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1 
 
 
ABORDAGEM FISIOTERAPÊUTICA NAS LESÕES 
DOS MEMBROS SUPERIORES 
2 
 
 
 
1. Sumário 
1. Sumário ...................................................................................... 2 
1. INTRODUÇÃO ........................................................................ 4 
1. METODOLOGIA ...................................................................... 6 
1. ABORDAGEM FISIOTERAPÊUTICA NAS LESÕES DOS 
MEMBROS SUPERIORES ......................................................................... 7 
1. FRATURA DE CABEÇA DE RÁDIO ........................................ 7 
2. INSTABILIDADE DO OMBRO ............................................... 10 
3. LESÕES TRAUMÁTICAS DE PUNHO .................................. 24 
4. LUXAÇÃO AGUDA DE OMBRO – AVALIAÇÃO E 
TRATAMENTO ......................................................................................... 30 
1. FRATURAS DA REGIÃO PROXIMAL DO ÚMERO, DE 
CLAVÍCULA E ESCÁPULA ...................................................................... 38 
2. RUPTURA DO MANGUITO ROTADOR ................................ 41 
3. LUXAÇÃO DO COTOVELO .................................................. 46 
4. FRATURA DO ESCAFÓIDE ................................................. 49 
5. SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO .................................... 51 
6. LESÃO DOS TENDÕES FLEXORES ................................... 55 
7. . LESÃO DOS TENDÕES EXTENSORES ............................ 58 
8. CONCLUSÃO ........................................................................ 62 
9. REFERÊNCIAS ..................................................................... 64 
 
 
 
 
3 
 
 
FACUMINAS 
A história do Instituto FACUMINAS, inicia com a realização do sonho 
de um grupo de empresários, em atender a crescente demanda de alunos 
para cursos de Graduação e Pós-Graduação.Com isso foi criado a 
FACUMINAS, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível 
superior. 
A FACUMINAS tem por objetivo formar diplomados nas diferentes 
áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para 
a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos 
culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e 
comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de 
comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de 
forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir 
uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma 
das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela 
inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
A fisioterapia ortopédica e traumatológica atua na prevenção e no 
tratamento de distúrbios do sistema musculoesquelético, tratam disfunções 
osteomioarticulares e tendíneas resultantes de traumas e suas conseqüências 
imediatas e tardias, lesões por esforços repetitivos e patologias ortopédicas. 
Seu objetivo é preservar, manter (forma preventiva), desenvolver ou 
restaurar (reabilitação) a integridade de órgãos, sistema ou função. 
O membro superior é rico em detalhes e funcionalidade, podendo ser 
dividido em articulações principais: complexo do ombro, cotovelo, antebraço, 
punho e mão. Devido à riqueza de componentes e funções dos membros 
superiores (MMSS), várias patologias podem interferir no seu correto 
desempenho. 
Os principais e mais numerosos acometimentos são os traumáticos, 
pois além de interferir na funcionalidade normal, essas alterações podem 
causar dor, diminuição da mobilidade, fraqueza muscular, instabilidade e 
compensações, podendo acarretar sequelas permanentes (KAPANJI, 2000; 
MAGEE, 2005). 
A função normal do membro superior inclui a capacidade de alcance 
direcionado, preensão e manipulação de objetos. Tais componentes formam 
a base da capacidade motora requerida para a realização das atividades de 
vida diária (AVD) com eficiência. 
O ombro é a articulação mais móvel do corpo humano, permitindo 
flexão, extensão, abdução, adução, abdução e adução horizontais e rotação 
medial e lateral do úmero e ainda o movimento de circundução, sendo este a 
combinação dos movimentos elementares ao redor dos três eixos, forçados 
em sua amplitude máxima (KAPANDJI, 2000). 
O cotovelo é uma articulação estruturalmente estável, que ajuda a 
posicionar a mão, compreendido por três articulações: umeroulnar, 
5 
 
 
umeroradial que permitem os movimentos de flexão e extensão e ainda 
radioulnar proximal (MAGEE, 2005). 
O antebraço é constituído por dois ossos paralelos: o rádio e a ulna que 
são unidos basicamente pela membrana interóssea e por três músculos: o 
pronador redondo, o pronador quadrado e o supinador. 
Além da membrana interóssea e dos três músculos que unem o rádio 
á ulna, existe o complexo da fibrocartilagem triangular do punho, que também 
contribui para a estabilidade axial dos dois ossos do antebraço. As 
articulações proximais e distais entre o rádio e a ulna permitem que o rádio 
mude de posição (gire sobre a ulna) resultando nos movimentos de pronação 
e supinação. 
O complexo punho e mão é constituído pela articulação radioulnar 
distal que é formada pela cabeça da ulna e a incisura ulnar do rádio. A 
articulação radiocárpica é composta pela extremidade distal do rádio e pelos 
três ossos da fileira proximal do carpo: escafóide, semilunar e piramidal. 
Articulações cárpicas entre a fileira proximal do carpo, com exceção do 
pisiforme e a fileira distal do carpo: trapézio, trapezóide, capitato e hamato. 
Articulações carpometacárpicas são aquelas entre os quatro ossos da 
fileira distal do carpo e a base dos metacarpos. Articulações intermetacárpicas 
são formadas pelas faces laterais e mediais dos metacarpos. 
Articulações metacarpofalângicas estão entre as cabeças dos 
metacarpos e a base das falanges proximais. Articulações interfalângicas 
estão entre as falanges (KAPANDJI, 2000; MAGEE, 2005). 
Ainda que as articulações do antebraço, do punho e da mão sejam 
discutidas separadamente, elas não atuam isoladamente e sim como grupos 
funcionais. Sendo que a posição de uma articulação influencia na posição e 
ação de outras articulações (MAGEE, 2005). 
 
6 
 
 
 
 
 
1. METODOLOGIA 
Para a construção deste material, foi utilizada a metodologia utilizada 
de pesquisa bibliográfica, com o intuito de proporcionar um levantamento de 
maior conteúdo teórico a respeito dos assuntos abordados. 
Através de pesquisa bibliográfica em diversas fontes, o estudo se 
desenvolve com base na opinião de diversos autores, concluindo que a 
formação e a motivação são energias que conduzem a atividade humana para 
o alcance dos objetivos de excelência na prestação de serviços públicos e 
podem também se converter nos principais objetivos da gestão de pessoas 
no setor público e no fundamento de sua existência. 
Segundo Gil, a pesquisa bibliográfica consiste em um levantamento de 
informações e conhecimentos acerca de um tema a partir de diferentes 
materiais bibliográficos já publicados, colocando em diálogo diferentes 
autores e dados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
 
1. ABORDAGEM FISIOTERAPÊUTICA NAS LESÕES DOS 
MEMBROS SUPERIORES 
 
1. FRATURA DE CABEÇA DE RÁDIO 
As fraturas da cabeça do rádio têm lugar importante entre as lesões 
traumáticas do cotovelo. O tratamento fisioterapêutico é indicado por ser 
benéfico para controle da inflamação, melhora da cicatrização, diminuição do 
edema e da dor, aumento da força e da amplitude de movimento. 
O cotovelo, articulação do tipo ovóide, é composto pela junção de três 
ossos: úmero, rádio e ulna, se apresentando como uma única articulação, 
entretanto a fisiologia permite distinguir duas funções: a flexo-extensão e a 
prono-supinaçãograndes 
instabilidades ou lesão neurovascular (ZILMER, 2005). 
Objetivos Específicos 
Os objetivos da fisioterapia são controlar inflamação, reduzir dor e 
edema, favorecer cicatrização de lesões, prevenir contratura da articulação do 
cotovelo, manter amplitude de movimento das articulações não envolvidas, 
recuperar função normal do cotovelo ganhando ADM e FM e retornar 
gradualmente as atividades (ZILMER, 2005). 
 
Fisioterapia 
 
Intervenção fisioterapêutica FASE I 
 
• Nessa fase são indicados proteção e repouso da articulação, porém 
exercícios para as articulações não envolvidas devem ser orientados 
(exercícios como de preensão, exercícios ativos de punho e ombro em todos 
os planos e exercícios isométricos para flexores e extensores de punho); 
• Para dor e edema recursos eletroterapêuticos e físicos: TENS, turbilhão, 
ultrassom, infravermelho, laser e/ou gelo conforme quadro clínico do paciente; 
• A mobilização da articulação deve ser precoce para prevenir contratura 
articular, porém deve ser realizada sem causar dor ou estresse ao tecido 
lesado (ZILMER, 2005). 
Intervenção fisioterapêutica FASE II 
• Após retirada da imobilização exercícios ativo-assistidos e ativos devem ser 
iniciados para ganho de ADM sendo realizado de forma suave e indolor (com 
auxílio do fisioterapeuta, e por meio de bastão, prono-supinador e outros 
dispositivos); 
• Alongamento para musculatura flexora e extensora do cotovelo (a 
intensidade e duração do alongamento conforme tolerância do paciente); 
• Mobilização articular; 
49 
 
 
• Exercícios resistidos são iniciados quando ADM do cotovelo estiver 
completa, iniciando com exercícios isométricos e evoluindo para isotônicos 
(ZILMER, 2005). 
 
4. FRATURA DO ESCAFÓIDE 
 
As fraturas do escafoide estão entre as fraturas mais comuns de punho 
depois das fraturas distais do rádio. Em função da sua localização e função, 
o escafoide é um osso muito vulnerável a traumatismos, a fratura geralmente 
ocorre com a queda ou impacto sobre a mão espalmada. Por vezes, a fratura 
de escafoide pode passar despercebida em uma radiografia sendo detectada 
só dias após (SARTORETO, 2005). 
Manifestações clínicas 
 
Dor à palpação na região da tabaqueira anatômica do punho e nos 
movimentos extremos do punho, edema sobre escafóide, ADM reduzida, 
tumefação ou equimose (SARTORETO, 2005). 
 
Tratamento 
É importante a localização da fratura para determinar o tratamento, pois pode 
necessitar de cirurgia ou somente imobilização. As principais complicações da 
fratura do escafoide são: pseudoartrose, necrose avascular e artrose pós-
traumática. Essas complicações ocorrem especialmente em razão de três 
fatores: falta de diagnóstico inicial, tratamentos inadequados ou déficit 
vascular devido às características anatômicas do osso (SARTORETO, 2005). 
 
Objetivos Específicos 
• Restaurar ADM do polegar e do punho; 
• Fortalecer os músculos abdutores, longo e curto do polegar, extensores 
longo e curto do polegar, flexores longo e curto do polegar, e dos flexores 
ulnar e radial do carpo; 
50 
 
 
• Treinar retorno às AVDs (SARTORETO, 2005). 
 
Fisioterapia 
É recomendado um cuidado especial com acompanhamento da consolidação 
óssea, para que possam ser traçadas as diretrizes que irão nortear a 
fisioterapia (SARTORETO, 2005). 
 
Intervenção fisioterapêutica FASE I (2 primeiras semanas) 
Não havendo imobilização longa são permitidos: 
• Para dor recursos eletroterapêuticos e físicos: TENS, turbilhão, ultrassom, 
laser, gelo conforme quadro clínico do paciente; 
• Exercícios de ADM ativos livres para cotovelo e ombro; 
• Exercícios isométricos para bíceps, tríceps e deltoide; 
• Evitar movimentos bruscos, como prono-supinação. 
 
Intervenção fisioterapêutica FASE II (após 15 dias) 
• Incentivar movimentos ativos e passivos de dedos; 
 
Intervenção fisioterapêutica FASE III (6 semanas) 
• Prono-supinação ainda deverá ser restringida; 
• Fortalecimento para os músculos bíceps, braquial, tríceps, peitoral maior e 
deltoide (com auxílio de halteres, faixas elásticas); 
• Havendo evidência radiológica de consolidação, iniciam-se exercícios ativos 
suaves para o punho (flexão/extensão) bem como oposição, e 
flexão/extensão do polegar (antes destes exercícios cabe ressaltar a 
realização de turbilhão ou infra-vermelho para aumentar extensibilidade); 
• Mobilização e tração articular; 
• Deslizamento dorsal para ganho de flexão e deslizamento volar. 
 
