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LEGISLAÇÃO AMBIENTAL I Prof. Dr. Rosana S. Bertucci MÓDULO I CONTEXTO HISTÓRICO O MUNDO REFLETE SOBRE O TEMA Ao longo dos anos, estratégias e diretrizes foram desenvolvidas por diversos países em âmbito internacional, sempre em torno de uma crescente preocupação com o meio ambiente e seu possível impacto negativo futuro. Para esses países, a atuação em defesa do meio ambiente visa a: • Minimizar impactos; • Melhorar a qualidade de vida da população; • Preservar recursos naturais, que são finitos e, muitas vezes, já estão escassos; • Adotar medidas alternativas de consumo; • Mostrar a necessidade de alterar os paradigmas de desenvolvimento e produção. Esses objetivos seriam possíveis por meio da elaboração de leis e políticas públicas locais, além de tratados internacionais. PRINCIPAIS ENCONTROS GLOBAIS • 1923 – Convenção Internacional para a Preservação da Poluição do Mar por Óleo (Paris, França) • 1972 – Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano (Estocolmo, Suécia) • 1992 – Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Rio de Janeiro, Brasil) • 2002 – Rio+10 (Johanesburgo, África do Sul) • 2012 – Rio+20 (Rio de Janeiro, Brasil) • 1995 – atualmente – Conferência das Partes (COP) (Alemanha, Suíça, Japão, Argentina, França etc.)* * A edição de 2019 (COP 25) aconteceu na Espanha. PRINCIPAIS ENCONTROS GLOBAIS O PROTAGONISMO BRASILEIRO O Brasil é considerado autoridade no assunto pelos demais países em razão de inúmeras iniciativas criadas. Historicamente, foi também responsável por conduzir os principais debates e intermediar as principais medidas adotadas em conjunto pelos países. A CONTRIBUIÇÃO DO RELATÓRIO BRUNDTLAND • Produzido na década de 1980, levou o nome da então presidente da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, Gro Harlem Brundtland, embora o verdadeiro nome do documento seja Our Commom Future (Nosso Futuro Comum). • O objetivo era analisar o que estava acontecendo com a natureza entre os anos 1970 e 1980. • Houve a constatação de que pouco, ou quase nada, havia mudado desde a realização da Conferência de Estocolmo em 1972. A PROVOCAÇÃO DE UM DOCUMENTÁRIO • O documentário Uma verdade inconveniente foi lançado em 2006, sendo apresentado pelo ex-vice- presidente dos Estados Unidos, Al Gore. • A película aborda os perigos do aquecimento global e a urgência de ações para conter seus efeitos. Trailer com legenda em português: https://www.youtube.com/watch?v=p5 MxZnpTHrU GRANDES ACIDENTES NA HISTÓRIA Os alertas do Relatório Brundtland e do documentário Uma verdade inconveniente preocupam, mas antes desses, graves acidentes já haviam acontecido. O mundo infelizmente registrou e ainda registra acidentes que causam impactos agressivos ao meio ambiente. ACIDENTES NA HISTÓRIA •1976 – SEVESO, ITÁLIA • Indústria química ICMESA: o acidente liberou muitos quilos de TCDD (ou dioxina de Seveso) na atmosfera, fazendo com que o produto se espalhasse por uma área extensa na planície Lombarda (localizada entre Milão e o lago de Como); • Cerca de 3 mil animais morreram, e outros 70 mil tiveram que ser sacrificados. ACIDENTES NA HISTÓRIA •1976 – SEVESO, ITÁLIA • Não houve mortes diretamente vinculadas ao acidente, mas 193 pessoas nas áreas afetadas sofreram de cloracne. Segundo o Dicionário Michaelis, são erupções na pele devido à absorção de cloro, podendo ocasionar outros sintomas. •1978 – CANADÁ • O satélite russo Cosmos 954 despencou no solo carregado de um reator nuclear compacto, espalhando dezenas de milhares de partículas radiotivas sobre uma área de 124 mil km². ACIDENTES NA HISTÓRIA •1984 – BHOPAL, ÍNDIA • Empresa Union Carbide: a causa do acidente foi um vazamento de 40 toneladas de gases tóxicos decorrentes da produção de pesticidas; • Mais de 500 mil pessoas foram expostas, ocorrendo cerca de 10 mil mortes diretas e indiretas. ACIDENTES NA HISTÓRIA •1986 – CHERNOBIL, UCRÂNIA • O conhecido desastre nuclear que aconteceu na central elétrica da usina lançou grandes quantidades de material radiotivo no ar da União Soviética e da Europa Ocidental. ACIDENTES NA HISTÓRIA • Os países passaram a se preocupar com as consequências do efeito estufa, que deixou de ser um mito. • Nos encontros globais, há de se destacar algumas medidas tomadas pelos países que conduziram a produção da legislação local. PRINCIPAIS DEFINIÇÕES DOS ENCONTROS GLOBAIS • 1995 – COP 1 (Berlim, Alemanha) Os países firmaram acordo para reduzir a emissão de gases poluentes aos níveis do começo da década até 2000. • 1997 – COP 3 (Kyoto, Japão) Países relataram dificuldades em atingir a meta. Decidiram, então, reduzir a emissão de gases de efeito estufa em, pelo menos, 5,2% em relação aos níveis de 1990, no período entre 2008 e 2012. PRINCIPAIS DEFINIÇÕES DOS ENCONTROS GLOBAIS • 2012 – COP 18 (Doha, Catar) O prazo do Protocolo de Kyoto foi estendido até 2020, e os países passam a discutir um novo acordo de redução de emissão de gases. PRINCIPAIS DEFINIÇÕES DOS ENCONTROS GLOBAIS • 2015 – COP 21 (Paris, França) O Protocolo de Kyoto foi superado pelo Acordo de Paris, assinado por 195 países, dentre eles o Brasil, que afirmou querer diminuir a emissão de gases em mais de 40% até 2030. O mundo quer reduzir o avanço do aumento da temperatura média. Países ricos devem ajudar os mais pobres. MUDANÇAS CLIMÁTICAS • 2018 – COP 24 (KATOVICE, POLÔNIA) Cria mecanismos de controle dos gases a partir de 2023/2024 para a efetivação do Acordo de Paris. • 2019 – COP 25 (CHILE E ESPANHA) Novembro de 2019. MUDANÇAS CLIMÁTICAS Apesar desses encontros, os países não têm certeza sobre as condições futuras do planeta. Ao mesmo tempo, leis em defesa do meio ambiente foram elaboradas em todo o mundo e há iniciativas sustentáveis de sucesso sendo criadas progressivamente. APESAR DE TUDO, UM FUTURO INCERTO FIM DO MÓDULO I LEGISLAÇÃO AMBIENTAL I Prof. Dr. Rosana S. Bertucci MÓDULO II O BRASIL NA HISTÓRIA I UM PAÍS DIPLOMATA O Brasil sempre foi reconhecido pelos países por seu poder de negociação. Consequentemente, é um importante aliado na articulação das tomadas de decisão nos congressos sobre o meio ambiente. • A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (1972) aconteceu na Suécia, em Estocolmo; • Foi presidida por um petroleiro preocupado com o meio ambiente: Maurice Strong; • Tendo em vista a preocupação ambiental já existente na época, a Organização das Nações Unidas (ONU) o