Logo Passei Direto
Buscar

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

ÁTILA CALLISON PEREIRA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DIREITO EMPRESARIAL 
TÍTULOS DE CRÉDITO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DIREITO DOS NEGÓCIOS 
APOSTILA DE APOIO 
 
 
 
 
PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA 
DIREITO DOS NEGÓCIOS| 2024.2 
 
 
 
 
 
➢ OBSERVAÇÕES INICIAIS 
 
Agora que já exploramos o material de apoio I e discutimos os títulos de crédito em duas aulas, vamos 
continuar nosso estudo sobre a temática. Inicialmente, abordamos as noções básicas dos títulos de 
crédito, destacando sua importância como instrumentos nas operações comerciais para formalizar e 
garantir o cumprimento de uma obrigação, representando um direito creditório. 
 
Este material de apoio não tem a intenção de esgotar todo o conteúdo; ele serve como uma base para 
nossas aulas, um roteiro elaborado para que possamos otimizar tanto as aulas quanto seus estudos. 
Para um entendimento mais completo da temática, é essencial complementar o estudo com a leitura 
de doutrinas. Nesse sentido, indico um doutrinador que acompanho no direito comercial e que poderá 
enriquecer ainda mais seu conhecimento: Marlon Tomazette. 
 
➢ TÍTULOS DE CRÉDITO PRÓPRIOS 
 
Vamos entender de forma mais simples a disciplina dos Títulos de Crédito e sua importância no 
mundo dos negócios. Os Títulos de Crédito surgiram como uma forma de facilitar e simplificar as 
transações comerciais que envolvem dinheiro. Eles foram criados para garantir que o crédito – ou seja, 
o direito de receber uma quantia – possa circular de maneira rápida e segura. 
 
Pense na palavra "título". Normalmente, ela nos lembra de um documento, como o título de eleitor 
ou o título de um clube. No contexto dos Títulos de Crédito, o "título" é, de fato, um documento que 
representa o direito de receber dinheiro no futuro. 
 
Mas o que significa "crédito"? Crédito é basicamente quando alguém adquire um bem ou recebe 
um empréstimo, com a promessa de pagar por isso no futuro. O Título de Crédito formaliza esse acordo 
em papel, garantindo que o pagamento seja feito posteriormente. Em outras palavras, é como trocar um 
bem agora por dinheiro que será pago mais tarde. 
 
Os Títulos de Crédito mais comuns que usamos hoje são a Nota Promissória, o Cheque e a 
Duplicata. Eles são ferramentas essenciais no comércio, ajudando a garantir que as transações sejam 
realizadas de maneira eficiente e segura. 
 
Vamos ver como funciona a Nota Promissória, um exemplo clássico de Título de Crédito. 
Imagine que uma pessoa, chamada de devedora, precisa pagar uma quantia em dinheiro para outra 
pessoa, que chamaremos de credora. Para formalizar esse compromisso, a devedora emite um documento 
chamado Nota Promissória. Nesse documento, a devedora escreve que se compromete a pagar uma certa 
quantia em dinheiro para a credora em uma data futura. 
 
Esse simples ato de escrever a promessa de pagamento em um documento cria um Título de 
Crédito. A Nota Promissória, portanto, é um título que garante que o credor tem o direito de receber o 
PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA 
DIREITO DOS NEGÓCIOS| 2024.2 
 
 
 
 
valor prometido, e o devedor tem a obrigação de pagá-lo. É uma forma de dar segurança e formalidade 
a essa relação, facilitando a circulação do crédito. 
 
Esse conceito de Título de Crédito que acabamos de discutir está diretamente relacionado ao que 
diz o art. 887 do Código Civil. Vamos dar uma olhada: 
 
Art. 887 do CC: "O título de crédito, documento necessário ao exercício do 
direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando preencha 
os requisitos da lei." 
 
Isso significa que o Título de Crédito, como a Nota Promissória, é um documento indispensável 
para que o direito ao crédito seja exercido. Esse direito é literal, ou seja, está exatamente descrito no 
documento, e é autônomo, o que quer dizer que não depende de outras condições além das que estão 
escritas nele. 
 
Porém, para que o Título de Crédito tenha validade e produza todos os seus efeitos legais, ele 
precisa atender a certos requisitos estabelecidos pela lei. Portanto, a Nota Promissória, para ser válida, 
precisa ser preenchida corretamente conforme a legislação, garantindo assim que o credor possa exercer 
seu direito de cobrar o valor prometido. 
 
➢ BASE LEGAL APLICÁVEL 
 
Historicamente, os principais títulos de crédito sempre tiveram suas próprias leis especiais, e isso 
continua sendo uma realidade hoje. A Letra de Câmbio e a Nota Promissória, por exemplo, são reguladas 
pelo Decreto 57.663/66, também conhecido como Lei Uniforme de Genebra (LUG). Esta lei surgiu a 
partir da Convenção de Genebra de 1964, onde diversos países se reuniram para uniformizar as regras 
dos principais títulos de crédito, buscando padronizar as práticas comerciais em âmbito internacional. 
 
