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Livro didático (Graduação EaD) sobre organização de unidades de informação e bibliotecas. Aborda planejamento e estrutura física e funcional (acervo, mobiliário, acessibilidade), gestão de recursos humanos (liderança, competências) e serviços de bibliotecas; traz QR Codes e versão digital.

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Indaial – 2023
Informação
Prof.ª Andrea Reis Silveira 
Prof.ª Miriam de Cassia do Carmo Mascarenhas Mattos 
Prof.ª Raffaela Dayane Afonso
2a Edição
organIzação de 
UnIdade de
Elaboração:
Prof.ª Miriam de Cassia do Carmo Mascarenhas Mattos
Copyright © UNIASSELVI 2023
 Revisão, Diagramação e Produção: 
Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
Impresso por:
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI.
Núcleo de Educação a Distância. SILVEIRA, Andrea Reis Silveira; MATTOS, Miriam de 
Cassia do Carmo Mascarenhas; AFONSO, Raffaela Dayane.
Organização de Unidade de Informação. Andrea Reis Silveira, Miriam de 
Cassia do Carmo Mascarenhas Mattos e Raffaela Dayane Afonso. Indaial - SC: 
UNIASSELVI, 2023.
235p.
ISBN 978-65-6083-207-7
ISBN Digital 978-65-6083-208-4
“Graduação - EaD”.
1. Organização 2. Informação 3. Unidade
CDD 020
Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679
Olá, estudante. Nesta disciplina, nosso foco central será a organização de 
bibliotecas, uma jornada que abrange diversas etapas e nuances. Um exemplo notável 
é o planejamento estrutural e funcional das bibliotecas. Além disso, exploraremos a 
gestão de recursos humanos e serviços, adaptando-os ao perfil do profissional e às 
características da unidade informacional.
É válido ressaltar que alguns temas essenciais já foram abordados em 
disciplinas anteriores, como as etapas do planejamento, que discutimos anteriormente 
em Organização, sistemas e métodos. No entanto, nesta disciplina, nosso objetivo é 
aprofundar esses conhecimentos e conectá-los de forma mais sólida ao processo de 
organização de bibliotecas.
Ao longo deste curso, você se familiarizará com as etapas do planejamento 
e com a estrutura organizacional de bibliotecas, o tema da Unidade 1. Durante esse 
período, examinaremos minuciosamente a infraestrutura física e funcional das unidades 
de informação, bem como os procedimentos envolvendo o acervo, mobiliário e layouts 
predominantes. Adicionalmente, abordaremos questões relacionadas à acessibilidade 
física e outros fatores ergonômicos.
Na Unidade 2, mergulharemos nos temas relacionados à gestão de recursos 
humanos, começando com uma análise histórica. Abordaremos conceitos de liderança, 
motivação organizacional e discutiremos as competências e habilidades necessárias 
para gerenciar unidades de informação.
Por fim, na Unidade 3, aprofundaremos nossos estudos sobre os serviços 
de bibliotecas, desde os tradicionais até as mais recentes tendências na área de 
biblioteconomia.
Esperamos que você aproveite esta disciplina e que ela forneça orientações 
valiosas para o seu desenvolvimento profissional cotidiano.
Desejamos a todos excelentes estudos!
Prof.ª Miriam de Cassia do Carmo Mascarenhas Mattos
APRESENTAÇÃO
Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e 
dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes 
completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você 
acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar 
essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só 
aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.
GIO
QR CODE
Olá, eu sou a Gio!
No livro didático, você encontrará blocos com informações 
adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento 
acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender 
melhor o que são essas informações adicionais e por que você 
poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações 
durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais 
e outras fontes de conhecimento que complementam o 
assunto estudado em questão.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos 
os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. 
A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um 
novo visual – com um formato mais prático, que cabe na 
bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada 
também digital, em que você pode acompanhar os recursos 
adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo 
deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura 
interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no 
texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que 
também contribui para diminuir a extração de árvores para 
produção de folhas de papel, por exemplo.
Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, 
apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, 
acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com 
versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Preparamos também um novo layout. Diante disso, você 
verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses 
ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos 
nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, 
para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os 
seus estudos com um material atualizado e de qualidade.
ENADE
LEMBRETE
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma 
disciplina e com ela um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conheci-
mento, construímos, além do livro que está em 
suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, 
por meio dela você terá contato com o vídeo 
da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-
res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de 
auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que 
preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um 
dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de 
educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem 
avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo 
para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confi ra, 
acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!
SUMÁRIO
UNIDADE 1 - PLANEJAMENTO E ESTRUTURA ORGANIZACIONAL EM ARQUIVOS ........... 1
TÓPICO 1 - AS ORGANIZAÇÕES E OS ARQUIVOS ................................................................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3
2 OS ARQUIVOS COMO SISTEMAS INSTITUCIONAIS ..........................................................4
2.1 O SISTEMA DE NACIONAL DE ARQUIVO – BRASIL ........................................................................ 6
3 CLASSIFICAÇÃO DOS ARQUIVOS .....................................................................................8
3.1 ENTIDADES MANTENEDORA DE ARQUIVOS ................................................................................... 9
3.2 ESTÁGIO DE EVOLUÇÃO ................................................................................................................... 11
3.3 EXTENSÃO DA ATUAÇÃO DOS ARQUIVOS ....................................................................................12
3.4 NATUREZA DOS DOCUMENTOS ...................................................................................................... 13
4 ORGANIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DE ARQUIVOS ....................................................... 15
4.1 LEVANTAMENTOS DE DADOS .......................................................................................................... 15
4.2 ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS ............................................................................................... 18
4.3 PLANEJAMENTO ................................................................................................................................21
4.4 IMPLEMENTAÇÃO E ACOMPANHAMENTO ...................................................................................22
RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................................deposito dos documentos. A área de depósito também 
terá uma climatização diferente dependendo do suporte documental armazenado.
O Conarq (2005, p. 12) recomenda que antes da compra ou reforma de um prédio 
para custodiar o arquivo, é necessário um estudo do local das condições climáticas da 
região “nos casos de se elaborar um projeto de construção ou reforma, com vistas a 
obter os melhores benefícios, com baixo custo, em favor da preservação dos acervos”.
É necessário adotar parâmetros para a temperatura e para a umidade do ar, por 
índices muito elevado ou variações de temperatura acabam por acelerar a deterioração 
dos documentos, além de ser propício para o surgimento de insetos. Segundo as 
recomendações do Conarq (2005), são:
• Umidade relativa entre 45% e 55%, com variação diária de +/-5%.
• Temperatura de 20 °C, em média, com variação diária de +/- 1 °C.
Para o Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ, 2005, p. 13) devemos:
• Armazenar os documentos em condições ambientais para 
garantir a sua preservação.
• Monitorar as condições de temperatura e umidade relativa do ar.
• Utilizar preferencialmente soluções de baixo custo direcionadas 
à obtenção de níveis de temperatura e umidade relativa 
estabilizados na média, evitando variações súbitas.
• Reavaliar a utilidade de condicionadores mecânicos quando os 
equipamentos de climatização não puderem ser mantidos em 
funcionamento sem interrupção.
• Proteger os documentos e suas embalagens da incidência direta 
de luz solar, por meio de filtros, persianas ou cortinas.
• Monitorar os níveis de luminosidade, em especial das radiações 
ultravioleta.
• Reduzir ao máximo a radiação UV emitida por lâmpadas 
fluorescentes, aplicando filtros bloqueadores aos tubos ou às 
luminárias. 
32
• Promover regularmente a limpeza e o controle de insetos 
rasteiros nas áreas de armazenamento. 
• Manter um programa integrado de higienização do acervo e de 
prevenção de insetos.
• Monitorar as condições do ar quanto à presença de poeira e 
poluentes, procurando reduzir ao máximo os contaminantes, 
utilizando cortinas, filtros, bem como realizando o fechamento e 
a abertura controlada de janelas.
• Armazenar os acervos de fotografias, filmes, meios magnéticos e 
ópticos em condições climáticas especiais, de baixa temperatura 
e umidade relativa.
A iluminação também deve ser observada ao planejar o arquivo, pois as radiações 
luminosas podem causar danos pelas reações físico-químicas nos documentos. A 
radiação causa pelo nível de iluminação é medida em microwatts por lúmen, o limite 
padrão para fins de preservação é de 75 μw/l. No caso de exposição de materiais de 
arquivo a períodos prolongados, foram estabelecidos os seguintes parâmetros: 
I. 50 lux e 75μw/l de radiação UV para documentos de alta 
sensibilidade à luz, como fotografias, aquarelas etc., pelo período 
máximo de 100 dias por ano (correspondente a cinquenta mil 
horas/lux por ano).
II. 150 lux para documentos de média sensibilidade, sem exceder a 
75 μw/l de radiação UV.
III. Para quase todos os suportes armazenados nos arquivos, 
recomenda-se a exposição no máximo de duzentas mil horas/lux 
por ano (BRASIL, 2000, p. 7).
2.1.4 Acondicionamento
O acondicionamento é a embalagem ou a guarda dos documentos com o objetivo 
da preservação e acesso. A escolha deve ser realizada com base nas características 
físicas e a natureza de cada suporte, “a confecção e a disposição do mobiliário deverão 
acatar as normas existentes sobre qualidade e resistência e sobre segurança no 
trabalho” (CONARQ, 2005, p. 14).
Os mobiliários facilitam o acesso seguro aos documentos, enquanto as 
embalagens protegem os documentos contra a poeira, bem como minimiza as variações 
de temperatura e umidade do ar.
2.1.5 Manuseio e transporte
O manuseio e transporte dos documentos devem ter cuidados especiais tanto 
pelo arquivista como pelos usuários.
• manusear os documentos originais com mãos limpas, de 
preferência fazendo uso de luvas. Além de luvas, os técnicos 
devem também utilizar guarda-pó e máscaras para o manuseio 
de documentos. Essa recomendação atende à saúde de usuários 
33
e técnicos, considerando-se que no passado foi frequente o uso 
de inseticidas que. em muitos casos. ainda preservam elevados 
níveis de toxidez. Esporos de microrganismos também podem 
ser fatores de contaminação e toxidez;
• utilizar também luvas e máscaras ao manusear fotografias, 
filmes, microfilmes, discos e suportes magnéticos e ópticos, 
considerando-se a fragilidade desses materiais e a necessidade 
de proteção dos usuários;
• manusear documentos de grandes formatos em mesas de 
grandes dimensões; 
• utilizar escadas seguras, especialmente desenhadas para a 
retirada de documentos das estantes, bem como carrinhos, para 
o seu transporte entre o depósito e a sala de consulta, visando à 
segurança no trabalho e à integridade dos documentos;
• transportar documentos entre seções, para exposições ou para 
empréstimos externos ou serviços de terceiros, como microfil-
magem e conservação, seguindo procedimentos padronizados 
de embalagem, transporte e manuseio, visando à preservação e 
segurança dos documentos (CONARQ, 2005, p. 16).
2.2 ÁREAS PARA O PÚBLICO
A área para atendimento ao público e consulta deve ser de 25% da área útil do 
edifico escolhido para a construção/implantação do arquivo. Aqui, devemos ter: 
• Hall de entrada, balcão de informação, protocolo, salas de consulta, instrumentos 
de pesquisa e biblioteca de apoio.
• Sala de serviços de reprografia para atendimento ao público.
• Auditório e atividades educativas.
• Salões de exposições.
• Lanchonete ou cafeteria.
• Lavatórios.
• Sala de consultas.
• Bibliotecas e hemerotecas.
Figura 9 – Sala de exposições do arquivo de São Paulo
Fonte: https://www.flickr.com/photos/arquivoestadosp/44372483640/. Acesso em: 25 set. 2023.
34
É válido ressaltar que será indispensável um acesso independente para o público, 
“impedindo a sua circulação pelas áreas de depósito e trabalho. Em todo o percurso de 
acesso e circulação, é fundamental que estejam incluídas as facilidades para pessoas 
com deficiência, tais como portas largas, rampas e corrimãos” (CONARQ, 2000, p. 9).
O Conselho Nacional de Arquivos (2005) ainda orienta que a área de consulta 
deve estar de acordo com a quantidade média de usuários, como base, sugere uma 
média de 5 m² por usuário.
O Conselho Internacional de Arquivos (CIA) e o Comitê de Boas Práticas e Normas publicou, 
em 2012, os Princípios de acesso aos arquivos, esse documento oferece aos arquivistas 
referências internacionais para avaliação das práticas e políticas de acesso existentes e um 
quadro para uso quando do desenvolvimento ou modificação de regras de acesso. 
Para saber mais, leia o documento na íntegra que está disponível no 
site do conselho: https://www.ica.org/sites/default/files/Principios%20
pub%20eletronica.pd.
DICA
Figura – Princípios de acesso aos arquivos
Fonte: https://www.ica.org/sites/default/files/Principios pub eletronica.pdf. 
Acesso em: 25 set. 2023.
2.3 ÁREAS DE TRABALHO
As áreas destinadas ao trabalho do arquivista no tratamento documental 
deverão corresponder a 15% do local do arquivo, elas devem incluir:
• Gabinetes do diretor e assistentes
• Administração e recursos humanos.
35
• Salas de reunião e auditórios.
• Recepção, seleção, triagem, higienização e desinfestação de documentos.
• Tratamento técnico.
• Conservação, encadernação, fotografia e microfilmagem.
• Almoxarifado.
• Serviços de manutenção, limpeza e segurança.
• Lavatórios.
2.3.1 Gabinetes do diretor e assistentes 
Essas áreas devem ser controladas ao acesso do público, sistema de 
condicionamento de ar do prédio, mesmo que centralizado, deve permitir o funcionamento 
independente dos equipamentos que atendam à climatização dos depósitos de acervo, 
por questões econômicas e técnicas.
2.3.2 Recepção, seleção, triagem, higienização e 
desinfestação de documentos
O Conarq (2000) recomenda que a área de recepção dos documentosrecolhidos, 
ou seja, aquele que estão sendo direcionado aos arquivos permanente, devem contar 
com entrada especial para caminhões de cargas. Essa entrada deve ser coberta e com 
proteção contra ventos forte e chuvas. “A área de carga e descarga deve estar a um 
metro acima do solo para facilitar a descarga dos caminhões, podendo, ainda, contar 
com um sistema de rampa para acesso de veículos pequenos” (CONARQ, 2000, p. 10).
Figura 10 – Limpeza de documentos
Fonte: https://images.app.goo.gl/QY8qc4ByzpXBZ2YH8. Acesso em: 25 set. 2023.
36
Já a sala de triagem é recomendada estar próxima à recepção e equipadas 
com mesas e estantes, da mesma forma que a sala de desinfestação e limpeza dos 
documentos devem estar anexas à recepção, mas com portas para isolar as salas.
2.3.4 Conservação, encadernação, fotografia e microfilmagem
As áreas de conservação preventiva, restauração e encadernação devem ser 
bem arejadas e iluminadas natural e artificialmente. O laboratório para conservação tem 
alguns equipamentos mínimos para funcionamento, sendo:
• Becker graduado.
• Bisturi.
• Borracha.
• Caneta de PH.
• Cola metil.
• Desmineralizador de água.
• Entretela sem goma.
• Escova juba.
• Espátula de osso.
• Espátula de teflon.
• Espátula térmica.
• Estilete.
• Lupa.
• Papel mata borrão.
• Papel artesanal.
• Papel japonês.
• Pensa martelo.
• Pincéis.
• Placa de corte.
• Ralador.
• Secadora.
• Teflon.
• Tela monil fina e grossa.
• Tesoura.
• Trincha macia.
37
Figura 11 – Limpeza mecânica
Figura 12 – Laboratório de microfilmagem/digitalização
Fonte: https://images.app.goo.gl/PhC5QHHpW7UkAAQw6. Acesso em: 25 set. 2023.
Fonte: https://inis.itajai.sc.gov.br/noticia/3735/acervo-do-arquivo-publico-e-digitalizado-e-microfilmado. 
Acesso em: 25 set. 2023.
O arquivo pode conter ainda:
• Laboratório fotográfico – sala próprias para filmagem, processamento de filmes, 
ampliações, acabamento, montagem, armazenamento de papéis, filmes e produtos 
químicos.
• Laboratório de microfilmagem/digitalização – filmagem, processamento, 
duplicação e controle de qualidade, cópias em papel e montagem. Câmaras 
planetárias e ampliadores podem ter até 3,20 metros de altura, o que torna 
necessária a elevação do pé direito no local das instalações.
38
Para saber mais sobre a preservação digital, leia o artigo Preservação 
digital de documentos arquivísticos e o Projeto de Lei nº 7.920/2017 sob a 
ótica da Ciência da Informação, de autoria de Daniela Francescutti Martins 
Hott e Sonia Aguiar Cruz-Riascos. Disponível em: https://brapci.inf.br/
index.php/res/v/76657.
DICA
3 SEGURANÇAS 
As medidas de segurança, segundo Navarro (2015), são baseadas nas condições 
de acesso, sistemas para evitar possíveis perdas devido a vários eventos ou acidentes, 
essas medidas também envolvem segurança no que diz respeito aos exteriores ao 
ambiente destinado dos arquivos.
A segurança do arquivo é item de supra importância, por isso, todo arquivo deve 
ter um plano de emergência escrito disponível e direcionado para a prevenção contra 
risco potenciais e para o salvamento do acervo.
No plano, devemos incluir um diagnóstico do edifício para identifi car os ricos 
geográfi cos e climáticos, questões de vulnerabilidade do edifi co e do acervo. Também 
devemos ter um plano de meta e cronogramas para verifi car e eliminar os riscos emi-
nentes ao acervo. O arquivo e o plano de salvamento e de segurança humanos, deve:
• Formar e treinar periodicamente a brigada de incêndio.
• Utilizar sinalização de segurança e de escape para casos de emergência.
• Efetuar treinamentos e simulações periódicas de emergência.
Para o acervo, devemos ter o plano de emergência ou salvamento de acervos, aqui: 
Um plano de emergência contém as providências necessárias para o 
salvamento dos documentos. Entre os preparativos estão os de mini-
mizar ao máximo os riscos de fogo, por meio de sistemas de alarmes 
e supressão automática, e todos os outros riscos potenciais, como 
vimos, por meio de vistorias e manutenção periódicas. Acervos de 
grande importância para a instituição deverão ser identifi cados com 
antecedência. O ideal é que este procedimento inclua uma planta 
baixa que indique claramente a localização (CONARQ, 2005, p. 18).
Esse plano precisa ter equipe técnica e uma administrativa com atribuições 
específi cas, além do próprio coordenador de emergência.
a) Coordenador – responsável por tomar as decisões e interagir com os demais 
membros, com as equipes de resgate técnica e administrativa e com as áreas 
técnicas e administrativas da instituição.
39
O Plano de preservação dos acervos arquivísticos – complexo arquivístico do TJDFT traz 
todos os elementos indicados pelo Conarq na elaboração do plano de preservação. 
DICA
b) Agentes de comunicação – farão contato com as autoridades policiais, Corpo de 
Bombeiros ou Defesa Civil, além da comunicação com as áreas técnicas da instituição, 
demais instituições, imprensa e empresas fornecedoras de materiais.
c) Especialistas de conservação – para os diferentes tipos de acervo que poderão 
ser da própria instituição ou externos, dentro de um programa de cooperação entre 
instituições.
d) Equipe técnica substituta – em caso da equipe titular não chegar ao local a tempo, 
esta equipe deverá participar de todos os treinamentos e simulações.
Como todo plano, diagnóstico e planejamento, os planos de emergência 
do arquivo devem ser testados e revistos periodicamente, bem como divulgar e 
capacitar o pessoal da instituição.
Fonte: https://www.tjdft.jus.br/publicacoes/publicacoes-oficiais/portarias-con-
juntas-gpr-e-cg/2021/plano_de_preservacao.pdf. Acesso em: 25 set. 2023.
Figura – Plano de preservação dos acervos arquivísticos – complexo arquivístico do TJDFT
Para acessar o documento na íntegra, acesse: https://www.tjdft.jus.br/
publicacoes/publicacoes-oficiais/portarias-conjuntas-gpr-e-cg/2021/
plano_de_preservacao.pdf.
40
3.1 PROTEÇÃO CONTA FOGO E ÁGUA 
As imagens a seguir, mostram os desastres mais comuns que podem acontecer 
com os documentos custodiados nos arquivos, inundações e incêndios. Esses danos 
podem ser minimizados ou, até mesmo, evitado quando há um planejamento adequado 
com programas de proteção contra incêndios e inundações. Esses desastres podem 
acontecer, segundo o Conarq (2000), devidos a problemas na instalação elétrica e 
hidráulica e à infiltração de água por paredes, telhados, calhas ou janelas
Figura 13 – Documentos queimados
Figura 14 – Inundação danifica acervo de biblioteca da Ufrgs
Fonte: https://images.app.goo.gl/EieXbqdqbRvKXGk86. Acesso em: 25 set. 2023.
Fonte: https://www.assufrgs.org.br/2014/01/10/inundacao-danifica-acervo-de-biblioteca-da-ufrgs/. 
Acesso em: 25 set. 2023.
A proteção contra o fogo começa na elaboração do projeto arquitetônico, aqui, é 
necessário evitar “espaços abertos e escadas ornamentais, que podem criar correntes de 
ar verticais e se transformar em verdadeiras chaminés para o desenvolvimento do fogo” 
(CONARQ, 2000, p. 18). Da mesma forma, os projetos completares: elétricos, hidráulicos 
41
e de ar-condicionado precisam ser planejados e desenvolvidos visando diminuir o risco 
da proliferação do fogo por meio dos dutos elétricos e de ar. 
Na área do depósito não pode ter tubulação de água, a não ser as que o 
bombeiro faz exigência para o combate de incêndio. Lembre-se de que as áreas do 
depósito devem ser independentes das outras áreas do arquivo.
Todos os materiais do prédio têm que ser preferencialmente 
incombustíveis e receber proteção especial retardadora de calor e 
de chamas. Paredes e pisos devem ter resistência mínima ao fogo de 
duas horas. É indispensável a proteção dos acessos aos depósitos 
e às áreas de circulação, inclusive escadas, com portas corta-fogo 
dotadas de resistência mínima de uma hora (CONARQ, 2000, p. 19).
O Conarq publicou, em 2012, Recomendações para o resgate de acervos arquivísticos 
danificados por água com o objetivo de apoiar no resgate dos documentos inundados.
DICA
Fonte: https://www.gov.br/conarq/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/Re-comendacoes__resgate_acervos_completa.pdf. Acesso em: 25 set. 2023.
Figura – Recomendações para o resgate de acervos arquivísticos danificados por água
Acesse o documento na integra: https://www.gov.br/conarq/pt-br/
centrais-de-conteudo/publicacoes/Recomendacoes__resgate_acervos_
completa.pdf 
42
A Administração Nacional de Arquivos e Registros fez um guia sobre como devemos fazer 
os primeiros “atendimento” aos documentos inundando, veja:
Salvamento de emergência de documentos de família danificados pela enchente
National Archives and Records Administration
Como repositório nacional dos registros do governo federal, a National Archives & Records 
Administration reconhece a importância dos registros familiares. Durante as enchentes do 
centro-oeste de 1993, a equipe do Arquivo Nacional desenvolveu algumas dicas técnicas 
para orientar os indivíduos na estabilização de emergência e recuperação de documentos 
danificados, fotografias, livros e outros papéis pessoais. É importante observar que os 
danos causados pelas enchentes a alguns itens podem ser irreversíveis. O tratamento de 
objetos de alto valor monetário, histórico ou sentimental só deve ser realizado em consulta 
com um conservador.
Mofo
Muitas pessoas são sensíveis ao mofo. Além disso, algumas espécies de fungos são tóxicas. 
Se algum efeito na saúde for observado ao tratar o mofo, consulte um médico ou micologista 
(o serviço de extensão local pode ajudar) antes de prosseguir.
A melhor maneira de prevenir ou interromper um surto de mofo é remover os itens 
das condições ambientais que estimulam o crescimento do mofo: alta temperatura, alta 
umidade relativa, ar estagnado e escuridão. A primeira prioridade é secar itens mofados 
(consulte as instruções de secagem abaixo). Se materiais úmidos e mofados não puderem 
ser secos imediatamente, eles podem ser estabilizados por congelamento. Colocar itens 
danificados em um freezer pessoal ou comercial não mata o mofo. No entanto, ele colocará 
o molde em um estado inativo até que o tempo e um ambiente de tratamento apropriado 
estejam disponíveis. Quantidades gerenciáveis de itens congelados podem então ser 
descongeladas e tratadas à vontade.
O mofo ativo parece difuso ou viscoso. O mofo dormente é seco e pulverulento. Não tente 
remover o mofo ativo; pode apenas se espalhar ou manchar. O mofo que permanece 
ativo após o congelamento ou após o material hospedeiro parecer seco pode ser tratado 
com uma breve exposição (1-2 horas) à radiação ultravioleta do sol. Deve-se ter extremo 
cuidado ao tratar materiais ao ar livre: muita radiação acelera a deterioração e pode causar 
desbotamento; o vento pode causar danos físicos se os itens forem soprados; e a alta 
umidade relativa ou condensação causada por mudanças rápidas de temperatura podem, 
na verdade, exacerbar o crescimento de fungos.
Os esporos de fungos adormecidos serão reativados assim que as condições forem 
favoráveis. Eles devem, portanto, ser removidos dos itens e podem ser escovados ou 
aspirados. Este tratamento deve ser realizado ao ar livre onde outros materiais e espaços 
não sejam "infectados". Ao escovar o molde, use um pincel macio, limpo e de cor clara e um 
movimento de empurrão suave. Troque os pincéis sujos com frequência para evitar que o 
mofo se espalhe de um objeto para outro. Ao aspirar, o material de triagem colocado sobre 
o bocal de um aspirador de baixa sucção irá capturar pedaços soltos do item que podem 
desalojar inadvertidamente.
Limpeza e secagem
O papel é muito frágil quando está molhado. Manuseie-o com cuidado. Em alguns casos, pode 
ser desejável remover o acúmulo de lama e sujeira. A sujeira deixada pelo recuo das águas 
da enchente pode estar contaminada. Precauções como o uso de luvas de borracha devem 
DICA
43
ser tomadas. Se os itens ainda estiverem molhados, agitá-los em um banho de água limpa 
removerá o excesso de sujeira. Este tratamento nunca deve ser tentado para imagens que 
estão borradas, enevoadas ou desbotadas como resultado de danos causados por inundações.
Ar seco
Livros molhados, documentos ou fotografias que não podem ser secos ao ar dentro de dois 
dias devem ser congelados para inibir o crescimento de fungos. A circulação de ar secará 
efetivamente a maioria dos itens. Podem ocorrer distorções físicas, mas as informações do 
documento serão salvas. Para proporcionar condições ideais de secagem ao ar, os ventila-
dores devem ser posicionados para máxima circulação de ar (não direcione o fluxo de ar 
diretamente para materiais de secagem). O material absorvente para secagem ao ar deve 
ser limpo e absorvente. As opções incluem: papel mata-borrão, papel jornal não impresso, 
toalhas de papel, trapos, protetores de colchão etc. Materiais de tela (como telas de janela) 
bem apoiados e empilhados com espaço entre eles fornecem uma excelente superfície de 
secagem compacta. A superfície porosa auxilia a circulação do ar e promove a secagem.
Sem intervenção, materiais brilhantes, como capas de livros de bolso, revistas, livros de 
arte etc., provavelmente ficarão grudados. Se forem altamente valorizados, esses itens de-
vem ser a primeira prioridade para o salvamento. Materiais brilhantes soltos devem ser es-
palhados em uma camada para secagem ao ar. Materiais brilhantes encadernados devem 
ser intercalados entre cada página para evitar que grudem. O papel de cera deve ser usado 
como material de intercalação. Volumes de papel brilhante secos dessa maneira podem 
sofrer distorção física considerável.
Livros
Coloque o material de intercalação entre o bloco de texto e as capas frontal e traseira. Se o 
tempo e os suprimentos permitirem, o material intercalado também deve ser colocado de for-
ma intermitente ao longo do texto. Os volumes do leque abrem e os posicionam na borda com 
o papel intercalado se estendendo além das bordas do livro. A evaporação da água à medida 
que penetra no papel intercalado aumentará a secagem. Substitua o papel intercalado à me-
dida que fica encharcado e inverta o volume a cada vez para garantir uma secagem uniforme.
Documentos
Seque ao ar livre em pequenas pilhas (1/2 polegada) ou individualmente, se possível. Mude 
o material de mata-borrão sob os materiais à medida que fica encharcado.
Fotografias, negativos, filme cinematográfico
Várias classes de fotografias são altamente suscetíveis a danos causados pela água e a taxa de 
recuperação será muito baixa. Evite tocar na superfície de impressões fotográficas e negativos. 
Se um processo fotográfico antigo não puder ser identificado, observe o item cuidadosamente e 
entre em contato com um conservador para obter orientação. Nunca congele fotografias antigas 
ou negativos.
A maioria das impressões, negativos e slides podem ser secos individualmente com a 
face voltada para cima. Mude o material de mata-borrão abaixo das fotografias conforme 
ele fica encharcado. Impressões fotográficas contemporâneas e negativos que ainda 
estiverem úmidos e grudados podem se separar após a imersão em água fria. No entanto, 
esse tipo de tratamento pode causar danos irreversíveis. Itens de alto valor, especialmente 
impressões para as quais não há mais um negativo, devem ser encaminhados a um 
conservador imediatamente.
44
Itens emoldurados
Remova o material de suporte do quadro. Se o item não estiver preso ao vidro, remova-o 
cuidadosamente da moldura e deixe secar ao ar. Se o objeto parecer estar preso ao vidro, 
não tente removê-lo da moldura. Seque intacto com o lado do vidro para baixo.
Ocasionalmente, o dano do objeto é irreversível. O tratamento de itens de 
alto valor monetário, histórico ou sentimental só deve ser realizado em 
consulta com um conservador. As decisões sobre o tratamento de materiais 
pertencentes a uma instituição devem ser tomadas apenas por pessoal 
apropriado. O American Institute for Conservation (202-452-9545) mantém 
uma lista de referências de conservadores que poderão fornecer orientação 
para o tratamento de coleções particulares.
Fonte: adaptado de https://www.archives.gov/preservation/conservation/fl ood-damage.html. Acesso em: 25 set. 2023.
4 RECURSOS HUMANOS 
Para que o arquivo possa cumprir seu objetivo e função, além da estrutura 
adequada, é fundamental ter um quadro de pessoal adequado e especializado. O 
arquivista é o profi ssional de nível superior, graduado em Arquivologia, que possui a 
formação adequada para exercer diversas funções em diferentes contextos do fl uxo 
informacional, ligadas à gestão, ao tratamento técnico dos documentos, qualquer que 
seja a natureza, o formato ou suporte material, em todas as fases de seu ciclo vital 
(BRASIL, 2014).
O arquivista tem uma série de competências que está instituído na Lei nº 6.546, 
de quatro de julho de 1978, regulamentada pelo Decreto nº 82.590, de 6 de novembro 
de 1978. O exercício da profi ssão é restrito aos diplomados no Brasil por curso superior 
de Arquivologia.
45
Figura 15 – Atribuições do arquivista, segundo a lei da profissão
Quadro 5 – Atividades
Fonte: https://l1nq.com/9ECfm. Acesso em: 25 set. 2023.
Fonte: adaptado de Freiberger (2008).
Freiberger (2008) elenca algumas atividades que serão desenvolvidas dentro 
do arquivo: 
Selecionar documentos
Registrar documentos
Estabelecer o método de classificação
Codificar documentos
Ordenar documentos
Arquivar documentos de acordo com o método adotado
Conservar os documentos mantendo o arquivo organizado e atualizado
Localizar documentos
Controlar a saída de documentos do arquivo
Transferir e descartar documentos
Orientar e treinar usuários
Machado e Camargo (2000) apresentam o quadro pessoal por categorias 
funcionais e estágio de arquivo, como pode ser observado a seguir:
46
Quadro 6 – Categorias funcionais e estágio de arquivo
Fonte: adaptado de Machado e Camargo (2000).
Recursos humanos
Protocolo 
e arquivo 
corrente
Arquivo intermediário Arquivo permanente Apoio cultural
Atividade de 
informática
Arquivista Arquivista Arquivista
Profissional 
especializado 
na promoção e 
organização de 
eventos
Analista de 
sistemas
Técnico de 
arquivo
Técnico de arquivo Técnico de arquivo Culturais
Programador
Auxiliar e/
ou agente de 
administração
Auxiliar e/ou agente 
de administração
Pesquisador (área de 
História)
Pesquisador
Auxiliar de 
portaria, 
no caso 
de grande 
incidência de 
consulta no
Protocolo
Agente de portaria Paleógrafo
Bibliotecário
Servente
Especialista em 
conservação de 
documentos
Vigilante
Restaurador
Encadernador
Técnico de 
microfilmagem
Fotógrafo
Técnico de 
laboratório 
fotográfico
Agente de galeria
Auxiliar de 
administração
Datilógrafo/digitador
Agente de portaria
Servente
Vigilante
47
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu:
• Na escolha do local de arquivo devemos levar em conta as condições físicas e as 
questões de extensão de áreas, ou seja, o local deve permitir futuras ampliações da 
instalação.
• A infraestrutura se refere às condições físicas que o arquivo deve atender para 
a preservação de documentos, como espaços suficientes para a localização de 
documentos arquivo e áreas de trabalho que permitem o seu funcionamento
• Para um arquivo que contém vários serviços, a recomendação é que o depósito 
tenha 60% da área da construída, 15% serão direcionadas ao trabalho técnico e 
administrativo e os 25% restantes serão direcionados ao público.
• Nos processos de produção, tramitação, organização e acesso aos documentos 
deverão ser observados procedimentos específicos, de acordo com os diferentes 
gêneros documentais, com vistas a assegurar sua preservação durante o prazo de 
guarda estabelecido na tabela de temporalidade e destinação.
• Cada depósito deverá ter uma área de até 200 m², sendo que uma área de 170 
m² pode conter cerca de uns 1000 metros lineares de prateleiras, caso seja usado 
estantes compactas, a capacidade de armazenamento aumentará em 90%.
48
AUTOATIVIDADE
1 Nos arquivos, devemos elaborar e implementar o plano de arquivo. Este plano traz 
uma série de requisitos necessário entre eles, o plano de emergência. Sobre o plano 
de emergência, associe os itens, utilizando o código a seguir:
I- Coordenador.
II- Agentes de comunicação. 
III- Especialista em conservação. 
( ) Responsável por analisar os diferentes tipos de acervo.
( ) O elo de comunicação entre as autoridades.
( ) Responsável por tomar as decisões e interagir com os demais membros.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) III – II – I.
b) ( ) II – I – III.
c) ( ) I – III - II.
d) ( ) III – I – II.
2 Para o laboratório de conservação, existem alguns equipamentos mínimos para o seu 
funcionamento. Sobre esses equipamentos, assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) Becker graduado; bisturi; lupa.
b) ( ) Escova de juba; espátula de ossos; espátula de teflon.
c) ( ) Tesoura, trincha macia; teflon.
d) ( ) Papel ácido; papel mata-borrão; papelão.
3 (Adaptado de COPESE-UFT, 2012) Ao planejar a implementação de um arquivo, 
é necessário verificar questões de instalação. Sobre as instalações, assinale a 
alternativa INCORRETA:
a) ( ) Classificação e dossiês.
b) ( ) Localização e iluminação.
c) ( ) Arejamento e higiene.
d) ( ) Disposição e segurança.
49
4 A iluminação é um fator deterioração dos documentos. Para evitar esse processo, o 
arquivista tem algumas recomendações para reduzir a incidência da luz. Diante disso, 
explique qual a limite de indecência para não danificar os documentos.
5 Para o bom desempenho das funções do arquivo, o primeiro passo é a escolha do 
local adequado para custodiar o acervo. Paes aponta alguns os aspectos a serem 
analisado para a instalação do arquivo. Cite três aspectos:
50
51
TÓPICO 3 - 
MOBILIÁRIOS E EQUIPAMENTOS
1 INTRODUÇÃO
Quando pensamos no planejamento e organização de um arquivo, é preciso 
analisar quais mobiliários e equipamentos serão necessários para a racionalização do 
seu espaço e acervo, na rápida e eficaz transmissão da informação ao usuário, bem 
como no oferecimento de móveis adequados e ergonômicos para a melhor qualidade da 
permanência desses nos diferentes espaços das unidades de informação.
Existem muitos equipamentos disponíveis, mas é importante ter cuidado 
antes de comprar, checando as referências dos materiais e empresas que podem ser 
encontrados em outros arquivos e unidade de informação e a qualidade dos produtos e 
experiências das empresas que vendem.
Assim, neste último tema de aprendizagem da Unidade 1, veremos o 
detalhamento das especificidades necessárias dos mobiliários e materiais de consumo 
disponíveis no mercado e quais melhor se adaptam às necessidades dos arquivos. 
UNIDADE 1
2 MATERIAIS DE CONSUMO
Paes (2004) divide os recursos materiais em dos tipos, os materiais permanentes 
e material de consumo. Os materiais de consumo são aqueles que sofrem desgastes 
com o tempo em curto e médio prazo, por exemplo, as fichas, as guias, pasta etc.
a) Ficha – retângulo de cartolina, que pode ser grande ou pequeno, liso ou pautado, onde 
registramos informação, suas dimensões variam de acordo com as necessidades, 
podendo coloridas ou não.
b) Guia divisória – retângulo de cartão resistente que serve para separar as partes 
ou seções dos arquivos ou fichários, reunindo em grupos as respectivas fichas ou 
pastas. Sua finalidade é facilitar a busca dos documentos e o seu arquivamento. As 
guias são compostas por diferentes elementos.
• Projeção – é a saliência na parte superior da guia. Pode ser recortada no próprio 
cartão, ou nele aplicada, sendo então de celuloide ou de metal.
• Pé – saliência na parte inferior da guia, onde há um orifício chamado ilhó. Por esse 
orifício passa uma vareta que prende as guias à gaveta.
52
Figura 16 – Guia
Figura 17 – Esquema de notação
Fonte: adaptada de Freiberger (2012).
Fonte: adaptada de Freiberger (2012).
Na guia, também temos o elemento notação, que pode ser numérica ou 
alfabética e colocada na aba da projeção.
Paes (2004) e Freiberger (2012) ressaltam que a notação pode ser aberta ou 
fechada. Abertamostra o início da seção, já a fechada mostra o começo e fim. Também 
podemos estudar as guias quanto a sua posição, aqui é onde fica a aba da projeção, que 
pode ser primeira, segunda, terceira posição. As guias quanto a sua função também 
podem ser do tipo:
• Primária – indica a primeira divisão de uma gaveta ou seção de um arquivo.
• Secundária – indica uma subdivisão da primária.
• Subsidiária – indica uma subdivisão da secundária.
• Especial – indica a localização de um nome ou assunto de grande frequência.
Também há o Guia-fora, isso indica que uma pasta está fora do arquivo. Há 
também as tiras e inserção, que são feitas de papel gomado ou cartolina, essas tiras 
são inseridas nas projeções das pastas ou guias. Também temos as pastas, fita de papel 
resistentes, dobrada ao meio e é utilizada para guarda e proteção dos documentos, 
podendo ser do tipo suspensa, de corte reto.
53
Figura 18 – Tipos de pastas
Figura 19 – Caixas
Fonte: adaptada de Paes (2004)
Fonte: https://images.app.goo.gl/kRuUnFEidZu859gn9. Acesso em: 25 set. 2023.
a) Caixas – deve evitar as caixas metálicas ou as de plástico porque não permitem a 
transpiração dos documentos. São usadas para proteger os documentos de pó, luz 
ou do manuseamento. Além disso, as caixas devem ser produzidas em material inerte 
ou alcalino. 
A maioria das caixas disponíveis atualmente são produzidas de materiais ácidos. 
A acidez passa pelo contato, ou seja, os documentos acondicionados nesse tipo de 
material serão afetados. Para podermos usar esses materiais, é necessário revesti-las 
com papel alcalino.
2.1 MATERIAIS PERMANENTES 
Os materiais permanentes são os mobiliários. Esses recursos têm grande 
duração, podendo ser reutilizado para a mesma finalidade. A sua escolha deve ser feita 
com base no suporte, bem como:
• Economia de espaço.
• Conveniência do sérvio.
• Capacidade de expansão.
54
• Invulnerabilidade.
• Distinção.
• Resistência.
Os mobiliários de arquivos devem ser de aço ou de madeira tratada contra 
insetos e fogo. Para o Conarq (2000, p. 13), todo o mobiliário metálico “deve ser fabricado 
com chapas de aço carbono fosfatizado, com pintura eletrostática, sem apresentar 
remendos grosseiros ou cantos pontiagudos que possam danificar os documentos ou 
ferir pessoas”.
2.1.1 Mapotecas
As mapotecas são usadas para o acondicionamento de documentos de 
grandes formatos, como mapas, plantas e cartazes. Esses formatos precisam de móveis 
especiais para o acondicionamento horizontal. 
Figura 20 – Mapoteca
Fonte: https://images.app.goo.gl/58SJF5SncxFQsWAz9. Acesso em: 25 set. 2023.
As gavetas das mapotecas não podem ser muito altas, assim evita o acúmulo de 
documentos para não acarretar problemas de conservação. O Conarq (2000) recomenda 
que, além de gavetas rasas, devem ser previstas mesas de dimensões compatíveis com 
o formato desses documentos e dispostas de forma a facilitar a retirada dos documentos 
das mapotecas, quando necessário.
2.1.2 Estanterias
As estantes também devem ser feitas de materiais resistentes como o aço 
para suportar o peso dos materiais. O Conselho Nacional de Arquivos traz uma série de 
recomendação para a aquisição desse mobiliário
55
Figura 21 – Estantes de aço
Figura 22 – Estantes
Fonte: https://images.app.goo.gl/q9zfoj8PLRTpMspS7. Acesso em: 25 set. 2023.
Fonte: https://images.app.goo.gl/gYSQryfZ3T7mPgsNA. Acesso em: 25 set. 2023.
• Devem ser instaladas em fileiras geminadas, cada uma com, pelo menos, 2,20 m de 
altura.
• As prateleiras não devem ultrapassar 1,00 m de comprimento e 0,40 m de 
profundidade.
• As colunas das estantes devem conter perfurações a cada 0,05 m para permitir a 
regulagem das prateleiras, que poderão receber documentos acondicionados em 
diversos tipos e dimensões de embalagens.
• As estantes têm em média de cinco a sete prateleiras. 
• As estantes e seus suportes devem resistir a um peso distribuído de 100 kg/m² de 
prateleiras.
• Corredores entre as estanterias devem ter, no mínimo, 0,70 m de largura e as 
passagens em ângulos, 1,00 m de largura. É preciso sempre uma passagem de 0,70 
m de largura entre o fim das fileiras e as paredes.
• O layout de distribuição da estanteria deve estar de acordo com o projeto de 
ventilação, iluminação e de extinção de incêndio.
56
Figura 23 – Disposição das estantes nos depósitos
Figura 24 – Disposição das caixas-arquivo
Fonte: https://folivm.files.wordpress.com/2011/04/manual-an-bn-cnj-2011-c3baltima-versc3a3o-2p-fo-
lha.pdf. Acesso em: 25 set. 2023.
Fonte: https://folivm.files.wordpress.com/2011/04/manual-an-bn-cnj-2011-c3baltima-versc3a3o-2p-fo-
lha.pdf. Acesso em: 25 set. 2023.
• As fileiras de estantes precisam ser dispostas no sentido da circulação do ar, de 
forma a nunca bloquear o seu movimento, evitando-se, assim, a formação de 
bolsões de ar estagnado.
57
Você sabia que o Conselho Nacional de Arquivos, o Conarq, tem uma diretriz 
para a construção de arquivos municipais. Esse documento apresenta como 
deve ser feita a elaboração da documentação e legislação necessária, bem 
como as indicações para construção, infraestrutura e localização dos arquivos 
municipais.
Fonte: BRASIL. Criação e desenvolvimento de arquivos públicos 
municipais. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2014.
DICA
58
Conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas: pré-diagnóstico dos 
arquivos dos conselhos federais
Meissane Andressa da Costa Leão
Cintia Aparecida Chagas
1 Introdução 
Os Conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas compõem um 
conjunto de mais de 580 autarquias da administração pública federal indireta, incluindo-
se os Conselhos Federais e os seus respectivos Conselhos Regionais. Nesse artigo, 
são apresentados os resultados de um pré-diagnóstico de arquivo, aplicado apenas 
nos 29 Conselhos Federais. A pesquisa se justifica pela ausência de estudos relativos 
às políticas e práticas arquivísticas nessas autarquias federais e, teve como objetivo, 
verificar as práticas arquivísticas adotadas. 
Preliminarmente, verificou-se a ausência de representantes desses conselhos 
na composição do Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ) e no Sistema de Gestão de 
Documentos de Arquivo da Administração Pública Federal (SIGA). Outra constatação foi 
a ausência de consultas a essas autarquias para a construção ou aperfeiçoamento do 
instrumento de classificação das atividades-meio da administração pública federal, conforme 
a introdução do documento atualizado em 2020. Destaca-se que, alguns Conselhos Federais 
existem há mais de 50 anos. Contudo, somente em 2019, criou-se um instrumento para 
classificação dos documentos das atividades-fim, que foi aprovado pelo Arquivo Nacional (AN). 
No Regimento Interno (RI) de 2011 do AN, aprovado pela Portaria nº 2.433, do 
Ministério da Justiça, consta no Art. 1º, como finalidade, a implementação da política 
nacional de arquivos definida pelo Conarq, que é o órgão central do Sistema Nacional 
de Arquivos (SINAR) (BRASIL, 2011). O RI, no Art. 6º, apresenta, dentre as competências 
da coordenação geral de Gestão de Documentos, as atividades de planejar, de forma 
integrada, supervisionar e realizar as atividades de gestão de documentos de arquivo; 
prestar orientação técnica a órgãos e entidades da Administração Pública Federal 
nos assuntos de implantação de programas de gestão de documentos, em qualquer 
suporte; elaborar e aplicar códigos de classificação. Cabe ainda à coordenação planejar, 
coordenar, supervisionar ações de capacitação de servidores da Administração Pública 
federal na gestão de documentos e propor adequações ao Código de Classificação 
de Documentos de Arquivo e à Tabela Básica de Temporalidade e Destinação de 
Documentos relativas à atividade-meio da Administração Pública (BRASIL, 2011).
LEITURA
COMPLEMENTAR
59
É da responsabilidade do AN orientar os Conselhos de Fiscalização de Profissões 
Regulamentadas, conforme resposta do Ministério da Justiça (MJ) ao AN, referente à 
análise solicitada pela instituição arquivística,sobre a quem competia normatizar a 
questão dos Conselhos. Nesta pesquisa, verificou-se, também, se o AN está realizando 
suas competências, no que se refere aos Conselhos de Fiscalização de Profissões 
Regulamentadas.
[...]
4 Diagnóstico de arquivos: metodologias e significados do termo
Na arquivologia, a elaboração de um diagnóstico significa fazer um estudo de 
uma situação anteriormente à proposição de solução. Para a gestão dos arquivos, o 
diagnóstico permite ao arquivista ter uma visão da instituição (SILVA, 2020). Entretanto, 
constatou-se que não há um consenso na definição do termo e esse tema deve ser 
objeto de pesquisas exclusivas. Apresenta-se alguns estudos a seguir.
Silva (2020) aponta que o diagnóstico favorece a decisão política equilibrada, 
em conjunto com a elaboração da política de arquivos, para a implantação da 
gestão sistêmica e proporciona uma conexão dos processos para recuperação de 
informações, atendendo demandas de cidadãos e colaborando com o planejamento 
público. Os autores Feitoza, Almeida e Lima (2017) demonstraram que o diagnóstico é 
um instrumento imprescindível para identificar a situação do arquivo, visando a uma 
eficiente política de gestão de documentos. Há a necessidade de aceitação e apoio de 
gestores, para continuidade dos projetos pós-diagnóstico.
Almeida, Valentim e Vitoriano (2020, p. 599-600) apontam que o termo e a 
prática do “diagnóstico de arquivos” são uma das carências terminológicas no campo da 
Arquivologia, visto que é uma atividade que antecede todas as demais, tendo em vista 
a implantação da gestão de documentos. Calderon et al. (2004) diz que esse conceito 
é visto como o ponto de partida para os projetos de organização de documentos, 
subsidiando a proposta de modelos de classificação, avaliação e descrição apropriados.
Lopes (1997) sugere que, ao buscar a metodologia apropriada para diagnosticar 
os arquivos, é preciso que se tenha critérios para adotar o melhor método para sua 
aplicação. Para ele, não há receitas, apenas indicações gerais que o profissional deverá 
estabelecer objetos, construir hipóteses e aplicar técnicas de coleta de dados. Os 
diagnósticos deveriam ser precedidos de prédiagnósticos (LOPES, 1997; 2009). 
O alargamento das reflexões conceituais e empíricas das características, fun-
damentações, operacionalidade e dos resultados obtidos da aplicação de diagnósticos, 
enquanto instrumento metodológico arquivístico, pode colaborar para o fortalecimento 
da arquivologia como campo científico. Avaliar resultados que tais instrumentos podem 
oferecer reforça também a gestão de documentos, configurando-se em uma prática 
estratégica, visto que seu principal objetivo é o alcance da eficiência (SANTOS, 2017).
60
Foram localizados diversos diagnósticos aplicados na administração pública, ela-
borados em programas de pós-graduação das universidades e, por isso, tais instrumentos 
são cientificamente exequíveis, visto que são elaborados à luz de pesquisas e metodo-
logias consistentes e são avaliados por pesquisadores e profissionais da área. Todavia, 
o debate merece ser ampliado, pois ainda é incerta a caracterização do diagnóstico da 
situação arquivística, que é considerado um produto técnico-científico, outrora um ins-
trumento metodológico e até mesmo um instrumento da gestão de documentos.
Em consulta pelo e-SIC aos 22 ministérios, Braga (2018) constatou que as 
respostas demonstraram que os termos para designar um diagnóstico de arquivo são 
diversos. Portanto, a terminologia utilizada para este instrumento é variada e distinta. 
“A falta de um padrão para utilização da nomenclatura que designa os documentos 
produzidos como ‘diagnósticos’ gera complexidade na interpretação desses registros” 
(BRAGA, 2018, p. 122). Santos (2017, p. [13- 14?]) identificou nomenclaturas, tais como 
“diagnóstico de arquivos”, “diagnósticos da situação arquivística”, “diagnóstico da gestão 
de documentos” etc. Considera-se que definições de nomenclatura devem ser debatidas 
juntamente às pesquisas e aos eventos estudante-científicos, de maneira mais ampla.
O inventário também foi associado ao diagnóstico, mas ele pode ser fonte de 
informações para a elaboração de um diagnóstico, mas a sua finalidade é distinta. Os 
diagnósticos não são elaborados para servirem a inventários (BRAGA, 2018). Outra questão 
é o uso da palavra em português “diagnóstico”. Pode-se observar o uso da expressão em 
inglês records survey ao invés de diagnosis. Couture et al. (2003) utilizaram a expressão 
em francês analyse des besoins e não diagnostic. As normalizações publicadas pela ISO 
não utilizaram o termo em questão para se referirem as suas etapas, que apresentam 
semelhança às dos diagnósticos. Mesmo que essas propostas não sejam equivalentes, 
elas estão relacionadas às práticas de diagnóstico e, ainda assim, são apresentadas 
com terminologias diferentes.
Numa visão geral sobre esses “diagnósticos”, é possível entender que se trata 
de investigações em arquivos e dos seus contextos. As finalidades dessas investigações 
são diversas e podem visar resultados gerais e específicos. Braga (2018) observou 
uma associação entre as discussões sobre identificação, no âmbito dos países ibero-
americanos, apresentando uma proposta metodológica para o trabalho de investigação 
do arquivista. 
Campos (2019) assinala que essa multiplicidade de termos dificulta a 
comunicação científica; a recuperação de trabalhos sobre o termo; não deixa claro se 
diagnóstico é um processo, um documento ou função arquivística e, por fim, que as 
discussões até o momento não são suficientes para dizer o que é diagnóstico de arquivo, 
qual é o seu objeto e objetivo e qual é a metodologia para sua elaboração. Isso deixa 
a critério do arquivista como fazê-lo e a adoção de uma estratégia para cada situação 
encontrada. Assim, a arquivologia precisaria padronizar os termos para a sua evolução 
(ALMEIDA; VALENTIM; VITORIANO; 2020).
61
Na revisão de literatura, foram identificados todos os termos citados a seguir 
relacionados a diagnóstico:
1. análise de dados;
2. censo de arquivo;
3. diagnóstico arquivístico;
4. diagnóstico da gestão de documentos;
5. diagnóstico de arquivo;
6. diagnóstico documental;
7. diagnóstico estratégico;
8. diagnóstico externo;
9. diagnóstico interno;
10. diagnóstico organizacional;
11. diagnóstico situacional;
12. diagnóstico-projeto;
13. diagnósticos da situação arquivística;
14. identificação arquivística;
15. identificação documental;
16. inventário;
17. investigação preliminar (DIRKS);
18. levantamento de dados;
19. levantamento situacional;
20. mapeamento arquivístico;
21. mapeamento da informação;
22. mapeamento documental;
23. pós-diagnóstico;
24. possível relação com a metodologia Infomapping;
25. pré-diagnóstico;
26. prognóstico
O diagnóstico de arquivo é uma das práticas usuais no Brasil, imbricada no 
contexto da gestão de documentos administrativos e no tratamento dos documentos 
permanentes (BRAGA, 2018). [...]
6 Conclusão
O tema política arquivística esteve periférico ou distante nas discussões do 
Conarq, conforme os estudos de Jardim (2008) e Adão (2017). No presente estudo, pôde-
se perceber certa passividade na atuação do AN em relação aos Conselhos Federais 
de Profissões Regulamentadas, assim como foi constatado em outras pesquisas 
em relação a outros órgãos da administração pública. As ações do AN aconteceram 
mediante provocação ou pela necessidade de desafogar áreas onde estavam as Massas 
Documentais Acumuladas (MDAs). 
62
Para romper com essa realidade, seria necessário conceber uma política pública 
arquivística nacional vinculada a um orçamento. A viabilidade dessas medidas corretivas 
dependeria também de decisões políticas e de uma discussão sobre quais políticas 
arquivísticas precisariam ser formuladas e efetivadas, com envolvimento dos atores 
políticos, incluindo-se a sociedade civil e com reflexo em outras políticas públicas de 
informação. É preciso que haja a engajamento do Estado na gestão dedocumentos. 
Os normativos citados sobre a finalidade dos órgãos que compõem a instituição 
arquivística nacional apresentam como competência, dentre outras, a definição de uma 
política arquivística nacional, a coordenação das atividades de gestão e seu respectivo 
acompanhamento e fortalecimento. Nos Conselhos de Fiscalização, não se vislumbra 
que essas normas estejam sendo aplicadas. Notou-se a ausência de gestores de alto 
escalão nos órgãos como partícipes desses projetos e da atuação proativa do AN. 
Diversos cenários de problemas arquivísticos estão apontados na literatura 
científica e isso é relevante, posto que, no ciclo de políticas públicas, o levantamento dos 
problemas se constitui como a primeira fase. Posterior a esse levantamento, é feita uma 
agenda em que são selecionados os problemas que se espera resolver para formulação 
da política pública. Se a política pública é o poder do Estado em ação, podemos observar 
que essa ausência significa que o Estado não está fazendo aquilo que deveria ou que 
legalmente se previu. A política pública transcenderia os problemas sociais e sua essência 
conceitual é o problema público, seja ele entendido como coletivamente relevante ou 
não. No Brasil, é produzido um corpo importante de pesquisas científicas que podem 
contribuir para a construção de um programa que venha resolver esses problemas, com 
estes recortes de tema: políticas públicas, políticas públicas arquivísticas institucionais 
e nacionais, políticas de informação, diagnóstico e demais termos relacionados.
Localizou-se diversos diagnósticos aplicados na administração pública, 
elaborados em programas de pós-graduação das universidades. Todavia, o debate 
merece ser ampliado, pois ainda é incerta a caracterização do “diagnóstico da situação 
arquivística”, que é considerado um produto técnico científico, outrora um instrumento 
metodológico e até mesmo um instrumento da gestão de documentos. 
A ausência de políticas públicas de arquivo impacta no direito do cidadão à 
informação, além de desestabilizar o apoio à administração, à proteção da memória e 
ao desenvolvimento científico. Constatou-se também a ausência de gestores da alta 
administração ou conselheiros na CPAD. A existência de arquivistas nos Conselhos 
de Fiscalização, por si só, não é suficiente para resolver os problemas de gestão de 
documentos. 
A partir dos resultados dos pré-diagnósticos, fica clara a ausência de práticas 
arquivísticas, desconhecimento da importância destas, inclusive para o gerenciamento 
de sistemas informatizados. Na arquivologia, diagnóstico significa fazer um estudo 
de uma situação anteriormente à proposição de solução. Para a gestão dos arquivos, 
63
o diagnóstico permite ao arquivista ter uma visão da instituição ou do problema. 
Encontrou-se 26 termos para diagnóstico de arquivo, que foram apresentados nesse 
artigo. O termo e a prática da elaboração de “diagnóstico” de arquivos são uma das 
carências no campo da Arquivologia, visto que é uma atividade que antecede todas as 
demais, tendo em vista a implantação da gestão de documentos. Além disso, ele é visto 
como o ponto de partida para os projetos de organização de documentos, subsidiando a 
proposta de modelos de classificação, avaliação e descrição apropriados. Foi percebida 
a falta de uniformidade dos métodos para realização do diagnóstico. Uma visão geral da 
instituição foi nominada como pré-diagnóstico.
Não se encontrou uma “receita” para elaboração dos diagnósticos. Braga (2018) 
propôs uma metodologia para realização do diagnóstico ressaltando que ela deve ainda 
ser testada. É preciso analisar os objetivos, objetos e aplicar técnicas de coleta de 
dados de acordo com a realidade. O alargamento das reflexões conceituais e empíricas 
das características, fundamentações, operacionalidade e dos resultados obtidos da 
aplicação de diagnósticos, enquanto instrumento metodológico arquivístico, pode 
colaborar para o fortalecimento da Arquivologia como campo científico. Um diagnóstico 
bem fundamentado, com dados consistentes, pode colaborar para a sensibilização de 
todos os envolvidos e responsáveis pela gestão de documentos em uma instituição. 
A adesão à gestão de documentos no âmbito das instituições depende, também, do 
interesse dos gestores que compõem o cargo de direção e planejamento e de amplas 
questões políticas e estruturais. 
As causas da inexistência das políticas públicas arquivísticas geram problemas 
que foram detectados nos diagnósticos de 1950 a 2017. Elas, inclusive, impactam 
nos Conselhos de Fiscalização de Profissões Regulamentadas. Sejam quais forem as 
tentativas de solução dos problemas pelo AN, elas não foram capazes de resolvê-los.
Fonte: adaptado de LEÃO, M. A. da C.; CHAGAS, C. A. Conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas: 
pré-diagnóstico dos arquivos dos conselhos federais. Em Questão, Porto Alegre, v. 28, n. 2, p. 358-391, 2022. 
Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/4656/465669993015/html/. Acesso em: 26 set. 2023.
64
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu:
• Os materiais de consumo são aqueles que sofrem desgastes com o tempo em curto 
e médio prazo, por exemplo, as fichas, as guias, pasta etc.
• Os materiais permanentes são os mobiliários. Esses recursos têm grande duração, 
podendo ser reutilizado para a mesma finalidade
• Todo o mobiliário metálico deve ser fabricado com chapas de aço carbono 
fosfatizado, com pintura eletrostática, sem apresentar remendos grosseiros ou 
cantos pontiagudos que possam danificar os documentos ou ferir pessoas.
• As gavetas das mapotecas não podem ser muito altas, assim evita o acúmulo de 
documentos para não acarretar problemas de conservação.
• As estantes também devem ser feitas de materiais resistentes como o aço para 
suportar o peso dos materiais.
• As fileiras de estantes precisam ser dispostas no sentido da circulação do ar, de 
forma a nunca bloquear o seu movimento, evitando-se, assim, a formação de 
bolsões de ar estagnado.
65
AUTOATIVIDADE
1 No mercado, existem diversos tipos de mobiliário produzido com materiais distintos. 
Sobre os mobiliários, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
a) ( ) Os mobiliários devem ser feitos de madeira sem tratamento.
b) ( ) Os mobiliários pode ser de aço desde que não seja fosfatizado.
d) ( ) Os mobiliários devem ser fabricado com chapas de aço carbono fosfatizado, com 
pintura eletrostática
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F – F – V.
b) ( ) F – V – F.
c) ( ) V – V – F.
d) ( ) V – F – V.
2 Dentro dos materiais de consumo, existe os guias que é uma divisória de cartão 
resistente e serve para separar as partes ou seções dos arquivos ou fichários. Sobre 
os guias, associe os itens, utilizando o código a seguir:
I- Pé.
II- Projeção.
III- Notação.
( ) Poder numérica ou alfabética e colocada na abada projeção.
( ) Saliência na parte inferior da guia, onde há um orifício chamado ilhó.
( ) Saliência na parte superior da guia. Pode ser recortada no próprio cartão
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) III – I – II.
b) ( ) I – II – III.
c) ( ) II – I – III.
d) ( ) III – II – I.
3 Os materiais de consumo para os arquivos são os que sofrem desgaste a curto ou 
médio prazos. As guias divisórias possuem diversos elementos relacionados a sua 
finalidade. Um desses elementos é a projeção, em que são feitas inscrições que 
podem ser alfabéticas, numéricas ou alfanumérica. Diante do exposto, assinale a 
alternativa ao qual o enunciando se refere.
66
a) ( ) Notação.
b) ( ) Pé.
c) ( ) Guia-fora.
d) ( ) Projeção. 
4 Paes (2004) ressalta que os equipamentos dos arquivos podem ser divido em 
materiais de consumo e materiais permanente. Nesse sentido explique o que é a 
ficha.
5 Outro material de consumo muito utilizado nos arquivos são as caixas usadas para 
armazenamentos dos documentos. Nesse contexto, explique o motivo de não poder 
usar caixas metálicas.67
REFERÊNCIAS
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da informação: interlocução da gestão documental com a gestão da informação. Em 
Questão, Porto Alegre, v. 24, n. 3, p. 68-95, 2017. Disponível em: https://www.redalyc.
org/journal/4656/465656255004/html/. Acesso em: 25 set. 2023.
BARBOZA, V. dos S.; SILVA, M do M.; SILVA, D. E. L. de S e. Diagnóstico arquivístico: 
um relato de experiência na pró-reitoria de pesquisa e extensão (Propex) do Instituto 
Federal de Sergipe (IFS). Ágora: Arquivologia em Debate, Florianópolis, v. 30, n. 60, 
p. 255-274, jan./jun. 2020. Disponível em: https://agora.emnuvens.com.br/ra/article/
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BARROS, T. H. B. Arquivos permanentes: aspectos iniciais de sua organização. In.: 
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introdutória. Rio de janeiro: FGV, 2020.
BRASIL. Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991. Dispõe sobre a Política Nacional de Arquivos 
Públicos e Privados e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, v. 139, n. 
6, p. 455. 9 jan. 1991.
BRASIL. Decreto nº 4.073, de 3 de janeiro de 2002. Regulamenta a Lei no 8.159, de 8 
de janeiro de 1991, que dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados. 
Brasília, DF: Presidência da República, 2002. Disponível em: https://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/decreto/2002/d4073.htm. Acesso em: 25 set. 2023.
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Nacional, 2005.
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CONARQ. Recomendações para a construção de arquivos. Rio de Janeiro: 
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Constru%C3%A7%C3%A3o-de-Arquivos.pdf. Acesso em: 26 set. 2023.
68
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FERREIRA, L. da C.; MELO, D. G. P. Diagnóstico de arquivos: instrumento de ação efetiva 
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V – João Pessoa, 25 a 27 de novembro de 2008.
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FREIBERGER, Z. Gestão de documentos e arquivística. Curitiba: Instituto Federal do 
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GADELHA, A. da S. O diagnóstico em arquivos e sua relação com a gestão de documentos 
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JARDIM, J. M. Sistemas e políticas públicas de arquivos no Brasil. Niterói: EDUFF, 
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LOPES, L. C. A nova arquivística na modernização administrativa. 2. ed. Brasília: Projecto, 
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69
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Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 8/9, p. 113, 2004.
MACHADO, H. C.; CAMARGO, A. M. de A. Como implantar arquivos públicos 
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NAVARRO, A. L. M. El sistema de institucional de archivos ¿Por qué? ¿Para qué? 
Lima: Secretaría General Iberoamericana: Red de Archivos Diplomáticos Iberoamericanos, 
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OLIVEIRA, L. M. V. de; MACÊDO, P. L. P.; SOBRAL, C. C. de. Arquivos pessoais e intimidade: 
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OLIVIERA, T. M. M.; BEDIN, S. P. M. Diagnóstico de arquivo como instrumento de avaliação 
na gestão documental. Ágora: Arquivologia em Debate, Florianópolis, v. 28, n. 56, p. 
115-135, jan./jun. 2018.
PAES, M. L. Arquivo: teoria e prática. 3. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro, RJ: FGV, 2004.
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EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 17., 2016, Salvador. Anais [...]. Salvador: UFBA, 2016. 
Disponível em: http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/188838. Acesso em: 25 set. 
2023.
SILVA, S. F. da. Diagnóstico arquivístico: incursões teórico-metodológica. 2015. 25f. 
Artigo de Conclusão de Curso (Graduação em Arquivologia) – Universidade Federal da 
Paraíba, João Pessoa, 2014.
TOGNOLI, N. B.; FERREIRA, E. R. da. S. Os arquivos eclesiásticos e a arquivística brasileira: 
uma análise dos artigos publicados nos periódicos arquivísticos brasileiros.  Ágora: 
Arquivologia em Debate, Florianópolis, v. 27, n. 54, p. 7-28, jan./jun. 2017. Disponível 
em: https://agora.emnuvens.com.br/ra/article/view/614. Acesso em: 25 set. 2023.
70
71
PLANEJAMENTO 
E ESTRUTURA 
ORGANIZACIONAL EM 
BIBLIOTECAS
UNIDADE 2 —
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• planejar a implantação de bibliotecas;
• organizar bibliotecas e seus setores; 
• diferenciar as estruturas organizacionais das unidades de informação;
• compreender o contexto gerencial de diferentes unidades de informação;
• selecionar e gerenciar equipes para unidades de informação;
• desenvolver competências de gestão de pessoas; 
• compreender aspectos diferenciais de liderança e gestão;
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – ESTRUTURA FÍSICA, FUNCIONAL E LAYOUT DE 
BIBLIOTECAS 
TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – ASPECTOS GERAIS SOBRE GESTÃO E A EQUIPE DA 
BIBLIOTECA
TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – GESTÃO DE PRODUTOS, SERVIÇOS E NOVAS TENDÊNCIA 
PARA AS BIBLIOTECAS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
72
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 2!
Acesse o 
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73
TÓPICO 1 — 
ESTRUTURA FÍSICA E FUNCIONAL DE 
BIBLIOTECAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Quando chegamos a uma biblioteca, principalmente, em uma grande biblioteca, 
dificilmente temos a noção dos diversos espaços que compõem o seu todo, bem como as 
especificidades dos seus setores. Não conhecemos também os bastidores de sua criação, 
ou seja, a lista de cuidados que antecederam sua instalação para que sua estrutura 
funcione com eficiência, atendendo às demandas de seus usuários.
Veremos, neste tema de aprendizagem, que existem diversos aspectos que 
permeiam o planejamento e organização dos seus espaços físicos, que vão desde a 
escolha dos locais de instalação e suas condições mínimas de espaço até a adequação 
de sua estrutura quando já existente. Tambémveremos os principais cuidados na escolha 
dos materiais estruturais e com segurança. 
Importante ressaltar que, quando se inicia o processo de implantação de uma 
biblioteca, deve-se atentar a detalhes que são indispensáveis para que seus serviços 
sejam adequados à futura clientela real e potencial. Isso varia de acordo com o tipo de 
biblioteca, mas uma coisa é fundamental em todas, deve-se conhecer a comunidade e 
usuário que quer se atingir. Isso pode ser feito por meio de técnicas de pesquisa como 
entrevistas e observações. 
Com o levantamento das características básicas da comunidade como um todo, 
devem ser consideradas as diferenças dos indivíduos que constituem a clientela alvo 
dos serviços bibliotecários, assim, passamos a definir a futura biblioteca, a biblioteca que 
queremos, seus objetivos e os trabalhos que vamos implantar e oferecer aos usuários. 
Para que os objetivos sejam alcançados, devemos levantar as alternativas e as melhores 
possibilidades para a realização dos trabalhos. Diante dessas possibilidades, define-se o 
que é mais viável para aplicação diante dos recursos disponíveis. Os recursos institucionais, 
materiais, humanos e financeiros são igualmente importantes.
2 O ESPAÇO FÍSICO DA BIBLIOTECA
O planejamento do espaço físico de uma biblioteca pode ser pensado 
considerando a criação de uma nova unidade, este aspecto inclui a previsão dos 
espaços necessários para seu crescimento progressivo e seu melhor aproveitamento 
74
ou, ainda, na adequação de um espaço já existente, pensando sua ampliação e ou sua 
modernização. Nesses casos, Almeida (2005) aponta cinco fatores preponderantes para 
a sua realização: 
• Quando percebida a necessidade de espaços para circulação e atuação de 
funcionários e usuários.
• Readequação e distribuição do acervo nas estantes, considerando o crescimento 
natural da coleção.
• Previsão de ampliação da abrangência da comunidade atendida.
• Alteração da missão, objetivo ou finalidade da biblioteca, por exemplo, criação de 
cursos superiores em uma escola de ensino técnico.
• A oferta de novos serviços ou produtos, no qual o exemplo anterior se encaixa.
Em ambos os casos, como aponta Almeida (2005, p. 112), tem-se por objetivo 
“chegar a um edifício de biblioteca inteligente, entendendo-se como tal aquele que 
maximiza a eficiência dos ocupantes – a equipe de trabalho e os usuários – e permite 
gerenciamento eficaz dos recursos com menor tempo e esforço, atingindo, assim, 
referenciais de qualidade”.
Lembramos que o planejamento e organização do espaço físico da 
biblioteca vai depender dos objetivos da unidade, bem como da 
quantidade de usuários e funcionários, dos serviços prestados, das 
perspectivas futuras e dos recursos financeiros de que a biblioteca/
unidade informacional venha a dispor. 
IMPORTANTE
Figura 1 – Exemplo de espaço físico de biblioteca
Fonte: http://www.cazadoresdebibliotecas.com/2015/08/biblioteca-provincial-de-huelva-espanha.html. 
Acesso em: 26 set. 2023.
75
Quando o debate é espaço físico, é comum ter-se a necessidade de 
uma sensibilização dos gestores e de outros agentes definidores. Não 
são raros os momentos em que são indicados locais inapropriados para 
a instalação de bibliotecas. Uma biblioteca exige um espaço adequado 
às necessidades e aos serviços que presta. O debate sobre a área 
mínima necessária sempre tende a surgir, bem como o barateamento 
dos equipamentos, e isso nem sempre possibilita um bom atendimento. 
Assim, você precisa estar preparado para dar respostas técnicas sobre 
essas necessidades reais. Para isso, prepare um relatório técnico antes 
de dialogar com os gestores. 
DICA
Figura 2 – Áreas do físico
Fonte: a autora.
O espaço de uma biblioteca deve ser planejado levando-se em conta três áreas 
básicas:
Nesses três espaços, estão incluídos outros, como: 
• recepção;
• espaços de leitura;
• áreas de estudo;
• banheiros;
• áreas de processamento técnico;
• acervo de livros;
76
• outros tipos de acervo;
• espaços multimídia.
De acordo com Linhares (1984), a biblioteca deve contar com, pelo menos, uns 
60 m². Ele calcula que, ao final de cinco anos, esta área aumente em 30%. Outra forma 
sugerida por ele para se calcular a área necessária é considerar 2 m² por usuário e 15 m² 
por empregado. Esses valores incluem o equipamento e o acervo bibliográfico.
Já Costa (2007) afirma que um usuário adulto, sentado em uma mesa de 
aproximadamente 76 cm de largura, deve ocupar um espaço total de 2 a 3 m², enquanto 
um empregado deve ocupar de 10 a 12 m². Essas medidas variam em função do tamanho 
da mesa e do maior ou menor conforto que o espaço pode proporcionar. Para as estantes 
de livros e de periódicos, o espaço poderá ser de 10 m² para cada 1.000 volumes e se 
for uma estante expositora, o cálculo é de 3 m². Com relação ao espaço para leitura, 
calcula-se 1,5 lugares para cada 1.000 hab. 
Almeida (2005, p. 17-19) apresenta uma série de características essenciais no 
planejamento do espaço físico de uma biblioteca que resumimos a seguir: 
• Espaço flexível: capacidade de adaptação do espaço a novos usos com no mí-
nimo de inconveniência e custo, bem como quanto a mudanças e ao crescimento 
da biblioteca e de seu acervo conforme necessidades que a instituição apresente. 
A ausência de paredes internas pode colaborar para a flexibilidade do edifício, bem 
como a redução de colunas, a ausência de desníveis, a climatização uniforme, a au-
sência de mobiliário fixo, a ausência de diversidade de acabamentos, dentre outros. 
• Espaço compacto: refere-se ao desperdício de espaços ou espaços mal utilizados 
nas bibliotecas, não no sentido de que os usuários, os funcionários e o acervo 
devam ficar ‘espremidos’. Um espaço compacto que facilite a circulação de usuários 
e de funcionários, bem como dos materiais do acervo. 
• Espaço diversificado: que respeite as diversas necessidades decorrentes de seus 
usos e funções. Assim, por exemplo, devem ser oferecidas diferentes soluções de 
armazenamento de acervos adequados a cada tipo de material. Da mesma forma, 
devem ser oferecidas diferentes opções de acomodação para consulta ao acervo, 
de acordo com as necessidades e preferências dos usuários. Deve-se levar em 
consideração também os serviços a serem ofertados, como estudo em grupo, 
atividades culturais entre outros. 
• Espaço acessível: refere-se tanto ao acesso ao edifício quanto ao acesso aos 
serviços desejados. Item fundamental quando se busca incluir a todos os usuários 
reais e em potencial. 
• Espaço organizado: o espaço deve permitir e estimular o contato adequado do 
usuário com o acervo e os serviços. Em uma biblioteca, por exemplo, a organização 
ou disposição física das coleções deve favorecer seu acesso pelos usuários e esti-
mular o seu uso. Refere-se, aqui, ao layout, ou seja, à disposição dos setores e mo-
biliários presentes na unidade de informação, que seja organizado e que vise facili-
tar o cotidiano de trabalho dos funcionários e o acesso da comunidade de usuários. 
77
• Espaço agradável: o espaço de uma biblioteca deve, antes de tudo, ser agradável. 
Uma série de elementos do projeto concorre para este requisito, dentre os quais 
podemos destacar a iluminação, a acústica, o nível de umidade e temperatura e 
o mobiliário. A biblioteca deve ser um lugar em que os funcionários e usuários se 
sintam à vontade de frequentar e permanecer ali. 
• Espaço econômico: refere-se não apenas ao custo da construção, mas também da 
manutenção. Não são raras as soluções arquitetônicas ou de mobiliário e instalações 
que implicam altos custos de manutenção onde não há recursos sistemáticos 
para isso, como em órgãos da administração pública. A consequente falta de 
manutenção acarreta deterioração do edifício, prejudica o acervo e afasta o público. 
Medidas simples, como melhorar a ventilação natural, maximizar o uso da luz do dia, 
empregar materiais que facilitem a limpeza, dentre outras, colaboram para a redução 
do custo de manutenção. Também se refereao desenvolvimento sustentável no 
qual o prédio da biblioteca pode contribuir, como buscando a luz natural sempre 
que possível, trazendo economia fi nanceira e de recursos energéticos. 
• Espaço de preservação: consiste em prover o edifício de condições ambientais 
que, além de oferecer conforto ao usuário, garantam a preservação do acervo. 
Para isso, deve-se, sempre que possível, buscar luz natural que, além de economia 
fi nanceira e de recursos, pode proporcionar conforto térmico no inverno e claridade 
para a leitura. Contudo, deve-se planejar a biblioteca de uma forma de evitar-se que 
a luz solar incida diretamente no acervo danifi cando-o. 
A localização da biblioteca nem sempre está sob nossa defi nição, a maioria 
das vezes já está instalada. Se você estiver no processo de defi nição de 
um novo endereço para uma biblioteca ou ainda se participar do projeto 
de construção de uma, o item localização é fundamental ser estudado, 
pois a escolha ou projeto correto vai ajudar no processo de captação 
de usuários, na visibilidade, na diminuição dos riscos de desastres, na 
iluminação entre outros. 
DICA
3 TEMPERATURA, UMIDADE E VENTILAÇÃO 
 O acervo de uma biblioteca/unidade informacional é sensível a mudanças 
excessivas de temperatura e de umidade acentuada. As mudanças podem ocasionar o 
surgimento de fungos e bactérias nos diversos tipos de suportes. 
O local deve possuir também boas condições de temperatura, iluminação etc., 
que o tornem agradável e saudável. Devemos identifi car as áreas de maior e menor 
incidência do sol, o nível de luminosidade natural, a ventilação natural e o grau de 
umidade. Outro aspecto a ser observado é a concentração de ruído (baixa ou alta 
ocorrência). Devemos, ainda, considerar as possibilidades de instalações elétricas, a 
78
questão da prevenção de incêndios e enchentes, as facilidades de acesso à área e, 
é claro, a capacidade de resistência estrutural do local. O desejável é que o ambiente 
tenha possibilidades de ampliação e seu projeto permita acomodar adequadamente 
usuários com necessidades especiais, tais como pessoas com deficiências visuais, 
cadeirantes, entre outros. 
A temperatura da biblioteca deve ser mantida entre 19 ºC e 23 ºC. Na 
impossibilidade de manter o ar-condicionado permanentemente ligado e controlado, a 
recomendação é manter o ambiente arejado naturalmente. As variações constantes de 
temperatura podem levar à perda de flexibilidade da fibra do papel causando um grande 
dano ao documento.
Figura 3 – Biblioteca Mário de Andrade
Figura 4 – Saquinhos de sílica-gel
Fonte: https://www.vivadecora.com.br/pro/arquitetura/projeto-para-biblioteca/. Acesso em: 26 set. 2023.
Fonte: https://www.almanaquesos.com/7-usos-para-o-saquinho-de-silica-gel-que-voce-ia-jogar-fora/. 
Acesso em: 26 set. 2023.
Temperaturas altas e umidade do ar superior a 55% são condições que favorecem 
o desenvolvimento do mofo. Além dessas condições, má ventilação, iluminação 
inadequada e acúmulo de pó também auxiliam no desenvolvimento de mofo. Para 
documentos guardados em arquivos, é recomendado o uso de sílica-gel. 
79
Quadro 1 – Temperaturas para cada material
Fonte: https://portalidea.com.br/cursos/6735065ce0593e418d0c319bf5dfb30b.pdf. 
Acesso em: 26 set. 2023.
Os saquinhos de sílica-gel são dessecantes, absorvem a umidade e prolongam 
a vida útil dos documentos e objetos. Por isso, são colocados em caixas ou outros 
recipientes de produtos sensíveis à umidade. Eles conseguem absorver até 40% do seu 
próprio peso em vapor de água
Com relação às condições de temperatura e umidade dos materiais, Costa 
(2007) lembra que cada material responde de forma diferente a condições de umidade 
e temperatura. O quadro a seguir apresenta as umidades e temperaturas aceitáveis 
para alguns materiais encontrados na biblioteca.
Umidade Relativa Temperatura
Papel 40% a 50% 18,30C a 21,10C
Filme 30% a 40%
12,80C a 18,30C.
Temperaturas abaixo 
de 15ºC podem causar 
danos respiratórios, 
portanto deve-se ter 
uma sala especial para a 
conservação.
Couro 50% a 55%
Há pouca pesquisa sobre 
este material.
Pergaminho 40% a 45%
Há pouca pesquisa sobre 
este material.
O controle das questões referentes à temperatura e umidade pode ser feito por 
meio dos seguintes equipamentos: 
 
