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Embriologia e 
Desenvolvimento 
Ocular
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Esp. Roberta Leal 
Revisão Textual:
Mateus Gonçalves Santos
Estrutura e Fisiologia das Células e Tecidos 
Estrutura e Fisiologia 
das Células e Tecidos 
 
 
• Reconhecer as células como as menores unidades funcionais dos seres vivos;
• Conhecer as funções das organelas presentes no interior das células eucarióticas;
• Compreender as diferentes propriedades das membranas celulares;
• Descrever as formas de substâncias através da membrana;
• Reconhecer os processos de divisão celular e sua importância prática para os organismos;
• Compreender os fenômenos biológicos em nível celular, relacionando-os com os diversos 
tipos de tecidos e órgãos humanos identificando suas estruturas microscópicas. 
OBJETIVOS DE APRENDIZADO 
• Introdução ao Estudo das Células;
• Partes da Célula;
• Divisão Celular;
• Classificação Geral Histológica.
UNIDADE Estrutura e Fisiologia das Células e Tecidos 
Contextualização
Nesta unidade, vamos tratar das estruturas mais básicas para o surgimento da vida de 
qualquer ser vivo. Porém nosso maior foco é abordar o funcionamento do ser humano. 
Tenha em mente a ideia de que tudo o que podemos ver de grandioso no organismo é 
resultado da ação de pequenas estruturas. E falando em resultados, esperamos que os 
seus, durante a vida, sejam os melhores! 
Estamos aqui para ajudar nisso! Mas não se esqueça: isso dependerá muito mais de 
você! Nós, aqui, direcionaremos um pouco o seu olhar para as coisas mais importan-
tes e para as ideias que precisam ser compreendidas para o entendimento desta e das 
próximas disciplinas do seu curso. Mas quem é o grande responsável pelo aprendizado, 
de fato, é você! Por isso, não estude só o que tiver ao longo dessas páginas. Vá além! 
Leia muito: jornais, revistas, coisas sobre ciências e sobre o mundo – afinal, ele é grande 
demais para caber em alguns capítulos! Não se engane: o conhecimento é sempre o 
melhor investimento. Conte comigo e com toda a Equipe Cruzeiro do Sul durante essa 
tarefa. Pode estar certo(a) de que estamos torcendo por você! 
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Introdução ao Estudo das Células
Já parou para pensar do que somos feitos? O que todos os seres vivos têm em co-
mum? Se você acha que respirar é a resposta para essa pergunta, você está enganado(a)! 
Na verdade, o que nos torna seres vivos é a presença de células. Enquanto alguns seres 
vivos têm trilhões de células, como as árvores, outros têm uma só, como as bactérias. 
A célula é uma unidade funcional e estrutural que estabelece interação entre seus 
componentes e sob o meio extracelular. Unidade estrutural, porque as células consti-
tuem nosso organismo; e unidade funcional, porque são capazes de exercer as funções 
básicas da vida, como metabolismo, produção de energia e reprodução. Mas se todos os 
seres vivos são formados por células, como possuímos características diferentes? As cé-
lulas fazem parte de um nível hierárquico de organização de um ser vivo e juntas formam 
um tecido, que, em conjunto, formam um órgão, e, por sua vez, formam sistemas até 
dar origem ao nível mais complexo de ser vivo, um organismo (Figura 1). As diferentes 
composições do material que se encontra nas células e, por consequência, nos tecidos, 
órgãos, e sistemas é o que torna os seres vivos diferentes entre si. 
Você Sabia?
Os vírus não possuem células, por isso, necessitam da célula de um hospedeiro para so-
breviver, portanto, não são considerados seres vivos. Entretanto muitos cientistas acre-
ditam que a capacidade de sofrer mutações e de se reproduzir já os torna seres vivos. Há 
uma grande discussão sobre o assunto.
