Prévia do material em texto
Cooperação jurídica e processo civil internacional Apresentação A cooperação jurídica internacional ocorre entre diversos países, entre eles o Brasil, contemplando vários temas, como Direito Civil, Direito Penal, Direito Econômico, Direito do Trabalho, entre outros. A cooperação é o auxílio que um país dá a outro com o objetivo de realizar alguma medida administrativa, investigativa ou judicial. Isso pode ocorrer nas diversas áreas do Direito. Na prática, esses atos são concretizados por meio do envio e do cumprimento de cartas rogatórias, da realização de diligências que dependam da cooperação do país que recebe a solicitação e da homologação da sentença estrangeira. A carta rogatória é um instrumento que materializa o pedido de auxílio entre os países, podendo ser passiva ou ativa. Ela é passiva quando uma autoridade estrangeira solicita à autoridade brasileira o cumprimento da carta rogatória. Contudo, para que seja cumprida no Brasil, faz-se necessária a concessão de exequátur pelo Superior Tribunal de Justiça. Em contrapartida, ela é ativa quando a autoridade brasileira solicita uma diligência por meio de carta rogatória a uma autoridade estrangeira. A homologação de sentença estrangeira consiste em um pedido feito por autoridade estrangeira para que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) homologue a sentença, para que passe a ter eficácia em território nacional, porém ela não sofrerá alterações em relação ao mérito. O pedido será feito diretamente ao presidente do STJ. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer o conceito de cooperação jurídica internacional, principalmente nas áreas cível e penal, e em quais hipóteses ela pode ser efetuada na prática. Além disso, vai conferir as cartas rogatórias passiva e ativa e como ocorre a tramitação destas. Por fim, você vai conferir como se dá uma sentença estrangeira, bem como os requisitos para que ela possa ser homologada no Brasil, o procedimento a ser seguido para a efetivação da homologação e os efeitos desta. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Contextualizar o significado de cooperação jurídica internacional.• Definir carta rogatória e seu trâmite.• Conceituar homologação de sentença estrangeira e seu curso na ordem jurídica brasileira.• Desafio No âmbito da cooperação jurídica internacional, o ordenamento jurídico prevê a possibilidade de expedição de carta rogatória, para que diligências possam ser realizadas em outro país. Nesse sentido, a carta rogatória tanto pode ser solicitada e expedida no Brasil quanto por parte de autoridade de país estrangeiro para autoridade brasileira, para solicitação, por exemplo, de citação/intimação daqueles que possam vir a ser partes em processos futuros, oitivas de testemunhas, etc. Analise a situação a seguir. Nessa situação, como advogado, qual procedimento você deve instruir ao seu cliente? Infográfico Entre as diversas espécies de instrumentos jurídicos para a efetivação da cooperação jurídica internacional, estão a carta rogatória ativa, por meio da qual o Brasil solicita auxílio de diligência a outro país, e a carta rogatória passiva, por meio da qual um país estrangeiro solicita auxílio de diligência ao Brasil. A autoridade estrangeira é quem solicita o envio da carta rogatória passiva à autoridade brasileira, a qual analisará se estão preenchidos os requisitos previstos no regimento interno do STJ. Se estiver tudo de acordo, a carta será encaminhada ao STJ para concessão do exequátur e será cumprida pelo juiz federal de primeira instância. Contudo, se a carta rogatória for ativa, ocorre o inverso, ou seja, a autoridade brasileira é quem solicita o envio da carta rogatória à autoridade estrangeira, a qual analisará o preenchimento dos requisitos e depois a enviará para cumprimento, conforme as regras de cada país solicitado. Neste Infográfico, confira a tramitação necessária para a conclusão do processo de envio e devolução da carta rogatória passiva. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/cfb3b960-03c5-4049-bd29-f1bdd8d74445/68fbf5cd-b2cb-4099-9e60-9bf69e85cc7b.jpg Conteúdo do livro A globalização trouxe a possibilidade de cooperação entre os países em todas as áreas. No âmbito jurídico, isso ocorre por meio do auxílio para a concessão de informações e diligências processuais, uma vez que certos atos, para que sejam concretizados, dependem necessariamente da cooperação do país solicitado. No capítulo Cooperação jurídica e processo civil internacional, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai conferir como ocorre a cooperação jurídica internacional e os instrumentos utilizados para que ela se efetive na prática. Além disso, vai estudar as cartas rogatórias passiva e ativa e o processo de tramitação destas. Por fim, você vai conhecer o conceito de sentença e requisitos para a homologação da sentença estrangeira. Boa leitura. DIREITO INTERNACIONAL OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Contextualizar o significado de cooperação jurídica internacional. > Definir carta rogatória e seu trâmite. > Conceituar homologação de sentença estrangeira e seu curso na ordem jurídica brasileira. Introdução A cooperação, em termos internacionais, de forma geral e no âmbito jurídico, não é um tema novo. Porém, ela vem ganhando relevância nas últimas décadas, especialmente após o surgimento dos direitos de terceira (direitos de solidarie- dade, cooperação e fraternidade), quarta (direito à democracia, à informação e ao pluralismo) e quinta geração (direito à paz), a partir do final do século XX (BONAVIDES, 2014). Nesse período, o amparo dos interesses individuais deu lugar à proteção