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Prévia do material em texto

Richard C. Vogt
Tartarugas
da Amazônia
tartarugas da amazônia
textos
Richard C. Vogt
Fotografias
Michael Goulding, André Bartschi, Rafael Bernhard, Richard C. Vogt, 
Walter H. Wust, Pedro Birro, Luiz Claudio Marigo, Rosana de Almeida Thiel, 
Leticia Boer Nascente, Virgina Campos Diniz Bernardes, Nigel Smith, 
William E. Magnusson, Leandro Melo de Sousa
Edição geral
Walter H. Wust
supervisão da edição
Wust Ediciones
revisão de texto
Jeanne Sawaya
Layout
Gabriel Herrera / Wust Ediciones
Pré impressão e impressão digital
Gráfica Biblos
© 2008, Os autores
ISBN: 978-85-211-0039-3
Depósito legal: 2008-06772
Impresso em Lima, Peru
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial deste 
livro, por meios mecânicos ou eletrônicos, sem a expressa autorização por 
escrito dos autores.
Dedico este livro aos meus filhos Riandro 
e Rodrigo, na intenção de que eles e 
seus amigos manauaras possam continuar 
desfrutando da oportunidade de ver os rios 
Amazônicos com tartarugas.
AgrAdecimenTos
A publicação deste livro em três idiomas foi possível 
graças ao Fundo para Conservação da Biodiversidade 
Aquática, Universidade da Flórida, provinda da Fundação 
Gordon e Betty Moore.
Eu, primeiramente, agradeço a Michael Goulding pelo 
convite para elaborar e publicar este livro. Se assim não 
fosse haveria mais projeto inacabado. Ao Dr. Paulo E. 
Vanzolini pela abrir portas e disponibilizar o acesso ao 
acervo da Coleção de Répteis e Anfíbios da Universidade 
de São Paulo. As horas despendidas com ele, discutindo 
e relatando experiências passadas sobre o trabalho com 
tartarugas jamais serão esquecidas. 
Aos numerosos estudantes e colegas do INPA, UFAM, 
UEA e IBAMA que nos últimos 20 anos ajudaram no 
levantamento dos dados imprescindíveis usados neste 
livro. As teses e artigos científicos de onde os dados foram 
extraídos estão listados na bibliografia. No entanto, os mais 
relevantes, ou seja, aqueles que precisam ser mencionados 
são: Augusto Fachin-Terán pela tradução em espanhol; 
Larissa Schneider pela tradução em português, minha 
orientanda no mestrado e continua a trabalhar comigo 
estudando comunicação vocal subaquática em tartarugas; 
e Rafael Bernhard pelas fotos fornecidas, que também 
concluiu seu mestrado sob minha orientação, atualmente 
está terminando seu doutorado. Infelizmente não há 
espaço suficiente para mencionar todas as pessoas e suas 
atuais instituições.
Aos atuas componentes do meu Laboratório de Tartarugas 
da Amazônia (LATA) no INPA: Virgínia Bernardes 
a qual mantém meu escritório e projetos de campo 
fluir suavemente com sua personalidade cativante e ela 
também contribuiu com fotos para esse livro; a Rosana 
Thiel que mantém com pulso firme a ordem no meu 
grupo de pesquisa no Rio Trombetas e contribuiu com 
algumas fotos para este livro; a Márcia Queiroz de Lima 
que controlou a chegada das tartarugas ao laboratório 
dedicando-se ao trabalho de incubação des ovos. 
A Dr. Bill Magnussson (INPA), Dr. Gloria Moreria 
(in memoriam, INPA), Dr. Tânia Saniotti (INPA), Dr. 
Renato Cintra (INPA), Dr. Paulo Andrade (UFAM), Dr. 
Ronis de Silveira (UFAM), Victor Cantarelli (IBAMA/
RAN), Fatima Gomes Soares (IBAMA/RAN), Gilmar 
Klein (IBAMA/RAN), Dr. Yeda Bateus (IBAMA/RAN) 
e Dr. Labbish Chao (Projeto Piaba) pela valiosa ajuda. 
Finalmente, agradeço oportunas discussões com Pekka 
Soini e Federico Medem a cerca das tartarugas da 
Amazônia. A Olga Castano e Jaime de la Ossa, pela oferta 
contribuíram com inserções atuais sobre as tartarugas 
da Colômbia. Aos estudantes diversos que participarem 
dos cursos de campo do INPA, discorreram a ecologia e 
conservação das tartarugas da Amazônia. 
O financiamento das várias partes deste livro foi 
possível graças às instituições: Instituto Nacional de 
Pesquisas da Amazônia (INPA), Conselho Nacional de 
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), 
Conservation International (CI), Instituto Civil Mamirauá 
(ICM), Projeto Piaba, Wildlife Conservation Society 
(WCS), World Wildlife Fund-US (WWF), Fundação de 
Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), 
Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e Mineração 
Rio do Norte (MRN).
Ao Russ Mittermeier (CI), ao John Throbjarnarson (CI), 
ao Marcio Ayres (ICM) e ao Ning Labbish Chao (Projeto 
Piaba) pela ajuda na obtenção de recursos financeiros.
ESTE LIVRO REFERE-SE àS TARTARUGAS de 
água doce, um grupo animal que não se enquadra no estereótipo 
da freqüente alta biodiversidade da Amazônia. A fauna de tartarugas 
amazônicas é relativamente pobre se comparada à da América 
do Norte e às da maioria dos outros continentes. As tartarugas 
amazônicas, ou pelo menos algumas dessas espécies, na verdade 
são mais conhecidas devido à sua abundância do que à diversidade. 
Muitas das espécies são intensamente exploradas, seja pela carne 
ou seja pelos ovos. Uma das espécies, a tartaruga-da-amazônia, tem 
sido intensamente explorada desde os meados do século XIX . 
Devido a grande relevância do uso da tartaruga na culinária local, 
elas estão entre os animais mais populares na cultura da Amazônica. 
Infelizmente, os esforços despendidos para protegê-las não têm sido 
suficientes. Este trabalho traz informações ecológicas sobre cada 
espécie para que o público em geral possa compartilhar de seus 
diversos hábitos e habitats. Discutem-se os perigos enfrentados pelas 
espécies intensamente exploradas, bem como as medidas tomadas 
parar promover a conservação das tartarugas na Amazônia. Todas as 
espécies são apresentadas em fotos para ilustrar seus variados tipos 
de habitats onde são encontradas.
prefácio
Richard C. Vogt
a pesquisadora glória moreira marcando uma tartaruga-da-amazônia comigo. na carapaça está seu número 
pintado e um rádio-transmissor para monitoramento de sua migração nas praias de desova em 1989. 
sumário
tartaruga-da-amazônia 8
tracajá 24 
irapuca 38
Pitiú 44
Cabeçudo 48
mata-matá 54
Jabuti machado 58
Cágado vermelho 62
Cágado de barbicha 66
Cágado de poças da floresta 70
Cágado da cabeça de sapo comum 74 
Lalá 76
muçuã 80
Perema 84
Jabuti piranga 88 
Jabuti amarelo 90
Bibliografia 94
Créditos das fotos 104
8 Tartarugas da Amazônia
nomes Comuns
Arrau (Venezuela), tortuga (Colômbia, Venezuela), 
chapanera (Colômbia, juvenis), samurita (Colômbia), 
charapa (Equador, Peru, Colômbia, females), capitarí 
(Brasil, machos), careta (Colômbia, indivíduos grandes), 
pocera (Colômbia, filhotes), jipú, (os Índios), harra (Índios 
Guahibo), Giant South American River Turtle (EUA). 
descrição
Podocnemis expansa, o maior pleurodira, é também 
o maior quelônio de água doce na América do Sul, 
com sua carapaça com 70 cm (65–79) e pesando 25 
kg (15–45). Machos são ligeiramente menores do 
que as fêmeas de carapaça mais estreita, comprida e 
cauda mais espessa e envaginação anal maior. A maior 
fêmea registrada media 109 cm e pesava 90 kg. Os 
tamanhos encontrados atualmente são menores do 
que no século XIX. A carapaça larga, achatada e lisa 
possui uma coloração entre cinza a preto, sendo muito 
mais larga na parte posterior do que na anterior, além 
de extremamente grossa e pesada. O plastrão possui 
uma coloração creme, amarela ou marrom em adultos. 
Fiilhotes variam, pesando entre 11,3 e 39,5 g (média 
= 25,8) com a carapaça medindo de 23,5 a 60,2 mm 
(média = 48,8) (n = 2,517, dos 27 ninhos no rio 
Trombetas). Filhotes possuem uma carapaça marrom-
acinzentada com o segundo e terceiro escudos costais 
um pouco elevados e serrilhados posteriormente; essas 
características são perdidas quando adultos. O plastrão 
dos filhotes é branco ou creme. Os membros e o pescoço 
são cinza em adultos e filhotes. A cabeça dos filhotes é 
caracterizada por uma profunda estria frontal, um anel 
estreito verde amarelado ao redor da órbita dos olhos, 
duas manchas verde-amareladas de formato irregular 
na escama interparietal e uma manchaem águas misturadas ou sistemas de rios 
túrbidos sazonalmente, como o rio Pacaya no Peru, 
Juruá no Brasil, e as regiões mais baixas de muitos 
rios de água preta. Durante o período de cheia elas 
permanecem se alimentando em lagos e canais laterais 
do rio; conforme o nível de água abaixa, elas retornam 
para o canal principal do rio. Machos migram para as 
praias de desova antes das fêmeas e aguardam no local 
para interceptá-las. Em contraste com seus congêneres, 
P. sextuberculata nunca foi vista tomando sol fora da água 
em bancos de areia ou em troncos flutuantes. A espécie 
nidifica somente em bancos de areias e nas praias de 
rios, seja sozinha ou em pequenos grupos de 20–50, 
mas conforme, a estação de desova ocorre, centenas irão 
nidificar nas praias ao mesmo tempo. Uma razão para o 
tempo de desova disperso é de que as fêmeas produzem 
mais do que três ninhadas de ovos, com intervalo de 
duas semanas. No rio Pacaya, a espécie sempre nidificou 
na parte baixa da praia, somente a 1–7 m da margem da 
água. Nas praias também usadas pelas espécies P. expansa 
e P. unifilis, essas normalmente nidificam nas partes mais 
altas da praia, diferente de P. sextuberculata.
alimentação
A dieta varia dependendo do tamanho da tartaruga e 
do habitat. Nós estudamos esta espécie intensamente 
um par de pitiú no rio trombetas, Pará, Brasil. O macho na direita é menor do que a fêmea da esquerda. 
46 Tartarugas da Amazônia
nos ecossistemas de água branca na Instituto de 
Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Brasil. Foi 
examinado o conteúdo estomacal de 235 tartarugas. 
Essa espécie é principalmente herbívora, alimentando-
se quase completamente de sementes de plantas da 
família Poaceae. As espécies consumidas com maior 
freqüência foram Hymenachne amplexicaulis (36%), 
Paspalum repens (31%), e Echinochloa spectabile (11%). 
Não houve diferença nos alimentos consumidos em 
diferentes áreas ou em diferentes períodos. Não houve 
diferenças nos itens alimentares consumidos por machos 
e fêmeas. Foi verificado, no entanto, que a freqüência 
de sementes diminuiu com o aumento do tamanho 
da tartaruga e a quantidade de folhas, caules e raízes 
aumenta. As pitiús consumiram mais material animal 
nos rios do quem em lagos. O habitat de várzea parece 
ser ótimo para P. sextuberculata devido à abundância de 
espécies de Poaceae, seu principal item alimentar. No 
rio Trombetas no Pará, Brasil, um rio de águas claras, 
foram encontrados principalmente pequenos caramujos 
no conteúdo estomacal de tartarugas coletadas.
nidificação desova
A desova ocorre na estação de seca, logo após os bancos 
de areias e praias ficarem expostos e secos. Em rios de 
água branca com praias extensas e bancos, P. sextuberculata 
é freqüentemente a primeira a desovar, seguida por P. 
unifilis e após por P. expansa. Em rios de águas misturadas, 
como o rio Pacaya, onde as praias são pequenas e 
tornam-se relativamente disponíveis no final da estação, P. 
sextuberculata inicia a desova mais tarde do que P. unifilis.
A estação anual de desova varia geograficamente de 
acordo com diferenças regionais no período da estação 
de seca. No extremo leste da sua distribuição, nas bacias 
de Ucayali e Marañon-Amazonas no Peru, a desova 
ocorre no final de junho até setembro. No Pacaya 
(um tributário do baixo Ucayali), a nidificação ocorre 
em julho, agosto e setembro. No baixo rio, Solimões-
Amazonas, a desova foi observada ocorrendo entre julho 
e novembro; no rio Purus essa espécie nidifica mais cedo, 
entre junho e julho. Nos principais tributários do norte 
do Solimões , tais como os rios Putumayo e Caquetá 
(Japurá), a desova ocorre de outubro a novembro, mas 
no rio Trombetas, agosto até setembro.
No Brasil, o tamanho da ninhada varia de 6 a 25 ovos. A 
massa da ninhada variou de 113 a 378 g em 12 ninhadas 
(14–22 ovos/ninhada) no Brazil. No rio Pacaya, 62 
ninhos tiveram uma ninhada de tamanho 7–22 ovos 
(média = 13.5). A média da massa da ninhada para essa 
amostra foi de 240 g.
Os ovos de P. sextuberculata são elipsoidais e cascudos. 
Foram examinadas 40 ninhadas recém depositadas 
no Pacaya, os ovos tiveram um comprimento médio 
de 43,8 mm (variando de 33,6 a 49,5), largura de 
26,6 mm (variando de 20,6 a 30,7), e massa de 18,2 
g (variando de 8,5 a 24,0). A ovoposição ocorre pela 
noite, principalmente depois das 21:00h, mas também é 
freqüentemente de dia, durante ou depois da chuva.
A cavidade do ninho é escavada com os membros 
traseiros com uma média de 17 cm de profundidade, 
e a ninhada permanece enterrada de 7 a 13 cm abaixo 
na areia. O processo de escavação, postura dos ovos e 
cobertura do ninho dura cerca de 20 minutos.
No Brasil, ovos eclodem com 45–50 dias. No rio 
Trombetas, o período de incubação é de 54–60 dias 
(média 57) dias. No rio Pacaya, Soini observou em 25 
ninhadas incubadas sob condições naturais, um tempo 
total de emergência que variou de 73 a 103 dias. 
A incubação levou de 55 a 70 dias e esperando pela 
emergência no ninho entre 1 a 5 semanas. O sexo do 
filhote é determinado pela temperatura de incubação 
nessa espécie. A praia protegida em Pirapicu no rio 
Japurá, Instituto de Desenvolvimento Sustentável de 
Mamirauá, mostrou ser uma praia fria, produzindo 85% 
de filhotes machos. A praia do Horizonte, no outro lado 
de Mamirauá no rio Solimões, produziu principalmente 
filhotes fêmeas. Ao manipular os ninhos colocando 
Podocnemis sextuberculata
47Tartarugas da Amazônia
plástico preto sobre eles, foi possível aumentar a 
temperatura dos ninhos, resultando na produção de 
fêmeas sem grandes custos. Uma vez selecionadas 
as praias e garantida uma quantia de dinheiro para 
preservação, deve-se primeiramente analisar o perfil 
da temperatura da areia a fim de preservar praias que 
produzam ambos os sexos. 
Os filhotes emergem do ninho em grupo, normalmente 
de noite durante ou depois de chuva forte. No rio 
Pacaya, os filhotes emergidos de 37 ninhos tiveram 
um comprimento de carapaça de 4,3 cm (variando de 
4,1 a 4,8) e um peso médio de 16,6 g (variando de 
13,0 a 19,5). As taxas de infertilidades e mortalidades 
embrionárias são desconhecidas. Em quatro ninhos 
intactos no Pacaya, a porcentagem de filhotes vivos 
emergidos variou de 45% a 100% (média = 83%). No 
rio Trombetas, 85% dos filhotes emergiram vivos. 
No Pacaya, Juruá, e Trombetas, a predação de ovos 
pelo teiú (Tupinambis teguixin) é comum. Ninhos 
são perdidos anualmente devido à erosão dos bancos 
de areia e à inundação não periódica do rio sobre as 
praias de desovas. Foi registrada a predação de uma P. 
sextuberculata imatura de aproximadamente 7 cm de 
comprimento pelo boto vermelho (Inia geoffrensis). O 
jacaré-açú (Melanosuchus niger) foi registrado predando 
um ninho de P. sextuberculata no rio Trombetas. 
No Peru, essa é a tartaruga de água doce mais abundante 
no rio Marañon-Amazonas e baixo rio Ucayali, 
pelo menos parcialmente, porque seus congêneres 
simpátricos, P. expansa and P. unifilis, foram explorados 
mais intensamente. Da mesma forma, no Instituto de 
Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Brazil, ela 
é o quelônio mais abundante. Foram capturadas 900 P. 
sextuberculata no rio Solimões na Reserva Mamirauá, 240 
fêmeas, 432 machos, e 144 imaturos medindoMamirauá, durante o mês de amostragem em 
cada um dos dois anos consecutivos, 72% das 2.458 P. 
sextuberculata capturadas eram adultos e 28% subadultos, 
sugerindo que a população está sob intensa pressão de 
caça. Foram recapturadas 87 tartarugas, representando 
3,5% das tartarugas já marcadas. A razão sexual foi de 1,9 
machos para uma fêmea. O índice de recaptura mostrou 
que machos eram 10% mais susceptíveis a captura 
do que fêmeas. Esta razão sexual afetada é resultado 
possivelmente da intensa caça das fêmeas desovando.
Exploração
No Pacaya, Peru, a maioria dos ninhos é depredada 
ilegalmente por coletores de ovos. Por outro lado, 
em outras áreas do Brasil e do Peru, os adultos são 
capturados em redes malhadeiras (trammel nets) e nas 
praias de desovas, sendo consumidas localmente em 
grandes números, particularmente durante a estação 
de seca. P. sextuberculata foi a espécie mais comum de 
tartaruga de água doce usada no tráfico comercial do 
rio Purus, Amazonas, Brasil, e uma proporção muito alta 
de espécimes neste comércio foram as fêmeas adultas. A 
captura de animais adultos e imaturos , incidentalmente 
ou propositalmente nas redes malhadeiras do comércio 
pesqueiro sempre em expansão, e das fêmeas desovando 
nas praias, parecem ser os principais perigos para manter 
a sobrevivência desta espécie. 
status de Conservation 
É considerada vulnerável segundo a Lista Vermelha 
de Animais Ameaçados da União Internacional para a 
Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).
48 Tartarugas da Amazônia
nomes Comuns
cabezón (Colombia e Venezuela), cabezona (Colombia e 
Venezuela), cabezudo (Colombia), tartaruga arara (Brasil 
e Colômbia), tortuga de charco (Colômbia), guacamaya 
charapa (Peru), jurará (Brasil), acanguacú (Brasil), tartaruga 
de bico de arara (Brasil), peindu, capitari (machos no 
Brasil), Big-Headed Sideneck Turtle (EUA).
descrição
A carapaça com curvatura alta do cabeçudo chega 
a medir 50 cm de comprimento. Machos, de 40–45 
cm, são geralmente maiores do que as fêmeas, as quais 
medem mais de 30 cm na Venezuela. Uma série de 
9 adultos machos com comprimento de carapaça 
de 37–47 cm (média = 41) e 13 fêmeas adultas com 
comprimento de carapaça de 28–50 cm (média = 35,4) 
do rio Negro, Amazonas, Brasil, indicam que há uma 
grande sobreposição na distribuição de tamanho entre 
os sexos. A cabeça dessa tartaruga é realmente grande; 
nessa mesma série de nove indivíduos, a largura da 
cabeça variou de 7 a 10,5 cm (média = 8,1) nos machos 
e 5,7 a 9,0 cm (média = 7,7) para as fêmeas, sugerindo 
que machos têm uma cabeça relativamente mais larga 
do que fêmeas. O focinho de machos adultos e velhos 
também parece ser mais alongado do que os das fêmeas. 
Os adultos pesaram 8–14 kg; grande parte do peso é 
devido ao casco e ao crânio. A carapaça cor de oliva é 
lisa, com uma quilha baixa anterior que pode se tornar 
obliterada em indivíduos velhos e é mais pronunciada em 
juvenis e subadultos. O plastrão amarelo tendendo a cor 
creme é um pouco reduzido, não cobre completamente 
os apêndices. A cabeça e os membros são marrom-
escuro a cinza sem marcas distintas. Uma grande escama 
única frontal cobre a superfície dorsal da cabeça desde 
a parte posterior do nariz até os olhos. A testa não 
possui estrias. A cabeça tem um formato distintamente 
triangular e maxila superior é forte em forma de 
gancho. As superfícies trituradoras da maxilla não são 
muito desenvolvidas. Um barbelo curto está presente 
posteriormente à sínfise mandibular. Os machos têm a 
cauda mais longa e espessa do que as fêmeas e a abertura 
entre os escudos anais é maior.