Nível de tecido
Nível de célula
Nível molecular
Nível atômico Nível do dispositivo
Nível do organismo
Nível do órgão
Figura 1 – Níveis de organização do corpo humano
Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons
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UNIDADE Estrutura e Fisiologia das Células e Tecidos 
Partes da Célula
A célula é uma unidade pequena, mas muito complexa, e muito semelhante com uma 
fábrica. Assim como a fábrica, a célula possui muros delimitando sua área, portas de entrada 
e saída, setores com atribuições específicas e um centro de comando. Os muros da célula 
são representados pela membrana plasmática, que separa o conteúdo intracelular do meio 
extracelular. A área setorizada da célula é o citoplasma, onde se localizam as organelas, que 
são as estruturas responsáveis pelas diferentes funções da célula. O centro de comando da 
célula é o núcleo, região que contém todo o material genético do indivíduo (Figura 2).
Célula animal
Aparelho de Golgi
Centrossoma
Citoplasma
Ribossomo
Lisossoma
Núcleo
Nucléolo
Vesícula
Membrana
Citoesqueleto
Mitocôndria
Retículo
endoplasmático liso
Retículo
endoplasmatico rugoso
Figura 2 – Partes da célula
Fonte: Adaptado de Getty Images
Agora imagine como um grupo de células pode formar um tecido, por exemplo, o 
tecido nervoso. Isso é possível porque estas células são idênticas e, agrupadas, podem 
desempenhar a mesma função. Conforme veremos nesta unidade, no caso do tecido 
nervoso todas essas células são capazes de propagar impulsos nervosos. Dentro de um 
organismo existem diferentes tipos de células (Figura 3). Estas células são especializadas 
para diferentes funções, e isto torna possível a existência dos nossos diferentes órgãos.
Célula humana
Hemácia
Glóbulo brancoNeurônios motores
Célula de esperma
Óvulo
Célula óssea
Células no
revestimento
interno do
intestino
Figura 3 – Diferentes tipos de células do corpo humano
Fonte: Adaptado de Getty Images
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Membrana Plasmática
A membrana plasmática é uma película fina, delicada e elástica, que define os meios 
intra e extracelulares. Essa característica delimita o conteúdo da célula e confere indi-
vidualidade a ela. A membrana mede cerca de 7 a 10 µm de espessura e só pode ser 
vista no microscópio eletrônico. É constituída por uma bicamada fluida de fosfolipídios
e proteínas. As proteínas da membrana plasmática atuam nos mecanismos de transpor-
te, organizando verdadeiros túneis. Esses túneis permitem a passagem de substâncias 
para dentro e para fora da célula. Além disso, funcionam como receptores de membra-
na, encarregados de receber sinais de substâncias que levam mensagens para a célula. 
Sabe por que a chamamos de bicamada fluida? Porque são duas camadas não estáticas, 
ou seja, os lipídios movem-se proporcionando fluidez à membrana, como vemos na 
Figura 4. Esses fosfolipídios e proteínas são componentes essenciais para fazer com 
que a membrana não seja permeável a todas as substâncias. Tal composição permite à 
membrana estabelecer uma seleção sobre o que entra e o que sai da célula, fenômeno 
chamado de permeabilidade seletiva. 
Fosfolipídios são moléculas anfipáticas, ou seja, possuem parte da molécula que é hidrofílica 
e a outra parte que é hidrofóbica: Possuem uma cabeça constituída pelo grupo fosfato (polar) 
ligado a uma cauda constituída por cadeias de ácidos graxos (apolares). Na membrana celular 
as cabeças polares ficam voltadas para o exterior e as caudas apolares para o interior.
Curiosamente, esta fluidez significa que se você inserir uma agulha muito fina em 
uma célula, a membrana irá simplesmente fluir ao redor da agulha; e, uma vez que 
a agulha é removida, a membrana irá se reconstituir sem qualquer problema.