do gênero humano, o que implicou a necessidade de que todos os países passassem a agir de forma mais colaborativa entre eles. A cooperação jurídica internacional propriamente dita sempre estará rela- cionada a alguma medida judicial, administrativa ou investigativa solicitada por um país a outro. As regras para sua efetivação estão previstas na parte geral do Código de Processo Civil Brasileiro (BRASIL, 2015), especificamente no Capítulo II do livro II, dos artigos 26 ao 41, além de em outras leis, resoluções e portarias. Cooperação jurídica e processo civil internacional Eduardo Augusto de Souza Massarutti Neste capítulo, você vai estudar a cooperação jurídica internacional no aspecto cível e penal e como ela se efetiva na prática entre o Brasil e outros países. Além disso, vai ver o que é uma carta rogatória e como se processa o seu andamento. Por fim, vai conhecer o conceito de sentença estrangeira e estudar como se de- senvolve o processo para a homologação dela no Brasil. Cooperação jurídica internacional cível e penal A princípio, é importante compreender que, como regra geral, um Estado não pode interferir nas relações ou regras jurídicas internas de outro Estado, pois o princípio que rege as relações jurídicas internacionais é o da soberania dos Estados. Nem mesmo nos casos que envolvem regras de cooperação jurídica internacional é permitido qualquer tipo de imposição. É por isso que a cooperação é espontânea, ou seja, se solicitada, o país solicitado age com soberania para colaborar ou não. Nesse sentido, Rechsteiner (2012, p. 375) esclarece que: “Por essa razão, se num procedimento judicial forem necessá- rias providências e diligências de fora do território nacional, as autoridades judiciárias dependerão da cooperação das autoridades estrangeiras”. É necessário esclarecer também que, no Brasil, há diversas normas se- paradas para regular a cooperação jurídica internacional, pois não há única lei abordando toda a matéria. É possível apontar, segundo Araujo (2013, p. 35), a “[...] Lei de Introdução ao Código Civil (LICC), que agora se chama Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LIN), o Código De Processo Civil,a resolução n° 9 do STJ e a portaria interministerial n° 501 MRE/MJ de 21/03/2012”. Ademais, há diversos documentos internacionais, como conven- ções multilaterais e bilaterais, que tratam da cooperação jurídica internacional entre o Brasil e alguns outros estados (ARAUJO, 2013). No site do Governo Federal, há uma definição interessante a respeito da cooperação jurídica internacional: A cooperação jurídica internacional pode ser entendida como um modo formal de solicitar a outro país alguma medida judicial, investigativa ou administrativa necessária para um caso concreto em andamento. A efetividade da justiça, dentro de um cenário de intensificação das relações entre as nações e seus povos, seja no âmbito comercial, migratório ou informacional, demanda cada vez mais um Estado proativo e colaborativo. As relações jurídicas não se processam mais unicamente dentro de um só Estado Soberano, pelo contrário, é necessário cooperar e pedir a cooperação de outros Estados para que se satisfaçam as pretensões por justiça do indivíduo e da sociedade (BRASIL, 2021, documento on-line). Cooperação jurídica e processo civil internacional2 Em outras palavras, a cooperação jurídica internacional é o auxílio que um país presta a outro país, com a finalidade de concretizar alguma medida judicial, investigativa ou administrativa, tanto no âmbito cível quanto penal, mas tam- bém em outras áreas, como direito comercial, econômico, administrativo etc. Como exemplo, na esfera penal é possível citar uma situação em que autori- dades italianas precisam ouvir uma testemunha de um crime ocorrido na Itália, mas que, no momento, reside no Brasil. Nesse caso, se não houver colaboração das autoridades brasileiras, dificilmente a autoridade judiciária italiana conse- guirá colher o depoimento da testemunha. No âmbito cível, imagine que uma vara de família da Itália precise intimar o pai de uma criança italiana a respeito de uma ação com pedido de pagamento de pensão alimentícia. A finalidade da cooperação jurídica internacional é, de acordo com Rechs- teiner (2012, p. 377), a concretização de “[...] atos de comunicação, e diligências de instrução dos processos em curso, como citações, notificações, intimações, vistorias, avaliações, exames de livros, interrogatórios, inquirições etc.”. Outra definição importante sobre a cooperação jurídica internacional é a de Silva (2004, p. 173): [...] o intercâmbio entre Estados de atos públicos e destinados à segurança e à estabilidade das relações transnacionais, compreendendo atos legislativos, administrativos ou judiciais. É realizada entre tribunais de países distintos e alcança os atos jurisdicionais propriamente ditos e os atos jurisdicionais não decisórios, tais como os de mera comunicação processual, que compreendem as citações, notificações e intimações, bem como os atos de instrução probatória. Vale ressaltar que a cooperação jurídica internacional é regulada por tratados internacionais dos quais o Brasil faz parte, dependendo do país com o qual possui relações internacionais. Contudo, a ausência de tratado — ou se o Brasil não tiver aderido a determinado tratado — não impede o Brasil de exercer cooperação jurídica internacional ou solicitá-la a outro país, pois ela poderá se dar de forma diplomática e recíproca, ou seja, enquanto o Brasil oferece colaboração, o outro país também oferecerá, em razão da diplomacia que permeia a relação entre ambos. A cooperação jurídica internacional cível ocorre quando os atos solicitados por