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SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 1 
Curso de Formação Básica em Dinâmica dos Grupos 
Curitiba – PR 
Coordenação: Constancia M. Alves De Boni, Waldemiro Pedroso Sobrinho 
O processo grupal segundo as fases de Schutz: 
um estudo de um grupo religioso, 
um grupo artístico e um grupo de trabalho 
ELIZABETH NERY SINNOTT 
MARCELE KARASINSKI 
PAULO TADEU GRACIANO 
RAINER JUNGES 
 
 
 
 
 
 
 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 2 
SUMÁRIO 
 
 
1 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................3 
1.1 Objetivos específicos .....................................................................................................3 
1.2 Justificativa ....................................................................................................................3 
1.3 Hipótese .........................................................................................................................3 
 
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...............................................................................4 
2.1 Relacionamento interpessoal .........................................................................................4 
2.2 Funcionamento do grupo ...............................................................................................5 
2.3 As fases de inclusão, controle e afeição propostas por Schutz ......................................6 
2.3.1 Inclusão .......................................................................................................................7 
2.3.1.1 Comportamento de inclusão e os sentimentos de importância e estar vivo.............7 
2.3.2 Controle.......................................................................................................................8 
2.3.2.1 Comportamento de controle e sentimentos de competência e escolha ....................9 
2.3.3 Afeição / Abertura.......................................................................................................9 
2.3.3.1 Comportamento de abertura e o sentimento de ser amado ....................................10 
2.4 A teoria de funcionamento dos grupos de Bion...........................................................11 
2.4.1 Grupo de trabalho .....................................................................................................11 
2.4.2 Mentalidade de grupos..............................................................................................11 
2.4.3 Pressupostos básicos .................................................................................................12 
2.4.3.1 Dependência...........................................................................................................12 
2.4.3.2 Acasalamento.........................................................................................................13 
2.4.3.3 Luta-fuga................................................................................................................13 
 
3 METODOLOGIA......................................................................................................13 
3.1 Sujeitos.........................................................................................................................14 
3.2 Instrumentos.................................................................................................................14 
3.3 Procedimentos..............................................................................................................14 
 
4 ANÁLISE DE DADOS .............................................................................................14 
4.1 Grupo religioso ............................................................................................................14 
4.1.1 Observação da reunião do Grupo de Jovens da Seicho-No-Ie do Bacacheri............16 
4.1.2 Pontos relevantes a serem analisados .......................................................................17 
4.2 Grupo artístico .............................................................................................................19 
4.2.1 Observação do ensaio do Coral de Igreja Batista do Guabirotuba ...........................19 
4.2.2 Pontos relevantes a serem analisados .......................................................................20 
4.3 Grupo de trabalho ........................................................................................................22 
4.3.1 Observação do curso: Construção de Cenários do SEBRAE ...................................23 
4.3.2 Pontos relevantes a serem analisados .......................................................................24 
4.4 Comparação dos três grupos ........................................................................................25 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................26 
 
REFERÊNCIAS.................................................................................................................28 
 
ANEXOS ...........................................................................................................................29 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 3 
1 INTRODUÇÃO 
 
O Processo Grupal fundamentado nas fases de Inclusão, Controle e Afeição de 
Schutz. O objetivo desta pesquisa é observar e estudar distintos grupos e identificar como 
ocorrem as fases de Inclusão, Controle e Afeição de Schutz. 
 
 
1.1 Objetivos específicos 
 
− Realizar análise do processo grupal; 
− Verificar a forma como os membros dos três grupos se relacionam com seus 
pares e com o seu Coordenador; 
− Observar os comportamentos nos grupos e as fases da teoria de Shutz. 
 
 
1.2 Justificativa 
 
A presente pesquisa é de extrema relevância no sentido de contribuir para o en-
tendimento acerca dos fenômenos grupais. 
Cada vez mais o mercado exige que o profissional, independente da sua área de 
atuação, seja capaz de se conhecer e conhecer os aspectos que influenciam os relaciona-
mentos interpessoais. 
Nesse sentido, entrar em contato com conteúdos teóricos, vivenciais e práticos do 
Funcionamento e Dinâmica dos Grupos torna-se essencial para entender a complexidade 
das relações. 
A união de conteúdos teóricos e vivenciais a prática de outros grupos (que não o 
Grupo 155 da SBDG), possibilita a ampliação da percepção dos pesquisadores e trabalha 
competências para futuras intervenções. Além disso, favorece o aprendizado e as trocas 
de experiências com outros membros da SBDG. 
 
 
1.3 Hipótese 
 
Will Schutz (1989), desenvolveu uma abordagem do desenvolvimento do ser hu-
mano considerando três zonas de necessidades interpessoais existentes em todos os gru-
pos: Inclusão, Controle e Afeição, conforme detalhado posteriormente. 
Em outro livro Schutz (1975), relata maior acentuação nas relações de Inclusão, 
Controle e Afeição de acordo com a característica de cada grupo, conforme o Quadro a 
seguir: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 4 
Quadro 1 – Relações entre níveis 
 INCLUSÃO CONTROLE AFEIÇÃO 
Problema Dentro ou fora Topo ou base Próximo ou distante 
Interação Encontro Confronto Abraço 
Autoconceito Importante Competente Amorável 
Nível corporal Energia Centralização Aceitação 
Resposta Sexual Potência Orgasmo Sentimento 
Fisiologia 
(Sistemas) 
Sentidos (especialmente 
pele) Respiratório 
Digestivo e Excretório 
Nervoso Muscular 
Esquelético 
Endócrino 
Reprodutor 
Circulatório 
Linfático 
T. Psicanalítica Jung Adler Freud 
“I-nature” Religião Ciência Arte 
“I-thou” Organizações fraternais Política Casamento 
Fonte: SCHUTZ, 1989, p. 56. 
 
De acordo com o quadro acima, Schutz relaciona maior acentuação de Inclusão 
em Grupos Religiosos, maior controle em Grupos voltados à Ciência e maior relaçãocentra-se na ideia de cada pessoa é diferente da 
outra e, portanto, tem um desenvolvimento individual particular e específico. 
O grupo de encontro tem o objetivo de atingir o sujeito como um todo, fazendo o 
mesmo se envolver inteiramente e apresenta três zonas de necessidades interpessoais 
existentes em todos os grupos, que correspondem ao desenvolvimento grupal, isto é, 
inclusão, controle e afeição. 
Quando falamos em desenvolvimento de grupos identificamos que todas as fases 
estão sempre presentes, porém não são igualmente destacadas. Como também as pessoas, 
pois algumas acompanham o processo central do grupo outras não. Ocorre conforme as 
suas necessidades individuais que transcenderá o foco do grupo. O seu interesse está 
relacionado com a sua área problemática que ao mesmo tempo está sendo tratado pelo 
grupo na fase atual. 
Assim que o grupo está formado, começa a se diferenciar. Pessoas diferentes 
assumem ou buscam papéis diversificados e as lutas pelo poder, a competição e a 
influência passam a ter uma importância central. A interação típica para enfrentar tais 
questões é o confronto. 
Segundo Shutz, as posturas que o grupo apresenta variam, pois em alguns 
momentos tem a necessidade de ser autoridade com os outros e em outros momentos tem 
o desejo de ser controlado isentando-se de toda responsabilidade. 
Conforme a pesquisa realizada, identificamos, através das observações e do 
questionário aplicado, relações de inclusão controle e afeto nos grupos pesquisados, não 
igualmente intensos, porém, presentes nos 3 grupos avaliados. 
A fim de facilitar a condensação das conclusões, dividir-se há de acordo com as 
fases relatadas por Shutz: 
 
a) Inclusão 
Segundo Schutz (1989) a inclusão relaciona-se com associação, e manifesta em 
forma de grupo, a primeira decisão é se a pessoa quer fazer parte, se quer estar fora ou 
dentro do grupo, perceber se está “recebendo” atenção ou se esta sendo ignorada pelos 
demais integrantes do grupo. 
A hipótese desta pesquisa é que a relação de inclusão seria mais acentuada no 
grupo religioso, em analise ao grupo Sheicho-No-Ie, conforme descrito no item Analise 
de dados, na observação do grupo percebeu-se maior intensidade na relação de Controle. 
Sob análise do questionário, pode-se perceber que o grupo que manifesta a maior 
média de necessidade de controle é o Grupo Religioso, contrariando a visão de Schutz e a 
hipótese inicial traçada pelos pesquisadores. 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 27 
A Seicho-No-Ie foi fundada em março de 1930 e cresceu no pós-guerra no Japão, 
quando a sociedade japonesa viu desmoronar a religião oficial do Estado, baseada na 
crença na divindade do imperador e uma das bases da ideologia militarista. 
Devido ao contexto histórico quando da sua fundação, pode-se hipotetizar que a 
estruturação desta religião de forma mais ritualística fazendo preponderar relações de 
controle ao invés de inclusão, que é característica em grupos religiosos, tenha ligação 
com o seu contexto histórico e cultural. 
Imagina-se que em tempos de pós-guerra e em culturas predominantemente 
militaristas e imperialistas, o movimento religioso Seicho-No-Ie para que pudesse se 
propagar de forma mais intensa, e incluir novos adeptos, não poderia romper totalmente 
com o paradigma vigente que era predominado por relações de controle. 
Mesmo a pesquisa contrariando a hipótese e visão de Schutz, e apresentando 
relatos de maior relação de controle no grupo religioso, porém se analisadas a origem da 
religião e que a maior parte das relações de controle estão na interação do líder com o 
grupo e não no grupo em si, pode-se concluir que a necessidade de inclusão, está presente 
neste grupo. 
 
b) Controle 
A hipótese inicial desta pesquisa propõe relações mais acentuadas de controle nas 
interações de grupos orientados à ciência. Apesar de manifestado em todos os grupos de 
forma acentuada e apesar do questionário demonstrar maior necessidade de controle nos 
membros do grupo religioso, o controle demonstra-se presente em todos os grupos 
pesquisados. 
Durante a observação, conforme descrito no item Analise de dados, percebe-se a 
relação de controle no grupo orientado à ciência de forma a acentuarem as suas relações 
em questões de competência, autoridade e influência. 
Em questionário, apesar de pequena, a relação se apresenta mais acentuada na 
necessidade de controle. 
Will Schutz (1989) é incisivo nas suas afirmações quando coloca que a parte ra-
cional tem preferência por certo controle da própria vida, a defensiva tem origem no me-
do de ser fraco (não poder sustentar-se – ajudar a si mesmo) ou de ficar sobrecarregados 
com responsabilidades. A parte racional é flexível e pode adaptar-se à situação, a defen-
siva é rígida, quanto maior é o autoconceito e auto-estima mais o comportamento é racio-
nal e não defensivo. 
Levando em conta o conceito de controle e a origem do grupo do curso “Constru-
ção de Cenários” o qual faz parte do programa do Sebrae para formação de empreendedo-
res, que tem como objetivo preparar os integrantes para uma competição de mercado, no 
qual o anseio é buscar viabilizar as atividades econômicas que os integrantes se propõe a 
desenvolver, de forma a acentuar as relações e as necessidade de competição para o seu 
futuro sucesso. 
No grupo de trabalho, sob ambas as formas de análise, a necessidade de controle 
predomina de forma sutil, porém confirma a hipótese inicial da pesquisa. 
 