Fora da membrana celular
Dentro da membrana
celular (citoplasma)
Cadeia de carboidratos Proteína globular Glicoproteína
Bicamada
fosfolipídica
Proteína Hidrofóbica
Alfa HéliceProteína
periférica
Colesterol
Canal de proteína
(proteína de transporte)
Proteína integral
Polar
Polar
Não polar
Glicolipídeo
Cabeça hidrofílica
Cauda hidrofílica
Fosfolipídeo
Figura 4 – Componentes da membrana plasmática em seu modelo mosaico fl uido
Fonte: Adaptado de Getty Images
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UNIDADE Estrutura e Fisiologia das Células e Tecidos 
Por que será que a membrana plasmática é tão importante?
Um exemplo relevante sobre a importância da membrana plasmáticatem relação com o vírus 
que ocasionou uma das maiores pandemias da história da humanidade, o coronavírus, que 
causa a COVID-19. Resumidamente, o vírus necessita de uma célula hospedeira para se repro-
duzir e, portanto, seu principal objetivo é conseguir entrar na célula. No entanto, a membrana 
tem a habilidade de escolher o que pode entrar, e o que não pode entrar na célula. 
Pesquisadores no mundo inteiro buscaram fármacos adequados para o tratamento da do-
ença, até que se descobriu que o vírus podia entrar na célula a partir de uma porta especí-
fica, ou seja, todos nós temos um receptor na membrana que permite a entrada do vírus na 
célula, para que, enfim, ele possa se reproduzir. Essa porta de entrada para o vírus na célula 
é a enzima conversora da angiotensina 2 (ECA2). Alojada na membrana plasmática, ela fun-
ciona como um receptor para os coronavírus SARS-CoV-1 e SARS-CoV-2. Portanto, sabemos 
que a entrada do SARS-CoV-2 nas células pode ser bloqueada por anticorpos neutralizantes 
das estruturas envolvidas na formação desse receptor de membrana. 
Transportes de membrana
Como vimos, a membrana plasmática é fundamental para o funcionamento da célula, 
e sua deterioração configura a morte da célula como um todo. Isso acontece porque ela é 
bem mais do que um simples envoltório. A membrana plasmática também atua regulando 
a passagem e a troca de substâncias entre a célula e o meio em que ela se encontra. Esse 
transporte de substâncias entre o meio interno e externo da célula pode acontecer de duas 
maneiras, são eles: transporte passivo e o transporte ativo. As principais diferenças 
entre as duas maneiras de transporte de membrana são respectivas ao gasto energético 
envolvido para a passagem da substância intencionada. Enquanto no transporte ativo, 
há gasto de energia, no transporte passivo não há. 
Mas o que é e como funciona o gasto energético das células? Para que a célula possa 
exercer funções, ela precisa de energia. Essa energia celular é armazenada na molécula 
de adenosina trifosfato (ATP). A molécula de ATP funciona como pilha, estocando os 
nutrientes absorvidos da quebra dos alimentos que consumimos. Quando a célula pre-
cisa realizar alguma reação, a molécula de ATP funciona como “moeda” liberando sua 
energia em troca do objetivo celular. 
Sendo assim, enquanto algumas substâncias exigem o uso de ATP para seu trans-
porte, outras podem passar livremente pela membrana sem gasto energético (Figura 5). 
Transporte Ativo Transporte Passivo
moléculas se movem baixa a
alta concentração precisa de ATP
moléculas se movem concentração
alta a baixa sem necessidade de energia
Figura 5 – Tipos de transporte de membrana: ativo e passivo
Fonte: Adaptado de Getty Images
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Transporte passivo
Acontece quando as substâncias se deslocam livremente pela membrana, sem que a 
célula precise gastar energia. Não há gasto de energia porque as substâncias deslocam-
-se naturalmente do meio mais concentrado para o menos concentrado, ou seja, a favor 
do gradiente de concentração (Figura 6). Existem três tipos de transporte passivo: a 
difusão simples, a difusão facilitada e a osmose.
