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EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA Prof. Ronaldo Anderson de Medeiros EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES Marília/SP 2023 “A Faculdade Católica Paulista tem por missão exercer uma ação integrada de suas atividades educacionais, visando à geração, sistematização e disseminação do conhecimento, para formar profissionais empreendedores que promovam a transformação e o desenvolvimento social, econômico e cultural da comunidade em que está inserida. Missão da Faculdade Católica Paulista Av. Cristo Rei, 305 - Banzato, CEP 17515-200 Marília - São Paulo. www.uca.edu.br Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. Todos os gráficos, tabelas e elementos são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência, sendo de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Diretor Geral | Valdir Carrenho Junior EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 5 SUMÁRIO CAPÍTULO 01 CAPÍTULO 02 CAPÍTULO 03 CAPÍTULO 04 CAPÍTULO 05 CAPÍTULO 06 CAPÍTULO 07 CAPÍTULO 08 CAPÍTULO 09 CAPÍTULO 10 CAPÍTULO 11 CAPÍTULO 12 CAPÍTULO 13 CAPÍTULO 14 CAPÍTULO 15 08 18 28 48 58 70 83 94 104 115 125 135 148 157 INTRODUÇÃO AO EXERCÍCIO FÍSICO O EXERCÍCIO COMO FATOR DE PREVENÇÃO E TERAPIA DOENÇAS CARDIOVASCULARES E EXERCÍCIO A OBESIDADE 38 EXERCÍCIOS PARA OBESOS: BENEFÍCIOS E TRATAMENTO PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIOS PARA OBESOS DIABETES MELLITUS E EXERCÍCIO HIPERTENSÃO ARTERIAL E EXERCÍCIO DISLIPIDEMIAS E EXERCÍCIO GESTANTES E EXERCÍCIO O ENVELHECIMENTO BENEFÍCIOS DO EXERCÍCIO NA PREVENÇÃO E TRATAMENTO DE DOENÇAS RELACIONADAS AO ENVELHECIMENTO AVALIAÇÃO E PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIOS PARA IDOSOS TRABALHO MULTIDISCIPLINAR NA PROMOÇÃO DO EXERCÍCIO EXERCÍCIOS PARA GRUPOS DE RISCO E SAÚDE FRÁGIL EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 6 INTRODUÇÃO Em toda a história da humanidade, o exercício costumava ser algo que fazíamos naturalmente, como parte da nossa vida diária. Mas, nos dias de hoje, muitas vezes, deixamos de lado o exercício e o consideramos uma escolha, algo que fazemos se quisermos. Isso acontece porque nossa forma de vida atual, que envolve passar muito tempo sentado e usando comodidades modernas, está afetando negativamente nossa saúde. Às vezes, as facilidades que a modernidade nos oferece podem prejudicar nossa saúde sem que percebamos. Entender os benefícios e riscos do exercício físico é essencial em um momento em que as doenças cardiovasculares, a obesidade, a diabetes mellitus, a hipertensão arterial e as dislipidemias estão em ascensão. Essas condições não são apenas números nas estatísticas, mas afetam vidas, famílias e comunidades inteiras. Elas têm o poder de roubar a alegria de viver, de fazer com que cada batida do coração seja um lembrete constante de fragilidade. Nesta disciplina que explora o universo do exercício físico em diferentes populações, vamos discutir e conhecer os inúmeros benefícios para a saúde e bem-estar, como o exercício é melhor aplicado de acordo com a condição de cada pessoa, e também certos riscos se não for realizado corretamente ou sem a devida orientação. Abordaremos como o exercício atua como um fator preventivo e terapêutico auxiliar em uma variedade de condições crônicas. Isso inclui doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes mellitus e hipertensão arterial. Essas condições de saúde apresentam sérios riscos para a qualidade e longevidade da vida e o exercício físico pode ser uma ferramenta poderosa na luta contra elas. Também vamos explorar como o exercício físico se relaciona com situações específicas da vida, como a gravidez e o envelhecimento. Vamos caracterizar os padrões morfo-funcionais da gestante, do idoso, do obeso, do diabético e do hipertenso. Compreender esses padrões nos permitirá entender melhor como adaptar e personalizar programas de exercícios para esses grupos. E claro, falaremos sobre as estratégias de intervenção. Que abordagens podemos usar para incentivar e facilitar o exercício físico? Como podemos superar obstáculos EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 7 e barreiras? Quais são as melhores práticas no campo? Vamos explorar todas estas questões. Por fim, reconheceremos a importância do trabalho multidisciplinar neste campo. A promoção do exercício físico e a gestão das condições de saúde relacionadas não é trabalho para um único profissional, mas uma equipe de especialistas trabalhando em conjunto. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 8 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO AO EXERCÍCIO FÍSICO Neste primeiro capítulo, discutiremos sobre cada um destes aspectos e, nos capítulos seguintes, vamos detalhar e aprofundar mais cada um destes, ok? Então, prepare-se para uma jornada de aprendizado que promete ser emocionante e informativa. Vamos conhecer todas as maravilhas do exercício físico e como ele pode transformar vidas! 1.1 Conceitos Básicos e Definição O exercício físico pode ser definido como uma subcategoria de atividade física,o qual é planejada, estruturada e repetitiva, com o objetivo de melhorar ou manter a aptidão física (Warburton; Bredin, 2017). Note que “exercício físico” não é exatamente a mesma coisa que “atividade física”. Estes dois termos, às vezes, são usados indistintamente, como se significasse a mesma coisa, mas eles têm diferenças sutis e importantes. Embora ambos envolvam movimento e queima de calorias, a principal diferença entre eles é na regularidade, estrutura e propósito dos movimentos. Vamos entender melhor a diferença entre estes termos, pois é importante o profissional de educação física saber distinguir essas diferenças. O termo “Atividade Física” refere-se a qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulta em gasto de energia. Isso pode incluir atividades do dia a dia como andar até a loja, subir escadas, carregar sacolas de compras, fazer tarefas domésticas, jardinagem, dançar em uma festa, ou até mesmo ficar de pé. Em resumo, qualquer movimento que você faz como parte de sua rotina diária normal é considerado atividade física. Já o termo “Exercício Físico” é uma forma de atividade física que é planejada, estruturada, repetitiva e feita com o objetivo de melhorar ou manter um ou mais componentes da aptidão física, que pode incluir resistência cardiovascular, força muscular, flexibilidade, equilíbrio, etc. Exemplos incluem correr, nadar, levantar pesos, fazer yoga ou praticar esportes organizados. Estas atividades são geralmente realizadas EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 9 em intervalos definidos com períodos de descanso, e envolvem o aquecimento e o resfriamento adequados para preparar o corpo e ajudar na recuperação. É exatamente aqui que entra o profissional de educação física, pois é ele quem irá planejar e estruturar estas atividades. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Ei, sabe quando você está lavando a louça ou varrendo a casa e pensa “Ufa! Isso é quase uma academia!”? Bom, temos que concordar que essas atividades realmente colocam nossos músculos para trabalhar e nos fazem suar um pouco. Mas será que isso conta como exercício? Quando estamos esfregando o chão com energia, significa que estamos fazendo um “exercício” físico? Afinal, o exercício físico é uma atividade física, mas planejada, estruturada e repetitiva. Seria o caso de quando decidimos colocar aqueles tênis de corrida, pegar pesos ou ir para a bicicleta ergométrica com um objetivo em mente: melhorar ou manter nossa condição física. Então quando uma faxineirapeso e altura para classificar os indivíduos em categorias de peso. Para se calcular o IMC, o gráfico abaixo mostra que basta dividirmos o peso pela altura ao quadrado. Segundo a Organização Mundial da Saúde, um IMC de 30 ou mais é considerado obeso (OMS, 2014). Título: Classificação de obesidade, e fórmula para cálculo do IMC Fonte: qbemqfaz.com.br/imc-calculadora EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 41 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Embora o IMC seja uma ferramenta muito usada, ele pode induzir a erros, pois ele não consegue captar a complexidade total da obesidade, já que ele leva em conta apenas o peso total, e desconsidera do que esse peso é composto. Vamos dar um exemplo. Veja a ilustração abaixo: Título: ilustração de dois homens com mesmo peso corporal Fonte: movetolife.wordpress.com/2017/05/22/massa-gorda-x-massa-magra/ Neste exemplo fictício, vamos atribuir que estes dois homens pesam 85Kg, e medem 1,75m de altura. Se colocarmos na fórmula do IMC, chegaremos a um resultado de 27,7, ou seja, o IMC de ambos é igual, mesmo que, claramente, a composição corporal dos dois seja bem diferente. Se utilizarmos somente o IMC, ambos os sujeitos se classificam na faixa de “sobrepeso” (entre 25 e 29,9). Para o sujeito da esquerda, esse resultado pode parecer correto, mas e para o sujeito da direita, lhe parece que ele tenha sobrepeso? Certamente que não! Por essa razão, utilizar o IMC para se determinar o “peso ideal” está cada vez mais em desuso, já que o que traz danos à saúde não é o seu peso total estar elevado, mas sim a quantidade de gordura estar elevada. Como no cálculo do IMC, o peso dos músculos e de todo o resto do corpo também entram na conta, o resultado que este cálculo mostra pode não ser o verdadeiro, como no caso do sujeito da direita. A forma mais precisa de se verificar o quanto realmente a pessoa está obesa, ou seja, o quanto de gordura seu corpo tem, é determinando o valor do percentual de gordura corporal. Esse percentual pode ser determinado por meio de uma avaliação usando o compasso de dobras cutâneas ou uma balança de bioimpedância. As tabelas abaixo mostram os valores de referências, baseados no sexo e na idade do indivíduo. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 42 Outra maneira importante de caracterizar a obesidade é olhar para onde a gordura está localizada no corpo. Temos a gordura visceral, e a gordura subcutânea. Essa gordura visceral, que fica principalmente ao redor do abdômen, tem sido associada a um risco maior de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2 do que a obesidade, onde a gordura se acumula na barriga, pernas e quadris (Jung; Choi, 2014). Título: Localização da gordura subcutânea e visceral Fonte: Pasta Herbalife 4.1.1 A Obesidade Infantil É importante também destacar a obesidade infantil, que é uma questão de saúde pública crescente em muitos países ao redor do mundo. Esse fenômeno é caracterizado pelo excesso de peso entre crianças e adolescentes, e é um problema crescente que pode ter consequências sérias para a saúde das crianças à medida que elas crescem. A obesidade infantil é caracterizada não apenas pelo excesso de peso, mas também pela velocidade do ganho de peso. Uma criança que ganha peso muito rapidamente pode estar em risco de se tornar obesa (Lobstein et al., 2015). A obesidade infantil é uma preocupação crescente em escala global. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de crianças obesas menores de cinco anos ultrapassou 41 milhões globalmente em 2016. As consequências imediatas e de longo prazo para a saúde dessas crianças são preocupantes. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 43 A obesidade infantil geralmente é causada por uma combinação de ingestão calórica excessiva, falta de atividade física e fatores genéticos. Outros fatores contribuintes incluem ambientes urbanos que não são propícios à atividade física e uma maior disponibilidade de alimentos processados e bebidas açucaradas (Lobstein et al., 2015). As crianças obesas estão em maior risco de desenvolver uma variedade de problemas de saúde, incluindo asma, apneia do sono, doença hepática e problemas cardiovasculares. Além disso, muitas delas permanecerão obesas na idade adulta, aumentando o risco de doenças como diabetes tipo 2, doenças cardíacas e certos tipos de câncer (Reilly; Kelly, 2011). E o que fazer para mudar isso? A prevenção é vista como a estratégia mais eficaz. Isso inclui promover a alimentação saudável e a atividade física desde cedo. Intervenções baseadas em escolas e comunidades, promoção de ambientes construídos para atividade física e políticas de marketing para limitar a promoção de alimentos e bebidas não saudáveis para crianças têm sido sugeridos (Brown et al., 2019). Título: Criança com sobrepeso Fonte: www.pexels.com/pt-br/foto/5560525/ A imagem acima mostra uma realidade cada vez mais comum, que são um número cada vez maior de crianças acima do peso. Crianças não têm a consciência do “comer saudável” que os adultos têm. Elas ainda não fazem ideia de conceitos como obesidade e doenças. Elas vão simplesmente comer o que elas acharem gostoso, ou o que elas verem em casa para comer. Por isso, uma das ferramentas mais eficientes para combater a obesidade infantil é por meio do exemplo dos pais, e de manter alimentos saudáveis ao alcance da criança. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 44 4.2 Mecanismos Patológicos da Obesidade Agora que já mergulhamos em uma visão geral da obesidade, vamos nos aprofundar em um dos seus principais mecanismos: o desequilíbrio energético. Sei que você pode estar pensando que tudo se resume a “calorias consumidas versus calorias gastas” e, para a maioria dos casos, está correto. No entanto, o cenário é mais intrincado do que parece, fazendo com que isso nem sempre seja verdade. 4.2.1 Metabolismo Basal e Balança Energética Você já ouviu a expressão “você é o que você come”? Embora essa afirmação tenha uma verdade nela, a realidade é que “você é quantas calorias você consome”. Alimentos ricos em gordura e açúcar frequentemente contêm uma alta densidade energética, o que significa que fornecem muitas calorias em pequenas porções (Hall et al., 2012). Isso significa que existem alimentos em que pode parecer pequeno, mas ele tem muitas calorias concentradas, assim como existem alimentos que você pode comer uma quantidade maior, já que há menos calorias concentradas nele. No mundo da educação física, frequentemente somos inundados com termos como “calorias”, “queima de gordura” e “dieta”. No entanto, o “metabolismo basal” é uma peça chave que pode ser subestimada ou mal compreendida, mas que desempenha um papel muito importante para compreender as dificuldades de algum aluno que não consegue perder peso. O metabolismo basal, ou taxa metabólica basal (TMB), é a energia necessária para manter as funções vitais do corpo, tais como a energia utilizada na digestão, pro funcionamento dos pulmões, do coração, etc. e, claro, energia gasta com atividades físicas. Vários fatores, como genética, idade e até hormônios, influenciam o quão eficientemente queimamos calorias. No Capítulo 6, iremos aprender como calcular esse metabolismo basal, e como utilizá-lo na profissão. Quando consumimos mais calorias do que queimamos, criamos um “excedente energético”. Com o tempo, esse excedente é armazenado em nosso corpo como gordura. Por outro lado, quando queimamos mais calorias do que consumimos, temos um “déficit energético”, que pode levar à perda de peso (Hill; Melanson, 1999). EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 45 Título: Balança energética Fonte: pt.dreamstime.com/balanço-energético-com- consumo-de-calorias-e- diagrama-do-esquema- despesas-diárias-ou-regime-educativo-rotulado- alimentos- image252036515 A figura acima mostra uma ilustração do que seria a nossa balança energética do dia. Neste exemplo, é mostrado que o gasto de energia do dia está sendo maior do que a ingestão de energia (no caso, as calorias totais de todos os alimentos do dia). Essa é uma das estratégias mais usadas para quem busca emagrecimento. Embora possa parecer que a solução é simplesmente comer menos e se mover mais, o corpo humano é incrivelmente adaptável. Ao consumirmos menos calorias, nosso corpo, eventualmente, pode diminuir o metabolismo basal como uma estratégia de conservação de energia (Rosenbaum; Leibel, 2010). Isso torna a gestão do peso uma jornada complexa e contínua. 