c) Afeição 
A hipótese desta pesquisa é que a relação de afeição se mostre mais intensa e 
acentuada no grupo artístico. 
Conforme pesquisa realizada, identificou-se através da observação que no grupo 
artístico as relações de afeto é que permeiam a jornada do grupo, manifestadas de forma 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 28 
mais intensa ao final do ensaio, apresentando comportamentos de abertura permitindo 
uma relação em que os membros possam dividir seus sentimentos. 
Através do questionário, também, percebe-se maior necessidade por afeto nos 
membros do grupo, corroborando com a visão de Schutz e hipótese desta pesquisa. 
De acordo com Schutz (1989) O afeto é construído com base em vínculos mais 
profundos, portanto, usualmente é a última fase a emergir em um relacionamento de gru-
po. Esta prerrogativa de Schutz, também pode justificar o motivo do grupo existir a cin-
quenta anos, permitindo as relações de afeto e vínculos mais profundos acontecerem no 
decorrer dos anos. 
De acordo com Schutz, os grupos artísticos manifestam a necessidade de Afeição. 
Tal pressuposto foi confirmado por esta pesquisa. 
De maneira geral, concluí-se que todas as fases estão presentes nos diferentes 
grupos observados. Os grupos também têm suas tarefas definidas e cada um com seus 
“coordenadores”, seja como preletor ministrando sua palestra da doutrina espiritual, 
como um regente orientando qual caminho musical mais harmônico e um instrutor 
ensinando o caminho do sucesso como empreendedor. 
Diante deste cenário identifica-se que depende de muitas variáveis para um grupo 
se desenvolver e chegar à maturidade esperada, ou seja, o auto e hetero-conhecimento vai 
favorecer a percepção dos fenômenos grupais presentes. 
Assim mencionando Moscovicci (2001) que salienta que a vivência nas fases de 
Shutz é necessária para o aprendizado do grupo em crescimento. No desenvolvimento do 
grupo, portanto, precisam também ser considerados os aspectos de personalidade de seus 
membros, além da dimensão tempo e outros fatores que compõem o grupo. 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
BION, W. R. Experiências com grupos. Trad.: W. I. Oliveira. 2. ed. Rio de Janeiro: Imago; São Paulo: 
EDUSP, 1975. 
BOWLBY, John. Apego e perda. São Paulo: Martins Fontes, 1984-1985. 3. v. 
______ . Formação e rompimento dos laços afetivos. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006. 
DEL PRETTE, A.; DEL PRETTE, Z. Psicologia das relações interpessoais: vivências para otrabalho 
em grupo. Rio de Janeiro: Vozes, 2001. 
FALCONE, E. M. de O. Grupos. In: RANGÉ, B. (Org.). Psicoterapia comportamental e cognitiva. 
São Paulo: Psy, 1995. 
GIDDENS, Anthony. Para além da esquerda e da direita. São Paulo: UNESP, 1996. 
MOSCOVICI, Fela. Equipes dão certo: a multiplicação do talento humano. Rio de Janeiro: José 
Olympio LTDA, 1994. 
______ . Desenvolvimento interpessoal: treinamento em grupo. 10. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 
2001. 
SAMPAIO, J. dos R. A “dinâmica de Grupos” de Bion e as organizações de trabalho. Psicol. USP, 
São Paulo, v. 13, n. 2, 2002. 
SCHUTZ, W. Profunda simplicidade: uma nova consciência do eu interior. São Paulo: Ágora, 1989. 
______ . Elements of encouter. New York: Batam Books, 1975. 
WIKIPÉDIA – Enciclopédia virtual. Disponível em: . 
Acesso em: jul. 2009. 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 29 
ANEXOS 
 
 
ANEXO 01 
Modelo de questionário 
 
Somos alunos do curso de Formação em Dinâmica de Grupos pela SBDG e es-
tamos realizando nosso trabalho de conclusão de curso e para isso, necessitamos obser-
var o funcionamento de um grupo. Solicitamos a sua autorização para a realização da 
nossa pesquisa. Também pedimos a gentileza de responder o questionário abaixo. 
 
Informamos que os dados serão mantidos sobre SIGILO e que nenhum membro 
do grupo será identificado. 
 
Desde já agradecemos, 
Elizabeth, Marcele, Rainer e Tadeu. 
 
ASSINATURA DO PARTICIPANTE: _______________________________ 
 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 30 
Leia as afirmativas abaixo e assinale com um X o grau de intensidade (muito, sufi-
ciente ou pouco) que experimenta tais sentimentos ou comportamento NESTE 
GRUPO. 
 
Sentimentos/Comportamentos Pouco Suficiente Muito 
1-Eu me preocupo em ser muito competente; 
2-Eu estou sempre preocupado e me esforço para que os 
outros gostem de mim; 
 
3-Eu não dou importância suficiente às pessoas; 
4-Eu gosto sempre de estar supervisionando muito bem o 
trabalho dos outros; 
 
5-Eu sinto que as pessoas não gostam suficientemente de 
mim; 
 
6-Eu estou sempre muito preocupado(a) com a inclusão do 
outro(a) no grupo; 
 
7-Eu mantenho sempre uma distância afetiva dos outros, 
evitando a intimidade; 
 
8-Eu me rebelo, frequentemente, contra o que eu sinto como 
autoritarismo; 
 
9-É muito significativo para mim, eu gostar demais de mim. 
10-Eu não percebo as pessoas como suficientemente com-
petentes; 
 
11-Eu sou muito retraído e espero que os outros me incluam; 
12-Eu evito, sempre que posso, influenciar o trabalho dos 
outros; 
 
13-Eu sempre me envolvo emocionalmente demais com as 
pessoas; 
 
14-Eu me preocupo muito em ser muito importante; 
15-Eu estou sempre atento para não ser rígido; 
16-Eu sou capaz de criar uma boa impressão e obter aten-
ção, reconhecimento pessoal e respeito das pessoas; 
 
17-Digo e faço coisas de modo natural, expresso livremente 
ideias, opiniões e sentimentos no momento em que ocorrem; 
 
18-Tenho habilidade de percepção e consciência de neces-
sidades, sentimentos e reações dos outros; 
 
19-Tenho habilidade de reconhecer, diagnosticar e lidar com 
conflitos e hostilidade dos outros; 
 
20-Experimento fazer coisas diferentes, conhecer novas 
pessoas, testar novas ideias e atividades; 
 
 
 
21-Procuro relacionamentos mais próximos com as pessoas, 
dar e receber afeto no meu grupo; 
 
22-Procuro conhecer as ideias dos outros e tenho disposição 
para receber sugestões e influências dos outros; 
 
23-Modifico o meu ponto de vista e comportamento no grupo 
em função de feedbacks (“conselhos ou críticas”) dos outros 
e dos objetivos a alcançar. 
 
 
Há quanto tempo você frequenta este grupo? _________________________________de 
afeição em grupos voltados à arte. 
De acordo com o descrito acima, a presente pesquisa pretende averiguar as fases 
de inclusão, controle e afeto manifestas em diversos grupos, e também se propõem a veri-
ficar se os exemplos, mencionados por Schutz, de relação mais acentuada de inclusão em 
Grupos de cunho religioso, maior controle em Grupos voltados à ciência e maior relação 
de afeição em grupos voltados à arte, se manifestam desta forma descrita. 
 
 
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
 
2.1 Relacionamento interpessoal 
 
Ao longo da história da humanidade, a convivência humana sempre despertou a 
atenção e o interesse de poetas, estudiosos e pessoas em geral. As pessoas convivem e 
trabalham com pessoas, influenciam e são influenciadas por elas. Comunicam-se, 
simpatizam e sentem atrações, antipatizam e sentem aversões, aproximam-se, afastam-se, 
entram em conflito, competem, colaboram e desenvolvem afeição. 
Essas interferências ou reações, voluntárias ou involuntárias, intencionais ou não-
intencionais, constituem o processo de interação humana, em que cada pessoa na presen-
ça de outra não fica indiferente a essa situação de presença estimuladora (MOSCO-
VICCI, 2001). 
O processo de interação humana é complexo e ocorre permanentemente entre as 
pessoas, sob forma de comportamentos manifestos e não-manifestos, verbais e não-
verbais, pensamentos, sentimentos, reações psicológicas e/ou físico-corporais (MOSCO-
VICCI, 2001). 
Desse modo, olhares, sorrisos, gestos, posturas corporais, deslocamentos físicos 
de aproximação ou afastamento constituem formas não-verbais de interação. A forma de 
interação mais frequente e usual, contudo, é representada pelo processo amplo de 
comunicação, seja verbal ou não-verbal (MOSCOVICCI, 2001). 
Quando se fala em relacionamento interpessoal não existem processos unilaterais 
de interação. Tudo que acontece é resultado de ambas as partes (o eu e o outro) (MOS-
COVICCI, 2001). 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 5 
Em situações de trabalho, compartilhadas por duas ou mais pessoas, há atividades 
predeterminadas a serem executadas, bem como interações e sentimentos recomendados, 
tais como: comunicação, cooperação, respeito e amizade. À medida que as atividades e 
interações prosseguem, os sentimentos despertados podem ir se modificando e 
influenciarão as atividades subsequentes (MOSCOVICCI, 2001). 
Sentimentos positivos de simpatia e atração provocarão aumento da interação e 
cooperação, repercutindo favoravelmente nas atividades e possibilitando aumento da 
produtividade. Já sentimentos negativos de antipatia e rejeição tenderão à diminuição das 
interações, ao afastamento, à menor comunicação, desfavorecendo as atividades e os 
resultados decorrentes desta (MOSCOVICCI, 2001). 
Quando uma pessoa inicia sua participação em um grupo, há uma base interna de 
diferenças que englobam conhecimentos, informações, opiniões, preconceitos, atitudes, 
experiências anteriores, gostos, crenças, valores e estilo comportamental, que acarreta 
inevitáveis diferenças de percepções, opiniões e sentimentos em relação a cada situação 
compartilhada (MOSCOVICCI, 2001). 
Essas diferenças passam a constituir um repertório novo: o daquela pessoa dentro 
daquele grupo. A maneira como essas diferenças são encaradas e tratadas determina a 
modalidade de relacionamento entre membros do grupo, colegas de trabalho, subordi-
nados e superiores (MOSCOVICCI, 2001). 
A maneira com que o grupo lida com as diferenças individuais favorece um clima 
entre as pessoas e tem forte influência sobre toda a vida em grupo, principalmente no que 
se refere aos processos de comunicação, no relacionamento interpessoal, no 
comportamento organizacional e na produtividade (MOSCOVICCI, 2001). 
Se as diferenças são aceitas e tratadas em aberto, a comunicação flui com facili-
dade e em dupla direção. Neste caso as pessoas ouvem as outras, falam o que pensam e 
sentem, e tem possibilidades de dar e receber feedback. Se as diferenças são negadas e 
suprimidas, a comunicação torna-se falha, incompleta, insuficiente, com bloqueios, 
barreiras e distorções (MOSCOVICCI, 2001). 
O relacionamento interpessoal pode tornar-se e manter-se harmonioso e praze-
roso, permitindo o trabalho cooperativo, em equipe, com integração de esforços, união de 
energias, conhecimentos e experiências para um produto maior que a soma das partes, ou 
seja, a tão buscada sinergia. Caso contrário, tende a tornar-se muito tenso, conflitivo, 
levando à desintegração de esforços, à divisão de energias e à crescente deterioração do 
desempenho grupal para um estado de entropia do sistema e final dissolução do grupo 
(MOSCOVICCI, 2001). 
As relações interpessoais e o clima de grupo influenciam-se mutuamente e 
circularmente, caracterizando um ambiente agradável e estimulante, ou desagradável e 
averso, ou neutro e monótono (MOSCOVICCI, 2001). 
 
