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AMENDOIM ORGÂNICO 
TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO PARA O 
NORDESTE BRASILEIRO 
 
 
 
 
 
 
 
 
1ª edição 
 
 
 
 
 
 
 
 
CENTRO INTERDISCIPLINAR DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO E DIREITO 
 
LARYSSA MAYARA ALVES DE ALMEIDA 
Diretor Presidente da Associação do Centro Interdisciplinar de Pesquisa em Educação e Direito 
 
VINÍCIUS LEÃO DE CASTRO 
Diretor - Adjunto da Associação do Centro Interdisciplinar de Pesquisa em Educação e Direito 
 
ESTHER MARIA BARROS DE ALBUQUERQUE 
Editor-chefe da Associação da Revista Eletrônica a Barriguda - AREPB 
 
 
 
 
ASSOCIAÇÃO DA REVISTA ELETRÔNICA A BARRIGUDA – AREPB 
CNPJ 12.955.187/0001-66 
Acesse: www.abarriguda.org.br 
 
 
 
 
 
CONSELHO EDITORIAL 
 
Adilson Rodrigues Pires 
André Karam Trindade 
Alessandra Correia Lima Macedo Franca 
Alexandre Coutinho Pagliarini 
Arali da Silva Oliveira 
Bartira Macedo de Miranda Santos 
Belinda Pereira da Cunha 
Carina Barbosa Gouvêa 
Carlos Aranguéz Sanchéz 
Dyego da Costa Santos 
Elionora Nazaré Cardoso 
Fabiana Faxina 
Gisela Bester 
Glauber Salomão Leite 
Gustavo Rabay Guerra 
Ignacio Berdugo Gómes de la Torre 
Jaime José da Silveira Barros Neto 
Javier Valls Prieto, Universidad de Granada 
José Ernesto Pimentel Filho 
Juliana Gomes de Brito 
Ludmila Albuquerque Douettes Araújo 
Lusia Pereira Ribeiro 
Marcelo Alves Pereira Eufrasio 
Marcelo Weick Pogliese 
Marcílio Toscano Franca Filho 
Olard Hasani 
Paulo Jorge Fonseca Ferreira da Cunha 
Raymundo Juliano Rego Feitosa 
Ricardo Maurício Freire Soares 
Talden Queiroz Farias 
Valfredo de Andrade Aguiar 
Vincenzo Carbone 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VICENTE DE PAULA QUEIROGA 
FRANCISCO DE ASSIS CARDOSO ALMEIDA 
ÊNIO GIULIANO GIRÃO 
ACÁCIO FIGUEIREDO NETO 
ESTHER MARIA BARROS DE ALBUQUERQUE 
EDITORES TÉCNICOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
AMENDOIM ORGÂNICO 
TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO PARA 
O NORDESTE BRASILEIRO 
 
 
 
1ª EDIÇÃO 
 
 
 
 
ASSOCIAÇÃO DA REVISTA ELETRÔNICA A BARRIGUDA - AREPB 
 
 
 
 
 
 
 
2018 
 
©Copyright 2016 by 
 
 
Organização do Livro 
VICENTE DE PAULA QUEIROGA, FRANCISCO DE ASSIS CARDOSO ALMEIDA, ÊNIO 
GIULIANO GIRÃO, ACÁCIO FIGUEIREDO NETO E ESTHER MARIA BARROS DE 
ALBUQUERQUE 
 
Capa 
IMGROWER; EDER FORTUNATO; H. ZELL; EMPRESA INTEROLEOS; ADRIANA DE SOUZA 
ROCHA; VICENTE QUEIROGA 
Editoração 
ESTHER MARIA BARROS DE ALBUQUERQUE 
 
Diagramação 
ESTHER MARIA BARROS DE ALBUQUERQUE 
 
 
O conteúdo dos artigos é de inteira responsabilidade dos autores. 
 
 
Dados internacionais de catalogação na publicação (CIP) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ficha Catalográfica Elaborada pela Direção Geral da Revista Eletrônica A Barriguda - AREPB 
 
 
Todos os direitos desta edição reservados à Associação da Revista Eletrônica A Barriguda – AREPB. 
Foi feito o depósito legal. 
 
 
 
 
 
Data de fechamento da edição: 12-01-2018 
 
Q3a Queiroga, Vicente de Paula. 
 Amendoim orgânico: Tecnologia de produção para o Nordeste 
brasileiro. 1ed. / Organizadores, Vicente de Paula Queiroga, Francisco de 
Assis Cardoso Almeida, Ênio Giuliano Girão, Acácio Figueiredo Neto, 
Esther Maria Barros de Albuquerque. – Fortaleza: AREPB, 2018. 
 368 f. : il. color. 
 
ISBN 978-85-67494-25-8 
 
1. Amendoim orgânico. 2. Sistema de produção orgânico. 3. Região 
Nordeste. 4. Agroecologia. 5. Extração de óleo. I. Queiroga, Vicente de 
Paula. II. Almeida, Francisco de Assis Cardoso. III. Girão, Ênio Giuliano. 
IV. Figueiredo Neto, Acácio. V. Albuquerque, Esther Maria Barros de. VI. 
Título. 
CDU 634.5 
https://www.facebook.com/ImGrower/
http://flic.kr/p/dp3DLC
 
 
 
 
 
 
 
 
 O Centro Interdisciplinar de Pesquisa em Educação e Direito – CIPED, 
responsável pela Revista Jurídica e Cultural “A Barriguda”, foi criado na cidade de 
Campina Grande-PB, com o objetivo de ser um locus de propagação de uma nova maneira 
de se enxergar a Pesquisa, o Ensino e a Extensão na área do Direito. 
 
 A ideia de criar uma revista eletrônica surgiu a partir de intensos debates em torno 
da Ciência Jurídica, com o objetivo de resgatar o estudo do Direito enquanto Ciência, de 
maneira inter e transdisciplinar unido sempre à cultura. Resgatando, dessa maneira, 
posturas metodológicas que se voltem a postura ética dos futuros profissionais. 
 
 Os idealizadores deste projeto, revestidos de ousadia, espírito acadêmico e 
nutridos do objetivo de criar um novo paradigma de estudo do Direito se motivaram para 
construir um projeto que ultrapassou as fronteiras de um informativo e se estabeleceu 
como uma revista eletrônica, para incentivar o resgate do ensino jurídico como 
interdisciplinar e transversal, sem esquecer a nossa riqueza cultural. 
 
 Nosso sincero reconhecimento e agradecimento a todos que contribuíram para a 
consolidação da Revista A Barriguda no meio acadêmico de forma tão significativa. 
 
 
 
Acesse a Biblioteca do site www.abarriguda.org.br 
 
EDITORES TÉCNICOS 
 
Vicente de Paula Queiroga (Dr) 
Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária 
Centro Nacional de Pesquisa do Algodão-CNPA 
Campina Grande, PB (Brasil) 
 
 
Francisco de Assis Cardoso Almeida (Dr) 
Professor Titular da Unidade Acadêmica de Engenharia Agrícola 
Centro Tecnológico e Recursos Naturais 
Universidade Federal de Campina Grande, PB (Brasil) 
 
 
Ênio Giuliano Girão (M. Sc) 
Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária 
Embrapa Agroindústria Tropical 
Fortaleza, CE (Brasil) 
 
 
Acácio Figueiredo Neto (Dr) 
Professor Adjunto do Colegiado de Engenharia Agrícola 
Universidade Federal do Vale do São Francisco- UNIVASF 
Juazeiro – BA (Brasil) 
 
 
Esther Maria Barros de Albuquerque (Drª) 
Doutora em Engenharia de Processos 
Universidade Federal de Campina Grande-UFCG 
Campina Grande, PB (Brasil) 
 
 
APRESENTAÇÃO 
 
Na região Nordeste do Brasil, o cultivo do amendoim tem despertado grande 
interesse entre os agricultores e profissionais das ciências agrárias devido sua importância 
para o setor alimentício em que a competitividade deste setor está ligada à cultura agrícola 
do amendoim, como é o caso da agricultura familiar que tem dinâmica e características 
distintas em comparação à agricultura não familiar. Desenvolvida em pequenas 
propriedades rurais por grupo de famílias (pequenos agricultores e alguns empregados), 
priorizam práticas tradicionais de cultivo e de baixo impacto ambiental, sendo uma grande 
aliada da sustentabilidade e da responsabilidade socioambiental, e adota práticas de 
cultivo mais sustentáveis com a produção de alimentos orgânicos. 
Com a tecnificação intensiva da agricultura, esta atividade, que até então era 
relativamente autônoma, passou a ficar gradativamente dependente do conjunto de 
empresas e indústrias que atuam no setor. A dependência não se restringiu apenas a área 
técnica, mas passou a ser também econômica e até política. 
 Desta forma, a ideia básica foi reunir boa parte da informação técnica nacional e 
internacional disponível e apresenta-la de uma maneira simples de modo que pudesse ser 
facilmente absorvida por qualquer pessoa interessada no assunto do cultivo do amendoim. 
Portanto, reunimos nesta edição 8 capítulos que contemplam oportunidades tecnológicas 
para a exploração orgânica do amendoim, em especial, cultivado no Nordeste brasileiro, 
que, de certo, poderá contribuir para o crescimento e desenvolvimento da região, vez que 
evidencia grande potencial de ocupação de mão de obra e geração de renda para 
agricultores familiares. 
Na compilação e adaptação destas páginas, os estudos procuram refletir a 
intensidade de resultados proporcionados pela pesquisa, tornando mais acessível estes 
estudos aos que atuam e/ou apresentam interesse na cultura do amendoim orgânico por 
oferecer subsídios adicionais a aplicação de técnicas que vão da semeaduradispõem de atividade específica de melhoramento (NAKAGAWA; ROSOLEM, 2011). 
 
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Seleção: Os métodos de seleção que se aplicam no melhoramento do amendoim e outras 
plantas autógamas são individual e massal. A seleção individual se realiza em uma 
população heterogênea e homozigótica, que teoricamente consiste em uma mesclas de 
linhas puras, através da qual se identificam e selecionam plantas com caracteres 
agronômicos até alcançar sua homogeneidade. Posteriormente, são submetidas a 
comparação de rendimentos por três ciclos agrícolas consecutivos, até definir qual é a 
linha pura de todo o grupo promissor por seu maior rendimento e que, ao mesmo tempo, 
se destacou por sua morfologia, a qual deve coincidir com o ideótipo que se deseja para 
cada região agrícola produtora. Em este caso, a nova variedade melhorada consiste de 
uma linha pura e as variedades que se desenvolvem por esse método tem a vantagem de 
que são uniformes em hábito de crescimento, floração e maturação, assim como em 
quantidade e qualidade dos frutos. Outro método adicional de melhoramento, o de linhas 
puras consiste em selecionar um bom número de linhas puras elite com caracteres 
agronômicos e industriais desejáveis as quais se misturam entre si. Em geral, através deste 
método, se podem obter maiores rendimentos (SAGARPA, 2002). 
 
No que se refere à seleção massal, esta é mais efetiva quando se aplica o método moderno 
de seleção estratificada, através da seleção fenotípica negativa ao princípio de 
desenvolvimento das plantas e da seleção positiva durante a colheita. 
 
Hibridação – Este método de melhoramento é o mais efetivo para o desenvolvimento de 
novas variedades desde que se reúnam os caracteres favoráveis de dois ou mais genótipos, 
que podem ser tanto linhas puras, como variedades melhoradas ou variedades crioulas e 
inclusive materiais genéticos de origem silvestre para a incorporação de resistência a 
certas doenças. O método de hibridação pode ser aplicado através de cruzamento simples, 
cruzamento múltiplos e retrocruzamento, de maneira que seja gerado uma grande 
população que irá constituir a base genética integrada por diversas fontes de gens. Sobre 
essas populações são realizadas a seleção de linhas que podem ser para a combinação de 
bulk modificado e de pedigree, apenas é útil para avançar gerações em populações de 
cruzamento muito divergentes, principalmente entre subespécies, até a obtenção de linhas 
homozigóticas. A aplicação de um ou outro método de seleção depende dos recursos que 
se dispõe o programa de melhoramento, tanto humanos como financeiros (SAGARPA, 
2002). 
 
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Mutação – As mutações constituem uma fonte natural da evolução das espécies (vegetais 
e animais), as quais têm ocorrido espontaneamente na natureza desde há muitos anos de 
cujos efeitos e por seleção natural têm sido gerados centenas de espécies e de variedades. 
Outra forma de gerar novas variedades, é em induzir mutações de forma artificial, apesar 
de ser ainda pouco pesquisado. Através de mutação tem conseguido modificar apenas 
caracteres de herança simples ou monogênica, tal como obtenção de plantas anãs ou 
gigantes, ou plantas com caracteres muito contrastantes. No entanto, ainda não foi 
alcançado efeitos mutagênicos positivos em caracteres agronômicos como o rendimento 
que é uma herança qualitativa ou poligênica (SAGARPA, 2002). 
 
A estrutura vegetativa dos amendoins rasteiros comumente do grupo Virgínia, é associada 
ao ciclo mais longo, para obter-se um potencial satisfatório de produção de vagens. Já os 
amendoins de porte ereto (grupo Valência e Spanish) tendem a ter ciclos mais curtos. A 
escolha de um tipo ou outro para melhoramento dependerá de fatores ambientais e do 
sistema de produção para a qual a cultivar será empregada. As cultivares rasteiras são 
vegetativamente mais indicadas para a colheita totalmente mecanizada, enquanto os tipos 
eretos são adequados para cultivo de menor escala, onde a colheita é realizada 
manualmente. Se a condição ambiental da região Nordeste do Brasil exige o cultivo de 
material mais precoce, o melhoramento deve ser direcionado para genótipos de hábito de 
crescimento ereto (NAKAGAWA; ROSELEM, 2011). 
 
Por outro lado, as pesquisas com amendoim na Embrapa Algodão de Campina Grande, 
PB tiveram início em meados da década de 1980 e foram delineadas a partir de um 
diagnóstico baseado na realidade econômica e na demanda dos agricultores situados na 
Zona da Mata, Agreste e Sertão nordestinos. Apenas em 1990, o programa de 
melhoramento foi estabelecido, focalizando no desenvolvimento de cultivares precoces, 
produtivas e tolerantes ao ambiente semiárido. Posteriormente, outros objetivos foram 
incorporados ao programa, em virtude das demandas dos produtores e do mercado, tais 
como resistência a pragas e doenças, melhoria nutricional do grão e físico-química do 
óleo, entre outras (BOLONHEZI et al., 2013). 
 
Todas as atuais cultivares comerciais de amendoim para a região Nordeste foram geradas 
pela Embrapa e têm as características de precocidade e tolerância ao semiárido (GODOY 
et al, 1999b). A estratégia adotada pelos melhoristas da empresa é obter progenitores de 
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maturação precoce e uniforme que, independentemente do ciclo, tenham habilidade de 
formar mais rapidamente suas vagens, assegurando o enchimento antes do período da 
colheita. Outra estratégica é usar progenitores que concentram a maior proporção de 
ginóforos nos primeiros 15 cm da base da planta. Esses por estarem mais próximos ao 
solo, terão mais chances de formarem as vagens (BOLONHEZI et al., 2013). 
Com base no padrão de sementes das cultivares da Embrapa, os grãos vermelhos de 
tamanhos médio e grande são voltados para o mercado de consumo in natura (torrado, 
cozido, etc), com teor de óleo na faixa de 40 e 46%; os beges ou cremes, de tamanhos 
grande a extragrande, são voltados para o de confeitaria (doces e salgados); e os branco, 
para os segmentos de óleo comestível ou biocombustível, com teor de óleo acima de 50% 
e relação oleico/linoleico acima de 1,5 (BOLONHEZI et al., 2013). 
 
FENOLOGIA DA PLANTA DE AMENDOIM 
 
A fenologia é um segmento da botânica que estuda a cronologia de eventos biológicos 
repetitivos e periódicos como floração, frutificação etc., e das causas de sua 
temporalidade, considerando as forças bióticas e abióticas, e da interrelação entre as fases, 
na mesma espécie ou entre espécies diferentes (TALORA; MORELLATO, 2000). A 
avaliação de características fenológicas permite conhecer tanto o ciclo de crescimento 
vegetativo, como o comportamento produtivo, os quais são dados importantes para a 
definição das principais técnicas de manejo em lavouras comerciais. 
 
No caso do amendoim, o estudo completo de todas as fases que envolvem seu ciclo torna-
se difícil, porque a formação dos frutos é de natureza hipógea. O potencial de produção é 
determinado geneticamente e o quanto desse potencial vai ser exteriorizado depende de 
fatores limitantes (clima e solo) que estão atuando, continuamente, durante o ciclo da 
cultura (SANTOS et al., 1997). 
 
O amendoim mesmo tendo ampla adaptabilidade, a sua produtividade é altamente 
influenciada por fatores ambientais, especialmente temperatura, disponibilidade de água 
e radiação. Boote e Ketring (1990) destacam também que os eventos fenológicos são 
afetados pela temperatura, teor de água no solo e genótipo (SANTOS et. al., 2006a). 
Afirmam ainda que condições ambientais adversas reduzem o crescimento da planta, de 
maneira diferenciada, dependendo do estádio em que esta se encontra: vegetativo ou 
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reprodutivo. A sua fase vegetativa compreende as seguintes etapas: emergência,cotilédones abertos na ou sob a superfície do solo e número de folhas tetrafolioladas. 
Enquanto a fase reprodutiva compreende as seguintes etapas: início do florescimento, 
formação dos ginóforos ou pegs, formação de vagens, vagens cheias, formação das 
sementes, sementes cheias, início da maturação, maturação para colheita e vagem acima 
do ponto de maturação (BOOTE, 1982; Figura 18). 
 
 
Figura 18. Fase vegetativa compreende as seguintes etapas: emergência (A;B), 
cotilédones abertos na ou sob a superfície do solo (C;D;E) e número de folhas 
tetrafolioladas (F). Enquanto a fase reprodutiva: início do florescimento (G; H, I; J), 
formação dos ginóforos ou pegs (K;L;M; N), formação de vagens (O;P;Q), vagens cheias 
(R;S), formação das sementes (T), sementes cheias (U;V), início da maturação (X), 
maturação para colheita (W;Y) e vagem acima do ponto de maturação (Z). Fotos: Bruno 
Luís Krevoruczka e Jussiê Carlos Moro. 
 
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Assim o efeito dos fatores ambientais pode ser minimizado com a mudança de 
tecnologias, prevendo uma adoção de um conjunto de técnicas de manejo como 
semeadura mecânica em linhas, adensamento de plantas dentro das linhas e épocas de 
semeadura em diferentes estações do ano, permitindo que a população de plantas obtenha 
o melhor aproveitamento possível dos recursos ambientais, influenciando diretamente no 
rendimento de vagens e grãos (PEIXOTO et al., 2002; PEIXOTO et al., 2008). 
 
As fases de crescimento e desenvolvimento entre os genótipos do tipo Valência e Virgínia 
são particularmente definidas, mas podem variar, dependendo do local e das condições 
climáticas, principalmente temperatura, onde são cultivados. No Estado de São Paulo, 
com semeadura no período das águas (setembro-outubro), os genótipos do grupo Valência 
iniciam a floração geralmente entre os 30 a 32 dias após a semeadura (DAS), e o ciclo é 
completado 110 a 115 dias após o plantio. Nos genótipos do grupo Virgínia, a floração e 
o final do ciclo ocorrem, respectivamente, entre 35 e 40 e entre 120 e 140 dias após o 
plantio (GODOY et al., 1985). 
 
Nas condições de cultivo de sequeiro, nos estados da Bahia e Paraíba (abril-maio), 
entretanto, tem sido observado que os genótipos do grupo Valência iniciam a floração e 
são colhidos, respectivamente, entre 27 e 30 e entre 100 e 110 dias após o plantio. Nos 
genótipos do grupo Virgínia, a floração geralmente se inicia, em média, 35 dias após o 
plantio, e a colheita é realizada a partir dos 120 dias após o plantio (GUERREIRO, 1973; 
SILVA et al., 1991). 
 
Para determinação dos estádios fenológicos dos grupos Virgínia e Valência, um 
experimento foi realizado na Embrapa Algodão de Campina Grande, PB. O plantio foi 
realizado em 20 de fevereiro de 1992 e a colheita dos genótipos do tipo Valência foi 
realizada em 29 de maio, e a do tipo Virgínia, em 26 de junho. Os genótipos utilizados 
para este estudo foram escolhidos por apresentarem características morfo-agronômicas 
definidas, dentro de seus respectivos tipos botânicos. Tais materiais foram: Tatu, BR-1 e 
IAC Poitara, do tipo Valência, e CNPA 52 AM, CNPA 53 AM e CNPA 125 AM, do tipo 
Virgínia. As principais características fenológicas dos dois tipos botânicos são 
apresentadas na Tabela 5 (SANTOS et al., 1997). 
 
 
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Tabela 5. Fenologia das plantas de amendoim dos tipos Valência e Virgínia. 
Denominação Símbolo Tipo Botânico 
Valência Virgínia 
DAS 1 
Germinação (Emergência) G 06 07 
Primeiras Folhas Tetrafoliadas PFT 9 10 
Aparecimento dos Primeiros Ramos APR 14 14 
Início do Florescimento IF 29 33 
Aparecimento do Ginóforo AG 36 40 
Alongamento do Ginóforo ALG 46 50 
Formação das Vagens (frutificação) FV 47 51 
Final da Floração FF 74 95 
Maturação Completa das Vagens MCV 99 123 
Fonte: Santos et al. (1997), adaptado pelo autor. 1Dias após a semeadura (DAS) pode variar de acordo com 
as condições climáticas. Valência: precoce; Virgínia: rasteiro. 
 
Em estudo de duas épocas de semeaduras ocorridas em julho de 2008 e em abril de 2009 
para avaliar a fenologia e a produtividade da cultivar BRS Havana de amendoim (Arachis 
hypogaea L.), Silveira et al. (2011) observaram as variações nos estádios fenológicos em 
respostas às condições do ambiente, em relação aos dias após semeadura (DAS) para os 
respectivos meses de julho (2008) e abril (2009), tais como: foram 14 dias e 15 dias (DAS) 
para a germinação das sementes; levaram 19 dias e 19 dias (DAS) para o aparecimento 
das primeiras folhas tetrafoliadas; 22 e 24 dias (DAS) para o aparecimento dos primeiros 
ramos; 26 e 31 dias (DAS) para o início da floração; 42 e 47 dias (DAS) para o 
aparecimento do ginóforo; 55 e 55 dias (DAS) para o início da formação da vagem; 60 e 
60 dias (DAS) para o final da floração; e 90 e 81 dias (DAS) para a maturação completa 
da vagem. Os valores obtidos de rendimentos de vagens foram 1.185 kg/ha e 1.783 kg/ha 
enquanto de grãos foram 738 kg/ha e 986 kg/ha para as respectivas épocas de 2008 e 
2009, sendo que a primeira época de semeadura está dentro do período adotado pelos 
produtores da região baiana para implantação da cultura. Na Figura 19, algumas etapas 
fenológicas da planta de amendoim. 
 
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Figura 19. Evolução de alguns estádios fenológicos da planta de amendoim desde o 
aparecimento das primeiras folhas tetrafoliadas até o início da formação da vagem e final 
da floração. 
 
CULTIVARES 
 
O excelente trabalho de cultivares de amendoim geradas pela Embrapa tem sido realizado 
através do tempo nos diferentes agrossistemas de produção da região Nordeste do Brasil, 
de acordo com o manejo, mercado, processo agroindustrial e de consumo, em relação aos 
amendoins cultivados em todo o Brasil, tem propiciado variabilidade genética em: ciclo 
de cultivo, hábitos de crescimento da planta, tamanho de ramo e altura da planta, forma e 
tamanho dos frutos e as sementes, variabilidade genética que tem sido e será no futuro a 
melhor alternativa de produção, por sua ampla resistência às condições de sequeiro. Por 
conseguinte, existem quatro cultivares catalogadas no Registro Nacionais de Cultivares 
geradas pela Embrapa Algodão para a região Nordeste, aptas para produção e 
comercialização no país: BR1; BRS 151-L7, BRS Havana e BRS Pérola Branca. Em 
seguida, a descrição de cada material: 
 
 
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BR1 – Esta cultivar foi obtida a partir de um bulk formado por três genótipos CNPA 95 
AM, CNPA 96 AM e Sapé Roxo, todos com ciclo em torno de 89 dias, altamente 
adaptados às condições fisiográficas do Nordeste e oriundos respectivamente dos 
municípios de Mogeiro, Itabaiana e Sapé, na Paraíba. Três ciclos de seleção massal foram 
procedidos para uniformização no tamanho e na cor das sementes, produção e ciclo. 
Paralelamente, realizou-se pressão de seleção para precocidade (EMBRAPA 
ALGODÃO, 2009). 
 
A cultivar BR1 pertence ao grupo Valência, de porte ereto, possuindo haste principal com 
35 cm, arroxeada, com seis ramos laterais. As folhas são de tamanho médio e coloração 
verde-escuro característico. As flores possuem estandarte amarelo ouro com enervações 
de coloração vinho ao centro, iniciando sua floração com apenas 23 a 25 dias. As vagens 
são de tamanho médio, com pouca reticulação e bico quase ausente, possuindo de três a 
quatro sementes vermelhas, de tamanho médio e arredondadas (EMBRAPA ALGODÃO, 
2009; Figura 20). 
 
 
Figura 20. Sementes de amendoim da cultivar BR1. Foto: Silvokleio Costa 
 
Foi lançada pela Embrapa Algodão em 1994 para o mercado de consumo in natura, 
atendendo a uma demanda dos agricultores nordestinos, pois na ausência de uma cultivar 
adaptada à região, os mesmos agricultores recorriam à aquisição de grãos de baixo valorcultural nas feiras livres ou ao material tradicional Tatu, que não é adaptada à condições 
severas de estresse hídrica da região Nordeste. Enquanto a BR1 é a cultivar que tem maior 
aceitação no Nordeste, por sua alta adaptação ao ambiente semiárido, além de possui 
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elevada capacidade para produção de vagens (SANTOS et al., 2013). Na Tabela 6, 
encontram-se as características agronômicas e tecnológicas do amendoim BR-1 e da 
tradicional Tatu. 
 
Tabela 6. Comparação das características agronômicas e tecnológicas entre as cultivares 
de amendoim BR-1 e Tatu. 
Características Amendoim 
BR-1 Tatu 
Ciclo (dias após a emergência - dias) 89 99 
Início da floração (dias) 22 25 
Número de vagens/planta 27 18 
Peso de 100 vagens (g) 148 140 
Peso de 100 sementes (g) 48 42 
Vagem chocha (%) 12 15 
Sementes perfeitas (%) 84 84 
Rendimento em casca (kg/ha) 1.700 1.200 
Rendimento em sementes (kg/ha) 1.250 800 
Rendimento em sementes (%) 72 70 
Teor de óleo (%) 45 49 
Teor de proteína (%) (N x 6,25) 38 35 
Teor de carboidrato (%) 6,17 5,58 
Teor de fibra (%) 3,83 2,70 
Teor de cinzas (%) 2,67 2,72 
Fonte: Roseane Cavalcanti dos Santos. 
 
Recomenda-se plantar a cultivar BR1 nas regiões de tabuleiros costeiros do estado de 
Sergipe, na Zona da Mata, Agreste e Vales irrigados de Pernambuco, na região do 
Recôncavo Baiano e no Agreste e Brejo da Paraíba. 
 
BRS 151-L7. Esta cultivar foi obtida através de hibridação entre as cultivares IAC TUPÃ, 
material produtivo de grãos longos e desenvolvido para clima temperado e a Senegal 55 
437, de origem africana, precoce e resistente à seca. Foi lançada pela Embrapa Algodão 
em 1997. É considerada a cultivar mais precoce no Brasil, com ciclo de apenas 87 dias, 
sendo indicada para o mercado de consumo in natura e para indústria de alimentos 
(EMBRAPA ALGODÃO, 2010; Figura 21). 
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ISBN 978-85-67494-25-8 
 
 
 
Figura 21. Campo de amendoim da cultivar BRS 151 L7. 
 
Como pertence ao grupo Valência, a BRS 151 L7 é uma cultivar de amendoim de porte 
ereto, medindo em torno de 45 cm (Figura 22). Suas hastes e os ginóforos são de coloração 
verde-arroxeado. Com relação as suas vagens, são de tamanho médio, com bico, 
constrição e reticulação moderados. As sementes são vermelhas, alongadas e grandes. É 
tolerante ao estresse hídrico e é indicada para cultivo de sequeiro e irrigado no Nordeste 
brasileiro. Em regime de sequeiro, a BRS 151 L7 apresenta rendimento médio em torno 
de 1.850 kg/ha em vagens. Em regime irrigado, contudo, demonstra seu maior potencial 
de produção em torno de 4.500 kg/ha. O rendimento em sementes situa-se em 71%. As 
características agronômicas da cultivar encontram-se na Tabela 7. 
 
 
 
 
 
 
 
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Tabela 7. Características agronômicas e composição nutricional do amendoim da cultivar 
BRS 151 L 7. 
Características BRS 151 L 7 
Ciclo (DAS)1 87 
Nº médio de vagens/planta 39 
Nº de sementes/vagem 2 
100 vagens (g) 156 a 160 
100 sementes (g) 58 a 63 
Vagens chochas (%) 10 a 12 
Sementes perfeitas (%) 85 a 92 
Rendimento em vagens2 (kg/ha) 1.850 
Rendimento em amêndoas (%) 70 a 72 
Óleo bruto na semente (%) 46 
Proteína bruta na semente3 (%) 30 
Proteína na farinha desengordurada (%) 55 
Cinza na farinha desengordurada (%) 5 
1Dias após a emergência; 2no espaçamento de 0,70m x 0,20m; 3(N x 5,46). Fonte: Roseane Cavalcanti dos 
Santos, 2010. 
 
 
 
Figura 22. Sementes de amendoim da cultivar BRS 151 L7. Foto de Silvokleio Costa. 
 
 
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BRS Havana – A BRS Havana foi obtida através de vários ciclos de seleção no acesso 
Película Havana, oriundo do estado de São Paulo, de ciclo semi-longo e sensível às 
condições do semiárido. Após 5 anos de melhoramento, a BRS Havana foi sintetizada por 
ser produtiva, precoce, tolerante à seca e de grande adaptação para cultivo em clima 
semiárido. Foi lançada pela Embrapa Algodão em 2005, com o crescimento de demanda 
por grãos para atender ao segmento de confeitaria (EMBRAPA ALGODÃO, 2010). 
 
A BRS Havana pertence ao grupo Valência, de ciclo de 90 dias e de porte ereto, medindo 
em torno de 44 cm. As hastes e os ginóforos são de coloração arroxeados. As vagens são 
de tamanho médio, com bico, constrição e reticulação leves. Possui de três a quatro 
sementes por vagens, sendo o formato arredondado, tamanho médio e coloração bege 
(Figura 23). Apresenta o menor teor de óleo entre as atuais cultivares em distribuição no 
Brasil, com média de 43%. É indicada para cultivo sob condição de sequeiro e irrigado 
no Nordeste brasileiro (EMBRAPA ALGODÃO, 2010). 
 
 
Figura 23. Sementes de amendoim da cultivar BRS Havana. Foto: Silvokleio Costa 
 
Os ensaios conduzidos na região Nordeste durante 1994 a 2005 em regime de sequeiro, a 
BRS Havana apresentou rendimento médio de 1.850kg/ha em vagens. Em regime 
irrigado, contudo, demonstra seu maior potencial de produção, em torno de 4.500kg/ha. 
O rendimento em sementes situa-se em 71%. As características agronômicas da cultivar 
encontram-se na Tabela 8. 
 
 
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Tabela 8. Características agronômicas e composição nutricional da BRS Havana. 
Características BRS Havana 
Ciclo (DAS)1 90 
Início da floração1 (DAE) 23 
N° médio de vagens/planta 35 
N° de sementes/vagem 3-4 
100 vagens (g) 142 a 148 
100 sementes (g) 44 a 48 
Vagens chochas (%) 10 a 12 
Sementes perfeitas (%) 85 a 90 
Rendimento em vagens2 (kg/ha) 1.850 
Rendimento em amêndoas (%) 70 a72 
Óleo bruto na semente (%) 43 
Proteína bruta na semente3 (%) 29 
Proteína na farinha desengordurada (%) 47 
Cinza na farinha desengordurada (%) 4,5 
Ácido oleico (%) 45 
Ácido linoleico (%) 43 
Relação (oleico/linoleico) 1 
1Dias após a emergência; 2no espaçamento de 0,70m x 0,20m; 3(N x 5,46). Fonte: Roseane Cavalcanti dos 
Santos, 2010. 
 
BRS Pérola Branca - A Embrapa Algodão lançou em 2011 a cultivar rasteira BRS Pérola 
Branca do grupo Virgínia (tipo Ranner; Figura 24). Seu cultivo passou a ser interessante 
na região nordeste graças à perspectiva de expansão dos mercados de confeitaria e 
agroenergia, incentivados pela Petrobras e Companhia de Desenvolvimento dos Vales do 
São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), incluindo os estados de Pernambuco, Maranhão 
e Piauí. Para elevar o teor de óleo das linhagens geradas, foram realizados vários 
cruzamentos intraespecíficos entre a precoce BR-1 (A. hypogaea sp. fastigiata) e a tardia 
rasteira “LVIPE06” (A. hypogaea sp. hypogaea), de elevado potencial para produção de 
grãos e de óleo, além de resistência a doenças de folhagem. As gerações segregantes 
foram conduzidas em dois ciclos por ano, com pressão de seleção para precocidade, 
hábito de crescimento rasteiro e elevado teor de óleo (SANTOS et al, 2013). 
 
 
Figura 24. Padrão de vagens e sementes da cultivar rasteira da Embrapa, BRS Pérola 
Branca. Foto: Roseane C. Santos 
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Entre as linhagens de elite, a BRS Pérola Branca destacou-se entre as demais pelo 
potencial de produção de grãos e óleo, ciclo entre 110 e 115 dias e por possui de 3 a 4 
sementes/vagem. Por ser uma planta rasteira densa, sua haste principal mede entre 18 cm 
e 25 cm, com inflorescências. As vagens possuem contrição, bico e reticulação médios, 
além de dormência parcial da semente. Com base nos ensaios conduzidos em várias 
regiões do Nordeste, o percentual de óleo variou ente 50% e 52% e apresentou rendimento 
médio acima de 3 t ha1 em vagens com rendimento em sementes entre 70% e 72%. A 
cultivar BRS Pérola Branca é mais rica em ácido oleico, com relação oleico/linoleico ≥1.6 
(SANTOS et al., 2013). 
 
Cultivar Vagem Lisa - É uma variedadelocal, tipo “Valência”, denominada “Vagem 
Lisa”, que é bastante cultivada no Recôncavo Baiano, e cujas principais características 
fenológicas são apresentadas na Tabela 9 (SANTOS et al., 1997b). 
 
Tabela 9. Descrição dos estádios fenológicos das plantas de amendoim do tipo Valência, 
cultivar Vagem Lisa (Land race). 
Denominação Símbolo Descrição (DAS)1 
Emergência E 6 
Primeiras folhas tetrafoliadas FT 9 
Primeiros ramos PR 14 
Florescimento FL 29 
Aparecimento do ginóforo AG 36 
Alongamento do ginóforo ALG 3 dias a fase em que o ginóforo se encontrava 
com mais de 1 cm do seu crescimento geotrópico 
Formação de vagem (frutificação) FV 47 
Final da floração FF 74 
Maturação completa da vagem MCV 99 
Produtividade média (kg/ha) no 
espaçamento de 0,50 cm e em 
condições de sequeiro 
 1.997 
Fonte: Santos et al (1997b), adaptado pelo autor. (1) Dias após semeadura (DAS) pode variar de acordo 
com as condições climáticas. 
 
 
 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0006-87052008000300016#tab01
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Conforme os materiais caracterizados anteriormente, as cultivares disponíveis para a 
região Nordeste do Brasil pertencem em sua totalidade ao grupo Valência (BR1, BRS 151 
L 7, BRS Havana e Vagem Lisa), com exceção da cultivar BRS Pérola Branca do grupo 
Virgínia (tipo Ranner). Atualmente, a Embrapa dispõe de cultivares com alto teor de ácido 
oleico, que é uma característica muito exigida pelo mercado. Esses materiais com elevada 
relação oleico/linoleico garantem maior durabilidade aos caracteres organolépticos 
desejáveis. 
 
REQUERIMENTOS ECOLÓGICOS 
 
Latitude e altitude – O amendoim prospera em climas quentes, porque se tratar de uma 
planta predominantemente tropical ou subtropical, originária do continente sul-
americano. Para seu desenvolvimento adequado, a planta de amendoim requer 
fundamentalmente altas temperaturas, mas também se adapta as regiões próximas ao 
equador (Senegal, Togo, Nigéria e outras) até as latitudes maiores que 40º norte (Europa 
Sul-Oriental, Japão, E.U.A. e outras) e 35º sul (Argentina, Uruguai e outras). O intervalo 
de temperatura pode oscilar entre 20 e 40 ºC, sendo que a faixa óptima está entre 25-30 
ºC (BELL et al., 1994b). Por outro lado, o amendoim pode ser cultivado em altitudes 
desde quase ao nível do mar até os 1.200 metros de altura. Em altitudes maiores, seu 
cultivo é restringido em virtude das baixas temperaturas. 
 
Luz - A intensidade adequada de luz contribui ao incremento do fenômeno da fotossíntese 
e da nutrição pela planta, o que reflete em uma maior produção de fotossintatos. Estima-
se que a planta do amendoim requer entre 10 e 13 h de luz diária e tal efeito incide no 
aumento do teor de óleo nas amêndoas, em razão disso deve evitar a competição de outras 
plantas, seja de plantas daninhas ou outras plantas cultivadas, como de milho, que 
produzam sombra ao cultivo. Geralmente, a planta de amendoim é insensível ao 
fotoperíodo sobre o momento do florescimento, porém ele afeta o desenvolvimento 
reprodutivo das características relacionadas ao número de carpóforos, crescimento do 
carpóforo, número de vagens e massa da semente. Estas características e a taxa de 
desenvolvimento delas são alteradas pela grande divisão e ou aumento da duração da fase 
efetiva de granação da vagem sob dia curto (NIGAM et al., 1997). 
 
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Água - O cultivo do amendoim em condições ideais pode expressar um bom 
desenvolvimento quando as chuvas ocorrem a intervalos frequentes, as quais têm efeitos 
benéficos em seu desenvolvimento vegetativo. De modo geral, esta espécie somente 
requer uma precipitação entre 400 e 600 mm de chuva bem distribuída durante o ciclo da 
cultura. Por outro lado, se as chuvas ocorrem na etapa final do cultivo, o excesso de água 
pode causar podridão do talo, frutos, e raiz, aspectos que vão refletir na redução do 
rendimento, e inclusive podem causar perdas consideráveis, de acordo com as 
necessidades hídricas das plantas. Durante a etapa de floração (30 a 40 dias), a planta 
requer uma umidade moderada e da floração até o estádio inicial de maturação 
(desenvolvimento de ginóforos) que ocorre aos 40 a 60 dias, se requer maior umidade, e 
durante a etapa final de maturação que compreende de 20 a 30 dias, a planta necessita de 
pouca umidade, o que deve coincidir a temporada final de chuva na região. Mesmo assim, 
seria importante que ocorresse algumas chuvas esporádicas para manter o solo com 
suficiente umidade, o que facilitaria o processo de colheita (arranquio dos frutos). 
Portanto, o baixo teor de água no solo na etapa de frutificação provoca ainda diminuição 
na absorção de Ca pelas vagens, o que induz a deficiência do elemento e efeito negativo 
na produção (NAKAGAWA; ROSOLEM, 2011). 
 
Solos – Na agricultura orgânica, são fundamentais o manejo e a conservação do solo para 
se obter adequadas características físicas, químicas e biológicas. O solo deve apresentar 
quantidade equilibrada de nutrientes, altos teores de matéria orgânica, ser equilibrado 
biologicamente, ser bem estruturado e livre de agroquímicos (BORGES; BETTIOL, 
2010). 
 
O tipo de solo mais apropriado para o cultivo do amendoim, é o leve, de boa fertilidade, 
bem drenado que não encharca com as chuvas. A terra arenosa é a mais indicada para esta 
cultura, e no Brasil esse tipo de solo se encontra em mais de 80% das culturas. O solo 
deve ser bem preparado, uma vez que a frutificação é subterrânea e as raízes precisam 
penetrar no solo para absorção da solução nutritiva do solo. Esses solos, contudo, são de 
baixa retenção hídrica e o manejo da água é imprescindível para melhor rendimento e 
economia no cultivo. 
 
A aeração e a boa drenagem são de fundamental importância para a cultura do amendoim. 
Solos bem drenados favorecem a aeração adequada (porosidade), de modo a permitir o 
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suprimento de oxigênio (O2) para as raízes e vagens, e de nitrogênio (N), para a fixação 
simbiótica. Além da necessidade pelo menos 10 a 12% de oxigênio do solo para dar curso 
aos processos metabólicos que favorecem o desenvolvimento e o crescimento de frutos e 
de raízes. 
 
O pH do solo ideal, para a cultura do amendoim, situa-se na faixa de 6,0 a 6,5. A calagem 
é importante para o amendoim e para as leguminosas em geral. Solos ácidos tendem a 
produzir vagens mal granadas, chochas e com baixa produção. A adubação nitrogenada 
não é recomendada devido à eficiência da fixação biológica de nitrogênio do ar por 
estirpes rizóbio. A adubação orgânica é sempre importante, desde a incorporação dos 
restos culturais, adubação verde, palhas, cascas, estercos e tortas. 
 
CALAGEM 
 
O suprimento de cálcio é imprescindível para enchimento e formação das vagens de 
amendoim e pode ser atendido através da calagem com calcário dolomítico 
(AUGSTBURGER et al., 2000). Caso contrário, serão formadas vagens de amendoim 
mal granadas ou vazias. A quantidade de calcário a ser aplicada é baseada nos resultados 
da análise da amostra de solo. Em caso de necessidade, o calcário deve ser colocado no 
solo entre 30 e 45 dias antes do plantio (Figura 25). 
 
Figura 25. Aplicação de calcário dolomítico no solo, aproximadamente um mês antes do 
plantio do amendoim. 
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Trata-se de uma fonte de cálcio, que é aplicado visando corrigir a acidez do solo 
(neutralização do alumínio e do manganês), além de aumentar a sua disponibilidade na 
zona de frutificação da planta no solo, refletindo na espessura do tegumento das sementes 
(maior espessura de casca das vagens) que atua como uma barreira na penetração de 
fungos e a perda de água. Esse elemento é absorvido pelas raízes, ginóforos e cascas do 
fruto em formação (PEREIRA,2006; SANTOS et al., 2006). 
 
QUALIDADE DE SEMENTES 
 
A qualidade de um lote de sementes compreende uma série de características ou de 
atributos que determinam o seu valor para a semeadura, os quais são considerados, como 
de natureza genética, física, fisiológica ou sanitária. 
 
No entanto, para obter melhores condições, seja na uniformidade da lavoura, na redução 
de pragas e doenças e na melhoria da produtividade, é necessário a aquisição de sementes 
de boa qualidade, com ótimas condições de vigor e germinação, livre de danos mecânicos 
e outras impurezas, para que vençam a resistência do solo para uma melhor emergência, 
desenvolvimento e produtividade (TICELLI, 2001). Além de ajuda a superar condições 
adversas como baixas temperaturas, excessiva profundidade de semeadura, ou 
encrostamento da camada superficial do solo (PEDELINI, 2012). 
 
Os pequenos agricultores, geralmente utilizam sementes de qualidade que não alcançam 
o estabelecido pelo MARA para sua comercialização, pelo que estão sempre utilizando 
percentuais de sementes a mais (20 a 25%) que o exigido para o semeio da área a ser 
cultivada. Ademais, as sementes utilizadas na região nordeste têm apresentado alto grau 
de infecção fúngica, podendo ser veículo de doenças para outras áreas de cultivo. 
 
Para estabelecer o nível de qualidade de um lote de sementes, são utilizadas as análises 
de laboratório, dentre as quais, as mais difundidas são os testes de germinação, pureza 
física e vigor. Assim, as sementes de boa qualidade são aquelas que apresentam, além das 
características acima referenciadas, um alto grau de pureza genética, ausência de danos 
mecânicos, alto grau de sanidade, adequado teor de umidade (armazenamento seguro), 
uniformidade e boa aparência. Cabe destacar que todas aquelas práticas de manejo que se 
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implementam para o êxito final de um cultivo dependem fundamentalmente da qualidade 
da semente que se utiliza na semeadura. 
 
Ou seja, a semente de amendoim (Arachis hipogaea L.) deve ser de pureza comprovada, 
bom poder germinativo (70-80%) e elevada sanidade. Um outro fator importante que 
merece destaque é o vigor das sementes, o qual é observado sobre os seguintes testes: 
primeira contagem de germinação, condutividade elétrica e envelhecimento precoce 
(CARVALHO; NAKAGAWA, 1983; VIEIRA; CARVALHO, 1994). A condutividade 
elétrica avalia o vigor, mediante a quantificação dos exsudados que são lixiviados das 
sementes (VANZOLINI; CARVALHO, 2002), enquanto o envelhecimento acelerado 
mede a resistência das sementes as condições de stress que levam a rápida deterioração 
por consumo das reservas da semente (CARVALHO; NAKAGAWA, 1983). 
 
Após o beneficiamento, as sementes são classificadas comercialmente por tamanhos, os 
quais facilitam a operação de semeadura e permitem obter uma população de plantas 
capaz de propiciar os melhores rendimentos por área. Por outro lado, nem sempre as 
condições para a instalação da cultura são as mais favoráveis, principalmente no que se 
refere ao processo germinativo e ao estabelecimento de plântulas no campo (SADER, 
1990). 
 
As pesquisas conduzidas por Carvalho (1972) com sementes de amendoim têm destacado 
que as sementes maiores originaram plântulas mais vigorosas com maior massa de 
matéria seca, apesar de o tamanho não haver afetado sua germinação. Da mesma forma, 
Usberti (1982) observou que o tamanho das sementes de amendoim não afetou seu 
potencial de armazenamento, quando as mesmas foram avaliadas através do 
envelhecimento acelerado. 
 
Por outro lado, Carvalho (1972) ressaltou que uma planta de amendoim proveniente de 
semente pequena tem, no início, seu desenvolvimento retardado, e com o passar do tempo 
ela se recupera e acaba atingindo crescimento normal, sob condições ambientais 
favoráveis. Mas não discutiu se, sob condições desfavoráveis, uma planta originada de 
uma semente grande teria maiores possibilidades de sobrevivência do que uma planta 
originada de uma semente pequena, já que a primeira se apresentaria mais vigorosa. 
 
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Após o processo de limpeza do amendoim, classificam-se as sementes segundo as 
seguintes categorias de qualidade: O critério de classificação está estabelecido com base 
no número de sementes de amendoim por onça (one ounce = 28,35 gramos; Tabela 10). 
 
Tabela 10. Critério de classificação por tamanho com base no número de sementes de 
amendoim/ onça. 
Categoria de qualidade Número de grãos de amendoim por onça (1 onça= 28,35 g) 
Grande 30-40 
Média 40-60 
Pequena 60-100 
Fonte: Asociación Naturland (2000). 
 
 
ESCOLHA DA SEMENTE 
 
Para conseguir um eficiente cultivo de amendoim é necessário utilizar semente com alta 
qualidade fisiológica (elevada pureza e vigor; Figura 26) e sanitária (livre de doenças). 
As sementes de elevada qualidade ajuda a superar as condições adversas como alterações 
nas temperaturas do solo, excessiva profundidade da semeadura ou crosta superficial do 
solo. As sementes de amendoim de tamanho médio (granulometria 50/60) têm reservas 
suficientes que favorecem o rápido crescimento inicial das plantas. Outro aspecto muito 
comum que afeta a qualidade da semente de amendoim é a miscigenação de variedades. 
A presença de sementes de outas cultivares prejudica tanto o manejo agronômico como o 
valor comercial do produto colhido. Por ser um material susceptível a alterações, portanto, 
cuidados são necessários durante a manipulação do amendoim para garantir a produção 
de alimentos seguros. 
 
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Figura 26. Sementes de amendoim com elevado poder germinativo. Foto: Ricardo 
Pedelini. 
 
QUANTIDADE DE SEMENTES DE AMENDOIM POR HA 
 
Ao plantar o amendoim, em fileiras separadas de 70 cm entre si, com semeadoras 
convencionais para grãos graúdos é necessário utilizar semente de tamanho uniforme para 
conseguir uma correta distribuição em cada fileira. Os ensaios realizados com amendoim 
de distintos tamanhos têm demonstrado a conveniência de semear sementes de 
granulometrias 50/60 (Figura 27), uma vez que as mesmas se danificam mecanicamente 
menos que as de maior tamanho, apesar da expressiva reserva inicial das sementes 
graúdas. Para determinar a quantidade de sementes que se utiliza por hectare, é necessário 
conhecer o tamanho da semente e seu poder germinativo. O número aproximado de 
sementes por Kg, de acordo com sua granulometria, pode ser observado na Tabela 11. 
Enquanto que a quantidade de sementes necessária para semear um ha dependerá do 
número de sementes por metro linear da fileira e do seu tamanho (Tabela 12). 
 
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Figura 27. Detalhe da granulometria de sementes de amendoim, segundo alguns 
tamanhos: 60/70, 50/60 e 38/42. 
 
