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Diferença entre salário e remuneração
Salário é toda contraprestação ou vantagem paga em dinheiro ou utilidade concedida diretamente pelo empregador ao empregado, em decorrência do contrato de trabalho. Este pagamento é feito pelos serviços e pelo tempo do trabalhador à disposição do patrão.
De outra maneira, a remuneração é a soma do pagamento feito diretamente pelo empregador com o pagamento feito indiretamente, ou seja, por terceiros, também em decorrência do contrato de trabalho celebrado entre patrão e empregado. 
Exemplo muito comum de uma verba de caráter remuneratório paga por terceiros é a famosa gorjeta.
IMPORTANTE
De outra forma, podemos dizer que a remuneração é o gênero e o salário é espécie pertencente ao gênero. A remuneração indica o total dos ganhos recebidos pelo trabalhador, enquanto o salário indica apenas o que é pago pelo patrão diretamente.
Veja o que diz a parte inicial da Súmula nº 354 do Tribunal Superior do Trabalho (TST): “As gorjetas, cobradas pelo empregador na nota de serviço ou oferecidas espontaneamente pelos clientes, integram a remuneração do empregado”.
Formas de remuneração 
Contrato de Trabalho
Para Sérgio Pinto Martins (2004, p. 238), “remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, mas decorrentes do contrato de trabalho, de modo a satisfazer suas necessidades básicas e de sua família”. 
Temos como classificação de remuneração, que podem ser por modo de aferição (salário por unidade de tempo, por unidade de obra ou por tarefa) e pelo meio de pagamento (em dinheiro ou utilidades). 
SALÁRIO
Salário por unidade de tempo: é pago em função do tempo em que prestou o serviço ou esteve à disposição do empregador (hora, dia, semana, quinzena, mês ou até mesmo, excepcionalmente, um período maior). 
Salário por unidade de obra, por tarefa ou pela produção: é pago em função da produtividade em relação ao número de unidades que o empregado conseguiu produzir ou realizar. 
Salário em dinheiro: na forma do art. 463 da CLT, o salário deve ser pago, obrigatoriamente, em moeda corrente nacional. Isso admite o pagamento por meio de dinheiro em espécie, cheque, depósito bancário, PIX.
SALÁRIO IN NATURA
Art. 458 CLT - Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas.
§ 2º. Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: 
I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; 
II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; 
III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; 
 IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro-saúde;
V – seguros de vida e de acidentes pessoais;
 VI – previdência privada;
SALÁRIO IN NATURA
Salário em utilidades: conforme art. 458 da CLT: “além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. 
OBS: Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas”. 
Salário “IN NATURA” consiste no pagamento da remuneração com bens que possuem valor econômico. 
Se a prestação lhe é fornecida para a execução do trabalho (ex.: uniformes, luvas, etc.), não será utilidade.
 ATENÇÃO!
Utilidade é tudo que não é dinheiro, pecúnia. 
EX: Cadeira, mesa, comida, combustível, máquina, casa, carro, plano de saúde, de previdência, vale ou bônus de pequena circulação, são exemplos de utilidades. 
Os arts. 81 e 458 da CLT autorizam o pagamento de parte do salário em utilidades, determinando que, pelo menos, 30% seja pago em dinheiro. 
CUIDADO: Utilidade não se confunde com salário-utilidade (ou in natura). 
A natureza salarial do benefício necessariamente importará na sua integração (soma) ao salário para fins de projeção (reflexo) em outras parcelas.
JURISPRUDÊNCIA
	SALÁRIO "IN NATURA". NÃO CARACTERIZAÇÃO. Salário "in natura" caracteriza-se quando o empregador concede ao empregado, durante a contratualidade, vantagem que não é imprescindível à execução dos serviços, representando um plus salarial. "In casu", as utilidades auferidas pelo autor eram fornecidas "para" o trabalho e não "pelo" trabalho.
	(TRT da 3.ª Região; PJe: 0012445-29.2015.5.03.0030 (AP); Disponibilização: 13/02/2020, DEJT/TRT3/Cad.Jud, Página 936; Órgão Julgador: Terceira Turma; Relator(a)/Redator(a) Delane Marcolino Ferreira)
JURISPRUDÊNCIA
	OFERTA DE MORADIA AO EMPREGADO EM RAZÃO DAS ATIVIDADES LABORATIVAS. NATUREZA SALARIAL. SALÁRIO "IN NATURA" CONFIGURADO. Para que a utilidade paga pelo empregador ao empregado integre o salário, é necessário que o benefício concedido tenha caráter retributivo da prestação de serviços, atendendo às necessidades pessoais do obreiro e representando para este um plus salarial. Emergindo do contexto probatório que o empregador concedeu ao reclamante, no curso do pacto laboral, moradia pelo exercício das atividades laborais, conclui-se que a utilidade detinha natureza eminentemente salarial, visando a um acréscimo salarial ao empregado pela prestação de serviços, sendo devida a integração da utilidade ao salário.
