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<p>Duas das</p><p>regiões</p><p>mais</p><p>ricas do</p><p>mundo</p><p>O Pantanal e a Amazônia são dois dos maiores ecossistemas do mundo. O primeiro, marcado por</p><p>grande quantidade de chuva – que deixa boa parte de suas terras debaixo d’água –, possui mais</p><p>de 4.600 espécies de plantas e animais. Já o segundo, há muito tempo erroneamente denominado</p><p>“pulmão do mundo”, abriga mais de 5,5 milhões de espécies vegetais, peixes, pássaros, além de anfíbios e</p><p>mamíferos, todos já catalogados por pesquisadores.</p><p>Tanta riqueza é resultado da combinação de vários fatores naturais, como estruturas geológicas, relevos</p><p>diferenciados e solos heterogêneos. Assim, quem aprecia os animais e as plantas, certamente encontra, nessas</p><p>duas regiões, um celeiro de riqueza inestimável.</p><p>Neste Guia de Animais Brasileiros, trazemos um pouco da biodiversidade existente nestes locais de nosso país.</p><p>Além de informações sobre as regiões em si, selecionamos os principais animais que as habitam. Assim, entre</p><p>as páginas 18 e 77, você encontra toda a ficha técnica destes bichos. E, para finalizar, uma matéria especial</p><p>alerta para os animais que estão em risco de extinção.</p><p>Boa leitura,</p><p>Os Editores</p><p>redacao@editoraonline.com.br</p><p>www.revistaonline.com.br</p><p>Fo</p><p>to</p><p>s:</p><p>D</p><p>iv</p><p>ul</p><p>ga</p><p>çã</p><p>o</p><p>Se</p><p>dt</p><p>ur</p><p>4 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>S u m á r i o</p><p>Pantanal 06</p><p>Amazônia 10</p><p>Bichos de Estimação 15</p><p>Espécies 18</p><p>Répteis</p><p>Jacaré-do-Pantanal (Caiman crocodilus yacare) 19</p><p>Jiboia (Boa constrictor Linnaeus, 1758) 20</p><p>Muçuã (Kinosternon scorpioides Linnaeus, 1766) 21</p><p>Surucucu-do-Pantanal ou Boipevaçu (Hydrodinastes gigas Duméril, 1853) 22</p><p>Tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa Schweigger, 1812) 23</p><p>Lagarto-teiú (Tupinambis merinae Duméril & Bibron) 24</p><p>Sucuri (Eunectes murinus Linnaeus, 1758) 25</p><p>Jabuti-piranga (Geochelone carbonaria Spix, 1824) 26</p><p>Aves</p><p>Arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus Lathan, 1790) 27</p><p>Arara-canindé (Ara ararauna Linnaeus, 1758) 28</p><p>Ararajuba(Aratinga guarouba Gmelin, 1788) 29</p><p>Tuiuiú (Jabiru mycteria Lichtenstein, 1819) 30</p><p>Caracará ou carancho (Polyborus plancus Miller, JF 1777) 31</p><p>Cardeal (Paroaria capitata Orbigny & Lafresnaye, 1837) 32</p><p>Colheireiro (Platalea ajaja Lineu, 1758) 33</p><p>Coruja-buraqueira (Speotyto cunicularia Molina, 1782) 34</p><p>Coruja-suindara (Tyto alba Scopoli, 1769) 35</p><p>Ema (Struthioniforme) 36</p><p>Garça-branca (Ardea alba Linnaeus, 1758) 37</p><p>Urutau (Nyctibius griseus Gmelin, 1789) 38</p><p>Jaçanã (Jacana jacana) 39</p><p>Maguari (Ciconia maguari Gmelin, 1789) 40</p><p>Maria-faceira (Syrigma sibilatrix Temminck, 1824) 41</p><p>Mutum de bico amarelo (Crax fasciolata pinima Pelzeln, 1870) 42</p><p>Papagaio-do-mangue (Amazona amazonica Lineu, 1766) 43</p><p>Pica-pau-do-campo (Colaptes campestris Vieillot, 1818) 44</p><p>Quero-quero (Vanelus chilensis Molina, 1782) 45</p><p>Savacu (Nycticorax nycticorax Linnaeus, 1758) 46</p><p>Tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus Linnaeus, 1766) 47</p><p>Tucanuçu (Ramphastos toco Statius Muller, 1776) 48</p><p>Arara vermelha (Ara chloroptera Gray, 1859) 49</p><p>Mamíferos</p><p>Boto (Inia geoffrensis Blainville, 1817) 50</p><p>Cachorro-do-mato-vinagre (Speothos venaticus Lund, 1842) 51</p><p>Capivara (Hydrochoerus hydrocaeris Linnaeus, 1766) 52</p><p>Cateto (Tayasu tajacu Linnaeus, 1758) 53</p><p>Cotia (Dasyprocta aguti Linnaeus, 1766) 54</p><p>Gambá (Didelphis marsupialis Linné, 1758) 55</p><p>Gato-do-mato (Oncifelis geofroyi D´rrbigny e Gervais, 1844) 56</p><p>Irara (Eyra barbara Lineu, 1758) 56</p><p>Bicho-preguiça (Bradypus tridactylus Linnaeus, 1758) 57</p><p>Macaco-de-cheiro (Saimiri sciureus Linnaeus, 1758) 58</p><p>Macaco Sauim-de-Manaus (Saguinus bicolor Spix, 1823) 59</p><p>Macaco Parauacu (Pithecia pithecia Linnaeus, 1766) 60</p><p>Paca (Agouti paca Linnaeus, 1766) 61</p><p>Ouriço-cacheiro (Coendou prehensilis Linnaeus, 1758) 62</p><p>Suçuarana (Puma concolor Linnaeus, 1771) 63</p><p>Peixe-boi (Trichechus inunguis Natterer, 1883) 64</p><p>Lontra (Lutra longicaudis Olfers, 1818) 65</p><p>Peixes</p><p>Traíra (Hoplias malabaricus Bloch, 1794) 66</p><p>Tambaqui (Colossoma macropomum Curvier, 1818) 67</p><p>Poraquê (Electrophorus electricus Linnaeus, 1766) 68</p><p>Pirarucu (Arapaima gigas Curvier, 1829) 69</p><p>Acará-disco (Symphysodon discus Heckel, 1840) 70</p><p>Tucunaré (Cichla spp) 70</p><p>Aruanã prata (Osteoglossum bicirrhosum Vandelli, 1829) 71</p><p>Dourado (Salminus maxillosus Valenciennes, 1850) 71</p><p>Anfíbios</p><p>Cobra-cega (Siphonops annulatus Mikan, 1820) 72</p><p>Rã-pimenta ou Jia verdadeira(Leptodactylus labyrinthicus Spix, 1824) 73</p><p>Sapo de chifre (Ceratophrys cornuta Linnaeus, 1758) 74</p><p>Sapo-garimpeiro (Dendrobates tinctorius Schneider, 1799) 75</p><p>Rã venenosa (Epipedobates pulchripectus) 76</p><p>Rã venenosa (Epipedobates trivittatus Von Spix, 1824) 77</p><p>Extinção 78</p><p>Onde encontrar 82</p><p>Fotos capa: Adriana Barbosa,</p><p>Fábio Colombini, SESC Pantanal,</p><p>Eduardo Félix Justiniano</p><p>Gr</p><p>ee</p><p>np</p><p>ea</p><p>ce</p><p>/ R</p><p>od</p><p>rig</p><p>o</p><p>Ba</p><p>le</p><p>ia</p><p>PantanalPPPPPPPPPPPPaaaaaannnnnnntttttaaaaaaannnnnaaaaaaaaaaallllll</p><p>6 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>P a n t a n a l</p><p>Uma região rica em</p><p>Mais de 4.600 espécies</p><p>de plantas e animais</p><p>povoam o Pantanal</p><p>Por Gabriela Megale</p><p>Mais que sinônimo de diversidade, o Pan-</p><p>tanal significa quantidade. De plantas, aves, cobras,</p><p>jacarés, mas, principalmente, de água. É isso mesmo:</p><p>sem as chuvas e enchentes que determinam os cená-</p><p>rios da região, esse patrimônio da humanidade não</p><p>seria o que é.</p><p>O título concedido pela UNESCO mostra</p><p>o reconhecimento internacional do Pantanal como</p><p>uma das reservas naturais mais exuberantes do mun-</p><p>do. Não é para menos, já que a região é um mosaico</p><p>de ricas formações vegetais, como a amazônica, os</p><p>cerrados e os chacos (paraguaios e bolivianos). De</p><p>acordo com os dados da ONG Conservação Inter-</p><p>nacional, a região abriga mais de 3.500 espécies de</p><p>plantas, além de 463 tipos de aves, 124 de mamíferos,</p><p>177 de répteis, 41 de anfíbios e 325 de peixes de água</p><p>doce.</p><p>Devido às constantes inundações, fica difícil saber</p><p>as dimensões exatas do Pantanal. Estima-se que te-</p><p>nha, aproximadamente, 230 mil km², o que lhe con-</p><p>fere o título de maior planície alagável do mundo.</p><p>Cerca de 150 mil km² ficam no Brasil, sendo 35%</p><p>no Mato Grosso e 65% no Mato Grosso do Sul. O</p><p>restante se estende pelos territórios do Paraguai e da</p><p>Bolívia.</p><p>Mas não é só o tamanho do Pantanal que</p><p>é variável. As paisagens da região também</p><p>nunca são as mesmas. A razão de tanta mudança é</p><p>a alternância entre períodos secos e chuvosos, que</p><p>desenham rios e baías diferentes a cada estação. E</p><p>Di</p><p>vu</p><p>lg</p><p>aç</p><p>ão</p><p>S</p><p>ed</p><p>tu</p><p>r</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 7</p><p>os animais acompanham o curso das águas, sempre</p><p>em busca de alimento.</p><p>O MUNDO DAS ÁGUAS</p><p>O Pantanal vive sob o desígnio das águas, que divi-</p><p>dem a vida da região em basicamente dois períodos. Um</p><p>é o de seca, que se estende de maio a outubro, marca-</p><p>do pela baixa das águas, permitindo o aparecimento dos</p><p>campos de gramíneas e cerrado e bancos de areia, à me-</p><p>dida que os rios retornam aos seus leitos naturais. É nessa</p><p>época que surgem os corixos, cursos fluviais perenes que</p><p>conectam baías e lagoas a rios próximos.</p><p>Entre novembro e abril, esse cenário se transforma</p><p>com a chegada das chuvas, facilmente absorvidas pelo</p><p>solo poroso. Devido à umidade da terra e às plantas que</p><p>resistiram à escassez de água nos meses anteriores, a pla-</p><p>nície seca e sem cor se torna verde. Durante as enchen-</p><p>tes, ocorre a interligação entre rios, braços e baías, que,</p><p>unidos, formam um imenso mar interior, conhecido nas</p><p>lendas indígenas, como “mar de Xaraés”.</p><p>Esse é considerado o pior período para visitar a re-</p><p>gião, já que muitas estradas ficam interditadas por causa</p><p>do volume de água. No período de cheias, o transporte</p><p>de mercadorias e de pessoas só é feito através de embarca-</p><p>ções ou no lombo de animais. Outro problema causado</p><p>pelas chuvas é o isolamento dos povoados situados em</p><p>áreas baixas, que ficam sem comunicação com seus cen-</p><p>tros de abastecimento.</p><p>Com o aguaceiro, rios transbordam e alagam os</p><p>campos à sua volta, fazendo que morros isolados sal-</p><p>tem à vista como verdadeiras ilhas verdes cobertas</p><p>dos haréns, enquanto os parceiros tomam conta</p><p>dos ninhos. Embora seja relativamente sociável, em alguns locais e épocas</p><p>do ano, o cafezinho precisa defender seu território contra aves da mes-</p><p>ma espécie, sendo as fêmeas particularmente agressivas. Nessas ocasiões,</p><p>ele voa diretamente para o intruso, emitindo um chamado peculiar, como</p><p>uma risada fina e longa. Para intimidar o invasor, mantem as asas abertas</p><p>e esticadas para o alto, destacando as penas longas e amarelas de suas asas.</p><p>Ocasionalmente, ocorre luta corporal</p><p>Di</p><p>vu</p><p>lg</p><p>aç</p><p>ão</p><p>S</p><p>ed</p><p>tu</p><p>r</p><p>Nome popular da espécie: Jaçanã ou</p><p>Cafezinho – PANTANAL</p><p>Ordem: Charadriiforme</p><p>Família: Jacanidae</p><p>Hábitats: ocorre em pequenos brejos</p><p>de todo Brasil e da maior parte da</p><p>América tropical</p><p>Tamanho médio: 23 cm</p><p>Peso médio: 159 gramas (fêmea) e</p><p>69 gramas (macho)</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 39</p><p>a v e S</p><p>Reprodução: entre janeiro e outubro, as aves, geralmente solitárias,</p><p>reúnem-se em ninhais que ficam na parte superior de árvores altas.</p><p>Cada ninhada, chocada e cuidada pelo casal, dá origem a três ou qua-</p><p>tro filhotes</p><p>Alimentação: peixes, rãs e pererecas</p><p>Características gerais: uma das suas peculiaridades são os voos, em</p><p>linha reta e com lentas batidas ritmadas das asas. Costuma ficar pou-</p><p>sado nas margens dos rios, em meio à vegetação. Na época de repro-</p><p>dução, a plumagem se diferencia pelo pequeno tufo de penas brancas</p><p>que surge na base do pescoço, contrastando o branco do colo com o</p><p>dorso acinzentado e os lados escuros do ventre. A listra negra da parte</p><p>inferior da ave também fica mais visível, bem como o negro do alto</p><p>da cabeça. Neste período, o azul ao redor dos olhos fica mais intenso,</p><p>assim como o amarelo do bico. Quando saem do ninhal, as aves têm a</p><p>mesma cor geral dos adultos, mas com menor contraste e sem a listra</p><p>negra do pescoço ou os lados negros do ventre</p><p>Ciconia maguari Gmelin 1789</p><p>A v e s</p><p>Nome popular da espécie: Maguari –</p><p>AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Ciconiiforme</p><p>Família: Ciconiidae</p><p>Hábitats: grande parte da América do Sul,</p><p>principalmente o Rio Grande do Sul, a</p><p>Amazônia e o Nordeste</p><p>Tamanho médio: envergadura de 1,80 m</p><p>Ed</p><p>ua</p><p>rd</p><p>o</p><p>Fé</p><p>lix</p><p>J</p><p>us</p><p>tin</p><p>ia</p><p>no</p><p>40 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Reprodução: faz ninhos sobre árvores e arbustos, ou em ilhas, bo-</p><p>tando ovos levemente manchados. Reproduz-se também em casais</p><p>isolados, sem formar colônias</p><p>Alimentação: insetos</p><p>Características gerais: tem a face azul-clara e o bico róseo. Anda</p><p>a passos largos e calculados, como se observasse um perigo ou</p><p>uma oportunidade. Os casais ficam juntos a maior parte do tem-</p><p>po, mantendo contato durante os voos por meio de um chamado</p><p>especial, melodioso e longo. No final da tarde, a maria-faceira pousa</p><p>em árvores altas para dormir. Na manhã seguinte, retorna ao local</p><p>de alimentação, onde permanece no solo a maior parte do tempo,</p><p>caçando os insetos em caminhadas lentas. Tem uma batida de asas</p><p>característica, de baixa amplitude e alta velocidade. O nome “faceira”</p><p>está ligado às cores espetaculares da cabeça. Quando jovem, a espécie</p><p>é esmaecida, mas se parece muito com os adultos</p><p>Syrigma sibilatrix Temminck, 1824</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 41</p><p>Fá</p><p>bi</p><p>o</p><p>Co</p><p>lo</p><p>m</p><p>bi</p><p>ni</p><p>Nome popular da espécie: Maria-faceira</p><p>– PANTANAL</p><p>Ordem: Ciconiiformes</p><p>Família: Ardeidae</p><p>Hábitats: campos secos e lugares pouco</p><p>alagados</p><p>Tamanho médio: 53 cm</p><p>a v e S</p><p>Nome popular da espécie: Mutum de bico amarelo – AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Galliforme</p><p>Família: Cracidae</p><p>Hábitats: florestas, às margens dos rios. No Brasil, aparece no Para-</p><p>ná, no Norte do Maranhão, no Leste e no Sul de Goiás e no Oeste</p><p>de Minas Gerais. Na América, pode ser encontrado na Argentina, na</p><p>Bolívia, no Paraguai e no Panamá</p><p>Tamanho médio: 83 a 85 cm</p><p>Peso médio: macho: 2,8 Kg; fêmea: 2,7 Kg</p><p>Crax fasciolata pinima Pelzeln, 1870</p><p>42 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Ri</p><p>ca</p><p>rd</p><p>o</p><p>M</p><p>ai</p><p>a</p><p>A v e s</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 43</p><p>Reprodução: de julho a novem-</p><p>bro, a ave bota até três ovos,</p><p>de onde saem os filhotes após</p><p>30 dias de incubação</p><p>Longevidade: aproximadamente</p><p>40 anos</p><p>Alimentação: frugívora e</p><p>granívora</p><p>Características gerais: é menor</p><p>que o papagaio-verdadeiro, tendo</p><p>o espelho e a marca da cauda</p><p>alaranjados, enquanto o bico é</p><p>amarelado na base e cinza no res-</p><p>tante. Tem a cabeça pequena em</p><p>relação ao corpo, ostentando a</p><p>cor amarela na garganta e em par-</p><p>te da cara. Uma faixa azul corta a</p><p>frente dos olhos e a testa. É uma</p><p>espécie restrita na planície panta-</p><p>neira. Em voos, o casal mantém</p><p>contato por meio de gritos longos</p><p>e elaborados</p><p>Amazona amazonica Lineu, 1766</p><p>a v e S</p><p>Nome popular da espécie: Papagaio-do-mangue – PANTANAL</p><p>Ordem: Psittaciforme</p><p>Família: Psittacidae</p><p>Hábitats: florestas e cerrados da Colômbia, da Venezuela, das</p><p>Guianas e do Brasil</p><p>Tamanho médio: 34 cm</p><p>Ed</p><p>ua</p><p>rd</p><p>o</p><p>Fé</p><p>lix</p><p>J</p><p>us</p><p>tin</p><p>ia</p><p>no</p><p>Colaptes campestris Vieillot, 1818</p><p>Reprodução: faz o ninho em troncos</p><p>ocos, cupinzeiros e buracos. A postura</p><p>é de três a quatro ovos, e macho e fê-</p><p>mea fazem a incubação. Ao nascer, os</p><p>filhotes são alimentados com insetos</p><p>regurgitados</p><p>Alimentação: insetos, principalmente</p><p>formigas e cupins. Libera uma secre-</p><p>ção da glândula mandibular similar</p><p>a uma cola, fazendo que a língua</p><p>funcione como uma vara de fisgo para</p><p>capturar os insetos</p><p>Características gerais: espécie grande,</p><p>terrícola, acostumada a se esconder</p><p>em árvores e pedras. É inconfundível</p><p>pela sua coloração amarela, que cobre</p><p>o peito anterior, os lados da cabeça e</p><p>o pescoço. O dorso e a barriga são es-</p><p>branquiçados, com faixas pretas trans-</p><p>versais. O macho se diferencia pela</p><p>faixa vermelha que ostenta nas laterais</p><p>da cabeça. O pica-pau-do-campo vive</p><p>em dupla ou em pequenos grupos</p><p>A v e s</p><p>Nome popular da espécie: Pica-pau-do-campo – PANTANAL</p><p>Ordem: Piciforme</p><p>Família: Picidae</p><p>Hábitats: campos e cerrados</p><p>Tamanho médio: 30 cm de comprimento</p><p>Ed</p><p>ua</p><p>rd</p><p>o</p><p>Fé</p><p>lix</p><p>J</p><p>us</p><p>tin</p><p>ia</p><p>no</p><p>44 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Vanelus chilensis Molina, 1782</p><p>Reprodução: não chega a construir um ninho, bo-</p><p>tando os ovos em folhas secas, geralmente de gra-</p><p>míneas, que são depositadas numa rasa depressão</p><p>no solo. Põe até quatro ovos, todos de coloração</p><p>pardo-amarelada com desenhos pretos, que se ca-</p><p>muflam com o substrato. A incubação é realizada</p><p>pela fêmea, demorando 28 dias. Quando nas-</p><p>cem os filhotes, é ela quem os alimenta. O ma-</p><p>cho é responsável pela defesa do ninho, realizando</p><p>voos rasantes sobre os intrusos que se aproximam</p><p>Alimentação: insetos e outros artrópodes capturados</p><p>no solo</p><p>Características gerais: muito agressivo, ataca outras</p><p>aves quando sente que seu território está ameaçado.</p><p>Tem um grito de alarme alto e contínuo, entendido</p><p>como “quero-quero” ou “téo-téo”, conforme a região</p><p>do País. Fora do período reprodutivo, quando o ma-</p><p>cho reúne duas fêmeas para botar os ovos, ele aceita</p><p>ocasionalmente a presença de outras aves da mesma</p><p>espécie no seu território, formando pequenos gru-</p><p>pos. Antes da nova estação reprodutiva, os filhotes</p><p>são afastados do território do trio. Se algo perturba a</p><p>ave chocando, ela se afasta do ninho, andando abai-</p><p>xada. A uma distância segura dos ovos, levanta voo</p><p>e dá o alarme, indo contra o invasor. A plumagem</p><p>adulta é marcada pela mescla de cores nas costas e</p><p>nas asas, enquanto os olhos são grandes e averme-</p><p>lhados. Na nuca, o penacho pontudo se destaca da</p><p>cabeça. Ao voar, o quero-quero mostra um contraste</p><p>de branco-e-preto nas asas. Quando excitado, faz</p><p>voos territoriais com lentas batidas de asas, seme-</p><p>lhantes às das borboletas. Ao pousar, o casal mantém</p><p>as asas entreabertas e viradas para trás, destacando o</p><p>esporão avermelhado</p><p>a v e S</p><p>Nome popular da espécie: Quero-quero – PANTANAL</p><p>Ordem: Charadriiforme</p><p>Família: Charadriidae</p><p>Hábitats: campinas úmidas e espraiados dos rios e lagoas. Na América do Sul, é encontrado</p><p>na Argentina, e do Leste da Bolívia até a margem direita do baixo Amazonas</p><p>Tamanho médio: 33 cm</p><p>Peso médio: 300 gramas</p><p>Ed</p><p>ua</p><p>rd</p><p>o</p><p>Fé</p><p>lix</p><p>J</p><p>us</p><p>tin</p><p>ia</p><p>no</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 45</p><p>Reprodução:</p><p>em colônias formadas por ninhos construídos entre</p><p>1 e 7 metros de altura. Põe de dois a três ovos verde-azulados ou</p><p>branco-amarelados no período que se estende de maio a setembro,</p><p>quando as águas começam a baixar</p><p>Alimentação: peixes e anfíbios</p><p>Características gerais: crepuscular e noturna em sua alimentação, a</p><p>ave é avistada durante o dia nas árvores e nos arbustos das margens</p><p>dos rios. Para se comunicar com membros do bando durante os</p><p>voos, emite um som similar ao monossílabo “qua”. Reproduz-se</p><p>associada a outras espécies, geralmente em colônias. Seus filhotes</p><p>costumam ser muito agressivos, chegando a comer os próprios ir-</p><p>mãos. Os jovens iniciam os voos com uma plumagem parda e raja-</p><p>da, mais escura no dorso. Essa coloração se diferencia do cinza-claro</p><p>dominante no adulto, que, na idade reprodutiva, ostenta duas pe-</p><p>nas longas brancas sobressaindo da nuca</p><p>Nycticorax nycticorax Linnaeus, 1758</p><p>A v e s</p><p>46 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>FA</p><p>AS</p><p>Nome popular da espécie: Savacu –</p><p>PANTANAL</p><p>Ordem: Ciconiiforme</p><p>Família: Ardeidae</p><p>Hábitats: margens de rios, lagos e</p><p>manguezais de todo o continente ame-</p><p>ricano, além de regiões da Europa</p><p>Tamanho médio: 60 a 70 cm</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 47</p><p>Reprodução: constroem o ninho em</p><p>cavidades de árvores, sejam estas natu-</p><p>rais ou previamente escavadas por pica-</p><p>-paus. Apesar de ter aparência robusta,</p><p>o bico pode apenas alargar os buracos</p><p>já existentes, desde que a madeira não</p><p>seja muito dura. Durante o ritual de</p><p>corte e construção do ninho, é comum</p><p>observar o macho oferecendo alimento</p><p>à fêmea. No entanto, a fêmea também</p><p>pode alimentar o macho. Após aceitar o</p><p>alimento, o casal se coloca num mesmo</p><p>poleiro horizontal, a alguns metros do</p><p>solo. Quando o macho é aceito, ocor-</p><p>re a cópula, que dura poucos segundos.