determinado país estão relacionados às matérias de direito civil, como direito de família, direito contratual, direito de sucessão etc. Um exemplo é um pedido de realização de exame de DNA para reconhecimento de paternidade em um cidadão que está fora do seu país de origem. Cooperação jurídica e processo civil internacional 3 Nesse sentido, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) do Go- verno Federal esclarece que as solicitações de cooperação jurídica interna- cional relacionadas a matérias cíveis objetivam à concretização de direitos privados no âmbito transnacional e decorrem de pessoas, empresas ou autoridades judiciais. Como exemplo, há a comunicação de ato processual, a aquisição de prova, documento e informação ou, ainda, as medidas cons- tritivas ou obrigações de fazer ou deixar de fazer (BRASIL, 2021). O órgão ainda aponta que, no Brasil, a maior parte dos pedidos, no âmbito do direito civil, está relacionado a questões de caráter humanitário, como pensões alimentícias (que abrange 50% dos casos) e outros assuntos que envolvem o direito de família, como fixação de paternidade, divórcio, entre outros (BRASIL, 2021). Em relação à cooperação jurídica internacional na esfera penal, a finalidade é dar cumprimento aos: [...] atos de comunicação processual (citações, intimações e notificações), atos de investigação ou instrução (oitivas, obtenção de documentos, quebra de sigilo bancário, quebra de sigilo telemático etc.) ou ainda algumas medidas de cons- tritivas de ativos, como bloqueio de bens ou valores no exterior (BRASIL, 2021, documento on-line). A forma mais comum de solicitar cooperação jurídica é por meio do instru- mento jurídico denominado carta rogatória. Ela é chamada de ativa quando solicitada pelo Brasil a outro país, e de passiva quando solicitada pelo país estrangeiro ao Brasil. É importante ressaltar que, tanto a Justiça Brasileira quanto a es- trangeira, ao analisar um pedido de cooperação jurídica interna- cional, nunca analisarão o mérito (autoria, materialidade, provas etc.) do que será decidido no país de origem solicitante. Assim, por exemplo, se o Poder Judiciário do Japão solicitar à autoridade competente no Brasil a oitiva de uma testemunha ocular de um crime ocorrido naquele país, a autoridade brasileira não poderá se manifestar a respeito do mérito, ou seja, se ocorreu crime ou não, se o acusado é culpado ou não, se há provas suficientes ou não etc. A análise do mérito compete exclusivamente ao país solicitante da cooperação. Apesar disso, é importante destacar que o art. 17 da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro (LINDB) (BRASIL, 1942) proíbe a realização de atos que ofendam a soberania nacional, como uma carta rogatória que solicite a penhora de um imóvel situado no Brasil, pois o art. 47 do Código de Processo Civil estabelece que “Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis, é competente o foro de situação da coisa” (BRASIL, 2015, documento on-line). Cooperação jurídica e processo civil internacional4 Carta rogatória e seu trâmite Antes de definir carta rogatória, é importante conhecer os tipos de cartas exis- tentes no Código de Processo Civil, que tem um capítulo específico para tratar dos requisitos das cartas: o Capítulo III, a partir do artigo 260 (BRASIL, 2015). Normalmente, quanto dentro da mesma comarca, o processo se desen- volve por meio de decisões proferidas pelo juiz e por colaboração das partes. O juiz determina a citação ou intimação e as partes respondem ao que foi determinado. Porém, existem atos que, para serem cumpridos, dependem da colaboração de outro juiz, de hierarquia inferior, ou de outra comarca, outro Estado ou até outro país. Nesses casos, será necessário fazer uso das cartas de ordem, precatória e rogatória e, ainda, de colaboração do juiz nos casos de processo arbitral. A carta de ordem é utilizada quando estamos diante de uma decisão proferida por um juiz de hierarquia superior para que determinada decisão seja cumprida por um juiz de hierarquia inferior, como ocorre no caso de um tribunal que profere uma decisão a ser cumprida pelo juiz de primeiro grau. Para exemplificar, imagine a seguinte situação: o ministro do STJ expede carta de ordem para que um juiz federal de São Paulo ouça uma testemunha localizada na cidade de São Paulo. A carta precatória, que também possui, dentre outras, a finalidade de citação, é utilizada nos casos em que a parte ré do processoreside em outra comarca distinta daquela onde o processo está em andamento. Nesses casos, o juiz determina a expedição de carta precatória, a pedido do autor da ação, que é encaminhada ao juízo da outra comarca para que lá seja cumprida, com a efetivação da citação da outra parte do processo ou intimação de uma teste- munha que resida em comarca diferente da qual a ação judicial foi distribuída. A carta arbitral é utilizada dentro do processo de arbitragem. A arbitragem faz parte dos meios alternativos de solução de conflitos entre determinadas partes, uma vez que as partes poderão utilizá-la em vez de demandarem perante o Poder Judiciário. Para tanto, é necessário que no contrato feito entre as partes tenha sido estabelecida a cláusula de compromisso arbitral, conforme o art. 4º da Lei nº 9.307 de 1996 (BRASIL, 1996, documento on-line), que estabelece que “A cláusula compromissória é a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir, relativamente a tal contrato”. Apesar desse meio alternativo de solução de conflito, se o árbitro ou as partes do processo arbitral necessitarem de alguma diligência que dependa de auxílio do Poder Judiciário, eles poderão solicitar por meio da carta arbitral, Cooperação jurídica