Intervenção fisioterapêutica FASE IV (8 semanas) 
• Começar movimento de prono-supinação (pode-se utilizar prono-supinador); 
51 
 
 
• Após 10ª semana começar exercícios de força de preensão; 
• Acrescentar aos movimentos de flexo-extensão deslizamento ulnar e radial. 
Isométricos: 
 Figura 9: 
 
Acessado https://www.google.com/search?q=fisioterapia+cotovelo+pos+cirurgico em 13-07-2020 14:37hs. 
 
 
 
 
5. SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO 
 
A Síndrome do Túnel do Carpo é resultado da compressão do nervo 
mediano que passa dentro do canal do carpo, acomete mais mulheres na faixa 
etária de 40-60 anos, e as causas, dentre outras, são: sequelas de fraturas, 
poliartrite reumatoide, gota, acromegalia, mixedema, lesões das bainhas 
tenossinoviais carpianas ou simplesmente microtraumatismos por 
movimentos repetitivos de flexão-extensão dos dedos com flexão dorsal do 
punho (ORTIZ, 2005). 
https://www.google.com/search?q=fisioterapia+cotovelo+pos+cirurgico
52 
 
 
 
Manifestações clínicas 
Sintomas sensitivos e motores são observados no início da síndrome 
do túnel do carpo como: formigamento nos dedos e uma vaga sensação de 
dolorido no punho, hiperestesia, adormecimento ou sensação de desconforto 
nos 3 dedos radiais, dificuldade para realizar movimentos suaves, e os 
músculos tênares inervados pelo nervo mediano também são afetados, 
surgindo instalação de fraqueza muscular, atrofia muscular, e finalmente, 
perda da capacidade de oposição do polegar (ORTIZ, 2005). 
Tratamento 
O tratamento da síndrome direciona-se para o alívio da pressão sobre 
o nervo mediano e, portanto, para a eliminação da isquemia; sendo, às vezes, 
necessária uma intervenção cirúrgica. 
O tratamento conservador consiste no uso de órtese em posição 
neutra, nas infiltrações de corticoides e na fisioterapia com objetivo de 
analgesia. O tratamento cirúrgico visará o alcance descompressivo e será 
aplicado em caso de falha do tratamento conservador (ORTIZ, 2005). 
Objetivos Específicos 
Melhorar quadro álgico, melhorar a parestesia, restabelecer ADM e FM. 
Fisioterapia 
Intervenção fisioterapêutica no tratamento conservador 
• Evitar movimentos que piorem o quadro álgico; 
• Uso da órtese; 
• Uso de recursos eletroterapêuticos e físicos: TENS, ultrassom (fonoforese 
com cataflan tópico), laser, gelo com finalidade de analgesia; 
• Exercícios de ADMA para ombro, cotovelo, antebraço e dedos; 
• Alongamentos de flexores e extensores de punho; 
• Exercícios tonificadores e massagem nos músculos com parestesia. 
Intervenção fisioterapêutica no tratamento pós-cirúrgico Fase I: 
53 
 
 
• Controle do edema: crioterapia 20 minutos (pode ser realizado várias vezes 
ao dia, cabendo ao fisioterapeuta a orientação, dando intervalos de pelo 
menos 2 horas entre uma aplicação e outra); 
• Utilização do laser para ajudar no processo de cicatrização; 
• Os cuidados com a cicatriz são iniciados com massagem depois que a ferida 
estiver plenamente cicatrizada (cyriax); 
• Para dor são utilizados recursos eletroterapêuticos e físicos: turbilhão (após 
cicatrização), TENS, ultrassom, laser, gelo conforme quadro clínico do 
paciente; 
• Exercícios de ADMA para ombro, cotovelo, antebraço; 
• Iniciar os exercícios ativos e passivos de amplitude de movimento para 
punho e dedos juntamente com exercícios leves de fortalecimento da pressão; 
Reeducar sensibilidade: atividades de dessensibilização(massagem manual 
suave, utilizar texturas-algodão, escova de dente, esponja lado fino e áspero, 
e lixa) são iniciadas se existir hipersensibilidade no local da incisão; 
Intervenção fisioterapêutica Fase II (4 a 6 semanas): 
• Continuar massagem cicatricial e ir aumentando a pressão da massagem 
manual; 
• Mobilização passiva, ativo-assistida do punho e dedos; 
• Exercícios de ADMA para punho (flexão, extensão, desvio ulnar e desvio 
radial); 
• Com cerca de 4 a 6 semanas após a cirurgia podem ser iniciados os 
exercícios de fortalecimento de punho (em geral espera-se que a força seja 
recuperada de 3 a 4 meses após a operação punho, podem ser realizados 
com halteres, e faixa elástica, digiflex); 
• Estimulação elétrica funcional (FES); 
• Continuar com técnicas de dessensibilização (já descritas); 
• Iniciar alongamentos de flexores e extensores de punhos de forma suave; 
• Exercícios funcionais (pinça de dedos com bolinha de gude e chumbinho, 
abotoar grandes e pequenos botões e zíper, exercícios de preensão com 
bolinhas); 
54 
 
 
• Orientações ergonômicas (evitar atividades de preensão mais pesadas como 
lavar e torcer roupas, evitar carregar sacolas com preensão de punhos e 
dedos e sim dar preferência para carregá-las no antebraço, entre outras 
orientações com intuito de evitar recidiva da lesão). 
Intervenção fisioterapêutica Fase III: 
• Continuar com alongamentos de punho; 
• Continuar massagem cicatricial; 
• Progredir com exercícios de fortalecimento conforme tolerado; 
• Iniciar atividades direcionadas ao retorno ao trabalho. 
Figura 10: 
 
 
 
 
 
55 
 
 
Figura 11:
 
 
 
 
6. LESÃO DOS TENDÕES FLEXORES 
 
A lesão traumática dos tendões flexores é bastante comum e grave, 
pois afeta a função de preensão da mão, e seu tratamento é complexo. A 
ruptura dos tendões flexores ocorre com bastante frequência e as causas 
mais frequentes são trauma agudo, trauma agudo direto com material cortante 
ou arma branca, queda sobre vidro, etc. Há um maior risco de lesão nas 
modalidades esportivas em que se usa o membro superior diretamente, como 
o basquete e a ginástica (LEÃO, 2005). 
Objetivos Específicos 
O objetivo principal do tratamento é o restabelecimento da função da mão no 
menor intervalo de tempo possível. Para tanto é necessário promover 
analgesia, reduzir processo inflamatório, restabelecer ADM, melhorar FM e 
reeducar sensibilidade (LEÃO, 2005). 
Fisioterapia 
REABILITAÇÃO APÓS REPARO DO TENDÃO FLEXOR: 
1) NO TENDÃO IMOBILIZADO 
Intervenção Fase precoce (0–3 a 4 semanas) 
• Utilização de órtese dorsal: punho em 30° de flexão; metacarpofalangeanas 
(MFS) em flexão de 40º à 60°; e interfalangeanas (IFS) em extensão- Estas 
órteses são confeccionadas pela TO, projeto REAMA; 
56 
 
 
• Exercícios de ADMA para articulações não envolvidas dos membros 
superiores; 
• Tratamento do edema com crioterapia por 20 minutos e da ferida com laser 
para auxiliar na cicatrização. 
Intervenção Fase Intermediária - precoce: (1 a 2 semanas ) 
• Exercícios de flexo-extensão passiva dos dedos; 
• Exercícios de deslizamento tendinoso (são exercícios elaborados para 
manter ou desenvolver o deslizamento livre entre os tendões flexor profundo 
e superficial dos dedos e entre os tendões e ossos do punho, mão e dedos 
(Kisner, 2009) (mão reta, gancho em garra), punho cerrado, ângulo reto 
(intrínseca positiva) e punho reto); 
• Laser e ultrassom para ajudar no processo de cicatrização; 
• Exercícios de tenodese (ao realizar flexão de punho realizar 
simultaneamente extensão de dedos, ao realizar extensão de punho realizar 
simultaneamente a flexão de dedos). 
Avaliação: (após 4–5 dias) discrepância de 50 graus entre ADM passiva e 
ADM ativa: 
• Grande formação de aderência; 
• Antecipa-se o programa em 1 semana. 
- Bom deslizamento tendinoso: 
• Mantém o programa por mais 1 semana. 
Intervenção Fase final 
• Utilização de Órtese dinâmica (utilizada quando apresenta contratura em 
flexão) - o serviço de TO projeto REAMA atua na confecção das órteses; 
• Atividades de preensão prolongada, como, por exemplo, cavar massinha; 
• Tendão sem aderência: - iniciar exercícios com resistência após 7 – 8 
semanas; 
• Retorno às atividades com maior esforço após 10 a 12 semanas. 
 
 
2) MOBILIZAÇÃO PASSIVA PRECOCE: 
57 
 
 
• Nesta fase utiliza-se a órtese protetora para manter o punho fletido a 200 e 
MFS na posição fletida relaxada (confeccionada pela TO que atua em parceria 
com a fisioterapia); 
• Exercícios: 
1. Mobilização passiva de MF e com interfalangeana proximal (IFP) fletidas: 
estender interfalangeana distal (IFD); 
2. Com MF e interfalangeana distal (IFD) fletidas: realizar a extensão passiva 
interfalangeana proximal (IFP); 
3. 4 a 5 semanas: a órtese é retirada e substituída por munhequeira com 
tração elástica no dedo para permitir extensão ativa; 
4. Iniciar flexão ativa dedos (deslizamento e bloqueio): é iniciada na 5ª 
semana; 
5. Iniciar flexão resistida: iniciada na 7a à 8a semanas. 
3) MOBILIZAÇÃO ATIVA PRECOCE: Objetivo: executar o máximo de 
deslizamento tendinoso dentro de uma margem segura de ADM do punho e 
dedos para se obter o mínimo de aderência e um rápido retorno funcional. 
Indicações: pacientes submetidos a uma tenorrafia reforçada; pacientes 
motivados e colaboradores; mínimo de edema e complicações na ferida 
cirúrgica; terapeuta bem orientada (FREITAS, 2005; PARDINI; FREITAS, 
2008). 
• ÓRTESES (confeccionada pelo serviço de TO do projeto REAMA): 
(1) órtese de bloqueio dorsal (punho 20 flexões, MFs 50 flexões, IFs neutro); 
(2) órtese de tenodese (permite flexão total do punho e bloqueia a extensão 
em 30 graus, total movimento das IFs e bloqueio das MFs em 60 de flexão). 
Intervenção 1 a 4 semanas de pós-operatório: 
• Programa de Duran (já descrito anteriormente) (15 vezes por hora) com a 
órtese dorsal; 
• Com a órtese de tenodese; 
• Flexão passiva dos dedos e extensão ativa do punho; 
• Contração isométrica suave dos dedos (5 seg); 
58 
 
 
• Relaxamento da musculatura contraída e do punho, que se relaxa em flexão 
permitindo a extensão dos dedos (25 vezes por hora). 
Intervenção 4 semanas de pós-operatório: 
• Uso apenas da órtese dorsal (proteção e à noite); 
• Exercícios de tenodese com flexão passiva dos dedos e extensão ativa do 
punho; 
• Exercício ativo de flexo-extensão dos dedos e punho; 
• Contraindicação: extensão de punho e dedos simultânea; 
• Exercícios feitos 25 vezes em 2 horas 
Intervenção 5 a 14 semanas de pós-operatório: Exercícios de deslizamento 
de tendões; 
• Exercícios de bloqueio (6 semanas); extensão passiva (7 semanas); 
• Fortalecimento (8 semanas), retorno da função: 14 semanas. 
 