A carapaça dos filhotes é sarapintada de marrom com 
suturas pretas. As bordas distais dos escudos marginais 
são amarelas tendendo a cor creme; o terço exterior 
de cada escudo marginal é preto. Recentemente, 
cabeçudos recém-eclodidos têm um plastrão variando 
entre marrom e amarelo; a cabeça e os membros são 
Cabeçudo
5
Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812) Família Podocnemididae
49Tartarugas da Amazônia
um cabeçudo (Peltocephalus dumerilianus, Podocnemididae) nadando em um ambiente de floresta alagada.
O cabeçudo (Peltocephalus dumerilianus, Podocnemididae) 
tem uma maxila grande e pontiaguda para quebrar 
sementes e moluscos, bem como para se alimentar de 
frutos de casca dura.
cinza-escuro uniforme com uma área amarela-clara 
acima e anteriormente ao tímpano. Uma quilha distinta 
está presente nas terceira, quarta e quinta vértebras. A 
maxila superior é distintamente, em forma de gancho.
distribuição
Peltocephalus dumerilianus é amplamente distribuída pelas 
bacias do Orinoco e Amazônica no Brasil, sudoeste da 
Venezuela, na borda leste da Colômbia, na ponta nordeste 
do Peru, e na borda sudeste da Guiana Francesa. 
Habitat
O cabeçudo é nativo de cursos d’água e lagos de água 
preta, primariamente em áreas florestadas. No entanto, 
50 Tartarugas da Amazônia
também ocorre em uma menor extensão em rios de 
águas brancas e claras. Estudos detalhados de longo 
período sobre sua ecologia são escassos. Indivíduos 
são encontrados primariamente em águas superficiais, 
com 1–2 m de profundidade; não se sabe ainda se 
eles se aventuram em águas mais profundas ou longe 
da margem, aparentemente tal comportamento é 
improvável. A carapaça com formato de cúpula não 
é designada para uma natação rápida, e a membrana 
interdigital não é bem desenvolvida para natação em 
águas rápidas. Essas tartarugas caminham principalmente 
pelo fundo do rio e nas margens em busca de seu 
alimento preferido, moluscos e sementes de casca 
dura. O seu bico muito afiado e maxilas muito fortes 
fazem-nos parecer formidáveis predadores; no entanto, 
conteúdos estomacais mostraram que eles se alimentam 
primariamente de sementes e frutos (Mauritia flexuosa, 
Montrichardia arborescens, Parinari campestris, e Thurnia 
polycephala) e plantas aquáticas. Material animal, 
principalmente peixes e moluscos, compõem uma 
porção menor de sua dieta. A natureza feroz e seu casco 
de curvatura alta provavelmente evoluíram para protege-
los de predadores, principalmente pequenos crocodilos 
como Paleosuchus sp. que habitam o mesmo igarapé que 
elas habitam no Brasil. 
Hábitos alimentares
Dr. Paulo Vanzolini testemunhou, quando esteve em 
Santarém, Pará, Brasil, a grande resistência e quão afiadas 
são as maxilas dessas tartarugas. Um certo homem 
chegou correndo em sua direção sabendo que ele era um 
doutor (mas sem saber que ele era na verdade doutor em 
herpetologia e não na área de medicina) e levou ele para 
um mercado, onde havia um Peltocephalus dumerilianus 
que tinha mordido e desconjuntado a patela do joelho 
de uma menina de nove anos. Vanzolini, sem pestanejar, 
costurou-lhe a patela com o material que ele tinha no 
campo que utilizava no preparo de espécimes para levar 
ao museu; ele também preparou aquele espécime de 
cabeçudo — em um ensopado! 
Embora as maxilas do cabeçudo sejam grandes e afiadas, 
elas não têm superfícies alveolares muito largas, então 
presumidamente elas são usadas para cortar mais do 
que para esmagar. A maioria das sementes ingeridas é 
encontrada intacta no estomago e intestinos, sugerindo 
que as tartarugas absorvem somente os nutrientes 
disponíveis nas camadas externas das sementes, podendo 
ser importantes dispersores de sementes. O curioso a 
papila da garganta do P. dumerilianus também conhecida 
como estruturas de Trueb, é consideravelmente mais 
desenvolvidas que as das quatro espécies brasileiras 
do gênero Podocnemis. Após o exame histológico da 
papila sugeriu-se que elas funcionam como um filtro. 
Possivelmente as tartarugas usam essas papilas em 
conjunção com a neustofagia, a prática de ingestão de 
sementes flutuantes ou vegetação particulada junto com 
uma grande quantidade de água. A papila reteria então 
as partículas alimentares na garganta enquantoa água 
fosse expelida com força. 
nidificação
Diferente de todas as outras tartarugas da família 
Podocnemididae da Amazônia, cabeçudos não escavam 
seus ninhos comumente em praias abertas. Elas fazem a 
postura dos ovos a 1–2,5 m da margem do igarapé, dentro 
da floresta. Isso ocorre em agosto e setembro na Reserva 
Biológica do rio Trombetas no Pará, Brasil em setembro 
e outubro no rio Negro, próximo a cidade de Barcelos, 
Amazonas, Brasil. Na Colômbia, a estação de desova 
acontece em dezembro. Os ninhos são escavados em 
terras altas, à medida que o nível da água desce e a floresta 
inundável fica seca. As cavidades dos ninhos superficiais 
(12–24 cm) são geralmente elípticas horizontalmente 
com uma abertura de 12–14 cm de diâmetro; os ovos 
são algumas vezes abarrotados em ambas as pontas do 
ninho, dando a aparência de dois ninhos. Tal fato poderia 
explicar a numerosa variância registrada no tamanho da 
Cabeçudos entrando em pântanos de buriti (Mauritia 
flexuosa) durante o período de cheia para se alimentar 
da polpa dos frutos. 
Peltocephalus dumerilianus
51Tartarugas da Amazônia
O cabeçudo (Peltocephalus dumerilianus, Podocnemidae) deixa a água durante 
o período de seca para procurar locais de nidificação.
52 Tartarugas da Amazônia
a prática de mergulho para captura de tartarugas ainda é muito praticada na região do rio negro. nessa foto, um 
cabeçudo (Peltocephalus dumerilianus, Podocnemididae) sendo capturado por um mergulhador.
Captura de cabeçudos (Peltocephalus dumerilianus, Podocnemididae) em um tributário do rio negro para venda em 
centros urbanos.
53Tartarugas da Amazônia
ninhada, resultando na escavação de somente um lado 
do ninho ou contando um ninho como dois. Os ninhos 
são freqüentemente feitos no solo misturado com folhas 
ou em cupinzeiros. Dessa forma, é um tanto quanto 
difícil encontrar os ninhos, não sendo produtivo para os 
caçadores e pescadores locais explorarem os ovos dessa 
espécie para comercializar em mercados. Ninhos em 
cupinzeiros podem beneficiar-se de altas temperaturas, 
como se beneficiam os ovos de jacarés (Paleosuchus sp.) 
nas mesmas florestas. 
O tamanho da ninhada varia de 3 a 25 (média = 16, 
n = 46) no Brasil e 8–16 no Alto Tomo na Colômbia. 
Ovos, imediatamente após a postura das fêmeas, no 
Brasil, mediram 50,2–58,5 mm (média = 54,6) de 
comprimento por 34–39 mm (média = 36,5) de largura 
e pesaram 39–50 g (média = 42,3 g) (n = 87). Os ovos 
são brilhantes e cascudos logo após a postura, mas a casca 
se torna flexível com 2 semanas após a postura dos ovos, 
conforme haja o aumento do peso devido à absorção da 
água do solo ao redor deles. No Brasil, a eclosão ocorre 
depois de 124 dias de incubação; na Colômbia, após 100 
dias em temperaturas ambiente. O sexo é determinado 
pela temperatura de incubação, como em todos os 
membros desta família. 
Exploração
Apesar do fato dessa tartaruga ser uma das espécies de 
quelônio mais freqüentemente consumidas ou vendidas 
na área de Barcelos no rio Negro, Amazonas, Brasil, há 
populações que aparentam ser capazes de se manterem. A 
predação humana ocorre principalmente sobre adultos e 
não sobre ovos e subadultos. Apesar do fato dessa espécie 
ser amplamente distribuída, estudos detalhados de seus 
níveis populacionais são necessários urgentemente de sua 
distribuição para determinar seu status. 
Como todas as grandes espécies de tartarugas de água 
doce da América do Sul, P. dumerilianus é um item 
alimentar atrativo para consumo humano sendo a 
tartaruga atualmente mais consumida no rio Negro 
adentro e ao redor da cidade deBarcelos, Amazonas, 
Brasil. Ela não é consumida por ser a espécie preferida, 
mas porque populações das outras espécies grandes do 
gênero Podocnemis têm sido dizimadas em larga escala pela 
sobrecoleta de adultos e de ovos. Devido a esse fato que 
o cabeçudo é a mais abundante espécie a permanecer. 
Presumidamente, o desflorestamento dos igarapés mudaria 
seu habitat de nidificação e consequentemente daria 
abertura para uma maior predação dos ninhos. Em adição, 
quaisquer inundações de igarapés resultantes de barragens 
hidroelétricas destruiriam o habitat dessa espécie.
medidas Conservacionistas recomendadas
Uma vez que essa espécie não congrega para nidificar 
em grandes praias abertas como as espécies de Podocnemis 
simpátricas fazem, P. dumerilianus está menos vulnerável à 
completa extirpação pela captura das fêmeas desovando 
ou a coleta de ovos. No entanto, uma vez que a predação 
humana é alta, deveria haver, no Brasil, uma estação de 
coleta fechada durante o período de desova, que variasse 
de acordo com os níveis de água anuais, mas geralmente 
ocorrendo de julho até setembro. Tal medida pelo menos 
daria a um maior número de fêmeas chance de fazer a 
postura dos ovos antes de serem comidas. Um programa 
de proteção de praias não seria uma maneira eficiente 
para manejar a espécie uma vez que ninhos são dispersos 
ao longo da margem e dentro da floresta. A proteção 
in situ de ninhos em áreas não ocupadas por humanos, 
garantiria que predadores naturais não destruiriam esses 
ninhos. Todavia, essa técnica não deve ser usada em áreas 
com influência humana porque ninhos poderiam ser 
marcados, simplesmente os tornando-os vulneráveis ao 
ataque de humanos.
status de Conservação
Está considerada Vulnerável na Lista Vermelha de Animais 
Ameaçados da União Internacional para a Conservação 
da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). Está 
pela Convenção sobre o Comércio Internacional das 
Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de 
Extinção (CITES) no Apêndice II.
54 Tartarugas da Amazônia
nomes Comuns
Matamatá (Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela), 
bachala (Colômbia), hedionda (Colômbia), caripatúa 
(Colômbia e Venezuela), ope hara (Índios Guahibo).
descrição
Não há como não reconhecer um mata-matá, com sua 
cabeça plana triangular olhos pequenos, longo focinho 
em forma de tubo, pescoço longo com numerosas papilas 
e dobras de pele semelhante a folhas, para camuflagem 
e sensitividade tátil. A carapaça é coberta com projeções 
semelhantes a pirâmides, dando a ela um formato muito 
irregular e também frequentemente cobertas com algas 
filamentosas. As patas possuem os dedos completamente 
interligadas com membranas interdigitais, com cinco 
garras longas no quatro dedos das patas anteriores 
e nos cinco das patas posteriores. O mata-matá é de 
coloração marrom ferrugem uniforme com marcas 
e raios pretos espalhados na carapaça e no plastrão de 
coloração amarelo-claro. Em algumas populações, a parte 
embaixo do pescoço e membros tem uma coloração rosa 
vivo, podendo variar essa coloração de algumas áreas 
dependendo das condições da água. Filhotes e juvenis 
têm um padrão de coloração da cabeça, membros e 
carapaça tendendo ao creme alaranjado vivo, enquanto o 
plastrão é laranja vivo com marcas pretas. Chelus fimbriatus 
atingem sua maturidade sexual com 5–7 anos, quando a 
carapaça é mais comprida do que 30 cm, mas continuam 
crescendo até 50 cm de comprimento da carapaça e 15 
kg em peso. Fêmeas são freqüentemente um pouco 
maior em comprimento de carapaça com a cauda é mais 
curta do que os machos que têm a cauda mais longa e 
espessa. Machos também têm um plastrão côncavo. 
distribuição
Mata-matás são comum ao longo das bacias do 
Orinoco e Amazônica no Brasil, Venezuela, Colômbia, 
Equador, Peru, nordeste da Bolívia, Suriname, e 
Guiana Francesa. 
Habitat
Chelus fimbriatus vivem em águas superficiais, ao longo 
da margem dos lagos ou na interface de florestas 
inundadas e águas abertas, ou em regiões entre terras 
altas e florestas inundadas. Geralmente permanecem na 
água onde podem atingir a superfície com a ponta do 
seu focinho sem sair do fundo. Isto permite que eles 
respirem sem aparecer, pois na superfície atraem a atenção 
dos predadores ou evitam mostrar presença parapresas 
Mata-matÁ
6
Chelus fimbriatus (Schneider, 1783) Família Chelidae
55Tartarugas da Amazônia
potenciais, principalmente para os peixes. São comuns 
em ecossistemas de águas brancas e pretas. Mata-matás 
raramente tomam sol. Certa vez um macho foi visto em 
um banco de lama; ele imediatamente entrou na água, 
mas ficou fácil de apanhá-lo assim que adentrou naquela 
água clara. Eles não são muito ágeis ou nadadores rápidos 
e para escapar da detecção de predadores dependem da 
sua enigmática coloração e formato. 
Hábitos alimentares
Mata-matá está entre as poucas tartarugas que são 
completamente carnívoras, alimentando-se quase 
exclusivamente de peixes capturados por uma estratégia 
de sentar e esperar a presa. Possivelmente, as muitas 
dobras de pele frouxa na cabeça servem para possibilitar 
movimentos sensoriais na água, permitindo a eles 
caçarem de dia e de noite. Os olhos do mata-matá são 
extremamente pequenos, se comparados com o seu 
tamanho. Quando um peixe se aventura pelas adjacências, 
essa tartaruga lança sua cabeça para frente em um súbito 
movimento, atacando rapidamente como uma cobra, 
abrindo a boca simultaneamente e expandindo os ossos 
hióides bem desenvolvidos na cabeça, sugando o peixe e 
a água para dentro da boca como um poderoso limpador 
a vácuo, engolindo o peixe inteiro. Suas maxilas são na 
verdade bem fracas e não foram feitas para maceração 
ou até para cortar peixe. Um pequeno Mata-matá em 
cativeiro foi observado ajeitando um pequeno peixe em 
posição de ataque, usando sua calda. Embora os peixes 
façam parte da maior proporção de sua dieta, mata-matás 
menores, em particular, também consomem girinos e 
invertebrados aquáticos. 
O pescoço longo também é usado em um 
comportamento defensivo muito eficiente. Quando 
segurado, um mata-matá recém capturado irá debater 
mata-matá (Chelus fimbriatus, Chelidae) tem um pescoço tão comprido quanto sua carapaça. Esta espécie 
não é comumente consumida na amazônia. 
56 Tartarugas da Amazônia
O mata-matá (Chelus fimbriatus, Chelidae) é uma das poucas tartarugas no mundo que se alimentam quase 
exclusivamente de peixes. nessa foto está um jovem matamatá com sua característica coloração vermelha.
a cabeça e o pescoço para trás em direção à carapaça 
e vomitar conteúdos estomacais sobre quem o estiver 
segurando. Essa tartaruga parece ter a mesma força para 
exalar e arremessar uma sopa de peixe rançosa, como 
faz para sugar o peixe inicialmente. Muitos dos meus 
estudantes por não estarem prevenidos gastaram horas 
limpando pedaços de peixe aderidos aos cabelos depois 
de segurarem mata-matás recém capturados. Além 
do seu “delicioso” conteúdo estomacal, eles também 
exalam ar para produzirem um som alto alarmante. Tal 
som pode ser efetivo para alarmar e repugnar alguns 
predadores mamíferos pequenos bem como humanos, 
prevenindo-os de serem comidos — Eu certamente não 
teria dúvidas de que não comeria!
nidificação
A estação de nidificação varia ao longo da bacia 
Amazônica. Eles nidificam no rio Guaporé, estado de 
Rondônia, Brasil em junho-julho, conforme a água 
começa a baixar e isso corresponde a outubro-dezembro 
na Colômbia. Eles não procuram praias para nidificarem, 
mas rastejam em áreas de baixos níveis ao invés de 
subirem bancos íngremes, para nidificarem ao longo da 
borda da floresta, próximo a lagos ou igarapés onde eles 
vivem. Não existem áreas de nidificação concentradas; 
cada fêmea nidifica em um local diferente. Assim, não há 
concentração de predadores à procura de seus ovos para 
consumir. Os 12–28 ovos por ninho são quase esféricos 
com 35 mm de diâmetro. A incubação dura cerca de 
200 dias. Nenhum estudo sobre a determinação do sexo 
dessa espécie foi realizado. 
57Tartarugas da Amazônia
mata-matá (Chelus fimbriatus, Chelidae) possui bordas de pele embaixo da cabeça as quais podem auxiliar na detecção 
da presa em rios de águas pretas onde a visibilidade é baixa. 
Exploração
O mata-matá é amplamente distribuído em um número 
de habitat comum ao longo de toda bacia Amazônica. 
Em nenhum local ele é intensivamente procurado 
para alimentação. Entretanto, algumas tribos indígenas 
o consomem quando o encontram, mas a maioria 
dos ribeirinhos no Brasil rejeita esta tartaruga devido 
à sua aparência peculiar bem como seu odor almíscar. 
Diferentemente de outras espécies de tartarugas, a maior 
parte comestível do mata-mata é o pescoço, enquanto 
que as pernas são curtas e magras. Os Mata-matás fizeram 
parte do comércio de animais de estimação internacional 
por mais de 50 anos, mas não em números que possam 
ter afetado suas populações naturais atualmente. Eles são 
reproduzidos em cativeiro na América do Norte e esta 
produção pode reduzir a coleta de populações naturais. 
58 Tartarugas da Amazônia
nomes Comuns
Charapa (Colômbia), charapita (Peru), charapita de aguajal 
(Peru), charapita de altura (Peru), chata (Venezuela), 
quetijápa (Índios Yucuna), machado (Brasil), lalá (Brasil), 
perema (Brasil), Twist-Necked Turtle (EUA).
descrição
Platemys platycephala é uma pequena espécie, com o 
comprimento da carapaça de até 17.5 cm em machos 
e 16.7 cm em fêmeas. A carapaça é plana e elíptica com 
uma protuberância mediana profunda acompanhada 
por uma quilha distinta em cada lado. Ela é marrom-
chocolate com uma faixa em cada um dos lados 
variando de marrom-escuro a preto; a faixa lateral cobre 
o primeiro e o segundo escudo costal em cada lado, 
sendo conectada a marcas escuras na parte anterior das 
primeiras costais por uma área escura e estreita ao longo 
das bordas da protuberância central. O padrão, como 
um todo, é designado para combinar com as folhas da 
floresta seca, e é quase impossível distinguir o formato 
desta tartaruga quando ela está imóvel no chão da floresta 
entre as folhas. O plastrão é chato, mais espesso na região 
da ponte do casco do que no centro, com os lobos quase 
do mesmo tamanho. O lobo anterior é voltado para cima 
e anteriormente. O escudo anal é largo. O plastrão é 
marrom escuro uniforme, quase preto, com uma borda 
estreita de cor laranja, tendendo ao amarelo vivo. A cabeça 
é achatada e fortemente colorida variando de laranja ao 
amarelo para um tipo de marrom-alaranjado no centro. 
A coloração da ponta do focinho é mais evidente. A 
coloração da parte superior do pescoço é mais clara até 
a carapaça. A porção lateral do pescoço e da cabeça é 
marrom-escuro. Os membros possuem uma padrão de 
coloração uniforme marrom-escuro. A cauda é marrom-
escuro têm uma faixa lateral laranja-amarelada em cada 
lado. A cabeça é coberta com uma grande escama lisa; o 
pescoço é coberto com numerosos tubérculos cônicos e 
dois barbelos pequenos. Geralmente há quatro escamas 
pós-orbitais e um pouco menos do que quatro escamas 
entre a órbita e o tímpano. Os membros posteriores não 
possuem membranas interdigitais bem desenvolvidas. As 
superfícies anteriores das coxas são cobertas por escamas 
maiores, e posteriormente com escamas menores. Machos 
são ligeiramente maiores do que as fêmeas e têm um 
plastrão côncavo e uma cauda mais longa e grossa.
distribuição
Platemys platycephala ocorre ao longo da bacia Amazônica 
e nas Guianas, desde o leste Venezuelano até as Guianas 
Jabuti machado
7
Platemys platycephala (Schneider, 1792) Família Chelidae
59Tartarugas da Amazônia
e do sul ao nordeste da Bolívia, oeste do Equador e 
Peru, sudeste da Colômbia, sul da Venezuela a Belém, 
Pará, no norte do Brasil.