indicou para fazer um levantamento sobre as questões ambientais. A PRIMEIRA CONFERÊNCIA Com tantos países, de culturas e economias tão distintas participando da Conferência de Estocolmo, os representantes brasileiros apontaram uma importante questão entre os participantes: a necessidade de criar políticas diferenciadas para os países desenvolvidos e os ainda em desenvolvimento. A DIFERENÇA APONTADA PELO BRASIL • Países desenvolvidos: deveriam ser compreendidos como aqueles que já destruíram expressivamente seus recursos naturais e, por isso, poderiam ter políticas mais restritivas quanto ao meio ambiente. A DIFERENÇA APONTADA PELO BRASIL A DIFERENÇA APONTADA PELO BRASIL • Países em desenvolvimento: são aqueles que ainda estão em franco despertar, com a elaboração de obras importantes que podem gerar custos ao meio ambiente local, no entanto, pelo caráter estruturante, são necessárias para o seu desenvolvimento. • Diante dessa perspectiva apresentada, representantes de outros países se uniram ao que o Brasil defendia. • Ficou bastante clara a necessidade de um tratamento diferenciado para diferentes realidades e necessidades. A DIFERENÇA APONTADA PELO BRASIL A DECLARAÇÃO DE ESTOCOLMO • Houve um acordo entre os países participantes de que todos adotariam os mesmos comandos e criariam instrumentos para a sua efetivação. • O documento chamado Declaração de Estocolmofoi elaborado. • Na época, o Brasil já apresentava uma importante legislação de proteção a alguns bens ambientais, como o Código Florestal e o Código de Pesca, ambos de 1965. • A Constituição Federal de 1988 trouxe ainda em seu texto um capítulo próprio sobre o meio ambiente, além de dispositivos esparsos. O BRASIL JÁ ESTAVA PREOCUPADO O BRASIL JÁ ESTAVA PREOCUPADO • Apresentava também instrumentos de defesa no âmbito infraconstitucional, a exemplo da Lei da Ação Civil Pública (Lei Federal n. 7.347/1985). O BRASIL JÁ ESTAVA PREOCUPADO • Demonstra assim que, concomitantemente ou logo após a realização da Conferência de Estocolmo, o país já adotara o sentimento preservacionista. UM TRABALHO JÁ EXISTENTE • Além da legislação, o Brasil acumulava décadas de trabalho, face à preocupação com a preservação do bem ambiental. • Ocorria de forma isolada (uma espécie de recurso), ao mesmo tempo que também em conjunto (ecossistemas). ACORDO DE ESTOCOLMO EM XEQUE • Anos após a realização da primeira conferência, pouco ou nada havia mudado. Muito pelo contrário: muita coisa havia se agravado. • Isso gerou preocupação para a ONU, que poderia perder todo o trabalho desenvolvido. ACORDO DE ESTOCOLMO EM XEQUE • Mais uma vez, levando em consideração o protagonismo brasileiro, a ONU convocou mais um encontro entre os países: a Rio+92, conhecida também como a Cúpula da Terra. FIM DO MÓDULO II LEGISLAÇÃO AMBIENTAL I Prof. Dr. Rosana S. Bertucci MÓDULO III O BRASIL NA HISTÓRIA II ESTOCOLMO EM RISCO • Anos após a realização da primeira conferência, pouco ou nada havia mudado. Muito pelo contrário: muita coisa havia se agravado. • Havia uma preocupação com o impacto na geração da época e nas seguintes. • A ONU, então, convocava a Cúpula da Terra. ENCONTROS NO BRASIL Além de ser um importante componente na articulação das decisões tomadas entre os países, o Brasil também recepcionou alguns desses eventos. Foram realizados dois: a Rio-92, que possui grande valor histórico, e a Rio+20. ENCONTROS NO BRASIL Ambos os encontros globais sobre meio ambiente, a Rio-92 e a Rio+20, foram realizados no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. As decisões tomadas refletiram na construção de políticas públicas e de novos acordos. RIO-92 – A CÚPULA DA TERRA • A Rio-92 também ficou conhecida como Eco-92 ou Cúpula da Terra. Novamente, a ONU convocou os países para um encontro internacional, já que o primeiro não surtiu o efeito esperado. • Foi apresentado o conceito inédito de desenvolvimento sustentável e o de meio ambiente ampliado. O NOVO CONCEITO DE MEIO AMBIENTE • O conceito passou de ideia da natureza em si e de seus recursos naturais para alcançar outras vertentes, como o patrimônio cultural, o meio ambiente urbano e, até mesmo, as relações do ambiente de trabalho. OS CINCO DOCUMENTOS • Frente a essa nova convocação da ONU, os países participantes articularam-se ao firmar cinco documentos de caráter orientador, mas também sancionador. OS CINCO DOCUMENTOS 1) Carta da Terra Repetição dos 23 princípios da Declaração de Estocolmo, que norteavam a preservação do ambiente humano. 2) Agenda 21 Compromisso dos países (179, ao total) para o século 21, relativos à sustentabilidade, ao processo público e participativo, a metas, medidas e ao plano de ação. OS CINCO DOCUMENTOS 3) Declaração dos Princípios sobre Manejo Florestal Manejo, conservação e desenvolvimento sustentável. Os princípios levaram à elaboração das leis n. 11.284/2006 (Gestão de florestas públicas para a produção sustentável), e 12.651/2012 (o Código Florestal). OS CINCO DOCUMENTOS 4) Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) Foram definidos pelos participantes da Cúpula os conceitos de conservação da diversidade biológica, de uso sustentável da biodiversidade e de repartição justa e equitativa dos benefícios. OS CINCO DOCUMENTOS 4) Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) A biodiversidade passou a compreender os ecossistemas, espécies e recursos genéticos, o que depois foi definido pelo Brasil por meio do Decreto n. 2.519/1998. O patrimônio genético foi posteriormente definido pela Lei Federal n. 13.123/2015; OS CINCO DOCUMENTOS 5) Convenção sobre Mudanças Climáticas Estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa. Essa convenção não estabeleceu limites, mas determinou a realização de protocolos futuros para esse fim, o que começou a ocorrer em 1995. Após a realização da Rio-92, outras reuniões mundiais se seguiram, como a Rio+10, em Johanesburgo, na África do Sul, e a Rio+20, no Rio de Janeiro, ao debaterem os avanços e as necessidades de reavaliar as decisões tomadas pelos líderes na Cúpula da Terra. REUNIÕES FUTURAS A RIO+20 Os debates aconteceram em torno de uma perspectiva de futuro. Dois foram os temas oficiais que nortearam os trabalhos da Rio+20: • A economia verde, no contexto do desenvolvimento sustentável e na erradicação da pobreza. • O marco institucional do desenvolvimento sustentável. FIM DO MÓDULO III LEGISLAÇÃO AMBIENTAL I Prof. Dr. Rosana S. Bertucci MÓDULO