 
2.2 Funcionamento do grupo 
 
Para estudar um grupo e compreender seu funcionamento, a sequência de eventos, 
as modalidades de interação e suas consequências, faz-se necessário identificar os 
componentes relevantes dos processos de grupo (MOSCOVICCI, 2001). 
Um grupo pode ser analisado através de sua composição, estrutura e seu ambiente. 
Neste caso, estudam-se as pessoas que compõem o grupo, as posições relativas que 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 6 
ocupam no grupo, suas relações entre si, o espaço físico e psicossocial do grupo 
(MOSCOVICCI, 2001). 
Pode-se também estudar um grupo considerando sua dinâmica, os componentes 
que constituem forças em ação e que determinam os processos de grupo. 
Como componentes principais de um grupo podem-se citar: objetivos, motivação, 
comunicação, processo decisório, relacionamento, liderança e inovação. Todos esses 
componentes influenciam decisivamente para a definição de normas de funcionamento e 
concomitantemente estabelecimento do clima do grupo (MOSCOVICCI, 2001). 
Um grupo começa, funciona durante algum tempo, modifica-se (em sua estrutura 
e dinâmica) e continua modificando-se gradativamente, em maior ou menor grau e 
velocidade, ou fragmenta-se, terminando como grupo original ou dando origem a outros 
grupos (MOSCOVICCI, 2001). 
Várias tentativas de descrever e explicar o desenvolvimento de grupos foram 
feitas, embora nenhuma possa ser considerada abrangente e conclusiva. 
 
 
2.3 As fases de inclusão, controle e afeição propostas por Schutz 
 
Schutz (1989) também considera as dimensões de Dependência e Interdependên-
cia como fatores centrais em sua teoria de compatibilidade de grupo. Indica ainda que o 
fator determinante para a compatibilidade do grupo é a dosagem específica de orientações 
para a autoridade com orientações para a intimidade pessoal (MOSCOVICCI, 2001). 
Sobre a dependência e interdependência Bennis e Shepard (1961), estudando 
grupos de treinamento, observaram duas áreas majoritárias de incerteza interna que 
determinam o fluxo de atividades grupais: a dependência expressa nas relações de 
autoridade, e a interdependência expressa nas relações pessoais (MOSCOVICCI, 2001). 
As maiores dificuldades ou obstáculos na comunicação efetiva seriam as 
orientações para a autoridade ou para a intimidade que os membros já trazem para o 
grupo. Comportamentos de rebeldia, submissão ou evasão representariam respostas 
típicas à figura de autoridade. Comportamentos de competição destrutiva, exploração 
emocional ou evasão, como respostas características aos companheiros, impediriam a 
validação consensual da experiência vivida em conjunto (MOSCOVICCI, 2001). 
O conceito de compatibilidade de grupo é importante quando se fala da constitui-
ção de equipes de trabalho que têm metas bem definidas a alcançar e que poderiam, ou 
deveriam, funcionar adequadamente pela competência técnica de seus integrantes, mas 
que, por vezes, não rendem o esperado, justamente pelas dificuldades interpessoais no 
trabalho grupal (MOSCOVICCI,2001). 
No desenvolvimento do grupo, portanto, precisam também ser considerados os 
aspectos de personalidade de seus membros com relação às dimensões de dependência 
(autoridade) e interdependência (intimidade), além da dimensão tempo e outros fatores 
que compõem o grupo (MOSCOVICCI, 2001). 
Will Schutz (1989), desenvolveu uma abordagem do desenvolvimento do ser hu-
mano considerando três zonas de necessidades interpessoais existentes em todos os gru-
pos: Inclusão, Controle e Afeição. 
 
 
 
 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 7 
2.3.1 Inclusão 
 
Segundo Schutz (1989) relaciona-se com associação, ou melhor, pessoas estarem 
cercadas de pessoas. É a necessidade de ter a atenção dos outros, interagir, de pertencer, 
de ser único. Ser único significa que o outro está interessado ‘em mim’ o suficiente para 
descobrir quem sou eu. Inclusão tem a ver com a preocupação em ser proeminente (estar 
acima no sentido de ser importante, mais do que dominação). 
De um lado existem pessoas do tipo animado, do tipo que gostam de festas, de fa-
zer atividades em grupo, de iniciar conversas com estranhos. Por outro lado existem pes-
soas que preferem ficar sozinhas, são mais reservadas, raramente começam conversas e 
evitam festas. 
Inclusão envolve a quantidade de interação que duas pessoas querem ter, assim 
como a decisão em relação a querer continuar a se encontrar ou não. Em relação ao gru-
po, a fase de inclusão começa com a formação do grupo. 
A primeira decisão é se a pessoa quer fazer parte, se quer estar fora ou dentro, 
sentir se estão prestando atenção nela ou se ela esta fora e sendo ignorada (Quem me in-
clui, me chama para estar no grupo?). E se a pessoa é importante neste grupo. 
Convém ressaltar que se ela se sentir muito ansiosa a respeito disso, pode começar 
a falar demais, se omitir ou se exibir. 
O comportamento em relação à inclusão é função de dois aspectos: o racional e o 
defensivo. 
O racional representa a preferência para ter contato com pessoas. O defensivo re-
presenta a ansiedade em relação à inclusão. O racional é flexível e pode se adaptar à si-
tuação – evento. O defensivo é rígido – isto é, ele não varia conforme situação / evento e 
resulta em comportamentos inadequados. 
Cada um é uma mistura do racional e do defensivo, dependendo de como se sente 
em relação a si mesmo, isto é, quanto maior a auto-estima e o auto-conhecimento, o lado 
racional pode assumir. 
Partindo, então desses pressupostos, pode-se apresentar três tipos de ‘pessoas’: 
a) Pessoa Subsocial – tem medo de ser ignorada, não se arrisca a ser 
ignorada. Prefere ficar só. Tem baixa inclusão; 
b) Pessoa Supersocial – também tem medo de ser ignorada, porém adota um 
comportamento oposto ao subsocial – apesar de ninguém estar interessado 
nela vai forçar os outros a prestarem atenção nela; 
c) Pessoa Social – é a pessoa que se sente bem em grupo, assim como 
quando está sozinha. 
 
 
2.3.1.1 Comportamento de inclusão e os sentimentos de importância e estar vivo 
 
Os sentimentos que a pessoa tem em relação a si, os sentimentos que tem em rela-
ção aos outros e seus comportamento estão todos conectados. Se a pessoa sente que é 
importante, fica mais independente em relação aos outros. Se não, tende a pensar que os 
outros não vão achá-la importante, adota comportamentos que levam as pessoas a consi-
derá-la sem importância. Quando as pessoas a incluem, se interessam em saber quem ela 
é, o seu sentimento de importância cresce, assim como a sua auto-estima. Contrariamen-
te, se a pessoa não é incluída, os outros não demonstram interesse por ela, tende a se iso-
lar, dificultando a comunicação e o desenvolvimento de uma maior sinergia do grupo. 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 8 
2.3.2 Controle 
 