 
Tabela 11. Número de sementes por Kg, segundo sua granulometria. 
Tamanho da Sementes (*) Sementes por Kg 
38/42 1400 
40/50 1600 
50/60 1950 
60/70 2300 
70/80 2650 
80/100 3200 
(*) Número de sementes por onça (28,35 gramos). Fonte: Ricardo Pedelini 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Tabela 12. Quantidade em Kg de sementes de amendoim a semear por hectare, segundo 
seu tamanho. 
Tamanho 
da 
semente 
(*) 
Sementes por metro linear de fileira 
14 15 16 17 18 19 20 
Quilogramos de sementes 
38/42 143 153 164 174 184 194 204 
40/50 125 134 143 152 161 170 179 
50/60 103 110 117 125 132 139 147 
60/70 87 93 100 106 112 118 124 
70/80 75 81 86 92 97 103 108 
80/100 63 67 72 76 80 85 89 
Fonte: Ricardo Pedelini 
 
 
Segundo Pedelini (2008), uma regra prática foi preparada para definir um determinado 
número de sementes de amendoim por metro linear. Nesse exemplo, ficou estipulado 12 
sementes por metro e o materialdisponível foi representado com as seguintes qualidades: 
85% de germinação, granulometria 50/60 e 93% de sementes inteiras e saudáveis, sendo 
85% a sua eficiência de emergência. Em primeiro lugar, o valor cultural de um lote de 
sementes seria calculado multiplicando a porcentagem obtida no teste de Pureza pela 
porcentagem no teste de Germinação e dividindo o resultado por 100. Então, o cálculo 
geral seria realizado da seguinte maneira: Para 100 kg de sementes = 93 kg de sementes 
inteiras x 85% de germinação = 79 kg de sementes viáveis x 85% eficiência de 
emergência = 67 kg de sementes que originam plantas úteis. O número de sementes por 
metro a ser semeado para conseguir 12 plantas por metro linear de sulco, então seria 
determinado com base no cálculo abaixo: 
 
 
(12 x 100)/67 = 18 sementes; 
 
Consultado a Tabela 12, determina-se que para semear 18 sementes por metro linear de 
sulco, de uma semente de granulometria 50/60, é necessário utilizar 132 kg de sementes 
por hectare. 
 
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AQUISIÇÃO DE SEMENTES 
 
Os produtores de sementes encontram na Embrapa Produtos e Mercado sementes básicas 
de amendoim das variedades recomendadas para a região Nordeste. Por sua vez, as 
sementes certificadas, geradas a partir das sementes básicas, são produzidas por entidades 
particulares e comercializadas para atender os agricultores em geral, mas, com bastante 
antecedência, é necessário saber se o material será produzido em campo agroecológico. 
As sementes certificadas são produzidas dentro das normas e exigências do sistema de 
produção das certificadas, de acordo com a lei nº 10.771 de 05/08/2003, regulamentado 
pelo Decreto nº 5.153 de 23/07/2004. Na impossibilidade da aquisição de sementes 
certificadas orgânicas, pode-se utilizar a sementes da própria lavoura, tomando-se o 
cuidado de selecionar as plantas de desenvolvimento uniforme com elevado padrão de 
qualidade antes da operação de colheita, além de eliminar as plantas de amendoim doentes 
ou anormais (NAKAGAWA, ROSOLEM, 2011). 
 
 
TRATAMENTO DAS SEMENTES ORGÂNICAS 
 
O tratamento de sementes é uma prática realizada para proteger a semente de agentes 
externos como enfermidades e roedores. No caso de produção ecológica, as normas não 
permitem o uso de sementes de produção convencional e nem o uso de sementes tratadas 
com produtos químicos, mas é permitido o tratamento com produtos biológicos e 
produtos naturais a base de minerais. Na Tabela 13, duas alternativas para o tratamento 
contra doenças fúngicas de sementes orgânicas: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Tabela 13. Fungicidas naturais para tratamentos de sementes de amendoim. 
Produto Modo de preparação Dose 
Calda 
Sulfocálcica 
A calda sulfocálcica é um defensivo utilizado na agricultura. 
Constituída essencialmente por polissulfetos de cálcio, é o 
resultado de uma reação entre o óxido de cálcio (da cal virgem) 
e o enxofre, quando dissolvidos em água e submetidos à 
fervura. Possui ação inseticida, acaricida e fungicida. Mistura 
a calda sulfocálcica em 20 litros de água. Introduz as sementes 
em um saco de malha. Submergir na calda por 3 minutos. Em 
seguida, as sementes são extraídas e secadas à sombra, evitando 
a exposição direta com raios solares. Uma vez concluída a 
secagem, as sementes são ensacadas em novos sacos de 
polipropileno. 
¼ litro de 
sulfocálcica 
em 20 litros 
de água 
Eucalipto Colocar as folhas de eucalipto para secar ao sol. Moer as folhas 
secas até obter uma espécie de pó. Uma vez moída, mesclar o 
pó com as sementes e umedecer levemente até obter uma pasta 
consistente. Deixar secar e ensacar. Esta prática deve ser 
realizada um dia antes da semeadura ou três horas antes de 
plantar. 
Pó de 3 
folhas de 
eucalipto 
por 1 kg de 
sementes 
Fuente: Fundación Valles (2011). 
 
Em casos excepcionais, a entidade certificadora de produtos orgânicos poderá autorizar 
o uso de sementes convencionais para as seguintes situações: 
- Quando existam suficientes evidências e a organização certificadora demonstre que no 
mercado local ou regional comercializa apenas sementes convencionais, não havendo 
disponibilidade de sementes de produção ecológica. 
- As sementes ou plantas não sejam geneticamente modificadas (OGM). No caso do 
produto com risco de OGM no contexto local, recomenda-se apresentar uma declaração 
do fornecedor sobre o uso dessas práticas (FUNDACIÓN VALLES, 2011). 
 
PREPARAÇÃO DO SOLO 
 
A preparação do solo é feita com aração profunda para cobrir os restos de cultura 
completamente (cultivos anteriores), a uma profundidade não inferior a 15 cm. É 
recomendável utilizar sistemas conservacionistas para a preparação do solo, empregando 
cultivadores que removem o solo deixando os resíduos na superfície, devido 
principalmente aos seguintes fatores: as plantas de amendoim não são boas protetoras do 
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solo; os solos onde predomina a cultura (arenosos) são naturalmente sujeitos à erosão e 
não é recomendável o repasse excessivo de implementos durante o preparo do solo 
(NAKAGAWA, ROSOLEM, 2013). 
 
As primeiras operações são classificadas como preparo primário e iniciam-se com a 
passagem de roçadeiras e/ou grades com discos recortados, com a finalidade de picar os 
resíduos vegetais sobre a superfície do terreno. Sua manutenção em boa parte da 
superfície cultivada do amendoim é uma forma efetiva de acumular água já que facilita a 
infiltração de água de chuva, reduzir a erosão do solo por água e o vento e diminui a 
evaporação da umidade acumulada. Além disso, é necessário que disponha de uma 
semeadora apropriada, controlar corretamente as plantas daninhas, evitando semear em 
terrenos com horizontes endurecidos ou irregularidades do terreno. 
 
Devido à peculiaridade da planta de amendoim, que tem frutificação hipógea (os frutos 
desenvolvem-se debaixo do solo; Figura 28), um solo bem preparado oferece condições 
para germinação, emergência e desenvolvimento das plantas, reduzindo falhas no “stand” 
e proporcionando maior aeração, além de favorecer as trocas respiratórias das vagens na 
fase de frutificação. Portanto, recomenda-se cultivar o amendoim em áreas bem drenadas, 
de razoável fertilidade e textura arenosa, de maneira a favorecer a penetração dos 
ginóforos ou esporões, o desenvolvimento das vagens e a redução de perdas na colheita. 
Em solos argilosos, apesar do bom desempenho vegetativo, as perdas na colheita são 
significativas em razão da dificuldade no arranque de vagens maduras. 
 
 
Figura 28. Frutos do amendoim desenvolvendo dentro do solo. Foto: Vicente de Paula 
Queiroga 
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A cultura do amendoim pode ser cultivada em quase todos os tipos de solo. Quando se 
trata de um terreno plano com solo arenoso e sem pedras, o preparo mecanizado inclui 
somente uma passagem de grade de arraste na véspera de semeadura, havendo efetuado, 
cerca de um mês antes, uma única aração. Nos solos mais argilosos, recomenda-se efetuar 
duas arações antes de um mês, enquanto seguem-se as gradeações em número suficiente, 
um pouco antes da semeadura, para obter um bom destorroamento do terreno e destruição 
das sementeiras de plantas daninhas (NAKAGAWA, ROSOLEM, 2013). 
 
Em solos argilosos, quando se constata a presença de compactação, deve-se utilizar o 
subsolador. A subsolagem serve para tornar soltas as camadas compactadas, sem, 
entretanto, causar inversão das camadas de solo, devendo somente ser recomendada 
quando houver uma camada muito endurecida, em profundidades não atingidas por outros 
implementos (Figura 29). O arado escarificador é semelhante a um subsolador, mas 
trabalha em profundidades menores, exigindo menor esforço tratório para execução das 
operaçõesagrícolas (GADANHA JÚNIOR et al., 1991; ALOISI et al., 1992). 
 
 
Figura 29. Preparo do solo com arado subsolador. Foto: Odilon Reny Ribeiro Ferreira da 
Silva. 
 
A topografia do solo pode variar desde plana até a ondulada, contanto que em áreas planas 
não haja problema de encharcamento e na ondulada ou acidentada, práticas de 
conservação sejam observadas e adotadas para evitar erosão do solo, ou seja, o preparado 
do terreno deve ser em curva de nível, onde nas áreas pequenas pode ser utilizado o 
instrumento “pé de galinha” (Figura 30). 
 
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Figura 30. Preparo do solo em curva de nível no terreno ondulado. Foto 1: Diego Antonio 
Nóbrega Queiroga; Foto 2: Vicente de Paula Queiroga. 
 
Outro conceito associado às curvas de nível (mas que não deve ser confundido) é o 
“plantio em curvas de nível”. Trata-se de uma técnica para plantio em terrenos 
acidentados que segue o traçado das curvas (Figura 30). Lembrando que a legislação 
ambiental brasileira proíbe o desmatamento e plantio em terrenos com declividade maior 
que 45° por se tratar de Áreas de Preservação Permanente (APP) devido à alta tendência 
a erosão. Enquanto o plantio em curvas de nível é uma técnica que visa diminuir a 
velocidade da enxurrada (arraste) e aumentar a infiltração da água no solo para, com isso, 
evitar que aconteçam erosões. 
 
a) Em Terreno Plano 
No preparo do solo, os leirões (camalhões) devem serem feitos com arado sulcador de 
dois discos (Figura 31), de maneira que através desta operação se substituam as práticas 
de aração e gradagens convencionais, evitando o encharcamento do solo. Em caso de 
encharcamento (causa inóxia a planta por falta de oxigênio às raízes) por períodos 
superiores a três dias, poderá contribuir no aparecimento de doenças às plantas. Essa 
tecnologia adotada de camalhões com superfície retangular de 50 cm de largura e 15 a 20 
cm de altura é preparada com o sulcador adaptado, nas quais são semeadas duas fileiras 
do amendoim ereto, sendo espaçadas entre si com 25 cm e deixando com 10 a 15 cm entre 
plantas, o que tem permitido alcançar o estabelecimento de populações adequadas de 
plântulas em pouco espaço de tempo. Vale destacar também que, após as precipitações, 
parte da umidade é retida pelo solo e o excesso de água é drenado pelos sulcos 
(FUNDACIÓN VALLES, 2011; Figura 32). Para o método de plantio em leirões 
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abaulados, as sementes de amendoim são depositadas com distâncias de 60 a 70 cm entre 
leirões e de 10 a 15 cm entre plantas (Figura 33). 
 
 
Figura 31. Em terreno plano, adota-se a formação camalhões retangulares preparados 
com o sulcador adaptado para o plantio do amendoim. Foto: Ricardo Cardias e Tiago 
Oliveira Silva; Vicente de Paula Queiroga. 
 
 
 
Figura 32. Em área encharcada, planta-se o amendoim ereto em fileiras duplas (25 cm) 
sobre cada camalhão ou leirão em superfície retangular. Fotos: Anastacia Quiros 
Pastrana. 
https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjKv5q0z_DVAhWFkJAKHc50D58QjhwIBQ&url=http%3A%2F%2Fslideplayer.com.br%2Fslide%2F3040965%2F&psig=AFQjCNFnvX8hp1vR8cY1rbHsyrKZupUHCQ&ust=1503689760636551
https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjKv5q0z_DVAhWFkJAKHc50D58QjhwIBQ&url=http%3A%2F%2Fslideplayer.com.br%2Fslide%2F3040965%2F&psig=AFQjCNFnvX8hp1vR8cY1rbHsyrKZupUHCQ&ust=1503689760636551
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Figura 33. Em área encharcada, planta-se o amendoim sobre cada leirão abaulado (ou 
sulco) no espaçamento de 60 a 70 cm. 
 
A profundidade de preparo do solo deve ser modificada em cada período de cultivo. Se a 
camada compactada estiver a menos de 30 cm de profundidade, ela pode ser rompida com 
arado de aivecas ou arado escarificador (Figura 34), atuando nessa profundidade 
(CASTRO; LOMBARDI NETO, 1992). 
 
Figura 34. Preparo do solo com arado de aiveca ou arado escarificador. Foto: Odilon 
Reny Ribeiro Ferreira da Silva. 
 
O arado de discos é menos vulnerável a estas obstruções, pois o movimento giratório dos 
discos faz com que eles girem sobre o solo e a vegetação, cortando-os (GADANHA 
JÚNIOR et al., 1991). Para uma melhor eficiência no preparo de solo com aração, deve-
se dar preferência ao uso de arado com discos recortados (Figura 35). 
 
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Figura 35. Preparo do solo com arado de discos (A) e modelo de disco de arado com 
perfil recortado (B). Foto: José Barbosa dos Anjos. 
 
Por sua vez, os pequenos produtores do município de São João do Sabugi, RN realizam 
o preparo do solo das lavouras com um minitrator Tobatta com bitola de 80 cm (Figura 
36), alugado de uma associação de pequenos produtores da propriedade Matinha, cujo 
conjunto realiza a atividade por hectare no tempo de aproximadamente 5 horas 
(QUEIROGA et al., 2011). 
 
 
Figura 36. Minitrator cultivador utilizado pelos produtores de São João do Sabugi-RN 
para preparar o solo das diferentes culturas. Fotos: Vicente de Paula Queiroga. 
 
 
 
 
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b) Em Terreno Inclinado 
As valas são canais construídas em curvas de nível em terreno inclinado. Sua finalidade 
é impedir que as águas venham a se movimentar rapidamente pela pendente e arrastem o 
solo. Ao realizar a primeira passagem do arado sem as ponteiras sulcadoras, que é um 
preparo mínimo continuo em terreno inclinado, permitirá abrir apenas um sulco guia de 
semeadura (Figura 37) e irá remover menos quantidade de solo, diminuindo assim as 
probabilidades de erosão. Nas seguintes passagens são realizadas com as ponteiras 
sulcadoras para remover um maior volume de solo e obter uma largura apropriada da 
trincheira (Figura 38). Recomenda-se fazer a aradura das valas em curvas de nível, 
separadas 100 cm entre si, de modo que a parte não arada seja conservada as plantas 
daninhas, as quais servem para reter o solo e para absorver a água de chuva. O trabalho 
de construção de valas para conservação de solos em pendente poderá ser utilizado uma 
junta de bois, ou até mesmo um único animal (ESPINOZA, 2009). 
 
 
Figuras 37. Preparo de solo mínimo e continuo em terreno inclinado. Fuente: Arquivo 
FOMENTA. 
 
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Figura 38. Construção de valas em terreno inclinado apenas com um animal. Fuente: 
Arquivo FOMENTA. 
 
Por outro lado, o importante no preparo do solo é o uso adequado das máquinas e 
implementos agrícolas para cada tipo de solo e a operação feita no momento oportuno. 
Alguns sistemas de preparo do solo adotado para o amendoim orgânico são: 
convencional, mínimo e mínimo em conjunto com a semeadura. 
 
a) Preparo convencional – Consiste no emprego do arado aiveca na profundidade 
aproximada de 20 cm e/ou grade acionado por trator ou animal (Figura 39). Para solos 
arenosos ou mesmo de textura franco-arenosa, já trabalhados muitas vezes, só necessitam 
de uma ou duas gradagens no preparo do solo antes da semeadura, sendo que a última 
gradagem, se amarra a este um tronco roliço para aplanar o terreno (Figura 40). Ou seja, 
tal operação facilitará o sulcamento e/ou semeadura, pois uniformizará o terreno, 
eliminando os torrões. Em seguida, abrem-se os sulcos de semeadura, utilizado um 
cultivador com um escarificador a tração animal ou um arado sulcador de três linhas 
puxado por uma junta de boi e, logo atrás, efetua-se manualmente a semeadura do 
amendoim (Figura 41). 
 
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Figura 39. (A;B) -Preparo do solo com o equipamento arado de aiveca reversível de 
tração animal e (C;D) -Preparo do solo para o plantio do amendoim apenas com 
gradagem. Fotos: Vicentede Paula Queiroga. 
 
 
Figura 40. Gradagem e nivelamento do solo ao mesmo tempo com o tronco roliço 
amarrado a grade. Foto: Odilon Reny Ribeiro Ferreira da Silva. 
 
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Figura 41. A) Abertura de sulcos com arado de madeira, acoplando um riscador de três 
linhas, a tração animal e, logo atrás, três operários efetuam manualmente a semeadura do 
amendoim em cada sulco; B) Cultivador com apenas um escarificador para a abertura de 
sulcos no terreno a tração animal. Fotos: Ritza Marina Lainez Navarrete e Vicente de 
Paula Queiroga. 
 
Em áreas que se cultiva normalmente o amendoim, procede-se uma aração, aplicando-se 
o calcário e, a seguir, uma gradagem para complementação da aração e incorporação do 
calcário. Os equipamentos utilizados para estas operações podem ser a tração animal ou 
tratorizados (SANTOS et al., 2006). 
 
b) Preparo mínimo – Significa remover e aflouxar a terra unicamente aonde se vai 
semear, conservando assim a estrutura do solo e evitando sua compactação, além de 
economizar mais trabalho em comparação ao preparo convencional (Figura 42). Outra 
vantagem importante do preparo mínimo é que os cultivos podem ser realizados 
imediatamente, depois que o cultivo anterior tenha sido colhido. 
 
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Figura 42. Cultivador a tração animal e mini trator usados no preparo mínimo da área de 
amendoim. Fotos: Vicente de Paula Queiroga. 
 
c) Preparo mínimo com semeadura - Este sistema aplica-se tanto para solo plano 
(arenoso) como em solo inclinado. Entretanto, não se deve semear o amendoim em solos 
com pendentes bastante pronunciadas (não superior a 30º), porque, com as atividades de 
colheita, o solo é removido e pode acelerar o processo de erosão (hídrica e eólica; 
FUNDACIÓN VALLES, 2011). 
 
Nas áreas de renovação de canaviais (sem uso de adubo químico e inseticida), a soqueira 
é destruída com grade pesada, antes da aração (LASCA, 1986). Outras opções que 
apresentam perspectivas favoráveis para o cultivo de amendoim seriam as semeaduras 
diretas sobre a palhada da cana-de-açúcar (Figura 43) e de reforma de pastagem não 
degradada, porém à presença de resíduos da cultura anterior tem favorecido o 
desenvolvimento de doenças, principalmente ocasionadas por Sclerotium rolfsii. 
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Figura 43. Amendoim sobre palhada de cana é uma técnica promissora. 
 
ÉPOCA DE PLANTIO 
 
A planta do amendoim apresenta grande plasticidade genética, podendo ser cultivada em 
várias condições agroecológicas. Nas condições do Nordeste, a época de plantio é 
considerada um manejo cultural ecológico do amendoim que pode resultar no 
desenvolvimento de plantas dentro das condições climáticas ideais, em razão de que a 
maioria do amendoim é cultivado em regime dependente das águas. 
 
 A observância da época adequada oferece maior possibilidade de êxito para o produtor 
dentro das variações de clima a que está sujeita o cultivo do amendoim para as condições 
do Nordeste. É importante destacar que a maioria do amendoim é cultivada em regime de 
sequeiro, sendo mais concentrado nas regiões da Mata, Agreste e Semiárido. Por outro 
lado, sua área cultivada em condições irrigadas é pouco significativa. Nas condições da 
Mata e Agreste, chove, frequentemente, de abril a agosto e as precipitações anuais, 
sobretudo na Zona da Mata, ultrapassam os 1.000 milímetros. Como os materiais de porte 
ereto e precoce predominam na região, recomenda-se efetuar o plantio perto do final da 
estação chuvosa (maio-junho) para favorecer sua colheita na ausência de chuva. Enquanto 
no semiárido, chove de novembro a março e as frequências e distribuição são irregulares. 
Consequentemente, recomenda-se iniciar o plantio no início do período de chuvas, 
quando tiver chovido aproximadamente 30 mm. Nestas condições o solo apresenta 
umidade suficiente para a germinação das sementes e desenvolvimento das plantas 
(BELTRÃO et al., 1989; BOLONHEZI et al., 2013). 
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MÉTODO DE PLANTIO 
 
a) Semeadura manual 
 
Consiste em depositar manualmente as sementes sobre covas ou sulcos abertos, sendo de 
imediato cobertos com uma camada de terra, utilizado o pé ou um pranchão de madeira 
(ou peça metálica) a tração animal para cobrir as sementes (Figuras 44 e 45). A semeadura 
deve ser realizada em função do ciclo da cultivar e do regime de chuvas da região, cuja 
profundidade da semente no solo não deve ultrapassar 5 cm, assim evita que a semente 
esgote suas reservas para elevar os cotilédones à superfície do solo. Quando se realiza 
semeadura mais rasa, a emergência é mais rápida, desde que haja umidade suficiente no 
solo. O consumo de sementes dentro dos espaçamentos mais usuais, 60 ou 50 cm entre 
linhas e 5 a 10 cm na linha, os gastos com sementes variam de 70-80 a 140-160 kg.ha-1. 
A elevação do custo de produção, devido à maior quantidade de sementes, é compensada 
pela redução dos tratos culturais e maior rendimento (GODOY et al., 1982; SANTOS et 
al., 2006). 
 
 
Figura 44. Semeadura manual do amendoim em sulcos abertos (ou covas) feita pelo 
pequeno agricultor nordestino. 
 
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Figura 45. Pranchão de madeira puxado pelo animal para fechar os sulcos abertos, após 
a semeadura manual. Foto: Vicente de Paula Queiroga. 
 
b) Semeadura com matraca 
 
Os produtores de Barbalha-CE semeiam o amendoim com auxílio de matraca 
convencional, para evitar que a semente não seja colocada no solo arenoso à profundidade 
superior a 5 cm é necessário adaptar um limitador na parte inferior da matraca (Figura 
46). Essa semeadora é de fácil uso, sendo capaz de um operário plantar cerca de 30 kg de 
sementes de amendoim por dia. Antes disso, deve-se ajustar o registro da máquina ao 
tamanho da semente. 
 
Figura 46. Matraca da marca Krupp usada no plantio de sementes de amendoim, sendo 
uma máquina convencional e outra adaptada com um limitador de profundidade. Fotos: 
Vicente de Paula Queiroga. 
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c) Semeadora mecânica manual 
 
Uma máquina de plantio de amendoim de uma linha divulgada no mercado virtual 
poderá atender os pequenos produtores familiares da região semiárida do Nordeste, 
principalmente se o amendoim é semeado em solos de textura arenosa ou franco-
arenosa. O desempenho dessa semeadora poderá ser eficiente por economizar tempo 
e mão-de-obra em relação ao sistema de plantio totalmente manual. Seu mecanismo 
de funcionamento consiste em depositar uma semente no solo, no momento em que 
cada bico alimentador penetra no solo (Figura 47). 
 
 
Figura 47. A semeadora mecânica manual de uma linha para semeadura do amendoim 
divulgada no mercado virtual. Fotos: Arquivo da Alibaba. 
 
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d) Semeadora mecânica a tração animal 
 
Para que uma semeadora funcione de forma eficiente, recomenda-se utilizar sementes 
devidamente classificada por tamanho, para garantir que o disco dosifique a quantidade 
exata de sementes (Figura 48). Além disso, tal classificação pode proporcionar uma 
colheita em maior escala de sementes maduras e de elevado teor de óleo. Também a 
semeadura com a semeadora exige que o terreno seja bem preparado, destorroado e sem 
plantas daninhas. 
 
 
Figura 48. Operação de classificação por tamanho, realizada antes do plantio, com 
passagem das sementes pela peneira de tamanho 23. Foto: Ignácio José de Godoy. 
 
Nos anos 80, um projeto hondurenho, denominado PROMECH, para desenvolvimento de 
uma semeadora foi criado para melhorar a produção de amendoim dos pequenos 
produtores familiares, que mediante a troca do rotor (distribuidor de sementes) que se 
instalano interior da máquina semeadora é possível realizar uma semeadura eficiente de 
sementes de gergelim, arroz, milho, sorgo, feijão, amendoim e algodão orgânico (Figura 
49). A semeadora fica acoplada ao arado, cujo conjunto de equipamento poderá permitir 
o seguinte: 1). O arado instalado à frente permite abrir o sulco, enquanto a semeadora, 
posicionada atrás, efetua o semeio e cobri as sementes e 2). Regula a quantidade de 
sementes, a distância e a profundidade para alcançar uma qualidade de plantio de precisão 
por cada posição do rotor em movimento. 
 
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Figura 49. Arado combinado com semeadora de amendoim e outras espécies cultivadas. 
Foto: Arquivo FOMENTA. 
 
Outra semeadora a tração animal foi desenvolvida pelo fabricante Careyso S.R.L. da 
Bolívia. Com este equipamento é possível economizar 50% em mão-de-obra e diminuição 
do tempo empregado para a semeadura do amendoim. O equipamento oferece menos 
risco de compactação do solo (Figura 50). 
 
 
 
Figura 50. Semeadora de uma linha para sementes de amendoim desenvolvida na 
Bolívia. Fotos: Arquivo da Fundación Valles. 
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e) Semeadora tratorizada 
 
O sistema pneumático de distribuição de sementes, usado para o plantio em grande escala, 
é um método de precisão de alta tecnologia e muito utilizado para a semeadura de 
sementes de amendoim, permitindo que se trabalhe com velocidade de até 8,0 km /h, 
desde que sejam feitos os ajustes na regulagem da máquina, evitando assim quebras das 
sementes. É uma tecnologia bem mais cara que a dos métodos tradicionais, pois, necessita 
da tomada de força do trator para seu acionamento, além de requerer cuidado permanente 
da estanqueidade do ar e ajustes na seleção das sementes (Figura 51). 
 
 
Figura 51. A) Semeadora pneumática usada na semeadura de sementes de amendoim 
pela Embrapa Algodão; B) Sementes previamente selecionadas em peneira. Foto: Vicente 
de Paula Queiroga. 
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PROFUNDIDADE 
 
Para todos os métodos utilizados de semeadura, deve-se adotar a profundidade ótima de 
5 – 7 cm. A profundidade uniforme de semeadura é importante para a germinação e o 
desenvolvimento da planta de amendoim. As chuvas constantes e fortes prejudicam a 
germinação de uma plântula, tendem a endurecer ou sedimentar a terra solta da superfície 
e podem lavar o solo arrastando as sementes. 
 
A sistematização do solo (correção da superfície) é conveniente para evitar 
encharcamentos, arraste do solo ou sedimentação nas partes mais baixas do terreno, os 
quais podem sufocar ou enterrar as plantas (Figura 52). Além do seu efeito no número 
reduzido de plantas sobreviventes, ao evitar os encharcamentos também se evitam 
doenças como a murcha-de-Sclerotium (Sclerotium rolfsii). 
 
 
 
Figura 52. Problemas de baixa população por arraste de solo ou sedimentação. Foto: 
Eduardo R. Garrido Ramírez. 
 
 
 
 
 
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SISTEMAS DE PRODUÇÃO 
 
ESPAÇAMENTO 
 
O espaçamento de uma cultura é definido pela densidade e pela disposição de plantas na 
área cultivada. Entende-se como densidade, o número de plantas por unidade de área, 
resultante da combinação entre o espaçamento entrelinhas e o número de plantas por 
metro de linha (BERNARDES; VICCARIO, 1986). 
 
O uso do espaçamento adequado de plantas, além de contribuir para maximizar a 
produtividade, tem efeitos sobre o controle de plantas daninhas, podendo representar uma 
estratégica importante para utilização de alguns fatores de produção como luz, água e 
nutrientes. É importante, no entanto, atentar para alguns aspectos que podem auxiliar nas 
decisões a serem tomadas, como maior ou menor consumo de sementes e a realização dos 
tratos culturais (NAKAGAWA et al.,1994). 
 
A alteração na densidade de semeadura é o recurso mais fácil para aumentar a população 
de plantas, pois o produtor não necessita realizar modificações drásticas na semeadora, 
embora incremente o gasto de sementes por área. Por outro lado, essa variação na 
densidade de plantas de amendoim pode ocasionar efeitos na massa de 100 sementes 
tendo-se aumento destas com a diminuição do número de plantas por hectare 
(GOPALASWAMY et al.,1979). 
 
Nakagawa et al. (1994), trabalhando com a cultivar Tatu Vermelho-53, com as densidades 
de 7, 10, 13, 16, 19, 22, 25 e 28 sementes/m, com espaçamento entrelinhas de 0,60 m, 
verificaram que à medida que se aumentou o número de sementes por metro, houve uma 
diminuição na percentagem de emergência de plântulas, bem como na percentagem de 
sobrevivência das plantas. O número de vagens por planta foi afetado pela densidade de 
semeadura, tendo-se obtido maiores valores para a densidade de 7 sementes/m (6,49 
plantas/m à colheita). Verificou-se que com o aumento da densidade de semeadura houve 
diminuição no número de vagens por planta, observando-se maiores reduções até a 
densidade de 16 sementes/m (14,3 plantas/m à colheita). 
 
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Gonçalves et al. (2004), trabalhando com a cultivar Vagem Lisa, grupo botânico 
Valência, no Recôncavo Baiano, BA, com espaçamentos entrelinhas de 0,50 m, 0,65 m e 
0,80 m, e três densidades de semeadura de 5, 10 e 15 plantas/m e um tratamento adicional, 
como testemunha (covas espaçadas de 0,25 m x 0,30 m), observaram que 
independentemente do espaçamento estudado, à medida que se eleva a densidade de 
plantas há decréscimos nos valores médios encontrados no número total de vagens e grãos 
por planta. Para os componentes massa seca de 1000 grãos e volume de vagens frescas, 
apenas o fator densidade influenciou de maneira significativa, sendo o arranjo espacial de 
5 plantas/m x 0,80 m na entrelinha (62.500 plantas/ha), o que apresentou os maiores 
resultados. Para a produção de vagens em kg/ha, o arranjo de 15 plantas/m x 0,50 m 
apresentou a maior produtividade (3.429kg/ha), superando a média regional. É importante 
considerar que o número de vagens por planta é o componente da produção mais afetado 
pelo aumento da população de plantas, ocorrendo invariavelmente redução, que ao 
mesmo tempo é compensada pelo maior número de vagens por área. 
 
Para cultivares de porte ereto, Godoy et al. (1998) recomendam o espaçamento de 0,60 m 
entrelinhas, distribuindo-se 15 a 20 sementes por metro linear. Já para cultivares rasteiras 
recomendam a semeadura em linhas duplas espaçadas de 0,70 a 0,80 m e 1,00 m nos 
intervalos entrelinhas duplas, distribuindo-se 10 a 12 sementes por metro linear de sulco. 
Para a colheita mecanizada do amendoim, os mesmos autores relatam que, apesar de não 
haver comprovação científica para os espaçamentos em linhas simples e em linhas 
conjugadas, na prática tem sido mais adequado o espaçamento de linhas conjugadas, o 
que consiste em um conjunto de duas linhas com distância de 0,55 m entre si, sendo os 
conjuntos de linhas distanciadas em 0,70 m, para as cultivares eretas (Figura 53) e para 
as rasteiras, recomenda-se as linhas simples espaçadas de 0,90 m. 
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Figura 53. Espaçamento de linhas conjugadas adotado para a lavoura mecanizada de 
amendoim do tipo porte ereto. Foto: Ignácio José de Godoy. 
Foi comprovado experimentalmente que um espaçamento apropriado sempre pode 
resultar em uma colheita mais abundante e de melhor qualidade, portanto, ao efetuar a 
semeadura do amendoim com a semeadora, recomenda-se uma distância não menor de 
45 a 50 cm entre linhas, e de 10 a 13 cm entre plantas. Quando a operação de semeadura 
é feita com enxada ou cultivador, o espaçamento ideal seria de 60 cm entre fileiras e de 
15 cm entre covas. Godoy et al. (1998) recomendam utilizar o espaçamento de 0,60 m 
entrelinhas, distribuindo-se15 a 20 sementes por metro \linear para cultivares de porte 
ereto. Já para as cultivares rasteiras, a semeadura deve ser realizada em linhas duplas, 
espaçadas de 0,70 a 0,80 m e 1,00 m nos intervalos de entrelinhas duplas, distribuindo-se 
10 a 12 sementes por metro linear de sulco. Na Tabela 14, encontram-se os espaçamentos 
utilizados para as cultivares BR-1 e BRS Havana. 
Tabela 14. Espaçamento, quantidade de sementes necessárias ao plantio, densidade 
populacional e produtividade das cultivares de amendoim BR-1 e BRS Havana. 
Espaçamento Quantidade de 
sementes 
(kg/ha-1) 
População 
(plantas ha-1) 
Produtividade 
esperada em casca 
(kg/ha-1) 
0,70 m x 0,20 m 64 143.000 1.700 
0,50 m x 0,20 m 90 200.000 2.100 
0,30 m x 0,20 m 150 333.333 3.200 
 
 
 
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Em comparação ao espaçamento convencional (0,70 m x 0,20 m), Neves (2007) verificou 
que, quando se utilizou o espaçamento de 0,50 m x 0,20 m, houve uma elevação de 63% 
na produtividade do amendoim com casca. Além disso, gastou-se 90 kg de sementes da 
cultivar BR-1 por ha, e, ainda, houve redução nos custos das capinas, que caiu de três 
para duas. No espaçamento de 0,30 m x 0,20 m, o gasto de semente se situou em 110 
kg/ha e a elevação na produtividade subiu para 94%. Vale destacar que os espaçamentos 
0,50 m x 0,20 m e 0,30 m x 0,20 são utilizados para os cultivos manual e mecânico, 
respectivamente. Conforme se observa na Tabela 14, o aumento da população de plantas 
pode resultar em acréscimo na produção de vagens por área, todavia, esse aumento é 
limitado até certo ponto pelas características da cultivar, pelo histórico de fertilidade do 
solo, pelas condições climáticas da região e risco de ocorrência de doenças. 
 
 
O espaçamento convencional de amendoim para a região Nordeste, cultivado em regime 
de sequeiro, é de 0,70 m x 0,20 m, podendo o plantio ser procedido em consórcio com 
outras culturas, como milho, gergelim, mandioca ou algodão. A quantidade de sementes 
utilizadas é entre 60 e 65 kg, para o caso da cultivar BR-1. Ao adotar o plantio isolado, 
recomenda-se o espaçamento de 0,50 m entre linhas e 0,20 m entre plantas para as 
cultivares dos tipos BR-1, BRS Havana, e BRS 151 L7, todas de porte ereto, 
necessitando-se de 90 kg/ha de sementes e apenas duas capinas durante o ciclo. Para a 
cultivar rasteira do amendoim BRS Branco, recomenda-se 0,70 m a 0,80 m entre linhas e 
0,25 m a 0,30 m entre plantas, deixando-se duas sementes por cova (SANTOS et al., 1997, 
2006; NAKAGAWA; ROSOLEM, 2011). 
 
ADUBAÇÃO 
Um dos maiores desafios para a agricultura nesta década será o de desenvolver sistemas 
agrícolas que possam produzir alimentos e fibras em quantidade e qualidade suficientes, 
sem afetar adversamente os recursos do solo e o meio ambiente (MIYASAKA et al., 
1983). Por intermédio da agricultura orgânica, a fertilidade do solo e a produtividade 
agrícola se mantém através da rotação de cultivos, da aplicação de esterco animal e 
adubos verdes, do uso de compostagem e coberturas orgânicas. Portanto, quando se adota 
o cultivo orgânico há maior sustentabilidade, há maior disponibilização dos nutrientes 
gradualmente, há melhoria na estrutura do solo; há ainda o maior fornecimento de macros 
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e micronutrientes e, em consequência disso, melhora as condições físicas, químicas e 
físico-químicas do solo (KIEHL, 2010). 
Os adubos orgânicos sob os resíduos de origem animal ou vegetal, na forma sólida ou 
líquida, podem ser utilizados para a fertilização dos solos, sendo rico em nutrientes, tais 
como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, cobre e zinco. Os resíduos 
orgânicos, além de fertilizarem o solo, são ativadores da microvida e melhoradores da 
estrutura e textura do solo, permitindo maior infiltração de água e maior aeração 
(SANTOS; SANTOS, 2008). 
Um dos adubos orgânicos muito utilizados é a torta, que é um resíduo industrial, 
considerado coproduto da produção do biodiesel, a partir de oleaginosas como a mamona, 
girassol, dendê, pinhão-manso e soja, dentre outras. A torta é muito utilizada como 
fertilizante orgânico e condicionador de solo, além de outras utilidades (SILVA et al. 
2012). Por outro lado, o esterco caprino apresenta fermentação mais rápida que outros 
estercos, podendo ser utilizado com sucesso na agricultura (SOUZA; REZENDE, 2006). 
Contudo, a utilização de esterco caprino na quantidade de 6 t ha-¹ influencia 
positivamente no crescimento do amendoim. Um dos fatores a ser levado em conta 
relacionado à quantidade de esterco e outros resíduos orgânicos a ser adicionada em 
determinada área são: a composição e o teor de matéria orgânica desses insumos, classe 
textural e nível de fertilidade do solo, exigências nutricionais da cultura explorada e 
condições climáticas regionais (DURIGON et al. 2002). Um dos macronutrientes 
encontrados no esterco é o potássio, considerado o elemento mais elevado no solo pelo 
uso contínuo. O teor desses elementos depende da qualidade e da quantidade de esterco 
caprino, bem como do tipo de solo (SANTOS et al., 2006). 
Segundo Kluthcouski (1980), várias espécies vegetais podem ser empregadas como 
adubos verdes, como por exemplo as leguminosas e gramíneas; mas, de acordo com 
Inforzato (1947) e Franco e Souto (1984), o emprego de plantas leguminosas é mais 
difundido devido, principalmente, à realização da fixação do nitrogênio atmosférico que 
essas plantas desenvolvem, e porque os seus sistemas radiculares são mais profundos e 
mais ramificados que os das gramíneas, melhorando a estrutura do solo e a reciclagem de 
nutrientes; e também porque, segundo informações de Neme (1940), a biomassa das 
plantas leguminosas é maior e mais rica em teores de nutrientes do que a biomassa das 
gramíneas. 
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Estudando os efeitos do emprego da adubação verde através da incorporação da biomassa 
vegetal, produzida no local ou importada, da rotação de culturas e da adubação orgânica: 
como mecanismos para obter aumentos de produção das culturas subsequentes, 
(MIYASAKA et al., 1965; FERRAZ et al., 1977; TANAKA et al., 1992); como 
mecanismos para melhorar o aproveitamento dos nutrientes minerais do solo pelas 
culturas (ANDRIOLI et al., 1993); e a retenção de água advinda da melhor capacidade de 
infiltração, diminuindo, consequentemente, a erosão do solo (ALVARENGA et al., 
1993); como mecanismos para controlar a população de fungos, ervas daninhas e 
nematoides (SHARMA et al., 1981; SILVA et al., 1989) e reduzir a amplitude térmica da 
superfície do solo e em profundidade (ALMEIDA, 1984), e para a fixação biológica do 
nitrogênio (FRANCO; SOUTO, 1984). 
Os elementos químicos mais indispensáveis para a lavoura de amendoim são, em ordem 
de importância, K-Ca-P-N. Aplicações menores de adubos orgânicos, como esterco de 
gado e adubos semilíquidos, podem favorecer a mineralização das substâncias orgânicas. 
Sua aplicação deve ser feita quando as plantas estiverem com mais de 10 cm de altura em 
quantidades correspondente a 10 kg N ha-1 (equivale a 2 ton. de esterco por ha ou 0,5% 
de N). Em caso de aplicações diretas de adubo, a compostagem curtida se aplica no 
momento do plantio ou durante a primeira capina (15 dias) em quantidades de 
aproximadamente 3 t ha-1 (aprox. 7 m3 ha-1). A disponibilidade de potássio tem sido 
praticamente normal para os solos da região Nordeste. Também é importante que o cálcio 
e magnésio sejam absorvidos em maior escala pelas plantas de amendoim, mas é 
necessário fornecer o calcário em pó (rocha dolomita) por agregar o mineral carbonato de 
cálcio e magnésio CaMg(CO3)2 (AUGSTBURGER et al., 2000). 
Tanto o regulamento para a agricultura ecológica da União Europeia 2092/91 como as 
normas básicas de IFOAM permitem, em pouca quantidade, somentea 
comercialização e, que, seguramente, irão estimular agricultores, pesquisadores, 
professores, técnicos, estudantes e demais interessados nesta cultura – amendoim 
orgânico -. 
 
Os Editores Técnicos 
 
SUMÁRIO 
 
CAPÍTULO 1. GERAÇÃO DE TECNOLOGIA – Vicente de Paula Queiroga, 
Francisco de Assis Cardoso Almeida, Ênio Giuliano Girão, Acácio Figueiredo Neto, 
Esther Maria Barros de Albuquerque ............................................................................ 11 
 
CAPÍTULO 2. ECONOMIA – Vicente de Paula Queiroga, Francisco de Assis Cardoso 
Almeida, Tarcísio de Souza Gondim, Esther Maria Barros de Albuquerque ................ 35 
 
CAPÍTULO 3. PRODUÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA – Vicente de Paula Queiroga, 
Francisco de Assis Cardoso Almeida, Esther Maria Barros de Albuquerque ............... 48 
 
CAPÍTULO 4. PRAGAS E DOENÇAS DO AMENDOIM - Vicente de Paula 
Queiroga, Francisco de Assis Cardoso Almeida, Esther Maria Barros de Albuquerque
 ...................................................................................................................................... 122 
 
CAPÍTULO 5. COLHEITA, BENEFICIAMENTO E ARMAZENAMENTO DO 
AMENDOIM - Vicente de Paula Queiroga, Francisco de Assis Cardoso Almeida, Esther 
Maria Barros de Albuquerque ...................................................................................... 162 
 
CAPÍTULO 6. PRODUÇÃO DE SEMENTES DE AMENDOIM E PRODUTOS DA 
AGROINDÚSTRIA - Vicente de Paula Queiroga, Francisco de Assis Cardoso Almeida, 
Esther Maria Barros de Albuquerque, Ayices Chaves Silva, Paulo de Tarso Firmino ..... 
 ...................................................................................................................................... 235 
 
CAPÍTULO 7. AGRICULTURA ORGÂNICA E CERTIFICAÇÃO DE 
PRODUTOS ORGÂNICOS - Vicente de Paula Queiroga, Ênio Giuliano Girão, 
Francisco de Assis Cardoso Almeida, Esther Maria Barros de Albuquerque ............. 280 
 
CAPÍTULO 8. AMENDOIM: CINÉTICA DE LIOFILIZAÇÃO E PRODUÇÃO 
DE EXTRATOS EM PÓ – Luzia Márcia de Melo Silva, Francisco de Assis Cardoso 
Almeida, Vicente de Paula Queiroga, Acácio Figueiredo Neto, Antônio Jackson Ribeiro 
Barroso, Esther Maria Barros de Albuquerque ........................................................... 300 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 325 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO I 
 
 
 
 
 
GERAÇÃO DE TECNOLOGIA 
 
(Autores) 
Vicente de Paula Queiroga 
 Francisco de Assis Cardoso Almeida 
Ênio Giuliano Girão 
Acácio Figueiredo Neto 
 Esther Maria Barros de Albuquerque 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
 
O amendoim (Arachis hypogaea L.) é uma oleaginosa de enorme relevância econômica, 
sendo cultivado mundialmente em países desenvolvidos e em desenvolvimento, 
apresentando uma produção de 31 milhões de toneladas de grãos (USDA, 2015). Essa 
oleaginosa teve produção de cerca de 34,7 milhões de toneladas no ano de 2011. Os 
principais produtores foram China, Índia, Estados Unidos, Nigéria e Indonésia. Em 2011, 
no Brasil, foram colhidas 227.000 mil toneladas em grãos, onde as maiores produções 
foram nas regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste (ETENE 2011; CONAB, 2012). 
 
No Brasil, o amendoim é cultivado em mais de 119,9 mil ha distribuídos principalmente 
pelas regiões Centro-Sul e pouco difundido pela região Nordeste. A nível nacional, o 
amendoim é cultivado de forma mais significativa em dez estados, com maior produção 
em São Paulo (108,3 mil ton.), seguido por Rio Grande do Sul (3,4 mil ton.), Minas Gerais 
(2,1 mil ton.) e Paraná (1,9 mil ton.). A Bahia vem logo em seguida, liderando a região 
Nordeste com uma produção de 1,4 mil toneladas e produtividade de 942 kg ha-1, numa 
área explorada de 1,5 mil hectares (CONAB, 2017). 
 
A cultura do amendoim (Arachis hypogaea L.) constitui-se em alternativa de grande 
importância econômica e social para as condições da região do Nordeste brasileiro, por 
ser de fácil manejo, ciclo curto, apresentar tolerância a estiagem e, principalmente, por 
gerar renda e trabalho e por ser fonte de alimento para pequenos e médios produtores. Os 
mesmos utilizam tecnologias tradicionais de simples manejo para essa cultura, tendo 
como consequência elevada dependência de mão-de-obra familiar, principalmente no 
período colheita /beneficiamento. 
 
Portanto, as áreas do Nordeste brasileiro destacam-se como possuidoras de condições 
edafoclimáticas favoráveis ao cultivo do amendoim de forma ecológica e com alta 
qualidade sanitária, em microrregiões que exercem papel preponderante na redução 
natural de pragas da referida lavoura, devido à alta insolação, especialmente na época de 
colheita. Além disso, as características das propriedades locais, ocupadas basicamente 
por agricultores familiares, que cultivam espécies diversificadas e usam a mão-de-obra 
familiar, adequam-se à produção de amendoim nesse tipo de sistema de exploração. 
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Apesar da região Nordeste não ter muita tradição, possui, porém, características 
climáticas adequadas, podendo o amendoim tornar-se alternativa viável de cultivo em 
substituição a algumas culturas com menor rentabilidade e menor valor nutricional 
(AMENDOIM, 1995). Por ser uma espécie cultivada por agricultores de várias tipologias, 
sendo a principal àqueles que lidam com a agricultura familiar, onde o manejo é procedido 
de forma manual, com baixo nível tecnológico adotado no cultivo do amendoim que 
resulta na baixa produtividade, o que leva essa região a ter uma produção menor, mesmo 
explorando uma área relativamente extensa (NOGUEIRA et al., 2006). 
 
Mesmo assim, o amendoim pode ser visto como uma excelente alternativa agrícola para 
a região Nordeste, pois seu cultivo é feito na maioria em condições de sequeiro, onde as 
adversidades climáticas são expressivas. A produtividade é influenciada por fatores 
ambientais, manejo e cultivares usadas, sendo as condições relacionadas à temperatura e 
umidade do solo as que mais interferem no estabelecimento e desenvolvimento da cultura 
até o final do ciclo (SILVEIRA et al., 2010). Em regiões com boa disponibilidade hídrica 
durante todo o ano, o amendoim do tipo ereto (grupo Valência) pode ser cultivado em até 
três vezes ao ano por ser precoce, com ciclo entre 90 e 110 dias. 
 
Com base na abordagem anterior, diversos fatores externos podem afetar a sua produção 
e qualidade sanitária (GURJÃO, 1995). Assim, é imprescindível investigar as regiões 
com condições edafoclimáticas que permitam à cultura externar o seu potencial genético 
em termos de produtividade, o que se torna importante para o sucesso da agricultura. 
Através de estudos que relacionam a interação solo-planta-clima, é possível definir áreas 
que apresentam aptidão, viabilizando a exploração agrícola das plantas, ecológica e 
economicamente (SILVA; AMARAL, 2007). Uma vez identificadas as áreas potenciais 
em cada comunidade rural, as seguintes informações tecnológicas devem ser transferidas 
aos produtores de amendoim orgânico, tais como: Controle de pragas e doenças através 
do cultivo mecânico, controle biológico, uso de cultivares com resistência genética, 
cultivos consorciados, rotação de culturas e aplicação de bioinseticidas a base de espécies 
vegetais colhidas e preparadas na comunidade. 
 
Na região Nordeste, em particular, poucos trabalhos foram realizados no tocante ao 
sistema de pesquisa e de produção do amendoim, apesar de ser uma alternativa agrícola 
viável por proporcionar uma renda complementar e por se tratar de um mercado receptivo, 
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principalmente na época daso uso de fosfatos 
naturais sobre solos pobres em fósforo. Portanto, as deficiências de fosforo na lavoura de 
amendoim podem ser compensadas mediante aplicação de rocha fosfórica em pó e farinha 
de ossos, antes da preparação do terreno. A disponibilidade de fosfatos é melhorada 
mediante a simbiose com as micorrizas pelo incremento da superfície radicular. A 
segregação de diferentes substâncias, como por exemplo a atividade da enzima fosfatase, 
permite que o fósforo (P) fixado organicamente se torne disponível para as plantas 
(ASOCIACIÓN NATURLAND, 2000). 
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O manejo dos aspectos nutricionais do amendoim é primordial para a obtenção de altas 
produções e elevada qualidade. Essa planta extrai quantidades menores de 
macronutrientes primários (N, P e K), razão pela qual comumente é classificada como 
cultura pouco exigente em adubação, em comparação com os cereais produzidos em 
grande escala. A seguir, alguns resultados de pesquisas referentes a recomendações de N, 
P, K e Ca para a lavoura de amendoim: 
 
Nitrogênio - O amendoim por ser uma leguminosa, a planta tem a capacidade para fixar 
na quantidade suficiente o nitrogênio do ar, por meio da associação simbiótica com 
bactérias do gênero Bradyrhizobium sp., pertencentes ao grupo chamado “miscelânea 
caupi”. A ausência das bactérias especificas, devido à seca, o encharcamento ou a 
compactação do terreno que limita a aeração do solo, prejudicam a efetividade na fixação 
de nitrogênio. Outros fatores interferem no suprimento de N para o amendoim, tais como: 
as características da cultivar, presença de estirpes nativas competidoras, tipo de solo, 
umidade e temperatura. Quando a disponibilidade de nitrogênio não é suficiente, então a 
folhagem do cultivo apresentará uma cor verde claro a ligeiramente amarelado 
(PEDELINI, 2008; Figura 54). Estima-se que cerca de 55% do N requerido pelo 
amendoim é proveniente da fixação biológica, sendo considerado um suprimento 
intermediário quanto a eficiência (ELKAN, 1995). Além disso, as plantas de amendoim 
são capazes de remover cerca de 190 kg de N para atender uma expectativa de produção 
de 3 t/ha de vagens (BOLONHEZI et al., 2013). 
 