IV A LEGISLAÇÃO NO BRASIL EVOLUÇÃO HISTÓRICA NO BRASIL • Em sua história, o Brasil, por meio da legislação, preocupou-se em, aos poucos, criar medidas de proteção para o meio ambiente. • Essas legislações podem ser divididas em cinco fases, relacionadas à vigência de uma Constituição à época de cada uma delas. EVOLUÇÃO HISTÓRICA NO BRASIL • Ao longo dos anos, o Brasil se destacou na produção legislativa ambiental no cenário mundial. • Os textos legislativos para a defesa do meio ambiente eram e ainda são considerados os melhores e mais completos. EVOLUÇÃO HISTÓRICA NO BRASIL • Além disso, antes mesmo da consolidação dos tratados e da realização das conferências internacionais, o Brasil já produzia leis em defesa de recursos ambientais. A PRIMEIRA FASE • Decreto Federal n. 24.643/1934 – CÓDIGO DAS ÁGUAS Trouxe a definição de águas para a legislação e estabeleceu limitações à poluição nas águas brasileiras. A água passou a ser entendida como bem de domínio público e de preservação essencial. • Decreto Federal n. 23.793/1934 – PRIMEIRO CÓDIGO FLORESTAL Criou a quarta parte (25%) de preservação para as propriedades rurais, sem definir quais áreas deveriam ser protegidas. Foram criadas as florestas protetoras (futuras APPs). A PRIMEIRA FASE • Decreto Federal n. 23.672/1934 – PRIMEIRO CÓDIGO DE CAÇA E PESCA Definiu a figura do pescador e do caçador, as práticas exercidas e os locais onde devem ser realizadas suas atividades. • Decreto Federal n. 24.645/1934 – PRIMEIRO CÓDIGO FLORESTAL Ficou conhecida como a Lei Getúlio Vargas. Estabeleceu medidas de proteção aos animais e penas para quem cometer crimes contra a fauna. A PRIMEIRA FASE • Decreto Federal n. 25/1937 – PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL Definiu, incluindo o meio ambiente, os bens móveis e imóveis existentes no Brasil que são de interesse público por seu valor histórico, arqueológico, bibliográfico e, também, artístico. A SEGUNDA FASE • Lei Federal n. 4.771/1965 – CÓDIGO FLORESTAL Surgiu da necessidade de atualizar o código de Getúlio Vargas. Passou a regulamentar os impactos das máquinas agrícolas, das monoculturas e da pecuária. A SEGUNDA FASE • Lei Federal n. 5.197/1967 – PROTEÇÃO DA FAUNA Também atualizava a legislação anterior, em especial, as penas. • Decreto-lei n. 221/1967 – CÓDIGO DE PESCA Segue a mesma linha das mudanças anteriores, definindo e criando políticas de estímulo à pesca. A TERCEIRA FASE (antes da Constituição) • Lei Federal n. 6.938/1981 – POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE A lei teve como objetivo preservar, melhorar e recuperar a qualidade do meio ambiente no Brasil. Inclui o princípio da racionalização dos diversos recursos oferecidos pela natureza. • Lei Federal n. 7.347/1985 – AÇÃO CIVIL PÚBLICA Disciplinou a instauraçãode ações civis públicas também como ferramenta de proteção ao meio ambiente. A TERCEIRA FASE (antes da Constituição) • Resolução Conama n. 1/1986 – CRITÉRIOS BÁSICOS E DIRETRIZES GERAIS PARA O RELATÓRIO DE IMPACTO AMBIENTAL (RIMA) Passa a exigir no Brasil a elaboração de estudos de impacto ambiental anteriores à execução de projetos. Estabeleceu critérios básicos para esses estudos e diretrizes gerais. • Resolução Conama n. 9/1987 – AUDIÊNCIAS PÚBLICAS No mesmo sentido da Resolução 86, dava norma ao ressarcimento de danos ambientais causados por obras de grande porte. ELABORAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO • A Constituição de 1988 já veio imbuída de um sentimento preservacionista. • Foi a primeira Constituição brasileira promulgada por iniciativa e representatividade popular, além de ser um divisor de águas na redemocratização do Brasil. • O documento contém, ainda, um capítulo dedicado exclusivamente à questão ambiental, além de diversos dispositivos esparsos no mesmo sentido, que pode ser conferido no art. 225. • Há abordagem geral sobre questões pontuais ambientais, norteadoras de condutas, responsabilidades, políticas e instrumentos. ELABORAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO • É possível perceber que o legislador constituinte sensibilizava-se com a questão ambiental e a inseria em outras temáticas. Exemplo: ordem econômica e dos direitos e deveres dos cidadãos. • Destaca-se, ainda, o capítulo próprio à saúde e ao patrimônio cultural, que representam viés ambiental. ELABORAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO FASES MODERNAS Após a criação da Constituição de 1988, cujo texto levou em consideração a importância da preservação do meio ambiente, uma série de outras normas foram criadas pelos legisladores, que podem ser divididas em mais duas fases da evolução legislativa sobre meio ambiente no Brasil. A QUARTA FASE (pós- Constituição) • Resolução Conama n. 237/1997 – LICENCIAMENTO AMBIENTAL • Lei Federal n. 9.433/1997 – POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS • Lei Federal n. 9.605/1998 – SANÇÕES PENAIS E ADMINISTRATIVAS DERIVADAS DE CONDUTAS E ATIVIDADES LESIVAS AO MEIO AMBIENTE. A QUINTA FASE • Lei Federal n. 9.985/2000 – REGULAMENTAÇÃO DO SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (SNUC) • Lei Federal n. 10.257/2001 – REGULAMENTAÇÃO DOS ARTIGOS 182 E 183 DA CONSTITUIÇÃO A QUINTA FASE • Lei Federal n. 11.105/2005 – ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS (OGMs) • Lei n. 11.284/2006 – GESTÃO DE FLORESTAS PÚBLICAS PARA A PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL • Lei Federal n. 12.651/2012 – ATUAL CÓDIGO FLORESTAL OS LEGISLADORES CONTINUAM Há ainda legislação infraconstitucional ambiental oriunda das esferas federal, estadual e municipal em constante produção e modificação. ESTUDO DE CASO ✓ A Lei Federal n. 10.257/2001, comentada anteriormente, prevê a elaboração do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), desde que regulamentado por lei municipal para a construção, ampliação ou funcionamento. FIM DO MÓDULO IV LEGISLAÇÃO AMBIENTAL I Prof. Dr. Rosana S. Bertucci MÓDULO V CARACTERIZAÇÃO DO MEIO AMBIENTE I ANTECEDENTES Diante da evolução legislativa ambiental, os países participantes das convenções da área viram a necessidade de adequar seus ordenamentos jurídicos às mudanças por ela acarretadas. ANTECEDENTES • MAURO CAPPELLETTI (1977) Abismo entre o direito público e o direito privado: bens e interesses que não estavam devidamente sendo tutelados, pois não pertencem exclusivamente ao poder público nem exclusivamente ao