4.2.2 Desbalanço Hormonal e Obesidade Quando falamos sobre obesidade, um dos fatores frequentemente negligenciados é o papel dos hormônios. Mas por que os hormônios causam obesidade? Vamos entender. Primeiro, vamos esclarecer o que são os hormônios. Eles são mensageiros químicos que regulam várias funções em nosso corpo, desde o crescimento até o metabolismo (Hall; Guyton, 2020). Em um cenário ideal, todos esses hormônios estariam em equilíbrio. Mas e se eu te dissesse que um desbalanço hormonal pode estar por trás da obesidade? Vamos ver, então, quais hormônios têm uma relação mais direta com a obesidade. Insulina: Produzida pelo pâncreas, a insulina é um dos principais hormônios relacionados ao armazenamento de energia. Quando ingerimos alimentos, especialmente carboidratos, nosso corpo libera insulina para ajudar as células a absorver glicose (açúcar) e armazená-la como gordura (Taubes, 2013). Em algumas pessoas, a resistência EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 46 à insulina pode se desenvolver, levando a níveis mais altos deste hormônio no sangue. Este estado pode predispor ao ganho de peso e à obesidade (Lustig, 2013). Leptina: É um hormônio produzido no estômago e, principalmente, pelas células adiposas (células de gordura). A leptina envia sinais ao cérebro sobre a quantidade de gordura armazenada no corpo. Quando funciona corretamente, altos níveis de leptina devem suprimir o apetite. No entanto, em pessoas obesas, pode haver uma resistência à leptina, levando a uma falta de resposta aos sinais de saciedade, ou seja, este hormônio tem mais dificuldade em desativar a sensação de fome no cérebro (Myers et al., 2010). Cortisol: Conhecido como o “hormônio do estresse”, desempenha um papel crucial em diversas funções fisiológicas, desde a regulação do metabolismo até a modulação da resposta imunológica. No entanto, sua relação com o estresse crônico e consequente desequilíbrio tem sido associado ao aumento do risco de obesidade e complicações metabólicas. Em resposta ao estresse, o corpo libera cortisol para preparar o organismo para uma reação de “lutar ou fugir”, promovendo a liberação rápida de energia por meio do aumento dos níveis de açúcar no sangue (Geiker et al, 2018). No entanto, o estresse crônico, que mantém os níveis de cortisol elevados por períodos prolongados, pode fazer com que os níveis de insulina aumentem, contribuindo para o ganho de peso. Quando os níveis de cortisol aumentam, aumenta o acúmulo de gordura na barriga. Isso não é apenas um incômodo estético - essa gordura abdominal, também chamada de gordura visceral, pode aumentar os riscos de problemas como doenças cardíacas e diabetes tipo 2. Isso tem a ver com receptores específicos nas células de gordura da barriga, o que complica ainda mais a situação (Magiolini; Sauve, 2016). Além disso, parece que o cortisol dá uma turbinada no apetite e nos faz desejar comidinhas mais gordurosas, doces e salgadas (Geiker et al., 2018). Pode ser que isso aconteça porque o cortisol mexe com algumas substâncias do nosso cérebro que nos fazem sentir prazer ao comer. 4.2.3 Inflamação e Obesidade A inflamação é uma resposta do nosso corpo a lesões ou infecções, e normalmente é algo benéfico. No entanto, quando se torna crônica, pode levar a vários problemas de saúde (Hotamisligil, 2017). EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 47 Você sabia que a obesidade é, na verdade, um estado inflamatório crônico de baixo grau? Sim, isso mesmo! Pesquisas têm mostrado que os adipócitos, ou células de gordura, em indivíduos obesos produzem uma maior quantidade de moléculas pró- inflamatórias (Lumeng; Salieri, 2011). Estas moléculas podem afetar a função de outros órgãos e sistemas, como o cérebro, fígado e músculos. Quando as células de gordura se expandem além de sua capacidade, elas sofrem estresse e começam a liberar substâncias inflamatórias. Isso ocorre especialmente na gordura visceral, que é a gordura localizada ao redor dos órgãos internos, em comparação com a gordura subcutânea, que é encontrada sob a pele. Esta inflamação crônica de baixo grau é um dos principais impulsionadores das complicações associadas à obesidade, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A inflamação no tecido adiposo também interfere na ação da insulina, levando à resistência à insulina. Este é um passo crucial no desenvolvimento do diabetes tipo 2. Moléculas inflamatórias, como o fator de necrose tumoral-alfa (TNF-alfa) e a interleucina-6 (IL-6), prejudicam a sinalização da insulina nas células (Jung; Choi, 2014). Por fim, mas não menos importante, as alterações da microbiota intestinal (a comunidade de bactérias que vive em nossos intestinos, a popular “flora intestinal”) em pessoas obesas podem contribuir para a inflamação. Algumas bactérias intestinais podem aumentar a permeabilidade do intestino, permitindo que substâncias que causam inflamação entrem na corrente sanguínea (Turnbaugh et al., 2006). EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 48 CAPÍTULO 5 EXERCÍCIOS PARA OBESOS: BENEFÍCIOS E TRATAMENTO Esta é uma das áreas mais fascinantes e relevantes da nossa profissão. Você já parou para pensar na importância dos exercícios físicos para pessoas que lidam com obesidade? Acredite, é mais importante do que imagina! Estamos vivendo em tempos em que a obesidade é uma preocupação crescente em muitos lugares ao redor do mundo. E embora nossa primeira reação possa ser pensar na alimentação, o papel da atividade física é inegavelmente fundamental. E é aí que você, futuro profissional de educação física, entra com a sua contribuição para esses indivíduos. Talvez você esteja se perguntando: “Como posso fazer a diferença para alguém com obesidade por meio do exercício?”. A verdade é que muitos obesos sentem desafios não apenas físicos, mas também emocionais ao iniciar uma rotina de exercícios. E é aqui que você, com sua formação e sensibilidade, pode desempenhar um papel crucial. Ao longo deste capítulo, vamos conhecer os benefícios dos exercícios físicos para obesos. 5.1 Benefícios do Exercício na Prevenção e Tratamento da Obesidade 5.1.1 Os Mecanismos Biológicos do Exercício Sem dúvidas, um dos mais importantes efeitos que o exercício físico regular causa é a sua influência no metabolismo. Antes de mais nada, é preciso entender o que é o metabolismo. Basicamente, é o processo pelo qual nosso corpo converte o que comemos e bebemos em energia. Parece simples, não é? Mas, acredite, é um processo bem complexo que envolve diversas reações químicas em nossas células (Hall & Guyton, 2020). Você sabia que, mesmo quando estamos em repouso, nosso corpo consome energia? Isso é a taxa metabólica basal, que já conversamos anteriormente. O exercício, especialmente o de resistência, pode aumentar nossa massa muscular, o que, por EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 49 sua vez, pode elevar essa taxa(Rosenbaum & Leibel, 2013). Isso significa que, quanto mais músculos você tiver, mais calorias seu corpo queimará, mesmo quando estiver descansando. Interessante, não? Agora, um dos aspectos mais desejados: a queima de gordura. O exercício aeróbico, como correr ou nadar, aumenta a capacidade do corpo de usar a gordura como fonte de energia. Isso é uma ótima notícia para quem quer perder peso ou otimizar sua composição corporal (Turnbaugh et al., 2006). Título: Mulher obesa treinando com personal trainer Fonte: www.pexels.com/photo/young-obese-ethnic-woman-training-in-gym -with-personal-coach-6455814/ O exercício também pode influenciar a produção e ação de vários hormônios que desempenham papéis chave no metabolismo. Por exemplo, a insulina, que ajuda nossas células a absorver glicose e desempenha um papel central na regulação do açúcar no sangue (Hall & Guyton, 2020). O exercício regular pode tornar nosso corpo mais sensível à insulina, o que é uma notícia maravilhosa, especialmente para prevenir condições como o diabetes tipo 2. 5.1.2 Benefícios Pós-Exercício: O Efeito EPOC Quando pensamos em exercícios, geralmente focamos nos benefícios imediatos, como o suor derramado, os músculos trabalhados e a sensação de realização. No entanto, o corpo continua a trabalhar mesmo após terminar uma sessão de treino. Esse processo é conhecido como efeito EPOC, uma sigla que significa “Excess Post-Exercise Oxygen Consumption” ou, em português, “Consumo Excessivo de Oxigênio Pós-Exercício”. Sabe quando você corre e, depois de parar, continua ofegante por um tempo? Isso acontece porque seu corpo está tentando se recuperar. Durante essa recuperação, seu EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 50 corpo consome mais oxigênio do que o normal, o que leva a uma queima de calorias extra. Em outras palavras, mesmo após desligar o cronômetro, seu corpo ainda está queimando energia (LAFORGIA et al., 2006). Mas por que isso acontece? Bem, quando nos exercitamos, especialmente em atividades intensas, causamos pequenos “estresses” ao nosso corpo, fazendo com que o corpo necessite de oxigênio extra para se recuperar. Vamos ver os motivos a seguir: (McArdle; Katch; Katch, 2015). 1. Durante o exercício, esses compostos são degradados para fornecer energia. Após o exercício, eles são reconstituídos, e esse processo exige oxigênio. 2. O glicogênio muscular é usado durante o exercício, principalmente durante exercícios intensos. Parte do oxigênio consumido no EPOC é usado para restaurar os estoques de glicogênio. 3. Durante o exercício, a hemoglobina e a mioglobina liberam oxigênio para os músculos. No período pós-exercício, elas são reoxigenadas. 4. O lactato é produzido durante o exercício, especialmente durante atividades anaeróbicas. Após o exercício, ele pode ser convertido de volta em glicose no fígado, em um processo que consome oxigênio. 5. O corpo precisa dissipar o calor acumulado durante o exercício. A elevação da taxa metabólica para auxiliar na termorregulação também pode contribuir para o EPOC. 6. Após o exercício, o coração e os pulmões ainda trabalham a taxas elevadas por um período, exigindo mais oxigênio. 7. Hormônios como adrenalina e noradrenalina, que são elevados durante o exercício, aumentam a taxa metabólica, contribuindo para o EPOC. Note que todos estes efeitos somados fazem uma contribuição importante para a queima de gordura. Por isso que o efeito EPOC é um motivo importante do porquê o exercício ser um eficiente método para o tratamento da obesidade. 5.1.3 O Papel do Exercício na Regulação Hormonal, Incluindo Hormônios Como Insulina, Leptina e Grelina. Uma das funções mais importantes do exercício, que muitas vezes passa despercebida, é seu papel na regulação da insulina, já que o controle que o nosso corpo tem sobre a insulina tem uma influência direta sobre o acúmulo de gordura. A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas e tem a função primordial de regular a quantidade de glicose no nosso sangue. Ela atua permitindo que a glicose entre nas células, onde será usada como fonte de energia. Quando a insulina não está funcionando corretamente, pode-se desenvolver resistência à insulina, condição em que as células do EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 51 corpo não respondem bem ao hormônio, levando a níveis elevados de glicose no sangue. Esta é uma precursora para doenças como diabetes tipo 2 (Goodyear, 2008). O exercício tem o poder de melhorar a sensibilidade à insulina. Quando nos exercitamos, nossos músculos usam glicose para energia, reduzindo assim a quantidade no sangue. Além disso, o exercício estimula a translocação do transportador de glicose tipo 4 (GLUT4) para a superfície da célula, facilitando a entrada de glicose nas células, mesmo na presença de baixas concentrações de insulina (Bird; Hawley, 2012). Estudos têm mostrado que pessoas que se exercitam regularmente têm uma melhor função da insulina, reduzindo o risco de desenvolver resistência à insulina e diabetes tipo 2 (Bird; Hawley, 2012). Essa é uma ótima notícia para quem é diabético, não é? Portanto, o profissional de educação física tem um papel importante para ajudar indivíduos pré-diabéticos ou diabéticos a diminuírem a sua crescente dependência de medicamentos (figura da direita) bastando começar a colocar em sua rotina exercícios físicos regulares (figura da esquerda). É muito mais gostoso e saudável fazer o que está na figura da esquerda, do que a da direita, não acha? Título: homem se exercitando Título: Medicamentos para Diabetes Fonte:www.pexels.com/pt-br/foto/atividade-acao-movimento-comunicacao-6922145/ Fonte: www.tuasaude.com/remedio-para-diabetes/ ANOTE ISSO Já notou como a diabetes e a obesidade muitas vezes são citadas juntas? Isso ocorre porque as duas têm causas interligadas. Quando consumimos muitos alimentos ricos em açúcares e gorduras, o corpo armazena o excesso como gordura. Esse acúmulo pode fazer nossas células se tornarem “resistentes” à insulina .Quando isso acontece, temos açúcar demais no sangue, o que leva à diabetes tipo 2. Ao mesmo tempo, o acúmulo de gordura leva à obesidade. Portanto, lembre-se sempre: as mesmas coisas que causam obesidade, causam também diabetes! EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 52 Um dos tópicos que tem chamado bastante atenção nos últimos anos é a relação entre o exercício e a regulação da leptina. Você já ouviu falar sobre isso? A leptina é um hormônio secretado, principalmente, pelas células adiposas (as nossas células de gordura) e tem um papel crucial na regulação do apetite e no metabolismo energético. Ela basicamente informa ao cérebro a quantidade de energia armazenada no corpo. Quando os níveis de leptina estão altos, o apetite diminui; quando estão baixos, o apetite aumenta (Rosenbaum et al., 2014). Para termos uma idéia da importância da Leptina na regulagem da fome, a imagem abaixo mostra uma comparação de um camundongo incapaz de produzir leptina (esquerda) e um camundongo normal (direita). Veja como o camundongo que não produz leptina ganha muito mais peso, pois ele fica com a sensação de fome com muito mais constância, e isso faz com que ele tenha muito mais compulsão por comida do que o normal. Título: comparação de um camundongo incapaz de produzir leptina (esquerda) e um camundongo normal (direita) Fonte: en.wikipedia.org/wiki/Ob/ob_mouse O exercício, como você sabe, é um potente modificador da fisiologia do corpo. E, quando falamos de leptina, isso não é diferente. Estudos têm mostrado que a atividade física regular pode influenciar os níveis desse hormônio. Por exemplo, indivíduos que se exercitam regularmentepodem ter uma resposta mais eficiente à leptina, mesmo que os níveis absolutos do hormônio não se alterem significativamente. Em outras palavras, o cérebro começa a entender melhor o sinal que a leptina manda. (Rosenbaum et al., 2014). Por fim, vamos falar da Grelina. Já ouviu falar sobre a grelina e sua relação com o exercício? Bem, isso é algo fascinante! A grelina é frequentemente chamada de “hormônio da fome” porque é ela que dá o sinal ao cérebro de que está na hora de EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 53 comer. É basicamente o oposto da leptina, que avisa quando estamos cheios. Quando o estômago está vazio, a produção de grelina aumenta, e quando comemos, ela diminui (Abdalla, 2015). Então, qual é a relação entre grelina e exercício? O exercício tem um efeito interessante sobre a grelina. Estudos mostram que após uma sessão de exercícios intensos, a concentração de grelina no sangue pode diminuir temporariamente, o que significa uma redução no apetite logo após o exercício (Abdalla, 2015). É uma forma do corpo nos dizer para não comer imediatamente depois de suarmos a camisa. Contudo, vale destacar que essa redução da grelina (e consequentemente a diminuição da fome) após o exercício não é permanente. Com o tempo, a grelina começa a aumentar novamente, levando ao aumento da fome algumas horas depois. Isso pode ser uma das razões pelas quais algumas pessoas sentem uma fome voraz depois de um treino intenso (Abdalla, 2015). O estudo de Broom et al. (2009) investigou como diferentes modalidades de exercício (resistência e aeróbico) afetam a sensação de fome e os níveis circulantes de grelina, e os resultados foram de que ambos tipos de exercício resultaram em uma supressão da fome, sendo que os aeróbicos foram os mais eficientes para isso. Viu só como exercícios físicos regulares ajudam até a você comer menos? 5.1.4 A Relação da Massa Muscular com a Melhora do Perfil Lipídico e Glicêmico Quando pensamos em músculos, a primeira imagem que pode vir à mente é a de fisiculturistas ou atletas de alto rendimento. No entanto, nossos músculos desempenham funções que vão além da estética ou do desempenho esportivo. Uma dessas funções é ajudar na melhora do perfil lipídico, que seria a queima de gordura, e na regulação dos níveis de açúcar no sangue, conhecidos como glicemia. Lembra quando discutimos anteriormente sobre o metabolismo basal, que é o quanto de calorias que seu corpo está queimando para se manter vivo? E se eu te disser que há um meio de aumentar consideravelmente esse metabolismo? Sim, é isso mesmo! pelo aumento da massa muscular. Esta taxa metabólica é influenciada por vários fatores, sendo a massa muscular um dos principais. O tecido muscular é metabolicamente ativo, e precisa de muita energia para ele simplesmente se manter vivo. Então, quanto mais músculo você tem, mais calorias seu corpo queima em repouso (Hall, 2008). EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 54 Quando a perda de peso ocorre sem exercício adequado, particularmente exercícios resistidos, pode haver uma significativa perda de massa muscular junto com a gordura (Hall, 2008). Preservar ou até mesmo aumentar a massa muscular durante o emagrecimento pode prevenir a desaceleração metabólica e ajudar na manutenção do peso a longo prazo. O papel da massa muscular na promoção do emagrecimento saudável é uma área de estudo amplamente reconhecida na literatura científica. A preservação e o desenvolvimento da massa muscular, principalmente por meio de exercícios resistidos, mostram-se muito importantes para maximizar a perda de gordura. O treinamento com pesos, focado no desenvolvimento da massa muscular, que seria aqueles exercícios mais pesados que muitas pessoas fazem na academia, sabe? Então, isso não só aumenta o gasto energético durante a atividade, como também eleva o consumo de oxigênio após o exercício, aumentando o efeito EPOC. O fenômeno EPOC representa o gasto calórico pós-exercício, e a presença de uma maior massa muscular pode potencializar esse efeito. Segundo LaForgia e colaboradores (2006), o treinamento resistido é uma excelente estratégia para maximizar o EPOC. A massa muscular também auxilia na melhora da sensibilidade à insulina, o que é benéfico para a regulação do armazenamento de gordura. Srikanthan et al. (2012) demonstraram que a preservação e o aumento da massa muscular podem melhorar o controle glicêmico em pessoas com resistência à insulina e diabetes. A relação entre a massa muscular e a insulina é uma área de estudo significativa na fisiologia humana e na