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TERAPIA AYURVEDA AULA 4 Profª Fabiana Rodrigues Mandryk 2 CONVERSA INICIAL O Ayurveda é considerado um conhecimento eterno, que sobreviveu e sobreviverá a todas as transformações que o mundo passar. (Fabiana R. Mandryk, [S.d.]) Aprendemos a observar a vida e seus ciclos sob a ótica do Ayurveda. TEMA 1 – AGNĪ O fogo (अग्नि, agnī) é um dos cinco elementos (pañcabhūta) que formam os componentes básicos do mundo. Também se refere a uma divindade hindu de mesmo nome. Agnī, o deus do fogo, do sacrifício e do conhecimento divino, é um dos deuses védicos. Agnī representa a centelha de vida e energia dentro de todas as pessoas. Como essa centelha, Agnī está presente em todas as coisas vivas. Agnī também representa o conhecimento divino que guia os iogues em direção aos deuses. Ele é o fogo do Sol e do relâmpago e aquele que concede sacrifícios aos deuses. Agnī também é o senhor protetor da casa e do lar e, como tal, é um mediador entre os deuses e as pessoas. Hoje, ele ainda é adorado – suas bênçãos são buscadas em casamentos, mortes e outras ocasiões. Agnī é o termo técnico no Ayurveda para designar o agente invariável no processo de pāka (digestão, transformação), sendo o responsável pela digestão e metabolismo do corpo humano. Quando Agnī está inquieto, pode ser a causa de uma ampla gama de complicações. 1.1 Os Agnīs De maneira geral existem dois tipos de Agnī em nosso organismo, que podem ser referidos como macro e micro. TEMA 2 – MACROAGNĪ – JĀṬHARĀGNI Jāṭharā significa intestino ou barriga (a zona de digestão) e Agnī significa fogo. Assim, Jāṭharāgni significa fogo na barriga e representa os elementos fisiológicos da digestão e do metabolismo que ocorrem no estômago e nos intestinos. 3 É o fogo que governa o processo preliminar da digestão antes que o alimento seja convertido em uma forma na qual possa ser absorvido, assimilado e distribuído por várias regiões do corpo. Ele funciona de forma independente e ajuda na digestão primária, que se inicia na boca, durante a mastigação dos alimentos. Os outros tipos de Agnī dependem da qualidade e da quantidade de Jāṭharāgni. É dito que Jāṭharāgni é o governo central de todos os outros Agnīs (microagnīs que controlam os processos micro metabólicos nas células e nos tecidos). Se este fogo se torna exacerbado ou diminuto, o metabolismo se perturba. Isso, por sua vez, dá origem a uma cadeia de eventos patológicos que levam a muitas doenças sistêmicas. Se Jāṭharāgni for adequado, equilibrado e saudável, as outras formas de Agnī sob sua regência também estarão em equilíbrio. Assim, proteger e cuidar do nosso fogo intestinal é obrigatório para que sejamos saudáveis. Saiba mais A felicidade requer três coisas, uma boa conta no banco, um bom cozinheiro e boa digestão (Rousseau, [S.d.]). Por outro lado, se Jāṭharāgni ficar viciado, ele perturba todos os outros Agnīs no corpo. Isso resulta na diminuição da imunidade celular e na formação de ama (produto inadequadamente digerido). Assim as células não podem absorver nutrição nem identificá-la. Em vez disso, as células identificam a nutrição como produtos inadequasos, logo indesejados, todavia este produto inadequadamente digerido, devido à sua natureza pegajosa, adere às células e se tornam contumaz. Isso é chamado de Dhatugata Ama (indigestão celular). As células ficam fracas e letárgicas. A sequência de Jāṭharāgni fraco seguido por dhatu-agnī fraco (fogo celular) e formação de ama sistêmica e celular forma uma plataforma ideal para muitas doenças se manifestarem. Saiba mais A indigestão é acusada por Deus de impor moralidade no estômago (Víctor Hugo, [S.d.]). 