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Indaial – 2022
do Adulto
Prof.ª Suyabe de Souza Lemos
1a Edição
AssistênciA 
de enfermAgem 
nA sAúde
Elaboração:
Prof. Suyabe de Souza Lemos
Copyright © UNIASSELVI 2022
Revisão, Diagramação e Produção:
Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
Impresso por:
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI.
Núcleo de Educação a Distância. LEMOS, Suyabe de Souza Lemos.
Assistência de Enfermagem na Saúde do Adulto. Suyabe de Souza Lemos. 
Indaial - SC: UNIASSELVI, 2022.
270 p.; il.
ISBN 978-85-515-0625-7
ISBN Digital 978-85-515-0626-4
“Graduação - EaD”.
1. Assitência 2. Enfermagem 3. Adulto 
CDD 610.7
Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679
Olá, acadêmico! Seja bem-vindo ao Livro Didático Assistência de Enfermagem 
na Saúde do Adulto, que abordará o cuidado de enfermagem de forma sistematizada. 
Iremos aprender sobre o paciente adulto e vamos conhecer as principais 
doenças do sistema cardiocirculatório, respiratórias, infectocontagiosas, 
neurológicas, endócrinas e gastrointestinais e alguns dos principais processos de 
enfermagem para cada sistema.
Para melhor compreensão abordaremos as medidas de promoção, prevenção 
e de proteção da saúde no âmbito da educação em saúde com enfoque na atuação da 
equipe de enfermagem e no enfermeiro. 
Nas unidades, abordaremos as principais doenças relacionadas aos sistemas 
que acometem a saúde do adulto destacando, sinais e sintomas, os métodos de 
diagnóstico, tratamento e a atuação da equipe de enfermagem.
Na Unidade 1, abordaremos as principais doenças do sistema cardiocirculatório e 
as principais doenças do sistema respiratório, bem como iremos conhecer a atuação da 
equipe de enfermagem com pacientes em tratamento cardiocirculatório ou respiratório.
Assim, na Unidade 2, estudaremos as principais doenças infectocontagiosas e 
as principais doenças do sistema neurológico, apresentando a diferença na atuação da 
equipe de enfermagem. 
E, por último, porém não menos importante, na Unidade 3, estudaremos as 
principais doenças do sistema endócrino e gastrointestinal com enfoque na atuação 
da equipe de enfermagem que são os responsáveis por prestar atendimento de saúde 
aos pacientes. 
Boa leitura e bons estudos! 
APRESENTAÇÃO
Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a 
você – e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, a UNIASSELVI disponibiliza materiais 
que possuem o código QR Code, um código que permite que você acesse um conteúdo 
interativo relacionado ao tema que está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse 
as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar essa facilidade 
para aprimorar os seus estudos.
GIO
QR CODE
Você lembra dos UNIs?
Os UNIs eram blocos com informações adicionais – muitas 
vezes essenciais para o seu entendimento acadêmico 
como um todo. Agora, você conhecerá a GIO, que ajudará 
você a entender melhor o que são essas informações 
adicionais e por que poderá se beneficiar ao fazer a leitura 
dessas informações durante o estudo do livro. Ela trará 
informações adicionais e outras fontes de conhecimento que 
complementam o assunto estudado em questão.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os 
acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. A partir 
de 2021, além de nossos livros estarem com um novo visual 
– com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a 
leitura –, prepare-se para uma jornada também digital, em que 
você pode acompanhar os recursos adicionais disponibilizados 
através dos QR Codes ao longo deste livro. O conteúdo 
continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada 
com uma nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo 
o espaço da página – o que também contribui para diminuir 
a extração de árvores para produção de folhas de papel, por 
exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto 
de ações sobre o meio ambiente, apresenta também este 
livro no formato digital. Portanto, acadêmico, agora você tem a 
possibilidade de estudar com versatilidade nas telas do celular, 
tablet ou computador. 
Junto à chegada da GIO, preparamos também um novo 
layout. Diante disso, você verá frequentemente o novo visual 
adquirido. Todos esses ajustes foram pensados a partir de 
relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os 
materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, 
possa continuar os seus estudos com um material atualizado 
e de qualidade.
ENADE
LEMBRETE
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma 
disciplina e com ela um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conheci-
mento, construímos, além do livro que está em 
suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, 
por meio dela você terá contato com o vídeo 
da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-
res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de 
auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que 
preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um 
dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de 
educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem 
avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo 
para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira, 
acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!
SUMÁRIO
UNIDADE 1 - PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA CARDIOCIRCULATÓRIO 
 E RESPIRATÓRIO – ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM .......................................... 1
TÓPICO 1 - PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA CARDIOCIRCULATÓRIO .........................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3
2 PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA CARDIOCIRCULATÓRIO .........................................4
2.1 HIPERTENSÃO ARTERIAL .................................................................................................................... 5
2.2 Aterosclerose ....................................................................................................................................... 10
2.3 INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO E ELETROCARDIOGRAMA.................................................... 11
2.4 Insuficiência Cardíaca Congestiva ................................................................................................. 15
2.5 Arritmias CARDÍACAS ........................................................................................................................ 16
2.6 Valvulopatias .......................................................................................................................................20
2.7 Doença arterial obstrutiva periférica .............................................................................................23
2.8 Trombose Venosa Profunda ............................................................................................................24
2.9 Gasometria Arterial ............................................................................................................................ 27
3 ATUAÇÃO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM NOS SISTEMA CARIODCIRCULATÓRO ....... 30
RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................................ 33
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 34
TÓPICO 2 - PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA RESPIRATÓRIO ....................................37
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................37
2 DOENÇAS DO SISTEMA RESPIRATÓRIO  ........................................................................pré-hipertensão 
e hipertensão.
RESUMO DO TÓPICO 1
34
1 Conforme estudamos anteriormente, o sistema vascular é formado pelos vasos 
sanguíneos, uma rede de tubos que transporta o sangue, com o coração a bomba 
muscular responsável por impulsionar o sangue, trabalhando juntos para garantir 
que todas as células do corpo recebam nutrientes e oxigênio. Em relação a essa 
afirmativa, relacione as colunas e, a seguir, assinale a alternativa que apresenta a 
sequência correta. 
1. Artérias. 
2. Capilares.
3. Vasos linfáticos.
4. Veias.
( ) Constituem uma complexa rede de vasos de paredes finas semelhantes aos capilares.
( ) Estrutura fina e menos muscular permite que esses vasos se distendam.
( ) Estruturas de paredes espessas que transportam o sangue do coração para os tecidos.
( ) Estrutura de parede fina que possibilita o transporte rápido e eficiente dos nutrientes 
para as células e a remoção dos resíduos metabólicos. 
a) ( ) 2 – 4 – 3 – 1. 
b) ( ) 3 – 4 – 1 – 2. 
c) ( ) 3 – 4 – 2 – 1.
d) ( ) 4 – 1 – 3 – 2. 
e) ( ) 1 – 4 – 3 – 2. 
2 Sabemos que a HAS é definida como uma pressão arterial (PA) maior que 140/90 
mmHg em indivíduos com idade acima de 18 anos, sendo causa direta em pelo 
menos três visitas consecutivas ao consultório do médico. Temos classificações 
pré-definidas para suas variações, sendo essas a normotensão, a pré-hipertensão 
e as hipertensões grau I, II ou III, sempre avaliadas em conformidade com os níveis 
pressóricos apresentados. Entretanto, existe a classificação da hipertensão com 
relação às causas. Cite as classificações da hipertensão com relação ao agente 
causador diferenciando-as entre si.
3 As doenças cardiovasculares contribuem significativamente como grupo causal de 
mortalidade em todas as regiões brasileiras. Os estudos epidemiológicos demonstram 
várias doenças cardiovasculares sendo elas, hipertensão arterial, infarto agudo do 
miocárdio, insuficiência cardíaca congestiva, arritmias cardíacas, valvulopatias, 
doença arterial obstrutiva periférica, trombose venosa profunda e a aterosclerose, 
que é considerada uma resposta inflamatória crônica da parede arterial à lesão 
endotelial e tem como característica a presença das placas nessas paredes. Seus 
principais fatores de risco são classificados em modificáveis e não modificáveis. 
AUTOATIVIDADE
35
Analise as assertivas a seguir sobre a aterosclerose e seus fatores de risco:
I- Hiperlipidemia e Idade avançada
II- Tabagismo e diabetes 
III - Anormalidades genéticas e antecedentes familiares
IV- Sexo masculino e idade avançada
V- Anormalidades genéticas e hiperlipidemia.
Assinale a alternativa que apresenta apenas fatores de riscos não modificáveis para 
a aterosclerose:
a) ( ) As assertivas I e II.
b) ( ) As assertivas II, III e IV.
c) ( ) As assertivas II, III e V.
d) ( ) As assertivas III e IV.
e) ( ) Todas as assertivas estão corretas.
4 As arritmias ocorrem devido a alterações no distúrbio da formação de impulso, 
transtorno de condução de impulsos ou pela associação de ambos, sendo falhas que 
apresentam na formação do impulso nervoso normal apresentando alteração, que 
representa o nó sinusal sensível aos efeitos do sistema nervoso autônomo, de modo 
que a estimulação simpática causa taquicardia sinusal e a estimulação parassimpática 
provoca bradicardia. Quando não diagnosticada e tratada corretamente, a arritmia 
cardíaca pode provocar parada cardíaca e morte súbita. Cite os dois grupos das 
arritmias e dê exemplos de cada um deles.
5 O exame de eletrocardiograma é um importante registro do funcionamento cardíaco 
da atividade elétrica, e nos dá informações valiosas a respeito da função do coração. 
É um exame não invasivo e que requer que o paciente esteja em repouso, sem ter 
realizado nenhum tipo de esforço nos últimos 10 minutos e sem ter fumado nos 
últimos 30 minutos. Seu princípio básico é a transmissão das forças da musculatura 
cardíaca detectadas por ondas. Sobre o traçado do ECG, assinale a alternativa correta:
a) ( ) A onda P significa despolarização dos átrios.
b) ( ) A onda T significa despolarização dos ventrículos.
c) ( ) O complexo QRS representa a maior parte da fase de recuperação ventricular 
após uma contração.
d) ( ) O intervalo PR representa a duração total das fases de despolarização e de 
repolarização dos ventrículos.
e) ( ) O complexo QRS representa o período parcial de estimulação e de recuperação 
ventricular.
36
37
PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA 
RESPIRATÓRIO
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, nós vamos estudar as principais doenças do sistema respiratório. 
Existem estudos sobre as tendências das doenças respiratórias crônicas, que foram 
estimadas como a terceira principal causa de mortes em 2017, considerando o contexto 
mundial. Destaca-se a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Quando nos 
aproximamos de todas as idades em ambos os sexos, o tabagismo foi o principal fator 
de risco atribuível, sendo necessário investimentos políticos para sua cessação.
O pulmão é o órgão responsável pela troca gasosa, fornecendo oxigênio (O2) e 
retirando gás carbônico (CO2) do sangue. Também auxilia no equilíbrio ácido-base por 
meio da ventilação e da depuração de CO2.
UNIDADE 1 TÓPICO 2 - 
Figura 29 – Pulmão 
Fonte: https://med.estrategia.com/portal/conteudos-gratis/pulmao/. Acesso em: 16 out. 2022.
Para o seu correto funcionamento, é necessária a sincronia dos mecanismos de 
ventilação, perfusão e difusão dos gases, ou seja, o ar deve entrar e sair de forma cíclica 
enquanto o pulmão recebe o sangue não oxigenado. As áreas ventiladas devem ser as 
mesmas que estão profundidas (BRASIL, 2019).
Ao final da inspiração, os tecidos pulmonares representam 10% do seu volume 
total, sendo o restante preenchido por ar e sangue. Essa pequena massa de tecido 
é responsável por conduzir de 5 a 120 litros de ar por minuto para dentro e para fora 
os pulmões, manter o ar em contato com o sangue e se defender de agressores do 
meio externo.
38
A entrada e saída cíclica de ar dos pulmões depende da capacidade do diafragma 
e da musculatura inspiratória em gerar pressão negativa no compartimento torácico, do 
recolhimento elástico e da musculatura expiratória em gerar pressão subatmosférica. A 
ventilação resulta de movimentos de aumento e redução do volume torácico, a inspiração 
e expiração. O ar que entra, sai e permanece nos pulmões é dividido, teoricamente, em 
quatro volumes, que podem ser combinados e gerar quatro capacidades de interesse 
(GARY; STEPHEN, 2016).
2 DOENÇAS DO SISTEMA RESPIRATÓRIO 
O sistema respiratório que é formado pelo parênquima pulmonar, vias aéreas 
superiores e inferiores (fossas nasais, boca, faringe, laringe, traqueia, brônquios, 
bronquíolos e alvéolos), músculos respiratórios (diafragma e músculos intercostais), 
membrana alveolocapilar, nervos periféricos e hemoglobina. O comprometimento de 
qualquer constituinte pode causar distúrbios respiratórios.
Figura 30 – Sistema respiratório
Fonte: https://www.todamateria.com.br/sistema-respiratorio/. Acesso em: 16 out. 2022.
39
Os principais componentes da respiração são a ventilação pulmonar, responsável 
pela entrada e saída de ar nos alvéolos pulmonares; difusão de oxigênio (O2) e dióxido 
de carbono (CO2) entre os alvéolos e o sangue; transporte de O2 e CO2 pelo sangue até 
as células teciduais e, então, de volta para os pulmões; e a regulação da ventilação. 
Figura 31 – Troca gasosa
Fonte: https://www.todamateria.com.br/sistema-respiratorio/. Acesso em: 16 out. 2022.
A principal importância da ventilação pulmonar é renovar de maneira contínua o 
ar das áreas de troca gasosa dos pulmões, onde há proximidade com o sangue pulmonar. 
Essas áreas incluem alvéolos, sacos alveolares, ductos alveolares e bronquíolos 
respiratórios. A taxa com que o ar novo atinge essas áreas recebe o nome de ventilação 
alveolar. Essa ventilação é o principal componente que regula a concentração de CO2 
(PORTO; PORTO, 2019).
Doenças desse tipo, por seremfácil e rapidamente transmissíveis, acarretam as 
epidemias e pandemias, espalhando-se por diversos países afetando grande parte da 
população, gerando consequências dependendo do tempo que duram (BRASIL, 2019).
No Brasil, entre o período de 2015 a 2019, o número de internações hospitalares 
por doenças respiratórias na população foi de 5.926.687, de acordo com as informações 
do Sistema Único de Saúde (SUS), com uma média de 282,0/100 mil habitantes. 
Contudo, quando comparados os anos de pandemia essas taxas ficam elevadas, sendo 
2009 o período do surto de H1N1, com 730,4/100 mil habitantes e 2020 foram 361,8/100 
mil habitantes. Com relação à mortalidade, os períodos de pandemia registraram em 
2009 com 54,5/100 mil hab e 2020 com COVID-19 foram 97,4/100 mil hab, enquanto de 
2015 a 2019 foram em média 37,1/ 100 mil hab (Brasil, 2019).
40
Figura 32 – Covid 19
Nas internações, de modo geral, as doenças do aparelho respiratório acometem 
crianças principalmente, entre a faixa etária dos 5 aos 14 anos, enquanto nos adultos a 
população acima dos 50 anos são as mais atingidas. O sexo masculino é o mais afetado, 
representando 51% dos casos, enquanto as pessoas do sexo feminino representam 47%. 
Entretanto, 52% dos óbitos são homens na faixa etária acima dos 70 anos afetados pelas 
doenças respiratórias e nos casos de COVID-19 acomete-se, de preferência, a partir dos 60 
anos, diferindo nos casos infantis onde a COVID-19 tornar-se inexpressiva (BRASIL, 2019).
2.1 Pneumonias 
A pneumonia pode ser definida histologicamente como o preenchimento do 
espaço alveolar com um infiltrado inflamatório. É clinicamente uma infeção pulmonar 
aguda causada por infecção por determinados microrganismos. A pneumonia é 
geralmente dividida em adquirida na comunidade e hospitalar (STANFIELD, 2013).
Figura 33 – Pneumonias
Figura 33 – Pneumonias
Pneumonias
Inflamação do tecido
pulmonar, espassamento
das paredes alveolares, 
líquido presente 
nos alvélos
Fonte: https://www.camim.com.br/conheca-os-tipos-de-pneumonia/. Acesso em: 16 out. 2022.
41
A pneumonia adquirida na comunidade (PACS) é uma doença adquirida fora de 
um ambiente hospitalar ou de serviço especializado ou mesmo a doença manifestada 
em até 48 horas após a internação.
A pneumonia relacionada à assistência à saúde (PACS) ocorre em pacientes 
hospitalizados, que estiveram internados por mais de 2 dias nos 90 dias anteriores, 
que têm contato frequente com instituições de saúde (p. hemodiálise, tratamento de 
feridas, antibióticos intravenosos ou quimioterapia) ou pessoas imunocomprometidas.
A pneumonia nosocomial ocorre pelo menos 48 horas após a admissão ou logo 
após alta. Esta categoria inclui pneumonia adquirida no hospital (PAH) ocorrendo ≥ 48 
horas após a hospitalização e pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM) 
ocorrendo ≥ 48 horas após a intubação.
Os microrganismos causadores da pneumonia podem atingir os alvéolos 
pulmonares de duas formas: através da microaspiração do material proveniente das vias 
aéreas superiores e, menos comumente, através da inalação de aerossol contaminado 
do ambiente ou por via hematogênica (SIQUEIRA; SANTOS; SILVA, 2010).
Os microrganismos infectantes podem atingir os alvéolos e desenvolver 
pneumonia devido à aspiração de pequenas quantidades de secreções nasofaríngeas 
ou de conteúdos da boca, em especial durante o sono. Algum grau de aspiração ocorre 
normalmente. Aspirações mais importantes, contudo, são mais frequentes em pessoas 
mais idosas, particularmente naquelas mais frágeis ou acamadas (STANFILED, 2013).
A aspiração maciça ocorre, por exemplo, em pessoas que apresentam 
convulsões, que se engasgam enquanto vomitam ou em indivíduos cujo reflexo da 
tosse está marcadamente diminuído pelo álcool, drogas ou doenças neurológicas. 
Em tais pacientes, a síndrome clínica de pneumonia aspirativa inclui os efeitos dos 
microrganismos e do material aspirado, assim como do ácido gástrico.
A pneumonia também pode ser causada por inalação direta de material em 
aerossóis para os pulmões. Esse processo é incomum para a maioria das pneumonias 
bacterianas, mas é característico do Mycobacterium tuberculosis e do Bacillus anthracis. 
Esse mecanismo também explica a infecção por alguns vírus, como o da influenza ou 
sincicial respiratório (SIQUEIRA; SANTOS; SILVA, 2010). 
42
FIGURA 34 – Mycobacterium Tuberculosis e do Bacillus Anthracis
Fonte: O autor
As bactérias também podem atingir os pulmões através da corrente sanguínea, 
serem filtradas pelos mecanismos normais do clearance do hospedeiro, mas depois 
escapar e causar pneumonia. A pneumonia por S. aureus é comumente causada por 
disseminação hematogênica, em especial se uma infecção endovascular como a 
endocardite estiver presente. A Escherichia coli e outros bacilos Gram-negativos podem, 
ainda, causar pneumonias através de disseminação hematogênica (STANFILED, 2013).
DICA
Aprimore seus conhecimentos com a leitura do artigo Conhecimento de 
enfermagem em paciente adulto com pneumonia associada a ventilação 
mecânica. Acesse: bit.ly/3Ozl9PE
A pneumonia pneumocócica, classicamente, se apresenta com quadro de início 
agudo, febre alta acompanhada de calafrio intenso, tosse, dor pleurítica e sinais de 
consolidação ao exame do tórax. Entretanto, em geral, os pacientes não apresentarão 
todos esses sinais e sintomas. 
O quadro clínico varia com a idade e da presença de comorbidades. Pessoas 
idosas costumam ter menos sintomas, podendo a doença apresentar-se de forma atípica, 
com sintomas gerais, como confusão mental, mal-estar, sensação de fraqueza, desmaio 
ou piora de doença subjacente, como insuficiência cardíaca ou renal. Febre pode estar 
ausente, mas taquipneia e alterações no exame do tórax costumam estar presentes.
O diagnóstico baseia-se nos sinais e sintomas da doença, principalmente 
febre, dispneia, taquicardia, tosse com ou sem expectoração e presença de estertores. 
Geralmente, requer a demonstração de um infiltrado na imagem do tórax em um 
paciente com uma síndrome clinicamente compatível, por exemplo, febre, dispneia, 
tosse e produção de escarro.
43
A radiografia de tórax, em associação com a anamnese e o exame físico, faz parte 
da tríade propedêutica clássica para PAC, sendo recomendada sua realização de rotina, 
quando disponível, nas incidências posteroanterior (PA) e perfil. Além da contribuição ao 
diagnóstico, a radiografia de tórax permite ainda avaliar a extensão das lesões, detectar 
complicações e auxiliar no diagnóstico diferencial (TARASOUTCHI et al., 2020).
FIGURA 35 – RX de pneumonia
Fonte: bit.ly/3VjpXL1. Acesso em: 16 out. 2022.
Os achados radiográficos consistentes com o diagnóstico de PAC incluem: 
consolidações lobares, infiltrados intersticiais e/ou cavitações. Embora certas características 
radiográficas sugiram certas causas de pneumonia (por exemplo, consolidações lobares 
quase sempre são causadas por pneumococo, embora possam eventualmente surgir da 
evolução de uma pneumonia estafilocócica), a aparência radiográfica sozinha não pode 
diferenciar de maneira confiável as etiologias (STANFILED, 2013).
A ultrassonografia de tórax (UST) apresenta maior sensibilidade e maior 
acurácia do que a radiografia de tórax na identificação de alterações parenquimatosas. 
Os principais achados ultrassonográficos na PAC são: consolidações, padrão intersticial 
focal, lesões subpleurais e anormalidades na linha pleural. Adicionalmente, a UST 
apresenta alto rendimento na detecção de complicações como o derrame pleural, além 
de permitir a visualização de loculações na cavidade (STANFILED, 2013).
Figura 36 – Ultrassom de pulmão
Fonte: http://www.rmmg.org/artigo/detalhes/1677. Acesso em: 16 out. 2022.
44
A tomografia de tórax é o método mais sensível na identificação de acometimento 
infeccioso do parênquima pulmonar, porém, trata-se de um método de alto custo e alta 
exposição à radiação. Trata-se de um exame útil principalmente nos casos em que a acurácia 
da radiografia de tórax e da USTé baixa, como em pacientes obesos, imunossuprimidos e 
indivíduos com alterações radiológicas prévias (PORTO; PORTO, 2019).
Figura 37 – Tomografia de tórax
Fonte: bit.ly/3Xubyxm. Acesso em: 16 out. 2022.
Tratamento ambulatorial, o tratamento antibiótico inicial é definido de forma 
empírica devido à impossibilidade de se obter resultados microbiológicos logo após o 
diagnóstico da PAC, o que permitiria escolher antibióticos dirigidos a agentes específicos. 
Quadro 7 – A escolha do antibiótico deve levar em consideração
1 Patógeno mais provável no local de aquisição da doença;
2 Fatores de risco individuais;
3 Presença de doenças associadas; e
4 Fatores epidemiológicos, como viagens recentes, alergias e relação custo-eficácia.
FONTE: Adaptado de Porto e Porto (2019)
O tratamento conta também com a hidratação e a oxigenoterapia. A vacina 
proporciona uma prevenção específica contra pneumonia pneumocócica e outras 
infecções causadas por S. pneumoniae (MARTINI et al., 2014).
Outros exames complementares podem auxiliar na avaliação de gravidade e 
conduta de pneumonias complicadas. Entre esses exames, destacam-se a medida de 
oxigenação, hemograma, dosagem de proteína C-reativa (PCR) e exame de escarro para 
pesquisa etiológica.
45
Em atenção primária, utiliza-se o Escore CRB-65 para a classificação de risco 
em adultos, por ser de fácil utilização e não exigir realização de exames complementares. 
Trata-se de um escore reprodutível e validado, que deve ser completada por outros fatores 
como fatores sociais, demográficos, presença de doenças associadas descompensadas 
e queda da saturação periférica de oxigênio (PORTO; PORTO, 2019).
Já a broncopneumonia descreve a pneumonia distribuída de maneira focal, que 
tem a sua origem em uma ou mais áreas localizadas dentro dos brônquios e que se 
estende para o parênquima pulmonar circundante. Quando uma parte substancial dos 
lobos é comprometida, a doença é designada como pneumonia lombar.
Os fatores de risco para desenvolvimento de pneumonia são insuficiência 
cardíaca, diabetes, alcoolismo, câncer, doenças neurológicas, distúrbios renais e 
hepáticos; em resumo, doenças crônicas e nas situações em que o paciente se 
apresenta imunocomprometido.
2.2 Edema Agudo Pulmonar 
O Edema Agudo de Pulmão (EAP) que é uma síndrome clínica caracterizada pela 
transudação de líquido para o espaço alveolar, sendo o resultado de um desequilíbrio 
entre os fatores reguladores do transporte de líquido da microcirculação pulmonar para 
o espaço intersticial pulmonar, ou seja, desequilíbrio entre as pressões hidrostática e 
oncótica (ALMEIDA et al., 2015).
Existem dois tipos diferentes de edema pulmonar em humanos: o edema 
pulmonar cardiogênico (também denominado hidrostático ou hemodinâmico) e 
o edema pulmonar não cardiogênico. Embora tenham causas distintas, o edema 
pulmonar cardiogênico e não cardiogênico podem ser de difícil distinção por conta de 
suas manifestações clínicas semelhantes (BARROS; LEMOS, 2016).
Figura 38 – Edema pulmonar cardiogênico e não cardiogênico
Fonte: bit.ly/3Xpm3Ce. Acesso em: 16 out. 2022.
46
Um rápido aumento da pressão hidrostática nos capilares pulmonares, levando 
ao aumento das vias de filtragem de fluidos é a marca registrada do edema cardiogênico 
ou de sobrecarga de volume. A pressão hidrostática aumentada nos capilares pulmonares 
geralmente se deve à elevação da pressão venosa pulmonar decorrente do aumento da 
pressão diastólica final do ventrículo direito e o aumento na pressão atrial esquerda. 
Suaves elevações da pressão atrial esquerda (18 a 25 mmHg) podem causar edema 
(HERDAMAN; SHIGUEMI, 2015). 
Com isso, ocorre rompimento do epitélio pulmonar, inundando os alvéolos 
com líquido pobre em proteínas. Por outro lado, o edema pulmonar não cardiogênico 
é causado por um aumento na permeabilidade vascular do pulmão, resultando em um 
aumento do fluxo de líquido e proteína no interstício pulmonar e espaços aéreos. No EAP 
não cardiogênico, o edema possui um alto teor de proteínas, porque o sistema vascular 
membrana é mais permeável ao exterior e ao movimento de proteínas plasmáticas 
(HERDAMAN; SHIGUEMI, 2015).
O diagnóstico preciso de edema agudo de pulmão requer uma compreensão 
das alterações microvasculares. No pulmão normal, o extravasamento de proteínas 
e de líquido ocorre principalmente por meio de pequenas lacunas entre os vasos 
capilares. Tais fluidos e solutos penetram o espaço intersticial alveolar normalmente, 
porém não penetram nos alvéolos pois o epitélio alveolar é composto por junções 
muito estreitas. Ainda sob condições normais, os capilares linfáticos removem a 
maior parte desse fluido filtrado do interstício e o transporta novamente à circulação 
sistêmica (HERDAMAN; SHIGUEMI, 2015).
Um exame complementar que pode ser utilizado é a dosagem do peptídeo 
natriurético cerebral (BNP). O BNP é secretado predominantemente pelos ventrículos 
em resposta ao estiramento da parede e ao aumento da pressão intracardíaca. Em 
pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, os níveis plasmáticos de BNP se 
correlacionam com a pressão diastólica final do ventrículo esquerdo e com a pressão 
da artéria pulmonar. Um nível de BNP abaixo 100 pg/mL indica que a insuficiência 
cardíaca é improvável (valor preditivo negativo,> 90%), considerando que um nível de 
BNP superior a 500 pg/mL indica que é provável a insuficiência cardíaca (valor preditivo 
positivo,> 90%). Os níveis de BNP entre 100 e 500 pg/mL não fornecem discriminação 
diagnóstica adequada (HERDAMAN; SHIGUEMI, 2015).
Achados eletrocardiográficos podem sugerir infarto agudo do miocárdio, assim 
como aumento na troponina também pode indicar dano aos cardiomiócitos. Contudo, a 
troponina também pode estar elevada em pacientes com sepse grave na ausência de 
evidência de síndrome coronariana aguda. Em pacientes com rebaixamento do nível 
de consciência e com edema pulmonar de causa desconhecida, a investigação acerca 
do uso de medicações, dosagem de eletrólitos e o exame toxicológico pode levar ao 
diagnóstico (MARTINI et al., 2014).
47
O tratamento instaurado para o EAP deve ser capaz de reduzir tanto a pré-carga 
quanto a pós-carga. Por isso, utilizam-se morfina, diuréticos de alça e vasodilatadores 
diretos, sendo iniciado o mais rápido possível. Além disso, o paciente deve ser bem 
monitorado, com: monitorização cardíaca, oxímetro de pulso, acesso venoso, máscara 
de oxigênio, decúbito elevado e, de preferência, manter as pernas pendentes para 
diminuir a pré-carga (MARTINI, 2014 et al).
A ventilação não invasiva (CPAP e BIPAP) é essencial para pacientes com EAP, 
visto que sua instalação reduz mortalidade, necessidade de intubação orotraqueal 
(IOT) e custos. A intubação orotraqueal (IOT) seguida de ventilação mecânica pode 
ser necessária nos casos de contraindicação para ventilação não invasiva, dispneia, 
diaforese e vasoconstrição persistentes e, ainda, se há risco imediato de morte ou 
quando a ventilação não invasiva falha (GARY; STEPHEN, 2016).
Assim, é importante ressaltar que todo paciente deve ser levado imediatamente 
à sala de emergência, onde será realizada uma anamnese objetiva buscando dados 
pontuais, exames físicos e avaliação de parâmetros vitais por meio da monitoração 
cardíaca contínua e um acesso venoso periférico deve ser prontamente obtido.
2.3 Tromboembolismo Pulmonar 
Tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma síndrome clínica definida como a 
presença de trombos que impactam e ocluem vasos arteriais pulmonares, levando 
a uma grande variedade em suas manifestações clínicas. A maioria dos trombos é 
originária da trombose venosa profunda dos membros inferiores. Existem também 
outros tipos de embolismo pulmonar não causados por trombos, como a embolia 
gordurosa, gasosa ou tumoral que podem ocorrer apesar de serem muito menos 
comuns (BARROSO et al., 2021).
O TEP apresenta elevada prevalência e uma alta taxa de mortalidade, motivo 
que já legitima o início da terapêutica quando existe um elevado grau desuspeição. 
É um tema extremamente relevante na clínica médica e, devido a sua sintomatologia 
inespecífica (o que faz com que muitos casos de TEP sejam subdiagnosticados, é 
considerado um grande desafio na prática médica (BARROSO et al., 2021).
Nos últimos anos, houve uma crescente preocupação, criação de protocolos 
de profilaxia e de um grande número de estudos sobre o tema. O aumento do interesse 
pelo TEP ocorre em virtude da alta prevalência desse evento no ambiente hospitalar, 
tornando a prevenção do TEP uma das grandes preocupações nos pacientes internados.
O tromboembolismo pulmonar também pode ser subdividido em TEP agudo, 
subagudo e crônico. Pacientes com TEP agudo apresentam sintomas de início súbito 
no momento em que há a embolização do trombo para um dos ramos arteriais da 
circulação pulmonar.
48
Figura 39 – TEP – Trombo embolismo pulmonar
Fonte: bit.ly/3gx3Dii. Acesso em: 16 out. 2022.
A patogênese do TEP envolve os fatores que predispõe à ocorrência de 
trombose venosa profunda (TVP) e migração de êmbolos para os pulmões. Na maioria 
dos casos, há formação de trombos nos membros inferiores em território de vasos 
venosos ileofemorais (vasos proximais dos membros inferiores) que se movimentam 
em direção à circulação pulmonar, ocluindo os vasos arteriais pulmonares. Os trombos 
também podem ter sido originados em membros superiores, entretanto, esta situação é 
infrequente (BARROS; LEMOS, 2016).
O trombo ascende dos MMII (mais comum) pela veia cava inferior e acessa o coração 
através do átrio direito. Posteriormente, vai para o ventrículo direito e, por fim, alcança a 
circulação pulmonar. A obstrução dos vasos leva à diminuição da pré-carga e a liberação 
de mediadores inflamatórios como o tromboxano que age promovendo a vasoconstrição 
e elevando a resistência pulmonar. O ventrículo direito tenta manter o equilíbrio, ou seja, 
mantém o débito cardíaco à custa do aumento da pressão pulmonar. Como consequência 
desta instalação súbita as fibras cardíacas podem perder a elasticidade, levando à dilatação 
da câmara direita, que pode deslocar o septo interventricular (situação visualizada no 
ecocardiograma). A hipertensão pulmonar pode permanecer mesmo após o tratamento 
do episódio agudo, sendo, portanto, uma complicação.
Episódios de TEP com obstrução de ramos mais distais dos vasos pulmonares 
apresentam maior risco de desenvolvimento de infarto pulmonar, com resposta 
inflamatória intensa na região em decorrência da morte celular. Isso se correlaciona 
com manifestações clínicas como hemoptise e dor pleurítica.
Os fatores de risco são pessoas que têm câncer, varizes, idosos, obesos, 
sedentários, em terapia hormonal, com mobilidade reduzida, com casos de infecção, 
submetidas a procedimentos cirúrgicos, fumantes, com histórico familiar e também 
gestantes que precisam ficar atentas a qualquer alteração nos membros inferiores e 
variações da capacidade respiratória e procurar atendimento médico o quanto antes, 
para evitar o agravamento do quadro. 
49
A sintomatologia do tromboembolismo pulmonar é inespecífica apresentando 
um amplo espectro clínico que vai de pacientes hemodinamicamente instáveis a 
paciente que cursam com sintomas gerais como tosse seca, taquipneia o que dificulta, 
muitas vezes, o diagnóstico e retarda o início da terapêutica (GARY; STEPHEN, 2016).
O sintoma mais prevalente nos pacientes com TEP é a dispneia, seguido pela dor 
torácica de caráter pleurítico e tosse, que pode se apresentar seca ou hemoptoica. Alterações 
hemodinâmicas como hipotensão e até mesmo choque obstrutivo são observados nos 
pacientes com TEP de alto risco, podendo estar associados a arritmias. Sintomas menos 
comuns que podem ser manifestados por pacientes com TEP são síncope, dor retroesternal, 
ansiedade e redução do nível de consciência (MUSSI et al., 2016).
Sinais que podem estar presentes nos pacientes com TEP são taquicardia (visto 
no eletrocardiograma, na forma sinusal), taquipneia, sinais de instabilidade (hipotensão/ 
PASdiafragma e mediastino, a pleura parietal (GARY; STEPHEN, 2016)
Figura 41 – Derrame pleural 
Fonte: https://cirurgiatoracicadovale.com.br/35n-derrame-pleural-entenda-o-quadro. Acesso em: 16 out. 2022.
Uma quantidade de líquido de 0,1 a 0,2 mL/Kg serve para lubrificar a cavidade 
e diminuir a aderência entre os folhetos. Esse fluido tem origem, principalmente, nos 
capilares da pleura parietal, que produz, aproximadamente, 0,6 mL/h e é absorvido uma 
quantidade semelhante pelo sistema linfático pleural parietal (PORTO; PORTO, 2019). 
A drenagem linfática difere nas duas pleuras. Na pleura visceral, a drenagem 
linfática é realizada pelo sistema linfático pulmonar. Já na pleura parietal é feita pelos 
diversos sistemas linfáticos sistêmicos e por meio da presença de estomas que ligam a 
cavidade pleural diretamente à rede linfática submesotelial. Esses estomas são orifícios 
na camada mesotelial que se abrem para o espaço pleural, sendo os principais locais de 
remoção do líquido pleural (PORTO; PORTO, 2019).
O derrame pleural se caracteriza pelo acúmulo anormal de líquido no espaço 
pleural. A frequência geral de derrame pleural em uma radiografia de tórax varia de 0,3% 
a 1%, porém, este valor muda bastante de acordo com a doença de base, que ocorre 
mais comumente em pacientes com pneumonia ou com insuficiência cardíaca. Estima-
se que em países industrializados a prevalência seja de 320 casos a cada 100.000 
habitantes (BRASIL, 2021). No derrame pleural, o fluido presente na cavidade pleural 
pode ser classificado em transudato ou exsudato, segundo os critérios de Light que 
veremos mais adiante.
52
O derrame pleural depende dos efeitos pleurais das doenças sistêmicas ou de 
doenças que comprometam diretamente a pleura. O mecanismo para que o derrame 
ocorra seria um desbalanço na entrada ou na saída do líquido pleural. O aumento 
da formação do líquido pleural pode ser causado em duas diferentes situações: (1) 
desequilíbrio nas pressões hidrostáticas e/ou oncóticas pleurais e (2) alteração da 
permeabilidade capilar pleural (BRASIL, 2021).
As condições que aumentam o fluxo de entrada de fluido na cavidade 
pleural são:
• Aumento da permeabilidade: Barreira endotelial mais permeável a líquidos e 
proteínas, havendo um aumento de um fluxo de líquido proteico mais alto.
• Aumento da pressão microvascular: Induzida pelo aumento na pressão venosa. 
Caso não associado a aumento da permeabilidade, levaria a formação de infiltrado 
com menor concentração de proteína. Ocorre, por exemplo em edema pulmonar.
• Diminuição da pressão pleural: Altera o equilíbrio descrito na equação de Starling, 
reduzindo as pressões ao redor dos microvasos próximos, melhorando a filtração 
através da barreira microvascular de um líquido com baixo teor de proteínas. 
Ocorre, por exemplo, em casos de atelectasia.
• Diminuição da pressão osmótica plasmática: A hipoproteinemia diminui a pressão 
oncótica plasmática, aumentando assim as forças que favorecem a filtração, até 
que o equilíbrio seja restaurado.
Já a saída do fluido depende da depuração do líquido do espaço pleural. É afetado 
pela permeabilidade linfática e capacidade de contração, disponibilidade de líquido e as 
pressões que influenciam o preenchimento (pressão pleural) e o esvaziamento (pressão 
venosa sistêmica) dos vasos linfáticos (MURTA; GARCIA, 2021).
IMPORTANTE
Os tipos de líquidos pleurais podem ser: 
- Transudatos: filtrado de plasma que se desloca através das paredes 
capilares intactas, quando fatores que influenciam a formação e a reabsorção 
de líquido pleural estão alterados, habitualmente por desequilíbrio na 
pressão hidrostática ou oncótica (MARTINI et al., 2014).
- Exsudatos: extravasamento de líquido nos tecidos ou em uma cavidade resultado 
habitualmente de inflamação por produtos bacterianos ou de tumores que acometem 
as superfícies pleurais. As manifestações clínicas apresentadas no derrame pleural 
são dor torácica ventilatório-dependente, tosse, dispneia, sinais de choque; ao exame 
físico, atentamos a diminuição da expansibilidade, a diminuição de frêmito toracovocal, 
a macicez à percussão, a diminuição ou abolição do murmúrio vesicular (MV), o atrito 
pleural, o desvio de traqueia (MARTINI et al., 2014). 
53
Os achados diagnósticos podem ser por Raio X de tórax, tomografía de tórax, 
ultrassonografia de tórax e toracocentese.
O tratamento é baseado na causa primária para evitar novo acúmulo de 
líquido, aliviar o desconforto respiratório e a dispneia. A toracocentese guiada por 
ultrassonografia pode ser utilizada para remoção do líquido em pequenas quantidades; 
para volume elevado é indicado drenagem de tórax. A pleurodese química por substância 
esclerosante (talcagem) é utilizada em derrame neoplásico para evitar que o líquido 
se acumule novamente, facilitando a obliteração do espaço pleural pela formação de 
aderências entre as pleuras visceral e parietal (sínfise pleural). Outro tratamento para 
derrame pleural pode ser a pleurectomia cirúrgica (retirada da pleura). Empiema é uma 
coleção de líquido infectado, pus, na cavidade pleural com baixa contagem de leucócitos 
progredindo para fibrinolento, levando à formação de uma membrana exsudativa 
espessa (MURTA; GARCIA, 2021).
Os sinais e sintomas são febre, sudorese noturna, dor ao respirar, dispneia; 
no exame físico, atentamos a expansibilidade diminuída, a diminuição de frêmito 
toracovocal, a macicez à percussão, a diminuição ou abolição do MV, anorexia e perda 
de peso. Os métodos diagnósticos seriam os mesmos utilizados na identificação 
do derrame pleural. O tratamento deve ser conduzido pelo uso de antibioticoterapia, 
toracocentese, toracostomia com drenagem torácica ou drenagem torácica aberta por 
meio de toracotomia.
A assistência de enfermagem aos pacientes com derrame pleural é controlar 
a dor corretamente, monitorar o dreno de tórax, verificar a quantidade de líquido que 
drenou e a sua cor, registrar os valores obtidos no dreno e deixar o paciente em repouso 
na cama ajustada a 45º.
2.5 Doença Broncopulmonar Obstrutiva Crônica
 A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma limitação do fluxo aéreo 
das vias aéreas inferiores, não reversível, provocada por uma resposta inflamatória a 
toxinas inalatórias, principalmente a fumaça de cigarro, no entanto, diversas outras 
toxinas também podem desencadear esse processo. O processo inflamatório crônico 
pode provocar alterações nos brônquios (bronquite crônica), bronquíolos (bronquiolite 
obstrutiva) e parênquima pulmonar (enfisema pulmonar).
54
Figura 42 – Doença Broncopulmonar Obstrutiva Crônica – DPOC
Ruptura dos alvélos
(enfisema)
Produção aumentada de
muco (Bronquite crônica)
Fonte: http://cliniarlages.com.br/1141-2/. Acesso em: 16 out. 2022.
Apesar de didática e de apresentar grande importância histórica, essa separação 
da DPOC em diferentes entidades clínicas a depender da área mais acometida da via 
aérea, tem perdido muito da sua importância e não é tão usada nas definições mais 
modernas da DPOC, muitos pacientes com DPOC apresentam patologia mista, das 
pequenas vias aéreas e dos alvéolos de forma concomitante (ALMEIDA et al., 2015).
A asma também é uma doença pulmonar obstrutiva, podendo ser considerada 
um subtipo da DPOC quando o paciente apresentar limitação do não reversível do 
fluxo das vias aéreas inferiores. Existe também uma grande parcela de pacientes que 
apresentam sobreposição entre a asma e bronquite crônica / enfisema pulmonar.
A exposição inalatória provoca uma resposta inflamatória nas vias respiratórias 
e nos alvéolos. O processo é mediado pelo aumento da atividade da protease, liberadas 
pelos neutrófilos e outras células inflamatórias, e pela diminuição da atividade da 
antiprotease. As proteases pulmonares provocam a lise da elastina e do tecido conjuntivo 
no processo normal de reparação tecidual. A atividade dessas proteases costuma 
ser balanceada por antiproteases, como alfa-1 antitripsina. Esse desbalanço entre as 
proteases e as antiproteasesé o principal mecanismo do componente enfisematoso 
da doença, a uma vez que causa hiperinsuflação e dificuldade de expiração (BARROS; 
LEMOS, 2016).
A inflamação causa estreitamento e obstrução das vias respiratórias, além de 
hipersecreção de muco, espasmo brônquico, fibrose peribrônquica e destruição das 
pequenas vias respiratórias. Isso normalmente costuma ocorrer devido à exposição 
crônica a substâncias inalatórias irritantes (tabagismo sendo a causa mais comum), 
que induzem a uma reação inflamatória crônica nas pequenas vias aéreas, com 
presença de linfócitos CD8+, macrófagos e neutrófilos. Essa inflamação crônica resulta 
na proliferação das células caliciaise hipertrofia das glândulas submucosas, causando 
assim hipersecretividade de muco e estreitamento das pequenas vias aéreas (BARROS; 
LEMOS, 2016).
55
A maior resistência das vias respiratórias aumenta o trabalho de respiração. 
A hiperinsuflação pulmonar, embora diminua a resistência das vias respiratórias, 
também aumenta o esforço respiratório. A força expiratória depende em grande parte 
da elasticidade pulmonar, que está diminuída na DPOC. Trata-se do fenômeno do 
aprisionamento de ar que promove um aumento do volume residual, da capacidade 
residual funcional e da capacidade pulmonar total (HERDMAN; SHIGUEMI, 2015).
Esse aprisionamento ocorre por causa da degradação da elastina alveolar 
por proteases, como foi dito anteriormente. A elastina é um componente responsável 
por resistir à insuflação, auxiliando o esforço expiratório, algo semelhante ao que 
observamos em uma bola inflável, em que o componente elástico resiste à distensão e 
busca retornar ao seu estado de repouso (KINKLE; CHEEVER, 2011).
A presença de sintomas respiratórios em pacientes tabagistas deve sempre 
levantar a suspeita para o DPOC. A história de exposição à fumaça de combustão da 
lenha, a poeiras e à fumaça ocupacional deve ser pesquisada (KINKLE; CHEEVER, 2011).
Não há indicação para rastreamento populacional para DPOC, no entanto 
alguns questionários são úteis como ferramentas na triagem de pacientes com 
indicação para investigação. É importante investigar os pacientes acerca de exposição 
a substâncias inalatórias irritantes, dispneia, fadiga maior do que o esperado para sua 
idade, acometimento por infecções respiratórias e piora de sintomas respiratórios com 
mudanças climáticas.
A espirometria com obtenção da curva expiratória volume-tempo é obrigatória 
na suspeita clínica de DPOC, devendo ser realizada antes e após administração de 
broncodilatador, de preferência em fase estável da doença. 
ATENÇÃO
Os parâmetros mais importantes avaliados são a capacidade vital forçada 
(CVF), o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) e a 
relação entre esses parâmetros (VEF1∕CVF). A limitação permanente ao 
fluxo aéreo é definida quando esta relação éde 
mediadores (MURTA; GARCIA, 2021).
Isso é conhecido como reação de fase inicial ou imediata. Esses mediadores, 
incluindo histamina, prostaglandina D2 e cisteinil leucotrienos (LTC4, D4 e E4), contraem 
diretamente o músculo liso das vias aéreas e também podem estimular as vias neurais 
reflexas (SIQUEIRA, 2010).
As citocinas produzidas pelos linfócitos Th2 desempenham papéis críticos na 
asma e nas respostas alérgicas, destacam-se: IL-3 que é um fator de sobrevivência para 
eosinófilos e basófilos; a IL-5, principal citocina hematopoiética que regula a produção e 
sobrevivência de eosinófilos; a IL-13, a qual contribui para a eosinofilia das vias aéreas, 
hiperplasia das glândulas mucosas, fibrose das vias aéreas e remodelação.
Os eosinófilos são as células mais características que se acumulam na asma 
e na inflamação alérgica; sua presença está frequentemente relacionada à gravidade 
da doença. Os eosinófilos ativados produzem mediadores lipídicos, como leucotrienos 
e fator de ativação plaquetária, que mediam a contração do músculo liso; produtos 
granulados tóxicos que podem danificar o epitélio e os nervos das vias aéreas; e 
citocinas, como fator estimulador de colônias de granulócitos e macrófagos (GM-CSF), 
fatores de crescimento transformador (TGF) alfa e beta e interleucinas que podem estar 
envolvidas no remodelamento das vias aéreas e fibrose (BARROSO et al., 2021).
O diagnóstico da asma pode ser efetuado na maioria dos casos em função dos 
sintomas apresentados pelo paciente. A avaliação de um paciente com suspeita de asma 
fundamenta-se em uma anamnese completa, incluindo um histórico ambiental detalhado, 
com a descrição dos potenciais desencadeantes das crises (BARROSO et al., 2021).
O diagnóstico de asma em pré-escolares e nos mais jovens é difícil, uma vez 
que sibilância e tosse são comuns em crianças sem asma e os exames complementares 
são pouco úteis.
Desta forma, muitas vezes é possível apenas o diagnóstico sindrômico de 
sibilância recorrente, e somente o seguimento até a idade escolar ou posterior permite 
uma definição etiológica mais precisa. Assim, o diagnóstico clínico fundamenta-se na 
anamnese detalhada e exame físico cuidadoso, formulação do diagnóstico diferencial 
e monitoramento rigoroso, ou seja, o diagnóstico deve ser feito em bases clínicas como 
nas crianças maiores, adolescentes e adultos (BARROSO et al., 2021).
59
Em diagnóstico funcional, a avaliação da função pulmonar tem importante papel 
no diagnóstico da asma nas crianças maiores e nos adultos. Seu uso nos lactentes e 
pré-escolares, entretanto, é limitado pelas dificuldades técnicas na realização destes 
exames nessa faixa etária. Apesar disso, a documentação de obstrução ao fluxo aéreo 
e de reversibilidade brônquica, duas características importantes da asma, seguramente 
podem contribuir no diagnóstico da doença, particularmente nas crianças pequenas 
que não apresentem manifestações clínicas típicas (BARROSO et al., 2021).
A espirometria é utilizada para diagnóstico, avaliação da gravidade, monitorização 
e avaliação da resposta ao tratamento. A espirometria deve ser utilizada a partir dos cinco 
anos. O volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) pós-broncodilatador é 
o melhor parâmetro espirométrico para avaliar mudanças em longo prazo na função 
pulmonar, sendo um indicador de progressão da doença (MARTINI et al., 2014).
Importante que durante o ataque de asma brônquica, o enfermeiro deve agir 
removendo o alérgeno ou investigando a causa no intuito de orientar para prevenção 
de novas crises. 
2.7 Tuberculose 
A tuberculose (TB) é uma doença infectocontagiosa, crônica, granulomatosa e 
necrosante causada pelo bacilo álcool-ácido-resistente (BAAR) (BRASIL, 2021).
A tuberculose continua sendo uma das maiores ameaças à saúde pública em 
todo o mundo. A OMS definiu para o período de 2016 a 2020 listas de países prioritários 
para a abordagem da tuberculose, o Brasil se encontra em duas listas, ocupando a 20ª 
posição quanto à carga da doença e a 19ª no que se refere à coinfecção TB-HIV.
Figura 43 – Tuberculose
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tuberculose. Acesso em: 16 out. 2022.
60
A estimativa global de infecção pela tuberculose em 2020 foi de 10 milhões 
de casos, com uma incidência estimada de 132/100.000 habitantes, e de 1,2 milhão 
de mortes no ano, além de 208 mil óbitos entre pessoas HIV+. No Brasil, a tuberculose 
com uma taxa de óbitos de 2,2/100.000 habitantes e uma incidência de 31,6/100.000 
habitantes e o SUS organiza a assistência por meio do Programa Nacional de Controle 
da Tuberculose e o estabelecimento do tratamento diretamente observado pela atenção 
básica à saúde (BRASIL, 2021).
Inicialmente, o M. tuberculosis infecta o corpo e entra nos macrófagos 
por fagocitose. A partir daí ele inibe a maturação do fagossomo e a formação do 
fagolisossoma, isso permite que eles reproduzam incontroladamente, protegida da ação 
dos lisossomos. Assim, a infecção primária ocorre no primeiro contato com o bacilo de 
Koch, com uma reação do sistema imunológico do indivíduo, principalmente por meio da 
fagocitose, como meio de controle da infecção. No entanto, as bactérias são altamente 
resistentes aos fagossomos e inibem seu crescimento, impedindo sua destruição e 
permanece em sua forma latente. Assim, durante essa infecção primária, o bacilo se 
alastra amplamente no corpo de maneira oculta (PORTO; PORTO, 2019).
ATENÇÃO
O principal patógeno principal é o M. tucerbulosis, também conhecido como 
Bacilo de Koch (BK).
A forma mais comum da doença é a forma pulmonar, e as lesões 
extrapulmonares também são frequentes e merecem atenção da saúde 
pública – formas pleural, ganglionar, miliar, osteomuscular, etc (BRASIL, 2021).
A infecção por M. tuberculosis progride de forma intermitente, desde a infecção 
inicial com o ataque de macrófagos até a ativação de células Th1. Esses linfócitos T 
regulam a infecção do hospedeiro e também são causadores dos danos causados pela 
doença, gerando granuloma e cavitação (BRASIL, 2021).
Subsequentemente, ocorre a ativação de receptores imunes inatos, inicializando 
e potencializando esse tipo de resposta ao bacilo. Uma resposta Th1 é montada após três 
semanas e essa resposta Th1 gerará IFN-gama. Isso, por sua vez, por meio de uma variedade 
de processos, estimula a destruição de macrófagos infectados, destroçando organelas 
feridas e patógenos intracelulares, como M. Tuberculose No entanto, a mesma resposta 
Th1 que estimula os macrófagos e mata as micobactérias causa a formação de granulomas 
e necrose do caso. Esses macrófagos são ativados pelo interferon gama diferenciar em 
"Histiócitos epitelioides" que se combinam para formar granulomas (BRASIL, 2021).
Na maioria das pessoas, essa resposta ocorre antes que o dano tecidual cause 
danos maiores. Em outros casos, a infecção continuará a se alastrar, e as reações 
subsequentes resultaram em lesões necróticas (PORTO; PORTO, 2019).
61
Nesse contexto, a maioria dos indivíduos imunocompetentes irá passar por essa 
primeira infecção sem desenvolvimento da forma ativa da doença – apenas 2% a 5% 
destes irá desenvolver essa forma nos primeiros dois anos do contato com o bacilo. 
Duas a treze semanas após a infecção primária, a imunidade adaptativa específica 
consegue controlar a replicação bacteriana (PORTO; PORTO, 2019).
Após a infecção primária, 95% dos indivíduos entraram em estado de latência, 
que é mantida pelo sistema imunológico ativo e competente, a evidência disso ocorre 
na reativação da tuberculose em momentos de imunodepressão. A ativação tardia, ou 
reativação, pode ocorrer em condições imunossupressoras, com o desenvolvimento 
de comorbidades ou até mesmo sem causa aparente. Essa reativação da doença em 
hospedeiro com imunidade pré-existente gera resposta inflamatória intensa, com 
formação de granulomas caseosos e, se os pulmões forem afetados, cavitação pulmonar 
(PORTO; PORTO, 2019).
A apresentação clínica da tuberculose pulmonar depende do estágiono curso 
natural da doença (doença primária, pós-primária ou miliar), localização e imunidade 
do hospedeiro. Os sintomas clássicos de febre vespertina, tosse, sudorese noturna e 
emagrecimento podem ocorrer em quaisquer das apresentações (PORTO; PORTO, 2019).
A tuberculose pulmonar primária ocorre logo em seguida ao contato com o 
bacilo, sendo, portanto, mais comum em crianças. Febre baixa, sudorese noturna e 
inapetência são sintomas muito frequentes nessa forma (PORTO; PORTO, 2019).
Já a tuberculose pulmonar pós-primária é mais comum em adolescentes e 
jovens adultos. A tosse seca ou produtiva é a principal característica. Além disso, se a 
tosse é produtiva, a expectoração pode se apresentar como mucoide ou purulenta, com 
ou sem sangue. Pode haver febre vespertina, que geralmente não ultrapassa os 38,5 
ºC e não é acompanhada de calafrios. Além disso, fácies de emagrecimento ou doença 
crônica podem estar presentes no exame físico e, à ausculta respiratória, podemos 
perceber diminuição do murmúrio vesicular, sopro anfórico ou mesmo um exame físico 
normal (MURTA; GARCIA, 2021).
A tuberculose pulmonar miliar, por sua vez, se refere a um padrão específico 
de acometimento pulmonar, podendo ocorrer nas formas primária e secundária, sendo 
mais comum em pacientes imunossuprimidos.
A tuberculose pulmonar miliar, por sua vez, se refere a um padrão específico 
de acometimento pulmonar, podendo ocorrer nas formas primária e secundária, 
sendo mais comum em pacientes imunossuprimidos. Aproximadamente 20% dos 
casos de tuberculose em pacientes HIV-negativo são formas extrapulmonares. Cursa 
frequentemente com dor torácica pleurítica (MURTA; GARCIA, 2021).
62
Astenia, perda ponderal e anorexia ocorrem em cerca de 70% dos doentes; febre 
com tosse seca acontecem em 60%. Em pacientes com mais tempo de evolução da 
doença e com derrame pleural mais volumoso, a dispneia pode estar presente. Em relação 
ao exame físico, observam-se macicez à percussão e ruídos respiratórios diminuídos.
Uma cavidade tuberculosa pode se romper e extravasar para o espaço pleural. 
Logo, teremos frequentemente líquido no espaço pleural e pneumotórax. A baciloscopia 
e a cultura do líquido são frequentemente positivas, ao contrário do que ocorre na 
tuberculose pleural (MURTA; GARCIA, 2021).
No Brasil (2019), os resultados do exame bacteriológico é de extrema importância 
tanto para o diagnóstico quanto para o acompanhamento dos casos confirmados. 
Vamos dar uma olhada nos principais métodos utilizados em nosso país:
Exame microscópico direto baciloscopia direta: a pesquisa do BAAR (bacilo 
álcool-ácido-resistente), pelo método de Ziehl-Nielsen, é a técnica mais empregada 
em nosso meio. Executada corretamente, diagnóstica de 60% a 80% dos casos de 
TC pulmonar em adultos, em crianças a sensibilidade é diminuída pela dificuldade em 
realizá-lo (MURTA; GARCIA, 2021).
A baciloscopia está indicada em:
• Sintomático respiratório;
• Caso de suspeita clínica ou radiológica de tuberculose pulmonar;
• Acompanhamento e controle de cura em casos confirmados.
A baciloscopia de outros materiais também está indicada em suspeita de 
tuberculose extrapulmonar. Uma baciloscopia positiva e o quadro clínico de tuberculose 
juntos fecham o diagnóstico de tuberculose e autoriza o início do tratamento.
Teste rápido molecular para tuberculose: indicado para o diagnóstico de 
tuberculose pulmonar e laríngea em adolescentes e adultos (BRASIL, 2019).
O exame está indicado em:
 