A Convenção de Genebra possui dois anexos. O primeiro trata de princípios de Direito 
Internacional, que não são o foco de nossos estudos. Já o Anexo II é de grande importância para nós, 
pois nele estão as regras que regulam institutos essenciais nas carreiras jurídicas e fiscais. Entre eles, 
destacam-se: 
 
• Letra de Câmbio (Artigo 1º) 
• Endosso (Artigo 11) 
• Aval (Artigo 32) 
• Prescrição (Artigo 70) 
• Nota Promissória (Artigo 75) 
 
Além disso, temos o Cheque, que é regido pela Lei Interna nº 7.357/85, e a Duplicata, regulada 
pela Lei 5.474/68. Como mencionado, todos os outros títulos de crédito derivam destes principais, o que 
reforça a importância de entendê-los profundamente. 
 
PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA 
DIREITO DOS NEGÓCIOS| 2024.2 
 
 
 
 
O Código Civil, quando se trata de títulos de crédito, não tem um papel central. Isso fica claro 
no próprio artigo 903 do Código, que indica que o Código Civil não pretende ser a principal referência 
nessa matéria. 
 
Podemos dizer que o Código Civil "tira o corpo fora" quando o assunto envolve os principais 
títulos de crédito em nosso ordenamento. Esse afastamento é ainda mais evidente no artigo 907, que 
reforça que a aplicação do Código Civil é apenas subsidiária. Em outras palavras, só devemos recorrer 
ao Código Civil quando a legislação especial, que regula especificamente os títulos de crédito, não 
fornecer uma resposta. 
 
Portanto, nos casos em que o legislador se omite na legislação especial, é que aplicamos o 
conteúdo dos artigos 887 e seguintes do Código Civil. Isso significa que o Código Civil atua como um 
suporte, preenchendo lacunas, mas não como a principal fonte de regulação dos títulos de crédito. 
 
Para um entendimento completo sobre títulos de crédito, a leitura dos artigos 887 a 926 do Código 
Civil é obrigatória. Esses artigos fornecem a base teórica e os princípios gerais relacionados aos títulos 
de crédito, embora sua aplicação seja subsidiária em relação às leis especiais. Portanto, é essencial que 
você se familiarize com esses dispositivos para entender o papel e as limitações do Código Civil nessa 
área. 
 
➢ CONCEITO E PRINCÍPIOS 
 
O título de crédito é um documento formal. Ele funciona como uma representação gráfica que tem 
a finalidade de provar a existência de uma dívida e, consequentemente, a intenção de assumir uma 
obrigação. Esse documento é essencial porque permite que o credor exija o pagamento da dívida 
mencionada. 
 
No entanto, o conceito de título de crédito conforme o Código Civil vai além de apenas ser um 
documento formal. É necessário entender também o princípio da literalidade ou direito literal. O que 
isso significa? Significa que não basta ter o documento; ele precisa estar preenchido de acordo com os 
requisitos estabelecidos pela lei. 
 
Deixa-me exemplificar: imagine que estou no Shopping Rio Tapajós e vejo um aviso na loja 
dizendo: “Aceitamos cheque pré-datado e parcelamos qualquer produto em até 6 vezes.” Penso: “Vou 
usar meu cartão de crédito, é mais prático.” No entanto, ao experimentar o tênis e tentar pagar, descubro 
que meu cartão não tem limite disponível.Nesse momento, decido usar o cheque. O cheque é um título de crédito, ou seja, um documento 
formal. Para que o cheque seja válido, é necessário preenchê-lo corretamente. Isso significa que eu 
preciso escrever o valor a ser pago, o nome do beneficiário (o lojista), a data, o local (no caso, o Shopping 
Rio Tapajós) e a minha assinatura. Esse processo de preenchimento correto é o que chamamos de 
literalidade. Sem esses detalhes, o cheque não terá o efeito desejado. 
 
PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA 
DIREITO DOS NEGÓCIOS| 2024.2 
 
 
 
 
Agora que entendemos a Cartularidade (o documento físico) e a Literalidade (o preenchimento 
correto), vamos explorar o próximo requisito: a Autonomia do título de crédito. 
 
Autonomia é um princípio fundamental dos títulos de crédito que afirma que cada título possui 
uma existência independente e não depende de outros documentos ou acordos para sua validade e 
eficácia. Dentro desse princípio, há dois subprincípios importantes: Abstração e Inoponibilidade de 
Terceiro de Boa-Fé. 
 
1. Abstração 
 
É o subprincípio que indica que o título de crédito é independente em relação à relação jurídica 
subjacente que lhe deu origem. Isso significa que o título tem validade e efeitos próprios, mesmo que o 
contrato ou acordo original que o originou seja contestado ou invalidado. 
 
Principais pontos sobre a Abstração: 
 
• Independência da Relação Subjacente: O título de crédito não está diretamente ligado aos 
detalhes do contrato que o gerou. Por exemplo, se um contrato de venda é rescindido, o 
título de crédito emitido em decorrência desse contrato ainda é válido e pode ser cobrado. 
• Execução baseada no título: O credor pode exigir o pagamento do título 
independentemente das disputas sobre o contrato que o originou. A validade do título não 
é afetada por problemas relacionados ao acordo subjacente. 
 
