Prévia do material em texto
Indaial – 2023 Informação Prof.ª Andrea Reis Silveira Prof.ª Miriam de Cassia do Carmo Mascarenhas Mattos Prof.ª Raffaela Dayane Afonso 2a Edição organIzação de UnIdade de Elaboração: Prof.ª Miriam de Cassia do Carmo Mascarenhas Mattos Copyright © UNIASSELVI 2023 Revisão, Diagramação e Produção: Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI Impresso por: C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI. Núcleo de Educação a Distância. SILVEIRA, Andrea Reis Silveira; MATTOS, Miriam de Cassia do Carmo Mascarenhas; AFONSO, Raffaela Dayane. Organização de Unidade de Informação. Andrea Reis Silveira, Miriam de Cassia do Carmo Mascarenhas Mattos e Raffaela Dayane Afonso. Indaial - SC: UNIASSELVI, 2023. 235p. ISBN 978-65-6083-207-7 ISBN Digital 978-65-6083-208-4 “Graduação - EaD”. 1. Organização 2. Informação 3. Unidade CDD 020 Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679 Olá, estudante. Nesta disciplina, nosso foco central será a organização de bibliotecas, uma jornada que abrange diversas etapas e nuances. Um exemplo notável é o planejamento estrutural e funcional das bibliotecas. Além disso, exploraremos a gestão de recursos humanos e serviços, adaptando-os ao perfil do profissional e às características da unidade informacional. É válido ressaltar que alguns temas essenciais já foram abordados em disciplinas anteriores, como as etapas do planejamento, que discutimos anteriormente em Organização, sistemas e métodos. No entanto, nesta disciplina, nosso objetivo é aprofundar esses conhecimentos e conectá-los de forma mais sólida ao processo de organização de bibliotecas. Ao longo deste curso, você se familiarizará com as etapas do planejamento e com a estrutura organizacional de bibliotecas, o tema da Unidade 1. Durante esse período, examinaremos minuciosamente a infraestrutura física e funcional das unidades de informação, bem como os procedimentos envolvendo o acervo, mobiliário e layouts predominantes. Adicionalmente, abordaremos questões relacionadas à acessibilidade física e outros fatores ergonômicos. Na Unidade 2, mergulharemos nos temas relacionados à gestão de recursos humanos, começando com uma análise histórica. Abordaremos conceitos de liderança, motivação organizacional e discutiremos as competências e habilidades necessárias para gerenciar unidades de informação. Por fim, na Unidade 3, aprofundaremos nossos estudos sobre os serviços de bibliotecas, desde os tradicionais até as mais recentes tendências na área de biblioteconomia. Esperamos que você aproveite esta disciplina e que ela forneça orientações valiosas para o seu desenvolvimento profissional cotidiano. Desejamos a todos excelentes estudos! Prof.ª Miriam de Cassia do Carmo Mascarenhas Mattos APRESENTAÇÃO Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos. GIO QR CODE Olá, eu sou a Gio! No livro didático, você encontrará blocos com informações adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender melhor o que são essas informações adicionais e por que você poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto estudado em questão. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um novo visual – com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada também digital, em que você pode acompanhar os recursos adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Preparamos também um novo layout. Diante disso, você verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os seus estudos com um material atualizado e de qualidade. ENADE LEMBRETE Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela um novo conhecimento. Com o objetivo de enriquecer seu conheci- mento, construímos, além do livro que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa- res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada! Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confi ra, acessando o QR Code a seguir. Boa leitura! SUMÁRIO UNIDADE 1 - PLANEJAMENTO E ESTRUTURA ORGANIZACIONAL EM ARQUIVOS ........... 1 TÓPICO 1 - AS ORGANIZAÇÕES E OS ARQUIVOS ................................................................3 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3 2 OS ARQUIVOS COMO SISTEMAS INSTITUCIONAIS ..........................................................4 2.1 O SISTEMA DE NACIONAL DE ARQUIVO – BRASIL ........................................................................ 6 3 CLASSIFICAÇÃO DOS ARQUIVOS .....................................................................................8 3.1 ENTIDADES MANTENEDORA DE ARQUIVOS ................................................................................... 9 3.2 ESTÁGIO DE EVOLUÇÃO ................................................................................................................... 11 3.3 EXTENSÃO DA ATUAÇÃO DOS ARQUIVOS ....................................................................................12 3.4 NATUREZA DOS DOCUMENTOS ...................................................................................................... 13 4 ORGANIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DE ARQUIVOS ....................................................... 15 4.1 LEVANTAMENTOS DE DADOS .......................................................................................................... 15 4.2 ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS ............................................................................................... 18 4.3 PLANEJAMENTO ................................................................................................................................21 4.4 IMPLEMENTAÇÃO E ACOMPANHAMENTO ...................................................................................22 RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................................deposito dos documentos. A área de depósito também terá uma climatização diferente dependendo do suporte documental armazenado. O Conarq (2005, p. 12) recomenda que antes da compra ou reforma de um prédio para custodiar o arquivo, é necessário um estudo do local das condições climáticas da região “nos casos de se elaborar um projeto de construção ou reforma, com vistas a obter os melhores benefícios, com baixo custo, em favor da preservação dos acervos”. É necessário adotar parâmetros para a temperatura e para a umidade do ar, por índices muito elevado ou variações de temperatura acabam por acelerar a deterioração dos documentos, além de ser propício para o surgimento de insetos. Segundo as recomendações do Conarq (2005), são: • Umidade relativa entre 45% e 55%, com variação diária de +/-5%. • Temperatura de 20 °C, em média, com variação diária de +/- 1 °C. Para o Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ, 2005, p. 13) devemos: • Armazenar os documentos em condições ambientais para garantir a sua preservação. • Monitorar as condições de temperatura e umidade relativa do ar. • Utilizar preferencialmente soluções de baixo custo direcionadas à obtenção de níveis de temperatura e umidade relativa estabilizados na média, evitando variações súbitas. • Reavaliar a utilidade de condicionadores mecânicos quando os equipamentos de climatização não puderem ser mantidos em funcionamento sem interrupção. • Proteger os documentos e suas embalagens da incidência direta de luz solar, por meio de filtros, persianas ou cortinas. • Monitorar os níveis de luminosidade, em especial das radiações ultravioleta. • Reduzir ao máximo a radiação UV emitida por lâmpadas fluorescentes, aplicando filtros bloqueadores aos tubos ou às luminárias. 32 • Promover regularmente a limpeza e o controle de insetos rasteiros nas áreas de armazenamento. • Manter um programa integrado de higienização do acervo e de prevenção de insetos. • Monitorar as condições do ar quanto à presença de poeira e poluentes, procurando reduzir ao máximo os contaminantes, utilizando cortinas, filtros, bem como realizando o fechamento e a abertura controlada de janelas. • Armazenar os acervos de fotografias, filmes, meios magnéticos e ópticos em condições climáticas especiais, de baixa temperatura e umidade relativa. A iluminação também deve ser observada ao planejar o arquivo, pois as radiações luminosas podem causar danos pelas reações físico-químicas nos documentos. A radiação causa pelo nível de iluminação é medida em microwatts por lúmen, o limite padrão para fins de preservação é de 75 μw/l. No caso de exposição de materiais de arquivo a períodos prolongados, foram estabelecidos os seguintes parâmetros: I. 50 lux e 75μw/l de radiação UV para documentos de alta sensibilidade à luz, como fotografias, aquarelas etc., pelo período máximo de 100 dias por ano (correspondente a cinquenta mil horas/lux por ano). II. 150 lux para documentos de média sensibilidade, sem exceder a 75 μw/l de radiação UV. III. Para quase todos os suportes armazenados nos arquivos, recomenda-se a exposição no máximo de duzentas mil horas/lux por ano (BRASIL, 2000, p. 7). 2.1.4 Acondicionamento O acondicionamento é a embalagem ou a guarda dos documentos com o objetivo da preservação e acesso. A escolha deve ser realizada com base nas características físicas e a natureza de cada suporte, “a confecção e a disposição do mobiliário deverão acatar as normas existentes sobre qualidade e resistência e sobre segurança no trabalho” (CONARQ, 2005, p. 14). Os mobiliários facilitam o acesso seguro aos documentos, enquanto as embalagens protegem os documentos contra a poeira, bem como minimiza as variações de temperatura e umidade do ar. 2.1.5 Manuseio e transporte O manuseio e transporte dos documentos devem ter cuidados especiais tanto pelo arquivista como pelos usuários. • manusear os documentos originais com mãos limpas, de preferência fazendo uso de luvas. Além de luvas, os técnicos devem também utilizar guarda-pó e máscaras para o manuseio de documentos. Essa recomendação atende à saúde de usuários 33 e técnicos, considerando-se que no passado foi frequente o uso de inseticidas que. em muitos casos. ainda preservam elevados níveis de toxidez. Esporos de microrganismos também podem ser fatores de contaminação e toxidez; • utilizar também luvas e máscaras ao manusear fotografias, filmes, microfilmes, discos e suportes magnéticos e ópticos, considerando-se a fragilidade desses materiais e a necessidade de proteção dos usuários; • manusear documentos de grandes formatos em mesas de grandes dimensões; • utilizar escadas seguras, especialmente desenhadas para a retirada de documentos das estantes, bem como carrinhos, para o seu transporte entre o depósito e a sala de consulta, visando à segurança no trabalho e à integridade dos documentos; • transportar documentos entre seções, para exposições ou para empréstimos externos ou serviços de terceiros, como microfil- magem e conservação, seguindo procedimentos padronizados de embalagem, transporte e manuseio, visando à preservação e segurança dos documentos (CONARQ, 2005, p. 16). 2.2 ÁREAS PARA O PÚBLICO A área para atendimento ao público e consulta deve ser de 25% da área útil do edifico escolhido para a construção/implantação do arquivo. Aqui, devemos ter: • Hall de entrada, balcão de informação, protocolo, salas de consulta, instrumentos de pesquisa e biblioteca de apoio. • Sala de serviços de reprografia para atendimento ao público. • Auditório e atividades educativas. • Salões de exposições. • Lanchonete ou cafeteria. • Lavatórios. • Sala de consultas. • Bibliotecas e hemerotecas. Figura 9 – Sala de exposições do arquivo de São Paulo Fonte: https://www.flickr.com/photos/arquivoestadosp/44372483640/. Acesso em: 25 set. 2023. 34 É válido ressaltar que será indispensável um acesso independente para o público, “impedindo a sua circulação pelas áreas de depósito e trabalho. Em todo o percurso de acesso e circulação, é fundamental que estejam incluídas as facilidades para pessoas com deficiência, tais como portas largas, rampas e corrimãos” (CONARQ, 2000, p. 9). O Conselho Nacional de Arquivos (2005) ainda orienta que a área de consulta deve estar de acordo com a quantidade média de usuários, como base, sugere uma média de 5 m² por usuário. O Conselho Internacional de Arquivos (CIA) e o Comitê de Boas Práticas e Normas publicou, em 2012, os Princípios de acesso aos arquivos, esse documento oferece aos arquivistas referências internacionais para avaliação das práticas e políticas de acesso existentes e um quadro para uso quando do desenvolvimento ou modificação de regras de acesso. Para saber mais, leia o documento na íntegra que está disponível no site do conselho: https://www.ica.org/sites/default/files/Principios%20 pub%20eletronica.pd. DICA Figura – Princípios de acesso aos arquivos Fonte: https://www.ica.org/sites/default/files/Principios pub eletronica.pdf. Acesso em: 25 set. 2023. 2.3 ÁREAS DE TRABALHO As áreas destinadas ao trabalho do arquivista no tratamento documental deverão corresponder a 15% do local do arquivo, elas devem incluir: • Gabinetes do diretor e assistentes • Administração e recursos humanos. 35 • Salas de reunião e auditórios. • Recepção, seleção, triagem, higienização e desinfestação de documentos. • Tratamento técnico. • Conservação, encadernação, fotografia e microfilmagem. • Almoxarifado. • Serviços de manutenção, limpeza e segurança. • Lavatórios. 2.3.1 Gabinetes do diretor e assistentes Essas áreas devem ser controladas ao acesso do público, sistema de condicionamento de ar do prédio, mesmo que centralizado, deve permitir o funcionamento independente dos equipamentos que atendam à climatização dos depósitos de acervo, por questões econômicas e técnicas. 2.3.2 Recepção, seleção, triagem, higienização e desinfestação de documentos O Conarq (2000) recomenda que a área de recepção dos documentosrecolhidos, ou seja, aquele que estão sendo direcionado aos arquivos permanente, devem contar com entrada especial para caminhões de cargas. Essa entrada deve ser coberta e com proteção contra ventos forte e chuvas. “A área de carga e descarga deve estar a um metro acima do solo para facilitar a descarga dos caminhões, podendo, ainda, contar com um sistema de rampa para acesso de veículos pequenos” (CONARQ, 2000, p. 10). Figura 10 – Limpeza de documentos Fonte: https://images.app.goo.gl/QY8qc4ByzpXBZ2YH8. Acesso em: 25 set. 2023. 36 Já a sala de triagem é recomendada estar próxima à recepção e equipadas com mesas e estantes, da mesma forma que a sala de desinfestação e limpeza dos documentos devem estar anexas à recepção, mas com portas para isolar as salas. 2.3.4 Conservação, encadernação, fotografia e microfilmagem As áreas de conservação preventiva, restauração e encadernação devem ser bem arejadas e iluminadas natural e artificialmente. O laboratório para conservação tem alguns equipamentos mínimos para funcionamento, sendo: • Becker graduado. • Bisturi. • Borracha. • Caneta de PH. • Cola metil. • Desmineralizador de água. • Entretela sem goma. • Escova juba. • Espátula de osso. • Espátula de teflon. • Espátula térmica. • Estilete. • Lupa. • Papel mata borrão. • Papel artesanal. • Papel japonês. • Pensa martelo. • Pincéis. • Placa de corte. • Ralador. • Secadora. • Teflon. • Tela monil fina e grossa. • Tesoura. • Trincha macia. 37 Figura 11 – Limpeza mecânica Figura 12 – Laboratório de microfilmagem/digitalização Fonte: https://images.app.goo.gl/PhC5QHHpW7UkAAQw6. Acesso em: 25 set. 2023. Fonte: https://inis.itajai.sc.gov.br/noticia/3735/acervo-do-arquivo-publico-e-digitalizado-e-microfilmado. Acesso em: 25 set. 2023. O arquivo pode conter ainda: • Laboratório fotográfico – sala próprias para filmagem, processamento de filmes, ampliações, acabamento, montagem, armazenamento de papéis, filmes e produtos químicos. • Laboratório de microfilmagem/digitalização – filmagem, processamento, duplicação e controle de qualidade, cópias em papel e montagem. Câmaras planetárias e ampliadores podem ter até 3,20 metros de altura, o que torna necessária a elevação do pé direito no local das instalações. 38 Para saber mais sobre a preservação digital, leia o artigo Preservação digital de documentos arquivísticos e o Projeto de Lei nº 7.920/2017 sob a ótica da Ciência da Informação, de autoria de Daniela Francescutti Martins Hott e Sonia Aguiar Cruz-Riascos. Disponível em: https://brapci.inf.br/ index.php/res/v/76657. DICA 3 SEGURANÇAS As medidas de segurança, segundo Navarro (2015), são baseadas nas condições de acesso, sistemas para evitar possíveis perdas devido a vários eventos ou acidentes, essas medidas também envolvem segurança no que diz respeito aos exteriores ao ambiente destinado dos arquivos. A segurança do arquivo é item de supra importância, por isso, todo arquivo deve ter um plano de emergência escrito disponível e direcionado para a prevenção contra risco potenciais e para o salvamento do acervo. No plano, devemos incluir um diagnóstico do edifício para identifi car os ricos geográfi cos e climáticos, questões de vulnerabilidade do edifi co e do acervo. Também devemos ter um plano de meta e cronogramas para verifi car e eliminar os riscos emi- nentes ao acervo. O arquivo e o plano de salvamento e de segurança humanos, deve: • Formar e treinar periodicamente a brigada de incêndio. • Utilizar sinalização de segurança e de escape para casos de emergência. • Efetuar treinamentos e simulações periódicas de emergência. Para o acervo, devemos ter o plano de emergência ou salvamento de acervos, aqui: Um plano de emergência contém as providências necessárias para o salvamento dos documentos. Entre os preparativos estão os de mini- mizar ao máximo os riscos de fogo, por meio de sistemas de alarmes e supressão automática, e todos os outros riscos potenciais, como vimos, por meio de vistorias e manutenção periódicas. Acervos de grande importância para a instituição deverão ser identifi cados com antecedência. O ideal é que este procedimento inclua uma planta baixa que indique claramente a localização (CONARQ, 2005, p. 18). Esse plano precisa ter equipe técnica e uma administrativa com atribuições específi cas, além do próprio coordenador de emergência. a) Coordenador – responsável por tomar as decisões e interagir com os demais membros, com as equipes de resgate técnica e administrativa e com as áreas técnicas e administrativas da instituição. 39 O Plano de preservação dos acervos arquivísticos – complexo arquivístico do TJDFT traz todos os elementos indicados pelo Conarq na elaboração do plano de preservação. DICA b) Agentes de comunicação – farão contato com as autoridades policiais, Corpo de Bombeiros ou Defesa Civil, além da comunicação com as áreas técnicas da instituição, demais instituições, imprensa e empresas fornecedoras de materiais. c) Especialistas de conservação – para os diferentes tipos de acervo que poderão ser da própria instituição ou externos, dentro de um programa de cooperação entre instituições. d) Equipe técnica substituta – em caso da equipe titular não chegar ao local a tempo, esta equipe deverá participar de todos os treinamentos e simulações. Como todo plano, diagnóstico e planejamento, os planos de emergência do arquivo devem ser testados e revistos periodicamente, bem como divulgar e capacitar o pessoal da instituição. Fonte: https://www.tjdft.jus.br/publicacoes/publicacoes-oficiais/portarias-con- juntas-gpr-e-cg/2021/plano_de_preservacao.pdf. Acesso em: 25 set. 2023. Figura – Plano de preservação dos acervos arquivísticos – complexo arquivístico do TJDFT Para acessar o documento na íntegra, acesse: https://www.tjdft.jus.br/ publicacoes/publicacoes-oficiais/portarias-conjuntas-gpr-e-cg/2021/ plano_de_preservacao.pdf. 40 3.1 PROTEÇÃO CONTA FOGO E ÁGUA As imagens a seguir, mostram os desastres mais comuns que podem acontecer com os documentos custodiados nos arquivos, inundações e incêndios. Esses danos podem ser minimizados ou, até mesmo, evitado quando há um planejamento adequado com programas de proteção contra incêndios e inundações. Esses desastres podem acontecer, segundo o Conarq (2000), devidos a problemas na instalação elétrica e hidráulica e à infiltração de água por paredes, telhados, calhas ou janelas Figura 13 – Documentos queimados Figura 14 – Inundação danifica acervo de biblioteca da Ufrgs Fonte: https://images.app.goo.gl/EieXbqdqbRvKXGk86. Acesso em: 25 set. 2023. Fonte: https://www.assufrgs.org.br/2014/01/10/inundacao-danifica-acervo-de-biblioteca-da-ufrgs/. Acesso em: 25 set. 2023. A proteção contra o fogo começa na elaboração do projeto arquitetônico, aqui, é necessário evitar “espaços abertos e escadas ornamentais, que podem criar correntes de ar verticais e se transformar em verdadeiras chaminés para o desenvolvimento do fogo” (CONARQ, 2000, p. 18). Da mesma forma, os projetos completares: elétricos, hidráulicos 41 e de ar-condicionado precisam ser planejados e desenvolvidos visando diminuir o risco da proliferação do fogo por meio dos dutos elétricos e de ar. Na área do depósito não pode ter tubulação de água, a não ser as que o bombeiro faz exigência para o combate de incêndio. Lembre-se de que as áreas do depósito devem ser independentes das outras áreas do arquivo. Todos os materiais do prédio têm que ser preferencialmente incombustíveis e receber proteção especial retardadora de calor e de chamas. Paredes e pisos devem ter resistência mínima ao fogo de duas horas. É indispensável a proteção dos acessos aos depósitos e às áreas de circulação, inclusive escadas, com portas corta-fogo dotadas de resistência mínima de uma hora (CONARQ, 2000, p. 19). O Conarq publicou, em 2012, Recomendações para o resgate de acervos arquivísticos danificados por água com o objetivo de apoiar no resgate dos documentos inundados. DICA Fonte: https://www.gov.br/conarq/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/Re-comendacoes__resgate_acervos_completa.pdf. Acesso em: 25 set. 2023. Figura – Recomendações para o resgate de acervos arquivísticos danificados por água Acesse o documento na integra: https://www.gov.br/conarq/pt-br/ centrais-de-conteudo/publicacoes/Recomendacoes__resgate_acervos_ completa.pdf 42 A Administração Nacional de Arquivos e Registros fez um guia sobre como devemos fazer os primeiros “atendimento” aos documentos inundando, veja: Salvamento de emergência de documentos de família danificados pela enchente National Archives and Records Administration Como repositório nacional dos registros do governo federal, a National Archives & Records Administration reconhece a importância dos registros familiares. Durante as enchentes do centro-oeste de 1993, a equipe do Arquivo Nacional desenvolveu algumas dicas técnicas para orientar os indivíduos na estabilização de emergência e recuperação de documentos danificados, fotografias, livros e outros papéis pessoais. É importante observar que os danos causados pelas enchentes a alguns itens podem ser irreversíveis. O tratamento de objetos de alto valor monetário, histórico ou sentimental só deve ser realizado em consulta com um conservador. Mofo Muitas pessoas são sensíveis ao mofo. Além disso, algumas espécies de fungos são tóxicas. Se algum efeito na saúde for observado ao tratar o mofo, consulte um médico ou micologista (o serviço de extensão local pode ajudar) antes de prosseguir. A melhor maneira de prevenir ou interromper um surto de mofo é remover os itens das condições ambientais que estimulam o crescimento do mofo: alta temperatura, alta umidade relativa, ar estagnado e escuridão. A primeira prioridade é secar itens mofados (consulte as instruções de secagem abaixo). Se materiais úmidos e mofados não puderem ser secos imediatamente, eles podem ser estabilizados por congelamento. Colocar itens danificados em um freezer pessoal ou comercial não mata o mofo. No entanto, ele colocará o molde em um estado inativo até que o tempo e um ambiente de tratamento apropriado estejam disponíveis. Quantidades gerenciáveis de itens congelados podem então ser descongeladas e tratadas à vontade. O mofo ativo parece difuso ou viscoso. O mofo dormente é seco e pulverulento. Não tente remover o mofo ativo; pode apenas se espalhar ou manchar. O mofo que permanece ativo após o congelamento ou após o material hospedeiro parecer seco pode ser tratado com uma breve exposição (1-2 horas) à radiação ultravioleta do sol. Deve-se ter extremo cuidado ao tratar materiais ao ar livre: muita radiação acelera a deterioração e pode causar desbotamento; o vento pode causar danos físicos se os itens forem soprados; e a alta umidade relativa ou condensação causada por mudanças rápidas de temperatura podem, na verdade, exacerbar o crescimento de fungos. Os esporos de fungos adormecidos serão reativados assim que as condições forem favoráveis. Eles devem, portanto, ser removidos dos itens e podem ser escovados ou aspirados. Este tratamento deve ser realizado ao ar livre onde outros materiais e espaços não sejam "infectados". Ao escovar o molde, use um pincel macio, limpo e de cor clara e um movimento de empurrão suave. Troque os pincéis sujos com frequência para evitar que o mofo se espalhe de um objeto para outro. Ao aspirar, o material de triagem colocado sobre o bocal de um aspirador de baixa sucção irá capturar pedaços soltos do item que podem desalojar inadvertidamente. Limpeza e secagem O papel é muito frágil quando está molhado. Manuseie-o com cuidado. Em alguns casos, pode ser desejável remover o acúmulo de lama e sujeira. A sujeira deixada pelo recuo das águas da enchente pode estar contaminada. Precauções como o uso de luvas de borracha devem DICA 43 ser tomadas. Se os itens ainda estiverem molhados, agitá-los em um banho de água limpa removerá o excesso de sujeira. Este tratamento nunca deve ser tentado para imagens que estão borradas, enevoadas ou desbotadas como resultado de danos causados por inundações. Ar seco Livros molhados, documentos ou fotografias que não podem ser secos ao ar dentro de dois dias devem ser congelados para inibir o crescimento de fungos. A circulação de ar secará efetivamente a maioria dos itens. Podem ocorrer distorções físicas, mas as informações do documento serão salvas. Para proporcionar condições ideais de secagem ao ar, os ventila- dores devem ser posicionados para máxima circulação de ar (não direcione o fluxo de ar diretamente para materiais de secagem). O material absorvente para secagem ao ar deve ser limpo e absorvente. As opções incluem: papel mata-borrão, papel jornal não impresso, toalhas de papel, trapos, protetores de colchão etc. Materiais de tela (como telas de janela) bem apoiados e empilhados com espaço entre eles fornecem uma excelente superfície de secagem compacta. A superfície porosa auxilia a circulação do ar e promove a secagem. Sem intervenção, materiais brilhantes, como capas de livros de bolso, revistas, livros de arte etc., provavelmente ficarão grudados. Se forem altamente valorizados, esses itens de- vem ser a primeira prioridade para o salvamento. Materiais brilhantes soltos devem ser es- palhados em uma camada para secagem ao ar. Materiais brilhantes encadernados devem ser intercalados entre cada página para evitar que grudem. O papel de cera deve ser usado como material de intercalação. Volumes de papel brilhante secos dessa maneira podem sofrer distorção física considerável. Livros Coloque o material de intercalação entre o bloco de texto e as capas frontal e traseira. Se o tempo e os suprimentos permitirem, o material intercalado também deve ser colocado de for- ma intermitente ao longo do texto. Os volumes do leque abrem e os posicionam na borda com o papel intercalado se estendendo além das bordas do livro. A evaporação da água à medida que penetra no papel intercalado aumentará a secagem. Substitua o papel intercalado à me- dida que fica encharcado e inverta o volume a cada vez para garantir uma secagem uniforme. Documentos Seque ao ar livre em pequenas pilhas (1/2 polegada) ou individualmente, se possível. Mude o material de mata-borrão sob os materiais à medida que fica encharcado. Fotografias, negativos, filme cinematográfico Várias classes de fotografias são altamente suscetíveis a danos causados pela água e a taxa de recuperação será muito baixa. Evite tocar na superfície de impressões fotográficas e negativos. Se um processo fotográfico antigo não puder ser identificado, observe o item cuidadosamente e entre em contato com um conservador para obter orientação. Nunca congele fotografias antigas ou negativos. A maioria das impressões, negativos e slides podem ser secos individualmente com a face voltada para cima. Mude o material de mata-borrão abaixo das fotografias conforme ele fica encharcado. Impressões fotográficas contemporâneas e negativos que ainda estiverem úmidos e grudados podem se separar após a imersão em água fria. No entanto, esse tipo de tratamento pode causar danos irreversíveis. Itens de alto valor, especialmente impressões para as quais não há mais um negativo, devem ser encaminhados a um conservador imediatamente. 44 Itens emoldurados Remova o material de suporte do quadro. Se o item não estiver preso ao vidro, remova-o cuidadosamente da moldura e deixe secar ao ar. Se o objeto parecer estar preso ao vidro, não tente removê-lo da moldura. Seque intacto com o lado do vidro para baixo. Ocasionalmente, o dano do objeto é irreversível. O tratamento de itens de alto valor monetário, histórico ou sentimental só deve ser realizado em consulta com um conservador. As decisões sobre o tratamento de materiais pertencentes a uma instituição devem ser tomadas apenas por pessoal apropriado. O American Institute for Conservation (202-452-9545) mantém uma lista de referências de conservadores que poderão fornecer orientação para o tratamento de coleções particulares. Fonte: adaptado de https://www.archives.gov/preservation/conservation/fl ood-damage.html. Acesso em: 25 set. 2023. 4 RECURSOS HUMANOS Para que o arquivo possa cumprir seu objetivo e função, além da estrutura adequada, é fundamental ter um quadro de pessoal adequado e especializado. O arquivista é o profi ssional de nível superior, graduado em Arquivologia, que possui a formação adequada para exercer diversas funções em diferentes contextos do fl uxo informacional, ligadas à gestão, ao tratamento técnico dos documentos, qualquer que seja a natureza, o formato ou suporte material, em todas as fases de seu ciclo vital (BRASIL, 2014). O arquivista tem uma série de competências que está instituído na Lei nº 6.546, de quatro de julho de 1978, regulamentada pelo Decreto nº 82.590, de 6 de novembro de 1978. O exercício da profi ssão é restrito aos diplomados no Brasil por curso superior de Arquivologia. 45 Figura 15 – Atribuições do arquivista, segundo a lei da profissão Quadro 5 – Atividades Fonte: https://l1nq.com/9ECfm. Acesso em: 25 set. 2023. Fonte: adaptado de Freiberger (2008). Freiberger (2008) elenca algumas atividades que serão desenvolvidas dentro do arquivo: Selecionar documentos Registrar documentos Estabelecer o método de classificação Codificar documentos Ordenar documentos Arquivar documentos de acordo com o método adotado Conservar os documentos mantendo o arquivo organizado e atualizado Localizar documentos Controlar a saída de documentos do arquivo Transferir e descartar documentos Orientar e treinar usuários Machado e Camargo (2000) apresentam o quadro pessoal por categorias funcionais e estágio de arquivo, como pode ser observado a seguir: 46 Quadro 6 – Categorias funcionais e estágio de arquivo Fonte: adaptado de Machado e Camargo (2000). Recursos humanos Protocolo e arquivo corrente Arquivo intermediário Arquivo permanente Apoio cultural Atividade de informática Arquivista Arquivista Arquivista Profissional especializado na promoção e organização de eventos Analista de sistemas Técnico de arquivo Técnico de arquivo Técnico de arquivo Culturais Programador Auxiliar e/ ou agente de administração Auxiliar e/ou agente de administração Pesquisador (área de História) Pesquisador Auxiliar de portaria, no caso de grande incidência de consulta no Protocolo Agente de portaria Paleógrafo Bibliotecário Servente Especialista em conservação de documentos Vigilante Restaurador Encadernador Técnico de microfilmagem Fotógrafo Técnico de laboratório fotográfico Agente de galeria Auxiliar de administração Datilógrafo/digitador Agente de portaria Servente Vigilante 47 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu: • Na escolha do local de arquivo devemos levar em conta as condições físicas e as questões de extensão de áreas, ou seja, o local deve permitir futuras ampliações da instalação. • A infraestrutura se refere às condições físicas que o arquivo deve atender para a preservação de documentos, como espaços suficientes para a localização de documentos arquivo e áreas de trabalho que permitem o seu funcionamento • Para um arquivo que contém vários serviços, a recomendação é que o depósito tenha 60% da área da construída, 15% serão direcionadas ao trabalho técnico e administrativo e os 25% restantes serão direcionados ao público. • Nos processos de produção, tramitação, organização e acesso aos documentos deverão ser observados procedimentos específicos, de acordo com os diferentes gêneros documentais, com vistas a assegurar sua preservação durante o prazo de guarda estabelecido na tabela de temporalidade e destinação. • Cada depósito deverá ter uma área de até 200 m², sendo que uma área de 170 m² pode conter cerca de uns 1000 metros lineares de prateleiras, caso seja usado estantes compactas, a capacidade de armazenamento aumentará em 90%. 48 AUTOATIVIDADE 1 Nos arquivos, devemos elaborar e implementar o plano de arquivo. Este plano traz uma série de requisitos necessário entre eles, o plano de emergência. Sobre o plano de emergência, associe os itens, utilizando o código a seguir: I- Coordenador. II- Agentes de comunicação. III- Especialista em conservação. ( ) Responsável por analisar os diferentes tipos de acervo. ( ) O elo de comunicação entre as autoridades. ( ) Responsável por tomar as decisões e interagir com os demais membros. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) III – II – I. b) ( ) II – I – III. c) ( ) I – III - II. d) ( ) III – I – II. 2 Para o laboratório de conservação, existem alguns equipamentos mínimos para o seu funcionamento. Sobre esses equipamentos, assinale a alternativa INCORRETA: a) ( ) Becker graduado; bisturi; lupa. b) ( ) Escova de juba; espátula de ossos; espátula de teflon. c) ( ) Tesoura, trincha macia; teflon. d) ( ) Papel ácido; papel mata-borrão; papelão. 3 (Adaptado de COPESE-UFT, 2012) Ao planejar a implementação de um arquivo, é necessário verificar questões de instalação. Sobre as instalações, assinale a alternativa INCORRETA: a) ( ) Classificação e dossiês. b) ( ) Localização e iluminação. c) ( ) Arejamento e higiene. d) ( ) Disposição e segurança. 49 4 A iluminação é um fator deterioração dos documentos. Para evitar esse processo, o arquivista tem algumas recomendações para reduzir a incidência da luz. Diante disso, explique qual a limite de indecência para não danificar os documentos. 5 Para o bom desempenho das funções do arquivo, o primeiro passo é a escolha do local adequado para custodiar o acervo. Paes aponta alguns os aspectos a serem analisado para a instalação do arquivo. Cite três aspectos: 50 51 TÓPICO 3 - MOBILIÁRIOS E EQUIPAMENTOS 1 INTRODUÇÃO Quando pensamos no planejamento e organização de um arquivo, é preciso analisar quais mobiliários e equipamentos serão necessários para a racionalização do seu espaço e acervo, na rápida e eficaz transmissão da informação ao usuário, bem como no oferecimento de móveis adequados e ergonômicos para a melhor qualidade da permanência desses nos diferentes espaços das unidades de informação. Existem muitos equipamentos disponíveis, mas é importante ter cuidado antes de comprar, checando as referências dos materiais e empresas que podem ser encontrados em outros arquivos e unidade de informação e a qualidade dos produtos e experiências das empresas que vendem. Assim, neste último tema de aprendizagem da Unidade 1, veremos o detalhamento das especificidades necessárias dos mobiliários e materiais de consumo disponíveis no mercado e quais melhor se adaptam às necessidades dos arquivos. UNIDADE 1 2 MATERIAIS DE CONSUMO Paes (2004) divide os recursos materiais em dos tipos, os materiais permanentes e material de consumo. Os materiais de consumo são aqueles que sofrem desgastes com o tempo em curto e médio prazo, por exemplo, as fichas, as guias, pasta etc. a) Ficha – retângulo de cartolina, que pode ser grande ou pequeno, liso ou pautado, onde registramos informação, suas dimensões variam de acordo com as necessidades, podendo coloridas ou não. b) Guia divisória – retângulo de cartão resistente que serve para separar as partes ou seções dos arquivos ou fichários, reunindo em grupos as respectivas fichas ou pastas. Sua finalidade é facilitar a busca dos documentos e o seu arquivamento. As guias são compostas por diferentes elementos. • Projeção – é a saliência na parte superior da guia. Pode ser recortada no próprio cartão, ou nele aplicada, sendo então de celuloide ou de metal. • Pé – saliência na parte inferior da guia, onde há um orifício chamado ilhó. Por esse orifício passa uma vareta que prende as guias à gaveta. 52 Figura 16 – Guia Figura 17 – Esquema de notação Fonte: adaptada de Freiberger (2012). Fonte: adaptada de Freiberger (2012). Na guia, também temos o elemento notação, que pode ser numérica ou alfabética e colocada na aba da projeção. Paes (2004) e Freiberger (2012) ressaltam que a notação pode ser aberta ou fechada. Abertamostra o início da seção, já a fechada mostra o começo e fim. Também podemos estudar as guias quanto a sua posição, aqui é onde fica a aba da projeção, que pode ser primeira, segunda, terceira posição. As guias quanto a sua função também podem ser do tipo: • Primária – indica a primeira divisão de uma gaveta ou seção de um arquivo. • Secundária – indica uma subdivisão da primária. • Subsidiária – indica uma subdivisão da secundária. • Especial – indica a localização de um nome ou assunto de grande frequência. Também há o Guia-fora, isso indica que uma pasta está fora do arquivo. Há também as tiras e inserção, que são feitas de papel gomado ou cartolina, essas tiras são inseridas nas projeções das pastas ou guias. Também temos as pastas, fita de papel resistentes, dobrada ao meio e é utilizada para guarda e proteção dos documentos, podendo ser do tipo suspensa, de corte reto. 53 Figura 18 – Tipos de pastas Figura 19 – Caixas Fonte: adaptada de Paes (2004) Fonte: https://images.app.goo.gl/kRuUnFEidZu859gn9. Acesso em: 25 set. 2023. a) Caixas – deve evitar as caixas metálicas ou as de plástico porque não permitem a transpiração dos documentos. São usadas para proteger os documentos de pó, luz ou do manuseamento. Além disso, as caixas devem ser produzidas em material inerte ou alcalino. A maioria das caixas disponíveis atualmente são produzidas de materiais ácidos. A acidez passa pelo contato, ou seja, os documentos acondicionados nesse tipo de material serão afetados. Para podermos usar esses materiais, é necessário revesti-las com papel alcalino. 2.1 MATERIAIS PERMANENTES Os materiais permanentes são os mobiliários. Esses recursos têm grande duração, podendo ser reutilizado para a mesma finalidade. A sua escolha deve ser feita com base no suporte, bem como: • Economia de espaço. • Conveniência do sérvio. • Capacidade de expansão. 54 • Invulnerabilidade. • Distinção. • Resistência. Os mobiliários de arquivos devem ser de aço ou de madeira tratada contra insetos e fogo. Para o Conarq (2000, p. 13), todo o mobiliário metálico “deve ser fabricado com chapas de aço carbono fosfatizado, com pintura eletrostática, sem apresentar remendos grosseiros ou cantos pontiagudos que possam danificar os documentos ou ferir pessoas”. 2.1.1 Mapotecas As mapotecas são usadas para o acondicionamento de documentos de grandes formatos, como mapas, plantas e cartazes. Esses formatos precisam de móveis especiais para o acondicionamento horizontal. Figura 20 – Mapoteca Fonte: https://images.app.goo.gl/58SJF5SncxFQsWAz9. Acesso em: 25 set. 2023. As gavetas das mapotecas não podem ser muito altas, assim evita o acúmulo de documentos para não acarretar problemas de conservação. O Conarq (2000) recomenda que, além de gavetas rasas, devem ser previstas mesas de dimensões compatíveis com o formato desses documentos e dispostas de forma a facilitar a retirada dos documentos das mapotecas, quando necessário. 2.1.2 Estanterias As estantes também devem ser feitas de materiais resistentes como o aço para suportar o peso dos materiais. O Conselho Nacional de Arquivos traz uma série de recomendação para a aquisição desse mobiliário 55 Figura 21 – Estantes de aço Figura 22 – Estantes Fonte: https://images.app.goo.gl/q9zfoj8PLRTpMspS7. Acesso em: 25 set. 2023. Fonte: https://images.app.goo.gl/gYSQryfZ3T7mPgsNA. Acesso em: 25 set. 2023. • Devem ser instaladas em fileiras geminadas, cada uma com, pelo menos, 2,20 m de altura. • As prateleiras não devem ultrapassar 1,00 m de comprimento e 0,40 m de profundidade. • As colunas das estantes devem conter perfurações a cada 0,05 m para permitir a regulagem das prateleiras, que poderão receber documentos acondicionados em diversos tipos e dimensões de embalagens. • As estantes têm em média de cinco a sete prateleiras. • As estantes e seus suportes devem resistir a um peso distribuído de 100 kg/m² de prateleiras. • Corredores entre as estanterias devem ter, no mínimo, 0,70 m de largura e as passagens em ângulos, 1,00 m de largura. É preciso sempre uma passagem de 0,70 m de largura entre o fim das fileiras e as paredes. • O layout de distribuição da estanteria deve estar de acordo com o projeto de ventilação, iluminação e de extinção de incêndio. 56 Figura 23 – Disposição das estantes nos depósitos Figura 24 – Disposição das caixas-arquivo Fonte: https://folivm.files.wordpress.com/2011/04/manual-an-bn-cnj-2011-c3baltima-versc3a3o-2p-fo- lha.pdf. Acesso em: 25 set. 2023. Fonte: https://folivm.files.wordpress.com/2011/04/manual-an-bn-cnj-2011-c3baltima-versc3a3o-2p-fo- lha.pdf. Acesso em: 25 set. 2023. • As fileiras de estantes precisam ser dispostas no sentido da circulação do ar, de forma a nunca bloquear o seu movimento, evitando-se, assim, a formação de bolsões de ar estagnado. 57 Você sabia que o Conselho Nacional de Arquivos, o Conarq, tem uma diretriz para a construção de arquivos municipais. Esse documento apresenta como deve ser feita a elaboração da documentação e legislação necessária, bem como as indicações para construção, infraestrutura e localização dos arquivos municipais. Fonte: BRASIL. Criação e desenvolvimento de arquivos públicos municipais. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2014. DICA 58 Conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas: pré-diagnóstico dos arquivos dos conselhos federais Meissane Andressa da Costa Leão Cintia Aparecida Chagas 1 Introdução Os Conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas compõem um conjunto de mais de 580 autarquias da administração pública federal indireta, incluindo- se os Conselhos Federais e os seus respectivos Conselhos Regionais. Nesse artigo, são apresentados os resultados de um pré-diagnóstico de arquivo, aplicado apenas nos 29 Conselhos Federais. A pesquisa se justifica pela ausência de estudos relativos às políticas e práticas arquivísticas nessas autarquias federais e, teve como objetivo, verificar as práticas arquivísticas adotadas. Preliminarmente, verificou-se a ausência de representantes desses conselhos na composição do Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ) e no Sistema de Gestão de Documentos de Arquivo da Administração Pública Federal (SIGA). Outra constatação foi a ausência de consultas a essas autarquias para a construção ou aperfeiçoamento do instrumento de classificação das atividades-meio da administração pública federal, conforme a introdução do documento atualizado em 2020. Destaca-se que, alguns Conselhos Federais existem há mais de 50 anos. Contudo, somente em 2019, criou-se um instrumento para classificação dos documentos das atividades-fim, que foi aprovado pelo Arquivo Nacional (AN). No Regimento Interno (RI) de 2011 do AN, aprovado pela Portaria nº 2.433, do Ministério da Justiça, consta no Art. 1º, como finalidade, a implementação da política nacional de arquivos definida pelo Conarq, que é o órgão central do Sistema Nacional de Arquivos (SINAR) (BRASIL, 2011). O RI, no Art. 6º, apresenta, dentre as competências da coordenação geral de Gestão de Documentos, as atividades de planejar, de forma integrada, supervisionar e realizar as atividades de gestão de documentos de arquivo; prestar orientação técnica a órgãos e entidades da Administração Pública Federal nos assuntos de implantação de programas de gestão de documentos, em qualquer suporte; elaborar e aplicar códigos de classificação. Cabe ainda à coordenação planejar, coordenar, supervisionar ações de capacitação de servidores da Administração Pública federal na gestão de documentos e propor adequações ao Código de Classificação de Documentos de Arquivo e à Tabela Básica de Temporalidade e Destinação de Documentos relativas à atividade-meio da Administração Pública (BRASIL, 2011). LEITURA COMPLEMENTAR 59 É da responsabilidade do AN orientar os Conselhos de Fiscalização de Profissões Regulamentadas, conforme resposta do Ministério da Justiça (MJ) ao AN, referente à análise solicitada pela instituição arquivística,sobre a quem competia normatizar a questão dos Conselhos. Nesta pesquisa, verificou-se, também, se o AN está realizando suas competências, no que se refere aos Conselhos de Fiscalização de Profissões Regulamentadas. [...] 4 Diagnóstico de arquivos: metodologias e significados do termo Na arquivologia, a elaboração de um diagnóstico significa fazer um estudo de uma situação anteriormente à proposição de solução. Para a gestão dos arquivos, o diagnóstico permite ao arquivista ter uma visão da instituição (SILVA, 2020). Entretanto, constatou-se que não há um consenso na definição do termo e esse tema deve ser objeto de pesquisas exclusivas. Apresenta-se alguns estudos a seguir. Silva (2020) aponta que o diagnóstico favorece a decisão política equilibrada, em conjunto com a elaboração da política de arquivos, para a implantação da gestão sistêmica e proporciona uma conexão dos processos para recuperação de informações, atendendo demandas de cidadãos e colaborando com o planejamento público. Os autores Feitoza, Almeida e Lima (2017) demonstraram que o diagnóstico é um instrumento imprescindível para identificar a situação do arquivo, visando a uma eficiente política de gestão de documentos. Há a necessidade de aceitação e apoio de gestores, para continuidade dos projetos pós-diagnóstico. Almeida, Valentim e Vitoriano (2020, p. 599-600) apontam que o termo e a prática do “diagnóstico de arquivos” são uma das carências terminológicas no campo da Arquivologia, visto que é uma atividade que antecede todas as demais, tendo em vista a implantação da gestão de documentos. Calderon et al. (2004) diz que esse conceito é visto como o ponto de partida para os projetos de organização de documentos, subsidiando a proposta de modelos de classificação, avaliação e descrição apropriados. Lopes (1997) sugere que, ao buscar a metodologia apropriada para diagnosticar os arquivos, é preciso que se tenha critérios para adotar o melhor método para sua aplicação. Para ele, não há receitas, apenas indicações gerais que o profissional deverá estabelecer objetos, construir hipóteses e aplicar técnicas de coleta de dados. Os diagnósticos deveriam ser precedidos de prédiagnósticos (LOPES, 1997; 2009). O alargamento das reflexões conceituais e empíricas das características, fun- damentações, operacionalidade e dos resultados obtidos da aplicação de diagnósticos, enquanto instrumento metodológico arquivístico, pode colaborar para o fortalecimento da arquivologia como campo científico. Avaliar resultados que tais instrumentos podem oferecer reforça também a gestão de documentos, configurando-se em uma prática estratégica, visto que seu principal objetivo é o alcance da eficiência (SANTOS, 2017). 