7. . LESÃO DOS TENDÕES EXTENSORES 
Os tendões extensores dos dedos, em comparação com os flexores, são mais 
finos e com menos substância para receber as suturas. Geralmente são 
estruturas superficiais, o que os torna suscetíveis a lesões, mesmo em 
ferimentos não tão profundos, a maioria das lesões ocorre nas áreas de 
articulações. Todas as regras para o atendimento dos flexores valem também 
para os extensores, além disso, por estarem em contato direto com estrutura 
óssea, as reparações cirúrgicas são geralmente seguidas de aderências 
(FERRON; ARAÚJO; FIGUEIREDO, 2005). 
Objetivos Específicos 
Os objetivos da reabilitação do tendão extensor são semelhantes aos 
apresentados para o tendão flexor, e as orientações a serem seguidas 
dependem do mecanismo da lesão e do tempo decorrido da ruptura até o 
reparo. 
Fisioterapia (FREITAS, 2005; PARDINI; FREITAS, 2008). 
59 
 
 
IMOBILIZAÇÃO: de 4 a 6 semanas proporcionando a formação adesiva e a 
redução da flexão das articulações MFS e IFS. O tratamento é feito de acordo 
com as 7 zonas anatômicas: 
Zona I e II 
• IFD e falange média: tendão extensor terminal 
• Tratamento conservador: com imobilização sendo IFD em neutro ou seja 0ºou em extensão 15º graus por 6 semanas;] 
• Tratamento cirúrgico: com fixação percutânea e imobilização de IFD 0 – 15 
graus de extensão por 6 semanas; 
• Mesmo com tratamento pode ocorrer deformidade em flexão da IFD. 
Após 6 semanas: exercícios ativos para a IFD Tendão extensor é 3 vezes 
mais fraco que o tendão flexor profundo por isso deve-se enfatizar 
primeiramente o ganho da extensão; 
• Laser e ultrassom para ajudar no processo de cicatrização do tendão; 
• Massagem suave; 
• Exercícios ativos para IFD; 
• Exercícios de ADMA para articulações não envolvidas; 
• Em caso de déficit na extensão pode-se fazer uso da tala metálica (+ 2 a 4 
semanas) - Confeccionada pelo serviço de TO pelo REAMA; 
• Deve-se atentar para aderência e rigidez em ext. da IFD: alongamento do 
ligamento retinacular oblíquo; 
• Atividades de preensão 
• Programa de desensibilização (massagem manual suave, utilização de 
texturas algodão, bucha lado fino, escova de dente, bucha lado, áspero e lixa); 
• Programa de resistência gradativo (aumentar resistência gradativamente de 
acordo com tolerância paciente); 
Ganhar flexão sem perder extensão da IFD. 
Zona III e IV 
• IFP e falange Proximal: bandeleta central, ligamento triangular, bandeletas 
laterais 
• Pode ocorrer deformidade: dedo em botoeira (flexão da IFP); 
60 
 
 
• Tratamento cirúrgico com reparo das estruturas lesadas; 
• Lesões tardias: deformidade fixa = ganho da ADM passiva da IFP e flexão 
ativa da IFD (órteses e exercícios) 
• Técnica cirúrgica reconstrutora: MATEV 
• Imobilização: 6 semanas 
Após 6 semanas: exercícios ativos para a IFP: 
• Turbilhão antes dos exercícios; 
• Laser e ultrassom para auxiliar na cicatrização; 
• Massagem suave; 
Enfatizar o ganho da extensão das interfalageanas; 
• Exercícios ativos de IFP; 
• 1ª semana: 30 graus de flexão IFP; 2ª semana 40 – 50 graus, aumentando 
20-30 graus a cada semana; 
• IFP rígida em extensão: órtese e exercícios; 
• Exercícios de ADMA para articulações não envolvidas; 
• Exercícios de alongamento e resistência: 8 a 9 semanas de pós-operatório. 
MOBILIZAÇÃO PRECOCE ATRAVÉS DE PEQUENO ARCO DE 
MOVIMENTO (PAM) ATIVO APÓS O REPARO DA BANDELETA CENTRAL 
COMPLICAÇÕES: alongamento tendinoso, deficiente excursão tendinosa, 
rigidez articular, perda da flexão da IFP. 
CAUSAS: 
• Extensa área de tendão próxima ao periósteo e complexo deslizamento do 
sistema extensor 
• Posicionamento incorreto durante a fase de imobilização que permite flexão 
IFP 
• Privação dos efeitos benéficos da mobilização precoce. 
ZONA V e VI 
- MF e o dorso da mão = extensor comum dos dedos (EDC), Extensor próprio 
do polegar (EIP), Extensor próprio do dedo mínimo (EMP), conexões 
intertendinosas e as bandas sagitais (deformidade em flexão da MF); 
- Grande quantidade de tecido mole facilita o deslizamento tendinoso; 
61 
 
 
- Lesões por esmagamento = evitar a imobilização. 
Reabilitação: 
• Mobilização passiva controlada; 
• Imobilização por 3 semanas. 
Reabilitação no tendão imobilizado: 
Imobilização: punho a 45 graus de extensão; MF 0 – 20 graus de flexão; IFS 
0 grau (órtese confeccionada pelo serviço de TO pelo programa REAMA); 
• Verificar rigidez das articulações MFS e IFS; 
• Exercícios: 
- Punho e IFS em extensão: fletir MFS a 30 graus + hiperextensão de falanges 
- Punho e MFS em extensão: fletir as IFS. 
• Laser e ultrassom para auxiliar na cicatrização do tendão; 
• Exercícios ativos são iniciados após a terceira semana; 
• Enfatizar o ganho da extensão da MF, com o punho em neutro ou leve flexão; 
• Flexão de MF em 40º com o punho em extensão; 
• Exercício de tenodese (já descrito anteriormente); 
• IFS: flexo-extensão com punho e MFS em extensão 
• 5ª semana: flexão composta com punho em extensão; exercício de extensão 
individual; exercício da garra intrínseca; 
• 6ª semana: órtese dinâmica para flexão da MF e IFP (confeccionada pelo 
serviço de TO do programa REAMA) 
• 7ª semana: flexão simultânea de dedos e punho; programa de 
fortalecimento. 
Mobilização passiva controlada: 
• Imobilização nas lesões complexas ao nível do dorso da mão e do punho 
(zonas V, VI e VII) = aderências tendinosas, rigidez articular, etc. 
• A mobilização precoce estimula a cicatrização intrínseca, aumenta a difusão 
sinovial, aumenta a força de tensão no local do reparo, estimula a excursão 
tendinosa. 
ZONA VII: 
62 
 
 
• Tendões extensores passam através de 6 túneis osteofibrosos e são 
recobertos por bainhas sinoviais. 
• Mesmo tratamento da zona VI. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8. CONCLUSÃO 
 
A fisioterapia pode ser considerada de grande valia na reabilitação 
precoce de indivíduos com lesões em membros superiores, hospitalizados ou 
não, proporcionando a estes melhora da função motora e sensibilidade, além 
de aumento de força e amplitude muscular. 
A fisioterapia em ortopedia e traumatologia atua na investigação, 
prevenção e tratamento das doenças ósseas, musculares, articulares e 
ligamentares tendo por objetivo restabelecer a função do sistema músculo-
esquelético. No tratamento das disfunções deste sistema são utilizados 
recursos fisioterapêuticos como: termoterapia, eletroterapia, fototerapia, 
massoterapia, cinesioterapia, mecanoterapia entre outros com a finalidade de 
aliviar o quadro álgico, melhorar o processo inflamatório, restabelecer 
amplitude de movimento (ADM), ganhar força muscular (FM), restabelecer 
63 
 
 
equilíbrio, propriocepção, reeducar posturas e realizar orientações (APLEY; 
SOLOMON,1998; DUTTON, 2007; KISNER, 2009; MAXEY, MAGNUSSON, 
2003). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Uma das lesões que podem ocorrer no complexo articular do cotovelo 
é a fratura da cabeça do rádio que responde por 1,7 a 5,4% de todas as 
fraturas, ocorrendo em 17 a 20% dos traumatismos de cotovelo. Predominam 
em indivíduos com idade entre 20 e 60 anos (NASCIMENTO et al., 2003) e o 
mecanismo de lesão mais comum é uma queda sobre a mão estendida, com 
o cotovelo em flexão incompleta, de aproximadamente 80º, e em pronação, 
com estresse em valgo reconhecível em algumas situações (GONÇALVES 
apud LECH, 2005). 
As fraturas da cabeça do rádio têm lugar importante entre as lesões 
traumáticas do cotovelo, não tanto pela frequência com que ocorrem, mas, 
sobretudo, pelas dificuldades do seu tratamento e pelas complicações que 
delas podem advir, às vezes com sério comprometimento da função por 
bloqueio da mobilidade e dor (GONÇALVES, 2005, apud LECH, 2005), visto 
que contraturas de cotovelo entre 30º e 40º podem reduzir severamente a 
função da extremidade superior (CALLEGARO et al., 2010). 
A imobilização do cotovelo promove perda de força e de amplitude do 
movimento. O desuso causado pela imobilização pode promover perda, 
8 
 
 
aproximadamente, de 22% nos primeiros sete dias de imobilização 
(BITTENCOURT, RIBEIRO, LOSS, 2006). 
O sistema osteomioarticular é o mais acometido pela imobilização, 
podendo ocorrer hipotrofia/atrofia muscular, contraturas, osteoporose /oste- 
openia, deterioração articular; ossificação heterotópica, osteomielite e 
deformidades (SILVA et al., 2008). 
A prevenção de tais complicações deve ser o principio básico de 
qualquer plano de tratamento, que para bons resultados, deve ter início 
precoce (RAPOSO, LÓPEZ, 2002). 
O tratamento fisioterapêutico é benéfico para controle da inflamação, 
melhora da cicatrização, diminuição do edema e da dor, aumento da força e 
da amplitude de movimento (ADM) (NASCIMENTO et al., 2003). 
Tendo em vista isto, várias formas de tratamento com diferentes 
técnicas e recursos cinesioterapêuticos têm sido utilizadas, porém a melhor é 
aquela dirigida para a preservação da função, proporcionando o retorno dos 
indivíduos às suas atividades diárias e profissionais o quanto antes. 
A livre movimentação do cotovelo é de importância fundamental para a 
funcionalidade do membro superior (KISNER, COLBY, 2009), visto que este 
é responsável pelo posicionamento da mão na maioria das atividades 
(ZILLMER, 2005). Segundo MORREY et al. 1981, apud NASCIMENTO et al., 
2003, a maioria das atividades realizadas com os membros superiores 
depende de um arco de movimento do cotovelo de 100Ú, variando entre 30º 
e 130Ú de flexão, e de 100Ú de pronação e supinação. 
Inicialmente, os pacientes não se enquadravam dentro do arco de 
movimento funcional descrito por Morrey, em 1981, porém, após a intervenção 
fisioterapêutica todos foram capazes de retornar às suas atividades 
funcionais, o que foi evidenciado através da Figura 3. 
Os pacientes tiveram respostas diferentes ao tratamento, obtendo 
ganhos maiores ou menores, dependendo do procedimento cirúrgico, do 
9 
 
 
tempo de imobilização, do tempo da lesão, da adesão ao tratamento e das 
condições biológicas individuais. Outro fator que influenciou nos resultados foi 
a quantidade de déficit apresentada em cada movimento, pois, quantomaior o 
déficit, maior a possibilidade de ganho. Este fator pode ter influenciado na 
análise estatística dos ganhos do movimento de pronação, que apresentou 
déficit pequeno, média inicial de 80,8° sendo um valor normal para alguns 
indivíduos, tendo apenas uma pequena margem para o aumento das 
medidas. 
Apesar do pouco ganho de amplitude nos movimentos de pronação e 
supinação, no estudo foram obtidos resultados que mostram a eficiência do 
tratamento proposto, quando comparamos os dados iniciais e finais nos 
ganhos das amplitudes de flexão e extensão do cotovelo, redução no 
processo álgico e na funcionalidade do membro. 
Figura 1: 
10 
 
 
 
2. INSTABILIDADE DO OMBRO 
 
A instabilidade do ombro é definida como a incapacidade para manter 
a cabeça umeral no centro da glenoide durante a mobilização ativa do braço. 
Fruto dos avanços em biomecânica, electrofisiologia e nas técnicas 
cirurgicas mini-invasivas como a artroscopia, a patologia da cintura escapular 
e em particular a instabilidade da articulação gleno-umeral, tem sofrido uma 
evolução constante de conceitos. 
O melhor conhecimento dos diversos fatores contribuintes para a 
instabilidade, a forma como o fazem e quais os motivos por que o fazem, 
reveste-se de importância fundamental para a prevenção e tratamento desta 
patologia. 
11 
 