Deixe-me exemplificar: imagine que Alex comprou um lote de mercadorias de um fornecedor, 
pagando com uma Nota Promissória. Esta Nota Promissória é uma garantia de que Alex pagará o valor 
acordado pelo lote de mercadorias. 
 
No entanto, descobriu-se posteriormente que as mercadorias fornecidas eram ilícitas e estavam 
associadas a atividades ilegais. O contrato de compra entre Alex e o fornecedor foi contestado e 
declarado nulo devido à natureza ilegal das mercadorias. 
 
Abstração indica que, mesmo que o contrato subjacente (a compra das mercadorias ilícitas) seja 
inválido e que a relação entre Alex e o fornecedor seja questionada, a Nota Promissória emitida por Alex 
ainda é válida. Isso significa que o fornecedor (ou qualquer pessoa que tenha adquirido o título de boa-
fé) pode exigir o pagamento da Nota Promissória, pois o título é independente da natureza do contrato 
original. 
 
Resumo do Exemplo: 
• Alex emitiu uma Nota Promissória para garantir o pagamento de mercadorias. 
• As mercadorias se revelaram ilícitas e o contrato foi declarado nulo. 
• Apesar disso, a Nota Promissória permanece válida e pode ser cobrada, pois é independente 
da ilegalidade do contrato subjacente. 
PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA 
DIREITO DOS NEGÓCIOS| 2024.2 
 
 
 
 
Este exemplo ilustra como o título de crédito, ao ser independente da relação jurídica que o 
originou, continua a ter validade e pode ser exigido mesmo quando o contrato que lhe deu origem é 
questionado ou inválido. 
 
A Inoponibilidade de Terceiro de Boa-Fé garante que, se um título de crédito for transferido para 
um terceiro de boa-fé, esse terceiro pode exigir o pagamento do título sem ser prejudicado por qualquer 
disputa entre as partes originais. 
 
Vou usar o mesmo exemplo anterior para explicar: 
 
Imaginemos que Alex comprou um lote de mercadorias de um fornecedor e pagou com uma Nota 
Promissória. Descobriu-se depois que as mercadorias eram ilícitas, e o contrato de compra foi anulado 
devido à ilegalidade dos produtos. 
 
No entanto, Alex havia transferido a Nota Promissória para uma amiga chamada Ilarilda antes 
de descobrir a ilegalidade das mercadorias. Ilarilda recebeu a Nota Promissória de boa-fé, sem saber de 
qualquer problema relacionado às mercadorias. 
 
De acordo com o princípio da Inoponibilidade de Terceiro de Boa-Fé, Ilarilda pode exigir o 
pagamento da Nota Promissória, mesmo que o contrato que originou o título seja questionado. Isso 
ocorre porque Ilarilda não é afetada por disputas entre Alex e o fornecedor original. Ilarilda tem o direito 
de cobrar o valor do título, pois adquiriu o título de boa-fé e não está envolvido nos problemas do 
contrato original. 
 
➢ FUNÇÕES DOS TÍTULOS DE CRÉDITO 
 
❖ Função Econômica 
 
A Função Econômica dos títulos de crédito refere-se à sua capacidade de constituir um meio 
técnico para o exercício de direitos de crédito. Em outras palavras, os títulos de crédito são documentos 
que formalizam e facilitam a cobrança de dívidas. Quando alguém emite um título, como uma Nota 
Promissória ou um Cheque, ele está criando um documento que pode ser utilizado para exigir o 
pagamento de uma quantia de dinheiro de outra pessoa. 
 
Como Funciona na Prática: imagine que você vende um produto a um cliente e recebe um Cheque 
como pagamento. O Cheque é um título de crédito que representa a sua dívida. Com esse título, você 
pode exigir que o cliente pague o valor indicado no Cheque. Portanto, a função econômica dos títulos é 
garantir que seus direitos de crédito sejam formalizados e possam ser exercidos de maneira clara e eficaz. 
 
❖ Função de Circulabilidade 
 
A Função de Circulabilidade dos títulos de crédito refere-se à sua capacidade de facilitar e 
agilizar a circulação de riquezas. Isso significa que os títulos de crédito podem ser transferidos de uma 
PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA 
DIREITO DOS NEGÓCIOS| 2024.2 
 
 
 
 
pessoa para outra, permitindo que o valor representado pelo título seja movimentado rapidamente dentro 
da economia. 
 
Como Funciona na Prática: suponha que você receba uma Nota Promissória como pagamento 
por uma venda. Em vez de esperar até o vencimento para receber o dinheiro, você pode transferir essa 
Nota Promissória para um terceiro, como um fornecedor, como forma de pagamento por uma nova 
compra. Assim, a Nota Promissória circula e seu valor é utilizado em diferentes transações comerciais, 
facilitando a troca de bens e serviços e promovendo a circulação de riquezas na economia. 
 
➢ CARACTERÍSTICAS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO 
 
❖ Natureza Jurídica de Bem Móvel 
 
 Os títulos de crédito são considerados bens móveis no sentido jurídico. Isso significa que, 
apesar de serem documentos, eles podem ser transferidos e negociados como se fossem bens físicos 
móveis, facilitando sua circulação e uso no comércio. 
 