60 Foram localizados diversos diagnósticos aplicados na administração pública, ela- borados em programas de pós-graduação das universidades e, por isso, tais instrumentos são cientificamente exequíveis, visto que são elaborados à luz de pesquisas e metodo- logias consistentes e são avaliados por pesquisadores e profissionais da área. Todavia, o debate merece ser ampliado, pois ainda é incerta a caracterização do diagnóstico da situação arquivística, que é considerado um produto técnico-científico, outrora um ins- trumento metodológico e até mesmo um instrumento da gestão de documentos. Em consulta pelo e-SIC aos 22 ministérios, Braga (2018) constatou que as respostas demonstraram que os termos para designar um diagnóstico de arquivo são diversos. Portanto, a terminologia utilizada para este instrumento é variada e distinta. “A falta de um padrão para utilização da nomenclatura que designa os documentos produzidos como ‘diagnósticos’ gera complexidade na interpretação desses registros” (BRAGA, 2018, p. 122). Santos (2017, p. [13- 14?]) identificou nomenclaturas, tais como “diagnóstico de arquivos”, “diagnósticos da situação arquivística”, “diagnóstico da gestão de documentos” etc. Considera-se que definições de nomenclatura devem ser debatidas juntamente às pesquisas e aos eventos estudante-científicos, de maneira mais ampla. O inventário também foi associado ao diagnóstico, mas ele pode ser fonte de informações para a elaboração de um diagnóstico, mas a sua finalidade é distinta. Os diagnósticos não são elaborados para servirem a inventários (BRAGA, 2018). Outra questão é o uso da palavra em português “diagnóstico”. Pode-se observar o uso da expressão em inglês records survey ao invés de diagnosis. Couture et al. (2003) utilizaram a expressão em francês analyse des besoins e não diagnostic. As normalizações publicadas pela ISO não utilizaram o termo em questão para se referirem as suas etapas, que apresentam semelhança às dos diagnósticos. Mesmo que essas propostas não sejam equivalentes, elas estão relacionadas às práticas de diagnóstico e, ainda assim, são apresentadas com terminologias diferentes. Numa visão geral sobre esses “diagnósticos”, é possível entender que se trata de investigações em arquivos e dos seus contextos. As finalidades dessas investigações são diversas e podem visar resultados gerais e específicos. Braga (2018) observou uma associação entre as discussões sobre identificação, no âmbito dos países ibero- americanos, apresentando uma proposta metodológica para o trabalho de investigação do arquivista. Campos (2019) assinala que essa multiplicidade de termos dificulta a comunicação científica; a recuperação de trabalhos sobre o termo; não deixa claro se diagnóstico é um processo, um documento ou função arquivística e, por fim, que as discussões até o momento não são suficientes para dizer o que é diagnóstico de arquivo, qual é o seu objeto e objetivo e qual é a metodologia para sua elaboração. Isso deixa a critério do arquivista como fazê-lo e a adoção de uma estratégia para cada situação encontrada. Assim, a arquivologia precisaria padronizar os termos para a sua evolução (ALMEIDA; VALENTIM; VITORIANO; 2020). 61 Na revisão de literatura, foram identificados todos os termos citados a seguir relacionados a diagnóstico: 1. análise de dados; 2. censo de arquivo; 3. diagnóstico arquivístico; 4. diagnóstico da gestão de documentos; 5. diagnóstico de arquivo; 6. diagnóstico documental; 7. diagnóstico estratégico; 8. diagnóstico externo; 9. diagnóstico interno; 10. diagnóstico organizacional; 11. diagnóstico situacional; 12. diagnóstico-projeto; 13. diagnósticos da situação arquivística; 14. identificação arquivística; 15. identificação documental; 16. inventário; 17. investigação preliminar (DIRKS); 18. levantamento de dados; 19. levantamento situacional; 20. mapeamento arquivístico; 21. mapeamento da informação; 22. mapeamento documental; 23. pós-diagnóstico; 24. possível relação com a metodologia Infomapping; 25. pré-diagnóstico; 26. prognóstico O diagnóstico de arquivo é uma das práticas usuais no Brasil, imbricada no contexto da gestão de documentos administrativos e no tratamento dos documentos permanentes (BRAGA, 2018). [...] 6 Conclusão O tema política arquivística esteve periférico ou distante nas discussões do Conarq, conforme os estudos de Jardim (2008) e Adão (2017). No presente estudo, pôde- se perceber certa passividade na atuação do AN em relação aos Conselhos Federais de Profissões Regulamentadas, assim como foi constatado em outras pesquisas em relação a outros órgãos da administração pública. As ações do AN aconteceram mediante provocação ou pela necessidade de desafogar áreas onde estavam as Massas Documentais Acumuladas (MDAs). 62 Para romper com essa realidade, seria necessário conceber uma política pública arquivística nacional vinculada a um orçamento. A viabilidade dessas medidas corretivas dependeria também de decisões políticas e de uma discussão sobre quais políticas arquivísticas precisariam ser formuladas e efetivadas, com envolvimento dos atores políticos, incluindo-se a sociedade civil e com reflexo em outras políticas públicas de informação. É preciso que haja a engajamento do Estado na gestão dedocumentos. Os normativos citados sobre a finalidade dos órgãos que compõem a instituição arquivística nacional apresentam como competência, dentre outras, a definição de uma política arquivística nacional, a coordenação das atividades de gestão e seu respectivo acompanhamento e fortalecimento. Nos Conselhos de Fiscalização, não se vislumbra que essas normas estejam sendo aplicadas. Notou-se a ausência de gestores de alto escalão nos órgãos como partícipes desses projetos e da atuação proativa do AN. Diversos cenários de problemas arquivísticos estão apontados na literatura científica e isso é relevante, posto que, no ciclo de políticas públicas, o levantamento dos problemas se constitui como a primeira fase. Posterior a esse levantamento, é feita uma agenda em que são selecionados os problemas que se espera resolver para formulação da política pública. Se a política pública é o poder do Estado em ação, podemos observar que essa ausência significa que o Estado não está fazendo aquilo que deveria ou que legalmente se previu. A política pública transcenderia os problemas sociais e sua essência conceitual é o problema público, seja ele entendido como coletivamente relevante ou não. No Brasil, é produzido um corpo importante de pesquisas científicas que podem contribuir para a construção de um programa que venha resolver esses problemas, com estes recortes de tema: políticas públicas, políticas públicas arquivísticas institucionais e nacionais, políticas de informação, diagnóstico e demais termos relacionados. Localizou-se diversos diagnósticos aplicados na administração pública, elaborados em programas de pós-graduação das universidades. Todavia, o debate merece ser ampliado, pois ainda é incerta a caracterização do “diagnóstico da situação arquivística”, que é considerado um produto técnico científico, outrora um instrumento metodológico e até mesmo um instrumento da gestão de documentos. A ausência de políticas públicas de arquivo impacta no direito do cidadão à informação, além de desestabilizar o apoio à administração, à proteção da memória e ao desenvolvimento científico. Constatou-se também a ausência de gestores da alta administração ou conselheiros na CPAD. A existência de arquivistas nos Conselhos de Fiscalização, por si só, não é suficiente para resolver os problemas de gestão de documentos. A partir dos resultados dos pré-diagnósticos, fica clara a ausência de práticas arquivísticas, desconhecimento da importância destas, inclusive para o gerenciamento de sistemas informatizados. Na arquivologia, diagnóstico significa fazer um estudo de uma situação anteriormente à proposição de solução. Para a gestão dos arquivos, 63 o diagnóstico permite ao arquivista ter uma visão da instituição ou do problema. Encontrou-se 26 termos para diagnóstico de arquivo, que foram apresentados nesse artigo. O termo e a prática da elaboração de “diagnóstico” de arquivos são uma das carências no campo da Arquivologia, visto que é uma atividade que antecede todas as demais, tendo em vista a implantação da gestão de documentos. Além disso, ele é visto como o ponto de partida para os projetos de organização de documentos, subsidiando a proposta de modelos de classificação, avaliação e descrição apropriados. Foi percebida a falta de uniformidade dos métodos para realização do diagnóstico. Uma visão geral da instituição foi nominada como pré-diagnóstico. Não se encontrou uma “receita” para elaboração dos diagnósticos. Braga (2018) propôs uma metodologia para realização do diagnóstico ressaltando que ela deve ainda ser testada. É preciso analisar os objetivos, objetos e aplicar técnicas de coleta de dados de acordo com a realidade. O alargamento das reflexões conceituais e empíricas das características, fundamentações, operacionalidade e dos resultados obtidos da aplicação de diagnósticos, enquanto instrumento metodológico arquivístico, pode colaborar para o fortalecimento da Arquivologia como campo científico. Um diagnóstico bem fundamentado, com dados consistentes, pode colaborar para a sensibilização de todos os envolvidos e responsáveis pela gestão de documentos em uma instituição. A adesão à gestão de documentos no âmbito das instituições depende, também, do interesse dos gestores que compõem o cargo de direção e planejamento e de amplas questões políticas e estruturais. As causas da inexistência das políticas públicas arquivísticas geram problemas que foram detectados nos diagnósticos de 1950 a 2017. Elas, inclusive, impactam nos Conselhos de Fiscalização de Profissões Regulamentadas. Sejam quais forem as tentativas de solução dos problemas pelo AN, elas não foram capazes de resolvê-los. Fonte: adaptado de LEÃO, M. A. da C.; CHAGAS, C. A. Conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas: pré-diagnóstico dos arquivos dos conselhos federais. Em Questão, Porto Alegre, v. 28, n. 2, p. 358-391, 2022. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/4656/465669993015/html/. Acesso em: 26 set. 2023. 64 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu: • Os materiais de consumo são aqueles que sofrem desgastes com o tempo em curto e médio prazo, por exemplo, as fichas, as guias, pasta etc. • Os materiais permanentes são os mobiliários. Esses recursos têm grande duração, podendo ser reutilizado para a mesma finalidade • Todo o mobiliário metálico deve ser fabricado com chapas de aço carbono fosfatizado, com pintura eletrostática, sem apresentar remendos grosseiros ou cantos pontiagudos que possam danificar os documentos ou ferir pessoas. • As gavetas das mapotecas não podem ser muito altas, assim evita o acúmulo de documentos para não acarretar problemas de conservação. • As estantes também devem ser feitas de materiais resistentes como o aço para suportar o peso dos materiais. • As fileiras de estantes precisam ser dispostas no sentido da circulação do ar, de forma a nunca bloquear o seu movimento, evitando-se, assim, a formação de bolsões de ar estagnado. 65 AUTOATIVIDADE 1 No mercado, existem diversos tipos de mobiliário produzido com materiais distintos. Sobre os mobiliários, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: a) ( ) Os mobiliários devem ser feitos de madeira sem tratamento. b) ( ) Os mobiliários pode ser de aço desde que não seja fosfatizado. d) ( ) Os mobiliários devem ser fabricado com chapas de aço carbono fosfatizado, com pintura eletrostática Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) F – F – V. b) ( ) F – V – F. c) ( ) V – V – F. d) ( ) V – F – V. 2 Dentro dos materiais de consumo, existe os guias que é uma divisória de cartão resistente e serve para separar as partes ou seções dos arquivos ou fichários. Sobre os guias, associe os itens, utilizando o código a seguir: I- Pé. II- Projeção. III- Notação. ( ) Poder numérica ou alfabética e colocada na abada projeção. ( ) Saliência na parte inferior da guia, onde há um orifício chamado ilhó. ( ) Saliência na parte superior da guia. Pode ser recortada no próprio cartão Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) III – I – II. b) ( ) I – II – III. c) ( ) II – I – III. d) ( ) III – II – I. 3 Os materiais de consumo para os arquivos são os que sofrem desgaste a curto ou médio prazos. As guias divisórias possuem diversos elementos relacionados a sua finalidade. Um desses elementos é a projeção, em que são feitas inscrições que podem ser alfabéticas, numéricas ou alfanumérica. Diante do exposto, assinale a alternativa ao qual o enunciando se refere. 66 a) ( ) Notação. b) ( ) Pé. c) ( ) Guia-fora. d) ( ) Projeção. 4 Paes (2004) ressalta que os equipamentos dos arquivos podem ser divido em materiais de consumo e materiais permanente. Nesse sentido explique o que é a ficha. 5 Outro material de consumo muito utilizado nos arquivos são as caixas usadas para armazenamentos dos documentos. Nesse contexto, explique o motivo de não poder usar caixas metálicas.67 REFERÊNCIAS ALMEIDA, M. F. I. de; VITORIANO, M. C. de P. Diagnóstico de arquivos e mapeamento da informação: interlocução da gestão documental com a gestão da informação. Em Questão, Porto Alegre, v. 24, n. 3, p. 68-95, 2017. Disponível em: https://www.redalyc. org/journal/4656/465656255004/html/. Acesso em: 25 set. 2023. BARBOZA, V. dos S.; SILVA, M do M.; SILVA, D. E. L. de S e. Diagnóstico arquivístico: um relato de experiência na pró-reitoria de pesquisa e extensão (Propex) do Instituto Federal de Sergipe (IFS). Ágora: Arquivologia em Debate, Florianópolis, v. 30, n. 60, p. 255-274, jan./jun. 2020. Disponível em: https://agora.emnuvens.com.br/ra/article/ download/870/pdf/4457. Acesso em: 25 set. 2023. BARROS, T. H. B. Arquivos permanentes: aspectos iniciais de sua organização. In.: MARIZ, A. C.; RANGEL, T. R. (org.). Arquivologia: temas centrais em uma abordagem introdutória. Rio de janeiro: FGV, 2020. BRASIL. Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991. Dispõe sobre a Política Nacional de Arquivos Públicos e Privados e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, v. 139, n. 6, p. 455. 9 jan. 1991. BRASIL. Decreto nº 4.073, de 3 de janeiro de 2002. Regulamenta a Lei no 8.159, de 8 de janeiro de 1991, que dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados. Brasília, DF: Presidência da República, 2002. Disponível em: https://www.planalto.gov. br/ccivil_03/decreto/2002/d4073.htm. Acesso em: 25 set. 2023. BRASIL. Dicionário brasileiro de terminologia arquivística. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005. BRASIL. Plano de Preservação dos Acervos Arquivísticos Complexo Arquivístico do TJDFT. Brasília, DF: TJDFT, 2021. Disponível em: https://www.tjdft.jus.br/publicacoes/ publicacoes-oficiais/portarias-conjuntas-gpr-e-cg/2021/plano_de_preservacao.pdf. Acesso em: 25 set. 2023. BRASIL. Criação e desenvolvimento de arquivos públicos municipais. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2014. CONARQ. Recomendações para a construção de arquivos. Rio de Janeiro: Conselho Nacional de Arquivos, 2000. Disponível em: https://dhg1h5j42swfq. cloudfront.net/2016/02/20152049/Recomenda%C3%A7%C3%B5es-Para- Constru%C3%A7%C3%A3o-de-Arquivos.pdf. Acesso em: 26 set. 2023. 68 CONARQ. Recomendações para a produção e o armazenamento de documentos de arquivo. Rio de Janeiro: Conselho Nacional de Arquivos, 2005 FERREIRA, L. da C.; MELO, D. G. P. Diagnóstico de arquivos: instrumento de ação efetiva na gestão documental. I FÓRUM INTERNACIONAL DE ARQUIVOLOGIA – UEPB – Campus V – João Pessoa, 25 a 27 de novembro de 2008. FRANCO, C. Por uma lei de arquivos para o Brasil. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 3, jul. 1985. FREIBERGER, Z. Gestão de documentos e arquivística. Curitiba: Instituto Federal do Paraná, 2012. FREIBERGER, Z. Gestão de Documentos e Arquivística. Curitiba: Instituto Federal do Paraná, 2008. GADELHA, A. da S. O diagnóstico em arquivos e sua relação com a gestão de documentos no setor público. AGCRJ Revista, Rio de Janeiro, n.13, p.395-418, 2017. Disponível em: http://wpro.rio.rj.gov.br/revistaagcrj/wp-content/uploads/2018/02/AGCRJ_ revista_180201-1-69-92.pdf. Acesso em: 25 set. 2023. HERRERA, A. H. Organización I: classificación de fondos. In: Archivística general: teoría y práctica. 5 ed. Sevilla: Diputación Provincial, 1991. JARDIM, J. M. Sistemas e políticas públicas de arquivos no Brasil. Niterói: EDUFF, 1995. JARDIM, J. M. Políticas y sistemas de archivos. México: Secretaría General Iberoamericana: Red de Archivos Diplomáticos Iberoamericanos, 2010. JARDIM, J. M. De que falamos quando falamos em políticas arquivísticas? Percepções sobre políticas arquivísticas no poder executivo federal. Ciência da Informação, Brasília, v. 42, n. 1, 2015. Disponível em: https://revista.ibict.br/ciinf/article/view/1393. Acesso em: 26 set. 2023. LOPES, B. P.; RODRIGUES, G. M. Os arquivos privados na legislação brasileira: do anteprojeto da lei de arquivos às regulamentações do Conarq. Revista do Arquivo, São Paulo, n. 4, 2017. Disponível em: https://www.arquivoestado.sp.gov.br/revista_do_ arquivo/04/artigo_01.php. Acesso em: 25 set. 2023. LOPES, L. C. Projeto de organização dos arquivos da DCTEC. Brasília, [s. n.], 1994. LOPES, L. C. A nova arquivística na modernização administrativa. 2. ed. Brasília: Projecto, 2009. 69 LOPES, U. dos S. Arquivos e a organização da gestão documental. Rev. ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 8/9, p. 113, 2004. MACHADO, H. C.; CAMARGO, A. M. de A. Como implantar arquivos públicos municipais. São Paulo: Arquivo do Estado, 2000. NAVARRO, A. L. M. El sistema de institucional de archivos ¿Por qué? ¿Para qué? Lima: Secretaría General Iberoamericana: Red de Archivos Diplomáticos Iberoamericanos, 2015. OLIVEIRA, L. M. V. de; MACÊDO, P. L. P.; SOBRAL, C. C. de. Arquivos pessoais e intimidade: da aquisição ao acesso. Revista do Arquivo do Estado de São Paulo, Ano 2, n. 4, mar. 2017. OLIVIERA, T. M. M.; BEDIN, S. P. M. Diagnóstico de arquivo como instrumento de avaliação na gestão documental. Ágora: Arquivologia em Debate, Florianópolis, v. 28, n. 56, p. 115-135, jan./jun. 2018. PAES, M. L. Arquivo: teoria e prática. 3. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro, RJ: FGV, 2004. SILVA, M. A polissemia do termo "arquivo". In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 17., 2016, Salvador. Anais [...]. Salvador: UFBA, 2016. Disponível em: http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/188838. Acesso em: 25 set. 2023. SILVA, S. F. da. Diagnóstico arquivístico: incursões teórico-metodológica. 2015. 25f. Artigo de Conclusão de Curso (Graduação em Arquivologia) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2014. TOGNOLI, N. B.; FERREIRA, E. R. da. S. Os arquivos eclesiásticos e a arquivística brasileira: uma análise dos artigos publicados nos periódicos arquivísticos brasileiros. Ágora: Arquivologia em Debate, Florianópolis, v. 27, n. 54, p. 7-28, jan./jun. 2017. Disponível em: https://agora.emnuvens.com.br/ra/article/view/614. Acesso em: 25 set. 2023. 70 71 PLANEJAMENTO E ESTRUTURA ORGANIZACIONAL EM BIBLIOTECAS UNIDADE 2 — OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • planejar a implantação de bibliotecas; • organizar bibliotecas e seus setores; • diferenciar as estruturas organizacionais das unidades de informação; • compreender o contexto gerencial de diferentes unidades de informação; • selecionar e gerenciar equipes para unidades de informação; • desenvolver competências de gestão de pessoas; • compreender aspectos diferenciais de liderança e gestão; A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – ESTRUTURA FÍSICA, FUNCIONAL E LAYOUT DE BIBLIOTECAS TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – ASPECTOS GERAIS SOBRE GESTÃO E A EQUIPE DA BIBLIOTECA TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – GESTÃO DE PRODUTOS, SERVIÇOS E NOVAS TENDÊNCIA PARA AS BIBLIOTECAS Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 72 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 2! Acesse o QR Code abaixo: 73 TÓPICO 1 — ESTRUTURA FÍSICA E FUNCIONAL DE BIBLIOTECAS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Quando chegamos a uma biblioteca, principalmente, em uma grande biblioteca, dificilmente temos a noção dos diversos espaços que compõem o seu todo, bem como as especificidades dos seus setores. Não conhecemos também os bastidores de sua criação, ou seja, a lista de cuidados que antecederam sua instalação para que sua estrutura funcione com eficiência, atendendo às demandas de seus usuários. Veremos, neste tema de aprendizagem, que existem diversos aspectos que permeiam o planejamento e organização dos seus espaços físicos, que vão desde a escolha dos locais de instalação e suas condições mínimas de espaço até a adequação de sua estrutura quando já existente. Tambémveremos os principais cuidados na escolha dos materiais estruturais e com segurança. Importante ressaltar que, quando se inicia o processo de implantação de uma biblioteca, deve-se atentar a detalhes que são indispensáveis para que seus serviços sejam adequados à futura clientela real e potencial. Isso varia de acordo com o tipo de biblioteca, mas uma coisa é fundamental em todas, deve-se conhecer a comunidade e usuário que quer se atingir. Isso pode ser feito por meio de técnicas de pesquisa como entrevistas e observações. Com o levantamento das características básicas da comunidade como um todo, devem ser consideradas as diferenças dos indivíduos que constituem a clientela alvo dos serviços bibliotecários, assim, passamos a definir a futura biblioteca, a biblioteca que queremos, seus objetivos e os trabalhos que vamos implantar e oferecer aos usuários. Para que os objetivos sejam alcançados, devemos levantar as alternativas e as melhores possibilidades para a realização dos trabalhos. Diante dessas possibilidades, define-se o que é mais viável para aplicação diante dos recursos disponíveis. Os recursos institucionais, materiais, humanos e financeiros são igualmente importantes. 2 O ESPAÇO FÍSICO DA BIBLIOTECA O planejamento do espaço físico de uma biblioteca pode ser pensado considerando a criação de uma nova unidade, este aspecto inclui a previsão dos espaços necessários para seu crescimento progressivo e seu melhor aproveitamento 74 ou, ainda, na adequação de um espaço já existente, pensando sua ampliação e ou sua modernização. Nesses casos, Almeida (2005) aponta cinco fatores preponderantes para a sua realização: • Quando percebida a necessidade de espaços para circulação e atuação de funcionários e usuários. • Readequação e distribuição do acervo nas estantes, considerando o crescimento natural da coleção. • Previsão de ampliação da abrangência da comunidade atendida. • Alteração da missão, objetivo ou finalidade da biblioteca, por exemplo, criação de cursos superiores em uma escola de ensino técnico. • A oferta de novos serviços ou produtos, no qual o exemplo anterior se encaixa. Em ambos os casos, como aponta Almeida (2005, p. 112), tem-se por objetivo “chegar a um edifício de biblioteca inteligente, entendendo-se como tal aquele que maximiza a eficiência dos ocupantes – a equipe de trabalho e os usuários – e permite gerenciamento eficaz dos recursos com menor tempo e esforço, atingindo, assim, referenciais de qualidade”. Lembramos que o planejamento e organização do espaço físico da biblioteca vai depender dos objetivos da unidade, bem como da quantidade de usuários e funcionários, dos serviços prestados, das perspectivas futuras e dos recursos financeiros de que a biblioteca/ unidade informacional venha a dispor. IMPORTANTE Figura 1 – Exemplo de espaço físico de biblioteca Fonte: http://www.cazadoresdebibliotecas.com/2015/08/biblioteca-provincial-de-huelva-espanha.html. Acesso em: 26 set. 2023. 75 Quando o debate é espaço físico, é comum ter-se a necessidade de uma sensibilização dos gestores e de outros agentes definidores. Não são raros os momentos em que são indicados locais inapropriados para a instalação de bibliotecas. Uma biblioteca exige um espaço adequado às necessidades e aos serviços que presta. O debate sobre a área mínima necessária sempre tende a surgir, bem como o barateamento dos equipamentos, e isso nem sempre possibilita um bom atendimento. Assim, você precisa estar preparado para dar respostas técnicas sobre essas necessidades reais. Para isso, prepare um relatório técnico antes de dialogar com os gestores. DICA Figura 2 – Áreas do físico Fonte: a autora. O espaço de uma biblioteca deve ser planejado levando-se em conta três áreas básicas: Nesses três espaços, estão incluídos outros, como: • recepção; • espaços de leitura; • áreas de estudo; • banheiros; • áreas de processamento técnico; • acervo de livros; 76 • outros tipos de acervo; • espaços multimídia. De acordo com Linhares (1984), a biblioteca deve contar com, pelo menos, uns 60 m². Ele calcula que, ao final de cinco anos, esta área aumente em 30%. Outra forma sugerida por ele para se calcular a área necessária é considerar 2 m² por usuário e 15 m² por empregado. Esses valores incluem o equipamento e o acervo bibliográfico. Já Costa (2007) afirma que um usuário adulto, sentado em uma mesa de aproximadamente 76 cm de largura, deve ocupar um espaço total de 2 a 3 m², enquanto um empregado deve ocupar de 10 a 12 m². Essas medidas variam em função do tamanho da mesa e do maior ou menor conforto que o espaço pode proporcionar. Para as estantes de livros e de periódicos, o espaço poderá ser de 10 m² para cada 1.000 volumes e se for uma estante expositora, o cálculo é de 3 m². Com relação ao espaço para leitura, calcula-se 1,5 lugares para cada 1.000 hab. Almeida (2005, p. 17-19) apresenta uma série de características essenciais no planejamento do espaço físico de uma biblioteca que resumimos a seguir: • Espaço flexível: capacidade de adaptação do espaço a novos usos com no mí- nimo de inconveniência e custo, bem como quanto a mudanças e ao crescimento da biblioteca e de seu acervo conforme necessidades que a instituição apresente. A ausência de paredes internas pode colaborar para a flexibilidade do edifício, bem como a redução de colunas, a ausência de desníveis, a climatização uniforme, a au- sência de mobiliário fixo, a ausência de diversidade de acabamentos, dentre outros. • Espaço compacto: refere-se ao desperdício de espaços ou espaços mal utilizados nas bibliotecas, não no sentido de que os usuários, os funcionários e o acervo devam ficar ‘espremidos’. Um espaço compacto que facilite a circulação de usuários e de funcionários, bem como dos materiais do acervo. • Espaço diversificado: que respeite as diversas necessidades decorrentes de seus usos e funções. Assim, por exemplo, devem ser oferecidas diferentes soluções de armazenamento de acervos adequados a cada tipo de material. Da mesma forma, devem ser oferecidas diferentes opções de acomodação para consulta ao acervo, de acordo com as necessidades e preferências dos usuários. Deve-se levar em consideração também os serviços a serem ofertados, como estudo em grupo, atividades culturais entre outros. • Espaço acessível: refere-se tanto ao acesso ao edifício quanto ao acesso aos serviços desejados. Item fundamental quando se busca incluir a todos os usuários reais e em potencial. • Espaço organizado: o espaço deve permitir e estimular o contato adequado do usuário com o acervo e os serviços. Em uma biblioteca, por exemplo, a organização ou disposição física das coleções deve favorecer seu acesso pelos usuários e esti- mular o seu uso. Refere-se, aqui, ao layout, ou seja, à disposição dos setores e mo- biliários presentes na unidade de informação, que seja organizado e que vise facili- tar o cotidiano de trabalho dos funcionários e o acesso da comunidade de usuários. 77 • Espaço agradável: o espaço de uma biblioteca deve, antes de tudo, ser agradável. Uma série de elementos do projeto concorre para este requisito, dentre os quais podemos destacar a iluminação, a acústica, o nível de umidade e temperatura e o mobiliário. A biblioteca deve ser um lugar em que os funcionários e usuários se sintam à vontade de frequentar e permanecer ali. • Espaço econômico: refere-se não apenas ao custo da construção, mas também da manutenção. Não são raras as soluções arquitetônicas ou de mobiliário e instalações que implicam altos custos de manutenção onde não há recursos sistemáticos para isso, como em órgãos da administração pública. A consequente falta de manutenção acarreta deterioração do edifício, prejudica o acervo e afasta o público. Medidas simples, como melhorar a ventilação natural, maximizar o uso da luz do dia, empregar materiais que facilitem a limpeza, dentre outras, colaboram para a redução do custo de manutenção. Também se refereao desenvolvimento sustentável no qual o prédio da biblioteca pode contribuir, como buscando a luz natural sempre que possível, trazendo economia fi nanceira e de recursos energéticos. • Espaço de preservação: consiste em prover o edifício de condições ambientais que, além de oferecer conforto ao usuário, garantam a preservação do acervo. Para isso, deve-se, sempre que possível, buscar luz natural que, além de economia fi nanceira e de recursos, pode proporcionar conforto térmico no inverno e claridade para a leitura. Contudo, deve-se planejar a biblioteca de uma forma de evitar-se que a luz solar incida diretamente no acervo danifi cando-o. A localização da biblioteca nem sempre está sob nossa defi nição, a maioria das vezes já está instalada. Se você estiver no processo de defi nição de um novo endereço para uma biblioteca ou ainda se participar do projeto de construção de uma, o item localização é fundamental ser estudado, pois a escolha ou projeto correto vai ajudar no processo de captação de usuários, na visibilidade, na diminuição dos riscos de desastres, na iluminação entre outros. DICA 3 TEMPERATURA, UMIDADE E VENTILAÇÃO O acervo de uma biblioteca/unidade informacional é sensível a mudanças excessivas de temperatura e de umidade acentuada. As mudanças podem ocasionar o surgimento de fungos e bactérias nos diversos tipos de suportes. O local deve possuir também boas condições de temperatura, iluminação etc., que o tornem agradável e saudável. Devemos identifi car as áreas de maior e menor incidência do sol, o nível de luminosidade natural, a ventilação natural e o grau de umidade. Outro aspecto a ser observado é a concentração de ruído (baixa ou alta ocorrência). Devemos, ainda, considerar as possibilidades de instalações elétricas, a 78 questão da prevenção de incêndios e enchentes, as facilidades de acesso à área e, é claro, a capacidade de resistência estrutural do local. O desejável é que o ambiente tenha possibilidades de ampliação e seu projeto permita acomodar adequadamente usuários com necessidades especiais, tais como pessoas com deficiências visuais, cadeirantes, entre outros. A temperatura da biblioteca deve ser mantida entre 19 ºC e 23 ºC. Na impossibilidade de manter o ar-condicionado permanentemente ligado e controlado, a recomendação é manter o ambiente arejado naturalmente. As variações constantes de temperatura podem levar à perda de flexibilidade da fibra do papel causando um grande dano ao documento. Figura 3 – Biblioteca Mário de Andrade Figura 4 – Saquinhos de sílica-gel Fonte: https://www.vivadecora.com.br/pro/arquitetura/projeto-para-biblioteca/. Acesso em: 26 set. 2023. Fonte: https://www.almanaquesos.com/7-usos-para-o-saquinho-de-silica-gel-que-voce-ia-jogar-fora/. Acesso em: 26 set. 2023. Temperaturas altas e umidade do ar superior a 55% são condições que favorecem o desenvolvimento do mofo. Além dessas condições, má ventilação, iluminação inadequada e acúmulo de pó também auxiliam no desenvolvimento de mofo. Para documentos guardados em arquivos, é recomendado o uso de sílica-gel. 79 Quadro 1 – Temperaturas para cada material Fonte: https://portalidea.com.br/cursos/6735065ce0593e418d0c319bf5dfb30b.pdf. Acesso em: 26 set. 2023. Os saquinhos de sílica-gel são dessecantes, absorvem a umidade e prolongam a vida útil dos documentos e objetos. Por isso, são colocados em caixas ou outros recipientes de produtos sensíveis à umidade. Eles conseguem absorver até 40% do seu próprio peso em vapor de água Com relação às condições de temperatura e umidade dos materiais, Costa (2007) lembra que cada material responde de forma diferente a condições de umidade e temperatura. O quadro a seguir apresenta as umidades e temperaturas aceitáveis para alguns materiais encontrados na biblioteca. Umidade Relativa Temperatura Papel 40% a 50% 18,30C a 21,10C Filme 30% a 40% 12,80C a 18,30C. Temperaturas abaixo de 15ºC podem causar danos respiratórios, portanto deve-se ter uma sala especial para a conservação. Couro 50% a 55% Há pouca pesquisa sobre este material. Pergaminho 40% a 45% Há pouca pesquisa sobre este material. O controle das questões referentes à temperatura e umidade pode ser feito por meio dos seguintes equipamentos: • Ar-condicionado – para manter a temperatura sob domínio. • Higrômetro – para medir a umidade relativa do ar. • Termo-higrômetro – para medir a temperatura e a umidade. • Desumidificador – para retirar a umidade do ambiente. O ar do ambiente deve ser sempre renovado, por isso a ventilação é importante. As janelas devem ocupar por volta de 20% das paredes e devem ficar de frente para o interior do ambiente. Evite colocar materiais sensíveis perto das janelas. A iluminação é outro aspecto fundamental numa biblioteca/unidade informacional, de um lado, pelo conforto que deve proporcionar aos servidores e aos usuários e, de outro, pela interferência no acervo. Em geral, as fontes utilizadas na iluminação interna são a luz natural e as lâmpadas fluorescentes. A luz natural quando 80 incide sobre o acervo é prejudicial porque apresenta um nível elevado de radiação ultravioleta (UV). As lâmpadas fluorescentes, embora mais frias que outros tipos de lâmpadas e de fácil manutenção, também prejudicam o papel, tornando-o amarelado. Observa-se o cuidado para que as lâmpadas não causem danos ao acervo. Para evitar, devem ser usadas protetores (tipo de membrana de plástico fino e flexível) e devem ser colocadas na mesma direção das estantes, evitando que o calor dos reatores fique próximo dos livros/materiais/acervo. Costa (2007, p. 6) ainda observa: • O uso de persianas, cortinas leves, vidros especiais ou filmes aderentes ao vidro também são importantes para controlar a incidência do sol. • Pisos claros refletem mais a luz e oferecem melhores condições de iluminação, principalmente para prateleiras mais baixas. • O uso do maior número possível de pontos elétricos no ambiente facilita a distribuição da iluminação e de ligações para redes de computadores. • A área de leitura deve ser a mais iluminada, enquanto a área correspondente ao acervo pode ser mantida na sombra e por ocasião do acesso, a iluminação ser acionada automaticamente ou mecanicamente. 4 PISOS, PAREDES TETO E OUTROS CUIDADOS ESTRUTURAIS Almeida (2005) apresenta uma série de orientações quanto às estruturas de bibliotecas e outras unidades de informação. Os pisos ideais precisam ser resistentes, de fácil conservação e silenciosos. Devendo-se evitar madeira e carpetes pela dificuldade de manutenção e limpeza e por serem propícios ao acúmulo de microrganismos, isso também vale para as paredes. Pisos e paredes não devem exalar poluente nocivo, não favorecendo a infestação de insetos, além de serem impermeáveis e resistentes à água, à prova de fogo. Os pisos mais ideais são os frios, como concreto tratado, o mármore, a cerâmica e a pedra, desde que corretamente instalados, sem desníveis, evitando-se acidentes. Quanto aos tetos e coberturas das bibliotecas, observa-se que as infiltrações constituem grandes desafios na construção e manutenção de edifícios. Essa qualidade depende de cuidados especiais que garantam coberturas estanques, impermeabilização adequada, pingadeiras e soleiras junto às esquadrias, calhas bem dimensionadas, entre outros. Quanto às instalações hidráulicas, é necessário evitar tubulações nas áreas de acervo, exceto as destinadas aos sistemas de aspersão contra incêndio. Em muitos edifícios, tubulações deficientes ou inadequadas podem ser responsáveis por infiltrações elevados níveis de umidade e crescimento de mofo. 81 Quanto à rede elétrica, deve-se ter cuidado com as emergências, com a instalação de dispositivos de desligamento imediato para a prevenção de acidentes, bem como recurso que assegure o fornecimento de energia nessas situações. Prever flexibilidade nos pontos das redes elétrica e lógica, como cabeamento e ligações para24 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 25 TÓPICO 2 - ESTRUTURA FÍSICA E FUNCIONAL DE ARQUIVOS .........................................27 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................27 2 INFRAESTRUTURA ...........................................................................................................27 2.1 RECOMENDAÇÃO PARA ÁREA DE PRODUÇÃO E ARMAZENAMENTO ...................................28 2.1.1 Produção e acesso .....................................................................................................................28 2.1.2 Áreas de armazenamento .......................................................................................................28 2.1.3 Condições ambientais ...............................................................................................................31 2.1.4 Acondicionamento ....................................................................................................................32 2.1.5 Manuseio e transporte .............................................................................................................32 2.2 ÁREAS PARA O PÚBLICO ..................................................................................................................33 2.3 ÁREAS DE TRABALHO .......................................................................................................................34 2.3.1 Gabinetes do diretor e assistentes ......................................................................................35 2.3.2 Recepção, seleção, triagem, higienização e desinfestação de documentos ...........35 2.3.4 Conservação, encadernação, fotografia e microfilmagem ............................................36 3 SEGURANÇAS ................................................................................................................. 38 3.1 PROTEÇÃO CONTA FOGO E ÁGUA ................................................................................................. 40 4 RECURSOS HUMANOS .................................................................................................... 44 RESUMO DO TÓPICO 2 .........................................................................................................47 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 48 TÓPICO 3 - MOBILIÁRIOS E EQUIPAMENTOS .................................................................... 51 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 51 2 MATERIAIS DE CONSUMO ................................................................................................ 51 2.1 MATERIAIS PERMANENTES .............................................................................................................53 2.1.1 Mapotecas ....................................................................................................................................54 2.1.2 Estanterias ..................................................................................................................................54 LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................................ 58 RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................ 64 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 65 REFERÊNCIAS ......................................................................................................................67 UNIDADE 2 — PLANEJAMENTO E ESTRUTURA ORGANIZACIONAL EM BIBLIOTECAS ....... 71 TÓPICO 1 — ESTRUTURA FÍSICA E FUNCIONAL DE BIBLIOTECAS ...................................73 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................73 2 O ESPAÇO FÍSICO DA BIBLIOTECA ..................................................................................73 3 TEMPERATURA, UMIDADE E VENTILAÇÃO .................................................................... 77 4 PISOS, PAREDES TETO E OUTROS CUIDADOS ESTRUTURAIS .................................... 80 4.1 CORES ....................................................................................................................................................82 5 MOBILIÁRIOS, EQUIPAMENTOS E LAYOUTS .................................................................. 83 5.1 MOBILIÁRIOS ........................................................................................................................................83 5.1.1 Estantes ...................................................................................................................................... 84 5.1.2 Estantes compactas ................................................................................................................87 5.2 ARQUIVOS, MAPOTECAS DE AÇO E CARRINHOS ...................................................................... 88 5.3 BALCÃO DE EMPRÉSTIMO E CABINES .........................................................................................90 5.4 BIBLIOCANTOS, SINALIZADORES ..................................................................................................92 5.5 SEGURANÇA .......................................................................................................................................96 6 LAYOUTS ...........................................................................................................................97 RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................100 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................103 TÓPICO 2 - ASPECTOS GERAIS SOBRE GESTÃO E A EQUIPE DA BIBLIOTECA .............105 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................105 2 CONCEITO DE GESTÃO DE PESSOAS ............................................................................106 3 BIBLIOTECÁRIO GESTOR E A GERÊNCIA DE EQUIPE ...................................................108 4 EQUIPE DA BIBLIOTECA ................................................................................................ 116 4.1 O PROFISSIONAL DE BIBLIOTECONOMIA ..................................................................................... 117 4.1.1 A equipe de bibliotecários ......................................................................................................119 4.1.2 O bibliotecário da área do processamento técnico .......................................................120 4.1.3 O bibliotecário de referência..................................................................................................121 4.2 O TÉCNICO EM BIBLIOTECONOMIA ............................................................................................. 126 4.3 ESTAGIÁRIOS .................................................................................................................................... 127 5 OUTROS PROFISSIONAIS QUE PODEM ATUAR NA BIBLIOTECA ................................128 5.1 PROFESSORES ..................................................................................................................................128 5.2 PESSOAL DE APOIO ........................................................................................................................ 129 5.3 AGENTES COMUNITÁRIOS ............................................................................................................. 129 RESUMOredes de computadores, permitindo a ampliação dos pontos e a expansão da rede. Quanto à segurança, é preciso ter um plano de prevenção contra incêndio, curto-circuito, enchentes e outros sinistros. Não podemos esquecer a segurança dos usuários e funcionários quanto a assaltos e outros malefícios que podem ocorrer por diversos fatores que, muitas vezes, tem relação com a sua localização. Outra preocupação é a prevenção de acidentes, como quedas de estantes, de funcionários em escadas, bem como a segurança em relação à saúde, que pode ser colocada em risco por meio de doenças transmitidas por roedores, fungos ou bactérias, tanto em relação a má conservação e higienização do espaço, quanto ao contato com um acervo deteriorado. CCJ aprova proteção para funcionários de bibliotecas e museus A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (18 de junho de 2019), o projeto de lei que determina a proteção das pessoas que trabalham em arquivos, bibliotecas, museus e centros de documentação e memória. A proposta (PL nº 1511/15) inclui a categoria de trabalhadores na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT, Decreto-lei nº 5.452/43), na parte que trata de medidas especiais de proteção. O objetivo é permitir que os profissionais recebam adicional de insalubridade. Por tramitar em caráter conclusivo, o texto seguirá para o Senado, a menos que haja recurso para que seja votado também pelo Plenário da Câmara. Fonte: https://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/EDUCACAO- E-CULTURA/578529-CCJ-APROVA-PROTECAO-PARA-FUNCIONARIOS-DE- BIBLIOTECAS-E-MUSEUS.html. Acesso em: 26 set. 2023. IMPORTANTE Com relação aos ruídos, terríveis para quem está concentrado estudando, mas impossíveis de eliminá-los totalmente, podem ser realizados alguns procedimentos visando reduzi-los ao mínimo desejável, por volta de 30/35 decibéis. Pode-se adotar revestimentos de forro, piso e paredes que ofereçam boa absorção de som. Pode-se também adotar divisórias de ambientes ou utilizar as próprias estantes como barreiras entre locais mais ruidosos e outros onde o silêncio se faça necessário. Devemos nos preocupar em manter o local de leitura afastado da área de referência mais movimentada e das áreas de circulação e trabalho. 82 Podemos, ainda, delimitar as ações por áreas de interesse, tais como: área de leitura, área de trabalho em grupo, área de tratamento técnico etc. 4.1 CORES Rocha (2010) destaca a importância na definição das cores em paredes das bibliotecas. A autora supracitada se refere, principalmente, às bibliotecas escolares, mas acreditamos que essa premissa perpassa todas as unidades de informação. Muitos estudos comprovam que a utilização das cores nos ambientes influi em nosso estado psíquico e de bem-estar. Como exemplo, Rocha (2010) fala das tonalidades de verde-claro, azul-claro e violeta-claro, que transmitem sensação de calma, ao passo que o vermelho pode causar irritação. Já o amarelo e o laranja trariam disposição, estimulando as atividades intelectuais. Para Rocha (2010), a cor, um dos principais elementos do código visual, deve ser bem destacada para que chame a atenção do usuário. As cores devem ser escolhidas em conjunto com todo o espaço físico, mobiliário e equipamentos da biblioteca, no sentido de buscar um melhor aspecto visual do ambiente. Destacamos uma dica de Rocha (2010, p. 25): “fuja do tradicionalismo e explore as cores. Arrisque! Pinte paredes, aposte em contrastes e obtenha aquele toque aconchegante e tão desejado em nossas bibliotecas. [...] Se tiver dúvida, consulte um arquiteto!” Vejamos como as cores podem ser utilizadas em bibliotecas nas ilustrações a seguir: Figura 5 – Cores na biblioteca escolar Fonte: https://tokyorio.com/2015/02/06/biblioteca-de-escola/. Acesso em: 26 set. 2023. 83 Figura 6 – Cores em biblioteca Fonte: http://dasolucoes.blogspot.com/2012/09/bibliotecas-modernas.html. Acesso em: 26 set. 2023. 5 MOBILIÁRIOS, EQUIPAMENTOS E LAYOUTS Quando pensamos no planejamento e organização de uma biblioteca, temos que analisar quais mobiliários e equipamentos serão necessários para a racionalização do seu espaço e acervo, na rápida e eficaz transmissão da informação ao usuário, bem como no oferecimento de móveis adequados e ergonômicos para a melhor qualidade da permanência destes nos diferentes espaços das unidades de informação. Observamos que existem diversos equipamentos disponíveis no mercado, mas antes da definição da compra, é importante cautela, tanto na verificação das referências dos materiais e empresas, que podem ser obtidas por outras bibliotecas, quanto na qualidade dos produtos e experiência das empresas que comercializam. Assim, neste último tema de aprendizagem da Unidade 1, veremos o detalhamento das especificidades necessárias dos mobiliários e equipamentos disponíveis no mercado e quais se adaptam melhor às necessidades das unidades de informação. Também visualizaremos como esses mobiliários podem ser organizados em diferentes tipos de layouts de acordo com os serviços oferecidos. Vamos lá? 5.1 MOBILIÁRIOS A busca por produtos, equipamentos e empresas que possuem certificação de qualidade, que atuam de acordo com normas da ABNT, ISO e outras instituições regu- lamentadoras, garantem a melhor relação custo-benefício no momento da aquisição. É necessário priorizar a segurança e a durabilidade, tanto da construção quando dos equipamentos de uma biblioteca quanto na utilização dos usuários. Convém analisar a facilidade de reposição de peças e manutenção, assim como a compatibilidade deles com diferentes fornecedores. 