medicina, pois a insulina tem um papel central no metabolismo de carboidratos e na regulação da glicose sanguínea. Entender essa relação é muito importante para saber mais sobre o controle do açúcar no sangue. Os músculos são os principais alvos da insulina no nosso corpo. Eles ajudam a pegar muito do açúcar no sangue (glicose) quando a insulina está agindo. Um dos primeiros estudos a demonstrar isso foi o de DeFronzo (1981), onde foi mostrado que os músculos pegam cerca de 75% dessa glicose. Isso quer dizer que ter mais músculos ajuda o corpo a usar a glicose depois de comer. Quando temos mais músculos, o corpo é melhor em usar essa glicose, o que pode diminuir o risco de ter muita glicose no sangue depois de uma refeição. A sensibilidade à insulina é a eficácia com que a insulina faz seu trabalho em células-alvo. Este estudo demonstrou também que, em indivíduos com maior massa muscular, há uma melhoria na sensibilidade à insulina. Por isso que a massa muscular EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 55 relativa está inversamente associada à resistência à insulina e ao risco de pré-diabetes. Quem diria que uma prevenção ou um tratamento eficaz contra a diabetes seria você construir mais músculos! A figura abaixo mostra um exemplo de uma das maneiras de identificar se uma pessoa tem uma quantidade adequada de massa muscular. Na figura, o volume do braço do indivíduo é composto por razoável quantidade de gordura, demonstrando que a massa muscular neste local não está muito bem desenvolvida. Título: Exemplo de um indivíduo com pouca massa muscular Fonte: www.pexels.com/pt-br/foto/atividade-acao-movimento-anonimo-6551230/ Já vimos que a insulina ajuda a glicose a entrar nas células para produzir energia. Durante o exercício, a quantidade de insulina diminui porque as células respondem melhor a ela. Assim, precisamos de menos insulina ao nos exercitarmos do que quando estamos em repouso (Costll; Kenney; Wilmore, 2020). É notável como o músculo processa e utiliza a glicose. Em um corpo mais musculoso, a captação de glicose pelos músculos se torna mais eficiente. Isso acontece porque os músculos, em seu funcionamento diário e, especialmente durante a atividade física, requerem energia, e a glicose é uma das principais fontes de energia celular. Portanto, quanto mais treinado e desenvolvido está o músculo, mais eficazmente ele pode usar a glicose disponível (Holloszy, 2005). Ainda, segundo Holloszy, esse mecanismo de captação e utilização de glicose tem implicações diretas na regulação da glicemia, ou níveis de açúcar no sangue. Quando os músculos estão bem saudáveis, eles ajudam a manter níveis adequados de glicemia no sangue, reduzindo os riscos de picos ou quedas drásticas que podem EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 56 ser prejudiciais à saúde. Assim, podemos afirmar sem dúvida nenhuma que a prática regular de exercícios, especialmente os resistidos, além de beneficiar a estética e a força física, tem um papel crucial na manutenção de um equilíbrio saudável dos níveis de açúcar no sangue. 5.2 Estratégias de Intervenção É muito comum indivíduosobesos acharem que é um desafio começar, e muitas vezes pode parecer até um pouco intimidador. E aqui que, mais uma vez, entra o profissional de educação física, com suas ferramentas para introduzir uma vida mais saudável a esses indivíduos. A educação física tem um papel fundamental na promoção da saúde e prevenção da obesidade. É crucial entender que as necessidades e considerações para indivíduos obesos são distintas e exigem uma abordagem cuidadosa. Vamos ver então algumas estratégias recomendadas para maximizar os benefícios e minimizar os riscos para esse grupo. A obesidade é um dos principais desafios de saúde pública do século XXI. Ela impacta não apenas a saúde física, mas também a mental, e influencia a maneira como as pessoas vivenciam e interagem com o mundo ao seu redor. Alguns ítens importantes que poderiam ajudar indivíduos obesos a iniciarem programas de exercícios são: 1. Criação de Ambientes Inclusivos e Respeitosos Ambientes inclusivos promovem a participação ativa de todos os alunos, independentemente de sua condição física. Indivíduos obesos muitas vezes enfrentam estigma e discriminação, tornando-se crucial promover um ambiente que combata preconceitos e estimule o respeito mútuo (Bacardí-Gascón et al., 2013). Essa inclusão pode ser alcançada através de dinâmicas de grupo, debates e atividades que valorizem a diversidade. 2. Educação e Conscientização A conscientização é essencial para desmistificar a obesidade e combater estigmas. Programas educativos devem ser implementados para informar alunos e educadores sobre os desafios enfrentados por indivíduos obesos, desencorajando julgamentos e piadas inadequadas (Puhl; Heuer, 2010). A educação contínua pode ser realizada através de workshops, palestras e materiais didáticos. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 57 3. Adaptando o Material e o Espaço Físico Indivíduos obesos podem enfrentar desafios com equipamentos padrão. Portanto, a escolha de materiais adaptados é vital para garantir que todos possam participar com segurança e conforto (Tomlinson; Yaborough, 2015). Isso pode incluir o uso de assentos maiores, vestuário adequado ou mesmo a adaptação do espaço físico para facilitar a mobilidade. 4. Promoção da Autonomia Estimular a autonomia permite que cada indivíduo reconheça e estabeleça seus limites. Atividades que incentivem a autoexpressão e a decisão individual são vitais. Isso pode ser alcançado através de atividades onde os alunos têm a liberdade de escolher como participar, promovendo a confiança e a autoestima (Ryan, Deci, 2000). 5. Estabelecendo Metas Realistas Metas realistas e orientadas para o progresso individual são mais benéficas do que metas universais. Essas metas devem ser flexíveis, considerando o bem-estar emocional e a autoestima, em vez de apenas parâmetros físicos (Dweck, 2006). Por exemplo, em vez de focar em perder peso, a meta pode ser aumentar a participação nas aulas de educação física. 6. Colaboração Interdisciplinar Trabalhar em conjunto com profissionais de diferentes áreas amplia a abordagem de apoio ao indivíduo obeso. Nutricionistas podem oferecer insights sobre alimentação saudável, enquanto psicólogos podem ajudar a abordar questões de autoimagem e estigma. Esta abordagem holística assegura uma intervenção mais completa e eficaz (Ratcliffe; Fuller; Jones, 2014). EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 58 CAPÍTULO 6 PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIOS PARA OBESOS Quando pensamos em criar um plano de exercícios para alguém obeso, é vital considerar as especificidades e necessidades únicas desse indivíduo. A obesidade traz consigo certos desafios, mas também oportunidades imensas para melhorar a saúde e a qualidade de vida. Neste capítulo, vamos explorar as melhores práticas, as recomendações e as considerações essenciais para tornar o exercício uma ferramenta poderosa para o profissional de educação física, já que a perda de peso é uma das áreas que faz o profissional de educação física ser mais buscado pelas pessoas. E não só pessoas acima do peso, mas também para pessoas em forma, que desejam mantê-la. 6.1 Considerações Preliminares na Prescrição de Exercícios - A Avaliação Física Antes de embarcar em qualquer programa de exercícios, é fundamental garantir que o indivíduo esteja fisicamente pronto e seguro para iniciar. A obesidade, muitas vezes, vem acompanhada de outras condições de saúde que podem influenciar o tipo e a intensidade do exercício a ser prescrito. Assim, as etapas de avaliação são essenciais. É interessante salientar aqui que, apesar deste tópico abordar como se faz avaliação física em obesos, todos os passos que serão ditos aqui, são recomendados serem realizados em todos os tipos de clientes, seja ele obeso, hipertenso, diabético, ou que não tenha nenhuma condição pré-existente. Claro que pode haver necessidade de adequar alguns procedimentos de acordo com o perfil do seu aluno ou cliente, principalmente se ele for idoso (que será abordado no capítulo 13) É importante o indivíduo obeso ir à uma consulta médica para um avaliação, antes de iniciar um programa de exercícios. Esta avaliação tem como objetivo identificar (Mcardle; Katch; Katch, 2016): • Comorbidades associadas: Muitos indivíduos obesos podem ter condições como diabetes, hipertensão, doenças cardíacas ou apneia do sono. Essas condições podem influenciar a segurança e a eficácia dos exercícios prescritos. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 59 • Medicações em uso: Algumas medicações podem afetar o desempenho do exercício ou até mesmo representar riscos quando combinadas com certos tipos de atividade. • Histórico de lesões: Conhecendo o histórico de lesões, é possível evitar exercícios que possam agravar essas áreas ou adaptar o programa para fortalecê-las. Após a luz verde do médico, ele pode iniciar um programa de treinos. Então, o primeiro passo que o profissional de educação física deve tomar é realizar uma avaliação física. A avaliação é essencial para entender o ponto de partida de seu aluno ou cliente e estabelecer metas, como, por exemplo, quantos quilos vamos perder por mês? Essa meta numérica é uma forma mais simples do próprio aluno ir se monitorando também. A avaliação física também é importante para o profissional monitorar o progresso e ajustar o programa conforme necessário. Os principais aspectos a serem avaliados são: 1. COMPOSIÇÃO CORPORAL: Antropometria: Por meio de medidas como circunferências, usando a fita métrica nos segmentos do corpo, como tronco, cintura, quadril, coxas, braços e pernas. Para estimar o percentual de gordura e massa magra, um dos métodos mais comuns é usando o compasso de dobras cutâneas, que é uma técnica tradicional que envolve medir a espessura das dobras de pele em várias partes do corpo, como tríceps, abdômen e coxas. Essas medidas são então usadas em equações específicas para estimar o percentual de gordura e massa magra. IMC (Índice de Massa Corporal): Embora seja uma medida simplista, como já discutimos anteriormente, pode oferecer uma ideia geral sobre a condição de peso do indivíduo Balança de Bioimpedância: Uma forma interessante e simples de se estimar a composição corporal de seu cliente ou aluno é utilizando uma balança de bioimpedância, como mostra a figura abaixo. Ela funciona por meio da passagem de uma corrente elétrica de baixa intensidade pelo corpo (não se preocupe. Essa corrente elétrica é imperceptível) e o aparelho mede a resistência que essa corrente encontra. Como os diferentes tecidos do corpo (como músculo, gordura, ossos e água) possuem resistências elétricas distintas, o aparelho consegue estimar a quantidade de cada tipo de tecido com base nessa resistência. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDOANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 60 Título: Balança de Bioimpedância Fonte: Próprio autor 2. CAPACIDADE CARDIORRESPIRATÓRIA: Existem várias formas de se avaliar a capacidade aeróbica do aluno. Um dos métodos mais simples é o teste de Cooper (Mcardle; Katch; Katch, 2016). Este é um teste de campo simples e não invasivo, desenvolvido pelo Dr. Kenneth H. Cooper, um cardiologista militar dos Estados Unidos, em 1968. O teste consiste em correr ou caminhar na esteira por 12 minutos. A distância percorrida é então usada para calcular o consumo máximo de oxigênio (VO2máx.), que é um dos melhores indicadores da aptidão física. O teste de Cooper é uma ferramenta útil para avaliar a aptidão física de uma ampla gama de pessoas, desde atletas de elite até indivíduos que buscam melhorar sua saúde geral. O teste é relativamente fácil de realizar e não requer equipamentos especiais. Além disso, o teste de Cooper é um teste relativamente barato, o que o torna uma opção acessível para muitas pessoas.Com uma corrida ou caminhada de 12 minutos, estima-se a capacidade aeróbica máxima (COOPER, 1968). 3. FORÇA MUSCULAR: Um dos testes mais comuns para se determinar a força muscular é o teste de 1RM (uma repetição máxima). É um método utilizado para medir a força máxima de um indivíduo em um determinado exercício de resistência. Esse método vai estimar a quantidade máxima de peso que uma pessoa consegue levantar ou empurrar uma única vez, utilizando a técnica correta. O teste de 1RM é frequentemente utilizado em programas de treinamento de força para determinar a intensidade de treino adequada. (Fleck, Kraemer, 2017). As etapas são as seguintes: Escolha um peso que você ou o seu aluno acredita que possa ser o máximo que ele consegue levantar, e ele vai tentar levantar. Se ele EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 61 conseguir realizar o movimento completo mais de uma vez, dê um descanso de 3 minutos, e acrescente mais peso. Continue repetindo até que ele consiga levantar o peso apenas uma vez com a técnica correta. O último peso levantado com sucesso e com a execução correta é o 1RM daquela pessoa para aquele exercício específico. É fundamental que o teste seja conduzido de forma segura. Você, como o profissional responsável, deve estar sempre atento para auxiliar, se necessário, e para observar se a execução está sendo feita de forma correta. 4. FLEXIBILIDADE: Um método comum de se determinar a flexibilidade do aluno é fazendo o Teste de Alcance de Banco de Wells. Ele mede a flexibilidade dos músculos isquiotibiais e da região lombar, uma área muitas vezes tensa em indivíduos obesos (MAYORGA-VEGA; MERINO-MARBAN; VICIANA, 2014). O equipamento principal é o banco de Wells, que tem uma escala métrica marcada em centímetros. Caso esse banco não esteja disponível, dá pra improvisar com um banco ou step e uma fita métrica. O indivíduo senta-se no chão com as pernas completamente estendidas e os pés encostados na caixa. O indivíduo se inclina para a frente o máximo possível, deslizando as mãos ao longo da escala no banco, sem dobrar os joelhos. O objetivo é alcançar o mais longe possível. Tome nota deste valor, e em uma próxima avaliação, compare este valor com o próximo. Dessa forma você conseguirá ter uma idéia se este indivíduo está conseguindo aumentar sua flexibilidade. Título: Execução do teste de alcance de Banco de Wells Fonte: www.brasilrugby.com.br/wp-content/uploads/2020/07/Manual-de-Teste-Fisioterapia-Brasil-Rugby-BR 5. CÁLCULO DA TAXA DE METABOLISMO BASAL Conversamos anteriormente, no capítulo 4, sobre a taxa de metabolismo basal, mas, para relembrarmos rapidamente, A Taxa Metabólica Basal (TMB) é quantidade EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 62 de energia necessária, geralmente medida em calorias, que o corpo humano necessita em repouso para manter suas funções vitais, como respiração, circulação sanguínea, regulação da temperatura interna e a saúde dos músculos. A determinação da TMB é fundamental na prescrição de exercícios para obesos por várias razões chave (Mcardle; Katch; Katch, 2016): • A TMB é responsável pela maior parte do gasto energético diário de um indivíduo, frequentemente representando entre 60% a 75% do gasto energético total. Bastante, não é? Por isso que compreender essa taxa fornece uma base sólida para determinar o total de calorias que uma pessoa precisa consumir e gastar. • Cada indivíduo tem uma TMB única, influenciada por fatores como idade, sexo, peso, composição corporal e saúde geral. Ao considerar a TMB na prescrição de exercícios, os profissionais podem personalizar planos que atendam às necessidades energéticas específicas do indivíduo, maximizando a eficiência e eficácia do programa de emagrecimento. • A compreensão da TMB pode ajudar a definir estratégias de dieta e exercício mais realistas e alcançáveis. Por exemplo, se a TMB de um indivíduo é particularmente alta, um foco especial na dieta tem que ser dado. Se a TMB é mais baixa, um foco em exercícios aeróbicos e de resistência pode ser recomendado para melhorar o metabolismo e aumentar a massa muscular. • A TMB pode mudar à medida que um indivíduo perde peso ou ganha massa muscular. Ao monitorar periodicamente a TMB e ajustar o plano de exercícios e dieta de acordo, pode-se garantir que o indivíduo continue progredindo em direção a seus objetivos de saúde e emagrecimento. Mas como fazemos pra saber qual o metabolismo basal de uma pessoa? No capítulo 4, afirmamos que isso seria explicado neste capítulo, não é? Então, vamos lá! Algumas balanças de bioimpedância conseguem estimar a taxa de metabolismo basal. Mas, caso não tenha nenhuma disponível para você utilizar, existe uma fórmula que faz essa essa estimativa, a chamada fórmula de Harris-Benedict. Como o metabolismo de homens e mulheres não são exatamente iguais, há duas fórmulas: Para Mulheres: TMB = 655 + (9,6 × massa corporal em kg) + (1,85 × estatura em cm) − (4,7 × idade) Para Homens: TMB = 66,0 + (13,7 × massa corporal em kg) + (5,0 × estatura em cm) − (6,8 × idade) EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 63 Vamos colocar abaixo um exemplo. Supondo uma mulher de 65Kg, com estatura de 172cm e idade de 28 anos, a fórmula ficaria dessa forma: TMB = 655 + (9,6 × 65) + (1,85 × 172) − (4,7 × 28) Resolvendo a matemática, ficaria assim: TMB = 655 + 624 + 318,2 + 131,6 TMB = 1728,8 Kcal Conseguimos então estimar que essa mulher, em repouso, gasta 1728,8 Kcal por dia. Ao ter essa informação, podemos criar uma estratégia de exercícios e nutricional, junto com uma nutricionista, que considere, no caso de obesos, um déficit calórico desejado. Mais do que apenas um número, a TMB serve como alicerce para ajustar a ingestão de calorias e a intensidade do exercício. Ignorar essa métrica pode levar a treinos ineficazes, onde a pessoa pode se sentir constantemente fatigada, ou a resultados indesejados, como estagnação na perda de peso. 6.2 Exercícios Aeróbicos para Obesos O exercício aeróbico é uma ferramenta essencial para se incluir em um programa de perda de peso para indivíduos obesos. Como conversamos anteriormente, o exercício aeróbico aumenta o gasto calórico, auxilia na regulação do apetite e melhora o perfil metabólico. Além disso, traz benefícios cardiovasculares, reduzindo a pressão arterial e melhorando a função endotelial, perfil lipídico e a sensibilidade à insulina. Porém, temos que tomar alguns cuidados antes de iniciar um programa de exercícios para essa população: • Não é recomendado se iniciar um programa de caminhada ou corrida sem antes trabalhar o fortalecimento dos membros inferiores. Se a musculatura inferior não estiver fortalecida, os impactos de uma caminhada mais longa, e especialmente de uma corrida,podem causar lesões, principalmente nos joelhos. • Após este período de fortalecimento inicial, comece com atividades de baixo impacto, como caminhadas curtas, ciclismo estacionário ou natação. Estes exercícios são mais amigáveis para as articulações. • Neste período em que seu cliente já estiver na fase de poder fazer as caminhadas e corridas, investir em um par de tênis adequado é essencial. O calçado deve oferecer suporte e amortecimento adequados para reduzir o impacto nas articulações, para diminuir o risco de lesões. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 64 • É normal sentir algum desconforto muscular após o exercício, especialmente quando se está começando. No entanto, se sentir dor nas articulações ou um desconforto que persiste por mais de dois dias, é importante fazer uma pausa e, se for o caso, consultar um médico. Com isso em mente, vamos iniciar um planejamento com este indivíduo obeso. Mas por onde começar? Bem, de início, estabeleça metas pequenas e alcançáveis, para ajudar a manter a motivação. Por exemplo, na primeira semana, definir como meta conseguir caminhar por 15 minutos por dia e ele sempre conseguir, será muito mais motivador pra ele do que estabelecer meta de uma hora, ele falhar, e já perder a motivação logo no início do programa. Gradualmente, ele vai conseguir aumentar esse tempo, e isso será um grande motivador para ele. Lembre-se sempre que, no início, é mais importante a adaptação ao treino, do que nos resultados específicos. Agora, vamos considerar qual tipo de exercício será prescrito a ele. A preferência pessoal desse indivíduo deve ser discutida na hora de escolher. Se possível, opte por atividades de baixo impacto, como caminhada, ciclismo ou natação. Estas são geralmente bem toleradas e apresentam menor risco de lesão para as articulações. Escolhido qual tipo de exercício seu aluno irá fazer? Então uma sugestão de forma segura de início seria com 10-15 minutos por sessão, aumentando gradualmente até alcançar 30-60 minutos, sempre conforme a tolerância do indivíduo. À medida que a resistência e a capacidade cardiovascular melhoram, a intensidade e a duração podem ser ajustadas para continuar desafiando o corpo e promover adaptações benéficas. Título: Mulher obesa realizando exercício aeróbico na esteira Fonte: stock.adobe.com/br/images/two-asian-trainer-man-and-overweight-woman- exercising-training-on-treadmill-in-gym-trainer-thump-up-to-her-for-good- result-during-workout-fat-women-take-care-of-health-and-want-to-lose-weight/363698758?content_id=363698758&asset_id=363698758 EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 65 A prescrição de exercícios aeróbicos para obesos é uma ferramenta essencial no combate à obesidade e suas comorbidades associadas. Ao criar um programa de exercícios personalizado que atenda às necessidades e limitações específicas do indivíduo, é possível promover a saúde, a perda de peso e uma melhor qualidade de vida. Lembre-se sempre de que a orientação e o acompanhamento profissional são fundamentais para garantir a segurança e eficácia do programa de exercícios. ANOTE ISSO Os músculos funcionam como uma proteção dinâmica para as articulações. Nunca se esqueça disso! Quando se fortalece os membros inferiores, os joelhos ficam mais protegidos de lesões. Dores no joelho é um tipo de dor muito comum em obesos, e uma das principais causas é pela sobrecarga do peso corporal sobre estes joelhos. Por isso, fortalecer os membros inferiores de um obeso antes de iniciar caminhadas é muito importante. E quando o obeso for iniciar corridas, este fortalecimento se torna mais importante ainda... aliás, se torna obrigatório! Portanto, lembre-se que o fortalecimento de membros inferiores por meio de exercícios resistidos com pesos, é forma mais correta e segura de se iniciar um programa de exercícios com obesos. Título: Mulher obesa fortalecendo os membros inferiores Fonte: www.ideafit.com/personal-training/exercise-for-fat-loss/ 6.2 Exercícios Na Água Para Obesos Os exercícios aquáticos têm sido reconhecidos por seus benefícios, principalmente para indivíduos obesos. Devido às características únicas da água, como flutuabilidade, resistência e capacidade de dissipar calor, a piscina pode ser o ambiente ideal para pessoas com excesso de peso começarem um programa de exercícios. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 66 Há diversos benefícios do exercício aquático para obesos. Um dos mais relevantes é a redução da carga nas articulações. Dentro da piscina, sentimos o corpo mais leve, não é? Então, a flutuabilidade da água diminui o impacto nas articulações, tornando o exercício aquático menos doloroso e com menos riscos de lesões do que os exercícios em terra, especialmente para os obesos. A água oferece resistência em todas as direções, o que permite um treino muscular mais equilibrado. Para indivíduos obesos, isso significa que eles podem fortalecer seus músculos enquanto melhoram a aptidão cardiovascular. Um fator que torna os exercícios na água interessante para essa população é que a água é eficaz na dissipação do calor, o que é benéfico para obesos, que tendem a se aquecer rapidamente durante o exercício. Por fim, mas não menos importante, a pressão hidrostática da água auxilia na circulação, podendo ajudar a reduzir o inchaço nos membros inferiores, um problema comum em pessoas obesas. Então, quais seriam os exercícios mais interessantes na água para pessoas obesas praticarem? Existem várias variações: Hidroginástica: é uma modalidade de exercício especialmente benéfica para obesos, pois combina os benefícios da atividade física com as propriedades terapêuticas da água. Para essa população, a resistência natural da água ajuda a fortalecer os músculos e a melhorar a capacidade cardiovascular, enquanto a flutuabilidade oferece uma proteção às articulações, frequentemente comprometidas pela obesidade. Esta combinação resulta em um treino de baixo impacto que promove a melhoria da mobilidade, do equilíbrio e da coordenação motora. Uma aula tradicional de Hidroginástica combina movimentos de aeróbica e força, podendo ser adaptada para atender a diferentes níveis de aptidão. Título: Aula de Hidroginástica Fonte:media-cdn.tripadvisor.com/media/photo-s/04/7a/e4/74/alves-hotel.jpg EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 67 Natação: A natação é uma atividade física interessante para obesos, pois proporciona um exercício completo que envolve todos os principais grupos musculares do corpo sem submeter as articulações ao estresse do impacto. Oferece também um exercício cardiovascular completo, envolvendo vários grupos musculares. Os movimentos do nado proporcionam resistência em todas as direções de movimento, o que ajuda a fortalecer os músculos e a aumentar a capacidade cardiovascular, ao mesmo tempo que a flutuabilidade reduz a pressão sobre as articulações. Isso significa que os obesos podem se exercitar de maneira mais intensa e por períodos mais longos sem o risco de lesões associadas a atividades de alto impacto Caminhada/Corrida na Água: A caminhada e a corrida na água surgem como alternativas para obesos que buscam formas eficazes e seguras de exercício. Realizar essas atividades em meio aquático combina a resistência da água com sua flutuabilidade, permitindo que os obesos fortaleçam seus músculos e aumentem a resistência cardiovascular sem o impacto direto associado à caminhada ou corrida em terra firme. Esta característica é vital, pois o excesso de peso já impõe uma carga adicional às articulações, tornando-as suscetíveis a lesões em atividades de alto impacto. Caminhar ou correr na água também promove a queima calórica e a melhoria da circulação sanguínea,auxiliando na perda de peso e na redução de comorbidades associadas à obesidade. Além disso, o ambiente aquático oferece uma sensação de leveza e redução da inibição, permitindo que indivíduos obesos se exercitem com mais confiança e menos desconforto, potencializando os benefícios físicos e emocionais da atividade. Uma caminhada ou corrida na água geralmente é realizada em águas mais profundas com o uso de coletes flutuantes ou em águas rasas, aproveitando a resistência da água. É sempre importante nos atentarmos à temperatura da água. A temperatura moderada é a ideal. Águas muito quentes podem fazer com que os obesos se superaqueçam e se sintam fracos, pois a água quente traz um relaxamento aos músculos, enquanto que águas muito frias podem ser desconfortáveis. 6.3 Exercícios Resistidos Para Obesos O exercício resistido, frequentemente associado à musculação ou ao treino de força, tem se mostrado cada vez mais uma ferramenta essencial para a saúde e bem-estar de indivíduos obesos e, principalmente, um ótimo método para a perda de EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 68 peso. Longe de ser apenas uma maneira de construir músculos e aumentar a força, o treino resistido com pesos oferece uma série de benefícios que são especialmente relevantes para aqueles que lidam com a obesidade. Para indivíduos obesos, o peso adicional do corpo pode sobrecarregar as articulações, especialmente os joelhos e tornozelos. lembra que conversamos neste capítulo sobre os músculos protegerem as articulações? Então, o fortalecimento dos músculos que circundam essas articulações pode ajudar a distribuir melhor a carga, oferecendo alívio e proteção. Isso pode reduzir a dor e o risco de lesões. Mas, o mais importante do obeso fazer exercícios resistidos é que construir mais músculos é, de longe, a forma mais eficiente de aumentar a taxa metabólica basal. Isso significa que quanto mais músculos um indivíduo tiver, mais calorias ele queima em repouso. Para termos uma idéia do quanto os músculos representam no total de calorias gastas ao longo do dia, veja a figura abaixo: Título: Componentes do gasto energético diário total Fonte: Mcardle; Katch; Katch, 2016 Como podemos observar, a maior parte do gasto energético em repouso inclui o gasto da massa corporal e da renovação proteica. Por isso, o exercício resistido não é apenas para aqueles que desejam músculos definidos. Para indivíduos obesos, pode ser uma estratégia vital que oferece benefícios que vão além da estética, promovendo saúde, bem-estar e uma qualidade de vida significativamente melhorada. Dessa forma, podemos ver como exercícios resistidos desempenham um papel crucial na promoção da perda de peso. Além de auxiliar no aumento da massa muscular magra, estes exercícios elevam a taxa metabólica basal do indivíduo, o EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 69 que significa que o corpo queima mais calorias, mesmo em repouso. Essa elevação do metabolismo de repouso é o principal fator que o exercício resistido com pesos promove o emagrecimento. Há alguns outros fatores que também contribuem para a perda de peso. Por exemplo, o aumento da massa muscular também melhora a sensibilidade à insulina, favorecendo uma melhor regulação dos níveis de açúcar no sangue. Assim, combinado com uma dieta equilibrada, o treino resistido pode ser uma estratégia eficaz na perda de peso e melhoria da composição corporal. Mas há exercícios com pesos que sejam mais específicos para obesos? Na verdade, todos os tipos de exercícios com pesos trarão estes benefícios, mas exercícios multiarticulares (aqueles em que movimentamos mais de uma articulação, como por exemplo o supino, o pulley ou o agachamento) são os mais interessantes para aumentar a taxa metabólica basal e, assim, promover mais perda de peso (Westcott, 2012). A figura da esquerda mostra um exemplo de um exercício monoarticular, e a da direita mostra um exercício multiarticular. Perceba como a da esquerda movimenta apenas os cotovelos, trabalhando apenas os bíceps, enquanto que a da direita movimenta as articulações do joelho, do quadril, dos ombros e dos cotovelos, trabalhando um número muito maior de músculos. Título: Mulher realizando rosca alternada Título: Mulher realizando o exercício “remo seco” Fonte: www.pexels.com/pt-br/foto/abdome-atividade-acao-movimento-6551426/ Fonte: www.pexels.com/pt-br/foto/atividade-acao-6551083/ Por último, mas não menos importante, sempre converse e explique ao seu aluno ou cliente sobre a importância de se construir mais músculos para o aumento do metabolismo e a sua consequente queima de calorias em repouso. O indivíduo, quando está consciente do que este exercício causa, sempre o fará com mais motivação. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 70 CAPÍTULO 7 DIABETES MELLITUS E EXERCÍCIO A diabetes é uma realidade presente na vida de muitas pessoas, trazendo consigo desafios e adaptações no dia a dia. Uma das maneiras mais poderosas de lidar com essa condição é através do exercício. Assim como caminhar ao ar livre pode nos trazer a sensação de liberdade e revitalização, mover nosso corpo regularmente tem um papel fundamental na saúde e bem-estar de quem vive com diabetes. Neste capítulo, vamos aprofundar a relação entre diabetes e atividade física, desvendando como o simples ato de se exercitar pode fazer toda a diferença, seja para quem já tem um hábito de exercício ou para quem está começando agora. ISTO ESTÁ NA REDE Somente nos últimos 10 anos, houve um aumento de 61,8% no número de diabéticos entre os brasileiros, totalizando quase 13 milhões de pessoas afetadas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, o percentual da população diagnosticada com a enfermidade saltou de 5,5% para 8,9%. Observa-se uma predominância entre as mulheres, com 5,4 milhões de casos, em comparação aos 3,6 milhões entre os homens. A idade que apresenta maior prevalência da doença situa-se entre 65 e 74 anos, com 19,9%. Por outro lado, o grupo de 18 a 29 anos mostra o menor índice, com apenas 0,6%. Contudo, é importante ressaltar que, entre aqueles com mais de 75 anos, o número também é preocupante, com 19,6% afetados pelo Diabetes. A fim de sensibilizar a população sobre a relevância da prevenção ao Diabetes, a Organização Mundial da Saúde estabeleceu, desde 1991, o Dia Mundial da Diabetes. O dia 14 de novembro foi o escolhido para essa celebração em honra ao aniversário de Frederick Banting. Este médico canadense, em colaboração com Charles Best, foi pioneiro nas pesquisas que culminaram na descoberta da insulina em 1921. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 71 Título: Diabetes em números no Brasil Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes (2022) diabetes.org.br 7.1 Caracterização do Diabetes Mellitus Este é um dos tópicos mais discutidos na medicina contemporânea: o Diabetes Mellitus. Se você já ouviu falar dele, é provável que tenha uma ideia do que se trata. Mas caso não conheça o mecanismo da Diabetes, vamos entender agora. Sabe aquela glicose que obtemos dos alimentos? Ela é essencial para nos dar energia. Mas para que possa entrar nas células e alimentar nosso corpo, ela precisa da ajuda de um hormônio chamado insulina. No diabetes, esse hormônio ou não aparece (falta de insulina) ou está com problemas em suas funções (resistência à insulina). A consequência? A glicose, ao invés de entrar nas células, vai se acumulando onde não deve: em nosso sangue. Para determinar se uma pessoa tem diabetes ou pré-diabetes, o teste mais comum é o exame de sangue de glicemia. Esse valor vai diagnosticar se a pessoa tem diabetesou não. A figura abaixo mostra os valores de referência, tanto em jejum, quanto após uma refeição. Título: Valores de Glicemia para caracterização de diabetes Fonte: www.saudebemestar.pt/pt/exame/analises-clinicas/glicose/ EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 72 Mas o que causa esse acúmulo de glicose no sangue? Na verdade, existem 2 causas principais para isso (três, se formos considerar a diabetes gestacional) (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2020): Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1): É uma doença autoimune. Isso significa que o sistema imunológico do corpo, que normalmente combate infecções, ataca e destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Sem essas células funcionando adequadamente, o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente (ou nenhuma insulina). A causa exata do porque isso acontece ainda não é totalmente compreendida, mas acredita-se que uma combinação de fatores genéticos e ambientais, como vírus, possam desencadear esse processo autoimune. Embora possa ocorrer em qualquer idade, o DM1 é comumente diagnosticado em crianças, adolescentes e adultos jovens. Pessoas com DM1 precisam de terapia de reposição de insulina para sobreviver. Isso pode ser feito através de injeções regulares de insulina ou usando uma bomba de insulina. Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2): Essa é muito mais comum do que a DM1. É caracterizada por dois problemas principais: resistência à insulina e na produção insuficiente de insulina. No início da doença, o pâncreas ainda produz insulina, mas as células do corpo são “resistentes” a ela. Ou seja, elas não respondem como deveriam. Para compensar, o pâncreas produz mais insulina. Com o tempo, no entanto, o pâncreas não consegue acompanhar a demanda e a produção de insulina diminui. Existem muitos fatores que contribuem para o desenvolvimento do DM2, como a genética, idade, etnia e histórico familiar. Entretanto, estilos de vida sedentários e obesidade são os principais causadores desse tipo de diabetes. Enquanto o DM2 era tradicionalmente diagnosticado em adultos, está se tornando cada vez mais comum em crianças e adolescentes devido a mudanças nos padrões de estilo de vida e aumento da obesidade, já que crianças e adolescentes cada vez menos brincam e fazem esportes, e cada vez mais ficam nos celulares e videogames. O tratamento do DM2 é variado e é necessário mudanças no estilo de vida, como dieta e exercício, medicamentos orais e, em alguns casos, injeções de insulina. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 73 Título: Mulher diabética fazendo uso de injeção de insulina Fonte: pt.dreamstime.com/mulher-positiva-do-tamanho-que-injeta- insulina-no-estômago-gordo-diabetes-problemas-de-saúde-image126260995 Diabetes gestacional: A diabetes gestacional é uma forma de diabetes que se manifesta durante o período de gravidez em mulheres que, anteriormente, não apresentavam a condição. Durante a gravidez, a placenta produz hormônios que podem resultar no acúmulo de glicose no sangue. Em algumas mulheres, o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente para neutralizar esse efeito, resultando em aumento dos níveis de glicose. Geralmente, é realizado entre a 24ª e 28ª semana de gravidez através do teste oral de tolerância à glicose. Se não for controlada, a diabetes gestacional pode aumentar o risco de parto prematuro, ,complicações durante o parto, hipoglicemia no recém- nascido (níveis baixos de açúcar no sangue), aumento do risco de hipertensão durante a gravidez e maior probabilidade de a mãe desenvolver diabetes tipo 2 no futuro. A melhor forma de tratar é com uma dieta balanceada, exercícios, monitorização da glicose e, em alguns casos, medicamentos ou insulina. Manter um peso saudável antes da gravidez, seguir uma dieta balanceada e praticar exercícios regularmente pode ajudar a reduzir o risco de desenvolver diabetes gestacional. 7.1 Benefícios do Exercício na Prevenção e Tratamento do Diabetes Mellitus A incidência de diabetes mellitus tem aumentado de forma alarmante em todo o mundo, e parece que a tendência é de continuar aumentando cada vez mais, afinal, tem muita gente que não tem uma alimentação saudável e que não gostam de se exercitar, não é mesmo? Enquanto vários tipos de abordagens são utilizadas para gerenciar e prevenir essa condição, o papel do exercício físico destaca-se como uma estratégia fundamental, tanto na prevenção quanto no tratamento. Vamos explorar os benefícios abrangentes do exercício nesta área: EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 74 Sensibilidade à Insulina: O exercício regular melhora a sensibilidade à insulina, o que significa que o organismo utiliza insulina de forma mais eficaz. Após o exercício, o músculo esquelético torna-se mais receptivo à ação da insulina, promovendo a captação de glicose de maneira mais eficiente. Para termos uma ideia do quanto o exercício físico ajuda nessa condição, em 2002 foi realizado um dos maiores estudos clínicos já realizados, voltados para a prevenção da diabetes tipo 2, o “Diabetes Prevention Program (DPP)”. Este estudo demonstrou que a modificação do estilo de vida, incluindo 150 minutos de atividade física moderada por semana e uma redução de 7% do peso corporal, reduziu o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2 em 58% em indivíduos de alto risco. A melhora na sensibilidade à insulina foi um dos principais mecanismos atribuídos a essa redução. Uma outra conclusão dos autores foi que mudanças no estilo de vida foram mais eficazes do que a metformina (um dos medicamentos mais usados para tratar Diabetes), para reduzir a incidência de diabetes. Controle da Glicemia no Sangue: O exercício físico desempenha um papel importante para que a glicemia esteja bem controlada. Durante a atividade física, os músculos consomem mais glicose para produzir energia, o que contribui para a diminuição dos níveis de açúcar no sangue. Lembra quando falamos que na Diabetes tipo 2, a insulina, que é o que puxa a glicose do sangue para dentro da célula, não funciona direito? Então, o exercício físico ajuda como se fosse uma segunda ferramenta, ajudando a puxar essa glicose no sangue para as células. Uma das maiores investigações realizadas sobre diabetes tipo 2 foi o “UK Prospective Diabetes Study (UKPDS)” (Estudo Prospectivo de Diabetes do Reino Unido). O estudo acompanhou pacientes recém-diagnosticados com diabetes tipo 2 por 20 anos para entender o progresso da doença e o efeito de diferentes intervenções. Embora o UKPDS tenha focado em tratamentos farmacológicos, o controle glicêmico e a importância de manter a glicemia próxima ao normal para prevenir complicações foram centrais para os resultados. O exercício, juntamente com a dieta e a medicação, foi considerado uma parte fundamental para alcançar o controle glicêmico ideal. O estudo concluiu que qualquer redução nos níveis de glicose no sangue é benéfica, e reduções mais significativas na glicemia podem reduzir o risco de complicações relacionadas à diabetes. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 75 Perda de Peso: A obesidade é um fator de risco significativo para o desenvolvimento de diabetes tipo 2. O exercício, especialmente quando combinado com uma dieta adequada, pode resultar em perda de peso e redução da gordura corporal, minimizando esse risco. A relação entre diabetes e obesidade é tão grande, que hoje existe um termo chamado “Diabesidade”. Você conhecia esse termo? É a combinação das palavras “diabetes” e “obesidade” para descrever essa relação. A obesidade é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2, e o termo “diabesidade” foi criado para destacar essa ligação e enfatizar a necessidadede abordar ambas as condições como se fosse uma coisa só. A preocupação com a “diabesidade” é cada vez maior, porque as pessoas estão cada vez mais se movimentando menos e comendo pior, o que está causando mais obesidade e diabetes tipo 2. O termo é bastante usado em literatura médica, campanhas de saúde pública e meios de comunicação para chamar a atenção para a relação entre obesidade e diabetes e a necessidade de intervenções integradas para combater ambas as condições. Por exemplo, o Dr. Francine Kaufman, endocrinologista pediátrico e ex-presidente da American Diabetes Association, escreveu um livro intitulado “Diabesity” que explora a epidemia de obesidade e diabetes, particularmente nos Estados Unidos, e a forte ligação entre essas duas condições. Veja a figura abaixo: Título: Principais fatores de risco para o diabetes mellitus tipo 2 Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes, 2017 EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 76 Olhando para estes dados da Sociedade Brasileira de Diabetes, fica bem claro que a obesidade e a falta de atividade física estão entre os principais causadores de diabetes. 7.2 Tipos de Exercícios e Suas Recomendações para Diabéticos Apesar de todos os tipos de exercícios trazerem benefícios para portadores de diabetes, alguns tipos de exercícios podem ser mais adequados e benéficos do que outros. A questão de se fazer o exercício correto e na intensidade adequada também é muito importante, pois se não for respeitado isso, o exercício pode não causar melhora no quadro do diabético, ou até piorar este quadro. Antes de iniciar qualquer programa de exercícios, é importante que o aluno diabético tenha passado antes por um endocrinologista, para que, se o aluno estiver em tratamento, ele possa ajustar esse plano de tratamento, se necessário. 7.2.1 Exercícios Aeróbicos para Diabéticos Os exercícios aeróbicos, também conhecidos como exercícios de resistência cardiovascular, desempenham um papel crucial no manejo do diabetes. Eles promovem uma série de benefícios, desde a melhoria da saúde cardíaca até a regulação dos níveis de glicose no sangue. Para diabéticos, a execução adequada e segura desses exercícios pode ser a chave para maximizar esses benefícios. Exercícios aeróbicos são recomendados tanto para quem tem diabetes tipo 1, quanto para quem tem diabetes tipo 2. Os principais benefícios de exercícios aeróbicos para diabéticos são: 1. Controle da glicose no sangue: A atividade aeróbica ajuda a aumentar a sensibilidade à insulina. Isso significa que, após o exercício, o corpo utiliza a glicose mais eficientemente, reduzindo os níveis no sangue. 2. Saúde cardíaca: Os diabéticos têm um risco aumentado de doenças cardíacas. O exercício aeróbico fortalece o coração e melhora a circulação, reduzindo esse risco. 3. Manejo do peso: A atividade aeróbica ajuda a queimar calorias, auxiliando na manutenção ou redução do peso, o que é fundamental para o controle do diabetes tipo 2. E como os diabéticos devem começar a executar exercícios aeróbicos de forma segura e eficaz? Vamos ver algumas sugestões a seguir. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 77 Primeiro, comece devagar. Se seu aluno é novo no mundo dos exercícios, comece com atividades de baixo impacto e intensidade, como caminhadas. Gradualmente, à medida que a resistência dele aumenta, você pode intensificar o ritmo ou incorporar outras atividades. Faça seu aluno se manter hidratado antes, durante e após o exercício. Muitas vezes esquecemos de beber água, não é! Lembre ele que a desidratação pode afetar os níveis de glicose. Peça pra ele, se possível, usar sapatos e roupas confortáveis. Se o aluno tiver neuropatia diabética (uma condição que afeta os nervos), usar calçados apropriados é essencial para evitar feridas ou bolhas. Com isso em mente, procure sempre variar os exercícios para evitar monotonia e trabalhar diferentes grupos musculares. Natação, ciclismo e dança são alternativas bem legais à caminhada ou corrida. Esteja atento aos sinais: Se seu aluno sentir tonturas, falta de ar, dor no peito ou qualquer desconforto fora do comum, pare imediatamente e procure atendimento médico (Colberg et al, 2016). É importante a glicose ser monitorada. O item 7.3.1 deste capítulo traz orientações sobre isso. 7.2.2 Exercícios Resistidos para Diabéticos Os exercícios resistidos, também conhecidos como treinamento de força, desempenham um papel vital no gerenciamento da diabetes. Quando incorporados regularmente à rotina de um diabético, esses exercícios podem ajudar a melhorar a sensibilidade à insulina, a força muscular, a composição corporal e a qualidade de vida. Exercícios de força são recomendados principalmente para diabéticos tipo 2, mas também é benéfico para os de tipo 1. Os principais benefícios são (Colberg et al, 2010): 1. Melhoria da Sensibilidade à Insulina: Exercícios resistidos podem aumentar a capacidade das células musculares de utilizar glicose, o que ajuda a reduzir os níveis de açúcar no sangue; 2. Aumento da Massa Muscular: A massa muscular é um local importante de armazenamento de glicose no corpo. Portanto, ao aumentar a massa muscular, você cria mais “espaço” para armazenar glicose; 3. Melhoria da Composição Corporal: Exercícios resistidos podem ajudar a reduzir a gordura corporal e, ao mesmo tempo, aumentar a massa magra. Uma composição EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 78 corporal mais saudável pode melhorar a regulação da glicose e diminuir o risco de complicações associadas à diabetes. Vamos ver agora sugestões de como diabéticos podem iniciar um programa de exercícios resistidos de forma segura e eficaz. De início, comece com dias alternados. Faça com ele exercícios dia sim, dia não. Sempre deixe um dia de descanso para cada dia de exercício feito. Isso vai ajudar o organismo dele a entrar gradualmente em um ritmo de exercícios e permitir que a condição de diabetes não receba um choque metabólico. Escolha exercícios que envolvam os principais grupos musculares, incluindo pernas, peito, costas, ombros e abdômen. Exercícios como o leg press, supino, remada, elevação lateral e abdominais são excelentes. Agora, um outro detalhe importante: comece com cargas leves. Não se esqueça que, de início, o mais importante não é o resultado, mas a adaptação do organismo dele. Segurança é sempre em primeiro lugar, certo? Deixe para se preocupar em aumentar a carga, gradualmente, à medida que a força de seu aluno melhorar. O ideal é escolher um peso que permita realizar 10-15 repetições de um exercício com execução correta e completa. À medida que os exercícios se tornam mais fáceis, aumente o peso. Isso garante que você continue a desafiar os músculos e a obter os benefícios que o diabético precisa (Colberg et al, 2010). Como explicado nos exercícios aeróbicos, na musculação também é importante monitorar a glicose, como veremos a seguir. 7.3 Precauções e Cuidados Específicos Como já vimos, pessoas diabéticas têm algumas condições específicas em que o profissional tem que tomar cuidado, para que o exercício sempre seja saudável para esse aluno. Vamos ver alguns cuidados que é importante estarmos sempre atentos. 7.3.1 Monitoramento da Glicemia Antes e Depois do Exercício O monitoramento da glicemia – ou nível de açúcar no sangue – é uma ferramenta essencial para quem vive com diabetes ou está em estado pré-diabético. Normalmente se faz com um glicosímetro. Esta prática torna-se ainda mais crucial quando se introduz atividades físicas na rotina, pois o exercício influencia diretamente na glicemia. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 79 Compreender e controlar os níveis de açúcar no sangue em relaçãopassa o dia inteiro se movimentando, não está fazendo “exercícios físicos”? Tecnicamente, não. Ela está fazendo “atividade física”. A diferença nos termos está justamente aí. Ela não está fazendo um exercício estruturado, focado em trabalhar grupos musculares específicos ou melhorar a capacidade cardiovascular. Então, qual é mais eficiente, atividade física ou exercício físico? Se você quiser aumentar a força muscular, a flexibilidade, a capacidade cardiovascular, ou atingir qualquer outra meta de condicionamento físico, um programa de exercícios estruturados leva a melhor. Mas, não desmereça as atividades físicas do dia a dia. Elas também são importantes e mantêm você em movimento. Só não substituem uma boa e velha sessão de exercícios na academia ou uma corrida no parque, ok? Um exemplo da diferença entre “atividade física” e “exercício físico” vem a seguir. Note as diferenças: na figura da esquerda, temos uma imagem de uma pessoa que está fazendo uma tarefa que necessite de movimentos físicos, mas essa tarefa não tem como objetivo trabalhar o corpo. O objetivo é limpar a casa. Portanto, isso não pode ser tecnicamente classificado como um exercício físico. Já na figura da direita, podemos! Pois o objetivo é trabalhar algum aspecto físico (neste caso, o aumento da força e massa muscular) EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 10 Título: Faxina em casa Título: Exercitando os músculos Fonte: www.blogdamrv.com.br/como-ter-uma-casa-limpa Fonte: www.pexels.com/pt-br/foto/ativo-movimentado-atividade-acao-6456133/ 1.2 Benefícios Gerais do Exercício Físico São inúmeros os benefícios que o exercício físico pode trazer. A cada ano, o tamanho da lista dos benefícios que a ciência nos traz fica cada vez maior. E tudo indica que essa lista crescerá ainda mais nos próximos anos. Neste item, vamos abordar alguns dos benefícios do exercício físico em diferentes aspectos e, nos capítulos seguintes, iremos aprofundar cada uma destas condições. O exercício físico é uma espécie de “seguro de saúde” natural. Isso pode soar como um exagero, mas os estudos confirmam isso. Independente de se tratar de corridas regulares, sessões de Yoga, aulas de natação ou dança, qualquer atividade física regular pode ajudar a reduzir o risco de uma série de doenças crônicas. Estamos falando de doenças cardíacas, diabetes tipo 2, certos tipos de câncer e osteoporose (Pedersen; Saltin, 2015). O exercício físico, quando bem orientado e regular, é um dos melhores medicamentos naturais disponíveis para a nossa saúde: • Doenças Cardiovasculares Quando pensamos em exercício e prevenção de doenças, o coração muitas vezes vem à mente primeiro - e com razão. O exercício tem um impacto direto e positivo na saúde do nosso coração. Ele fortalece o músculo cardíaco, aumenta a eficiência da circulação, reduz a pressão arterial e ajuda a manter normal nossos níveis de colesterol. Além disso, ao nos ajudar a manter um peso saudável, o exercício físico também reduz o risco de doenças cardíacas (Swift et al., 2013). Neste mesmo estudo, também foi mostrado que pessoas que se exercitam regularmente têm um risco menor de desenvolver doenças cardíacas em comparação com pessoas que levam uma vida sedentária. Então, se você quer EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 11 proteger seu coração, incluir exercícios físicos na sua rotina pode ser uma ótima ideia! Portanto, exercícios físicos podem ser um super aliado