4 Jāṭharāgni ajuda na digestão primária dos alimentos e equaliza essa digestão para que o metabolismo ocorra em nível celular com o mesmo sucesso. Existem mais alguns tipos de Agnī que basicamente dependem de Jāṭharāgni. Eles estão presentes nos tecidos e nos níveis celulares. Eles trabalham sob a orquestração de Jāṭharāgni e seu status é diretamente proporcional ao quão bom ou ruim é Jāṭharāgni em termos de qualidade e quantidade. TEMA 3 – MICROAGNĪS BHUTAGNĪ Eles são os fogos estruturais ou anatômicos relacionados ao Pancha Mahabhutas ou cinco elementos básicos da criação responsáveis por nosso ser físico. As conversões e combinações desses cinco elementos constituem diferentes tecidos (Dhatus) e órgãos em nosso sistema. Da mesma forma, os desequilíbrios desses 5 elementos (um ou mais) podem perturbar a dinâmica corporal, levando a uma ampla gama de problemas de saúde. Diz-se que cada Bhuta ou elemento da natureza que compõe nosso corpo possui um Agnī próprio. Esses Agnīss pegam as partes essenciais da nutrição e as metabolizam para se sustentarem. Portanto, temos cinco Bhutagnīs. Bhutagnī indica os cinco Agnīs elementares, e metaboliza o quilo em componentes elementares. O fígado é o seu principal orquestrador. Eles reagem bioquimicamente aos alimentos parcialmente digeridos por Jāṭharāgni, quebrando moléculas em átomos, de modo que os Dhatu-agnīs podem convertê-los em sete camadas de tecido, Dhatus. É preciso lembrar que cada célula do nosso corpo é composta pelos cinco elementos básicos. Naturalmente, cada célula também recebe a capacidade digestiva apropriada através dos cinco Bhutagni. Todos os nutrientes que comemos neste mundo também são formados dos mesmos cinco elementos básicos com seus respectivos Agnis. Assim, eles são completamente semelhantes no que diz respeito aos cinco elementos básicos, bem como em todos os nutrientes externos que ingerimos para a nutrição do nosso corpo. Acharya Charaka mencionou que os cinco Bhutagni digerem sua própria parte do elemento presente nos alimentos. Após a digestão dos alimentos pelo 5 Bhutagni, os materiais digeridos contendo os elementos e qualidades semelhantes a cada bhutas nutrem seus próprios elementos do corpo. Exemplo: a parte da terra, ou parte sólida do alimento, é digerida primeiro pelo Jāṭharāgni (fogo intestinal). Quando esse alimento digerido chega aos tecidos, ele é posteriormente digerido e microprocessado pelo Parthivagni localizado nos tecidos. Após este microprocessamento, a parte terrestre do alimento nutre os gunas terrestres desses Dhatus (tecidos), Srotas (canais ou sistemas de transporte do corpo que são novamente formados pelos tecidos) e todo o corpo. A parte microprocessada do alimento sustenta e nutre todas as células e tecidos, mas nutre principalmente os tecidos que são predominantemente constituídos por Prithvi Mahabhuta (elemento terra), como os tecidos duros do corpo, como ossos, músculos etc., são constituídos predominantemente pelo elemento Terra ou Parthiva. O mesmo processo ocorre com respeito a Apya amsha, Taijasa amsha, Vayavya amsha e Nabhasa amsha do alimento. Em primeiro lugar, eles são digeridos pelo Jāṭharāgni. Mais tarde, suas diminutas partes atingem os tecidos e, nos tecidos, são acionadas por seus respectivos Butagnis. As partes processadas dos alimentos nutrem ainda mais os tecidos, canais e o corpo. Quando em condições normais, os Bhutagnis digerem e microprocessam as minúsculas frações dos alimentos fornecidos a eles após a ação e digestão do Jāṭharāgni em todos os tipos de alimentos que consumimos. Cada Bhutagni atua sobre as frações da comida que dizem respeito a eles. O efeito geral da digestão dos Bhutagnis sobre os alimentos no nível celular/tecido os converte em componentes nutritivos que nutrem os tecidos, canais do corpo, Vayu, calor e o corpo como um todo. O alimento assim digerido adequadamente, flui nos canais do corpo ininterruptamente e nutre todos os tecidos além de fornecer Upachaya (construção de tecidos), Bala (força, resistência, imunidade), Varna (cor e tez), Sukha (contentamento) e Ayush (vida plena e boa).Quando os Bhutagnis sofrem perturbação (depleção ou excesso) os benefícios mencionados não são obtidos. A micrometabolização dos alimentos não ocorre, levando ao esgotamento e subsequente contaminação dos tecidos com ama estagnada. Isso forma um ambiente ideal para o cultivo da doença. 