 
Ciência Básica: 
Estabilizadores estáticos 
A articulação gleno-umeral, devido ao seu potêncial de mobilidade é 
intrinsecamente instável. Os elementos estabilizadores dividem-se 
classicamente em estáticos e dinâmicos. No entanto até elementos 
classicamente considerados estabilizadores estáticos como os ligamentos 
capsulares, por um lado só têm essa função quando são postos em tensão e 
por outro, essa ação estabilizadora é variável durante a elongação até ao 
limite da sua deformação elástica. 
Tornam-se, portanto, ativos em relação ao controle da translação. O 
fato de haver variantes individuais dificulta a análise do contributo dos vários 
elementos para a estabilidade. 
O labrum é segundo Bankart (1938) uma fibrocartilagem constituida 
pela confluência dos ligamentos e da inserção capsular no rebordo anterior 
da glenoide. 
Tem como funções essênciais o aumento da profundidade da glenoide 
e o aumento da superficie de contato com a cabeça umeral. Embora os 
estudos de Bankart apontassem a lesão desta estrutura como essencial para 
a instabilidade, Rowe, Patel, Southmayd (1978) sustentam que é necessária 
que esta lesão seja acompanhada de lesão do componente capsular. 
A capsula articular é reforçada por três ligamentos gleno-umerais. 
Modelos anatomicos experimentais realizados por Jon, Warner, Deng, 
Warren, Torzilli (1992), com secção destes elementos levaram à conclusão 
que o ligamento gleno-umeral inferior (LGHI) e em especial a sua banda 
anterior, é o principal restritor estático à translação anterior com o braço entre 
os 45º e 90º de abdução e rotação externa. 
No entanto, segundo Pagnani & Warren (1993) este elemento não deve 
ser considerado em separado da sua banda posterior e do componente 
capsular intermédio. Em abdução máxima e rotação externa do braço, o LGHI, 
12 
 
 
exerce pela orientação das suas fibras, uma força de compressão sobre a 
articulação gleno- umeral e em abdução e rotação interna, restringe a 
translação posterior. 
Em abdução e extensão a banda anterior restringe a translação anterior 
e posterior ao passo que em abdução e flexão a banda posterior é o principal 
restritor. Bigliani, Pollock, Soslowsky, Flatow, Pawluk, Mow (1992) descrevem 
nos seus estudos, que a falência ligamentar ocorria na maior parte dos 
especimens a nível da inserção glenoideia. 
Comprovaram ainda a existência de deformação plástica do corpo do 
complexo ligamentar antes da falência da inserção glenoideia. Este fato 
sugere, que os traumatismos repetidos, podem causar distensão e 
consequente laxidão deste elemento estabilizador fundamental para a 
biomecânica do ombro. 
Estabilizadores Dinâmicos 
A articulação do ombro tem uma pressão negativa intraarticular, a qual 
exerce um efeito de sucção oposto à força de separação entre as superfícies 
articulares. 
Quando o braço está ao lado do tronco a translação inferior causada 
pela gravidade e peso do braço é contrariada pela pressão negativa. Quando 
há uma cápsula redundante, patologia do labrum, do intervalo dos rotadores 
ou da inserção capsular umeral, perde-se o efeito de vácuo, permitindo uma 
translação inferior da cabeça humeral, a qual poderá ser responsável pelo 
desconforto em repouso, sentido pelos pacientes e mesmo pela irritabilidadedo plexo braquial distendido por esta acção. 
A estabilidade dinâmica provém segundo Kronberg, Nemeth, 
Bronstrom (1990) e Saha (1971), primariamente da coifa dos rotadores, do 
deltoide e da longa porção do bicipide. Os tendões da coifa dos rotadores 
fundem-se com a cápsula articular e entre eles numa banda contínua a nível 
da sua inserção distal. 
13 
 
 
Esta estruturação anatómica, leva a que segundo Soslowsky, 
Carpenter, Bucchieri, Flatow, (1997) os efeitos da contração isolada de um 
dos tendões, possa influenciar a inserção dos tendões vizinhos. Por exemplo, 
a ativação do infra espinhoso pode resultar em tensão do supra espinhoso. 
O papel da coifa dos rotadores é estabilizar dinamicamente a cabeça 
umeral, no entanto as características individuais de cada unidade funcional 
músculo/tendão, podem levar a um efeito de estabilização estática. Este fato 
foi comprovado por Symeonides (1972) para o subescapular. 
A contribuição da coifa dos rotadores é devida, segundo Itoi (2004) à 
contração muscular resultando na compressão das superficies articulares, à 
co-contração dos músculos, causando translação da cabeça umeral para o 
centro da glenoide, à ação muscular produzindo mobilidade articular que 
resulta em tensão dos restritores capsulo-ligamentares e ao efeito de barreira 
dos músculos contraídos. 
A eficácia da função muscular depende das características da força 
muscular e da forma e orientação espacial das superfícies articulares. A força 
dos músculos a nível do ombro, é definida pela sua potência e pela sua 
direção, podendo ser decomposta em três elementos: força compressiva, 
força no sentido supero- inferior e no sentido antero-posterior. 
Se as forças compressivas estabilizam a articulação, as outras, 
designadas de forças de translação podem segundo Joanne (2005) 
instabilizar a articulação. A articulação do ombro é segundo Magermans, 
Chadwick, Veerger, Helm (2005), interdependente da função de outras 
articulações, como a escapulotorácica, a esterno-clavicular e a acrómio-
clavicular. 
A maior parte do movimento toraco-umeral, faz-se na articulação gleno-
umeral, a qual por si só permite uma elevação de 120º. Para além disso, o 
úmero pode rodar cerca de 135º em relação à omoplata. A restante 
mobilidade toraco-umeral, advém da mobilidade da omoplata na articulação 
14 
 
 
escapulo-torácica, em especial a rotação lateral, a qual é responsável por 
cerca de 1/3 da elevação total. 
O ombro funciona segundo Veeger & Helm (2006) num sistema de 
cadeia fechada, no qual a cabeça umeral é condicionada pelo torax, a 
omoplata e a clavícula. Movimentos da omoplata, são limitados pelo bordo 
interno da omoplata, o qual é pressionado contra o tórax pelo grande dentado, 
pelo rombóide e também pela carga exercida no braço. 
Por outro lado, a clavícula pode permitir maior ou menor movimento do 
acrómio em torno da articulação esterno-clavicular. A estabilidade funcional 
da omoplata depende segundo Cools, Wivrouw, Declercq, Cambier (2003), da 
ativação correta dos músculos escapulo-torácicos e em particular da ordem 
correta pela qual essa ativação é efetuada. 
Estudos de análise tridimensional e electomiográfica da mobilidade 
escapulo-umeral realizados por Matias & Pascoal (2006), em sujeitos com 
instabilidade do ombro, comparados com um modelo do ritmo escapulo-
umeral de Pascoal, Van der Helm, Carita, Loura, Correia (2001), verificaram 
que estes doentes apresentavam alterações da protração e rotação da 
omoplata, em determinados ângulos, por diminuição da atividade do trapézio 
e do grande dentado inferior. Este fato poderá contribuir ou predispôr para a 
instabilidade do ombro. 
Num sentido mais lato o ombro funciona numa cadeia cinética. O 
movimento do ombro envolve segundo Kibler (1991), um controle e 
movimento, que vai desde os membros inferiores, até aos dedos da mão. 
Estudos mais recentes efectuados por Hodges & Richardson (1996) 
mostraram que a movimentação do ombro é precedida de ativação dos 
músculos pélvicos. Estes estudos suportam a necessidade de um bom 
controle postural e dos músculos escapulo-torácicos, para um funcionamento 
eficaz da articulação do ombro, orientando assim a ação em fisoterapia para 
estes grupos musculares na reabilitação do ombro instável. 
15 
 
 
 Sub sistema de controle 
O sistema neurofisiológico estabelece a ponte entre os elementos 
ativos e passivos da articulação glenoumeral. 
A propriocepção tem um papel importante na modelação da função 
muscular. Segundo Borsa, Lephart, Kocher, Lephart (1994) o sentido correcto 
da posição, permite a estabilização articular e ativação muscular apropriada, 
levando a uma mobilidade correta. Segundo Guanche, Knatt, Salomonow, Lu, 
Baratta (1995), esta coordenação motora, requer um estímulo dos receptores 
mecânicos a nível da capsula e da coifa dos rotadores, o que leva á criação 
de arcos reflexos, pelos nervos capsulares aferentes, ativando a contração 
muscular. 
A instabilidade do ombro tem de ser definida em vários parâmetros para 
poder ser caracterizada. A história clínica deve definir a existência de um 
episódio traumático, a energia envolvida nesse episódio, a presença de um 
quadro de hipermobilidade concomitante e o caráter evolutivo da instabilidade 
e consequentemente da sintomatologia. 
Do ponto de vista etiológico devem ser dívidas em traumáticas e 
atraumáticas. Dentro desta última foram descritas por Wirth, Lyons, Rockwood 
(1993), instabilidades congénitas e por Percy (1960) instabilidades de 
etiologia neuromuscular, mas os sujeitos com esta patologia têm segundo 
Imazato (1992), um quadro de hiperlaxidão capsulo-ligamentar generalizado. 
A confirmação da existência de fatores constitucionais, é ainda reforçada pela 
existência de uma história familiar, conforme foi comprovado por Dowdy & 
O’Driscoll (1993). Quando a instabilidade de inicia sem evidência de 
traumatismo, o mecanismo para a sua instalação é mal definido. 
No entanto, uma vez perdido o controle da estabilidade, é dificil voltar 
a reequilibrar o ombro, aparentemente por fenómenos em círculo fechado. 
Exemplos disso são o progressivo apagamento do labrum pela ação mecânica 
da cabeça em sub – luxação e a progressiva sobrecarga dos elementos 
16 
 
 
dinâmicos, os quais levam a perda da concavidade glenoideia e controle 
neuromuscular. 
Os traumatismos repetidos podem, como já foi descrito, levar a 
alterações estruturais progressivas, tendo sido esta entidade designada por 
Bigliani, Kurzweil, Schartzbach (1994) de instabilidade adquirida. Estes 
pacientes apresentam uma história clinica, com vários fatores que contribuem 
para a patogénese da instabilidade, como seja um quadro subjacente de 
hipermobilidade articular e uma atividade desportiva que favorece o 
aparecimento de sobrecarga progressiva. Mais recentemente foi descrita por 
Castagna, Nordenson, Garofalo, Karlsson (2007) uma forma de instabilidade 
minor, caracterizada por uma disfunção da articulação gleno-umeral, 
associada quer a microtraumatismos repetidos, quer a períodos de 
imobilização e inatividade. 
Além da história e exame clínico de ombro doloroso, com sinais minor 
de instabilidade, o diagnóstico assenta na valorização de alterações a nível 
do ligamento gleno-umeral médio na artroscopia realizada aos individuos com 
falência do tratamento conservador. O fato de esta forma de instabilidade se 
revelar após períodos de imobilização, favorece a hipótese de serem as 
perturbações do controle neuro-muscular em pacientes predispostos, a causa 
deste quadro clínico. 
Além da etiologia da instabilidade, esta deve ser caracterizada segundo 
o grau de instabilidade. 
Apreensão é defenida como o medo que o ombro luxe ou sub – luxe. 
Sub – luxação é definida por Rowe & Zarins (1981) como a translação 
sintomática e transitória da cabeça umeral na glenoide. 
Luxação é definida como a separação completa dasduas superficies 
articulares sem recolocação imediata. A direção da instabilidade pode ser 
difícil de determinar, quer pela história clínica, quer pelo exame objetivo. Por 
17 
 
 
vezes há necessidade de recorrer a exames complementares para objetivar 
as lesões estruturais tipicas das várias direções de instabilidade. 
A instabilidade anterior é a mais frequente, com uma incidência 
superior a 95%. A instabilidade posterior tem uma incidência de 2%. Existem 
como descrevem Graichen, Stammberger, Bonel (2000), formas de 
instabilidade multidirecional que, no entanto, têm predomínio numa ou mais 
direcções. Bigliani et al (1994) introduziram, o conceito de instabilidade 
bidirecional, predominantemente associada a atividades desportivas, que 
utilizam o braço acima da cabeça no plano da omplata. 
Há segundo Mallon & Speer (1995) alguma evidência, de que a 
coordenação neuromuscular da articulação do ombro, se encontra alterada 
nesta entidade. 
A maioria dos pacientes com instabilidade multidireccional respondem 
ao tratamento de fsioterapia, no entanto, nos casos de insucesso do 
tratamento conservador, provavelmente o programa de reabilitação é 
concentrado nos músculos ou atividades erradas para esses sujeitos. Estudos 
electomiográficos em doentes com instabilidade multidireccional efectuados 
por Morris, Kemp, Frostick (2004), demonstraram a existência de uma 
alteração da coordenação muscular, com consequente perda da eficácia dos 
estabilizadores dinâmicos. Este fato realça a necessidade de durante a 
recuperação funcional, interessar não só a potência muscular, mas também a 
correta sequência de ativação, para obter o controle dinâmico necessário. 
A instabilidade gleno-umeral pode ser encarada como um espectro que 
vai desde a instabilidade multidireccional atraumática, passando pela 
instabilidade bidireccional, a qual é associada a microtraumatismos, até à 
instabilidade unidirecional que é habitualmete traumática. 
A sobreposição na direção, etiologia e grau da instabilidade é habitual, 
o que realça a necessidade de uma investigação clínica cuidadosa. 
18 
 