• Diagnóstico de novos casos de TB pulmonar e laríngea em adolescentes e adultos;
• Diagnóstico de formas extrapulmonares em materiais validados (líquor, gânglios 
e outros);
• Triagem de resistência à rifampicina em casos de retratamento ou com suspeita 
de falência ao tratamento.
63
Cultura para micobactéria, identificação e teste de sensibilidade: a cultura tem 
alta especificidade e sensibilidade no diagnóstico. A identificação da espécie é feita por 
métodos bioquímicos e fenotípicos ou por meio de técnicas moleculares. Já os testes 
de sensibilidade identificam possível resistência a algum dos antibióticos utilizados no 
tratamento (MURTA; GARCIA, 2021).
Antes de falarmos dos esquemas do tratamento, vamos pincelar alguns 
conceitos que irão facilitar nosso entendimento sobre o mecanismo de ação e o 
objetivo dos medicamentos propostos para a tuberculose. Os antibióticos utilizados no 
tratamento da tuberculose interferem na maquinaria enzimática ou bloqueiam a síntese 
de algum metabólito essencial à sobrevivência do bacilo. Os fármacos só atuam onde 
existe metabolismo, ou seja, onde a infecção está ativa, e não latente. Estes serão 
destruídos pelo sistema imunológico do indivíduo (MURTA; GARCIA, 2021).
O bacilo depende de oxigênio e seu metabolismo se intensifica a depender da 
quantidade do gás presente na região. Na cavitação pulmonar, existe abundância de 
oxigênio, pH neutro e substâncias nutritivas. Nessas regiões, há maior quantidade de 
bacilos e estes adquirem resistência mais facilmente. Por outro lado, em granulomas, o 
oxigênio é mais escasso e, o pH, menos favorável. Ali, o crescimento bacilar adquire um 
caráter mais intermitente (MURTA; GARCIA, 2021).
Por fim, no interior dos macrófagos, há pouco oxigênio e o pH é ácido, além de 
haver os mecanismos de defesa do hospedeiro. Nesses locais, a multiplicação é lenta e 
os bacilos são latentes. É por conta dessas populações que o tratamento da tuberculose 
precisa ser bem longo. Existem duas fases no tratamento da tuberculose: a fase intensiva 
e a fase de manutenção. A fase intensiva tem o objetivo de diminuir a população bacilar 
consideravelmente, incluindo os resistentes. Já a fase de manutenção visa à eliminação 
de bacilos latentes ou persistentes e a diminuição da chance de recidiva (MURTA; 
GARCIA, 2021).
O tratamento é composto por quatro fármacos principais – RIPE/RHZE: 
rifampicina (R), isoniazida (I/H), pirazinamida (P/Z) e etambutol (E).
No esquema básico, faremos dois meses de RIPE/RHZE e quatro meses de RI/RH.
2.8 Insuficiência Respiratória 
A insuficiência respiratória pode ser definida como a inabilidade do sistema 
respiratório de manter ou desempenhar sua função primária, que é suportar 
apropriadamente a oxigenação do sangue arterial e a remoção de dióxido de carbono. 
Trata-se de uma diminuição da pressão arterial de oxigênio (PaO2) abaixo de 50 
mmHg (hipoxemia) e um aumento da pressão sanguínea de dióxido de carbono (PaCO2) 
maior que 50 mmHg (hipercapnia) abaixo do pH arterial de 7,35 (GARY; STEFEN, 2016).
64
Conforme Barros e Lemos (2016), a insuficiência respiratória é classificada como 
aguda (hipóxia) associada à ventilação alveolar prejudicada, e crônica (hipercápnica), 
compatível com oxigenação coronariana ineficaz. O sistema respiratório também possui 
um mecanismo de defesa pulmonar que inclui uma variedade de fatores e condições: 
filtração e umidificação do ar, tosse reflexa, secreção e transporte da mucosa, imunidade 
celular, imunidade humoral e neutrófilos funcionais.
A insuficiência respiratória crônica ocorre na doença pulmonar crônica (DPOC) e 
na doença neuromuscular. Os pacientes com esses distúrbios desenvolvem tolerância 
ao agravamento progressivo da hipoxemia e hipercapnia. Por exemplo, pacientes com 
DPOC podem desenvolver exacerbações ou infecções que prejudicam as trocas gasosas 
(GARY; STEFEN, 2016).
Quadro 9 – Os resultados normais de gasometria
Os resultados normais de gasometria são:
PH 7,35 a 7,45 
PaCo2 35 a 45 mmHg
 PaO2 80 a 100 mmHg
 BE + 2 a – 2
A característica gasométrica da insuficiência respiratória é o aumento da 
PaCO2 e a diminuição da PaO2 na hipercalemia aguda. O corpo usa um mecanismo de 
tamponamento ácido-base. Isso aumenta os níveis de bicarbonato em 3-5 mEq / L. 
(GARY; STEFEN, 2016).
Em condições normais, o corpo absorve oxigênio (O2) do ar ambiente, onde 21 
% de O2, 78 % de nitrogênio e o restante 1 % são outros gases (GARY; STEFEN, 2016).
Fonte: adaptado de Gary e Stephen (2016)
Componentesdo sistema respiratório são entre os componentes 
responsáveis pela respiração se encontram:
• Sistema nervoso central (SNC), mais especificamente o centro respiratório 
localizado no bulbo;
• Nervos periféricos;
• Músculos respiratórios e caixa torácica;
• Vias aéreas superiores e inferiores;
• Parênquima pulmonar;
• Sistema cardiovascular e hemoglobina.
65
Assim, sob o comando do centro respiratório e dos nervos periféricos, a 
caixa torácica se expande e o diafragma se corrige, gerando pressão negativa, que 
leva à entrada de ar (inalação) pelas vias aéreas superiores e inferiores, estendendo 
o parênquima pulmonar. Quando a pressão intrapulmonar se torna maior que a do 
ambiente externo, o ar é expelido dos pulmões (exalação).
Consequentemente, a inspiração é um processo ativo, enquanto a expiração é 
um processo passivo. Quando o ar inalado entra nos alvéolos, vai causar hematose. O 
processo de trocas gasosas (O2 e CO2) entre o ar nos alvéolos e o sangue nos capilares 
pulmonares são bombeados pelo sistema cardiovascular. Essa troca é possibilitada pela 
alta afinidade do oxigênio pela hemoglobina (BARROS; LEMOS, 2016).
A distribuição de ar e sangue através do parênquima pulmonar é heterogênea. 
Assim, a base é melhor abastecida com sangue do que ventilada, enquanto no ápice a 
ventilação é maior que o fluxo sanguíneo. Consequentemente, a relação ventilação / 
perfusão é maior no ápice do que na base do pulmão.
Essa mudança entre ventilação e perfusão pode produzir uma variedade de 
efeitos, incluindo o efeito shunt e o efeito do espaço morto.
Os sinais e sintomas de insuficiência respiratória hipoxêmica são: agitação, 
falta de ar, expiração prolongada, diminuição ou ausência de sons respiratórios, sons 
ocasionais, sudorese, cianose, palidez, uso de músculos auxiliares, congestão nasal, 
taquicardia, arritmia, alterações. Com insuficiência respiratória hipercápnica são: 
diminuição do nível de consciência, desorientação, tremor dor de cabeça, bradicardia 
(BRASIL, 2019). É a causa mais comum de hospitalização e morte em crianças menores 
de um ano de idade. A mortalidade em adultos é de cerca de 40% (BRASIL, 2019).
A IR pode ter origem em alterações nos pulmões e vias aéreas, sistema nervoso 
central (SNC), sistema cardiovascular, nervos periféricos, parede torácica ou pleura.
A insuficiência respiratória tipo I é caracterizada por uma diminuição da PaO2 
abaixo de 60 mm Hg. Art. determinado por gasometria. A saturação de oxigénio não é 
usada como parâmetro, pois há muitos falsos positivos, como no caso de intoxicação 
por monóxido de carbono e presença de metemoglobina. Devido à ventilação, o CO2 é 
normalmente removido (BRASIL, 2019).
Assim, a origem desse tipo de IR está na alteração da difusão do oxigênio do 
alvéolo para o sangue que pode ocorrer na dissociação entre ventilação e perfusão, na 
degradação da membrana alveolar e na diminuição da inspiração. Fração de O2 (FiO2).
A redução da ventilação e manutenção da perfusão que ocorre, por exemplo, 
por atelectasia pulmonar, provoca uma divisão que termina em hipóxia, pois o sangue 
que flui pelos capilares é privado de oxigênio devido aos alvéolos fechados.
66
A insuficiência respiratória tipo 2 é definido pela presença de PaCO2 > 45 mmHg 
e acidemia (pH 15 mmHg (elevada) – hipoxêmica.
Em geral, os pacientes com insuficiência respiratória podem apresentar alterações 
do nível de consciência, taquipneia, respiração paradoxal, uso de musculatura acessória, 
ruídos respiratórios reduzidos, chiados, sibilos, cianose, sudorese e taquicardia.
Se houver uma apresentação clínica suspeita, a causa deve ser determinada e 
buscar confirmação com oximetria de pulso e gasometria arterial. Para um diagnóstico 
rápido, é necessário monitorar cuidadosamente os sinais e sintomas do paciente e avaliar 
os gases respiratórios, além da correlação com exames de imagem, como radiografia 
de tórax, tomografia computorizada de tórax, entre outros. O objetivo do tratamento é 
corrigir a causa subjacente e restaurar a troca gasosa adequada nos pulmões, mantendo 
níveis adequados de oxigênio e dióxido de carbono. Usualmente, a terapia consiste 
em oxigenoterapia. A intubação e a ventilação mecânica podem ser necessárias para 
manter ventilação e oxigenação adequadas enquanto se aborda a causa subjacente 
(MURTA; GARCIA, 2021).
Uma vez reconhecida a IR, deve-se monitorizar, pegar oximetria e acesso 
venoso, além de executar o atendimento inicial (ABCDE) e solicitar a gasometria arterial. 
É importante avaliar os fatores de mau prognóstico, como gravidade, idade e histórico. 
O tratamento em si consiste na instituição do suporte de O2 adequado, seja ele invasivo 
ou não invasivo, e a reversão da causa base (broncodilatador, diurético, antibiótico, entre 
outros) (MURTA; GARCIA, 2021).
67
2.9 TRAUMA DE TÓRAX
As lesões torácicas são os sintomas mais comuns no departamento de 
emergência. Apresentam alto potencial de mortalidade variando de 8,4 % a 47,5% 
dependendo do tipo de trauma. O trauma torácico é uma das principais causas de morte 
em pacientes que chegam vivos ao hospital, porém, a maioria dessas mortes pode ser 
evitada com diagnóstico e tratamento adequados.
O tórax instável, também conhecido retalho costal móvel, advém de fraturas 
em 2 pontos da costela e em duas ou mais costelas adjacentes, ou então pode ser 
decorrente de uma luxação de articulações costocondrais (MARTINI et al., 2014).
Esse tipo de lesão acaba criando um retalho na parede torácica, que se move 
de forma independente e oposta ao restante da caixa óssea (então enquanto a parede 
torácica se expande, o retalho se retrai e vice-versa).
Já a contusão pulmonar, por sua vez, é como se fosse um hematoma dentro 
do pulmão. Normalmente, depois de um trauma contuso, sangue e outros fluidos 
se acumulam no tecido pulmonar, interferindo na respiração e causando hipóxia no 
paciente (MARTINI et al., 2014).
O pneumotórax hipertensivo se desenvolve quando o ar consegue entrar 
na cavidade pleural através de um mecanismo de válvula unidirecional, ou seja: o ar 
entra, mas não sai. Dessa forma, o ar começa a se acumular, comprimindo o pulmão e 
empurrando o mediastino para o lado contralateral. Com toda essa compressão, então, 
o paciente sofre uma redução do retorno venoso e, consequentemente, do débito 
cardíaco, levando a um quadro de choque do tipo obstrutivo.
Por conta desse grande comprometimento, o pneumotórax hipertensivo deve ser 
manejado de forma rápida e, para isso, o primeiro passo será identificá-lo e em seguida, 
realizar a descompressão imediata por meio da punção de alívio ou a drenagem torácica 
realizada pelo médico de acordo com a indicação de cada caso por meio da clínica e, no 
máximo, uma Ultrassonografia (USG) Fast. Visto isso, os sintomas costumam ser:
Figura 44 – Pneumotórax hipertensivo
Fonte: bit.ly/3TXK4NH. Acesso em: 19 out. 2022.
68
A seguir, nós veremos os sinais e sintomas de alerta para um pneumotórax 
hipertensivo,conforme demonstrado na figura acima:
Quadro 10 – Sinais e sintomas de pneumotórax hipertensivo
SINAIS E SINTOMAS DE PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO
Dor Torácica Desvio de traqueia
Taquipneia MV abolido
Dispneia Tórax elevado (s/ resp.)
Desconforto respiratório Estase de jugular
Hipotensão Cianose (tardio)
Fonte: o autor (2022)
Na avaliação clínica da vítima de trauma, o enfermeiro deverá realizar o exame 
físico aplicando o ABCDE. Na inspeção, buscar identificar abaulamentos, afundamentos 
do tórax, lesões abertas na parede torácica, escoriações, desalinhamento da traqueia 
e estase jugular como sinal de compressão interna de estruturas do mediastino e 
dos grandes vasos. Nos casos de fraturas de múltiplos arcos costais, identificaremos 
movimentos torácicos assimétricos e presença de respiração paradoxal.
Na palpação, é preciso procurar crepitações ósseas, edemas, hematomas 
e enfisema subcutâneo, sugerindo escape de ar do espaço pleural devido ao seu 
rompimento; pode-se identificar dores localizadas. Durante a percussão, é preciso estar 
atento às alterações quanto à tonalidade dos sons obtidos, considerando fisiológico o 
som claro pulmonar; na presença de hipertimpanismo ocorre o acúmulo de ar entre 
as pleuras, ou quando a comunicação entre o meio interno pleural e o meio ambiente 
provocar o equilíbrio entre a pressão intrapleural e a atmosférica; também poderemos 
identificar a macicez da caixa torácica quando ocorrer o acúmulo de líquidos como, 
normalmente por lesões no parênquima pulmonar.
Enfim, na ausculta, buscar analisar o funcionamento desses órgãos procurando 
os sons ou ruídos anormais denominados adventícios. Esses descritores estão 
estabelecidos como ruído adventício à direita ou à esquerda ou bilateralmente, ou 
murmúrios vesiculares ausentes ou diminuídos. A ausculta cardíaca se faz necessária, 
pois pode-se encontrar bulhas hipofonéticas ou abafadas que são sugestivas da 
formação do tamponamento cardíaco.
69
Figura 45 – Ausculta pulmonar
Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/1634049/. Acesso em: 16 out. 2022.
Verificamos acima os focos da ausculta pulmonar, sendo eles demarcados com 
as sequencias, para uma melhor avaliação do paciente.
3 ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM NAS PRINCIAIS DOENÇAS 
DO SISTEMA RESPIRATÓRIO 
A SAE verifica as complicações da pneumonia podem ser derrame pleural, 
síndrome da angústia respiratória, atelectasia, choque séptico, abscesso pulmonar. 
Algumas medidas podem colaborar para prevenir pneumonias, como manter decúbito 
elevado, estimular a deambulação e sentar em poltrona, estimular tosse e expectoração, 
promover mudança de decúbito, garantir as vias aéreas pérvias, higiene oral (DE SOUZA 
et al., 2013).
O emprego do instrumento da SAE, é capaz de avaliar a demanda de cuidados 
de enfermagem pelos pacientes possibilita uma otimização da relação custo-benefício 
na assistência à saúde, destacando-se, sua aplicação imediatamente após a avaliação 
do paciente podendo proporcionar um melhor planejamento da assistência, com base, 
também, na frequência e duração das intervenções de enfermagem (FEITOSA et al., 2012).
Contudo, proporcionar excelência no atendimento em depende da qualidade 
dos cuidados de enfermagem prestados, quais sejam: suporte psicológico e emocional 
aos pacientes e familiares; monitorização à beira do leito por meio de eletrocardiograma, 
pressões hemodinâmica e arterial, oxigenação, parâmetros fisiológicos e monitorização 
da pressão intracraniana; cuidados na administração de drogas vasoativas; assistência 
no suporte mecânico da circulação e ventilação; controle hidroeletrolítico e acidobásico; 
suporte nutricional; avaliação neurológica; assistência ao paciente em parada 
cardiorrespiratória, entre outros, fazendo-se essencial o cuidado da enfermagem frente 
a esses pacientes (FEITOSA et al., 2012).
70
A enfermagem pode promover como forma de cuidado para as pessoas com 
DPOC, como consequência a melhor qualidade de vida, ajudando a pessoa a preservar 
sua função pulmonar e aliviar os sintomas tanto quanto possível, incentivando o mesmo 
a evitar ambientes frios e quentes em excesso, onde que por vez o calor aumenta as 
necessidades corporais de oxigênio e o frio tende a provocar broncoespasmos. Na 
maioria das vezes os pacientes com DPOC, são fumantes crônicos, onde que por sua 
vez, é necessária reforçar e orientar sobre os efeitos nocivos que o fumo traz para o 
agravamento da sua condição de saúde e incentivar o a parar de fumar (REIBNITZ 
JÚNIOR et al., 2010).
Os elementos essenciais do manejo dos pacientes com doenças respiratórias pelo 
profissional de enfermagem em unidades de internação são, conforme quadro a seguir: 
QUADRO 11 – ELEMENTOS DE MANEJO DE DOENÇAS RESPIRATÓRIAS
1. Prevenir hipoxemia e acidose, pois isso permite metabolismo tecidual normal, 
aperfeiçoa a produção de surfactante e previne shunt direito-esquerdo.
2. Aperfeiçoar o manejo hídrico, evitando hipovolemia e choque, por um lado, e edema, 
particularmente, edema pulmonar por outro.
3. Reduzir as demandas metabólicas.
4. Prevenir agravamentos da atelectasia e edema pulmonar.
5. Atenuar a lesão oxidante dos pulmões.
6. Monitorar a lesão pulmonar causada por ventilação mecânica.
Fonte: o autor
O papel da enfermagem em prol da saúde das doenças respiratórias é reconhecido; 
o enfermeiro atua como mediador entre a comunidade (pacientes) e o sistema de saúde 
local, tendo como objetivo a educação em saúde. A atuação da enfermagem é descrita 
em vários programas de educação em doenças respiratórias, tendo a responsabilidade de 
educar os pacientes e sua família (BETTENCOURT et al., 2002).
Neste sentido o papel do enfermeiro não deve estar unicamente relacionado 
com a doença respiratória, nem com a componente educacional e sim devendo 
acompanhar a evidencia científica que descreve como competência do 
enfermeiro onde se caracteriza o conceber, implementar, avaliar (GASPAR et al., 2019).
Assim a incorporação das novas tecnologias em saúde, especialmente na área 
da enfermagem com foco em doenças respiratórias, implicou um redimensionamento 
do espaço do cuidado e vem imprimindo mudanças gradativas nos cuidados prestados 
pelo enfermeiro e equipe, requerendo desse profissional em particular, como cuidador, 
habilidades da observação, comunicação, reflexão, aplicação dos conhecimentos 
científicos, além de se fazerem apreciações e tomada de decisões (SILVA et al., 2009).
71
Tendo em vista a importância da transmissão de conhecimento, treinamento 
e necessidade de reforçar e apoiar as diversas etapas do tratamento das doenças 
respiratórias, desenvolvemos as seguintes etapas, conforme figura a seguir:
Figura 46 – Etapas transmissão de conhecimento doenças respiratórias – consulta de enfermagem
Fonte: adaptado de Bettencourt et al. (2002)
Assim, é muito importante que se realize uma avaliação criteriosa da função 
respiratória e um bom julgamento clínico sobre as manifestações apresentadas. Estas 
condutas possibilitam a elaboração de diagnósticos de enfermagem respiratórios mais 
acurados e melhoram o planejamento das ações de enfermagem (ANDRADE et al. (2012).
Caro acadêmico! Chegamos ao final do Tópico 2, em que tivemos a oportunidade 
de ampliar o conhecimento sobre as principais doenças que acometem o sistema 
respiratório e as principais atuações da equipe de enfermagem. Na sequência, no 
Tópico 3, vamos estudar a atuação da enfermagem nas principais doenças do sistema 
cardiocirculatório e respiratório. Vamos lá!
72
73
RESUMO DO TÓPICO 2
 Neste tópico, você aprendeu:
• As derivações do ECG.
• Conheceu as principais doenças do sistema respiratório.
• Estudou a atuação da equipe de enfermagem no sistema respiratório.
• Conheceu os elementos de manejo das doenças respiratórias na enfermagem.
74
1 Sendo considerado o responsável por conduzir elementos essenciais para todos os 
tecidos do corpo, o sistema circulatório transporta oxigênio para as células,38
2.1 Pneumonias ........................................................................................................................................ 40
2.2 Edema Agudo Pulmonar ..................................................................................................................45
2.3 Tromboembolismo Pulmonar .......................................................................................................... 47
2.4 Derrame Pleural ..................................................................................................................................51
2.5 Doença Broncopulmonar Obstrutiva Crônica .............................................................................53
2.6 Asma brônquica ................................................................................................................................. 57
2.7 Tuberculose .........................................................................................................................................59
2.8 Insuficiência Respiratória ................................................................................................................63
2.9 TRAUMA DE TÓRAX ............................................................................................................................ 67
3 ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM NAS PRINCIAIS DOENÇAS 
 DO SISTEMA RESPIRATÓRIO ........................................................................................... 69
RESUMO DO TÓPICO 2 .........................................................................................................73
AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................74
TÓPICO 3 - ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NAS PRINCIPAIS DOENÇAS 
 CARDIOCIRCULATÓRIAS E RESPIRATÓRIAS .................................................. 77
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 77
2 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO MANEJO DAS DOENÇAS 
 CARDIOCIRCULATÓRIAS .................................................................................................78
3 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO MANEJO DAS DOENÇAS RESPIRATÓRIAS ................. 80
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................................ 88
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................ 93
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 94
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................97
UNIDADE 2 — PRINCIPAIS DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS 
 E NEUROLÓGICAS – ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM ................................... 101
TÓPICO 1 — PRINCIPAIS DOENÇAS AFECÇÕES INFECTOCONTAGIOSAS ......................103
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................103
2 PRINCIPAIS DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS ......................................................... 104
2.1 Tuberculose ........................................................................................................................................106
3 DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS ............................................................... 110
3.1 AIDS – HIV ............................................................................................................................................115
3.2 SIFILIS ................................................................................................................................................. 117
3.3 HEPATITES VIRAIS ...........................................................................................................................121
4 FEBRE AMARELA ...........................................................................................................125
5 RAIVA HUMANA E TÉTANO ............................................................................................129
6 MENINGITE ..................................................................................................................... 131
7 HANSENÍASE ..................................................................................................................134
8 ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM NAS DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS ......................135
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................... 137
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................138
TÓPICO 2 - PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA NEUROLÓGICO ................................... 141
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 141
2 PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA NEUROLÓGICO ...................................................142
2.1 ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL E ENCEFÁLICO ................................................................... 143
2.2 Aneurisma .......................................................................................................................................... 145
2.3 DOENÇA DE ALZHEIMER ...............................................................................................................146
2.4 DOENÇA DE PARKINSON ...............................................................................................................148
2.5 TRAUMA CRÂNIOENCEFÁLICO – TCE .......................................................................................... 149
2.6 CEFALEIA E ENXAQUECA .............................................................................................................. 152
2.7 ESCLEROSE MÚLTIPLA .................................................................................................................... 153
3 ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA NEUROLÓGICO ..155
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................... 157
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................158
TÓPICO 3 - ATUAÇÃO DA ENFERMEGEM PRINCIPAIS 
 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E NEUROLÓGICAS ............................... 161
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 161
2 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO MANEJO DAS DOENÇAS 
 INFECTOCONTAGIOSAS ................................................................................................162
3 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO MANEJO DAS DOENÇAS NEUROLÓGICAS ...............163
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................166
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................171
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 172
REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 175
UNIDADE 3 — PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA ENDÓCRINO 
 E GASTROINTESTINAL – ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM ............................ 179
TÓPICO 1 — PRINICIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA ENDÓCRINO ...................................... 181
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 181
2 PRINICIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA ENDÓCRINO ......................................................182hormônios 
(que são liberados pelas glândulas endócrinas) para os tecidos, a condução de 
dióxido de carbono para sua eliminação nos pulmões, coleta de excretas metabólicos 
e celulares, e, posteriormente, a entrega desses rejeitos nos órgãos excretores, por 
exemplo, os rins. Além do mais, apresenta um papel essencial no sistema imunológico 
contra infecções. A maioria das células do organismo humano recebe sua energia 
principalmente por meio de reações químicas baseadas no consumo de oxigênio e na 
eliminação de dióxido de carbono. Sobre a respiração humana, avalie os itens a seguir:
I- Difusão de oxigênio (O2).
II- Difusão pulmonar.
III- Ventilação pulmonar.
IV- Difusão de carbono (CO2).
V- Ventilação de carbono (CO2).
Assinale a alternativa que apresenta os principais componentes da respiração:
a) ( ) Os itens I e II.
b) ( ) Os itens II, III e IV.
c) ( ) Os itens I, III e V.
d) ( ) Os itens III e IV.
e) ( ) Todas os itens estão corretos.
2 É muito frequente em situações de emergência ou em cuidados intensivos, a atuação 
da enfermagem ser aliada comum na solicitação da gasometria arterial, sendo ela uma 
determinação quantitativa do potencial hidrogeniônico pH e dos gases sanguíneos 
arteriais a partir de determinados parâmetros e cálculos específicos. Em um quadro 
especifico de alcalose, o paciente pode apresentar confusão mental, parestesias 
periféricas e periorais, câimbras e até mesmo, sincope. Assinale o tipo específico que 
decorre esses sintomas:
a) ( ) Alcalose respiratória.
b) ( ) Alcalose metabólica.
c) ( ) Acidose respiratória.
d) ( ) Acidose metabólica.
e) ( ) Acidose mista.
AUTOATIVIDADE
75
3 A principal importância da ventilação pulmonar é renovar de maneira contínua o ar das 
áreas de troca gasosa dos pulmões, onde há proximidade com o sangue pulmonar. 
Essas áreas incluem alvéolos, sacos alveolares, ductos alveolares e bronquíolos 
respiratórios. Sabendo que a ventilação pulmonar é proporcionada pelo sistema 
respiratório, descreva as estruturas adjacentes do mesmo:
4 Considerada uma importante limitação do fluxo aéreo das vias aéreas inferiores 
é provocada por uma resposta inflamatória a toxinas inalatórias, principalmente a 
fumaça de cigarro, no entanto, diversas outras toxinas também podem desencadear 
esse processo. O processo inflamatório crônico pode provocar alterações nos 
brônquios (bronquite crônica), bronquíolos (bronquiolite obstrutiva) e parênquima 
pulmonar (enfisema pulmonar). Em relação à DPOC é INCORRETO afirmar:
a) ( ) O processo inflamatório crônico da DPOC pode acometer os brônquios e também 
o parênquima pulmonar.
b) ( ) A tosse é um sintoma comumente encontrado no exame físico do paciente com 
DPOC e a dispneia é um sinal de gravidade.
c) ( ) A exposição aos poluentes, a poeiras e a agrotóxicos deve ser investigada 
durante a anamnese do paciente com DPOC ou suspeita de DPOC.
d) ( ) A implementação da terapia com oxigênio nasal em alto fluxo traz inúmeros 
benefícios para o paciente com DPOC grave, incluindo a redução da hipercapnia 
e a melhoria do padrão respiratório.
e) ( ) O medicamento Salbutamol é indicado para o tratamento ou prevenção 
do broncoespasmo em pacientes com DPOC. Após a sua administração, o 
enfermeiro deve se atentar para reações adversas tais como tremores, arritmias 
e hipocalemia.
5 O desenvolvimento do pneumotórax hipertensivo ocorre quando o ar consegue entrar 
na cavidade pleural através de um mecanismo de válvula unidirecional, ou seja: o ar 
entra, mas não sai. Dessa forma, o ar começa a se acumular, comprimindo o pulmão 
e empurrando o mediastino para o lado contralateral. Com a compressão, o paciente 
sofre uma redução do retorno venoso e, consequentemente, do débito cardíaco, 
levando a um quadro de choque do tipo obstrutivo. Em relação ao pneumotórax 
hipertensivo, assinale a alternativa que apresenta seus sinais e sintomas:
a) ( ) Dor de cabeça; Dor torácica; taquipneia; dispneia; desconforto respiratório; 
hipotensão e desvio de traqueia.
b) ( ) Dor torácica; taquipneia; dispneia; desconforto respiratório; hipotensão; desvio 
de traqueia; mv abolido; tórax elevado (s/resp.); estase de jugular e inflamação.
c) ( ) Dor torácica; taquipneia; dispneia; desconforto respiratório; hipotensão; desvio de 
traqueia; MV abolido; tórax elevado (s/ resp.); estase de jugular e cianose (tardio).
d) ( ) Dor de cabeça; dor torácica; taquipneia; dispneia; desconforto respiratório; 
hipotensão e desvio de traqueia e inflamação.
e) ( ) Dor torácica; bradipneia; dispneia; desconforto respiratório; hipotensão; desvio 
de traqueia; MV abolido; tórax elevado (s/resp.); estase de jugular e inflamação.
76
77
TÓPICO 3 - 
ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NAS PRINCIPAIS 
DOENÇAS CARDIOCIRCULATÓRIAS 
E RESPIRATÓRIAS
1 INTRODUÇÃO
O processo educativo possibilita aos pacientes acesso a ferramentas para 
desenvolvimento de habilidades em relação ao autocuidado, com vistas a aumentar o nível 
de conhecimento para o manejo da doença. Entretanto, é importante que o processo de 
educação seja permanente, para assegurar a consolidação do conhecimento adquirido 
e garantir a manutenção dos resultados positivos obtidos, mesmo após encerramento 
das intervenções em saúde propostas pela equipe. 
Há uma necessidade de monitoramento permanente das ações em saúde pelo 
profissional enfermeiro, de modo a manter a efetividade dos benefícios alcançados com 
a participação em programa estruturado de educação.
Na perspectiva da longitudinalidade, os serviços de saúde poderiam utilizar 
estratégias educativas sistematizadas, que possibilitassem manter o processo 
educativo ao longo do tratamento, atendendo às diretrizes do Sistema Único de Saúde. 
Cabe à equipe de saúde orientar enfaticamente sua clientela para a mudança de hábitos 
desfavoráveis, particularmente aos pacientes com patologias instaladas e pessoas que, 
embora não apresentem quadro clínico aparente, já manifestam um ou mais fatores de 
risco para doenças cardiorrespiratórias.
A capacidade do enfermeiro de realizar suas tarefas de forma adequada como 
a ressuscitação cardiopulmonar que afeta diretamente a mortalidade e a morbidade. 
Consequentemente, o dever do enfermeiro é prestar cuidados diretos aos pacientes 
graves e com risco de vida que requerem conhecimento científico e capacidade de 
tomar decisões imediatas para restaurar a saúde e atuar no âmbito da reabilitação.
UNIDADE 1
DICA
Aprimore seus conhecimentos com a leitura do artigo: Atuação de enfermeiros 
face às doenças cardiovasculares em um novo ecossistema de saúde. Acesse: 
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78
2 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO MANEJO DAS 
DOENÇAS CARDIOCIRCULATÓRIAS 
 
A aplicação clínica e identificação de fatores de risco para a doença 
cardiocirculatórias é de suma importância, pois pode apontar para mecanismos 
característicos da patologia, levando ao entendimento da história natural da doença 
e desenvolvimento de estratégias terapêuticas que podem reduzir o risco de 
morbimortalidade (BUCHARLES et al., 2010).
Alguns indicadores são universais, tais como os relacionados às doenças crônicas 
não transmissíveis (DCNT), que são responsáveis por alta taxa de morbimortalidade e 
efeitos econômicos adversos para a sociedade em geral (BRASIL, 2021).
 As DCNT representam 80% dos óbitos que ocorrem em países de baixa renda, 
devido a uma maior exposição a fatores de risco e menor acesso aos serviços de saúde, 
quando comparados aos países de alta renda per capita. Além disso, as diferenças 
existentes entre regiões, na qualidade da assistência prestada, na capacidade 
diagnóstica e na qualidade das informações fornecidas também são importantes para 
reduzir as taxas de mortalidade, melhorar o controle dos fatores de risco e favorecer o 
acesso aos serviços de saúde (BRASIL, 2021). 
Atualmente, as DCNT causam mais mortes do que todas as outras causas 
combinadas, sendo as doenças cardiovasculares, as neoplasias, as doenças respiratórias 
crônicas, e o Diabetes Mellitus (DM) responsáveispor 82% desses óbitos (BRASIL, 2021).
As ações de enfermagem para a DM (Diabetes Mellitus) são na orientação ao 
paciente como demostrado abaixo: 
Figura 47 – Orientações ao paciente com dm tratamento nutricional
Fonte: adaptada de Reibnitz Júnior (2012)
79
O monitoramento dos níveis de glicemia é fundamental para o controle de DM, 
já que permite o ajuste do regime de tratamento e o controle dos níveis de glicose 
sanguínea, detecta e previne a hipoglicemia e hiperglicemia, reduzindo o aparecimento 
das complicações em longo prazo. Para o automonitoramento da glicemia, existem 
vários métodos e muitos envolvem a obtenção de uma gota de sangue a partir de uma 
punção digital a qual é aplicada a uma fita com reagente especial. O medidor apresenta 
uma leitura digital do valor da glicose no sangue.
 A aplicação de pouco ou muito sangue na fita, limpeza e manutenção imprópria 
do biossensor, dano nas fitas reagentes por exposição ao calor ou umidade e uso de fitas 
vencidas podem apontar falso resultado (SMELTZER; BARE, 2005).
O exercício físico diminui a glicemia e reduz os fatores de risco cardiovasculares, 
pois aumenta a captação de glicose pelos músculos, pela otimização da utilização da 
insulina, melhora a circulação sanguínea e o tônus muscular (REIBNITZ JÚNIOR et al., 2012). 
É necessário, porém, que algumas orientações sejam realizadas, como: usar 
calçados confortáveis e, se necessário, equipamentos de proteção, evitar se exercitar 
em calor ou frio extremos ou em períodos de controle metabólico deficiente, inspecionar 
os pés após o exercício.
Figura 48 – Orientações ao paciente com dm para exercício físico
Fonte: Reibnitz Júnior (2012)
A importância das doenças crônicas como causa de morte reforça a 
necessidade de manter o foco nestas causas, além dos seus fatores de risco. 
Outros indicadores de qualidade são comuns apenas para algumas regiões, como os 
relacionados às doenças infecciosas.
 
A maioria das intervenções em saúde devem ter seu foco para promoção 
da saúde prevenção de agravos, com ênfase na educação em saúde como principal 
ferramenta, na forma de grupos de orientação, visitas domiciliares, monitoramento 
telefônico e orientação nutricional e promoção da atividade física para melhoria da 
prestação do cuidado em saúde.
80
Devido à relevância desse problema a promoção da saúde com ênfase 
na escola e as ações de atenção à hipertensão e ao diabetes com garantia de 
medicamentos básicos na rede pública, protocolos e capacitação de profissionais de 
forma presencial e a distância etc. É importante registrar que a adoção da estratégia 
Saúde da Família como política prioritária de atenção básica, por sua conformação 
e processo de trabalho, compreende as condições mais favoráveis de acesso às 
medidas multissetoriais e integrais.
Traçar plano de ação é uma forma de proporcionar uma melhor qualidade de 
vida aos portadores de doenças cardiovasculares, pois a ocorrência de complicações é 
um sinal de alerta para uma mudança de postura em relação à doença.
 