para manter seu coração saudável. Sabe por quê? Quando você se exercita regularmente, está, na verdade, treinando seu coração, tornando-o mais forte e mais eficiente. Isso ajuda a diminuir a pressão arterial e os níveis de colesterol ruim, ambos fatores de risco para doenças cardíacas. • Diabetes Tipo 2 O exercício físico é uma arma poderosa na prevenção da diabetes tipo 2. Por meio da regulação do peso e do aumento da eficiência na maneira como nosso corpo usa a insulina, o exercício pode reduzir significativamente o risco de desenvolver diabetes. Além disso, exercícios regulares podem ajudar no controle do diabetes em quem já tem a doença, melhorando a qualidade de vida (Colberg et al., 2016). Então, se você quer um aliado contra o diabetes, o exercício físico é a resposta. Quando a gente se mexe, os músculos queimam a glicose do corpo, ajudando a manter essa glicose no sangue sob controle. E isso é muito importante, tanto para quem quer prevenir, quanto para quem quer tratar a diabetes. Existem vários estudos comprovando os benefícios do exercício para quem tem Diabetes, como iremos abordar no capítulo 7. Um exemplo é um levantamento feito por Maack e colaboradores em 2018, que mostrou que a prática regular de exercícios físicos pode reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Então, mais do que manter a forma, se exercitar é manter o diabetes longe! • Obesidade A obesidade é um problema de saúde global que afeta milhões de pessoas e é considerada um fator de risco para várias doenças crônicas. É importante entender que a obesidade não é apenas uma questão estética. De acordo com um estudo conduzido por Soares e colaboradores (2020), a obesidade está fortemente associada a doenças cardíacas, diabetes tipo 2, e até mesmo certos tipos de câncer. Estar acima do peso também pode tirar anos da sua vida. Por exemplo, um estudo realizado por Finkelstein et al. (2020), nos Estados Unidos, identificou a obesidade como um fator que contribui para a diminuição da expectativa de vida, EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 12 bem como para o aumento dos custos de saúde. Quem diria que estar acima do peso pode fazer, inclusive, você gastar mais dinheiro! É para se refletir não? Além dos aspectos físicos, é importante ressaltar que a obesidade também afeta a saúde mental. Um estudo de Soares e colaboradores (2020), confirmou a forte associação entre obesidade e depressão. Eles sugerem que as alterações metabólicas e inflamatórias causadas pela obesidade podem ter um impacto significativo no desenvolvimento de distúrbios de humor, ou seja, as mudanças no nosso corpo causadas pela obesidade podem afetar bastante nosso humor e até causar problemas de saúde mental. Um estudo de Firth e colaboradores (2021) no Reino Unido destacou que a obesidade pode levar ao isolamento social e reduzir a qualidade de vida, o que por sua vez pode levar ao desenvolvimento de problemas de saúde mental. Portanto, meu amigo leitor, percebemos que a obesidade é uma questão de saúde complexa e multifacetada. Não se trata apenas de perder peso, mas de melhorar a saúde e a qualidade de vida. A boa notícia é que a obesidade é prevenível e tratável, e cada passo conta no caminho para uma vida mais saudável. Título: Mulher obesa se exercitando em uma academia Fonte: www.pexels.com/pt-br/foto/uma-jovem-treinando-na-academia-6551098/ • Saúde Mental A saúde mental é outra área onde o exercício físico brilha. A atividade física regular tem um efeito antidepressivo e ansiolítico, ajudando a aliviar os sintomas de depressão e ansiedade. Além disso, o exercício tem sido relacionado à melhora da função cognitiva, incluindo memória e capacidade de aprendizado, e à redução EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 13 do risco de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e demência (Schuch et al., 2016). O exercício físico é uma poderosa ferramenta para a promoção da saúde mental. Você sabia que a atividade física regular pode reduzir significativamente os sintomas de ansiedade e depressão? Segundo um estudo realizado por Firth e colaboradores, em 2019, as atividades físicas têm um efeito notávelao exercício é vital para garantir não apenas a eficácia do treino, mas principalmente a segurança e a saúde do indivíduo. Título: medidor de glicose (glicosímetro) Fonte: pixabay.com/pt/photos/diabetes-sangue-glicose- teste-2424105/ • Por que Monitorar? Prevenção da Hipoglicemia: O exercício aumenta a absorção de glicose pelos músculos, o que pode levar a uma redução rápida dos níveis de glicose no sangue. Isso pode causar uma hipoglicemia (baixa glicemia) em seu cliente ou aluno. A hipoglicemia pode ser perigosa. Pode causar tonturas, confusão, fraqueza e, em casos extremos, até um desmaio ou convulsão no aluno. Prevenção da Hiperglicemia: Paradoxalmente, em algumas situações, como em exercícios de alta intensidade ou estresse, a glicemia pode aumentar. A hiperglicemia (alta glicemia) é prejudicial a longo prazo e pode resultar em complicações crônicas para diabéticos. Os principais motivos da glicemia poder aumentar em diabéticos durante um exercício são pelo fato do exercício intenso liberar hormônios que liberam a glicose armazenada no fígado, para dar energia a esse exercício. Mas o diabetico não vai captar essa glicose como deveria, então ela se acumula no sangue. Uma outra causa é o chamado “Efeito Alvorada”: Embora seja mais comum nas primeiras horas da manhã, o “efeito alvorada” é o aumento natural dos hormônios do estresse que resulta na liberação de glicose pelo fígado. Se alguém se exercitar durante esse pico hormonal, pode notar um aumento nos níveis de glicose sanguínea. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 80 • Quando e Como Monitorar? Antes do Exercício: Meça, ou peça para seu cliente (a maioria dos diabéticos já estão acostumados a medir a própria glicemia) medir a glicemia aproximadamente 30 minutos antes da atividade. Isso oferece tempo para tomar alguma medida, seja ingerindo um lanche para elevar a glicemia ou ajustando a dose de insulina. Se a glicemia estiver abaixo de 100 mg/dL, é aconselhável comer um pequeno lanche rico em carboidratos para evitar a hipoglicemia. Durante o exercício: é recomendado medir a glicemia durante o exercício em situações específicas, especialmente para ajudar a prevenir episódios de hipoglicemia ou hiperglicemia durante a atividade, e para entender como diferentes atividades afetam os níveis de glicose no sangue. Veja algumas situações em que o monitoramento da glicemia durante o exercício pode ser útil: 1. Exercícios Prolongados: Em atividades que duram mais de uma hora, pode ser benéfico verificar a glicemia em intervalos regulares para garantir que os níveis permaneçam estáveis. 2. Atividades Desconhecidas: Ao tentar um novo tipo de exercício ou uma intensidade diferente, verificar a glicemia durante a atividade pode ajudar a entender como essa atividade específica afeta os níveis de glicose. 3. Histórico de Flutuações: Se o diabético já experimentou episódios de hipoglicemia ou hiperglicemia durante ou após o exercício anteriormente, é recomendado monitorar a glicemia durante atividades subsequentes. 4. Exercícios de Alta Intensidade: Atividades de alta intensidade ou treinamento intervalado podem, em alguns casos, causar um aumento temporário nos níveis de glicose devido à liberação de hormônios do estresse. Nessas situações, é útil monitorar a glicemia. 5. Uso de Bomba de Insulina: Para aqueles que usam bombas de insulina, monitorar a glicemia durante o exercício pode ajudar a fazer ajustes apropriados na administração da insulina. Depois do Exercício: Meça novamente até 30 minutos após o exercício. A resposta glicêmica pode variar, e é vital entender como seu corpo reage a diferentes atividades. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 81 Se a atividade foi longa e intensa, peça ao seu aluno para que ele continue monitorando a glicemia por várias horas após ter terminado o exercício, pois os efeitos do exercício na glicemia podem perdurar. Por fim, é uma boa ideia manter registros, anotando os níveis de glicose, juntamente com detalhes do exercício (tipo, duração, intensidade). Isso pode ajudar a identificar padrões e ajustar a rotina conforme necessário. Título: praticante de exercício monitorando sua glicemia com um glicosímetro Fonte: goqii.com/blog/why-you-should-exercise-to-manage-diabetes/ 7.3.2 Sintomas de Hipoglicemia e o Que Fazer A hipoglicemia, como já conversamos antes, é a condição em que o nível de glicose no sangue é mais baixo do que o normal. É uma preocupação particular para diabéticos, especialmente aqueles que tomam insulina ou medicamentos orais que aumentam a produção de insulina. Os sintomas da hipoglicemia podem variar de pessoa para pessoa e podem mudar ao longo do tempo para um indivíduo. Os sintomas mais comuns dependem do grau dessa hipoglicemia: • Se for Hipoglicemia leve: Sudorese, nervosismo, tremores, tontura, palpitações e fome • Se for Hipoglicemia grave: Tontura, fadiga, fraqueza, dores de cabeça, incapacidade de concentração, confusão, fala arrastada, visão borrada, convulsões e coma Se seu aluno apresentar sintomas de hipoglicemia e tiver um glicosímetro à mão, o primeiro passo é medir a glicemia para confirmar que os níveis estão de fato baixos. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 82 Se a glicemia estiver abaixo de 70 mg/dL, o recomendado é ingerir de 15 a 20 gramas de carboidratos de ação rápida. Isso pode incluir: • 3 a 4 comprimidos de glicose. • 4 a 5 balas. • meio copo (cerca de 120 ml) de suco de frutas ou refrigerante regular (não dietético). • 1 colher de sopa de mel ou xarope. Após ingerir uma destas opções, aguarde 15 minutos e, em seguida, verifique a glicemia novamente. Se ela tiver aumentado para acima de 70, está tudo certo. Se a glicemia ainda estiver abaixo, repita a ingestão de carboidratos e verifique novamente após 15 minutos. Se seu aluno perder a consciência devido à hipoglicemia, não tente alimentá-lo. Nesse caso, é necessário administrar glucagon (se disponível e você estiver treinado para fazê-lo) ou procurar ajuda médica imediatamente. O aluno deve ser colocado de lado para evitar asfixia em caso de vômito (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2019). EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 83 CAPÍTULO 8 HIPERTENSÃO ARTERIAL E EXERCÍCIO Neste capítulo vamos abordar uma das condições cardíacas mais comuns, e um dos problemas de saúde mais perigosos que existe: a hipertensão arterial. Mas por que ela é tão perigosa? Há vários motivos, mas para citarmos um inicial, a hipertensão é, quase sempre, assintomática. Isso quer dizer que uma pessoa pode estar hipertensa por anos, e não saber, nem sentir absolutamente nada. Ou seja, o dano está sendo feito diariamente, e o indivíduo não se dá conta disso. No capítulo 3, vimos brevemente sobre o que é hipertensão arterial e a influência do exercício físico para prevenir e tratar essa condição. Neste capítulo, vamos aprofundar mais sobre a hipertensão, nos benefícios do exercício para quem quer prevenir ou para quem já é hipertenso, e as estratégias para intervir e introduzir uma rotina de exercícios para essa população. 8.1 Caracterização da Hipertensão Arterial A hipertensão arterial, frequentemente conhecida como pressão alta, é uma condição médica crônica na qual a pressão do sangue nas artérias é persistentemente elevada. É uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo, pois está associada a graves complicações de saúde, como doenças cardíacas, derrame e doença renal. Sabe quando vamos aferir a pressão e, no aparelho, saem dois números? Então, a pressão arterial é determinada por duas medidas: pressão sistólica (o número mais alto, que indica a pressão quando o coração contrai) e pressão diastólica (onúmero mais baixo, que indica a pressão quando o coração relaxa entre os batimentos). A Pressão Arterial (PA) “normal” é o valor de 120/80 mmHg, ou, simplificando, o popular 12 por 8. A palavra normal está entre aspas porque esse valor é simplesmente uma média. Há pessoas que tem sua pressão natural ser, por exemplo 110/80mmHg. Se este é o normal desta pessoa, não significa que ela está com pressão baixa. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 84 A hipertensão geralmente acontece quando a pressão arterial é igual ou superior a 140/90 mmHg em várias medições. No entanto, com base em algumas pesquisas que mostram a ligação direta entre a pressão arterial alta e o risco de doenças do coração, um guia de práticas clínicas para a pressão alta, publicado em 2017, propõe um novo jeito de classificar a pressão arterial. Eles sugerem um limite ainda mais rigoroso para o diagnóstico de pressão alta, sendo de 130 a 139 para a pressão sistólica, e de 80 a 89 para a pressão diastólica, em várias medições. O objetivo disso é controlar melhor a doença (Whelton et al, 2017). Mas por que “em várias medições”? É porque há algumas situações em que a PA pode dar um valor mais alto, mas não significa que a pessoa é hipertensa. Uma situação de estresse no serviço ou uma caminhada até a loja da esquina já são suficientes para elevar temporariamente a pressão. A seguir temos um gráfico que mostra como se classifica a pressão arterial em adultos com mais de 18 anos, de acordo com as regras brasileiras para a pressão alta. Título: Classificação da pressão arterial (indivíduos adultos com mais de 18 anos de idade). PAS: pressão arterial sistólica; PAD: pressão arterial diastólica. Fonte: Malachias et al, 2016 8.1.1 Causas e Tipos de Hipertensão De acordo com que causa essa hipertensão, podemos classificá-la em dois grupos: Hipertensão Primária (ou Essencial) e Hipertensão Secundária. A Hipertensão primária é um tipo de hipertensão que desenvolve-se gradualmente ao longo dos anos devido a uma combinação de fatores genéticos, envelhecimento e, principalmente, dieta e estilo de vida. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 85 A Hipertensão secundária é causada por uma condição subjacente ou medicamento. Pode surgir devido a problemas renais, anormalidades nas glândulas adrenais, certos medicamentos e drogas, e outras condições médicas. Os principais fatores de risco incluem idade avançada, história familiar, excesso de sal na dieta, obesidade, falta de atividade física, consumo excessivo de álcool, tabagismo, estresse, algumas doenças crônicas e deficiência nutricional. 8.1.2 Sintomas e Complicações A hipertensão é frequentemente chamada de “assassina silenciosa” porque, como discutimos anteriormente, pode não apresentar sintomas claros até que cause danos significativos. Quando os sintomas ocorrem, podem incluir dor de cabeça, falta de ar, tonturas ou zumbido nos ouvidos. As complicações da hipertensão não controlada incluem aterosclerose (acúmulo de placas de gordura nas artérias), infarto do miocárdio (ataque cardíaco), insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal e problemas de visão. O diagnóstico é feito por meio de esfigmomanômetros, que medem a pressão arterial. Devido às variações diárias na pressão arterial, como mencionado anteriormente, é recomendado fazer várias medições em diferentes ocasiões para confirmar o diagnóstico. O tratamento para hipertensão inclui dieta saudável (há uma dieta própria para isso, a chamada dieta DASH), redução de sal, limitação de álcool, evitar o tabagismo e, claro, mudanças no estilo de vida, como atividade física regular. E é aqui que você, futuro profissional de educação física, entra com um papel tão importante! 