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Aula três 
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) é uma ferramenta fundamental para profissionais de saúde mental, fornecendo critérios precisos para o diagnóstico e tratamento de transtornos mentais. O DSM-5, a versão mais recente, é uma referência global utilizada por clínicos e pesquisadores de diversas abordagens terapêuticas. Além de facilitar diagnósticos e tratamentos, o DSM-5 é importante para estatísticas de saúde pública.
Por outro lado, a Classificação Internacional de Doenças (CID), especialmente na sua versão mais recente, a CID-11, é vital para uma ampla gama de usos em todo o mundo, fornecendo dados críticos sobre doenças e mortes. Ela é essencial para registros de saúde, estatísticas, planejamento de serviços de saúde, pesquisa e padronização da coleta de dados.
Ambos, o DSM e a CID, são ferramentas essenciais para compreender, diagnosticar e tratar doenças mentais e físicas em escala global, sendo utilizados por profissionais de saúde em todo o mundo.
O CID é uma classificação abrangente que engloba todas as doenças, não apenas transtornos mentais, enquanto o DSM-5 é focado especificamente em transtornos mentais.
A psicopatologia infantil aborda distúrbios psicológicos relacionados ao desenvolvimento emocional e psicossexual da criança, que também são influenciados pela adolescência, marcada por conflitos e busca de identidade.
Transtornos mentais na infância e adolescência são significativos, sendo a depressão a principal causa de incapacidade. No entanto, o estigma em relação à saúde mental muitas vezes impede que as pessoas procurem ajuda.
Diversas abordagens teóricas influenciaram a psicologia infantil, incluindo medicina, estatística, psicanálise e teoria do comportamento. Estudos se concentraram em identificar aspectos normais e patológicos do desenvolvimento, com ênfase em nutrição e desenvolvimento físico após a Primeira Guerra Mundial.
Duas abordagens principais surgiram: uma clínica, centrada em estudos de casos e teoria do desenvolvimento da personalidade, e outra experimental, focada em experimentação e mensuração.
A teoria da personalidade de Freud influenciou fortemente o campo, destacando variáveis motivacionais e de personalidade na realização escolar, enquanto assistentes sociais contribuíram para compreender elementos sociais e familiares no desenvolvimento emocional.
A partir dos anos 20, a antropologia trouxe contribuições ao estudo da infância, especialmente em termos de contextos familiares, e métodos transculturais de pesquisa foram formalizados.
Estudos abordaram diversas funções mentais e aspectos como memória, percepção, inteligência e emoção, com obtenção de dados normativos em várias faixas etárias.
 TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade): Crianças com TDAH têm dificuldade em prestar atenção, são muito impulsivas e hiperativas.
 TEA (Transtorno do Espectro Autista): Afeta a forma como a criança se comunica, interage e se comporta. Podem ter dificuldades em se relacionar com os outros e têm comportamentos repetitivos.
 Ansiedade Infantil: Crianças com ansiedade têm muitos medos, têm dificuldade em dormir e muitas vezes evitam certas situações.
 Depressão Infantil: Causa tristeza profunda, raiva e faz com que a criança se sinta isolada. Afeta o humor, o sono e o apetite.
 TOD (Transtorno Opositivo-Desafiador): Crianças com TOD são desobedientes, hostis e desafiadoras.
 Transtorno de Conduta: Crianças com esse transtorno são agressivas e desobedientes.
 Distúrbios Alimentares: Anorexia nervosa faz a pessoa perder muito peso e bulimia nervosa faz com que ela coma compulsivamente e depois se livre das calorias.
 Pica: Faz a criança comer coisas que não são comida, como terra ou cabelo.
 Ruminação: A criança regurgita e mastiga novamente os alimentos que já havia engolido.
 Distúrbios de Eliminação: Enurese é quando a criança urina na cama e encoprese é quando ela faz cocô em lugares errados.
 Distúrbios do Sono: Dificuldade em dormir bem, sonambulismo, pesadelos e terrores noturnos.
 Tiques: São movimentos ou sons que a criança faz sem querer, como piscar os olhos ou fungar.
 Transtornos de Ansiedade: Crianças com transtorno de ansiedade têm muitos medos irracionais.
 Transtornos do Humor: Episódios de tristeza profunda ou irritabilidade.
 Transtornos Comportamentais: Crianças com distúrbios dissociais têm comportamentos desafiadores e muitas vezes violam as regras sociais.
A doença mental é uma condição que afeta profundamente a maneira como pensamos, sentimos e nos comportamos. Ela não é apenas uma questão física, mas algo que molda nossa humanidade e nossa interação com o mundo ao nosso redor. Michel Foucault, em "A história da loucura na época clássica", destaca como a psiquiatria se desenvolveu não tanto pela busca pela liberdade, mas pelos constrangimentos sociais que moldam nossa compreensão da loucura.
Nossa cultura desempenha um papel importante na forma como experimentamos e lidamos com doenças mentais. Ela influencia como os sintomas se manifestam, como buscamos ajuda e como respondemos aos tratamentos. Por exemplo, em algumas culturas, o humor deprimido e a ansiedade podem ser vistos como questões morais ou de caráter, enquanto em outras são reconhecidos como problemas de saúde mental.
Atualmente, há uma tendência para diagnósticos baseados na biologia e tratamentos medicamentosos, o que pode ampliar a categoria da depressão e exagerar na dependência de medicamentos.
Os transtornos mentais abrangem uma variedade de alterações no pensamento, emoções e comportamento que causam sofrimento ou interferem na vida cotidiana. Eles resultam de uma complexa interação entre fatores genéticos, biológicos, psicológicos e ambientais. Por exemplo, o estresse no trabalho pode desencadear transtornos mentais em pessoas com predisposição genética ou vulnerabilidade psicológica.