O manejo de condições crônicas como a hipertensão no âmbito da Atenção 
Primária à Saúde ainda é considerado um grande desafio assistencial, que repercute 
diretamente na condição de saúde da população e nos custos em saúde pública. 
Hipertensos não aderentes ao tratamento e/ou persistentes em hábitos deletérios 
tendem a apresentar complicações cardiovasculares e metabólicas que resultam em 
internações hospitalares, anos de vida perdidos, e maior comprometimento orgânico e 
funcional (BRASIL, 2021).
DICA
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face às doenças cardiovasculares em um novo ecossistema de saúde. Acesse: 
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3 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO MANEJO DAS DOENÇAS 
RESPIRATÓRIAS
Os indicadores de qualidade são ferramentas importantes para orientar a política 
e o planejamento em saúde, e fornecem evidências que servem de base para tomada de 
decisões, desenvolvimento de programas e financiamento. Os dados obtidos através dos 
indicadores são úteis para avaliar o desempenho na área da saúde, monitorar alterações 
ao longo do tempo e variações entre as regiões de saúde, e identificar oportunidades 
para melhorias na saúde e bem-estar da população (BRASIL, 2019).
A aplicação principal da avaliação da qualidade é para o manejo interno, em que 
as unidades de saúde individuais examinam sua qualidade de acordo com as metas 
estabelecidas por eles e depois projetam mecanismos para melhorar o desempenho 
abaixo do padrão. A seleção dos indicadores de qualidade deve ser discutida com as 
partes interessadas, como financiadores, fornecedores, profissionais, pacientes e 
políticos, e adaptada às necessidades nacionais (HERDMAN; SHIGUEMI, 2015).
81
A valorização do encontro, das escutas e das formas com que os trabalhadores e 
usuários concebem os seus modos de produção de afetos e cuidado em saúde pode ser 
um caminho. A aplicação das políticas públicas envolve o encontro dessas experiências, 
não como forma de aprimorá-las ou realizar uma apropriação instrumental delas, mas 
buscando ouvi-las para rastrear a potência de cada uma dessas experiências (MURTA; 
GARCIA, 2021).
Destaca-se a importância da educação em saúde que possibilita incentivar na 
área da saúde o diálogo, o compromisso com a transformação social e o protagonismo 
da população. A educação em saúde é um dos principais pilares das políticas públicas em 
saúde no Brasil desde sua consolidação no início do século XX. Afinal, nem todos e todas 
têm acesso aos grandes veículos de comunicação, acesso à leitura e às informações 
para prevenção de doenças cardiorrespiratórias (MURTA; GARCIA, 2021).
Dentre as funções da enfermagem, a prática educativa ainda é a principal 
estratégia de promoção da saúde, englobando não apenas o paciente, mas a sua família 
e sociedade. Desenvolver métodos para que se reduzam os fatores que interferem na 
procura pelo serviço de saúde. O saber orientar da equipe de profissionais envolvidos e 
que a automedicação não ajuda a salvar vidas; diminui o sintoma, mas não a gravidade 
(HINKLE, 2011).
É notória a importância de desenvolver atividades educativas e ações focalizadas 
sobre grupos de risco e fatores de risco comportamentais, alimentares e/ou ambientais, 
para prevenir doenças e danos evitáveis, prestar assistência básica integral e contínua, 
com garantia de acesso ao apoio diagnóstico e logístico. Esse modelo deve, por meio 
do diagnóstico situacional, realizar ações dirigidas aos problemas de saúde de maneira 
pactuada com a comunidade, mantendo postura ativa frente aos problemas de saúde-
doença da população (MUSSI et al., 2016).
A enfermagem moderna tem buscado a criação de um corpo próprio 
de conhecimento, conferindo à profissão um padrão científico de ação. Assim, a 
sistematização de enfermagem é baseada em teorias e evidências científicas, de acordo 
com a situação apresentada pelo paciente (MUSSI et al., 2016). A enfermagem é uma 
profissão interdisciplinar que se concentra na promoção e restauração da saúde do 
indivíduo e na prevenção de doenças. As enfermeiras podem atuar em diversas áreas, 
como instituições de internação em hospitais, enfermagem domiciliar, atendimento de 
emergência e instituições de educação em saúde. 
Em todas as áreas de trabalho, o enfermeiro deve comprometer-se com o 
cuidado qualificado do paciente, ser solidário, saber ouvir e identificar as necessidades 
de saúde, oferecer suporte em suas necessidades de saúde (MUSSI et al., 2016). Nesse 
sentido, para uma organização e planejamento da forma de cuidar, o enfermeiro utiliza 
a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), uma metodologia de trabalho 
para a prática do cuidado que proporciona a aplicação de seus conhecimentos técnico-
científicos, favorecendo um cuidado especial.
82
Na realização de uma SAE, o enfermeiro realiza uma consulta de enfermagem, 
abordando os problemas de saúde do paciente. Isso permite que o enfermeiro determine 
e tome ações quelevem à promoção, prevenção, recuperação ou reabilitação do 
paciente (MUSSI et al., 2016).
A aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem envolve mais 
do que uma sequência de passos a serem seguidos, requerendo do profissional 
maior familiaridade dos diagnósticos de enfermagem e sensibilidade para adequar as 
necessidades do cliente às condições de trabalho (SILVA et al., 2011, p. 1381).
Durante a consulta, o enfermeiro utiliza um método denominado procedimento 
de enfermagem, que estimula o enfermeiro a pensar no cuidado ao paciente de forma 
organizada e sistemática. O processo de enfermagem passa por cinco etapas inter-
relacionadas:
Figura 49 – Etapas aa SAE
Fonte: adaptada de Silva et al. (2011)
Com o processo de enfermagem conseguimos garantir a qualidade de 
assistência ao paciente e em cinco etapas: histórico de enfermagem, diagnóstico de 
enfermagem, planejamento, intervenções de enfermagem e avaliação. Lembrando que 
todos os cuidados realizados pela equipe de enfermagem devem ser orientados ao 
paciente (MUSSI et al., 2016).
Os enfermeiros utilizam seus conhecimentos científicos e técnicos para coletar 
informações por meio da anamnese e do exame físico. Ele então realiza uma análise 
crítica, ajustando as considerações de saúde e segurança do paciente aos fatores de 
risco relativos, e estabelece um diagnóstico de enfermagem para ele. 
83
Para a atuação ocupacional especializada, é importante que o enfermeiro saiba 
reconhecer as alterações no exame físico e relacioná-las com problemas de saúde 
potenciais ou reais do paciente. Uma avaliação pormenorizada afetará a qualidade da 
sua intervenção e consequentemente, o restabelecimento da saúde e bem-estar do 
seu paciente.
A partir dos diagnósticos traçados, as intervenções de enfermagem propostas 
podem contemplar ações como:
Figura 50 – Intervenções enfermagem
Fonte: adaptada de Mussi et al. (2016)
O acolhimento dos pacientes, assim como o envolvimento individual e familiar 
de cada paciente em seu tratamento é um desafio. Contudo, dado ao impacto na saúde 
pública do mau controle das condições de doenças crônicas e à importância da atenção 
básica à saúde na mudança desse cenário, tornam-se importantes ações que mudam 
essa realidade.
Neste contexto, atividades em grupo, visam reforçar vínculos entre paciente e 
equipe, assim com abrir um espaço para diálogo, troca de dúvidas e experiência entre os 
participantes. Além disso, as atividades podem despertar no paciente a autoconsciência da 
importância de que o mesmo protagonista do seu tratamento e conte com a equipe como 
apoio. E, dessa forma, a adesão ao tratamento das condições crônicas possa ser ampliada. 
84
Figura 51 – Atividades em grupo doenças crônicas
Fonte: https://www.natal.rn.gov.br/news/post2/28226. Acesso em: 16 out. 2022.
O papel da equipe multiprofissional é na maioria das vezes educativo, mas o 
principal ator nesse processo de cuidado continua sendo o usuário. Todo o seu contexto 
de vida e seus aspectos psicológicos devem ser considerados, mas discutir sobre o 
tema ainda é uma forma que a equipe possui de sensibilizar e alterar o atual cenário de 
saúde apresentado.
Figura 52 – Equipe multiprofissional de saúde
Fonte: bit.ly/3XvTD9O . Acesso em: 16 out. 2022.
O maior conhecimento da realidade vivenciada por determinada comunidade, 
e a estruturação de ações pertinentes às peculiaridades da comunidade possam 
fortalecer as ações desenvolvidas na atenção primária, capacitando e estimulando os 
profissionais atuantes a agirem de forma proativa frente aos problemas enfrentados 
pela comunidade.
85
Percebe-se que as doenças crônicas não transmissíveis são as de maior prevalência, 
sendo essas doenças influenciadas por critérios multifatoriais de hereditariedade genética, 
estilo de vida e hábitos alimentares. A elaboração de um planejamento estratégico para a 
realidade de uma população, colocam objetivos para um trabalho desenvolvido em conjunto 
entre os componentes da equipe levando em consideração as condições para o alcance 
de tais objetivos e os projetos para alcançá-los em um determinado período de tempo, 
promovendo assim a melhoria da qualidade de vida. 
A realização de um plano de governo exige a produção de uma sequência de 
operações com impacto direto sobre os objetivos, as quais mescladas com ações táticas 
que facilitam as primeiras, combinam seu efeito para transformar a proposta normativa 
do plano em realidade viável. 
Diante das considerações apresentadas grandes mudanças no curso das 
principais doenças e agravos identificados podem ocorrer com um bom trabalho 
articulado de toda equipe para conscientização dos indivíduos afetados e de suas 
famílias, trazendo melhores resultados dos tratamentos medicamentosos instituídos, 
diminuindo as complicações geradas por tais patologias e levando a promoção do 
cuidado a saúde estabelecendo como critério principal a prevenção destas doenças. 
Devido à falta de informações geradas pelo não conhecimento das complicações 
das doenças crônicas não transmissíveis, a população sofre com o aumento da 
incidência destas complicações, tais como acidente vascular encefálico, infarto agudo 
do miocárdio, pé diabético e outros, conforme estudamos nesta unidade. Esta falta 
de informação e instrução da população tem gerado cada vez mais doentes crônicos 
com debilidades permanentes, tendo maiores necessidades de serviços avançados, 
representando significativa elevação de gastos de recursos para o SUS. 
Neste contexto situacional de aumento de doentes crônicos, a equipe da 
Estratégia Saúde da Família desenvolve o papel de conscientização e instrução da 
população apresentando os motivos pelos quais a prevenção de complicações através 
de mudanças de hábitos é tão importante no tratamento das doenças crônicas não 
transmissíveis, clarificando que para o tratamento de tais patologias medicações são 
apenas coadjuvantes a um estilo de vida saudável com prática regular de exercícios e 
alimentação saudável. 
Para melhoria do acesso à informação, a ESF estando capacitada, poderá 
através de oficinas educativas oferecer palestras e encontros para orientações quanto 
à importância da alimentação e dos valores nutricionais dos alimentos na prevenção, 
tratamento e diminuição de complicações das doenças crônicas. Estabelecer dentro 
da possibilidade de espaço físico da unidade de saúde, grupos de atividades físicas 
respeitando as debilidades de cada paciente, podendo ser geridos com a orientação de 
um educador físico capacitado para levar a estimulação à prática de exercícios desses 
doentes crônicos, intercalados com informações sobre a fisiologia do exercício e o 
quanto esta prática leva à melhoria dos parâmetros de gravidade dessas doenças.
86
DICA
ESF (ESTRATEGIA DE SAÚDE DA FAMILIA) ESF funciona por meio de equipes 
de saúde da família, e desde 2004 são compostas por um médico, um 
enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e pelo menos quatro agentes 
comunitários de saúde, além de profissionais de saúde bucal. As equipes de 
saúde da família atuam em áreas geográficas definidas e com populações 
adstritas, contendo até 4000 pessoas para cada equipe, sendo 3000 a 
média recomendada, podendo ainda este número ser menor de acordo 
com o risco e a vulnerabilidade social da população coberta (BRASIL, 2011).
 Encontros para orientações quanto à importância de hábitos prejudiciais como 
o etilismo e tabagismo, e como estes podem interferir no curso das doenças crônicas. 
Identificação de riscos como obesidade e fatores hereditários, pelos agentes de saúde 
nas visitas domiciliares da população adscrita, para doenças crônicas não transmissíveis, 
visando à prevenção do desenvolvimento destas doenças, se necessárias visitas 
domiciliares conjuntas com outros membros da equipe reforçando a importância do 
trabalho multiprofissional.
Nesse cenário de pandemia, os enfermeiros estão na linha de frente e exercem 
um importante papel para atuar e prestar cuidados na prevenção e controleà COVID-19. 
Com essa classe de profissionais, no Brasil, representa o maior grupo profissional da 
área de saúde, destacando-se a sua importância no enfrentamento da pandemia.
Figura 53 – Enfermagem Covid-19
Fonte: bit.ly/3gER9VQ. Acesso em: 16 out. 2022.
Diante da situação atual da pandemia da COVID-19 e em meio a tantas restrições 
para evitar o contágio, foi necessário que a equipe se reinventasse. Alguns processos de 
trabalho e discussões em grupo passaram a ocorrer de forma virtual e o planejamento 
constante do cuidado em saúde contribuiu significativamente para termos sempre 
uma segunda alternativa para a construção coletiva voltada para ações de promoção e 
prevenção de doenças.
87
DICA
Acadêmico! Para aprofundar seus conhecimentos leia o artigo: A atuação 
do enfermeiro da atenção primária na promoção de saúde e prevenção das 
complicações das doenças crônicas não transmissíveis. Disponível em: https://
core.ac.uk/download/pdf/228382357.pdf.
 Chegamos ao final da Unidade I. Vimos no decorrer dos nossos estudos as 
principais doenças que acometem o sistema circulatório, respiratório e a atuação 
de enfermagem. Na próxima unidade, vamos estudar as principais doenças 
infectocontagiosas, bem como as principais doenças do sistema neurológico visando à 
atuação de toda equipe de enfermagem no atendimento ao paciente. 
88
O ENFERMEIRO E A SISTEMATIZAÇÃO DO CUIDADO AO PACIENTE PORTADOR 
DE DPOC
Alba Rossana Vieira Costa (1); Aline de Paula Rêgo Graciano Luz (2); Emanuelle Silvino 
Coelho Martins Mestre (3); Ana Cristina Rodrigues Luna e Silva (4)
RESUMO: A DPOC – Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica é uma doença 
respiratória caracterizada pela limitação progressiva do fluxo de ar, associada a uma 
resposta inflamatória do pulmão. A SAE - Sistematização da Assistência de Enfermagem 
por sua vez, é o instrumento utilizado pelo enfermeiro para a definição de diagnósticos 
de enfermagem e prescrição de intervenções que se adéquam de forma humanizada e 
individualizada às necessidades de cada paciente. Tendo em vista o crescente número 
de indivíduos portadores de DPOC no Brasil e no mundo, este trabalho objetiva, através 
de um relato de experiência das autoras, enfatizar a importância da aplicação da SAE 
nos cuidados prestados ao paciente com DPOC, bem como demonstrar a importância da 
elaboração desse processo na formação do enfermeiro. Trata-se de um estudo descritivo, 
do tipo relato de experiência, fundamentado na vivência das autoras durante o Estágio 
Supervisionado da disciplina Saúde do Adulto II, ministrada no oitavo período do curso de 
graduação em enfermagem da Universidade Estadual da Paraíba – UEPB. As atividades 
referentes a tal estágio foram desenvolvidas no Hospital Municipal Pedro I, durante os 
meses de março e abril de 2017. A amostra é composta por quatro estudos de caso, 
realizados durante o desenvolvimento das atividades inerentes ao programa de estágio 
supervisionado junto aos pacientes portadores de DPOC. Como resultado, percebemos 
a importância da aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem ao 
paciente portador de DPOC, além dos benefícios de tal prática na formação profissional 
do enfermeiro. Palavras-chave: Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica; Sistematização da 
Assistência de Enfermagem; Formação profissional do enfermeiro.
INTRODUÇÃO 
A DPOC – Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica é definida por SMELTZER e 
BARE, 2015) como uma patologia que limita o fluxo de ar, essa limitação por sua vez é 
habitualmente progressiva e está associada a uma resposta inflamatória do pulmão a 
partículas ou gases nocivos. Apesar de poder se agravar, a DPOC é prevenível e tratável, 
no entanto, o processo inflamatório crônico pode produzir alteração nos brônquios 
(bronquite crônica), bronquíolos (bronquiolite obstrutiva) e parênquima pulmonar 
(enfisema pulmonar) (AZAMBUJA et al.,2013). 
LEITURA
COMPLEMENTAR
89
Atualmente 16 milhões de pessoas são diagnosticadas com DPOC nos Estados 
Unidos, sendo esta a terceira maior causa de mortes neste país (NHLBI, 2016). De acordo 
com a Associação Brasileira de Portadores de DPOC (2017), estima-se que no Brasil a 
doença atinja mais de 7 milhões de pessoas, e que no mundo todo aproximadamente 210 
milhões de pessoas tenham DPOC. Diante desses números, é indiscutível a necessidade 
de se elaborar um plano de cuidados para atender aos pacientes com tal diagnóstico. 
Ao traçar esse plano o enfermeiro, através da Sistematização da Assistência de 
Enfermagem – SAE, lança mão de seus conhecimentos técnicos e científicos para prestar 
a assistência adequada às necessidades de cada paciente de forma humanizada. Cabe 
ao enfermeiro investigar as potenciais complicações do paciente com DPOC, monitorar 
as alterações cognitivas, monitorar sua função respiratória, dentre outras atribuições, 
para tanto é necessário que sejam elaborados os diagnósticos de enfermagem, bem 
como as intervenções necessárias (SMELTZER e BARE, 2015). 
A resolução do COFEN – 358 (2009) é bem enfática ao dizer que o enfermeiro 
deve elaborar diagnósticos acerca das respostas da pessoa, família e coletividade 
humana, com o objetivo de prescrever ações de enfermagem que correspondam a essas 
demandas. Sendo assim, visamos neste trabalho através do relato de nossa vivência, 
ressaltar a importância da aplicação da SAE ao paciente portador de DPOC, bem como 
demonstrar a importância da elaboração desse processo na formação do enfermeiro. 
METODOLOGIA 
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, fundamentado 
na vivência das autoras durante o Estágio Supervisionado da disciplina Saúde do Adulto 
II, ministrada no oitavo período do curso de graduação em enfermagem da Universidade 
Estadual da Paraíba (UEPB). As atividades referentes a tal estágio foram desenvolvidas 
no Hospital Municipal Pedro I, durante os meses de março e abril de 2017. 
A amostra é composta por quatro estudos de caso, realizados durante o 
desenvolvimento das atividades inerentes ao programa de estágio supervisionado 
junto aos pacientes portadores de DPOC. Utilizou-se as seguintes técnicas de coleta 
de dados: entrevista e exame físico; diário de estágio; consulta aos prontuários dos 
pacientes e observação estruturada baseada em conhecimentos prévios acerca do 
tema, utilizando instrumento apropriado para o alcance dos objetivos pré-determinados. 
Para a operacionalização do processo de enfermagem, foram realizadas evoluções de 
enfermagem e visitas diárias aos pacientes. 
Após a coleta de dados concluída, iniciamos a análise dos dados para, por 
conseguinte identificarmos os diagnósticos de enfermagem, utilizando como literatura 
norteadora desse processo a NANDA, que se adequa ao objeto do tratamento do 
enfermeiro, que seriam os problemas de saúde ou processos de vida. A NANDA 
“oferece uma maneira de classificar e categorizar áreas que preocupam a enfermagem” 
(HERDMAN et al., 2015) 
90
É importante ressaltar que, antes de começar a coleta de dados, os clientes 
foram informados verbalmente quanto a finalidade dos mesmos, e a eles foi assegurado 
o anonimato, seguindo a ética que a profissão nos exige. 
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Durante o processo de coleta de dados, utilizamos um instrumento pensado 
para o paciente adulto, que tornava possível identificar necessidades pessoais, familiares, 
sociais e principalmente fisiológicas. Através do uso desse instrumento foi possível realizar 
o levantamento dos diagnósticos de enfermagem e posteriores intervenções que mais se 
adequassem aquele paciente, enquanto indivíduo, em todo o seu aspecto biopsicossocial. 
Foram destacados seis diagnósticos de enfermagem comuns aos quatro 
pacientes, juntamente com os resultados esperados e as intervenções de enfermagem 
propostas. Para essa etapa utilizamos as ligações NANDA, NOC e NIC, como se pode 
observar abaixo:
Diagnóstico de 
enfermagem NANDA
Intervenções de 
enfermagem NIC
Resultados Esperados 
NOC
Troca de gases 
prejudicada evidenciada 
porbatimento de asas 
de nariz, relacionado a 
desequilíbrio na relação 
ventilação-perfusão.
Oxigenoterapia; 
Controle de vias aéreas; 
Monitorização respiratória; 
Aspiração de vias aéreas; 
Precauções contra 
aspiração
Estado respiratório: 
Troca de gases; Equilíbrio 
eletrolítico e ácido- básico; 
Estado respiratório: 
Ventilação; Perfusão 
Tissular: Pulmonar
Integridade da pele 
prejudicada evidenciada 
por alteração na 
integridade da pele, 
relacionada a fator 
mecânico (p. ex. forças 
de cisalhamento, pressão, 
imobilidade física).
Supervisão da pele; 
Controle da pressão sobre 
áreas do corpo; Irrigação 
de lesões; Cuidados com 
lesões por pressões; 
Prevenção de lesões por 
pressão
Integridade tissular: Pele e 
Mucosas; Cicatrização de 
feridas: Primeira intenção; 
Cicatrização de feridas: 
Segunda intenção.
Enfrentamento defensivo 
evidenciado por negação 
de problemas, relacionado 
a medo do fracasso.
Melhora do enfrentamento; 
Contato com o paciente; 
Aconselhamento; 
Esclarecimento de valores; 
Suporte emocional; 
Aumento da socialização.
Enfrentamento; 
Autoestima; Habilidades 
de interação social; 
Aceitação: Estado de 
saúde.
91
Volume de líquido 
excessivo evidenciado 
por edema, relacionado 
a mecanismo regulador 
comprometido.
Monitoração de sinais 
vitais; Controle de líquidos/ 
eletrólitos; Monitoração 
de líquidos; Controle de 
hipervolemia; Controle do 
peso; Supervisão da pele; 
Cuidados com lesões.
Equilíbrio eletrolítico e 
ácido- básico; Equilíbrio de 
líquidos; Hidratação.
Risco de aspiração 
relacionado a tosse 
ineficaz.
Monitoração respiratória; 
Promoção da tosse; 
Posicionamento; Controle 
de vômito; Supervisão; 
Aspiração de vias aéreas; 
Terapia para deglutição.
Capacidade cognitiva; 
Capacidade de resistência; 
Estado respiratório: 
Troca de gases; Estado 
respiratório: Ventilação; 
Controle de riscos; 
Detecção de riscos; 
Autocuidado: Higiene Oral; 
Autocuidado: Medicação 
não parenteral.
Mobilidade Física 
Prejudicada evidenciada 
pela dispneia ao esforço, 
relacionado a intolerância 
à atividade.
Cuidados com o repouso 
no leito; Controle de 
energia; Promoção do 
exercício: alongamento; 
Assistência no 
autocuidado; Controle do 
ambiente; Posicionamento.
Locomoção: caminhar; 
Locomoção: cadeira 
de rodas; Movimento 
de articulações: Ativo; 
Nível de mobilidade; 
Desempenho na 
transferência.
CONCLUSÕES 
A enfermagem é a arte do cuidar e, como tal deve observar o paciente de forma 
holística, olhando não somente para suas necessidades físicas, mas também para suas 
necessidades emocionais, medos e angústias associados ao processo saúde-doença. 
A Sistematização da Assistência de Enfermagem através do processo de enfermagem 
oportuniza esse olhar holístico ao profissional de enfermagem. É fundamental que cada 
vez mais a SAE seja ensinada pelas instituições de ensino aos seus alunos, bem como 
também é importante que seja viabilizada pelos serviços de saúde, trazendo assim reais 
benefícios aos usuários destes serviços. 
Esta experiência nos propiciou um maior contato com os pacientes e seus 
familiares que, ao final do estágio se mostraram mais confiantes, além de apresentarem 
um estreitamento do vínculo com a equipe. Para nossa formação acadêmica, sem 
dúvida foi uma oportunidade ímpar, pois exercitamos as técnicas de exame físico, o 
levantamento do histórico de enfermagem, a aplicação da SAE e ainda pudemos 
exercitar a humanização, o toque e o ouvir. 
92
Esse trabalho enfatiza a importância da aplicação da Sistematização da 
Assistência de Enfermagem ao paciente portador de DPOC, além de mostrar claramente 
os benefícios de tal prática na formação profissional dos alunos de enfermagem.
Fonte: https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/29441. Acesso em: 19 out. 2022. 
93
RESUMO DO TÓPICO 3
 Neste tópico, você aprendeu:
• A atuação do enfermeiro, sua importância nas medidas de promoção, prevenção e 
proteção da saúde.
• Importância da educação em saúde na promoção de ações em saúde e prevenção 
das doenças do sistema cardiocirculatório e respiratório.
• A signa (DCNT) significa doenças crônicas não transmissíveis.
• O foco do nosso atendimento é o usuário e o papel da equipe multiprofissional é na 
maioria das vezes educativo.
94
1 A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e a implementação do 
Processo de Enfermagem (PE) é uma atividade privativa do enfermeiro, de acordo 
com a LEI DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL Nº 7.498/1986 e a RESOLUÇÃO DO 
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM Nº 358/2009, que trata da implantação da 
SAE e implementação do PE em toda instituição de saúde pública e privada. Sobre a 
SAE assinale a alternativa que apresenta a sequência correta desse método:
a) ( ) Diagnósticos de enfermagem – intervenção – planejamento – coleta de dados 
e avaliação.
b) ( ) Planejamento – intervenção – diagnóstico de enfermagem – avaliação – coleta 
de dados.
c) ( ) Intervenção – planejamento – avaliação – coleta de dados e diagnósticos de 
enfermagem.
d) ( ) Coleta de dados – diagnósticos de enfermagem – planejamento – intervenção – 
avaliação.
e) ( ) Avaliação – coleta de dados – intervenção – planejamento e diagnósticos de 
enfermagem.
2 Com o objetivo de reduzir a mortalidade e a morbidade no manejo das afecções 
cardiovasculares, existe a necessidade de um monitoramento permanente das 
ações em saúde pelos profissionais da enfermagem. Para isso é ideal que se utilizem 
estratégias que mostrem benefícios relacionados ao vínculo com o serviço e com 
os profissionais de saúde e a facilidade de acesso. Dê exemplos dessas estratégias, 
explicando as suas características e os seus benefícios.
3 Já apresentamos a importância do desenvolvimento das atividades educativas e ações 
focalizadas sobre grupos de risco e fatores de risco comportamentais, alimentares e/
ou ambientais. Nesse sentido, para a realização do manejo das afecções respiratórias 
as atividades em grupos têm apresentado grande utilização para a Enfermagem. 
Explique a importância dessas atividades para a promoção, prevenção e tratamento 
das afecções respiratórias como recurso a ser utilizado pelo enfermeiro e sua equipe.
AUTOATIVIDADE
95
4 Atualmente, a Educação em Saúde é um dos pilares fundamentais da política de 
promoção e prevenção dos agravos à saúde. As práticas educacionais direcionadas à 
saúde, do ponto de vista legal, devem comparecer em todas as estruturas do Sistema 
Único de Saúde (SUS). A respeito da Educação em Saúde, marque a opção CORRETA:
a) ( ) Educação em saúde que visa à reabilitação do paciente com complicações de 
hipertensão arterial sistêmica (por exemplo: acidente vascular cerebral e infarto 
agudo do miocárdio) pode ser denominada como prevenção.
b) ( ) Uma atividade para a qual todo profissional de saúde é preparado e está apto 
a realizar, bastando que se lhe forneça os meios para executá-la com sucesso, 
obtendo o resultado esperado junto à clientela.
c) ( ) Tem como objetivo envolver não apenas o paciente, mas a sua família e sociedade.
 Um complemento do atendimento individual, que pode ser dispensado, no caso 
de grande afluxo de clientela, deixando para ser realizado em situações de mais 
calmaria, quando é possível haver mais dedicação a essa atividade.
d) ( ) O cliente deve ser receptor passivo de informações e abster-se de relatar 
suas experiências.
5 A enfermagem moderna tem buscado a criação de um corpo próprio de conhecimento, 
conferindo à profissão um padrão científico de ação. Uma das atividades privativas 
do Enfermeiro se refere à Consulta de Enfermagem e é essencial que o enfermeiro 
reconheça os conceitos e ações relacionadas à Consulta de Enfermagem e o 
Processo de Enfermagem. Assinale a alternativa que apresenta a alternativa correta 
sobre esses conceitos:
a) ( ) Utiliza o raciocínio científico para identificar situações de saúde ou doença e para 
prescrever e implementar medidas de Enfermagem de âmbito individual, não 
cabendo, durante a realização daconsulta, intervenções generalizadas em nível 
familiar ou coletivo.
b) ( ) A sistematização da assistência de enfermagem é baseada em teorias e em 
evidências científicas, de acordo com a situação apresentada pelo paciente.
c) ( ) A consulta de Enfermagem deve ser realizada de modo deliberado e sistemático, 
não havendo relação entre as etapas, variando de acordo com o ambiente 
de realização.
d) ( ) É norteada pelas fases de histórico de Enfermagem, exame físico, diagnóstico 
de Enfermagem, prescrição e implementação da assistência, podendo dispensar 
a evolução de Enfermagem.
e) ( ) A Consulta de Enfermagem não tem referência com o Processo de Enfermagem, 
pois o Processo de Enfermagem é o planejamento da assistência e a Consulta 
de Enfermagem se refere exclusivamente à coleta de dados de enfermagem 
referentes à história do paciente.
96
97
REFERÊNCIAS
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101
PRINCIPAIS DOENÇAS 
INFECTOCONTAGIOSAS E 
NEUROLÓGICAS– ATUAÇÃO 
DA ENFERMAGEM
UNIDADE 2 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer as principais doenças infectocontagiosas; 
• inteirar-se das principais doenças neurológias;
• compreender a atuação da equipe de enfermagem;
• identificar os processos de enfermagem nas principais doenças infectocontagiosas 
e neurológicas. 
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – PRINCIPAIS DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS 
TÓPICO 2 – PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA NEUROLÓGICO 
TÓPICO 3 – ATUAÇÃO DA ENFERMEGEM PRINCIPAIS DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS 
E NEUROLÓGICAS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
102
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 2!
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103
TÓPICO 1 — 
PRINCIPAIS DOENÇAS AFECÇÕES 
INFECTOCONTAGIOSAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico, no Tópico 1, abordaremos as principais doenças infectocontagiosas 
que são de fácil e rápida transmissão, sendo transmitidas por agentes patogênicos 
causados por agentes biológicos como os vírus, as bactérias ou parasitas. Podendo 
ser transmitida por contato direto ou indireto com pacientes infectados. Por exemplo, 
tuberculose, AIDS, gripe (BRASIL, 2019).
A atuação multiprofissional com a realização de ações de prevenção, promoção 
e assistência à saúde da população é de fundamental importância no tratamento de 
doenças infectocontagiosas. Entretanto, constitui-se atenção básica como elemento 
primário e coordenador da Rede de Atenção à Saúde (BRASIL, 2019).
 No Brasil, apesar do declínio da morbimortalidade desde a década de 1960, essas 
doenças persistem, num cenário de transição epidemiológica e demográfica marcado 
pela predominância concomitante de doenças transmissíveis e crônico-degenerativas, 
pelo recrudescimento de algumas doenças já em vias de controle e eliminação e pelo 
contraste no quadro epidemiológico entre diferentes regiões do país (BRASIL, 2019). 
O trabalho da vigilância em saúde em seu papel primordial de coleta, consolidação, 
avaliação e disseminação de informações para subsidiar a tomada de decisão, exigindo 
constantes inovações, sobretudo, na forma de articular as diversas realidades contidas 
nas conjunturas das vigilâncias locais. 
Nesse contexto, a identificação de áreas críticas para doenças infecciosas e 
parasitárias no Brasil e o conhecimento sobre a sua relação com indicadores socioeconômicos 
são de fundamental importância para alinhar as ações de vigilância nos âmbitos local e 
nacional, fornecendo subsídios para o estabelecimento de medidas assertivas de controle, 
planejamento e intervenção, bem como para articular ações intersetoriais de mitigação das 
causas determinantes desses adoecimentos (BRASIL, 2021).
O uso de ferramentas de análise em saúde pública ajuda a fomentar a discussão 
sobre o espaço e a heterogeneidade dos fenômenos populacionais nele distribuídos, 
auxiliando no reconhecimento de áreas com características socioambientais mais 
semelhantes entre si e identificando locais de maior vulnerabilidades e risco à saúde 
(GARY; STEPHEN, 2016). 
104
DICA
Para aprofundar seu conhecimento leia o artigo Observação dos registros 
de enfermagem na administração de medicamentos endovenosos em hospital 
de doenças infectocontagiosas. Disponível em: bit.ly/3XGMVxy.
2 PRINCIPAIS DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS
 
