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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA CRIMINAL DA COMARCA DE MARACAJU-MS
Leibes Alencar Menezes, brasileiro, divorciando, trabalho informal (uber), inscrito no CPF sob nº 768.835.901-53, RG: 1340975 SSP/DF residente e domiciliado em QR 502, conjunto 5, casa 22, Samambaia Sul, Brasília/DF, CEP: 72.310-405 devidamente qualificado nos autos em epígrafe, atualmente recolhido no presídio Dois Irmãos do Buritis/MS, por intermédio de seu defensores constituídos, conforme instrumento particular de procuração anexo, vêm, respeitosamente à presença de Vossa Excelência, apresentar
PEDIDO DE REVOGAÇÃO DE PRISÃO PREVENTIVA
Com fundamento no artigo 5º, inciso LXV, da Constituição Federal, e no artigo 316 do Código de Processo Penal, pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos.
1 - DOS FATOS
Leibes Alencar Menezes, foi preso em flagrante delito na data de 03/06/2023 pela prática do crime de tráfico ilícito de entorpecentes (art. 33, caput, c/c art.40, V da Lei n. 11.343/06), pois trazia consigo quantidades da droga conhecida como maconha. O acusado relata em seu depoimento policial que iria buscar cigarros eletrônicos e trazer para Brasília.
Assim, foi indiciado pela prática do crime disciplinado pelo artigo 33, caput, c/c art.40,V da Lei n. 11.343/06 e, posteriormente, teve sua prisão preventiva 
decretada sob o pretexto de que os requisitos apresentados no artigo 313 do Código de Processo Penal foram preenchidos.
O magistrado decidiu por acatar o pedido do Ministério Público, motivando sua decisão de forma genérica usando como argumentos a quantidade de droga e o suposto periculum libertatis do indiciado.
Logo, parte-se a exposição dos motivos jurídicos condizentes ao caso.
2 - DA REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA
Com a entrada em vigor da Lei 12.403/11, para além da demonstração do fumus comissi delicti, consubstanciado pela prova da materialidade e indícios suficientes de autoria ou de participação, e do periculum libertatis (garantia da ordem pública, da ordem econômica, conveniência da instrução criminal ou garantia da aplicação penal), também passa a ser necessária a DEMONSTRAÇÃO DA INEFICÁCIA ou da impossibilidade de aplicação de qualquer das medidas cautelares diversas da prisão.
 Neste sentido o artigo 282, §6º do CPP estabelece que a prisão preventiva será determinada quando não for cabível a sua substituição por outra medida cautelar.
O artigo 310, II do CPP autoriza a prisão preventiva quando presentes os requisitos do artigo 312 do CPP e se revelarem inadequadas ou insuficientes às medidas cautelares diversas da prisão. 
Concluindo que as medidas cautelares trazidas pela Lei 12.403/11 são preferíveis em relação à prisão preventiva, vez que se deve sempre privilegiar os meios menos gravosos e restritivos de direitos fundamentais. 
Por outro lado, BADARÓ ensina que a prisão preventiva deve ter vez quando todas as outras medidas alternativas se mostrarem inadequadas. 
Tal tema é cristalino em nosso ordenamento de forma objetiva, já tratado na legislação pátria, na qual discorre que para a referida decretação, necessário se faz a comprovação fundamentada de sua extrema necessidade, uma vez que a prisão é uma medida dura e de exceção, devendo ser executada apenas quando inexistirem outras medidas menos gravosa que não macule a presunção de inocência ou não culpabilidade. Assim preleciona o artigo 312, do CPP.
Ora, no caso em tela, deve ser considerado que o requerente, ainda que indiciado por crime cuja pena máxima é superior a 04 anos, obviamente incorre na hipótese descrita no artigo 33, § 4º, da Lei 13.343/06 e ainda que não seja possível a concessão do presente privilégio antes do término da instrução, submeter o Réu, primário e de bons antecedentes, ao ambiente prisional gera mais dano à sociedade do que sua estadia em liberdade.
É evidente que pela análise sistemática do artigo 312 do Código de Processo Penal, a prisão preventiva tem como função preservar a ordem pública e garantir a efetiva aplicação da lei penal quando necessário.
Nesse sentido, as provas juntadas aos autos evidenciam que o Sr. Leibes, embora atualmente se encontre desempregado, sempre teve ocupação lícita e tem sua Carteira de Trabalho assinada desde os 14 anos de idade. Ademais, obteve muita experiência na área de grandes atacados do Distrito Federal. Cabe salientar que há cerca de 1(mês) atrás, estava sob a vigência de um contrato temporária de trabalho, conforme anexado.