Figura 54. Faixa de cultivo de amendoim sem aplicação de inoculante (verde claro) e 
lote tratado com inoculante (verde escuro). Foto: Ricardo Pedelini. 
 
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Fósforo – É considerado o elemento com maior influência na produtividade do 
amendoim, apesar de ser requerido em menores quantidades, assim como o enxofre. A 
intensidade de respostas é maior em solos esgotados e com sua aplicação, garante 
resultados positivos em termos de quantidade e qualidade do produto (GILLIER; 
SILVESTRE, 1970). Para as condições do Nordeste, onde os solos são mais arenosos e 
pobres em nutrientes, a aplicação de P pode elevar a produção de vagens em mais de 40% 
(SANTOS et al., 1996). Sichmann et al. (1979) comprovou que sua absorção ocorre por 
meio dos ginóforos e das vagens em desenvolvimento. 
 
Potássio - Na maioria das vezes, as respostas com K no amendoim são menores que as 
esperadas, mesmo em solos com baixos teores desse elemento (GARGANTINI et al., 
1958; ARRUDA; BRITO, 1972; BRITO et al., 1973). Tal fato está relacionado ao sistema 
radicular do amendoim, o qual consegue explorar camadas de solo mais profundas, 
podendo então absorver o K acumulado no subsolo. 
 
Cálcio - O amendoim é muito sensível a falta de cálcio no solo. A reposta do amendoim 
a calagem está ligada, principalmente, ao fornecimento de cálcio aos frutos. Portanto, o 
fornecimento de Ca suplementar deve ser efetuado no período compreendido entre 30 a 
100 dias, dependendo da cultivar ser precoce ou tardia e também do tamanho da semente, 
mediante aplicação de calcário dolomítico, o que poderá proporcionar aumentos nos 
números de vagens por planta e sementes por vagem. Os expressivos resultados da 
calagem se devem por causa da maior nodulação e neutralização do alumínio tóxico, uma 
vez que este último influencia diretamente o número de vagens por planta. Essa 
deficiência é descrita como lesões semelhantes à mancha-de-cercospora, mas os sintomas 
mais comuns e visíveis são: vagens chochas e mal desenvolvidas, cascas frágeis, redução 
do índice de fertilidade de flores e consequente menor número de ginóforos, grãos 
menores, murchos ou abortados, além do crescimento deficiente das raízes 
(BOLONHEZI et al., 2013). O íon Ca é passivamente absorvido (fluxo de massa) pelo 
sistema radicular e transportado por meio do xilema até a parte aérea. Todavia, como esse 
elemento praticamente não se transloca via floema, então essa imobilidade impede a 
redistribuição do Ca para os frutos e sementes, sendo então necessária a absorção direta 
da solução do solo pelos ginóforos, cascas e vagens do amendoim (BOLONHEZI et al., 
2013). 
 
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INOCULAÇÃO 
 
O amendoim responde bem a fertilização nitrogenada, especialmente em solos com baixo 
teor de matéria orgânica. Essa prática, contudo, é de baixa adoção pelos pequenos 
produtores nordestinos, sobretudo se a fonte for de natureza química, devido à elevação 
nos custos de produção (RODRIGUES et al., 2004). 
 
No aspecto fisiológico, o nitrogênio é um elemento imprescindível para o 
desenvolvimento vegetativo das plantas, devido seu papel na composição de vários 
compostos orgânicos, incluindo aminoácidos e ácidos nucleicos. A habilidade de fixação 
biológica por meio das plantas leguminosas torna essas espécies autossuficientes e mais 
competitivas em termos de adaptação ambiental, considerando-se outras espécies que não 
detém a mesma capacidade para se auto suprir, via simbiose (EPSTEIN; BLOOM, 2006). 
 
O amendoim tem habilidade para realizar associação com bactérias fixadoras de 
nitrogênio atmosférico (N2), o qual é convertido em amônio (NH3) por meio de nódulos 
formados nas raízes de plantas leguminosas. Essa simbiose estabelecida entre bactérias e 
plantas é chamada coletivamente de rizóbios. As bactérias pertencem aos gêneros 
Rhizobium, Bradyrhizobium, Azorhizobium, Alorhizobium e Mesorhizobium, entre outros 
(NOVO et al., 1998; EPSTEIN; BLOOM, 2006). 
 
O amendoim é considerado uma espécie capaz de nodular com uma ampla faixa de 
rizóbios nativos do solo. Por esse motivo, a maximização da fixação biológica do 
nitrogênio (FBN) nessa espécie costuma ser pouco eficiente, entretanto a inoculação com 
estirpes selecionadas é capaz de aumentar a efetividade da simbiose e aumentar o 
rendimento do amendoim. O sucesso da seleção de uma simbiose eficiente é dependente 
do conhecimento da variabilidade genética do macro e do microssimbionte (BORGES, 
2006; BORGES et al., 2007; HOFFMAN et al., 2007; SANTOS et al., 2007a; SANTOS 
et al., 2007b). 
 
No Brasil, a inoculação não é uma prática comum, embora diversos estudos tenham sido 
realizados visando encontrar e catalogar estirpes eficientes para a cultura a fim de 
maximizar a produção (BORGES et al., 2007; HOFFMAN et al., 2007; SANTOS et al., 
2007a; SANTOS et al., 2007b). Atualmente, segundo recomendação do MAPA (MAPA, 
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2011), há uma estirpe de Bradyrhizobium sp., SEMIA 6144, autorizada para inoculação 
na cultura do amendoim. 
 
Estudando a efetividade de rizóbios nativos e isolados em solos da região Nordeste, 
Santos et al. (2005b) verificaram que solos sem histórico de produções anteriores 
proporciona ao inoculante alta eficiência de nodulação, pois não há competição com 
rizóbios nativos ou já introduzidos no solo. O pH entre 5,9 e 6,3 é considerado a faixa 
adequada para a fixação biológica para a lavoura do amendoim (BOLONHEZI et al., 
2005). 
 
Apesar dos vários benefícios às lavouras, advindos da adoção de inoculantes como fonte 
suplementarde N, no Brasil, a inoculação não é uma prática comum, possivelmente 
devido à falta de um mercado com demandas definidas para este segmento. Como o 
processamento do inoculante depende de protocolos laboratoriais para viabilizar a 
eficiência da bactéria, acredita-se que a inexistência de um fluxo contínuo de demanda 
limite a disponibilização do produto aos agricultores. O Ministério da Agricultura, 
Pecuária e Abastecimento disponibiliza uma relação de isolados recomendados para 
várias lavouras; para amendoim, a estirpe recomendada, oriunda de Bradyrhizobium sp., 
é a SEMIA 6144 (VINCENT, 1970; MELO, 2013). 
 
No estudo que se utilizou o isolado BR 1405 (SEMIA 6144) de Bradyrhizobium sp., o 
referido material foi cedido pela Embrapa Semiárido. Essa bactéria foi cultivada em meio 
líquido “Yeast Extract Malt Agar”, YMA (glicose 1%, agar 2%, peptona 0,5%, malte 
0,3%, extrato de levedura 0,3%) à 28°C, sob agitação, por 7 dias até o final da fase 
exponencial de crescimento das bactérias. Para cada vaso, aplicaram-se 2 mL do 
inoculante (1,0 x 109 UFC/mL), diretamente na cova, após o plantio das sementes 
(VINCENT, 1970; Figura 55). 
 
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Figura 55. Comparação entre o amendoim tratado com inoculante comercial e sem 
inoculante (testemunha ou testigo). Foto: Ricardo Pedelini 
 
A inoculação da semente de amendoim, que será utilizada na semeadura, é feita a sombra. 
Inicialmente, a semente é umedecida até que seu tegumento se torne brilhante. Sua 
exposição ao sol ocorre quando há excesso de umidade, mas de imediato a semente é 
mesclada com o inoculante, de forma homogênea, e está pronto o material para semeio 
em campo. Apenas deverão inocular as sementes que vão ser semeadas nesse dia. No 
mercado mexicano, o inoculante é adquirido em pacote com conteúdo de 450 g. Esta 
quantidade é suficiente para inocular de 50 a 60 kg de sementes, sendo a quantidade de 
sementes usadas para semear um ha. O inoculante escolhido deverá ser mantido em um 
lugar fresco (refrigerado) até o momento do seu emprego (SAGARPA, 2002). 
 
Na Argentina, recomenda-se usar a dosagem de 200 g do inoculante Rizobium (gênero 
Bradyrhizobium, grupo “miscelânea caupi”) para cada 10 kg de sementes de amendoim. 
Também existe no mercado argentino o inoculante “Nitragin Lift” para o amendoim na 
formulação líquida aquosa que assegura máxima concentração de bactérias fixadoras de 
nitrogênio (Figura 56). Sua distribuição dentro do suco de plantio permite que as raízes 
da nova planta fiquem rapidamente expostas a uma considerável população de bactérias 
aumentando as possibilidades de uma precoce nodulação na raiz principal, um maior 
aporte de nitrogênio por fixação biológica e um consequente aumento de produtividade. 
 
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Figura 56. O inoculante “Nitragin Lift” para amendoim é vendido na Argentina em caixa 
de 9 litros (seis hectares). Recomenda-se a dose de 1,5 litros por ha para o plantio no 
espaçamento de 70 cm entre fileiras ou 10,5 mL para cada 100 metros linear. Foto: 
Arquivo da empresa Nitragin. 
 
Por outro lado, o manejo das três cultivares submetidas aos diferentes tratamentos 
estabelecidos com e sem inoculante Bradyrhizobium, em comparação ao tratamento com 
sulfato de amônia, não alterou o início de floração das plantas nem o período de 
maturação das vagens, que ocorreram para as cultivares eretas da Embrapa, entre 21-23 
e 87-90 dias após a emergência, respectivamente (SANTOS et al., 2005a). A altura, 
contudo, teve redução média de 60% em todas as plantas, que não ultrapassaram 15 cm, 
em função do tipo de solo em que foram cultivadas (Figura 57). 
 
 
Figura 57. Detalhe das plantas de amendoim, aos 80 dias após a emergência. L7 bege 
no tratamento controle (esquerda), com Sulfato de amônia (centro) e com 
Bradyrhizobium (direita). Fotos: Emanuelle B. S. Melo. 
 
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BIOFERTILIZANTES 
 
Os biofertilizantes são resíduos orgânicos resultantes da fermentação de estercos em 
biodigestores e bastante utilizados em sistemas de agricultura orgânica. Tais produtos 
contêm células vivas de diferentes tipos de microorganismos, que têm a habilidade de 
converter nutrientes presentes no solo em formas indispensáveis para disponíveis por 
meio de processos biológicos (WU et al., 2005). 
 
O uso dos biofertilizantes no Brasil foi iniciado na década de 90, para o controle de pragas, 
doenças e suprimento nutricional. Os biofertilizantes são compostos bioativos 
(MEDEIROS; LOPES, 2006), resíduo final da fermentação de compostos orgânicos, 
contendo células vivas ou latentes de microrganismos. Esses compostos são ricos em 
antibióticos, enzimas, vitaminas, fenóis, toxinas e ácidos. 
 
A utilização de biofertilizante é uma alternativa de baixo custo e ambientalmente 
sustentável para reciclar os nutrientes originalmente retirados pelas plantas, além de 
contribuir para melhorar as propriedades químicas, físicas e biológicas do solo (WU et 
al., 2005). 
 
Biofertilizante de Esterco Bovino (QUEIROZ FILHO, 2005). 
INGREDIENTES: 
- Esterco curtido de bovino 
- Esterco curtido de galinha 
- Açúcar (cristalizado ou refinado) 
- Água 
 
PREPARO: 
Numa lata de 20 litros, deve-se colocar meia lata (10 litros) de esterco de curral curtido, 
esterco de galinha em torno de 250 gramas e 250 gramas de açúcar (cristalizado ou 
refinado). Completar com água, deixando um espaço de 8 a 10 centímetros antes da borda 
acima, para evitar transbordar. Fechar muito bem a boca da lata, vedando com um saco 
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plástico bem amarrado. Deixar por cinco dias bem fechado (fermentação anaeróbica). A 
calda pronta deve ser diluída, misturando 1 litro da calda para cada 10 litros de água 
(Figura 58). 
 
Figura 58. Aplicação de biofertilizante feito de esterco de gado sobre as plantas de 
amendoim aplicado com pulverizador, destinado exclusivamente para os produtos 
orgânicos da propriedade. 
 
Biofertilizante de Abacaxi e Nim 
A elaboração de biofertilizante foliar com frutos de abacaxi e as qualidades inseticidas 
das folhas de nim tem sido usado para o controle de cochonilha farinhosa. 
INGREDIENTES: 
Preparação de 26,68 litros de boifertilizante foliar com bioinseticida (MARTEZ et al., 
2009). 
- Frutas de abacaxi maduras e picadas 0,5 kg 
- Folhas de nim picadas 0,5 kg 
- Melaço puro 
- Água 
PREPARO: 
- Coloque no recipiente plástico com capacidade para 10 litros as frutas e folhas de nim 
picadas e o melaço. 
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- Ponha um objeto pesado (bloco de cimento ou pedra) encima do material para prendê-
lo; 
- A mescla é coberta com sacos para que não entrem insetos; 
- Deixar em repouso em um lugar fresco por uma semana; 
- O biofertilizante está pronto quando a mescla muda de cheiro (cheiro açucarado a 
cheiro alcoólico) e deixa soltar as borbulhas; 
- Coar o material, separando e descartando o material sólido; 
- Elevar o volume para 6,67 litros por adição de água e se guarda em garrafas com 
tampas com roscas; 
- Com um litro do concentrado se prepara 4 litros de biofertilizante/bioinseticida 
(Tabela 15). 
 
Tabela 15. Composição química do biofertilizante foliar de abacaxi e nim. 
Elemento/ composto (%) Elemento g/ml (¿) 
N 1,54-1,96 Mn 90-150 
P2O5 Traços Fe 100-260 
K2O 0,28 - 4,22 Cu 10-280 
MgO 0,45 – 1,54 CaO 0,81 – 2,31 
Fonte: Laboratório de solos de IDIAP 
 
IRRIGAÇAO 
Nogueira e Santos (2000) relatam que a planta do amendoim é conhecida por apresentar 
mecanismos fisiológicos de tolerância à deficiência hídrica. Esta oleaginosa parece ter 
habilidade genética para aprofundar suas raízes e extrair água em maior profundidade, 
quando cresce em solos apropriados para seu cultivo, podendo,desta forma, adiar a 
dissecação durante a estação da seca; a produção, entretanto, provavelmente será 
reduzida, uma vez que a absorção d’água de maior profundidade pode não ser suficiente 
para suprir toda a demanda evaporativa da cultura (BOOTE et al., 1982). 
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Em geral, o requerimento óptimo de água durante o ciclo vegetativo do amendoim é de 
500 mm, enquanto que as necessidades mínimas variam entre 250 e 300 mm para as 
variedades precoces. Todavia, é necessário destacar que a maior parte da chuva deve ser 
aproveitada durante as fases de germinação, crescimento e floração. Na etapa de 
maduração, as chuvas podem ser escassas (NAKAGAWA; ROSOLEM, 2011). 
A produção de amendoim da região nordeste, no cultivo das águas, está sujeita à 
irregularidade na distribuição das chuvas, acarretando perdas de plantas e de produção. O 
uso de irrigação nessa época de cultivo, como complementação de água das chuvas, torna-
se importante, particularmente, se feita nas fases de máxima necessidade, principalmente 
entre 30 e 45 dias antes da colheita, por provocar ataque de Aspergillus flavus em vagens 
com danos ou mesmo nas sadias (Figura 59). A irrigação é, para essas áreas, uma técnica 
necessária, por permitir a redução dos riscos e possibilitar as culturas externarem os 
potenciais de produtividade. 
 
Figura 59. Plantas de amendoim atacadas pelo fungo Aspergillus flavus, ocasionado pelo 
estresse hídrico ocorrido entre 30 e 45 dias antes da colheita. Foto: Fundación Valles 
 
A irrigação por sulcos de infiltração para a lavoura do amendoim está limitada tanto pela 
declividade, por não permitir extrapolar mais que 5%, e por não se aplicar em solos que 
não apresentem alta permeabilidade. Contrariamente, o método de irrigação por aspersão 
pode ser adaptado a todos os tipos de solos e em quase todas as condições de topografia, 
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com exceção de locais que ocorrem ventos fortes ou de temperaturas muito elevadas que 
podem limitar o método. Para solucionar tais problemas, recomenda-se realizar a 
irrigação à noite, para evitar as perdas por evaporação e seu funcionamento na hora que 
não há vento, parando quando esse ultrapassar 4 m s-1 (GILLIER; SILVESTRE, 1970). 
 
AMONTOA 
 
A prática da amontoa, também conhecida como roçagem, consiste em colocar terra ao 
redor das plantas, entre 25 a 40 dias após germinação, o que geralmente coincide com a 
primeira limpa ou capina. É uma prática imprescindível porque além de proteger a base 
da planta, também facilita a penetração do ginóforo (“esporões”) no solo. Essa atividade 
pode ser feita manual (enxada) ou mecanicamente e de forma isolada ou associada a 
outros tratos culturais, procurando criar melhores condições para o estabelecimento e 
produção das culturas (KASAI; PAULO, 1993). É feita principalmente em áreas onde o 
plantio é realizado em fileiras e em solo nivelado (Figura 60). Quando o plantio é feito 
em leirões, essa prática pode ser abolida (SANTOS et al., 2006). Existem implementos 
apropriados ao sistema de plantio em pequenas propriedades para fazer essa operação, 
mas também é possível adaptar um cultivador para efetuar esse trabalho de amontoa 
(Figura 61). 
 
Figura 60. Plantio do amendoim sobre o solo nivelado com a prática da amontoa. 
Marcelino Vieira, RN. Foto: Vicente de Paula Queiroga 
 
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Figura 61. Plantio do amendoim realizado sobre leirões com superfície abaulada através 
do cultivador adaptado. Foto: Vicente de Paula Queiroga 
 
No caso de amendoim de porte ereto e de ciclo curto, somente as flores que se formam 
nos nós da base (haste e ramos) têm possibilidades de formação de frutos, enquanto as 
dos nós superiores não apresentam tempo hábil para completarem o desenvolvimento dos 
frutos. Em razão disso, mesmo que seja efetuado uma amontoa com maior quantidade de 
terra visando alcançar os carpóforos dessas flores em nada irá favorecer a produção do 
amendoim. É importante acrescentar que o uso de terra em demasia pode causar 
asfixiamento das gemas da base da planta. Por outro lado, normalmente deve chegar um 
pouco de terra junto às plantas durante a capina, desde que se trata de solos arenosos e 
bem preparados. O mesmo procedimento é válido quando se trata de solos de textura 
argilosa. Tal operação deve ser feita cinco a dez dias após o início do florescimento. Vale 
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lembrar que nos sistemas de cultivo mínimo e de plantio direto, a operação de amontoa 
está totalmente descartada. 
 
AMENDOIM CONSORCIADO 
 
Segundo Pinto et al. (2011), a consorciação de culturas consiste no cultivo simultâneo de 
duas ou mais espécies numa área agrícola, onde as culturas encontram-se em uma mesma 
dimensão espacial e temporal. No sistema consorciado de culturas, cultiva-se mais 
espécies com diferentes ciclos e arquiteturas vegetativas, pois não é necessário que a 
mesmas tenham sido semeadas ao mesmo tempo, porém são exploradas na mesma área e 
num mesmo período de tempo (REZENDE; GUSTAVO, 2002). 
 
O cultivo consorciado retrata um sistema intermediário entre a monocultura e as 
condições de vegetação natural, onde duas ou mais espécies numa mesma área por um 
determinado período de tempo, compartilham o mesmo ambiente, todavia o sucesso de 
um sistema de cultivo consorciado está na determinação das culturas a serem utilizadas 
(REZENDE et al., 2006). Na consorciação tem-se sempre uma cultura que é considerada 
a principal, enquanto as demais são as secundárias. Além de conceder ao solo uma 
excelente cobertura, o sistema consorciado possibilita um melhor rendimento por área e 
faz o controle biológico de pragas e doenças. Pois, algumas espécies podem ser cultivadas 
no sistema consorciado como plantas armadilhas para atrair os insetos predadores ou 
parasitos dos insetos-praga, livrando então do seu ataque a cultura principal 
(GUTIERREZ et al., 2011). 
 
Quando as espécies componentes apresentam sistema radicular em regiões distintas de 
exploração, tornam mais efetiva a exploração do perfil do solo. Usando espaçamentos 
adequados minimiza-se a competição entre os sistemas radiculares e permite-se 
interceptação efetiva da luz pelo dossel das plantas. Para o amendoim, o sombreamento 
pode ser benéfico no estádio de emissão do carpóforo. O efeito cumulativo destes fatores 
pode traduzir-se em uma produção relativa próxima àquelas que seriam alcançadas pelas 
culturas solteiras, dentro da mesma área (NAKAGAWA, ROSOLEM, 2011). 
 
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A região Nordeste do Brasil caracteriza-se por um ecossistema com reconhecidas 
limitações edafoclimáticas que afetam a produtividade da maioria das espécies cultivadas. 
A convivência dos agricultores com esse ambiente em bases sustentáveis requer a 
promoção de inovações tecnológicas com potencial para incrementar a produção de grãos 
de culturas importantes para a melhoria da renda dos produtores rurais, principalmente 
daqueles que têm como base a exploração agrícola familiar (SOARES et al., 2010). Dessa 
forma o sistema de cultivo do amendoim consorciado surge como alternativa para o 
incremento da renda do pequeno agricultor. Segundo Beltrão et al. (2006) os consórcios 
variam de acordo com o arranjo espacial das culturas no campo, tais como: 
 
Cultivos mistos: aqui as culturas são organizadas em fileiras distintas; 
Cultivos em faixa: as culturas são plantadas em faixas suficientemente amplas para 
permitir o manejo independente de cada cultura, porém são faixas bastante estreitas para 
possibilitar a interação entre elas; 
Cultivos de substituição: uma cultura é plantada depois que a anterior alcançou a fase 
reprodutiva do crescimento, porém ainda não atingiu o pontode colheita. 
 
Alguns aspectos determinam a utilização desse sistema como redução dos riscos de 
perdas, maior retorno econômico, assim como maior aproveitamento da área da 
propriedade. Todavia o bom rendimento desse sistema requer níveis adequados de luz, 
água, gás carbônico, oxigênio e temperatura. Por sua vez, deve-se considerar que as 
plantas no consórcio competem por um ou mais desses fatores, ocasionando em 
rendimentos sempre menores que os obtidos nos monocultivos (PORTES, 1996). 
 
Uma prática bastante generalizada entre os pequenos produtores de amendoim é o cultivo 
do feijão, na mesma linha do amendoim, de forma que o feijão é colhido antes. Também 
o amendoim pode ser consorciado com outras culturas como algodão, gergelim, mamona, 
mandioca e milho (GONÇALVES et al., 2006; SANTOS, 2006). A grande vantagem do 
cultivo do amendoim consorciado com outras culturas é que ele fixa nitrogênio do ar 
atmosférico, também supre nitrogênio para o solo, servido de adubação para a outra 
cultura de ciclo mais longo, como pode ser o caso da mandioca (Figura 62). 
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Figura 62. Cultivo consorciado de mandioca com amendoim, cultivar BRS Havana, 
recomendado para agricultores familiares. Foto: Ruy Bucar/Ascom Unitins. 
 
CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS 
 
Os tratos culturais no cultivo de amendoim são práticas comuns que buscam reduzir os 
custos de produção e aumentar a produtividade. O manejo das plantas daninhas em 
pequenas propriedades é normalmente realizado através de capinas, manualmente com 
enxada ou tração animal, feitas cuidadosamente para não danificar o sistema radicular e, 
consequentemente, reduzi a produção do amendoim (BOLONHEZI et al., 2005). Esse 
controle manual ou mecânico do mato na lavoura do amendoim é de difícil aplicação após 
o florescimento e a penetração dos ginóforos no solo, especialmente no amendoim 
rasteiro, devido a sua ramificação alternada (Figura 63). 
 
 
Figura 63. Esquema do porte rasteiro ou arbustivo do amendoim com ramificação 
alternada (A) e o porte ereto com ramificação sequencial (B). Foto: Inácio José de Godoy. 
 
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A produtividade do amendoim pode ser reduzida drasticamente, e algumas vezes, pela 
presença das plantas daninhas. Estas perdas não podem ser creditadas exclusivamente à 
competição por água, luz, nutrientes e espaço, que ocorre entre o mato e a cultura, mas a 
todo um conjunto de interferências, tais como: o favorecimento à incidência de pragas e 
doenças, a liberação de compostos alelopáticos, a dificuldade na realização de tratos 
culturais, os obstáculos criados à colheita, além da própria competição (NAKAGAWA, 
ROSOLEM, 2011). 
 
O nascimento da semente de amendoim segue um período que se chama de prefloração 
que pode durar 21 dias aproximadamente. Contudo, neste período é importante que as 
chuvas caiam intensa e repentinamente, de tal forma que as plantas são muito favorecidas 
e crescem bastantes. Ao contrário, se as chuvas são escassas, as plantas de amendoim 
podem se adaptar por um tempo à falta de umidade, mas quando as chuvas voltam a cair, 
as plantas reiniciam o seu desenvolvimento (FUNDACIÓN VALLES, 2011). 
 
É importante que os produtores entendam sobre as vantagens de se efetuar as capinas 
superficiais na lavoura de amendoim, pois é comum eles dedicarem apenas uma única 
capina quando as plantas estão suficientemente crescidas. Entretanto, recomenda-se que 
a primeira capina seja realizada após completar duas semanas de nascimento do 
amendoim, ou seja, quando as pequenas plantas estejam com 6 folhas. Enquanto a 
segunda capina deve ser efetuada 15 dias depois e, se for necessário, executar a terceira 
capina com muito cuidado aos 40 dias. Depois dos 42 dias deverá suspender o uso de 
cultivador a tração animal e as capinas com enxada, pois as plantas bem desenvolvidas 
inibem o nascimento das plantas daninhas, inclusive elas evitam que o solo fique exposto 
ao impacto das chuvas (FUNDACIÓN VALLES, 2011). 
 
A época crítica de competição é o período em que o cultivo é mais afetado com as plantas 
daninhas. No caso do amendoim, deve-se manter o campo livre do mato durante os 
primeiros 60 dias, dependendo do ciclo de cada cultivar. A Figura 64 mostra os efeitos, 
respectivamente, do período de convivência das plantas daninhas com o desenvolvimento 
do cultivo de amendoim e do período de controle de plantas daninhas sobre a produção 
de vagens. Por outro lado, a Fundación Valles (2011) destaca que quando o controle do 
mato se inicia ao final do período vegetativo ou posterior aos 30 dias, as perdas na lavoura 
do amendoim alcançam até 25% da produção de vagens. Entretanto, quando o controle 
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do mato for iniciado no final do período reprodutivo ou posterior aos 50 dias, as perdas 
de produção alcançam até 50% e podem atingir até 90%, quando o tal controle é feito no 
final do período de maturação (120 dias). 
 
 
Figura 64. Época crítica de competição do mato desde o período vegetativo até os 60 
dias do período reprodutivo para uma variedade com ciclo de 150 dias (colheita). Na parte 
superior, esquema do desenvolvimento do cultivo de amendoim com controle de 
invasoras e, na parte inferior, sem controle de invasoras. Foto: Fundación Valles (2011). 
 
Para a produção do amendoim orgânico, o controle das plantas daninhas pode ser efetuado 
por distintos métodos: cultural, preventivo, manual e mecânico. 
Cultural - Existe o método cultural que corresponde na aplicação de técnicas que irão 
diminuir a presença ou competição de plantas daninhas. Assim, a escolha de uma cultivar 
rasteira que têm a vantagem de cobrir rapidamente a superfície do solo em relação a ereta. 
A rotação de culturas é também uma técnica que permite reduzir a população de 
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determinada espécies de plantas daninhas, sendo assim um controle seletivo por diminuir 
os problemas para a cultura do amendoim. Outra técnica seria o cultivo do amendoim 
consorciado em que a ocupação de outras culturas restringiria a competição das plantas 
invasoras. Ainda tem a técnica do manejo populacional que pode ser realizado pelo 
produtor visando espaçamentos que possibilitem maior capacidade de competição das 
plantas de amendoim com as plantas invasoras (NAKAGAWA; ROSOLEM, 2011). 
 
Preventivo – Tal método inicia-se com o uso de sementes de boa qualidade ou certificada, 
sem a presença de sementes estranhas à espécie. Também é necessário que seja feito um 
adequado preparo do solo, como controle preventivo do mato, deixando, se possível, a 
última gradagem para ser realizada no dia anterior a semeadura. 
 
Manual - A enxada é uma ferramenta que predomina na agricultura familiar da região 
Nordeste, a qual proporciona um eficiente controle de plantas daninhas, suficientemente 
rápido e muito econômico, principalmente para o agricultor de escassos recursos (Figura 
65). Tal capina deve ser realizada na linha e na entrelinha, com as plantas daninhas 
apresentando de cinco a oito centímetros de altura, logo após o estabelecimento da 
lavoura, ou seja, de 15 a 25 dias após a emergência das plântulas do amendoim. Havendo 
reinfestação do mato, deve-se fazer nova capina, entre 30 e 40 dias, podendo-se fazer um 
chegamento de terra nas plantas para facilitar a penetração dos carpóforos (amontoa). 
 
 
Figura 65. Lavoura de amendoim conduzida por produtores de Barbalha, CE. Foto: 
Tarcísio M. Gondim, Embrapa Algodão. 
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Mecânico - O cultivo mecanizado é realizado com diversos tipos de cultivadores (planet, 
de discos ou de hastes) tracionados por animal ou trator, destacando-se o tipo denominado 
“asa de andorinha”. Seu cultivo deveser feito cuidadosamente para não ferir as plantas 
de amendoim ou cobri-las com terra durante sua passagem. As feridas, assim como o 
enterramento dos talos e ramos, põem em perigo as plantas, devido ao surgimento da 
doença chamada de podridão ou mofo branco (Sclerotium rolfsii) que causa danos nas 
vagens e raízes do amendoim. As capinas, manualmente com enxada ou a tração animal 
com cultivador, são em número de três (no espaçamento 0,70m x 0,20m) ou duas (0,50m 
x 0,20m). 
 
O cultivador a tração animal (burro ou cavalo) é, sem dúvida, o mais preferido pelo 
produtor, especialmente se o plantio do amendoim tem sido feito com semeadora ou em 
fileira. As principais vantagens da semeadora são: representa menos despesas no trabalho 
de capina e da cultura; trabalho mais rápido e para o caso do trabalho de cultivo profundo, 
porque solta bem a terra. 
 
Uma pequena capinadeira manual é usada pela Embrapa para o controle de plantas 
daninhas, principalmente na sua fase inicial de crescimento. Esse equipamento leve é 
dotado de uma lâmina de 50 cm na sua parte traseira, sendo a mesma pressionada contra 
o solo, de forma superficial, pelo operador para cortar com eficiência as ervas daninhas 
(Figura 66). Na cultura do amendoim, de no máximo um hectare, recomenda-se passar 
essa capinadeira de lâminas aos 14, 28 e 42 dias após o seu plantio. 
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Figura 66. Capinadeira manual dotada de uma lâmina de 50 cm na parte traseira para o 
controle de plantas daninhas em fase de crescimento. Foto: Vicente de Paula Queiroga. 
 
No mercado livre virtual, o equipamento motocultivador está disponível para 
comercialização (Figura 67), o qual poderá ser utilizado na lavoura de amendoim, visando 
manter a cultura livre de ervas daninhas nos primeiros 45 dias após o plantio quando a 
floração está em intensa atividade e os ginóforos (pegs) estão em pleno crescimento 
geotrópico para desenvolvimento das vagens. A floração inicia-se entre 25 e 28 dias após 
a emergência; é necessário cuidado no manejo das limpas para não prejudicar a emissão 
dos ginóforos e as flores em desenvolvimento (SANTOS et al., 2006). 
 
Figura 67. Uso do motocultivador adaptado com enxada rotativa (tipo capinadeira) à 
gasolina para a cultura de amendoim. 
 
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PLASTICULTURA 
 
O filme plástico de polietileno utilizado na agricultura para a cobertura do solo, mais 
conhecida como “mulching” usado também para cobrir camalhão (leirão), pode ser 
branco e preto. Suas principais vantagens consistem na diminuição do período de 
germinação da cultura, com a consequente antecipação na data da colheita, na grande 
economia em água de irrigação, evita a erosão e o endurecimento da terra, pois o plástico 
retém a umidade dos solos, além da maior facilidade no controle de plantas invasoras. 
 
O plástico preto é mais barato e, ao aquecer o solo, impede o crescimento das espécies 
invasoras e não permite a passagem da luz. Enquanto o plástico branco é empregado para 
refletir a luz e não elevar muito as temperaturas. Portanto, o material branco seria mais 
apropriado para o cultivo do amendoim, considerando a alta temperatura da região 
Nordeste, em razão de sua produção de vagens, nas raízes, que ocorrerem abaixo da 
superfície (NAKAGAWA; ROSOLEM, 2011). 
 
Os plásticos IRT (transmissor de infravermelhos) é um pouco mais caro que o plástico 
preto e, por aquecer o solo, impede o crescimento de plantas daninhas, permitindo apenas 
deixar passar os raios infravermelhos (a luz visível é a que necessita a erva daninha para 
crescer). Exemplo de um material sintético usado como cobertura é IRT-76 High Tech 
Mulching Film, por combinar as melhores características dos plásticos branco e preto. A 
vantagem que tem o plástico inorgânico é a sua durabilidade por conservar em boas 
condições durante anos. Não obstante, os orgânicos injetam nutrientes no terreno que são 
colocados e à medida que estão em processo de decomposição (Figura 68). 
 
Figura 68. Uso de plástico orgânico é adequado para a lavoura orgânica. 
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 ROTAÇÃO DE CULTIVOS 
 
Consiste na alternância de diferentes espécies e com nutrição distintas de plantas em uma 
mesma área, variando os tipos radiculares de fasciculado ou pivotante, que se evita a 
persistência de pragas na cultura do amendoim nos ciclos subsequentes. Essa prática 
permite um melhor aproveitamento dos nutrientes do solo e corresponde a um manejo de 
solo. Além disso, o amendoim é bastante sensível aos efeitos dos cultivos que precedem 
na rotação, especialmente no que se refere as condições físicas do solo. Também é 
necessário considerar que uma correta rotação permite um certo controle de plantas 
daninhas, doenças e pragas. Para alcançar tal resultado, o amendoim deve ser semeado 
no mesmo terreno a cada 3-4 anos. Por outro lado, o monocultivo do amendoim orgânico 
deve ser descartado, pelo fato de produzir uma deterioração gradual do solo por perda de 
estrutura, além de surgirem, em pouco tempo e com maior intensidade, as doenças foliares 
e do solo (BRAGACHINI et al., 1993). 
 
A planta do amendoim, em decorrência da rusticidade e da tolerância que apresenta a 
alguns nematoides, é utilizada tradicionalmente nos esquemas de sucessão e rotação, 
visando melhorar os rendimentos de outras culturas. Quando se utiliza amendoim em 
rotação com a cana-de-açúcar, houve aumento de receita nas lavouras canavieiras em 
aproximadamente 57%, como também, reduziu o custo de sua implantação (ORTOLAN, 
1979; RODRIGUES, 1984). 
 
Estudando a rotação do amendoim, durante 7 anos, com as lavouras da mucuna-preta e 
do milho, Dechen et al. (1990) verificaram que o sistema que envolvia o cultivo do 
amendoim, seguido da mucuna e depois do milho, proporcionou melhores rendimentos 
na produção de vagens, quando comparado com o monocultivo. Outro trabalho sobre os 
efeitos da rotação com mucuna-preta e da adubação orgânica em relação ao amendoim 
contínuo e a entressafra com pousio, durante 8 anos consecutivos, Rodrigues Filho et al. 
(1996) observaram que a rotação com leguminosas proporcionou aumentos médios de 
64% na produção de vagens.
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CAPÍTULO 4 
 
 
 
 
 
PRAGAS E DOENÇAS DO AMENDOIM 
 
(Autores) 
Vicente de Paula Queiroga 
Francisco de Assis Cardoso Almeida 
Esther Maria Barros de Albuquerque 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PROTEÇÃO FITOSSANITÁRIA BIOLÓGICA 
 
Existem numerosas resistências do amendoim contra pragas e doenças e constantemente 
as empresas de pesquisas nacionais e internacionais estão selecionando novas variedades 
resistentes. Os principais problemas podem ocorrer com o cultivo contínuo no mesmo 
local, manifestando-se tanto na fase de plantio, com as doenças de sementes e plântulas, 
como durante o desenvolvimento da cultura, com as doenças causadas por fungo do solo 
ou da parte aérea, e após a colheita, com fungos produtores de aflatoxina ou de grãos 
armazenados. Essas doenças podem causar a redução de 10% a mais de 47% na produção 
de vagens. As medidas mais importantes para prevenir as doenças são: rotação de 
cultivos, seleção de variedades, disponibilidade suficiente de nutrientes, evitar a 
propagação através do arranque das primeiras plantas afetadas e eliminação das partes 
afetadas das plantas depois da colheita (Tabela 16). 
 
Tabela 16. Medidas preventivas de controle das doenças mais importantes do amendoim. 
DOENÇAS IMPORTANTES/DISTRIBUIÇÃO MEDIDAS PREVENTIVAS 
Cercosporioses (Cercospora spp.) 
Transmissão mediante resíduos de colheita e 
esporos podem vir aderentes as sementes 
Rotação de cultivos; eliminação de resíduos 
infestados provenienteda colheita. Cultivo 
de variedade resistentes. 
Ferrugem (Puccinia arachidis) 
Propaga-se rapidamente. Transmissão pelo 
amendoim semisilvestre de aparência endêmica. 
Cultivo de variedades resistentes 
 Fungos (Aspergillus flavus) Cultivo de variedades resistentes 
Doenças de raiz e murchamento 
Sclerotium rolfsii, Rihizoctonia spp. 
Rotação de cultivos; transmissão por 
sementes. 
Murcha-bacteriana (Pseudomanas solanacearum) 
ou “bacterial wilt” 
Presença de restos de culturas e várias ‘espécies 
hospedeiras (principalmente da família 
Solanaceae) 
Utilizar variedades resistentes. Rotação 
com arroz inundado. 
Mosqueado ou mosaico ou “peanut mottle virus”. 
Vetores: Insetos (pulgão-preto: Aphis craccivora). 
Transmissão por sementes 
Utilizar variedades resistentes 
Tospoviroses ou tomato spotted. Vetor thips 
Eliminar plantas hospedeiras (feijão caupi). 
Transmissão mecânica. Cultivo misto com 
cereais 
Fonte: Asociación Naturland (2000). 
 
 
 
 
 
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a) Doenças Causadas por Fungos do Solo 
 
MURCHA DE SCLEROTIUM 
 
O agente causal dessa doença é o fungo Sclerotium rolfsii Sacc., sendo que a podridão e 
as estruturas fúngicas, formadas por micélio e escleródios, que em condições normais se 
desenvolvem na região do colo, podem afetar todas as partes da planta do amendoim. Em 
geral, as lesões se iniciam próximo à superfície do solo, em consequência do ataque de 
toxinas produzidas pelo crescimento do fungo em tecido vegetal morto junto ao colo. O 
patógeno produz ácido oxálico, que é uma fitotoxina que produz uma coloração roxa na 
semente e é responsável pela clorose e necrose da folhagem durante as primeiras etapas 
do desenvolvimento da doença. As áreas afetadas apresentam cor-marrom-clara no início 
da infecção, tornando-se marrom-escura à medida que ocorre a morte do tecido. Os 
primeiros sintomas visíveis da doença são o amarelecimento e murchamento dos ramos 
laterais, haste principal ou a planta completa (Figura 69), resultantes de lesões na haste e 
raízes, que impedem a absorção de água e o transporte de nutrientes. Além disso, S. rolfsii 
é um patógeno polífago, apresentando uma extensa gama de hospedeiros em mais de 200 
espécies de plantas, sendo mais frequentes as espécies pertencentes às famílias das 
Leguminosas e Compostas (MORAES; GODOY, 1997; MORAES, 2006; FUNDACIÓN 
VALLES, 2011). 
 
 
Figura 69. Planta de amendoim sadia em comparação a planta com sintomas de murcha 
por causa do ataque de Sclerotion rolfsii. Fotos: Nelson Dias Suassuna e http://www. 
ipmimages.org/browse /subthumb.cfm ?sub=18988&area=8. 
 
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As principais medidas aplicáveis em áreas onde a doença atingiu alto nível de severidade 
são: rotação de cultura é mais efetiva, mas requer período mais longo (3 a 4 anos), usando 
os cultivos como milho, sorgo, cana-de-açúcar, algodão, pastagem. Uma aração profunda 
serve para reduzir o inóculo. Deve-se suspender a irrigação para evitar disseminar os 
escleródios. Recomenda-se também queimar as plantas e vagens infestadas, quando se 
trata de ataque em forma de reboleiras, evitando sua incorporação ao solo como restolho 
(FUNDACIÓN VALLES, 2011; PIO-RIBEIRO et al., 2013). 
 
RHIZOCTONIOSE 
 
A Rhizoctonia solani, Kuhn do amendoim é o agente causal da rizoctoniose, a qual é 
apresentada como um conjunto de doenças, tais como: tombamento de plântulas, 
podridão de raiz e caule, podridão de vagem e queima de folhas (BRENNEMAN, 1997). 
A rizoctoniose é favorecida por alta umidade do solo e temperaturas amenas. Os 
principais sintomas são lesões de coloração marrom-escura no colo da planta, abaixo da 
superfície do solo, por agentes causadores de doenças em pré e pós-emergência de 
plântulas de amendoim, provocando a morte da plântula. O agente causal da doença pode 
sobreviver no solo na forma de estruturas de resistência (escleródios) ou matéria orgânica, 
podendo ser disperso para outras áreas de cultivo por meio de sementes contaminadas. 
São fungos cosmopolitas que ocorrem em um grande número de hospedeiros 
economicamente importantes, como amendoim, batata, café, cenoura, feijão, soja, entre 
outras. 
 
Para seu controle preventivo, recomenda-se a utilização de sementes sadias, de boa 
qualidade. Deve-se evitar locais úmidos, onde prevalecem baixas temperaturas e solos 
mal drenados. A rotação de cultura por 3 a 4 anos com milho, arroz, sorgo reduz a 
severidade do ataque de R. Solani. Outras medidas incluem: arações profundas, controle 
de plantas daninhas, procedimento adequado de secagem e armazenamento e uso de 
variedade resistente, a exemplo de Georgia Browne (BRENNEMAM, 1997). 
 
 
 
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PODRIDÃO-DO COLO 
 
A podridão do colo é causada por Aspergillus niger Van Tiegh. O fungo A. niger é típico 
do solo, vivendo normalmente como saprófita, podendo causar doenças como a podridão 
do colo do amendoim, principalmente em solos com baixa matéria orgânica. A podridão 
do colo pode afetar desde o estágio de plântulas até plantas de amendoim em qualquer 
estágio de desenvolvimento, mas é mais comum nas primeiras. Os principais sintomas da 
doença são observados em sementes em processo de germinação, na forma de podridão 
mole, em plântulas (Figura 70); no hipocótilo, causando tombamento de pré e pós-
emergência; em plantas jovens, produzindo podridão de raiz e do colo; e em plantas 
adultas, induzindo à murcha e, ocasionalmente, morte. É comum os tecidos afetados 
apresentarem uma massa escura constituída por conidióforos e conídios do fungo 
(PORTER et al., 1982; MELOUK; DAMICONE, 1997; BARRETO, 2005; MORAES, 
2006). 
 
Figura 70. Pequena planta atacada por Aspergillus niger. Foto: Arquivo da Sagarpa 
(2005). 
 
 
 
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Para o controle de A. flavus em sementes, destinadas ao cultivo foi conseguido por Bansal 
e Sobti (1990) resultado promissor com o uso de extrato de folha de neem (Azadirachta 
indica A. Juss) no controle, in vitro, de A. niger e A. flavus em sementes de amendoim, 
não diferindo dos resultados obtidos com thiran e mancozeb, além de favorecerem a 
germinação e a sanidade de plântulas. Esses fungos são favorecidos pelos seguintes 
fatores: utilização de sementes de má qualidade e infectadas com fungos; utilização de 
sementes com baixo poder germinativo (abaixo de 80%), baixo vigor, sem certificação e 
pureza varietal; plantios profundos (acima de 15 cm), retardando a emergência das 
plântulas e expondo-as a um maior período aos fungos de solo; ausência de rotação de 
culturas, especialmente em áreas com antecedentes de problemas de "stand", causada por 
fungos do solo, como Rhizoctonia, Pythium e Fusarium (MORAES, 2006). 
 
TIÇÃO OU CARVÃO POR SCLEROTINIA 
 
O tição ou carvão do amendoim (Arachis hypogaea L.) é uma das doenças mais 
importante da Argentina por causar perdas anuais significativas na produção do 
amendoinzeiro, por infecção de fungos patógenos do solo (ainda não detectada no Brasil). 
É causada pelos fungos Sclerotinia minor Jagger e S. sclerotiorum (Lib.), o qual prefere 
os lugares frescos e úmidos. Os sintomas se manifestam por um crescimento algodonoso 
do fungo sobre os caules, sendo os sinais mais visíveis nas manhãs molhadas ou depois 
de uma chuva (Figura 71). A parte final de um ramo infectado pode permanecer verde e 
parecer saudável durante vários dias antes de se murchar. Os escleródios de S. minor, que 
se produzem em maior número que os de S. sclerotiorum, são também de coloração negro 
e amorfos, mas seu tamanho é menor, oscilando entre 0.5 e 3 mm de diâmetro. Os 
escleródios negros se assemelham a insetos ou excrementos de ratos e se podem observar 
nos tecidos infectados (MARINELLI et al., 2001). 
 
Figura 71. Carvão outição do amendoim (Sclerotinia minor). Fotos: http://www. 
ipmimages.org/browse /subthumb.cfm ?sub=18988&area=8. 
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O seu controle pode ser feito através de uma combinação de medidas de controle cultural, 
como a rotação com culturas como algodão ou milho, e a eliminação de ervas daninhas 
que abrigam o patógeno. Uso de variedades resistentes. A dispersão da doença ocorre 
pela semente infectada e restos de colheita levados pelas máquinas. 
 
NEMATOIDES 
 
Os nematoides formadores de galhas (Meloidogyne arenaria) são os mais importantes 
para a cultura do amendoim, os quais reduzem diretamente a produção por ocasionar 
danos aos carpóforos, vagens e sementes e, indiretamente, por afetar as raízes e 
enfraquecer as plantas (PIO-RIBEIRO et al., 2013). 
O seu controle pode ser feito com aplicação de manipueira (1 L de manipueira para 1 L 
de água) sobre o solo infestado. A rotação de culturas contribui muito para reduzir as 
infestações, principalmente com o plantio de mucuna-preta ou a crotalária. O cultivo de 
cravo-de-defunto ou mamona no solo infestado reduz consideravelmente a população de 
certas espécies de nematoides (FRANCO et al, 1990). 
 
b) Doenças da Parte Aérea 
 
CERCOSPORIOSES 
 
São representadas por duas doenças que atacam as folhagens do amendoinzeiro, as quais 
são capazes de reduzir sua produtividade entre 23 e 47%, favorecendo também a 
incidência do cultivo a murcha causada pelo fungo Sclerotium e de perdas pelo 
apodrecimento de vagens. Os danos provocados pelas manchas foliares dependem das 
condições ambientais favoráveis prevalecentes no campo e da época de plantio do 
amendoim. 
 
- A mancha-castanha ocorre no início do florescimento, aparecendo de 30 a 35 dias 
depois da semeadura, e é causada pelo fungo Cercospora arachidicola Hori. Inicialmente 
se caracterizam por manchas cloróticas circulares e irregulares, coalescendo então para 
manchas circundadas por um halo de coloração amarelada, com tamanho variando de 1 
mm a 12 mm, e desenvolve frutificação do patógeno na superfície superior da folha. A 
mancha-castanha apresenta lesões de coloração castanha a marrom-clara na superfície 
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abaxial (inferior) dos folíolos e marrom na superfície adaxial (superior) (PIO-RIBEIRO 
et al., 2013; Figura 72). 
 
 
Figura 72. Lesões mais escuras nas faces superior e inferior do folíolo (ou folha-C) do 
amendoim causadas pelo fungo Cercospora arachidicola, agente causal da mancha-
castanha. Fotos: Bruno Luiz Krevoruczka e Jussiê Carlos Moro (A;B) e http://www. 
ipmimages.org/browse /subthumb.cfm ?sub=18988&area=8 (C). 
 
- Os sintomas da mancha-preta, na superfície das folhas, caracterizam-se por lesões de 
coloração castanho-escura na face superior, arredondadas, de diâmetros variáveis, às 
vezes circundadas por um pequeno halo amarelado (Figura 73). As frutificações do fungo 
Cercospora personatum (Berk. & Curt.) se concentram na face inferior das folhas, como 
pequenos pontos escuros distribuídos circularmente nos centros das lesões, que 
apresentam coloração escura a preta, característica que a diferencia da mancha castanha 
em cultivares suscetíveis. Nas hastes, as manchas tomam forma mais alongada. A mancha 
preta é mais frequente a partir do final do período de florescimento (MORAES, 2006). 
 
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Figura 73. Lesões mais escuras nas faces superior e inferior do folíolo (ou folha-C) do 
amendoim causadas pelo fungo Cercospora personatum, agente causal da mancha-preta. 
Fotos: Bruno Luiz Krevoruczka e Jussiê Carlos Moro (A;B) e Sérgio Almeida de Moraes 
(C). 
 
O controle das cercosporioses do amendoim pode ser alcançado com boa eficiência por 
meio de práticas culturais como: rotação de cultura por 2 a 3 anos, incorporação de restos 
culturais com aração profunda, eliminação de plantas voluntárias de amendoim, escolha 
da época de plantio para evitar condições favoráveis à ocorrência de epidemias e controle 
de ervas daninhas para diminuir a formação de microclima junto a planta, o que favorece 
o desenvolvimento das doenças. Outra estratégia seria a utilização de variedades 
resistentes. 
 