Habitat 
É uma espécie de pequeno porte que cresce em poças 
temporárias rasas na floresta formadas pela chuva. Elas 
são freqüentemente encontrada em poças não mais 
profundas do que sua carapaça achatada, onde seu 
padrão de coloração enigmática as permitem que se 
camuflem ao longo das folhas. Os jabutis-machado são 
comumente capturados em armadilhas do tipo pitfall de 
tapumes à deriva, sugerindo que elas migram atravésda floresta de lagoa a lagoa em busca de comida ou 
parceiros para acasalarem. No Amazonas, Brasil, elas são 
noturnas e ativas somente durante a estação chuvosa de 
dezembro a junho; quando a chuva cessa, as lagoas secam 
e as tartarugas resvalam sob as folhas no chão da floresta 
ou rastejam embaixo de troncos caídos para estivarem 
até a próxima estação chuvosa. Este comportamento 
foi descoberto seguindo quatro indivíduos com rádio-
transmissores durante um ano na Reserva Florestal 
Adolpho Ducke próxima a Manaus. Através do método 
de lavagem estomacal, os estômagos de Platemys 
platycephala adultas conteram principalmente girinos e 
ovos de anfíbios, bem como alguns insetos aquáticos e 
peixes pequenos. Apesar dessa tartaruga ser facilmente 
capturadas utilizando as armadilhas descritas por Legler, 
estudos sobre sua ecologia são escassos. 
Em indivíduos de algumas populações, foram encontradas 
células triplóides, fazendo essa espécie seja única entre 
todas as espécies de tartarugas do mundo. O significado 
da descoberta não é claro, mas uma vez que muito destes 
O jabuti machado (Platemys platycephala, Chelidae) habita poças formadas pela água da chuva, 
onde eles se alimentam de girinos.
60 Tartarugas da Amazônia
animais usados no estudo são provenientes do comércio 
de animais de estimação, não se sabe exatamente de 
onde são essas populações triplóides. Na minha opinião, 
esse é um dos temas de pesquisa mais interessantes sobre 
os quelônios da Amazônia, mas ninguém tem trabalhou 
com o referido tema ainda. 
nidificação
A corte e cópula ocorrem na estação chuvosa, dezembro 
a junho no Brasil, março a dezembro na Colômbia. O 
acasalamento geralmente ocorre em águas rasas, com 5 
cm de profundidade, mas pode ocorrer em 50 cm de 
água ou na terra. A desova ocorre de agosto a fevereiro 
na Colômbia. O tamanho da ninhada é pequeno, apenas 
um ovo grande, mas este ovo pode atingir um terço do 
comprimento da carapaça da fêmea! O ovo de casca dura 
tem uma média de 55 x 28 mm, pesa 27 g e é geralmente 
assimétrico, com um final mais pontudo do que outro. O 
ovo é colocado superficialmente no solo e coberto com 
folhas, ou simplesmente colocado entre as folhas no chão 
da floresta. A incubação têm duração em média de cinco 
Platemys platycephala
Jabuti machado (Platynemys platycephala, Chelidae) caminha na terra entre as poças da floresta.
típica poça na floresta, onde podemos 
encontrar o jabuti machado.
meses. O comprimento da carapaça de filhotes tem uma 
média de 5.7 cm e pesam de 12–19 g.
Exploração 
Devido ao pequeno tamanho e à sua distribuição dispersa, 
Platemys platicephala não está sob a pressão do consumo 
humano como também não é um animal popular no 
comércio de animais de estimação, possivelmente 
porque ela não é facilmente de ser coletada em grandes 
números. Alguns ribeirinhos no Brasil relataram que, 
ocasionalmente, assam indivíduos dessa espécie, sobre 
fogueiras, para comer enquanto caçam na floresta, 
embora relatem que não há nada especialmente bom 
ou ruim sobre seu sabor. Devido ao fato de essa espécie 
ser amplamente distribuída e seu habitat comum, não 
há necessidade de qualquer conservação específica ou 
programas de manejo para ela. 
61Tartarugas da Amazônia
62 Tartarugas da Amazônia
nomes Comuns
tortuga achiote (Colômbia); uwi-oui, musá-gugá (Índios 
macuna), gú-suáva (Barasana Indians), ú-suän (Índios 
Tucana), ú-hûwû (Bara ou Índios Macu), querátayu 
(Índios Yucuna), red Amazon side- Necked turtle (EUA).
descrição
A cabeça e os membros, de coloração rosa avermelhado 
vivo, fazem essa espécie ser rapidamente reconhecida. 
As patas posteriores, a superfície superior das pernas e a 
superfície dorsal do pescoço são mais escuras do que as 
outras partes moles do corpo. Existem uma faixa central 
preta na cabeça e uma faixa lateral preta ao longo de 
cada olho. As faixas geralmente desbotam em indivíduos 
mais velhos. Imaturos têm uma coloração mais viva, 
mas a intensidade do rosa desbota com a idade. A 
carapaça é marrom que escurece ao longo dos escudos 
marginal. O plastrão é amarelo-claro. O comprimento 
da carapaça atinge 27 cm. Fêmeas são maiores do que 
machos; o comprimento da carapaça da menor fêmea 
madura mediu 20.4 cm, e o do maior macho 23 cm. 
Os machos também diferem das fêmeas por terem um 
plastrão côncavo, um escudo anal mais profundo e mais 
triangular com a cauda mais espessa e longa. A carapaça 
possui uma quilha mediana distinta e é um pouco mais 
larga posteriormente. O lobo anterior do plastrão é mais 
largo do que o posterior. Anéis de crescimento distintos 
estão presentes nos imaturos, mas os centros dos escudos 
nos adultos são remodelados; os adultos geralmente 
possuem somente sete anéis espaçados muito próximos. 
Dois barbelos curtos são presentes. 
distribuição
Espécie encontrada nas baixas regiões das bacias dos rios 
Apaporis, Vaupés, Pira-Paraná, e Papurí na Colômbia 
amazônica. No Brasil, a distribuição se entende ao longo 
da bacia do rio Negro, incluindo tributários do rio Jaú. 
No estado do Pará, OS cágados vermelhos se distribuem 
nos tributários dos rios Trombetas e Tocantins. Devido 
ao pequeno esforço de coleta, poucas localidades foram 
documentadas para essa espécie. Ela possivelmente 
ocorre em todos os cursos de águas pretas dentro de 
florestas com dossel fechado na bacia Amazônica, e 
podendo até mesmo ser uma das espécies de tartaruga 
mais abundantes na região.
Habitat
O cágado vermelho da floresta cresce em igarapés de água 
preta entre a floresta de dossel fechado na Colômbia e 
Cágado vermelho
8
Phrynops rufipes (Spix, 1984) Família Chelidae
63Tartarugas da Amazônia
Fihotes de cágado vermelho (Phrynops rufipes, Chelidae) são as tartarugas mais brilhantes e coloridas da amazônia. 
O propósito da coloração brilhante não é bem compreendido. 
64 Tartarugas da Amazônia
na Amazônia brasileira. Elas nunca foram vistas tomando 
sol e raramente caminham sobre a terra. Sua distribuição 
parece pontual devido à pouca coleta. Portanto, ela não 
é fielmente conhecida. Sabe-se, porém, que a espécie 
não ocorre em grandes rios ou lagos, sendo a única 
espécie de tartaruga encontrada neste ecossistema. São 
animais principalmente noturnos, alimentando-se, entre 
as 19:00h e 00:00h, distante de locais escondidos entre 
bancos de terra ou entre as folhas e troncos caídos. 
A área de vida desses animais é pequena, deslocando-
se somente por 1–2 km ao longo do igarapé (0,4–0,8 
ha) onde se alimentam durante a maior parte de suas 
vidas. Comumente 4–6 tartarugas são capturadas juntas 
em uma armadilha; este comportamento poderia ser 
resultado da atração por uma fonte de comida fresca ou 
de atividades reprodutivas. Possivelmente estas tartarugas 
comunicam-se vocalmente debaixo da água assim 
como seus correspondentes australianos fazem quando 
encontram um recurso alimentar comunicam com 
outros indivíduos. Uma densidade de 17–18 indivíduos 
por quilômetro de igarapé têm sido registrada na 
Reserva Florestal Adolpho Ducke, próximo a Manaus.
Hábitos Alimentares
O cágado vermelho da floresta são onívoros, 
alimentando-se principalmente de frutos de palmeiras 
(Euterpe e Iriartea) e sementes de outras plantas que 
caem na água. A atividade destas tartarugas é estimulada 
por chuviscos locais que aumentam o nível da água dos 
igarapés rapidamente, possivelmente porque mais frutos 
e sementes são carreados para o igarapé nesse momento, 
aumentando o sucesso de forrageamento. Além disso, 
são consumidos pequenos crustáceos (caranguejos, 
camarão), insetos aquáticos, lagartos e peixes. 
nidificação
Estudos com rádio-telemetria nunca documentaram 
Phrynops rufipes fora da água, seus ninhos nunca foram 
encontrados. Fêmeas atingem a maturidade com 6–10 
anos e com 19.5 cm de comprimento de carapaça. 
No Brasil, elas desovam uma ou duas ninhadas de 4 
ovos ou uma ninhadade 8 ovos de março a junho, no 
final da estação chuvosa. Os ovos colocados em maio 
eclodem em novembro. Na Colômbia, a desova ocorre 
de junho a agosto. Os ovos cascudos são ligeiramente 
elípticos, medindo de 41–47 mm x 38–42 mm, com 
peso de 32.5–34.5 g. A nidificação possivelmente 
ocorre embaixo da terra em plataformas, sob bancos de 
terra, pois ninhos nunca foram encontrados em bancos 
de areia ao longo das margens de igarapés onde as 
tartarugas são abundantes. 
Exploração
Essa espécie é caçada intensivamente por tribos indígenas, 
na Colômbia, para alimentação, mas é raramente 
perseguida no Brasil para o mesmo fim. Embora seja uma 
espécie bela de tartaruga, ela não tem sido ativamente 
coletada para o comércio de animais de estimação 
devido às leis brasileiras que proibem tais atividades. 
No presente momento, não há razão para instituir um 
esforço de conservação particular para essa espécie; ela 
tem um habitat comum e amplo ao longo de milhões 
de hectares na bacia da Amazônia brasileira, onde ela não 
é perseguida ou sofre grande perigo de destruição do 
seu habitat. Populações de Phrynops rufipes são mantidas 
próximas à urbanização na cidade de Manaus.
status de Conservação
Listada pela União Internacional para a Conservação 
da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) como 
próximas de estarem ameaçadas: (LR/nt).
Phrynops rufipes
Fêmea de cágado vermelho (Phrynops 
rufipes, Chelidae) em um igarapé.
65Tartarugas da Amazônia
66 Tartarugas da Amazônia
nomes Comuns 
Cangapara (Brasil), lalá (Brasil), cágado do rio (Brasil), 
tartaruga-do-pescoço-de-cobra (Brasil), bachala 
(Colômbia), huele feo (Colômbia), cama-col (Índios 
Corejuaje), Geoffroy’s Side-Necked Turtle (EUA).
descrição
Phrynops geoffroanus é uma grande espécie da 
família Chelidae; fêmeas atingem um comprimento 
de carapaça de até 39 cm. A coloração laranja-
avermelhada viva contrasta com pontos pretos e 
machas na parte inferior dos escudos marginais, 
ponte e plastrão e fazem com que os juvenis dessa 
espécie sejam facilmente distinguíveis de todos os 
outros na região. Nos adultos, a coloração desbota 
para amarelo-esverdeado ou marrom-amarelado. A 
carapaça achatada e lisa de cor marrom ou verde-
escuro. O topo da cabeça é verde escuro com marcas 
brancas contrastantes. Os lados da cabeça e pescoço 
são marcados com linhas alternando entre verde 
escuro a branco. A parte inferior do pescoço é branca 
com pontos pretos salpicados e uma mancha preta 
distinta na forma de uma ferradura invertida. A base 
do pescoço é dorsalmente vermelha. As superfícies 
superiores dos membros são pretas ou verde-
escuro, já na parte inferior, elas são brancas listradas 
com preto ou verde-escuro. A cabeça é pequena e 
estreita, mas o pescoço é bem longo, cerca de 20% do 
comprimento da carapaça, por isso o nome tartaruga-
do-pescoço-de-cobra em alguns locais. Existem dois 
barbelos grandes. Os dedos das patas são ligados por 
membranas interdigitais. Os machos são menores do 
que as fêmeas, além de possuírem a cauda mais fina e 
longa e um plastrão ligeiramente côncavo. 
distribuição 
Essa espécie apresenta a maior distribuição geográfica 
de todos os membros da família Chelidae, ocorrendo 
nas zonas tropicais e temperadas, desde os altos 
pontos da Amazônia na Colômbia, Equador, Peru, 
e Bolívia, até o norte da Argentina e Paraguai. No 
Brasil, elas ocorrem desde a bacia Amazônica no Pará, 
no Amazonas e em Rondônia, atravessando Minas 
Gerais e São Paulo até a Argentina. Na Colômbia, elas 
habitam ambas as bacias do Orinoco e Amazônica. 
Uma das prováveis razões para tão grande abrangência 
geográfica é que, na verdade, não é somente uma 
espécie, mas um complexo de espécies similares. 
Até que seja feito um estudo taxonômico detalhado 
Cágado de barbicha
9
Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812) Família Chelidae
67Tartarugas da Amazônia
usando-se técnicas moleculares, eu não irei agrupar 
todas como apenas uma espécie, mesmo pensando que 
certamente aquelas populações de Minas Gerais não 
sejam da mesma espécie daquelas da Amazônia.
Habitat
Essa tartaruga de água doce é altamente aquática, 
habitando pequenos rios de correnteza, rios meândricos, 
canais, lagos, e canais poluídos de cidades. A espécie 
tem preferência por áreas com abundante vegetação 
aquática e floresta de galeria com um dossel fechado. 
Ela é principalmente abundante próximo às nascentes 
de córregos e debaixo de cachoeiras, onde a água é bem 
aerada e hospitaleira para uma abundante diversidade 
de presas. Phrynops geoffroanus é ativa durante o dia, e 
pode ser vista freqüentemente solitária tomando sol em 
troncos de árvores caídos ou em grupos de dúzias de 
indivíduos de vários tamanhos. à noite elas dormem 
em troncos submersos próximos à superfície da água. 
Hábitos alimentares
Essa espécie é onívora, alimentam-se de sementes, folhas, 
fungos, insetos, crustáceos, moluscos, e peixes. 
nidificação
O período de nidificação ocorre no início da estação 
seca em terras altas. Conforme os rios começam a baixar 
no fim de junho, a nidificação inicia-se no rio Guaporé 
em Rondônia, Brasil, estendendo-se até agosto, depois 
que as fêmeas desovam até quatro ninhadas de ovos 
redondos com casca dura. As fêmeas freqüentemente 
migram em terra por centenas de metros distante do 
adulto de cágado de barbicha (Phrynops geoffroanus, Chelidae).
68 Tartarugas da Amazônia
rio para nidificarem em locais abertos com vegetação 
rasteira. Embora elas não saiam da água em grupos para 
nidificarem, muitas fêmeas quase sempre nidificam na 
mesma área em geral. O ninho é superficial, com uma 
profundidade de 8–10 cm e freqüentemente escavado 
em solo argiloso. Depois de depositarem até 28 ovos, a 
fêmea exala um fluído transparente e viscoso à medida 
que vai tapando o ninho. O líquido forma um cimento 
forte tampando os ovos prevenindo que alguns pequenos 
lagartos os ataquem. Os ovos são quase esféricos, com um 
diâmetro médio de 32 mm. O tempo de incubação varia 
de acordo com a temperatura e umidade, controlando 
a diapausa embriônica e a estivação, mas pode demorar 
cinco meses. O sexo na população do rio Guaporé, em 
Rondônia, Brasil, é controlado geneticamente. 
Exploração
Essa espécie não é apreciada, para alimentação pela 
população ribeirinha, uma vez que a carne e os ovos 
desta tartaruga, segundo os ribeirinhos, causa uma reação 
alérgica e a sua coloração laranja brilhante sugere para 
Filhote de cágado de barbicha (Phrynops geoffroanus, Chelidae) emergindo de seu ninho.
algumas pessoas que a sua carne é venenosa; Por outro 
lado, algumas comunidades indígenas no Amazonas 
ocasionalmente a utilizam como alimentação. P. 
geoffroanus é considerada como possuidora de um poder 
mágico e é incluída em rituais sagrados da tribo Desan 
Vaup’es na Colômbia. Esses indígenas no entanto, não 
comem a carne da tartaruga. Deve haver alguma verdade 
na idéia de que a carne desse quelônio possa causar uma 
alergia, venenosa ou mágica (alucinógena) visto que esta 
espécie de tartaruga consome regularmente cogumelos 
de ampla variedade e as pessoas locais freqüentemente 
cozinham ou assam esta tartaruga viva, sem mata-
la ou limpá-la antes. Portanto, se o estômago contém 
cogumelos, adicionando à sopa poder-se-ia causar uma 
reação alérgica, alucinógena podendo até mesmo resultar 
na morte de pessoas que as consumir, dependendo da 
espécie de cogumelo que a P. geoffroanus ingeriu. 
Phrynops geoffroanus
um jovem cágado de barbicha (Phrynops 
geoffroanus, Chelidae).
69Tartarugas da Amazônia
70 Tartarugas da Amazônia
nomes Comuns 
Hedionda (Colômbia), charapita de aguajal (Peru), ashna 
charapa (Peru), curiza (Índios Carijona), Humpbacked 
Toadhead (EUA).
descrição
Phrynops gibbus é uma pequena tartaruga pleurodira 
com um comprimento de carapaça de até 23 cm e uma 
cabeça estreita, se comparada com as demais espéciesno 
subgênero Mesoclemmys. A superfície dorsal da cabeça 
é coberta com escamas granulares pequenas. Há dois 
barbelos embaixo da boca. A carapaça marrom é larga e 
achatada, com uma quilha suave. A quilha é mais evidente 
em imaturos. O comprimento da cabeça e do pescoço não 
é maior do que o comprimento da carapaça. As maxilas 
e o aspecto lateral da cabeça são de cor amarelo-claro ou 
branco com barras pretas. O plastrão é marrom-escuro 
com as marginais e a ponte amarelas. As patas possuem os 
dedos conectados por membranas interdigitais. Há grandes 
escamas redondas na borda dos membros anteriores. A 
cauda é curta com pequenas papilas cobrindo o aspecto 
dorsal. Há um dimorfismo sexual na base da cauda dos 
machos é mais longa e espessa; a invaginação da escama 
anal é mais profunda do que a das fêmeas. 
distribuição
Essa espécie ocorre ao longo das bacias do Orinoco 
e da Amazônia na Colômbia, leste do Equador, Peru, 
Venezuela, nas Guianas, Paraguai, e norte do Brasil; 
é encontrada na Ilha de Trinidad. Dado que é uma 
espécie sem importância econômica, a sua distribuição 
atual não é bem conhecida. Uma vasta coleta poderia 
certamente completar as lacunas presentes sobre a 
distribuição da espécie. 
Habitat
Phrynops gibbus habita lagoas permanentes e lagos 
rasos na floresta tropical, particularmente lagos com 
palmeiras buriti (Mauritia flexuosa), um dos itens 
alimentares favoritos. Habita água que pode ser preta ou 
branca, e pode ter correnteza na alta estação chuvosa. 
Não foi encontrada em lagoas formadas pela chuva 
temporariamente, riachos ou rios.
O cágado de poças da floresta (Phrynops gibbus, Chelidae) 
é caracterizado por ter uma cabeça estreita, nariz 
pontudo e escamas granulares na cabeça. 
Cágado de 
poças da floresta
10
Phrynops gibbus (Schweigger, 1812) Família Chelidae
71Tartarugas da Amazônia
72 Tartarugas da Amazônia
73Tartarugas da Amazônia
Cágado de poças da floresta (Phrynops gibbus, Chelidae)
ilustra muito bem a maneira em que as tartarugas 
pleurodiras dobram suas cabeças.