Fora da célula
Dentro da célula
Transporte Passivo
Figura 6 – Transporte passivo
Fonte: Adaptado de Getty Images
• Difusão simples: É feita quando as substâncias que atravessam a membrana são 
consideravelmente pequenas, ou lipossolúveis. Substâncias pequenas atravessam a 
membrana facilmente pela bicamada; e substâncias lipossolúveis passam facilmen-
te, devido à composição lipoprotéica da membrana. Um exemplo dessa situação é 
a troca do gás oxigênio e do gás carbônico nos alvéolos;
• Difusão facilitada: É feita quando as substâncias que atravessam a membrana 
não são lipossolúveis. Dessa maneira, o transporte ocorre através de uma pro-
teína transmembrana;
• Osmose: É um tipo de difusão exclusivo para a passagem de água pela membrana 
plasmática. A osmose controla a concentração de água no ambiente interno e ex-
terno da célula, igualando as concentrações entre uma solução hipotônica e outra 
hipertônica, até que se atinja um equilíbrio.
Transporte ativo 
Acontece quando a célula precisa gastar energia para promover o transporte de subs-
tâncias através da membrana plasmática. Há gasto de energia porque o deslocamento 
das substâncias se dá do meio menos concentrado, para o mais concentrado, ou seja, 
contra o gradiente de concentração. Nesse transporte, há participação das enzimas 
transportadoras. Um exemplo fundamental para compreendermos o transporte ativo é 
quando falamos da bomba de sódio e potássio. Na bomba de sódio e potássio, nossas 
células do sistema nervoso absorvem íons de potássio e eliminam íons de sódio por 
transporte ativo (Figura 7).
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UNIDADE Estrutura e Fisiologia das Células e Tecidos 
Fora da célula
Dentro da célula
Transporte Ativo
Figura 7 – Transporte ativo
Fonte: Adaptado de Getty Images
Em Síntese
A membrana plasmática mantém constante o meio intracelular, tem receptores para 
hormônios e outros sinais químicos, e estabelece conexões entre as células e com a ma-
triz extracelular. 
Citoplasma
Lembra daquela analogia que fizemos sobre a célula funcionar como a fábrica? Então, 
no citoplasma da célula temos a setorização da produção. A membrana delimita e sele-
ciona o que entra e sai da célula, mas é no citoplasma que tudo acontece. O citoplasma 
é constituído por um material semifluido, gelatinoso que se chama hialoplasma. No hia-
loplasma ficam imersas as organelas celulares, estruturas que desempenham diferentes 
funções vitais, como digestão, respiração, excreção e circulação. Veja a seguir o quadro 
com as principais organelas presentes no citoplasma e suas respectivas funções (Tabela 1). 
Tabela 1 – Principais organelas celulares e suas respectivas funções
Organela Função
Mitocôndrias Realizam a respiração celular – produção de energia (ATP).
Retículo 
Endoplasmático Liso
Rede de tubos e bolsas membranosas que sintetiza lipídeos.
Retículo 
Endoplasmático Rugoso
Rede de tubos e bolsas membranosas que produz as proteí-
nas estruturais das membranas.
Complexo de Golgi Responsável pela secreção celular.
Lisossomos Responsável pela digestão celular.
Ribossomos Grânulos especializados na produção de proteínas.
Centríolos Responsáveis pela formação do fuso de divisão celular 
(mitose e meiose).
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Núcleo
Quando falamos a palavra “núcleo”, pensamos em uma região central, de comando. 
Não é diferente na célula. O núcleo aloja a parte mais importante da célula, a molécula 
de DNA. Em quase todas as células do nosso organismo temos uma região delimitada 
exclusivamente para proteger o nosso DNA, o núcleo. Isso é fundamental, já que o DNA 
é uma molécula muito grande, e sua função é comandar a célula. Veremos isso mais 
detalhadamente em outra unidade.
Os componentes do nú cleo sã o: o envoltó rio nuclear (ou carioteca), a cromatina, 
o nucleoplasma e os nuclé olos (Figura 8).
Existem algumas células humanas que não possuem núcleo, como por exemplo, as hemá-
cias. Por outro lado, algumas outras células podem ser polinucleadas, como por exemplo, as 
células musculares.