84 Observamos que se deve evitar a aquisição de produtos e serviços monopolizados, ou seja, disponibilizados por um único fornecedor, pois essa monopolização pode resultar em preços abusivos. Além disso, existe certa fragilidade caso deixe de atuar ou entre em falência. NOTA É indispensável que uma biblioteca/unidade informacional disponha de um mobiliário funcional e apropriado tanto aos funcionários quanto aos usuários. Atualmente é possível obter móveis modernamente desenhados e de aspecto atraente, que possam criar um clima de comodidade e bom gosto. Assim, destacamos na fi gura a seguir alguns critérios para a escolha do mobiliário: Figura 7 – Critérios para escolha do mobiliário Fonte: a autora. QUALIDADE/ DURABILIDADE/ MANUTENÇÃO (da matéria-prima ao acabamento) FUNCIONALIDADE E ERGONOMIA (adequado ao uso) FLEXIBILIDADE E MODULARIDADE (que posssam ser juntados ou separados) Vários tipos de móveis podem ocupar a área da biblioteca/unidade informacional. Eles também vão depender do tipo de documentos que se pretende armazenar, tais como: livros gerais, livros de referências, periódicos, discos, fotos etc. 5.1.1 Estantes Para a escolha das estantes, existem diversos itens que devem ser analisados, como: Material – em bibliotecas, é sugerido o uso de móveis de aço ou de alumínio anodizado porque não são abrasivos, resistem à umidade e não são de fácil combustão. Em algumas bibliotecas, ainda podemos encontrar estantes de madeira, mas diversos autores afi rmam que estas não são as ideais. Isso porque podem atrair insetos, principalmente os cupins, que poderão gerar grandes danos aos materiais, principalmente quando ali estão armazenados documentos históricos. Capacidade e ocupação – alguns autores apresentam como valores de referência para ocupação das estantes 40 livros para uma prateleira de 1,00 m de largura. Claro 85 que isso depende da espessura do livro, esse valor é apenas uma média. No exemplo anterior, já estão previstos 25% do espaço para crescimento do acervo. Percebe-se que a realidade do acervo de cada biblioteca é fundamental neste tipo de cálculo. Por exemplo, um acervo de referência, da área de direito ou da saúde, cujos livros são em geral mais espessos, apresenta um índice menor de ocupação em torno de 34 livros por prateleirade 1,00 m, com ocupação de 75% (VANZ, 2004). Distância – entre estantes paralelas, deve haver um corredor de acesso com espaço intermediário mínimo para a circulação e a movimentação junto às prateleiras. É sugerido que este espaço tenha entre 1 m e 1.20 cm. Entretanto, o espaço pode ser limitado conforme a disponibilidade da área. Dimensões – para determinar as dimensões para as estantes, devemos considerar os fa- tores materiais, devemos observar que a altura e a profundidade das prateleiras dependem da dimensão dos materiais a serem guardados. Em geral, as prateleiras de uma estante funcional têm 95 cm de comprimento; 25 cm de profundidade e 2,5 cm de espessura. Quanto à altura entre uma prateleira e outra, o padrão é acima de 25 cm e abaixo de 35 cm, dependendo do tipo de livro. No primeiro caso, podem ser simples, somente um lado, ou dupla, utilizando os dois lados, e devem ter altura máxima de 1,80 m, 1,0 m de largura e profundidade média de 0,25 cm. Também se deve considerar o fator humano, por exemplo, em uma biblioteca infantojuvenil, considera-se que a última prateleira deve estar aproximadamente à altura de 1.50 cm. Figura 8 – Alturas das estantes Fonte: https://portalidea.com.br/cursos/6735065ce0593e418d0c319bf5dfb30b.pdf. Acesso em: 26 set. 2023. Segundo Costa (2007), com relação à capacidade de peso, em geral, ocupamos 75% da capacidade de uma prateleira, o que representa em média 25 livros. Considerando 33 livros em uma prateleira cheia, pesando cada um 1000 gr, cada prateleira terá um 86 Figura 9 – Exemplo de modelo de estante Figura 10 – Exemplo de modelo de estante 2 Fonte: http://www.funcionalmoveisdeaco.com.br/estante-aco-biblioteca-preco#group1-4. Acesso em: 26 set. 2023. Fonte: https://br.depositphotos.com/73734275/stock-photo-row-of-bookshelves-in-a.html. Acesso em: 26 set. 2023. Independentemente dos valores indicados nas literaturas, é fundamental a observação constante por parte dos profi ssionais das condições das estantes e outros mobiliários, que podem apresentar defeitos de fábrica ou, ainda, de mau uso, podendo estar tortas ou com outros pontos frágeis, além de ferrugens em sua estrutura. IMPORTANTE peso de 33 kg. Assim, uma estante de aço com 2 m de altura, 95 cm de largura e 25 cm de profundidade, com livros, pesa em média 680 kg. 87 Figura 11 – Estante para multimídia Figura 12 – Estantes compactas Fonte: http://www.arquipix.com.br/. Acesso em: 26 set. 2023. Fonte: https://metalpox.com.br/produto/estante-multimidia-face-simples/. Acesso em: 26 set. 2023. Algumas estantes são específicas para materiais especiais, como a estante da figura a seguir, projetada para o acondicionamento de CDS. 5.1.2 Estantes compactas As estantes compactas ou deslizantes têm grande capacidade de armazenamento em um espaço bem menor, proporcionando um aumento em 90% em relação às outras estantes. São blocos móveis que, para a retirada e colocação de volumes, abrem um corredor de circulação. Não são indicadas para unidades que permitem o livre acesso ao documento. 88 As estantes tradicionais requerem um espaço bem maior que as deslizantes compactas, mas permitem maior fl exibilidade no seu arranjo e o acesso do usuário. IMPORTANTE Muito utilizadas em arquivos, as estantes compactas deslizantes oferecem vantagens e desvantagens. Entre as vantagens estão a economia de espaço e o fechamento para a proteção dos documentos contra a luz e a poeira. Das desvantagens pode-se citar o peso, que requer estrutura especial, a redução da circulação de ar, que pode resultar na proliferação de microrganismos em ambientes não climatizados, e o fato de sempre terem que ser movidos. Os desníveis no piso podem provocar o empenamento (CONARQ, 2000, p. 14). 5.2 ARQUIVOS, MAPOTECAS DE AÇO E CARRINHOS Os arquivos em unidades de informação são muito utilizados para hemerotecas físicas, quando houver, bem como para dar suporte administrativo às bibliotecas, armazenando documentos diversos na secretaria e na direção. Algumas unidades ainda usam para armazenar a coleção de folhetos ou multimeios, o que não é o ideal devido a sua conservação, contudo, ainda são bastante utilizados. Figura 13 – Estante de aço Fonte: https://www.casasbahia.com.br/moveis/escritorio/gaveteiros/arquivo-de-aco-ultra-em-chapa- -26-com-4-gavetas-cinza-11499946.html. Acesso em: 26 set. 2023. 89 Figura 14 – Mapoteca Figura 15 – Carrinho de aço Já para o acondicionamento de documentos de grandes formatos, como mapas, plantas e cartazes, serão necessários móveis especiais para o acondicionamento horizontal. As gavetas das mapotecas não devem ter muita altura para evitar o acúmulo de documentos, o que acarretaria problemas de conservação. Além de gavetas rasas, devem ser previstas mesas de dimensões compatíveis com o formato desses documentos e dispostas de forma a facilitar a retirada dos documentos das mapotecas, quando necessário. Fonte: https://girocenter.com.br/mapotecas-de-aco/214-mapoteca-de-aco-c-5-gavetas-mod- map-05-a-1-girocenter.html. Acesso em: 26 set. 2023. O carrinho para transporte de livros é ideal para otimizar o recolhimento e distribuição de livros, evitando que o funcionário se desloque diversas vezes para a mesma estante. Pode ser útil também como suporte auxiliar durante os procedimentos de limpeza e manutenção dos livros e estantes. O uso do carrinho propicia maior conforto ao funcionário, dispensando que ele carregue os livros até a estante. Fonte: https://bit.ly/3rVPKQs. Acesso em: 26 set. 2023. 90 Hemeroteca ou arquivo de periódicos são coleções ou conjuntos organizados de periódicos (jornais, revistas ou obras em série). É entendida como uma seção de bibliotecas, arquivos ou centros de documentação reservada à guarda, custódia e conservação de materiais desse gênero. Pode existir na modalidade de arquivo de recortes de jornal, onde há uma seleção de textos jornalísticos sobre determinado evento, tema específico ou pessoa. DICA Figura – Hemeroteca Fonte: https://bit.ly/46SfsEe. Acesso em: 26 set. 2023. 5.3 BALCÃO DE EMPRÉSTIMO E CABINES De tamanho e altura variáveis, os balcões de empréstimo devem ter espaço para devoluções de material, empréstimo e renovações, computadores, impressoras e material básico de escritório. Dependendo do porte da biblioteca, pode haver separações entre as atividades de empréstimo, devolução e renovação. Se for uma biblioteca pequena, um único terminal de computador/funcionário realiza todas as ações em problema algum. 91 Figura 16 – Balcão de atendimento acessível Figura 17 – Cabines de estudo individual Fonte: https://www.uffs.edu.br/campi/laranjeiras-do-sul/noticias/imagens/18022019-balcao-de-atendi- mento-biblioteca-do-campus-laranjeiras-do-sul. Acesso em: 26 set. 2023. Fonte: http://www.im.ufal.br/posgraduacao/posmat/index.php/salas-de-aula-e-estudo. Acesso em: 26 set. 2023. Há de se ficar atento à altura do balcão pela questão da acessibilidade que deve ter uma altura de 0,90 m. A mesma preocupação nas bibliotecas escolares, onde se atende também a crianças pequenas. Também é preciso pensar em espaços de estudos individuais e coletivos. Em geral, são utilizadas pequenas cabines para que os usuários realizem seus estudos individuais e cabines um pouco maiores para pequenos grupos. Ao planejar tais espaços, é preciso planejar se terão luz individual e tomadas para notebooks. 92 Figura 18 – Cabines de estudo em grupo Fonte: https://www.google.com/search?rlz=1C1GCEU_ pt-BRBR848BR848&biw=1366&bih=608&tbm=isch&sa=1&ei=8BIlXcOCJpDI5OUPmdMW&q=sala+- de+estudo+em+grupo+biblioteca&oq=sala+de+estudo+em+grupo+biblioteca&gs_l=img.3...24482.297 44..30437...0.0..0.140.1970.7j12......0....1..gws-wiz-img.......0i24.LpIPS8tCDqw#imgrc=p3aOwceIYqSNmM:. Acesso em: 26 set. 2023. Em ambos os espaços é preciso uma projeção de cadeiras de boa qualidade com a preocupação de proporcionar o conforto aos usuários que, em geral, passam bastante tempo estudando.Por isso são almofadadas e com proteção de borracha nos pés para evitar barulho. Há de se considerar o tamanho da comunidade a qual se almeja atender, para prever a quantidade adequada. Da mesma forma, é preciso a projeção de mesas de estudo em geral. Elas podem ser redondas, retangulares, quadradas e de se encaixarem. 5.4 BIBLIOCANTOS, SINALIZADORES Os bibliocantos são suportes para manter os livros unidos na posição vertical. Para atender às necessidades específicas de cada biblioteca, existem linhas de bibliocantos em tamanhos e espessuras diversos, específicos para cada tipo de documento. Para livros mais pesados devem ter chapa reforçada (chapas 1,5 mm e 2 mm) são os ideais pela resistência apresentada. Os bibliocantos feitos em chapa 0,90 e 1,2 mm são indicados para bibliotecas infantis, cujo acervo é mais leve e demanda menor resistência do bibliocanto. 93 Figura 19 – Bibliocanto Figura 20 – Tipos de sinalização Fonte: a autora. Fonte: https://www.amazon.com.br/Acrimet-291-0-Organizador-Escrit%C3%B3rio- -Multicor/dp/B077NSC19N?tag=goog0ef=20-&smid=1AZZF5TFUL4YLN&ascsubtag- go_1671368599_66297504658_323794943888_aud-594374058437:pla-410414773158_c_. Acesso em: 26 set. 2023. Pimentel, Bernardes e Santana (2007) falam da importância de uma boa sina- lização na biblioteca. Para os autores supracitados, ela não só traz facilidades de inte- ração com o usuário como também demonstra uma boa organização administrativa da biblioteca e definem quatro tipos de sinalizações a serem feitas nas bibliotecas, que são: a) Sinalização externa: facilita o acesso à biblioteca e assinala a importância concedida a ela no conjunto das instalações. 94 Figura 21 – Exemplo de sinalização externa de biblioteca Figura 22 – Exemplo de divulgação de serviços Fonte: https://www.pinterest.pt/pin/162833342761567518/. Acesso em: 26 set. 2023. Fonte: http://www3.eco.unicamp.br/biblioteca/index.php/85-menu-principal/157-acesso-artigos-cientifi- cos-que-nao-sao-assinados-pela-unicamp-e-capes-2. Acesso em: 26 set. 2023. b) Sinalização interna – de recepção: deve estar próxima à entrada e orientar os alunos dentro da biblioteca. Pode conter todas as informações dos serviços oferecidos pela biblioteca, como: empréstimo de livros, reforço escolar, hora do conto, horário de fun- cionamento, normas de uso, documentos necessários para inscrição ou cadastro etc. 95 Figura 23 – Exemplo de cartaz com divulgação do que é permitido Figura 24 – Exemplo de sinalização Fonte: https://ndga.wordpress.com/2015/10/16/sinalizacao-biblioteca-burwood/. Acesso em: 26 set. 2023. Fonte: http://biblioteca.puspsc.usp.br/index.php/gestao-de-ruidos-area-para-o-estudo-em-grupo/. Acesso em: 26 set. 2023. c) Sinalização de uso do espaço: deve sinalizar os espaços de atividades de biblioteca, como estudo individual, estudo de grupo, mural interativo, mural de informações, atendimento, catálogos etc. d) Sinalização temática das estantes: cada estante deve ter, em local de fácil visualização, a relação dos assuntos pelos quais foram distribuídos os livros mais procurados, por exemplo: literatura brasileira, literatura infantil, obras de referência. 96 Uma sugestão para uma boa e eficiente sinalização é testá-la, realizando uma visita guiada com um grupo de usuários pedindo que “expliquem” o que observam e entendem da sinalização realizada, evitando, assim, futuras omissões equivocadas ou, até mesmo, usuários frustrados por não conseguirem se encontrar na biblioteca e terem que ficar dependentes do auxílio dos funcionários para ajudá-los. 5.5 SEGURANÇA Com o avanço das tecnologias, principalmente em bibliotecas com grandes acervos, os materiais possuem sensores para evitar roubos ou esquecimentos dos usuários ao sair sem registrar o empréstimo dos livros. As estruturas devem ser instaladas nas portas de acesso à biblioteca. Figura 25 – Exemplo de equipamento de segurança contra furtos Fonte: https://metalpox.com.br/produto/antena-de-seguranca-com-deteccao-eletromagnetica-em/. Acesso em: 26 set. 2023. Para o funcionamento dos sensores, no momento de preparação do acervo, são colocadas nas etiquetas eletromagnéticas. Suas etiquetas são discretas e de fácil aplicação, possuem cola não ácida especial para livros, não danificando os materiais da biblioteca. Possui duas camadas metálicas de mesma largura, uma contínua e outra fracionada, mais uma camada de papel branco especial, contendo duas tiras plásticas para auxiliar na aplicação. 97 Figura 26 – Etiquetas eletromagnéticas Figura 27 – Exemplo de desativador de fitas Fonte: https://metalpox.com.br/produto/fita-de-seguranca-eletromagnetica-em-livros/. Acesso em: 26 set. 2023. Fonte: https://metalpox.com.br/produto/ativador-desativador-para-fitas-em/. Acesso em: 26 set. 2023. Para desativar as fitas sem acionar o equipamento, é necessário passar o acervo em um desativador de sensor. 6 LAYOUTS O estudo do layout é uma das partes fundamentais do planejamento de organizações. Silva e Rentes (2012) definem o layout ou arranjo físico do setor de produção de uma organização como a localização e a distribuição espacial dos recursos produtivos, como máquinas, equipamentos, pessoas, instalações, no chão de fábrica. Esta distribuição impacta diretamente o desempenho da unidade. Davok, Pereira e Ordovás (2011) completam essa afirmação ao lembrarem que um bom layout facilita e aperfeiçoa os fluxos existentes nesses espaços, racionalizando o aproveitamento dos recursos materiais disponíveis. Para definir um layout de qualquer espaço, deve-se desenvolver um estudo preliminar para identificar as necessidades, deficiências, pontos fracos e fortes, verificando documentos e levantando informações in loco, que possibilitem a elaboração de um diagnóstico da situação objeto do estudo de layout. Dias (2010) descreve 98 layout como uma proposição global inseparável em seus diversos elementos, já que a melhoria das condições de operação, em determinado setor, pode ser completamente neutralizada se outro setor dependente não é beneficiado por esta ação. Silva e Rentes (2012 apud OLIVEIRA; HORTA, 2016, p. 3) estabelecem um modelo de projeto de layout dividido em três macroetapas: 1. Levantamento da situação atual: levantamento dos produtos oferecidos, definição dos produtos de maior representatividade, identificação das semelhanças entre os produtos, semelhanças entre processos, frequência e volume da demanda, tempo de ciclo do produto, construir o mapa da situação atual, quantificação as distâncias físicas percorridas e realização da análise crítica da situação atual; 2. Projeto da situação futura (novo layout): fazer o mapa do fluxo de valor da situação futura, identificar no mapa do fluxo de valor os ciclos de implantação e selecionar um para iniciar o projeto do layout, dimensionar o espaço físico necessário, utilizar conceito de célula de produção e projetar módulo em ciclos indicando os recursos restritivos internos, fixar o módulo de layout projetado em blocos, verificar se o módulo projetado é satisfatório, fazer análise da alternativa indicando as vantagens e desvantagens, verificar se a alternativa de layout é satisfatória; 3. Implantação e acompanhamento: planejamento da mudança de ambiente, definição das ações, definição da equipe de mudança, acompanhamento para estabilização das mudanças, definição das medidas de desempenho. Costa (2007) reforça que, antes de começar a organizar o mobiliário e os equipamentos, é importante que seja traçado um plano a respeito do espaço disponível. Isso ajudará na definição do layout mais adequado, bem como a verificação da localização dos interruptores de forma que computadores, impressoras e outros equipamentos sejam colocados próximos a eles. Costa (2007) também orienta a observação dos espaços para usuários e funcionários, a fim de que o seu arranjo possa acomodar a todos, obedecendo às medidas individuais padronizadas. A seguir, apresentamos alguns exemplosde layouts para uma biblioteca/ unidade informacional de 60 m2. Nos três layouts, o critério adotado para a distribuição da área de armazenamento (acervo) e da área de atividade (dividida entre espaço dos leitores e dos bibliotecários) foi, prioritariamente, o de manter o acervo unido (facilitando o controle da iluminação) e distante das janelas (evitando a incidência de luz natural); manter o atendimento mais distante possível da área de leitura (evitando que o barulho interfira nesta área) e, finalmente, manter a área de leitura mais próxima das janelas para aproveitar mais a luz natural. 99 Figura 28 – Exemplo de layout Figura 29 – Exemplo de layout 2 Fonte: Costa (2007, p. 15). Fonte: Costa (2007, p. 15). 100 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu: • O espaço de uma biblioteca deve ser planejado levando-se em conta diversas áreas, como: a área de armazenamento, a área de atividade e a área de circulação. Que nesses três espaços estão incluídos outros, como: recepção, espaços de leitura, áreas de estudo, banheiros, áreas de processamento técnico, acervo de livros e outros tipos de acervo além dos espaços multimídia. • A biblioteca deve contar com pelo menos uns 60 m² e que, em cinco anos, esta área possivelmente aumente em 30%, sendo necessário planejar esse crescimento. Para se calcular a área necessária em uma biblioteca, pode se considerar 2 m² por usuário e 15 m² por empregado. Sendo que um usuário adulto, sentado em uma mesa de aproximadamente 76 cm de largura, deve ocupar um espaço total de 2 a 3 m², enquanto um empregado deve ocupar de 10 a 12 m². Essas medidas variam em função do tamanho da mesa e do maior ou menor conforto que o espaço pode proporcionar. • Para as estantes de livros e de periódicos, o espaço poderá ser de 10 m² para cada 1.000 volumes e, se for uma estante expositora, o cálculo é de 3 m². Com relação ao espaço para leitura, calcula-se 1,5 lugares para cada 1.000 hab. • Existem uma série de características essenciais no planejamento do espaço físico de uma biblioteca, como ser flexível, compacto, diversificado, acessível, espaço organizado, agradável, econômico e com preocupação com a preservação. • O acervo de uma biblioteca é sensível a mudanças excessivas de temperatura e de umidade acentuada. Essas mudanças podem ocasionar o surgimento de fungos e bactérias nos diversos tipos de suportes. • O local deve possuir também boas condições de temperatura, iluminação etc., que o tornem agradável e saudável. A temperatura da biblioteca deve ser mantida entre 19 ºC e 23 ºC. Na impossibilidade de manter o ar-condicionado permanentemente ligado e controlado, a recomendação é manter o ambiente arejado naturalmente. • A iluminação é outro aspecto fundamental numa biblioteca/unidade informacional, de um lado, pelo conforto que deve proporcionar aos servidores e aos usuários e, de outro, pela interferência no acervo. Em geral, as fontes utilizadas na iluminação interna são a luz natural e as lâmpadas fluorescentes. A luz natural quando incide sobre o acervo é prejudicial porque apresenta um nível elevado de radiação ultravioleta (UV). 101 • Os pisos ideais para bibliotecas são os resistentes e de fácil conservação e silencio- sos, devendo-se evitar madeira e carpetes. Pisos e paredes não devem exalar ne- nhum poluente nocivo, serem impermeáveis e resistente à água, e à prova de fogo. Os pisos mais ideais são os frios, como concreto tratado, o mármore, a cerâmica e a pedra, desde que corretamente instalados, sem desníveis, evitando-se acidentes. • Deve-se prestar atenção nas possibilidades na utilização de cores nos espaços de biblioteca, em especial nas escolares. • Quando pensamos no planejamento e organização de uma biblioteca, temos que analisar quais mobiliários e equipamentos serão necessários para a racionalização do seu espaço e acervo, na rápida e eficaz transmissão da informação ao usuário, bem como no oferecimento de móveis adequados e ergonômicos para a melhor qualidade da permanência destes nos diferentes espaços das unidades de informação. • Entre os critérios para a escolha do mobiliário estão a qualidade, a durabilidade, a manutenção, a funcionalidade, a ergonomia, a flexibilidade e a modularidade. • Com relação às estantes, seus materiais devem ser preferencialmente de aço ou de alumínio anodizado porque não são abrasivos, resistem à umidade e não são de fácil combustão. • Entre estantes paralelas, deve haver um corredor de acesso com espaço intermediário mínimo para a circulação e a movimentação junto às prateleiras. É sugerido que esse espaço tenha entre 1 m e 1.20 cm. Para determinar as dimensões para as estantes, devemos considerar os fatores materiais, devemos observar que a altura e a profundidade das prateleiras dependem da dimensão dos materiais a serem guardados. • As estantes compactas ou deslizantes têm grande capacidade de armazenamento em um espaço bem menor, proporcionando um aumento em 90% em relação às outras estantes. Não são indicadas para unidades que permitem o livre acesso ao documento. • Os arquivos em unidades de informação são muito utilizados para hemerotecas físicas, quando houver, bem como para dar suporte administrativo às bibliotecas, armazenando documentos diversos na secretaria e na direção. • O acondicionamento de documentos de grandes formatos, como mapas, plantas e cartazes serão necessários móveis especiais para o acondicionamento horizontal. As gavetas das mapotecas não devem ter muita altura para evitar o acúmulo de documentos, o que acarretaria problemas de conservação. 102 • O carrinho para transporte de livros é ideal para otimizar o recolhimento e distribuição de livros, evitando que o funcionário se desloque diversas vezes para a mesma estante. Pode ser útil também como suporte auxiliar durante os procedimentos de limpeza e manutenção dos livros e estantes. O uso do carrinho propicia maior conforto ao funcionário, dispensando que ele carregue os livros até a estante. • De tamanho e altura variáveis, os balcões de empréstimo devem ter espaço para devoluções de material, empréstimo e renovações, computadores, impressoras e material básico de escritório. • É de grande importância uma boa sinalização na biblioteca, pois não só traz facilidades de interação com o usuário como também demonstra uma boa organização administrativa da biblioteca. • No planejamento das bibliotecas, é preciso ter preocupação com a segurança tanto dos acervos quanto dos usuários e funcionários, existindo vários equipamentos de segurança disponíveis no mercado. • Um bom layout facilita e aperfeiçoa os fluxos existentes nesses espaços, racionalizando o aproveitamento dos recursos materiais disponíveis. 103 AUTOATIVIDADE 1 A biblioteca é um organismo em crescimento e que deve ser sempre avaliada e constar no planejamento estratégico da mantenedora. O espaço da biblioteca deve ser planejado levando-se em conta três áreas básicas. Sobre essas áreas, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Área de armazenamento, área de circulação e área de lazer. b) ( ) Área de atividade, área de armazenamento e área de recreação. c) ( ) Área de armazenamento, área de circulação e área de atividade. d) ( ) Área de atividade, área de armazenamento e área de lazer. 2 Ao planejar uma biblioteca, é necessário calcular o espaço ideal para comportar os diversos setores de uma unidade de informação. Sobre as áreas da biblioteca e o cálculo da área, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Podemos considerar 2 m² por usuário e 15 m² por empregado. ( ) A área de armazenamento, onde fica o local do acervo. ( ) Área de circulação e a área de atividades é o espaço onde ficam usuários e bibliotecários. ( ) Para as estantes de livros e de periódicos, o espaço poderá ser de 10 m² para cada 1.000 volumes e se for uma estante expositora, o cálculo é de 5 m². Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a)( ) V – V – V – F. b) ( ) V – F – V – F. c) ( ) F – F – F – V. d) ( ) F – V – F – V. 3 A sinalização na biblioteca traz facilidades de interação com o usuário, além de demonstrar uma organização administrativa adequada da biblioteca. Existem quatro tipos de sinalizações a serem feitas nas bibliotecas. Sobre os tipos de sinalizações, associe os itens, utilizando o código a seguir: I- Sinalização externa. II- Sinalização interna. III- Sinalização de uso do espaço. IV- Sinalização temática das estantes. 104 ( ) De recepção: deve estar próxima à entrada e orientar os alunos dentro da biblioteca. Pode conter todas as informações dos serviços oferecidos pela biblioteca, como: empréstimo de livros, reforço escolar, hora do conto, horário de funcionamento, normas de uso, documentos necessários para inscrição ou cadastro etc. ( ) Facilita o acesso à biblioteca e assinala a importância concedida a ela no conjunto das instalações. ( ) Cada estante deve ter, em local de fácil visualização, a relação dos assuntos pelos quais foram distribuídos os livros mais procurados, por exemplo: literatura brasileira, literatura infantil, obras de referência etc. ( ) Deve sinalizar os espaços de atividades de biblioteca, como estudo individual, estudo de grupo, mural interativo, mural de informações, atendimento, catálogos etc. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) II – I – IV – III. b) ( ) I – IV – III – II. c) ( ) II – III – I – IV. d) ( ) IV – II – I – III. 4 Quando pensamos o planejamento de uma biblioteca quanto aos seus mobiliários, que critérios devemos adotar? 5 Como determinar as dimensões para as estantes em uma biblioteca? 105 ASPECTOS GERAIS SOBRE GESTÃO E A EQUIPE DA BIBLIOTECA 1 INTRODUÇÃO As organizações vêm se desenvolvendo em ritmo acelerado, por isso é preciso estar sempre atento às novas formas de gestão, principalmente quando falamos de gestão de pessoas. Os conceitos cada vez mais presentes e as ações de competitividade e inovação requerem das organizações, e não diferente das bibliotecas, um melhor aproveitamento dos recursos em busca da qualidade e sustentabilidade, financeira e ambiental, sempre com foco no usuário. Podemos afirmar que parte do sucesso de uma unidade de informação, como uma biblioteca, está na diretamente ligada a sua equipe de funcionários, cabendo ao bibliotecário gestor a sua coordenação, proporcionar um ambiente de trabalho agradável. Para que o êxito organizacional aconteça, é necessário que todos os envolvidos conheçam o seu papel na instituição, bem como o dos colegas, para que as tarefas cotidianas ocorram harmonicamente, inclusive na esfera hierárquica. UNIDADE 2 TÓPICO 2 - Figura 30 – Superbibliotecário gestor Fonte: https://biblioo.cartacapital.com.br/ser-ou-nao-ser-bibliotecario/. Acesso em: 26 set. 2023. Alguns aspectos sobre a gestão de pessoas foram trabalhados no Livro Didático de Fundamentos e teoria organizacional, mas não teve um foco na biblioteconomia. Por isso, neste espaço, relembraremos alguns conteúdos, buscando avançar em nosso processo de ensino-aprendizagem. 106 2 CONCEITO DE GESTÃO DE PESSOAS O termo gestão aparece frequentemente no dicionário como sinônimo de gerência e administração, mas Valeriano (1998) apud Pinto e Gonzáles (2010) os diferencia afirmando que: • Administrar representam as atividades de planejar, decidir, agir e utilizar os recursos necessários para alcançar seus objetivos. • Enquanto a gestão se traduz por meio de atividades específicas delegadas pela gerência para serem desenvolvidas, tais como: gestão da qualidade, gestão da documentação, gestão ambiental etc. Complementando este raciocínio, Faria (1995, p. 36) aponta a gestão como “um conjunto de práticas gerenciais da empresa claramente orientado por uma visão do foco no negócio da organização, o qual determina sua missão, seus valores e sua filosofia”. De acordo com Marques Júnior e Albino (2011), a gestão de pessoas pode ser definida como a função gerencial que visa à cooperação das pessoas que atuam nas organizações para o alcance dos objetivos tanto organizacionais quanto individuais, tendo como essência, o compartilhamento das responsabilidades e soluções, investindo de diversas formas no aprimoramento profissional de seus funcionários. Já Dressler (2003, p. 6) diferencia o conceito de gestão de pessoas do conceito de Administração de Recursos Humanos (ARH) desta forma: • Gestão de pessoas – refere-se às práticas e às políticas necessárias para conduzir os aspectos relacionados às pessoas no trabalho de gerenciamento. • Gestão do RH – aborda as ações de contratações, ao treinamento, à avaliação, à remuneração. Podemos concluir que o gerenciamento de pessoas compreende a ação conjunta do setor denominado de Recursos Humanos (RH) e dos gestores responsáveis por cada setor da instituição como os bibliotecários gestores, ou seja, o RH cuida da permanência dos funcionários na instituição e de seus direitos e deveres, ao bibliotecário gestor cabe à vivência cotidiana liderando e coordenando a sua equipe para o melhor desempenho dos produtos e serviços ofertados. Gerir pessoas “é a preocupação de muitas organizações para que seus objeti- vos sejam atingidos, de preferência com a participação de um grupo eficaz e motivado” (PESTANA et al., 2003, p. 78), que trabalhem juntos para alcançarem os objetivos esti- pulados no planejamento, com visão para a missão da biblioteca. Não adianta ter uma grande estrutura se os funcionários não atuarem como agentes de transformação diária na busca pela qualidade em prol da instituição e, acima de tudo, de sua comunidade de usuários. 107 Marques Júnior e Albino (2011), ao falarem sobre a relação pessoas e instituição em que atuam, apontam os dois principais tipos de capitais nas organizações: Figura 31 – Principais tipos de capitais nas organizações Fonte: a autora. O capital humano é composto pelo conhecimento, experiências, poder de inovação, habilidades dos empregados, cultura e filosofia da empresa, além da capacidade dos funcionários em combinar conhecimentos e habilidades para inovar suas funções. É importante para a empresa, mas não é de sua propriedade. Já o capital estrutural é propriedade da empresa e compreende os equipamentos de informática, softwares, bancos de dados, patentes, marcas registradas e o restante da capacidade organizacional que apoia a produtividade dos empregados e o relacionamento com os clientes (MARQUES JÚNIOR; ALBINO, 2011). O capital humano ou as pessoas constituem elementos essenciais para as organizações, sendo da competência dos seus gestores a criação e manutenção de condições ideais nos seus respectivos ambientes de trabalho. Para Silveira (2009), esse aspecto humano tem influência direta no sucesso da organização, que é baseado em trabalho individual, na condição do gestor e no trabalho e esforço coletivo de todo o capital humano constituinte das organizações. Pinto e Gonzáles (2010) destacam que o sucesso ou fracasso de uma instituição também depende, entre outros fatores, da sensibilidade e habilidades das pessoas que ocupam cargos de comando em reconhecer e incentivar o desenvolvimento de sua equipe no conjunto de conhecimentos, habilidades e competências necessárias para que sejam atingidos os objetivos traçados pela instituição. Para Cavalcante (2000), as organizações que buscam competitividade e inovação devem direcionar seus investimentos em seu capital, garantindo: 108 Figura 32 – Investimentos em capital humano Fonte: adaptada de Cavalcante (2000). À capacitação e a atualização profi ssional À descoberta de talentos e de ideias e à satisfação • adicionadas à educação formal e conti- nuada, à formação de gestores. • de necessidades garantindo assim a "re- tenção" dos membros de sua equipe. Esses investimentos proporcionaram saldos positivos em relação às demais organizações do mesmo porte. A retençãodos membros da equipe passa pela principal atividade destinada ao bibliotecário gestor, que é a motivação profi ssional de cada funcionário. Um funcionário motivado tende a se dedicar mais ao trabalho, sentindo- se mais valorizado. IMPORTANTE Conforme Pestana et al. (2003, p. 78), a busca constante por processo de gestão de pessoas “faz parte da organização que visa cada vez mais a satisfação de seus funcionários para motivados, executem suas tarefas com efi ciência e efi cácia”. Nessa direção, Chiavenato (2009) também destaca que o motivo é tudo aquilo que impulsiona a pessoa a agir de determinada forma ou, pelo menos, que dá origem a um comportamento específi co. Esse impulso à ação pode ser provocado por um estímulo externo (provindo do ambiente) e pode também ser gerado internamento por processos mentais do indivíduo. 3 BIBLIOTECÁRIO GESTOR E A GERÊNCIA DE EQUIPE As equipes de profi ssionais que compõem uma unidade de informação de- pendem muito do tipo e especifi cidades que possuem. Em geral, sempre temos a pre- sença de um profi ssional de biblioteconomia que faz a gestão da unidade de informa- ção. Em algumas instituições, ele coordena equipes grandes de vários bibliotecários, auxiliares, estagiários, entre outros. Em algumas, ele é o único profi ssional da área e tem sob sua gestão auxiliares. Em todas as experiências, é fundamental o desenvol- vimento de competências em gestão, sendo a gestão de pessoas uma dessas com- petências necessárias. 109 Para Cavalcanti e Silva (2013), a função do bibliotecário gestor tem se apre- sentado como uma necessidade cada vez mais presente no âmbito das organizações, como também tem dado novos encaminhamentos para o desempenho de suas fun- ções, seja em decorrência do uso e acesso às TICs, sejam por conta do novo perfil dos usuários nas unidades de informação. Assim, nos perguntamos, quais habilidades e competências são necessárias ao profissional bibliotecário da atualidade para atuar na gestão de pessoas? Pestana et al. (2003) apresenta algumas possíveis respostas, por exemplo: • Gerir competências. • Gerir conhecimentos. • Selecionar perfis profissionais para cada setor de acordo com as habilidades de cada indivíduo. • Manter a motivação da equipe. • Manter o clima organizacional saudável entre a equipe. • Desenvolver uma cultura gerencial voltada para a excelência. • Equilibrar a qualidade de vida no trabalho. • Atrair, captar e reter talentos. Silveira (2009, p. 127), ainda no contexto da gestão de pessoas, afirma que o bibliotecário gestor reforça a capacidade de motivação com sua equipe, buscando assegurar um ambiente harmônico entre todos. Ao avaliar as competências e habilidades dos funcionários, o bibliotecário gestor visa posicionar cada um nos postos de trabalho em que melhor possam contribuir para a biblioteca, cabendo o estabelecimento de relações positivas com sua equipe de trabalho, favorecendo e estimulando o alcance de objetivos comuns entre pessoas e organização, incluindo a construção de uma boa relação entre gestor e funcionários. Pestana et al. (2003) também relaciona as principais capacidades requeridas dos gestores de equipes, como: • Compartilhamento da visão, objetivos, metas, estruturas e tecnologias presentes na instituição. • Monitoramento do ambiente externo. • Habilidade de conciliação entre os membros da equipe. • Visualização das possibilidades de sucesso. • Capacidade de ouvir e ser ouvido. • Ter iniciativa, comprometimento, atitude sinérgica e ousadia. • Construir formas de autoaprendizado. • Viabilizar a comunicação entre a equipe. • Pensar global, agir local. • Reconhecer o trabalho das pessoas. • Ser ético. 110 Para Longo e Vergueiro (2003), a motivação é o principal meio que o bibliotecário gestor possui para garantir uma equipe bem entrosada com a instituição. Considerando que, quando todos os indivíduos têm clareza das metas e objetivos da organização que trabalham e conseguem perceber como sua atividade específica agrega valor e contribui para que essas metas e objetivos sejam atingidos. Os autores supracitados listam uma série de valores e poderes que quando designados aos funcionários geram motivação para o trabalho e auxiliam no entrosamento com a instituição, que resumimos e ilustramos a seguir: Responsabilidade – definição clara das responsabilidades inerentes a sua função e relação dessas responsabilidades às metas e objetivos da organização. Sendo importante que cada funcionário saiba as suas funções e as tenha bem definidas no organograma da unidade, para que possa se concentrar a elas e não fiquem perdendo tempo observando as atividades de seus colegas. Figura 33 – Responsabilidade Figura 34 – Autoridade Fonte: https://www.conhecajatai.com.br/noticias/a-responsabilidade-nossa-de-cada-dia/. Acesso em: 26 set. 2023. Fonte: https://www.google.com/search?q=Autoridade&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjOir- GZotvjAhXaD7kGHYpQCmcQ_AUIESgB&biw=1366&bih=625#imgdii=Y6QZuVxmoJyH5M:&imgrc=JL64K4_ vTZNf6M. Acesso em: 26 set. 2023. Autoridade – delegação de autoridade em proporção equivalente à respon- sabilidade de sua função, gerando, com isso, orgulho pelo trabalho e melhoria de sua autoestima. Nenhum gestor conseguirá e deverá (tentar) controlar tudo, deve desenvol- ver a confiança em sua equipe os delegando autoridade sobre determinadas tarefas e confiando que serão bem realizadas, sem necessariamente deixar de fiscalizá-las. 111 Figura 35 – Padrões de excelência Figura 36 – Treinamento e desenvolvimento Fonte: https://www.acicampinas.com.br/blogs:a-excelencia-em-primeiro-lugar. Acesso em: 26 set. 2023. Fonte: https://www.google.com/search?q=Treinamento+e+desenvolvimento&source=lnms&tbm=isch&- sa=X&ved=0ahUKEwixyaa3pdvjAhXdGLkGHV4xBo8Q_AUIESgB&biw=1366&bih=625#imgrc=l-fMcS- mS_g2NCM. Acesso em: 26 set. 2023. Padrões de excelência – estabelecimento de padrões realistas de qualidade, quantidade, custo e tempo para cada função, permitindo que o funcionário atinja seu potencial pleno. Não adianta exigir aquilo que se sabe de antemão que o funcionário não conseguirá atingir, essa atividade poderá deixá-lo triste, frustrado e envergonhado perante os colegas por não conseguir realizar o solicitando, ficando de mau humor e ‘jogando contra’ a sua própria instituição. É preciso conhecer a realidade de cada membro da equipe, delegando responsabilidades de acordo com cada perfil, cuidando, claro, para não subestimar as potencialidades de cada pessoa. Treinamento e desenvolvimento – adoção do treinamento como um proces- so contínuo e prioritário, integrando as necessidades da equipe e capaz de proporcionar a confiança necessária para que atinja os padrões de excelência almejados. A qualifica- ção é fundamental para a equipe, tanto em decorrência de novos produtos e serviços a serem oferecidos, gerando novos padrões adotados ou remodelando os padrões exis- tentes. É importante evitar mudar a rotina da biblioteca de forma brusca. É preciso que haja diálogo, apresentando e discutindo as novidades a serem implantadas e que haja treinamento adequado para que sejam plenamente colocadas em prática na instituição. 112 Conhecimento e informação – incentivo à busca de novas informações e fornecimento de todas as informações necessárias para a tomada de decisões adequadas e sensatas, não se omitindo informações por preocupação com eventual perda de poder. É necessário que o bibliotecário gestor tenha em mente que nada é para sempre, nem mesmo o seu cargo e que se um dia é o ‘chefe’, no outro, pode ser o ‘subordinado’. Esse quesito está relacionado ao de autoridade, fornecendo elementos para que todos os funcionários, dentro de suas funções, possam agir sozinhos de forma autônoma em determinadas situações. É preciso repassar as informações sobre o funcionamento da unidade, bem como o seu conhecimento pessoal para os demais membros ou, pelo menos, aqueles conhecimentos possíveis de serem transmitidos e não gerarãoproblemas ao gestor devido a sua confidencialidade, não esquecendo das questões éticas para com a instituição e as pessoas. Figura 37 – Conhecimento e informação Fonte: http://m.divulgaescritor.com/products/informacao-conhecimento-e-espiritualidade-por-mauricio-du- arte/. Acesso em: 26 set. 2023. Feedback – orientação frequente às pessoas quanto ao seu desempenho e avaliação tanto de desempenho negativo quanto do positivo. Dialogar com a equipe, tanto coletiva quanto individualmente é muito importante, mostrando os erros e acer- tos, assim como os pontos que precisam ser revistos, melhorados ou exercitados. Esco- lher o momento adequado para dar o feedback é essencial, evitando que o funcionário fique constrangido perante a equipe, caso seja negativo. O feedback se relacionando com o quesito de padrões de excelência, conhecendo as competências e habilidades de cada membro. 113 Figura 38 – Feedback Figura 39 – Reconhecimento Fonte: https://www.google.com/search?q=Feedback&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwi- dh8vsp9vjAhW4ILkGHRAfBX8Q_AUIESgB&biw=1366&bih=625#imgrc=rKkzLl5tCKTITM. Acesso em: 26 set. 2023. Fonte: https://www.google.com/search?q=Reconhecimento&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKE- wjjzL6oqNvjAhWJIbkGHeXLAy8Q_AUIESgB&biw=1366&bih=625#imgrc=2qrpVYpI0N1oaM. Acesso em: 26 set. 2023. Reconhecimento – das pessoas como indivíduos e membros do grupo, atra- vés de elogios, avaliação de desempenho e maior autoridade (e autonomia), fazendo com que se sintam vencedores, aumentando a autoestima e incentivando a darem o melhor de si. Reconhecimento dos pontos positivos e das atividades bem realizadas pela equipe ou individualmente, mas também reconhecimento de que, como seres humanos, são passíveis de errarem e que tudo é um aprendizado, inclusive para o próprio gestor. 114 Confiança – construção do alicerce para uma relação de confiança, acreditando que as pessoas são basicamente bem-intencionadas. Demonstração de confiança a partir da delegação de tarefas importantes e autoridade, bem como garantindo que os funcionários interajam com superiores hierárquicos. Demonstrar confiança em todos da equipe faz com que seus membros se sintam motivados a desempenharem da melhor maneira possível o que foi solicitado, representado na crença de que são capazes de realizar determinada tarefa, mesmo que o monitoramento e controle sejam essenciais para o crescimento da instituição e segurança para o gestor de que tudo esteja ocorrendo conforme o previsto. Figura 40 – Confiança Figura 41 – Permissão para errar Fonte: https://viacarreira.com/o-que-e-cargo-de-confianca/. Acesso em: 26 set. 2023. Fonte: https://comunidadedoestagio.com/blog/primeiras-vezes-e-o-medo-de-errar. Acesso em: 26 set. 2023. Permissão para errar – conscientização de que ocorrência de um eventual fracasso deve ser visto como uma experiência positiva, ou seja, uma oportunidade de aprendizagem, oferecimento de diretrizes para minimizar os erros. Incentivo e recompensa ao risco e penalização à inatividade e à indecisão. Diante do exposto, é que o quesito feedback se torna tão importante, pois além de representar confiança no funcionário, o instruindo a realizar a tarefa fracassada com êxito na próxima tentativa. 115 Figura 42 – Respeito Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=nTerL3TFXuE. Acesso em: 26 set. 2023. Respeito – garantia de orientação, com oferecimento dos recursos necessários e transmissão das informações nas horas certas. Respeito ao tempo de cada funcionário, não usurpando da autoridade e procurando formas de facilitar o trabalho. Sintonia com as necessidades de cada um, ouvindo-os e dando a eles o retorno adequado. Respeito à privacidade. Direito de expressar os sentimentos. Reconhecimento das dificuldades e respeito às obrigações pessoais. A gestão de pessoas e o bibliotecário gestor devem propiciar para que se forme uma rede colaborativa em prol da instituição, uma vez que “não existem organizações sem pessoas” (CHIAVENATO, 2009, p. 107). Para fechar este tema de aprendizagem, trazemos o pensamento de Chiavenato (2009, p. 107): “não existem organizações sem pessoas”, por isso reforçamos que bibliotecário gestor deve buscar na gestão de pessoas constituir uma rede colaborativa que fortaleça a unidade de informação e que melhor possa atender aos seus usuários. De acordo com Pinto e Gonzáles (2010), o profissional bibliotecário está habilitado a auxiliar na estrutura institucional no que diz respeito ao planejamento administrativo e físico das bibliotecas. Sua formação acadêmica o capacita para calcular espaço com a quantidade adequada de material para o ambiente; organizar o acervo; normalizar documentos em geral; participar do desenvolvimento de bases de dados; associar- se ao trabalho de gestor da informação e do conhecimento; e desempenhar serviços técnicos e administrativos nas unidades de informação. Para Pinto e Gonzáles (2010), a responsabilidade de administrar a própria biblioteca exige do bibliotecário responsável pela unidade conhecimentos que o possibilitem exercer o papel de comando e coordenação das atividades desenvolvidas. Em todas as atividades exercidas em seu trabalho, o bibliotecário tem a responsabilidade de desenvolver ações orientadas por uma filosofia de relação com pessoas, porém é no comando e coordenação dos funcionários, quando for o administrador da unidade de informação, que ressalta seu papel como gestor de pessoas. 116 Pinto e Gonzáles (2010) ainda reforçam que na administração das organizações em geral, a essência da gestão de pessoas reside no compartilhamento das responsabilidades e soluções, investindo de diversas formas no aprimoramento profissional de seus funcionários. Para os autores supracitados, é de suma importância que, nas unidades de informação, o gestor tenha habilidade de colocar em prática os seguintes procedimentos deste processo: Figura 43 – Processo gestão de pessoas Fonte: adaptada de Pinto e Gonzáles (2010). Agregar pessoas – criar ambiente propício para a formação de uma equipe dinâmica, tendo como foco a valorização desse capital intelectual (STEWART, 1998), por meio de investimentos em treinamento, competência e futuro do funcionário. Também pode ser descrito como competência do funcionário, capacidade de relacio- namento e valores. Aplicar pessoas – definindo cargos na unidade de informação com a cooperação contínua das outras áreas afins na organização, estando sempre envolvido em reuniões semanais ou mensais para análise de desempenho da equipe, gerando sistemas de alavancagem dos pontos fortes inovadores evidenciados na execução das atividades, viabilizando a consolidação ou criação de valores. Desenvolver pessoas – proporcionar para a organização empregados bem treinados e motivados; trabalhar o ambiente interno da unidade de informação, com uma administração horizontal; e disponibilizar todo o conteúdo informacional possível à sociedade. 4 EQUIPE DA BIBLIOTECA Além de bibliotecários, há outros profissionais que atuam na biblioteca. A equipe da biblioteca é multidisciplinar. Nesse subtema, vamos conhecer esses profissionais. 