Cágado de poças da floresta (Phrynops gibbus, Chelidae) nadando próximo a plantas aquáticas submergidas de uma poça. 
Hábitos alimentares
É uma tartaruga de hábitos noturnos, se alimentando 
principalmente de frutos de buriti (Mauritia flexuosa) 
quando disponíveis na bacia do rio Negro no Brasil e 
também na Colômbia. Além disso, elas se alimentam de 
insetos aquáticos, crustáceos, girinos e peixes. 
nidificação
São desovados de 2 a 4 ovos no final da estação chuvosa, 
maio-junho no Brasil e julho-novembro na Colômbia. 
Os ninhos rasos são escavados no solo, geralmente na base 
de árvores na floresta. A fêmea coloca até duas ninhadas 
por ano na bacia do rio Negro. Os ovos têm casca dura, 
medem 40–30 mm de comprimento e pesam 22,5–32 
g, eclodem depois de 178–200 dias de incubação. O 
comprimento da carapaça atinge de 4,1a 4,9 cm e pesam 
10–18 g. Uma vez que eclodem, os filhotes são capazes 
de exalar um odor almíscar que tem cheiro ruim, que 
pode funcionar para deter alguns predadores.
Exploração
Uma vez que esta espécie não é facilmente encontrada 
em áreas onde há muita população humana e também 
devido ao seu odor produzido por suas glândulas 
inguinais, as pessoas não a caçam para alimentação. 
A espécie também não tem sido de interesse para o 
comércio de animais de estimação; portanto, não há 
necessidade de planos de manejo e conservação para 
esta espécie até o momento. 
74 Tartarugas da Amazônia
nomes Comuns
Matamatá (Colômbia), Jará (Índios Yucuna), Cabezón 
común (Venezuela), lalá (Brasil), Common Toadhead 
Turtle (EUA).
descrição
Essa tartaruga do gênero Phrynops de grande porte, 
adultos podem atingir 33 cm de comprimento de 
carapaça, a largura da cabeça representa cerca de 
25% do comprimento da carapaça em adultos e 30% 
em juvenis. A superfície dorsal da cabeça é achatada 
e coberta com pele suave e rugosa com escamas 
granulosas e pequenas.
Dois pequenos barbelos estão presentes embaixo 
da boca, o pescoço não possui barbelos ou outras 
projeções. A membrana interdigital é completa. A parte 
superior da perna é coberta com pequenas escamas 
curvadas. A cauda possui, na superfície dorsal, muitas 
papilas pequenas cônicas. A coloração da cabeça é 
cinza-escuro ou preta, o pescoço e o queixo são de 
coloração mais claras, amarelo ou creme, sendo que o 
pescoço é mais claro ventralmente do que dorsalmente. 
Uma quilha mediana distinta está presente na carapaça 
de filhotes e juvenis, desaparece com a maturidade. A 
carapaça é de cor cinza-escuro ou preta. O plastrão é 
predominantemente preto no centro, com amarelo ao 
longo das bordas, particularmente a superfície ventral 
que se conecta com os escudos 9-12 marginais. O 
dimorfismo sexual não é bem definido; machos são 
maiores do que as fêmeas e possuem caudas mais longas 
e espessas, além de possuírem um plastrão côncavo. 
distribuição
Phrynops nasuta tem uma ocorrência restrita às Guianas e 
ao estado do Amapá, no extremo noroeste do Brasil. Um 
esforço de coleta intensivo é necessário para determinar a 
exata abrangência dessa espécie e sua relação com espécie 
Phrynops raniceps, que são supostamente alopátricas. 
Habitat e Ecologia
Esta tartaruga é completamente aquática, vivendo em 
remansos de rios, lagos, poças e canais. Não há muitas 
publicações a respeito, acredita-se que sejam carnívoras 
e noturnas. Há registros de consumo de peixes usados 
em anzóis como isca. Os ninhos são construídos em 
áreas de baixo nível próximas a lagos ou rios. Seis a oito 
ovos redondos são depositados em ninhos superficiais.
Cágado da cabeça 
de sapo comum
11
Phrynops nasuta (Schweigger, 1812) Família Chelidae
Cágado da cabeça de sapo comum (Phrynops 
nasuta, Chelidae) em um igarapé. 
75Tartarugas da Amazônia
76 Tartarugas da Amazônia
nomes Comuns
Cágado de cabeça de sapo comum (Brasil), Cabezón común, 
(Colômbia), charapa (Peru), jará (Índios Yucuna), charapita 
de aguajal (Peru), Amazonian Toadhead Turtle (EUA).
descrição
Phrynops raniceps é uma tartaruga de tamanho médio, 
essencialmente aquática com um comprimento de 
carapaça de até 33 cm. A cabeça é larga; sua largura é 
de cerca de um quarto do comprimento da carapaça. 
A carapaça lisa e algumas vezes achatada é de coloração 
preta. O plastrão é amarelo sem nenhuma área de 
cor escura. A cabeça é marrom-escuro a preto acima 
e amarela lateralmente, com ou sem marcas escuras. 
Ventralmente, o pescoço e os membros são de coloração 
amarelo-claro. As maxilas também são de cor amarela. 
Machos possuem a cauda mais espessa e longa, além de 
o plastrão côncavo. 
distribuição
A espécie ocorre desde as regiões mais altas das bacias 
do Orinoco e Amazônica da Venezuela à Bolívia. Na 
Colômbia, a espécie é conhecida dos Vaupés e do estado 
do Amazonas. No Brasil ela não parece ser abundante 
em nenhum local, embora possam ser encontradas 
em lagos e tributários, em regiões mais altas na bacia 
Amazônica. Não se sabe exatamente o que controla a 
distribuição dessa tartaruga.
Habitat
Esta espécie cresce em pequenos rios com águas 
lentas, lagos pequenos e particularmente em nascentes 
de rios ou embaixo de cachoeiras. Foram capturadas 
algumas destas tartarugas e elas estavam mais próximas 
das nascentes dos rios ou em cachoeiras do que em 
qualquer outra localidade. Elas são mais abundantes em 
águas pretas mas também ocorrem em águas claras e 
lagos barrentos.
Hábitos alimentares
Durante a estação de cheia, elas entram na floresta 
inundada à noite para procurar comida. A lalá é um 
carnívoro agressivo com grandes e fortes maxilas que 
processam caranguejos, camarões e aruá (Ampullariidae), 
sua presa favorita. Mas ela também pode consumir insetos 
e material animal em putrefação. Quando capturada fica 
boquiaberta e atenta para morder. 
Lalá
12
Phrynops raniceps (Gray, 1855) Família Chelidae
77Tartarugasda Amazônia
Lalá (Phrynops raniceps, Chelidae) alimentando-se em florestas inundadas onde caçam caranguejos, camarões e moluscos. 
nidificação
Estudos completos sobre essa espécie são escassos. Elas 
foram encontradas nidificando 50–150 m da margem 
em áreas de vegetação rasteira, ao longo do rio Guaporé, 
Rondônia, Brasil, próximo à Costa Marques, em julho 
e agosto no início da estação seca, coincidindo com as 
mesmas localidades utilizadas por P. geoffroanus. Uma 
fêmea grande encontrada em um lago desovou oito 
ovos de casca dura e tem o potencial para produzir seis 
ninhadas de ovos durante a estação reprodutiva. Como 
as outras Phrynops estudadas, os ovos são redondos e 
levam até cinco meses para eclodirem. Estudos sobre 
a incubação em diferentes temperaturas são necessários 
para determinar o efeito da temperatura de incubação 
na formação de melanina e o padrão de cor da espécie. 
Ao longo da área de ocorrência da espécie foram 
encontrados imaturos e até uma grande fêmea adulta no 
rio Jaú, com uma coloração da cabeça completamente 
clara. Acredita-se que tais indivíduos com marcas 
amarelas brilhantes na porção lateral da cabeça pertençam 
a uma nova espécie, mas isso não parece ser nenhuma 
diferença morfológica, mas sim um padrão de coloração 
da cabeça. Portanto, até que um estudo completo seja 
feito, eu abduziria o uso dos padrões de coloração de 
tartarugas amplamente distribuídas como base para 
diferenciar uma espécie. Não parece haver qualquer 
diferença de habitat, ecologia, ou comportamento entre 
os dois padrões de colorações simpátricas. Até mesmo 
os autores que sugeriram essa referida espécie, tiveram 
dificuldades ao falarem separadamente dos adultos—
provavelmente por não haver diferenças!
Exploração
Apesar de esta espécie ser consumida localmente, ela não 
é especificamente procurada para alimentação e também 
não é um item comercializado ou vendido em mercados 
para alimentação, nem mesmo como animal de estimação. 
Até o momento, nenhum manejo ou conservação têm 
sido conduzido para essa espécie. Possivelmente não é 
necessária alguma intervenção para conservá-la. 
78 Tartarugas da Amazônia
Lalás (Phrynops raniceps, Chelidae) são frequentemente encontradas em igarapés e poças de florestas.
uma Lalá (Phrynops raniceps, 
Chelidae) em um pântano com 
buritis (Mauritia flexuosa).
79Tartarugas da Amazônia
80 Tartarugas da Amazônia
nomes Comuns
Tapaculo (Colômbia, (chiribí-chivirí (Colômbia), 
galápago mión (Colômbia), miona, guachupe (Colômbia), 
pivichigua (Colômbia), guachupe (Colômbia), loro 
charapa (Peru), tortuga bico de papagayo (Peru), ashna 
charapa (Peru), tortuga buitre (Peru), Morrocoy de 
agua (Venezuela), pecho quebrado (Peru, Venezuela), 
galápago (Venezuela), jurara (Brasil), kapranno-peire 
(Índios Canela), Scorpion Mud Turtle (EUA).
descrição
A carapaça de Kinosternon scorpioides possui três quilhas, 
comumente menos evidente em adultos velhos. O órgão 
clásper é ausente; os escudos centrais 1–4 são invaginados 
na borda posterior; os lobos plastrais são compridos 
o suficiente para fechar ou quase fechar o casco; O 
comprimento da carapaça atinge até 20,5 cm em machos 
(máximo 27 cm) e 18 cm em fêmeas; décimo escudo 
marginal mais alto do que o décimo primeiro. Em ambos 
os sexos o fim da cauda é em forma de garra. Possuem 
um par anterior de grandes barbelos na garganta e 2–3 
pares de barbelos menores posteriormente. O bico pré-
maxilar apresenta uma forma de gancho nos machos. O 
plastrão é extenso e geralmente dobra completamente, 
sendo a única espécie de tartaruga do Amazonas com um 
plastrão duplamente dobradiço, o qual permite que ela 
dobre o plastrão bem fechado contra a carapaça. As marcas 
da cabeça são vermelhas. As marcas amarelas e laranjas 
comumente são agrupadas para formar uma mancha 
(marrom, cinza ou oliva) mais escura em um segundo 
plano. O lobo plastral posterior sustenta apenas uma 
pequena invaginação posterior, geralmente nenhuma. 
As margens da carapaça são distintamente achatadas para 
fora em algumas populações, mas não em outras. A cor da 
carapaça varia amplamente de população para população, 
sendo comumente marrom ou marrom-claro com suturas 
mais escuras que podem ser cor de oliva a preto.
distribuição 
Kinosternon scorpioides é uma espécie politípica 
com sua extrema ocorrência ao norte no México. 
Quatro subespécies são reconhecidas. K. s. scorpioides 
ocorre do leste do Panamá até a América do Sul, 
descontinuamente, ao longo da costa norte do Brasil 
e intermitentemente na Amazônia pela Bolívia até 
cerca de 25°S no norte da Argentina e na ilha de 
Trinidad, no Caribe. Ela é geralmente encontrada em 
baixas elevações, abaixo de 1.500 m do nível do mar. A 
espécie é comum a abundante no Pará e no Maranhão 
ao longo da costa e menos abundante no interior dos 
Muçuã
13
Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766) Família Kinosternidae
81Tartarugas da Amazônia
estados. Embora existam registros dispersos no interior 
do Pará, Amazonas, e Rondônia, não há nenhuma 
grande população nessas regiões.
Habitat
Essas tartarugas são encontradas em águas superficiais em 
uma ampla variedade de habitats, incluindo pequenos 
riachos, lagoas, margens de lagos, pântanos e lagoas 
temporárias. Elas podem ser comumente encontradas 
em fossas à beira de rodovias e lagos artificiais. Elas 
estivam quando o nível da água baixa, geralmente 
escavando embaixo de folhas acumuladas ou árvores 
caídas. Na água, Kinosternon scorpioides caminham no 
fundo preferencialmente, ao invés de nadar. Elas podem 
freqüentemente ser encontradas se procurar na lama 
dos lagos conforme o nível da água esteja baixando, 
lugar onde elas estivam, emergem quando a lagoa torna 
a encher com a chuva. Pode-se observar comumente 
os rastros desse quelônio no barro quando a água 
está somente a alguns centímetros de profundidade e 
seguindo esses caminhos pode-se encontrá-las enterradas 
mais fundo na lama. Quando ameaçadas por predadores, 
a muçuã fecha seu plastrão contra a carapaça de maneira 
bem apertada e permanece imóvel até que o perigo 
passe. Ela não é propensa a morder.
Hábitos alimentares
A muçuã é onívora, se alimentando-se de frutos, sementes, 
algas, anfíbios, camarões, caranguejos e peixes. Mais da 
metade do volume de comida consumida é de origem 
animal, principalmente insetos, mas caramujos, peixes e 
crustáceos também são ingeridos. Paspalum peniculatum e 
Elodea densa são as plantas mais comumente consumidas. 
Essas tartarugas são mais ativas no crepúsculo, mas 
a muçuã (Kinosternon scorpioides, Kinosternidae) é encontrado em uma variedade de habitats aquáticos rasos, incluindo 
igarapés, pântanos, brejos e lagos.
82 Tartarugas da Amazônia
podem ser encontradas ativas a qualquer hora do dia 
ou da noite. 
nidificação
A corte e a cópula foram observadas em outubro e 
novembro. A cópula ocorre em águas rasas ou em terra. 
No norte da Guatemala, a nidificação foi reportada de 
março a maio, com 6–10 ovos por ninhada. A nidificação 
ocorre em março e abril em Chiapas, México. Na 
Colômbia, ocorre de novembro a janeiro, quando 
2–6 ovos são colocados em ninhos rasos na base de 
arbustos, a cerca de 200 m adentro da linha costeira. O 
comprimento de carapaça das fêmeas reprodutivas em 
cativeiro mediu de 12,2 a 14,6 cm. Filhotes mediram 
de 2,7 a 3,6 cm de comprimento da carapaça (média = 
3.3, n = 67). O tamanho mínimo e a idade da primeira 
reprodução destes filhotes foi de 13,2 cm, com cinco 
anos e 117 dias. O tamanho das ninhadas das fêmeas 
de cativeiro variou de 1-8 ovos com uma média de 
três por ninhada, em uma freqüência de 1–3 ninhadas 
por estação, mantendo o intervalo entre nidificações 
de 32 e 35 dias. Os ovos mediram de 26,5–37 mm x 
11–22 mm e pesaram 3,8–9,1 g (média = 18 x 32 mm 
e 6,4 g, n = 476). A tempo de incubação dura 176 dias 
a 25º C e 91 dias a 30º C. O sexo édeterminado pela 
temperatura de incubação. A incubação é complexa, 
envolvendo diapausa embriogênica e estivação.
A densidade populacional no México foi de 272,4 
por ha com biomassa de 59,2 kg por ha, com um 
comprimento médio de carapaça de 11,1 cm e massa 
de 217 g. Encontrou-se até 48,2 por ha e biomassa de 
10,2 kg por ha, com tartarugas similares em tamanho: 
comprimento da carapaça de 11 cm e massa de 210 
g. De quatro espécies de tartarugas em Belize, K. 
scorpioides foi reportada como sendo a segunda espécie 
mais abundante em uma comunidade com um corpo de 
água sem correnteza de 4 ha. O tamanho da população 
é estimado variando de 35 a 92 indivíduos. 
Os efeitos do fogo e da seca na estrutura populacional 
de K. scorpioides foram reportados na Costa Rica. Em 
três dias, o fogo foi responsável pela morte de 140 K. 
scorpioides de uma população marcada de 206 tartarugas. 
Outras 24 morreram durante o resto do ano como um 
resultado dos efeitos do fogo ou por causas relacionadas 
à seca. O efeito do fogo foi mais drástico em tartarugas 
juvenis e fêmeas. 
Exploração
Embora essa espécie seja pequena e um indivíduo 
grande tenha até menos do que 500 g de carne, ela 
é altamente apreciada e consumida no Pará, Brasil. A 
carne é preparada com farinha de mandioca e colocada 
novamente na carapaça da tartaruga para servir, como 
também se faz com caranguejo recheado. A carne é na 
verdade fibrosa, dura, e com um sabor acre, mas perde 
essas características quando preparada e servida como 
farofa. Na verdade, em muitos restaurantes em Belém, 
Brasil, os mesmos cascos são usados muitas vezes, mas 
os turistas de nada desconfiam. Na verdade serve-se 
com uma farofa feita de pulmão bovino, ao invés de 
tartaruga. Aparentemente a maioria das pessoas não 
nota essa diferença. Dado que Kinosternon scorpioides é 
amplamente distribuída e não é consumida em muitas 
regiões, não há necessidade de alarme para medidas 
conservacionistas para a espécie. Programa de manejo 
sustentável deveria ser constituído para o uso desta 
espécie no Pará, Brasil. 
Kinosternon scorpioides
83Tartarugas da Amazônia
Habitats aquáticos onde a muçuã é encontrado na ilha de marajó, próximo à boca do rio amazonas.
84 Tartarugas da Amazônia
nomes Comuns
morrocoy negro (Venezuela), aperema (Brasil), jaboti-
aperema (Brasil), Spot-Legged Turtle (EUA) .
descrição
Rhinoclemmys punctularia é uma tartaruga semi-aquática, 
de tamanho médio com uma carapaça bem curvada 
lembrando a metade de uma pequena melancia e 
atingindo até 26 cm em comprimento. Imaturos tem 
uma quilha dorsal média proeminente a qual é perdida 
em adultos. A carapaça é marrom-escuro a preta; o 
plastrão é preto centralmente com amarelo pálido ao 
longo das bordas e na ponte. As patas possuem dedos 
moderadamente conectados por membranas interdigitais. 
Os membros são amarelos alaranjados com pontos 
pretos espalhados. A cabeça pequena e alongada é preta 
a marrom-escuro, com um ponto laranja-avermelhado 
ligeiramente anterior aos olhos. Um par de linhas 
onduladas laranjas e fina estendem-se posteriormente 
a partir da região entre os olhos até o pescoço, onde a 
coloração passa a ser amarela. Anteriormente essas linhas 
podem ou não estar conectadas por uma barra laranja-
avermelhada. Outro par de linhas laranja-avermelhadas 
finas estendem-se da base da sua cabeça para o pescoço. 
Trata-se de uma característica distinta não encontrada 
nas outras tartarugas da Amazônia. Os lados da cabeça 
têm uma padrão mármore de linhas amarelas e pretas. Há 
uma linha amarela-clara bem definida que se estende das 
narinas para o olho e outra das narinas para a mandíbula. 
A superfície dorsal do pescoço é cinza e a parte inferior é 
amarela-clara. O tímpano não é grande. Não há barbelos 
no queixo. Machos são ligeiramente menores do que as 
fêmeas e têm um plastrão ligeiramente côncavo e mais 
comprido e uma cauda mais espessa. 
distribuição
Essa espécie foi registrada no extremo leste da Venezuela, 
nas Guianas, em Trinidad e Tobago, alcançando o Brasil, 
particularmente ao longo da costa do Pará e as áreas abertas 
ao longo do rio Amazonas nos estados do Amazonas e 
Roraima. O conhecimento da distribuição de Rhinoclemmys 
punctularia é pontual no interior dos estados amazônicos, tais 
como Pará, Amazonas, e Roraima devido a pouca coleta 
em riachos secundários onde elas vivem. Recentemente 
foram vistas no igarapé do Mindu na cidade de Manaus.
Habitat 
As peremas são semi-aquáticas, vivendo a maior parte do 
tempo em pântanos inundados, igapapés, brejos costeiros 
Perema
14
Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801) Família Bataguridae
85Tartarugas da Amazônia
na amazônia a perema (Rhinoclemmys punctularia, Bataguridae) é encontrada principalmente 
no leste onde habita áreas alagadas.