• Ar-condicionado – para manter a temperatura sob domínio. 
• Higrômetro – para medir a umidade relativa do ar. 
• Termo-higrômetro – para medir a temperatura e a umidade.
• Desumidificador – para retirar a umidade do ambiente. 
 
O ar do ambiente deve ser sempre renovado, por isso a ventilação é importante. 
As janelas devem ocupar por volta de 20% das paredes e devem ficar de frente para o 
interior do ambiente. Evite colocar materiais sensíveis perto das janelas. 
 
A iluminação é outro aspecto fundamental numa biblioteca/unidade 
informacional, de um lado, pelo conforto que deve proporcionar aos servidores e aos 
usuários e, de outro, pela interferência no acervo. Em geral, as fontes utilizadas na 
iluminação interna são a luz natural e as lâmpadas fluorescentes. A luz natural quando 
80
incide sobre o acervo é prejudicial porque apresenta um nível elevado de radiação 
ultravioleta (UV). As lâmpadas fluorescentes, embora mais frias que outros tipos de 
lâmpadas e de fácil manutenção, também prejudicam o papel, tornando-o amarelado. 
Observa-se o cuidado para que as lâmpadas não causem danos ao acervo. Para 
evitar, devem ser usadas protetores (tipo de membrana de plástico fino e flexível) e 
devem ser colocadas na mesma direção das estantes, evitando que o calor dos reatores 
fique próximo dos livros/materiais/acervo. Costa (2007, p. 6) ainda observa: 
 
• O uso de persianas, cortinas leves, vidros especiais ou filmes 
aderentes ao vidro também são importantes para controlar a 
incidência do sol. 
• Pisos claros refletem mais a luz e oferecem melhores condições 
de iluminação, principalmente para prateleiras mais baixas. 
• O uso do maior número possível de pontos elétricos no ambiente 
facilita a distribuição da iluminação e de ligações para redes de 
computadores. 
• A área de leitura deve ser a mais iluminada, enquanto a área 
correspondente ao acervo pode ser mantida na sombra e por 
ocasião do acesso, a iluminação ser acionada automaticamente 
ou mecanicamente. 
4 PISOS, PAREDES TETO E OUTROS CUIDADOS 
ESTRUTURAIS
Almeida (2005) apresenta uma série de orientações quanto às estruturas de 
bibliotecas e outras unidades de informação. 
Os pisos ideais precisam ser resistentes, de fácil conservação e silenciosos. 
Devendo-se evitar madeira e carpetes pela dificuldade de manutenção e limpeza e por 
serem propícios ao acúmulo de microrganismos, isso também vale para as paredes. 
Pisos e paredes não devem exalar poluente nocivo, não favorecendo a infestação de 
insetos, além de serem impermeáveis e resistentes à água, à prova de fogo. Os pisos 
mais ideais são os frios, como concreto tratado, o mármore, a cerâmica e a pedra, desde 
que corretamente instalados, sem desníveis, evitando-se acidentes.
Quanto aos tetos e coberturas das bibliotecas, observa-se que as infiltrações 
constituem grandes desafios na construção e manutenção de edifícios. Essa qualidade 
depende de cuidados especiais que garantam coberturas estanques, impermeabilização 
adequada, pingadeiras e soleiras junto às esquadrias, calhas bem dimensionadas, entre 
outros. 
Quanto às instalações hidráulicas, é necessário evitar tubulações nas áreas de 
acervo, exceto as destinadas aos sistemas de aspersão contra incêndio. Em muitos 
edifícios, tubulações deficientes ou inadequadas podem ser responsáveis por infiltrações 
elevados níveis de umidade e crescimento de mofo.
81
Quanto à rede elétrica, deve-se ter cuidado com as emergências, com a 
instalação de dispositivos de desligamento imediato para a prevenção de acidentes, 
bem como recurso que assegure o fornecimento de energia nessas situações. Prever 
flexibilidade nos pontos das redes elétrica e lógica, como cabeamento e ligações para24
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 25
TÓPICO 2 - ESTRUTURA FÍSICA E FUNCIONAL DE ARQUIVOS .........................................27
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................27
2 INFRAESTRUTURA ...........................................................................................................27
2.1 RECOMENDAÇÃO PARA ÁREA DE PRODUÇÃO E ARMAZENAMENTO ...................................28
2.1.1 Produção e acesso .....................................................................................................................28
2.1.2 Áreas de armazenamento .......................................................................................................28
2.1.3 Condições ambientais ...............................................................................................................31
2.1.4 Acondicionamento ....................................................................................................................32
2.1.5 Manuseio e transporte .............................................................................................................32
2.2 ÁREAS PARA O PÚBLICO ..................................................................................................................33
2.3 ÁREAS DE TRABALHO .......................................................................................................................34
2.3.1 Gabinetes do diretor e assistentes ......................................................................................35
2.3.2 Recepção, seleção, triagem, higienização e desinfestação de documentos ...........35
2.3.4 Conservação, encadernação, fotografia e microfilmagem ............................................36
3 SEGURANÇAS ................................................................................................................. 38
3.1 PROTEÇÃO CONTA FOGO E ÁGUA ................................................................................................. 40
4 RECURSOS HUMANOS .................................................................................................... 44
RESUMO DO TÓPICO 2 .........................................................................................................47
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 48
TÓPICO 3 - MOBILIÁRIOS E EQUIPAMENTOS .................................................................... 51
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 51
2 MATERIAIS DE CONSUMO ................................................................................................ 51
2.1 MATERIAIS PERMANENTES .............................................................................................................53
2.1.1 Mapotecas ....................................................................................................................................54
2.1.2 Estanterias ..................................................................................................................................54
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................................ 58
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................ 64
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 65
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................67
UNIDADE 2 — PLANEJAMENTO E ESTRUTURA ORGANIZACIONAL EM BIBLIOTECAS ....... 71
TÓPICO 1 — ESTRUTURA FÍSICA E FUNCIONAL DE BIBLIOTECAS ...................................73
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................73
2 O ESPAÇO FÍSICO DA BIBLIOTECA ..................................................................................73
3 TEMPERATURA, UMIDADE E VENTILAÇÃO .................................................................... 77
4 PISOS, PAREDES TETO E OUTROS CUIDADOS ESTRUTURAIS .................................... 80
4.1 CORES ....................................................................................................................................................82
5 MOBILIÁRIOS, EQUIPAMENTOS E LAYOUTS .................................................................. 83
5.1 MOBILIÁRIOS ........................................................................................................................................83
5.1.1 Estantes ...................................................................................................................................... 84
5.1.2 Estantes compactas ................................................................................................................87
5.2 ARQUIVOS, MAPOTECAS DE AÇO E CARRINHOS ...................................................................... 88
5.3 BALCÃO DE EMPRÉSTIMO E CABINES .........................................................................................90
5.4 BIBLIOCANTOS, SINALIZADORES ..................................................................................................92
5.5 SEGURANÇA .......................................................................................................................................96
6 LAYOUTS ...........................................................................................................................97
RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................100
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................103
TÓPICO 2 - ASPECTOS GERAIS SOBRE GESTÃO E A EQUIPE DA BIBLIOTECA .............105
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................105
2 CONCEITO DE GESTÃO DE PESSOAS ............................................................................106
3 BIBLIOTECÁRIO GESTOR E A GERÊNCIA DE EQUIPE ...................................................108
4 EQUIPE DA BIBLIOTECA ................................................................................................ 116
4.1 O PROFISSIONAL DE BIBLIOTECONOMIA ..................................................................................... 117
4.1.1 A equipe de bibliotecários ......................................................................................................119
4.1.2 O bibliotecário da área do processamento técnico .......................................................120
4.1.3 O bibliotecário de referência..................................................................................................121
4.2 O TÉCNICO EM BIBLIOTECONOMIA ............................................................................................. 126
4.3 ESTAGIÁRIOS .................................................................................................................................... 127
5 OUTROS PROFISSIONAIS QUE PODEM ATUAR NA BIBLIOTECA ................................128
5.1 PROFESSORES ..................................................................................................................................128
5.2 PESSOAL DE APOIO ........................................................................................................................ 129
5.3 AGENTES COMUNITÁRIOS ............................................................................................................. 129
RESUMOredes de computadores, permitindo a ampliação dos pontos e a expansão da rede.
Quanto à segurança, é preciso ter um plano de prevenção contra incêndio, 
curto-circuito, enchentes e outros sinistros. Não podemos esquecer a segurança dos 
usuários e funcionários quanto a assaltos e outros malefícios que podem ocorrer por 
diversos fatores que, muitas vezes, tem relação com a sua localização. 
Outra preocupação é a prevenção de acidentes, como quedas de estantes, de 
funcionários em escadas, bem como a segurança em relação à saúde, que pode ser 
colocada em risco por meio de doenças transmitidas por roedores, fungos ou bactérias, 
tanto em relação a má conservação e higienização do espaço, quanto ao contato com 
um acervo deteriorado. 
CCJ aprova proteção para funcionários de bibliotecas e museus
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara 
dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (18 de junho de 2019), o projeto 
de lei que determina a proteção das pessoas que trabalham em arquivos, 
bibliotecas, museus e centros de documentação e memória. A proposta 
(PL nº 1511/15) inclui a categoria de trabalhadores na Consolidação das 
Leis do Trabalho (CLT, Decreto-lei nº 5.452/43), na parte que trata de 
medidas especiais de proteção. O objetivo é permitir que os profissionais 
recebam adicional de insalubridade. Por tramitar em caráter conclusivo, 
o texto seguirá para o Senado, a menos que haja recurso para que seja 
votado também pelo Plenário da Câmara.
Fonte: https://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/EDUCACAO-
E-CULTURA/578529-CCJ-APROVA-PROTECAO-PARA-FUNCIONARIOS-DE-
BIBLIOTECAS-E-MUSEUS.html. Acesso em: 26 set. 2023.
IMPORTANTE
Com relação aos ruídos, terríveis para quem está concentrado estudando, mas 
impossíveis de eliminá-los totalmente, podem ser realizados alguns procedimentos 
visando reduzi-los ao mínimo desejável, por volta de 30/35 decibéis. Pode-se adotar 
revestimentos de forro, piso e paredes que ofereçam boa absorção de som. Pode-se 
também adotar divisórias de ambientes ou utilizar as próprias estantes como barreiras 
entre locais mais ruidosos e outros onde o silêncio se faça necessário. Devemos nos 
preocupar em manter o local de leitura afastado da área de referência mais movimentada 
e das áreas de circulação e trabalho. 
82
Podemos, ainda, delimitar as ações por áreas de interesse, tais como: área de 
leitura, área de trabalho em grupo, área de tratamento técnico etc. 
4.1 CORES
Rocha (2010) destaca a importância na definição das cores em paredes das 
bibliotecas. A autora supracitada se refere, principalmente, às bibliotecas escolares, 
mas acreditamos que essa premissa perpassa todas as unidades de informação. Muitos 
estudos comprovam que a utilização das cores nos ambientes influi em nosso estado 
psíquico e de bem-estar. 
Como exemplo, Rocha (2010) fala das tonalidades de verde-claro, azul-claro 
e violeta-claro, que transmitem sensação de calma, ao passo que o vermelho pode 
causar irritação. Já o amarelo e o laranja trariam disposição, estimulando as atividades 
intelectuais. Para Rocha (2010), a cor, um dos principais elementos do código visual, 
deve ser bem destacada para que chame a atenção do usuário. As cores devem ser 
escolhidas em conjunto com todo o espaço físico, mobiliário e equipamentos da 
biblioteca, no sentido de buscar um melhor aspecto visual do ambiente. 
Destacamos uma dica de Rocha (2010, p. 25): “fuja do tradicionalismo e explore 
as cores. Arrisque! Pinte paredes, aposte em contrastes e obtenha aquele toque 
aconchegante e tão desejado em nossas bibliotecas. [...] Se tiver dúvida, consulte um 
arquiteto!”
Vejamos como as cores podem ser utilizadas em bibliotecas nas ilustrações a 
seguir: 
Figura 5 – Cores na biblioteca escolar
Fonte: https://tokyorio.com/2015/02/06/biblioteca-de-escola/. Acesso em: 26 set. 2023.
83
Figura 6 – Cores em biblioteca
Fonte: http://dasolucoes.blogspot.com/2012/09/bibliotecas-modernas.html. Acesso em: 26 set. 2023.
5 MOBILIÁRIOS, EQUIPAMENTOS E LAYOUTS
Quando pensamos no planejamento e organização de uma biblioteca, temos 
que analisar quais mobiliários e equipamentos serão necessários para a racionalização 
do seu espaço e acervo, na rápida e eficaz transmissão da informação ao usuário, bem 
como no oferecimento de móveis adequados e ergonômicos para a melhor qualidade da 
permanência destes nos diferentes espaços das unidades de informação.
Observamos que existem diversos equipamentos disponíveis no mercado, mas 
antes da definição da compra, é importante cautela, tanto na verificação das referências 
dos materiais e empresas, que podem ser obtidas por outras bibliotecas, quanto na 
qualidade dos produtos e experiência das empresas que comercializam. 
Assim, neste último tema de aprendizagem da Unidade 1, veremos o 
detalhamento das especificidades necessárias dos mobiliários e equipamentos 
disponíveis no mercado e quais se adaptam melhor às necessidades das unidades de 
informação. Também visualizaremos como esses mobiliários podem ser organizados em 
diferentes tipos de layouts de acordo com os serviços oferecidos. Vamos lá?
5.1 MOBILIÁRIOS
A busca por produtos, equipamentos e empresas que possuem certificação de 
qualidade, que atuam de acordo com normas da ABNT, ISO e outras instituições regu-
lamentadoras, garantem a melhor relação custo-benefício no momento da aquisição. 
É necessário priorizar a segurança e a durabilidade, tanto da construção quando 
dos equipamentos de uma biblioteca quanto na utilização dos usuários. Convém analisar 
a facilidade de reposição de peças e manutenção, assim como a compatibilidade deles 
com diferentes fornecedores. 
84
Observamos que se deve evitar a aquisição de produtos e serviços 
monopolizados, ou seja, disponibilizados por um único fornecedor, pois 
essa monopolização pode resultar em preços abusivos. Além disso, existe 
certa fragilidade caso deixe de atuar ou entre em falência. 
NOTA
É indispensável que uma biblioteca/unidade informacional disponha de 
um mobiliário funcional e apropriado tanto aos funcionários quanto aos usuários. 
Atualmente é possível obter móveis modernamente desenhados e de aspecto atraente, 
que possam criar um clima de comodidade e bom gosto. Assim, destacamos na fi gura a 
seguir alguns critérios para a escolha do mobiliário: 
Figura 7 – Critérios para escolha do mobiliário 
Fonte: a autora.
QUALIDADE/ 
DURABILIDADE/ 
MANUTENÇÃO
(da matéria-prima ao 
acabamento)
FUNCIONALIDADE E 
ERGONOMIA
(adequado ao uso)
FLEXIBILIDADE E 
MODULARIDADE
(que posssam ser juntados 
ou separados)
Vários tipos de móveis podem ocupar a área da biblioteca/unidade informacional. 
Eles também vão depender do tipo de documentos que se pretende armazenar, tais 
como: livros gerais, livros de referências, periódicos, discos, fotos etc. 
5.1.1 Estantes 
Para a escolha das estantes, existem diversos itens que devem ser analisados, como: 
Material – em bibliotecas, é sugerido o uso de móveis de aço ou de alumínio anodizado 
porque não são abrasivos, resistem à umidade e não são de fácil combustão. 
Em algumas bibliotecas, ainda podemos encontrar estantes de madeira, 
mas diversos autores afi rmam que estas não são as ideais. Isso porque podem atrair 
insetos, principalmente os cupins, que poderão gerar grandes danos aos materiais, 
principalmente quando ali estão armazenados documentos históricos. 
Capacidade e ocupação – alguns autores apresentam como valores de referência 
para ocupação das estantes 40 livros para uma prateleira de 1,00 m de largura. Claro 
85
que isso depende da espessura do livro, esse valor é apenas uma média. No exemplo 
anterior, já estão previstos 25% do espaço para crescimento do acervo.
 