Os vírus são de uma estrutura simples, intracelulares obrigatórios, que possuem 
um único tipo de ácido nucleico (DNA OU RNA). Devido a esta simplicidade de sua 
maquinaria, necessitam das células para se multiplicarem. Vale ressaltar que o DNA é 
uma molécula mais estável que o RNA, logo sofre menos mutações. Entretanto, algumas 
cepas que têm DNA são capazes de interferir na ação de antiancogenes celulares, 
contribuindo para a formação de tumores malignos (GARY; STEPHEN, 2016).
NOTA
A sigla DNA, ou ADN em português, é a sigla para ácido desoxirribonucleico, 
que é um composto orgânico cujas células contêm instruções genéticas 
que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres 
vivos e de alguns vírus. O RNA é a sigla para o ácido ribonucleico, uma 
molécula que é responsável pela codificação da síntese de proteínas. 
Disponível em: bit.ly/3U8fmlf. Acesso em: 20 out. 2022.
As infecções virais podem ser citolíticas (vírus penetram na célula, replicam 
e provocam a morte celular, liberando o vírus), permanentes (quase não alteram o 
metabolismo celular) e integrados (o vírus ou parte dele se integra ao DNA da célula e 
muda suas características) (GARY; STEPHEN, 2016). As infecções virais podem acometer 
exclusivamente a pele, como as verrugas, ou serem sistêmicas como Sarampo e Varicela 
(GARY; STEPHEN, 2016).
A principal forma de prevenção das doenças infectocontagiosas é por 
vacinação, entretanto, existem doenças que ainda não possuem vacinas disponíveis, 
sendo necessário cuidados ambientais para diminuir a transmissão e contágio entre as 
pessoas e principalmente de cuidados de higiene pessoal (BRASIL, 2019).
Na área da saúde uma das medidas que podemos adotar no atendimento 
de paciente suspeito de doença infectocontagiosa é o uso de precauções, sendo a 
precaução padrão e a respiratória as mais utilizadas pela equipe de enfermagem.
105
Caso não haja disponível no atendimento de saúde, quarto ou local para 
isolamento do paciente este deve ser atendido com prioridade e alguns cuidados devem 
ser tomados pela equipe de saúde que vai prestar atendimento, com a utilização de 
máscara cirúrgica devem seguir algumas orientações para uso correto que iremos ver 
na sequência (BRASIL, 2021).
Quadro 1 – Orientações para o uso de máscaras cirúrgicas
• Coloque a máscara com cuidado para cobrir a boca e o nariz e amarre com 
segurança para minimizar as lacunas entre o rosto e a máscara;
• Enquanto estiver utilizando a máscara, evite tocá-la;
• Remova a máscara usando técnica apropriada (ou seja, não toque na frente, mas 
remova o laço ou nó da parte posterior);
• Após a remoção, ou sempre que tocar em uma máscara usada, higienize as mãos 
com água e sabão ou álcool gel, se visivelmente suja;
• Substitua a máscara por uma nova máscara limpa e seca assim que estiver úmida 
ou danificada;
• Não reutilize máscaras descartáveis;
• Descarte em local apropriado as máscaras após cada uso;
• Troque de máscara quando ela estiver úmida ou quando o profissional atender na 
sala de isolamento.
Fonte: bit.ly/3XDOIUa. Acesso em: 20 out. 2022.
Conforme Brasil (2021), o tratamento depende predominantemente da 
gravidade da doença e se concentra nos seguintes princípios.
Figura 1 – Princípios da doença
Fonte: Brasil (2021)
106
O enfermeiro é responsável pela gestão de cuidados, desempenho organizacional 
e orientação de enfermagem e serviços técnicos e assistentes, compromisso com o 
paciente e a instituição sobre a qualidade da ajuda prestada, com base em Código de 
ética dos profissionais de enfermagem. Os profissionais precisam ter mais cuidado com 
o uso adequado dos equipamentos de proteção individual (BRASIL, 2021).
Figura 2 – Uso correto da máscara
Fonte: bit.ly/3VDZMir. Acesso em: 20 out. 2022.
DICA
Para aprofundar seu conhecimento leia Código de ética dos profissionais de 
enfermagem: suas atribuições legais e regimentais. Acesse: bit.ly/3GRfPFm. 
2.1 Tuberculose 
Doença infectocontagiosa, crônica, granulomatosa e necrosante causada pelo 
bacilo álcool-ácido-resistente (BAAR) (PORTO; PORTO, 2019).
Mycobacterium tuberculosis ou por qualquer patógeno do complexo: 
Mycobacterium bovis, Mycobacterium africanum, Mycobacterium canetti, Mycobacterium 
pinnipedi, Mycobaxteriummicroti e Mycobacterium caprae. No entanto, o patógeno principal 
é o M. tucerbulosis, também chamado de Bacilo de Koch (BK) (PORTO; PORTO, 2019).
107
Figura 3 – Mycobacterium tuberculosis
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=dWIOn0dwat8.Acesso em: 20 out. 2022.
A forma mais comum da doença é a forma pulmonar, acometimentos 
extrapulmonares também são frequentes e dignos de atenção da saúde pública – 
forma pleural, ganglionar, miliar, osteomuscular etc. A tuberculose segue como uma das 
principais ameaças à saúde pública.
A tuberculose é uma doença transmitida pelo ar e é causada pela inalação 
de aerossóis do trato respiratório, expelidos pela tosse, espirro ou fala de pacientes 
com tuberculose pulmonar ou laríngea. Somente pessoas com essas formas ativas 
de tuberculose podem transmitir (GARY; STEPHEN, 2016). Os bacilos que se instalam 
em roupas, lençóis e outros objetos se espalham pouco em aerossóis e, portanto, não 
desempenham um papel importante na transmissão da doença (GARY; STEPHEN, 2016). 
Seu período de latência em situações metabolicamente desfavoráveis para o 
bacilo, por exemplo, PO2 diminuída, baixo valor de pH no órgão de localização ou sob 
influência de medicação para o tratamento da tuberculose, o M. tuberculosis pode 
ficar latente, multiplicando-se muito lentamente ao longo de dias ou mesmo anos 
(PORTO; PORTO, 2019). 
O maior risco de contrair a doença é durante os primeiros dois anos após a infecção 
inicial, mas uma vez infectado, o surgimento dos sintomas ativos podem ser a qualquer fase 
da vida. A transmissão pode ocorrer enquanto a pessoa está eliminando germes no escarro, 
período identificado por baciloscopia de escarro positivos (PORTO; PORTO, 2019).
108
Figura 4 – Tuberculose
Fonte: https://ics.curitiba.org.br/dia-mundial-da-tuberculose/. Acesso em: 20 out. 2022.
Com o início do tratamento terapêutico adequado, a transmissão ameniza 
gradualmente e geralmente atinge um nível insignificante após 15 dias de tratamento, 
crianças menores de 10 anos com tuberculose pulmonar geralmente introduzem 
baciloscopia negativa e, portanto, tendem a ter pouco papel na transmissão da doença 
(STANFIELD, 2013).
A suscetibilidade à infeção é quase universal. No entanto, a maioria das pessoas 
infectadas resiste à doença e desenvolve imunidade parcial após a infeção. As bactérias 
são encapsuladas em estado latente, em pequenos focos dormentes que não progridem 
e não causam doença. É uma infecção latente por tuberculose, que muitas vezes se 
manifesta por um teste tuberculínico ou um teste positivo IGRA (STANFIELD, 2013).
Nas manifestações clínicas, a forma pulmonar, além de ser mais frequente em 
87% dos casos novos de tuberculose em 2015, é também a mais relevante para a saúde 
pública, em especial, a forma positiva à baciloscopia, pois é a principal responsável pela 
manutenção da cadeia de transmissão da doença. No entanto, com bastante frequência 
(em 13% dos casos em 2015), a tuberculose se manifesta em diferentes apresentações 
clínicas, que podem estar relacionadas à idade, imunossupressão e órgão afetado. 
Portanto, além da tosse, podem ocorrer outros sinais e sintomas, que devem ser 
considerados em um estudo diagnóstico individual (BRASIL, 2019).
109
A probabilidade de um portador de infecção latente da tuberculose desenvolver 
tuberculose ativa depende de muitos fatores relacionados ao bacilo através da virulência 
e patogenia, e ao ambiente com sua proximidade e tempo de permanência no mesmo 
ambiente da fonte de infeção (STANFIELD, 2013). A própria competência imunológica 
do hospedeiro desempenha um papel importante neste processo. Há maior risco de 
doença em pacientes com doenças imunossupressoras, principalmente, aqueles 
infectados pelo vírus da imunodeficiência adquirida – HIV, ou em pessoas em tratamento 
imunossupressor, menores de dois anos ou maiores de 60 anos e/ou desnutridos.
Alguns grupos populacionais são mais propensos à tuberculose devido às 
condições de saúde e de vida. 
Quadro 2 – Grupo de risco 
Grupo de risco Contágio 
Indígenas 3 vezes maior
Privados de liberdade 28 vezes maior
Pessoas que vivem com o HIV/Aids (PVHA) 28 vezes maior
Pessoas em situação de rua 56 vezes maior
Fonte: Brasil (2019, p. 328)
Já a tuberculose pulmonar, o principal sintoma em adolescentes e adultos 
jovens é a tosse. Recomendamos que todas as pessoas com sintomas respiratórios 
(suspeita de tuberculose pulmonar) por três semanas ou mais, sejam examinadas e 
investigadas e testadas para a suspeita de tuberculose (BRASIL, 2019).
Para outros sintomas e sinais comuns da tuberculose pulmonar incluem febre 
baixa diurna, sudorese noturna, fadiga e emagrecimento. A ausculta pulmonar pode 
mostrar diminuição do murmúrio vesicular, sopro anfórico ou até mesmo ser normal. 
Pacientes em bom estado geral e sem perda do apetite também podem ter tuberculose 
pulmonar (STANFIELD, 2013).
Já em crianças com menos de 10 anos, as manifestações clínicas podem 
ser diferentes. Os exames bacteriológicos geralmente mostram uma forma pulmonar 
negativa devido ao número reduzido de bacilos na lesão. Em geral, as crianças, não 
são capazes de expectorar. Os sinais clínicos mais visíveis aparecem após 15 dias ou 
mais, geralmente à tarde, com febre leve. Frequentemente, apresentam irritabilidade, 
tosse, perda de apetite, perda de peso e sudorese noturna. A hemoptise é rara. O exame 
físico pode não ser impressionante. Há predominância da localização pulmonar sobre as 
extrapulmonares (STANFIELD, 2013).
110
A tuberculose extrapulmonar apresenta sinais e sintomas que dependem do 
órgão e/ou sistemas acometidos. As principais formas diagnosticadas de tuberculose 
extrapulmonar diagnosticada no Brasil são pleurais e/ou empiema pleural tuberculoso, 
ganglionar periférica, meningoencefálica, miliar, laríngea, pericárdica, óssea, renal, 
ocular e peritoneal. Seu surto aumenta em pessoas que vivem com HIV/aids (PVHA), 
especialmente aquelas com imunocomprometimento grave (STANFIELD, 2013).
Figuras 5 – Tipos de tuberculose 
Fonte: https://www.saudebemestar.pt/pt/medicina/pneumologia/tuberculose. Acesso em: 20 out. 2022.
Os efeitos colaterais dos medicamentos podem ser representados por dor 
e desconforto estomacal, náuseas, vômitos e dor generalizada em todo o corpo. 
Observou-se ainda que os sintomas e sinais gerados pelos efeitos colaterais, sentidos 
pelas pessoas com tuberculose, parecem ser mais fortes do que os sintomas da doença, 
levando as pessoas a abandonarem o tratamento (STANFIELD, 2013).
 Os enfermeiros devem ser capacitados nas ações de controle da tuberculose, os 
profissionais devem identificar informações médicas, patológicas e sociais sobre casos 
suspeitos dessa doença e tomar providências para esclarecer o diagnóstico (MUSSI ET 
AL. ET AL., 2016).
3 DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS
As doenças sexualmente transmissíveis são um importante problema de 
saúde pública em todo o mundo, tanto pela sua alta prevalência quanto pela forma 
de transmissão, cuja prevenção depende, muitas vezes, de intervenções não só 
assistenciais como comportamentais, educacionais e até socioculturais. Embora, na 
maioria dos casos, exista tratamento eficaz, as doenças sexualmente transmissíveis 
quando não tratadas podem evoluir com complicações sérias, como infecções crônicas 
do trato genital, infertilidade, câncer cervical e aumento do risco de transmissão e 
aquisição do HIV (STANFIELD, 2013).
111
Geralmente, a abordagem e diagnóstico são feitos de forma sindrômica, 
com base na apresentação clínica do paciente, em doenças que causam úlcera 
genital, cervicite/uretrite, corrimento vaginal, verrugas genitais e ainda em síndromes 
extragenitais, como no caso de hepatites. No entanto, muitos pacientes possuem 
doença assintomática, o que torna o diagnóstico mais difícil aumentando o risco de 
complicações e de transmissão sustentada na comunidade (STANFIELD, 2013).
Conforme Brasil (2021), antes de entrarmos na classificação das doenças em 
si, é importante sabermos os fatores de risco associados a essas doenças, tais como:
Figura 6 – Fatores de risco
Fonte: BRASIL (2021)
Dessa forma, é imprescindível a realização da anamnese para identificação desses 
fatores de risco e realizar o históricode saúde até mesmo sexual do paciente de forma 
detalhada, com enfoque para identificar fatores importantes que iremos ver a seguir:
Figura 7 – Identificação fatores
Fonte: Brasil (2021)
As doenças que causam úlceras genitais são lesões localizadas principalmente 
em região de vulva, vagina ou colo uterino. Os principais agentes etiológicos são o 
Herpes simplex vírus, Trepomena Pallidum, Chlamydia trachomatis, Haemophilus 
ducreyi e Klebsiella granulomatis (STANFIELD, 2013). 
112
Herpes genital tem como agente Herpes simplex vírus (HSV-tipo 1 e HSV-tipo 
2). Sua causa mais comum de úlcera genital é a herpes genital, principalmente pelo 
sorotipo HSV-tipo2. A transmissão ocorre por contato sexual vaginal, oral ou anal, pela 
mucosa ou lesão infectante. Cerca de 50-90% dos adultos têm anticorpos circulantes 
contra HSV-tipo1; e 20-30% contra HSV-tipo2 (BRASIL, 2019).
Pacientes portadoras de HSV-tipo 2 têm mais chance de contrair o vírus HIV. 
Muitas pacientes são portadoras assintomáticas do vírus, porém contaminantes, o que 
dificulta o controle da doença (BRASIL, 2019). Geralmente subclínica e a paciente torna-
se portadora assintomática. Nos casos sintomáticos, período de incubação de 4-7 dias, 
observam-se lesões eritematopapulosas de 1 a 3 mm em pequenos lábios, clitóris, 
grandes lábios ou fúrcula vaginal que evoluem para vesículas agrupadas com conteúdo 
citrino, que se rompem e dão origem a ulcerações muito dolorosas. Adenopatia inguinal 
bilateral pode estar presente em 50% dos casos. Quando presente, a cervicite herpética 
cursa com corrimento genital aquoso. A paciente pode apresentar ainda sintomas gerais 
como febre, mal-estar e mialgia. Após três semanas, o vírus entra em estado de latência 
em gânglios medulares ou de nervos cranianos (SIQUEIRA; SANTOS; SILVA, 2010).
Doenças que causam verrugas são causadas pelo Papilomavírus humano 
(HPV), um DNA-vírus. A papiloma Vírus Humano (HPV), são da família Papoviridae, e 
os gêneros são: os papilomavírus e poliomavírus. Ambos possuem dupla fita de DNA 
enovelada, encapsulada em capsídeos que infectam núcleos das células hospedeiras 
e realizam sua multiplicação. Os papilomas estão relacionados à origem de verrugas, 
tumores benignos ou malignos, enquanto os poliomas estão associados ao carcinoma 
de células de Merkel. Verrugas são proliferações epiteliais, que apresentam morfologia 
variada devido à grande quantidade de subtipos (BRASIL, 2019).
Atualmente são conhecidos mais de 100 tipos, classificados de acordo com seu 
grau de homologia do material genético. São cinco grandes grupos, identificados por 
letras (α, Beta, μ, V e y) que possuem em comum mais de 50% de homologia do DNA, 
tendo cada grupo várias espécies. O grupo “α” é o de maior importância médica, pois 
contêm os agentes causadores das verrugas e os de evolução para câncer de alto risco 
(HPV 16 E 18) (BRASIL, 2019).
IMPORTANTE
Existem mais de 200 tipos de HPV identificados, sendo que cerca de 45 
tipos infectam o epitélio do trato anogenital masculino e feminino. O 
risco oncogênico é representado pela associação entre o tipo de HPV e 
o tipo de lesão tecidual desencadeada por sua infecção (COLOMBRINI; 
MARCHIORI; FIGUEIREDO, 2010).
113
Provavelmente, a doença sexualmente transmissível mais comum, 1% da população 
sexualmente ativa manifesta HPV na forma de verruga genital. Como um todo, em cerca de 70% 
a 80% dos homens e mulheres sexualmente ativos adquiriu HPV em algum tempo de suas vidas. 
As maiores prevalências são em mulheres mais jovens, apresentando queda na meia-idade e 
segundo pico após os 50-60 anos (BRASIL, 2019). 
A razão para esse segundo pico não está clara, mas pode estar associada à reativação 
de infecção prévia não detectada ou a aquisição da infecção por um novo contato sexual. O HPV 
está envolvido no desenvolvimento do câncer do colo do útero em cerca de até 99,7% dos casos. O 
restante é atribuído à mutação dos genes supressores, a algum subtipo de HPV ainda não detectado 
ou o DNA do HPV pode ter sido perdido durante o desenvolvimento do tumor (BRASIL, 2019).
Doenças que causam corrimento uretral, duas delas causam, principalmente cervicite e 
uretrite que são a clamídia e gonorreia.
A clamídia Chlamydia tracomatis, gram-negativa intracelular obrigatória acomete 
preferencialmente homens e mulheres jovens com menos de 25 anos. É a infecção bacteriana 
sexualmente transmissível crônica mais frequente (COLOMBRINI; MARCHIORI; FIGUEIREDO, 2010).
Os fatores de risco relacionados são idade menor que 25 anos, multiplicidade de parceiros 
ou parceiro novo nos últimos 90 dias, solteiros, uso inconsistente de métodos de barreira, ectopia 
de colo uterino (por maior exposição do epitélio), menor nível de escolaridade e socioeconômico, 
história de IST prévia (COLOMBRINI; MARCHIORI; FIGUEIREDO, 2010). O rastreamento mostrou-
se custo-efetivo em vários países que adotaram, reduzindo o tempo de duração da doença, a 
transmissibilidade e as sequelas, vamos ver na figura a seguir.
Figura 8 – Rastreamento
Fonte: Brasil (2021)
114
Já a gonorreia Neisseria gonorrhoeae, diplococo gram-negativo, acomete mais 
mulheres do que homens, já que nelas geralmente ocorre de forma assintomática, 
enquanto neles, por serem sintomáticos, procuram assistência médica de forma 
imediata. O rastreamento anual de rotina está indicado para mulheres com vida sexual 
ativa com menos de 25 anos ou pacientes com alto risco para infecção (parceiro recente, 
múltiplos parceiros ou parceiro com uretrite) e casos de diagnóstico de IST prévia ou 
recente (BRASIL, 2019).
Cervicite mucopurulenta, já que o colo uterino é o local mais comum de 
infecção pelo N. gonorrhoeae. Assim, a mucosa endocervical apresenta-se edemaciada, 
hiperemiada e sangrativa ao toque da espátula, além de leucorreia purulenta saindo 
pelo orifício externo do colo uterino, Doença Inflamatória Pélvica, disúria e dispareunia 
podem estar presentes (BRASIL, 2019).
Uretrite gonocócica ocorre na ausência de DIP e é responsável por 10% dos 
casos de disúria nas mulheres. Faringite gonocócica, presente em 5 a 20% das pacientes 
infectadas com DIP, em 10 a 40% das pacientes infectadas, sendo que os sintomas incluem 
dor pélvica/abdominal, sangramento vaginal anormal e dispareunia (BRASIL, 2019).
A tricomoníase é uma doença causada por um protozoário flagelado anaeróbico 
facultativo o Trichomonas vaginalis, que provoca corrimento vaginal. Corresponde a 
20% dos casos de corrimento vaginal. É encontrada em 30 a 40% dos parceiros de 
mulheres infectadas. Geralmente está associada a outra IST e facilita a infecção por HIV. 
Está relacionada à atividade sexual desprotegida, não estando ligada a outros fatores 
(BRASIL, 2019).
Na maioria dos casos, a mulher é sintomática, porém após a menopausa podem 
se tornar assintomáticas. Já os homens são na maioria dos casos assintomáticos, 
funcionando como vetores, mas podem também desenvolver quadro de uretrite não 
gonocócica, epididimite ou prostatite. As características do corrimento são amarelo ou 
amarelo-esverdeado, abundante, fétido e bolhoso. O pH vaginal, normalmente, é maior 
que 5 (COLOMBRINI; MARCHIORI; FIGUEIREDO, 2010).
Eritema vulvar e escoriações não são comuns, mas sim ardência, edema e 
hiperemia. Ocasionalmente pode ocorrer disúria, polaciúria e dor pélvica. Na colposcopia, 
ou raramente a olho nu, é visualizada a colpite focal ou difusa em “colo de framboesa”, 
característica da tricomoníase e ocorre por dilatação capilar e hemorragias puntiformes 
(GARY; STEPHEN, 2016).
115
3.1 AIDS – HIV 
Síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA), mais usada em sua sigla 
em inglês, Acquired Immuno Deficiency Syndrome (AIDS), é uma doença do sistema 
imunológico humano causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV – human 
immunodeficiency vírus) (GARY; STEPHEN, 2016).
A transmissão do HIV se dá através do contato de fluidos corporais. Destacamos 
que o vírus é transmitido mesmo com indivíduo portador assintomático (BRASIL, 2019).Iremos ver na sequência as principais formas de transmissão e não transmissão do 
vírus do HIV.
Quadro 3 – Principais formas de transmissão e não transmissão do HIV
Transmissão do HIV Não transmissão do HIV
Sexo Vaginal sem camisinha;
Sexo em que se use corretamente a 
camisinha;
Sexo Anal sem camisinha; Masturbação a dois;
Sexo Oral sem camisinha; Beijo no rosto ou na boca;
Uso de seringa por mais de uma pessoa. Suor e lágrima.
Fonte: Brasil (2019)
Algumas semanas depois da infecção pelo HIV podem ocorrer sintomas 
semelhantes aos da gripe, como febre, dor de garganta e fadiga. A doença costuma ser 
assintomática até evoluir para AIDS, a qual é caracterizada por um conjunto de sintomas 
desenvolvidos após o portador do vírus adquirir doenças oportunistas. Assim é muito 
importante diferenciar as duas siglas (BRASIL, 2019).
A infecção pelo HIV e a aids fazem parte da Lista Nacional de Notificação 
Compulsória de doenças (Portaria de Consolidação MS/GM nº 4, de 28 de setembro de 
2017), sendo que a aids é de notificação compulsória desde 1986 e a infecção pelo HIV é 
de notificação compulsória desde 2014. Por essa obrigatoriedade da notificação, os dados 
epidemiológicos da doença são atualizados e disponibilizados pelo próprio Ministério da 
Saúde anualmente em formas de boletins epidemiológicos (ALMEIDA et al., 2015).
De 2007 até junho de 2019, foram notificados no Sinan 300.496 casos de 
infecção pelo HIV no Brasil, sendo 136.902 (45,6%) na região Sudeste, 60.470 (20,1%) 
na região Sul, 55.090 (18,3%) na região Nordeste, 26.055 (8,7%) na região Norte e 21.979 
(7,3%) na região Centro-Oeste. Nesse período, foi notificado no Sinan um total de 207.207 
(69,0%) casos em homens e 93.220 (31,0%) casos em mulheres. No ano de 2018, foram 
notificados 43.941 casos de infecção pelo HIV, com uma proporção de homens para 
mulheres de quase 3:1 (BRASIL, 2021).
116
DICA
Para aprofundar seu conhecimento leia SINAN – Sistema de informações de 
agravos de notificação. Acesse: bit.ly/3ubnLcQ
O último foi publicado no dia 28 de novembro de 2019. É importante destacar 
que o Ministério da Saúde, com esse documento, espera contribuir para o controle do 
HIV/aids no país, no sentido de fornecer subsídios à tomada de decisões nos níveis 
federal, estadual e municipal (BRASIL, 2019).
Entretanto, os critérios de definição e estadiamento da Aids são complexos 
e abrangentes, estando bem estabelecidos para propósitos de vigilância em vez da 
prática clínica com os pacientes. Assim, o médico não deve se preocupar com o fato 
de o paciente adequar-se ou não à definição estrita de aids, mas considerar a doença 
causada pelo HIV como um espectro que inclui infecção primária com ou sem a síndrome 
aguda, período assintomático e doenças oportunistas avançadas (BRASIL, 2019).
Desde o início da epidemia de AIDS (1980) até 31 de dezembro de 2018, foram 
notificados no Brasil 338.905 óbitos, tendo o HIV/aids como causa básica (CID10: B20 
a B24), sendo a maior proporção desses óbitos na região Sudeste. No período de 2008 
a 2018, verificou-se uma queda de 24,1% no coeficiente de mortalidade padronizado 
para o Brasil, que passou de 5,8 para 4,4 óbitos por 100.000 habitantes. No mesmo 
período, no Norte e Nordeste, observou-se aumento de 26,0% e 2,8% nesse coeficiente, 
respectivamente, indo contra a tendência. Mostrando, assim, a necessidade de uma 
concentração de políticas nessas regiões (BRASIL, 2021).
DICA
Para aprofundar seu conhecimento leia a CID: Classificação Internacional de 
Doenças. Disponível em: https://pebmed.com.br/cid10/.
A qualidade do atendimento e o bom relacionamento com os profissionais 
de saúde estão relacionados à boa aceitação do paciente à terapia antirretroviral. 
Esse tratamento é considerado importante para a recuperação, que está relacionada 
à percepção do cliente sobre a capacidade profissional, para melhorar a prática do 
cuidado de enfermagem utilizando o suporte teórico e o método para apoiá-lo, pode 
tornar o trabalho do enfermeiro consistente em termos de realização de níveis mínimos 
de atenção e metas de desempenho profissional (PORTO; PORTO, 2019).
117
Ao longo dos anos, o número de pessoas com HIV vem aumentando, por isso 
os profissionais de enfermagem precisam de mais conhecimento e ter estratégias e 
habilidades no plano de trabalho que farão no seu cotidiano, para melhorar o atendimento 
e conhecer as condições, transmitir orientações competentes e com mais eficiência 
para que cada um tenha uma compreensão de como realizar o cuidado e o tratamento 
de melhor atenção à saúde do paciente com HIV (PORTO; PORTO, 2019).
3.2 SIFILIS 
Sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema 
pallidum, da ordem das espiroquetas. As manifestações clínicas da doença vão depender 
do estágio em que se encontra, como veremos adiante (PORTO; PORTO, 2019).
Figura 9 – Estágios da sífilis 
Fonte: bit.ly/3EPoTHZ. Acesso em: 20 out. 2022.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) destacam que em 2016 houve 
cerca de 20 milhões de casos de sífilis em adolescentes e adultos, entre 15 e 49 anos, 
sendo 6,3 milhões de casos novos. 
 Agente etiológico Treponema pallidum Bactéria gram-negativa 
Espiroqueta por 100.000 mulheres e 17,7 casos por 100.000 homens, sendo mais 
prevalente em região de Pacífico Ocidental, seguido por África e América (BRASIL, 2019).
Segundo a OMS, a situação da sífilis no Brasil não é diferente da de outros 
países. No novo Boletim Epidemiológico, pode-se observar que a sífilis adquirida, agravo 
de notificação compulsória desde 2010, teve sua taxa de detecção aumentada de 59,1 
casos por 100.000 habitantes, em 2017, para 75,8 casos por 100.000 habitantes, em 2018. 
Também em 2018, a taxa de detecção de sífilis em gestantes foi de 21,4/1.000 nascidos 
vivos, a taxa de incidência de sífilis congênita foi de 9,0/1.000 nascidos vivos e taxa de 
mortalidade por sífilis congênita foi de 8,2/100.000 nascidos vivos. Entretanto, apesar 
118
do aumento de casos notificados, nenhuma Unidade da Federação (UF) apresentou 
taxa de incidência de sífilis congênita mais elevada que a taxa de detecção de sífilis em 
gestantes, o que pode refletir a melhora da notificação dos casos de sífilis em gestantes 
no país (BRASIL, 2019).
O Treponema pallidum, é uma bactéria gram-negativa da ordem das espiroquetas. 
Possui aproximadamente 10 a 13 microns de comprimento, mas apenas 0,15 de largura, 
o que o torna muito delgado, dificultando sua visualização por microscopia direta. Assim, 
a visualização desse organismo é feita por microscopia de campo escuro, sendo um 
organismo delicado, em forma de saca-rolhas, com espirais firmemente enroladas e um 
movimento rotativo, suficientes no diagnóstico da sífilis.
De acordo com Brasil (2019), a classificação da sífilis pode se apresentar duas 
formas sendo elas o tempo de infeção e as manifestações clínicas, conforme podemos 
compreender melhor no quadro a seguir: 
Quadro 4 – Principais formas de transmissão e não transmissão do HIV
Segundo o tempo de infecção: Segundo as manifestações clínicas 
da sífilis adquirida:
• Sífilis adquirida recente sendo menos 
de um ano de evolução;
• Sífilis adquirida tardia sendo mais de 
um ano de evolução;
• Sífilis adquirida tardia sendo mais de 
um ano de evolução.
• Sífilis primária;
• Sífilis secundária;
• Sífilis terciária.
• Sífilis latente.
Fonte: Brasil (2019)
Sífilis primária ou cancro duro, após um período médio de 21 dias de incubação 
(variando de 3 dias a 3 meses), pode ocorrer o aparecimento de lesão genital ulcerada, 
quase sempre única, indolor, de bordas endurecidas, de fundo limpo e rica em treponemas. 
Essas lesões ulceradas, geralmente não possuem uma base exsudativa e podem ocorrer 
em outras regiões além de genitália, como região oral, faringe posterior e ânus. A lesão 
dura cerca de 2 a 6 semanas e desaparece espontaneamente. Além disso, pode ocorrer, 
associado à lesão, adenopatia satélite inguinal indolor, que se diferencia do linfogranuloma2.1 DIABETES MELLITUS ........................................................................................................................183
2.2 HIPOTIREOIDISMO ...........................................................................................................................189
2.3 HIPERTIREOIDISMO ..........................................................................................................................191
2.4 ACROMEGALIA ................................................................................................................................. 192
2.5 DOENÇAS PUBERDADE ................................................................................................................. 194
3 ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM COM AS PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÓCRINAS .............198
RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................201
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 202
TÓPICO 2 - PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA GASTROINTESTINAL ........................ 205
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 205
2 PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA GASTROINTESTINAl ......................................... 206
2.1 DOENÇAS DO ESÔFAGO ................................................................................................................208
2.2 DOENÇAS DISABSORTIVAS ..........................................................................................................210
2.3 DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS .................................................................................. 212
2.4 CONSTIPAÇÃO ...................................................................................................................................214
2.5 APENDICITE AGUDA......................................................................................................................... 217
2.6 DOENÇA DIVERTICULAR DO CÓLON ........................................................................................... 219
2.7 ABDOME AGUDO .............................................................................................................................. 220
2.8 HEMORRAGIA DIGESTIVA ............................................................................................................. 225
2.9 TRAUMA ABDOMINAL ..................................................................................................................... 229
2.10 PANCREATITE ................................................................................................................................. 233
2.11 INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA ............................................................................................................ 236
3 ATUAÇÃO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM NOS SISTEMA GASTROINTESTINAL ............. 239
RESUMO DO TÓPICO 2 ...................................................................................................... 243
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 244
TÓPICO 3 - ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM NAS PRINCIPAIS DOENÇAS 
 DO SISTEMA ENDÓCRINO E GASTROINTESTINAL ...................................... 247
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 247
2 ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM NO MANEJO DAS DOENÇAS ENDÓCRINAS ................. 248
3 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO MANEJO DAS AFECÇÕES 
 GASTROINTESTINAIS .................................................................................................... 250
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................. 257
RESUMO DO TÓPICO 3 ...................................................................................................... 263
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 264
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................267
1
UNIDADE 1 - 
PRINCIPAIS DOENÇAS 
DO SISTEMA 
CARDIOCIRCULATÓRIO E 
RESPIRATÓRIO – ATUAÇÃO 
DA ENFERMAGEM
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer as principais doenças do sistema cardiocirculatório;
• inteirar-se das principais doenças do sistema respiratório;
• aprender sobre a atuação de enfermagem nas práticas do sistema cardiocirculatório 
e sistema respiratório;
• identificar o processo da SAE nas principais doenças do sistema cardiocirculatório 
e respiratório.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA CARDIOCIRCULATÓRIO 
TÓPICO 2 – PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA RESPIRATÓRIO
TÓPICO 3 – ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NAS PRINCIPAIS DOENÇAS 
CARDIOCIRCULATÓRIAS E RESPIRATÓRIAS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
2
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
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PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA 
CARDIOCIRCULATÓRIO
1 INTRODUÇÃO
De acordo com Organização Mundial de Saúde (BRASIL, 2019), as doenças 
crônicas não transmissíveis (DCNT) são atualmente um dos principais e mais 
preocupantes problemas de saúde em âmbito global. Destaca, ainda, alguns fatores 
de risco como: bebidas alcoólicas, tabagismo, alimentação inadequada e sedentarismo.
TÓPICO 1 - UNIDADE 1
DICA
Para aprofundar seu conhecimento leia o artigo: Doenças crônicas não 
transmissíveis no Brasil: prioridade para enfrentamento e investigação. 
Disponível em: bit.ly/3XnxElf
Conforme a Lei do SUS (Sistema Único de Saúde) abaixo referência o que se é 
vigilância epidemiológica. De acordo com a lei n° 8080, de 19 de setembro de 1990:
 Entende-se por vigilância epidemiológica um conjunto de ações que 
proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança 
nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a 
finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças 
ou agravos (BRASIL, 1990).
Para se ter eficácia na vigilância em saúde existe um conjunto de ações, 
permitindo compreender a gravidade de cada doença e como os fatores de risco afetam 
a população e ainda auxiliar os serviços de saúde no planejamento estabelecendo 
prioridades. As doenças cardiocirculatórias estão entre as que representam maior causa 
de morbimortalidade no Brasil. (BRASIL; 2019).
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Figura 1 – Sistema cardiocirculatório
Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/biologia/sistema-circulatorio.htm. Acesso em: 16 out. 2022.
O sistema cardiocirculatório é constituído pelo coração, pelo sangue e por 
uma série de estruturas semelhantes a tubos de diferentes diâmetros que servem de 
caminho para o sangue percorrer o organismo e chegar a todas as suas partes. Essas 
estruturas pelas quais o sangue flui são os vasos sanguíneos. Em seu trajeto contínuo, o 
sangue é impulsionado por uma "bomba" feita de músculo que trabalha dia e noite sem 
parar: o coração (SILVERTHORN, 2010).
2 PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA 
CARDIOCIRCULATÓRIO
 
O sistema circulatório, propriamente dito, é considerado o responsável por 
conduzir elementos essenciais para todos os tecidos do corpo, por exemplo, oxigênio 
para as células, hormônios (que são liberados pelas glândulas endócrinas) para os 
tecidos, a condução de dióxido de carbono para sua eliminação nos pulmões, coleta 
de excretas metabólicos e celulares, e, posteriormente, a entrega desses rejeitos nos 
órgãos excretores, por exemplo, os rins. Além do mais, apresentavenéreo por se apresentar, em geral, bilateralmente (MURTA; GARCIA, 2021).
Cerca de 25% dos pacientes com sífilis primária não tratada desenvolvem uma 
doença sistêmica, que representa a sífilis secundária. Pacientes com sífilis secundária 
podem não ter tido apresentação do cancro (assintomáticos) ou essa lesão ter passado 
despercebida. Suas manifestações ocorrem cerca de 4 a 8 semanas após o aparecimento 
do cancro. Assim como na sífilis primária, as lesões desaparecem espontaneamente, 
mesmo na ausência de terapia, exceto em casos mais graves como na lues maligna 
(MUSSI ET AL. et al., 2016).
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Sífilis latente representa o período de infecção pelo T. pallidum comprovado 
por teste sorológico, mas sem apresentação sintomática. A categoria “sífilis de duração 
desconhecida” foi eliminada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças e 
categorizaram novamente a sífilis latente em precoce, quando a infecção ocorreu nos 
12 meses anteriores, e tardia quando após 12 meses. Essa distinção, além da conduta 
terapêutica ser diferente, é importante para entender o risco de transmissão, visto que 
pacientes com sífilis latente tardia não são considerados infecciosos em seus contatos 
sexuais recentes, já que não apresentam lesões que possam transmitir a doença 
(HERDMAN; SHIGUEMI, 2015).
Pacientes com sífilis latente precoce podem ter contaminado seus parceiros 
sexuais através de lesão recentemente ativa, mas que não está mais presente ou por 
meio de lesão obscura ou indolor que não foi descoberta no exame físico.
Quadro 5 – Manifestações clínicas de acordo com a evolução e estágios da sífilis congênita
EVOLUÇÃO
ESTÁGIOS DA 
SÍFILIS CONGÊNITA
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Sífilis congênita 
(antes de dois 
anos de idade).
Precoce
-Hepatomegalia com ou sem 
esplenomegalia e icterícia;
- Lesões cutâneas (pênfigo palmo-plantar, 
condiloma plano), petéquias, púrpura;
- Periostite ou osteíte ou osteocondrite, 
pseudoparalisia dos membros;
- Sofrimento respiratório com ou sem 
pneumonia;
- Rinite serosanguinolenta, anemia e 
linfadenopatia generalizada (epitroclear);
- Fissura peribucal, síndrome nefrótica, 
hidropsia, edema, convulsão e meningite.
Sífilis, congênita 
(após dois anos 
de idade).
Tardia
- Tíbia em “lâmina de sabre”;
- Articulações de Clutton;
- Fronte “olímpica” e nariz “em sela”;
- Dentes incisivos medianos superiores 
deformados (dentes
de Hutchinson), molares em “amora”;
- Rágades periorais, mandíbula curta, 
arco palatino elevado;
- Ceratite intersticial;
- Surdez neurológica e dificuldade 
no aprendizado.
Fonte: Brasil (2019)
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Rodrigues et al. (2021) evidencia como estratégia de investigação da sífilis o 
procedimento a ser efetuado nos serviços de atenção básica, sendo ele a triagem através 
do teste rápido e exames sorológicos que serão realizados para o diagnóstico de sífilis. 
Importância das atividades preventivas a procura de sensibilizar a 
população para que compreenda a necessidade de maior cuidado, 
protegendo a si e seus parceiros. Com tudo a participação dos 
enfermeiros é essencial, uma vez que, enquanto educadores 
devem atuar no, detecção de situações de risco e educação para a 
saúde, procurando desta forma, evitar a transmissão (RODRIGUES 
et al., 2021, p. 7).
Iremos aprender na sequência grupo de risco e principais sinais e sintomas 
para a triagem diagnóstica que deve ser realizado para o paciente que procura 
atendimento de saúde.
Figura 10 – Triagem diagnóstica
Fonte: Brasil (2019)
Os testes sorológicos são utilizados para a triagem dos pacientes. Existem dois 
tipos de testes sorológicos para sífilis: teste não treponêmicos e testes específicos 
do treponema. O diagnóstico é feito com base nesses dois tipos de testes, visto que o 
teste sorológico, principalmente o não treponêmico, está associado a resultados falso-
positivos. Resultados falso-negativos também podem ocorrer, já que necessita de 
resposta imune humoral para positivar o teste (GARY; STEPHEN, 2016).
Preocupações internas do Serviço, além de outras relacionadas em relação 
aos problemas de saúde pública que a sífilis está enfrentando atualmente, nos levou a 
relatar que é o Serviço de Enfermagem Saúde Pública que pode atuar no atendimento 
de pacientes com sífilis o que os leva a sentir suas responsabilidades em relação a essa 
doença, para si e para a comunidade. Desta forma, a enfermeira contribuirá para a 
eliminação de casos criminais sífilis (GARY; STEPHEN, 2016).
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3.3 HEPATITES VIRAIS 
Existem cinco vírus principais relacionados às hepatites virais, que são os 
vírus A, B, C, D e E. Entretanto, outros vírus podem cursar com hepatite como uma de 
suas manifestações sistêmicas, a exemplo do citomegalovírus, herpes vírus, varicela, 
entre outros. 
A importância etiológica destes nas hepatites virais, quando falamos e por 
que “falamos”, queremos dizer: profissionais de saúde, pesquisadores, e a comunidade 
científica no geral – em hepatites virais, geralmente estamos nos referindo a esses cinco 
vírus (BRASIL, 2021). 
As hepatites virais representam a maior causa de hepatopatia aguda e crônica 
em nosso meio, tornando importante o domínio do médico generalista sobre o assunto 
na prática clínica (GARY; STEPHEN, 2016).
Veremos, primeiramente, a apresentação das hepatites virais agudas e, em 
seguida, abordaremos cada um dos cinco tipos de hepatite viral, incluindo as formas 
crônicas (GARY; STEPHEN, 2016).
As hepatites virais agudas constituem um problema relevante de saúde pública 
no Brasil. São infecções autolimitadas ou estágios da infecção que precedem a sua 
cronificação. Nesse contexto, veremos que podem ser causadas por cinco principais 
tipos de vírus, mas que as manifestações clínicas não são patognomônicas dessa 
enfermidade e que a distinção entre os cinco tipos de vírus é impossível de ser feita com 
base nos sinais e sintomas clínicos embora alguns dados possam favorecer a suspeita 
de um ou outro tipo (HINKLE; SHEEVER, 2011).
O quadro clínico das hepatites virais agudas é muito variável em sua intensidade 
e gravidade, podendo ser desde oligo sintomáticos a quadros fulminantes requerendo 
transplante hepático. Por outro lado, considerando os cinco principais tipos de vírus 
mais precisamente identificados até agora como agentes causadores, não dá para 
distinguir clinicamente os cinco tipos de vírus, tornando difícil a identificação etiológica 
sem recorrer exames laboratoriais.
A hepatite viral aguda pode ter apresentação assintomática ou sintomática, 
anictérica ou ictérica ou, ainda, como formas colestáticas. Temos, primeiramente, a fase 
pré-ictérica: os sintomas são inespecíficos, tais como mal-estar, astenia, febre, cefaleia, 
mialgia, diarreia ou obstipação, fadiga, náuseas, anorexia e leve dor em quadrante 
superior direito do abdome. Pode ainda incluir tosse, rinorreia e artralgia. Ou seja, dá 
para entender que esse período possui sintomas que não nos dizem lá muita coisa e são 
altamente inespecíficos (COLOMBRINI; MARCHIORI; FIGUEIREDO, 2010).
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Todos os cinco tipos de hepatite podem apresentar a forma aguda. As hepatites 
A e E são os dois tipos que nunca se tornam crônicos; enquanto as hepatites B, C e 
D apresentam uma fase aguda inicialmente e, posteriormente, podem evoluir para a 
forma crônica. Vamos falar de cada um desses tipos posteriormente. Mas, no geral, o 
diagnóstico da etiologia é feito a partir da presença de marcadores sorológicos virais e 
de anticorpos (BARROS; LEMOS, 2016).
Figura 11 – Tipos de hepatite
Fonte: https://www.grupomast.com.br/hepatites-virais-entenda-sobre/. Acesso em: 20 out. 2022.
O diagnóstico da hepatite viral aguda ocorre a partir do quadro clínico do paciente 
e da demonstração laboratorial de infecção aguda por vírus da hepatite. Como não 
existe um sinal patognomônico da doença, cabe ao profissional, diante de um quadro 
clínico sugestivo, suspeitar da doença e buscar confirmação laboratorial (COLOMBRINI; 
MARCHIORI; FIGUEIREDO, 2010).
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O tratamento é feito no domicílio e baseadoem medidas de suporte. Não há 
evidências de que restrição de atividade física seja necessária, bem como não há indicação 
de uma dieta específica. Contudo, convém pedir que o paciente não realize atividades 
extenuantes e mantenha repouso relativo até a normalização das aminotransferases, a 
partir da qual o paciente já pode gradualmente retornar suas atividades físicas; e que 
a dieta seja de mais fácil aceitação, considerando que frequentemente há náuseas e 
vômitos no início do quadro (COLOMBRINI; MARCHIORI; FIGUEIREDO, 2010).
Nass hepatites virais, etiologias e cursos da infecção a hepatite A é um vírus 
de RNA, do gênero hepatovirus e da família Picornaviridae. Sua transmissão é pela via 
fecal-oral, e a infecção ocorre de forma esporádica ou em surtos. A distribuição desse 
vírus é mundial e os surtos epidêmicos resultam da contaminação de reservatórios de 
água e alimentos, especialmente em condições de aglomeração primária como escolas, 
creches e prisões. Não à toa, a infecção é mais comum em crianças e adolescentes, e 
em regiões tropicais subdesenvolvidas (PORTO; PORTO, 2019).
O mecanismo de lesão hepática parece estar relacionado não à ação direta 
do vírus, mas como consequência da resposta imune do hospedeiro contra antígenos 
expressos nos hepatócitos. O vírus se replica no fígado e é montado no citoplasma dos 
hepatócitos, sendo secretado na bile e no soro. Existe uma vacina contra a hepatite A 
incorporada ao calendário nacional em 2014. É altamente segura e gera soro conversão 
em 95% dos vacinados. Ou seja, um indivíduo antiVHA IgG reagente pode tanto ter tido 
passado de infecção pela hepatite A quanto ter sido vacinado contra a doença. De 
qualquer forma, ele estará imune à infecção (PORTO; PORTO, 2019).
A Hepatite B é o único vírus de DNA dentre os cinco tipos que abordaremos 
aqui. Ele pode determinar um amplo espectro de doença, desde infecção aguda à 
infecção crônica. Essencialmente, o maior determinante do curso da infecção é a idade 
do indivíduo ao adquiri-la: cerca de 90% dos bebês e 30% das crianças infectados por 
transmissão vertical evoluirão para a forma crônica da doença, ao passo que apenas 5% 
a 10% dos adultos infectados terão essa evolução. A transmissão da hepatite B ocorre 
por contato sexual desprotegido, contato com sangue infectado como em transfusões 
e compartilhamento de seringas e transmissão vertical (PORTO; PORTO, 2019).
A hepatite C é um vírus de RNA, pertencente à família Flaviridae, e possui elevada 
diversidade genética, contando com alto número de genótipos. É epidemiologicamente 
relevante no contexto brasileiro, na medida em que pesquisas conduzidas em nível 
nacional demonstraram uma prevalência de anti-HCV de 1,38% nas capitais brasileiras 
(PORTO; PORTO, 2019).
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Sua transmissão ocorre principalmente por contato parenteral, o que coloca 
os usuários de drogas e pacientes com exposições parenterais as mais susceptíveis 
à infecção. A transmissão sexual ocorre, mas é muito incomum; já a transmissão 
maternoinfantil também é possível e facilitada em casos de mães com alta carga viral, 
parto precoce e ruptura precoce das membranas. A hepatite C pós-transfusional, 
importante até a década de 1990, se tornou rara após aprimoramento da testagem do 
sangue (GARY; STEPHEN, 2016).
O vírus da hepatite D é um vírus de RNA de fita única, pertencente à família 
Deltaviridae e ao gênero delta vírus. Trata-se de um vírus defectivo, o que significa que ele 
necessita do vírus da hepatite B para conseguir infectar o organismo, pois seu envelope 
é composto por lipídios e por antígenos AgHbs. Assim, ele necessita da presença dos 
AgHbs da hepatite B para conseguir sobreviver. Já a hepatite aguda causada por esse 
vírus tende a ser grave, evoluindo a óbito em 5% dos casos. No aspecto fisiopatológico, 
a lesão decorre do efeito citopático direto do vírus e frequentemente evolui para 
cronicidade (GARY; STEPHEN, 2016).
No Brasil, a prevalência é elevada na região amazônica, ficando em torno de 
1,7% da população estudada, mas praticamente nula no resto do país. Sua transmissão 
é, principalmente, pela via parenteral e sexual. Grupos de risco incluem usuários de 
drogas intravenosas, pessoas com contato sexual com portadores e portadores 
crônicos do VHB com hemofilia, em situação carcerária ou com comportamento sexual 
de risco (BRASIL, 2019).
A hepatite E se trata de um vírus de RNA, da família Caliciviridae. Sua principal 
forma de transmissão é pela via fecal-oral e sua ocorrência está relacionada à más 
condições de higiene e baixos níveis socioeconômicos. Na maioria dos casos, o curso 
é assintomático, ou insidioso e autolimitado. Em algumas populações especiais, é mais 
frequente que haja sintomas e curso mais grave, podendo culminar na forma fulminante. 
A hepatite E é outra forma de hepatite que não evolui para a infecção crônica. Os testes 
sorológicos incluem Anti-VHE IgG e IgM.
Iremos ver na sequência as principais formas de transmissão das hepatites que 
mais acometem a população.
QUADRO 6 – Formas de transmissão das Hepatites A, B e C
Fonte: adaptado de Porto e Porto (2019)
Hepatite A Hepatite B Hepatite C
Transmissão fecal-oral;
Água e alimentos 
contaminados.
Contato sexual;
Contato com sangue 
contaminado;
Transmissão vertical.
Contato com sangue 
contaminado;
Transmissões sexual e 
vertical sendo menos 
frequentes.
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As equipes de saúde desempenham um papel importante no diagnóstico e 
monitoramento de portadores sintomáticos ou não de hepatite. Para desempenhar 
esse papel, é necessário que as partes possam encontrar casos suspeitos, solicitar 
exames laboratoriais apropriados e realizarem encaminhamento para serviços de 
referência indicados.
4 FEBRE AMARELA 
A febre amarela é uma doença infecciosa não contagiosa, provocada por um 
arbovírus da família Flaviviridae, mesma família do vírus da dengue. O vírus é contraído 
pela picada dos mosquitos Haemagogus Sp e Aedes aegypti, principalmente, além 
de outras espécies de Aedes, que se infectam ao ingerir sangue de humanos ou de 
macacos infectados, passando adiante o vírus (BRASIL, 2021). 
A febre amarela, englobada no grupo de febres hemorrágicas virais, é uma 
doença endêmica da África Subsaariana e América do Sul até o Panamá. O vírus da febre 
amarela é mantido em ciclos silvestres não há ciclo urbano no Brasil, nos quais macacos 
atuam como hospedeiros amplificadores e os mosquitos são os transmissores, porém 
ainda ocorrem casos urbanos, que aparecem como eventos isolados ou em epidemias 
periódicas, quando humanos são mordidos por macacos e picados pelo vetor. Vale 
pontuar que os seres humanos são hospedeiros terminais do vírus da febre amarela, 
que é mantido na natureza em reservatórios mamíferos (PORTO; PORTO, 2019).
Os vetores da febre amarela são Aedes aegypti, Haemagogus Sp e Sabethes, 
pertencentes à família Culicidae. Somente as fêmeas realizam a hematofagismo, 
processo pelo qual esses insetos disseminam o vírus da febre amarela, e o vírus da 
dengue, nos casos de A. aegypti (BRASIL, 2021).
O Aedes aegypti tem hábito diurno, ou seja, se alimenta durante o dia, e é nesse 
horário que transmite doenças. Esses insetos são os principais portadores da febre amarela 
no ciclo urbano, ou seja, infectam-se ao picar pessoas infectadas e depois transmitem o 
vírus para outras pessoas com picadas subsequentes. No entanto, vale ressaltar que não 
há um ciclo urbano de febre amarela no Brasil desde 1942, segundo o Ministério da Saúde. 
Esses mosquitos depositam seus ovos em águas estagnadas e medidas de saneamento 
básico combinadas com a conscientização pública facilitarão seu controle e poderão 
erradicar a febre amarela urbana nas Américas (PORTO; PORTO, 2019).
A maior parte dos doentes de febre amarela apresentam formas benignas que 
evoluem para a cura, porém na parcela em que o quadro é mais grave, a mortalidade é 
em torno de 50% (BRASIL, 2021).
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O vírus da febre amarela tem um período de incubação, ou seja, período entre a 
infecçãoe início dos sintomas, de 3 a 6 dias, o que comparado a outras arboviroses, é 
um curto tempo de incubação. Sabe-se que após a inoculação do vírus, este se replica 
primeiramente nas células dendríticas e outros tecidos locais, migram para os nódulos 
linfáticos e se difundem pelos monócitos linfáticos e sanguíneos para vários tecidos e 
órgãos. Além disso, a viremia na febre amarela normalmente é removida antes da fase 
mais grave da doença, e com isso a resposta imune do hospedeiro que é a maior vilã do 
quadro provocado pela infecção (GARY; STEPHEN, 2016).
O fígado é o principal afetado na febre amarela, sofrendo com degeneração 
gordurosa (esteatose), necrose coagulativa mediozonal dos hepatócitos e presença 
de corpos apoptóticos. O vírus amarílico causa necrose em grandes extensões 
do parênquima hepático, principalmente nas áreas médio-zonais, poupando as 
extremidades dos lóbulos, e esse tipo de lesão é predominante na febre amarela. Porém, 
o achado mais comumente indicativo de febre amarela é o corpúsculo de Councilman 
Rocha Lima, uma degeneração hialina, acidófila dos hepatócitos, mas vale pontuar que 
esse achado não é patognomônico da febre amarela, também sendo encontrado em 
infecções por Plasmodium falciparum (malária) (PORTO; PORTO, 2019).
Figura 12 – Fígado com febre amarela 
Fonte: https://globoplay.globo.com/v/6470265/. Acesso em: 20 out. 2022.
A febre amarela é uma doença de notificação compulsória, assim, quando há 
suspeita desse diagnóstico, o médico deve comunicar à autoridade sanitária de sua 
região, e isso é importante para a vigilância epidemiológica, que deve auxiliar na tomada 
de medidas preventivas que evitem uma epidemia. O início dos sintomas da febre 
amarela costuma ser abrupto, com febre alta e vômitos, caracterizando um quadro 
infeccioso agudo com participação digestiva alta (PORTO; PORTO, 2019).
Normalmente, há declínio do quadro infeccioso entre o segundo e terceiro 
dia, e daí a doença evolui para cura ou ocorre recrudescência após um ou dois dias 
de relativa melhora clínica, acompanhada de manifestações tóxicas e icterícia. Nessa 
fase da doença, pode ocorrer comprometimento de mecanismos homeostáticos 
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da coagulação sanguínea, do fornecimento e utilização de energia, do controle dos 
níveis sanguíneos de substâncias orgânicas ativas, resultando em uma situação de 
instabilidade hemodinâmica que pode resultar em hipofluxo circulatório. Isso tem como 
consequência as lesões em múltiplos órgãos e falência multifuncional, principalmente a 
insuficiência renal (PORTO; PORTO, 2019).
IMPORTANTE
Um sinal clássico da febre amarela é o sinal de Faget, que consiste 
na dissociação entre pulso e temperatura. Normalmente, o paciente 
febril apresenta taquicardia, mas no sinal de Faget isso não ocorre, 
quadro em que pode inclusive ocorrer febre com bradicardia relativa. 
Disponível em: bit.ly/3Vlcp1Q. Acesso em: 20 out. 2022.
A vacina contra febre amarela é feita a partir do vírus atenuado, produzida em ovos 
embrionados de galinhas. O Brasil ampliou a indicação da vacina para todas as regiões do 
país, recomendando-se a vacinação de crianças a partir de nove meses de idade, antes 
disso há uma contraindicação relativa, e uma dose de reforço aos quatro anos de idade. A 
dose de reforço deverá ser agendada conforme o Calendário Nacional de Vacinação vigente, 
de modo a respeitar o intervalo mínimo de 30 dias entre as doses (BRASIL, 2019).
Figura 13 – Calendário vacinal da febre amarela
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Fonte: bit.ly/3FbCKKa. Acesso em: 20 out. 2022.
Em pessoas de 5 a 59 anos de idade, que nunca foram vacinadas ou sem 
comprovante de vacinação devem-se administrar uma dose da vacina. É recomendado 
vacinação para indivíduos não imunizados que irão viajar para áreas endêmicas, 
porém não é necessária a dose de reforço se já for vacinado. Para efeito de emissão 
do Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) seguir o Regulamento 
Sanitário Internacional (RSI), que recomenda uma única dose na vida. O viajante deverá 
se vacinar pelo menos, 10 dias antes da viagem (BRASIL, 2019).
Quadro 7 – Contraindicações da vacina
• Crianças menores de seis meses de idade.
• Pacientes em tratamento com imunobiológicos (Infliximabe, Etarnecepte, 
Golimumabe, Certolizumabe, Abatacept, Belimumabe, Ustequinumabe, 
Canaquinumabe, Tocilizumabe, Rituximabe, inibidores de CCR5 como Maraviroc), 
em pacientes que interromperam o uso dessa medicação é necessária avaliação 
médica para se definir o intervalo para vacinação, conforme manual dos CRIE.
• Pacientes submetidos a transplante de órgãos sólidos.
• Pacientes com imunodeficiências primárias graves.
• Pacientes com história pregressa de doenças do timo (miastenia gravis, timoma, 
casos de ausência de timo ou remoção cirúrgica).
• Pacientes recebendo corticosteroides em doses imunossupressoras (prednisona 2 
mg/kg por dia nas crianças até 10 kg por mais de 14 dias ou 20 mg por dia por mais 
de 14 dias em adultos).
• Pacientes portadores de doença falciforme em uso de hidroxiureia e contagem de 
neutrófilos menor de 1500 cels/mm3.
Fonte: Brasil (2019)
Para pessoas com 60 anos e mais, que nunca foram vacinadas ou sem 
comprovante de vacinação, o serviço de saúde deverá avaliar a pertinência da vacinação, 
levando em conta o risco da doença e o risco de eventos adversos nessa faixa etária e/
ou decorrentes de comorbidades (GARY; STEPHEN, 2016).
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A vacinação está contraindicada para as gestantes, no entanto, na impossibilidade 
de adiar a vacinação, como em situações de emergência epidemiológica, vigência de 
surtos ou epidemias, o serviço de saúde deverá avaliar a pertinência da vacinação 
(GARY; STEPHEN, 2016).
Os efeitos adversos da vacina contra febre amarela incluem discreta alteração 
de TGO/TGP, reações locais e febre nos casos leves. As reações graves, que são bastante 
raras, podem incluir doença neurológica, como Guillan-Barré e mononeurite, doença 
viscerotrópica gerada pelo vírus vacinal (vírus da febre amarela atenuado). Reações 
adversas graves devem ser notificadas (GARY; STEPHEN, 2016).
5 RAIVA HUMANA E TÉTANO 
A raiva é uma antropozoonose que acomete o sistema nervoso central, cujo 
agente etiológico é um vírus que pertence à família Rhabdoviridae e ao gênero Lyssavirus. 
Sua transmissão ocorre por secreções infectadas, usualmente saliva, as quais atingem 
o organismo através da mordedura animal ou da ferida aberta (GARY; STEPHEN, 2016). 
Seu genoma é constituído por uma molécula linear de ácido ribonucleico (RNA) 
fita simples (ssRNA+), o qual codifica cinco proteínas denominadas N, M, L, G e NS, todas 
com propriedades antigênicas (HINKLE; SHEEVER, 2011); (MURTA; GARCIA, 2021).
Raramente a inalação de aerossóis contendo vírus, a ingestão ou o transplante 
de tecidos infectados são capazes de transmitir a entidade nosológica. Sua importância 
deriva do fato de ser letal em aproximadamente 100% dos casos (BRASIL, 2019).
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, por ano, 55.000 pessoas 
evoluam para o óbito devido à doença. Uma vez clinicamente apresentada, as 
possibilidades de cura são remotas, restringindo-se a uns parcos relatos de casos. 
Assim, faz-se necessária a adoção de medidas profiláticas específicas, visando à 
proteção contra o adoecimento (BRASIL, 2019).
O período de incubação varia de alguns dias a vários anos, encontrando-se 
geralmente entre quatro a oito semanas. Essa variação dependerá da distância entre o 
ferimento em que foi inoculado o vírus rábico e o sistema nervoso central, da quantidade 
de tecido envolvido na inoculação, dos mecanismos de resposta do hospedeiro e da 
carga viral inoculada. Cabe ressaltar que as lesões próximas da cabeça e aquelas em 
crianças costumam ter o período de incubação mais curto (MURTA; GARCIA, 2021).
A distribuição da raiva é universal, destacando-se apenas algumas regiões 
insulares como o Japão e o Havaí, nas quais não existe a circulação do vírus, mesmo entre 
as espécies silvestres, consideradas os reservatóriosnaturais (MURTA; GARCIA, 2021).
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O único continente habitado e considerado sem a presença do vírus da raiva 
era a Oceania, mas o encontro de um Lyssavirus, fez com que essa situação esteja 
sendo revista. No Brasil, 576 casos de raiva humana foram registrados de 1990 a 2010. 
A região Nordeste mostra-se especialmente endêmica para a entidade nosológica – 
respondendo por 57% dos casos notificados no período – seguida da região Norte, com 
25%; Sudeste, com 10% e Centro-Oeste, com 8%. Desde 1987 não há registro de casos 
de raiva humana nos estados do Sul, sendo o último caso no Paraná, cuja fonte de 
infecção foi um morcego hematófago (BRASIL, 2019).
Em 2010, três casos de raiva humana foram notificados, todos na região 
Nordeste. Nos anos de 2004 e 2005, o morcego passou a ser o principal responsável 
pelas ocorrências de raiva humana, correspondendo a 86,5%dos casos nesses dois 
anos. Um exemplo disto foi ocorrência de surtos de raiva humana nos estados do Pará 
e Maranhão (BRASIL, 2019).
A forma mais frequente de transmissão da moléstia nos países em 
desenvolvimento é a mordedura por cães. Na Europa ocidental e nos Estados Unidos da 
América (EUA), as origens mais comuns são os guaxinins, as raposas, os morcegos e os 
coiotes (dentre os animais selvagens) e cães e gatos, dentre os mamíferos domésticos. 
A natureza da agressão deve ser determinada, pois animais raivosos geralmente atacam 
sem provocação prévia (BRASIL, 2019).
Não há uma terapia estabelecida para pacientes humanos com raiva. Uma 
abordagem ao tratamento da raiva humana foi recentemente publicada. O artigo 
recomendou o uso de uma combinação de terapias e discutiu os prós e contras de se 
utilizar uma variedade de medicamentos específicos (HINKLE; SHEEVER, 2011).
Em 2004, uma paciente de 15 anos de idade, sem ter sido vacinada previamente 
ao aparecimento dos sintomas da doença clínica, sobreviveu à raiva no Brasil. Ela fora 
mordida no dedo por um morcego e não procurou atendimento médico ou recebeu 
qualquer tratamento. Por volta de um mês após a mordida, a paciente desenvolveu 
sintomas clínicos de raiva, e anticorpos neutralizantes contra o vírus da raiva foram 
detectados em seu soro e líquido cefalorraquidiano (BRASIL, 2019).
O controle da raiva humana depende de diversas medidas de saúde e de 
educação, abrangendo ações individuais e coletivas, incluindo a vacinação animal, a 
captura para controle de mamíferos silvestres e a profilaxia pré e pós-exposição para 
os humanos, além da vigilância epidemiológica efetiva e adequada. Em relação à 
profilaxia pós-exposição, o conhecimento das condutas a serem adotadas é de extrema 
relevância para o profissional da área da saúde, principalmente para aqueles que atuam 
nos serviços de urgência e emergência (MURTA; GARCIA, 2021). 
131
Os procedimentos visam impedir que o vírus rábico alcance as terminações 
nervosas adjacentes à solução de continuidade, através da estimulação da resposta 
imunológica do enfermo e da eliminação das partículas virais da lesão. Deste modo, 
impede-se o processo de adoecimento.
6 MENINGITE 
Meningite é uma doença que resulta de um processo inflamatório das meninges, 
que são as membranas que recobrem o encéfalo e a medula espinhal. 
Figura 14 – Meninges
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Meninge. Acesso em: 20 out. 2022.
As etiologias são diversas, podem ser causadas por bactérias, vírus, fungos e, 
mais raramente, parasitas (protozoários e helmintos), sendo que, algumas etiologias 
podem cursar com quadros graves, com alta letalidade, mesmo com o tratamento 
adequado, ou ainda apresentar evolução para quadros hemorrágicos, que se confundem 
com infecções como febre maculosa, dengue, dentre outras (STANFIELD, 2013).
A doença meningocócica, causada pela bactéria Neisseria meningitidis 
(meningococo) e os vírus são os principais responsáveis por surtos e epidemias. A 
meningite meningocócica possui alta morbidade e letalidade. Entretanto a meningite 
viral é mais frequente que a bacteriana, sendo caracterizada geralmente por quadros 
benignos e autolimitados (STANFIELD, 2013).
Os principais agentes bacterianos são, a Neisseria meningitidis (meningococo), 
Streptococcus pneumoniae (pneumococo), Haemophilus influenzae.
A meningite bacteriana é um problema de saúde pública mundial, com 
incidência anual de 4-6 casos/100 mil adultos, sendo N. meningitidis e S. pneumoniae 
responsáveis por 80% dos casos (BRASIL, 2021).
132
O meningococo é o principal causador de epidemias no Brasil e possui diversos 
sorogrupos, sendo o sorogrupo C o mais prevalente. A meningite meningocócica 
pode ocorrer isoladamente ou associada à meningococcemia, caracterizada pela 
disseminação hematogênica do agente, resultando em vasculite sistêmica e fenômenos 
hemorrágicos fulminantes, sendo a forma mais grave da doença meningocócica. A 
suscetibilidade à infecção é geral, porém, os grupos de maior risco são as crianças 
menores de cinco anos, principalmente as menores de um ano, os idosos acima de 60 
anos e os imunodeprimidos (MURTA; GARCIA, 2021).
O modo de transmissão ocorre através do contato com secreções respiratórias 
do portador do agente patogênico sendo inalação de gotículas de secreção de vias 
aéreas, havendo necessidade de contato íntimo (moradores da mesma casa, pessoas 
que compartilham dormitório ou alojamento, comunicante de creche ou escola, 
namorado). As meningites virais (especificamente causadas por enterovírus) geralmente 
são transmitidas por via fecal-oral (PORTO; PORTO, 2019).
Apresenta um período de incubação de, em geral, 2 a 10 dias com média de 
3 a 4 dias. Para os enterovírus, situa-se entre 7 e 14 dias. Para os casos de meningite 
tuberculosa, a incubação ocorre nos 6 primeiros meses da infecção. 
Quadro 8 – No caso das meningites bacterianas, o agente etiológico pode atravessar a barreira 
hematoencefálica
Acesso direto são fraturas de crânio, defeito congênito de fechamento do tubo 
neural (espinha bífida, meningocele, meningomielocele, meningoencefalocele) e 
iatrogênica (punção liquórica inadequada).
Contiguidade são otites médias, mastoidites ou sinusites.
Via hematogênica e que ultrapassa a barreira hematoencefálica por ligação com 
receptores endoteliais, lesão endotelial ou em áreas mais susceptíveis, como 
o plexo coroide.
Derivações liquórica.
Fonte: adaptado de Porto e Porto (2019)
Nas manifestações clínicas da meningite, seu quadro clínico caracteriza-se 
por febre de início súbito, associada à cefaleia, prostração, náuseas, vômitos, hiporexia, 
rigidez de nuca, mialgia, agitação, fotofobia e sinais meníngeos.
Em neonatos e lactentes, o quadro é caracterizado por irritabilidade, baixa 
aceitação da dieta, hipertonia/hipotonia, febre, convulsões, choque séptico, abaulamento 
de fontanela, grito meníngeo (criança grita ao ser manipulada, principalmente, quando 
se flete as pernas para trocar a fralda). A presença de rigidez da nuca quase nuca está 
presente, sendo necessário analisar o quadro geral, abaulamento da fontanela e dados 
epidemiológicos para a suspeição de meningococo (MARTINI et al., 2014).
133
As medidas iniciais a serem adotadas para o tratamento são:
FIGURA 15 – MEDIDAS DE TRATAMENTO
Fonte: Brasil (2019)
De acordo Brasil (2019), a vacinação é considerada a principal medida preventiva, 
sendo as vacinas específicas para determinados agentes etiológicos e utilizadas na rotina 
para imunização de crianças menores de dois anos. Estão disponíveis no Calendário 
Nacional de Vacinação da Criança do Programa Nacional de Imunizações (PNI/MS):
Figura 16 – Calendário nacional de vacinação da criança do programa nacional de imunizações (PNI/MS)
Fonte: Brasil (2019)
134
DICA
Para aprofundar seu conhecimento leia o artigo: Diagnósticos de enfermagem 
em pacientes com meningite: uma proposta de intervenções de enfermagem. 
Acesse: https://revista.facene.com.br/index.php/revistane/article/view/277.
7 HANSENÍASE 
Conhecida como mal de Hansen (MH) é a hanseníase, caraterizada comouma doença infecciosa crônica, granulomatosa, causada pelo Mycobacterium leprae, 
apesar dessa bactéria ter sido descrita apenas em 1873, a doença é conhecida desde 
a antiguidade, quando recebeu o nome de lepra. Esta é uma doença que afeta a pele, 
o sistema nervoso periférico e, ocasionalmente, outros órgãos e sistemas. A maioria 
dos indivíduos oferece resistência ao M. leprae, não desenvolvendo a doença após o 
contato. A principal via de eliminação dos bacilos é a via aérea superior de doentes das 
formas multibacilares ou formas abertas da doença (BRASIL, 2021). 
As vias aéreas superiores são, ainda, consideradas como a principal porta 
de entrada do bacilo, entretanto, existem outras possíveis formas de transmissão: a 
infecção transplacentária e, ainda não totalmente elucidada e, por vezes, contestada; 
a contaminação pelo contato cutâneo, de lesões hansênicas, com a pele íntegra de 
indivíduos normais ou, particularmente, aquela com alterações das barreiras de defesa 
cutânea (SIQUEIRA; SANTOS; SILVA, 2010). 
O Mycobacterium leprae é um bacilo gram-positivo e álcool-acidorresistente 
(BAAR), que mede cerca de 1 a 8 μm de comprimento. Utilizamos algumas colorações 
especiais na patologia para conseguir identificar este bacilo. A sua coloração é obtida pelo 
método de Ziehl-Neelsen, por meio desse método identificamos os bacilos de Hansen 
como aqueles que se coram uniformemente em vermelho, quando estiverem íntegros 
ou viáveis. Os bacilos inviáveis podem ser identificados com estruturas granulosas 
(MURTA; GARCIA, 2021). 
Esta bactéria tem uma parede celular com membrana dupla, sendo 
que possui alguns antígenos envolvidos na sua patogênese, particularmente, a 
lipoarabinomanana (LAM), e, também, um trissacarídeo imunogênico espécie-
específico, o glicolipideofenólico-1 (PGL-1), antígeno supressor da resposta de células 
T e da produção de IFN-γ, e modulador da produção de TNF-α (MURTA; GARCIA, 2021).
Seu período de incubação dura em média entre 2 e 7 anos, podendo durar períodos 
mais curtos de 7 meses, como também mais longos de 10 anos (MURTA; GARCIA, 2021).
135
A diagnóstico é fundamentalmente clínico e epidemiológico, realizado por 
meio da análise do histórico e das condições de vida do paciente, além de um exame 
dermatoneurológico para identificar lesões ou áreas da pele com sensibilidade mudada 
e ou comprometimento de nervos periféricos, com alterações sensórias e/ou motoras 
e/ou autônomo (PORTO; PORTO, 2019).
 