86 Tartarugas da Amazônia
uma fêmea de perema (Rhinoclemmys punctularia, Bataguridae) retornando para a água depois de fazer um ninho com 
somente 1 ou 2 ovos na liteira do solo da floresta.
e fossas ao longo de rodovias, mas elas costumam deixar 
esse refúgio de água para andar na terra. Não aparentam 
ser dependentes da qualidade da água, pois foram 
encontradas em águas pretas, claras, brancas bem como 
em pântanos e águas córregos poluídos das cidades.
Hábitos alimentares
Em cativeiro, elas se alimentam na água e na terra de 
uma variedade de plantas e animais. Nenhum estudo foi 
conduzido com esta espécie na natureza, embora elas 
tenham sido observadas se alimentando de frutos de 
palmeiras (Mauritia flexuosa).
nidificação
Os ovos dessa espécie são extremamente grandes e 
longos para o tamanho da tartaruga. Geralmente dois, 
mas até quatro ovos já foram registrados por ninhada. 
Eu encontrei evidências de duas ninhadas de ovos de 
uma fêmea coletada em Manaus, próximo ao igarapé 
do Mindú e também de outras coletas enquanto 
eu atravessava a rodovia em Roraima. Ambas as 
ocorrências se deram na primavera (março-abril). A 
média do tamanho do ovo é de 6.5 x 3.5 mm, com 
um peso médio de 54 g. A casca dos ovos é espessa 
para prevenir a dessecação; eles não são colocados no 
solo da floresta, mas entre a liteira na base de troncos e 
raízes e posteriormente esses são coberto com folhas. A 
temperatura de incubação é determinante do sexo em 
todas as espécies de Rhinoclemmys punctularia estudadas. 
A incubação de peremas é prolongada, cerca de até 
cinco meses, e pode variar de acordo com a diapausa 
embriônica e a estivação.
rhinoclemmys punctularia
87Tartarugas da Amazônia
As distintas marcas da cabeça podem ser usadas para 
reconhecimento durante o comportamento de corte, 
embora exista somente uma espécie encontrada no 
Brasil, enquanto na Colômbia há uma sobreposição na 
distribuição de várias outras espécies de Rhinoclemmys.
Exploração
Essa é uma das espécies menos estudadas no Brasil, mas 
não há evidências de que ela seja amplamente consumida 
ou usada no comércio de animais de estimação. Eu 
ainda preciso encontrar uma boa população desta 
espécie para estudar no Brasil. Como em outras espécies 
de Rhinoclemmys, elas são dóceis e raramente tentam 
morder quando manuseadas. 
Perema (Rhinoclemmys punctularia, Bataguridae) comumente gasta mais tempo na terra da floresta forrageando 
em busca de frutos do que na água.
88 Tartarugas da Amazônia
Common names
Jabuti vermelho (Brasil), morrocoy (Colômbia, Venezuela), 
morrocoy negro (Colômbia), morrocoy pata roja 
(Colômbia), yaimoro (Índios Cuna), motelo (Equador) 
motolo (Equador), wayamo (Índios Makiritare), Red-
footed Tortoise (EUA).
descrição
O jabuti piranga atinge até 45 cm no comprimento de 
carapaça e pesa até 8 kg. As superfícies maxilares trituradoras 
são bem desenvolvidas para macerar o material vegetal; a 
carapaça é de cor preta, com a porção central dos escudos 
marcada com amarelo ou vermelho-alaranjado; algumas 
escamas da cabeça são vermelhas ou laranjastendendo ao 
amarelo. Muitas das escamas dos membros, particularmente 
os membros posteriores, são vermelho vivo ou alaranjadas; 
o plastrão é rígido, sem dobradiça e amarelo com marcas 
centrais escuras. A escama frontal é geralmente completa. 
A carapaça geralmente tem uma constrição na área da 
ponte, mais pronunciada em machos. A maior escama no 
joelho é sempre vermelha. Machos são geralmente maiores 
do que as fêmeas e têm um plastrão côncavo; o casco é 
geralmente mais baixo e achatado e a cauda e o escudo 
anal são maiores nos machos.
distribuição
Essa tartaruga é amplamente distribuída e ainda é 
relativamente comum no Brasil, Guiana, Venezuela, 
Bolívia, Paraguai, e Argentina. Existem populações 
isoladas em Trinidad, nas Antilhas, sudeste do Panamá, 
e norte da Colômbia, em áreas com estações chuvosas 
e seca distinta. à medida que as florestas são cortadas 
no Brasil, a ocorrência da espécie vai-se espalhando, 
e elas podem ser encontradas juntas com populações 
remanescentes do jabuti-amarelo.
Habitat
O jabuti piranga é uma espécie de áreas abertas, no 
entanto eles se aventuram dentro da floresta e ao longo 
de riachos. São mais comuns nas áreas de gramíneas e 
áreas abertas.
Hábitos alimentares
Os jabutis piranga são geralmente solitários e diurnos, 
mas podem algumas vezes ser encontrados em grupos, 
alimentando-se embaixo de árvores com frutos 
abundantes caídos, tais como hobo (Spondias mombin), 
genipapo (Genipa americana), e manga (Mangifera 
indica). Eles se alimentam de frutos, flores, cogumelos 
e sementes e como um suplemento menos freqüente 
Jabuti piranga
15
Geochelone carbonaria (Spix, 1824) Família testudinidae
89Tartarugas da Amazônia
em sua dieta alimentam-se de insetos, vermes, material 
animal em putrefação e fezes. Os jovens consomem as 
fezes de adultos para inocular a importante microbiota 
intestinal e ajudar na digestão de material vegetal. 
Durante o inverno eles alimentam-se principalmente de 
frutos, enquanto no verão eles consomem mais flores. 
Embora sejam ativos durante todo o ano, eles são mais 
ativos durante a estação chuvosa. Em áreas com uma 
estação seca extrema, eles comumente procuram refúgio 
embaixo de árvores caídas ou tocas rasas.
nidificação 
A desova ocorre de agosto a janeiro em ninhos rasos; a 
média do tamanho da ninhada é seis ovos (variando de 
1–15). Esses são de casca dura, quase esféricos têm um 
diâmetro de 4–4.5 cm e levam cinco meses para eclodir. 
O sexo é determinado pela temperatura de incubação. 
Três a cinco ninhadas podem ser colocadas em uma 
única estação reprodutiva. Adultos e suba-dultos gastam 
a maior parte do tempo alimentando-se ou descansando 
nas mesmas áreas, enquanto os juvenis são mais ativos. 
Exploração
Embora essa espécie não esteja listada como em 
perigo, muitas populações têm sido sobrexploradas 
para alimentação e comércio de animais de estimação. 
Existe no mínimo uma fazenda comercial e funcional 
criando esta espécie em cativeiro para o comércio de 
animais de estimação. Embora Vanzolini diga que é a 
tartaruga mais deliciosa para se comer, nenhum esforço 
comercial tem sido feito para criá-la em cativeiro 
para alimentação, possivelmente por crescerem muito 
lentamente, o que tornaria o empreendimento uma 
aventura comercialmente inviável.
status de Conservação
Listada pela Convenção sobre o Comércio Internacional 
das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas 
de Extinção (CITES), como Apêndice II.
Jabuti piranga (Geochelone carboraria, Testudinidae) pesando cerca de 20 kg. acredita-se que estas 
tartarugas vivem mais do que 50 anos.
90 Tartarugas da Amazônia
nomes Comuns
morrocoy (Colômbia, Venezuela), morrocoyo 
(Colômbia), morocco (Colômbia), morrocoy patamarilla 
(Colômbia), motelo (Peru, Equador) wayapopi harra 
(Índios Guahibo), jabuti (Brasil) jabuti açu (Brasil), 
Yellow-Footed Tortoise (EUA).
descrição
O jabuti amarelo é maior do que o jabuti piranga 
(Geochelone carbonaria), com um comprimento de 
carapaça de até 82 cm, pesando até 60 kg, mas é mais 
comum encontrar indivíduos de até 40 cm pesando 
15 kg. Não se sabe ainda se esses indivíduos gigantes 
são geneticamente diferentes, se são indivíduos 
extremamente velhos ou se simplesmente isso decorre 
por estarem vivendo durante seus anos de crescimento 
em uma parte da floresta extremamente rica em 
nutrientes. Em uma colônia desses gigantes é conhecida 
até o momento foram encontrados indivíduos dispersos 
ao longo da área de distribuição da espécie. A carapaça 
tem um padrão de cor menos contrastante do que o 
jabuti piranga. A carapaça é marrom-claro e os centros 
de cada vértebra e escudo costal marrom-amarelado-
claro. A parte central mais clara é maior em G. denticulata 
do que em G. carbonaria. Algumas das escamas da cabeça, 
bem como as escamas dos membros, são amarelas-pálidas 
ou laranja-pálido. A forma da carapaça apresenta linhas 
retas, mas não arredondadas como em G. carbonaria. 
A escama frontal é dividida. O plastrão é amarelo-
amarronzado com uma coloração mais escura ao longo 
das suturas dos escudos. Os machos são ligeiramente 
maiores do que as fêmeas e têm um plastrão côncavo 
e mais longo, além de apresentar a cauda mais grossa. 
Filhotes e imaturos são prontamente distinguíveis de 
G. carbonaria por uma borda denticulada irregular na 
escamas nucais e nas primeiras escamas marginais. Com 
a idade e o crescimento, a denticulação é perdida.
distribuição
O jabuti amarelo é encontrado no sudeste da Venezuela 
ao sul do Brasil e são comuns ao longo da bacia 
Amazônica. Existem populações isoladas em Trinidad e 
leste do Brasil. 
Embora o jabuti amarelo (Geochelone denticulata, 
testudinidae) possa flutuar, conseguem se dispersar 
facilmente quando o rio está seco.
Jabuti amarelo
16
Geochelone denticulata (Linnaeus, 1766) Família testudinidae
91Tartarugas da Amazônia
92 Tartarugas da Amazônia
imaturos de jabuti amarelo (Geochelone denticulata, testudinidae) possuem carapaça em forma de cúpula rasa. Conforme 
o jabuti ganha idade, sua carapaça cresce em comprimento e altura.
Habitat
Os jabutis amarelos estão em casa nas florestas tropicais 
ombrófilas densas ou florestas decíduas, não adentrando 
regiões abertas. 
Hábitos alimentares
São quelônios geralmente solitários, que se alimentam 
durante o dia com gramíneas, folhas, frutos, flores e 
sementes de uma vasta variedade de plantas; eles também 
se alimentam de cogumelos, insetos e material animal 
em putrefação.
nidificação 
A maturidade sexual é atingida com 12–15 anos 
quando o comprimento da carapaça é maior do que 
25 cm. O jabuti amarelo é ativo durante todo o ano, 
copulando esse período, com mais intensidade de 
junho a agosto e dessa forma desovam no período 
de agosto a fevereiro. O tamanho da ninhada 
varia de um a oito ovos de casca dura; esses são 
ligeiramente elípticos, medindo de 4,3 x 4,0 a 6,0 
x 4,4 cm. Fêmeas foram documentadas desovando 
mais de quatro ninhadas em um ano, em intervalos 
variando de 26 a 72 dias. Geralmente enterram os 
ovos, mas podem algumas vezes só cobri-los com 
folhas no chão da floresta. A incubação é demorada, 
levando até 152 dias. O tamanho médio dos filhotes 
varia de 4,6 a 5,2 cm. Como na maioria das espécies 
de tartarugas estudadas, o sexo é determinado pela 
temperatura de incubação.
93Tartarugas da Amazônia
Exploração
O jabuti amarelo é consumido com muito apreço pelas 
populações rurais e tribos indígenas. Constituem-
se em um item básico da alimentação dos catadores 
de castanha no Brasil. Diferente de muitas outras 
espécies de tartarugas, o jabuti amarelo é carneado 
e as diferentes partes são vendidas separadamente 
no mercado de Iquitos: fígado, carne, e ovidutos. 
Os cascos são descartados. Embora a espécie seja 
prontamente consumida assim que encontrada, não há 
como coletá-la em grande quantidade para a venda 
nas cidades.que quase 
cobre cada escama maxiliar. Eles não possuem o ponto 
preto no centro de cada mancha maxiliar, tais pontos 
aparecem em algum momento antes de completarem 
um ano de idade e aumentam gradualmente. Fêmeas 
adultas perdem o padrão de coloração da cabeça como 
o dos filhotes, gradualmente desbota para marrom. 
Machos tendem a manter o padrão por mais tempo. 
Existem dois barbelos no queixo presentes na maioria 
dos indivíduos das populações. No entanto, 0,03% 
dos filhotes encontrados em um período de oito anos 
no rio Trombetas tinham somente um barbelo. Os 
membros anteriores possuem cinco garras fato não 
muito diferente em outras tartarugas aquáticas. Os 
membros posteriores, entretanto são extremamente 
expandidos e bem interligados, com quatro garras e 
uma escama grande e bem desenvolvida ao longo da 
Tartaruga-da- 
Amazônia
1
Podocnemis expansa (Schweigger, 1812) Família Podocnemididae
9Tartarugas da Amazônia
margem posterior. Essas tartarugas são bem adaptadas 
para nadar centenas de quilômetros acima nos cursos 
de rios. Os músculos da perna e suas reações são 
extremamente rápidos e fortes. A observação não 
prudente de humanos, quando não tomam precauções, 
assustam os animais e um rápido movimento da perna 
pode causar sérias injúrias ao estômago e a outras 
partes vulneráveis (como os ovos). 
Nos adultos, o cérebro é largo nos adultos, com duas 
culminâncias na superfície maxilar, presumidamente para 
auxiliar na mastigação de material vegetal. A garganta 
é caracterizada por um anel de papilas, chamadas 
papilas de Trueb, as quais se acredita-se que auxiliam 
na retenção de material particulado quando a água é 
eliminada no processo de alimentação, isso quando as 
tartarugas praticam neustofagia.
distribuição
Podocnemis expansa tem uma ampla distribuição nos 
maiores tributários do Orinoco, Essequibo, e drenagens 
do rio Amazonas na Colômbia, Venezuela, Guiana, 
noroeste do Peru, leste do Equador, norte da Bolívia e 
norte do Brasil.
Habitat 
A tartaruga-da-amazônia habita o maior sistema de 
rios do mundo, a bacia Amazônica. Durante o período 
de cheia, adultos e indivíduos de todos os tamanhos 
adentram os lagos de meandro e as florestas alagadas 
para se alimentar de frutas e sementes. Durante a 
estação seca, adultos adentram os rios, enquanto juvenis 
e sub-adultos freqüentemente permanecem em lagos e 
grandes poças formados por águas recuadas. Assim que o 
nível da água cai, as fêmeas são estimuladas a migrarem 
Fêmeas de tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa, Podocnemididae)ficam ariscas quando subindo nas praias de 
desova. Qualquer movimento sutil pode espantá-las de volta para a água. 
10 Tartarugas da Amazônia
para tributários acima do Amazonas e rios maiores em 
busca das mais altas praias para nidificarem. 
Hábitos alimentares
Na natureza, essa espécie é herbívora. No Brasil, 
estado do Pará, rio Xingu a tartaruga-da-amazônia 
alimenta-se de 32 espécies de plantas pertencentes a 
20 famílias. Somente material vegetal foi encontrado 
nos conteúdos estomacais da espécie, sendo as famílias 
Leguminosae e Gramineae altamente representadas. No 
rio Guaporé, estômagos das tartarugas continham 98% 
de material vegetal, incluindo sementes, frutos, folhas 
e caules de Annonaceae (Guatteria sp.), Leguminosae 
(Macrolobium), Euphorbiaceae (Margaritaria nobilis), 
Sapotaceae (Pouteria sp.), Rubiaceae, e Convolvulaceae 
(Maripa sp.). No rio Trombetas, sementes e frutos 
ocorreram freqüentemente em mais de 50% do 
conteúdo estomacal das tartarugas; folhas e gramíneas 
ocorreram em 40%. Partes de conchas de moluscos e 
cascos marrom-claro à creme foram encontrados em 
sete indivíduos. Também foram encontrados ossos de 
peixe, mas somente um em cada indivíduo.
Na Venezuela, frutos compuseram mais de 86% dos itens 
alimentares consumidos na natureza, compreendendo 
arapari (Macrolobium acasiaefolium), sombra-de-touro 
(Sideroxylon sp.), embira-de-sapo (Lonchocarpus sp.), 
acapurama (Campsiandra comosa), côco-de-mono 
(Jugastrum sifontesi), tucum (Bactris sp.), ingá (Inga sp.), 
guatero (Sclerobium sp.) e parabaro. Folhas e caules 
compreenderam 4%. Os outros 10% restantes estavam 
compostos de invertebrados e ossos de peixes, vacas 
e outras tartarugas. Acredita-se que os ossos foram 
realmente comidos como ossos e não como parte 
de animais mortos ou frescos. Na Venezuela, essas 
tartarugas alimentam-se de esponjas de água doce 
(Spongilla sp.) e gauco (Mikania congesta).
nidificação
Tartarugas preferem areia grossa para nidificar à areia 
fina. No entanto, elas não necessariamente nidificam na 
mesma praia anualmente; há, porém evidências de que 
anualmente elas retornam para a mesma parte do rio, 
pelo menos no rio Trombetas e rio Guaporé no Brasil. 
Muitas vezes nidificam na mesma praia, mas, quando uma 
praia foi destruída pela mudança no sentido da corrente 
do rio, as mesmas tartarugas marcadas nidificaram em 
outras praias próximas. É animador saber que elas irão 
mudar de praia. Praias artificias no rio Uatumã atraem a 
nidificação das tartarugas abaixo da barragem de Balbina, 
já que ali elas não são capazes de subir o rio para áreas de 
nidificação em que antes utilizavam. Imaturos e subadultos 
raramente foram vistos tomando sol, embora se saiba 
que as fêmeas tomam sol em grupo nas praias por duas 
ou três semanas antes da nidificação. Elas permanecem 
tomando sol por horas no período mais quente do dia, 
quando as temperaturas superficiais são maiores do que 
araticum (Annona nitida, annonaceae) é uma das frutas 
consumidas pela tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa, 
Podocnemididae), encontradas na floresta alagada.
Podocnemis expansa
11Tartarugas da Amazônia
a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa, Podocnemididae) frequentemente alimenta-se de frutos 
da Família, Convolvulaceae.
a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa, Podocnemididae) se alimenta de leguminosas durante a estação de cheia. 
na foto está uma espécie de Campsiandra na floresta alagada.
12 Tartarugas da Amazônia
45º C. Presumivelmente, o comportamento de ficar em 
banho de sol permite uma formação de ovos mais rápida. 
Após a estação de nidificação, as fêmeas permanecem 
por pelo menos dois meses nas poças de água profunda, 
adjacentes às praias de nidificação. Uma lenda local 
relata que elas estão esperando os ovos eclodirem para 
então orientarem os filhotes para as áreas de alimentação. 
Curiosamente, a eclosão dos ovos coincide com o início 
da estação chuvosa e a subida do rio; tais eventos parecem 
estimular as fêmeas a migrarem rio abaixo. Ao longo do 
rio Trombetas, a nidificação termina por volta do início 
de novembro, mas foi descoberto por meio de rádio 
transmissores que as fêmeas permanecem em frente às 
praias de nidificação nas áreas de maior profundidade 
até final de dezembro. Enquanto elas estão nessas áreas, 
não se alimentam. 
Recentemente, foi demonstrado que tartarugas aquáticas 
comunicam-se vocalmente submersas em baixo da água. 
Tais vocalizações estão sendo estudadas para descobrir se 
há comunicação vocal entre as fêmeas e filhotes e se as 
fêmeas se comunicam entre si a cerca de onde e quando 
tomar sol além da postura dos ovos. A comunicação 
das tartarugas demonstra ser um campo de investigação 
um tanto quanto interessante, esclarecendo muito 
sobre o comportamento que não seria adequadamente 
explicado ao acaso ou pela olfação. Pergunta-se como as 
fêmeas decidem quando sair da água e tomar sol juntas, 
ou desovarem juntas, ou nadarem juntas? Elas foram 
encontradas migrando mais de 45 km rio abaixo em dois 
dias. Dez fêmeas foram monitoradas com transmissores 
via-satélite após desovarem, sabendo-se então que as 
mesmas permaneceram na floresta inundada (igapós) da 
Reserva Trombetas ou em lagos próximos. As tartarugas 
deslocam-se bastante, 6-10 km, dentro da floresta 
inundada e alimentam-seDevido a sua ampla distribuição ao longo 
da bacia Amazônica, ela ainda é comum o suficiente 
para permanecer como parte da fauna local em muitas 
regiões. Há um pouco de comércio internacional desta 
espécie para a indústria dos animais de estimação, mas 
menos do que o jabuti piranga.
status de Conservação
Listada como Vulnerável (VU A1cd+2cd) pra a União 
Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). 
