação específica dos genomas dos vírus dengue (RT- PCR). Contudo, existem dificuldades técnicas e comerciais, e o método ainda não é viável para uso rotineiro, tendo sido usado mais comumente em pesquisa e para vigilância virológica. Recentemente, foi desenvolvida técnica de detecção da proteína NS1 dos vírus dengue por teste imunoenzimático e por imunocromatografia, com a vantagem de fazer o diagnóstico da dengue na fase aguda da doença, já que detecta uma proteína estrutural do vírus encontrada somente durante a replicação viral. O teste imunoenzimático tem sensibilidade e especificidade altas, comparáveis, em alguns estudos até superiores, àquelas observadas à RT-PCR. Ainda como vantagem, essa técnica é rápida e adequada ao uso em situações epidêmicas. O teste rápido de diagnóstico da dengue, com base em imunocromatografia, consiste em uma fita na qual deve ser colocado o soro do paciente e incubado à temperatura ambiente por apenas 15 min. A sensibilidade e a especificidade são comparáveis às do NS1 ELISA. Deve-se salientar que esse teste apresenta sensibilidade diferenciada aos diversos sorotipos, tendo recentemente apresentado sensibilidade diminuída aos vírus dengue 2 e 4. As amostras de sangue devem ser coletadas em frasco estéril, sem anticoagulante, e mantidas a 4°C por período de, no máximo, 24 h, quando devem ser processadas ou armazenadas à temperatura de –70ºC ou menos. DIAGNÓSTICO SOROLÓGICO Os métodos sorológicos indiretos se baseiam na pesquisa de anticorpos específicos contra o vírus dengue infectante. Embora existam técnicas de neutralização por redução de placas em culturas celulares, fixação do complemento e inibição da hemaglutinação (HAI) para a detecção de anticorpos contra os vírus dengue, esses testes não são usados na rotina diagnóstica, pois essas técnicas não permitem discriminar anticorpos oriundos de infecções prévias (IgG) daqueles de infecção aguda (IgM). MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 10 Os testes mais utilizados são os imunoenzimáticos, principalmente o de captura de IgM (MAC-ELISA). Deve-se considerar o fato de que essa técnica permite o diagnóstico da dengue apenas na fase de convalescença, pois esses testes devem ser realizados após o sexto dia de doença, para assegurar a certeza do resultado. Portanto, na maioria das vezes, quando o resultado do teste é liberado, o paciente já se recuperou da doença. ANAMNESE A história clínica deve ser a mais detalhada possível e os itens a seguir devem constar em prontuário. HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL a) Data do início dos sintomas; b) cronologia do aparecimento dos sinais e sintomas; c) caracterização da curva febril; d) pesquisa de sangramentos, relato de epistaxe, hemorragias de pele, gengivorragia, hemorragia conjuntival, hematêmese, melena, metrorragia etc. Essas manifestações podem ser caracterizadas no exame físico; atentar para sintomas hemorrágicos sutis presentes na história clínica, como vômitos com raios de sangue tipo água de carne, cor muito escura tipo borra de café, e evacuações com fezes de cor escura; e) sinais de alarme: sinais clínicos e laboratoriais que anunciam a possibilidade de o paciente com dengue evoluir para a forma grave da doença. Epidemiologia a) Presença de casos semelhantes na família, no bairro, creche ou escola; b) história de deslocamento, nos últimos 15 dias, para área com transmissão de dengue; c) história de infecção pregressa por dengue, confirmada ou não por sorologia. História patológica pregressa • História de dengue anterior; • Doenças crônicas; • Uso de medicamentos: antiagregantes plaquetários, anticoagulante, anti-inflamatórios não-hormonais, imunossupressores e corticosteroides. História vacinal É preciso fazer diagnóstico diferencial com doenças febris exantemáticas e outras síndromes febris agudas de importância em cada situação epidemiológica. Exame físico Estado de consciência, avaliar pele e pulso, exantema, edemas e sangramentos, grau de hidratação, FC, PA. Deve ser bem detalhado. PROVA DO LAÇO (PL) A PL positiva é uma manifestação frequente nos casos de dengue, principalmente nas formas graves, e apesar de não ser específica, serve como alerta, devendo ser utilizado rotineiramente na prática clínica como um dos elementos de triagem na dengue, e na presença da mesma, alertar ao médico que o paciente necessita de um monitoramento clínico e laboratorial mais estreito. A prova do laço positiva também reforça o diagnóstico de dengue. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL A Dengue tem um amplo espectro clínico, podendo manifestar variados sinaise sintomas, além de ser uma doença dinâmica, podendo expressar, em determinado momento, sinais de gravidade e choque diferenciados. Devido a essas características, pode-se destacar seu diagnóstico diferencial em síndromes clínicas: a) síndrome febril: enteroviroses, influenza e outras viroses respiratórias, hepatites virais, malária, febre tifóide e outras arboviroses (oropouche); b) síndrome exantemática febril: rubéola, sarampo, escarlatina, eritema infeccioso, exantema súbito, enteroviroses, mononucleose infecciosa, parvovirose, citomegalovirose, outras arboviroses (mayaro), farmacodermias, doença de Kawasaki, doença de Henoch- Schonlein etc; MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 11 c) síndrome hemorrágica febril: hantavirose, febre amarela, leptospirose, malária grave, riquetsioses e púrpuras; d) síndrome dolorosa abdominal: apendicite, obstrução intestinal, abscesso hepático, abdome agudo, pneumonia, infecção urinária, colecistite aguda etc; e) síndrome do choque: meningococcemia, septicemia, meningite por influenza tipo B, febre purpúrica brasileira, síndrome do choque tóxico e choque cardiogênico (miocardites); f) síndrome meníngea: meningites virais, meningite bacteriana e encefalite. CLASSIFICAÇÃO DE RISCO A classificação de risco do paciente com dengue visa a reduzir o tempo de espera no serviço de saúde. Para essa classificação, foram utilizados os critérios da Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde e o estadiamento da doença. Os dados de anamnese e exame físico serão utilizados para fazer esse estadiamento e para orientar as medidas terapêuticas cabíveis. Grupo A: paciente com suspeita de dengue, sem sinais de alarme ou condições especiais; Grupo B: paciente com suspeita de dengue, sem sinais de alarme, mas com condições especiais; Grupo C: paciente com diagnóstico de dengue e com sinais de alarme; Grupo D: paciente com diagnóstico de dengue grave, apresentando choque, hemorragia ou disfunção orgânica. O manejo adequado dos pacientes depende do reconhecimento precoce dos sinais de alarme, do contínuo acompanhamento, do reestadiamento dos casos (dinâmico e contínuo) e da pronta reposição volêmica. ESTADIAMENTO CLÍNICO E CONDUTA Os dados de anamnese e exame físico serão utilizados para estadiar os casos e para orientar as medidas terapêuticas cabíveis. É importante lembrar que a dengue é uma doença dinâmica e o paciente pode evoluir de um estágio a outro rapidamente. GRUPO A Exames laboratoriais complementares (hemograma completo, função hepática e renal, PCR); Isolamento viral/sorologia – a solicitação do isolamento viral/sorologia será orientada de acordo com a situação epidemiológica; Acompanhamento ambulatorial; MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 12 Prescrever analgésicos, como: Dipirona sódica e paracetamol (não utilizar doses maiores de 750mg); Prescrever antieméticos, como: Metoclopramida e bromoprida; Prescrever Antipruriginosos, como Drogas de uso sistêmico, como: Dexclorfeniramina, Cetirizina, Loratadina ou desloratadina na mesma dose e Hidroxizine Não utilizar AAS ou AINEs; Orientar repouso e prescrever dieta e hidratação oral (líquidos e soro). GRUPO B Exames específicos (sorologia/isolamento viral): obrigatório. Exames inespecíficos: Hemograma completo, obrigatório para todos os pacientes, devendo a coleta ser feita no momento do atendimento, e a liberação do resultado em até duas horas (máximo 