Percebe-se que a realidade do acervo de cada biblioteca é fundamental neste 
tipo de cálculo. Por exemplo, um acervo de referência, da área de direito ou da saúde, 
cujos livros são em geral mais espessos, apresenta um índice menor de ocupação em 
torno de 34 livros por prateleirade 1,00 m, com ocupação de 75% (VANZ, 2004). 
Distância – entre estantes paralelas, deve haver um corredor de acesso com espaço 
intermediário mínimo para a circulação e a movimentação junto às prateleiras. É 
sugerido que este espaço tenha entre 1 m e 1.20 cm. Entretanto, o espaço pode ser 
limitado conforme a disponibilidade da área. 
Dimensões – para determinar as dimensões para as estantes, devemos considerar os fa-
tores materiais, devemos observar que a altura e a profundidade das prateleiras dependem 
da dimensão dos materiais a serem guardados. Em geral, as prateleiras de uma estante 
funcional têm 95 cm de comprimento; 25 cm de profundidade e 2,5 cm de espessura.
 
Quanto à altura entre uma prateleira e outra, o padrão é acima de 25 cm e 
abaixo de 35 cm, dependendo do tipo de livro. No primeiro caso, podem ser simples, 
somente um lado, ou dupla, utilizando os dois lados, e devem ter altura máxima de 1,80 
m, 1,0 m de largura e profundidade média de 0,25 cm. Também se deve considerar o 
fator humano, por exemplo, em uma biblioteca infantojuvenil, considera-se que a última 
prateleira deve estar aproximadamente à altura de 1.50 cm. 
Figura 8 – Alturas das estantes
Fonte: https://portalidea.com.br/cursos/6735065ce0593e418d0c319bf5dfb30b.pdf. 
Acesso em: 26 set. 2023.
Segundo Costa (2007), com relação à capacidade de peso, em geral, ocupamos 
75% da capacidade de uma prateleira, o que representa em média 25 livros. Considerando 
33 livros em uma prateleira cheia, pesando cada um 1000 gr, cada prateleira terá um 
86
Figura 9 – Exemplo de modelo de estante
Figura 10 – Exemplo de modelo de estante 2
Fonte: http://www.funcionalmoveisdeaco.com.br/estante-aco-biblioteca-preco#group1-4. 
Acesso em: 26 set. 2023.
Fonte: https://br.depositphotos.com/73734275/stock-photo-row-of-bookshelves-in-a.html. 
Acesso em: 26 set. 2023.
Independentemente dos valores indicados nas literaturas, é fundamental 
a observação constante por parte dos profi ssionais das condições das 
estantes e outros mobiliários, que podem apresentar defeitos de fábrica 
ou, ainda, de mau uso, podendo estar tortas ou com outros pontos 
frágeis, além de ferrugens em sua estrutura. 
IMPORTANTE
peso de 33 kg. Assim, uma estante de aço com 2 m de altura, 95 cm de largura e 25 cm 
de profundidade, com livros, pesa em média 680 kg.
87
Figura 11 – Estante para multimídia
Figura 12 – Estantes compactas
Fonte: http://www.arquipix.com.br/. Acesso em: 26 set. 2023.
Fonte: https://metalpox.com.br/produto/estante-multimidia-face-simples/. Acesso em: 26 set. 2023.
Algumas estantes são específicas para materiais especiais, como a estante da 
figura a seguir, projetada para o acondicionamento de CDS.
5.1.2 Estantes compactas 
 
As estantes compactas ou deslizantes têm grande capacidade de 
armazenamento em um espaço bem menor, proporcionando um aumento em 90% 
em relação às outras estantes. São blocos móveis que, para a retirada e colocação 
de volumes, abrem um corredor de circulação. Não são indicadas para unidades que 
permitem o livre acesso ao documento. 
88
As estantes tradicionais requerem um espaço bem maior que as 
deslizantes compactas, mas permitem maior fl exibilidade no seu arranjo 
e o acesso do usuário.
IMPORTANTE
Muito utilizadas em arquivos, as estantes compactas deslizantes oferecem 
vantagens e desvantagens. Entre as vantagens estão a economia de espaço e o 
fechamento para a proteção dos documentos contra a luz e a poeira. 
Das desvantagens pode-se citar o peso, que requer estrutura 
especial, a redução da circulação de ar, que pode resultar na 
proliferação de microrganismos em ambientes não climatizados, e o 
fato de sempre terem que ser movidos. Os desníveis no piso podem 
provocar o empenamento (CONARQ, 2000, p. 14).
5.2 ARQUIVOS, MAPOTECAS DE AÇO E CARRINHOS
Os arquivos em unidades de informação são muito utilizados para hemerotecas 
físicas, quando houver, bem como para dar suporte administrativo às bibliotecas, 
armazenando documentos diversos na secretaria e na direção. Algumas unidades ainda 
usam para armazenar a coleção de folhetos ou multimeios, o que não é o ideal devido a 
sua conservação, contudo, ainda são bastante utilizados.
Figura 13 – Estante de aço
Fonte: https://www.casasbahia.com.br/moveis/escritorio/gaveteiros/arquivo-de-aco-ultra-em-chapa-
-26-com-4-gavetas-cinza-11499946.html. Acesso em: 26 set. 2023.
89
Figura 14 – Mapoteca
Figura 15 – Carrinho de aço
Já para o acondicionamento de documentos de grandes formatos, como 
mapas, plantas e cartazes, serão necessários móveis especiais para o acondicionamento 
horizontal. As gavetas das mapotecas não devem ter muita altura para evitar o acúmulo 
de documentos, o que acarretaria problemas de conservação. Além de gavetas 
rasas, devem ser previstas mesas de dimensões compatíveis com o formato desses 
documentos e dispostas de forma a facilitar a retirada dos documentos das mapotecas, 
quando necessário.
Fonte: https://girocenter.com.br/mapotecas-de-aco/214-mapoteca-de-aco-c-5-gavetas-mod-
map-05-a-1-girocenter.html. Acesso em: 26 set. 2023.
O carrinho para transporte de livros é ideal para otimizar o recolhimento e 
distribuição de livros, evitando que o funcionário se desloque diversas vezes para a 
mesma estante. Pode ser útil também como suporte auxiliar durante os procedimentos 
de limpeza e manutenção dos livros e estantes. O uso do carrinho propicia maior conforto 
ao funcionário, dispensando que ele carregue os livros até a estante.
Fonte: https://bit.ly/3rVPKQs. Acesso em: 26 set. 2023.
90
Hemeroteca ou arquivo de periódicos são coleções ou conjuntos organizados de periódicos 
(jornais, revistas ou obras em série). É entendida como uma seção de bibliotecas, arquivos 
ou centros de documentação reservada à guarda, custódia e conservação de materiais 
desse gênero. Pode existir na modalidade de arquivo de recortes de jornal, onde há uma 
seleção de textos jornalísticos sobre determinado evento, tema específico ou pessoa.
DICA
Figura – Hemeroteca
Fonte: https://bit.ly/46SfsEe. Acesso em: 26 set. 2023.
5.3 BALCÃO DE EMPRÉSTIMO E CABINES 
De tamanho e altura variáveis, os balcões de empréstimo devem ter espaço 
para devoluções de material, empréstimo e renovações, computadores, impressoras e 
material básico de escritório. Dependendo do porte da biblioteca, pode haver separações 
entre as atividades de empréstimo, devolução e renovação. Se for uma biblioteca 
pequena, um único terminal de computador/funcionário realiza todas as ações em 
problema algum. 
91
Figura 16 – Balcão de atendimento acessível
Figura 17 – Cabines de estudo individual
Fonte: https://www.uffs.edu.br/campi/laranjeiras-do-sul/noticias/imagens/18022019-balcao-de-atendi-
mento-biblioteca-do-campus-laranjeiras-do-sul. Acesso em: 26 set. 2023.
Fonte: http://www.im.ufal.br/posgraduacao/posmat/index.php/salas-de-aula-e-estudo. 
Acesso em: 26 set. 2023.
Há de se ficar atento à altura do balcão pela questão da acessibilidade que deve 
ter uma altura de 0,90 m. A mesma preocupação nas bibliotecas escolares, onde se 
atende também a crianças pequenas.
Também é preciso pensar em espaços de estudos individuais e coletivos. Em 
geral, são utilizadas pequenas cabines para que os usuários realizem seus estudos 
individuais e cabines um pouco maiores para pequenos grupos. 
Ao planejar tais espaços, é preciso planejar se terão luz individual e tomadas 
para notebooks.
92
Figura 18 – Cabines de estudo em grupo
Fonte: https://www.google.com/search?rlz=1C1GCEU_
pt-BRBR848BR848&biw=1366&bih=608&tbm=isch&sa=1&ei=8BIlXcOCJpDI5OUPmdMW&q=sala+-
de+estudo+em+grupo+biblioteca&oq=sala+de+estudo+em+grupo+biblioteca&gs_l=img.3...24482.297
44..30437...0.0..0.140.1970.7j12......0....1..gws-wiz-img.......0i24.LpIPS8tCDqw#imgrc=p3aOwceIYqSNmM:. 
Acesso em: 26 set. 2023.
Em ambos os espaços é preciso uma projeção de cadeiras de boa qualidade 
com a preocupação de proporcionar o conforto aos usuários que, em geral, passam 
bastante tempo estudando.Por isso são almofadadas e com proteção de borracha nos 
pés para evitar barulho. Há de se considerar o tamanho da comunidade a qual se almeja 
atender, para prever a quantidade adequada. Da mesma forma, é preciso a projeção de 
mesas de estudo em geral. Elas podem ser redondas, retangulares, quadradas e de se 
encaixarem.
5.4 BIBLIOCANTOS, SINALIZADORES 
Os bibliocantos são suportes para manter os livros unidos na posição 
vertical. Para atender às necessidades específicas de cada biblioteca, existem linhas 
de bibliocantos em tamanhos e espessuras diversos, específicos para cada tipo de 
documento. Para livros mais pesados devem ter chapa reforçada (chapas 1,5 mm e 2 
mm) são os ideais pela resistência apresentada. Os bibliocantos feitos em chapa 0,90 
e 1,2 mm são indicados para bibliotecas infantis, cujo acervo é mais leve e demanda 
menor resistência do bibliocanto.
93
Figura 19 – Bibliocanto
Figura 20 – Tipos de sinalização
Fonte: a autora.
Fonte: https://www.amazon.com.br/Acrimet-291-0-Organizador-Escrit%C3%B3rio-
-Multicor/dp/B077NSC19N?tag=goog0ef=20-&smid=1AZZF5TFUL4YLN&ascsubtag-
go_1671368599_66297504658_323794943888_aud-594374058437:pla-410414773158_c_. 
Acesso em: 26 set. 2023.
Pimentel, Bernardes e Santana (2007) falam da importância de uma boa sina-
lização na biblioteca. Para os autores supracitados, ela não só traz facilidades de inte-
ração com o usuário como também demonstra uma boa organização administrativa da 
biblioteca e definem quatro tipos de sinalizações a serem feitas nas bibliotecas, que são: 
a) Sinalização externa: facilita o acesso à biblioteca e assinala a importância concedida 
a ela no conjunto das instalações.
94
Figura 21 – Exemplo de sinalização externa de biblioteca
Figura 22 – Exemplo de divulgação de serviços
Fonte: https://www.pinterest.pt/pin/162833342761567518/. Acesso em: 26 set. 2023.
Fonte: http://www3.eco.unicamp.br/biblioteca/index.php/85-menu-principal/157-acesso-artigos-cientifi-
cos-que-nao-sao-assinados-pela-unicamp-e-capes-2. Acesso em: 26 set. 2023.
b) Sinalização interna – de recepção: deve estar próxima à entrada e orientar os alunos 
dentro da biblioteca. Pode conter todas as informações dos serviços oferecidos pela 
biblioteca, como: empréstimo de livros, reforço escolar, hora do conto, horário de fun-
cionamento, normas de uso, documentos necessários para inscrição ou cadastro etc.
95
Figura 23 – Exemplo de cartaz com divulgação do que é permitido
Figura 24 – Exemplo de sinalização
Fonte: https://ndga.wordpress.com/2015/10/16/sinalizacao-biblioteca-burwood/. Acesso em: 26 set. 2023.
Fonte: http://biblioteca.puspsc.usp.br/index.php/gestao-de-ruidos-area-para-o-estudo-em-grupo/. 
Acesso em: 26 set. 2023.
c) Sinalização de uso do espaço: deve sinalizar os espaços de atividades de biblioteca, 
como estudo individual, estudo de grupo, mural interativo, mural de informações, 
atendimento, catálogos etc. 
d) Sinalização temática das estantes: cada estante deve ter, em local de fácil 
visualização, a relação dos assuntos pelos quais foram distribuídos os livros mais 
procurados, por exemplo: literatura brasileira, literatura infantil, obras de referência. 
96
Uma sugestão para uma boa e eficiente sinalização é testá-la, realizando uma 
visita guiada com um grupo de usuários pedindo que “expliquem” o que observam e 
entendem da sinalização realizada, evitando, assim, futuras omissões equivocadas ou, 
até mesmo, usuários frustrados por não conseguirem se encontrar na biblioteca e terem 
que ficar dependentes do auxílio dos funcionários para ajudá-los.
5.5 SEGURANÇA 
Com o avanço das tecnologias, principalmente em bibliotecas com grandes 
acervos, os materiais possuem sensores para evitar roubos ou esquecimentos dos 
usuários ao sair sem registrar o empréstimo dos livros. As estruturas devem ser 
instaladas nas portas de acesso à biblioteca. 
Figura 25 – Exemplo de equipamento de segurança contra furtos
Fonte: https://metalpox.com.br/produto/antena-de-seguranca-com-deteccao-eletromagnetica-em/. 
Acesso em: 26 set. 2023.
Para o funcionamento dos sensores, no momento de preparação do acervo, 
são colocadas nas etiquetas eletromagnéticas. Suas etiquetas são discretas e de fácil 
aplicação, possuem cola não ácida especial para livros, não danificando os materiais da 
biblioteca. Possui duas camadas metálicas de mesma largura, uma contínua e outra 
fracionada, mais uma camada de papel branco especial, contendo duas tiras plásticas 
para auxiliar na aplicação.
97
Figura 26 – Etiquetas eletromagnéticas
Figura 27 – Exemplo de desativador de fitas
Fonte: https://metalpox.com.br/produto/fita-de-seguranca-eletromagnetica-em-livros/. Acesso em: 26 set. 2023.
Fonte: https://metalpox.com.br/produto/ativador-desativador-para-fitas-em/. Acesso em: 26 set. 2023.
Para desativar as fitas sem acionar o equipamento, é necessário passar o acervo 
em um desativador de sensor. 
6 LAYOUTS
O estudo do layout é uma das partes fundamentais do planejamento de 
organizações. Silva e Rentes (2012) definem o layout ou arranjo físico do setor de 
produção de uma organização como a localização e a distribuição espacial dos recursos 
produtivos, como máquinas, equipamentos, pessoas, instalações, no chão de fábrica. 
Esta distribuição impacta diretamente o desempenho da unidade. Davok, Pereira e 
Ordovás (2011) completam essa afirmação ao lembrarem que um bom layout facilita e 
aperfeiçoa os fluxos existentes nesses espaços, racionalizando o aproveitamento dos 
recursos materiais disponíveis. 
Para definir um layout de qualquer espaço, deve-se desenvolver um estudo 
preliminar para identificar as necessidades, deficiências, pontos fracos e fortes, 
verificando documentos e levantando informações in loco, que possibilitem a elaboração 
de um diagnóstico da situação objeto do estudo de layout. Dias (2010) descreve 
98
layout como uma proposição global inseparável em seus diversos elementos, já que a 
melhoria das condições de operação, em determinado setor, pode ser completamente 
neutralizada se outro setor dependente não é beneficiado por esta ação.
Silva e Rentes (2012 apud OLIVEIRA; HORTA, 2016, p. 3) estabelecem um modelo 
de projeto de layout dividido em três macroetapas: 
1. Levantamento da situação atual: levantamento dos produtos 
oferecidos, definição dos produtos de maior representatividade, 
identificação das semelhanças entre os produtos, semelhanças 
entre processos, frequência e volume da demanda, tempo 
de ciclo do produto, construir o mapa da situação atual, 
quantificação as distâncias físicas percorridas e realização da 
análise crítica da situação atual; 
2. Projeto da situação futura (novo layout): fazer o mapa do fluxo 
de valor da situação futura, identificar no mapa do fluxo de valor 
os ciclos de implantação e selecionar um para iniciar o projeto do 
layout, dimensionar o espaço físico necessário, utilizar conceito 
de célula de produção e projetar módulo em ciclos indicando os 
recursos restritivos internos, fixar o módulo de layout projetado 
em blocos, verificar se o módulo projetado é satisfatório, fazer 
análise da alternativa indicando as vantagens e desvantagens, 
verificar se a alternativa de layout é satisfatória; 
3. Implantação e acompanhamento: planejamento da mudança de 
ambiente, definição das ações, definição da equipe de mudança, 
acompanhamento para estabilização das mudanças, definição 
das medidas de desempenho.
Costa (2007) reforça que, antes de começar a organizar o mobiliário e os 
equipamentos, é importante que seja traçado um plano a respeito do espaço disponível. 
Isso ajudará na definição do layout mais adequado, bem como a verificação da localização 
dos interruptores de forma que computadores, impressoras e outros equipamentos 
sejam colocados próximos a eles. Costa (2007) também orienta a observação dos 
espaços para usuários e funcionários, a fim de que o seu arranjo possa acomodar a 
todos, obedecendo às medidas individuais padronizadas. 
A seguir, apresentamos alguns exemplosde layouts para uma biblioteca/
unidade informacional de 60 m2. Nos três layouts, o critério adotado para a distribuição 
da área de armazenamento (acervo) e da área de atividade (dividida entre espaço dos 
leitores e dos bibliotecários) foi, prioritariamente, o de manter o acervo unido (facilitando 
o controle da iluminação) e distante das janelas (evitando a incidência de luz natural); 
manter o atendimento mais distante possível da área de leitura (evitando que o barulho 
interfira nesta área) e, finalmente, manter a área de leitura mais próxima das janelas para 
aproveitar mais a luz natural.
99
Figura 28 – Exemplo de layout
Figura 29 – Exemplo de layout 2
Fonte: Costa (2007, p. 15).
Fonte: Costa (2007, p. 15).
100
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu:
• O espaço de uma biblioteca deve ser planejado levando-se em conta diversas áreas, 
como: a área de armazenamento, a área de atividade e a área de circulação. Que 
nesses três espaços estão incluídos outros, como: recepção, espaços de leitura, 
áreas de estudo, banheiros, áreas de processamento técnico, acervo de livros e 
outros tipos de acervo além dos espaços multimídia.
• A biblioteca deve contar com pelo menos uns 60 m² e que, em cinco anos, esta 
área possivelmente aumente em 30%, sendo necessário planejar esse crescimento. 
Para se calcular a área necessária em uma biblioteca, pode se considerar 2 m² por 
usuário e 15 m² por empregado. Sendo que um usuário adulto, sentado em uma 
mesa de aproximadamente 76 cm de largura, deve ocupar um espaço total de 2 a 
3 m², enquanto um empregado deve ocupar de 10 a 12 m². Essas medidas variam 
em função do tamanho da mesa e do maior ou menor conforto que o espaço pode 
proporcionar.
• Para as estantes de livros e de periódicos, o espaço poderá ser de 10 m² para cada 
1.000 volumes e, se for uma estante expositora, o cálculo é de 3 m². Com relação ao 
espaço para leitura, calcula-se 1,5 lugares para cada 1.000 hab.
• Existem uma série de características essenciais no planejamento do espaço físico 
de uma biblioteca, como ser flexível, compacto, diversificado, acessível, espaço 
organizado, agradável, econômico e com preocupação com a preservação.
• O acervo de uma biblioteca é sensível a mudanças excessivas de temperatura e de 
umidade acentuada. Essas mudanças podem ocasionar o surgimento de fungos e 
bactérias nos diversos tipos de suportes.
• O local deve possuir também boas condições de temperatura, iluminação etc., que 
o tornem agradável e saudável. A temperatura da biblioteca deve ser mantida entre 
19 ºC e 23 ºC. Na impossibilidade de manter o ar-condicionado permanentemente 
ligado e controlado, a recomendação é manter o ambiente arejado naturalmente. 
• A iluminação é outro aspecto fundamental numa biblioteca/unidade informacional, 
de um lado, pelo conforto que deve proporcionar aos servidores e aos usuários e, 
de outro, pela interferência no acervo. Em geral, as fontes utilizadas na iluminação 
interna são a luz natural e as lâmpadas fluorescentes. A luz natural quando incide 
sobre o acervo é prejudicial porque apresenta um nível elevado de radiação 
ultravioleta (UV).
101
• Os pisos ideais para bibliotecas são os resistentes e de fácil conservação e silencio-
sos, devendo-se evitar madeira e carpetes. Pisos e paredes não devem exalar ne-
nhum poluente nocivo, serem impermeáveis e resistente à água, e à prova de fogo. 
Os pisos mais ideais são os frios, como concreto tratado, o mármore, a cerâmica e 
a pedra, desde que corretamente instalados, sem desníveis, evitando-se acidentes.
• Deve-se prestar atenção nas possibilidades na utilização de cores nos espaços de 
biblioteca, em especial nas escolares.
• Quando pensamos no planejamento e organização de uma biblioteca, temos que 
analisar quais mobiliários e equipamentos serão necessários para a racionalização 
do seu espaço e acervo, na rápida e eficaz transmissão da informação ao usuário, 
bem como no oferecimento de móveis adequados e ergonômicos para a melhor 
qualidade da permanência destes nos diferentes espaços das unidades de 
informação.
• Entre os critérios para a escolha do mobiliário estão a qualidade, a durabilidade, a 
manutenção, a funcionalidade, a ergonomia, a flexibilidade e a modularidade.
• Com relação às estantes, seus materiais devem ser preferencialmente de aço ou 
de alumínio anodizado porque não são abrasivos, resistem à umidade e não são de 
fácil combustão.
• Entre estantes paralelas, deve haver um corredor de acesso com espaço 
intermediário mínimo para a circulação e a movimentação junto às prateleiras. É 
sugerido que esse espaço tenha entre 1 m e 1.20 cm. Para determinar as dimensões 
para as estantes, devemos considerar os fatores materiais, devemos observar que 
a altura e a profundidade das prateleiras dependem da dimensão dos materiais a 
serem guardados.
• As estantes compactas ou deslizantes têm grande capacidade de armazenamento 
em um espaço bem menor, proporcionando um aumento em 90% em relação às 
outras estantes. Não são indicadas para unidades que permitem o livre acesso ao 
documento.
• Os arquivos em unidades de informação são muito utilizados para hemerotecas 
físicas, quando houver, bem como para dar suporte administrativo às bibliotecas, 
armazenando documentos diversos na secretaria e na direção.
• O acondicionamento de documentos de grandes formatos, como mapas, plantas e 
cartazes serão necessários móveis especiais para o acondicionamento horizontal. 
As gavetas das mapotecas não devem ter muita altura para evitar o acúmulo de 
documentos, o que acarretaria problemas de conservação.
102
• O carrinho para transporte de livros é ideal para otimizar o recolhimento e distribuição 
de livros, evitando que o funcionário se desloque diversas vezes para a mesma 
estante. Pode ser útil também como suporte auxiliar durante os procedimentos 
de limpeza e manutenção dos livros e estantes. O uso do carrinho propicia maior 
conforto ao funcionário, dispensando que ele carregue os livros até a estante.
• De tamanho e altura variáveis, os balcões de empréstimo devem ter espaço para 
devoluções de material, empréstimo e renovações, computadores, impressoras e 
material básico de escritório.
• É de grande importância uma boa sinalização na biblioteca, pois não só traz 
facilidades de interação com o usuário como também demonstra uma boa 
organização administrativa da biblioteca.
• No planejamento das bibliotecas, é preciso ter preocupação com a segurança tanto 
dos acervos quanto dos usuários e funcionários, existindo vários equipamentos de 
segurança disponíveis no mercado.
• Um bom layout facilita e aperfeiçoa os fluxos existentes nesses espaços, 
racionalizando o aproveitamento dos recursos materiais disponíveis.
103
AUTOATIVIDADE
1 A biblioteca é um organismo em crescimento e que deve ser sempre avaliada e 
constar no planejamento estratégico da mantenedora. O espaço da biblioteca deve 
ser planejado levando-se em conta três áreas básicas. Sobre essas áreas, assinale a 
alternativa CORRETA: 
a) ( ) Área de armazenamento, área de circulação e área de lazer.
b) ( ) Área de atividade, área de armazenamento e área de recreação.
c) ( ) Área de armazenamento, área de circulação e área de atividade.
d) ( ) Área de atividade, área de armazenamento e área de lazer.
2 Ao planejar uma biblioteca, é necessário calcular o espaço ideal para comportar os 
diversos setores de uma unidade de informação. Sobre as áreas da biblioteca e o 
cálculo da área, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Podemos considerar 2 m² por usuário e 15 m² por empregado.
( ) A área de armazenamento, onde fica o local do acervo.
( ) Área de circulação e a área de atividades é o espaço onde ficam usuários e 
bibliotecários.
( ) Para as estantes de livros e de periódicos, o espaço poderá ser de 10 m² para cada 
1.000 volumes e se for uma estante expositora, o cálculo é de 5 m².
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a)( ) V – V – V – F.
b) ( ) V – F – V – F.
c) ( ) F – F – F – V.
d) ( ) F – V – F – V.
3 A sinalização na biblioteca traz facilidades de interação com o usuário, além de 
demonstrar uma organização administrativa adequada da biblioteca. Existem quatro 
tipos de sinalizações a serem feitas nas bibliotecas. Sobre os tipos de sinalizações, 
associe os itens, utilizando o código a seguir:
I- Sinalização externa.
II- Sinalização interna. 
III- Sinalização de uso do espaço.
IV- Sinalização temática das estantes.
104
( ) De recepção: deve estar próxima à entrada e orientar os alunos dentro da biblioteca. 
Pode conter todas as informações dos serviços oferecidos pela biblioteca, como: 
empréstimo de livros, reforço escolar, hora do conto, horário de funcionamento, 
normas de uso, documentos necessários para inscrição ou cadastro etc. 
( ) Facilita o acesso à biblioteca e assinala a importância concedida a ela no conjunto 
das instalações. 
( ) Cada estante deve ter, em local de fácil visualização, a relação dos assuntos pelos 
quais foram distribuídos os livros mais procurados, por exemplo: literatura brasileira, 
literatura infantil, obras de referência etc. 
( ) Deve sinalizar os espaços de atividades de biblioteca, como estudo individual, 
estudo de grupo, mural interativo, mural de informações, atendimento, catálogos 
etc. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) II – I – IV – III.
b) ( ) I – IV – III – II.
c) ( ) II – III – I – IV.
d) ( ) IV – II – I – III.
4 Quando pensamos o planejamento de uma biblioteca quanto aos seus mobiliários, 
que critérios devemos adotar?
5 Como determinar as dimensões para as estantes em uma biblioteca?
105
ASPECTOS GERAIS SOBRE GESTÃO E A 
EQUIPE DA BIBLIOTECA
1 INTRODUÇÃO
As organizações vêm se desenvolvendo em ritmo acelerado, por isso é preciso 
estar sempre atento às novas formas de gestão, principalmente quando falamos de 
gestão de pessoas. Os conceitos cada vez mais presentes e as ações de competitividade 
e inovação requerem das organizações, e não diferente das bibliotecas, um melhor 
aproveitamento dos recursos em busca da qualidade e sustentabilidade, financeira e 
ambiental, sempre com foco no usuário. 
Podemos afirmar que parte do sucesso de uma unidade de informação, como 
uma biblioteca, está na diretamente ligada a sua equipe de funcionários, cabendo ao 
bibliotecário gestor a sua coordenação, proporcionar um ambiente de trabalho agradável. 
Para que o êxito organizacional aconteça, é necessário que todos os envolvidos conheçam 
o seu papel na instituição, bem como o dos colegas, para que as tarefas cotidianas 
ocorram harmonicamente, inclusive na esfera hierárquica. 
UNIDADE 2 TÓPICO 2 - 
Figura 30 – Superbibliotecário gestor
Fonte: https://biblioo.cartacapital.com.br/ser-ou-nao-ser-bibliotecario/. Acesso em: 26 set. 2023.
Alguns aspectos sobre a gestão de pessoas foram trabalhados no Livro Didático 
de Fundamentos e teoria organizacional, mas não teve um foco na biblioteconomia. 
Por isso, neste espaço, relembraremos alguns conteúdos, buscando avançar em nosso 
processo de ensino-aprendizagem.
106
2 CONCEITO DE GESTÃO DE PESSOAS 
 O termo gestão aparece frequentemente no dicionário como sinônimo de 
gerência e administração, mas Valeriano (1998) apud Pinto e Gonzáles (2010) os 
diferencia afirmando que:
• Administrar representam as atividades de planejar, decidir, agir e utilizar os 
recursos necessários para alcançar seus objetivos.
• Enquanto a gestão se traduz por meio de atividades específicas delegadas pela 
gerência para serem desenvolvidas, tais como: gestão da qualidade, gestão da 
documentação, gestão ambiental etc. 
Complementando este raciocínio, Faria (1995, p. 36) aponta a gestão como “um 
conjunto de práticas gerenciais da empresa claramente orientado por uma visão do foco 
no negócio da organização, o qual determina sua missão, seus valores e sua filosofia”.
 
De acordo com Marques Júnior e Albino (2011), a gestão de pessoas pode ser 
definida como a função gerencial que visa à cooperação das pessoas que atuam nas 
organizações para o alcance dos objetivos tanto organizacionais quanto individuais, 
tendo como essência, o compartilhamento das responsabilidades e soluções, investindo 
de diversas formas no aprimoramento profissional de seus funcionários.
 
Já Dressler (2003, p. 6) diferencia o conceito de gestão de pessoas do conceito 
de Administração de Recursos Humanos (ARH) desta forma:
• Gestão de pessoas – refere-se às práticas e às políticas necessárias para conduzir 
os aspectos relacionados às pessoas no trabalho de gerenciamento. 
• Gestão do RH – aborda as ações de contratações, ao treinamento, à avaliação, à 
remuneração. 
Podemos concluir que o gerenciamento de pessoas compreende a ação conjunta 
do setor denominado de Recursos Humanos (RH) e dos gestores responsáveis por cada 
setor da instituição como os bibliotecários gestores, ou seja, o RH cuida da permanência 
dos funcionários na instituição e de seus direitos e deveres, ao bibliotecário gestor cabe 
à vivência cotidiana liderando e coordenando a sua equipe para o melhor desempenho 
dos produtos e serviços ofertados. 
Gerir pessoas “é a preocupação de muitas organizações para que seus objeti-
vos sejam atingidos, de preferência com a participação de um grupo eficaz e motivado” 
(PESTANA et al., 2003, p. 78), que trabalhem juntos para alcançarem os objetivos esti-
pulados no planejamento, com visão para a missão da biblioteca. Não adianta ter uma 
grande estrutura se os funcionários não atuarem como agentes de transformação diária 
na busca pela qualidade em prol da instituição e, acima de tudo, de sua comunidade de 
usuários. 
107
Marques Júnior e Albino (2011), ao falarem sobre a relação pessoas e instituição 
em que atuam, apontam os dois principais tipos de capitais nas organizações:
Figura 31 – Principais tipos de capitais nas organizações
Fonte: a autora.
O capital humano é composto pelo conhecimento, experiências, poder 
de inovação, habilidades dos empregados, cultura e filosofia da empresa, além da 
capacidade dos funcionários em combinar conhecimentos e habilidades para inovar 
suas funções. É importante para a empresa, mas não é de sua propriedade.
 
Já o capital estrutural é propriedade da empresa e compreende os 
equipamentos de informática, softwares, bancos de dados, patentes, marcas registradas 
e o restante da capacidade organizacional que apoia a produtividade dos empregados e 
o relacionamento com os clientes (MARQUES JÚNIOR; ALBINO, 2011). 
O capital humano ou as pessoas constituem elementos essenciais para as 
organizações, sendo da competência dos seus gestores a criação e manutenção de 
condições ideais nos seus respectivos ambientes de trabalho. Para Silveira (2009), esse 
aspecto humano tem influência direta no sucesso da organização, que é baseado em 
trabalho individual, na condição do gestor e no trabalho e esforço coletivo de todo o 
capital humano constituinte das organizações. 
Pinto e Gonzáles (2010) destacam que o sucesso ou fracasso de uma instituição 
também depende, entre outros fatores, da sensibilidade e habilidades das pessoas que 
ocupam cargos de comando em reconhecer e incentivar o desenvolvimento de sua 
equipe no conjunto de conhecimentos, habilidades e competências necessárias para 
que sejam atingidos os objetivos traçados pela instituição. 
Para Cavalcante (2000), as organizações que buscam competitividade e 
inovação devem direcionar seus investimentos em seu capital, garantindo:
108
Figura 32 – Investimentos em capital humano
Fonte: adaptada de Cavalcante (2000).
À capacitação e a atualização 
profi ssional
À descoberta de talentos e de ideias e 
à satisfação
• adicionadas à educação formal e conti-
nuada, à formação de gestores.
• de necessidades garantindo assim a "re-
tenção" dos membros de sua equipe.
Esses investimentos proporcionaram saldos positivos em relação às demais 
organizações do mesmo porte. A retençãodos membros da equipe passa pela principal 
atividade destinada ao bibliotecário gestor, que é a motivação profi ssional de cada 
funcionário. 
Um funcionário motivado tende a se dedicar mais ao trabalho, sentindo-
se mais valorizado. 
IMPORTANTE
Conforme Pestana et al. (2003, p. 78), a busca constante por processo de 
gestão de pessoas “faz parte da organização que visa cada vez mais a satisfação de 
seus funcionários para motivados, executem suas tarefas com efi ciência e efi cácia”. 
Nessa direção, Chiavenato (2009) também destaca que o motivo é tudo aquilo 
que impulsiona a pessoa a agir de determinada forma ou, pelo menos, que dá origem 
a um comportamento específi co. Esse impulso à ação pode ser provocado por um 
estímulo externo (provindo do ambiente) e pode também ser gerado internamento por 
processos mentais do indivíduo. 
3 BIBLIOTECÁRIO GESTOR E A GERÊNCIA DE EQUIPE
As equipes de profi ssionais que compõem uma unidade de informação de-
pendem muito do tipo e especifi cidades que possuem. Em geral, sempre temos a pre-
sença de um profi ssional de biblioteconomia que faz a gestão da unidade de informa-
ção. Em algumas instituições, ele coordena equipes grandes de vários bibliotecários, 
auxiliares, estagiários, entre outros. Em algumas, ele é o único profi ssional da área e 
tem sob sua gestão auxiliares. Em todas as experiências, é fundamental o desenvol-
vimento de competências em gestão, sendo a gestão de pessoas uma dessas com-
petências necessárias. 
109
Para Cavalcanti e Silva (2013), a função do bibliotecário gestor tem se apre-
sentado como uma necessidade cada vez mais presente no âmbito das organizações, 
como também tem dado novos encaminhamentos para o desempenho de suas fun-
ções, seja em decorrência do uso e acesso às TICs, sejam por conta do novo perfil dos 
usuários nas unidades de informação. Assim, nos perguntamos, quais habilidades e 
competências são necessárias ao profissional bibliotecário da atualidade para atuar na 
gestão de pessoas?
Pestana et al. (2003) apresenta algumas possíveis respostas, por exemplo:
• Gerir competências. 
• Gerir conhecimentos.
• Selecionar perfis profissionais para cada setor de acordo com as habilidades de cada 
indivíduo.
• Manter a motivação da equipe.
• Manter o clima organizacional saudável entre a equipe.
• Desenvolver uma cultura gerencial voltada para a excelência. 
• Equilibrar a qualidade de vida no trabalho.
• Atrair, captar e reter talentos. 
Silveira (2009, p. 127), ainda no contexto da gestão de pessoas, afirma que o 
bibliotecário gestor reforça a capacidade de motivação com sua equipe, buscando 
assegurar um ambiente harmônico entre todos. 
Ao avaliar as competências e habilidades dos funcionários, o bibliotecário gestor 
visa posicionar cada um nos postos de trabalho em que melhor possam contribuir para 
a biblioteca, cabendo o estabelecimento de relações positivas com sua equipe de 
trabalho, favorecendo e estimulando o alcance de objetivos comuns entre pessoas e 
organização, incluindo a construção de uma boa relação entre gestor e funcionários. 
Pestana et al. (2003) também relaciona as principais capacidades requeridas 
dos gestores de equipes, como:
• Compartilhamento da visão, objetivos, metas, estruturas e tecnologias presentes 
na instituição.
• Monitoramento do ambiente externo.
• Habilidade de conciliação entre os membros da equipe. 
• Visualização das possibilidades de sucesso.
• Capacidade de ouvir e ser ouvido.
• Ter iniciativa, comprometimento, atitude sinérgica e ousadia. 
• Construir formas de autoaprendizado.
• Viabilizar a comunicação entre a equipe.
• Pensar global, agir local.
• Reconhecer o trabalho das pessoas. 
• Ser ético. 
110
 Para Longo e Vergueiro (2003), a motivação é o principal meio que o bibliotecário 
gestor possui para garantir uma equipe bem entrosada com a instituição. Considerando 
que, quando todos os indivíduos têm clareza das metas e objetivos da organização que 
trabalham e conseguem perceber como sua atividade específica agrega valor e contribui 
para que essas metas e objetivos sejam atingidos. Os autores supracitados listam uma série 
de valores e poderes que quando designados aos funcionários geram motivação para o 
trabalho e auxiliam no entrosamento com a instituição, que resumimos e ilustramos a seguir: 
 
Responsabilidade – definição clara das responsabilidades inerentes a sua 
função e relação dessas responsabilidades às metas e objetivos da organização. Sendo 
importante que cada funcionário saiba as suas funções e as tenha bem definidas no 
organograma da unidade, para que possa se concentrar a elas e não fiquem perdendo 
tempo observando as atividades de seus colegas.
Figura 33 – Responsabilidade
Figura 34 – Autoridade
Fonte: https://www.conhecajatai.com.br/noticias/a-responsabilidade-nossa-de-cada-dia/. 
Acesso em: 26 set. 2023.
Fonte: https://www.google.com/search?q=Autoridade&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjOir-
GZotvjAhXaD7kGHYpQCmcQ_AUIESgB&biw=1366&bih=625#imgdii=Y6QZuVxmoJyH5M:&imgrc=JL64K4_
vTZNf6M. Acesso em: 26 set. 2023.
Autoridade – delegação de autoridade em proporção equivalente à respon-
sabilidade de sua função, gerando, com isso, orgulho pelo trabalho e melhoria de sua 
autoestima. Nenhum gestor conseguirá e deverá (tentar) controlar tudo, deve desenvol-
ver a confiança em sua equipe os delegando autoridade sobre determinadas tarefas e 
confiando que serão bem realizadas, sem necessariamente deixar de fiscalizá-las. 
111
Figura 35 – Padrões de excelência
Figura 36 – Treinamento e desenvolvimento
Fonte: https://www.acicampinas.com.br/blogs:a-excelencia-em-primeiro-lugar. Acesso em: 26 set. 2023.
Fonte: https://www.google.com/search?q=Treinamento+e+desenvolvimento&source=lnms&tbm=isch&-
sa=X&ved=0ahUKEwixyaa3pdvjAhXdGLkGHV4xBo8Q_AUIESgB&biw=1366&bih=625#imgrc=l-fMcS-
mS_g2NCM. Acesso em: 26 set. 2023.
Padrões de excelência – estabelecimento de padrões realistas de qualidade, 
quantidade, custo e tempo para cada função, permitindo que o funcionário atinja seu 
potencial pleno. Não adianta exigir aquilo que se sabe de antemão que o funcionário 
não conseguirá atingir, essa atividade poderá deixá-lo triste, frustrado e envergonhado 
perante os colegas por não conseguir realizar o solicitando, ficando de mau humor 
e ‘jogando contra’ a sua própria instituição. É preciso conhecer a realidade de cada 
membro da equipe, delegando responsabilidades de acordo com cada perfil, cuidando, 
claro, para não subestimar as potencialidades de cada pessoa. 
Treinamento e desenvolvimento – adoção do treinamento como um proces-
so contínuo e prioritário, integrando as necessidades da equipe e capaz de proporcionar 
a confiança necessária para que atinja os padrões de excelência almejados. A qualifica-
ção é fundamental para a equipe, tanto em decorrência de novos produtos e serviços a 
serem oferecidos, gerando novos padrões adotados ou remodelando os padrões exis-
tentes. É importante evitar mudar a rotina da biblioteca de forma brusca. É preciso que 
haja diálogo, apresentando e discutindo as novidades a serem implantadas e que haja 
treinamento adequado para que sejam plenamente colocadas em prática na instituição. 
112
Conhecimento e informação – incentivo à busca de novas informações 
e fornecimento de todas as informações necessárias para a tomada de decisões 
adequadas e sensatas, não se omitindo informações por preocupação com eventual 
perda de poder. É necessário que o bibliotecário gestor tenha em mente que nada é 
para sempre, nem mesmo o seu cargo e que se um dia é o ‘chefe’, no outro, pode ser o 
‘subordinado’. Esse quesito está relacionado ao de autoridade, fornecendo elementos 
para que todos os funcionários, dentro de suas funções, possam agir sozinhos de forma 
autônoma em determinadas situações. É preciso repassar as informações sobre o 
funcionamento da unidade, bem como o seu conhecimento pessoal para os demais 
membros ou, pelo menos, aqueles conhecimentos possíveis de serem transmitidos e 
não gerarãoproblemas ao gestor devido a sua confidencialidade, não esquecendo das 
questões éticas para com a instituição e as pessoas. 
Figura 37 – Conhecimento e informação
Fonte: http://m.divulgaescritor.com/products/informacao-conhecimento-e-espiritualidade-por-mauricio-du-
arte/. Acesso em: 26 set. 2023.
Feedback – orientação frequente às pessoas quanto ao seu desempenho e 
avaliação tanto de desempenho negativo quanto do positivo. Dialogar com a equipe, 
tanto coletiva quanto individualmente é muito importante, mostrando os erros e acer-
tos, assim como os pontos que precisam ser revistos, melhorados ou exercitados. Esco-
lher o momento adequado para dar o feedback é essencial, evitando que o funcionário 
fique constrangido perante a equipe, caso seja negativo. O feedback se relacionando 
com o quesito de padrões de excelência, conhecendo as competências e habilidades 
de cada membro. 
113
Figura 38 – Feedback
Figura 39 – Reconhecimento
Fonte: https://www.google.com/search?q=Feedback&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwi-
dh8vsp9vjAhW4ILkGHRAfBX8Q_AUIESgB&biw=1366&bih=625#imgrc=rKkzLl5tCKTITM. 
Acesso em: 26 set. 2023.
Fonte: https://www.google.com/search?q=Reconhecimento&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKE-
wjjzL6oqNvjAhWJIbkGHeXLAy8Q_AUIESgB&biw=1366&bih=625#imgrc=2qrpVYpI0N1oaM. 
Acesso em: 26 set. 2023.
Reconhecimento – das pessoas como indivíduos e membros do grupo, atra-
vés de elogios, avaliação de desempenho e maior autoridade (e autonomia), fazendo 
com que se sintam vencedores, aumentando a autoestima e incentivando a darem o 
melhor de si. 
 Reconhecimento dos pontos positivos e das atividades bem realizadas pela 
equipe ou individualmente, mas também reconhecimento de que, como seres humanos, 
são passíveis de errarem e que tudo é um aprendizado, inclusive para o próprio gestor. 
114
Confiança – construção do alicerce para uma relação de confiança, acreditando 
que as pessoas são basicamente bem-intencionadas. Demonstração de confiança a 
partir da delegação de tarefas importantes e autoridade, bem como garantindo que os 
funcionários interajam com superiores hierárquicos. 
 
Demonstrar confiança em todos da equipe faz com que seus membros se 
sintam motivados a desempenharem da melhor maneira possível o que foi solicitado, 
representado na crença de que são capazes de realizar determinada tarefa, mesmo 
que o monitoramento e controle sejam essenciais para o crescimento da instituição e 
segurança para o gestor de que tudo esteja ocorrendo conforme o previsto.
Figura 40 – Confiança
Figura 41 – Permissão para errar
Fonte: https://viacarreira.com/o-que-e-cargo-de-confianca/. Acesso em: 26 set. 2023.
Fonte: https://comunidadedoestagio.com/blog/primeiras-vezes-e-o-medo-de-errar. 
Acesso em: 26 set. 2023.
Permissão para errar – conscientização de que ocorrência de um eventual 
fracasso deve ser visto como uma experiência positiva, ou seja, uma oportunidade 
de aprendizagem, oferecimento de diretrizes para minimizar os erros. Incentivo e 
recompensa ao risco e penalização à inatividade e à indecisão.
 
 Diante do exposto, é que o quesito feedback se torna tão importante, pois além 
de representar confiança no funcionário, o instruindo a realizar a tarefa fracassada com 
êxito na próxima tentativa. 
115
Figura 42 – Respeito
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=nTerL3TFXuE. Acesso em: 26 set. 2023.
Respeito – garantia de orientação, com oferecimento dos recursos necessários 
e transmissão das informações nas horas certas. Respeito ao tempo de cada funcionário, 
não usurpando da autoridade e procurando formas de facilitar o trabalho. Sintonia com 
as necessidades de cada um, ouvindo-os e dando a eles o retorno adequado. Respeito 
à privacidade. Direito de expressar os sentimentos. Reconhecimento das dificuldades e 
respeito às obrigações pessoais.
 
