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Epidemiologia de doenças de plantas 1. Como funciona uma epidemia? a) Modelo simbólico O modelo simbólico se baseia em equações e parâmetros específicos, sendo especialmente útil para realizar simulações e análises preditivas. b) Modelo icônico Representa a disseminação da doença usando imagens, gráficos e diagramas que facilitam a visualização da progressão da doença e os fatores que a influenciam. c) Modelo analógico É uma forma de simplificar e representar visualmente os fatores e processos que influenciam a propagação de uma doença. A caixa com os sítios infecciosos representa, antes do início da epidemia, toda a população do hospedeiro. A epidemia tem início com a deposição de um esporo fora do sistema sobre um sítio sadio. Com a infecção que vem do contato patógeno-hospedeiro, o sítio sadio torna-se latente. A próxima etapa importante ocorre depois de completado o período latente, ou seja, se tornando infecioso. Durante o período infeccioso o sítio produz esporos, sendo que alguns deles são perdidos/removidos e outros vão seguir pela tubulação e gerar novas infecções. *tecido latente: aquele que foi infectado mais ainda não produz esporos; *tecido infeccioso: aquele que já está produzindo esporos; *tecido removido: aquele que já produziu esporos; *tecido sadio: aquele que ainda não foi infectado. (a soma dos três representa o tecido doente na epidemia). 2. Padrões regulares e princípios gerais a) O Epidemiologista a estuda os padrões temporal e espacial de doenças em populações de hospedeiros. Ele pode ser definido como um detive de padrões. **padrões regulares (identificar) e princípios gerais (propor)** Padrões regulares: doenças com muitos ciclos secundários (sarna da macieira, ferrugens, oídios, antracnoses, manchas foliares em geral, viroses com vetor, e - Doenças causadas por: Phytophthora, Pythium, Sclerotinia, Fusarium solani) ou sem ciclos secundários (Murchas de Fusarium, Murchas de Verticillium e viroses sem vetor como carvão da cana-de açúcar e nematoides em geral). Princípios gerais: Doenças de monociclo ou juros simples: Plantas infectadas durante o ciclo da cultura não servem de fonte de inóculo para novas infecções no mesmo ciclo. -> intensidade final da doença é função do inoculo primário. Doenças policíclicas ou juros compostos: Plantas infectadas durante o ciclo da cultura servem de fonte de inóculo para novas infecções no mesmo ciclo. -> intensidade final da doença é função do inoculo secundário. Epidemiologia de doenças de plantas Ilustrada com huanglongbing dos citros Até o momento se conhecia apenas dois padrões epidemiológicos (mono e policíclico), utilizando a epidemiologia tradicional. Porém com a chegada do huanglongbing é necessário criar um terceiro padrão epidemiológico, e consequentemente um terceiro manejo, adotando então a epidemiologia de paisagem. Com isso a fitopatologia tradicional diz que: - O papel da disseminação primaria é introduzir o patógeno em áreas indenes (sem a doença); - O subsequente desenvolvimento da epidemia é governado pela disseminação secundaria. Então o princípio fundador traz que as medidas de manejo implementadas somente na propriedade já são suficientes. Para realizar o manejo é necessário compreender o patossistema (conjunto de elementos e interações que formam o sistema de uma doença específica em um organismo – hospedeiro, patógeno, ambiente, tempo...) *o fungicida controla com eficiência a disseminação primaria quanto a secundaria Porém utilizando os métodos de controle segundo o princípio do fundador não estava se obtendo resultados no manejo do “dragão amarelo”. A solução encontrada foi negar o princípio fundador, ou seja, as medidas de manejo devem ser implementadas dentro e fora da propriedade. *O problema do padrão 3 é a disseminação primaria continua. Combinação explosiva = disseminação primaria e continua, além disso se tem um vetor e a infecção é sistêmica. Esses três fatores fizeram com que o princípio fundador fosse quebrado. Ela é explosiva tanto no inoculo primário quanto no secundário. Porém o problema inicial dela é o inoculo primário, diferente das doenças de policíclico (inoculo secundário). Até o momento o controle (químico) do vetor era feito no interior da propriedade (disseminação secundaria) sendo eficiente. Porém não era eficaz para controlar a disseminação primaria. *pequenas propriedades rodeadas por vizinhos que não fazem o manejo Para o controle utilizavam mudas sadias, inspeção e erradicação, e o controle