117 Figura 44 – Bibliotecária Fonte: https://www.infoescola.com/profissoes/bibliotecario/. Acesso em: 26 set. 2023. 4.1 O PROFISSIONAL DE BIBLIOTECONOMIA De acordo com a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), o profissional bibliotecário pertence à família dos “profissionais da informação”, tendo o “Documentalista” e o “Analista de Informações” como ocupações assemelhadas (BRASIL, 2002). O profissional da informação enquadra-se nas seguintes condições para o exercício de suas atividades: Trabalham em bibliotecas e centros de documentação e informação na administração pública e nas mais variadas atividades do comércio, indústria e serviços, com predominância nas áreas de educação e pesquisa. Trabalham como assalariados, com carteira assinada ou como autônomos, de forma individual ou em equipepor projetos, com supervisão ocasional, em ambientes fechados e com rodízio de turnos. Podem executar suas funções tanto de forma presencial como a distância. Eventualmente, trabalham em posições desconfortáveis durante longos períodos e sob pressão, levando à situação de estresse. As condições de trabalho são heterogêneas, variando desde locais com pequeno acervo e sem recursos informacionais a locais que trabalham com tecnologia de ponta (BRASIL, 2002 apud FIGUEIREDO; SOUZA, 2007, p. 10). A biblioteca é a principal área de atuação do profissional de biblioteconomia, que tem formação de nível superior obtida em cursos de biblioteconomia e que está a serviço das comunidades, participando desde planejamento até a implantação e dinamização de bibliotecas. Para Antunes, Cavalcante e Antunes (2000 p. 35), “é o bibliotecário que, conhecendo o local onde está situada a biblioteca, procura fazer com que as pessoas a aceitem, a frequentem e a assumam”. 118 De forma ideal, todas as bibliotecas brasileiras deveriam ter um profi ssional de biblioteconomia em seu quadro de funcionários. Isso está longe da realidade brasileira, principalmente quando tratamos de bibliotecas escolares, que cultura e politicamente costumam ser ocupadas por professores readaptados. Os Conselhos Federal e Estaduais e diversas associações de bibliotecários vêm lutando por políticas públicas que garantam a existência de bibliotecas escolares e de garantir que esse espaço seja ocupado por profi ssionais de biblioteconomia. Aqui, destacamos a Lei nº 12.244/2010, que transcrevemos na integra. Lei nº 12.244 de 24 de maio de 2010. Dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do País. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º As instituições de ensino públicas e privadas de todos os sistemas de ensino do País contarão com bibliotecas, nos termos desta Lei. Art. 2º Para os fi ns desta Lei, considera-se biblioteca escolar a coleção de livros, materiais videográfi cos e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura. Parágrafo único. Será obrigatório um acervo de livros na biblioteca de, no mínimo, um título para cada aluno matriculado, cabendo ao respectivo sistema de ensino determinar a ampliação deste acervo conforme sua realidade, bem como divulgar orientações de guarda, preservação, organização e funcionamento das bibliotecas escolares. Art. 3º Os sistemas de ensino do País deverão desenvolver esforços progressivos para que a universalização das bibliotecas escolares, nos termos previstos nesta Lei, seja efetivada num prazo máximo de dez anos, respeitada a profi ssão de Bibliotecário, disciplinada pelas Leis nos 4.084, de 30 de junho de 1962, e 9.674, de 25 de junho de 1998. Art. 4º. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação [grifo nosso]. Brasília, 24 de maio de 2010; 189º da Independência e 122º da República. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Fernando Haddad Carlos Lupi Fonte: adaptado de https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12244.htm. Acesso em: 26 set. 2023. IMPORTANTE Após a aprovação da Lei nº 12.244/2010, surgiram vários cursos em EAD que também vêm com o objetivo de ampliar o número de profi ssionais para ocuparem os cargos de biblioteconomia. A EAD também possibilitou a formação de profi ssionais, principalmente em regiões distantes. As bibliotecas que não têm bibliotecário em sua gestão podem ser denunciadas e autuadas pelo Conselho Regional de Biblioteconomia, cada estado tem um. 119 4.1.1 A equipe de bibliotecários Em geral, os profissionais da biblioteconomia, já ao longo de sua formação acadêmica, identificam-se com áreas específicas de atuação, como processamento técnico, gestão de unidades, agente cultural, como bibliotecário de referência, entre outros. Alguns adquirem essa preferência também nos estágios e ou profissional, ou seja, ao longo do processo de experiências, consegue definir onde melhor pode atuar na biblioteconomia. Claro que, em bibliotecas de pequeno porte que, muitas vezes, possuem apenas um bibliotecário, este acaba por assumir todas as funções destacadas anteriormente, porém, em bibliotecas de grande porte, como as universitárias, que em grande parte possuem mais de 10 bibliotecários em sua equipe, é possível dividir as diversas funções devido ao perfil dos profissionais. Figura 45 – Facetas do profissional de biblioteconomia Fonte: a autora. Algumas bibliotecas organizam seus profissionais pelo seu perfil de atuação. Outras fazem rodízio, ou seja, todos os bibliotecários, de tempos em tempos, mudam sua função na unidade. Esse movimento tem vantagens e desvantagens. Entre as vantagens está o conhecimento do profissional do processo como um todo, sua experiência e maior possibilidade de adaptação, caso seja necessário mudar de 120 função. A desvantagem é a dificuldade de “especialização do serviço” e as possibilidades de insatisfação do profissional ao atuar em uma área que não é sua preferência. Como já abordamos as características do bibliotecário gestor no Tema de Aprendizagem 1, aqui, trabalharemos apenas as outras três facetas da equipe de bibliotecários. 4.1.2 O bibliotecário da área do processamento técnico O profissional que atua nesta área é responsável pelos processos de catalogação e indexação e dos que compreendem o uso de instrumentos da área de biblioteconomia, como Classificação Decimal de Dewey (CDD); Código de Catalogação Anglo-Americano, 2. ed. – AACR2; Tabela Cutter-Sanborn; Tesauro – Cabeçalhos Controlados de Autoridade e de Assunto; bem como ferramentas de Tecnologias de Comunicação e Informação para automatização do acervo. As principais atividades desenvolvidas no setor de processamento técnico: seleção; aquisição (por compra e doação); avaliação do acervo; descarte; indexação; representação descritiva – catalogação e alimentação de base de dados. Relembramos rapidamente em que consistem os trabalhos do processamento técnico. Quadro 2 – Principais atividades desenvolvidas no setor de processamento técnico ATIVIDADE DETALHAMENTO Seleção Processo que envolve dois tipos de atuação – avaliação das coleções existentes e atualização de novas aquisições. Aquisição Segue a Política e Desenvolvimento de Coleções da instituição, a formação do acervo deve atender às necessidades informacionais, educativas e de lazer da comunidade. Descarte Consiste na retirada definitiva do acervo cujo material se encontra danificado, perdido, doado ou permutado. Caso a instituição seja Depositária Legal, a responsabilidade do descarte cabe não só pelo responsável pelo setor, mas pela comissão que pode incluir além dos bibliotecários, historiadores, professores e pesquisadores, pois existem muitas obras que pelo seu valor legal poderão ser destinadas ao setor de obras raras. Indexação A indexação visa descrever e identificar o documento pelo seu conteúdo. Esse processo se realiza a partir da abertura de sumários e índices que são inseridos na base da BPSC, facilitando a busca e recuperação da informação. 121 Fonte: adaptado de Pereira, Laurindo e Santiago (2011). Representação descritiva Consiste em descrever, detalhadamente, o item bibliográfico e fornecer uma descrição significativa do item ao usuário. Por descrição, entende-se que o item catalográfico deve: a) conter informações que permitam distinguir um determinado item dos outros; b) conter informações suficientes que permitam ao usuário selecionar o item ou itens bibliográficos que melhor respondam as suas necessidades naquele momento; c) deve ser suficientemente breve para permitir que a seleção seja tão rápida. Alimentação da base de dados Esse procedimento é realizado em um sistema (pergamum, sábio, Sofhia entre outros), cujo programa tem o objetivo de reunir, organizar e difundir o acervo da biblioteca. É um trabalho que exige muitofoco e aprofundamento nos sistemas técnicos e especializados da área de biblioteconomia. O processamento técnico é uma função específica do bibliotecário, mas este pode contar com apoio de auxiliares, principalmente na pré-catalogação. 4.1.3 O bibliotecário de referência O bibliotecário de referência é o profissional que mantém o contato mais próximo aos usuários na biblioteca. Então, quem tem a opção e perfil do profissional é de quem gosta de lidar com o público, ou seja, o atendimento e a proatividade em buscar resolver a necessidade informacional do usuário. Dessa forma, trabalhando em conjunto com o usuário, o bibliotecário de referência é desafiado a desenvolver novas formas de mediação para tornar a necessidade de informação satisfeita. A competência profissional do bibliotecário de referência vai desde o domínio das fontes de informações, sejam materiais ou virtuais, até as habilidades de comunicação com o usuário. A rotina do bibliotecário como mediador e facilitador do processo de recuperação da informação seguem algumas etapas que, segundo Grogan (2001), constituem o processo normal de referência, formando assim oito passos: 122 Figura 46 – Processo normal de referência Fonte: adaptada de Grogan (2001). Fonte: https://www.skoob.com.br/a-pratica-do-servico-de-referencia-17659ed19048.html. Acesso em: 26 set. 2023. Figura 47 – Prática de serviço de referência Descrevemos a seguir o processo de referência, segundo Grogan (2001), e indicamos a leitura do seu livro Prática de serviço de referência. Problema: o processo geralmente se inicia com um problema que atrai a atenção de um usuário potencial da biblioteca. Ninguém é imune a problemas e, assim, teoricamente, todo ser humano é um iniciador potencial do processo de referência. A fonte do problema pode ser externa ou interna. Um problema externo decorre do contexto social ou pelo menos situacional do indivíduo: um problema interno é de origem psicológica ou cognitiva, surgindo na mente da pessoa. Muitos problemas humanos, contudo, não são suscetíveis de encontrar sua solução por meio da informação: isso é o que provavelmente se dá no caso da maioria dos problemas que surgem no curso de nossa vida cotidiana. Uma grande proporção dos outros problemas que provavelmente seriam suscetíveis de solução, não é reconhecida como tal pelas pessoas a quem afligem (GROGAN, 2001, p. 35). 123 Necessidade de informação: os usuários prováveis que julgam que, para lidar com o problema que os diz respeito, precisam conhecer alguma coisa, avançar para a segunda etapa da caminhada rumo a uma solução. Nesse ponto, talvez sua necessida- de de informação seja vaga e imprecisa, ainda que não necessariamente. “No entanto, várias teorias interessantes, apoiadas em pesquisas no campo da psicologia do conhe- cimento surgiram na bibliografia de biblioteconomia e ciência da informação nos últi- mos anos, desde o trabalho clássico de Taylor na década de 1960” (GROGAN, 2001 p. 39). Questão inicial: avaliação das fontes disponíveis para verificar se estão de acordo com as expectativas de informação – corrente ou retrospectiva – apontadas pelo usuário ao indicar o problema e delimitar sua necessidade de informação. Uma das maneiras mais importantes pelas quais os seres humanos adquirem conhecimento é fazendo perguntas e, se o usuário potencial decide perguntar a alguém, torna-se necessário obviamente dar à pergunta uma forma intelectual mais nítida, descrevê-la com palavras e formulá-la como uma questão. Aqueles que desejarem procurar por si mesmos talvez precisem formalizar ainda mais o enunciado, decidindo-se quanto às palavras exatas sobre quais farão suas buscas. Até agora todo o processo disse respeito exclusivamente à pessoa que está às voltas como problema. A comunicação que ocorreu foi do tipo que os psicólogos chamam intrapessoal, envolvendo uma espécie de ensaio mental na antecipação do esperado encontro interpessoal, o momento em que a pessoa apresenta sua questão a outrem. Inúmeros estudos demonstraram que comparativamente poucas pessoas pensam na biblioteca quando precisam de informação e um número ainda menor recorre ao bibliotecário. Porém se alguém que busca informação realmente pedir ajuda ao bibliotecário, toda essa atividade torna- se o processo de referência, com os passos dados pelo usuário compreendendo a primeira fase, sendo a segunda uma empreitada conjunta com o bibliotecário (GROGAN, 2001 p. 43). Questão negociada: comparação da questão inicial, enunciada pelo usuário, com a maneira como as informações são organizadas na biblioteca, levando, às vezes, à redefinição, para permitir um cotejo mais adequado com a terminologia e a estrutura das fontes a serem consultadas. Embora os bibliotecários de referência não possam ingressar no processo de referências e não depois de receberem as questões apresentadas pelos consulentes, eles se interessam inexoravelmente tanto por suas fases quanto por todas suas etapas. O sucesso final depende de que cada um dos passos que constituem a primeira fase seja executado corretamente, e muitas vezes é necessário que os bibliotecários refaçam com os consulentes os primeiros passos que estes deram por sua própria conta. A questão inicial formulada pelo consulente pode às vezes exigir maiores esclarecimentos ou ajustes, para se ter certeza de que corresponde de forma mais precisa à necessidade de informação subjacente. A questão, em seguida, é comparada com a maneira como as informações são geralmente organizadas na biblioteca e, mais particularmente, nas fontes de informação específicas existentes em seu acervo ou em outros lugares. 124 Tal comparação revela com frequência que a questão exige uma certa redefinição ou reformulação de modo a permitir um cotejo mais adequado com a terminologia e a estrutura das fontes de informação a serem consultadas (GROGAN, 2001). Estratégia de busca: escolha e definição dos vários caminhos possíveis de pesquisa, que podem ser por categoria, fonte ou ponto de acesso mais promissor, conforme as expectativas de resultado delineadas pelo usuário na formulação da questão inicial. Antes de a questão, do modo como foi finalmente negociada, ser levada ao acervo de informações, impõem-se duas decisões técnicas: como o acervo de informações, seja ele local ou remoto, será consultado? E quais de suas partes serão consultadas e em que ordem? A primeira dessas decisões diz respeito em grande parte a uma análise minuciosa do tema da questão, identificando seus conceitos e suas relações, e, em seguida, traduzindo-os para um enunciado de busca apropriado na linguagem de acesso do acervo de informações. Neste ponto, frequentemente o consulente pode prestar uma grande ajuda ao bibliotecário. A segunda decisão implica escolher entre vários caminhos possíveis. O êxito dependerá do conhecimento íntimo das várias fontes de informação disponíveis para pesquisa, experiência em sua utilização e aquela intuição que todos os bibliotecários de referência reconhecem e que tem sido tão comentada, mas que ninguém consegue explicar. Trata-se geralmente de uma escolha que passa por três etapas: primeiro, seleciona-se a categoria da fonte, depois a fonte específica dentro dessa categoria e, finalmente, os pontos de acesso específicos dentro dessa fonte. Evidentemente, se isso não der resultado, faz-se outra escolha apropriada, que poderá ser a categoria, fonte ou ponto de acesso mais promissor que venha em seguida. Trata-se de decisões que se situam quase por completo na esfera de ação do bibliotecário – e, conforme já foi sugerido, às vezes são tomadas no nível do subconsciente –, porém tudo pode ser feito com frequência de modo mais eficaz com uma rápida busca preliminar para reconhecimento do terreno (GROGAN, 2001 p. 52). Processo de busca: busca flexível o suficiente para comportar mudanças de curso na pesquisa, independente da expectativa delineada na questão inicial,em face da redução, ampliação ou redefinição dessa questão no andamento da pesquisa. A realização da busca no acervo de informações geralmente compete ao bibliotecário, embora haja quem goste de ter o consulente à mão, pronto para oferecer uma reação imediata àquilo que a busca revela. As buscas mais eficazes são aquelas em que a estratégia de busca é suficientemente flexível para comportar uma mudança de curso, caso assim indique o andamento da busca. Um bibliotecário bem- preparado terá estratégias alternativas prontas, caso venham a ser necessárias: de novo, a presença do consulente facilita essas alterações de rumo. Os puristas alegariam que isso é tática e não estratégia, mas como as principais fontes de informação são deficientes em termos de estrutura lógica ou coerência interna, a maleabilidade passa a ser um atributo conveniente do bibliotecário de referência (GROGAN, 2001, p. 60). 125 Resposta: exame das possibilidades de uso da informação solicitada, de modo a garantir sua qualidade e possibilidades de uso, como resposta e solução, reduzindo ou inviabilizando erros na escolha da estratégia e no processo de busca. Na maioria dos casos, o bibliotecário criterioso e experiente encontrará uma ‘resposta’, porém isso não constitui absolutamente o fim do processo. O que o bibliotecário tem em mãos nessa etapa é simplesmente o resultado da busca. Se esta tiver sido executada de maneira correta, esse resultado coincidirá, em geral, com o enunciado de busca, modificado taticamente, porém será preciso ter certeza disso. Às vezes, a busca pode resultar infrutífera: isso também será uma ‘resposta’, mas raramente será agradável apresentá-la assim de forma nua e crua ao consulente (GROGAN, 2001 p. 65). Solução: uma ‘resposta’ é somente uma solução potencial em alguns casos, quando não há dúvida alguma na mente do bibliotecário quanto a sua adequação ao propósito do consulente, ela é suficiente em sua forma despojada. Frequentemente, porém, toma-se necessário um certo grau de elucidação ou explicação para que se tenha uma solução completa. Também é de boa prática o bibliotecário e o consulente avaliarem juntos o ‘produto’ da pesquisa, e que ambos o aprovem antes de chegar de comum acordo à conclusão de que o processo foi concluído (GROGAN, 2001, p. 65). Assista ao vídeo da bibliotecária Thalita Gama e entenda mais sobre o processo e serviço de referência. Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=dF0qsdLEAkU. DICA Figura – Processo e serviço de referência Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=dF0qsdLEAkU. Acesso em: 26 set. 2023. 126 4.2 O TÉCNICO EM BIBLIOTECONOMIA O técnico em biblioteconomia é um profi ssional capacitado e habilitado para atuar como assistente de biblioteca, podendo auxiliar no atendimento e no auxílio das chefi as, diretores e/ou gestores de bibliotecas, centros e/ou serviços de informação e documen- tação e outros, no âmbito das empresas e/ou instituições públicas e/ou privadas. Muitos auxiliares de biblioteconomia acabam gostando do espaço de atuação e procuram a formação em biblioteconomia. As funções dentro dos locais de trabalho têm bastante variação, mas em geral podem: • Contribuir no tratamento, recuperação e disseminação da informação em ambientes físicos ou virtuais. • Execução de atividades auxiliares especializadas e administrativas relacionadas à ro- tina de bibliotecas ou centros de documentação e informação, quer no atendimento ao usuário, quer na administração do acervo ou na manutenção de banco de dados. • Colaboração no controle e na conservação de documentos e equipamentos. Lei nº 13.601, de 9 de janeiro de 2018. Regulamenta o exercício da profi ssão de Técnico em Biblioteconomia. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º O exercício da profi ssão de Técnico em Biblioteconomia é regulamentado na forma desta Lei. Art. 2º Considera-se Técnico em Biblioteconomia o profi ssional legalmente habilitado em curso de formação específi ca. Art. 3º São requisitos para o exercício da atividade profi ssional de Técnico em Biblioteconomia: I- possuir diploma de formação de nível médio de Técnico em Biblioteconomia, expedido no Brasil, por escolas ofi ciais ou reconhecidas na forma da lei; II- possuir diploma de formação de nível médio de Técnico em Biblioteconomia, expedido por escola estrangeira, revalidado no Brasil de acordo com a legislação em vigor; III- (VETADO); IV- exercer suas atividades sob a supervisão de Bibliotecário com registro em CRB. Art. 4º Compete aos Técnicos em Biblioteconomia, observando-se os limites de sua forma- ção e sob a supervisão do Bibliotecário: I- auxiliar nas atividades e serviços concernentes ao funcionamento de bibliotecas e outros serviços de documentação e informação; II- auxiliar no planejamento e desenvolvimento de projetos que ampliem as atividades de atuação sociocultural das instituições em que atuam. Art. 5º (VETADO). Art. 6º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 9 de janeiro de 2018; 197º da Independência e 130º da República. MICHEL TEMER Gustavo do Vale Rocha Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/ L13601.htm. Acesso em: 26 set. 2023. IMPORTANTE 127 Leia também o texto intitulado A regulamentação do técnico trará van- tagens à biblioteconomia? no site Biblioo cultura informacional. Link: https://biblioo.cartacapital.com.br/regulamentacao-tecnico-biblio- teconomia/. Importante observar que, nem todos os estagiários que atuam nas bi- bliotecas são estudantes de biblioteconomia, mas todos podem apren- der ao atuar dentro da biblioteca. DICA IMPORTANTE 4.3 ESTAGIÁRIOS A contratação de estagiários é uma ótima opção para ampliar os serviços e atendimentos da biblioteca. Ao mesmo tempo, é uma importante etapa para o desenvolvimento de competências e habilidades, principalmente para aqueles estudantes da área de biblioteconomia. São as bibliotecas os principais espaços para os estagiários de biblioteconomia. É durante a graduação que se deve aliar a teoria à prática, relacionando-as para me- lhor preparação do profi ssional de acordo com o mercado de trabalho e o seu papel na sociedade. Portanto, o estágio apresenta-se como uma importante ferramenta, regu- lamentada por lei. Os principais objetivos do estágio curricular em biblioteconomia são: • Envolver os alunos em situações e problemas reais. • Permitir a confrontação entre o conhecimento teórico adquirido no curso e a prática adotada na unidade onde se realiza o estágio. • Propiciar condições para o aprimoramento e desenvolvimento da consciência social e de atitudes profi ssionais. O estagiário é visto, de acordo com a Lei Federal nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977, modifi cada pela Lei nº 8.859, de 22 de março de 1994, como: O aluno regularmente matriculado em cursos vinculados ao ensino público ou particular que, frequentando, comprovadamente, cursos de nível superior, profi ssionalizante de segundo grau ou escolas de educação especial, realiza a complementação do ensino e da apren- dizagem, em entidades de direito privado, órgão da administração pública e em instituições de ensino (BRASIL, 1994, on-line). 128 Como os estágios obrigatórios são oferecidos aos estudantes que normalmente encontram-se no meio do curso, estes, em sua maioria, já cursaram as disciplinas obrigatórias profissionalizantes e possuam alguma experiência acadêmica. Dessa forma, o aprendizado é maior e o acompanhamento das atividades desenvolvidas durante o estágio é mais satisfatório. Fonte: https://www.uninassau.edu.br/noticias/crc-contrata-estagiario-da-uninassau. Acesso em: 26 set. 2023. Figura 48 – Estagiário O estagiário deve sempre ser orientado e acompanhado em suas atividades, isso é fundamental para que não ocorram problemas dentro da unidade de informação. 5 OUTROS PROFISSIONAIS QUE PODEM ATUAR NA BIBLIOTECA É muito importante que a biblioteca possa contar comDO TÓPICO 2 .......................................................................................................130 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................132 TÓPICO 3 - GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS E NOVAS TENDÊNCIA PARA AS BIBLIOTECAS..................................................................................135 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................135 2 O QUE SÃO PRODUTOS E SERVIÇOS? ...........................................................................135 3 PRINCÍPIOS BÁSICOS SOBRE PRODUTOS E SERVIÇOS EM BIBLIOTECAS ................136 3.1 SERVIÇOS BIBLIOTECÁRIOS INOVADORES ................................................................................ 137 4 DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E SERVIÇOS EM BIBLIOTECAS .........................138 4.1 MARKETING NA BIBLIOTECA ......................................................................................................... 139 4.2 GESTÃO DE RECURSOS FINANCEIROS E MATERIAIS .............................................................140 4.2.1 Acervo ........................................................................................................................................141 4.2.2 Multas ........................................................................................................................................141 4.2.3 Projetos de financiamento ..................................................................................................142 5 GESTÃO ESTRATÉGICA E INTELIGÊNCIA COMPETITIVA EM BIBLIOTECAS ...............143 6 NOVAS TENDÊNCIAS EM SERVIÇOS NAS BIBLIOTECAS .............................................145 7 A CULTURA DIGITAL E AS NOVAS TENDÊNCIAS NOS SERVIÇOS DA INFORMAÇÃO ..146 7.1 QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DESSAS TENDÊNCIAS? ............................146 8 SERVIÇOS – CONCEITOS ................................................................................................ 151 8.1 CRESCIMENTO DOS SERVIÇOS .................................................................................................... 152 9 A BIBLIOTECA DO FUTURO: DESAFIOS ........................................................................154 9.1 DOKK1 – MAIOR BIBLIOTECA DA ESCANDINÁVIA ......................................................................160 LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................162 RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................171 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 174 REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 177 UNIDADE 3 — ORGANIZAÇÃO DE UNIDADE DE INFORMAÇÃO MUSEOLÓGICA .............183 TÓPICO 1 — ORGANIZAÇÃO DE UNIDADE DE INFORMAÇÃO MUSEOLÓGICA ................185 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................185 2 ARQUITETURA EM MUSEUS: PONTO CRUCIAL NA ORGANIZAÇÃO ............................185 2.1 DEFINIÇÕES E CONCEITOS DA ORGANIZAÇÃO ARQUITETÔNICA ......................................... 187 2.2 PROBLEMAS E SOLUÇÕES DA ARQUITETURA EM MUSEUS .................................................189 RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................198 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................199 TÓPICO 2 - ASPECTOS GERAIS SOBRE A ESTRUTURAÇÃO DOS MUSEUS NAS PERSPECTIVA DA LEI - IBRAM ......................................................................201 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................201 2 ORGANIZAÇÃO DE MUSEUS MUNICIPAIS .................................................................... 202 3 INSTALAÇÕES DO ESPAÇO DO MUSEU ....................................................................... 204 RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................214 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................215 TÓPICO 3 - ORGANIZAÇÃO DE MUSEUS NA DIVERSIDADE MUSEAL ............................ 217 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 217 2 ORGANIZAÇÃO DE UM MUSEU COMUNITÁRIO .............................................................218 2.1 MUSEUS VIRTUAIS ........................................................................................................................... 220 RESUMO DO TÓPICO 3 ...................................................................................................... 229 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 230 REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 232 1 UNIDADE 1 - PLANEJAMENTO E ESTRUTURA ORGANIZACIONAL EM ARQUIVOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • planejar a implantação dos Arquivos; • organização dos arquivos e seus setores; • compreender a importância do diagnóstico • identifi car a equipe que compõe o arquivo. A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – AS ORGANIZAÇÕES E OS ARQUIVOS TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – ESTRUTURA FÍSICA E FUNCIONAL DE ARQUIVOS TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – MOBILIÁRIOS E EQUIPAMENTOS Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 2 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 1! Acesse o QR Code abaixo: 3 AS ORGANIZAÇÕES E OS ARQUIVOS 1 INTRODUÇÃO Olá, estudante! Nesta unidade, veremos a organização física dos arquivos, ou seja, o prédio em que é custodiado o acervo, seus mobiliários e materiais de expedientes, recurso humanos, abordoaremos também de forma introdutória a gestão documental. Entretanto, antes de adentrar nesse conteúdo, vamos relembrar os conceitos basilar da arquivologia. Os arquivos são responsáveis pela custódia da documentação produzida ou recebida por uma organização no decorrer de suas atividades, ou seja, a documentação arquivística é produzida de forma orgânica independente do suporte informacional. O termo arquivo é polissêmico, pode ser utilizado para denominar um conjunto de documentos, uma entidade administrativa responsável pela custodia documental ou um móvel destinado ao armazenamento dos documentos (PAES, 2004), conforme podemos observar no Quadro 1. TÓPICO 1 - UNIDADE 1 Definições do termo arquivo Imagem ilustrativa Conjunto de documentos que, inde- pendentemente da natureza ou do suporte, são reunidos por acumulação ao longo das atividades de pessoas fí- sicas ou jurídicas, públicas ou privada Entidade administrativa responsável pela custódia, pelo tratamento docu- mental e pela utilização dos arquivos sob sua jurisdição. Quadro 1 – Definições do termo arquivo 4 Edifício onde são guardados os arquivos Móvel destinado à guarda de documentos. Fonte: adaptado de Silva (2016). Os arquivos são fontes de informações que evidenciam atividades e direitos das organizações e do cidadão, ou seja, são fontes de informações insubstituíveis em relaçãoprofissionais de outras áreas em sua equipe. 5.1 PROFESSORES Professores também são sempre bem-vindos na biblioteca, principalmente nas públicas e escolares, onde os usuários são, em sua maioria, estudantes que a procuram para realizar suas tarefas escolares. Só não podem substituir a profissional de biblioteconomia em suas atribuições. 129 5.2 PESSOAL DE APOIO A equipe de apoio participa ativamente da realização das atividades rotineiras e de manutenção da biblioteca, tais como limpeza, pequenas compras de materiais de consumo, envio de correspondências e ainda a realização do serviço gerais . 5.3 AGENTES COMUNITÁRIOS Deve-se ressaltar ainda a colaboração dos agentes comunitários – líderes naturais da comunidade – que tenham alguma afinidade com as atividades desenvolvidas na biblioteca. É importante identificá-los e buscar a sua participação; o conhecimento que detêm é útil tanto para o planejamento como para a operacionalização dos trabalhos. Esses agentes comunitários devem fazer parte da Sociedade Amigos da Biblioteca; poderão participar de atividades diversas, inclusive fazendo visitas aos usuários (ANTUNES; CAVALCANTE; ANTUNES, 2000). 130 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu: • O sucesso de uma unidade de informação da biblioteca está diretamente ligado à sua equipe de funcionários, cabendo ao bibliotecário gestor proporcionar um ambiente de trabalho agradável a sua coordenação. Assim, para que o êxito organizacional aconteça é necessário que todos os envolvidos conheçam o seu papel na instituição, bem como o papel dos seus colegas, para que as tarefas cotidianas ocorram harmonicamente, inclusive na esfera hierárquica. • A Gestão de Pessoas pode ser definida como a função gerencial que visa à cooperação das pessoas que atuam nas organizações para o alcance dos objetivos tanto organizacionais quanto individuais, tendo como essência, o compartilhamento das responsabilidades e soluções, investindo de diversas formas no aprimoramento profissional de seus funcionários. • Administrar representa as atividades de planejar, decidir, agir e utilizar os recursos necessários para alcançar seus objetivos, enquanto a gestão se traduz por meio de atividades específicas delegadas pela gerência para serem desenvolvidas, tais como: gestão da qualidade, gestão da documentação, gestão ambiental etc. • A Gestão de Pessoas se refere às práticas e as políticas necessárias para conduzir os aspectos relacionados às pessoas no trabalho de gerenciamento. Se diferenciando da gestão do RH que aborda as ações de contratações, ao treinamento, à avaliação, à remuneração. • Entre as habilidades e competências que são necessárias ao profissional bibliotecário da atualidade, estão: gestão de competências e conhecimentos; seleção de perfis profissionais para cada setor de acordo com as habilidades de cada indivíduo; manter a motivação e o clima organizacional saudável entre a equipe; desenvolvimento de uma cultura gerencial voltada para a excelência; equilíbrio na qualidade de vida no trabalho; e capacidade de atrair, captar e reter talentos. • Entre os valores e poderes que, quando designados aos funcionários geram motivação para o trabalho e auxiliam no entrosamento com a instituição, estão: respeito, permissão para errar, confiança, reconhecimento, feedback, conhecimento e informação, treinamento e desenvolvimento, padrões de excelência, autoridade e responsabilidade. • Uma equipe da biblioteca possui diversos agentes e que o tamanho da equipe depende das características da unidade de informação, que envolve os recursos e estruturas necessárias para alcançar seus objetivos. 131 • A biblioteca é a principal área de atuação do profissional de biblioteconomia. Ele tem formação de nível superior obtida em cursos de biblioteconomia, está a serviço das comunidades, participando desde planejamento até a implantação e dinamização de bibliotecas. • De forma ideal, todas as bibliotecas brasileiras deveriam ter um profissional de Biblioteconomia em seu quadro de funcionários. Mas isso está longe da realidade brasileira, principalmente quando tratamos de bibliotecas escolares, onde cultural e politicamente costumam ser ocupados por professores readaptados. • Após a aprovação da Lei nº 12.244 surgiram vários cursos em EAD que também têm com o objetivo ampliar o número de profissionais para ocuparem os cargos de biblioteconomia. A EAD também possibilitou a formação de profissionais, principalmente em regiões distantes. As bibliotecas que não têm bibliotecário em sua gestão podem ser denunciadas e autuadas pelo Conselho Regional de Biblioteconomia, cada estado tem um. • Podemos dividir os bibliotecários em quatro principais perfis de atuação: bibliotecário do processamento técnico; bibliotecário gestor; agente cultural e bibliotecário de referência. Algumas bibliotecas organizam seus profissionais pelo seu perfil de atuação. Outras fazem rodizio, ou seja, todos os bibliotecários de tempos em tempos, mudam sua função a dentro da unidade. Esse movimento tem suas vantagens e desvantagens. Entre as vantagens está o conhecimento do profissional do processo como um todo, sua experiência e maior possibilidade de adaptação caso seja necessário mudar de função. A desvantagem é a dificuldade de “especialização do serviço” e as possibilidades de insatisfação do profissional ao atuar em uma área que não é sua preferência. • O Técnico em Biblioteconomia é um profissional capacitado e habilitado para atuar como assistente de biblioteca, podendo auxiliar no atendimento, e no auxílio das chefias, diretores e/ou gestores de bibliotecas, centros e/ou serviços de informação e documentação e outros, no âmbito das empresas e/ou instituições públicas e/ou privadas. • A contratação de estagiários é uma ótima opção para ampliar os serviços e atendimentos da biblioteca. Ao mesmo tempo é uma importante etapa para o desenvolvimento de competências e habilidades, principalmente para aqueles estudantes da área de biblioteconomia. 132 AUTOATIVIDADE 1 Vimos neste tema de aprendizagem os principais valores e poderes que, quando designados aos funcionários, geram motivação para o trabalho e auxiliam no entrosamento com a instituição, como: respeito, permissão para errar, confiança, reconhecimento, feedback, conhecimento e informação, treinamento e desenvolvimento, padrões de excelência, autoridade e responsabilidade. Sobre os valores e poderes, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Padrões de excelência é responsável pela qualidade e quantidade, custo e tempo para que cada funcionário atinja o seu potencial máximo. ( ) Feedback é a orientação frequente às pessoas quanto ao seu desempenho e avaliação tanto de desempenho negativo quanto do positivo. ( ) Reconhecimento é a construção do alicerce para uma relação de confiança, acreditando que as pessoas são basicamente bem-intencionadas. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – V – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 2 Na administração das organizações em geral, a essência da gestão de pessoas reside no compartilhamento das responsabilidades e soluções, investindo de diversas formas no aprimoramento profissional de seus funcionários (PINTO; GONZÁLES, 2010). Sobre a gestão de pessoas, associe os itens, utilizando o código a seguir: I- Agregar pessoas. II- Aplicar pessoas. III- Desenvolver pessoas. ( ) Define cargos na unidade de informação com a cooperação contínua das outras áreas afins na organização. ( ) Criar ambiente propício para a formação de uma equipe dinâmica, tendo como foco a valorização desse capital intelectual. ( ) Proporcionar para a organização empregados bem treinados e motivados. a) ( ) II – I – III. b) ( ) I – II – III. c) ( ) III – I – II. d) ( ) II – III – I. 133 3 Observe o conceito: Composto pelo conhecimento, experiências, poder de inovação, habilidadesdos empregados, cultura e filosofia da empresa, além da capacidade dos funcionários em combinar conhecimentos e habilidades para inovar suas funções. É importante para a empresa, mas não é de sua propriedade. Sobre o conceito, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Capital humano. b) ( ) Capital estrutural. c) ( ) Capital intelectual. d) ( ) Capital financeiro. 4 Segundo Grogan (2001), o processo de referência envolve oito etapas decisórias, quais são elas? 5 Quais são os principais perfis do profissional de biblioteconomia e quais são suas características? Até o momento, em qual deles você acredita que melhor se encaixa? Justifique. 134 135 TÓPICO 3 - GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS E NOVAS TENDÊNCIA PARA AS BIBLIOTECAS 1 INTRODUÇÃO Neste tema de aprendizagem, estudaremos os conceitos de produtos e serviços informacionais, no contexto das bibliotecas e suas relações com o estudo de usuário, gestão e marketing e as novas tendências para as bibliotecas. Para Melo, Scarvado e Almeida (2015), o desenvolvimento de produtos e serviços em bibliotecas tem como objetivo o atendimento das necessidades informacionais de sua comunidade de usuários e seu desenvolvimento envolvem pessoas com os mais variados papéis e para os esses atores, que envolvem profissionais da biblioteconomia e usuários. Ambos necessitam de orientação para que o resultado seja atingido de forma satisfatória. No caso de bibliotecas e unidades de informação, os serviços são avaliados por cada usuário que solicita informação, isto é, a avaliação é um processo contínuo. Nesse processo, o papel do gestor é fundamental. UNIDADE 2 2 O QUE SÃO PRODUTOS E SERVIÇOS? Kotler e Armstrong (2007, p. 200), autores da área da Administração, definem pro- dutos como “algo que pode ser oferecido a um mercado para apreciação, aquisição, uso ou consumo e que pode satisfazer um desejo ou uma necessidade”. Quanto aos serviços, Kotler e Armstrong (2007, p. 200) afirmam que são “um tipo de produto que consiste em ativida- des, benefícios ou satisfações oferecidas para venda, que são essencialmente intangíveis”. Figura 49 – Produtos e serviços Fonte: adaptada de Kotler e Armstrong (2007, p. 20). 136 Já Rabello e Caiado (2014) apontam que os produtos podem ser considerados como insumos que resultam de atividades ou processos relacionados à informação, enquanto os serviços de informação se caracterizam pela disseminação e transferência de conteúdos aos usuários de acordo com as suas necessidades. O planejamento dos produtos ou serviços que serão disponibilizados deve oferecer uma base conceitual para definir a especialização do produto, seu desenvolvimento, recursos humanos e financeiros necessários [...]. Com as mudanças tecnológicas, sociais, financeiras e outras do meio ambiente que cerca a unidade da informação, é necessário lembrar que esses produtos têm um ciclo de vida e que deverão, depois de certo período, ser reformulados, a partir de dados fornecidos pelos usuários (ARAÚJO; SILVA; SILVA, 2011, p. 81). 3 PRINCÍPIOS BÁSICOS SOBRE PRODUTOS E SERVIÇOS EM BIBLIOTECAS Amaral (2000, p. 4) cita quatro princípios básicos que devem nortear a preocupação dos profissionais da informação com relação à oferta de produtos e serviços, que são: Figura 50 – Princípios básicos norteadores dos profissionais da informação com relação à oferta de produtos e serviços Fonte: adaptada de Amaral (2000, p. 4). 137 Figura 51 – Os sete pecados no atendimento Fonte: http://muitomaisquelivros.blogspot.com/2016/04/como-fidelizar-o-cliente-de-espacos-de.html. Acesso em: 26 set. 2023. Há de se considerar que na oferta de produtos e serviços não há ‘certo’ ou ‘errado’ no sentido de julgamentos em relação aos que observamos ofertados nas bibliotecas. O que há, por vezes, são produtos e serviços mal elaborados, ofertados e/ ou fora do interesse dos usuários ou, ainda, ter-se problemas com o atendimento, como podemos observar na ilustração a seguir. 3.1 SERVIÇOS BIBLIOTECÁRIOS INOVADORES O Comitê Intergovernamental do programa “Iberbibliotecas” define alguns serviços de bibliotecários como inovadores. Para ser um bibliotecário inovador, o profissional precisa muito mais do que conhecimento e habilidades. Precisa um repensar pontualmente sobre suas atitudes interpessoais significativas como de envolvimento, comprometimento, trabalho em equipe, para dar visibilidade profissional, devido à área ser multidisciplinar (PINTO, 2009). Vejamos alguns aspectos de serviços inovadores considerados pela Iberbibliotecas (BASTO NETO, 2017): a) Implementação de ferramentas alternativas às tradicionalmente usadas no desenvolvimento das suas atividades. b) Utilização de tecnologias disponíveis de forma criativa. c) Utilização de ferramentas externas ao ambiente tradicional da biblioteca para resolver necessidades locais. d) Transformação de espaços e serviços da biblioteca para criar formas de vínculo comunitário. e) Transformação da concepção de biblioteca para incluir novas funções comunitárias para além das tradicionais. 138 f) Diversificação dos serviços da biblioteca, chegando a usuários tradicionalmente não atendidos por esta (pessoas hospitalizadas, que vivem em áreas que não tenham bibliotecas próximas, em situação de reclusão etc.). g) Vinculação de projetos de empreendimento social que produzam benefícios quantificáveis àqueles que neles participam. h) Fomento à participação direta do utilizador, outorgando-lhe papéis na produção de conhecimento, na realização de atividades e na gestão da biblioteca. i) Integração de diversos setores culturais, educativos, econômicos etc., de forma transversal, com o objetivo de alcançar um maior número de pessoas do que aquelas a que a entidade proponente regularmente atende. j) Promoção da criação de serviços e de conteúdos especialmente destinados a preencher as lacunas produzidas pelas diferenças de gênero. k) Promoção de participação de setores privados socialmente comprometidos com as atividades da biblioteca com o fim de promover o seu desenvolvimento, com ou sem cofinanciamento. 4 DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E SERVIÇOS EM BIBLIOTECAS Os estudos sobre a gestão de serviços de bibliotecas e unidades de informação foram se ampliando ao longo dos anos. Isso ocorreu e continua ocorrendo devido ao desenvolvimento tecnológico, que amplia as possibilidades de serviços e modifica o comportamento do usuário. Esse comportamento pode e deve ser estudado por todas as unidades de informação e ganha o nome de “estudo de usuário”. De acordo com Figueiredo (1979), os estudos de usuários são canais de comunicação entre os usuários e a biblioteca que podem ser realizados ao serem coletados dados quantitativos e qualitativos. Quadro 3 – Dados qualitativos e quantitativos Fonte: adaptado de Figueiredo (1979). Dados qualitativos Dados quantitativos Podem ser considerados os sentimentos, o modo de aprendizagem, a percepção que os usuários têm ao buscar a informação, levando em conta os aspectos que interferem no comportamento de busca e uso da informação. Podem ser considerados relação à idade, o sexo, a formação acadêmica, números sobre a utilização do acervo. 139 O reconhecimento das demandas e a qualidade ofertada nos produtos e serviços se deve há alguns fatores, como: • Conhecimento da comunidade e dos usuários. Isso pode ser feito por meio de estudo de usuário. Lembrando que usuários são aqueles que já utilizam a biblioteca, mas também aqueles usuários em potencial. • Administração eficiente dos recursos financeiros. Isso pode ser realizado por meio de pesquisa de mercado, qualidade dos produtos e balanço financeiro dos recursos existentes. • Gestão de pessoas. Ter uma equipe qualificada e comprometida para o oferecimento dos produtos e serviços. • Utilização de técnicas de marketing. A comunidade precisa ter conhecimento dos produtos e serviços oferecidos. 4.1 MARKETING NA BIBLIOTECA O marketing nabiblioteca tem como função lidar com os usuários reais e potenciais, ou seja, atrair novos e manter os usuários atuais, visando aumentar a produtividade e acirrar a competitividade dos produtos e serviços de informação. Para Amaral (2000, p. 34), “marketing pressupõe a compreensão das necessidades, percepções, preferências e interesse pela satisfação e pelos padrões de comportamento da audiência [público]-alvo”. O autor reforça que todas as atividades devem manter compromisso com a qualidade, profissionalismo e ética. O desenvolvimento dos produtos e serviços precisa ser acompanhado pelos profissionais da informação com competência e cobrança de resultados, pelo estabelecimento de políticas, desenvolvimento de habilidades gerenciais e adoção de técnicas de marketing. Baptista, Costa e Neta (2009) resumem as razões para a aplicação do marketing em bibliotecas, como: • Fornecimento um conjunto de técnicas e instrumentos que podem identificar: necessidades, desejos e preferências dos usuários. • Possibilitam o questionamento sobre como a organização tem sido sensível aos problemas de busca de informação de seus usuários reais e potenciais, podendo causar uma mudança de ação dentro da biblioteca. • Envolvem uma administração mais dinâmica de relação de troca entre a biblioteca e seu público. Ao oferecer um produto ou serviço de informação, baseado nas necessidades identificadas, obtém-se o reconhecimento por meio do aumento da procura por seus serviços. • Promovem a comunicação, que é interessante para captar a atenção dos não usuários e fidelizar seus usuários reais. A comunicação ajuda a derrubar as barreiras geradas pelo desconhecimento sobre os serviços e produtos oferecidos. 