A gestão de pessoas e o bibliotecário gestor devem propiciar para que se forme 
uma rede colaborativa em prol da instituição, uma vez que “não existem organizações 
sem pessoas” (CHIAVENATO, 2009, p. 107).
Para fechar este tema de aprendizagem, trazemos o pensamento de Chiavenato 
(2009, p. 107): “não existem organizações sem pessoas”, por isso reforçamos que 
bibliotecário gestor deve buscar na gestão de pessoas constituir uma rede colaborativa 
que fortaleça a unidade de informação e que melhor possa atender aos seus usuários. 
De acordo com Pinto e Gonzáles (2010), o profissional bibliotecário está habilitado 
a auxiliar na estrutura institucional no que diz respeito ao planejamento administrativo 
e físico das bibliotecas. Sua formação acadêmica o capacita para calcular espaço com 
a quantidade adequada de material para o ambiente; organizar o acervo; normalizar 
documentos em geral; participar do desenvolvimento de bases de dados; associar-
se ao trabalho de gestor da informação e do conhecimento; e desempenhar serviços 
técnicos e administrativos nas unidades de informação. 
Para Pinto e Gonzáles (2010), a responsabilidade de administrar a própria 
biblioteca exige do bibliotecário responsável pela unidade conhecimentos que o 
possibilitem exercer o papel de comando e coordenação das atividades desenvolvidas. 
Em todas as atividades exercidas em seu trabalho, o bibliotecário tem a responsabilidade 
de desenvolver ações orientadas por uma filosofia de relação com pessoas, porém é no 
comando e coordenação dos funcionários, quando for o administrador da unidade de 
informação, que ressalta seu papel como gestor de pessoas. 
116
Pinto e Gonzáles (2010) ainda reforçam que na administração das organizações 
em geral, a essência da gestão de pessoas reside no compartilhamento das 
responsabilidades e soluções, investindo de diversas formas no aprimoramento 
profissional de seus funcionários. Para os autores supracitados, é de suma importância 
que, nas unidades de informação, o gestor tenha habilidade de colocar em prática os 
seguintes procedimentos deste processo: 
Figura 43 – Processo gestão de pessoas 
Fonte: adaptada de Pinto e Gonzáles (2010).
Agregar pessoas – criar ambiente propício para a formação de uma equipe 
dinâmica, tendo como foco a valorização desse capital intelectual (STEWART, 1998), 
por meio de investimentos em treinamento, competência e futuro do funcionário. 
Também pode ser descrito como competência do funcionário, capacidade de relacio-
namento e valores.
Aplicar pessoas – definindo cargos na unidade de informação com a 
cooperação contínua das outras áreas afins na organização, estando sempre envolvido 
em reuniões semanais ou mensais para análise de desempenho da equipe, gerando 
sistemas de alavancagem dos pontos fortes inovadores evidenciados na execução das 
atividades, viabilizando a consolidação ou criação de valores. 
Desenvolver pessoas – proporcionar para a organização empregados bem 
treinados e motivados; trabalhar o ambiente interno da unidade de informação, com 
uma administração horizontal; e disponibilizar todo o conteúdo informacional possível 
à sociedade. 
4 EQUIPE DA BIBLIOTECA 
Além de bibliotecários, há outros profissionais que atuam na biblioteca. A equipe 
da biblioteca é multidisciplinar. Nesse subtema, vamos conhecer esses profissionais. 
117
Figura 44 – Bibliotecária
Fonte: https://www.infoescola.com/profissoes/bibliotecario/. Acesso em: 26 set. 2023.
4.1 O PROFISSIONAL DE BIBLIOTECONOMIA
De acordo com a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), o profissional 
bibliotecário pertence à família dos “profissionais da informação”, tendo o “Documentalista” 
e o “Analista de Informações” como ocupações assemelhadas (BRASIL, 2002). O 
profissional da informação enquadra-se nas seguintes condições para o exercício de 
suas atividades: 
Trabalham em bibliotecas e centros de documentação e informação 
na administração pública e nas mais variadas atividades do comércio, 
indústria e serviços, com predominância nas áreas de educação e 
pesquisa. Trabalham como assalariados, com carteira assinada ou 
como autônomos, de forma individual ou em equipepor projetos, 
com supervisão ocasional, em ambientes fechados e com rodízio de 
turnos. Podem executar suas funções tanto de forma presencial como 
a distância. Eventualmente, trabalham em posições desconfortáveis 
durante longos períodos e sob pressão, levando à situação de 
estresse. As condições de trabalho são heterogêneas, variando 
desde locais com pequeno acervo e sem recursos informacionais a 
locais que trabalham com tecnologia de ponta (BRASIL, 2002 apud 
FIGUEIREDO; SOUZA, 2007, p. 10).
A biblioteca é a principal área de atuação do profissional de biblioteconomia, 
que tem formação de nível superior obtida em cursos de biblioteconomia e que está 
a serviço das comunidades, participando desde planejamento até a implantação e 
dinamização de bibliotecas.
Para Antunes, Cavalcante e Antunes (2000 p. 35), “é o bibliotecário que, 
conhecendo o local onde está situada a biblioteca, procura fazer com que as pessoas a 
aceitem, a frequentem e a assumam”. 
118
De forma ideal, todas as bibliotecas brasileiras deveriam ter um profi ssional de 
biblioteconomia em seu quadro de funcionários. Isso está longe da realidade brasileira, 
principalmente quando tratamos de bibliotecas escolares, que cultura e politicamente 
costumam ser ocupadas por professores readaptados. 
Os Conselhos Federal e Estaduais e diversas associações de bibliotecários vêm lutando 
por políticas públicas que garantam a existência de bibliotecas escolares e de garantir que 
esse espaço seja ocupado por profi ssionais de biblioteconomia. Aqui, destacamos a Lei nº 
12.244/2010, que transcrevemos na integra. 
Lei nº 12.244 de 24 de maio de 2010. Dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas 
instituições de ensino do País. 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono 
a seguinte Lei: Art. 1º As instituições de ensino públicas e privadas de todos os sistemas de 
ensino do País contarão com bibliotecas, nos termos desta Lei. Art. 2º Para os fi ns desta Lei, 
considera-se biblioteca escolar a coleção de livros, materiais videográfi cos e documentos 
registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura. 
Parágrafo único. Será obrigatório um acervo de livros na biblioteca de, no mínimo, um 
título para cada aluno matriculado, cabendo ao respectivo sistema de ensino determinar a 
ampliação deste acervo conforme sua realidade, bem como divulgar orientações de guarda, 
preservação, organização e funcionamento das bibliotecas escolares. Art. 3º Os sistemas 
de ensino do País deverão desenvolver esforços progressivos para que a universalização 
das bibliotecas escolares, nos termos previstos nesta Lei, seja efetivada num prazo máximo 
de dez anos, respeitada a profi ssão de Bibliotecário, disciplinada pelas Leis nos 
4.084, de 30 de junho de 1962, e 9.674, de 25 de junho de 1998. Art. 4º. Esta Lei entra 
em vigor na data de sua publicação [grifo nosso].
Brasília, 24 de maio de 2010; 189º da Independência e 122º da República. 
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA 
Fernando Haddad 
Carlos Lupi
Fonte: adaptado de https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12244.htm. Acesso em: 26 set. 2023.
IMPORTANTE
Após a aprovação da Lei nº 12.244/2010, surgiram vários cursos em EAD que 
também vêm com o objetivo de ampliar o número de profi ssionais para ocuparem os 
cargos de biblioteconomia. A EAD também possibilitou a formação de profi ssionais, 
principalmente em regiões distantes. 
As bibliotecas que não têm bibliotecário em sua gestão podem ser denunciadas 
e autuadas pelo Conselho Regional de Biblioteconomia, cada estado tem um. 
119
4.1.1 A equipe de bibliotecários 
Em geral, os profissionais da biblioteconomia, já ao longo de sua formação 
acadêmica, identificam-se com áreas específicas de atuação, como processamento 
técnico, gestão de unidades, agente cultural, como bibliotecário de referência, entre 
outros. Alguns adquirem essa preferência também nos estágios e ou profissional, ou 
seja, ao longo do processo de experiências, consegue definir onde melhor pode atuar 
na biblioteconomia. 
Claro que, em bibliotecas de pequeno porte que, muitas vezes, possuem apenas 
um bibliotecário, este acaba por assumir todas as funções destacadas anteriormente, 
porém, em bibliotecas de grande porte, como as universitárias, que em grande parte 
possuem mais de 10 bibliotecários em sua equipe, é possível dividir as diversas funções 
devido ao perfil dos profissionais. 
Figura 45 – Facetas do profissional de biblioteconomia
Fonte: a autora.
Algumas bibliotecas organizam seus profissionais pelo seu perfil de atuação. 
Outras fazem rodízio, ou seja, todos os bibliotecários, de tempos em tempos, mudam 
sua função na unidade. Esse movimento tem vantagens e desvantagens.
Entre as vantagens está o conhecimento do profissional do processo como um 
todo, sua experiência e maior possibilidade de adaptação, caso seja necessário mudar de 
120
função. A desvantagem é a dificuldade de “especialização do serviço” e as possibilidades 
de insatisfação do profissional ao atuar em uma área que não é sua preferência. 
Como já abordamos as características do bibliotecário gestor no Tema de 
Aprendizagem 1, aqui, trabalharemos apenas as outras três facetas da equipe de 
bibliotecários.
4.1.2 O bibliotecário da área do processamento técnico 
O profissional que atua nesta área é responsável pelos processos de catalogação 
e indexação e dos que compreendem o uso de instrumentos da área de biblioteconomia, 
como Classificação Decimal de Dewey (CDD); Código de Catalogação Anglo-Americano, 
2. ed. – AACR2; Tabela Cutter-Sanborn; Tesauro – Cabeçalhos Controlados de Autoridade 
e de Assunto; bem como ferramentas de Tecnologias de Comunicação e Informação 
para automatização do acervo.
 
As principais atividades desenvolvidas no setor de processamento técnico: 
seleção; aquisição (por compra e doação); avaliação do acervo; descarte; indexação; 
representação descritiva – catalogação e alimentação de base de dados. Relembramos 
rapidamente em que consistem os trabalhos do processamento técnico. 
Quadro 2 – Principais atividades desenvolvidas no setor de processamento técnico
ATIVIDADE DETALHAMENTO
Seleção
Processo que envolve dois tipos de atuação – avaliação das 
coleções existentes e atualização de novas aquisições.
Aquisição
Segue a Política e Desenvolvimento de Coleções da instituição, a 
formação do acervo deve atender às necessidades informacionais, 
educativas e de lazer da comunidade.
Descarte
Consiste na retirada definitiva do acervo cujo material se encontra 
danificado, perdido, doado ou permutado. Caso a instituição seja 
Depositária Legal, a responsabilidade do descarte cabe não só pelo 
responsável pelo setor, mas pela comissão que pode incluir além 
dos bibliotecários, historiadores, professores e pesquisadores, 
pois existem muitas obras que pelo seu valor legal poderão ser 
destinadas ao setor de obras raras.
Indexação
A indexação visa descrever e identificar o documento pelo seu 
conteúdo. Esse processo se realiza a partir da abertura de sumários 
e índices que são inseridos na base da BPSC, facilitando a busca e 
recuperação da informação.
121
Fonte: adaptado de Pereira, Laurindo e Santiago (2011).
Representação
descritiva
Consiste em descrever, detalhadamente, o item bibliográfico 
e fornecer uma descrição significativa do item ao usuário. Por 
descrição, entende-se que o item catalográfico deve: 
a) conter informações que permitam distinguir um determinado 
item dos outros;
b) conter informações suficientes que permitam ao usuário 
selecionar o item ou itens bibliográficos que melhor respondam as 
suas necessidades naquele momento; 
c) deve ser suficientemente breve para permitir que a seleção seja 
tão rápida.
Alimentação da 
base de dados
Esse procedimento é realizado em um sistema (pergamum, sábio, 
Sofhia entre outros), cujo programa tem o objetivo de reunir, 
organizar e difundir o acervo da biblioteca.
É um trabalho que exige muitofoco e aprofundamento nos sistemas técnicos 
e especializados da área de biblioteconomia. O processamento técnico é uma função 
específica do bibliotecário, mas este pode contar com apoio de auxiliares, principalmente 
na pré-catalogação. 
4.1.3 O bibliotecário de referência
O bibliotecário de referência é o profissional que mantém o contato mais próximo 
aos usuários na biblioteca. Então, quem tem a opção e perfil do profissional é de quem 
gosta de lidar com o público, ou seja, o atendimento e a proatividade em buscar resolver 
a necessidade informacional do usuário.
 
Dessa forma, trabalhando em conjunto com o usuário, o bibliotecário de 
referência é desafiado a desenvolver novas formas de mediação para tornar a 
necessidade de informação satisfeita.
 
A competência profissional do bibliotecário de referência vai desde o domínio das 
fontes de informações, sejam materiais ou virtuais, até as habilidades de comunicação 
com o usuário.
A rotina do bibliotecário como mediador e facilitador do processo de recuperação 
da informação seguem algumas etapas que, segundo Grogan (2001), constituem o 
processo normal de referência, formando assim oito passos: 
122
Figura 46 – Processo normal de referência
Fonte: adaptada de Grogan (2001).
Fonte: https://www.skoob.com.br/a-pratica-do-servico-de-referencia-17659ed19048.html. 
Acesso em: 26 set. 2023.
Figura 47 – Prática de serviço de referência
Descrevemos a seguir o processo de referência, segundo Grogan (2001), e 
indicamos a leitura do seu livro Prática de serviço de referência.
Problema:  o processo geralmente se inicia com um problema que atrai a 
atenção de um usuário potencial da biblioteca. 
Ninguém é imune a problemas e, assim, teoricamente, todo ser 
humano é um iniciador potencial do processo de referência. A fonte 
do problema pode ser externa ou interna. Um problema externo 
decorre do contexto social ou pelo menos situacional do indivíduo: 
um problema interno é de origem psicológica ou cognitiva, surgindo 
na mente da pessoa. Muitos problemas humanos, contudo, não são 
suscetíveis de encontrar sua solução por meio da informação: isso é 
o que provavelmente se dá no caso da maioria dos problemas que 
surgem no curso de nossa vida cotidiana. Uma grande proporção dos 
outros problemas que provavelmente seriam suscetíveis de solução, 
não é reconhecida como tal pelas pessoas a quem afligem (GROGAN, 
2001, p. 35).
123
Necessidade de informação: os usuários prováveis que julgam que, para lidar 
com o problema que os diz respeito, precisam conhecer alguma coisa, avançar para a 
segunda etapa da caminhada rumo a uma solução. Nesse ponto, talvez sua necessida-
de de informação seja vaga e imprecisa, ainda que não necessariamente. “No entanto, 
várias teorias interessantes, apoiadas em pesquisas no campo da psicologia do conhe-
cimento surgiram na bibliografia de biblioteconomia e ciência da informação nos últi-
mos anos, desde o trabalho clássico de Taylor na década de 1960” (GROGAN, 2001 p. 39).
Questão inicial: avaliação das fontes disponíveis para verificar se estão de 
acordo com as expectativas de informação – corrente  ou retrospectiva – apontadas 
pelo usuário ao indicar o problema e delimitar sua necessidade de informação. 
Uma das maneiras mais importantes pelas quais os seres humanos 
adquirem conhecimento é fazendo perguntas  e, se o  usuário 
potencial decide  perguntar a alguém,  torna-se necessário 
obviamente dar à  pergunta uma forma intelectual mais nítida, 
descrevê-la com palavras e formulá-la como uma questão. 
Aqueles que desejarem procurar por si mesmos talvez precisem 
formalizar ainda mais o enunciado, decidindo-se quanto às palavras 
exatas sobre quais farão suas buscas.  Até agora todo o processo 
disse respeito exclusivamente à pessoa que está às voltas como 
problema. A comunicação que ocorreu foi do tipo que os psicólogos 
chamam intrapessoal, envolvendo uma espécie de ensaio mental 
na antecipação do esperado encontro interpessoal, o momento em 
que a pessoa apresenta sua questão a outrem. Inúmeros estudos 
demonstraram que comparativamente poucas pessoas pensam na 
biblioteca quando precisam de informação e um número ainda menor 
recorre ao bibliotecário. Porém se alguém que busca informação 
realmente pedir ajuda ao  bibliotecário, toda essa atividade  torna-
se o processo de referência, com os passos dados pelo usuário 
compreendendo a primeira fase, sendo a segunda uma empreitada 
conjunta com o bibliotecário (GROGAN, 2001 p. 43).
Questão negociada: comparação da questão inicial, enunciada pelo usuário, 
com a maneira como as informações são organizadas na biblioteca, levando, às vezes, 
à redefinição, para permitir um cotejo mais adequado com a terminologia e a estrutura 
das fontes a serem consultadas.
Embora os bibliotecários de referência não possam ingressar no processo de 
referências e não depois de receberem as questões apresentadas pelos consulentes, 
eles se interessam inexoravelmente tanto por suas fases quanto por todas suas etapas. 
O sucesso final depende de que cada um dos passos que constituem a primeira fase 
seja executado corretamente, e muitas vezes é necessário que os bibliotecários refaçam 
com os consulentes os primeiros passos que estes deram por sua própria conta. A 
questão inicial formulada pelo consulente pode às vezes exigir maiores esclarecimentos 
ou ajustes, para se ter certeza de que corresponde de forma mais precisa à necessidade 
de informação subjacente. A questão, em seguida, é comparada com a maneira como 
as informações são geralmente organizadas na biblioteca e, mais particularmente, 
nas fontes de informação específicas existentes em seu acervo ou em outros lugares. 
124
Tal comparação revela com frequência que a questão exige uma certa redefinição ou 
reformulação de modo a permitir um cotejo mais adequado com a terminologia e a 
estrutura das fontes de informação a serem consultadas (GROGAN, 2001).
Estratégia de busca: escolha e definição dos vários caminhos possíveis de 
pesquisa, que podem ser por categoria, fonte ou ponto de acesso mais promissor, 
conforme as expectativas de resultado delineadas pelo usuário na formulação 
da questão inicial.
Antes de a questão, do modo como foi finalmente negociada, 
ser levada ao acervo de informações, impõem-se duas decisões 
técnicas: como o acervo de informações, seja ele local ou remoto, 
será consultado? E quais de suas partes serão consultadas e em 
que ordem? A primeira dessas decisões diz respeito em grande 
parte  a uma análise minuciosa do tema da questão, identificando 
seus conceitos e suas relações, e, em seguida,  traduzindo-os para 
um  enunciado de busca apropriado na linguagem de acesso do 
acervo de informações. Neste ponto, frequentemente o consulente 
pode prestar uma grande ajuda ao bibliotecário. A segunda decisão 
implica escolher entre vários caminhos possíveis. O êxito dependerá 
do conhecimento íntimo das várias fontes de informação disponíveis 
para pesquisa, experiência em sua utilização e aquela intuição que 
todos os bibliotecários de referência reconhecem e que tem sido 
tão comentada,  mas que ninguém consegue explicar. Trata-se 
geralmente de  uma escolha que passa por três etapas: primeiro, 
seleciona-se a categoria da fonte, depois a fonte específica dentro 
dessa categoria e, finalmente, os pontos de acesso específicos dentro 
dessa fonte. Evidentemente, se isso não der resultado, faz-se outra 
escolha apropriada, que poderá ser a categoria, fonte ou ponto de 
acesso mais promissor que venha em seguida. Trata-se de decisões 
que se situam quase por completo na esfera de ação do bibliotecário 
– e, conforme já foi sugerido, às vezes são tomadas no nível do 
subconsciente –, porém tudo pode ser feito com frequência de modo 
mais eficaz com uma rápida busca preliminar para reconhecimento 
do terreno (GROGAN, 2001 p. 52).
Processo de busca: busca flexível o suficiente para comportar mudanças de 
curso na pesquisa, independente da expectativa delineada na questão inicial,em face 
da redução, ampliação ou redefinição dessa questão no andamento da pesquisa.
A realização da busca no acervo de informações geralmente compete 
ao bibliotecário, embora haja quem goste de ter o consulente à mão, 
pronto para oferecer uma reação imediata àquilo que a busca revela. 
As buscas mais eficazes são aquelas em que a estratégia de busca 
é suficientemente flexível para comportar uma mudança de curso, 
caso assim indique o andamento da busca. Um bibliotecário bem-
preparado terá estratégias alternativas prontas, caso venham a 
ser necessárias: de novo, a presença do consulente facilita essas 
alterações de rumo. Os puristas alegariam que isso é tática e não 
estratégia, mas como as principais fontes de informação são 
deficientes em termos de estrutura lógica ou coerência interna, a 
maleabilidade passa a ser um atributo conveniente do bibliotecário 
de referência (GROGAN, 2001, p. 60).
125
Resposta: exame das possibilidades de uso da informação solicitada, de modo 
a garantir sua qualidade e possibilidades de uso, como resposta e solução, reduzindo 
ou inviabilizando erros na escolha da estratégia e no processo de busca.
Na maioria dos casos, o bibliotecário criterioso e experiente 
encontrará uma ‘resposta’, porém isso não constitui absolutamente 
o fim do processo. O que o bibliotecário tem em mãos nessa etapa é 
simplesmente o resultado da busca. Se esta tiver sido executada de 
maneira correta, esse resultado coincidirá, em geral, com o enunciado 
de busca, modificado taticamente, porém será preciso ter certeza 
disso. Às vezes, a busca pode resultar infrutífera: isso também será 
uma ‘resposta’, mas  raramente será agradável  apresentá-la assim 
de forma nua e crua ao consulente (GROGAN, 2001 p. 65).
Solução: uma ‘resposta’ é somente uma solução potencial em alguns casos, 
quando não há dúvida alguma na mente do bibliotecário quanto a sua adequação ao 
propósito do consulente, ela é suficiente em sua forma despojada. 
Frequentemente, porém,  toma-se necessário um certo grau de 
elucidação ou explicação para que se tenha uma solução completa. 
Também é de boa prática o bibliotecário e o consulente avaliarem 
juntos o ‘produto’ da pesquisa, e que ambos o aprovem antes 
de chegar de comum acordo à conclusão de que o processo foi 
concluído (GROGAN, 2001, p. 65).
Assista ao vídeo da bibliotecária Thalita Gama e entenda mais sobre o processo e serviço 
de referência. Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=dF0qsdLEAkU. 
DICA
Figura – Processo e serviço de referência
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=dF0qsdLEAkU. Acesso em: 26 set. 2023.
126
4.2 O TÉCNICO EM BIBLIOTECONOMIA 
O técnico em biblioteconomia é um profi ssional capacitado e habilitado para atuar 
como assistente de biblioteca, podendo auxiliar no atendimento e no auxílio das chefi as, 
diretores e/ou gestores de bibliotecas, centros e/ou serviços de informação e documen-
tação e outros, no âmbito das empresas e/ou instituições públicas e/ou privadas. 
Muitos auxiliares de biblioteconomia acabam gostando do espaço de atuação e 
procuram a formação em biblioteconomia. As funções dentro dos locais de trabalho têm 
bastante variação, mas em geral podem: 
• Contribuir no tratamento, recuperação e disseminação da informação em ambientes 
físicos ou virtuais.
• Execução de atividades auxiliares especializadas e administrativas relacionadas à ro-
tina de bibliotecas ou centros de documentação e informação, quer no atendimento 
ao usuário, quer na administração do acervo ou na manutenção de banco de dados.
• Colaboração no controle e na conservação de documentos e equipamentos.
Lei nº 13.601, de 9 de janeiro de 2018. Regulamenta o exercício da profi ssão de Técnico 
em Biblioteconomia.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono 
a seguinte Lei:
Art. 1º O exercício da profi ssão de Técnico em Biblioteconomia é regulamentado na forma 
desta Lei.
Art. 2º Considera-se Técnico em Biblioteconomia o profi ssional legalmente habilitado em 
curso de formação específi ca.
Art. 3º São requisitos para o exercício da atividade profi ssional de Técnico em Biblioteconomia:
I- possuir diploma de formação de nível médio de Técnico em Biblioteconomia, expedido 
no Brasil, por escolas ofi ciais ou reconhecidas na forma da lei;
II- possuir diploma de formação de nível médio de Técnico em Biblioteconomia, expedido 
por escola estrangeira, revalidado no Brasil de acordo com a legislação em vigor;
III- (VETADO);
IV- exercer suas atividades sob a supervisão de Bibliotecário com registro em CRB.
Art. 4º Compete aos Técnicos em Biblioteconomia, observando-se os limites de sua forma-
ção e sob a supervisão do Bibliotecário:
I- auxiliar nas atividades e serviços concernentes ao funcionamento de bibliotecas e outros 
serviços de documentação e informação;
II- auxiliar no planejamento e desenvolvimento de projetos que ampliem as atividades de 
atuação sociocultural das instituições em que atuam.
Art. 5º (VETADO).
Art. 6º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 9 de janeiro de 2018; 197º da Independência e 130º da República.
MICHEL TEMER
Gustavo do Vale Rocha
Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/
L13601.htm. Acesso em: 26 set. 2023.
IMPORTANTE
127
Leia também o texto intitulado A regulamentação do técnico trará van-
tagens à biblioteconomia? no site Biblioo cultura informacional. 
Link: https://biblioo.cartacapital.com.br/regulamentacao-tecnico-biblio-
teconomia/.
Importante observar que, nem todos os estagiários que atuam nas bi-
bliotecas são estudantes de biblioteconomia, mas todos podem apren-
der ao atuar dentro da biblioteca. 
DICA
IMPORTANTE
4.3 ESTAGIÁRIOS 
A contratação de estagiários é uma ótima opção para ampliar os serviços 
e atendimentos da biblioteca. Ao mesmo tempo, é uma importante etapa para o 
desenvolvimento de competências e habilidades, principalmente para aqueles 
estudantes da área de biblioteconomia. 
São as bibliotecas os principais espaços para os estagiários de biblioteconomia. 
É durante a graduação que se deve aliar a teoria à prática, relacionando-as para me-
lhor preparação do profi ssional de acordo com o mercado de trabalho e o seu papel na 
sociedade. Portanto, o estágio apresenta-se como uma importante ferramenta, regu-
lamentada por lei. Os principais objetivos do estágio curricular em biblioteconomia são: 
• Envolver os alunos em situações e problemas reais.
• Permitir a confrontação entre o conhecimento teórico adquirido no curso e a prática 
adotada na unidade onde se realiza o estágio. 
• Propiciar condições para o aprimoramento e desenvolvimento da consciência social 
e de atitudes profi ssionais.
O estagiário é visto, de acordo com a Lei Federal nº 6.494, de 7 de dezembro de 
1977, modifi cada pela Lei nº 8.859, de 22 de março de 1994, como: 
O aluno regularmente matriculado em cursos vinculados ao ensino 
público ou particular que, frequentando, comprovadamente, cursos 
de nível superior, profi ssionalizante de segundo grau ou escolas de 
educação especial, realiza a complementação do ensino e da apren-
dizagem, em entidades de direito privado, órgão da administração 
pública e em instituições de ensino (BRASIL, 1994, on-line). 
128
Como os estágios obrigatórios são oferecidos aos estudantes que normalmente 
encontram-se no meio do curso, estes, em sua maioria, já cursaram as disciplinas 
obrigatórias profissionalizantes e possuam alguma experiência acadêmica. Dessa forma, 
o aprendizado é maior e o acompanhamento das atividades desenvolvidas durante o 
estágio é mais satisfatório.
Fonte: https://www.uninassau.edu.br/noticias/crc-contrata-estagiario-da-uninassau. 
Acesso em: 26 set. 2023.
Figura 48 – Estagiário 
O estagiário deve sempre ser orientado e acompanhado em suas atividades, 
isso é fundamental para que não ocorram problemas dentro da unidade de informação. 
5 OUTROS PROFISSIONAIS QUE PODEM ATUAR NA 
BIBLIOTECA 
É muito importante que a biblioteca possa contar comDO TÓPICO 2 .......................................................................................................130
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................132
TÓPICO 3 - GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS E NOVAS TENDÊNCIA 
 PARA AS BIBLIOTECAS..................................................................................135
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................135
2 O QUE SÃO PRODUTOS E SERVIÇOS? ...........................................................................135
3 PRINCÍPIOS BÁSICOS SOBRE PRODUTOS E SERVIÇOS EM BIBLIOTECAS ................136
3.1 SERVIÇOS BIBLIOTECÁRIOS INOVADORES ................................................................................ 137
4 DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E SERVIÇOS EM BIBLIOTECAS .........................138
4.1 MARKETING NA BIBLIOTECA ......................................................................................................... 139
4.2 GESTÃO DE RECURSOS FINANCEIROS E MATERIAIS .............................................................140
4.2.1 Acervo ........................................................................................................................................141
4.2.2 Multas ........................................................................................................................................141
4.2.3 Projetos de financiamento ..................................................................................................142
5 GESTÃO ESTRATÉGICA E INTELIGÊNCIA COMPETITIVA EM BIBLIOTECAS ...............143
6 NOVAS TENDÊNCIAS EM SERVIÇOS NAS BIBLIOTECAS .............................................145
7 A CULTURA DIGITAL E AS NOVAS TENDÊNCIAS NOS SERVIÇOS DA INFORMAÇÃO ..146
7.1 QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DESSAS TENDÊNCIAS? ............................146
8 SERVIÇOS – CONCEITOS ................................................................................................ 151
8.1 CRESCIMENTO DOS SERVIÇOS .................................................................................................... 152
9 A BIBLIOTECA DO FUTURO: DESAFIOS ........................................................................154
9.1 DOKK1 – MAIOR BIBLIOTECA DA ESCANDINÁVIA ......................................................................160
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................162
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................171
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 174
REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 177
UNIDADE 3 — ORGANIZAÇÃO DE UNIDADE DE INFORMAÇÃO MUSEOLÓGICA .............183
TÓPICO 1 — ORGANIZAÇÃO DE UNIDADE DE INFORMAÇÃO MUSEOLÓGICA ................185
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................185
2 ARQUITETURA EM MUSEUS: PONTO CRUCIAL NA ORGANIZAÇÃO ............................185
2.1 DEFINIÇÕES E CONCEITOS DA ORGANIZAÇÃO ARQUITETÔNICA ......................................... 187
2.2 PROBLEMAS E SOLUÇÕES DA ARQUITETURA EM MUSEUS .................................................189
RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................198
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................199
TÓPICO 2 - ASPECTOS GERAIS SOBRE A ESTRUTURAÇÃO DOS MUSEUS NAS 
 PERSPECTIVA DA LEI - IBRAM ......................................................................201
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................201
2 ORGANIZAÇÃO DE MUSEUS MUNICIPAIS .................................................................... 202
3 INSTALAÇÕES DO ESPAÇO DO MUSEU ....................................................................... 204
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................214
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................215
TÓPICO 3 - ORGANIZAÇÃO DE MUSEUS NA DIVERSIDADE MUSEAL ............................ 217
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 217
2 ORGANIZAÇÃO DE UM MUSEU COMUNITÁRIO .............................................................218
2.1 MUSEUS VIRTUAIS ........................................................................................................................... 220
RESUMO DO TÓPICO 3 ...................................................................................................... 229
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 230
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 232
1
UNIDADE 1 -
PLANEJAMENTO 
E ESTRUTURA 
ORGANIZACIONAL EM 
ARQUIVOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• planejar a implantação dos Arquivos;
• organização dos arquivos e seus setores; 
• compreender a importância do diagnóstico
• identifi car a equipe que compõe o arquivo.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – AS ORGANIZAÇÕES E OS ARQUIVOS
TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – ESTRUTURA FÍSICA E FUNCIONAL DE ARQUIVOS
TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – MOBILIÁRIOS E EQUIPAMENTOS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
2
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
Acesse o 
QR Code abaixo:
3
AS ORGANIZAÇÕES E OS ARQUIVOS 
1 INTRODUÇÃO
Olá, estudante! Nesta unidade, veremos a organização física dos arquivos, ou 
seja, o prédio em que é custodiado o acervo, seus mobiliários e materiais de expedientes, 
recurso humanos, abordoaremos também de forma introdutória a gestão documental. 
Entretanto, antes de adentrar nesse conteúdo, vamos relembrar os conceitos basilar da 
arquivologia.
Os arquivos são responsáveis pela custódia da documentação produzida ou 
recebida por uma organização no decorrer de suas atividades, ou seja, a documentação 
arquivística é produzida de forma orgânica independente do suporte informacional.
O termo arquivo é polissêmico, pode ser utilizado para denominar um conjunto 
de documentos, uma entidade administrativa responsável pela custodia documental 
ou um móvel destinado ao armazenamento dos documentos (PAES, 2004), conforme 
podemos observar no Quadro 1.
TÓPICO 1 - UNIDADE 1
Definições do termo arquivo Imagem ilustrativa
Conjunto de documentos que, inde-
pendentemente da natureza ou do 
suporte, são reunidos por acumulação 
ao longo das atividades de pessoas fí-
sicas ou jurídicas, públicas ou privada
Entidade administrativa responsável 
pela custódia, pelo tratamento docu-
mental e pela utilização dos arquivos 
sob sua jurisdição.
 
Quadro 1 – Definições do termo arquivo 
4
Edifício onde são guardados os 
arquivos
 
Móvel destinado à guarda de 
documentos.
 
Fonte: adaptado de Silva (2016).
Os arquivos são fontes de informações que evidenciam atividades e direitos 
das organizações e do cidadão, ou seja, são fontes de informações insubstituíveis em 
relaçãoprofissionais de outras 
áreas em sua equipe. 
5.1 PROFESSORES 
Professores também são sempre bem-vindos na biblioteca, principalmente 
nas públicas e escolares, onde os usuários são, em sua maioria, estudantes que a 
procuram para realizar suas tarefas escolares. Só não podem substituir a profissional de 
biblioteconomia em suas atribuições.
129
5.2 PESSOAL DE APOIO 
A equipe de apoio participa ativamente da realização das atividades rotineiras 
e de manutenção da biblioteca, tais como limpeza, pequenas compras de materiais de 
consumo, envio de correspondências e ainda a realização do serviço gerais .
5.3 AGENTES COMUNITÁRIOS 
Deve-se ressaltar ainda a colaboração dos agentes comunitários – líderes naturais 
da comunidade – que tenham alguma afinidade com as atividades desenvolvidas na 
biblioteca. É importante identificá-los e buscar a sua participação; o conhecimento que 
detêm é útil tanto para o planejamento como para a operacionalização dos trabalhos. 
Esses agentes comunitários devem fazer parte da Sociedade Amigos da Biblioteca; 
poderão participar de atividades diversas, inclusive fazendo visitas aos usuários 
(ANTUNES; CAVALCANTE; ANTUNES, 2000).
130
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu:
• O sucesso de uma unidade de informação da biblioteca está diretamente ligado 
à sua equipe de funcionários, cabendo ao bibliotecário gestor proporcionar 
um ambiente de trabalho agradável a sua coordenação. Assim, para que o êxito 
organizacional aconteça é necessário que todos os envolvidos conheçam o seu 
papel na instituição, bem como o papel dos seus colegas, para que as tarefas 
cotidianas ocorram harmonicamente, inclusive na esfera hierárquica. 
• A Gestão de Pessoas pode ser definida como a função gerencial que visa à 
cooperação das pessoas que atuam nas organizações para o alcance dos objetivos 
tanto organizacionais quanto individuais, tendo como essência, o compartilhamento 
das responsabilidades e soluções, investindo de diversas formas no aprimoramento 
profissional de seus funcionários.
• Administrar representa as atividades de planejar, decidir, agir e utilizar os recursos 
necessários para alcançar seus objetivos, enquanto a gestão se traduz por meio 
de atividades específicas delegadas pela gerência para serem desenvolvidas, tais 
como: gestão da qualidade, gestão da documentação, gestão ambiental etc. 
• A Gestão de Pessoas se refere às práticas e as políticas necessárias para conduzir os 
aspectos relacionados às pessoas no trabalho de gerenciamento. Se diferenciando 
da gestão do RH que aborda as ações de contratações, ao treinamento, à avaliação, 
à remuneração. 
• Entre as habilidades e competências que são necessárias ao profissional bibliotecário 
da atualidade, estão: gestão de competências e conhecimentos; seleção de perfis 
profissionais para cada setor de acordo com as habilidades de cada indivíduo; manter 
a motivação e o clima organizacional saudável entre a equipe; desenvolvimento de 
uma cultura gerencial voltada para a excelência; equilíbrio na qualidade de vida no 
trabalho; e capacidade de atrair, captar e reter talentos.
• Entre os valores e poderes que, quando designados aos funcionários geram 
motivação para o trabalho e auxiliam no entrosamento com a instituição, estão: 
respeito, permissão para errar, confiança, reconhecimento, feedback, conhecimento 
e informação, treinamento e desenvolvimento, padrões de excelência, autoridade e 
responsabilidade. 
• Uma equipe da biblioteca possui diversos agentes e que o tamanho da equipe 
depende das características da unidade de informação, que envolve os recursos e 
estruturas necessárias para alcançar seus objetivos.
131
• A biblioteca é a principal área de atuação do profissional de biblioteconomia. Ele tem 
formação de nível superior obtida em cursos de biblioteconomia, está a serviço das 
comunidades, participando desde planejamento até a implantação e dinamização 
de bibliotecas.
• De forma ideal, todas as bibliotecas brasileiras deveriam ter um profissional de 
Biblioteconomia em seu quadro de funcionários. Mas isso está longe da realidade 
brasileira, principalmente quando tratamos de bibliotecas escolares, onde cultural e 
politicamente costumam ser ocupados por professores readaptados. 
• Após a aprovação da Lei nº 12.244 surgiram vários cursos em EAD que também 
têm com o objetivo ampliar o número de profissionais para ocuparem os cargos 
de biblioteconomia. A EAD também possibilitou a formação de profissionais, 
principalmente em regiões distantes. As bibliotecas que não têm bibliotecário 
em sua gestão podem ser denunciadas e autuadas pelo Conselho Regional de 
Biblioteconomia, cada estado tem um.
• Podemos dividir os bibliotecários em quatro principais perfis de atuação: bibliotecário 
do processamento técnico; bibliotecário gestor; agente cultural e bibliotecário de 
referência. Algumas bibliotecas organizam seus profissionais pelo seu perfil de 
atuação. Outras fazem rodizio, ou seja, todos os bibliotecários de tempos em tempos, 
mudam sua função a dentro da unidade. Esse movimento tem suas vantagens e 
desvantagens. Entre as vantagens está o conhecimento do profissional do processo 
como um todo, sua experiência e maior possibilidade de adaptação caso seja 
necessário mudar de função. A desvantagem é a dificuldade de “especialização do 
serviço” e as possibilidades de insatisfação do profissional ao atuar em uma área 
que não é sua preferência.
• O Técnico em Biblioteconomia é um profissional capacitado e habilitado para atuar 
como assistente de biblioteca, podendo auxiliar no atendimento, e no auxílio das 
chefias, diretores e/ou gestores de bibliotecas, centros e/ou serviços de informação 
e documentação e outros, no âmbito das empresas e/ou instituições públicas e/ou 
privadas.
• A contratação de estagiários é uma ótima opção para ampliar os serviços e 
atendimentos da biblioteca. Ao mesmo tempo é uma importante etapa para o 
desenvolvimento de competências e habilidades, principalmente para aqueles 
estudantes da área de biblioteconomia.
132
AUTOATIVIDADE
1 Vimos neste tema de aprendizagem os principais valores e poderes que, quando 
designados aos funcionários, geram motivação para o trabalho e auxiliam no 
entrosamento com a instituição, como: respeito, permissão para errar, confiança, 
reconhecimento, feedback, conhecimento e informação, treinamento e 
desenvolvimento, padrões de excelência, autoridade e responsabilidade. Sobre os 
valores e poderes, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Padrões de excelência é responsável pela qualidade e quantidade, custo e tempo 
para que cada funcionário atinja o seu potencial máximo.
( ) Feedback é a orientação frequente às pessoas quanto ao seu desempenho e 
avaliação tanto de desempenho negativo quanto do positivo.
( ) Reconhecimento é a construção do alicerce para uma relação de confiança, 
acreditando que as pessoas são basicamente bem-intencionadas.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – V – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) F – V – F.
d) ( ) F – F – V.
2 Na administração das organizações em geral, a essência da gestão de pessoas reside 
no compartilhamento das responsabilidades e soluções, investindo de diversas 
formas no aprimoramento profissional de seus funcionários (PINTO; GONZÁLES, 
2010). Sobre a gestão de pessoas, associe os itens, utilizando o código a seguir:
I- Agregar pessoas.
II- Aplicar pessoas.
III- Desenvolver pessoas.
( ) Define cargos na unidade de informação com a cooperação contínua das outras 
áreas afins na organização.
( ) Criar ambiente propício para a formação de uma equipe dinâmica, tendo como foco 
a valorização desse capital intelectual.
( ) Proporcionar para a organização empregados bem treinados e motivados.
a) ( ) II – I – III.
b) ( ) I – II – III.
c) ( ) III – I – II.
d) ( ) II – III – I.
133
3 Observe o conceito: Composto pelo conhecimento, experiências, poder de inovação, 
habilidadesdos empregados, cultura e filosofia da empresa, além da capacidade dos 
funcionários em combinar conhecimentos e habilidades para inovar suas funções. É 
importante para a empresa, mas não é de sua propriedade. Sobre o conceito, assinale 
a alternativa CORRETA:
a) ( ) Capital humano.
b) ( ) Capital estrutural.
c) ( ) Capital intelectual.
d) ( ) Capital financeiro.
4 Segundo Grogan (2001), o processo de referência envolve oito etapas decisórias, 
quais são elas?
5 Quais são os principais perfis do profissional de biblioteconomia e quais são suas 
características? Até o momento, em qual deles você acredita que melhor se encaixa? 
Justifique.
134
135
TÓPICO 3 - 
GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 
E NOVAS TENDÊNCIA PARA AS 
BIBLIOTECAS
1 INTRODUÇÃO
Neste tema de aprendizagem, estudaremos os conceitos de produtos e serviços 
informacionais, no contexto das bibliotecas e suas relações com o estudo de usuário, 
gestão e marketing e as novas tendências para as bibliotecas.
Para Melo, Scarvado e Almeida (2015), o desenvolvimento de produtos e serviços 
em bibliotecas tem como objetivo o atendimento das necessidades informacionais de 
sua comunidade de usuários e seu desenvolvimento envolvem pessoas com os mais 
variados papéis e para os esses atores, que envolvem profissionais da biblioteconomia e 
usuários. Ambos necessitam de orientação para que o resultado seja atingido de forma 
satisfatória. No caso de bibliotecas e unidades de informação, os serviços são avaliados 
por cada usuário que solicita informação, isto é, a avaliação é um processo contínuo. 
Nesse processo, o papel do gestor é fundamental.
UNIDADE 2
2 O QUE SÃO PRODUTOS E SERVIÇOS?
Kotler e Armstrong (2007, p. 200), autores da área da Administração, definem pro-
dutos como “algo que pode ser oferecido a um mercado para apreciação, aquisição, uso ou 
consumo e que pode satisfazer um desejo ou uma necessidade”. Quanto aos serviços, Kotler 
e Armstrong (2007, p. 200) afirmam que são “um tipo de produto que consiste em ativida-
des, benefícios ou satisfações oferecidas para venda, que são essencialmente intangíveis”.
Figura 49 – Produtos e serviços
Fonte: adaptada de Kotler e Armstrong (2007, p. 20).
136
Já Rabello e Caiado (2014) apontam que os produtos podem ser considerados 
como insumos que resultam de atividades ou processos relacionados à informação, 
enquanto os serviços de informação se caracterizam pela disseminação e transferência 
de conteúdos aos usuários de acordo com as suas necessidades. 
O planejamento dos produtos ou serviços que serão disponibilizados 
deve oferecer uma base conceitual para definir a especialização 
do produto, seu desenvolvimento, recursos humanos e financeiros 
necessários [...]. Com as mudanças tecnológicas, sociais, financeiras 
e outras do meio ambiente que cerca a unidade da informação, é 
necessário lembrar que esses produtos têm um ciclo de vida e que 
deverão, depois de certo período, ser reformulados, a partir de dados 
fornecidos pelos usuários (ARAÚJO; SILVA; SILVA, 2011, p. 81). 
3 PRINCÍPIOS BÁSICOS SOBRE PRODUTOS E SERVIÇOS 
EM BIBLIOTECAS
 
Amaral (2000, p. 4) cita quatro princípios básicos que devem nortear a 
preocupação dos profissionais da informação com relação à oferta de produtos e 
serviços, que são: 
Figura 50 – Princípios básicos norteadores dos profissionais da informação com relação à oferta de 
produtos e serviços
Fonte: adaptada de Amaral (2000, p. 4).
137
Figura 51 – Os sete pecados no atendimento
Fonte: http://muitomaisquelivros.blogspot.com/2016/04/como-fidelizar-o-cliente-de-espacos-de.html. 
Acesso em: 26 set. 2023.
Há de se considerar que na oferta de produtos e serviços não há ‘certo’ ou 
‘errado’ no sentido de julgamentos em relação aos que observamos ofertados nas 
bibliotecas. O que há, por vezes, são produtos e serviços mal elaborados, ofertados e/
ou fora do interesse dos usuários ou, ainda, ter-se problemas com o atendimento, como 
podemos observar na ilustração a seguir.
3.1 SERVIÇOS BIBLIOTECÁRIOS INOVADORES 
O Comitê Intergovernamental do programa “Iberbibliotecas” define alguns 
serviços de bibliotecários como inovadores. Para ser um bibliotecário inovador, o 
profissional precisa muito mais do que conhecimento e habilidades. Precisa um repensar 
pontualmente sobre suas atitudes interpessoais significativas como de envolvimento, 
comprometimento, trabalho em equipe, para dar visibilidade profissional, devido à área 
ser multidisciplinar (PINTO, 2009).
Vejamos alguns aspectos de serviços inovadores considerados pela 
Iberbibliotecas (BASTO NETO, 2017): 
a) Implementação de ferramentas alternativas às tradicionalmente usadas no 
desenvolvimento das suas atividades. 
b) Utilização de tecnologias disponíveis de forma criativa. 
c) Utilização de ferramentas externas ao ambiente tradicional da biblioteca para resolver 
necessidades locais. 
d) Transformação de espaços e serviços da biblioteca para criar formas de vínculo 
comunitário. 
e) Transformação da concepção de biblioteca para incluir novas funções comunitárias 
para além das tradicionais. 
138
f) Diversificação dos serviços da biblioteca, chegando a usuários tradicionalmente não 
atendidos por esta (pessoas hospitalizadas, que vivem em áreas que não tenham 
bibliotecas próximas, em situação de reclusão etc.). 
g) Vinculação de projetos de empreendimento social que produzam benefícios 
quantificáveis àqueles que neles participam. 
h) Fomento à participação direta do utilizador, outorgando-lhe papéis na produção de 
conhecimento, na realização de atividades e na gestão da biblioteca. 
i) Integração de diversos setores culturais, educativos, econômicos etc., de forma 
transversal, com o objetivo de alcançar um maior número de pessoas do que aquelas 
a que a entidade proponente regularmente atende. 
j) Promoção da criação de serviços e de conteúdos especialmente destinados a 
preencher as lacunas produzidas pelas diferenças de gênero.
k) Promoção de participação de setores privados socialmente comprometidos com as 
atividades da biblioteca com o fim de promover o seu desenvolvimento, com ou sem 
cofinanciamento.
4 DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E SERVIÇOS EM 
BIBLIOTECAS
Os estudos sobre a gestão de serviços de bibliotecas e unidades de informação 
foram se ampliando ao longo dos anos. Isso ocorreu e continua ocorrendo devido ao 
desenvolvimento tecnológico, que amplia as possibilidades de serviços e modifica o 
comportamento do usuário. Esse comportamento pode e deve ser estudado por todas 
as unidades de informação e ganha o nome de “estudo de usuário”. 
De acordo com Figueiredo (1979), os estudos de usuários são canais de 
comunicação entre os usuários e a biblioteca que podem ser realizados ao serem 
coletados dados quantitativos e qualitativos.
Quadro 3 – Dados qualitativos e quantitativos 
Fonte: adaptado de Figueiredo (1979).
Dados qualitativos Dados quantitativos
Podem ser considerados os sentimentos, o 
modo de aprendizagem, a percepção que 
os usuários têm ao buscar a informação, 
levando em conta os aspectos que 
interferem no comportamento de busca e 
uso da informação.
Podem ser considerados relação à idade, 
o sexo, a formação acadêmica, números 
sobre a utilização do acervo.
139
O reconhecimento das demandas e a qualidade ofertada nos produtos e 
serviços se deve há alguns fatores, como:
• Conhecimento da comunidade e dos usuários. Isso pode ser feito por meio de 
estudo de usuário. Lembrando que usuários são aqueles que já utilizam a biblioteca, 
mas também aqueles usuários em potencial.
• Administração eficiente dos recursos financeiros. Isso pode ser realizado por 
meio de pesquisa de mercado, qualidade dos produtos e balanço financeiro dos 
recursos existentes. 
• Gestão de pessoas. Ter uma equipe qualificada e comprometida para o oferecimento 
dos produtos e serviços. 
• Utilização de técnicas de marketing. A comunidade precisa ter conhecimento 
dos produtos e serviços oferecidos. 
4.1 MARKETING NA BIBLIOTECA 
O marketing nabiblioteca tem como função lidar com os usuários reais e 
potenciais, ou seja, atrair novos e manter os usuários atuais, visando aumentar a 
produtividade e acirrar a competitividade dos produtos e serviços de informação. 
Para Amaral (2000, p. 34), “marketing pressupõe a compreensão das 
necessidades, percepções, preferências e interesse pela satisfação e pelos padrões 
de comportamento da audiência [público]-alvo”. O autor reforça que todas as 
atividades devem manter compromisso com a qualidade, profissionalismo e ética. O 
desenvolvimento dos produtos e serviços precisa ser acompanhado pelos profissionais 
da informação com competência e cobrança de resultados, pelo estabelecimento de 
políticas, desenvolvimento de habilidades gerenciais e adoção de técnicas de marketing. 
Baptista, Costa e Neta (2009) resumem as razões para a aplicação do marketing 
em bibliotecas, como: 
• Fornecimento um conjunto de técnicas e instrumentos que podem identificar: 
necessidades, desejos e preferências dos usuários. 
• Possibilitam o questionamento sobre como a organização tem sido sensível aos 
problemas de busca de informação de seus usuários reais e potenciais, podendo 
causar uma mudança de ação dentro da biblioteca.
• Envolvem uma administração mais dinâmica de relação de troca entre a biblioteca 
e seu público. Ao oferecer um produto ou serviço de informação, baseado nas 
necessidades identificadas, obtém-se o reconhecimento por meio do aumento da 
procura por seus serviços. 
• Promovem a comunicação, que é interessante para captar a atenção dos não 
usuários e fidelizar seus usuários reais. A comunicação ajuda a derrubar as barreiras 
geradas pelo desconhecimento sobre os serviços e produtos oferecidos.
140
• Por meio da promoção, poderá promover um maior uso dos serviços e produtos da 
biblioteca, bem como atrair mais investimentos para o aperfeiçoamento e oferta de 
novos serviços e produtos. 
Algumas vezes é uma questão de criatividade e comunicação, como demonstra 
a ilutração a seguir: 
Figura 52 – Marketing na biblioteca
Fonte: http://balcaodebiblioteca.blogspot.com/2011/07/marketing-de-biblioteca.html. 
Acesso em: 26 set. 2023.
4.2 GESTÃO DE RECURSOS FINANCEIROS E MATERIAIS 
Novamente ressaltamos a grande diversidade de bibliotecas e, por isso, a 
diversidade de formas de gestão de recursos financeiros. Em algumas bibliotecas, por 
exemplo, o profissional de biblioteconomia que faz orçamentos e efetua a compra. Em 
outras, esse papel não passa pela sua função. Assim, o mais importante, quando tratamos 
de finanças, não tendo um padrão a ser seguido, devem-se seguir as orientações da 
instituição a qual está inserida.
141
Figura 53 – Acervo
Figura 54 – Multa
Fonte: https://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2015/09/08/1130959/acervo-digital-usp-
oferece-materiais-estudo-gratuitos-sobre-historia-brasil.html. Acesso em: 26 set. 2023.
Fonte: http://www.uece.br/fafidam/index.php?option=com_content&view=article&id=90607:inf
ormes-do-sistema-de-biblioteca-da-uece-sobre-devolucao-de-livros-e-multas&catid=3:lista-de-
noticias&Itemid=1207. Acesso em: 26 set. 2023.
4.2.1 Acervo 
4.2.2 Multas 
Um dos principais itens quando falamos de gestão de recursos financeiros, 
deve-se voltar para o a aquisição do acervo. Como vimos em diversas outras disciplinas, 
uma das cinco leis da biblioteconomia de Ranganathan (2009, p. 336) é “biblioteca é um 
organismo em crescimento”. Assim, mesmo que seja no formato digital, o acervo precisa 
estar sempre atualizado. Para isso, precisa-se ter um orçamento anual previsto para a 
compra de novos materiais. Sobre acervo, especificamente, você viu o detalhamento 
desses procedimentos na disciplina de Desenvolvimento de coleções. 
142
Nem todas as bibliotecas possuem multa por atraso na devolução do acervo, 
mas quando adotam esse recurso, o valor arrecadado pode ser utilizado para compras 
necessárias de pequeno porte para a biblioteca. 
 