</p><p>Durante a incubação dos ovos, com</p><p>18 dias de duração, é a fêmea quem</p><p>permanece a maior parte do tempo no</p><p>ninho, sendo, em geral, alimentada pelo</p><p>parceiro. Cada ninho abriga de dois a</p><p>quatro ovos</p><p>Longevidade: aproximadamente</p><p>40 anos</p><p>Alimentação: frutos, artrópodes e pe-</p><p>quenos vertebrados</p><p>Características gerais: apesar da aparên-</p><p>cia robusta, o bico dos tucanos é extre-</p><p>mamente leve e sem condições anatô-</p><p>micas para cortar a comida ou escavar</p><p>madeiras duras. Quando se alimenta de</p><p>frutos, atua como dispersor de sementes,</p><p>já que as regurgita algum tempo depois</p><p>da ingestão, geralmente num local afas-</p><p>tado da planta de onde foram retiradas.</p><p>Se pequenas, as sementes fazem o per-</p><p>curso intestinal antes de ser defecadas</p><p>Ramphastos dicolorus Linnaeus, 1766</p><p>a v e S</p><p>M</p><p>an</p><p>oe</p><p>l C</p><p>ar</p><p>va</p><p>lh</p><p>o</p><p>Nome popular da espécie: Tucano-de-bico-verde – AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Piciforme</p><p>Família: Ramphastidae</p><p>Hábitats: áreas florestadas da América do Sul, que vão do litoral às</p><p>zonas montanhosas, incluindo as florestas de planalto</p><p>Tamanho médio: 47,5 cm</p><p>Peso médio: 500 g</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 47</p><p>Reprodução: ocorre de julho a dezembro, e a fêmea bota até quatro ovos</p><p>em ninhos localizados no alto dos troncos das árvores. O casal se reveza</p><p>na tarefa de chocar os ovos, os quais eclodem entre 16 e 20 dias. Quando</p><p>nascem, a aparência dos filhotes é desproporcional, sendo o bico grande, e</p><p>o corpo, pequeno. Os olhos só abrem após três semanas, e os pais cuidam</p><p>de seus filhotes até eles saírem dos ninhos, o que ocorre em seis semanas. A</p><p>coloração do bico só é definida meses após o nascimento</p><p>Longevidade: 20 anos</p><p>Alimentação: onívora (frutas, insetos e artrópodes)</p><p>Características gerais: é o maior dos tucanos, caracterizado pelo seu bico</p><p>grande e alaranjado, com uma mancha negra na ponta. Apesar de parecer</p><p>pesado, o bico dos tucanos é formado por uma estrutura óssea areada, que</p><p>lembra um favo de mel. Isso o torna mais leve, facilitando o voo. Apesar</p><p>de não ser maciço, é bastante resistente, destacando-se como a mais notá-</p><p>vel característica dos tucanos. É útil para apanhar frutos em locais difíceis,</p><p>intimidar outros animais, perfurar madeira, sondar a lama e impressionar</p><p>as fêmeas. O bico também é utilizado para jogar frutos uns nos outros,</p><p>durante o ritual de acasalamento. A plumagem da ave é negra, destoando</p><p>do papo branco e do crisso manchado de vermelho. Há, também, uma</p><p>área de pele nua laranja ao redor dos olhos, além das pálpebras azuis.</p><p>Tem os pés zigodáctilos, ou seja, dois dedos para a frente e dois para trás,</p><p>facilitando a aderência nos galhos. Vive em pares ou em bandos de duas</p><p>dezenas de aves, que voam em fila indiana. Ao dormir, vira a cabeça para</p><p>descansar o bico nas costas</p><p>Ramphastos toco Statius Muller, 1776</p><p>A v e s</p><p>Di</p><p>vu</p><p>lg</p><p>aç</p><p>ão</p><p>S</p><p>ES</p><p>C</p><p>Pa</p><p>nt</p><p>an</p><p>al</p><p>Nome popular da espécie: Tucanu-</p><p>çu – AMAZÔNIA e PANTANAL</p><p>Ordem: Piciforme</p><p>Família: Ramphastidae</p><p>Hábitats: bordas das matas das</p><p>regiões norte e central da América do</p><p>Sul. No Brasil, ele é encontrado no</p><p>Pantanal, no cerrado e na Amazônia</p><p>Tamanho médio: Até 66 cm com o</p><p>bico</p><p>Peso médio: 540 g</p><p>48 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>a v e S</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 49</p><p>Di</p><p>vu</p><p>lg</p><p>aç</p><p>ão</p><p>S</p><p>ed</p><p>tu</p><p>r</p><p>Reprodução: constrói ninhos em ocos de árvores ou utiliza ninhos</p><p>de arara-azul abandonados, chegando a disputá-los com elas em</p><p>épocas reprodutivas. Por ser uma ave de grande porte, busca árvores</p><p>com diâmetro largo, escavando o ninho a cada reprodução para</p><p>forrá-lo com serragem. Põe de dois a três ovos, que são chocados</p><p>durante 28 dias. Com sorte, cada ninho gera um filhote por ano,</p><p>que fica até três meses no ovo antes de voar. Ao sair do ovo, a arara</p><p>vermelha já tem a mesma plumagem dos adultos, porém com cau-</p><p>da menor e olho marrom, e não claro como na fase adulta</p><p>Alimentação: frutos, sementes, insetos e pequenos vertebrados</p><p>Características gerais: é a bela plumagem da arara vermelha que lhe</p><p>confere tal nome, já que esta é a cor dominante em quase todo o</p><p>corpo da ave, exceto nas asas, cobertas por um azul-escuro e uma</p><p>faixa esverdeada. A face é branca com linhas vermelhas na frente dos</p><p>olhos. A arara vermelha costuma viver só ou em casais no pantanal,</p><p>formando bandos em outras regiões</p><p>Nome popular da espécie: Arara vermelha</p><p>– PANTANAL</p><p>Ordem: Psittaciforme</p><p>Família: Psittacidae</p><p>Hábitats: matas e florestas que margeiam</p><p>os rios do Panamá ao Brasil, além de regi-</p><p>ões ribeirinhas do Paraguai e da Argentina</p><p>Tamanho médio: 90 cm de comprimento</p><p>Peso médio: 1,5 kg</p><p>Ara chloroptera Gray, 1859</p><p>M a m i f e r o s´</p><p>Inia geoffrensis Blainville, 1817</p><p>Reprodução: a estação de procriação se estende de ou-</p><p>tubro a novembro, e o nascimento dos filhotes acontece</p><p>oito meses depois, quando os níveis de água chegam ao</p><p>limite. Os jovens nascem com 80 cm</p><p>Alimentação: peixes, lulas e crustáceos</p><p>Características gerais: normalmente, vive solitário ou</p><p>em pares, unindo-se para se alimentar e acasalar. São</p><p>nadadores lentos, capazes de chegar, no máximo, a</p><p>23 km/h. Têm hábitos diurnos, com o pico das atividades</p><p>– como os mergulhos – que dura cerca de 40 segundos, e</p><p>os saltos vão até um metro de altura no amanhecer e no</p><p>entardecer. O corpo do boto é granuloso, composto por</p><p>nadadeiras dianteiras muito grandes. Na cabeça, se des-</p><p>taca um bico longo e estreito, além da saliência responsá-</p><p>vel pela emissão de ondas ultra-sônicas. Ao se chocarem</p><p>com corpos sólidos, estas ondas retornam aos animais</p><p>como ecos, localizando-os. Por habitarem águas turvas</p><p>e barrentas, a seleção natural permitiu que a visão dos</p><p>botos se reduzisse, resultando nos seus pequenos olhos.</p><p>As cores da espécie estão vinculadas à irrigação sanguínea</p><p>da pele, variando conforme a idade, a atividade e o local</p><p>em que o animal vive. Existem duas tonalidades: a cor-</p><p>-de-rosa e a branca. Quando nascem, são cinzentos</p><p>50 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Fá</p><p>bi</p><p>o</p><p>Co</p><p>lo</p><p>m</p><p>bi</p><p>ni</p><p>Nome popular da espécie: Boto – AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Cetacea</p><p>Família: Platanistidae</p><p>Hábitats: rios de água doce do Peru, do Equador,</p><p>da Bolívia, da Venezuela e da Colômbia. No Brasil,</p><p>aparece nos rios Amazonas, Negro e Orinoco</p><p>Tamanho médio: 1,8 a 2,5 m</p><p>Peso médio: 85 a160 kg</p><p>Mamíferos</p><p>Speothos venaticus Lund, 1842</p><p>m a m i f e r o S´</p><p>Reprodução: a gestação dura entre 65 e 80 dias, nascendo geralmente</p><p>três ou quatro filhotes, que desmamam com três meses de idade. As</p><p>fêmeas entram no cio duas vezes ao ano, mas o acasalamento pode não</p><p>ser periódico. Os filhotes nascem em cavernas cavadas pelos próprios</p><p>pais. Os recém-nascidos pesam de 130 a 190 gramas, apresentando uma</p><p>pelagem de coloração preto-acinzentada. Os machos ajudam na criação</p><p>dos filhotes, levando comida até a caverna. A maturidade sexual da fêmea</p><p>é alcançada no primeiro ano de vida</p><p>Longevidade: aproximadamente dez anos</p><p>Alimentação: pequenos vertebrados, mas chegam a caçar até</p><p>pacas e capivaras</p><p>Características gerais: são os menores canídeos silvestres do Brasil. Sua</p><p>pelagem é de coloração marrom-ocre, chegando a ser quase preta na parte</p><p>de baixo do pescoço, no ventre, nas patas e na cauda. O dorso é coberto</p><p>por um marrom-amarelado. O cachorro possui orelhas pequenas, patas</p><p>curtas e dedos ligados por uma membrana. São os mais sociais canídeos</p><p>do Brasil, podendo reunir-se em matilhas familiares e hierarquizadas.</p><p>Quando em bandos, emitem sons variados e agudos para se comunicar</p><p>no interior da mata. São ótimos cavadores, abrindo galerias no chão com</p><p>suas unhas. Abrigam-se em ocos de árvores e buracos de tatus. São caça-</p><p>dores e buscam o alimento em família</p><p>Di</p><p>vu</p><p>lg</p><p>aç</p><p>ão</p><p>S</p><p>ed</p><p>tu</p><p>r</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 51</p><p>Nome popular da espécie: Cachorro-</p><p>-do-mato-vinagre – AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Carnívora</p><p>Família: Canidae</p><p>Hábitats: florestas e campos da Ama-</p><p>zônia, do Pantanal e a mata atlântica.</p><p>Aparecem desde a fronteira da Colôm-</p><p>bia com o Panamá até Santa Catarina</p><p>Tamanho médio: 57 e 75 cm de com-</p><p>primento, e 30 cm de altura</p><p>Peso médio: 5 a 8 kg</p><p>52 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Reprodução: a fêmea dá duas crias por ano, gerando até</p><p>oito filhotes em cada uma. Durante o ato sexual, o macho</p><p>chega a cobrir as fêmeas quinze vezes seguidas, em menos</p><p>de cinco minutos. Embora a reprodução aconteça o ano</p><p>todo, há maior concentração de fêmeas prenhas nos pri-</p><p>meiros meses da estação chuvosa. As manadas com cerca de</p><p>30 animais são compostas por adultos e filhotes de ambos</p><p>os sexos. Entretanto, sempre existe um macho que domina</p><p>a tropa e conquista as fêmeas. Os demais podem tornar-se</p><p>submissos, chegando a ajudar na criação dos filhotes do</p><p>líder. As fêmeas são dóceis, companheiras e ótimas mães.</p><p>São elas que constroem os ninhos com folhas secas, locali-</p><p>zados em áreas isoladas e abrigadas. Dão de mamar de pé,</p><p>com seus cinco pares de tetas. Nos grupos, amamentam fi-</p><p>lhos de outras mães, que podem ser ou não parentes. Assim</p><p>que os filhotes nascem, a fêmea procura manter distância</p><p>dos machos, já que estes ficam agressivos com os recém-</p><p>-nascidos, podendo até matá-los. A amamentação vai até os</p><p>4 meses de idade. Durante este período, a cria segue a mãe</p><p>por toda parte, sempre em fila indiana</p><p>Longevidade: dez a 12 anos</p><p>Alimentação: herbívora</p><p>Características gerais: a capivara é o maior roedor do mun-</p><p>do, ostentando incisivos gigantescos que medem mais de 1</p><p>centímetro de largura. Estes dentes crescem sem parar e po-</p><p>dem medir até 7 centímetros se não forem desgastados. A</p><p>pelagem do animal é escassa e grosseira, de cor acastanhada,</p><p>com reflexos escuros e avermelhados. Tem quatro dedos nas</p><p>patas dianteiras e três nas traseiras, todos unidos por uma</p><p>membrana, o que faz dela uma ótima nadadora. Olhos, ore-</p><p>lhas e narinas são alinhados. Ao nadar, a capivara mantém</p><p>apenas essa parte da cabeça acima da água. Tem muito fôlego</p><p>e é capaz de ficar sem respirar por cinco minutos ou mais.</p><p>Vive em manadas e tem hábitos noturnos. A diferença sexual</p><p>é feita pelo calombo que o macho tem entre o focinho e a</p><p>testa, uma glândula de odor forte e característico que esfrega</p><p>nas fêmeas conquistadas, nos filhotes e nas árvores, marcan-</p><p>do seu território. Vive em manadas e tem hábitos noturnos.</p><p>De manhã, descansa à sombra, à tarde gosta de nadar, e, à</p><p>noite, sai em busca de alimento. O grupo anda sempre em</p><p>trilhas fixas, caminhando em fila, um com a cabeça sobre a</p><p>anca do outro. Parado, adota um postura incomum entre os</p><p>mamíferos, permanecendo sentado, como o cão</p><p>M</p><p>an</p><p>oe</p><p>l C</p><p>ar</p><p>va</p><p>lh</p><p>o</p><p>M a m i f e r o s´</p><p>Hydrochoerus hydrochaeris Linnaeus, 1766</p><p>Nome popular da espécie: Capivara –</p><p>AMAZÔNIA E PANTANAL</p><p>Ordem: Rodentia</p><p>Família: Hydrochoeridae</p><p>Hábitats: florestas úmidas e secas,</p><p>pastagens próximas à água (em toda a</p><p>América latina)</p><p>Tamanho médio: 1 m de comprimento,</p><p>50 cm de altura</p><p>Peso médio: 60 kg</p><p>Tayassu tajacu Linnaeus, 1758</p><p>m a m i f e r o S´</p><p>Reprodução: reproduz-se durante todo ano. Os filhotes são precoces e</p><p>chegam a acompanhar a mãe no dia do nascimento. Os machos são sexu-</p><p>almente ativos a partir de 1 ano de idade, e as fêmeas, pouco antes disso</p><p>Longevidade: 15 anos</p><p>Alimentação: onívora (frutos, lesmas, castanhas, raízes e invertebrados)</p><p>Características gerais: formam bandos de cinco a 15 animais, sendo</p><p>agressivos quando um membro é perseguido ou ferido. Os sexos andam</p><p>misturados, e não há determinação de quem é o chefe. Existe, ainda,</p><p>em todos os catetos, uma glândula característica próxima à cauda, que</p><p>segrega uma substância oleaginosa, cujo odor tem papel fundamental</p><p>no reconhecimento individual e de território. Andam em fileiras sobre</p><p>atalhos e se dispersam na mata durante a alimentação. Ao se sentir ame-</p><p>açados, eriçam os pelos e emitem um forte odor. Os catetos podem ter</p><p>atividade durante o dia ou à noite, dependendo do tempo, da estação e</p><p>da disponibilidade de alimento</p><p>Ed</p><p>ua</p><p>rd</p><p>o</p><p>Fé</p><p>lix</p><p>J</p><p>us</p><p>tin</p><p>ia</p><p>no</p><p>Nome popular da espécie: Cateto –</p><p>PANTANAL</p><p>Ordem: Rodentia</p><p>Família: Tayassuidae</p><p>Hábitats: florestas tropicais e savanas</p><p>desde o Sul dos Estados Unidos até o</p><p>Norte da Argentina</p><p>Peso médio: 30 kg</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 53</p><p>M a m i f e r o s´</p><p>Dasyprocta aguti Linnaeus, 1766</p><p>Reprodução: depois de um período de gestação de 120 dias, nasce um</p><p>(ou dois) filhotes. Os pequenos se refugiam num esconderijo cavado</p><p>por outro animal, e saem para a mãe alimentá-los. São monógamos</p><p>Longevidade: 18 anos</p><p>Alimentação: herbívora (sementes, raízes e frutos)</p><p>Características gerais: roedor de tamanho intermediário. As extre-</p><p>midades anteriores são bem mais curtas que as posteriores, os pés são</p><p>compridos e compostos por cinco dedos, sendo três desenvolvidos,</p><p>com unhas cortantes equivalentes a pequenos cascos. Tem patas longas</p><p>e finas, com uma cauda rudimentar, que costuma ficar escondida entre</p><p>os pelos. A cabeça é estreita, com o focinho achatado, os olhos grandes</p><p>e as orelhas médias e largas. Sua pelagem é curta e áspera, de cor ver-</p><p>melho-amarelada. Costumam fazer uma coleta cuidadosa na época de</p><p>abundância para utilizar o que sobrar em períodos de escassez. Animal</p><p>de hábitos diurnos, cava galerias nas margens dos rios, no chão da</p><p>floresta e, principalmente, nas raízes das árvores. Corre com grande</p><p>rapidez entre a vegetação. Repousa sobre as patas traseiras e segura os</p><p>alimentos com as anteriores</p><p>Nome popular da espécie: Cotia –</p><p>AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Rodentia</p><p>Família: Dasyproctidae</p><p>Hábitats: florestas, cerrados e caatingas</p><p>Tamanho médio: 40 a 60 cm de comprimento</p><p>Peso médio: entre 3 e 5,9 kg</p><p>54 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Ed</p><p>ua</p><p>rd</p><p>o</p><p>Fé</p><p>lix</p><p>J</p><p>us</p><p>tin</p><p>ia</p><p>no</p><p>Didelphis marsupialis Linné, 1758</p><p>m a m i f e r o S´</p><p>Reprodução: tem de dez a 156 filhotes por ninhada, que en-</p><p>tram na bolsa com 1 cm e ficam lá dentro cerca de 70 dias, onde</p><p>se desenvolvem</p><p>Longevidade: dois a quatro anos</p><p>Alimentação: frutos silvestres, ovos e filhotes de pássaros</p><p>Características gerais: o gambá é um marsupial do porte de um</p><p>gato, com hábitos noturnos. Apesar dos movimentos lentos, trepa</p><p>em árvores com facilidade, usando a cauda preênsil para agarrar-</p><p>-se aos galhos. A cor da sua pelagem varia do branco (animais ve-</p><p>lhos) ao negro (jovens), passando por todas as tonalidades de cinza.</p><p>Apresenta corpo maciço, pescoço grosso, focinho alongado e pon-</p><p>tudo, membros curtos e cauda preênsil bastante grossa. O restante</p><p>do corpo é revestido por pequenas escamas. Quando perseguido,</p><p>o gambá se finge de morto ou expele um líquido fétido produzido</p><p>por glândulas axilares. Na fase do cio, a fêmea também exala esse</p><p>cheiro forte, facilmente reconhecível</p><p>Fá</p><p>bi</p><p>o</p><p>Co</p><p>lo</p><p>m</p><p>bi</p><p>ni</p><p>Nome popular da espécie: Gambá –</p><p>PANTANAL</p><p>Ordem: Didelphimorphia</p><p>Família: Didelphidae</p><p>Hábitats: florestas e campos (Canadá,</p><p>ao Norte da Argentina, no Brasil, no</p><p>Paraguai, na Guiana e na Venezuela)</p><p>Tamanho médio: 1 m de comprimen-</p><p>to, contando com a cauda</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 55</p><p>56 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Eyra barbara Lineu, 1758</p><p>M a m i f e r o s´</p><p>Oncifelis geofroyi D’rrbigny</p><p>e Gervais, 1844</p><p>Ri</p><p>ca</p><p>rd</p><p>o</p><p>M</p><p>ai</p><p>a</p><p>Nome popular da espécie: Gato-do-mato</p><p>– AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Carnívora</p><p>Família: Felidae</p><p>Hábitats: até o sul do continente americano, ocu-</p><p>pando áreas com cobertura vegetal que variam do</p><p>porte arbustivo ao arbóreo</p><p>Tamanho médio: 70 a 90 cm</p><p>Peso médio: 3 a 6 kg</p><p>Reprodução: a gestação dura cerca de 70 dias, ge-</p><p>rando dois a três filhotes. Atinge a maturidade sexual</p><p>aos 14 meses</p><p>Alimentação: pássaros, lagartos, insetos e roedores</p><p>pequenos</p><p>Características gerais: é um felino de pequeno por-</p><p>te e bastante ágil. A pelagem tem coloração que varia</p><p>do tom cinza-claro ao ocre, e é recoberta por poucas</p><p>manchas negras. O dorso e as patas são cobertos por</p><p>pequenas listras negras, e a cauda é anelada. Por ser</p><p>um animal ainda não muito estudado, há informa-</p><p>ções escassas a respeito de suas características sociais</p><p>M</p><p>an</p><p>oe</p><p>l C</p><p>ar</p><p>va</p><p>lh</p><p>o,</p><p>n</p><p>a</p><p>To</p><p>ca</p><p>d</p><p>a</p><p>Ra</p><p>po</p><p>sa</p><p>Nome popular da espécie: Irara – AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Carnívora</p><p>Família: Mustelidae</p><p>Hábitats: florestas e campos do Sul do México até a Argenti-</p><p>na</p><p>Tamanho médio: 65 cm de comprimento</p><p>Peso médio: 4 a 5 kg</p><p>Reprodução: a gestação dura cerca de 70 dias, com nasci-</p><p>mento de um a três filhotes</p><p>Alimentação: carnívora. Porém, adora frutos e mel</p><p>Características gerais: tem pelagem curta e espessa, de colora-</p><p>ção escura em todo o corpo e castanho-clara ou acinzentada na</p><p>cabeça e no pescoço. As orelhas são curtas e arredondadas, e o</p><p>corpo é alongado, levemente arqueado. As patas curtas contras-</p><p>tam com a cauda comprida. As iraras são ativas de dia e à noite,</p><p>descansando apenas nas horas quentes do dia. São escaladoras</p><p>muito ágeis devido às suas garras parcialmente retráteis, e as</p><p>articulações de suas pernas lhe permitem “virar as patas” para</p><p>descer das árvores com a cabeça voltada para baixo. Vivem aos</p><p>pares e costumam deixar marcas de cheiro nos galhos por onde</p><p>passam. Os filhotes nascem cegos, inteiramente cobertos de pe-</p><p>nugem negra. Tanto o nome científico Eira bárbara, quanto o</p><p>popular, irara, significam comedor de mel</p><p>m a m i f e r o S´</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 57</p><p>Bradypus tridactylus Linnaeus, 1758</p><p>Nome popular da espécie: Bicho-pre-</p><p>guiça – AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Xenarthra</p><p>Família: Bradypodidae</p><p>Hábitats: florestas tropicais da América</p><p>do Sul</p><p>Tamanho médio: 60 cm de compri-</p><p>mento, mais 8 cm de cauda</p><p>Peso médio: 8 kg</p><p>Reprodução: a gestação dura quase seis</p><p>meses. O recém-nascido tem cerca de</p><p>25 cm e 350 g. As fêmeas dos bichos-pre-</p><p>guiça carregam o filhote nas costas e no</p><p>ventre durante aproximadamente os nove</p><p>primeiros meses de vida. Nesse período,</p><p>a mãe protege o filhote, enquanto ele</p><p>se prepara para sobreviver sozinho no</p><p>ambiente da mata</p><p>Longevidade: 30 a 40 anos</p><p>Alimentação: herbívora. Come folhas</p><p>tenras e frutos</p><p>Características gerais: como o nome</p><p>indica, é um animal sossegado e lento,</p><p>além de inofensivo e de poucos amigos.</p><p>Dorme praticamente o dia todo nas</p><p>árvores pendurado nos galhos pelos pés,</p><p>de costas para o chão e com a cabeça pen-</p><p>dida sobre o peito, ficando nessa posição</p><p>durante horas, sem se mexer. As reações,</p><p>a digestão, e até a respiração, são lentas.