	(TRT da 3.ª Região; PJe: 0010037-29.2020.5.03.0147 (ROT); Disponibilização: 26/04/2021, DEJT/TRT3/Cad.Jud, Página 271; Órgão Julgador: Segunda Turma; Relator(a)/Redator(a) Convocado Jesse Claudio Franco de Alencar)
JURISPRUDÊNCIA
	MORADIA FORNECIDA AO TRABALHADOR PELA EMPRESA. SÚMULA 367, I, DO TST. A habitação fornecida pelo empregador, quando indispensável para a realização do trabalho, não tem natureza salarial. Neste sentido, a Súmula 367 do TST, segundo a qual "I - A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares." Entretanto, se a empresa não comprova que a concessão da moradia tinha como desiderato viabilizar a prestação laboral, fica configurado o salário in natura e o caráter salarial do benefício.
	(TRT da 3.ª Região; PJe: 0011246-14.2021.5.03.0142 (ROT); Disponibilização: 01/07/2022, DEJT/TRT3/Cad.Jud, Página 575; Órgão Julgador: Primeira Turma; Relator(a)/Redator(a) Adriana Goulart de Sena Orsini)
JURISPRUDÊNCIA
	BASE DE CÁLCULO DAS VERBAS RESCISÓRIAS. A legislação trabalhista estabelece que para pagamento de aviso prévio, 13º salário, férias vencidas e indenizadas quando da rescisão de contrato de trabalho, tais valores devem ser pagos à base da maior remuneração. E os art. 457 e 458 da CLT, com a redação anterior à Lei 13.467/2017, dispõem que integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as gratificações legais e de função, as comissões pagas pelo empregador, bem como a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Assim, não há como as verbas rescisórias serem calculadas apenas sobre o último salário base recebido.
	(TRT da 3.ª Região; PJe: 0010821-18.2018.5.03.0004 (AP); Disponibilização: 04/06/2020, DEJT/TRT3/Cad.Jud, Página 941; Órgão Julgador: Nona Turma; Relator(a)/Redator(a) Rodrigo Ribeiro Bueno)
SALÁRIO+GORGETA
À luz do art. 457da CLT, tem-se que:
a) remuneração = salário + gorjeta;
b) salário = contraprestação devida e paga diretamente pelo empregador em face do contrato de trabalho;
c) gorjeta = importância dada espontaneamente pelo cliente ao empregado (facultativa) ou cobrada pela empresa ao cliente como adicional nas contas, a qualquer título, destinada à distribuição aos empregados (obrigatória). Ambas constituem remuneração do empregado para todos os efeitos legais.
GORJETAS
Ela pode ser imprópria ou própria, de modo que aquela caracteriza os adicionais na conta, comumente cobrados em bares e restaurantes pelo empregador, que distribui, posteriormente, aos seus empregados, de forma total ou parcial. Já estas são as gorjetas pagas voluntariamente pelo terceiro, de modo direto ao empregado. 
A CLT, em seu art.457, §3º engloba essas duas modalidades sob a mesma denominação (gorjeta), ao dispor:
(...) §3º - Considera-se gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, com também, aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título e destinadas à distribuição aos empregados.
GORJETAS
	GORJETAS. INTEGRAÇÃO. Como é cediço, compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber (art. 457, caput, da CLT). Considera-se gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. In casu, a prova oral colhida foi uníssona ao revelar que o reclamante, ao longo do pacto laboral, percebeu, em média, R$500,00 por semana, sem a devida integração nas demais verbas. Ressalto que o fato de as gorjetas serem ou não cobradas compulsoriamente nas notas não afasta o dever do empregador de integrar tais valores à remuneração do empregado, nos termos do art. 457 da CLT.