e processo civil internacional 5 que é o expediente voltado para possibilitar a cooperação entre os juízos arbitral e estatal. A carta rogatória é um documento, um instrumento, utilizado para que decisões interlocutórias proferidas pelo juiz (que não são consideradas sen- tenças, como citações, intimações, requerimento de oitiva de testemunhas, interrogatórios etc.) sejam cumpridas em outro país e vice-versa. Para ficar mais claro, imaginar a hipótese em que uma mãe que reside no Brasil precisa comprovar que um ex-namorado dela, que reside atualmente na Espanha, é o pai da criança concebida por ela. Nesse caso, ela poderia solicitar ao juiz da vara de família do lugar onde o processo tramita no Brasil que ele determinasse a expedição de uma carta rogatória à autoridade competente da Espanha, para que esta determinasse a citação do suposto pai da criança. Araujo (2016, p. 146) esclarece que: As cartas rogatórias são um pedido formal de auxílio para a instrução de um pro- cesso, formulado pela autoridade judiciária de um Estado a outro. Estão reguladas no CPC, mais precisamente no Art. 36, sendo-lhes aplicável, ainda, as disposições comuns constantes do Capítulo II (Arts. 26 e 27 e Arts. 37 a 41), bem como os Arts. 960 a 965 do CPC, os quais abarcam, a uma só vez, tanto a homologação de sentenças estrangeiras quanto a concessão de exequatur a cartas rogatórias. Há duas espécies de cartas rogatórias: a passiva e a ativa. Na passiva, a solicitação procede do país estrangeiro e é dirigida à autoridade compe- tente no Brasil. Na ativa, a solicitação procede da autoridade brasileira e é encaminhada para a autoridade competente para análise no exterior. Os requisitos para se dar andamento ao processamento da carta rogatória passiva no Brasil estão previstos em vários artigos do Código de Processo Civil, do Código de Processo Penal e no Regimento Interno do STJ. Antes de compreender os requisitos, é importante esclarecer que a tramitação da carta poderá seguir dois caminhos, dependendo se a carta rogatória está baseada em algum tratado internacional ou se tramitará pela via diplomática. Se for baseada em tratado do qual o Brasil faz parte, ela seguirá o procedimento a seguir, de acordo com o site do MJSP (BRASIL, 2021). 1. Recebimento da carta rogatória pela autoridade central brasileira, responsável por uma análise prévia para verificar se requisitos formais previstos no tratado internacional estão preenchidos. Cooperação jurídica e processo civil internacional6 2. Se não preenchidos, a autoridade brasileira devolve à autoridade estrangeira solicitante para as adequações devidas. 3. Se preenchidos, a autoridade brasileira encaminha a carta rogatória ao STJ para a concessão do exequatur (que significa execute-se ou cumpra-se). Isso está previsto no art. 105 da Constituição Federal (BRASIL, [2016], documento on-line), que estabelece: “Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I - processar e julgar, originariamente: [...] i) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias; [...]”. 4. Se não concedido, a autoridade brasileira informará os motivos à autoridade estrangeira. 5. Se concedido o exequatur, o STJ enviará a carta rogatória ao Juiz Federal de 1ª instância competente para sua execução, conforme critério de competência territorial previsto na Constituição Federal e nos Códigos de Processo Civil e Penal. 6. Depois de cumpridas as diligências que foram solicitadas por meio da carta rogatória, ela é devolvida ao STJ para finalização dos procedi- mentos internos. Em seguida, o STJ envia a carta rogatória à Autoridade Central brasileira. 7. Recebida a informação relacionada ao cumprimento da carta rogatória, a Autoridade Central brasileira envia a respectiva documentação à Autoridade Central do Estado requerente. Se a carta rogatória não for baseada em tratado do qual o Brasil faz parte, ela tramitará pela via diplomática, conforme sequência prevista no site do MJSP (BRASIL, 2021). Veja a seguir. 1. A carta rogatória é recepcionada pelo Ministério de Relações Exteriores, que a envia ao Ministério da Justiça para análise prévia da documen- tação, que a encaminha ao STJ. 2. O STJ toma as providências, semelhante ao que foi previsto na carta rogatória baseada por tratado. 3. Após o STJ ser comunicado a respeito do cumprimento ou não da carta rogatória, o Ministério da Justiça envia a carta rogatória ao Ministé- rio das Relações Exteriores, que a devolve ao exterior pelos meios diplomáticos. Cooperação jurídica e processo civil internacional 7 Veja a seguir os requisitos para a carta rogatória ativa, de acordo com o site do MJSP (BRASIL, 2021). 1. Se baseada em acordo internacional que estabelece a comunicação entre Autoridades Centrais, a Autoridade Central brasileira recebe o pedido de carta rogatória feito pela autoridade judicial brasileira. Em seguida, analisa o cumprimento dos requisitos discriminados pelo tratado e encaminha o pedido à Autoridade Central estrangeira. 2. Quando devolvida, a documentação diligenciada, cumprida ou não, é recebida pela Autoridade Central brasileira, que a encaminha à au- toridade requerente. 3. Se o pedido de cooperação não ter embasamento em tratado inter- nacional, fato que enseja a tramitação pelos meios diplomáticos, a Autoridade Central o transmite ao Ministério das Relações Exteriores para os procedimentos pertinentes junto às representações diplomá- ticas do país no exterior. 