A equipe de enfermagem deve cuidar desses pacientes. Isso envolve objetivos, 
como avaliar, confortar, ajudar, favorecer, promover, restabelecer, entre outros. Esse 
cuidado almeja a cura, mas independe de sua consecução. Planejar ações de assistência 
e controle do paciente, família e comunidade com base no levantamento epidemiológico 
e operacional (MUSSI et al., 2016).
DICA
Para aprofundar seu conhecimento leia o artigo Avaliação da Hanseníase: 
relato de experiência de acadêmicos de enfermagem. Acesse: bit.ly/3VGn6Mj.
8 ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM NAS DOENÇAS 
INFECTOCONTAGIOSAS 
Os cuidados da enfermagem na atenção primária, quando se refere à importância 
da educação em saúde, é fundamental que os profissionais da saúde, especialmente a 
enfermagem, busquem espaços sociais vulneráveis, diante do contexto atual em que 
vivemos, no qual as atividades sexuais são iniciadas cada vez mais precocemente e 
com relacionamentos, muitas vezes, instáveis e desprotegidos, expondo os jovens à 
gravidez indesejada e ao risco das DST (GARY; STEPHEN, 2016).
A enfermagem tem uma importância especial para atuar nessas situações, 
principalmente por ser uma profissão que tem como foco cuidar de pessoas em 
diferentes fases da vida, pela facilidade que você tem em conversar com cada pessoa 
e ajudá-la em suas necessidades, entendendo-a, melhorar sua saúde e cidadania. Ao 
mesmo tempo, é importante ampliar as ações de enfermagem para atuar de forma 
efetiva com jovens e jovens marginalizados, principalmente nas questões relacionadas 
a gênero, DST/AIDS e anticoncepção (BRASIL, 2019).
136
QUADRO 9 – CUIDADOS DE ENFERMAGEM – MENINGITE 
Avaliar com 
frequência os 
sinais vitais 
e estado 
neurológico.
Avaliar a pressão 
arterial quanto 
à ocorrência 
de choque, no 
qual precede 
a insuficiência 
respiratória e 
cardíaca.
Estabelecer 
precauções para 
o controle das 
infecções em até 24 
horas após o início 
da antibioticoterapia, 
sendo que as 
secreções nasal e 
oral são consideradas 
infecciosas.
Ajudar na 
inserção de tubo 
endotraqueal 
e manejo com 
a ventilação 
mecânica, 
conforme 
prescrição.
Indicar a 
oxigenação 
baseados nos 
resultados da 
gasometria 
arterial 
e oximetria 
de pulso.
Diminuir a febre 
alta para reduzir 
a carga das 
demandas de 
oxigênio sobre 
o cérebro e o 
coração.
Resguardar o paciente 
de lesão secundária à 
atividade convulsiva 
ou alteração do nível 
de consciência.
Proporcionar 
repouso 
providenciando 
quarto tranquilo 
e escuro.
Monitorar o peso corporal, eletrólitos 
séricos e o volume, densidade 
específica e a osmolaridade da urina, 
principalmente se houver suspeita de 
síndrome da secreção inapropriada de 
hormônio antidiurético.
Cuidar para que não haja complicações 
associadas à imobilidade como, pneumonia 
e lesão por pressão.
Fonte: Brasil (2021)
Caro acadêmico, chegamos ao final do Tópico 1, onde tivemos a oportunidade de 
ampliar o conhecimento sobre as principais doenças infectocontagiosas e as principais 
atuações da equipe de enfermagem. Na sequência, no Tópico 2, vamos estudar as 
principais doenças que acometem o sistema neurológico. Vamos lá!
137
RESUMO DO TÓPICO 1
 Neste tópico, você aprendeu:
• A precaução padrão e a respiratória são as mais utilizadas pela equipe de enfermagem.
• O uso correto das máscaras.
• A transmissão do HIV se dá através do contato de fluidos corporais.
• A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria treponema 
pallidum.
138
1 O modo de transmissão da meningite corre através do contato com secreções 
respiratórias do portador do agente patogênico sendo inalação de gotículas de 
secreção de vias aéreas, havendo necessidade de contato íntimo (moradores da 
mesma casa, pessoas que compartilham dormitório ou alojamento, comunicante de 
creche ou escola, namorado). As etiologias são diversas e podem possuir diversas 
causas. Conforme a afirmação acima, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Bactérias, circulação viral e mais raramente, parasitas (protozoários e helmintos).
b) ( ) Bactérias, vírus, fungos e, mais raramente, parasitas (protozoários e helmintos).
c) ( ) Vírus e bactéria mais raramente por parasitas.
d) ( ) Vírus, fungos e circulação viral.
2 A enfermagem tem uma importância especial para atuar nessas situações, 
principalmente por ser uma profissão que tem como foco cuidar de pessoas em 
diferentes fases da vida, pela facilidade que você tem em conversar com cada pessoa 
e ajudá-la em suas necessidades, entendendo-a, melhorar sua saúde e cidadania. 
Por essa razão, é importante ampliar as ações de enfermagem para atuar de forma 
efetiva contra a meningite, referindo-se a ações que incidem no período pré-
patogênico, antes da instalação da doença. Assinale a alternativa que engloba esse 
tipo de prevenção:
a) ( ) Cura.
b) ( ) Promoção da saúde.
c) ( ) Tratamento.
d) ( ) Vacinação.
3 A atuação multiprofissional com a realização de ações de prevenção, promoção e 
assistência à saúde da população é de fundamental importância no tratamento de 
doenças infectocontagiosas. Entretanto, constitui-se atenção básica como elemento 
primário e coordenador da Rede de Atenção à Saúde promoção da saúde estreita sua 
relação com a vigilância em saúde, numa articulação que reforma a exigência de um 
movimento integrador na construção de consensos. Assinale a alternativa CORRETA 
sobre os aspectos conceituais dessa temática:
a) ( ) O processo de trabalho da vigilância em saúde engloba coleta, consolidação,avaliação e disseminação de informações para subsidiar a tomada de decisão.
b) ( ) Vigilância exclusiva de populações expostas à vulnerabilidade social.
c) ( ) São ações que englobam a saúde do trabalhador e sanitária.
d) ( ) São ações que englobam aspectos epidemiológicos da população sem considerar 
o perfil populacional e dados coletivos para a tomada de decisão.
AUTOATIVIDADE
139
4 A identificação de áreas críticas para doenças infecciosas e parasitárias no Brasil 
e o conhecimento sobre a sua relação com indicadores socioeconômicos são de 
fundamental importância para alinhar as ações de vigilância nos âmbitos local e 
nacional, fornecendo subsídios para o estabelecimento de medidas assertivas de 
controle, planejamento e intervenção. Comente sobre a temática apresentada:
5 Atuando de forma presente na linha de frente, a enfermagem está diretamente ligada 
ao combate das doenças infectocontagiosas causadas por surtos e epidemias que 
apresentam grandes desafios mundiais. Conforme essa afirmação, descreva o que 
são as doenças infectocontagiosas, como são transmitidas e cite exemplos:
140
141
PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA 
NEUROLÓGICO
1 INTRODUÇÃO
As doenças neurológicas são patologias que prejudicam o sistema nervoso 
central e sistema nervoso periférico. Nos dias atuais existem mais de 600 tipos de 
doenças neurológicas conhecidas, que vão desde casos comuns, como dores de cabeça 
frequentes, até os mais complexos, como demências e síndromes raras (BRASIL, 2021).
UNIDADE 2 TÓPICO 2 - 
Figura 17 – Sistema nervoso central
Fonte: https://br.pinterest.com/pin/304837468531831861/. Acesso em: 21 out. 2022
A doenças neurológicas apesar dos diferentes problemas que podem afetar 
o sistema nervoso, alguns deles são mais conhecidos. O Parkinson é um exemplo. 
A doença atinge cerca de 1% da população acima dos 65 anos. Sua causa é a morte 
progressiva dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina que é o que 
controla os movimentos do corpo (BRASIL, 2021).
Desse modo, é preciso que o médico realize as duas perguntas, atentando-
se aos detalhes dos sintomas e sinais, por meio de uma anamnese bem coletada, 
especificando ao máximo a que nível topográfico aquela lesão está. Já em outros casos, 
os sintomas e sinais de lesão estrutural do sistema nervoso são evidentes e por si 
só motivam a consulta, por exemplo, hemiplegia, hipoestesia, diplopia ou de disartria 
(MARTINI et al., 2014). Agora fica o questionamento: como procurar a topografia da 
lesão? O raciocínio topográfico é realizado por meio da pesquisa dos sinais associados 
ao sinal principal. Desse modo, quando ocorre uma paresia de um membro, são os sinais 
relacionados de alteração do tono, dos reflexos ou da sensibilidade que permitirão o 
diagnóstico topográfico (STANFIELD, 2013).
142
Todo bom exame neurológico é demorado? Se você respondeu que sim, saiba 
que você está parcialmente incorreto, pois não há sentido prático em se avaliar a 
possibilidade de ocorrência de sinais que usualmente associam-se a um sinal principal 
quando este está ausente (MARTINI et al., 2014).
O déficit neurológico focal pode ser unifocal, que envolve apenas uma lesão, 
ou multifocal, sugerindo mais de uma lesão. Este problema neurológico pode levar à 
paralisia, enfraquecimento, perda do controle muscular, aumento ou perda do tônus 
muscular, movimentos involuntários, diminuição ou falta de sensibilidade e alterações 
nas sensações. O déficit neurológico focal é a perda de movimento, sensação ou função 
em um local específico do corpo, como o lado esquerdo da face, braço esquerdo ou 
áreas menores, como a língua. Complicações na visão, audição e fala também são 
considerados déficits neurológicos focais. O problema envolve o nervo, medula espinal 
ou a função cerebral (MARTINI et al., 2014).
O diagnóstico de qualquer doença neurológica passa primeiro pela consulta e 
pelo exame clínico com o neurologista. O tratamento depende do diagnóstico e é muito 
amplo (BRASIL, 2021). A avaliação neurológica se baseia em duas perguntas chaves. 
A primeira se refere aos sintomas e sinais e a segunda pergunta trata da topografia da 
lesão. Tal fato é de extrema importância para concretizar o raciocínio clínico neurológico 
(STANFIELD, 2013). Pense bem: você está em um plantão e chega um paciente 
queixando-se de dores fortes, você irá precisar saber onde essa dor está localizada. 
Em neurologia não é diferente, a localização da dor refere-se à topografia da lesão e 
essa informação somada a outras será de grande importância para determinar um 
diagnóstico preciso (STANFIELD, 2013).
Em alguns casos, a avaliação se limita apenas à primeira questão, haja vista que 
não há possível dano neurológico. Agora vamos supor que você está diante de um caso 
em que o paciente apresente cefaleia, distúrbios psiquiátricos ou tontura. Qual será sua 
conduta? Lembre-se de que a partir desses sintomas, podemos estar diante de uma 
doença neurológica (STANFIELD, 2013).
2 PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA NEUROLÓGICO
As doenças neurológicas, podem se manifestar por meio de sinais físicos, 
emocionais e comportamentais, os sintomas mais comuns são alterações repentinas 
de humor, depressão, mudança no sono, podendo dormir demais ou menos, confusão 
mental, perda progressiva de memória e alucinações (BRASIL, 2021). Veremos a seguir 
as algumas das principais doenças neurológicas: 
143
2.1 ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL E ENCEFÁLICO
É definido por uma lesão encefálica secundária a um mecanismo vascular e não 
traumático, caracterizado pela instalação súbita de um déficit neurológico, geralmente 
focal, de rápida evolução, com duração maior que 24 horas (ou menor, quando leva 
o paciente à morte). É conhecido também como acidente vascular cerebral (AVC), ou 
derrame cerebral, mas sua nomenclatura mudou para abranger todo o encéfalo, visto 
que estruturas do tronco cerebral, diencéfalo e cerebelo também podem sofrer esses 
eventos vasculares (GARY; STEPHEN, 2016).
Atualmente, é a segunda causa mais comum de óbito no mundo atrás apenas 
da cardiopatia isquêmica, mostrando a predominância dos eventos vasculares como 
causas de morte, e é o distúrbio neurológico mais incapacitante (GARY; STEPHEN, 2016).
No Brasil, é a causa mais frequente de óbito da população adulta, e corresponde 
a grandes gastos anuais nos setores de saúde pública, portanto, sua prevenção é de 
interesse não só para a saúde, mas para a economia nacional (GARY; STEPHEN, 2016).
Assim, os fatores de risco para o acidente vascular encefálico podem ser 
divididos em modificáveis que podem ajudar na prevenção e não modificáveis. Os 
acidentes vasculares encefálicos são classificados como isquêmicos ou hemorrágicos, 
em relação ao processo fisiopatológico subjacente. O acidente vascular encefálico 
isquêmico é o mais comum, representando até 85% dos casos, e têm como fatores de 
risco principais a HAS e a fibrilação atrial (portanto, fatores de risco modificáveis). Já 
o acidente vascular encefálico hemorrágico, corresponde a 15% dos casos, têm como 
principais fatores de risco a HAS, angiopatia amiloide condição comum em pacientes 
com idade avançada, má formações vasculares e uso de drogas ilícitas, em especial, 
a cocaína, principalmente, após as primeiras 48 horas de uso (GARY; STEPHEN, 2016).
A hipertensão arterial é o principal fator de risco para ambos os tipos de AVE, 
isso porque é importante causa de aterosclerose de artérias carótidas e vertebrais, 
causando o AVE isquêmico, além de ser um dos fatores responsáveis pela formação dos 
aneurismas de Charcot-Bouchard, pequenos aneurismas que promovem fragilidade 
vascular e contribuem para o AVE hemorrágico quando rompidos, em geral durante um 
pico hipertensivo (MARTINI et al., 2014).
O AVE isquêmico é causado por uma obstrução súbita do fluxo arterial encefálico, 
devido, na maioria das vezes, a uma causa embólica (trombo proveniente de circulação 
distante) ou, mais raramente, trombótica (o trombo é formado na própria artéria 
envolvidano AVE). Quando não é possível determinar a causa do AVE, o denominamos 
AVE criptogênico (MARTINI, 2014 et al.).
144
Nas primeiras 24 horas após o AVE, métodos como o PET SCAN podem 
delimitar as áreas infartadas e as zonas de penumbra auxiliando a equipe médica para 
o diagnóstico do paciente.
 