	(TRT da 3.ª Região; PJe: 0010038-41.2019.5.03.0020 (ROT); Disponibilização: 29/04/2022, DEJT/TRT3/Cad.Jud, Página 1906; Órgão Julgador: Decima Primeira Turma; Relator(a)/Redator(a) Convocado Marcio Toledo Goncalves)
GORJETAS
	HOTELARIA. TAXA DE SERVIÇO, DISSOCIADA DE TRIBUTO, COBRADA SOBRE O VALOR DA RESERVA. NATUREZA DE GORJETA RECONHECIDA. REPASSE DEVIDO AOS EMPREGADO (art. 457, §3º, da CLT). As quantias cobradas de clientes, pelo estabelecimento, a título de serviços, e destinadas à distribuição aos empregados, são consideradas gorjetas, por força do §3º do art. 457 da CLT, em sua antiga redação, vigente à época do pacto laboral. Assim, demonstrado que a "taxa de serviço", cobrada pela reclamada, está dissociada do imposto sobre serviços (ISS), fica evidente que se tratava de valor cobrado em razão de serviços adicionais prestados, nos moldes da norma coletiva, embora em percentual inferior ao autorizado. Não importa, nesse caso, se a reclamada servia refeições ou possuía serviço de quarto, uma vez que, constatada a cobrança da taxa, na forma do art. 457 da CLT, esta deve ser destinada aos empregados. Assim, configurada a natureza de gorjeta da taxa de serviço, faz jus o reclamante ao correspondente repasse, na proporção que lhe cabe, conforme estipulado na CCT.
	(TRT da 3.ª Região; PJe: 0012330-50.2016.5.03.0134 (ROT); Disponibilização: 20/09/2021, DEJT/TRT3/Cad.Jud, Página 980; Órgão Julgador: Decima Primeira Turma; Relator(a)/Redator(a) Des.Antonio Gomes de Vasconcelos)
GORJETAS
	RECURSO ORDINÁRIO. GORJETAS. INTEGRAÇÃO À REMUNERAÇÃO. Conforme disposto no § 3º do art. 457 da CLT, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, também as gorjetas recebidas no curso do contrato de trabalho devem integrar a remuneração do empregado. O C. TST igualmente sedimentou o entendimento sobre a matéria, por meio da Súmula 354, in verbis: "as gorjetas, cobradas pelo empregador na nota de serviço ou oferecidas espontaneamente pelos clientes, integram a remuneração do empregado, não servindo de base de cálculo para as parcelas de aviso-prévio, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado."
	(TRT da 3.ª Região; PJe: 0010325-03.2019.5.03.0182 (ROT); Disponibilização: 30/04/2020, DEJT/TRT3/Cad.Jud, Página 753; Órgão Julgador: Decima Turma; Relator(a)/Redator(a) Rosemary de O. Pires)
VERBAS SALARIAIS
Art. 457 CLT - Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.
§ 1º. Integram o salário a importância fixa estipulada, as gratificações legais e as comissões pagas pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017)
§ 2º. As importâncias, ainda que habituais, pagas a título de ajuda de custo, auxílio-alimentação, vedado seu pagamento em dinheiro, diárias para viagem, prêmios e abonos não integram a remuneração do empregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de incidência de qualquer encargo trabalhista e previdenciário. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017)
§ 3º Considera-se gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também o valor cobrado pela empresa, como serviço ou adicional, a qualquer título, e destinado à distribuição aos empregados. 
§ 4º. Consideram-se prêmios as liberalidades concedidas pelo empregador em forma de bens, serviços ou valor em dinheiro a empregado ou a grupo de empregados, em razão de desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017)
Modificações trazidas pela Lei 13.467/2017 ao art. 457 da CLT:
1) Diárias de viagem, mesmo que superiores a 50% do salário do empregado, deixam de ter natureza salarial.
2) Ainda que recebidos todos os meses ou habitualmente, não têm natureza salarial o auxílio-alimentação, prêmios e abonos.
3) As ajudas de custo se destinam a ressarcir as despesas efetuadas pelo empregado em virtude de sua transferência, e ainda que habituais, não têm natureza salarial, salvo quando superiores a 50% da remuneração mensal.
4) Os §§ 2º e 22 do art. 457 da CLT retiram a natureza salarial dos prêmios e os considera mera liberalidade concedida pelo empregador ao empregado em forma bens, serviços ou em dinheiro, desde que pagos até duas vezes ao ano. 