 
O exame clínico assenta sobretudo na verificação de fatores de risco 
como a hipermobilidade articular, a alteração do ritmo escapulo-torácico e na 
verificação de sinais de instabilidade. Estes sinais podem indicar a presença 
de lesões estruturais como o sinal descrito por O’Brien, Pagnani, Felay (1998) 
para o labrum superior, o sinal do sulco em rotação externa para o intervalo 
dos rotadores e em rotação neutra para a cápsula inferior e os sinais de 
conflito postero-superior descritos por Walch, Boileau, Noel, Donell (1992), por 
contato da coifa com o labrum postero-superior, por instabilidade anterior, 
verificada sobretudo na atividade desportiva. 
A caracterização da direção da instabilidade é segundo Matsen, 
Titelman, Lippitt, Rockwood, Wirth (2004), feita pelos sinais de apreensão 
sentado e deitado e o sinal de recolocação. Vários autores como Castagna et 
al (2007), Itoi et al (2004), e Walch et al (1992) têm no entanto referido, que 
sobretudo no jovem atleta, os sinais são predominantemente de sofrimento da 
coifa, apresentando o paciente sinais de conflito sub-acromial e de 
tendinopatia da longa porção do bicipide. Este fato deve-se ao grau minor da 
instabilidade, que não é suficiente para dar sinais clínicos, mas que pela sua 
cronicidade, vai sobrecarregando dinamicamente os tendões da coifa dos 
rotadores, os quais são inicialmente sede de um processo inflamatório e mais 
tarde de alterações estruturais. 
Este é um dos ciclos de agravamento da instabilidade, já refenciado, 
que leva a uma perda progressiva dos mecanismos de compensação 
dinâmica, com agravamento progressivo do grau de incapacidade. Daqui 
resulta a necessidade de uma prevenção efetiva dos desequilíbrios dinâmicos 
inerentes às várias atividades desportivas e da pronta identificação da 
situação nas suas fases iniciais. 
 Investigação Complementar 
Os exames radiográficos segundo Neviaser (1987), antero-posterior, 
axilar e perfil da omoplata são úteis nos episódios de luxação e podem, pela 
existência de erosão do rebordo anterior da glenoide e pela existência de 
19 
 
 
lesão da face posterior da cabeça umeral dar sinais indirectos da direcção e 
grau da instabilidade. 
A Tomografia Axial Computorizada clássica é de interesse muito 
reduzido permitindo apenas verificar as lesões ósseas da glenoide e da 
cabeça umeral. No entanto, a introdução de técnicas de imagem mais 
recentes por Kwon, Powell, Yum, Brems, Iannotti (2005), têm permitido 
quantificar percentualmente a perda óssea do rebordo anterior da glenoide. 
Esta quantificação tem implicações terapêuticas importantes pois a 
perda de 25% da superficie articular da glenóide obriga a uma reparação 
óssea deste defeito. 
A Ressonância Magnética, deve ser utilizada para o despiste de lesões 
do labrum e dos ligamentos capsulares em sujeitos sem episódios de luxação, 
ou naqueles em que a direcção da luxação não pode ser defenida 
clinicamente como referem Iannotti, Zlatkin, Esterhai (1991) e Green & 
Christensen (1994). Nos casos de luxação recidivante do ombro, em que o 
tratamento cirúrgico tem indicação formal, a introdução das técnicas 
artroscópicas para o tratamento destes pacientes dispensa o recurso à 
ressonância magnética para caracterização das lesões ligamentares. 
Esta, é efetuada com vantagem, durante a intervenção, através da 
observação clínica sob anestesia descrita por Cofield & Irving (1987) e da 
visualização e teste direto das lesões descrito por Eric & Robert (1999). 
A introdução de contraste intra-articular quer na tomografia axial 
computadorizada quer na ressonância magnética, vem aumentar a 
sensibilidade destres exames. 
No entanto segundo Magee, Williams, Mani (2004) a artro-ressonância 
só tem indicação, na suspeita clinica de lesões do labrum antero- superior e 
em quadros de instabilidade minor associada à prática desportiva no indivíduo 
jovem. 
 
20 
 
 
Tratamento 
O tratamento da instabilidade depende das suas características. 
Após o primeiro episódio de luxação traumática, é clássico efetuar 
imobilização do ombro em adução e rotação interna por um período de três 
semanas. No entanto estudos prospectivos randomizados efetuados por 
Hovelius, Eriksson, Fredin, Hagberg, Hussenius, Lind, Thorling, Weckstrom 
(1983), demonstram igual incidência de recidiva em pacientes que não foram 
imobilizados. Estudos com recurso à ressonância magnética efetuados por 
Eiji, Ryuji, Hiroshi, Shimizu, Wakabayashi, Sato (2001) e posteriormente em 
cadáver por O’Leary, Miller, Goldberg, Sonnabend, Walsh (2002) 
demonstraram uma melhor aposição do labrum no rebordo anterior da 
glenoide com o braço em rotação externa. Estudos clinicos preliminares, 
prospectivos e randomizados efetuados por Itoi, Hatakeyama, Kido, Sato, 
Minagawa, Wakabayashi, Kobayashi (2003) demonstraram a eficácia da 
imobilização em rotação externa durante 3 semanas. As fragilidades deste 
estudo, são o reduzido tempo de recuo e o fato de ter sido aplicado a uma 
população com idade média de 40 anos. No entanto não houve recidivas, nos 
sujeitos imobilizados em rotação externa. 
Outra abordagem recente para a instabilidade traumática é a reparação 
das lesões ligamentares ao primeiro episódio de luxação com beneficios para 
determinada população como comprova Kirkley, Werstine, Ratjek, Griffin 
(2005). Esta atuação visa sobretudo impedir a degradação progressiva do 
complexo capsulo-ligamentar com futuros episódios de luxação como 
comprovam os estudos de Habermeyer, Gleyze, Markus (1999). 
As recentes técnicas artroscopicas, permitem pôr indicação para 
intervenção ao primeiro episódio de luxação, nos atletas com idade inferior a 
30 anos. 
O tratamento da luxação recidivante do ombro é cirúrgico. Os estudos 
de Hovelius et al (1983), demonstraram umataxa de recidiva tanto maior 
21 
 
 
quanto mais jovem é o sujeito e sabemos que o número de luxações agrava 
as lesões do complexo capsuloligamentar e consequentemente o prognóstico. 
O tratamento conservador, no entanto, pode ser encarado como uma 
forma transitória de gestão da situação clinica, como seja durante a 
temporada desportiva como foi descrito por Buss, Lynch, Meyer, Huber, 
Freehill, (2005). 
Para a abordagem cirúrgica da instabilidade do ombro, é fundamental 
estudar todas as características da instabilidade, conhecer a atividade 
desportiva do sujeito, saber quais as lesões resultantes da instabilidade: 
ósseas, ligamentares capsulares, para poder decidir quais as técnicas a 
utilizar. O objectivo é reconstruir a estrutura anatómica. A artroscopia ainda 
não tem possibilidade de reparar as lesões ósseas nos casos em que esta é 
superior a 25% da superficie da glenoide. 
Nestes casos estão indicadas intervenções com transferência e fixação 
de enxertos ósseos, classicamente da coracoide como foi descrito por Latarjet 
(1958) e da crista ilíaca como foi descrito por Resh (1987). No entanto esta 
lesão é pouco frequente e na maioria dos casos o tratamento tem de incidir 
no complexo capsulo- ligamentar. 
A artroscopia permite uma visualização direta das lesões, por vezes 
fazendo o seu diagnóstico como comprovam os estudos de Eric & Robert 
(1999) e permite a reparação da lesão de Bankart e da elongação da capsula 
com recurso a sistemas de ancoragem destas estruturas à glenoide, como foi 
inicialmente descrito por Morgan & Bodenstab (1987). 
A incidência de recidivas é maior na estabilização artroscópica em 
comparação com a cirurgia aberta (2- 18% para 11%) como descrevem 
Hayes, Callanan, Walton, Paxinos, Murrell (2002). No entanto os 
procedimentos artroscopicos estão associados a menor perda de mobilidade 
e de função da articulação do ombro mantendo assim o gesto desportivo, 
22 
 
 
como comprova a meta-análise efetuada por Mohtadi, Bitar, Sasyniuk, 
Hollinshead, Harper (2005). 
Com o objetivo de diminuir o indice de recorrências, têm sido 
desenvolvidas técnicas artroscopicas que aumentam o potencial de 
cicatrização do labrum no colo da glenoide por Lafosse, Baier, Jost (2006) e 
em informação não publicada o autor tem conhecimento que Laffosse L. 
efectua por artroscopia, quando necessário, a transposição e fixação da 
coracoide no rebordo anterior da glenoide. 
O tratamento conservador é o método de eleição para a instabilidade 
não traumática e para a instabilidade adquirida. A intervenção visa aumentar 
a compressão da cabeça umeral na glenoide e normalizar o ritmo escapulo-
torácico. 
A maioria dos autores reconhece a importância dos exercícios de 
fortalecimento para a coifa dos rotadores e do deltóide, como forma de 
controlar a translação gleno-umeral. O fortalecimento dos rotadores externos 
em abdução pode ser utilizado para diminuir a tensão sobre o complexo 
ligamentar anterior no gesto de lançamento como demonstra Cain, Mutschler, 
Fu, Lee (1987). 
Para potenciar a acção estabilizadora dos músculos da coifa dos 
rotadores deve segundo Dines & Levinson (1995); Itoi, Newman, Kuechle, 
Morrey, Na (1994); Pagnani & Warren (1994), ser efetuado o fortalecimento 
do bicipide, do grande dorsal, do grande peitoral e do grande redondo. 
Exercícios que requerem coordenação entre vários grupos musculares 
devem ser utilizados para reprogramar os padrões normais de atividade 
muscular. 
Estão descritas várias formas de reabilitação do ritmo escapulo-
torácico Dines & Levinson (1995) e Kibler (1998). Estas visam estabilizar a 
articulação escapulotorácica através de exercícios isométricos e de 
23 
 
 
estabilização manual, restaurar os padrões normais de atividade muscular e 
maximizar a potência e resistência dos músculos escapulo-torácicos. 
A interdependência entre os sub-sistemas muscular e neuronal para o 
controle dinâmico da gleno-umeral, não está completamente esclarecido. 
Segundo Inman et al (1944), o controle proprioceptivo, advém de padrões 
específicos de movimento e não da função muscular. Esta teoria suporta a 
utilização de exercícios em posições de instabilidade, para evocar atividade 
muscular reflexa, que proteja a articulação de uma instabilidade potencial. 
Outras formas de reeducação neuromuscular incluindo técnicas de 
facilitação neuromuscular e exercícios pliométricos podem segundo Swanik, 
Lephart, Swanik, Lephart, Stone, Fu (2002) ser utilizados para aumentar o 
controle proprioceptivo. 
Não existe um protocolo único de tratamento, mas todos os aspectos 
do programa devem ser utilizados para diminuir a sintomatologia, reduzir o 
risco de recidiva e aumentar as capacidades, os conceitos desenvolvidos 
pelas ciências básicas e pela biomecânica têm um papel preponderante na 
evolução da compreensão e tratamento da instabilidade do ombro. 
Os programas de reabilitação devem basear-se nos conceitos 
desenvolvidos por estas ciências. 
A estabilidade da articulação gleno-umeral, é conseguida através de 
controlo neuromuscular, que faz dirigir o vetor de força para a superficie da 
glenoide. Esta é aumentada pelo labrum, o qual se encontra intimamente 
associado ao complexo capsulo-ligamentar. 
A integridade destas estruturas é fundamental para a manutenção da 
estabilidade pelo efeito mecânico e pelo efeito proprioceptivo. 
O tratamento da instabilidade do ombro implica, a caracterização do 
tipo de instabilidade. A abordagem mais correta a adaptar pode ser cirúrgica 
ou conservadora de acordo com o tipo de instabilidade. 
24 
 
 
O tratamento conservador está sobretudo indicado nas instabilidades 
não traumáticas. Deve promover o fortalecimento dos músculos da coifa dos 
rotadores e escapulo-torácicos, optimizar os padrões de ativação muscular, 
aumentar as cargas e velocidade de execução, aumentar a resistência 
muscular para melhorar a tolerancia à fadiga e gradualmente progredir para 
amplitudes de maior instabilidade. 
O tratamento cirúrgico pode ser encarado em alguns pacientes ao 
primeiro episódio de luxação. É o tratamento de eleição para a luxação 
recidivante traumática unidireccional. 
As técnicas cirúrgicas visam reparar a anatomia. Embora tenham um 
índice de recidivas ligeiramente superior às técnicas abertas a artroscopia 
leva a uma melhor função do ombro operado. 
 