Isso também depende das instituições, pois em algumas bibliotecas, por 
exemplo, o valor arrecado com as multas não fica à disposição da biblioteca e do 
bibliotecário gestor, indo direto para a instituição ao qual a biblioteca está vinculada, 
dificultando que se revertam à própria biblioteca. É necessário avaliar muito bem se a 
“multa” está contribuindo ou não com a instituição. 
Como estabelecer parâmetros para cobranças de multas em bibliotecas
Entre outras coisas, a biblioteca, antes de cobrar a devolução do livro, precisa ter a certeza 
de que possui a comprovação de que o empréstimo foi realmente feito pelo usuário.
Veja aqui o resumo: 
Neste texto, busca-se demonstrar a necessidade, ratificada com a publicação da Resolução 
do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) nº 207/2018, de se observar, no âmbito das bi-
bliotecas, o que dispõe o ordenamento jurídico brasileiro sobre o contrato ali firmado, quan-
do do empréstimo do material do acervo. Para tanto, será analisado o que dispõe o Código 
Civil sobre a “cláusula penal” (nome jurídico dado, dentre outros institutos, à multa) 
e o tratamento a ela conferido; o enriquecimento ilícito; o contrato de comodato 
(o qual se aplica no âmbito das bibliotecas, na efetivação do empréstimo domi-
ciliar); e a boa-fé objetiva (dever anexo de qualquer relação contratual).
Conjugada as análises dos dispositivos legais, serão citadas jurisprudências 
(entendimentos firmados pelos Tribunais do Poder Judiciário) das suas apli-
cações no âmbito de conflitos envolvendo bibliotecas e seus usuários. Por 
fim, pretende-se concluir qual é a forma mais adequada para a aplicação da 
multa financeira de acordo com o que dispõe o ordenamento jurídico bra-
sileiro, de forma a minimizar os conflitos entre a biblioteca e o seu usuário
Leia a matéria completa, acessando: https://biblioo.cartacapital.com.br/como-
-estabaler-parametros-para-cobrancas-de-multas-em-bibliotecas/
DICA
4.2.3 Projetos de financiamento 
O Ministério da Cultura e a Fundação Biblioteca Nacional possuem diversos 
editais de fomento, especialmente em bibliotecas públicas e escolares, as quais podem 
participar e receber verba para compra de acervo e/ou para investir na estrutura física 
e/ou na compra de mobiliário. 
 
Outro exemplo é o Programa Ibero-Americano de Bibliotecas Públicas, 
Iberbibliotecas, que realiza anualmente um Concurso de Ajudas, dirigido às bibliotecas 
públicas dos países e cidades membros. 
143
O Iberbibliotecas é liderado pela Secretaria-Geral Ibero-Americana, Segib, 
e conta com a coordenação do Centro Regional para o Fomento do Livro 
na América Latina e Caribe, Cerlalc, como Unidade Técnica. 
Fonte: BASTO NETO, M de M. Aberto Edital de fomento a projetos de 
bibliotecas públicas. i9Treinamentos, Brasília, 24 jan. 2028. Disponível em: 
https://i9treinamentos.com/blog/aberto-edital-de-fomento-a-projetos-
de-bibliotecas-publicas/. Acesso em: 27 set. 2023.
NOTA
Veja algumas categorias de possibilidades de projetos que podem ser 
desenvolvidos:
1. Projetos bibliotecários inovadores. 
2. Projetos para fortalecer redes e sistemas de bibliotecas nacionais, regionais ou de 
cidades (nacionais, estaduais, municipais e distritais). 
Projetos com objetivos de:
a) Desenho de planos estratégicos.
b) Estudos de valor das bibliotecas.
c) Estudos de avaliação de serviços.
d) Desenho de planos de apoio à leitura.
e) Desenvolvimento de estratégias de comunicação digital.
f) Defi nição de normas de serviço.
d) Plano de gestão de coleções.
5 GESTÃO ESTRATÉGICA E INTELIGÊNCIA COMPETITIVA 
EM BIBLIOTECAS
Casartell et al. (2010, p. 187-188) defi ne inteligência competitiva como um “pro-
cesso sistemático e ético para reunir, analisar e administrar informações que podem afe-
tar planos, decisões e operações de uma empresa”, ou seja, no contexto de uma bibliote-
ca, utilizando-se da gestão do conhecimento e do capital humano em prol da instituição, 
considerando que a gestão da informação estratégica e competitiva é um processo co-
letivo, que deve envolver toda ou parte daequipe e não exclusivo do bibliotecário gestor. 
Já para Valentim et al. (2003, on-line):
O processo de inteligência competitiva investiga o ambiente 
externo à organização, bem como diagnostica o ambiente interno 
organizacional, com o propósito de descobrir oportunidades e reduzir 
os riscos, visando ao estabelecimento de estratégias de ação a curto, 
médio e longo prazo. 
144
Valentim (2002) apresenta os sete passos do processo de inteligência 
competitiva, em unidades de informação: 
Figura 55 – Passos do processo de inteligência competitiva em unidades de informação
Fonte: adaptada de Valentin (2002).
Figura 56 – Tipos de gestão
Fonte: adaptada de Valentin (2002).
Duas das principais atividades da biblioteca que fornecem informações à 
inteligência competitiva e à tomada de decisões são o Estudo de Usuários e a Avaliação 
dos Produtos e Serviços. Ambos os processos atuam diretamente com os usuários 
colendo informações úteis (ou que poderão assim se tornar), exigindo do bibliotecário 
gestor e de sua equipe a avaliação e o tratamento do que for coletado, visando a uma 
reflexão e alterações no que for demandando por parte dos usuários.
Vejamos a seguir a diferença entre gestão da informação, gestão do 
conhecimento e inteligência competitiva. 
145
Figura 57 – Novas ideias
Fonte: https://epocanegocios.globo.com/Mercado/noticia/2018/07/empreendedorismo-de-impacto-social-
cresce-no-brasil.html. Acesso em: 27 set. 2023.
• Gestão da informação – tem relação com prospecção, seleção e obtenção da 
informação; mapeamento e reconhecimento dos fluxos formais de informação; 
tratamento, análise e armazenamento da informação utilizando tecnologia da 
informação; disseminação e mediação da informação ao público interessado; e, 
criação e disponibilização de produtos e serviços de informação (VALENTIN, 2002).
• Gestão do conhecimento – tem relação com desenvolvimento da cultura orga-
nizacional voltada ao conhecimento; mapeamento e reconhecimento dos fluxos 
informais de informação; tratamento, análise e agregação de valor às informações 
utilizando tecnologias de informação; transferência do conhecimento ou socializa-
ção do conhecimento no ambiente organizacional; e criação e disponibilização de 
sistemas de informação empresariais de diferentes naturezas (VALENTIN, 2002).
• Inteligência competitiva – tem relação com o desenvolvimento da capacidade 
criativa do capital intelectual da organização; prospecção, seleção e filtragem de 
informações estratégicas nos dois fluxos informacionais: formais e informais; agre-
gação de valor às informações prospectadas, selecionadas e filtradas; utilização de 
sistema de informação estratégico voltado à tomada de decisão; e, criação e disponi-
bilização de produtos e serviços específicos à tomada de decisões (VALENTIN, 2002).
6 NOVAS TENDÊNCIAS EM SERVIÇOS NAS BIBLIOTECAS
Podemos considerar os serviços ‘o coração’ das unidades de informação, pois 
são por meio deles que atingimos o objetivo das bibliotecas, ou seja, o atendimento 
informacional dos usuários, conforme os seus tipos e características.
Alguns desses serviços são básicos no cotidiano profissional dos bibliotecários, 
como já abordamos em outras disciplinas do curso, como serviços de referência, serviços 
técnicos no tratamento da informação, entre outros. Em especial, nesta última unidade deste 
livro didático, daremos um foco especial às novas tendências de serviços que já são, ou ainda 
podem vir a ser oferecidos em bibliotecas ou em outros tipos de unidades de informação. 
Gostaríamos que você, ao longo dos estudos, também se inspirasse e pensasse 
em novas formas e serviços que pudessem vir a melhor atender aos usuários. 
146
Essas “novas tendências” surgem principalmente em decorrência do 
desenvolvimento tecnológico e de outras formas de utilização da biblioteca pelos 
usuários. Precisamos sempre estar atentos, não podemos ficar estacionados no tempo, 
nossas práticas, nosso ‘carro-chefe’ são as necessidades informacionais dos usuários 
de quem atendemos e os potenciais usuários que podem vir a necessitar de nossos 
serviços, precisamos acompanhar permanentemente as novas tendências. 
7 A CULTURA DIGITAL E AS NOVAS TENDÊNCIAS NOS 
SERVIÇOS DA INFORMAÇÃO 
A cultura digital vem instigando pesquisadores do campo da ciência da 
informação, bem como bibliotecários a buscarem soluções para a ampliação e 
inovação em seus serviços nos serviços. A ampliação do acesso à internet no uso dos 
computadores e outros aparelhos, em especial do celular, faz com que seja necessário 
repensar as formas de disponibilização das informações. 
7.1 QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DESSAS 
TENDÊNCIAS?
Na figura a seguir, apresentamos alguns termos que encontramos em diversas 
bibliografias acerca das características dessas novas tendências. 
Figura 58 – Características das tendências de novos serviços
Fonte: a autora.
147
Figura 59 – Informação líquida
Figura 60 – Sociedade conectada
Figura 61 – Informação híbrida
Fonte: https://www.todamateria.com.br/modernidade-liquida/. Acesso em: 27 set. 2023.
Fonte: https://www.touts.com.br/artes/conectados. Acesso em: 27 set. 2023.
Fonte: https://eadbox.com/o-que-e-ensino-hibrido/. Acesso em: 27 set. 2023.
Informação líquida – relaciona-se com Dados Abertos – DA (Open Data) ou 
“informação líquida”. Denominamos “informação líquida” os dados registrados em su-
portes digitais em atualização permanente, sem restrições de acesso, amplamente dis-
poníveis e em formatos que possam ser compartilhados por meio de protocolos abertos.
Não temos como pensar em unidades de informação sem pensar o atendimento 
e acesso de usuários através da internet. 
148
As bibliotecas físicas, bem como o serviço de atendimento ao usuário nesta 
modalidade são fundamentais em diversos momentos da utilização da informação. 
Temos que lembrar a presença de uma grande diversidade de usuários e, entre estes, 
ainda predomina o uso do livro físico. A biblioteca física também tem seu papel social 
como espaço de lazer, cultura e estudo (abordaremos melhor esse tema na disciplina de 
Ações culturais e sociais em bibliotecas).
Em entrevista ao Estado de São Paulo, para a bibliotecária francesa Mélanie 
Archambaud: 
Não tenhamos preocupações com a sobrevivência do livro neste novo 
modelo de bibliotecas, que agora irá coabitar com o digital. Esses 
dois apoios são complementares e não contraditórios. [...] Na minha 
opinião, uma biblioteca que é apenas digital é tão inadequada como 
uma biblioteca que só oferece livros. Em ambos os casos, excluem 
uma parte da sociedade, modos de acesso ao conhecimento e 
práticas culturais (RODRIGUES, 2017, on-line).
A ampliação do acesso às informações em outros formatos digitais cria a 
necessidade de uma ação híbrida, que dialogue entre os serviços de acesso à informação 
física e digital. 
Figura 62 – Biblioteca desterritorializada 
Fonte: https://br.depositphotos.com/37583047/stock-illustration-library-scientists-flying-on-book.html. 
Acesso em: 27 set. 2023.
Levy (1994), ao abordar o tema “a emergência do cyberspace e as mutações 
culturais”, já citava a “desterritorialização da biblioteca”, que, para o autor, trata-
se de um fenômeno dos hipertextos, bem como sua velocidade na circulação da 
informação. “A informação é fluxo, é como se o coletivo novamente fosse portador do 
conhecimento” (LEVY, 1994, on-line). Essa característica da biblioteca desterritorializada 
se relaciona com as informações dispostas no espaço virtual, fazendo com que a 
biblioteca atenda um público muito além do seu território.
149
Figura 63 – Informação atemporal
Figura 64 – Informação síncrona
Fonte: https://naoandeisansiosos.blog.br/2018/01/19/e-hora-de-reconhecer-que-seu-tempo-pertence-a-
deus/. Acesso em: 27 set. 2023.
Fonte: https://www.impacta.com.br/blog/2018/01/24/comunicacao-sincrona-e-assincrona-comunicar-
melhor-com-clientes/. Acesso em: 27 set. 2023.
A informação atemporal é aquela que pode ser consultada a qualquer momento.Santos, Barbosa e Souza (2013), ao falar da comunicação nos processos dos 
serviços de informação em bibliotecas, citam as formas assíncrona e síncronas de 
atendimento aos usuários.
 
A comunicação assíncrona não exige a presença de ambos os envolvidos 
em tempo real, conectados a uma rede. Ela consiste em uma comunicação em que o 
comunicante envia uma mensagem, por meio de e-mail ou formulário, e que é respondida 
posteriormente, em momento oportuno. Logo, a comunicação síncrona necessita que 
dois ou mais envolvidos estejam conectados ao mesmo tempo no ambiente virtual, com 
a vantagem de possibilitar ao usuário receber respostas imediatas e ao bibliotecário, 
realizar uma entrevista mais minuciosa em relação aos questionamentos abordados. 
150
Figura 65 - Informação personalizável
Figura 66 – Informação colaborativa
Fonte: https://www.cesar.org.br/index.php/2017/10/23/inteligencia-artificial-na-educacao/. 
Acesso em: 27 set. 2023.
Fonte: http://blog.safetec.com.br/colaboracao/o-que-sao-sistemas-colaborativos/. 
Acesso em: 27 set. 2023.
O conceito de personalização, segundo Camargo e Vidotti (2006, p. 103), implica 
“satisfazer, da melhor forma possível, as necessidades dos usuários, possibilitando 
informações e recursos de acordo com o seu perfil”. 
Para alcançar o sucesso na gestão, as organizações estão desenvolvendo redes 
e interagindo de forma colaborativa, ou seja, utilizando de estratégias e ferramentas que 
auxiliem no trabalho em equipe entre setores ou parceiros. Segundo Wolkan (2019), as 
organizações que não adotarem essa estratégia poderão se tornar obsoletas, perder seu 
lugar no mercado ou não conseguirem extrair todo seu potencial produtivo justamente 
por conta da agilidade, uma necessidade na era da Transformação Digital que só é 
alcançada através de sistema colaborativos. 
Todos esses termos se relacionam às formas e concepções sobre uso e formato 
da informação, que é chamado de Sociedade da Informação.
151
O termo Sociedade da Informação surgiu no final do século XX e vem sendo fortemente 
utilizado por aqueles que reforçam o surgimento de um novo conceito sobre o uso da 
informação relacionada às novas tecnologias e de comunicação.
Estamos todos cercados por informação, elas atuam em diferentes espaços, lugares 
da nossa vida atual. A informação é configurada de várias formas, como para sua 
transmissão, seguem por vários caminhos e tipos de serviços para realizar a comunicação 
das informações, essas circulam através das mídias ou até mesmo pelos de sistemas de 
informação nas empresas. 
A Sociedade da Informação vive atualmente em constante mudança, em constante 
formação, este conceito é definido pelas constantes mudanças e melhoras das tecnologias 
e o surgimento das novas tecnologias.
 
O que move o mundo hoje são as novas tecnologias desenvolvidas todos os dias, utilizadas 
em todos os meios funcionais e mundiais que podemos imaginar. A Sociedade da 
Informação ainda está em um processo de construção, de formação e expansão devido ao 
surgimento das novas tecnologias que, atualmente, são indispensáveis para a comunicação 
pessoal e profissional. 
A sociedade se transformou em um mundo consumidor economicamente, podemos utilizar 
neste contexto do mercado das novas tecnologias. A Sociedade da Informação se resume, 
na inovação tecnológica que possui como objetivo, em auxiliar as organizações e instituições 
de ensino, com a união dos conceitos de pesquisa e informação, tornando os processos de 
comunicação muito mais eficientes, dinâmicos e ágeis (PORTAL EDUCAÇÃO, 2019). 
Observamos que esse conceito de Sociedade de Informação não é consenso 
na ciência, e diversos autores fazem um recorte crítico a forma que vem 
sendo utilizada. Por exemplo, Werthein (2000) que apresenta sua leitura a 
partir do que chama de “exageros utópicos de aprendizagens que constituem 
a computopia”. Para o autor, as promessas relacionas à Sociedade da 
Informação não podem impedir a constatação de inúmeros desafios 
e problemas, tanto técnicos como de natureza social ou econômicos 
e requerem um compromisso político para assegurar o acesso a 
comunidades menos privilegiadas. 
Leia o artigo completo em: https://www.scielo.br/j/ci/a/
rmmLFLLbYsjPrkNrbkrK7VF/?format=pdf&lang=pt.
IMPORTANTE
8 SERVIÇOS – CONCEITOS
Lovelock e Wright (2001, p. 102) definem serviço como “ato ou desempenho que 
cria benefícios para clientes por meio de uma mudança desejada no – ou em nome do 
– destinatário do serviço”. 
Já Gianesi e Corrêa (1994) apontam a ligação íntima entre a vivência do usuário, 
enquanto os bens manufaturados podem ser adquiridos. Santos (2000) conclui que os 
serviços não são palpáveis, e sim intangíveis e de difícil mensuração. Desse modo, o 
152
principal diferencial entre bens e serviços estaria na participação do usuário, que, de 
fato vivencia a criação do serviço. Santos (2000) afi rma que os serviços possuem três 
características principais: 
Figura 67 – Características dos serviços
Fonte: adaptada de Santos (2000).
A participação do usuário no processo de produção do serviço faz ressaltar a 
importância da gestão dos processos de serviços (SANTOS, 2000). 
8.1 CRESCIMENTO DOS SERVIÇOS 
O setor de prestação de serviços tem crescido continuamente na economia 
mundial. 
Em 1950, o setor de serviços no Brasil era responsável por cerca de 
26,4% da força de trabalho empregada no país e por 49,8% do Produto 
Interno Bruto (PIB). Em 1973, esses valores passaram, respectivamente, 
para 39,1% e 52,2%, indicando a tendência progressiva em termos 
de crescimento desse setor econômico. Em 2018, o setor terciário já 
empregava mais de 70% da população brasileira.
Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/crescimento-setor-terciario-
no-brasil.htm. Acesso em: 26 set. 2023.
NOTA
153
Diante desse crescimento, muitos esforços da comunidade acadêmica, como os 
de pesquisadores e professores de diversas áreas do conhecimento começaram a voltar 
suas atenções para as particularidades da gestão de serviços. A busca de melhorias de 
qualidade, tão comum em indústrias, passou a ser prioridade também nas organizações 
prestadoras de serviços.
No campo da biblioteconomia, até a década de 1990, a maioria dos estudos de 
usuários estavam mais voltados para as abordagens tradicionais. Para Ferreira (1996), 
os usuários eram vistos apenas como um dos integrantes do sistema, e não como os 
principais interagentes. Segundo Ferreira (1996), essa concepção acreditava que os 
usuários apenas recebiam os bens e serviços que eram oferecidos a eles, sem que suas 
preferências fossem ouvidas e atendidas. Da mesma forma, nas fases de planejamentos, 
o usuário não era participavam diretamente; a seleção e a aquisição dos produtos a eles 
oferecidos eram atribuídas de forma intuitiva e empírica. Isto acontecia porque existia 
uma divisão entre bibliotecas centradas em tecnologias e bibliotecas centradas em 
pessoas (FERREIRA, 1996).
Para Santos, Fachin e Varvakis (2003, p. 85), neste contexto, a gestão dos 
processos “passa a ter papel crucial nas organizações de serviços, principalmente para 
as organizações voltadas à prestação de serviços de informação, como no caso das 
bibliotecas”. Santos, Fachin e Varvakis (2003, p. 85) alertam que, no que se refere à 
gestão de serviços na área da disseminação de informações, “pouco tem sido feito 
no sentido de dar suporte ao desenvolvimento de novos serviços ou na análise dos 
processos de serviços existentes, visando ao aperfeiçoamento contínuo da qualidade”.
Por isso ressaltamos que, diante desse cenário, os profissionais da informação 
precisam dominar as ferramentas tecnológicas atuais e estar sempre acompanhando 
suas mudanças. Essa adaptação é fundamental principalmente no que se refere à 
criação de novos produtos e serviços.
Para isso, cada vez mais os cursos de biblioteconomia vêm trazendo entre suas 
grades curriculares disciplinas com foco na gestão da informação e na tecnologia, am-
pliando seu arcabouço de competênciase habilidades nas ferramentas de gestão de 
serviços de informação, “desde sua pesquisa, seu tratamento e, principalmente, sua 
disseminação aos usuários, que a cada dia tornam-se mais exigentes e apressados na 
obtenção de informações pontuais e relevantes, ou seja, a informação exclusiva, efi-
ciente e direcionada à sua necessidade” (SANTOS; FACHIN; VARVAKIS, 2003, p. 86-87). 
No entanto, para que isto ocorra, são necessárias constantes avaliações e análises dos 
serviços e dos usuários.
Nesse contexto, os profissionais bibliotecários começam a pensar e definir a bi-
blioteca do futuro, na qual é imprescindível a participação dos usuários no planejamento 
dos sistemas de informação. Para Silva e Rados (2002), é preciso agregar valor à infor-
mação de forma continuada, pois, tanto as preferências individuais como as grupais mo-
154
dificam-se no decorrer do tempo. Os autores reforçam que as unidades de informações 
devem ser modeladas de acordo com seus usuários, suas necessidades e expectativas, 
na busca e no uso de informação de forma a maximizar a eficiência das unidades.
9 A BIBLIOTECA DO FUTURO: DESAFIOS 
Em julho de 2017, a International Federation of Library Associations and 
Institutions (Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias) 
realizou o segundo workshop espanhol Visión Global de la IFLA com o tema Como um 
setor de bibliotecas unidas pode enfrentar os desafios do futuro – ideias para ações. 
 Para a IFLA (2017 apud ARENAS, 2018, on-line), os desafios do campo 
da biblioteca, no contexto da globalização, são cada vez maiores e só podem ser 
superados por meio de uma resposta global e unificada por parte dos profissionais de 
biblioteconomia. Neste workshop, uma série de desafios/oportunidades de biblioteca 
foram identificados, bem como formuladas propostas para alcançá-las. No site Biblioo 
Educacional, em reportagem escrita por Arenas (2018), estas dez propostas foram 
traduzidas para português, as quais destacamos de forma resumida a seguir: 
1ª Os papéis tradicionais da biblioteca na era digital devem ser atualizados
O bibliotecário de hoje tem pouco a ver com o bibliotecário do passado. 
Certamente, nem mesmo o bibliotecário de agora tem a ver com o bibliotecário 
do futuro. A tecnologia e a digitalização estão abrindo novas oportunidades de 
aproveitamento para alcançar os usuários e fornecer novas formas de acesso 
à informação por meio da criação de recursos e utilidades para influenciar seu 
desenvolvimento pessoal e profissional.
As ações propostas para alcançar este desafio estão focadas em treinar 
os usuários no uso da informação, fornecendo a eles novas fontes de informação 
curateladas pela biblioteca e proporcionando maior acesso a grupos específicos:
• Educação para os usuários antes de um novo tipo de informação. Mediadores/
Formadores = Educadores para disseminadores.
• Criação de novas fontes de informação a partir de repositórios e bases de 
dados digitais. Curadoria de conteúdo. Colaboração institucional = Criadores de 
informação.
• Maior acesso a grupos específicos.
155
2ª As necessidades da comunidade bibliotecária devem ser melhor 
compreendidas e os serviços devem ser projetados para causar impacto
Não basta saber o número de usuários, visitas ou empréstimos em bibliotecas, 
é preciso ir mais além e avaliar a qualidade dos números para melhor entender a 
comunidade de usuários da biblioteca.
Além disso, é necessário equipar os diferentes profissionais com as 
bibliotecas mais importantes para projetar e desenvolver novos serviços e prestar 
atenção às novas tendências tecnológicas e sociais.
As ações propostas para alcançar este desafio estão voltadas para a realização 
de estudos qualitativos na biblioteca, dando maior importância à colaboração e 
desenvolvimento profissional, e a inclusão de novas tecnologias.
Na prática:
• Além da coleta sistemática de resultados (estudo quantitativo), é necessário 
realizar estudos qualitativos da atividade das bibliotecas para analisar o retorno 
do investimento.
• Incluir a versatilidade e transversalidade dos diferentes profissionais da 
informação e estabelecer a colaboração entre eles na concepção de serviços.
• Incluir tecnologias e tendências disruptivas (gamification, inteligência artificial etc.).
3ª As bibliotecas devem adaptar-se a mudanças tecnológicas permanentes
Vivemos em uma mudança tecnológica contínua. O que há alguns anos foi a 
mais recente tecnologia já é assimilado pela sociedade ou passou com mais tristeza 
do que glória para as vidas das pessoas e organizações. As bibliotecas devem estar 
cientes dessas mudanças para aproveitar o potencial da tecnologia nos serviços e 
recursos a serem oferecidos às comunidades de usuários.
As ações propostas para atender a este desafio incidirá sobre a troca 
de experiências profissionais, para envolver a sociedade na vida da biblioteca, 
desenvolver e fortalecer parcerias com organizações e associações, e aproveitar ao 
máximo os recursos econômicos da biblioteca.
Na prática:
• Crie redes profissionais de intercâmbio.
• Envolva cidadãos e estudantes de outros setores como uma oportunidade de 
aprendizado para bibliotecários e para atividades de biblioteca.
156
• Reforce alianças entre associações, administrações e empresas para que o 
conhecimento e a aquisição de novas competências sejam mais rápidos.
• Focar os recursos econômicos na contratação de mais serviços e diminuir a 
compra de equipamentos que, por vezes, não são rentáveis.
4ª Mais e melhores promotores e defensores da profissão são necessários 
em todos os níveis
A biblioteca é para todos e, entre todos, devemos cuidar e defendê-la. 
As pessoas precisam saber o que podem fazer por elas e, para isso, é importante 
pensar e executar ações de visibilidade e impacto. E é porque a sociedade precisa de 
bibliotecas fortes, as bibliotecas precisam de uma sociedade forte que as promova 
e as defenda.
As ações propostas para atender a este desafio vão se concentrar no 
fortalecimento da imagem da biblioteca e do bibliotecário, fincar presença na mídia 
e visibilidade para a biblioteca, e proporcionar mais dinheiro e recursos para as 
associações profissionais para a defesa de bibliotecas.
Trabalhe a imagem da biblioteca para a sociedade e para os políticos para 
torná-la atraente. Crie campanhas de marketing que mostram o que uma biblioteca 
realmente é.
Na prática:
• Criar o dia do ‘orgulho do bibliotecário’. Aumentar a autoestima do bibliotecário.
• Alcançar maior presença nas mídias e redes sociais de bibliotecas e profissionais. 
Ser influenciador.
• Projetar, promover, divulgar e explorar os prêmios que tornam as bibliotecas 
visíveis em outros coletivos.
• Fortalecer os recursos econômicos e humanos das associações para que possam 
continuar e aumentar as ações de lobby.
5ª Um espírito de colaboração bibliotecária deve ser desenvolvido
A colaboração entre bibliotecas e profissionais é de extrema importância. 
Trabalhar como uma marca única dará mais força ao setor. Para isso, é mais do que 
necessário que bibliotecas, bibliotecários e associações concentrem seus esforços e 
pensem como um grupo para alcançar os grandes objetivos propostos.
As ações propostas para alcançar este desafio estão focadas em integrar 
ainda mais as bibliotecas na sociedade e unir o setor de bibliotecas (e associações) 
para trabalhar na mesma linha.
157
Na prática:
• Mudar a mentalidade e o modo de se relacionar com o meio ambiente, com os 
usuários; implementar dinâmicas de busca ativa de aliados, demonstrar maior 
sensibilidade ao que acontece no ambiente (sociedade civil, fóruns políticos, 
culturais etc.).
• Incluir na gestão e no trabalho das bibliotecas ações que o tornem um nó 
relacional entre os profissionais e a comunidade (indivíduos e grupos), não 
apenas nos centros de atenção às necessidades informativas dos usuários. 
Mediação social e cultural.
• Criar redes e estruturas colaborativas entre bibliotecários de todos os setorese 
tipos de bibliotecas.
• Fortalecer a colaboração de todas as associações de bibliotecas o país. 
Organizações com os mesmos objetivos não podem trabalhar separadamente.
• Alinhar as estratégias de todas as instituições da biblioteca. Fortalecer o conselho 
de cooperação entre bibliotecas como o fórum que alinha as estratégias de 
políticas da biblioteca entre bibliotecas e entre outros agentes em setores 
próximos, nos níveis nacional e regional.
6ª Você deve lutar pela liberdade intelectual da biblioteca
A pluralidade social é uma realidade e deve ser respeitada, entendida e 
tratada a partir do mundo das bibliotecas. Bibliotecas mediam o acesso à informação 
e é por isso que todos os tipos de conteúdo devem ser oferecidos para atender às 
diferentes demandas de informação que as pessoas possam ter.
A colaboração entre bibliotecas e o acesso aberto é apresentada como parte 
da solução para fornecer às pessoas, mais os recursos de informações.
As ações propostas para alcançar este desafio estão voltadas para a 
colaboração com bibliotecas especializadas e agentes sociais, promovendo o acesso 
aberto, internalizando o código ético profissional, defendendo a liberdade de acesso 
à informação, fomentando o pensamento crítico e compreendendo a pluralidade 
social da época para criar coleções, recursos e serviços.
Na prática:
• Maior colaboração com bibliotecas especializadas.
• O código profissional de ética deve ser conhecido e vinculativo.
• Realizar ações para modificar a legislação do bibliotecário, de modo que nosso 
espírito plural seja explicitamente incluído.
• Acesso aberto.
• Seja beligerante com a neutralidade da rede.
158
• Expandir os interlocutores (todos os agentes sociais nas localidades).
• Garantir a pluralidade (recursos, cobranças etc.).
• Incentive o pensamento crítico.
7ª Assegure-se de que as partes interessadas compreendam o valor e o 
impacto da biblioteca
Nem todo mundo entende igualmente o valor das bibliotecas na sociedade. 
Sem dúvida, chegou a hora de mostrar o potencial e o valor das bibliotecas, oferecendo 
dados quantitativos e qualitativos de bibliotecas externas ao setor profissional e a 
entidades políticas e governamentais.
As ações propostas para alcançar este desafio estão focadas na comparação 
de resultados, oferecendo dados de retorno sobre o investimento, promovendo e 
disseminando bibliotecas em outros setores.
Na prática:
• Sempre inclua nos relatórios de atividades das bibliotecas a comparação dos 
resultados, a fim de avaliá-los melhor.
• Melhorar os métodos de avaliação da biblioteca, incluindo a perspectiva social e 
o retorno sobre o investimento.
• Aumentar a promoção e divulgação do nosso trabalho para a comunidade.
• Aumentar a presença de profissionais e associações em fóruns de outros setores.
8ª As estruturas e comportamentos existentes devem ser desafiados
Bibliotecas evoluem e seus profissionais e funções também as seguem. 
Eles devem estar preparados para enfrentar novos desafios (mobilidade profissional, 
novos perfis profissionais…), e isso requer motivação e treinamento.
As ações propostas para alcançar este desafio concentram-se na mobilidade 
profissional, motivação, formação e novos perfis profissionais em bibliotecas.
Na prática:
• Incluir mobilidade profissional.
• Identificar mecanismos de motivação profissional.
• Treinamento e oportunidades de interação com outros setores.
• Incluir novos perfis profissionais em bibliotecas.
159
9ª O acesso ao patrimônio documental mundial deve ser maximizado
Quando o acesso à informação é um direito dos cidadãos, as bibliotecas 
devem promover este acesso para o mundo do patrimônio documental. A ciência 
aberta e as bibliotecas virtuais são apresentadas como duas boas maneiras de 
fornecer à sociedade acesso à informação e ao conhecimento.
As ações propostas para alcançar este desafio estão focadas em fornecer 
às bibliotecas voz no campo da propriedade intelectual, trabalhando em ambientes 
abertos, bibliotecas virtuais e ciência aberta, gerando conhecimento e tornando as 
bibliotecas uma referência no mundo digital.
10ª Os jovens profissionais devem receber oportunidades efetivas de 
aprendizado, desenvolvimento e liderança
As novas gerações estão carregadas de ideias e novas formas de ver a 
função da biblioteca. É por isso que estes profissionais devem ter a oportunidade de 
desenvolver e liderar iniciativas de valor.
As ações propostas para alcançar este desafio estão focadas em realizar 
estágios em posições de liderança, fazendo mudanças no acesso a cargos de 
gestão, aproximando associações profissionais de estudantes e jovens profissionais, 
promovendo intercâmbios profissionais.
Na prática:
• Incluir nas práticas profissionais o acesso a todas as posições e níveis de trabalho, 
inclusive gerenciais. Incluir cotas para que os jovens sejam representados em 
instituições e órgãos profissionais e bibliotecários.
• Fazer alterações no acesso aos cargos gerenciais; avaliar outros aspectos além 
dos anos de experiência em bibliotecas.
• Aproximar as associações de estudantes e recém-formados.
• Projetar programas de intercâmbio profissional para motivá-los.
• Elevar, em nível nacional, um programa de líderes enquadrados nas linhas gerais 
recomendadas pela IFLA.
Fonte: adaptado de ARENAS, J. M. Dez coisas que as bibliotecas devem fazer para enfrentar os desafios 
do futuro: a tecnologia e a digitalização estão abrindo novas oportunidades de aproveitamento para 
alcançar os usuários e fornecer novas formas de acesso à informação. Bibioo Cultura Informacional, 
[s. l.], 14 dez. 2018. Disponível em: https://biblioo.info/dez-coisas-que-as-bibliotecas-devem-fazer-para-
-enfrentar-os-desafios-do-futuro/. Acesso em: 28 set. 2023.
Vejamos agora um exemplo real de biblioteca considerada “biblioteca do futuro”. 
160
9.1 DOKK1 – MAIOR BIBLIOTECA DA ESCANDINÁVIA
Apelidada de “biblioteca do futuro”, a biblioteca Dokk1 se diferencia por seu 
projeto arquitetônico e seus quase 30 mil metros quadrados. Fundada em 2015, é a maior 
biblioteca da Escandinávia. Vem se destacando pelo número de usuários e visitantes 
que já é duas vezes maior que a do museu da cidade. Todo seu projeto é sustentável, 
há mais de 2.400 metros quadrados de painéis solares no telhado; a iluminação LED 
está em todos os ambientes e há sensores para os sistemas de água. É acessível, com 
rampas e elevadores em todos os cantos (CARNEIRO; ROCHA, 2016).
Figura 68 – Dokk1
Fonte: https://www.flickr.com/photos/smartdrones/36395240410/in/photostream/. 
Acesso em: 27 set. 2023.
Localizada ao longo do Rio Aarhus, na Dinamarca, foi coroada como a Biblioteca 
do Ano pela Agência Dinamarquesa para a Cultura e Palácios (Danish Agency for 
Culture and Palaces). Seu diretor, Sr. Rolf Hapel, afirma que “o projeto foi concebido 
como um lugar para seres humanos aprenderem e se desenvolver, em vez de apenas 
um repositório de livros. Oferece, com isso, uma abordagem diferente do que é uma 
biblioteca” (MILHORANCE, 2016, on-line).
Observa-se que se trata de uma biblioteca pública e que foi feito um grande 
investimento em dinheiro pelo município em parceria com uma organização filantrópica. 
Toda a área ao redor da biblioteca também sofreu transformação, sendo construídas 
praças e áreas de recreação, além de um sistema de veículo leve sobre trilhos ou metrô 
(MILHORANCE, 2016).
A biblioteca tem salas de reuniões, instalações de arte, salas de aula, palcos para 
performances, oficinas makers e playgrounds, além das habituais fileiras de estantes de 
livros. 
161
Figura 69 – Parquinho e fliperama
Fonte: https://www.bibliotecasdobrasil.com/2016/08/dokki1-biblioteca-publica-futurista-da.html. 
Acesso em: 27 set. 2023.
Também possui todos os tipos de mídias disponíveis, um café, salas para 
projetos, salões, cabines de estudo, um parquinho e muito mais. Uma ponte entre o 
antigo e o novo, ao mesmo tempo que traz o conhecimento do início da humanidade em 
papel, abrindo espaço para um romance futuristaque é emprestado em um e-book. É 
possível ver essa ideia em ação com os jogos, já que a Dokk1 oferece jogos desde jogos 
de tabuleiro, como Gamão, e ao mesmo tempo, tem a opção de jogar um videogame em 
um fliperama (CARNEIRO; ROCHA, 2016).
 