❖ Natureza Pro Solvendo 
 
 Os títulos de crédito têm a natureza pro solvendo quando são emitidos como garantia de uma 
dívida. Isso indica que o título é um meio para garantir o pagamento, sendo utilizado para resolver uma 
obrigação, mas não substitui a dívida original. 
 
❖ Circulação 
 
 Uma das principais características dos títulos de crédito é a sua circulação. Eles podem ser 
transferidos de uma pessoa para outra, permitindo que o valor representado pelo título seja movimentado 
rapidamente dentro da economia. 
 
❖ Título de Apresentação 
 
 Alguns títulos de crédito são títulos de apresentação, o que significa que o pagamento deve ser 
feito quando o título é apresentado ao devedor. A apresentação do título é essencial para a exigência do 
pagamento. 
 
❖ Obrigação Quesível 
 
Os títulos de crédito contêm uma obrigação quesível, ou seja, representam uma obrigação de 
pagar uma quantia em dinheiro que pode ser cobrada. O valor especificado no título é o montante que o 
devedor deve pagar ao credor. 
 
❖ Título de Resgate 
PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA 
DIREITO DOS NEGÓCIOS| 2024.2 
 
 
 
 
 Os títulos de crédito podem ser títulos de resgate,o que indica que eles podem ser resgatados 
ou pagos pelo valor indicado no documento, geralmente em uma data futura estabelecida. 
 
❖ Executividade 
 
 Os títulos de crédito têm a característica de executividade, o que significa que eles podem ser 
utilizados como base para uma ação judicial de execução. Se o devedor não cumprir a obrigação, o 
credor pode utilizar o título para buscar o cumprimento forçado da dívida. 
 
❖ Presunção de Liquidez e Certeza 
 
Os títulos de crédito gozam de uma presunção de liquidez e certeza, o que significa que são 
considerados como documentos que comprovam de forma clara e precisa a obrigação de pagamento, 
sem a necessidade de provas adicionais sobre a validade da dívida. 
 
❖ Formalismo 
 
Os títulos de crédito são regidos por formalismos, ou seja, precisam atender a certos requisitos 
formais para serem válidos. Esses requisitos incluem a forma, o conteúdo e a assinatura, conforme 
estabelecido pela legislação. 
 
❖ Presença de Solidariedade Cambiária 
 
 Solidariedade cambiária é uma característica que implica que todos os endossantes e 
endossatários de um título de crédito podem ser responsabilizados pelo pagamento da dívida, garantindo 
que o credor possa buscar o cumprimento da obrigação junto a qualquer uma das partes envolvidas na 
cadeia de circulação do título. 
 
Não se deve confundir a solidariedade cambiária com a solidariedade civil. Elas são distintas em 
vários aspectos. Enquanto a solidariedade cambiária se refere à responsabilidade compartilhada entre os 
participantes de um título de crédito, onde cada um pode ser cobrado pelo total da dívida, a solidariedade 
civil se baseia na responsabilidade comum entre coobrigados, mas com nuances diferentes. Portanto, é 
importante distinguir essas duas formas de solidariedade para entender corretamente suas implicações e 
aplicações. 
 
É importante notar que a solidariedade cambiária difere da solidariedade comum. Na 
solidariedade comum, se um dos coobrigados paga a totalidade da dívida, essa dívida será repartida entre 
todos os coobrigados conforme a quota-parte de cada um (conforme o Código Civil, art. 283). Em 
contraste, na solidariedade cambiária, se um coobrigado paga a dívida, ele tem o direito de exigir o 
pagamento integral da dívida dos outros obrigados, sem a necessidade de repartir o valor pago entre eles. 
 
Quando há pluralidade de avalistas, eles geralmente respondem de forma solidária, permitindo 
que o portador do cheque possa exigir o pagamento total da dívida de qualquer um deles. No entanto, o 
PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA 
DIREITO DOS NEGÓCIOS| 2024.2 
 
 
 
 
avalista que efetuar o pagamento pode posteriormente exigir dos demais avalistas apenas a parte que 
lhes cabe na divisão da dívida. 
 
Esses avais são chamados de simultâneos e têm como efeitos principais a solidariedade passiva 
dos avalistas e o direito do avalista que pagou de buscar dos demais apenas a sua parte proporcional na 
dívida. Dessa forma, os avais simultâneos criam entre os coavalistas uma relação de solidariedade 
comum, e não cambiária. Isso significa que, se um coavalista pagar a totalidade da dívida, ele pode exigir 
dos demais apenas a parte proporcional que cada um deve, conforme sua quota-parte na obrigação. 
Portanto, cada coavalista só deve àqueles que pagaram a parte que lhe corresponde, e não a totalidade 
da dívida. 
 
No aval sucessivo, a situação é diferente, cada avalista garante a dívida de um avalista anterior e 
só se torna responsável pelo pagamento caso o avalista anterior não o faça. Assim, cada avalista 
sucessivo só é responsável pela parte da dívida garantida por ele em relação ao avalista que o precede 
na cadeia de avalistas. 
 
▪ MODELOS DE TÍTULOS DE CRÉDITO 
 
❖ Modelos Livres 
 
Os modelos livres de títulos de crédito são aqueles que não têm um formato ou padrão rígido 
estabelecido pela lei. Isso significa que você tem a flexibilidade para criar esses documentos de acordo 
com suas necessidades, desde que sejam atendidos os requisitos legais obrigatórios para sua validade. 
 