6 Logicamente, eles recebem a referência do elemento no qual este agni atua: • Vayaveeya Agni (capacidade digestiva do vento ou ar); • Taijasa ou Agneya Agni (capacidade digestiva do fogo); • Akasheeya/Naabhasa Agni (capacidade digestiva do espaço vazio); • Apya Agni (capacidade digestiva da água); • Prithvi ou Parthiva Agni (capacidade digestiva da Terra). 3.1 Akasheeya/Naabhasa Agni Este Agnī está relacionado com Vāyu (o elemento éter/espaço) e é responsável por nutrir (fornecer átomos sutis para) o órgão dos sentidos da audição nos ouvidos. Ele também está presente no tecido epitelial e nas mucosas intestinais principalmente. 3.2 Vayaveeya Agni Este Agnī está relacionado a Vāyu (o elemento ar/vento) e é responsável por nutrir (fornecer átomos sutis para) o órgão dos sentidos do tato na pele. 3.3 Taijasa ou Agneya Agni Este Agnī está relacionado a Tejas (o elemento sutil do fogo) e é responsável por nutrir (fornecer átomos sutis para) o órgão dos sentidos da visão nos olhos. 3.4 Apya Agni Também é conhecido como Āpyāgni. Este Agnī está relacionado a Jala (o elemento água) e é responsável por nutrir (fornecer átomos sutis para) o órgão dos sentidos do paladar na língua. 3.5 Prithvi ou Parthiva Agni Este Agnī está relacionado a Pṛthivī (o elemento terra) e é responsável por separar os átomos terrenos de partículas de comida parcialmente quebradas. Estes são então oferecidos como nutrientes ao órgão dos sentidos do olfato no nariz. 7 TEMA 4 – OS SETE DHĀTVĀGNI Dhatu significa tecido e Agni significa fogo. Assim, Dhatvagni indica a capacidade digestiva que está localizado dentro dos tecidos corporais. Esta capacidade digestiva atua na parte nutritiva do quilo que recebem e estes passam pela metabolização que os converte em componentes mais finos. Os componentes assim formados após a ação de Dhatvagni sobre o alimento (em circulação) auxiliam na formação do mesmo tecido, nutre o próximo tecido em sequência, produz energia e produtos teciduais ou resíduos que devem ser expelidos. Então, Dhatvagnis são a capacidade digestiva fisiológica relacionado aos 7 dhatus ou tecidos do corpo, portanto, os responsáveis pela metabolização que ocorre no nível celular. Quando Jataragni está funcionando normalmente, os Dhatvagnis também funcionam normalmente e harmoniosamente. Se o Jataragni estiver hiperativo, o Dhatvagnis também se tornará hiperativo. Isso leva ao esgotamento ou depleção do tecido. Por outro lado, se o Jataragni for fraco, o Dhatvagni também será fraco. Este Dhatvagni enfraquecido não será capaz de metabolizar os nutrientes disponíveis. Há um acúmulo de alimentos não digeridos (ama), dhatu e ama, derivando de alimentos mal processados e agregados na formação das células do tecido. Isso trará bloqueios celulares, pois a ama adesiva não pode ser expelida. Como resultado, a nutrição dos tecidos do corpo será reduzida, levando ao enfraquecimento da formação e da imunidade dos tecidos. Isso leva à formação de várias doenças sistêmicas. Nessa condição, a quantidade e a massa dos tecidos aumentam (dhatu vriddhi). Agregando ao corpo as condições patológicas. Os Dhatus, enquanto os Bhutagnis estão envolvidos na digestão e microprocessamento das frações dos alimentos que estão atribuídos a eles, os Dhatvagnis estão envolvidos na utilização das porções de alimentos de uma maneira diferente. Com a ajuda do calor autogerado, os Dhatvagnis se digerem e se processam numa operação denominada Dhatvagni paka (ponto de cozimento) e também nas frações fornecidas após a ação dos Bhutagnis. Este processo leva 8 à formação de duas porções, ou seja, Sara Bhaga ou Prasada Bhaga (parte do nutriente) e Kitta Bhaga (resíduos de tecido). O Prasada Bhaga mais uma vez é dividido em três fragmentos. A primeira parte forma o Sthanika Dhatu (tecido local) ou