A interrupção do fluxo sanguíneo subsequente gera isquemia, privando 
neurônios e células gliais de oxigênio e glicose, e causando disfunção neuronal (quando 
o fluxo cerebral de oxigênio cai abaixo de 20ml/100mg/min). Caso essa não haja 
reversão dessa situação, acontece o infarto do núcleo isquêmico, a morte do tecido e 
uma lesão irreversível. Ao redor da região infartada, existe a zona de penumbra, onde 
um mecanismo de extração aumentada de oxigênio apesar do baixo fluxo permite 
que a lesão causada seja potencialmente reversível, contanto que o fluxo sanguíneo 
seja restaurado (por recanalização do vaso ocluído ou circulação colateral, altamente 
dependente da pressão arterial – por isso, é preciso ter cuidado no controle da PA na 
fase aguda do AVE isquêmico ”) (PORTO; PORTO, 2019).
DICA
Para aprofundar seu conhecimento sobre PET SCAN leia o artigo O uso 
da tomografia por emissão de pósitrons (PET-scan) na localização de foco 
epileptogênico: relato de caso. Acesse: bit.ly/3H1hE2n
Silva et al. (2019) ressalta que sendo uma doença silenciosa de grande 
consequência na vida dos pacientes, familiares e comunidade, o AVC por ser de origem 
isquêmico ou hemorrágico, em ambos os casos, as consequências na vida desses 
pacientes serão impactantes. Faz-se evidente o papel da equipe de enfermagem 
no cuidado ao paciente com AVC sendo necessárias vários medida e planos para o 
diagnóstico de enfermagem e cuidados.
O Ministério da Saúde (2013) traz que 40% a 50% das vítimas de AVC são fatais. 
Cerca de 80% dos casos de AVC são de origem isquêmica em que há a obstrução de um 
vaso sanguíneo no cérebro e 20% dos casos são hemorrágicos. 
Silva et al. (2019) reforça que o acidente vascular encefálico (AVE) como uma das 
principais patologias com vítimas fatais no brasil. O AVE é a obstrução ou rompimento 
de uma ou várias artérias, fazendo com que o encéfalo não receba irrigação.
 A identificação precoce dos sinais e sintomas do AVE é determinante para a 
redução dos danos neurológicos, bem como a reversão das sequelas. Pois, mediante a 
rápida identificação, feita por alguém que esteja próximo a vítima, leva à busca imediata 
por atendimento médico de emergência. Devido à vasta gama de sinais e sintomas do 
145
AVE, a população em geral tem dificuldade em reconhecê-los e associá-los a afecções 
cerebrais. Reconhecê-los é, indiscutivelmente, importante na abordagem inicial do 
paciente, pois ao agilizar seu atendimento, aumentam-se as chances de sobrevivência 
e diminuem-se as sequelas neurológicas (SILVA et al., 2019, p. 2). 
2.2 Aneurisma 
Aneurisma é uma dilatação arterial, acometendo todas as camadas do vaso, 
com um crescimento maior do que 50% do seu diâmetro normal (PORTO; PORTO, 2019). 
A prevalência de aneurismas por uma série de estudos radiográficos e de autópsia é 
estimada em 3,2% em uma população sem comorbidades, com uma idade média de 50 
anos e uma proporção de gênero de 1:1. Dos pacientes com aneurisma cerebral, cerca de 
20 – 30% possuem múltiplos aneurismas. Acredita-se que a ruptura de um aneurisma 
seja responsável por cerca de 0,4 – 0,6% de todas as mortes (PORTO; PORTO, 2019).
A maioria dos aneurismas estão localizados na circulação anterior, 
predominantemente no polígono de Willis. Os sítios comumente acometidos são: a 
junção da artéria comunicante anterior com a artéria cerebral anterior, a junção da artéria 
comunicante posterior com a artéria carótida interna e a bifurcação da artéria cerebral 
média. Quanto aos sítios na circulação posterior, têm-se: o topo da artéria basilar, a 
junção da artéria basilar e as artérias cerebelares superiores ou anteriores e a junção da 
artéria vertebral e da artéria cerebral inferior posterior (GARY; STEPHEN, 2016).
De acordo Gary e Stephen (2016), existem alguns tipos de aneurismas que 
podem ser identificados nos pacientes. São eles: pseudoaneurisma, aneurisma sacular 
(é o mais comum), aneurisma fusiforme, aneurisma fusiforme e sacular, aneurisma 
micótico e o aneurisma tipo blister.
Quadro 10 – Tipos de aneurismas 
Aneurisma sacular: saliência que se forma na parede 
enfraquecida de uma artéria.
Aneurisma fusiforme: consiste no aumento ou dilatação de 
toda a circunferência do vaso envolvido.
Aneurisma fusiforme e sacular: representado pelo aparecimento dos dois 
tipos no mesmo sítio do vaso.
Aneurisma micótico: resulta de embolia infectada devido à 
endocardite infecciosa.
Aneurisma tipo blister: é uma dilatação menor do que 50%, 
porém possui uma parede arterial mais 
fragilizada, resultando em uma maior 
probabilidade de sangramento.
Fonte: adaptado de Gary e Stephen (2016)
146
A patogênese do aneurisma cerebral é multifatorial. O estresse hemodinâmico 
causa desgaste excessivo na parede do vaso, causando a quebra da lâmina elástica 
interna. O fluxo sanguíneo turbulento produz vibrações que podem coincidir com a 
frequência ressonante da parede arterial, resultando em uma fadiga estrutural. Nota se 
que a hipertensão, o tabagismo e doenças do tecido conectivo podem “potencializar” 
esse processo de fragilidade da parede do vaso (GARY; STEPHEN, 2016). Além disso, 
sabe-se que a formação de placas ateroscleróticas exerce um papel fundamental na 
fisiopatologia dos aneurismas.
2.3 DOENÇA DE ALZHEIMER 
A doença de Alzheimer é caracterizada por placas neuríticas extracelulares no 
córtex cerebral e nas paredes dos vasos sanguíneos meníngeas e cerebrais.
A causa mais comum Alzheimer é demência sendo ela responsável por mais 
de 50% dos casos. O distúrbio lentamente progressivo que apresenta um curso de 5 
a 10 anos, que inicia com deficiência de aprendizado e memória recente. O paciente 
sofre de desorientação espacial, assim, se perde facilmente a dificuldade com limpeza, 
cozinhar e com autocuidado (GARY; STEPHEN, 2016), podendo ser manifestado 
um distúrbio da marcha do lobo frontal, com passos curtos arrastados, dificuldade 
de girar, tendência de queda e postura fletida, semelhante à doença de Parkinson. 
Em estágios mais tardios, a graça social é perdida, e sintomas psiquiátricos como 
paranoia, alucinações e ilusões podem aparecer. Pacientes com doença terminal são 
confinados ao leito, mudos e incontinentes.
Conforme Gary e Stephen (2016), essas placas contêm um núcleo denso de 
material amiloide rodeado por neuritos (axônios, dendritos), astrócitos reativos e micróglia. 
Outras alterações estruturais incluem a formação de emaranhados neurofibrilares 
intraneuronais, perda neuronal e sináptica, astrocitose reativa e proliferação da 
micróglia. Existe controvérsia quanto a quais aspectos são mais relacionados com 
a patogênese da doença. As placas neuríticas são particularmente característica da 
doença de Alzheimer, mas há pouca evidência de que início da doença se correlacione 
com o número de placas.
Demência ou transtorno neurocognitivo maior é uma doença neurológica 
progressiva que cursa com alteração cognitiva persistente e leva a prejuízo funcional, 
interferindo nas atividades profissionais e sociais dos portadores, sem que haja 
alterações no nível de consciência. De acordo com a etiologia, podem ser reversíveis ou 
irreversíveis (GARY; STEPHEN, 2016).
Para estabelecer o diagnóstico de um transtorno neurocognitivo maior, é 
necessário que o paciente apresente declínio em pelo menos duas funções da cognição 
(memória, linguagem, praxias, gnosias e funções executivas). Dessa forma, o declínio 
exclusivo da memória não é suficiente para estabelecer o diagnóstico sindrômico de 
demência (MURTA; GARCIA, 2021).
147
IMPORTANTE
Naturalmente com o envelhecimento, a função cognitiva muda e se torna mais 
lentificada, sem que isso seja considerado patológico (MURTA; GARCIA, 2021).
Entre as alteraçõescognitivas do envelhecer normal e a demência existe o 
comprometimento cognitivo leve ou transtorno neurocognitivo menor, em que existe um 
déficit cognitivo leve sem alteração na funcionalidade. Ou seja, os pacientes apresentam 
um declínio cognitivo maior do que o esperado para a idade, mas são independentes. Como 
a demência é uma doença progressiva, todos os pacientes que possuem diagnóstico de 
demência passaram pelo comprometimento cognitivo leve, exceto, é claro, em quadros 
agudos como trauma cranioencefálico ou AVC (MARTINI et al., 2014).
A prevalência do comprometimento cognitivo leve varia entre 1 e 6% no mundo. 
Assim como a demência, a prevalência costuma aumentar com a idade, sendo que cerca 
de 20% dos indivíduos entre 80 e 90 anos possuem comprometimento cognitivo leve, 
aumentando para 40% entre os maiores de 90 anos. Os pacientes com comprometimento 
cognitivo leve têm maior possibilidade de evolução para doença de Alzheimer do que a 
população geral, sendo a taxa de conversão ao redor de 10 a 15%ao ano, comparado a 1 
a 2% na população geral (MARTINI et al., 2014).
A cognição é a função mental relacionada com a capacidade de aquisição de 
conhecimento e engloba atenção, percepção, processamento, memória, raciocínio, 
visualização, planificação, resolução de problemas, execução e expressão de 
informação (MARTINI et al., 2014). A cognição é a função mental relacionada à aquisição 
de conhecimento enquanto a funcionalidade é a habilidade de exercer tarefas que 
permitem viver de forma independente.
O conceito de funcionalidade determina a habilidade do indivíduo de realizar 
as atividades que permitem o autocuidado e uma vida independente. Está diretamente 
relacionado com a qualidade de vida. Prejuízo funcional é a perda da capacidade de 
realizar atividades que previamente eram realizadas. A avaliação do prejuízo cognitivo é 
realizada através na análise de atividades instrumentais (atividades mais elaboradas) e 
atividades básicas (MARTINI et al., 2014).
ATENÇÃO
O delirium é uma síndrome clínica caracterizada por um declínio global 
das funções cognitivas associado à alteração de consciência que se 
desenvolve em um curto período de tempo e apresenta flutuações 
durante o dia. Portanto, se diferencia das demências, pois neste a 
consciência está inalterada e a apresentação é progressiva e persistente 
(PORTO; PORTO, 2019).
148
As demências são divididas em dois grandes grupos: demências com 
comprometimento estrutural do sistema nervoso central e demências sem 
comprometimento do sistema nervoso central. O segundo grupo ocorre de forma 
secundária a doenças sistêmicas (como doenças cardiovasculares e endócrinas) ou 
ao uso de drogas (como hipnóticos, antipsicóticos e antidepressivos). Como foi dito, o 
paciente com comprometimento cognitivo leve tem maior possibilidade de desenvolver 
demência (PORTO; PORTO, 2019).
Figura 18 – Fatores de risco 
Fonte: adaptado de Porto e Porto (2019)
2.4 DOENÇA DE PARKINSON 
Doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum, 
acometendo entre 2% e 3% da população acima dos 65 anos. Manifesta-se com 
caráter predominantemente motor, é progressiva e ligeiramente mais comum no sexo 
masculino. Anormalidades não motoras como distúrbios cognitivos, psiquiátricos e 
autonômicos, hiposmia (baixa sensibilidade olfativa), fadiga e dor também podem 
ocorrer, e algumas delas podem preceder as alterações motoras. A doença de 
Parkinson geralmente surge após os 50 anos, sendo considerada de início precoce 
quando se instala antes dos 40 anos (cerca de 10% dos casos) e juvenil antes dos 20 
anos (extremamente rara) (MUSSI et al., 2016).
Na etiologia da doença de Parkinson interagem de forma complexa fatores 
genéticos, ambientais (exposição a pesticidas e metais pesados, desnutrição, obesidade) 
e o próprio envelhecimento. Em cerca de 10% a 15% dos casos, a moléstia é de natureza 
genética, sendo que mais de 20 loci já foram identificados (PORTO; PORTO, 2019).
As formas genéticas da doença, geralmente, são de início mais precoce. 
Do ponto de vista fisiopatológico, a expressão motora da doença de Parkinson é 
decorrente de uma deficiência na transmissão dopaminérgica na via nigroestriatal, 
consequência do processo degenerativo que a comete os neurônios mesencefálicos 
nigrais (MARTINI et al., 2014).
149
Na doença de Parkinson a principal manifestação clínica é a síndrome 
parkinsoniana, decorrente do comprometimento da via dopaminérgica nigroestriatal. 
Alterações não motoras também estão presentes e decorrem em grande parte do 
envolvimento de estruturas fora do circuito dos núcleos da base (MARTINI et al., 2014). 
O parkinsonismo ou síndrome parkinsoniana é um dos mais frequentes tipos de 
distúrbio do movimento e apresenta-se com quatro componentes básicos: bradicinesia, 
rigidez, tremor de repouso e instabilidade postural. O clássico “tremor de repouso” 
da doença de Parkinson tem características clínicas típicas. Manifesta-se com uma 
frequência de quatro a seis ciclos por segundo, normalmente com uma aparência de 
“rolar pílulas” quando ele envolve a mão. Em geral, está presente quando o membro 
está em repouso completo e, frequentemente, reduz-se quando o membro se move e 
ocupa uma nova posição, embora possa surgir novamente (“tremor reemergente”) em 
um tempo curto após a manutenção da nova posição (TARASOUTCHI, 2020).
Uma vez que o tremor de repouso diminui ou se abranda com a ação, ele pode 
não ser incapacitante, mas pode ser constrangedor e estar associado à sensação de dor 
ou fadiga do membro afetado.
Devemos incluir um tratamento não medicamentoso, para tanto se faz 
necessária a atenção de uma equipe multidisciplinar com enfermeiro, fisioterapeuta, 
terapeuta ocupacional entre outros profissionais, enfatizando também a participação da 
família para favorecer a independência e o lado psíquico do paciente.
2.5 TRAUMA CRÂNIOENCEFÁLICO – TCE
Trauma cranioencefálico é o tipo mais comum de trauma e, na maioria dos casos, 
o paciente acaba morrendo antes mesmo de chegar ao hospital – aliás, cerca de 90% 
das mortes em ambiente pré-hospitalar se devem a lesões cerebrais. Por outro lado, 
entre aqueles pacientes que sobrevivem, uma alta taxa acaba ficando com sequelas, 
que afetam suas atividades sociais e profissionais. Juntando tudo isso, então, o trauma 
crânio encefálico acaba tendo um grande impacto sobre a saúde pública e é justamente 
por isso que precisamos compreendê-lo.
Figura 19 – TCE como caracterizar
Fonte: adaptada de Martini et al. (2014)
150
Pressão intracraniana é caraterizada pelo o crânio é uma caixa óssea e, 
portanto, incapaz de se expandir. A partir disso, o volume de conteúdo no seu interior 
acaba determinando o valor da pressão intracraniana que, quando normal, fica em torno 
de 10mmHg (MARTINI et al., 2014).
Em cima disso daí, podemos supor que caso o volume de conteúdo aumente, 
a pressão intracraniana também irá aumentar. E esse raciocínio está certo, no entanto, 
existe um mecanismo compensatório que precisa ser “vencido” antes de notarmos 
qualquer alteração na pressão intracraniana (PORTO; PORTO, 2019).
Se o volume extra continuar crescendo, no entanto, haverá um momento 
em que o mecanismo já não será mais suficiente e a PIC começará a aumentar 
vertiginosamente podendo levar, inclusive, à herniação da massa encefálica. A partir 
daí o paciente começa a apresentar um quadro de hipertensão intracraniana (HIC) que 
pode progredir e se tornar grave, a partir de quando ele costuma se apresentar através 
da chamada Tríade de Cushing (MARTINI et al., 2014).
No final das contas, o importante é termos em mente que baixos níveis de fluxo 
sanguíneo cerebral podem não ser adequados para suprir as demandas metabólicas do 
cérebro e aí isso vai ter uma série de repercussões sobre o paciente (PORTO; PORTO, 2019). 
Mas será que também não há um mecanismo compensatório aqui? Até tem, mas 
agora a compensação é feita pelos capilares, que são capazes de fazer vasoconstrição 
e vasodilataçãode acordo com o valor da PAM (PORTO; PORTO, 2019).
ATENÇÃO
Uma pausa só para lembrarmos que a pressão de perfusão cerebral 
pode ser encontrada usando a seguinte fórmula: PPC = PAM – PIC.
A PAM se autorregula entre 50 e 150mmHg para manter o FSC constante. No 
entanto, pode acontecer de a lesão ser tão grave que acaba impossibilitando esses 
mecanismos compensatórios e aí, nesses casos, a dinâmica será diferente:
• PAM elevada = Aumento da PIC;
• PAM diminuída = Infarto/Isquemia.
151
Contudo, a maioria dos casos graves é provocada por acidentes de trânsito, em 
que o TCE constitui uma das principais causas de morte. Existem vários mecanismos 
que podem provocar lesões encefálicas. O mais comum corresponde a um golpe direto 
sobre o crânio, provocando, independentemente da eventual fratura óssea, o choque 
das estruturas nervosas subjacentes contra o osso no ponto de impacto ou no lado 
oposto (MARTINI et al., 2014). Em relação às fraturas, a primeira coisa que precisamos 
ter em mente é que para ocorrer uma fratura de crânio no paciente, a energia envolvida 
no trauma foi muito grande (MARTINI et al., 2014).
As principais fraturas são as de calota e as de base de crânio. O diagnóstico 
dessa condição costuma ser dado por meio de uma TC de crânio, no entanto, a própria 
inspeção da cabeça do paciente já pode nos dizer muita coisa. No caso de uma fratura 
de calota, por exemplo, pode ser possível identificar uma depressão na cabeça. Já a 
fratura de base costuma ter sinais mais específicos (MARTINI et al., 2014).
NOTA
Lesões intracranianas, já com relação às lesões intracranianas, temos que 
elas podem ser difusas ou focais.
Lesão Difusa, as lesões difusas costumam estar associadas a acidentes 
de alto impacto ou de desaceleração, sendo normalmente causado por 
hipóxia ou isquemia.
Lesão Focal, já quando falamos em lesões focais, estamos nos referindo, 
basicamente, aos vários hematomas que podem ocorrer (MARTINI et al., 2014).
A equipe de enfermagem deve realizar avaliação primária devendo garantir 
permeabilidade das vias aéreas, estabilização da coluna cervical, oferecer oxigênio para a 
ventilação adequada, monitorar a circulação e avaliar o paciente (HINKLE; SHEEVER, 2011).
DICA
Para aprofundar seu conhecimento leia o artigo Mecanismos de lesão cerebral 
no traumatismo cranioencefálico. Acesse: bit.ly/3ESAaHJ
152
2.6 CEFALEIA E ENXAQUECA 
A cefaleia está entre as razões mais comuns pelas quais os pacientes procuram 
atendimento médico, sendo responsável, em um nível global, por mais incapacidade do 
que qualquer outro problema neurológico. O diagnóstico e o tratamento baseiam-se em 
uma abordagem clínica que é amplificada pelo conhecimento da anatomia, fisiologia e 
farmacologia das vias do sistema nervoso que medeiam as várias síndromes de cefaleia.
O sistema de classificação desenvolvido pela International Headache Society 
caracteriza a cefaleia como primária ou secundária. Cefaleias primárias são as cefaleias 
que têm o sintoma da dor de cabeça sendo seu principal, sem demais sinais ou sintomas 
sistêmicos. Não causa lesão estrutural, tende a não ser progressiva ou originar sequelas. 
Já nas cefaleias secundárias, os sintomas são decorrentes de afecções sistêmicas 
subjacentes, sendo consequência de uma agressão causada pela doença de base, a 
qual pode ser grave, como meningite, hemorragia subaracnóidea (HSA), trombose 
venosa cerebral (TVC) e tumores do sistema nervoso central (MARTINI et al., 2014).
A cefaleia secundária branda, como a observada em associação a infecções do 
trato respiratório superior, é comum, mas raramente preocupa. A cefaleia ameaçadora 
à vida é relativamente incomum, mas é necessário ter vigilância a fim de reconhecer e 
tratar de maneira apropriada os pacientes (MARTINI et al., 2014).
Quadro 11 – Causas comuns de cefaleia
Cefaleia primária Cefaleia secundária
Tensional Infecção sistêmicas
Enxaqueca Traumatismo craniano
Em punhaladas, idiopática Distúrbios vasculares
Por esforço Hemorragia subaracnóidea
Em salvas Tumor cerebral
Fonte: o autor
O paciente que se apresenta com cefaleia grave recente tem um diagnóstico 
diferencial bem diferente do paciente com cefaleias recorrentes durante muitos anos. 
Na cefaleia intensa e de início recente, a probabilidade de se encontrar uma causa 
potencialmente grave é bem maior do que na cefaleia recorrente. Os pacientes com início 
recente da dor exigem avaliação imediata e tratamento adequado. As causas graves a 
serem consideradas consistem em meningite, hemorragia subaracnóidea, hematomas 
extradural ou subdural, glaucoma, tumor e rinossinusite purulenta (TARASOUTCHI, 2020).
153
Estudos epidemiológicos têm buscado estimar a sua prevalência em diferentes 
populações e o seu impacto, tanto na população como no sistema de saúde. Nos 
ambulatórios de clínica médica, a cefaleia é a terceira queixa mais frequente (10,3%), 
suplantado apenas por infecções de vias aéreas e dispepsias. Nas Unidades de Saúde, 
a cefaleia é responsável por 9,3% das consultas não agendadas, e nos ambulatórios de 
neurologia é o motivo mais frequente de consulta. Pacientes com cefaleia representam 
4,5% dos atendimentos em unidades de emergência, sendo o quarto motivo mais 
frequente de consulta nas unidades de urgência. Tendo por base esses dados, justifica-
se a elaboração de um protocolo clínico para condução e tratamento das cefaleias nas 
unidades de urgência do Brasil (BRASIL, 2019).
No ano de 2012 foi feito uma análise mundial dos dados de cefaleia analisando 
a prevalência do sintoma pela International Association for the Study of Pain. Foi 
constatado que 50% da população geral têm cefaleia durante um determinado ano e 
mais de 90% referem história de cefaleia durante a vida. A média da prevalência de 
migrânea (enxaqueca) ao longo da vida é de 18% e a média estimada da prevalência 
durante o último ano de 13%, em crianças e adolescentes é de 7,7% (BRASIL, 2019).
A cefaleia do tipo tensional é mais comum que a migrânea, com prevalência ao 
longo da vida de aproximadamente 52%. Contudo, apenas as cefaleias do tipo tensional 
frequente ou crônica reduzem a capacidade funcional, 3% da população geral têm 
cefaleia crônica, ou seja, cefaleia em ≥15 dias por mês. Estes são os com maior redução 
na sua capacidade funcional (BRASIL, 2019).
A enxaqueca geralmente começa com um sinal anunciador, que pode persistir 
durante horas a dias, por exemplo, quando os pacientes observam dificuldade de 
concentração ou fadiga, sem dor de cabeça. Uma aura pode ou não ocorrer, mas é 
geralmente presente antes da dor de cabeça começar. A dor de cabeça tem como 
principal característica a unilateralidade, mas pode ser unilateral ou bilateral, latejante, 
moderada a grave, e, classicamente, piora com a atividade (MARTINI et al., 2014). 
Características clínicas que também acompanham as crises incluem náuseas, 
vômitos, sensibilidade à luz e som. Outras características clínicas incluem dor no 
pescoço, ocasionalmente tontura, osmofobia e dificuldade para pensar. A enxaqueca 
com aura é geralmente visual, mas pode ser sensitiva ou pode incluir afasia ou vertigem. 
Aura de enxaqueca sem dor de cabeça começa com um distúrbio neurológico, como 
um fenômeno visual, mas sem dor de cabeça subsequente (MURTA; GARCIA, 2021).
2.7 ESCLEROSE MÚLTIPLA
A esclerose múltipla é uma doença autoimune, de caráter desmielinizante, 
crônica e evolutiva que atinge a substância branca do sistema nervoso central. A 
autoimunidade representa o processo de agressão à bainha de mielina do sistema 
nervoso central por uma resposta inflamatória exacerbada e contínua. Tal elemento é 
essencial para o curso das alterações progressivas ao indivíduo acometido por essa 
patologia (STANFIELD, 2013).
154
Em geral, o curso clínico da doença ocorre com eventos recorrentes e períodos 
de remissões, fato que determina o padrão sintomatológico e grau de incapacitação 
dos pacientes acometidos. Em associação, outro determinante é a fase da doença 
em que o indivíduose encontra. A esclerose múltipla, junto a outras doenças como 
encefalomielite disseminada aguda e encefalomielite necrotizante hemorrágica 
aguda, compõe o grupo das doenças denominadas desmielinizantes do sistema 
nervoso central (STANFIELD, 2013).
A incidência e prevalência da doença no mundo variam de acordo com as 
diferentes áreas geográficas e etnias, predominando em regiões temperadas e frias e 
em indivíduos caucasianos. Por exemplo, na Europa, a prevalência fica em torno de 100 
a cada 100.000 habitantes, enquanto no Japão varia em torno de dois casos a cada 
100.000 habitantes (MARTINI et al., 2014).
No Brasil, de acordo com o ‘Atlas da Esclerose Múltipla’, 2013, a prevalência foi 
de 5 a 20 pessoas a cada 100.000 habitantes. Estima-se que a doença predomine em 
áreas mais frias e com altas latitudes, ou seja, quanto maior a distância da linha do 
Equador, maior a probabilidade de acometimento. Este fato é evidenciado no Brasil, 
visto que o Sul e Sudeste são as áreas mais prevalentes (MARTINI et al., 2014).
A esclerose múltipla é predominante em adultos jovens, na faixa etária entre 20 e 
40 anos de idade, mas não exclui outras faixas etárias. Ao contrário do imaginário popular 
de que é uma doença comumente encontrada em pacientes idosos. É predominante 
no sexo feminino em uma proporção de 3:1. Vale salientar que a esclerose múltipla é a 
segunda causa de incapacitação por origem não traumática em adultos jovens, por isso, 
seu diagnóstico e manejo em fases iniciais é essencial para o controle sintomático eficaz, 
bem como para proporcionar qualidade de vida aos acometidos (MARTINI et al., 2014).
Fatores que desencadeiam a EM (Esclerose Múltipla) ainda não são bem 
explicitados na literatura. Muitos estudos relacionam interações complexas entre 
genética e fatores ambientais que possam explicar o desenvolvimento e progressão da 
doença, contudo, ainda não há definição clara sobre tais aspectos. O que se sabe é que 
a ação do sistema imune de forma desregulada e agressiva ao SNC está envolvida no 
processo patológico (STANFIELD, 2013).
A doença se inicia a partir da ativação desregulada do sistema imune 
com linfócitos T na periferia, ou seja, no sangue periférico e linfonodos. Com isso, 
há consequente ativação de linfócitos B e monócitos que atravessam a barreira 
hematoencefálica e chegam ao SNC gerando reações inflamatórias indesejadas 
como a produção de citocinas e anticorpos. Tal reação de maneira continua ocasiona 
a desmielinização, com áreas espaçadas que formam os focos cicatriciais gliose 
(PORTO; PORTO, 2018).
155
A perda de função durante um surto da doença ocorre tanto pelo processo 
inflamatório agudo, quanto pelos efeitos diretos da desmielinização que geram bloqueio 
da condução dos impulsos nervosos (PORTO; PORTO, 2018).
As etapas para o cuidado de enfermagem para pacientes com esclerose múltipla 
são baseadas da sistematização da assistência de enfermagem, começando pela avaliação 
de enfermagem, diagnostico, intervenção e avaliação dos resultados (STANFIELD, 2013). 
Para o diagnóstico são possíveis alterações de quem tem a esclerose múltipla.
Figura 20 – Alterações de quem tem esclerose múltipla
Fonte: adaptada de Stanfield (2013)
As intervenções devem conter a coparticipação do enfermeiro com o paciente 
e familiares, trabalhando juntos, para identificar, planejar, implementar e avaliar cada 
cuidado prestado, de acordo com as necessidades de cada paciente, com o intuito de 
promover o bem-estar e a qualidade de vida (MUSSI et al., 2016).
3 ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM PRINCIPAIS DOENÇAS DO 
SISTEMA NEUROLÓGICO
O ato de cuidar é o fundamento da enfermagem Rosin et al. (2016) refere-se à 
assistência de enfermagem como um método que visa à promoção de qualidade na 
assistência do cuidado. A enfermagem deve atentar-se à organização no processo de 
trabalho, usando com facilidade as ferramentas que tragam melhora no controle interno 
promovendo benefícios ao paciente, familiares e comunidade. Tendo em conta as respostas 
humanas aos processos de vida e aos problemas de saúde, que demonstram níveis elevados 
de julgamento clínico e tomada de decisão, surge o enfermeiro especialista.
Um dos maiores recursos da enfermagem é o uso da linguagem patronizada, 
que tem como objetivo melhorar a comunicação entre a equipe multidisciplinar, visando 
à otimização do tempo para diagnóstico e intervenção de enfermagem. Em pacientes 
com disfunções neurológicas os cuidados de enfermagem se tornam ainda mais 
essências, efetivando a importância intervenções e planejamento, proporcionando um 
cuidado direcionado.
156
 Processo do cuidado de enfermagem ao paciente com doença neurológica 
é constante e deve ser aprimorado de igual forma. A identificação de diagnóstico de 
enfermagem relacionada ao sistema neurológico direciona as intervenções que buscam 
a preservação e a recuperação das funções vitais afetadas, como a consciência, a força 
motora, a deglutição e a fala. Ainda, dependendo da extensão e da localização dos 
danos neurológicos, distúrbios sistêmicos podem estar associados.
O paciente neurológico pode muitas vezes requerer cuidados específicos, muitos 
pacientes podem apresentar lesões em decorrência de um AVC ou AVE, que pode ficar 
restrito ao leito ou com mobilidade comprometida. Assim, as orientações, planejamentos 
e cuidados de enfermagem devem ser específicos e com comprometimento dos 
familiares paciente e equipe multidisciplinar, atentando-se para as necessidades 
relatadas do paciente cuidados a saúde emocional e qualidade de vida.
Figura 21 – Paciente acamado
Fonte: https://www.masternursing.com.br/5-cuidados-paciente-acamado/. Acesso em: 21 out. 2022.
Caro acadêmico, chegamos ao final do Tópico 2, onde tivemos a oportunidade 
de ampliar o conhecimento sobre as principais doenças que acometem o sistema 
neurológico e as principais atuações da equipe de enfermagem. Na sequência, no Tópico 
3, vamos estudar a atuação da enfermagem e principais doenças infectocontagiosas 
e neurológicas.
157
RESUMO DO TÓPICO 2
 Neste tópico, você aprendeu:
• O sistema nervoso central e sistema nervoso periférico.
• O diagnóstico de qualquer doença neurológica passa primeiro pela consulta e pelo 
exame clínico com o neurologista.
• As doenças neurológicas, podem se manifestar por meio de sinais físicos, emocionais 
e comportamentais.
• A esclerose múltipla é uma doença autoimune.
158
1 Todas as doenças neurológicas, apesar dos diferentes problemas que podem afetar 
o sistema nervoso, alguns deles são mais conhecidos. A doença atinge cerca de 1% 
da população acima dos 65 anos. Sua causa é a morte progressiva dos neurônios 
responsáveis pela produção de dopamina, controladores dos movimentos corporais. 
Conforme descrito acima, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Alzheimer. 
b) ( ) Parkinson.
c) ( ) Atrofia muscular espinhal.
d) ( ) Esclerose múltipla.
2 Sendo consideradas uma das razões mais comuns pelas quais os pacientes 
procuram atendimento médico, a cefaleia é responsável, em um nível global, por 
mais incapacidade do que qualquer outro problema neurológico. Foi desenvolvido 
um sistema de classificação pela International Headache Society que caracteriza a 
cefaleia como primária ou secundária. Assinale a alternativa CORRETA no que diz 
respeito à cefaleia primária:
a) ( ) Tensional; enxaqueca; em punhaladas, idiopática; por esforço e em salvas.
b) ( ) Tensional; enxaqueca; em punhaladas, idiopática; por esforço e tumor cerebral.
c) ( ) Infecção sistêmicas; enxaqueca; em punhaladas, idiopática; por esforço e tumor 
cerebral.
d) ( ) Infecção sistêmicas; enxaqueca; em punhaladas, idiopática; por esforço e em salvas.
3 Demência ou transtorno neurocognitivo maior são causas do Alzheimer, destacando-
se como doença neurológica progressiva que cursa com alteração cognitiva 
persistente e leva a prejuízo funcional, interferindo nas atividades profissionais e 
sociais dos portadores, sem que haja alterações no nível de consciência.um papel essencial no 
sistema imunológico contra infecções e na termorregulação (ARQBRASCARDIOL, 2021).
Entre os vasos sanguíneos existem algumas diferenças, funcionais, morfológicas 
e até mesmo estruturais, que permitem que possa haver a distinção entre elas. Entre 
os vasos, artérias e veias, essa regra não é uma exceção, notam-se algumas diferenças 
particulares que diferenciam as artérias das veias. Contudo, só se conseguem observá-
las ao microscópio em cortes transversais de um par formado por artéria e veia, a partir 
daí torna-se fácil comparar seus calibres e as espessuras das paredes. 
As artérias possuem paredes mais espessas, esse aumento na espessura é uma 
estruturação fisiológica, haja vista que o coração lança o sangue a pressões elevadas 
por meio das artérias e ele é transportado até chegar ao nível de capilares, onde ocorrem 
as trocas de substâncias, enquanto as veias possuem paredes mais delgadas. 
5
Além disso, a luz do lúmen é mais estreita, devido à espessura de suas túnicas. 
Outra diferença é a presença da lâmina elástica interna nas artérias, enquanto as veias 
não a possui. 
Os vasos sanguíneos em conjunto dão origem a uma rede de tubos que irão 
realizar o transporte do sangue pelo corpo. Esses tubos possuem algumas especificações 
que servem como fator diferencial. Eles têm diferentes diâmetros e fazem circular o 
sangue arterial (oxigenado) e venoso (rico em gás carbônico), constituindo o sistema 
cardiovascular ou circulatório. Conforme podemos ver a seguir:
Figura 2 – Vasos sanguíneos
Fonte: https://biologiaresolvida.com.br/resumo/resumo-sistema-circulatorio-visao-geral/. Acesso em: 16 out. 2022.
As doenças cardiovasculares contribuem significativamente como grupo causal 
de mortalidade em todas as regiões brasileiras. Os estudos epidemiológicos demonstram 
várias doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, aterosclerose, infarto agudo do 
miocárdio, insuficiência cardíaca congestiva, arritmias cardíacas, valvulopatias, doença 
arterial obstrutiva periférica e trombose venosa profunda (CASTRO et al., 2004).
2.1 HIPERTENSÃO ARTERIAL 
Você já deve ter conhecido uma pessoa hipertensa. Isso acontece porque é uma 
das doenças mais comuns no mundo, acomete em torno de um bilhão de pessoas em 
todo o planeta. No Brasil, acomete cerca de 30% da população adulta e até 60% dos idosos 
(PORTO; PORTO, 2019). Conforme Porto e Porto (2019), o GBD, observou-se que o aumento 
da pressão foi o principal fator de risco, responsável por 10,4 milhões de mortes. 
6
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é classificada em dois tipos: a primária, 
considerada de causa desconhecida, e a secundária, relacionada a causas específicas 
como estreitamento das artérias renais, doença parenquimatosa renal, medicamentos, 
gestação, coarctação da aorta (Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2021).
DICA
Para aprofundar seu conhecimento leia o artigo: Hipertensão ar tensão arterial 
sistêmica terial sistêmica primária. Disponível em: file:///C:/Users/Leandro/
Downloads/69136-Texto%20do%20artigo-91260-1-10-20131216.pdf. 
A causa mais comum de hipertensão é a resistência vascular periférica 
aumentada. Contudo, como a pressão arterial é igual à resistência periférica total vezes 
o débito cardíaco, aumentos prolongados do débito cardíaco também podem causar 
hipertensão (PORTO; PORTO, 2019).
A HAS é definida como uma pressão arterial (PA) maior que 140/90 mmHg em 
adultos, em pelo menos três visitas consecutivas ao consultório do médico (DIRETRIZES 
DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2021). 
Figura 3 – Pressão arterial
Fonte: https://www.mdsaude.com/hipertensao/pressao-arterial-normal/. Acesso em: 16 out. 2022.
A fisiopatologia compreende o aumento da atividade do sistema nervoso 
simpático com reabsorção de sódio, cloreto e água, atividade aumentada do sistema 
renina-angiotensina-aldosterona, ocorrendo a vasodilatação diminuída das arteríolas 
e início da resistência à insulina (DIRETRIZES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE 
CARDIOLOGIA, 2021). 
7
A hipertensão por si só não causa sintomas, portanto, não apresenta sinais 
relevantes para um possível diagnóstico. Alguns sinais e sintomas que podem acometer 
o paciente são: cefaleias, fadiga e tontura. Entretanto, a descoberta pode acontecer 
no momento da triagem de enfermagem no atendimento de saúde quando o paciente 
busca o serviço. 
Algumas complicações podem acometer o paciente adulto relacionado ao 
sistema cardiocirculatório como: infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca, 
acidentes vasculares encefálicos trombóticos e hemorrágicos, encefalopatia 
hipertensiva e insuficiência renal (PORTO; PORTO, 2019).
Segundo Mion Junior et al. (1996), o diagnóstico da hipertensão arterial é um ato 
médico que, baseado num procedimento relativamente simples, a medida da pressão 
arterial, envolve a grande responsabilidade de decidir se um paciente é normotenso 
ou hipertenso. O diagnóstico em hipertensão arterial é baseado na anamnese, exame 
físico e exames complementares que auxiliam na realização do diagnóstico da doença 
propriamente dita, sua etiologia, grau de comprometimento de órgãos-alvo e na 
identificação dos fatores de risco cardiovascular associados.
Acerca dos métodos diagnósticos e tratamento, uma vez tendo avaliada a 
pressão arterial do paciente, nós podemos classificá-la em três categorias: pressão 
arterial normal, pré-hipertensão e hipertensão, seguindo as diretrizes da Sociedade 
Brasileira de Cardiologia, 2021: 
Quadro 1 – Categorias ou classificação da pressão arterial
PAS
(MMHG)
PAD (MMHG)
PA Normal ≤ 120 ≤ 80
Pré-hipertensão 121 – 139 81-89
Hipertensão I 140-159 90-99
II 160-179 100-109
III ≥ 180 ≥ 110
Fonte: Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2021, s.p.)
Um dos principais fatores de risco é o consumo excessivo de sódio, ou seja, 
a ingestão de sal que pode levar a problemas cardiovasculares e renais, contudo, 
interferem diretamente no sistema cardiocirculatório. 
8
Estima-se que o consumo médio de sódio pela população seja duas vezes 
o máximo recomendado, que é de 2g/dia. A ingestão de álcool também eleva a PA 
de forma consistente. Além disso, doenças como diabetes mellitus, dislipidemia, 
obesidade abdominal, intolerância à glicose são consideradas fatores de risco para o 
desenvolvimento da HAS. 
A prevalência de HAS e sua correlação com o sobrepeso ou obesidade 
demonstraram que a obesidade e o nível de hipertensão grave estão moderadamente 
inter-relacionados, no qual quanto mais alto o Índice de Massa Corpórea (IMC), mais alto 
é o nível de pressão, e a prevalência de obesidade severa na população tem crescido 
nas últimas décadas.
Figura 4 – Resultado do IMC
Fonte: https://definicao.net/imc/. Acesso em: 16 out. 2022.
DICA
Para aprofundar seu conhecimento leia o artigo: Variação de IMC, padrões 
alimentares e atividade física entre adultos de 21 a 44 anos. Disponível em: https://
www.scielo.br/j/csc/a/m7HjKSSHnz88NQ5q7fz7Qdm/abstract/?lang=pt. 
O sedentarismo e a HAS têm relações estreitas, no qual a inatividade física 
aumenta o sobrepeso, obesidade, circunferência abdominal, os níveis de triglicerídeos, 
reduz o HDL colesterol, assim como síndrome metabólica e resistência à insulina, o que 
acarreta na elevação da PA, com isso o sedentarismo aumenta a morbimortalidade dos 
pacientes com HAS.
A educação em saúde é imprescindível, pois ao instruir os pacientes sobre seus 
tratamentos medicamentosos e não medicamentosos é possível controlar a PA. 
9
O tratamento não farmacológico consiste em realizar uma série de mudanças 
no estilo de vida do paciente como alimentação saudável, redução do consumo de 
sódio, componente do sal de cozinha, atividade física, evitar bebida alcoólica, cessar 
tabagismo, reduzir o estresse, redução do peso. 
O tratamento farmacológico, por sua vez, deve ser prescrito pelo médico. 
Existem cinco classes de medicamentos que têm a capacidade de auxiliar no controle 
da PA, são eles: diuréticos, antagonistasConforme 
seus conhecimentos, descreva a característica do Alzheimer:
4 Existem alguns tipos de aneurismas, que podem ser identificados nos pacientes, sendo 
esses o pseudoaneurisma, aneurisma sacular (é o mais comum), aneurisma fusiforme, 
aneurisma fusiforme e sacular, aneurisma micótico e o aneurisma tipo blister. Conforme 
a descritiva, assinale a alternativa CORRETA sobre aneurisma sacular:
a) ( ) Consiste no aumento ou dilatação de toda a circunferência do vaso envolvido.
b) ( ) Resulta de embolia infectada devido à endocardite infecciosa.
c) ( ) Saliência que se forma na parede enfraquecida de uma artéria.
d) ( ) Resulta a infectada devido à endocardite infecciosa.
AUTOATIVIDADE
159
5 O acidente vascular encefálico (AVE) é considerado uma das principais patologias com 
vítimas fatais no Brasil, que é a obstrução ou rompimento de uma ou várias artérias, 
fazendo com que assim o encéfalo não receba irrigação. A identificação precoce dos 
sinais e sintomas é determinante para a redução dos danos neurológicos, bem como 
a reversão das sequelas. Com base nessas informações, explique a definição do AVE.
160
161
TÓPICO 3 - 
ATUAÇÃO DA ENFERMEGEM PRINCIPAIS 
DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS 
E NEUROLÓGICAS
1 INTRODUÇÃO
A enfermagem desempenha um papel importante no controle de infecções 
relacionadas à assistência à saúde, sendo responsável por promover ações que refletem 
diretamente na prevenção de tais doenças. Dentre essas ações temos a educação em 
saúde, que é uma prática voltada para orientações que buscam promover, por meio 
do diálogo entre profissionais e usuários, medidas que auxiliem na prevenção dessas 
doenças (ROCHA; CENSI, 2021).
A história da enfermagem está ligada ao combate das doenças infectocontagiosas 
causadas por surtos e epidemias que apresentam grandes desafios mundiais. Como 
podemos presenciar atualmente com a pandemia gerada pelo SARS-COV-2, agente 
infeccioso da Covid-19, a enfermagem atua na linha de frente, realizando o planejamento 
da assistência e gestão do cuidado (ROCHA; CENSI, 2021).
A atuação do enfermeiro em relação à educação em saúde estimula o usuário 
a ter um sentimento de felicidade, pois aprende sua patologia, para prevenir doenças e 
tornar-se multiplicador de saberes saudáveis (ROCHA; CENSI, 2021). Manter o processo 
educativo ao longo do tratamento, atendendo às diretrizes do SUS. Cabe à equipe de 
saúde orientar enfaticamente (ROCHA; CENSI, 2021).
Dessa maneira, a educação em saúde é entendida como um processo 
de aprendizagem teórico-prático com objetivo de combinar diferentes tipos de 
conhecimento, como o científico, o popular e o senso comum, conscientizando as 
pessoas envolvidas em tais práticas a desenvolverem uma visão crítica da produção do 
cuidado em saúde (ROCHA; CENSI, 2021).
A educação em saúde é vista como uma estratégia muito importante, pois 
estimula o pensamento dos participantes, contribui para o autocuidado e favorece 
mudanças no estilo de vida. (ROCHA; CENSI, 2021).
UNIDADE 2
162
Assim, há uma necessidade de monitoramento permanente das ações em 
saúde pelo profissional enfermeiro, de modo a manter a efetividade dos benefícios 
alcançados com a participação em programa estruturado de educação. Suas principais 
formas de prevenção são: lavar as mãos com frequências, evitar usar o sistema de ar 
quente para secar as mãos, manter carteira de vacinação atualizada, conservar bem os 
alimentos, manter a cozinha e banheiro limpos e evitar o compartilhamento de objetos 
pessoais (ROCHA; CENSI, 2021).
O enfermeiro tem um papel importante na enfermagem é uma profissão 
comprometida com a saúde e qualidade de vida da pessoa, família e coletividade, 
devendo assegurar a assistência livre de danos decorrentes de imperícia, negligência ou 
imprudência, atuar na prevenção, promoção, recuperação e reabilitação da saúde, com 
autonomia e em consonância com os preceitos éticos e legais (ROCHA; CENSI, 2021).
Segundo BARROS; LEMOS e Lemos (2009), é de suma importância salientar que 
a enfermagem tem progredido com tais avanços, que embasam o saber baseado na 
experiência apropriada às diversas atividades realizadas pela profissão, em que o esforço 
para essas conquistas originou-se da busca por autonomia profissional, evidenciada 
pelo desenvolvimento de um corpo com conhecimentos próprios que conferiram à 
enfermagem o status de ciência, que tem contribuído progressivamente para a solução 
de problemas antes complicados, revertendo, muitas vezes, graves situações ou riscos 
de doenças em melhores condições de saúde para as pessoas, porquanto agiliza o 
processo de decisão e proporciona a garantia e segurança na assistência aos clientes.
Os cuidados de enfermagem são realizados por uma equipe da qual fazem parte 
o enfermeiro, o técnico de enfermagem, o auxiliar de enfermagem e o atendente de 
enfermagem. As atribuições e responsabilidades de cada um são diferentes, de acordo 
com a Lei do Exercício Profissional nº 7498, de 25/06/86, regulamentada pelo Decreto 
Lei nº 94406 (BRASIL, 2019). 
DICA
Para aprofundar seu conhecimento sobre a Lei do Exercício Profissional 
nº 7498 de 25/06/86 suas atribuições legais e regimentais. Acesse: http://
www.cofen.gov.br/lei-n-749886-de-25-de-junho-de-1986_4161.html. 
2 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO MANEJO DAS 
DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS 
Segundo Ribeiro et al. (2021), a posição de linha de frente dos profissionais de 
Enfermagem no ambiente de UTI torna propício esse protagonismo pelos próprios atributos 
da profissão que requerem que eles permaneçam por mais tempo ao lado dos pacientes.
163
Figura 22 – Doenças infectocontagiosas
Fonte: bit.ly/3OR6OOq. Acesso em: 20 out. 2022.
Para que a assistência de enfermagem ao paciente portador de infecção 
sexualmente transmissível seja resolutiva e solidária, faz-se necessária a capacitação 
dos profissionais. A capacitação da equipe de enfermagem tem como diretriz qualificar 
a assistência. Quanto mais qualificada estiver essa equipe, mais facilmente ela poderá 
abordar e satisfazer as necessidades da clientela. Quando se educa uma equipe, 
dignifica-se o profissional e o cliente que será assistido por ele (PEREIRA, 2019).
3 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO MANEJO DAS 
DOENÇAS NEUROLÓGICAS 
Os cuidados de enfermagem de forma geral são voltados para atender às 
principais necessidades do paciente/indivíduo, em que as condições do paciente 
neurológico permitirão ao enfermeiro criar vinculo trazendo conforto e confiança no 
cuidado prestado.
Ainda sobre a prevenção e promoção as afecções neurológicas, onde quando 
a avaliação é criteriosa o atendimento à vítima se mantém eficaz onde se reduz as 
consequências e aumenta as chances de sobrevivência da vítima. Acima de tudo, o 
manejo rápido e adequado reduz a mortalidade e contribui significativamente para a 
prevenção cardíaca e cerebral das vítimas de parada cardíaca (CRUZ et al., 2021).
164
Figura 23 – Doença neurológica
Fonte: bit.ly/3Vp194y. Acesso em: 20 out. 2022.
Consequentemente, é uma das atribuições do enfermeiro, prestar cuidados 
diretos aos pacientes graves e com risco de vida que requererem conhecimento 
científico e capacidade de tomar decisões imediatas para restaurar a saúde e atuar no 
âmbito da reabilitação (CRUZ et al., 2021).
O sistema neurológico é responsável por manter o nível de consciência, o 
controle da memória, os processos mentais, as emoções, as sensações e os movimentos 
voluntários (CARPENITO-MOYET, 2008). 
Nos pacientes com distúrbios neurológicos vasculares devem-se iniciar pelo 
histórico de enfermagem coletando os dados, com a anamnese e o exame físico 
detalhado do paciente, atentando-se para a alteração do nível de consciência, a reação 
das pupilas, as disfunções motoras e sensoriais, as disfunções dos nervos cranianos, 
a dificuldade da fala e os distúrbios visuais, cefaleia e rigidez de nuca e outros déficits 
neurológicos (MARTINI et al., 2014).
Figura 24 – Afecção neurológica
DICA
Para aprofundar seu conhecimento leia o artigo Raciocínioclínico e pensamento 
crítico. Disponível em: bit.ly/3ivPYZD.
Fonte: https://www.einstein.br/doencas-sintomas/esclerose-multipla. Acesso em: 20 out. 2022.
165
Os pacientes devem ser avaliados e monitorados constantemente por meio 
da avaliação da equipe de enfermagem e do enfermeiro, assim com todos os dados é 
possível realizar a avaliação integral do paciente com segurança (MARTINI et al., 2014).
Figura 25 – Dados de atenção para avaliação do paciente
Fonte: Adaptada de Martini et al. (2014)
A avaliação e o monitoramento reúnem a coleta sistemática de dados sobre 
atividades, características e efeitos, de forma a reduzir incertezas, melhorar a efetividade 
e tomada de decisões com respeito e quais são seus resultados e como pode ser 
ajustado (PATTON, 1990).
Esta é uma área de grande importância em sua carreira profissional, por meio dela 
você irá relacionar as disciplinas básicas da área de enfermagem às especialidades, como a 
saúde do adulto, combinando a teoria com a prática e o uso do raciocínio clínico e crítico para 
tomadas de decisões. O enfermeiro profissional deve ter o conhecimento técnico-científico 
para garantir a qualidade de assistência nas áreas de promoção da saúde, prevenção e 
tratamento doenças e reabilitação dos indivíduos (MARTINI et al., 2014).
Chegamos ao final da Unidade 2. Vimos no decorrer dos nossos estudos as 
principais doenças infectocontagiosas e principais doenças do sistema neurológico 
e a atuação de enfermagem. Na próxima unidade, nós vamos estudar as principais 
doenças do sistema endócrino e gastrointestinal, visando à atuação de toda equipe de 
enfermagem no atendimento ao paciente. 
Bons estudos! 
166
ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO E OS CUIDADOS DE ENFERMAGEM
 
Gabriela Crivelaro Giattida Sila 
Aldo Henrique Menechelli Ferrari
Clara Fróes de Moraes
 Luis Alberto Domingo Francia Farje 
1 INTRODUÇÃO
 
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a segunda maior causa de morte no 
mundo, responsável por 6,7 milhões de óbitos, segundo pesquisas em 2012. No Brasil, 
as doenças cerebrovasculares estão em primeiro lugar, dentre as principais causas 
de morte, seguidas do infarto agudo do miocárdio. A Organização Mundial de Saúde 
(OMS) estima que até 2030, o AVC continue sendo a segunda maior causa de mortes 
no mundo, sendo responsável por 12,2% dos óbitos previstos para o ano (ARAÚJO et al., 
2017). O AVC, ou, atualmente, também chamado de AVE (Acidente Vascular Encefálico), 
caracteriza-se por um déficit neurológico, geralmente focal, de instalação súbita e 
rápida evolução, decorrente do dano localizado em alguma região cerebral (Protocolo 
Sírio Libanês). O mesmo pode se manifestar de duas formas: isquêmica (obstrução do 
vaso, dificultando o suprimento de oxigênio e substratos ao tecido cerebral – resultado 
de processos ateroscleróticos ou embólicos) e hemorrágica (extravasamento de sangue 
dentro ou em volta das estruturas do sistema nervoso central – intraparenquimatoso 
e subaracnoideo, respectivamente). Assim, o AVC é uma doença caracterizada pelo 
início agudo de um déficit neurológico que persiste por pelo menos 24 horas, refletindo 
envolvimento focal do sistema nervoso central, como resultado de um distúrbio na 
circulação sanguínea cerebral (CANCELA, 2009). Os principais fatores de risco para a 
doença são divididos em não modificáveis e modificáveis. Os fatores não modificáveis são: 
idade avançada, o sexo masculino e a raça negra. Já os modificáveis são, principalmente, 
a hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e o tabagismo (ARAÚJO et al., 2017). 
Seu quadro clínico geralmente é de hemiplegia, disfunção sensorial, afasia, déficits no 
campo visual, comprometimento mental e intelectual, diminuição de força muscular e 
limitações funcionais. Aproximadamente metade dos sobreviventes de AVE apresenta 
disfunções da função sensório-motora no membro superior acometido. De três a seis 
meses após o AVE, 55% a 75% dos pacientes continuam com as funções de agarrar, 
segurar e manipular objetos prejudicadas (CRUZ et al., 2019). A identificação precoce 
dos sinais e sintomas do AVE é determinante para a redução dos danos neurológicos, 
bem como a reversão das sequelas. Pois, mediante a rápida identificação, feita por 
alguém que esteja próximo a vítima, leva à busca imediata por atendimento médico de 
LEITURA
COMPLEMENTAR
167
emergência. Devido à vasta gama de sinais e sintomas do AVE, a população em geral 
tem dificuldade em reconhecê-los e associá-los a afecções cerebrais. Reconhecê-los 
é, indiscutivelmente, importante na abordagem inicial do paciente, pois ao agilizar seu 
atendimento, aumentam-se as chances de sobrevivência e diminuem-se as sequelas 
neurológicas (FREITAS et al., 2016). Este estudo tem como objetivo apresentar os sinais 
e sintomas do AVE, o diagnóstico, os possíveis tratamentos, medidas terapêuticas, sua 
incidência, prevalência e os cuidados respectivos que devem adotar os profissionais da 
área da saúde, principalmente os enfermeiros.
2 DESENVOLVIMENTO DO ASSUNTO 
O Acidente Vascular Cerebral ou Acidente Vascular Encefálico (AVE) apresenta 
altos níveis de mortalidade e, nos casos em que os indivíduos que tiveram tal doença 
não vierem ao falecimento, poderão ser gerados quadros de incapacidades funcionais 
que se apresentarão como provisórias ou permanentes (ARAÚJO et al., 2017). Segundo 
dados estatísticos do Ministério da Saúde, Portugal ocupou o último lugar de quatorze 
países da União Europeia com o número mais alto de mortalidade devido a doenças 
cerebrovasculares, sendo sua incidência de 300-400 casos/100.000 por ano (CANCELA, 
2009). A espasticidade causada pelo acidente vascular encefálico (AVE) é uma das 
principais causas de incapacidade funcional total ou parcial do membro superior ou 
inferior (CRUZ et al., 2019). Quando há a presença de danos nas funções neurológicas, 
originam-se défices acometendo as funções motoras, sensoriais, comportamentais, 
perspectivas e da linguagem. Os défices motores são caracterizados por paralisia 
completa ou parciais (CANCELA, 2009). Segundo Zétola (2001), em um estudo realizado 
em jovens, a trombose foi diagnosticada como provável causa de AVE em 48% dos 
pacientes. A Hipertensão Arterial Sistêmica foi fator de risco mais prevalente estando 
presente em 63,8% dos pacientes com AVE. O tabagismo foi observado em 60,3%, 
o abuso de álcool foi presente em 19,85% e 13,58% e foram mulheres usuárias de 
medicamentos. Entre as doenças do metabolismo destacou-se dislipidemia mista em 
23,47%, hipercolesterolemia isolada em 8,57%, hipertrigliceridemia isolada em 2,14% e 
Diabetes Melittus em 13,58% dos pacientes. História familiar de AVE esteve presente em 
41,85% dos pacientes. Presença isolada de anticorpos antifosfolípides foi detectada em 
2,14% pacientes. 
A hipertensão é o principal fator de risco para AVE, estando associada à doença 
de pequenas e grandes artérias. A avaliação da relação entre hipertensão sistólica 
isolada e outros fatores de risco com subtipos de AVE isquêmico e hemorrágico em 
idosos demonstrou associação de idade, fumo, diabetes, pressão sistólica elevada, 
baixo colesterol HDL e anormalidades eletrocardiográficas com incidência aumentada 
de AVE genérico, AIT, ou AVE isquêmico (CHAVES, 2000). Os métodos de imagem 
aceitos para a avaliação inicial são a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância 
magnética (RM) de crânio. A TC sem contraste é o método mais amplamente utilizado 
por ter custo mais baixo, maior disponibilidade e menor tempo necessário para 
realização (FIGUEIREDOL et al., 2012).
168
Há diversos estudos sobre os serviços de atendimento agudo ao AVE importantes 
avanços foram feitos quanto ao tratamento imediato e à alta precoce. Tal doença se 
subdivide em AVC isquêmico (há a redução do fluxo sanguíneo dentro de uma artéria) 
e AVC hemorrágico (algum vaso se rompe instantaneamente, sangue para o interior 
do cérebro). Porém, quando comparado ao tratamento e ao gerenciamento após a alta 
hospitalar, o quantitativode estudos publicados decresce. O aumento da sobrevida 
após o AVE traz um impacto nas necessidades de cuidado a longo prazo que precisam 
ser abordadas e as intervenções devem ser feitas por diversos profissionais de saúde 
na atenção primária. Após a alta hospitalar, os benefícios do processo de reabilitação na 
comunidade ou no domicílio com equipes multidisciplinares são bem documentados. 
Cerca de 60% dos pacientes sobreviventes ficam com sequelas motoras, cognitivas 
e distúrbios de comunicação (ANDERLE, 2019). O conhecimento relacionado ao papel 
educativo do enfermeiro junto a cuidadores familiares de pessoas com AVE é de suma 
importância para os pacientes afetados. Nesse processo, o enfermeiro (ou qualquer 
outro profissional da saúde), junto com a família é tão importante quanto o paciente em 
determinar resultados positivos durante a reabilitação, constituindo-se num dos focos de 
avaliação e de intervenção. Se faz necessário que os profissionais ofereçam orientações, 
logo na fase aguda do AVE, tanto para os familiares de pessoas com afasia severa como 
para as leves, visto que os cônjuges de afásicos leves demonstraram possuir menos 
conhecimento sobre o assunto, quando comparados com os de maior severidade, 
por se tratar de uma das sequelas que quando associada a outras tem evidenciado 
níveis maiores de depressão. Vários fatores, no entanto, vêm afetando a capacidade 
de o enfermeiro oferecer intervenções de suporte e de educação para as famílias de 
pessoas na fase aguda do AVE. Dentre eles, a redução da permanência hospitalar do 
paciente, acompanhada pelo aumento do número de internações de pacientes com 
a doença e pela redução do quadro de pessoal (BOCCHI, 2004). Os procedimentos 
a serem realizados em fase inicial se dão: Avaliação neurológica com uso da escala 
(NIHSS), prevenção de hipoxemia, controle da pressão arterial, controle da glicemia, 
controle da temperatura, manter o paciente hidratado e controle hidroeletrolítico, avaliar 
a via de nutrição (oral ou parenteral), profilaxia de trombose venosa, atelectasia e lesão 
por pressão. Fora isso, AA equipe de enfermagem tem como importância assistir o 
paciente, monitorando os SSVV, garantindo VAS pérvias e suporte ventilatório se, atuar 
na prevenção de hipertermia mantendo 36,5 °C, a hipoglicemia necessita ser tratada 
evitando piora do quadro clínico do paciente, a hidratação deve ser realizada através de 
AVP mantendo soroterapia isotônica, monitorização cardíaca dentro de 24 horas, entre 
outros (GONÇALVES et al., 2017).
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
O Acidente Vascular Cerebral é a patologia que mais mata no Brasil e a que mais 
causa incapacidade no mundo. Ele acontece quando o suprimento de sangue que vai 
para o cérebro é interrompido ou reduzido, privando as células de oxigênio e nutrientes, 
provocando sintomas como: fraqueza de um lado do corpo, dificuldade para falar, perda 
de visão, alterações motoras, entre outras. Em alguns casos, o AVE pode ser prevenido 
e, para diminuir o risco de desenvolvê-lo é necessário controlar os problemas de saúde 
169
e evitar sedentarismo, má alimentação, sobrepeso e tabagismo. Seu tratamento se dá 
através da desobstrução do vaso cerebral afetado (AVCi) ou através de cirurgia (AVCh). A 
identificação rápida dos sintomas é muito importante para o diagnóstico e o tratamento 
adequado, além da redução de incapacidades. Logo, o papel do enfermeiro é muito 
importante, pois busca organização dos procedimentos e estabelecimento de metas 
que possam culminar em resultados satisfatórios com o paciente.
Fonte: http://www.jornacitec.fatecbt.edu.br/index.php/VIIIJTC/VIIIJTC/paper/view/2119. Acesso em: 21 out. 2022.
170
171
RESUMO DO TÓPICO 3
 Neste tópico, você aprendeu:
• A história da enfermagem está ligada ao combate das doenças infectocontagiosas.
• O sistema neurológico é responsável por manter o nível de consciência.
• Nos pacientes com distúrbios neurológicos vasculares deve-se iniciar pelo histórico 
de enfermagem, coletando os dados, com a anamnese e o exame físico.
• A atuação do enfermeiro em relação à educação em saúde estimula o usuário a ter 
um sentimento de felicidade.
172
1 A atuação do enfermeiro em relação à educação em saúde estimula o usuário a ter um 
sentimento de felicidade, pois aprende sobre sua patologia, para prevenir doenças se 
tornando um multiplicador de saberes saudáveis, mantendo o processo educativo ao 
longo do tratamento, atendendo às diretrizes do SUS. Cabe à equipe de saúde orientar 
enfaticamente. Cite a importância do papel da enfermagem no controle das IRAS:
2 Sabendo que HPV é a doença sexualmente transmissível mais comum, 1% da 
população sexualmente ativa manifesta na forma de verruga genital. Cerca de 70% 
a 80% dos homens e mulheres sexualmente ativos adquiriu HPV em algum tempo 
de suas vidas. As maiores prevalências são em mulheres mais jovens, apresentando 
queda na meia-idade e segundo pico após os 50-60 anos. Tendo em vista a afirmação 
a seguir, defina a razão para o segundo pico de transmissão:
3 A equipe de enfermagem como um todo, desenvolve para alcançar os objetivos 
propostos no cuidado, tais como avaliar, confortar, ajudar, favorecer, promover, 
restabelecer, entre outros. Esse cuidado almeja a cura e independe de sua consecução. 
Planejar ações de assistência e controle do paciente, família e comunidade com 
base no levantamento epidemiológico e operacional. Conforme visto anteriormente, 
assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) É uma profissão comprometida com a saúde e qualidade de vida da pessoa, 
família e coletividade, devendo assegurar a assistência livre de danos decorrentes 
de imperícia, negligência ou imprudência, atuar na prevenção, promoção, 
recuperação e reabilitação da saúde, com autonomia e em consonância com os 
preceitos éticos e legais.
b) ( ) É uma profissão comprometida com a saúde e qualidade de vida da pessoa, família 
e coletividade, não devendo assegurar a assistência livre de danos decorrentes 
de imperícia, negligência ou imprudência, atuar na prevenção, promoção, 
recuperação e reabilitação da saúde, com autonomia e em consonância com os 
preceitos éticos e legais.
c) ( ) É uma profissão comprometida apenas com a saúde e qualidade de vida da pessoa.
d) ( ) Deve apenas assegurar a assistência livre de danos decorrentes de imperícia, 
negligência ou imprudência.
AUTOATIVIDADE
173
4 Para subsidiar a tomada de decisão, o trabalho da vigilância em saúde em seu 
papel primordial de coleta, consolidação, avaliação e disseminação de informações 
exigindo constantes inovações, sobretudo na forma de articular as diversas realidades 
contidas nas conjunturas das vigilâncias locais. Baseado nesse contexto, assinale a 
alternativa CORRETA:
a) ( ) Não são necessárias ações intersetoriais articuladas de mitigação das causas 
determinantes desses adoecimentos.
b) ( ) É possível promover a articulação sem o fornecimento de subsídios para o 
estabelecimento de medidas assertivas de controle, planejamento e intervenção.
c) ( ) A identificação de áreas críticas para doenças infecciosas e parasitárias no Brasil 
e o conhecimento sobre a sua relação com indicadores socioeconômicos são 
primordiais.
d) ( ) A tomada de decisão é de fundamental importância para alinhar restritamente as 
ações de vigilância de âmbito nacional.
5 Referente aos sintomas e sinais relacionados ao efeito colateral pelo uso dos 
medicamentos utilizados para tratamento de tuberculose, por serem mais fortes do 
que os sintomas da doença, levam as pessoas a abandonarem o tratamento. Quanto 
ao papel dos profissionais de saúde, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Não é obrigatório que os profissionais saibam identificar informações médicas, já 
que o manejo do paciente é exclusivo do especialista.
b) ( ) Os enfermeiros devem ser capacitados nas ações de controle da tuberculose, 
patológicas e sociais sobre casos suspeitos da doença.
c) ( ) Os profissionais de saúde conseguem ter uma médiapopulacional imprecisa 
referente aos usuários mais propensos à contaminação. 
d) ( ) É de competência médica tomar providências para esclarecer o diagnóstico 
174
175
REFERÊNCIAS
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ArqBrasCardiol. 2018; p.436-539.
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Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST. ArqBrasCardiol. 
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e classificações 2015-2017. Porto Alegre: Artmed, 2015.
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médico-cirúrgia. 8. ed. Rio de Janeiro. Editora Guanabara Koogan, 2011. 
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Nobre%20da%20Silva-TCC.pdf. Acesso em: 17 out. 2022.
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fatecbt.edu.br/index.php/VIIIJTC/VIIIJTC/paper/viewFile/2119/2507. Acesso em: 17 
out. 2022.
TARASOUTCHI et al. Atualização das diretrizes brasileiras de valvopatias. 
ArqBrasCardiol. 2020; p. 720-775.
178
179
PRINCIPAIS DOENÇAS 
DO SISTEMA ENDÓCRINO 
E GASTROINTESTINAL – 
ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM
UNIDADE 3 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer as principais doenças do sistema endócrino;
• assimilar as principais doenças do sistema gastrointestinal;
• aprender a atuação de enfermagem nas práticas do sistema endócrino e 
gastrointestinal;
• identificar o processo da SAE nas principais doenças do sistema endócrino e 
gastrointestinal.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – PRINICIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA ENDÓCRINO
TÓPICO 2 – PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA GASTROINTESTINAL
TÓPICO 3 – ATUAÇÃO DA ENFERMEGEM NAS PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA 
ENDÓCRINO E SISTEMA GASTROINTESTINAL
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
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A TRILHA DA 
UNIDADE 3!
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TÓPICO 1 — 
PRINICIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA 
ENDÓCRINO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
A operacionalização da vigilância epidemiológica compreende um ciclo de 
funções específicas e intercomplementares, desenvolvidas de modo contínuo, permitindo 
conhecer, a cada momento, o comportamento da doença ou agravo selecionado como 
alvo das ações, para que as medidas de intervenção pertinentes possam ser tomadas 
no tempo certo e eficácia (BRASIL, 2021). 
São funções da vigilância epidemiológica: coleta de dados; processamento 
de dados coletados; análise e interpretação dos dados processados; recomendação 
das medidas de prevenção e controle apropriadas; promoção das ações de prevenção 
e controle indicadas; avaliação da eficácia e efetividade das medidas adotadas e 
divulgação de informações pertinentes (BRASIL, 2021). 
A eficiência do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE) depende do 
desenvolvimento harmônico das funções realizadas nos diferentes níveis. Quanto mais 
capacitada e eficiente a instância local, mais oportunamente poderão ser executadas 
as medidas de controle. Desta forma, os dados e informações epidemiológicos gerados 
serão, também, mais consistentes, possibilitando melhor compreensão do quadro 
sanitário estadual e nacional, fornecendo as bases para um planejamento adequado de 
ações, de acordo com as necessidades em questão (BRASIL, 2021). 
Com o desenvolvimento do SUS, os sistemas municipais de vigilância 
epidemiológica passaram a ter maior autonomia técnico-gerencial, ampliando o enfoque 
para os problemas de saúde mais importantes em suas respectivas áreas de abrangência, 
não estando limitados apenas aos problemas de prioridade nacional (BRASIL, 2021).
DICA
Para aprofundar seu conhecimento leia o artigo: Vigilância Epidemiológica: 
conceitos e institucionalização. Disponível em: . 
182
2 PRINICIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA ENDÓCRINO
O sistema endócrino é composto por um grupo de glândulas e órgãos que 
controlame regulam várias funções do corpo através da produção e liberação de 
hormônios. 
Hormônios são substâncias químicas que afetam a função de outra parte do 
corpo, atuam como mensageiros que controlam e direcionam as atividades em todo o 
corpo. Conforme iremos ver na imagem abaixo:
Figura 1 – Sistema endócrino
Fonte: Brasil (2019)
Segundo Brasil (2019), no período entre 2010 a 2019, foram registrados 603.486 
óbitos no Brasil decorrentes de doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas em 
idosos a partir de 60 anos, 135.297 mortes em adultos com 20 a 59 anos e 3.124 em 
crianças na faixa etária de 1 a 9 anos.
A região Nordeste apresentou a maior taxa de mortalidade por tais doenças em 
crianças jovens (1 a 9 anos) no intervalo analisado, com exceção apenas dos anos 2015 
e 2019, quando o Sudeste alcançou o primeiro lugar. Em contrapartida, as regiões Sul e 
Centro-Oeste registraram menor número (BRASIL, 2019).
O sistema endócrino, junto com o sistema nervoso, é responsável pela 
homeostasia. A fisiologia endócrina envolve a secreção de hormônios e suas ações 
subsequentes no tecido-alvo. Os diferentes sistemas hormonais desempenham papel-
chave na regulação de quase todas as funções corporais. Assim, as atividades das 
células, tecidos e órgãos do corpo são coordenadas pela interação entre os sistemas e 
os mensageiros químicos (GARY; STEPHEN, 2016).
183
Quadro 1 – Interação de sistemas e mensageiros químicos
Neurotransmissores: liberados por terminais de axônios de neurônios nas 
junções sinápticas. Atuam localmente para controlar 
as funções das células nervosas.
Hormônios endócrinos: liberados por glândulas ou células especializadas no 
sangue circulante. Exercem influência na função das 
células-alvo em outro local do corpo.
Hormônios 
neuroendócrinos:
secretados por neurônios no sangue circulante. 
Influenciam a função de células-alvo, em outro local 
do corpo.
Parácrinos: secretados por células no líquido extracelular. Agem 
em células-alvo vizinhas de tipo diferente.
Autócrinos: secretados por células no líquido extracelular. 
Influenciam na função do mesmo tipo celular que o 
produziu, por meio de ligações com receptores na 
superfície celular.
Citocinas: peptídeos secretados por células no líquido 
extracelular. Podem funcionar como hormônios 
autócrinos, parácrinos ou endócrinos.
Fonte: adaptado de Gary e Stephen (2016)
As doenças endócrinas estão relacionadas à produção excessiva de hormônios 
que é chamada "hiperatividade". A falta de produção hormonal é chamada "hipoatividade".
Caro acadêmico! Vamos conhecer algumas das principais doenças do sistema 
endócrino com contextualização geral sobre a abordagem. 
2.1 DIABETES MELLITUS 
Diabetes Mellitus, ou DM, como é conhecida, é uma das principais doenças da 
prática médica e a sua prevalência vem aumentando com o tempo, de modo que se estima 
que ela acometa mais de 415 milhões de pessoas em todo o mundo. Desses, cerca de 
80% se encontra em países ainda em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, onde a 
estimativa é de que haja mais de 12 milhões de pessoas acometidas (BRASIL, 2021).
Fora isso, estima-se que a diabetes seja capaz de aumentar em 30-50% o risco 
de o paciente desenvolver outras doenças, o que explica o fato de ela ser hoje a 6ª 
maior causa de internações hospitalares e a principal causa de cegueira adquirida e de 
amputações de membros inferiores (MMII), além de ser responsável por cerca de 26% 
das diálises (BRASIL, 2021). 
184
 DM é definida como um distúrbio de metabolismo intermediário caracterizado 
por hiperglicemia persistente, decorrente de deficiência na produção de insulina, na sua 
ação, ou em ambos os mecanismos. O termo Diabetes Mellitus então significa a glicosúria 
que ocorre, principalmente, nos quadros de diabetes importantes descompensada 
(BRASIL, 2021).
IMPORTANTE
Para maior conhecimento sobre o assunto acesse o vídeo: https://www.
youtube.com/watch?v=aErKsc2D8qQ.
A insulina é um hormônio produzido nas células beta das ilhotas pancreáticas 
e parte da sua produção é liberada constantemente (em níveis basais) na circulação 
sanguínea, no entanto, sempre que a gente faz uma refeição, a taxa desse hormônio no 
sangue aumenta muito, formando um pico de insulina (estado pós-prandial) (ALMEIDA, 2015).
Figura 2 – Resultado de glicemia
Fonte: bit.ly/3B3sRvQ. Acesso em: 17 out. 2022.
A insulina requer papel importante na utilização da glicose, dos lipídios e das 
proteínas como substrato energético. Desse modo, a deficiência de insulina provoca 
aumento do uso metabólico da gordura, aumenta as concentrações plasmáticas 
de colesterol e de fosfolipídios, e permite a depleção das proteínas e aumento dos 
aminoácidos plasmáticos. Ainda assim, a insulina aumenta a utilização da glicose pela 
maioria dos tecidos corporais, exceto o cérebro que utiliza a glicose sem o intermédio 
da insulina. 
185
Quadro 2 – Dois motivos da glicose entrar na celular
É isso que permite a ocorrência da glicólise (principalmente nos hepatócitos e 
miócitos), que é o processo através da qual esse substrato é utilizado como principal 
fonte de energia para as atividades celulares; e
Porque é através disso que os hepatócitos conseguem pegar o excesso de glicose e 
armazená-lo sob a forma de glicogênio (glicogenogênese).
Fonte: Brasil (2021)
Por outro lado, a insulina também estimula que parte desse excedente de glicose 
passe por um processo conhecido como lipogênese, que consiste em transformá-la em 
ácido graxo para que seja direcionado aos adipócitos, onde serão transformados em 
triglicérides (BRASIL, 2019).
Por conta da própria fisiopatologia de ser uma doença autoimune, a DM tipo 
I acaba se manifestando mais cedo, de modo que a maioria dos pacientes com essa 
condição é diagnosticada ainda crianças ou adolescentes (geralmente entre os 10-15 
anos) (MARTINI et al., 2014).
No Brasil, diabetes tipo 1 corresponde a cerca de 5-10% dos casos, o que 
representa uma média de 30.000 brasileiros acometidos – fazendo com que nós sejamos 
o 3º país no mundo em prevalência de DM tipo 1. A DM tipo 1 é uma doença autoimune e 
poligênica resultando na produção insuficiente ou nula de insulina (BRASIL, 2019).
A DM tipo 2, por sua vez, é a forma mais comum da doença, correspondendo 
a cerca de 90-95% dos casos. Mas, diferente do que vimos no tipo 1, a DM tipo 2 não é 
uma doença autoimune. Na verdade, se trata de um problema de bases genéticas que 
é precipitado por fatores ambientais e que pode se caracterizar por uma deficiência de 
secreção ou principalmente pela resistência insulínica (GARY; STEPHEN, 2016).
Veremos, na Figura 3, a comparação entre os dois tipos de diabetes mellitus.
186
Figura 3 – Comparação entre diabetes tipo1 e tipo 2
Fonte: bit.ly/3iuAlS7. Acesso em: 17 out. 2022.
Ainda não se sabe ao certo o que provoca essa resistência nas células, no entanto, 
ela costuma estar associada a alguns fatores de risco – especialmente a obesidade 
visceral (central), uma vez que a gordura abdominal gera citocinas inflamatórias que 
dificultam a ação da insulina sobre os tecidos (GARY; STEPHEN, 2016).
Mas independentemente disso, a questão é que como a insulina não está 
atuando de forma eficiente, o corpo responde provocando hiperplasia e hipertrofia nas 
células beta, no intuito de aumentar muito a oferta de insulina e, assim, compensar a 
sua ineficiência e colocar a glicose para dentro da célula (MARTINI et al., 2014).
A DM gestacional é aquela que se desenvolve durante o período da gravidez pela 
gestante, podendo ser uma complicação para a mãe e para o bebê ainda intrauterino ou 
até mesmo após o nascimento (BRASIL, 2019).
Na gravidez ocorre o desenvolvimento da placenta, que é um órgão capaz de 
produzir uma série de hormônios com efeito hiperglicemiante. Então, por si só, a gravidez 
já é uma condição potencialmente diabetogênica e isso, quando se associa com outros 
fatores de risco, acaba levando a diabetes (MARTINI et al., 2014).
187
Entre outras causas de DM (menos frequentes)estão os defeitos genéticos, as 
doenças pancreáticas, infecções, entre outros. Desses, o mais comum (e o único que 
iremos abordar aqui) é o MODY (Maturity-Onset Diabetes of the Young), que consiste em 
uma doença genética de herança autossômica dominante, mas que não é autoimune 
(MARTINI et al., 2014). Na verdade, a DM MODY altera a produção de alguns fatores 
que interferem na regulação da glicose e é justamente em cima disso que eles são 
classificados em seis grupos:
Quadro 3 – Classificação da regulação da glicose
CLASSIFICAÇÃO GENE
Mody 1 HNF4A
Mody 2 (2º mais comum) GCK
Mody 3 (mais comum HNF1A
Mody 4 IPF1
Mody 5 HNF1B
Mody 6 NEUROD1
Fonte: adaptado de Martini et al. (2014)
As principais complicações da diabetes costumam ser divididas em dois 
grupos: agudas ou crônicas. As agudas, como já é de se esperar, são questões mais 
emergenciais, então vamos falar delas depois. Por agora, vamos só conhecer as crônicas, 
pois são as mais comumente encontradas na prática clínica ambulatorial e, portanto, 
precisam fazer parte da nossa investigação para todo e qualquer paciente com suspeita 
ou diagnóstico de diabetes (MURTA; GARCIA, 2021). 
Quadro 4 – Complicações de diabetes 
Complicações agudas Complicações crônicas
Hipoglicemia Retinopatia
Hiperglicemia Outras formas de doença ocular no 
diabetes
Cetoacidose Doença renal do diabetes mellitus (DRD)
Coma Hiperosmolar Neuropatia
Fonte: o autor
As complicações crônicas do diabetes mellitus (DM) são decorrentes 
principalmente do controle inadequado, do tempo de evolução e de fatores genéticos 
da doença, conforme quadro a seguir, possuem dois grupos de complicações 
(TSCHIEDEL et al., 2014).
188
Quadro 5 – Complicações grupos
Microvascular Macrovasculares
O diabetes provoca lesão endotelial 
através do aumento da inflamação na 
parede vascular através do estresse 
oxidativo. O processo de forma crônica 
leva a alterações da vasodilatação 
e lesões graves como trombose e 
leitos vasculares incompetentes. 
Ex.: retinopatia diabética, nefropatia 
diabética, neuropatia diabética e pé 
diabético.
O processo macrovascular é semelhante ao 
microvascular, já que a diabetes também 
gera inflamação endotelial. A inflamação, 
juntamente com a glicolisação de proteínas 
e aceleração do processo ateroesclerótico 
propicia o aceleramento do processo 
aterotrombótico, gerando a longo prazo 
obstruções que levam a insuficiência 
sanguínea e comprometimento do leito 
vascular. Ex.: doença arterial coronariana 
(DAC), Doenças cerebrovasculares e 
arteriopatia periférica.
Encorajar relação paciente-equipe colaborativa, com participação ativa do 
paciente na consulta; respeitar o papel central que o paciente tem no seu próprio 
cuidado, reconhecendo os aspectos familiares, econômicos, sociais e culturais que 
podem prejudicar ou facilitar o cuidado.
 