4. Após o diligenciamento do pedido, o Ministério das Relações Exterio- res devolve a documentação à Autoridade Central, que providencia a transmissão à autoridade requerente. De acordo com o MJSP: Autoridade Central é o órgão responsável pela boa condução da cooperação jurídica internacional. No Brasil, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) exerce essa função para a maioria dos acordos internacionais em vigor, por meio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional da Secretaria Nacional de Justiça (DRCI/Senajus), conforme Artigo 14, Anexo I do Decreto nº 9.662, de 1º de janeiro de 2019 (BRASIL, 2021, documento on-line). Homologação de sentença estrangeira e seu curso na ordem jurídica brasileira Um juiz de determinado processo judicial pode proferir sentenças, decisões interlocutórias e despachos. Decisões interlocutórias e despachos não ana- lisam o mérito da causa, ou seja, os fundamentos jurídicos que embasaram os pedidos da parte autora ou a defesa do réu. Cooperação jurídica e processo civil internacional8 Sentença é uma decisão proferida pelo juiz, em um processo judicial, no qual ele analisa o méritoda causa, ou seja, o fundamento jurídico que embasou os pedidos da parte autora ou a defesa do réu. O juiz decide se a parte tem direito ou não aos pedidos que formulou na petição inicial ou se a razão está com a parte ré, julgando procedente ou improcedente a ação judicial. Dessa decisão, ainda caberá recurso para as instâncias superiores. A sentença estrangeira, a qual somente terá eficácia no Brasil após ser homologada pelo STJ, não será submetida a uma nova análise do mérito, pois essa análise já foi realizada pelo país que solicitou a homologação. Igualmente, a sentença proferida no Brasil a ser homologada no estran- geiro não sofrerá nova análise de mérito. Porém, há exceções, como o caso da regra francesa, que estabelece que a sentença estrangeira é revisada em seus aspectos formais e de mérito, podendo ser substituída por decisão local. Outro exemplo é a regra da Bélgica, a qual estipula que a sentença estrangeira pode ter seu mérito revisado, mas não ocorre a sua substituição. O art. 961 do Código de Processo Civil estabelece que “A decisão estrangeira somente terá eficácia no Brasil após a homologação de sentença estrangeira ou a concessão do exequatur às cartas rogatórias, salvo disposição em sentido contrário de lei ou tratado” (BRASIL, 2015, documento on-line). Já o art. 105 da Constituição Federal, como visto, estabelece que “Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I - processar e julgar, originariamente: [...] i) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias” (BRASIL, [2016], documento on-line). Os requisitos necessários para homologação da sentença estrangeira estão previstos no Art. 963 do Código de Processo Civil, o qual estabelece: Art. 963. Constituem requisitos indispensáveis à homologação da decisão: I - ser proferida por autoridade competente; II - ser precedida de citação regular, ainda que verificada a revelia; III - ser eficaz no país em que foi proferida; IV - não ofen- der a coisa julgada brasileira; V - estar acompanhada de tradução oficial, salvo disposição que a dispense prevista em tratado; VI - não conter manifesta ofensa à ordem pública (BRASIL, 2015, documento on-line). Analisando o artigo mencionado, podemos esclarecer os requisitos da seguinte forma. � A sentença estrangeira somente será homologada no Brasil se, no país solicitante, ela for proferida por um juiz competente para julgar o assunto tratado na ação. Assim, se uma ação de competência de um Cooperação jurídica e processo civil internacional 9 juiz da justiça comum cível for analisada e sentenciada por um juiz da competência criminal, a sentença estrangeira não será homologada no Brasil. � A parte que perdeu a ação deve ter sido devidamente citada para se defender no processo, com exceção do caso de revelia (quando, mesmo citada, não se manifesta por negligência). Do contrário, a sentença estrangeira não será homologada. � A sentença estrangeira tem de ter sido eficaz no país onde foi proferida. � A sentença estrangeira não pode ter ofendido coisa julgada brasileira, ou seja, se o mesmo tema discutido na sentença estrangeira já foi julgado, sentenciado e não cabe mais recurso no Brasil, a sentença estrangeira não será homologada no Brasil. � A sentença estrangeira deverá ter sido traduzida para a língua portu- guesa antes de ser homologada no Brasil. Vale destacar que, no site do Governo Federal, há listas com os nomes e as especialidades de cada tradutor juramentado, que estão habilitados para a tradução de sentenças estrangeiras e outras decisões e documentos. � A sentença estrangeira não pode ofender a ordem pública brasileira. A ofensa ocorreria, por exemplo, se a sentença estrangeira tivesse decidido sobre tema de competência da justiça brasileira, como par- tilha de imóveis situados no Brasil, ou guarda de menores que já foi fixada por meio de decisão da justiça brasileira, ainda que de forma provisória. Outro exemplo se deu em um caso levado ao STJ no qual se decidiu que é contrária à ordem pública a tentativa de homologação de sentença estrangeira que fixou a guarda dos filhos a somente um dos genitores no exterior, uma vez que no Brasil vige a regra geral de que a guarda deve ser estabelecida de forma compartilhada. É importante saber, conforme Dolinger e Tiburcio (2020), que tanto a ju- risprudência quanto o Regimento Interno do SJT e o Código de Processo Civil brasileiro permitem a homologação parcial de sentenças estrangeiras. Isto é, se apenas uma parte da sentença ofender a ordem pública ou a soberania nacional, a parte que não ofende poderá ser homologada. Dessa forma, no caso de divórcio litigioso no exterior com partilha de bens imóveis no Brasil, será possível a homologação quanto aos efeitos pessoais da decisão, mas não quanto aos patrimoniais, em