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ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
Unidade III
7 DIREITO AUTORAL (LEI N. 9.610/1998) E NOÇÕES GERAIS DE CONTRATOS
Prosseguindo com nosso estudo, veremos agora os principais conceitos envolvendo direito autoral 
e contratos.
7.1 Direito autoral (Lei n. 9.610/1998)
A legislação sobre direitos autorais tem como objeto principal a proteção do direito do autor e 
direitos conexos não sobre a ideia em si, mas sobre sua concepção, sua forma de expressão materializada 
na obra intelectual propriamente dita. Logo, é preciso ressaltar que não se trata de uma proteção da 
ideia, mas, sim, da sua externalização.
Figura 23 
Disponível em: https://encurtador.com.br/tuHN1. Acesso: 18 ago. 2023.
A legislação em vigor regulamenta o direito autoral quanto à quantidade de autores (individual, em 
regime de coautoria, em colaboração e coletiva), quanto ao processo de criação (originária e derivada), 
quanto à proteção (obra protegida e entrada em domínio público) e quanto à titularidade (originária e 
derivada). Antes de discutirmos pormenorizadamente cada uma dessas classificações, é conveniente nos 
debruçarmos sobre alguns dos conceitos definidores utilizados pelo legislador.
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Unidade III
São conceitos básicos tratados na Lei de Direitos Autorais:
•	 Plágio: refere‑se ao comportamento de apropriação indevida de obra que não é da autoria do 
indivíduo. O plágio pode se dar por meio da prática de cópia, imitação ou, ainda, apropriação 
mediante aposição de assinatura como se sua a titularidade da obra. E tal plágio ocorre com o 
intuito de obtenção de alguma vantagem (direta ou indireta), evidenciando uma violação das 
normas de direito autoral.
•	 Reprodução: é a cópia da obra feita, sempre, com a autorização do titular do direito autoral a ela 
relacionado.
•	 Pirataria: também conhecida como pirataria intelectual, diz respeito à reprodução da obra (cópia) 
sem a autorização do titular do direito autoral sobre ela, tendo tal reprodução o objetivo de 
obtenção de lucro para aqueles que ilicitamente promovem essa reprodução. Há a previsão, no 
Código Penal, para tal conduta, que é considerada crime: “Art. 184. Violar direitos de autor e os 
que lhe são conexos. Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa” (Brasil, 2003).
•	 Direitos conexos: a garantia dos chamados direitos conexos busca proteger o interesse de âmbito 
patrimonial‑jurídico do direito de terceiros, pessoas físicas ou jurídicas que, de alguma forma, 
colaboram para tornar a obra acessível e possibilitar seu conhecimento ao público.
Vale ressaltar que se assemelha ao direito do autor, mas não se confunde com ele. Isso porque o 
direito conexo está ligado àqueles que agregam à obra mediante habilidades técnicas de execução e 
interpretação com o objetivo de torná‑la amplamente conhecida, com um intuito lucrativo. O prazo 
fixado para o direito conexo está previsto na lei e varia de acordo com o tipo de obra, como pode ser 
observado a seguir.
 
Art. 89. As normas relativas aos direitos de autor aplicam‑se, no que 
couber, aos direitos dos artistas intérpretes ou executantes, dos produtores 
fonográficos e das empresas de radiodifusão.
Parágrafo único. A proteção desta Lei aos direitos previstos neste artigo 
deixa intactas e não afeta as garantias asseguradas aos autores das obras 
literárias, artísticas ou científicas. [...]
Da Duração dos Direitos Conexos:
Art. 96. É de setenta anos o prazo de proteção aos direitos conexos, 
contados a partir de 1º de janeiro do ano subsequente à fixação, para os 
fonogramas; à transmissão, para as emissões das empresas de radiodifusão; 
e à execução e representação pública, para os demais casos (Brasil, 1998).
•	 Domínio público: esse conceito é relevante e fixa o prazo em que a obra poderá ter seus direitos 
patrimoniais exclusivamente em prol do titular originário da obra.
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O domínio público se aplica a obras científicas, literárias e artísticas e ainda, aos programas de 
computador. No momento em que uma dessas obras cai no domínio público, ela deixa de ser exclusividade 
do titular, e, assim, todos podem utilizá‑la livremente.
 Observação
O domínio público trata do uso patrimonial, já que o direito moral sobre 
tais obras continua pertencendo exclusivamente ao seu titular (ou titulares).
Qual a finalidade de a norma prever a existência do domínio público? A intenção é garantir que a 
obra possa ser utilizada em favor de todas as pessoas sem com isso retirar do(s) titular(es) criador(es) o 
direito de se beneficiar dos fins econômicos de sua criação. Assim, após o prazo temporal de exclusividade 
patrimonial do(s) titular(es), todos podem usufruir da obra no âmbito patrimonial. Já no âmbito moral, 
continua pertencendo ao(s) titular(es), devendo ser mantida a indicação dos créditos pela criação.
 
Art. 112. Se uma obra, em consequência de ter expirado o prazo de proteção 
que lhe era anteriormente reconhecido pelo § 2º do art. 42 da Lei n. 5.988, 
de 14 de dezembro de 1973, caiu no domínio público, não terá o prazo de 
proteção dos direitos patrimoniais ampliado por força do art. 41 desta 
Lei (Brasil, 1998).
•	 Obra fixada: considera‑se uma obra fixada quando ela é “registrada” em um suporte, este nada 
mais sendo que o meio pelo qual a obra é identificada como “existente” no mundo, com forma 
escrita ou gravada. Como exemplo, pense em um indivíduo cantarolando uma melodia de sua 
criação e outra pessoa gravando (ou o próprio autor): nesse caso, a obra estará fixada.
Com relação às possibilidades de classificação da obra intelectual, vejamos caso a caso.
•	 Quanto aos autores:
— individual (um só autor);
— em regime de coautoria (dois ou mais autores);
— em colaboração (vários autores, com participações criativas definidas);
— coletiva (vários autores, com participações criativas indefinidas).
 