particular. ANTECEDENTES • MAURO CAPPELLETTI Direitos metaindividuais ou direitos coletivos em sentido amplo. ANTECEDENTES Cappeletti (1977) provoca: ▪ Quem é o titular? ▪ Quem os representa em juízo? ▪ Quais são os instrumentos para tutelar esse bem? MUDANÇA • O texto representa um marco histórico doutrinário sobre o assunto. • Ainda que trate da realidade jurídica italiana, suas reflexões são aplicáveis ao Brasil. AUSÊNCIA DE TUTELA • Constatação preliminar: havia bens e interesses que não estavam sendo devidamente tutelados na época. • Tais bens e interesses apresentavam características peculiares. • Não poderiam ser incluídos tanto no direito público como no direito privado, uma vez que não pertenciam nem ao Estado nem ao particular. AUSÊNCIA DE TUTELA • Grande lacuna na divisão entre público e privado. • Era necessário que esses bens e interesses passassem a ser tratados da forma adequada. • A dicotomia entre público e privado já não era válida. • Foi necessário criar um tertium genus (um terceiro gênero, uma nova classificação) capaz de regrar essa nova categoria de bens. DIFUSOS E COLETIVOS • Cappelletti (1977) os denominou direitos coletivos em sentido geral ou, ainda, direitos metaindividuais; • No Brasil os chamamos direitos difusos e coletivos. Do gênero direito coletivo, em sentido lato, extraímos as espécies difuso e coletivo; • São indivisíveis, ou seja, impossíveis de serem divididos sem perder sua caracterização. COLETIVOS No Brasil foi adotada a ideia de que os bens coletivamente considerados em espécie são de: • Titularidade determinada (identificação do grupo); ou • Determinável (identificação parcial do grupo, podendo abranger pessoas no futuro). DIFUSOS • Os bens difusos são os de titularidade indeterminada (art. 81, parágrafo único, incisos I e II do Código de Defesa do Consumidor - CLT). • Foi instituído pela Lei Federal n. 8.078/1990. LEGISLAÇÃO BRASILEIRA • CONSTITUIÇÃO FEDERAL: ART. 129, INCISO III • LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA: LEI FEDERAL N. 7.347/1985 • CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR: ART. 81, INCISOS I E II – LEI FEDERAL N. 8.078/1990 CONCEITO E ABRANGÊNCIA ART. 81 DO CDC I – Interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato. CONCEITO E ABRANGÊNCIA ART. 81 DO CDC II – Interesses ou direitos coletivos, assim entendidos para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base. A PROTEÇÃO • O reconhecimento como tal se deu na Constituição, especificamente no art. 129, inciso III, que disciplina as funções institucionais do Ministério Público; • É atribuído ao Ministério Público a promoção do inquérito civil e da Ação Civil Pública para a proteção do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos. A PROTEÇÃO São funções institucionais do Ministério Público: III – promover o inquérito civil e a ação civil pública para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos. ART. 129 ESTUDO DE CASO • Toda obra ou empreendimento que cause significativo impacto ambiental deve ser precedido de estudo prévio, como determina a Constituição no art. 225, § 1°, inciso IV; • Não importa quem é o agente responsável pela obra, seja pessoa física, jurídica de direito privado ou jurídica de direito público. ESTUDO DE CASO ✓Em caso de dano ambiental verificado durante uma obra realizada sem o devido estudo, cabe apuração de responsabilidade por meio da Ação Civil Pública; ✓ A Ação Civil Pública é regulada pela Lei n. 9.605/1998 e pode ser intentada por diversos atores da sociedade civil, a exemplo da Associação de Moradores; ESTUDO DE CASO ✓ É possível, e deve ser assim, exigir do órgão ambiental estadual a concessão ou não de licença, ainda que o empreendedor seja também órgão do mesmo governo estadual. FIM DO MÓDULO V LEGISLAÇÃO AMBIENTAL I Prof. Dr. Rosana S. Bertucci MÓDULO VI CARACTERIZAÇÃO DO MEIO AMBIENTE II BEM AMBIENTAL “Bem ambiental é um valor difuso, imaterial ou material, que serve de objeto mediato a relações jurídicas de natureza ambiental” (Ruy Carvalho Piva)RECURSOS AMBIENTAIS “A atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo e os elementos da biosfera.” (Lei n. 6.938/1981) CLASSIFICAÇÃO DO MEIO AMBIENTE Os juristas apresentaram um modelo de classificação seguido até hoje e pautado na legislação vigente, reconhecido pelos tribunais nacionais; Consideram quatro facetas do bem ambiental com os seguintes conteúdos: • meio ambiente natural; • meio ambiente cultural; • meio ambiente artificial; • meio ambiente do trabalho. CLASSIFICAÇÃO DO MEIO AMBIENTE MEIO AMBIENTE NATURAL • PROTEÇÃO NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL • RECURSOS HÍDRICOS Política Nacional de Recursos Hídricos – Lei Federal n. 9.433/1997 • SOLO E SUBSOLO Política Nacional de Resíduos Sólidos – Lei Federal n. 12.305/2010 • FLORESTAS Código Florestal – Lei Federal n. 12.651/2012 CLASSIFICAÇÃO DO MEIO AMBIENTE MEIO AMBIENTE CULTURAL Refere-se às criações artísticas e tecnológicas, ao patrimônio arqueológico, artístico e paisagístico, às obras, objetos, documentos e edificações. [É o bem que] traduz a história de um povo, a sua formação, cultura e, portanto, os próprios elementos identificadores de sua cidadania, que constitui princípio fundamental norteador da República Federativa do Brasil. (FIORILLO, 2017) CLASSIFICAÇÃO DO MEIO AMBIENTE MEIO AMBIENTE CULTURAL Art. 215, § 3° - defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro; - produção, promoção e difusão de bens culturais; - formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões; - democratização do acesso aos bens de cultura; - valorização da diversidade étnica e regional. CLASSIFICAÇÃO DO MEIO AMBIENTE MEIO AMBIENTE CULTURAL Art. 216 Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: I – as formas de expressão; II – os modos de criar, fazer e viver; III – as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV – as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. CLASSIFICAÇÃO DO MEIO AMBIENTE MEIO AMBIENTE ARTIFICIAL • É o espaço urbano construído: as criações urbanas feitas pelo homem. Ruas, as praças, os muros e as fachadas de prédios; • É protegido pelo Estatuto da Cidade pela Lei Federal n. 10.257/2001. CLASSIFICAÇÃO DO MEIO AMBIENTE MEIO AMBIENTE ARTIFICIAL Art. 182 § 1° É dever do Poder Público municipal implementar políticas de desenvolvimento urbano, objetivando ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes. Essas políticas