FERRUGEM 
 
O fungo Puccinia arachidis (Speg.) é o agente causal da ferrugem do amendoim. Na face 
das folhas são observadas pústulas de coloração amarela, formadas por uredosporos do 
patógeno, os quais se dispersam mais rápido do que os agentes causais da mancha-
castanha e pinta-preta. Com a maturidade, esses pontos passam da cor amarelada para 
marrom avermelhada, com aspecto pulverulento e ferruginoso às folhas severamente 
infectadas (Figura 74). As pústulas são de 0,3 a 1,4 mm de diâmetro. O agente causador 
da ferrugem sobrevive em restos de culturas apenas por poucos dias e necessita de 
umidade do ar e temperaturas elevadas (entre 20 oC e 30 oC) para se desenvolver 
(FUNDACIÓN VALLES, 2011). 
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Figura 74. Sintomas avançados de ferrugem na face inferior dos folíolos de amendoim. 
Fotos: Eduardo R. Garrido Ramírez. 
 
Como medida de controle, recomenda-se erradicar as plantas infestadas para reduzir a 
fonte primária de inóculo. Outra medida, que visa diminuir a taxa de infecção, seria 
adequar a escolha de épocas e os locais de plantio, assim evitaria as condições favoráveis 
a epidemia. Além disso, deve-se impedir a entrada dos agentes por meio de vagens e 
sementes contaminadas em áreas livres dessas doenças (SUBRAHMANYAM, 1997; 
PIO-RIBEIRO et al., 2013). 
 
MANCHA-BARRENTA 
 
O fungo phoma arachidicola (Marasas, Pauer & Boerema) é o agente causal da mancha-
barrenta do amendoim. A doença ocorre geralmente do meio para o final do ciclo das 
plantas, sendo responsável pela diminuição da área fotossintética das folhas infectadas, 
embora os folíolos não caem até que sejam completamente cobertos pelas manchas. Sua 
ocorrência é mais severa sob temperaturas mais amenas (15-21 ºC) e sob períodos 
prolongados de molhamento das folhas, sendo mais comum em culturas irrigadas, que 
sob chuva normal, embora períodos chuvosos bem distribuídos com menor evaporação 
favoreçam a doença. Na fase inicial da doença, são frequentemente observadas manchas 
pardas com bordos difusos e irregulares, com aspecto de "teia", visíveis somente na face 
adaxial dos folíolos. Os sintomas na face abaxial se tornam visíveis somente após o 
desenvolvimento avançado das manchas na face adaxial, com a cor quase preta e 
superfície rugosa. Com a evolução da doença, essas lesões crescem e coalescem, 
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abrangendo grande área dos folíolos, e adquirem a aparência de salpicos de barro (PIO-
RIBEIRO et al., 2013; Figura 75). 
 
 
Figura 75. Sintomas da mancha-barrenta (phoma arachidicola) na face dos folíolos do 
amendoim. Foto: http://www.ipmimages.org/browse/subthumb.cfm ?sub=18988 &area 
=8. 
 
O controle da mancha-barrenta pode ser alcançado com boa eficiência por meio de 
práticas culturais como: rotação de culturas com plantas não hospedeiras do patógeno, 
erradicação dos restos culturais por aração profunda e destruição de plantas voluntárias, 
constituindo-se em formas úteis de eliminação das fontes primarias de inóculo, 
promovendo controle parcial da doença. 
 
VERRUGOSE 
 
A verrugose é causada pelo fungo Sphaceloma arachidis, que pode sobreviver de um ano 
para o outro em plantas oriundas de sementes deixadas durante a colheita ou restos de 
culturas do ano anterior. Sua maior incidência está associada ao ataque de tripes, 
provavelmente a penetração do patógeno poderia se dar por meio de ferimentos causados 
pelos insetos ou que haja coincidência de condições ambientais favoráveis para ambos. 
Os principais sintomas dessa doença são cancros ouverrugas, que ocorrem na parte aérea 
da planta, principalmente na haste, nas nervuras e folhas (Figura 76), causando 
deformações na planta. Ou seja, as hastes e pecíolos severamente afetados apresentam-se 
com aspecto sinuoso e retorcido, devido à paralisação no crescimento do tecido infectado, 
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prejudicando o crescimento das plantas (BARRETO, 2005; MORAES, 2006; PIO-
RIBEIRO et al., 2013). 
 
Figura 76. Verrugose em folíolos e na haste de amendoim. Foto: Nelson Dias Suassuna 
 
O controle da verrugose é efetuado pela redução do inóculo inicial, com a rotação de 
culturas por 2 a 3 anos, eliminação de plantas voluntárias e incorporação do restolho por 
aração profunda, além do uso de cultivares resistentes. A maioria dos cultivares 
disponível (especialmente os de porte ereto, dos grupos Valência e Spanish) é suscetível. 
 
OUTRAS DOENÇAS 
 
Além das doenças relatadas anteriormente outros patógenos do amendoim podem 
ocorrer esporadicamente, como: 
 
A queima das folhas de Leptosphaerulina crassiasca (mais comum em cultivares 
rasteiros do grupo Virgínia, em ocorrências sazonais durante os meses quentes e chuvosos 
de verão); o mofo cinzento ou queima de Botrytis cinerea (mais comum com 
temperaturas mais baixas, de 15-20 ºC, e umidade relativa superior a 80%); as podridões 
de vagens e raízes de Fusarium spp.(fungos comuns nos solos, cuja importância está 
mais correlacionada com a ação conjunta com outros patógenos de solo, que 
individualmente); a mancha anular ("Tomato spotted wilt virus - TSWV" - vírus também 
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conhecido por vira-cabeça do tomateiro, causando o subdesenvolvimento das plantas, a 
formação de rosetas na extremidade das hastes, a necrose do parte apical e folhas com 
áreas cloróticas irregulares ou em forma de anel, cujo principal vetor é o tripes) 
(MORAES, 2006). 
 
CONTROLE DE INSETOS 
 
Os insetos que causam danos ao cultivo de amendoim podem ser classificados em dois 
grandes grupos: os que se alimentam da planta a nível do solo ou imediatamente abaixo 
da superfície e os que se alimentam da parte aérea da planta. Geralmente, os insetos não 
constituem uma ameaça importante aos rendimentos e nem à qualidade do amendoim. 
Todavia, em algumas regiões e diante de determinadas condições climáticas, constituem 
um grande problema. 
 
a- Pragas do Solo 
 
LARVA-ALFINETE 
 
A larva-alfinete –Diabrotica speciosa (Germar, 1824) (Coleoptera: Chrysomelidae). As 
larvas são de coloração branco-leitosa e de formato afilado. Os adultos, vulgarmente 
conhecido como vaquinha (Figura 77) são de coloração verde e cabeça castanha. As 
fêmeas ovipositam no solo e, após sua eclosão, as lavras movem-se para o sistema 
radicular do amendoim, onde iniciam a alimentação. A larva perfura as vagens ainda não 
completamente formadas, além de facilitar a penetração de patógenos. O adulto alimenta-
se do limbo foliar, provocando perfurações circulares (ALMEIDA, 2013). 
 
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Figura 77. Larva-alfinete e adulto de Diabrotica speciosa. Foto: Dirceu Neri Gassen e 
Iris A. Reckziegel. 
 
LAGARTA-ROSCA 
 
A lagarta rosca -Agrotis ipsilon (Hufnagel, 1767) (Lepidoptera: Noctuidae). As lagartas 
variam de cinza-escura a verde-escura, tem o hábito de quando tocadas enrolarem-se 
rapidamente. O adulto é uma mariposa de coloração marrom. Esta praga corta o coleto da 
planta em nível de solo (Figura 78). O ataque intenso reduz significativamente a 
população de plantas (ALMEIDA, 2013). 
 
 
Figura 78. Lagarta rosca (Agrotis ípsilon). Foto: Marcela Nery e Samuel Juan Pereira 
 
O controle da lagarta-rosca deve ser feito de forma preventiva, realizando-se aração 
profunda na área (controle mecânico), de três a seis semanas antes do plantio ou após o 
plantio, a fim de expor as lagartas e pupas da praga à ação dos raios solares e de inimigos 
naturais, contribuindo assim para diminuir sua infestação. Além disso, deve-se manter a 
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área livre de plantas daninhas e de restos de cultura, tanto após a aração como também 
após o plantio, evitando-se o uso de cobertura morta ou restos de capina na área de cultivo, 
material esse que serve de abrigo e de refúgio para as lagartas e as protege da ação de 
inimigos naturais ou de outras medidas de controle. 
 
PERCEVEJO-PRETO E PERCEVEJO-CASTANHO 
 
As formas jovens do percevejo preto - Cyrtomenus mirabilis (Hemiptera: Cydnidae) - são 
de coloração esbranquiçada, sendo os adultos de coloração preta e mede 
aproximadamente 7 mm de comprimento. Enquanto as formas jovens do percevejo-
castanho - Scaptocoris castanea (Hemiptera: Cydnidae) – são de coloração branca a 
amarelada, e os adultos de coloração marrom, com as patas anteriores do tipo escavadora, 
com aproximadamente 9 mm de comprimento. São percevejos de hábitos subterrâneos e 
a característica que denuncia a presença desses insetos no campo é o forte cheiro exalado 
quando o solo é revolvido para plantio (ALMEIDA, 2013; Figura 79). 
 
Figura 79. A) Adulto do percevejo-castanho (Scaptocoris castânea; Perty 1830) e B) 
adulto do percevejo-preto (Cyrtonemus mirabilis; Perty 1836). Fotos: Dirceu Neri Gassen 
e Instituto Biológico. 
 
 
 
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LAGARTA ELASMO 
 
As lagartas (Elasmopalpus lignosellus) (Zeller, 1848) (Lepidoptera: Pyralidae), são muito 
ativas, apresentando listras transversais e possuindo coloração verde azulada. Os adultos 
apresentam coloração pardo-avermelhada, pardo-escura a cinza. Sua cabeça é pequena 
com coloração marrom escura. Considerada uma praga de solo mais importante do 
amendoim por atacar ginóforos e vagens, principalmente em solos arenosos e em anos 
secos. Além disso, a lagarta penetra na planta jovem, o nível do solo ou pouco abaixo, 
abrindo galeria no interior do caule, e produz uma teia característica no orifício de entrada 
(ALMEIDA, 2013; Figura 80). 
 
 
Figura 80. Lagarta elasmo (Elasmopalpus lignosellus). Foto: Arquivo Via Rural. 
 
b- Pragas da Parte Área 
 
TRIPES 
 
Tripes-dos-folíolos (Enneothrips flavens) (Moulton, 1941) e Tripes-do-prateamento 
(Caliothrips brasiliensis) (Morgan, 1929) (Thysanoptera: Thripidae). Os tripes foliados 
são de tamanho que não ultrapassam os 2 mm de comprimento. Suas formas jovens têm 
coloração amarelada e os adultos apresentam coloração escura. Vivem abrigados nos 
folíolos fechados do ponteiro, raspando e sugando a seiva que exsuda. Enquanto os tripes-
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do-prateamento são de tamanho aproximadamente de 1 mm de comprimento. Suas formas 
jovens têm coloração branco-amarelada e os adultos apresentam asas franjadas com duas 
faixas brancas e são de coloração escura. São encontrados frequentemente na face inferior 
das folhas, onde provocam a formação de pontuações decorrente de sua alimentação 
(ALMEIDA, 2013; Figura 81). 
 
 
Figura 81. Injúrias em folíolos causadas por tripes e adulto de Enneothrips flavens em 
folíolo de amendoim. Fotos: Taís de Moraes Falleiro Suassuna e Odair Aparecido 
Fernandes. 
 
Os tripes da espécie Frankliniella schultzei Trybom (Thysanoptera: Thripidae) (Figura 
82), ocorrem preferencialmente na cultura do amendoim. Seus danos são confundidos 
com os sintomas de outras doenças. Em ataques intensos, causam prejuízos consideráveis 
na produção. 
 
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Figura 82. Tripes (Frankliniella schultzei). Foto: Arquivo da University of Flórida. 
 
CIGARRINHA VERDE 
 
Cigarrinha verde (Empoasca kraemeri) (Ross & Moore, 1957) (Hemiptera: Cicadellidae). 
De coloração verde tem como característica locomover-se lateralmente. Tanto os adultos 
como asformas jovens sugam a seiva das folhas e a parte terminal das hastes. As folhas 
atacadas apresentam manchas inicialmente amareladas, depois necróticas como 
consequências das picadas do inseto, visto que injetam toxina. As folhas se apresentam 
ligeiramente curvadas e com manchas amarelas nas bordas (ALMEIDA, 2013; Figura 
83). 
 
Figura 83. Ninfa de cigarrinha verde (Empoasca kraemeri). Foto: Raul Porfírio de 
Almeida 
 
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GARFALHOTO-DO-NORDESTE 
 
Gafanhoto-do-nordeste (Schistocerca pallens) (Thrunberg, 1815) (Orthoptera: 
Acrididae), as ninfas são de coloração verde e à medida que desenvolvem, são 
denominadas de saltões, aumentam de tamanho a cada mudança de ecdise. Os adultos são 
de coloração castanha, cinzenta, amarelada ou esverdeada. Esta praga remove grandes 
quantidades de área foliar, deixando a planta completamente desfolhada (ALMEIDA, 
2013; Figura 84). 
 
 
Figura 84. Ninfa de gafanhoto-do-nordeste (Schistocerca pallens). Foto: Raul Porfírio 
de Almeida 
 
LAGARTA-DA-SOJA 
 
Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis) (Hübner, 1818) (Lepidoptera: Noctuidae), 
apresenta coloração variável de verde a preto, tendo como característica duas estrias 
brancas no dorso (Figura 85). A mariposa apresenta coloração parda com duas manchas 
pretas nas asas posteriores. Inicialmente redilha os folíolos e à medida que se desenvolve 
consome todo o limbo foliar, atacando o amendoim em todos os estádios de seu 
desenvolvimento. Grandes infestações ocasionam desfolhamento completo da cultura, 
incluído destruição dos brotos terminais (ALMEIDA, 2013). 
 
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Figura 85. Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis). Foto: Giliardi Alves 
 
CURUQUERÊ-DOS-CAPINZAIS 
 
Curuquerê-dos-capinzais (Mocis latipes) (Guenée, 1852) (Lepidoptera: Noctuidae). As 
lagartas são de coloração amarelada com listras longitudinais castanho-escuro. A cabeça 
também apresenta estrias longitudinais amarelas. O adulto apresenta coloração parda. 
Locomovem-se como mede palmo. Atacam as ramas e os folíolos, podendo em altas 
infestações consumir toda área foliar (ALMEIDA, 2013; Figura 86). 
 
 
Figura 86. Curuquerê-dos-capinzais (Mocis latipes). Oscar Jiménez e Marybell Muñoz; 
Bernardo Navarrete (2014). 
 
 
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LAGARTA-DA-TEIA 
 
Lagarta-da-teia (Stylopalpia costalimai) (Almeida, 1960) (Lepidoptera: Pyralidae). Esta 
lagarta apresenta coloração esverdeada a cinza. O ataque caracteriza-se pela presença de 
vários insetos sobre uma mesma planta, podendo causar o seccionamento na altura do 
coleto. As lagartas desde pequenas se alimentam com voracidade, são mais ativas e, 
quando molestadas, dependuram-se em um fio de teia. Ataques intensos formam um 
verdadeiro emaranhado de teia entre as hastes e a região do coleto (NAKAGAWA, 
ROSOLEM, 2011; ALMEIDA, 2013). 
 
LAGARTA-DO-CARTUCHO 
 
Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) J. E. Smith,1797 (Lepidoptera: Noctuidae). 
Estes insetos apresentam coloração variando de pardo-escuro ao verde a quase preto, 
apresentado um “Y” invertido na parte frontal da cabeça (Figura 87). No dorso verifica-
se três linhas longitudinais branco-amareladas, lateralmente logo abaixo destas linhas, 
uma linha escura mais larga e, inferior a esta, uma linha amarela irregular marcada de 
vermelho. Este inseto alimenta-se vorazmente de o limbo foliar, e à medida que se 
desenvolvem seu consumo aumenta. Em altas infestações pode consumir completamente 
a área foliar das plantas (ALMEIDA, 2013). 
 
 
 Figura 87. Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda). Foto: Iris A. Reckziegel. 
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LAGARTA-DO-PESCOÇO-VERMELHO 
 
Lagarta-do-pescoço-vermelho (Stegasta bosquella, Chambers, 1875) (Lepidoptera: 
Gelechiidae), esta lagarta apresenta como característica marcante a coloração 
avermelhada nos dois primeiros seguimentos torácicos, o que ocasionou a denominação 
de lagarta de pescoço vermelho. A lagarta completamente desenvolvida mede cerca de 6 
mm de comprimento, de coloração branco-esverdeada e de cabeça preta. O ataque das 
lagartas em brotações novas, ainda com os folíolos fechados, pode ocasionar perfurações 
simétricas. O desenvolvimento das plantas é reduzido em função das gemas serem 
danificadas na fase inicial do ciclo de desenvolvimento da cultura (ALMEIDA, 2013; 
Figura 88). 
 
Figura 88. Lagarta-do-pescoço-vermelho (Stegasta bosquella). Foto: Odair Aparecido 
Fernandes. 
 
ÁCARO RAJADO 
 
Ácaro rajado (Tetranychus urticae) (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae), esses 
artrópodes são de tamanho bastante reduzidos, apresentando na sua fase adulta quatro 
pares de pernas. Tem como característica principal duas manchas verde-escuro no dorso, 
uma de cada lado do corpo (Figura 89). Localizam-se na face inferior dos folíolos, devido 
ao hábito alimentar característico, e tecem considerável quantidade de teia, em altas 
infestações migram para o ponteiro da planta para dispersão. As injúrias são muito 
parecidas com as causadas por tripes. Durante a alimentação introduzem seus estiletes 
nas células das folhas e sugam o conteúdo celular extravasado. As plantas geralmente 
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apresentam as folhas cloróticas, e com a evolução do ataque tornam-se bronzeadas, 
podendo cair (NAKAGAWA, ROSOLEM, 2011; ALMEIDA, 2013). 
 
 
Figura 89. Ácaro rajado (Tetranychus urticae). Foto: Ricardo Cardias e Tiago Oliveira 
Silva. 
 
ÁCARO VERMELHO 
 
Ácaro vermelho (Tetranychus evansi) (Baker; Pritchard, 1960) (Acari: Tetranychidae), 
morfologicamente estes ácaros são muito parecidos com o ácaro rajado, porém 
apresentam coloração vermelha intensa, as formas jovens são verdes (Figura 90). Os 
sintomas são os mesmos do ácaro rajado, ou seja, formação de teia e clorose nos folíolos. 
Os ácaros não são tão importantes como praga do amendoinzeiro em condições normais, 
entretanto quando da ocorrência de veranico (alta temperatura e baixa unidade) podem se 
tornar problema sério, pois nessas condições seu desenvolvimento populacional é 
bastante acelerado (ALMEIDA, 2013). 
https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjKv5q0z_DVAhWFkJAKHc50D58QjhwIBQ&url=http%3A%2F%2Fslideplayer.com.br%2Fslide%2F3040965%2F&psig=AFQjCNFnvX8hp1vR8cY1rbHsyrKZupUHCQ&ust=1503689760636551
https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjKv5q0z_DVAhWFkJAKHc50D58QjhwIBQ&url=http%3A%2F%2Fslideplayer.com.br%2Fslide%2F3040965%2F&psig=AFQjCNFnvX8hp1vR8cY1rbHsyrKZupUHCQ&ust=1503689760636551
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Figura 90. Ácaro vermelho (Tetranychus evansi). Foto: Raul Porfírio de Almeida. 
 
c) Pragas de Grãos Armazenados 
 
TRAÇA DAS VARGENS 
 
Traça das vargens (Corcyra cephalonica) (Stainton, 1865) (Lepidoptera: Pyralidae), o 
adulto é uma pequena mariposa de coloração cinza nas asas anteriores. As lagartas são de 
coloração branco-pérola, com cabeça, escudo torácico e último segmento abdominal 
castanhos, atingindo 12 mm de comprimento, quando desenvolvida (Figura 91). No caso 
desta praga apenas a forma jovem causa injúria. Os insetos atacam os grãos defeituosos 
sobre os quais abrem uma galeria. Em grãos inteiros atacam a região do embrião. A 
lagarta ainda pode atacar o amendoim armazenado em casca (ALMEIDA, 2013). Mesmo 
assim, recomenda-se armazenar o amendoim em casca sempre que possível. Os danos 
mecânicos, da colheita e beneficiamento, na casca favorecem a infestação de C. 
cephalonica. Também deve armazenar o material com nível de umidade adequado em 
armazém ou depósito bem limpo e higienizado. 
 
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Figura 91.Traça das vargens (Corcyra cephalonica). Foto: Arquivo do Instituto 
biológico. 
 
GORGULHO 
 
Gorgulho (Tribolium castaneum) (Herbst, 1797) (Coleoptera: Tenebrionidae), as larvas 
são de coloração branco-amarelada e os besouros adultos são achatados de coloração 
castanha-avermelhada (Figura 92). Tanto os adultos como as larvas provocam 
perfurações nos grãos, dão preferência a grãos quebrados. Sendo pequenos, penetram 
facilmente nas embalagens. A ocorrência desta praga é um sinal de presença anterior de 
uma praga primária. Altas temperaturas também favorecem a abundância dessa praga nos 
grãos, portanto, recomenda-se que o amendoim seja mantido armazenado em casca por 
longo período até o momento de sua utilização no plantio (ALMEIDA, 2013). 
 
 
Figura 92. Gorgulho (Tribolium castaneum). Foto: Fábio Aquino de Albuquerque. 
 
 
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PRAGAS 
 
Com relação ao controle ecológico das pragas do amendoim, Augstburger et al. (2000) 
estabelecem as seguintes medidas de prevenção: 
 
1- Fomentar os predadores naturais (exemplo: criar um ecossistema com árvores, 
arbustos, plantio diversificado, impedir a queima dos roçados na região etc); 
 
2- Rotação de cultivos sob critério de exclusão de plantas hospedeiras; 
 
3- Semeadura mista para a diversificação do sistema agroecológico, assim 
algumas pragas se desorientam e os predadores são favorecidos. 
 
4- Cultivo de flores amarelas (girassol) ao redor dos campos de amendoim. A cor 
da flor atrai as pragas, as quais se controlam de forma preventiva. 
 
5- No campo e ao seu redor, destruir os resíduos da colheita do amendoim e 
plantas hospedeiras. 
 
Para controle de doenças do amendoim orgânico no Brasil, a Embrapa recomenda seguir 
algumas medidas de controle ecológico (Tabela 17). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Tabela 17. Medidas de controle ecológico adotadas para as principais pragas da cultura 
do amendoim. 
Pragas importantes Exemplos para a prevenção e controle 
Lagartas, cupins Aração profunda 
Cigarrinha Controle eficiente das ervas daninhas 
Lagarta-elasmo Proteção mediante irrigação e antecipar semeadura 
Larva alfinete Usar variedades resistentes 
Thripes, vetores para TSWV/PBNV-virus 
(Tospoviroses) 
Usar variedades resistentes 
Spodoptera Responsável pela maior parte das aplicações de 
inseticidas. Na Índia, a mamona foi plantada em 
cujas folhas se podia reconhecer facilmente a 
postura de ovos, permitindo assim sua coleta (ovos). 
No entanto, o controle oportuno de ervas daninhas 
é primordial. 
Aphis craccivora (pulgão) vetor para 
diferentes virus p.e. “peanut mottle” vírus 
(Mosqueado). 
Semeadura com variedades resistentes ou cultivo 
em tempos de baixa população dos vetores (estação 
seca). Cultivo consorciado com milho, milheto, 
sorgo. Na África, culturas mistas com feijões 
phaseolus bem peludos, onde os pulgões ficam 
aderidos aos pelos. Não combina seu cultivo com 
Vigna unguiculata. 
Fonte: Asociación Naturland, 2000. 
 
PREPARAÇÃO DE MACERADO PARA CONTROLE DE PRAGAS 
 
MACERADO PARA LAGARTA 
• a) Pimenta malagueta (Capsicum frutescens) 
• -200 g de pimenta malagueta; 
• -1 litro de álcool; 
• -Misturar a pimenta e álcool no liquidificador e deixar repousar por uma semana 
para cura; 
• -Depois desse tempo deve coar no pano e acrescentar 100 mL de detergente 
neutro; 
• -Adicionar 200 mL de óleo de algodão; 
• -Utilizar apenas quatro colheres de sopa para cada pulverizador costal de 20 litros; 
• -Pulverizar a cada dois dias, nas primeiras horas da manhã, ou ao final da tarde. 
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MACERADO PARA PULGÃO E LAGARTA 
 
a) Cebola (Allium cepa L.) e alho (Allium sativum) 
 
A substancia ativa se denomina de alicina e sulfato de alilo, que é responsável pela 
atividade medicinal, além do odor característico do alho (FUNDACIÓN VALLES, 
2011). 
 
• -Três cebolas médias e cinco cabeças de alho (total de 250 g); 
• -10 litros de água; 
• -Triturar as cebolas e alhos, misturando aos 5 litros de água; 
• -Coar no pano fino para evitar entupimento do pulverizador e adicionar a mistura 
(solução) com mais 5 litros de água; 
• -Pulverizar ao final da tarde com pulverizador costal de 10 litros. 
• - Aplicar a cada duas semanas e, semanal, quando a infestação é intensa. 
 
b) Tomate (Lycopersicum esculentum) 
 
• -1 kg de folhas e talos de tomate bem macerados; 
• -1 litro de álcool; 
• -Misturar o álcool e as folhas + talos macerados e deixar repousar por 4 dias para 
cura; 
• -Coar no pano fino e pressionar para o máximo aproveitamento (recipiente fechado e 
escuro); 
• -Utilizar dois vasos do extrato para ser diluído em 20 litros de água (pulverizador 
costal). 
 
 
 
 
 
 
 
 
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MACERADO PARA LAGARTA 
 
Recomenda-se preparar o seguinte macerado para controle de pulgão e lagarta 
(DANTAS, 2001): 
 
a) Folhas de urtiga (Fleurya aestuans L) 
• -1 kg de folhas de urtiga picadas; 
• -2 litros de água; 
• -Passar as folhas com a água no liquidificador ou pilão (esmagar e mexer bem) e 
deixar de repouso por dois dias para cura; 
• -Coar para evitar o entupimento do pulverizador; 
• -Adicionar o conteúdo para cada pulverizador costal e completar o volume com água 
para 20 litros. 
 
b) Folhas de angico (Piptadenia colubrina) 
• -1 kg de folhas de angico picadas; 
• -10 litros de água; 
• -Passar as folhas com a água no liquidificador e deixar de molho por 8 dias para 
cura; 
• -Coar para evitar o entupimento do pulverizador costal; 
• -Usar 5 litros do extrato no pulverizador costal com capacidade de 20 litros; 
 
 
MACERADO PARA LAGARTAS, PERCEVEJO, GARFANHOTO, TRIPES E 
ÁCAROS 
 
As recomendações dos preparos dos macerados de nim para sementes despolpadas e 
folhagem com talos tenros, estão indicadas respectivamente nos trabalhos de Dantas 
(2001) e Soares et al. (2003). 
 
a) Sementes despolpadas de NIM 
-Em primeiro lugar, os frutos são coletados e despolpados; 
-Em seguida, as sementes são secas; 
-As sementes são raladas e imersas em água; 
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-Na proporção de 30 a 40 g de sementes por litro de água; 
-Deixar de repouso por dois dias para cura; 
-Coar e acrescentar 10 mL de detergente neutro e completar o volume do pulverizador 
com água; 
-Para o pulverizador de 20 litros, são necessários 700 g de sementes. 
 
b)-Folhagem e talos tenros de NIM 
 
Azadirachta indica, conhecida pelos nomes comuns de amargosa e nim, é uma árvore da 
família Meliaceae, com distribuição natural no sul da Ásia (Índia e Birmânia) e utilizada 
na produção de madeira e para fins medicinais. Tem efeito como repelente, inibidor do 
crescimento da praga, fungicida e nematicida. O composto ativo, o Azadirachtin, controla 
os insetos impedindo sua metamorfose em fase de larva, além de repeli-los. O nim é um 
produto bioinseticida já registrado nos USA. 
 
Para reduzir os custos de produção do amendoim, mudas de nim devem ser distribuídas 
e plantadas pelos produtores nas comunidades rurais do semiárido. Para se tornar 
autossuficiente na produção de bioinseticidas à base de nim, é necessário manter pelo 
menos 50 plantas dessa espécie em cada comunidade familiar dos agricultores 
nordestinos, visando reduzir os custos de produção do amendoim (Figura 93). 
 
 
Figura 93. Pequeno bosque de nim com o mínimo de 50 plantas para atender cada 
comunidade de agricultores familiares e que pode também funcionar com barreira quebra-
vento, ou área de arborização da propriedade. Foto: Vicente de Paula Queiroga. 
 
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O rendimento dos frutos do nim varia entre 25 e 50 kg por árvore, de acordo com a 
temperatura, umidade, tipo defestas juninas, quando a maior parte da safra anual da 
referida região é colhida. Isso tem contribuído para o estabelecimento de pequenas 
agroindústrias de alimento e de óleo, movimentando a cadeia produtiva regional que é 
composta, basicamente, por agricultores familiares. Portanto, o principal produto 
econômico do amendoinzeiro é o grão, rico em lipídios, proteína, vitamina E e vitaminas 
do complexo B, que apresenta sabor agradável tornando-o um produto destinado 
principalmente ao consumo “in natura” sendo, também industrializado para obtenção de 
óleo, e utilizado como aperitivo salgado, torrado e no preparo de diversas receitas da 
culinária e na indústria de doces, como grãos inteiros com diversas coberturas ou grãos 
moídos na forma de paçocas ou no acompanhamento de cobertura de sorvetes, bolos e 
confeites. Além disso, seus subprodutos como os farelos e torta podem ser fornecidos a 
alimentação animal (SILVA, 2007). 
 
 No Recôncavo da Bahia, a maior parte é produzida por pequenos e médios agricultores 
que vivem da agricultura familiar, onde quase a totalidade da produção é comercializada 
diretamente em suas propriedades por meio de atravessadores que, por sua vez, 
comercializam o produto nas feiras livres. Cerca de 80% da produção obtida na região é 
voltado para o consumo “in natura”, comercializado como amendoim torrado ou cozido 
(PEIXOTO et al., 2008). O amendoim é cultivado pelos agricultores na região com um 
baixo nível tecnológico. São métodos de cultivo na maioria das vezes ultrapassados onde 
predomina os tratos culturais manuais, herdados de antecedentes. 
 
Vale frisar que os alimentos ecológicos não podem ser comercializados sob a condição 
de “produtos orgânicos”, sem antes haver cumprido os requisitos que impõem as 
entidades certificadoras. As entidades certificadoras se encarregam de comprovar que 
esse produto tenha todas as características ecológicas e ademais de que o processo que 
será utilizado para sua produção e processamento cumpre com as regras da normativa do 
país ao qual se deseja comercializar. Uma vez que uma organização de produtores ou um 
produtor independente cumpra com os requerimentos estabelecidos nas resoluções de 
uma norma específica, então o passo seguinte será contratar uma entidade certificadora, 
a qual irá solicitar de uma série de requisitos que devem cumprir tanto as áreas de 
produção e infraestrutura onde se realizam o processamento e embalagem do produto. No 
caso de que os procedimentos estejam devidamente respaldados por documentação, então 
essa unidade produtiva de amendoim será certificada. 
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BOTÂNICA, MORFOLOGIA E FISIOLOGIA DO AMENDOIM 
 
-Aspecto botânico 
O amendoim é uma leguminosa originária da América do Sul e tem como centros de 
origem o sudeste da Bolívia e noroeste da Argentina, com registros de A. ipaensis e A. 
duranensis, como seus possíveis ancestrais (FÁVERO et al., 2006). Pertence ao gênero 
Arachis, que é composto por mais de 80 espécies já descritas, entre elas, materiais 
diplóides e tetraplóides. O amendoim cultivado (Arachis hypogaea L.) é um tetraploide 
natural (2n = 4x = 40), de genoma AABB, entretanto a maioria das espécies selvagens 
são diplóide (2n = 2x = 20), que se reproduz quase exclusivamente por autogamia 
(SANTOS et al., 2000). 
 
Segundo Valls e Simpson (2005), dentre as várias espécies de Arachis, 64 ocorrem no 
Brasil e 48 são endêmicas do território brasileiro. A primeira referência sobre o amendoim 
(Arachis hypogaea L.) em toda a história da humanidade, foi encontrada num texto escrito 
em 1578 e registrada por Jean de Lery. Eram relatos de franceses que viajaram pelo 
nordeste brasileiro. Convivendo com índios do Estado do Maranhão, esses franceses 
viram e experimentaram pela primeira vez o chamado “Manobi”. Por causa do gosto 
semelhante ao das amêndoas largamente conhecidas na Europa, os colonizadores 
portugueses foram adaptando o seu nome para “Amendoi”, derivado de amêndoa, origem 
do nome atual (MARTIN, 1987). 
 
O amendoim é uma planta Magnoliopsida (Dicotiledônea), pertencente à família 
Fabaceae (Leguminosae) e ao gênero Arachis (CRONQUIST, 1981). Trata-se de uma 
dicotiledônea herbácea, anual com ciclo indeterminado. Segundo Nakagawa e Rosolem 
(2011), sua taxonomia é a seguinte: 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Reino: Plantae 
Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae) 
Classe: Magnoliopsita (Dicotyledoneae) 
Ordem: Fabales 
Família: Fabaceae (Leguminosae) 
Subfamília: Faboideae (Papilionoideae) 
Tribo: Aeschynomeneae 
Subtribo: Stylosanthinae 
Gênero: Arachis 
Espécies: A. hypogaea 
Nome binomial: Arachis hypogaea L. 
Nome científico: Arachis hypogaea 
 
Dentre as inúmeras espécies conhecidas, as mais importantes são: Arachis hypogaea L. 
(a mais cultivada, jamais encontrada em estado selvagem, formas selvagens do mesmo 
gênero são perenes), Arachis prostrata Benth e Arachis nhambiquare Hoehne (FREITAS 
et al., 2003). A espécie Arachis hypogaea L. se subdivide em duas subespécies: Arachis 
hypogaea subespécie hypogaea originada no sudeste da Bolívia e Arachis hypogaea 
subespécie fastigiata do Peru. A subespécie hypogaea inclui as variedades hypogaea e 
hirsuta. Já a subespécie fastigiata inclui as variedades peruviana, aequatoriana e vulgaris 
(GREGORY et al., 1980; PATTEE; YOUNG, 1982; GRACIANO, 2009). 
 
O nome botânico está relacionado ao modo do vegetal frutificar. Ou seja, a planta emite 
flores na parte aérea, porém, desenvolve os seus frutos debaixo (hypo) da terra (gaea). 
Por outro lado, o amendoim pode ser classificado agronomicamente como pertencente 
aos grupos Spanish, Valência e Virginia, para distinguir os tipos, seguindo uma 
classificação botânica de variedades (JUDD et al., 1999; Tabela 1). O grupo Virgínia 
subdivide-se ainda em rasteiros (“runners”) e arbustivos (“bunch”). O tipo Virgínia é 
representado por acessos da subespécie hypogaea, que tem em comum hábito de 
crescimento rasteiro (decumbente), semi-rasteiro e arbustivo, ciclo longo (120 a 140), 
ausência de flores na haste principal, presença de dormência acentuada na semente, 
coloração bege e vagens com duas sementes grandes (GODOY et al., 2005); já os tipos 
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Valência e Spanish são representados pelas subespécies fastigiata e hypogaea, 
respectivamente. Ambas possuem hábito de crescimento ereto ou semiereto, ciclo curto 
(90 a 100), tegumento de coloração vermelha/rosado, presença de dormência parcial na 
semente e haste principal com flores, assim como nas ramificações. As vagens do grupo 
Spanish apresentam duas sementes de tamanho pequeno a médio; já as do grupo Valência 
contêm entre três e quatro sementes por vagem (GODOY et al., 2005). 
 
Tabela 1. Classificado agronômica dos grupos de amendoim Valência, Virgínia e 
Spanish, para distinguir os vários tipos comerciais. 
Tipo 
Botânico 
Tipo 
Comercial 
Ramificação Porte Flores na 
Haste 
Principal 
Sementes/ 
Fruto 
Cor da 
Semente 
Tamanho 
da 
Semente 
Virgínia Virgínia 
Bunch 
 Alternada Ereto Não 2 Coloração 
Bege 
Grande 
Virgínia 
Runner 
Rasteiro Médio 
Valência Valência Sequencial Ereto Sim Mais de 3 Vermelha Pequeno 
Spanish Spanish Sequencial Ereto Sim 2 Rosado Pequeno 
 
 
-Aspecto morfológico 
 
Planta - Arachis hypogaea L é uma espécie herbácea, anual, pubescente, ramificada, de 
porte ereto ou rasteiro. A parte aérea da planta apresenta uma haste principal, de onde são 
emitidos ramos primários, secundários e terciários. Nas variedades de porte ereto, a haste 
principal cresce verticalmente atingindo em torno de 50 a 60 cm de altura. A arquitetura 
da planta é constituída basicamente da haste principal, dos ramos primários que também 
crescem verticalmente, e poucos ramos secundários ou terciários. Nas variedades comsolo e genótipo da planta. Normalmente, 50 kg de frutos 
maduros têm cerca de 30 kg de sementes, as quais produzem em média 6 kg de óleo e 21 
kg de pasta. Cada quilograma de sementes secas contém aproximadamente 3.000 
unidades (SOARES et al., 2003). Um cuidado de suma importância, ao final do processo 
de secagem, consiste no recolhimento e acondicionamento das sementes do nim em sacos 
de aniagem, para permitir boa aeração e evitar, o aparecimento de fungos patogênicos que 
possam causar deterioração das mesmas. Satisfeitas essas condições básicas, as sementes 
de nim podem ser armazenadas por mais de um ano. 
 
Depois do despolpamento dos frutos, as sementes de nim devem ser colocadas ao sol, em 
camadas finas, sobre uma superfície cimentada. Deve-se evitar o contato delas com a 
umidade, para não ocorrer mofamento. Esta operação requer um único dia de sol, já que 
posteriormente, as sementes devem ser transportadas para locais sombreados, onde 
permanecerão cerca de oito dias. 
 
Os extratos de nim podem ser preparados com a simples trituração das sementes ou frutos 
frescos, em água, deixando-se a mistura descansar por 24 horas, filtrando-se o líquido e 
pulverizando-o sobre as áreas infestadas. O mesmo procedimento pode ser utilizado para 
folhas frescas ou secas, embora o Azadirachtin nesse caso, ocorra em menor concentração 
(SOARES et al., 2003). A seguir, a preparação da folhagem e talos tenros de nim: 
 
-1 kg de folhas e talos tenros picados (Figura 94) para 20 litros de água (equivale a 40 a 
50 g de folhas por litro de água); 
-Passar no liquidificado com 2 litros de água (ou macerado no pilão) 
-Deixar os 20 litros da mistura em repouso por 2 dias para; 
-Coar e acrescentar 10 mL de detergente neutro; 
-Adicionar o conteúdo no pulverizador costal de 20 litros de água. 
 
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Segundo Soares et al. (2003), as quantidades a serem utilizadas variam para cada espécie 
de inseto. De modo geral, recomenda-se por litro de água, de 30 a 40 g de sementes de 
nim ou de 40 a 50 g de folhas secas de nim. 
 
Figura 94. Folhas de nim sendo trituradas manualmente. 
 
MARCERADO PARA PRAGAS EM GERAL DO AMENDOIM 
 
a) Calda de mamona (Figura 95) 
• -Indicações: 
• -Controle de pragas em geral do amendoinzeiro e pode ser utilizada como adubo 
foliar. 
• -Ingredientes: 
• -* 80 folhas fresca de mamona; 
• -* 20 litros de água; 
 
Modo de preparo e uso: 
 
Triturar ou macerar as folhas, depois colocar na água e deixar em repouso por doze horas, 
num local escuro. Depois coar e utilizar, mas dever-se ser armazenada, no máximo 3 dias. 
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Figura 95. Planta de mamona usada como macerado para preparação de bioinseticida. 
 
b) Macerado de mamona 
- Modo de preparo: 
Colocar 250 g de mamona (frutos e folhas) macerados ou triturados em 1 litro de água, 
ferver por 30 minutos e depois deixar descansar por 24 horas. Para pulverizar, dissolver 
1 litro de macerado filtrado ou coado em 10 litros de água. 
 
- Aplicação 
Para pulverizar, utilize o pulverizador manual (Figura 96), caso a área plantada seja 
pequena. 
 
- Cuidados: 
Por ser orgânico, esse inseticida não é nocivo à saúde como os industrializados, mas, 
depois de aplicar o produto, caso seja aplicado em hortaliças como alface, repolho, 
cebolinha, coentro, etc., dever-se respeitar um período de carência de pelo menos dois 
dias e lavar o alimento antes de consumir. 
 
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Figura 96. Pulverizador manual ou garrafa Pet. Foto: Vicente de Paula Queiroga. 
 
G-Cigarrinha 
 
MACERADO PARA CIGARRINHA 
 
a) Macerado de piretro (extrato da flor de Chysanthemum cinerariaefolium) 
-Ingredientes: 
-300 gramas de flores de piretro 
-1 Litro de álcool. 
Embeber as flores em álcool e deixar em repouso por 48 horas em uma garrafa bem 
lacrada. Depois desse período, a solução pode ser coada e diluída na proporção de 1:20, 
ou seja, 1 parte da solução para 20 partes de água. O piretro tem grandes concentrações 
de piretróide, o principal constituinte dos inseticidas domésticos. Indicada contra insetos 
como percevejo, ácaros, pulgões e cigarrinha. 
 
MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS 
 
Antes do plantio do amendoim, os próprios produtores devem usar a estratégia de preparar 
preventivamente os macerados para combater as pragas na fase inicial de infestação 
(lagartas ainda pequenas, tripes e ácaros na fase inicial ou larval, cigarrinha e gafanhoto 
na fase de ninfa, etc), pois as mesmas são mais vulneráveis à ação dos bioinseticidas. 
Recomenda-se guardar as soluções de bioinseticidas, para cada praga, em depósitos de 
plástico lacrados para evitar a perda do seu princípio ativo (QUEIROGA et al., 2008). É 
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possível identificar em campos as pragas ainda na sua fase jovem e facilmente combatê-
las com o uso de macerados de ação mais repelentes do que bioinseticida, quando o 
agricultor é orientado pelos técnicos como realizar no seu campo o Manejo Integrado de 
Pragas (MIP). A eficiente gestão do campo ocorre quando os agricultores realizam essas 
identificações de pragas periodicamente em sua propriedade (Figura 97). 
 
 
Figura 97. Identificação de pragas periodicamente em campo de amendoim, seguindo a 
técnica de Manejo Integrado de Pragas (MIP). Foto: Raul Porfírio de Almeida. 
 
DOENÇAS 
A presença de doenças no cultivo ecológico de amendoim pode causar perdas 
significativas, pelo qual é necessário realizar um controle de medidas preventivas, 
mediante a preparação de extratos orgânicos (biofungicidas caseiros) com aplicações 
periódicas. Segundo a Fundación Valles (2011), os extratos fúngicos mais recomendados 
para o cultivo do amendoim são mostrados, a seguir, com base nas suas receitas ou modo 
de preparação dos extratos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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a) Biofungicida de Papaya 
 
INGREDIENTES: 
- Folhas e talos de papaya (mamão) triturados na quantidade de 1 kg; 
- Água. 
 
DESCRIÇÃO DO PRODUTO 
A substância ativa é a papaína que tem um efeito fungicida que controla doenças das 
plantas, inclusive da cultura do amendoim (FUNDACIÓN VALLES, 2011). 
 
PREPARO: 
Esmagar ou triturar 1 kg de folhas de papaya. Deixar repousar durante 24 horas em 2 
litros de água. Filtrar para separar a parte líquida do bagaço. Recomenda-se utilizar a 
dosagem de um litro da solução para 10 litros de água e aplicar no intervalo de 15 dias. 
Os biofungicidas devem ser guardados em garrafas ou envases escuros (FUNDACIÓN 
VALLES, 2011; Figura 98). 
 
 
Figura 98. Biofungicida de papaya envasado em garrafa escura para conservar melhor 
o princípio ativo. Foto: Fundación Valles, 2011. 
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b) Biofungicida de Cavalinha (Equisetum arvense) 
 
A cavalinha é uma planta perene, que tem cor verde escura oca e geralmente pode ser 
encontrada em áreas úmidas e tem uma grande quantidade de cristais de silício (ou areia) 
em seu tecido. A Equisetum arvense também conhecida como rabo-de-cavalo, cola-de-
cavalo, milho-de-cobra, cauda-de-raposa, cana-de-jacaré, erva-canudo, lixa-vegetal, 
dentre outros nomes populares (Figura 99). Pertence à família Equisetaceae. O silício 
reforça os tecidos celulares da planta impedindo a penetração de fungos fitopatógenos. 
Essa planta fúngica pode controlar várias doenças por seu alto teor de silício, 
principalmente Phytophtora (vulgarmente associadas ao termo "podridão"), Alternaria, 
Peronospora, Cercospora, etc. (FUNDACIÓN VALLES, 2011). 
 
INGREDIENTES 
 
- Folhas de cavalinha trituradas na quantidade de 1,5 kg; 
- Água. 
 
PREPARO 
 
Ferver 1,5 kg de folhas e talos de cavalinha em 10 litros de água durante meia hora. Deixar 
repousar, esfriare filtrar. Utilizar a dosagem de 10 litros do extrato sem mesclar a solução 
(não diluir mais o extrato com água). Sua aplicação deve ser realizada a cada duas 
semanas, mas no caso de infestação elevada, aplica-se semanalmente (FUNDACIÓN 
VALLES, 2011). 
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Figura 99. Planta cavalinha (Equisetum arvense). 
 
c) Calda de cinza 
 
Usada para o controle de doenças de vários cultivos, principalmente Phytophtora 
(vulgarmente associadas ao termo "podridão"; FUNDACIÓN VALLES, 2011). 
 
INGREDIENTES 
 
- Cinza de fogão de lenha bem peneirada na quantidade de 5 kg 
- 400 g de sabão 
- 10 litros de água 
- Um recipiente metálico com capacidade de 20 litros. 
 
PREPARO 
 
No recipiente, misturar 10 litros de água, 5 kg de cinza e 400 g de sabão. Colocar no fogo 
e agitar constantemente até completar 20 minutos, deixar esfriar e coar para eliminar os 
resíduos. Recomenda-se aplicar a dosagem de 1 litro de calda em 20 litros de água. 
Utiliza-se alternativamente com a calda bordalesa. 
 
 
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d) Calda Bordalesa 
 
A calda bordalesa é um fungicida que surgiu no século passado, na região de Bourdeaux, 
na França, para o controle de míldio em videiras. Ela resulta da mistura de sulfato de 
cobre com cal virgem, diluídos em água. O seu uso é permitido na Agricultura Orgânica 
por ser o sulfato de cobre um produto pouco tóxico, e por melhorar o equilíbrio nutricional 
das plantas. A calda controla as doenças fúngicas como oídio, carvões, antracnoses e 
cercospora. A preparação mais comum da calda bordalesa se dá na proporção de 1 parte 
de cal virgem e 1 parte de sulfato de cobre para 100 partes de água (FUNDACIÓN 
VALLES, 2011). 
 
INGREDIENTES 
 
Sulfato de cobre - 200 g 
Cal virgem - 200 g 
Água - 20 L 
 
PREPARO 
 
Num dos recipientes, coloque cinco litros de água. Coloque 200 gramas de sulfato de 
cobre, bem moído, dentro de um saco de pano ralo, amarrado em uma vara atravessada 
sobre o recipiente, de modo a ficar mergulhado na água. O saquinho deve ficar suspenso, 
próximo à superfície da água, para facilitar a dissolução. Para dissolver mais rapidamente 
o sulfato de cobre, pode-se utilizar água morna ou colocá-lo na água na noite anterior 
(FUNDACIÓN VALLES, 2011). 
 
A cal virgem deve ser de boa qualidade para reagir totalmente com a água. Os 200 gramas 
de cal são colocados no fundo de um balde com pouca água para haver reação rápida. Se 
não houver aquecimento da mistura em menos de 30 minutos, a cal não deve ser usada, 
pois é de má qualidade. Quanto mais rápida é a reação, melhor é a cal. Depois de a cal ter 
reagido com a água, formando uma pasta rala, deve-se completar o volume de água até 5 
litros, cuja mistura terá uma aparência de leite de cal, bem homogênea. 
 
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A mistura das duas soluções deverá ser feita despejando-se a mistura com sulfato de cobre 
sobre a de cal, nunca o contrário. A mistura deverá ter um aspecto denso, onde a cal não 
se decanta. Após mexer algumas vezes, coar a mistura e despejar no pulverizador, 
completando o volume até 20 litros. Aplica-se a calda sem mesclar a cada duas semanas, 
mas pode ser semanal, caso a intensidade da doença seja elevada (FUNDACIÓN 
VALLES, 2011). 
 
CONTROLE DE PRAGAS DOS GRÃOS ARMAZENADOS 
 
a) Pó de Mastruz 
 
INGREDIENTES 
 
Mastruz – coletar a planta inteira ou a parte aérea. 
 
PREPARO 
 
As plantas coletadas são expostas ao sol para ser desidratada. Em seguida, a planta seca 
é triturada em pilão (ou liquidificador) e passada em uma peneira fina até obter um pó. 
Recomenda-se guardar em vidro seco e bem lacrado. A dosagem de Chenopodium 
ambrosioides testada por Procópio e Vendramim (1995) foi de 0,30 g do pó/20 g de 
sementes, o que equivale a 900 g do pó para 60 kg de sementes, correspondendo a 
quantidade de amendoim utilizada no plantio de um hectare. As informações detalhadas 
sobre o mastruz encontram-se no capitulo 5 (armazenamento de grãos de amendoim). 
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CAPÍTULO 5 
 
 
 
 
 
COLHEITA, BENEFICIAMENTO E ARMAZENAMENTO DO AMENDOIM 
 
(Autores) 
Vicente de Paula Queiroga 
Francisco de Assis Cardoso Almeida 
Esther Maria Barros de Albuquerque 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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DETERMINAÇÃO DO PONTO DE COLHEITA 
 
A maturação da semente é considerada, por Barros (1986), como o resultado de todas as 
alterações morfológicas, físicas e fisiológicas, como o aumento do tamanho e as variações 
no grau de umidade, no vigor e no acúmulo de matéria seca. É um processo que se inicia 
com a fertilização e se estende até a maturidade fisiológica. Contudo, em uma mesma 
planta, nem todas as vagens ficam maduras na mesma época, já que o florescimento se 
estende por longo período, havendo, pois, uma formação contínua de vagens. 
Consequentemente, na época de colheita, as plantas de amendoim apresentam vagens em 
vários estádios de desenvolvimento ou maior desuniformidade de maturação, 
principalmente para as cultivares de hábitos rasteiro em comparação as de porte ereto 
(NAKAGAWA; ROSOLEM, 2011). 
 