Art. 11. Autor é a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica.
Parágrafo único. A proteção concedida ao autor poderá aplicar‑se às pessoas 
jurídicas nos casos previstos nesta Lei.
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Unidade III
Art. 12. Para se identificar como autor, poderá o criador da obra literária, 
artística ou científica usar de seu nome civil, completo ou abreviado até por 
suas iniciais, de pseudônimo ou qualquer outro sinal convencional.
Art. 13. Considera‑se autor da obra intelectual, não havendo prova em 
contrário, aquele que, por uma das modalidades de identificação referidas 
no artigo anterior, tiver, em conformidade com o uso, indicada ou anunciada 
essa qualidade na sua utilização.
Art. 14. É titular de direitos de autor quem adapta, traduz, arranja ou 
orquestra obra caída no domínio público, não podendo opor‑se a outra 
adaptação, arranjo, orquestração ou tradução, salvo se for cópia da sua.
Art. 15. A coautoria da obra é atribuída àqueles em cujo nome, pseudônimo 
ou sinal convencional for utilizada.
§ 1º Não se considera coautor quem simplesmente auxiliou o autor na 
produção da obra literária, artística ou científica, revendo‑a, atualizando‑a, 
bem como fiscalizando ou dirigindo sua edição ou apresentação 
por qualquer meio.
§ 2º Ao coautor, cuja contribuição possa ser utilizada separadamente, 
são asseguradas todas as faculdades inerentes à sua criação como obra 
individual, vedada, porém, a utilização que possa acarretar prejuízo à 
exploração da obra comum.
Art. 16. São coautores da obra audiovisual o autor do assunto ou argumento 
literário, musical ou literomusical e o diretor.
Parágrafo único. Consideram‑se coautores de desenhos animados os que 
criam os desenhos utilizados na obra audiovisual.
Art. 17. É assegurada a proteção às participações individuais em obras 
coletivas.
§ 1º Qualquer dos participantes, no exercício de seus direitos morais, poderá 
proibir que se indique ou anuncie seu nome na obra coletiva, sem prejuízo 
do direito de haver a remuneração contratada.
§ 2º Cabe ao organizador a titularidade dos direitos patrimoniais sobre o 
conjunto da obra coletiva.
141intelectuais como medida para 
garantir direito autoral, no entanto, esse registro pode ser feito de modo 
facultativo de acordo com a vontade do autor.
No art. 7º, encontramos um rol exemplificativo das obras protegidas 
pela lei de direitos autorais, ao passo que no artigo seguinte o legislador 
apresentou rol taxativo do que não é protegido pela legislação em análise.
Doutrinariamente, há uma divisão quando tratamos do direito à imagem: 
imagem‑retrato e imagem‑atributo. E, em especial quanto aos casos de 
inobservância do direito à imagem praticada pelo meio de comunicação 
da imprensa, podemos identificar duas modalidades de danos que podem 
decorrer dessa violação os danos morais e o dano material.
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Unidade III
Na sequência, tratamos sobre questões relacionadas às noções de contrato. 
Apresentou‑se o conceito de contrato como o acordo bilateral de vontades 
que envolve duas ou mais partes denominadas contratado e contratante.
O contrato é utilizado como instrumento jurídico pactuado entre duas 
ou mais pessoas que declaram, de forma voluntária, a intenção e o interesse 
na realização de uma relação jurídica onde as partes pretendem adquirir, 
resguardar, transferir, conservar, modificar ou extinguir um direito ou uma 
obrigação, gerando, assim, efeitos jurídicos entre si.
Insta conhecer os princípios fundamentais e básicos que regulam a 
relação contratual com o intuito de aprimorar os elementos que compõem 
os contratos: autonomia de vontade; supremacia da ordem pública; 
consensualismo; relatividade dos contratos; obrigatoriedade dos contratos; 
onerosidade excessiva e boa‑fé.
Em prosseguimento, foram apresentados os requisitos de validade e 
os requisitos formais que dão validade aos contratos. São os requisitos 
objetivos: o objeto do contrato deve ser licito; possibilidade física ou 
jurídica do objeto; o objeto deve ser determinado, certo ou, no mínimo, 
determinável e a economicidade de seu objeto deve ter capacidade de se 
converter, direta ou indiretamente, em dinheiro.
Já os elementos subjetivos presentes na relação contratual são 
capacidade genérica das partes contratantes para prática de atos da 
vida civil, aptidão específica para contratar e consentimento das partes 
contratantes. Os requisitos formais estão ligados à forma como o contrato 
pode ser realizado, e esses requisitos visam dar validade e efeito jurídico ao 
contrato (livre, solene e contratual).
A interpretação dos contratos exerce função objetiva e subjetiva. Nos 
contratos escritos, a análise do texto (interpretação objetiva) conduz à 
descoberta da intenção das partes (interpretação subjetiva), alvo principal 
da operação. O Código Civil deu prevalência à teoria da vontade sobre 
a da declaração.
A regra interpretativa para as espécies de contrato de adesão que 
apresentam cláusulas ambíguas ou contraditórias deverá ser aquela que se 
mostrar mais favorável ao aderente. Na espécie contrato de transação, 
a interpretação dever ser restritiva, e na espécie contrato de fiança, não 
se admite interpretação extensiva (consoante prevê o art. 819 do Código 
Civil Brasileiro).
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ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
O contrato celebrado entre os envolvidos pode ser realizado através 
de manifestação de vontade de forma expressa, sendo esta verbalizada 
ou por escrito. Há ainda a possibilidade de a celebração do contrato ocorrer 
por manifestação tácita, que ocorre através da ausência de manifestação 
contrária à execução do contrato.
No tocante às hipóteses em que a manifestação de vontade não tem 
força vinculante: quando a manifestação de aceite chegar tardiamente 
ao conhecimento do proponente; e nos casos em que ocorre a retratação 
do aceite, mas esta chega antes do aceite anteriormente manifestado ou 
ainda simultaneamente a este.
Também é importante ressaltar, quanto ao elemento aceitação, quando 
os contratantes não se encontram na presença um do outro. Nessa 
situação a aceitação poderá ocorrer no momento chamado de momento 
da informação ou cognição, no momento da declaração ou agnição ou, 
ainda, no momento chamado lugar da celebração.
Outras classificações foram estudadas ao longo da unidade, como a que 
tipifica os efeitos jurídicos decorrentes da relação contratual: unilaterais, 
bilaterais e plurilaterais e gratuitos e onerosos, comutativos e aleatórios 
por natureza. A que versa sobre a formação do contrato: paritários  ou 
tradicionais e adesão. A que trata da execução: execução imediata 
ou  instantânea, de execução diferida e de execução continuada  ou de 
trato sucessivo. A que aborda o modo de execução: principais, acessórios 
e derivados ou subcontratos. A que relaciona a forma contratual: solenes, 
não solenes e reais.
O distrato é o acordo de vontades cujo objetivo é extinguir um contrato 
anteriormente celebrado. Para a ocorrência do distrato, deverão as partes 
observar as mesmas condições de forma no momento da contratação. Já 
para a quitação de um contrato, não há nenhuma forma preestabelecida 
na lei, exigindo‑se apenas a forma escrita.
Para concluir o estudo da unidade, tratamos sobre a definição e as 
regras do Marco Civil da Internet. Essa lei regulamenta e fixa princípios, 
garantias, direitos e deveres para o uso da internet, gerenciando o uso 
das redes por usuários e provedores. Também assegura a privacidade do 
acesso aos conteúdos pelos usuários, além da inviolabilidade e do sigilo 
das comunicações pela internet, dos dados pessoais e dos registros das 
conexões realizadas pelos usuários.
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Unidade III
Com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura, 
o provedor de aplicações de internet somente poderá ser responsabilizado 
civilmente por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros após 
ordem judicial específica.
Quanto à previsão de sanções por inobservância das regras legais 
previstas no ordenamento, sempre que ocorrer o descumprimento pelos 
provedores, haverá a aplicação de penalidades, como advertência, multas, 
suspensão e proibição permanente das atividades.
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ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
 Exercícios
Questão 1. A Lei n. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, altera e consolida a legislação sobre direitos 
autorais e dá outras providências. Essa lei define alguns termos, como publicação, transmissão, 
retransmissão, distribuição, comunicação ao público e reprodução.
Em relação a esse tema e com base nas definições presentes na Lei n. 9.610/1998, avalie as afirmativas.
I – Publicação é colocar, à disposição do público, o original ou a cópia de obras literárias, artísticas ou 
científicas, interpretações ou execuções fixadas e fonogramas, mediante a venda, a locação ou qualquer 
outra forma de transferência de propriedade ou posse.
II – Transmissão (ou emissão) é difundir sons ou sons e imagens, por meio de ondas radioelétricas; 
sinais de satélite; fio, cabo ou outro condutor; meios óticos ou qualquer outro processo eletromagnético.
III – Reprodução é fazer a cópia de um ou vários exemplares de uma obra literária, artística ou 