Ribossomo Envelope nuclear
Nuclear lamina
Nucleoplasma
Cromatina
Nucléolo
Poro nuclear
Figura 8 – Partes do núcleo da célula
Fonte: Adaptado de Getty Images
O envoltório nuclear ou carioteca
O envoltório nuclear é a membrana que delimita o núcleo. Também chamado de 
carioteca, separa o núcleo do citoplasma e é responsável por dar ao núcleo essa carac-
terística de compartimento distinto da célula. Além disso, permite à célula o controle de 
acesso ao seu material genético. 
Cromatina
A cromatina é constituída pela associação entre o DNA e proteínas específicas, cha-
madas proteínas histonas. O DNA é uma molécula de quase 2 metros de comprimento, e 
precisa se condensar dentro do núcleo. As proteínas histonas realizam essa compactação 
do DNA. A formação da cromatina permite que uma molécula gigante, como o DNA, pos-
sa ser armazenada no núcleo, cujo diâmetroé de aproximadamente 10 µm. Este fantástico 
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UNIDADE Estrutura e Fisiologia das Células e Tecidos 
grau de compactação exerce um papel fundamental para as nossas células, porque quanto 
maior o volume de informação genética, mais complexo pode ser o organismo (Figura 9).
Figura 9 – O cromossomo condensado, quando desenrolado expõe a cromatina
Fonte: Getty Images
A cromatina é desenrolada progressivamente e, quando desassociada das 
proteínas histonas, apresenta apenas a dupla hélice de DNA.
Nucleoplasma
O nucleoplasma é uma massa incolor constituída por água, proteínas, RNAs, nucle-
otídeos e íons, onde encontraremos mergulhados os nucléolos e a cromatina. Ele possi-
bilita as reações químicas do metabolismo da célula.
Nucléolos
O nucléolo é a região do nucleoplasma onde se localizam os genes que são trans-
critos em RNA. Como você verá no final desta disciplina, existem três classes de RNA. 
Nos nucléolos acontece a formação de moléculas de RNA ribossomal, estruturas impor-
tantes para a transcrição gênica.
Divisão Celular
Certamente, um dos fenômenos biológicos mais importantes para a manutenção da 
vida é a divisão celular. Na biologia, diferentemente das outras ciências, a divisão será a 
mesma coisa que multiplicação celular. A multiplicação celular garante que nós, organis-
mos formados por trilhões de células, mantenhamos um número constante de células e 
consigamos repor o que perdemos todos os dias, seja pela descamação da nossa pele, 
ou pela morte natural de hemácias em nosso sangue, por exemplo. 
O entendimento da divisão celular foi fundamental para a ciência, principalmente 
para as ciências médicas. Isso porque muitas doenças se transmitem não só entre os 
tecidos, mas principalmente através de suas células individuais. Como sintetizado pelo 
famoso aforisma do médico Virchow, “Omnis cellula e cellula”, isto é, toda célula pro-
vém de outra preexistente.
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Para uma célula se multiplicar e dar origem a células filhas, é preciso que sejam 
respeitados alguns passos. A primeira coisa que precisa acontecer é a duplicação de 
todas as organelas e todas as estruturas que têm dentro do núcleo celular. Cromosso-
mos duplicam-se antes de sua divisão. Como veremos posteriormente, um indivíduo da 
espécie humana tem 46 cromossomos numa célula somática. Antes que uma célula se 
divida, é necessário que os 46 cromossomos se dupliquem. Depois dessa fase, ocorre a 
separação de todas as estruturas celulares. Em seguida, refaz-se a membrana que reves-
te o núcleo e dividem-se as organelas já duplicadas. Assim, cada célula-filha fica com o 
mesmo número de organelas e de cromossomos da célula-mãe.
Células somáticas são todas as células com exceção dos gametas. Soma=corpo.
Esse fantástico fenômeno de divisão celular tem duas maneiras de acontecer: Mitose
e Meiose. Existem diferenças importantes entre elas, como vemos na tabela 2:
Tabela 2 – Diferenças entre a mitose e a meiose
Diferenças Mitose Meiose
Função Crescimento e regeneração
dos tecidos.