químico do vetor, sendo que essas medidas eram realizadas a nível da propriedade. Herança do princípio fundador Porém mesmo com a implementação cuidadosa das três recomendações citadas não era suficiente para controlar o HBL. O erro estava em realizar as recomendações apenas dentro da propriedade. A partir disso o manejo começou a ser implementado dentro e fora da propriedade. Quebra do princípio do fundador Conclusões do manejo regional: - Possível para grandes produtores; - Manejo regional de um só produtor; - Impedir que os vetores deixem o pomar; - A cooperação entre produtores pequenos é difícil; - A ação do governo é essencial para o manejo em regiões de pequenos produtores. Epidemiologia - Toda doença possui obrigatoriamente um ciclo primário. - Nem todas as doenças apresentam ciclos secundários de doença. - O surgimento do ciclo primário depende do inóculo primário ou residual. - Os ciclos secundários surgem a partir do inóculo secundário, que é produzido em lesões na planta hospedeira doente. - O final do ciclo secundário coincide, frequentemente, com o final do tecido hospedeiro (morte das plantas anuais e queda de folhas em plantas perenes decíduas). 1) Doenças de monocíclicas e policíclicas a) Doenças monocíclicas (juros simples) Doenças que apenas apresentam o ciclo primário (e não apresentam ciclos secundários). Nas doenças monocíclicas, plantas infectadas durante o ciclo da cultura não servem de fonte de inóculo para novas infecções no mesmo ciclo. Os patógenos envolvidos completam 1 ciclo por estação. O inóculo primário é o único inóculo disponível durante todo o ciclo da cultura (não há produção de inóculo secundário). Ex: murchas de Fusarium, murchas de verticílio, murcha bacteriana das solanáceas, galhas radiculares por nematoides. As doenças monocíclicas crescem linearmente, tendendo ao infinito. Em doenças de monociclo, plantas infectadas não servem de hospedeiras para uma infecção seguinte, isso porque os hospedeiros precisam estar vivos. Não existe virose no modo ciclo, porque o vírus não causa entupimento de vasos além disso o vírus precisa de um hospedeiro secundário. Os microescleródios no solo vão estimulados a germinar pelos Exudatos produzidos pelas batatas. Após a germinação os microescleródios irão entrar em contato com a raiz fazendo a penetração, seguida da colonização dela até chegar nos vasos xilemáticos. Neste momento ocorrerá a colonização dos vasos xilemáticos levando a Correção para infecção múltipla Dy (y) tempo Pico da doença Dt (x) se ve ri da de sintomas como a murcha na parte aérea da planta. Em seguida irá ocorrer a colonização dos tecidos senescentes que irão formar novos micro escleródios, sendo que estes serão depositados novamente no solo após a morte da planta. b) Doenças policíclicas (juros compostos) Possuem o ciclo primário e podem apresentar vários ciclos secundários de doença. No caso das doenças policíclicas, plantas infectadas durante o ciclo da cultura servem de fonte de inóculo (com a produção do inóculo secundário) para novas infecções no mesmo ciclo. Ex: sarna da macieira As doenças policíclicas crescem exponencialmente, tendendo ao infinito, porém em algum momento ela para de evoluir. A intensidadeda epidemia é influenciada principalmente por fonte de inoculo. Ocorre com mais frequência em folhas e frutos. dy/dt = QR (1-y) -> juros simples dy/dt = ry (1-y) -> juros composto 2) Epidemiologia da doença ao longo do tempo e espaço O final do ciclo secundário coincide, frequentemente, com o final do tecido do hospedeiro (isso é explicado por 1-y). 3) O que é epidemiologia? Segundo Agrios (2005), epidemiologia é o estudo da epidemia e dos fatores que a influenciam. Epidemia tem sido definida como aumento de doença em uma população; Existe diversos conceitos de epidemiologia e em todos ele ela se trata do estudo da doença nas populações. - Epidemiologia consiste no estudo de populações de patógenos em populações de hospedeiros e da doença resultante dessa interação, sob a influência do ambiente e a interferência humana. a) Entendendo os termos: - Epidemia refere-se ao aumento da doença em uma população de plantas em intensidade e/ou extensão, isto é, aumento na Incidência- severidade e/ou um aumento na área geográfica ocupada pela doença. - O termo endemia, tem uma conotação geográfica, sendo sinônimo de doença sempre presente em uma determinada área e, caracteriza-se por não estar em expansão. *Epidemia não é o oposto de endemia 4) Princípio básico por trás da epidemiologia A quantidade de doença no