Controle refere-se à relação de poder, influência, autoridade entre as pessoas. Tem 
a ver com a obtenção da quantidade de controle que a pessoa exerce. Há pessoas que gos-
tam de liderar, de dar ordens e de tomar decisões. Outros não gostam, e procuram, no 
grupo, assumir posições em que não tenham responsabilidades. 
Em um debate, se a pessoa busca controle, quer dominar, quer ser a vencedora ou 
pelo menos estar do lado vencedor. 
Se a pessoa é forçada a escolher, aquele que busca inclusão prefere ser um parti-
cipante que perde ou fica com quem perdeu, aquele que busca controle prefere ser um 
vencedor solitário. 
Dessa maneira, pode-se dizer que comportamentos de controle não requerem pro-
eminência, e comportamentos de inclusão não requerem dominância. 
Comportamentos de controle podem ser manifestados por meio de uma resistência 
da pessoa em ser controlada. Expressões de independência e rebelião (revolta) indicam 
resistência. Complacência, submissão e facilidade em obedecer indicam aceitação quanto 
a ser controlado. 
Qualquer um pode controlar e ser controlado. Pode-se preferir controlar a ser con-
trolado. Pode-se preferir uma estrutura de poder na qual ninguém dá ordem a ninguém. 
Pode-se preferir seguir ordens e ser relutante em dar ordens. 
As questões de controle estão relacionadas com o grau de confrontação na rela-
ção. As típicas interações no contexto de controle envolvem confrontação ou evitação do 
confronto. 
Algumas vezes, um subordinado prefere ser o “poder por trás do trono” satisfa-
zendo simultaneamente a necessidade de controle e baixa inclusão, outra situação é o do 
“bobo da corte”, que satisfaz sua necessidade de alta inclusão e baixo controle. 
Pode-se notar que problemas de controle surgem após o grupo compor-se e as afi-
nidades começarem a se desenvolver. Nesta etapa as principais demandas no grupo pas-
sam a ser luta pelo poder, competição (pela liderança, métodos do processo de tomadas 
de decisão, a distribuição do poder), busca ou assunção de diferentes papéis (líder, ajuda-
dor, brincalhão, conciliador, opositor). 
As preocupações são em relação a ter muita ou pouca responsabilidade. O objeti-
vo de cada membro é ter tanto poder e influência até atingir o seu nível de conforto. A 
pessoa procura situar-se entre um estado de impotência e de estar sobrecarregado de res-
ponsabilidade. 
Levando em conta o controle pode-se agrupar as pessoas em: 
a) Pessoa Abdicrata – (rígido em baixo controle) a pessoa abdica do seu 
poder. Adota uma posição subordinada, na qual os outros não esperam que 
ela assuma responsabilidades, tome decisões; ao contrário ela quer que os 
outros a aliviem das suas obrigações, não controla os outros, nem quando 
isto é apropriado. Quando ela é o chefe, não faz o que é necessário para 
corrigir aquilo que não está funcionando bem. Ela atrasa, procrastina. Ela 
nunca toma uma decisão que a faça subir, e a responsabilidade nunca fica 
com ela; 
b) Pessoa Autocrata – (rígido em alto controle) é a pessoa que domina nos 
extremos. Seu método direto é buscar poder e competir. Tem medo que os 
outros a dominem e não sejam influenciados por ela. Seu sentimento 
básico é o mesmo do abdicrata: Não ser capaz. Para compensar este 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 9 
sentimento fica tentando provar que é capaz, o que resulta em assumir 
muitas responsabilidades e frequentemente se desgastar. Seu método 
indireto para obter controle é: ser astuto, manhoso, sedutor; 
c) Pessoa Democrata – quando na infância a pessoa resolveu com sucesso 
as questões relacionadas com controle ela se sente confortável dando ou 
não comandos, recebendo ou não comandos. Ela não tem medos sobre a 
sua estupidez ou incompetência. Sente-se competente e confia em que os 
outros sentem que ela pode tomar decisões. 
 
 
2.3.2.1 Comportamento de controle e sentimentos de competência e escolha 
 
Subjacente ao comportamento de controle está a experiência que acompanha o 
sentimento de sentir-se ou não competente. Competência tem a ver com a habilidade de 
tomar decisões e resolver problemas. A pessoa se sente competente setem capacidade de 
enfrentar o mundo, satisfazer os seus desejos, evitar catástrofes, manter um trabalho, ser 
auto suficiente e adquirir bens materiais. 
Quando o indivíduo se sente competente, se sente inteligente, forte, harmonioso é 
capaz de enfrentar as questões relacionadas com o viver. Quando se sente incompetente, 
é o oposto: sente-se fraco, impotente e incapaz de enfrentar a vida. Ele precisa de uma 
grande ajuda e orientação dos outros para enfrentar a vida e assim mesmo se sente inse-
gura. 
 
 
2.3.3 Afeição / Abertura 
 
A terceira dimensão do comportamento humano é a ‘abertura’, isto é, o quanto a 
pessoa está disposta a ser ‘aberta’ com o outro. A abertura varia ao longo do tempo, entre 
os indivíduos e nos relacionamentos. 
Algumas vezes, as pessoas gostam de uma relação em que possam dividir seus 
sentimentos, seus segredos e pensamentos íntimos e por isso tem alguém para ser seu 
confidente. Outros evitam abrir-se com os outros. Preferem manter relações mais impes-
soais, preferem ter conhecidos em vez de amigos próximos, ou seja, as pessoas manifes-
tam tanto desejos de relacionamentos mais abertos como de privacidade. 
A abertura é construída com base em vínculos mais profundos, portanto, usual-
mente é a última fase a emergir em um relacionamento entre as pessoas ou em um grupo. 
Com a evolução da relação, a abertura terá a ver com o quanto as pessoas vão se abraçar. 
Assim como na Inclusão e Controle, a Abertura tem dois aspectos: o racional e o 
defensivo. O racional resulta da preferência de uma certa quantidade de abertura que a 
pessoa quer ter. O defensivo resulta do medo de ser muito aberto e ficar vulnerável a ser 
rejeitado ou não amado. Quando a pessoa é flexível e racional, pode adaptar-se a diferen-
tes situações, quando ela é rígida e defensiva, reage sempre da mesma maneira em qual-
quer circunstância. Cada pessoa é uma mistura do racional e do defensivo, dependendo 
de como ela se sente em relação a si. Quanto pior ela se vê em relação a si mesmo mais 
defensiva ela é. 
Também neste caso pode-se destacar três tipos de pessoas: 
a) Pessoa Impessoal – é quando a pessoa se relaciona de forma impessoal 
(rígida em baixa abertura, defendendo-se), ela evita revelar-se para os 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 10 
outros. Mantém relações superficiais, distantes e fica mais confortável 
quando as pessoas fazem o mesmo, mantém uma distância emocional e 
não se envolve emocionalmente. Tem medo de que ninguém goste dela, e 
se antecipa. Ela tem grande dificuldade de gostar genuinamente das 
pessoas e não acredita nos sentimentos que elas têm em relação a sua 
pessoa. A atitude inconsciente é: como a abertura em sua vida levou-a a 
ter experiências muito dolorosas, procura evitar esta dor, não se ‘abrindo’. 
A técnica direta é evitar proximidade, sendo antagônico, e rejeitando, se 
necessário. A técnica sutil é ser superficialmente amigável com todos, 
procurando ter popularidade que funcione como uma proteção contra ser 
aberto; 
b) Pessoa Super Pessoal – é quando se relaciona de forma excessivamente 
pessoal (rígida em alta abertura, pela defensividade) ela conta para todos 
seus sentimentos, e quer que todos sejam abertos com ela. O sentimento 
inconsciente é: a primeira experiência com ‘abertura’ foi muito dolorida, 
mas se tentar muitas vezes ela poderá se tornar melhor. Ser gostado é 
essencial, portanto a sua técnica direta é tentar obter aprovação sendo 
extremamente pessoal, insinuante e confidente. A técnica sutil é 
manipulativa, possessiva e punitiva, caso seus amigos tentem estabelecer 
novas amizades; 
c) Pessoal – quando se relaciona de forma pessoal (utiliza a abertura de 
forma adequada) e tem suas questões relacionadas com abertura bem 
resolvidas na infância, o seu nível de abertura com os outros é flexível. A 
pessoa fica confortável em uma relação próxima e também em situações 
que requeiram distância. A pessoa sente-se confortável dando ou 
recebendo afeição, gosta de ser gostada, mas se não o é, pode aceitar isso 
como significando simplesmente que alguém não gosta dela, não 
generaliza e não conclui que não é amada por ninguém. 
 
Nestas três dimensões cada pessoa tem uma posição de conforto, isto é, escolhe 
um comportamento entre dois extremos: baixo ou alto / pouco ou muito. De acordo como 
a pessoa se comporta, se sente em relação a si mesma, essa posição de conforto tem sua 
fonte: 
- Na auto-inclusão (estar vivo), autodeterminação e autoconsciência. Na forma 
como a pessoa se comporta em relação a si mesmo; 
- Na auto-importância (auto-relevância), autocompetência e amor próprio. 
Como a pessoa se sente em relação a si mesma; 
- No comportamento das pessoas, que impactam nas experiências, memórias, 
pensamentos, valores, crenças gerando medos de ser ignorado, humilhado e 
rejeitado. 
 
 
2.3.3.1 Comportamento de abertura e o sentimento de ser amado 
 
Quando a pessoa gosta de si mesma, tem prazer na própria companhia. Sente-se bem 
em relação ao que é, e se os outros souberem tudo a seu respeito, vão gostar de quem é. 
Quando a pessoa não gosta de si, não tem prazer em saber quem é. Tem vergonha 
de si ou de como se comporta e como se sente. Seus impulsos e desejos são inaceitáveis, 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 11 
e ela acredita que qualquer pessoa que soubesse tudo a seu respeito ficaria revoltada e 
poderia insultá-la. Em função do quanto ela sente que não é gostada, amada é que expe-
rimenta maior ou menor receio e medo em relação à rejeição. Dessa forma, receia que 
quanto mais as pessoas a conheçam, menos vão gostar dela. Mantendo uma maior distân-
cia pessoal e mantendo segredo ela se sente segura, ao menos temporariamente. 
 
O grupo passa pelas fases de inclusão, controle e afeição, nas quais são criadas 
oportunidades para os membros satisfazerem suas necessidades interpessoais (SCHUTZ, 
1989). 
Ou seja, os comportamentos em relação à inclusão, controle e abertura que adota-
dos estão diretamente vinculados ao nosso autoconceito e auto-estima. 
O ciclo das fases – inclusão, controle e afeição – pode repetir-se várias vezes du-
rante a vida de um grupo, independentemente de sua duração. Em grupos de treinamento, 
observa-se uma inversão do ciclo nas últimas sessões, passando de afeição, para controle, 
e inclusão como etapa final de despedida. 
Schutz elaborou posteriormente um sumário das várias expressões de inclusão, 
controle e afeição, em contextos diversos e mais amplos do que nos grupos de 
treinamento (MOSCOVICCI, 2001). 
 
 
2.4 A teoria de funcionamento dos grupos de Bion 
 
A teoria dos grupos proposta por Bion pode ser dividida em dois tipos de grupos: 
o grupo de trabalho ou grupo refinado e os grupos de base, ou mentalidade grupal ou ain-
da grupos de pressupostos básicos (SAMPAIO, 2002). 
 
 
2.4.1 Grupo de trabalho 
 
Por grupo de trabalho entende-se a reunião de pessoas para a realização de uma 
tarefa específica, na qual se consegue manter um nível refinado de comportamentos dis-
tinguido pela cooperação. Cada um dos membros contribui com o grupo de acordo com 
suas capacidades individuais, e neste caso, consegue-se um bom espírito de grupo. Por 
espírito de grupo, Bion (1975, p. 18) entende que se trata de: 
− a existência de um propósito comum; 
− reconhecimento comum dos limites de cada membro, sua posição e sua função 
em relação às unidades e grupos maiores; 
− distinção entre os subgrupos internos; 
− valorização dos membros individuais por suas contribuições ao grupo; 
− liberdade de locomoção dos membros individuais dentro do grupo; 
− capacidade do grupo de enfrentar descontentamentos dentro de si e de ter 
meios de lidar com ele. 
 