virtude da inobservância da regra da competência exclusiva da autoridade brasileira para ações relativas a imóveis no Brasil. Cooperação jurídica e processo civil internacional10 Se observados os requisitos prévios mencionados anteriormente, o pro- cesso de homologação da sentença será iniciado e obedecerá a tramitação prevista no Regimento Interno do STJ, conforme a seguir (BRASIL, 2020). � O requerimento de homologação será dirigido diretamente ao presi- dente do STJ por meio de petição, que deverá preencher os requisitos previstos na Lei Processual Brasileira, além de ser acompanhada da sentença estrangeira devidamente traduzida para a língua portuguesa. � Se a petição inicial não preencher os requisitos exigidos, à parte re- querente será concedido prazo razoável para que corrija os defeitos da petição, conforme art. 216-E do Regimento Interno do STJ (BRASIL, 2020). Se não tomar essa providência, o processo de pedido de homo- logação será arquivado. � Em seguida, a parte interessada será citada para, no prazo de quinze dias, contestar o pedido de homologação. � Depois de apresentada a contestação, a parte que solicitou a homo- logação será citada novamente para impugnar outros documentos juntados com a defesa. � Na sequência, o processo será distribuído para julgamento pela Corte Especial. � Ao Ministério Público Federal será dado vista dos autos pelo prazo de dez dias, o qual poderá impugnar o pedido. � Se estiver tudo em ordem, a sentença estrangeira será homologada e executada por carta de sentença no Juízo Federal competente. Quanto aos efeitos produzidos pela homologação da sentença estrangeira no Brasil, é importante esclarecer que ela produzirá os mesmos efeitos produzidos no país onde foi proferida. Ou seja, depois de homologada pelo STJ, ela não surtirá efeitos diferentes daqueles que poderiam decorrer da sentença original prolatada no exterior. Nesse sentido, Rechsteiner (2012, p. 345-346) aponta que: “Trata-se, nota- damente, dos efeitos jurídicos da coisa julgada, da intervenção de terceiros e das próprias sentenças constitutivas, condenatórias e declaratórias de procedência estrangeira em si mesmas, perante a ordem jurídica interna”. Por fim, é importante ressaltar que, conforme o §5º do art. 960 do Código de Processo Civil brasileiro, “A sentença estrangeira de divórcio consensual produz efeitos no Brasil, independentemente de homologação pelo Supe- Cooperação jurídica e processo civil internacional 11 rior Tribunal de Justiça” (BRASIL, 2015, documento on-line). Ou seja, se duas pessoas se divorciarem fora do Brasil, quando chegarem ou passarem a residir no Brasil, a sentença estrangeira que declarou o divórcio de ambas produzirá efeitos automaticamente, como estarem autorizados a contrair novo matrimônio, sem a exigência de que a sentença estrangeira seja homologada perante o STJ. Referências ARAUJO, N. A importância da cooperação jurídica internacional para a atuação do estado brasileiro no plano interno e internacional. In: BRASIL. Secretaria Nacional de Justiça. Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional. Manual de cooperaçãojurídica internacional e recuperação de ativos: cooperação em matéria civil. 4. ed. Brasília: Ministério da Justiça, 2013. Disponível em: https://www. justica.gov.br/sua-protecao/cooperacao-internacional/arquivos/manual_coop_civil. pdf/@@download/file. Acesso em: 10 jun. 2021. ARAUJO, N. Direito internacional privado: teoria e prática brasileira. 6. ed. Porto Alegre: Revolução eBook, 2016. E-book. BONAVIDES, P. Curso de direito constitucional. 29. ed. atual. São Paulo: Malheiros, 2014. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 10 jun. 2021. BRASIL. Decreto-Lei n. 4.657, de 4 de setembro de 1942. Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. Rio de Janeiro: Presidência da República, 1942. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del4657compilado.htm. Acesso em: 10 jun. 2021. BRASIL. Lei n. 9.307, de 23 de setembro de 1996. Dispõe sobre a arbitragem. Brasília: Presidência da República, 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/l9307.htm. Acesso em: 10 jun. 2021. BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília: Presidên- cia da República, 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015- 2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 10 jun. 2021. BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Cooperação jurídica internacional. Disponível em: https://www.justica.gov.br/sua-protecao/cooperacao-internacional. Acesso em: 10 jun. 2021. BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Regimento interno do Superior Tribunal de Justiça. Brasília: STJ, 2020. Disponível em: https://www.stj.jus.br/publicacaoinstitucional/index. php/Regimento/article/download/3115/3839. Acesso em: 10 jun. 2021. DOLINGER, J.; TIBURCIO, C. Direito internacional privado. 15. ed. rev., atual. e amp. Rio de Janeiro: Forense, 2020. RECHSTEINER, B. W. Direito internacional privado: teoria e prática. 15. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2012. SILVA, R. P. M. Reconhecimento da decisão judicial estrangeira no Brasil e o controle da ordem pública internacional no Regulamento 44: análise comparativa. Revista de Processo, v. 29, n. 118, p. 173, nov./dez. 2004. Cooperação jurídica e processo civil internacional12 Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Cooperação jurídica e processo civil internacional 13 Dica do professor Entre as modalidades de cooperação jurídica internacional, destacam-se a homologação de sentença estrangeira e a carta rogatória. A primeira tem a finalidade de homologar, perante o juízo brasileiro, uma sentença que foi proferida em outro país. Já a segunda visa a solicitar diligências processuais, tais como citações e intimações, de pessoas que estão residindo no Brasil, no caso de carta rogatória passiva, ou a conseguir as mesmas diligências a pedido de autoridade judicial brasileira, no caso de carta rogatória ativa. Nesta Dica do Professor, confira os requisitos e procedimentos para a homologação de sentença estrangeira no Brasil. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/8d72256e7a4bfcc4d2e74eaa3089926e Exercícios 1) Existem dois tipos de carta rogatória, a passiva e a ativa. A carta rogatória passiva é solicitada pela autoridade estrangeira para a autoridade brasileira. Já a carta rogatória ativa é solicitada pela autoridade brasileira para a autoridade estrangeira. Analise a situação a seguir. O Canadá, por meio de sua Autoridade Central, encaminhou à Autoridade Central brasileira uma carta rogatória exigindo a oitiva de uma testemunha residente no Brasil, por supostamente ter presenciado o tráfico de uma criança do Brasil para o Canadá por um criminoso canadense procurado pela polícia. De acordo com o exemplo, assinale a alternativa correta. A) Qualquer país pode exigir de outro o envio de documentos, a oitiva de testemunhas e outras diligências, e o país solicitado nunca poderá negar. B) A cooperação jurídica internacional sempre será observada, ainda que, para isso, seja desrespeitada a soberania nacional de determinado país. C) A soberania nacional poderá ser desrespeitada para o cumprimento de diligências processuais por meio de carta rogatória e para oitiva de testemunhas. D) O princípio maior que rege as relações entre as nações é o da soberania nacional, que está acima da cooperação jurídica internacional, apesar da importância desta última. Portanto, um país deve requerer algo a outro, e não exigir. E) O Brasil, no caso de solicitação de carta rogatória ao Ministério das Relações Exteriores, nunca poderá negar esse tipo de pedido, em nome da cooperação jurídica internacional. A cooperação jurídica internacional pode ocorrer por meio do pedido de envio de carta rogatória e homologação de sentença estrangeira. Observe o exemplo a seguir. A autoridade competente da Grécia solicitou, por meio de carta rogatória, a citação de um foragido da justiça da Grécia, que, segundo informações, atualmente está residindo no Brasil. Todavia, ambos os países não são aderentes de nenhum tratado internacional que preveja essa cooperação internacional. 2) Com base nessa situação, assinale a alternativa correta. A) Um país somente pode solicitar diligências a outro por meio de carta rogatória se ambos tiverem aderido a um tratado internacional que estabeleça essa possibilidade. B) Uma carta rogatória passiva ou ativa somente pode ser solicitada se o país rogante e o país rogado tiverem aderido a um tratado ou acordo internacional. C) Apenas a homologação de sentença estrangeira depende da participação do país solicitante em tratado ou acordo internacional. D) Tanto as cartas rogatórias quanto os pedidos de homologação de sentença estrangeiras somente serão atendidos se os países solicitante e solicitado tiverem aderido a um tratado internacional que preveja essa hipótese. E) A solicitação feita pela autoridade da Grécia à autoridade brasileira é legítima, mesmo que os países não façam parte de tratado internacional que preveja essa hipótese, uma vez que ambos poderão cooperar com base na diplomacia. 3) Os países podem precisar de diligências processuais que dependem da cooperação de outros países, como, por exemplo, citações de partes do processo ou intimações para oitiva de testemunhas, que podem ser solicitadas por meio de carta rogatória. Leia o exemplo a seguir. Cláudio, brasileiro, estava de férias com a esposa em Cancún, no México. Durante um passeio pela orla da praia, ele foi o único a presenciar a ocorrência de um assalto seguido de morte. Cláudio, assustado com a situação, imediatamente fugiu do local com a sua esposa. Passadas algumas semanas, a polícia investigativa local percebeu que uma câmera de segurança de um condomínio havia filmado o ocorrido e, nas imagens, conseguiu identificar Cláudio e sua esposa. Por meio do sistema de identificação com reconhecimento facial da polícia, esta conseguiu descobrir o país de origem de Cláudio e sua esposa e solicitou o envio de carta rogatória ao Brasil para ouvir Cláudio como testemunha. Considerando a situação descrita, assinale a alternativa correta. A) Nenhuma país poderá solicitar diligências relacionadas com ocorrências criminais. B) O Brasil, em nome da cooperação jurídica internacional, poderá atender ao pedido feito pela autoridade competente mexicana. C) O Brasil poderá negar o pedidoda carta rogatória, sob o argumento de que a análise de imagens para a obtenção de provas é considerada ilícita no Brasil. D) Os países podem se negar a cumprir a carta rogatória que contenha pedido de meio de prova considerado lícito em ambos os países. E) No Brasil, as cartas rogatórias não são atendidas se relacionadas com matérias de Direito Civil. 