140 • Por meio da promoção, poderá promover um maior uso dos serviços e produtos da biblioteca, bem como atrair mais investimentos para o aperfeiçoamento e oferta de novos serviços e produtos. Algumas vezes é uma questão de criatividade e comunicação, como demonstra a ilutração a seguir: Figura 52 – Marketing na biblioteca Fonte: http://balcaodebiblioteca.blogspot.com/2011/07/marketing-de-biblioteca.html. Acesso em: 26 set. 2023. 4.2 GESTÃO DE RECURSOS FINANCEIROS E MATERIAIS Novamente ressaltamos a grande diversidade de bibliotecas e, por isso, a diversidade de formas de gestão de recursos financeiros. Em algumas bibliotecas, por exemplo, o profissional de biblioteconomia que faz orçamentos e efetua a compra. Em outras, esse papel não passa pela sua função. Assim, o mais importante, quando tratamos de finanças, não tendo um padrão a ser seguido, devem-se seguir as orientações da instituição a qual está inserida. 141 Figura 53 – Acervo Figura 54 – Multa Fonte: https://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2015/09/08/1130959/acervo-digital-usp- oferece-materiais-estudo-gratuitos-sobre-historia-brasil.html. Acesso em: 26 set. 2023. Fonte: http://www.uece.br/fafidam/index.php?option=com_content&view=article&id=90607:inf ormes-do-sistema-de-biblioteca-da-uece-sobre-devolucao-de-livros-e-multas&catid=3:lista-de- noticias&Itemid=1207. Acesso em: 26 set. 2023. 4.2.1 Acervo 4.2.2 Multas Um dos principais itens quando falamos de gestão de recursos financeiros, deve-se voltar para o a aquisição do acervo. Como vimos em diversas outras disciplinas, uma das cinco leis da biblioteconomia de Ranganathan (2009, p. 336) é “biblioteca é um organismo em crescimento”. Assim, mesmo que seja no formato digital, o acervo precisa estar sempre atualizado. Para isso, precisa-se ter um orçamento anual previsto para a compra de novos materiais. Sobre acervo, especificamente, você viu o detalhamento desses procedimentos na disciplina de Desenvolvimento de coleções. 142 Nem todas as bibliotecas possuem multa por atraso na devolução do acervo, mas quando adotam esse recurso, o valor arrecadado pode ser utilizado para compras necessárias de pequeno porte para a biblioteca. Isso também depende das instituições, pois em algumas bibliotecas, por exemplo, o valor arrecado com as multas não fica à disposição da biblioteca e do bibliotecário gestor, indo direto para a instituição ao qual a biblioteca está vinculada, dificultando que se revertam à própria biblioteca. É necessário avaliar muito bem se a “multa” está contribuindo ou não com a instituição. Como estabelecer parâmetros para cobranças de multas em bibliotecas Entre outras coisas, a biblioteca, antes de cobrar a devolução do livro, precisa ter a certeza de que possui a comprovação de que o empréstimo foi realmente feito pelo usuário. Veja aqui o resumo: Neste texto, busca-se demonstrar a necessidade, ratificada com a publicação da Resolução do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) nº 207/2018, de se observar, no âmbito das bi- bliotecas, o que dispõe o ordenamento jurídico brasileiro sobre o contrato ali firmado, quan- do do empréstimo do material do acervo. Para tanto, será analisado o que dispõe o Código Civil sobre a “cláusula penal” (nome jurídico dado, dentre outros institutos, à multa) e o tratamento a ela conferido; o enriquecimento ilícito; o contrato de comodato (o qual se aplica no âmbito das bibliotecas, na efetivação do empréstimo domi- ciliar); e a boa-fé objetiva (dever anexo de qualquer relação contratual). Conjugada as análises dos dispositivos legais, serão citadas jurisprudências (entendimentos firmados pelos Tribunais do Poder Judiciário) das suas apli- cações no âmbito de conflitos envolvendo bibliotecas e seus usuários. Por fim, pretende-se concluir qual é a forma mais adequada para a aplicação da multa financeira de acordo com o que dispõe o ordenamento jurídico bra- sileiro, de forma a minimizar os conflitos entre a biblioteca e o seu usuário Leia a matéria completa, acessando: https://biblioo.cartacapital.com.br/como- -estabaler-parametros-para-cobrancas-de-multas-em-bibliotecas/ DICA 4.2.3 Projetos de financiamento O Ministério da Cultura e a Fundação Biblioteca Nacional possuem diversos editais de fomento, especialmente em bibliotecas públicas e escolares, as quais podem participar e receber verba para compra de acervo e/ou para investir na estrutura física e/ou na compra de mobiliário. Outro exemplo é o Programa Ibero-Americano de Bibliotecas Públicas, Iberbibliotecas, que realiza anualmente um Concurso de Ajudas, dirigido às bibliotecas públicas dos países e cidades membros. 143 O Iberbibliotecas é liderado pela Secretaria-Geral Ibero-Americana, Segib, e conta com a coordenação do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe, Cerlalc, como Unidade Técnica. Fonte: BASTO NETO, M de M. Aberto Edital de fomento a projetos de bibliotecas públicas. i9Treinamentos, Brasília, 24 jan. 2028. Disponível em: https://i9treinamentos.com/blog/aberto-edital-de-fomento-a-projetos- de-bibliotecas-publicas/. Acesso em: 27 set. 2023. NOTA Veja algumas categorias de possibilidades de projetos que podem ser desenvolvidos: 1. Projetos bibliotecários inovadores. 2. Projetos para fortalecer redes e sistemas de bibliotecas nacionais, regionais ou de cidades (nacionais, estaduais, municipais e distritais). Projetos com objetivos de: a) Desenho de planos estratégicos. b) Estudos de valor das bibliotecas. c) Estudos de avaliação de serviços. d) Desenho de planos de apoio à leitura. e) Desenvolvimento de estratégias de comunicação digital. f) Defi nição de normas de serviço. d) Plano de gestão de coleções. 5 GESTÃO ESTRATÉGICA E INTELIGÊNCIA COMPETITIVA EM BIBLIOTECAS Casartell et al. (2010, p. 187-188) defi ne inteligência competitiva como um “pro- cesso sistemático e ético para reunir, analisar e administrar informações que podem afe- tar planos, decisões e operações de uma empresa”, ou seja, no contexto de uma bibliote- ca, utilizando-se da gestão do conhecimento e do capital humano em prol da instituição, considerando que a gestão da informação estratégica e competitiva é um processo co- letivo, que deve envolver toda ou parte daequipe e não exclusivo do bibliotecário gestor. Já para Valentim et al. (2003, on-line): O processo de inteligência competitiva investiga o ambiente externo à organização, bem como diagnostica o ambiente interno organizacional, com o propósito de descobrir oportunidades e reduzir os riscos, visando ao estabelecimento de estratégias de ação a curto, médio e longo prazo. 144 Valentim (2002) apresenta os sete passos do processo de inteligência competitiva, em unidades de informação: Figura 55 – Passos do processo de inteligência competitiva em unidades de informação Fonte: adaptada de Valentin (2002). Figura 56 – Tipos de gestão Fonte: adaptada de Valentin (2002). Duas das principais atividades da biblioteca que fornecem informações à inteligência competitiva e à tomada de decisões são o Estudo de Usuários e a Avaliação dos Produtos e Serviços. Ambos os processos atuam diretamente com os usuários colendo informações úteis (ou que poderão assim se tornar), exigindo do bibliotecário gestor e de sua equipe a avaliação e o tratamento do que for coletado, visando a uma reflexão e alterações no que for demandando por parte dos usuários. Vejamos a seguir a diferença entre gestão da informação, gestão do conhecimento e inteligência competitiva. 145 Figura 57 – Novas ideias Fonte: https://epocanegocios.globo.com/Mercado/noticia/2018/07/empreendedorismo-de-impacto-social- cresce-no-brasil.html. Acesso em: 27 set. 2023. • Gestão da informação – tem relação com prospecção, seleção e obtenção da informação; mapeamento e reconhecimento dos fluxos formais de informação; tratamento, análise e armazenamento da informação utilizando tecnologia da informação; disseminação e mediação da informação ao público interessado; e, criação e disponibilização de produtos e serviços de informação (VALENTIN, 2002). • Gestão do conhecimento – tem relação com desenvolvimento da cultura orga- nizacional voltada ao conhecimento; mapeamento e reconhecimento dos fluxos informais de informação; tratamento, análise e agregação de valor às informações utilizando tecnologias de informação; transferência do conhecimento ou socializa- ção do conhecimento no ambiente organizacional; e criação e disponibilização de sistemas de informação empresariais de diferentes naturezas (VALENTIN, 2002). • Inteligência competitiva – tem relação com o desenvolvimento da capacidade criativa do capital intelectual da organização; prospecção, seleção e filtragem de informações estratégicas nos dois fluxos informacionais: formais e informais; agre- gação de valor às informações prospectadas, selecionadas e filtradas; utilização de sistema de informação estratégico voltado à tomada de decisão; e, criação e disponi- bilização de produtos e serviços específicos à tomada de decisões (VALENTIN, 2002). 6 NOVAS TENDÊNCIAS EM SERVIÇOS NAS BIBLIOTECAS Podemos considerar os serviços ‘o coração’ das unidades de informação, pois são por meio deles que atingimos o objetivo das bibliotecas, ou seja, o atendimento informacional dos usuários, conforme os seus tipos e características. Alguns desses serviços são básicos no cotidiano profissional dos bibliotecários, como já abordamos em outras disciplinas do curso, como serviços de referência, serviços técnicos no tratamento da informação, entre outros. Em especial, nesta última unidade deste livro didático, daremos um foco especial às novas tendências de serviços que já são, ou ainda podem vir a ser oferecidos em bibliotecas ou em outros tipos de unidades de informação. Gostaríamos que você, ao longo dos estudos, também se inspirasse e pensasse em novas formas e serviços que pudessem vir a melhor atender aos usuários. 146 Essas “novas tendências” surgem principalmente em decorrência do desenvolvimento tecnológico e de outras formas de utilização da biblioteca pelos usuários. Precisamos sempre estar atentos, não podemos ficar estacionados no tempo, nossas práticas, nosso ‘carro-chefe’ são as necessidades informacionais dos usuários de quem atendemos e os potenciais usuários que podem vir a necessitar de nossos serviços, precisamos acompanhar permanentemente as novas tendências. 7 A CULTURA DIGITAL E AS NOVAS TENDÊNCIAS NOS SERVIÇOS DA INFORMAÇÃO A cultura digital vem instigando pesquisadores do campo da ciência da informação, bem como bibliotecários a buscarem soluções para a ampliação e inovação em seus serviços nos serviços. A ampliação do acesso à internet no uso dos computadores e outros aparelhos, em especial do celular, faz com que seja necessário repensar as formas de disponibilização das informações. 7.1 QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DESSAS TENDÊNCIAS? Na figura a seguir, apresentamos alguns termos que encontramos em diversas bibliografias acerca das características dessas novas tendências. Figura 58 – Características das tendências de novos serviços Fonte: a autora. 147 Figura 59 – Informação líquida Figura 60 – Sociedade conectada Figura 61 – Informação híbrida Fonte: https://www.todamateria.com.br/modernidade-liquida/. Acesso em: 27 set. 2023. Fonte: https://www.touts.com.br/artes/conectados. Acesso em: 27 set. 2023. Fonte: https://eadbox.com/o-que-e-ensino-hibrido/. Acesso em: 27 set. 2023. Informação líquida – relaciona-se com Dados Abertos – DA (Open Data) ou “informação líquida”. Denominamos “informação líquida” os dados registrados em su- portes digitais em atualização permanente, sem restrições de acesso, amplamente dis- poníveis e em formatos que possam ser compartilhados por meio de protocolos abertos. Não temos como pensar em unidades de informação sem pensar o atendimento e acesso de usuários através da internet. 148 As bibliotecas físicas, bem como o serviço de atendimento ao usuário nesta modalidade são fundamentais em diversos momentos da utilização da informação. Temos que lembrar a presença de uma grande diversidade de usuários e, entre estes, ainda predomina o uso do livro físico. A biblioteca física também tem seu papel social como espaço de lazer, cultura e estudo (abordaremos melhor esse tema na disciplina de Ações culturais e sociais em bibliotecas). Em entrevista ao Estado de São Paulo, para a bibliotecária francesa Mélanie Archambaud: Não tenhamos preocupações com a sobrevivência do livro neste novo modelo de bibliotecas, que agora irá coabitar com o digital. Esses dois apoios são complementares e não contraditórios. [...] Na minha opinião, uma biblioteca que é apenas digital é tão inadequada como uma biblioteca que só oferece livros. Em ambos os casos, excluem uma parte da sociedade, modos de acesso ao conhecimento e práticas culturais (RODRIGUES, 2017, on-line). A ampliação do acesso às informações em outros formatos digitais cria a necessidade de uma ação híbrida, que dialogue entre os serviços de acesso à informação física e digital. Figura 62 – Biblioteca desterritorializada Fonte: https://br.depositphotos.com/37583047/stock-illustration-library-scientists-flying-on-book.html. Acesso em: 27 set. 2023. Levy (1994), ao abordar o tema “a emergência do cyberspace e as mutações culturais”, já citava a “desterritorialização da biblioteca”, que, para o autor, trata- se de um fenômeno dos hipertextos, bem como sua velocidade na circulação da informação. “A informação é fluxo, é como se o coletivo novamente fosse portador do conhecimento” (LEVY, 1994, on-line). Essa característica da biblioteca desterritorializada se relaciona com as informações dispostas no espaço virtual, fazendo com que a biblioteca atenda um público muito além do seu território. 149 Figura 63 – Informação atemporal Figura 64 – Informação síncrona Fonte: https://naoandeisansiosos.blog.br/2018/01/19/e-hora-de-reconhecer-que-seu-tempo-pertence-a- deus/. Acesso em: 27 set. 2023. Fonte: https://www.impacta.com.br/blog/2018/01/24/comunicacao-sincrona-e-assincrona-comunicar- melhor-com-clientes/. Acesso em: 27 set. 2023. A informação atemporal é aquela que pode ser consultada a qualquer momento.Santos, Barbosa e Souza (2013), ao falar da comunicação nos processos dos serviços de informação em bibliotecas, citam as formas assíncrona e síncronas de atendimento aos usuários. A comunicação assíncrona não exige a presença de ambos os envolvidos em tempo real, conectados a uma rede. Ela consiste em uma comunicação em que o comunicante envia uma mensagem, por meio de e-mail ou formulário, e que é respondida posteriormente, em momento oportuno. Logo, a comunicação síncrona necessita que dois ou mais envolvidos estejam conectados ao mesmo tempo no ambiente virtual, com a vantagem de possibilitar ao usuário receber respostas imediatas e ao bibliotecário, realizar uma entrevista mais minuciosa em relação aos questionamentos abordados. 150 Figura 65 - Informação personalizável Figura 66 – Informação colaborativa Fonte: https://www.cesar.org.br/index.php/2017/10/23/inteligencia-artificial-na-educacao/. Acesso em: 27 set. 2023. Fonte: http://blog.safetec.com.br/colaboracao/o-que-sao-sistemas-colaborativos/. Acesso em: 27 set. 2023. O conceito de personalização, segundo Camargo e Vidotti (2006, p. 103), implica “satisfazer, da melhor forma possível, as necessidades dos usuários, possibilitando informações e recursos de acordo com o seu perfil”. Para alcançar o sucesso na gestão, as organizações estão desenvolvendo redes e interagindo de forma colaborativa, ou seja, utilizando de estratégias e ferramentas que auxiliem no trabalho em equipe entre setores ou parceiros. Segundo Wolkan (2019), as organizações que não adotarem essa estratégia poderão se tornar obsoletas, perder seu lugar no mercado ou não conseguirem extrair todo seu potencial produtivo justamente por conta da agilidade, uma necessidade na era da Transformação Digital que só é alcançada através de sistema colaborativos. Todos esses termos se relacionam às formas e concepções sobre uso e formato da informação, que é chamado de Sociedade da Informação. 151 O termo Sociedade da Informação surgiu no final do século XX e vem sendo fortemente utilizado por aqueles que reforçam o surgimento de um novo conceito sobre o uso da informação relacionada às novas tecnologias e de comunicação. Estamos todos cercados por informação, elas atuam em diferentes espaços, lugares da nossa vida atual. A informação é configurada de várias formas, como para sua transmissão, seguem por vários caminhos e tipos de serviços para realizar a comunicação das informações, essas circulam através das mídias ou até mesmo pelos de sistemas de informação nas empresas. A Sociedade da Informação vive atualmente em constante mudança, em constante formação, este conceito é definido pelas constantes mudanças e melhoras das tecnologias e o surgimento das novas tecnologias. O que move o mundo hoje são as novas tecnologias desenvolvidas todos os dias, utilizadas em todos os meios funcionais e mundiais que podemos imaginar. A Sociedade da Informação ainda está em um processo de construção, de formação e expansão devido ao surgimento das novas tecnologias que, atualmente, são indispensáveis para a comunicação pessoal e profissional. A sociedade se transformou em um mundo consumidor economicamente, podemos utilizar neste contexto do mercado das novas tecnologias. A Sociedade da Informação se resume, na inovação tecnológica que possui como objetivo, em auxiliar as organizações e instituições de ensino, com a união dos conceitos de pesquisa e informação, tornando os processos de comunicação muito mais eficientes, dinâmicos e ágeis (PORTAL EDUCAÇÃO, 2019). Observamos que esse conceito de Sociedade de Informação não é consenso na ciência, e diversos autores fazem um recorte crítico a forma que vem sendo utilizada. Por exemplo, Werthein (2000) que apresenta sua leitura a partir do que chama de “exageros utópicos de aprendizagens que constituem a computopia”. Para o autor, as promessas relacionas à Sociedade da Informação não podem impedir a constatação de inúmeros desafios e problemas, tanto técnicos como de natureza social ou econômicos e requerem um compromisso político para assegurar o acesso a comunidades menos privilegiadas. Leia o artigo completo em: https://www.scielo.br/j/ci/a/ rmmLFLLbYsjPrkNrbkrK7VF/?format=pdf&lang=pt. IMPORTANTE 8 SERVIÇOS – CONCEITOS Lovelock e Wright (2001, p. 102) definem serviço como “ato ou desempenho que cria benefícios para clientes por meio de uma mudança desejada no – ou em nome do – destinatário do serviço”. Já Gianesi e Corrêa (1994) apontam a ligação íntima entre a vivência do usuário, enquanto os bens manufaturados podem ser adquiridos. Santos (2000) conclui que os serviços não são palpáveis, e sim intangíveis e de difícil mensuração. Desse modo, o 152 principal diferencial entre bens e serviços estaria na participação do usuário, que, de fato vivencia a criação do serviço. Santos (2000) afi rma que os serviços possuem três características principais: Figura 67 – Características dos serviços Fonte: adaptada de Santos (2000). A participação do usuário no processo de produção do serviço faz ressaltar a importância da gestão dos processos de serviços (SANTOS, 2000). 8.1 CRESCIMENTO DOS SERVIÇOS O setor de prestação de serviços tem crescido continuamente na economia mundial. Em 1950, o setor de serviços no Brasil era responsável por cerca de 26,4% da força de trabalho empregada no país e por 49,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 1973, esses valores passaram, respectivamente, para 39,1% e 52,2%, indicando a tendência progressiva em termos de crescimento desse setor econômico. Em 2018, o setor terciário já empregava mais de 70% da população brasileira. Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/crescimento-setor-terciario- no-brasil.htm. Acesso em: 26 set. 2023. NOTA 153 Diante desse crescimento, muitos esforços da comunidade acadêmica, como os de pesquisadores e professores de diversas áreas do conhecimento começaram a voltar suas atenções para as particularidades da gestão de serviços. A busca de melhorias de qualidade, tão comum em indústrias, passou a ser prioridade também nas organizações prestadoras de serviços. No campo da biblioteconomia, até a década de 1990, a maioria dos estudos de usuários estavam mais voltados para as abordagens tradicionais. Para Ferreira (1996), os usuários eram vistos apenas como um dos integrantes do sistema, e não como os principais interagentes. Segundo Ferreira (1996), essa concepção acreditava que os usuários apenas recebiam os bens e serviços que eram oferecidos a eles, sem que suas preferências fossem ouvidas e atendidas. Da mesma forma, nas fases de planejamentos, o usuário não era participavam diretamente; a seleção e a aquisição dos produtos a eles oferecidos eram atribuídas de forma intuitiva e empírica. Isto acontecia porque existia uma divisão entre bibliotecas centradas em tecnologias e bibliotecas centradas em pessoas (FERREIRA, 1996). Para Santos, Fachin e Varvakis (2003, p. 85), neste contexto, a gestão dos processos “passa a ter papel crucial nas organizações de serviços, principalmente para as organizações voltadas à prestação de serviços de informação, como no caso das bibliotecas”. Santos, Fachin e Varvakis (2003, p. 85) alertam que, no que se refere à gestão de serviços na área da disseminação de informações, “pouco tem sido feito no sentido de dar suporte ao desenvolvimento de novos serviços ou na análise dos processos de serviços existentes, visando ao aperfeiçoamento contínuo da qualidade”. Por isso ressaltamos que, diante desse cenário, os profissionais da informação precisam dominar as ferramentas tecnológicas atuais e estar sempre acompanhando suas mudanças. Essa adaptação é fundamental principalmente no que se refere à criação de novos produtos e serviços. Para isso, cada vez mais os cursos de biblioteconomia vêm trazendo entre suas grades curriculares disciplinas com foco na gestão da informação e na tecnologia, am- pliando seu arcabouço de competênciase habilidades nas ferramentas de gestão de serviços de informação, “desde sua pesquisa, seu tratamento e, principalmente, sua disseminação aos usuários, que a cada dia tornam-se mais exigentes e apressados na obtenção de informações pontuais e relevantes, ou seja, a informação exclusiva, efi- ciente e direcionada à sua necessidade” (SANTOS; FACHIN; VARVAKIS, 2003, p. 86-87). No entanto, para que isto ocorra, são necessárias constantes avaliações e análises dos serviços e dos usuários. Nesse contexto, os profissionais bibliotecários começam a pensar e definir a bi- blioteca do futuro, na qual é imprescindível a participação dos usuários no planejamento dos sistemas de informação. Para Silva e Rados (2002), é preciso agregar valor à infor- mação de forma continuada, pois, tanto as preferências individuais como as grupais mo- 154 dificam-se no decorrer do tempo. Os autores reforçam que as unidades de informações devem ser modeladas de acordo com seus usuários, suas necessidades e expectativas, na busca e no uso de informação de forma a maximizar a eficiência das unidades. 9 A BIBLIOTECA DO FUTURO: DESAFIOS Em julho de 2017, a International Federation of Library Associations and Institutions (Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias) realizou o segundo workshop espanhol Visión Global de la IFLA com o tema Como um setor de bibliotecas unidas pode enfrentar os desafios do futuro – ideias para ações. Para a IFLA (2017 apud ARENAS, 2018, on-line), os desafios do campo da biblioteca, no contexto da globalização, são cada vez maiores e só podem ser superados por meio de uma resposta global e unificada por parte dos profissionais de biblioteconomia. Neste workshop, uma série de desafios/oportunidades de biblioteca foram identificados, bem como formuladas propostas para alcançá-las. No site Biblioo Educacional, em reportagem escrita por Arenas (2018), estas dez propostas foram traduzidas para português, as quais destacamos de forma resumida a seguir: 1ª Os papéis tradicionais da biblioteca na era digital devem ser atualizados O bibliotecário de hoje tem pouco a ver com o bibliotecário do passado. Certamente, nem mesmo o bibliotecário de agora tem a ver com o bibliotecário do futuro. A tecnologia e a digitalização estão abrindo novas oportunidades de aproveitamento para alcançar os usuários e fornecer novas formas de acesso à informação por meio da criação de recursos e utilidades para influenciar seu desenvolvimento pessoal e profissional. As ações propostas para alcançar este desafio estão focadas em treinar os usuários no uso da informação, fornecendo a eles novas fontes de informação curateladas pela biblioteca e proporcionando maior acesso a grupos específicos: • Educação para os usuários antes de um novo tipo de informação. Mediadores/ Formadores = Educadores para disseminadores. • Criação de novas fontes de informação a partir de repositórios e bases de dados digitais. Curadoria de conteúdo. Colaboração institucional = Criadores de informação. • Maior acesso a grupos específicos. 155 2ª As necessidades da comunidade bibliotecária devem ser melhor compreendidas e os serviços devem ser projetados para causar impacto Não basta saber o número de usuários, visitas ou empréstimos em bibliotecas, é preciso ir mais além e avaliar a qualidade dos números para melhor entender a comunidade de usuários da biblioteca. Além disso, é necessário equipar os diferentes profissionais com as bibliotecas mais importantes para projetar e desenvolver novos serviços e prestar atenção às novas tendências tecnológicas e sociais. As ações propostas para alcançar este desafio estão voltadas para a realização de estudos qualitativos na biblioteca, dando maior importância à colaboração e desenvolvimento profissional, e a inclusão de novas tecnologias. Na prática: • Além da coleta sistemática de resultados (estudo quantitativo), é necessário realizar estudos qualitativos da atividade das bibliotecas para analisar o retorno do investimento. • Incluir a versatilidade e transversalidade dos diferentes profissionais da informação e estabelecer a colaboração entre eles na concepção de serviços. • Incluir tecnologias e tendências disruptivas (gamification, inteligência artificial etc.). 3ª As bibliotecas devem adaptar-se a mudanças tecnológicas permanentes Vivemos em uma mudança tecnológica contínua. O que há alguns anos foi a mais recente tecnologia já é assimilado pela sociedade ou passou com mais tristeza do que glória para as vidas das pessoas e organizações. As bibliotecas devem estar cientes dessas mudanças para aproveitar o potencial da tecnologia nos serviços e recursos a serem oferecidos às comunidades de usuários. As ações propostas para atender a este desafio incidirá sobre a troca de experiências profissionais, para envolver a sociedade na vida da biblioteca, desenvolver e fortalecer parcerias com organizações e associações, e aproveitar ao máximo os recursos econômicos da biblioteca. Na prática: • Crie redes profissionais de intercâmbio. • Envolva cidadãos e estudantes de outros setores como uma oportunidade de aprendizado para bibliotecários e para atividades de biblioteca. 156 • Reforce alianças entre associações, administrações e empresas para que o conhecimento e a aquisição de novas competências sejam mais rápidos. • Focar os recursos econômicos na contratação de mais serviços e diminuir a compra de equipamentos que, por vezes, não são rentáveis. 4ª Mais e melhores promotores e defensores da profissão são necessários em todos os níveis A biblioteca é para todos e, entre todos, devemos cuidar e defendê-la. As pessoas precisam saber o que podem fazer por elas e, para isso, é importante pensar e executar ações de visibilidade e impacto. E é porque a sociedade precisa de bibliotecas fortes, as bibliotecas precisam de uma sociedade forte que as promova e as defenda. As ações propostas para atender a este desafio vão se concentrar no fortalecimento da imagem da biblioteca e do bibliotecário, fincar presença na mídia e visibilidade para a biblioteca, e proporcionar mais dinheiro e recursos para as associações profissionais para a defesa de bibliotecas. Trabalhe a imagem da biblioteca para a sociedade e para os políticos para torná-la atraente. Crie campanhas de marketing que mostram o que uma biblioteca realmente é. Na prática: • Criar o dia do ‘orgulho do bibliotecário’. Aumentar a autoestima do bibliotecário. • Alcançar maior presença nas mídias e redes sociais de bibliotecas e profissionais. Ser influenciador. • Projetar, promover, divulgar e explorar os prêmios que tornam as bibliotecas visíveis em outros coletivos. • Fortalecer os recursos econômicos e humanos das associações para que possam continuar e aumentar as ações de lobby. 5ª Um espírito de colaboração bibliotecária deve ser desenvolvido A colaboração entre bibliotecas e profissionais é de extrema importância. Trabalhar como uma marca única dará mais força ao setor. Para isso, é mais do que necessário que bibliotecas, bibliotecários e associações concentrem seus esforços e pensem como um grupo para alcançar os grandes objetivos propostos. As ações propostas para alcançar este desafio estão focadas em integrar ainda mais as bibliotecas na sociedade e unir o setor de bibliotecas (e associações) para trabalhar na mesma linha. 157 Na prática: • Mudar a mentalidade e o modo de se relacionar com o meio ambiente, com os usuários; implementar dinâmicas de busca ativa de aliados, demonstrar maior sensibilidade ao que acontece no ambiente (sociedade civil, fóruns políticos, culturais etc.). • Incluir na gestão e no trabalho das bibliotecas ações que o tornem um nó relacional entre os profissionais e a comunidade (indivíduos e grupos), não apenas nos centros de atenção às necessidades informativas dos usuários. Mediação social e cultural. • Criar redes e estruturas colaborativas entre bibliotecários de todos os setorese tipos de bibliotecas. • Fortalecer a colaboração de todas as associações de bibliotecas o país. Organizações com os mesmos objetivos não podem trabalhar separadamente. • Alinhar as estratégias de todas as instituições da biblioteca. Fortalecer o conselho de cooperação entre bibliotecas como o fórum que alinha as estratégias de políticas da biblioteca entre bibliotecas e entre outros agentes em setores próximos, nos níveis nacional e regional. 6ª Você deve lutar pela liberdade intelectual da biblioteca A pluralidade social é uma realidade e deve ser respeitada, entendida e tratada a partir do mundo das bibliotecas. Bibliotecas mediam o acesso à informação e é por isso que todos os tipos de conteúdo devem ser oferecidos para atender às diferentes demandas de informação que as pessoas possam ter. A colaboração entre bibliotecas e o acesso aberto é apresentada como parte da solução para fornecer às pessoas, mais os recursos de informações. As ações propostas para alcançar este desafio estão voltadas para a colaboração com bibliotecas especializadas e agentes sociais, promovendo o acesso aberto, internalizando o código ético profissional, defendendo a liberdade de acesso à informação, fomentando o pensamento crítico e compreendendo a pluralidade social da época para criar coleções, recursos e serviços. Na prática: • Maior colaboração com bibliotecas especializadas. • O código profissional de ética deve ser conhecido e vinculativo. • Realizar ações para modificar a legislação do bibliotecário, de modo que nosso espírito plural seja explicitamente incluído. • Acesso aberto. • Seja beligerante com a neutralidade da rede. 158 • Expandir os interlocutores (todos os agentes sociais nas localidades). • Garantir a pluralidade (recursos, cobranças etc.). • Incentive o pensamento crítico. 7ª Assegure-se de que as partes interessadas compreendam o valor e o impacto da biblioteca Nem todo mundo entende igualmente o valor das bibliotecas na sociedade. Sem dúvida, chegou a hora de mostrar o potencial e o valor das bibliotecas, oferecendo dados quantitativos e qualitativos de bibliotecas externas ao setor profissional e a entidades políticas e governamentais. As ações propostas para alcançar este desafio estão focadas na comparação de resultados, oferecendo dados de retorno sobre o investimento, promovendo e disseminando bibliotecas em outros setores. Na prática: • Sempre inclua nos relatórios de atividades das bibliotecas a comparação dos resultados, a fim de avaliá-los melhor. • Melhorar os métodos de avaliação da biblioteca, incluindo a perspectiva social e o retorno sobre o investimento. • Aumentar a promoção e divulgação do nosso trabalho para a comunidade. • Aumentar a presença de profissionais e associações em fóruns de outros setores. 8ª As estruturas e comportamentos existentes devem ser desafiados Bibliotecas evoluem e seus profissionais e funções também as seguem. Eles devem estar preparados para enfrentar novos desafios (mobilidade profissional, novos perfis profissionais…), e isso requer motivação e treinamento. As ações propostas para alcançar este desafio concentram-se na mobilidade profissional, motivação, formação e novos perfis profissionais em bibliotecas. Na prática: • Incluir mobilidade profissional. • Identificar mecanismos de motivação profissional. • Treinamento e oportunidades de interação com outros setores. • Incluir novos perfis profissionais em bibliotecas. 159 9ª O acesso ao patrimônio documental mundial deve ser maximizado Quando o acesso à informação é um direito dos cidadãos, as bibliotecas devem promover este acesso para o mundo do patrimônio documental. A ciência aberta e as bibliotecas virtuais são apresentadas como duas boas maneiras de fornecer à sociedade acesso à informação e ao conhecimento. As ações propostas para alcançar este desafio estão focadas em fornecer às bibliotecas voz no campo da propriedade intelectual, trabalhando em ambientes abertos, bibliotecas virtuais e ciência aberta, gerando conhecimento e tornando as bibliotecas uma referência no mundo digital. 10ª Os jovens profissionais devem receber oportunidades efetivas de aprendizado, desenvolvimento e liderança As novas gerações estão carregadas de ideias e novas formas de ver a função da biblioteca. É por isso que estes profissionais devem ter a oportunidade de desenvolver e liderar iniciativas de valor. As ações propostas para alcançar este desafio estão focadas em realizar estágios em posições de liderança, fazendo mudanças no acesso a cargos de gestão, aproximando associações profissionais de estudantes e jovens profissionais, promovendo intercâmbios profissionais. Na prática: • Incluir nas práticas profissionais o acesso a todas as posições e níveis de trabalho, inclusive gerenciais. Incluir cotas para que os jovens sejam representados em instituições e órgãos profissionais e bibliotecários. • Fazer alterações no acesso aos cargos gerenciais; avaliar outros aspectos além dos anos de experiência em bibliotecas. • Aproximar as associações de estudantes e recém-formados. • Projetar programas de intercâmbio profissional para motivá-los. • Elevar, em nível nacional, um programa de líderes enquadrados nas linhas gerais recomendadas pela IFLA. Fonte: adaptado de ARENAS, J. M. Dez coisas que as bibliotecas devem fazer para enfrentar os desafios do futuro: a tecnologia e a digitalização estão abrindo novas oportunidades de aproveitamento para alcançar os usuários e fornecer novas formas de acesso à informação. Bibioo Cultura Informacional, [s. l.], 14 dez. 2018. Disponível em: https://biblioo.info/dez-coisas-que-as-bibliotecas-devem-fazer-para- -enfrentar-os-desafios-do-futuro/. Acesso em: 28 set. 2023. Vejamos agora um exemplo real de biblioteca considerada “biblioteca do futuro”. 160 9.1 DOKK1 – MAIOR BIBLIOTECA DA ESCANDINÁVIA Apelidada de “biblioteca do futuro”, a biblioteca Dokk1 se diferencia por seu projeto arquitetônico e seus quase 30 mil metros quadrados. Fundada em 2015, é a maior biblioteca da Escandinávia. Vem se destacando pelo número de usuários e visitantes que já é duas vezes maior que a do museu da cidade. Todo seu projeto é sustentável, há mais de 2.400 metros quadrados de painéis solares no telhado; a iluminação LED está em todos os ambientes e há sensores para os sistemas de água. É acessível, com rampas e elevadores em todos os cantos (CARNEIRO; ROCHA, 2016). Figura 68 – Dokk1 Fonte: https://www.flickr.com/photos/smartdrones/36395240410/in/photostream/. Acesso em: 27 set. 2023. Localizada ao longo do Rio Aarhus, na Dinamarca, foi coroada como a Biblioteca do Ano pela Agência Dinamarquesa para a Cultura e Palácios (Danish Agency for Culture and Palaces). Seu diretor, Sr. Rolf Hapel, afirma que “o projeto foi concebido como um lugar para seres humanos aprenderem e se desenvolver, em vez de apenas um repositório de livros. Oferece, com isso, uma abordagem diferente do que é uma biblioteca” (MILHORANCE, 2016, on-line). Observa-se que se trata de uma biblioteca pública e que foi feito um grande investimento em dinheiro pelo município em parceria com uma organização filantrópica. Toda a área ao redor da biblioteca também sofreu transformação, sendo construídas praças e áreas de recreação, além de um sistema de veículo leve sobre trilhos ou metrô (MILHORANCE, 2016). A biblioteca tem salas de reuniões, instalações de arte, salas de aula, palcos para performances, oficinas makers e playgrounds, além das habituais fileiras de estantes de livros. 161 Figura 69 – Parquinho e fliperama Fonte: https://www.bibliotecasdobrasil.com/2016/08/dokki1-biblioteca-publica-futurista-da.html. Acesso em: 27 set. 2023. Também possui todos os tipos de mídias disponíveis, um café, salas para projetos, salões, cabines de estudo, um parquinho e muito mais. Uma ponte entre o antigo e o novo, ao mesmo tempo que traz o conhecimento do início da humanidade em papel, abrindo espaço para um romance futuristaque é emprestado em um e-book. É possível ver essa ideia em ação com os jogos, já que a Dokk1 oferece jogos desde jogos de tabuleiro, como Gamão, e ao mesmo tempo, tem a opção de jogar um videogame em um fliperama (CARNEIRO; ROCHA, 2016). Seu acervo possui livros em várias línguas, inclusive português, filmes e CDs que podem ser alugados ou lidos ali mesmo (MILHORANCE, 2016). Mesmo num final de semana, um burburinho vinha especialmente de crianças entretidas com jogos hightech, brinquedos enormes ou livros coloridos. Cadeiras posicionadas ante vidraças dispersas em 360 graus com vista para o Mar do Norte ou para o centro urbano eram ocupadas por gente de todas as idades, de adolescentes a idosos, com seus laptops, fones de ouvidos e livros. Mesas eram usadas para jogos de tabuleiro, discussões em grupo ou, numa delas, para um workshop com máquina de costura. Em outra área, uma cafeteria – como de costume o espaço mais movimentado. Ali perto, um salão dividido por baias para serviços diversos disponíveis aos habitantes. A área é tão espaçosa e a acústica tão bem pensada que o som se dispersa. Ainda assim, há também um setor mais reservado, de silêncio. E, claro, estantes e mais estantes que abrigam 350 mil livros, revistas, vídeos e discos (MILHORANCE, 2016, on-line). A biblioteca Dokk1 também promove e recebe uma grande variedade de eventos, apresentações e workshops, a maioria em parcerias com instituições educacionais, associações ou voluntários. Virou também um ponto turístico, assim dispõe de painéis de informações, promove visitas guiadas. As áreas para reuniões podem ser reservadas gratuitamente e um sistema automático e gratuito garantindo o acesso a livros e outras mídias (CARNEIRO; ROCHA, 2016). 162 Gestão de serviços em bibliotecas e unidades de informação: revisão de literatura – 2010 a 2014 Elisete de Sousa Melo Annibal José Scarvada Mariza Almeida Introdução O desenvolvimento de projetos, produtos e serviços em qualquer ambiente envolve pessoas com os mais variados papéis. Esses atores necessitam de orientação para que o resultado seja atingido de forma satisfatória tanto para quem solicita o serviço como para aquele que atende. No caso de bibliotecas e unidades de informação, os serviços são avaliados por cada usuário que solicita informação, isto é, a avaliação é um processo contínuo. O papel do gestor é fundamental. Os estudos sobre a gestão de serviços propõem a administração de cada etapa do processo com a finalidade de melhor atender aos usuários do serviço, nesse caso, o serviço de informação. Há décadas observa-se atenção para o assunto na literatura de Biblioteconomia, autores como Nice Figueiredo (1994), em seu livro Estudos de uso e usuários de informação, afirma que nos estudos de usuários pode se mapear as necessidades informacionais deles. São “tendências comportamentais extremamente relevantes e devem ser consideradas pelos planejadores/administradores de sistemas de informação” (FIGUEIREDO, 1994, p. 49). Muito já se tem falado sobre o assunto. Quais são os estudos mais recentes? O artigo apresenta uma revisão da literatura sobre a gestão de serviços em bibliotecas e unidades de informação publicada no período de 2010 a 2014, sob a perspectiva teórica de Lovelock e Wright mencionados por Santos, Fachin e Varvakis (2003). Lovelock e Wright afirmam que “serviço é um ato ou desempenho que cria benefícios para clientes por meio de uma mudança desejada no – ou em nome do – destinatário do serviço” (SANTOS; FACHIN; VARVAKIS, 2003, p. 86). LEITURA COMPLEMENTAR 163 Nas últimas décadas, os estudos sobre a gestão de serviços de bibliotecas e unidades de informação ganharam força, pois quanto mais necessidade de informação, maior a exigência por parte dos usuários dos sistemas de informação. De acordo com Santos, Fachin e Varvakis (2003, p. 86), “à medida que a importância da informação aumenta na sociedade atual, os usuários de serviços de informação passam a ser mais exigentes, dando maior destaque à gestão de serviços em bibliotecas”. Assim, no levantamento realizado, levou-se em consideração a pesquisa, a recuperação e a seleção de artigos que tratam de gestão de serviços em bibliotecas e unidades de informação com foco na qualidade dos serviços prestados. Constatou- se que, grande parte das pesquisas realizadas tem como cenário as bibliotecas universitárias. Metodologia A estratégia metodológica utilizada foi a realização de pesquisa bibliográfica nos sites de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da Scientific Electronic Library Online (SCIELO), da Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (BRAPCI) e Bases de Dados Multidisciplinares Emerald Journals, EBSCO Information Services. As palavras- chave utilizadas para articular a pesquisa foram: gestão de serviços/gestão serviços em bibliotecas/administração de serviços em bibliotecas, service management e library. Foram recuperados e selecionados oito artigos nas áreas de Ciência da Informação e Biblioteconomia em âmbito da literatura nacional e internacional sobre a avaliação de gestão de serviços relevantes para a composição do presente estudo, sendo a maioria relacionada à qualidade de serviços prestados em ambiente acadêmico. Gestão de serviços em bibliotecas e unidades de informação Nos anos 30 do século passado, observa-se que as leis de Ranganathan (TARGINO, 2010) já tratavam da gestão dos serviços prestados aos usuários quando estabelece os seus princípios: os livros são para usar; a cada leitor seu livro; a cada livro seu leitor; poupe o tempo do leitor; a biblioteca é um organismo em crescimento. Os fundamentos de Ranganathan continuam servindo de inspiração para os profissionais que lidam com usuários na sua rotina diária em bibliotecas e unidades de informação, pois o alvo é a satisfação do usuário com o serviço prestado. Os estudos realizados sobre gestão de serviços apontam resultados voltados para Biblioteconomia e Ciência da Informação com foco para as bibliotecas universitárias. De acordo com Gianesi e Corrêa (1994) citados por Santos, Fachin e Varvakis (2003, p. 86), “a gestão de serviços depende da necessidade do usuário, pois o serviço está intimamente ligado à vivência do usuário, enquanto os bens manufaturados podem ser adquiridos. Portanto, os serviços não são palpáveis e sim intangíveis e de difícil mensuração”. 164 Observa-se que na administração de serviços o ponto focal é o usuário, e é ele quem lidera os serviços. A satisfação do usuário é um fator que requer muita atenção; cada usuário é um universo diferente de emoções e expectativas, conforme menciona Scavarda (2004, p. 75): “[...] Se as expectativas não são alcançadas, o cliente ficará desapontado, mas, se são alcançadas ou excedidas, ele ficará satisfeito”. O gestor do serviço de informação de uma biblioteca necessita ser hábil e tentar compreender que nem sempre o usuário expressa acertadamente a sua necessidade informacional. O bibliotecário tem que levar em conta “o nível de serviço e o tipo de informação que satisfazem a um cliente que talvez não sejam aquilo que, na mensagem inicial, ele expressou, de forma imperfeita, como sendo a sua necessidade” (GROGAN, 2001, p. 22 apud BEHR; MORO; ESTABEL, 2010, p. 39). Outro item que deve ser levado em conta quando se fala de satisfação do usuário com o serviço de informação é que o processo de avaliação deve ser contínuo, tanto do lado do gestor e das equipes das unidades de informação quanto dos clientes/ usuários do sistema de informação, “[...] incluindo o cliente no processo avaliativo e, a partir daí, considerá-los os árbitros últimos de sua excelência” (VERGUEIRO, 2007 apud BRITO; VERGUEIRO, 2013). Importante ressaltar que, para obter a satisfação do usuário, é necessário que ele conheça os serviços informacionais prestados pela biblioteca de sua instituição. Nesse contexto, “é preciso que osprofissionais de unidades de informação tenham conhecimento de estratégias que possibilitem maior visibilidade dos serviços prestados” (SILVA; FERNANDES; LIMA, 2013, p. 74). Observa-se que os autores que tratam desta temática destacam a importância do conhecimento de técnicas de outras áreas do conhecimento, como Marketing, com ferramentas que possibilitam a promoção e divulgação dos produtos e serviços, bem como a utilização de estratégias para influenciar as atitudes de seus usuários. Sendo assim, a presente pesquisa observa que os estudos apresentados sobre gestão de serviços, embora indiretamente, apropriam-se de técnicas da área de marketing quando disponibilizam instrumentos que contribuem para a melhoria dos processos de gestão de serviços em bibliotecas e unidades de informação. A seguir, são descritos resumos dos estudos apresentados nos artigos selecionados no período de 2010 a 2014. Numa análise sucinta sobre os serviços prestados em qualquer tipo de biblioteca (tradicional, digital, híbrida), os autores Melo e Sampaio (2010) afirmam que os serviços prestados pela biblioteca física e biblioteca digital são complementares. O profissional bibliotecário e gestores de informação têm atribuição de administrar recursos (humano, financeiro e informacionais). 165 Melo e Sampaio (2010) demonstram estar preocupados com a melhoria do desempenho da gestão de bibliotecas quando mencionam o manual Measuring Quality: Performance Measurement in Libraries, em sua segunda edição, adotado por profissionais de bibliotecas e de Ciência da Informação, que enumera quatro aspectos que devem ser levados em consideração pelos gestores de informação: a biblioteca digital, custos – eficácia, a formação na biblioteca e a biblioteca como local de trabalho e ponto de encontro. Os autores consideram que a gestão dos serviços de bibliotecas e unidades de informação contribuem para a crescente “produção de literatura especializada. Entre as diversas questões que englobam esta atividade, surge a gestão da qualidade que, nas últimas décadas, situa-se em lugar de relevo” (MELO; SAMPAIO, 2010, p. 8). Os autores fazem alusão a outros métodos para avaliação e desempenho de bibliotecas e unidades de informação. O LibQual+® é um instrumento de aferição da qualidade dos serviços em função das percepções e expectativas dos usuários. Lib- Qual+™ foi desenvolvido a partir do SERVQUAL, reconhecido como primeiro padrão de- senvolvido para avaliação da qualidade de serviço no setor comercial, trabalho pioneiro de Berry, Parasuraman e Zeithaml (PARASURAMAN et al., 1985), posteriormente adap- tado para aplicação em bibliotecas acadêmicas (GUIMARÃES et al., 2006). Tem servido de fundamento para o Programa de Avaliação da Qualidade de Produtos e Serviços do Sistema Integrado das Bibliotecas da Universidade de São Paulo (PAQ – SIBi/USP). Outros estudos foram realizados por Melo e Sampaio (2010) em bibliotecas universitárias portuguesas visando mensurar o efeito das publicações eletrônicas, por exemplo, o Método de Avaliação Contingencial (MAC) com o objetivo de estimar a razão do Custo/Benefício e o Balanced Scorecard (BSC). Em busca de melhoria na prestação de serviços em biblioteca escolar Behr, Moro e Estabel (2010) propõem estudo comparativo utilizando benchmarking e o sensemaking. Afirmam que “a biblioteca escolar aparece como um ambiente de aprendizagem e de construção do conhecimento que deve propiciar ao usuário ser o objeto do serviço” (BEHR; MORO; ESTABEL, 2010, p. 38). Sobre o modelo sensemaking, os autores asseguram ser essencial entender os anseios dos usuários nas entrelinhas, isto é, o contexto da problemática. “[...] neste momento, iniciará um processo de: interpretar e transpor o problema; utilizar uma estratégia para abordar e para solucionar o problema; obter um feedback do que foi feito; e reiniciar uma nova fase de busca da informação” (BEHR; MORO; ESTABEL, 2010, p. 51). Para Behr, Moro e Estabel (2010, p. 51, o sensemaking trata de um “modelo que dispõe sua abordagem de maneira a criar um movimento no usuário do sistema, transformando dúvida em ação”. 