campo é determinada pelo balanço entre dois processos opostos, infecção e remoção. Sabemos que na endemia a doença está sempre presente em uma determinada área e, caracteriza- se por não estar em expansão. Mas, endemia também implica num balanço próximo de neutro (= equilíbrio), entre os processos de infecção e remoção, quando se considera um período de tempo relativamente longo. Quando existe um balanço neutra na endemia significa que há coexistência entre hospedeiro e patógeno e, reflete a constante presença de ambos numa área, fato este que se constitui na essência da definição de doença endêmica. Em doenças endêmicas, pode haver surtos epidêmicos 5) Desenvolvimento de uma epidemia Uma epidemia se desenvolve como resultado da interação dos mesmos elementos (fatores) que culminam no processo doença, ou seja, a hospedeira suscetível sadia, o inóculo virulento e condições ambientais favoráveis (triângulo de doença). A participação do homem (no tetraedro de doença) pode favorecer o início e o desenvolvimento de epidemias; entretanto o homem também pode interromper o desenvolvimento da epidemia. Além disso a participação de cada componente e suas interações no processo doença são afetadas por um novo componente, o tempo (o tempo pode mudar o padrão de uma doença). 6) Condições que Afetam o Desenvolvimento de Epidemias a) Fatores na planta: nível de resistência genética ou suscetibilidade da hospedeira; grau de uniformidade genética das plantas hospedeiras; tipo de cultura; idade da planta hospedeira. b) Fatores do patógeno: nível de virulência; quantidade de inóculo nas proximidades do hospedeiro; ecologia do patógeno; modo de disseminação do patógeno. c) Fatores do ambiente: O ambiente pode afetar: disponibilidade, estádio de crescimento e suscetibilidade genética do hospedeiro; sobrevivência, vigor, taxa de multiplicação, esporulação; o número e a atividade dos vetores dos patógenos. O ambiente pode facilitar: a direção e a distância da dispersão do patógeno, a taxa de germinação e de penetração de esporos. d) Fatores do ser humano: Seleção e preparo do local de plantio; Seleção do material de plantio; Práticas culturais; Introdução de novos patógenos 6.1) Doença é um evento cíclico que envolve processos A inclusão do fator tempo no ciclo de infecção permite a definição de diversos períodos de interesse epidemiológico: - Período de incubação, período latente, período infeccioso. Período de incubação: período de tempo decorrido entre a deposição do patógeno na superfície do hospedeiro e o aparecimento dos primeiros sintomas; Período latente: período de tempo decorrido entre a deposição do patógeno na superfície do hospedeiro e o aparecimento dos primeiros sinais (estruturas reprodutivas); Período infeccioso: período de tempo em que uma lesão permanece produzindo estruturas reprodutivas. A duração do período latente e período infeccioso tem grande importância no desenvolvimento de epidemias, já que influenciam sua velocidade e/ou duração. 6.2) padrões das doenças De forma geral as doenças seguem dois padrões regulares: - Doenças que NÃO apresentam ciclos secundários (como a murcha-deverticílio da batata); - Doenças que podem apresentar muitos ciclos secundários (sarna da macieira). 7) Aplicações da fitopatometria A quantificação de doença se faz através da fitopatometria. A quantificação é necessária para se realizar os estudos epidemiológicos. 7.1) aplicações a) Estudar a prevalência e importância das doenças na cultura; b) Determinar danos ou perdas t final y final Padrão de crescimento ymax de rendimento; c) Comparar a eficiência de fungicidas; d) Determinar a época de aplicação de fungicidas; e) Verificar o efeito de práticas agrícolas no controle; f) Avaliar a resistência de genótipos aos patógenos no melhoramento; g) Estudar o progresso da doença ou de epidemias (primeiros sintomas, curvas de desenvolvimento ou evolução da doença); h) Elaborar modelos de previsão de doenças. 8) Classificação Epidemiológica das Doenças 8.1) Doenças de Juros Simples e Doenças de Juros Compostos Numa abordagem epidemiológica, taxas de juros tornam-se taxas de infecção e capital torna-se doença, sendo caracterizados dois grupos: doenças de juros simples e doenças de juros compostos. 