</p><p>Vive em pequenos bandos e é um animal</p><p>de atividade noturna. Raramente desce</p><p>das árvores, e quase não se movimenta no</p><p>chão, embora saiba nadar muito bem. A</p><p>visão e a audição da preguiça são fracas,</p><p>fazendo que se oriente pelo olfato, seu</p><p>sentido mais aguçado. No tempo frio,</p><p>entra em letargia. O orvalho é sua única</p><p>bebida. É capaz de girar a cabeça de tal</p><p>forma que a cara pode ficar nas costas. Os</p><p>pés são dotados de três dedos, e as unhas</p><p>são grossas, compridas e curvadasEd</p><p>ua</p><p>rd</p><p>o</p><p>Fé</p><p>lix</p><p>J</p><p>us</p><p>tin</p><p>ia</p><p>no</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 57</p><p>Saimiri sciureus Linnaeus, 1758</p><p>M a m i f e r o s´</p><p>Nome popular da espécie: Maca-</p><p>co-de-cheiro – AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Primata</p><p>Família: Cebidae</p><p>Hábitats: topo das árvores das flo-</p><p>restas tropicais da América do Sul</p><p>Tamanho médio: 35 cm de compri-</p><p>mento, e 40 cm de cauda</p><p>Peso médio: 600 g</p><p>58 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Ed</p><p>ua</p><p>rd</p><p>o</p><p>Fé</p><p>lix</p><p>J</p><p>us</p><p>tin</p><p>ia</p><p>no</p><p>Alimentação: insetos, frutos e a seiva</p><p>das árvores</p><p>Características gerais: os macacos-</p><p>-de-cheiro são encontrados nas flores-</p><p>tas tropicais da Costa Rica até o chaco</p><p>paraguaio, aparecendo também nas</p><p>vertentes orientais dos Andes. Vivem</p><p>no topo das árvores altas, a 30 ou</p><p>40 m do chão, frequentemente em</p><p>bandos de centenas de indivíduos.</p><p>São esbeltos e ágeis. Raramente des-</p><p>cem para o chão</p><p>m a m i f e r o S´</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 59</p><p>Saguinus bicolor Spix, 1823</p><p>Reprodução: média de dois filhotes por parto, atingindo</p><p>a maturidade sexual aos 30 anos de idade. A gestação se</p><p>estende de 138 a 170 dias. A fêmea pode cruzar dois dias</p><p>após o parto, procriando a cada seis meses</p><p>Longevidade: 10 anos</p><p>Alimentação: répteis, insetos, pequenos mamíferos, aves,</p><p>lesmas, ovos, alguns vegetais e frutas</p><p>Características gerais: vive em grupos de dez indivídu-</p><p>os. É ágil, inteligente e muito apreciado como bicho de</p><p>estimação. Usa suas garras para escalar árvores e superfí-</p><p>cies ásperas, ostentando uma cauda grande em relação ao</p><p>corpo. Na maior parte do corpo, predomina o tom preto.</p><p>Além disso, há o castanho no dorso e o dourado na área</p><p>interna das pernas. Tem hábitos diurnos e vive nas copas</p><p>das árvores. Salta com facilidade devido à forte propulsão</p><p>dos membros posteriores. Abriga-se em troncos ocos, e</p><p>pode repetir o mesmo percurso todos os dias na mata.</p><p>Organiza-se socialmente em grupos liderados por casais</p><p>monogâmicos. A liderança é disputada em lutas violen-</p><p>tas. Os pais ensinam os filhos a se alimentar, servindo de</p><p>modelo nas funções de cópula, caça e cuidado parental</p><p>Fá</p><p>bi</p><p>o</p><p>Co</p><p>lo</p><p>m</p><p>bi</p><p>ni</p><p>Nome popular da espécie: Macaco Sauim-de-Manaus –</p><p>AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Primata</p><p>Família: Cebidae</p><p>Hábitats: alto das árvores (Floresta Amazônica)</p><p>Tamanho médio: 20 cm</p><p>Peso médio: 500 g</p><p>60 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>M a m i f e r o s´</p><p>Pithecia pithecia Linnaeus, 1766</p><p>Reprodução: sua gestação dura até 176 dias,</p><p>nascendo apenas um filhote, que desmama</p><p>aos 8 meses de idade, atingindo a maturida-</p><p>de sexual aos 6 anos. Até aproximadamente</p><p>os dois primeiros meses de vida, a cria apre-</p><p>senta coloração igual à da fêmea adulta. A</p><p>partir desta época, os filhotes machos come-</p><p>çam a apresentar a coloração do macho adulto</p><p>Longevidade: aproximadamente 14 anos</p><p>Alimentação: herbívora (frutas e sementes,</p><p>mas também se alimenta de flores, folhas, e até</p><p>de pequenos animais, como morcegos e aves)</p><p>Características gerais: apresenta hábitos arbo-</p><p>rícolas e explora, principalmente, a região abai-</p><p>xo da copa das árvores. Tem uma vasta pelagem</p><p>na cabeça, no dorso e na cauda, porém a ventral</p><p>do corpo é praticamente pelada. Caracteriza-se</p><p>por ser a única espécie do gênero Pithecia em</p><p>que existe dimorfismo sexual, ou seja, o macho</p><p>e a fêmea apresentam características diferentes.</p><p>O macho possui um corpo de coloração negra</p><p>e a face branco-amarelada, enquanto a fêmea</p><p>tem uma cor amarronzada ou acinzentado-</p><p>-grisalha, com duas linhas brancas ou marrons</p><p>que vão do canto dos olhos ao canto da boca.</p><p>Apresenta hábitos diurnos. Alimenta-se de se-</p><p>mentes e consegue quebrar nozes duras com os</p><p>dentes caninos. Locomove-se por meio do an-</p><p>dar quadrúpede, escalando ou saltando, sendo</p><p>chamado de macaco-voador. Frequentemente</p><p>forma grupos familiares contendo cerca</p><p>de dois</p><p>a cinco indivíduos, compostos pelos pais e por</p><p>seus filhotes F</p><p>áb</p><p>io</p><p>C</p><p>ol</p><p>om</p><p>bi</p><p>ni</p><p>Nome popular da espécie: Macaco-parauacu</p><p>– AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Primates</p><p>Família: Cebidae</p><p>Hábitats: florestas da região norte da América</p><p>do Sul. No Brasil, aparece na Amazônia</p><p>Tamanho médio: o corpo mede de 30 a</p><p>48 cm, e a cauda, de 25 a 55 cm</p><p>Peso médio: 1,5 Kg</p><p>m a m i f e r o S´</p><p>Agouti paca Linnaeus, 1766</p><p>Reprodução: a fêmea tem duas ninhadas, cada uma de um único filhote</p><p>Longevidade: 18 anos</p><p>Alimentação: folhas, raízes e frutos</p><p>Características gerais: caracteriza-se pelo seu pelame duro e eriçado de</p><p>cor vermelha com manchas brancas. Tem uma pequena cauda. Contu-</p><p>do, as pernas são fortes. As patas dianteiras comportam quatro dedos,</p><p>e as traseiras, cinco – todos com unhas fortes e utilizadas para defesa</p><p>e escavação. É boa nadadora e gosta da água, que é o local onde ela se</p><p>refugia quando está em perigo. Sua toca tem muitas saídas de emergên-</p><p>cia, que são bem escondidas por folhas. A paca passa o dia lá</p><p>M</p><p>an</p><p>oe</p><p>l C</p><p>ar</p><p>va</p><p>lh</p><p>o</p><p>no</p><p>Z</p><p>oo</p><p>ló</p><p>gi</p><p>co</p><p>d</p><p>e</p><p>Sã</p><p>o</p><p>Pa</p><p>ul</p><p>o</p><p>Nome popular da espécie: Paca</p><p>– AMAZÔNIA E PANTANAL</p><p>Ordem: Rodentia</p><p>Família: Cuniculidae</p><p>Hábitats: florestas tropicais da Amé-</p><p>rica do Sul, encontrado da Bacia do</p><p>Orenoco até o Paraguai</p><p>Tamanho médio: 60 a 80 cm</p><p>Peso médio: 6 a 10 kg</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 61</p><p>M a m i f e r o s´</p><p>Coendou prehensilis Linnaeus, 1758</p><p>62 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Ri</p><p>ca</p><p>rd</p><p>o</p><p>M</p><p>ai</p><p>a</p><p>Nome popular da espécie: Ouriço-</p><p>-cacheiro – PANTANAL</p><p>Ordem: Rodentia</p><p>Família: Erethizontidae</p><p>Hábitats: florestas (Venezuela, Guia-</p><p>nas, Brasil, Bolívia e Trinidad)</p><p>Tamanho médio: 30 a 65 cm, mais</p><p>30 ou 38 cm de cauda. Comprimen-</p><p>to dos espinhos: 10 cm</p><p>Peso médio: 1 a 5 kg</p><p>Reprodução: após uma gestação de 195 a 210 dias, nasce um filhote (ou dois)</p><p>com cerca de 390 g. Ele é alimentado pelos pais por 70 dias, em média</p><p>Longevidade: dez anos</p><p>Alimentação: sementes de frutos, cascas de árvores e folhas</p><p>Características gerais: o ouriço-cacheiro conta com uma perigosa arma para</p><p>se defender do inimigo: o dorso totalmente coberto por espinhos que se</p><p>destacam facilmente de seu corpo, espetando-se em quem quer que tenha a</p><p>ingenuidade de atacá-lo. Com farpas afiadas, como arpão, o espinho pene-</p><p>tra lentamente no corpo da vítima, chegando cada vez mais fundo. Por isso</p><p>mesmo, a maioria dos animais evita o ouriço-cacheiro, que nunca precisa</p><p>lutar. Se ameaçado, simplesmente eriça os espinhos e aguarda, tornando-se</p><p>praticamente inatacável. Guarda toda a sua agressividade para os da mesma</p><p>espécie, com os quais briga violentamente, usando espinhos e dentes. Muito</p><p>frequentes na fauna brasileira, estão adaptados à vida nas árvores. Usam a</p><p>cauda para prender-se aos galhos e mover-se entre as árvores. Sua cauda longa</p><p>é preênsil. Solitários, saem à noite ou na hora do crepúsculo em busca de</p><p>alimento. De dia, descansam no alto das copas das árvores ou abrigam-se em</p><p>troncos ocos. Têm movimentos lentos</p><p>m a m i f e r o S´</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 63</p><p>Reprodução: acasala no início do ano, gerando de um a qua-</p><p>tro filhotes. Na América do Sul, os nascimentos acontecem</p><p>entre fevereiro e junho, e a gestação dura em torno de três me-</p><p>ses. O cio é de quatro dias, com intervalos de 23 dias. A fêmea</p><p>tem três pares de mamilos, justamente o número máximo de</p><p>filhotes que nascem. Pesa de 200 a 400 gramas, e as manchas</p><p>desaparecem aos 6 meses. As fêmeas atingem maturidade se-</p><p>xual depois dos 2 anos e meio, e os machos, só aos 3 anos</p><p>Longevidade: as fêmeas vivem até 12 anos, e os machos até</p><p>20, aproximadamente</p><p>Alimentação: carnívora</p><p>Características gerais: tem um corpo alongado, a cabeça pe-</p><p>quena, pescoço e cauda longos, membros inferiores e poste-</p><p>riores muito fortes e orelhas pequenas, curtas e arredonda-</p><p>das. É um animal de grande agilidade, exercendo atividades a</p><p>qualquer hora do dia, mas tendendo para o horário do crepús-</p><p>culo. Nada apenas quando necessário, geralmente em busca</p><p>de alimentos</p><p>Puma concolor Linnaeus, 1771</p><p>Fá</p><p>bi</p><p>o</p><p>Co</p><p>lo</p><p>m</p><p>bi</p><p>ni</p><p>Nome popular da espécie: Suçuarana ou on-</p><p>ça-parda – AMAZÔNIA E PANTANAL</p><p>Ordem: Carnivora</p><p>Família: Felidae</p><p>Hábitats: montanhas, florestas e cerrados de</p><p>toda a América</p><p>Tamanho médio: os machos medem, da ca-</p><p>beça ao final do corpo, de 105 a 195 cm,</p><p>com cauda de 66 a 78 cm. Já as fêmeas, da</p><p>cabeça ao final do corpo, medem 96 a 151</p><p>cm, com cauda de 53 cm a 80 cm</p><p>Peso médio: fêmeas pesam de 36 a 60 kg, e</p><p>machos pesam de 67 a 103 kg</p><p>Reprodução: tem uma baixa taxa reprodutiva – cerca de um filhote por</p><p>fêmea a cada três anos, sendo um ano de gestação e dois de amamentação</p><p>Longevidade: 50 anos</p><p>Alimentação: herbívora (algas, aguapés, mangues, capins aquáticos,</p><p>entre outras plantas)</p><p>Características gerais: mamífero aquático que já existe há cerca de 60</p><p>milhões de anos. Destaca-se como a única espécie da ordem sirenia</p><p>exclusiva de água doce. Tem um corpo robusto e pesado, além da</p><p>cauda achatada e larga, disposta de forma horizontal. Suas nadadeiras</p><p>apresentam resquícios de unhas, que ajudam o animal na escavação em</p><p>busca de vegetação aquática para se alimentar. Tem hábitos solitários, e</p><p>raramente é visto em grupo fora da época de acasalamento. Seus dentes</p><p>se reduzem aos molares, que se regeneram constantemente. Pode</p><p>comer até 16 kg de plantas por dia, tendo a capacidade de armazenar</p><p>até 50 litros de gordura como fonte energética para a época da seca.</p><p>As nadadeiras, que ainda apresentam resquícios de unhas, ajudam o</p><p>animal a escavar e arrancar a vegetação aquática enraizada no fundo</p><p>M a m i f e r o s´</p><p>Trichechus inunguis Natterer, 1883</p><p>Nome popular da espécie: Peixe-boi</p><p>ou Manati – AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Sirenia</p><p>Família: Trichechidae</p><p>Hábitats: Rio Amazonas (nas bacias</p><p>dos rios Amazonas e Orinoco)</p><p>Tamanho médio: 2,5 m</p><p>Peso médio: 300 kg</p><p>64 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Ed</p><p>ua</p><p>rd</p><p>o</p><p>Fé</p><p>lix</p><p>J</p><p>us</p><p>tin</p><p>ia</p><p>no</p><p>m a m i f e r o S´</p><p>Lutra longicaudis Olfers, 1818</p><p>Reprodução: gestação de 60 dias, com nascimento de</p><p>até seis filhotes, que pesam de 120 a 160 gramas. O des-</p><p>mame acontece aos 6 meses de idade, e a maturidade</p><p>sexual é atingida aos 2 anos</p><p>Longevidade: aproximadamente 20 anos</p><p>Alimentação: carnívora (peixes, crustáceos, anfíbios,</p><p>répteis e, ocasionalmente, aves e mamíferos)</p><p>Características gerais: ocupa ambientes aquáticos de</p><p>água doce e salgada, privilegiando locais de baixa densi-</p><p>dade populacional humana. Sua ocorrência está vincula-</p><p>da à presença de substratos duros, que funcionam como</p><p>abrigo para estes animais, acostumados a passar os dias</p><p>dormindo entre pedras e ocos de árvores próximos às</p><p>águas. Alimenta-se geralmente durante a noite, comendo</p><p>suas presas sempre nas margens dos rios. Para marcar seu</p><p>território, urina por meio de suas glândulas secretoras. A</p><p>coloração da parte superior das lontras varia da marrom-</p><p>-clara à escura, sendo a pelagem curta e macia, porém</p><p>bastante densa. O grupo social consiste em uma fêmea</p><p>adulta e seus filhos jovens, juntando-se ao macho apenas</p><p>nas épocas reprodutivas</p><p>Ri</p><p>ca</p><p>rd</p><p>o</p><p>M</p><p>ai</p><p>a</p><p>Nome popular da espécie: Lontra – AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Carnívora</p><p>Família: Mustelidae</p><p>Hábitats: rios e lagos da Amazônia, cerrado, Flores-</p><p>ta Atlântica, Pantanal e campos do Sul. Encontra-se</p><p>também no México, na América Central e ao norte</p><p>da Argentina</p><p>Tamanho médio: 1 m de comprimento (machos</p><p>maiores que as fêmeas)</p><p>Peso médio: 5 a 12 kg</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 65</p><p>P e i x e s</p><p>Reprodução: o gênero Hoplias apresenta uma reprodução parcelada,</p><p>ou seja, faz várias pequenas desovas na temporada reprodutiva. O ca-</p><p>sal procura ou constrói os ninhos em pequenas depressões de cerca de</p><p>20 cm, onde a fêmea deposita seus ovos enquanto o macho os fertiliza,</p><p>e cuida deles por alguns dias, até eclodirem</p><p>Alimentação: carnívora (peixes e sapos)</p><p>Características gerais: peixe de escamas, com corpo cilíndrico, boca</p><p>grande e dentes caninos bastante afiados. Olhos grandes e nadadeiras</p><p>arredondadas, exceto a dorsal. Quando habita os lagos, sua coloração</p><p>adquire um tom cinza-escuro, com ventre esbranquiçado. Em água</p><p>corrente, sua cor muda para cinza-amarelado, com ventre branco. É</p><p>um predador voraz e solitário. Pode ser encontrado em águas paradas,</p><p>lagos, lagoas, brejos, matas inundadas, córregos e igarapés, geralmente</p><p>entre as plantas aquáticas, onde fica à espreita de presas como peixes,</p><p>sapos e insetos. É mais ativo durante a noite</p><p>Fá</p><p>bi</p><p>o</p><p>Co</p><p>lo</p><p>m</p><p>bi</p><p>ni</p><p>Hoplias malabaricus Bloch, 1794</p><p>Nome popular da espécie: Traíra –</p><p>AMAZÔNIA e PANTANAL</p><p>Ordem: Characiformes</p><p>Familia: Erythrinidae</p><p>Hábitats: encontrado em todos os</p><p>rios e lagos da América do Sul, prin-</p><p>cipalmente nas bacias Amazônica,</p><p>Araguaia-Tocantins e São Francisco</p><p>Tamanho: 60 cm</p><p>Peso: 4 kg</p><p>66 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Peixes</p><p>p e i x e S</p><p>Nome popular da espécie: Tambaqui –</p><p>AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Characiforme</p><p>Família: Characidae</p><p>Hábitat: Bacia Amazônica</p><p>Tamanho médio: cerca de 90 cm</p><p>de comprimento</p><p>Peso médio: até 45 kg</p><p>Colossoma macropomum Curvier, 1818</p><p>Si</p><p>dn</p><p>ey</p><p>D</p><p>ol</p><p>l</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 67</p><p>Reprodução: os adultos migram para os rios de águas barrentas no</p><p>período da desova</p><p>Alimentação: nas cheias, os tambaquis seguem para as matas inun-</p><p>dadas, onde se alimentam de frutos e sementes. Na seca, os jovens</p><p>permanecem nos lagos de várzea, nutrindo-se de zooplâncton, en-</p><p>quanto os adultos migram para rios de água barrenta para desovar</p><p>Características gerais: é uma das espécies comerciais mais importan-</p><p>tes da Amazônia Central, diferenciando-se pela sua boca prognata,</p><p>semelhante a uma gaveta aberta, por suas escamas em forma de lo-</p><p>sangos e pelas nadadeiras curtas e rajadas nas extremidades. A meta-</p><p>de superior do corpo é coberta por uma coloração parda, enquanto a</p><p>inferior é preta, podendo variar para mais clara ou escura, conforme</p><p>a água. É uma espécie que realiza migrações reprodutivas, seguindo</p><p>para rios barrentos no período da desova e para as matas inundadas</p><p>nas cheias. Durante a seca, os indivíduos jovens ficam nos lagos de</p><p>várzea, onde se alimentam de zooplâncton. Nessa época, os adultos</p><p>não se alimentam, vivendo apenas da gordura que acumularam du-</p><p>rante o período de cheia</p><p>P e i x e s</p><p>68 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Reprodução: durante a estação seca. Os ovos são deposita-</p><p>dos em um ninho bem escondido feito de saliva, construí-</p><p>do pelo macho. Em observações de campo, uma média de</p><p>1200 embriões é chocada</p><p>Longevidade: dez a 15 anos em cativeiro</p><p>Alimentação: pequenos peixes</p><p>Características gerais: é uma espécie de peixe-elétrico</p><p>capaz de gerar de 300 a 1500 volts em uma única descarga,</p><p>matando um animal do porte de um cavalo. O nome po-</p><p>raquê vem da língua indígena tupi, significando “o que faz</p><p>dormir” ou “o que entorpece”, devido às descargas elétricas</p><p>que produz. Tal característica lhe conferiu reconhecimento</p><p>mundial, despertando curiosidade de muitos pesquisado-</p><p>res. As descargas são produzidas por células musculares</p><p>modificadas – os eletrócitos – que, em conjunto, formam</p><p>de dois a dez mil mioeletroplacas, concentradas na cauda</p><p>do peixe, ocupando quatro quintos de seu comprimento</p><p>geral. As células se dispõem em série, como pilhas de uma</p><p>lanterna, ativando-se quando o peixe captura uma presa ou</p><p>no momento em que ele se defende de um ataque. Nessas</p><p>ocasiões, os três órgãos elétricos do poraquê – o de Sach, o</p><p>de Hunter e o principal – descarregam cargas elétricas. A</p><p>energia canalizada para o ambiente não afeta o peixe, que</p><p>possui adaptações especiais contra os choques. Seu corpo é</p><p>longo e cilíndrico, ostentando apenas uma nadadeira anal.</p><p>Os escamas têm coloração preta salpicada por pequenas</p><p>manchas amarelas, vermelhas ou brancas. Sobe para a</p><p>superfície a cada oito minutos, para respirar melhor</p><p>Electrophorus electricus</p><p>Linnaeus, 1766</p><p>Fá</p><p>bi</p><p>o</p><p>Co</p><p>lo</p><p>m</p><p>bi</p><p>ni</p><p>Nome popular da espécie: Poraquê – AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Gymnotiforme</p><p>Família:Gymnotidae</p><p>Hábitats: Amazônia, principalmente os rios Amazonas e Ori-</p><p>noco. Também aparece nos rios do Mato Grosso e em quase</p><p>toda a América do Sul</p><p>Tamanho médio: até 3 m de comprimento</p><p>Peso médio: 30 kg</p><p>p e i x e S</p><p>Reprodução: formam casais que procuram ambientes calmos para</p><p>preparar seus ninhos, construídos durante a época de enchente. O</p><p>macho é o responsável pela proteção da prole por cerca de seis meses,</p><p>mantendo os filhotes, que nadam sempre ao redor de sua cabeça, pró-</p><p>ximos à superfície, facilitando, assim, o exercício da respiração aérea</p><p>Longevidade: 18 anos</p><p>Alimentação: carnívora</p><p>Características gerais: conhecido popularmente como “bacalhau da</p><p>Amazônia”, encontra-se nas áreas de várzea, onde as águas são mais</p><p>calmas, claras e ligeiramente alcalinas, com temperaturas que variam</p><p>de 24° a 37°C. É uma das maiores espécies de água doce do mundo,</p><p>chegando a pesar 250 kg. O nome vem da junção de duas palavras</p><p>indígenas: “pira”, que significa peixe, e “urucum”, que quer dizer ver-</p><p>melho, remetendo à cor da cauda do pirarucu. Este peixe tem carac-</p><p>terísticas biológicas e ecológicas bem distintas, como sua cabeça acha-</p><p>tada e ossificada, o corpo alongado e escamoso, e o porte para lá de</p><p>exuberante. A respiração é feita não só através das convencionais brân-</p><p>quias, mas também pelos seus dois aparelhos respiratórios, auxiliados</p><p>pela bexiga natatória modificada, que funciona como um pulmão no</p><p>exercício da respiração aérea, obrigatória na época da seca. Após o nas-</p><p>cimento dos filhotes, o macho sobe à superfície com mais frequência,</p><p>para facilitar a respiração dos recém-nascidos que o acompanham. É</p><p>neste período que a perseguição aos pirarucus por predadores se acen-</p><p>tua, já que a longa fase de imaturidade sexual dos filhotes, conhecidos</p><p>como “bodecos”, propicia sua captura</p><p>Arapaima gigas Cuvier, 1829</p><p>Ed</p><p>ua</p><p>rd</p><p>o</p><p>Fé</p><p>lix</p><p>J</p><p>us</p><p>tin</p><p>ia</p><p>no</p><p>Nome popular da espécie: Pirarucu</p><p>– AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Osteoglossiforme</p><p>Família: Osteoglossidae</p><p>Hábitats: áreas de várzea da parte seten-</p><p>trional da América do Sul, principalmen-</p><p>te na Bacia Amazônica</p><p>Tamanho médio: 3 m de comprimento</p><p>Peso médio: 250 kg</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 69</p><p>P e i x e s</p><p>70 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Nome popular da espécie: Acará-disco – AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Perciforme</p><p>Família: Cichlidae</p><p>Tamanho: 25 cm de altura e 20 cm de comprimento</p><p>Hábitat: Bacia Amazônica</p><p>Reprodução: ovípara, desovando em folhas e pedras.