científica ou de um fonograma, de qualquer forma tangível, incluindo qualquer armazenamento 
permanente ou temporário por meios eletrônicos ou qualquer outro meio de fixação que venha a 
ser desenvolvido.
É correto o que se afirma em:
A) I, apenas.
B) II, apenas.
C) III, apenas.
D) II e III, apenas.
E) I, II e III.
Resposta correta: alternativa D.
Análise da questão
As definições apresentadas na Lei n. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, estão reproduzidas a seguir.
“Art. 5º Para os efeitos desta Lei, considera‑se:
I – publicação – o oferecimento de obra literária, artística ou científica ao 
conhecimento do público, com o consentimento do autor, ou de qualquer 
outro titular de direito de autor, por qualquer forma ou processo;
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Unidade III
II – transmissão ou emissão – a difusão de sons ou de sons e imagens, por 
meio de ondas radioelétricas; sinais de satélite; fio, cabo ou outro condutor; 
meios óticos ou qualquer outro processo eletromagnético;III – retransmissão – a emissão simultânea da transmissão de uma empresa 
por outra;
IV – distribuição – a colocação à disposição do público do original ou cópia 
de obras literárias, artísticas ou científicas, interpretações ou execuções 
fixadas e fonogramas, mediante a venda, locação ou qualquer outra forma 
de transferência de propriedade ou posse;
V – comunicação ao público – ato mediante o qual a obra é colocada ao 
alcance do público, por qualquer meio ou procedimento e que não consista 
na distribuição de exemplares;
VI – reprodução – a cópia de um ou vários exemplares de uma obra literária, 
artística ou científica ou de um fonograma, de qualquer forma tangível, 
incluindo qualquer armazenamento permanente ou temporário por meios 
eletrônicos ou qualquer outro meio de fixação que venha a ser desenvolvido;
VII – contrafação – a reprodução não autorizada;
VIII – obra:
a) em coautoria – quando é criada em comum, por dois ou mais autores;
b) anônima – quando não se indica o nome do autor, por sua vontade ou 
por ser desconhecido;
c) pseudônima – quando o autor se oculta sob nome suposto;
d) inédita – a que não haja sido objeto de publicação;
e) póstuma – a que se publique após a morte do autor;
f) originária – a criação primígena;
g) derivada – a que, constituindo criação intelectual nova, resulta da 
transformação de obra originária;
h) coletiva – a criada por iniciativa, organização e responsabilidade de 
uma pessoa física ou jurídica, que a publica sob seu nome ou marca e que 
é constituída pela participação de diferentes autores, cujas contribuições se 
fundem numa criação autônoma;
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ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
i) audiovisual – a que resulta da fixação de imagens com ou sem som, 
que tenha a finalidade de criar, por meio de sua reprodução, a impressão de 
movimento, independentemente dos processos de sua captação, do suporte 
usado inicial ou posteriormente para fixá‑lo, bem como dos meios utilizados 
para sua veiculação.”
Disponível em: https://encurtador.com.br/dANXY. Acesso em: 13 abr. 2023.
Questão 2. Leia o texto a seguir.
O que é o Marco Civil da Internet?
Por Rahellen Santos – Publicado em 06/08/2021
“A Internet não é terra sem lei”. Provavelmente, você já escutou essa frase em algum momento 
da sua vida. De fato, podemos afirmar que o Direito é onipresente e suas regras também englobam a 
supervisão do mundo digital. Dessa forma, com o objetivo de regulamentar e formular os princípios para 
o uso da Internet em nosso país, o governo brasileiro aprovou, em 2014, a Lei n. 12.965, mais conhecida 
como Marco Civil da Internet.
Neste texto, você conhecerá os principais pontos dessa legislação, os motivos que levaram à sua 
criação e as mudanças que estão sendo discutidas. Vem com a gente!
O que é o Marco Civil da Internet?
A Lei n. 12.965 é uma lei ordinária federal de iniciativa do Poder Executivo que consiste em uma 
espécie de “Constituição da Internet”. Isso porque, por ser uma legislação de cunho principiológico, tem 
como principal finalidade estabelecer os princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no 
Brasil. Para isso, institui uma série de diretrizes que deverão ser seguidas pelos entes federativos (União, 
Estados, Distrito Federal e Municípios), provedores de internet, empresas e todos os outros envolvidos 
na aplicação, disponibilização e uso do ciberespaço.
O Marco Civil norteia todo processo de aplicação da i nternet, elegendo os usuários como protagonistas 
no contexto da inovação da sociedade em rede, com foco na tutela dos direitos fundamentais consagrados 
em sede constitucional. Dessa forma, desde os direitos de acesso dos usuários ao processamento de 
seus dados e à responsabilidade por danos, a lei tem o propósito de garantir que todos possuam uma 
condição digna em termos de experiência tecnológica, desenvolvendo sua personalidade e exercitando 
a sua cidadania em meios digitais.
O que diz a lei?
Muito exaltada por se tratar de uma lei de vanguarda, em forma e conteúdo, no que diz respeito à 
regulamentação dos direitos humanos nas redes digitais, o Marco Civil da Internet tem 32 artigos que 
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tratam sobre temas como os direitos e as garantias dos usuários, a provisão de conexão e de aplicações 
da internet, a responsabilidade dos provedores, a atuação do poder público, entre outros.
Além disso, a Lei n. 12.965/2014 é ainda fundamentada em três pilares: a liberdade de expressão, a 
neutralidade da rede e a privacidade.
O primeiro, bem‑conceituado no inciso IX do art. 5º da Carta Magna, corresponde à liberdade de 
pensar e adotar livremente as ideias que circulam nas redes sem ser julgado por isso. Contudo, vale 
lembrar que, assim como consta no texto constitucional, veda‑se o anonimato. Isso significa dizer que 
esse direto não é absoluto e que cabe a responsabilização cível ou criminal daquele que excede os limites 
na hora de se expressar.
Na sequência temos a neutralidade de rede, prevista no art. 9° do Marco Civil, segundo a qual os 
provedores de Internet devem tratar os pacotes de dados que trafegam em suas redes de forma isonômica, 
ou seja, sem discriminação em razão do conteúdo, origem, destino, aplicação etc. Esse princípio, que foi 
um dos mais polêmicos quando da discussão do projeto de lei, permite que possamos acessar qualquer 
conteúdo na internet sem que a operadora de telecomunicação interfira na navegação, tornando‑a 
mais lenta ou bloqueando o acesso.
Por último, temos a privacidade, que também se encontra entre as garantias fundamentais previstas 
no art. 5º da Constituição brasileira. No âmbito do Marco Civil da Internet, este pilar tem por objetivo 
proteger os dados dos usuários, exigindo o consentimento expresso destes para quaisquer operações 
realizadas com essas informações, bem como determina a indenização por dano material ou moral 
decorrente de violações à intimidade, de comunicações sigilosas e da vida privada dos usuários.
Adaptado de: https://tinyurl.com/23crmmax. Acesso em: 13 abr. 2023.
Com base na leitura, avalie as afirmativas.
I – O Marco Civil da Internet estabelece os princípios relativos ao uso da internet no Brasil e as 
diretrizes que devem ser obedecidas pelos entes federativos e por todos os envolvidos no escopo da Lei 
n. 12.965/2014.
II – O Marco Civil da Internet tem como figura central os usuários, com foco na garantia dos direitos 
fundamentais previstos na Constituição.
III – O Marco Civil da Internet fundamenta‑se em três pilares: a liberdade de expressão, a intervenção 
da rede e a privacidade.
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ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
É correto o que se afirma em:
A) I, II e III.
B) I e II, apenas.
C) II e III, apenas.
D) I e III, apenas.
E) I, apenas.
Resposta correta: alternativa B.
Análise das afirmativas
I – Afirmativa correta.
Justificativa: segundo o texto, a Lei n. 12.965, “por ser uma legislação de cunho principiológico, 
tem como principal finalidade estabelecer os princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da 
Internet no Brasil”. Assim, “para isso, institui uma série de diretrizes que deverão ser seguidas pelos entes 
federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), provedores de internet, empresas e todos os 
outros envolvidos na aplicação, disponibilização e uso do ciberespaço”.
II – Afirmativa correta.
Justificativa: segundo o texto, “o Marco Civil norteia todo processo de aplicação da internet, elegendo 
os usuários como protagonistas no contexto da inovação da sociedade em rede, com foco na tutela dos 
direitos fundamentais consagrados em sede constitucional”.
III – Afirmativa incorreta.
Justificativa: segundo o texto, “a Lei n. 12.965/2014 é ainda fundamentada em três pilares: a liberdade 
de expressão, a neutralidade da rede e a privacidade”.
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REFERÊNCIAS
Textuais
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Informações:
www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
§ 3º O contrato com o organizador especificará a contribuição do participante, 
o prazo para entrega ou realização, a remuneração e demais condições para 
sua execução (Brasil, 1998).
•	 Quanto ao processo de criação:
— originária (obra baseada em criação original);
— derivada (obra baseada em outra preexistente).
 