devem estar legalmente estruturadas no plano diretor municipal, exigido para cidades com mais de 20 mil habitantes. CLASSIFICAÇÃO DO MEIO AMBIENTE MEIO AMBIENTE ARTIFICIAL • Lei Federal n. 10.257/2001 – Estatuto da Cidade. • Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV). • IPTU progressivo. CLASSIFICAÇÃO DO MEIO AMBIENTE MEIO AMBIENTE DO TRABALHO O meio ambiente do trabalho é o local laboral onde funcionários estão inseridos, incorporando todo o complexo da empresa. Deve garantir aos trabalhadores um ambiente de trabalho limpo, sadio, seguro, tranquilo e harmônico. (FRACALOSSI; FURLAN, 2010) CLASSIFICAÇÃO DO MEIO AMBIENTE MEIO AMBIENTE DO TRABALHO Art. 200 Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei: VIII – colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho. CLASSIFICAÇÃO DO MEIO AMBIENTE MEIO AMBIENTE DO TRABALHO • Convenção 155 da Organização Internacional do Trabalho (OIT): versa sobre o desenvolvimento de uma Política Nacional de Saúde e Segurança do Trabalho pelos países. • NR é a sigla para Norma Regulamentadora. As NRs são elaboradas pelo Ministério do Trabalho com o objetivo de regulamentar e detalhar disposições sobre saúde e segurança do trabalho presentes na CLT e nas demais leis trabalhistas. PROTEÇÃO LEGAL • Estabeleceu-se, assim, o espectro do meio ambiente e sua proteção jurídico-legal no Brasil. • Os instrumentos dispostos no ordenamento nacional para a defesa dos bens coletivos e difusos também estão à disposição para a defesa do bem ambiental em suas diversas facetas. INSTRUMENTOS REPRESSIVOS • São usados para a repressão ao dano, responsabilizando aqueles que causam danos ou ameaçam a qualidade de vida da população. Exemplos: Ação Civil Pública, ação popular, mandado de injunção, ação de inconstitucionalidade de leis etc. INSTRUMENTOS REPRESSIVOS São usados na apuração de responsabilidade que, no Brasil, por determinação constitucional, se dá de forma tríplice: civil, penal e administrativa. Art. 225 § 3° As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. INSTRUMENTOS PREVENTIVOS • São aqueles que se prestam à garantia da preservação do bem, seja ele cultural, seja o ambiente do trabalho ou, ainda, um dos aspectos da natureza. • Estão dispostos em diversos diplomas infraconstitucionais e são indicados pelo tombamento, zoneamento ambiental, estabelecimento de unidades de conservação, licenciamento e auditorias. ESTUDO DE CASO 1 ✓Dentre os instrumentos preventivos, citamos o licenciamento, com previsão constitucional (art. 225, inciso IV) e regulamentação na Resolução Conama n. 237/1997 e na Lei Complementar n. 140/2011. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) tem previsão no mesmo dispositivo constitucional e na Resolução Conama n. 1/1986. ESTUDO DE CASO ✓ Licitação: o edital deve exigir a elaboração do EIA/RIMA pela empresa vencedora, a ser apresentado ao órgão ambiental competente (no caso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, em razão da obra cortar a Floresta Amazônica e atravessar mais de um estado brasileiro) para fins de licenciamento. ESTUDO DE CASO ✓Como a primeira fase da licitação é apenas apresentação de propostas, na segunda fase (de contratação) será exigida a apresentação da Licença Prévia (LP) concedida pelo órgão ambiental competente em razão da apresentação do EIA/RIMA. ESTUDO DE CASO ✓ Se concedida a LP, será elaborado o contrato com a Administração Pública (estado de Rondônia). Será exigido, nas cláusulas contratuais, a apresentação da licença de instalação pelo mesmo órgão federal (Ibama) para o início das obras. ESTUDO DE CASO ✓Concedida a Licença de Instalação (LI), o pagamento final poderá ser condicionado para a apresentação da Licença de Operação (LO) pelo mesmo órgão ambiental federal, possibilitando a operação do empreendimento e a finalização do certame em sua terceira fase (execução financeira). FIM DO MÓDULO VI LEGISLAÇÃO AMBIENTAL I Prof. Dr. Rosana S. Bertucci MÓDULO VII MEIO AMBIENTE NA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA I ATUAÇÃO DO LEGISLADOR • O legislador constituinte foi perspicaz ao considerar a questão ambiental em diversas temáticas políticas ao longo do texto constitucional. • Por uma análise global e interpretação sistemática, é possível perceber que o constituinte primou pela qualidade de vida, objeto do enfoque atual para a questão ambiental. • A expressão de tal ideal pode ser encontrada no art. 6° do texto constitucional. ATUAÇÃO DO LEGISLADOR Art. 6° São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. ATUAÇÃO DO LEGISLADOR • O conteúdodo dispositivo traça as condições mínimas para uma qualidade de vida sadia. • Assim, entende o constituinte que a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia e demais aspectos garantem ao cidadão brasileiro o ambiente adequado para viver. ATUAÇÃO DO LEGISLADOR • Embora estes temas estejam dispostos na Constituição federal ora em capítulos próprios ora em dispositivos esparsos, é importante destacar as formas pontuais em que o constituinte tratou do meio ambiente. Vejamos os artigos a seguir. Art. 20 São bens da União: [...] III – os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais; Art. 23 É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: [...] VI – proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; VII – preservar as florestas, a fauna e a flora. Art. 24 Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: [...] VI – florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição; [...] VIII – responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico Art. 170 A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: [...] VI – defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação. Art. 182 A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes. Art. 186 A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: I – aproveitamento racional e adequado; II – utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; III – observância das disposições que regulam as relações de trabalho; IV – exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores. Art. 200 Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei: [...] VIII – colaborar na proteção do meio ambiente nele compreendido o do trabalho. CONFERÊNCIAS PARA UM MODELO DE LEGISLAR •Deve ser ressaltado que os princípios exarados nas declarações das duas conferências mundiais anteriores serviram para nortear toda a produção