</p><p>Destaca-se pelo cuidado que tem com sua prole. Após a</p><p>postura e a fertilização dos ovos, pai e mãe intercalam-</p><p>-se cuidando dos ovos, para defender os alevinos. Ao</p><p>nascer, estes se juntam ao corpo dos pais, onde encon-</p><p>tram uma secreção leitosa que serve para alimentá-los</p><p>Alimentação: onívora</p><p>Características gerais: corpo marrom-escuro, com fai-</p><p>xas escuras verticais e linhas azuladas; nadadeiras orla-</p><p>das de azul</p><p>F</p><p>áb</p><p>io</p><p>C</p><p>ol</p><p>om</p><p>bi</p><p>ni</p><p>Symphysodon discus</p><p>Heckel, 1840</p><p>Cichla spp</p><p>S</p><p>id</p><p>ne</p><p>y</p><p>Do</p><p>ll</p><p>Nome popular da espécie: Tucunaré – AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Perciforme</p><p>Família: Cichlidae</p><p>Hábitats: rios da América do Sul, especialmente das</p><p>bacias Amazônica e do Araguaia</p><p>Tamanho médio: comprimento entre 30 cm e 1 m</p><p>Peso médio: 15 a 16 kg</p><p>Reprodução: na época de reprodução, formam casais</p><p>que partilham a responsabilidade de proteger o ninho,</p><p>que abriga de três a quatro mil ovos</p><p>Alimentação: pequenos peixes e crustáceos</p><p>Características gerais: peixes de médio porte que só</p><p>existem na água doce, tendo como característica prin-</p><p>cipal o ocelo que apresentam na cauda. São animais se-</p><p>dentários, preferindo zonas de águas lentas ou paradas.</p><p>Na época de reprodução, formam casais que partilham</p><p>a responsabilidade de proteger o ninho e os ovos. Exis-</p><p>tem cerca de 14 espécies de tucunaré</p><p>p e i x e S</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 71</p><p>Salminus maxillosus</p><p>Valenciennes, 1850</p><p>Osteoglossum bicirrhosum</p><p>Vandelli, 1829</p><p>Nome popular da espécie: Aruanã prata – AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Osteoglossiforme</p><p>Família: Osteoglossidae</p><p>Hábitats: bacias Amazônica e Araguaia-Tocantins.</p><p>Tamanho médio: 1 m de comprimento</p><p>Peso médio: 2kg</p><p>Reprodução: reproduz-se durante a enchente. Os machos</p><p>guardam os ovos (entre cem e 200) e larvas</p><p>na boca. Os alevi-</p><p>nos alcançam alto valor comercial como peixes ornamentais</p><p>Alimentação: insetos e aranhas</p><p>Características gerais: peixe de escamas, de corpo muito</p><p>alongado e comprimido; boca enorme; língua óssea e ás-</p><p>pera, como a do pirarucu; barbilhões na ponta do queixo;</p><p>escamas grandes; coloração branca, mas com escamas aver-</p><p>melhadas na época da desova. No rio Negro também ocorre</p><p>uma outra espécie: O. Ferreirai, de coloração mais escura.</p><p>Vive na beira dos lagos, ao longo dos igapós ou dos capins</p><p>aquáticos, sempre à espreita de insetos (principalmente be-</p><p>souros) e aranhas que caem na água. É provavelmente o</p><p>maior peixe do mundo, cuja dieta é constituída, principal-</p><p>mente, de insetos e aranhas. Nada logo abaixo da superfície</p><p>,com os barbilhões projetados para a frente, os quais servem</p><p>para guiar as larvas à boca do macho quando saem para se</p><p>alimentar. Em águas pouco oxigenadas, os barbilhões po-</p><p>dem ser utilizados para conseguir oxigênio na superfície da</p><p>água. Costuma saltar fora da água e apanhar as presas ainda</p><p>nos troncos, galhos e cipós. O adulto pode saltar mais de</p><p>1 m fora d’água</p><p>Nome popular: Dourado – PANTANAL</p><p>Ordem: Chrarciforme</p><p>Família: Characidae</p><p>Hábitats: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Mi-</p><p>nas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco,</p><p>Alagoas e Sergipe, em águas rápidas, afluentes e boca de corixos</p><p>(pequenos cursos fluviais perenes, de leito próprio, que ligam</p><p>“baías” contíguas)</p><p>Tamanho médio: 1 m de comprimento</p><p>Peso médio: 25 kg</p><p>Reprodução: peixe de piracema, reproduz-se (de novembro</p><p>a janeiro) e desova na cabeceira dos rios (onde a água é mais</p><p>limpa e os alevinos podem sobreviver). Necessita da correnteza</p><p>para completar seu ciclo reprodutivo. Consegue vencer quedas</p><p>d´água com grande facilidade</p><p>Alimentação: pequenos peixes</p><p>Características gerais: carnívoro e voraz, com elevada taxa de</p><p>canibalismo, conhecido como o “rei dos rios”. Tem coloração</p><p>amarelo-dourada, e atinge grande porte; sua carne nobre é</p><p>muito apreciada. Agrada aos pescadores devido à agressividade</p><p>e destaca-se pelos saltos. É um dos melhores para pesca des-</p><p>portiva em água doce. Pode ser capturado durante todo o ano,</p><p>principalmente em corredeiras, cachoeiras e águas rápidas. Suas</p><p>escamas têm um pequeno risco preto no meio, formando li-</p><p>nhas longitudinais da cabeça à cauda. Atualmente, encontra-se</p><p>ameaçado de desaparecimento por causa de intensa atividade</p><p>pesca profissional e amadora, destruição do hábitat e constru-</p><p>ção de diversas barragens – em inúmeros rios, já não é encon-</p><p>trado.</p><p>Fá</p><p>bi</p><p>o</p><p>Co</p><p>lo</p><p>m</p><p>bi</p><p>ni</p><p>Fá</p><p>bi</p><p>o</p><p>Co</p><p>lo</p><p>m</p><p>bi</p><p>ni</p><p>A n f i b i o s</p><p>72 - Guia de Animtais Brasileiros</p><p>Reprodução: os ovos são depositados em buracos cava-</p><p>dos no solo. Apresenta cuidado parental com a prole em</p><p>um padrão distinto entre os anfíbios, mas provavelmente</p><p>difundido entre espécies de cecílias. O que acontece é</p><p>que, durante o cuidado com a prole, a pele da mãe se</p><p>altera com uma mudança de cor, e é produzida uma se-</p><p>creção nutritiva, a qual os filhotes, dotados de dentes,</p><p>raspam da pele da mãe e se alimentam</p><p>Características gerais: apresenta de 84 a 94 pregas anu-</p><p>lares e coloração ardósia-azulada. O macho e a fêmea</p><p>são semelhantes, e, assim como as demais espécies da</p><p>família, não possuem qualquer distinção entre a cabeça</p><p>e o tronco, isto é, não há pescoço. Os olhos são redu-</p><p>zidos, e o crânio é ossificado. Na região entre os olhos</p><p>e o nariz, há um tentáculo mole e pontudo, de função</p><p>sensorial táctil. Por percorrer galerias sem luz, esse órgão</p><p>tem importante função na orientação espacial do animal.</p><p>É uma espécie bastante versátil, e se adapta a ambientes</p><p>perturbados, sendo comum observá-la em zonas urbanas</p><p>´</p><p>Siphonops annulatus Mikan, 1820</p><p>Fá</p><p>bi</p><p>o</p><p>Co</p><p>lo</p><p>m</p><p>bi</p><p>ni</p><p>Nome popular da espécie: Cobra-cega –</p><p>AMAZÔNIA e PANTANAL</p><p>Família: Caecilidae</p><p>Hábitats: em todo o Brasil, na Colômbia, no</p><p>Equador, no Peru, na Venezuela, nas Guianas,</p><p>no Paraguai, e em uma pequena porção do</p><p>Norte da Argentina</p><p>Tamanho: de 17,5cm a 37cm</p><p>Anfíbios</p><p>a n f i b i o S</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 73</p><p>Reprodução: forma ninhos de espuma, onde os ovos são</p><p>depositados. Os girinos se desenvolvem em águas lên-</p><p>ticas (aparentemente paradas, mas que, na verdade, são</p><p>sempre renovadas)</p><p>Características: o nome popular é derivado de uma se-</p><p>creção da pele que irrita as mucosas dos olhos e nariz. A</p><p>coloração é escura, com manchas avermelhadas na região</p><p>das coxas, as quais permitem diferenciar a espécie. É mais</p><p>robusta e pesada, sendo capaz de comer dois camundongos</p><p>em uma só abocanhada. Tem potencial econômico, devido</p><p>à pele e à carne. Caracteriza-se por hábitos noturnos</p><p>´</p><p>Leptodactylus labyrinthicus Spix, 1824</p><p>Fá</p><p>bi</p><p>o</p><p>Co</p><p>lo</p><p>m</p><p>bi</p><p>ni</p><p>Nome popular: Rã-pimenta ou Jia verdadeira</p><p>– AMAZÔNIA</p><p>Família: Leptodactilidae</p><p>Hábitats: cerrado e caatinga (Nordeste, Sudeste e região</p><p>Central do Brasil), além dos Estados de Rondônia, Ama-</p><p>pá, Roraima e Pará. São encontradas também na costa da</p><p>Venezuela, no leste do Paraguai, na Bolívia e no Nordeste</p><p>da Argentina (região das Províncias de Misiones e Cor-</p><p>rientes). Esta espécie é considerada bastante flexível em</p><p>relação ao hábitat, pois pode ser encontrada em regiões</p><p>altas (1000 m), abertas, secas ou úmidas</p><p>Tamanho médio: cerca de 18 cm</p><p>74 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Reprodução: Não há muita diferença visual entre o macho e a</p><p>fêmea. Os primeiros cantam à noite e são um pouco maiores do</p><p>que elas. O amplexo sexual, ou seja, a cópula entre os anfíbios,</p><p>ocorre perto de um corpo d´água. Os ovos permanecem deposi-</p><p>tados durante alguns dias, até que nascem os girinos, que logo se</p><p>desenvolvem em anfíbios adultos</p><p>Longevidade: seis a 12 anos</p><p>Alimentação: carnívora (grilos, baratas, gafanhotos, minhocas, fi-</p><p>lhotes de camundongos e peixes)</p><p>Características gerais: sua coloração geralmente mescla marrom e</p><p>bege ou verde. Apesar de não ter a pele lisa e ser parecido com um</p><p>sapo, na verdade é uma rã pouco ativa, que permanece em uma</p><p>mesma posição o dia inteiro. Possui elevações acima dos olhos, as</p><p>quais remetem a dois chifres, e servem para que se mostre ameaça-</p><p>dor às presas. Tem hábito terrestre e noturno, e sai apenas para se</p><p>alimentar e procurar fêmeas para acasalar</p><p>A n f i b i o s´</p><p>Ceratophrys cornuta Linnaeus, 1758</p><p>Fá</p><p>bi</p><p>o</p><p>Co</p><p>lo</p><p>m</p><p>bi</p><p>ni</p><p>Nome popular da espécie: sapo-de-chifre –</p><p>AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Anura</p><p>Família: Leptodactylidae</p><p>Hábitats: solo das florestas tropicais úmi-</p><p>das. Gostam de ficar semi-enterrados no</p><p>solo, no meio de folhas secas caídas, mus-</p><p>gos e capins secos. Também podem ser en-</p><p>contrados no Suriname e no Peru</p><p>Tamanho médio: 20 cm de comprimento</p><p>Peso: 500 gramas</p><p>Fá</p><p>bi</p><p>o</p><p>Co</p><p>lo</p><p>m</p><p>bi</p><p>ni</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 75</p><p>Reprodução: a metamorfose (transformação do girino em</p><p>adulto) dura entre 70 e 85 dias</p><p>Longevidade: aproximadamente oito anos em cativeiro</p><p>Alimentação: carnívora (insetos, como cupins e formigas, e</p><p>pequenas aranhas)</p><p>Características gerais: tem a pele bastante colorida (verde,</p><p>amarela e preta) e possui veneno, o qual é tóxico tanto aos</p><p>animais quanto ao homem. É ativo durante o dia, e possui</p><p>hábitos terrestres. Apresenta um complexo cuidado parental,</p><p>no qual está envolvido um dos pais (ou ambos). Os ovos (de</p><p>dez a 25) são depositados em poças d’água no chão ou em</p><p>folhas de árvores, e são umedecidos por um dos pais até o</p><p>nascimento. Após algumas semanas de incubação, os girinos</p><p>nascem e, geralmente, se aderem ao dorso de um dos pais, e</p><p>lá permanecem, até poderem ficar sozinhos na água. Animais</p><p>mantidos em cativeiro tendem a perder a toxicidade de seu</p><p>veneno, provavelmente pela falta de alguma fonte alimentar</p><p>a n f i b i o S´</p><p>Dendrobates tinctorius Schneider, 1799</p><p>Nome popular da espécie: Sapo-garimpeiro</p><p>– AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Anura</p><p>Família: Dendrobatidae</p><p>Hábitat: floresta tropical úmida (Suriname,</p><p>Guiana Francesa e Norte do Brasil)</p><p>Tamanho médio: 5 cm de comprimento</p><p>A n f i b i o s´</p><p>Epipedobates pulchripectus Silverstone, 1976</p><p>76 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Fá</p><p>bi</p><p>o</p><p>Co</p><p>lo</p><p>m</p><p>bi</p><p>ni</p><p>Nome popular da espécie: rã venenosa –</p><p>AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Anura</p><p>Família: Dendrobatidae</p><p>Hábitat: no chão de florestas tropicais das</p><p>Américas Central e do Sul</p><p>Tamanho médio: 22,5 mm a 27 mm</p><p>Reprodução: colocam os ovos no chão da floresta, normalmente sob</p><p>folhas, onde um dos pais toma conta até que eles eclodam. Em segui-</p><p>da, o macho ou a fêmea leva os girinos em suas costas até a cavidade</p><p>de alguma árvore ou uma poça d’água em bromélias</p><p>Longevidade: cinco a 12 anos</p><p>Alimentação: formigas (principalmente)</p><p>Características gerais: esta família é formada por oito gêneros e cerca</p><p>de 192 espécies, entre as quais estão os famosos sapinhos-ponta-de-</p><p>-flexa, animais de cores vivas, como vermelha, amarela, azul e verde.</p><p>O veneno desenvolvido por estas espécies é fortíssimo e pode causar</p><p>a morte de quem as manipular com as mãos sem a proteção de luvas.</p><p>A produção destas toxinas pode ocorrer indiretamente pela ingestão</p><p>de formigas que se alimentam de plantas com propriedades tóxicas.</p><p>Algumas tribos da América do Sul utilizam este veneno na ponta de</p><p>setas destinadas às caçadas</p><p>a n f i b i o S´</p><p>Epipedobates trivittatus Von Spix, 1824</p><p>Reprodução: colocam os ovos no chão da floresta, normalmente</p><p>sob folhas, onde um dos pais toma conta até que eles eclodam. Em</p><p>seguida, o macho ou a fêmea leva os girinos em suas costas até a</p><p>cavidade de alguma árvore ou uma poça d’água em bromélias</p><p>Longevidade: 5 a 12 anos</p><p>Alimentação: carnívora (insetos)</p><p>Características gerais: a pele dorsal é granular, nas cores preta e</p><p>verde. Os flancos são pretos, limitados por uma linha dorsolateral</p><p>elétrico-verde brilhante e larga. O ventre é preto com pontos azuis,</p><p>e a íris é marrom-escura.</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 77</p><p>Fá</p><p>bi</p><p>o</p><p>Co</p><p>lo</p><p>m</p><p>bi</p><p>ni</p><p>Nome popular da espécie: rã venenosa –</p><p>AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Anura</p><p>Família: Dendrobatidae</p><p>Hábitat: no chão de florestas tropicais das</p><p>Américas Central e do Sul</p><p>Tamanho médio: 37 a 40 mm (machos);</p><p>42 a 46 mm (fêmeas)</p><p>Extinção</p><p>E x t i n ç ã o</p><p>~</p><p>Muitos animais</p><p>encontram-se</p><p>ameaçados de extinção.</p><p>Confira a última lista</p><p>divulgada pelo Ibama</p><p>Lista</p><p>VERMELHA</p><p>Por Gabriela Megale</p><p>As florestas do Brasil ostentam o título de banco</p><p>genético mundial. Porém, se medidas urgentes não fo-</p><p>rem tomadas, o verde ficará apenas na bandeira nacional,</p><p>e os animais exóticos não serão mais que tristes lembran-</p><p>ças do passado.</p><p>Isso é o que mostra a lista nacional de animais</p><p>ameaçados de extinção, elaborada em 2003 pelo Ibama</p><p>em parceria com a Sociedade Brasileira de Zoologia, a</p><p>ONG Conservação Nacional, a Fundação Biodiversitas e</p><p>o Instituto Terra Brasilis. Conhecida também como Lista</p><p>Vermelha, remetendo ao perigo que os animais nela cita-</p><p>dos correm, tem quase 200 espécies a mais que a relação</p><p>anterior, feita em 1989, totalizando 627 animais.</p><p>Leonardo Viana, pesquisador do Ibama, no entanto,</p><p>alerta para o risco de comparações. Este é o primeiro do-</p><p>cumento ligado à extinção que adotou critérios mundiais</p><p>de organização. Por isso, é difícil compará-lo a levanta-</p><p>mentos anteriores. Isso só será possível em 2008, quando</p><p>será feita uma revisão da tabela atual. Viana também des-</p><p>taca a importância da lista, já que “ela é a base de organi-</p><p>zação dos comitês assessores do Ibama, responsáveis pela</p><p>formação e pela execução de políticas públicas voltadas</p><p>para a conservação da fauna”.</p><p>Além de ajudar a definir quais ecossistemas e</p><p>espécies devem ser prioritariamente protegidos, a lista é</p><p>um meio de mostrar à sociedade os efeitos que a explo-</p><p>ração humana desordenada tem sobre as áreas nativas e</p><p>sua biodiversidade. Estimativas de vários países mostram</p><p>que não é só a fauna brasileira que está em risco, mas a de</p><p>todo o planeta. De acordo com a Fundação Biodiversi-</p><p>tas, de 5% a 20% das espécies animais e vegetais já iden-</p><p>tificadas entrarão para as listas vermelhas em algumas</p><p>décadas. Além disso, há a preocupação de que espécies</p><p>desconhecidas pelos pesquisadores estejam desaparecen-</p><p>do antes mesmo de ser catalogadas.</p><p>Ameaça em números</p><p>Os altos índices de biodiversidade nacional</p><p>são acompanhados pelos crescentes números de ani-</p><p>mais em risco. Das 627 espécies que compõem a lista</p><p>vermelha do Brasil, denominadas cientificamente de</p><p>táxons, 618 estão classificadas nas categorias de ame-</p><p>aça, enquanto nove já são consideradas extintas, ou</p><p>existem apenas em cativeiros. Entre os biomas brasi-</p><p>78 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 79</p><p>leiros, a Amazônia é o quarto com maior número de</p><p>espécies ameaçadas, enquanto o Pantanal é o lanterni-</p><p>nha: não só por ter menos táxons, mas por não abri-</p><p>gar nenhum animal que corra risco nacional, já que</p><p>eles também aparecem em outras matas do território.</p><p>(Veja o quadro)</p><p>BIOMAS *CATEGORIAS DE AMEAÇA</p><p>Extinta Extinta na</p><p>natureza</p><p>Criticamente em</p><p>perigo Em perigo Vulnerável</p><p>Mata Atlântica 5 1 86 103 188</p><p>Cerrado 2 0 13 22 75</p><p>Marinho 0 0 10 20 56</p><p>Campos Sulinos 0 0 11 16 33</p><p>Amazônia 1 0 10 14 33</p><p>Caatinga 0 1 10 6 26</p><p>Pantanal 1 0 1 3 25</p><p>Brasil* 7 2 125 163 330</p><p>De acordo com o coordenador do Programa Pantanal</p><p>da ONG Conservação Internacional Sandro Menezes,</p><p>os bons índices de conservação do Pantanal em rela-</p><p>ção aos demais biomas são consequências do sistema</p><p>regional de cheias, que dificulta a introdução de mo-</p><p>noculturas agrícolas e a criação de gado.</p><p>Razões da destruição</p><p>A exploração desordenada do território brasi-</p><p>leiro, que acompanha o crescimento populacional, é a</p><p>maior ameaça à fauna do País, pois é dela que decorrem</p><p>todos os problemas ambientais.</p><p>O maior deles, de acordo com Leonardo Viana, é a</p><p>destruição de ambientes naturais para a monocultura de soja</p><p>e a formação de pastagens. “Todos os animais em risco de ex-</p><p>tinção, em especial no cerrado e na Amazônia, têm na degra-</p><p>dação das árvores o fator principal”, explica. Outro compli-</p><p>cador apontado pelo pesquisador é a introdução de espécies</p><p>exóticas no território nacional. Ou seja, de animais que não</p><p>são do Brasil, mas que acabam competindo por alimentos</p><p>com os bichos nativos.</p><p>A caça, tanto de subsistência quanto predatória,</p><p>também é decisiva para a extinção da fauna. Na maioria</p><p>dos casos, as espécies são vítimas do tráfico ilegal, que abas-</p><p>tece feiras, depósitos, e até mesmo pequenos comerciantes</p><p>nas beiras de estradas. Algumas são mortas para abastecer o</p><p>mercado de matéria-prima, consumidor de pena e couro,</p><p>entre outros produtos.</p><p>Especialista em avifauna, Leonardo afirma ser a fa-</p><p>mília dos cracídeos uma das mais procuradas pelos caçadores.</p><p>Papagaios e araras também são grandes alvos do tráfico ilegal.</p><p>* Dados cedidos pela Fundação Biodiversitas referentes a:</p><p>EX (Extinta): espécies que deixaram de existir no território nacional.</p><p>EW (Extinta na natureza): somente são conhecidas espécimes cultivadas em cativeiro ou com uma ou mais populações naturalizadas,</p><p>vivendo muito afastadas de sua distribuição histórica.</p><p>CR (Criticamente em perigo): encontra-se em risco extremamente alto de extinção na natureza. Redução maior ou igual a 80%.</p><p>EN (Em perigo): encontra-se em risco muito alto de extinção na natureza. Redução maior ou igual a 50%.</p><p>VU (Vulnerável): encontra-se em risco alto de extinção na natureza. Redução maior ou igual a 30%.</p><p>A salvação</p><p>Quando o assunto são as políticas de conser-</p><p>vação, especialistas em meio ambiente parecem unâ-</p><p>nimes. “A criação de áreas protegidas ou unidades de</p><p>conservação (UCs) é o primeiro passo para garantir a</p><p>continuação de ecossistemas, espécies e processos na-</p><p>turais”, asseguram Leandro Scoss e Rafael Carmo, co-</p><p>ordenador de Áreas Protegidas e Gerente do Programa</p><p>Espécies, respectivamente. “Quanto maior a área pro-</p><p>tegida, maior o número de espécies e de indivíduos</p><p>das populações naturais”, afirmam os pesquisadores da</p><p>Fundação Biodiversitas.