A determinação do ponto de colheita do amendoim requer cuidados especiais, exigindo 
visitas frequentes aos campos de produção, pelo fato da espécie apresentar geocarpia e 
crescimento indeterminado. Como o florescimento se estende por um período 
relativamente longo, nem todas as vagens tornam-se maduras ao mesmo tempo. Essa 
desuniformidade torna-se mais acentuada quando ocorre deficiência hídrica em uma fase 
do ciclo (GODOY et al., 1983. SANTOS et al., 1997 e 2006). Sanders (1995) sugere para 
colheita dos três principais tipos comerciais Runner, Virgínia e Spanish, 70-80%, 60-65% 
e 75-80% de vagens maduras, respectivamente. O tipo comercial Valência deve ser 
tratado de forma semelhante ao do tipo Spanish uma vez que não possuem dormência nas 
sementes. Assim, a maturação das cultivares da Embrapa ocorre a partir dos 85 dias após 
a semeadura, estando à maioria das vagens em ponto de colheita aos 85 - 95 dias, para a 
cultivar BRS 151 L-7; 90 – 100 dias para as cultivares BR 1 e BRS Havana e 115 – 125 
dias para a BRS Pérola Branca (SANTOS et al., 1999). 
 
A realização da colheita com a maior parte das vagens plenamente madura é importante 
para se obter maior produtividade, com produto de maior massa, de qualidade física, 
química e organolética (SANDERS; BETT, 1995). A antecipação da colheita diminui a 
produção, pois as sementes não se encontram totalmente desenvolvidas (excessivo 
número de vagens imaturas), redução no sabor (altera concentração de óleos) e 
apresentam-se com menor massa. Atrasando-se a colheita, há aumento de perda de 
vagens, em função do apodrecimento do carpóforo, além da germinação das sementes no 
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interior dos frutos, caso haja umidade suficiente no solo, principalmente para as cultivares 
que não apresentam dormência, e maior exposição das vagens aos fungos causadores de 
aflatoxina (GODOY et al., 2005; BULGARELLI, 2008). Colheitas antecipadas em uma 
semana em relação ao ponto ótimo ocasionam menores perdas na produção que o atraso 
em uma semana (SANDERS, 1995; PELEDINI, 1998). Algumas pesquisas, entretanto, 
mencionam que o atraso no arranquio pode aumentar o retorno líquido, sendo dependente 
da cultivar que apresenta dormência, e que a colheita precoce também pode ocasionar 
redução de 15 e 21%, na produção e no valor do produto, respectivamente (WRIGHT; 
PORTER, 1991; JORDAN et al., 1998). 
 
Um critério utilizado para se estimar a época da colheita é a contagem dos dias após a 
emergência das plantas, embora isto dependa das condições ambientais durante o ciclo.Normalmente, as cultivares de porte ereto e rasteiro são colhidas, respectivamente, com 
100-110 e 120-135 dias após a semeadura na região Sudeste e 85-100 e 110-120 dias, na 
região Nordeste (GODOY et al., 1999). Pelo aspecto e coloração das folhas das plantas, 
não se consegue determinar com segurança a época de colheita, pois o amendoim não 
apresenta acentuada seca da parte aérea, permanecendo relativamente verde até a 
maturação das vagens. 
 
O método mais comum de determinação do ponto de colheita baseia-se na presença de 
manchas escuras no interior da casca da vagem para as cultivares eretas dos grupos 
botânicos Valência e Spanish. Para amendoins eretos o ponto ideal de colheita ocorre 
quando 70% das vagens apresentarem coloração interna escura e para os rasteiros o 
percentual de vagens maduras de 60-65% determinam o ponto de colheita (GODOY et 
al., 2005). Esse ponto de maturação pode ser determinado, simplesmente arrancando-se 
ao acaso, no meio da cultura, plantas de diferentes locais e examinando-se as vagens. 
Uma vagem madura, quando aberta, apresenta manchas marrom-escuras características 
na face interna da casca, as sementes devem estar bem desenvolvidas e o tegumento 
(película) com a coloração típica da cultivar, porém, com a tonalidade pouco mais clara. 
Enquanto as vagens imaturas, além da falta de coloração das sementes, apresentam a face 
interna das cascas completamente branca (Figura 100; NAKAGAWA; ROSOLEM, 
2011). 
 
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Figura 100. Identificação da maturação do fruto colhido de amendoim com base no 
aspecto da vagem: imaturo (A) por antecipar a colheita; maduro (B) por se encontrar no 
ponto ideal de colheita; e superamadurecimento (C) por atraso na colheita. Foto: Arquivo 
do Agricultural Engineering Institute. 
 
 
A tabela de classificação de maturação do amendoim, cujo método foi desenvolvido nos 
Estados Unidos pelo Ministério da Agricultura e pela Universidade da Geórgia, permite 
que o produtor identifique com maior precisão o grau de maturação do amendoim e decida 
o momento certo do arranquio. Esse ponto correto de colher define a produtividade 
máxima e a qualidade ideal do grão. Esta é uma ferramenta em que o produtor pode se 
basear para tomar uma decisão consciente, possibilitando que o amendoim possa ser 
colhido no maior pico de frequência de vagens dentro das classes de cores laranja e 
marrom (frutos maduros) e poucas vagens nas classes de cores amarela, branca (frutos 
imaturos) e preta (frutos maduros; Figura 101). O uso da tabela permite, ainda, a 
administração mais eficiente do maquinário disponível, estabelecendo, de maneira 
antecipada, prazos para finalizar cada etapa da colheita com o mínimo possível de perda. 
 
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Figura 101. Tabela utilizada para classificação do grau de maturação das vagens de 
amendoim pelo método de raspagem da casca e verificação da cor do endoderma. Foto: 
Cristiano Zerbato on Prezi. 
 
Para as avaliações do grau de maturação das vagens pelo método de raspagem da casca e 
verificação da cor do endoderma (“hull scrape method”), seguindo a tabela de 
classificação desenvolvida pela Universidade da Georgia, USA (Figura 101), são 
colhidos, de forma manual e aleatória, 200 vagens no campo, as quais são mantidas 
umedecidas para determinação do grau de maturação. Segundo Williams e Monroe 
(1986) as vagens de amendoim seguindo a verificação da cor do endoderma (“hull scrape 
method”) são classificadas da seguinte forma: Classe Branca: apresenta coloração branca, 
tamanho médio, macia e facilmente amassável. Classe Amarela Claro: amarelo bem claro 
começa a substituir o branco, a partir do centro da vagem progride até que toda a área 
escarificada fique amarela. Classe Amarela escura: começa a substituir o amarelo claro, 
a partir do centro e progride até que toda a área escarificada fique amarelo escuro. As 
vagens são mais rígidas e um pouco ásperas. Classe Laranja: Laranja ou ferrugem começa 
a substituir o amarelo escuro no centro e progride até que toda a área escarificada torne-
se cor de ferrugem. Classe Marrom: Marrom começa a substituir o laranja no centro e 
https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=5&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjssaLnl73UAhXK4yYKHchXCmIQFgg6MAQ&url=https%3A%2F%2Fprezi.com%2Fqupinaxcw9xy%2Faula-de-colheita-de-amendoim%2F&usg=AFQjCNFFswv5m04rNcvGoDVr4-Mb_nnYyA
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progride até que toda a área escarificada torne-se marrom. Classe Preta: Preto começa a 
substituir o marrom no centro e progride até que toda área escarificada torne-se preta 
(Figura 101). De acordo com a tabela, a maturação é considerada pelo método de junção 
das classes: branca, amarela clara, amarela escura como imaturas e o restante (laranja, 
marrom e preta) como vagens maturas. 
 
Em variedades comerciais de amendoim rasteiro, pode-se usar o mesmo método, de forma 
mais simplificada, que consiste em raspar a casca por fora, expondo o tecido 
imediatamente abaixo da casca. Essa mudança gradativa de cor, de branco a marrom 
escuro, acontece à medida que a vagem vai se tornando madura (Figura 102). 
Examinando-se as vagens de cada planta recolhida no campo, determina-se a proporção 
de vagens, que já atingiram a coloração escura. Nos amendoins rasteiros, normalmente, 
o ponto ideal de colheita é definido quando cerca de 60 a 65% das vagens já atingiram a 
cor escura. Nos eretos, este porcentual é em torno de 70%. 
 
Figura 102. Procedimento de raspagem das vagens de amendoim nas variedades rasteiras 
e a verificação da cor escura (Foto C). 
 
Amostragem das vagens em campo - Para obter uma média do grau de maturação dos 
frutos por hectare, recomenda-se arrancar pelo menos umas dez plantas de amendoim em 
lugares representativos do terreno. Em seguida, verificar o grau de maturação das vagens 
da primeira camada (Figura 103). As vagens de todas amostras devem ser abertas para 
verificar se existem manchas marrons na capa interna do pericarpo. Quando as manchas 
escuras estão presentes em 70% das vagens amostradas, então a colheita deve ser iniciada 
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em até 3 dias. Caso seja menos de 70%, outra amostragem deve ser realizada nos 
próximos 7 dias. Quando a primeira e segunda camada alcançam seu ponto ótimo de 
maturação, os quais correspondem as vagens de maior tamanho, melhor qualidade e 
elevado valor econômico, aconselha-se não esperar a maturação da terceira e posteriores 
camadas, porque existe o risco de perder as vagens da primeira camada por 
superamadurecimento e ainda aumenta sua perda no momento de arrancamento (vagens 
retidas no solo) (FUNDACIÓN VALLES, 2011). 
 
Figura 103. Posição das vagens de amendoim em diferentes camadas do solo. Foto: 
Arquivo Fundación Valles. 
 
 
COLHEITA 
 
A demanda e o preço do amendoim estão relacionados ao sabor do grão, o qual pode ser 
considerado o critério mais importante de qualidade, por ser tal caracteristica definida 
pela “aceitação do consumidor”. Consequentemente, para obter uma produção de 
amendoim de alta qualidade ou elevado sabor, é necessário colher a maior quantidade de 
grãos maduros. Isso se alcança com um correto processo de arrancamento da lavoura de 
amendoim em seu período máximo de maturação. 
 
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A mecanização da colheita do amendoim tem aumentado ano após ano, o que permitiu a 
colheita mais rápida e com menos trabalho humano, mas também aumentou a exigência 
de capital e conhecimento técnico. Mesmo assim sua disponibilização aos pequenos 
agricultores nordestinos irá depender da produção organizada por cooperativas e 
associações de produtores. Verifica-se com frequência que uma colheita incorreta pode 
comprometer os benefíciosdas boas práticas de produção, devido às perdas durante a 
colheita ou pela diminuição da qualidade do amendoim que termina sendo rejeitado pelo 
mercado. Por muitas razões, a colheita pode ser uma das operações mais críticas na 
produção de amendoim. 
 
No Brasil, a colheita totalmente mecanizada é utilizada apenas nas lavouras do Estado de 
São Paulo, onde os produtores são mais tecnificados. Nos estados produtores do Nordeste, 
a maior parte do amendoim produzido é proveniente de pequenos produtores com pouco 
uso da mecanização, principalmente na colheita. Tal operação pode ser realizada nas 
seguintes modalidades: a) manual, b) semimecanizada e c) totalmente mecanizada, sendo 
está última utilizada em áreas maiores. Em cada modalidade de colheita, as operações 
envolvidas se dividem em três fases: de arrancamento das plantas, secagem e separação 
dos frutos das plantas (batedura ou trilha). Por meio de uma moderna colheitadeira de 
amendoim, a ordem das operações pode ser alterada para arrancamento das plantas, 
separação dos frutos e secagem. 
 
a) Colheita Manual 
 
Arranquio – Este processo de colheita consiste em segurar manualmente as ramas do 
amendoim em feixe, movimentando-se o conjunto de plantas de um lado para o outro 
com movimentos de vibrações e tração suaves, até que a parte da planta sob o solo se 
desprende, arrancando-se a seguir com cuidado (Figura 104). Também se recomenda 
realizar tal operação em dia de sol, por ser colhida a planta inteira de amendoim a partir 
da maturação fisiológica das sementes (70 a 80% de frutos maduros). Além disso, deve-
se evitar sua colheita com o solo ainda encharcado (Figura 105). Outro método manual 
com enxada ou enxadão pode facilitar o arranquio do amendoim, o qual permite reduzir 
o número de vagens que ficam no solo. Em solos arenosos e bem trabalhados, este 
processo é facilitado e não há praticamente perdas de vagens no solo. É importante 
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destacar que a colheita manual, como as operações de arranquio, recolhimento e batedura, 
é utilizada a mão-de-obra familiar, principalmente nas pequenas propriedades da região 
Nordeste. Não é recomendado atrasar o período de colheita do amendoim uma vez que 
tal procedimento pode incorrer em germinação das sementes dentro da própria vagem, já 
que no Nordeste são utilizadas variedades de tipo ereto, cujas sementes não apresentam 
dormência. O atraso na colheita também favorece a incidência de pragas e de doenças, 
que comprometem a qualidade do produto (SANTOS et al., 2006). 
 
 
Figura 104. Colheita manual: Arranquio de molhos, enleiradas em molhos (raízes viradas 
para cima), secagem ao sol, batedura dos molhos e limpeza em peneira dos frutos de 
amendoim. 
 
 
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Figura 105. Recomenda-se não colher o amendoim com o solo encharcado (A), apenas 
colher quando o solo estiver mais seco (umidade adequada; B). Fotos: Arquivo da 
Agricultural Engineering Institute. 
 
 
Secagem – A operação de secagem dos frutos é de máxima importância para preservar o 
valor e a qualidade do amendoim. As vagens que, por ocasião do arrancamento 
apresentam teor de água em torno de 40% (30 a 50%), ou mais, devem ter o seu teor 
reduzido para 8 a 10%, para possibilitar o armazenamento posterior, sem problemas. 
Portanto, as plantas arrancadas permanecem na lavoura, em molhos com as raízes para 
cima, por 2 a 3 dias, caso não chova (Figura 106), para completar o processo de secagem 
natural até os grãos atingirem cerca de 14% de umidade (secagem preliminar). Apesar de 
ser o método mais utilizado, o processo tem o inconveniente de deixar as plantas expostas 
as condições ambientais durante o ciclo, sujeitas às chuvas, e, devido ao excesso de 
umidade do produto colhido, há possibilidade de desenvolvimento de Aspergilus flavus, 
com consequente formação de aflatoxina. Este problema também pode suceder quando a 
umidade relativa do ar está acima de 80% e a temperatura entre 30 a 40 ºC (SANTOS et 
al., 2006; NAKAGAWA, ROSOLEM, 2011). 
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Figura 106. Após o arranquio do amendoim, as plantas são enleiradas (viradas) para 
secagem dos frutos. Foto: Tarcísio Marcos de Souza Gondim. 
 
Há um processo especial de secagem de amendoim, outrora empregado, denominado 
“secagem em medas”, que demanda uma grande quantidade de mão-de-obra, mesmo 
assim tem a vantagem de proporcionar uma secagem mais lenta e uniforme, resultando 
em amendoim de qualidade superior, sobretudo como sementes para novos plantios. As 
vagens ainda não completamente maduras terminam seu ciclo na meda, aumentando desta 
forma também o peso e a qualidade do produto final. Após desmanchar uma meda bem-
feita, sobram as ramas fenadas, excelente alimento para o gado. 
 
Para se fazer uma meda, basta deixar o amendoim arrancado secar ao sol por um dia, 
ficando completamente murcho, no “ponto de feno”. É importante não deixar secar 
demais, tornando as ramas quebradiças e perdendo folhas. Em seguida, fincar no chão, à 
profundidade de 0,5 m, uma estaca de 2 m de altura (Figura 107). Sobre uma base de 
madeira em forma de cruz com arame trançado é feito um suporte para empilhar as 
plantas, elevando-se essa base da meda a um palmo ou 30 cm do solo. Esse espaço se 
destina à ventilação da parte inferior da meda e ao isolamento contra a umidade do solo. 
Deve-se arrumar as plantas já murchas, com as vagens voltadas para dentro, não se 
encostando à estaca para permitir a circulação do ar e a secagem completa. No final, 
arrumar um chapéu de sapé ou capim (ou plástico) na ponta da meda para evitar a entrada 
da água da chuva (NAKAGAWA; ROSOLEM, 2011; Figura 108). 
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Figura 107. Estaca de madeira de 2 metros de comprimento com sua base em cruz para 
iniciar o empilhamento dos molhos murchos de amendoim, formando assim uma meda 
de secagem. Foto: Arquivo Fundación Valles. 
 
 
Figura 108. Construção de medas para secagem de amendoim, sendo a sua ponta coberta 
com plástico para evitar a entrada da água da chuva. 
 
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Depois de três ou quatro semanas o amendoim está em condições de ser despencado. 
Nessa oportunidade desmancham-se as medas, faz-se o despencamento e aproveita-se a 
folhagem seca para a alimentação animal. Quando se efetua o despencamento 
mecanicamente, as medas não necessitam ser tão bem-feitas, pois neste caso as ramas 
podem ser jogadas de qualquer maneira nas máquinas. Entretanto, medas mal executadas 
podem não evitar a entrada de água, quando então o feno se perde, podendo mesmo 
prejudicar a qualidade das vagens, por escurecimento generalizado do produto. 
Dependendo do tamanho da meda e da produtividade da cultivar, cada hectare produz 
material para fazer vinte medas aproximadamente, distanciadas umas das outras. 
O despencamento manual se executa batendo um feixe de amendoim seco contra a borda 
de um jacá provido de um pedaço de madeira para maior eficiência. A batedura é feita 
por operários no próprio campo (NAKAGAWA; ROSOLEM, 2011). 
 
O modelo rústico de secador de amendoim usado na África pode ser adotado pelos 
pequenos agricultores nordestinos. Sua construção começa com a limpeza da área. Após 
sua demarcação com comprimento de 3 m e uma altura de 1,5 m, efetua-se à abertura das 
covas para o soterramento das estacas, seguindo o desenho de uma figura que se 
assemelha a um triângulo (Figura 109). As linhas horizontais com 20 cm de distancias 
são feitas com varas finas e com cordas, são amarradas. Preencher com capim a parte do 
secador que estiver vazia ou sem produto, de modo a evitar a incidência direta da chuva 
que pode deteriorar as vagens. Essa estrutura rústica pode suportar a produção colhida de 
0,48 ha.Depois de 45 dias, o amendoim pode ser removido do secador para consumo ou 
venda (PRODEZA, 2014). 
 
 
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Figura 109. Secador rústico de amendoim utilizado na África, sendo a colocação da rama 
de baixo para cima em cada lado (B). Não compactar demais o produto, pois à presença 
de umidade no amendoim recém-colhido do campo pode provocar o surgimento de 
fungos e consequentemente perda de produto. No final da construção do secador (E), 
fechar as laterais para evitar a entrada de animais (cães, entre outro) que consomem o 
amendoim. Fotos: Prodeza e Adra (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos 
Assistenciais). 
 
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Despencamento manual– Após a secagem, as vagens presas as plantas necessitam ser 
separadas das hastes. Esta operação recebe o nome de despencamento, sendo feita 
manualmente (batedura) ou mecanicamente (trilha). A operação de despencamento é feita 
no próprio campo, a qual consiste em bater um feixe de plantas de amendoim seco contra 
a borda de uma madeira presa ao tambor ou um cavalete de madeira revestido com sacos 
plásticos, sendo os frutos amparados em sua queda no próprio tambor ou lona plástica, 
caixote, etc (Figura 110). Além do despencamento totalmente manual ser o mais adotado 
na região Nordeste (Figura 111), outro método manual para desprender os frutos secos de 
amendoim é passando o feixe de plantas entre os dentes de um pente (feito de madeira 
com vários pregos) preso à borda de uma lata. Desta forma, as vagens ainda úmidas, por 
não terem atingido o teor ideal na secagem preliminar realizada antes da batedura, 
necessitam receber imediatamente uma secagem complementar, seja em terreiros, 
quadras cimentadas, lonas plásticas, etc, deixando-as expostas ao sol por mais dois dias 
(Figura 112). 
 
 
Figura 110. Sistema tradicional de despencamento manual, batendo os molhos de 
amendoim seco contra a borda de um tambor ou um cavalete de madeira e, devido ao 
impacto, os frutos caídos são amparados no próprio tambor ou por uma lona plástica. 
 
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Figura 111. Processo manual de despencamento das vagens de amendoim em Lucrecia, 
RN. Foto: Adeilton Alves da Cunha. 
 
 
Figura 112. Após o processo de despencamento, efetua-se a secagem complementar das 
vagens de amendoim, esparramando-as sobre lona plástica (sem amontoar) e expondo-as 
ao sol por dois dias. Foto: Arquivo Fundación Valles. 
 
Por outro lado, quando as vagens de amendoim são limpas e manualmente selecionadas, 
estão diz que o lote beneficiado apresenta 0% de impurezas (Figura 113). São 
consideradas impurezas, materiais como galhos, grãos de outras espécies, hastes, cascas, 
películas e rabiças que se encontravam destacadas das vagens, como tamanho menor que 
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as vagens de amendoim. Essas impurezas levam em consideração que os produtos 
agrícolas, quando submetidos a processos de secagem e, ou aeração, geralmente 
apresentam níveis de impureza de até 6% (CORRÊA et al., 2001). 
 
 
Figura 113. Apresentação das impurezas associadas a produção colhida e as vagens de 
amendoim secas e limpas. Foto: Arquivo Brasil (2010). 
 
b) Colheita Semimecanizada 
 
Removedor de fileiras - No sistema semimecanizado, o implemento empregado para o 
corte da raiz pivotante da planta de amendoim é dotado de duas lâminas cortantes à tração 
tratora, em forma de V aberto, que cortam quatro fileiras por vez (Figura 114). Outro 
implemento simples de colheita semimecanizada consiste em adaptar uma ferramenta, 
como um facão de ferro afiado em forma de L, na armação do cultivador de tração animal, 
para cortar as raízes das plantas de duas fileiras, aproximadamente uns 15 cm abaixo do 
nível do solo (Figura 115). Ela pode ser adaptada para a tração tratora, possibilitando um 
maior rendimento, em função de se trabalhar com maior número de fileiras. Ambos os 
implementos devem ser usados com a finalidade de cortar a raiz pivotante da planta de 
amendoim, devendo-se, portanto, tomar todo cuidado para que essas lâminas cortadoras 
se aprofundem o suficiente no solo a uma profundidade de aproximadamente 5 cm abaixo 
das vagens da planta (GODOY et al., 1984; SAGARPA, 2005; NAKAGAWA, 
ROSOLEM, 2011). 
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Figura 114. Removedor de fileiras empregado no corte da raiz pivotante da planta de 
amendoim, o qual é dotado de duas lâminas cortantes à tração tratora, em forma de V 
aberto, que cortam a 15 cm de profundidade quatro fileiras por vez. Fotos: Daniel Franco 
Goulart. 
 
 
Figura 115. Equipamento de colheita de amendoim semimecanizado que consiste na 
adaptação de uma ferramenta, como um facão de ferro em forma de L, na armação do 
cultivador de tração animal. 
 
 
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Por outro lado, a Embrapa Algodão avaliou diversas enxadas acopladas a um implemento 
à tração animal, com a finalidade de auxiliar no arranquio do amendoim (SILVA et al., 
1999a). O implemento consiste em uma armação de um pequeno arado (Figura 116), o 
qual se acopla uma enxada do tipo facão ou aiveca, para efetuar o arranquio do amendoim. 
Este equipamento reduz a mão de obra necessária para o arranquio de 12 dias/homem 
para 2 dias/homem. Em estudo feito por Silva et al. (1999a) com vários tipos de enxadas, 
verificaram que o arrancador com enxada tipo facão e asa de andorinha foram os que 
demandaram menor força, potência e energia para a operação de afofamento da terra, para 
o arranquio das plantas de amendoim e consequentemente demandaram menores custos. 
O arrancador com a enxada do tipo facão foi o único tratamento que não alterou a 
configuração das fileiras de plantas de amendoim. 
 
Figura 116. Implemento removedor de fileiras de amendoim de atração animal para a 
agricultura familiar com adaptação feita na armação de um pequeno arado. 
 
Na colheita semimecanizada, a operação de colheita para os agricultores familiares pode 
ser iniciada com o arracador-enleirador de pequeno porte adaptado a um microtrator, cuja 
tecnologia na Figura 117 foi desenvolvida na China. Outro equipamento de tração animal 
ou motriz é utilizado pelos produtores de amendoim na Bolívia (Figura 118), o qual se 
adapta principalmente para variedades eretas, sendo seu funcionamento mais eficiente em 
solos de textura leviana (arenosa), reduzindo assim em 60% os custos de mão-de-obra em 
relação a colheita manual (FUNDACIÓN VALLES, 2011). 
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Figura 117. Pequeno arracador-enleirador que pode ser adaptado ao tobatinha ou 
microtrator. Fotos: Equipamentos desenvolvidos na China. 
 
 
Figura 118. Arrancador-enleirador de tração animal ou motriz utilizado na colheita do 
amendoim das variedades eretas pelos campesinos da Bolívia. Foto: Fundación Valles 
(2011). 
 
Secagem - A operação de arranquio é complementada manualmente, arrancando e 
sacudindo as plantas para eliminação de terra ainda aderente às vagens e às raízes, 
procedimento denominado de “chacoalhação”. Em seguida é feito o enleiramento manual, 
amontoando as plantas em fileiras com as vagens para cima, de maneira a favorecer o 
processo de cura ou secagem por 2 a 3 dias em condições de campo. É importante destacar 
que no momento do arranquio, o amendoim contém cerca de 40% de umidade ou mais, 
mas a partir deste ponto o material começa a perder umidade numa velocidade que 
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depende do clima (sol, chuvas, dias nublados etc.) e também da maneira com a planta se 
encontra disposta no chão para secar: se deitada ou enleirada (com as vagens para cima). 
Enquanto a umidade estiver acima de 20-22%, a atividademetabólica da vagem oferece 
resistência à penetração do fungo e o risco de contaminação é praticamente nula. Abaixo 
de 11% (no amendoim em casca) não há umidade suficiente para os fungos crescerem e 
também não há perigo de contaminação. O intervalo de 22-20 até 11% de umidade é, 
portanto, o período crítico e se houver demora da secagem nesta fase, a probabilidade de 
contaminação do amendoim será muito grande. Dessa forma, abaixo de 20% de umidade 
o amendoim deve ser seco o mais rapidamente possível, até 11%, e só então ser batido ou 
despencado e ensacado, para se evitar o desenvolvimento do A. flavus e, 
consequentemente, que haja contaminação com a aflatoxina. Nem sempre essa secagem 
rápida pode ser conseguida porque, na hora da colheita da safra de maior volume, que é 
chamada "das águas", e que ocorre nos meses de janeiro/fevereiro para o estado de São 
Paulo, às vezes chove muitos dias em seguida ou faz dias nublados o que impede uma 
secagem rápida (FONSECA, 2006). 
 
Outro fator que atrasa a secagem é a posição deitada em que muitos agricultores colocam 
o amendoim após a colheita: nesta posição o amendoim seca muito lentamente e favorece 
a contaminação. Além disso, as vagens podem ser enterradas pelas chuvas ocasionais e, 
quando isso acontece, a contaminação é quase certa. Na posição de enleirado, o 
amendoim seca muito mais depressa, corre muito menos risco de ser contaminado, 
mesmo chovendo bastante, e quebra menos na batedura. A prática, amplamente 
empregada, de bater e ensacar o amendoim ainda úmido (cerca de 14-18%), é altamente 
prejudicial. Dentro do saco o amendoim demora muito para secar e o calor gerado pela 
própria atividade do grão, mais o ambiente úmido da sacaria, são extremamente 
favoráveis à contaminação. Da mesma forma, o amendoim que, embora seco, for mal 
armazenado pode, em época chuvosa (devido à elevada umidade relativa do ar), 
reumedecer-se e dar condições ao fungo de crescer, possibilitando a contaminação com 
aflatoxina (FONSECA, 2006). 
 
Despencamento mêcanico - Após o processo de cura e secagem, faz-se a retirada das 
vagens ou despencamento, o qual pode ser efetuado manualmente batendo-se um feixe 
de amendoim seco contra a borda de um balaio de bambu ou com auxílio de máquina 
despencadora estacionária (Figura 119). Após a batedura, as vagens do amendoim são 
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peneiradas, ensacadas e, conforme o grau de umidade, continuam a secar em terreiro ou 
continuar a secagem em secador artificial antes de ser consumido ou comercializado. Para 
a estacionária, há a necessidade de se alimentar a máquina manualmente. Portanto, o 
material a ser despencado precisa ser recolhido para o local de batedura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 Figura 119. Máquina despencadora estacionária para processar a separação das vagens 
de amendoim da parte vegetativa da planta. Partes do equipamento: 1) Moega de 
alimentação; 2) tambor de trilhar; 3) Pentes flexíveis (destaque em círculo na foto A) e 
tambor de trilhar; 4). Peneiras vibratórias para separação de vagens e material estanho; 5) 
Protetor de correia; 6) Polia de conexão ao motor; 7) Polia de conexão a trilhadora; 8) 
Saída, descarga de produto; 9) Motor estacionário a gasolina de 13 HP; 10) Chassis de 
transporte e 11) Tampa de ventilação. Fotos: Arquivo da CIAPROT (Bolívia; máquina 
despicadora ou descapotadora de amendoim). 
 
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Outro método semimecanizado de despencamento de amendoim consiste na utilização de 
uma máquina tracionada por um trator que se movimenta ao lado de cada fileira enleirada 
de amendoim, após sua secagem em campo (Figura 120). Para obter maior rendimento, 
são enleiradas quatro ou mais linhas de amendoim em uma só linha e com isto possibilita-
se uma maior eficiência no processo manual (pá em forma de garfo) de recolhimento dos 
molhos secos para alimentar a moega da máquina. Além de separar as vagens da parte 
vegetal, o produto limpo e seco é ensacado na outra extremidade do equipamento. 
 
Figura 120. Despencamento semimecanizado do amendoim com tração tratorizada, 
sendo a alimentação da máquina realizada manualmente com os molhos secos. Foto: 
Arquivo da Empresa Master Grãos. 
 
c) Totalmente Mecanizado 
 
Arracamento e enleiramento - Atualmente, os produtores mais tecnificados vêm 
utilizando a colheita mecanizada em todas as etapas do processo de colheita, o que tem 
ocasionado redução da necessidade de mão de obra, diminuindo significativamente o 
custo de produção, além de aumentar significativamente o rendimento operacional e 
proporcionar melhora na qualidade do produto, uma vez que a operação é mais rápida, 
reduzindo o tempo que o produto fica exposto às intempéries do clima no campo. Na 
colheita mecanizada, a operação de colheita do amendoim inicia-se com o arracador-
enleirador, passando pelo processo de cura (ou secagem) em condições de campo e 
finalizando com o recolhimento das vagens (SILVA et al., 2009). 
Para o arranquio e enleiramento são utilizados os equipamentos denominados de 
arrancadores-invertedores, que fazem as duas operações simultaneamente (Figura 121). 
Este equipamento possui lâminas cortadoras em forma de “V”, onde atrás de cada lâmina 
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existem diversas hastes. Em seguida às hastes, a máquina apresenta uma esteira elevadora 
das plantas acionada pela tomada de potência do trator (TDP). O arranquio ocorre com as 
lâminas cortadoras penetrando no solo a uma profundidade de aproximadamente 5 cm 
abaixo das vagens da planta com a finalidade de cortar as raízes e proporcionar o 
afofamento do solo ao redor das vagens. As hastes contidas na parte posterior das lâminas 
conduzem as plantas com as vagens e o solo para a esteira elevadora que, dotada de 
movimento, separa o solo das plantas. Estas são conduzidas até a parte superior da esteira 
e caem sobre um dispositivo que realiza o enleiramento das plantas na superfície do solo, 
deixando as plantas voltadas para cima (SILVA et al., 2009). 
 
 
Figura 121. Representação esquemática de um arrancador-enleirador de amendoim. 
Fotos: Adriana de Souza Rocha e Raimundo Estrela Sobrinho. 
 
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A velocidade do equipamento arrancador deve ser sincronizada com a velocidade de corte 
ou do alimentador, para obter um fluxo contínuo de plantas e uma linha uniforme. Os 
pontos de roçamento devem estar bem polidos, ou revestidos de material plástico 
deslizante, para permitir o fluxo normal de plantas e evitar o desprendimento de vagens 
(BRAGACHINI et al., 1993). 
 
Considera-se fundamental arrancar o amendoim no momento adequado de maturação. Os 
grãos imaturos com mais de 50% de umidade ou os superamadurecidos (muito 
deteriorados) são mais susceptíveis ao ataque de fungos. Deve-se arrancar com a umidade 
correta do solo e regular adequadamente a arrancadora–invertedora para não arrastar a 
terra ao molho de amendoim. No caso em que as condições do solo não são ideais e a 
máquina arrasta o amendoim com excessiva terra, deve ser usado sem dúvida o 
removedor de fileiras. Além disso, o arrancador-enleirador é a técnica que praticamente 
permitiu a eliminação da ocorrência de aflatoxinas na fileira, em razão das vagens ficarem 
expostas ao ar livre. Desta forma o molho de amendoim é secado rapidamente, evitando-
se a proliferação de Aspergillus. Portanto, durante a operação arrancador-enleirador é 
muito importante assegurar que a máxima quantidade de plantas ficou completamente 
invertida, já que as vagens, que ficam para baixo e tocam o solo, vão formar um 
microclima ideal para o desenvolvimento do fungo A. flavus (CASINI et al, 2010; Figura 
122). 
 
 
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Figura 122. Arrancador-enleirador de plantas de amendoim de uma fileira acionado pela 
tomada de potência do trator. Fotos: Rafael Marani Barbosa 
 
Secagem – As plantas arrancadas permanecem na lavoura por 3 a 5 dias, com as raízes 
para cima (viradas), para completar o processo de secagem natural até os grãos atingirem 
cerca de 18% de umidade (Figura 123). Para isso a secagem ou “cura” do amendoim é 
uma operação de grande importância, na qual se deve tomar o máximo cuidado, pois 
grande parte do valor e qualidade desta oleaginosa pode ser perdida durante essa etapa. 
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Entretanto, esse cuidado normalmente não é verificado, especialmente em virtude de 
razões climáticas e econômicas. Quando arrancadas, as vagens de amendoim 
normalmente contêm entre 35 a 40% de teor de água (CRIAR; PLANTAR, 2008), 
necessitando serem reduzidas para teores entre 18 a 24%, pois de acordo com Silva (2007) 
este é o teor de água ideal para o recolhimento mecanizado do amendoim. 
 
 
Figura 123. Plantas enleiradas ou invertidas no campo em processo de cura ou 
secagem. 
 
Recolhedor de vagens - Após a secagem ao sol ou cura, é feito o recolhimento e 
despencamento das vagens de forma mecanizado, efetuando assim a separação das vagens 
do resto da planta (Figura 124). O equipamento utilizado com esta finalidade é acoplado 
na barra de tração do trator e acionado pela tomada de potência. Na parte dianteira existe 
uma plataforma recolhedora que recolhe as plantas enleiradas do solo por meio de dedos 
com molas e as conduz a uma esteira elevadora, a qual por sua vez, conduz as plantas 
para o mecanismo de batimento ou despencamento constituído pelo cilindro batedor e 
pelo côncavo (SILVA et al., 2009). O funcionamento da batedeira está condicionado ao 
grau de umidade do material a ser colhido, ou seja, o rendimento da máquina é maior 
quando o amendoim colhido se encontra bem seco (Figura 125). O cilindro batedor 
trabalha a baixas rotações, normalmente de 400 rpm a 600 rpm, e o côncavo é constituído 
de uma tela perfurada em formato de um losango onde ocorre a separação das vagens das 
demais partes da planta. Após a separação, as vagens passam por um sistema de limpeza 
composto por peneiras vibratórias e ar, de maneira semelhante às colhedoras de grãos e 
cereais, sendo que, em seguida, as vagens são conduzidas a uma caçamba graneleira 
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própria onde são armazenadas ou podem ser ensacadas com auxílio de um operador. 
Atualmente, a maioria dos equipamentos de recolhimento possui uma caçamba 
basculante para armazenamento do amendoim em vagem e para o esvaziamento da 
mesma; cilindros hidráulicos externos acionados pelo trator levantam a caçamba e fazem 
o descarregamento nos veículos utilizados no transporte (SILVA et al., 2009). 
 
 
Figura 124. Equipamentos utilizados no recolhimento e despencamento do amendoim 
em sistema totalmente mecanizado. Fotos: Odilon R.R.F. Silva 
 
 
 
 
 
 
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Figura 125. A) Detalhes da máquina de arrancamento e enleiramento de amendoim e 
B;C) desempenho da recolheitadeira é maior quando o amendoim colhido se encontra 
bem seco. Fotos: Cristiano Zerbato on Prezi (A) e Arquivo da Sotelo e Sotelo (B). 
https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=5&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjssaLnl73UAhXK4yYKHchXCmIQFgg6MAQ&url=https%3A%2F%2Fprezi.com%2Fqupinaxcw9xy%2Faula-de-colheita-de-amendoim%2F&usg=AFQjCNFFswv5m04rNcvGoDVr4-Mb_nnYyA
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O despencamento deve ser realizado quando a umidade do amendoim na fileira diminui 
de 40-45%, no momento da operação de arrancamento, para 20-24%, após 4 a 10 dias de 
secagem (início do despencamento). Esse intervalo de umidade do ínicio do 
despencamento dependerá do sistema de secagem: 
 
1) No caso de contar com secadores no campo, o despencamento pode iniciar com 18-
22% de umidade, em função de produzir menos danos e perdas mecânicas. 
 
2) No caso de armazenar o amendoim em campo, sem a prévia secagem artificial, a 
umidade das vagens no momento do início de despencamento não deve ser inferior a 15%, 
porque aumenta o risco de produzir dano mecânico (BRAGACHINI; BONGIOVANNI, 
1993b). 
 
É necessário retirar o amendoim o mais rápido possível do campo. A secagem preliminar 
do amendoim na fileira deve ser feita o mais rapidamente possível já que o fungo se 
desenvolve rapidamente e precisa de apenas algumas horas para produzir aflatoxinas, 
especialmente quando o grão tem um alto teor de umidade e a temperatura ambiente é 
superior a 25 °C. O uso de colhedoras equipadas com o sistema multicilíndrico de dentes 
flexíveis permite um despencamento progressivo e operando-as corretamente evitam o 
dano mecânico nas vagens. A alta velocidade do cilindro e dos mecanismos internos são 
as principais causas de dano mecânico no amendoim. Recomenda-se usar a menor 
velocidade possível do cilindro que permita uma correta separação das vagens do resto 
da planta. O dano mecânico em vagens e grãos é um dos fatores de maior incidência ao 
deterioro do amendoim, aumentando assim a predisposição ao ataque de fungos com 
consequente formação de aflatoxinas. Uma boa regulagem das máquinas colhedoras evita 
o recolhimento excessivo de impurezas (terra, plantas daninhas e outros restos vegetais). 
Finalmente, é muito importante limpar bem a máquina despencadora e equipamentos 
(acoplados, moegas, correias, etc.) antes e depois de operá-las para remover os restos de 
colheita, porque constituem numa fonte frequente de contaminação de aflatoxinas 
(CASINI; BRAGACHINI, 2010). 
 
Quando a colheita mecanizada é feita com recolhedoras que fazem o armazenamento das 
vagens de amendoim a granel, a produção é transportada por meio de carretas graneleiras 
ou transbordos tracionados por trator. Por sua vez, quando a recolhedora utilizada faz o 
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ensaque, o amendoim em vagem ensacado fica distribuído no campo, e se utilizam 
carregadeiras usadas para colheita de cana-de-açúcar para o carregamento dos sacos em 
caminhões que transportam do campo até as unidades de recebimento ou armazenamento 
(BOLONHEZI, 2013). 
No sistema mecanizado, que requer necessariamente espaçamento de 0,90 m entre 
fileiras, o processo de colheita do amendoim, principalmente para as variedades rasteiras, 
pode ser iniciado pela passagem de uma roçadeira de pasto, tracionada por trator, regulada 
à altura do corte para a cerca de 0,30 m do nível do solo, a fim de aparar as extremidades 
dos ramos da cultura, eliminando-se assim a maior parte da folhagem (Figura 126). Uma 
vez reduzindo a quantidade de massa verde, a seguir é utilizado o implemento arrancador-
invertedor para efetuar numa só operação, o corte das raízes das plantas em duas fileiras 
(quatro ou seis), chacoalha as plantas, por um sistema vibrador, visando a retirada da terra 
e deixe-as enleiradas no terreno, com as vagens viradas para cima, para permitir a 
secagem. Apesar de o arrancamento mecanizado ocasionar maior perda de vagens em 
relação ao sistema semimecanizado, em que o amendoim foi enleirado manualmente, o 
rendimento elevado de sua operação favorece o trabalho de colheita em vastas áreas 
cultivadas (NAKAGAWA; ROSOLEM, 2011). 
 
Figura 126. Roçadeira de pasto, tracionada por trator, regulada à altura do corte para a 
cerca de 0,30 m do nível do solo, a fim de aparar a maior parte da folhagem das plantas 
do amendoim rasteiro, facilitando o trabalho da máquina arrancador-enleirador. Foto: 
Bruno Vitor Laurindo. 
 
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Nos últimos anos, produtores mais tecnificados realizam todas as etapas da colheita 
mecanicamente,onde as vagens ainda úmidas são despencadas, em algumas situações, 
com o teor de umidade acima do adequado. Ou seja, as plantas são arrancadas, enleiradas 
no solo, onde sofrem secagem preliminar suficiente no campo para as folhas murcharem 
e poder realizar a operação da batedura ou despencamento. Por não terem atingido o teor 
ideal de umidade antes da batedura mecanizada, as vagens são levadas imediatamente 
para o processo de secagem, seja naturalmente em terreiros, lonas plásticas ou em 
secadores artificiais (NAKAGAWA; ROSOLEM, 2011). 
 
Secagem artificial - Quando se utiliza a secagem artificial, ainda feita na quase totalidade 
para as sementes em fábricas de extração de óleo, o amendoim pode murchar apenas em 
campo, o suficiente para um despencamento manual ou mecânico, devendo ir 
imediatamente para o secador horizontal ou vertical. Neste caso a qualidade do produto 
pode ser também baixa, após essa secagem artificial, devido ao seguinte: 
 
1– Secagem demasiadamente rápida, com temperaturas acima de 35ºC, que muitas vezes 
causam torração, enrugamento, rompimento da película (tegumento), separação dos 
cotilédones, escurecimento dos cotilédones, rachadura na casca das sementes, sabor 
desagradável e oxidação do óleo (rancidez). As temperaturas utilizadas embora variem 
em função do sistema e do equipamento, podem ser maiores quando o produto se destina 
para a indústria de óleo, comparadas ás recomendações para o consumo e menores quando 
destinadas à semente (PUZZI, 1986; NAKAGAWA; ROSOLEM, 2011). 
 
2– Secagem muito lenta, com pouco calor e ventilação, resulta muitas vezes em bolores, 
descoloração e rancificação das sementes. 
 
Os trabalhos experimentais mostram que, quanto maior o teor de água do produto, tanto 
menor deve ser a temperatura de secagem (no caso do amendoim de 30 a 35 ºC) para 
evitar alterações indesejáveis. Por outro lado, quanto mais seco, mais o produto tolera 
temperaturas mais altas (38 a 40 ºC; PUZZI, 1986). A seguir, o detalhamento do 
funcionamento de dois tipos de secadores: horizontal e vertical. 
 
 
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Secador horizontal - Para o processo de secagem artificial no secador horizontal (Figura 
127), recomenda-se que as vagens de amendoim provenientes do campo sejam 
selecionadas com base na sua qualidade antes de acondicioná-las em sacos de ráfia ou 
juta. O secador horizontal é constituído por dois túneis individuais feitos por uma 
estrutura cimentada por onde circula o ar quente com a temperatura de até 41ºC, a qual é 
controlada por um termostato. Na parte superior da plataforma do secador é instalado uma 
grossa estrutura de madeira com várias bocas retangulares, com formato parecido a um 
tabuleiro de jogo de xadrez. Em cada boca de saída de ar quente, insuflado por um 
ventilador, é vedado por um saco de amendoim, podendo permanecer por até 4 dias em 
processo de secagem e a cada dia, os sacos são reposicionados. O tipo de agente de 
secagem é o diesel que fica armazenado em um cilindro de aço posicionado na 
extremidade do secador. Sua queima irá aquecer o ar ambiente que é insuflado pelo 
ventilador sobre o leito de secagem. O fluxo de ar deverá ser suficiente para vencer a 
perda de carga nos dois túneis e nos sacos de frutos que estão fechando as bocas 
retangulares de secagem, bem como para arrastar todo a umidade liberada pelo material 
para fora do secador. Caso o produto não requeira ar quente para secagem, o fluxo de ar 
de secagem do ventilador poderá utilizar apenas a temperatura ambiente, deixando sem 
funcionar o queimador a deisel. Em seguida, os sacos com os frutos são transportados a 
uma máquina de ar e peneira, visando eliminar as impurezas, e, de imediato, submetidos 
ao processo de higienização. 
 
 
 
 
 
 
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Figura 127. Secador horizontal com os sacos de amendoim tapando as bocas de saidas 
de ar ambiente ou ar quente insuflado por um ventilador e/ou um queimador gerado a 
diesel. Fotos: Vicente de Paula Queiroga 
 
Secador vertical - O princípio de funcionamento do secador vertical é quase parecido ao 
sistema de secador horizontal. Ou seja, através do elevador de caçamba, as vagens são 
transportadas para encher os três silos verticais. Na tubulação de descarga dos frutos deve 
apresentar uma inclinação direcionada para a parede superior do silo, na qual está fixada 
uma pequena folha de borracha de esponja para evitar a queda das vagens. Com a queima 
do diesel, o ar quente gerado é insuflado por um ventilador para o leito de secagem do 
silo. Esse sistema está projetado para atender os dois silos verticais (Figura 128), enquanto 
o terceiro silo denominado de pulmão apenas recebe a insuflação do ar ambiente (Figura 
129). Ao lado de cada silo vertical existe de forma independente um ventilador e um 
queimador (cilindro de aço abastecido com diesel), exceto o silo pulmão que não dispõe 
de queimador. O sistema de secagem é considerado estacionário porque o calor é 
fornecido e a água é removida dos frutos acumulados no interior do silo. Uma vez 
completado o processo de secagem, os frutos deslizarão por gravidade pela tubulação para 
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encher os sacos de ráfia ou esteira vibratória que desemboca na moega que alimenta uma 
máquina de ar e peneira, instalada dentro do galpãos. 
 
 
 
Figura 128. Silos verticais estacionários dotados de sistema de aquecimento e ventilação. 
Fotos: Vicente de Paula Queiroga 
 
 
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Figura 129. Silo pulmão dotado apenas de ventilação. Fotos: Vicente de Paula Queiroga 
 
Ensacamento - Uma vez colhido o amendoim, manual ou mecanicamente, é 
acondicionado, em casca, no próprio campo, geralmente em sacas de juta ou malva com 
capacidade de 25 kg/vagens. Quando se emprega recolheitadeira que não realiza o 
ensacamento, então a produção é transportada a granel para o local de processamento ou 
armazenamento, sendo o mesmo procedimento para o amendoim ensacado. 
 
BENEFICIAMENTO 
 
Antes de efetuar a comercialização das sementes, em se tratado de cooperativa ou 
associação de produtores, o amendoim em vagem, normalmente seco, é recebido em 
sacaria ou a granel na Unidade de beneficiamento de Sementes (UBS). Primeiramente, as 
vagens são submetidas ao processo de limpeza em máquinas de pré-limpeza (ou pré-
limpeza e em separador de pedras), antes de sofre descascamento ou o armazenamento. 
Quando as vagens estiverem úmidas em função da colheita totalmente mecanizada e da 
secagem preliminar no campo, então o material deverá seguir imediatamente para a 
secagem artificial e depois irá sofrer a limpeza. Esta limpeza é pouco necessária no 
material procedente da colheita manual em comparação as mecanizadas ou 
semimecanizadas. 
 
O descascamento pode ser realizado por descorticador de barras ou por descorticador de 
discos (FONSECA, 1981). Após o processo de descascamento, as sementes são separadas 
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das impurezas empregando máquinas, cujos órgãos principais são as peneiras e os 
ventiladores (colunas de ar ou fluxo de ar). Para mercados exigentes, o material limpo 
pode sofre uma classificação em tamanho com emprego de classificador por largura 
(peneiras), por diferença de densidade ou massa em mesa de gravidade (ou densimétrica), 
seleção eletrônica (coloração) e por catação manual em esteiras (aspecto visual da 
semente). Com relação ao tratamento orgânico, recomenda-se usar o mastruz em pó na 
dosagem de 900 g do pó para 60 kg de sementes de amendoim (PROCÓPIO; 
VENDRAMIM, 1995). Por meio de balança ensacadora, as sementes são pesadas e 
colocadas em embalagem de papel multifoliado e valvulado (30 kg). Na Figura 130, 
verifica-se o fluxograma da linha de beneficiamentoutilizada na UBS desde a entrada das 
vagens de amendoim até a embalagem das sementes ou grãos. 
 
Figura 130. Fluxograma do processo de beneficiamento utilizado na UBS de amendoim 
desde o recebimento das sementes ou grãos em vagens até o setor de embalagem. Fonte: 
João Nakagawa e Ciro Antônio Rosolem (2011). 
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Após a etapa de secagem das vagens de amendoim em campo, recomenda-se proceder a 
eliminação dos materiais defeituosos e as impurezas, a fim de diminuir ou evitar a 
contaminação com a aflatoxina. Uma vez recebido as vagens, provenientes da colheita 
realizada no campo, estas seguem para a UBS, e dependendo de como chega, pode passar 
pelas seguintes máquinas: 
 
 
Máquina de pré-limpeza – Essa máquina de pré-limpeza de vagens (ou sementes) de 
amendoim está projetada para remover eficientemente os materiais estranhos contidos 
dentro do lote (Figura 131). A eficiência dessa máquina para produzir sementes mais 
limpas ou padronizadas, dependerá do tipo de colheita (manual ou mecânica) e do 
tamanho da semente de cada cultivar. Suas peneiras de pré-limpeza possuem bandejas de 
largura e tem uma capacidade nominal de 75-100 toneladas por dia. Na Figura 132, 
encontram-se os principais matérias contaminantes do lote de amendoim. 
 