8.2 Benefícios do Exercício na Prevenção e Tratamento O exercício regular desempenha um papel crucial na prevenção e tratamento dessa condição, trazendo vários benefícios que vão além do simples controle da pressão arterial. Mas como a prática regular de atividade física faz a pressão arterial alta de um indivíduo hipertenso normalizar? Vamos ver os principais mecanismos: (Mcardle; Katch; Katch, 2016) Melhoria na Função Endotelial: O endotélio é uma camada de células que reveste o interior dos vasos sanguíneos. Ele produz óxido nítrico (NO), uma molécula que tem EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 86 a capacidade de relaxar as paredes dos vasos sanguíneos, facilitando a dilatação dos mesmos. O exercício melhora a função endotelial, aumentando a produção e disponibilidade de NO, resultando em vasodilatação e redução da pressão arterial. Modulação do Sistema Nervoso Autônomo: A pressão alta muitas vezes está ligada a um desequilíbrio no sistema nervoso, onde uma parte chamada “simpático” é mais ativa. O sistema nervoso simpático é como o “acelerador” do nosso corpo. Quando ativado, prepara o corpo para situações de “luta ou fuga”, aumentando a frequência cardíaca e a pressão arterial. Já o parassimpático é como o “freio”, ajudando o corpo a relaxar e desacelerar. Fazer exercícios com frequência ajuda a equilibrar isso, fazendo com que o “simpático” fique menos ativo. Isso ajuda a diminuir a pressão arterial. Redução da Rigidez Arterial: À medida que as pessoas envelhecem, as artérias podem começar a perder sua elasticidade natural. Isso ocorre devido a uma série de motivos, como o acúmulo de placas (aterosclerose), mudanças nas fibras elásticas das paredes arteriais e outros fatores de risco como hipertensão, diabetes, fumo, colesterol elevado, entre outros. Quando as artérias perdem sua elasticidade, elas se tornam mais rígidas. Quando nos exercitamos, o fluxo sanguíneo aumenta, e as artérias precisam se expandir e contrair mais vezes para acomodar esse fluxo aumentado. Essa ação repetida ajuda a manter ou até mesmo a recuperar a elasticidade das artérias. Artérias elásticas têm maior capacidade de dilatação, o que significa que podem se expandir mais facilmente quando o sangue é bombeado. Isso é benéfico porque artérias mais flexíveis e elásticas oferecem menos resistência ao fluxo sanguíneo. A pressão arterial é a força do sangue contra as paredes das artérias. Quando as artérias são rígidas, o sangue tem mais dificuldade em passar, aumentando essa pressão. Por outro lado, quando as artérias são mais elásticas, elas podem se expandir melhor com cada batimento cardíaco, permitindo que o sangue flua mais facilmente e, com isso, reduzindo a pressão sobre suas paredes. Dessa forma, a pressão arterial pode ser reduzida ou mantida em níveis saudáveis. Modificação do Perfil Lipídico: O exercício ajuda a elevar os níveis de HDL (colesterol “bom”) e reduzir os níveis de LDL (colesterol “ruim”) e triglicerídeos. Uma melhor EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 87 composição lipídica pode contribuir para a saúde vascular e, indiretamente, para a redução da pressão arterial. Redução da Resistência à Insulina: A resistência à insulina é um estado em que as células do corpo não respondem de forma eficaz à insulina produzida pelo pâncreas. Esta condição é muitas vezes ligada ao desenvolvimento de hipertensão, ou pressão alta. Quando o corpo tem resistência à insulina, isso pode levar a um aumento na resistência dos vasos sanguíneos, fazendo com que a pressão arterial suba. Porém, quando se pratica atividades físicas regulares, a capacidade do corpo de usar insulina melhora. O exercício, assim, aumenta a sensibilidade das células à insulina, permitindo um melhor equilíbrio da glicemia. Com isso, há uma redução na resistência dos vasos sanguíneos, o que ajuda a diminuir a pressão arterial. Regulação do Peso Corporal: A obesidade é um fator de riscoconhecido para hipertensão. O exercício, juntamente com uma dieta adequada, é uma grande ferramenta para a perda e manutenção do peso, contribuindo para a redução da pressão arterial. Título: Mulher obesa se exercitando com personal Fonte: www.pexels.com/pt-br/foto/treino-academia-descalco-6456292/ Efeito Diurético: O exercício físico tem um efeito diurético natural, ajudando o corpo a excretar sal e água através da urina. Isso pode ajudar a reduzir o volume sanguíneo e, consequentemente, a pressão arterial. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 88 Diminuição dos Níveis de Angiotensina: A angiotensina II é uma substância que pode causar constrição dos vasos sanguíneos e estimular a liberação de aldosterona, um hormônio que provoca retenção de sal e água. O exercício regular pode ajudar a reduzir os níveis de angiotensina, contribuindo para a diminuição da pressão arterial. A prática regular de exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida, ciclismo ou natação, tem se mostrado bastante eficiente para reduzir a pressão arterial em indivíduos hipertensos. Uma meta-análise onde se analisou 2419 participantes indicou que o exercício pode resultar em uma diminuição de 5 a 7 mmHg na pressão arterial sistólica e diastólica em pessoas com hipertensão (Whelton, 2002) Para termos uma ideia da importância do exercício físico regular para se prevenir e tratar hipertensão, uma das maiores meta-análises publicadas sobre o tema, analisou um total de 5223 pessoas, e o estudo concluiu que o exercício é eficaz para reduzir a pressão arterial e deve ser considerado como uma intervenção não farmacológica para a prevenção e tratamento da hipertensão (Cornelissen e Smart, 2013). 8.3 Prescrição de Exercícios para Hipertensos Como mencionamos brevemente no capítulo 3, no passado se acreditava que exercícios resistidos com pesos não seria bom para um hipertenso praticar, e que exercícios aeróbicos como caminhadas, corridas ou ciclismo seriam os mais benéficos. Porém, recentemente, o treinamento de força entrou nas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. Portanto, sabe-se que os exercícios resistidos trazem tantos benefícios quanto os aeróbicos para essas pessoas. Mas, claro, desde que observemos alguns cuidados: (Barroso et al, 2020) • Antes de tudo, esse seu aluno ou cliente deve passar por um cardiologista, antes de iniciar um programa de treinos, para que ele faça os exames adequados e verifique se ele está apto a fazer exercícios. Se ele estiver em acompanhamento médico, este precisa saber para que possa fazer os ajustes adequados na medicação. • Antes de iniciar cada dia de treinos, verifique como está a pressão de seu aluno ou cliente. Se estiver acima do normal dele, deixe ele relaxar e espere para ver se normaliza. Não inicie atividade física se a pressão dele estiver acima do comum dele. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 89 • Inicie a sessão de exercícios com um breve aquecimento, como uma caminhada leve ou exercícios de mobilidade. • Agora, Inicie gradualmente sempre. Comece com cargas leves. A carga é a última coisa a se preocupar nas primeiras semanas de treino de seu aluno hipertenso. Coloque uma quantidade de carga em que ele consiga executar pelo menos 15 repetições sem grande esforço. À medida em que ele for se adaptando aos exercícios e ganhando força, aumente gradualmente a carga, mas sempre com muito cuidado, sem exageros. • Na execução dos movimentos, principalmente o iniciante, sempre tenha cuidado de não deixar ele executar os movimentos de musculação lentamente. Esse movimento muito lento com carga vai aumentar a pressão dele. • Fique atento para que seu aluno nunca prenda a respiração durante o exercício, pois isso pode aumentar a pressão arterial. Ensine a ele a técnica de respiração correta, exalando quando estiver levantando o peso (fase concêntrica) e inalando quando estiver abaixando (fase excêntrica). • Garanta que está tendo um descanso adequado entre as séries e sessões de treino. O corpo precisa de tempo para se recuperar, e o descanso é crucial para evitar o excesso de treinamento e para regular a pressão arterial. • Fique atento aos sintomas. Se ele sentir tontura, dor no peito, falta de ar ou qualquer outro sintoma incomum, pare imediatamente o exercício e procure atendimento médico. • Mantenha seu aluno hidratado. faça ele beber água antes, durante e após o treino para ajudar na circulação e recuperação muscular. • Evite movimentos bruscos. Realize os movimentos de forma controlada, evitando balançar ou usar impulso. Isso não só evita picos de pressão arterial, mas também minimiza o risco de lesões. • Ao final da sessão, faça um “desaquecimento” com alongamentos e relaxamento para facilitar a recuperação. • É sempre uma boa ideia, por segurança, verificar a pressão de seu aluno novamente após a sessão, para garantir que ela permaneça em níveis seguros. Tenha em mente que durante e após o exercício, é natural a pressão, especialmente a sistólica, estar mais elevada. O problema é a diastólica. Essa não deve se alterar, ou se alterar pouco. Um valor esperado é que esteja abaixo de 100 mmHg). EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 90 Título: Exemplo de aferição de pressão antes da atividade física Fonte: commons.wikimedia.org/wiki/File:Medicao_presssao.jpg A pressão arterial é uma medida dinâmica que varia ao longo do dia, dependendo de diversas situações. Uma dessas situações é a prática de exercícios físicos. Durante e logo após o exercício, é natural e esperado que ocorra uma elevação na pressão arterial. Vamos entender o porquê disso. • Durante o Exercício Quando nos exercitamos, nossos músculos requerem mais oxigênio e nutrientes para sustentar o esforço físico. Para atender a essa demanda, o coração aumenta a frequência e o volume de sangue bombeado a cada batida. Como resultado, a pressão arterial sistólica tende a aumentar. Além disso, o sistema nervoso simpático, que é ativado durante situações de estresse ou esforço, libera hormônios como a adrenalina. Esses hormônios causam a constrição (estreitamento) de algumas artérias menores, o que pode elevar a pressão arterial. • Após o Exercício Curiosamente, após um período de recuperação pós-exercício, muitas pessoas experimentam uma redução temporária na pressão arterial abaixo dos níveis de repouso, conhecida como hipotensão pós-exercício. O mecanismo exato por trás desse fenômeno ainda é objeto de estudo, mas acredita-se que esteja relacionado com a vasodilatação (expansão) das artérias e a melhoria da função vascular. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 91 No entanto, logo após o término do exercício, especialmente se foi intenso, ainda pode haver uma elevação residual da pressão arterial antes que esse efeito de hipotensão se manifeste. Isso ocorre porque o corpo ainda está em um estado de “recuperação ativa”, processando os subprodutos do exercício e regulando o retorno ao estado de repouso. É importante destacar que, enquanto a elevação da pressão arterial durante o exercício é natural e necessária para atender às demandas metabólicas do corpo, os benefícios do exercício regular incluem uma melhoria na regulação da pressão arterial a longo prazo. Pessoas que se exercitam regularmente tendem a ter uma melhor saúde cardiovascular e, muitas vezes, uma pressão arterial média mais baixa em repouso do que aquelas que não praticam atividades físicas. ANOTE ISSO É essencial monitorar a frequência cardíaca (batimentos por minuto do coração) durante o exercício, que deve estar dentro de um certo limite. Este limite é calculado simplesmente fazendo a seguinte conta: 220 - idade. Essa é a fórmula para saber qual afrequência cardíaca máxima que uma pessoa pode ter. Por exemplo, o coração de uma pessoa de 40 anos pode chegar ao máximo a 180 batimentos por minuto. Se você medir os batimentos e der um valor maior que esse, significa que é melhor diminuir ou interromper o exercício, pois o coração está em sobrecarga, e pode estar em risco! No planejamento do exercício, outro aspecto também deve ser considerado: A pressão arterial. A pressão arterial durante o exercício aeróbico não deve exceder 180/105 mmHg. Então, lembre-se: Quando for acompanhar um hipertenso, por exemplo, realizando um exercício em esteira, procure sempre ir acompanhando os batimentos e a pressão arterial. Um detalhe importante: a fórmula 220 - idade não serve para indivíduos hipertensos com cardiopatias, em uso de medicamentos betabloqueadores ou inibidores de canais de cálcio não diidropiridínicos. Na avaliação física, sempre pergunte a medicação que seu aluno está usando. Vamos dar um exemplo. Suponha que temos que acompanhar um indivíduo de 60 anos. Temos então que ficar atendo à frequência cardíaca e à pressão dele: EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 92 1. Fc max = 220 - idade Fc max = 220 - 60 = 160 batimentos por minuto 2. Pressão arterialA medicação mais comum para isso são as Estatinas, mas já faz algum tempo que é demonstrado que as Estatinas podem causar graves efeitos colaterais (Stroes et al, 2015). Isso mostra como o papel do profissional de educação física é crucial para estas pessoas, fornecendo uma alternativa de tratamento para estes indivíduos. 9.1.2 A Hipertrigliceridemia A hipertrigliceridemia é quando os níveis de triglicerídeos no sangue estão elevados. Triglicerídeos são um tipo de gordura encontrada no sangue que o corpo usa para armazenar energia. Embora algum nível de triglicerídeos seja necessário para a saúde, níveis muito altos estão associados a um risco aumentado de doenças cardíacas e outras condições. A hipertrigliceridemia pode ser desencadeada por vários fatores, divididos também em causas primárias (genéticas) e secundárias (relacionadas ao estilo de vida e outras condições médicas) A hipertrigliceridemia primária é uma condição hereditária onde há mutações genéticas que afetam o metabolismo dos triglicerídeos. Já a secundária pode ser causada por uma série de fatores, tais como dieta rica em carboidratos e gorduras, consumo excessivo de álcool, obesidade, tabagismo, diabetes mal controlado, doenças renais, hipotireoidismo e, claro, falta de atividades físicas regulares (Hall; Hall, 2021). Elevações significativas nos níveis de triglicerídeos, particularmente quando muito altas, podem aumentar o risco de várias doenças, principalmente: (Barroso et al., 2020) 1. Doença cardiovascular aterosclerótica: O principal risco associado às dislipidemias é o desenvolvimento de doença cardiovascular aterosclerótica. Como já vimos anteriormente no capítulo 3, as placas de ateroma, formadas por acúmulo de colesterol nas paredes arteriais, podem levar a obstruções, resultando em eventos como infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral (AVC). 2. Pancreatite: Níveis extremamente altos de triglicerídeos podem causar inflamação do pâncreas, levando à pancreatite. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 97 A hipertrigliceridemia é diagnosticada por meio de um exame de sangue chamado perfil lipídico ou painel lipídico. Este teste não apenas mede os triglicerídeos, mas também outros lipídios no sangue, como colesterol total, LDL e HDL. O tratamento para hipertrigliceridemia envolve uma combinação de intervenções no estilo de vida e, se necessário, medicamentos. Portanto, mais uma vez, o papel do profissional de educação física se torna muito importante para o tratamento dessa condição, já que a forma mais eficaz de queimar esse excesso de triglicerídeo no corpo é se exercitando. 9.1.3 A Hipocolesterolemia A hipocolesterolemia refere-se a níveis anormalmente baixos de colesterol no sangue. Pois é, quem diria que ter pouco colesterol no corpo seria um problema não é! Embora a preocupação mais comum em relação ao colesterol seja ele estar alto, o colesterol baixo também pode indicar certos problemas de saúde e até mesmo riscos potenciais, já que o nosso corpo precisa do colesterol para várias funções. Vários fatores ou condições podem resultar em baixos níveis de colesterol (Hall; Hall, 2021): Condições Genéticas: Existem algumas condições hereditárias raras que podem levar à hipocolesterolemia, como a abetalipoproteinemia. Doenças Crônicas: Algumas doenças, como hipertireoidismo, doença hepática crônica e a má nutrição, podem reduzir os níveis de colesterol. Infecções: Algumas infecções graves, como a tuberculose, podem resultar em níveis baixos de colesterol. Uso de Medicamentos: Certos medicamentos, particularmente aqueles usados para reduzir o colesterol, como estatinas ou sequestradores de ácidos biliares, podem diminuir demasiadamente os níveis de colesterol em algumas pessoas. Há outras causas mais raras, como Gravidez, estresse crônico, traumas ou cirurgias maiores e queimaduras, que também podem resultar em baixos níveis de colesterol. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 98 Embora níveis elevados de colesterol sejam frequentemente associados a doenças cardíacas, níveis extremamente baixos de colesterol também podem trazer preocupações, tais como: • Saúde Mental: Já faz um bom tempo que estudos têm mostrado que níveis muito baixos de colesterol podem estar associados a um risco maior de depressão, ansiedade e até comportamentos suicidas. O cérebro necessita de colesterol para funcionar adequadamente, e níveis insuficientes podem afetar a saúde mental (Engerberg, 1992). • Hemorragia Cerebral: A hipocolesterolemia pode estar associada a um risco elevado de hemorragias cerebrais. • Complicações na Gravidez: Baixos níveis de colesterol durante a gravidez podem estar associados a um risco aumentado de parto prematuro. Assim como nas outras dislipidemias, o diagnóstico é feito por meio de um exame de sangue. O tratamento da hipocolesterolemia se concentra principalmente na identificação e tratamento da causa subjacente. Se estiver relacionado a uma medicação, por exemplo, pode ser necessário ajustar a dose ou trocar o medicamento. Se estiver relacionado a uma doença crônica, o tratamento dessa condição pode resolver o problema. Em alguns casos, podem ser necessárias intervenções dietéticas para aumentar a ingestão de colesterol e gorduras saudáveis (Hall; Hall, 2021). 9.2 Benefícios do Exercício na Prevenção e Tratamento de Dislipidemias A boa notícia é que a prática regular de atividades físicas atua positivamente em todos os tipos de dislipidemia. Como vimos agora a pouco, manejar e tratar dislipidemias é essencial para a saúde. Por isso que a prática regular de exercícios é muito importante, e tem demonstrado cada vez mais ser uma ferramenta valiosa tanto na prevenção quanto no tratamento destes desequilíbrios lipídicos. Vamos dar uma analisada aonde que o exercício físico consegue atuar, para melhorar essa condição: (Mann et al., 2014) 1. Aumento do HDL-Colesterol: Como já vimos, o HDL colesterol é frequentemente referido como o colesterol “bom” porque ajuda a remover o colesterol LDL da corrente sanguínea. Veja que legal: o exercício aeróbico regular pode aumentar os níveis de HDL EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 99 em indivíduos com dislipidemia. Especificamente, atividades como caminhar, correr ou andar de bicicleta têm demonstrado ser eficazes neste sentido. 2. Redução do LDL-Colesterol e Triglicerídeos: A atividade física regular também pode reduzir os níveis de LDL colesterol e triglicerídeos no sangue. Embora a magnitude da redução possa variar entre os indivíduos, uma combinação de exercício aeróbico com treinamento de resistência tem mostrado ser particularmente eficaz. No próximo tópico falaremos mais sobre os tipos de exercícios. 