</p><p>Simultaneamente à formação das UCs, as ins-</p><p>tituições ambientalistas implementam pesquisas e pla-</p><p>nos de manejo, além de diretrizes de planejamento e</p><p>educação ambiental que aumentam a viabilidade gené-</p><p>tica</p><p>das populações animais, principaid preocupações</p><p>para a manutenção das UCs.</p><p>A salvação não depende só de ONGs e dos</p><p>governos federal e estadual, mas, principalmente, de</p><p>nós, grandes consumidores dos recursos naturais. O</p><p>uso consciente de água, luz e outras matérias-primas é</p><p>capaz de transformar a triste realidade de hoje.</p><p>80 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>E x t i n ç a o</p><p>~</p><p>NOME CIENTÍFICO NOME POPULAR BIOMA CATEGORIA DE AMEAÇA</p><p>Caprimulgus candicans (ave) Bacurau-de-rabo-branco Pantanal Vulnerável</p><p>Thalasseus maximus (ave) Trinta-réis-real Amazônia Em Perigo</p><p>Numenius borealis (ave) Maçario-esquimó Amazônia e Pantanal Extinta</p><p>Tigrisoma fasciatum (ave) Socó-boi-escuro Pantanal Vulnerável</p><p>Urubitinga coronata (ave) Águia-cinzenta Pantanal Em Perigo</p><p>Penelope ochrogaster (ave) Jacu-de-barriga-castanha Pantanal Vulnerável</p><p>Psophia viridis obscura (ave) Jacamim-de-costas-escuras Amazônia Criticamente em Perigo</p><p>Procnias albus wallacei (ave) Araponga-da-amazônia Amazônia Vulnerável</p><p>Dendrexetastes rufigula paraensis (ave) Arapaçu-canela-de-Belém Amazônia Em Perigo</p><p>Dendrocincla taunayi (ave) Arapaçu-pardo Pantanal Em Perigo</p><p>Dendrocincla merula badia (ave) Arapaçu-da-taoca Amazônia Vulnerável</p><p>Coryphaspiza melanotis (ave) Tico-tico-de-máscara-negra Pantanal Em Perigo</p><p>Sporophila maximiliani (ave) bicudo-verdadeiro Amazônia Criticamente em Perigo</p><p>Sporophila hypoxantha (ave)</p><p>Caboclinho-de-barriga-</p><p>vermelha</p><p>Amazônia e Pantanal Vulnerável</p><p>Sporophila nigrorufa (ave) Caboclinho-do-serão Pantanal Vulnerável</p><p>Sporophila palustris (ave)</p><p>Caboclinho-de-papo-</p><p>-branco</p><p>Pantanal Vulnerável</p><p>Culicivora caudacuta (ave)</p><p>Maria-do-campo ou</p><p>papa-moscas-do-campo</p><p>Pantanal Vulnerável</p><p>Polystictus pectoralis pectoralis (ave)</p><p>Tricolino-canela ou</p><p>papa-moscas-canela</p><p>Pantanal Vulnerável</p><p>Anodorhynchus glaucus (ave) Arara-azul-pequena Pantanal Extinta</p><p>Anodorhynchus hyacinthinus (ave) Arara-azul-grande Amazônia Vulnerável</p><p>Guaruba guarouba (ave) Ararajuba Amazônia Vulnerável</p><p>Pyrrhura lepida lépida (ave) Tiriba-pérola Pantanal Vulnerável</p><p>Pararrhopalites papaveroi (inseto) Colembolo Pantanal Em Perigo</p><p>Megasoma actaeon janus (inseto) Besouro-de-chifre Amazônia Vulnerável</p><p>Parides lysander mattogrossensis (inseto) Borboleta Amazônia Vulnerável</p><p>Stegodyphus manaus (invertebrado</p><p>terrestre) _ Pantanal Vulnerável</p><p>Blastocerus dichotomus (mamífero) Cervo-do-pantanal Pantanal Vulnerável</p><p>Chrysocyon brachyurus (mamífero) Lobo-guará Amazônia e Pantanal Vulnerável</p><p>Speothos venaticus (mamífero) Cachorro-vinagre Pantanal Vulnerável</p><p>Leopardus pardalis mitis (mamífero) Jaguatirica Amazônia e Pantanal Vulnerável</p><p>Leopardus trigrinus (mamífero) Gato-do-mato Amazônia e Pantanal Em Perigo</p><p>Leopardus wiedii (mamífero) Gato-maracajá Pantanal Vulnerável</p><p>Oncifelis colocolo (mamífero) Gato-palheiro Amazônia e Pantanal Vulnerável</p><p>Panthera onca (mamífero) Onça-pintada Pantanal Vulnerável</p><p>Puma concolor capricornensis (mamífero) Onça-parda Pantanal Vulnerável</p><p>Pteronura brasiliensis (mamífero) Ariranha Amazônia e Pantanal Vulnerável</p><p>Caluromysiops irrupta (mamífero) Cuíca-de-colete Amazônia Criticamente em Perigo</p><p>Ateles belzebuth (mamífero) Macaco-aranha Amazônia Vulnerável</p><p>Lista da fauna brasileira ameaçada de extinção no Pantanal e na Amazônia</p><p>80 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 81</p><p>Ateles marginatus (mamífero) Coatá-da-testa-branca Amazônia Em Perigo</p><p>Saguinus bicolor (mamífero) Saguim-de-coleira Amazônia Criticamente em Perigo</p><p>Cebus kaapori (mamífero) Caiarara Amazônia Criticamente em Perigo</p><p>Saimiri vanzolinii (mamífero) Macaco-de-cheiro Amazônia Vulnerável</p><p>Cacajao hosomi (mamífero) Uacari Amazônia Em Perigo</p><p>Cacajao calvus novaesi (mamífero) Uacari-de-Novaes Amazônia Vulnerável</p><p>Cacajao calvus rubicundus (mamífero) Uacari-de-vermelho Amazônia Vulnerável</p><p>Chiropotes satanas (mamífero) Cuxiú-preto Amazônia Criticamente em Perigo</p><p>Chiropotes utahicki (mamífero) Cuxiú Amazônia Vulnerável</p><p>Trichechus inunguis (mamífero) Peixe-boi-da-Amazônia Amazônia Vulnerável</p><p>Priodontes maximus (mamífero) Tatu-canastra Amazônia e Pantanal Vulnerável</p><p>Myrmecophaga tridactyla (mamífero) Tamanduá-bandeira Amazônia e Pantanal Vulnerável</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 81</p><p>NOME CIENTÍFICO NOME POPULAR BIOMA CATEGORIA DE AMEAÇA</p><p>Toca da Raposa</p><p>Rodovia Régis Bittencourt Km 323, Juquitiba-SP</p><p>Tels.: (11) 4681-2854; 3813-8773</p><p>www.tocadaraposa.com.br</p><p>Instituto Butantan</p><p>Av. Vital Brasil, 1500, São Paulo-SP</p><p>Tel.: (11) 3726-7222</p><p>www.butantan.gov.br</p><p>Zoológico de São Paulo</p><p>Avenida Miguel Stefano, 4241, Água Funda, São</p><p>Paulo-SP</p><p>Tel.: 11 5073-0811</p><p>www.zoologico.sp.gov.br/</p><p>Ibama (Instituto Brasileiro do</p><p>Meio Ambiente e dos Recursos</p><p>Naturais Renováveis)</p><p>www.ibama.gov.br</p><p>ONG Conservação Internacional-Brasil</p><p>www.conservation.org.br</p><p>ONG WWF-Brasil-Brasil</p><p>www.wwf.org.br</p><p>ONG TNC (The Nature Conservancy)</p><p>www.tnc.org.br</p><p>o n d e e n c o n t r a r</p><p>Sites consultados:</p><p>www.ambientebrasil.com.br</p><p>www.ibama.gov.br/ran</p><p>www.cpap.embrapa.br</p><p>www.brazilnature.com</p><p>Ministério do Meio Ambiente (MMA)</p><p>www.mma.gov.br</p><p>Greenpeace</p><p>www.greenpeace.org.br</p><p>Sedtur (Secretaria de Desenvolvimento do Turismo</p><p>de Mato Grosso)</p><p>www.sedtur.mt.gov.br</p><p>SESC Pantanal</p><p>www.sescpantanal.com.br</p><p>82 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Ed</p><p>ua</p><p>rd</p><p>o</p><p>Fé</p><p>lix</p><p>J</p><p>us</p><p>tin</p><p>ia</p><p>no</p><p>Presidente: Paulo Roberto Houch</p><p>Vice-Presidente Editorial: Andrea Calmon</p><p>redacao@editoraonline.com.br</p><p>REDAÇÃO</p><p>Jornalista Responsável: Andrea Calmon – MTB 47714</p><p>Colaboraram nesta Edição: Juliana Biscardi (Revisão), Gabriela Megale,</p><p>Simone Tinti e Tatiana Arcolini (Textos), Marcos</p><p>Alex Sander Borges e José Olimpio Zumpano</p><p>Junior (Diagramação), Ana Priscila de Oliveira</p><p>(Pesquisa), Manoel Carvalho e José Roberto</p><p>Martins (Fotos)</p><p>PROGRAMAÇÃO VISUAL</p><p>Coordenador de Arte: Rubens Martim</p><p>diagramacao@editoraonline.com.br</p><p>Programação Visual: Rodrigo Silva</p><p>ESTÚDIO FOTOGRÁFICO</p><p>Fotógrafa: Fernanda Venâncio</p><p>PRODUÇÃO FOTOGRÁFICA</p><p>Coordenadora: Elaine Simoni</p><p>elainesimoni@editoraonline.com.br</p><p>PUBLICIDADE</p><p>Gerente de Publicidade: Elaine Houch</p><p>elainehouch@editoraonline.com.br</p><p>Supervisor: Bernard Correa</p><p>Executivos de Contas: Camila Vinhas e Luciana Lemes</p><p>Operações Comerciais: Joelma Lima</p><p>Designer Gráfico Publicidade: Wesley Sozin</p><p>Representantes: Brasília - (61) 3034-3704</p><p>MARKETING</p><p>Supervisor de Marketing: Vinícius Fernandes</p><p>CANAIS ALTERNATIVOS Luiz Carlos Sarra</p><p>DEP. VENDAS (11) 3687-0099</p><p>vendaatacado@editoraonline.com.br</p><p>LOGÍSTICA E ARMAZENAGEM Luiz Carlos Sarra</p><p>luizcarlos@editoraonline.com.br</p><p>ADMINISTRAÇÃO</p><p>Diretora Administrativa: Jacy Regina Dalle Lucca</p><p>CRÉDITO E COBRANÇA cobranca@editoraonline.com.br</p><p>Impresso por ÍNDIA</p><p>Distribuido no Brasil por Dinap</p><p>Guia de Animais Brasileiros é uma publicação do IBC Instituto Brasileiro de Cultura</p><p>Ltda. – Cx. Postal 61085 – CEP 05001-970 – São Paulo – SP – Tel.: (0**11) 3393-7777</p><p>A reprodução total ou parcial desta obra é proibida sem a prévia autorização do editor.</p><p>Números Atrasados com o IBC ou por intermédio do seu jornaleiro ao preço da</p><p>última edição acrescido das despesas de envio.</p><p>Para adquirir com o IBC – www.revistaonline.com.br, Tel/Fax.: (0**11) 3393-7700, ou</p><p>caixa postal 61085 - CEP 05001970 - São Paulo - SP.</p><p>Compras pela internet:</p><p>www.revistaonline.com.br</p><p>A On Line Editora tem a revista que você procura. Confira algumas das nossas</p><p>publicações e boa leitura.</p><p>ASTROLOGIA: Guia Astros & Você – Desvende seus Sonhos • BIBLIOTECA</p><p>JURIDICA: Código Civil • Código de Defesa do Consumidor, Constituição</p><p>Federal • Código Penal • Consolidação das Leis do Trabalho e Estatuto do Idoso •</p><p>DECORAÇÃO: Delícias da Cozinha • DECORAÇÃO: Guia Casa & Ambiente Bebê</p><p>e Gestante • GUIA CASA & DECORAÇÃO • Guia de Paisagismo • Guia do Feng</p><p>Shui • Armários de Cozinha • CASA & AMBIENTE BEBÊ • CASA & DECORAÇÃO •</p><p>Coleção Casa e Decoração • Pequenos Ambientes Extra • Projeto para Cozinhas</p><p>• Projetos para Banheiros • Guia de Salas de TV • Guia Casa & Ambiente Bebê</p><p>Luxo • EDUCAÇÃO: Almanaque do Estudante • Almanaque do Estudante</p><p>Especial • Almanaque</p><p>do Estudante Extra • O Guia Projetos Escolares Manual</p><p>para o Professor • Projetos Escolares Especial • FEMININA: TUA • FIGURINO</p><p>NOIVAS • Guia de Noivas Figurino FUTEBOL: Show de Bola Especial • Show de</p><p>Bola Extra • Show de Bola Magazine SuperPôster • INFORMÁTICA: Coleção Guia</p><p>Fácil Informática em CD Room • Coleção Guia Fácil Informática Extra em CD</p><p>Room • MODA: MODA MOLDES • Moda Moldes Especial • Guia Moda Moldes •</p><p>NEGÓCIO: Anuário de Franquias • Guia Meu Próprio Negócio • MEU PRÓPRIO</p><p>NEGÓCIO • Meu Próprio Negócio Especial • Meu Próprio Negócio Extra •</p><p>PLANTAS: Guia de Hortas • Guia de Plantas em Casa • Guia de Plantas em Casa</p><p>Especial • Guia de Plantas em Casa Extra • PUERICULTURA: Almanaque do Bebê</p><p>SAÚDE E BEM ESTAR: Guia de Yoga • O Guia de Pilates • REVISTA OFICIAL DE</p><p>PILATES • O Livro de Pilates • Guia de Cuidados com a Saúde • TEEN: yes!Teen</p><p>Books • TURISMO: Buenos Aires, Lisboa, Londres, Madri/Barcelona, Nova York,</p><p>Orlando, Paris, Roma, Salvador, São Paulo, • Guia de Pousadas de Praia • Guia</p><p>de Resorts Brasileiros • VEÍCULOS: Fusca & Cia</p><p>Aviso importante: A On Line Editora não se responsabiliza pelo conteúdo e pela</p><p>procedência dos anúncios publicados nesta revista, de modo que não restará</p><p>configurado nenhum tipo de responsabilidade civil em decorrência de eventual</p><p>não cumprimento de pactos firmados entre anunciantes e leitores.</p><p>CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-PUBLICAÇÃO</p><p>SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ</p><p>G971 Guia animais Pantanal e Amazônia. -- 01. ed. - São</p><p>Paulo : On Line, 2016.</p><p>il.</p><p>ISBN 978-85-432-0785-8</p><p>1. Biologia. 2. Manuais, guias etc. I. Título.</p><p>16-35344 CDD: 574</p><p>CDU: 574</p><p>10/08/2016 12/08/2016</p><p>Ano 1 - nº 1</p><p>ISBN: 978-85-432-0785-8</p><p>R$ 24,99</p><p>www.revistaonline.com.br</p><p>Página em branco</p><p>Página em branco</p><p>pela</p><p>exuberante vegetação pantaneira. Devido à baixa de-</p><p>clividade da região, as águas que caem nas cabeceiras</p><p>do rio Paraguai – que, com seus afluentes, abastece</p><p>todo Pantanal – podem demorar mais de quatro meses</p><p>para atravessar a região.</p><p>Hidrograficamente, todo o Pantanal faz parte da Ba-</p><p>cia do Paraguai, que tem mais de 1.400 km de extensão</p><p>só no Brasil, abrangendo cerca de 170 rios. Além disso, é</p><p>elo entre as duas maiores bacias sul-americanas: a Ama-</p><p>zônica e a do Prata, possibilitando o contato e a troca</p><p>de espécies animais e vegetais das regiões abastecidas por</p><p>elas. Este processo é um dos grandes responsáveis pela</p><p>diversidade biológica do Pantanal.</p><p>FLORA</p><p>Não existe um, mas sim diversos pantanais, que se</p><p>subdividem em regiões com características e ciclos pró-</p><p>prios. Contudo, há três tipos de formações claramente</p><p>distintas: amazônica, cerrado e chaco. As áreas mais bai-</p><p>xas são cobertas por gramíneas, que funcionam como</p><p>pastagens naturais para o gado. Em alturas intermedi-</p><p>árias aparece o cerrado, com plantas rasteiras e de porte</p><p>médio. Os locais mais altos, devido ao clima seco, têm</p><p>aspecto parecido com o da caatinga.</p><p>A vegetação aquática também é essencial para o equi-</p><p>líbrio do Pantanal, já que carrega grande quantidade de</p><p>matéria orgânica nos períodos de cheia. Durante a va-</p><p>zante, essa vegetação, junto a animais mortos, deposita-</p><p>-se nas margens dos rios, constituindo um importante</p><p>elemento fertilizador da planície.</p><p>Apesar disso, grande parte dos solos pantaneiros</p><p>é arenosa e pobre, tendo seu uso ainda mais limitado</p><p>pelo excesso de água, suportando apenas as pastagens</p><p>nativas que alimentam os gados bovinos introduzidos</p><p>pelos colonizadores.</p><p>Por ser uma planície, o Pantanal tem altitudes bai-</p><p>xíssimas, que não ultrapassam 200 m acima do nível do</p><p>mar. Na realidade, a região é uma continuação ao norte</p><p>da Planície do Chaco, localizada no Paraguai, que está</p><p>circundada por cuestas e outras formações mais altas, de-</p><p>nominadas cordilheiras. As áreas baixas, sujeitas a inun-</p><p>dações frequentes, são conhecidas como baixos lagos.</p><p>FAUNA: SOB O CICLO DAS ÁGUAS</p><p>Como tudo no Pantanal é regido pelas águas, com</p><p>a fauna não seria diferente. Grande parte dos animais,</p><p>incluindo aves e mamíferos, depende da alimentação</p><p>aquática. Quando o período de chuvas chega ao fim,</p><p>plantas e bichos ficam retidos em algumas lagoas e em</p><p>corixos isolados, que se transformam em alimentos para</p><p>a fauna pantaneira nos períodos de seca. Vale lembrar</p><p>que o Pantanal também se destaca como importante</p><p>abrigo de aves aquáticas e espécies migratórias, que usam</p><p>a região para a reprodução e a alimentação de filhotes.</p><p>Os peixes que dominam as águas são o pacu, o cascudo,</p><p>o pintado, o dourado e as piranhas. Estas são alvos dos</p><p>jacarés, importantes reguladores da fauna e agentes de</p><p>reciclagem de nutrientes. As cobras também funcionam</p><p>como predadores aquáticos e semiterrestres, e a sucuri é</p><p>uma das espécies mais perseguidas pelos pantaneiros. As</p><p>aves aparecem como um dos maiores atrativos do Pan-</p><p>tanal, formando grandes grupos que buscam alimentos,</p><p>principalmente nos rios. A arara-azul e o aracuã são típi-</p><p>cos do local, além das aves de rapina.</p><p>Espécies que vivem no cerrado também são encon-</p><p>tradas em grande quantidade na região, atraídas pelos</p><p>alimentos das áreas alagadas. Entre eles, estão o lobo-</p><p>-guará e o tamanduá-bandeira, muito procurados pe-</p><p>los caçadores. Mas, ao contrário do que se imagina, “o</p><p>Pantanal é pobre em espécies endêmicas, ou seja, aquelas</p><p>restritas a um tipo de ambiente, como é o caso da mata</p><p>atlântica e de algumas regiões da Amazônia”, afirma San-</p><p>dro Menezes, gerente do Programa Pantanal, da ONG</p><p>Conservação Internacional – Brasil (CI – Brasil). De</p><p>acordo com o pesquisador, o que mais caracteriza a fauna</p><p>pantaneira são as grandes e saudáveis populações de ani-</p><p>mais, algumas ameaçadas de extinção, como a arara-azul,</p><p>a ariranha, a lontra, o cervo-do-pantanal, o tamanduá-</p><p>-bandeira, a onça-pintada e o tatu-canastra, provenientes</p><p>de regiões vizinhas, como o cerrado, a Amazônia, a mata</p><p>atlântica e o chaco.</p><p>PRESERVAÇÃO DO PANTANAL</p><p>Apesar das crescentes ameaças ao meio ambiente,</p><p>uma área que abrange mais de 80% da planície do Pan-</p><p>tanal está preservada. Muitos animais que desaparece-</p><p>ram das florestas brasileiras, como a arara-azul-grande</p><p>(Anodorhynchus hyacinthinus), a ariranha (Pteronura</p><p>brasiliensis) e o cervo-do-Pantanal (Blastocerus dicho-</p><p>tomus), só são vistos nas matas pantaneiras. Sandro</p><p>diz que essa situação se deve, principalmente, ao re-</p><p>gime de cheias da região, “que impede formas usuais</p><p>de ocupação do solo e a conversão de áreas nativas em</p><p>espaços usados pelo homem”.</p><p>É graças à conservação pantaneira, combinada às pe-</p><p>culiaridades regionais, que a planície é considerada uma</p><p>das últimas grandes regiões naturais do planeta, conhe-</p><p>cidas internacionalmente como wilderness, sinônimo do</p><p>conjunto de áreas extensas, baixa densidade populacio-</p><p>nal e alta diversidade biológica.</p><p>Mas o Pantanal não está a salvo das ameaças hu-</p><p>manas. Um estudo sobre o desmatamento da Bacia do</p><p>Alto Paraguai, feito pela ONG CI, mostra que medi-</p><p>das urgentes devem ser tomadas para que a vegetação</p><p>original não desapareça nos próximos 45 anos.</p><p>Sandro Menezes aponta o desmatamento da ve-</p><p>getação nativa para o desenvolvimento de atividades</p><p>agropecuárias como a maior ameaça ao ecossistema.</p><p>“Isso se deve à mudança da pecuária extensiva de bai-</p><p>xo impacto para a pecuária intensiva, e à intensifica-</p><p>ção agrícola nas regiões de nascentes dos rios da Bacia</p><p>do Alto Paraguai, que têm como consequências a ero-</p><p>são, o assoreamento dos rios e a poluição por resíduos</p><p>de agroquímicos”, explica o profissional.</p><p>Outras ameaças apontadas pelo pesquisador são</p><p>a introdução de espécies exóticas, a implantação da</p><p>hidrovia Paraguai-Paraná, que implica alterações no</p><p>regime hídrico do Pantanal, e a industrialização de al-</p><p>gumas regiões, entre elas Corumbá, que abriga indús-</p><p>trias siderúrgica e petroquímica.</p><p>Apesar dos problemas, pouco vem sendo feito pela</p><p>conservação da planície. “As unidades de conservação,</p><p>que deveriam ser instrumentos efetivos para a prote-</p><p>ção das espécies, carecem de recursos e de condições</p><p>adequadas de operação”, afirma Sandro. O pesquisa-</p><p>dor também denuncia a ausência de políticas públicas</p><p>que integrem os Estados do Mato Grosso do Sul e do</p><p>Mato Grosso considerando suas peculiaridades – pelo</p><p>menos no que diz respeito à região pantaneira.</p><p>8 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>P a n t a n a l</p><p>Di</p><p>vu</p><p>lg</p><p>aç</p><p>ão</p><p>S</p><p>ed</p><p>tu</p><p>r</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 9</p><p>Guia do turista</p><p>Di</p><p>vu</p><p>lg</p><p>aç</p><p>ão</p><p>S</p><p>ES</p><p>C</p><p>Pa</p><p>nt</p><p>an</p><p>al</p><p>VACINAS OBRIGATÓRIAS: vacinas contra</p><p>febre amarela e antitetânica. O ideal é receber as</p><p>doses 30 dias antes da data de início da viagem.</p><p>Informações:</p><p>Núcleo de Medicina do Viajante</p><p>http://www.emilioribas.sp.gov.br/pacientes-e</p><p>-acompanhantes/medicina-do-viajante/</p><p>Ambulatório dos Viajantes</p><p>Tel.: (11) 2661-6392</p><p>O QUE LEVAR: repelente, protetor solar,</p><p>chapéu ou boné, óculos escuros e roupas leves e</p><p>compridas são itens essenciais na mala de qual-</p><p>quer visitante. Se possível, leve soro hidratante e</p><p>um creme pós-sol.</p><p>MELHOR MEIO DE TRANSPORTE: até</p><p>Cuiabá, o ideal é chegar de avião. A partir da capi-</p><p>tal, o mais indicado é carro ou ônibus até as cidades</p><p>de entrada. Depois, o barco é a melhor opção para</p><p>conhecer o Pantanal.</p><p>ONDE DESEMBARCAR: no Mato Grosso,</p><p>o turista desembarca do avião na capital Cuiabá</p><p>e, depois, pode seguir até Cáceres, a 225 Km de</p><p>Cuiabá, de carro ou ônibus. A partir de Cáceres,</p><p>o transporte é feito através de barco até o coração</p><p>do Pantanal. Outra opção é Barão de Melgaço, a</p><p>113 Km da capital. Esta é uma das cidades loca-</p><p>lizadas no Pantanal mato-grossense. Este percurso</p><p>também pode ser feito de carro ou ônibus. Outra</p><p>opção é Poconé, a cerca de 100 Km de Cuiabá. Em</p><p>seguida, o turista pode entrar no Pantanal através</p><p>da Transpantaneira, uma estrada com 120 Km e</p><p>122</p><p>pontes que cortam o Pantanal.</p><p>MELHOR ÉPOCA PARA VISITAR: a seca</p><p>(maio a setembro) é indicada para quem quer ver</p><p>grupos de mamíferos e répteis, além das belas pai-</p><p>sagens pantaneiras. Já as cheias (outubro a março)</p><p>são mais indicadas para os apreciadores de pássaros</p><p>e borboletas, mas quase não há vegetação à mostra.</p><p>Amazônia</p><p>10 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>A m a z o n i a</p><p>O maior banco genético</p><p>da TERRA</p><p>Por Gabriela Megale</p><p>^</p><p>A Amazônia corresponde a um terço das</p><p>reservas tropicais úmidas do planeta</p><p>Não é só na ficção que a Amazônia atua como</p><p>protagonista, transformando-se até em título de</p><p>minissérie da Globo, exibida em janeiro de 2007.</p><p>Na vida real, a importância da maior floresta tropi-</p><p>cal do mundo vai muito além, correspondendo a um</p><p>terço das reservas tropicais úmidas existentes, além de</p><p>abrigar o maior banco genético terrestre.