Para a Convenção sobre o Comércio Internacional das 
Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de 
Extinção (CITES) está no Apêndice II. 
Jabuti amarelo (Geochelone denticulata, testudinidae) é muito caçado na amazônia.
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1990(XX, 34-35. 1990.
Tartarugas da Amazônia104
créditos das fotos
michael goulding: capa (canto superior esquerdo), 9, 10, 11 (superior), 11 (inferior), 14, 17, 23, 25, 28, 29, 31 
(superior), 31 (inferior), 39, 41, 42, 43 (inferior) 49 (superior), 49 (inferior), 51 (inferior), 52, 53 (superior), 53 
(inferior), 56, 81, 83, 85, 86
andré Bartschi: capa (lado direito superior), 5, 26, 34, 35, 61, 72, 89, 91, 93
rafael Bernhard: 40, 43 (superior), 51 (superior), 55, 57, 60, 65, 77, 92
richard C. Vogt: 6, 33, 45, 59, 63, 75, 78, 87
Walter H. Wust: 32, 36, 68, 69, 79
Pedro Birro: capa (inferior), 18
Luiz Claudio marigo: 27
rosana de almeida thiel: 19
Leticia Boer nascente: 19 (lado direito superior)
Virgínia Campos diniz Bernardes: 20
nigelsmith: 71
William E. magnusson: 67 
Leandro melo de sousa: 73neste local entre janeiro e 
agosto. Ocasionalmente, quando se alimentam em águas 
rasas, a temperatura pode atingir 45º C.
No Brasil, a nidificação é controlada pelos níveis 
da água, variando cada ano por várias semanas, mas 
geralmente acompanhando o seguinte padrão: julho–
agosto no Acre, agosto–setembro no Araguaia, setembro 
em Rondônia, Goiás, e Tocantins, setembro–outubro 
no Amapá e Mato Grosso, outubro no Trombetas, no 
Xingu e no Tapajós, e, finalmente, dezembro–janeiro 
em Roraima. As tartarugas nadam rio acima até as 
mais altas praias planas expostas na área, onde preferem 
areia grossa à fina em profundidade de 1 a 2m. Como 
o nível da água continua a descer, elas gastam de 10 
a 14 dias tomando sol nas praias, até mesmo quando 
a temperatura do ar está acima de 35º C. Isso é feito 
para completar o processo de ovulação o mais rápido 
possível. Geralmente as tartarugas cavam o ninho e 
fazem a postura dos ovos quando escurece por completo, 
entre as 23:00 e 06:00h. No entanto, em algumas áreas 
no Amazonas, como no rio Xingu, e em 2007 no rio 
Trombetas, elas também nidificaram durante o dia. A 
atividade de nidificação dessa espécie assemelha-se à de 
algumas tartarugas marinhas que nidificam em arribadas 
(nidificação em massa das tartarugas). As tartarugas 
frequentemente invadem a praia em grandes grupos, 
nos dias atuais quase sempre em dúzias ou no máximo 
em centos, enquanto no século XIX isto ocorria 
aos milhares. As áreas de nidificação continuam a ser 
disputadas em muitas regiões como Praia de Monte 
Cristo no rio Tapajós, onde fêmeas que estão nidificando 
freqüentemente escavam os ninhos mesmo onde outras 
nidificaram antes delas. As tartarugas, antes escavam uma 
cama para depois cavarem o buraco do ninho. Os ovos 
são redondos de cascas flexíveis, com diâmetro de 36 a 
49 mm (média = 38,8) e de 24 a 35 g (média = 30,9). 
A média do número de ovos por ninhoencontyrada 
no rio Trombetas foi de 91,5 (63–134). O número de 
ovos permaneceu constante, ou seja, 91 em 1992, mas 
diminuiu para 84 em 1993. Uma menor quantidade de 
ovos pode indicar que mais fêmeas estão a entrar na 
população reprodutiva, uma vez que fêmeas menores 
as tartarugas-da-amazônia desovando em 
praias do rio guaporé, alto rio madeira.
Podocnemis expansa
13Tartarugas da Amazônia
14 Tartarugas da Amazônia
uma tartaruga-da-amazônia fêmea de (Podocnemis expansa, Podocnemididae) desova somente em uma 
cova por ano com cerca de 50 a 150 ovos.
fazem a postura de um número menor de ovos. A 
média de ovos por ninho na Colômbia foi de 104,9 , 
na Venezuela 77,8 e 83,8, e no Peru de 80 a 133 ovos 
por ninho. O tempo de incubação varia de acordo 
com a temperatura; uma incubação natural de 48 dias 
no rio Trombetas em temperaturas entre 34,5–35,4 ºC 
produz principalmente indivíduos fêmeas. No entanto, 
o tempo de incubação no rio Caquetá, na Colômbia, 
é muito maior, com uma média de 67,2 (50–80) dias, 
resultado de dois períodos de desova diferentes com 
uma temperatura mais baixa de 28 a 31ºC. Isto sugere 
que uma grande porcentagem de macho nasce no lado 
colombiano. Para esta espécie, o sexo é determinado pela 
temperatura de incubação, sendo praticamente todas as 
fêmeas nascidas em temperaturas superiores a 34,5ºC.
Exploração
Antes dos europeus invadirem a bacia Amazônica, 
as tribos indígenas dispersadas viveram por milênios 
explorando as abundantes populações de tartarugas. Eles 
não tinham a necessidade, a tecnologia, ou qualquer 
razão para coletar mais que eles poderiam usar; desta 
forma, as populações de tartarugas foram usadas de uma 
forma sustentável, não por planejamento, mas somente 
porque a população humana não era grande o suficiente 
para causar extinções locais. Essa realidade mudou com 
a chegada dos barcos do Velho Mundo.
Entre 1700 e 1900, milhões de fêmeas adultas de 
P. expansa foram abatidas para alimentação e óleo. 
No Brasil, no alto rio Amazonas, região próxima a 
Tefé, cerca de 48 milhões de ovos foram coletados 
anualmente entre 1848 e 1859. As pessoas aguardavam 
15Tartarugas da Amazônia
nas praias o nascimento dos filhotes e os devoravam aos 
milhares. Não somente as tartarugas e ovos utilizados 
para alimentação foram explorados, mas também a 
gordura e ovos foram manufaturados em óleo para ser 
queimado na iluminação pública de Manaus. Cerca de 
4 milhões de ovos foram destruídos por ano somente no 
rio Madeira. Próximo a Porto Velho, durante a estação 
de desova, o rio era tão tomado por tartarugas que, 
praticamente, impossível a passagem de grandes barcos. 
Foi relatado que tartarugas estavam dispostas em oito 
fileiras, uma embaixo da outra, por 4 km rio abaixo.
De 1885 a 1993, o mercado em Belém vendeu 12 
toneladas métricas de gordura de tartaruga por ano. As 
tartarugas foram sistematicamente aniquiladas no rio 
Madeira e no alto rio Amazonas. Os cálculos sugerem 
que mais do que 200 milhões de ovos foram coletados 
no século XIX para produtos a base de óleo muito 
provavelmente milhões excedem a esse número. Os 
mesmos níveis de destruição também foram tomando 
lugar no rio Orinoco na Venezuela, onde se registrou 
que 33 milhões de ovos foram coletados anualmente 
para produção de óleo. A mesma intensidade de coleta 
de tartarugas continuou na Venezuela até o último ano 
de caça legalizada, em 1961. Coletores no Orinoco em 
Pararuma continuaram coletando uma média de 6,045 
fêmeas adultas por ano no período de 1945 a 1948. 
O Orinoco perdeu 11.407 fêmeas adultas por ano no 
período de 1950 to 1956. Essa destruição esbanjadora 
nos faz lembrar do arrasamento das populações de 
búfalo e do pombo-passageiro nos Estados Unidos, 
quando os europeus colonizaram e destruíram as 
florestas e a vida selvagem da América do Norte, um 
recurso aparentemente interminável.
Conibos esmagando ovos de tartarugas (Podocnemis expansa, Podocnemididae) em uma canoa no rio ucayali no Perú. 
desenho extraído de A Voyage Across South America, 1866 por Paul marcoy .
16 Tartarugas da Amazônia
Conservação
A coleta massiva tem resultado na classificação 
desta espécie como ameaçada na maior parte da sua 
ocorrência, e somente no Brasil há populações elevadas 
e esforço conservacionista intenso o suficiente para 
previnir a espécie se tornar listada como ameaçada. No 
entanto, tal esforço tem resultado somente na limitação 
do comércio internacional nos países que acatam 
ao CITES. Todavia, ainda há populações abundantes 
desta espécie em foco várias partes do Brasil e estas 
populações que podem ser reestabelecidas novamente 
a altos níveis se a predação humana estiver sob controle. 
De 2000 a 2006, cerca de 2 a 3 milhões de filhotes 
nasceram anualmente em praias protegidas no Brasil. 
São números que estão muito longe dos 48 milhões 
que foram coletados anualmente no século XIX, mas 
já é um começo. 
A Reserva Nacional Pacaya-Samiria protege de 
300 a 400 fêmeas nidificantes nas bases de Pacaya e 
Samiria, mas a espécie é ausente nos rios Yanayacu-
Pucate. Populações nos rios Marnon e Ucayali e no 
Canal Puinahua quase têm sido extintas. Cerca de 
28.000 filhotes foram liberados na reserva nos anos 90. 
Populações foram extintas na região de Iquitos, onde 
tartarugas de todos os tamanhos e seus ovos ainda são 
vendidos declaradamente no mercado. 
As populações ao longo da fronteira brasileira possuem 
muitos indivíduos em algumas áreas como resultado da 
proteção de praias de desova no lado brasileiro e à baixa 
densidade de pessoas na área. Entretanto, a exploração 
da população na fronteira Brasil-Bolívia em Guajará-
Mirim era aparentemente alta nos anos 60, quando 
3.000 a 4.000 tartarugas foram exportadas para Porto 
Pessoas escavando covas para retirada de ovos e produção de manteiga de tartaruga ao longo do rio amazonas. 
Extraído de Viagem Filosofica 1786 por alexandre rodrigues Ferreira.
Podocnemis expansa
17Tartarugasda Amazônia
além da coleta dos ovos, as fêmeas de tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa, Podocnemididae) também são 
vulneráveis pela fácil captura durante a época de nidificação.
Velho durante um período de seis meses. As populações 
parecem estar baixas ou extintas em muitas áreas no 
interior da Bolívia onde Podocnemis unifilis, o Tracajá, 
ainda se mantém.
Mais de 3.000 fêmeas foram registradas desovando 
anualmente em 52 praias no rio Caquetá de 1983 a 1987. 
As seis praias mais importantes tiveram uma média de 
193 ninhos, seis de menor importância tiveram 63–92 
ninhos, 21 praias de pouca importância 31 ninhos, outras 
sete com uma média de 15 ninhos e 12 praias foram 
usadas esporadicamente. As áreas com mais tartarugas 
foram as com menor número de população humana ou 
nenhuma. Dois fluxos de desova foram conhecidos, um 
no final de outubro a início de novembro e outro no 
final de dezembro a início de janeiro, em um período 
de mais de cinco anos. Em alguns anos ocorreram 
interrupções da desova resultantes de elevados níveis 
de água, sendo que a desova ocorreu novamente após 
a diminuição dos níveis de água. Durante dois anos o 
nível da água permaneceu baixo e dois períodos de 
desova ainda foram observados. Isto poderia representar 
duas populações distintas, um grupo vivendo próximo às 
praias de desovas e outro migratório proveniente vindo 
de locais distantes das praias de desova. Outra explicação 
para este fato seria a existência de uma população estar 
desovando duas vezes. P. expansa era comum nos rios 
Meta, Casanare, Ete e Manacacias até meados dos anos 
60, com distribuição além do rio Guatiquia, 25 km 
abaixo de Villavicencio. A desova ainda ocorre abaixo 
de Orocue, no rio Meta.
As maiores praias de desova no Orinoco estão a jusante 
de Puerto Paez. As maiores concentrações de desova 
18 Tartarugas da Amazônia
Podocnemis expansa
19Tartarugas da Amazônia
Fêmeas de tartaruga-da-amazônia invadem 
as praias de nidificação em grupos bem 
definidos, mas não sabemos como exatamente 
estas tartarugas comunicam-se, deixam a 
água e nidificam simultaneamente. somente o 
estudo das vocalizações pode contribuir para 
o conhecimento desta sincronia.
após a nidificação, fêmeas de tartaruga-da-amazônia 
retornam para o rio e permanecem congregadas em 
poças profundas até que seus ovos eclodam em 2 meses.
20 Tartarugas da Amazônia
foram registradas em Playas del Medio e Pararuma, 
com menores registros na Playa Blanca, Cabullarito, 
Simonero e Cara. No rio Orinoco foram registrados 
923 ninhos em 1989 e 1.350 em 1993. Em 1991, foram 
liberados 33.615 filhotes neste local. Somente 30 fêmeas 
desovaram na praia de Paranuma em 1981; sendo 
assim,uma das áreas com alta concentração de desova 
nos anos 40. 
Proteção dos Áreas de nidificação
Na década de 1970, José Alfinito identificou a existência 
de tabuleiros de desova e registrou quais deles foram os 
mais produtivos. Em 1975 ele influenciou o governo 
brasileiro, por meio do IBDF, a fundar um programa para 
proteger as tartarugas e seus habitats para restabelecer 
os níveis populacionais. O IBDF transformou-se em 
Filhote de tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa, Podocnemididae) emergindo do ovo depois 
de 6 a 8 semanas de incubação.
IBAMA e fundou um Centro Nacional de Conservação 
dos Quelônios da Amazônia (CENAQUA, o qual mais 
tarde se tornou RAN) em 1990. De 1975 até 1992, 
cerca de 18 milhões de filhotes foram liberados em 
praias protegidas. O projeto começou com somente 
algumas praias, mas existem agora 115 áreas de desovas 
protegidas pela Amazônia brasileira nos seguintes 
rios: Purus, Pauini, Juruá, Uatumã, Amazonas, Tapajós, 
Trombetas, Xingu, Branco, Guaporé, Aporema, Araguari, 
Tartarugalzinho, Araguaia, e rio das Mortes. Abrangendo 
os estados: Acre, Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, 
Amapá, Tocantins, Mato Grosso e Goiás. 
Cerca de 3 milhões de filhotes estão sendo liberados 
anualmente. Novas áreas de desovas nos rios Amazonas, 
Solimões, Negro, Jaú, Japurá, Formosa e Crixas serão 
21Tartarugas da Amazônia
adicionadas ao programa quando houver recursos. Em 
Roraima, de 1979 a 1993, 38.295 fêmeas nidificantes 
foram registradas, variando de 1.603 em 1979 para 
4.226 em 1992. Mais de 3,7 milhões de filhotes foram 
liberados durante esse período. O número de filhotes 
por ninho variou de 83 a 117 (média = 91,4). O tempo 
de incubação variou de 54 a 61 (média = 59,5) dias. 
Em 1992, 241.000 filhotes foram liberados no rio 
Branco. Em Costa Marques, Rondônia, um projeto está 
funcionando desde 1976 protegendo ninhos naturais e 
transportando ninhos de áreas não protegidas. Em 1992, 
68.783 filhotes nasceram com sucesso provindos de 
1.120 ninhos; todos foram marcados e soltos. No rio 
Trombetas, foi registrada uma média de 91 ovos por 
ninho com uma profundidade média de 80 cm; no 
entanto, somente 60 ninhos foram encontrados e 5.460 
filhotes eclodiram. Este é um valor consideravelmente 
baixo em relação aos nascimentos registrados nessa área 
no período de 1978 a 1982, quando uma média de 
desova de 5.184 fêmeas reproduziu 393.345 filhotes por 
ano. Cerca de 7.000 tartarugas nidificaram nessa área em 
1980, mas a produção tinha quase cessado poucos anos 
mais tarde, com nenhuma desova registrada em 1983 e 
1984, 200 a 300 em 1985, e 300 a 400 em 1986. Muito 
da redução das desovas é resultado dos distúrbios gerados 
por embarcações nas praias de desova ou próximo a essas 
áreas. Cerca de 800 fêmeas nidificaram na Praia Jacaré 
no rio Trombetas em 1993. Uma excelente proteção das 
grandes praias durante um mês antes da desova e dois 
meses mais tarde agora garantem que poucas fêmeas 
sejam caçadas; no entanto, ainda não se sabe onde 
vão as fêmeas após o período de desova. Além disso, o 
número elevado navios marítimos que entram no baixo 
Trombetas para carregar bauxita pode estar inibindo as 
tartarugas de se deslocarem rio acima. Praticalmente as 
demais áreas com proteção intensiva há mais de 10 anos, 
têm presenciado um aumento expressivo das fêmeas 
nidificantes e da produção de filhotes. Ao longo do rio 
Guaporé, o número de fêmeas desovando aumentou 
de 226, em 1979, para mais de 2.400 em 2004; no rio 
Tapajós, de 353 para aproximadamente 2.600, com 
99.620 filhotes liberados em 1992; no rio Purus, de 
1.117 a 3.100 em 1992, com 283.166 filhotes liberados 
em 1992; no Juruá, de 291 a 330 em 1992 com 26.678 
filhotes liberados em 1992; no rio Branco de 1.935 a 
3.000 em 1992; no rio Xingu de 1.859 a 3.500 em 
1992. Uma das principais preocupações atualmente é 
o porquê de a população tartarugas-da-amazônia do 
rioTrombetas estar caindo tão drasticamente.
A Venezuela proibiu a coleta de ovos de tartarugas em 
praias de desovas em 1962, e embora as forças armadas 
tenham ajudado na proteção das praias o número de 
desovas de tartarugas tem diminuído de 34.300 em 1963 
para 13.800 em 1965, e então para 4.695 em 1981. No rio 
Orinoco, 923 ninhos foram protegidos em 1989, 1.350 
em 1993 e 33.615 filhotes foram liberados em 1991. Um 
ano depois, 4.000 filhotes mantidos em cativeiro mediram 
8.0 cm e pesaram 215 g cada um em média. 
Fazendas de Criação 
A existência de criatórios comerciais de quelônios é um 
assunto contraditório. Já se provou ser comercialmente 
praticável no Brasil após a aprovação de uma lei em 
1992, permitindo a criação nestas fazendas de Podocnemis 
expansa e Podocnemis unifilis. A justificativa atrás da lei foi a 
de que fazendeiros poderiam desenvolver uma tecnologia 
ao utilizarem seus próprios recursos, como também 
receber doações de filhotes do IBAMA provenientes 
de áreas protegidas. Produzindo carne de tartaruga para 
venda legalizada e assim, reduzindo a pressão de captura 
sobre populações naturais. A idéia seria de que depois 
que as tartarugas completassem os seis anos, ou seis kg, 
metade do estoque de filhotes recebidospelos fazendeiros 
poderia ser abatida para venda e a outra metade em 
crescimento até a idade de maturação para o estoque 
reprodutivo. Muitas pessoas, principalmente advogados 
e contadores, tornaram-se fazendeiros de quelônios na 
espectativa de enriquecerem do dia para a noite. Toda 
a ação foi realizada com empréstimos bancários, não 
com as tartarugas! A maioria dos empreendimentos na 
monocultura de tartarugas faliu como um resultado do 
22 Tartarugas da Amazônia
alto custo de manutenção, sem nenhum retorno nas 
vendas. Não se trata efetivamente de um projeto para 
populações ribeirinhas pobres ou comunidades indígenas 
as quais têm tido problemas mantendo animais domésticos 
tradicionais em um estado nutricional adequado para 
reprodução ou como alimento para eles próprios. Alguns 
estudos sugerem que as tartarugas podem ser abatidas 
somente após quatro anos mediante ao uso de uma 
ração comercial rica em nutrientes. No entanto, parece 
inacreditável que o preço da comida para tartaruga seja 
inferior ao preço da carne produzida por ela. Se alguém 
tem dinheiro para comprar alimento comercial para 
tartarugas, eu recomendaria criar frango ou pato ao invés 
de tartarugas. No entanto, existem fazendas que possuem 
sua produção excedente de frutos, vegetais, peixes, e 
outros animais que podem ser utilizados sem custos para 
alimentação das tartarugas. Sob tais condições, vários 
proprietários têm demonstrado que dentro de seis a 
oito anos eles podem levar filhotes de tartarugas para o 
mercado economicamente viável. As melhores fazendas 
que vi são as próximas de Manacapuru e próximas da 
cidade de Rio Branco, no estado do Acre. Na fazenda 
do Valmir, no Acre, há uma fonte de água natural que 
percorrem através das lagoas continuamente, e P. unifilis 
reproduz anualmente em praias artificiais. Embora as 
7.000 P. expansa fêmeas da fazenda sejam grandes, elas 
precisam atingir a idade reprodutiva. Acredito que elas 
irão reproduzir e iniciar a produção de ovos. Valmir já 
estava abatendo os animais para venda local e consumo 
em 2004 quando eu visitei a fazenda dele, mas sua fazenda 
é uma exceção, uma vez que ele cria quatro espécies 
de peixes comerciais, bem como gado, carneiro, frango 
de vida livre em cercas elétricas, frutas e vegetais. Possui 
ainda um estoque de alimentos ilimitado e água, bem 
como trabalhadores para supervisionar o trabalho com 
as tartarugas. Percebe-se também a não dependência das 
tartarugas como principal fonte de renda.