3. LESÕES TRAUMÁTICAS DE PUNHO 
 
A mão é composta por 27 ossos, 33 músculos, três nervos periféricos, 
um sistema vascular complexo e muitas outras estruturas, como ligamentos, 
cápsulas articulares e bainhas tendinosas, todas localizadas dentro de uma 
camada de pele protetora de 1 a 2 cm de espessura. 
Está envolvida em praticamente todas as nossas atividades da vida 
diária, apresenta uma variedade de funções, e para o seu perfeito 
funcionamento é necessário que todas as estruturas estejam em completa 
harmonia. 
A fisioterapia na reabilitação de lesões traumáticas de punho e mão é 
de suma importância, pois possibilita ao paciente um retorno rápido às suas 
atividades, o tratamento fisioterapêutico engloba desde controle da dor, 
edema e cicatriz, exercícios terapêuticos, reeducação sensorial e treinos 
funcionais, visando restabelecer a mobilidade funcional ativa do paciente, 
25 
 
 
deve sempre buscar o potencial máximo para promover maior interação ao 
realizar suas atividades deixando-o mais independente. 
A mão produz o gesto, é a palavra do surdo e o olhar do cego. Porém, 
só percebemos e nos conscientizamos do valor imponderável das mãos 
quando nos deparamos com a incapacidade de usá-las. Uma lesão 
traumática, enfermidade ou deformidade significa a interrupção de projetos de 
vida, dificuldades em conquistar espaços e pode desencadear sérios 
problemas psicológicos. (FERRIGNO, 2007) 
A reabilitação de lesões ou patologias na mão requer tratamento 
específico e atualizado. 
Nas lesões traumáticas de punhoe mão a fisioterapia tem como 
objetivo restabelecer a mobilidade funcional ativa do paciente, deve sempre 
buscar o potencial máximo para promover maior interação ao realizar suas 
atividades deixando-o mais independente possível diante sua disfunção física. 
(SCHRÖDER, 2007). 
Segundo Tubiana, Thomine e Mackin (1996) o exame clínico é 
essencial como fonte de informações sobre as funções e as lesões do punho 
e da mão. 
Para Araújo (2006) na mão traumática é importante saber o mecanismo 
da lesão, o tempo decorrido, a localização e os possíveis tratamentos, bem 
como lesões preexistentes nos membros superiores, com isso o terapeuta 
terá idéia da região afetada e da possível gravidade da mesma. Além dos 
dados gerais obtidos na anamnese (nome, idade, gênero e raça) são de 
interesse do terapeuta a ocupação, a dominância, as atividades de lazer e as 
necessidades fundamentais do paciente. 
Esteves (2003) realizou um trabalho sobre a importância da reabilitação 
 fisioterapêutica nas lesões do plexo braquial superior evidenciando, assim 
como o presente trabalho, a melhora na qualidade de vida e posteriormente 
retorno rápido às atividades de vida diária após a intervenção. 
26 
 
 
A fisioterapia, nesses casos, envolve métodos de reabilitação e 
experiência clínica. 
O enfoque em relação às lesões e patologias geralmente é 
conservador, de manutenção e tem por finalidade prevenir ou minimizar as 
deformidades físicas, levando à independência e à autonomia. (FERRIGNO, 
2007) 
O fisioterapeuta lança mão de inúmeras técnicas preconizando a 
funcionalidade da mão, o tratamento fisioterapêutico engloba desde controle 
da dor, edema e cicatriz, exercícios terapêuticos, reeducação sensorial e 
treinos funcionais. 
Esteves (2003) afirma que o paciente com lesão do plexo braquial 
superior apresenta uma ampla variedade de problemas e desafios para o 
fisioterapeuta. Para que não haja complicações, nas lesões traumáticas de 
punho e mão o processo de reabilitação deve ser adaptado de acordo com as 
necessidades do paciente. 
Ressalta que as conseqüências da lesão via de regra perduram por 
toda á vida do indivíduo, e o paciente pode procurar o fisioterapeuta em 
qualquer momento após a lesão. 
Paciente com quadro clínico de: limitações de ADM, edema, aderência 
cicatricial, padrão flexor de punho e dedos, quadro álgico moderado com 
acentuação ao movimento e limitações na realização de atividades de vida 
diária. 
Caso 1- A principal queixa relatada pelo paciente foi o afastamento do 
trabalho e a dificuldade na realização de atividades diárias. 
O tratamento inicial teve como objetivo o controle do edema e do quadro álgico 
através de imersão fria, Tens local e Laser, após alcançados os objetivos 
foram iniciados os alongamentos e mobilização passiva de punho e mão, 
assim como, controle cicatricial para prevenção de aderências com uso do 
ultras-som pulsado e manobras. Ao passo que o quadro do paciente evoluía 
27 
 
 
a mobilização passiva foi trocada por exercícios ativos paga ganho de ADM e 
termoterapia com a utilização de tubilhão terapêutico e banhos de parafina. 
Na tabela a seguir encontram-se os valores da avaliação e da re-avaliação 
referentes à ADM do paciente: 
 
Tabela 01: Amplitude de Movimento Caso 01 
 
 
Com a melhora da ADM foi dado início aos exercícios de fortalecimento e 
treinos funcionais, o processo de reabilitação teve duração de um mês, sendo 
realizadas as sessões de fisioterapia três vezes por semana, com a evolução 
no seu quadro clínico o médico indicou ao mesmo, cirurgia, interrompendo o 
processo de reabilitação. Foram realizadas 14 sessões. 
 
Caso 2- Paciente sofreu uma queda em sua casa, para amenizar queda levou 
as mãos ao chão. Logo após notou um discreto edema na região do punho, 
procurou atendimento médico onde foi realizado um exame de raios-X 
evidenciando a fratura de rádio no membro superior direito. Usou tala durante 
um mês, no retorno médico retirou a tala e foi encaminhada ao setor de 
fisioterapia. Passou por um processo de avaliação cinseio-funcional, 
apresentando o seguinte quadro clínico: quadro álgico moderado, edema, 
limitações de ADM, hipotrofia no membro acometido e dificuldade na 
realização de atividades diárias. A principal queixa relatada foi o afastamento 
do trabalho e dificuldade na realização de atividades diárias. 
28 
 
 
A princípio os objetivos do tratamento foram o controle do edema e do 
quadro álgico com imersão fria associada à enfaixamento compressivo e tens 
local. Com a evolução do tratamento foram iniciados os alongamentos de 
punho e mão, exercícios ativos para ganho de ADM e termoterapia com 
banhos de parafina e turbilhão terapêutico pré-cinesio. Segue abaixo a tabela 
com valores de ADM da avaliação e re-avaliação: 
 
 
Tabela 02: Amplitude de Movimento Caso 02 
 
Ao passo que a ADM melhorou, foram iniciados os exercícios de 
fortalecimento e em seguida treinos funcionais. Devido à exigência de retorno 
a atividade feita pela empresa na qual trabalha o processo de reabilitação teve 
que ser encerrado. Foram realizadas 17 sessões 
 
Caso 3- Paciente relata que ao abrir a porta de vidro de sua casa cortou 
o punho, procurou atendimento médico imediato onde foi realizado sutura. 
Após a retirada da sutura foi encaminhada para um médico especialista em 
reabilitação de mão na cidade de Bauru-SP e para o setor de fisioterapia na 
Clínica de Reabilitação Física Dom Bosco, passou por um processo de 
avaliação cinesio-funcional apresentando o seguinte quadro clínico: edema, 
quadro álgico moderado, parestesia na região do quinto metacarpo, limitações 
de ADM e dificuldades na realização de atividades diárias. As principais 
queixas relatadas foram o afastamento do trabalho e a dificuldade de 
29 
 
 
escrever. Inicialmente foram realizados enfaixamento compressivo e Tens 
para controle do edema e do quadro álgico, reeducação sensorial, manobras 
para prevenção de aderência e estimulação cicatricial com Laser. Com a 
normalização da sensibilidade e melhora do quadro álgico o edema passou a 
ser controlado com imersão fria, foram iniciados os alongamentos de punho e 
mão e mobilização passiva, o trabalho de prevenção de aderências foi 
mantido com o uso do US. Conforme a evolução do quadro clínico passaram 
a ser realizados os exercícios ativos para ganho de ADM e fortalecimento, 
treinos funcionais e orientações. Segue abaixo a tabela com os valores de 
ADM da avaliação e reavaliação: 
 
Tabela 03: Amplitude de Movimento Caso 03 
 
Com a normalização da ADM a paciente voltou a suas atividades normais, 
não apresentou aderência cicatricial e não houve recidiva de edema ou 
quadro álgico. Foram realizadas 18 sessões. Conforme relatado 
anteriormente a utilização de recursos eletrotermofototerapêuticos, exercícios 
terapêuticos, reeducação sensorial e treinos funcionais minimizam os efeitos 
gravitacionais e promovem, assim, um retorno mais rápido as atividades 
cotidianas, sendo a intervenção precoce de fundamental importância para 
bons resultados. 
 
 
30 
 
 
 
4. LUXAÇÃO AGUDA DE OMBRO – AVALIAÇÃO E 
TRATAMENTO 
 
 
 A luxação glenoumeral é a mais frequente do corpo humano. Sendo 
geralmente luxações anteriores causadas por traumatismos, necessitando 
pronto atendimento e avaliação de lesões associadas através da história, 
exame físico e de imagem, visando à redução precoce para evitar ou 
minimizar sequelas futuras. 
Segundo POZZI, 2012 é o tipo de luxação mais comum, respondendo 
por cerca de 45% dos casos, sendo mais frequente na faixa etária entre 20-
30 anos, com predomínio no sexo masculino. A luxação anterior traumática é 
a mais comum estando presente em 85% dos casos, geralmente associadas 
a praticas esportivas, seguida pela luxação posterior em cerca de 2 a 4% dos 
casos, luxação inferior em 0,5% e raríssimos casos de luxação superior. 
(POZZI, 2000E KOWALSKY 2008). Dentre os fatores relacionados à 
recorrência, a idade em que a luxação primária ocorre é o principal, sendo 
superior a 90% em pacientes abaixo dos 20 anos de idade. (STAYNER, 2000) 
Outros fatores como o nível de atividade física do paciente e fraturas 
associadas também estão envolvidos. (ROCKWOOD, 2009). 
ANATOMIA E BIOMECÂNICA 
A cintura escapular é composta por três ossos (a clavícula, a escápula 
e o úmero) e quatro superfícies articulares harmônicas (esternoclavicular, 
acromioclavicular, glenoumeral e escapulotorácica) sendo a glenoumeral a 
principal. (ROCKWOOD, 2009) A articulação glenoumeral é a mais móvel do 
corpo humano, possibilitando movimentos como extensão, flexão, abdução, 
adução, rotação interna, rotação externa e circundação, entretanto, a 
contrapartida desta grande mobilidade é a perda de estabilidade intrínseca, 
31 
 
 
sendo então uma articulação inerentemente instável.(POZZI, 2012, 
STAYNER, 2000) 
Participam ainda desta articulação as estruturas ligamentares e o grupo 
muscular que compõe o manguito rotador (músculo supraespinhoso, músculo 
infraespinhoso, músculo redondo menor e o músculo subescapular) que 
promovem a estabilização dinâmica primária do ombro. A superfície articular 
do úmero é um terço de esfera, a fossa glenóide é rasa e tem um formato de 
vírgula invertida, havendo pouca coaptação com a cabeça umeral. O lábio 
glenoidal é um anel fibrocartilaginoso que circunda a cavidade glenóide 
aumentando a área, a profundidade e a estabilidade articular. Esta articulação 
é envolta por uma cápsula articular sinovial que apresenta três 
espessamentos que são os ligamentos glenoumerais superior, médio e 
inferior além do ligamento coracoumeral que promovem a estabilização 
estática primária do ombro (Figura 1) 
 Figura 2 - Visão anterior da anatomia do ombro 
 