</p><p>O superlativo “um dos maiores do mundo” é a</p><p>única constante na Amazônia, que tem na diversida-</p><p>de a principal característica. Os 7,7 milhões de qui-</p><p>lômetros quadrados da região são compostos não só</p><p>pelas conhecidas formações florestais, mas por ou-</p><p>tras unidades que garantem uma imensa biodiver-</p><p>sidade. De acordo com dados do IBAMA, a floresta</p><p>abriga 1,5 milhão de espécies vegetais, 3 mil espécies</p><p>de peixes, 950 tipos de pássaros, além centenas de</p><p>anfíbios e mamíferos já catalogados por pesquisadores.</p><p>Fo</p><p>to</p><p>s:</p><p>d</p><p>iv</p><p>ul</p><p>ga</p><p>çã</p><p>o</p><p>Se</p><p>dt</p><p>ur</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 11</p><p>ÁREA: 7, 7 milhões de km²</p><p>• Corresponde a 67% das florestas tropicais do mundo</p><p>• Ocupa 58,8% do território brasileiro</p><p>• 80% da Amazônia fica no Brasil</p><p>• Detém 1/5 da água doce do mundo</p><p>ABRIGA: de 10 a 15 milhões de insetos;</p><p>3 mil espécies de peixes;</p><p>1.622 espécies de pássaros;</p><p>524 espécies de mamíferos;</p><p>517 espécies de anfíbios;</p><p>468 espécies de répteis.</p><p>AMAZÔNIA: O BANCO GENÉTICO DA TERRA</p><p>Apesar de não ser a maior floresta do mundo, se-</p><p>guindo apenas as formações boreais da Rússia, do Ca-</p><p>nadá e do Alasca, que se estendem por mais de um</p><p>continente, é na Amazônia que se concentra a grande</p><p>biodiversidade mundial, sendo palco da reprodução de</p><p>um terço de todas as espécies existentes na Terra.</p><p>No solo vivem, além de animais rastejadores, gran-</p><p>des mamíferos e algumas aves de chão – entre elas, os</p><p>mutuns e inhambus. Anfíbios, como os sapos, desen-</p><p>volveram adaptações para garantir o crescimento dos</p><p>girinos, que dependem da água para viver.</p><p>A maior diversidade animal se concentra entre as</p><p>copas das árvores, repletas de aves dos tamanhos mais</p><p>variados. Os níveis superiores também são explorados</p><p>por animais à procura de alimentos, como morcegos e</p><p>macacos frutívoros, que, ao lado de abelhas, borboletas</p><p>e outros polinizadores tradicionais, têm papel impor-</p><p>tante na disseminação de frutos e sementes. Os insetos</p><p>estão em todos os cantos da floresta, formando a maior</p><p>biomassa de animais da Amazônia.</p><p>Quando o assunto é a flora, os números são ain-</p><p>da mais impressionantes. De acordo com pesquisas da</p><p>ONG Conservação Internacional, a Amazônia é o abri-</p><p>go de um terço de toda a madeira tropical do planeta</p><p>e de 30% das espécies de plantas da América Latina.</p><p>Tanta riqueza é resultado da combinação de vários</p><p>fatores naturais, como estruturas geológicas, relevos di-</p><p>ferenciados e solos heterogêneos. Todos esses elementos</p><p>foram subjugados às elevadas temperaturas e precipi-</p><p>tações do clima equatorial úmido, que cobre a maior</p><p>parte da floresta.</p><p>De acordo com a diretora do Serviço Florestal Bra-</p><p>sileiro do Ministério do Meio Ambiente Cláudia Ra-</p><p>mos, “existem muitas teorias para explicar a diversida-</p><p>de biológica da Amazônia. No entanto, é possível dizer</p><p>que sua complexidade ambiental possibilitou uma alta</p><p>especialização da fauna e da flora, permitindo a coexis-</p><p>tência de um maior número de espécies”, relata.</p><p>Mas, em contraste com tamanha exuberância, há</p><p>um solo de baixa fertilidade. O mais rico em nutrientes</p><p>é o de várzea, que fica justamente onde se desenvolve-</p><p>ram as grandes cidades da região Norte.</p><p>Além de abrigar a maior biodiversidade do planeta</p><p>e de ser centro de conservação da cultura indígena bra-</p><p>sileira, a floresta desempenha papel fundamental nos</p><p>ciclos regionais e mundiais do carbono. Hoje, sabe-se</p><p>que a Amazônia não é o “pulmão do mundo”, pois con-</p><p>some, durante a noite, todo o oxigênio que produz de</p><p>dia. No entanto, pode ser chamada de “ar condicio-</p><p>nado terrestre”, por ser fundamental no equilíbrio da</p><p>temperatura de todo o planeta.</p><p>BACIA AMAZÔNICA</p><p>A Amazônia não existiria sem a bacia hidrográfica</p><p>que banha a floresta: a Bacia Amazônica, considerada</p><p>a maior do mundo, com 1.100 afluentes que cobrem</p><p>mais de 6 milhões Km2.</p><p>Mais da metade da bacia fica no território brasilei-</p><p>ro, atravessando os Estados do Acre, do Amazonas, do</p><p>Amapá, do Pará, de Rondônia, de Roraima e do Mato</p><p>Grosso. O restante cobre grande para da América do</p><p>Sul, passando pelo Peru, pela Colômbia, pelo Equador,</p><p>pela Venezuela, pela Guiana e pela Bolívia.</p><p>A região é servida por 13 portos com infra-estru-</p><p>tura, entre eles Manaus, Belém e Ponta da Madeira.</p><p>Há 24 rios principais, são utilizados como importantes</p><p>vias de transporte da região Norte, sendo alguns deles o</p><p>único meio de comunicação das povoações ribeirinhas</p><p>com o restante do mundo.</p><p>A bacia é de extrema importância para a composi-</p><p>ção da vegetação, que varia de acordo com o tipo de rio</p><p>que abastece a região. As águas amazônicas têm carac-</p><p>terísticas diferentes, resultantes da geologia das bacias</p><p>fluviais, dividindo-se em três tipos.</p><p>* Dados estimados disponibilizados pelo Ministério</p><p>do Meio Ambiente, que se referem ao número de</p><p>espécies catalogadas.</p><p>12 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>A m a z o n i a^</p><p>Os chamados rios de água branca, como o Solimões</p><p>e o Madeira, apresentam águas turvas, ricas em partícu-</p><p>las suspensas e com visibilidade de até 15 cm, enquanto</p><p>os de água preta, como o Negro e alguns lagos, têm essa</p><p>coloração por cobrir solos ricos em matéria orgânica.</p><p>Já os de água clara são transparentes e pobres em nu-</p><p>trientes, espalhando-se por toda a Amazônia. Os rios</p><p>de água branca apresentam maior número de peixes</p><p>que os pretos, considerados “rios de forme”. As regiões</p><p>onde essas águas se misturam, como a cidade de Ma-</p><p>naus, costumam ser bastante férteis.</p><p>VEGETAÇÃO AMAZÔNICA</p><p>A vegetação banhada por rios de água branca é</p><p>conhecida como floresta de várzea, enquanto a banha-</p><p>da por águas pretas é chamada de floresta de igapós.</p><p>Ambas apresentam características semelhantes, como</p><p>árvores de até 40 m de altura, além de permanecer ala-</p><p>gadas cerca de seis meses por ano. Contudo, a floresta</p><p>de várzea é mais rica em espécies animais e vegetais do</p><p>que a de igapós, devido à fertilidade das águas brancas.</p><p>As terras mais altas da Amazônia são cobertas por</p><p>florestas de terra firme, que também se associam a ou-</p><p>tros tipos de formações, como campos e cerrados. O in-</p><p>terior dessas regiões é bastante úmido e escuro, devido</p><p>à estrutura da mata: fechada e com árvores de até 60 m,</p><p>que dificultam a entrada de luz.</p><p>Por serem as áreas mais ricas e produtivas, é nas</p><p>várzeas que se encontram as maiores concentrações</p><p>indígenas e os grandes projetos agropecuários. Devi-</p><p>do ao crescimento urbano desordenado, combinado</p><p>à poluição e a atividades extrativistas, algumas espé-</p><p>cies da várzea já entraram na lista da fauna e da flora</p><p>ameaçadas de extinção, entre elas o boto, o peixe-boi,</p><p>a tartaruga-verdadeira e o pirarucu, o maior peixe de</p><p>água doce do mundo.</p><p>Há também as áreas de transição em virtude da</p><p>menor quantidade de chuvas e natureza do solo, como</p><p>campos sem árvores, chamados de campinas, e os in-</p><p>termediários, conhecidos como campinaranas, como as</p><p>caatingas do rio Negro, que contêm grandes árvores.</p><p>É nas matas alagadas que estão as árvores de maior</p><p>utilidade econômica, inclusive as madeiras de lei. Espé-</p><p>cies como seringueira, andiroba e buriti originam bor-</p><p>rachas, óleos</p><p>e fibras de considerável valor econômico.</p><p>De acordo com a ONG WWF, a Amazônia é a princi-</p><p>pal fonte de madeiras nativas do Brasil, contribuindo</p><p>com até 20% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Es-</p><p>tados do Pará, do Mato Grosso e de Rondônia.</p><p>Contudo, a extração e a ocupação desordenadas</p><p>vêm trazendo sérias consequências à floresta, que sofreu</p><p>degradação de aproximadamente 17% da sua área, to-</p><p>talizando 680 mil km² desmatados, conforme os dados</p><p>do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).</p><p>DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL</p><p>A maior parte dos programas de uso sustentável dos</p><p>recursos amazônicos é desenvolvida por ONGs em par-</p><p>ceria com órgãos públicos e com as populações locais,</p><p>que dominam técnicas de uso consciente dos recursos</p><p>naturais. As unidades de conservação brasileiras corres-</p><p>pondem a 12% da Amazônia Legal, sendo divididas</p><p>em unidades de proteção restrita, que englobam os</p><p>parques e as reservas biológicas, além das unidades de</p><p>uso sustentável, abrangendo reservas extrativistas e de</p><p>desenvolvimento sustentável.</p><p>De acordo com a diretora Cláudia Ramos, “é im-</p><p>portante ressaltar que, embora parques e reservas na</p><p>Amazônia tenham importância indiscutível, eles re-</p><p>presentam apenas mais um elo na estratégia de uso e</p><p>conservação de recursos naturais. Nessa equação, o or-</p><p>denamento territorial e o uso da terra fora de Unidades</p><p>de Conservação também são essenciais para o sucesso</p><p>da conservação da cobertura florestal amazônica e dos</p><p>seus serviços ecológicos”.</p><p>A AMAZÔNIA LEGAL É BRASILEIRA</p><p>Pode parecer, mas a frase acima não é brincadeira.</p><p>O termo Amazônia Legal consiste na Amazônia Bra-</p><p>sileira, ou seja, na área formada pelos Estados nacio-</p><p>nais que pertencem à Bacia Amazônica: Acre, Amapá,</p><p>Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato</p><p>Grosso e oeste do Maranhão. Isso corresponde a nada</p><p>menos que 61% do território do País.</p><p>O nome surgiu de uma iniciativa do governo fe-</p><p>deral, que buscava planejar o desenvolvimento socioe-</p><p>conômico dessas regiões. Em 1953, com a Lei 1.806,</p><p>nasceu a “Amazônia Legal”. Tal designação foi fruto de</p><p>um conceito mais político do que geográfico, unindo</p><p>em um mesmo conjunto regiões com problemas eco-</p><p>nômicos, políticos e sociais semelhantes, mas com ca-</p><p>racterísticas naturais independentes.</p><p>Apesar de ter 80% de suas terras no Brasil, a Flores-</p><p>ta Amazônica vai além das fronteiras verde-amarelas,</p><p>estendendo-se por países como Bolívia, Colômbia, Fo</p><p>to</p><p>s:</p><p>d</p><p>iv</p><p>ul</p><p>ga</p><p>çã</p><p>o</p><p>Se</p><p>dt</p><p>ur</p><p>Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname</p><p>e Venezuela.</p><p>POVOS DA AMAZÔNIA</p><p>A densidade demográfica dos Estados da Amazô-</p><p>nia Legal é baixa: em média, dois habitantes por qui-</p><p>lômetro quadrado. Mas é lá que vive mais da metade</p><p>da população indígena brasileira: são quase 300 mil</p><p>pessoas de 180 etnias.</p><p>Existem alguns grupos que até hoje conseguem se</p><p>manter distantes do contato com o homem branco,</p><p>chamados de “isolados”. Eles se encontram nas cabe-</p><p>ceiras de rios do norte do Mato Grosso e do noroeste</p><p>do Pará devido a constantes fugas, enquanto outros</p><p>tiveram uma aproximação crescente das sociedades,</p><p>inserindo-se nas esferas culturais, sociais, econômicas</p><p>e até políticas.</p><p>O grande desafio é preservar essa riqueza cultural.</p><p>Manter viva a tradição dos povos indígenas é incen-</p><p>tivar o desenvolvimento sustentável da floresta, pois</p><p>são eles que detêm o conhecimento de técnicas extra-</p><p>tivistas que conservam o meio ambiente, e de outras</p><p>tradições regionais.</p><p>Algumas ONGs, como a TNC (The Nature Con-</p><p>servancy), ajudam os índios a proteger seus territórios</p><p>por meio de apoio institucional na extensão de polí-</p><p>ticas públicas e na representação indígena da Amazô-</p><p>nia. “Partimos do princípio de que a conservação da</p><p>floresta, a longo prazo, depende do uso que os índios</p><p>fazem do território. Por isso, nossos projetos buscam</p><p>criar mecanismos para fortalecer sistemas de uso sus-</p><p>tentável das populações indígenas, que têm 22% da</p><p>Amazônia”, afirma Marcio Sztutman, coordenador do</p><p>Programa da TNC de Apoio à Conservação em Áreas</p><p>Indígenas da Amazônia.</p><p>De acordo com Márcio, há uma interdependência</p><p>entre a alta biodiversidade ambiental e a sobrevivência</p><p>das comunidades indígenas, que fizeram uso sustentá-</p><p>vel dos recursos naturais das áreas habitadas. Márcio</p><p>mostra que “as áreas habitadas por indígenas são as</p><p>mais conservadas”.</p><p>Mas os índios não são os únicos prejudicados com</p><p>a falta de uma política sustentável na Amazônia. Toda</p><p>a população sofre com a deficiência de infra-estrutura</p><p>e serviços públicos. Isso se agrega às ameaças crescentes</p><p>ao equilíbrio ambiental, como desmatamento, queima-</p><p>das e construção de grandes obras.</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 13</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 14 GuGuGuGuGuGuGuGuGuGuGuuuuGuGuGuuGuGuGuGuGuuGuuGuGuGuGuGuGuGuuuGuuuGGuGuuuuuuuGuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuGuuuGuuuuuGuGuGuuuuuuiiaiiaiaaiaiaiaiaiaiaiaiaaiaiaiaiaiaiaiaiaiiiiiiiaiiiiiaiiiiiiaaaaiaiaiiiiiaaaaaaiiiiiaaiaiaiaiiiiiaiaaaiaiiiaaaaaiaiaiaiiiiaiaaaiiiaiiiiiiiiiaiaiaa ddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee AnAAnAnAAAnAAnAAnAnAnAnnnAnAnAnAnAAAAAAnAnAnnAAAAAAnAnAnAnAnnAnAAAAAAnAAAnAnAAnAnAAAAAnAAAAAAnAnAAAAAAnAnAnAnAAAAAnAnAnAnAAAnAnAnnAnAnAnAAAAnAnAnnnnAnAnAAAAAAnAnnnnAAAAnnnnAnAnnnnAAAnAnAnnnnnnAAAAnnnAnnnnnAnAnAAnnAnnAAnnnnnnnAnAnAnnnnnnnnnAnnnnnnnnAnnAAAAAAnAAAnAAAAAAAAnAnAnnnnnAAAnnnAnnnAAnnnnnnnnimimimimimimimmmmimimimmimimimmmimimimmimmimimmimimmimmmmimmimimmimmimmimimimimmmmmiiimimimiimimimimmmmmmmmimimmimmmmiimiiiimimmmmimmimmiimimmmmiiimmmaiaaiaiaiaiaiaiaaiaiaiiaaaaiaiaiiaiaiaiaiaaaiaiaiaiaaiaiaaaiaiaiaiaaaaaaaiaaiaiaiaiiaaaiaiaiiaiaaaiaaaiaiaaiaaiis sss s s sss s sssssssssss ssssss sssss ssssssssssssssssssssssssssss BrBrBrBrBBrBrBrBBBrBrBrBrBrBrBBBBrBrrBBrBBrBBBBrBrBBBrBrBrBrBrBBrBrBrBrrBrBBBrBBrBrBBBrBrrBrBrrrrBrBBrrrBrBrrrrBrBBrrrBrrrrrrBrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrBrrrrBrBrBrBrBBrrrrrBrBrBrBrBrBrrBBBBrBrBBBrrBrrrrrasaasasasasasasassasssssssassasasasasasasasassasassaasasasasasaaasassssasaasasaaasasaaaasaasaaasaaaaaassasasaaaaaasasasasasssassaaaasasssssasaaaaaaassasasaaasassasassasaasssasasaaassasasasaaasssaassaasaasssssasssssssassiiliililiiiililililillliliilililililiiililililililililiillllililillllilillllililililillllllllliliilillllilillilllilllliiiilllillliliillilli eeieeieieieieieieieieiiieieieeieiiieeieeieeiiieeeeieiiieeeieieiieiieeieiiieieieieieeeiieieeieiieieieieeieeeiieeeeeeeieiiieeeeeeeeeieeeeiieeiieiirororrorororororoooooororororororrororoooroooorororrooorooorororroroorororororoororoooroororrorooororororroroorrrrorrrroororororoorororrrrorrroorrroooorrroooooss s s s ss sssssss ssssss ssssssssssssssssssss ssssssssssssssssssssssssssssssssss --------------------------- 1114141414141414141414141414141141414144414111111414144441414144444411411144441414111144444414111444444441411444444444411111444444444144444444444144144444114144444444444411444444444114114444441444444414444444144</p><p>Guia do turista</p><p>VACINAS: as vacinas de febre amarela e tétano são indicadas para todos aqueles que viajam</p><p>não só pela Amazônia, mas por todo o Brasil. São válidas por dez anos, e devem ser tomadas no</p><p>máximo em até dez dias antes da viagem, mas o aconselhável é estar imunizado um mês antes da</p><p>chegada no País. Caso utilize medicamentos de uso contínuo, traga-os, pois pode não encon-</p><p>trá-los nas farmácias locais. Por precaução, um antialérgico é recomendado para os alérgicos a</p><p>picadas de insetos.</p><p>INFORMAÇÕES: Núcleo de Medicina do Viajante, http://www.emilioribas.sp.gov.br/pa-</p><p>cientes-e-acompanhantes/medicina-do-viajante/, E-mail: agendamento@emilioribas.sp.gov.</p><p>br ; Ambulatório dos Viajantes, Tel.: (11) 2661-6392.</p><p>O QUE LEVAR: roupas leves e confortáveis, como bermudas, camisetas e calças de ginás-</p><p>tica, além de trajes de banho. Repelente, protetor solar e um tênis ou algum calçado</p><p>para</p><p>caminhadas são indispensáveis. Entre os acessórios, não esqueça os óculos de sol e o chapéu.</p><p>Devido ao clima quente e úmido, leve uma capa de chuva leve. Para quem gosta de apreciar</p><p>os pássaros, a dica é adquirir um binóculo. Canivetes e facas são desaconselháveis.</p><p>FUSO HORÁRIO: a capital do Estado do Amazonas, Manaus, está uma hora abaixo do</p><p>horário de Brasília, e quatro do Meridiano de Greenwich (GMT).</p><p>ALIMENTAÇÃO: em Manaus, é possível comer</p><p>em bons restaurantes e provar a culinária re-</p><p>gional. No interior, procure sempre os locais</p><p>mais movimentados. Para evitar problemas</p><p>como infecção intestinal e diarréia, beba</p><p>bastante água mineral e líquidos durante</p><p>a viagem, mas fique atento para a higiene</p><p>em bares e restaurantes onde for consu-</p><p>mir sucos naturais.</p><p>CLIMA: a temperatura no Amazonas varia</p><p>de 26° C a 30° C, mas a umidade faz que</p><p>a sensação térmica seja muito maior. O</p><p>inverno (dezembro a junho) é marcado</p><p>pelas chuvas, enquanto o verão (julho</p><p>a novembro) é a estação da seca,</p><p>que, apesar do nome, também é</p><p>marcada pelas chuvas. A cheia do</p><p>rio Negro tem seu ponto má-</p><p>ximo em meados de junho, e</p><p>a maior vazante acontece no</p><p>mês de setembro.</p><p>14 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>A m a z o n i a^</p><p>Fo</p><p>to</p><p>s:</p><p>d</p><p>iv</p><p>ul</p><p>ga</p><p>çã</p><p>o</p><p>Se</p><p>dt</p><p>ur</p><p>Criação de animais silvestres b i c h o s d e e s t i m a ç a O</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 15</p><p>~</p><p>Criação de</p><p>animais</p><p>silvestres</p><p>Se você deseja ter em</p><p>casa um desses animais,</p><p>é importante que conhe-</p><p>ça os prós e os contras</p><p>antes de adquiri-los para</p><p>não se arrepender depois</p><p>nem maltratar os bichos</p><p>Por Gabriela Megale</p><p>Gr</p><p>ee</p><p>np</p><p>ea</p><p>ce</p><p>/N</p><p>ov</p><p>is</p><p>Pode não parecer, mas os cães nem sempre foram</p><p>os melhores amigos do homem. Para se tornar dó-</p><p>ceis como hoje são, eles foram submetidos a um lon-</p><p>go processo de domesticação que, de acordo com os</p><p>arqueólogos, aconteceu há aproximadamente 12 mil</p><p>anos. Essa relação de cumplicidade entre duas espécies</p><p>tão distintas foi resultado de uma associação vantajosa</p><p>para ambas, prolongando seu tempo de vida e garan-</p><p>tindo-lhes mais segurança. O processo evolutivo que</p><p>se deu com cães, gatos e cavalos não deve servir como</p><p>exemplo para as demais espécies, que prezam a liber-</p><p>dade acima de tudo. Mas quem não se contenta com</p><p>os dóceis amigos do homem pode encontrar alter-</p><p>nativas regulamentadas pelo Ibama, criando espécies</p><p>silvestres sem prejudicar o meio ambiente. O primei-</p><p>ro passo é se informar bem sobre o animal que será</p><p>adquirido. É importante saber algumas peculiaridades</p><p>da espécie, como a expectativa de vida, o tamanho</p><p>atingido na fase adulta, o peso médio, a alimentação,</p><p>o hábitat natural, entre outras características. Essas in-</p><p>formações são importantes não só para a prevenção</p><p>de riscos decorrentes de ter um animal silvestre em</p><p>casa, mas também para saber o tempo e o dinheiro</p><p>que serão despendidos para atender adequadamente</p><p>às necessidades do bicho.</p><p>Para quem pensa em ter um papagaio, por exem-</p><p>plo, o zootecnista e criador comercial Ricardo Costa</p><p>diz ser importante saber que este é um animal carente</p><p>de atenção, além de viver facilmente mais de 50 anos.</p><p>Aves como as jandaias são apontadas pelo criador como</p><p>excessivamente barulhentas, podendo se transformar</p><p>em um problema para moradores de apartamentos.</p><p>Depois de uma pesquisa detalhada, pense sobre o as-</p><p>sunto, pois há muitas pessoas que adquirem filhotes e</p><p>decidem abandoná-los quando começam a dar muito</p><p>trabalho e despesas. Os proprietários de animais silves-</p><p>tres não podem simplesmente soltá-los nas ruas, já que</p><p>há um procedimento legal orientado pelo Ibama.</p><p>Por falar em legalidade, fique atento para a origem</p><p>do animal. É imprescindível que ele tenha sido adqui-</p><p>rido de um criadouro ou vendedor com permissão do</p><p>Ibama para exercer atividades comerciais. Por isso, exi-</p><p>ja a nota fiscal com os nomes popular e científico da</p><p>espécie, acompanhada de sua marcação pessoal (anilha</p><p>ou microchip).