legislativa internacional e nacional. • Serviu ainda para o estabelecimento de políticas públicas na seara ambiental nos países participantes. MEIO AMBIENTE NA LEGISLAÇÃO Alguns destes princípios merecem destaque: o princípio do desenvolvimento sustentável, que pode ser encontrado no art. 225 do texto constitucional. MEIO AMBIENTE NA CONSTITUIÇÃO Art. 225 Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. ART. 225 DA CONSTITUIÇÃO Parágrafo 1° Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II – preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; ART. 225 DA CONSTITUIÇÃO Parágrafo 1° Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: III – definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; ART. 225 DA CONSTITUIÇÃO Parágrafo 1° Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: IV – exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade § 2° Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei. ART. 225 DA CONSTITUIÇÃO Parágrafo 1° Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: V – controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente; ART. 225 DA CONSTITUIÇÃO Parágrafo 1° VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. § 7° Para fins do disposto na parte final do inciso VII do § 1° deste artigo, não se consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam manifestações culturais, conforme o § 1° do art. 215 desta Constituição Federal, registradas como bem de natureza imaterial integrante do patrimônio cultural brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei específica que assegure o bem-estar dos animais envolvidos. ART. 225 DA CONSTITUIÇÃO § 3° As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados; § 4° A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal mato-grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais; ART. 225 DA CONSTITUIÇÃO ART. 225 DA CONSTITUIÇÃO § 5° São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais; § 6° As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas. MEIO AMBIENTE NA LEGISLAÇÃO • Outro princípio abordado pelas políticas públicas é o da Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (n. 6.938/1981) no art. 4°, inciso I: Art. 4° A Política Nacional do Meio Ambiente visará: [...] I – à compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico. FIM DO MÓDULO VII LEGISLAÇÃO AMBIENTAL I Prof. Dr. Rosana S. Bertucci MÓDULO VIII PRINCÍPIOS DA DEFESA DO MEIO AMBIENTE SUSTENTABILIDADE NA CONSTITUIÇÃO • O conceito de sustentabilidade é o mais usado e o que melhor traduz a preocupação que se deve ter com as questões ambientais. • Não atingirá seus objetivos se não for introduzido na área da educação, uma vez que é necessária a conscientização das gerações futuras e a sensibilização das gerações presentes. PRINCÍPIO DO POLUIDOR-PAGADOR • Consiste na exigência de que o poluidor arque com os custos diretos e indiretos para cobrir medidas preventivas e o controle da poluição. • Está previsto no art. 225 da Constituição: § 3° As condutas e atividadesconsideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. Lei n. 6.938/1981 Art. 4° A Política Nacional do Meio Ambiente visará: [...] VII – à imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados e, ao usuário, da contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos. PRINCÍPIO DO POLUIDOR-PAGADOR O POLUIDOR-PAGADOR Lei n. 6.938/1981 Art. 14 § 1° Sem prejuízo das penalidades definidas pela legislação federal, estadual e municipal, o não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção dos inconvenientes e danos causados pela degradação da qualidade ambiental sujeitará os transgressores: O POLUIDOR-PAGADOR § 1° Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério Público da União e dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao meio ambiente. O POLUIDOR-PAGADOR • Arts. 12, 17, 18 e 27 da Lei de Crimes Ambientais (Lei n. 9.605/1998). Art. 12 A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima ou à entidade pública ou privada com fim social, de importância, fixada pelo juiz, não inferior a um salário mínimo nem superior a trezentos e sessenta salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual reparação civil a que for condenado o infrator. O POLUIDOR-PAGADOR Art. 17 A verificação da reparação a que se refere o § 2° do art. 78 do Código Penal será feita mediante laudo de reparação do dano ambiental, e as condições a serem impostas pelo juiz deverão relacionar-se com a proteção ao meio ambiente; Art. 18 A multa será calculada segundo os critérios do Código Penal. Caso se revele ineficaz, ainda que aplicada no valor máximo, poderá ser aumentada até três vezes, tendo em vista o valor da vantagem econômica auferida. O POLUIDOR-PAGADOR Art. 27 Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei n. 9.099, de 26 de setembro de 1995, só poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, de que trata o art. 74 da mesma lei, salvo em caso de comprovada impossibilidade. O POLUIDOR-PAGADOR • Este princípio busca evitar que o dano ecológico fique sem reparação. • Pagar para poluir não é admitido nem pelo ordenamento jurídico nem pela comunidade internacional. • O poluidor tem o dever de indenizar e reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, independentemente de culpa ou dolo. PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE • O princípio do poluidor-pagador tem íntima correlação com o da responsabilidade. • Foi instituído pela Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei n. 9.433/1997). • Tal lei determina que aquele que utiliza um recurso natural deverá pagar por este uso. https://www.google.com/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&ved=2ahUKEwjJhceIgN3iAhVJIbkGHY5hDl0QjRx6BAgBEAU&url=https://pngtree.com/free-icon/responsibility-distribution_687614&psig=AOvVaw2CwbCf7a7josXZJERYGV6_&ust=1560190329936865 RESPONSABILIZAÇÃO A responsabilização se dá em três esferas: civil, penal e administrativa por comando constitucional (art. 225, parágrafo 3°). ✓ Civil: prevista antes da Constituição através da Lei da Ação Civil Pública (Lei Federal n. 7.347/1985) combinada com a Lei da Política Nacional de Meio Ambiente (Lei Federal n. 6.938/1981). ✓ Penal: antes da Constituição existia apenas a tipificação de contravenção penal em leis esparsas, a exemplo do Código Florestal de 1965. Após a Constituição surge a Lei Federal n. 9.605/1998, que regulamenta a