 
 
 
Figura 131. Esquema de funcionamento da máquina de ar e peneiras: A- Moega; B- 
Ventilador aspirador; C- Primeira peneira; D- Segunda peneira; E- Terceira peneira; F- 
Ventilador de impulsão; G- Depósito de impurezas leves; H- Saída de vagens limpas; e 
I) Saída de impurezas grossas. Vagens de amendoim classificadas em tamanhos diferentes 
através da máquina de ar e peneiras. Foto: Odilon Reny Ribeiro Ferreira da Silva. 
 
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Figura 132. Frutos de amendoim defeituosos que deverão ser eliminados na máquina de 
pré-limpeza, evitando assim a contaminação do lote com a aflatoxina. Foto: Arquivo da 
Agricultural Engineering Institute. 
 
 
Separador de pedras – Quando lotes de vagens ou sementes de amendoim, após 
passarem pela máquina de ar e peneiras, ainda possuírem materiais pesados como pedra 
e areia, é aconselhável utilizar um separador especial que também separa baseado na 
diferença de peso específico, denominado de separador de pedras. Além de ser 
semelhante à mesa de gravidade, o separador de pedras (Figura 133) é um equipamento 
com o mesmo princípio de funcionamento por separar somente dois componentes, as 
vagens ou sementes (fração leves) e as impurezas (fração pesada). Em princípio, o ar 
estratifica o material e em seguida se dá a movimentação das vagens ou sementes para 
baixo e das pedras, mais pesadas, para cima. A fração pesada (pedras, por exemplo) é 
descartada na extremidade de descarga. 
 
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Figura 133. Separador de pedras contidas nos lotes de vagens ou sementes de amendoim. 
 
Descascadores – O descascamento do amendoim pode ser feito manualmente ou com 
equipamentos de acionamento manual ou totalmente mecanizado. O descascamento 
manual é extremamente demorado, requerendo elevada quantidade de mão de obra. 
Assim, as formas predominantes de descascamento utilizadas pelos pequenos produtores 
são por meio de pequenas máquinas de acionamento manual ou motorizado, e os grandes 
produtores utilizam máquinas de grande porte motorizadas. A seguir alguns modelos de 
descascador de amendoim que poderão ser utilizados por pequenos, médios e grandes 
produtores nordestinos de amendoim. 
 
Um modelo simples de máquina de descascar amendoim que é composto por uma tela 
curva na parte inferior do tambor e, no seu interior, gira um pneu largo com superfície 
estriadas, acionado manualmente por uma manivela, para atritar junto a tela de metal as 
vagens que estão sendo alimentadas na moega. Com efeito ocorre no tambor a separação 
de cascas das sementes, sendo ambos materiais descarregados por gravidade sobre uma 
rampa inclinada (Figura 134). 
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Figura 134. Descascador manual de amendoim para os pequenos agricultores da 
agricultura familiar. 
 
Para facilitar o beneficiamento do amendoim, os técnicos da Colômbia desenvolveram 
um pequeno descascador manual para atender os pequenos produtores, o qual permite a 
separação da casca da semente e também sua limpeza em uma só operação e com menor 
esforço. Trata-se de um equipamento simples e de baixo custo, formado por um tambor 
dentro do qual gira um eixo ondulado que, ao introduzir as vagens de amendoim por um 
alimentador, irá esfregar e descascar, expulsando assim as cascas por umas telas inferiores 
(Figura 135). Sua capacidade operacional de descascamento é de 80 a 100 Kg por hora, 
mas é necessário o rodízio de três pessoas para atingir seu máximo rendimento. Além 
disso, a máquina não requer uma manutenção especial, apenas a limpeza normal. 
 
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Figura 135. Equipamento de descascamento de amendoim usado pelos pequenos 
produtores da Colômbia. Foto: Arquivo da Agricultural Engineering Institute. 
 
O descascador mecânico de amendoim do fabricante Semecat (modelos SM-2 e SM-3) é 
composto por cilindros descascadores. O amendoim passa por estes cilindros compostos 
por grelhas e barras onde a casca é retirada, à qual é levada para fora do sistema por meio 
de um ventilador, deixando somente o amendoim passar para uma peneira oscilante onde 
é separado (Figura 136). As menores vagens não descascadas voltam para um cilindro 
menor para serem descascadas. No modelo mais simples “SM-1” do mesmo fabricante 
(Semecat), o seu mecanismo de funcionamento difere um pouco dos referenciados acima, 
por após a remoção das cascas do sistema, as sementes do amendoim serem levadas por 
gravidade para um deposito abaixo. 
 
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Figura 136. Descascador de amendoim do fabricante Semecat, modelos SM-3 (A) e 
modelo SM-1 (B). Fotos: Arquivo da Semecat - Máquinas Agrícolas e Vicente de Paula 
Queiroga. 
 
A Embrapa Algodão desenvolveu alguns equipamentos visando aumentar a capacidade 
de trabalho do pequeno produtor rural e reduzir os custos, principalmente da operação de 
descascamento do amendoim (SILVA et al., 1999b). O equipamento de descascamento 
possui um chassi feito com cantoneiras de ferro para sustentação do mecanismo 
descascador, o qual é composto de um côncavo, confeccionado com barras chatas e 
redondas de ferro, que formam uma tela curva e um semicilindro formado por barras 
chatas de ferro dotadas de fileiras de grampo galvanizado de cerca, com a função de 
promover a quebra das vagens, sendo este acionado por uma alavanca manual (Figura 
137). O descascamento ocorre pela fricção das vagens no côncavo, provocada pelo 
movimento alternado semicircular do semicilindro, induzindo à quebra das cascas das 
vagens, e estas, juntamente com as sementes, fluem através das malhas do côncavo, 
caindo sobre uma lona de pano ou de plástico. A alimentação é feita por um operador, 
que coloca as vagens de forma contínua e uniforme, em uma espécie de moega, que é 
continuação do côncavo. Por se tratar de um equipamento simples, o mesmo não dispõe 
de dispositivo de separação da casca das sementes, necessitando, assim, que esta operação 
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seja feita de forma manual, com o auxílio de uma peneira e do vento para a abanação e, 
consequentemente, da limpeza dos grãos. Em testes de avaliação, o equipamento 
apresentou capacidade operacional média de 83 a 113 kg/hora de trabalho efetivo, com 
eficiência de descascamento entre 95% a 96% e quebra das sementes abaixo de 6%, 
dependendo das condições de umidade das vagens do amendoim. 
 
 
Figura 137. Equipamento de descascamentodo amendoim de acionamento manual. 
Fotos: Odilon R.R.F. Silva e Vicente de Paula Queiroga. 
 
A partir do equipamento de acionamento manual, a Embrapa Algodão também 
desenvolveu um equipamento com o mesmo princípio de funcionamento com 
acionamento motorizado. Entretanto, o equipamento com acionamento motorizado 
possui um sistema de separação das cascas dos grãos, o qual é feito por meio de um 
ventilador exaustor que succiona o ar na parte de baixo do côncavo, e, como as cascas 
são mais leves que os grãos, succiona as mesmas e ocorre a remoção (Figura 138). 
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Figura 138. Descascador de amendoim adquirido no mercado pela Embrapa. Foto: 
Vicente de Paula Queiroga. 
 
As máquinas de grande porte utilizadas em unidades de beneficiamento são constituídas 
basicamente por dois sistemas, sendo um de descascamento ou batimento e outro de 
separação e limpeza (Figura 139A). O sistema de descascamento é constituído de um 
cilindro batedor de barras e um côncavo em forma de peneira (Figura 139B). A ação do 
cilindro sobre as vagens quebra as mesmas e faz com que tanto as sementes como os 
fragmentos de vagens (cascas) atravessem a peneira do côncavo. Em seguida, as cascas 
são separadas das sementes por meio da força do ar produzido por um ventilador. As 
sementes por apresentarem peso maior que as cascas não são carregadas pelo ar e são 
conduzidas para outro mecanismo de separação e limpeza ou então ensacadas. 
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Figura 139. Equipamento utilizado no descascamento do amendoim (A) e mecanismo de 
descascamento do equipamento constituído por cilindro e côncavo (B). Fotos: Valdinei 
Sofiatti. 
 
Máquina de limpeza e classificação de sementes – Após o processo de descaroçamento, 
as sementes de amendoim junto com as impurezas devem ser submetidas a uma ventilação 
complementar numa máquina de classificação adaptada pela Indústria Scott Tech de 
Vinhedo, SP, dotada de duas peneiras vibratórias, com alimentação feita por um elevador 
de caçamba, o qual possui uma bica de descarga na sua parte superior por onde passam 
as sementes sujas (Figura 140). A função da peneira da parte superior é apenas reter as 
impurezas maiores, enquanto as sementes são retidas na peneira inferior, a qual deixa 
passar as impurezas menores. Uma vez eliminadas essas impurezas contidas no lote, o 
processamento permite aumentar a pureza das sementes acima de 98%, pois esse 
equipamento tem um desempenho de funcionamento semelhante à máquina de ar e 
peneira utilizada nas Unidades de Beneficiamento de Sementes (UBS). Uma forma 
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simples de limpeza de sementes de amendoim em local coberto para pequenos 
agricultores é através de peneira comum utilizada na construção civil e com ajuda de 
ventiladores (Figura 141). 
 
 
Figura 140. Ventilação de sementes de amendoim em máquina de classificação da 
Unidade de Beneficiamento de Sementes. Fotos: Vicente de Paula Queiroga. 
 
 
Figura 141. Limpeza dos grãos de amendoim usando uma peneira numa área coberta e 
com ventilação artificial. 
 
 
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A Tabela 18 é usada para separar os grãos de amendoim por tamanho. A medida de 
separação é expressa em peneiras de furos redondos de diversos tamanhos (Figura 142), 
onde os grãos maiores são retidos nas peneiras de nº 23, 25 ou maior, enquanto os menores 
são retidos nas peneiras de nº 17, 19 e 21. Os grãos mais valorizados no comércio são os 
de tamanho 38/42 e 40/50. 
 
Tabela 18. Classificação dos grãos de amendoim por tamanho, exigido pelo comércio 
exterior. 
Peneira Grãos/Onça 
25 38/42 
23 40/50 
21 50/60 
19 60/70 
17 80/100 
Fonte: Ignácio José de Godoy; Obs: Ao passar na Peneira de nº 25, são necessários 38 a 
42 grãos para pesar 28,35 g ou 1 onça. 
 
 
Figura 142. Peneiras em chapas com diversos furos redondos usadas para classificação 
dos grãos de amendoim por tamanho. 
 
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Seleção de sementes em mesa de gravidade - As pesquisas têm evidenciado que a 
inclusão da mesa gravitacional na linha de beneficiamento é vantajosa para o 
aprimoramento da qualidade das sementes de amendoim (Figura 143). Ao estudar essas 
perdas em toda linha de beneficiamento, estima-se uma perda de 20% de massa de 
sementes. Ou seja, essa perda quantitativa de sementes é possível exemplificar da 
seguinte forma: 100 kg de sementes irá resultar em 80 kg de sementes amendoim de alta 
qualidade no final do processo de classificação em mesa de gravidade (GREGG, 1969). 
 
 
Figura 143. A operação na mesa de gravidade seleciona e melhora a qualidade das 
sementes de amendoim ou classificação por peso específico. Fotos: Vicente de Paula 
Queiroga. 
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Os equipamentos que separam pela densidade, como a mesa de gravidade, têm sido 
amplamente usados na indústria de sementes já que melhoram a qualidade ao eliminar do 
lote os seguintes tipos de grãos: danificados, chocos, perfurados por pragas, partidos ou 
trincados, doentes, ou outros materiais indesejáveis mais leves do que os grãos ou 
sementes boas (Figura 144). Isso permite a comercialização de uma porção do lote de 
sementes que de outra forma seria descartada como sementes por não preencher os 
requisitos mínimos de qualidade dos padrões recomendados pelo MAPA. 
 
Figura 144. Por meio do beneficiamento na mesa de gravidade, eliminam-se os grãos 
indesejáveis contidos no lote de amendoim para prevenir contaminação de aflatoxina. 
Foto: Arquivo da Agricultural Engineering Institute. 
 
Seletora eletrônica - No Brasil, o equipamento conhecido como classificador de 
sementes por cor é chamado de Seletron, o qual exerce a função de separação de sementes 
com base na coloração. O princípio de utilização é semelhante ao do equipamento Color 
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Sortex, o qual consiste de sistemas de células fotoelétricas que mudam suas características 
elétricas de acordo com a intensidade luminosa emitida pela semente (PESKE et al., 2003; 
Figura 145). Entretanto, é baseado em um sistema monocromático (mais claro e mais 
escuro) e bicromático (claro e escuro) empregado mais em sementes de amendoim, arroz, 
feijão e café. Prete e Cícero (1987), trabalhando com sementes de amendoim na 
classificação pela cor pelo uso da Seletron, verificaram baixa qualidade física, fisiológica 
e sanitária das sementes no material descartado. 
 
 
Figura 145. Máquinas fotoelétricas bicromáticas utilizadas na separação de grãos que 
apresentam algum tipo de dano ou de diferente cor ao estabelecido como padrão. Foto: 
Arquivo da empresa semillero El Carmen. 
 
 
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Por conseguinte, a máquina fotoelétrica bicromática exerce a função da separação com 
base na coloração das sementes procedentes da máquina de limpeza e classificação. Essa 
classificação fotoelétrica é feita a partir de diferenças de tonalidades de sementes 
aceitáveis e indesejáveis. A máquina é programada para remoção de sementes com cores 
pré-estabelecidas (Figura 146). Cada semente é analisada individualmente, por meio de 
dispositivo de detecção. Caso seja detectada a cor padrão da semente, estas são 
direcionadas para a bica de material desejável. Porém, quando as sementes apresentam 
alteração na cor e manchas, um jato de ar comprimido é acionado e são desviadas para a 
bica de material indesejáveis (SILVA, 2012). Além disso, as máquinas fotoeléctricas 
bicromáticas separam os grãos que apresentam algum dano, corpos estranhos, vagens ou 
grãos de outra cor que diferem da cor padrão do amendoim de confeitaria que se deseja 
obter. O material removido é acumulado com os demais da etapaporte rasteiro, a haste principal também é vertical, porém, curta, atingindo 20 a 30 cm de 
comprimento. Os ramos primários crescem horizontalmente e se espalham pelo solo, 
emitindo alternadamente gemas reprodutivas ou ramificações secundárias e terciárias, 
formando uma arquitetura mais espessa do que a de variedades de porte ereto (GODOY 
et al., 2005). A Figura 1 ilustra a planta de amendoim. 
 
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Figura 1. Características morfológicas da planta do amendoim. Fonte: Imagens Google, 
2008. 
 
Raiz - O sistema radicular (Figura 2) é constituído por uma raiz pivotante, com raízes 
laterais, formando um conjunto bastante ramificado e profundo, permitindo a exploração 
de umidade do solo, normalmente, não disponível a outras culturas anuais. Embora possa 
atingir profundidades superiores a 60 cm, cerca de 60% das raízes estão distribuídas nos 
primeiros 30 cm do solo (KRANS et al., 1980). 
 
 
Figura 2. Raiz central da planta de amendoim pode superar os 60 cm de profundidade. 
Foto: Ignácio José de Godoy. 
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 Por se tratar de uma leguminosa, as raízes apresentam nodulação (Figura 3), indicadora 
da presença de bactérias simbióticas fixadoras de nitrogênio atmosférico, que pertencem 
a diferentes gêneros científicos, como, Rhizobium spp. e Bradyrhizobium spp., 
coletivamente conhecidas como rizóbios. No caso do amendoim, a bactéria 
Bradyrhizobium spp. pertence ao grupo do cow-pea, e é encontrado em quantidade na 
maioria dos solos utilizados. Os nódulos, que se caracterizam por ser em grande número 
(400 a 800) e de pequeno tamanho (1 a 4 mm), encontram-se nas raízes principais, 
primárias e secundárias, porém concentram-se mais nos primeiros quinze centímetros do 
sistema radicular (NAKAGAWA, ROSOLEM, 2011; GILLIER; SILVESTRE, 1970). 
 
 
 
Figura 3. Arachis hypogaea: (A). Parte subterrânea com dois ginóforos, em cujas 
extremidades o ovário dará origem às vagens (fruto) e raízes com nódulos (note que um 
deles, abaixo do ginóforo da direita, está cortado e possui área circular avermelhada); (B) 
Ampliação da região da raiz contendo o nódulo que foi cortado, para evidenciar a cor 
avermelhada devido à presença da leghemoglobina, e outro nódulo inteiro e (C-D) 
Detalhes da raiz, frutos, nódulos e ginóforo na planta de amendoim (C). Fotos: Lucia 
Maria Paleari. 
 
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 É importante esclarecer que a presença da molécula leghemoglobina (legHb) no interior 
dos nódulos das leguminosas, além de ser responsável pela coloração avermelhada, é de 
prover as bactérias fixadoras com oxigênio suficiente para que elas façam a respiração 
celular, sem, contudo, deixar o ambiente repleto desse gás, que, em excesso, impede as 
bactérias de fixar nitrogênio. O que ocorre é que para conseguir fixar o nitrogênio, 
sintetizando amônia (NH3), que logo em seguida é transformada em produtos menos 
tóxicos assimiláveis pelo vegetal, a bactéria produz e precisa utilizar uma enzima, 
molécula esta do grupo das proteínas. Essa enzima, denominada de nitrogenase, tem uma 
característica especial: ela é incapaz de agir se o ambiente estiver oxigenado (aeróbico). 
Portanto, é preciso de ambiente anaeróbico (do grego an = ausência, privação), para que 
a fixação biológica do nitrogênio aconteça (PALEARI, 2015). 
 
Caule e ramificações – O caule principal e as ramificações primárias desde a base podem 
medir 0,20 - 0,70 m de comprimento, dependendo da variedade. As ramificações são 
sempre herbáceas, de cor verde claro, verde escuro ou de tonalidade arroxeada. Os caules 
ramificados que, conforme a variedade, apresentam aspecto rasteiro, semiereto ou 
francamente ereto, e são ligeiramente pelosos. São de secção angulada em sua fase jovem 
e se tornam cilíndricas ao envelhecer. Enquanto a medula central desaparece com o tempo 
e os caules de certa idade são ocos. 
 
As ramificações variam quanto ao número e tamanho, sendo maiores no tipo rasteiro em 
relação ao ereto. Da mesma forma, a disposição das gemas vegetativas e reprodutivas na 
haste principal e nas ramificações podem variar. Essas características são empregadas 
para diferenciar as cultivares e os grupos ou tipos vegetativos na espécie cultivada 
(NAKAGAWA, ROSOLEM, 2011). Existem dois tipos de formas: a). Sequencial que é 
característica do crescimento ereto, sendo que na haste principal se emite de 4 a 6 ramos 
laterais ascendentes; e b). Alternada que é caracterizada pela ausência de flores na haste 
principal, sendo que as gemas reprodutivas vão surgir em ramos laterais em forma 
alternadas (Figura 4). 
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Figura 4. Tipo de ramificação da planta de amendoim: a). Alternada e b). Sequencial. 
Foto: Sergio Cobel. 
 
É importante frisar que o grupo Virgínia apresenta ramificação alternada, sem 
inflorescência no ramo principal, hábito de crescimento prostrado ou ramador, uma ou 
duas sementes por vagem e ciclo vegetativo entre 120 a 160 dias. As variedades deste 
grupo subdividem-se em rasteiras (runners) e arbustivas (bunch) sendo a estrutura 
vegetativa das primeiras (rasteiras) mais eficiente na produção de vagens em função do 
maior contato dos ginóforos com o solo (NOGUEIRA; TÁVORA, 2005; FERNANDES, 
2011). 
 
Folhas - Suas folhas são compostas (Figura 5), alternas, dispostas em dois pares de 
folíolos iguais, com pecíolos longos, ovalados, pubescentes, de borda inteiro e de 
coloração esverdeada (CENTURION; CENTURION, 1998). Normalmente, as folhas são 
pinadas com quatro folíolos, sustentados por um pecíolo longo de até 10 cm de 
comprimento. Cada folíolo apresenta um formato mais ou menos elíptica, arredondado 
na base e mais ou menos agudo no ápice. Os folíolos têm estômatos em ambas faces e 
compreendem um mesófilo esponjoso que se apresenta como um tecido capaz armazenar 
água. Apresentam movimentos nictinásticos ascendentes, ou seja, durante o dia os 
folíolos ficam distendidos ao máximo para captar a energia solar, mas a noite eles se 
voltam para cima, evidenciando sua face abaxial. Seu pecíolo comprido, de seção 
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canaliculado, é rodeado em sua base por duas estípulas longas de forma lanceolada. As 
variações da organização foliar dão as vezes folhas de cinco, três ou dois folíolos, e 
inclusive de um só folíolo. O tamanho dos folíolos varia entre cultivares, sendo maiores 
na subespécie fastigiada que na subespécie hypogaea. Na planta, os folíolos do caule são 
pouco maiores que os dos ramos, e o par apical é geralmente maior que o basal (GILLIER; 
SILVESTRE, 1970; COFFELT, 1989; RAMANATHA; MURTY, 1994). 
 
 
Figura 5. Folha de amendoim formada por quatro folíolos. Foto: Vicente de Paula 
Queiroga. 
 
Flor - As flores são amarelas (Figura 6), emitidas nas axilas das folhas em inflorescências, 
agrupadas em número variável ao longo do ramo principal ou também dos ramos 
secundários, conforme a variedade ou o tipo vegetativo. Todas são potencialmente férteis 
e hermafroditas, autógamas, com baixa porcentagem de cruzamentos naturais. A flor é 
séssil, completa. O cálice é verde, composto de cinco sépalas soldadas nas hastes, 
formando um tubo calicinal que se insere na axila da folha. A corola é laranja, com cinco 
pétalas inseridas na parte superior do tubo calicinal (ou hipanto; estandarte, duas asas e 
quilha, constituída de duas pétalas unidas pelos bordos inferiores). A pétala maior é o 
estandarte que apresenta diversos tons de amarelo, ás vezes com estrias de coloração 
diferente e que permitem diferenciar tipos de cultivares. O ovário acha-se localizado ao 
nível de inserção do tubo do cálice, é séssil, com dois a cinco óvulos, raramente seis, 
sendo estes presos à soltura ventral. O estilete percorre todo o comprimento do tubo e se 
 Canterior até sua posterior 
destinação. 
 
 
 
Figura 146. Equipamento utilizado para seleção vagem ou grãos de amendoim por cor. 
Foto: Arquivo da empresa Alibaba. 
 
Catação manual – O amendoim procedente da máquina de limpeza e classificação de 
sementes ingressa na inspeção final feita manualmente, com grãos de amendoim 
conduzidos através de uma esteira transportadora, onde o pessoal especializado remove 
todo corpo estranho, grãos defeituosos ou de outra cor, que na etapa anterior não foi 
eficiente na separação (Figura 147). Sua seleção manual é exigida quando os grãos se 
destinam para o mercado externo, obtendo-se o produto denominado HPS (Hand Picked 
and Selected = catado e selecionado à mão). 
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Figura 147. Pessoal especializado na remoção manual de material estanho ou grãos 
defeituosos do lote de sementes ou grãos. 
 
Tratamento de sementes com produto natural em pó (Chenopodium ambrosioides) - 
Depois da etapa de seleção em mesa de gravidade, as sementes de amendoim são retiradas 
pelo produtor e estão prontas para sua comercialização ou podem ainda ser direcionadas 
ao setor de tratamento de sementes com produto orgânico em pó, dando assim ao 
agricultor a opção de levar a sua semente tratada organicamente para o armazenamento. 
 
Portanto, na manutenção da qualidade das sementes e na prevenção e controle de doenças, 
o controle com estratos orgânicos é essencial. Nesse contexto o tratamento das sementes 
com estrato orgânico tem sido uma prática indispensável, sendo que praticamente 100% 
das sementes de amendoim destinadas ao armazenamento por mais de 3 meses deverão 
ser tratadas organicamente. 
 
O Brasil é o maior consumidor de pesticida da América Latina, com graves problemas 
relacionados ao seu uso, já amplamente conhecidos. Entretanto, novos métodos 
alternativos de controle de pragas estão sendo utilizados (LOVATTO et al., 2004). Uma 
das alternativas para minimizar esses problemas é a utilização de novos produtos com 
ação inseticidas, extraídos das plantas ricas em compostos bioativos de atividades 
inseticidas, fungicidas, repelentes, principalmente para atender o nicho dos consumidores 
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de produtos orgânicos e dos agricultores que não dispõem de recursos para aquisição e 
uso de inseticidas sintéticos. 
 
A espécie Chenopodium ambrosioides L. (Chenopodiaceae) tem mostrado eficiente no 
controle das pragas de grãos armazenados e este tratamento deve ser preventivo 
(PROCÓPIO et al., 2003). Além do nome de mastruz, essa planta também é popularmente 
conhecida por erva-de-santa-maria, mastruço, ambrosia e erva-mata-pulgas (MORGAN, 
1994; CRUZ, 1995). Por sua vez, essa planta apresenta hábito herbáceo, com até um 
metro de altura, caule piloso e sulcado, folhas inteiras e simples, sendo as superiores 
sésseis e as inferiores pecioladas, de dimensões variadas e providas de pêlos 
(PACIORNIK,1990). É importante salientar que o mastruz é uma planta medicinal 
originária da América do Sul, que ocorre em todo o Brasil, sendo considerada uma planta 
daninha em algumas regiões do país. Possui propriedades aromáticas fortemente notáveis 
e características peculiares, sendo seu princípio ativo encontrado no óleo de suas sementes 
e nas folhas. 
 
Após cromatrografia em camada delgada (CCD), bioensaio utilizando a técnica CCD 
bioautografia revelou a fração antifúngica do óleo de Chenopodium ambrosioides. Os 
compostos dessa fração foram identificados por cromatografia gasosa (CG), 
cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (CG-EM) e cálculo do índice 
de retração de Kováts (KI), sendo como: (Z)-ascaridol (44,4%), (E)-ascaridol (30,2%) e 
p-cimento (25,40%), sendo considerado o ascaridol o principal componente antifúngico 
do óleo (JARDIM et al., 2008). Em contrapartida, o óleo essencial das folhas de C. 
ambrosioides mostrou-se ativo contra Aspegillus fumigatus no trabalho de Kumar et al. 
(2007), além de exibir amplo espectro fungicida contra A. niger, Botryodiplodia 
theobromae, Fusarium oxysporum, Sclerotium rolfsii, Macrophomina ophaseolina, 
Cladosporium cladosporioides, Helminthosporium oryzae e Pythium debaryanum na 
concentração de 100 μg/ml. Em adição, foi muito eficaz em inibir a produção de 
aflatoxina B1 produzida pela cepa produtora de aflatoxinas de Aspergillus flavus. 
 
Estudando as atividades inseticida e repelente de vários pós de origem vegetal em relação 
a pragas de grãos armazenados, Novo et al. (1997), Procópio e Vendramim (1997), Jardim 
et al. (2008) observaram uma boa atividade contra os fungos importantes, tais como: 
Aspergillus flavus, A. glaucus, A. niger, A. ochraceous, Acanthoscelides obtectus, 
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Colletotrichum gloesporioides, C. musae, Fusaruim oxysporum, e F. semitectum. 
Resultados promissores também foram encontrados por Procópio e Vendramim (1995) 
em outro estudo, os quais analisaram, separadamente, a atividade inseticida da planta 
inteira, fruto e folha de C. ambrosioides sobre S. zeamais, verificando 100% de insetos 
mortos já no segundo dia de avaliação, além da não emergência de nenhum adulto. 
 
Além disso, a análise da composição química do óleo volátil das folhas de C. 
ambrosioides (Figura 148), coletadas no município de Alegre-ES, resultou na 
identificação de cinco compostos totalizando 98,81% da sua composição, piperitone 
(0,7%), α-terpineno (1,24%), p-cymeno (4,83%), (E)-ascaridol (5,04%), (Z)-ascaridol 
(87%), sendo o último o principal componente presente na mistura (VIEIRA et al., 2011). 
Mesmo assim, pode ser tornar tóxica, dependendo da dosagem utilizada, por causa da 
substância monoterpeno que é constituinte de seu óleo essencial denominado ascaridol, 
cujo teor no óleo nunca é inferior a 60% (SOUSA et al.,1991) 
 
Figura 148. Folhas de Chenopodium ambrosioides, popularmente conhecida como 
mastruz. Foto: Kress, H. (2013). 
 
Posteriormente à coleta de Chenopodium ambrosioides em campo, as estruturas vegetais 
são secadas em estufa, com circulação de ar, a 40° C por dois dias. Após a secagem, são 
trituradas em moinho elétrico “de facas” para a obtenção de um pó fino, armazenado 
separadamente (por parte e/ou a planta inteira) em recipientes escuros, hermeticamente 
fechados (Figura 149). Outro método simples é coletar a planta inteira (parte aérea) e 
coloca-la em condições ambiente (sol) para ser desidratada. Em seguida, a planta seca é 
triturada em pilão (ou liquidificador) e passar em uma peneira fina até obter um pó. 
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Recomenda-se guardar em vidro seco e bem lacrado. A dosagem de Chenopodium 
ambrosioides testada por Procópio e Vendramim (1995) foi de 0,30 g do pó/20 g de 
sementes, o que equivale a 900 g do pó para 60 kg de sementes, correspondendo a 
quantidade de amendoim utilizada no plantio de um hectare. Para obter uma mistura 
uniforme, utiliza-se um tratador de sementes formado por um tambor giratório oitavado 
em polietileno de acionamento por manivela (Figura 150). 
 
 
Figura 149. Material vegetal triturado com moinho de facas e pós vegetais armazenados 
em recipientes de vidro. Fotos: Alana de Lima Mendonça. 
 
 
 
Figura 150. Tratador de sementes em estrutura em aço modelo TSM 50. Foto: Aquivo 
da Metalúrgica Berofer – rotomoldagem. 
 
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Balança ensacadora e produto embalado. São utilizados sacos de papel multifoliados, 
com capacidade para 25 kg de sementes de amendoim tratadas com produto natural em 
pó (Figura 151). Geralmente, essas embalagens consistem de duas ou mais camadas de 
papel kraft, protegidas por uma capa externa de papel mais resistente. Entre as paredes 
multifoliadas, podem-se colocar capas especiais de asfalto, polietileno ou alumínio 
delgado,para maior proteção contra efeitos da umidade. O saco de embalagem cumpre a 
função não apenas de facilitar o manuseio e o transporte, mas, também, de manter a 
qualidade das mesmas (PIVA, 2013). As sementes devem ser ensacadas com uma 
umidade entre 8 a 10%. Recomenda-se empilhar os sacos em lote baixo, para evitar que 
o peso elevado da carga não danifique as sementes. É necessário manter espaços e 
corredores adequados para circulação de pessoal e amostragem, bem como divisões que 
permitam imediata identificação entre os diferentes lotes de sementes numa mesma 
fileira. Periodicamente, os lotes devem ser inspecionados, a fim de verificar 
anormalidades como: umidades, insetos, etc. O tamanho de cada lote de sementes não 
pode ultrapassar a quantidade de 30 toneladas. 
 
 
Figura 151. Pesagem de sementes de amendoim em balança ensacadora e seu 
empilhamento em estrado de madeira no armazém. Foto: Vicente de Paula Queiroga 
 
Armazenamento - O amendoim é comercializado pelo produtor em sua quase totalidade 
em casca (vagem) e somente pequena parte descascada (grãos). Geralmente, o produto é 
comercializado imediatamente após colheita. Entretanto, quando há interesse na 
conservação, o armazenado pode ser feito em casca embalado em sacos de jutas, malvas 
ou polietileno trançado com capacidade de 25 kg. Para o produto descascado, sua 
embalagem é feita em papel multifoliado ou saco de juta com capacidade de 30 ou 50 kg. 
Os grãos também podem ser embalados em sacos grandes (big bags) de 1.000 a 1.500 kg. 
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O armazenamento em casca permite conservar melhor o amendoim até sua venda final, 
principalmente no Nordeste do Brasil, devido às condições climáticas tropicais e 
subtropicais. É nessa fase que os produtores necessitam ter grande cuidado, visando à 
preservação da qualidade, diminuindo a velocidade do processo deteriorativo e o 
problema de descarte de lotes (MACEDO et al., 1998). Segundo Carvalho e Nakagawa 
(2000), no armazenamento, a velocidade do processo deteriorativo pode ser controlada 
em função da longevidade, qualidade inicial das sementes e das condições do ambiente. 
 
O local de armazenamento deve ser ventilado, seco, com boa cobertura, de preferência 
com paredes duplas e piso de concreto. Deve ter estruturas de ventilação, ser protegido 
de chuva e de insetos, pássaros e roedores, com flutuação mínima de temperatura. Os 
grãos devem ser distribuídos de maneira uniforme, favorecendo a dispersão do calor e 
umidade. Desta forma, há redução das áreas favoráveis à proliferação de insetos, que 
causam picos de aquecimento e umidade, favorecendo o crescimento do fungo que produz 
a aflatoxina. Umidade relativa do local menor que 70% e temperatura entre 0 e 10 oC 
propiciam ótimas condições de armazenamento. Recomenda-se medir a temperatura em 
intervalos fixos para monitorar a ocorrência de altas temperaturas, que indicam atividade 
microbiana ou de insetos (FONSECA, 2005). 
 
Os problemas com o cultivo do amendoim estão concentrados principalmente na colheita 
e no armazenamento do amendoim. A colheita da maior safra do amendoim é feita na 
época das chuvas, o que dificulta a secagem dos grãos. Como os grãos devem ser 
ensacados com uma umidade máxima de 11%, a demora na secagem facilita a 
contaminação pela aflatoxina. E os grãos, quando reumidecidos no armazenamento, 
ficam vulneráveis ao fungo (AGROBYTE, 2005). Mudanças nas velhas práticas de 
cultivo e armazenamento do amendoim podem trazer bons resultados quanto à qualidade 
e produtividade. Desta forma, uma síntese dos procedimentos de gestão da qualidade 
segue na Tabela 19. 
 
 
 
 
 
 
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Tabela 19. Síntese das boas práticas na cadeia produtiva do amendoim. 
Etapas Práticas agronômicas 
Preparação das 
sementes 
-Aquisição de sementes certificadas e de qualidades comprovadas; 
- Seleção de sementes pelo tamanho e seu tratamento com bioinseticidas. 
Cultivo -Evitar injúrias nas vagens antes da colheita. 
Colheita - Colher o amendoim maduro (mais de 70%), preferencialmente em períodos 
secos; 
-Efetuar a secagem o mais rápido possível e, quando colhido em época de 
chuvas, secar artificialmente; 
-Evitar o reumidecimento dos grãos; 
- Eliminar vagens e grãos quebrados. 
Transporte e 
armazenamento 
-Evitar o reumidecimento dos grãos e injúrias. 
Armazenamento - Armazenar o amendoim em locais secos e ventilados; 
-Empilhar os sacos entre estrados de madeira, conforme Figura 152. 
- Monitorar a umidade do produto 
- Fazer o monitoramento de pragas e roedores; 
-Armazenar em baixas temperaturas. 
 Fonte: Scalco; Machado (2009). 
 
 
Figura 152. Distribuição correta dos estrados de madeira entre os sacos empilhados de 
amendoim (a cada seis pilhas de sacos), evitando assim que o peso da carga não esmague 
ou danifique o produto armazenado. Foto: Arquivo do MF Rural. 
 
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Os fungos são os principais componentes da microflora nos grãos armazenados e 
constituem a principal causa das deteriorações e perdas constatadas durante o 
armazenamento (TANAKA et al., 2001). Estes invadem grãos e sementes em diferentes 
fases que caracterizam a contaminação por micotoxinas: antes da colheita, durante a 
colheita, na secagem e no armazenamento ou em todas essas etapas. Os efeitos da invasão 
fúngica implicam em significativa perda de qualidade do produto como, por exemplo, de 
germinação, descoloração, odor, aquecimento da massa, crescimento fúngico e produção 
de micotoxinas (HERMANNS et al., 2006) 
 
Quando tecnicamente conduzido, o armazenamento dos grãos mantém a composição 
química dos produtos no seu estado natural, além de controlar os fatores físicos como 
temperatura e umidade (PUZZI, 2000). O ponto-chave para prevenir a contaminação por 
aflatoxina durante o armazenamento, é evitar a reidratação dos grãos (DHINGRA; 
COELHO NETO, 1998). 
 
O sucesso na conservação da umidade das sementes se deve, em grande parte, à eficiência 
do tipo da embalagem empregada durante o armazenamento. A escolha da embalagem 
depende das condições predominantes no local em que as sementes vão ser armazenadas. 
Na embalagem, o produto é separado do ambiente externo com a finalidade de reduzir a 
taxa de transporte de oxigênio ou vapor de água. Para Almeida et al. (1997), o emprego 
de embalagens e/ou recipientes herméticos, é de fundamental importância para proteger 
sementes e grãos contra danos provocados pelas pragas de armazenamento sem a 
necessidade de um tratamento prévio. 
 
Gurjão (1995), ao estudar o armazenamento de amendoim dentro e fora do fruto 
acondicionado em três tipos de embalagem, em duas microrregiões do Estado da Paraíba, 
por 15 meses, comprovou que as sementes fora do fruto são mais susceptíveis ao ataque 
de pragas que ocorrem com maior ou menor intensidade, conforme a embalagem 
empregada. Esse autor observou que, ao longo do armazenamento, as embalagens 
impermeáveis apresentaram menos de 3% de sementes danificadas, enquanto as 
embalagens semipermeáveis e permeáveis apresentaram 20 e 24%, respectivamente, de 
sementes danificadas por algum tipo de microrganismo. Para acondicionar as sementes 
em embalagem hermética (Figura 153), é necessário beneficiá-las em máquina mecânica 
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manual e reduzir a umidade das sementes em até 5% (HARRINGTON; DOUGLAS, 
1970). 
 
 
Figura 153. Sementes de amendoim acondicionadas em garrafa pet. Foto: Vicente de 
Paula Queiroga. 
 
Em lugares extremamente úmidos, pode requerer a aplicação de secantes para a 
manutenção do poder germinativo da semente de amendoim e evitar o seu mofamento. 
Uma maneira simples para lograr tal intento consiste em ensacar o amendoim bem seco 
em dois sacos e armazená-lo juntamente com o cloreto de cálcio.Um saco telado com 40 
kg de amendoim é introduzido dentro de um saco de polietileno impermeável. No seu 
interior, coloca-se uma garrafa plástica de gargalo largo com 300 g de cloreto de cálcio, 
a qual é fechada por uma tampa perfurada. Ao mesmo tempo, a boca da garrafa pode ser 
coberta com uma tela fina. Em seguida, a garrafa é depositada no meio do saco com 
amendoim. Assim procedendo, a Asociación Naturland (2000) admite que 80% das 
sementes mantêm seu poder germinativo durante 10 meses, mas alerta que as sementes 
não servem para o consumo humano. 
 
O controle de insetos-praga de grãos armazenados deve ser preventivo. Como o ambiente 
não é estável, qualquer população de insetos tende a aumentar, sendo necessário, portanto, 
a utilização de inseticidas vegetais na forma de pó ou como extratos alcoólicos ou 
aquosos, têm-se mostrado eficientes no controle de diversas espécies de insetos-praga. A 
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erva-de-santa-maria (Chenopodium ambrosioides L.) tem sido estudada como uma 
potencial alternativa aos tradicionais métodos de controle de insetos. A C. ambrosoides 
(mastruz) é uma planta herbácea de pequeno porte, possui propriedades aromáticas 
fortemente notáveis e características peculiares, sendo seu princípio ativo encontrado no 
óleo de suas sementes e nas folhas. 
 
Aflatoxina - O amendoim (Arachis hypogaea L.) é uma oleaginosa de grande valor 
nutricional e seus grãos são utilizados em escala industrial na fabricação de produtos para 
consumo in natura e na forma de paçoca e confeitos de amendoim (BULGARELLI, 
2008). Entretanto, de acordo com Silva et al. (2013), o amendoim é um dos cereais mais 
sensíveis à contaminação fúngica, por ser um excelente substrato para o desenvolvimento 
de fungos toxigênicos, que além de causar degradação dos nutrientes, produzem 
metabólitos secundários tóxicos aos homens e animais. 
 
O desenvolvimento de fungos em alimentos não implica necessariamente na presença de 
micotoxinas, mesmo tratando-se de um gênero potencialmente toxigênico, (GLORIA et 
al., 20067). Segundo Rosmaninho et al. (2001), existem várias micotoxinas de interesse 
à saúde pública, entretanto, as mais toxigênicas são as aflatoxinas, ocratoxinas e 
zearalonas, produzidas por espécies fúngicas do gênero Aspergillus spp. e Fusarium spp. 
 
As micotoxinas são metabólitos secundários, tóxicos, produzidos por várias espécies de 
fungos filamentosos. De acordo com Batina et al., (2005), estes micro-organismos, sob 
condições favoráveis de temperatura, umidade e nutrientes, podem se desenvolver sobre 
diversos substratos, principalmente os produtos agrícolas como os grãos de amendoim, 
milho, trigo, arroz e a castanha produzindo e liberando toxinas, que podem exercer efeitos 
tóxicos, representando, assim, um problema para a saúde pública (CALDASA et al., 
2002) e de acordo com Becker et al., (2010), resultando em grandes prejuízos para a 
agroindústria. 
 
Entre as micotoxinas, as aflatoxinas podem ser produzidas por Aspergillus flavus, 
Aspergillus parasiticus e eventualmente por Aspergillus nomius e Aspergillus 
pseudotamarii. Atualmente, são conhecidos 18 compostos similares designados como 
aflatoxinas, porém os principais tipos de interesse médico e sanitário são identificados 
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como aflatoxina B1, B2, g1 e g2. Portanto, as aflatoxinas são micotoxinas produzidas 
pelos fungos Aspergillus flavus e Aspergilus parasiticus (Figura 154), as quais 
comprometem seriamente a segurança do alimento, por causar alterações tóxicas, 
mutagênicas e carcinogênicas em animais e humanos. A falha no controle da umidade e 
da temperatura propicia a contaminação do amendoim nas diversas fases e etapas da 
cadeia produtiva. 
 
 
 
Figura 154. Aflatoxinas do tipo B1 e B2 produzidas pelos fungos Aspergillus flavus com 
temperatura ótima entre 36 ºC a 38 ºC e Aspergilus parasiticus e do tipo G1 e G2 
produzidas apenas por Aspergilus parasiticus com temperatura ótima entre 25 e 28 ºC. 
Foto: Arquivo Fundación Valles. 
 
 
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A distinção destas substâncias foi realizada baseando--se na sua fluorescência e 
mobilidade cromatográfica. As letras referem-se à cor que emitem sob luz ultravioleta de 
comprimento de onda de 365 nanômetros. As aflatoxinas B1 e B2 emitem fluorescência 
azul (blue) e as aflatoxinas g1 e g2 apresentam fluorescência verde (green), e os números 
estão relacionados a sua toxicidade, sendo o número 1 a forma mais tóxica. 
 
Os produtos agropecuários cultivados em áreas tropicais e subtropicais apresentam as 
melhores condições para o desenvolvimento dos fungos e, consequentemente, para a 
produção das toxinas, sendo assim, os grãos estão mais sujeitos à contaminação em locais 
que apresentam altas temperaturas (25 a 30°C) e altos índices pluviométricos seguido de 
períodos mais secos (NETTO et al., 2002). O estado de São Paulo é considerado o maior 
produtor de amendoim do país, e a região da alta Paulista é a maior produtora e 
industrializadora de amendoim do estado, compreendendo aproximadamente 25% da 
produção nacional (IEA, 2012), assim a maior incidência de contaminação por 
micotoxinas, segundo Shundo et al., (2003), está concentrada nesta região. 
 
Para tanto, em termos nacionais, a agência Nacional de Vigilância Sanitária e o Ministério 
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, estabeleceram limites de 20 μg/kg e de 50 
μg/kg para a soma das aflatoxinas B1, B2, g1 e g2 em amendoim e seus derivados para o 
consumo humano e para rações destinadas aos animais, respectivamente (BRASIL, 
2011). Na Tabela 20, encontra-se alguns limites de tolerância da aflatoxina para o 
amendoim. 
 
Tabela 20. Limites de tolerância da aflatoxina para o amendoim em vários países. 
Local Parâmetro Limite Máximo Permitido (LMP) 
Bolívia Aflatoxinas totais (B1+B2+G1+G2) 20 ppb 
Europa Aflatoxinas totais (B1+B2+G1+G2) 4 ppb 
B1 2 ppb 
Brasil Aflatoxinas totais (B1+B2+G1+G2) 20 ppb 
Austrália Aflatoxinas totais (B1+B2+G1+G2) 15 ppb 
USA Aflatoxinas totais (B1+B2+G1+G2) 20 ppb 
Canadá Aflatoxinas totais (B1+B2+G1+G2) 10 ppb 
Polônia B1 0 
Japão B1 10 
 Obs: Aflatoxinas se quantificam em parte por bilhões (ppb) ou (μg/kg). 
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MEDIDAS PARA PREVENÇÃO DA AFLATOXINA 
 
As medidas que visam prevenir a produção de amendoim contaminado, principalmente 
por aflatoxina, são, na maior parte, relacionadas com a prevenção de infecções pelos 
fungos ou com a sua inativação. Neste sentido, o produtor deverá estar atento à sua 
lavoura, realizando a todo custo medidas como a prevenção de infecções no campo; 
tomando os devidos cuidados após a colheita; usando variedades resistentes de 
amendoim; e fazendo o devido monitoramento do problema. Segundo Godoy et al. 
(2005), as principais medidas são: 
 
a) Prevenção de infecções no campo 
 
- Controle de insetos e fungos: o controle de insetos e fungos, em geral, é importante, 
uma vez que estes abrem caminho para a penetração do Aspergillus e outros fungos 
produtores de aflatoxina. O próprio controle das manchas foliares promove o vigor das 
plantas, previne a germinação precoce (que é um importante ponto de infecção) e reduz 
o acúmulo de folhas no solo. 
 
- Rotação de culturas: esta prática é importante para o amendoim, uma vez que muitos 
fungos sobrevivem no solo de um ano para outro. A rotação de culturas reduz, inclusive, 
a intensidade de ataque das manchas foliares. 
 
- Nutrição: vagens e sementes de plantas bem desenvolvidas são mais resistentes à 
infecção por fungos. Alguns nutrientes, como o cálcio, contribuem diretamente para esta 
resistência. O cálcio é responsável pela rigidez das células e pelo bom desenvolvimento 
das sementes. Em lotes de sementes contaminados por aflatoxina, os maioresteores são 
encontrados entre as sementes enrugadas e mal desenvolvidas. 
 
- Prevenção de estresse hídrico: quando possível, a cultura deve ser conduzida em 
condições que evitem os períodos de seca, especialmente durante a fase de 
desenvolvimento das sementes e enchimento das vagens. Os períodos de estresse hídrico 
provocam danos aos tecidos e podem criar condições favoráveis para o desenvolvimento 
dos fungos. Portanto, é equivocado achar que o excesso de umidade na época de 
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maturação e colheita é o que produz maiores contaminações por aflatoxina. Chuvas em 
excesso, nesta época, são prejudiciais porque em geral impossibilitam as operações de 
campo e não permitem que o amendoim seja secado naturalmente. Nesses casos, a 
secagem artificial elimina este problema. 
 
- Prevenção de danos mecânicos: como já mencionado, as diversas práticas culturais e 
a própria colheita devem ser feitas de forma a evitar os danos mecânicos, por onde os 
fungos podem penetrar. Na colheita, o ponto ideal de maturação deve ser identificado. A 
colheita prematura aumenta a proporção de vagens e sementes imaturas e mal 
desenvolvidas. Na colheita atrasada, há uma proporção maior de vagens germinadas ou 
já deterioradas. 
 
b) Cuidados após a colheita 
 
A secagem é um dos pontos mais importantes da prevenção da aflatoxina. O amendoim 
recém-colhido apresenta umidade em torno de 50%. Após o arrancamento, a prática mais 
comum é o enleiramento das plantas no campo. Quando as plantas permanecem 
enleiradas por vários dias ao sol e sem tomar chuva, a umidade das vagens é bastante 
reduzida, permitindo que o produto seja trilhado e armazenado na umidade desejada. 
Como, em muitos casos, a secagem no campo ocorre em dias nublados ou em períodos 
de chuva, há necessidade de secagem artificial. O importante é saber que, para prevenir o 
aparecimento da aflatoxina, o teor máximo de umidade recomendado para que o 
amendoim possa ser armazenado com segurança é de 8% nos grãos. O transporte e 
armazenamento, em qualquer fase da comercialização do produto, devem ser feitos de 
maneira a evitar o reumedecimento, o aquecimento e outras condições que proporcionem 
desenvolvimento de microrganismos, infestação de insetos e roedores e outras formas de 
danos mecânicos. Nas etapas de preparo e utilização do produto, é importante salientar 
que a limpeza do amendoim (eliminação de grãos chochos, manchados, deteriorados e 
mal desenvolvidos) é uma prática que reduz significativamente os níveis de aflatoxina. 
 
 
 
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c) Uso de variedades resistentes 
 
 A criação de variedades resistentes à infecção por fungos, ou portadoras de mecanismos 
que inibem alta produção de aflatoxina é uma possibilidade para o futuro. Alguns países 
conduzem pesquisas neste sentido. Atualmente, porém, as principais variedades 
comerciais que se conhece ainda não dispõem desses mecanismos específicos de 
resistência. Uma alternativa, neste sentido, em curto prazo, é a utilização de variedades 
que sejam mais adaptadas a condições adversas, que propiciam altos níveis de aflatoxina. 
A resistência à seca, resistência às manchas foliares ou outros patógenos, resistência a 
danos mecânicos, dormência das sementes e menores exigências nutricionais são 
atributos varietais que podem, indiretamente, contribuir para a redução dos riscos com a 
aflatoxina. 
 
d) Conscientização e monitoramento do problema 
 
Como foi visto, a contaminação por aflatoxina pode ocorrer em qualquer das etapas, da 
produção agrícola até o seu consumo. O desconhecimento do assunto contribui bastante 
para a falta de cuidados com a qualidade do amendoim. Levando-se em consideração as 
características de cada região, é necessário que sejam feitos trabalhos de conscientização 
para o problema, desde o produtor até o consumidor. É necessário, também, que sejam 
seguidas as normas e padrões existentes sobre o assunto. Mesmo em regiões ou sistemas 
de produção de pequena escala, as modernas técnicas aqui apresentadas para se produzir 
amendoim com qualidade, podem ser substituídas por boas práticas de produção e 
manuseio do produto, em pequena escala ou com estrutura familiar, de maneira a prevenir 
as contaminações por aflatoxina. Quando há conhecimento e adoção dos cuidados para 
prevenção do problema, o amendoim passa a ser um produto saudável e apreciado, 
podendo ser consumido com segurança. 
 