Formação de células responsáveis 
pela reprodução (espermatozoides 
e óvulos).
Tipo de célula Ocorre normalmente na maioria 
das células somáticas.
Ocorre em células germinativas 
(gametas).
Número de divisões 
por evento
Uma divisão nuclear e uma
divisão citoplasmática.
Duas divisões nucleares e duas di-
visões citoplasmáticas.
Número de células 
fi lhas por divisão
Uma célula-mãe produz duas 
células-filhas.
Uma célula-mãe produz quatro 
células-filhas.
Conteúdo genético 
das células-fi lhas
Os conteúdos genéticos das célu-
las-filhas são idênticos entre si e 
também iguais aos da célula- mãe.
Os conteúdos genéticos das célu-
las-filhas diferem da célula-mãe e 
também diferem entre si.
Número de 
cromossomos das 
células-fi lhas
O número de cromossomos das 
células-filhas é o mesmo que o da 
célula-mãe.
O número de cromossomos das 
células-filhas é a metade do da 
célula-mãe.
Mitose 
A mitose é o tipo de divisão celular em que cada célula-mãe produz duas células-filhas 
geneticamente idênticas, ou seja, células somáticas. Por esse motivo, chamamos a mi-
tose de divisão celular equacional. 
Através da mitose, é possível regular a quantidade de células no organismo, o cresci-
mento de tecidos e a reparação de tecidos lesados.
A mitose é dividida em fases:
• Intérfase: Os filamentos de cromatina se duplicam; 
• Prófase: Os cromossomos começam a ficar visíveis devido à espiralação, e os 
centríolos começam a projetar fibras de fuso que ajudarão na divisão celular. Além 
disso, o núcleo absorve água, aumenta de volume e desorganiza a carioteca;
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UNIDADE Estrutura e Fisiologia das Células e Tecidos 
• Metáfase: os cromossomos são bem visíveis e se prendem às fibras de fuso na 
região equatorial da célula, um ao lado do outro;
• Anáfase: As fibras de fuso começam a se encurtar e, por consequência, cada fila-
mento é puxado para um dos pólos da célula;
• Telófase: Os cromossomos começam a se desespiralar, os nucléolos e a carioteca 
começam a aparecer e os centríolos já se localizam em dupla em cada célula-filha;
• Citocinese: É a fase final da mitose em que acontece a divisão da célula em duas. 
Meiose 
A meiose é o tipo de divisão celular em que cada célula-mãe produz quatro novas 
células-filhas com metade do número de cromossomos. Por esse motivo, chamamos a 
mitose de divisão celular reducional. 
A meiose possui essa característica porque sua função é formar gametas e reduzindo 
à metade a quantidade de cromossomos dessas células, prepara-as para a fecundação. 
Assim, com a fusão de dois gametas, reconstitui-se o número de cromossomos caracte-
rístico de cada espécie.
Os gametas também são chamados de células sexuais, ou células germinativas, e são célu-
las responsáveis pela reprodução. Na espécie humana, os gametas masculinos são os esper-
matozoides, e os gametas femininos são os óvulos.
A meiose é dividida em fases: 
• Intérfase: Os filamentos de cromatina se duplicam;
• Prófase I: Os cromossomos se espiralam, saem as fibras de fuso e os homólogos 
duplicados fazem o pareamento. Nesta fase ocorre o crossing-over;
• Metáfase I: Os cromossomos homólogos se dispõem na região mediana da célula, 
um em cima do outro;
• Anáfase I: As fibras se encurtam, os cromossomos homólogos se separam, e as 
cromátides-irmãs permanecem unidas;
• Telófase I: Os cromossomos se desespiralam e originam duas células filhas haploi-
des, sem cromossomos homólogos;
• Prófase II: Há nova espiralação dos cromossomos, com fibras de fuso.
• Metáfase II: Os cromossomos se prendem novamente às fibras de fuso 
pelo centrômero;
• Anáfase II: Ocorre duplicação dos centrômeros e com o encurtamento das fibras 
de fuso. Somente agora ocorre a separação das cromátides irmãs;
• Telófase II: Há a reorganização das quatro células filhas haplóides e com metade 
do número de cromossomos inicial.