nutrição. A segunda parte forma o Poshaka Dhatu (o tecido de suporte ou tecido responsável pela formação de seu dhatu subsequente). A terceira parte ajuda na formação de Upadhatus (sub- tecidos). O Kitta Bhaga é eliminado como resíduo de tecido e é finalmente eliminado do corpo após se juntar aos principais resíduos metabólicos da digestão. Durante o processo de Dhatupaka, calor e energia são liberados, os quais são usados para as funções do corpo. Dhatvagni quando em estado normal auxilia na formação dos tecidos e participa de sua alimentação e manutenção. Também ajuda na formação de Upadhatus, calor, energia e executa a eliminação de ama do tecido. Quando os Dhatvagnis diminuem sua intensidade adequada, os dhatus se acumulam junto com ama e causam aumento patológico nos Dhatus. Quando os Dhatvagnis aumentam o calor metabólico, os Dhatus são queimados e sofrem deterioração ou são destruídos. Ambas as condições levam à formação de várias doenças. Além disso, os produtos mal metabolizados dos tecidos não são eliminados, os Upadhatus não são formados adequadamente, os tecidos subsequentes não são formados adequadamente e, portanto, a imunidade e a força diminuem, tornando-o suscetível a uma ampla gama de problemas de saúde. Temos sete Dhatvagnis: • Rasa Dhatvagni (tecido do plasma); • Rakta Dhatvagni (tecido sanguíneo); • Mamsa Dhatvagni (músculo ou tecido da carne); • Meda Dhatvagni (gordura ou tecido adiposo); • Asthi Dhatvagni (tecido ósseo); • Majja Dhatvagni (tecido da medula óssea); • Shukra Dhatvagni (tecido reprodutivo). 9 TEMA 5 – OS SETE DHATUS A palavra Dhatu é derivada da palavra raiz Dhru., aquilo que faz Dharana (manter-se unido) é Dhatu. Então, todos os Dhatus fazem o corpo e mantêm o corpo coeso. Considerando a ciência moderna, a descrição do corpo humano começa com as células. Um grupo de células forma os tecidos, um grupo de tecidos forma um órgão, um grupo de órgãos forma o sistema e um grupo de sistemas é o corpo humano. Entretanto, o Ayurveda explica o corpo humano de uma maneira diferente. O corpo humano manifesta por meio dos Doshas – Vata, Pitta e Kapha, suas manifestações físicas, densas e sutis, bem como a influência externa dos ciclos naturais da vida. Os Doshas controlam todos os tecidos do corpo, atuando nos tecidos, formam o corpo humano. Esses tecidos são conhecidos como Dhatus. Os Doshas formam nossa estrutura corporal no exato momento da nossa concepção, essa é nossa Prakrti, nossa identidade e compleição. Ao longo de nosso desenvolvimento, as alterações em nossa base de formação recebem o nome de Vikrti, que literalmente significa a forma patológica de Vata. A Prakrti influencia no corpo e na mente, sendo que no corpo receberemos as características associadas aos Doshas e seus elementos, e na mente a influência também será dos elementos, todavia, por meio de suas energias sutis, satwa, rajas e tamas. De acordo com o Ayurveda somos compostos por sete tecidos corporais. O funcionamento do tecido corporal é gerenciado por cada um dos Doshas. Os Dhatus são a plataforma dinâmica para a expressão plena dos Doshas. Dosha, Dhatu e Mala (produtos residuais) formam a raiz – Moola do corpo. Órgãos como fígado, estômago, intestino etc. são o local onde os Dhatus são formados através da metabolização dos alimentos. Um ou os três Doshas quando desequilibrados, alojam-se nos Dhatus. 5.1 Dhatus – um por todos e todos por um • Rasa Dhatu – parte da essência logo após a digestão/plasma/linfa; 10 • Rakta Dhatu – tecido sanguíneo; • Mamsa Dhatu – tecido muscular; • Meda Dhatu – tecido adiposo; • Asthi Dhatu – tecido ósseo; • Majja Dhatu – medula óssea (tutano);• Shukra Dhatu – sistema reprodutivo (masculino e feminino). 