4 horas); avaliar a hemoconcentração; Outros exames, de acordo com a condição clínica associada (condições clínicas especiais, presença de comorbidades); O paciente deve permanecer em acompanhamento e observação até o resultado dos exames; Hidratação oral conforme recomendado para o grupo A, até o resultado dos exames; Prescrever paracetamol e/ou dipirona; Hematócrito normal: tratamento ambulatorial, orientar retorno em caso de sinais de alarme. GRUPO C Reposição volêmica com 10 ml/kg de soro fisiológico na primeira hora; Exames inespecíficos obrigatórios: Hemograma completo, Dosagem de albumina sérica e transaminases; Exames de imagem recomendados: radiografia de tórax (PA, perfil e incidência de Laurell) e ultrassonografia de abdome. O exame ultrassonográfico é mais sensível para diagnosticar derrames cavitários, quando comparados à radiografia. Outros exames conforme necessidade: glicose, ureia, creatinina, eletrólitos, gasometria, TPAE, ecocardiograma. Exames específicos (sorologia/isolamento viral): obrigatório; Reavaliar após 1 hora; Manter a hidratação de 10 ml/kg/hora, na segunda hora; Se não houver melhora do hematócrito ou dos sinais hemodinâmicos, repetir a fase de expansão até três vezes; Se houver melhora clínica e laboratorial após a(s) fase(s) de expansão, iniciar a fase de manutenção: o Primeira fase: 25 ml/kg em 6 horas; o Segunda fase: 25 ml/kg em 8 horas, sendo 1/3 com soro fisiológico e 2/3 com soro glicosado; Se não houver melhora clínica e laboratorial conduzir como grupo D. Os pacientes do Grupo C devem permanecer em leito de internação até estabilização e critérios de alta, por um período mínimo de 48 horas. GRUPO D Iniciar imediatamente fase de expansão rápida parenteral, com solução salina isotônica: 20 ml/kg em até 20 minutos (repetir até 3x); Reavaliação clínica a cada 15-30 minutos e de hematócrito em 2 horas; Exames inespecíficos obrigatórios: Hemograma completo; Dosagem de albumina sérica e transaminases. Exames de imagem: radiografia de tórax (PA, perfil e incidência de Laurell) e ultrassonografia de abdome. O exame ultrassonográfico é mais sensível para diagnosticar derrames cavitários, quando comparados à radiografia; Outros exames conforme necessidade: glicose, uréia, creatinina, eletrólitos, gasometria, TPAE, ecocardiograma; Exames específicos (sorologia/isolamento viral): obrigatório. Acompanhamento em leito de terapia intensiva. CRITÉRIOS DE ALTA HOSPITALAR Estabilização hemodinâmica durante 48 horas; Ausência de febre por 48 horas; Melhora visível do quadro clínico; Hematócrito normal e estável por 24 horas; Plaquetas em elevação e acima de 50.000/mm³. CONFIRMAÇÃO LABORATORIAL A partir do sexto dia do início dos sintomas: sorologia (ELISA); Até o quinto dia do início dos sintomas: o Detecção de antígenos virais: NS1, isolamento viral, RT-PCR e imunohistoquímica. Se positivos confirmam o caso; se negativos, uma nova amostra para sorologia IgM deve ser realizada para confirmação ou descarte. CLASSIFICAÇÃO DE CASO A dengue é uma doença de notificação compulsória, sendo obrigatório notificar todos os casos suspeitos. CASO SUSPEITO: pessoa que viva em área onde se registram casos de dengue, ou que tenha viajado nos últimos 14 dias para área com ocorrência de transmissão de dengue. MONICK LEBRÃO- MED XIV (FASAVIC) 13 o Deve apresentar febre, usualmente entre dois e sete dias, e duas ou mais das seguintes manifestações: Náusea, vômitos; Exantema; Mialgias; Artralgia; Cefaleia, dor retro-orbital; Petéquias; Prova do laço positiva; Leucopenia. CASO CONFIRMADO: todo caso suspeito de dengue confirmado laboratorialmente (sorologia IgM, NS1 teste rápido ou ELISA, isolamento viral, PCR, imuno-histoquimica). DENGUE HEMORRÁGICA Na Dengue Hemorrágica, orienta-se a observação e cautela para identificação dos primeiros sinais de choque para ir ao Hospital. Medicamentos que contêm ácido acetilsalicílico (AAS), ibuprofeno e outros anti-inflamatórios não esteroidais (AINE) devem ser evitados, pois inibem elementos essenciais para a