 
 
 
 
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MERCADO 
 
Atualmente, não há registro de produção e comercialização do amendoim proveniente 
dos campos orgânicos ou agroecológicos, principalmente no que se refere às áreas 
cultivadas na região Nordeste do Brasil. Apesar disso, o consumo de amendoim não 
orgânico, seja in natura e/ou industrializado, apresenta uma tendência de crescimento no 
Brasil. Segundo especialistas do setor, o mercado brasileiro do amendoim é um tanto 
quanto promissor. O produto é conhecido e consumido de norte a sul do País. No entanto, 
a oferta de uma ampla gama de alimentos industrializados à base de amendoim está 
concentrada no estado de São Paulo, onde se localizam as grandes áreas de produção 
agrícola. (CONAB, 2006). O consumo per capita de amendoim é ainda baixo no Brasil, 
aproximadamente 0,65 kg/habitante/ano — nos Estados Unidos, o consumo de amendoim 
é de 3 kg/habitante/ano (ZEPPER, 2006). 
 
Nas pesquisas realizas sobre comercialização, mercados e preços, Sabes e Alves (2008) 
constataram que fatores sazonais, safra e entressafra, influenciam o comportamento e a 
dispersão de preços no mercado de amendoim ao produtor. Além disso, a oscilação de 
preços no mercado de produção do amendoim pode estimular o processo de transmissão 
de preços para os demais setores que se encontram adiante no sistema agroindustrial do 
amendoim, porém com níveis de intensidade diferentes, por exemplos: setor atacadista, 
setor agroindustrial e setor distribuidor. Contudo, os autores ressaltam a importância de 
conhecer a variação sazonal e a irregularidade de preços do amendoim em diferentes 
níveis de mercado que compõem a sua cadeia produtiva, sendo esse estudo valioso no 
norteamento dos agentes econômicos que operam, direta e indiretamente, no agronegócio 
do amendoim. Tal situação tem reflexo para as diversas empresas processadoras de 
amendoim instaladas no Nordeste brasileiro, em razão de boa parte da sua matéria-prima 
ser proveniente do estado de São Paulo. Desta forma, o comportamento dos preços (e, 
consequentemente, dos custos das empresas nordestinas) é fortemente influenciado pelas 
variações dos preços nos mercados produtor e atacadista paulistas. 
 
Para comercializar o amendoim, os produtos em casca (vagens) e descascado (grãos) são 
classificados, seguindo a normatização dada pela Portaria nº 147 do Ministério da 
Agricultura, de 14 de junho de 1987 (BRASIL, 1987). O amendoim é classificado em 
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grupos, subgrupos, classes e tipos, segundo sua forma de apresentação, preparo, tamanho 
dos grãos, cor da película e qualidade (Tabela 21). 
 
Tabela 21. Classificação do amendoim quando a produção em escala é destinada ao 
mercado. 
Grupos Subgrupos Classes Subclasses Tipos 
Amendoim em 
casca 
Comum (produto em vagem) Limites 
Tolerâncias 
(%) 
Tipo 1 
(Casca) 
 
 
Tipo 2 
(Grãos) 
 
 
Tipo 3 
(Industrial) 
Ventilada 
Selecionado e catado a mão 
Amendoim 
descascado 
Bica corrida (industrial) Graúdo 
 
 
Médio 
 
 
Miúdo 
Cor 
vermelha 
 
Cor clara 
 
Bicolor 
 
Mesclada 
Selecionado com pre-limpeza, 
ventilação e peneiramento 
Selecionado e catado à mão 
Despeliculado mecanicamente 
(sem tegumento) 
Fonte: João Nakagawa e CiroAntônio Rosolem (2011). 
 
Com o advento do cultivo das variedades de amendoimRunner — a cultivar Runner IAC 
886, pesquisado e desenvolvido em território brasileiro, tem característica aceita no 
mercado internacional de amendoim; a cultivar IAC 886 é muito parecida aos produtos 
produzidos em outros países exportadores, como os Estados Unidos, a Argentina e a 
China (LOURENZANI; LOURENZANI, 2006) — e a cultivar Caiapó de ciclos longos 
e também do grande investimento em equipamentos mecanizados tanto para o plantio 
como para a colheita, verificou-se uma significativa redução nos custos de produção da 
referida lavoura. O custo de produção total em reais (R$) por hectare (ha) varia entre R$ 
2.789,26 e 3.073,89, custos de produção convencional (não orgânico) para a região de 
referência de Guariba/SP. (AGRIANUAL, 2006). A variedade Runner tem ciclo de 125-
130 dias enquanto que a variedade Caiapó tem ciclo de 130-135 dias. Ambas cultivares 
foram desenvolvidas pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) (FÁVERO, 2004). 
 
Um problema particular na exportação do amendoim resulta com o embarque marítimo 
de amendoim dentro de contêineres. As condições de transporte podem favorecer a 
formação de aflatoxina e pode até chegar a perder a mercadoria no espaço das semanas 
de transporte. Isso pode suceder no país em que as taxas de aflatoxina do produto tenham 
sido controladas e seus valores tenham mostrados dentro da margem tolerada, mediante 
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amostragens corretas no momento da pré-embalagem. No entanto, a amostragem de 
aflatoxina no porto de desembarque mostra então um valor totalmente distinto em 
comparação aquele do embarque, mas quando esses valores ultrapassam o limite 
permitido, a mercadoria deverá ser eliminada. 
 
As mudanças de temperaturas dentro do contêiner podem alcançar valores extremos, 
principalmente se o transporte é feito com cobertura. O amendoim transpira e com o 
resfriamento da temperatura externa condensa a umidade nas paredes. Em caso de que 
essa água condensada passe a entrar em contato com o amendoim, o gotejamento desde 
a parte superior da mercadoria permite incrementar a infecção com Aspergillus. Algumas 
medidas podem ser recomendadas: a) Secagem do amendoim antes do transporte até 6-
7% de umidade; b). Embarcar em contêiner com refrigeradores e aeração (custa mais 
caro, mas evita a perda total da mercadoria); e c). Cobrir tudo com uma folha absorvente 
de umidade ou pelo menos com cartolina (ASOCIACIÓN NATURLAND, 2000). 
 
Por outro lado, o amendoim no Recôncavo da Bahia é comercializado utilizando-se uma 
vasilha denominada quarta (Figura 155). É como se fosse um caixote que comporta de 25 
a 30 litros de legumes. A maior parte dos agricultores (85%) vende o amendoim para os 
atravessadores (pessoas que compram e revendem) em suas propriedades (ALMEIDA, 
2014). 
 
 
Figura 155. Caixote de madeira (denominado de quarta), que comporta de 25 a 30 litros 
de legumes, usado na comercialização do amendoim produzido no Recôncavo da Bahia. 
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O tamanho médio da lavoura de amendoim na região Nordeste pode ser estimado entre 
uma tarefa (1/3 ha) e cinco hectares/produtor, geralmente desenvolvido com a mão de 
obra familiar, praticamente sem a utilização de insumos e sendo consorciado com milho. 
No caso da produção do Recôncavo da Bahia, o amendoim é comercializado utilizando-
se uma vasilha denominada quarta (Figura 155). É como se fosse um caixote que 
comporta de 25 a 30 litros de legumes. A maior parte dos agricultores (85%) vende o 
amendoim para os atravessadores (pessoas que compram e revendem) em suas 
propriedades. Assim o amendoim verde, colhido aos 70 dias após o plantio, se destina 
para o mercado de amendoim cozido, enquanto o colhido seco, a comercialização é 
realizada por intermediário na comunidade (ALMEIDA, 2014). 
 
Estrutura de Custo Operacional 
 
O custo operacional foi segmentado por cultivo manual (tradicional) e apenas a colheita 
semimecanizada do amendoim, principalmente por se tratar de cultivo orgânico, ou qual 
irá requerer uma pequena área de no máximo 2 ha (sistema manual) ou 3 ha 
(semimecanizado). O sistema tradicional não significa baixo nível tecnológico, mas sim 
o uso intenso de mão-de-obra, incluindo apenas a colheita semimecanizada. É importante 
destacar que no sistema semimecanizado, o produtor utiliza tanto a mão-de-obra como o 
corte mecânico de raízes, acionado pela tomada de força do trator ou tração animal, dando 
também preferência para uso de máquinas no preparo do solo (Tabela 22). 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Tabela 22. Estimativas de custos variáveis por hectare para o cultivo manual ou 
semimecanizado do amendoim. 
Ítem Discriminação Unidade Quantidade 
1 INSUMOS 
1.1 Sementes kg 120 
1.2 Inoculante (bradyrhizobium) Pc de 200g 14 
1.3 Calcário dolomítico ton 2 
1.4 Adubo orgânico ton. 10 
1.5 Preparação de macerado litro 3 
1.6 Sacaria Unid 60 
2 OPERAÇÕES 
2.1 Preparo do solo 
2.1.1 Gradagem aradora h/m 1 
2.1.2 Gradagem niveladora h/m 0,7 
2.1.3 Aplicação a lanço de calcário (calagem) d/h 5 
2.1. Distribuição de adubo orgânico com carroça /tração 
animal 
d/h 5 
2.2 Semeadura manual 
2.2.1 Sulcamento a tração animal (cultivador) d/animal 1,0 
2.2.2 Semeio manual d/h 4 a 6 
2.3 Semeio com matraca d/h 1,5 
2.4 Aplicação de macerado (pulverizador costal) d/h 5 
2.5 Retoque a enxada d/h 10 
2.6 Colheita e beneficiamento (Manual) d/h 20 
2.7 Rendimento de sementes % 70 a 72 
3 COLHEITA MECANIZADA 
3.1 Corte de raízes, arranchamento e enleiramento 
mecanizados 
h/m 1,6 
3.1 Batedura mecânica h/m 0,90 
4 COLHEITA SEMIMECANIZADA 
4.1 Corte mecânico de raízes (arranchamento) h/m 0,67 
4.2 Enleiramento manual h/d 2,96 
4.3 Batedura manual h/d 4,5 
5 IRRIGAÇÃO 
5.1 Energia elétrica Kw 1.400 
6 PRODUTIVIDADE ESTIMADA (amendoim em casca) Kg 1.500 
(sequeiro) 
2.500 
(irrigado) 
Fontes: Embrapa Algodão e João Nakagawa; Ciro Antônio Rosolem (2011). Espaçamento adotado: 0,50 
cm x 0,20 cm 
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CAPÍTULO 6 
 
 
 
 
 
PRODUÇÃO DE SEMENTES DE AMENDOIM E PRODUTOS DA 
AGROINDÚSTRIA 
 
(Autores) 
Vicente de Paula Queiroga 
Francisco de Assis Cardoso Almeida 
Esther Maria Barros de Albuquerque 
Ayices Chaves Silva 
Paulo de Tarso Firmino 
 
 
 
 
 
 
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A) PRODUÇÃO DE SEMENTE CERTIFICADA DE AMENDOIM 
 
INTRODUÇÃO 
 
A semente é o veículo que leva ao agricultor todo o potencial genético de uma cultivar 
com características superiores. Em seu caminho, do melhorista à utilização pelo 
agricultor, pequenas quantidades de sementes são multiplicadas até que sejam alcançados 
volumes em escala comercial, no decorrer do qual a qualidade dessas sementes está 
sujeita a uma série de fatores capazes de causarem perda de todo potencial genético. A 
minimização dessas perdas, com a produção de quantidades adequadas, é o objetivo 
principal de um programa de sementes. 
 
O ponto de partida da semente certificada é, pois, uma pequena quantidade de sementes, 
obtida por melhoramento genético de determinada cultivar, ou da multiplicação das 
sementes de alguma cultivar já existente, sob condições controladas, não sendo 
suficientes para ser distribuída entre as entidades produtoras da semente certificada. É 
necessário que seja multiplicada, o que requer o aparecimento de algumas classes 
intermediárias, até que se chegue à semente certificada. Portanto, a semente certificada é 
a semente resultante da multiplicação da básica, da registrada ou da própria certificada.É 
produzida pela entidade produtora de acordo com as normas estabelecidas pela entidade 
certificadora. É esta a classe de sementes que vai ser distribuída comercialmente entre os 
agricultores. 
 
Para alcançar uma produção em escala comercial, a qualidade dessas sementes está sujeita 
a uma série de fatores capazes de causarem perda de todo potencial genético. A 
minimização dessas perdas, com a produção de quantidades adequadas, é o objetivo 
principal de um programa de sementes. Por outro lado, todo produtor agrícola para 
produzir sementes deve estar inscrito no Registro Nacional de Produtores de Sementes 
(RNPS). Todas as variedades destinadas à produção e comercialização, tanto para os 
sistemas de produção de sementes básicas, certificada e fiscalizada, devem estar inscritas 
no Registro Nacional de Cultivares (RNC). 
 
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Pelo fato de ser uma planta de autopolinização (baixa taxa de cruzamento), a normativa 
do Ministério de Agricultura exige que o isolamento mínimo dos campos seja de 10 
metros de distância para produção de sementes básicas e de 5 m para as demais classes 
(Certificadas 1 e 2) entre campos de cultivares da mesma espécie. 
 
A limpeza dos campos (roguing) de amendoim deve ser efetuada pelo responsável técnico 
inscrito no RENASEM (Registro Nacional de Sementes e Mudas/ MAPA) nas áreas 
destinadas para produção de sementes, antes da inspeção oficial pelo técnico responsável 
da empresa certificadora, visando eliminar as plantas atípicas e garantir a identidade 
genética do material. Essa contaminação de plantas pode ser de ordem genética e 
mecânica. No caso do amendoim é necessário realizar a operação de eliminação das 
plantas atípicas nos seguintes estádios fenológicos da cultura: Pré-floração, floração, pré-
colheita e colheita. 
 
CERTIFICAÇÃO DE SEMENTES: INSPEÇÃO E LAUDOS DOS CAMPOS 
 
O processo de produção de sementes certificada é executado mediante um controle de 
qualidade em todas as etapas de seu ciclo, incluindo o conhecimento da origem genética 
e o controle de gerações. De acordo com as inspeções realizadas em campo, quem emite 
o Laudo de Aprovação de Campo de Sementes Certificadas de Amendoim é a Entidade 
Certificadora, mas quem se responsabiliza perante o cliente consumidor de sementes 
(governo, empresa ou agricultor), pôr o que consta no Certificado, é a Entidade Produtora. 
A inspeção de campo envolve a verificação de conformidades referentes às áreas que 
serão cultivadas: da origem das sementes, por exame das notas fiscais de compra e venda; 
do certificado ou do atestado de conformidade da semente; da localização dos campos, 
por meio de registros de georreferenciamento desses; da adoção de práticas agronómicas 
recomendadas para a produção de sementes; da observação dos requisitos de cultivos 
anteriores; de isolamento e da verificação de contaminantes e, principalmente, do 
cumprimento das normas e dos padrões preestabelecidos pelo MAPA (Tabela 23). Com 
a atuação do MAPA, as vistorias pelo responsável técnico do campo de produção ocorrem 
no mínimo em duas etapas: floração e pré-colheita, mas no caso de empresa certificadora 
privada poderá chegar até 6 inspeções (pré-semeadura, pós-semeadura, floração, pré-
colheita, colheita e pós-colheita). 
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Tabela 23. Padrões para a produção e a comercialização de sementes de amendoim 
(Arachis hypogaea L.). 
1. PESO MÁXIMO DO LOTE (KG) 30.000 
2. PESO MÁXIMO DAS AMOSTRAS (g) 
-Amostra submetida ou média 
-Amostra de trabalho para análise de pureza 
-Amostra de trabalho para determinação de outras sementes por número 
 
1.000 
1.000 
1.000 
3. PRAZO MÁXIMO PARA SOLICITAÇÃO DA INSCRIÇÃO DE CAMPO (dias após o plantio) 30 
4. PARÂMETROS DE CAMPO 
 CATEGORIAS/ ÍNDICES 
Básica C11 C22 S13 e S24 
4.1 Vistoria 
-Área máxima da gleba (ha) 25 25 25 50 
- Número mínimo5 2 2 2 2 
- Número mínimo de subamostras 6 6 6 6 
-Número de plantas subamostras 1.000 500 375 250 
- População da amostra 6.000 3.000 2.500 1.500 
4.2 Isolamento ou Bordadura (mínimo em metros) 106 5 5 5 
4.3 Plantas Atípicas7 (fora do tipo) (nº máximo) 0/6.000 0/3.000 3/2.250 3/1.500 
4.4 Plantas de Outras Espécies8: 
- do Gênero Arachis 0/6.000 0/3.000 0/2.250 0/1.500 
- Cultivadas/ Silvestres/ Nocivas Toleradas - - - - 
Nocivas Proibidas - - - - 
4.5 Pragas: 
- Murcha de Sclerocium (Atlhelia rolfsií) 0/6.000 30/3.000 25/2.250 20/1.500 
- Sclerotínia sclerotiorum (nº máximo) 0/6.000 0/3.000 0/2.250 0/1.500 
5. PARÂMETROS DE SEMENTES 
 CATEGORIAS/ ÍNDICES 
Básica C11 C22 S13 e S24 
5.1 Pureza: 
-Semente pura (% mínima) 98,0 98,0 98,0 98,0 
-Material inerte9 (%) - - - - 
-Outras sementes (% máximo) 0 0 0,1 0,1 
5.2 Determinação de Outras Sementes por Número: 
-Sementes de outras espécies cultivadas (nº máximo) 0 0 0 1 
-Sementes silvestres10 (nº máximo) 0 1 1 1 
-Sementes nocivas toleradas11 (nº máximo) 0 0 1 1 
-Sementes nocivas proibidas11 (nº máximo) 0 0 0 0 
5.3 Germinação (% mínima) 6012 70 70 70 
5.4 Validade do teste de germinação13 (máxima em meses) 8 8 8 8 
5.5 Validade da reanálise do teste de germinação13 (meses) 4 4 4 4 
1. Semente certificada de primeira geração. 
2. Semente certificada de segunda geração. 
3. Semente de primeira geração. 
4. Semente de segunda geração. 
5. As vistorias obrigatórias deverão ser realizadas pelo Responsável Técnico do produtor ou do certificador, nas fases de floração e 
de pré-colheita. 
6. Para semente básica, deve-se deixar a faixa de 10 metros livres ou uma bordadura de 20 (vinte) metros, cuja produção deve ser 
desprezada. 
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7. Número máximo permitido de plantas, da mesma espécie, que apresentem quaisquer características que não coincidem com os 
descritores da cultivar em vistoria. 
8. Quando presentes no campo deverão ser empregadas técnicas que eliminem os efeitos do contaminante na produção e na qualidade 
da semente a ser produzida. As técnicas empregadas deverão ser registradas nos Laudos de Vistoria. 
9. Relatar o percentual encontrado e a sua composição no Boletim de Análise de Sementes. 
10. As sementes de outras espécies cultivadas e sementes silvestres na Determinação de Outras Sementes por Número serão verificadas 
em Teste Reduzido – Limitado em conjunto com a análise de pureza. 
11. Esta determinação será realizada em complementação à análise de pureza, observada a relação de sementes nocivas vigente. 
12. A comercialização de semente básica poderá ser realizada com germinação até 10 pontos percentuais abaixo do padrão, desde que 
efetuada diretamente entre o produtor e o usuário e com o consentimento formal deste. 
13. Excluído o mês em que o teste de germinação foi concluído. 
 
 
O inspetor deverá observar o tamanho máximo do campo para efeito de inspeção, de 
acordo com os padrões de cada espécie, de modo que sejam realizadas tantas inspeções 
quantas sejam necessárias em razão do tamanho do campo (divisão em módulos). 
Exemplo: quando a amostragem da área do campo é maior do que a do MÓDULO 
(máximo de 25 ha), dever-se dividi-la de modo que cada subárea resultante seja menor 
do que ou no máximo igual à área do módulo. 
 
 As subamostras são áreas do campo cujo tamanho específico é determinado em função 
do limite de tolerância para os fatores contaminantes (atípicas; plantas daninhas 
toleráveis, enfermidades), tomadas ao acaso na trajetória de inspeção. Nas subamostras 
são feitas as observações detalhadas e identificados e contados os contaminantes. 
Segundo a normativa do MAPA, o que é verificado nas inspeções específicas são: 
a) Plantas atípicas: Plantas que apresentam uma ou más características que não 
coincidem com a descrição varietal da variedade a ser certificada. 
b) Plantas daninhas proibidas: Cenchrus echinatus (carrapicho); Aconthospermum 
hispidum (carrapichode carneiro); Bidens pilosa (picão preto). 
c) Plantas daninhas toleráveis- Amaranthus spp (bredo); Cassia tora (mata-pasto). 
Enfermidades de plantas de amendoim: Murcha de Sclerocium (Atlhelia 
rolfsií); Sclerotínia sclerotiorum. 
 
A inspeção deve ser livre de tendenciosidades e não deverá ser selecionado 
deliberadamente, com a intenção de incluir ou evitar plantas atípicas. Antes de adentrar 
no campo, o inspetor deverá dispor de um croqui, desenho ou modelo de trajeto que 
utilizará na caminhada. Sobre a trajetória, anotar ao acaso as posições aonde serão 
tomadas as 6 (seis) subamostras, que são as áreas dimensionadas nas quais serão efetuadas 
as observações detalhadas e os contaminantes, contados e anotados (REVIER; YOUNG, 
1972). 
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Com relação ao tamanho da amostra de inspeção, o tamanho dessas áreas varia em função 
dos limites de tolerância constantes para os contaminantes. Revier e Young (1972) 
recomendam amostra de tamanho suficiente para incluir a ocorrência de três plantas 
atípicas e ainda permanecer nos limites de tolerância constantes dos padrões. Isto está 
dentro do tamanho mínimo, estatisticamente aceitável. Ou seja, se os padrões de campo 
permitirem plantas atípicas ou contaminantes à razão de 1/5.000, isto significa que um 
contaminante é permitido para cada cinco mil plantas. Então, a amostra para inspeção de 
campo deve incluir três vezes cinco mil, ou seja, 15 mil plantas. 
 
Uma amostra de inspeção compreende a trajetória através do campo de produção de 
sementes, com tomada de subamostras para contagem de contaminantes (Figura 156). 
Uma inspeção refere a uma estimativa da qualidade, efetuando-se a contagem de 6 (seis) 
subamostras, para qualquer espécie. A inspeção é que irá determinar a excelência do 
campo e a decisão de aceitá-lo ou rejeitá-lo. 
 
 
Figura 156. Inspeção de um campo de produção de sementes, mostrando os locais das 6 
subamostras tomadas ao acaso, durante a trajetória do inspetor e o detalhe de uma 
subamostra. 
 
Uma das últimas fases da certificação vem a ser a análise em laboratório, das sementes já 
processadas e que tenham sido cuidadosamente amostradas, seguindo-se as 
recomendações encontradas nas Regras para Análise de Sementes (BRASIL, 2009). 
Na realidade, essa análise de laboratório pode ser considerada uma inspeção feita às 
sementes quanto a pureza física, à verificação de espécies e cultivares, à germinação, ao 
número de sementes silvestres nocivas e ao teor de água. Dependendo das espécies, são 
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realizadas outras análises, além destas, como, por exemplo, peso hectolítrico, 
porcentagem de sementes infestadas, porcentagem de sementes defeituosas, etc. Os 
resultados obtidos para as características analisadas são comparados aos padrões de 
sementes, e se forem inferiores aos requisitos mínimos estabelecidos, as sementes são 
rejeitadas. A Figura 157 esquematiza alguns dos benefícios decorrentes da certificação 
de sementes. 
 
Figura 157. Benefícios da certificação de sementes. 
 
COLHEITA E BENEFICIAMENTO DE SEMENTES DE AMENDOIM 
 
A produção de sementes de amendoim (Arachis hypogaea L.) com alto potencial 
fisiológico requer técnica e manejo cuidadoso. No entanto, nem mesmo a produção mais 
tecnificada consegue obter todas sementes viáveis e vigorosas. A produção com 
germinação suficiente, para garantir adequado estande de plantas, é um problema comum 
para os produtores de sementes de amendoim. 
 
O amendoim, mesmo com ampla adaptabilidade, tem a produtividade muito influenciada 
pelas condições físicas do solo (LEONEL et al., 2007) e por fatores ambientais, 
especialmente temperatura, disponibilidade de água e radiação (HARO et al., 2008; 
SILVEIRA et al., 2013). Durante o período de colheita, esses fatores afetam diretamente 
a qualidade fisiológica das sementes. Baixos teores de água podem dificultar as operações 
de beneficiamento. Sementes muito secas estão mais sujeitas, à separação dos cotilédones 
e remoção do tegumento. A ausência do tegumento em sementes de espécies da família 
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Fabaceae as configura como material inerte (BRASIL, 2009), o que eleva o nível de 
perdas. 
 
Além da baixa qualidade sanitária, outros fatores podem afetar a qualidade dos lotes, 
como a falta de uniformidade na maturação das sementes (CARLEY et al., 2008; 
BRANCH et al., 2010), a ocorrência de chuvas durante a “cura” (SANTOS et al., 2013a), 
os danos oriundos de ataque de insetos (SANTOS et al., 2013b), os problemas técnicos 
na colheita, secagem e beneficiamento (LOPES et al., 2011) e a falta de monitoramento 
da qualidade durante as etapas de produção (MORTON et al., 2008). A identificação de 
falhas nestas etapas, que podem causar redução do desempenho das sementes, é de 
primordial importância para o sucesso da produção de sementes. 
 
Em razão da maturidade relativamente tardia que as cultivares Runner apresentam 
(BALOTA; PHIPPS, 2013), muitas vezes o calor e chuvas intensas no período de colheita 
não permitem as operações mecanizadas e a secagem natural ou cura, o que interfere na 
produtividade e qualidade de sementes (HARO et al., 2008). Além disso, o amendoim 
apresenta desenvolvimento indeterminado (BRANCH et al., 2010), e mesmo quando a 
colheita ocorre em momento ótimo, são colhidas vagens em diferentes estádios de 
maturação (CARLEY et al., 2008; DORNER, 2008). 
 
À medida que as sementes são beneficiadas, estão sujeitas a danos mecânicos imediatos 
e latentes. Embora, os danos às sementes durante a colheita, secagem e armazenamento 
sejam reduzidos, pois estão protegidas pela vagem, a trilha mecânica, a classificação por 
tamanho e a separação por densidade podem causar a redução da germinação e vigor, 
além de permitir a infestação por patógenos (SADER et al., 1991; FESSEL; BARRETO, 
2000), pois as sementes de amendoim possuem tegumento delgado e delicado, o que as 
torna sensíveis ao dano mecânico, quando o beneficiamento é inadequado. 
 
Assim, o processamento pode não aprimorar a qualidade fisiológica e sanitária de 
sementes de amendoim, conforme constatado para 'Tatu Vermelho' (FESSEL; 
BARRETO, 2000) e 'Runner IAC 503' e 'Runner IAC 886' (SANTOS et al., 2013b). 
Porém, sabe-se que as operações de beneficiamento são imprescindíveis, para que se 
obtenham sementes de elevada qualidade, como ocorre no beneficiamento de sementes 
de outras espécies. 
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Quando se destina a produção de sementes, o lote de amendoim deverá ingressar numa 
unidade de beneficiamento de grande porte, que tem capacidade de 50 a 60 toneladas de 
vagens por dia, para uma jornada diária de trabalho de 8 horas (Figura 158). As etapas 
pelas quais atravessam o amendoim na linha de beneficiamento são: pré-limpeza, 
limpeza, descascamento, mesa de gravidade, etapa de seleção eletrônica, etapa de 
classificação por tamanho, etapa de empacotamento e armazenamento (Figura 159). 
 
Figura 158. Unidade de beneficiamento de amendoim com casca de grande porte 
pertencente a empresa de sementes El Carmen, Córdoba. Foto: Jovtis María Luz e Juez 
Cristian David (2014). 
 
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Figura 159. a) Peneiras planas utilizadas para classificar por tamanho as vagens de 
amendoim e b) Sementes com casca envasadas em big-bag na unidade de beneficiamento 
do sementeiro El Carmen, Córdoba. Foto: Jovtis María Luz e Juez Cristian David (2014). 
 
 B) PRODUTOS DA AGROINDÚSTRIA 
 
INTRODUÇÃO 
 
A busca de alimentação proteica de baixo custo tem levado a utilização de co-produtos 
de processamento de grãos, em diversos alimentos. O amendoim encontra-se em posição 
privilegiada em relação as oleaginosas cultivadas pois, além de apresentar um óleode 
excelente qualidade para diversos fins, sua torta residual é rica em proteínas e em 
aminoácidos sulfurado e têm amplo mercado na alimentação animal. Quando refinado, 
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esse óleo é utilizado em processos da indústria farmacêutica, cosmética, alimentícia, entre 
outros. O óleo não refinado é utilizado como combustíveis e lubrificantes. Também pode 
participar da produção de sabões especiais para o branqueamento de lã e seda. 
Atualmente, sua produção tem sofrido um considerável aumento devido à alta demanda 
do setor produtivo e da expansão e transformação tecnológica para a produção de 
biodiesel (ALMEIDA et al., 2011). 
 
Tendo em vista as boas perspectivas dos mercados nacionais e internacionais, as sementes 
do amendoim contêm cerca de 30% de proteína, 46% de óleo e vitaminas E, do complexo 
B (tiamina (B1) e riboflavina (B2) e niacina), além de outras vitaminas como o α-
tocoferol, importante substância associada a poderes antioxidante, e encontram-se em 
plena ascensão, devido ao aumento da quantidade de produtos industrializáveis para o 
consumo. Também o interesse é devido a sua composição rica em ácidos graxos 
insaturados, como o oleico (monoinsaturados) e o linoleico (poli-insaturados) que, juntos, 
somam, em média, 80%. Por ser resistente à rancificação, possui qualidade marcante de 
permanecer fresco por longos períodos de tempo (FREIRE et al., 2009; ALMEIDA et al., 
2011; STEPHENS et al., 2010). 
 
O óleo contém cerca de 98% de digestibilidade e sua farinha possui o dobro da quantidade 
de aminoácidos essenciais à dieta humana, em especial a arginina, importante para 
lactantes. É também rico em vitaminas do complexo B, como tiamina, riboflavina, 
niacina, piridoxina, colina, biotina, inositol, ácido fólico e ácido pantotênico. As 
principais formas de consumo são de amendoins torrados ou cozidos, em ambas as formas 
salgadas; sua farinha, processada, pode ser utilizada na confecção de pães, bolos 
biscoitos, salgados, pastas, cremes, doces e sorvetes, para melhoria de sabor e no 
enriquecimento da qualidade proteica. Uma outra forma largamente utilizada em vários 
países, especialmente é o amendoim na forma de pasta ou manteiga. Especialmente nos 
Estados Unidos da América, este produto é utilizado em várias refeições, lanches e em 
especial no desjejum. A literatura revela que é capaz de curar até casos severos de 
desnutrição. No Brasil, além desta forma de consumo, ela é amplamente utilizada nas 
indústrias de sorvetes e picolés, por exemplo (FREIRE et al., 2009). 
 
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Por outro lado, é importante destacar que as principias tecnologias de pós-colheita do 
amendoim são: Qualidade inicial – No campo se obtém a qualidade primaria, onde a 
premissa básica é considerar a própria vagem como a melhor embalagem para se 
conservar o amendoim. Mas é necessário manter essa vagem intacta durante as etapas de 
colheita e pós colheita até ser adquirida pela cooperativa ou empresa extratora de óleo, 
após análises laboratoriais de aflatoxina e umidade sobre o material amostrado. Portanto, 
as vagens de amendoim destinadas para extração de óleo devem ser colhidas sem danos 
mecânicos, limpas, sem problemas de sanidade e armazenado seco; Sanidade do 
amendoim – A sanidade se refere principalmente à ausência de aflatoxina, pois não deve 
utilizar amendoim com índices superiores as normas estabelecidas pelo Ministério da 
Agricultura. O Nordeste do Brasil é uma das regiões com melhores condições 
agroclimáticas para produzir amendoim livre de aflatoxinas. As aflatoxinas são 
substâncias produzidas por fungos (Aspergillus sp.), que são tóxicas para a saúde humana 
e animal, sendo um dos principais fatores limitantes para alguns países exportadores de 
grãos. Geralmente as tolerâncias estão entre 1 e 3 ppb (partes por bilhões), enquanto que 
alguns países têm um nível zero de tolerância. Os fatores adversos que predispõem ao 
ataque de tais fungos são: falta de maturação, excesso de maturação, estresse hídrica no 
período de maturação, danos mecânicos, danos causados por insetos, impurezas, alta 
umidade dos grãos, condições de alta umidade e temperatura ambiente durante a 
armazenagem. É muito importante limpar cuidadosamente os equipamentos de 
transporte, especialmente as bocas de descarga, já que comumente são fontes de 
contaminação muito importantes que às vezes não são levados em conta; e Sabor: O 
aroma e o sabor característico do amendoim derivam de uma série de combinações de 
produtos químicos e enzimáticos. O sabor pode ser alterado por uma série de fatores 
adversos, tais como: grãos imaturos, danos mecânicos, incidência de patógenos, agentes 
climáticos desfavoráveis, secagem e armazenamento inadequados. Além disso, as 
contaminações durante o processamento do produto podem ser evitadas através de Boas 
Práticas de Fabricação (BPF) e das Análises dos Perigos e Pontos Críticos de Controle 
(APPCC), as quais visam pela melhoria e manutenção da qualidade do produto. Em linhas 
gerais, o fluxo do processo realizado na agroindústria do amendoim são: 
 
 
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Nível de campo – A extração do óleo inicia com as operações de colheita do amendoim, 
que podem ser realizadas de forma manual, semimecanizada ou totalmente mecanizada 
(Figura 160), estão divididas basicamente em três etapas: arrancamento de plantas, sua 
secagem e despendoamento das vagens da parte vegetal. A realização da colheita no 
momento certo é importante para garantir a máxima qualidade química e organolética 
(sabor), principalmente quando os grãos de destinam para a extração do óleo. O ponto 
ideal de colheita para as variedades rasteiras deve ser definido quando 60% a 65% das 
vagens já atingiram a cor escura na casca, após sua raspagem, e de 70%, para as eretas A 
antecipação da colheita diminui a produtividade e a qualidade. Enquanto o atraso também 
provoca perda de vagens, germinação das sementes no interior dos frutos e maior 
exposição das vagens aos fungos produtores de aflatoxina. Para as cultivares 
desenvolvidas pela Embrapa para a região Nordeste do Brasil, a colheita é iniciada entre 
85 e 110 dias, dependendo da sua precocidade. Após essa etapa, as plantas são enleiradas 
para secagem de modo a reduzir a umidade das sementes. O despencamento das vagens 
é manual e ocorre quando elas estão completamente secas (secagem natural), com cerca 
de 8% a 10% de umidade (BOLONHEZI et al., 2013) ou no caso mecânico, quando os 
grãos atingirem cerca de 14% de umidade (ou inferior a 16%). Nas pequenas propriedades 
nordestinas, a secagem é frequentemente realizada em terreiro, deixando-se as plantas 
expostas ao sol por, pelo menos, três a cinco dias seguidos. Uma vez efetuado o 
despendoamento das vagens, o amendoim em casca é transportado por caminhão do 
campo até a indústria de extração de óleo o mais rapidamente possível para evitar a sua 
contaminação por aflatoxina. 
 
Figura 160. Arrancador-enleirador usado na colheita do amendoim. Foto: Arquivo da 
MIAC –Máquinas Agrícolas. 
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EXTRAÇÃO DO ÓLEO 
 
Recepção das vagens na unidade extratora – Na recepção ocorre uma amostragem da 
carga de vagens, por uma sonda pneumática, sendo retirados 30 kg de vagens por 
caminhão em três pontos aleatórios (Figura 161). Da amostra, são realizadas as análises 
de rendimento, umidade, impurezas e aflatoxina, evitando assim o desenvolvimento dos 
fungos trazidos do solo, na lavoura. O pagamento do lote é determinado por essas 
análises, sendo descontados os valores conforme o aumento de cada um destes índices. 
Quanto ao índice de aflatoxina, quando o lote apresenta o teor superior a 20 μg/kg, então 
seu destino é para produção de óleo industrial, por exemplo como sabão e não alimentação(BRASIL, 2003). 
 
Figura 161. Caminhão carregado de amendoim em vagens na unidade de beneficiamento 
e realizando amostragem do produto. Foto: Rafael Marani Barbosa 
 
Uma vez feita a pesagem da carga à granel, é realizada as análises obrigatórias para a 
aceitação/rejeição e classificação do amendoim e posterior armazenagem. Geralmente os 
atributos de qualidade do amendoim, medidos pela indústria ou cooperativa na recepção 
do produto, são o índice de aflatoxina e taxa de umidade. 
 
 
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Unidade de pré-limpeza - Em seguida, o amendoim deve passar pela unidade de pré-
limpeza, onde o produto é descarregado na moega. Por meio de um elevador mecânico, 
as vagens são transportadas para uma peneira classificadora e vibradora, que fica 
submetida a um mecanismo de turbulência de ar, cuja finalidade é a eliminação dos 
materiais estranhos contidos no produto (pedra, areia, material orgânico em forma de 
casca, folhas etc). Em uma peneira vibratória onde são retidos pedaços de ramos e folhas, 
terra e as vagens caem na carreta de secagem. Em seguida, as vagens são encaminhadas 
para a secagem artificial (Figura 162). 
 
Figura 162. Unidade de pré-limpeza das vagens de amendoim do fabricante Scott Tech. 
Foto: Vicente de Paula Queiroga 
 
Secagem Artificial - O produto que vem do campo em sacos ou a granel, dependendo do 
volume colhido e também da modernidade da unidade extratora, deve ser secado 
artificialmente em carreta secadora. Quando se trata de uma miniusina, a secagem natural 
é realizada com as vagens espalhadas sobre uma lona plástica. É importante destacar que 
o uso de secadores artificiais, a partir de 1999, impulsionou a produção de amendoim no 
Brasil, pois permitiu controlar a ocorrência de aflatoxinas. 
 
As vagens são enviadas para o secador. A secagem pode ser feita em carreta secadora, 
que possui fundo vazado para permitir a circulação de ar (Figura 163). Nesse sistema de 
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secagem, o ar quente, com umidade relativa de 50 a 60%, é insuflado na parte lateral da 
carreta e, por uma canaleta e no interior, passa de maneira ascendente pela massa de 
vagens. Cada carreta comporta cerca de 250 sacas de 25 kg de amendoim em vagem (6 
ton). Para um melhor desempenho da operação artificial, o amendoim deve estar com 
umidade entre 16 a 18% nos grãos. O tipo de agente de secagem é o diesel que fica 
armazenado em um cilindro de aço posicionado na extremidade do secador. Sua queima 
irá aquecer o ar ambiente que é insuflado pelo ventilador sobre o leito de secagem. A 
baixa umidade do ar, ao entrar em contato com as vagens, retira o excesso de umidade 
das mesmas. A temperatura de secagem deve ser iniciada com 35°C e, gradativamente, 
ser aumentada sem ultrapassar 38 ºC - 40 ºC, para que as qualidades químicas e o sabor 
do amendoim não se alterem, além de evitar quebra dos grãos durante o beneficiamento 
posterior à secagem. O tempo gasto na secagem depende da umidade inicial do produto. 
 
 
Figura 163. Detalhe do funcionamento da carreta secadora com um fundo vazado na 
parte inferior por onde é injetado o ar para o ajuste do teor de água das vagens de 
amendoim. Fotos: Arquivo da Coplana, SP e Inácio José de Godoy. 
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O sistema de secagem diretamente em carreta permite maior agilidade nas operações e 
maior controle do processo em função das condições de cada lote. Para determinar o 
momento de interromper a secagem, são realizadas amostragens no secador em três 
pontos durante o período de 20 a 24 horas de secagem, até atingir 8% de umidade nos 
grãos, sendo o índice 9% para grãos e de 11% para vagens, índice exigido para 
armazenamento das vagens na legislação vigente (BRASIL, 2003). 
 
Segunda pré-limpeza de vagens secas - Após a secagem, as vagens estão prontas para 
a segunda fase de limpeza. Ou seja, outra descarga do material é feita na moega e, através 
de um elevador, as vagens são colocadas novamente na máquina de pré-limpeza e, por 
meio de um mecanismo de turbulência e peneira, se eliminam o material fino e as 
impurezas contidas no lote. As vagens selecionadas podem ser transportadas para o 
depósito onde se armazena o produto natural limpo em embalagens de sacos de 25 kg (ou 
big bags; Figura 164) ou podem ser encaminhadas diretamente para o processo de 
descascamento. 
 
 
Figura 164. Ensacamento de amendoim com casca em embalagens big bags para 
armazenamento e comercialização. Foto: Arquivo da Coplana. 
 
 
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Descascamento do amendoim – Trata-se de um equipamento simples e de baixo custo, 
formado por um tambor dentro do qual gira um eixo ondulado que, ao introduzir as vagens 
de amendoim por um alimentador, irá esfregar e descascar, expulsando assim as cascas 
dos grãos e, por gravidade, ambos vão cair numa peneira (Figura 165). Essa armação com 
peneira, localizada na parte inferior, tem por objetivo separar as cascas das sementes. A 
Segunda máquina requer uma alimentação manual continuo de vagens e tem a capacidade 
de produzir 500 kg/h de grãos, a qual descasca através da sua fricção na parte interna do 
equipamento e por meio da ventilação, as cascas fragmentas são expelidas por uma boca 
superior e os grãos mais pesados são descarregados pela boca inferior. 
 
 
Figura 165. Diferentes descascadoras de amendoim. Foto: Arquivo da Alibaba. 
 
 
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Mesa de Gravidade - Os equipamentos que separam os grãos pela densidade, como a 
mesa de gravidade, têm sido amplamente usados na indústria extratora de óleo já que 
melhoram a qualidade ao retirar do lote grãos danificados, chocos, perfurados por pragas, 
partidos ou trincados, doentes, ou outros materiais indesejáveis que são geralmente leves 
do que os grãos bons. As pesquisas têm evidenciado que a inclusão da mesa gravitacional 
na linha de beneficiamento é vantajosa para o aprimoramento da qualidade dos grãos ou 
sementes de amendoim (Figura 166). 
 
 
Figura 166. A operação na mesa de gravidade seleciona e melhora a qualidade dos grãos 
ou sementes de amendoim. 
 
Secagem Natural de grãos ou artificial - Uma vez secados ao sol e atingindo a umidade 
máxima de 5-6%, os grãos de amendoim ainda aquecidos (quentes) devem ser conduzidos 
imediatamente para o setor de prensado, visando obter um maior rendimento no processo 
de extração de óleo. Também se obtém assim um produto de melhor qualidade (amarelo 
ouro) e com maior vida de prateleira. Recomenda-se não realizar extração de óleo em dias 
nublados, pois o rendimento de extração de óleo é baixo, exceto no caso de a unidade 
processadora dispor de um sistema artificial de secagem. Nesse caso para não 
comprometer o sabor, os grãos já com umidade entre 8% a 10% poderão ser submetidos 
a temperatura de 38 ou até 40ºC da carreta secadora (Figura 163) ou utilizando outros 
modelos de secadores (Figura 167), buscando assim reduzir a umidade dos grãos para 5% 
a 6%. Imediatamente, o material com baixa umidade deve ser prensado na unidade de 
extração de óleo. 
 
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Figura 167. Distintos tipos de secador artificial utilizado no processo de secagem dos 
grãos. 
 
Extração do óleo de amendoim – O óleo de amendoim é convencionalmente extraído 
por prensagem mecânica. A prensagem mecânica é um processo menos eficiente, mas 
com óleo mais pesado, levando a baixa recuperação de óleo (rendimento de 45%; Figura 
168). A prensa contínua ‘Expeller” é formada por barras em montagem circular próximo 
ao final da rosca, por onde flui o óleo expulso da torta. No final da rosca, por um espaço 
anular variável entre o eixo da rosca e o corpo da prensa sai a torta (Figura 169). 
 
 
 
Figura168. Extrusora YZS-100 de extração do óleo de amendoim. 
 
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Figura 169. A estrutura da prensa contínua ‘Expeller é composto por um alimentador, 
caixa de engrenagem, câmara de prensagem, eixo do parafuso e o suporte da máquina. 
 
Por outro lado, a verticalização da produção de amendoim é mais procurada por pequenas 
comunidades de agricultores familiares. Portanto, uma miniusina de extração de óleo 
poderá ser instalada na associação ou cooperativa dos produtores de amendoim, de acordo 
com as normas de vigilância sanitária, onde serão implantados os equipamentos: mini-
prensa (Figura 170) e filtro da prensa. Antes de definir instalar a unidade extratora de 
óleo, recomenda-se realizar um estudo econômico do mercado das grandes cidades mais 
próximas a ela, levando-se em conta as dificuldades de distribuição e venda do óleo, 
impostas pelo mercado. 
 
 
Figura 170. Unidade de extração de óleos vegetais (amendoim, gergelim, girassol, etc) 
da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Familiares de Lucrecia, RN (COAFAL). 
Fotos: Vicente de Paula Queiroga. 
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O óleo extra virgem é obtido por prensagem a frio numa sala com apenas iluminação 
indireta do ambiente externo, utilizado uma prensa do fabricante Ecirtec ou Scott Tech, 
ambas empresas de São Paulo. Dependendo do modelo do equipamento, o seu rendimento 
médio de extração de óleo a frio pode variar de 30% a 45% (Figura 171). Para conservar 
melhor todas as propriedades químicas naturais do óleo, deve-se realizar seu envase em 
embalagem de vidro escuro (frasco âmbar). Embalagens transparentes de vidro e de 
plástico, usados pelos fabricantes, alteram as características do produto. 
 
 
Figura 171. Prensa de extração de óleo de sementes de amendoim do fabricante Ecirtec 
com rendimento entre 30% a 35%, equipamentos pertencentes ao patrimônio da Embrapa 
Algodão. Foto: Vicente de Paula Queiroga. 
 
Por outro lado, o equipamento do fabricante Scott Tech de Vinhedo SP tem capacidade 
de processar 100 quilos de matéria prima por hora, rendimento de 44% de óleo extra-
virgem e poderá extrair 20 litros de óleo de amendoim por hora, o qual é envasado em 
garrafa de vidro (QUEIROGA et al., 2014; Figura 172). 
 
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Figura 172. Prensa e filtro de extração de óleo de amendoim do fabricante Scott Tech de 
Vinhedo, SP com rendimento entre 40 a 45%. Fotos: Vicente de Paula Queiroga. 
 
Filtragem do óleo - O óleo obtido por prensagem sempre arrasta resíduos que tendem a 
turvar o óleo. A separação deste material pode ser por sedimentação ou por filtragem. A 
filtragem tem a finalidade de retirar os resíduos que estão misturados com o óleo. No tipo 
de equipamento empregado, o óleo passa através de uma série de filtros (10), feitos de 
tecido grosso. Em cada filtro, vai sendo retirada uma borra, composta pelos resíduos do 
óleo. Esse filtro de prensa é do tipo placas verticais, com 6 placas e 7 quadros, fechamento 
mecânico manual, bica recolhedora e bandeja para retenção de finos. Também acompanha 
uma bomba para alimentação e motor de 0,33 CV (Figura 173). Dependendo da qualidade 
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dos grãos empregados (natural sujo de campo) e do grau de impureza do óleo, pode ser 
feita uma ou mais etapas de filtragem (QUEIROGA et al., 2007). 
 
 
Figura 173. Filtros de prensa de porte médio utilizados na extração do óleo dos grãos de 
amendoim. Fotos: Vicente de Paula Queiroga. 
 
O óleo extraído do equipamento sai quente, sendo recomendado esfriá-lo à temperatura 
ambiente para facilitar sua clarificação. Deve-se deixar por 24 horas o óleo decantar e 
conservar o mesmo dentro de um vidro lacrado em um local fresco. Esse óleo escuro que 
sai da prensa contém muitas impurezas, com resíduos de cascas e endospermas dos grãos 
de amendoim. Por isso, deve ficar em repouso, para sedimentar essas impurezas (Figura 
174). O repouso é importante, pois aumenta a eficiência da etapa seguinte: a filtragem. 
Uma alternativa para os produtores das comunidades rurais é utilizar um pano grosso para 
fazer a filtragem do óleo que passou pelo processo de sedimentação (repouso). 
 
Figura 174. Depósito de aço inoxidável usado na sedimentação do óleo extraído dos 
grãos de amendoim pela prensa de extração. 
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Amostragem do óleo em laboratório - A análise da amostra de óleo de amendoim em 
Laboratório é a última fase do processo de extração, porque determina a qualidade final 
do produto e define ou não sua comercialização para o mercado. As amostras tiradas de 
cada tambor são armazenadas para a realização das respectivas análises de peróxido e 
acidez em 4 repetições por cada teste (Figura 175). Uma vez concluído essa operação, 
realiza-se a etiquetagem das garrafas indicando no rotulo o índice de peróxido e acidez. 
 
 
Figura 175. Tambor especial (aço inoxidável) para alimento com logomarca da empresa 
usado para encher com óleo de amendoim. 
 
Engarrafamento do óleo - O processo de engarrafamento se divide em quatro etapas. A 
primeira consiste no processo de lavagem, esterilização e secagem das garrafas, que em 
seguida seguem para a etapa de envasamento, onde acontece o enchimento das garrafas. 
A terceira etapa é a colocação de rótulo e selo na superfície externa da garrafa, e por 
último as garrafas são colocadas em caixas para distribuição ou comercialização local. 
Nessa etapa, alguns resíduos e efluentes gerados podem ser apontados como aspectos 
ambientais relevantes. Os efluentes gerados no processo são a água utilizada na assepsia 
dos recipientes e as soluções contendo detergente. Também são gerados, rótulos de papel, 
tampinhas de garrafa, restos de cola, cacos de vidro, etc (SEBRAE, 2001). 
 