Art. 5º[...]
VIII – obra:
a) em coautoria – quando é criada em comum, por dois ou mais autores;
b) anônima – quando não se indica o nome do autor, por sua vontade ou 
por ser desconhecido;
c) pseudônima – quando o autor se oculta sob nome suposto;
d) inédita – a que não haja sido objeto de publicação;
e) póstuma – a que se publique após a morte do autor;
f) originária – a criação primígena;
g) derivada – a que, constituindo criação intelectual nova, resulta da 
transformação de obra originária;
h) coletiva – a criada por iniciativa, organização e responsabilidade de 
uma pessoa física ou jurídica, que a publica sob seu nome ou marca 
e que é constituída pela participação de diferentes autores, cujas 
contribuições se fundem numa criação autônoma (Brasil, 1998).
•	 Quanto à proteção:
— protegida (obra intelectual com prazo de proteção legal em curso);
— entrada em domínio público (obra cujo prazo de proteção legal já decorreu).
 
142
Unidade III
Art. 43. Será de setenta anos o prazo de proteção aos direitos patrimoniais 
sobre as obras anônimas ou pseudônimas, contado de 1º de janeiro do ano 
imediatamente posterior ao da primeira publicação.
Parágrafo único. Aplicar‑se‑á o disposto no art. 41 e seu parágrafo único, 
sempre que o autor se der a conhecer antes do termo do prazo previsto no 
caput deste artigo.
Art. 44. O prazo de proteção aos direitos patrimoniais sobre obras 
audiovisuais e fotográficas será de setenta anos, a contar de 1º de janeiro 
do ano subsequente ao de sua divulgação.
Art. 45. Além das obras em relação às quais decorreu o prazo de proteção 
aos direitos patrimoniais, pertencem ao domínio público:
I – as de autores falecidos que não tenham deixado sucessores;
II – as de autor desconhecido, ressalvada a proteção legal aos conhecimentos 
étnicos e tradicionais (Brasil, 1998).
•	 Quanto à titularidade da obra:
— Titularidade originária: no art. 11 consta definição do titular originário, que é o criador da obra 
intelectual, podendo esse autor (pessoa física) criar obra literária, artística ou científica.
A obra originária poderá ser criada por um único autor e será considerada uma obra originária de 
autoria individual ou em regime de coautoria ou colaboração.
Na titularidade originária o autor detém os direitos patrimoniais e morais sobre sua criação. Por 
exemplo: a compositora “X” cria a música (obra) e por ser cantora a interpreta e resolve gravá‑la e 
vendê‑la. Ou seja, “X” é autora e também titular originário da obra.
— Titularidade derivada: haverá titularidade derivada quando o titular originário optar por ceder/
licenciar/transferir seus direitos patrimoniais a terceiro alheio a criação da obra. Por exemplo: 
o compositor “A” criou a música “B” e cedeu os direitos patrimoniais dela ao grupo “C”. Então, 
“A” será o titular originário, e “grupo C” será o titular derivado.
Cabe lembrar que aquele que adapta, traduz, arranja ou orquestra obra entrada em domínio público 
também é titular de direitos de autor; tal previsão está disposta no art. 14 da lei n. 9.610/1998: “É titular 
de direitos de autor quem adapta, traduz, arranja ou orquestra obra caída no domínio público, não 
podendo opor‑se a outra adaptação, arranjo, orquestração ou tradução, salvo se for cópia da sua” 
(Brasil, 1998).
143
ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
 Saiba mais
Caso selfie do macaco: a fotografia que a macaca fez dela mesma na 
Indonésia, em 2011, gerou disputa judicial para solucionar controvérsias 
sobre a autoria e titularidade. E a pergunta que se faz é: pode um animal 
ser detentor de direitos autorais? Veja as reportagens e entenda mais 
sobre o caso.
DEUTSCHE WELLE. Disputa em torno de selfie de macaco chega ao fim. 
Mundo, G1, 12 set. 2017. Disponível em: https://encurtador.com.br/elzC1. 
Acesso em: 18 ago. 2023.
PIEROZAN, F. Historiando o caso envolvendo os direitos autorais da selfie 
do macaco e transpondo à lei brasileira. Migalhas, 20 set. 2017. Disponível 
em: https://encurtador.com.br/jlwJL. Acesso em: 18 ago. 2023.
•	 Quanto ao registro de obras musicais (prova de anterioridade), não há na Lei de Direitos Autorais 
previsão de obrigatoriedade do registro das obras intelectuais como medida para garantir 
direito autoral, no entanto, esse registro pode ser feito de modo facultativo de acordo com a 
vontade do autor.
O registro é importante nos casos de dúvida de autoria, pois comprova a anterioridade de registro 
autoral; trata‑se de um ato declaratório que serve como prova de anterioridade da criação.
 Lembrete
Nos termos do art. 18 da Lei n. 9.610/1998, a proteção dos direitos 
autorais não depende do registro da obra. Logo, seu registro é facultativo.
7.1.1 O autor e sua proteção legal de direitos morais, patrimoniais e de imagem
A legislação em comento (Brasil, 1998) promove uma subdivisão na proteção dos direitos em morais 
e patrimoniais. Vejamos como isso se dá.
Os direitos morais do autor são irrenunciáveis e inalienáveis. Logo, tais direitos permitem que se 
reivindique, a qualquer momento temporal, a autoria de uma obra ou, ainda, o direito de ver seu nome 
(ou pseudônimo) na exploração da obra. Esses direitos possibilitam também conservar a obra inédita, 
impedir alterações ou modificações e até mesmo retirar a obra de circulação.
144
Unidade III
 Observação
É irrenunciável aquele direito de que o seu titular não pode dispor (ou 
dispor de sua titularidade) e inalienável aquele direito que não pode ser 
restringido ou revogado (por se tratar de um direito inerente ao ser humano).
Os direitos patrimoniais protegidos referem‑se ao direito do autor de usufruir, utilizar e dispor da 
obra, sendo garantidas a ele vantagens econômicas decorrentes de tal exploração. Em outras palavras, 
o direito patrimonial está diretamente relacionado à exploração econômica da obra por parte do seu 
titular, enquanto os direitos morais não têm relação com a valoração econômica propriamente dita.
 Lembrete
Quando uma obra entra em domínio público, os direitos patrimoniais 
deixam de ser observados, pois a obra passa a ser de todos, no entanto, os 
direitos morais do autor devem ser respeitados, assim como os créditos pela 
criação a ele concedidos.
7.1.2 Registro de obras intelectuais
A anterioridade fica caracterizada pelo registro realizado de forma espontânea ou facultativa que 
permite sanar dúvidas quanto à criação mais antiga pelo autor.
Atualmente o Governo Federal implementou, na plataforma gov.br, um acesso ao serviço de registro 
de obras intelectuais, administrado pela Fundação Biblioteca Nacional. A ideia foi desburocratizar e 
simplificar o procedimento de registro de obras intelectuais. Esse serviço online permite que o solicitante 
não necessite ir até uma das agências para realizar a entrega dos documentos.
 Saiba mais
A seguir está o link para a solicitação de registro na Biblioteca Nacional.
GOV.BR. Registrar ou averbar direitos autorias na Biblioteca Nacional. 
Disponível em: https://encurtador.com.br/avM35. Acesso em: 18 ago. 2023.
Com o deferimento da solicitação de registro, o assentamento marca a anterioridade da criação 
da obra intelectual, bem como a preservação da cópia da obra registrada, pelo prazo de duração dos 
direitos patrimoniais, para consulta e referência futura, ressalvadas as restrições de acesso às obras 
inéditas protegidas pelo direito moral do autor.
145
ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
7.1.3 Obras protegidas pela legislação de direito autoral
O art. 7º da Lei de Direitos Autorais (Brasil, 1998) apresenta um rol taxativo das obras que são 
passíveis de proteção, quais sejam: as criações do espírito que são expressas por qualquermeio ou 
fixadas em qualquer suporte (tangível ou intangível), como:
•	 textos de obras literárias, artísticas ou científicas;
•	 conferências, alocuções, sermões;
•	 obras dramáticas e dramático‑musicais;
•	 obras coreográficas e pantomímicas cuja execução cênica se fixe por escrito ou por qualquer 
outra forma;
•	 composições musicais (tenham ou não letras);
•	 obras audiovisuais (inclusive as cinematográficas);
•	 obras fotográficas;
•	 obras de desenhos, pintura, gravura, escultura, litografia e arte cinética;
•	 ilustrações;
•	 cartas geográficas;
•	 projetos, esboços e obras plásticas concernentes à geografia, engenharia, topografia, arquitetura, 
paisagismo, cenografia e ciência;
•	 adaptações e traduções;
•	 programas de computador;
•	 coletâneas ou compilações, antologias, enciclopédias, dicionários, bases de dados etc.
7.1.4 Obras que não são protegidas pela legislação de direito autoral
O art. 8º dessa lei também apresenta o rol taxativo das obras que não recebem proteção dos direitos 
autorais. São elas:
•	 ideias;
•	 procedimentos normativos;
146
Unidade III
•	 sistemas, métodos, projetos ou conceitos matemáticos;
•	 esquemas, planos ou regras para realizar atos mentais, jogos ou negócios;
•	 formulários em branco;
•	 textos de tratados ou convenções;
•	 leis, decretos, regulamentos, decisões judiciais e demais atos oficiais;
•	 informações de uso comum como calendários, agendas, cadastros ou legendas;
•	 nomes e títulos isolados;
•	 aproveitamento industrial ou comercial de ideias contidas nas obras.
7.1.5 Prazo de proteção fixado para proteção do direito autoral
Os direitos patrimoniais do autor têm seu prazo fixado pela norma da seguinte maneira:
•	 O direito patrimonial acompanha toda a vida do autor e perdura por 70 anos, contados a partir de 
1º de janeiro do ano subsequente ao de seu falecimento.
•	 Quando a obra for de autoria anônima ou pseudônima e, ainda, em se tratando de obras audiovisuais 
e fotográficas, a lei fixou como prazo de proteção 70 anos, contados a partir de 1º de janeiro do 
ano imediatamente posterior ao da primeira publicação, para aquelas, ou divulgação, para estas.
Podem ser registradas obras intelectuais como obras audiovisuais, fotografias, músicas (com ou sem 
letra), desenhos, projetos, esboços, cenografias, textos literários, projetos de paisagismo e arquitetura, 
sermões, conferências, coreografias e pantomimas com execução cênica escrita.
 Lembrete
Diferentemente do que se dá com os direitos patrimoniais, os direitos 
morais de autor são imprescritíveis, ou seja, o autor sempre poderá, a 
qualquer momento, exigir seus direitos no que tange a questões relacionadas 
a eventual dano moral.
147
ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
7.1.6 Características do direito de imagem
O direito à imagem é autônomo. Em outras palavras, ele se faz valer independentemente da presença 
de outros direitos da personalidade, como honra, vida privada ou intimidade. Logo, trata‑se de um 
direito autônomo e de conteúdo próprio, existente mesmo sem gerar qualquer reflexo na vida privada e 
na intimidade.
A Constituição Federal, em seu art. 5º, X, elenca os bens jurídicos por ela protegidos, entre eles a 
intimidade, a vida privada, a honra e a imagem Disso, pode‑se depreender que os bens autônomos não 
dependem um dos outros. Portanto, por ser a imagem um bem jurídico, dotado de total autonomia, para 
que seu direito seja violado não se faz necessária a transgressão de qualquer outro direito.
Os indivíduos detêm como uma garantia constitucional, também prevista no art. 5º, X, o direito 
fundamental de controlar o uso e a exploração da imagem, sendo assegurada a faculdade de solicitar 
indenização por danos causados pela violação desse direito. Vejamos:
 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo‑se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e 
à propriedade, nos termos seguintes: [...]
X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das 
pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral 
decorrente de sua violação (Brasil, 1988).
No entanto, além da previsão constitucional, encontramos no ordenamento jurídico civil e penal 
regras sobre o direito de imagem. O art. 20 do Código Civil proíbe a exposição da imagem de terceiros 
sem sua anuência e ainda garante que a utilização da imagem sem concordância que promova dano à 
honra desse terceiro ou tenha fins comerciais será passível de indenização.
Entretanto, é importante salientar que nem sempre haverá necessidade de obtenção de uma 
autorização, como nos casos de manutenção da ordem pública. Vejamos:
 
Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade 
são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer 
limitação voluntária. [...]
Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça 
ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão 
da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de 
uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo 
da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a 
respeitabilidade, ou se destinarem a fins comerciais (Brasil, 2002).
148
Unidade III
Também encontramos uma normatização no Código Penal Brasileiro quanto à pena a ser aplicada 
nos casos de uso indevido da imagem de terceiros.
 
Art. 218‑C. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, 
distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio – inclusive por meio de 
comunicação de massa ou sistema de informática ou telemática, fotografia, 
vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro  ou 
estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática, ou sem 
o consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia.
Pena – reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o fato não constitui crime 
mais grave.
Aumento de pena:
§ 1º A pena é aumentada de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se o crime 
é praticado por agente que mantém ou tenha mantido relação íntima de 
afeto com a vítima ou com o fim de vingança ou humilhação (Brasil, 1940).
Como é cediço, não há direito absoluto, logo, em alguns momentos, essa garantia constitucional à 
preservação do direito à imagem poderá ceder lugar a um outro direito.
 Observação
Vale ressaltar que, ao falar em direito à imagem, também é abrangida 
a violação em outras formas, como exposição, captação e publicação de 
imagem, voz, jargões e mímicas, entre outras características que distinguem 
uma pessoa de outra.
Doutrinariamente, há uma divisão quando tratamos do direito à imagem:
•	 A imagem‑retrato refere‑se aos traços físicos, ou seja, elementos visíveis que permitem a distinção 
entre os indivíduos.
•	 A imagem‑atributo busca valores que a pessoa tem perante a sociedade, ou seja, valores 
identificadores com honra objetiva e subjetiva e seu decoro.
No caso de indivíduos usando de sua imagem para propalar sua notoriedade, obviamente, não há 
que se falar em violação ao direito à imagem. No caso de pessoas públicas (como atores, músicos e 
políticos, entre outros), também não há que se falar em punição por violação de direito à imagem de 
terceiros sem autorização. Cabe, no entanto, destacar que a análise dessa violação deverá ocorrer no caso 
concreto diante da possibilidade de a ocorrência se dar no espaço da sua intimidade privada. Segundo 
Vendruscolo: “Assim quando o político, o artista ou o atleta se dispõe a se mostrar publicamente, há que 
149
ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
se concluir, diante das circunstâncias, que ele autorizou a captação e utilização de sua imagem, tendo 
em conta a própria condição que ostente no meio social” (Vendruscolo, 2008, p. 130).
Os meios de divulgação da imagem em razão dos avanços tecnológicos crescentes e, ainda,o 
aumento do uso da internet através das redes sociais vêm viabilizando uma grande diversidade nas 
formas de disseminação da imagem. Vejamos algumas dessas formas.
•	 Desenho: meio de divulgação que utiliza como técnica lápis ou pincel para expressar, por meio 
de formas e cores, temas imaginários ou a própria realidade. Na caricatura, por exemplo, que 
se baseia no destaque de aspectos físicos de um indivíduo, se for constatado um avanço de 
forma ofensiva (realçando parte do corpo de modo a destacar deficiências com a intenção 
de humilhar o caricaturado), haverá ofensa à garantia constitucional do direito à imagem. Caso 
contrário, sendo certo que o uso do desenho respeita os limites lícitos, não há que se falar 
em indenização.
•	 Pinturas/esculturas: meio de divulgação pelo uso de técnicas em pincel, aquarela, entalhamento 
em madeira, barro ou fundimento, entre outros. Ao expressar uma imagem através da pintura/
escultura, o artista utiliza grande subjetivismo na forma de expressar o retratado e, assim, sempre 
que o fizer sem ofensa aos traços fisionômicos, estará respeitando os limites do direito à imagem, 
não havendo, portanto, base para se falar em indenização por danos.
•	 Fotografia: meio de divulgação e reprodução da imagem através de cópia. Aqui, há dois direitos à 
imagem envolvidos na divulgação de imagens fotográficas. O direito à imagem do fotografado e o 
direito do autor da fotografia pelo direito de uso do profissional que é o titular do direito autoral 
da imagem – já que a fotografia é considerada obra de arte protegida pela Lei de Direito Autoral 
(Brasil, 1998).
Ressalte‑se que, quanto ao direito autoral garantido ao profissional que fotografa, cabe somente a 
garantia de direitos patrimoniais de sua obra, ao passo que, com relação ao fotografado, há a proteção 
aos direitos morais e patrimoniais em caso de eventual configuração de dano à sua imagem explorada 
sem sua autorização.
•	 Internet: meio de comunicação em escalada/evolução diante dos constantes avanços tecnológicos 
que vêm gerando incontáveis ações judiciais na busca pelo ressarcimento de danos pelo uso de 
imagens sem observância dos direitos decorrentes relacionados (em especial no que tange ao 
direito a honra, a direitos autorais e direitos de imagem).
Diante da facilidade da inserção de dados nos sites, há uma falsa impressão de que, se está na 
internet, não há restrições de uso (impressão totalmente equivocada). A mesma coisa se dá com a 
obtenção da imagem de outros meios de comunicação, como revistas, jornais ou outras homepages, 
canais de comunicação os quais obtiveram autorização para a veiculação. A ausência de autorização do 
indivíduo de forma tácita ou expressa para uso de sua imagem vem crescendo assustadoramente. Logo, 
cabe ao responsável pela inserção da notícia a preocupação com a obtenção da autorização.
150
Unidade III
É verdade que a lei prevê algumas situações onde a autorização é presumida, como no já citado 
exemplo de pessoas públicas, mas mesmo nesses casos a notícia deve ter caráter de relevância e interesse 
público, não sendo absoluta essa presunção de autorização.
•	 Televisão: meio de comunicação com múltiplas funções, como entreter, persuadir, educar 
e informar, sendo essa última a que trata da divulgação das notícias do cotidiano. Quando 
tratamos sobre a função de informar, podemos perceber a relevância dessa função, que conecta 
o indivíduo e a informação, como importante meio de comunicação. Aqui também a divulgação 
da imagem vem gerando inúmeras ações judiciais por danos decorrentes da violação de direitos 
(direito à imagem).
•	 Imprensa escrita: meio de comunicação que se utiliza da escrita para divulgação de suas 
informações e está presente não só em jornais, mas também em revistas e periódicos, entre outros.
Evidentemente, há a utilização, também pela imprensa escrita, de imagens. Em realidade, elas são 
utilizadas intensamente, o que gera, em algumas situações, a inobservância das questões de direito 
de imagem (já que há a necessidade de autorização da pessoa que é objeto da notícia para que possa 
ser feita veiculação e associação de sua imagem à informação). Essa inobservância gera o dever de 
ressarcimento de eventuais danos de âmbito moral e material.
 Observação
Faz‑se necessário ressaltar que os meios de comunicação têm assegurado 
o direito à liberdade de noticiar e divulgar imagens, independentemente 
de expressa autorização, não de forma ilimitada, quando a notícia for de 
interesse público.
Em especial quanto aos casos de inobservância do direito à imagem praticados pelos meios de 
comunicação da imprensa, podemos identificar duas modalidades de danos:
•	 dano moral;
•	 dano material.
No caso do dano moral, haverá dever de indenizar sempre que, ao divulgar a notícia, a imprensa 
viole a intimidade, a honra (objetiva ou subjetiva) ou a imagem da pessoa ao divulgar informações sobre 
ela ou que a envolvam de forma direta ou indireta.
Já quanto a prejuízos que venham a causar dano material à pessoa, esses decorrem sempre que 
houver lesão patrimonial ou, ainda, situações que venham a colocar em risco bens de caráter intelectual 
ou material da pessoa sobre a qual a notícia trata direta ou indiretamente.
151
ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
7.1.7 Da liberdade de imprensa
Para entender a liberdade de imprensa, é preciso lembrar que a Constituição Federal, em seu art. 5º, 
IV, prevê a liberdade de expressão de pensamento. Sendo a liberdade de imprensa uma das formas de 
manifestação do pensamento, ela detém, dessa forma, garantia constitucional.
Ainda com relação à liberdade de imprensa, o exercício de informar é um direito, estando tal garantia 
vinculada sobretudo à informação jornalística, principal função da imprensa escrita. Destaque‑se que é 
de grande relevância o resguardo desse direito, já que a informação jornalística alcança a coletividade 
e possibilita aos cidadãos aprimorar suas ideias, opiniões e conhecimento sobre os temas informados. 
E é justamente em razão desse importante papel que a informação pode influenciar comportamentos, 
mesmo quando carregada de equívocos ou dados intencionalmente pautados na inverdade e no abuso 
da boa‑fé, gerando ofensa do direito à imagem.
Dada essa relevância, caberá ao profissional jornalista zelar pelo cumprimento dos padrões legais 
fixados pela Constituição no momento da feitura de seu trabalho, preocupando‑se em preservar direitos 
e garantias de terceiros no momento da execução do seu exercício de informação (já que a informação 
de caráter público deve ser exercida com respeito e responsabilidade preservando valores como a honra, 
a imagem e a intimidade).
Quanto ao uso de imagens com fins jornalísticos, não há restrições no que se refere ao uso de 
fotografias que retratam terceiros desde que não haja violação à imagem dos indivíduos fotografados 
em ações públicas. Diversos são os julgados dos tribunais que tratam sobre violações ao direito à imagem 
por intermédio do uso da fotografia.
No que tange à utilização da imagem pela imprensa escrita e pela televisão, cabe esclarecer que 
não há diferenciação de tratamento para a divulgação da imagem de terceiros. Enquanto a utilização 
tiver como finalidade a divulgação de notícias do interesse público, ela independe de autorização. 
Contudo, em uma eventual situação de abuso quanto ao prescrito pela lei, será o caso de analisar cada 
ocorrência isoladamente.
O uso de imagens obtidas por diferentes sites também deve respeito e observância em relação às 
regras de direito do uso de imagens. A falsa ideia de que o que consta da rede está livre da obrigação 
de respeito às normas constitucionais não procede, havendo necessidade da prévia autorização do 
retratado (com exceções nos casos em que se presume que a autorização tenha respaldo legal nos casos, 
como o uso de imagens de pessoas públicas em razão de sua atuação gerar presunção de voluntariedade 
da exposição).
Muito falamos sobre a autorização do direito deuso de imagem concedida por terceiros para uso 
nos meios de comunicação, seja internet, televisão, imprensa, fotografias e desenhos, entre outros. 
E como a doutrina trata dessa autorização? Há duas espécies de autorização do uso de imagem: a 
primeira reconhecida como consentimento tácito e a segunda mediante consentimento expresso. 
Vejamos melhor cada uma delas.
152
Unidade III
No primeiro caso, qual seja o consentimento tácito, o indivíduo não autoriza expressamente o uso 
de sua imagem, mas nada faz para impedir ou esclarecer que o uso não deve acontecer. Por exemplo: 
uma pessoa que se deixa fotografar e, pela situação fática, é evidente que tal imagem será divulgada 
(como em um evento social cuja cobertura pelo meio de comunicação está evidenciada e até se espera 
tal divulgação).
Quanto à segunda forma de autorização, o consentimento expresso, não há como presumir a 
permissão de uso. Nessa hipótese, a autorização somente poderá ocorrer de forma verbal ou por escrito. 
Ou seja, o terceiro envolvido, expressa e inequivocamente, autoriza a utilização de sua imagem.
7.2 Noções gerais de contratos
Contrato é um acordo bilateral de vontades que envolve duas ou mais partes denominadas contratado 
e contratante (toda relação contratual envolve duas ou mais pessoas que a celebram).
O contrato é utilizado como instrumento jurídico pactuado entre duas ou mais pessoas que 
declaram, de forma voluntária, a intenção e o interesse na realização de uma relação jurídica em que as 
partes pretendem adquirir, resguardar, transferir, conservar, modificar ou extinguir um direito ou uma 
obrigação, gerando assim efeitos jurídicos entre si.
Figura 24 
Disponível em: https://encurtador.com.br/osxCW. Acesso em: 18 ago. 2023.
Não compete, via de regra, ao profissional da publicidade empregado elaborar minutas de contrato, 
mas seu conhecimento e sua interpretação são muito importantes no desempenho de suas obrigações.
Já quando o profissional atua como prestador de serviço direto a uma pessoa (física ou jurídica), 
saber interpretar e elaborar um contrato torna‑se essencial para a segurança legal da relação entre o 
publicitário e seu cliente e/ou fornecedor, isso porque um contrato bem elaborado garante às partes 
uma execução que satisfaça aos objetivos dos envolvidos.
153
ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
O contrato estabelecerá, entre as partes contratantes, uma relação jurídica que as compele ao 
cumprimento de suas obrigações e direitos.
7.2.1 Princípios fundamentais e básicos
Há, na doutrina, várias classificações quanto aos princípios fundamentais inerentes ao direito 
contratual, mas, em todas, sempre estão presentes os seguintes princípios básicos fundamentais:
•	 Autonomia da vontade: o princípio da autonomia busca estabelecer que, nas relações 
contratuais, as partes envolvidas têm a liberdade de contratar nos termos que lhes convém, ou 
seja, as cláusulas são fixadas sem a intervenção do Estado. Dessa forma, constata‑se a liberdade 
contratual dos envolvidos de determinar voluntariamente o que lhes é mais conveniente e 
atende seus interesses, regulando, assim, os efeitos jurídicos que serão produzidos entre eles 
e perante terceiros. A previsão de tal autonomia se encontra nos arts. 421 e 425 do Código Civil 
brasileiro. Vejamos:
 
Art. 421. A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do 
contrato. (Redação dada pela Lei n. 13.874, de 2019)
Parágrafo único. Nas relações contratuais privadas, prevalecerão o princípio da 
intervenção mínima e a excepcionalidade da revisão contratual. (Incluído pela 
Lei n. 13.874, de 2019) [...]
Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas 
gerais fixadas neste Código (Brasil, 2002).
 
• Supremacia da ordem pública: esse princípio coloca o interesse público em destaque e, dessa 
forma, acaba por estabelecer uma limitação à autonomia da vontade (já que esta não poderá se 
sobrepor ao interesse público).
• Consensualismo: o ato consensual de contratar dá validade e legalidade ao contrato, já que 
os contratos são decorrentes da vontade livre de contratar. Da mesma forma, o contrato se 
aperfeiçoa com o cumprimento das obrigações das partes envolvidas. Assim, esse princípio fixa 
que o consenso entre as partes envolvidas para pactuar efeito jurídico no contrato basta para 
produzir um contrato válido e eficaz.
• Relatividade dos contratos: o pactuado livremente entre as partes envolvidas somente produz 
efeitos entre os contratantes. A vontade pactuada entre as partes vincula unicamente os 
pactuantes, não produzindo seus efeitos perante terceiros que não tiveram qualquer participação. 
Entretanto, é necessário destacar que existem algumas exceções previstas na lei, como quando as 
partes contratam voluntariamente e estabelecem condições em favor de terceiros que não são os 
contratantes.
154
Unidade III
• Obrigatoriedade dos contratos: refere‑se ao dever de cumprir as obrigações e deveres decorrentes 
do contrato pactuado entre os envolvidos, ou seja, o que foi combinado deverá ser cumprido, não 
sendo possível, salvo em caso de ilegalidade, terceiros alterarem as condições pactuadas. Assim 
como o pactuado deve ser cumprido, as vontades devem ser respeitadas exatamente nos termos 
ajustados, sob pena de ser a parte não cumpridora executada por inadimplemento contratual.
 Observação
O arrependimento, depois de pactuado o contrato, é considerado um 
ilícito contratual, já que, uma vez cumprido e legalmente constituído o 
contrato, este somente poderá ser alterado por nova manifestação de 
vontade com a intenção de destituir o anteriormente combinado entre 
os contratantes.
• Revisão dos contratos ou da onerosidade excessiva: há possibilidade de, ocorrendo uma 
onerosidade excessiva, em razão de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, para uma das 
partes, esta recorrer ao Poder Judiciário para promover um reequilíbrio contratual.
 
Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação 
de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem 
para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, 
poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que 
a decretar retroagirão à data da citação.
Art. 479. A resolução poderá ser evitada, oferecendo‑se o réu a modificar 
equitativamente as condições do contrato.
Art. 480. Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes, 
poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida, ou alterado o modo de 
executá‑la, a fim de evitar a onerosidade excessiva (Brasil, 2002).
Para promover essas alterações, aplica‑se a chamada cláusula rebus sic stantibus (ou cláusula da 
teoria da imprevisão).
•	 Boa‑fé: esse princípio corrobora a ideia de que as partes contratantes devem se comportar de 
forma correta e lícita, evitando, assim, que uma delas se beneficie em detrimento da outra, não 
importando em que momento da relação contratual as partes possam estar quanto a tratativas, 
formação, execução contratual. Sendo assim, podemos afirmar que esse princípio prevê que a 
intenção dos envolvidos deverá prevalecer sobre a essência literal da escrita. Segundo o art. 422 
do Código Civil, “os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como 
em sua execução, os princípios de probidade e boa‑fé”. (Brasil, 2002).
155
ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
 Observação
A obrigatoriedade contratual também é conhecida como pacta 
sunt servanda.
7.2.2 Requisitos contratuais: validade e formas
Para verificar a validade de um contrato, a doutrina apresenta um rol de três requisitos: objetivos, 
subjetivos e formais.
Os requisitos objetivos são aqueles ligados ao objeto do contrato:
•	 O objeto do contrato deve ser lícito.
•	 Deve haver a possibilidade física ou jurídica do objeto.
•	 O objeto deve ser determinado, certo ou, no mínimo, determinável.
•	 A economicidade do objeto deve ter capacidade de se converter,direta ou indiretamente, 
em dinheiro.
Os requisitos subjetivos estão ligados aos envolvidos no contrato (as partes):
•	 Capacidade genérica das partes contratantes para prática de atos da vida civil (as partes envolvidas 
precisam ter capacidade civil para contratar, ou seja, serem maiores de 18 anos, e responderem 
pelos atos praticados na vida civil).
•	 Aptidão específica para contratar.
•	 Consentimento das partes contratantes.
Os requisitos formais estão ligados à forma como o contrato pode ser realizado, a fim de dar validade 
e efeito jurídico a ele (livre, solene e contratual). A regra é a liberdade da forma de contratar, ou seja, 
a liberdade das partes ao contratar de forma livre, estabelecendo as cláusulas que vão reger a relação 
de obrigações contratuais. Exceções estão previstas no ordenamento jurídico quando, para produzir 
seus efeitos legais, o contrato deverá observar algumas cláusulas, independentemente da vontade dos 
contratantes, que devem fazer parte de um contrato obrigatoriamente (solene). No entanto, ressalvadas 
essas condições, a estipulação das regras fica a critério das partes envolvidas.
156
Unidade III
Para o contrato ser considerado válido e produzir seus efeitos jurídicos, é preciso que a sua forma 
(externalização) seja prescrita e não proibida por lei. Via de regra, a forma de externalizar o contrato 
é livre, podendo as partes contratantes realizar o contrato de forma particular ou pública, por escrito 
ou de forma verbal. Em algumas situações específicas, a lei determina a observância de uma forma 
(solenidade), ou seja, ela exige, para o contrato ser considerado válido e eficaz, uma forma especifica/
especial, como a escritura pública num caso de compra e venda de imóveis.
7.2.3 Interpretação dos contratos
A interpretação dos contratos exerce função objetiva e subjetiva. Nos contratos escritos, a análise 
do texto (interpretação objetiva) conduz à descoberta da intenção das partes (interpretação subjetiva), 
alvo principal da operação. O Código Civil deu prevalência à teoria da vontade sobre a da declaração, 
conforme art. 112: “nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do 
que ao sentido literal da linguagem” (Brasil, 2002).
Há algumas regras interpretativas para alguns tipos específicos de contrato:
•	 No contrato de adesão, existindo cláusulas ambíguas ou contraditórias, a interpretação, segundo 
o art. 423, deverá ser aquela mais favorável ao aderente: “quando houver no contrato de adesão 
cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever‑se‑á adotar a interpretação mais favorável ao 
aderente” (Brasil, 2002).
•	 No contrato de transação, conforme o art. 843, a interpretação deve ser restritiva “a transação 
interpreta‑se restritivamente, e por ela não se transmitem, apenas se declaram ou reconhecem 
direitos” (Brasil, 2002).
•	 No contrato de fiança, de acordo com o art. 819, não se admite interpretação extensiva: “a fiança 
dar‑se‑á por escrito, e não admite interpretação extensiva” (Brasil, 2002).
•	 Nas disposições sobre testamento, havendo dúvidas quanto à interpretação da cláusula testamentária, 
a interpretação que deverá prevalecer é aquela que melhor assegure a observância da vontade do 
testador. “Art. 1.899. Quando a cláusula testamentária for suscetível de interpretações diferentes, 
prevalecerá a que melhor assegure a observância da vontade do testador” (Brasil, 2002).
7.2.4 Formação do contrato
O contrato será formado pelo resultado de duas ou mais manifestações de vontade. Tais elementos 
não dependem de forma especial, salvo quando expressamente previsto na legislação.
•	 Elemento proposta, também conhecida como oferta, policitação ou oblação.
•	 Elemento aceitação.
157
ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
Quanto ao elemento proposta, ela ocorre após as negociações preliminares, a chamada de fase de 
puntuação. A proposta formulada de forma consciente vincula a parte proponente que promoveu a 
oferta, no entanto, a fase de puntuação não vincula os contratantes: “Art. 427. A proposta de contrato 
obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da natureza do negócio, ou das 
circunstâncias do caso” (Brasil, 2002).
A sua retirada sujeita o proponente ao pagamento das perdas e danos. O Código Civil abre exceções 
a essa regra se o contrário resultar dos termos dela, da natureza do negócio ou das circunstâncias do 
caso. Tais circunstâncias são elencadas no art. 428:
 
Art. 428. Deixa de ser obrigatória a proposta:
I – se, feita sem prazo a pessoa presente, não foi imediatamente aceita. 
Considera‑se também presente a pessoa que contrata por telefone ou por 
meio de comunicação semelhante;
II – se, feita sem prazo a pessoa ausente, tiver decorrido tempo suficiente 
para chegar a resposta ao conhecimento do proponente;
III – se, feita a pessoa ausente, não tiver sido expedida a resposta dentro 
do prazo dado;
IV – se, antes dela, ou simultaneamente, chegar ao conhecimento da outra 
parte a retratação do proponente.
Art. 429. A oferta ao público equivale a proposta quando encerra os requisitos 
essenciais ao contrato, salvo se o contrário resultar das circunstâncias ou 
dos usos.
Parágrafo único. Pode revogar‑se a oferta pela mesma via de sua divulgação, 
desde que ressalvada esta faculdade na oferta realizada (Brasil, 2002).
O CDC é mais abrangente quanto ao elemento oferta que o Código Civil brasileiro, já que o elemento 
oferta no CDC atinge um número indeterminado de pessoas na chamada contratação em massa. No 
entanto, a recusa indevida de dar cumprimento à proposta dá ensejo à execução específica estipulada 
no art. 35 do CDC, podendo o consumidor optar, em seu lugar, por aceitar outro produto, rescindir o 
contrato e pedir perdas e danos.
 
Art. 35. Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumprimento à 
oferta, apresentação ou publicidade, o consumidor poderá, alternativamente 
e à sua livre escolha:
I – exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, 
apresentação ou publicidade;
158
Unidade III
II – aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente;
III – rescindir o contrato, com direito à restituição de quantia eventualmente 
antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e danos (Brasil, 1990b).
Após a apresentação da puntuação e da oferta e havendo anuência das partes envolvidas com as 
condições pactuadas, ocorre a fase do elemento aceitação, quando a manifestação de vontade deverá 
ser expressa com o intuito de concluir o contrato.
Quanto à aceitação, essa deve ser clara, pura e simples. E, se ocorrer após prazo definido na proposta, 
com adições, restrições ou modificações, importará nova proposta, denominada contraproposta.
 
Art. 431. A aceitação fora do prazo, com adições, restrições, ou modificações, 
importará nova proposta.
Art. 432. Se o negócio for daqueles em que não seja costume a aceitação 
expressa, ou o proponente a tiver dispensado, reputar‑se‑á concluído o 
contrato, não chegando a tempo a recusa.
Art. 433. Considera‑se inexistente a aceitação, se antes dela ou com ela 
chegar ao proponente a retratação do aceitante (Brasil, 2002).
Quanto à manifestação de vontade, ela pode ser expressa ou tácita. Assim, o contrato celebrado entre 
os envolvidos pode ser realizado através de manifestação de vontade de forma expressa, sendo esta 
verbalizada ou por escrito. Há ainda a possibilidade de a celebração do contrato se dar por manifestação 
tácita, a qual se caracteriza pela ausência de manifestação contrária à execução do contrato.
São situações em que a manifestação não tem força vinculante:
•	 Quando a manifestação de aceite chegar tardiamente ao conhecimento do proponente. Nesse 
caso, ele deverá avisar ao aceitante de imediato, evitando, assim, o pagamento de eventuais 
perdas e danos, conforme previsto no art. 430 do Código Civil (Brasil, 2002).
•	 Quando há a retratação do aceite, mas esta chega antes do aceite anteriormente manifestado ou 
ainda simultaneamente a este.
Sobreo momento da efetivação contratual, dois cenários são possíveis: entre contratantes presentes, 
reputa‑se concluído no momento da aceitação; entre contratantes ausentes, há três fases. Vejamos 
cada uma delas:
•	 Momento da informação ou cognição: momento da ciência pelo proponente da inteira resposta 
da manifestação de vontade do outro contratante.
159
ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
•	 Momento da declaração ou agnição: momento da declaração propriamente dita (considera o 
momento da redação), da expedição e da recepção (entrega ao destinatário).
•	 Lugar da celebração: reputa‑se celebrado o contrato no lugar em que foi feita a proposta. 
Conforme previsto no art. 435 do Código Civil: “Reputar‑se‑á celebrado o contrato no lugar em 
que foi proposto” (Brasil, 2002).
E conforme o Decreto‑lei n. 4.657/1942:
 