166 Behr, Moro e Estabel (2010) ressaltam a importância de o bibliotecário saber compreender os usuários e acompanhar a dinâmica dos novos tempos. O profissional deve ter conexão maior com seus usuários, procurar inovar a oferta de serviços. Associar técnica de benchmarking e o modelo sensemaking pode propiciar melhoria contínua nos serviços cujo foco será sempre o usuário. Lubisco (2011, p. 39) traça um “panorama sobre a organização de serviços em unidades de informação”. Descreve as etapas para o planejamento, gestão e orientações para os serviços de bibliotecas fundamentando o trabalho na “Teoria geral da administra- ção e em teorias e técnicas biblioteconômicas” (LUBISCO, 2011, p. 39). Segundo Lubisco (2011, p. 39), deve-se levar em consideração o “tipo de biblioteca que está sendo ou será administrada e, assim, suas finalidades, a gestão, os serviços e a organização e controle”. Conforme Lubisco (2011, p. 52), o gestor tem que acrescentar aos aspectos estatísticos, o aspecto da “satisfação do usuário”. Dentre as ferramentas utilizadas para mensurar o grau de satisfação de usuários, Lubisco (2011, p. 54) cita e descreve as características da LibQual+®, que “é uma ferramenta que possibilita o conhecimento da qualidade dos serviços prestados por uma unidade de informação, por meio de dados que revelam a percepção dos usuários sobre os serviços oferecidos”. Lubisco (2011) conclui que a atenção com as bibliotecas e o desenvolvi- mento de serviços requer embasamentos e sintonia entre os ambientes “teórico e prático, técnico e tecnológico”. Além disso, o serviço deve estar integrado à missão da organização mantenedora. Do ponto de vista Lubisco (2011, p. 54), em nosso país, o desenvolvimento de serviços remete a uma questão de fundo que está subordinada a todos esses aspectos formais: a questão do livro e da leitura. Com um olhar voltado para o usuário, Brito e Vergueiro (2012) afirmam que a qualidade dos serviços de informação deve ter como objetivo aprimorar seus serviços, tendo em vista atender ou até mesmo superar a expectativa de seus clientes. Em seu artigo, os autores tecem considerações sobre a qualidade no serviço prestado ao usuário de “biblioteca acadêmica”. Eles analisam o tema e apontam a metodologia de LibQual+®. A utilização da metodologia pode contribuir para o mapeamento de “pontos fortes e fracos dos serviços prestados pela biblioteca, auxiliando no planejamento e na tomada de decisões”. Em seus estudos, Kiran e Diljit (2012, p. 185) criaram uma ferramenta cujos objetivos de estudo foram: “a) identificar os principais atributos subjacentes às dimensões da percepção de qualidade de serviços de bibliotecas baseado na Web; b) identificar a importância relativa à percepção das dimensões da qualidade de serviços de biblioteca baseado na Web sobre a qualidade do serviço em geral; e, c) desenvolvimento de um modelo de qualidade de serviços em biblioteca baseado na Web”. 167 O trabalho foi desenvolvido com base na percepção dos clientes (pesquisadores e estudantes) de universidades da Malásia (KIRAN; DILJIT, 2012). Kiran e Diljit (2012 apud COLLIER; BIENSTOCK, 2006) asseguram que serviços on- -line têm características únicas que podem afetar a percepção da qualidade do serviço. O método nomeado Kiran e Diljit (2012) tem abordagem mista, pois eles acrescentaram as suas necessidades e indagações (entrevistas) alguns parâmetros encontrados em ferramentas tradicionais de avaliação da qualidade de serviços de bibliotecas, como o serviço de empréstimo e o de referência in loco. Os resultados do estudo apresentado pelos autores fornecem dois aspectos distintos de compreensão e avaliação da qualidade de serviços em bibliotecas universitárias baseadas na Web. Primeiro lugar, qualidade de serviço de biblioteca com base na web é identificada como uma construçãohierárquica multinível que é mais do que o julgamento das diferenças das expectativas dos clientes e o desempenho real da prestação de serviços. Segundo lugar, a qualidade do serviço baseado na web é conceituada como uma atitude construída sobre a experiência durante o consumo de serviços e as atividades são desempenhadas em tempo real. Para Kiran e Diljit (2012) bibliotecas universitárias devem contar com avaliação confiável e ferramentas validadas para ajudá-los a tomar decisões sobre como o serviço da biblioteca é percebido. Já Corrall, Kennan e Afzal (2013) apresentam alguns desafios e impactos que as novas tecnologias oferecem para as bibliotecas acadêmicas. Segundo os autores, após o estudo realizado em 140 bibliotecas acadêmicas da Austrália, Irlanda, Nova Zelândia e Reino Unido, os bibliotecários estão respondendo com inovações de serviços em áreas como a bibliometria e gerenciamento de dados de pesquisa. A bibliometria utiliza métodos estatísticos e matemáticos para analisar e construir indicadores sobre a evolução da informação científica e tecnológica de determinadas áreas (CORRAL; KENNAN; AFZAL, 2013). Os autores citam estudos dos pesquisadores Ball e Tunger (2006) e Hendrix (2010), que consideram a necessidade de se agregar valor aos serviços prestados pela biblioteca e que a bibliometria pode alavancar e modernizar os serviços prestados nas bibliotecas acadêmicas. Mencionam estudos onde: Gumpenberger et al. (2012, pp. 174-175) afirmam que a bibliometria e cientometria são "campos ideais de atividades para as bibliotecas acadêmicas modernas", oferecendo oportunidades "para desenvolver e fornecer serviços inovadores, tanto para professores e funcionários administrativos da universidade" e se envolver em pesquisa e desenvolvimento, conferências e outras atividades acadêmicas. Sua lógica, ecoando Ball e Tunger (2006), baseia-se na competência dos bibliotecários na manipulação de dados bibliográficos e bases de dados eletrônicos, e sua posição institucional como 168 unidades independentes interdisciplinares. Ball e Tunger (2006) também observam que nem os gestores de ciência e sua equipe, nem os próprios cientistas têm o know-how e as ferramentas para realizar análises bibliométricos (CORRALL; KENNAN; AFZAL, 2013). Para Corrall, Kennan e Afzal (2013), a gestão de dados de pesquisa é outra modalidade de serviço que os bibliotecários podem utilizar para associar valor às atividades da biblioteca acadêmica. Os autores apontam que o histórico da utilização de gestão de dados de pesquisa surge a partir de 2008 com estudos sobre repositórios institucionais com a publicação de estudos na Library Trends. A aplicação das técnicas bibliométricas às atividades da biblioteca acadêmica mudou o foco do simples desenvolvimento de coleção para avaliação de coleção, avaliação de pesquisadores entre outras (CORRALL; KENNAN; AFZAL, 2013). Em relação ao gerenciamento de dados de pesquisa, os autores acreditam que representa um novo desafio no portfólio de serviços de biblioteca, que, impulsionado por avanços tecnológicos, poderá proporcionar o desenvolvimento de colaboração de pesquisa interdisciplinar mundial (CORRALL; KENNAN; AFZAL, 2013). Os autores apresentam uma perspectiva de futuro favorável às atividades desenvolvidas pelos bibliotecários nas bibliotecas acadêmicas desde que o profissional esteja alinhado ao seu público e às novas tecnologias. Lloret-Romero et al. (2013) apresentam um trabalho com foco no serviço de referência digital, mas que ao mesmo tempo se aplica aos outros serviços de biblioteca e unidades de informação. Os autores asseguram que para melhor atender aos usuários que estão conectados com o mundo digital é necessária uma reavaliação das políticas tradicionais – uso, gestão e novas prestações de serviços utilizando a Internet (Red). Os autores apontam a flexibilidade do open source Koha na implantação de um Sistema Integrado de Gestão de Bibliotecas (SIGB). Justificam o estudo afirmando que ele possibilita “identificar os pontos-chave do ambiente digital, a finalidade do serviço e escalabilidade e integração de aplicações de código aberto globais e, em especial, Koha” (LLORET-ROMERO et al., 2013, p. 655). Lloret-Romero et al. (2013) argumentam que o serviço de referência digital tem os mesmos fins e requerimentos que o tradicional, isto é, responder às necessidades de informação dos usuários. Quanto aos serviços de referência e a web 2.0, segundo os autores, além de ampliar as formas de comunicação e diminuir as barreiras físicas e temporais, é fundamental que se conheça o aumento dos tipos de usuários e suas necessidades informacionais (mudança de atitude – mais colaborativo e social). “O serviço de referência digital é facilitar o acesso e uso da informação, bem como aconselhamento e formação" (LLORET-ROMERO et al., 2013, p. 655). 169 Alentejo, Baptista e Zattar (2013) estudaram o caso de uma biblioteca que adotou o ciclo de ‘Plan-Do-Check-Act’ (PDCA), que vem da teoria Total Quality Management (TQM). Segundo Alentejo, Baptista e Zattar (2013, p. 112), na primeira fase do processo, “mais pro- blemas foram gerados: necessidade de atualização constante do sistema de aquisição (SAD), equívocos de planejamento e procrastinação à solução proativa de problemas”. Como resultado do trabalho, Alentejo, Baptista e Zattar (2013, p. 112) asseguram que “a equipe de bibliotecários desenvolveu a habilidade de executar o serviço com base em pesquisas e diagnósticos das dificuldades encontradas no serviço”. A equipe da biblioteca trabalhando a gestão de seus processos passou a “considerar o usuário e o fornecedor como partes conexas aos processos do serviço. O que levou os profissionais da biblioteca conquistar os descrentes quanto aos benefícios da melhor gestão dos serviços que antes era contra as mudanças; conforme Alentejo, Baptista e Zattar (2013), cederam lugar para ações proativas, orientadas em um processo contínuo de pesquisa sobre os fatores que determinam o grau de satisfação, a habilidade para antever soluções às dificuldades, planejamento e execução das estratégias, resolução de problemas acumulados ao longo do tempo, e a aprendizagem baseada em experiências positivas da gestão do serviço. Modelos/Ferramentas O Quadro 1 apresenta um extrato dos modelos estudados e indicados pelos autores dos artigos selecionados. Quadro 1 – Resumo: modelo/ferramentas e seus autores Fonte: os autores. Modelo/Ferramenta Autor LibQual+® Melo e Sampaio (2010); Lubisco (2011); Brito e Vergueiro (2012); Kiran e Dijit (2012) Balanced Scorecard (BSC) Melo e Sampaio (2010) Método de Avaliação Contingencial (MAC) Melo e Sampaio (2010) Benchmarking Behr, Moro e Estabel (2010) Sensemaking Behr, Moro e Estabel (2010) Bibliometria Corrall; Kennan; Afzal (2013) Gestão de Dados de Pesquisa Corrall; Kennan; Afzal (2013) ‘Plan-Do-Check-Act’ - PDCA Alentejo; Baptista; Zattar (2013) Software open source Koha Lloret-Romero et al (2013) O resumo de modelos/ferramentas exibido no Quadro 1 demonstra que o modelo LibQual+® é foco de atenção para pesquisadores nacionais e internacionais. Verifica-se que outros modelos/ferramentas como Bibliometria, Balanced Scorecard entre outros 170 estão sendo submetidos à análise com o intuito de colaborar com os estudos para gestão de serviços de bibliotecas e unidades de informação. Considerações Finais Os artigos analisados mostram a preocupação com a gestão de serviços prestados em bibliotecas e unidades de informação com a intenção de melhor atender às necessidades informacionais de usuários cada vez mais exigentes. Conclui-se que a revisão da literatura sobre gestão de serviços em bibliotecas e unidades de informação em artigos no período de 2010 a 2014 atingiu seu objetivo. Verifica-se que a temática está na pauta de estudo dos pesquisadores de Ciência da Informação e Biblioteconomia adaptando modelos/ferramentas já utilizados em outras áreas de conhecimento comoà história do país e a sua evolução demográfica, política, econômica e social. Dessa forma, devem ser preservados conforme mencionado na Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991, que dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados e dá outras providências (BRASIL, 1991). 2 OS ARQUIVOS COMO SISTEMAS INSTITUCIONAIS As organizações devem planejar a implementação dos arquivos de maneira que permita a recuperação e acesso aos documentos custodiados de forma rápida. Para Paes (2004, p. 37): O arquivo deve ser pensando com prioridade na estrutura organizacional da instituição, sendo recomendado que a posição para o arquivo ocupar na estrutura organizacional seja a mais elevada “para que o arquivo seja subordinado a um órgão hierarquicamente superior, tendo em vista que irá atender a setores e funcionários de diferentes níveis de autoridade. Um sistema de arquivo é compreendido como um sistema que é “constituído por um conjunto de atividades articuladas através de uma rede de centros e serviços 5 técnicos para a estruturar a transferência, recepção, deposito, ordenamento, descrição e recolhimento dos documentos” (HERRERA, 1991, p. 207, tradução nossa). Para Jardim (2015, p. 174), o sistema de arquivo tem sua importância como instrumentos de “racionalização arquivística, sejam eles instituições nacionais, estaduais, municipais, estaduais ou empresas privadas”. Para o Dicionário brasileiro de terminologia arquivística (BRASIL, 2005, p. 82) o sistema de arquivo é “o conjunto de arquivos que, independentemente da posição que ocupem nas respetivas estruturas administrativas, funcionam de forma integral e articulada com o objetivo de dar continuidade aos objetivos comuns”. Segundo Vasquez (1994, p. 93 apud JARDIM, 1995, p. 46) “o sistema de arquivo integrado é um conjunto orgânico de arquivos, ligados a uma direção, que normaliza os processos arquivísticos e centra a informação num ponto acessível à consulta interna e externa”. Nessa perspectiva, Jardim (1995) define os subsistemas e sistemas coordenados de arquivo. Os subsistemas constituem parte do sistema integrado que tem autonomia para fazer a gestão dos documentos que estão na fase administrativa, porém dependem do direcionamento quanto à seleção para preservação permanente dos documentos. Os sistemas coordenados são sistemas completos e independentes que tem autonomia mediante “convenções e acordos, normalizam ou compatibilizam a circulação de informações e procedimentos administrativos” (VASQUEZ,1994, p. 94). Jardim (2015) apresenta os elementos que constitui um sistema de arquivo. • A legislação normativa dos aspectos internos e externos do sistema, dos direitos e obrigações dos utilizadores e do patrimônio documental. • Os arquivos. • Os documentos, de acordo com o ciclo de vida. • A Informação no seu circuito interno (no âmbito da organização produtora) e externo (outros arquivos e centros de informação). Um sistema de arquivos possibilita desenvolver uma gestão documental de acordo com as técnicas de arquivamento mais adequadas, mas, para isso, é necessário que a organização defina e implemente uma política arquivística institucional, com o objetivo da proteção e preservação de todos os arquivos da organização, desde a fase corrente até a permanente para que arquivo desempenhe “o papel que lhe compete sobre os documentos integrados em um sistema de arquivos” (NAVARRO, 2015, p. 131). Para que um sistema de arquivo funcione corretamente, Navarro (2015) elenca alguns elementos-chaves, que serão estudados mais adiante, que pode ser observado no Quadro 2. 6 Quadro 2 – Elementos fundamentais para o funcionamento do sistema de arquivos Fonte: Navarro (2015, p. 132, tradução nossa). Sistema de arquivos Requisitos Proteção do arquivo central Infraestrutura Equipe Medida de segurança Gestão documental moderna Organização documental Descrição documental Valoração documenta Conservação de documentos Serviços de documentos Recursos informáticos Ferramentas da gestão documental Sistema de gestão documental Instrumentos de gestão arquivísticas Políticas para o fortalecimento do arquivo central Diretrizes Proteção documental Rol do arquivo central Supervisão Assessoramento arquivístico Estado de conservação do documento do sistema de arquivos Gestão de arquivos Atenção do arquivo central Funções Chefe ou gerente Pessoal Treinamento Orçamento Transparência, responsabilidade e ética pública Informações no site Acesso e segurança da informação Gerenciamento de controle de risco Horários de atendimento Para Navarro (2015), um sistema de arquivo tem como característica a proteção do arquivo central, pois, por meio da de uma política institucional, os arquivos conduziram a gestão documental de forma eficiente e moderna. 2.1 O SISTEMA DE NACIONAL DE ARQUIVO – BRASIL No Brasil, existe o Sistema Nacional de Arquivos (SINAR) que foi criado pelo Decreto nº 82.308, de 25 de setembro de 1978, embora criado nesse período, nunca foi implantando. Em 1991, com a Lei nº 159, no Art. 26, o Sinar foi “recriado” e regulamentado pelo Decreto nº 4.073, de 3 de janeiro de 2002. A finalidade dele é implementar a política 7 Figura 1 – Sinar Fonte: adaptada de https://www.gov.br/conarq/pt-br/conexoes/sinar. Acesso em: 25 set. 2023. nacional de arquivos públicos e privados, com o objetivo a gestão documentação, a preservação e o acesso aos documentos. O Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ) é o órgão central do Sinar. Como competência o Sinar possui: I - promover a gestão, a preservação e o acesso às informações e aos documentos na sua esfera de competência, em conformi- dade com as diretrizes e normas emanadas do órgão central; II - disseminar, em sua área de atuação, as diretrizes e normas es- tabelecidas pelo órgão central, zelando pelo seu cumprimento; III - implementar a racionalização das atividades arquivísticas, de forma a garantir a integridade do ciclo documental; IV - garantir a guarda e o acesso aos documentos de valor permanente; V - apresentar sugestões ao Conarq para o aprimoramento do Sinar; VI - prestar informações sobre suas atividades ao Conarq; VII - apresentar subsídios ao Conarq para a elaboração de dispositi- vos legais necessários ao aperfeiçoamento e à implementação da política nacional de arquivos públicos e privados; VIII - promover a integração e a modernização dos arquivos em sua esfera de atuação; IX - propor ao Conarq os arquivos privados que possam ser considerados de interesse público e social; X - comunicar ao Conarq, para as devidas providências, atos lesivos ao patrimônio arquivístico nacional; 8 XI - colaborar na elaboração de cadastro nacional de arquivos públicos e privados, bem como no desenvolvimento de atividades censitárias referentes a arquivos; XII - possibilitar a participação de especialistas de órgãos e entida- des, públicos e privados, nas câmaras técnicas e na Comissão de Avaliação de Acervos Privados; XIII - proporcionar aperfeiçoamento e reciclagem aos técnicos da área de arquivo, garantindo constante atualização (BRASIL, 2002, on-line). 3 CLASSIFICAÇÃO DOS ARQUIVOS O arquivo pode ser classificado quanto a sua posição na estrutura da organização ou de acordo com o aspecto a ser estudado: entidade mantenedora, evolução, atuação e natureza dos documentos (PAES, 2004). Figura 2 – Classificação dos arquivos Fonte: adaptada de Paes (2004). Dessa forma, antes de iniciar o planejamento do sistema de arquivos, deve ser levar em conta a centralização ou descentralização dos arquivos. • Arquivos centralizados: neste sistema, todas as atividades que compõem as rotinas de gestão serão executadas de forma concentradamente, isso inclui desde a produção documental até a destinação final. A centralização não é penas a reunião do acervo em um único local, mas sim a concentração de toda as atividades de gestão (FREIBERGER, 2012). • Arquivos descentralizados: neste sistema, os setores são responsáveisAdministração, bem como propondo a utilização de outros modelos/ferramentas. Enfim, demonstra que a maioria dos estudos são realizados em bibliotecas e unidades de informação universitárias. Fonte: adaptado de MELO, E. de S.; SCARVADA, A. J.; ALMEIDA, M. Gestão de serviços em bibliotecas e unidades de informação da literatura – 2010 a 2015. Polêm!ca, [s. l.], v. 15, n. 1, p. 39 a 51, abr. 2015. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/polemica/article/view/16001/12044. Acesso em: 27 set. 2023. 171 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu: • O desenvolvimento de produtos e serviços em bibliotecas tem como objetivo atender às necessidades informacionais de sua comunidade de usuários. Esse processo envolve pessoas desempenhando os mais variados papéis, incluindo profissionais da biblioteconomia e usuários. • Produtos são como “algo que pode ser oferecido a um mercado para apreciação, aquisição, uso ou consumo e que pode satisfazer um desejo ou uma necessidade” (KOTLER; ARMSTRONG, 2007, p. 200). Quanto aos serviços, os autores afirmam que são “um tipo de produto que consiste em atividades, benefícios ou satisfações oferecidas para venda, que são essencialmente intangíveis”. • O planejamento dos produtos ou serviços que serão disponibilizados deve oferecer uma base conceitual para definir a especialização do produto, seu desenvolvimento, recursos humanos e financeiros necessários. • Os quatro princípios básicos que devem nortear a preocupação dos profissionais da informação com relação à oferta de produtos e serviços são: saber interpretar a necessidade de informação dos seus usuários, realizando estudos de usuários com base nas noções de pesquisa de mercado, análise do consumidor, segmentação de mercado; valorizar o bom atendimento, tendo interesse em não deixar o pedido sem resposta e treinando a equipe para agir com cortesia, empenhando-se em oferecer a resposta em tempo hábil; ser receptivo às críticas, sugestões e reclamações, valorizando as avaliações; ser eficaz, dando ênfase aos resultados e desenvolvendo a capacidade para definir prioridades. • Para ser um bibliotecário inovador, o profissional precisa muito mais do que conhecimento e habilidades. Precisa um repensar pontualmente sobre suas atitudes interpessoais significativas, como de envolvimento, comprometimento, trabalho em equipe, para dar visibilidade profissional, devido à área ser multidisciplinar. • O reconhecimento das demandas e a qualidade ofertada nos produtos e serviços se deve há alguns fatores, como: conhecimento da comunidade e dos usuários; administração eficiente dos recursos financeiros; gestão de pessoas; e utilização de técnicas de marketing. • O marketing na biblioteca tem como função lidar com os usuários reais e potenciais, ou seja, atrair novos e manter os usuários atuais, visando aumentar a produtividade e acirrar a competitividade dos produtos e serviços de informação. 172 • Quando tratamos de finanças, não tendo um padrão a ser seguido, deve-se seguir as orientações da instituição a qual está inserida, mas que perpassa o planejamento do acervo, a definição ou não pelas multas e pela possibilidade de participação em projetos de financiamento públicos ou privados. • Os serviços são ‘o coração’ das unidades de informação, pois, por meio deles, atingimos o objetivo das bibliotecas, ou seja, o atendimento informacional dos usuários, conforme os seus tipos e características. • A cultura digital vem instigando pesquisadores do campo da ciência da informação, bem como bibliotecários a buscarem soluções para a ampliação e inovação em seus serviços nos serviços. • Entre as características das novas tendências em serviços da informação, estão a informação liquida; a sociedade conectada; a informação hibrida; a biblioteca desterritorializado; a informação atemporal; a informação síncrona; a informação personalizável e a informação colaborativa. • Todos esses termos se relacionam com as formas e concepções sobre uso e formato da informação no que é chamado de Sociedade da Informação, termo que surgiu no final do século XX e vem sendo fortemente utilizado por aqueles que reforçam o surgimento de um novo conceito sobre o uso da informação relacionada às novas tecnologias e de comunicação. Também viu que esse termo e seu conceito não é unanimidade entre os autores. • O termo serviço pode ser conceituado como ato ou desempenho que cria benefícios para clientes por meio de uma mudança desejada no destinatário do serviço, que não são palpáveis, e sim intangíveis e de difícil mensuração. • O principal diferencial entre bens e serviços estaria na participação do usuário que de fato vivencia a criação do serviço. Sendo suas principais características: intan- gibilidade, simultaneidade entre a produção e consumo e participação do usuário. • O setor de prestação de serviços tem crescido continuamente na economia mundial. Passando de 26,4% em 1950 para 70% em 2018. Diante desse crescimento, muitos esforços da comunidade acadêmica, como de pesquisadores e professores de diversas áreas do conhecimento, começaram a voltar suas atenções para as particularidades da gestão de serviços. • A busca de melhorias de qualidade, tão comum em indústrias, passou a ser prioridade também nas organizações prestadoras de serviços. Neste contexto, os profissionais bibliotecários começam a pensar e definir a biblioteca do futuro, a qual é imprescindível a participação dos usuários no planejamento dos sistemas de informação. 173 • Entre os desafios do futuro, para as bibliotecas destacadas pela IFLA, estão: 1) os papéis tradicionais da biblioteca na era digital devem ser atualizados; 2) as necessidades da comunidade bibliotecária devem ser melhor compreendidas e os serviços devem ser projetados para causar impacto; 3) as bibliotecas devem adaptar-se a mudanças tecnológicas permanentes; 4) mais e melhores promotores e defensores da profissão são necessários em todos os níveis; 5) um espírito de colaboração bibliotecária deve ser desenvolvido; 6) você deve lutar pela liberdade intelectual da biblioteca; 7) assegure-se de que as partes interessadas compreendam o valor e o impacto da biblioteca; 8) as estruturas e comportamentos existentes devem ser desafiados; 9) o acesso ao patrimônio documental mundial deve ser maximizado; 10) os jovens profissionais devem receber oportunidades efetivas de aprendizado, desenvolvimento e liderança. • Já existem experiências reais entre as chamadas “bibliotecas do futuro” e você conheceu um exemplo: a maior biblioteca pública da Dinamarca, a Dokk1. 174 AUTOATIVIDADE 1 A cultura digital vem instigando pesquisadores do campo da ciência da informação, bem como bibliotecários a buscarem soluções para a ampliação e inovação em seus serviços nos serviços. Sobre a cultura digital, associe os itens, utilizando o código a seguir: I- Informação líquida. II - Sociedade conectada. III- Informação híbrida. IV- Biblioteca desterritorializada. V- Informação atemporal. VI- Informação síncrona. VII- Informação personalizável. VIII- Informação colaborativa. ( ) Uma biblioteca que é apenas digital é tão inadequada como uma biblioteca que só oferece livros. Em ambos os casos, excluem uma parte da sociedade, modos de acesso ao conhecimento e práticas culturais. ( ) São estratégias e ferramentas que auxiliam no trabalho em equipe entre setores ou parceiros. ( ) A comunicação assíncrona não exige a presença de ambos os envolvidos em tempo real, conectados a uma rede. Ela consiste em uma comunicação em que o comunicante envia uma mensagem, por meio de e-mail ou formulário, e que é respondida posteriormente, em momento oportuno. Necessita que dois ou mais envolvidos estejam conectados ao mesmo tempo no ambiente virtual, com a vantagem de possibilitar ao usuário receber respostas imediatas e ao bibliotecário, realizar uma entrevista mais minuciosa em relação aos questionamentos abordados. ( )Os dados registrados em suportes digitais em atualização permanente, sem restrições de acesso, amplamente disponíveis e em formatos que possam ser compartilhados através de protocolos abertos. ( ) Implica satisfazer, da melhor forma possível, as necessidades dos usuários, possibilitando informações e recursos de acordo com o seu perfil. ( ) Não temos como pensar em unidades de informação sem pensar o atendimento e acesso de usuários através da internet. ( ) É aquela que pode ser consultada a qualquer momento. ( ) A informação é fluxo, é como se o coletivo novamente fosse portador do conhecimento”. Relaciona-se então com as informações dispostas no espaço virtual, fazendo com que a biblioteca atenda a um público muito além do seu território. 175 Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) III – VIII – VI – I – VII – II – V – IV. b) ( ) II – VIII – VI – I –VII – III – V – IV. c) ( ) VIII – III – VI – I –VII – II – V – IV. d) ( ) IV – VIII – VI – I –VII – II – V – III. 2 A cultura digital vem instigando pesquisadores do campo da ciência da informação, bem como bibliotecários a buscarem soluções para a ampliação e inovação em seus serviços nos serviços. A ampliação do acesso à internet no uso dos computadores e outros aparelhos, em especial do celular, faz com que seja necessário repensar as formas de disponibilização das informações. Dentro dessa perspectiva, estudamos sobre a comunicação assíncrona e síncrona. A respeito delas, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) A comunicação assíncrona não exige a presença de ambos os envolvidos em tempo real, conectados a uma rede. ( ) A comunicação assíncrona é uma comunicação em que o comunicante envia uma mensagem, por meio de e-mail ou formulário, e que é respondida posteriormente, em momento oportuno. ( ) A comunicação síncrona necessita que dois ou mais envolvidos estejam conectados ao mesmo tempo no ambiente virtual. ( ) A vantagem da comunicação assíncrona é que o usuário pode receber uma mensagem imediata. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – V – V – F. b) ( ) F – V – F – V. c) ( ) F – F – V – F. d) ( ) V – F – F – V. 3 Em julho de 2017, a International Federation of Library Associations and Institutions (Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias) realizou o segundo workshop espanhol Visión Global de la IFLA com o tema Como um setor de bibliotecas unidas pode enfrentar os desafios do futuro – ideias para ações. Na lista de dez desafios identificados, destacamos: os papéis tradicionais da biblioteca na era digital devem ser atualizados. Sobre a proposta apontada para alcançar esse na prática, assinale a alternativa INCORRETA: a) ( ) Criar o dia do "Orgulho Bibliotecário", buscando aumentar a autoestima dos bibliotecários. b) ( ) Educação para os usuários antes de um novo tipo de informação. Mediadores/ Formadores = Educadores para disseminadores. 176 c) ( ) Criação de novas fontes de informação a partir de repositórios e bases de dados digitais. Curadoria de conteúdo. Colaboração institucional = Criadores de informação. d) ( ) Maior acesso a grupos específicos 4 Para a IFLA (2017 apud ARENAS, 2018, on-line), os desafios do campo da biblioteca, no contexto da globalização, são cada vez maiores e só podem ser superados por meio de uma resposta global e unificada por parte dos profissionais de biblioteconomia. Entre os dez desafios levantados no workshop, promovido pela IFLA, destacamos a luta pela liberdade intelectual da biblioteca. Explique em que consiste esse desafio e que práticas podem ser adotadas para garanti-la. 5 Apresente dois aspectos de serviços inovadores e exemplifique como poderia desenvolvê-los na biblioteca. 177 REFERÊNCIAS ALMEIDA, M. C. B. de. Planejamento de bibliotecas e serviços de informação. 2. ed. rev. e ampl. Brasília: Briquet de Lemos, 2005. AMARAL, S. A. O profissional da informação e as técnicas de marketing. Revista de Biblio- teconomia de Brasília, Brasília, v. 23-24, n. 2, 2000. Disponível em: http://www.brapci.inf. br/_repositorio/2010/10/pdf_786a8ec6ae_0012290.pdf . Acesso em: 27 set. 2023. ANTUNES, W. de A.; CAVALCANTE, G. de A.; ANTUNES, M. C. Curso de capacitação para dinamização e uso da biblioteca pública: manual. 2. ed. São Paulo: Global, 2000. ARAÚJO, W. da S.; SILVA, M. B. da; SILVA, A. K. A. da. O uso de marketing na comunicação de produtos e serviços em unidades de informação: o caso da seção de Multimeios da Bi- blioteca Central da UFPB. Biblionline, João Pessoa, v. 7, n. 2, p. 73-88, 2011. Disponível em: http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/biblio/article/view/9760. Acesso em: 27 set. 2023. ARENAS, J. M. Dez coisas que as bibliotecas devem fazer para enfrentar os desafios do futu- ro: a tecnologia e a digitalização estão abrindo novas oportunidades de aproveitamento para alcançar os usuários e fornecer novas formas de acesso à informação. Bibioo Cultura In- formacional, [s. l.], 14 dez. 2018. Disponível em: https://biblioo.info/dez-coisas-que-as-bi- bliotecas-devem-fazer-para-enfrentar-os-desafios-do-futuro/. Acesso em: 28 set. 2023. BAPTISTA, S. G.; COSTA, M. M.; NETA, M. A. V. V. Marketing para promoção de produtos e serviços de informação: estudo de caso da Biblioteca da Presidência da República. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 6, n. 2, p. 83-104, jan./jun. 2009. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index. php/rdbci/article/view/1992/2113. Acesso em: 27 set. 2023. BASTO NETO, M de M. Aberto Edital de fomento a projetos de bibliotecas públicas. i9Trei- namentos, Brasília, 24 jan. 2028. Disponível em: https://i9treinamentos.com/blog/aber- to-edital-de-fomento-a-projetos-de-bibliotecas-publicas/. Acesso em: 27 set. 2023. BRASIL. Lei nº 8.859 de 22 de março de 1994. Dispõe sobre o estágio de estudantes. Brasília, DF: Presidência da República, 1994. Disponível em: https://www.camara.leg.br/ proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=522358. Acesso em: 26 set. 2023. BRASIL. Classificação brasileira de ocupações. 2. ed. Brasília, DF: TEM; SPPE, 2002. BRASIL. Lei nº 12.244 de 24 de maio de 2010. Dispõe sobre a universalização das bi- bliotecas nas instituições de ensino do País. Brasília, DF: Presidência da República, 2010. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12244. htm. Acesso em: 26 set. 2023. 178 CAMARGO, L. S. de A. de; VIDOTTI, S. A. B. G. Arquitetura da informação para biblioteca di- gital personalizável. Encontros Bibli: revista eletrônica de biblioteconomia e ciên- cia da informação, Florianópolis, n. especial, p. 103-118, jul. 2006. Disponível em: ht- tps://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/1518-2924.2006v11nesp1p103/389. Acesso em: 28 set. 2023. CARNEIRO, D.; ROCHA J. Dokk1, a biblioteca pública futurista da Dinamarca é eleita a melhor do mundo. Bibliotecas do Brasil, [s. l.], 29 ago. 20216. Disponível em: https:// www.bibliotecasdobrasil.com/2016/08/dokki1-biblioteca-publica-futurista-da.html. Acesso em: 28 set. 2023. CASARTELL, A. de O. et al. Inteligência estratégica em instituições de ensi- no superior. Perspect. ciênc. inf., Belo Horizonte, v. 15, n. 2, p. 183-197, ago. 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi- d=S1413-99362010000200012&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 27 set. 2023. CAVALCANTE, L. E. Gestão estratégica de recursos humanos na era da tecnologia da in- formação e da globalização. Informação & Informação, Londrina, v. 5, n. 2, p. 139-147, jul./dez. 2000. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/ article/view/1669. Acesso em: 26 set. 2023. CAVALCANTI, V. O. de M.; SILVA, M. L. T. Bibliotecário gestor um estudo sobre o perfil dos bibliotecários do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte. In: XXV CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA,DOCUMENTO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., 2013, Florianópolis. Anais [...]. São Paulo – SP: FEBAB, 2013. Dis- ponível em: http://repositorio.febab.org.br/items/show/2344. Acesso em: 26 set. 2023. CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos. Barueri: Manole, 2009. CONARQ. Recomendações para a construção de arquivos. Rio de Janeiro: Con- selho Nacional de Arquivos, 2000. Disponível em: https://dhg1h5j42swfq.cloudfront. net/2016/02/20152049/Recomenda%C3%A7%C3%B5es-Para-Constru%C3%A7%- C3%A3o-de-Arquivos.pdf. Acesso em: 26 set. 2023. COSTA, K. de S. B. D. da. Organização de bibliotecas: espaço físico. São Paulo: Senac, 2007. DAVOK D. F.; PEREIRA; C. P. de C.; ORDOVÁS, G. B. Estudo do layout da biblioteca pública de Santa Catarina. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 16, n. 1, p. 341-357, jan./jun., 2011. DIAS, M. A. P. Administração de materiais: uma abordagem logística. 5. ed. São Paulo, Atlas, 2010. DRESSLER, G. Administração de recursos humanos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2003. 179 FARIA, L. J. Os novos modelos de gestão: análise e algumas práticas em empresas brasileiras. RAE Light /EAESP/FGV, São Paulo, v. 2, n. 4, p. 35-40, 1995. FERREIRA, S. M. S. P. Novos paradigmas da informação e novas percepções do usuário. Ciência da Informação, Brasília, v. 25, n. 2, p. 217- 223, maio/ago. 1996. FIGUEIREDO, M. A. C. de; SOUZA, R. R. Aspectos profissionais do bibliotecário professional. Enc. Bibli: R. Eletr. Bibliotecon. Ci. Inf., Florianópolis, n. 24, p. 10- 31, 2º sem. 2007. Disponivel em: http://www.brapci.inf.br/_repositorio/2010/09/ pdf_4f47718632_0011961.pdf. Acesso em: 26 set. 2023. FIGUEIREDO, M. A. C. de. Estudo de uso e usuários da informação. Brasília: Ibict, 1994. 154p. FIGUEIREDO, N. M. O processo de transferência da informação. Ciência da Informação, v. 8, n. 2, 1979. GIANESI, I. G. N.; CORRÊA, H. L. Administração estratégica de serviços: operações para a satisfação do cliente. São Paulo: Atlas, 1994. 233 p. GROGAN, D. J. A prática do serviço de referência. Brasília: Briquet de Lemos, 2001. 196 p. KOTLER, P.; ARMSTRONG, G. Princípios de marketing. São Paulo: Prentice Hall, 2007. LÉVY, P. A emergência do cyberspace e as mutações culturais. Tradução transcrita por João Batista Francisco e Carmem Oliveira. Pierre Lévy, [s. l.], 1994. Disponível em: http://www.caosmose.net/pierrelevy/aemergen.html. Acesso em: 28 set. 2023. LINHARES, E. Como organizar um centro de documentação de formação profissional. Rio de Janeiro: Senai/DN/DPEA, 1984. 110 p. LONGO, R. M. J.; VERGUEIRO, W. Gestão da qualidade em serviços de informação do setor público: características e dificuldades para sua implantação. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 1, n. 1, p. 39-59, jul./ dez. 2003. Disponível em: http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/ view/286. Acesso em: 26 set. 2023. LOVELOCK, C.; WRIGHT, L. Serviços: marketing e gestão. São Paulo: Saraiva, 2001. 416 p. MARQUES JÚNIOR, E.; ALBINO, J. P. Gestão do conhecimento e recursos humanos em bibliotecas universitárias brasileiras e portuguesas. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 7, n. 1, p. 74-89, jan./jun. 2011. Disponível em: http://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/183. Acesso em: 26 set. 2023. 180 MELO, E. de S.; SCARVADA, A. J.; ALMEIDA, M. Gestão de serviços em bibliotecas e unidades de informação da literatura – 2010 a 2015. Polêm!ca, [s. l.], v. 15, n. 1, p. 39 a 51, abr. 2015. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/polemica/ article/view/16001/12044. Acesso em: 27 set. 2023. MILHORANCE, F. Conheça a biblioteca do futuro: mais de 750 mil pessoas já visitaram o projeto que vem mudando a cara da zona portuária na Dinamarca. Projeto Colabora, [s. l.], 29 jan. 2016. Disponível em: https://projetocolabora.com.br/ods11/conheca-a- biblioteca-do-futuro/#. Acesso em: 28 set. 2023. OLIVEIRA, P. V.; HORTA, G. R. Reestruturação de layout: impactos na biblioteca univer- sitária da UFVJM – campos do Mucuri. In: XIX SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS. 19., 2016, Manaus. Anais [...]. São Paulo – SP: Repositório FEBAB, 2016. Disponível em: http://repositorio.febab.org.br/items/show/4499. Acesso em: 27 set. 2023. PEREIRA, A. M. A.; LAURINDO, A. M. D. B. R.; SANTIAGO, S. A. Representação descritiva e temática dos estoques informacionais da BPSC: relato de experiência. Revista ACB: Bi- blioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 16, n. 1, p. 358-380, jan./jun. 2011. PESTANA, M. C. et al. Desafios da sociedade do conhecimento e gestão de pessoas em sis- temas de informação. Ciência da Informação, Brasília, v. 32, n. 2, p. 77-84, maio/ago. 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ci/v32n2/17036.pdf. Acesso em: 26 set. 2023. PIMENTEL, G.; BERNARDES, L.; SANTANA, M. Biblioteca escolar. Brasília: Ed. UNB, 2007. PINTO, A. L.; M; GONZÁLEZ, J. A. O profissional bibliotecário como gestor de pessoas. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Florianópolis, v. 15, n. 29, p. 52-65, 2010. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index. php/eb/article/view/1518-2924.2010v15n29p52. Acesso em: 26 set. 2023. PINTO, M. D. de S. Bibliotecário: contexto de mudança e inovação necessária. Revista ACB, [s. l.], v. 14, n. 2, p. 353-354, dez. 2009. Disponível em: https://revista.acbsc.org.br/ racb/article/view/722. Acesso em: 27 set. 2023. RABELLO, R.; CAIADO, B. C. Produtos e serviços de informação: estudos de usos e usabilidades. Brasília: Ibict, 2014. RANGANATHAN, S. R. As cinco leis da biblioteconomia. Brasília: Briquet de Lemos Livros, 2009. 336 p. ROCHA, S. N. Organização do espaço físico da biblioteca escolar. Curitiba: Secretaria de Estado de Educação Paraná, 2010. 181 RODRIGUES, M. F. A biblioteca do futuro não terá o livro como centro de gravidade, diz Mélanie Archambaud. Estadão, São Paulo 20 nov. 2017. Disponível em: https://www. estadao.com.br/cultura/literatura/a-biblioteca-do-futuro-nao-tera-o-livro-como- centro-de-gravidade-diz-melanie-archambaud/. Acesso em: 28 set. 2023. SANTOS, L. C. Projeto e análise de processos de serviços: avaliação de técnicas e aplicação em uma biblioteca. 2000. 110 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2000. SANTOS, L. C.; FACHIN, G. R. B.; VARVAKIS, G. Gerenciando processos de serviços em bibliotecas. Ci. Inf., Brasília, v. 32, n. 2, p. 85-94, maio/ago. 2003. Disponível em: http:// www.brapci.inf.br/_repositorio/2010/02/pdf_8886908b80_0008239.pdf. Acesso em: 18 set. 2019. SANTOS, R. S.; BARBOSA, J. J.; SOUZA, S. M. Clemente de serviço de referência virtual: uma proposta de comunicação síncrona e de política de atendimento para a biblioteca da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira – (Unesp/FE). In: XXV CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., 2013, Florianópolis. Anais [...]. São Paulo – SP: FEBAB, 2013. Disponível em: http://repositorio. febab.org.br/items/show/2333. Acesso em: 28 set. 2023. SILVA, A. L. da; RENTES, A. F. Um modelo de projeto de layout para ambientes job shop com alta variedade de peças baseado nos conceitos da produção enxuta. Gest. Prod., São Carlos, v. 19, n. 3, p. 531-541, 2008. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/gp/ v19n3/07.pdf. Acesso em: 26 set. 2023. SILVA, C. C. M. da; RADOS, G. J. V. Gestão de serviços em bibliotecas: melhoria com foco no cliente. Rev. ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 7, n. 1, 2002. Disponível em: https://brapci.inf.br/index.php/res/download/86158. Acesso em: 28 set. 2023. SILVEIRA, J. G. da. Gestão de recursos humanos em bibliotecas universitárias: reflexões. Ciência da Informação, Brasília, v. 38, n. 2, p. 126141, maio/ago. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010019652009000200010&script=sci_arttext. Acessoem: 26 set. 2023. STEWART, T. A. Capital intelectual: a nova vantagem competitiva das empresas. Rio de Janeiro: Campus, 1998. VALENTIM, M. L. P. Inteligência competitiva em organizações: dado, informação e conhecimento. DataGramaZero: Revista de Ciência da Informação, Rio de Janeiro, v. 3 n. 4, ago. 2002. Disponível em: https://brapci.inf.br/_repositorio/2010/01/pdf_ f589d25523_0007468.pdf. Acesso em: 28 set. 2023. 182 VALENTIM, M. L. P. Cultura organizacional no processo de inteligência competitiva. InfoHome, [s. l.], out. 2003. Disponível em: https://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo. php?cod=77#. Acesso em: 28 set. 2023. VANZ, S. A. de S. Padrões para infraestrutura e mobiliário de bibliotecas. São Pau- lo: Biccateca, 2004. WOLKAM, E. A era da gestão e sistemas colaborativos. Transformação Digital, [s. l.], 27 jul. 2018. Disponível em: https://transformacaodigital.com/gestao/a-era-da-gestao-e- sistemas-colaborativos/. Acesso em: 28 set. 2023. 183 ORGANIZAÇÃO DE UNIDADE DE INFORMAÇÃO MUSEOLÓGICA UNIDADE 3 — OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • conhecer a organização dos museus; • identifi car a arquitetura como parte da organização de museus; • compreender a arquitetura das edifi cações no contexto museológico; • analisar a estruturação defi nida pelo Ibram para a constituição dos museus; • conhecer a organização dos museus na diversidade social e museal. A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – ARQUITETURA EM MUSEUS: PONTO CRUCIAL NA ORGANIZAÇÃO TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – ASPECTOS GERAIS SOBRE A ESTRUTURAÇÃO DOS MUSEUS NA PERSPECTIVA LEGAL/ IBRAM e ICOM TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – ORGANIZAÇÃO DOS MUSEUS NA DIVERSIDADE SOCIAL E MUSEAL Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 184 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 3! Acesse o QR Code abaixo: 185 TÓPICO 1 — ORGANIZAÇÃO DE UNIDADE DE INFORMAÇÃO MUSEOLÓGICA UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Nesta Unidade 3, trataremos a respeito da organização de museus. Na continuidade do seu curso de Bacharelado em Museologia, você terá disciplinas que aprofundarão o conteúdo, especialmente a disciplina de Gestão em museus. Além dela, a disciplina de Introdução à museologia desenvolve uma visão preliminar sobre a organização estrutural das instituições. Nesta disciplina de Organização de unidades de informação, estudaremos alguns indícios a respeito da estrutura organizacional de um museu e afins. Veremos a abordagem arquitetônica que se manifesta na estruturação do espaço físico, compartilharemos informações relativas à compreensão do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), sobre a organização dos museus e, ainda, a atualização da organização nas diversas tipologias de museus, tais como museus tradicionais, museus temáticos e museus virtuais. Iniciamos com os objetivos de conhecer, analisar e refletir sobre a arquitetura dos museus na atualidade. Sabemos que existem diferentes categorias de museus, como os de artes, ciências, tecnologias, museus de territórios, comunitários, históricos. Cada um tem sua especificidade, mas há neles também pontos em comum. Ficou curioso? Continue a leitura desta Unidade 3 e vamos juntos descortinar a organização de unidades de informação museológicas. 2 ARQUITETURA EM MUSEUS: PONTO CRUCIAL NA ORGANIZAÇÃO Neste primeiro tema de aprendizagem, abordaremos a questão da arquitetura dos prédios de museus, como forma da organização da unidade museológica. Questionaremos se a arquitetura física de uma edificação que foi destinada a abrir um museu é acertada em seus aspectos físicos, ambientais, processuais. Vamos analisar as propriedades e os desafios de se ter um museu organizado em um prédio adaptado. Iniciaremos refletindo sobre definições. O Conselho Internacional de Museus, re- conhecido no âmbito da Museologia como ICOM, classifica os museus por assuntos e pela caracterização do acervo. Nesse sentido, é inevitável considerar que o museu possui uma sede, independentemente da tipologia institucional ou da caracterização do acervo. 