Seu acervo possui livros em várias línguas, inclusive português, filmes e CDs 
que podem ser alugados ou lidos ali mesmo (MILHORANCE, 2016).
Mesmo num final de semana, um burburinho vinha especialmente 
de crianças entretidas com jogos hightech, brinquedos enormes ou 
livros coloridos. Cadeiras posicionadas ante vidraças dispersas em 
360 graus com vista para o Mar do Norte ou para o centro urbano 
eram ocupadas por gente de todas as idades, de adolescentes a 
idosos, com seus laptops, fones de ouvidos e livros. Mesas eram 
usadas para jogos de tabuleiro, discussões em grupo ou, numa delas, 
para um workshop com máquina de costura. Em outra área, uma 
cafeteria – como de costume o espaço mais movimentado. Ali perto, 
um salão dividido por baias para serviços diversos disponíveis aos 
habitantes. A área é tão espaçosa e a acústica tão bem pensada que 
o som se dispersa. Ainda assim, há também um setor mais reservado, 
de silêncio. E, claro, estantes e mais estantes que abrigam 350 mil 
livros, revistas, vídeos e discos (MILHORANCE, 2016, on-line).
A biblioteca Dokk1 também promove e recebe uma grande variedade de eventos, 
apresentações e workshops, a maioria em parcerias com instituições educacionais, 
associações ou voluntários. Virou também um ponto turístico, assim dispõe de painéis 
de informações, promove visitas guiadas. As áreas para reuniões podem ser reservadas 
gratuitamente e um sistema automático e gratuito garantindo o acesso a livros e outras 
mídias (CARNEIRO; ROCHA, 2016).
162
Gestão de serviços em bibliotecas e unidades de informação: revisão 
de literatura – 2010 a 2014
Elisete de Sousa Melo
Annibal José Scarvada
Mariza Almeida 
Introdução
O desenvolvimento de projetos, produtos e serviços em qualquer ambiente 
envolve pessoas com os mais variados papéis. Esses atores necessitam de orientação 
para que o resultado seja atingido de forma satisfatória tanto para quem solicita o 
serviço como para aquele que atende.
No caso de bibliotecas e unidades de informação, os serviços são avaliados 
por cada usuário que solicita informação, isto é, a avaliação é um processo contínuo. O 
papel do gestor é fundamental.
Os estudos sobre a gestão de serviços propõem a administração de cada etapa 
do processo com a finalidade de melhor atender aos usuários do serviço, nesse caso, o 
serviço de informação.
Há décadas observa-se atenção para o assunto na literatura de Biblioteconomia, 
autores como Nice Figueiredo (1994), em seu livro Estudos de uso e usuários de 
informação, afirma que nos estudos de usuários pode se mapear as necessidades 
informacionais deles. São “tendências comportamentais extremamente relevantes e 
devem ser consideradas pelos planejadores/administradores de sistemas de informação” 
(FIGUEIREDO, 1994, p. 49).
Muito já se tem falado sobre o assunto. Quais são os estudos mais recentes?
O artigo apresenta uma revisão da literatura sobre a gestão de serviços em 
bibliotecas e unidades de informação publicada no período de 2010 a 2014, sob a 
perspectiva teórica de Lovelock e Wright mencionados por Santos, Fachin e Varvakis 
(2003). Lovelock e Wright afirmam que “serviço é um ato ou desempenho que cria 
benefícios para clientes por meio de uma mudança desejada no – ou em nome do – 
destinatário do serviço” (SANTOS; FACHIN; VARVAKIS, 2003, p. 86).
LEITURA
COMPLEMENTAR
163
Nas últimas décadas, os estudos sobre a gestão de serviços de bibliotecas e 
unidades de informação ganharam força, pois quanto mais necessidade de informação, 
maior a exigência por parte dos usuários dos sistemas de informação. De acordo com 
Santos, Fachin e Varvakis (2003, p. 86), “à medida que a importância da informação 
aumenta na sociedade atual, os usuários de serviços de informação passam a ser mais 
exigentes, dando maior destaque à gestão de serviços em bibliotecas”.
Assim, no levantamento realizado, levou-se em consideração a pesquisa, a 
recuperação e a seleção de artigos que tratam de gestão de serviços em bibliotecas 
e unidades de informação com foco na qualidade dos serviços prestados. Constatou-
se que, grande parte das pesquisas realizadas tem como cenário as bibliotecas 
universitárias.
Metodologia
A estratégia metodológica utilizada foi a realização de pesquisa bibliográfica 
nos sites de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível 
Superior (CAPES), da  Scientific Electronic Library Online  (SCIELO), da Base de Dados 
Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (BRAPCI) e Bases de 
Dados Multidisciplinares Emerald Journals, EBSCO Information Services. As palavras-
chave utilizadas para articular a pesquisa foram: gestão de serviços/gestão serviços em 
bibliotecas/administração de serviços em bibliotecas, service management e library.
Foram recuperados e selecionados oito artigos nas áreas de Ciência da 
Informação e Biblioteconomia em âmbito da literatura nacional e internacional sobre 
a avaliação de gestão de serviços relevantes para a composição do presente estudo, 
sendo a maioria relacionada à qualidade de serviços prestados em ambiente acadêmico.
Gestão de serviços em bibliotecas e unidades de informação
Nos anos 30 do século passado, observa-se que as leis de Ranganathan 
(TARGINO, 2010) já tratavam da gestão dos serviços prestados aos usuários quando 
estabelece os seus princípios: os livros são para usar; a cada leitor seu livro; a cada livro 
seu leitor; poupe o tempo do leitor; a biblioteca é um organismo em crescimento. Os 
fundamentos de Ranganathan continuam servindo de inspiração para os profissionais 
que lidam com usuários na sua rotina diária em bibliotecas e unidades de informação, 
pois o alvo é a satisfação do usuário com o serviço prestado.
Os estudos realizados sobre gestão de serviços apontam resultados voltados 
para Biblioteconomia e Ciência da Informação com foco para as bibliotecas universitárias. 
De acordo com Gianesi e Corrêa (1994) citados por Santos, Fachin e Varvakis (2003, 
p. 86), “a gestão de serviços depende da necessidade do usuário, pois o serviço está 
intimamente ligado à vivência do usuário, enquanto os bens manufaturados podem 
ser adquiridos. Portanto, os serviços não são palpáveis e sim intangíveis e de difícil 
mensuração”.
164
Observa-se que na administração de serviços o ponto focal é o usuário, e é ele 
quem lidera os serviços. A satisfação do usuário é um fator que requer muita atenção; 
cada usuário é um universo diferente de emoções e expectativas, conforme menciona 
Scavarda (2004, p. 75): “[...] Se as expectativas não são alcançadas, o cliente ficará 
desapontado, mas, se são alcançadas ou excedidas, ele ficará satisfeito”.
O gestor do serviço de informação de uma biblioteca necessita ser hábil e tentar 
compreender que nem sempre o usuário expressa acertadamente a sua necessidade 
informacional. O bibliotecário tem que levar em conta “o nível de serviço e o tipo de 
informação que satisfazem a um cliente que talvez não sejam aquilo que, na mensagem 
inicial, ele expressou, de forma imperfeita, como sendo a sua necessidade” (GROGAN, 
2001, p. 22 apud BEHR; MORO; ESTABEL, 2010, p. 39).
Outro item que deve ser levado em conta quando se fala de satisfação do 
usuário com o serviço de informação é que o processo de avaliação deve ser contínuo, 
tanto do lado do gestor e das equipes das unidades de informação quanto dos clientes/
usuários do sistema de informação, “[...] incluindo o cliente no processo avaliativo e, a 
partir daí, considerá-los os árbitros últimos de sua excelência” (VERGUEIRO, 2007 apud 
BRITO; VERGUEIRO, 2013).
Importante ressaltar que, para obter a satisfação do usuário, é necessário que 
ele conheça os serviços informacionais prestados pela biblioteca de sua instituição. 
Nesse contexto, “é preciso que osprofissionais de unidades de informação tenham 
conhecimento de estratégias que possibilitem maior visibilidade dos serviços prestados” 
(SILVA; FERNANDES; LIMA, 2013, p. 74).
Observa-se que os autores que tratam desta temática destacam a importância 
do conhecimento de técnicas de outras áreas do conhecimento, como Marketing, com 
ferramentas que possibilitam a promoção e divulgação dos produtos e serviços, bem 
como a utilização de estratégias para influenciar as atitudes de seus usuários. 
Sendo assim, a presente pesquisa observa que os estudos apresentados 
sobre gestão de serviços, embora indiretamente, apropriam-se de técnicas da área de 
marketing quando disponibilizam instrumentos que contribuem para a melhoria dos 
processos de gestão de serviços em bibliotecas e unidades de informação.
A seguir, são descritos resumos dos estudos apresentados nos artigos 
selecionados no período de 2010 a 2014.
Numa análise sucinta sobre os serviços prestados em qualquer tipo de biblioteca 
(tradicional, digital, híbrida), os autores Melo e Sampaio (2010) afirmam que os serviços 
prestados pela biblioteca física e biblioteca digital são complementares. O profissional 
bibliotecário e gestores de informação têm atribuição de administrar recursos (humano, 
financeiro e informacionais).
165
Melo e Sampaio (2010) demonstram estar preocupados com a melhoria do 
desempenho da gestão de bibliotecas quando mencionam o manual Measuring Quality: 
Performance Measurement in Libraries, em sua segunda edição, adotado por profissionais 
de bibliotecas e de Ciência da Informação, que enumera quatro aspectos que devem 
ser levados em consideração pelos gestores de informação: a biblioteca digital, custos 
– eficácia, a formação na biblioteca e a biblioteca como local de trabalho e ponto de 
encontro. Os autores consideram que a gestão dos serviços de bibliotecas e unidades 
de informação contribuem para a crescente “produção de literatura especializada. Entre 
as diversas questões que englobam esta atividade, surge a gestão da qualidade que, 
nas últimas décadas, situa-se em lugar de relevo” (MELO; SAMPAIO, 2010, p. 8).
Os autores fazem alusão a outros métodos para avaliação e desempenho de 
bibliotecas e unidades de informação. O LibQual+® é um instrumento de aferição da 
qualidade dos serviços em função das percepções e expectativas dos usuários. Lib-
Qual+™ foi desenvolvido a partir do SERVQUAL, reconhecido como primeiro padrão de-
senvolvido para avaliação da qualidade de serviço no setor comercial, trabalho pioneiro 
de Berry, Parasuraman e Zeithaml (PARASURAMAN et al., 1985), posteriormente adap-
tado para aplicação em bibliotecas acadêmicas (GUIMARÃES et al., 2006). Tem servido 
de fundamento para o Programa de Avaliação da Qualidade de Produtos e Serviços do 
Sistema Integrado das Bibliotecas da Universidade de São Paulo (PAQ – SIBi/USP).
Outros estudos foram realizados por Melo e Sampaio (2010) em bibliotecas 
universitárias portuguesas visando mensurar o efeito das publicações eletrônicas, por 
exemplo, o Método de Avaliação Contingencial (MAC) com o objetivo de estimar a razão 
do Custo/Benefício e o Balanced Scorecard (BSC).
Em busca de melhoria na prestação de serviços em biblioteca escolar Behr, 
Moro e Estabel (2010) propõem estudo comparativo utilizando  benchmarking  e 
o  sensemaking. Afirmam que “a biblioteca escolar aparece como um ambiente de 
aprendizagem e de construção do conhecimento que deve propiciar ao usuário ser o 
objeto do serviço” (BEHR; MORO; ESTABEL, 2010, p. 38). Sobre o modelo sensemaking, os 
autores asseguram ser essencial entender os anseios dos usuários nas entrelinhas, isto 
é, o contexto da problemática.
“[...] neste momento, iniciará um processo de: interpretar e transpor o problema; 
utilizar uma estratégia para abordar e para solucionar o problema; obter um feedback do 
que foi feito; e reiniciar uma nova fase de busca da informação” (BEHR; MORO; ESTABEL, 
2010, p. 51).
Para Behr, Moro e Estabel (2010, p. 51, o  sensemaking  trata de um “modelo 
que dispõe sua abordagem de maneira a criar um movimento no usuário do sistema, 
transformando dúvida em ação”.
166
Behr, Moro e Estabel (2010) ressaltam a importância de o bibliotecário saber 
compreender os usuários e acompanhar a dinâmica dos novos tempos. O profissional 
deve ter conexão maior com seus usuários, procurar inovar a oferta de serviços. Associar 
técnica de benchmarking e o modelo sensemaking pode propiciar melhoria contínua 
nos serviços cujo foco será sempre o usuário.
Lubisco (2011, p. 39) traça um “panorama sobre a organização de serviços em 
unidades de informação”. Descreve as etapas para o planejamento, gestão e orientações 
para os serviços de bibliotecas fundamentando o trabalho na “Teoria geral da administra-
ção e em teorias e técnicas biblioteconômicas” (LUBISCO, 2011, p. 39).  Segundo Lubisco 
(2011, p. 39), deve-se levar em consideração o “tipo de biblioteca que está sendo ou será 
administrada e, assim, suas finalidades, a gestão, os serviços e a organização e controle”.
Conforme Lubisco (2011, p. 52), o gestor tem que acrescentar aos aspectos 
estatísticos, o aspecto da “satisfação do usuário”. Dentre as ferramentas utilizadas para 
mensurar o grau de satisfação de usuários, Lubisco (2011, p. 54) cita e descreve as 
características da LibQual+®, que “é uma ferramenta que possibilita o conhecimento da 
qualidade dos serviços prestados por uma unidade de informação, por meio de dados 
que revelam a percepção dos usuários sobre os serviços oferecidos”.
Lubisco (2011) conclui que a atenção com as bibliotecas e o desenvolvi-
mento de serviços requer embasamentos e sintonia entre os ambientes “teórico e 
prático, técnico e tecnológico”. Além disso, o serviço deve estar integrado à missão 
da organização mantenedora.
Do ponto de vista Lubisco (2011, p. 54), em nosso país, o desenvolvimento de 
serviços remete a uma questão de fundo que está subordinada a todos esses aspectos 
formais: a questão do livro e da leitura.
Com um olhar voltado para o usuário, Brito e Vergueiro (2012) afirmam que a 
qualidade dos serviços de informação deve ter como objetivo aprimorar seus serviços, 
tendo em vista atender ou até mesmo superar a expectativa de seus clientes.
Em seu artigo, os autores tecem considerações sobre a qualidade no serviço 
prestado ao usuário de “biblioteca acadêmica”. Eles analisam o tema e apontam 
a metodologia de LibQual+®. A utilização da metodologia pode contribuir para o 
mapeamento de “pontos fortes e fracos dos serviços prestados pela biblioteca, 
auxiliando no planejamento e na tomada de decisões”. 
Em seus estudos, Kiran e Diljit (2012, p. 185) criaram uma ferramenta cujos 
objetivos de estudo foram: “a) identificar os principais atributos subjacentes às dimensões 
da percepção de qualidade de serviços de bibliotecas baseado na Web; b) identificar a 
importância relativa à percepção das dimensões da qualidade de serviços de biblioteca 
baseado na Web sobre a qualidade do serviço em geral; e, c) desenvolvimento de um 
modelo de qualidade de serviços em biblioteca baseado na Web”.
167
O trabalho foi desenvolvido com base na percepção dos clientes (pesquisadores 
e estudantes) de universidades da Malásia (KIRAN; DILJIT, 2012).
Kiran e Diljit (2012 apud COLLIER; BIENSTOCK, 2006) asseguram que serviços on-
-line têm características únicas que podem afetar a percepção da qualidade do serviço.
O método nomeado Kiran e Diljit (2012) tem abordagem mista, pois eles 
acrescentaram as suas necessidades e indagações (entrevistas) alguns parâmetros 
encontrados em ferramentas tradicionais de avaliação da qualidade de serviços de 
bibliotecas, como o serviço de empréstimo e o de referência in loco.
Os resultados do estudo apresentado pelos autores fornecem dois aspectos 
distintos de compreensão e avaliação da qualidade de serviços em bibliotecas 
universitárias baseadas na Web. Primeiro lugar, qualidade de serviço de biblioteca com 
base na web é identificada como uma construçãohierárquica multinível que é mais do 
que o julgamento das diferenças das expectativas dos clientes e o desempenho real 
da prestação de serviços. Segundo lugar, a qualidade do serviço baseado na web é 
conceituada como uma atitude construída sobre a experiência durante o consumo de 
serviços e as atividades são desempenhadas em tempo real. Para Kiran e Diljit (2012) 
bibliotecas universitárias devem contar com avaliação confiável e ferramentas validadas 
para ajudá-los a tomar decisões sobre como o serviço da biblioteca é percebido.
Já Corrall, Kennan e Afzal (2013) apresentam alguns desafios e impactos que as 
novas tecnologias oferecem para as bibliotecas acadêmicas.
Segundo os autores, após o estudo realizado em 140 bibliotecas acadêmicas 
da Austrália, Irlanda, Nova Zelândia e Reino Unido, os bibliotecários estão respondendo 
com inovações de serviços em áreas como a bibliometria e gerenciamento de dados 
de pesquisa. A bibliometria utiliza métodos estatísticos e matemáticos para analisar 
e construir indicadores sobre a evolução da informação científica e tecnológica de 
determinadas áreas (CORRAL; KENNAN; AFZAL, 2013).
Os autores citam estudos dos pesquisadores Ball e Tunger (2006) e Hendrix 
(2010), que consideram a necessidade de se agregar valor aos serviços prestados pela 
biblioteca e que a bibliometria pode alavancar e modernizar os serviços prestados nas 
bibliotecas acadêmicas. Mencionam estudos onde:
Gumpenberger et al. (2012, pp. 174-175) afirmam que a bibliometria e cientometria 
são "campos ideais de atividades para as bibliotecas acadêmicas modernas", 
oferecendo oportunidades "para desenvolver e fornecer serviços inovadores, tanto para 
professores e funcionários administrativos da universidade" e se envolver em pesquisa 
e desenvolvimento, conferências e outras atividades acadêmicas. Sua lógica, ecoando 
Ball e Tunger (2006), baseia-se na competência dos bibliotecários na manipulação de 
dados bibliográficos e bases de dados eletrônicos, e sua posição institucional como 
168
unidades independentes interdisciplinares. Ball e Tunger (2006) também observam que 
nem os gestores de ciência e sua equipe, nem os próprios cientistas têm o know-how e 
as ferramentas para realizar análises bibliométricos (CORRALL; KENNAN; AFZAL, 2013).
Para Corrall, Kennan e Afzal (2013), a gestão de dados de pesquisa é outra 
modalidade de serviço que os bibliotecários podem utilizar para associar valor às 
atividades da biblioteca acadêmica. Os autores apontam que o histórico da utilização 
de gestão de dados de pesquisa surge a partir de 2008 com estudos sobre repositórios 
institucionais com a publicação de estudos na Library Trends.
A aplicação das técnicas bibliométricas às atividades da biblioteca acadêmica 
mudou o foco do simples desenvolvimento de coleção para avaliação de coleção, 
avaliação de pesquisadores entre outras (CORRALL; KENNAN; AFZAL, 2013). Em relação 
ao gerenciamento de dados de pesquisa, os autores acreditam que representa um 
novo desafio no portfólio de serviços de biblioteca, que, impulsionado por avanços 
tecnológicos, poderá proporcionar o desenvolvimento de colaboração de pesquisa 
interdisciplinar mundial (CORRALL; KENNAN; AFZAL, 2013). Os autores apresentam uma 
perspectiva de futuro favorável às atividades desenvolvidas pelos bibliotecários nas 
bibliotecas acadêmicas desde que o profissional esteja alinhado ao seu público e às 
novas tecnologias.
Lloret-Romero et al. (2013) apresentam um trabalho com foco no serviço de 
referência digital, mas que ao mesmo tempo se aplica aos outros serviços de biblioteca 
e unidades de informação. Os autores asseguram que para melhor atender aos usuários 
que estão conectados com o mundo digital é necessária uma reavaliação das políticas 
tradicionais – uso, gestão e novas prestações de serviços utilizando a Internet (Red).
Os autores apontam a flexibilidade do open source Koha na implantação de um 
Sistema Integrado de Gestão de Bibliotecas (SIGB). Justificam o estudo afirmando que 
ele possibilita “identificar os pontos-chave do ambiente digital, a finalidade do serviço e 
escalabilidade e integração de aplicações de código aberto globais e, em especial, Koha” 
(LLORET-ROMERO et al., 2013, p. 655).
Lloret-Romero et al. (2013) argumentam que o serviço de referência digital tem 
os mesmos fins e requerimentos que o tradicional, isto é, responder às necessidades de 
informação dos usuários.
Quanto aos serviços de referência e a web 2.0, segundo os autores, além 
de ampliar as formas de comunicação e diminuir as barreiras físicas e temporais, é 
fundamental que se conheça o aumento dos tipos de usuários e suas necessidades 
informacionais (mudança de atitude – mais colaborativo e social). “O serviço de 
referência digital é facilitar o acesso e uso da informação, bem como aconselhamento e 
formação" (LLORET-ROMERO et al., 2013, p. 655).
169
Alentejo, Baptista e Zattar (2013) estudaram o caso de uma biblioteca que adotou 
o ciclo de ‘Plan-Do-Check-Act’ (PDCA), que vem da teoria Total Quality Management (TQM). 
Segundo Alentejo, Baptista e Zattar (2013, p. 112), na primeira fase do processo, “mais pro-
blemas foram gerados: necessidade de atualização constante do sistema de aquisição 
(SAD), equívocos de planejamento e procrastinação à solução proativa de problemas”.
Como resultado do trabalho, Alentejo, Baptista e Zattar (2013, p. 112) asseguram 
que “a equipe de bibliotecários desenvolveu a habilidade de executar o serviço com 
base em pesquisas e diagnósticos das dificuldades encontradas no serviço”. A equipe 
da biblioteca trabalhando a gestão de seus processos passou a “considerar o usuário e o 
fornecedor como partes conexas aos processos do serviço. O que levou os profissionais 
da biblioteca conquistar os descrentes quanto aos benefícios da melhor gestão dos 
serviços que antes era contra as mudanças; conforme Alentejo, Baptista e Zattar (2013), 
cederam lugar para ações proativas, orientadas em um processo contínuo de pesquisa 
sobre os fatores que determinam o grau de satisfação, a habilidade para antever 
soluções às dificuldades, planejamento e execução das estratégias, resolução de 
problemas acumulados ao longo do tempo, e a aprendizagem baseada em experiências 
positivas da gestão do serviço.
Modelos/Ferramentas
O Quadro 1 apresenta um extrato dos modelos estudados e indicados pelos 
autores dos artigos selecionados.
Quadro 1 – Resumo: modelo/ferramentas e seus autores
Fonte: os autores.
Modelo/Ferramenta Autor
LibQual+®
Melo e Sampaio (2010); Lubisco (2011); 
Brito e Vergueiro (2012); Kiran e Dijit (2012)
Balanced Scorecard (BSC) Melo e Sampaio (2010)
Método de Avaliação Contingencial (MAC) Melo e Sampaio (2010)
Benchmarking Behr, Moro e Estabel (2010)
Sensemaking Behr, Moro e Estabel (2010)
Bibliometria Corrall; Kennan; Afzal (2013)
Gestão de Dados de Pesquisa Corrall; Kennan; Afzal (2013)
‘Plan-Do-Check-Act’ - PDCA Alentejo; Baptista; Zattar (2013)
Software open source Koha Lloret-Romero et al (2013)
O resumo de modelos/ferramentas exibido no Quadro 1 demonstra que o modelo 
LibQual+® é foco de atenção para pesquisadores nacionais e internacionais. Verifica-se 
que outros modelos/ferramentas como Bibliometria, Balanced Scorecard entre outros 
170
estão sendo submetidos à análise com o intuito de colaborar com os estudos para 
gestão de serviços de bibliotecas e unidades de informação.
Considerações Finais
Os artigos analisados mostram a preocupação com a gestão de serviços 
prestados em bibliotecas e unidades de informação com a intenção de melhor atender 
às necessidades informacionais de usuários cada vez mais exigentes.
Conclui-se que a revisão da literatura sobre gestão de serviços em bibliotecas 
e unidades de informação em artigos no período de 2010 a 2014 atingiu seu objetivo. 
Verifica-se que a temática está na pauta de estudo dos pesquisadores de Ciência da 
Informação e Biblioteconomia adaptando modelos/ferramentas já utilizados em outras 
áreas de conhecimento comoà história do país e a sua evolução demográfica, política, econômica e social. 
Dessa forma, devem ser preservados conforme mencionado na Lei nº 8.159, de 8 de 
janeiro de 1991, que dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados e 
dá outras providências (BRASIL, 1991).
2 OS ARQUIVOS COMO SISTEMAS INSTITUCIONAIS
As organizações devem planejar a implementação dos arquivos de maneira que 
permita a recuperação e acesso aos documentos custodiados de forma rápida. Para 
Paes (2004, p. 37):
O arquivo deve ser pensando com prioridade na estrutura 
organizacional da instituição, sendo recomendado que a posição 
para o arquivo ocupar na estrutura organizacional seja a mais elevada 
“para que o arquivo seja subordinado a um órgão hierarquicamente 
superior, tendo em vista que irá atender a setores e funcionários de 
diferentes níveis de autoridade.
Um sistema de arquivo é compreendido como um sistema que é “constituído 
por um conjunto de atividades articuladas através de uma rede de centros e serviços 
5
técnicos para a estruturar a transferência, recepção, deposito, ordenamento, descrição 
e recolhimento dos documentos” (HERRERA, 1991, p. 207, tradução nossa). 
Para Jardim (2015, p. 174), o sistema de arquivo tem sua importância como 
instrumentos de “racionalização arquivística, sejam eles instituições nacionais, 
estaduais, municipais, estaduais ou empresas privadas”.
Para o Dicionário brasileiro de terminologia arquivística (BRASIL, 2005, p. 82) 
o sistema de arquivo é “o conjunto de arquivos que, independentemente da posição 
que ocupem nas respetivas estruturas administrativas, funcionam de forma integral e 
articulada com o objetivo de dar continuidade aos objetivos comuns”.
Segundo Vasquez (1994, p. 93 apud JARDIM, 1995, p. 46) “o sistema de arquivo 
integrado é um conjunto orgânico de arquivos, ligados a uma direção, que normaliza 
os processos arquivísticos e centra a informação num ponto acessível à consulta 
interna e externa”. Nessa perspectiva, Jardim (1995) define os subsistemas e sistemas 
coordenados de arquivo.
Os subsistemas constituem parte do sistema integrado que tem autonomia para 
fazer a gestão dos documentos que estão na fase administrativa, porém dependem do 
direcionamento quanto à seleção para preservação permanente dos documentos. Os 
sistemas coordenados são sistemas completos e independentes que tem autonomia 
mediante “convenções e acordos, normalizam ou compatibilizam a circulação de 
informações e procedimentos administrativos” (VASQUEZ,1994, p. 94). Jardim (2015) 
apresenta os elementos que constitui um sistema de arquivo.
• A legislação normativa dos aspectos internos e externos do sistema, dos direitos e 
obrigações dos utilizadores e do patrimônio documental.
• Os arquivos.
• Os documentos, de acordo com o ciclo de vida. 
• A Informação no seu circuito interno (no âmbito da organização produtora) e externo 
(outros arquivos e centros de informação).
Um sistema de arquivos possibilita desenvolver uma gestão documental de 
acordo com as técnicas de arquivamento mais adequadas, mas, para isso, é necessário 
que a organização defina e implemente uma política arquivística institucional, com o 
objetivo da proteção e preservação de todos os arquivos da organização, desde a fase 
corrente até a permanente para que arquivo desempenhe “o papel que lhe compete 
sobre os documentos integrados em um sistema de arquivos” (NAVARRO, 2015, p. 131).
Para que um sistema de arquivo funcione corretamente, Navarro (2015) elenca 
alguns elementos-chaves, que serão estudados mais adiante, que pode ser observado 
no Quadro 2.
6
Quadro 2 – Elementos fundamentais para o funcionamento do sistema de arquivos
Fonte: Navarro (2015, p. 132, tradução nossa).
Sistema de arquivos Requisitos
Proteção do arquivo central
Infraestrutura
Equipe
Medida de segurança
Gestão documental moderna
Organização documental
Descrição documental
Valoração documenta
Conservação de documentos
Serviços de documentos
Recursos informáticos
Ferramentas da gestão documental
Sistema de gestão documental
Instrumentos de gestão arquivísticas
Políticas para o fortalecimento do 
arquivo central
Diretrizes
Proteção documental
Rol do arquivo central
Supervisão
Assessoramento arquivístico
Estado de conservação do documento do 
sistema de arquivos
Gestão de arquivos
Atenção do arquivo central
Funções
Chefe ou gerente
Pessoal
Treinamento
Orçamento
Transparência, responsabilidade e 
ética pública
Informações no site
Acesso e segurança da informação
Gerenciamento de controle de risco
Horários de atendimento
Para Navarro (2015), um sistema de arquivo tem como característica a proteção 
do arquivo central, pois, por meio da de uma política institucional, os arquivos conduziram 
a gestão documental de forma eficiente e moderna.
2.1 O SISTEMA DE NACIONAL DE ARQUIVO – BRASIL
 