Art. 9º Para qualificar e reger as obrigações, aplicar‑se‑á a lei do país em que 
se constituírem. [...]
§ 2º A obrigação resultante do contrato reputa‑se constituída no lugar em 
que residir o proponente (Brasil, 1942).
O contrato é considerado concluído na impossibilidade de a prestação ser cumprida. Resolve‑se a 
obrigação contratual quando se torna impossível o seu cumprimento, já que não há como realizar o que 
é considerado impossível para todas as pessoas indistintamente. Segundo o art. 106 do Código Civil, “a 
impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for relativa, ou se cessar antes de 
realizada a condição a que ele estiver subordinado” (Brasil, 2002).
7.2.5 Classificação dos contratos
Quanto aos efeitos jurídicos decorrentes da relação contratual, os contratos podem ser:
•	 Unilaterais, bilaterais e plurilaterais (com relação às partes envolvidas no contrato e que 
sofrerão os efeitos das manifestações de vontade de contratar):
— unilateral: gera obrigações (efeitos jurídicos) somente para uma das partes envolvidas (como 
um contrato de doação pura);
— bilateral: produz obrigações (efeitos jurídicos) para ambos os contratantes (como um contrato 
de compra e venda de bem móvel ou imóvel);
— plurilateral: produz obrigações (efeitos jurídicos) entre duas ou mais partes envolvidas (como 
um contrato de sociedade).
•	 Gratuitos, onerosos, comutativos ou aleatórios por natureza:
— gratuitos ou benéficos: são os contratos em que apenas uma das partes receberá os benefícios 
ou vantagens decorrentes desse contrato (como no caso de doações puras);
— onerosos: são os contratos em que ambos os contraentes obtêm algum proveito ou benefício 
(como em um contrato de compra e venda);
160
Unidade III
— comutativos: são os contratos cujas prestações são certas e determinadas, não envolvendo 
nenhum risco;
— aleatórios: são os contratos que tem a incerteza para uma ou ambas as partes (contratos de 
jogo, aposta e seguro, por exemplo, são aleatórios por natureza, porque a álea, o risco, lhes 
é peculiar).
Quanto aos efeitos jurídicos decorrentes da relação contratual, os contratos podem ser:
•	 Paritários ou tradicionais: são os contratos em que as partes discutem livremente as condições, 
estando em uma situação de paridade.
•	 Adesão: são os contratos em que a liberdade de contratar sofre algumas restrições para uma 
das partes devido à preponderância da vontade de um dos contratantes, que elabora todas as 
cláusulas. Assim, o outro somente adere ao modelo que foi elaborado, não podendo promover 
qualquer modificação nessas cláusulas.
Quanto ao momento de sua execução, os contratos podem ser:
•	 De execução imediata ou instantânea: trata‑se dos contratos que se resolvem imediatamente 
em um único ato de execução após sua celebração. Tal é o caso da compra e venda à vista de um 
objeto (um paga e o outro entrega o objeto, estando o contrato concluído mediante a execução 
das obrigações recíprocas).
•	 De execução diferida: são os contratos que devem ser cumpridos pelas partes em uma única 
execução, só que, diferentemente do contrato de execução imediata, estes preveem cumprimento 
em momento futuro.
•	 De execução continuada ou de trato sucessivo: são os contratos que se cumprem por meio de 
atos reiterados em determinado tempo estipulado.
Quanto ao agente (ou contratantes), os contratos podem ser:
•	 Personalíssimos ou intuitu personae: são os contratos cujo elemento “qualidades pessoais” de 
um dos contraentes é o componente essencial para a execução do contrato.
•	 Impessoais: são aqueles contratos cuja prestação pode ser cumprida, indiferentemente, pelo 
obrigado ou por terceiro, não havendo qualquer singularidade da parte no cumprimento da 
execução contratual.
•	 Individuais: são contratos em que as vontades são individualmente consideradas, ainda que 
envolvam várias pessoas.
161
ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
•	 Coletivos: são os contratos que passam pelo acordo de vontades entre duas pessoas jurídicas de 
direito privado, representativas de categorias profissionais.
Quanto ao modo de execução, os contratos podem ser:
•	 Principais: são contratos que têm existência própria e não dependem de qualquer outro contrato 
para promover sua execução.
•	 Acessórios: são os contratos que, para ter existência executória, estão subordinados à existência 
do contrato principal (como no caso de um contrato de fiança).
•	 Derivados ou subcontratos: são os contratos que estão subordinados a direitos previstos em 
outros contratos (como em um contrato de subempreitada).
Quanto à forma, os contratos podem ser:
•	 Solenes: são os contratos que devem observar uma forma prescrita em lei para se aperfeiçoar.
•	 Não solenes: são contratos cuja forma é livre, não tendo que observar elementos prescritos pela 
lei. Assim, basta o consentimento para a sua formação.
•	 Reais: são os contratos que, para formalização, exigem outro elemento além da manifestação de 
vontade de contratar a entrega da coisa que lhe serve de objeto (caso de um contrato de depósito).
Quanto ao objeto do contrato:
•	 Preliminar, pactum de contrahendo ou pré‑contrato: caso de contratos que têm um objeto 
único e definitivo.
•	 Definitivo: caso de contratos que têm diversos objetos, de acordo com a natureza de cada um.
Quanto à designação, os contratos podem ser:
•	 Nominados: são os contratos com identificação própria (como o contrato de compra e venda).
•	 Inominados: são os contratos que não têm denominação própria.
•	 Típicos: são os contratos regulados pela lei, tendo o seu perfil nela traçado.
•	 Atípicos: são os contratos obtidos por um acordo de vontades, não estando presente nenhum 
elemento, característica ou requisito definido e regulado pela lei.
•	 Mistos: são os contratos que resultam da combinação de um contrato típico com cláusulas 
criadas pela vontade dos contratantes.
162
Unidade III
Contratos bilaterais
Nos contratos bilaterais, as prestações são recíprocas. Logo, uma parte não pode exigir da outra o 
cumprimento de dada obrigação se não tiver cumprido a sua parte da obrigação contratual (pense na 
exceptio non adimpleti contractus, a exceção do contrato não cumprido). Diz o art. 476 do Código Civil: 
“nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o 
implemento da do outro” (Brasil, 2002).
Já o art. 477 do Código Civil prevê a garantia de execução da obrigação a prazo:
 
Art. 477. Se, depois de concluído o contrato, sobrevier a uma das partes 
contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou 
tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou, pode a outra recusar‑se à 
prestação que lhe incumbe, até que aquela satisfaça a que lhe compete ou 
dê garantia bastante de satisfazê‑la (Brasil, 2002).
O art. 475, por sua vez, promove o reconhecimento do inadimplemento como condição resolutiva: 
“a parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir‑lhe o 
cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos” (Brasil, 2002).
Distrato e quitação
Distrato é o acordo de vontades cujo objetivo é extinguirum contrato anteriormente celebrado. 
Para a ocorrência do distrato, deverão as partes observar as mesmas condições de forma no momento 
da contratação. Segundo o art. 472: “o distrato faz‑se pela mesma forma exigida para o contrato” 
(Brasil, 2002).
Já para a quitação de um contrato, não há nenhuma forma preestabelecida na lei, exigindo‑se 
apenas a forma escrita.
 
Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, 
designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem 
por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do 
credor, ou do seu representante (Brasil, 2002).
163
ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
8 O MARCO CIVIL DA INTERNET
A Lei n. 12.965/2014 regulamenta e fixa princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da internet 
e gerencia o uso das redes por usuários e provedores.
 Saiba mais
A seguir, você tem a primeira decisão judicial a citar a iniciativa do Marco 
Civil da Internet, na qual a desembargadora Letícia de Faria Sardas ressalta: 
“Ponto muito importante e positivo do Marco Civil é a forma como propõe 
regular os direitos e deveres relativos aos vários dados gerados pelo usuário 
quando navega”. Você pode ler o documento na sua integralidade acessando 
o link indicado.
VIGÉSIMA CÂMARA CÍVEL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Agravo de 
instrumento n. 0013822‑08.2010.8.19.0000. 30 jun. 2010. Disponível em: 
https://encurtador.com.br/ahjn7. Acesso em: 18 ago. 2023.
A fixação do princípio da neutralidade do uso da rede garante que todos os usuários pagarão somente 
pela velocidade contratada, e não pela página que pretenda acessar, sem levar em consideração o conteúdo.
Além da neutralidade, a lei que regula o marco civil também assegura a privacidade do acesso aos 
conteúdos pelos usuários e, ainda, a inviolabilidade e o sigilo das comunicações pela internet e dos 
dados pessoais, assim como os registros das conexões realizadas pelos usuários. Dessa forma, somente 
por determinação judicial será possível a violação da privacidade dos usuários na rede.
Houve muitas objeções à criação dessa norma por parte de ciberativistas. Isso em razão do forte 
caráter de vigilância durante a tramitação do projeto de lei.
 Saiba mais
A seguir, estão os princípios a serem observados para a governança e o 
uso da internet no Brasil.
COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL. Resolução CGI.br/RES/2009/003/P. 
São Paulo: CGI.br, 2009. Disponível em: https://encurtador.com.br/fhAM8. Acesso 
em: 18 ago. 2023.
164
Unidade III
8.1 Princípios para a governança e o uso da internet no Brasil
O art. 3º da norma assim trata sobre os princípios:
 
Art. 3º A disciplina do uso da internet no Brasil tem os seguintes princípios:
I – garantia da liberdade de expressão, comunicação e manifestação de 
pensamento, nos termos da Constituição Federal;
II – proteção da privacidade;
III – proteção dos dados pessoais, na forma da lei;
IV – preservação e garantia da neutralidade de rede;
V – preservação da estabilidade, segurança e funcionalidade da rede, por 
meio de medidas técnicas compatíveis com os padrões internacionais e pelo 
estímulo ao uso de boas práticas;
VI – responsabilização dos agentes de acordo com suas atividades, nos 
termos da lei;
VII – preservação da natureza participativa da rede;
VIII – liberdade dos modelos de negócios promovidos na internet, desde que 
não conflitem com os demais princípios estabelecidos nesta Lei.
Parágrafo único. Os princípios expressos nesta Lei não excluem outros 
previstos no ordenamento jurídico pátrio relacionados à matéria ou nos 
tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte 
(Brasil, 2014a).
Para estabelecer orientações quanto às medidas e ações a serem seguidas para cumprimento da Lei 
do Marco Civil, foram estabelecidos alguns princípios fundamentais para a internet no Brasil:
•	 Princípio da preservação da liberdade, da privacidade e dos direitos humanos: o uso da 
internet deverá pautar‑se pela observância das garantias da liberdade de expressão, da privacidade 
do indivíduo, assegurada a preservação de sua honra e dos direitos humanos fixados pela 
Constituição, objetivando‑se a preservação de uma sociedade pautada na justiça e na democracia.
•	 Princípio da prática da governança na internet como medida de controle: a governança da 
internet deve ser praticada sempre de forma transparente e democrática a fim de atender 
ao interesse de todos, mediante a participação dos vários segmentos da sociedade pública e 
privada, e sempre com a intenção de preservar a manifestação da criação coletiva.
165
ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
•	 Princípio da universalidade do acesso a todos: garantir o acesso à internet a todos os indivíduos 
pretendendo estabelecer e assegurar o desenvolvimento social, a interação coletiva com o foco na 
constituição de uma sociedade solidária e não discriminatória.
•	 Princípio da diversidade: a governança deverá sempre se preocupar em garantir a diversidade 
cultural em seus aspectos amplos de manifestação, impedindo a imposição de crenças, costumes 
e valores uns sobre os outros.
•	 Princípio da inovação: deverá ser foco constante da governança a promoção e a divulgação de 
novas tecnologias e meios de acesso que viabilizem a constante evolução da sociedade em busca 
do exercício da liberdade de expressão e da democracia.
•	 Princípio da neutralidade da rede: a neutralidade na rede, muito discutida entre os ciberativistas, 
deve ser preocupação constante da governança a fim de que o tráfego de informações observe 
sempre critérios técnicos e éticos. Cabe buscar, ainda, inviabilizar o tráfego de informações 
pautadas em assuntos das mais diversas áreas (políticos, religiosos, entre outros) sempre que 
tratados de forma discriminatória ou buscando favorecer uns em detrimento de outros.
•	 Princípio da inimputabilidade da rede: baseado na observância do princípio da liberdade, da 
privacidade e do respeito aos direitos humanos, a governança deverá, de forma efetiva, combater 
as ilicitudes praticadas na rede com o intuito de punir os responsáveis pelas violações.
•	 Princípio da funcionalidade, segurança e estabilidade: a governança deverá atuar buscando, 
de forma ativa e passiva, estabelecer padrões de âmbito internacional para o uso da internet, 
sempre através da aplicação de normas técnicas.
•	 Princípio da padronização e interoperabilidade: devem‑se estabelecer padrões que permitam 
a todos participar do desenvolvimento da internet.
•	 Princípio regulatório e ambiente legal: a internet deve ser tratada como um espaço de participação 
e colaboração onde todos devem observar seus princípios e garantir o uso, livre de ilicitudes.
Quanto ao chamado rastro digital, é necessário promover uma legislação que possibilite o registro, 
pelas empresas provedoras, do conteúdo navegado por um período de até seis meses e, se houver 
expressa autorização do usuário, o provedor poderá fazer uso de tais dados. A lei, em seu art. 19, trata 
sobre a questão:
 