A maioria dos fazendeiros tenta alimentar as tartarugas 
com alimento próprio para humanos, mas eles precisam 
perceber que aminoácidos em tomates e alface, são 
aqueles que os humanos podem assimilar, mas não são 
os mesmos que as tartarugas necessitam. Seria muito 
mais sensato que comunidades rurais simplesmente 
mantivessem lagos e áreas alagadas onde as tartarugas se 
alimentariam e então capturar algumas, do que tentar 
criá-las em cativeiro com água inadequada e alimentos 
pobres em nutrientes. Essa espécie de quelônio leva 
de oito a 12 anos para atingir a maturidade, mas as 
tartarugas-da-amazônia continuam a crescer depois 
da maturidade e, possivelmente, atingem seu tamanho 
máximo em 25 anos. A criação de tartarugas é 
dificilmente uma fonte de renda, mais recomendada a 
criação de coelhos. O senhor Walter Zwink capturou 
uma fêmea de P. expansa imatura no rio Trombetas 
quando tinha cerca de quatro a seis anos. Cinco anos 
depois ela fez sua primeira postura com 86 ovos (67 
eclodiram) quando sua carapaça media 60,5 cm e ela 
pesava 22,8 kg. Ele manteve alguns filhotes em cativeiro 
por seis anos que pesaram de 2,5 a 4,5 kg em novembro 
de 1993. O crescimento de tartarugas em cativeiro em 
uma grande escala comercial já foi comprovado como 
economicamente praticável ou valendo a pena a partir 
de um ponto de vista conservacionista.
A senhora Fátima Soares em Costa Marques, Rondônia, 
Brasil, tentou criar tartarugas com a manutenção 
de milhares de filhotes por um ano em tanques de 
cimento, alimentando-os com mamão, mandioca 
cozida e casca de arroz. Cresceram muito devagar 
sob tais condições, 34 g e 5,9 cm de comprimento 
de carapaça após um ano. Simultaneamente, filhotes 
do mesmo ano foram mantidos em lagos barrentos e 
rústicos sob uma dieta de arroz, alface, alimento para 
frango, e peixe. Esses filhotes pesaram 90 g e mediram 
8,2 cm de comprimento da carapaça durante o mesmo 
período de tempo. Muito ainda precisa ser esclarecido 
sobre as necessidades nutricionais de filhotes e imaturos 
de P. expansa. Como outras espécies de tartarugas eles 
utilizam uma microbiota intestinal especializada para 
auxiliar na digestão do material vegetal? Eles necessitam 
de proteína animal para crescerem mais rapidamente? 
Podocnemis expansa
23Tartarugas da Amazônia
a conservação da tartaruga-da-amazônia também dependerá da 
proteção das florestas alagadas devido a sua importância como 
fonte de frutos e sementes pelas tartarugas. 
O CENAQUA está tentando montar um programa de 
larga escala com fazendeiros em Goiás, próximo ao rio 
Araguaia, fazendo uso de frutas e vegetais para produzir 
uma ração para tartarugas. Até agora o projeto não teve 
sucesso devido à temperatura baixa e às flutuações da 
temperatura da água nestes locais. P. expansa tem-se 
reproduzido com sucesso em cativeiro nos lagos artificiais 
com praias artificias na área da Eletronorte em Balbina. 
A temperatura da água é constante durante o ano, por 
volta de 27,8ºC, induzindo às altas taxas de crescimento 
dos filhotes. Esses são alimentados de peixes cozidos, 
principalmente de tucunaré. É importante ressaltar que 
a lei permite criar essas espécies de quelônios para venda 
como alimento na Amazônia para diminuir a pressão 
de captura na natureza, mas enviar carne de tartaruga-
da-amazônia para fora do Brasil é proibido, já que isso 
iria somente aumentar o contrabando de animais da 
natureza para o comércio.
medidas de Conservação recomendados
Continuar a expansão da proteção de praias de desova. 
Proteger o habitat de alimentação. Criar praias artificiais 
de desova com reservas protegidas onde as tartarugas 
se alimentam, eliminando os riscos de migração de 
tartarugas que devem nadar em busca de áreas povoadas 
para desovarem, e montar praias artificiais de desova 
abaixo e acima de barragens. Um programa educacional 
para crianças deve ser iniciado, pois somente com a 
educação imediata da população durante a idade de 
formação existirá esperança de mudança dos costumes 
e desejos dos povos da Amazônia de caçar todas as 
tartarugas e ovos que encontram, porque a legislação 
não irá proteger as tartarugas em países onde há pouco 
respeito pelas leis e sua aplicação. 
status de Conservação
Inserida na Lista Vermelha de Animais Ameaçados da 
União Internacional para Conservação da Natureza 
e dos Recursos Naturais (IUCN) como: Baixo risco / 
dependente de conservação. 
24 Tartarugas da Amazônia
nomes Comuns
terecay (Colômbia, Equador, Venezuela), taricaya 
(Colômbia, Peru, Venezuela), anayurí (Colômbia) 
col-tirí ( Índios Coreguaje, macho), col-gó (Índios 
Coreguaje, fêmeas), tsarope (Índios Guahibo), charapa 
pequeña (Equador), zé prego (Brasil, machos), Yellow-
Spotted Amazon River Turtle (EUA).
descrição
Os indivíduos adultos apresentam uma carapaça em 
forma de cúpula com somente uma quilha mediana que 
mais se evidencia nos imaturos. A carapaça mostra-se 
lisa e alargada na região dos membros posteriores nos 
adultos. Anéis de crescimentos são visíveis em subadultos. 
Os machos são menores que as fêmeas. Mediram-se 747 
machos e 88 fêmeas no rio Guaporé, Rondônia, Brasil 
e obteve-se como resultado que o comprimento da 
carapaça dos machos variou de 9,8 a 36,9 cm (média 
= 26,4) e nas fêmeas, 12,4 a 46,5 cm (média = 35,0); 
os machos pesaram de 0,15 a 4,30 kg (média = 2.26) e 
fêmeas, de 0,30 a 11,20 kg(média = 5.77). No Brasil, as 
fêmeas com 31,3 cm de comprimento de carapaça estão 
maturas. Esses são dados similares aos da Colômbia, 
onde machos crescem até 27,3 cm e fêmeas até 43,4 
cm. O maior espécime medido na Venezuela tinha 46,5 
cm de comprimento da carapaça. Fêmeas adultas no 
Peru, rio Samiria, mediram de 38,6 a 51,8 cm (média 
= 44,5, n = 33) em comprimento curvo de carapaça 
e pesaram de 5,25 a 11,00 kg (média = 8,17). Outra 
amostra de 54 fêmeas que desovando no rio Pacaya 
teve resultados similares, com o comprimento curvo 
da carapaça de 38,0 a 50,5 cm (média = 44,7). Após 
um macho de tracajá (Podocnemis unifilis, Podocnemididae).
Tracajá
2
Podocnemis unifilis (Troschel, 1848) Família Podocnemididae
25Tartarugas da Amazônia
uma fêmea de tracajá (Podocnemis unifilis, Podocnemididae) se arrastando na praia para desovar durante o dia. tracajás 
desovam duas vezes durante uma estação em diferentes áreas.
26 Tartarugas da Amazônia
nidificarem, 17 indivíduos pesaram de 6,05 a 12,50 kg 
(média = 8,73). O maior e mais pesado exemplar da 
amostra teve um comprimento retilíneo da carapaça de 
47,7 cm e um comprimento do plastrão de 43,1 cm. Foi 
evidentemente o maior espécime registrado.
A carapaça dos filhotes é cinza-escuro, marrom ou verde 
oliva com uma borda alaranjada com tom amarelado 
que, das quais em machos adultos, é geralmente preta 
enquanto em fêmeas tendem a ser cinza ou marrom-
claro. O lobo anterior do plastrão é mais largo do 
que o lobo posterior. O nítido escudo anal é maior 
em machos do que fêmeas. O plastrão é amarelo em 
imaturos, mas em adultos é sarapintado, marrom ou 
preto. A cabeça tem uma maxila superior com marcas e 
o focinho alongado. A superfície superior da maxila tem 
duas quinas, presumivelmente funcionais para cortar e 
macerar o material vegetal. Uma escama interparietal 
alongada separa parcialmente as escamas parietais. Não 
possui estria interorbital. Geralmente um, às vezez 
dois barbelos são presentes embaixo da boca. A cabeça 
dos juvenis e machos é verde escura ou marrom com 
manchas alaranjadas puxando para um tom amarelo 
luminoso. O padrão de manchas varia entre populações 
e indivíduos, mas geralmente existem manchas pós-
orbitais, suborbitais, interorbitaias, nasais, e parietais, bem 
como manchas alongadas acima do tímpado e ao longo 
da mandíbula. A cabeça das fêmeas adultas é marrom 
ferrugem uniforme. Os membros e cauda são cinza, 
preto ou marrom-claro. Machos têm uma cauda mais 
longa e espessa, mantendo a coloração da cabeça dos 
juvenis, mas com menor intensidade. O padrão da cor 
pode ser completamente perdido em alguns machos.
Fêmeas de tracajá tomam muito sol para elevar a temperatura do corpo durante o período de nidificação, acelerando 
a produção dos ovos.
Podocnemis unifilis
27Tartarugas da Amazônia
Os machos de tracajá (Podocnemis unifilis, Podocnemididae) crescem mais rápido em rios de água branca devido a maior 
abundância de plantas aquáticas e maior quantidade de nutrientes na água. 
distribuição
Podocnemis unifilis tem uma ampla distribuição em 
planícies tropicais do norte da América do Sul nas bacias 
venezuelanas dos rios Orinoco e Amazonas, leste da 
Colômbia, leste do Equador, nordeste do Peru, Guiana 
Francesa, Guiana, Suriname e bacia do rio Amazonas no 
norte do Brasil, e norte da Bolívia.
Habitat
Podocnemis unifilis vive em uma variedade de habitats, 
tais como, grandes rios, lagos, lagos de meandro, 
pântanos, brejos e lagoas. São quelônios que ocorrem 
em rios de águas brancas, águas claras, e águas pretas 
no Brasil. Juvenis são mais comuns em perquenas 
lagoas ou enseadas, enquanto os machos prosperam 
em grandes corpos d’água. Os tracajás tomam sol e 
parecem ser um tanto quanto sociais, tomando sol em 
grandes grupos sobre troncos, geralmente um em cima 
do outro. Eles tomam sol com menos freqüência nos 
bancos de areia. Ambos os sexos e indivíduos de todo 
os tamanhos podem ser vistos tomando sol. Grupos de 
juvenis tendem a tomar banho de sol juntos entre si 
separados dos adultos.
A razão sexual registrada para o rio Guaporé, Brasil, foi 
de seis fêmeas para um macho e em um dos tributários 
do rio Trombetas foi de quatro fêmeas para um macho. 
Essas diferenças possivelmente são resultantes do efeito 
da determinação do sexo controlado pela temperatura 
sobre a primeira razão sexual produzida nessas áreas. 
No entanto, também poderia ser o resultado da taxa 
de predação diferente sobre as fêmeas que desovam no 
rio Guaporé.
28 Tartarugas da Amazônia
sementes de munguba (Bombax munguba, Bombacaceae) são comumente consumidas pelos tracajás.
Hábitos alimentares
A análise do conteúdo estomacal de 100 da espécie 
P. unifilis revelou indivíduos de todos os tamanhos 
continham somente material vegetal, como aguapé 
(Eichhornia crassipes) sendo a espécie mais abundante. 
Alimentou-se de frutos, incluindo munguba 
(Bombax munguba), caiembé (Sorocea duckei) e cramuri 
(Gymnoluma glabrescens). Juvenis de ambas as espécies de 
Podocnemis foram observados em cativeiro alimentando-
se de partículas de plantas boiando na superfície da 
água, comportamento conhecido como neustofagia. 
A tartaruga levanta sua cabeça brandamente para fora 
da água e abre sua boca, com a mandíbula paralela e 
ligeiramente acima da superfície; água e partículas 
suspensas são absorvidas para a garganta conforme a 
garganta vai sendo distendida pela projeção do aparelho 
hióide. A boca é fechada e o hióide retraído, fazendo 
com que a água seja expelida e as partículas retidas na 
garganta pela ereção da papila de Trueb. Em conteúdos 
estomacais frescos de P. unifilis (n = 351) no rio 
Guaporé, no estado de Rondônia, Brasil, foi encontrado 
predominantemente material vegetal, representando 
89,46% do volume do conteúdo estomacal, comparado 
a somente 1,15% do material animal. Sementes e frutos 
foram consumidos mais do que qualquer outra categoria, 
com um volume de 38,9%. As famílias de plantas mais 
consumidas, no que se refere à freqüência de ocorrência 
nos conteúdos estomacais, foram Convolvulaceae com 
73%; Leguminosae com 54%; Euphorbiaceae com 
48%; e Poaceae com 36%. O consumo de peixes foi 
baixo (0.95% do volume total). A maioria de peixes 
consumidos era de pequeno tamanho e ingerido por 
inteiro, sendo provavelmente consumidos vivos e não 
capturados em putrefação. Escamas, carne, e vértebras de 
29Tartarugas da Amazônia
O tracajá se alimenta de sementes de aguapé (Eichhornia crassipes), mostrada nesta foto. 
grandes peixes estiveram também presentes, sugerindo 
que as tartarugas comem material animal em putrefação. 
Insetos ocorreram em um número menor e volume 
de 0,005%, ingeridos pelas tartarugas possivelmente 
de modo acidental junto com as plantas. Até mesmo 
caranguejos (Pseudothelphusidae) ocoreram em 10,8% 
dos estômagos, representando somente 0,05% do 
volume do alimento consumido. Foram registradas 
algas (Chlorophyta) em somente quatro estômagos 
no mês de julho. Sementes e frutos de Leguminosae, 
frutos de Maripa sp. (Convolvulaceae) e Margaritaria 
nobilis (Euphorbiaceae), e sementes de Pouteria sp. 
(Sapotaceae) e Dispyros sp. (Ebenaceae) estiveram 
presentes nos conteúdos estomacais ao longo do ano. 
Outras dicotiledôneas foram consumidas, mas somente 
em poucos meses do ano. Apesar de folhas e caules 
serem consumidos ao longo do ano, foram itens mais 
consumidos durante a estação de vazante. As fêmeas 
consomem mais sementes e frutos, enquanto machos 
comem mais caules de Poaceae.
nidificação
A estação de desova varia fortemente ao longo de sua 
distribuição. Na Venezuela, a desova dos ovos ocorre 
final de janeiro até fevereiro no início da estação seca. 
Na Amazônia brasileira, Colômbia, e Peru, a desova é 
dependente do recuo do nível da água, uma vez que 
a estação chuvosa varia geograficamente, e os níveis 
de água são controlados peloderretimento da neve 
nos Andes. A estação de desova começa em junho 
até fevereiro: junho a julho no rio Purus; setembro a 
outubro no rio Trombetas, rio Tapajós, rio Guaporé, 
Amapá e rio das Mortes; dezembro a janeiro no rio 
Branco, rio Negro, e rio Juruá. No rio Pacaya, Peru, a 
30 Tartarugas da Amazônia
estação de desova ocorre de julho a agosto e dezembro 
a janeiro no rio Orinoco, na Venezuela. P. unifilis desova 
cerca de 2–3 semanas antes da P. expansa e novamente 
duas semanas depois, uma vez que fêmeas de P. unifilis 
faz em duas posturas ao ano no Brasil. Uma ou duas 
ninhadas de ovos elípticos e casca dura são depositadas 
durante os dois meses de período de desova em cada 
área: 16–33 ovos por ninhada no Brasil; 14–49 no 
Peru. No rio Putumayo na fronteira entre Colômbia 
e Venezuela foram registrados 35–40 ovos por ninhada 
(média = 27.4, n = 19) e 11–17 ovos (média = 22.4, n 
= 14) nos llanos colombianos. No rio Guaporé, cinco 
ninhadas variaram de 16 a 34 ovos (média = 31.8), com 
peso de 14 a 35 g (média = 29.1) e medindo 44.9mm de 
comprimento (34–48) por 31.8mm de largura (25–34). 
No rio Capanarparo, na Venezuela, ninhadas de 14–31 
ovos (média = 23,3 , n = 19), com média de 31 x 46 
mm e 26.5 g são colocadas no período final de janeiro 
até final de fevereiro. 
Fêmeas não se agregam em grandes arribadas para 
nidificar como fazem as P. expansa, mas agregações de 
5 a 25 fêmeas podem ser vistas tomando sol juntas. 
Comumente, centenas de ninhos são feitos no mesmo 
banco de areia, embora não na mesma noite. Os locais 
de desova variam consideravelmente com a população, 
com ninhos sendo postos em praias altas e abertas, praias 
baixas, praias declinadas, com 50 m distantes da água da 
margem em áreas com plantas herbáceas ou em sombras 
na borda da floresta em solo argiloso. Todos estes locais 
possuem regime de temperatura diferente, resultando 
em diferentes razões sexuais dos filhotes. A nidificação 
em habitats muitos diferente também confirma que 
alguns deles não serão detectados por predadores. 
A maioria das fêmeas em lagos de meandros e lagoas 
migram para os rios para desovarem, algumas vezes 
atravessando centenas de metros em terra para fazer isso. 
Entretanto, algumas fêmeas permanecem nos lagos e 
lagoas e desovam em suas margens. Na preparação da 
postura dos ovos, a fêmea escava a cavidade do ninho com 
seus membros posteriores com 20 cm de profundidade e, 
assim que desova, cobre o ninho que permanece enterrado 
cerca de 5–15 cm de profundidade na areia ou solo. No 
rio Pacaya, a escavação, postura dos ovos, e cobertura 
do ninho geralmente leva cerca de 34–63 minutos de 
duração (variação de 26–79, n = 44). A nidificação 
diurna é mais rápida do que a noturna. A incubação 
é direta, levando cerca de 45–70 dias, dependendo da 
temperatura de incubação, a qual depende da textura do 
solo, da profundidade, e da exposição ao sol nas praias do 
rio Guaporé, Rondônia, Brasil. No rio Pacaya, a eclosão 
dos ovos ocorre geralmente depois de 55–70 dias de 
incubação. Os filhotes saem dos ovos cerca de 2–7 dias 
mais tarde e sobem para próximo da superfície, onde 
permanecerão empilhados um seguido do outro por 
poucas ou muitas semanas, dependendo das condições 
climáticas. Os filhotes geralmente emergem dos ninhos 
durante a noite, durante ou depois de uma forte chuva. 
Na maioria dos casos, isso acontece entre 72 e 97 dias 
(média = 87) depois da ovoposição, mas a variação 
observada foi de 66 a 159 dias. Centenas de filhotes 
recém emergidos e examinados no Pacaya tiveram o 
comprimento da carapaça de 3,4–4,4 cm e pesaram 
9,0–19,5 g. No Brasil, da mesma forma a emergência 
dos ninhos foi observada acontecendo geralmente de 
noite, após fortes chuvas. A medida dos filhotes foi de 
3,7 a 4,2 cm de comprimento da carapaça e peso de 
11.5–15.1g emergidos prontamente dos ninhos após a 
eclosão evitando assim a predação por falcões, corvos, 
mamíferos e larvas de moscas e pela inundação em 
virtude da subida do nível das águas
No Peru, os ninhos são predados principalmente por teiú 
(Tupinambis teguixin), o gavião-de-anta (Daptrius ater), o 
urubú-de-cabeça-preta (Coragyps atratus), o gavião-preto 
(Buteogallus urubutinga) e gavião carrapateiro (Milvago 
chimachima). As formigas, as iraras (Eira barbara), o 
gambá-de-orelha-preta (Didelphis marsupialis) e as onças 
(Panthera onca) também são responsáveis por algumas 
das predações. No rio Manú, no sudeste do Peru, a 
paquinha (Gryllotalpa sp.) foi a espécie registrada com 
Podocnemis unifilis
31Tartarugas da Amazônia
O tracajá (Podocnemis unifilis, Podocnemididae) nidifica em praias arenosas ao longo do curso principal do rio, bem 
como em bancos argilosos de lagos. 
as fêmeas adultas de tracajá (Podocnemis unifilis, Podocnemididae) perdem todos os sinais de manchas amarelas quando 
atingem a matudidade.