</p><p>ONDE COMPRAR</p><p>Se o objetivo é apenas ter um animal de estimação</p><p>que fuja dos convencionais gatos e cachorros, o pro-</p><p>cesso é simples. Basta comprar o bicho com nota fiscal</p><p>e identificação pessoal de criadouros e vendedores re-</p><p>gistrados no Ibama, pois é este o documento que pro-</p><p>vará a origem legal do filhote, conforme mencionado.</p><p>O analista ambiental do Ibama Octávio Valente</p><p>alerta para o perigo de adquirir animais em estradas,</p><p>depósitos, feiras livres, ou por meio de encomendas</p><p>suspeitas: “Além de ser considerado crime, o comércio</p><p>ilegal incentiva a captura de animais na natureza sem</p><p>qualquer preocupação com seu bem-estar e com a pre-</p><p>servação dos ecossistemas”, explica. Caso a intenção</p><p>seja reproduzir a espécie, é necessário ter o registro e o</p><p>licenciamento adequados ao estabelecimento. Tais do-</p><p>cumentos são retirados junto ao Ibama, que autoriza</p><p>dois tipos de criadouros: os comerciais, que, como o</p><p>nome indica, vendem espécies lá nascidas, e os conser-</p><p>vacionistas, que não envolvem comércio, e só efetuam</p><p>transferências de animais com aprovação do órgão.</p><p>O zootecnista Renato Costa, proprietário do pri-</p><p>meiro criadouro comercial de São Paulo, em socie-</p><p>dade com a veterinária Sílvia Gonçalves, dá a dica</p><p>para quem pensa em abrir um criadouro comercial:</p><p>“O primeiro passo é contratar um profissional com</p><p>experiência em animais silvestres que possa orientar o</p><p>futuro proprietário sobre as vantagens e desvantagens</p><p>da criação comercial”.</p><p>Há, também, os criadores amadoristas de passeri-</p><p>formes silvestres, que estão cadastrados no SISPASS</p><p>(Sistema de Cadastro de Criadores de Passeriformes)</p><p>e que transferem espécies entre si. Para mais informa-</p><p>ções, acesse: http://www.ibama.gov.br/servicosonline/in-</p><p>dex.php/licencas/criacao-de-passaros-silvestres-sispass</p><p>Quem quiser saber quais são os criadouros comer-</p><p>ciais licenciados deve acessar o link www.ibama.gov.</p><p>br/fauna/criadouros/comerciais.pdf. Além da lista de</p><p>estabelecimentos acompanhada de telefone e endere-</p><p>ço, há informações adicionais, como espécies disponí-</p><p>veis e nome do proprietário. Mesmo que o comercian-</p><p>te faça parte da lista, não deixe de exigir a nota fiscal,</p><p>pois ela é a garantia de que você está dentro da lei.</p><p>DENTRO DA LEI</p><p>Em alguns casos, o Ibama deixa o animal aos cui-</p><p>dados do chamado “fiel depositário”, como permite a</p><p>resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio</p><p>Ambiente), publicada em dezembro de 2006. Segun-</p><p>do ela, animais silvestres apreendidos pelo Ibama e</p><p>B i c h o s d e e s t i m a ç a o</p><p>~</p><p>16 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>b i c h o s d e e s t i m a ç a O</p><p>~</p><p>que não podem ser libertados em seu hábitat natural</p><p>nem levados imediatamente para jardins zoológicos,</p><p>fundações ambientalistas ou criadouros registrados</p><p>poderão ser confiados a terceiros, denominados “fiéis</p><p>depositários”.</p><p>Mas o procedimento não é tão simples quanto</p><p>parece, já que a decisão de deixar o animal silvestre</p><p>em áreas domésticas é a última alternativa. Segundo</p><p>o analista ambiental Octávio Valente, a�resolução</p><p>estabelece exigências a ser cumpridas pelos candi-</p><p>datos a fiel depositário e determina que, futuramen-</p><p>te, deverá ser criado um cadastro para identificar</p><p>e habilitar pessoas físicas interessadas no depósito</p><p>doméstico provisório”.</p><p>O ambientalista esclarece que a nova medida do</p><p>Conama não pretende regulamentar a situação das</p><p>pessoas que já mantêm animais silvestres de forma</p><p>irregular. Se este é seu caso, o melhor é procurar o</p><p>Ibama do seu Estado e esclarecer a situação.</p><p>RISCOS PARA O DONO</p><p>Todo animal, seja ele silvestre ou não, oferece ris-</p><p>cos para o dono. Porém, o mais grave são as zoonoses,</p><p>que consistem em infecções e doenças adquiridas pelo</p><p>homem por meio do contato com os bichos. Além</p><p>disso, eles são seres irracionais, ou seja, agem por ins-</p><p>tinto, podendo tomar atitudes defensivas capazes de</p><p>machucar, como morder, arranhar ou picar.</p><p>Por isso, a melhor maneira de evitar problemas</p><p>é respeitar o seu amigo e o espaço que ele ocupa.</p><p>Também é importante que o animal esteja sob a su-</p><p>pervisão de um</p><p>médico-veterinário capaz de cons-</p><p>cientizar as pessoas sobre a existência dos riscos físi-</p><p>cos, assim como suas vias de transmissão e contágio.</p><p>TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES</p><p>De acordo com o Ibama, o tráfico tem como prin-</p><p>cipal objetivo abastecer o mercado consumidor que</p><p>adquire animais para deleite próprio ou para o comér-</p><p>cio de matérias-primas, como couro, peles e penas.</p><p>Contudo, os donos de espécies silvestres devem estar</p><p>cientes quanto a dois aspectos: o animal preferia estar</p><p>livre, e o comprador contribui para que outros bichos</p><p>sejam capturados, torturados e mortos pelo tráfico.</p><p>O analista ambiental Octávio Valente alerta que,</p><p>além de a caça colaborar para a extinção da espécie,</p><p>ela altera o equilíbrio dos ecossistemas, ajudando</p><p>na destruição dos hábitats naturais. Isto acontece</p><p>porque não é apenas o indivíduo retirado que fará</p><p>falta ao ambiente, mas também os descendentes que</p><p>ele deixará de ter.</p><p>Outro fator é que todas as espécies funcionam</p><p>como elos de uma corrente, a chamada cadeia alimen-</p><p>tar, na qual animais comem e são comidos por outros,</p><p>além de se alimentarem de plantas, realizando ativi-</p><p>dades como polinização e dispersão de suas sementes,</p><p>imprescindíveis para o meio ambiente.</p><p>O Ibama estima que aproximadamente 12 milhões</p><p>de animais silvestres sejam retirados anualmente de</p><p>nossas matas. As estimativas se baseiam, basicamente,</p><p>nas apreensões e denúncias, que representam uma pe-</p><p>quena parcela frente ao número traficado.</p><p>O esquema ilegal envolve uma ampla rede de pes-</p><p>soas pobres e ignorantes, que capturam animais em</p><p>troca de pouco dinheiro, repassando-os a coleciona-</p><p>dores milionários, capazes de pagar grandes quantias</p><p>por raridades. O transporte é realizado por atravessa-</p><p>dores por meio de caminhões que chegam a levar 3</p><p>mil bichos de uma só vez. As condições de captura e</p><p>condução são as mais precárias possíveis, culminan-</p><p>do na morte de grande parte deles. Por essas razões,</p><p>Octávio Valente recomenda, às pessoas que decidirem</p><p>por animais silvestres, “não os adquirir de criadouros</p><p>ilegais ou do comércio clandestino”, ajudando na ma-</p><p>nutenção da prática legal de aquisição desses bichos.</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 17</p><p>18 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>E s p é c i e s</p><p>Répteis, mamíferos, aves e</p><p>peixes: conheça as principais</p><p>características e os hábitos de 62</p><p>representantes da fauna brasileira</p><p>Diversidade</p><p>ANIMAL</p><p>r e p t e i S</p><p>Reprodução: constrói ninho com folhas e fragmentos de plantas, nas bordas</p><p>de capões do cerradão e das matas, ou sobre tapetes de vegetações flutuantes.</p><p>Desova de 20 a 30 ovos em uma câmara no interior do ninho. O período de</p><p>nidificação coincide com as enchentes (janeiro a março)</p><p>Alimentação: peixes e outros vertebrados aquáticos, além de invertebrados,</p><p>como caranguejos, caramujos e insetos</p><p>Características gerais: tem escamas osteodérmicas bem-desenvolvidas e flan-</p><p>cos menos ossificados. No pantanal, é chamado de jacaré-de-piranha, devi-</p><p>do à exposição visível de seus dentes, uma característica não muito comum</p><p>entre os aligatorídeos. Os dentes da mandíbula podem se projetar para cima,</p><p>ultrapassando a maxila superior. É encontrado em vários Hábitats, associa-</p><p>dos à vegetação flutuante, como pântanos, áreas alagadas, rios e lagos</p><p>Nome popular da espécie: Jacaré-do-</p><p>-Pantanal – PANTANAL</p><p>Ordem: Crocodylia</p><p>Família: Crocodilidae Alligatoridae</p><p>Hábitats: Norte da Argentina,</p><p>Centro-Sul do Brasil, Sul da Bolívia</p><p>e Paraguai</p><p>Tamanho médio: até 3 metros</p><p>Caiman crocodilus yacare</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 19</p><p>Ad</p><p>ria</p><p>na</p><p>B</p><p>ar</p><p>bo</p><p>sa</p><p>´</p><p>Répteis</p><p>20 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Reprodução: vivípara, produz de 8 a 49 filhotes por ninhada, após</p><p>gestação de 127 a 249 dias</p><p>Longevidade: aproximadamente 20 anos</p><p>Alimentação: carnívora. Alimenta-se de aves, mamíferos pequenos e</p><p>lagartos grandes</p><p>Características gerais: não é um animal peçonhento. Ataca sua ví-</p><p>tima silenciosamente, enroscando-se no pescoço dela e contraindo</p><p>seu corpo até que ela não consiga respirar. Depois, engole-a tragan-</p><p>do primeiro a cabeça, caindo num torpor que pode durar semanas.</p><p>Despende pouca energia e pode ficar muito tempo sem comer. Passa</p><p>a maior parte do tempo nas árvores. Quando ameaçada, foge lenta-</p><p>mente, ou pode assustar o inimigo silvando alto. A jiboia tem cor</p><p>parda com manchas arredondadas e escuras no dorso e nos flancos.</p><p>É um animal de hábitos noturnos (característica verificável por suas</p><p>pupilas verticais), apesar de também exercer atividades durante o dia</p><p>R e p t e i s´</p><p>Jo</p><p>sé</p><p>R</p><p>ob</p><p>er</p><p>to</p><p>M</p><p>ar</p><p>tin</p><p>s</p><p>Boa constrictor Linnaeus, 1758</p><p>Nome popular da espécie: Jiboia</p><p>– PANTANAL</p><p>Ordem: Squamata</p><p>Família: Boidae</p><p>Hábitats: copas das árvores de florestas</p><p>da América Central e do Sul. No Brasil,</p><p>encontra-se em restinga, mangue, cerrado,</p><p>caatinga, e em locais como a Floresta Ama-</p><p>zônica e a mata atlântica</p><p>Tamanho médio: 4,5 m de comprimento</p><p>r e p t e i S</p><p>Peso médio: 0,5 kg</p><p>Reprodução: o acasalamento ocorre durante todo o ano, e a deso-</p><p>va acontece de quatro em quatro meses. Cada fêmea põe de um a</p><p>sete ovos, e o período de incubação varia de quatro a cinco meses</p><p>Longevidade: aproximadamente 15 anos</p><p>Alimentação: onívora (peixes, girinos, anfíbios, insetos e algas)</p><p>Características gerais: conhecido como tartaruga do lodo ou</p><p>almiscarada. Quando atacado, exala uma substância de odor</p><p>intenso, chamada almíscar, que é secretada por glândulas locali-</p><p>zadas nas patas posteriores do muçuã. Considerado um animal</p><p>de pequeno porte, raramente atinge mais de 27 cm de compri-</p><p>mento, e é caracterizado por sua cabeça grande em relação ao</p><p>resto do corpo, e pelo maxilar forte. Apresenta coloração mar-</p><p>rom-escura com manchas vermelhas, e uma carapaça oval com</p><p>quilhas dorsais no sentido longitudinal. Os machos têm cauda</p><p>comprida, enquanto as das fêmeas são curtas</p><p>Nome popular da espécie: Muçuã</p><p>– AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Cryptodira</p><p>Família: Kinosternidae</p><p>Hábitats: lodo do fundo de rios e lagos do</p><p>Panamá até o norte da América do Sul.</p><p>No Brasil, é encontrado nas caatingas do</p><p>Nordeste, nos Lençóis Maranhenses e</p><p>na região Amazônica</p><p>Tamanho médio: 15 cm</p><p>Kinosternon scorpioides Linnaeus, 1766</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 21</p><p>Gl</p><p>or</p><p>ia</p><p>J</p><p>af</p><p>et</p><p>Z</p><p>oo</p><p>S</p><p>P</p><p>´</p><p>Reprodução: pode pôr até 36 ovos. Os filhotes nascem com aproxima-</p><p>damente 20 cm de comprimento e 40 g, e não podem ser mantidos em</p><p>grupo, pois um tende a atacar o outro</p><p>Longevidade: cerca de 20 anos</p><p>Alimentação: carnívora</p><p>Características: apresenta um colorido castanho-amarelado, com man-</p><p>chas pretas pelo corpo e uma faixa negra atrás dos olhos. Quando ame-</p><p>açada, comporta-se com agressividade, achatando a região do pescoço,</p><p>desferindo botes que parecem ameaçadores, mas não é peçonhenta. As</p><p>surucucus são consideradas semi-aquáticas, mas vivem próximas a cor-</p><p>pos d’água, onde frequentemente são encontradas. Durante a caça, usam</p><p>uma tática curiosa: com a ponta da cauda, cutucam rãs escondidas na</p><p>água, induzindo-as a saltos para capturá-las e engoli-las. Outra carac-</p><p>terística da espécie é o dente diferenciado na parte superior da boca,</p><p>utilizado para furar os pulmões dos anfíbios. Agressiva, morde com fa-</p><p>cilidade, mas não é peçonhenta. É erroneamente chamada de jararacu-</p><p>çu-do-pantanal e de surucucu, ambos os nomes atribuídos a serpentes</p><p>venenosas. A mais apropriada é a denominação indígena “boipevaçu”,</p><p>que significa cobra grande</p><p>R e p t e i s</p><p>Hydrodinastes gigas Duméril, 1853</p><p>Nome popular da espécie: Suru-</p><p>cucu-do-Pantanal/ Boipevaçu –</p><p>PANTANAL e AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Squamata</p><p>Família: Colubridae</p><p>Hábitats: floresta e campos</p><p>Tamanho médio: até 2,5 m</p><p>de comprimento</p><p>Gi</p><p>us</p><p>ep</p><p>pe</p><p>P</p><p>uo</p><p>rt</p><p>o</p><p>In</p><p>st</p><p>itu</p><p>to</p><p>B</p><p>ut</p><p>an</p><p>tã</p><p>22 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>´</p><p>Peso médio: até 60 kg</p><p>Reprodução: o período de nidificação varia conforme a localidade,</p><p>ocorrendo no Brasil entre os meses de setembro e dezembro. A de-</p><p>sova acontece na maioria das vezes à noite, quando são colocados</p><p>cerca de cem ovos por cada fêmea. A incubação demora 60 dias</p><p>Longevidade: aproximadamente</p><p>cem anos</p><p>Alimentação: onívora (vegetais e peixes)</p><p>Características gerais: espécie mais conhecida do gênero Podocnemis</p><p>encontrada no Brasil, além de compor o maior quelônio de água-do-</p><p>ce da América do Sul. Entre as peculiaridades da espécie, destacam-se</p><p>o casco achatado, a coloração gris-escura da carapaça e os barbelos</p><p>amarelados. Os machos são maiores que as fêmeas, ostentando uma</p><p>cauda mais longa. A espécie depende exclusivamente do ambiente</p><p>aquático para crescer, locomover-se e acasalar-se, só deixando a água</p><p>por algumas horas para se aquecer ao sol e para desovar</p><p>r e p t e i S</p><p>Podocnemis expansa Schweigger, 1812</p><p>Nome popular: Tartaruga-da-Amazônia –</p><p>AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Pleurodira</p><p>Família: Podocnemidae</p><p>Hábitats: aparece em rios da Colômbia, da</p><p>Venezuela, da Guiana, do Leste do Equador,</p><p>do Nordeste do Peru e do Norte da Bolívia.</p><p>No Brasil, ocupa águas da Bacia Amazônica</p><p>Tamanho médio: 80 cm de comprimento e</p><p>60 cm de largura</p><p>Ad</p><p>ria</p><p>na</p><p>B</p><p>ar</p><p>bo</p><p>sa</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 23</p><p>´</p><p>R e p t e i s</p><p>Jo</p><p>sé</p><p>R</p><p>ob</p><p>er</p><p>to</p><p>M</p><p>ar</p><p>tin</p><p>s</p><p>24 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Reprodução: ovípara. Desova aproximadamente 30 ovos por</p><p>postura, que eclodem após dois ou três meses de incubação</p><p>Longevidade: aproximadamente 16 anos</p><p>Alimentação: onívora (ovos, frutos, carniça, folhas verdes, inse-</p><p>tos, pequenas aves, lagartos e roedores)</p><p>Características gerais: tem a cabeça comprida e pontiaguda,</p><p>além de uma mandíbula forte, provida de pequenos dentes</p><p>pontiagudos, e de uma língua comprida e bífida. A cauda é</p><p>longa e arredondada. A coloração geral é negra, com manchas</p><p>amareladas ou brancas sobre a cabeça e os membros. Tem a</p><p>região gular e a face ventral brancas com manchas negras. Os</p><p>filhotes são esverdeados, porém a coloração vai desaparecendo</p><p>conforme o desenvolvimento dos animais. É um animal tími-</p><p>do, mas que se defende ao desferir chicotadas com a cauda</p><p>quando atacado</p><p>Nome popular: Lagarto-teiú – AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Crocodilia</p><p>Família: Teiidae</p><p>Hábitatss: encontra-se em quase toda Amé-</p><p>rica do Sul, tendo como hábitat principal os</p><p>buracos cavados na terra, nas florestas, nos</p><p>cerrados e nas caatingas</p><p>Tamanho médio: até 1,20 m, incluindo</p><p>60 cm de cauda</p><p>Tupinambis merianae Duméril & Bibron</p><p>´</p><p>Reprodução: vivípara, nascendo entre dez e 20 filhotes</p><p>Alimentação: carnívora (peixes, sapos, tartarugas, lagar-</p><p>tos, serpentes, jacarés, aves, cutias, pacas, capivaras, quei-</p><p>xadas, caititus, antas, veados e macacos).</p><p>Características gerais: a sucuri não é venenosa, mas se</p><p>vale de uma notável força muscular e um rápido movi-</p><p>mento, capazes de paralisar a circulação sanguínea e tri-</p><p>turar os ossos de sua vítima. As duas metades do maxilar</p><p>da cobra se movem independentemente, possibilitando</p><p>que ela engula um animal quatro vezes maior que sua</p><p>cabeça. A coloração da sucuri revela variações de padrão,</p><p>mas, tipicamente, é marrom-esverdeada com uma dupla</p><p>série de grandes manchas pretas, que a deixam bastante</p><p>camuflada na vegetação aquática</p><p>r e p t e i S</p><p>Eunectes murinus Linnaeus, 1758</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 25</p><p>Gi</p><p>us</p><p>ep</p><p>pe</p><p>P</p><p>uo</p><p>rt</p><p>o</p><p>In</p><p>st</p><p>itu</p><p>o</p><p>Bu</p><p>ta</p><p>nt</p><p>an</p><p>Nome popular da espécie: Sucuri – AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Squamata</p><p>Família: Boidae</p><p>Hábitats: pântanos, rios e lagoas da América do Sul</p><p>Tamanho médio: mede em geral de 5 a 7 m, podendo</p><p>atingir até 12 m</p><p>Peso médio: geralmente de 30 a 90 kg, podendo chegar</p><p>a 250 kg em casos raros</p><p>´</p><p>Reprodução: a idade para reprodução se inicia por volta dos 6 anos.</p><p>A abertura da cloaca indica o início do período de acasalamento. As</p><p>fêmeas põem de 2 a 15 ovos, podendo realizar mais de uma postu-</p><p>ra por período de nidificação. A época de postura é muito variada,</p><p>podendo, em determinado ano, ocorrer entre os meses de agosto e</p><p>fevereiro e, no ano seguinte, entre junho e janeiro. O curioso é que</p><p>tais animais incubam seus ovos por um período muito longo, que</p><p>varia até dez meses, com uma média de 150 dias</p><p>Longevidade: 80 anos</p><p>Alimentação: onívora (carne, frutas doces, verduras e legumes)</p><p>Características gerais: coloração negra com auréolas amarelas ou em</p><p>laranja. Esses quelônios apresentam crescimento contínuo e vida lon-</p><p>ga. Têm os pés em forma de coluna, com dedos indistintos, garras</p><p>robustas e casco ovalado. O dimorfismo sexual, ou seja, as diferenças</p><p>físicas que distinquem masculino e feminino, consiste no fato de os</p><p>machos geralmente apresentarem uma concavidade no plastrão que</p><p>se estende desde as placas humerais até as bordas posteriores das pla-</p><p>cas femorais, funcionando como um encaixe no momento da cópula.