Com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura, 
o provedor de aplicações de internet somente poderá ser responsabilizado 
civilmente por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros se, 
após ordem judicial específica, não tomar as providências para, no âmbito 
e nos limites técnicos do seu serviço e dentro do prazo assinalado, tornar 
indisponível o conteúdo apontado como infringente, ressalvadas as 
disposições legais em contrário (Brasil, 2014a).
166
Unidade III
Quanto à previsão de sanções por inobservância das regras legais previstas no ordenamento, sempre 
que se observar o descumprimento por parte dos provedores, haverá a aplicação das penalidades 
cabíveis, como advertência, multas, suspensão e até proibição permanente das atividades.
 
Art. 12. Sem prejuízo das demais sanções cíveis, criminais ou administrativas, 
as infrações às normas previstas nos arts. 10 e 11 ficam sujeitas, conforme o 
caso, às seguintes sanções,aplicadas de forma isolada ou cumulativa:
I – advertência, com indicação de prazo para adoção de medidas corretivas;
II – multa de até 10% (dez por cento) do faturamento do grupo econômico 
no Brasil no seu último exercício, excluídos os tributos, considerados a 
condição econômica do infrator e o princípio da proporcionalidade entre 
a gravidade da falta e a intensidade da sanção;
III – suspensão temporária das atividades que envolvam os atos previstos 
no art. 11; ou
IV – proibição de exercício das atividades que envolvam os atos previstos 
no art. 11.
Parágrafo único. Tratando‑se de empresa estrangeira, responde solidariamente 
pelo pagamento da multa de que trata o caput sua filial, sucursal, escritório 
ou estabelecimento situado no País (Brasil, 2014a).
Sendo certo que o marco civil destaca, para além das garantias, os direitos e deveres dos usuários, 
além da observância e do cumprimento da lei brasileira sobre o tema.
 Lembrete
A Lei do Marco Civil da Internet (ou Constituição da Internet Brasileira, 
como também é conhecida) tem como objetivo assegurar e garantir clareza 
e regulamentação na relação entre o usuário da rede e as empresas que 
prestam serviços associados à internet.
8.2 Responsabilidade civil na internet
Cabe esclarecer que o marco civil atua na preservação da garantia constitucional da liberdade de 
expressão, e não na censura, ficando garantido, somente mediante determinação judicial, a aplicação 
ao provedor de internet ser responsabilizado pelos danos causados a terceiros em razão dos conteúdos 
expostos. Tal medida de responsabilização é subsidiária e ocorre se, e somente se, o provedor descumprir 
a determinação judicial de indisponibilidade ou retirada de conteúdo e imagens ou vídeos após tomar 
ciência da determinação.
167
ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
Art. 18. O provedor de conexão à internet não será responsabilizado 
civilmente por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros.
Art. 19. Com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir 
a censura, o provedor de aplicações de internet somente poderá ser 
responsabilizado civilmente por danos decorrentes de conteúdo gerado por 
terceiros se, após ordem judicial específica, não tomar as providências para, 
no âmbito e nos limites técnicos do seu serviço e dentro do prazo assinalado, 
tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente, ressalvadas as 
disposições legais em contrário (Brasil, 2014a).
8.3 Dispositivos legais do uso da internet no âmbito da comunicação
São muito rápidas as mudanças tecnológicas que inovam o meio digital e, em razão disso, os dispositivos 
legais que avançam na preservação do uso da internet esbarram em algumas normas em vigor:
•	 No âmbito internacional, a União Europeia, em 2022, regulamentou o acesso igualitário na rede 
digital através da chamada Lei de Serviços Digitais.
•	 A Lei do Marco Civil da Internet regulamenta o direito de uso de plataformas e sites, além de fixar 
parâmetros de neutralidade, privacidade, e liberdade de expressão.
•	 A Lei n. 12.737/2012 (Lei Carolina Dieckmann) regulamenta o uso da internet e permite tipificar 
crimes e delitos informáticos, incluindo invasão a aparelhos eletrônicos, roubo de dados e a 
interrupção de serviços digitais.
•	 A Lei n. 13.709/2018 (Lei Geral de Proteção de Dados) protege os direitos fundamentais de 
cunho personalíssimo, como dados pessoais que indevidamente possam ser expostos na rede, 
garantindo, assim, que aqueles que detêm a informação sejam responsabilizados pela sua guarda 
e pelo seu sigilo.
 Observação
A Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça (SAL/MJ), em 
parceria com a Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getúlio 
Vargas (FGV Direito Rio), lançou o projeto para a construção colaborativa de 
um Marco Civil da Internet no Brasil. Nessa ocasião, o Ministério da Cultura 
emprestou sua plataforma para os debates e, durante a primeira fase (entre 
29 de outubro e 17 de dezembro de 2009), foram mais de 800 contribuições 
entre comentários, e‑mails e referências propositivas em sites.
168
Unidade III
 Resumo
Nesta unidade, vimos conceitos sobre legislações relevantes e de 
importância, como direito autoral, noções gerais de contrato e legislação 
sobre marco civil da internet.
A aplicação da normativa constante da relação de direito autoral, ou 
seja, as regras constantes do direito autoral, busca estabelecer a proteção 
do direito do autor e dos direitos conexos, não sobre a ideia em si.
Essa normativa regulamenta o direito autoral quanto à quantidade de 
autores (individual, em regime de coautoria, em colaboração e coletiva), 
quanto ao processo de criação (originária e derivada), quanto à proteção 
(obra protegida e caída em domínio público) e quanto à titularidade 
(titularidade originária e derivada).
Conhecer alguns conceitos tratados por esta norma é essencial. 
O plágio acontece por meio da prática de cópia ou imitação ou, ainda, por 
apropriação mediante aposição de assinatura como se sua a titularidade da 
obra. A reprodução é a cópia da obra que ocorre sempre com a autorização 
do titular do direito autoral da obra. A pirataria ocorre quando uma obra é 
reproduzida (copiada) sem autorização do titular do direito autoral sobre 
ela e tal reprodução tem como objetivo a obtenção de lucro para aqueles 
que ilicitamente promovem a reprodução. A obra é considerada fixada 
quando é “registrada” em um suporte. Tal suporte é a maneira como a 
obra é identificada como “existente” no mundo e poderá ocorrer de forma 
escrita ou gravada (por exemplo, se alguém cantarolar uma melodia de sua 
criação, e outro indivíduo gravá‑la, a obra estará fixada – bem como se o 
próprio autor a gravar).
Em prosseguimento, tratamos sobre direitos conexos, direitos que 
buscam proteger o interesse de âmbito patrimonial‑jurídico, o direito de 
terceiros, pessoas físicas ou jurídicas que, de alguma forma, colaboram para 
tornar a obra acessível e dar conhecimento/publicidade dela ao público. 
Assemelha‑se ao direito do autor, mas não se confunde com ele. O direito 
conexo está ligado àqueles que agregam a obra mediante habilidades 
técnicas de execução e interpretação para torná‑la amplamente conhecida 
com intuito lucrativo. O prazo fixado para o direito conexo está previsto na 
lei e varia de acordo com o tipo de obra.
169
ÉTICA E REGULAMENTAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
Além disso, tratamos do domínio público. O conceito de domínio 
público é relevante e fixa o prazo em que a obra poderá ter seus direitos 
patrimoniais exclusivamente em prol do titular originário da obra. O domínio 
público se aplica para obras científicas, literárias e artísticas e, ainda, para 
os programas de computador. No momento em que uma dessas obras entra 
no domínio público, ela deixa de ser exclusividade do titular, e, assim, todos 
podem utilizá‑la livremente. O domínio público trata do uso patrimonial, já 
que o direito moral sobre tais obras continua pertencendo exclusivamente 
ao seu titular (ou titulares).
Na sequência, estudamos a classificação quanto aos autores que assim 
se identificam na obra intelectual em individual (um só autor), em regime 
de coautoria (dois ou mais autores), em colaboração (vários autores, com 
participações criativas definidas) e em regime coletivo (vários autores, 
com participações criativas indefinidas).
Quanto ao processo de criação, as obras intelectuais podem ser 
originárias (obra baseada em criação original) ou derivadas (obra baseada 
em outra preexistente).
No que tange ao período de proteção da lei autoral, esta será de setenta 
anos (o prazo de proteção aos direitos patrimoniais sobre as obras anônimas 
ou pseudônimas), contado de 1º de janeiro do ano imediatamente posterior 
ao da primeira publicação.
O art. 11 da norma apresenta a classificação quanto à titularidade da 
obra, que pode ser originária e derivada.
É importante ressaltar que não há na Lei de Direitos Autorais previsão 
de obrigatoriedade do registro das obras

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