Resumindo, as doenças mentais afetam nossa humanidade e interação com o mundo, são influenciadas pela cultura, podem ser interpretadas de maneiras diferentes e resultam de uma interação complexa de fatores genéticos, biológicos, psicológicos e ambientais.
Aula 4
Consciência:
· A consciência é a percepção ou reconhecimento do ambiente e da própria existência. Ela permite a integração de diferentes processos mentais, como percepção, memória, pensamento e emoção, em um estado unificado.
· Na neuropsicologia, a consciência está relacionada ao estado de vigilância, que é a capacidade de estar alerta e consciente do ambiente circundante.
· Na psicologia, a consciência é vista como a soma total das experiências conscientes em um determinado momento. Ela inclui a consciência de si mesmo (consciência do eu) e a consciência dos objetos no ambiente (consciência dos objetos).
· Alterações na consciência podem ocorrer normalmente, como durante o sono, ou patologicamente, como em casos de coma ou transtornos psiquiátricos.
Atenção:
· A atenção é a capacidade de concentrar a atividade mental em um objeto interno ou externo específico. Ela nos permite selecionar, filtrar e organizar informações de maneira significativa.
· Existem diferentes tipos de atenção, como a atenção voluntária, que envolve um esforço consciente na direção do objeto, e a atenção espontânea, que ocorre automaticamente em resposta a estímulos.
· Alterações na atenção podem incluir dificuldade de concentração (hipoprosexia), perda completa de atenção (aprosexia), atenção excessiva (hiperprosexia), distração e dificuldade em manter a atenção (distraibilidade).
Orientação:
· A orientação refere-se à capacidade de se situar em relação ao ambiente, incluindo noções de tempo e espaço.
· Ela pode ser dividida em orientação autopsíquica (relativa ao próprio eu) e alopsíquica (relativa ao mundo exterior).
· A desorientação pode ocorrer em diferentes níveis, começando com a perda de noções temporais e avançando para a perda de noções espaciais e identidade pessoal.
Vivências do tempo e espaço:
· O tempo e o espaço são fundamentais para a nossa compreensão do mundo e da nossaprópria existência.
· Alterações nas vivências do tempo podem ocorrer em diferentes condições psiquiátricas, como depressão, mania, esquizofrenia e intoxicação por substâncias.
· Essas alterações podem afetar a percepção do tempo como lento, rápido, deformado ou desintegrado, influenciando a experiência subjetiva do indivíduo.
Sensopercepção:
· A sensopercepção envolve a recepção e interpretação das informações sensoriais do ambiente, como visão, audição, tato, olfato e paladar.
· Ela é a primeira etapa do processo cognitivo, permitindo que reconheçamos as qualidades elementares dos objetos, como cor, forma, textura e temperatura.
· Alterações na sensopercepção podem incluir aumento ou diminuição da intensidade das sensações (hiperestesias e hipoestesias), sensações dolorosas sem estímulo adequado (hiperpatias), perda de sensação (anestesias) e perda de sensações dolorosas (analgesias).
· Além disso, podem ocorrer distorções na percepção sensorial, como ilusões, alucinações, pareidolia (interpretação errônea de estímulos) e sinestesia (associação de sensações entre diferentes modalidades sensoriais)
· ]
As anestesias e analgesias são alterações qualitativas da sensopercepção que envolvem a perda de sensações táteis e dolorosas, respectivamente. Enquanto a anestesia se refere à perda da sensação tátil em uma área específica da pele, a analgesia é a perda das sensações de dor nessa mesma área.
Já as alterações qualitativas da sensopercepção são representadas por:
· Ilusão: É uma percepção distorcida ou falsa de um objeto real presente no ambiente. Por exemplo, uma pessoa pode interpretar erroneamente uma sombra como uma figura ameaçadora.
· Alucinação: Nesse fenômeno, a pessoa percebe algo que não está presente no ambiente externo. Por exemplo, alguém pode ouvir vozes mesmo quando ninguém está falando.
· Pareidolia: Consiste na interpretação de formas ou padrões aleatórios como algo reconhecível, geralmente uma face ou figura humana. Por exemplo, ver rostos em nuvens ou em manchas na parede.
· Sinestesia: É quando um estímulo sensorial em uma modalidade é percebido como uma sensação em outra modalidade. Por exemplo, associar cores a sons ou sabores a formas.
Consciência:*
- Síntese de processos mentais.
- Não há funções psíquicas isoladas.
- Define-se neuropsicologicamente como estado de vigilância.
- Psicologicamente, é a soma das experiências conscientes.
- Características incluem distinção eu/não eu, intencionalidade e reflexão.
*Atenção:*
- Concentração mental em objeto interno ou externo.
- Processo de seleção, filtragem e organização de informações.
- Voluntária (intencional) ou espontânea (reativa).
- Subdividida em diversas formas.
*Sensopercepção:*
- Primeira etapa da cognição.
- Sensação: fenômeno passivo e objetivo.
- Percepção: fenômeno ativo, consciente e subjetivo.
- Classificada em exteroceptivas, interoceptivas e proprioceptivas.
- Processo envolve imagem perceptiva com várias qualidades.
*Alterações da Consciência:*
- Normais (sono) e patológicas (rebaixamento, elevação).
- Rebaixamento inclui obnubilação, torpor, sopor e coma.
- Elevação apenas teoricamente possível.
*Alterações da Atenção:*
- Hipoprosexia, aprosexia, hiperprosexia.
- Distração e distraibilidade como sintomas.
- Importância da atenção para consciência e sensopercepção.
*Alterações da Sensopercepção:*
- Quantitativas (hiperestesias, hipoestesias) e qualitativas (ilusão, alucinação).
- Sinestesia e pareidolia como fenômenos.

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