</p><p>Quando jovens, essa diferença não é acentuada, e a sexagem pode ser</p><p>realizada por uma análise da cauda, sendo maior nos machos. São</p><p>animais muito rústicos, utilizando, de preferência, o olfato para de-</p><p>tectar e diferenciar o alimento, e a visão para localizar a parceira</p><p>R e p t e i s</p><p>26 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Ad</p><p>ria</p><p>na</p><p>B</p><p>ar</p><p>bo</p><p>sa</p><p>Geochelone carbonaria Spix, 1824</p><p>Nome popular da espécie: Jabuti-piranga –</p><p>AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Cryptodira</p><p>Família: Testudinidae</p><p>Hábitats: Panamá, Colômbia, Venezuela,</p><p>Guiana e Bolívia, até o Paraguai e a Argen-</p><p>tina. No Brasil, tem ocorrência registrada</p><p>do médio ao baixo rio Amazonas e pontos</p><p>das regiões Nordeste e Centro-Oeste</p><p>Tamanho médio: 30 cm</p><p>Peso médio: 6 a 12 kg</p><p>´</p><p>Pantanal</p><p>Reprodução: na primavera, as araras, em geral, fazem ninhos no oco de árvores, onde</p><p>são postos os ovos (de um a dois). O choco começa com o primeiro ovo, e há um in-</p><p>tervalo de postura de dois a três dias. Dessa maneira, há sempre uma enorme diferença</p><p>de tamanho entre os filhotes nos primeiros dias, decorrente da falta de sincronia de</p><p>nascimento. Depois de três meses, o filhote começa a voar. Em geral, cada ninho dá</p><p>fruto a um filhote, em um bom ano reprodutivo. Considerando-se toda a região, o</p><p>sucesso reprodutivo varia entre os anos, podendo chegar a um extremo de só 10% dos</p><p>ninhos produzirem filhotes em uma estação. A maior parte dos ninhos está ativa entre</p><p>julho e dezembro. Os jovens saem deles com a plumagem semelhante à do adulto</p><p>Longevidade: 30 a 40 anos</p><p>Alimentação: sementes e frutos</p><p>Características gerais: é a maior ave da família das araras e dos papagaios, alcançando</p><p>1 metro de comprimento com a cauda. Tem um voo majestoso, sendo responsável</p><p>por uma das mais espetaculares visões do Pantanal. Alimenta-se quase exclusivamente</p><p>dos cocos das palmeiras, que guardam no seu interior uma massa branca. O bico da</p><p>arara é tão poderoso que corta o coco ao meio, chegando a ter a força equivalente a</p><p>uma tonelada. Os pés ajudam a manipular o alimento. Apesar do forte bico, a ara-</p><p>ra-azul se aproveita de ninhos antigos de pica-pau ou de locais com galhos podres,</p><p>menos resistentes à escavação. O casal aumenta o ninho a cada ano, produzindo uma</p><p>fina serragem de cobertura. Apesar do nome, a ararara-azul-grande ostenta uma certa</p><p>variação de cores, formada por bicos e pés negros, e uma pele nua amarelada ao redor</p><p>dos olhos. Para a reprodução, o casal afasta-se do bando, estabelecendo o ninho em</p><p>locais tradicionais. Nos bandos em voo, os casais se mantêm próximos</p><p>a v e S</p><p>Anodorhynchus hyacinthinus Latham, 1790</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 27</p><p>Nome popular da espécie: Arara-</p><p>-azul-grande – PANTANAL</p><p>Ordem: Psittaciforme</p><p>Família: Psittacidae</p><p>Hábitats: matas ciliares e cerrado</p><p>das regiões Norte e Central</p><p>do Brasil</p><p>Tamanho: 1 m de comprimento</p><p>Peso: 1 a 2 kg</p><p>Ed</p><p>ua</p><p>rd</p><p>o</p><p>Fé</p><p>lix</p><p>J</p><p>us</p><p>tin</p><p>ia</p><p>no</p><p>Aves</p><p>28 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Reprodução: constrói ninhos em pal-</p><p>meiras mortas, entrando pela parte</p><p>superior e escavando o interior da</p><p>árvore. Coloca até três ovos, embora</p><p>o normal seja a sobrevivência de um</p><p>filhote por ninho. Os jovens saem</p><p>com a mesma plumagem colorida dos</p><p>adultos, ostentando os contrastes de</p><p>azul-celeste e amarelo. A incubação</p><p>dura aproximadamente 28 dias</p><p>Longevidade: cerca de 60 anos</p><p>em cativeiro</p><p>Alimentação: frugívora. Aprecia os</p><p>cocos do bacuri e os frutos do comba-</p><p>ru, do jatobá, do mandovi e, sobretu-</p><p>do, do pequi</p><p>Características</p><p>gerais: penas bran-</p><p>cas cortadas por uma série de linhas</p><p>de minúsculas penas negras cobrem</p><p>a face e as narinas da ave, que tem as</p><p>partes superiores azuis, e as inferio-</p><p>res, amarelas. O alto da cabeça é ver-</p><p>de, e a garganta, negra. O bico é me-</p><p>nor e mais proporcional que os das</p><p>outras araras. No adulto, os olhos são</p><p>quase brancos, mas, nos jovens, são</p><p>escuros. Desloca-se bastante, ocasio-</p><p>nalmente aparecendo em uma área</p><p>por algum tempo</p><p>Ara ararauna Linnaeus, 1758</p><p>M</p><p>an</p><p>oe</p><p>l C</p><p>ar</p><p>va</p><p>lh</p><p>o</p><p>Nome popular da espécie: Arara-ca-</p><p>nindé – AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Psittaciforme</p><p>Família: Psittacidae</p><p>Hábitats: copas das árvores, beiras de</p><p>matas, várzeas de buritizais. Aparece</p><p>do Brasil à América Central</p><p>Tamanho médio: até 80 cm de</p><p>comprimento</p><p>A v e s</p><p>Reprodução: estende-se de agosto a dezembro, e a incu-</p><p>bação é de 30 dias. O número de filhotes por ninho não</p><p>ultrapassa três. Atinge a maturidade com 2 anos</p><p>Longevidade: aproximadamente 35 anos</p><p>Alimentação: sementes e frutos. Os cocos do açaí são o ali-</p><p>mento predileto</p><p>Características gerais: conhecida também como guaruba, é</p><p>uma das aves mais belas da família Psittacidae, com porte</p><p>similar ao de um papagaio, porém com cauda longa, penas</p><p>de tamanho desigual e bico curvo, característico da família.</p><p>As cores da plumagem são amarelo-ouro e verde-bandeira,</p><p>conferindo-lhe o nome indígena guaruba, que significa pás-</p><p>saro amarelo em tupi, já que o verde aparece apenas nas asas</p><p>da ave. São aves silenciosas e muito sociáveis, até durante a</p><p>reprodução. Vivem em bandos de quatro a dez indivíduos</p><p>Aratinga guarouba Gmelin, 1788</p><p>a v e S</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 29</p><p>Ed</p><p>ua</p><p>rd</p><p>o</p><p>Fé</p><p>lix</p><p>J</p><p>us</p><p>tin</p><p>ia</p><p>no</p><p>Nome popular da espécie: Ararajuba –</p><p>AMAZÔNIA</p><p>Ordem: Psittaciforme</p><p>Família: Psittacidae</p><p>Hábitats: florestas chuvosas da região</p><p>tropical, no Norte do Brasil, especialmente</p><p>no Pará e no Maranhão</p><p>Tamanho médio: 34 cm de comprimento</p><p>A v e s</p><p>Reprodução: a fêmea coloca até três ovos durante o período reproduti-</p><p>vo, que vai de maio a novembro. O ninho, de galhos de arbustos secos,</p><p>é construído no alto das árvores ou em troncos. Na época da incubação,</p><p>enquanto um parceiro choca os ovos, o outro fica de pé sobre a beirada</p><p>do ninho em constante vigília. O casal permanece unido pelo menos</p><p>durante o ciclo reprodutivo, executando danças em dueto e batendo seus</p><p>longos bicos. Nessas ocasiões, a pele vermelha do papo fica mais ressalta-</p><p>da, devido ao aumento da irrigação sanguínea</p><p>Alimentação: insetos, peixes, anfíbios, moluscos e crustáceos</p><p>Características gerais: símbolo do Pantanal, o tuiuiú é a maior ave vo-</p><p>adora da planície, sendo responsável pela formação de grandes ninhos</p><p>que se espalham pela região. Por ser uma cegonha, voa com pescoço</p><p>e pernas esticados. É uma ave de corpo robusto, bico grosso e afilado</p><p>na ponta, dotada de notável elasticidade. As penas são, na maioria das</p><p>vezes, de cor branca. Os filhotes saem do ninho aos 3 meses de idade,</p><p>acompanhando os pais nas primeiras semanas de vida. É uma ave que</p><p>realiza movimentos migratórios</p><p>Jabiru mycteria Lichtenstein, 1819</p><p>Di</p><p>vu</p><p>lg</p><p>aç</p><p>ão</p><p>S</p><p>ES</p><p>C</p><p>Pa</p><p>nt</p><p>an</p><p>al</p><p>Nome popular da espécie: Tuiuiú</p><p>ou Jaburu – PANTANAL</p><p>Ordem: Ciconiiforme</p><p>Família: Ciconiidae</p><p>Hábitats: beira de rios, brejos,</p><p>lagoas, vazantes e pântanos do Sul</p><p>do México até a Argentina, exceto a</p><p>parte ocidental dos Andes</p><p>Tamanho médio: 1,60 m de altura</p><p>e 2,80 m de envergadura (medida de</p><p>uma ponta à outra, de asas abertas)</p><p>30 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 31</p><p>Reprodução: utiliza ninhos de ou-</p><p>tras aves localizados em folhas de</p><p>palmeiras, ou constrói o seu com ga-</p><p>lhos secos. A fêmea bota dois ovos e</p><p>os choca por até 32 dias. O filhote</p><p>voa apenas no terceiro mês de vida</p><p>Alimentação: onívora. Sua dieta inclui</p><p>tanto animais vivos quanto mortos. Ali-</p><p>menta-se de insetos, lagartixas, cobras,</p><p>minhocas, lesmas e restos de animais</p><p>mortos. Saqueia ninhos de garças, co-</p><p>lhereiros e gaviões-carrapateiros</p><p>Características gerais: reúne-se a ou-</p><p>tros caracarás para matar uma presa</p><p>maior, já que é uma ave comedora de</p><p>carniça. Aparece em todos os ambien-</p><p>tes abertos do Pantanal, sobrevoando as</p><p>matas mais densas e pousando nas cla-</p><p>reiras. Busca seu alimento no solo, seja</p><p>no meio da vegetação, seja em praias de</p><p>rios. Sua pele inconfundível é nua ao</p><p>redor da narina, geralmente vermelha</p><p>ou carmim. No entanto, a coloração</p><p>da ave muda para amarelada em segun-</p><p>dos, devido à alteração da quantidade</p><p>de sangue que circula na pele, variável</p><p>de acordo com o estado emocional do</p><p>momento. O jovem se diferencia pelas</p><p>listras em preto-e-branco, que cobrem</p><p>o peito e a cabeça do adulto. O corpo</p><p>é cinza-escuro, quase negro. Durante</p><p>a noite ou nas horas mais quentes do</p><p>dia, o caracará costuma permanecer em</p><p>galhos altos, sob a copa de árvores isola-</p><p>das ou em matas ribeirinhas. Para avisar</p><p>os companheiros, emite um chamado</p><p>enquanto dobra o pescoço e mantém a</p><p>cabeça sobre as costas</p><p>Polyborus plancus Miller, JF 1777</p><p>a v e S</p><p>Nome popular da espécie: Caracará ou carancho – PANTANAL</p><p>Ordem: Ciconiforme</p><p>Família: Falconidae</p><p>Hábitats: regiões abertas como campos e cerrados do extremo sul norte-americano até a América do Sul</p><p>Tamanho médio: 50 a 60 cm de comprimento</p><p>Ed</p><p>ua</p><p>rd</p><p>o</p><p>Fé</p><p>lix</p><p>J</p><p>us</p><p>tin</p><p>ia</p><p>no</p><p>Reprodução: o período reprodutivo se estende de julho</p><p>a novembro</p><p>Alimentação: grãos e invertebrados</p><p>Características gerais: a principal característica da espé-</p><p>cie é o seu longo penacho vermelho com uma mancha</p><p>preta, sempre mantido ereto ou semi-ereto. O vermelho</p><p>se estende por toda a cabeça, formando um babador que</p><p>vai se estreitando até o alto do peito da ave, que é branca</p><p>no restante das partes inferiores. Esse colar separa o cin-</p><p>za do resto do corpo. As aves jovens saem do ninho com</p><p>as cores apagadas e a cabeça parda (já com penacho),</p><p>mudando para vermelho ao longo do primeiro ano de</p><p>vida. Juvenis, quase adquirindo a plumagem adulta,</p><p>mesclam penas pardas na cabeça. Geralmente calado,</p><p>vive solitário ou em casais durante o período reprodu-</p><p>tivo. É o momento em que os machos cantam – em</p><p>especial, no clarear do dia. Canto flautado, com pios</p><p>altos intermediários</p><p>32 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Paroaria capitata Orbigny & Lafresnaye, 1837</p><p>Nome popular da espécie: Cardeal – PANTANAL</p><p>Ordem: Passeriforme</p><p>Família: Fringillidae</p><p>Hábitats: brejos e matas ciliares da Bolívia ao oeste</p><p>do Estado do Mato Grosso, bem como no Paraguai</p><p>e na Argentina</p><p>Tamanho médio: 16,5 cm de comprimento</p><p>A v e s</p><p>Di</p><p>vu</p><p>lg</p><p>aç</p><p>ão</p><p>S</p><p>ed</p><p>tu</p><p>r</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 33</p><p>Platalea ajaja Lineu, 1758</p><p>Fá</p><p>bi</p><p>o</p><p>Co</p><p>lo</p><p>m</p><p>bi</p><p>ni</p><p>Reprodução: o período reprodutivo se estende</p><p>de julho a outubro. A fêmea geralmente realiza</p><p>a postura de dois a três ovos, que são incuba-</p><p>dos por cerca de 22 dias. Após seis semanas,</p><p>o filhote começa a voar e, aos 3 anos de ida-</p><p>de, atinge a maturidade sexual, apresentando a</p><p>plumagem adulta. Os ninhos são construídos</p><p>com gravetos e talos secos de gramíneas</p><p>Longevidade: entre 10 e 15 anos</p><p>Alimentação: carnívora (peixes, insetos, cama-</p><p>rões, moluscos e crustáceos)</p><p>Características gerais: é uma das aves mais espe-</p><p>taculares do Pantanal, destacando-se pelas suas</p><p>cores vivas. As penas são amarelas, geralmente</p><p>recobertas pela cor rosa na região do ventre,</p><p>que também predomina nos filhotes e ani-</p><p>mais jovens. A coloração do colhereiro muda</p><p>ao longo dos primeiros cinco anos, à medida</p><p>que o pescoço e a cabeça da ave vão se tornan-</p><p>do carecas. Sua principal peculiaridade, como</p><p>seu próprio nome indica, é o bico, em forma-</p><p>to de colher e repleto de terminações nervosas</p><p>na ponta, capazes de detectar os movimentos</p><p>das presas na água. Para apanhar o alimento,</p><p>o animal mantém o bico semi-aberto e sub-</p><p>merso, ao mesmo tempo em que faz movimen-</p><p>tos em semicírculo com a cabeça. É por meio</p><p>dos pigmentos das presas, principalmente dos</p><p>crustáceos, que a ave adquire sua coloração. Na</p><p>época das cheias, ocorre a escassez de alimento,</p><p>e o colhereiro desaparece da planície pantanei-</p><p>ra. Embora a maior população reprodutora da</p><p>espécie esteja no Pantanal e um grupamento</p><p>significativo tenha sido anilhado, ainda não se</p><p>sabe quais são os movimentos dessa ave</p><p>Nome popular da espécie: Colhereiro – PANTANAL</p><p>Ordem: Ciconiiforme</p><p>Família: Threskiornithidae</p><p>Hábitats: mangue e alagados do Sul dos EUA à Argentina</p><p>Tamanho médio: 81 cm</p><p>a v e S</p><p>Speotyto cunicularia Molina, 1782</p><p>Reprodução: entre março e abril, a coruja buraqueira faz seu ninho em</p><p>buracos no solo, aproveitando antigas tocas de tatu e de outros ani-</p><p>mais. A espécie bota de seis a 11 ovos, que ficam encubados por cerca</p><p>de 30 dias. Enquanto a fêmea bota os ovos, o macho providencia a</p><p>alimentação e a proteção para os futuros filhotes. Após o nascimento,</p><p>a cria fica sob os cuidados do macho, deixando o ninho com aproxi-</p><p>madamente 40 dias de vida</p><p>Alimentação: insetos e pequenos animais</p><p>Características gerais: é a mais conhecida das corujas, por ser facil-</p><p>mente vista durante a luz do dia. Caracteriza-se por ter uma visão cem</p><p>vezes mais penetrante que a do homem, além de uma ótima audição.</p><p>Sua cabeça é arredondada, e os olhos são amarelos, enquanto as penas</p><p>da ave remetem a tons terrosos, predominando o vermelho. O nome</p><p>“buraqueira” vem dos locais onde se encontram os ninhos, verdadeiros</p><p>buracos abertos pelas próprias corujas ou por tatus. Quando se sentem</p><p>em perigo, emitem um som alto, forte e estridente, que funciona</p><p>como alarme. Os filhotes, ao escutar o alerta, entram no ninho,</p><p>enquanto os adultos seguem para pousos expostos e atacam a fonte</p><p>de perigo. Ao anoitecer, as atividades da ave se acentuam por ser não</p><p>só o momento da caça, mas também do acasalamento das corujas-bu-</p><p>raqueiras. Ocupam ambientes bastante alterados pelo homem, como</p><p>cidades e pistas de aeroportos</p><p>A v e s</p><p>34 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Nome popular da espécie: Coruja-bura-</p><p>queira – PANTANAL</p><p>Ordem: Strigiforme</p><p>Família: Strigidae</p><p>Hábitats: cerrado, campos e restingas</p><p>que vão desde o Canadá até o extremo</p><p>sul da América do Sul</p><p>Tamanho médio: 21 a 27 cm de compri-</p><p>mento, com envergadura de 50 a 61 cm</p><p>Peso médio: 170 g</p><p>Ed</p><p>ua</p><p>rd</p><p>o</p><p>Fé</p><p>lix</p><p>J</p><p>us</p><p>tin</p><p>ia</p><p>no</p><p>Tyto alba Scopoli, 1769</p><p>Reprodução: as aves se reproduzem entre</p><p>julho e dezembro, botando até quatro ovos</p><p>por vez, que ficam de 30 a 40 dias incuba-</p><p>dos. Após 12 semanas no ninho, os jovens</p><p>pássaros voam para longe</p><p>Longevidade: 20 anos</p><p>Alimentação: vertebrados de pequeno porte,</p><p>como roedores, marsupiais, morcegos, além</p><p>de alguns anfíbios, répteis e aves</p><p>Características gerais: localiza suas presas</p><p>durante a caça, principalmente pela audição,</p><p>que é acentuada devido às penas da face e</p><p>do pescoço da ave, em forma de coração,</p><p>ajudando a levar o som à entrada do ouvido</p><p>externo. Graças a essa estrutura única, se</p><p>separa das demais corujas, enquadrando-se</p><p>numa família especial. Contudo, tem carac-</p><p>terísticas semelhantes às das demais corujas,</p><p>como a ingestão de alimentos inteiros, que</p><p>têm as partes digeríveis e não digeríveis</p><p>separadas no estômago. Quando perturbada,</p><p>emite um sibilo rápido e agudo. À noite, é</p><p>fácil avistá-la pelo ventre e pela cara brancos,</p><p>que se destacam quando iluminados</p><p>Ri</p><p>ca</p><p>rd</p><p>o</p><p>M</p><p>ai</p><p>a</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 35</p><p>Nome popular da espécie: Coruja-suindara</p><p>– PANTANAL</p><p>Ordem: Strigiformes</p><p>Família: Tytonidae</p><p>Hábitats: campos, cerrados e matas secas da</p><p>América do Sul</p><p>Tamanho médio: 36 cm</p><p>Peso médio: 570 g</p><p>a v e S</p><p>Struthioniforme</p><p>Reprodução: na época de acasalamento, o macho reúne um harém de cin-</p><p>co ou seis fêmeas e escolhe um território para fazer o seu ninho. Para atrair</p><p>as parceiras, abre as asas dançando e cantando. Quando o ninho está cheio</p><p>de ovos – cerca de uma dúzia –, o macho se afasta para que as fêmeas</p><p>possam chocá-los. Os filhotes saem dos ovos seis semanas depois, e são</p><p>cuidados pelo pai, tornando-se adultos após dois anos</p><p>Alimentação: onívora (folhas, brotos, sementes, insetos)</p><p>Características gerais: é a maior ave do continente americano, e uma das</p><p>mais antigas, com fósseis de 40 milhões de anos. Caracteriza-se por ser</p><p>corredora e não voadora, embora tenha grandes asas, importantes para o</p><p>equilíbrio do animal e para a mudança de direção durante a corrida. Vive</p><p>em grupo a maior parte do ano. Alimenta-se de pequenas pedras para au-</p><p>xiliar a moela a digerir os componentes mais duros de sua dieta. Embora</p><p>nade com facilidade, prefere as áreas mais secas do Pantanal para viver</p><p>A v e s</p><p>Nome popular da espécie: Ema –</p><p>PANTANAL</p><p>Família: Rheidae</p><p>Hábitats: campos e cerrados da</p><p>América do Sul, principalmente do</p><p>Brasil e da Argentina</p><p>Tamanho médio: até 2 m de compri-</p><p>mento, com envergadura de 1,50 m</p><p>Peso médio: 34 kg</p><p>Ed</p><p>ua</p><p>rd</p><p>o</p><p>Fé</p><p>lix</p><p>J</p><p>us</p><p>tin</p><p>ia</p><p>no</p><p>36 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>Ardea alba Linnaeus, 1758</p><p>Guia de Animais Brasileiros - 37</p><p>Reprodução: na época da reprodução, aparecem no</p><p>dorso dos indivíduos de ambos os sexos as egretas, penas</p><p>delicadas que se eriçam durante a dança nupcial. No final</p><p>do período reprodutivo, elas ficam bem desgastadas e são</p><p>substituídas por penas de cobertura normal</p><p>Alimentação: peixes, anfíbios, répteis e invertebrados</p><p>Características gerais: tem uma penugem de pó concen-</p><p>trada no peito e na região uropigiana. Essas penas cres-</p><p>cem continuamente, até se desintegrarem, dando origem</p><p>a um pó azulado, que é espalhado com o bico por toda</p><p>a plumagem da ave, absorvendo suas impurezas. Com o</p><p>auxílio da unha, transformada em pente, a ave promove</p><p>a limpeza da plumagem. Voa com o pescoço encolhido e</p><p>as pernas estendidas</p><p>Nome popular da espécie: Garça-branca</p><p>– PANTANAL</p><p>Ordem: Ciconiiforme</p><p>Família: Ardeidae</p><p>Hábitats: borda de lagos, rios e banha-</p><p>dos de todo o Brasil</p><p>Tamanho médio: 75 cm</p><p>a v e S</p><p>Di</p><p>vu</p><p>lg</p><p>aç</p><p>ão</p><p>S</p><p>ed</p><p>tu</p><p>r</p><p>38 - Guia de Animais Brasileiros</p><p>A v e s</p><p>Reprodução: no período reprodutivo (julho a novem-</p><p>bro), coloca um ovo sobre a ponta de um galho ou</p><p>tronco. O filhote nasce após 33 dias de encubação, e</p><p>logo adota a postura de proteção, quando deixado sozi-</p><p>nho. Voa cerca de 50 dias após o nascimento</p><p>Alimentação: invertebrados, especialmente os insetos</p><p>Características gerais: por ter plumagens de tons</p><p>cinza-claro e escuro intercalados a círculos sobre as asas</p><p>amarronzadas, o urutau acaba se camuflando entre as</p><p>árvores e os troncos com facilidade, tendo essa caracte-</p><p>rística como sua maior defesa. É um animal de hábitos</p><p>noturnos, que passa os dias na ponta de galhos secos.</p><p>Durante a noite, é mais fácil encontrá-lo, já que o</p><p>urutau emite cantos longos, compostos por cinco notas</p><p>descendentes, assobiadas, claras e espaçadas por interva-</p><p>los regulares. Tem duas pequenas janelas nas pálpebras</p><p>que lhe permitem observar os arredores, detectando</p><p>qualquer situação de perigo. Ao se sentir ameaçado,</p><p>estica lentamente o pescoço, dirigindo o bico para cima</p><p>e encostando a cauda no tronco de apoio, tornando-se</p><p>praticamente invisível no ambiente</p><p>Nyctibius griseus Gmelin, 1789</p><p>Di</p><p>vu</p><p>lg</p><p>aç</p><p>ão</p><p>S</p><p>ed</p><p>tu</p><p>r</p><p>Nome popular da espécie: Urutau – PANTANAL</p><p>Nome científico: Nyctibius griseus Gmelin, 1789</p><p>Ordem: Strigiforme</p><p>Família: Nyctibiidae</p><p>Hábitats: cerrado, orla da mata e campo</p><p>Tamanho médio: 37 cm de comprimento e uma enver-</p><p>gadura de 85 cm</p><p>Peso médio: 160 g e 190 g</p><p>Jacana jacana</p><p>Reprodução: os ovos ficam em estruturas formadas por talos de plantas</p><p>aquáticas flutuantes. São chocados durante 28 dias, sendo papel masculino</p><p>todo o trabalho de criação</p><p>Alimentação: insetos, moluscos, pequenos peixes, folhas e sementes</p><p>Características gerais: o cafezinho é uma das aves mais comuns dos brejos e</p><p>margens de rios do Pantanal, tendo como características marcantes os pés,</p><p>enormes para seu tamanho, e os dedos, longos e finos com unhas muito</p><p>compridas – algumas maiores que os próprios dedos. É graças a essas pecu-</p><p>liaridades que a ave consegue caminhar sobre as plantas aquáticas como se</p><p>estivesse no chão seco, dividindo o peso do corpo por toda a base. Ela vive</p><p>em casais ou em pequenos grupos, sendo a fêmea maior que o macho e a</p><p>responsável pela formação</p>