Exemplos de modelos livres: Letra de Câmbio, Nota Promissória. 
 
❖ Modelos Vinculados 
 
Os modelos vinculados são aqueles que seguem um formato ou padrão específico determinado 
pela legislação. Isso significa que a lei define um padrão rígido para a elaboração desses títulos, e 
qualquer documento que não siga esse padrão não será considerado válido. 
 
Exemplos de modelos vinculados: Cheque, Duplicata. 
 
▪ NATUREZA DOS TÍTULOS DE CRÉDITO 
 
Os títulos de crédito podem ser classificados conforme a natureza das suas relações jurídicas. 
Vamos explorar dois tipos principais: ordem de pagamento e promessa de pagamento. 
 
1. Ordem de Pagamento 
Neste tipo de título, há três relações jurídicas distintas: 
 
• Sacador ou Emitente: A pessoa que dá a ordem de pagamento. 
PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA 
DIREITO DOS NEGÓCIOS| 2024.2 
 
 
 
 
• Sacado ou Devedor: A pessoa que recebe a ordem e deve realizar o pagamento. 
• Tomador ou Beneficiário: A pessoa que recebe o pagamento resultante da ordem. 
 
Exemplo: Cheque 
• Emitente: A pessoa que escreve o cheque. 
• Sacado: O banco que deve pagar o valor do cheque. 
• Beneficiário: A pessoa que recebe o pagamento do cheque. 
 
2. Promessa de Pagamento 
Neste tipo de título, há duas relações jurídicas principais: 
 
• Devedor ou Emitente: A pessoa que promete realizar o pagamento. 
• Beneficiário: A pessoa que deve receber o pagamento prometido. 
 
Exemplo: Nota Promissória 
• Emitente: A pessoa que assina a nota promissória e se compromete a pagar. 
• Beneficiário: A pessoa que receberá o pagamento de acordo com a promessa feita na nota 
promissória. 
 
Essas diferenças são fundamentais para entender como cada tipo de título opera e quais são as 
suas obrigações e direitos associados. 
 
▪ VINCULAÇÃO À RELAÇÃO DE ORIGEM DOS TÍTULOS DE CRÉDITO 
 
Os títulos de crédito podem ser classificados com base na sua vinculação à relação jurídica que 
deu origem à sua emissão, e essa distinção é fundamental para entender como cada tipo de título opera. 
 
Os títulos causais são aqueles cuja emissão está diretamente ligada a um fato específico previsto 
em lei. Isso significa que sua validade está atrelada a uma transação ou evento definido. Por exemplo, a 
duplicata mercantil só pode ser emitida em função de uma transação comercial entre empresários, seja 
de compra e venda ou prestação de serviços mercantis. Portanto, a duplicata depende da existência e 
validade da transação para que o título tenha efeito. 
 
Por outro lado, os títulos não causais (ou abstratos) são aqueles que podem ser emitidos sem uma 
causa específica vinculada à sua validade. Após a emissão, o título se torna independente da relação 
jurídica que deu origem ao mesmo. Exemplos incluem a letra de câmbio, o cheque e a nota promissória. 
Esses títulos não precisam de uma causa específica para sua validade, o que significa que eles podem 
representar obrigações de qualquer natureza e não estão atrelados a um evento ou transação específica. 
 
Essa diferenciação é crucial para a prática dos títulos de crédito, pois define como e em que 
contexto cada título pode ser utilizado e a sua flexibilidade em relação à causa que o originou. 
 
Quanto à circulação dos títulos de crédito 
PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA 
DIREITO DOS NEGÓCIOS| 2024.2 
 
 
 
 
Os títulos ao portador são aqueles que não identificam um credor específico. Isso significa que 
qualquer pessoa que possua fisicamente o título tem o direito de exigir o pagamento. A transferência 
desses títulos é feita por mera tradição, ou seja, pela simples entrega do título de uma pessoa para outra. 
Não é necessário realizar nenhum registro adicional ou formalidade para que a transferência tenha efeito. 
Exemplo de título ao portador é o cheque ao portador. 
 
Em contraste, os títulos nominativossão aqueles que identificam um credor específico. O título 
é emitido em favor de uma pessoa cujo nome está registrado no título. Para que o título possa ser 
transferido. Os títulos nominativos podem ser classificados em duas categorias: nominativos à ordem e 
nominativos não à ordem. 
 
Os títulos nominativos à ordem são aqueles que podem ser transferidos para terceiros através de 
um ato chamado endosso. O beneficiário original pode, portanto, transferir seus direitos sobre o título a 
outra pessoa por meio da assinatura no verso do documento, permitindo que o novo portador também 
tenha direito ao pagamento. 
 
Por outro lado, os títulos nominativos não à ordem são aqueles que não podem ser transferidos 
por endosso. Nestes títulos, a cláusula “não à ordem” específica que a transferência de direitos para 
terceiros só pode ser feita por meio de cessão de crédito, seguindo regras mais rígidas do que o simples 
endosso. Portanto, esses títulos mantêm a relação com o beneficiário original e não permitem uma 
circulação tão flexível quanto os títulos à ordem. 
 
