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LG – 2o dia | Caderno 1 - Amarelo - Página 25 QUESTÃO 42 Desperdício Brasil Sempre que se reúnem para lamuriar, os empresários falam no Custo Brasil, no preço que pagam para fazer negócios num país com regras obsoletas e vícios incrustados. O atraso brasileiro é quase sempre atribuído a alguma forma de corporativismo anacrônico ou privilégio renitente que quase sempre têm a ver com o trabalho superprotegido, com leis sociais ultrapassadas e com outras bondades inócuas, coisas do populismo irresponsável, que nos impedem de ser modernos e competitivos. Raramente falam no que o capitalismo subsidiado custa ao Brasil. (...) O Custo Brasil dos lamentos empresariais existe, como existem empresários responsáveis que pelo menos reconhecem a pilhagem, mas muito mais lamentável e atrasado é o Desperdício Brasil, o progresso e o produto de uma minoria que nunca são distribuídos, que não chegam à maioria de forma alguma, que não afetam a miséria à sua volta por nenhum canal, muito menos pela via óbvia da tributação. Dizem que com o que não é pago de imposto justo no Brasil daria para construir outro Brasil. Não é verdade. Daria para construir dois outros Brasis. E ainda sobrava um pouco para ajudar a Argentina, coitada. Luis Fernando Veríssimo O texto cujos fragmentos acima se reproduzem não foi escrito recentemente, mas guarda atualidade, pois coloca em questão um debate que está na ordem do dia. Sobre o assunto, pode-se inferir que o autor tem como objetivo precípuo hipotecar seu apoio às críticas dos empresários quanto aos ônus que lhes são impostos para exercerem suas atividades empreendedoras no país. incorporar à discussão, para reflexão do seu público- -leitor, o conceito de “Desperdício Brasil”, que responderia pela manutenção das grandes desigualdades sociais. responsabilizar diretamente todo o corpo de empresários brasileiros pela visão corporativa, anacrônica e eivada de privilégios que apresentam no cenário nacional. negar validade aos argumentos empresariais quanto ao chamado Custo Brasil, em razão da existência do chamado “capitalismo subsidiado”. associar-se aos empresários, atribuindo à tributação injusta uma das causas dos níveis de miséria existentes no Brasil. QUESTÃO 43 Projeto Ludwig “A música é algo especial demais”, diz Raphael Silva, “ela me traz um sentimento incrível e eu quero que todo mundo sinta isso também. Até quem não pode ouvir”. Essa ideia, que a princípio parece apenas um sonho impossível, é o objetivo principal do Projeto Ludwig, uma solução tecnológica que usa os outros sentidos, como visão e tato, para proporcionar uma experiência musical para deficientes auditivos. Através de uma pulseira conectada a um aplicativo, o Ludwig converte as ondas sonoras musicais em uma série de cores e vibrações que conseguem fazer com que deficientes auditivos consigam “sentir” a música. “Para a grande maioria dos surdos, é um universo totalmente novo. Queremos levar o benefício da música para todos, independentemente das limitações”, diz Raphael. Para a equipe do projeto, a música é uma das mais importantes formas de comunicação entre os seres humanos e seus integrantes – entre os quais está Raphael – acreditam que o poder de transformação deve ser universal. “É uma arte que emociona, representa, muda, sensibiliza e faz do nosso mundo algo especial, diferente”, diz Raphael. “Todos merecem ter acesso a esta arte e usufruir de seus benefícios”. O nome do projeto foi inspirado no compositor Ludwig van Beethoven, que, mesmo praticamente surdo ao final de sua carreira, continuava compondo. (...) O contato profundo com a comunidade surda tem mostrado à equipe que o projeto não apenas apresenta novas sensações para seus usuários, mas também abre um leque de possibilidades de comunicação e expressão pessoal. “Percebemos que muitos sentimentos não são passados para nós, que temos uma barreira de expressão que vai muito além da comunicação; são emoções e sentimentos suprimidos, que nós queremos colocar para fora.” REIS, Gabriel. Disponível em: amaphiko.redbull.com. Acesso em 29 jun. 2016 (adaptado). O Projeto Ludwig revela a relevância do impacto social das tecnologias de informação e comunicação, e tem como objetivo principal um processo de inclusão social de um grupo específico, que envolve aspectos sinestésicos. uma ação humanitária capaz de aproximar os deficientes visuais e auditivos. uma possibilidade de aproximação entre a obra de Beethoven e os beneficiados. um contato mais profundo entre os seus criadores e a comunidade dos deficientes auditivos. A valorização da música como atividade capaz de despertar emoções do público em geral.