5.2 Rasa Dhatu Este tecido é produzido logo após a digestão. É a parte essencial do alimento que circula por todo o corpo e nutre todos os tecidos corporais. É grosseiramente comparado à parte do plasma do sangue. Sua função básica é nutrir todos os tecidos do corpo. É controlado por Kapha Dosha. Normalmente o aumento do Kapha Dosha causa aumento do Rasa Dhatu e a diminuição do Kapha leva à diminuição do Rasa Dhatu. Após a conclusão do processo de digestão, o alimento é dividido em parte essencial e parte residual. A parte essencial é chamada de Rasa Dhatu. É o fluido nutritivo, que circula por todo o corpo e nutre todas as partes do corpo. A ação nutritiva é provocada por Kapha. Este é o primeiro tecido a ser nutrido, ele circula constantemente no corpo, é formado em 24 horas. A principal função do rasa Dhatu é nutrir para que os outros seis dhatus possam ser formados adequadamente. Ele circula por todo o corpo pelo bombeamento do coração, ou seja, através da ação de Vyana Vata. 5.3 Rakta Dhatu É comparado diretamente com o sangue e seus componentes. É formado recebendo a nutrição de Rasa Dhatu. Sua principal função é vivificar. Está diretamente relacionado a Pitta Dosha – o aumento de Pitta Dosha leva ao aumento de Rakta e vice-versa. Rakta significa vermelho, a cor desse tecido, que ele adquire da ação do Pitta. Pitta em boas condições confere um tecido sanguíneo de boa qualidade. 11 O termo Rakta indica o líquido que é nutrido pela essência, parte dos alimentos, que é a causa da tez da pele, força e imunidade do corpo. O Ayurveda opina que o sangue se origina do fígado e do baço. Portanto, sangue, Pitta, doenças hepáticas e doenças da pele estão relacionados. Pessoas com sangue normal apresentam clareza e uniformidade na tez da pele, funcionamento normal dos órgãos dos sentidos, digestão desobstruída e evacuação intestinal fluida, felicidade, contentamento, nutrição e força. O sangue é responsável pela força e imunidade, tez da pele, felicidade, conforto e longevidade do indivíduo. Ele desempenha um papel muito importante no sustento da força vital. 5.4 Mamsa Dhatu É comparado ao tecido muscular, obtém sua nutrição de Rakta Dhatu. Sua principal função é conferir forma às partes do corpo e coerir aos ossos, auxiliando nas atividades locomotoras. É controlado por Kapha Dosha. Normalmente, o aumento e a diminuição de Kapha Dosha levam ao aumento e diminuição de Mamsa Dhatu, respectivamente. É constituído predominantemente do elemento terra. Este tecido é responsável por promover locomoção musculoesquelética, promover batimentos cardíacos e estabelecer o funcionamento de órgãos como vasos sanguíneos, bexiga urinária, rins, esôfago, estômago, intestino delgado etc. 5.5 Meda Dhatu Está relacionado ao tecido adiposos, sendo nutrido por Mamsa Dhatu. Sua principal função lubrificação. Seu aumento e diminuição são influenciados por Kapha Dosha. Consequentemente, a pessoa com predominância de Kapha geralmente é rica em tecido adiposo. A palavra meda é derivada da palavra sânscrita que significa oleação/aplicar óleo, é um Dhatu untuoso como Ghee, alimentos macios e oleosos são digeridos e imediatamente produzem meda. 12 Meda tem as seguintes qualidades: untuosidade, maciez, peso e estabilidade. Este tecido está presente: • Camada subcutânea profunda na pele; • Em torno do coração; • Em torno dos rins; • Medula amarela dos ossos longos; • Acolchoamento ao redor das articulações; • Dentro da órbita ocular, posteriormente ao globo ocular. Ele atua como uma camada isolante, ajudando a reduzir a perda de calor pela pele, também tem uma função protetora, fornecendo proteção mecânica acolchoamento e suporte em torno de alguns dos principais órgãos, por exemplo, rins, também é um meio de armazenamento de energia. O alimento que excede as necessidades é convertido em gordura e armazenado no tecido adiposo do corpo. 