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FÍSICA EXPERIMENTAL BÁSICA - ONDAS E ÓPTICA - PT8 Refração e Reflexão da Luz Alunos: Guilherme Neiva Ranieri de Souza e Matheus Henrique Lopes de Souza Professor: Roberto Luiz Moreira Introdução Quando um feixe de luz muda de meio de propagação é possível em geral observar dois efeitos: a reflexão e a refração. O fenômeno da refração ocorre a princípio porque a velocidade da luz varia com a mudança de meio, de forma que o índice de refração n é definido como a relação entre a velocidade da luz no vácuo c e a velocidade da luz nesse meio v. Como consequência direta dessa definição o índice de refração será uma função do comprimento de onda – n(λ) – o que irá ocasionar o fenômeno da dispersão, que pode ser visualizado, por exemplo, através do arco-íris no qual a luz do Sol é decomposta nas cores que a compõem depois de atravessar gotículas de água. Quando um raio de luz incide obliquamente – fazendo um ângulo θ1 com a reta normal à superfície – na interface entre dois meios, por exemplo, ar-vidro, tem-se um raio refletido fazendo um ângulo θ1’ com a normal, de maneira que θ1’=θ1. O que é conhecido como Lei da reflexão. Já o raio refratado fará um ângulo θ2 também em relação à normal que obedecerá a Lei da refração, dada por: (1)𝑛 1 𝑠𝑒𝑛(θ 1 ) = 𝑛 2 𝑠𝑒𝑛(θ 2 ) Também conhecida como Lei de Snell-Descartes. Analisando agora o comportamento do feixe luminoso dentro do material de índice de refração n2 verificamos que à medida que o ângulo de incidência θ2 vai aumentando, o ângulo de refração também vai aumentando até a situação limite em que θ1 =90°, a partir da qual para valores maiores de θ2=θc (ângulo crítico) não será mais observada a refração. Esse fenômeno é conhecido como reflexão interna total e é o princípio básico do funcionamento das fibras ópticas. O ângulo crítico é definido a partir da Lei da refração como: (2)θ 𝑐 = 𝑠𝑒𝑛−1(1/𝑛2) No qual o índice de refração do ar foi aproximado pelo do vácuo (n1=1). ► Explique por que a reflexão interna total só pode ocorrer quando um feixe de luz passa do meio mais refringente para o menos refringente. Resposta: A reflexão interna total só pode ocorrer quando a luz passa de um meio mais refringente para um meio menos refringente porque, nessas condições, existe a possibilidade de a luz atingir a interface com um ângulo maior que o ângulo crítico, impedindo a passagem da luz para o segundo meio e resultando em uma reflexão completa de volta ao primeiro meio. Objetivos ► Verificar a lei de Snell-Descartes. ► Determinar o índice de refração do vidro de um prisma e o ângulo crítico de reflexão interna total. ► Observar a dispersão da luz branca. Procedimento experimental Material Utilizado ► Laser He-Ne ► Fonte de luz branca ► Fenda ► Prisma semicircular com base ► Prisma triangular (n ̴ 1,4) com base ► Trilho para montagem ► Dois anteparos Lei de Snell-Descartes 1. Montou-se o equipamento representado na figura 2, ajustando o laser para incidir perpendicularmente sobre a superfície plana no centro do prisma semicircular. 2. Girou-se o prisma e mediram-se os ângulos de incidência θ1 e de refração θ2, observando a dispersão em ângulos altos e aproximando o valor da medição para o centro da linha de dispersão. 3. Explicou-se por que o ângulo de refração era sempre menor que o ângulo de incidência nesse caso. 4. Através de uma análise gráfica, com base na equação 1, obteve-se o índice de refração do prisma com sua respectiva incerteza e verificou-se a Lei de Snell-Descartes. 5. Explicou-se por que a única refração ocorria na interface entre o ar e a face plana do prisma semicircular. Reflexão interna total 1. Ajustou-se o prisma de modo que o feixe do laser incidisse sobre sua superfície curva, saindo perpendicularmente pelo centro de sua superfície plana. Girou-se lentamente o prisma e localizaram-se os feixes refratado e refletido utilizando os anteparos giratório e graduado. 2. Continuou-se girando o prisma até que o feixe refratado desaparecesse. Determinou-se assim o ângulo crítico e, a partir dele, obteve-se o índice de refração do prisma utilizando a equação 2 com sua respectiva incerteza. Comparou-se esse valor ao obtido no procedimento anterior. Dispersão da luz 1. Montou-se o equipamento representado na figura 3. 2. Colocou-se o anteparo graduado alinhado à marca na extremidade da montagem. Acrescentou-se uma lente convergente entre a fenda e o prisma, ligando a lâmpada. 3. Posicionou-se o prisma triangular de modo que o feixe de luz incidisse perpendicularmente sobre uma de suas superfícies, mantendo o maior lado a um ângulo de aproximadamente 45° com o feixe incidente. Girou-se levemente o suporte do prisma até que todas as faixas de cores aparecessem no anteparo, maximizando a decomposição da luz branca. 4. Calculou-se o índice de refração para cada faixa de luz utilizando a equação 1, desconsiderando a refração na interface ar-vidro (θ2 = 45°). 5. Relacionaram-se os índices de refração encontrados para cada faixa de cor com seus respectivos comprimentos de onda, explicando esse comportamento. Resultados e discussões Lei de Snell-Descartes θ1 (°) θ2 (°) 0 0 15 10 30 20 45 30 60 37 75 44 B (y-intercept) = 0,0105333162090682 +/- 0,0105574813102615 A (slope) = 1,39948056395913 +/- 0,0232258914035613 𝑛 1 𝑠𝑒𝑛(θ 1 ) = 𝑛 2 𝑠𝑒𝑛(θ 2 ) 𝑛 1 = 1 𝑠𝑒𝑛(θ 1 ) = 𝑦 𝑠𝑒𝑛(θ 2 ) = 𝑥 𝑛 2 = 𝐴 ∆𝑛 2 = ∆𝐴 logo, (𝑛 2 ± ∆𝑛 2 ) = (1, 39 ± 0, 02) Através da análise gráfica foi possível encontrar o valor do índice de refração, porém a medida imprecisa devido ao material utilizado supostamente acarretou em variações no resultado obtido, pois o índice esperado era de 1,49. Reflexão interna total 𝑛 1 𝑠𝑒𝑛(θ 1 ) = 𝑛 2 𝑠𝑒𝑛(θ 2 ) 𝑛 1 = 1 θ 1 = 90° θ 2 = θ 𝑐 𝑠𝑒𝑛(θ 1 ) = 1 ⇒ 𝑛 2 = 1/𝑠𝑒𝑛(θ 𝑐 ) θ 𝑐 = (43, 0 ± 0, 5)° 𝑛 2 = 1/𝑠𝑒𝑛(43°) = 1, 47 (𝑛 2 ± ∆𝑛 2 ) = (1, 47 ± 0, 02) Dispersão da luz O experimento demonstrou a decomposição da luz branca em suas cores componentes ao passar por um prisma triangular. A luz foi direcionada perpendicularmente a uma das faces do prisma e, ao girar o suporte, observou-se a separação das cores no anteparo. ; ; ;𝑛 1 𝑠𝑒𝑛(θ 1 ) = 𝑛 2 𝑠𝑒𝑛(θ 2 ) 𝑛 1 = 1 θ 2 ≈ 45° ⇒ 𝑛 1 2/2 = 1 . 𝑠𝑒𝑛(θ 2 ) ⇒ 𝑛 2 (𝑟𝑒𝑑)