responsabilização penal (artigos 1 a 69) e administrativa (artigos 70 a 77). ESTUDO DE CASO ✓Após a edição da Lei n. 9.605/1998, algumas condutas consideradas contravenção penal foram alçadas à condição de crime, mas pela regra geral do direito penal em nosso país, a lei penal nova não pode prejudicar o réu ou o suposto criminoso. ESTUDO DE CASO ✓ Portanto, se o crime foi cometido antes do advento da lei de crimes ambientais, a pessoa física ou jurídica de direito privado não pode sofrer ação penal para apuração de crime tipificado na nova lei, podendo a conduta ser apurada à luz de contravenção, se existente a previsão legal específica (no caso, poluição hídrica). ESTUDO DE CASO ✓ A ação penal do MPE não deverá prosperar; ✓ O MPE (ou outros) poderá ingressar com Ação Civil Pública para apurar a responsabilidade pelo dano ambiental sob a ótica do ilícito civil. PRINCÍPIO DA CAUTELA • Art. 225, caput da Constituição. • Art. 2° da Lei n. 6.938/1981 A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana [...]. • Surge a educação ambiental como instrumento de conscientização e de cautela. PRINCÍPIO DA INFORMAÇÃO • O direito à informação é um direito público subjetivo. • Abrange o dever legal do poder público de garantir o acesso aos bancos de dados disponíveis e organizados e de fornecer informações quando solicitadas. PRINCÍPIO DA PARTICIPAÇÃO • A Constituição de 1988 menciona a palavra participação em diversos momentos. • Participar é exercer a cidadania. É um direito a ser exercido, e não apenas um dever a ser cumprido. PARTICIPAÇÃO AMBIENTAL • Pode ocorrer de forma: • não oficial: por meio dos grupos de pressão e da educação ambiental; • esfera administrativa: por meio de direito de petição (art. 5°, XXXIV); direito de certidão; inquérito civil (art. 6° e 8° Lei n. 7.347/1985); inquérito policial (art. 27 do Código de Processo Penal); audiências públicas; participação em colegiados e reservas particulares do patrimônio natural (RPPN); PARTICIPAÇÃO AMBIENTAL • esfera judiciária: pode ocorrer denúncia substitutiva (art. 5° LIX da Constituição e art. 29 do Código de Processo Penal); mandado de injunção (art. 5°, LXXI) inconstitucionalidade por omissão; direta de inconstitucionalidade; mandado de segurança coletivo; ACP; Lei n. 7.347/1985; ação popular (art. 5° LXXIV) e ação coletiva; • esfera legislativa: prevê a iniciativa popular na elaboração das leis como forma do exercício da soberania popular. EXEMPLO NA ESFERA LEGISLATIVA • Fábio Feldman, ambientalista. • Responsável por criar uma equipe multidisciplinar de profissionais altamente capacitados e comprometidos com a proposta de inserir a questão do meio ambiente no texto constitucional (pós Conferência de Estocolmo). PRINCÍPIO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL • Princípio da Educação Ambiental. • Análise do capítulo sobre o meio ambiente na Constituição Federal. • Capítulo VI da Constituição VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente. FIM DO MÓDULO VIII LEGISLAÇÃO AMBIENTAL I Prof. Dr. Rosana S. Bertucci MÓDULO IX MEIO AMBIENTE NA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA II INSPIRAÇÃO O texto do art. 225 é ainda a melhor fonte de inspiração para todos os comandos legislativos infraconstitucionais: Art. 225 Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê- lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. DIREITO E DEVER • A expressão “todos” remete ao art. 5° da Constituição. • Garantia aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a todosos direitos descritos ao longo do artigo. • Estende-se a demais direitos espalhados pelo texto constitucional, a exemplo do meio ambiente ecologicamente equilibrado. DIREITO E DEVER • A constituição imputa aos brasileiros e estrangeiros residentes no país os direitos e os deveres sobre o meio ambiente. • Ainda que a ideia de meio ambiente equilibrado seja um conceito global, os comandos constitucionais não se aplicam a estrangeiros não residentes (turistas) nem a outros cidadãos de outras nações. • A questão entre os países é matéria para outras ferramentas. DIREITO E DEVER • O termo “bem de uso comum do povo” não existe no mundo jurídico, exceto nessa previsão constitucional; • O bem ambiental é de natureza: - Coletiva, em sentido geral. - Ora difusa ora coletiva, em sentido estrito. DIREITO E DEVER • O meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito e um dever. • Aplica-se à coletividade e ao poder público. • Por expressa determinação constitucional, que imputa a todos o dever de defender e preservar o meio ambiente. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL • O conteúdo do princípio do desenvolvimento sustentável também está presente no caput do art. 225. • O meio ambiente deve estar “ecologicamente equilibrado”. • Desenvolvimento e preservação ambiental caminham em compatibilidade. QUALIDADE DE VIDA •Outro comando inserido no dispositivo é o objeto da defesa ambiental ou do próprio Direito Ambiental: a qualidade de vida. CLÁUSULA PÉTREA • O art. 5°, articulado com o 6°, representam aquilo que se denomina “cláusula pétrea”, ou seja, que não pode ser alterada. • Há ajustes interpretativos a serem realizados no texto constitucional em razão das limitações conceituais da época. O PAPEL DO PODER PÚBLICO • O art. 225 da Constituição elenca alguns comandos a serem seguidos pelo poder público nesse sentido: I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas. - Regulamentado, em especial, pela Lei Federal n. 11.105/2005, com aplicação subsidiária da lei citada anteriormente. ESTUDO DE CASO ✓ A regulamentação dos OGMs se deu através da Lei de Biossegurança (Lei n. 11.105/2005). ✓ Diante da situação hipotética imposta, deverá ser usado o instituto de sopesamento, como explicado no estudo de caso da farra do boi. ESTUDO DE CASO ✓ Conforme determina o art. 7° da referida lei, é obrigatória a imediata notividação das autoridades da saúde pública sobre o acidente que possa provocar a disseminação de OGM, bem como riscos e procedimentos no caso de acidentes com OGMs. O PAPEL DO PODER PÚBLICO III – definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção. O PAPEL DO PODER PÚBLICO • O inciso III foi devidamente regulamentado pela Lei Federal n. 9.985/2000, que institui o SNUC. O PAPEL DO PODER PÚBLICO IV – exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade. • O EIA já era regulamentado na época do advento da