5.6 Asthi Dhatu Asthi é relacionado ao tecido ósseo, sendo nutrido por Meda Dhatu. Sua principal função é manter o corpo ereto. Recebe influência de Vata Dosha, mas o aumento de Vata Dosha leva à diminuição do Asthi Dhatu e a diminuição do Vata Dosha leva ao aumento do Asthi Dhatu. É por isso que, na velhice, quando o Vata é aumentado, ocorre a degeneração do tecido ósseo. Este é o Dhatu mais duro e firme do corpo. É predominantemente composto por Prithvi Mahabhuta (terra), têm os gunas solidez, aspereza, secura e durabilidade. Todas as estruturas moles como músculos, vasos e nervos são encontradas em torno deste Dhatu. Asthi Dhatu dá forma ao corpo esquelético e protege órgãos vitais como o coração, pulmões, e todos que se alojam na cavidade torácica. Asthi Dhatu é o local principal de Vata Dosha. 13 5.7 Majja Dhatu Relaciona-se à medula óssea e todo o tecido que preenche a cavidade óssea. O tecido ocular também e o tecido cerebral também formado por Majja Dhatu. Sua principal função é preencher as cavidades ósseas. O tecido ósseo nutre Majja Dhatu. É predominantemente feito de água e terra. Majja Dhatu é controlado por Kapha Dosha. Também tem a função de gerar glóbulos vermelhos e brancos. A medula óssea também produz gordura, cartilagem, tecido conjuntivo fibroso (encontrado nos tendões e ligamentos). A medula óssea remove células velhas da circulação. 5.8 Shukra Dhatu E comparado ao sistema reprodutor masculino e feminino e suas secreções. Sua principal função é reprodução, sendo controlado por Kapha Dosha. Obtém nutrição de Majja Dhatu. A palavra Shukra é derivada da palavra sânscrita Shucha, que significa puro. Shukra permeia todo o corpo. Promove a criação do tecido reprodutivo masculino e feminino e se envolve na qualidade dos hormônios sexuais – estrogênio, progesterona, testosterona bem como na qualidade do sêmen, esperma e óvulo. 5.9 Upadhatus Dhatus ou tecidos constituem a estruturação física do corpo, eles formam a natureza anatômica do corpo e são, portanto, os blocos de construção da compleição. Upadhatus são os subtecidos ou tecidos secundários do corpo que servem como componentes importantes e têm certas funções específicas a cumprir. Eles estão associados aos principais Dhatus, pois derivam e são nutridos por eles. Assim, a palavra Upadhatu significa um tecido imediatamente inferior ao dhatu principal que possui propriedades de constituição do corpo. Eles podem 14 ser considerados como blocos de suporte para os principais blocos principais (dhatus) no corpo. • Rasa dhatu (essência da nutrição, linfa, plasma, nutrição em circulação) tem esses dois Upadhatus – Stanya (leite materno) e Aartava (sangue menstrual, óvulo); • Rakta Dhatu (sangue) – Siras (vasos sanguíneos, veias) e Kandaras (tendões); • Mamsa Dhatu (músculos) – Vasa (gordura muscular) e Twak (pele); • Medas (gordura) – Snayus (ligamentos, nervos) e Sandhis (articulações ósseas). Com exceção de Asthi (osso), Majja (medula óssea) e Shukra (sêmen ou fluido reprodutivo), todos os outros quatro dhatus têm seus Upa-Dhatus. Upadhatus não suportam o corpo nem implicam na responsabilidade de construção, tão importante quanto os Dhatus. Portanto, eles não podem ser considerados como Dhatus. Upa = Sub, subordinado, adjunto, subsidiário, secundário; Dhatu = tecido. 5.10 Dhatu Mala – resíduos Ao pé da letra, são os resíduos dos tecidos. Abaixo, está a lista de resíduos produzidos pelo corpo: • Rakta – bile do fígado; • Mamsa – produtos residuais excretados das cavidades como orelhas, olhos, nariz, boca e órgãos genitais; • Rasa – produz catarro; • Majja – produz a substância untuosa presente nos olhos, fezes e pele; • Medas – suor; • Asthi – produz Kesha (cabelo) e Loma (cabelo pequeno/pelos do corpo); A porção de nutrientes e excreçõessurge de Dhatu Paka (digestão no nível dos tecidos). Os processos metabólicos no corpo convertem essas substâncias alimentares em minúsculos componentes para atender às necessidades do corpo e também para se tornarem compatíveis com os elementos, tecidos e órgãos do corpo. 