O óleo deve ser envasado em recipientes novos, mesmo assim é necessário submetê-los 
ao processo de esterilização. Atualmente, os materiais permitidos são: vidros, lata de 
alumínio e garrafa pet. A capacidade de cada embalagem não pode ser maior de 1 litros 
e não é permitido usar embalagem com marcas que não sejam de propriedade do Produtor 
Autorizado ou ser um envasador aprovado nos términos das normas oficiais. No entanto, 
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o óleo de amendoim bruto normalmente contém um número de impurezas. Assim, para 
óleo comestível, o óleo de amendoim prensado precisa ser enviado para o processo de 
refinação. Recomenda-se colocar em frasco de 473 mL (Figura 176). 
 
 
Figura 176. Óleo refinado de amendoim orgânico obtido por temperatura elevada. Foto: 
Arquivo da Spectrum. 
 
O óleo refinado é considerado como um dos mais finos óleos disponíveis no mercado. O 
óleo de amendoim refinado é usado comumente, não somente na indústria do 
processamento dos alimentos, mas também em numerosas aplicações como na indústria 
farmacêutica e de cosméticos. As etapas para a obtenção do óleo refinado de amendoim 
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são: degomagem; neutralização ou refinação alcalina; branqueamento ou clarificação; 
winterização e desodorização. 
 
Além do óleo refinado, existem vários tipos de óleo de amendoim, incluindo: óleo de 
amendoim torrado aromático, extra virgem ou óleo de amendoim prensado a frio e extrato 
de amendoim. Nos Estados Unidos, o óleo de amendoim refinado está isento de leis de 
rotulagem de alergênicos. O óleo de amendoim é muitas vezes usado no cozimento, uma 
vez que tem um sabor suave e uma relativamente elevada ponto de fumo (esfumaçar). 
Devido ao seu elevado teor de mono-insaturado, é considerado mais saudável do que os 
óleos saturados, e é resistente ao ranço. 
 
O óleo de amendoim - É considerado um dos principais óleos na dietaa p í t u l o I | 23 
 
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curva na corola, terminando em estigma pequeno e clavado (CONAGIN, 1955; 
BULGARELLI, 2008). 
 
 
 
Figura 6. Fase de floração do amendoinzeiro (Arachis hypogaea): (A-B) Botão floral 
evidenciando (ca) cálice e hipanto (h); (C-D) Detalhes da flor aberta evidenciando (as) 
asa, (est) estandarte; (E) Asa (as) aberta evidenciando a quilha (qui), estrutura que recobre 
partes dos aparelhos reprodutores masculino (androceu) e feminino (gineceu); (F) 
Aparelho reprodutor masculino evidenciando anteras (an) abertas com pólen, fixadas no 
ápice dos filetes, que são concrescidos na base, e aparelho reprodutor feminino 
evidenciando o estigma (e) no ápice do estilete. Fotos: Lucia Maria Paleari. 
 
É importante destacar que a flor do amendoinzeiro está situada na extremidade de uma 
estrutura tubular e delicada, o hipanto, que emerge da axila da folha (Figura 7A-B). O 
ovário de cada flor é localizado na base de seu “pedúnculo”, próximo ao ramo. Da flor 
fecundada, forma uma estrutura denominada botanicamente de ginóforo, mas 
popularmente conhecida como “esporão” ou “peg” que possui geotropismo positivo 
(Figura 7C). Atingindo certa profundidade (5 a 10 cm) no solo, sua extremidade começa 
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a se espessar dando origem aos frutos e sementes. Esse processo especial de frutificação, 
em que uma flor aérea, após ser fecundada, produz um fruto subterrâneo é denominado 
geocarpia, considerada uma propriedade intrínseca do gênero (GODOY et al., 2005). 
 
 
Figura 7. Arachis hypogaea (amendoinzeiro): (A) Detalhes da flor – (h) hipanto, (s) 
estilete, (o) ovário, (g) ginóforo, (fm) flor murcha; (B) Detalhe de ginóforos (esporões) já 
crescidos, emergidos da axila de folhas; (C) Parte aérea (ramos com folhas) e detalhe das 
raízes e frutos subterrâneos, com seus respectivos ginóforos desenvolvidos. Fotos: Lucia 
Maria Paleari. 
 
Fertilização da flor e desenvolvimento do ginóforo - A baixa taxa de cruzamento do 
amendoim é devido à constituição de sua flor apropriada para autopolinização 
(cleistogâmica). Sua fertilização dá-se antes da abertura. Uma vez fertilizada, um tecido 
meristemático intercalar, da base do ovário torna-se ativo, formando-se uma estrutura 
alongada com ponta aguda, que carrega o ovário com os óvulos fecundados em sua 
extremidade (Figura 8), denominada de ginóforo, carpóforo, “peg” ou esporão. Com uma 
semana após a fertilização, o carpóforo passa a exibir um geotropismo positivo até 
alcançar a superfície do solo. Seu comprimento irá depender da distância que tem a 
percorrer para alcançar o solo e, também, da posição da flor em relação a este ponto 
referencial (solo). Entretanto, se o carpóforo, pela grande distância que tem a percorrer, 
não conseguir alcançar o solo acaba por murchar sem formar frutos. Apenas as flores que 
se localizam a 15 cm de altura ou menos, são as que vão originar carpóforos em condição 
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de alcançar o solo, proporção esta que varia entre 45 a 65% (Figura 9). É comum a flor 
permanecer presa a sua extremidade até que o carpóforo penetre ao solo, pois a sua função 
também é levar ao fruto em formação os nutrientes elaborados pela parte área da planta, 
pois anatomicamente é um ramo. Além disso, o carpóforo pode absorver os nutrientes 
diretamente do solo, à semelhança das raízes, por ser dotado de numerosos pelos 
absorventes multicelulares, em sua parte subterrânea (CONAGIN, 1973; COOLBEAR, 
1994). Uma vez penetrando no solo, o ginóforo continua a crescer verticalmente mais 
alguns centímetros (4-5 cm), após sua extremidade assumir posição horizontal num 
ângulo de 90º, dando início à formação da vagem ou seu engrossamento. Este 
espessamento está relacionado ao desenvolvimento dos óvulos fecundados, em estádio de 
proembrião, que até então não haviam sofrido modificação em seu tamanho. A vagem é 
formada pelo rápido crescimento do tecido do endocarpo, entre os óvulos e a parede da 
casca. Com o crescimento das sementes, o endocarpo desaparece, permanecendo a 
estrutura rígida da casca. É importante destacar que o ovário desenvolvido origina o fruto 
(legume), indeiscente, e os óvulos, as sementes, sendo as primeiras vagens visíveis 25 a 
30 dias após o início da floração. Em condições normais, as sementes atingem a 
maturação entre 50 e 60 dias após a fertilização (NAKAGAWA; ROSOLEM, 2011; 
SANTOS et al. 2013). 
 
 
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Figura 8. Ilustrações dos processos de fertilização da flor de amendoim e da emissão e 
desenvolvimento do ginóforo, resultando na extremidade do ginóforo um fruto ou vagem. 
Fotos: Luiz Henrique Batista de Souza (A); João Nakagawa e Ciro Antônio Rosolem (B) 
e J. H. A. van Zee (C). 
 
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Figura 9. Após a polinização da flor (A), os ovários fecundados terminam de se 
desenvolver em vagens dentro do solo. Na imagem B, os carpóforos contendo os ovários 
estão indo para o solo. Fotos: H. Zell; Alain Busser. 
 
Inflorescência - As flores surgem nas axilas das folhas em inflorescência do tipo espiga 
que produz de três a cinco flores. A inflorescência é semelhante a um ramo vegetativo, 
de dimensões muito reduzidas. Em uma mesma axila normalmente abre-se uma flor por 
vez, sendo rara a abertura de duas ao mesmo tempo. O período de florescência já começa 
nas 3 a 4 semanas após a semeadura e pode se prolongar por até mais de 2 meses. As 
flores abrem pela manhã, após haver ocorrido já autopolinização (CENTURION; 
CENTURION, 1998). Vale acrescentar que o sistema reprodutivo do amendoim é 
formado por flores hermafroditas e cleistogâmicas, permitindo, a ocorrência de 
autofecundação com baixa taxa de polinização cruzada, menos que 1% (NIGAM et 
al.,1990). 
 
Frutos - Os frutos são vagens indeiscentes, uniloculadas, estranguladas, de cor amarelo-
palha, com superfícies mais ou menos reticuladas, encerrando uma a cinco sementes 
presas à face interna e ventral do pericarpo (Figura 10). Os frutos desenvolvem-se no 
interior do solo (geocarpia), sendo ligados a axilas das folhas (parte aérea) através de uma 
estrutura denominada carpóforo, ginóforo ou “peg”. A casca representa de 25 a 30% do 
peso dos frutos secos, tem como principal constituinte a celulose e é relativamente pobre 
em nutrientes (CENTURION; CENTURION, 1998). Entre os seus usos mais frequentes 
ou possíveis, estão os combustíveis (pela queima), ração animal (trituradas e misturadas 
às rações para ruminantes, desde que sem micotoxinas), fertilizantes (como matéria 
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Arachis_hypogaea_003.JPG
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Peanut_stalks.jpg
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orgânica “in natura” ou forma de composto), placas de aglomerados (triturada, seca e com 
adição de goma). Além disso, tem sido o substrato preferido para utilização em “camas” 
de aviários de corte, o que lhe confere bom valor comercial. 
 
 
 
 
Figura 10. A;B). Detalhes das vargens (frutos) na planta de Arachis hypogaea com seu 
pericarpo (casca) e sementes e C). As vargens com três e duas sementes de amendoim. 
Foto: Lucia Maria Paleari 
 
 
Sementes - O número e tamanho das sementes variam entre as cultivares. As sementes 
constam de um tegumento seminal (película) delgado e do embrião. O tegumento pode 
ser de cor variável como branco, rosado, vermelho, roxo e ou negro (Figura 11), inclusive 
manchado de branco e vermelho. Enquanto o embrião é constituído por dois cotilédones 
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volumosos, ricos em óleo e proteína e um eixo reto compreendendo um epicótilo de três 
gemas, uma apical e duas cotiledonares, os elementos de seis a oito folhas e uma radícula 
(Figura 12); esta é perceptívelhumana. As 
sementes de amendoim contêm 27-29% de proteína e 45-50% de óleo. Desse total, cerca 
de 50% é de gorduras monoinsaturadas, 33% de poli-insaturadas e 15% de gorduras 
saturadas. Uma colher do óleo (13 ml) fornece 119 calorias, 4.321 mg de ácidos graxos 
poli-insaturados do tipo ômega 6, 2.1 mg de vitamina E e 0.1 mcg de vitamina K. Seu 
óleo oferece vários benefícios para a saúde, além de ser uma fonte mais saudável de 
gordura. O óleo de amendoim serve para reduzir as dores da artrite reumática, tonificar a 
pele e o cabelo, baixar o colesterol e bloquear a ação dos radicais livres. Como não tem 
sabor muito acentuado, pode ser utilizado para massagens, frituras, temperar saladas, 
finalizar pratos e até mesmo para substituir a manteiga em receitas de doces ou salgadas. 
 
Outa vantagem do óleo de amendoim é que custa frequentemente menos do que o azeite 
de oliva, embora contenha a maioria dos mesmos nutrientes e forneça praticamente os 
mesmos benefícios. O uso desse óleo representa uma escolha econômica sábia, assim 
como uma escolha saudável de alimento. Ao comprar óleo de amendoim, observe se as 
embalagens indicam "100% de óleo de amendoim", principalmente quando se deseja 
obter o máximo de benefícios para a saúde humana, tais como: baixa o colesterol, diminui 
a pressão de sangue, ajuda na perda de peso e diabéticas (Figura 177). 
http://www.mundoboaforma.com.br/o-que-sao-radicais-livres/
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ISBN 978-85-67494-25-8 
 
 
Figura 177. Óleo de amendoim e seus beneficios para a saúde humana. Foto: Empresa 
Interoleos. 
 
Extração de óleo a quente. No mercado virtual, encontram-se várias marcas de máquinas 
elétricas de extração de óleo, tipo bancada, que permitem ajuste automático do dispositivo 
de extração para quente ou para frio (natural), pois o equipamento é dotado de um 
termostato de aquecimento (potência 400W) e capacidade operacional para 30 kg de grãos 
por hora. Estima-se um rendimento de extração de 2,5 a 3,5 kg de grãos para se obter 0,8 
a 1 kg de óleo. Essa máquina automática de extração de óleo é utilizada para várias 
espécies oleaginosas, principalmente para os grãos de amendoim (Figura 178). 
 
 
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Figura 178. Máquina de extração de óleo de grãos de amendoim com ajuste automático 
para quente e frio (natural). 
 
Biodiesel - O óleo de amendoim, juntamente com os outros óleos vegetais, vem sendo 
estudado para a utilização como biocombustíveis em motores diesel, seja só ou em 
mistura com o óleo diesel, com resultados promissores (MELLO et.al., 2006). Esse óleo 
(Figura 179), como os demais de origem vegetal, apresenta densidade próxima ao 
combustível empregado tradicionalmente, porém com poder calorífico pouco menor, e 
fazem parte do Programa Nacional de Produção e Uso de Biocombustível, que 
estabeleceu a obrigatoriedade (Lei 11.097 de13/01/2005) da adição de 2% de 
biocombustível ao diesel a partir de 2008 e com elevação para 5% em 2013. 
 
 
Figura 179. Esquematização da produção de biodiesel a partir do óleo de amendoim 
(viscosidade dada em cST - centistokes). 
 
Deve-se considerar ainda a grande diversidade de opções de oleaginosas para produção 
de biodiesel, tais como a Elaeis Guineensis N. (dendê) e Orbignya phalerata (babaçu) no 
norte, Glycine max (soja), Helianthus annuus (girassol) e Arachis hipogaea (amendoim) 
nas regiões sul, sudeste e centro-oeste, e no semiárido nordestino, Ricinus communis 
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(mamona), Jatropha curcas L. (pinhão manso). Destacam-se também como alternativa 
às demais regiões do país, além destas, as oleaginosas Mauritia flexuosa L. (buriti), 
Caryocar brasiliense Camb (pequi), Crambe Hochst Abyssinica (crambe), Licania rigida 
Benth (oiticica), Sesanum indicum (gergelim), Carapa guianensis Aubl (andiroba), dentre 
outras oleaginosas, vem sendo investigadas em suas propriedades físico-químicas, 
reológicas e de resistência a degradação térmica e oxidativa, direcionadas a produção de 
biocombustível (ROCHA, 2007). 
 
A produção de biodiesel é uma oportunidade tecnológica e estratégica para o Brasil, tendo 
em vista que o País possui em abundância espécies vegetais de onde se extraem óleos, 
matérias primas necessárias para a produção desse combustível, que já tem na produção 
de álcool de cana-de-açúcar um excelente exemplo nesse aspecto (HAAS et al., 2001). 
 
 
PRODUTOS À BASE DE AMENDOIM PARA PEQUENAS AGROINDÚSTRIAS 
 
O primeiro passo para a agroindustrialização do amendoim é a limpeza e classificação 
dos grãos e o processo mínimo antes do consumo humano que consiste em dois 
tratamentos tradicionais: o descascamento e/ou torragem ou cozimento, visando à 
melhoria da digestibilidade e do sabor. Vale lembrar que embora cozinhar os alimentos 
melhore a qualidade nutricional das leguminosas, mas o aquecimento prolongado resulta 
em decréscimo na qualidade da proteína e perda de vitaminas e minerais. Na realidade 
um dos maiores benefícios do cozimento dos grãos é a destruição da protease, inibidor 
que interfere na digestibilidade. Alguns equipamentos que poderão compor a 
agroindústria para facilitar os trabalhos de preparação de receitas de amendoim, tais 
como: torração, despeliculação, trituração, processamento e de revestimento de grãos 
(Figuras 180 a 184). 
 
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Figura 180. Diferentes modelos de máquinas torradoras de grãos de amendoim. Fotos: 
Arquivo da Alibaba. 
 
 
Figura 181. Diferentes modelos de máquinas despeliculadoras de grãos tostados de 
amendoim. Fotos: Arquivo da Alibaba. 
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Figura 182. Moinho triturador facilita o processo de cozimento e de extração de óleo, 
quebrando a semente de amendoim em partes menores (maior rendimento de óleo). 
 
 
Figura 183. Diferentes modelos de máquinas processadoras de grãos para fazer manteiga 
de amendoim (8,4 litros). Foto: Arquivo da comercial Xeoleo. 
 
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Figura 184. Máquina de revestimento de amendoim com chocolate, pasta quente de 
amendoim e para confecção do amendoim japonês. 
 
Após esta etapa dos equipamentos auxiliares, segue-se o preparo de algumas das 
formulações / receitas, tais como: 
 
Despelicular o amendoim ou branquear 
 
O processo consiste em eliminar o tegumento (exemplo: cor vermelha) do grão de 
amendoim através de processo seco, úmido e mecânico. Durante o processo seco, os grãos 
são aquecidos durante 25 minutos na temperatura de 139ºC e logo, mediante fricção dos 
grãos, se tira o tegumento. Para o processo úmido, os grãos passam por uma peneira de 
arame, a qual irá cortar levemente o tegumento. Em seguida, o tegumento é eliminado 
mediante um jacto de água morna e, de imediato, o amendoim deve ser secado até 5% de 
umidade. Ao passar os grãos entre os rolos pequenos e o rolo grande central da máquina 
(Figura 181), é eliminado o tegumento do amendoim (ASOCIACIÓN NATURLAND, 
2000). 
 
Tostar o amendoim 
 
Para tostar o amendoim a 150ºC de temperatura, os grãos devem ser imergidos por um 
tempo curto dentro do óleo de soja ou amendoim. Enquanto o amendoim em cascara se 
tosta em tambores durante 40-60 minutos a uma temperatura de 160ºC. As temperaturas 
mais elevadas deverão ser evitadas, caso contrário pode evaporar o óleo dos grãos para a 
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casca, consequentemente a vagem adquirirá uma coloração bastante escura 
(ASOCIACIÓN NATURLAND, 2000). 
 
Amendoim salgado 
 
INGREDIENTES 
 
- 500 g de amendoim torrado 
- 3 colheres de chá de sal 
- 5 colheres de sopa de água 
- 3 colheres de sopa de óleo de amendoim ou gordura vegetal hidrogenada suficientes 
para misturar-se ao amendoim 
 
PREPAROexternamente como um pequeno bico da semente 
(MAZZANI, 1961; FONSECA, 1981; CÂMARA et al., 1982). Comercialmente, as 
sementes de película vermelha, rosada ou castanha são as mais comuns e constituem a 
parte de maior interesse econômico, devido ao seu elevado teor de óleo comestível, 
ultrapassando 45% em algumas variedades, e cerca de 20% de proteínas (GODOY et al., 
2005). 
 
 
 
Figura 11. Sementes de amendoim de grãos de cor negra. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 12. Estrutura da semente de amendoim (Arachis hypogaea L.): Tegumento, pluma 
(Epicótilo com as primeiras folhas rudimentares ou embrionárias), cotilédones, radícula 
(hipocótilo com a raiz embrionária). Foto: W. P. Armstrong (2005). 
 
 
-Aspecto fisiológico 
 
Germinação -. Define-se a germinação da semente de amendoim como sendo epigeal, 
ou seja, o eixo hipocótilo-radícula, durante seu crescimento, curva-se próximo ao nó-
cotiledonar, formando o gancho plumular, que será a primeira parte da plântula a atingir 
a superfície do solo, erguendo em seguida, os cotilédones (BEWLEY; BLACK, 1978; 
Figura 13). Para que o processo de germinação ocorra normalmente, além das condições 
intrínsecas das sementes, as condições ambientais relativas à umidade, temperatura e 
oxigênio são essenciais e se uma delas estiver inadequada, a germinação não ocorre 
(KOLLER; HADAS, 1982). 
 
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Figura 13. Sementes germinadas de amendoim com base na emissão do eixo hipocótilo-
radícula. Foto: Arquivo da empresa Jardim de Minas. 
 
 
As sementes de amendoim apresentam tamanhos consideráveis e para que elas possam 
germinar é necessário fornecer uma quantidade suficiente de água. O índice de embebição 
das sementes em um solo úmido no momento da germinação é de 35% a 40% (GILLIER; 
SILVESTRE, 1970). A primeira evidência visível da germinação das sementes de 
amendoim é a emergência da raiz primária, que ocorre em 24 horas em sementes do grupo 
botânico “Spanish”, mas que requer 36 a 48 horas em sementes do grupo botânico 
“Virgínia”. Após cinco a dez dias, dependendo do cultivar de amendoim e das condições 
ambientais, a raiz começa a absorver nutrientes e o epicótilo começa a realizar 
fotossíntese (KETRING et al., 1982). 
 
Em sementes de amendoim do grupo botânico“Virgínia”, a absorção de água induz o 
embrião a produzir etileno, que atua como agente regulador da germinação, inibindo o 
efeito do ácido abscísico presente nas sementes, possibilitando a ativação de enzimas 
responsáveis pelo processo de conversão dos lipídios em carboidratos (KETRING et al., 
1982). Com relação à temperatura, a germinação ocorre dentro de certos limites, cujos 
extremos dependem de cada espécie (CARVALHO; NAKAGAWA, 1988; 
LABOURIAU, 1983). Em amendoim, uma germinação rápida e uniforme ocorre entre 
20 e 35 ºC, apesar dessa espécie germinar em uma ampla faixa de temperaturas, que varia 
entre 5 e 40 ºC (KETRING et al., 1982). 
 
 
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O processo de germinação requer um aumento acentuado na atividade respiratória das 
sementes, ou seja, um suprimento adequado de oxigênio (KOLLER; HADAS, 1982). 
Porém, a exigência de O2 é relativamente baixa para a maioria das sementes 
(COPELAND; McDONALD JR, 1985), inclusive para as de amendoim (KETRING et 
al., 1982). Na Figura 14, observam-se as fases de desenvolvimento de Arachis hypogaea 
ocorridas por volta de três semanas quando a planta está com as primeiras folhas bem 
desenvolvidas, embora possa acontecer de algumas sementes demorarem mais a germinar 
e a emitir as primeiras folhas (PALEARI, 2015). 
 
 
Figura 14. Processo de germinação da semente de Arachis hypogaea, o amendoinzeiro: 
(A) Radícula em crescimento; (B-C). Semente com os dois cotilédones (duas metades) 
aflorando no solo; (D-F). Folhas em crescimento; (G) Plântula com três folhas, cada uma 
com os seus quatro folíolos. Fotos: Lucia Maria Paleari. 
 
Dormência – Algumas variedades de amendoim (Figura 15) apresentam sementes que 
germinam imediatamente, enquanto outras têm sementes que germinam somente após um 
período de dormência. Sementes das cultivares do grupo botânico “Virgínia” (que 
possuem ramificação alternada) têm um período de dormência, enquanto cultivares dos 
grupos “Spanish” e “Valência” (com ramificação sequencial) apresentam pouca ou 
nenhuma dormência (GILLIER; SILVESTRE, 1970; DUKE; KAKEFUDA, 1981). 
 
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Figura 15. Sementes de amendoim do grupo Valência. Foto: Arquivo da empresa Jardim 
de Minas. 
 
A dormência pode ocorrer devido a alguns fatores como: imaturidade do embrião e 
impermeabilidade do tegumento da semente a gases e água. É geralmente vista como um 
mecanismo de sobrevivência de espécies de plantas silvestres, mas pode causar 
germinação menos uniforme em espécies cultivadas, sendo aparentemente causada por 
barreiras metabólicas endógenas em sementes de amendoim. Algumas pesquisas 
evidenciam que as barreiras metabólicas são provavelmente enzimáticas e impedem a 
síntese de proteínas e/ou a degradação e transporte de reservas para o embrião (KETRING 
et al., 1982). Esse caráter é monogênico com dominância incompleta, sendo, portanto, de 
fácil manipulação no melhoramento genético (SWAIN; SAHOO, 2001). 
 
TOOLE et al. (1964) trabalhando com sementes de amendoim, verificaram que plantas 
que cresceram por longos períodos produziram sementes com baixa dormência em 
relação àquelas colhidas mais cedo. Em seus estudos, a dormência foi reduzida por 
remoção do tegumento, aumento da concentração de CO2 e tratamento com etileno. Por 
outro lado, Swain et al. (2001) estudaram a intensidade e duração da dormência nas 
sementes de genótipos eretos, semirrasteiros e rasteiros de amendoim e constataram que 
os materiais rasteiros e semirrasteiros apresentaram de imediato e por um longo período 
de dormência, enquanto os materiais eretos mostrou curto a médio período de dormência 
com fraca a moderada intensidade. 
 
 
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Reguladores de crescimento - São definidos como compostos orgânicos que em 
pequenas quantidades promovem, inibem ou modificam, qualitativamente, o crescimento 
e desenvolvimento das plantas. Portanto, a embebição de sementes de amendoim em 
solução de 200 ppm GA3 (Progibb) antes da semeadura poderá superar a sua dormência. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO 2 
 
 
 
 
 
ECONOMIA 
 
(Autores) 
Vicente de Paula Queiroga 
Francisco de Assis Cardoso Almeida 
Tarcísio Marcos de Souza Gondim 
Esther Maria Barros de Albuquerque 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PAÍSES PRODUTORES 
Os principais países produtores de amendoim na safra 2010/11 foram China (42,8%), 
Índia (17%), Estados Unidos (5,3%), Nigéria (4,4%), Indonésia (3,5%), Senegal (3,1%), 
Argentina (2,8%), os quais em seu conjunto representam 78,9% da produção total 
mundial, tendência que tem sido mantida desde a década dos anos 70. Estes países 
também constituem o grupo de maiores consumidores com 74% do consumo a nível 
mundial. Enquanto a União Europeia, Indonésia, Canadá e Rússia alcançaram o 71% das 
importações a nível mundial (FINANCIERA RURAL, 2011). 
 
Por outro lado, o amendoim ecológico é cultivado em todos os países tropicais e 
subtropicais, como também nos países de regiões temperadas com verões quentes e 
prolongados. Muitos países têm deixado de exportar amendoim orgânico, devido a 
problemática do teor de aflatoxinas. O desenvolvimento de sistemas exemplares de 
produção orgânica está parado em muitos países e sua produção para exportação, como 
por exemplo para a Alemanha,atualmente está limitado a países como EUA, China, Egito 
e Israel. No entanto, a problemática com aflatoxina pode ser superado, desde que se 
cumpra um sistema específico de cultivo ecológico adotado para o amendoim. Os 
rendimentos de amendoim orgânico são de 2,2 - 3.2 t/ha em EUA, 2,5 - 3,5 t/ha em China 
e 2,8 t/ha de amendoim com casca em Zimbábue. A produção média mundial é de cerca 
de 1,1 t/ha e o potencial produtivo é de 9 t/ha (ASOCIACIÓN NATURLAND, 2000). 
 
MERCADO INTERNACIONAL DE PRODUTOS ORGÂNICOS 
O agronegócio de produtos orgânicos a nível mundial tem mostrado um crescimento de 
100% nos últimos três anos, tendo incorporado mais de 12 milhões de hectares. Estima-
se que, no ano de 2007, a área total mundial, conduzida sob o princípio da agricultura 
orgânica, foi de 31,5 milhões de ha, enquanto as vendas totais mundiais dos produtos 
orgânicos, ascenderam a US$ 40 milhões. Entretanto, o mercado mundial, o setor de 
nozes e frutos secos orgânicos, entre os quais se encontra o amendoim, tem crescido nos 
últimos cinco anos a um ritmo de 30%. Se há uma grande demanda insatisfeita, é devido 
a reduzida oferta de amendoim orgânico certificado, a qual está estimada entre 6.000 a 
8.000 toneladas de grãos com casca. O principal importador a nível mundial é a União 
Europeia (FUNDACIÓN VALLES, 2011). 
 
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Em Bolívia, para o período 2010-2015, técnicos da Fundación Valles registraram (Tabela 
2) um decréscimo na superfície cultivada e na produção de amendoim orgânico. No 
mesmo período, constata-se 2014 como um ano atípico devido à redução não somente da 
área cultivada do amendoim, mas também no seu rendimento. Apesar da redução no 
número de produtores desde o ano de 2010, os volumes produzidos foram incrementados 
no ano de 2015 em razão dos aumentos no seu rendimento. Quando se compara a 
produção orgânica do ano 2013, somente representa 0,41% da produção total do 
amendoim convencional da Bolívia. 
 
Tabela 2. Produção de amendoim orgânico em Bolívia. 
Ano Nº 
Produtores 
Área 
(ha) 
Volume 
(tn) 
Área/ 
produtores 
Volume/ 
Produtores 
Rendimento 
(tn/ha) 
2010 464 122,46 160,66 0,26 0,35 1,31 
2011 338 81,94 102,10 0,24 0,30 1,25 
2012 282 73,45 93,53 0,26 0,33 1,27 
2013 198 56,70 84,92 0,29 0,43 1,50 
2014 259 55,10 53,32 0,21 0,21 0,97 
2015 196 74,02 103,99 0,38 0,53 1,40 
Fonte: Fundación Valles 
 
 
PRODUÇÃO NO NORDESTE DO BRASIL 
A produção nacional é concentrada na região Sudeste, principalmente no Estado de São 
Paulo, responsável por quase 80% da área cultivada, seguida da Nordeste, Sul e Centro-
Oeste (CONAB, 2012). Atualmente, os mercados dividem-se nos segmentos de mesa “in 
natura”, indústria de alimentos e oleoquímica, este último com perspectiva de 
crescimento devido as demandas das indústrias de óleos comestível, combustível e 
farmacêutica. 
 
O Nordeste é o segundo maior polo consumidor de amendoim no Brasil em função das 
grandes extensões das faixas litorâneas, onde é vendido nas formas torrada e cozida. 
Todavia, a produção obtida na região atende apenas a 28% da demanda regional, 
intensificada nos períodos das festas juninas que ocorrem desde maio até julho. Apesar 
da grande demanda, a produção de amendoim na região Nordeste corresponde a cerca de 
7% da produção nacional, sendo o mercado abastecido pela importação do produto vindo 
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de São Paulo e da Argentina. As principais regiões produtoras são: o Agreste dos estados 
da Paraíba, Sergipe e Bahia e a região semiárida no Cariri cearense (SANTOS et al., 
2005a). Uma abordagem rápida sobre os principais estados nordestinos produtores e 
consumidores de amendoim é feita a seguir. 
 
A lavoura do amendoim na Bahia - Segundo a CONAB (2010), a área cultivada na 
Bahia na safra 2009/2010 foi aproximadamente 7 mil ha, com uma produção esperada de 
8 mil toneladas. O polo agrícola de amendoim situa–se na região do Recôncavo baiano, 
contudo em Barreiras, situado na região de cerrado, tem havido grande crescimento da 
cultura nos últimos cinco anos, onde o amendoim é exportado para diversas regiões do 
Brasil. Como antecipação à demanda, na Bahia, a Empresa Baiana de Desenvolvimento 
Agropecuário (EBDA) tem promovido capacitação de técnicos para subsidiar os 
agricultores baianos no tocante à produção de biocombustível de várias culturas, 
inclusive, amendoim (EBDA, 2010). Segundo Andrade e Simões (2007), a Bahia possui 
clima adequado para o cultivo de mamona, dendê, girassol e amendoim. Para se efetivar 
uma elevada produção dessas oleaginosas, é preciso dispor de sementes próprias para o 
plantio, utilizar práticas culturais adequadas (como espaçamento, época de plantio e 
consorciação), organizar o mercado interno para o produtor e para o consumidor final, 
melhorar os preços pagos ao produtor agrícola, aumentar a oferta de crédito e de 
assistência técnica ao produtor agrícola, qualificar os agricultores familiares na produção 
de sementes de qualidade, entre outras (MELO FILHO; SANTOS, 2010). 
 
No Recôncavo da Bahia, as cidades de Maragogipe e Cruz das Almas são os principais 
produtores de amendoim, concentrando cerca de 40% da produção da Bahia, sendo a 
grande maioria do plantio realizada em condições de sequeiro (SEAGRI, 2009). São 
cultivos liderados por pequenos e médios agricultores que utilizam da prática da 
conservação “on farm”, no qual armazenam legumes que lhes parecem ser mais 
promissores com o intuito de atingir maiores produtividades. 
 
 
O amendoim no estado do Ceará - A área cultivada no Ceará na safra 2009/2010 foi de 
1.100 ha, com uma produção esperada de 1.600 toneladas (CONAB, 2010). Neste estado, 
a lavoura do amendoim é de grande relevância para os agricultores familiares, sendo os 
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municípios Crato, Barbalha, Farias Brito e Missão Velha os principais produtores. No 
passado, o Ceará teve maior expressão na produção dessa oleaginosa, porém, nos últimos 
anos, a área vem decrescendo em função de problemas climáticos e agrícolas. Governo 
do Estado tem empenhado esforços para soerguer essa lavoura na região, contando com 
linha de credito e capacitação de produtores, que tem sido apoiado por empresas de ensino 
e pesquisa locais e externas. A Embrapa Algodão, em parceria com a UFRPE e a 
EMATER–CE, tem promovido capacitação de técnicos e agricultores, apresentando 
novas tecnologias para os mercados de alimentos e biocombustível. Mesmo que hoje 
tenha uma produtividade baixa – cerca de 600 quilos por hectare –, a região do Cariri 
(CE) tem condições climáticas de produzir amendoim de excelente qualidade. Entretanto, 
de acordo com a Embrapa, ainda é necessário que os produtores adotem técnicas de 
manejo que contribuam para a elevação da produção (MELO FILHO; SANTOS, 2010). 
 
O amendoim na Paraíba - Segundo a CONAB (2010), a área cultivada na safra 
2009/2010 foi de 1.200 ha, com uma produção esperada de 800 toneladas. A grande 
maioria dos agricultores da Paraíba comercializa a produção em feiras locais ou a entrega 
diretamente na CEASA–PE, o que foge das estatísticas do estado. Por este motivo, 
estima–se uma produção superior ao que se encontra divulgada pelos órgãos oficiais. Em 
Mogeiro, região produtora situada no Agreste paraibano, os agricultores não somente 
plantam como também beneficiam (torrado) na busca de agregação de valor. Alguns 
comercializam diretamente em São Lourenço da Mata (PE). Em Itabaiana, município 
paraibano próximo a Pernambuco, existem comerciantes que atuam como atravessadores 
recolhendo de pequenos produtores locais sempre que surge uma grande demanda 
(MELO FILHO; SANTOS, 2010). 
 
O amendoim em Sergipe - Em Sergipe, a produção de amendoim tem assumido nova 
face a partir da comercialização do chamado “amendoim verde” (Figura 16). Duranteos 
anos 90, a região de Canindé do São Francisco, antes grande produtora de quiabo, teve 
sua estabilidade econômica afetada pela ocorrência de nematoides. Na época, a Embrapa 
Tabuleiros Costeiros se antecipou ao problema incentivando o cultivo de amendoim como 
forma de substituição ao quiabo nas áreas altamente infestadas por nematoides. Em 2007, 
a área cultivada com amendoim em Sergipe foi de 1.495 ha, com uma produção de 1.789 
toneladas de grãos (IBGE, 2010). Na safra 09/10, a área cultivada foi de 1.800 ha, com 
uma produção de 2.200 toneladas. A Empresa de Desenvolvimento Agropecuária de 
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Sergipe (Emdagro) tem apoiado os agricultores sergipanos na lavoura do amendoim em 
vários municípios do Estado. A obtenção de sementes certificadas tem sido intermediada 
pela Secretaria de Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri), junto da Embrapa 
Algodão. Estas sementes têm sido distribuídas aos agricultores situados nos perímetros 
irrigados Poção da Ribeira e Jacarecica I, em Itabaiana, outro polo de produção do estado 
(MELO FILHO; SANTOS, 2010). 
 
 
Figura 16. Colheita manual do amendoim verde (imaturo) para comercialização no 
estado de Sergipe. Foto: Daniel Franco Goulart 
 
O amendoim em Pernambuco - O estado de Pernambuco não é considerado um estado 
tradicionalmente produtor de amendoim, contudo, nas regiões da Zona da mata e no sertão 
do Vale do São Francisco, lavoura do amendoim vem crescendo a cada ano. Como a área 
registrada no IBGE é inferior a 1000 ha, não há registro efetivo da real área cultivada 
pelos pernambucanos, porém, acredita–se que já supera essa marca. No estado, o 
incentivo pela expansão da lavoura tem sido amparado por trabalhos de pesquisa e 
capacitação desenvolvidos pela Embrapa Algodão, pelo Instituto Agronômico de 
Pernambuco (IPA), pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), pela 
Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF) e pela 
Embrapa Semiárido. As cultivares da Embrapa BR 1, BRS 151 L7 e BRS Havana tem 
sido amplamente divulgadas para o mercado de alimentos. Recentemente, a Embrapa 
Algodão desenvolveu a BRS Branco, para o mercado de biocombustível a qual tem sido 
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divulgada entre beneficiadores de óleo vegetal do estado (MELO FILHO; SANTOS, 
2010). 
 
Devido às características climáticas e a forte demanda do mercado, a possibilidade de 
expansão da lavoura do amendoim em Pernambuco é grande, especialmente no segmento 
de óleo. O estado conta com apenas duas unidades de produção de biocombustível 
instaladas, ambas demandando óleo vegetal para atender sua capacidade total, que 
depende exclusivamente da mamona. As referidas usinas foram instaladas em Pesqueira 
e Caetés, situados respectivamente à cerca de 200 km e 350 km do porto do Recife, 
implantadas com recursos do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT). Segundo a 
Embrapa, as culturas mais viáveis para o Nordeste são mamona, algodão, gergelim e 
amendoim e o estado possui aptidão para o cultivo dessas oleaginosas, pois todas podem 
conviver com o regime pluviométrico da região semiárida (SANTOS, 2007). 
 
O manejo do amendoim no Vale do São Francisco - A lavoura do amendoim na região 
irrigada do Vale do São Francisco tem sido praticada há mais de uma década, porém, de 
forma desordenada. Nos últimos cinco anos, contudo, a Embrapa Algodão em parceria 
com a Embrapa Semiárido, a UFRPE e a CODEVASF, tem realizado trabalhos de 
capacitação, treinamento e instalação de Unidades Demonstrativas, envolvendo parceiros 
nas unidades irrigadas de Petrolândia, Icó Mandantes e Santa Maria da Boa Vista, em 
Pernambuco. As unidades são conduzidas considerando–se o manejo adotado pelos 
agricultores locais e o recomendado pela Embrapa Algodão. A variedade utilizada tem 
sido a BR 1, por apresentar ciclo curto, ser tolerante ao estresse hídrico e de ampla 
adaptação ambiental (SANTOS et al., 2005; (2006). 
 
Nos sistemas de cultivo em que as citadas entidades têm assistido os agricultores, a 
produtividade média da cultivar BR-1 tem se mantido em 3.0 t.ha–1 de amendoim em 
vagens, superando a variedade local em 17%. Isso tem servido de estímulo e incentivo 
aos agricultores para conduzir a lavoura de forma mais organizada, competitiva e com 
melhor qualidade da produção. Para estas regiões, onde as adversidades climáticas são 
expressivas, o amendoim representa uma alternativa agrícola viável devido ao fácil 
manejo, ciclo curto e mercado receptivo. De maneira geral, com algumas exceções 
encontradas na Bahia, o amendoim no Nordeste é praticado por pequenos produtores, 
cujas atividades do manejo são desenvolvidas pela própria família, que procedem ao 
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cultivo de forma solteira ou consorciada com o milho, no período das águas (SANTOS et 
al., 2005). 
 
ORGANIZAÇÃO DA CADEIA DO AMENDOIM 
 
A cadeia de valor do amendoim é caracterizada por atividades desde a produção primária 
até a distribuição dos produtos acabados, inclusive agregando valor ao produto obtido em 
cada etapa. É possível destacar uma rede de parcerias estratégicas entre os elos da cadeia, 
com a importante colaboração de bens e serviços, o que traz benefícios reais para o setor. 
Assim, se otimizam os processos empresariais e se controlam a gestão de fluxo de 
mercadorias e de informação entre fornecedores, revendedores e consumidores. Essa 
cadeia produtiva do amendoim é configurada pelos seguintes agentes econômicos: 
Indústria de insumos/serviços; produção agrícola; indústria processadora; distribuição 
(atacado e varejo); e consumidor final (Figura 17). 
 
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Figura 17. Organização da cadeia de valor do amendoim. 
 
O segmento de produção de insumos/serviços tem influência direta na cadeia produtiva 
do amendoim, pois seu sucesso dependerá da tecnologia demandada para que uma 
cultivar de amendoim tenha melhor resposta de produtividade e qualidade. No entanto, o 
setor agrícola tem dirigido pouco esforços de pesquisa e desenvolvimento para a geração 
de soluções inovadoras no agronegócio do amendoim orgânico. 
 
A gestão da qualidade na cadeia de produção do amendoim é de suma importância, não 
somente para proporcionar melhoria na qualidade do produto final, que é um ponto 
inquestionável, mas também no que diz respeito a melhoria nas práticas e procedimentos 
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das atividades que compõem toda a cadeia, a fim de reduzir perdas, desperdícios e, 
consequentemente, custos. 
 
Os relacionamentos entre os agentes da cadeia: produtor, cooperativa e indústria, se 
limitam apenas à comercialização de grãos e negociação de preços. Não há uma 
preocupação em desenvolver a qualidade do amendoim enquanto produto final, partindo 
da melhoria na obtenção dos grãos nas propriedades produtivas, preservação nos 
armazéns e elaboração de produtos com qualidade, seja ele mercado externo ou interno. 
 
A etapa do processamento é executada pela indústria agroalimentar ou agroindustrial, que 
utiliza o amendoim como matéria-prima no processo de fabricação dos seguintes 
produtos: doces, amendoim salgados, extração de óleo, confeitos, amendoim “in natura”, 
pasta/creme de amendoim etc. Enquanto o consumidor final é um ator econômico, 
extremamente, importante e ativo do sistema agroindustrial do amendoim (MACHADO, 
2006). 
 
Os consumidores estão cada vez mais exigentes quanto aos atributos de qualidade dos 
produtos agroalimentares que consomem, sejam atributos diretamente relacionados ao 
produto, como por exemplo, valor nutricional, aparência, sabor e segurança, como 
atributos indiretamente relacionados ao produto, tais como a adoção de métodos de 
produção de impacto adequado ao meio ambientee em conformidade com normas sociais. 
 
IMPORTÂNCIA DO AMENDOIM 
 
O amendoim é bastante consumido nas regiões tropicais e subtropicais, sendo um dos 
alimentos importante para os povos dessas regiões. A maior parte da produção se 
consome localmente nos países produtores, sendo que em muitos países os sistemas de 
produção de subsistência são de baixo rendimento. Portanto, uma modificação dos 
sistemas de produção, com o objetivo de incrementar os rendimentos, poderá refletir 
numa melhoria da qualidade de vida dos produtores. 
 
A importância econômica do amendoim está relacionada ao fato das sementes possuírem 
sabor agradável e serem ricas em óleo (aproximadamente 50%) e proteína (20 a 30%; 
Tabelas 3 e 4). Portanto, os grãos de amendoim destinam-se ao consumo “in natura” ou 
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industrializados, sendo prensados para extração de óleo comestível (ARAÚJO; 
SOBREIRA, 2008). O óleo, além de ser usado na alimentação humana e animal, pode ser 
utilizado na fabricação de sabões e sabonetes, tintas, vernizes e ainda como combustíveis 
e lubrificantes (NAKAGAWA; ROSOLEM, 2011). 
 
Tabela 3. Composição da semente de amendoim. 
 
Substância 
 
Valores em % 
Água 5,0 
Proteína 30,0 
Óleo 48,0 
Carboidratos 15,5 
Fibra crua 3,0 
Cinza 2,0 
Fonte: Rodrigo Gaete Barrios (2011). 
 
Tabela 4. Composição média dos ácidos graxos contidos no óleo de amendoim de 
especial qualidade. 
Ácidos Saturados Limites Média 
Palmítico 3,6% a 6,0% 4,8% 
Esteárico 3,0% a 6,0% 4,5% 
Araquídico 2,5% a 5,0% 3,8% 
Behénico 2,0% a 3,0% 2,5% 
Lignocérico 2,0% a 3,0% 2,5% 
Outros - 2,9% 
Ácido Insaturados 
Oléico 45,0% a 58,0% 51,0% 
Linoléico 20,0% a 30,0% 28,0% 
Fonte: Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária - INTA 
 
https://issuu.com/gaete
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Além do consumo “in natura”, os grãos são utilizados ainda como torrado, em forma de 
manteiga (muito consumido nos EUA) ou transformados em doces. Os grãos 
caracterizam-se por seu alto valor energético e pela presença de vitaminas do grupo B 
(tiamina, niacina (ácido nicotínico), riboflavina e piridoxina) e vitamina E. A atividade 
agrícola com amendoim no Brasil está associada à cadeia produtiva de doces e confeitos. 
A produção não só atende à demanda de consumo interno como também registra um 
crescimento adicional, motivado pelas oportunidades de exportação do produto brasileiro, 
constituindo um mercado lucrativo, atrativo e cada vez mais exigente quanto à qualidade 
para o consumidor (GODOY et al., 2003). 
 
O óleo de amendoim, juntamente com os outros óleos vegetais, vem sendo estudado para 
a utilização como biocombustíveis em motores diesel, seja só ou em mistura com o óleo 
diesel, com resultados promissores (MELLO et.al., 2006). Esse óleo, como os demais de 
origem vegetal, apresenta densidade próxima ao combustível empregado 
tradicionalmente, porém com poder calorífico pouco menor, e fazem parte do Programa 
Nacional de Produção e Uso de Biocombustível, que estabeleceu a obrigatoriedade (Lei 
11.097 de13/01/2005) da adição de 2% de biocombustível ao diesel a partir de 2008 e 
com elevação para 5% em 2013. 
 
Estima-se que 40% da produção mundial de amendoim seja utilizada para a extração de 
óleo. Após a extração do óleo, obtém-se como subproduto de alto valor comercial, a torta 
que é empregada na alimentação animal ou como fertilizante. A torta prensada de 
amendoim contém entre 40-50% de proteína bem digerível. As tortas, cuja riqueza 
nutritiva é variável em função do método de obtenção, se destinadas à alimentação animal 
são transformadas em farelo. O farelo é a torta da qual foi extraído o óleo por meio de 
solventes e tem cerca de 0,5 a 0,8% de óleo residual. O farelo é comercializado com base 
no seu teor proteico, sendo que para o amendoim deve conter no mínimo 46% de proteína 
(FONSECA, 1981). 
 
O farelo de amendoim, por sua riqueza proteica e vitamínica, é reconhecido como um 
valioso suplemento para dietas humanas, por aliviar a má nutrição em muitos países. Do 
seu processamento obtêm-se farinha, concentrados e isolados proteicos, com alto teor de 
proteína. A proteína do amendoim é deficiente em alguns aminoácidos essenciais 
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(metionina e lisina), mas a sua digestibilidade é superior a muitas outras fontes de proteína 
vegetal (SAVAGE; KEENAN, 1994). 
 
As partes aéreas das plantas (hastes e folhas) de culturas bem conduzidas podem ser 
usadas na alimentação animal na forma de feno (GODOY et al., 1982). Ou seja, a parte 
vegetativa, quando convenientemente preparada, é forragem de grande valor alimentício, 
principalmente para o gado leiteiro. Há possibilidade de se aproveitar de uma mesma 
cultura, além das vagens de amendoim para comercialização, a parte aérea para a 
produção de feno, desde que na colheita, a secagem seja feita pelo sistema de medas, 
principalmente quando se trata de lavoura orgânica ou agroecológica. E, sendo 
leguminosa pode ser cultivada e empregada como adubo verde. Além disso, a mistura da 
forragem junto com a torta prensada é usada como alimento rico em proteínas para os 
animais (NAKAGAWA; ROSOLEM, 2011). As cascas das vagens, subproduto do 
processo de beneficiamento, são utilizadas no Brasil como “cama de frango” para 
forração das granjas do setor avícola e servem como combustível, fibra bruta para 
forragem, produção de celulose ou compostagem (CENTURION; CENTURION, 1998). 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO 3 
 
 
 
 
 
PRODUÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA 
 
(Autores) 
Vicente de Paula Queiroga 
Francisco de Assis Cardoso Almeida 
Esther Maria Barros de Albuquerque 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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MELHORAMENTO 
 
Os objetivos do melhoramento genético do amendoim são de gerar novas variedades que 
reúnam os seguintes caracteres: alto rendimento de grãos, incremento da porcentagem de 
óleo da semente e resistência a doenças. Para atingir os objetivos de referência, os 
melhoristas têm considerado os seguintes fatores: porte da planta, tipo de ramificação, 
número de grãos por vagem, precocidade, número de frutos por planta, peso médio de 
100 sementes e porcentagem de óleo (SAGARPA, 2002). 
 
Por outro lado, o amendoim é uma planta autógama, com um cruzamento natural que, 
dependendo da menor ou maior presença de insetos polinizadores, pode oscilar de 1,3% 
a 5%. Portanto, os métodos de melhoramento para o amendoim são basicamente os 
empregados em outras espécies autógamas, tais como: introdução de materiais, seleção, 
hibridação e mutação. A escolha do método é influenciada pela preferência do melhorista, 
pelas técnicas e adaptações utilizadas em função das características da espécie e pelo 
estágio tecnológico que se encontra a cultura na região para o qual o melhoramento está 
sendo direcionado (SAGARPA, 2002; NAKAGAWA; ROSOLEM, 2011). A seguir, um 
resumo dos métodos de melhoramento para o amendoim: 
 
Introdução de materiais – A introdução de materiais através de germoplasma 
denominado de “materiais elite”, devido a concentração de alelos favoráveis (variedades 
crioulas, variedades melhoradas, populações segregantes, linhas puras, etc,) é o método 
mais simples e rápido de melhoramento, através do qual se avalia a resposta de genótipos 
introduzidos em uma área ou região em base a seus caracteres morfológicos, agronômicos 
e industriais de maior importância, que devem reunir certas variedades (SAGARPA, 
2002). 
 
Apesar de não constituir em si, um método de melhoramento, a introdução de uma 
cultivar pode satisfazer as necessidades de uma determinada região de cultivo, se 
acompanhada por experimentação, tal como tem ocorrido em regiões brasileiras que não

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