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OABENÇOADAS OABENÇOADAS OABENÇOADAS Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 1 DICAS MATADORAS @OABaivouEU! AS MELHORES DICAS DE PARA A RETA FINAL DA OAB XXXIX ÉTICA DICA 01 DIREITOS DO ADVOGADO (Art. 6 e 7-A, do Estatuto e 15 ao 17 do Regimento) Todos são exatamente IGUAIS! Não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público. devendo todos tratar-se com consideração e respeito recíprocos. FIQUE ATENTO A INOVAÇÃO LEGAL: Parágrafo único, Art. 6º. As autoridades e os servidores públicos dos Poderes da República, os serventuários da Justiça e os membros do Ministério Público devem dispensar ao advogado, no exercício da profissão, tratamento compatível com a dignidade da advocacia e condições adequadas a seu desempenho, preservando e resguardando, de ofício, a imagem, a reputação e a integridade do advogado nos termos desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 14.365, de 2022) Sempre lembre-se: Deve haver sempre o cuidado com a DIGNIDADE, RESPEITO e o TRATAMENTO dispensados ao ADVOGADO, notadamente no exercício e desempenho de sua profissão. O local do trabalho do advogado ou seu escritório é INVIOLÁVEL. Seus instrumentos de trabalho e correspondências também (seja lá qual for o meio - correspondência escrita, eletrônica, telefônica e telemática, desde que relativas ao exercício da advocacia). ATENÇÃO: Essa inviolabilidade é relativa, ou seja, havendo decisão fundamenta do Juízo (e presentes indícios de autoria e materialidade da prática de crime), exatamente com o que for buscado ou apreendido, é possível a “violação”. ATENÇÃO – INOVAÇÃO LEGAL: Art. 7º, § 6º-A. A medida judicial cautelar que importe na violação do escritório ou do local de trabalho do advogado será determinada em hipótese excepcional, desde que exista fundamento em indício, pelo órgão acusatório (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022) ATENÇÃO – INOVAÇÃO LEGAL: § 6º-B. É vedada a determinação da medida cautelar prevista no § 6º-A deste artigo se fundada exclusivamente em elementos produzidos em declarações do colaborador sem confirmação por outros meios de prova. (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022) ATENÇÃO – INOVAÇÃO LEGAL: O representante da OAB referido acima tem o direito a ser respeitado pelos agentes responsáveis pelo cumprimento do mandado de busca e apreensão, sob pena de abuso de autoridade, e o dever de zelar pelo fiel cumprimento do objeto da investigação, bem como de impedir que documentos, mídias e objetos não relacionados à investigação, especialmente de outros processos do mesmo cliente ou de outros clientes que não sejam pertinentes à persecução penal, sejam analisados, fotografados, filmados, retirados ou apreendidos do escritório de advocacia. ATENÇÃO – INOVAÇÃO LEGAL - § 6º-D: No caso de inviabilidade técnica quanto à segregação (SEPARAÇÃO) da documentação, da mídia ou dos objetos não relacionados à investigação, em razão da sua natureza ou volume, no momento da execução da decisão judicial de apreensão ou de retirada do material, a cadeia de custódia preservará o sigilo do seu conteúdo, assegurada a presença do representante da Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 2 OAB, nos termos dos §§ 6º-F e 6º-G deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022) ATENÇÃO – INOVAÇÃO LEGAL: § 6º-E. Na hipótese de inobservância do § 6º-D deste artigo pelo agente público responsável pelo cumprimento do mandado de busca e apreensão, o representante da OAB fará o relatório do fato ocorrido, com a inclusão dos nomes dos servidores, dará conhecimento à autoridade judiciária e o encaminhará à OAB para a elaboração de notícia-crime. ATENÇÃO – INOVAÇÃO LEGAL: §6º-F. É garantido o direito de acompanhamento por representante da OAB e pelo profissional investigado durante a análise dos documentos e dos dispositivos de armazenamento de informação pertencentes a advogado, apreendidos ou interceptados, em todos os atos. ATENÇÃO – INOVAÇÃO LEGAL: § 6º-G. A autoridade responsável informará, com antecedência mínima de 24 (vinte e quatro) horas, à seccional da OAB a data, o horário e o local em que serão analisados os documentos e os equipamentos apreendidos, garantido o direito de acompanhamento, em todos os atos, pelo representante da OAB e pelo profissional investigado. ATENÇÃO – INOVAÇÃO LEGAL: § 6º-H. Em casos de urgência devidamente fundamentada pelo juiz, a análise dos documentos e dos equipamentos apreendidos poderá acontecer em prazo inferior a 24 (vinte e quatro) horas, garantido o direito de acompanhamento, em todos os atos, pelo representante da OAB e pelo profissional investigado. ATENÇÃO – INOVAÇÃO LEGAL: § 6º-I. ATENÇÃO – DELAÇÃO PREMIADA DE ADVOGADO: É vedado ao advogado efetuar colaboração premiada contra quem seja ou tenha sido seu cliente, e a inobservância disso importará em processo disciplinar, que poderá culminar com a aplicação do disposto no inciso III do caput do art. 35 desta Lei (PENA DE EXCLUSÃO DOS QUADROS DA OAB), sem prejuízo das penas previstas no art. 154 do Decreto-Lei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal). O advogado é livre para exercer sua profissão em qualquer território do País, bem como, pode ingressar livremente em qualquer órgão público, sala de sessões dos tribunais, salas de audiência, delegacias, e, ainda, assembléia ou reunião de que participe ou possa participar o seu cliente, ou perante a qual este deva comparecer, desde que munido de poderes especiais. O advogado pode se comunicar com seus clientes de forma pessoal e reservadamente, mesmo sem procuração (atente-se!), quando estes se acharem presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda que considerados incomunicáveis. Sobre a temática acima falada, assim a OAB cobrou no ano de 2021 (XXXII Exame de Ordem): O advogado Júnior foi procurado pela família de João, preso em razão da decretação de prisão temporária em certo estabelecimento prisional. Dirigindo-se ao local, Júnior foi informado que João é considerado um preso de alta periculosidade pelo sistema prisional, tendo em vista o cometimento de diversos crimes violentos, inclusive contra um advogado, integração a organização criminosa e descobrimento de um plano de fuga a ser executado pelo mesmo grupo. Diante de tais circunstâncias, o diretor do estabelecimento conduziu Júnior a uma sala especial, onde poderia conversar com João na presença de um agente prisional destinado a garantir a segurança do próprio Júnior e dos demais. Além disso, foi exigida a apresentação de procuração pelo advogado antes de deixar o estabelecimento prisional. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 3 Considerando o caso narrado, assinale a afirmativa correta. A) É exigível a apresentação de procuração. Quanto às condições exigidas para a realização da entrevista, por serem devidamente justificadas, não indicam violação de direitos. B) Não é exigível a apresentação de procuração. Já as condições exigidas para a realização da entrevista violam direitos e implicam o cometimento de fato penalmente típico pelo diretor do estabelecimento. C) É exigível a apresentação de procuração. Já as condições exigidas para a realização da entrevista indicam violação de direitos, devendo ser combatidas por meio das medidas judiciais cabíveis, tais como a impetração de habeas corpus. D) Não é exigível a apresentação de procuração. Já as condições exigidas para a realização da entrevista indicam violação de direitos, devendo ser combatidas por meio das medidas judiciais cabíveis, tais como a impetração de habeas corpus, não se tratando de fato tipificado penalmente. R: LETRA B. Se o advogado for preso em flagrante, por motivo ligado aoArt. 15: Nas sociedades de advogados, a escolha do sócio-administrador poderá recair sobre advogado que atue como servidor da administração direta, indireta e fundacional, desde que não esteja sujeito ao regime de dedicação exclusiva, não lhe sendo aplicável o disposto no inciso X do caput do art. 117 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, no que se refere à sociedade de advogados. (REFERIDO ARTIGO PROÍBE QUE O SERVIDOR PÚBLICO PARTICIPE DE GERÊNCIA OU ADMINISTRAÇÃO DE SOCIEDADE PRIVADA, PERSONIFICADA OU NÃO PERSONIFICADA, ALÉM DE EXERCER O COMÉRCIO) – OU SEJA, a escolha do sócio- Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 23 administrador poderá recair sobre advogado que atue como servidor da administração direta, indireta e fundacional se este não estiver sujeito ao regime de dedicação exclusiva – Portanto, o servidor pode ser sócio administrador de sociedade de advocacia SE NÃO FOR SUBMETIDO AO REGIME DE DEDICAÇÃO EXCLUSIVA! § 9º A sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia deverão recolher seus tributos sobre a parcela da receita que EFETIVAMENTE lhes couber, com a exclusão da receita que for transferida a outros advogados ou a sociedades que atuem em forma de parceria para o atendimento do cliente – AQUI é bem simples de entender: EXCLUSÃO DO QUE É DOS OUTROS; TRIBUTO SOMENTE SOBRE O QUE REAL E EFETIVAMENTE CABE À SOCIEDADE! § 10. Cabem ao Conselho Federal da OAB a fiscalização, o acompanhamento e a definição de parâmetros e de diretrizes da relação jurídica mantida entre advogados e sociedades de advogados ou entre escritório de advogados sócios e advogado associado, inclusive no que se refere ao cumprimento dos requisitos norteadores da associação sem vínculo empregatício autorizada expressamente neste artigo – TAMBÉM BEM SIMPLES: Cabe ao Conselho Federal fiscalizar, acompanhar e definir os parâmetros das relações mantidas entre a Sociedade e seus advogados. HÁ SIM A POSSIBILIDADE DE CONTRATAÇÃO DE ADVOGADO SEM VÍNCULO DE EMPREGO (Popular advogado associado). § 11. Não será admitida a averbação do contrato de associação que contenha, em conjunto, os elementos caracterizadores de relação de emprego previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. § 12. A sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia podem ter como sede, filial ou local de trabalho espaço de uso individual ou compartilhado com outros escritórios de advocacia ou empresas (COWORKS, por exemplo), desde que respeitadas as hipóteses de SIGILO previstas nesta Lei e no Código de Ética e Disciplina. Art. 17-A. O advogado poderá associar-se a uma ou mais sociedades de advogados ou sociedades unipessoais de advocacia, sem que estejam presentes os requisitos legais de vínculo empregatício, para prestação de serviços e participação nos resultados, na forma do Regulamento Geral e de Provimentos do Conselho Federal da OAB. OBS – ART. 39, RGOAB: A sociedade de advogados pode associar-se com advogados, sem vínculo de emprego, para participação nos resultados. Os contratos referidos neste artigo são averbados no registro da sociedade de advogados. Art. 17-B. A associação de que trata o art. 17-A desta Lei dar-se-á por meio de pactuação de CONTRATO PRÓPRIO, que poderá ser de caráter geral ou restringir-se a determinada causa ou trabalho e que deverá ser registrado no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede a sociedade de advogados que dele tomar parte. LEMBRE-SE: SÃO TRÊS REQUISITOS – 1) CONTRATO PRÓPRIO; 2) CARÁTER GERAL OU DETERMINADA CAUSA OU TRABALHO ESPECÍFICO; 2) REGISTRO NO CONSELHO SECCIONAL DA SEDE DA SOCIEDADE DE ADVOGADOS. Parágrafo único. No contrato de associação, o advogado sócio ou associado e a sociedade pactuarão as condições para o desempenho da atividade advocatícia e estipularão livremente os critérios para a partilha dos resultados dela decorrentes, devendo o contrato conter, no mínimo: I - qualificação das partes, com referência expressa à inscrição no Conselho Seccional da OAB competente; II - especificação e delimitação do serviço a ser prestado (O QUE É O SERVIÇO OU TRABALHO); Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 24 III - forma de repartição dos riscos e das receitas entre as partes, vedada a atribuição da totalidade dos riscos ou das receitas exclusivamente a uma delas; IV - responsabilidade pelo fornecimento de condições materiais e pelo custeio das despesas necessárias à execução dos serviços; V - prazo de duração do contrato. DICA 10 INSCRIÇÃO (Art. 8º AO 14º, EAOAB) INSCRIÇÃO DO ADVOGADO: O Art. 8º, do EAOAB, enumera os requisitos necessários para a inscrição nos quadros de advogado. São eles: capacidade civil; diploma ou certidão de graduação em direito, obtido em instituição de ensino oficialmente autorizada e credenciada; título de eleitor e quitação do serviço militar, se brasileiro; aprovação em Exame de Ordem; não exercer atividade incompatível com a advocacia; idoneidade moral; e prestar compromisso perante o conselho. OBS: Não atende ao requisito de idoneidade moral aquele que tiver sido condenado por crime infamante, salvo reabilitação judicial. OBS: A inidoneidade moral PODE SER suscitada por qualquer pessoa, devendo ser declarada mediante decisão que obtenha no mínimo dois terços dos votos de todos os membros do conselho competente. OBS: O estrangeiro ou brasileiro, quando não graduado em direito no Brasil, deve fazer prova do título de graduação, obtido em instituição estrangeira, devidamente revalidado, além de atender aos demais requisitos acima citados. OBS: Quem regulamenta o EXAME DE ORDEM é o Conselho Federal da OAB. Existem TRÊS TIPOS DE INSCRIÇÃO PARA O ADVOGADO: Principal, suplementar e por transferência. A inscrição principal do advogado deve ser feita no Conselho Seccional em cujo território pretende estabelecer o seu domicílio profissional (Considera-se domicílio profissional a sede principal da atividade de advocacia, prevalecendo, na dúvida, o domicílio da pessoa física do advogado). A inscrição suplementar deverá ser promovida nos Conselhos Seccionais em cujos territórios passar a exercer habitualmente a profissão, considerando-se habitualidade a intervenção judicial que exceder de cinco causas por ano (SE O ADVOGADO TIVER MAIS DE CINCO CAUSAS EM OUTRO ESTADO, POR ANO, DEVE MANTER A INSCRIÇÃO SUPLEMENTAR). GALERA, FIQUEM LIGADOS: É MAIS DE CINCO, ou seja, o advogado poderá atuar em até 5 causas por ano em cada uma das demais seccionais existentes no país, sendo a sua inscrição apenas na seccional de origem. A inscrição por transferência ocorre em caso de mudança efetiva de domicílio profissional para outra unidade federativa (o advogado deve requerer a transferência de sua inscrição para o Conselho Seccional correspondente). COMO CAIU NA PROVA (XXIV EXAME DE ORDEM/2017): O advogado Gennaro exerce suas atividades em sociedade de prestação de serviços de advocacia, sediada na capital paulista. Todas as demandas patrocinadas por Gennaro tramitam perante juízos com competência em São Paulo. Todavia, recentemente, a esposa de Gennaro obteve trabalho no Rio de Janeiro. Após buscarem a melhor solução, o casal resolveu que fixaria sua residência, com ânimo definitivo, na capital fluminense, cabendo a Gennaro continuar exercendo as mesmas funções no escritório de São Paulo. Nos dias em que não tem atividades profissionais, o Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 25 advogado, valendo-se da ponte área, retorna ao domicílio do casal no Rio de Janeiro. Considerando o caso narrado, assinale a afirmativacorreta. Alternativas A) O Estatuto da Advocacia e da OAB impõe que Gennaro requeira a transferência de sua inscrição principal como advogado para o Conselho Seccional do Rio de Janeiro. B) O Estatuto da Advocacia e da OAB impõe que Gennaro requeira a inscrição suplementar como advogado junto ao Conselho Seccional do Rio de Janeiro. C) O Estatuto da Advocacia e da OAB impõe que Gennaro requeira a inscrição suplementar como advogado junto ao Conselho Federal da OAB. D) O Estatuto da Advocacia e da OAB não impõe que Gennaro requeira a transferência de sua inscrição principal ou requeira inscrição suplementar. R: LETRA D. INSCRIÇÃO DO ESTAGIÁRIO: O Art. 9º, do EAOAB, enumera os requisitos necessários para a inscrição nos quadros de estagiário. Os requisitos são os mesmos do advogado, COM EXCEÇÃO do diploma ou certidão de graduação em direito, obtido em instituição de ensino oficialmente autorizada e credenciada e da aprovação no exame de ordem. O estágio profissional de advocacia TEM DURAÇÃO DE DOIS ANOS e deve ser realizado nos últimos anos do curso jurídico, pode ser mantido pelas respectivas instituições de ensino superior, pelos Conselhos da OAB, ou por setores, órgãos jurídicos e escritórios de advocacia credenciados pela OAB, sendo obrigatório o estudo deste Estatuto e do Código de Ética e Disciplina. A inscrição do estagiário é feita no Conselho Seccional em cujo território se localize seu curso jurídico. O aluno de curso jurídico que exerça atividade incompatível com a advocacia (elencadas no artigo 28, do EAOAB) pode frequentar o estágio ministrado pela respectiva instituição de ensino superior, para fins de aprendizagem, vedada a inscrição na OAB. ATENÇÃO – INOVAÇÃO LEGAL – Art. 9º, § 5º: Em caso de pandemia ou em outras situações excepcionais que impossibilitem as atividades presenciais, declaradas pelo poder público, o estágio profissional poderá ser realizado no regime de teletrabalho ou de trabalho a distância em sistema remoto ou não, por qualquer meio telemático, sem configurar vínculo de emprego a adoção de qualquer uma dessas modalidades. ATENÇÃO – INOVAÇÃO LEGAL – Art. 9º, § 6º: Se houver concessão, pela parte contratante ou conveniada, de equipamentos, sistemas e materiais ou reembolso de despesas de infraestrutura ou instalação, todos destinados a viabilizar a realização da atividade de estágio prevista no § 5º deste artigo, essa informação deverá constar, expressamente, do convênio de estágio e do termo de estágio. ATENÇÃO: O documento de identidade profissional é de uso obrigatório no exercício da atividade de advogado ou de estagiário e constitui prova de identidade civil para todos os fins legais. Os atos de advocacia, previstos no art. 1º do Estatuto, podem ser subscritos por estagiário inscrito na OAB, em conjunto com o advogado ou o defensor público (Art. 3º, §2º, do Estatuto). Vejamos como a OAB cobrou o tema, no XXX Exame de Ordem: Júnior é bacharel em Direito. Formou-se no curso jurídico há seis meses e não prestou, Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 26 ainda, o Exame de Ordem para sua inscrição como advogado, embora pretenda fazê-lo em breve. Por ora, Júnior é inscrito junto à OAB como estagiário e exerce estágio profissional de advocacia em certo escritório credenciado pela OAB, há um ano. Nesse exercício, poucas semanas atrás, juntamente com o advogado José dos Santos, devidamente inscrito como tal, prestou consultoria jurídica sobre determinado tema, solicitada por um cliente do escritório. Os atos foram assinados por ambos. Todavia, o cliente sentiu-se lesado nessa consultoria, alegando culpa grave na sua elaboração. Considerando o caso hipotético, bem como a disciplina do Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale a opção correta. Alternativas A) Júnior não poderia atuar como estagiário e deverá responder em âmbito disciplinar por essa atuação indevida. Já a responsabilidade pelo conteúdo da atuação na atividade de consultoria praticada é de José. B) Júnior não poderia atuar como estagiário e deverá responder em âmbito disciplinar por essa atuação indevida. Já a responsabilidade pelo conteúdo da atuação na atividade de consultoria praticada é solidária entre Júnior e José. C) Júnior poderia atuar como estagiário. Já a responsabilidade pelo conteúdo da atuação na atividade de consultoria praticada é solidária entre Júnior e José. D) Júnior poderia atuar como estagiário. Já a responsabilidade pelo conteúdo da atuação na atividade de consultoria praticada é de José. R: LETRA D. Os atos de advocacia, previstos no art. 1º do Estatuto (postulação à órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais e atividades de consultoria, assessoria e direção jurídicas), podem ser subscritos por estagiário inscrito na OAB, em conjunto com o advogado ou o defensor público e sob responsabilidade destes. O estagiário inscrito na OAB pode praticar isoladamente os seguintes atos, sob a responsabilidade do advogado: I – retirar e devolver autos em cartório, assinando a respectiva carga; II – obter junto aos escrivães e chefes de secretarias certidões de peças ou autos de processos em curso ou findos; III – assinar petições de juntada de documentos a processos judiciais ou administrativos. Para ATOS EXTRAJUDICIAIS, o estagiário pode comparecer isoladamente, quando receber autorização ou substabelecimento do advogado. DICA 11 CANCELAMENTO DE INSCRIÇÃO (Art. 11º, EAOAB) Cancela-se a inscrição do profissional que: I – assim o requerer; II – sofrer penalidade de exclusão; III – falecer; IV – passar a exercer, em caráter definitivo, atividade incompatível com a advocacia (LEMBRE-SE, AS ATIVIDADES INCOMPATÍVEIS ESTÃO ELENCADAS NO ART. 28); V – perder qualquer um dos requisitos necessários para inscrição. Obs: No caso das hipóteses dos incisos II, III e IV, o cancelamento deve ser promovido, de ofício, pelo Conselho competente ou em virtude de comunicação por qualquer pessoa. VEJA COMO CAIU NA OAB, no XXXIII Exame de Ordem, em 2021: Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 27 Carlos é aluno do primeiro período do curso de Direito. Vinícius é bacharel em Direito, que ainda não realizou o Exame da Ordem. Fernanda é advogada inscrita na OAB. Todos eles são aprovados em concurso público realizado por Tribunal de Justiça para o preenchimento de vagas de Técnico Judiciário. Após a investidura de Carlos, Vinícius e Fernanda em tal cargo efetivo e, enquanto permanecerem em atividade, é correto afirmar que Alternativas A) Carlos não poderá frequentar o estágio ministrado pela instituição de ensino superior em que está matriculado. B) Vinícius preencherá os requisitos necessários para ser inscrito como advogado na OAB, caso venha a ser aprovado no Exame da Ordem. C) Fernanda deverá ter sua inscrição na OAB cancelada de ofício ou em virtude de comunicação que pode ser feita por qualquer pessoa. D) Fernanda deverá ter sua inscrição na OAB suspensa, restaurando-se o número em caso de novo pedido. R: LETRA C. Além disso, o tema foi novamente cobrado no 38º Exame de Ordem, em 2023: Lucas, estagiário de Direito, descobre que Patrícia, advogada que o supervisiona, teve sua inscrição na OAB cancelada. Na intenção de auxiliar Patrícia a restabelecer o exercício da advocacia, Lucas passa a estudar a legislação que disciplina o tema. Sobre o cancelamento da inscrição, Lucas concluiu, corretamente, que (A) deve ter motivo justificado, caso seja solicitada pelo profissional. (B) a aplicação de penalidade de exclusão impossibilita um novo pedido de inscrição. (C) deve ser promovido, de ofício, pelo conselho competente, caso decorra do exercício de atividadeincompatível com a advocacia. (D) será restaurado o número cancelado, caso seja feito um novo pedido de inscrição. R: LETRA C. Na hipótese de novo pedido de inscrição – que não restaura o número de inscrição anterior – deve o interessado fazer prova dos requisitos dos incisos I, V, VI e VII do art. 8º, do EAOAB. Em se tratando de EXCLUSÃO, o novo pedido de inscrição também deve ser acompanhado de provas de reabilitação! ATENÇÃO: SE O ADVOGADO NÃO PAGAR AS ANUIDADES E DÉBITOS, O QUE ACONTECE? Isso é regulado pelo RGOAB, artigo 24, que diz que “O advogado, regularmente notificado, deve quitar seu débito relativo às anuidades, no prazo de 15 dias da notificação, sob pena de suspensão, aplicada em processo disciplinar”. Portanto, após a REGULAR NOTIFICAÇÃO DO DÉBITO, O ADVOGADO DEVE PROCEDER COM A QUITAÇÃO EM ATÉ QUINZE DIAS, SOB PENA DE PUNIÇÃO. AINDA, DE BOM ALVITRE REGISTRAR QUE CANCELA-SE A INSCRIÇÃO QUANDO OCORRER A TERCEIRA SUSPENSÃO, RELATIVA AO NÃO PAGAMENTO DE ANUIDADES DISTINTAS. MAS FIQUE ATENTO, O STF DECRETOU NO “RE” 647.885 QUE: “É inconstitucional a suspensão realizada por conselho de fiscalização profissional do exercício laboral de seus inscritos por inadimplência de anuidades, pois a medida consiste em sanção política em matéria tributária.” Fique atento, portanto, a FORMA que a questão irá abordar o tema! DICA 12 Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 28 LICENCIAMENTO (Art. 12º, EAOAB) Art. 12. Licencia-se o profissional que: I – assim o requerer, por motivo justificado; II – passar a exercer, em caráter temporário, atividade incompatível com o exercício da advocacia; III – sofrer doença mental considerada curável. A licença é o afastamento temporário das atividades da advocacia. O advogado fica desobrigado de pagar as contribuições no período que estiver afastado. Confere aí como caiu na OAB, no XXX Exame de Ordem, em 2019: Jailton, advogado, após dez anos de exercício da advocacia, passou a apresentar comportamentos incomuns. Após avaliação médica, ele foi diagnosticado com uma doença mental curável, mediante medicação e tratamento bastante demorado. Segundo as disposições do Estatuto da Advocacia e da OAB, o caso do advogado Jailton incide em causa de Alternativas A) suspensão do exercício profissional. B) impedimento para o exercício profissional. C) cancelamento da inscrição profissional. D) licença do exercício profissional. R: LETRA D. Veja, inclusive, que o tema foi NOVAMENTE cobrado no 38º Exame de Ordem: O advogado Alex encontra-se licenciado junto à OAB. Assinale a opção que, corretamente, apresenta uma causa para o licenciamento de Alex. (A) O requerimento de licenciamento, independentemente de motivação, formulado por Alex. (B) O fato de Alex passar a sofrer de doença física incurável. (C) O exercício por Alex, de forma definitiva, de atividade incompatível com a advocacia. (D) O fato de Alex passar a sofrer de doença mental curável. R: LETRA D. DICA 13 ÉTICA DO ADVOGADO (Art. 31º ao 33º, EAOAB) O advogado deve proceder de forma que o torne merecedor de respeito e que contribua para o prestígio da classe e da advocacia. O advogado é indispensável à administração da justiça. No seu ministério privado, o advogado presta serviço público e exerce função social. O advogado pode contribuir com o processo legislativo e com a elaboração de normas jurídicas, no âmbito dos Poderes da República. O advogado é responsável pelos atos que, no exercício profissional, praticar com dolo ou culpa. Obs: Em caso de lide temerária, o advogado será solidariamente responsável com seu cliente, desde que coligado com este para lesar a parte contrária, o que será apurado em ação própria. Veja que EXATAMENTE ASSIM foi cobrado no XXXIII Exame de ordem, em 2021: Antônio, residente no Município do Rio de Janeiro, ajuizou em tal foro, assistido pelo advogado Bernardo, ação ordinária em face do Banco Legal, com pedido de pagamento de Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 29 indenização por danos morais supostamente sofridos por ter sido ofendido por segurança quando tentava ingressar em agência bancária localizada em Niterói. Ao despachar a petição inicial, o juiz verificou que Antônio ocultou a circunstância de que já havia proposto, perante um dos juizados especiais cíveis da comarca de Niterói, outra ação em face do Banco Legal em razão dos mesmos fatos, na qual o pedido indenizatório foi julgado improcedente, em decisão que já havia transitado em julgado quando ajuizada a ação no Rio de Janeiro. Em tal situação, caso se comprove que Bernardo agiu de forma coligada com Antônio para lesar o Banco Legal, Bernardo será responsabilizado Alternativas A) solidariamente com Antônio, conforme apurado em ação própria. B) solidariamente com Antônio, conforme apurado nos próprios autos. C) subsidiariamente com Antônio, conforme apurado em ação própria. D) subsidiariamente em relação a Antônio, conforme apurado nos próprios autos. R: LETRA A. O tema foi novamente abordado no 36º Exame e, claro, quem estuda pelo DICAS acertou com FACILIDADE: O advogado João ajuizou uma lide temerária em favor de seu cliente Flávio. Sobre a responsabilização de João, assinale a afirmativa correta. A) João será solidariamente responsável com Flávio apenas se provado conluio para lesar a parte contrária. B) João será solidariamente responsável com Flávio independentemente de prova de conluio para lesar a parte contrária. C) João será responsável subsidiariamente a Flávio apenas se provado conluio para lesar a parte contrária. D) Flávio será responsabilizado subsidiariamente a João independentemente de prova de conluio para lesar a parte contrária. R: LETRA A. De mais a mais, cumpre salientar que o advogado é indispensável à administração da Justiça, é defensor do Estado Democrático de Direito, dos direitos humanos e garantias fundamentais, da cidadania, da moralidade, da Justiça e da paz social, cumprindo-lhe exercer o seu ministério em consonância com a sua elevada função pública e com os valores que lhe são inerentes. São DEVERES do advogado (art. 2º, CED): I – preservar, em sua conduta, a honra, a nobreza e a dignidade da profissão, zelando pelo caráter de essencialidade e indispensabilidade da advocacia; II – atuar com destemor, independência, honestidade, decoro, veracidade, lealdade, dignidade e boa-fé; III – velar por sua reputação pessoal e profissional; IV – empenhar-se, permanentemente, no aperfeiçoamento pessoal e profissional; V – contribuir para o aprimoramento das instituições, do Direito e das leis; VI – estimular, a qualquer tempo, a conciliação e a mediação entre os litigantes, prevenindo, sempre que possível, a instauração de litígios; VII – desaconselhar lides temerárias, a partir de um juízo preliminar de viabilidade jurídica; VIII – abster-se de: a) utilizar de influência indevida, em seu benefício ou do cliente; Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 30 b) vincular seu nome ou nome social a empreendimentos sabidamente escusos; (NR)2 c) emprestar concurso aos que atentem contra a ética, a moral, a honestidade e a dignidade da pessoa humana; d) entender-se diretamente com a parte adversa que tenha patrono constituído, sem o assentimento deste; e) ingressar ou atuar em pleitos administrativos ou judiciais perante autoridades com as quais tenha vínculos negociais ou familiares; f) contratar honorários advocatícios em valores aviltantes. IX – pugnar pela solução dos problemas da cidadania e pela efetivação dos direitos individuais, coletivos e difusos; X – adotar conduta consentâneacom o papel de elemento indispensável à administração da Justiça; XI – cumprir os encargos assumidos no âmbito da Ordem dos Advogados do Brasil ou na representação da classe; XII – zelar pelos valores institucionais da OAB e da advocacia; XIII – ater-se, quando no exercício da função de defensor público, à defesa dos necessitados. O advogado, ainda que vinculado ao cliente ou constituinte, mediante relação empregatícia ou por contrato de prestação permanente de serviços, ou como integrante de departamento jurídico, ou de órgão de assessoria jurídica, público ou privado, deve zelar pela sua liberdade e independência. É legítima a recusa, pelo advogado, do patrocínio de causa e de manifestação, no âmbito consultivo, de pretensão concernente a direito que também lhe seja aplicável ou contrarie orientação que tenha manifestado anteriormente. O exercício da advocacia é incompatível com qualquer procedimento de mercantilização. É defeso (proibido) ao advogado expor os fatos em Juízo ou na via administrativa falseando deliberadamente a verdade e utilizando de má- fé. É vedado o oferecimento de serviços profissionais que implique, direta ou indiretamente, angariar ou captar clientela. DICA 14 INFRAÇÃO ÉTICA OU DISCIPLINAR (Art. 34º ao 43º, EAOAB) As Infrações Disciplinares são devidamente elencadas no estatuto (art. 34), sendo aplicáveis apenas aos inscritos nos quadros da OAB (advogados e estagiários). As infrações são puníveis com censura, suspensão ou exclusão dos quadros da OAB, além de multa (Art. 35). A censura tem natureza é uma infração do tipo leve, sendo cabível nos casos das infrações definidas nos incisos I a XVI e XXIX do art. 34; violação a preceito do Código de Ética e Disciplina; violação a preceito do ESTATUTO, quando para a infração não se tenha estabelecido sanção mais grave. ATENÇÃO: A censura pode ser convertida em advertência, em ofício reservado, sem registro nos assentamentos do inscrito, quando presente circunstância atenuante. ATENÇÃO: Nos casos de infração ético- disciplinar punível com censura, será admissível a celebração de termo de ajustamento de conduta, se o fato apurado não tiver gerado repercussão negativa à advocacia. Veja que o entendimento acima foi COBRADO no XXXIV Exame de Ordem, em 2022: Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 31 O advogado Pedro praticou infração disciplinar punível com censura, a qual gerou repercussão bastante negativa à advocacia, uma vez que ganhou grande destaque na mídia nacional. Por sua vez, o advogado Hélio praticou infração disciplinar punível com suspensão, a qual não gerou maiores repercussões públicas, uma vez que não houve divulgação do caso para além dos atores processuais envolvidos. Considerando a situação hipotética narrada, assinale a afirmativa correta. Alternativas A) É admissível a celebração de termo de ajustamento de conduta tanto por Pedro como por Hélio. B) Não é admissível a celebração de termo de ajustamento de conduta por Pedro nem por Hélio. C) É admissível a celebração de termo de ajustamento de conduta por Pedro, mas não é admissível a celebração de termo de ajustamento de conduta por Hélio. D) É admissível a celebração de termo de ajustamento de conduta por Hélio, mas não é admissível a celebração de termo de ajustamento de conduta por Pedro. R: LETRA B. EM RESUMO, O TAC (TERMO DE AJUSTE DE CONDUTA) SÓ É CABÍVEL QUANDO A INFRAÇÃO ÉTICO-DISCIPLINAR FOR PUNIDA COM CENSURA E SEM REPERCUSSÃO NEGATIVA À ADVOCACIA (Art. 58-A, CEDOAB). A suspensão é aplicável nos casos de: I - infrações definidas nos incisos XVII a XXV e XXX do caput do art. 34 desta Lei, QUAIS SEJAM: 1) prestar concurso a clientes ou a terceiros para realização de ato contrário à lei ou destinado a fraudá-la, 2) solicitar ou receber de constituinte qualquer importância para aplicação ilícita ou desonesta, 3) receber valores, da parte contrária ou de terceiro, relacionados com o objeto do mandato, sem expressa autorização do constituinte, 4) locupletar-se, por qualquer forma, à custa do cliente ou da parte adversa, por si ou interposta pessoa, 5) recusar-se, injustificadamente, a prestar contas ao cliente de quantias recebidas dele ou de terceiros por conta dele, 6) reter, abusivamente, ou extraviar autos recebidos com vista ou em confiança, 7) deixar de pagar as contribuições, multas e preços de serviços devidos à OAB, depois de regularmente notificado a fazê-lo, 8) incidir em erros reiterados que evidenciem inépcia profissional, 9) manter conduta incompatível com a advocacia e 10) praticar assédio moral, assédio sexual ou discriminação. II - reincidência em infração disciplinar. Assim, correta a letra B. MACETINHO PRA DECORAR CASOS DE SUSPENSÃO: F → Fraudar a lei → SUSPENSÃO R → Reter autos/REINCIDÊNCIA EM INFRAÇÃO → SUSPENSÃO I → Inépcia profissional → SUSPENSÃO C → Conduta incompa vel → SUSPENSÃO A → Assédio moral, sexual e discriminação → SUSPENSÃO + Tudo que envolve GRANA → SUSPENSÃO A suspensão acarreta ao infrator a interdição do exercício profissional, em todo o território nacional, pelo prazo de trinta dias a doze meses. VEJA QUE NO EXAME XXXIV, EM 2022, A OAB VEIO COM UMA “CASCA DE BANANA” EM UMA QUESTÃO: Aline, advogada inscrita na OAB, poderá praticar validamente, durante o período em que estiver cumprindo sanção disciplinar de suspensão, o seguinte ato: Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 32 Alternativas A) impetrar habeas corpus perante o Superior Tribunal de Justiça. B) visar ato constitutivo de cooperativa, para que seja levado a registro. C) complementar