Durante o período da pandemia, o requerente passou por problemas financeiros, ficou desempregado e também já enfrentou problemas psicológicos relacionados à depressão. Além disso, desde o início do ano, enfrenta um divórcio litigioso que lhe causa intenso desgaste emocional. Todas as alegações podem ser comprovadas mediante os documentos apensados nos autos.
O carro apreendido durante o flagrante, atualmente, encontra-se com restrição judicial de circulação pelo motivo de ter parcelas atrasadas, o que denota a vida financeira conturbada do acautelado.
Hodiernamente, o acusado está morando junto com sua mãe no endereço citado pelo mesmo durante o depoimento em sede policial. Assim, resta comprovado o alegado conforme documento acostado. Com efeito, demonstra-se que o Sr. Leibes possuiu residência fixa.
Neste sentido, quando analisado o contexto social a que foi inserido o Réu, com sua submissão à prisão, podemos aduzir que a declaração de prisão preventiva é desnecessária e prejudicial não só ao Réu, como à própria sociedade, que será obrigada a conviver com um indivíduo que foi submetido ao distorcido sistema prisional brasileiro no qual um Réu primário pode vir a ser convertido em um futuro criminoso.
2.1 - GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA
Verificamos a ausência de tal requisito, uma vez que a prisão do requerente não poderia ser mantida sob esta ótica, visto que o acusado é primário, nunca se envolveu em qualquer delito e nunca respondeu a um processo criminal, consoante as certidões negativas do seu Estado de origem ora anexadas a este processo.
Sabemos que, em tese, o fundamento da garantia da ordem pública consubstancia-se em impedir que o agente, solto, continue a delinquir ou acautelar o meio social, no entanto, PRECLARO JULGADOR, o acusado é pessoa idônea na comunidade em que reside, gozando da amizade de todos, sendo pessoa bem quista, conforme constatado na declaração de idoneidade moral juntada nos autos, merecendo a oportunidade de responder em liberdade esta acusação.
Neste ponto, considerando todos estes elementos, podemos, certamente, chegar à conclusão de que o acusado não detém personalidade criminosa que poderia pôr em risco a ordem pública caso estivesse em liberdade.
Data vênia o entendimento de Vossa Excelência, acreditamos que as alusões feitas a garantia da ordem pública não mais se sustentam, haja vista que não expressam relação com o risco a ordem pública que ele oferece.
Logo, com o réu em liberdade, de nenhuma forma estará prejudicada a ordem pública, posto que de boa conduta, primário e tem bons antecedentes, como se observa das certidões supracitadas. Portanto, sua liberdade não colocará em risco a paz social, visto que o acusado nunca foi propenso à prática de conduta delituosa, sendo esta conduta um acontecimento isolado na sua vida pessoal.
Por sua vez, é de se ressaltar que a gravidade do delito, por si só, não é capaz de ensejar a decretação da custódia preventiva. ("A gravidade do crime imputado ao réu, por si só, não é motivo suficiente para a prisão preventiva". STF, HC. nº 67.850-5”)
 	Nessa linha, o renomado TOURINHO FILHO ensina que:
“Cabe ao Juiz, em cada caso concreto, analisar os autos e perquirir se existem provas atinentes a qualquer uma daquelas circunstâncias. De nada vale seu convencimento pessoal. De nada vale a mera presunção. Se a Constituição proclama a “presunção de inocência do réu ainda não 
definitivamente condenado”, como pode o Juiz presumir que ele vai fugir, que vai prejudicar a instrução, que vai cometer novas infrações? Como pode o juiz estabelecer presunção contráriaao réu se a Lei Maior proclama-lhe presunção de inocência? Dizer o Juiz “decreto a prisão pro conveniência da instrução” ou “para assegurar a aplicação da lei”, ou “para garantir a ordem pública”, diz magnificamente Tornaghi, é a mais rematada expressão da prepotência do arbítrio e da opressão.” (Código de Processo Penal Comentado; vol. I; ed. Saraiva; 1996; p. 489). (Grifo nosso).
No ordenamento constitucional vigente, A LIBERDADE É REGRA, excetuada apenas quando concretamente se comprovar, em relação ao indiciado ou réu, a existência de periculum libertatis, o que não acontece no caso em tela. A gravidade dos fatos imputados não pode servir como motivo extra legem para decretação da prisão provisória.
A segregação cautelar não pode, e não deve ser utilizada pelo Poder Público, como instrumento de punição antecipada daquele a quem se imputou a prática do delito, eis que, no sistema jurídico brasileiro, fundado em bases democráticas, prevalece o princípio da liberdade (CF, art. 5, LXVI), incompatível com punições sem processo e inconciliável com condenações sem defesa.