 
A luxação glenoumeral é caracterizada pela completa separação das 
superfícies articulares da cabeça umeral e da fossa glenóide, geralmente 
necessitando de manobras para redução. (ROCKWOOD, 2009) A subluxação 
ocorre por uma translação sintomática da cabeça umeral sem a completa 
separação da superfície articular, com frequência retornando 
32 
 
 
espontaneamente para a posição anatômica na fossa glenóide. 
(ROCKWOOD, 2009) 
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 
Uma anamnese e exame físico detalhado são importantes para definir 
o mecanismo de trauma causador da lesão, posição do braço, quantidade e o 
ponto de aplicação da força. Lesões com o braço em extensão, abdução e 
rotação externa favorecem a luxação anterior, sendo comumente uma luxação 
anterior subcoracóide. As luxações posteriores estão mais associadas a uma 
história de trauma devido a choque elétrico, convulsões ou queda com o braço 
em flexão e adução, geralmente com uma luxação posterior sub-acromial. 
(ROCKWOOD, 2009; DODSON, 2008) 
Luxação Anterior 
Geralmente o ombro está doloroso ao exame físico com espasmo 
muscular e limitação funcional. Pode-se palpar a cabeça umeral 
anteriormente. 
O braço geralmente repousa em ligeira abdução e rodado 
externamente apresentando na face póstero-lateral uma depressão abaixo do 
acrômio onde deveria estar a cabeça umeral descrita como “sinal da dragona” 
(Figura 3). 
 
Figura 3: 
33 
 
 
 
Figura 3 - A) Imagem clínica demonstrando luxação traumática aguda anterior com o 
típico “sinal da dragona” (seta). B) Contorno normal após a redução (seta). 
Podem ocorrer parestesias e hipoestesia na região lateral do deltoide, 
bem como fraqueza deste músculo, presença de hematomas e cianose 
periférica, sendo de suma importância a avaliação neurovascular pela 
possibilidade de lesão da artéria e nervo axilar. (ROCKWOOD, 2009; 
DODSON, 2008) 
Luxação Posterior 
Pode ser difícil reconhecê-la pela falta de uma deformidade marcante 
no ombro. Os achados incluem limitação da rotação externa e da elevação do 
braço, proeminência e arredondamento do braço afetado em comparação 
com o lado contralateral, achatamento do aspecto anterior do ombro com o 
processo coracóide proeminente. (ROCKWOOD, 2009; KOWALSKY, 2008) 
 
Ocorre limitação da movimentação devido à fixação da cabeça umeral 
na borda glenoidal posterior por força da contração muscular ou empalamento 
da cabeça umeral na borda glenoidal. (ROCKWOOD, 2009; KOWALSKY, 
2008) 
34 
 
 
Anormalidades da simetria podem ser mais bem visualizadas por cima 
do ombro colocando-se em pé atrás do paciente. (ROCKWOOD, 2009; 
KOWALSKY, 2008) 
LESÕES ASSOCIADAS 
Uma característica comum das luxações anteriores traumáticas é a 
avulsão do ligamento glenoumeral anteroinferior e cápsula do lábio glenoidal 
sendo um importante fator complicador responsável por luxações recorrentes. 
(ROCKWOOD, 2009) 
 Fraturas clinicamente importantes ocorrem em 25% das luxações do 
ombro. (ROCKWOOD, 2009) 
Na lesão de Bankart ocorre ruptura do complexo capsulo-labral da 
borda antero-inferior da glenóide durante a luxação com avulsão óssea 
associada ou não, estando a lesão óssea de Bankart presente em 5% dos 
casos de luxações anteriores e a lesão de tecidos moles de Bankart associada 
a 90% destes deslocamentos. (ROCKWOOD, 2009; POZZI 2012; DODSON 
2008) 
A lesão de Hill-Sachs se caracteriza por uma depressão cortical na 
cabeça umeral postero-lateral criada pela borda da glenóide durante a 
luxação, ocorrendo em 35 a 40% das luxações anteriores sendo visualizadas 
na incidência AP com rotação interna do braço. (ROCKWOOD, 2009; POZZI 
2012; DODSON 2008) 
A lesão do manguito rotador também é uma complicação importante, 
mais comum em idosos, excedendo 30% em pacientes acima de 40 anos. 
(ROCKWOOD, 2009; STAYNER 2000; DODSON 2008) 
Lesões vasculares são raras e geralmente ocorrem em pacientes 
idosos devido a maior fragilidade dos vasos, ocorrendo transecção completa 
da artéria axilar, laceração ou trombose intravascular. (ROCKWOOD, 2009; 
STAYNER 2000) 
35 
 
 
Lesões nervosas podem estar presentes em até 33% dos casos de 
luxações anteriores podendo ser do tipo neuropraxia (recuperando-se a 
função neurológica em até seis semanas), ruptura axonal (com regeneração 
axonal posterior) ou ruptura completa do nervo com prognóstico reservado. 
(ROCKWOOD, 2009) 
AVALIAÇÃO RADIOLÓGICA 
O estudo radiológico do ombro é de grande auxílio no diagnóstico 
demonstrando a direção do deslocamento articular, fraturas associadas e 
possíveis barreiras que impeçam a redução. As incidências básicas são o AP 
do ombro, o perfil escapular e a incidência axilar. (ROCKWOOD, 2009; POZZI 
2012; DODSON 2008) 
O perfil deve demonstrar o Y escapular, estando a glenóide localizada 
entre a haste e os dois braços do Y. Em articulações normais a cabeça umeral 
ocupa o centro dos braços do Y, já em luxações anteriores é vista anterior e 
medial à fossa glenóide, e posterior a esta em luxações posteriores. 
A incidência axilar demonstra não apenas a direção e magnitude do 
deslocamento como também fraturas compressivas da cabeça umeral, 
fraturas na glenóide e fraturas nas tuberosidades umerais. (Rockwood, 2009) 
A TC tem valor diagnóstico de fraturas associadas, já a RNM tem valor 
inestimável na identificação de lesões labrais e do manguito rotador (Figura 
3). (ROCKWOOD, 2009) 
 
 
 
 
 
 
36 
 
 
Figura 4: 
 
 
TRATAMENTO 
Luxação Anterior Traumática Aguda 
Luxações agudas do ombro devem ser reduzidas o mais precocemente 
possível, preferencialmente depois de realizado a avaliação radiológica para 
descartar outras lesões associadas, minimizando o tempo de compressão 
neurovascular e o dano progressivo a cabeça umeral. (ROCKWOOD, 2009; 
DODSON 2008) 
Realiza-se a redução fechada com anestesia conforme cada caso, 
dependendo do trauma que originou a lesão, do tempo transcorrido e da 
cooperação do paciente. Existem inúmeras técnicas de redução descritas. 
Dentre elas destacam-se a técnicade tração/contra-tração tendo como 
alternativas as manobras de Kocher, Stimson, Spaso e Hipócrates. 
Após realizada a redução deve-se obter radiografias de controle em 
AP, perfil escapular e axilar para confirmar o realocamento articular adequado 
ou surpreender fraturas ainda não diagnosticadas ou provocadas durante o 
procedimento. Novamente realiza-se a avaliação neurovascular. 
(ROCKWOOD, 2009; KOWALSKY, 2008; DODSON 2008) 
Luxação Posterior Traumática Aguda 
37 
 
 
A redução das luxações posteriores pode ser mais difícil em parte pela 
dificuldade em se realizar o correto diagnóstico inicial levando a atrasos no 
tratamento e a presença de fraturas associadas agindo como fator de 
confusão. (ROCKWOOD, 2009) 
Os fatores limitantes relacionados ao sucesso do tratamento incluem a 
duração da luxação, o tamanho da lesão na cabeça umeral, a presença de 
fraturas associadas e a integridade da vascularização da cabeça umeral. 
(ROCKWOOD, 2009; KOWALSKY, 2008) 
Geralmente a redução fechada é realizada requerendo uso de 
relaxantes musculares e analgésicos, inicialmente promovendo 
desimpactação da cabeça umeral da borda glenoidal através de suave 
rotação interna e tração lateral. (KOWALSKY, 2008) Como alternativa pode-
se realizar tração e pressão medial aplicadas na extremidade superior 
aduzindo o úmero proximal para desbloqueá-lo a partir da borda posterior da 
glenóide. Após efetua-se a rotação externa reduzindo a luxação do ombro. 
Realiza-se novas radiografias para controle pós-redução. (KOWALSKY, 2008) 
O tratamento pós-redução é focado em otimizar a estabilização do 
ombro, sendo importante a proteção e reabilitação muscular. (ROCKWOOD, 
2009) A imobilização em rotação externa é a preconizada pois possibilita 
cicatrização o mais próximo do ideal do ligamento roto e do complexo capsulo-
labral avulsionado. (ROCKWOOD, 2009) 
Tratamento Cirúrgico 
O tratamento cirúrgico está indicado nas seguintes situações: 
(ROCKWOOD, 2009; POZZI, 2012; KOWALSKY,2008; DODSON 2008) 
1. Casos de luxações irredutíveis pelos meios fechados; 
2. Fraturas deslocadas da tuberosidade maior do úmero; 
1. Fraturas de Bankart que criam instabilidade glenoumeral com 
acometimento maior que 25% do diâmetro antero-posterior da 
glenóide; 
38 
 
 
2. Pacientes jovens devido à alta probabilidade de recorrência. 
As diversas técnicas cirúrgicas podem ser por via aberta ou, 
preferencialmente artroscópicas. 
 
1. FRATURAS DA REGIÃO PROXIMAL DO ÚMERO, 
DE CLAVÍCULA E ESCÁPULA 
 
A fratura é a interrupção/quebra na continuidade de um osso. Ela pode 
ser identificada por localização (diafisária, metafisária, epifisária, intra-
articular), extensão (completa e incompleta), configuração (transversa, 
oblíqua ou espiral, cominutiva), relação entre os fragmentos (sem desvio e 
com desvio), relação com ambiente (fechada e exposta) e complicações 
(locais e sistêmicas relacionadas a lesão ou tratamento) (KISNER; COLBY, 
2009). 
As fraturas proximais de úmero são lesões comuns, principalmente em 
grupos de maior idade. Tem sido publicado que correspondem por 4 a 5% de 
todas as fraturas e 70% das fraturas de úmero. Elas englobam três estruturas: 
cabeça umeral, colo anatômico e colo cirúrgico (CASTOLDI; MULITERNO; 
COSTA, 2005). A incidência de fratura de clavícula é variável entre 5 a 16%, 
é considerada benigna e de simples tratamento por muitos autores, tendo 
tendência para cura. 
As fraturas de escápula são raras e sua incidência entre todas as 
fraturas é referida de 0,4% a 1%, de acordo com revisão de literatura 
(DUTTON, 2007). 
Manifestações clínicas 
Dor aguda, edema crepitação, redução de ADM, impotência funcional, 
perda de força muscular e hipotrofia muscular (CASTOLDI; MULITERNO; 
COSTA, 2005). 
39 
 