4) As sentenças produzidas em outros países podem ser homologadas no Brasil, para que elas produzam efeito no país. Isso também ocorre quando o Brasil precisa que uma sentença brasileira produza efeitos no país estrangeiro. Sendo assim, analise o exemplo a seguir. Sérgio e Regina, casados, estavam residindo no Japão, onde decidiram se divorciar de forma litigiosa. Eles realizaram a partilha de bens móveis e valores constantes em conta corrente do Brasil, bem como acordaram uma quantia de R$ 100,00 por mês a título de pensão alimentícia para Regina, pois, algumas semanas após o divórcio, eles voltariam para o Brasil e Regina teria dificuldades em conseguir um emprego, visto que, durante os 10 anos que morou no Japão, ela nunca trabalhou. Ao pedirem à justiça brasileira a homologação da sentença estrangeira de divórcio, o juiz negou o pedido. Considerando essa situação, assinale a alternativa correta. A) Sentenças estrangeiras podem ser homologadas no Brasil por meio de carta rogatória, que se dá perante o Supremo Tribunal Federal. B) O Brasil poderá negar o pedido de homologação, sob o argumento de que a sentença é injusta, em razão do baixo valor fixado a título de pensão alimentícia. C) Ao analisar o pedido de homologação de sentenças estrangeiras, o Superior Tribunal de Justiça não analisará o mérito da sentença ou se esta foi justa ou injusta. D) Nos casos de divórcio litigioso, o pedido de homologação de sentença estrangeira deverá ser feito perante as varas de familia do Poder Judiciário brasileiro. E) Sentenças estrangeiras podem ser homologadas no Brasil se o fundamento jurídico for idêntico aos fundamentos das sentenças para casos semelhantes. Os países podem cooperar entre si por meio da realização de diligências mútuas, a exemplo do cumprimento de carta rogatória, homologação de sentença estrangeira e realização de outros atos administrativos e processuais de forma diplomática. Sendo assim, analise a situação a seguir. Quando estavam residindo na Espanha, Rita e Pedro realizaram o divórcio consensual, estabelecendo a partilha de seus bens, e fixaram a guarda compartilhada dos filhos. 5) Contudo, ao chegarem ao Brasil, eles não conseguiram contrair novo matrimônio, pois os cartórios nos quais tentaram realizar o casamento sempre alegaram que o divórcio realizado no exterior não era válido, em razão da ausência de homologação da sentença de divórcio. Considerando essa situação, assinale a alternativa correta. A) Os cartórios estão corretos em não reconhecer o processo de divórcio realizado no exterior. B) Os cartórios estão corretos, pois a sentença de divórcio consensual realizada no exterior depende de homologação perante o Superior Tribunal de Justiça. C) Os cartórios estão incorretos, pois o casal já tinha homologado a sentença de divórcio perante o Superior Tribunal de Justiça. D) Os cartórios estão corretos, pois a sentença estrangeira de divórcio consensual deve ser homologada perante uma das varas de família do Brasil. E) Os cartórios estão equivocados, pois a sentença de divórcio consensual não depende de homologação no Brasil para surtir seus efeitos legais. Na prática A cooperação jurídica internacional consiste na possibilidade de um país solicitar cooperação jurídica a outro. Isso poderá ser feito por meio de carta rogatória com concessão de exequátur pelo Superior Tribunal de Justiça, bem como por meio de mecanismos administrativos ou judiciais, com a finalidade de solicitar diligências, tais como citações e intimações (p. ex., para ouvir uma testemunha de um fato ocorrido em país estrangeiro que está residindo no Brasil). A carta rogatória é solicitada por autoridade estrangeira, que envia o pedido à autoridade brasileira. Se os requisitos da carta estiverem preenchidos, ela será encaminhada ao STJ para a concessão do exequátur. O STJ, por sua vez, encaminhará a carta rogatória ao juiz federal de primeira instância, que dará cumprimento à carta rogatória. Após, ela será devolvida à autoridade estrangeira devidamente cumprida. Neste Na Prática, confira como um país consegue cooperação jurídica internacional por meio de auxílio direito, sem a concessão de exequátur à carta rogatória pelo STJ. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/377e9d1e-f8f0-4914-9f93-c484cc6f40d0/69dc0e9a-1a73-4662-a89f-ad3f17196ccc.jpg Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja a seguir as sugestões do professor: Combate à subtração internacional de crianças: a Convenção da Haia sobre os aspectos civis do sequestro internacional de crianças Na cartilha a seguir, confira vários esclarecimentos importantes e exemplos práticos a respeito da cooperação jurídica internacional. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Convenção interamericana sobre a restituição internacional de menores e sua aplicação no Brasil, internalizada no ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto Legislativo no 3, de 7 de fevereiro de 1994 Neste artigo, confira uma Convenção que procurou facilitar a cooperação jurídica internacional entre os país signatários no caso de pedidos de restituição internacional de menores, inclusive dispensando a exigência de cartas rogatórias. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Dimensões da cooperação jurídica internacional: do direito à cooperação ao dever de cooperar Neste artigo, confira uma discussão interessante a respeito da cooperação jurídica internacional do ponto de vista dos direitos humanos. https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&ved=2ahUKEwi_jNiwtJzxAhUdIbkGHRHCAasQFnoECAIQAA&url=https%3A%2F%2Flegado.justica.gov.br%2Fsua-protecao%2Fcooperacao-internacional%2Fsubtracao-internacional%2Farquivos%2Fcartilha-agu.pdf&usg=AOvVaw3aNp4qz1zoUcMJDGEjHEG8 https://www.justica.gov.br/sua-protecao/cooperacao-internacional/subtracao-internacional/arquivos/infos-gerais-convencao-interamericana-de-1989.pdf Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Cartas rogatórias Neste texto, que consta no site do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, confira algumas dicas interessantes a respeito da carta rogatória. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://revistas.ufpr.br/direito/article/view/47094/29835 https://www.tjsp.jus.br/UtilidadePublica/UtilidadePublica/CartasRogatorias