As células diploides possuem cromossomos homólogos de dois progenitores, já as células 
haploides apresentam metade do número de cromossomos inicial
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Importante!
Uma das principais características da meiose é que ela proporciona o surgimento da di-
versidade entre os indivíduos. Pense só: a função da meiose é formar gametas, certo? Se 
as mulheres e homens formassem óvulos e espermatozoides idênticos entre si, todos os 
filhos de um mesmo casal seriam idênticos. Porém, o que vemos é que há semelhança, 
mas o material genético entre irmãos dos mesmos pais biológicos é diferente e, portan-
to, irmãos apresentam diferentes características entre si. Como isso é possível? Através 
de um mecanismo chamado crossing-over! O crossing-over é o fenômeno responsável 
por “embaralhar” os cromossomos, produzindo inúmeras sequências completamente 
diferentes da original. Isso acontece tanto na formação de espermatozoides, quanto 
na formação de óvulos. Portanto, cada um dos espermatozoides e cada um dos óvu-
los carrega um material genético completamente diferente do outro. Essas diferentes 
combinações de uma mesma sequência de DNApossibilitam que os filhos nascidos dos 
mesmos pais biológicos possam ser parecidos, mas nunca idênticos. 
Classificação Geral Histológica
Sabemos agora perfeitamente que a célula é a menor unidade estrutural e funcional 
dos organismos. Unidade estrutural porque as células constituem os tecidos e os órgãos, 
e unidade funcional porque são capazes de exercer as funções básicas da vida, como 
metabolismo, produção de energia e reprodução. 
Isto torna possível a compreensão do conceito de histologia. A histologia é o estudo 
da estrutura do material biológico e das maneiras como os componentes individuais se 
relacionam estrutural e funcionalmente, ou seja, da maneira com que as células se or-
ganizam em tecidos.
Quando olhamos as células no microscópio, podemos identificar perfeitamente a sua 
localização no organismo. Para isso, é preciso saber que o tamanho e a forma da célula 
estão relacionados à sua função. Mas um grande obstáculo para a identificação da forma 
da célula é que a estrutura da membrana plasmática é muito fina, e muitas vezes não 
é visível ao microscópio de luz. Portanto, para se ter orientação sobre a morfologia da 
célula, deve-se ter uma ideia pelo formato do seu núcleo. O núcleo geralmente reflete a 
morfologia da célula, pois seu eixo é semelhante às delimitações da célula.
As células agrupam-se em tecidos, e estes, por sua vez, em órgãos. Segundo as 
características morfológicas e as propriedades funcionais, há quatro tipos básicos de 
tecidos: o tecido epitelial, o tecido conjuntivo, o tecido muscular e o tecido nervoso.
Tecido conjuntivo
O tecido conjuntivo, como diz o nome, é capaz de unir tecidos, servindo para cone-
xão, sustentação e preenchimento. Sua composição diferenciada o torna funcional para 
absorver impactos, resistir à tração e ter elasticidade, por exemplo. Entre as suas diver-
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UNIDADE Estrutura e Fisiologia das Células e Tecidos 
sas funções, esse tecido pode ser especializado no armazenamento lipídico, utilizado na 
produção de energia ou calor; no armazenamento de íons, na defesa do organismo, na 
coagulação sanguínea, na cicatrização etc.
Como os demais tecidos, o tecido conjuntivo é composto por células e por matriz 
extracelular. As células do tecido conjuntivo propriamente dito são: as células mesen-
quimais, os fibroblastos, os plasmócitos, os macrófagos, os mastócitos, as células 
adiposas e os leucócitos.
Classificação:
• Tecido conjuntivo frouxo; 
• Tecido conjuntivo denso modelado e não modelado; 
• Tecido elástico;
• Tecido reticular (ou linfoide);
• Tecido mucoso;
• Tecido adiposo;
• Tecido cartilaginoso; 
• Tecido ósseo;
• Tecido mieloide (ou hematopoético); 
• Tecido sanguíneo.