coagulação sanguínea, que já é prejudicada pela redução de plaquetas causada por esses vírus, favorecendo e agravando a ocorrência de hemorragias. SALICILATOS ANTI-INFLAMATÓRI OS DA CLASSE NÃO ESTEROIDAIS (AINES): ANTI- INFLAMATÓRIOS HORMONAIS OU CORTICOESTERÓIDES: Ácido acetilsalicílico Indometacina Prednisona Ácido salicílico Ibuprofeno Prednisolona Diflunisal Diclofenaco Salicilato de Sódio Piroxicam Metilsalicilato Naproxeno Fenilbutazona Sulindaco Diflunisal Esses medicamentos citados interferem nas vias das cicloxigenases, inibindo a enzima ciclooxigensase (COX) responsável pela conversão do ácido araquidônico (AA) em prostaglandinas (PGs), prostaciclinas e tromboxanos ( TXs, consequentemente esse produto são reduzidos. Os tromboxanos têm funções importantíssimas por possibilitar a vaso constrição e acúmulo das plaquetas assim, auxiliando na resposta coagulatória. Nessa perspectiva, o vírus causador da dengue promove a diminuição dos níveis plaquetários, assim, a utilização desses fármacos somados à carência de plaquetas deixar- se vulnerável em casos de quadro hemorrágico assim, sem anteparos eficientes. O paracetamol é um analgésico/antipirético, a sua formulação é de liberação imediata e prolongada, entretanto, quando comparada à dipirona apresenta efeitos menos prolongados. A sua absorção acontece no trato gastrointestinal, particularmente no intestino delgado. A dose recomendada é de até 4g/dia, assim, dosagens superiores podem levar à intoxicação e overdoses. Vale ressaltar que esse fármaco em doses terapêuticas não é tóxico, porém um metabólito formado quando do uso de doses supraterapêuticas pode causar hepatotoxicidade potencialmente letal. CONTROLE E PREVENÇÃO Atualmente, as melhores ferramentas de prevenção e controle contra os DENV são as políticas públicas, que viabilizam o combate ao principal vetor das áreas urbanas, o Aedes aegypti. Em 2002, foi criado o Programa Nacional de Controle da Dengue, que envolve não apenas medidas efetivas de controle vetorial, mas também a reformulação de planos anteriormente criados e a participação da sociedade, através de campanhas de conscientização ambiental. O desenvolvimento de uma vacina contra a dengue seria a melhor medida preventiva contra a doença; no entanto, até o momento vários candidatos vacinais se encontram em diferentes estágios de desenvolvimento. A eficácia da vacina estará na capacidade de oferecer proteção contra os quatro sorotipos virais em uma mesma vacina e promover imunidade duradoura. A vacina em mais adiantado estágio de desenvolvimento, produzida pela empresa Sanofi Pasteur, é uma vacina quimérica que usa o genoma da vacina de febre amarela como arcabouço de suporte para inserir os genes das proteínas estruturais prM e E dos vírus dengue. Apesar de ainda não ser a ideal, as publicações mais recentes relatam que essa vacina tetravalente foi capaz de reduzir a incidência global da dengue em 56,5% e diminuir os casos de FHD em 88,5%. Entretanto, apresentou pouca proteção contra o DENV-2 e obteve melhores resultados em quem já havia sido infectado previamente. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DE FREITAS, Anne Falcão et al. A ocorrência de arboviroses em diferentes tipologias do espaço geográfico e sua relação com as condições microclimáticas na cidade de João Pessoa/PB. Revista Brasileira de Geografia Física, v. 13, n. 07, p. 3571-3584, 2020. Filho, Geraldo B. Bogliolo - Patologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (10th edição). Grupo GEN, 2021. Kumar, Vinay, et al. Robbins & Cotran Patologia - Bases Patológicas das Doenças. Disponível em: Minha Biblioteca, (9th edição). Grupo GEN, 2016. Levinson, Warren. Microbiologia Médica e Imunologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (13th edição). Grupo A, 2016. Ministério da Saúde. Dengue: Diagnóstico e Manejo Clínico. 5a ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. Salomão, Reinaldo. Infectologia - Bases Clínicas e Tratamento. Disponível em: Minha Biblioteca, Grupo GEN, 2017.