186 Um museu, seja ele tradicional ou com modelo teórico metodológico embasado na museologia crítica, constitui-se de uma sede que serve como espaço para a realização dos processos museológicos. Mesmo um museu virtual, constituído no ciberespaço, possui algum espaço edificado, pois, acaba existindo um meio físico para guarda e preservação de seus registros. Isso quer dizer que, construir, reformar, reconstruir, ampliar e readaptar museus exige dos profissionais museólogos (e outros parceiros interdisciplinares), conhecimentos teóricos e técnicos introdutórios sobre a arquitetura do prédio, como forma de melhor organizar a instituição. Esse conhecimento irá apoiar as decisões de gestão, em programas e projetos que modifiquem o olhar desdenhoso da população leiga, que ainda considera os museus como sendo velhos depósitos. A arquitetura do prédio estabelece uma forma de comunicação e precisa ser or- ganizada para produzir informações aos visitantes, de maneira que eles compreendam o que estão vendo, e se sintam inseridos no que está sendo apresentado. Cada “canto” do museu transmite uma informação, uma sensação e uma experiência, interconectando o sentido informacional do transmissor museu e do receptor público. Esses “cantos” orga- nizam informações e trazem soluções funcionais e simbólicas para os edifícios culturais. Para começo da conversa, é válido compreender o que consideramos arquitetura em museus, sob o olhar de Zevi (1992, p. 18): [...] a arquitetura não provém somente de um conjunto de larguras, cumprimentos e alturas dos elementos construtivos que encerram o espaço, mas, precisamente do vazio, do espaço encerrado, do espaço interior em que os homens andam e vivem. Quanto a este espaço, é impossível que seja fielmente representado, seja por plantas, cortes, elevações ou fotografias. Para conhecê-lo é preciso experimentá-lo diretamente. Então, podemos dizer que a arquitetura é funcional, simbólica e representativa. Para além disso, estabelece uma relação entre as pessoas com o espaço em que circulam. Hall (2005) nos ensina que a arquitetura, assim como a cultura, relaciona-se com o repertório perceptivo daqueles que projetam e vivenciam o espaço, ou seja, cada um entende o espaço dentro de suas próprias experiências. No museu, a arquitetura estabelece uma rede de finalidades, tarefas e relações que servem para organizar e normatizar as experiências. A arquitetura de uma instituição museológica tradicional, reconhecida em temas como: arte, história, ciências, tecnologia, os museus biográficos e temáticos; os museus exploratórios, os centros de ciência, as casas históricas, os jardins zoológicos, aquários, planetários, necessariamente possui áreas expositivas, áreas técnicas, áreas administrativas e de conforto. A respeito da constituição dos espaços museológicos, a orientação é inacabada, visto que dependem da estrutura ambiental do prédio, de sua função e missão. É certo afirmar, portanto, que a prática museológica depende de vários fatores, dentre eles, o elemento constitutivo onde essa práxis será representada. 187 A maioria dos prédios de museus tradicionais é uma adaptação de casas, intendências governamentais ou edificações históricas com interesse de preservação. Não cabe aqui discutir a respeito de intervenções nesses prédios, mas vale comentar que essas intervenções sem orientação técnica são altamente danosas e tendem a descaracterização das edificações. Tal atitude, seja intencional ou involuntária, ocasiona desarmonia compositiva e arquitetônica, desqualificando o imóvel nas suas características temporais e estéticas. Como essa situação abrange a organização da unidade museológica? Giraudye Bouilhet (1990) destacam que no prédio se define o programa, se orienta a pesquisa, e a administração do museu, sob responsabilidade da equipe técnica. Os autores enfatizam o que está posto no conceito de museu, “serviço público a serviço do público”. Para tanto, explicam que a circularidade e a apresentação das exposições podem reforçar a ideia sobre o que é o museu, e isso depende muito da organização da arquitetura. 2.1 DEFINIÇÕES E CONCEITOS DA ORGANIZAÇÃO ARQUITETÔNICA Segundo Coelho (1997, p.116), as instituições culturais desenvolvem sua cultura organizacional que, às vezes, não fica explícita. A cultura organizacional dos museus é imposta pelos outros órgãos da administração pública, especialmente falando nos museus vinculados às administrações municipal, estadual e federal. Como cultura organizacional, entendemos o conjunto de valores, estruturas, processos, padrões que os membros da instituição absorvem e se pautam para desenvolver estratégias que proporcionarão melhorias sobre o fluxo das atividades desenvolvidas. A cultura organizacional dos museus se mostra no seu exterior revelada pela arquitetura. Todos reconhecemos ou temos a representação do prédio do museu, como uma edificação patrimonializada. O tipo de arquitetura do prédio pode apresentar o museu como um “templo”: fechado e com sentido único. Essa percepção demonstra escolhas políticas de monumentalidade e formação de consciência nacional, como herança do passado. A arquitetura do prédio passa a ser vista em um caráter de conotação histórica, seja regional ou nacional. Isso não é ruim, mas limita a capacidade museológica e museográfica. Vejamos um exemplo: um museu estabelecido em uma edificação centenária é visto pela comunidade de entorno como um lugar inacessível. Escadarias longas, ornamentos rebuscados, portas com grades fortes, por exemplo, são elementos arquitetônicos que podem afastar determinadas pessoas que não se sentem pertencentes aquele ambiente imaginado. 188 Num estudo de públicos, a interpretação que é avaliada entende que a instituição não atende em sua plenitude aos diferentes visitantes. Internamente, a estratégia para mudar esse quadro é a reorganização espacial das exposições e ações educativas, o que, em parte, deixa de tocar no ponto focal que é a intimidação que a fachada desenvolve em determinados tipos de pessoas desacostumadas com as linguagens do espaço, ou seja, o museu teve sua organização alterada e suas funções comprometidas pela arquitetura inadequada. Compreendeu? O século XIX foi profícuo em criar e organizar museus em prédios que eram des- tinados à nobreza palaciana, caso do Hermitage, em São Petesburgo (1764), do Museu do Louvre (1793), o Britânico, em Londres (1753), e o Museu do Prado, em Madrid (1819). Figura 1 – Fachada de prédio de museu tradicional clássico Fonte: https://www.istockphoto.com/br/foto/museu-brit%C3%A2nico-em-londres- -gm458717101-18283811. Acesso em: 28 set. 2023. A arquitetura do prédio, por conseguinte, durante um longo período do século XIX e primeira metade do XX, ocupou lugar na funcionalidade do museu. A situação se modificou com o surgimento dos projetos modernistas encabeçados por Le Corbusie, considerado um dos mais importantes arquitetos do século XX, em Paris, nos anos 1910-1920. Os museus sediados em edificações clássicas foram questionados pelos vanguardistas. A estrutura desses grandes museus era considerada desorganizada, com amontoado de peças e exposições arbitrárias. De acordo com Kiefer (1998), o museu com frontão triangular e o interior com nave e cúpula, que foi a organização de referência para as instituições, sofreu ruptura pelo projeto do museu Gugghenheim, em 1943, em Nova Yorque. Esse projeto arquitetônico foi inovador pela apresentação de um ambiente extenso, contínuo e acessível ao cadeirante, com abertura para a iluminação natural, materiais diferenciados e ventilação arejada. A fachada não deveria competir com a funcionalidade e a operacionalidade museológica, independendo do tamanho da edificação e do acervo. O museu é para visitação de públi- cos e a mudança da percepção do espaço afetou a conceituação de uso e organização. 189 Figura 2 – Projeto do Museu Gugghenheim Fonte: https://viajonarios.com/wp-content/uploads/2018/08/guggenheim-mapa.png. Acesso em: 28 set. 2023. Neste século XXI, a arquitetura dos museus é pensada nas necessidades dos públicos, do acervo e das ações de comunicação e educativas. É substancial considerar que a arquitetura se torna um dos fatores determinantes para a preservação dos bens culturais e sua expografi a, questões cruciais da função dos museus. O autor Thimoty Mason (2004) apresentou um documento denominado Plano de certifi cação do MLA, cuja arquitetura dos museus precisa atender critérios de adequação e conforto aos visitantes, às coleções e ao corpo de funcionários. A humanização do prédio, relacionada à preservação e ao acondicionamento do acervo, são pontos constitutivos da organização do museu. Considera, ainda, importante que a iluminação, as condições ambientais de temperatura e umidade, a poluição e a segurança estejam contempladas nos projetos de instalações físicas. Para Coelho (2007, p. 33),” a linguagem arquitetônica é construída, compondo um determinado cenário e uma determinada ambiência que são fundamentais no estímulo de percepções, sentimentos e sensações”. De acordo com Coelho (2007), a relação entre espaços interiores e fachadas, espaço privativo e espaço de circulação comum, espaço construído e espaço natural, todos eles estabelecem a organização de um discurso sobre o museu. A arquitetura fala por meio de uma linguagem de representações silenciosas na organização do espaço museológico. 2.2 PROBLEMAS E SOLUÇÕES DA ARQUITETURA EM MUSEUS Como já foi anunciado anteriormente, alguns aspectos desta disciplina serão mais bem detalhados em outras disciplinas do Curso de Bacharelado em Museologia, como a de Gestão em museus. Lembramos que esta Unidade 3 é direcionada aos museus, entretanto, vale afi rmar que os estudantes da Arquivologia e da Biblioteconomia também terão essas temáticas diluídas nos estudos dos seus respectivos cursos. 190 Até aqui vimos que a arquitetura dos prédios que abrigam os museus é fundamental para a organização, estruturação e funcionamento dessas instituições. Averiguemos o que diz o Ibram (2020, p. 9): O potencial da arquitetura de museus é um dos elementos capazes de aumentar a visitação das instituições, atribuir notoriedade para as cidades que as abrigam, criar novas centralidades e incentivar transformações urbanas. Nesse caso, a arquitetura passa a ser parte do objeto de interesse de visita, funcionando de certa forma como acervo para o público. Aurora León (2020, p. 202) explica que devemos considerar a arquitetura do museu como uma autobiografia inacabada. A autora espanhola quer dizer, com a expressão "autobiografia inacabada", que a instituição deve ser concebida de forma técnica, funcional e esteticamente adaptável, levando em consideração diversos projetos concretos que se ajustam à evolução temporal da instituição. Estes projetos devem ser capazes de expandir, modificar ou reestruturar o uso do espaço dentro do prédio. Veja o exemplo das Figuras 3 e 4 a seguir. A autora espanhola sugere, com a expressão "autobiografia inacabada", que a instituição deve ser concebida de forma técnica, funcional e esteticamente adaptável, levando em consideração diversos projetos concretos que se ajustam à evolução temporal da instituição. Estes projetos devem ser capazes de expandir, modificar ou reestruturar o uso do espaço dentro do prédio De acordo com a legislação do Ministério da Cultura (2005, p. 15), museus instalados em prédios protegidos por tombamento precisam ser adequados de acordo com os seguintes critérios: “Os projetos deverão ser elaborados respeitando os valores estéticos e culturais do bem, com o mínimo de interferência na autenticidadedele, seja autenticidade estética, histórica, dos materiais, dos processos construtivos, do espaço envolvente ou outras. Garantir a preservação da autenticidade dos processos construtivos e suas peculiaridades, evitando o uso de técnica que seja incompatível que descaracterize o sistema existente”. NOTA 191 Figura 3 – Planta baixa do Museu do Ipiranga/Museu Paulista da USP – andar térreo, 1922 Figura 4 – Infográfi co do Museu do Ipiranga/Museu Paulista da USP, 2022. Fonte: https://revistapesquisa.fapesp.br/vida-nova-para-o-museu-do-ipiranga/2022. Acesso em: 28 set. 2023. Fonte: https://tempocomposto.com.br/imagens_bd/ROMULO_FIALDINI/TC-1247-001247.jpg. Acesso em: 28 set. 2023. A mudança das instalações físicas e estruturas arquitetônicas reforça a percepção da dinamicidade dos museus em acompanhamento às necessidades do seu tempo. Mais uma vez violando a noção preconceituosa de lugares velhos e sem vida. Alguns pontos precisarão de elucidação para a continuidade desse assunto. São termos de importância crucial para a teoria dos museus. Entende-se por museografi a as técnicas e práticas que são exercidas no interior do contexto museológico. 192 A museografia está imbuída dos atos concretos que são exercidos pelos funcionários da instituição museal. É uma ciência teórica, normativa e planificadora que, aliada à arquitetura e aa aparelhamento espacial do museu, possibilita compor a organização do circuito expositivo, da disposição das vitrines, salas expositivas, espaços de circulação e demais suportes e definições sobre o modelo conceitual do museu sobre o patrimônio que lhe é dado a preservar, difundir, comunicar, pesquisar e educar. É importante frisar que a museografia não está limitada a resolver ou propor problemas arquitetônicos, mas está posta para estender a concepção conceitual do museu, a sua continuidade de vida social e cultural, estabelecer o seu funcionamento e finalidade. Quadro 1 – Museografia X Museologia Fonte: a autora. Museografia Museologia • Estrutura arquitetônica. • Localização espacial das coisas. • Apresentação e preservação dos acervos. • Científica. • Teórica. • Apresenta dados. • Modelos conceituais. • Trabalha de modo relacional. Resumindo, a museografia é um conhecimento que está envolvido com o pro- jeto de organização museológica em recursos e ferramentas como disposição, vitrines, luz, design, segurança, conservação. Tem linguagem visual e espacial. Já a museologia é uma ciência que envolve o ser humano com o objeto musealizado, num contexto ou cenário chamado museu. A museologia, por sua vez, tem por finalidade dar subsí- dios às ações preservacionistas de discussão das memórias, histórias, representações e simbologias produzidas pelos humanos, como seu testemunho de vida. Na disciplina de História dos museus e coleções, vimos que a primeira instituição museológica com arquitetura específica para sua finalidade foi a galeria Uffizi, construída por Giorgio Vasari entre 1560 e 1574. Desde então, observamos a dicotomia dos prédios adaptados com os prédios projetados para museus. Com o surgimento do Escritório Internacional de Museus, em 1934, prenúncio da criação do Conselho Internacional de Museus (ICOM), em 1946, surgiu a discussão sobre os projetos arquitetônicos como or- denamento das funções museais (LORENTE, 2012). Para Ana Cecília Veiga (2013, p. 53) a arquitetura “deixava de ser somente embalagem e interagia com as obras em exposição” Grande parte dos prédios adaptados para receber uma função cultural (arquivos, bibliotecas ou museus) são protegidos legalmente pelo processo de tombamento. Essa proteção ao patrimônio edificado é feita no âmbito do poder público nos níveis federal, estadual ou municipal. Os bens tombados devem ser preservados integralmente, não podendo ser descaracterizados, porém podem receber melhorias de suas características internas e externas. 193 Figura 5 – Exemplo de intervenção adequada de fachada Fonte: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTBiF0a4MbZ0CY8hIqlelYkgT- g-TdJwLAuhxw&usqp=CAU. Acesso em: 28 set. 2023. Afi nal, o que é permitido nesses prédios tombados? • Alterações internas de demolição de paredes. • Troca de madeiramento de telhados e coberturas cerâmicas. • Construção no fundo do lote, desde que não seja visível do passeio público. • Uso de materiais publicitários na fachada, desde que não encubra os elementos compositivos. • Transações imobiliárias. Na relação anterior, vemos que essas intervenções permitidas impactam diretamente na composição dos espaços internos do museu. A instalação de um ar- condicionado na fachada externa do museu é considerada descaracterização do prédio adaptado e não pode ser executada. Toldos de proteção de janelas, mesmo que temporários, não interferem na fachada, porém não pode encobri-las, nem mesmo aos seus elementos decorativos. Observação: a Fundação Catarinense de Cultura (FCC), órgão público responsável pela preservação, fomento e difusão do Patrimônio Cultural e das práticas e processos artístico-culturais do Estado de Santa Catarina, desenvolveu uma publicação sobre bens tombados. A Cartilha de orientações para intervenções em bens tombados e seu entorno pode ser encontrada no site da FCC: https://www.cultura.sc.gov.br/. ATENÇÃO 194 Há uma infinidade de prédios construídos para serem uma instituição museoló- gica. Aliás, há um imaginário sobre os museus que tem prédios construídos, no sentido de sua modernidade e inovação. Podemos citar entre os mais conhecidos, o Museu Gu- genheim de Nova York, o Museu de Xangai na China, Museu Victoria & Albert na Escócia, Museu do Futuro nos Emirados Árabes, Museu Judaico de Berlim, Centro Pompidou na França, e muitos outros. No Brasil, são muitos os projetos, dentre os quais destacamos o Museu de Arte de São Paulo, MASP, o Museu do Amanhã no Rio de Janeiro, Museu de Arte do Rio, Museu Oscar Niemayer, em Niterói/RJ, Museu de Arte de Curitiba/PR, Museu da Fundação Iberê Camargo e Museu da PUCRS, ambos em Porto Alegre/RS. É importante reter que essas edificações construídas e adequadamente arquitetadas proporcionam aos espaços maior amplitude interior, assepsia, iluminação, economia de elementos decorativos, flexibilidade perante o crescimento do acervo, sustentabilidade energética e muita fruição estética. No entanto, essa fruição estética é ponto conflitante já que sugere o chamado “turismo de massa”. Milhares de turistas são atraídos por esses edifícios monumentais que se tornam objetos de consumo e produto comercial. De um lado otimista, essa organização do museu em um edifício projetado é capaz de proporcionar contribuição positiva na recuperação e dinâmica da cidade em que está sediado, gerando concentração de recursos. Sobre essa situação, chamamos “arquitetura do espetáculo”. Figura 6 – Museu de Astronomia, Xangai, China Fonte: https://www.nationalgeographicbrasil.com/photography/2021/07/. Acesso em: 28 set. 2023. Segundo Veiga (2013, p. 150), a gestão de um projeto de museu é abrangente. O produto gerado por um projeto é único. Um projeto de edificação para um museu se refere à organização do empreendimento como um todo: compra de terreno, identificação de investidores, captação 195 Figura 7 – Modelo de projeto para criar museu Fonte: adaptada de Veiga (2013). de recursos, marketing, definição de equipes, curadoria do acervo, construção e execução, avaliação da qualidade, avaliação do uso dos espaços construídos etc. Elaboramos um modelo de projeto de museu adaptado de Veiga (2013). A autora sugere as etapas inicial, intermediária e final no processo organizacional do projeto. Vejamos a seguir: A figura anterior serve como exemplo de um projeto de museu a ser criado. A publicação Museus em números (2011, p. 98) informa que “os museus de natureza municipal e empresarial concentram mais edificações com áreas de até 1.000 m2”. Essas áreas são de edificações arquitetônicas adaptadas de outras funções. Sãoedificações próprias ou adquiridas em comodatos/empréstimos. Tal caracterização das edificações destinadas a abrigar museus apresentam problemas de acessibilidade, exigindo a colocação de recursos à disposição das pessoas com necessidades especiais, como rampa de acesso ou elevadores. A respeito de áreas de conforto aos visitantes, o cadastro Museus em números expõe que: Instalações como bebedouros e sanitários podem ser encontradas em mais de 60% dos museus. Já estacionamentos e outros equipamentos, como telefone público estão ausentes em mais de 196 50% dos museus. Aponta-se como possível explicação para esse resultado o fato de a maior parte dos museus ocuparem edificações históricas, que, em sua origem, não foram planejadas para funcionar como museus (IBRAM, 2011, p. 104). Os arquitetos que trabalham na área do patrimônio cultural consideram que cada edificação é única. Vejamos o exemplo do Museu de Arte de Niterói, RJ, construído por Oscar Niemayer, cuja arquitetura se confunde como a própria obra de arte, ou, ainda, o MAC de Curitiba, cuja arquitetura sobrepõe o próprio museu e seu acervo. Aurora León (2020) comenta que dentro dos objetivos globais que o museu pretende atender, as funções internas e externas cobram uma determinação urbanística, espacial e referencial de sua arquitetura para a sua organização. A museografia deve dar resposta espacial à sua proposta, na percepção dos seus públicos. Figura 8 – Museu de Arte Oscar Niemeyer de Curitiba Fonte: https://viajantesemfim.com.br/conhecendo-o-museu-oscar-niemeyer-em-curitiba/. Acesso em: 28 set. 2023. Cabe ressaltar que a qualidade do projeto e as soluções encontradas nele para estabelecer os requisitos da função e operacionalidade do museu passam por vários desempenhos da arquitetura predial da instituição. Lembrando que antes de planejar um projeto de museu, é significativo a revisão ou planejamento do seu Plano Diretor (Plano Museológico). Vejamos o que sugere Veiga (2013) a respeito desses requisitos de desempenho do projeto arquitetônico do museu. • Legalização da instituição. • Pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças. • Sustentabilidade – consumo de água e luz, limpeza. • Construtibilidade – padronização, integração e racionalização do espaço. • Atendimento às exigências econômicas – custos de execução, operação, manutenção, reabilitação. • Clareza e transparência no projeto. 197 • Detalhamento. • Documentação do processo. • Planejamento de marketing. • Manuais dos usuários. Visto que o museu seja ele adaptado ou construído, consiste em contemplar um volume de dependências internas e externas, burocracias, mudanças de legislação, rotinas, políticas públicas e interferências políticas, falta de autonomia setorial, produtividade dos funcionários, hierarquias de gestão, infraestrutura financeira e material insuficientes são exemplos de dificuldades apontadas por Veiga (2013) ao projeto. O Museu de Arte de São Paulo, Masp, por exemplo, abre lugar para quase todas as manifestações culturais, sociais e políticas da cidade e país. No entanto, apesar de ter sido planejado pela arquiteta Lina Bo Bardi, o projeto arquitetônico reconhecidíssimo internacionalmente tira espaço do próprio museu. O MASP não possui reserva técnica, sem lugar de conservação e trato com o acervo. De acordo com Kieffer (1988, p. 81), “no Brasil, gasta-se com obras novas. Os políticos brasileiros dão prioridade ao investimento em novas obras sem detrimento da manutenção das existentes”. Todavia, os projetos têm um fator complicador, são planos sem infraestrutura sem funcionalidade museológica. Neste tema de aprendizagem, vimos vários conceitos e definições acerca da pre- sença arquitetônica dos museus como elementos basilares de sua organização e funcio- namento. No próximo tema de aprendizagem, compreenderemos como os órgãos mani- festam a formalização do correto desenvolvimento da organização e gestão dos museus. 198 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu: • A arquitetura predial tem atuação na organização dos museus. • Os museus possuem a sua própria cultura organizacional. • A cultura organizacional dos museus é influenciada pela estrutura da edificação. • O cenário arquitetônico dos museus pode ser desenvolvido em dois modelos de prédios, adaptados e prédios projetados. • Os prédios projetados exigem o cumprimento de critérios referenciais e específicos da museologia. • A partir do momento em que o arquiteto se apropria do conceito de unidade entre acervo, museu e monumento, as definições desses elementos do conjunto se mesclam, tornando difícil separar onde começa o museu e onde termina o acervo. 199 AUTOATIVIDADE 1 Um projeto museológico se constitui em três etapas, a saber: anteprojeto, projeto exe- cutivo e pós-projeto. No pré-projeto, são pensados os seguintes requisitos: projeto museográfico, arquitetônico, estrutural, elétrico, luminotécnico, hidrossanitário, clima- tização e paisagismo. Sobre a fase do pós-projeto, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Avaliação. b) ( ) Documentação do acervo. c) ( ) Elaboração da exposição temporária. d) ( ) Ações culturais e educativas. 2 Um museu com acervo vivo de animais integra a definição estabelecida para essas instituições. Um jardim botânico ou jardim zoológico, portanto, são museus como um museu de história ou de artes. Sobre o exposto, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) As coleções vivas constituem um patrimônio e formam um museu que deve atender aos mesmos critérios de cultura organizacional. ( ) A arquitetura desses locais que abrigam coleções vivas, mesmo desprovida de ambientes fechados, levam em conta objetivos museográficos. ( ) O crescimento da população de espécies nos jardins zoológicos e jardins botânicos impedem a preocupação com a arquitetura da museografia. ( ) Arquitetura dos museus de coleções vivas devem ser projetadas especificamente para abrigarem esse tipo de patrimônio, ocorrendo o seu tombamento. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – V – F – F. b) ( ) F – V – F – V. c) ( ) V – F – F – V. d) ( ) F – F – F – F. 3 As edificações adaptadas para receber instituições museológicas são mais comuns que os projetos de construção de novas edificações. Sobre o que não é permitido fazer em um prédio adaptado tombado, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Alterações na fachada que descaracterize o imóvel. b) ( ) Alterar internamente mediante orientação e aprovação de equipe técnica. c) ( ) Realizar transações imobiliárias como aluguel e venda do imóvel. d) ( ) Troca do madeiramento de piso, forro, telhado. 200 4 Um projeto de construção de um museu exige estabelecer corretamente padrões de qualidade para execução do serviço. Sobre o exposto, associe os itens, utilizando os códigos a seguir: I- Consuntibilidade. II- Sustentabilidade. III- Exigência econômica. ( ) Preocupação com o consumo energético, de água, higienização. ( ) Preocupação com o custo das operações, manutenção, reabilitação. ( ) Preocupação com a padronização de elementos, racionalização do espaço. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) II – III – I. b) ( ) I – II – III. c) ( ) III – I – II. d) ( ) III – II – I. 5 A arquitetura do prédio do museu influencia consideravelmente na composição do seu projeto arquitetônico. Isso configura a imagem da instituição antes mesmo de sua inauguração. Descreva os pontos que o projeto arquitetônico do museu deve levar em conta: 201 ASPECTOS GERAIS SOBRE A ESTRUTURAÇÃO DOS MUSEUS NAS PERSPECTIVA DA LEI - IBRAM 1 INTRODUÇÃO No Tema de Aprendizagem 1 desta unidade, conhecemos sobre a infl uência da arquitetura das edifi cações na estruturação das unidades museológicas. Este segundo tema de aprendizagem oportunizará conhecer e analisar os aspectos estruturais de constituição de um museu físico, de acordo com as normas defi nidaspela legislação vigente e o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). A Legislação brasileira de museus, a partir do Estatuto dos Museus, Lei nº 11.904/2009, coloca as regulações sobre a composição de museus nos Arts. 7º e 19º, entre outros, de forma indireta. Além disso, os museus podem, conforme suas características, ter fi liais, seccionais e núcleos ou anexos (Art. 3º da Lei). O livro Museu em números (2011) compilou dados estatísticos sobre os museus brasileiros e nos trouxe em seus apontamentos que 67,2% têm natureza administrativa pública. Vejamos o Gráfi co 1 a seguir: UNIDADE 3 TÓPICO 2 - Fonte: Ibram (2011, p. 63). Gráfi co 1 – Percentual de Museus por categoria de natureza administrativa 202 Podemos observar com o Gráfico 1 que a esfera municipal supera a quantidade de instituições museológicas. Isso significa que as ferramentas básicas de planejamento estratégico de criação, consolidação e qualificação dos museus deve ser desenvolvida sobre as pequenas instituições. O enquadramento legal de composição dos instrumentos de criação dos museus, por ata ou por publicação de decreto municipal, conforme o caso, e a aprovação do Regimento Interno são medidas que impulsionam a organização dessas instituições. Os registros do Ibram apontam que há necessidade de que os museus cumpram a Lei nº 11.904/2009 no momento que constitui em seu Art. 19, que: “Todo museu deverá dispor de instalações adequadas ao cumprimento das funções necessárias, bem como ao bem-estar dos usuários e funcionários” (BRASIL, 2009, on-line). A legislação não estabelece quais estruturas devem compor um museu, porém traz as pistas disso ao colocar em evidência as funções atribuídas. Nesse sentido, recorremos a duas publicações informativas feitas pelo Ibram que tratam sobre estrutura organizacional dos museus brasileiros. Veja a seguir e busque o material completo na sua Trilha de Aprendizagem. • Publicação 1 – Subsídios para criação de museus municipais (2009). • Publicação 2 – Guia para projetos de arquitetura de museus (2020). Tais referencias conduzem a capacitação profissional das instituições museológicas. Assim, vamos trabalhar nas duas respectivas perspectivas. 2 ORGANIZAÇÃO DE MUSEUS MUNICIPAIS No processo de criação de uma unidade museológica, de acordo com o que prescreve a legislação brasileira nº 11.904/2009, exige-se a composição a partir de dois documentos similares: o Decreto de criação, no caso dos museus públicos; ou Ata de criação para os museus da iniciativa privada. Para além desse documento inicial, o Regimento Interno, que é a definição das atividades do museu a partir do Plano Museológico, o projeto de criação, contratação de museólogo e a elaboração do Plano Museológico, posteriormente. 203 Figura 9 – Exemplo de portaria de publicação de Regimento Interno Fonte: https://www.gov.br/museus/pt-br/assuntos/legislacao-e-normas/portarias/uploads/portaria-ibram- -n1631-de-9-de-novembro-de-2022-bse. Acesso em: 28 set. 2023. Para a organização efi ciente da instituição museológica, recomenda-se considerar alguns aspectos relevantes que defi nem a direção do museu: • Missão – objetivos do museu, para o que e para quem a instituição vai trabalhar. • Visão – traduz o alcance dos objetos, aonde quer chegar. • Valores – as atitudes sociais, culturais e informacionais com relação às pessoas, ao acervo, à sociedade. Assim sendo, essas ferramentas, missão, visão e valores são orientativos para descrever o modelo de organização a ser adotado para gerir um museu da qual faz parte a arquitetura predial. Nesses propósitos, cabe constituir a instituição a partir dos critérios estabelecidos nos termos das leis e nos requisitos técnicos e administrativos, sem esquecer que os museus não foram concebidos em sua gênese, como hoje nós os compreendemos. Vamos examinar quais são os ambientes de composição de um museu. Cada um deles se desdobra em vários espaços, considerando que a funcionalidade dos edifícios faz parte da prática museográfi ca. Podemos ponderar três tópicos na organização dos museus: 204 1. Instalações do espaço museológico. 2. Locais de acolhimento e atendimento aos públicos. 3. Áreas de gerência e administração. 3 INSTALAÇÕES DO ESPAÇO DO MUSEU Desde os anos 1970, com a virada do conceito e da função dos museus, a organização dos edifícios museológicos passou a se ajustar entre a obra e o espaço, para atingir aos interesses dos visitantes. Para além disso, o contexto capitalista da sociedade contemporânea exigiu dos museus adaptação para se tornarem serviços (veja o conceito de museu!) e isso situou o intuito de suprir necessidades complementares na organização espacial do prédio. Gary Edson (2015) recomenda que a organização dos museus seja vista como um tripé estrutural, formado pelos processos de três componentes: 1. A administração. 2. A curadoria do acervo. 3. As operações museológicas. Vale destacar que esses três componentes organizacionais requerem o trabalho em equipe uma vez que os museus operam na dimensão de relações processuais em que cada ação decorre de outra anterior que remete a outra posterior, ou seja, as equipes bem administradas, com propósito comum, comunicação interna eficiente, envolvimento e responsabilidade e confiança. Não basta um museu ter seus espaços abertos de visitação com recepção, salas de exposição de longa duração, salas temporárias, auditórios, sanitários, áreas de descan- so, espaço de ações educativas e culturais, banheiros, bibliotecas, arquivos e demais es- paços, é preciso atender a serviços, como restaurantes, cafés, livrarias, lojas de souvenirs e outros ambientes que incluem até a controvertida reserva técnica visitável. A ideia é de provocar uma prática da vivência cultural e de participação na experiência dos visitantes. A respeito dessa noção de vivência cultural, experimentação e distribuição espacial arquitetônica, cabe refletir sobre o papel, socialização e sociabilidade da organização dos museus. Para melhor elucidar esse olhar, apoiamo-nos na museóloga Waldisa Rússio (1981 apud BRUNO, 2010, p. 141) ao explicar que: Compreendemos que o museu e sua relação com o espaço vão muito além do que colocar objetos para expor. Com o projeto não só propomos as organizações das coleções, estudo de iluminação, acessibilidade, estudo do layout, porém, proporcionamos interação. Cada vez mais os museus abrigam, também, espaços para as oficinas de criatividade, para as salas de seminário e de debates, vizinhando com o seu essencial espaço expositivo. 205 Todos os aspectos abordados foram construídos na perspectiva dos museus fí- sicos e tradicionais. No que tange aos museus virtuais, o visitante é convidado a percor- rer cada área em um click, para conhecer as características principais dos ambientes. Vale conhecer as áreas vinculadas às atividades às quais se destinavam e aos desta- ques do acervo ali expostos. Tudo isso em ambientes em 360º, com o uso das tecnolo- gias que favorecem que se observe o ambiente do chão ao teto, em todas as direções, além de poder aproximar-se ou afastar-se dos detalhes por meio do recurso de zoom. [...] não será o museu o complexo cultural mais típico da sociedade contemporânea? Sim; consideramos que hoje em dia o museu é capaz de ser expoente e recipiente de nossa cultura. O importante é que esta capacidade se desenvolva, tome forma e nos possibilite um museu autenticamente vivo, que expresse a atividade sociocultural de nossa civilização e ao seu encontro saia a ciência museológica decidida a realizar um museu de ‘cinco estrelas’, contemplado, vivido e compreendido por todos, crítico para que nele possam se reunir a ética e a estética (LEÓN, 2020, p. 64-65, tradução nossa). Figura 10 – Planta baixa das áreas do Museu-Casa Rui Barbosa Fonte: http://antigo.casaruibarbosa.gov.br/geral.php?ID_S=159. Acesso em: 28 set. 2023. 206 A respeito dos espaços visitáveis do museu, ou as áreas públicas, não há dimensão de espaço indicadopara uma sala expositiva. Visto que cada museu tem sua própria composição espacial, dependendo do lugar que ocupa, a preocupação, portanto, deve ser com o uso do espaço, a cenografi a e a conservação do acervo em relação ao número de visitantes que irão transitar por ali. Para além da ocupação dos ambientes na composição funcional museológica, é preciso considerar, na arquitetura do edifício do museu (e fora dela também), a questão da preservação. Entendemos a preservação como uma das atribuições primordiais dos museus, sobretudo em relação às coleções e à informação. A preservação museológica se manifesta no sentido da conservação preventiva, que leva em conta defi nições, técnicas, metodologias e práticas específi cas. Nesse sentido, com relação à arquitetura do museu, cabe considerar as patologias associadas aos edifícios. Isso depende de vários fatores, tais como: a localização do terreno, as condições climáticas, vegetação de entorno, circulação urbana de transporte pesado, incidência solar, confrontos sociais e políticos, como guerras, passeatas e outras probabilidades de sinistros do lugar em que o museu está sediado (enchentes, temporais, secas, tremores da terra etc.). Esses fatores impactam na estrutura da edifi cação, nas exposições internas e externas, itinerantes, de curta ou longa duração. Mais adiante, no seu curso de Bacharelado em Museologia, você terá uma disciplina sobre Gestão de riscos. Figura 11 – Termo-higrômetro mede umidade e temperatura do ambiente Fonte: adaptada de https://cms-resources.coleparmer.com/t/Image1_377.jpg. Acesso em: 28 set. 2023. Assim sendo, os elementos arquitetônicos dos museus precisam de controle sobre as patologias e desastres da sua estrutura. Por ser uma área interdisciplinar, a museologia permite que as funcionalidades do museu sejam compartilhadas com vários tipos de especialistas, como é o caso dos arquitetos, engenheiros, biólogos e outros 207 Quadro 2 – Identificação estrutural de problemas prediais Fonte: adaptado de Veiga (2013, p. 104). que possam dar um levantamento das condições de organização e gestão do espaço museal. Inclusive, existem softwares sofisticados ao alcance desses profissionais e dos próprios funcionários do museu, para resolver esses problemas. Veiga (2013) nos chama a atenção na identificação de patologias e problemas estruturais das edificações dos museus. Falaremos de cada uma delas, de acordo com a percepção da autora, no Quadro 2. CONSTRUÇÃO PROBLEMA/PATOLOGIA ANÁLISE Fundação do prédio Infiltração, umidade, infestação de insetos e fungos Verificar fissuras, buracos, rachaduras e crostas Paredes estruturais e tijolos Erosão, capilaridade, fissuras, recalques, condensação, chuvas e poluição Ataques biológicos de fungos e bactérias. Mudança na coloração, orifícios Concreto Temperatura e umidade extremas Rachaduras, trincas, fissuras e corrosão Metais e chapas de zinco, aço, alumínio e cobre Corrosão, oxidação, fissuras, condutividade elétrica e térmica Incêndio, corrosão, dilatação, balanço estrutural, calor ou frio Vedações Desintegração, fissuras, infiltrações e capilaridade Porosidades, estufamentos, bolhas, desintegração, manchas e pegajosidades Pisos, coberturas e forros Infiltração, umidade, ataque de insetos e fungos e permeabilidade de água Inclinações, enrijecimento, amolecimento, lascamento, craquelamento, uso de calhas, infiltrações e desagregação de partes A legislação brasileira de museus estabelece como base que os museus devem ter minimamente uma estrutura condizente com suas atribuições essenciais. Focando apenas no imprescindível, observe o esquema1 que propõe a organização estrutural de uma instituição museológica. 208 Figura 12 – Estrutura para dependências de um museu – áreas internas Fonte: a autora. Essa organização tem a concepção de um museu tradicional, o que não impede que outras tipologias sigam o processo com adaptações. É importante reforçar que a prática de reutilização de prédios históricos estabelece uma relação marcante do museu com a comunidade. A priorização dessas edifi cações para implantação e instalação de um museu, centro de memória, memorial e outros derivados estabelece reconstrução do lugar contribuindo com o reuso do patrimônio cultural arquitetônico e urbanismo e processos de modernização de bairros e cidades. Umas das técnicas da engenharia e arquitetura de recuperação de prédios antigos, com sentido de melhorar o preexistente é a chamada retrofi t. A técnica tem sido amplamente empregada com o sentido de renovação, mas não deve ser confundida com restauração. O retrofi t está aliado ao conceito de preservação da memória e da história. Como? Aumentando a vida útil do prédio e seu entorno com o emprego de tecnologias avançadas e materiais modernos diferenciados do original. 209 Figura 13 – Projeto de Retrofit – Museu do Rio – MAR Figura 14 – Museu-casa Rui Barbosa, RJ Fonte: https://br.pinterest.com/pin/373798837798519011/. Acesso em: 28 set. 2023. Fonte: http://antigo.casaruibarbosa.gov.br/interna.php?ID_S=14. Acesso em: 28 set. 2023. O retrofit se diferencia da reabilitação do prédio. Essa se dá pela intervenção que pressupõe uma mudança de uso no programa do edifício construído. Podem ser usados outros nomes, como requalificação, remodelação, renovação que passam pela ideia de reforma. Vale alertar que, no campo dos museus e do patrimônio, o uso da expressão resgate precisa ser banido, haja vista que é impraticável “resgatar” funções de uso de um imóvel dos tempos passados, em suas funções, atividades e personagens. O exemplo satisfatório à condição de uma casa histórica requalificada é museu-casa (PONTE, 2018). Como museu-casa se denomina aquela instituição que preserva os cômodos em sua ambientação inicial, isto é, quarto, cozinha, sala, biblioteca exatamente como quando eram funcionais. Cuidado para não considerar uma casa-museu como sinônimo de museu-casa! A casa-museu passa por readaptação dos significados, readequação dos espaços e demais caracterizações para se transformar em um museu que possui diferentes facetas expositivas, técnicas, conceitos e serviço aos públicos. 210 Figura 15 – Museu-casa Cora Coralina, GO Fonte: https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/190/o/DSC00818.JPG. Acesso em: 28 set. 2023. Para complementar a reflexão sobre museu-casa e casa-museu, vejamos o que diz o autor Antônio Ponte (2018, p. 24): Ao visitarmos estes espaços contactamos com objetos, mas não uns quaisquer objetos, com os objetos que uma pessoa ou um grupo uti- lizou no seu dia a dia, reflexo das suas atividades profissionais, dos seus gostos, mas também determinantes para a sua vivência, para as experiências gastronómicas e/ou profissionais. Esta análise reforça a importância da dimensão imaterial destes museus em que temos de estudar de forma semelhante várias dimensões da sua construção: a casa, contentor de objetos e memórias que temos de descobrir; o indi- víduo que viveu num espaço, moldou-o à sua personalidade e cultura; a vivência, o tempo e o modo como esse espaço foi utilizado, ocupado e vivido; o acervo, conjunto de objetos que se relacionaram com o indi- víduo, que os colocou ao seu serviço num espaço, num tempo e numa organização resultante do seu enquadramento pessoal. No que se refere aos preceitos éticos do Conselho Internacional de Museus (ICOM, 2009 p. 7), para a constituição de museus, o documento afirma: “normas mínimas de conduta e procedimentos, cujo cumprimento os profissionais, no mundo inteiro, podem desejar e estipula o que o público pode esperar da profissão de museu”. Para esse importante órgão, as diretrizes de constituição institucional documentais são: da obrigatoriedade dos documentos constitutivos, do caráter não lucrativo e do Regimento Interno como definição legal de missões, objetivos e políticas institucionais. No que se refere aos recursos, o Icom (2009) estipula que os museus requeremrecursos materiais, recursos financeiros, recursos humanos. Vamos fragmentar cada um. Recursos materiais, no Código de ética do Icom (2009), são aqueles reconhecidos por permitir a manutenção das atividades da instituição. Veja a figura a seguir apresentando os cinco pontos percebidos como recursos materiais. 211 Figura 16 – Derivação dos recursos materiais Fonte: adaptada Icom (2009). No que se refere aos recursos financeiros, o Icom (2009) recomenda que os museus sejam tutelados pelas suas instâncias superiores de financiamentos e que eles possuam a própria receita por meio de uma Política de geração de rendas. Talvez você se pergunte, como uma instituição sem fins lucrativos pode ter política de geração de renda. A chave da questão está na produção de atividades próprias do museu, como a venda de catálogos, ingressos, contribuições de doação, arrendamentos de áreas, lembranças etc., ou originárias de fontes externas como os patrocínios, editais e outros. Finalizamos as necessidades dos museus na visão do Icom (2009) com os recursos humanos. Cabe aos museus a contratação de recursos humanos legitimados na conformidade legal vigente. Para o Icom (2009, p. 11), os museus devem estabelecer uma Política de Emprego, segundo o qual: “a autoridade de tutela deve assegurar que todas as medidas relativas a recursos humanos sejam tomadas de acordo com as políticas do museu e com a legislação em vigor”. O Código de ética propõe também que o diretor do museu tenha conhecimentos e competências para o exercício da função, associado à conduta ética. Esse diretor deve promover oportunidade aos funcionários de capacitação e desenvolvimento, bem como pode recorrer aos voluntários como adicionais na atenção aos visitantes e ao trato do acervo. Sobre essa relação tutorial da direção do museu com os funcionários, é im- portante salientar que não se espera do modelo gestor uma estrutura centralizadora, autoritária e hierárquica. Essa questão tem encadeamento que depende da organização institucional do museu, podendo ser linear e vertical. Numa segunda alternativa, a orga- nização da unidade museológica pode ser feita por demandas, como no caso das ins- tituições comunitárias em que os distintos setores têm interferência própria nas ações. 212 O autor Costa (2014) propõe uma alternativa de gestão museológica pautada na interdependência mútua, quer dizer, uma gestão descentralizada na qual a instituição museológica é entendida como um “sistema”. Nessa perspectiva, entram em cena as relações humanas nas quais “um setor do museu não funciona sem que as ações dos outros setores sejam conduzidas, e assim sucessivamente, fazendo entender o museu como um organismo” (COSTA, 2014, p. 50). Figura 17 – Modelo centralizado de organização Fonte: Costa (2014, p. 48). Por último modelo de gestão de museus, e não menos importante, Costa (2014) nos apresentas a Gestão participativa. A gestão participativa é aquela em que o museu conta com a participação de uma comunidade para resolver as suas ações, no intuito de atender às demandas sociais e culturais para o qual foi criado, institucionalizado. O museu é um ente da sociedade e serve aos seus propósitos. De acordo com Querol (2018), esse modelo de gestão participativa é mais horizontal e democrático, estabelecendo aos cidadãos a oportunidade de gerir seu próprio patrimônio resguardado no museu. Adequa-se aos museus ligados às perspectivas da Sociomuseologia. Isso não signifi ca dizer que esse modelo não apresente desafi os. Eles existem e serão apresentados com maior detalhamento no próximo tema de aprendizagem desta Unidade 3. O Manual prático do Icom, intitulado Como gerir um museu, na escritura do diretor da Universidade do Texas, Gary Edson (2015, p. 111), nos aponta que: Os aspectos-chave da boa gestão são: (1) selecionar as pessoas certas para a função, (2) determinar o trabalho a ser feito, (3) decidir o modo pelo qual o trabalho deve ser realizado, e (4) administrar 213 Figura 18 – Sinalização de deslocamento em museu Fonte: https://miscampinas.wordpress.com/atividades/sinalizacao-da-exposicao-de-longa-duracao/. Acesso em: 28 set. 2023. a relação entre as pessoas que fazem o trabalho e os demais elementos do museu. Essas atividades podem ser cumpridas direta ou indiretamente, dependendo do porte e objetivo do museu, mas são, no entanto, fundamentais ao processo administrativo. Manuelina Duarte (2014) considera na elaboração e implantação de um museu que os seus espaços derivem do programa arquitetônico pautado nas necessidades de flexibilidade, funcionalidade e extensibilidade para abrir novas aquisições ao longo do tempo. Deverão ser previstos não apenas espaços voltados para os objetos e para exposições, mas para as demais atividades que a instituição venha a necessitar para a pesquisa, salvaguarda, e para a comunica- ção do patrimônio, além dos espaços consagrados a hospitalidade, como áreas de repouso e de serviço para o público – cafeteria, loja, restaurante etc. O projeto deve privilegiar estruturas arquitetônicas abertas e que ofereçam possibilidades de transformação (DUARTE, 2014, p. 42). Com a citação anterior, fechamos este Tema de Aprendizagem 2, que tratou sobre as recomendações vigentes para composição e funcionamento de unidades museais, sob a luz da legislação dos museus e dos profissionais da Museologia. No tema seguinte, faremos reflexões acerca das diferentes dimensões dos museus, que vão além do museu tradicional, até então retratado. 214 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu: • A criação de espaços museológicos requer instrumentos legais de constituição, sendo eles o Decreto de criação no caso dos museus vinculados à administração pública, ou a Ata de criação para as instituições da iniciativa privada. • Museus precisam ter definidos seus valores, missão e visão em um documento inscrito e publicizado chamado Regimento Interno. • As instalações de museus necessitam atender três critérios, a saber: tipo de administração, tipo de arquitetura e curadoria e adequação à natureza de suas funções. • A condição da estrutura física do espaço destinado ao museu repercute diretamente na distribuição das dependências. • Os museus abrigam necessariamente duas áreas, a privativa, de uso interno dos funcionários e administração, e a área pública, que possibilita a circulação e uso dos visitantes. • Museu-casa é uma instituição que mantém a estruturação funcional anterior a sua adaptação. A casa-museu recebe readaptações para funcionar o museu. • Os recursos materiais do museu são compostos por instalações, acesso, segurança e proteção patrimonial. • Equipe, definição institucional e funções especificadas são os requisitos de gestão museológica. 