Diabetes Insipidus (DI) é uma doença do sistema endócrino descrita como 
um distúrbio na síntese, secreção ou ação do hormônio antidiurético (ADH), levando à 
dificuldade de concentração da urina, gerando poliúria com secreção elevada de urina 
hipotônica. Pode ser genética ou adquirida por uso de drogas, medicamentos e tumores 
(MURTA; GARCIA, 2021).
É uma síndrome clínica definida pela incapacidade de concentração urinária, que 
leva à excreção de uma urina hipotônica em volume aumentado. Pode ser decorrente de 
diferentes etiologias: deficiência de hormônio antidiurético; resistência à ação do ADH nos 
túbulos renais; degradação do ADH durante a gestação; e psicológica (MARTINI et al., 2014). 
Fonte: adaptado de Murta e Garcia (2021)
Quando está associada a fatores hereditários, a herança autossômica recessiva 
é incomum e tem manifestação logo após o nascimento e a herança autossômica 
dominante é rara e se apresenta depois de um ano de vida.
DICA
Para aprofundar seu conhecimento leia o artigo Distúrbios na secreção e 
ação do hormônio antidiurético. Acesse: bit.ly/3EUaxpV. 
189
A forma adquiria ou secundária está relacionada a uso de medicamentos, drogas 
ou a doenças que alteram a função do túbulo renal como, insuficiência renal crônica ou 
aguda, doenças císticas, nefropatias tóxicas, nefrite intersticial e uropatia obstrutiva 
(MURTA; GARCIA, 2021).
IMPORTANTE
A vasopressinase é uma enzima que degrada a ocitocina e previne a 
ocorrência de contrações uterinas prematuras. Como o ADH e a ocitocina 
tem estruturas moleculares parecidas, a enzima degrada também o ADH 
(MURTA; GARCIA, 2021).
2.2 HIPOTIREOIDISMO 
A tireoide é um órgão de grande importância para nosso corpo, uma vez que ela 
é responsável por produzir hormônios que regulam grande parte do nosso metabolismo. 
Dessa forma, toda vez que ela falha ou que seu funcionamento é insuficiente, o indivíduo 
entra em um quadro de Hipotireoidismo (HipoT), uma doença cuja prevalência varia de 
0,1 a 2% da população mundial, sendo mais comum entre pessoas com mais de 65 anos 
e do sexo feminino (8:1) (BRASIL, 2021).
Figura 4 – Tireoide
Fonte: https://medsimples.com/doencas-da-tireoide/. Acesso em: 17 out. 2022.
Os hormônios tireoidianos ficam armazenados e apresentam um sistema de 
regulação, que é controlado pelo eixo hipotalâmico-hipofisário. Basicamente, o que 
acontece é o seguinte: o hipotálamo inicia a cadeia através da produção do hormônio 
liberador de tireotrofina (TRH) e esse, por sua vez, atua sobre a hipófise induzindo a 
190
produção de outro hormônio que é o hormônio estimulador da tireoide ou tireotrópico 
(TSH). A partir daí o que acontece é que esse hormônio cai na circulação sanguínea e 
segue até os folículos tireoidianos, onde ele vai estimular a produção e a secreção de T3 
e T4 (GARY; STEPHEN, 2016).
A tireoide é uma glândula bilobada que se situa na porção anterior do pescoço 
(normalmente ao nível de C5-T1) e cuja principal função é produzir os hormônios 
tireoidianos T3 e T4, sendo que para tal, ela conta com uma unidade funcional que é o 
folículo tireoidiano.
 
Tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune, o que implica dizer que a 
base de todo o problema está na quebra da autotolerância. Ainda não se sabe ao certo 
o que leva a isso, mas provavelmente há uma associação de fatores ambientais (como 
dietas ricas em iodo) e fatores genéticos (COLOMBRINI; MARCHIORI; FIGUEIREDO, 2010).
De acordo com Colombrini, Marchiori e Figueiredo (2010), entretanto, o que 
acontece é que nosso Sistema Imunológico vai iniciar uma reação contra o tecido 
tireoidiano, que pode ser pela via celular, por meio do ataque direto de linfócito ou 
pela via humoral, através da produção de autoanticorpos, sendo que dentre esses, 
os principais são:
Figura 5 – Anticorpos principais
Fonte: adaptado de Colombrini, Marchiori e Figueiredo (2010)
No entanto, o que vai realmente auxiliar o médico no diagnóstico de Hipotireoidismo 
são dois exames: o TSH e o T4L (COLOMBRINI; MARCHIORI; FIGUEIREDO, 2010).
DICA
Para aprofundar seu conhecimento leia o artigo Teste de estímulo com TRH 
em pacientes com TSH repetidamente elevado e T4L normal. Disponível em: bit.
ly/3Vn1Qvu. 
191
2.3 HIPERTIREOIDISMO 
A tireoide é formada por dois lobos conectados pelo istmo. Encontra-se anterior 
à traqueia, entre a cartilagem cricoide e a fúrcula esternal. É altamente vascularizada e 
de consistência macia.
O folículo tireidiano, unidade funcional da tireoide, é uma estrutura arredondada, 
circundada por uma densa rede de capilares e composta por uma camada de epitélio 
folicular contendo colide em seu interior. Nesses folículos são encontradas as células “C” 
que são responsáveis pela síntese de calcitonina, hormônio que regula a concentração 
de cálcio no sangue (HINKLE; CHEEVER, 2011).
Figura 6 – Hipertireoidismo
Fonte: bit.ly/3FjvJXZ. Acesso em: 17 out. 2022.
No hipotálamo existem neurônios responsáveis pela produção de TRH, hormônio 
que atua sobre a hipófise anterior, estimulando a produção de TSH. O TSH, por sua vez, 
estimula a síntese da bomba de sódio-iodeto, da tireoglobulina e da tireoperoxidade. 
Além de estimular acaptação de glicose e aminoácidos pelas células foliculares e ajudar 
no crescimento e proliferação das células foliculares. O TSH também tem importante 
função de aumentar o fluxo sanguíneo na tireoide (HINKLE; CHEEVER, 2011).
IMPORTANTE
O hormônio liberador de tireotrofina  (português brasileiro) ou hormona libertadora 
de tireotrofina  (português europeu)  (em  inglês:  thyrotropin-releasing hormone, TRH, 
ou thyrotropin-releasing factor TRF) é um hormônio que estimula a hipófise.
192
Tireotoxicose é a síndrome clínica decorrente da exposição dos tecidos corporais 
a altas concentrações de hormônios tireoidianos. Podendo ocorrer por diversos fatores 
como o aumento da síntese pela glândula, inflamação ou até mesmo, ingestão acidental 
de hormônios (GARY; STEPHEN, 2016).
Hipertireoidismo é o termo reservado apenas para situações em que a 
tireotoxicose for resultante da produção sustentado de hormônios pela tireoide (HINKLE; 
CHEEVER, 2011). Todos os pacientes com hipertireoidismo primário apresentam 
um baixo nível de TSH. A concentração sérica de TSH sozinho não pode determinar 
o grau de hipertireoidismo bioquímico, T4 e T3 livres são necessários para fornecer 
esta informação. Muitos pacientes com hipertireoidismo evidente apresentam altas 
concentrações de T4 e T3 livres (HINKLE; CHEEVER, 2011). 
2.4 ACROMEGALIA 
Doença sistêmica crônica, insidiosa e rara, a acromegalia decorre da secreção 
exagerada do hormônio de crescimento, o GH. Em 98% dos casos, o aumento dos níveis 
de GH se dá devido à presença de adenomas hipofisários secretores – somatotropinomas. 
Os 2% restantes são representados pelos quadros de hipersecreção eutópica ou 
ectópica do GHRH (hormônio liberador de GH), e em apenas pouquíssimos casos, por 
liberação de GH em outros sítios do corpo. Também é incomum tumores de ocorrência 
familiar (BRASIL, 2019).
IMPORTANTE
A sigla GH (Growth Hormone) se refere ao hormônio do crescimento. 
O GH é produzido pela glândula hipófise, situada na base do crânio, e 
está presente em todas as pessoas normais. 
Figura 7 – Acromegalia 
Fonte: https://opas.org.br/acromegalia-quais-os-sintomas-e-as-causas/. Acesso em: 17 out. 2022.
193
Os tumores podem ser classificados como macroadenomas, quando exibem 
tamanho >1 cm, sendo estes os mais comumente encontrados no momento do 
diagnóstico (em mais de 70% dos casos); ou, como microadenomas, representados 
por aquelesEntre as principais alterações que marcam esse período de transição estão a telarca, a 
pubarca e a menarca (GARY; STEPHEN, 2016).
Veja, a seguir, a sequência cronológica da puberdade para meninas e meninos. 
Nas meninas, em condições fisiológicas, a puberdade tem início entre 8 e 13 anos e 
geralmente, obedece à seguinte ordem.
196
Quadro 6 – Sequência cronológica das meninas
A telarca (aparecimento do broto mamário) é o seu marco inicial.
Entre 11 e 12 anos, há o estirão puberal (fase de maior velocidade de crescimento).
Pubarca (aparecimento de pelos pubianos).
Menarca (primeira menstruação): comumente ocorre entre 12 e 13 anos, geralmente 
2 a 2,5 anos após a telarca.
Desaceleração do crescimento: geralmente, após a menarca, o estirão puberal das 
meninas chega ao fim.
Fonte: adaptado de Gary e Stephen (2016)
Nos meninos, em condições fisiológicas, a puberdade tem início entre 9 e 14 
anos, e costuma obedecer à seguinte ordem
Quadro 7 – Sequência cronológica dos meninos
O aumento do volume testicular ≥ 4 mL é o seu marco inicial.
Pubarca (aparecimento dos pelos pubianos).
Desenvolvimento genital.
Mudança na voz.
Estirão puberal, geralmente entre 13 e 14 anos.
Fonte: adaptado de Gary e Stephen (2016)
Estágios de Tanner é uma forma de avaliar o desenvolvimento dos caracteres 
sexuais, devendo ser realizado em todo exame físico do adolescente, uma vez que 
serve para acompanhar a puberdade. Na imagem, a seguir, apresentamos os estágios 
de Tanner. 
Figura 10 – Estágios de Tanner – desenvolvimento puberal masculino
197
Há estadiamento de Tanner para as mamas, para os pelos pubianos e para a 
genitália masculina. Entenda a seguir:
Fonte: Brasil (2019)
Figura 11 – Estadiamento de Tanner para as mamas
Fonte: Gary e Stephen (2016)
É importante salientar que a mensuração do volume testicular se dá através de 
comparação com o orquidômetro, que possui tamanhos gradativamente maiores com o 
volume respectivo (em mL) enumerado. 
198
Figura 12 – Estadiamento se Tanner para genitália masculina
Fonte: Gary e Stephen (2016)
Processo normal que pode ocorrer em meninos durante a puberdade, chegando 
a atingir 70 a 80% destes. Acontece por conta de uma redução da relação entre 
androgênios e estrogênios, ou seja, é gerada por um desequilíbrio em que, relativamente 
há mais estrogênio que androgênio no organismo do menino. A tendência é que haja a 
regressão com o avançar da idade (COLOMBRINI; MARCHIORI; FIGUEIREDO, 2010).
Determinada pelo início da puberdade precocemente, ou seja, alterações 
puberais em meninas menores que oito anos e em meninos menores que nove anos. 
No geral, há história familiar de puberdade precoce. Desta forma, nestes casos, há 
aceleração da velocidade crescimento, assim como avanço da idade óssea, porém 
sem comprometimento da estatura final, com níveis de andrógenos normais e sem 
ocorrência de virilização.
A conduta em todas essas variantes normais da puberdade é apenas observar a 
progressão da puberdade, se vai ocorrer ou não, principalmente, por meio da velocidade 
de crescimento. Às vezes, se faz necessário lançar mão de exames como idade óssea 
e dosagens hormonais, mas é fundamental tranquilizar os pais, explicando que se 
trata apenas de uma variação do desenvolvimento normal da criança (COLOMBRINI; 
MARCHIORI; FIGUEIREDO, 2010).
3 ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM COM AS PRINCIPAIS 
DOENÇAS ENDÓCRINAS
Segundo a Ordem dos Enfermeiros (2001, s.p.), “a pessoa é um ser social e 
agente intencional de comportamentos baseados nos valores, nas crenças e nos 
desejos da natureza individual, o que torna cada pessoa um ser único, com dignidade 
própria e direito a autodeterminar-se”. Neste sentido, a família é um elo importante 
para a pessoa, permitindo um equilíbrio emocional, social e de harmonia. A família é 
uma instituição social básica, encerrando em si o processo natural de geração e de 
199
desenvolvimento da vida humana, sendo sede pioneira da educação e da convivência, 
centro da aprendizagem inigualável de solidariedade inter e intrageracional, no espaço 
de continuidade e de criação cultural e veículo privilegiado de relação pessoal e de 
integração na comunidade e constituição desta (RELVAS, 1996).
Os enfermeiros são técnicos de saúde fundamentais, que agem como um agente 
de mudança, “que possibilita a ocorrência de uma alteração planeada com um indivíduo 
ou grupo, ou dentro de uma instituição” promovendo novas atitudes, capacidades e 
ganhos em saúde. 
Figura 13 – Enfermeiros
Fonte: https://www.guiadacarreira.com.br/blog/o-que-faz-um-enfermeiro. Acesso em: 17 out. 2022.
A prestação de cuidados de enfermagem suscita sempre muitas opiniões 
centradas à volta da qualidade dos cuidados prestados. Neste sentido, consideramos que 
os profissionais de enfermagem devem assegurar as condições que permitam exercer 
a sua profissão com dignidade, autonomia, e direito para um exercício de excelência, 
prestando cuidados de enfermagem de alto nível a pessoas com doenças endócrinas 
e a família. É necessário criar momentos de reflexão crítica em reuniões de equipe de 
enfermagem, para análise e discussão de casos clínicos e partilha de experiências.
Figura 14 – Reflexões de cuidados
Fonte: adaptada de Gonçalves, Cerqueira e Marques (2014)
200
Segundo Gonçalves, Cerqueira e Marques (2014), o enfermeiro deve assegurar 
os cuidados prestados, baseado nos seus conhecimentos e competências, para 
assegurar a qualidade de prestação de cuidados de enfermagem, em que o enfermeiro 
identifica, as necessidades de cuidados de enfermagem da pessoa, e sua problemática, 
intervindo de forma a evitar riscos, detectando os problemas precocemente para sua 
resolução, e ou minimizar os problemas reais identificados. Assim o cuidar inclui os 
seguintes elementos.
Figura 15 – Elementos do cuidar
Fonte: adaptada de Gonçalves, Cerqueira e Marques (2014)
Couto e Camarneiro (2002), definem os cuidados de Enfermagem como fonte 
essencial, que visa à promoção, manutenção e restauração da saúde, bem como 
adaptação aos efeitos da doença.
DICA
Para aprofundar seu conhecimento leia o artigo Envelhecimento endócrino 
e assistência integral de enfermagem ao idoso com Diabetes Mellitus. Acesse: 
bit.ly/3VRSVSu
Caro acadêmico! Chegamos ao final do Tópico 1, onde tivemos a oportunidade de 
ampliar o conhecimento sobre as principais doenças que acometem o sistema endócrino 
e as principais atuações da equipe de enfermagem. Na sequência, no Tópico 2, vamos 
estudar as principais doenças que acometem o sistema gastrointestinal. Vamos lá!
201
RESUMO DO TÓPICO 1
 Neste tópico, você aprendeu:
• O sistema endócrino é composto por um grupo de glândulas e órgãos que controlam 
e regulam várias funções do corpo através da produção e liberação de hormônios.
• A DM tipo 2 é a forma mais comum da doença.
• As complicações da diabetes podem ser divididas em aguda e crônica.
• Acromegalia é uma doença sistêmica crônica.
202
1 O sistema endócrino é composto por um grupo de glândulas e órgãos que controlam 
e regulam várias funções do corpo através da produção e liberação de hormônios, 
que atuam como mensageiros controladores e direcionadores das atividades em 
todo o corpo. Descreva qual é a sua composição.
2 As doenças endócrinas estão relacionadas à produção excessiva de ou pela falta de 
produção hormonal, que são ocasionadas por falhas nos mensageiros. Assinale a 
alternativa INCORRETA referente às funções:
a) ( ) Os parácrinos são secretados por neurônios no sangue circulante, influenciando 
na função de células-alvo.
b) ( ) Os neurotransmissores são liberados por terminais de axônios de neurônios nas 
junções sinápticas. Atuam localmente para controlar as funções das células 
nervosas.
c) ( ) As citocinas são peptídeos secretados por células no líquido extracelular, 
podendo funcionar como hormônios autócrinos, parácrinos ou endócrinos.
d) ( ) Os hormônios autócrinos secretados por células no líquido extracelular. 
Influenciam na função do mesmo tipocelular que o produziu, por meio de 
ligações com receptores na superfície celular
3 Sabemos que as modificações físicas que compõem a puberdade costumam seguir 
uma ordem cronológica, que é muito variante conforme o sexo da criança, de fatores 
genéticos e ambientais. As principais alterações que marcam esse período de 
transição são chamadas de telarca, a pubarca e a menarca. Conforme essa afirmação, 
assinale a alternativa CORRETA referente à ordem cronológica da puberdade para 
meninas e meninos. 
a) ( ) Pode ter início entre 7 e 13 anos nas meninas, e entre 9 e 14 anos nos meninos.
b) ( ) Pode ter início entre 8 e 13 anos nas meninas, e entre 8 e 14 anos nos meninos.
c) ( ) Pode ter início entre 8 e 13 anos nas meninas, e entre 9 e 14 anos nos meninos.
d) ( ) Pode ter início entre 7 e 13 anos nas meninas, e entre 7 e 14 anos nos meninos.
4 Por requerer papel importante na utilização da glicose, dos lipídios e das proteínas 
como substrato energético, a deficiência de insulina provoca aumento do uso 
metabólico da gordura, aumenta as concentrações plasmáticas de colesterol e 
de fosfolipídios, e permite a depleção das proteínas e aumento dos aminoácidos 
plasmáticos. Ainda assim, a insulina aumenta a utilização da glicose pela maioria 
dos tecidos corporais, exceto o cérebro que utiliza a glicose sem o intermédio da 
insulina. Assinale a alternativa CORRETA referente à diferença entre Diabetes Mellitus 
e Diabetes Insipidus:
AUTOATIVIDADE
203
a) ( ) Apesar do Diabetes Mellitus não estar relacionado à insulina, o Diabetes Insipidus 
tem ligação fisiopatológica com este hormônio.
b) ( ) Apesar do Diabetes Mellitus estar relacionado à insulina, o Diabetes Insipidus não 
tem qualquer ligação fisiopatológica com este hormônio.
c) ( ) Apesar do Diabetes Mellitus estar relacionado à hormônio, o Diabetes Insipidus 
não tem qualquer ligação fisiopatológica com insulina.
d) ( ) Apesar do Diabetes Insipidus estar relacionado à insulina, o Diabetes Mellitus não 
tem qualquer ligação fisiopatológica com este hormônio.
5 As disfunções de produção hormonal podem vir do pâncreas, da hipófise, da tireoide 
ou das glândulas suprarrenais, que podem sofrer pela falta ou pelo excesso de 
substâncias produzidas por uma glândula de secreção endócrina que provoca uma 
ação fisiológica específica em diversos órgãos. Assinale a alternativa CORRETA que 
contemple o aumento e a diminuição de produção hormonal, respectivamente:
a) ( ) Hipoatividade e hiperatividade.
b) ( ) Citocinas e neuroendócrinos.
c) ( ) Neuroendócrinos e citocinas.
d) ( ) Hiperatividade e hipoatividade.
204
205
PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA 
GASTROINTESTINAL
1 INTRODUÇÃO
A digestão e absorção são funções fundamentais do trato gastrointestinal. A 
digestão é a degradação química dos alimentos em moléculas absorvíveis, já a absorção 
é o movimento de nutrientes, água e eletrólitos do lúmen intestinal para o sangue, pela 
via celular ou paracelular (GARY; STEPHEN, 2016).
O sistema gastrointestinal é controlado, principalmente, pelo sistema nervoso 
entérico, mais especificamente o plexo mioentérico (Auerbach), contudo, pode sofrer 
influências também do sistema nervoso central (SNC). É interessante notar que as 
suas fibras de músculo liso agem como um sincício devido às junções comunicantes 
entre elas, promovendo uma baixa resistência à movimentação dos íons de uma célula 
muscular para a seguinte.
UNIDADE 3 TÓPICO 2 - 
Figura 16 – Sistema gastrointestinal 
Fonte: bit.ly/3F8gaRv. Acesso em: 17 out. 2022.
Dois fatores principais que influenciam esta integridade são as populações 
bacterianas no intestino e a saúde da mucosa intestinal, sendo ambos influenciados pela 
nutrição (CORDEIRO et al, 2015). O trato gastrointestinal é um ambiente natural de uma 
população numerosa, com diversas espécies de bactérias e dinâmica. A proliferação das 
espécies ao longo do tubo digestório não é uniforme, sendo pouco presente no estômago 
e intestino delgado devido à ação bactericida do suco gástrico, da bile, secreção do 
pâncreas e forte peristaltismo do intestino (GUARNER; MALAGELADA, 2003).
206
DICA
Para aprofundar seu conhecimento leia o artigo: O perfil de indivíduos com 
doença inflamatória intestinal na Região Metropolitana II do Rio de Janeiro: 
contribuição da enfermagem. Acesse: bit.ly/3UKfyre. 
2 PRINCIPAIS DOENÇAS DO SISTEMA GASTROINTESTINAL
De acordo Brasil (2019), o Ministério da Saúde apresentou comparativo de 
mortalidade por doenças gastrointestinais no Brasil, de 2010 a 2018, com o levantamento, 
só em 2018 foram 156.480 óbitos, o que equivale a 11,9% de todas as mortes do ano, sendo 
homens (57,7%), raça/cor/pele branca (52,9%) e idade anterior a 70 anos os mais afetados.
Com relação ao sexo, em 2010, ocorreram 76.729 registros de mortes (59,3%) 
masculinas por doenças gastrointestinais. No mesmo período, houve 52.495 (40,6%) 
mortes femininas. Em 2018, o SIM apontou 90.445 (57,7%) de mortes masculinas, ao 
passo que foram notificados 66.215 (42,2%) óbitos femininos (BRASIL, 2019).
Na digestão, apenas monossacarídeos são absorvidos pelas células epiteliais 
do intestino, dessa forma, a transformação de polissacarídeos e dissacarídeos em 
monossacarídeos é essencial. Este processo é feito por meio da hidrólise da estrutura 
do carboidrato (BRASIL, 2019).
Figura 17 – Digestão alimentar 
Fonte: bit.ly/3iLLHRW. Acesso em: 17 out. 2022.
207
O amido é digerido inicialmente pela alfa-amilase, que se encontra na saliva, 
que permite a modificação do amido em dissacarídeo (maltose). Após este processo, 
esse dissacarídeo é digerido pelas enzimas intestinais da borda de escova do 
intestino (alfa-dextrinase, maltase e sacarase), sendo que o produto final é a glicose 
(monossacarídeo) (BRASIL, 2019).
Já os dissacarídeos, como a trealose, lactose e sacarose, presente em alimentos, 
não necessitam da ação da amilase, sendo quebrados em monossacarídeos pelas 
enzimas trealase, lactase e sacarase, respectivamente. A trealose vira duas moléculas 
de glicose, a lactose vira uma molécula de glicose e uma de galactose, e a sacarose se 
transforma em uma molécula de glicose e uma de frutose (GARY; STEPHEN, 2016).
A absorção se dá através de monossacarídeos, em especial a glicose. A glicose 
e a galactose são absorvidas por meio de mecanismo de cotransporte com o sódio, já a 
frutose é absorvida por difusão facilitada (GARY; STEPHEN, 2016).
A glicose e galactose são levadas ao lúmen intestinal para a célula pelo 
cotransportador de sódio-glicose, não necessitando de energia de ATP para esta etapa, 
e dependendo do gradiente de concentração, sendo que para que posteriormente este 
gradiente seja mantido é necessário um transporte ativo secundário, por meio de uma 
proteína transportadora (GARY; STEPHEN, 2016).
Já a frutose é absorvida por transporte passivo, sendo transportada pela 
membrana apical e bicolateral por difusão facilitada, através dos transportadores GLUT 
2 e 5 (GARY; STEPHEN, 2016).
A digestão de proteínas começa no estômago com a ação da pepsina, terminando 
no intestino delgado, com as proteases pancreáticas e as da borda em escova. São 
utilizadas duas proteases neste processo, as endopeptidases, que hidrolisam as ligações 
peptídicas internas das proteínas, e as exopeptidases, que hidrolisam um aminoácido 
de cada vez (GARY; STEPHEN, 2016).
Os produtos da digestão proteica são aminoácidos, dipeptídeos e tripeptídeos, 
que são absorvidos pelas células epiteliais do intestino. Os aminoácidos são absorvidos 
por mecanismos análogos aos da absorção de monossacarídeos, por meio de transporte 
pelo lúmen por cotransportadores de sódio-aminoácido na membrana apical, através 
da ação de quatro cotransportadores distintos: um para aminoácidos neutros, um para 
ácidos, outro para básicos e outros para iminoaminoácidos (PORTO; PORTO, 2019).
Já os dipeptídeos e os tripeptídeos são absorvidos por meio de cotransportadores 
distintos dependentes de íons hidrogênio na membrana apical, que permitetransportar 
os peptídeos para dentro da célula. Dentro da célula, são hidrolisados por peptidases 
citosólicas, produzindo aminoácidos que saem da célula (PORTO; PORTO, 2019).
208
A absorção de água é isosmótica, sendo transportada pela membrana intestinal 
inteiramente por difusão. Portanto, se o quimo está bem diluído, a água é absorvida pela 
mucosa intestinal pelo sangue das vilosidades. No entanto, a água também pode ser 
transportada do plasma para o quimo, caso sejam lançadas soluções hiperosmóticas do 
estômago para o duodeno (GARY; STEPHEN, 2016).
Segundo GARY; STEPHEN (2016), o sistema gastorintestinal é interligado com 
todos os órgãos do comporto, por isto, como possui várias composições, podem ter o 
acometimento de doenças, onde será evidenciado as principais,
2.1 DOENÇAS DO ESÔFAGO 
 
Esôfago é a continuação da cavidade oral, é uma porção tubular do trato 
digestivo. Nele, os alimentos são agitados, liquefeitos e digeridos; os elementos 
nutricionais e a água são absorvidos; e seus componentes não digeríveis são eliminados. 
O tubo digestivo, que tem cerca de nove metros de comprimento, é subdividido em 
regiões morfologicamente conhecidas: o esôfago, o estômago, o intestino delgado 
(duodeno, jejuno e íleo) e o intestino grosso (ceco, colo, reto, canal anal e apêndice) 
(PORTO; PORTO, 2019).
Figura 18 – Esôfago
Fonte: bit.ly/3Vugukx. Acesso em: 17 out. 2022.
O esôfago consiste na primeira porção do tubo digestivo. Ele é um tubo muscular 
(aproximadamente 25 cm de comprimento) com um diâmetro médio de 2 cm, que 
conduz o alimento da faringe para o estômago. Ao longo de toda a sua extensão, sua 
mucosa apresenta numerosas pregas longitudinais com sulcos intermediários que dão 
a impressão de seu lúmen estar obstruído; entretanto, quando o esôfago é distendido, 
as pregas desaparecem e o lúmen torna-se evidente (PORTO; PORTO, 2019).
209
A parte abdominal do esôfago, com apenas 1,25cm de comprimento, vai do hiato 
esofágico no pilar direito do diafragma até o óstio cárdico do estômago, alargando-se à 
medida que se aproxima em posição anterior e à esquerda na sua descida. A face anterior 
é coberta por peritônio da cavidade peritoneal, contínuo com aquele que reveste a face 
anterior do estômago. Encaixa-se em um sulco na face posterior (visceral) do fígado 
(PORTO; PORTO, 2019).
A mucosa do esôfago é constituída por um epitélio estratificado pavimentoso 
não queratinizado, uma lâmina própria fibroelástica e uma camada de músculo liso 
disposta longitudinalmente, formando a camada muscular da mucosa (SIQUEIRA; 
SANTOS; SILVA, 2010).
A mucosa do esôfago é constituída de três camadas: epitélio, lâmina própria e 
camada muscular da mucosa. O lúmen do esôfago, revestido por um epitélio pavimentoso 
estratificado não queratinizado com 0,5 mm de espessura, geralmente encontra-se 
colabado, abrindo-se somente durante o processo de deglutição (SIQUEIRA; SANTOS; 
SILVA, 2010). Conforme iremos ver na figura a seguir:
Figura 19 – Camadas do esôfago
Fonte: bit.ly/3Vugukx. Acesso em: 17 out. 2022.
A submucosa do esôfago é constituída de tecido conjuntivo fibroelástico, mais 
fibroso que o tecido conjuntivo frouxo da lâmina própria, que contém as glândulas 
esofágicas propriamente ditas. 
O esôfago e o duodeno são as duas únicas regiões do tubo digestivo com 
glândulas na submucosa. As células mucosas têm núcleos achatados basais e acúmulos 
apicais de grânulos de secreção preenchidos com muco (TARASOUTCHI, 2020). 
210
Quando o esôfago está vazio, seu lúmen assemelha-se a uma fenda. Quando 
um bolo alimentar desce por ele, o lúmen se expande, produzindo peristalse reflexa nos 
dois terços inferiores do esôfago. O alimento atravessa o esôfago rapidamente em razão 
da ação peristáltica de sua musculatura, auxiliado pela gravidade, mas não depende 
dela (é possível engolir de cabeça para baixo) (TARASOUTCHI, 2020).
2.2 DOENÇAS DISABSORTIVAS 
Diarreia crônica é geralmente relacionada a desordens como síndrome do 
intestino irritável, doença inflamatória intestinal ou doença celíaca. Esse tipo de diarreia 
é mais prevalente em países desenvolvidos, ao contrário das diarreias agudas. Sua 
incidência varia de acordo com condições socioeconômicas e diferenças raciais e 
genéticas (STANFIELD, 2013). Caracterizada pela quebra do equilíbrio entre absorção e 
secreção de solutos no trato gastrointestinal. 
Quadro 8 – Tipos de diarreias
Diarreia Secretora é mediado por enterotoxinas, as quais estimulam a secreção 
de fluidos e eletrólitos e bloqueiam a absorção dos mesmos 
nas vilosidades intestinais.
Diarreia Osmótica resulta da presença de substância osmoticamente ativa, mal 
absorvida em alta concentração no lúmen intestinal induzindo 
movimentos de água do plasma para a luz intestinal e provando 
retardo na absorção de água e eletrólitos.
Diarreia 
Inflamatória
inflamação da mucosa e submucosa do íleo terminal e 
intestino grosso. Tem edema, sangramento da mucosa e 
infiltração leucocitária.
Diarreia 
Disabsortiva
má absorção por doença do intestino delgado, caracterizada 
por esteatorreia. Por exemplo doença celíaca, doença de 
Crohn, doença de Whipple, giardíase, estrongiloidíase e 
linfoma intestinal.
Diarreia Funcional é caracterizada pela hipermotilidade intestinal. Exemplos: 
Síndrome do intestino irritável e diarreia diabética (neuropatia 
autonômica).
Fonte: adaptado de Stanfield (2013)
Para os 25% dos pacientes com diarreia crônica grave ou indeterminada, 
talvez haja necessidade de hospitalização e de uma bateria de testes mais extensa 
(STANFIELD, 2013).
211
Quadro 9 – Diarreia crônica
Diarreia crônica sanguinolenta apesar de poder ser secundária a infecções 
bacterianas como Shigella, Salmonella, C. difficile, E. coli e outras, essa forma de 
apresentação está, mais provavelmente, relacionada à doença inflamatória intestinal.
Diarreia crônica não sanguinolenta pequena probabilidade de infecções 
bacterianas mais comuns. A investigação deve ser direcionada para G. lamblia e C. difficile.
Fonte: Stanfield (2013)
Conforme abordado por Herdman (2015), para o diagnóstico, alguns sinais de 
alarme devem ser procurados para detecção de diarreia orgânica, são eles:
Figura 20 – Detectação de diarreia orgânica
Fonte: adaptada de Herdmann e Shiguemi (2015)
Uma anamnese bem colhida pode ser suficiente para orientar abordagem 
terapêutica, portanto deve-se perguntar sobre as características das fezes.
Na anamnese, as perguntas são muito semelhantes aos de diarreia aguda. 
Assim, pesquisar:
Figura 21 – Perguntas sobre diarreia aguda
Fonte: adaptada de Herdmann e Shiguemi (2015)
212
O uso de probióticos, por sua vez, tem benefício duvidoso, parecendo haver 
resultados em pacientes com colite pseudomembranosa (STANFIELD, 2013). Em 
pacientes com diarreia crônica e HIV, uma hipótese sempre a ser considerada é a 
diarreia pelas medicações, os testes investigativos devem ser realizados, mas terapia 
empírica não é benéfica e os pacientes com infecções oportunistas frequentemente 
melhoram com a recuperação da imunidade, em pacientes em que o diagnóstico não 
se torna claro, o tratamento sintomático com agentes antimotilidade são possivelmente 
benéficos (STANFIELD, 2013).
Não se deve esquecer da terapia de suporte com hidratação oral, e se necessário 
endovenosa, já o uso de nutrição parenteral é reservado para pacientes que não 
conseguem manter estado nutricional adequado devido à diarreia (STANFIELD, 2013). 
2.3 DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS 
 Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) são distúrbios inflamatórios crônicos 
que acometem qualquer porção do trato intestinal. Apesar de ter uma definição 
relativamente ampla, 80% a 90% dos casos são classificados como Retocolite Ulcerativa 
(RCU) ou Doença de Crohn (DC). Os outros 10% incluem as colites linfocítica, colagênica 
e indeterminada (MARTINI et al., 2014).
Elas representam grande importância clínica, seja pelo quadro clínico importante 
e prolongado com grande impacto na qualidade de vida dodo cálcio, inibidores de enzima 
conversora de angiotensina (iECA), bloqueador do Receptor AT1 (BRA), 
bloqueadores Adrenérgicos.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2021), temos as descrições dos 
níveis de hipertensão, sendo ramificados conforme figura a seguir:
Figura 5 – Níveis da hipertensão
Fonte: O autor
DICA
Para aprofundar seu conhecimento leia o artigo: Hipertensão arterial e 
exercício físico.
Disponível em: 
10
2.2 Aterosclerose 
A aterosclerose é considerada uma resposta inflamatória crônica da parede 
arterial à lesão endotelial e tem como característica a presença das placas ateroscleróticas, 
sendo a principal causa da doença cardiovascular. As lesões ateroscleróticas podem ser 
iniciadas com desenvolvimento já na vida intrauterina, de forma silenciosa, podendo ser 
evoluída ao longo dos anos. 
Acerca da fisiopatologia, o evento inicial na aterosclerose é a infiltração de 
lipoproteínas de baixa densidade (LDLs) na região subendotelial. O endotélio está sujeito 
à tensão de cisalhamento, a tendência é ser deformado pelo fluxo sanguíneo. Isso é mais 
acentuado em pontos onde as artérias se ramificam, e é onde os lipídeos se acumulam 
em grau mais alto, gerando uma lesão endotelial com desencadeamento de processo 
inflamatório que culmina na formação da placa aterosclerótica.
Conforme abordado por Gary e Stephen (2016), a aterosclerose é assintomática 
até que uma de suas complicações se desenvolva. Nas artérias coronárias, o 
estreitamento aterosclerótico que reduz o lúmen de uma artéria coronária em mais de 
75% causa angina de peito, a dor torácica que resulta quando substâncias produtoras 
de dor se acumulam no miocárdio. 
Geralmente, a dor aparece durante o exercício e desaparece com o repouso, 
quando as substâncias são eliminadas pelo sangue. Quando lesões de aterosclerose 
causam coagulação e oclusão de uma artéria coronária, gera o infarto do miocárdio. 
Na circulação cerebral, o bloqueio arterial no local de placas ateroscleróticas causa 
acidentes vasculares trombóticos. 
Os fatores de risco têm efeitos multiplicativos, assim, quando a presença de 
dois fatores de risco aumenta a chance de infarto do miocárdio aumenta em quatro 
vezes, quando temos a presença de três fatores, a chance aumenta sete vezes.
Quadro 2 – Principais fatores de risco
PRINCIPAIS FATORES DE RISCO PARA ATEROSCLEROSE
Não Modificáveis (Constitucionais)
Anormalidades genéticas
Antecedentes familiares
Idade avançada
Sexo masculino
Modificáveis
Hiperlipidemia
Hipertensão
11
Tabagismo
Diabetes
Inflamação
Fonte: Adaptado de Martini et al. (2014)
Eventualmente, alguns depósitos de gordura nas artérias podem se soltar e 
entrar na corrente sanguínea, e se alastrar por todo o corpo. Isso pode levar à formação 
de um coágulo sanguíneo em qualquer parte do corpo tanto fixa ou móvel, afetando o 
fluxo sanguíneo para outros órgãos (MARTINI et al., 2014).
A doença aterosclerótica é a principal representante dos processos patológicos 
cardiovasculares associados ao envelhecimento, manifestando-se em indivíduos 
adultos, cuja incidência aumenta significativamente a partir dos 45 anos de idade 
(MARTINI et al., 2014). 
No entanto, alguns estudos encontraram prevalência superior a 40% de 
placas ateroscleróticas em autópsias entre adultos jovens, que indicam a doença nos 
estágios iniciais. 
2.3 INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO E ELETROCARDIOGRAMA
O infarto agudo do miocárdio pode ser definido como um evento patológico, ou 
clínico, no qual a isquemia miocárdica, responsável em 95% das vezes pela ruptura da 
placa de ateroma, leva à injúria do músculo cardíaco (BARROSO, 2021).
Podemos dividir o infarto agudo do miocárdio em dois grupos, dependendo 
das alterações vistas no exame eletrocardiograma (ECG) que são: os com 
supradesnivelamento do seguimento ST (IAMCSST) e os sem (IAMSSST) 
(BARROSO, 2021). A diferença entre eles é que no primeiro caso, houve uma oclusão 
total da artéria, indo do epicárdio até o endocárdio. Já no outro caso, a oclusão foi 
parcial, o que faz com que apenas o endocárdio sofra isquemia, que atinge uma área de 
menor de irrigação, como iremos ver na figura a seguir:
Figura 6 – ECG supra e sem supra
12
Fonte: https://twitter.com/enf_intensiva/status/920994773565132800. Acesso em: 15 out. 2022.
No caso do infarto agudo do miocárdio (IAM) é caracterizado pela isquemia ou 
obstrução parcial ou total dos vasos de forma prolongada, o paciente pode apresentar 
dores no peito, sensação de aperto no peito, de duração menor, variando conforme 
a gravidade do IAM. A primeira lesão ao miocárdio pode acarretar em distúrbios 
eletrolíticos, na segunda, alterações morfológicas e na terceira, os danos ao miocárdio 
não são definitivos (PESARO et al., 2004). 
DICA
Para aprimorar seus conhecimentos sobre repercussão hemodinâmica 
do ICC, leia o artigo: Diretriz de insuficiência cardíaca (IC) e transplante 
cardíaco, no feto, na criança e em adultos com cardiopatia congênita, da 
sociedade brasileira de cardiologia. Disponível em: https://www.scielo.
br/j/abc/a/9nqmYdxLSvW4mZP6L4cDq3f/?lang=pt.
O eletrocardiograma (ECG) representa valioso registro do funcionamento 
cardíaco da atividade elétrica, e nos dá informações valiosas a respeito da função do 
coração. É um exame não invasivo e que requer que o paciente esteja em repouso, sem 
ter realizado nenhum tipo de esforço nos últimos dez minutos e sem ter fumado na 
última meia hora. 
13
Figura 7 – Eletrocardiograma convencional
Fonte: ArqBrasCardiol (2021, s.p.)
O ECG se apresenta em papel milimetrado e transmite um registro permanente 
da atividade cardíaca, estas informações registradas representam impulsos elétricos 
do coração como a sístole (despolarização) e diástole (repolarização). Para realizarmos 
o ECG, precisamos monitorizar o paciente com os eletrodos os quais nos darão as 
derivações periféricas unipolares (AVL, AVF, AVR), bipolares (DI, DII, DIII) e as precordiais 
que são unipolares (V1, V2, V3, V4, V5, V6). 
Figura 8 – Posicionamento correto dos eletrodos
Fonte: Adaptado de Porto e Porto (2019)
As derivações unipolares aumentadas são três AVL: braço esquerdo, AVR braço 
direto e AVF perna esquerda.
14
Derivação I é o eletrodo negativo e é conectado ao braço esquerdo e o positivo 
no braço direito. Derivação II é o elétrodo negativo e é conectado ao braço direito e na 
perna esquerda fica conectado o elétrodo positivo. Derivação III é o eletrodo negativo e 
é conectado ao braço esquerdo e o elétrodo positivo à perna esquerda.
Já as derivações precordiais são as derivações de V1 e estão localizadas no 4º 
espaço intercostal, imediatamente à direta do esterno; as V2 estão localizadas no 4º 
espaço intercostal, imediatamente à esquerda do esterno; as V3 são colocadas entre 
as V2 e V4; as V4 são colocadas no 5º espaço intercostal, na linha médio-clavicular 
esquerda; as V5 são colocadas também no 5º espaço intercostal na linha axilar anterior 
e as V6 são colocadas também no 5º espaço intercostal na linha axilar média.
O eletrocardiograma convencional é composto por 12 derivações, mas existem 
situações como infarto de parede posterior (V7 e V8) e de ventrículo direito (V3R e V4R), 
que necessitarão destas derivações para o diagnóstico. O papel milimetrado do ECG 
corresponde ao eixo horizontal (tempo) e ao eixo vertical (voltagem), cada quadradinho 
possui um tempo de 0,04s e uma amplitude de 1 mm, existem 5 quadradinhos entre as 
linhas mais escuras perfazendo assim um tempo de 0,20 segundos. Idealmente, deve 
ser realizado e interpretado no atendimento pré-hospitalar ou em até 10 minutos após 
a admissão hospitalar.
 