32 Tartarugas da Amazônia
Ovos de tracajá (Podocnemis unifilis, Podocnemididae) é um alimento altamente apreciado na maior parte da amazônia.
maior freqüência de predação natural dos ninhos, bem 
como foi registrada também como predadora potencial 
de ovos na Colômbia. Na Colômbia e na Venezuela, o 
carcará (Caracara plancus) e o teiú foram identificados 
como os principais predadores de ninhos. No Brasil, 
o gavião-preto foi registrado como o mais importante 
predador de ovos e ninhos recém eclodidos. Larvas de 
moscas (Sarcophagidae) também foram apareceram 
como importantes predadores de ninhos em ambos os 
rios Guaporé e Trombetas. No Pacaya, aproximadamente 
23% dos ninhos são destruídos por predadores naturais; 
poucos ninhos são destruídos acidentalmente por outros 
animais e por iguanas (Iguana iguana) quando escavam 
seus ninhos. Inoportunamente, a inundação dos ninhos 
pela subida do nível do rio foi a causa natural, detectada 
como mais importante, na perda de ninhos, variando 
entre anos de 1% a 50%. Urubus, gaivotas, biguás, 
carcarás, jacarés, e numerosos peixes são responsáveis 
pela predação de filhotes quando estão tomam seu 
caminho para água e dentro da água. A predação das 
fêmeas por onças no momento da desova é comum no 
Peru e Brasil. Foram encontradas carapaças vazias nas 
praias ou próximas à vegetação, perfuradas ou abertas, 
quebradas como uma noz.
Exploração
P. unifilis é provavelmente a espécie de tartaruga mais 
comum da América do Sul. No entanto, as populações 
têm sido reduzidas pela coleta excessiva em muitas 
áreas ao longo da distribuição da espécie, populações 
com altas densidades são conhecidas em muitas reservas 
(nas localidades de Manu, no Peru; Trombetas, Guaporé, 
Podocnemis unifilis
33Tartarugas da Amazônia
tracajá (Podocnemis unifilis, Podocnemididae) juvenil após 45 a 70 dias de incubação em solos arenosos da praia.
34 Tartarugas da Amazônia
tracajá (Podocnemis unifilis, Podocnemididae). 
Purús, Juruá, Jaú, e outras no Brasil). Portanto, essa espécie 
não está de forma alguma ameaçada ou em iminente 
extinção. Se, porém, o massacre que vem ocorrendo 
com P. unifilis continuar sem controle, ela entrará para 
o grupo das espécies em extinção ou ameaçadas. Com 
o rápido declínio de P. expansa no Brasil, devido à 
sobrexploração de ovos e adultos, aumentou a pressão 
sobre P. unifilis e Peltocephalus dumerilianus, o cabeçudo. As 
grandes tartarugas não são geralmente consumidas em 
grandes quantidades pela população ribeirinha indígena; 
eles comem os menores indivíduos com alguns ovos e o 
resto é enviado rio abaixo para Manaus ou Belém, onde 
se obtem maiores valores de venda.
Em 1984 o rio Pacaya no nordeste do Peru teve 14 
fêmeas desovando por quilômetro de rio. O número 
de ninhos foi estimado em 8,7/km ao longo do médio 
Pacaya e 24,5/km ao longo do médio rio Samiria. Mais 
do que 10.000 ninhos com uma ninhada de tamanho 
médio de 34,5 ovos, resultou em uma produção 
350.000–400.000 filhotes. A sobrevivência deninhos 
em condições naturais varia entre 10% e 73%, com uma 
sobrevivência dos filhotes nesses ninhos de cerca de 
78%. A destruição dos ninhos é grande na área, onde 
cerca de 15.000 a 18.000 ovos são retirados do ninho 
anualmente, em 1988 aproximadamente 60.000 ovos 
foram apanhados. A coleta ilegal dos ovos tem aumentado 
consideravelmente desde então, superando 90%. O 
número de fêmeas adultas capturadas anualmente da 
Reserva Natural Pacaya-Samiria tem sido estimada em 
pelo menos 350–400.
A principal ameaça para a sobrevivência da espécie P. 
unifilis é a sobrexploração de adultos, juvenis, e ovos 
Podocnemis unifilis
35Tartarugas da Amazônia
macho e imaturo de tracajá (Podocnemis unifilis, Podocnemididae) frequentemente sobem em galhos 
para tomar sol fora da água.
para venda, em mercados, para consumo humano, bem 
como a predação dos ninhos, ambos por predadores 
naturais e por humanos. A coleta de filhotes para 
o mercado de animais de estimação deve também 
diminuir a probabilidade das populações retornarem 
aos níveis sustentáveis. Entre dezenas e milhares 
de filhotes destinados ao comércio de animais de 
estimação chegaram aos Estados Unidos e à Europa. 
Os animais que seriam enviados ao Japão, provindos 
da Colômbia e do Brasil, antes da importação foram 
cessados pela implementação do CITES (Convenção 
sobre o Comércio Internacional das Espécies da 
Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de Extinção). 
Curiosamente, tartarugas empalhadas, filhotes secos 
e presos a porta-chaves reduzem consideravelmente 
o esforço de recuperação da Colômbia. O efeito da 
poluição mercurial em combinação com o garimpo 
de ouro em alguns rios brasileiros pode também afetar 
algumas populações de tartarugas nas bacias dos rios 
Madeira e Tapajós.
Proteção dos sítios de nidificação
Programas de proteção de adultos, ovos e filhotes em 
muitas praias de desovas foram instituídos no Peru, na 
Colômbia, no Equador e extensivamente no Brasil. 
Muitos desses programas incluem o transplante e a 
incubação de ninhadas em áreas protegidas, a extensão da 
proteção varia de poucas dezenas de fêmeas nidificantes 
a milhares de ninhos. Em adição, é proibido vender P. 
unifilis para consumo humano no Brasil; o problema 
está na fatalidade que a lei não ser muito rigorosamente 
aplicada em qualquer país, principalmente em países em 
desenvolvimento com uma escassez de proteína animal 
e de recursos para o pagamento de fiscais oficiais. O 
36 Tartarugas da Amazônia
incubadoras artificiais usadas por pessoas na reserva nacional Pacaya-samiria, como uma tentativa de aumentar a 
produção de tracajás (Podocnemis unifilis, Podocnemididae). Cada estaca representa uma cova de ovos que foi removida 
de uma praia e será transplantada para uma praia protegida que servirá como uma incubadora. 
Podocnemis unifilis
37Tartarugas da Amazônia
Brasil possui o programa de conservação e manejo mais 
extensivo para P. unifilis, em conjuntura com P. expansa, 
incluindo um programa experimental de larga-escala 
para desenvolver um sistema para melhoria econômica 
deste. É esperado que a ameaça às populações naturais 
diminua e que essas espécies possam ser criadas em 
cativeiro ou semi cativeiro de maneira eficiente e 
sem altos custos em combinação com a agricultura 
capaz de suprir a alimentação dessas tartarugas como 
subproduto de outras indústrias ou juntamente com 
a produção de peixe. Estrume de gado pode também 
ser uma alimentação de baixo custo mais adequada 
para criar essa espécie para o comércio. Encontrei 43 
adultos coletados em um pequeno poço na Reserva 
Biológica do rio Trombetas, no Brasil, os quais tinham 
recentemente saboreado fezes de anta (Tapirus sp.), a 
única comida disponível boiando na água.
Conservação
O comércio, se for permitido, deve se limitar à estação 
fora do período de desova. Programas deveriam ser 
desenvolvidos para proteger mais as áreas de nidificação 
contra a predação de ovos e adultos. Deveria existir 
um programa de educação permanentemente ativo 
ao longo da Amazônia demonstrando para aos povos 
indígenas as vantagens de uma exploração sustentável e 
monstrando a eles como tal plano irá beneficiar ambas 
as partes, tanto eles, como também e as populações de 
quelônios. Antes de tais medidas serem tomadas, no 
entanto, é necessário um estudo para determinar qual 
a porcentagem da população que pode ser coletada, 
além de conhecimentos relacionados a idade, sexo e 
classe de tamanho.
A conservação dessa espécie abundante de tartaruga não 
pode ser meramente legislada; regulamentos lógicos 
devem ser tomados para promover o uso racional da 
espécie P. unifilis sem destruir esse recurso.
O Programa de Conservação dos Quelônios da 
Amazônia inclui transferência de ovos das áreas 
de desovas desprotegidas para áreas protegidas. As 
características do substrato bem como a profundidade 
dos ninhos transplantados e cobertura percentual devem 
ser todas consideradas para selecionar a temperatura 
de incubação desejada, uma vez que a temperatura de 
incubação controla a determinação do sexo. Em um 
programa de manejo deve ser mais desejável que se 
produzam mais fêmeas do que macho, particularmente 
se as populações estão sendo exploradas fortemente por 
humanos ou se estão em baixas densidades.
status de Conservação
Segundo a Lista Vermelha de Animais Ameaçados da 
União Internacional para a Conservação da Natureza 
(IUCN): é considerada Vulnerável. 
Na Convenção sobre o Comércio Internacional das 
Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de 
Extinção (CITES) está no Apêndice II.
Segundo o Serviço de Peixes e Vida Silvestres dos 
Estados Unidos (USFWS), está ameaçada de extinção. 
38 Tartarugas da Amazônia
nomes Comuns
 jurara-uirapeque (Brasil), Tracajá perema (Brasil), uira-
pocca (Brasil), chipire (Colômbia, Venezuela), Chimpire 
(Venezuela), Red-Headed Amazon River Turtle (EUA).
descrição
Trata-se da menor espécie do gênero Podocnemis. 
Machos e filhotes possuem um padrão de coloração 
vermelho brilhante ou laranja-avermelhado distintos 
na cabeça. Nas fêmeas, a coloração vermelha começa 
a desbotar para um marrom opaco quando a carapaça 
toma um tamanho entre 12 e 15 cm. Uma larga faixa 
vermelha estende-se ao longo do topo da cabeça entre 
as membranas do tímpano e as narinas igualmente 
colorida. Na Colômbia, os filhotes e os machos 
possuem uma coloração mais salmão e menos viva. 
A carapaça marrom-escura a preta e é distintamente 
oval, com uma quilha relativamente proeminente em 
filhotes. As escamas marginais posteriores são alargadas 
em adultos. O plastrão é principalmente amarelado 
ou acinzentado. O comprimento máximo de carapaça 
registrado para a espécie é de 32.2 cm. Fêmeas são 
maiores do que machos e machos possuem caudas 
mais longas e espessas. 
distribuição
O centro de distribuição para a espécie é a bacia do rio 
Negro no noroeste do Brasil, com localidades adicionais 
ao longo dos tributários dos rios Solimões e Amazonas 
entre Tefé e Santarém, no Brasil. Também são conhecidas 
localidades no leste da Colômbia e no Casiquiare, até o 
Orinoco no sudeste da Venezuela. 
Habitat
A maioria das localidades conhecidas para P. erythrocephala 
são os rios de águas pretas e seus tributários; também 
foram encontradas em cursos de águas claras nas bacias 
dos rios Tapajós e Trombetas. Na bacia do rio Negro, essa 
espécie é mais comumente encontrada em pequenos 
cursos d’água e lagos, muito mais do que nos canais dos 
rios principais.
Hábitos alimentares
A espécie é primariamente herbívora; de filhotes 
a adultos, 80% da sua dieta são plantas aquáticas, 
principalmente algas filamentosas. Também consumem 
folhas, frutos e sementes de plantas terrestres que caem 
na água ou são apanhadas dos troncos de árvores e 
arbustos quando a floresta é inundada. Partes de animais, 
particularmente ossos, escamas e carne contribuemcom 
Irapuca
3
Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824) Família Podocnemididae
39Tartarugas da Amazônia
uma irapuca macho (Podocnemis erythrocephala, Podocnemididae) tomando sol em um tronco para aumentar a 
temperatura do corpo e melhorar, desta maneira, a digestão do alimento.
40 Tartarugas da Amazônia
um macho imaturo de 
irapuca (Podocnemis erythrocephala, 
Podocnemididae). note os anéis de 
crescimento distintos, mostrando que 
ainda está crescendo rapidamente.
41Tartarugas da Amazônia
Frutas de palmeira Jará (Leopoldinia pulchra) consumidos 
por irapucas.
menos de 2% do alimento consumido por irapucas na 
bacia do rio Negro.
nidificação
A nidificação acontece à noite durante a estação seca. 
Primeiro as ninhadas são depositadas em praias cobertas 
com grama e arbustos, conhecidas localmente como 
campinas. A desova ocorre entre agosto e novembro ao 
longo do rio Negro, em dezembro ao longo do Atabapo 
na Venezuela, e no início de dezembro no rio Tapajós. 
Conforme o nível do rio começa a descer, os ninhos 
tardios são feitos em áreas de campinaranas em solo 
de areia a 100 m distante da água. Foram encontradas 
fêmeas com ovos já com casca formada, duas semanas 
antes de haver qualquer praia disponível para desova; 
os primeiros ninhos são comumente escavados na 
parte aberta da praia, possivelmente porque nenhuma 
outra área esteja disponível para nidificarem. Fêmeas 
emergem da água para nidificarem sozinhas ou em 
grupos. Os dados de 109 ninhos de um tributário 
do rio Negro, próximo a Santa Isabel, Amazonas, 
Brasil, são os seguintes: tamanho da ninhada 4–16, 
média = 8,7; peso do ovo 13–22 g, média = 16,6; 
profundidade do ninho 7,5–14,5 cm, média = 11,9; 
tempo de incubação 65–87 dias, média = 76; sucesso 
reprodutivo 84%; peso dos filhotes 9–15 g, média = 
11; comprimento da carapaça dos filhotes 3,0–4,1 cm, 
média = 4; largura da carapaça dos filhotes 2.8–3.7 
cm, média = 4; comprimento do plastrão 2,8–3,6 cm, 
média = 3,1. Foi analisado o potencial reprodutivo de 
65 fêmeas do rio Itu, próximo a Barcelos, rio Negro, 
Amazonas. Elas reproduziram mais do que quatro 
ninhadas de 4–18 ovos (média = 8) por estação, com 
202 ovos medindo 37–47 mm (média = 41,5) x 19–30 
mm (média = 27,4) e pesando 13–23 g (média = 18,5). 
O sexo é determinado pela temperatura de incubação. 
Fêmeas são produzidas em temperaturas altas.
Exploração
Os humanos não são a única espécie que se alimenta 
de adultos. Foi observado um Jacaré-açú (Melanosuchus 
niger) dividindo uma fêmea em uma só mordida, 
deixando a outra metade na rede feiticeira! Além do 
jacaré, muitos outros peixes carnívoros, tais como 
piranhas, tiram pedaços das tartarugas ou as consomem 
inteiras quando são pequenas. Os ovos são predados 
por moscas (Sarcophagidae), lagartos (Tupinambis, 
Ameiva), macacos (Cebus albifrons), aves (Daptrius ater), 
roedores (Dasyprocta agouti, Agouti paca), mustelídeos 
como a iara (Eira barabara) e marsupiais como gambá-
de-orelha-preta (Didelphis marsupialis).
42 Tartarugas da Amazônia
Os machos de irapuca (Podocnemis erythrocephala, 
Podocnemididae) mantém as manchas vermelho 
brilhantes na cabeça ao longo de suas vidas.
Filhotes de irapuca (Podocnemis erythrocephala, Podocnemididae) emergindo de seus ninhos em uma praia do rio negro.
Foram coletadas 2.263 irapucas em um tributário do 
rio Negro, 722 machos (média do comprimento da 
carapaça = 20,8 cm), 1.397 fêmeas (comprimento 
médio da carapaça = 25,4 cm), e 144 imaturos medindo 
menos do que 14.2 cm de comprimento da carapaça 
(média = 11,8 cm). Destas tartarugas, 64% tinha algum 
tipo de injúria causada por tentativas de predação: outras 
não tinham patas ou dígitos, outras ainda nem tinham 
seu casco inteiro ou o tinham quebrado. 
P. erythrocephala é abundante na bacia do rio Negro. 
Apesar do seu porte pequeno, P. erythrocephala é caçada 
para consumo da carne e dos ovos, com propósitos 
primariamente de subsistência ao longo da sua 
distribuição no Brasil. O mesmo também é reportado na 
Venezuela, onde ela é o principal componente da dieta 
indígena. São capturadas com linha com anzol, redes, 
lanças, e mergulho. Além disso, as fêmeas são capturadas 
nas praias de desovas e ovos são coletados dos ninhos. 
status de Conservação
É considerada uma espécie vulnerável pela Lista Vermelha 
de Animais Ameaçados da União Internacional para a 
Conservação da Natureza (IUCN). Está no Apêndice 
II pela Convenção sobre o Comércio Internacional das 
Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de 
Extinção (CITES). 
43Tartarugas da Amazônia
irapuca (Podocnemis erythrocephala, Podocnemididae) alimetam-se de plantas aquáticas, particularmente de algas 
filamentosas. na foto está um macho.
44 Tartarugas da Amazônia
nomes Comuns
Iaçá (Brasil), cupiso (Colômbia), ayassá (Brasil, 
Colômbia), cambêua (Amazônia brasileira), jurara-pitiú 
(Brasil), Six-Tubercled Amazon River Turtle (EUA).
descrição
Podocnemis sextuberculata é distinguida de outras espécies 
congêneres pelos seis tubérculos proeminentes no plastrão 
dos juvenis (os quais tendem a desaparecer com um 
tamanho de 10–15 cm). A carapaça é convexa com uma 
forte quilha vertebral protuberante na parte posterior 
da segunda vértebra, inclinando abruptamente para 
baixo, posteriormente a essa protuberância. A carapaça é 
marcadamente expandida posteriormente. Imaturos têm 
um padrão de coloração na cabeça com pontos claros 
ou manchas com uma coloração entre cinza-escuro a 
marrom-claro. A escama interparietal tem dois pontos 
pequenos de branco a amarelado pequeno. Há uma 
grande mancha branca tendendo ao tom amarelado na 
parte lateral das escamas parietais, acima do tímpano; um 
ponto pequeno de branco a amarelo no frontal, atrás dos 
olhos; uma mancha branca a amarela em ambos os lados 
das narinas, na parte anterior das escamas maxilares; e 
duas linhas de brancas a amarelas aproximadamente no 
primeiro terço ou metade da estria frontal, atrás das 
narinas. No rio Branco essas manchas são distintamente 
verdes claras. Os machos mantêm o padrão das marcas 
claras na cabeça ao longo da vida, enquanto nas fêmeas 
>15 cm desbota a vários tons até ser substituída com 
uma coloração marrom escuro sólida. A parte dorsal 
da cabeça das fêmeas adultas varia de marrom-claro 
uniforme a marrom-amarelado-escuro para marrom-
avermelhado, algumas vezes salpicado com variados tons 
de marrom-escuro a preto.
Trata-se de pequena espécie de Podocnemis um pouco 
maior do que P. erythrocephala. O maior comprimento da 
carapaça registrado é de 34 cm com um peso máximo 
de 3,5 kg. As fêmeas são maiores do que os machos. 
Onze fêmeas reprodutivas do médio e baixo Amazonas 
mediram 27.1 a 31.7 cm no comprimento da carapaça. 
Seis fêmeas reprodutivas no rio Pacaya, Peru, tinham um 
comprimento de carapaça de 28 a 29,6 cm e pesaram 
de 2,0 a 2,6 kg. Um macho da área de Iquitos tinha um 
comprimento da carapaça de 22,6 cm e massa de 1.1 kg.
Os escudos nucais são mais largos do que compridos. 
A escama interparietal da cabeça é completamente 
separada pela escama interparietal. Existe geralmente 
um, algumas vezes dois barbelos espessos e curtos.
Pitiú
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Podocnemis sextuberculata (Cornalia, 1849) Família Podocnemididae
45Tartarugas da Amazônia
distribuição
Podocnemis sextuberculata é encontrada na bacia Amazônica 
no sudeste da Colômbia, Brasil e noroeste do Peru. A 
espécie é abundante no alto Amazonas (Solimões, Juruá, 
Japurá, Purus) e vários tributários do baixo Amazonas 
(Trombetas e Tapajós). Há uma população isolada no rio 
Branco, um tributário do rio Negro.
Habitat 
A pitiú possue um habitat restrito a águas brancas e 
sistemas de rios claros da Amazônia, incluindo paranás 
associados (canais laterais), lagos, e várzea (florestas 
inundadas sazonalmente em água branca). Em geral, ela é 
ausente em sistemas de água preta, mas é freqüentemente 
presente

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