parecer que elaborara em resposta à consulta jurídica. D) interpor recurso com pedido de reforma de sentença que lhe foi desfavorável em processo no qual atuava em causa própria. R: LETRA A. Veja que a OAB queria, através do enunciado, notadamente da pena de SUPENSÃO, onde o advogado infrator fica interditado de exercer o seu mister, confundir o Oabeiro. Contudo, conforme já estudamos, de acordo com o art. 1º, § 1º, do Estatuto da OAB, NÃO se inclui na atividade privativa de advocacia a impetração de habeas corpus em qualquer instância ou tribunal. Portanto, ainda que suspenso, o advogado PODERÁ impetrar o HABEAS CORPUS. OBS: Nas hipóteses dos incisos XXI (recusar-se, injustificadamente, a prestar contas ao cliente de quantias recebidas dele ou de terceiros por conta dele) e XXIII (deixar de pagar as contribuições, multas e preços de serviços devidos à OAB, depois de regularmente notificado a fazê-lo) do art. 34, a suspensão perdura até que satisfaça integralmente a dívida, inclusive com a correção monetária. Na hipótese do inciso XXIV (incidir em erros reiterados que evidenciem inépcia profissional) do art. 34, a suspensão perdura até que preste novas provas de habilitação. A exclusão é a mais grave das penalidades e é aplicável nos casos de aplicação, por três vezes, de suspensão e das infrações definidas nos incisos XXVI a XXVIII do art. 34, do estatuto. Vejamos como foi cobrado na prova da OAB, Exame XXVIII: Gabriel, advogado, teve aplicada contra si penalidade de suspensão, em razão da prática das seguintes condutas: atuar junto a cliente para a realização de ato destinado a fraudar a lei; recusar-se a prestar contas ao cliente de quantias recebidas dele e incidir em erros reiterados que evidenciaram inépcia profissional. Antes de decorrido o prazo para que pudesse requerer a reabilitação quanto à aplicação dessas sanções e após o trânsito em julgado das decisões administrativas, instaurou-se contra ele, em razão dessas punições prévias, novo processo disciplinar. Com base no caso narrado, assinale a opção que indica a penalidade disciplinar a ser aplicada. Alternativas A)De exclusão, para a qual é necessária a manifestação da maioria absoluta dos membros do Conselho Seccional competente. B) De suspensão, que o impedirá de exercer o mandato e implicará o cancelamento de sua inscrição na OAB. C) De exclusão, ficando o pedido de nova inscrição na OAB condicionado à prova de reabilitação. D) De suspensão, que o impedirá de exercer o mandato e o impedirá de exercer a advocacia em todo o território nacional, pelo prazo de doze a trinta meses. R: LETRA C: Art. 38 - A EXCLUSÃO É APLICÁVEL nos casos de: I - aplicação, por três vezes, de suspensão; II - infrações definidas nos incisos XXVI a XXVIII do art. 34, quais sejam: 1) fazer falsa prova de qualquer dos requisitos para inscrição na OAB 2) tornar-se moralmente inidôneo para o exercício da advocacia 3) praticar crime infamante 4) Colaboração premiada contra seu cliente pode gerar pena de exclusão também (artigo 7º, § 6º-I c/c art. 35, III): Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 33 F - Falsa prova de requisito para inscrição OAB. I - Inidoneidade moral. C - Crime infamante. C - Colaboração premiada contra seu cliente. Para a aplicação de exclusão é necessária a manifestação favorável de dois terços dos membros do Conselho Seccional competente. Com a exclusão o advogado tem a inscrição cancelada. OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Fica impedido de exercer o mandato o profissional a quem forem aplicadas as sanções disciplinares de suspensão ou exclusão. A multa é aplicável cumulativamente com a censura ou suspensão, em havendo circunstâncias agravantes. O valor da multa é variável entre o mínimo correspondente ao valor de uma anuidade e o máximo de seu décuplo. ATENÇÃO: É permitido ao que tenha sofrido qualquer sanção disciplinar requerer, um ano após seu cumprimento, a reabilitação, em face de provas efetivas de bom comportamento. ATENÇÃO: Quando a sanção disciplinar resultar da prática de crime, o pedido de reabilitação depende também da correspondente reabilitação criminal. COMO CAIU NA OAB, EXAME XXVI, 2018: Júlio Silva sofreu sanção de censura por infração disciplinar não resultante da prática de crime; Tatiana sofreu sanção de suspensão por infração disciplinar não resultante da prática de crime; e Rodrigo sofreu sanção de suspensão por infração disciplinar resultante da prática de crime ao qual foi condenado. Transcorrido um ano após a aplicação e o cumprimento das sanções, os três pretendem obter a reabilitação, mediante provas efetivas de seu bom comportamento. De acordo com o EOAB, assinale a afirmativa correta. Alternativas A) Júlio e Tatiana fazem jus à reabilitação, que pode ser concedida após um ano mediante provas efetivas de bom comportamento, nos casos de qualquer sanção disciplinar. O pedido de Rodrigo, porém, depende também da reabilitação criminal. B) Apenas Júlio faz jus à reabilitação, que pode ser concedida após um ano mediante provas efetivas de bom comportamento, somente nos casos de sanção disciplinar de censura. C) Todos fazem jus à reabilitação, que pode ser concedida após um ano mediante provas efetivas de bom comportamento, nos casos de qualquer sanção disciplinar, independentemente se resultantes da prática de crime, tendo em vista que são esferas distintas de responsabilidade. D) Ninguém faz jus à reabilitação, que só pode ser concedida após dois anos mediante provas efetivas de bom comportamento, nos casos de sanção disciplinar de censura, e após três anos nos casos de sanção disciplinar de suspensão. R: LETRA A. PRESCRIÇÃO: A pretensão à punibilidade das infrações disciplinares prescreve em cinco anos, contados da data da constatação oficial do fato. PRESCRIÇAO INTERCORRENTE: Aplica-se a prescrição a todo processo disciplinar paralisado por mais de três anos, pendente de despacho ou julgamento, devendo ser arquivado de ofício, ou a requerimento da parte interessada. ATENUAÇÃO DAS SANÇÕES: Na aplicação das sanções disciplinares, são consideradas, para fins de atenuação, as seguintes circunstâncias, entre outras: Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 34 I - falta cometida na defesa de prerrogativa profissional; II - ausência de punição disciplinar anterior; III - exercício assíduo e proficiente de mandato ou cargo em qualquer órgão da OAB; IV - prestação de relevantes serviços à advocacia ou à causa pública. Parágrafo único. Os antecedentes profissionais do inscrito, as atenuantes, o grau de culpa por ele revelada, as circunstâncias e as conseqüências da infração são considerados para o fim de decidir: a) sobre a conveniência da aplicação cumulativa da multa e de outra sanção disciplinar; b) sobre o tempo de suspensão e o valor da multa aplicáveis. DICA 15 DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL (Art. 44º ao 62º, EAOAB) A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB,) serviço público, dotada de personalidade jurídica e forma federativa, tem finalidade institucional e corporativa, devendo: defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado democrático de direito, os direitos humanos, a justiça social, e pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas e promover, com exclusividade, a representação, a defesa, a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil. A OAB não tem vínculo funcional ou hierárquico com a administração pública. A OAB goza de imunidade tributária total em relação a seus bens, rendas e serviços, POIS CONSTITUI SERVIÇO PÚBLICO. Compete à OAB fixar e cobrar, de seus inscritos, contribuições, preços de serviços e multas. São órgãos da OAB: Conselho federal, conselhos seccionais, subseções e caixa de assistência dos advogados. O patrimônio do Conselho Federal, do Conselho Seccional, da Caixa de Assistência dos Advogados e da Subseção é constituído de bens móveis e imóveis e outros bens e valores que tenham adquirido ou venham a adquirir. A alienação ou oneração de bens imóveis depende de aprovação do Conselho Federal ou do Conselho Seccional, competindo à Diretoria do órgão decidir pela aquisição de qualquer bem e dispor sobre os bens móveis. A alienação ou oneração de bens imóveis depende de aprovação do Conselho Federal ou do Conselho Seccional, competindo à Diretoria do órgão decidir pela aquisição de qualquer bem e dispor sobre os bens móveis. PORTANTO, TEMOS QUE PARA A COMPRA BASTA A DECISÃO DA DIRETORIA. PARA A VENDA (ALIENAÇÃO/ONERAÇÃO), O PROCEDIMENTO É MAIS BUROCRÁTICO, EIS QUE PRECISA DE APROVAÇÃO DO CONSELHO FEDERAL OU DO CONSELHO SECCIONAL. Compete à Diretoria dos Conselhos Federal e Seccionais, da Subseção ou da Caixa de Assistência declarar extinto o mandato, ocorrendo uma das hipóteses previstas no art. 66 do Estatuto, encaminhando ofício ao Presidente do Conselho Seccional. A Diretoria, antes de declarar extinto o mandato, SALVO NO CASO DE MORTE OU RENÚNCIA, ouve o interessado no prazo de quinze dias, notificando-o mediante ofício com aviso de recebimento. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 35 DICA 16 DO CONSELHO FEDERAL O conselho federal é dotado de personalidade jurídica própria, tem sede na capital da República, e é o órgão supremo da OAB. É composto por: conselheiros federais (integrantes das delegações de cada unidade federativa) e de seus ex-presidentes, na qualidade de membros honorários vitalícios. ATENÇÃO: Cada delegação é formada por três conselheiros federais, totalizando 81 Conselheiros Federais. ATENÇÃO: Os ex-presidentes têm direito apenas a voz nas sessões. A diretoria do Conselho Federal é compostade um Presidente, de um Vice-Presidente, de um Secretário-Geral, de um Secretário-Geral Adjunto e de um Tesoureiro. Obs: O Presidente, nas deliberações do Conselho, tem apenas o voto de qualidade (voto de desempate) – pode embargar as decisões, se não houver unanimidade. O Presidente exerce a representação nacional e internacional da OAB, competindo-lhe convocar o Conselho Federal, presidi-lo, representá-lo ativa e passivamente, em juízo ou fora dele, promover-lhe a administração patrimonial e dar execução às suas decisões. As competências do conselho federal estão elencadas no artigo 54, do estatuto. FIQUE ATENTO AS NOVAS COMPETÊNCIAS DO CONSELHO FEDERAL, QUE FORAM ADICIONADAS PELA LEI 14.365/22: XIX - fiscalizar, acompanhar e definir parâmetros e diretrizes da relação jurídica mantida entre advogados e sociedades de advogados ou entre escritório de advogados sócios e advogado associado, inclusive no que se refere ao cumprimento dos requisitos norteadores da associação sem vínculo empregatício; XX - promover, por intermédio da Câmara de Mediação e Arbitragem, a solução sobre questões atinentes à relação entre advogados sócios ou associados e homologar, caso necessário, quitações de honorários entre advogados e sociedades de advogados, observado o disposto no inciso XXXV do caput do art. 5º da Constituição Federal. Ocorrendo vaga de cargo de diretoria do Conselho Federal ou do Conselho Seccional, inclusive do Presidente, em virtude de perda do mandato (art. 66 do Estatuto), morte ou renúncia, o substituto é eleito pelo Conselho a que se vincule, dentre os seus membros. DICA 17 DO CONSELHO SECCIONAL O conselho seccional é dotado de personalidade jurídica, têm jurisdição sobre os respectivos territórios dos Estados-membros, do Distrito Federal e dos Territórios. O conselho seccional é composto por conselheiros eleitos em número proporcional ao de seus inscritos. ATENÇÃO: abaixo de 3.000 inscritos, até 30 membros serão eleitos e a partir de 3.000 inscritos, mais um membro por grupo completo de 3.000, até o número LIMITE de 80. As Subseções são partes autônomas do Conselho Seccional. Ex-presidentes do conselho são membros honorários vitalícios e nas sessões possuem apenas direito à voz. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 36 O Presidente do Instituto dos Advogados local é membro honorário, somente com direito a voz nas sessões do Conselho. As competências do conselho seccional estão elencadas no artigo 58, do estatuto. FIQUE ATENTO AS NOVAS COMPETÊNCIAS DO CONSELHO SECCIONAL, QUE FORAM ADICIONADAS PELA LEI 14.365/22: XVII - fiscalizar, por designação expressa do Conselho Federal da OAB, a relação jurídica mantida entre advogados e sociedades de advogados e o advogado associado em atividade na circunscrição territorial de cada seccional, inclusive no que se refere ao cumprimento dos requisitos norteadores da associação sem vínculo empregatício: XVIII - promover, por intermédio da Câmara de Mediação e Arbitragem, por designação do Conselho Federal da OAB, a solução sobre questões atinentes à relação entre advogados sócios ou associados e os escritórios de advocacia sediados na base da seccional e homologar, caso necessário, quitações de honorários entre advogados e sociedades de advogados, observado o disposto no inciso XXXV do caput do art. 5º da Constituição Federal. Os novos Conselhos Seccionais serão criados mediante Resolução do Conselho Federal. Ocorrendo vaga de cargo de diretoria do Conselho Federal ou do Conselho Seccional, inclusive do Presidente, em virtude de perda do mandato (art. 66 do Estatuto), morte ou renúncia, o substituto é eleito pelo Conselho a que se vincule, dentre os seus membros. DICA 18 DA SUBSEÇÃO As Subseções são partes autônomas do Conselho Seccional e podem ser por estes criadas ou extintas. NÃO POSSUI personalidade jurídica própria. A área territorial da Subseção pode abranger um ou mais municípios, ou parte de município, inclusive da capital do Estado, contando com um mínimo de quinze advogados, nela profissionalmente domiciliados. A Subseção é administrada por uma diretoria, com atribuições e composição equivalentes às da diretoria do Conselho Seccional. Havendo mais de cem advogados, a Subseção pode ser integrada, também, por um Conselho em número de membros fixado pelo Conselho Seccional. O Conselho Seccional, mediante o voto de dois terços de seus membros, pode intervir nas Subseções, onde constatar grave violação desta Lei ou do Regimento Interno daquele. As competências do conselho seccional estão elencadas no artigo 61, do estatuto. DICA 19 DA CAIXA DE ASSISTÊNCIAS DO ADVOGADO A Caixa de Assistência dos Advogados, com personalidade jurídica própria, destina-se a prestar assistência aos inscritos no Conselho Seccional a que se vincule. As Caixas de Assistência dos Advogados são criadas pelos Conselhos Seccionais, quando estes contarem com mais de mil e quinhentos inscritos. Adquire personalidade jurídica com a aprovação e registro de seu Estatuto pelo respectivo Conselho Seccional da OAB. A caixa pode promover a seguridade complementar, quando em benefício dos advogados. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 37 A diretoria da Caixa é composta de cinco membros, com atribuições definidas no seu Regimento Interno. Em caso de extinção ou desativação da Caixa, seu patrimônio se incorpora ao do Conselho Seccional respectivo. O Conselho Seccional, mediante voto de dois terços de seus membros, pode intervir na Caixa de Assistência dos Advogados, no caso de descumprimento de suas finalidades, designando diretoria provisória, enquanto durar a intervenção. DICA 20 DAS ELEIÇÕES E DOS MANDATOS (Art. 63 ao 67, do EAOAB) A eleição dos membros de todos os órgãos da OAB será realizada na segunda quinzena do mês de novembro, do último ano do mandato, mediante cédula única e votação direta dos advogados regularmente inscritos. A eleição SEMPRE ocorrerá de TRÊS EM TRÊS ANOS! E preste ATENÇÃO, o comparecimento é obrigatório para todos os advogados inscritos na OAB!!! REQUISITOS OBRIGATÓRIOS PARA CANDIDATURA: Comprovar situação regular perante a OAB, não ocupar cargo exonerável ad nutum (algo que é revogável pela vontade de um só parte), não ter sido condenado por infração disciplinar, salvo reabilitação, e exercer efetivamente a profissão há mais de 3 (três) anos, nas eleições para os cargos de Conselheiro Seccional e das Subseções, quando houver, e há mais de 5 (cinco) anos, nas eleições para os demais cargos. É ELEITO QUEM OBTIVER A MAIORIA DOS VOTOS VÁLIDOS. O mandato em qualquer órgão da OAB é de três anos, iniciando-se em primeiro de janeiro do ano seguinte ao da eleição, salvo o Conselho Federal. ATENÇÃO: O DE CONSELHEIRO FEDERAL COMEÇA EM PRIMEIRO DE FEVEREIRO DO ANO SEGUINTE AO DA ELEIÇÃO. SÃO CAUSAS DE EXTINÇÃO AUTOMÁTICA DO MANDATO ANTES DO TÉRMINO: 1) qualquer hipótese de cancelamento de inscrição ou de licenciamento do profissional 2) titular sofrer condenação disciplinar 3) titular faltar, sem motivo justificado, a três reuniões ordinárias consecutivas de cada órgão deliberativo do Conselho ou da diretoria da Subseção ou da Caixa de Assistência dos Advogados, não podendo ser reconduzido no mesmo período de mandato. ATENÇÃO: em caso de extinção precoce do mandato, cabe ao Conselho Seccional escolher o substituto, caso não haja suplente. DICA 21 DAS ELEIÇÕES DO CONSELHO FEDERAL (Art. 67, do EAOAB) A eleição da Diretoria do Conselho Federal sempre obedecerá às seguintes regras: I – será admitido registro, junto ao Conselho Federal, decandidatura à presidência, desde seis meses até um mês antes da eleição; II – o requerimento de registro deverá vir acompanhado do apoiamento de, no mínimo, seis Conselhos Seccionais; III – até um mês antes das eleições, deverá ser requerido o registro da chapa completa, sob pena de cancelamento da candidatura respectiva; IV – no dia 31 de janeiro do ano seguinte ao da eleição, o Conselho Federal elegerá, em Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 38 reunião presidida pelo conselheiro mais antigo, por voto secreto e para mandato de 3 (três) anos, sua diretoria, que tomará posse no dia seguinte (TOMA POSSE EM FEVEREIRO); V – será considerada eleita a chapa que obtiver maioria simples dos votos dos Conselheiros Federais, presente a metade mais 1 (um) de seus membros (LEMBRAR M1M1 = MAIORIA SIMPLES E METADE+1). FIQUE ATENTO: Com exceção do candidato a Presidente, os demais integrantes da chapa deverão ser conselheiros federais eleitos. DICA 22 DAS CHAPAS PARA ELEIÇÕES – CONSELHO SECCIONAL E SUBSEÇÃO (Art. 64, do EAOAB) A chapa para o Conselho Seccional deve ser composta dos candidatos ao Conselho e à sua Diretoria e, ainda, à delegação ao Conselho Federal e à Diretoria da Caixa de Assistência dos Advogados para eleição conjunta. A chapa para Subseção deve ser composta com os candidatos à diretoria, e de seu Conselho quando houver. DICA 23 PROCESSO NA OAB (Art. 68 ao 74, do EAOAB) ORDINARIAMENTE se aplica o processo disciplinar, SUBSIDIRIAMENTE aplica-se as regras da legislação processual penal comum e, aos demais processos, as regras gerais do procedimento administrativo comum e da legislação processual civil, nessa ordem. PRAZO DE DEFESA E RECURSOS: Todos os prazos necessários à manifestação de advogados, estagiários e terceiros, nos processos em geral da OAB, são de quinze dias, inclusive para interposição de recursos. Atenção: O prazo para defesa prévia pode ser prorrogado por motivo relevante, a juízo do relator. Atenção: Se, após a defesa prévia, o relator se manifestar pelo indeferimento liminar da representação, este deve ser decidido pelo Presidente do Conselho Seccional, para determinar seu arquivamento. Oferecida a defesa prévia, que deve ser acompanhada dos documentos que possam instruí-la e do rol de testemunhas, até o limite de 5 (cinco), designada, se for o caso, audiência para oitiva do representante, do representado e das testemunhas. O relator pode indeferir a produção de provas se estas forem tidas como desnecessárias ou protelatórias, impertinentes ou ilícitas. Deverá haver FUNDAMENTAÇÃO. Em casos de revelia ou quando o representado não for encontrado, o Presidente do Conselho ou da Subseção deve designar-lhe defensor dativo. CONTAGEM DE PRAZO: 1) Nos casos de comunicação por ofício reservado ou de notificação pessoal, considera-se dia do começo do prazo o primeiro dia útil imediato ao da juntada aos autos do respectivo aviso de recebimento (INOVAÇÃO LEGAL – LEI 14.365/22). 2) No caso de atos, notificações e decisões divulgados por meio do Diário Eletrônico da Ordem dos Advogados do Brasil, o prazo terá início no primeiro dia útil seguinte à publicação. Fique ligado: EM CASO DE NOTIFICAÇÃO INICIAL PARA APRESENTAÇÃO DA DEFESA PRÉVIA ou manifestação em PAD (Processo administrativo) que corre na OAB, esta notificação deve ser Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 39 realizada através de CORRESPONDÊNCIA ACOMPANHADA DE AR (AVISO DE RECEBIMENTO), além de ser enviada para o endereço profissional ou residencial constante do cadastro do Conselho Seccional. Frustrada a entrega da notificação esta se dará por EDITAL. Incumbe ao advogado manter sempre atualizado o seu endereço residencial e profissional no cadastro do Conselho Seccional, presumindo-se recebida a correspondência enviada para o endereço nele constante. O poder de punir disciplinarmente os inscritos na OAB compete exclusivamente ao Conselho Seccional em CUJA BASE TERRITORIAL TENHA OCORRIDO A INFRAÇÃO (PRESTE ATENÇÃO: NÃO É O CONSELHO SECCIONAL DE ORIGEM DO ADVOGADO, MAS SIM O DO LOCAL ONDE OCORREU O FATO), salvo se a falta for cometida perante o Conselho Federal e representação contra membros do Conselho Federal e Presidentes de Conselhos Seccionais. O julgamento será realizado pelo Tribunal de Ética e Disciplina, do Conselho Seccional competente. Quando da decisão condenatória irrecorrível deve ser imediatamente comunicada ao Conselho Seccional onde o representado tenha inscrição principal, para constar dos respectivos assentamentos. Quando da instauração do processo, o Tribunal de Ética e Disciplina do Conselho onde o acusado tenha inscrição principal pode suspendê-lo preventivamente. Quando isso pode ser feito? Em caso de repercussão prejudicial à dignidade da advocacia. ATENÇÃO: É NECESSÁRIO OUVIR O REPRESENTADO EM SESSÃO ESPECIAL, PARA A QUAL ESTE DEVE SER NOTIFICADO PARA COMPARECER. Neste caso, o processo disciplinar deve ser concluído no prazo máximo de noventa dias. ATENÇÃO: Não se pode decidir, em grau algum de julgamento, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar anteriormente, ainda que se trate de matéria sobre a qual se deva decidir de ofício, salvo quanto às medidas de urgência previstas no Estatuto. INCÍCIO DO PROCESSO: O processo disciplinar instaura-se de ofício ou mediante representação de qualquer autoridade ou pessoa interessada. A instauração, de ofício, do processo disciplinar dar-se-á em função do conhecimento do fato, quando obtido por meio de fonte idônea ou em virtude de comunicação da autoridade competente (DENÚNCIA ANÔNIMA NÃO É FONTE IDÔNEA)! Quando se der mediante representação esta será formulada ao Presidente do Conselho Seccional ou ao Presidente da Subseção, por escrito ou verbalmente (esta deve ser reduzida a termo). ATENÇÃO: A representação contra membros do Conselho Federal e Presidentes de Conselhos Seccionais é processada e julgada pelo Conselho Federal. Já a representação contra dirigente de Subseção é processada e julgada pelo Conselho Seccional. Parágrafo único. Nas Seccionais cujos Regimentos Internos atribuírem competência ao Tribunal de Ética e Disciplina para instaurar o processo ético disciplinar, a representação poderá ser dirigida ao seu Presidente ou será a este encaminhada por qualquer dos dirigentes referidos no caput deste artigo que a houver recebido. O relator, emitirá parecer propondo a instauração de processo disciplinar ou o arquivamento liminar da representação, no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 40 redistribuição do feito pelo Presidente do Conselho Seccional ou da Subseção para outro relator, observando-se o mesmo prazo. Nos casos de infração ético-disciplinar PUNÍVEL COM CENSURA, será admissível a celebração de termo de ajustamento de conduta (regulamentado em provimento do Conselho Federal da OAB), se o fato apurado não tiver gerado repercussão negativa à advocacia. ATENÇÃO: O processo disciplinar tramita em sigilo, até o seu término, só tendo acesso às suas informações as PARTES, SEUS DEFENSORES E A AUTORIDADE JUDICIÁRIA COMPETENTE! O prazo para razões finais segue a regra de quinze dias. REVISÃO DO PAD: É permitida a revisão do processo disciplinar QUANDO OCORRER: 1) por erro de julgamento 2) por condenação baseada em falsa prova. ATENÇÃO: O pedido de revisão terá autuação própria, devendo os autos respectivos ser apensados aos do processo disciplinar a que se refira. MUITA ATENÇÃO: O pedido de revisão não suspendeos efeitos da decisão condenatória, salvo quando o relator, ante a relevância dos fundamentos e o risco de consequências irreparáveis para o requerente, conceder tutela cautelar para que se suspenda a execução. DICA 24 RECURSOS (Art. 75 ao 77, do EAOAB) RECURSO AO CONSELHO FEDERAL: decisões definitivas proferidas pelo Conselho Seccional, quando não tenham sido unânimes ou, sendo unânimes, contrariem esta Lei, decisão do Conselho Federal ou de outro Conselho Seccional e, ainda, o Regulamento Geral, o Código de Ética e Disciplina e os Provimentos. RECURSO AO CONSELHO SECCIONAL: decisões proferidas por seu Presidente, pelo Tribunal de Ética e Disciplina, ou pela diretoria da Subseção ou da Caixa de Assistência dos Advogados. VEJA QUE A FGV ASSIM COBROU NO 36º EXAME, FICANDO FÁCIL DEMAIS DE ACERTAR PARA QUEM ESTUDOU PELO DICAS: A diretoria de certa subseção da OAB emitiu decisão no âmbito de suas atribuições. Irresignados, os interessados desejavam manejar recurso em face de tal decisão. Sobre a hipótese, assinale a afirmativa correta. A) A competência privativa para julgar, em grau de recurso, questão decidida pela diretoria da subseção é do Conselho Federal da OAB. B) A competência privativa para julgar, em grau de recurso, questão decidida pela diretoria da subseção é do Presidente do Conselho Seccional respectivo da OAB. C) A competência privativa para julgar, em grau de recurso, questão decidida pela diretoria da subseção é do Conselho Seccional respectivo da OAB. D) A decisão proferida pela diretoria da subseção é irrecorrível. RESPOSTA: LETRA C. Todos os recursos têm efeito suspensivo, exceto QUANDO tratarem de eleições (art.63 e seguintes), de suspensão preventiva decidida pelo Tribunal de Ética e Disciplina, e de cancelamento da inscrição obtida com falsa prova (art. 77, EAOAB). MACETE DECOREBA: “ESC” E - ELEIÇÕES S - SUSPENSÃO C - CANCELAMENTO CABIMENTO DO RECURSO: Cabe recurso ao Conselho Federal de todas as decisões definitivas proferidas pelo Conselho Seccional, quando não tenham sido unânimes ou, sendo unânimes, contrariem esta Lei, decisão do Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 41 Conselho Federal ou de outro Conselho Seccional e, ainda, o Regulamento Geral, o Código de Ética e Disciplina e os Provimentos. Portanto, temos que: Cabe recurso ao CONSELHO FEDERAL de todas as decisões definitivas proferidas pela SECCIONAL, quando: 1) Não tenham sido unânimes 2) Sendo unânimes, contrariem esta lei, decisão do Conselho Federal ou outro Conselho Seccional, o CED ou o RGOAB. O advogado que tenha sofrido sanção disciplinar poderá requerer reabilitação no prazo de um ano após seu cumprimento, em face de provas efetivas de bom comportamento. ATENÇÃO: Quando a sanção disciplinar resultar da prática de crime, o pedido de reabilitação depende também da correspondente reabilitação criminal. A competência para processar e julgar o pedido de reabilitação é do Conselho Seccional em que tenha sido aplicada a sanção disciplinar. Nos casos de competência originária do Conselho Federal, perante este próprio se tramitará o pedido de reabilitação. O pedido de reabilitação terá autuação própria, devendo os autos respectivos ser apensados aos do processo disciplinar a que se refira. DICA 25 DESAGRAVO (Art. 18 ao 19, do EAOAB) DESAGRAVO: Quando ofendido no exercício da profissão ou em razão dela o advogado tem direito a ser publicamente desagravado. ATENÇÃO: Ainda sobre o desagravo, no caso de ofensa a inscrito na OAB, no exercício da profissão ou de cargo ou função de órgão da OAB, o conselho competente deve promover o desagravo público do ofendido, sem prejuízo da responsabilidade criminal em que incorrer o infrator. Portanto, como visto acima, não se trata de faculdade do conselho, mas sim de DEVER LEGAL! O desagravo público nada mais é do que uma ferramenta de defesa que possui a finalidade de coibir ofensas, arbitrariedades e demais tipos de violações cometidas contra os advogados e às suas prerrogativas. O inscrito na OAB, quando ofendido comprovadamente em razão do exercício profissional ou de cargo ou função da OAB, tem direito ao desagravo público promovido pelo Conselho competente, de ofício, a seu pedido ou de qualquer pessoa. Portanto, além do Conselho, que deve fazer de Ofício, o desagravo pode ser solicitado por pedido do ofendido ou QUALQUER PESSOA. Quando se tratar de pedido do ofendido ou de qualquer pessoa, este será submetido à Diretoria do Conselho competente, que poderá, nos casos de urgência e notoriedade, conceder imediatamente o desagravo, ad referendum do órgão competente do Conselho, conforme definido em regimento interno. Nos demais casos (quando ausentes a urgência e notoriedade), a Diretoria remeterá o pedido de desagravo ao órgão competente para instrução e decisão, podendo o relator, convencendo-se da existência de prova ou indício de ofensa relacionada ao exercício da profissão ou de cargo da OAB, solicitar informações da pessoa ou autoridade ofensora, no prazo de 15 (quinze) dias (ele pode ou não fazer a solicitação). Vejamos como o tema foi abordado no XXX Exame de Ordem: Em certa situação, uma advogada, inscrita na OAB, foi ofendida em razão do exercício profissional durante a realização de uma Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 42 audiência judicial. O ocorrido foi amplamente divulgado na mídia, assumindo grande notoriedade e revelando, de modo urgente, a necessidade de desagravo público. Considerando que o desagravo será promovido pelo Conselho competente, seja pelo órgão com atribuição ou pela Diretoria ad referendum, assinale a afirmativa correta. Alternativas A) A atuação se dará apenas mediante provocação, a pedido da ofendida ou de qualquer outra pessoa. É condição para concessão do desagravo a solicitação de informações à pessoa ou autoridade apontada como ofensora. B) A atuação se dará de ofício ou mediante pedido, o qual deverá ser formulado pela ofendida, seu representante legal ou advogado inscrito na OAB. É condição para concessão do desagravo a solicitação de informações à pessoa ou autoridade apontada como ofensora. C) A atuação se dará de ofício ou mediante provocação, seja da ofendida ou de qualquer outra pessoa. Não é condição para concessão do desagravo a solicitação de informações à pessoa ou autoridade apontada como ofensora. D) A atuação se dará de ofício ou mediante pedido, o qual deverá ser formulado pela ofendida, seu representante legal ou advogado inscrito na OAB. Não é condição para concessão do desagravo a solicitação de informações à pessoa ou autoridade apontada como ofensora. R: LETRA C. Acaso se trate de OFENSA PESSOAL, não ligada ao exercício da profissional ou as prerrogativas (ou ainda críticas de caráter doutrinário, político ou religioso), o relator pode propor o arquivamento do pedido. PRAZO PARA O DESAGRAVO: Deverão ser decididos no prazo máximo de 60 (sessenta) dias. INDEPENDE DE CONCORDÂNCIA DO OFENDIDO: O desagravo público, como instrumento de defesa dos direitos e prerrogativas da advocacia, não depende de concordância do ofendido, que não pode dispensá-lo, devendo ser promovido a critério do Conselho. Quando se tratar de Conselheiro Federal ou de Presidente de Conselho Seccional, ou, ainda, em situações que a ofensa a advogado se revestir de relevância e grave violação às prerrogativas profissionais, com repercussão nacional, o desagravo deve ser promovido pelo Conselho Federal. Nesse caso, o desagravo deve se dar na sede do Conselho Seccional, salvo no caso de ofensa a Conselheiro Federal. Nos demais casos o desagravo deve ser promovido na sede do no Conselho Seccional onde ocorreu a ofensa.Veja que isso caiu no XXVII Exame, em 2018: O advogado Mário dos Santos, presidente do Conselho Seccional Y da OAB, foi gravemente ofendido em razão do seu cargo, gerando violação a prerrogativas profissionais. O fato obteve grande repercussão no país. Considerando o caso narrado, de acordo com o Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale a afirmativa correta. A) Compete ao Conselho Seccional Y da OAB promover o desagravo público, ocorrendo a sessão na sede do Conselho Seccional Y. B) Compete ao Conselho Federal da OAB promover o desagravo público, ocorrendo a sessão na sede do Conselho Federal. C) Compete ao Conselho Seccional Y da OAB promover o desagravo público, ocorrendo a sessão na sede da subseção do território em que ocorreu a violação a prerrogativas profissionais. D) Compete ao Conselho Federal da OAB promover o desagravo público, ocorrendo a sessão na sede do Conselho Seccional Y. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 43 R: LETRA D. DICA 26 DO SIGILO PROFISSIONAL (Art. 35 ao 38, do EAOAB) O advogado tem o dever de guardar sigilo dos fatos de que tome conhecimento no exercício da profissão. É exatamente a literalidade do artigo 35, do Código de ética: Art. 35. O advogado tem o dever de guardar sigilo dos fatos de que tome conhecimento no exercício da profissão. O sigilo profissional é de ordem pública e o cliente NÃO PRECISA solicitar! Mas fique ligado: O sigilo profissional abrange os fatos de que o advogado tenha tido conhecimento em virtude de funções desempenhadas na Ordem dos Advogados do Brasil. São confidenciais as comunicações de qualquer natureza entre advogado e cliente. ATENÇÃO: O SIGILO NÃO É ABSOLUTO E cederá em face de circunstâncias excepcionais que configurem justa causa, como nos casos de grave ameaça ao direito à vida e à honra ou que envolvam defesa própria. Veja o que diz o Art. 37. O sigilo profissional cederá em face de circunstâncias excepcionais que configurem justa causa, como nos casos de grave ameaça ao direito à vida e à honra ou que envolvam defesa própria. O advogado não é obrigado a depor, em processo ou procedimento judicial, administrativo ou arbitral, sobre fatos a cujo respeito deva guardar sigilo profissional. O artigo 7º, XIX, do EAOAB, leciona que é DIREITO DO ADVOGADO recusar-se a depor como testemunha em processo no qual funcionou ou deva funcionar, ou sobre fato relacionado com pessoa de quem seja ou foi advogado, mesmo quando autorizado ou solicitado pelo constituinte, bem como sobre fato que constitua sigilo profissional. Vale destacar, ainda, que a teor do que dispõe o artigo 34, VII, do EAOAB, constitui infração disciplinar de CENSURA, a violação, sem justa causa, de sigilo profissional. DICA 27 DA PUBLICIDADE NA ADVOCACIA (Art. 39 ao 47-A, do EAOAB + PROVIMENTO 205/2021) Inicialmente, quero que você Leia o provimento acima destacado, pois é extremamente importante! Como você já deve saber, a publicidade profissional do advogado tem caráter meramente informativo e deve primar pela discrição e sobriedade, não podendo, JAMAIS, configurar captação de clientela ou mercantilização da profissão. ATENÇÃO - IMPORTANTE: a veiculação da publicidade por meio de rádio, cinema e televisão; uso de outdoors, painéis luminosos ou formas assemelhadas de publicidade; as inscrições em muros, paredes, veículos, elevadores ou em qualquer espaço público; a divulgação de serviços de advocacia juntamente com a de outras atividades ou a indicação de vínculos entre uns e outras; o fornecimento de dados de contato, como endereço e telefone, em colunas ou artigos literários, culturais, acadêmicos ou jurídicos, publicados na imprensa, bem assim quando de eventual participação em programas de rádio ou televisão, ou em veiculação de matérias pela internet, sendo permitida a referência a e-mail; a utilização de mala direta, a distribuição de panfletos ou formas assemelhadas de publicidade, com o intuito de captação de Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 44 clientela, de acordo com o artigo 40, do CEDOAB, são EXPRESSAMENTE VEDADOS. ATENÇÃO: para fins de identificação dos escritórios de advocacia (localização), é permitida a utilização de placas, painéis luminosos e inscrições em suas fachadas, desde que respeitadas as diretrizes previstas acima. É VEDADO AO ADVOGADO: I – responder com habitualidade a consulta sobre matéria jurídica, nos meios de comunicação social; II – debater, em qualquer meio de comunicação, causa sob o patrocínio de outro advogado; III – abordar tema de modo a comprometer a dignidade da profissão e da instituição que o congrega; IV – divulgar ou deixar que sejam divulgadas listas de clientes e demandas; V – insinuar-se para reportagens e declarações públicas. Tudo que se afigure como “captação de clientela” é VEDADO! O advogado que eventualmente participar de programa de televisão ou de rádio, de entrevista na imprensa, de reportagem televisionada ou veiculada por qualquer outro meio, para manifestação profissional, deve visar a objetivos exclusivamente ilustrativos, educacionais e instrutivos, sem propósito de promoção pessoal ou profissional, vedados pronunciamentos sobre métodos de trabalho usados por seus colegas de profissão. Quando convidado para manifestação pública, por qualquer modo e forma, visando ao esclarecimento de tema jurídico de interesse geral, deve o advogado evitar insinuações com o sentido de promoção pessoal ou profissional, bem como o debate de caráter sensacionalista. A telefonia e a internet podem ser usados como veículo de publicidade, para o envio de mensagens a destinatários certos, desde que estas não impliquem o oferecimento de serviços ou representem forma de captação de clientela. Em cartões de advogado e eventual outro tipo de publicidade, o advogado fará constar seu nome, nome social ou o da sociedade de advogados, o número ou os números de inscrição na OAB. Acaso queira, pode constar os títulos acadêmicos e as distinções honoríficas relacionadas à vida profissional, bem como as instituições jurídicas de que faça parte, e as especialidades a que se dedicar, o endereço, e- mail, site, página eletrônica, QR code, logotipo e a fotografia do escritório, o horário de atendimento e os idiomas em que o cliente poderá ser atendido. É proibido o uso de fotografias pessoais ou de terceiros nos cartões de visitas do advogado, bem como menção a qualquer emprego, cargo ou função ocupado, atual ou pretérito, em qualquer órgão ou instituição, SALVO O DE PROFESSOR UNIVERSITÁRIO. COMO CAIU NA OAB – EXAME XXVIII, 2019: A advogada Leia Santos confeccionou cartões de visita para sua apresentação e de seu escritório. Nos cartões, constava seu nome, número de inscrição na OAB, bem como o site do escritório na Internet e um QR code para que o cliente possa obter informações sobre o escritório. Já o advogado Lucas Souza elaborou cartões de visita que, além do seu nome e número de inscrição na OAB, apresentam um logotipo discreto e a fotografia do escritório. Considerando as situações descritas e o disposto no Código de Ética e Disciplina da OAB, assinale a afirmativa correta. Alternativas A) Leia e Lucas cometeram infrações éticas, pois inseriram elementos vedados pelo Código de Ética e Disciplina da OAB nos cartões de apresentação. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 45 B) Nenhum dos advogados cometeu infração ética, pois os elementos inseridos por ambos nos cartões de apresentação são autorizados. C) Apenas Leia cometeu infração ética, pois inseriu elementos vedados pelo Código de Ética e Disciplina da OAB nos cartões de apresentação. Os elementosempregados por Lucas são autorizados. D) Apenas Lucas cometeu infração ética, pois inseriu elementos vedados pelo Código de Ética e Disciplina da OAB nos cartões de apresentação. Os elementos empregados por Leia são autorizados. R: LETRA B. São admissíveis como formas de publicidade o patrocínio de eventos ou publicações de caráter científico ou cultural, assim como a divulgação de boletins, por meio físico ou eletrônico, sobre matéria cultural de interesse dos advogados, DESDE QUE SUA CIRCULAÇÃO FIQUE ADSTRITA A CLIENTES E A INTERESSADOS DO MEIO JURÍDICO. VEJA COMO O TEMA FOI COBRADO NO 38º EXAME DE ORDEM: Uma sociedade de advogados decidiu patrocinar a realização de um evento, sob o formato de um congresso, em certo hotel de lazer do tipo “resort”, que conta com área de conferências, com o explícito fim de publicidade de suas atividades profissionais. Considerando a forma de publicidade escolhida, assinale a afirmativa correta. (A) Não é autorizada, independetemente de quem seja o público convidado para o evento, tendo em vista o local escolhido. Todavia, se o congresso fosse realizado em local diverso do hotel selecionado, seria admitido o seu patrocínio como meio de publicidade. (B) É admitida, desde que os participantes sejam apenas integrantes da sociedade de advogados, funcionários ou clientes. (C) É autorizada, sendo admitida a participação de clientes da sociedade de advogados e de interessados do meio jurídico. (D) não é autorizada, independetemente de quem seja o público convidado para o evento, ou do local onde realizado. R: LETRA C. Será admitida a celebração de termo de ajustamento de conduta (TAC) no âmbito dos Conselhos Seccionais e do Conselho Federal para fazer cessar a publicidade irregular praticada por advogados e estagiários. SOBRE O TEMA ACIMA ABORDADO A FGV ASSIM COBROU NO 36º EXAME: A advogada Carolina e a estagiária de Direito Beatriz, que com ela atua, com o intuito de promover sua atuação profissional, valeram-se, ambas, de meios de publicidade vedados no Código de Ética e Disciplina da OAB. Após a verificação da irregularidade, indagaram sobre a possibilidadede celebração de termo de ajustamento de conduta tendo, como objeto, a adequação da publicidade. Considerando o caso narrado, assinale a afirmativa correta. A) É admitida a celebração do termo de ajustamento de conduta apenas no âmbito do Conselho Federal da OAB, para fazer cessar a publicidade praticada pela advogada Carolina e pela estagiária Beatriz. B) É admitida a celebração do termo de ajustamento de conduta, no âmbito do Conselho Federal da OAB ou dos Conselhos Seccionais, para fazer cessar a publicidade praticada pela advogada Carolina, mas é vedado que o termo de ajustamento de conduta abranja a estagiária Beatriz. C) É vedada pelo Código de Ética e Disciplina da OAB a possibilidade de celebração de termo de ajustamento de conduta no caso narrado, uma vez que se trata de infração ética. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 46 D) É admitida a celebração do termo de ajustamento de conduta no âmbito do Conselho Federal da OAB ou dos Conselhos Seccionais, para fazer cessar a publicidade praticada pela advogada Carolina e também pela estagiária Beatriz. RESPOSTA: LETRA D. É permitido o marketing jurídico, desde que exercido de forma compatível com os preceitos éticos e respeitadas as limitações impostas pelo Estatuto da Advocacia, Regulamento Geral, Código de Ética e Disciplina e por este Provimento (Provimento 205/2021 – leia integralmente). Uma das inovações mais marcantes pelo provimento foi a autorização do impulsionamento de conteúdos, que consiste no pagamento para que uma publicação seja vista por um público mais amplo, atingindo mesmo aqueles que não curtem ou seguem a página. Nesse sentido é o artigo 4, do provimento acima citado: No marketing de conteúdos jurídicos poderá ser utilizada a publicidade ativa ou passiva, desde que não esteja incutida a mercantilização, a captação de clientela ou o emprego excessivo de recursos financeiros, sendo admitida a utilização de anúncios, pagos ou não. No mesmo sentido, o artigo 5: A publicidade profissional permite a utilização de anúncios, pagos ou não, nos meios de comunicação não vedados pelo art. 40 do Código de Ética e Disciplina. Vale saber a diferença entre publicidade ativa e passiva: VI - Publicidade ativa: divulgação capaz de atingir número indeterminado de pessoas, mesmo que elas não tenham buscado informações acerca do anunciante ou dos temas Anunciados; (Fica vedada, na publicidade ativa, qualquer informação relativa às dimensões, qualidades ou estrutura física do escritório, assim como a menção à promessa de resultados ou a utilização de casos concretos para oferta de atuação profissional). VII - Publicidade passiva: divulgação capaz de atingir somente público certo que tenha buscado informações acerca do anunciante ou dos temas anunciados, bem como por aqueles que concordem previamente com o recebimento do anúncio. (Fica vedada em qualquer publicidade a ostentação de bens relativos ao exercício ou não da profissão, como uso de veículos, viagens, hospedagens e bens de consumo, bem como a menção à promessa de resultados ou a utilização de casos concretos para oferta de atuação profissional). Ficou permitida a participação do advogado ou da advogada em vídeos ao vivo ou gravados, na internet ou nas redes sociais, assim como em debates e palestras virtuais, desde que observadas as regras dos arts. 42 e 43 do CED, sendo vedada a utilização de casos concretos ou apresentação de resultados. Restou vedado o pagamento, patrocínio ou efetivação de qualquer outra despesa para viabilizar aparição em rankings, prêmios ou qualquer tipo de recebimento de honrarias em eventos ou publicações, em qualquer mídia, que vise destacar ou eleger profissionais como detentores de destaque. É permitida a utilização de logomarca e imagens, inclusive fotos dos(as) advogados(as) e do escritório, assim como a identidade visual nos meios de comunicação profissional, contudo é vedada a utilização de logomarca e símbolos oficiais da Ordem dos Advogados do Brasil. Não é permitido vincular os serviços advocatícios com outras atividades ou divulgação conjunta de tais atividades, salvo a de magistério, ainda que complementares ou afins. Pra fechar o tema, você precisa entender e se ligar que: seja qual foi o tipo de publicidade, Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 47 esta JAMAIS, configurar captação de clientela ou mercantilização da profissão. PERGUNTAS E REPOSTAS RÁPIDAS E COTIDIANAS SOBRE PUBLICIDADE NA ADVOCACIA COM BASE NAS POSTAGENS DO CFOAB: 1) É permitido a advogados e advogadas fazer vídeos ou selfies em seus escritórios, desde que não mostrem as dimensões, qualidades ou estrutura física do escritório. 2) A autopromoção (se engrandecer, se comparar) pode caracterizar captação de clientes e mercantilização, que é vedado pelo Provimento nº 205 de 2021, que regula a publicidade na advocacia. Assim, fica proibida a utilização de orações ou expressões persuasivas de auto engrandecimento ou de comparação. 3) Advogados e advogadas podem registrar em fotos suas sustentações orais e atuações em tribunais, desde que não exponham os envolvidos no processo e seus resultados. 4) O provimento 205 de 2021, que versa sobre publicidade na advocacia, proíbe ao advogado e à advogada divulgar decisões judiciais e resultados de casos que estejam em atuação. A confidencialidade do cliente deve ser preservada, assim como o resultado das sentenças. Divulgar sentenças nas redes sociais, por exemplo, não pode. 5) É permitido ao advogado ou à advogada fazer selfie ou vídeo divulgando sua atuação nas dependências dos tribunais,exercício da advocacia, para lavratura do auto respectivo é necessária a presença de representante da OAB, sob pena de NULIDADE. OBS: O advogado somente poderá ser preso em flagrante, por motivo de exercício da profissão, em caso de crime inafiançável. Se a prisão não for por motivo ligado à advocacia não é preciso o representante da OAB, contudo, é preciso haver comunicação EXPRESSA à Seccional da OAB. PORTANTO, TEMOS QUE: MOTIVO LIGADO À ADVOCACIA: PRECISA DE REPRESENTANTE DA OAB. MOTIVO NÃO LIGADO À ADVOCACIA: NÃO PRECISA DO REPRESENTANTE – PRECISA DE COMUNICAÇÃO EXPRESSA À SECCIONAL DA OAB. Vejamos como a OAB cobrou o tema no ano de 2019, no XXIX Exame de Ordem: O advogado X foi preso em flagrante enquanto furtava garrafas de vinho, de valor bastante expressivo, em determinado supermercado. Conduzido à delegacia, foi lavrado o auto de prisão em flagrante, sem a presença de representante da OAB. Com base no disposto no Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale a afirmativa correta. Alternativas A) A lavratura do auto de prisão em flagrante foi eivada de nulidade, em razão da ausência de representante da OAB, devendo a prisão ser relaxada. B) A lavratura do auto de prisão em flagrante não é viciada, desde que haja comunicação expressa à seccional da OAB respectiva. C) A lavratura do auto de prisão em flagrante foi eivada de nulidade, em razão da ausência de representante da OAB, devendo ser concedida liberdade provisória não cumulada com aplicação de medidas cautelares diversas da prisão. D) A lavratura do auto de prisão em flagrante não é viciada e independe de comunicação à seccional da OAB respectiva. R: LETRA B. O advogado pode permanecer sentado ou em pé e retirar-se de salas de sessões dos tribunais, salas e dependências de audiências, secretarias, cartórios, ofícios de justiça, serviços notariais e de registro, delegacias, edifício ou recinto em que funcione repartição judicial, assembléia ou reunião de que participe ou possa participar o seu cliente, independentemente de licença O advogado tem direito à cela especial (sala de estado maior) até o trânsito em julgado da Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 4 decisão, com instalações e comodidades condignas (não existindo deve ficar em PRISÃO DOMICILIAR). O advogado pode examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração Pública em geral, autos de processos findos ou em andamento, mesmo sem procuração, quando não estiverem sujeitos a sigilo ou segredo de justiça. Pode retirar autos de processos findos, mesmo sem procuração, pelo prazo de dez dias. OBS: Se os autos correram sob segredo de justiça não pode retirar! Se o processo não está encerrado, precisa de procuração para retirada. Se o advogado for ofendido no exercício da profissão ou em razão dela TEM DIREITO ao desagravo público. Assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento (e de todos os atos que dele decorram). O advogado, antes da Lei 14.365/22, tinha imunidade profissional, ou seja, NÃO CONSTITUIA INJÚRIA OU DIFAMAÇÃO atos praticados no exercício de sua atividade, em juízo ou fora dele. ATENÇÃO: DESACATO era punível! Ocorre que com o advento da referida Lei, o §2º, do art. 7º do Estatuto foi REVOGADO, portanto, não há mais a referida imunidade para casos de injúria, difamação e desacato. LIVRE ACESSO AOS MAGISTRADOS: O advogado tem direito de dirigir-se diretamente aos magistrados nas salas e gabinetes de trabalho, independentemente de horário previamente marcado ou outra condição. USO DO TERMO PELA ORDEM – Art. 7º, X, Estatuto da OAB: Sempre que for necessário o esclarecimento de eventual equívoco ou dúvida surgida em relação a fatos, documentos ou afirmações que influam no julgamento, bem como para replicar acusação ou censura que lhe forem feitas, o advogado PODE FAZER USO DA PALAVRA PELA ORDEM e esclarecer o que for preciso em qualquer tribunal judicial ou administrativo, órgão de deliberação coletiva da administração pública ou comissão parlamentar de inquérito. FALAR EM PÉ OU SENTADO: É direito do advogado permanecer sentado ou em pé e retirar-se das salas de sessões dos tribunais, de audiências repartição judicial ou assembleia, independentemente de licença. Ademais, falar, sentado ou em pé, em juízo, tribunal ou órgão de deliberação coletiva da Administração Pública ou do Poder Legislativo. SUSTENTAÇÃO ORAL – Art. 7º, § 2º-B: O advogado pode realizar a sustentação oral no recurso interposto contra a decisão monocrática de relator que julgar o mérito ou não conhecer dos seguintes recursos ou ações: Apelação, recurso ordinário, recurso especial, recurso extraordinário, embargos de divergência, ação rescisória, mandado de segurança, reclamação, habeas corpus e outras ações de competência originária. DEPOR COMO TESTEMUNHA: O advogado pode se recusar a depor como testemunha em processo no qual funcionou ou deva funcionar, ou sobre fato relacionado com pessoa de quem seja ou foi advogado, mesmo quando autorizado ou solicitado pelo constituinte, bem como sobre fato que constitua sigilo profissional. DESAGRAVO: Quando ofendido no exercício da profissão ou em razão dela o advogado tem direito a ser publicamente desagravado. ATENÇÃO: Ainda sobre o desagravo, no caso de ofensa a inscrito na OAB, no exercício da profissão ou de cargo ou função de órgão da OAB, o conselho competente deve promover o desagravo público do ofendido, sem prejuízo Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 5 da responsabilidade criminal em que incorrer o infrator. Portanto, como visto acima, não se trata de faculdade do conselho, mas sim de DEVER LEGAL! ATENÇÃO - Art. 7º-B (ESTATUTO): Constitui crime violar direito ou prerrogativa de advogado previstos nos incisos II, III, IV e V do caput do art. 7º do estatuto: Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. INOVAÇÃO LEGAL - Art. 7º-B. ESTES SÃO OS DIREITOS E PRERROGATIVAS CUJA VIOLAÇÃO CONSTITUI CRIME: 1- a inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, bem como de seus instrumentos de trabalho, de sua correspondência escrita, eletrônica, telefônica e telemática, desde que relativas ao exercício da advocacia 2- comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem procuração, quando estes se acharem presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda que considerados incomunicáveis 3- ter a presença de representante da OAB, quando preso em flagrante, por motivo ligado ao exercício da advocacia, para lavratura do auto respectivo, sob pena de nulidade e, nos demais casos, a comunicação expressa à seccional da OAB 4- não ser recolhido preso, antes de sentença transitada em julgado, senão em sala de Estado-Maior, com instalações e comodidades condignas, e na falta em prisão domiciliar. OBSERVAÇÕES FINAIS SOBRE A LEI 14.365 NO QUE TRATA DE DIREITOS E GARANTIAS DO ADVOGADO: A Nova lei assegura à OAB a fiscalização do exercício profissional e de honorários. § 14. Cabe, privativamente, ao Conselho Federal da OAB, em processo disciplinar próprio, dispor, analisar e decidir sobre a prestação efetiva do serviço jurídico realizado pelo advogado. § 15. Cabe ao Conselho Federal da OAB dispor, analisar e decidir sobre os honorários advocatícios dos serviços jurídicos realizados pelo advogado, resguardado o sigilo, nos termos do Capítulo VI desta Lei, e observado o disposto no inciso XXXV do caput do art. 5° da Constituição Federal. § 16. É nulo, em qualquer esfera de responsabilização,desde que não exponha as partes envolvidas no processo nem divulgue o resultado da demanda. PRINCIPAIS PONTOS DO PROVIMENTO 205/2021: 1) Em se tratando de MARKETING JURÍDICO, as informações veiculadas deverão ser objetivas e verdadeiras e são de exclusiva responsabilidade das pessoas físicas identificadas e, quando envolver pessoa jurídica, dos sócios administradores da sociedade de advocacia que responderão pelos excessos perante a Ordem dos Advogados do Brasil, sem excluir a participação de outros inscritos que para ela tenham concorrido. 2) Sempre que solicitado pelos órgãos competentes para a fiscalização da Ordem dos Advogados do Brasil, as pessoas indicadas no parágrafo anterior deverão comprovar a veracidade das informações veiculadas, sob pena de incidir na infração disciplinar prevista no art. 34, inciso XVI, do Estatuto da Advocacia e da OAB 3) A publicidade profissional deve ter caráter meramente informativo e primar pela discrição e sobriedade, não podendo configurar captação de clientela ou mercantilização da profissão, sendo vedadas as seguintes condutas: I - referência, direta ou indireta, a valores de honorários, forma de pagamento, gratuidade ou descontos e reduções de preços como forma de captação de clientes; II - divulgação de informações que possam induzir a erro ou causar dano a clientes, a outros(as) advogados(as) ou à sociedade; III - anúncio de especialidades para as quais não possua título certificado ou notória especialização; IV - utilização de orações ou expressões persuasivas, de autoengrandecimento ou de comparação; V - distribuição de brindes, cartões de visita, material impresso e digital, apresentações dos serviços ou afins de maneira indiscriminada em locais públicos, presenciais ou virtuais, SALVO EM EVENTOS DE INTERESSE JURÍDICO. 4) No marketing de conteúdos jurídicos poderá ser utilizada a publicidade ativa ou passiva, desde que não esteja incutida a mercantilização, a captação de clientela ou o emprego excessivo de recursos financeiros, sendo admitida a utilização de anúncios, pagos ou não, nos meios Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 48 de comunicação, com exceto nos meios vedados pelo art. 40 do Código de Ética e Disciplina (exemplos: publicidade por meio de rádio, cinema e televisão; uso de outdoors, painéis luminosos ou formas assemelhadas de publicidade; inscrições em muros, paredes, veículos, elevadores ou em qualquer espaço público; utilização de mala direta, a distribuição de panfletos ou formas assemelhadas de publicidade, com o intuito de captação de clientela e divulgação de serviços de advocacia juntamente com a de outras atividades ou a indicação de vínculos entre uns e outras). OBS 1: NÃO DEVEM os meios empregados influenciar, de forma fraudulenta no seu impulsionamento ou alcance. OBS 2: A publicidade profissional permite a utilização de anúncios, pagos ou não nos meios de comunicação não vedados pelo art. 40 do Código de Ética e Disciplina, que são os descritos no item 4, vistos ao lado. OBS 3: É permitida a utilização de logomarca e imagens, inclusive fotos dos(as) advogados(as) e do escritório, assim como a identidade visual nos meios de comunicação profissional, sendo vedada a utilização de logomarca e símbolos oficiais da Ordem dos Advogados do Brasil. MAS ATENÇÃO: Como já sabemos, exclusivamente para fins de identificação dos escritórios de advocacia, é permitida a utilização de placas, painéis luminosos e inscrições em suas fachadas, com caráter meramente informativo e devendo primar pela discrição e sobriedade! 5) Na publicidade de conteúdos jurídicos, a identificação profissional com qualificação e títulos, desde que verdadeiros e comprováveis. 6) Na divulgação de imagem, vídeo ou áudio contendo atuação profissional, inclusive em audiências e sustentações orais, em processos judiciais ou administrativos (PODE SER QUE AQUI NA PROVA CONSTE UMA PEGADINHA, FALANDO, POR EXEMPLO, APENAS EM PROCESSOS JUDICIAIS), não alcançados por segredo de justiça, serão respeitados o sigilo e a dignidade profissional e vedada a referência ou menção a decisões judiciais e resultados de qualquer natureza obtidos em procedimentos que patrocina ou participa de alguma forma, ressalvada a hipótese de manifestação espontânea em caso coberto pela mídia. 7) Equiparam-se ao e-mail, todos os dados de contato e meios de comunicação do escritório ou advogado(a), inclusive os endereços dos sites, das redes sociais e os aplicativos de mensagens instantâneas, podendo também constar o logotipo, desde que em caráter informativo, respeitados os critérios de sobriedade e discrição. 8) Lembre-se que na publicidade ativa, qualquer informação relativa às dimensões, qualidades ou estrutura física do escritório, assim como a menção à promessa de resultados ou a utilização de casos concretos para oferta de atuação profissional. Mas em qualquer publicidade é VEEMENTEMENTE VEDADO a ostentação de bens relativos ao exercício ou não da profissão, como uso de veículos, viagens, hospedagens e bens de consumo, bem como a menção à promessa de resultados ou a utilização de casos concretos para oferta de atuação profissional. 9) Não é permitido vincular os serviços advocatícios com outras atividades ou divulgação conjunta de tais atividades, salvo a de magistério, ainda que complementares ou afins. DICA 28 INSTITUTO DOS ADVOGADOS BRASILEIROS (Art. 85, do EAOAB) O Instituto dos Advogados Brasileiros, a Federação Nacional dos Institutos dos Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 49 Advogados do Brasil e as instituições a eles filiadas têm qualidade para promover perante a OAB o que julgarem do interesse dos advogados em geral ou de qualquer de seus membros. DICA 29 ADVOCACIA PRO BONO (Art. 30, do CEDOAB) Art. 30, CEDOAB. No exercício da advocacia pro bono, e ao atuar como defensor nomeado, conveniado ou dativo, o advogado empregará o zelo e a dedicação habituais, de forma que a parte por ele assistida se sinta amparada e confie no seu patrocínio. § 1º Considera-se advocacia pro bono a prestação gratuita, eventual e voluntária de serviços jurídicos em favor de instituições sociais sem fins econômicos e aos seus assistidos, sempre que os beneficiários não dispuserem de recursos para a contratação de profissional. § 2º A advocacia pro bono pode ser exercida em favor de pessoas naturais que, igualmente, não dispuserem de recursos para, sem prejuízo do próprio sustento, contratar advogado. § 3º A advocacia pro bono não pode ser utilizada para fins político-partidários ou eleitorais, nem beneficiar instituições que visem a tais objetivos, ou como instrumento de publicidade para captação de clientela. Sobre o entendimento acima visto, vejamos como o tema foi cobrado no 38º Exame da OAB: O advogado Luís Santos, regularmente inscrito na OAB, está em início de carreira. Luís presta serviços jurídicos a determinada instituição social sem fins econômicos, consistentes em patrocinar seus interesses em demanda judicial em curso. Sobre a atuação de Luís, assinale a afirmativa correta. (A) Não poderá ser considerada advocacia pro bono a atuação gratuita de Luís como advogado das pessoas naturais, hipossuficientes econômicas, beneficiárias da instituição social. (B) É ilícito que Luís preste gratuitamente tais serviços jurídicos, se o objetivo é valer-se de sua atuação como instrumento de publicidade da sua atividade profissional. (C) A atuação gratuita de Luís, ainda que não seja eventual, na defesa em Juízo da mencionada instituição social, pode ser considerada advocacia pro bono. (D) É admitida a prestação por Luís, sob a forma de advocacia pro bono voluntária, de serviços jurídicos para uma instituição social cobrando preços simbólicos, haja vistaa ausência de fins econômicos. R: LETRA B. DICA 30 RELAÇÃO COM O CLIENTE (Art. 9º ao 26º, do CEDOAB) O advogado deve informar o cliente, de modo claro e inequívoco, quanto a eventuais riscos da sua pretensão, e das consequências que poderão advir da demanda. Deve, igualmente, denunciar, desde logo, a quem lhe solicite parecer ou patrocínio, qualquer circunstância que possa influir na resolução de submeter-lhe a consulta ou confiar-lhe a causa. As relações entre advogado e cliente baseiam- se na confiança recíproca. Sentindo o advogado que essa confiança lhe falta, é recomendável que externe ao cliente sua impressão e, não se dissipando as dúvidas existentes, promova, em seguida, o substabelecimento do mandato ou a ele renuncie. O advogado, no exercício do mandato, atua como patrono da parte, cumprindo-lhe, por isso, imprimir à causa orientação que lhe Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 50 pareça mais adequada, sem se subordinar a intenções contrárias do cliente, mas, antes, procurando esclarecê-lo quanto à estratégia traçada. A conclusão ou desistência da causa, tenha havido, ou não, extinção do mandato, obriga o advogado a devolver ao cliente bens, valores e documentos que lhe hajam sido confiados e ainda estejam em seu poder, bem como a prestar-lhe contas, pormenorizadamente, sem prejuízo de esclarecimentos complementares que se mostrem pertinentes e necessários. Vale ressaltar, contudo, que a parcela dos honorários paga pelos serviços até então prestados não se inclui entre os valores a ser devolvidos. Concluída a causa ou arquivado o processo, presume-se cumprido e extinto o mandato. O advogado não deve aceitar procuração de quem já tenha patrono constituído, sem prévio conhecimento deste, SALVO POR MOTIVO PLENAMENTE JUSTIFICÁVEL OU PARA ADOÇÃO DE MEDIDAS JUDICIAIS URGENTES E INADIÁVEIS. A renúncia ao patrocínio deve ser feita SEM MENÇÃO DO MOTIVO que a determinou, fazendo cessar a responsabilidade profissional pelo acompanhamento da causa, uma vez decorrido o prazo previsto em lei (EAOAB, Art. 5º, § 3º) – DEZ DIAS. A renúncia ao mandato não exclui responsabilidade por danos eventualmente causados ao cliente ou a terceiros. O advogado não será responsabilizado por omissão do cliente quanto a documento ou informação que lhe devesse fornecer para a prática oportuna de ato processual do seu interesse. A revogação do mandato judicial por vontade do cliente não o desobriga do pagamento das verbas honorárias contratadas, assim como não retira o direito do advogado de receber o quanto lhe seja devido em eventual verba honorária de sucumbência, calculada proporcionalmente em face do serviço efetivamente prestado. O mandato judicial ou extrajudicial não se extingue pelo decurso de tempo, SALVO SE O CONTRÁRIO FOR CONSIGNADO NO RESPECTIVO INSTRUMENTO. Os advogados integrantes da mesma sociedade profissional, ou reunidos em caráter permanente para cooperação recíproca, não podem representar, em juízo ou fora dele, CLIENTES COM INTERESSES OPOSTOS. Sobrevindo conflito de interesses entre seus constituintes e não conseguindo o advogado harmonizá-los, caber-lhe-á optar, com prudência e discrição, por um dos mandatos, renunciando aos demais, RESGUARDADO SEMPRE O SIGILO PROFISSIONAL. O advogado, ao postular em nome de terceiros, contra ex-cliente ou ex-empregador, judicial e extrajudicialmente, deve resguardar o SIGILO PROFISSIONAL. O advogado deve abster-se de patrocinar causa contrária à validade ou legitimidade de ato jurídico em cuja formação haja colaborado ou intervindo de qualquer maneira; da mesma forma, deve declinar seu impedimento ou o da sociedade que integre quando houver conflito de interesses motivado por intervenção anterior no trato de assunto que se prenda ao patrocínio solicitado. O advogado não se sujeita à imposição do cliente que pretenda ver com ele atuando outros advogados, nem fica na contingência de aceitar a indicação de outro profissional para com ele trabalhar no processo. É proibido ao advogado atuar no mesmo processo, simultaneamente, como patrono e preposto do empregador ou cliente. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 51 O substabelecimento do mandato, COM RESERVA DE PODERES, É ATO PESSOAL DO ADVOGADO DA CAUSA. O substabelecimento do mandato SEM RESERVA DE PODERES EXIGE O PRÉVIO E INEQUÍVOCO CONHECIMENTO DO CLIENTE. O substabelecido com reserva de poderes deve ajustar antecipadamente seus honorários com o substabelecente. DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DICA 01 SUJEITOS PROTEGIDOS A criança e o adolescente são os sujeitos protegidos pelo ECA. O estatuto da criança e do adolescente considera CRIANÇA a pessoa que possua 12 anos de idade INCOMPLETOS. Por sua vez, o ADOLESCENTE está compreendido entre os maiores de 12 anos e os menores de 18 anos. CUIDADO: A CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DA CRIANÇA consideram criança todo menor de 18 anos, ou seja, para questões relacionadas a Direitos Humanos e seu âmbito Internacional, o qual não se confunde com o ECA (que é aplicado no nosso âmbito interno), deverá ser considerado criança toda pessoa menor de 18 anos. CUIDADO: O ECA se aplica apenas aos menos de 18 anos? NÃO. Excepcionalmente, em casos expressos em lei, o ECA poderá ser aplicado aos menores de 21 anos. Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. Parágrafo único. Nos casos expressos em lei, aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade. DICA 02 PROTEÇÃO INTEGRAL O princípio da proteção integral da criança e do adolescente encontra-se expresso no era.4º da Lei 8069/1990: Art. 3º A criança e ao adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. Parágrafo único. Os direitos enunciados nesta Lei aplicam-se a todas as crianças e adolescentes, sem discriminação de nascimento, situação familiar, idade, sexo, raça, etnia ou cor, religião ou crença, deficiência, condição pessoal de desenvolvimento e aprendizagem, condição econômica, ambiente social, região e local de moradia ou outra condição que diferencie as pessoas, as famílias ou a comunidade em que vivem. E quem são os responsáveis por proteger integralmente as crianças e os adolescentes? Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. DICA 03 DIREITO Á VIDA Art. 7º A criança e ao adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 52 permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência. Art. 8 o É assegurado a todas as mulheres o acesso aos programas e às políticas de saúde da mulher e de planejamento reprodutivo e, às gestantes, nutrição adequada, atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério e atendimento pré-natal, perinatal e pós-natal integral no âmbito do Sistema Único de Saúde. § 1 o atendimento pré-natal será realizado por profissionais da atenção primária § 2 o Os profissionais de saúde de referência da gestantegarantirão sua vinculação, no último trimestre da gestação, ao estabelecimento em que será realizado o parto, garantido o direito de opção da mulher. § 4 o Incumbe ao poder público proporcionar assistência psicológica à gestante e à mãe, no período pré e pós-natal, inclusive como forma de prevenir ou minorar as consequências do estado puerperal (aqui não menciona em assistência psicológica no período perinatal, mas apenas no PRÉ e PÓS-NATAL) § 6 o A gestante e a parturiente têm direito a 1 (um) acompanhante de sua preferência durante o período do pré-natal, do trabalho de parto e do pós-parto imediato. O marco Civil da primeira infância incluiu um parágrafo no art.8º do ECA, determinando uma ação positiva do Estado em situações de abandono pela gestante as suas consultas de pré-natal como de pós-natal, assim como a quelas que sequer iniciaram seu acompanhamento. § 9 o A atenção primária à saúde fará a busca ativa da gestante que não iniciar ou que abandonar as consultas de pré-natal, bem como da puérpera que não comparecer às consultas pós-parto. DICA 04 SEMANA NACIONAL DE PREVENÇÃO A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA Art. 8º-A. Fica instituída a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, a ser realizada anualmente na semana que incluir o dia 1º de fevereiro, com o objetivo de disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas que contribuam para a redução da incidência da gravidez na adolescência. Parágrafo único. As ações destinadas a efetivar o disposto no caput deste artigo ficarão a cargo do poder público, em conjunto com organizações da sociedade civil, e serão dirigidas prioritariamente ao público adolescente. DICA 05 DAS OBRIGAÇÕES DOS HOSPITAIS E ESTABELECIMENTO DE SAÚDE Art. 10. Os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes, públicos e particulares, são obrigados a: I - Manter registro das atividades desenvolvidas, através de prontuários individuais, pelo prazo de dezoito anos; II - Proceder a exames visando ao diagnóstico e terapêutica de anormalidades no metabolismo do recém-nascido, bem como prestar orientação aos pais; NOVIDADELEGISLATIVA § 1º Os testes para o rastreamento de doenças no recém-nascido serão disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde, no âmbito do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), na forma da regulamentação elaborada pelo Ministério da Saúde, com implementação de forma escalonada, de acordo com a seguinte ordem de progressão: I – Etapa 1: a) fenilcetonúria e outras hiperfenilalaninemias Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 53 b) hipotireoidismo congênito; c) doença falciforme e outras hemoglobinopatias d) fibrose cística e) hiperplasia adrenal congênita f) deficiência de biotinidase; g) toxoplasmose congênita; II – Etapa 2: a) galactosemias b) aminoacidopatias; c) distúrbios do ciclo da ureia; d) distúrbios da betaoxidação dos ácidos graxos; III – etapa 3: doenças lisossômicas IV – Etapa 4: imunodeficiências primárias; V – Etapa 5: atrofia muscular espinhal § 2º A delimitação de doenças a serem rastreadas pelo teste do pezinho, no âmbito do PNTN, será revisada periodicamente, com base em evidências científicas, considerados os benefícios do rastreamento, do diagnóstico e do tratamento precoce, priorizando as doenças com maior prevalência no País, com protocolo de tratamento aprovado e com tratamento incorporado no Sistema Único de Saúde. § 3º O rol de doenças constante do § 1º deste artigo poderá ser expandido pelo poder público com base nos critérios estabelecidos no § 2º deste artigo. § 4º Durante os atendimentos de pré-natal e de puerpério imediato, os profissionais de saúde devem informar a gestante e os acompanhantes sobre a importância do teste do pezinho e sobre as eventuais diferenças existentes entre as modalidades oferecidas no Sistema Único de Saúde e na rede privada de saúde. Art. 12. Os estabelecimentos de atendimento à saúde, inclusive as unidades neonatais, de terapia intensiva e de cuidados intermediários, deverão proporcionar condições para a permanência em tempo integral de um dos pais ou responsável, nos casos de internação de criança ou adolescente. Art. 13. Os casos de suspeita ou confirmação de castigo físico, de tratamento cruel ou degradante e de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais #linkmental Obs: Link mental é um hastag que utilizo quando quero que você faça um link na sua mente sobre um assunto que estais estudando e outra matéria ou a mesma matéria disciplinada em artigos diferentes. (Para passar na OAB é necessário um estudo interdisciplinar!) Código Penal Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina: Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa. § 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena - reclusão, de um a quatro anos. § 2º - Se resulta a morte: Pena - reclusão, de quatro a doze anos. § 3º - Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos (incluído pela Lei nº 8.069, de 1990) Estatuto da Criança e do Adolescente Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 54 Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. Art. 130. Verificada a hipótese de maus-tratos, opressão ou abuso sexual impostos pelos pais ou responsável, a autoridade judiciária poderá determinar, como medida cautelar, o afastamento do agressor da moradia comum. Parágrafo único. Da medida cautelar constará, ainda, a fixação provisória dos alimentos de que necessitem a criança ou o adolescente dependente do agressor. DICA 06 DIREITO A LIBERDADE, AO RESPEITO E Á DIGNIDIDADE Toda criança e adolescente tem direito de ir e vir, de brincar, se divertir, ter ocupação esportiva... Art. 16. O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos: I - Ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais; II - Opinião e expressão; III - crença e culto religioso; IV - Brincar, praticar esportes e divertir-se; V - Participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação; VI - Participar da vida política, na forma da lei; VII - buscar refúgio, auxílio e orientação. Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais. Art. 18-A. A criança e ao adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los. Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se: I - Castigo físico: ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força física sobre a criança ou o adolescente que resulte em a) sofrimento físico; ou b) lesão;II - Tratamento cruel ou degradante: conduta ou forma cruel de tratamento em relação à criança ou ao adolescente que: a) humilhe; b) ameace gravemente; c) ridicularize. PRESTA ATENÇÃO: Castigo físico: COM O USO DA FORÇA FÍSICA Tratamento cruel ou degradante: SEM O USO DA FORÇA FÍSICA. Art. 18-B. Os pais, os integrantes da família ampliada, os responsáveis, os agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou qualquer pessoa encarregada de cuidar de crianças e de adolescentes, tratá-los, educá-los ou protegê-los que utilizarem castigo físico ou tratamento cruel ou degradante como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto estarão sujeitos, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, às seguintes medidas, Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 55 que serão aplicadas de acordo com a gravidade do caso: I - Encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família; II - Encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico; III - encaminhamento a cursos ou programas de orientação; IV - Obrigação de encaminhar a criança a tratamento especializado; V - Advertência. VI - Garantia de tratamento de saúde especializado à vítima. (NOVIDADE LEGISLATIVA) Parágrafo único. As medidas previstas neste artigo serão aplicadas pelo Conselho Tutelar, sem prejuízo de outras providências legais. DICA 07 DO DIREITO A CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA Art. 19. É direito da criança e do adolescente ser criado e educado no seio de sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente que garanta seu desenvolvimento integral. § 1 o Toda criança ou adolescente que estiver inserido em programa de acolhimento familiar ou institucional terá sua situação reavaliada, no máximo, a cada 3 (três) meses, devendo a autoridade judiciária competente, com base em relatório elaborado por equipe interprofissional ou multidisciplinar, decidir de forma fundamentada pela possibilidade de reintegração familiar ou pela colocação em família substituta, em quaisquer das modalidades previstas no art. 28 desta Lei. § 2 o A permanência da criança e do adolescente em programa de acolhimento institucional não se prolongará por mais de 18 (dezoito meses), salvo comprovada necessidade que atenda ao seu superior interesse, devidamente fundamentada pela autoridade judiciária. 3 o A manutenção ou a reintegração de criança ou adolescente à sua família terá preferência em relação a qualquer outra providência, caso em que será está incluída em serviços e programas de proteção, apoio e promoção, nos termos do § 1 o do art. 23, dos incisos I e IV do caput do art. 101 e dos incisos I a IV do caput do art. 129 desta Lei. § 4 o Será garantida a convivência da criança e do adolescente com a mãe ou o pai privado de liberdade, por meio de visitas periódicas promovidas pelo responsável ou, nas hipóteses de acolhimento institucional, pela entidade responsável, independentemente de autorização judicial. § 5 o Será garantida a convivência integral da criança com a mãe adolescente que estiver em acolhimento institucional. § 6 o A mãe adolescente será assistida por equipe especializada multidisciplinar. PRESTE ATENÇÃO: A SITUAÇÃO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE SERÁ REAVILIADA NO MÁXIMO A CADA 3 MESES, OU SEJA, PODERÁ SER REAVALIADA EM 1, 2....ATÉ 3 MESES; A SUA PERMANÊNCIA NÃO PODERÁ EXCEDER O PRAZO DE 18 MESES. DICA 08 PODER FAMILIAR O poder familiar será exercido, em igualdade de condições, pelo pai e pela mãe, na forma do que dispuser a legislação civil, assegurado a qualquer deles o direito de, em caso de discordância, recorrer à autoridade judiciária competente para a solução da divergência. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 56 Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais. A mãe e o pai, ou os responsáveis, têm direitos iguais e deveres e responsabilidades compartilhados no cuidado e na educação da criança, devendo ser resguardado o direito de transmissão familiar de suas crenças e culturas, assegurados os direitos da criança e do adolescente. A falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou a suspensão do poder familiar. DICA 09 DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR A condenação criminal do pai ou da mãe, EM REGRA GERAL, não implicará a destituição do poder familiar PRESTA ATENÇÃO: ESTAMOS FALANDO DE CONDENAÇÃO E NÃO DE PROCESSSO/PRISÃO TA? Contudo, caso o pai ou a mão da criança e do adolescente venha a ser condenado (NÃO É PROCESSADO) por crime doloso sujeito à pena de reclusão contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar ou contra filho, filha ou outro descendente. DICA 10 SUSPENSÃO E PERDA DO PODER FAMILIAR A perda e a suspensão do poder familiar serão decretadas judicialmente, em procedimento contraditório, nos casos previstos na legislação civil, bem como na hipótese de descumprimento injustificado dos deveres de sustento, guarda e educação dos filhos. Art. 1.637do CC. Se o pai, ou a mãe, abusar de sua autoridade, faltando aos deveres a eles inerentes ou arruinando os bens dos filhos, cabe ao juiz, requerendo algum parente, ou o Ministério Público, adotar à medida que lhe pareça reclamada pela segurança do menor e seus haveres, até suspendendo o poder familiar, quando convenha. Parágrafo único. Suspende-se igualmente o exercício do poder familiar ao pai ou à mãe condenados por sentença irrecorrível, em virtude de crime cuja pena exceda a dois anos de prisão. Nas causas de suspensão do poder familiar a criança e o adolescente podem voltar a residir novamente com os pais quando cessado o motivo que levou a suspensão. Por sua vez, a perda do poder familiar é uma das situações mais graves no âmbito familiar, a qual gera a extinção do mesmo. Art. 1.638. Perderá por ato judicial o poder familiar o pai ou a mãe que: I - Castigar imoderadamente o filho; II - Deixar o filho em abandono; III - praticar atos contrários à moral e aos bons costumes; IV - Incidir, reiteradamente, nas faltas previstas no artigo antecedente. V - Entregar de forma irregular o filho a terceiros para fins de adoção. Art. 1.635 do CC- Extingue-se o poder familiar: I - Pela morte dos pais ou do filho; II - Pela emancipação, III - pela maioridade; IV - Pela adoção; V - Por decisão judicial, na forma do artigo 1.638 - o qual trata das causas de perda do poder familiar. NÃO CONFUNDA AS CAUSAS DE SUSPENSÃO, PERDA E EXTINÇÃO DO PODER FAMILIAR. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 57 NOTE QUE QUALQUER CONDENAÇÃO IRRECORRÍVEL ACIMA DE 2 ANOS É CAUSA DE SUSPENSÃO DO PODER FAMILIAR.TODAVIA, A SENTENÇA CONDENATÓRIA (NÃO PRECISA SER IRRECORRÍVEL) POR CRIME DOLOSO SUJEITO A PENA DE RECLUSÃO contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar ou contra filho, filha ou outro descendente É CAUSA DE DESTITUIÇÃO. Art. 155. O procedimento para a perda ou a suspensão do poder familiar terá início por provocação do Ministério Público ou de quem tenha legítimo interesse. Art. 157. Havendo motivo grave, poderá a autoridade judiciária, ouvido o Ministério Público, decretar a suspensão do poder familiar , liminar ou incidentalmente, até o julgamento definitivo da causa, ficando a criança ou adolescente confiado a pessoa idônea, mediante termo de responsabilidade. A concessão da liminar será, preferencialmente, precedida de entrevista da criança ou do adolescente perante equipe multidisciplinar e de oitiva da outra parte, nos termos da Lei nº 13.431, de 4 de abrilde 2017. (Incluído pela Lei nº 14.340, de 2022) Se houver indícios de ato de violação de direitos de criança ou de adolescente, o juiz comunicará o fato ao Ministério Público e encaminhará os documentos pertinentes. DICA 12 FAMÍLIA NATURAL E FAMÍLIA EXTENSA Conforme expresso pelo estatuto da criança e do adolescente existe 3 definições de família: a natural, a extensa e a substituta. Família natural- Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes Família extensa- Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade E a substituta? É a originada por meio dos institutos jurídicos da Guarda, tutela e adoção. A colocação da criança ou adolescente em família substituta será precedida de sua preparação gradativa e acompanhamento posterior, realizados pela equipe interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude, preferencialmente com o apoio dos técnicos responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar. Em se tratando de criança ou adolescente indígena ou proveniente de comunidade remanescente de quilombo, é ainda obrigatório: I - Que sejam consideradas e respeitadas sua identidade social e cultural, os seus costumes e tradições, bem como suas instituições, desde que não sejam incompatíveis com os direitos fundamentais reconhecidos por esta Lei e pela Constituição Federal; II - Que a colocação familiar ocorra prioritariamente no seio de sua comunidade ou junto a membros da mesma etnia; III - a intervenção e oitiva de representantes do órgão federal responsável pela política indigenista, no caso de crianças e adolescentes indígenas, e de antropólogos, perante a equipe interprofissional ou multidisciplinar que irá acompanhar o caso. Sempre que possível, a criança ou o adolescente será previamente ouvido por equipe interprofissional, respeitado seu estágio de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as implicações da medida, e terá sua opinião devidamente considerada. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 58 Tratando-se de maior de 12 (doze) anos de idade, será necessário seu consentimento, colhido em audiência. Art. 29. Não se deferirá colocação em família substituta a pessoa que revele, por qualquer modo, incompatibilidade com a natureza da medida ou não ofereça ambiente familiar adequado. Art. 30. A colocação em família substituta não admitirá transferência da criança ou adolescente a terceiros ou a entidades governamentais ou não-governamentais, sem autorização judicial. Art. 31. A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional, somente admissível na modalidade de adoção. DICA 13 GUARDA A guarda de fato é aquela que reflete a condição vivenciada pelos genitores e pela criança, ou seja, a forma de exercício da guarda antes mesmo de uma definição judicial acerca da guarda. Art. 33. A guarda obriga a prestação de assistência material, moral e educacional à criança ou adolescente, conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros, inclusive aos pais. § 1º A guarda destina-se a regularizar a posse de fato, podendo ser deferida, liminar ou incidentalmente, nos procedimentos de tutela e adoção, exceto no de adoção por estrangeiros. § 2º Excepcionalmente, deferir-se-á a guarda, fora dos casos de tutela e adoção, para atender a situações peculiares ou suprir a falta eventual dos pais ou responsável, podendo ser deferido o direito de representação para a prática de atos determinados. § 3º A guarda confere à criança ou adolescente a condição de dependente, para todos os fins e efeitos de direito, inclusive previdenciários. §4 o Salvo expressa e fundamentada determinação em contrário, da autoridade judiciária competente, ou quando a medida for aplicada em preparação para adoção, o deferimento da guarda de criança ou adolescente a terceiros não impede o exercício do direito de visitas pelos pais, assim como o dever de prestar alimentos, que serão objeto de regulamentação específica, a pedido do interessado ou do Ministério Público. DICA 14 GUARDA UNILATERAL X GUARDA COMPARTILHADA A guarda será unilateral ou compartilhada. § 1o Compreende-se por guarda unilateral a atribuída a um só dos genitores ou a alguém que o substitua (art. 1.584, § 5o) e, por guarda compartilhada a responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que não vivam sob o mesmo teto, concernentes ao poder familiar dos filhos comuns. § 2o A guarda unilateral será atribuída ao genitor que revele melhores condições para exercê-la e, objetivamente, mais aptidão para propiciar aos filhos os seguintes fatores: I – Afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar; II – saúde e segurança; III – educação. § 3o A guarda unilateral obriga o pai ou a mãe que não a detenha a supervisionar os interesses dos filhos. Art. 1.584. A guarda, unilateral ou compartilhada, poderá ser: I – Requerida, por consenso, pelo pai e pela mãe, ou por qualquer deles, em ação autônoma de separação, de divórcio, de dissolução de união estável ou em medida cautelar; Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 59 II – Decretada pelo juiz, em atenção a necessidades específicas do filho, ou em razão da distribuição de tempo necessário ao convívio deste com o pai e com a mãe. § 2o Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho, será aplicada, sempre que possível, a guarda compartilhada. A guarda poderá ser revogada a qualquer tempo, mediante ato judicial fundamentado, ouvido o Ministério Público DICA 15 TUTELA Art. 36. A tutela será deferida, nos termos da lei civil, a pessoa de até 18 (dezoito) anos incompletos. Parágrafo único. O deferimento da tutela pressupõe a prévia decretação da perda ou suspensão do pátrio poder, poder familiar e implica necessariamente o dever de guarda. SEMPRE CAI DICA 17 ADOÇÃO A adoção é medida excepcional e irrevogável, à qual se deve recorrer apenas quando esgotados os recursos de manutenção da criança ou adolescente na família natural ou extensa, na forma do parágrafo único do art. 25 desta Lei. É vedada a adoção por procuração Em caso de conflito entre direitos e interesses do adotando e de outras pessoas, inclusive seus pais biológicos, devem prevalecer os direitos e os interesses do adotando. Art. 40. O adotando deve contar com, no máximo, dezoito anos à data do pedido, salvo se já estiver sob a guarda ou tutela dos adotantes. Art. 41. A adoção atribui a condição de filho ao adotado, com os mesmos direitos e deveres, inclusive sucessórios, desligando-o de qualquer vínculo com pais e parentes, salvo os impedimentos matrimoniais. § 1º Se um dos cônjuges ou concubinos adota o filho do outro, mantêm-se os vínculos de filiação entre o adotado e o cônjuge ou concubino do adotante e os respectivos parentes. § 2º É recíproco o direito sucessório entre o adotado, seus descendentes, o adotante, seus ascendentes, descendentes e colaterais até o 4º grau, observada a ordem de vocação hereditária. Art. 42. Podem adotar os maiores de 18 (dezoito) anos, independentemente do estado civil. § 1º Não podem adotar os ascendentes e os irmãos do adotando. § 2 o Para adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam casados civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família. § 3º O adotante há de ser, pelo menos, dezesseis anos mais velho do que o adotando. § 4 o Os divorciados, os judicialmente separados e os ex-companheiros podemadotar conjuntamente, contanto que acordem sobre a guarda e o regime de visitas e desde que o estágio de convivência tenha sido iniciado na constância do período de convivência e que seja comprovada a existência de vínculos de afinidade e afetividade com aquele não detentor da guarda, que justifiquem a excepcionalidade da concessão. § 5 o Nos casos do § 4 o deste artigo, desde que demonstrado efetivo benefício ao adotando, será assegurada a guarda compartilhada, conforme previsto no art. 1.584 da Lei n o 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil . § 6 o A adoção poderá ser deferida ao adotante que, após inequívoca manifestação de vontade, vier a falecer no curso do procedimento, antes de prolatada a sentença. Art. 44. Enquanto não der conta de sua administração e saldar o seu alcance, não pode o tutor ou o curador adotar o pupilo ou o curatelado. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 60 Art. 45. A adoção depende do consentimento dos pais ou do representante legal do adotando. § 1º. O consentimento será dispensado em relação à criança ou adolescente cujos pais sejam desconhecidos ou tenham sido destituídos do pátrio poder familiar . § 2º. Em se tratando de adotando maior de doze anos de idade, será também necessário o seu consentimento. Art. 46. A adoção será precedida de estágio de convivência com a criança ou adolescente, pelo prazo máximo de 90 (noventa) dias, observadas a idade da criança ou adolescente e as peculiaridades do caso. § 1 o estágio de convivência poderá ser dispensado se o adotando já estiver sob a tutela ou guarda legal do adotante durante tempo suficiente para que seja possível avaliar a conveniência da constituição do vínculo. § 2 o A simples guarda de fato não autoriza, por si só, a dispensa da realização do estágio de convivência. SEMPRE CAI § 2 o -A. O prazo máximo estabelecido no caput deste artigo pode ser prorrogado por até igual período, mediante decisão fundamentada da autoridade judiciária. § 3 o Em caso de adoção por pessoa ou casal residente ou domiciliado fora do País, o estágio de convivência será de, no mínimo, 30 (trinta) dias e, no máximo, 45 (quarenta e cinco) dias, prorrogável por até igual período, uma única vez, mediante decisão fundamentada da autoridade judiciária. § 3 o -A. Ao final do prazo previsto no § 3 o deste artigo, deverá ser apresentado laudo fundamentado pela equipe mencionada no § 4 o deste artigo, que recomendará ou não o deferimento da adoção à autoridade judiciária § 5 o O estágio de convivência será cumprido no território nacional, preferencialmente na comarca de residência da criança ou adolescente, ou, a critério do juiz, em cidade limítrofe, respeitada, em qualquer hipótese, a competência do juízo da comarca de residência da criança. Art. 47. O vínculo da adoção constitui-se por sentença judicial, que será inscrita no registro civil mediante mandado do qual não se fornecerá certidão. § 1º A inscrição consignará o nome dos adotantes como pais, bem como o nome de seus ascendentes. § 2º O mandado judicial, que será arquivado, cancelará o registro original do adotado. 3 o A pedido do adotante, o novo registro poderá ser lavrado no Cartório do Registro Civil do Município de sua residência 7 o A adoção produz seus efeitos a partir do trânsito em julgado da sentença constitutiva, exceto na hipótese prevista no § 6 o do art. 42 desta Lei, caso em que terá força retroativa à data do óbito. § 10. O prazo máximo para conclusão da ação de adoção será de 120 (cento e vinte) dias, prorrogável uma única vez por igual período, mediante decisão fundamentada da autoridade judiciária. A gestante ou mãe que manifeste interesse em entregar seu filho para adoção, antes ou logo após o nascimento, será encaminhada à Justiça da Infância e da Juventude. § 1 o A gestante ou mãe será ouvida pela equipe interprofissional da Justiça da Infância e da Juventude, que apresentará relatório à autoridade judiciária, considerando inclusive os eventuais efeitos do estado gestacional e puerperal. § 2 o De posse do relatório, a autoridade judiciária poderá determinar o encaminhamento da gestante ou mãe, mediante sua expressa concordância, à rede pública de saúde e assistência social para atendimento especializado. § 3 o A busca à família extensa, conforme definida nos termos do parágrafo único do art. 25 desta Lei, respeitará o prazo máximo de 90 (noventa) dias, prorrogável por igual período. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 61 § 4 o Na hipótese de não haver a indicação do genitor e de não existir outro representante da família extensa apto a receber a guarda, a autoridade judiciária competente deverá decretar a extinção do poder familiar e determinar a colocação da criança sob a guarda provisória de quem estiver habilitado a adotá- la ou de entidade que desenvolva programa de acolhimento familiar ou institucional. § 5 o Após o nascimento da criança, a vontade da mãe ou de ambos os genitores, se houver pai registral ou pai indicado, deve ser manifestada na audiência a que se refere o § 1 o do art. 166 desta Lei, garantido o sigilo sobre a entrega. § 6º Na hipótese de não comparecerem à audiência nem o genitor nem representante da família extensa para confirmar a intenção de exercer o poder familiar ou a guarda, a autoridade judiciária suspenderá o poder familiar da mãe, e a criança será colocada sob a guarda provisória de quem esteja habilitado a adotá-la. PRESTA ATENÇÃO: Vamos imaginar que a mãe gestante queira colocar o filho que irá nascer ou assim que ele nascer para adoção, CERTO? E que neste caso a mãe não indicou quem era o pai e que a criança não possua ninguém para que fique responsável por sua guarda. O que acontece? Nesta situação o juiz irá EXTINGUIR o poder familiar da mãe e colocará a criança em algum programa de acolhimento ou irá determinar a guarda provisória da criança para alguém que seja capaz de adotá-la. Agora, vamos imaginar que a criança já nasceu e que ambos os pais queiram entrega-la para a adoção ou que a mãe queira entrega-la para adoção, porém a criança possui pai registral ou que a mãe saiba quem é o pai e indicou. O que acontece? Neste caso será marcado uma audiência para que os genitores expressem a sua vontade de entregar a criança para a adoção. Na hipótese de não comparecerem à audiência nem o genitor nem representante da família extensa para confirmar a intenção de exercer o poder familiar ou a guarda, a autoridade judiciária SUSPENDERÁ o poder familiar da mãe, e a criança será colocada sob a guarda provisória de quem esteja habilitado a adotá-la. NÃO CONFUNDA. EM UMA SITUAÇÃO A GENITORA TEM O SEU PODER FAMILIAR EXTINTO E NA OUJTRA ELA TEM SUSPENSO. § 7 o Os detentores da guarda possuem o prazo de 15 (quinze) dias para propor a ação de adoção, contado do dia seguinte à data do término do estágio de convivência. § 8 o Na hipótese de desistência pelos genitores - manifestada em audiência ou perante a equipe interprofissional - da entrega da criança após o nascimento, a criança será mantida com os genitores, e será determinado pela Justiça da Infância e da Juventude o acompanhamento familiar pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias. § 9 o É garantido à mãe o direito ao sigilo sobre o nascimento, respeitado o disposto no art. 48 desta Lei. § 10. Serão cadastrados para adoção recém- nascidos e crianças acolhidas não procuradas por suas famílias no prazo de 30 (trinta) dias, contado a partir do dia do acolhimento. Art. 48. O adotado tem direito de conhecer sua origem biológica, bem como de obter acesso irrestrito ao processo no qual a medida foi aplicada e seus eventuais incidentes, após completar 18 (dezoito) anos. Parágrafo único. O acesso ao processode adoção poderá ser também deferido ao adotado menor de 18 (dezoito) anos, a seu pedido, assegurada orientação e assistência jurídica e psicológica. Art. 49. A morte dos adotantes não restabelece o pátrio poder familiar dos pais naturais. Obs. A mãe pode adotar a sua filha biológica que havia sido adotada quando criança por um casal? Caso adaptado: Viviane teve uma filha (Laura). Nessa época, Viviane enfrentava inúmeras dificuldades pessoais e financeiras e, em razão disso, ela entregou a criança para adoção. Laura, com 2 anos de idade, foi adotada por João e Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 62 Regina. Mesmo depois da adoção ter sido concretizada, Viviane visitava frequentemente Laura, mantendo também uma boa relação com os pais adotivos da criança. Com o passar do tempo, Viviane e Laura foram se aproximando cada vez mais e surgiu a vontade recíproca de se tornarem mãe e filha novamente. João e Regina concordaram com isso. Diante desse cenário, Viviane ajuizou ação pedindo a adoção de sua filha biológica Laura que, na época já estava com 18 anos de idade. Juiz, contudo, negou o pedido argumentado que ele afrontaria a lei. O STJ não concordou com o magistrado. A lei não traz expressamente a impossibilidade de se adotar pessoa anteriormente adotada. Em outras palavras, a lei não proíbe que uma pessoa que já foi adotada anteriormente, seja novamente adotada. Assim, o pedido de nova adoção formulado pela mãe biológica, em relação à filha adotada por outrem, anteriormente, na infância, não se afigura juridicamente impossível, sob o argumento de ser irrevogável a primeira adoção, porque o escopo da norma do art. 39, § 1º, do ECA é proteger os interesses do menor adotado, vedando que os adotantes se arrependam da adoção efetivada. Na ação não se postula a nulidade ou revogação da adoção anterior, mas o deferimento de outra adoção. STJ. 4ª Turma. REsp 1293137/BA, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 11/10/2022 (Info 754). Obs. Caso adaptado: Elisandra deu à luz Luan. Como ela já tinha outros cinco filhos, resolveu entregar Luan, com dias de vida, aos cuidados de Carla e Francisco. Vale ressaltar que Elisandra é filha da irmã da cunhada de Francisco. Importante ainda mencionar que o pai biológico de Luan é desconhecido. Diante desse cenário, poucos dias depois de receberem a criança, Carla e Francisco ajuizaram ação de adoção cumulada com pedido de destituição do poder familiar, por meio da qual pretendem regularizar a situação vivenciada e serem formalmente considerados pais de Luan. Elisandra também assinou o pedido concordando com a destituição e com a adoção. O juiz negou o pedido afirmando que haveria burla ao cadastro de adotantes e que não existiria parentesco entre o casal adotante e a criança, razão pela qual não seria possível excepcionar o cadastro de adoção.O STJ não concordou. Principais argumentos: • a CF/88 rompeu com os paradigmas clássicos de família. O conceito de “família” adotado pelo ECA é amplo, abarcando tanto a família natural como a extensa/ampliada, sendo a affectio familiae o alicerce jurídico imaterial que pontifica o relacionamento entre os seus membros, essa constituída pelo afeto e afinidade que, por serem elementos basilares do Direito das Famílias hodierno, devem ser evocados na interpretação jurídica voltada à proteção e melhor interesse das crianças e adolescentes. • o art. 50, § 13, II, do ECA, ao afirmar que podem adotar os parentes que possuem afinidade/afetividade para com a criança, não promoveu qualquer limitação, a denotar, por esse aspecto, que a adoção por parente (consanguíneo, colateral ou por afinidade) é amplamente admitida quando demonstrado o laço afetivo. • em hipóteses como a tratada no caso, critérios absolutamente rígidos previstos na lei não podem preponderar, notadamente quando em foco o interesse pela prevalência do bem estar, da vida com dignidade do menor. • a ordem cronológica de preferência das pessoas previamente cadastradas para adoção não tem um caráter absoluto, devendo ceder ao princípio do melhor interesse da criança e do adolescente. STJ. 4ª Turma. REsp 1911099-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 29/06/2021 (Info 703). DICA18 ADOÇÃO INTERNACIONAL Considera-se adoção internacional aquela na qual o pretendente possui residência habitual em país-parte da Convenção de Haia, e deseja adotar criança em outro país-parte da Convenção. PRESTA ATENÇÃO: ADOÇÃO INTERNACIONAL ESTÁ RELACIONADA COM A RESIDÊNCIA DA PESSOA QUE PRETENDE ADOTAR E NÃO COM A SUA NACIONALIDADE.EX: Um brasileiro que mora nos EUA e que pretende adotar uma Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 63 criança brasileira é exemplo de uma adoção internacional. DICA 19 DA PREVENÇÃO Art. 70. É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente. Art. 70-A. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão atuar de forma articulada na elaboração de políticas públicas e na execução de ações destinadas a coibir o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante e difundir formas não violentas de educação de crianças e de adolescentes, tendo como principais ações: I - a promoção de campanhas educativas permanentes para a divulgação do direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante e dos instrumentos de proteção aos direitos humanos; II - a integração com os órgãos do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria Pública, com o Conselho Tutelar, com os Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente e com as entidades não governamentais que atuam na promoção, proteção e defesa dos direitos da criança e do adolescente; III - a formação continuada e a capacitação dos profissionais de saúde, educação e assistência social e dos demais agentes que atuam na promoção, proteção e defesa dos direitos da criança e do adolescente para o desenvolvimento das competências necessárias à prevenção, à identificação de evidências, ao diagnóstico e ao enfrentamento de todas as formas de violência contra a criança e o adolescente; IV - o apoio e o incentivo às práticas de resolução pacífica de conflitos que envolvam violência contra a criança e o adolescente; V - a inclusão, nas políticas públicas, de ações que visem a garantir os direitos da criança e do adolescente, desde a atenção pré-natal, e de atividades junto aos pais e responsáveis com o objetivo de promover a informação, a reflexão, o debate e a orientação sobre alternativas ao uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante no processo educativo; VI - a promoção de espaços intersetoriais locais para a articulação de ações e a elaboração de planos de atuação conjunta focados nas famílias em situação de violência, com participação de profissionais de saúde, de assistência social e de educação e de órgãos de promoção, proteção e defesa dos direitos da criança e do adolescente. VII - a promoção de estudos e pesquisas, de estatísticas e de outras informações relevantes às consequências e à frequência das formas de violência contra a criança e o adolescente para a sistematização de dados nacionalmente unificados e a avaliação periódica dos resultados das medidas adotadas; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) VIII - o respeito aos valores da dignidade da pessoa humana, de forma a coibir a violência, o tratamento cruel ou degradante e as formas violentas de educação, correção ou disciplina; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) IX - a promoção e a realização de campanhas educativas direcionadas ao público escolar e à sociedade em geral e a difusão desta Lei e dos instrumentos de proteção aos direitos humanosdas crianças e dos adolescentes, incluídos os canais de denúncia existentes; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) X - a celebração de convênios, de protocolos, de ajustes, de termos e de outros instrumentos de promoção de parceria entre órgãos governamentais ou entre estes e entidades não Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 64 governamentais, com o objetivo de implementar programas de erradicação da violência, de tratamento cruel ou degradante e de formas violentas de educação, correção ou disciplina; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) XI - a capacitação permanente das Polícias Civil e Militar, da Guarda Municipal, do Corpo de Bombeiros, dos profissionais nas escolas, dos Conselhos Tutelares e dos profissionais pertencentes aos órgãos e às áreas referidos no inciso II deste caput, para que identifiquem situações em que crianças e adolescentes vivenciam violência e agressões no âmbito familiar ou institucional; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) XII - a promoção de programas educacionais que disseminem valores éticos de irrestrito respeito à dignidade da pessoa humana, bem como de programas de fortalecimento da parentalidade positiva, da educação sem castigos físicos e de ações de prevenção e enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) XIII - o destaque, nos currículos escolares de todos os níveis de ensino, dos conteúdos relativos à prevenção, à identificação e à resposta à violência doméstica e familiar. (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) Parágrafo único. As famílias com crianças e adolescentes com deficiência terão prioridade de atendimento nas ações e políticas públicas de prevenção e proteção. Art. 70-B. As entidades, públicas e privadas, que atuem nas áreas da saúde e da educação, além daquelas às quais se refere o art. 71 desta Lei, entre outras, devem contar, em seus quadros, com pessoas capacitadas a reconhecer e a comunicar ao Conselho Tutelar suspeitas ou casos de crimes praticados contra a criança e o adolescente. (Redação dada pela Lei nº 14.344, de 2022) DICA 20 PRODUTOS E SERVIÇOS PROIBIDOS Art. 81. É proibida a venda à criança ou ao adolescente de: I - Armas, munições e explosivos; II - Bebidas alcoólicas; III - produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica ainda que por utilização indevida; IV - Fogos de estampido e de artifício, exceto aqueles que pelo seu reduzido potencial sejam incapazes de provocar qualquer dano físico em caso de utilização indevida; V - Revistas e publicações a que alude o art. 78; VI - Bilhetes lotéricos e equivalentes. Art. 82. É proibida a hospedagem de criança ou adolescente em hotel, motel, pensão ou estabelecimento congênere, salvo se autorizado ou acompanhado pelos pais ou responsável. DICA 21 AUTORIZAÇÃO PARA VIAJAR Art. 83. Nenhuma criança ou adolescente menor de 16 (dezesseis) anos poderá viajar para fora da comarca onde reside desacompanhado dos pais ou dos responsáveis sem expressa autorização judicial. § 1º A autorização não será exigida quando: tratar-se de comarca contígua à da residência da criança ou do adolescente menor de 16 (dezesseis) anos, se na mesma unidade da Federação, ou incluída na mesma região metropolitana; b) a criança ou o adolescente menor de 16 (dezesseis) anos estiver acompanhado: 1) de ascendente ou colateral maior, até o terceiro grau, comprovado documentalmente o parentesco; 2) de pessoa maior, expressamente autorizada pelo pai, mãe ou responsável. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 65 § 2º A autoridade judiciária poderá, a pedido dos pais ou responsável, conceder autorização válida por dois anos. Viagem internacional Art. 84. Quando se tratar de viagem ao exterior, a autorização é dispensável, se a criança ou adolescente: I - Estiver acompanhado de ambos os pais ou responsável; II - Viajar na companhia de um dos pais, autorizado expressamente pelo outro através de documento com firma reconhecida. Art. 85. Sem prévia e expressa autorização judicial, nenhuma criança ou adolescente nascido em território nacional poderá sair do País em companhia de estrangeiro residente ou domiciliado no exterior. Infração administrativa prevista no ECA: Art. 251. Transportar criança ou adolescente, por qualquer meio, com inobservância do disposto nos arts. 83, 84 e 85 desta Lei: Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. DICA 22 ENTIDADES DE ATENDIMENTO Art. 90. As entidades de atendimento são responsáveis pela manutenção das próprias unidades, assim como pelo planejamento e execução de programas de proteção e sócio- educativos destinados a crianças e adolescentes, em regime de: I - Orientação e apoio sociofamiliar; II - Apoio socioeducativo em meio aberto; III - colocação familiar; IV - Acolhimento institucional; V - Prestação de serviços à comunidade; VI - Liberdade assistida VII - semiliberdade; e VIII – internação As entidades governamentais e não governamentais deverão proceder à inscrição de seus programas, especificando os regimes de atendimento, na forma definida neste artigo, no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o qual manterá registro das inscrições e de suas alterações, do que fará comunicação ao Conselho Tutelar e à autoridade judiciária. § 3 o Os programas em execução serão reavaliados pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, no máximo, a cada 2 (dois) anos, constituindo-se critérios para renovação da autorização de funcionamento: I - o efetivo respeito às regras e princípios desta Lei, bem como às resoluções relativas à modalidade de atendimento prestado expedidas pelos Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente, em todos os níveis; II - a qualidade e eficiência do trabalho desenvolvido, atestadas pelo Conselho Tutelar, pelo Ministério Público e pela Justiça da Infância e da Juventude; III - em se tratando de programas de acolhimento institucional ou familiar, serão considerados os índices de sucesso na reintegração familiar ou de adaptação à família substituta, conforme o caso Art. 91. As entidades não-governamentais somente poderão funcionar depois de registradas no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o qual comunicará o registro ao Conselho Tutelar e à autoridade judiciária da respectiva localidade. O registro terá validade máxima de 4 (quatro) anos, cabendo ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, periodicamente, reavaliar o cabimento de sua renovação, observado o disposto no § 1 o deste artigo. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 66 DICA 23 ENTIDADES DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL E FAMILIAR As entidades que desenvolvam programas de acolhimento familiar ou institucional deverão adotar os seguintes princípios: I - Preservação dos vínculos familiares e promoção da reintegração familiar; II - Integração em família substituta, quando esgotados os recursos de manutenção na família de origem; III - atendimento personalizado e em pequenos grupos; IV - Desenvolvimento de atividades em regime de coeducação; V - Não desmembramento de grupos de irmãos; VI - Evitar, sempre que possível, a transferência para outras entidades de crianças e adolescentes abrigados; VII - participação na vida da comunidade local; VIII - preparação gradativa para o desligamento; IX - Participação de pessoas da comunidade no processo educativo. § 1 o O dirigente de entidade que desenvolve programa de acolhimento institucional é equiparado ao guardião, paratodos os efeitos de direito. § 2 o Os dirigentes de entidades que desenvolvem programas de acolhimento familiar ou institucional remeterão à autoridade judiciária, no máximo a cada 6 (seis) meses, relatório circunstanciado acerca da situação de cada criança ou adolescente acolhido e sua família, para fins da reavaliação prevista no § 1 o do art. 19 desta Lei. NÃO CONFUNDA: Toda criança ou adolescente que estiver inserido em programa de acolhimento familiar ou institucional terá sua situação reavaliada, no máximo, a cada 3 (três) meses, devendo a autoridade judiciária competente, com base em relatório elaborado por equipe interprofissional ou multidisciplinar, decidir de forma fundamentada pela possibilidade de reintegração familiar ou pela colocação em família substituta PRESTA ATENÇÃO: O RELATÓRIO REFERENTE A SITUAÇÃO DE CADA CRIANÇA OU ADOLESCENTE DEVERÁ SER ELABORADO, NO MÁXIMO A CADA 6 MESES, POR SUA VEZ, A REAVALIAÇÃO DE CADA CRIANÇA OU ADOLESCENTE (ESSE MOMENTO OCORRE APÓS A ELABORAÇÃO DO PRIMEIRO RELATÓRIO TA?) DEVERÁ SER FEITA, NO MÁXIMO A CADA 3 MESES. § 3 o Os entes federados, por intermédio dos Poderes Executivo e Judiciário, promoverão conjuntamente a permanente qualificação dos profissionais que atuam direta ou indiretamente em programas de acolhimento institucional e destinados à colocação familiar de crianças e adolescentes, incluindo membros do Poder Judiciário, Ministério Público e Conselho Tutelar. § 5 o As entidades que desenvolvem programas de acolhimento familiar ou institucional somente poderão receber recursos públicos se comprovado o atendimento dos princípios, exigências e finalidades desta Lei. § 6 o O descumprimento das disposições desta Lei pelo dirigente de entidade que desenvolva programas de acolhimento familiar ou institucional é causa de sua destituição, sem prejuízo da apuração de sua responsabilidade administrativa, civil e criminal. § 7 o Quando se tratar de criança de 0 (zero) a 3 (três) anos em acolhimento institucional, dar- se-á especial atenção à atuação de educadores de referência estáveis e qualitativamente significativos, às rotinas específicas e ao atendimento das necessidades básicas, incluindo as de afeto como prioritárias. OBS. A permanência da criança e do adolescente em programa de acolhimento institucional não se prolongará por mais de 18 (dezoito meses), salvo comprovada necessidade que atenda ao seu superior interesse, devidamente fundamentada pela autoridade judiciária Art. 93. As entidades que mantenham programa de acolhimento institucional poderão, em caráter excepcional e de urgência, acolher Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 67 crianças e adolescentes sem prévia determinação da autoridade competente, fazendo comunicação do fato em até 24 (vinte e quatro) horas ao Juiz da Infância e da Juventude, sob pena de responsabilidade. Parágrafo único. Recebida a comunicação, a autoridade judiciária, ouvido o Ministério Público e se necessário com o apoio do Conselho Tutelar local, tomará as medidas necessárias para promover a imediata reintegração familiar da criança ou do adolescente ou, se por qualquer razão não for isso possível ou recomendável, para seu encaminhamento a programa de acolhimento familiar, institucional ou a família substituta, observado o disposto no § 2 o do art. 101 desta Lei. DICA 24 FISCALIZAÇÃO DAS ENTIDADES Art. 95. As entidades governamentais e não- governamentais referidas no art. 90 serão fiscalizadas pelo Judiciário, pelo Ministério Público e pelos Conselhos Tutelares. Art. 97. São medidas aplicáveis às entidades de atendimento que descumprirem obrigação constante do art. 94, sem prejuízo da responsabilidade civil e criminal de seus dirigentes ou prepostos: I - Às entidades governamentais: a) advertência; b) afastamento provisório de seus dirigentes; c) afastamento definitivo de seus dirigentes; d) fechamento de unidade ou interdição de programa. II - Às entidades não-governamentais: a) advertência; b) suspensão total ou parcial do repasse de verbas públicas; c) interdição de unidades ou suspensão de programa; d) cassação do registro DICA 25 APADRINHAMENTO Art. 19-B. A criança e o adolescente em programa de acolhimento institucional ou familiar poderão participar de programa de apadrinhamento. § 1 o O apadrinhamento consiste em estabelecer e proporcionar à criança e ao adolescente vínculos externos à instituição para fins de convivência familiar e comunitária e colaboração com o seu desenvolvimento nos aspectos social, moral, físico, cognitivo, educacional e financeiro. § 2º Podem ser padrinhos ou madrinhas pessoas maiores de 18 (dezoito) anos não inscritas nos cadastros de adoção, desde que cumpram os requisitos exigidos pelo programa de apadrinhamento de que fazem parte. ( § 3 o Pessoas jurídicas pode apadrinhar criança ou adolescente a fim de colaborar para o seu desenvolvimento. § 4 o O perfil da criança ou do adolescente a ser apadrinhado será definido no âmbito de cada programa de apadrinhamento, com prioridade para crianças ou adolescentes com remota possibilidade de reinserção familiar ou colocação em família adotiva. § 5 o Os programas ou serviços de apadrinhamento apoiados pela Justiça da Infância e da Juventude poderão ser executados por órgãos públicos ou por organizações da sociedade civil. § 6 o Se ocorrer violação das regras de apadrinhamento, os responsáveis pelo programa e pelos serviços de acolhimento Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 68 deverão imediatamente notificar a autoridade judiciária competente DICA 26 ATO INFRACIONAL Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção penal. Art. 104. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às medidas previstas nesta Lei. Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, deve ser considerada a idade do adolescente à data do fato. Art. 106. Nenhum adolescente será privado de sua liberdade senão em flagrante de ato infracional ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente. Parágrafo único. O adolescente tem direito à identificação dos responsáveis pela sua apreensão, devendo ser informado acerca de seus direitos. Art. 107. A apreensão de qualquer adolescente e o local onde se encontra recolhido serão incontinenti comunicados à autoridade judiciária competente e à família do apreendido ou à pessoa por ele indicada. Parágrafo único. Examinar-se-á, desde logo e sob pena de responsabilidade, a possibilidade de liberação imediata. Art. 108. A internação, antes da sentença, pode ser determinada pelo prazo máximo de quarenta e cinco dias. Parágrafo único. A decisão deverá ser fundamentada e basear-se em indícios suficientes de autoria e materialidade, demonstrada a necessidade imperiosa da medida. Obs: A internação antes da sentença é baseada em INDÍCIOS SUFICIENTES DE AUTORIA E NÃO PROVAS. Art. 109. O adolescente civilmente identificado não será submetido a identificação compulsória pelos órgãos policiais, de proteção e judiciais, salvo para efeito de confrontação, havendo dúvida fundada O direito ao interrogatório é o último ato da instrução. O direito de falar por último, de ser interrogado após as testemunhas, deve ser observado no procedimento para apuração de ato infracional. STF. HC 212.693, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, decisão monocrática, julgado em 05/04/2022 DICA 27 MEDIDAS DE PROTEÇÃO As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos no ECA forem ameaçados por: ação ou omissão da sociedade ou do Estado; por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável ou em razão de sua conduta. DICA 28 MEDIDAS ESPECÍFICAS DE PROTEÇÃOSempre que os direitos reconhecidos no ECA forem ameaçados, mediante as ações ou omissões, relatadas na dica 26, a autoridade competente poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas: I - Encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade; II - Orientação, apoio e acompanhamento temporários; III - matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental; Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 69 IV - Inclusão em serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio e promoção da família, da criança e do adolescente; V - Requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial; VI - Inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos; VII - acolhimento institucional; VIII - inclusão em programa de acolhimento familiar; IX - Colocação em família substituta Acolhimento institucional e o acolhimento familiar: são medidas provisórias e excepcionais, utilizáveis como forma de transição para reintegração familiar ou, não sendo esta possível, para colocação em família substituta, não implicando privação de liberdade. Sem prejuízo da tomada de medidas emergenciais para proteção de vítimas de violência ou abuso sexual e das providências a que alude o art. 130 desta Lei, o afastamento da criança ou adolescente do convívio familiar é de competência exclusiva da autoridade judiciária e importará na deflagração, a pedido do Ministério Público ou de quem tenha legítimo interesse, de procedimento judicial contencioso, no qual se garanta aos pais ou ao responsável legal o exercício do contraditório e da ampla defesa. Crianças e adolescentes somente poderão ser encaminhados às instituições que executam programas de acolhimento institucional, governamentais ou não, por meio de uma Guia de Acolhimento, expedida pela autoridade judiciária, na qual obrigatoriamente constará, dentre outros: I - Sua identificação e a qualificação completa de seus pais ou de seu responsável, se conhecidos; II - o endereço de residência dos pais ou do responsável, com pontos de referência; III - os nomes de parentes ou de terceiros interessados em tê-los sob sua guarda; IV - Os motivos da retirada ou da não reintegração ao convívio familiar Imediatamente após o acolhimento da criança ou do adolescente, a entidade responsável pelo programa de acolhimento institucional ou familiar elaborará um plano individual de atendimento, visando à reintegração familiar, ressalvada a existência de ordem escrita e fundamentada em contrário de autoridade judiciária competente, caso em que também deverá contemplar sua colocação em família substituta § 5 o O plano individual será elaborado sob a responsabilidade da equipe técnica do respectivo programa de atendimento e levará em consideração a opinião da criança ou do adolescente e a oitiva dos pais ou do responsável. O acolhimento familiar ou institucional ocorrerá no local mais próximo à residência dos pais ou do responsável e, como parte do processo de reintegração familiar, sempre que identificada a necessidade, a família de origem será incluída em programas oficiais de orientação, de apoio e de promoção social, sendo facilitado e estimulado o contato com a criança ou com o adolescente acolhido. Verificada a possibilidade de reintegração familiar, o responsável pelo programa de acolhimento familiar ou institucional fará imediata comunicação à autoridade judiciária, que dará vista ao Ministério Público, pelo prazo de 5 (cinco) dias, decidindo em igual prazo. Em sendo constatada a impossibilidade de reintegração da criança ou do adolescente à família de origem, após seu encaminhamento a programas oficiais ou comunitários de orientação, apoio e promoção social, será enviado relatório fundamentado ao Ministério Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 70 Público, no qual conste a descrição pormenorizada das providências tomadas e a expressa recomendação, subscrita pelos técnicos da entidade ou responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar, para a destituição do poder familiar, ou destituição de tutela ou guarda Recebido o relatório, o Ministério Público terá o prazo de 15 (quinze) dias para o ingresso com a ação de destituição do poder familiar, salvo se entender necessária a realização de estudos complementares ou de outras providências indispensáveis ao ajuizamento da demanda. DICA 29 GARANTIAS PROCESSUAIS Art. 111. São asseguradas ao adolescente, entre outras, as seguintes garantias: I - Pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, mediante citação ou meio equivalente; II - Igualdade na relação processual, podendo confrontar-se com vítimas e testemunhas e produzir todas as provas necessárias à sua defesa; III - defesa técnica por advogado; IV - Assistência judiciária gratuita e integral aos necessitados, na forma da lei; V - Direito de ser ouvido pessoalmente pela autoridade competente; VI - Direito de solicitar a presença de seus pais ou responsável em qualquer fase do procedimento. DICA 30 MEDIDA SOCIOEDUCATIVA Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá aplicar ao adolescente (NÃO É CRIANÇA E ADOLESCENTE, OU SEJA, APENAS AO ADOLESCENTE PODERÁ SER APLICADO AS MEDIDAS SÓCIO- EDUCATIVAS) as seguintes medidas: I - Advertência; II - Obrigação de reparar o dano; III - prestação de serviços à comunidade; IV - Liberdade assistida; V - Inserção em regime de semiliberdade; VI - Internação em estabelecimento educacional; OBS: Ao adolescente que prática ato infracional poderá ser aplicado tanto medidas socioeducativas, quanto as medidas de proteção, com exceção do acolhimento institucional, inclusão em programa de acolhimento família e família substituta. OBS. AS CRIANÇAS QUE PRATICAM ATO INFRACIONAL SÓ PODEM SER APLICADO AS MEDIDAS DE PROTEÇÃO. OBS. MEDIDAS DE PROTEÇÃO ≠ MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS § 1º A medida aplicada ao adolescente levará em conta a sua capacidade de cumpri-la, as circunstâncias e a gravidade da infração. § 2º Em hipótese alguma e sob pretexto algum, será admitida a prestação de trabalho forçado. § 3º Os adolescentes portadores de doença ou deficiência mental receberão tratamento individual e especializado, em local adequado às suas condições. A advertência poderá ser aplicada sempre que houver prova da materialidade e indícios suficientes da autoria. PRESTA ATENÇÃO: PARA SER APLICADA QUALQUER MEDIDA DE PROTEÇÃO AO ADOLESCENTE FAZ-SE NECESSÁRIO A COMPROVAÇÃO DE PROVA DA MATERIALIDADE E AUTORIA, COM EXCEÇÃO Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 71 DA ADVERTÊNCIA, POIS SÓ É NECESSÁRIO A PROVA DE INDÍCIOS DE AUTORIA. DICA 31 ADVERTÊNCIA A advertência consistirá em admoestação verbal, que será reduzida a termo e assinada. DICA 32 REPARAÇÃO DO DANO Art. 116. Em se tratando de ato infracional com reflexos patrimoniais, a autoridade poderá determinar, se for o caso, que o adolescente restitua a coisa, promova o ressarcimento do dano, ou, por outra forma, compense o prejuízo da vítima. Parágrafo único. Havendo manifesta impossibilidade, a medida poderá ser substituída por outra adequada Na execução de medida socioeducativa, o período de tratamento médico deve ser contabilizado no prazo de 3 anos para a duração máxima da medida de internação, nos termos do art. 121, § 3º, do ECA. O art. 121, § 3º do ECA afirma que “em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos”. Se o adolescente está cumprindo medida socioeducativa de internação e sobrevém transtornoo ato praticado com violação da competência privativa do Conselho Federal da OAB prevista no § 14 deste artigo. ATENÇÃO – RGOAB: Art. 15, REGIMENTO: Compete ao Presidente do Conselho Federal, do Conselho Seccional ou da Subseção, ao tomar conhecimento de fato que possa causar, ou que já causou, violação de direitos ou prerrogativas da profissão, adotar as providências judiciais e extrajudiciais cabíveis para prevenir ou restaurar o império do Estatuto, em sua plenitude, inclusive mediante representação administrativa. Parágrafo único. O Presidente pode designar advogado, investido de poderes bastantes, para as finalidades deste artigo. Art. 16. Sem prejuízo da atuação de seu defensor, contará o advogado com a assistência de representante da OAB nos inquéritos policiais ou nas ações penais em que figurar como indiciado, acusado ou ofendido, sempre Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 6 que o fato a ele imputado decorrer do exercício da profissão ou a este vincular-se. Art. 17. Compete ao Presidente do Conselho ou da Subseção representar contra o responsável por abuso de autoridade, quando configurada hipótese de atentado à garantia legal de exercício profissional. DICA 02 ADVOGADA GESTANTE (Art. 7º-A, do EAOAB) São direitos da advogada gestante: 1) entrada em tribunais sem ser submetida a detectores de metais e aparelhos de raios X. 2) A reserva de vaga em garagens dos fóruns dos tribunais. 3) Preferência na ordem das sustentações orais e das audiências a serem realizadas a cada dia, mediante comprovação de sua condição. São direitos da advogada lactante, adotante ou que der à luz: 1) acesso a creche, onde houver, ou a local adequado ao atendimento das necessidades do bebê. Direitos da advogada z, lactante, adotante ou que der à luz: 1) preferência na ordem das sustentações orais e das audiências a serem realizadas a cada dia, mediante comprovação de sua condição (CAIU NO XXXII Exame de Ordem). Direitos da advogada adotante ou que der à luz: 1) suspensão de prazos processuais quando for a única patrona da causa, desde que haja notificação por escrito ao cliente (por 30 dias). Os direitos previstos à advogada gestante ou lactante aplicam-se enquanto durar estado gravídico ou o período de amamentação. Os direitos previstos à adotiva duram 120 dias. Veja como o tema foi cobrado no 38º Exame de ordem: Maria, advogada regularmente inscrita na OAB, encontra-se gestante. Em razão de sua condição, Maria tem direitos específicos previstos no Estatuto da Advocacia e da OAB. Assinale a opção que apresenta, corretamente um desses direitos. (A) Durante a gravidez, ela terá direito a uma vaga garantida nas garagens dos fóruns de todos os tribunais. (B) Durante a gravidez ela terá preferência na realização das audiências a serem realizadas no dia, independentemente de comprovação de sua condição. (C) Após dar à luz, ela terá direito à suspensão dos prazos processuais por 60 (sessenta) dias, contados a partir da data do parto, se for a única patrona da causa. (D) Após dar à luz, ela terá preferência na ordem das sustentações orais, mediante comprovação de sua condição, pelo período de 90 (noventa) dias, contados a partir da data do parto. R: LETRA A. DICA 03 ATIVIDADE DA ADVOCACIA (Art. 1º ao 5º, do EAOAB) São atividades privativas de advogado: 1) Postulação a órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais (atos judiciais) 2) atividades de consultoria, assessoria e direção jurídicas (atos extrajudiciais) Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 7 ATENÇÃO: Habeas Corpus NÃO é ato privativo de advogado. Art. 5º, RGOAB. Considera-se efetivo exercício da atividade de advocacia a participação anual mínima em CINCO ATOS PRIVATIVOS PREVISTOS NO ARTIGO 1º DO ESTATUTO, em causas ou questões distintas. Parágrafo único. A comprovação do efetivo exercício faz-se mediante: a) certidão expedida por cartórios ou secretarias judiciais; b) cópia autenticada de atos privativos; c) certidão expedida pelo órgão público no qual o advogado exerça função privativa do seu ofício, indicando os atos praticados. ATENÇÃO: Os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas, sob pena de nulidade, só podem ser admitidos a registro, nos órgãos competentes, quando visados por advogados (EXCEÇÃO: Microempresas e empresas de pequeno porte (EPP) Lei 9841/99, art. 6º, PU). O entendimento acima já foi cobrado na prova da OAB, no ano de 2015, no XVII Exame de Ordem: Os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas, para sua admissão em registro, em não se tratando de empresas de pequeno porte e de microempresas, consoante o Estatuto da Advocacia, devem Alternativas A) Apresentar os dados do contador responsável. B) permitir a participação de outros profissionais liberais. C) conter o visto do advogado. D) indicar o advogado que representará a sociedade. R: LETRA C. ATENÇÃO: É vedada a divulgação de advocacia em conjunto com outra atividade. Observação: os atos privativos de advogado praticados por pessoa não inscrita na OAB SÃO NULOS. São também nulos os atos praticados por advogado impedido, suspenso, licenciado ou que passar a exercer atividade incompatível com a advocacia. ATENÇÃO: A prática de atos privativos de advocacia, por profissionais e sociedades não inscritos na OAB, constitui exercício ilegal da profissão. ATENÇÃO: O advogado não pode funcionar no mesmo processo, ao mesmo tempo, como patrono e preposto do empregador ou cliente. Veja que isso foi cobrado no XXI Exame de Ordem: Pedro é advogado empregado da sociedade empresária FJ. Em reclamação trabalhista proposta por Tiago em face da FJ, é designada audiência para data na qual os demais empregados da empresa estarão em outro Estado, participando de um congresso. Assim, no dia da audiência designada, Pedro se apresenta como preposto da reclamada, na condição de empregado da empresa, e advogado com procuração para patrocinar a causa. Nesse contexto: A) Pedro pode funcionar no mesmo processo, simultaneamente, como patrono e preposto do empregador, em qualquer hipótese. B) Pedro pode funcionar no mesmo processo, simultaneamente, como patrono e preposto do empregador, pois não há outro empregado disponível na data da audiência. C) Pedro pode funcionar no mesmo processo, simultaneamente, como patrono e preposto do empregador, em qualquer hipótese, desde que essa circunstância seja previamente comunicada ao juízo e ao reclamante. D) Pedro não pode funcionar no mesmo processo, simultaneamente, como patrono e preposto do empregador ou cliente. R: LETRA D. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 8 Se liga no artigo 3º-A: Art. 3º-A. Os serviços profissionais de advogado são, por sua natureza, técnicos e singulares, quando comprovada sua notória especialização, nos termos da lei. Parágrafo único. Considera-se notória especialização o profissional ou a sociedade de advogados cujo conceito no campo de sua especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, experiências, publicações, organização, aparelhamento, equipe técnica ou de outros requisitos relacionados com suas atividades, permita inferir que o seu trabalho é essencial e indiscutivelmente o mais adequado à plena satisfação do objeto do contrato. Agora, confere como o tema foi cobrado no XXXIV Exame de Ordem: Determinada sociedade de advogados sustenta que os serviços por ela prestados são considerados de notória especialização, para fins de contratação com a Administração Pública. Sobre tal conceito, nos termos do Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale a afirmativa correta. Alternativas A) Todas as atividades privativas da advocacia sãomental, ele será submetido a tratamento médico. O período de tratamento deverá ser somado ao tempo em que ele ficou cumprindo a medida de internação, não podendo ultrapassar 3 anos, nos termos do art. 121, § 3º do ECA. A medida de segurança imposta ao apenado adulto que desenvolve transtorno mental no curso da execução, com espeque no art. 183 da LEP, tem sua duração limitada ao tempo remanescente da pena privativa de liberdade. Esse mesmo raciocínio deve ser aplicado aos adolescentes, por força do art. 35, I, da Lei nº 12.594/2012. Se a contagem do prazo trienal previsto no art. 121, § 3º, do ECA fosse suspensa durante o tratamento médico referido no art. 64 da Lei 12.594/2012 e até a alta hospitalar, a restrição da liberdade do jovem seria potencialmente perpétua, hipótese inadmissível em nosso sistema processual. STJ. 5ª Turma. REsp 1956497-PR, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 05/04/2022 (Info 732 DICA 33 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DA COMUNIDADE Art. 117. A prestação de serviços comunitários consiste na realização de tarefas gratuitas de interesse geral, por período não excedente a seis meses, junto a entidades assistenciais, hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêneres, bem como em programas comunitários ou governamentais. Parágrafo único. As tarefas serão atribuídas conforme as aptidões do adolescente, devendo ser cumpridas durante jornada máxima de oito horas semanais, aos sábados, domingos e feriados ou em dias úteis, de modo a não prejudicar a frequência à escola ou à jornada normal de trabalho. DICA 34 LIBERDADE ASSISTIDA Art. 118. A liberdade assistida será adotada sempre que se afigurar a medida mais adequada para o fim de acompanhar, auxiliar e orientar o adolescente. § 1º A autoridade designará pessoa capacitada para acompanhar o caso, a qual poderá ser recomendada por entidade ou programa de atendimento. § 2º A liberdade assistida será fixada pelo prazo mínimo de seis meses, podendo a qualquer tempo ser prorrogada, revogada ou substituída por outra medida, ouvido o orientador, o Ministério Público e o defensor. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 72 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO A COMUNIDADE PRAZO MÍNIMO DE 6 MESES LIBERDADE ASSISTIDA PRAZO MÁXIMO DE 6 MESES DICA 35 SEMI-LIBERDADE Art. 120. O regime de semiliberdade pode ser determinado desde o início, ou como forma de transição para o meio aberto, possibilitada a realização de atividades externas, independentemente de autorização judicial. § 1º São obrigatórias a escolarização e a profissionalização, devendo, sempre que possível, ser utilizados os recursos existentes na comunidade. § 2º A medida não comporta prazo determinado aplicando-se, no que couber, as disposições relativas à internação. DICA 36 DA INTERNAÇÃO Art. 121. A internação constitui medida privativa da liberdade, sujeita aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. § 1º Será permitida a realização de atividades externas, a critério da equipe técnica da entidade, salvo expressa determinação judicial em contrário. (É DIFERENTE DA SEMI- LIBERDADE/AQUI A REALIZAÇÃO DE ATIVIDADES É PERMITIDA PELA EQUIPE TÉCNICA, SALVO QUANDO EXPRESSA DETERMINAÇÃO JUDICIAL EM CONTRÁRIO E NO SEMI-LIBERDADE É INDEPENDENTE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL) § 2º A medida não comporta prazo determinado, devendo sua manutenção ser reavaliada, mediante decisão fundamentada, no máximo a cada seis meses. § 3º Em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos. Atingido o limite DE 3 ANOS o que acontece com o adolescente? o adolescente deverá ser liberado, colocado em regime de semiliberdade ou de liberdade assistida. A liberação será compulsória aos vinte e um anos de idade. Em qualquer hipótese a desinternação será precedida de autorização judicial, ouvido o Ministério Público. A determinação judicial mencionada no § 1 o poderá ser revista a qualquer tempo pela autoridade judiciária. #NOVIDADELEGISLATIVA Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando: I - Tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa; OBS: Cabe tráfico de drogas para internação? NÃO. NÃO É UM ATO INFRACIONAL COMETIDO COM VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA. II - Por reiteração no cometimento de outras infrações graves; III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta. § 1 o O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não poderá ser superior a 3 (três) meses, devendo ser decretada judicialmente após o devido processo legal. #NOVIDADELEGISLATIVA § 2º. Em nenhuma hipótese será aplicada a internação, havendo outra medida adequada. Art. 123. A internação deverá ser cumprida em entidade exclusiva para adolescentes, em local distinto daquele destinado ao abrigo, obedecida rigorosa separação por critérios de idade, compleição física e gravidade da infração. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 73 Parágrafo único. Durante o período de internação, inclusive provisória, serão obrigatórias atividades pedagógicas. SEMPRECAI Art. 124. São direitos do adolescente privado de liberdade, entre outros, os seguintes: I - Entrevistar-se pessoalmente com o representante do Ministério Público; II - Peticionar diretamente a qualquer autoridade; III - avistar-se reservadamente com seu defensor; IV - Ser informado de sua situação processual, sempre que solicitada; V - Ser tratado com respeito e dignidade; VI - Permanecer internado na mesma localidade ou naquela mais próxima ao domicílio de seus pais ou responsável; VII - receber visitas, ao menos, semanalmente; VIII - corresponder-se com seus familiares e amigos; IX - Ter acesso aos objetos necessários à higiene e asseio pessoal; X - Habitar alojamento em condições adequadas de higiene e salubridade; XI - receber escolarização e profissionalização; XII - realizar atividades culturais, esportivas e de lazer: XIII - ter acesso aos meios de comunicação social; XIV - receber assistência religiosa, segundo a sua crença, e desde que assim o deseje; XV - Manter a posse de seus objetos pessoais e dispor de local seguro para guardá-los, recebendo comprovante daqueles porventura depositados em poder da entidade; XVI - receber, quando de sua desinternação, os documentos pessoais indispensáveis à vida em sociedade. § 1º Em nenhum caso haverá incomunicabilidade. § 2º A autoridade judiciária poderá suspender temporariamente a visita, inclusive de pais ou responsável, se existirem motivos sérios e fundados de sua prejudicialidade aos interesses do adolescente. Obs. Não é o dirigente do local, mas a AUTORIDADE JUDICIÁRIA Art. 125. É dever do Estado zelar pela integridade física e mental dos internos, cabendo-lhe adotar as medidas adequadas de contenção e segurança Obs. Caso concreto: o adolescente cumpria medida de internação. A equipe técnica deu parecer indicando que a medida imposta já havia cumprido a sua finalidade. A despeito disso, o magistrado e o TJ mantiveram a internação por entenderem que o período pelo qual se encontra acautelado o adolescente não foi suficiente para que ele refletisse sobre os graves atos que cometeu. Ocorre que esse argumento não possui amparo legal. Além disso, a alegada insuficiência do período em que acautelado não está ancorada em qualquer critério legal aferível, controlável. Desse modo, como esse fundamento invocado não tem previsão legal, torna-se arbitrária a manutenção da medida de internação. Considerando os postulados da brevidade e da excepcionalidade, que na execução da medida socioeducativa restringem a intervenção do Estado ao necessário para atingimento da finalidade da medida, inviável manter a execução apenas pela mençãogenérica à insuficiência do tempo, a despeito, ainda, da menção ao histórico infracional do menor. STJ. 6ª Turma. HC 789465/MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 7/2/2023 (Info 763). Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 74 DICA 37 REMISSÃO Art. 126. Antes de iniciado o procedimento judicial para apuração de ato infracional, o representante do Ministério Público poderá conceder a remissão, como forma de exclusão do processo, atendendo às circunstâncias e consequências do fato, ao contexto social, bem como à personalidade do adolescente e sua maior ou menor participação no ato infracional. Parágrafo único. Iniciado o procedimento, a concessão da remissão pela autoridade judiciária importará na suspensão ou extinção do processo. REMISSÃO ANTES DE INICIADA O PROCESSO= Será concedida pelo MP como forma de Exclusão do processo. REMISSÃO DEPOIS DE INICIADO O PROCESSO= Concedida pela autoridade judiciária como forma de SUSPENSÃO do processo. Art. 127. A remissão não implica necessariamente o reconhecimento ou comprovação da responsabilidade, nem prevalece para efeito de antecedentes, podendo incluir eventualmente a aplicação de qualquer das medidas previstas em lei, exceto a colocação em regime de semiliberdade e a internação. DICA 38 DOS CRIMES COMETIDOS CONTRA A CRIANÇA E AO ADOLESCENTE Aos crimes cometidos contra a criança e o adolescente, independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995. (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) Nos casos de violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente, é vedada a aplicação de penas de cesta básica ou de outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa. (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) Os crimes definidos no Estatuto da criança e do adolescente são de ação pública incondicionada. Exemplo de alguns crimes: Art. 228. Deixar o encarregado de serviço ou o dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de manter registro das atividades desenvolvidas, na forma e prazo referidos no art. 10 desta Lei, bem como de fornecer à parturiente ou a seu responsável, por ocasião da alta médica, declaração de nascimento, onde constem as intercorrências do parto e do desenvolvimento do neonato: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Parágrafo único. Se o crime é culposo: Pena - detenção de dois a seis meses, ou multa. Art. 229. Deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de identificar corretamente o neonato e a parturiente, por ocasião do parto, bem como deixar de proceder aos exames referidos no art. 10 desta Lei: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Parágrafo único. Se o crime é culposo: Pena - detenção de dois a seis meses, ou multa. Art. 238. Prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro, mediante paga ou recompensa: Pena - reclusão de um a quatro anos, e multa. Parágrafo único. Incide nas mesmas penas quem oferece ou efetiva a paga ou recompensa. Presta atenção: Para configurar este delito faz- se necessário que a entrega ou promessa seja feita por meio de paga ou recompensa, caso a Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 75 entrega não envolva isso, seja gratuita, por exemplo, não configura esse delito. DICA 39 CONSELHO TUTELAR Art. 131. O Conselho Tutelar é órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. Art. 132. Em cada Município e em cada Região Administrativa do Distrito Federal haverá, no mínimo, 1 (um) Conselho Tutelar como órgão integrante da administração pública local, composto de 5 (cinco) membros, escolhidos pela população local para mandato de 4 (quatro) anos, permitida recondução por novos processos de escolha. Art. 133. Para a candidatura a membro do Conselho Tutelar, serão exigidos os seguintes requisitos: I - Reconhecida idoneidade moral; II - Idade superior a vinte e um anos (NÃO É 21 ANOS E SIM SUPERIOR A 21 ANOS) III - residir no município. Art. 134. Lei municipal ou distrital disporá sobre o local, dia e horário de funcionamento do Conselho Tutelar, inclusive quanto à remuneração dos respectivos membros, aos quais é assegurado o direito a: I - Cobertura previdenciária; II - Gozo de férias anuais remuneradas, acrescidas de 1/3 (um terço) do valor da remuneração mensal; III - licença-maternidade; IV - licença-paternidade; V - Gratificação natalina. Parágrafo único. Constará da lei orçamentária municipal previsão dos recursos necessários ao funcionamento do Conselho Tutelar. Parágrafo único. Constará da lei orçamentária municipal e da do Distrito Federal previsão dos recursos necessários ao funcionamento do Conselho Tutelar e à remuneração e formação continuada dos conselheiros tutelares. Art. 136. São atribuições do Conselho Tutelar: I - Atender as crianças e adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 98 e 105, aplicando as medidas previstas no art. 101, I a VII; II - Atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas previstas no art. 129, I a VII; PRESTE ATENÇÃO, POIS NÃO SÃO TODAS MEDIDAS PROTETIVAS QUE PODEM SER APLICADAS PELO CONSELHO TUTELAR III - promover a execução de suas decisões, podendo para tanto: a) requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço social, previdência, trabalho e segurança; b) representar junto à autoridade judiciária nos casos de descumprimento injustificado de suas deliberações. IV - Encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescente; V - Encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência; VI - Providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, dentre as previstas no art. 101, de I a VI, para o adolescente autor de ato infracional; VII - expedir notificações; VIII - requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente quando necessário; Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 76 IX - Assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta orçamentária para planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente; X - representar, em nome da pessoa e da família, contra a violação dos direitos previstos no art. 220, § 3º, inciso II, da Constituição Federal ; XI - representar ao Ministério Público para efeito das ações de perda ou suspensão do poder familiar, após esgotadas as possibilidades de manutenção da criança ou do adolescente junto à família natural. XII - promover e incentivar, na comunidade e nos grupos profissionais, ações de divulgação e treinamento para o reconhecimento de sintomas de maus-tratos em crianças e adolescentes. XIII - adotar, na esfera de sua competência, ações articuladas e efetivas direcionadas à identificação da agressão, à agilidade no atendimento da criança e do adolescente vítima de violência doméstica e familiar e à responsabilização do agressor; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) XIV - atender à criança e ao adolescente vítima ou testemunha de violência doméstica e familiar, ou submetido a tratamento cruel ou degradante ou a formas violentas de educação, correção ou disciplina, a seus familiares e a testemunhas, de forma a prover orientação e aconselhamento acerca de seus direitos e dos encaminhamentos necessários; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) XV - representar à autoridade judicial ou policial para requerer o afastamento do agressor do lar, do domicílio ou do local de convivência com a vítimanos casos de violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) XVI - representar à autoridade judicial para requerer a concessão de medida protetiva de urgência à criança ou ao adolescente vítima ou testemunha de violência doméstica e familiar, bem como a revisão daquelas já concedidas; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) PRESTE ATENÇÃO: QUE O CONSELHO TUTELAR REPRESENTA À AUTORIDADE JUDICIAL OU POLICIAL QUANDO FOR PARA REQUERER O AFASTAMENTO DO AGRESSOR DO LAR, POR SUA VEZ REPRESENTA APENAS PARA AUTORIDADE JUDICIÁRIA QUANDO FOR REQUERER A CONCESSÃO DE MEDIDA PROTETIVA DE URGÊNCIA. XVII - representar ao Ministério Público para requerer a propositura de ação cautelar de antecipação de produção de prova nas causas que envolvam violência contra a criança e o adolescente; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) PRESTA ATENÇÃO: Quando for MEDIDA de URGÊNCIA a representação é a AUTORIDADE JUDICIÁRIA, por sua vez, quando for MEDIDA CAUTELAR DE PRODUÇÃO DE PROVAS a representação é ao MP. XVIII - tomar as providências cabíveis, na esfera de sua competência, ao receber comunicação da ocorrência de ação ou omissão, praticada em local público ou privado, que constitua violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) XIX - receber e encaminhar, quando for o caso, as informações reveladas por noticiantes ou denunciantes relativas à prática de violência, ao uso de tratamento cruel ou degradante ou de formas violentas de educação, correção ou disciplina contra a criança e o adolescente; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) XX - Representar à autoridade judicial ou ao Ministério Público para requerer a concessão de medidas cautelares direta ou indiretamente relacionada à eficácia da proteção de noticiante ou denunciante de informações de crimes que envolvam violência doméstica e familiar contra a criança e o Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 77 adolescente. (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) Parágrafo único. Se, no exercício de suas atribuições, o Conselho Tutelar entender necessário o afastamento do convívio familiar, comunicará incontinenti o fato ao Ministério Público, prestando-lhe informações sobre os motivos de tal entendimento e as providências tomadas para a orientação, o apoio e a promoção social da família. DECORA: ATRIBUIÇÕES DO CONSELHO TUTELAR REPRESENTAR À: AUTORIDADE POLICIAL MINISTÉRIO PÚBLICO AUTORIDADE JUDICIÁRIA Para requerer o afastamento do agressor do lar. Para requerer o afastamento do agressor do lar. Para requerer a concessão de medida protetiva de urgência Para requerer a propositura de ação cautelar de antecipação de produção de prova Para requerer a concessão de medidas cautelares direta ou indiretamente relacionada à eficácia da proteção de noticiante ou denunciante Para requerer a concessão de medidas cautelares direta ou indiretamente relacionada à eficácia da proteção de noticiante ou denunciante Art. 137. As decisões do Conselho Tutelar somente poderão ser revistas pela autoridade judiciária a pedido de quem tenha legítimo interesse. Art. 140. São impedidos de servir no mesmo Conselho marido e mulher, ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora, irmãos, cunhados, durante o cunhadio, tio e sobrinho, padrasto ou madrasta e enteado. Parágrafo único. Estende-se o impedimento do conselheiro, na forma deste artigo, em relação à autoridade judiciária e ao representante do Ministério Público com atuação na Justiça da Infância e da Juventude, em exercício na comarca, foro regional ou distrital. DICA 40 Da Apuração de Ato Infracional Atribuído a Adolescente Art. 171. O adolescente apreendido por força de ordem judicial será, desde logo, encaminhado à autoridade judiciária. Art. 172. O adolescente apreendido em flagrante de ato infracional será, desde logo, encaminhado à autoridade policial competente. Repare que se o adolescente for apreendido por ORDEM JUDICIAL ele será encaminhando á AUTORIDADE JUDICIAL, contudo, se ele for apreendido em FLAGRANTE será encaminhado á AUTORIDADE POLICIAL. Art. 173. Em caso de flagrante de ato infracional cometido mediante violência ou grave ameaça a pessoa, a autoridade policial, DEVERÁ: I - Lavrar auto de apreensão, ouvidos as testemunhas e o adolescente; II - Apreender o produto e os instrumentos da infração; III - requisitar os exames ou perícias necessárias à comprovação da materialidade e autoria da infração. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 78 Parágrafo único. Nas demais hipóteses de flagrante, a lavratura do auto poderá ser substituída por boletim de ocorrência circunstanciada. Art. 174. Comparecendo qualquer dos pais ou responsável, o adolescente será prontamente liberado pela autoridade policial, sob termo de compromisso e responsabilidade de sua apresentação ao representante do Ministério Público, no mesmo dia ou, sendo impossível, no primeiro dia útil imediato, exceto quando, pela gravidade do ato infracional e sua repercussão social, deva o adolescente permanecer sob internação para garantia de sua segurança pessoal ou manutenção da ordem pública. Art. 175. Em caso de não liberação, a autoridade policial encaminhará, desde logo, o adolescente ao representante do Ministério Público, juntamente com cópia do auto de apreensão ou boletim de ocorrência. § 1º Sendo impossível a apresentação imediata, a autoridade policial encaminhará o adolescente à entidade de atendimento, que fará a apresentação ao representante do Ministério Público no prazo de vinte e quatro horas. § 2º Nas localidades onde não houver entidade de atendimento, a apresentação far-se-á pela autoridade policial. À falta de repartição policial especializada, o adolescente aguardará a apresentação em dependência separada da destinada a maiores, não podendo, em qualquer hipótese, exceder o prazo referido no parágrafo anterior. Art. 178. O adolescente a quem se atribua autoria de ato infracional não poderá ser conduzido ou transportado em compartimento fechado de veículo policial, em condições atentatórias à sua dignidade, ou que impliquem risco à sua integridade física ou mental, sob pena de responsabilidade. Art. 179. Apresentado o adolescente, o representante do Ministério Público, no mesmo dia e à vista do auto de apreensão, boletim de ocorrência ou relatório policial, devidamente autuados pelo cartório judicial e com informação sobre os antecedentes do adolescente, procederá imediata e informalmente à sua oitiva e, em sendo possível, de seus pais ou responsável, vítima e testemunhas. Parágrafo único. Em caso de não apresentação, o representante do Ministério Público notificará os pais ou responsável para apresentação do adolescente, podendo requisitar o concurso das polícias civil e militar. Art. 180. Adotadas as providências a que alude o artigo anterior, o representante do Ministério Público poderá: I - Promover o arquivamento dos autos; II - Conceder a remissão; III - representar à autoridade judiciária para aplicação de medida socioeducativa. Art. 181. Promovido o arquivamento dos autos ou concedida a remissão pelo representante do Ministério Público, mediante termo fundamentado, que conterá o resumo dos fatos, os autos serão conclusos à autoridade judiciária para homologação. § 1º Homologado o arquivamento ou a remissão, a autoridade judiciária determinará, conforme o caso, o cumprimento da medida. § 2º Discordando, a autoridade judiciária fará remessa dos autos ao Procurador-Geral de Justiça, mediante despacho fundamentado, e este oferecerá representação, designará outro membro do MinistérioPúblico para apresentá- la, ou ratificará o arquivamento ou a remissão, que só então estará a autoridade judiciária obrigada a homologar. Art. 182. Se, por qualquer razão, o representante do Ministério Público não promover o arquivamento ou conceder a remissão, oferecerá representação à autoridade judiciária, propondo a instauração de Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 79 procedimento para aplicação da medida socioeducativa que se afigurar a mais adequada. § 1º A representação será oferecida por petição, que conterá o breve resumo dos fatos e a classificação do ato infracional e, quando necessário, o rol de testemunhas, podendo ser deduzida oralmente, em sessão diária instalada pela autoridade judiciária. § 2º A representação independe de prova pré- constituída da autoria e materialidade. Art. 183. O prazo máximo e improrrogável para a conclusão do procedimento, estando o adolescente internado provisoriamente, será de quarenta e cinco dias. Art. 185. A internação, decretada ou mantida pela autoridade judiciária, não poderá ser cumprida em estabelecimento prisional. Se a autoridade judiciária entender adequada a remissão, ouvirá o representante do Ministério Público, proferindo decisão. Sendo o fato grave, passível de aplicação de medida de internação ou colocação em regime de semiliberdade, a autoridade judiciária, verificando que o adolescente não possui advogado constituído, nomeará defensor, designando, desde logo, audiência em continuação, podendo determinar a realização de diligências e estudo do caso. O advogado constituído ou o defensor nomeado, no prazo de três dias contado da audiência de apresentação, oferecerá defesa prévia e rol de testemunhas. Art. 187. Se o adolescente, devidamente notificado, não comparecer, injustificadamente à audiência de apresentação, a autoridade judiciária designará nova data, determinando sua condução coercitiva. Art. 188. A remissão, como forma de extinção ou suspensão do processo, poderá ser aplicada em qualquer fase do procedimento, antes da sentença. Art. 190. A intimação da sentença que aplicar medida de internação ou regime de semi- liberdade será feita: I - Ao adolescente e ao seu defensor; II - Quando não for encontrado o adolescente, a seus pais ou responsável, sem prejuízo do defensor. § 1º Sendo outra a medida aplicada, a intimação far-se-á unicamente na pessoa do defensor. § 2º Recaindo a intimação na pessoa do adolescente, deverá este manifestar se deseja ou não recorrer da sentença. Obs. O art. 400 do CPP afirma que o interrogatório será realizado ao final da instrução criminal. O art. 184 do ECA, diferentemente do CPP, prevê que a oitiva do adolescente infrator e de seus pais é o primeiro ato. Existe, portanto, uma antinomia aparente de segundo grau. Neste caso, em regra, deveria prevalecer o critério da especialidade. Logo, seria aplicada a regra do ECA (oitiva em primeiro lugar). Contudo, o STF tem aplicado a orientação firmada no HC 127.900/AM (interrogatório como último ato da instrução) ao procedimento de apuração de ato infracional, sob o fundamento de que o art. 400 do CPP possibilita ao representado exercer de modo mais eficaz a sua defesa. Logo, por essa razão, em uma aplicação sistemática do direito, tal dispositivo legal deve suplantar o estatuído no art. 184 do ECA. Diante disso, a oitiva do representado deve ser o último ato da instrução também no procedimento de apuração de ato infracional. DICA 41 DA PROTEÇÃO JUDICIAL DOS INTERESSES INDIVIDUAIS, DIFUSOS E COLETIVOS Regem-se pelas disposições do ECA (lei nº 8.069/1990) as ações de responsabilidade por ofensa aos direitos assegurados à criança e ao adolescente, referentes ao não oferecimento ou oferta irregular: Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 80 I - Do ensino obrigatório; II - De atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência; III – de atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a cinco anos de idade; IV - De ensino noturno regular, adequado às condições do educando; V - De programas suplementares de oferta de material didático-escolar, transporte e assistência à saúde do educando do ensino fundamental; VI - De serviço de assistência social visando à proteção à família, à maternidade, à infância e à adolescência, bem como ao amparo às crianças e adolescentes que dele necessitem; VII - de acesso às ações e serviços de saúde; VIII - de escolarização e profissionalização dos adolescentes privados de liberdade. IX - De ações, serviços e programas de orientação, apoio e promoção social de famílias e destinados ao pleno exercício do direito à convivência familiar por crianças e adolescentes. X - De programas de atendimento para a execução das medidas socioeducativas e aplicação de medidas de proteção. XI - de políticas e programas integrados de atendimento à criança e ao adolescente vítima ou testemunha de violência. Parágrafo único. As hipóteses previstas neste artigo não excluem da proteção judicial outros interesses individuais, difusos ou coletivos, próprios da infância e da adolescência, protegidos pela Constituição e pela lei. § 1 o As hipóteses previstas neste artigo não excluem da proteção judicial outros interesses individuais, difusos ou coletivos, próprios da infância e da adolescência, protegidos pela Constituição e pela Lei. § 2 o A investigação do desaparecimento de crianças ou adolescentes será realizada imediatamente após notificação aos órgãos competentes, que deverão comunicar o fato aos portos, aeroportos, Polícia Rodoviária e companhias de transporte interestaduais e internacionais, fornecendo-lhes todos os dados necessários à identificação do desaparecido. § 3º A notificação a que se refere o § 2º deste artigo será imediatamente comunicada ao Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas e ao Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos, que deverão ser prontamente atualizados a cada nova informação. (Incluído pela Lei nº 14.548, de 2023) As ações com relação a proteção dos direitos acima mencionados serão propostas no foro do local onde ocorreu ou deva ocorrer a ação ou omissão, cujo juízo terá competência absoluta para processar a causa, ressalvadas a competência da Justiça Federal e a competência originária dos tribunais superiores. DIREITO DO CONSUMIDOR DICA 01 CONCEITOS (Art. 2º e ss., do CDC) Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. Portanto, consumidor pode ser PF ou PJ, desde que adquira o produto como DESTINATÁRIO FINAL. Consumidor por equiparação: Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo. Também é aquele previsto no art. 17, do CDC (CONSUMIDOR BYSTANDER = aquele que não participa Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 81 diretamente da relação, mas sofre os efeitos do evento danoso - vítima). Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial. Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. Obs. É possível o reconhecimento da figura do consumidor por equiparação na hipótese de danos individuais decorrentes do exercício de atividade de exploração de potencialhidro energético causadora de impacto ambiental, em virtude da caracterização do acidente de consumo Caso adaptado: a Usina Hidrelétrica de Pedra do Cavalo, localizada na Bahia e operada pelo Grupo Votorantim, causou impactos ambientais significativos na região, afetando as atividades de pesca e mariscagem locais. Os pescadores do local ajuizaram ação de indenização contra as empresas integrantes do Grupo. Na hipótese de danos individuais decorrentes do exercício de atividade de exploração de potencial hidro energético causadora de impacto ambiental, é possível, em virtude da caracterização do acidente de consumo, o reconhecimento da figura do consumidor por equiparação, o que atrai a incidência das disposições do Código de Defesa do Consumidor. Assim, os pescadores autores podem ser considerados como consumidores por equiparação (bystander), nos termos do art. 17 do CDC.STJ. julgado em 10/5/2023 (Info 774). O CDC não é aplicado em casos de contratos de locação e também nas relações entre condomínio e condôminos. Na relação entre advogados e clientes também não se aplica o CDC. Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: IX - Fomento de ações direcionadas à educação financeira e ambiental dos consumidores X- Prevenção e tratamento do superendividamento como forma de evitar a exclusão social do consumidor. Art. 5° Para a execução da Política Nacional das Relações de Consumo, contará o poder público com os seguintes instrumentos, entre outros: I - Manutenção de assistência jurídica, integral e gratuita para o consumidor carente; I - Instituição de Promotorias de Justiça de Defesa do Consumidor, no âmbito do Ministério Público; III - criação de delegacias de polícia especializadas no atendimento de consumidores vítimas de infrações penais de consumo; IV - Criação de Juizados Especiais de Pequenas Causas e Varas Especializadas para a solução de litígios de consumo; V - Concessão de estímulos à criação e desenvolvimento das Associações de Defesa do Consumidor. VI - Instituição de mecanismos de prevenção e tratamento extrajudicial e judicial do superendividamento e de proteção do consumidor pessoa natural. VII - instituição de núcleos de conciliação e mediação de conflitos oriundos de superendividamento. DICA 02 Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 82 DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR (Art. 6 e ss., do CDC) Os direitos básicos de proteção ao consumidor estão previstos no artigo 6, do CDC. Dentre eles, ressaltamos como principais: proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos dos produtos e serviços; informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços; proteção contra a publicidade enganosa e abusiva; prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos; a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor. ATENÇÃO: Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo (Responsabilidade solidária). EXCLUSÃO À RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA: Art. 19, §2º: O fornecedor imediato será responsável quando fizer a pesagem ou a medição e o instrumento utilizado não estiver aferido segundo os padrões oficiais. São direitos básicos do consumidor, entre outros: XI - a garantia de práticas de crédito responsável, de educação financeira e de prevenção e tratamento de situações de superendividamento, preservado o mínimo existencial, nos termos da regulamentação, por meio da revisão e da repactuação da dívida, entre outras medidas; XII - a preservação do mínimo existencial, nos termos da regulamentação, na repactuação de dívidas e na concessão de crédito; XIII - a informação acerca dos preços dos produtos por unidade de medida, tal como por quilo, por litro, por metro ou por outra unidade, conforme o caso. #CAIMUITO Obs. Se o plano de saúde negasse tratamento multidisciplinar para o paciente com autismo, obrigando que ele buscasse a sua realização, por conta própria, fora da rede credenciada, esse usuário teria direito de obter o reembolso integral das despesas? Em 01/07/2022, a ANS publicou a Resolução Normativa 539/2022, que tornou obrigatória a cobertura para qualquer método ou técnica indicado pelo médico assistente para o tratamento do paciente com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Assim, a partir dessa data, ficou assentado que todas as operadoras de planos de saúde deveriam assegurar a cobertura das técnicas/métodos/abordagens indicados pelo médico assistente, tal como a ABA. Antes dessa data, se o plano de saúde negasse tratamento multidisciplinar para o paciente com autismo, obrigando que ele buscasse a sua realização, por conta própria, fora da rede credenciada, esse usuário teria direito de obter judicialmente o reembolso integral das despesas? Em regra, não. Em regra, o valor do reembolso deveria ficar limitado ao preço e às tabelas do plano contratado. Existem, contudo, duas exceções: 1ª exceção: se ficou caracterizada a inobservância de prestação assumida no contrato, causadora de danos materiais ao beneficiário. 2ª exceção: se a operadora do plano de saúde descumpriu ordem judicial que a obrigava a fornecer o tratamento. Nessas duas hipóteses excepcionais, haverá o direito ao reembolso integral das despesas realizadas pelo usuário do plano. Em suma: até 1/7/2022, data da vigência da Resolução Normativa nº 539/2022 da ANS, é devido o reembolso integral de tratamento multidisciplinar para beneficiário portador de transtorno do espectro autista realizado fora da rede credenciada, inclusive às sessões de musicoterapia, na hipótese de inobservância de prestação assumida no contrato ou se ficar demonstrado o descumprimento de ordem judicial. STJ,julgado em 21/3/2023 (Info 769). OBS. O shopping center e a empresa administradora do estacionamento são Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 83 responsáveis por indenizar o consumidor vítima de roubo à mão armada ocorrido na cancela para ingresso no estacionamento, ainda em via pública Situação adaptada: João, dirigindo seu veículo, parou na cancela de entrada do estacionamento do shopping center para apertar no botão e pegar o ticket de pagamento. Neste momento, foi assaltado por um indivíduo que, portando arma de fogo, ordenou que a vítima abaixasse o vidro e exigiu o relógio, o celular e a carteira de João. Incide o regramento consumerista no percurso relacionado com a prestação do serviço e, notadamente, quando o fornecedor dele se vale no interesse de atrair o consumidor. Assim, na hipótese de se exigir do consumidor determinada conduta para que usufrua do serviço prestado pela fornecedora, colocando-o em vulnerabilidade não só jurídica, mas sobretudo fática, ainda que momentaneamente, se houver falha na prestação do serviço, será o fornecedor obrigado a indenizá-lo. Nessa linha de raciocínio, quando o consumidor, com a finalidade de ingressar no estacionamento de shopping center, tem de reduzir a velocidade ou até mesmo parar seu veículo e se submeter à cancela - barreira física imposta pelo fornecedor e em seu benefício - incide a proteção consumerista, ainda que o consumidor não tenha ultrapassado referido obstáculo e mesmo que este esteja localizado na via pública. Nessa hipótese, o consumidor se encontra, de fato, na área de prestação do serviço oferecido pelo estabelecimento comercial. Por conseguinte, também nessa área incidem os deveres inerentesàs relações consumeristas e ao fornecimento de segurança indispensável que se espera dos estacionamentos de shoppings centers. STJ,julgado em 14/3/2023 (Info 767). DICA 03 PROTEÇÃO À SAÚDE E SEGURANÇA (Art. 8 e ss., do CDC) Os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não acarretarão riscos à saúde ou segurança dos consumidores, exceto os considerados normais e previsíveis em decorrência de sua natureza e fruição, obrigando-se os fornecedores, em qualquer hipótese, a dar as informações necessárias e adequadas a seu respeito. O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança. DICA 04 RESPONSABILIDADE PELO FATO DO PRODUTO E SERVIÇO (Art. 12 e ss., do CDC) O FATO (DEFEITO) DO PRODUTO OU SERVIÇO nada mais é do que acidente ou defeito de consumo, que atente contra a integridade físico e psíquica do consumidor, expondo este à riscos indevidos ou causando dano. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos. Portanto, temos que a responsabilidade é OBJETIVA! O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido colocado no mercado. Excludentes de responsabilidade do fabricante, o construtor, o produtor ou importador: 1) Quando se provar que não colocou o produto no mercado 2) que, embora haja colocado o Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 84 produto no mercado, o defeito inexiste 3) a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. O comerciante é igualmente responsável quando: 1) o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; 2) o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador; e 3) não conservar adequadamente os produtos perecíveis. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar. O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas. O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar: 1) Que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste e 2) a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa. Há exceção: SIM -> Profissional Liberal. Para este a responsabilidade é subjetiva, ou seja, se procede mediante a verificação da CULPA. § 4° (art. 14) - A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa. OBS: ACASO A OBRIGAÇÃO DO PROFISSIONAL LIBERAL SEJA DE RESULTADO, COMO POR EXEMPLO PROCEDIMENTOS PLÁSTICOS, ODONTOLÓGICOS E OUTROS, A RESPONSABILIDADE CONTINUA SUBJETIVA, CONTUDO, HÁ INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA, SENDO CERTO QUE DEVE O PROFISSIONAL LIBERAL PROVAR QUE NÃO TEVE CULPA. Portanto, a responsabilização dos liberais se pauta pela responsabilidade SUBJETIVA. OBS: ACASO A OBRIGAÇÃO DO PROFISSIONAL LIBERAL SEJA DE RESULTADO, COMO POR EXEMPLO PROCEDIMENTOS PLÁSTICOS, ODONTOLÓGICOS E OUTROS, A RESPONSABILIDADE CONTINUA SUBJETIVA, CONTUDO, HÁ INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA, SENDO CERTO QUE DEVE O PROFISSIONAL LIBERAL PROVAR QUE NÃO TEVE CULPA. OBS. O hospital responde, objetivamente, pelos danos decorrentes da prestação defeituosa dos serviços relacionados ao exercício da sua própria atividade Caso adaptado: Regina, grávida, sentiu dores intensas e desconforto pélvico. Foi levada por até um hospital particular. Ficou constado que estava em trabalho de parto avançado. A indicação médica era a realização imediata da cesárea, mas não havia sala de cirurgia disponível. Somente depois de um longo tempo, foi disponibilizada uma sala de cirurgia. Em razão da demora para a realização do parto, houve sofrimento fetal agudo e o bebê já foi retirado sem vida. O estabelecimento hospitalar responde objetivamente pelos danos causados aos pacientes toda vez que o fato gerador for o defeito do seu serviço (art. 14, caput, do CDC). Ex: estadia do paciente (internação e alimentação), instalações, equipamentos, serviços auxiliares (enfermagem, exames, radiologia) etc. Se o defeito estiver relacionado com um desses serviços do hospital, a responsabilidade é objetiva, como foi no caso concreto. STJ, julgado em 6/3/2023 (Info 768). DICA 05 RESPONSABILIDADE PELO VÍCIO DO PRODUTO E SERVIÇO (Art. 18 e ss., do CDC) O VÍCIO DO PRODUTO OU SERVIÇO tem relação com a qualidade/quantidade que torne o Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 85 produto ou serviço impróprio para o consumo a que se destina ou que lhe diminua o valor. OBS: NÃO EXPÕE RISCO AO CONSUMIDOR. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas. O prazo para sanar o vício é de 30 (trinta) dias (as partes convencionar a redução ou ampliação do prazo, não podendo este, entretanto, ser inferior a sete nem superior a cento e oitenta dias. Nos contratos de adesão, a cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado, por meio de manifestação expressa do consumidor). Não sanado o vício no prazo legal, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: 1) Substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso 2) restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos (pode entrar ainda com ação de reparação) 3) abatimento proporcional do preço. São impróprios ao uso e consumo: I - Os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos; II - Os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação; III - os produtos que, por qualquer motivo, se revelem inadequados ao fim a que se destinam. O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios ao consumo ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I - a reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível; II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; III - o abatimento proporcional do preço. A reexecução dos serviços poderá ser confiada a terceiros devidamente capacitados, por conta e risco do fornecedor. São impróprios os serviços que se mostrem inadequados para os fins que razoavelmente deles se esperam, bem como aqueles que não atendam as normas regulamentares de prestabilidade. Sendo o dano causado por componente ou peça incorporada ao produto ou serviço, são responsáveis solidários seu fabricante, construtor ou importadore o que realizou a incorporação. Obs. A ingestão de medicamentos tem potencial para ensejar reações adversas, que, todavia, não configuram, por si só, defeito do produto, desde que a potencialidade e a frequência desses efeitos nocivos estejam descritas na bula, em cumprimento ao dever de informação do fabricante. A bula da novalgina contém advertência sobre a possibilidade de o princípio ativo do medicamento (dipirona), em casos isolados, causar a Síndrome de Stevens-johnson, que acometeu a autora da ação, ou a Síndrome de Lyell, circunstância que demonstra o cumprimento do dever de informação pelo fabricante do remédio.Sendo incontestável a Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 86 eficiência da dipirona para os fins a que se destina (analgésico e antitérmico), associada ao fato de que a reação alérgica que acometeu a parte autora da ação, a despeito de gravíssima, está descrita na bula, não decorre propriamente de defeito do fármaco, mas de imprevisível característica do sistema imunológico do paciente, não há que se falar em defeito do produto, pressuposto básico para a obrigação de indenizar do fornecedor. STJ, julgado em 11/4/2023 (Info 771 DICA 06 DA DECADÊNCIA E DA PRESCRIÇÃO (Art. 26 e ss., do CDC) O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em (PRAZO DECADENCIAL): I - Trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não duráveis; II - Noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis. O início do prazo começa a partir da entrega efetiva do produto ou do término da execução dos serviços. A reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de produtos e serviços até a resposta negativa correspondente, que deve ser transmitida de forma inequívoca e a instauração de inquérito civil, até seu encerramento OBSTAM A DECADÊNCIA! Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar evidenciado o defeito. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria. DICA 07 DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA (Art. 28, do CDC) Ocorre quando, em prejuízo do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. Sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas, são subsidiariamente responsáveis. Sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis. Sociedades coligadas só responderão por culpa. SOBRE O ENTENDIMENTO ACIMA, VEJAMOS COMO A OAB COBROU NO 36º EXAME: A sociedade empresária Cimento Montanha Ltda. integra, com outras cinco sociedades empresárias, um consórcio que atua na realização de obras de construção civil. Estruturas e Fundações Pinheiro Ltda., uma das sociedades consorciadas, foi responsabilizada em ação de responsabilidade civil por danos causados aos consumidores em razão de falhas estruturais em imóveis construídos no âmbito das atividades do consórcio, que apresentaram rachaduras, um dos quais desabou. Considerando as normas sobre a responsabilidade de sociedades integrantes de grupo econômico perante o consumidor, segundo o Código de Defesa do Consumidor, assinale a afirmativa correta. A) Apenas a sociedade Estruturas e Fundações Pinheiro Ltda. Poderá ser responsabilizada pelos danos aos consumidores, pois as demais Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 87 consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem solidariedade entre si. B) As sociedades integrantes do consórcio são solidariamente responsáveis pelas obrigações da sociedade Estruturas e Fundações Pinheiro Ltda., porém a responsabilidade delas perante o consumidor é sempre em caráter subsidiário. C) As sociedades integrantes do consórcio são solidariamente responsáveis, sem benefício de ordem entre elas, pelas obrigações da sociedade Estruturas e Fundações Pinheiro Ltda. perante os consumidores prejudicados, haja ou não previsão diversa no contrato respectivo. D) Apenas a sociedade Estruturas e Fundações Pinheiro Ltda. Poderá ser responsabilizada pelos danos aos consumidores, pois as demais consorciadas só responderão solidariamente com a primeira se ficar comprovado a culpa de cada uma delas. REPOSTA: LETRA C. DICA 08 DA OFERTA (Art. 30 e ss., do CDC) Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado. A oferta VINCULA o fornecedor. As ofertas devem possuir informações corretas, claras, precisas, ser em língua portuguesa e apresentar as características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados que garantam a saúde do consumidor. Fabricantes e importadores deverão assegurar a oferta de componentes e peças de reposição enquanto não cessar a fabricação ou importação do produto (Cessadas a produção ou importação, a oferta deverá ser mantida por período razoável de tempo). O fornecedor do produto ou serviço é solidariamente responsável pelos atos de seus prepostos ou representantes autônomos. Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumprimento à oferta, apresentação ou publicidade, o consumidor poderá, alternativamente e à sua livre escolha: I - exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação ou publicidade; II - aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente; III - rescindir o contrato, com direito à restituição de quantia eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e danos DICA 09 PUBLICIDADE (Art. 36 e ss., do CDC) É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços. A publicidade é enganosa por omissão quando deixar de informar sobre dado essencial do produto ou serviço. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 88 Perceba: NÃO É QUALQUER DADO, MAS DADO ESSENCIAL! O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe a quem as patrocina. Obs. O Madero, conhecido restaurante nacional especializado em hambúrgueres, utiliza em suas propagandas a frase “The Best Burger in the World”, traduzida em português por “O melhor hambúrguer do mundo”. O concorrente Burger King com ação de obrigação de não fazer contra o Madero, requerendo que o réu se abstivesse de usar a expressão em seu material publicitário e fachadas de restaurantes, sob pena de multa diária e pagamento de indenização por concorrência desleal. O Madero contestou alegando não haver ilegalidade em sua publicidade, pois se trata de uma técnica publicitária conhecida como “puffing”, que usa exageros na publicidade e não configura propaganda enganosa. O juiz proferiu decisão interlocutória dizendo que o caso se enquadra no art. 38 do Código de Defesa do Consumidor e que, portanto, por força de lei, o Madero deveria provarque o seu hambúrguer é o melhor do mundo. O STJ não concordou com a decisão do magistrado. A aplicação da norma prevista no art. 38 do CDC às relações concorrenciais, além de não se mostrar necessária, diante da previsão do art. 373, § 1º, do CPC, poderia - paradoxalmente - ser utilizada, em determinadas circunstâncias, justamente como instrumento anticoncorrencial. Isso porque a parte autora poderia propor ações temerárias e sem fundamento, obrigando a parte ré a fazer prova do contrário. Esse abuso do direito de ação é uma das formas possíveis de se praticar infração à ordem econômica. Assim, a inversão automática do ônus da prova prevista pelo art. 38 do CDC poderia facilitar o abuso do direito de ação, incentivando esse tipo de estratégia anticoncorrencial, uma vez que, a partir do ajuizamento de demanda frívola, o ônus da prova estaria direta e automaticamente imposto ao concorrente com menor porte econômico. STJ, julgado em 21/3/2023 (Info 768). DICA 10 PRÁTICAS ABUSIVAS (Art. 39 e ss., do CDC) As práticas abusivas estão condicionadas junto ao artigo 39 do código consumerista. Dentre as principais destacamos: condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço, enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer produto, ou fornecer qualquer serviço, exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva, executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização expressa do consumidor, ressalvadas as decorrentes de práticas anteriores entre as partes, elevar sem justa causa o preço de produtos ou serviços. O fornecedor de serviço será obrigado a entregar ao consumidor orçamento prévio discriminando o valor da mão-de-obra, dos materiais e equipamentos a serem empregados, as condições de pagamento, bem como as datas de início e término dos serviços. O valor orçado terá validade pelo prazo de dez dias, contado de seu recebimento pelo consumidor, salvo se estipulado o contrário pelas partes. DICA 11 COBRANÇAS DE DÍVIDAS (Art. 42 e ss., do CDC) O consumidor inadimplente JAMAIS será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 89 Consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável. DICA 12 BANCO DE DADOS E CADASTRO (Art. 43 e ss., do CDC) O consumidor terá acesso às informações existentes em cadastros, fichas, registros e dados pessoais e de consumo arquivados sobre ele, bem como sobre as suas respectivas fontes. O consumidor, sempre que encontrar inexatidão nos seus dados e cadastros, poderá exigir sua imediata correção, devendo o arquivista, no prazo de cinco dias úteis, comunicar a alteração aos eventuais destinatários das informações incorretas. Consumada a prescrição relativa à cobrança de débitos do consumidor, não serão fornecidas, pelos respectivos Sistemas de Proteção ao Crédito, quaisquer informações que possam impedir ou dificultar novo acesso ao crédito junto aos fornecedores. DICA 13 PROTEÇÃO CONTRATUAL (Art. 46 e ss., do CDC) As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone, online (internet) ou a domicílio (DIREITO DE ARREPENDIMENTO – É DIREITO POTESTATIVO, ou seja, não precisa de motivação e não admite contestação). O entendimento acima foi cobrado no 36º Exame da seguinte forma: Bernardo adquiriu, mediante uso de cartão de crédito, equipamento de som conhecido como home theater. A compra, por meio do aplicativo do Magazin Novas Colinas S/A, conhecido como “loja virtual do Colinas”, foi realizada na sexta- feira e o produto entregue na terça-feira da semana seguinte. Na quarta-feira, dia seguinte ao do recebimento, Bernardo entrou em contato com o serviço de atendimento ao cliente para exercer seu direito de arrependimento. A atendente lhe comunicou que deveria ser apresentada uma justificativa para o arrependimento dentre aquelas elaboradas pelo fornecedor. Essa foi a condição imposta ao consumidor para a devolução do valor referente à 1ª parcela do preço, já lançado na fatura do seu cartão de crédito. Com base nesta narrativa, em conformidade com a legislação consumerista, assinale a afirmativa correta. A) O direito de arrependimento precisa ser motivado diante da comunicação de cancelamento da compra feita pelo consumidor ao fornecedor após o decurso de 48 (quarenta e oito) horas da realização da transação pelo aplicativo. B) Embora o direito de arrependimento não precise de motivação por ser potestativo, o fornecedor pode exigir do consumidor que lhe apresente uma justificativa, como condição para a realização da devolução do valor faturado. C) Em observância ao princípio da boa-fé objetiva, aplicável tanto ao fornecedor quanto ao consumidor, aquele não pode se opor ao direito de arrependimento, mas, em contrapartida, pode exigir do consumidor a motivação para tal ato. D) O direito de arrependimento não precisa ser motivado e foi exercido tempestivamente, Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 90 devendo o fornecedor providenciar o cancelamento da compra e comunicar à administradora do cartão de crédito para que seja efetivado o estorno do valor. RESPOSTA: LETRA D. Art. 50. A garantia contratual é complementar à legal e será conferida mediante termo escrito. MELHOR EXPLICANDO: Existem DOIS TIPOS de garantia, a contratual (Art. 50, CDC) e a legal (artigo 26, CDC). A garantia contratual é complementar à legal e será conferida mediante termo escrito. A contratual é dada pelo próprio fabricante/distribuidor/comerciante e não é obrigatória e seu prazo pode ser estipulado por quem à confere, contudo, acaso ofertada, torna-se vinculante. Vale dizer ainda que de acordo com o artigo 74, do CDC, a não entrega do termo de garantia contratual devidamente preenchido constitui crime e a pena prevista é de 1 a 6 meses de detenção, ou multa. Já a garantia legal independe de termo escrito e decorre da própria lei, além de ter prazos próprios, que são previstos no artigo 26, do CDC. ATENÇÃO MÁXIMA: Na contagem, primeiro será contada a garantia CONTRATUAL, após o seu decurso, tem início a garantia LEGAL. PORTANTO, AS GARANTIAS SE SOMAM! Obs. Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor em detrimento das Convenções de Varsóvia e Montreal nos casos em que se discute a responsabilidade das empresas de transporte aéreo internacional por dano moral resultante de atraso ou cancelamento de voo e de extravio de bagagem. Tese fixada pelo STF: “Não se aplicam as Convenções de Varsóvia e Montreal às hipóteses de danos extrapatrimoniais decorrentes de contrato de transporte aéreo internacional.”. STF. Plenário, julgado em 15/12/2022 (Repercussão Geral – Tema 1.240) (Info 1080) DICA 14 CLÁUSULAS ABUSIVAS (Art. 51 e ss., do CDC) As cláusulas consideradas abusivas são NULAS de pleno direito. Elas estão previstas no artigo 51, do CDC. #NOVIDADELEGISLATIVA Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: XVII - condicionem ou limitem de qualquer forma o acesso aos órgãos do Poder Judiciário XVIII - estabeleçam prazos de carência em caso de impontualidade das prestações mensais ou impeçam o restabelecimento integral dos direitos do consumidor e de seus meiosde pagamento a partir da purgação da mora ou do acordo com os credores; Súmula n. 638 - STJ. É abusiva a cláusula contratual que restringe a responsabilidade de instituição financeira pelos danos decorrentes de roubo, furto ou extravio de bem entregue em garantia no âmbito de contrato de penhor civil. Obs. É ilícita a conduta da operadora de plano de saúde que nega a inscrição de recém- nascido no plano de saúde de titularidade de avô, sendo a genitora dependente/beneficiária desse plano Caso hipotético: Tiago, filho de Mariana (17 anos), nasceu prematuro e com peso abaixo do indicado, e necessitou de cuidados de urgência e emergência, razão pela qual foi internado na UTI Neonatal. Mariana é beneficiária dependente do plano de saúde XX, contratado por seu pai Mariano. A operadora se recusou a incluir Tiago, o recém-nascido, no plano de Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 91 saúde, sob o argumento de que o titular do plano era Mariano, avô de Tiago, e, por isso, o bebê não faria jus à qualificação de dependente. Não agiu corretamente o plano de saúde. É ilícita a conduta da operadora de plano de saúde que nega a inscrição de recém-nascido no plano de saúde de titularidade de avô, sendo a genitora dependente/beneficiária desse plano. Vimos que Tiago tem direito de se inscrever no plano de saúde. Vamos imaginar, contudo, que ele não tivesse direito. Neste caso, o plano de saúde poderia interromper o tratamento após esgotado o prazo de 30 dias, mesmo que Tiago ainda não tivesse recebido alta? NÃO. Se a criança ainda não se recuperou, o esgotamento do prazo de 30 (trinta) dias após o parto não pode provocar a descontinuidade do tratamento médico-hospitalar, devendo haver a extensão do trintídio legal até a alta médica do recém-nascido. É abusiva a atitude da operadora que tenta descontinuar o custeio de internação do neonato que seja filho de dependente e neto do titular ultrapassado o prazo de 30 (trinta) dias de seu nascimento. STJ, julgado em 25/4/2023 (Info 773). DICA 15 PREVENÇÃO E DO TRATAMENTO DO SUPERENDIVIDAMENTO (Art. 54-A e ss. e 104-A e ss., do CDC) Superendividamento é a impossibilidade manifesta de o consumidor pessoa natural, de boa-fé, pagar a totalidade de suas dívidas de consumo, exigíveis e vincendas, sem comprometer seu mínimo existencial (necessário para sua subsistência digna). É vedado ao fornecedor de produto ou serviço que envolva crédito, entre outras condutas: I- Realizar ou proceder à cobrança ou ao débito em conta de qualquer quantia que houver sido contestada pelo consumidor em compra realizada com cartão de crédito ou similar, enquanto não for adequadamente solucionada a controvérsia, desde que o consumidor haja notificado a administradora do cartão com antecedência de pelo menos 10 (dez) dias contados da data de vencimento da fatura. II- Recusar ou não entregar ao consumidor, ao garante e aos outros coobrigados cópia da minuta do contrato principal de consumo ou do contrato de crédito, em papel ou outro suporte duradouro, disponível e acessível, e, após a conclusão, cópia do contrato. III- impedir ou dificultar, em caso de utilização fraudulenta do cartão de crédito ou similar, que o consumidor peça e obtenha, quando aplicável, a anulação ou o imediato bloqueio do pagamento, ou ainda a restituição dos valores indevidamente recebidos. A requerimento do consumidor superendividado pessoa natural, o juiz poderá instaurar processo de repactuação de dívidas, com vistas à realização de audiência conciliatória, presidida por ele ou por conciliador credenciado no juízo, com a presença de todos os credores de dívidas previstas no art. 54-A deste Código, na qual o consumidor apresentará proposta de plano de pagamento com prazo máximo de 5 (cinco) anos. O não comparecimento injustificado de qualquer credor, ou de seu procurador com poderes especiais e plenos para transigir, à audiência de conciliação acarretará a suspensão da exigibilidade do débito e a interrupção dos encargos da mora, bem como a sujeição compulsória ao plano de pagamento da dívida se o montante devido ao credor ausente for certo e conhecido pelo consumidor, devendo o pagamento a esse credor ser estipulado para ocorrer apenas após o pagamento aos credores presentes à audiência conciliatória. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 92 No caso de conciliação, com qualquer credor, a sentença judicial que homologar o acordo descreverá o plano de pagamento da dívida e terá eficácia de título executivo e força de coisa julgada. DICA 16 DA CONCILIAÇÃO DO SUPERENDIVIDAMENTO Art. 104-A. A requerimento do consumidor superendividado pessoa natural, o juiz poderá instaurar processo de repactuação de dívidas, com vistas à realização de audiência conciliatória, presidida por ele ou por conciliador credenciado no juízo, com a presença de todos os credores de dívidas previstas no art. 54-A deste Código, na qual o consumidor apresentará proposta de plano de pagamento com prazo máximo de 5 (cinco) anos, preservados o mínimo existencial, nos termos da regulamentação, e as garantias e as formas de pagamento originalmente pactuadas § 1º Excluem-se do processo de repactuação as dívidas, ainda que decorrentes de relações de consumo, oriundas de contratos celebrados dolosamente sem o propósito de realizar pagamento, bem como as dívidas provenientes de contratos de crédito com garantia real, de financiamentos imobiliários e de crédito rural. § 2º O não comparecimento injustificado de qualquer credor, ou de seu procurador com poderes especiais e plenos para transigir, à audiência de conciliação de que trata o caput deste artigo acarretará a suspensão da exigibilidade do débito e a interrupção dos encargos da mora, bem como a sujeição compulsória ao plano de pagamento da dívida se o montante devido ao credor ausente for certo e conhecido pelo consumidor, devendo o pagamento a esse credor ser estipulado para ocorrer apenas após o pagamento aos credores presentes à audiência conciliatória. § 3º No caso de conciliação, com qualquer credor, a sentença judicial que homologar o acordo descreverá o plano de pagamento da dívida e terá eficácia de título executivo e força de coisa julgada. Art. 104-B. Se não houver êxito na conciliação em relação a quaisquer credores, o juiz, a pedido do consumidor, instaurará processo por superendividamento para revisão e integração dos contratos e repactuação das dívidas remanescentes mediante plano judicial compulsório e procederá à citação de todos os credores cujos créditos não tenham integrado o acordo porventura celebrado. Art. 104-C. Compete concorrente e facultativamente aos órgãos públicos integrantes do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor a fase conciliatória e preventiva do processo de repactuação de dívidas, nos moldes do art. 104-A deste Código, no que couber, com possibilidade de o processo ser regulado por convênios específicos celebrados entre os referidos órgãos e as instituições credoras ou suas associações. § 1º Em caso de conciliação administrativa para prevenir o superendividamento do consumidor pessoa natural, os órgãos públicos poderão promover, nas reclamações individuais, audiência global de conciliação com todos os credores e, em todos os casos, facilitar a elaboração de plano de pagamento, preservado o mínimo existencial, nos termos da regulamentação, sob a supervisão desses órgãos, sem prejuízo das demais atividades de reeducação financeira cabíveis § 2º O acordo firmado perante os órgãos públicos de defesa do consumidor, em caso de superendividamento do consumidor pessoa natural, incluirá a data a partir da qual será providenciada a exclusão do consumidor de bancos de dados e de cadastros de inadimplentes, bemcomo o condicionamento de seus efeitos à abstenção, pelo consumidor, de condutas que importem no agravamento de sua situação de superendividamento, especialmente a de contrair novas dívidas. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 93 DICA 17 DEFESA DO CONSUMIDOR EM JUÍZO (Art. 81 e ss., do CDC) A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo. São legitimados concorrentemente para defender o consumidor em Juízo nas hipóteses de interesse difuso, coletivo, e individuais homogêneos: MP, União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal, entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda que sem personalidade jurídica e as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos pelo CDC. É proibida a DENUNCIAÇÃO À LIDE nas ações indenizatórias decorrentes de relação de consumo. O direito de regresso deve ser feito em ação autônoma. Nesse sentido: Art. 88, CDC: Na hipótese do art. 13, parágrafo único deste código, a ação de regresso poderá ser ajuizada em processo autônomo, facultada a possibilidade de prosseguir-se nos mesmos autos, vedada a denunciação da lide. JÁ O CHAMAMENTO AO PROCESSO É PERMITIDO NA HIPÓTESE DO ARTIGO 101, II, DO CDC. Nesse sentido: TJ-RJ - APELAÇÃO APL 01939547720128190004 (TJ-RJ) Jurisprudência•Data de publicação: 27/08/2019 APELAÇÃO. JULGAMENTO PREMATURO. DENUNCIAÇÃO DA LIDE. DESCABIMENTO. RELAÇÃO DE CONSUMO. CHAMAMENTO AO PROCESSO. POSSIBILIDADE. FUNGIBILIDADE. ANULAÇÃO DA SENTENÇA. Como cediço, mostra-se incabível a denunciação da lide nas ações que versem sobre relação de consumo, nos termos do art. 88 , do CDC . Por outro lado, é admissível o chamamento ao processo da seguradora pelo fornecedor de serviços, na forma do art. 101 , II , do diploma consumerista. DICA 18 DECRETO Nº 11.034, DE 5 DE ABRIL DE 2022 Art. 1º Este Decreto regulamenta a Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 - Código de Defesa do Consumidor, para estabelecer diretrizes e normas sobre o Serviço de Atendimento ao Consumidor - SAC, no âmbito dos fornecedores dos serviços regulados pelo Poder Executivo federal, com vistas a garantir o direito do consumidor: I - à obtenção de informação adequada sobre os serviços contratados; e II - Ao tratamento de suas demandas. Parágrafo único. Para fins do disposto neste Decreto, os órgãos ou as entidades reguladoras considerarão o porte do fornecedor do serviço regulado. Art. 2º Para fins do disposto neste Decreto, considera-se Serviço de Atendimento ao Consumidor - SAC o serviço de atendimento realizado por diversos canais integrados dos fornecedores de serviços regulados com a finalidade de dar tratamento às demandas dos consumidores, tais como informação, dúvida, reclamação, contestação, suspensão ou cancelamento de contratos e de serviços. Parágrafo único. O disposto neste Decreto não se aplica à oferta e à contratação de produtos e serviços. DICA 19 Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 94 DO ATENDIMENTO AO CONSUMIDOR Art. 3º O acesso ao SAC será gratuito e o atendimento das demandas não acarretará ônus para o consumidor. Art. 4º O acesso ao SAC estará disponível, ininterruptamente, durante vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. § 1º O acesso de que trata o caput será garantido por meio de, no mínimo, um dos canais de atendimento integrados, cujo funcionamento será amplamente divulgado. § 2º O acesso ao SAC prestado por atendimento telefônico será obrigatório, nos termos do disposto no art. 5º. § 3º Na hipótese de o serviço ofertado não estar disponível para fruição ou contratação nos termos do disposto no caput, o acesso ao SAC poderá ser interrompido, observada a regulamentação dos órgãos ou das entidades reguladoras competentes. § 4º O acesso inicial ao atendente não será condicionado ao fornecimento prévio de dados pelo consumidor. § 5º É vedada a veiculação de mensagens publicitárias durante o tempo de espera para o atendimento, exceto se houver consentimento prévio do consumidor. § 6º Sem prejuízo do disposto no § 5º, é admitida a veiculação de mensagens de caráter informativo durante o tempo de espera, desde que tratem dos direitos e deveres dos consumidores ou dos outros canais de atendimento disponíveis. Art. 5º Os órgãos ou as entidades reguladoras competentes observarão as seguintes condições mínimas para o atendimento telefônico do consumidor: I - Horário de atendimento não inferior a oito horas diárias, com disponibilização de atendimento por humano; II - Opções mínimas constantes do primeiro menu, incluídas, obrigatoriamente, as opções de reclamação e de cancelamento de contratos e serviços; e III - tempo máximo de espera para: a) o contato direto com o atendente, quando essa opção for selecionada; e b) a transferência ao setor competente para atendimento definitivo da demanda, quando o primeiro atendente não tiver essa atribuição. Parágrafo único. Os órgãos ou as entidades reguladoras competentes poderão estabelecer, para o setor regulado, horário de atendimento telefônico por humano superior ao previsto no inciso I do caput. Art. 6º É obrigatória a acessibilidade em canais do SAC mantidos pelos fornecedores de que trata este Decreto, para uso da pessoa com deficiência, garantido o acesso pleno para atendimento de suas demandas. Parágrafo único. Ato da Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública disporá sobre a acessibilidade de canais de SAC, consideradas as especificidades das deficiências. Art. 7º As opções de acesso ao SAC constarão de maneira clara: I - Em todos os documentos e materiais impressos entregues ao consumidor na contratação do serviço e durante o seu fornecimento; e II - Nos canais eletrônicos do fornecedor. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405consideradas como serviços de notória especialização, tratando-se de atributo da atuação técnica do advogado, não extensível à sociedade de advogados. B) Todas as atividades privativas da advocacia são consideradas como serviços de notória especialização, conceito que se estende à atuação profissional do advogado ou da sociedade de advogados. C) Apenas exercem serviços de notória especialização o advogado ou a sociedade de advogados cujo trabalho seja possível inferir ser essencial e, indiscutivelmente, o mais adequado à plena satisfação do objeto do contrato. D) Apenas exercem serviços de notória especialização o advogado cujo trabalho seja possível inferir ser essencial e, indiscutivelmente, o mais adequado à plena satisfação do objeto do contrato, tratando-se de atributo da atuação técnica do advogado, não extensível à sociedade de advogados. R: LETRA C. PURA LETRA DE LEI, HEIN? FIQUE ATENTO AS MUDANÇAS TRAZIDAS PELA LEI 14.365/2022: Art. 2º O advogado é indispensável à administração da justiça. § 1º No seu ministério privado, o advogado presta serviço público e exerce função social (O Advocado presta serviço PÚBLICO e tem FUNÇÃO SOCIAL). § 2º No processo judicial, o advogado contribui, na postulação de decisão favorável ao seu constituinte, ao convencimento do julgador, e seus atos constituem múnus público. INOVAÇÃO LEGAL: § 2º-A. No processo administrativo, o advogado contribui com a postulação de decisão favorável ao seu constituinte, e os seus atos constituem múnus público (Ou seja, tem um fim social, atendem a sociedade). § 3º No exercício da profissão, o advogado é inviolável por seus atos e manifestações, nos limites desta lei. INOVAÇÃO LEGAL: Art. 2º-A. O advogado pode contribuir com o processo legislativo e com a elaboração de normas jurídicas, no âmbito dos Poderes da República. VEJA QUE A INOVAÇÃO ACIMA JÁ FOI COBRADA NO 36º EXAME: O advogado Francisco Campos, acadêmico respeitado no universo jurídico, por solicitação do Presidente da Comissão de Constituição e Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 9 Justiça da Câmara de Deputados, realizou estudos e sugestões para a alteração de determinado diploma legal. Sobre a atividade realizada por Francisco Campos, assinale a afirmativa correta. A) A contribuição de Francisco dá-se como a de qualquer cidadão, não se configurando atividade da advocacia, dentre as elencadas no Estatuto da Advocacia e da OAB. B) É vedada ao advogado a atividade mencionada junto ao Poder Legislativo. C) A referida contribuição de Francisco é autorizada apenas se Francisco for titular de mandato eletivo, hipótese em que, no que se refere ao exercício da advocacia, ele estará impedido. D) Enquanto advogado, é legítimo a Francisco contribuir com a elaboração de normas jurídicas, no âmbito dos Poderes da República. RESPOSTA: LETRA D. ATENÇÃO: DO EXERCÍCIO DE CARGOS E FUNÇÕES NA OAB E NA REPRESENTAÇÃO DA CLASSE O advogado, no exercício de cargos ou funções em órgãos da Ordem dos Advogados do Brasil ou na representação da classe junto a quaisquer instituições, órgãos ou comissões, públicos ou privados, manterá conduta consentânea com as disposições deste Código e que revele plena lealdade aos interesses, direitos e prerrogativas da classe dos advogados que representa. Não poderá o advogado, enquanto exercer cargos ou funções em órgãos da OAB ou representar a classe junto a quaisquer instituições, órgãos ou comissões, públicos ou privados, firmar contrato oneroso de prestação de serviços ou fornecimento de produtos com tais entidades nem adquirir bens imóveis ou móveis infungíveis de quaisquer órgãos da OAB, ou a estes aliená-los. Não há impedimento ao exercício remunerado de atividade de magistério na Escola Nacional de Advocacia – ENA, nas Escolas de Advocacia – ESAs e nas Bancas do Exame de Ordem, observados os princípios da moralidade e da modicidade dos valores estabelecidos a título de remuneração. Salvo em causa própria, não poderá o advogado, enquanto exercer cargos ou funções em órgãos da OAB ou tiver assento, em qualquer condição, nos seus Conselhos, atuar em PROCESSOS QUE TRAMITEM PERANTE A ENTIDADE NEM OFERECER PARECERES DESTINADOS A INSTRUÍ-LOS. DICA 04 EXERCÍCIO DA ADVOCACIA (Art. 3º, do EAOAB) O exercício da atividade de advocacia no território brasileiro e a denominação de advogado são privativos dos inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Exercem atividade de advocacia, sujeitando-se ao regime desta Lei, além do regime próprio a que se subordinem, os integrantes da Advocacia-Geral da União, da Procuradoria da Fazenda Nacional, da Defensoria Pública e das Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e das respectivas entidades de administração indireta e fundacional. DICA 05 POSTULAÇÃO (Art. 5º, do EAOAB) O advogado postula, em juízo ou fora dele, fazendo prova do mandato. Art. 14, CEDOAB. O advogado não deve aceitar procuração de quem já tenha patrono constituído, sem prévio conhecimento deste, Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 10 salvo por motivo plenamente justificável ou para adoção de medidas judiciais urgentes e inadiáveis. Em caso de URGÊNCIA, pode atuar SEM PROCURAÇÃO, desde que a apresente no prazo de QUINZE DIAS (prorrogável pelo mesmo período). PODERES: A procuração para o foro em geral habilita o advogado a praticar todos os atos judiciais, em qualquer juízo ou instância, salvo os que exijam poderes especiais. São poderes especiais: Receber citação, confessar, reconhecer a procedência do pedido, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre o qual se funda a ação, receber, dar quitação, firmar compromisso e assinar declaração de hipossuficiência econômica. O advogado que renunciar ao mandato continuará, durante os dez dias seguintes à notificação da renúncia, a representar o mandante, salvo se for substituído antes do término desse prazo. OBSERVAÇÃO: A notificação ao cliente é OBRIGATÓRIA. INOVAÇÃO LEGAL - Art. 5º, §54: As atividades de consultoria e assessoria jurídicas podem ser exercidas de modo verbal ou por escrito, a critério do advogado e do cliente, e independem de outorga de mandato (PROCURAÇÃO) ou de formalização por contrato de honorários. ATENÇÃO (Art. 16, CEDOAB): A renúncia ao patrocínio deve ser feita sem menção do motivo que a determinou, fazendo cessar a responsabilidade profissional pelo acompanhamento da causa, uma vez decorrido o prazo previsto em lei (10 dias, art. 5º, §3º, EAOAB). ATENÇÃO: A renúncia ao mandato não exclui responsabilidade por danos eventualmente causados ao cliente ou a terceiros (não será responsabilizado por omissão do cliente quanto a documento ou informação que lhe devesse fornecer para a prática oportuna de ato processual do seu interesse.). ATENÇÃO: A revogação do mandato judicial por vontade do cliente não o desobriga do pagamento das verbas honorárias contratadas, assim como não retira o direito do advogado de receber o quanto lhe seja devido em eventual verba honorária de sucumbência, calculada proporcionalmente em face do serviço efetivamente prestado (Art. 17, CEDOAB). E quanto ao substabelecimento, vale ler o artigo 26, do CEDOAB, o qual já fora estudado por nós: ATENÇÃO: O substabelecimento do mandato, com reserva de poderes, é ato pessoal do advogado da causa. § 1º O substabelecimento do mandato sem reserva de poderes exige o prévio e inequívoco conhecimento do cliente. § 2º O substabelecido com reserva de poderes deve ajustar antecipadamente seus honorários com o substabelecente. Mas o visto acima se dá por uma razão lógica, consubstanciada na diferençaentre os dois tipos de substabelecimento. Substabelecimento: Ato forma pelo qual o advogado substabelecido pelo cliente confere a outro advogado os poderes que lhes foram outorgados. Substabelecimento com reserva: Tipo de substabelecimento no qual o substabelecente continua com poderes para atuar na causa. Substabelecimento sem reserva: Tipo de substabelecimento no qual o substabelecente se desvincula completamente da causa, ficando sem nenhum tipo de poder. Portanto, para tal modalidade, se exige o PRÉVIO conhecimento do cliente! DICA 06 Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 11 ADVOGADO EMPREGADO (Art. 18º, EAOAB) O advogado empregado é aquele que possui vínculo empregatício, preenchendo os requisitos do artigo 2 e 3, da CLT. Apesar do vínculo de emprego, há isenção técnica e a independência do advogado. O advogado empregado não está obrigado à prestação de serviços profissionais de interesse pessoal dos empregadores, fora da relação de emprego. O salário mínimo do advogado deve ser fixado em sentença normativa, salvo se ajustado em acordo ou convenção coletiva de trabalho. As atividades do advogado empregado poderão ser realizadas, A CRITÉRIO DO EMPREGADOR, em qualquer um dos seguintes regimes: I - exclusivamente presencial: modalidade na qual o advogado empregado, desde o início da contratação (preste atenção aqui: DESDE O INÍCIO DA CONTRATAÇÃO), realizará o trabalho nas dependências ou locais indicados pelo empregador; II - não presencial, teletrabalho ou trabalho a distância: modalidade na qual, desde o início da contratação, o trabalho será preponderantemente realizado fora das dependências do empregador, observado que o comparecimento nas dependências de forma não permanente, variável ou para participação em reuniões ou em eventos presenciais (NÃO PODE HAVER HABITUALIDADE) não descaracterizará o regime não presencial; III - misto: modalidade na qual as atividades do advogado poderão ser presenciais, no estabelecimento do contratante ou onde este indicar, ou não presenciais, conforme as condições definidas pelo empregador em seu regulamento empresarial, independentemente de preponderância ou não. MODIFICAÇÃO DO REGIME DE TRABALHO: as partes poderão pactuar, por acordo individual simples, a alteração de um regime para outro. A jornada de trabalho do advogado empregado, quando prestar serviço para empresas, não poderá exceder a duração diária de 8 (oito) horas contínuas e a de 40 (quarenta) horas semanais. O QUE DEVE SER INCLUÍDO NA JORNADA: Considera-se como período de trabalho o tempo em que o advogado estiver à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, no seu escritório ou em atividades externas, sendo-lhe reembolsadas as despesas feitas com transporte, hospedagem e alimentação. As horas trabalhadas que excederem a jornada normal são remuneradas por um adicional não inferior a cem por cento sobre o valor da hora normal, mesmo havendo contrato escrito. As horas trabalhadas no período das vinte horas de um dia até as cinco horas do dia seguinte são remuneradas como noturnas, acrescidas do adicional de 25%. Nas causas em que for parte o empregador, ou pessoa por este representada, os honorários de sucumbência são devidos aos advogados empregados. ATENÇÃO: Se o advogado trabalhar em escritório (sociedade de advogados) são partilhados entre ele e a empregadora, na forma estabelecida em acordo. Entendimento acima abordado também foi cobrado no 36º Exame e quem estudou pelo DICAS acertou com facilidade: Hildegardo dos Santos, advogado, é contratado em regime de dedicação exclusiva como empregado da sociedade XPTO Advogados Associados. Em tal condição, Hildegardo atuou no patrocínio dos interesses de cliente da sociedade de advogados que se sagrou vencedor em demanda judicial. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 12 Hildegardo, diante dessa situação, tem dúvidas a respeito do destino dos honorários de sucumbência que perceberá, a serem pagos pela parte vencida na demanda judicial. Ao consultar a legislação aplicável, ele ficou sabendo que os honorários A) serão devidos à sociedade empregadora. B) constituem direito pessoal do advogado empregado. C) serão devidos à sociedade empregadora, podendo ser partilhados com o advogado empregado, caso estabelecido em acordo coletivo ou convenção coletiva. D) serão partilhados entre o advogado empregado e a sociedade empregadora, na forma estabelecida em acordo. RESPOSTA: LETRA D. ATENÇÃO: Os honorários de sucumbência, por decorrerem precipuamente do exercício da advocacia não integram o salário ou a remuneração, não podendo, assim, ser considerados para efeitos trabalhistas ou previdenciários (Art. 14, RGOAB). DICA 07 DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS (Art. 22º, EAOAB) Conforme depreende-se do artigo 22, do EAOAB, existem três tipos de honorários: honorários convencionados, aos fixados por arbitramento judicial e aos de sucumbência. Os honorários convencionados são os pactuados entre o advogado e o seu cliente/contratante. Consideram-se também honorários convencionados aqueles decorrentes da indicação de cliente entre advogados ou sociedade de advogados. Os honorários por arbitramento são estipulados na falta de acordo ou pactuação, sendo estipulados pelo Juiz e devendo ser observado o trabalho realizado e o valor econômico da causa. ATENÇÃO: não podem ser estabelecidos em % inferior ao estipulado na tabela da OAB. Os honorários de sucumbência são aqueles devidos pela parte vencida ao advogado. Como anteriormente já adiantado, não integram o salário do advogado empregado para fins trabalhistas e previdenciários. Fique atento, ainda: OS HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS NÃO EXCLUEM OS CONVENCIONAIS! Corroborando com o acima ressaltado, temos os seguintes dispositivos: CPC: Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. OAB Art. 22. A prestação de serviço profissional assegura aos inscritos na OAB o direito aos honorários convencionados, aos fixados por arbitramento judicial e aos de sucumbência. §6º: O disposto neste artigo aplica-se aos honorários assistenciais, compreendidos como os fixados em ações coletivas propostas por entidades de classe em substituição processual, sem prejuízo aos honorários convencionais. Vejamos como a OAB cobrou tal tema, no ano de 2021, no XXXIII Exame de Ordem: A entidade de classe X, atuando em substituição processual, obteve, no âmbito de certo processo coletivo, decisão favorável aos membros da categoria. A advogada Cleide patrocinou a demanda, tendo convencionado com a entidade, previamente, certo valor em honorários. Ao final do feito, foram fixados honorários sucumbenciais pelo juiz. Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa correta. Alternativas A) Cleide deverá optar entre os honorários convencionais e os sucumbenciais. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 13 B) Cleide terá direito aos honorários sucumbenciais, sem prejuízo dos honorários convencionais. C) Cleide só terá direito aos honorários convencionais e não aos sucumbenciais, que competirão à entidade de classe. D) Cleide terá apenas direito aos honorários convencionais e não aos sucumbenciais, que reverterão ao Fundo de Amparo ao Trabalhador. R: LETRA B! ATENÇÃO: De acordo com o artigo 24, §3º, do EAOAB, é nula qualquer disposição, cláusula, regulamento ou convenção individual ou coletiva que retire do advogado o direito ao recebimento dos honorários de sucumbência - No entanto, o STF, no julgamento da ADIN 1.194, declarou a inconstitucionalidade desse dispositivo, permitindo, assim, que as partes façam acordos em sentido contrário sobre a destinação da verba sucumbencial.Portanto, o direito aos honorários de sucumbência é considerado um direito disponível do advogado, o que permite que ele faça acordos ou renúncias relacionadas a essa verba. O prazo para COBRANÇA de honorários PRESCREVE em CINCO ANOS (art. 25, EAOAB) e inicia-se: - do vencimento do contrato, se houver. - do trânsito em julgado da decisão que os fixar. - da ultimação do serviço extrajudicial. - da desistência ou transação. - da renúncia ou revogação do mandato. Sobre a PRESCRIÇÃO, assim a banca examinadora fez cobrança no XXXI Exame, no ano de 2020: O advogado Fernando foi contratado por Flávio para defendê-lo, extrajudicialmente, tendo em vista a pendência de inquérito civil em face do cliente. O contrato celebrado por ambos foi assinado em 10/03/15, não prevista data de vencimento. Em 10/03/17, foi concluída a atuação de Fernando, tendo sido homologado o arquivamento do inquérito civil junto ao Conselho Superior do Ministério Público. Em 10/03/18, Fernando notificou extrajudicialmente Flávio, pois este ainda não havia adimplido os valores relativos aos honorários contratuais acordados. A ação de cobrança de honorários a ser proposta por Fernando prescreve em Alternativas A) três anos, contados de 10/03/15. B) cinco anos, contados de 10/03/17. C) três anos, contados de 10/03/18. D) cinco anos, contados de 10/03/15. R: LETRA B. Prescreve em cinco anos a ação de prestação de contas pelas quantias recebidas pelo advogado de seu cliente, ou de terceiros por conta dele. A decisão judicial que fixar ou arbitrar honorários e o contrato escrito que o estipular são títulos executivos e constituem crédito privilegiado na falência, concordata, concurso de credores, insolvência civil e liquidação extrajudicial. A execução dos honorários pode ser promovida nos mesmos autos da ação em que tenha atuado o advogado. Os honorários incluídos na condenação, por arbitramento ou sucumbência, pertencem ao advogado, tendo este direito autônomo para executar a sentença nesta parte. Se o advogado fizer juntar aos autos o seu contrato de honorários antes de expedir-se o mandado de levantamento ou precatório, o juiz deve determinar que lhe sejam pagos diretamente, por dedução da quantia a ser Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 14 recebida pelo constituinte, salvo se este provar que já os pagou. ACORDO PACTUADO: O acordo feito pelo cliente do advogado e a parte contrária, salvo aquiescência do profissional, não lhe prejudica os honorários, quer os convencionados, quer os concedidos por sentença. DISTRATO/RESCISÃO DE CONTRATO: ATENÇÃO – INOVAÇAO LEGAL: O distrato e a rescisão do contrato de prestação de serviços advocatícios, mesmo que formalmente celebrados, não configuram renúncia expressa aos honorários pactuados. ATENÇÃO: O advogado substabelecido, com reserva de poderes, não pode cobrar honorários sem a intervenção daquele que lhe conferiu o substabelecimento. ATENÇÃO – INOVAÇÃO LEGAL: Na hipótese de o advogado substabelecido, com reservas de poderes, possuir contrato celebrado com o cliente, PODE COBRAR OS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS! Na hipótese de falecimento ou incapacidade civil do advogado, os honorários de sucumbência, proporcionais ao trabalho realizado, são recebidos por seus sucessores ou representantes legais. Salvo estipulação contratual em sentido diverso, o pagamento dos honorários deve assim ser realizado: 1/3 devido no início do serviço, 1/3 até a decisão de primeira instância e o restante no final. SOBRE A FORMA DE COBRANÇA, ASSIM EXIGIU A OAB NO XXVIII Exame, no ano de 2019: Eduardo contrata o advogado Marcelo para propor ação condenatória de obrigação de fazer em face de João. São convencionados honorários contratuais, porém o contrato de honorários advocatícios é omisso quanto à forma de pagamento. Proposta a ação, Marcelo cobra de Eduardo o pagamento de metade dos honorários acordados. De acordo com o Estatuto da OAB, assinale a afirmativa correta. Alternativas A) Marcelo pode cobrar de Eduardo metade dos honorários, pois na ausência de estipulação sobre a forma de pagamento, metade dos honorários é devida no início do serviço e metade é devida no final. B) Marcelo pode cobrar de Eduardo metade dos honorários, pois na ausência de estipulação sobre a forma de pagamento, os honorários são devidos integralmente desde o início do serviço. C) Marcelo não pode cobrar de Eduardo metade dos honorários, pois na ausência de estipulação sobre a forma de pagamento, os honorários somente são devidos após a decisão de primeira instância. D) Marcelo não pode cobrar de Eduardo metade dos honorários, pois na ausência de estipulação sobre a forma de pagamento, apenas um terço é devido no início do serviço. R: LETRA D. O advogado, quando indicado para patrocinar causa de juridicamente necessitado, no caso de impossibilidade da Defensoria Pública no local da prestação de serviço, tem direito aos honorários fixados pelo juiz, segundo tabela organizada pelo Conselho Seccional da OAB, e pagos pelo Estado. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA NÃO INTEGRAM O SALÁRIO OU REMUNERAÇÃO: Os honorários de sucumbência, por decorrerem precipuamente do exercício da advocacia e só acidentalmente da relação de emprego, não integram o salário ou a remuneração, não podendo, assim, ser considerados para efeitos trabalhistas ou previdenciários. Parágrafo único. Os honorários de sucumbência dos advogados empregados constituem fundo comum, cuja destinação é decidida pelos profissionais integrantes do serviço jurídico da empresa ou por seus representantes. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 15 A prestação de serviços profissionais por advogado, individualmente ou integrado em sociedades, será contratada, preferentemente, por escrito (VEJA QUE NÃO HÁ OBRIGAÇÃO DA FORMA ESCRITA). O contrato de prestação de serviços de advocacia não exige forma especial, devendo estabelecer, porém, com clareza e precisão, o seu objeto, os honorários ajustados, a forma de pagamento, a extensão do patrocínio, esclarecendo se este abrangerá todos os atos do processo ou limitar-se-á a determinado grau de jurisdição, além de dispor sobre a hipótese de a causa encerrar-se mediante transação ou acordo. LEMBRE-SE DISSO: NÃO EXIGENCIA DE FORMA ESPECIAL! COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS E HONORÁRIOS: A compensação de créditos, pelo advogado, de importâncias devidas ao cliente, somente será admissível quando o contrato de prestação de serviços a autorizar ou quando houver autorização especial do cliente para esse fim, por este firmada. Sobre a COMPENSAÇÃO, assim a OAB cobrou no ano de 2022, no XXXIV Exame: O advogado César foi procurado pelo cliente Vinícius, que pretendia sua atuação defendendo-o em processo judicial. Ambos, então, ajustaram certo valor em honorários, por meio de contrato escrito. Na fase de execução do processo, César recebeu pagamentos de importâncias devidas a Vinícius e pretende realizar a compensação com os créditos de que é titular. Com base no caso narrado, assinale a afirmativa correta. Alternativas A) É admissível a compensação de créditos apenas na hipótese de o contrato de prestação de serviços a autorizar; se for silente o contrato, é vedada, mesmo diante de autorização posterior pelo cliente. B) É admissível a compensação de créditos somente se o contrato de prestação de serviços a autorizar; caso silente o contrato, é possível a compensação, se houver autorização especial firmada pelo cliente para esse fim. C) A compensação pretendida apenas será cabível se houver autorização especial firmada pelo cliente para esse fim; no contrato de prestação de serviços não é admitida a inclusão prévia de cláusula autorizativa de compensaçãode créditos. D) A compensação de créditos é vedada, não sendo admitida a inclusão prévia de cláusula autorizativa no contrato de prestação de serviços; tampouco, autoriza-se tal compensação, ainda que diante de autorização especial firmada pelo cliente para esse fim. R: LETRA B. REDUÇÃO DE HONORÁRIOS: É vedada, em qualquer hipótese, a diminuição dos honorários contratados em decorrência da solução do litígio por qualquer mecanismo adequado de solução extrajudicial. AVILTAMENTO DE HONORÁRIOS: O advogado SEMPRE deve observar o valor mínimo da Tabela de Honorários instituída pelo respectivo Conselho Seccional onde for realizado o serviço, inclusive aquele referente às diligências, sob pena de aviltamento (SALVO MOTIVO PLENAMENTE JUSTIFICÁVEL)! Sobre isso, ainda, vale registrar que os honorários profissionais devem ser fixados com moderação, atendidos os elementos seguintes: I – a relevância, o vulto, a complexidade e a dificuldade das questões versadas; II – o trabalho e o tempo a ser empregados; III – a possibilidade de ficar o advogado impedido de intervir em outros casos, ou de se desavir com outros clientes ou terceiros; Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 16 IV – o valor da causa, a condição econômica do cliente e o proveito para este resultante do serviço profissional; V – o caráter da intervenção, conforme se trate de serviço a cliente eventual, frequente ou constante; VI – o lugar da prestação dos serviços, conforme se trate do domicílio do advogado ou de outro; VII – a competência do profissional; VIII – a praxe do foro sobre trabalhos análogos. CLÁUSULA QUOTA LITIS: Na hipótese da adoção de cláusula quota litis (Quando os honorários serão fixados com base na vantagem financeira obtida pelo cliente em um processo judicial), os honorários devem ser necessariamente representados por pecúnia e, quando acrescidos dos honorários da sucumbência, não podem ser superiores às vantagens advindas a favor do cliente. Quando o objeto do serviço jurídico versar sobre prestações vencidas e vincendas, os honorários advocatícios poderão incidir sobre o valor de umas e outras, atendidos os requisitos da moderação e da razoabilidade. QUEM ESTUDA PELO DICAS NÃO ERRA. VEJAMOS COMO FOI COBRADO ACERCA DO TEMA NO 36º EXAME: Celso, advogado, foi contratado por Maria, servidora pública, para ajuizar ação com pedido de pagamento de determinada gratificação. O contrato celebrado entre eles prevê que Celso somente receberá honorários caso a demanda seja exitosa, em percentual do proveito econômico obtido por Maria. Em tal caso, é correto afirmar que A) os honorários contratuais não poderão incidir sobre o valor das parcelas vincendas da gratificação. B) os honorários foram pactuados de forma correta, já que, nessa hipótese, deveriam ser necessariamente representados por pecúnia. C) os honorários não podem ser superiores às vantagens advindas a favor de Maria, exceto se acrescidos aos honorários de sucumbência. D) os honorários contratuais não poderão incidir sobre o valor das parcelas vencidas da gratificação. REPOSTA: LETRA B! MAS FIQUE ATENTO: A participação do advogado em bens particulares do cliente só é admitida em caráter excepcional, quando esse, comprovadamente, não tiver condições pecuniárias de satisfazer o débito de honorários e ajustar com o seu patrono, em instrumento contratual, tal forma de pagamento. Os honorários da sucumbência e os honorários contratuais, pertencendo ao advogado que houver atuado na causa, poderão ser por ele executados, assistindo-lhe direito autônomo para promover a execução do capítulo da sentença que os estabelecer ou para postular, quando for o caso, a expedição de precatório ou requisição de pequeno valor em seu favor. No caso de substabelecimento, a verba correspondente aos honorários da sucumbência será repartida entre o substabelecente e o substabelecido, proporcionalmente à atuação de cada um no processo ou conforme haja sido entre eles ajustado. Mas lembre-se que, como visto, o advogado substabelecido, com reserva de poderes, não pode cobrar honorários sem a intervenção daquele que lhe conferiu o substabelecimento. CARTÃO DE CRÉDITO PARA HONORÁRIOS: É lícito ao advogado ou à sociedade de advogados empregar, para o recebimento de honorários, sistema de cartão de crédito, mediante credenciamento junto a empresa operadora do ramo. ATENÇÃO: Havendo necessidade de promover arbitramento ou cobrança judicial de honorários, deve o advogado renunciar Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 17 previamente ao mandato que recebera do cliente em débito. ATENÇÃO – INOVAÇÃO LEGAL – HONORÁRIOS E BLOQUEIO DE BENS DO CLIENTE: No caso de bloqueio universal do patrimônio do cliente por decisão judicial, garantir-se-á ao advogado a liberação de até 20% (vinte por cento) dos bens bloqueados para fins de recebimento de honorários e reembolso de gastos com a defesa, ressalvadas as causas relacionadas aos crimes previstos na Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006 (Lei de Drogas), e observado o disposto no parágrafo único do art. 243 da Constituição Federal. Veja como o tema foi cobrado no 38º Exame de ordem: Teresa Silva, advogada atuante na área criminal, tem como clientes Luiz, acusado de tráfico ilícito de drogas, e Roberto, acusado de crimes contra o sistema financeiro nacional. Após serem proferidas decisões judiciais que determinam o bloqueio universal dos patrimônios de Luiz e Roberto, Teresa se indaga a respeito dos meios disponíveis para obter os valores necessários ao reembolso de gastos com a defesa e ao recebimento de honorários desses clientes. Sobre esse assunto, é correto concluir que (A) garantir-se-á a Teresa a liberação de 20% (vinte por cento) dos bens bloqueados de Luiz para o fim de reembolso de gastos com a defesa, vedado o recebimento de honorários. (B) garantir-se-á a Teresa a liberação de 20% (vinte por cento) dos bens bloqueados de Roberto para o fim de reembolso de gastos com a defesa e o recebimento de honorários. (C) Teresa poderá optar pela venda de bens de Luiz em hasta pública para o reembolso de gastos com a defesa. (D) Teresa não poderá realizar a adjudicação de bens de Roberto para a satisfação dos honorários devidos. R: LETRA B. O pedido de desbloqueio de bens será feito em autos apartados, que permanecerão em sigilo, mediante a apresentação do respectivo contrato. Quando o bloqueio se tratar de dinheiro em espécie, de depósito ou de aplicação em instituição financeira, os valores serão transferidos diretamente para a conta do advogado ou do escritório de advocacia responsável pela defesa. Nos demais casos, o advogado poderá optar pela adjudicação do próprio bem ou por sua venda em hasta pública para satisfação dos honorários devidos. O valor excedente deverá ser depositado em conta vinculada ao processo judicial. A LEI 14.365/22 INCLUIU: Art. 22-A. Fica permitida a dedução de honorários advocatícios contratuais dos valores acrescidos, a título de juros de mora, ao montante repassado aos Estados e aos Municípios na forma de precatórios, como complementação de fundos constitucionais. Parágrafo único. A dedução a que se refere o caput deste artigo não será permitida aos advogados nas causas que decorram da execução de título judicial constituído em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal. Por fim, ressaltamos os seguintes dispositivos do CED: Art. 17. A revogação do mandato judicial por vontade do cliente não o desobriga do pagamento das verbas honorárias contratadas, assim como não retira o direito do advogado de receber o quanto lhe seja devido em eventual verba honorária de sucumbência,calculada proporcionalmente em face do serviço efetivamente prestado. Art. 71. Compete aos Tribunais de Ética e Disciplina: Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 18 VI - atuar como órgão mediador ou conciliador nas questões que envolvam: b) partilha de honorários contratados em conjunto ou decorrentes de substabelecimento, bem como os que resultem de sucumbência, nas mesmas hipóteses. DICA 08 INCOMPATIBILIDADES E IMPEDIMENTOS (Art. 27º AO 30º, EAOAB) Incompatibilidade e impedimento são DIVERSOS. Enquanto a incompatibilidade diz respeito à PROIBIÇÃO TOTAL, o impedimento diz respeito a proibição parcial do exercício da advocacia. As causas de incompatibilidade (são incompatíveis mesmo em CAUSA PRÓPRIA) encontram-se situadas junto ao artigo 28, do EAOAB. A incompatibilidade permanece mesmo que o ocupante do cargo ou função deixe de exercê- lo temporariamente (licença ou férias, por ex.). Não caracteriza a incompatibilidade os que não detenham poder de decisão relevante sobre interesses de terceiro, a juízo do conselho competente da OAB, bem como, a administração acadêmica diretamente relacionada ao magistério jurídico, bem como Advogados exercentes de mandado temporário de juiz eleitoral não estarão incompatíveis com a advocacia. As causas de impedimento encontram-se situadas junto ao artigo 30, do EAOAB. Em causas de impedimento, o profissional exerce a advocacia COM RESTRIÇÕES. Ex: Os servidores da administração direta, indireta ou fundacional NÃO PODEM ADVOGAR contra a Fazenda Pública que os remunere ou à qual seja vinculada a entidade empregadora (CUIDADO: docentes dos cursos jurídicos PODEM ADVOGAR contra a Fazenda Pública que os remuneram). Os membros do Poder Legislativo, em seus diferentes níveis, NÃO PODEM ADVOGAR contra ou a favor das pessoas jurídicas de direito público, empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações públicas, entidades paraestatais ou empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público. ATENÇÃO: Os Procuradores-Gerais, Advogados-Gerais, Defensores-Gerais e dirigentes de órgãos jurídicos da Administração Pública direta, indireta e fundacional são exclusivamente legitimados para o exercício da advocacia vinculada à função que exerçam, durante o período da investidura. Ou seja, podem exercer a advocacia apenas em favor do órgão ao qual se vinculam. ATENÇÃO MÁXIMA: INOVAÇÃO LEGAL DECLARADA INCONSTITUCIONAL PELO STF – ADVOCACIA EM CAUSA PRÓPRIA - ARTIGO 28, § 3º, DO ESTATUTO: As causas de incompatibilidade previstas nas hipóteses dos incisos V e VI (ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a atividade policial de qualquer natureza e militares de qualquer natureza, na ativa) do caput deste artigo não se aplicavam ao exercício da advocacia em causa própria, estritamente para fins de defesa e tutela de direitos pessoais, desde que mediante inscrição especial na OAB, vedada a participação em sociedade de advogados. Portanto, tínhamos que os policiais e militares na ativa podem advogar em CAUSA PRÓPRIA, DESDE QUE ESTA SEJA ESTRITAMENTE PARA FINS DE DEFESA E TUTELA DE DIREITOS PESSOAIS, E QUE ELES TENHAM INSCRIÇÃO ESPECIAL NA OAB!!!!!!! A inscrição especial acima falada deveria constar do documento profissional de registro Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 19 na OAB e não isenta o profissional do pagamento da contribuição anual, de multas e de preços de serviços devidos à OAB, na forma por ela estabelecida!! CONTUDO, EM JULGAMENTO REALIZADO NA DATA DE 17/03/2023, Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucionais as alterações no Estatuto da Advocacia que autorizavam policiais e militares da ativa a exercer a advocacia em causa própria (§§3º e 4º do artigo 28). Segundo o entendimento da Corte, não é possível conciliar as atividades de policiais e militares da ativa com o exercício da advocacia, ainda que na atuação em causa própria, sem que ocorram conflitos de interesses e derrogação dos regimes jurídicos de cada carreira. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.227 foi ajuizada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra dispositivos incluídos ao texto original do Estatuto, de 1994, pela Lei 14.365/2022. ATENÇÃO: É vedada cobrança em valor superior ao exigido para os demais membros inscritos. OBS: NÃO PODEM PARTICIPAR DE SOCIEDADE DE ADVOCACIA!! DICA 09 SOCIEDADE DE ADVOGADOS (Art. 15º AO 17º, EAOAB) O artigo 15, do Estatuto, diz que os advogados podem reunir-se em sociedade simples de prestação de serviços de advocacia ou constituir sociedade unipessoal de advocacia. Já o art. 37, do RGOAB, diz que os advogados podem constituir sociedade simples, unipessoal ou pluripessoal, de prestação de serviços de advocacia, a qual deve ser regularmente registrada no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede. §1º As atividades profissionais privativas dos advogados são exercidas individualmente, ainda que revertam à sociedade os honorários respectivos. Art. 42, RGOAB: Podem ser praticados pela sociedade de advogados, com uso da razão social, os atos indispensáveis às suas finalidades, que não sejam privativos de advogado. As sociedades de advogados são sempre SOCIEDADES SIMPLES, esteja constituída por dois ou mais advogados ou por um único advogado. Classificam-se como: I) pluripessoal: dois ou mais advogados; II) unipessoal (individual): um único advogado. O início da PERSONALIDADE JURÍDICA começa com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede. As procurações devem ser outorgadas individualmente aos advogados e indicar a sociedade de que façam parte. Nenhum advogado pode integrar mais de uma sociedade de advogados, constituir mais de uma sociedade unipessoal de advocacia, ou integrar, simultaneamente, uma sociedade de advogados e uma sociedade unipessoal de advocacia, com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho Seccional. O ato de constituição de filial deve ser averbado no registro da sociedade e arquivado no Conselho Seccional onde se instalar, ficando os sócios, inclusive o titular da sociedade unipessoal de advocacia, obrigados à inscrição suplementar. Confere aí como o entendimento foi cobrado no XXXII Exame, o exame do CAOS: Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 20 A sociedade de advogados “A e B Advogados” está sediada no Rio de Janeiro. Entretanto, em razão das circunstâncias de mercado dos seus clientes, verificou que seria necessário ao bom desempenho das suas atividades profissionais constituir uma filial em São Paulo. No que se refere ao ato de constituição da filial e a atuação dos sócios, assinale a afirmativa correta. Alternativas A) O ato de constituição da filial deve ser averbado no registro da sociedade e arquivado no Conselho Seccional de São Paulo, ficando todos seus sócios obrigados à inscrição suplementar junto ao Conselho Seccional de São Paulo. B) O ato de constituição da filial deve ser averbado no registro da sociedade e arquivado no Conselho Seccional de São Paulo, ficando obrigados à inscrição suplementar junto ao Conselho Seccional de São Paulo apenas aqueles sócios que habitualmente exercerem a profissão naquela localidade, considerando-se habitualidade a intervenção judicial que exceder cinco causas por ano. C) O ato de constituição da filial deve ser averbado no registro da sociedade e arquivado no Conselho Seccional do Rio de Janeiro, ficando obrigados à inscrição suplementar junto ao Conselho Seccional de São Paulo apenas aqueles sóciosque habitualmente exercerem a profissão naquela localidade, considerando-se habitualidade a intervenção judicial que exceder cinco causas por ano. D) O ato de constituição da filial deve ser averbado no registro da sociedade e arquivado no Conselho Seccional do Rio de Janeiro, ficando todos seus sócios obrigados à inscrição suplementar junto ao Conselho Seccional de São Paulo. R: LETRA A. Os advogados sócios de uma mesma sociedade profissional não podem representar em juízo clientes de interesses opostos. SOBRE O ACIMA VISTO, VEJAMOS COMO A OAB COBROU NO 36º EXAME: Recém formadas e inscritas na OAB, as amigas Fernanda e Júlia desejam ingressar no mercado de trabalho. Para tanto, avaliam se devem constituir sociedade unipessoal de advocacia ou atuar em sociedade simples de prestação de serviços de advocacia. Constituída a sociedade, Fernanda e Júlia deverão observar que A) a sociedade unipessoal de advocacia adquire personalidade jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no cartório de registro civil de pessoas jurídicas, sujeito a homologação da OAB. B) as procurações devem ser outorgadas à sociedade de advocacia e indicar individualmente os advogados que dela façam parte. C) poderão integrar simultaneamente uma sociedade de advogados e uma sociedade unipessoal de advocacia com sede na mesma área territorial do respectivo Conselho Seccional. D) os advogados integrantes da sociedade não poderão representar em juízo clientes de interesses opostos. RESPOSTA: LETRA D. A razão social da sociedade deve ter, obrigatoriamente, o nome de, pelo menos, um advogado responsável pela sociedade, podendo permanecer o de sócio falecido, desde que prevista tal possibilidade no ato constitutivo. A denominação da sociedade unipessoal de advocacia deve ser obrigatoriamente formada pelo nome do seu titular, completo ou Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 21 parcial, com a expressão “Sociedade Individual de Advocacia”. A das quotas de uma sociedade de advogados, independentemente das razões que motivaram tal concentração. Confere como o tema foi abordado no XXXI Exame de Ordem: Os sócios Antônio, Daniel e Marcos constituíram a sociedade Antônio, Daniel & Marcos Advogados Associados, com sede em São Paulo e filial em Brasília. Após desentendimentos entre eles, Antônio constitui sociedade unipessoal de advocacia, com sede no Rio de Janeiro. Marcos, por sua vez, retira-se da sociedade Antônio, Daniel & Marcos Advogados Associados. Sobre a situação apresentada, assinale a afirmativa correta. Alternativas A) Daniel não está obrigado a manter inscrição suplementar em Brasília, já que a sociedade Antônio, Daniel & Marcos Advogados Associados tem sede em São Paulo. B) Antônio deverá retirar-se da Antônio, Daniel & Marcos Advogados Associados, já que não pode integrar, simultaneamente, uma sociedade de advogados e uma sociedade unipessoal de advocacia. C) Mesmo após Marcos se retirar da sociedade Antônio, Daniel & Marcos Advogados Associados permanece o impedimento para que ele e Antônio representem em juízo clientes com interesses opostos. D) Caso Antônio também se retire da Antônio, Daniel & Marcos Advogados Associados, a sociedade deverá passar a ser denominada Daniel Sociedade Individual de Advocacia. R: LETRA D. A razão social da sociedade deve ter, obrigatoriamente, o nome de, pelo menos, um advogado responsável pela sociedade, podendo permanecer o de sócio falecido, desde que prevista tal possibilidade no ato constitutivo. Não podem ser registradas e nem podem funcionar as espécies de sociedades de advogados que apresentem forma ou características de sociedade empresária, que adotem nome fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio ou titular de sociedade unipessoal de advocacia pessoa não inscrita como advogado ou totalmente proibida de advogar. Ainda, é proibido o registro, nos cartórios de registro civil de pessoas jurídicas e nas juntas comerciais, de sociedade que inclua, entre outras finalidades, a atividade de advocacia. O tema foi abordado no XXXIV Exame de Ordem: A sociedade empresária Y presta, com estrutura organizacional, atividades de consultoria jurídica e de orientação de marketing para pequenos empreendedores. Considerando as atividades exercidas pela sociedade hipotética, assinale a afirmativa correta. Alternativas A) A sociedade Y deve ter seus atos constitutivos registrados apenas na Junta Comercial. B) A sociedade Y deve ter seus atos constitutivos registrados apenas no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tem sede. C) É vedado o registro dos atos constitutivos da sociedade Y nos Conselhos Seccionais da OAB e também é vedado seu registro na Junta Comercial. D) Os atos constitutivos da sociedade Y devem ser registrados na Junta Comercial e no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tem sede. R: LETRA C. Licensed to Marina Tavolaro Meirelles - marinatavolaro2402@gmail.com - 02406731405 22 Além da sociedade, o sócio e o titular da sociedade individual de advocacia respondem subsidiária e ilimitadamente pelos danos causados aos clientes por ação ou omissão no exercício da advocacia, sem prejuízo da responsabilidade disciplinar em que possam incorrer. Vê aí como a OAB fez a cobrança do tema no XXXIV Exame de Ordem: Anderson, titular de sociedade individual de advocacia, é contratado pela sociedade empresária Polvilho Confeitaria Ltda. para atuar em sua defesa em ação judicial ajuizada por Pedro, consumidor insatisfeito. No curso da demanda, a impugnação ao cumprimento de sentença não foi conhecida por ter sido injustificadamente protocolizada por Anderson após o prazo previsto em lei, o que faz com que Pedro receba valor maior do que teria direito e, consequentemente, a sociedade empresária Polvilho Confeitaria Ltda. sofra danos materiais. Diante dessa situação, Anderson, sem prejuízo da responsabilidade disciplinar em que possa incorrer, poderá responder com seu patrimônio pessoal pelos danos materiais causados à sociedade empresária Polvilho Confeitaria Ltda. Alternativas A) Solidariamente, com a sociedade individual de advocacia e de forma ilimitada. B) Subsidiariamente, em relação à sociedade individual de advocacia e de forma ilimitada. C) Solidariamente, com a sociedade individual de advocacia e de forma limitada. D) Subsidiariamente, em relação à sociedade individual de advocacia e de forma limitada. R: LETRA B. ATENÇÃO: EM SE TRATANDO DE SOCIEDADE UNIPESSOAL (INDIVIDUAL), EM CASO DE FALECIMENTO DO TITULAR, EXCLUSÃO DOS QUADROS DA OAB OU INCOMPATIBILIDADE DEFINITIVA, A SOCIDADE SERÁ EXTINTA. ATENÇÃO: Em se tratando de sociedade pluripessoal, não havendo previsão no ato constitutivo, a Sociedade de Advogados não se dissolve, nem se extingue, com a morte de qualquer um dos sócios, cujas quotas devem ser liquidadas para pagamento dos herdeiros, legítimos e testamentários, com redução ou não do capital social. ATENÇÃO: O impedimento ou a incompatibilidade em caráter temporário do advogado não o exclui da sociedade de advogados à qual pertença e deve ser averbado no registro da sociedade, observado o disposto nos arts. 27, 28, 29 e 30 desta Lei e proibida, em qualquer hipótese, a exploração de seu nome e de sua imagem em favor da sociedade. ATENÇÃO: Em se tratando de sociedade pluripessoal, não havendo previsão no ato constitutivo, a Sociedade de Advogados não se dissolve, nem se extingue, com a morte de qualquer um dos sócios, cujas quotas devem ser liquidadas para pagamento dos herdeiros, legítimos e testamentários, com redução ou não do capital social. ATENÇÃO ÀS INOVAÇÕES TRAZIDAS PELA LEI 14.365/2022: § 8º,