No Brasil, existe o Sistema Nacional de Arquivos (SINAR) que foi criado pelo 
Decreto nº 82.308, de 25 de setembro de 1978, embora criado nesse período, nunca foi 
implantando. Em 1991, com a Lei nº 159, no Art. 26, o Sinar foi “recriado” e regulamentado 
pelo Decreto nº 4.073, de 3 de janeiro de 2002. A finalidade dele é implementar a política 
7
Figura 1 – Sinar
Fonte: adaptada de https://www.gov.br/conarq/pt-br/conexoes/sinar. Acesso em: 25 set. 2023.
nacional de arquivos públicos e privados, com o objetivo a gestão documentação, a 
preservação e o acesso aos documentos. O Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ) é 
o órgão central do Sinar.
Como competência o Sinar possui: 
I - promover a gestão, a preservação e o acesso às informações e 
aos documentos na sua esfera de competência, em conformi-
dade com as diretrizes e normas emanadas do órgão central;
II - disseminar, em sua área de atuação, as diretrizes e normas es-
tabelecidas pelo órgão central, zelando pelo seu cumprimento;
III - implementar a racionalização das atividades arquivísticas, de 
forma a garantir a integridade do ciclo documental;
IV - garantir a guarda e o acesso aos documentos de valor permanente;
V - apresentar sugestões ao Conarq para o aprimoramento do Sinar;
VI - prestar informações sobre suas atividades ao Conarq;
VII - apresentar subsídios ao Conarq para a elaboração de dispositi-
vos legais necessários ao aperfeiçoamento e à implementação 
da política nacional de arquivos públicos e privados;
VIII - promover a integração e a modernização dos arquivos em sua 
esfera de atuação;
IX - propor ao Conarq os arquivos privados que possam ser 
considerados de interesse público e social;
X - comunicar ao Conarq, para as devidas providências, atos 
lesivos ao patrimônio arquivístico nacional;
8
XI - colaborar na elaboração de cadastro nacional de arquivos 
públicos e privados, bem como no desenvolvimento de 
atividades censitárias referentes a arquivos;
XII - possibilitar a participação de especialistas de órgãos e entida-
des, públicos e privados, nas câmaras técnicas e na Comissão 
de Avaliação de Acervos Privados; 
XIII - proporcionar aperfeiçoamento e reciclagem aos técnicos da 
área de arquivo, garantindo constante atualização (BRASIL, 
2002, on-line).
3 CLASSIFICAÇÃO DOS ARQUIVOS 
O arquivo pode ser classificado quanto a sua posição na estrutura da organização 
ou de acordo com o aspecto a ser estudado: entidade mantenedora, evolução, atuação 
e natureza dos documentos (PAES, 2004).
Figura 2 – Classificação dos arquivos
Fonte: adaptada de Paes (2004).
Dessa forma, antes de iniciar o planejamento do sistema de arquivos, deve ser 
levar em conta a centralização ou descentralização dos arquivos. 
• Arquivos centralizados: neste sistema, todas as atividades que compõem as 
rotinas de gestão serão executadas de forma concentradamente, isso inclui desde a 
produção documental até a destinação final. A centralização não é penas a reunião 
do acervo em um único local, mas sim a concentração de toda as atividades de 
gestão (FREIBERGER, 2012).
• Arquivos descentralizados: neste sistema, os setores são responsáveisAdministração, bem como propondo a utilização de outros 
modelos/ferramentas. Enfim, demonstra que a maioria dos estudos são realizados em 
bibliotecas e unidades de informação universitárias.
Fonte: adaptado de MELO, E. de S.; SCARVADA, A. J.; ALMEIDA, M. Gestão de serviços em bibliotecas e 
unidades de informação da literatura – 2010 a 2015. Polêm!ca, [s. l.], v. 15, n. 1, p. 39 a 51, abr. 2015. 
Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/polemica/article/view/16001/12044. 
Acesso em: 27 set. 2023.
171
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu:
• O desenvolvimento de produtos e serviços em bibliotecas tem como objetivo atender 
às necessidades informacionais de sua comunidade de usuários. Esse processo 
envolve pessoas desempenhando os mais variados papéis, incluindo profissionais 
da biblioteconomia e usuários.
• Produtos são como “algo que pode ser oferecido a um mercado para apreciação, 
aquisição, uso ou consumo e que pode satisfazer um desejo ou uma necessidade” 
(KOTLER; ARMSTRONG, 2007, p. 200). Quanto aos serviços, os autores afirmam que 
são “um tipo de produto que consiste em atividades, benefícios ou satisfações 
oferecidas para venda, que são essencialmente intangíveis”. 
• O planejamento dos produtos ou serviços que serão disponibilizados deve oferecer 
uma base conceitual para definir a especialização do produto, seu desenvolvimento, 
recursos humanos e financeiros necessários.
• Os quatro princípios básicos que devem nortear a preocupação dos profissionais 
da informação com relação à oferta de produtos e serviços são: saber interpretar a 
necessidade de informação dos seus usuários, realizando estudos de usuários com 
base nas noções de pesquisa de mercado, análise do consumidor, segmentação de 
mercado; valorizar o bom atendimento, tendo interesse em não deixar o pedido sem 
resposta e treinando a equipe para agir com cortesia, empenhando-se em oferecer 
a resposta em tempo hábil; ser receptivo às críticas, sugestões e reclamações, 
valorizando as avaliações; ser eficaz, dando ênfase aos resultados e desenvolvendo 
a capacidade para definir prioridades. 
• Para ser um bibliotecário inovador, o profissional precisa muito mais do que 
conhecimento e habilidades. Precisa um repensar pontualmente sobre suas atitudes 
interpessoais significativas, como de envolvimento, comprometimento, trabalho em 
equipe, para dar visibilidade profissional, devido à área ser multidisciplinar.
• O reconhecimento das demandas e a qualidade ofertada nos produtos e serviços 
se deve há alguns fatores, como: conhecimento da comunidade e dos usuários; 
administração eficiente dos recursos financeiros; gestão de pessoas; e utilização de 
técnicas de marketing. 
• O marketing na biblioteca tem como função lidar com os usuários reais e potenciais, 
ou seja, atrair novos e manter os usuários atuais, visando aumentar a produtividade 
e acirrar a competitividade dos produtos e serviços de informação. 
172
• Quando tratamos de finanças, não tendo um padrão a ser seguido, deve-se seguir 
as orientações da instituição a qual está inserida, mas que perpassa o planejamento 
do acervo, a definição ou não pelas multas e pela possibilidade de participação em 
projetos de financiamento públicos ou privados.
• Os serviços são ‘o coração’ das unidades de informação, pois, por meio deles, 
atingimos o objetivo das bibliotecas, ou seja, o atendimento informacional dos 
usuários, conforme os seus tipos e características.
• A cultura digital vem instigando pesquisadores do campo da ciência da informação, 
bem como bibliotecários a buscarem soluções para a ampliação e inovação em seus 
serviços nos serviços. 
• Entre as características das novas tendências em serviços da informação, estão 
a informação liquida; a sociedade conectada; a informação hibrida; a biblioteca 
desterritorializado; a informação atemporal; a informação síncrona; a informação 
personalizável e a informação colaborativa.
• Todos esses termos se relacionam com as formas e concepções sobre uso e formato 
da informação no que é chamado de Sociedade da Informação, termo que surgiu 
no final do século XX e vem sendo fortemente utilizado por aqueles que reforçam o 
surgimento de um novo conceito sobre o uso da informação relacionada às novas 
tecnologias e de comunicação. Também viu que esse termo e seu conceito não é 
unanimidade entre os autores.
• O termo serviço pode ser conceituado como ato ou desempenho que cria benefícios 
para clientes por meio de uma mudança desejada no destinatário do serviço, que 
não são palpáveis, e sim intangíveis e de difícil mensuração. 
• O principal diferencial entre bens e serviços estaria na participação do usuário que 
de fato vivencia a criação do serviço. Sendo suas principais características: intan-
gibilidade, simultaneidade entre a produção e consumo e participação do usuário.
• O setor de prestação de serviços tem crescido continuamente na economia 
mundial. Passando de 26,4% em 1950 para 70% em 2018. Diante desse crescimento, 
muitos esforços da comunidade acadêmica, como de pesquisadores e professores 
de diversas áreas do conhecimento, começaram a voltar suas atenções para as 
particularidades da gestão de serviços.
• A busca de melhorias de qualidade, tão comum em indústrias, passou a ser 
prioridade também nas organizações prestadoras de serviços. Neste contexto, 
os profissionais bibliotecários começam a pensar e definir a biblioteca do futuro, a 
qual é imprescindível a participação dos usuários no planejamento dos sistemas de 
informação. 
173
• Entre os desafios do futuro, para as bibliotecas destacadas pela IFLA, estão: 
1) os papéis tradicionais da biblioteca na era digital devem ser atualizados; 2) as 
necessidades da comunidade bibliotecária devem ser melhor compreendidas e 
os serviços devem ser projetados para causar impacto; 3) as bibliotecas devem 
adaptar-se a mudanças tecnológicas permanentes; 4) mais e melhores promotores 
e defensores da profissão são necessários em todos os níveis; 5) um espírito de 
colaboração bibliotecária deve ser desenvolvido; 6) você deve lutar pela liberdade 
intelectual da biblioteca; 7) assegure-se de que as partes interessadas compreendam 
o valor e o impacto da biblioteca; 8) as estruturas e comportamentos existentes 
devem ser desafiados; 9) o acesso ao patrimônio documental mundial deve ser 
maximizado; 10) os jovens profissionais devem receber oportunidades efetivas de 
aprendizado, desenvolvimento e liderança.
• Já existem experiências reais entre as chamadas “bibliotecas do futuro” e você 
conheceu um exemplo: a maior biblioteca pública da Dinamarca, a Dokk1.
174
AUTOATIVIDADE
1 A cultura digital vem instigando pesquisadores do campo da ciência da informação, bem 
como bibliotecários a buscarem soluções para a ampliação e inovação em seus serviços 
nos serviços. Sobre a cultura digital, associe os itens, utilizando o código a seguir:
I- Informação líquida.
II - Sociedade conectada. 
III- Informação híbrida. 
IV- Biblioteca desterritorializada.
V- Informação atemporal.
VI- Informação síncrona. 
VII- Informação personalizável.
VIII- Informação colaborativa. 
( ) Uma biblioteca que é apenas digital é tão inadequada como uma biblioteca que só 
oferece livros. Em ambos os casos, excluem uma parte da sociedade, modos de 
acesso ao conhecimento e práticas culturais. 
( ) São estratégias e ferramentas que auxiliam no trabalho em equipe entre setores ou 
parceiros.
( ) A comunicação assíncrona não exige a presença de ambos os envolvidos em 
tempo real, conectados a uma rede. Ela consiste em uma comunicação em que 
o comunicante envia uma mensagem, por meio de e-mail ou formulário, e que é 
respondida posteriormente, em momento oportuno. Necessita que dois ou mais 
envolvidos estejam conectados ao mesmo tempo no ambiente virtual, com a 
vantagem de possibilitar ao usuário receber respostas imediatas e ao bibliotecário, 
realizar uma entrevista mais minuciosa em relação aos questionamentos abordados.
( )Os dados registrados em suportes digitais em atualização permanente, sem 
restrições de acesso, amplamente disponíveis e em formatos que possam ser 
compartilhados através de protocolos abertos.
( ) Implica satisfazer, da melhor forma possível, as necessidades dos usuários, 
possibilitando informações e recursos de acordo com o seu perfil.
( ) Não temos como pensar em unidades de informação sem pensar o atendimento e 
acesso de usuários através da internet. 
( ) É aquela que pode ser consultada a qualquer momento. 
( ) A informação é fluxo, é como se o coletivo novamente fosse portador do 
conhecimento”. Relaciona-se então com as informações dispostas no espaço 
virtual, fazendo com que a biblioteca atenda a um público muito além do seu 
território.
175
 Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) III – VIII – VI – I – VII – II – V – IV.
b) ( ) II – VIII – VI – I –VII – III – V – IV.
c) ( ) VIII – III – VI – I –VII – II – V – IV.
d) ( ) IV – VIII – VI – I –VII – II – V – III.
2 A cultura digital vem instigando pesquisadores do campo da ciência da informação, 
bem como bibliotecários a buscarem soluções para a ampliação e inovação em seus 
serviços nos serviços. A ampliação do acesso à internet no uso dos computadores 
e outros aparelhos, em especial do celular, faz com que seja necessário repensar as 
formas de disponibilização das informações. Dentro dessa perspectiva, estudamos 
sobre a comunicação assíncrona e síncrona. A respeito delas, classifique V para as 
sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) A comunicação assíncrona não exige a presença de ambos os envolvidos em tempo 
real, conectados a uma rede.
( ) A comunicação assíncrona é uma comunicação em que o comunicante envia uma 
mensagem, por meio de e-mail ou formulário, e que é respondida posteriormente, em 
momento oportuno.
( ) A comunicação síncrona necessita que dois ou mais envolvidos estejam conectados 
ao mesmo tempo no ambiente virtual.
( ) A vantagem da comunicação assíncrona é que o usuário pode receber uma 
mensagem imediata.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – V – V – F.
b) ( ) F – V – F – V.
c) ( ) F – F – V – F.
d) ( ) V – F – F – V.
3 Em julho de 2017, a International Federation of Library Associations and Institutions 
(Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias) realizou o 
segundo workshop espanhol Visión Global de la IFLA com o tema Como um setor de 
bibliotecas unidas pode enfrentar os desafios do futuro – ideias para ações. Na lista 
de dez desafios identificados, destacamos: os papéis tradicionais da biblioteca na 
era digital devem ser atualizados. Sobre a proposta apontada para alcançar esse na 
prática, assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) Criar o dia do "Orgulho Bibliotecário", buscando aumentar a autoestima dos 
bibliotecários.
b) ( ) Educação para os usuários antes de um novo tipo de informação. Mediadores/
Formadores = Educadores para disseminadores.
176
c) ( ) Criação de novas fontes de informação a partir de repositórios e bases de 
dados digitais. Curadoria de conteúdo. Colaboração institucional = Criadores de 
informação.
d) ( ) Maior acesso a grupos específicos
4 Para a IFLA (2017 apud ARENAS, 2018, on-line), os desafios do campo da biblioteca, no 
contexto da globalização, são cada vez maiores e só podem ser superados por meio 
de uma resposta global e unificada por parte dos profissionais de biblioteconomia. 
Entre os dez desafios levantados no workshop, promovido pela IFLA, destacamos a 
luta pela liberdade intelectual da biblioteca. Explique em que consiste esse desafio e 
que práticas podem ser adotadas para garanti-la.
5 Apresente dois aspectos de serviços inovadores e exemplifique como poderia 
desenvolvê-los na biblioteca. 
177
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183
ORGANIZAÇÃO DE 
UNIDADE DE INFORMAÇÃO 
MUSEOLÓGICA
UNIDADE 3 —
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer a organização dos museus;
• identifi car a arquitetura como parte da organização de museus;
• compreender a arquitetura das edifi cações no contexto museológico;
• analisar a estruturação defi nida pelo Ibram para a constituição dos museus;
• conhecer a organização dos museus na diversidade social e museal.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar 
o conteúdo apresentado.
TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – ARQUITETURA EM MUSEUS: PONTO CRUCIAL NA 
ORGANIZAÇÃO
TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – ASPECTOS GERAIS SOBRE A ESTRUTURAÇÃO DOS 
MUSEUS NA PERSPECTIVA LEGAL/ IBRAM e ICOM
TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – ORGANIZAÇÃO DOS MUSEUS NA DIVERSIDADE SOCIAL 
E MUSEAL
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
184
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 3!
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185
TÓPICO 1 — 
ORGANIZAÇÃO DE UNIDADE DE 
INFORMAÇÃO MUSEOLÓGICA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Nesta Unidade 3, trataremos a respeito da organização de museus. Na continuidade 
do seu curso de Bacharelado em Museologia, você terá disciplinas que aprofundarão o 
conteúdo, especialmente a disciplina de Gestão em museus. Além dela, a disciplina de 
Introdução à museologia desenvolve uma visão preliminar sobre a organização estrutural 
das instituições.
Nesta disciplina de Organização de unidades de informação, estudaremos alguns 
indícios a respeito da estrutura organizacional de um museu e afins. Veremos a abordagem 
arquitetônica que se manifesta na estruturação do espaço físico, compartilharemos 
informações relativas à compreensão do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), sobre a 
organização dos museus e, ainda, a atualização da organização nas diversas tipologias de 
museus, tais como museus tradicionais, museus temáticos e museus virtuais. 
Iniciamos com os objetivos de conhecer, analisar e refletir sobre a arquitetura dos 
museus na atualidade. Sabemos que existem diferentes categorias de museus, como os 
de artes, ciências, tecnologias, museus de territórios, comunitários, históricos. Cada um 
tem sua especificidade, mas há neles também pontos em comum. Ficou curioso?
Continue a leitura desta Unidade 3 e vamos juntos descortinar a organização de 
unidades de informação museológicas.
2 ARQUITETURA EM MUSEUS: PONTO CRUCIAL NA 
ORGANIZAÇÃO
Neste primeiro tema de aprendizagem, abordaremos a questão da arquitetura 
dos prédios de museus, como forma da organização da unidade museológica. 
Questionaremos se a arquitetura física de uma edificação que foi destinada a abrir um 
museu é acertada em seus aspectos físicos, ambientais, processuais. Vamos analisar 
as propriedades e os desafios de se ter um museu organizado em um prédio adaptado. 
Iniciaremos refletindo sobre definições. O Conselho Internacional de Museus, re-
conhecido no âmbito da Museologia como ICOM, classifica os museus por assuntos e pela 
caracterização do acervo. Nesse sentido, é inevitável considerar que o museu possui uma 
sede, independentemente da tipologia institucional ou da caracterização do acervo. 
186
Um museu, seja ele tradicional ou com modelo teórico metodológico embasado 
na museologia crítica, constitui-se de uma sede que serve como espaço para a realização 
dos processos museológicos. Mesmo um museu virtual, constituído no ciberespaço, 
possui algum espaço edificado, pois, acaba existindo um meio físico para guarda e 
preservação de seus registros. 
Isso quer dizer que, construir, reformar, reconstruir, ampliar e readaptar 
museus exige dos profissionais museólogos (e outros parceiros interdisciplinares), 
conhecimentos teóricos e técnicos introdutórios sobre a arquitetura do prédio, como 
forma de melhor organizar a instituição. Esse conhecimento irá apoiar as decisões de 
gestão, em programas e projetos que modifiquem o olhar desdenhoso da população 
leiga, que ainda considera os museus como sendo velhos depósitos. 
A arquitetura do prédio estabelece uma forma de comunicação e precisa ser or-
ganizada para produzir informações aos visitantes, de maneira que eles compreendam o 
que estão vendo, e se sintam inseridos no que está sendo apresentado. Cada “canto” do 
museu transmite uma informação, uma sensação e uma experiência, interconectando o 
sentido informacional do transmissor museu e do receptor público. Esses “cantos” orga-
nizam informações e trazem soluções funcionais e simbólicas para os edifícios culturais.
Para começo da conversa, é válido compreender o que consideramos arquitetura 
em museus, sob o olhar de Zevi (1992, p. 18): 
[...] a arquitetura não provém somente de um conjunto de larguras, 
cumprimentos e alturas dos elementos construtivos que encerram o 
espaço, mas, precisamente do vazio, do espaço encerrado, do espaço 
interior em que os homens andam e vivem. Quanto a este espaço, é 
impossível que seja fielmente representado, seja por plantas, cortes, 
elevações ou fotografias. Para conhecê-lo é preciso experimentá-lo 
diretamente.
Então, podemos dizer que a arquitetura é funcional, simbólica e representativa. 
Para além disso, estabelece uma relação entre as pessoas com o espaço em que 
circulam. Hall (2005) nos ensina que a arquitetura, assim como a cultura, relaciona-se 
com o repertório perceptivo daqueles que projetam e vivenciam o espaço, ou seja, cada 
um entende o espaço dentro de suas próprias experiências. No museu, a arquitetura 
estabelece uma rede de finalidades, tarefas e relações que servem para organizar e 
normatizar as experiências. 
A arquitetura de uma instituição museológica tradicional, reconhecida em 
temas como: arte, história, ciências, tecnologia, os museus biográficos e temáticos; os 
museus exploratórios, os centros de ciência, as casas históricas, os jardins zoológicos, 
aquários, planetários, necessariamente possui áreas expositivas, áreas técnicas, áreas 
administrativas e de conforto. A respeito da constituição dos espaços museológicos, a 
orientação é inacabada, visto que dependem da estrutura ambiental do prédio, de sua 
função e missão. É certo afirmar, portanto, que a prática museológica depende de vários 
fatores, dentre eles, o elemento constitutivo onde essa práxis será representada.
187
A maioria dos prédios de museus tradicionais é uma adaptação de casas, 
intendências governamentais ou edificações históricas com interesse de preservação. 
Não cabe aqui discutir a respeito de intervenções nesses prédios, mas vale comentar 
que essas intervenções sem orientação técnica são altamente danosas e tendem 
a descaracterização das edificações. Tal atitude, seja intencional ou involuntária, 
ocasiona desarmonia compositiva e arquitetônica, desqualificando o imóvel nas suas 
características temporais e estéticas. Como essa situação abrange a organização da 
unidade museológica?
Giraudye Bouilhet (1990) destacam que no prédio se define o programa, se 
orienta a pesquisa, e a administração do museu, sob responsabilidade da equipe técnica. 
Os autores enfatizam o que está posto no conceito de museu, “serviço público a serviço 
do público”. Para tanto, explicam que a circularidade e a apresentação das exposições 
podem reforçar a ideia sobre o que é o museu, e isso depende muito da organização da 
arquitetura. 
2.1 DEFINIÇÕES E CONCEITOS DA ORGANIZAÇÃO 
ARQUITETÔNICA
Segundo Coelho (1997, p.116), as instituições culturais desenvolvem sua cultura 
organizacional que, às vezes, não fica explícita. A cultura organizacional dos museus 
é imposta pelos outros órgãos da administração pública, especialmente falando nos 
museus vinculados às administrações municipal, estadual e federal. Como cultura 
organizacional, entendemos o conjunto de valores, estruturas, processos, padrões que 
os membros da instituição absorvem e se pautam para desenvolver estratégias que 
proporcionarão melhorias sobre o fluxo das atividades desenvolvidas. 
A cultura organizacional dos museus se mostra no seu exterior revelada pela 
arquitetura. Todos reconhecemos ou temos a representação do prédio do museu, como 
uma edificação patrimonializada.
O tipo de arquitetura do prédio pode apresentar o museu como um “templo”: 
fechado e com sentido único. Essa percepção demonstra escolhas políticas de 
monumentalidade e formação de consciência nacional, como herança do passado. A 
arquitetura do prédio passa a ser vista em um caráter de conotação histórica, seja regional 
ou nacional. Isso não é ruim, mas limita a capacidade museológica e museográfica.
Vejamos um exemplo: um museu estabelecido em uma edificação centenária 
é visto pela comunidade de entorno como um lugar inacessível. Escadarias longas, 
ornamentos rebuscados, portas com grades fortes, por exemplo, são elementos 
arquitetônicos que podem afastar determinadas pessoas que não se sentem 
pertencentes aquele ambiente imaginado.
188
Num estudo de públicos, a interpretação que é avaliada entende que a instituição 
não atende em sua plenitude aos diferentes visitantes. Internamente, a estratégia para 
mudar esse quadro é a reorganização espacial das exposições e ações educativas, o que, 
em parte, deixa de tocar no ponto focal que é a intimidação que a fachada desenvolve 
em determinados tipos de pessoas desacostumadas com as linguagens do espaço, 
ou seja, o museu teve sua organização alterada e suas funções comprometidas pela 
arquitetura inadequada. Compreendeu?
O século XIX foi profícuo em criar e organizar museus em prédios que eram des-
tinados à nobreza palaciana, caso do Hermitage, em São Petesburgo (1764), do Museu 
do Louvre (1793), o Britânico, em Londres (1753), e o Museu do Prado, em Madrid (1819).
Figura 1 – Fachada de prédio de museu tradicional clássico
Fonte: https://www.istockphoto.com/br/foto/museu-brit%C3%A2nico-em-londres-
-gm458717101-18283811. Acesso em: 28 set. 2023. 
A arquitetura do prédio, por conseguinte, durante um longo período do século 
XIX e primeira metade do XX, ocupou lugar na funcionalidade do museu. A situação se 
modificou com o surgimento dos projetos modernistas encabeçados por Le Corbusie, 
considerado um dos mais importantes arquitetos do século XX, em Paris, nos anos 
1910-1920. Os museus sediados em edificações clássicas foram questionados pelos 
vanguardistas. A estrutura desses grandes museus era considerada desorganizada, 
com amontoado de peças e exposições arbitrárias. 
De acordo com Kiefer (1998), o museu com frontão triangular e o interior com 
nave e cúpula, que foi a organização de referência para as instituições, sofreu ruptura pelo 
projeto do museu Gugghenheim, em 1943, em Nova Yorque. Esse projeto arquitetônico foi 
inovador pela apresentação de um ambiente extenso, contínuo e acessível ao cadeirante, 
com abertura para a iluminação natural, materiais diferenciados e ventilação arejada. A 
fachada não deveria competir com a funcionalidade e a operacionalidade museológica, 
independendo do tamanho da edificação e do acervo. O museu é para visitação de públi-
cos e a mudança da percepção do espaço afetou a conceituação de uso e organização.
189
Figura 2 – Projeto do Museu Gugghenheim
Fonte: https://viajonarios.com/wp-content/uploads/2018/08/guggenheim-mapa.png. 
Acesso em: 28 set. 2023.
Neste século XXI, a arquitetura dos museus é pensada nas necessidades dos 
públicos, do acervo e das ações de comunicação e educativas. É substancial considerar 
que a arquitetura se torna um dos fatores determinantes para a preservação dos bens 
culturais e sua expografi a, questões cruciais da função dos museus. 
O autor Thimoty Mason (2004) apresentou um documento denominado Plano de 
certifi cação do MLA, cuja arquitetura dos museus precisa atender critérios de adequação 
e conforto aos visitantes, às coleções e ao corpo de funcionários. A humanização 
do prédio, relacionada à preservação e ao acondicionamento do acervo, são pontos 
constitutivos da organização do museu. Considera, ainda, importante que a iluminação, 
as condições ambientais de temperatura e umidade, a poluição e a segurança estejam 
contempladas nos projetos de instalações físicas.
Para Coelho (2007, p. 33),” a linguagem arquitetônica é construída, compondo 
um determinado cenário e uma determinada ambiência que são fundamentais no 
estímulo de percepções, sentimentos e sensações”. De acordo com Coelho (2007), a 
relação entre espaços interiores e fachadas, espaço privativo e espaço de circulação 
comum, espaço construído e espaço natural, todos eles estabelecem a organização 
de um discurso sobre o museu. A arquitetura fala por meio de uma linguagem de 
representações silenciosas na organização do espaço museológico.
2.2 PROBLEMAS E SOLUÇÕES DA ARQUITETURA EM MUSEUS
Como já foi anunciado anteriormente, alguns aspectos desta disciplina serão 
mais bem detalhados em outras disciplinas do Curso de Bacharelado em Museologia, 
como a de Gestão em museus. Lembramos que esta Unidade 3 é direcionada aos 
museus, entretanto, vale afi rmar que os estudantes da Arquivologia e da Biblioteconomia 
também terão essas temáticas diluídas nos estudos dos seus respectivos cursos. 
190
Até aqui vimos que a arquitetura dos prédios que abrigam os museus é 
fundamental para a organização, estruturação e funcionamento dessas instituições. 
Averiguemos o que diz o Ibram (2020, p. 9):
O potencial da arquitetura de museus é um dos elementos capazes 
de aumentar a visitação das instituições, atribuir notoriedade para 
as cidades que as abrigam, criar novas centralidades e incentivar 
transformações urbanas. Nesse caso, a arquitetura passa a ser parte 
do objeto de interesse de visita, funcionando de certa forma como 
acervo para o público.
Aurora León (2020, p. 202) explica que devemos considerar a arquitetura 
do museu como uma autobiografia inacabada. A autora espanhola quer dizer, com a 
expressão "autobiografia inacabada", que a instituição deve ser concebida de forma 
técnica, funcional e esteticamente adaptável, levando em consideração diversos 
projetos concretos que se ajustam à evolução temporal da instituição. Estes projetos 
devem ser capazes de expandir, modificar ou reestruturar o uso do espaço dentro do 
prédio. Veja o exemplo das Figuras 3 e 4 a seguir.
A autora espanhola sugere, com a expressão "autobiografia inacabada", que a 
instituição deve ser concebida de forma técnica, funcional e esteticamente adaptável, 
levando em consideração diversos projetos concretos que se ajustam à evolução 
temporal da instituição. Estes projetos devem ser capazes de expandir, modificar ou 
reestruturar o uso do espaço dentro do prédio
De acordo com a legislação do Ministério da Cultura (2005, p. 15), 
museus instalados em prédios protegidos por tombamento precisam ser 
adequados de acordo com os seguintes critérios:
“Os projetos deverão ser elaborados respeitando os valores estéticos 
e culturais do bem, com o mínimo de interferência na autenticidadedele, seja autenticidade estética, histórica, dos materiais, dos processos 
construtivos, do espaço envolvente ou outras. Garantir a preservação 
da autenticidade dos processos construtivos e suas peculiaridades, 
evitando o uso de técnica que seja incompatível que descaracterize 
o sistema existente”.
NOTA
191
Figura 3 – Planta baixa do Museu do Ipiranga/Museu Paulista da USP – andar térreo, 1922
Figura 4 – Infográfi co do Museu do Ipiranga/Museu Paulista da USP, 2022.
Fonte: https://revistapesquisa.fapesp.br/vida-nova-para-o-museu-do-ipiranga/2022. 
Acesso em: 28 set. 2023.
Fonte: https://tempocomposto.com.br/imagens_bd/ROMULO_FIALDINI/TC-1247-001247.jpg. 
Acesso em: 28 set. 2023.
A mudança das instalações físicas e estruturas arquitetônicas reforça a 
percepção da dinamicidade dos museus em acompanhamento às necessidades do seu 
tempo. Mais uma vez violando a noção preconceituosa de lugares velhos e sem vida. 
Alguns pontos precisarão de elucidação para a continuidade desse assunto. São 
termos de importância crucial para a teoria dos museus. Entende-se por museografi a 
as técnicas e práticas que são exercidas no interior do contexto museológico. 
192
A museografia está imbuída dos atos concretos que são exercidos pelos 
funcionários da instituição museal. É uma ciência teórica, normativa e planificadora 
que, aliada à arquitetura e aa aparelhamento espacial do museu, possibilita compor a 
organização do circuito expositivo, da disposição das vitrines, salas expositivas, espaços 
de circulação e demais suportes e definições sobre o modelo conceitual do museu sobre 
o patrimônio que lhe é dado a preservar, difundir, comunicar, pesquisar e educar. 
É importante frisar que a museografia não está limitada a resolver ou propor 
problemas arquitetônicos, mas está posta para estender a concepção conceitual do museu, 
a sua continuidade de vida social e cultural, estabelecer o seu funcionamento e finalidade.
Quadro 1 – Museografia X Museologia
Fonte: a autora.
Museografia Museologia
• Estrutura arquitetônica.
• Localização espacial das coisas.
• Apresentação e preservação dos acervos.
• Científica.
• Teórica.
• Apresenta dados.
• Modelos conceituais.
• Trabalha de modo relacional.
Resumindo, a museografia é um conhecimento que está envolvido com o pro-
jeto de organização museológica em recursos e ferramentas como disposição, vitrines, 
luz, design, segurança, conservação. Tem linguagem visual e espacial. Já a museologia 
é uma ciência que envolve o ser humano com o objeto musealizado, num contexto 
ou cenário chamado museu. A museologia, por sua vez, tem por finalidade dar subsí-
dios às ações preservacionistas de discussão das memórias, histórias, representações 
e simbologias produzidas pelos humanos, como seu testemunho de vida. 
Na disciplina de História dos museus e coleções, vimos que a primeira instituição 
museológica com arquitetura específica para sua finalidade foi a galeria Uffizi, construída 
por Giorgio Vasari entre 1560 e 1574. Desde então, observamos a dicotomia dos prédios 
adaptados com os prédios projetados para museus. Com o surgimento do Escritório 
Internacional de Museus, em 1934, prenúncio da criação do Conselho Internacional de 
Museus (ICOM), em 1946, surgiu a discussão sobre os projetos arquitetônicos como or-
denamento das funções museais (LORENTE, 2012). Para Ana Cecília Veiga (2013, p. 53) a 
arquitetura “deixava de ser somente embalagem e interagia com as obras em exposição”
Grande parte dos prédios adaptados para receber uma função cultural 
(arquivos, bibliotecas ou museus) são protegidos legalmente pelo processo de 
tombamento. Essa proteção ao patrimônio edificado é feita no âmbito do poder público 
nos níveis federal, estadual ou municipal. Os bens tombados devem ser preservados 
integralmente, não podendo ser descaracterizados, porém podem receber melhorias de 
suas características internas e externas. 
193
Figura 5 – Exemplo de intervenção adequada de fachada
Fonte: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTBiF0a4MbZ0CY8hIqlelYkgT-
g-TdJwLAuhxw&usqp=CAU. Acesso em: 28 set. 2023.
Afi nal, o que é permitido nesses prédios tombados? 
• Alterações internas de demolição de paredes.
• Troca de madeiramento de telhados e coberturas cerâmicas.
• Construção no fundo do lote, desde que não seja visível do passeio público.
• Uso de materiais publicitários na fachada, desde que não encubra os elementos 
compositivos.
• Transações imobiliárias.
Na relação anterior, vemos que essas intervenções permitidas impactam 
diretamente na composição dos espaços internos do museu. A instalação de um ar-
condicionado na fachada externa do museu é considerada descaracterização do 
prédio adaptado e não pode ser executada. Toldos de proteção de janelas, mesmo que 
temporários, não interferem na fachada, porém não pode encobri-las, nem mesmo aos 
seus elementos decorativos.
Observação: a Fundação Catarinense de Cultura (FCC), órgão público 
responsável pela preservação, fomento e difusão do Patrimônio Cultural 
e das práticas e processos artístico-culturais do Estado de Santa Catarina, 
desenvolveu uma publicação sobre bens tombados. A Cartilha de 
orientações para intervenções em bens tombados e seu entorno pode ser 
encontrada no site da FCC: https://www.cultura.sc.gov.br/.
ATENÇÃO
194
Há uma infinidade de prédios construídos para serem uma instituição museoló-
gica. Aliás, há um imaginário sobre os museus que tem prédios construídos, no sentido 
de sua modernidade e inovação. Podemos citar entre os mais conhecidos, o Museu Gu-
genheim de Nova York, o Museu de Xangai na China, Museu Victoria & Albert na Escócia, 
Museu do Futuro nos Emirados Árabes, Museu Judaico de Berlim, Centro Pompidou na 
França, e muitos outros. No Brasil, são muitos os projetos, dentre os quais destacamos 
o Museu de Arte de São Paulo, MASP, o Museu do Amanhã no Rio de Janeiro, Museu 
de Arte do Rio, Museu Oscar Niemayer, em Niterói/RJ, Museu de Arte de Curitiba/PR, 
Museu da Fundação Iberê Camargo e Museu da PUCRS, ambos em Porto Alegre/RS.
É importante reter que essas edificações construídas e adequadamente 
arquitetadas proporcionam aos espaços maior amplitude interior, assepsia, iluminação, 
economia de elementos decorativos, flexibilidade perante o crescimento do acervo, 
sustentabilidade energética e muita fruição estética. No entanto, essa fruição estética é 
ponto conflitante já que sugere o chamado “turismo de massa”. 
Milhares de turistas são atraídos por esses edifícios monumentais que se 
tornam objetos de consumo e produto comercial. De um lado otimista, essa organização 
do museu em um edifício projetado é capaz de proporcionar contribuição positiva na 
recuperação e dinâmica da cidade em que está sediado, gerando concentração de 
recursos. Sobre essa situação, chamamos “arquitetura do espetáculo”.
Figura 6 – Museu de Astronomia, Xangai, China
Fonte: https://www.nationalgeographicbrasil.com/photography/2021/07/. Acesso em: 28 set. 2023.
Segundo Veiga (2013, p. 150), a gestão de um projeto de museu é abrangente. 
O produto gerado por um projeto é único. Um projeto de edificação 
para um museu se refere à organização do empreendimento como 
um todo: compra de terreno, identificação de investidores, captação 
195
Figura 7 – Modelo de projeto para criar museu
Fonte: adaptada de Veiga (2013).
de recursos, marketing, definição de equipes, curadoria do acervo, 
construção e execução, avaliação da qualidade, avaliação do uso dos 
espaços construídos etc.
Elaboramos um modelo de projeto de museu adaptado de Veiga (2013). A autora 
sugere as etapas inicial, intermediária e final no processo organizacional do projeto. 
Vejamos a seguir:
A figura anterior serve como exemplo de um projeto de museu a ser criado. 
A publicação Museus em números (2011, p. 98) informa que “os museus de natureza 
municipal e empresarial concentram mais edificações com áreas de até 1.000 m2”. Essas 
áreas são de edificações arquitetônicas adaptadas de outras funções. Sãoedificações 
próprias ou adquiridas em comodatos/empréstimos. 
Tal caracterização das edificações destinadas a abrigar museus apresentam 
problemas de acessibilidade, exigindo a colocação de recursos à disposição das pessoas 
com necessidades especiais, como rampa de acesso ou elevadores. A respeito de áreas 
de conforto aos visitantes, o cadastro Museus em números expõe que:
Instalações como bebedouros e sanitários podem ser encontradas 
em mais de 60% dos museus. Já estacionamentos e outros 
equipamentos, como telefone público estão ausentes em mais de 
196
50% dos museus. Aponta-se como possível explicação para esse 
resultado o fato de a maior parte dos museus ocuparem edificações 
históricas, que, em sua origem, não foram planejadas para funcionar 
como museus (IBRAM, 2011, p. 104).
Os arquitetos que trabalham na área do patrimônio cultural consideram que 
cada edificação é única. Vejamos o exemplo do Museu de Arte de Niterói, RJ, construído 
por Oscar Niemayer, cuja arquitetura se confunde como a própria obra de arte, ou, ainda, 
o MAC de Curitiba, cuja arquitetura sobrepõe o próprio museu e seu acervo. Aurora 
León (2020) comenta que dentro dos objetivos globais que o museu pretende atender, 
as funções internas e externas cobram uma determinação urbanística, espacial e 
referencial de sua arquitetura para a sua organização. A museografia deve dar resposta 
espacial à sua proposta, na percepção dos seus públicos.
Figura 8 – Museu de Arte Oscar Niemeyer de Curitiba 
Fonte: https://viajantesemfim.com.br/conhecendo-o-museu-oscar-niemeyer-em-curitiba/. Acesso em: 28 set. 2023.
Cabe ressaltar que a qualidade do projeto e as soluções encontradas nele para 
estabelecer os requisitos da função e operacionalidade do museu passam por vários 
desempenhos da arquitetura predial da instituição. Lembrando que antes de planejar 
um projeto de museu, é significativo a revisão ou planejamento do seu Plano Diretor 
(Plano Museológico). Vejamos o que sugere Veiga (2013) a respeito desses requisitos de 
desempenho do projeto arquitetônico do museu.
• Legalização da instituição.
• Pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças.
• Sustentabilidade – consumo de água e luz, limpeza.
• Construtibilidade – padronização, integração e racionalização do espaço.
• Atendimento às exigências econômicas – custos de execução, operação, 
manutenção, reabilitação.
• Clareza e transparência no projeto.
197
• Detalhamento.
• Documentação do processo.
• Planejamento de marketing.
• Manuais dos usuários.
Visto que o museu seja ele adaptado ou construído, consiste em contemplar 
um volume de dependências internas e externas, burocracias, mudanças de legislação, 
rotinas, políticas públicas e interferências políticas, falta de autonomia setorial, 
produtividade dos funcionários, hierarquias de gestão, infraestrutura financeira e 
material insuficientes são exemplos de dificuldades apontadas por Veiga (2013) ao 
projeto. O Museu de Arte de São Paulo, Masp, por exemplo, abre lugar para quase todas 
as manifestações culturais, sociais e políticas da cidade e país. No entanto, apesar de 
ter sido planejado pela arquiteta Lina Bo Bardi, o projeto arquitetônico reconhecidíssimo 
internacionalmente tira espaço do próprio museu. O MASP não possui reserva técnica, 
sem lugar de conservação e trato com o acervo. 
De acordo com Kieffer (1988, p. 81), “no Brasil, gasta-se com obras novas. Os 
políticos brasileiros dão prioridade ao investimento em novas obras sem detrimento da 
manutenção das existentes”. Todavia, os projetos têm um fator complicador, são planos 
sem infraestrutura sem funcionalidade museológica. 
Neste tema de aprendizagem, vimos vários conceitos e definições acerca da pre-
sença arquitetônica dos museus como elementos basilares de sua organização e funcio-
namento. No próximo tema de aprendizagem, compreenderemos como os órgãos mani-
festam a formalização do correto desenvolvimento da organização e gestão dos museus. 
198
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu:
• A arquitetura predial tem atuação na organização dos museus.
• Os museus possuem a sua própria cultura organizacional.
• A cultura organizacional dos museus é influenciada pela estrutura da edificação.
• O cenário arquitetônico dos museus pode ser desenvolvido em dois modelos de 
prédios, adaptados e prédios projetados.
• Os prédios projetados exigem o cumprimento de critérios referenciais e específicos 
da museologia.
• A partir do momento em que o arquiteto se apropria do conceito de unidade entre 
acervo, museu e monumento, as definições desses elementos do conjunto se 
mesclam, tornando difícil separar onde começa o museu e onde termina o acervo.
199
AUTOATIVIDADE
1 Um projeto museológico se constitui em três etapas, a saber: anteprojeto, projeto exe-
cutivo e pós-projeto. No pré-projeto, são pensados os seguintes requisitos: projeto 
museográfico, arquitetônico, estrutural, elétrico, luminotécnico, hidrossanitário, clima-
tização e paisagismo. Sobre a fase do pós-projeto, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Avaliação.
b) ( ) Documentação do acervo.
c) ( ) Elaboração da exposição temporária.
d) ( ) Ações culturais e educativas.
2 Um museu com acervo vivo de animais integra a definição estabelecida para essas 
instituições. Um jardim botânico ou jardim zoológico, portanto, são museus como 
um museu de história ou de artes. Sobre o exposto, classifique V para as sentenças 
verdadeiras e F para as falsas:
( ) As coleções vivas constituem um patrimônio e formam um museu que deve 
atender aos mesmos critérios de cultura organizacional.
( ) A arquitetura desses locais que abrigam coleções vivas, mesmo desprovida de 
ambientes fechados, levam em conta objetivos museográficos.
( ) O crescimento da população de espécies nos jardins zoológicos e jardins botânicos 
impedem a preocupação com a arquitetura da museografia.
( ) Arquitetura dos museus de coleções vivas devem ser projetadas especificamente 
para abrigarem esse tipo de patrimônio, ocorrendo o seu tombamento.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – V – F – F.
b) ( ) F – V – F – V.
c) ( ) V – F – F – V.
d) ( ) F – F – F – F.
3 As edificações adaptadas para receber instituições museológicas são mais comuns 
que os projetos de construção de novas edificações. Sobre o que não é permitido 
fazer em um prédio adaptado tombado, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Alterações na fachada que descaracterize o imóvel.
b) ( ) Alterar internamente mediante orientação e aprovação de equipe técnica.
c) ( ) Realizar transações imobiliárias como aluguel e venda do imóvel.
d) ( ) Troca do madeiramento de piso, forro, telhado.
200
4 Um projeto de construção de um museu exige estabelecer corretamente padrões de 
qualidade para execução do serviço. Sobre o exposto, associe os itens, utilizando os 
códigos a seguir:
I- Consuntibilidade.
II- Sustentabilidade.
III- Exigência econômica.
( ) Preocupação com o consumo energético, de água, higienização.
( ) Preocupação com o custo das operações, manutenção, reabilitação.
( ) Preocupação com a padronização de elementos, racionalização do espaço.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) II – III – I.
b) ( ) I – II – III.
c) ( ) III – I – II.
d) ( ) III – II – I.
5 A arquitetura do prédio do museu influencia consideravelmente na composição do 
seu projeto arquitetônico. Isso configura a imagem da instituição antes mesmo de 
sua inauguração. Descreva os pontos que o projeto arquitetônico do museu deve 
levar em conta:
201
ASPECTOS GERAIS SOBRE A 
ESTRUTURAÇÃO DOS MUSEUS NAS 
PERSPECTIVA DA LEI - IBRAM
1 INTRODUÇÃO
No Tema de Aprendizagem 1 desta unidade, conhecemos sobre a infl uência da 
arquitetura das edifi cações na estruturação das unidades museológicas. Este segundo 
tema de aprendizagem oportunizará conhecer e analisar os aspectos estruturais de 
constituição de um museu físico, de acordo com as normas defi nidaspela legislação 
vigente e o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). 
A Legislação brasileira de museus, a partir do Estatuto dos Museus, Lei nº 
11.904/2009, coloca as regulações sobre a composição de museus nos Arts. 7º e 19º, entre 
outros, de forma indireta. Além disso, os museus podem, conforme suas características, 
ter fi liais, seccionais e núcleos ou anexos (Art. 3º da Lei). 
O livro Museu em números (2011) compilou dados estatísticos sobre os museus 
brasileiros e nos trouxe em seus apontamentos que 67,2% têm natureza administrativa 
pública. Vejamos o Gráfi co 1 a seguir:
UNIDADE 3 TÓPICO 2 -
Fonte: Ibram (2011, p. 63).
Gráfi co 1 – Percentual de Museus por categoria de natureza administrativa
202
Podemos observar com o Gráfico 1 que a esfera municipal supera a quantidade 
de instituições museológicas. Isso significa que as ferramentas básicas de planejamento 
estratégico de criação, consolidação e qualificação dos museus deve ser desenvolvida 
sobre as pequenas instituições. O enquadramento legal de composição dos instrumentos 
de criação dos museus, por ata ou por publicação de decreto municipal, conforme o 
caso, e a aprovação do Regimento Interno são medidas que impulsionam a organização 
dessas instituições. 
Os registros do Ibram apontam que há necessidade de que os museus cumpram 
a Lei nº 11.904/2009 no momento que constitui em seu Art. 19, que: “Todo museu deverá 
dispor de instalações adequadas ao cumprimento das funções necessárias, bem como 
ao bem-estar dos usuários e funcionários” (BRASIL, 2009, on-line). 
A legislação não estabelece quais estruturas devem compor um museu, porém 
traz as pistas disso ao colocar em evidência as funções atribuídas. Nesse sentido, 
recorremos a duas publicações informativas feitas pelo Ibram que tratam sobre estrutura 
organizacional dos museus brasileiros. Veja a seguir e busque o material completo na 
sua Trilha de Aprendizagem.
• Publicação 1 – Subsídios para criação de museus municipais (2009).
• Publicação 2 – Guia para projetos de arquitetura de museus (2020).
Tais referencias conduzem a capacitação profissional das instituições 
museológicas. Assim, vamos trabalhar nas duas respectivas perspectivas.
2 ORGANIZAÇÃO DE MUSEUS MUNICIPAIS
No processo de criação de uma unidade museológica, de acordo com o que 
prescreve a legislação brasileira nº 11.904/2009, exige-se a composição a partir de dois 
documentos similares: o Decreto de criação, no caso dos museus públicos; ou Ata 
de criação para os museus da iniciativa privada. Para além desse documento inicial, 
o Regimento Interno, que é a definição das atividades do museu a partir do Plano 
Museológico, o projeto de criação, contratação de museólogo e a elaboração do Plano 
Museológico, posteriormente.
203
Figura 9 – Exemplo de portaria de publicação de Regimento Interno
Fonte: https://www.gov.br/museus/pt-br/assuntos/legislacao-e-normas/portarias/uploads/portaria-ibram-
-n1631-de-9-de-novembro-de-2022-bse. Acesso em: 28 set. 2023.
Para a organização efi ciente da instituição museológica, recomenda-se 
considerar alguns aspectos relevantes que defi nem a direção do museu:
• Missão – objetivos do museu, para o que e para quem a instituição vai trabalhar.
• Visão – traduz o alcance dos objetos, aonde quer chegar.
• Valores – as atitudes sociais, culturais e informacionais com relação às pessoas, ao 
acervo, à sociedade.
Assim sendo, essas ferramentas, missão, visão e valores são orientativos para 
descrever o modelo de organização a ser adotado para gerir um museu da qual faz 
parte a arquitetura predial. Nesses propósitos, cabe constituir a instituição a partir dos 
critérios estabelecidos nos termos das leis e nos requisitos técnicos e administrativos, 
sem esquecer que os museus não foram concebidos em sua gênese, como hoje nós os 
compreendemos. 
Vamos examinar quais são os ambientes de composição de um museu. Cada um 
deles se desdobra em vários espaços, considerando que a funcionalidade dos edifícios 
faz parte da prática museográfi ca. Podemos ponderar três tópicos na organização dos 
museus:
204
1. Instalações do espaço museológico.
2. Locais de acolhimento e atendimento aos públicos.
3. Áreas de gerência e administração.
3 INSTALAÇÕES DO ESPAÇO DO MUSEU 
Desde os anos 1970, com a virada do conceito e da função dos museus, a 
organização dos edifícios museológicos passou a se ajustar entre a obra e o espaço, 
para atingir aos interesses dos visitantes. Para além disso, o contexto capitalista da 
sociedade contemporânea exigiu dos museus adaptação para se tornarem serviços (veja 
o conceito de museu!) e isso situou o intuito de suprir necessidades complementares na 
organização espacial do prédio. 
Gary Edson (2015) recomenda que a organização dos museus seja vista como 
um tripé estrutural, formado pelos processos de três componentes: 
1. A administração.
2. A curadoria do acervo.
3. As operações museológicas.
Vale destacar que esses três componentes organizacionais requerem o trabalho 
em equipe uma vez que os museus operam na dimensão de relações processuais 
em que cada ação decorre de outra anterior que remete a outra posterior, ou seja, as 
equipes bem administradas, com propósito comum, comunicação interna eficiente, 
envolvimento e responsabilidade e confiança. 
Não basta um museu ter seus espaços abertos de visitação com recepção, salas 
de exposição de longa duração, salas temporárias, auditórios, sanitários, áreas de descan-
so, espaço de ações educativas e culturais, banheiros, bibliotecas, arquivos e demais es-
paços, é preciso atender a serviços, como restaurantes, cafés, livrarias, lojas de souvenirs 
e outros ambientes que incluem até a controvertida reserva técnica visitável. A ideia é de 
provocar uma prática da vivência cultural e de participação na experiência dos visitantes.
A respeito dessa noção de vivência cultural, experimentação e distribuição 
espacial arquitetônica, cabe refletir sobre o papel, socialização e sociabilidade da 
organização dos museus. Para melhor elucidar esse olhar, apoiamo-nos na museóloga 
Waldisa Rússio (1981 apud BRUNO, 2010, p. 141) ao explicar que:
Compreendemos que o museu e sua relação com o espaço vão 
muito além do que colocar objetos para expor. Com o projeto não 
só propomos as organizações das coleções, estudo de iluminação, 
acessibilidade, estudo do layout, porém, proporcionamos interação. 
Cada vez mais os museus abrigam, também, espaços para as oficinas 
de criatividade, para as salas de seminário e de debates, vizinhando 
com o seu essencial espaço expositivo.
205
Todos os aspectos abordados foram construídos na perspectiva dos museus fí-
sicos e tradicionais. No que tange aos museus virtuais, o visitante é convidado a percor-
rer cada área em um click, para conhecer as características principais dos ambientes. 
Vale conhecer as áreas vinculadas às atividades às quais se destinavam e aos desta-
ques do acervo ali expostos. Tudo isso em ambientes em 360º, com o uso das tecnolo-
gias que favorecem que se observe o ambiente do chão ao teto, em todas as direções, 
além de poder aproximar-se ou afastar-se dos detalhes por meio do recurso de zoom.
[...] não será o museu o complexo cultural mais típico da sociedade 
contemporânea? Sim; consideramos que hoje em dia o museu é 
capaz de ser expoente e recipiente de nossa cultura. O importante é 
que esta capacidade se desenvolva, tome forma e nos possibilite um 
museu autenticamente vivo, que expresse a atividade sociocultural 
de nossa civilização e ao seu encontro saia a ciência museológica 
decidida a realizar um museu de ‘cinco estrelas’, contemplado, vivido 
e compreendido por todos, crítico para que nele possam se reunir a 
ética e a estética (LEÓN, 2020, p. 64-65, tradução nossa).
Figura 10 – Planta baixa das áreas do Museu-Casa Rui Barbosa
Fonte: http://antigo.casaruibarbosa.gov.br/geral.php?ID_S=159. Acesso em: 28 set. 2023. 
206
A respeito dos espaços visitáveis do museu, ou as áreas públicas, não há 
dimensão de espaço indicadopara uma sala expositiva. Visto que cada museu tem sua 
própria composição espacial, dependendo do lugar que ocupa, a preocupação, portanto, 
deve ser com o uso do espaço, a cenografi a e a conservação do acervo em relação ao 
número de visitantes que irão transitar por ali. 
Para além da ocupação dos ambientes na composição funcional museológica, é 
preciso considerar, na arquitetura do edifício do museu (e fora dela também), a questão 
da preservação. Entendemos a preservação como uma das atribuições primordiais dos 
museus, sobretudo em relação às coleções e à informação. A preservação museológica 
se manifesta no sentido da conservação preventiva, que leva em conta defi nições, 
técnicas, metodologias e práticas específi cas. 
Nesse sentido, com relação à arquitetura do museu, cabe considerar as 
patologias associadas aos edifícios. Isso depende de vários fatores, tais como: a 
localização do terreno, as condições climáticas, vegetação de entorno, circulação 
urbana de transporte pesado, incidência solar, confrontos sociais e políticos, como 
guerras, passeatas e outras probabilidades de sinistros do lugar em que o museu está 
sediado (enchentes, temporais, secas, tremores da terra etc.). Esses fatores impactam 
na estrutura da edifi cação, nas exposições internas e externas, itinerantes, de curta ou 
longa duração. Mais adiante, no seu curso de Bacharelado em Museologia, você terá 
uma disciplina sobre Gestão de riscos. 
Figura 11 – Termo-higrômetro mede umidade e temperatura do ambiente
Fonte: adaptada de https://cms-resources.coleparmer.com/t/Image1_377.jpg. Acesso em: 28 set. 2023.
Assim sendo, os elementos arquitetônicos dos museus precisam de controle 
sobre as patologias e desastres da sua estrutura. Por ser uma área interdisciplinar, a 
museologia permite que as funcionalidades do museu sejam compartilhadas com vários 
tipos de especialistas, como é o caso dos arquitetos, engenheiros, biólogos e outros 
207
Quadro 2 – Identificação estrutural de problemas prediais
Fonte: adaptado de Veiga (2013, p. 104).
que possam dar um levantamento das condições de organização e gestão do espaço 
museal. Inclusive, existem softwares sofisticados ao alcance desses profissionais e dos 
próprios funcionários do museu, para resolver esses problemas. 
Veiga (2013) nos chama a atenção na identificação de patologias e problemas 
estruturais das edificações dos museus. Falaremos de cada uma delas, de acordo com 
a percepção da autora, no Quadro 2.
CONSTRUÇÃO PROBLEMA/PATOLOGIA ANÁLISE
Fundação do 
prédio
Infiltração, umidade, infestação de 
insetos e fungos
Verificar fissuras, buracos, 
rachaduras e crostas
Paredes 
estruturais e 
tijolos
Erosão, capilaridade, fissuras, 
recalques, condensação, chuvas e 
poluição
Ataques biológicos de fungos e 
bactérias.
Mudança na coloração, orifícios
Concreto Temperatura e umidade extremas
Rachaduras, trincas, fissuras e 
corrosão
Metais e chapas 
de zinco, aço, 
alumínio e cobre
Corrosão, oxidação, fissuras, 
condutividade elétrica e térmica
Incêndio, corrosão, dilatação, 
balanço estrutural, calor ou frio
Vedações
Desintegração, fissuras, 
infiltrações e capilaridade
Porosidades, estufamentos, 
bolhas, desintegração, 
manchas e pegajosidades
Pisos, 
coberturas e 
forros
Infiltração, umidade, ataque de 
insetos e fungos e permeabilidade 
de água
Inclinações, enrijecimento, 
amolecimento, lascamento, 
craquelamento, uso de calhas, 
infiltrações e desagregação de 
partes
A legislação brasileira de museus estabelece como base que os museus devem 
ter minimamente uma estrutura condizente com suas atribuições essenciais. Focando 
apenas no imprescindível, observe o esquema1 que propõe a organização estrutural de 
uma instituição museológica. 
208
Figura 12 – Estrutura para dependências de um museu – áreas internas
Fonte: a autora.
Essa organização tem a concepção de um museu tradicional, o que não impede 
que outras tipologias sigam o processo com adaptações. É importante reforçar que a 
prática de reutilização de prédios históricos estabelece uma relação marcante do museu 
com a comunidade. A priorização dessas edifi cações para implantação e instalação de 
um museu, centro de memória, memorial e outros derivados estabelece reconstrução 
do lugar contribuindo com o reuso do patrimônio cultural arquitetônico e urbanismo e 
processos de modernização de bairros e cidades. 
Umas das técnicas da engenharia e arquitetura de recuperação de prédios 
antigos, com sentido de melhorar o preexistente é a chamada retrofi t. A técnica tem sido 
amplamente empregada com o sentido de renovação, mas não deve ser confundida 
com restauração. O retrofi t está aliado ao conceito de preservação da memória e da 
história. Como? Aumentando a vida útil do prédio e seu entorno com o emprego de 
tecnologias avançadas e materiais modernos diferenciados do original. 
209
Figura 13 – Projeto de Retrofit – Museu do Rio – MAR
Figura 14 – Museu-casa Rui Barbosa, RJ
Fonte: https://br.pinterest.com/pin/373798837798519011/. Acesso em: 28 set. 2023.