15 5.11 Malas São os produtos excedentes do metabolismo e se formam diariamente e de forma concomitante, devem ser expulsos de forma consistente, de forma a equilibrar e manter a mecânica corporal. Malas são três: • Pureesha (fezes); • Mutra (urina); • Sweda (suor). Quando eles são expelidos no momento apropriado e em quantidade adequada, o corpo estará livre de materiais indesejáveis e ama que podem perturbar o bom funcionamento do corpo. O corpo mostra alguns sinais em termos de impulsos ou reflexos quando estes são produzidos à medida que os malas se acumulam e estão prontos para serem eliminados. A eliminação do excesso ou do déficit desses Malas pode levar a patologias graves e causar muitas doenças. 5.12 Formação de Dhatu Malas ou Upa malas As substâncias residuais não são formadas apenas no processo de digestão e metabolismo no intestino, mas também como resultado do metabolismo do tecido, especialmente porque cada tecido tem sua própria capacidade digestiva. Depois que o alimento é digerido, os nutrientes essenciais (Ahara Rasa) são colocados em circulação. Essa essência do alimento finalmente chega aos dhatus. Os tecidos absorvem essa nutrição e a convertem em formas mais refinadas que se tornariam compatíveis com o ser. No processo, a comida é dividida em: 1. Prasada Bhaga – parte dos nutrientes; 2. Mala Bhaga – excreta. Prasada Bhaga – uma porção de Prasada Bhaga torna-se tecido local. Essa é a reposição, a nutrição desse tecido. Outra parte torna-se Poshaka Dhatu que é a porção nutridora do próximo tecido, e esta porção também nutre o Upadhatus ou subtecidos. 16 Mala Bhaga – o Mala Bhaga, ou excreta, é eliminado dos tecidos. Esses malas ou produtos residuais formados nas células durante o metabolismo celular (dhatu paka) são chamados de Dhatu Malas ou Upa Malas ou Sukshma Malas Mesmo esses malas devem ser limpos e expulsos do corpo de vez em quando. • Rasa Dhatu (Linfa, plasma) – Kapha; • Rakta Dhatu (sangue) – Pitta; • Mamsa Dhatu (músculo) – Karna Mala (cera de ouvido), Netra Mala (secreções oculares), Nasa Mala (secreções nasais ou muco); • Asya Mala (detritos orais), Roma Kupa Mala (sebo), Prajanana Mala (esmegma); • Medo Dhatu (gordo) – Sweda (suor); • Asthi Dhatu (osso) – Roma (pelos do corpo), Nakha (unhas); • Majja Dhatu (medula óssea) - Charma Sneha (secreções sebaciosas), Netra Vit (secreções espessas do olho), Pureesha Sneha (muco das fezes); • Shukra Dhatu (sêmen, fluido reprodutivo) – nenhum Mala, mas algumas pessoas acreditam que o Smashrus (bigode) é o Mala de Shukra. Este conhecimento sobre Dhatu malas é necessário porque eles são os materiais indesejáveis do corpo que precisam ser lavados regularmente. Se não forem limpos, eles ficam para trás e danificam o tecido e suas funções. Quando o metabolismo do tecido é perturbado, o que causa um grande impacto em todos os tecidos, na saúde geral e na imunidade. O tecido produz esses Malas e tenta expulsá-los de vez em quando. Precisamos apenas facilitar o processo. Podemos ter que remover manualmente as descargas e secreções impactadas do olho, nariz, língua, ouvido etc. Podemos ter que limpar nossa pele regularmente e facilitar o processo de suor. É também nosso dever aparar regularmente os pelos, unhas e bigodes do nosso corpo. Isso não apenas ajuda a expulsar os Malas, mas também nos ajuda a ter uma boa aparência e saúde. NA PRÁTICA Por meio da compreensão de Agni, ou seja, da capacidade digestiva do corpo com a visão do Ayurveda, podemos identificar doenças e desequilíbrios obersando as excreções e os tecidos acessórios de cada indvíduo. Essa simples 17 percepção já nos norteia na condição do elemento que está depletado ou em excesso no corpo. FINALIZANDO Como uma grande colcha de retalhos, estamos tecendo o conhecimento essencial à conduta para a vida plena e para a aquisição de uma mente virtuosa. Dessa maneira, além de podermos adotar o estilo de vida adequado à nossa realidade pessoal, nos tornamos capazes de orientar ao próximo como essa plenitude pode ser alcançada por qualquer um que esteja disposto. 18 REFERÊNCIAS CARAKA. Samhita of Agnivesha with “Vidyotini”. Nova Delhi: Chaukhambha Bharati Academy, 2012.