Constituição. O PAPEL DO PODER PÚBLICO V – controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente. O PAPEL DO PODER PÚBLICO VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente • O inciso VI foi devidamente regulamentado pela Lei Federal n. 9.795/1999. O PAPEL DO PODER PÚBLICO VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. • Regulamentado pela Lei do SNUC, pelo Código Florestal e de Caça. FIM DO MÓDULO IX LEGISLAÇÃO AMBIENTAL I Profa. Rosana S. Bertucci MÓDULO X MEIO AMBIENTE NA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA III DIREITOS E DEVERES NO ART. 225 O art. 225 se desdobra também em alguns parágrafos de igual importância: § 2° Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei. • Regulamentado pelo vigor Código de Mineração – Decreto-lei n. 227/1967, e ainda outras leis pertinentes ao tema e às orientações da Agência Nacional de Mineração § 5° São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais. § 6° As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas. DIREITOS E DEVERES NO ART. 225 Especial atenção aos parágrafos 3°, 4° e 7°. DIREITOS E DEVERES NO ART. 225 ART. 225 – CONDUTAS LESIVAS § 3° As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. ART. 225 – CONDUTAS LESIVAS Princípio do poluidor-pagador ou princípio da responsabilização • Aplica-se também às pessoas jurídicas de direito privado. • Pessoa jurídica de direito público só pode ser responsabilizada civilmente. • Entendimento jurisprudencial majoritário e doutrinário. ART. 225 – CONDUTAS LESIVAS Dispositivo regulamentado pelas leis: • Lei 7.347/85 (Lei de Ação Civil Pública). • Lei 6.938/81 (Política Nacional do Meio Ambiente). • Lei 9.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais) e regulamentado pelo Decreto 6.514/08. ART. 225 – PRESERVAÇÃO ESPECIAL Art. 225 [...] § 4° A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. ART. 225 – PRESERVAÇÃO ESPECIAL • Conceito jurídico indeterminado • “Patrimônio nacional”. • Novamente, em razão das delimitações conceituais da época, o legislador lançou mão de um termo indefinido juridicamente. ART. 225 – PRESERVAÇÃO ESPECIAL • Para o Direito, pouco ou quase nada deve ser indefinido juridicamente, em razão da segurança jurídica. • Não se pode afirmar com segurança legal ou doutrinária o que vem a ser um “patrimônio nacional”. ART. 225 – PRESERVAÇÃO ESPECIAL • No entanto, conceito e caracterização de unidades de conservação para a proteção de bens, patrimônios ou ecossistemas está descrita na Lei do SNUC. ART. 225 – CULTURA E MEIO AMBIENTE Art. 225 [...] § 7° Para fins do disposto na parte final do inciso VII do § 1° deste artigo, não se consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam manifestações culturais, conforme o § 1° do art. 215 desta Constituição Federal, registradas como bem de natureza imaterial integrante do patrimônio cultural brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei específica que assegure o bem-estar dos animais envolvidos. ART. 225 – CULTURA E MEIO AMBIENTE • Incluído pela Emenda Constitucional n. 96 de 2017. • Foi elaborada em razão de debates acerca da possibilidade ou não de praticar atos contra determinados animais em eventos/atividades culturais. • Interpretação sistemática dos dispositivos constitucionais. ART. 225 – CULTURA E MEIO AMBIENTE • O parágrafo 7° do art. 225 não existia antes de 2017. • Em sua ausência, muito se discutia sobre o conflito entre algumas práticas culturais em garantias ambientais. • Exemplos clássicos dessa situação são os rodeiose a farra do boi. ART. 225 – CULTURA E MEIO AMBIENTE • Geram forte comoção não apenas popular como de instituições ambientalistas ao afirmar que há crueldade com animais durante os eventos. • Por outro lado, há aqueles que alegam a inexistência de maus-tratos e que ainda defendem sua realização como prática cultural, em especial, em razão do movimento econômico gerado em torno. ART. 225 – CULTURA E MEIO AMBIENTE • Em um embate de direitos e princípios há que se ponderar qual deve prevalecer na ocorrência desses conflitos. • Essa ponderação é abrangente, devendo ser analisada sob várias óticas e aspectos para aferir o verdadeiro valor de cada lado na medida do possível. ART. 225 – CULTURA E MEIO AMBIENTE A referida emenda constitucional veio para ajudar a sanar esse aparente conflito. Ela determina que não se considere crueldade a prática desportiva com animais, desde que sejam manifestações culturais, registradas e regulamentadas. Mesmo sem essa regulamentação, o aparente conflito também pode ser solucionado com a análise profunda sobre o que vem a ser prática cultural e o que vem a ser crueldade animal. FIM DO MÓDULO X Fontes das imagens Slide 1: Daniil Pshkov/Dreamstime Slide 3: Gertalt/Pixabay Slide 4: PublicDomainPictures/Pixabay Slide 5: Gertalt/Pixabay Slide 6: Geralt/Pixabay Slide 7: jorgeribas/Pixabay Slide 8: RonBot/Wikimedia Commons Slide 9: Wikimedia Commons Slide 10: OpenClipart-Vectors/Pixabay Slide 11: MCD Slide 12: MCD Slide 13: Money Times Slide 14: SD-Pictures/Pixabay Slide 15: Pixabay Slide 16: Amber_Avalona/Pixabay Slide 17: Amber_Avalona/Pixabay Slide 18: Amber_Avalona/Pixabay Slide 19: 359611/Pixabay Slide 20: 359611/Pixabay Slide 21: Sorapop Udomsri/Dreamstime Slide 23: Daniil Pshkov/Dreamstime Slide 25: jorgeribas/Pixabay Slide 26: Geralt/Pixabay; Life Site Slide 27: jorgeribas/Pixabay Slide 28: Gratispng Slide 29: Gratispng Slide 30: Gratispng Slide 31: Wikimedia Commons Slide 32: jorgeribas/Pixabay Slide 33: jorgeribas/Pixabay Slide 34: jorgeribas/Pixabay Slide 35: jorgeribas/Pixabay Slide 36: OpenClipart-Vectors/Pixabay Slide 37: OpenClipart-Vectors/Pixabay Slide 39: Daniil Pshkov/Dreamstime Slide 41: OpenClipart-Vectors/Pixabay Slide 42: Brasil/Senado Federal Slide 43: Brasil Escola Slide 44: Brasil/Senado Federal Slide 45: Brasil Escola Slide 46: Geralt/Pixabay Slide 47: Ecosciente/Unicentro Slide 48: Ecosciente/Unicentro Slide 49: Ecosciente/Unicentro Slide 50: Ecosciente/Unicentro Slide 51: Ecosciente/Unicentro Slide 52: Tobias Jackson/Planeta Slide 53: Brasil Escola Slide 55: Daniil Pshkov/Dreamstime Slide 57: malptr/DepositPhotos Slide 58: malptr/DepositPhotos Slide 59: malptr/DepositPhotos Slide 60: smolaw/Shutterstock Slide 61: smolaw/Shutterstock Slide 62: smolaw/Shutterstock Slide 63: Migalhas Slide 64: Migalhas Slide 65: Wolf S.A. Slide 66: Wolf S.A. 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