9) Curva de progresso da doença Início da epidemia: t0 Quantidade de inoculo inicial: y0 Taxa de aumento/crescimento da doença: r Quantidade de doença máxima: ymax Quantidade de doença final: yo Duração da epidemia: t final 10) Revisão de doenças de plantas “Previsão do início (infecção) ou do aumento da intensidade da doença, baseando-se em informações relativas ao clima, à cultura ou ao patógeno.” “O conhecimento detalhado da interação hospedeiro-patógeno constitui-se na linha-guia para a previsão de doenças.” a) Justificativa para o uso dos modelos de previsão - A doença deve ser de ocorrência esporádica; - Culturas para as quais o alto número de pulverizações onera os custos de produção; - Os produtos químicos disponíveis apresentam eficiência rápida no controle da doença. b) Objetivos do modelo de previsão 1) Reduzir o número de aplicação de fungicida e, portanto, reduzir o efeito negativo dos produtos químicos ao homem e ao ambiente. A previsão não necessariamente visa reduzir o número de aplicações, mas, sim, torná-las mais eficiente. 2) Diminuir o risco de perdas econômicas causadas pela doença. 3) Aumentar a renda do agricultor pela racionalização do número de aplicações de fungicidas. *Um modelo de previsão de doença só poderá ser considerado bem-sucedido caso venha a ser aceito e utilizado pelos agricultores Epidemiologia de doenças de plantas Avaliação de doenças 1) Fitopatometria Importância da avaliação da doença é frequentemente comparada à importância da diagnose. Ou seja, só se tem doença a partir da diagnose. 1.1) Conceitos Sintomas – Manifestação das reações da planta a um agente nocivo; Sinais - Estruturas do patógenos exteriorizadas no tecido doente; Danos - Redução na quantidade ou qualidade da produção; Perdas - Redução em retorno financeiro por unidade de área devido a ação de organismos nocivos. Manejo integrado de pragas (MIP) - Utilização detodas as técnicas disponíveis dentro de um programa unificado, de tal modo a manter a população de organismos nocivos abaixo do limiar de dano econômico e a minimizar os efeitos colaterais deletérios ao meio ambiente. 1.2) Métodos de avaliação de doenças/patógenos Para a avaliação de sintomas: direto Para avaliação de populações de patógenos: indireto 1.2.1) métodos diretos Este método da a quantidade de doença Incidência - Número de unidades de plantas ou órgãos amostrados que estão doentes, expressa em % ou proporção; Tem ou não tem Severidade - É a área de uma unidade da amostra (superfície da planta ou de um órgão, ex. folha) afetada pela doença expressa em % ou proporção; Quanto de doença Intensidade - termo referente a quantidade de doença presente em uma população Escalas diagramáticas: Representações esquemáticas de folhas doentes com diferentes níveis de severidade; Em geral possuem de 6 a 9 níveis de severidade; São úteis para avaliação no campo; os valores da escala devem estar em escala logarítmica (não, deve em estar em escala linear). Antes das escolas diagramáticas se estabelecia níveis máximos e valores intermediários, hoje através da escala diagramática, se realiza uma escala linear de 6-12 diagrma preto e branco ou colorido. Pode se fazer a avaliação de doenças através do sensoriamento remoto (porém é caro). Este é baseado nas propriedades radiantes das plantas (refletância) medidas por sensores especiais. A região do espectro de maior interesse em Fitopatologia é de 380 a 3000 nm: Região 380 – 720 nm: visível, olho humano responde as radiações, cores primárias; Região 720 a 1300 nm – infravermelho próximo; Região de 1300- 3000 nm – infravermelho médio. Aplicações do radiômetro: Estimar severidade de doenças; Prever produção; estimar danos; avaliar eficiência de tratamento de controle. 1.2.2) métodos indiretos 1.3) Uso de Fitopatometria para MID limiar de dano econômico (LDE) - “a menor densidade populacional do organismo nocivo que causa danos econômico”; dano econômico - “quantidade mínima de injúria que justifica a aplicação de determinada tática de manejo”; limiar de ação - “a menor densidade populacional do organismo nocivo na qual táticas de manejo necessitam, ser tomadas para impedir que o LDE seja alcançado”. 1.4) Manejo Integrado de Doenças: Que Caminho Seguir? Calendário fixo não se utiliza mais, agora é o semifixo Diagnose Feijão vagem – colleotrichum gloesporioides Batata – Ralstonia solanacearum Tomate (pinta preta) – alternaria Cebola (queima do ponteiro) – botrytis scamosa Cebola (míldio da cebola) - Peronospora destructor Cebola (mancha purpura) – alternaria porri Laranja (pinta preta) - guignardia citricarpa Laranja (bolor verde) - Penicillium digitatum Pimentão (podridão mole) – rhizopus stolonifer Brócolis (mancha olho de rã) – alternaria brassicola Chuchu (antracnose) – colleotrichum spp. Maça (podridão amarela) - Colletotrichum gloesporioides