 
2.4.2 Mentalidade de Grupos 
 
A mentalidade de grupos é “a expressão unânime da vontade do grupo, à qual o 
indivíduo contribui por maneiras das quais ele não se dá conta, influenciando-o desagra-
SBDG – Caderno 119 O processogrupal segundo as fases de Schutz... 12 
davelmente sempre que ele pensa ou se comporta de um modo que varie de acordo com 
os pressupostos básicos” (BION, 1975, p. 57). Ela funcionaria de forma semelhante ao 
inconsciente para o indivíduo. 
Ela seria responsável pelo “fracasso dos grupos” que Bion remonta à “expressão 
num grupo de impulsos que os indivíduos desejam satisfazer anonimamente e a frustra-
ção produzida no indivíduo pelas consequências que para si mesmo decorrem desta satis-
fação” (BION, 1975, p. 46). 
Bion destaca diversas situações onde o grupo parece estar mobilizado pela menta-
lidade de grupo. Conversas fúteis, ausência de juízo crítico, situações “sobrecarregadas 
de emoções” a exercerem influências sobre o indivíduo, estímulo às emoções indepen-
dentemente do julgamento, em suma: “perturbações do comportamento racional do gru-
po” (BION, 1975, p. 31). 
Baseado nessa visão, os grupos seriam como uma moeda, que possui duas faces, 
uma voltada à consecução dos seus objetivos e uma outra regida por impulsos dos seus 
membros, impulsos estes que se manifestariam quando se está reunido em um grupo de 
pessoas (SAMPAIO, 2002). 
Bion distingue três padrões distintos, mas intercambiáveis, que seriam uma cons-
tante na mentalidade de grupos. Ele os denominou pressupostos básicos. 
 
 
2.4.3 Pressupostos básicos 
 
A teoria dos pressupostos básicos possui suas raízes na teoria freudiana, que tenta 
explicar os fenômenos grupais a partir da libido (instinto sexual). Bion sustenta a hipótese 
psicanalítica de que os fenômenos grupais possuem como origem um investimento afeti-
vo sobre um objeto que não pode ser obtido, seguido pela identificação com os supostos 
“rivais” (SAMPAIO, 2002). 
Para Bion (1975), existem três tipos de “padrões de comportamento” próprios dos 
fenômenos de mentalidade de grupo. Ele denominou-os como dependência, acasalamento 
e luta-fuga. 
 
 
2.4.3.1 Dependência 
 
Um dos primeiros fenômenos observados por Bion (1975) foi a Dependência, ou 
seja, a demanda que seus grupos apresentavam por um líder, capaz de satisfazer aos seus 
membros. “O grupo é bastante incapaz de enfrentar as emoções dentro dele, sem acreditar 
que possui alguma espécie de Deus que é inteiramente responsável por tudo o que acon-
tece” (BION, 1975, p. 30). 
Este pressuposto básico é o de que “existe um objeto externo cuja função é forne-
cer segurança para o organismo imaturo”. Este objeto pode ser uma pessoa, uma ideia ou 
a história do grupo (SAMPAIO, 2002). 
O líder que age segundo este pressuposto básico se comporta como se fosse “oni-
potente” ou “onisciente”, características próprias de uma divindade, favorece a depen-
dência dos membros. Qualquer pessoa que queira ocupar o lugar de líder, uma vez já 
ocupado (ou pelo menos atribuído pelos membros do grupo), pode ser rechaçada, desde-
nhada ou menosprezada. Quando o suposto líder recusa-se a agir segundo o papel que se 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 13 
espera dele, cria-se um mal estar no grupo, que pode recorrer a explicações fantasiosas 
para manter-se coeso (SAMPAIO, 2002). 
Os membros do grupo, agindo segundo este padrão de comportamento, disputam 
à atenção do líder e podem sentir “culpa pela voracidade” com que o fazem. Eles fre-
quentemente consideram suas experiências insatisfatórias e insuficientes para lidar com a 
realidade, desconfiam da sua capacidade em aprender pela experiência. Seus sentimentos 
mais frequentes são os de inadaptação (à vida, às suas experiências etc., e não apenas ao 
grupo) e de frustração (SAMPAIO, 2002). 
Bion (1975, p. 72) acredita que as pessoas aceitam estar em um grupo de depen-
dência para “evitar experiências emocionais peculiares aos grupos de acasalamento e de 
luta-fuga”. 
 
 
2.4.3.2 Acasalamento 
 
O segundo pressuposto básico identificado por Bion é o Acasalamento (algumas 
vezes chamado de “esperança messiânica”). Segundo este pressuposto “está por vir um 
novo grupo melhorado”, o grupo futuramente atenderá às necessidades pessoais de seus 
membros (SAMPAIO, 2002). 
O grupo de acasalamento foi inicialmente observado em pares que conversavam 
assuntos diversos, à parte, sem que o grupo se incomodasse com eles ou chamasse a sua 
atenção, aceitando-os. Eles tinham semelhança com casais de namorados, embora não 
tratassem de nenhum assunto de conteúdo sexual (SAMPAIO, 2002). 
Os membros de um grupo que estão agindo sob a influência deste pressuposto bá-
sico, de forma geral, não estabelecem conversas com o “líder formal” ou chefe do grupo 
(SAMPAIO, 2002). 
A emoção mais presente no grupo de acasalamento é a esperança, que faz com 
que a atenção de seus membros volte-se para o futuro (SAMPAIO, 2002). 
 
 
2.4.3.3 Luta-fuga 
 
O terceiro pressuposto básico é o de luta-fuga e pode ser exposto da seguinte for-
ma: “estamos reunidos para lutar com alguma coisa ou dela fugir” (SAMPAIO, 2002). 
Os membros do grupo discutem sobre pessoas ausentes (que são um perigo para a 
coerência do grupo), estão tomados pela sensação de que a adesão do grupo é um fim em 
si mesmo. Os membros ignoram outras atividades que não sejam este debate infrutífero, 
fogem delas. Acreditam, ou agem como se acreditassem, que o bem estar individual é 
menos importante que a continuidade do grupo (SAMPAIO, 2002). 
O líder reconhecido como tal por este grupo é o que concede oportunidades para a 
fuga (que é a mesma coisa que a luta das discussões infrutíferas em torno da conservação 
do grupo). É ignorado quando não atua desta forma (SAMPAIO, 2002). 
 
 
3 METODOLOGIA 
 
O trabalho foi realizado através de pesquisa qualitativa e observações de campo. 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 14 
A pesquisa qualitativa se fez através de um questionário de vinte e três perguntas 
elaborado pelos pesquisadores para ser aplicado nos grupos estudados. 
Os pesquisadores fizeram as observações em todos os grupos. Com as informa-
ções coletadas nas observações e transcreveram para realizar a devida análise. 
 
 
3.1 Sujeitos 
 
Membros participantes do Grupo de Jovens da Seicho-no-ie Bacacheri, Membros 
do Coral da Igreja Batista do Guabirotuba e Membros do Curso Portas Abertas oferecido 
pelo Sebrae. 
 
 
3.2 Instrumentos 
 
Para a coleta de dados foi utilizado um roteiro de Observação, e um questionário 
adaptado pelos pesquisadores (Anexo 01). 
 
 
3.3 Procedimentos 
 
Primeiramente, os pesquisadores entraram em contato com as pessoas responsá-
veis pelos 3 grupos, explicando os objetivos da pesquisa e solicitando a autorização para 
a observação e a aplicação do questionário. Após o consentimento, os pesquisadores 
agendaram as datas e horários das observações. 
No dia 04/07/2009, foi realizada a Observação da Reunião do Grupo de Jovens da 
Seicho-no-ie do Bacacheri. A observação ocorreu das 16h45min às 18h00min. 
No dia 05/07/2009, foi feita a Observação do Ensaio do Coral de Igreja Batista do 
Guabirotuba (das 16h00minh às 18h00min). 
No dia 07/07/2009 das 08h30min às 10h30min ocorreu a Observação do Curso: 
Construção de Cenários do Sebrae (quarto encontro do grupo). 
Em todas as observações, havia dois observadores da equipe. O procedimento de 
aplicação e recolhimento do questionário também seguiu o mesmo padrão nos três gru-
pos. 
 
 
4 ANÁLISE DE DADOS 
 
4.1 Grupo religioso 
 
Grupo do Sheicho-No-Ie 
Seicho-No-Ie (Lar do Progredir Infinito, numa tradução livre) é uma fi-
losofia/religião de origem japonesa. Monoteísta, enfatiza o não secta-
rismo religioso, as práticas de gratidão à família e a Deus, e o poder da 
palavra positiva que influencia na formação de um destino feliz. 
Surgiu em 1º de março de 1930 e cresceu no pós-guerra no Japão, 
quando a sociedade japonesa viu desmoronar a religião oficial do Esta-
do, baseada na crença na divindade do imperador e uma das bases da 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 15ideologia militarista. Nesse vácuo ideológico e espiritual surgiram ou 
cresceram inúmeras seitas e religiões, entre elas a Perfect Liberty, a 
Igreja Messiânica Mundial (Johrei), Seicho-No-Ie, etc. 
A Seicho-No-Ie foi fundada por Masaharu Taniguchi (1893-1985) e se 
mundializa a partir da II Guerra Mundial. Seu conjunto doutrinário in-
corpora elementos da ciência, do cristianismo, do budismo e do xinto-
ísmo. 
A Seicho-No-Ie em particular conseguiu grande número de adeptos. En-
tre os instrumentos de disseminação de sua crença, a revista Acendedor 
e o Preceitos Diários (calendário com mensagens) se tornaram bastantes 
populares nas grandes cidades brasileiras, principalmente nas décadas 
de 60 e 70 do século XX. Nota-se o papel da religião como meio de ne-
gociação da cultura religiosa japonesa e a cultura brasileira. O periódico 
Acendedor, em suas primeiras edições (1960), enfatiza a necessidade de 
cooperar com o progresso nacional (ideologia do progresso do Estado 
Militar), o que implicava respeitar a hierarquia e se abster de ideologias 
que representassem alguma ameaça à ordem nacional, nesse caso o pen-
samento de esquerda (SILVEIRA, 2008, p.102).A doutrina da Seicho-
no-Ie, portanto, enfatiza o respeito às hierarquias não só como simples 
meio de acomodação à situação política e cultural do Brasil, mas tam-
bém devido a utensilagem religiosa da doutrina que, como dito antes, 
foi fortemente marcada pela ideologia do Xintoísmo de Estado Atual-
mente (2006), a Seicho-No-Ie conta com divulgação através de publica-
ções tais como as revistas Fonte de Luz, Pomba Branca, Mundo Ideal e 
Querubim; Jornal Círculo de Harmonia; Preceitos Diários e Programas 
de TV, rádio e website. 
Sua origem cerimonial é ligada principalmente ao Xintoísmo, sendo 
também seus rituais como batismo e casamento, do qual é talvez o me-
lhor representante fora do Japão. Entretanto, na Seicho-No-Ie é prevista 
a liberdade e adaptação de cerimoniais à cultura local (WIKIPÉDIA, 
2009). 
 