CARACTERÍSTICAS DO SALÁRIO
(Segundo Maurício Godinho Delgado)
-caráter alimentar: o salário tem por finalidade suprir as necessidades pessoais e essenciais do trabalhador e de sua família, Qualquer que seja o valor do salário, o fato é que se constitui na fonte de sustento do trabalhador e de sua família;
-caráter forfetário: o salário constitui-se em uma obrigação absoluta do empregador que não pode deixar de ser cumprida. O salário não está atrelado à sorte do empreendimento do empregador, razão pela qual, mesmo diante de situações de dificuldades financeiras, o empregador não se exime do dever de pagar os salários de seus empregados. No contexto da relação de emprego, os riscos da atividade econômica são assumidos pelo empregador (art.2º, CLT). 
CARACTERÍSTICAS DO SALÁRIO
-indisponibilidade: o salário não pode ser objeto de renúncia ou de transação por parte do empregado, pois se insere no conjunto de direitos indisponíveis que lhe são assegurados pelo ordenamento jurídico;
-irredutibilidade: em razão do seu caráter alimentar, o salário não pode ser reduzido. A fonte de sustento do trabalhador e de sua família não pode ser reduzida por ato unilateral ou bilateral. A irredutibilidade como característica do salário foi relativizada pelo texto constitucional, que passou a permitir como exceção a sua redução, desde que mediante convenção ou acordo coletivo de trabalho (art.7º, VI, CF);
CARACTERÍSTICAS DO SALÁRIO
-reciprocidade: a causa do salário reside no fato de alguém atuar como empregado e, nessa condição, colocar-se à disposição do empregador, prestando-lhe serviços. O empregado prestaserviços, e o empregador paga salário como contraprestação. Esta característica é chamada por uma parte da doutrina de " caráter sinalagmático" do salário;
-sucessividade: que nada mais é do que a característica da persistência ou continuidade indicada por Godinho: o salário é pago em função de uma obrigação assumida pelo empregado em uma relação jurídica que se prolonga no tempo e, por tal razão, a cada cumprimento, renasce enquanto obrigação contratual.
periodicidade: o salário constitui-se em obrigação sucessiva, renascendo após cada cumprimento. Por ter a finalidade de manter o sustento do trabalhador e de sua família, o salário deve ser pago em períodos cuja duração é preestabelecida pelo legislador (art.459, CLT);
CARACTERÍSTICAS DO SALÁRIO
-pós-remuneração: o salário é pago após a prestação dos serviços pelo empregado, ou seja, o pagamento é feito em relação a um período vencido, e não em relação a período vincendo. As características acima indicadas, somam-se aquelas apresentadas por Amauri Mascaro nascimento;
-essencialidade: o salário é da essência do próprio contrato de trabalho. A onerosidade é característica essencial do pacto laboral;
-natureza composta: o salário compõe-se não só de uma parcela básica (salário-base), mas também de diversas outras frações econômicas de natureza salarial (adicionais, gratificações, comissões etc.);
CARACTERÍSTICAS DO SALÁRIO
-persistência ou continuidade: a obrigação de pagamento do salário é sucessiva, perdurando enquanto vigorar a relação de emprego. Trata-se, portanto, de obrigação persistente e revestida de continuidade no tempo. " 
No âmbito justrabalhista, nem a teoria da imprevisão ou mesmo a força maior seriam capazes, por si somente, de desobrigar o empregador de responder por sua obrigação de pagar a obrigação contínua e persistente dos salário obreiros";
-tendência à determinação heterônoma: o valor do salário é fixado mediante o exercício da vontade unilateral ou bilateral das partes contratantes. No entanto, à vontade das partes somam-se expressões de vontade externa decorrentes de normas jurídicas. Assim, a vontade das partes é restringida, por exemplo, pela fixação por lei ou por normas coletivas de valores mínimos de salários (salário mínimo, salário profissional, salário normativo, piso salarial).
	HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO EXTRAJUDICIAL. "Conquanto a CLT trate da possibilidade de homologação de acordo extrajudicial, não afasta a necessária análise das formalidades necessárias à validade do negócio jurídico, entre eles, forma prescrita ou não defesa em lei, bem como ausência de vícios e nulidades. Assim, ao apreciar o pedido de homologação de acordo, deve o juiz averiguar a eventual ocorrência de vícios, fraudes, lesividade excessiva contra algum dos envolvidos, entre outras ocorrências que possam desnaturar os objetivos da transação. No caso dos autos, as partes pretendem extinguir o contrato de trabalho sem a devida formalização e pagamento das verbas rescisórias às quais faria jus a obreira, inclusive FGTS, multa de 40%, etc., sem a contrapartida adequada, em afronta total à irrenunciabilidade de direitos, corolário do princípio da proteção. Ora, não há como chancelar judicialmente ato com o propósito de obstar a aplicação do direito cogente (arts. 9º e 444 da CLT) ou propiciar modificação que implique prejuízo direto ou indireto para o trabalhador (art. 468 da CLT). Nesse contexto, relembro que a homologação do acordo constitui faculdade do juiz, que pode se negar a validar o compromisso caso o considere de alguma forma prejudicial ao empregado, a teor da Súmula 418 do TST. Apesar de se tratar de procedimento de jurisdição voluntária, a homologação de acordo extrajudicial não é automática (art. 855-D da CLT)." (Excerto da r. decisão do MM. Juiz Iuri Pereira Pinheiro).