Por exemplo, para que a cessão de crédito tenha efeito em relação ao devedor, geralmente é 
necessário notificá-lo da transferência. A notificação assegura que o devedor saiba para quem deve 
efetuar o pagamento. 
 
▪ TÍTULOS DE CRÉDITO EM ESPÉCIE 
 
❖ LETRA DE CÂMBIO 
 
As letras de câmbio foram inicialmente reguladas pelo Código Comercial de 1850. Em 1908, a 
Lei Saraiva (Decreto nº 2.044) substituiu essas regras. Com o crescimento do comércio internacional, 
surgiu a necessidade de uma legislação uniforme para facilitar as transações entre países. Em 1930, foi 
criada a Lei Uniforme de Genebra (LUG). O Brasil aderiu formalmente à Lei Uniforme de Genebra 
(LUG) em 1942, mas seu texto só foi incorporado ao ordenamento jurídico nacional em 1966, por meio 
do Decreto nº 57.663. 
 
A letra de câmbio é um documento formal que atua como um título de crédito, essencialmente 
funcionando como uma garantia de pagamento. Este título é um exemplo de documento que permite ao 
portador exigir um valor específico em dinheiro. Para que a letra de câmbio seja válida, ela deve atender 
a certos requisitos legais estabelecidos. Se esses requisitos não forem cumpridos, o documento não tem 
validade como título de crédito. 
 
PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA 
DIREITO DOS NEGÓCIOS| 2024.2 
 
 
 
 
 
A letra de câmbio é descrita como autônoma e abstrata. Isso significa que ela não depende de um 
contrato ou acordo específico para sua validade. As obrigações estabelecidas na letra são independentes 
e não precisam de outro documento para serem executadas. Além disso, a letra de câmbio é um título 
completo, o que implica que não requer a complementação de outros documentos para ser válida. 
 
Uma característica importante da letra de câmbio é que ela representa uma ordem de pagamento. 
Isso quer dizer que o sacador, que é a pessoa que cria o título, dá uma ordem para que uma certa quantia 
seja paga por uma terceira pessoa, chamada sacado, ao beneficiário, que é a pessoa que receberá o 
pagamento. O sacador garante que o pagamento será feito pelo sacado na data e no local acordados. 
 
Para entender melhor, imagine a letra de câmbio como um documento onde o sacador diz: “Eu 
(sacador) ordeno que você (sacado) pague esta quantia ao beneficiário.” O beneficiário então procura o 
sacado para que ele aceite a obrigação de pagar e depois efetue o pagamento. 
 
Em resumo, a letra de câmbio é um título formal que assegura o direito de receber dinheiro. Ela 
deve seguir regras específicas para ser válida e, uma vez criada, não precisa de outros documentos para 
ser completa. As três partes envolvidas são o sacador, que dá a ordem de pagamento; o sacado, que deve 
pagar; e o beneficiário, que recebe o pagamento. 
 
▪ ESPÉCIES DE DEVEDORES 
 
De acordo com MARLON TOMAZETTE, os devedores podem ser classificados em duas 
espécies: 
 
1. Devedor Direto / Obrigado Direto / Obrigado Principal 
 
Este é o devedor que tem a obrigação principal de pagar o título. A seguir, são apresentadas as 
características dos devedores diretos para diferentes tipos de títulos de crédito: 
 
• Letra de Câmbio e Duplicata: O sacado-aceitante é o devedor direto, bem como seus 
avalistas. No caso de uma letra de câmbio ou duplicata, o sacado-aceitante é a pessoa que, 
ao aceitar o título, se compromete a pagar o valor estipulado. Seus avalistas, ao garantirem 
o pagamento, também se tornam responsáveis como devedores principais. 
 
É importante notar que, se o aval é dado ao aceitante, o avalista é considerado um devedor 
principal, assim como o aceitante. Isso significa que o avalista pode ser processado diretamente, sem a 
necessidade de protesto do título. No entanto, se o avalista pagar a dívida, ele pode buscar o 
ressarcimento do aceitante, uma vez que a obrigação do avalista é posterior à do avalizado. 
 
2. Devedores Indiretos / Obrigados Indiretos / Obrigados Regressivos 
 
PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA 
DIREITO DOS NEGÓCIOS| 2024.2 
 
 
 
 
Os devedores indiretos são aqueles que, embora não sejam responsáveis diretamente pelo 
pagamento inicial do título, podem ser chamados a pagar se o devedor principal não cumprir sua 
obrigação. A seguir, são detalhadas as categorias de devedores indiretos para diferentes tipos de títulos 
de crédito: 
 
• Letra de Câmbio e Duplicata: 
 
o Sacador: No caso da letra de câmbio, o sacador, que emite a ordem de pagamento, 
é um devedor indireto. Em relação à duplicata, o sacador é a pessoa que emite o 
título e também pode ser considerado um devedor indireto. 
o Endossantes: São aqueles que transferem o título para outra pessoa através do 
endosso. Eles são considerados devedores indiretos porque garantem a obrigação 
do título, mas só são chamados a pagar se o devedor principal não cumprir a 
obrigação. 
o Avalistas: Os avalistas que garantem o pagamento do título também podem ser 
devedores indiretos, dependendo do grau de responsabilidade do avalizado. 
 