215 AUTOATIVIDADE 1 As áreas públicas de um museu podem ser consideradas aquelas onde há acesso e circulação de visitantes. Como exemplo de uma área pública, podemos anunciar o auditório, a biblioteca, a cafeteria e outras do percurso dos públicos, como os sanitários. Com base no exposto, classifique V para as sentença verdadeiras e F para as falas: ( ) Os jardins, as áreas de descanso e a área do serviço educativo são públicas. ( ) O acesso à reserva técnica é controlado, configurando um espaço privativo dos serviços do museu. ( ) A copa para os funcionários, almoxarifado e área administrativa são áreas públicas do museu. ( ) No museu público, as áreas onde transita o acervo original, independente de ter mobiliários específicos, é sempre considerada pública. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – V – F – F. b) ( ) V – F – V – F. c) ( ) F – V – V – F. d) ( ) F – F – V – V. 2 Um museu clássico da iniciativa privada está sendo criado num município do interior da região Centro-Oeste brasileira. Esse novo museu deverá tratar sobre a história institucional da empresa que emprega centenas de pessoas na região, tornando-se, assim, um ponto de memória importantepelas atividades de gestão, ou seja, terão que cuidar do fluxo documental inerente a cada setor. Aqui, é necessário que a instituição tenha os manuais e procedimento explicito para que cada setor não crie um procedimento. 9 Figura 3 – Entidade mantenedora Fonte: adaptada de Paes (2004). • Coordenação: para que os sistemas descentralizados atinjam seus objetivos com rapidez, segurança e efi ciência, é imprescindível a criação de uma coordenação central, tecnicamente planejada, que exercerá funções normativas orientadoras e controladoras (PAES, 2005). Para Jardim (2015, p. 183) na descentralização podemos ter: • os poderes de decisão são transferidos ou delegados para uma autoridade que não é governada pelo poder disciplinar central ou que não pode ser substituída pela autoridade central; • a autoridade não faz parte de uma hierarquia, ou seja, não recebe ordens de uma autoridade central e não pode ter sua decisão modifi cada por essa autoridade central ou paralisada por rejeição de aprovação, veto ou cassação. Se a centralização for rígida, pode ser desastrosa, a descentralização excessiva surtirá efeitos iguais ou ainda piores (FREIBERGER, 2012). 3.1 ENTIDADES MANTENEDORA DE ARQUIVOS As entidades mantenedoras ou custodiadas de arquivos podem ser públicas, institucionais, comerciais e pessoais ou famílias. Como sabemos, os arquivos são produzidos ou acumulados por entidade coletiva pública ou privada, pessoa ou família no desempenho de suas atividades, independentemente da natureza do suporte (BRASIL, 1991). 10 a) Arquivos públicos – arquivo de entidade coletiva, entidade coletiva pública, independentemente de seu âmbito de ação e do sistema de governo do país; integrantes da administração pública. b) Arquivo federal – arquivo público mantido pela administração federal. Em alguns países, a expressão designa o arquivo nacional. c) Arquivo estadual – arquivo público mantido pela administração estadual, identificado como o principal agente da política arquivística nesse âmbito (BRASIL, 2005). Figura 4 – Arquivo Público do estado de São Paulo Figura 5 – Arquivo Municipal do Belo Horizonte – MG Fonte: https://images.app.goo.gl/SaYSGtYUdnkFDYGx6. Acesso em: 25 set. 2023. Fonte: https://images.app.goo.gl/wxp7CbfVLndfsSy76. Acesso em: 25 set. 2023. d) Arquivo municipal – arquivo público mantido pela administração municipal, identificado como o principal agente da política arquivística nesse âmbito. Como exemplo, cita-se o arquivo Municipal do Belo Horizonte – MG (BRASIL, 2005). 11 e) Arquivos privados – os conjuntos de documentos produzidos ou recebidos por pessoas físicas ou jurídicas, em decorrência de suas atividades (FRANCO, 1985), sendo o acesso a esses acervos, franqueado por autorização de seus proprietários ou possuidores (LOPES; RODRIGUES, 2017). f) Arquivos eclesiásticos (igreja) – “os arquivos eclesiásticos constituem um acervo valioso e imenso, registrando fatos e acontecimentos que vão além do interesse da Igreja enquanto instituição produtora de documentos, perpassando, também, os interesses da sociedade. Devido ao grande valor social, a documentação produzida pela Igreja Católica, embora de natureza privada, constitui-se em documentos de interesse público” (TOGNOLI; FERREIRA, 2017, p. 7). g) Arquivo de família – arquivo privado de uma família ou de seus membros, relativo as suas atividades públicas e privadas, inclusive à administração de seus bens. Também chamado arquivo pessoal ou arquivo familial (BRASIL, 2005). h) Arquivo pessoal – arquivo de pessoa física, por exemplo, o arquivo (BRASIL, 2005), ou seja, são documentos produzidos e recebidos, custodiados pessoa física durante a sua vida e em decorrência de suas atividades e funções sociais (OLIVEIRA; MACEDO; SOBRAL, 2017). Deixamos como sugestão de leitura artigo intitulado Os arquivos eclesiásticos e a arquivística brasileira: uma análise dos artigos publicados nos periódicos arquivísticos brasileiros, de autoria de Natália Bolfarini Tognoli e Elane Rodrigues da Silva Ferreira. Esse artigo aborda o valor dos acervos que compõem os arquivos eclesiásticos. Fonte: https://brapci.inf.br/index.php/res/download/48251. Acesso em: 25 set. 2023. DICA 3.2 ESTÁGIO DE EVOLUÇÃO Paes (2004) afi rma que, para que os arquivos possam desempenhar suas atividades e funções, é importante que os documentos estejam organizados de forma a permiti a recuperação da informação de forma rápida pelos seus usuários. Para Paes (2004), estágio de evolução dos arquivos está relacionada à Teoria das três idades: arquivo corrente, arquivo intermediário e arquivo permanente, ou seja, os arquivos são organizados conforme a teoria. 12 Figura 6 – Teoria das três idades Fonte: adaptada de Paes (2004). Os arquivos correntes são arquivos com o valor administrativo e estão organizados junto ao produtor, muitas vezes, os arquivos correntes são denominados de arquivos montados nos setores de trabalho. Para Lopes (1994), esses arquivos são "os conjuntos montados nos setores de trabalho, em decorrência das funções e atividades exercidas e da necessidade de mantê-los no local por razões administrativas e técnicas". Os arquivos intermediários são denominados de 'arquivos de segunda idade' devido ao término da vigência administrativa. É nessa fase que os documentos são transferidos para os arquivos intermediários, onde aguardam sua destinação final, podendo ser o recolhimento ao arquivo permanente ou a eliminação. Os arquivos permanentes são formados pelos documentos recolhidos do arquivo intermediários com valor secundário, para Barros (2020, p. 67), esses arquivos “representam o passado, o presente e o futuro da teoria arquivística”. Cada uma das idades/fases são complementares e têm atividades distintas no manuseio, tratamento e conservação dos documentos (PAES, 2004). 3.3 EXTENSÃO DA ATUAÇÃO DOS ARQUIVOS Os arquivos, além de serem classificados pelas suas idades, também são distintos conforme sua abrangência, podendo ser setoriais ou centrais/gerais. 13 Quadro 3 – Exemplos de suportes especiais • Arquivos setoriais: são arquivos descentralizados, ou seja, situado nos setores de trabalho, são os locais em que são mantidos os arquivos correntes. Esses arquivos estão sempre junto do órgão produtor, devido ao auto número de pesquisa. Se houver um arquivo central na organização, o arquivo setorial estará subordinado às normativas do arquivo central. • Arquivos centrais: são arquivos centralizados que recebem os documentos cor- rentes de diferentes setores da organização. Também são responsáveis pela nor- malização dos procedimentos técnicos aplicados aos arquivos de uma administra- ção, podendo ou não assumir a centralização do armazenamento (BRASIL, 2005). 3.4 NATUREZA DOS DOCUMENTOS Os arquivos muitas vezes eram confundidos pela forma física dos documentos ou com a sua finalidade. Para evitar essa confusão, foi elaborado conceitos para arquivos especiais e arquivos especializado durante o 1º Congresso Brasileiro de Arquivologia realizado no Rio de janeiro em 1972. • Arquivos especializado: arquivo onde tem um acervo ou mais características comuns, como natureza, função ou atividade da entidade produtora, tipo, conteúdo, ou data dos documentos, entre documentos outras (BRASIL, 2005). Como exemplo, cita-se: arquivos médicos, contábeis, engenharia, jurídicos, arquivos de arquitetura. • Arquivos especais: documentos de formas físicas diversas, por exemplo, fotografias, discos, fitas, clichês, microformas, slides, disquetes, CD-ROM e, por isso, merecem tratamento especial não apenas no que se refere ao seu armazenamento, como também ao registro, acondicionamento, controle e conservação (PAES, 2004). Exemplos de suportes especiais CD – Disco ótico usado para o armazenamento digital de áudio, de dados e aplicações em meio eletrônico. Fonte: https://images.app.goo.gl/pHpyopyxcq6gMiCm8. Acesso em: 25 set. 2023. 14 Fita de vídeo – Fita magnética que contémpara o lugar. Sobre a primeira medida na criação desse novo museu, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Elaborar a Ata de criação. b) ( ) Elaborar o Decreto de criação. c) ( ) Contratar o profissional museólogo. d) ( ) Elaborar o Plano Museológico. 3 A previsão de um programa arquitetônico de museu na sua instalação cria lugares que abrigam acervo, públicos e funcionários. Nesse sentido, as funções do museu precisam estar contempladas na adequação da edificação. Sobre o exposto, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I- A legislação que norteia o setor museológico brasileiro regulamenta a obrigatoriedade do Regimento Interno como documento que define estatuto jurídico 216 POR QUE II- O Regimento Interno registra objetivos, política institucional, papel e composição dos funcionários, horário de funcionamento. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As duas alternativas estão corretas, e a segunda justifica a primeira. b) ( ) As duas alternativas estão corretas, mas a segunda não justifica a primeira. c) ( ) A primeira alternativa é verdadeira, e a segunda é falsa. d) ( ) A primeira alternativa é falsa, e a segunda é verdadeira. 4 Os aspectos formais de criação de um museu passam pelas recomendações legais orientadas pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Essa regulamentação é cobrada dos museus públicos estaduais, federais e municipais, bem como aquelas ligados às inserções administrativas privadas. Cite três etapas obrigatórias de organização de uma unidade museológica. 5 Não se pode conceber um museu isolado. Ele se insere numa comunidade, na sociedade como um todo. Explique a importância de se pensar no público ao projetar a implantação de um museu. 217 TÓPICO 3 - ORGANIZAÇÃO DE MUSEUS NA DIVERSIDADE MUSEAL 1 INTRODUÇÃO Você que está em formação para tornar-se profissional museólogo deve reconhecer a Lei 11.904, de 14 de janeiro de 2009, reconhecida como Estatuto dos Museus, e seu dispositivo de regulamentação, o Decreto nº 1.824, de 18 de outubro de 2013, que indica o Plano Museológico como ferramenta de gestão de todos os museus brasileiros. Essa legislação abrange os museus clássicos, tradicionais e os processos inovadores da museologia social, que cada vez mais vêm à tona na busca de representar a diversidade social e cultural da população brasileira. Este Tema de Aprendizagem 3 sobre a disposição de unidades museológicas se propõe desenvolver uma visão da organização estrutural, arquitetônica, jurídica dos diferentes tipos de museus, evidenciando seus pontos comuns e especificidades. São espaços musealizados, museus no ciberespaço e museus comunitários. O Icom, órgão responsável por questões referentes aos museus, atualizou a definição de museu e essa nova definição proporcionando ambientes digitais de exposição agregados a tecnologias emergentes e cada vez mais instigantes. No interior da área de conhecimento Ciência da Informação, o museu pode ser definido como uma “[...] unidade de informação que trabalha com a organização, o tratamento, o armazenamento, a recuperação e a disseminação da informação produzida a partir de suas coleções” (YASSUDA, 2009, p. 15). Assim sendo, vamos abordar as diferentes possibilidades de organização, tratamento e armazenamento nessas inovadoras unidades museológicas. Curadoria é definida aqui como o ciclo completo de atividades relativas aos acervos, compreendendo a execução e ou orientação científica da formação e do desenvolvimento de coleções (BRANDÃO; LADIM, 2011). Nesse sentido, a curadoria museológica vive em constante tensão pela necessidade de atender às coleções, seu conteúdo informativo por meio de pesquisa, e a extroversão com os públicos. Isso se manifesta a contar da própria organização, ordenamento do espaço museológico. Vamos pensar juntos esses e outros assuntos relacionados às problematizações que reverberam nos museus fora da padronização clássica. UNIDADE 3 218 2 ORGANIZAÇÃO DE UM MUSEU COMUNITÁRIO Antes de mais nada, é importante que estejamos caminhando na mesma direção epistemológica. Portanto, definir o museu comunitário é fundamental. Entende- se museu comunitário na perspectiva de preservação da memória local. Priosti e Varines (2007, p. 65), destacam “que o que se espera o museu comunitário, é proteger e divulgar a memória das pessoas alocadas naquele território com elas, comunicar o seu patrimônio”. O museu comunitário estabelece relações partilhadas entre a vizinhança em laços de pertencimento. Figura 19 – Museu Comunitário da Maré, Zona Norte do RJ Fonte: https://aun.webhostusp.sti.usp.br/index.php/2018/08/17/novas-perspectivas-historicas-surgem- -com-museus-comunitarios/. Acesso em: 28 set. 2023. Um museu comunitário propicia a mediação compartilhada da comunidade e da instituição a respeito das diferentes memórias que circundam o território. Ele repensa a maneira de apresentar e representar os objetos, utilizando das múltiplas possibilidades de acompanhamento, trocas e participação dos envolvidos com aqueles patrimônios. É uma relação dialógica que se estabelece entre os envolvidos. Suzy Santos (2017, p. 130) nos explica sobre os museus comunitários sendo apresentados “como ferramentas criadas e geridas pela comunidade para o seu fortalecimento cultural (através da preservação de seus patrimônios e da sua identidade), a melhoria da qualidade de vida e como ponte para a conexão, a troca e a solidariedade com outras comunidades”. A pesquisadora Santos (2017) nos apresentou um mapeamento de 72 museus comunitários e ecomuseus organizados e estruturados, desde 1968. Segundo a autora supracitada, a maioria dos museus comunitários pode ser encontrada na região Nordeste do país. Vejamos a estatística apresentada. 219 Figura 20 – Estatística de museus comunitários por região Fonte: Santos (2017, p. 215). Nessas características, podemos nos questionar o que exatamente esses museus trazem de diferencial para a organização museológica. A resposta está justamente na ideia de que, para aplicar o processamento museológico, não é necessário se constituir uma instituição contendo paredes e teto, mas que esteja participante de contexto. Essas instituições comunitárias se estabelecem como uma experiência coletiva e, portanto, não se encerram em edifi cações físicas ou em um modelo previamente concebido. Neste caso, Chagas (2003) assume posicionamento crítico frente ao uso da conceituação museu para essas experiências museológicas, sugerindo a utilização da ideia pontos de memória que cumprem uma função social. Quer dizer que empregam a própria memória dos habitantes, da comunidade de homens e mulheres, como fortaleza no cumprimento das funções de preservar, comunicar e educar. Há, portanto, nos museus comunitários a tendência de “libertação do esqueleto arquitetônico (RIVARD, 1984, p. 66, tradução nossa)”, ou seja, a inexistência da tríade acervo, prédio, público substituída pelo território, testemunhos e comunidade, cujo interesse é político e de valorização. Podemos problematizar esse tipo de museu comunitário no que se refere à obrigatoriedade legal de constituir um documento ofi cial como ato jurídico. O museu comunitário é um processo que se inicia não por uma deliberação hierárquica ou governamental. A comunidade do museu, em consenso, cria o museu sem formalizações. No entanto, há gestão do patrimônio e dos processos que não escapam da produção do Plano Museológico. 220 Quadro 3 – Pontualidades sobre a organização do museu comunitário Fonte: a autora. Tipo de dúvida sobre o Museu Comunitário Sim – Não Tem Plano Museológico Sim Tem instrumento de criação Não Produz memórias Sim Otimização de processos museológicos Sim Processos museológicos Ações organizadas coletivamente Centralidade nas relações Não Rótulos e modelos expositivos Não Referencial teórico na nova museologia Sim Apropriação e aceite do acervo Sim Memória e identidade social Sim Obrigatoriedadeimagens com ou sem registros sonoros. Também chamada fita de vídeo. Fonte: https://images.app.goo.gl/8AmWGfxc9TZ- D6H6x6. Acesso em: 25 set. 2023. Fitas de áudio – Fita magnética que contém registros sonoros. Também chamada fita de áudio ou fita sonora. Fonte: https://images.app.goo.gl/nhPUQ65wLh- toY1B98. Acesso em: 25 set. 2023. Fotografias – Imagem produzida pela ação da luz sobre película coberta por emulsão fotossensível, revelada imagem e fixada por meio de reagentes químicos. Fonte: https://images.app.goo.gl/RVicTQLojRhBqqe2A. Acesso em: 25 set. 2023. Microfilme – é um filme resultante do processo de reprodução de documentos, documentos-dados e dados-imagens, dá-se por imagens em meios fotográfico ou eletrônico em diferentes graus de redução, cuja leitura só é possível por meio de leitor de microformas Fonte: https://images.app.goo.gl/ufxPadcH2pRwpAes7. Acesso em: 25 set. 2023. Fonte: adaptado de Brasil (2005). 15 Você sabe o que tipologia documental? A tipologia é a forma que assume uma espécie documental segundo a atividade que a gerou. DICA Espécie Tipologia Ata De reunião Boletim Escolar Certidão De óbito Contrato De trabalho 4 ORGANIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DE ARQUIVOS Os arquivos são instrumento de controle à ação administrativa de qualquer empresa, seja pública ou privada. O objetivo dos arquivos é: Atender à administração direta em suas atividades diversas, servindo de suporte à pesquisa técnica, administrativa e financeira produzindo, re- colhendo, selecionando e arquivando documentos gerados de maneira organizada, estando sempre preparados para o atendimento a consul- tas internas e externas de maneira rápida e precisa (LOPES, 2004, p. 1). Independentemente do tipo de arquivo ou de instituição que seja situado no setor de arquivo, o primeiro passo é conhecer a instituição, identificando os pontos fracos, forças, oportunidades e possíveis ameaças. Além disso, conhecer os setores e hierarquia da organização, com a finalidade de conhecer os tipos documentais e o seu fluxo na organização. Para realizar essa atividade, é necessário desenvolver algumas atividades: levantamento de dados; análise dos dados coletados; planejamento; implementação e acompanhamento. 4.1 LEVANTAMENTOS DE DADOS O levantamento de dados deve iniciar pela leitura da documentação jurídica, estatuto, atas, contratos sociais, com a finalidade de conhecer a instituição, sua função, finalidade, estruturas e alterações e deve ser “complementado pela coleta de informações sobre a sua documentação” (PAES, 2004, p. 35). Esse levantamento de dados permite ao arquivista, responsável pela gestão documental do órgão, conhecer detalhamento o órgão produtor e, por meio desse conhecimento, pode-se compreender e avaliar qual o real papel da documentação 16 produzia na instituição. O Quadro 4 apresenta um resumo dos documentos e informações a serem coletados. Quadro 4 – Documentos e informações – levantamento de dados Levantamento de dados Normas Documentação Pessoal Equipamentos Localização física Meios de comunicação Atas Gênero documental Número de pessoas Quantidade Extensão da área ocupada Telefone Documentos constitutivos Espécie Qualificação Modelos Iluminação E-mail Estatutos Tipologias documentais Salários Estado de conservação Umidade Site Normas Modelos Escolaridades Estado de conservação das instalações Redes sociais Organograma Formulários Formação profissional Proteção contra incêndio Regimentos Instrumentos da gestão documental Regulamentos Arranjo documental Descrição arquivística – norma usada Média de arquivamento diário Classificação de documentos Método de ordenamento adotado Existência de registros e protocolos Controle de empréstimos Normas do arquivo e manuais Estado de conservação e restauração dos documentos Fonte: adaptado de Paes (2004). 17 Além disso, com esse levantamento, podemos analisar o gênero documental, as espécies, as tipologias documentais, os modelos e os formulários que são mais utilizados na instituição, que vem com o estado de conservação e o volume documental (PAES, 2004). Almeida e Vitoriano (2017), citando Corrochano (1995), mencionam que são necessárias seis fases para a construção do diagnóstico. a) Conhecer a organização – para cumprimento dessa fase, é ne- cessário realizar o levantamento dos documentos legais, de consti- tuição, identificar a missão e o objetivo da organização. Para se obter essas informações, deve se fazer o estudo da documentação. b) Conhecer o arquivo – é preciso realizar leituras sobre o tipo de arquivo, caracterizá-lo, identificar quais são os usuários e se existem instrumentos arquivísticos. É necessário ainda identificar a existência de leis, normas e/ou regulamentos que regem o arquivo da organização e identificar a existência de fichas de transferências de documentos, controle de empréstimo, de arquivamento, dentre outros instrumentos arquivísticos; analisando-os e apontando suas competências e possíveis falhas, visando seu aprimoramento. c) Projetar possíveis mudanças – para a realização dessa fase, é preciso prever mudanças e crescimento do arquivo a curto, mé- dio e longo prazo. Dessa forma, será possível apontar soluções prévias quanto ao espaço físico, propondo remanejamento, prio- rizando a avaliação documental, dentre outras medidas que de- verão ser incluídas no projeto de trabalho. O projeto de trabalho direcionará também os recursos necessários para a implantação do arquivo integrado. d) Realizar estudos analíticos sobre os conjuntos documen- tais da organização – nesta fase, é recomendado identificar a real situação da documentação, uma vez que, por meio da docu- mentação, percebe-se o fluxo informacional da organização, tor- nando-se possível não só a identificação precisa e detalhada das condições físicas, mas também os fundos, as séries, as tipologias documentais que compõem o acervo da organização. As caracte- rísticas do Arquivo Geral e o estado da documentação precisam ser identificados, tais como: os metros lineares do acervo, suas condições de conservação, em qual suporte a documentação está registrada e se existem cuidados de armazenamento específicos para cada documentação. Partindo dessas informações, será pos- sível apontar medidas de urgência no que tange ao tratamento do suporte documental, preservando, assim, o conteúdo informacio- nal do documento. e) Verificar as condições de trabalho do arquivo – para a realização dessa fase, é preciso identificar os recursos disponíveis do arquivo: infraestrutura, recursos financeiros e recursos humanos. Esses fatores são fundamentais no desenvolvimento das atividades do arquivo, logo, devem ser apontadas no decorrer da elaboração do diagnóstico. f) Identificar a necessidade de informação dos usuários do arquivo – para o cumprimento da última fase, é preciso mapear o fluxo informacional/documental a fim identificar quais setores comunicam-se entre si e quais as necessidades informacionais de seus usuários. Identificar quais são as funções e as atividades desenvolvidas pelos colaboradores da organização e as tipologias 18 documentais produzidas e recebidas. Essas informações podem ser coletadas por meio de questionários e entrevistas realizadas periodicamente (CORROCHANO, 1995, p. 236 apud ALMEIDA; VITORIANO, 2017, on-line). IMPORTANTE Espécie documental • Divisão de gênero documental que reúne gênero documental tipos documentais por seu tipos documentais formato. Tipo documental • Divisão de espécie documental que reúne documentos por documentos suas características comuns no que diz respeito à fórmula diplomática, natureza de conteúdo ou técnica do registro Gênero documental • Reunião de espécies documentais que se assemelham por seus caracteres essenciais, particularmente o suporte e formato, que exigem processamento técnico específi co e, por vezes, mediação técnica para acesso, como documentosaudiovisuais, bibliográfi cos, cartográfi cos, textuais etc. Forma • Estágio de preparação de transmissão de documentos (rascunho, minutas, copia) Formato • Conjunto das características físicas de apresentação, das técnicas de registro e da estrutura da informação e informação conteúdo de um documento. Suporte • Material no qual são registradas as informações. Fonte: BRASIL. Dicionário brasileiro de terminologia arquivística. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005. 4.2 ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS O arquivista, após coletar todos os dados da primeira etapa, tem que fazer a análise da situação real em que o arquivo se encontra. Para isso, deve se fazer o diagnóstico para formular e propor melhorias e alterações nos serviços prestados. Para Paes (2004), esta é uma atividade que consiste em verifi car a estrutura, atividade e documentação da organização para verifi car se as atividades correspondem à realidade operacional. O diagnóstico é “uma constatação dos pontos de atrito, de falhas e lacunas existentes no complexo administrativo, enfi m, das razões que impendem o funcionando efi ciente do arquivo (PAES, 2004, p. 36). O diagnóstico é umas das primeiras etapas antes de fazer a intervenção do documento, isto é, a gestão documental, com o intuito de compreender o método de arquivamento e possibilitar a organização da informação, ou seja, é o “primeiro passo para se alcançar uma gestão dos documentos e também dos arquivos a fi m de que eles correspondam às verdadeiras necessidades de informação das instituições” (FERREIRA; MELO, 2008, p. 2). 19 Sendo uma etapa importante no planejamento das atividades arquivísticas “o processo de diagnóstico é o conjunto de ações que visam identificar as principais causas dos problemas [...], sendo o termo causa definido como uma dentre várias condições que em conjunto torna provável a ocorrência de determinado problema e apontar soluções” (SILVA, 2014, p. 7). O diagnóstico trará subsídios para que arquivista inicia a gestão documental, pois é um “um instrumento que direciona as ações a serem tomadas, portanto, ele é determinante no processo de avaliação dos arquivos, pois mediante o seu uso, é possível identificar possíveis falhas ou lacunas na gestão documental. Ele é imprescindível para que se conheça o arquivo e a sua necessidade real (OLIVEIRA; BEDIN, 2018, p.120). Para realizar o diagnóstico, existem algumas metodologias. Oliveira e Bedin (2018, p. 122) fizerem o levantamento sobre as possíveis metodologias. • Metodologia de Evans e Ketelaar (1983): apresenta-se em forma de questionário, dividido geralmente em nove grupos: apresentação geral; legislação e normas; recursos humanos; recursos financeiros; edifício e materiais; fundos; métodos e processos de trabalho; serviços oferecidos e centros de documentação. • Metodologia de Campos (1986): procura, por meio de pesquisa bibliográfica e entrevista, coletar informações sobre o órgão/ setor visitado, as atividades de protocolo e de arquivo corrente desenvolvidas e suas respectivas normas reguladoras; a organização do acervo; os instrumentos de pesquisa disponíveis; os processos de transferência e eliminação e seus critérios reguladores e o uso de tecnologias para recuperação da informação. • Metodologia de Moneda e Corrochano (1995): investiga a situação arquivística do arquivo por meio de entrevista e a divide em: pré-diagnóstico; análise dos fundos; análise dos instrumentos de trabalho existentes; análise dos recursos de infraestrutura, recursos humanos e financeiros disponíveis; fluxo das informações e; posição hierárquica do arquivo. • Metodologia de Lopes (1997): é realizado mediante o levantamento de dados relativos à quantidade de documentos expressa em metros lineares ou em bytes; as características diplomáticas; os conteúdos informacionais genéricos; as unidades físicas de arquivamento; a existência e o modo de uso das tecnologias da informação; as características das instalações do arquivo e a situação dos acervos no que se refere a preservação; as datas-limite e a identificação original das inscrições encontradas nas embalagens. • Metodologia de Rousseau e Couture (1998): os autores baseiam seu diagnóstico na análise dos procedimentos de criação, difusão e acesso, da classificação e recuperação da informação e da proteção de conservação Para Gadelha (2017, p. 398), “não existem modelos prontos e/ou padronizados para a aplicação de um diagnóstico, nem mesmo problemas e soluções preexistentes. Isso ocorre devido às especificidades do organismo produtor. Cada contexto é único, portanto, seus diagnósticos também serão”. Isso não quer dizer que os modelos usados para contexto não tenham que ser padronizados dentro da instituição. Conforme Lopes 20 (2009) e Almeida e Vitoriano (2017), todas as informações que vão compor o diagnóstico devem ser coletadas por meio de formulários padronizados, temáticos e revisados constantemente. Segundo Almeida e Vitoriano (2017), ao desenvolver o diagnóstico, um dos objetivos é construir a sociologia e a história da organização, ou seja, identifi car o histórico da organização, sua missão, seus objetivos, assim como estudar a trajetória de vida dos funcionários. Quando o diagnóstico arquivístico é realizado, temos os seguintes benefícios: • Preservar a história institucional por meio da conservação da documentação. • Padronizar o tratamento da documentação. • Facilitar e agilizar a busca e o acesso aos documentos. • Proteger fi sicamente os documentos originais mantendo a integridade da informação. • Reduzir os custos (restauração, material de consumo, digitalização, entre outros). • Proporciona maior transparência da administração pública e contri- buirá para adequar a instituição aos padrões estabelecidos pela le- gislação arquivística vigente (BARBOZA; SILVA; SILVA, 2020, p. 262). Para conseguimos esses benéfi cos, o diagnóstico tem que ser bem elaborado e, para tal, é necessário conhecer detalhadamente quem produz os documentos que vão compor o arquivo, esses conjuntos documentais deve “ter uma estrutura orgânica e refl e- tir a atividade de uma entidade, o que o diferencia de outros tipos de centros onde se pro- cessa informação (CORROCHANO, 1995, p. 236 apud ALMEIDA; VITORIANO, 2017, on-line). Para visual um exemplo de diagnóstico arquivístico, acesso o site do Arquivo Público do Espírito Santos (APES): https://ape.es.gov.br/diagnostico_ arquivistico. A documentação arquivística segue o princípio da organicidade, que afi rma que os documentos de uma organização refl etem as atividades da organização que os acumulou, esses documentos estão vinculados organicamente. Para complementar os seus estudos sobre os princípios arquivístico, leia o texto: Princípios e características de documentos arquivísticos: algumas questões terminológicas, de autoria de Kíssila da Silva Rangel e Maria Celina Soares de Mello e Silva. Esse artigo analisa as terminologias arquivista, para isso, INTERESSANTE IMPORTANTE 21 Para ampliação do seu conhecimento sobre o tema diagnóstico, deixamos como sugestão o artigo Diagnóstico arquivístico: uma proposição metodológica a partir de instrumentos normativos de descrição arquivística, de autoria de Leolibia Luana Liden e Marisa Medeiros. O artigo aborda a importância do diagnóstico arquivístico antes de fazer a gestão de documentos, a metodologia utilizada para o seu desenvolvimento foi a bibliográfica que identificou conceitos e metodologias utilizadas na realização do diagnóstico a partir da utilização de instrumentos normativos de descrição arquivística internacionais: ISAD (G), ISAAR (CPF), ISDIAH e ISDF. As autoras concluíram que é importante a utilização de instrumentos já padronizados para gerar diagnósticos arquivísticos que atendam às necessidades institucionais. Fonte: LINDEN, L. L.; MEDEIROS, M. B. B. Diagnóstico arquivístico: uma proposição metodológica a partir de instrumentos normativos de descriçãoarquivística. Informação & Informação, v. 24, n. 3, p. 335-364, 2019. Disponível em: https://brapci.inf.br/index.php/res/v/134176. Acesso em: 25 set. 2023. DICA é realizado uma análise nos dicionários brasileiros de terminologia arquivística que tratam os princípios arquivísticos e as características dos documentos de arquivo. Compõem o corpus da pesquisa três dicionários e foi constatado que a nominação de um princípio e características não ocorre de maneira uniforme. Conclui-se que a terminologia reflete o desenvolvimento teórico da área e sugere-se que outras pesquisas aprofundem conceitualmente a territorialidade, a imprescritibilidade, a inalienabilidade e a integridade arquivística. Fonte: RANGEL, K.; SILVA, M. C. S. de M. e. Princípios e características de documentos arquivísticos: algumas questões terminológicas. Ágora: Arquivologia em Debate, Florianópolis, v. 31, n. 62, p. 1-10, jan. /jun. 2021. 4.3 PLANEJAMENTO Após a realização da análise das etapas anteriores, é necessário fazer o planejamento das atividades que irão compor o plano arquivístico. Paes (2004) destaca que, independentemente do estágio de evolução dos arquivos, para que possam cumprir seus objetivos, torna-se indispensável a formulação de um plano que leve em consideração as necessidades da instituição, sem desconsiderar as disposições legais pertinentes. Para o desenvolvimento correto do plano, é necessário identificar alguns elementos: 22 • A posição do arquivo na estrutura da instituição. • A posição do arquivo na estrutura da instituição – centralizado; descentralizar e coordenação. • Escolha de métodos de arquivamento. • Estabelecimentos de normas de funcionamento. • Recursos humanos. • Seleção das instalações físicas, equipamentos e materiais de consumo e permanentes. • Desenvolvimento de arquivos intermediários e permanentes. • Recursos financeiros. • Elaboração do projeto de arquivo. 4.4 IMPLEMENTAÇÃO E ACOMPANHAMENTO Após realizar as atividades anteriores, chegou o momento de implementar as devidas melhorias que estão descritas no plano. Essa fase deve ser antecedida de uma campanha de sensibilização que alcancem todas as estruturas hierárquicas da organização (PAES, 2004). Para realizar a campanha, o arquivista pode fazer por meio de reuniões e pales- tras com o objetivo de informar as modificações que serão introduzidas nas rotinas e serviços arquivísticos e pedir a colaboração dos funcionários e colaboradores das ins- tituições. Tudo isso para diminuir ou neutralizar as possíveis resistências (PAES, 2004). Simultaneamente com a campanha de sensibilização deve ocorrer os treina- mentos aos colaboradores que não estão diretamente envolvidos na execução das ati- vidades e funções que não estão previstas no plano arquivístico, bem como dos colabo- radores que estarão diretamente envolvidos com os serviços arquivístico (PAES, 2004). Outro ponto crucial para o sucesso do plano é a implementação das normas elaborados na fase anterior, essa etapa exige um acompanhamento constante pelo responsável, com a finalidade de evitar falhas. Após a implementação dos procedimentos, é necessário criar os manuais de arquivo, instrumento de apoio a todo o trabalho da organização, aqui, registamos todos os procedimentos e instruções sobre os serviços arquivísticos (PAES, 2004). Como sugestão para a construção de manual, Paes (2009) elenca alguns elementos, destaca- se que esses elementos são flexíveis conforme o contexto e as especificidades de cada órgão produtor. • Apresentação, objetivos e abrangência do manual. • Informações sobre os arquivos da instituição, suas finalidades e responsabilidades, sua internação e subordinação. 23 • Organogramas e fluxogramas. • Conceitos gerais de arquivos, definições das operações de arquivamento e terminologia. • Detalhamento das rotinas, modelos de formulários utilizados e plano de classificação de documentos. • Tabelas de temporalidade de documentos. Por fim, o manual arquivístico deve ser revisto periodicamente e atualizado com a finalidade de atender às alterações que sugiram em decorrência do desenvolvimento instituição. 24 Neste tópico, você aprendeu: • Os arquivos são responsáveis pela custódia da documentação produzida ou recebida por uma organização no decorrer de suas atividades, ou seja, a documentação arquivística é produzida de forma orgânica independente do suporte informacional. • As organizações devem planejar a implementação dos arquivos de maneira que permita a recuperação e acesso aos documentos custodiados de forma rápida. • O sistema de arquivos possibilita desenvolver uma gestão documental de acordo com as técnicas de arquivamento mais adequadas, mas, para isso, é necessário que a organização defina e implemente uma política arquivística institucional. • O arquivo pode ser classificado quanto a sua posição na estrutura da organização ou de acordo com o aspecto a ser estudado: entidade mantenedora, evolução, atuação e natureza dos documentos. • O levantamento de dados deve iniciar pela leitura da documentação jurídica, estatuto, atas, contratos sociais, com a finalidade de conhecer a instituição, sua função, finalidade, estruturas e alterações. • O diagnóstico é umas das primeiras etapas antes de fazer a intervenção do documento, ou seja, a gestão documental, com o intuito de compreender o método de arquivamento e possibilitar a organização da informação. • Independentemente do estágio de evolução dos arquivos, para que possam cumprir seus objetivos, torna-se indispensável a formulação de um plano que leve em consideração as necessidades da instituição, sem desconsiderar as disposições legais pertinentes. RESUMO DO TÓPICO 1 25 AUTOATIVIDADE 1 Os arquivos podem ser classificados quanto a sua natureza dos documentos, estágio de evolução, entidades mantenedores e atuação. Sobre os arquivos especializados, assinale alternativa CORRETA: a) ( ) Eclesiástico e médicos. b) ( ) Sonoros e jurídicos. c) ( ) Numérico e geográfico. d) ( ) Microfichas e filmes. 2 Na arquivologia brasileira, o termo arquivo especial e arquivo especializado passou a ser discutido no 1º Congresso de Arquivologia Brasileira em 1972. Sobre esses termos, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Os arquivos especializados têm sob sua custódias documentos de uma campo de conhecimento específico. ( ) Os arquivos especializados têm sob sua guarda documentos em diferentes tipos de suportes. ( ) Os arquivos especiais custodia documentos de forma físicas diferenciadas, por exemplo, arquivo de fotografia. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – V. b) ( ) F – V – F. c) ( ) V – V – F. d) ( ) F – F – V. 3 Nos arquivos, contarmos documentos nas mais variadas espécies, formatos, formas e gêneros. Sobre os documentos arquivísticos, associe os itens, utilizando o código a seguir: I- Espécie documental. II- Tipo documental. III- Gênero documental. ( ) Configuração que assume um documento de acordo com a disposição e natureza das informações nele contidas. ( ) Configuração que assume um documento de acordo com o sistema de signos utilizado na comunicação de seu conteúdo 26 ( ) Configuração que assume uma espécie documental de acordo com a atividade que a gerou Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) I – III – II. b) ( ) III – I – II. c) ( ) II – III – I. d) ( ) II – I – III. 4 Para realizar um diagnóstico, é necessário levantar vários dados, um deles é a posição dos arquivos dentro da estrutura da organização. Sobre o posicionamento, disserte sobre o arquivo de forma centralizada. 5 Para fazer o diagnóstico do arquivo, o arquivista precisa fazer a coleta dos dados e, posteriormente, a sua análise. Disserte sobre a análise dos dados coletados. 27 ESTRUTURA FÍSICA E FUNCIONAL DE ARQUIVOS 1 INTRODUÇÃO Nesta unidade, vamos aprender como deve ser a implantação de um arquivo.O Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ) produziu alguns documentos que auxiliaram o arquivista e os gestores nesta atividade, que veremos mais à frente. Para que o arquivo possa desempenhar suas funções, é necessária uma estrutura básica que consiste em: infraestrutura (instalações), medidas de segurança, recursos materiais e recurso humanos. UNIDADE 1 TÓPICO 2 - 2 INFRAESTRUTURA Para o bom desempenho das funções do arquivo, o primeiro passo é a escolha do local adequado para custodiar o acervo. Aqui, devemos levar em conta as condições físicas e as questões de extensão de áreas, ou seja, o local deve permitir futuras ampliações da instalação (PAES, 2004). A seguir, os aspectos a serem analisados pata a instalação do arquivo. a) Localização: acessível, com capacidade de expansão e, se volumoso, deve ficar no andar térreo. b) Iluminação: ampla, mas difusa, não deve haver incidência direta do sol. c) Arejamento: ventilação natural, constante e regulável. d) Higienização: limpo, bem cuidado, com dedetização periódica. e) Disposição: espaço livre para locomoção, fácil consulta e conservação do acervo. f) Segurança: contra incêndio, roubo, infiltrações etc. (FREIBERGER, 2012). Para Navarro (2015), a infraestrutura se refere às condições físicas que o arquivo deve atender para a preservação de documentos, como espaços suficientes para a localização de documentos arquivo e áreas de trabalho que permitem o seu funcionamento. Para um arquivo que contém vários serviços, a recomendação é que o depósito tenha 60% da área da construída, 15% serão direcionadas ao trabalho técnico e administrativo e os 25% restantes serão direcionados ao público. A seguir, será apresentado os requisitos para área de depósito, produção e armazenamento, áreas de acesso público e a área de trabalhos. 28 2.1 RECOMENDAÇÃO PARA ÁREA DE PRODUÇÃO E ARMAZENAMENTO A preservação e conservação dos documentos de arquivos deve ser pensada no início da gestão da documental, ou seja, na produção. Dessa forma, o Conselho Nacional de Arquivos, em 2005, elaborou um documento intitulado Recomendações para a produção e o armazenamento de documentos de arquivo, esse instrumento “têm como objetivo possibilitar o planejamento de estratégias de guarda e de preservação de documentos de arquivo, de acordo com sua temporalidade e destinação” (CONARQ, 2005, p. 6). As recomendações apresentadas no documento estabelecem os requisitos para a produção e o armazenamento físico de documentos. 2.1.1 Produção e acesso Nos processos de produção, tramitação, organização e acesso aos documentos deverão ser observados procedimentos específicos de acordo com os diferentes gêneros documentais, com vistas a assegurar sua preservação durante o prazo de guarda estabelecido na tabela de temporalidade e destinação. Alguns documentos devem ter formato padronizado, conforme vigentes, e os documentos permanentes devem ser produzido em papel alcalino (CONARQ, 2005). O Conarq (2005) ainda ressalta que: • Os papéis das capas de processos devem ser alcalinos. • Os grampos trilhas ou presilhas devem ser em plástico ou metal não oxidável. • Deve se evitar as práticas de grampear e de colar documentos. • Os dossiês, processos e volumes devem ser arquivados em pastas suspensas ou em caixas conforme as suas dimensões. 2.1.2 Áreas de armazenamento Os documentos devem ser armazenados em locais que tenham condições ambientes adequados para a preservação conforme o prazo estabelecido na tabela de temporalidade da organização. A área de armazenamento é dívida em áreas externa e internas. Áreas externa – o local do depósito de arquivo deve ser de fácil acesso e prever facilidade para segurança dos documentos. Deve-se evitar implementação em locais com: 29 • Áreas de risco de vendavais, de inundações (rios e subsolos). • Áreas de risco de incêndios. • Áreas próximas a indústrias pesadas com altos índices de poluição atmosférica (refinarias de petróleo). • Áreas próximas a instalações estratégicas (indústrias/depósitos de munições, material bélico e aeroportos) (CONARQ, 2005). Áreas internas – aqui, encontram-se as áreas de trabalho e circulação do público, bem como a de armazenamento. As áreas de circulação deverão atender aos requisitos de funcionalidade e conforte, porém a área de armazenamento de documentos deve ser totalmente independente das outras áreas. Para o Conarq (2000, p. 7): Os depósitos precisam ficar isolados do restante das atividades do edifício. A separação dessas áreas pode ser feita no sentido horizontal ou vertical. Sendo no sentido horizontal, os depósitos podem ser construídos em um ou vários blocos, separados das demais áreas ou localizados abaixo destas. No sentido vertical, eles deveriam ficar nos andares mais baixos. Figura 7 – Área de depósito do Arquivo de São Paulo Fonte: https://images.app.goo.gl/nSunDThnE9Rzd3jD9. Acesso em: 25 set. 2023. Na área de depósito, deve ser evitar: • Evitar os subsolos e porões por causa do grande risco de inundações, preferindo terrenos mais elevados distantes de lençol freático. Em caso que o depósito está situado no térreo, deve ter pisos mais elevados em relação ao solo e com boas condições de drenagem. • Prever condições estruturais de resistência a cargas. • A área dos depósitos não deve exceder a 200 m2, caso for necessário, os depósitos deverão ser compartimentados, sendo esses compartimentos independentes entre si, separados por corredores, com acessos equipados com portas corta-fogo e, de 30 preferência, com sistemas independentes de energia elétrica, de aeração ou de climatização. • Evitar tubulações hidráulicas, caixas d’água e quadros de energia elétrica sobre as áreas de depósito. • Evitar todo tipo de material que possa promover risco de propagação de fogo ou formação de gases, como madeiras, pinturas e revestimentos. • Aumentar a resistência térmica ou a estanqueidade e das paredes externas, em especial daquelas sujeitas à ação direta de raios solares, por meio de isolamento térmico e/ou pintura de cor clara, de efeito reflexivo. • Promover a ventilação dos ambientes de forma natural ou artificial com soluções de baixo custo, inclusive com a disposição adequada do mobiliário, de forma a facilitar o fluxo do ar. • Evitar a presença de pessoas em trabalho ou consulta em tais ambientes. • Manter suprimento elétrico de emergência (CONARQ, 2005). Cada depósito deverá ter uma área de até 200 m², sendo que uma área de 170 m² pode conter cerca de uns 1000 metros lineares de prateleiras, caso seja usado estantes compactas, a capacidade de armazenamento aumentará em 90%. Figura 8 – Estantes Fonte: https://images.app.goo.gl/E5Ysdhq3WsE2pSKd8. Acesso em: 25 set. 2023. Caso a instituição opte por usar esse tipo de estante para armazenar os documentos no depósito, será necessário verificar a estrutura física dos andares para as cargas: • kg/m² para a instalação de estantes metálicas fixas de 2,20 metros de altura; • 2.000 kg/m² para estantes móveis, compactas; • 800 kg/m² para estantes de bibliotecas 31 Deve-se levar em conta a altura do pé direito para a alocação das estantes, que não deve exceder ao estabelecido pela regulamentação local. Nas construções especificamente projetadas para arquivos, por exem- plo, um pé direito com a altura em torno de 2,70 m cria um espaço equi- valente a 0,50 m acima da estante, por onde passam os dutos de venti- lação e ar-condicionado. Quanto maior o espaço excedente, maior será a despesa com energia para climatização e, em caso de fogo, mais fácil será o alastramento das chamas. Em construções especificamente pro- jetadas para prédios de arquivos, a altura do pé direito não deve exceder o mínimo exigido pela regulamentação local (CONARQ, 2000, p. 9). 2.1.3 Condições ambientais Quando estamos ‘escolhendo’ o local que ficará o depósito, é necessário pensar nas condições climáticas do ambiente. As áreas de pesquisa de trabalham terão o tratamento diferente da área de