Seguem abaixo as Normas Fundamentais dos Praticantes da Seicho-No-Ie: 
 
1ª) Agradecer a todas as coisas do Universo; 
2ª) conservar sempre o sentimento natural; 
3ª) manifestar o amor em todos os atos; 
4ª) ser atencioso para com todas as pessoas, coisas e fatos; 
5ª) ver sempre a parte positiva das pessoas, coisas e fatos, e nunca as 
suas partes negativas; 
6ª) anular totalmente o ego; 
7ª) fazer da vida humana uma vida divina e avançar crendo sempre na 
vitória infalível; 
8ª) iluminar a mente, praticando a Meditação Shinsokan todos os dias 
sem falta (Wikipédia, 2009). 
 
 
 
 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 16 
4.1.1 Observação da reunião do Grupo de Jovens da Seicho-No-Ie 
do Bacacheri 
 
Data: 04.07.2009 
Horário: 16h45min às 18h00min. 
 
Descrição do ambiente: sala com cadeiras coloridas, mesa na frente do palestran-
te com dois vasos, um tablado como se fosse um altar, com uma mesa encostada na pare-
de, toalha de renda e dois vasos. Em frente à mesa fica um quadro com escritos em japo-
nês que significa “Imagem Verdadeira de Deus”. Há duas salas, sendo uma ao lado direi-
to do Tablado e outra ao lado esquerdo. A sala da direita é destinada a Orientação pes-
soal, tendo um aviso sobre a disponibilidade dos horários desse serviço. No lado contrá-
rio do tablado, ao fundo, há um desenho da imagem do “Mestre Massaharo Taniguchi”, 
com uma poesia. Há 2 mesas com livros da Seicho-No-Ie à venda e fotos de membros em 
encontros e festas do Grupo. 
 
Descrição do Grupo: encontram-se na sala dois membros, sendo um deles a Pre-
sidente do Grupo de Jovens. Às 16h50min chegam ao local quatro pessoas (membros da 
mesma família), sendo um casal, uma filha e um filho (ambos adolescentes). 
Antes de iniciar a reunião, o homem anda pela sala e a mulher conversa com uma 
participante. 
Com exceção do filho, todos os membros se sentam na primeira fila de cadeiras. 
 
Total de participantes: seis. 
 
Início da Reunião: 17h02min. 
A Presidente do Grupo se dirige a todos com entusiasmo e dizendo em voz alta: 
“Boa tarde e Muito Obrigada”. 
Pede que todos se levantam e cantam um Hino. A presidente do grupo canta e bo-
ceja no inicio da reunião 
Após o Hino, a Presidente do Grupo convida a Preletora (palestrante do dia) para 
conduzir a reunião. 
A Preletora fala: “Muito obrigada” e se dirige ao altar. De costas para o público, 
faz 2 referências, bate 2 palmas, senta na cadeira, junta as mãos, coloca os polegares no 
nariz e inicia a oração para a Manifestação da Imagem Verdadeira de Deus. O ritual dura 
3 minutos 
Todos os membros fazem o mesmo que a Preletora. 
Após a oração, uma observadora é chamada pela Presidente e fala brevemente so-
bre a observação realizada e o preenchimento do questionário. 
Uma pessoa que ficou 4 anos sem participar das reuniões estava regressando neste 
dia. Muitos risos e conversa entre ela e a Preletora antes e depois da reunião. 
 
O tema da palestra era: Como mudar o seu destino através da Mente 
Tema extraído do livro de Massaharo Taniguchi. 
Primeiro cantam e dançam uma música que tem uma coreografia e que pede para 
as pessoas se abraçarem. Os membros formam duplas e se abraçam, até todos os mem-
bros abraçarem a todos. 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 17 
Durante a palestra fala dos atributos de Deus, grande oceano, dedicação, compar-
tilhando com o grupo a teoria. Conta piadas no meio de assuntos sérios e risos sem senti-
do. Olha muito e tenta incluir os observadores na discussão. 
O adolescente fica disperso como se não estivesse na reunião. 
As pessoas da primeira fileira aparentam estar atentas à Preletora, mais do que ao 
conteúdo que ela traz ao grupo. A palestrante se referia muito a um participante de forma 
pessoal e próxima, não separando o papel de membro do grupo e marido. 
Fala novamente de assuntos sérios rindo. 
Citando uma reportagem de revista, faz a relação de que 5 minutos de gargalhada 
equivale a 45 minutos de esteira. 
Fala que para as pessoas serem incluídas, basta mostrar os dentes (sorrir) e mani-
festar a Imagem Verdadeira de Deus. 
A Preletora fala sobre a responsabilidade das pessoas com a sua vida e com as 
suas escolhas. “Se eu não acreditar que posso eu não faço”. Primeiro tem que crer para 
depois fazer, mudar os pensamentos para depois mudar os sentimentos”. 
Após isso, segue-se a contagem de algumas piadas ao grupo. 
Música, lê uma mensagem para finalizar, fala “MUITO OBRIGADO’” duas vezes, 
vai até o altar de costas para todos faz uma oração, solicita a reverência de todos duas 
vezes. 
Fala da cegueira, medo e da alguns exemplos pessoais. Pergunta – por que uma 
pessoa sofre. 
Relata que acorda e pensa – a partir deste momento hoje é o melhor dia da minha 
vida! 
Se considera uma pessoa feliz, alegre e saudável. 
Fala de um exemplo – “O Roberto Carlos fez o show para mim no dia do meu 
aniversário!!!! Sim ele estava na minha sala!!! 
“Acordarmos-nos já e motivo de alegria!” 
O marido dá risada das piadas, como se não entendesse a moral da história (não 
aprofunda) 
A Preletora lê uma mensagem para o grupo (de 4 minutos). 
Finalizam o encontro com a oração inicial (para Manifestação da Imagem Verda-
deira de Deus). 
Cantam o hino em pé todos juntos. 
Feito isso, foi solicitado o preenchimento do questionário, explicando como deve-
ria ser feito. 
Ao final, os questionários foram recolhidos e as observadoras agradeceram e se 
despediram do grupo. 
 
 
4.1.2 Pontos relevantes a serem analisados 
 
− A Preletora segura o livro na mão durante toda a sua fala, como se precisasse 
de apoio teórico para se sentir segura ou “no controle”. Além disso, faz algumas 
perguntas à plateia, mas não espera as respostas do público, respondendo-as logo em 
seguida; 
− A Preletora fala de forma rápida, sem pausas e sem organizar suas ideias de 
forma sequencial e lógica. Ao longo de sua fala conta piadas, faz referência a si mesma, 
SBDG – Caderno119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 18 
dá exemplos de coisas que aconteceram com ela, fala de outros assuntos e dá risada 
mesmo que o conteúdo abordado no momento não desperte esse sentimento; 
− Há pouca participação verbal dos membros ao longo da palestra; 
− Diante dos fatos acima citados pode-se hipotetizar que a Preletora tinha pouca 
fundamentação teórica sobre o assunto da sua palestra (mesmo sendo a 3ª vez que 
apresentada o assunto), ou seja, estava pouco preparada e demonstrava insegurança para 
realizar a atividade. (A Preletora tem baixo nível de escolaridade); 
− A Preletora fala várias vezes sobre o que as pessoas devem fazer, por 
exemplo: “Tem que ser alegre”, “Tem que sorrir”, “Pra ser feliz tem que dar 10 abraços 
por dia”, “Você tem que saber essa resposta fulana”, “Precisamos manifestar a alegria de 
Deus”, “É assim que nós temos que ser!”, “A gente tem que agradecer e prestar atenção”, 
“Precisamos começar a reconhecer nossas conquistas”; 
− Ambos os fatos, podem estar relacionados à necessidade de controle do 
coordenador e a sua assunção do papel de autoridade diante do grupo. Dado confirmado 
pelo questionário aplicado. 
− Além disso, retrata os objetivos da filosofia Seicho-no-ie no sentido de condu-
zir o comportamento de seus membros para ações socialmente aceitas e valorizadas; 
− Com base no que foi proposto por Schutz (1989), pode-se pensar que a 
Preletora deste grupo se assemelha ao perfil da Pessoa Autocrata – (Rígido em alto 
controle). É a pessoa que domina nos extremos. Seu método direto é buscar poder e 
competir. Tem medo que os outros a dominem e não sejam influenciados por ela, pois se 
sente incapaz. Para compensar este sentimento fica tentando provar que é capaz o que 
resulta em assumir muitas responsabilidades e frequentemente se desgastar; 
− Logo após falar da responsabilidade dos indivíduos sobre os seus atos, a Prele-
tora conta uma piada sem relação nenhuma com o conteúdo abordado anteriormente; 
− A Preletora ri enquanto fala de situações difíceis ou que possam levar a 
sentimentos “negativos”. “Manter a mente triste é pecado”; 
− Os comportamentos de evasão do filho (balança os pés, olha para o chão, 
boceja, dispersão, pouco entusiasmo).Estes comportamentos podem ser entendidos como 
comportamentos de fuga do grupo, pois ocorreram em momentos em que se falava sobre 
situações difíceis ou a responsabilidade do indivíduo sobre si. 
 