▪ REQUISITOS INTRÍNSECOS (art. 104, CC) 
 
A letra de câmbio, como título de crédito, deve atender a requisitos específicos estabelecidos pelo 
Código Civil para garantir sua validade. Esses requisitos são aplicáveis a todos os negócios jurídicos e 
incluem: 
1. Capacidade do Agente: As partes envolvidas na letra de câmbio (sacador, sacado e 
tomador) devem ter a capacidade jurídica necessária para se obrigar e cumprir o título. Isso 
significa que devem ser pessoas capazes de assumir compromissos financeiros de acordo 
com a legislação. 
2. Objeto Lícito: A obrigação representada pela letra de câmbio deve ter um objeto lícito. Isso 
quer dizer que o pagamento prometido deve ser para uma causa legal e não contrária à lei. 
3. Objeto Possível, Determinado ou Determinável: A obrigação representada pela letra de 
câmbio deve ser de um valor possível e deve estar claramente determinada ou ser 
determinável. Isso assegura que a dívida possa ser cumprida e que o valor a ser pago seja 
claramente identificado. 
4. Forma Prescrita ou Não Defesa em Lei: A letra de câmbio deve seguir a forma prescrita 
pela lei. Isso inclui a observância dos requisitos formais exigidos para a validade do título, 
como a inclusão de elementos essenciais como a ordem de pagamento, o valor, a data e o 
local de vencimento. 
 
▪ REQUISITOS EXTRÍNSECOS (1º e 2º da LUG) 
 
Com base nos artigos 1º e 2º da Lei Uniforme de Genebra (LUG), os requisitos para que um 
documento seja considerado uma letra de câmbio podem ser divididos em duas categorias: 
PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA 
DIREITO DOS NEGÓCIOS| 2024.2 
 
 
 
 
1. Requisitos Essenciais: Esses requisitos são indispensáveis para a validade do título como letra de 
câmbio. Sua ausência impede que o documento seja reconhecido como uma letra de câmbio. São 
eles: 
o Designação de "Letra de Câmbio": O documento deve conter a expressão "letrade 
câmbio". 
o Ordem Incondicional de Pagamento: Deve haver uma ordem clara e incondicional de 
pagamento de uma quantia determinada em dinheiro. 
o Nome do Sacado: A pessoa ou entidade a quem a ordem de pagamento é direcionada 
deve ser identificada. 
o Nome do Beneficiário: O destinatário do pagamento deve ser claramente nomeado. 
o Data de Vencimento: A data ou prazo para o pagamento deve estar especificado. 
o Data e Local de Emissão: A letra deve indicar o local e a data em que foi emitida. 
o Assinatura do Sacador: Deve ser assinada pelo sacador, que é a pessoa que emite o título. 
 
2. Requisitos Não Essenciais (Requisitos Supríveis): Esses requisitos não são imprescindíveis para 
a validade da letra de câmbio, mas sua ausência pode ser compensada por outras indicações no 
documento. São eles: 
 
o Local de Pagamento: Se não estiver indicado, pode ser determinado pelo local de 
emissão ou outro local especificado por lei ou acordado pelas partes. 
o Nome do Sacado: Se o sacado não for claramente indicado, a letra pode ainda ser 
considerada válida se o pagamento puder ser direcionado a um responsável 
identificado de outra forma. 
A emissão de um título de crédito, como a letra de câmbio, pode ocorrer mesmo que nem todos 
os requisitos legais estejam preenchidos no momento da sua emissão. Isso se deve ao fato de que o título 
pode ser emitido em branco e, posteriormente, completado conforme necessário. 
 
De acordo com a Súmula nº 387 do STF, a cambial que for emitida ou aceita com omissões, ou 
que estejam em branco, pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto. Em 
outras palavras: 
 
o Emissão em Branco: O título pode ser inicialmente emitido com campos em branco ou 
omissões. 
o Preenchimento Posterior: O credor, que deve agir de boa-fé, pode preencher essas lacunas 
ou completar o título antes de buscar a cobrança ou protestar o título. 
 
Isso permite que o título de crédito continue a cumprir sua função de garantir e facilitar a 
circulação de crédito, mesmo quando não está totalmente preenchido no momento da sua emissão. 
 
❖ NOTA PROMISSÓRIA 
 
A nota promissória tem suas raízes na Idade Média, surgindo paralelamente à letra de câmbio. 
No entanto, no Brasil, o Código Comercial não ofereceu uma regulamentação especial para ela. 
PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA 
DIREITO DOS NEGÓCIOS| 2024.2 
 
 
 
 
Conforme observa Fran Martins, “Além da letra de câmbio, que o Código regulou com detalhes nos arts. 
354 a 424, criou o mesmo, no art. 425, as letras da terra, ‘iguais às letras de câmbio com a única diferença 
de serem passadas e aceitas na mesma província’. E quanto às promissórias, nada mais fez que 
assemelhá-las às letras da terra”. 
 
Foi somente com o Decreto nº 2.044 de 1908 que a nota promissória ganhou destaque, sendo 
regulamentada e diferenciada da letra de câmbio. Em essência, a nota promissória é uma promessa de 
pagamento que uma pessoa faz a outra. Enquanto na letra de câmbio surgem três papéis distintos – 
sacador, sacado e tomador –, na nota promissória há apenas duas partes envolvidas: o emitente e o 
beneficiário. 
 