O caráter da periculosidade que aliada a gravidade do delito, poderia ensejar a prisão preventiva, não está presente na vida do requerente, por conseguinte, não deve ser imposta a custódia provisória, com o argumento de garantir a ordem pública.
2.2 PARA A CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL
Nesse ponto, vale ainda asseverar que o requerente não tem intenção de prejudicar o andamento processual, pelo contrário, tem todo interesse em contribuir com a justiça, provando sua inocência.
Sendo assim, reconhece-se que seria totalmente inaplicável ao exemplo em questão a necessidade da custódia com base nesse requisito, portanto, manter-se preso o acusado sob a alegação de conveniência da instrução criminal não é fato que pode ser concebido, uma vez que o requerente não tem nenhuma 
intenção em perturbar a busca da verdade real, atrapalhando na produção das provas processuais. 
Sua intenção é de tão somente defender-se da acusação contra ele proferida, o que pode fazer em liberdade, não prejudicando a instrução criminal.
2.3 PARA A APLICAÇÃO DA LEI PENAL
Por fim, ressaltamos que o decreto não alude a esse fundamento, todavia, esclarecemos que o réu tem endereço certo, como se observa dos documentos pessoais juntados aos autos.
Observa-se então, que, em nenhum momento restou demonstrado, no caso em espécie, quais elementos indicam o periculum libertatis, devendo ser reconhecido, que sem a presença dos requisitos e pressupostos autorizadores da custódia preventiva, o requerente deve ser posto em liberdade consoante Artigo 321 do CPP.
Art. 321. Ausentes os requisitos que autorizam a decretação da prisão preventiva, o juiz deverá conceder liberdade provisória, impondo, se for o caso, as medidas cautelares previstas no art. 319 deste Código e observados os critérios constantes do art. 282 deste Código. (Grifo Nosso)
Por todo o exposto, requer seja REVOGADA A PRISÃO PREVENTIVA, por ausentes os requisitos do Código de Processo Penal, com devida EXPEDIÇÃO DE ALVARÁ DE SOLTURA EM FAVOR DO REQUERENTE, como medida de INTEIRA JUSTIÇA.
3 - DAS MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO
Caso Vossa Excelência entenda por não revogar a prisão preventiva, requer se digne analisar sobre as medidas cautelares diversas da prisão conforme estabelece o Artigo.282 do CPP.
Art. 282. As medidas cautelares previstas neste Título deverão ser aplicadas observando-se a:
I - necessidade para aplicação da lei penal, para a investigação ou a instrução criminal e, nos casos expressamente previstos, para evitar a prática de infrações penais;
II - adequação da medida à gravidade do crime, circunstâncias do fato e condições pessoais do indiciado ou acusado.
(...)
§ 6º A prisão preventiva será determinada quando não for cabível a sua substituição por outra medida cautelar (art. 319). (Grifo nosso)
Dessa forma, é perfeitamente cabível que sejam impostas medidas cautelares diversas da prisão, previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal:
Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão:
I - comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições fixadas pelo juiz, para informar e justificar atividades;
II - proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado permanecer distante desses locais para evitar o risco de novas infrações;
III - proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado dela permanecer distante;
IV - proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou instrução;
V - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o investigado ou acusado tenha residência e trabalho fixos;
VI - suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando houver justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais;
VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou grave ameaça, quando os peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável (art. 26 do Código Penal) e houver risco de reiteração;
VIII - fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de resistência injustificada à ordem judicial;
IX - monitoração eletrônica.
Portanto, a liberdade poderá ser concedida ao Requerente, decretando, subsidiariamente, as medidas cautelares diversas da prisão, conforme preconiza os artigos 319 e 320 ambos do Código de Processo Penal, isto porque, as suas circunstâncias e condições pessoais dão ensejo a aplicação de tais medidas.
4 - DOS PEDIDOS
Ante ao exposto, requer:
a) revogar a prisão preventiva do acusado Leibes Alencar Menezes, concedendo a liberdade provisória;
b) revogar a prisão preventiva decretada, substituindo-a por medidas cautelares diversas da prisão, notadamente o monitoramento eletrônico;
c) em qualquer das hipóteses acima, determinar a expedição do competente alvará de soltura em favor do acusado, devendo o mesmo ser posto em liberdade, se por outro motivo não deva permanecer preso.
Termos em que,
Pede deferimento.
Brasília/DF, 13 de junho de 2023.
GABRIEL ALENCAR PEREIRA
OAB/DF nº 71.337
RAYLANE EMILY ARAUJO VEIGA
OAB/DF nº 71.476

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