Fonte: http://antigo.casaruibarbosa.gov.br/interna.php?ID_S=14. Acesso em: 28 set. 2023.
O retrofit se diferencia da reabilitação do prédio. Essa se dá pela intervenção que 
pressupõe uma mudança de uso no programa do edifício construído. Podem ser usados 
outros nomes, como requalificação, remodelação, renovação que passam pela ideia de 
reforma. Vale alertar que, no campo dos museus e do patrimônio, o uso da expressão 
resgate precisa ser banido, haja vista que é impraticável “resgatar” funções de uso de um 
imóvel dos tempos passados, em suas funções, atividades e personagens. O exemplo 
satisfatório à condição de uma casa histórica requalificada é museu-casa (PONTE, 2018). 
Como museu-casa se denomina aquela instituição que preserva os cômodos 
em sua ambientação inicial, isto é, quarto, cozinha, sala, biblioteca exatamente como 
quando eram funcionais. Cuidado para não considerar uma casa-museu como sinônimo 
de museu-casa! A casa-museu passa por readaptação dos significados, readequação 
dos espaços e demais caracterizações para se transformar em um museu que possui 
diferentes facetas expositivas, técnicas, conceitos e serviço aos públicos. 
210
Figura 15 – Museu-casa Cora Coralina, GO
Fonte: https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/190/o/DSC00818.JPG. Acesso em: 28 set. 2023.
Para complementar a reflexão sobre museu-casa e casa-museu, vejamos o que 
diz o autor Antônio Ponte (2018, p. 24):
Ao visitarmos estes espaços contactamos com objetos, mas não uns 
quaisquer objetos, com os objetos que uma pessoa ou um grupo uti-
lizou no seu dia a dia, reflexo das suas atividades profissionais, dos 
seus gostos, mas também determinantes para a sua vivência, para as 
experiências gastronómicas e/ou profissionais. Esta análise reforça a 
importância da dimensão imaterial destes museus em que temos de 
estudar de forma semelhante várias dimensões da sua construção: a 
casa, contentor de objetos e memórias que temos de descobrir; o indi-
víduo que viveu num espaço, moldou-o à sua personalidade e cultura; 
a vivência, o tempo e o modo como esse espaço foi utilizado, ocupado 
e vivido; o acervo, conjunto de objetos que se relacionaram com o indi-
víduo, que os colocou ao seu serviço num espaço, num tempo e numa 
organização resultante do seu enquadramento pessoal.
No que se refere aos preceitos éticos do Conselho Internacional de Museus 
(ICOM, 2009 p. 7), para a constituição de museus, o documento afirma: “normas mínimas 
de conduta e procedimentos, cujo cumprimento os profissionais, no mundo inteiro, 
podem desejar e estipula o que o público pode esperar da profissão de museu”. Para 
esse importante órgão, as diretrizes de constituição institucional documentais são: da 
obrigatoriedade dos documentos constitutivos, do caráter não lucrativo e do Regimento 
Interno como definição legal de missões, objetivos e políticas institucionais.
No que se refere aos recursos, o Icom (2009) estipula que os museus requeremrecursos materiais, recursos financeiros, recursos humanos. Vamos fragmentar cada um.
Recursos materiais, no Código de ética do Icom (2009), são aqueles 
reconhecidos por permitir a manutenção das atividades da instituição. Veja a figura a 
seguir apresentando os cinco pontos percebidos como recursos materiais.
211
Figura 16 – Derivação dos recursos materiais
Fonte: adaptada Icom (2009).
No que se refere aos recursos financeiros, o Icom (2009) recomenda que os 
museus sejam tutelados pelas suas instâncias superiores de financiamentos e que 
eles possuam a própria receita por meio de uma Política de geração de rendas. Talvez 
você se pergunte, como uma instituição sem fins lucrativos pode ter política de geração 
de renda. A chave da questão está na produção de atividades próprias do museu, como 
a venda de catálogos, ingressos, contribuições de doação, arrendamentos de áreas, 
lembranças etc., ou originárias de fontes externas como os patrocínios, editais e outros.
Finalizamos as necessidades dos museus na visão do Icom (2009) com os 
recursos humanos. Cabe aos museus a contratação de recursos humanos legitimados 
na conformidade legal vigente. Para o Icom (2009, p. 11), os museus devem estabelecer 
uma Política de Emprego, segundo o qual: “a autoridade de tutela deve assegurar 
que todas as medidas relativas a recursos humanos sejam tomadas de acordo com as 
políticas do museu e com a legislação em vigor”. O Código de ética propõe também que 
o diretor do museu tenha conhecimentos e competências para o exercício da função, 
associado à conduta ética. Esse diretor deve promover oportunidade aos funcionários 
de capacitação e desenvolvimento, bem como pode recorrer aos voluntários como 
adicionais na atenção aos visitantes e ao trato do acervo.
Sobre essa relação tutorial da direção do museu com os funcionários, é im-
portante salientar que não se espera do modelo gestor uma estrutura centralizadora, 
autoritária e hierárquica. Essa questão tem encadeamento que depende da organização 
institucional do museu, podendo ser linear e vertical. Numa segunda alternativa, a orga-
nização da unidade museológica pode ser feita por demandas, como no caso das ins-
tituições comunitárias em que os distintos setores têm interferência própria nas ações. 
212
O autor Costa (2014) propõe uma alternativa de gestão museológica pautada na 
interdependência mútua, quer dizer, uma gestão descentralizada na qual a instituição 
museológica é entendida como um “sistema”. Nessa perspectiva, entram em cena as 
relações humanas nas quais “um setor do museu não funciona sem que as ações dos 
outros setores sejam conduzidas, e assim sucessivamente, fazendo entender o museu 
como um organismo” (COSTA, 2014, p. 50).
Figura 17 – Modelo centralizado de organização
Fonte: Costa (2014, p. 48).
Por último modelo de gestão de museus, e não menos importante, Costa (2014) 
nos apresentas a Gestão participativa. A gestão participativa é aquela em que o museu 
conta com a participação de uma comunidade para resolver as suas ações, no intuito 
de atender às demandas sociais e culturais para o qual foi criado, institucionalizado. O 
museu é um ente da sociedade e serve aos seus propósitos.
De acordo com Querol (2018), esse modelo de gestão participativa é mais 
horizontal e democrático, estabelecendo aos cidadãos a oportunidade de gerir seu próprio 
patrimônio resguardado no museu. Adequa-se aos museus ligados às perspectivas da 
Sociomuseologia. Isso não signifi ca dizer que esse modelo não apresente desafi os. 
Eles existem e serão apresentados com maior detalhamento no próximo tema de 
aprendizagem desta Unidade 3. 
O Manual prático do Icom, intitulado Como gerir um museu, na escritura do 
diretor da Universidade do Texas, Gary Edson (2015, p. 111), nos aponta que: 
Os aspectos-chave da boa gestão são: (1) selecionar as pessoas 
certas para a função, (2) determinar o trabalho a ser feito, (3) decidir 
o modo pelo qual o trabalho deve ser realizado, e (4) administrar 
213
Figura 18 – Sinalização de deslocamento em museu
Fonte: https://miscampinas.wordpress.com/atividades/sinalizacao-da-exposicao-de-longa-duracao/. 
Acesso em: 28 set. 2023.
a relação entre as pessoas que fazem o trabalho e os demais 
elementos do museu. Essas atividades podem ser cumpridas direta 
ou indiretamente, dependendo do porte e objetivo do museu, mas 
são, no entanto, fundamentais ao processo administrativo.
Manuelina Duarte (2014) considera na elaboração e implantação de um museu 
que os seus espaços derivem do programa arquitetônico pautado nas necessidades de 
flexibilidade, funcionalidade e extensibilidade para abrir novas aquisições ao longo 
do tempo. 
Deverão ser previstos não apenas espaços voltados para os objetos 
e para exposições, mas para as demais atividades que a instituição 
venha a necessitar para a pesquisa, salvaguarda, e para a comunica-
ção do patrimônio, além dos espaços consagrados a hospitalidade, 
como áreas de repouso e de serviço para o público – cafeteria, loja, 
restaurante etc. O projeto deve privilegiar estruturas arquitetônicas 
abertas e que ofereçam possibilidades de transformação (DUARTE, 
2014, p. 42).
Com a citação anterior, fechamos este Tema de Aprendizagem 2, que tratou 
sobre as recomendações vigentes para composição e funcionamento de unidades 
museais, sob a luz da legislação dos museus e dos profissionais da Museologia. No tema 
seguinte, faremos reflexões acerca das diferentes dimensões dos museus, que vão 
além do museu tradicional, até então retratado.
214
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu:
• A criação de espaços museológicos requer instrumentos legais de constituição, 
sendo eles o Decreto de criação no caso dos museus vinculados à administração 
pública, ou a Ata de criação para as instituições da iniciativa privada.
• Museus precisam ter definidos seus valores, missão e visão em um documento 
inscrito e publicizado chamado Regimento Interno.
• As instalações de museus necessitam atender três critérios, a saber: tipo de 
administração, tipo de arquitetura e curadoria e adequação à natureza de suas 
funções.
• A condição da estrutura física do espaço destinado ao museu repercute diretamente 
na distribuição das dependências.
• Os museus abrigam necessariamente duas áreas, a privativa, de uso interno dos 
funcionários e administração, e a área pública, que possibilita a circulação e uso dos 
visitantes.
• Museu-casa é uma instituição que mantém a estruturação funcional anterior a sua 
adaptação. A casa-museu recebe readaptações para funcionar o museu.
• Os recursos materiais do museu são compostos por instalações, acesso, segurança 
e proteção patrimonial.
• Equipe, definição institucional e funções especificadas são os requisitos de gestão 
museológica.
215
AUTOATIVIDADE
1 As áreas públicas de um museu podem ser consideradas aquelas onde há acesso 
e circulação de visitantes. Como exemplo de uma área pública, podemos anunciar 
o auditório, a biblioteca, a cafeteria e outras do percurso dos públicos, como os 
sanitários. Com base no exposto, classifique V para as sentença verdadeiras e F para 
as falas:
( ) Os jardins, as áreas de descanso e a área do serviço educativo são públicas.
( ) O acesso à reserva técnica é controlado, configurando um espaço privativo dos 
serviços do museu.
( ) A copa para os funcionários, almoxarifado e área administrativa são áreas públicas 
do museu.
( ) No museu público, as áreas onde transita o acervo original, independente de ter 
mobiliários específicos, é sempre considerada pública.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: 
a) ( ) V – V – F – F.
b) ( ) V – F – V – F.
c) ( ) F – V – V – F.
d) ( ) F – F – V – V.
2 Um museu clássico da iniciativa privada está sendo criado num município do interior 
da região Centro-Oeste brasileira. Esse novo museu deverá tratar sobre a história 
institucional da empresa que emprega centenas de pessoas na região, tornando-se, 
assim, um ponto de memória importantepelas 
atividades de gestão, ou seja, terão que cuidar do fluxo documental inerente a 
cada setor. Aqui, é necessário que a instituição tenha os manuais e procedimento 
explicito para que cada setor não crie um procedimento.
9
Figura 3 – Entidade mantenedora
Fonte: adaptada de Paes (2004).
• Coordenação: para que os sistemas descentralizados atinjam seus objetivos com 
rapidez, segurança e efi ciência, é imprescindível a criação de uma coordenação 
central, tecnicamente planejada, que exercerá funções normativas orientadoras e 
controladoras (PAES, 2005).
Para Jardim (2015, p. 183) na descentralização podemos ter:
• os poderes de decisão são transferidos ou delegados para uma 
autoridade que não é governada pelo poder disciplinar central ou 
que não pode ser substituída pela autoridade central;
• a autoridade não faz parte de uma hierarquia, ou seja, não recebe 
ordens de uma autoridade central e não pode ter sua decisão 
modifi cada por essa autoridade central ou paralisada por rejeição 
de aprovação, veto ou cassação.
Se a centralização for rígida, pode ser desastrosa, a descentralização excessiva 
surtirá efeitos iguais ou ainda piores (FREIBERGER, 2012). 
3.1 ENTIDADES MANTENEDORA DE ARQUIVOS
As entidades mantenedoras ou custodiadas de arquivos podem ser públicas, 
institucionais, comerciais e pessoais ou famílias. Como sabemos, os arquivos são 
produzidos ou acumulados por entidade coletiva pública ou privada, pessoa ou família 
no desempenho de suas atividades, independentemente da natureza do suporte 
(BRASIL, 1991).
10
a) Arquivos públicos – arquivo de entidade coletiva, entidade coletiva pública, 
independentemente de seu âmbito de ação e do sistema de governo do país; 
integrantes da administração pública.
b) Arquivo federal – arquivo público mantido pela administração federal. Em alguns 
países, a expressão designa o arquivo nacional.
c) Arquivo estadual – arquivo público mantido pela administração estadual, identificado 
como o principal agente da política arquivística nesse âmbito (BRASIL, 2005).
Figura 4 – Arquivo Público do estado de São Paulo
Figura 5 – Arquivo Municipal do Belo Horizonte – MG
Fonte: https://images.app.goo.gl/SaYSGtYUdnkFDYGx6. Acesso em: 25 set. 2023.
Fonte: https://images.app.goo.gl/wxp7CbfVLndfsSy76. Acesso em: 25 set. 2023.
d) Arquivo municipal – arquivo público mantido pela administração municipal, 
identificado como o principal agente da política arquivística nesse âmbito. Como 
exemplo, cita-se o arquivo Municipal do Belo Horizonte – MG (BRASIL, 2005).
11
e) Arquivos privados – os conjuntos de documentos produzidos ou recebidos por 
pessoas físicas ou jurídicas, em decorrência de suas atividades (FRANCO, 1985), 
sendo o acesso a esses acervos, franqueado por autorização de seus proprietários ou 
possuidores (LOPES; RODRIGUES, 2017).
f) Arquivos eclesiásticos (igreja) – “os arquivos eclesiásticos constituem um acervo 
valioso e imenso, registrando fatos e acontecimentos que vão além do interesse da 
Igreja enquanto instituição produtora de documentos, perpassando, também, os 
interesses da sociedade. Devido ao grande valor social, a documentação produzida 
pela Igreja Católica, embora de natureza privada, constitui-se em documentos de 
interesse público” (TOGNOLI; FERREIRA, 2017, p. 7).
g) Arquivo de família – arquivo privado de uma família ou de seus membros, relativo as 
suas atividades públicas e privadas, inclusive à administração de seus bens. Também 
chamado arquivo pessoal ou arquivo familial (BRASIL, 2005).
h) Arquivo pessoal – arquivo de pessoa física, por exemplo, o arquivo (BRASIL, 2005), 
ou seja, são documentos produzidos e recebidos, custodiados pessoa física durante a 
sua vida e em decorrência de suas atividades e funções sociais (OLIVEIRA; MACEDO; 
SOBRAL, 2017).
Deixamos como sugestão de leitura artigo intitulado Os arquivos 
eclesiásticos e a arquivística brasileira: uma análise dos artigos publicados 
nos periódicos arquivísticos brasileiros, de autoria de Natália Bolfarini 
Tognoli e Elane Rodrigues da Silva Ferreira. Esse artigo aborda o valor 
dos acervos que compõem os arquivos eclesiásticos. 
Fonte: https://brapci.inf.br/index.php/res/download/48251. Acesso 
em: 25 set. 2023.
DICA
3.2 ESTÁGIO DE EVOLUÇÃO 
Paes (2004) afi rma que, para que os arquivos possam desempenhar suas 
atividades e funções, é importante que os documentos estejam organizados de forma 
a permiti a recuperação da informação de forma rápida pelos seus usuários. Para Paes 
(2004), estágio de evolução dos arquivos está relacionada à Teoria das três idades: 
arquivo corrente, arquivo intermediário e arquivo permanente, ou seja, os arquivos são 
organizados conforme a teoria.
12
Figura 6 – Teoria das três idades
Fonte: adaptada de Paes (2004).
Os arquivos correntes são arquivos com o valor administrativo e estão 
organizados junto ao produtor, muitas vezes, os arquivos correntes são denominados 
de arquivos montados nos setores de trabalho. Para Lopes (1994), esses arquivos são "os 
conjuntos montados nos setores de trabalho, em decorrência das funções e atividades 
exercidas e da necessidade de mantê-los no local por razões administrativas e técnicas".
Os arquivos intermediários são denominados de 'arquivos de segunda idade' 
devido ao término da vigência administrativa. É nessa fase que os documentos são 
transferidos para os arquivos intermediários, onde aguardam sua destinação final, 
podendo ser o recolhimento ao arquivo permanente ou a eliminação.
Os arquivos permanentes são formados pelos documentos recolhidos do 
arquivo intermediários com valor secundário, para Barros (2020, p. 67), esses arquivos 
“representam o passado, o presente e o futuro da teoria arquivística”.
Cada uma das idades/fases são complementares e têm atividades distintas no 
manuseio, tratamento e conservação dos documentos (PAES, 2004). 
3.3 EXTENSÃO DA ATUAÇÃO DOS ARQUIVOS
Os arquivos, além de serem classificados pelas suas idades, também são 
distintos conforme sua abrangência, podendo ser setoriais ou centrais/gerais.
13
Quadro 3 – Exemplos de suportes especiais
• Arquivos setoriais: são arquivos descentralizados, ou seja, situado nos setores de 
trabalho, são os locais em que são mantidos os arquivos correntes. Esses arquivos 
estão sempre junto do órgão produtor, devido ao auto número de pesquisa. Se 
houver um arquivo central na organização, o arquivo setorial estará subordinado às 
normativas do arquivo central.
• Arquivos centrais: são arquivos centralizados que recebem os documentos cor-
rentes de diferentes setores da organização. Também são responsáveis pela nor-
malização dos procedimentos técnicos aplicados aos arquivos de uma administra-
ção, podendo ou não assumir a centralização do armazenamento (BRASIL, 2005).
3.4 NATUREZA DOS DOCUMENTOS
Os arquivos muitas vezes eram confundidos pela forma física dos documentos 
ou com a sua finalidade. Para evitar essa confusão, foi elaborado conceitos para arquivos 
especiais e arquivos especializado durante o 1º Congresso Brasileiro de Arquivologia 
realizado no Rio de janeiro em 1972.
• Arquivos especializado: arquivo onde tem um acervo ou mais características 
comuns, como natureza, função ou atividade da entidade produtora, tipo, conteúdo, 
ou data dos documentos, entre documentos outras (BRASIL, 2005). Como exemplo, 
cita-se: arquivos médicos, contábeis, engenharia, jurídicos, arquivos de arquitetura. 
• Arquivos especais: documentos de formas físicas diversas, por exemplo, 
fotografias, discos, fitas, clichês, microformas, slides, disquetes, CD-ROM e, por isso, 
merecem tratamento especial não apenas no que se refere ao seu armazenamento, 
como também ao registro, acondicionamento, controle e conservação (PAES, 2004).
Exemplos de suportes especiais
CD – Disco ótico usado para o 
armazenamento digital de áudio, 
de dados e aplicações em meio 
eletrônico.
Fonte: https://images.app.goo.gl/pHpyopyxcq6gMiCm8. 
Acesso em: 25 set. 2023.
14
Fita de vídeo – Fita magnética 
que contémpara o lugar. Sobre a primeira medida na 
criação desse novo museu, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Elaborar a Ata de criação.
b) ( ) Elaborar o Decreto de criação.
c) ( ) Contratar o profissional museólogo.
d) ( ) Elaborar o Plano Museológico.
3 A previsão de um programa arquitetônico de museu na sua instalação cria lugares 
que abrigam acervo, públicos e funcionários. Nesse sentido, as funções do museu 
precisam estar contempladas na adequação da edificação. Sobre o exposto, avalie as 
asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
I- A legislação que norteia o setor museológico brasileiro regulamenta a obrigatoriedade 
do Regimento Interno como documento que define estatuto jurídico 
216
POR QUE
II- O Regimento Interno registra objetivos, política institucional, papel e composição dos 
funcionários, horário de funcionamento.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As duas alternativas estão corretas, e a segunda justifica a primeira.
b) ( ) As duas alternativas estão corretas, mas a segunda não justifica a primeira.
c) ( ) A primeira alternativa é verdadeira, e a segunda é falsa.
d) ( ) A primeira alternativa é falsa, e a segunda é verdadeira.
4 Os aspectos formais de criação de um museu passam pelas recomendações legais 
orientadas pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Essa regulamentação é 
cobrada dos museus públicos estaduais, federais e municipais, bem como aquelas 
ligados às inserções administrativas privadas. Cite três etapas obrigatórias de 
organização de uma unidade museológica.
5 Não se pode conceber um museu isolado. Ele se insere numa comunidade, na 
sociedade como um todo. Explique a importância de se pensar no público ao projetar 
a implantação de um museu.
217
TÓPICO 3 - 
ORGANIZAÇÃO DE MUSEUS NA 
DIVERSIDADE MUSEAL
1 INTRODUÇÃO
Você que está em formação para tornar-se profissional museólogo deve 
reconhecer a Lei 11.904, de 14 de janeiro de 2009, reconhecida como Estatuto dos 
Museus, e seu dispositivo de regulamentação, o Decreto nº 1.824, de 18 de outubro de 
2013, que indica o Plano Museológico como ferramenta de gestão de todos os museus 
brasileiros. Essa legislação abrange os museus clássicos, tradicionais e os processos 
inovadores da museologia social, que cada vez mais vêm à tona na busca de representar 
a diversidade social e cultural da população brasileira.
Este Tema de Aprendizagem 3 sobre a disposição de unidades museológicas 
se propõe desenvolver uma visão da organização estrutural, arquitetônica, jurídica dos 
diferentes tipos de museus, evidenciando seus pontos comuns e especificidades. São 
espaços musealizados, museus no ciberespaço e museus comunitários.
O Icom, órgão responsável por questões referentes aos museus, atualizou 
a definição de museu e essa nova definição proporcionando ambientes digitais de 
exposição agregados a tecnologias emergentes e cada vez mais instigantes. No 
interior da área de conhecimento Ciência da Informação, o museu pode ser definido 
como uma “[...] unidade de informação que trabalha com a organização, o tratamento, 
o armazenamento, a recuperação e a disseminação da informação produzida a partir 
de suas coleções” (YASSUDA, 2009, p. 15). Assim sendo, vamos abordar as diferentes 
possibilidades de organização, tratamento e armazenamento nessas inovadoras 
unidades museológicas.
Curadoria é definida aqui como o ciclo completo de atividades relativas aos 
acervos, compreendendo a execução e ou orientação científica da formação e do 
desenvolvimento de coleções (BRANDÃO; LADIM, 2011). Nesse sentido, a curadoria 
museológica vive em constante tensão pela necessidade de atender às coleções, seu 
conteúdo informativo por meio de pesquisa, e a extroversão com os públicos. Isso se 
manifesta a contar da própria organização, ordenamento do espaço museológico. 
Vamos pensar juntos esses e outros assuntos relacionados às problematizações 
que reverberam nos museus fora da padronização clássica.
UNIDADE 3
218
2 ORGANIZAÇÃO DE UM MUSEU COMUNITÁRIO
Antes de mais nada, é importante que estejamos caminhando na mesma 
direção epistemológica. Portanto, definir o museu comunitário é fundamental. Entende-
se museu comunitário na perspectiva de preservação da memória local. Priosti e 
Varines (2007, p. 65), destacam “que o que se espera o museu comunitário, é proteger e 
divulgar a memória das pessoas alocadas naquele território com elas, comunicar o seu 
patrimônio”. O museu comunitário estabelece relações partilhadas entre a vizinhança 
em laços de pertencimento.
Figura 19 – Museu Comunitário da Maré, Zona Norte do RJ
Fonte: https://aun.webhostusp.sti.usp.br/index.php/2018/08/17/novas-perspectivas-historicas-surgem-
-com-museus-comunitarios/. Acesso em: 28 set. 2023.
Um museu comunitário propicia a mediação compartilhada da comunidade e da 
instituição a respeito das diferentes memórias que circundam o território. Ele repensa a 
maneira de apresentar e representar os objetos, utilizando das múltiplas possibilidades 
de acompanhamento, trocas e participação dos envolvidos com aqueles patrimônios. É 
uma relação dialógica que se estabelece entre os envolvidos. 
Suzy Santos (2017, p. 130) nos explica sobre os museus comunitários sendo 
apresentados “como ferramentas criadas e geridas pela comunidade para o seu 
fortalecimento cultural (através da preservação de seus patrimônios e da sua identidade), 
a melhoria da qualidade de vida e como ponte para a conexão, a troca e a solidariedade 
com outras comunidades”. 
A pesquisadora Santos (2017) nos apresentou um mapeamento de 72 museus 
comunitários e ecomuseus organizados e estruturados, desde 1968. Segundo a autora 
supracitada, a maioria dos museus comunitários pode ser encontrada na região Nordeste 
do país. Vejamos a estatística apresentada.
219
Figura 20 – Estatística de museus comunitários por região
Fonte: Santos (2017, p. 215).
Nessas características, podemos nos questionar o que exatamente esses 
museus trazem de diferencial para a organização museológica. A resposta está 
justamente na ideia de que, para aplicar o processamento museológico, não é 
necessário se constituir uma instituição contendo paredes e teto, mas que 
esteja participante de contexto. Essas instituições comunitárias se estabelecem como 
uma experiência coletiva e, portanto, não se encerram em edifi cações físicas ou em um 
modelo previamente concebido.
Neste caso, Chagas (2003) assume posicionamento crítico frente ao uso da 
conceituação museu para essas experiências museológicas, sugerindo a utilização da 
ideia pontos de memória que cumprem uma função social. Quer dizer que empregam a 
própria memória dos habitantes, da comunidade de homens e mulheres, como fortaleza 
no cumprimento das funções de preservar, comunicar e educar. 
Há, portanto, nos museus comunitários a tendência de “libertação do esqueleto 
arquitetônico (RIVARD, 1984, p. 66, tradução nossa)”, ou seja, a inexistência da tríade 
acervo, prédio, público substituída pelo território, testemunhos e comunidade, cujo 
interesse é político e de valorização.
Podemos problematizar esse tipo de museu comunitário no que se refere à 
obrigatoriedade legal de constituir um documento ofi cial como ato jurídico. O museu 
comunitário é um processo que se inicia não por uma deliberação hierárquica ou 
governamental. A comunidade do museu, em consenso, cria o museu sem formalizações. 
No entanto, há gestão do patrimônio e dos processos que não escapam da produção do 
Plano Museológico.
220
Quadro 3 – Pontualidades sobre a organização do museu comunitário 
Fonte: a autora.
Tipo de dúvida sobre o Museu Comunitário Sim – Não
Tem Plano Museológico Sim
Tem instrumento de criação Não
Produz memórias Sim
Otimização de processos museológicos Sim
Processos museológicos Ações organizadas coletivamente
Centralidade nas relações Não
Rótulos e modelos expositivos Não
Referencial teórico na nova museologia Sim
Apropriação e aceite do acervo Sim
Memória e identidade social Sim
Obrigatoriedadeimagens com ou sem 
registros sonoros. Também chamada 
fita de vídeo.
Fonte: https://images.app.goo.gl/8AmWGfxc9TZ-
D6H6x6. Acesso em: 25 set. 2023.
Fitas de áudio – Fita magnética que 
contém registros sonoros. Também 
chamada fita de áudio ou fita sonora.
Fonte: https://images.app.goo.gl/nhPUQ65wLh-
toY1B98. Acesso em: 25 set. 2023.
Fotografias – Imagem produzida 
pela ação da luz sobre película 
coberta por emulsão fotossensível, 
revelada imagem e fixada por meio 
de reagentes químicos.
Fonte: https://images.app.goo.gl/RVicTQLojRhBqqe2A. 
Acesso em: 25 set. 2023.
Microfilme – é um filme resultante 
do processo de reprodução de 
documentos, documentos-dados e 
dados-imagens, dá-se por imagens 
em meios fotográfico ou eletrônico 
em diferentes graus de redução, 
cuja leitura só é possível por meio de 
leitor de microformas Fonte: https://images.app.goo.gl/ufxPadcH2pRwpAes7. 
Acesso em: 25 set. 2023.
Fonte: adaptado de Brasil (2005).
15
Você sabe o que tipologia documental?
A tipologia é a forma que assume uma espécie documental segundo a 
atividade que a gerou. 
DICA
Espécie Tipologia
Ata De reunião
Boletim Escolar
Certidão De óbito
Contrato De trabalho
4 ORGANIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DE ARQUIVOS 
Os arquivos são instrumento de controle à ação administrativa de qualquer 
empresa, seja pública ou privada. O objetivo dos arquivos é: 
Atender à administração direta em suas atividades diversas, servindo de 
suporte à pesquisa técnica, administrativa e financeira produzindo, re-
colhendo, selecionando e arquivando documentos gerados de maneira 
organizada, estando sempre preparados para o atendimento a consul-
tas internas e externas de maneira rápida e precisa (LOPES, 2004, p. 1).
Independentemente do tipo de arquivo ou de instituição que seja situado no 
setor de arquivo, o primeiro passo é conhecer a instituição, identificando os pontos 
fracos, forças, oportunidades e possíveis ameaças. Além disso, conhecer os setores e 
hierarquia da organização, com a finalidade de conhecer os tipos documentais e o seu 
fluxo na organização.
Para realizar essa atividade, é necessário desenvolver algumas atividades: 
levantamento de dados; análise dos dados coletados; planejamento; implementação e 
acompanhamento.
4.1 LEVANTAMENTOS DE DADOS
O levantamento de dados deve iniciar pela leitura da documentação jurídica, 
estatuto, atas, contratos sociais, com a finalidade de conhecer a instituição, sua 
função, finalidade, estruturas e alterações e deve ser “complementado pela coleta de 
informações sobre a sua documentação” (PAES, 2004, p. 35).
Esse levantamento de dados permite ao arquivista, responsável pela gestão 
documental do órgão, conhecer detalhamento o órgão produtor e, por meio desse 
conhecimento, pode-se compreender e avaliar qual o real papel da documentação 
16
produzia na instituição. O Quadro 4 apresenta um resumo dos documentos e informações 
a serem coletados.
Quadro 4 – Documentos e informações – levantamento de dados 
Levantamento de dados
Normas Documentação Pessoal Equipamentos Localização 
física
Meios de 
comunicação
Atas Gênero 
documental
Número de 
pessoas Quantidade Extensão da 
área ocupada Telefone
Documentos 
constitutivos Espécie Qualificação Modelos Iluminação E-mail
Estatutos Tipologias 
documentais Salários
Estado de 
conservação
Umidade Site
Normas Modelos Escolaridades
Estado de 
conservação 
das 
instalações Redes sociais
Organograma Formulários Formação 
profissional
Proteção 
contra 
incêndio
Regimentos
Instrumentos 
da gestão 
documental
Regulamentos Arranjo 
documental
Descrição 
arquivística – 
norma usada
Média de 
arquivamento 
diário
Classificação de 
documentos
Método de 
ordenamento 
adotado
Existência de 
registros e 
protocolos
Controle de 
empréstimos
Normas do 
arquivo e 
manuais
Estado de 
conservação e 
restauração dos 
documentos
Fonte: adaptado de Paes (2004).
17
Além disso, com esse levantamento, podemos analisar o gênero documental, 
as espécies, as tipologias documentais, os modelos e os formulários que são mais 
utilizados na instituição, que vem com o estado de conservação e o volume documental 
(PAES, 2004).
Almeida e Vitoriano (2017), citando Corrochano (1995), mencionam que são 
necessárias seis fases para a construção do diagnóstico.
a) Conhecer a organização – para cumprimento dessa fase, é ne-
cessário realizar o levantamento dos documentos legais, de consti-
tuição, identificar a missão e o objetivo da organização. Para se obter 
essas informações, deve se fazer o estudo da documentação. 
b) Conhecer o arquivo – é preciso realizar leituras sobre o tipo 
de arquivo, caracterizá-lo, identificar quais são os usuários e se 
existem instrumentos arquivísticos. É necessário ainda identificar a 
existência de leis, normas e/ou regulamentos que regem o arquivo 
da organização e identificar a existência de fichas de transferências 
de documentos, controle de empréstimo, de arquivamento, dentre 
outros instrumentos arquivísticos; analisando-os e apontando 
suas competências e possíveis falhas, visando seu aprimoramento.
c) Projetar possíveis mudanças – para a realização dessa fase, é 
preciso prever mudanças e crescimento do arquivo a curto, mé-
dio e longo prazo. Dessa forma, será possível apontar soluções 
prévias quanto ao espaço físico, propondo remanejamento, prio-
rizando a avaliação documental, dentre outras medidas que de-
verão ser incluídas no projeto de trabalho. O projeto de trabalho 
direcionará também os recursos necessários para a implantação 
do arquivo integrado.
d) Realizar estudos analíticos sobre os conjuntos documen-
tais da organização – nesta fase, é recomendado identificar a 
real situação da documentação, uma vez que, por meio da docu-
mentação, percebe-se o fluxo informacional da organização, tor-
nando-se possível não só a identificação precisa e detalhada das 
condições físicas, mas também os fundos, as séries, as tipologias 
documentais que compõem o acervo da organização. As caracte-
rísticas do Arquivo Geral e o estado da documentação precisam 
ser identificados, tais como: os metros lineares do acervo, suas 
condições de conservação, em qual suporte a documentação está 
registrada e se existem cuidados de armazenamento específicos 
para cada documentação. Partindo dessas informações, será pos-
sível apontar medidas de urgência no que tange ao tratamento do 
suporte documental, preservando, assim, o conteúdo informacio-
nal do documento.
e) Verificar as condições de trabalho do arquivo – para a 
realização dessa fase, é preciso identificar os recursos disponíveis 
do arquivo: infraestrutura, recursos financeiros e recursos 
humanos. Esses fatores são fundamentais no desenvolvimento 
das atividades do arquivo, logo, devem ser apontadas no decorrer 
da elaboração do diagnóstico.
f) Identificar a necessidade de informação dos usuários do 
arquivo – para o cumprimento da última fase, é preciso mapear 
o fluxo informacional/documental a fim identificar quais setores 
comunicam-se entre si e quais as necessidades informacionais 
de seus usuários. Identificar quais são as funções e as atividades 
desenvolvidas pelos colaboradores da organização e as tipologias 
18
documentais produzidas e recebidas. Essas informações podem 
ser coletadas por meio de questionários e entrevistas realizadas 
periodicamente (CORROCHANO, 1995, p. 236 apud ALMEIDA; 
VITORIANO, 2017, on-line).
IMPORTANTE
Espécie 
documental
• Divisão de gênero documental que reúne gênero documental tipos 
documentais por seu tipos documentais formato.
Tipo 
documental
• Divisão de espécie documental que reúne documentos por documentos 
suas características comuns no que diz respeito à fórmula diplomática, 
natureza de conteúdo ou técnica do registro
Gênero 
documental
• Reunião de espécies documentais que se assemelham por seus 
caracteres essenciais, particularmente o suporte e formato, que exigem 
processamento técnico específi co e, por vezes, mediação técnica para 
acesso, como documentosaudiovisuais, bibliográfi cos, cartográfi cos, 
textuais etc.
Forma
• Estágio de preparação de transmissão de documentos (rascunho, 
minutas, copia)
Formato
• Conjunto das características físicas de apresentação, das 
 técnicas de registro e da estrutura da informação e informação 
 conteúdo de um documento.
Suporte • Material no qual são registradas as informações.
Fonte: BRASIL. Dicionário brasileiro de terminologia arquivística. Rio de Janeiro: 
Arquivo Nacional, 2005.
4.2 ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS
O arquivista, após coletar todos os dados da primeira etapa, tem que fazer 
a análise da situação real em que o arquivo se encontra. Para isso, deve se fazer o 
diagnóstico para formular e propor melhorias e alterações nos serviços prestados.
Para Paes (2004), esta é uma atividade que consiste em verifi car a estrutura, 
atividade e documentação da organização para verifi car se as atividades correspondem 
à realidade operacional. O diagnóstico é “uma constatação dos pontos de atrito, de falhas 
e lacunas existentes no complexo administrativo, enfi m, das razões que impendem o 
funcionando efi ciente do arquivo (PAES, 2004, p. 36).
O diagnóstico é umas das primeiras etapas antes de fazer a intervenção do 
documento, isto é, a gestão documental, com o intuito de compreender o método de 
arquivamento e possibilitar a organização da informação, ou seja, é o “primeiro passo 
para se alcançar uma gestão dos documentos e também dos arquivos a fi m de que eles 
correspondam às verdadeiras necessidades de informação das instituições” (FERREIRA; 
MELO, 2008, p. 2).
19
Sendo uma etapa importante no planejamento das atividades arquivísticas 
“o processo de diagnóstico é o conjunto de ações que visam identificar as principais 
causas dos problemas [...], sendo o termo causa definido como uma dentre várias 
condições que em conjunto torna provável a ocorrência de determinado problema e 
apontar soluções” (SILVA, 2014, p. 7). 
 O diagnóstico trará subsídios para que arquivista inicia a gestão documental, 
pois é um “um instrumento que direciona as ações a serem tomadas, portanto, ele é 
determinante no processo de avaliação dos arquivos, pois mediante o seu uso, é possível 
identificar possíveis falhas ou lacunas na gestão documental. Ele é imprescindível para 
que se conheça o arquivo e a sua necessidade real (OLIVEIRA; BEDIN, 2018, p.120). 
Para realizar o diagnóstico, existem algumas metodologias. Oliveira e Bedin 
(2018, p. 122) fizerem o levantamento sobre as possíveis metodologias.
• Metodologia de Evans e Ketelaar (1983): apresenta-se em forma de 
questionário, dividido geralmente em nove grupos: apresentação 
geral; legislação e normas; recursos humanos; recursos financeiros; 
edifício e materiais; fundos; métodos e processos de trabalho; 
serviços oferecidos e centros de documentação.
• Metodologia de Campos (1986): procura, por meio de pesquisa 
bibliográfica e entrevista, coletar informações sobre o órgão/
setor visitado, as atividades de protocolo e de arquivo corrente 
desenvolvidas e suas respectivas normas reguladoras; a organização 
do acervo; os instrumentos de pesquisa disponíveis; os processos 
de transferência e eliminação e seus critérios reguladores e o uso 
de tecnologias para recuperação da informação. 
• Metodologia de Moneda e Corrochano (1995): investiga a situação 
arquivística do arquivo por meio de entrevista e a divide em: 
pré-diagnóstico; análise dos fundos; análise dos instrumentos 
de trabalho existentes; análise dos recursos de infraestrutura, 
recursos humanos e financeiros disponíveis; fluxo das informações 
e; posição hierárquica do arquivo.
• Metodologia de Lopes (1997): é realizado mediante o levantamento 
de dados relativos à quantidade de documentos expressa em metros 
lineares ou em bytes; as características diplomáticas; os conteúdos 
informacionais genéricos; as unidades físicas de arquivamento; 
a existência e o modo de uso das tecnologias da informação; as 
características das instalações do arquivo e a situação dos acervos 
no que se refere a preservação; as datas-limite e a identificação 
original das inscrições encontradas nas embalagens. 
• Metodologia de Rousseau e Couture (1998): os autores baseiam 
seu diagnóstico na análise dos procedimentos de criação, difusão e 
acesso, da classificação e recuperação da informação e da proteção 
de conservação
Para Gadelha (2017, p. 398), “não existem modelos prontos e/ou padronizados 
para a aplicação de um diagnóstico, nem mesmo problemas e soluções preexistentes. 
Isso ocorre devido às especificidades do organismo produtor. Cada contexto é único, 
portanto, seus diagnósticos também serão”. Isso não quer dizer que os modelos usados 
para contexto não tenham que ser padronizados dentro da instituição. Conforme Lopes 
20
(2009) e Almeida e Vitoriano (2017), todas as informações que vão compor o diagnóstico 
devem ser coletadas por meio de formulários padronizados, temáticos e revisados 
constantemente.
Segundo Almeida e Vitoriano (2017), ao desenvolver o diagnóstico, um dos 
objetivos é construir a sociologia e a história da organização, ou seja, identifi car o 
histórico da organização, sua missão, seus objetivos, assim como estudar a trajetória de 
vida dos funcionários. 
Quando o diagnóstico arquivístico é realizado, temos os seguintes benefícios:
• Preservar a história institucional por meio da conservação da 
documentação.
• Padronizar o tratamento da documentação.
• Facilitar e agilizar a busca e o acesso aos documentos.
• Proteger fi sicamente os documentos originais mantendo a 
integridade da informação.
• Reduzir os custos (restauração, material de consumo, digitalização, 
entre outros).
• Proporciona maior transparência da administração pública e contri-
buirá para adequar a instituição aos padrões estabelecidos pela le-
gislação arquivística vigente (BARBOZA; SILVA; SILVA, 2020, p. 262).
Para conseguimos esses benéfi cos, o diagnóstico tem que ser bem elaborado e, 
para tal, é necessário conhecer detalhadamente quem produz os documentos que vão 
compor o arquivo, esses conjuntos documentais deve “ter uma estrutura orgânica e refl e-
tir a atividade de uma entidade, o que o diferencia de outros tipos de centros onde se pro-
cessa informação (CORROCHANO, 1995, p. 236 apud ALMEIDA; VITORIANO, 2017, on-line).
Para visual um exemplo de diagnóstico arquivístico, acesso o site do Arquivo 
Público do Espírito Santos (APES): https://ape.es.gov.br/diagnostico_
arquivistico.
A documentação arquivística segue o princípio da organicidade, que afi rma que os 
documentos de uma organização refl etem as atividades da organização que os acumulou, 
esses documentos estão vinculados organicamente. Para complementar os seus estudos 
sobre os princípios arquivístico, leia o texto: Princípios e características de documentos 
arquivísticos: algumas questões terminológicas, de autoria de Kíssila da Silva Rangel e Maria 
Celina Soares de Mello e Silva. Esse artigo analisa as terminologias arquivista, para isso, 
INTERESSANTE
IMPORTANTE
21
Para ampliação do seu conhecimento sobre o tema diagnóstico, deixamos 
como sugestão o artigo Diagnóstico arquivístico: uma proposição 
metodológica a partir de instrumentos normativos de descrição 
arquivística, de autoria de Leolibia Luana Liden e Marisa Medeiros. O 
artigo aborda a importância do diagnóstico arquivístico antes de fazer a 
gestão de documentos, a metodologia utilizada para o seu desenvolvimento 
foi a bibliográfica que identificou conceitos e metodologias utilizadas na 
realização do diagnóstico a partir da utilização de instrumentos normativos 
de descrição arquivística internacionais: ISAD (G), ISAAR (CPF), ISDIAH e 
ISDF. As autoras concluíram que é importante a utilização de instrumentos 
já padronizados para gerar diagnósticos arquivísticos que atendam às 
necessidades institucionais.
Fonte: LINDEN, L. L.; MEDEIROS, M. B. B. Diagnóstico arquivístico: uma 
proposição metodológica a partir de instrumentos normativos de descriçãoarquivística.  Informação & Informação, v. 24, n. 3, p. 335-364, 2019. 
Disponível em: https://brapci.inf.br/index.php/res/v/134176. Acesso em: 25 
set. 2023.
DICA
é realizado uma análise nos dicionários brasileiros de terminologia 
arquivística que tratam os princípios arquivísticos e as características 
dos documentos de arquivo. Compõem o corpus da pesquisa três 
dicionários e foi constatado que a nominação de um princípio e 
características não ocorre de maneira uniforme. 
Conclui-se que a terminologia reflete o desenvolvimento teórico da 
área e sugere-se que outras pesquisas aprofundem conceitualmente a 
territorialidade, a imprescritibilidade, a inalienabilidade e a integridade 
arquivística.
Fonte: RANGEL, K.; SILVA, M. C. S. de M. e. Princípios e características de 
documentos arquivísticos: algumas questões terminológicas.  Ágora: 
Arquivologia em Debate, Florianópolis, v. 31, n. 62, p. 1-10, jan. /jun. 2021.
4.3 PLANEJAMENTO 
Após a realização da análise das etapas anteriores, é necessário fazer o 
planejamento das atividades que irão compor o plano arquivístico. Paes (2004) destaca 
que, independentemente do estágio de evolução dos arquivos, para que possam 
cumprir seus objetivos, torna-se indispensável a formulação de um plano que leve em 
consideração as necessidades da instituição, sem desconsiderar as disposições legais 
pertinentes. Para o desenvolvimento correto do plano, é necessário identificar alguns 
elementos:
22
• A posição do arquivo na estrutura da instituição.
• A posição do arquivo na estrutura da instituição – centralizado; descentralizar e 
coordenação.
• Escolha de métodos de arquivamento.
• Estabelecimentos de normas de funcionamento.
• Recursos humanos.
• Seleção das instalações físicas, equipamentos e materiais de consumo e 
permanentes.
• Desenvolvimento de arquivos intermediários e permanentes.
• Recursos financeiros.
• Elaboração do projeto de arquivo.
4.4 IMPLEMENTAÇÃO E ACOMPANHAMENTO 
Após realizar as atividades anteriores, chegou o momento de implementar 
as devidas melhorias que estão descritas no plano. Essa fase deve ser antecedida de 
uma campanha de sensibilização que alcancem todas as estruturas hierárquicas da 
organização (PAES, 2004). 
Para realizar a campanha, o arquivista pode fazer por meio de reuniões e pales-
tras com o objetivo de informar as modificações que serão introduzidas nas rotinas e 
serviços arquivísticos e pedir a colaboração dos funcionários e colaboradores das ins-
tituições. Tudo isso para diminuir ou neutralizar as possíveis resistências (PAES, 2004).
Simultaneamente com a campanha de sensibilização deve ocorrer os treina-
mentos aos colaboradores que não estão diretamente envolvidos na execução das ati-
vidades e funções que não estão previstas no plano arquivístico, bem como dos colabo-
radores que estarão diretamente envolvidos com os serviços arquivístico (PAES, 2004). 
Outro ponto crucial para o sucesso do plano é a implementação das normas 
elaborados na fase anterior, essa etapa exige um acompanhamento constante pelo 
responsável, com a finalidade de evitar falhas.
Após a implementação dos procedimentos, é necessário criar os manuais de 
arquivo, instrumento de apoio a todo o trabalho da organização, aqui, registamos todos 
os procedimentos e instruções sobre os serviços arquivísticos (PAES, 2004). Como 
sugestão para a construção de manual, Paes (2009) elenca alguns elementos, destaca-
se que esses elementos são flexíveis conforme o contexto e as especificidades de cada 
órgão produtor.
• Apresentação, objetivos e abrangência do manual.
• Informações sobre os arquivos da instituição, suas finalidades e responsabilidades, 
sua internação e subordinação.
23
• Organogramas e fluxogramas.
• Conceitos gerais de arquivos, definições das operações de arquivamento e 
terminologia.
• Detalhamento das rotinas, modelos de formulários utilizados e plano de classificação 
de documentos.
• Tabelas de temporalidade de documentos.
Por fim, o manual arquivístico deve ser revisto periodicamente e atualizado com 
a finalidade de atender às alterações que sugiram em decorrência do desenvolvimento 
instituição.
24
Neste tópico, você aprendeu:
• Os arquivos são responsáveis pela custódia da documentação produzida ou recebida 
por uma organização no decorrer de suas atividades, ou seja, a documentação 
arquivística é produzida de forma orgânica independente do suporte informacional.
• As organizações devem planejar a implementação dos arquivos de maneira que 
permita a recuperação e acesso aos documentos custodiados de forma rápida.
• O sistema de arquivos possibilita desenvolver uma gestão documental de acordo 
com as técnicas de arquivamento mais adequadas, mas, para isso, é necessário que 
a organização defina e implemente uma política arquivística institucional.
• O arquivo pode ser classificado quanto a sua posição na estrutura da organização ou 
de acordo com o aspecto a ser estudado: entidade mantenedora, evolução, atuação 
e natureza dos documentos.
• O levantamento de dados deve iniciar pela leitura da documentação jurídica, 
estatuto, atas, contratos sociais, com a finalidade de conhecer a instituição, sua 
função, finalidade, estruturas e alterações.
• O diagnóstico é umas das primeiras etapas antes de fazer a intervenção do 
documento, ou seja, a gestão documental, com o intuito de compreender o método 
de arquivamento e possibilitar a organização da informação.
• Independentemente do estágio de evolução dos arquivos, para que possam cumprir 
seus objetivos, torna-se indispensável a formulação de um plano que leve em 
consideração as necessidades da instituição, sem desconsiderar as disposições 
legais pertinentes.
RESUMO DO TÓPICO 1
25
AUTOATIVIDADE
1 Os arquivos podem ser classificados quanto a sua natureza dos documentos, estágio 
de evolução, entidades mantenedores e atuação. Sobre os arquivos especializados, 
assinale alternativa CORRETA:
a) ( ) Eclesiástico e médicos.
b) ( ) Sonoros e jurídicos.
c) ( ) Numérico e geográfico.
d) ( ) Microfichas e filmes.
2 Na arquivologia brasileira, o termo arquivo especial e arquivo especializado passou a 
ser discutido no 1º Congresso de Arquivologia Brasileira em 1972. Sobre esses termos, 
classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Os arquivos especializados têm sob sua custódias documentos de uma campo de 
conhecimento específico.
( ) Os arquivos especializados têm sob sua guarda documentos em diferentes tipos 
de suportes.
( ) Os arquivos especiais custodia documentos de forma físicas diferenciadas, por 
exemplo, arquivo de fotografia. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – V.
b) ( ) F – V – F.
c) ( ) V – V – F.
d) ( ) F – F – V.
3 Nos arquivos, contarmos documentos nas mais variadas espécies, formatos, formas 
e gêneros. Sobre os documentos arquivísticos, associe os itens, utilizando o código 
a seguir:
I- Espécie documental.
II- Tipo documental.
III- Gênero documental.
( ) Configuração que assume um documento de acordo com a disposição e natureza 
das informações nele contidas.
( ) Configuração que assume um documento de acordo com o sistema de signos 
utilizado na comunicação de seu conteúdo
26
( ) Configuração que assume uma espécie documental de acordo com a atividade que 
a gerou
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) I – III – II.
b) ( ) III – I – II.
c) ( ) II – III – I.
d) ( ) II – I – III.
4 Para realizar um diagnóstico, é necessário levantar vários dados, um deles é a posição 
dos arquivos dentro da estrutura da organização. Sobre o posicionamento, disserte 
sobre o arquivo de forma centralizada.
5 Para fazer o diagnóstico do arquivo, o arquivista precisa fazer a coleta dos dados e, 
posteriormente, a sua análise. Disserte sobre a análise dos dados coletados.
27
ESTRUTURA FÍSICA E FUNCIONAL DE 
ARQUIVOS
1 INTRODUÇÃO
Nesta unidade, vamos aprender como deve ser a implantação de um arquivo.O 
Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ) produziu alguns documentos que auxiliaram 
o arquivista e os gestores nesta atividade, que veremos mais à frente. 
Para que o arquivo possa desempenhar suas funções, é necessária uma 
estrutura básica que consiste em: infraestrutura (instalações), medidas de segurança, 
recursos materiais e recurso humanos.
UNIDADE 1 TÓPICO 2 - 
2 INFRAESTRUTURA
Para o bom desempenho das funções do arquivo, o primeiro passo é a escolha 
do local adequado para custodiar o acervo. Aqui, devemos levar em conta as condições 
físicas e as questões de extensão de áreas, ou seja, o local deve permitir futuras 
ampliações da instalação (PAES, 2004). A seguir, os aspectos a serem analisados pata 
a instalação do arquivo.
a) Localização: acessível, com capacidade de expansão e, se volumoso, deve ficar no 
andar térreo.
b) Iluminação: ampla, mas difusa, não deve haver incidência direta do sol.
c) Arejamento: ventilação natural, constante e regulável.
d) Higienização: limpo, bem cuidado, com dedetização periódica. 
e) Disposição: espaço livre para locomoção, fácil consulta e conservação do acervo.
f) Segurança: contra incêndio, roubo, infiltrações etc. (FREIBERGER, 2012).
Para Navarro (2015), a infraestrutura se refere às condições físicas que o 
arquivo deve atender para a preservação de documentos, como espaços suficientes 
para a localização de documentos arquivo e áreas de trabalho que permitem o seu 
funcionamento.
Para um arquivo que contém vários serviços, a recomendação é que o 
depósito tenha 60% da área da construída, 15% serão direcionadas ao trabalho técnico 
e administrativo e os 25% restantes serão direcionados ao público. A seguir, será 
apresentado os requisitos para área de depósito, produção e armazenamento, áreas de 
acesso público e a área de trabalhos.
28
2.1 RECOMENDAÇÃO PARA ÁREA DE PRODUÇÃO E 
ARMAZENAMENTO 
A preservação e conservação dos documentos de arquivos deve ser pensada 
no início da gestão da documental, ou seja, na produção. Dessa forma, o Conselho 
Nacional de Arquivos, em 2005, elaborou um documento intitulado Recomendações 
para a produção e o armazenamento de documentos de arquivo, esse instrumento “têm 
como objetivo possibilitar o planejamento de estratégias de guarda e de preservação 
de documentos de arquivo, de acordo com sua temporalidade e destinação” (CONARQ, 
2005, p. 6). 
As recomendações apresentadas no documento estabelecem os requisitos 
para a produção e o armazenamento físico de documentos.
2.1.1 Produção e acesso
Nos processos de produção, tramitação, organização e acesso aos documentos 
deverão ser observados procedimentos específicos de acordo com os diferentes gêneros 
documentais, com vistas a assegurar sua preservação durante o prazo de guarda 
estabelecido na tabela de temporalidade e destinação. Alguns documentos devem ter 
formato padronizado, conforme vigentes, e os documentos permanentes devem ser 
produzido em papel alcalino (CONARQ, 2005).
O Conarq (2005) ainda ressalta que:
• Os papéis das capas de processos devem ser alcalinos.
• Os grampos trilhas ou presilhas devem ser em plástico ou metal não oxidável.
• Deve se evitar as práticas de grampear e de colar documentos.
• Os dossiês, processos e volumes devem ser arquivados em pastas suspensas ou em 
caixas conforme as suas dimensões.
2.1.2 Áreas de armazenamento
Os documentos devem ser armazenados em locais que tenham condições 
ambientes adequados para a preservação conforme o prazo estabelecido na tabela de 
temporalidade da organização. A área de armazenamento é dívida em áreas externa e 
internas.
Áreas externa – o local do depósito de arquivo deve ser de fácil acesso e 
prever facilidade para segurança dos documentos. Deve-se evitar implementação em 
locais com:
29
• Áreas de risco de vendavais, de inundações (rios e subsolos).
• Áreas de risco de incêndios.
• Áreas próximas a indústrias pesadas com altos índices de poluição atmosférica 
(refinarias de petróleo). 
• Áreas próximas a instalações estratégicas (indústrias/depósitos de munições, 
material bélico e aeroportos) (CONARQ, 2005).
Áreas internas – aqui, encontram-se as áreas de trabalho e circulação do público, 
bem como a de armazenamento. As áreas de circulação deverão atender aos requisitos 
de funcionalidade e conforte, porém a área de armazenamento de documentos deve ser 
totalmente independente das outras áreas. Para o Conarq (2000, p. 7):
Os depósitos precisam ficar isolados do restante das atividades do 
edifício. A separação dessas áreas pode ser feita no sentido horizontal 
ou vertical. Sendo no sentido horizontal, os depósitos podem ser 
construídos em um ou vários blocos, separados das demais áreas ou 
localizados abaixo destas. No sentido vertical, eles deveriam ficar nos 
andares mais baixos.
Figura 7 – Área de depósito do Arquivo de São Paulo
Fonte: https://images.app.goo.gl/nSunDThnE9Rzd3jD9. Acesso em: 25 set. 2023.
Na área de depósito, deve ser evitar:
• Evitar os subsolos e porões por causa do grande risco de inundações, preferindo 
terrenos mais elevados distantes de lençol freático. Em caso que o depósito está 
situado no térreo, deve ter pisos mais elevados em relação ao solo e com boas 
condições de drenagem.
• Prever condições estruturais de resistência a cargas.
• A área dos depósitos não deve exceder a 200 m2, caso for necessário, os depósitos 
deverão ser compartimentados, sendo esses compartimentos independentes entre 
si, separados por corredores, com acessos equipados com portas corta-fogo e, de 
30
preferência, com sistemas independentes de energia elétrica, de aeração ou de 
climatização.
• Evitar tubulações hidráulicas, caixas d’água e quadros de energia elétrica sobre as 
áreas de depósito.
• Evitar todo tipo de material que possa promover risco de propagação de fogo ou 
formação de gases, como madeiras, pinturas e revestimentos.
• Aumentar a resistência térmica ou a estanqueidade e das paredes externas, em 
especial daquelas sujeitas à ação direta de raios solares, por meio de isolamento 
térmico e/ou pintura de cor clara, de efeito reflexivo. 
• Promover a ventilação dos ambientes de forma natural ou artificial com soluções de 
baixo custo, inclusive com a disposição adequada do mobiliário, de forma a facilitar 
o fluxo do ar.
• Evitar a presença de pessoas em trabalho ou consulta em tais ambientes.
• Manter suprimento elétrico de emergência (CONARQ, 2005).
Cada depósito deverá ter uma área de até 200 m², sendo que uma área de 
170 m² pode conter cerca de uns 1000 metros lineares de prateleiras, caso seja usado 
estantes compactas, a capacidade de armazenamento aumentará em 90%.
Figura 8 – Estantes
Fonte: https://images.app.goo.gl/E5Ysdhq3WsE2pSKd8. Acesso em: 25 set. 2023.
Caso a instituição opte por usar esse tipo de estante para armazenar os 
documentos no depósito, será necessário verificar a estrutura física dos andares para 
as cargas:
• kg/m² para a instalação de estantes metálicas fixas de 2,20 metros de altura;
• 2.000 kg/m² para estantes móveis, compactas;
• 800 kg/m² para estantes de bibliotecas
31
Deve-se levar em conta a altura do pé direito para a alocação das estantes, que 
não deve exceder ao estabelecido pela regulamentação local. 
Nas construções especificamente projetadas para arquivos, por exem-
plo, um pé direito com a altura em torno de 2,70 m cria um espaço equi-
valente a 0,50 m acima da estante, por onde passam os dutos de venti-
lação e ar-condicionado. Quanto maior o espaço excedente, maior será 
a despesa com energia para climatização e, em caso de fogo, mais fácil 
será o alastramento das chamas. Em construções especificamente pro-
jetadas para prédios de arquivos, a altura do pé direito não deve exceder 
o mínimo exigido pela regulamentação local (CONARQ, 2000, p. 9).
2.1.3 Condições ambientais
Quando estamos ‘escolhendo’ o local que ficará o depósito, é necessário pensar 
nas condições climáticas do ambiente. As áreas de pesquisa de trabalham terão o 
tratamento diferente da área de

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