Na nota promissória, temos: 
 
o O emitente (ou promitente): é quem assume o compromisso de pagar uma quantia 
específica e, portanto, é o devedor principal do título. 
o O beneficiário (ou tomador): é quem deve receber o pagamento prometido, ou seja, o 
credor da nota promissória. 
 
▪ REQUISITOS LEGAIS 
 
Conforme os arts. 75 e 76 da LUG, é possível dividir os requisitos em: 
 
o Requisitos essenciais, que não podem estar ausentes de forma alguma, sob pena 
de o documento perder da qualidade de letra de câmbio e; 
o Requisitos não essenciais (requisitos supríveis), os quais podem estar ausentes 
desde que seja suprido por outra indicação. 
 
Os requisitos essenciais das notas promissórias são: 
 
O Art. 75 estabelece os requisitos essenciais para a validade de uma nota promissória. Segundo 
este artigo, a nota promissória deve conter: 
 
1. Denominação "nota promissória": O título deve incluir claramente a expressão "nota 
promissória" no seu texto, utilizando a língua na qual o título foi redigido. 
2. Promessa de pagamento: Deve haver uma promessa pura e simples de pagar uma quantia 
determinada. Isso significa que o emitente se compromete de forma direta e incondicional 
a pagar o valor especificado. 
3. Época do pagamento: A nota promissória deve indicar quando o pagamento será efetuado, 
ou seja, a data ou o prazo para o pagamento. 
4. Lugar do pagamento: Deve estar especificado o local onde o pagamento deverá ser 
realizado. 
5. Nome do beneficiário: Deve constar o nome da pessoa a quem, ou à ordem de quem, a 
quantia deve ser paga. Esse é o credor da nota promissória. 
PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA 
DIREITO DOS NEGÓCIOS| 2024.2 
 
 
 
 
6. Data e lugar de emissão: A nota promissória deve indicar a data e o local onde foi passada, 
ou seja, onde foi criada e assinada. 
7. Assinatura do emitente: É necessária a assinatura do emitente (ou subscritor), que é a 
pessoa que assume a obrigação de pagar a quantia estabelecida. 
 
O vencimento não é um requisito essencial para a validade da nota promissória. De acordo com o 
Art. 76 da Lei Uniforme de Genebra (LUG), se a nota promissória não especificar uma data de 
vencimento, ela será automaticamente considerada como "à vista". Isso significa que, na ausência de 
uma data de vencimento indicada, a nota promissória deverá ser paga imediatamente no momento de 
sua apresentação. 
 
O regime legal da nota promissória é específico, mas também sofre a influência das regras aplicáveis à 
letra de câmbio. Embora a Lei Uniforme de Genebra (LUG) contenha quatro artigos dedicados às notas 
promissórias (arts. 75 a 78), não há um regime legal completamente separado para este título de crédito. 
Em vez disso, as notas promissórias são regidas por disposições que também se aplicam à letra de 
câmbio, com algumas adaptações. 
 
Aqui estão as principais peculiaridades do regime legal da nota promissória: 
 
1. Não há aceite: Diferentemente da letra de câmbio, que exige a aceitação do sacado para 
que o título tenha efeito, a nota promissória não necessita de aceite. O emitente da nota 
promissória assume diretamente o compromisso de pagar a quantia devida. 
2. Equiparação do emitente ao aceitante: Na nota promissória, o emitente (ou promitente) é 
considerado o equivalente ao aceitante na letra de câmbio. Isso significa que o emitente é 
o principal responsável pelo pagamento, similar à posição do aceitante na letra de câmbio. 
3. Aval em branco: Em casos de aval em branco na nota promissória, o avalizado é o emitente. 
Isso implica que, se alguém avalizar uma nota promissória em branco, o avalizado será o 
próprio emitente do título. 
 
Portanto, embora as notas promissórias tenham características próprias, elas compartilham alguns 
aspectos do regime legal da letra de câmbio, adaptando-se às peculiaridades do título e mantendo a 
simplicidade e flexibilidade necessárias para sua função no mercado financeiro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA 
DIREITO DOS NEGÓCIOS| 2024.2 
 
 
 
 
 
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO 
 
Questão 2 - (0,20 pontos) 
De acordo com a Lei Uniforme de Genebra (LUG), a letra de câmbio deve atender a certos requisitos 
intrínsecos para ser considerada válida. Explique detalhadamente quais são esses requisitos e a importância de 
cada um para a validade do título. Em sua resposta, discorra sobre as consequências legais da ausência de um 
ou mais desses requisitos, avaliando como a falta de um requisito essencial pode impactar a posição dos 
credores e devedores envolvidos. Além disso, descreva a relação entre os requisitos intrínsecos e a autonomia 
do título de crédito, explicando como esses requisitos garantem a eficácia e a segurança jurídicada letra de 
câmbio. 
 
1 
2 
3 
4 
5 
6 
7 
8 
9 
10 
11 
12 
13 
14 
15 
16 
17 
18 
19 
20

Mais conteúdos dessa disciplina