Conforme Almeida et al. (2015), para calcular a frequência cardíaca pelo ECG, 
deve-se primeiro observar as ondas R, então escolha uma onda R que coincida com 
uma linha mais escura, a próxima linha escura se designa 300 em seguida por 150, 
100, 75, 60 e 50. Este é um método rápido para avaliação da FC. Mas podemos também 
identificar a onda R e contarpaciente ou pelas possíveis 
associações com outras condições médicas que podem ocorrer por conta do quadro de 
base ou até mesmo do tratamento (STANFIELD, 2013). 
Ainda não se conhece a etiologia exata das doenças inflamatórias intestinais, mas 
acredita-se que se devam a uma incapacidade do organismo em regular efetivamente 
as respostas imunes contra antígenos aos quais o trato digestivo está constantemente 
sendo exposto.
Nosso trato digestivo é exposto a antígenos, principalmente os que fazem 
parte da própria microbiota intestinal. Em indivíduos saudáveis, o organismo consegue 
controlar a resposta imune contra esses microrganismos; já em portadores de DII, essa 
imunorregulação não acontece e há uma amplificação da inflamação, com consequente 
ataque imunológico às células do sistema digestivo (MARTINI et al., 2014).
A doença de Crohn quanto à RCU se trata de desordens poligênicas. Em relação à 
doença de Crohn, foi encontrado um gene relacionado à patogênese da doença: o NOD2. 
Esse gene codifica uma proteína que atua como receptor intracelular para um antígeno 
de parede bacteriana e que auxilia no controle da resposta inflamatória. Com o NOD2 
defeituoso, a resposta inflamatória fica mais descontrolada. Esse gene está alterado em 
15% a 20% dos portadores caucasianos. Todavia, ele não explica isoladamente a doença: 
nem todos os portadores de DII o têm defeituoso, e nem todos os indivíduos que têm 
esse gene defeituoso terão DII (MARTINI et al., 2014).
213
IMPORTANTE
A sigla RCU é retocolite ulcerativa. É uma doença que atinge especificamente 
o reto e colon. As mutações do gene NOD2 de forma a elucidar a importância 
desse marcador genético em seu diagnóstico, tratamento e prognóstico.
A incidência e prevalência das DII variam com a localização geográfica. São mais 
prevalentes na Europa setentrional e na América do Norte, com menor incidência na 
Europa Central e Meridional. A prevalência é mais baixa ainda na América do Sul, África 
e Ásia (MARTINI et al., 2014).
Existe ainda uma correlação entre as DII e o nível socioeconômico, ou seja: 
quanto mais desenvolvida a região geográfica, maior a prevalência de doença inflamatória 
intestinal. O porquê disso ainda não é bem elucidado. De qualquer forma, a incidência de 
DII em regiões menos desenvolvidas está aumentando, e acredita-se que isso se deva 
à crescente urbanização mesmo nessas regiões, expondo os indivíduos a novos estilos 
de vida, alimentação e exposições a antígenos (MARTINI et al., 2014).
As DIIs possuem dois picos de idade de aparecimento: entre aproximadamente 
os 15 e os 40 anos, com um menor pico entre os 55 e os 65 anos. Contudo, podem 
aparecer em qualquer fase da vida – embora seja raro antes dos 15 anos. Não foi 
observada diferenças significativas nas incidências e prevalências entre os sexos 
(STANFIELD, 2013).
A RCU e a DC, embora sejam muito parecidas em sua apresentação e, por vezes, 
gerem confusão diagnóstica ou não permitam a diferenciação entre elas, apresentam 
aspectos patológicos diferentes entre si. A Retocolite Ulcerativa se caracteriza pela 
inflamação crônica do cólon e reto, ficando confinada a essas regiões anatômicas. A 
inflamação se limita à camada mucosa e aparece de forma contínua e simétrica ao 
longo da porção afetada (STANFIELD, 2013).
Os principais sintomas são diarreia com perda de sangue nas fezes, decorrentes 
diretamente da inflamação do reto e/ou cólon. Essa mesma inflamação também altera 
a permeabilidade do epitélio, causando extravasamento do fluido intersticial rico em 
proteínas. Além disso, a absorção de água e eletrólitos está prejudicada e alterações da 
motilidade intestinal, decorrentes do processo inflamatório, contribuem na fisiopatologia 
da diarreia. As erosões da mucosa colônica, características da RCU, ocasiona a perda de 
sangue nas fezes (MURTA; GARCIA, 2021).
214
As alterações de motilidade do intestino grosso, com aumento do tônus muscular 
e da amplitude das contrações, ocasionam as manifestações dolorosas. Alterações 
sensoriais devido à inflamação também podem fazer o paciente perceber as contrações 
da musculatura do intestino grosso como cólicas (MARTINI et al., 2014). De acordo com 
MURTA; GARCIA, (2021), em relação à RCU, o grau e a localização do acometimento 
determinam os achados clínicos, conforme a seguir:
Quadro 10 – Relações de RCU
RCU distal são geralmente quadros brandos a 
moderados. A diarreia está presente em 
80% dos acometidos e frequentemente há 
sangue nas fezes, muco, pus e tenesmo. A dor 
abdominal é em cólica e geralmente precede 
as evacuações. Há urgência e incontinência 
fecal eventualmente, e manifestações 
extraintestinais são incomuns.
RCU hemicólon esquerdo e pancolite são os casos moderados a graves. 
Astenia, febre, perda ponderal e anorexia 
são comuns. Há diarreia com pus, muco, 
sangue e tenesmo e a dor abdominal é mais 
intensa. Manifestações extraintestinais 
ocorrem em 20% a 30% dos pacientes.
Fonte: adaptado de Murta e Garcia (2021)
O exame físico, muitas vezes, está normal, mas pode eventualmente conter 
febre, emagrecimento, palidez, taquicardia e edema (MARTINI et al., 2014). A complicação 
mais temida da RCU é o mega cólon tóxico, que, embora incomum, frequentemente 
leva a óbito. Dor abdominal intensa com distensão e febre, taquicardia, hipotensão e 
desidratação compõem seu quadro clínico (MARTINI et al., 2014).
Já em relação à DC, devido à sua característica de poder acometer qualquer 
parte do tubo digestivo, seu quadro clínico pode variar mais. No entanto, alguns padrões 
de acometimento se destacam: doença no íleo e ceco (40%), doença restrita ao intestino 
delgado (30%) e doença restrita ao cólon (20%) (MARTINI et al., 2014).
2.4 CONSTIPAÇÃO 
Constipação intestinal é o distúrbio mais comum da defecação. Na prática, 
pode ser definida como a eliminação de fezes endurecidas com dor, dificuldade ou 
esforço ou a ocorrência de comportamento de retenção, aumento no intervalo entre as 
evacuações (menos que três evacuações por semana) e incontinência fecal secundária 
à retenção de fezes. Podem ocorrer, também, dor abdominal crônica e rajas de sangue 
na superfície das fezes em consequência de fissura anal (BARROS; LEMOS, 2016).
215
A constipação pode ser definida como atraso ou dificuldade na defecação 
presente por duas ou mais semanas causando desconforto ao paciente. No entanto, 
qualquer definição de constipação é relativa e depende da consistência, da frequência 
e da dificuldade de eliminação das fezes. Uma criança normal pode apresentar fezes 
pastosas apenas a cada dois ou três dias sem dificuldade; isso não é constipação. Fezes 
endurecidas, eliminadas com dificuldade a cada três dias, devem ser tratadas como 
constipação. A constipação afeta de 10 a 30% das crianças e é responsável por cerca de 
3 a 5% de todas as visitas ao pediatra (BARROS; LEMOS, 2016).
O pico de prevalência ocorre durante os anos pré-escolares na maioria dos 
relatos. Não há diferença entre os gêneros na prevalência da constipação infantil. A 
constipação funcional é responsável por mais de 95% dos casos de constipação em 
crianças saudáveis de um ano ou mais e é particularmente comum entre crianças em 
idade pré-escolar. Crianças mais velhas e adolescentes podem ter constipação funcional 
não reconhecida; esse quadro pode não chegar ao atendimento médico se eles não 
se sentirem à vontade para discutir seus hábitos intestinais. As causas orgânicas são 
responsáveis por menos de 5% das crianças com constipação, mas são mais comuns 
entre os bebês (BARROS; LEMOS, 2016).
Conforme Barros e Lemos (2016), a constipação tende a se autoperpetuar, seja 
qual for a causa. As fezes endurecidas e grandes no reto tornam-se difíceis e mesmo 
dolorosas para a evacuação; dessa forma, ocorre mais retenção e se instala um círculo 
vicioso. A distensão do reto e do cólon diminui a sensibilidade do reflexo de defecação 
e a eficácia da peristalse. A impactação fecal é comum, causando outros problemas. 
Quadro 11 – Impactaçõesquantos quadradinhos possuem de uma onda a outra R, e 
realizar este cálculo: 1500 dividido pelo número de quadradinhos corresponderá então 
à frequência cardíaca do paciente aproximadamente. Lembramos então que o valor 
normal da FC do adulto é de 60 a 100 bpm. Classificamos como taquicardia a frequência 
acima de 100 bpm e bradicardia a frequência menor que 60 bpm. Vamos visualizar na 
figura a seguir a onda do ECG, especificamente a R.
Figura 9 – ECG ondas R
Fonte: http://angomed.com/electrocardiograma/. Acesso em: 15 out. 2022.
15
Ao avaliarmos o ritmo, deve-se observar a distância entre as ondas que são 
semelhantes. Para avaliar o ritmo, identifique a onda R e observe se a distância com as 
outras ondas R são as mesmas. Após a avaliação destes dados, quando o ECG possui 
todas as ondas no seu tempo normal, ritmo regular e frequência normal (normocárdico), 
o ritmo é chamado sinusal. Quando existe alguma alteração em um item ou vários itens, 
temos arritmia. É importante ressaltar que as principais causas de arritmias podem ser 
cardiopatias, distúrbios hidroeletrolíticos, efeito de medicações ou de drogas. O método 
diagnóstico para as arritmias consiste na avaliação de exames ECG, holter, estudo 
eletrofisiológico e teste farmacológico.
2.4 Insuficiência Cardíaca Congestiva 
 
Conforme Kamel et al. (2001), a insuficiência cardíaca congestiva é 
caracterizada como uma síndrome clínica complexa, onde há dispneia por esforço, 
fadiga e por consequência resulta em edema periférico e uma disfunção ventricular 
esquerda no coração.
 
Assim, o termo de insuficiência cardíaca congestiva é muito usado por 
descrever uma consequência muito comum da IC, o aumento da pressão hidrostática 
nos capilares que causa extravasamento de líquido para o interstício e, portanto, o 
fenômeno de congestão (PORTO; PORTO, 2019). A insuficiência cardíaca (IC) pode 
ocorrer em pacientes com função sistólica preservada, sendo avaliado pela fração de 
ejeção do paciente. Pacientes com FE ≥ 50% apresentam insuficiência cardíaca com 
fração de ejeção reduzida (KAMEL et al., 2001). 
A insuficiência cardíaca pode ocorrer de dois tipos, uma que é chamada de 
insuficiência cardíaca sistólica, que é quando o músculo cardíaco não consegue ejetar 
o sangue para fora do coração adequadamente, já a insuficiência cardíaca diastólica 
ocorre quando os músculos do coração ficam rígidos e não enchem de sangue facilmente 
(CAMPELO et al., 2018).
A ICC é uma doença crônica de longo prazo que pode afetar os dois lados 
do coração, com isso, compromete a função de bombeamento do sangue devido 
ao retorno do fluxo sanguíneo, o que pode leva ao comprometimento das funções 
vitais, devido ao acúmulo de sangue, que resulta na falta de oxigênio para os órgãos 
(CAMPELO et al., 2018).
16
Figura 10 – Insuficiência cardíaca congestiva – ICC
Fonte: bit.ly/3VkqBYA Acesso em: 16 out. 2022.
O diagnóstico da insuficiência cardíaca congestiva é guiado primariamente pelo 
método clínico, porém, diversos exames complementares podem auxiliar no diagnóstico 
e também na avaliação da gravidade da doença (PORTO; PORTO, 2019).
Uma parte do tratamento é focada no alívio dos sintomas, porém, algumas 
classes de medicamentos têm o potencial de diminuir o fenômeno de remodelamento 
cardíaco, que ocorre principalmente devido à hiperativação do SRAA (Sistema Renina-
Angiotensina-Aldosterona) e sistema simpático. A insuficiência cardíaca congestiva 
tem um caráter progressivo e inicia antes de os sinais e sintomas se tornarem evidentes 
(PORTO; PORTO, 2019).
Embora o grau dessa disfunção possa ser quantificado através de métodos 
diagnósticos invasivos e não invasivos, a gravidade dos sintomas é difícil de ser 
avaliada devido a sua subjetividade. É uma doença progressiva e letal quando não 
tratada e, mesmo com os tratamentos existentes atualmente, os índices de mortalidade 
permanecem altos e a qualidade de vida é, em geral, significativamente comprometida 
(KAMEL et al., 2001).
2.5 Arritmias CARDÍACAS 
As arritmias que são definidas como um distúrbio de condução elétrica do 
coração. Eles podem ser classificados de várias maneiras, aqui utilizaremos a maneira 
mais fácil para memorizar: temos as bradiarritmias (bradicardia sinusal, bloqueio 
atrioventricular (BAV) de primeiro grau, BAV de segundo grau e BAV de terceiro grau) 
e as taquiarritmias (taquicardia sinusal, taquicardia paroxística, taquicardia ventricular, 
fibrilação atrial) e extrassístole ventricular (GARY; STEFEN, 2016).
17
Figura 11 – Sistema de condução cardíaco
Fonte: Adaptada de Stanfield (2013)
A equipe de enfermagem deve reconhecer a tempo e intervir na presença de 
arritmias, evitando efeitos hemodinâmicos. Nesse contexto, o enfermeiro deve realizar 
o processo de cuidar para minimizar riscos e complicações. A seguir podemos indicar 
alguns diagnósticos de enfermagem mais frequentes para pacientes com arritmias 
cárdicas, conforme o quadro na sequência.
Quadro 3 – Diagnósticos de enfermagem mais frequentes 
Débito cardíaco 
diminuído.
Intolerância à atividade.
Perfusão tissular ineficaz 
renal, cardiopulmonar, 
periférico ineficaz.
Troca de gases 
prejudicada.
Padrão respiratório ineficaz Risco de infecção.
Fonte: o autor (2022)
Conforme demonstrado acima, são evidenciados os diagnósticos, porém para cada 
um deve-se ter uma conduta caracterizada como intervenção evidenciada no Quadro 4:
Quadro 4 – As principais intervenções de enfermagem
Avaliar nível de 
consciência.
Atentar para alterações de 
frequência respiratória, padrão 
respiratório e saturação de O2.
Fazer controle de 
frequência cardíaca 
e ritmo, registrando 
alterações.
Manter monitorização 
cardíaca.
Controlar pressão arterial, 
comunicando alterações;
Manter repouso relativo.
Fazer controle das 
drogas vasoativas.
Auxiliar na cardioversão elétrica, 
caso necessário.
Auxiliar na passagem 
e instalação de 
marcapasso.
Fonte: o autor (2022)
18
As arritmias ocorrem devido a alterações no distúrbio da formação de impulso, 
transtorno de condução de impulsos ou uma combinação de ambos (GARY; Stephen, 
2016). Como defeitos que apresentam se na formação do impulso nervoso, nós 
abordaremos automatismo normal alterado, que representa o nó sinusal e é sensível 
aos efeitos do sistema nervoso autônomo, de modo que a estimulação simpática causa 
taquicardia sinusal e a estimulação parassimpática provoca bradicardia. A perda de 
células marcapasso sinusal pode causar bradicardia ou outros tipos de bradiarritmias. 
O potencial elétrico é caracterizado pela capacidade que um corpo energizado 
tem de realizar trabalho e assim atrair ou repetir outras cargas elétricas. Já as atividades 
deflagradas ocorrem quando o potencial de ação normal é capaz de desencadear 
mais despolarizações anormais. Pode ser despolarização precoce se ocorre antes da 
repolarização ou pós-despolarização tardia, quando ocorre depois da repolarização.
Por outro lado, os distúrbios na condução do impulso, a reentrada da ativação 
do impulso nervoso pode persistir em uma região do coração, tendo tempo suficiente 
para o tecido adjacente se recuperar e manter excitabilidade. Assim, o mesmo impulso 
volta a excitar o coração.
A taquicardia sinusal é o estímulo do ritmo cardíaco que tem origem no local 
correto, geralmente é uma resposta compensatória, secundária a outro problema 
clínico, tal como anemia, disfunções valvares e hipertireoidismo.
As características da taquicardia sinusal é o aumento da frequência sinusal 
acima de 100 bpm e está associada a estresse emocional, uso de medicações, atividade 
física e também à insuficiência cardíaca, infecção, TEP, hipertireoidismo e anemia. 
DICA
Para aprimorar seus conhecimentos leia o artigo: Tromboembolismo 
pulmonar. Disponível em: bit.ly/3UWzkQY
Nas características da taquicardia atrial que são originadas no átrio e que 
não dependem do nó AV, seus mecanismos dependem da etiologia. As taquicardias 
automáticas são pacientes sem cardiopatia estrutural, já astaquicardias atriais são por 
atividades deflagradas em pacientes com alterações metabólicas e por reentrada de 
pacientes com cicatrizes atriais.
A flutter atrial ou taquicardia atrial é macroreentrante que tem características 
eletrocardiográficas típicas, e pode existir em pessoas com coração normal ou 
pacientes com cardiopatia. Conforme a Figura 12, podemos ver um ecg com a 
extrassístole ventricular.
19
Figura 12 – Extrassístole ventricular
Fonte: https://docplayer.com.br/67741846-Extra-sistoles-ventriculares.html. Acesso em: 13 out. 2022.
Segundo Da Rocha Rodrigues et al. (2011), a taquicardia ventricular demonstrada 
a seguir, na Figura 13, é um mecanismo eletrofisiológico que leva à morte súbita cardíaca, 
sendo que as tratativas de condutas podem ser com cardiodesfibrilador e farmacológicos.
Figura 13 – Taquicardia ventricular
Fonte: bit.ly/3OAvc6T Acesso em: 13 out. 2022.
Abordaremos a fibrilação atrial (FA), que é a arritmia sustentada mais comum na 
prática clínica, como iremos ver na sequência.
Figura 14 – Fibrilação ventricular
Fonte: bit.ly/3glOWPa. Acesso em:13 out. 2022.
20
É um dos principais motivos de internação hospitalar do paciente adulto. Seu 
mecanismo é a atividade automática rápida a partir das áreas de transição entre o tecido 
muscular atrial e as veias pulmonares, é sensível ao aumento do tono autonômico que 
é o iniciador e sustentador da arritmia. As múltiplas áreas com reentrada anatômica, 
envolvendo áreas de fibrose, ou funcionais, nas quais os períodos refratários dos 
átrios são encurtados. Já com os átrios sofrem alterações nas estruturas anatômica 
e eletrofisiológica, com encurtamento dos períodos refratários, aumento das áreas de 
fibrose, e diminuição da complacência atrial levando a mais crises de FA.
Classificação temporal da fibrilação atrial (FA):
• FA inicial que é detecção sintomática ou não da FA.
• FA crônica que apresenta paroxística, persistente e permanente.
• Paroxística é reversão espontânea ou intervenção clínica que ocorre em até sete 
dias corridos.
• Persistente, os episódios duram mais que sete dias ou tempo desconhecido, 
mas intervenção clínica foi farmacológica ou cardioversão para reversão do 
ritmo sinusal.
• Permanente, que quando a cardioversão elétrica não foi eficaz ou a decisão foi de 
não reverter (idosos, assintomáticos cuja resposta ventricular esteja adequada ou 
até baixa com átrio esquerdo aumentado e função ventricular esquerda preservada).
2.6 Valvulopatias 
Para compreender melhor as valvulopatias precisamos entender como elas 
são formadas. Elas são assim constituídas: válvula tricúspide, mitral (bicúspide), valva 
aórtica e valva do tronco pulmonar, permitem que o coração realize sua função de 
bombeamento do sangue para o organismo, através da promoção dos fenômenos 
de diferença de pressão entre as câmaras, permitindo seu enchimento e impulsão 
do sangue. 
21
Figura 15 – Das válvulas 
Fonte: https://br.pinterest.com/pin/768778598881501913/. Acesso em: 16 out. 2022.
Porém, algumas patologias podem afetar essas válvulas, tornando-as mais 
frouxas, com maior dificuldade de se fechar, o que consiste na insuficiência valvar, ou 
mais resistentes à abertura, o que caracteriza a estenose, que conferem uma obstrução 
ao fluxo sanguíneo. Em alguns casos, pode ocorrer uma dupla lesão valvar, ou seja, uma 
mesma válvula apresentar estenose e insuficiência. 
Já a endocardite consiste em inflamação do endocárdio, que é o revestimento 
interno do coração, que pode ser infecciosa ou não infecciosa. Nas endocardites 
infecciosas, normalmente, a infecção se dá pela disseminação através da circulação 
sanguínea de bactérias, principalmente, provenientes de outras partes do organismo, 
como por exemplo, da boca (infecções dentárias).
Figura 16 – Endocardite 
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Endocardite_infecciosa. Acesso em: 16 out. 2022.
As valvulopatias envolve a disfunção da valva cardíaca, podendo ser classificada 
em estenose mitral, insuficiência mitral, estenose aórtica e insuficiência aórtica.
22
Definimos estenose quando não há abertura da valva completamente, existindo 
então uma dificuldade da passagem do sangue de uma câmara para outra ou para o 
vaso. Já a insuficiência acontece quando a valva se mantém aberta e existe um refluxo 
entre as câmaras ou das câmaras para os vasos.
Figura 17 – De estenose
Fonte: https://seucardio.com.br/estenose-aortica/. Acesso em: 16 out. 2022.
De maneira geral, os pacientes que possuem valvopatia ou valvulopatias 
desenvolvem sinais e sintomas semelhantes à insuficiência cardíaca, como: dispneia, 
angina, síncope, sinais de congestão pulmonar, fraqueza, fadiga, palpitações, ortopneia, 
edema, distensão jugular, hepatomegalia, taquicardia, estertores, edema pulmonar. 
O método diagnóstico utilizado para avaliar o comprometimento da valva é: 
ECG, Raio-x de tórax, eco, cateterismo cardíaco e estudo eletrofisiológico. O tratamento 
é conforme a evolução da doença, com uso de medicamentos como digitálicos, 
betabloqueadores, inibidores de enzima conversora de angiotensina, inotrópicos, 
dobutaminas, diuréticos, vasodilatadores, anticoagulantes e antiarrítmicos. 
De acordo com o estágio da disfunção valvar, é recomendada a plastia da valva 
podendo ser por via percutânea ou por via tradicional (aberta) ou por meio de cirurgia 
cardíaca, na qual pode haver a troca da valva que poderá ser indicada pelo cirurgião, 
sendo a mais apropriada conforme cada caso. 
Figura 18 – De uma troca de válvula 
Fonte: bit.ly/3EUfXmc Acesso em: 16 out. 2022.
23
Eventualmente, em casos de Estenose Mitral (EM) degenerativa em pessoas 
idosas, optou-se inicialmente pelo tratamento clínico e reserva-se para cirurgia os 
casos refratários.
O funcionamento da válvula é simples, quando uma válvula se abre, conseguindo 
permitir a passagem do sangue da cavidade cardíaca prévia para a cavidade cardíaca 
ou segmento arterial situado no lado oposto e, quando fecha, consegue impedir que o 
sangue circule no sentido inverso.
Existem lesões em qualquer uma das válvulas que podem provocar dois tipos 
básicos de alterações do fluxo sanguíneo no interior do coração e consequentemente 
nos grandes vasos. Quando as lesões impedem a abertura adequada de uma válvula 
conhecida como estenose, o sangue se acumula na cavidade cardíaca que a precede, 
fazendo com que o tecido muscular engrosse (denominado de hipertrofia) para 
aumentar seu poder e superar a estenose. Entretanto, as lesões não permitem o normal 
encerramento da válvula, o que se denomina de insuficiência, a parte do sangue que 
passou para a cavidade cardíaca ou para o segmento arterial posterior à válvula tende a 
diminuir para a cavidade cardíaca precedente, sendo assim, provocando o acúmulo de 
um maior volume de sangue do que o normal, o que ocorre sua dilatação. 
2.7 Doença arterial obstrutiva periférica 
Segundo Neto et al. (2007), a Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) tem 
por definição o acometimento da aorta e todos os seus ramos. Apresenta uma prevalência 
de 10 a 25% na população acima de 55 anos, sendo que aumenta com a idade e cerca 
de 70 a 80% dos pacientes acometidos com a doença são assintomáticos. Apenas a 
minoria dos pacientes requer tratamento cirúrgico ou amputações, onde quase todos os 
pacientes com DAOP têm risco aumentado de morte por doença cardiovascular.
Nesse momento, estudaremos a Doença Arterial Obstrutiva Periférica, que é 
mais comum nos membros inferiores. 
Figura 19 – Doença arterial obstrutiva periférica
Fonte: bit.ly/3ABliMu Acesso em: 16 out. 2022.
24
Processos patológicos podem levar ao estreitamento das artérias dos membros, 
por exemplo: inflamação, trombose e sintomas de insuficiência mais prevalentes da doença 
arterial obstrutiva periférica e sintomas agudos ou crônicos devido à embolia de vasos 
sanguíneos mais proximais ou trombose de artérias que se estreitam crescentemente.
Os sintomas de isquemia ocorrem quando há um desequilíbrio entre a oferta ea demanda de fluxo sanguíneo. As manifestações clínicas da doença arterial obstrutiva 
periférica dependem da localização e gravidade da estenose ou oclusão arterial. Eles 
variam de dor moderadamente ativa no membro (por exemplo, fraqueza) a isquemia 
com risco de membro. 
A prevalência mundial de doença arterial obstrutiva periférica nas extremidades 
inferiores é de 3-12%. A maioria das pessoas afetadas vive em países de baixa ou média 
renda. É mais comum em idosos afro-americano em famílias com doença arterial 
coronariana e em pessoas com fatores de risco para doenças cardiovasculares (pressão 
arterial elevada, diabetes, níveis elevados de lipídios no sangue e doença metabólica 
fumar) (BRASIL, 2021).
IMPORTANTE
Para melhor compreensão da doença arterial obstrutiva periférica os pacientes geralmente 
são assintomáticos, no entanto, se o suprimento de sangue não for suficiente para atender 
aos requisitos metabólicos contínuos como consequência do estreitamento arterial, 
ocorrerão sintomas. A gravidade dependerá do grau de estreitamento arterial, número de 
artérias afetadas e nível de atividade dos pacientes. O paciente pode apresentar 
dor de um ou mais grupos musculares dos membros inferiores relacionados à 
atividade (claudicação intermitente), dor atípica, dor em repouso ou feridas não 
cicatrizadas, ulceração ou gangrena. A dor desses pacientes é causada por 
uma neurite isquêmica e tende a piorar à noite quando o membro é colocado 
em posição horizontal (COLOMBRINI; MARCHIORI; FIGUEIREDO, 2010).
2.8 Trombose Venosa Profunda 
 Um trombo é uma massa sólida ou tampão formado na circulação por 
componentes do sangue (plaquetas básicas e fibrina), que pode causar oclusão vascular 
local ou embolia e isquemia a distância (BRASIL, 2021). A trombose venosa profunda 
é caracterizada por trombose venosa profunda com trombose parcial e oclusão, que 
geralmente ocorre nos membros inferiores.
25
IMPORTANTE
A tríade de Virchow sugere que há três componentes importantes na 
formação do trombo.
Figura 20 – Três componentes para formação do trombo
Fonte: o autor (2022)
Na trombose venosa, o aumento da coagulação do sangue e a estase são mais 
importantes porque a coagulação do sangue é concluída onde o coágulo de sangue 
começa. O primeiro trombo aumenta e progride nas direções distal e proximal, atingindo 
vasos cada vez maiores e, finalmente, atingindo o corpo coletor principal da região. Esse 
coágulo geralmente é misto, consistindo em camadas de células sanguíneas que são 
fundidas com uma rede de fibrina.
Figura 21 – O trombo é descrito como ten
Fonte: O autor (2022)
26
O trombo está inicialmente livre na corrente sanguínea, retido apenas pela 
cabeça, a irritação da parede venosa provoca um reflexo simpático que define o espasmo 
venoso que fixa o trombo e, como resultado, bloqueia a circulação. A parede vascular 
irritada torna-se o foco do processo inflamatório. São formados capilares tumorais, que 
atravessam a parede venosa, penetraram no nódulo e se organizam.
Os sinais e sintomas de trombose venosa profunda de membros incluem 
desconforto, dor, parestesias e fraqueza, edema, empastamento na panturrilha e 
aparecimento de colaterais venosas visíveis são manifestações clássicas. 
No exame físico envolve dor, edema, vermelhidão, cianose, aumento do 
sistema venoso superficial, febre, inchaço muscular.
Quadro 5 – Durante um exame físico, alguns sinais semiológicos podem ajudar no diagnóstico incluindo
Fonte: adaptado de Stanfield (2013) 
Pacientes com alta suspeita clínica de trombose venosa profunda são 
aconselhados a iniciar tratamento com anticoagulantes antes de confirmar o diagnóstico. 
O objetivo é prevenir a trombose e dar tempo ao sistema de fibrinólise fisiológica para 
diminuir a rede de fibrina e normalizar seu fluxo. O tratamento inicial deve ser com 
heparina de baixo peso molecular (HBPM), heparina não fracionada (HNF). Recomenda-
se um período de tratamento inicial de pelo menos cinco dias (STANFIELD, 2013).
Em associação com antagonistas da vitamina K desde o primeiro dia de 
tratamento até que o INR (International Standardization Ratio) esteja no nível terapêutico, 
que é entre dois e três, por dois dias consecutivos. 
O processo de enfermagem/SAE deve se atentar no exame físico para detecção 
de trombose venosa profunda, edema de membros inferiores, perfusão periférica, 
temperatura dos membros, pulso poplíteo, tibial, pedioso, ingurgitamento da panturrilha, 
sinais clássicos estudados anteriormente.
A assistência de enfermagem aos pacientes com trombose venosa profunda 
deve medir diariamente a circunferência do membro afetado, analisar a perfusão, 
manter o paciente em Trendelemburg, verificar sinais de hemorragia, acompanhar os 
níveis de plaquetas, utilizar meias elástica de média compressão, analisar presença de 
cianose, observar quedas de saturação de oxigênio.
27
2.9 Gasometria Arterial 
Na atuação da enfermagem na emergência ou nos cuidados intensivos, é 
comum a solicitação da gasometria arterial. É uma determinação quantitativa do 
potencial hidrogeniônico pH e dos gases sanguíneos arteriais a partir de determinados 
parâmetros e cálculos específicos (PORTO; PORTO, 2019). 
O equipamento de gasometria mede o pH e os gases sanguíneos com pressão 
parcial de oxigênio (PaO2 ou pO2) e pressão parcial de dióxido de carbono (PaCO2 ou 
pCO2), enquanto calcula outros parâmetros são calculados. Os principais parâmetros 
notados no exame são: pH, saturação de oxigênio (SatO2 ou SO2), pCO2, bicarbonato 
(HCO3 -), Ânion Gap (AG). No entanto, outros parâmetros podem ser encontrados como, 
por exemplo, a dosagem de alguns eletrólitos. Na prática clínica, é uma parte essencial 
do diagnóstico e manejo da oxigenação e do equilíbrio ácido básico em muitos pacientes, 
particularmente naqueles de alto risco (PORTO; PORTO, 2019).
Figura 26 – Teste de Allen
Fonte: https://www.medway.com.br/conteudos/gasometria-altas-matematicas/. Acesso em: 18 out. 2022.
O quadro clínico depende da doença causadora do distúrbio e a abordagem 
do tratamento baseia-se na correção dos fatores causadores da hiperventilação. Em 
particular, pacientes com alcalose respiratória podem apresentar dispneias, tonturas, 
parestesias, palpitações e dores torácicas. A fibrilação atrial pode acontecer devido a 
uma redução no conteúdo de oxigênio da hemoglobina. Pode criar uma imagem de 
hipocalcemia, estreitamento da traqueia e hipotensão.
A punção arterial para fins de gasometria é um procedimento específico do 
enfermeiro e demanda competência técnica e científica para sua execução. A punção 
arterial pode ser realizada em qualquer vaso arterial periférico, incluem as artérias 
radial, pediosa e femoral, nesta sequência. Deve-se evitar a artéria braquial pelo risco 
de complicações tromboembólicas em antebraço e mão (PORTO; PORTO, 2019).
28
Figura 27 – Locais indicados para punção de gasometria
Fonte: bit.ly/3tT29lw Acesso em: 16 out. 2022.
Vale reforçar que o local de escolha para punção arterial varia de acordo com as 
condições do paciente, e devem ser consideradas a fim de garantir um procedimento 
seguro (STANFIELD, 2013).
O enfermeiro deve ficar atento que a punção arterial pode ser realizada com 
cateter ou agulha e seringa. Cuidado importante a ser considerado é a força durante o 
procedimento que poderá tocar o periósteo, causando dor intensa ao paciente, ou ainda 
ultrapassar a parede oposta da artéria. Assim, é importante verificar se há retorno de 
sangue aspirando durante a punção. Se não houver retorno de sangue, é necessário 
recomeçar o procedimento evitando repetir o local da tentativa (PORTO; PORTO, 2019). 
29
Fonte: bit.ly/3tT2MLU Acesso em: 16 out. 2022.
Figura 28 – Imagem de uma gasometria
Nas situações em que haja a ocorrência de espasmo arterial o sangue não fluirá 
e não será possível coletar a amostra. Caso isso ocorra, substituir a agulha por uma 
menor e tentar puncionar novamente. Complicações prevalentes em punções radiais 
e femoraispodem ser a presença de equimose local, hematoma pequeno e grande e 
perda da permeabilidade do vaso sanguíneo (STANFIELD, 2013).
DICA
Para aprimorar seus conhecimentos leia o artigo Gasometria arterial: aplicações 
e implicações para a enfermagem. Disponível em: https://portalidea.com.br/
cursos/introduo--gasometria-apostila03.pdf.
30
3 ATUAÇÃO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM NOS SISTEMA 
CARIODCIRCULATÓRO
A assistência de enfermagem aos pacientes com hipertensão tem início pelo 
histórico de enfermagem, no qual deve ser realizado uma anamnese e exame físico 
detalhados desse paciente, atentando para os valores da pressão arterial, os hábitos de 
vida e histórico familiar. Os pacientes devem ser avaliados e monitorados constantemente 
por meio da avaliação da equipe de enfermagem e do enfermeiro.
 
Sobre a verificação de pressão arterial, para controle, a enfermagem deve 
sempre instruir o paciente previamente sobre tal procedimento, explicando as suas 
etapas e objetivos. É importante indagar se o paciente está com a bexiga vazia, se evitou 
atividade física, alimentação, fumo, ingestão de bebida alcoólica ou café, pelo menos 30 
minutos antes da medida, e se ingeriu drogas que interferem com os mecanismos de 
regulação da pressão. 
O procedimento da aferição da pressão arterial envolve as seguintes etapas, 
conforme o quadro a seguir.
Quando 6 – Etapas aferição pressão arterial
1. deixar o paciente em repouso 5 a 10 minutos, em ambiente calmo, com temperatura 
agradável;
2. localizar pela palpação a artéria braquial no braço do paciente;
3. posicionar o manguito firmemente, evitando folgas e centralizando a bolsa de 
borracha sobre a artéria braquial, cerca de 2 a 3cm acima da fossa antecubital. Nas 
posições sentada e ereta, manter o braço na altura do quarto espaço intercostal;
4. palpar o pulso radial e inflar o manguito até o desaparecimento deste pulso para 
identificação da pressão sistólica e desinflar, rapidamente, aguardando 15 a 30 
segundos antes de inflar novamente; 
5. posicionar o estetoscópio, suavemente, na fossa antecubital sobre a artéria 
braquial, evitando compressão excessiva. Deve-se empregar a campânula 
do estetoscópio, pois os sons auscultados são de baixa frequência. Colocar o 
estetoscópio nos ouvidos com a curvatura voltada para frente.
6. inflar rapidamente, de 10 em 10 mm Hg, até ultrapassar 20 a 30 mm Hg o nível da 
pressão sistólica e proceder a deflação em velocidade constante de 2 a 3 mm Hg, por 
segundo, que pode ser elevada para 5 a 6 mm Hg por segundo, após a determinação 
da sistólica para evitar congestão venosa e desconforto para o paciente;
7. identificar a pressão sistólica no momento do aparecimento do primeiro som 
da série de sons (fase I de Korotkoff), que se intensifica com o aumento da 
velocidade de deflação e a pressão distólica quando desaparecem os sons (fase 
V de Korotkoff), auscultando cerca de 20 a 30 mm Hg abaixo do último som para 
confirmar seu desaparecimento, e depois, proceder a deflação rápida e completa;
31
8. registrar os valores de pressão sistólica e diastólica, assim como a posição do 
paciente, braço em que foi medida a pressão e tamanho do manguito;
9. aguardar 1 a 2 minutos para realizar nova medida.
Fonte: adaptado de Mion Júnior (1996)
É importante identificar a falta de adesão, conhecimento insuficiente e 
precariedade no autocuidado, já que é uma condição silenciosa que pode evoluir com 
complicações e os pacientes podem se acostumar com a cronicidade da doença, sendo 
necessário intervenções educativas para mudança do estilo de vida. 
O enfermeiro deve implementar os primeiros passos para o autocuidado ao 
paciente, deve ensiná-lo a controlar os fatores de risco modificáveis, recomendando 
um estilo de vida mais saudável para o coração, devendo praticar atividades físicas 
regularmente, abstenção do fumo, ter uma dieta saudável e controlar o stress, diminuir 
a ingestão de sal e de gorduras, principalmente aquelas saturadas. Deve-se alimentar 
mais com alimentos de origem animal (ovos, carnes e manteigas) e aumentar o consumo 
de alimentos vegetais como frutas e verduras, e ingerir mais fibras.
Assim, a enfermagem presta assistência de qualidade, aprendendo a diferenciar 
os sinais e sintomas de IAM, para isto o enfermeiro deve treinar a sua equipe para 
atuar na assistência do paciente com o IAM prestando os cuidados de forma eficaz e 
eficiente desde a suspeita diagnostica até a sua alta. O enfermeiro deve estar presente 
diretamente na assistência da enfermagem de qualidade de forma integral para atender 
às necessidades dos pacientes com IAM (COLOMBRINI; MARCHIORI; FIGUEIREDO, 2010).
Os principais cuidados da equipe de enfermagem, que fazem parte da SAE, 
durante o infarto do miocárdio, são monitorar a frequência cardíaca contínua com 
oximetria de pulso, deixar o paciente em repouso absoluto no leito, acesso venoso, 
colocar oxigênio por meio de cateter nasal de 2 a 4 litros por minutos, efetuar o ECG 
e exame de marcadores de lesão cardíaca repetindo o exame após 6 ou 9 horas. 
Também é importante realizar intervenções por meio do diagnóstico de enfermagem 
como dor torácica analisando sua duração e intensidade, sua localização e radiação, 
analisar a verificação da circulação, checando os pulsos periféricos sendo em MMII 
e MMSS, verificar temperatura das extremidades, cor e edema, monitor o ritmo e a 
frequência cardíaca.
É de grande importância a orientação da população por meio de ações educativas 
pelo profissional enfermeiro sobre os riscos do IAM detalhar os principais sinais e 
sintomas e os riscos potenciais na demora em procurar por um atendimento hospitalar. 
Importam os benefícios do tratamento precoce nos indivíduos com IAM, tanto por meio 
de terapia fibrinolítica como por intervenção mecânica, porém o tempo continua sendo 
fator determinante no tratamento. Também é importante a conscientização do público 
quanto esse tempo tolerante na busca por um atendimento médico, e que a chance de 
mortalidade intra e extra-hospitalar se reduz consideravelmente.
32
O enfermeiro deve ficar atento para manifestações clínicas como dispneia, troca 
de gases prejudicada, edema, função cardíaca prejudicada, fadiga, débito cardíaco 
prejudicado, dor, risco para infecção e risco para queda. Em relação à otimização do 
funcionamento cardiopulmonar, o controle do peso corporal é importante para evitar a 
sobrecarga do trabalho dos órgãos-alvo.
O processo de enfermagem/SAE deve se atentar no exame físico para detecção 
de trombose venosa profunda, edema de membros inferiores, perfusão periférica, 
temperatura dos membros, pulso poplíteo, tibial, pedioso, ingurgitamento da panturrilha, 
sinais clássicos estudados anteriormente.
A assistência de enfermagem aos pacientes com trombose venosa profunda 
deve medir diariamente a circunferência do membro afetado, analisar a perfusão, 
manter o paciente em Trendelemburg, verificar sinais de hemorragia, acompanhar os 
níveis de plaquetas, utilizar meias elásticas de média compressão, analisar presença de 
cianose, observar quedas de saturação de oxigênio.
Caro acadêmico! Chegamos ao final do Tópico 1, em que tivemos a 
oportunidade de ampliar o conhecimento sobre as principais doenças que acometem 
o sistema cardiocirculatório e as principais atuações da equipe de enfermagem. 
Na sequência, no Tópico 2, vamos estudar as principais doenças que acometem o 
sistema respiratório. Vamos lá!
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 Neste tópico, você aprendeu:
• O sistema circulatório é considerado o responsável por conduzir elementos essenciais 
para todos os tecidos do corpo.
• Os vasos sanguíneos em conjunto dão origem a uma rede de tubos que irão realizar 
o transporte do sangue pelo corpo.
• O tratamento farmacológico é divido em cinco classificações, são elas: diuréticos, 
antagonistas do cálcio, inibidores de enzima conversora de angiotensina (iECA), 
bloqueador do Receptor AT1 (BRA), bloqueadores adrenérgicos.
• Existem três categorias de pressão arterial: pressão arterial normal,

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