Segundo Bion, o processo se fuga em um grupo se manifesta quando membros do 
grupo discutem sobre pessoas ausentes, ignoram outras atividades e/ou fazem debates 
sem relação com o objetivo ou momento do grupo. Nesse contexto, o líder tem um papel 
fundamental de permitir ou não a fuga do grupo (SAMPAIO, 2002). 
Ocorreram episódios de união. As pessoas se aproximaram, concordaram com o 
conteúdo da palestra, demonstrando entrosamento e afeição. Ocorreram também compor-
tamentos de dependência ao se verificar que os membros ficaram quietos e atentos a tudo 
que o coordenador dizia, colocando-o no lugar de detentor do saber da doutrina. A Prele-
tora representava o líder espiritual naquele momento. 
Observa-se em alguns momentos que as pessoas buscam numa escolha espiritual 
uma dita “salvação”. O que diferencia é a sua “área problemática” presente, pois com a 
permanência nestes grupos ele se isenta da responsabilidade para a sua cura ou seu “lugar 
no céu”. Apresentando igualmente o desejo de ser controlado. Controlado pelo poder 
superior que é representado pela Preletora. 
Percebe-se que em muitos momentos a Preletora como foi citado na observação 
estava numa posição de controle do grupo não os deixando responderem e manifestarem-
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 19 
se. Hipótese é que ela não tinha fundamentação teórica suficiente para favorecer o 
questionamento do grupo assim se mantendo no poder e controle da crença, das 
referências conforme seu conjunto doutrinário que incorpora elementos da ciência, do 
cristianismo, do budismo e do xintoísmo. 
Os participantes em alguns momentos demonstraram necessidades de inclusão e 
isso foi feito pela Preletora na recepção do encontro o que corresponde à hipótese deles 
estarem assumindo um papel de inferioridade em relação às decisões e referencias da sua 
própria vida. Temos o exemplo da repetição do discurso da Preletora do “tem que” 
muitas vezes. Como também o seguimento das normas do praticante que se refere a: “Ver 
sempre a parte positiva das pessoas, coisas e fatos, e nunca as suas partes negativas”. “Ser 
atencioso para com todas as pessoas, coisas e fatos”. 
Shutz fala que durante o estágio do controle, o comportamento grupal caracte-
rístico inclui a luta pela liderança e também pela competição. [...] Tento me estabelecer 
no grupo de tal modo que venha a ter a quantidade de poder e de dependência que me for 
mais conveniente. 
Percebe-se que quanto maior o poder dos Preletores desta doutrina neste grupo 
maior o poder e a valorização no grupo. 
Na observação, conclui-se que a relação mais acentuada neste grupo é a de 
controle, apesar de apresentar características de inclusão em suas relações. 
 
 
4.2 Grupo artístico 
 
O coro ou canto coral remonta aos primórdios da história da humanidade e tem 
suas origens nos antigos ritos religiosos da Grécia Antiga e do Egito Antigo. O coral pro-
testante tinha por objetivo a divulgação da doutrina e da língua dos grupos cristãos da 
época principalmente alemães. 
O coral tem permeado as principais culturas na trajetória da humanidade, passan-
do pelas culturas pré-cristãs, pelos egípcios, romanos e até os dias de hoje quando muitas 
escolas adotam sua pratica como atividade curricular ou extra-curricular. Dentro deste 
contexto o coral observado está completando seu jubileu de ouro em setembro deste ano, 
quando completará 50 anos de existência. O Coral Ebenézer, objeto de observação tem 
cumprido em sua trajetória o papel de arauto da mensagem da Igreja Evangélica Batista 
do Guabirotuba em Curitiba. O coral conta atualmente com 20 coristas e é dirigido pelo 
Pastor da igreja, Sergio Guimarães. 
 
 
4.2.1 Observação do Ensaio do Coral de Igreja Batista do Guabirotuba 
 
Caracterização: Coral existe há 50 anos; Reúnem-se todos os domingos às 16 ho-
ras para ensaios; Apresentam-se todos os domingos e em datas comemorativas. Formado 
por 17 pessoas. 
Data: 04/07 
Duração: 16h00min às 18h00min. 
Comparecerem 10 pessoas ao ensaio. 
Às 16h12min iniciam as atividades e são finalizadas às 17h10min. 
Grupo divide-se por vozes (Soprano, contralto, tenor e baixo). 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 20 
Um dos observadores se apresentou ao grupo, informando os objetivos da pesqui-
sa e solicitou o preenchimento do questionário. Após o término do preenchimento, os 
questionários foram recolhidos e iniciou-se o ensaio. 
O regente inicia as atividades saudando os presentes. Conta uma “anedota” para 
quebrar o gelo e ainda uma história com assuntos do dia a dia para motivar o grupo, bus-
ca incluir todos os presentes de forma a deixá-los à vontade. 
O grupo se organiza para iniciar o ensaio e é convidado pelo regente a escolher as 
músicas que serão ensaiadas, porém deixa isso a cargo do regente. 
O regente sinaliza o início para o pianista e rege o grupo olhando para o hinário. 
Alguns membros olham para o regente e outros para o seu hinário. 
Quando alguns membros desafinam, outros membros do mesmo grupo de vozes 
cantam mais alto para destacar-se. 
Alguns membros possuem hinários com notas e outros somente com o texto das 
músicas. 
Ao final do ensaio o regente agradece a presença e participação dos membros, e 
encerra o ensaio com uma oração de agradecimento. 
Após o ensaio, alguns membros do grupo se reúnem, se abraçam, compartilham 
fatos pessoais e buscam ajudar-se mutuamente. 
Outro pequeno grupo se reúne em torno do piano e ficam cantando musicas esco-
lhidaspor eles. 
 
 
4.2.2 Pontos Relevantes a Serem Analisados 
 
1. Coral desafina – Regente age com ironia: “A voz está pesada”; 
2. Grupo de soprano apresenta dificuldade em cantar – Regente agem com 
ironia: “É bem Fácil”; 
3. Regente e pianista não se entendem no tempo da música – Regente estala os 
dedos e repete diversas vezes: “é mais cadenciado”. Pianista balança a cabeça em sinal de 
não concordância; 
4. As vozes “Soprano” erram – Grupo para de cantar em sinal de reprovação ao 
erro. Regente ensaia as vozes a parte e estala os dedos com vitalidade para ditar o ritmo 
da música. 
Diante destes fatos, percebe-se a existência da necessidade de manter a serenidade 
do grupo, evitando-se confrontos e direcionamentos de palavras utilizando-se de subter-
fúgios e referências indiretas. Diante disto a hipótese é de que o grupo apresenta necessi-
dade de inclusão evitando confrontos e conflitos devido à ansiedade de ser excluído do 
grupo. 
Outra hipótese é de que houve fuga dos membros e do líder no momento em que 
não relataram os fatos de forma direta e objetiva, fugindo do confronto que esta aborda-
gem poderia causar. 
Segundo Moscovicci (2001), o pressuposto de luta/fuga refere-se à forma de con-
tato com o mundo externo, e baseia-se na oposição atacar ou evadir-se como possíveis 
alternativas para lidar com pessoas e situações. 
 
− Líder fala ao grupo – Pianista toca sem respeitar a sua fala; 
− Grupo não acompanha a música – Alguns simplesmente param de cantar; 
− Um membro olha algumas fotos e não canta; 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 21 
− Quanto regente pede para repetir uma parte do hino – Alguns não gostam e 
não cantam; 
− Grupo ignora o piano e canta no seu tempo; 
− Regente fica inseguro, um dos membros levanta o tom de voz e conduz o 
grupo; 
− Pianista toca enquanto regente fala. 
 
Os comportamentos acima podem ser entendidos como comportamentos de contra 
dependência dos membros, no sentido de irem contra àquilo que o regente solicita. Os 
membros não manifestam essa “oposição” explicitamente e isto pode estar relacionado à 
necessidade dos mesmos de se manterem aceitos e inclusos. 
Os comportamentos de contra dependência surgem em resposta à figura de autori-
dade e são identificados quando membros do grupo se comportam com rebeldia, submis-
são ou evasão (MOSCOVICCI, 2001). 
− Durante a oração se abraçam; 
− Um membro se perde durante a música – o membro ao seu lado o ajuda a se 
encontrar; 
− Em uma das pastas não existe a música – prontamente o membro ao lado 
divide com ele a sua pasta (hinário). 
 
Diante desses comportamentos o grupo demonstra o fortalecimento do seu vínculo 
e manifesta abertura e união entre os membros. 
Com a evolução da relação, a abertura terá a ver com o quanto as pessoas vão se 
abraçar A abertura é construída com base em vínculos mais profundos, portanto, usual-
mente é a última fase a emergir em um relacionamento entre as pessoas ou em um grupo 
(SCHUTZ, 1989). 
 
− Escolha da Música – O Grupo deixou para o líder escolher; 
− Grupo aguarda orientação do regente; 
− Aguardam o regente dar o direcionamento; 
− Quando alguns desafinam os outros olham para o líder aguardando a sua 
intervenção; 
− Necessidade do regente “ditar” o tempo da música; 
− Um membro ao errar, olha para o regente. 
 
Os fatos acima citados podem significar comportamentos de dependência do gru-
po para com o regente. O pressuposto de dependência envolve a relação com a autorida-
de, e dá origem a afirmações e ações baseadas na aceitação dos opostos ser dirigido ver-
sus dirigir, impotência versus onipotência, como alternativas únicas de relacionamento 
(MOSCOVICCI, 2001). 
 
− Durante o canto percebe-se competição entre as vozes sendo demonstrada pela 
diferenciação em tons altos e longos; 
− Os grupos de vozes competem entre si. 
 
Por se tratar de um grupo focado na realização de tarefas, são exigidas competên-
cias técnicas e de precisão de cada um dos membros. Isto pode fazer com que os mem-
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 22 
bros entrem em processo de competição ou luta. Porém, esta acontece de forma velada e 
implícita. Isto pode não ser explicitado pela necessidade de inclusão. 
Pode-se observar que após o encerramento da tarefa, comportamentos de abertura 
se manifestaram de forma clara e visível. Após a sinalização de encerramento do “ensaio” 
por parte do Líder três grupos ser formaram demonstrando relação de afeição entre os 
membros do grupo: 
− Grupo com 5 integrantes forma-se ao redor do pianista e cantam musicas sem 
necessidade de uma organização formal, simplesmente escolhem a musica e começam a 
cantá-la de maneira leve e descontraída, mostrando forte satisfação em realizar isto, 
podendo perceber-se a relação de satisfação e contentamento ao simplesmente cantar e 
buscar abertura para manifestações de sentimentos; 
− 3 integrantes, agrupam-se e começam a compartilhar dificuldades vividas em 
relação a familiares na última semana. Este comportamento demonstra haver relação no 
grupo, na qual podem dividir seus sentimentos, seus segredos mantendo relações de 
vinculo mais profundo. Comportamentos descritos por Schutz (1989) relacionados a 
Afeição; 
− 2 integrantes, compartilham a história do Coral com um dos observadores, 
neste relato percebe-se profundo conhecimento dos membros do grupo, em detalhes que 
somente relações de cunho mais pessoal poderiam ter conhecimento. Em decorrência 
deste relato percebe-se que o grupo busca diversas formas de contato, fora do horário de 
ensaio, desde encontros em suas residências a almoços e viagens em conjunto. 
 