Tecido epitelial
A denominação epitélio (do grego epi – sobre; theleo – papila) refere-se à localiza-
ção desse tecido sobre o tecido conjuntivo, que comumente forma projeções chamadas 
papilas. O epitélio caracteriza-se pela aproximação das células e pela pouca matriz ex-
tracelular de células cúbicas. 
Sua principal função é o revestimento, já que é capaz de cobrir a toda superfície do 
corpo, protegendo-o; reveste os tratos digestório, respiratório e urogenital, as cavidades 
corporais e os vasos sanguíneos e linfáticos. Além disso, este tecido realiza absorção, 
como nos intestinos, excreção, como nos túbulos renais, e secreção, como nas glândulas.
Classificação: Epitélio simples (escamoso, cúbico ou colunar) e epitélio estratificado 
(escamoso, cúbico ou colunar) (Figura 10).
Figura 10 – Tipos de células epiteliais
Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons
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Tecido muscular
O tecido muscular possui células alongadas e ricas em filamentos contráteis. A con-
tração do tecido muscular promove o movimento de estruturas ligadas a ele, como os 
ossos, e, consequentemente, o corpo. Permite ainda o movimento, pelo organismo, de 
substâncias e líquidos, como o alimento, o sangue e a linfa. As células musculares são 
alongadas, por isso são também chamadas de fibras musculares. Elas são ricas nos 
filamentos de actina e de miosina, responsáveis pela sua contração. 
Contração muscular por actina e miosina, disponível em: https://youtu.be/-Mfo3Af5E3c
Tecido nervoso
O tecido nervoso encontra-se distribuído pelo organismo e está interligado, resultan-
do no sistema nervoso. É formado por células chamadas neurônios (Figura 11), capazes 
de propagar impulsos nervosos. Forma órgãos como o encéfalo e a medula espinhal, 
que compõem o sistema nervoso central (SNC). Além do SNC, o tecido nervoso tam-
bém dá origem ao sistema nervoso periférico (SNP), que é constituído por gânglios 
nervosos e nervos.
O tecido nervoso recebe informações do meio ambiente através dos sentidos (visão, 
audição, olfato, gosto e tato) e do meio interno, como temperatura, estiramento e ní-
veis de substâncias, por exemplo. Processa essas informações e elabora respostas que 
podem resultar em ações, como a contração muscular e a secreção de glândulas; em 
sensações, como dor e prazer, ou em informações cognitivas, como o pensamento, 
o aprendizado e a criatividade. Além disso tudo, este tecido é capaz de armazenar todas 
essas informações para uso posterior, o que chamamos de memória.
Classificação: Sistema Nervoso Central (SNC) e Sistema Nervoso Periférico (SNP). 
Dentrite
Axônio
Mielina
Nó de ranvier
Células de
Schwann
Soma
Núcleo
Figura 11 – Anatomia do neurônio
Fonte: Adaptado de Getty Images
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UNIDADE Estrutura e Fisiologia das Células e Tecidos 
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Sites
Projeto Célula Interativa 3D
https://bit.ly/3orfMnn
 Vídeos
Transporte de membrane – Animação em Português
https://youtu.be/-CaPKp-B8jQ
 Leitura
Histologia
https://bit.ly/33GohTu
Brasil entra em Projeto que quer Mapear todas as Células Humanas
https://bit.ly/2KZrOFP
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Referências
AMABIS, J. M.; MARTHO, G. R. Conceitos de biologia. Moderna, 2001.
DE ROBERTIS, E. J. H. Bases da Biologia celular e molecular. 3.ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2001. p. 1. 
GENESER. Op. cit., p. 43. 91 JUNQUEIRA & CARNEIRO. Histologia básica. Op. cit., 
p. 67.
ROSS, M. H.; PAWLINA, W. Histologia: texto e atlas, em correlação com Biologia 
celular e molecular. 6.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. pp. 24, 104
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