 
Tratamento 
O tratamento vai depender de cada caso, podendo ser conservador ou 
cirúrgico. 
Objetivos Específicos 
Promover alívio de dor, restaurar ADM completa, restabelecer força 
muscular, ganhar trofismo muscular, realizar treino de AVD e Atividades de 
Profissional (AVP) e realizar propriocepção (CASTOLDI; MULITERNO; 
COSTA, 2005). 
Fisioterapia 
O programa de reabilitação é variável e depende do tipo de fratura, do 
tratamento, da estabilidade da fratura, das características do paciente e da 
orientação do ortopedista para progressão dos exercícios conforme 
consolidação radiológica (CASTOLDI; MULITERNO; COSTA, 2005). 
Intervenção fisioterapêutica FASE I- Precoce (2 a 3 semanas após 
lesão tratadas com redução fechada e nas fraturas tratadas com redução 
aberta e fixação interna clássica (RAFI)) 
• Para dor e edema, recursos eletroterapêuticos e físicos: estimulação 
elétrica nervosa transcutânea (TENS), ultra-som, infra-vermelho, laser e gelo 
conforme quadro clínico do paciente; 
• Exercícios pendulares/Codman: exercícios que usam os efeitos da 
gravidade para separar o úmero da cavidade glenoidal. Ajudam a aliviar a dor 
por meio de tração suave e movimentos oscilatórios e causam a mobilização 
precoce de estruturas e líquido sinovial (KISNER, 2009). 
• Exercícios de amplitude de movimento ativa (ADMA) para as 
articulações distais de cotovelo, punho e mão. Observação: Dependendo do 
tipo de fratura ou de sua estabilidade o movimento deve ser restringido 
completa ou parcialmente nesta fase. Os exercícios de ADM de rotação 
interna (RI) e hiperextensão não são indicados nesta fase. 
40 
 
 
Intervenção fisioterapêutica FASE II (6 a 8 semanas nas com RAFI 
e 8-10 semanas em fraturas com reduções fechadas-dependendo da 
consolidação) 
• Exercícios ativos e ativo-assistidos (de flexão, extensão, abdução, 
adução, RI e rotação externa (RE) do ombro podendo utilizar polia, bastão, 
escada digita; 
• Exercícios de flexão e abdução de ombro em frente ao espelho para 
autocorreção e com ajuda do fisioterapeuta para estabilizar escápula 
(evitando elevação da escápula); 
• Exercícios resistidos inicialmente isométricos evoluindo para 
isotônicos (podem ser feitos em pé com faixa elástica (theraband) ou na 
posição supino com halteres) de acordo com cada paciente; 
Intervenção fisioterapêutica FASE III- (12 semanas nas com RAFI e 
após 10 semanas com redução fechada) 
• Alongamento das articulações de cervical, ombro, cotovelo, punho e 
mão; 
• Exercícios isométricos para músculos da escapulotorácica (ex: 
empurrar parede, entre outros); 
• Fortalecimento com exercícios isotônicos concêntricos e excêntricos 
com auxílio de halteres e faixas elásticas para articulações do ombro, 
cotovelo, punho; 
• Fortalecimento nas diagonais funcionais do Kabat (com auxílio de 
halteres e faixas elásticas); 
• Exercícios direcionados para as atividades às quais o paciente 
necessita retornar (arremesso, entre outros). 
41 
 
 
• Treinamento proprioceptivo (na posição de quatro apoios colocar uma 
bola nas mãos, depois evoluir para uma bola em cada mão, em pé frente a 
uma parede e com uma bola na mão, entre outros). 
Figura 5: 
 
 
 
2. RUPTURA DO MANGUITO ROTADOR 
 
O manguito rotador é um complexo formado por quatro músculos: 
subescapular, supraespinhal, infra-espinhal e redondo menor. Além de criar 
uma variedade de torques em torno da articulação glenoumeral, tais músculos 
estabilizam a articulação (BORDIN; PEREIRA; ZILMER, 2005). 
As lesões do manguito rotador além de serem muito frequentes são 
incapacitantes, e acontecem principalmente em indivíduos que realizam 
atividades com os braços acima da cabeça, sua etiologia é multifatorial, tanto 
de inadequações musculares como de alterações estruturais (BORDIN; 
PEREIRA; ZILLMER, 2005). O mais comum é o manguito ser esgarçado e 
evoluir para uma laceração da espessura total após esforço repetitivo, 
sofrendo degradação gradual. 
Figura 6: 
42 
 
 
 
Não existe um consenso sobre um programa de exercícios ideal para 
tratar indivíduos com lesão no manguito rotador. De acordo com a literatura,os protocolos de reabilitação, após cirurgias de reparo do manguito, devem 
basear-se no tamanho da lesão e/ou nas fases de cicatrização do tendão 
(KUHN, 2009). 
 Manifestações clínicas 
As manifestações das várias formas clínicas do manguito incluem 
rigidez do ombro, fraqueza muscular, instabilidade articular e atrito/crepitação 
(BORDIN; PEREIRA; ZILMER, 2005). 
Tratamento 
A presença de lesão do manguito rotador não necessariamente sugere 
a indicação de um procedimento cirúrgico, tudo dependerá da extensão da 
lesão, das condições clínicas do paciente e da indicação clínica. Quando 
indicado o tratamento cirúrgico pode ser realizado por via aberta ou 
artroscópica (BORDIN; PEREIRA; ZILMER, 2005). 
Objetivos específicos 
43 
 
 
Os objetivos da fisioterapia são prevenir os efeitos deletérios da 
imobilização, reduzir dor, promover retorno gradual da ADM total, reduzir a 
atrofia muscular e recuperar progressivamente a força muscular (BORDIN; 
PEREIRA; ZILMER, 2005). 
Fisioterapia 
a) Pequenas Rupturas As 2 primeiras semanas constituem a fase de 
proteção máxima. 
Intervenção fisioterapêutica FASE I (2-3 semanas) 
• No período inicial é importante o uso de tipoia para evitar esforços 
com o membro superior operado; 
• Orientações para não carregar pesos, não dormir sobre membro 
superior operado, mantê-lo na linha da cintura e evitar esforços para elevá-lo; 
• Para dor e edema recursos eletroterapêuticos e físicos: TENS, ultra-
som, laser, gelo conforme quadro clínico do paciente; 
• Exercícios de amplitude de movimento ativa (ADMA) de coluna 
cervical, cotovelo, punho e mão; 
• Exercícios pendulares/ Codman (já descritos anteriormente): 
• Exercícios ativo-assistidos de flexão de ombro em decúbito dorsal 
(DD) com auxílio de bastão; 
• Exercícios ativo-assistidos para RE são iniciados após 3 semanas 
(realizados em DD com um coxim sob o braço e ligeira abdução de ombro a 
30º, reduzindo estresse sobre reparo); 
• Os exercícios para ganho de ADM (flexão, extensão, abdução, 
adução relativa) devem ser realizados em amplitude indolor aumentando 
gradualmente até o limite de tolerância, para isso pode-se utilizar uma polia, 
bastão. 
Figura 7: 
44 
 
 
 
Intervenção fisioterapêutica FASE II- (4-5 semanas) 
• Para dor e edema recursos eletroterapêuticos e físicos: TENS, ultra-
som, infra-vermelho, laser, gelo conforme quadro clínico do paciente; 
• Exercícios isométricos para músculos do ombro e músculos da 
escapulotorácica devem ser introduzidos no protocolo de reabilitação a partir 
da quarta semana, para manutenção da condição muscular, de forma 
submáxima e indolor, para os grupos musculares responsáveis pela abdução, 
RE, RI e flexão de ombro, e flexão de cotovelo; 
• A partir da quarta semana: posicionar o ombro em 45º de abdução 
aumentando o grau de exigência para ganho da RE; 
• Dependendo da laceração do manguito rotador os exercícios de 
recuperação da RI poderão ser iniciados progressivamente na quarta semana. 
Intervenção fisioterapêutica FASE III- (6 semanas) 
• A partir da sexta semana, em média, se houver um adequado controle 
de dor e ADM funcional (aproximadamente 140º de flexão e 40º de RE de 
ombro) iniciar exercícios de fortalecimento com faixa ou tubo elástico, com o 
membro superior em posição neutra (ao lado do corpo), especialmente para 
rotadores externos e internos. 
Intervenção fisioterapêutica FASE IV- (Período intermediário 6-8 
semanas) 
45 
 
 
Objetiva-se atingir a amplitude de movimentos plena e indolor por meio 
de alongamentos e exercícios de força muscular da articulação do ombro que 
permita o desenvolvimento de atividades funcionais com mínimo de 
desconforto; 
• Exercícios de fortalecimento acima da linha do ombro desde que o 
manguito rotador esteja suficientemente forte e haja adequada ADM; 
• Exercícios isotônicos com halteres (flexão de ombro, abdução de 
ombro); 
• Exercícios ativo-assistidos com bastão devem ser intensificados para 
atingir 170-180º de flexão de ombro e pelo menos 60-70º de RE. 
Intervenção fisioterapêutica FASE V- (acima de 12 semanas) 
• Busca-se a manutenção da ADM plena e indolor do ombro, cotovelo, 
punho e mão; 
• Melhorar força muscular e equilíbrio neuromuscular (ombro, cotovelo, 
punho e mão) permitindo o retorno às atividades funcionais (Os exercícios 
resistidos devem ser feitos em plano reto, diagonais funcionais do Kabat com 
auxílio de halteres e faixas elásticas); 
• Exercícios de cadeia cinética fechada (exemplo apoio contra parede); 
• Treinamento proprioceptivo (na posição de quatro apoios colocar uma 
bola nas mãos, depois evoluir para uma bola em cada mão, em pé frente a 
uma parede e com uma bola na mão, entre outros). 
b) Grandes Rupturas ou rupturas maciças 
Quando as rupturas no manguito rotador são grandes lacerações ou 
rupturas maciças, a conduta fisioterapêutica deve ser modificada, em respeito 
ao maior tempo de cicatrização dos tecidos. 
Pode-se manter o protocolo inicial, contudo o uso da tipoia deve ser 
estendido de 6-8 semanas, exercícios ativos para cotovelo, punho e mão 
46 
 
 
devem ser realizados, além dos pendulares/Codman. A RE inicialmente deve-
se limitar a 30º e a elevação realizada passivamente pelo profissional, no 
plano escapular, até o limite de 130º-140º (BORDIN; PEREIRA; ZILMER, 
2005). 
Durante as seis primeiras semanas não se deve realizar a RI, 
hiperextensão e polias, afim de evitar uma re-ruptura. A partir desta fase pode-
se iniciar os exercícios isométricos como já descrito anteriormente (BORDIN; 
PEREIRA; ZILMER, 2005). 
Na oitava semana deve-se buscar ADM total de ombro, devendo esta 
ser atingida até 12ª semana. 
O fortalecimento muscular deve ser direcionado para os músculos 
deltoide (sem ultrapassar ângulos de 90º), supra-espinhal, rotadores internos 
e externos, flexores e extensores do cotovelo e músculos escapulares 
(BORDIN; PEREIRA; ZILMER, 2005). É importante verificar se, ao realizar o 
movimento de flexão de ombro, o paciente não realiza mecanismos 
compensatórios escapulotorácicos. Caso isso ocorra, é necessário mantê-los 
por mais tempo nos exercícios de estabilização umeral antes de progredir com 
exercícios isotônicos (BORDIN; PEREIRA; ZILMER, 2005). 
A partir da 15ª semana, deve-se identificar possíveis déficits funcionais 
e o tratamento deve ser direcionado nesse sentido. Nessa fase visa-se 
aprimorar controle neuromuscular e força da cintura escapular, retomando 
gradualmente atividades funcionais como descrito anteriormente (BORDIN; 
PEREIRA; ZILMER, 2005). 
3. LUXAÇÃO DO COTOVELO 
 
As lesões que acometem o cotovelo são incapacitantes, pois essa 
articulação é de suma importância para o posicionamento e movimentação da 
mão na maioria das atividades. 
47 
 
 
As luxações do cotovelo devem ser reduzidas o mais precoce possível 
para evitar complicações e para que o paciente recupere o mais rápido 
possível à função normal do cotovelo. Elas correspondem a 20% de todas as 
luxações, atrás apenas das articulações glenoumerais e dos dedos, ocorrem 
mais comumente em jovens (ZILMER, 2005). 
Figura 8: 
 
 
As luxações posteriores do cotovelo são causadas por uma queda 
sobre mão ou punho com cotovelo em extensão ou leve hiperextensão. 
Luxações anteriores não são comuns, admite-se que sejam causadas por 
impacto no antebraço posterior em posição de ligeira flexão (ZILMER, 2005). 
 
 Manifestações Clínicas 
As manifestações clínicas incluem: dor, edema, ADM limitada, 
instabilidade (ZILMER, 2005). 
 
Tratamento 
A maioria das luxações simples de cotovelo é reduzida com facilidade. 
Em casos de impossibilidade de redução, deve-se investigar por meio de 
radiografias e exame físico meticuloso e então indica-se a cirurgia. As causas 
mais frequentes nas indicações do tratamento cirúrgico na luxação de 
48 
 
 
cotovelo são luxações irredutíveis, fraturas ósseas associadas,

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