Segundo Schutz (1989) as pessoas gostam de uma relação em que possam dividir 
seus sentimentos, seus segredos e pensamentos íntimos e por isso tem alguém para ser 
seu confidente. A abertura é construída com base em vínculos mais profundos, portanto, 
usualmente é a última fase a emergir em um relacionamento entre as pessoas ou em um 
grupo 
Estes fatos comprovam a hipótese deste trabalho, que existe grande relação de 
afeição entre os membros do grupo Coral. Devido à tarefa e tempo restrito durante o en-
saio, os sentimentos de afeição encontram maior espaço em momentos no qual o grupo se 
encontra de forma menos estruturada. 
 
 
4.3 Grupo de trabalho 
 
Formação de Empreendedores 
O Curso “Construção de Cenários” faz parte do programa do Sebrae de formação 
de empreendedores, “Programa Próprio” o qual é dividido em seis módulos abaixo des-
critos: 
− Portas Abertas; 
− Perfil Empreendedor; 
− Busca de Informações; 
− Construção de Cenários; 
− Gestão Básica; 
− Consultoria de Viabilidade. 
 
Todo programa tem uma carga horária de 20 horas e tem como objetivo levar o 
nascente empresário a planejar a sua futura empresa, passando por todas as etapas do 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 23 
planejamento do futuro negócio. O Sebrae aplica esta metodologia deste o ano de 1990 
formando desde então aproximadamente 50.000 empreendedores e com isso aumentando 
a taxa de sobrevivência das empresas nascentes, pois a mortalidade destes pequenos ne-
gócios que era de em torno de 70 % hoje está em aproximadamente 50 % segundo a últi-
ma pesquisa divulgada pelo Sebrae. 
 
 
4.3.1 Observação do curso: construção de cenários do Sebrae 
(terceiro encontro do grupo) 
 
Data: 07.07.2009 
Horário: 08h30min às 10h30min. 
 
Descrição do ambiente: Sala ampla com carpete e várias janelas. Televisão, 
equipamento multimídia, quadro branco e seis mesas pequenas em forma de hexágono 
com 6 cadeiras cada uma. 
No início da reunião, havia o instrutor (Senhor de 63 anos) e sete membros. Ao 
término, o número de membros era de quatorze pessoas. 
08h40minh – Ao iniciar o curso faz alguns comentários as 08h40min como: “não 
sei porque cargas d’água faltou tanta gente!..sei lá!” 
Abre o material em slides Flash e interage com o grupo perguntandose haviam 
feito a tarefa de casa e se tinham pesquisado o ponto comercial para as empresas que de-
sejam abrir. 
Escuta de forma paciente e interessada cada um dos participantes. Surgem no gru-
po declarações como: “eu não desisti”, “não vi mais nada”, “tudo certo”. 
Conversas paralelas ocorrem. 
Um dos membros demonstra ter concluído a tarefa, e ter uma estrutura e conheci-
mento do negócio que nenhum dos demais apresentou. 
Paralelamente, alguns participantes receberam suporte de membros do grupo, por 
não terem realizado a tarefa por completo. 
 
Às 09h10min chegam mais dois participantes. 
O instrutor distribui a apostila para todos do grupo com o conteúdo abordado: 
Plano de Negócios. 
 
Às 09h12min entrega a apostila para os observadores. 
Passa o conteúdo nos slides, fala de muitos casos como exemplos e pede para eles 
fazerem exercícios na apostila. 
O instrutor fala ao grupo: “Vocês tem que colocar a cabeça para funcionar dentro 
do Plano de Negócios”. 
Ao realizar a tarefa solicitada, vários participantes chamam o instrutor, fazendo 
perguntas, tirando dúvidas e buscando confirmação do que realizaram. 
O Instrutor circula pela sala e senta ao lado de alguns participantes para ouvir me-
lhor a sua necessidade e dar orientação. 
Alguns membros conversam em pequenos grupos, mantendo a discrição. 
Uma participante fala da sua organização e planejamento para o seu negócio. 
O instrutor se aproxima fisicamente de alguns participantes. Faz toque corporal 
caracterizando proteção. 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 24 
Enquanto o grupo realiza as tarefas de preenchimento da apostila o instrutor se 
aproxima das observadoras e comenta: “quando chega no ponto do Planos de Negócios 
eles desistem, não vem mais”. Ele fala que considera melhor assim, pois antes de abrir o 
próprio negócio nem se frustram e abandonam o projeto. 
Os membros são convidados pelo instrutor para tomar café no intervalo. 
Antes da saída de todos, uma das observadoras se apresenta ao grupo, explicando 
os objetivos da pesquisa e solicitando o preenchimento do questionário. As observadoras 
recolhem o questionário e se despedem do grupo. 
 
 
4.3.2 Pontos relevantes a serem analisados 
 
− A falta de mais de 50% dos membros no 3° encontro do grupo. 
 
Este dado pode estar relacionado ao fato de que o grupo é destinado à uma tarefa 
específica não tendo como foco principal a relação entre os membros. Sendo assim, os 
membros não fizeram um grau de vinculação suficiente para manter a união e constância 
na sua participação. Outra hipótese é que a realização da tarefa (ir a campo e ver a reali-
dade) pode ser aversiva a alguns membros e retratar realidades contrárias às suas expecta-
tivas, causando frustração e promovendo a auto-avaliação de suas próprias competências. 
 
− Somente após 35 minutos do início do curso, é que o instrutor pediu ao grupo 
que realizasse a tarefa (preenchimento da apostila). O instrutor utilizou o tempo inicial 
para sensibilizar o grupo sobre a importância da realização do Plano de Negócios; 
− O instrutor do grupo várias vezes se aproxima fisicamente e faz toque corporal 
em alguns participantes. Estes fatos podem estar relacionados à necessidade de Inclusão 
por parte do Instrutor. Segundo Schutz (1989), inclusão é a necessidade que uma pessoa 
tem de ter a atenção dos outros, interagir, de pertencer, de ser único. Ter o interesse do 
outro por mim e sentir-se importante e amado pelo grupo. 
 
Foi possível observar alguns membros manifestando insegurança, buscando apoio, 
estruturação e definição do que e de como realmente deveriam fazer. Diante disso e dos 
fatos acima citados, criou-se a hipótese de que os membros se colocam como dependen-
tes do instrutor do curso como se este fosse dotado de todo o conhecimento e das respos-
tas às perguntas e inquietações dos membros. 
Pode-se observar que o instrutor assume este papel pela sua própria necessidade 
de inclusão. 
Para Bion (1975), os grupos necessitam de líder que seja capaz de satisfazer aos 
seus membros, que os auxilie no enfrentamento de emoções, e que lhe fornece segurança. 
Se o líder “aceita” e busca atender essa expectativa do grupo, está favorecendo a manu-
tenção da dependência dos membros (SAMPAIO, 2002). 
Bion (1975, p. 72) acredita que as pessoas aceitam estar em um grupo de depen-
dência para “evitar experiências emocionais peculiares aos grupos de acasalamento e de 
luta-fuga”. 
 
− Alguns membros conversam com seus pares, fazendo comentários nos 
pequenos grupos e não compartilhando com o grande grupo. Isto pode ser considerado 
um movimento de acasalamento dos membros, minimizando a interação com o instrutor. 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 25 
O fenômeno do acasalamento foi inicialmente observado em pares que conversa-
vam assuntos diversos, à parte, sem que o grupo se incomodasse com eles ou chamasse a 
sua atenção, aceitando-os. A emoção mais presente no grupo de acasalamento é a espe-
rança, que faz com que a atenção de seus membros volte-se para o futuro (SAMPAIO, 
2002). 
 
− Uma das participantes fala da sua organização e planejamento para o a 
realização do seu negócio. Tal fato pode demonstrar a necessidade que esta participante 
tem em afirmar sua competência diante do grupo, indicando sua necessidade de controle. 
Pode ainda significar o movimento de inclusão, pela necessidade manifestada de ser 
aceita e admirada pelo grupo e pelo instrutor. 
 
O comportamento desta participante pode retratar aspectos de uma pessoa super-
social. Este perfil apresenta o medo de ser ignorada, porém mesmo que ninguém esteja 
interessado nela, ela se esforça para ter a atenção dos outros (SCHUTZ, 1989). 
De forma geral, percebe-se todas as fases referidas por Schutz (1989) manifestas 
na observação deste grupo, porém destaca-se a busca por desenvolver competências e a 
manifestação das mesmas no grupo de forma a predominar a relação de Controle, con-
forme descrito por Schutz, neste grupo. 
 
 
4.4 Comparação dos três grupos 
 
Com a finalidade de aprofundar a análise desta pesquisa, aplicou-se ainda um 
questionário (Anexo I), nos grupos observados. Este questionário propunha a avaliar a 
relação das necessidades individuais de cada integrante em relação à inclusão, controle e 
afeição. 
Os dados apresentados no Quadro 02 referem-se as médias obtidas por meio dos 
questionários. A média é resultado da soma das respostas do grupo, dividida pela quanti-
dade de respondentes, podendo oscilar de 1 a 3 (em ambas as tabelas). Quanto mais pró-
ximo de 3, maior é a intensidade (muito) e quanto mais próximo de 1, menor é a intensi-
dade (pouco). 
No Quadro 2, observa-se as médias obtidas nos três grupos em relação às fases do 
Schutz. 
 
Quadro 2 – Comparação entre as médias obtidas nos 3 grupos em relação às fases do Schutz 
Grupos Observados 
Fases do 
Schutz Grupo Religioso 
(Média) 
Grupo Artístico 
(Média) 
Grupo de Trabalho 
(Média) 
Inclusão 1,7 1,7 1,8 
Controle 2,1 1,8 1,9 
Afeto 1,9 1,9 1,7 
 
Conforme os dados visualizados no Quadro 02, pode-se perceber que o grupo que 
manifesta a maior média de necessidade de Controle é o Grupo Religioso, contrariando a 
visão de Schutz e a hipótese inicial traçada pelos pesquisadores. 
SBDG – Caderno 119 O processo grupal segundo as fases de Schutz... 26 
No grupo de Trabalho, a necessidade de controle predomina de forma sutil, porém 
confirma a hipótese inicial da pesquisa. 
De acordo com Schutz, os grupos artísticos manifestam a necessidade de Afeição. 
Tal pressuposto foi confirmado conforme o Quadro 02. 
 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Para Shutz, o ser humano é um organismo unificado, ou seja, corpo, psique e 
espírito, cuja essência está no auto-conceito, o qual se forma mediante o relacionamento 
com outras pessoas. O autor acredita que o sujeito somente exercerá melhor suas ações se 
estiver consciente de si mesmo. Ainda,

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