	(TRT da 3.ª Região; PJe: 0010793-46.2023.5.03.0078 (ROT); Disponibilização: 09/11/2023, DEJT/TRT3/Cad.Jud, Página 323; Órgão Julgador: Primeira Turma; Relator(a)/Redator(a) Convocada Angela C.Rogedo Ribeiro)
	EMENTA: PLANO DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - "QUITAÇÃO" - NÃO CONFIGURAÇÃO - A negociação dos direitos do trabalhador assegurados pelo ordenamento jurídico trabalhista encontra limite nas disposições dos artigos 9º. e 444, da CLT, não se traduzindo, assim, em direito patrimonial de caráter privado passível de ser objeto de transação. A renúncia aos direitos trabalhistas após a cessação do contrato de trabalho continua em princípio vedada, tendo em vista o caráter alimentar das verbas rescisórias. Assim, a cláusula de termo de adesão firmado extrajudicialmente pelo trabalhador, dando quitação a todos os outros direitos trabalhistas eventualmente existentes, fere o princípio de irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas, sendo absolutamente inválida. Tal questão encontra-se pacificada após a edição da Orientação Jurisprudencial nº 270/SDI-I/TST, nos seguintes termos: "PROGRAMA DE INCENTIVO À DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. TRANSAÇÃO EXTRAJUDICIAL. PARCELAS ORIUNDAS DO EXTINTO CONTRATO DE TRABALHO. EFEITOS. A transação extrajudicial que importa rescisão do contrato de trabalho ante a adesão do empregado a plano de demissão voluntária implica quitação exclusivamente das parcelas e valores constantes do recibo".
	(TRT da 3.ª Região; Processo: 0099100-15.2008.5.03.0138 RO; Data de Publicação: 27/03/2009; Disponibilização: 26/03/2009, DEJT, Página 88; Órgão Julgador: Primeira Turma; Relator Jose Eduardo Resende Chaves Jr.; Revisor: Marcus Moura Ferreira)
	EMENTA: PRINCÍPIO DA IRRENUNCIABILIDADE. RECEBIMENTO DAS VERBAS RESCISÓRIAS PELO EMPREGADO, COM RESSALVA EXPRESSA QUANTO ÀS PARCELAS E VALORES QUITADOS. O princípio da irrenunciabilidade continua sendo uma das notas fundamentais e específicas do Direito do Trabalho e norteia o contrato de trabalho não apenas na sua fase de formação, impedindo a renúncia pelo empregado de direitos futuros, como também no seu curso e após a ruptura contratual. Isto, porque o caráter alimentar dos salários persiste mesmo após a cessação do contrato de trabalho e o fim da subordinação direta do empregado a seu empregador. Nesse contexto, o recebimento das verbas rescisórias constitui, na maioria das vezes, a garantia de sobrevivência do obreiro até a obtenção de novo emprego, o que acaba por influenciar sobremaneira a declaração de vontade do trabalhador, jungido por uma espécie de coação econômica a receber os valores oferecidos pelo empregador no ato da rescisão contratual. Diante desta circunstância, o recebimento das parcelas rescisórias, com assistência do representante da entidade sindical competente, não evidencia a intenção do empregado de se despojar de seus direitos trabalhistas, nem pode, simplesmente, conduzir à presunção de renúncia, mormente quando feita a devida ressalva, no ato de rescisão, quanto às parcelas e valores quitados, tidos como insuficientes.
	(TRT da 3.ª Região; Processo: RO - 4264/00; Data de Publicação: 09/08/2000, DJMG , Página 14; Órgão Julgador: Segunda Turma; Relator Jose Roberto Freire Pimenta; Revisor: Wanderson Alves da Silva)
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