3. Melhoria da Função Endotelial: O endotélio é uma camada de células que reveste o interior dos nossos vasos sanguíneos. A função endotelial prejudicada é um precursor da aterosclerose. O exercício melhora a função endotelial, o que pode ajudar a prevenir o desenvolvimento ou a progressão da aterosclerose em indivíduos com dislipidemia. Título: Ilustração do endotélio capilar Fonte: commons.wikimedia.org/wiki/File:2614_Fenestrated_Capillary_esp.jpg 4. Redução da Inflamação: A inflamação crônica desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de placas ateroscleróticas. O exercício regular tem propriedades anti-inflamatórias que podem ajudar a suavizar este processo. 5. Efeitos Sistêmicos Benéficos: Além dos efeitos diretos sobre os lipídios sanguíneos, o exercício também promove uma série de outros benefícios que são favoráveis para a saúde cardiovascular. Estes EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 100 incluem melhor controle glicêmico, prevenindo a diabetes,redução da pressão arterial, aumento da sensibilidade à insulina e redução da gordura corporal (Wang, 2017; Mann, 2014). Em uma revisão sistemática publicada no “Journal of the American College of Cardiology”, Thompson e colaboradores (2003) pesquisaram as respostas lipídicas ao exercício, e concluíram que o exercício físico regular produz benefícios cardiovasculares por meio de vários mecanismos, incluindo modificações no perfil lipídico. É bom ressaltar que o exercício ajuda a controlar as dislipidemias, mas a melhor abordagem geralmente combina atividade física, boa alimentação e, em casos mais graves, medicamentos. 9.3 Tipos de Exercício na Prevenção e Tratamento de Dislipidemias As pessoas que têm algum tipo de dislipidemia se beneficiam com qualquer tipo de exercício. Mas, será que exercícios aeróbicos são melhores para estes casos? ou exercícios resistidos são melhores? Cada um tem as suas vantagens. Vamos ver as diferenças entre estes dois tipos de exercício. 9.3.1 Exercícios Aeróbicos na Prevenção e Tratamento de Dislipidemias Para relembrarmos, os exercícios aeróbicos são aqueles que são realizados continuamente, com maior duração e menor intensidade, tais como corridas, caminhadas e ciclismo. Durante esse tipo de atividade, há um aumento contínuo na demanda de oxigênio, e isso faz com que aconteça uma respiração mais profunda e frequente, e também uma frequência cardíaca maior para manter a atividade. Exercícios aeróbicos têm sido apontados como uma poderosa ferramenta para prevenir ou tratar dislipidemias Os exercícios aeróbicos promovem vários efeitos para tratar dislipidemias. Vamos ver os principais mecanismos: (Wang; Xu, 2017; Kraus et al., 2002) • O exercício aeróbico regular aumenta a atividade da enzima lipoproteína lipase, que é essencial para metabolizar triglicerídeos circulantes e aumentar os níveis de HDL. Esta enzima promove a remoção de partículas de LDL menores e mais densas, que são particularmente aterogênicas. • Durante o exercício aeróbico, há um aumento na mobilização de ácidos graxos dos depósitos de gordura, o que vai levar a uma diminuição desses triglicerídeos que estão circulando no sangue. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 101 • Exercícios aeróbicos, especialmente quando combinados com restrição calórica, podem reduzir a gordura corporal. Essa adiposidade, especialmente a gordura visceral, está associada ao desenvolvimento de dislipidemias e resistência à insulina Título: Mulher fazendo exercício aeróbico na esteira ergométrica Fonte: www.pexels.com/pt-br/foto/mulher-de-casaco-azul-sentada-na- cadeira-preta-6455941/ Para efeitos benéficos sobre o perfil lipídico, recomenda-se um mínimo de 30 minutos de atividade aeróbica de intensidade moderada na maioria dos dias da semana, totalizando cerca de 150 minutos por semana. Quando seu cliente aluno já estiver acostumado com essa intensidade, você pode aumentá-la gradualmente, que terá ainda mais benefícios. Variações nos tipos de exercício aeróbico (como corrida, natação ou ciclismo) não parecem fazer muita diferença em termos de impacto sobre as dislipidemias, então a escolha pode ser baseada na preferência pessoal e na saúde articular do indivíduo. Como conversamos antes, se o seu aluno for obeso, deixe para fazer corridas somente quando os membros inferiores dele estiverem mais fortalecidos (Wang, 2017; Mann, 2014). 9.3.2 Exercícios Resistidos na Prevenção e Tratamento de Dislipidemias Os exercícios resistidos, mais conhecidos como treinamento de força ou musculação, têm sido reconhecidos não apenas por sua eficácia no aumento da força muscular EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 102 e da massa magra, mas também por seus benefícios metabólicos e na prevenção e tratamento das dislipidemias. Portanto, para quem tem dislipidemia a musculação é uma alternativa interessante. Mas como exercícios de força podem melhorar o perfil lipídico dessas pessoas? Os exercícios resistidos promovem uma série de adaptações musculares e metabólicas. Durante o treinamento de força, os músculos recrutam uma quantidade significativa de fibras musculares, incluindo fibras de contração rápida, que são metabolicamente ativas e sensíveis à insulina (Mann et al., 2014). Isso, por sua vez, pode melhorar a captação de glicose e a sensibilidade à insulina, resultando em melhorias no metabolismo lipídico. Título: Mulher fazendo exercício resistido Fonte: www.pexels.com/pt-br/foto/ativo-movimentado-cabelo-trancado -concentracao-8846565/ Vários estudos têm demonstrado os benefícios dos exercícios resistidos no perfil lipídico. Um estudo conduzido por Wang e colaboradores (2017) revelou que o treinamento resistido realizado regularmente pode reduzir os níveis de LDL (colesterol ruim) e aumentar o HDL (colesterol bom). Da mesma forma, os triglicerídeos, outro fator de risco para doenças cardiovasculares, também podem ser reduzidos através do treinamento de força. Além disso, a combinação de exercícios aeróbicos e resistidos mostrou ser particularmente eficaz. No estudo de Mann (2014), foi demonstrado que a combinação EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 103 de ambos os tipos de exercícios oferece benefícios superiores na melhoria do perfil lipídico em comparação com qualquer forma de exercício realizada isoladamente. Para obter os benefícios do treinamento resistido na prevenção e tratamento de dislipidemias, é recomendado que os indivíduos realizem exercícios para os principais grupos musculares pelo menos duas vezes por semana, com uma intensidade que varia de moderada a vigorosa. Também é essencial garantir uma técnica adequada para evitar lesões (Wang, 2017; Mann, 2014). ANOTE ISSO Por mais que exista alguns exercícios melhores do que outros, todos têm os seus benefícios, então algumas vezes é melhor priorizar um tipo de exercício que seu cliente gosta, pois as chances de ele permanecer nesta rotina de exercícios serão maiores. É comum as pessoas desistirem de fazer exercícios por estarem fazendo alguma atividade que não gostam. Lembre-se que a natureza benéfica do exercício sobre os lipídios sanguíneos são melhores atingidos em um plano de exercícios a longo prazo. Portanto, a consistência na prática é vital para as melhorias serem alcançadas. Toda essa coletânea de estudos parece ter um denominador comum, que é sempre bom termos em mente: Exercícios aeróbicos são mais eficazes para aumentar o HDL, e a musculação é mais eficaz para reduzir o LDL. Por isso, é interessante sempre o profissional de educação física observar algum exame de sangue que seu aluno tiver, para você poder indicar qual o melhor tipo de atividade para ele fazer. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 104 CAPÍTULO 10 GESTANTES E EXERCÍCIO A jornada da maternidade é repleta de transformações físicas, emocionais e espirituais que acompanham a formação de uma nova vida. Nesse período, as gestantes embarcam em uma aventura única, repleta de desafios e momentos de descoberta. No entanto, em meio a todas essas mudanças, muitas grávidas sempre se perguntam: como o exercício se encaixa nesse cenário? Será que eu posso começar ou continuar a praticar os meus exercícios? Neste capítulo, vamos abordar sobre gestantes e exercícios, conhecer os cuidados, as precauções e os benefícios que essa relação pode proporcionar. À medida que desvendamos estes conhecimentos, é importante lembrar que cada gestação é única, e a busca pelo bem-estar físico e emocional é uma prioridade constante. 10.1 Caracterização dos Padrões Morfo-funcionais na Gestação A gravidez é um período de mudanças fisiológicas complexas e adaptativas que ocorrem no corpo da mulher para acomodar o desenvolvimentodo feto. Qual mulher não se assusta com tantas mudanças em seu corpo, não é mesmo? Todas essas mudanças abrangem vários sistemas do organismo, e elas são necessárias para garantir o sucesso da gestação, bem como o bem-estar da mãe e do bebê. Nesse caso, entender como o corpo muda durante a gravidez é muito importante para saber como cuidar bem da mãe e do bebê. Isso inclui planejar exercícios que sejam seguros e façam bem. A gravidez traz diversas alterações na fisiologia da mulher. Os principais sistema que sofrem alterações são: (Cunningham et al, 2013) • Sistema Cardiovascular: Enquanto a mulher está grávida, o coração e os vasos sanguíneos se adaptam para cuidar do bebê em crescimento. O corpo aumenta a quantidade de sangue, e o coração bate mais vezes por minuto, mesmo quando a mãe está descansando. Mais sangue é produzido, o que faz aumentar o número de células vermelhas no sangue. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 105 Essas mudanças são muito importantes para garantir que tanto a mãe quanto o bebê recebam oxigênio e nutrientes suficientes. • Sistema Respiratório: O sistema respiratório também passa por alterações para acomodar a gestação. Os pulmões conseguem guardar mais ar conforme o útero cresce e empurra o diafragma e os pulmões. A mulher grávida respira mais vezes e usa mais oxigênio para suprir as necessidades do corpo que está trabalhando mais. Essas mudanças ajudam a garantir que, tanto a mãe quanto o bebê, recebam oxigênio suficiente. • Sistema Musculoesquelético: O sistema musculoesquelético é afetado pela gravidez de várias maneiras. O ganho de peso e o deslocamento do centro de gravidade podem levar a mudanças posturais, o que, por sua vez, pode contribuir para dores nas costas e desconfortos. É comum mamães grávidas reclamarem de dor nas costas, não é? A produção de relaxina e progesterona afrouxa as articulações, preparando o corpo para o parto, mas também pode aumentar o risco de lesões musculares. • Metabolismo e Sistema Endócrino: O metabolismo materno também sofre ajustes durante a gestação. Lembra que no capítulo 7 conversamos sobre a diabetes gestacional? Então, ela é mais uma das alterações necessárias, pois esse aumento da resistência à insulina acontece para garantir que nutrientes suficientes alcancem o feto. Interessante não? Além disso, hormônios como o lactogênio placentário influenciam o metabolismo e o armazenamento de energia. Essas mudanças servem para sustentar o crescimento fetal e fornecer reservas para a lactação. • Sistema Gastrointestinal e Urinário: Conforme o útero do bebê cresce, ele pressiona os órgãos do sistema digestivo, podendo causar problemas como azia e dificuldade para ir ao banheiro. Além disso, mais sangue vai para os rins, o que faz com que eles filtrem mais o sangue e produzam mais urina. Isso é importante para ajudar o corpo da mãe a eliminar as substâncias que o bebê em crescimento produz. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 106 Título: Mulher gestante Fonte:revistaoeste.com/brasil/stj-nega-aborto-de-gemeos-siameses-por-gravidez-de-risco-da-mae/ Em resumo, a gestação é um período marcado por uma série de adaptações morfofuncionais para acomodar as necessidades do feto em crescimento e garantir a saúde da mãe. Compreender essas mudanças é essencial para o planejamento de cuidados pré-natais adequados, incluindo a recomendação de exercícios físicos seguros e benéficos. A seguir, vamos explorar detalhes como o exercício pode ser incorporado de maneira saudável durante a gestação, levando em consideração as transformações morfofuncionais únicas desse período. 10.2 Benefícios do Exercício Durante a Gestação O exercício físico é uma prática que traz uma série de vantagens para a saúde em todas as fases da vida, e a gestação não é diferente. Claro que há uma necessidade de precaução adicional devido às mudanças fisiológicas que ocorrem durante esse período, a prática de exercícios bem orientados pode trazer benefícios significativos, tanto para a mamãe quanto para o feto. Vamos explorar alguns dos benefícios que o exercício pode oferecer durante a gestação e entender como ele pode ser incorporado de maneira segura e eficaz. 10.2.1 Controle do Peso Durante a Gestação O ganho de peso saudável é uma parte natural da gravidez, mas o excesso de ganho pode aumentar os riscos para a mãe e o bebê. Por isso, o controle adequado do peso corporal é importante durante a gravidez, afetando tanto a saúde da mãe quanto o EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 107 desenvolvimento saudável do bebê. O exercício se destaca como uma ferramenta valiosa para auxiliar no gerenciamento do peso durante esse período. Vamos explorar os benefícios específicos que o exercício oferece para controlar o ganho de peso durante a gestação: (American College of Obstetricians and Gynecologists, 2020) • A prática regular de exercícios pode ajudar a manter o metabolismo funcionando eficientemente. Isso significa que o corpo queima calorias de maneira mais eficaz, contribuindo para um equilíbrio entre a ingestão de calorias e o gasto energético. Isso é particularmente relevante durante a gravidez, quando as necessidades calóricas aumentam, mas é importante evitar ganhos excessivos de peso. • O exercício físico consome energia, e essa energia vem das calorias armazenadas no corpo. Quando a gestante se engaja em atividades físicas, ela está queimando calorias adicionais. Isso é benéfico para evitar ganhos excessivos de peso e contribuir para um ganho de peso saudável ao longo da gravidez. • O exercício, especialmente o treinamento resistido, pode ajudar a preservar a massa muscular durante a gestação. Isso é importante porque a massa muscular tem um metabolismo mais ativo em comparação com a gordura, o que significa que ela queima mais calorias mesmo em repouso. A manutenção da massa muscular pode ajudar a controlar o ganho de peso e a evitar o acúmulo excessivo de gordura. • O exercício regular pode melhorar a sensibilidade à insulina, o que ajuda o corpo a utilizar melhor a glicose (açúcar) no sangue. Isso é relevante, pois algumas gestantes podem desenvolver resistência à insulina, o que pode contribuir para o ganho excessivo de peso. Melhorar a sensibilidade à insulina pode ajudar a regular os níveis de açúcar no sangue e influenciar positivamente o controle do peso. • O exercício não apenas tem impacto físico, mas também influencia o bem-estar mental. A gravidez pode ser emocionalmente desafiadora, e o exercício libera endorfinas, que são associadas ao bom humor. Isso pode reduzir o estresse e evitar que a gestante recorra à comida como uma maneira de lidar com emoções, contribuindo indiretamente para o controle do peso. 10.2.2 Melhora do Sistema Cardiovascular da Gestante Durante a gestação, as mudanças fisiológicas que ocorrem no corpo podem impactar o sistema cardiovascular. O exercício regular se apresenta como uma ferramenta EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 108 valiosa para melhorar a capacidade cardiovascular das gestantes, oferecendo uma série de benefícios significativos. Vamos ver como o exercício pode contribuir para a melhoria do sistema cardiovascular da gestante: (American College of Obstetricians and Gynecologists, 2020) Fortalecimento do Coração da gestante: O exercício aeróbico, como caminhadas, natação e ciclismo leve, é conhecido por fortalecer o músculo cardíaco. À medida que o coração se fortalece, ele é capaz de bombear mais sangue com cada batida, o que ajuda a melhorar a eficiência do sistema circulatório. Isso é especialmente benéfico durante a gravidez, quando o volume sanguíneo aumenta para atender às demandas do feto em crescimento.Aumento da Capacidade Pulmonar da gestante: O exercício aeróbico também trabalha os pulmões, aumentando sua capacidade. Isso é útil para enfrentar as mudanças no sistema respiratório que ocorrem durante a gestação, como a necessidade de mais oxigênio para a mãe e o bebê. Uma maior capacidade pulmonar auxilia na troca eficiente de oxigênio e dióxido de carbono, contribuindo para o bem-estar geral. Título: Gestante se exercitando com orientação de um personal Fonte: www.flickr.com/photos/agenciasenado/25788762226/in/photostream/ Melhoria na Circulação Sanguínea da gestante: O exercício regular melhora a circulação sanguínea, o que é vital para garantir que o oxigênio e os nutrientes sejam entregues de forma eficaz às células do corpo, incluindo EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 109 as do bebê em desenvolvimento. Uma circulação sanguínea saudável também ajuda a reduzir o risco de inchaço e varizes, que são comuns durante a gravidez. Redução da Fadiga e Aumento da Energia: O exercício cardiovascular regular pode ajudar a reduzir a sensação de fadiga que muitas gestantes enfrentam. Isso ocorre porque o coração se torna mais eficiente em fornecer oxigênio e nutrientes para as células, o que pode aumentar os níveis de energia e melhorar o estado de alerta. 10.2.3 Redução do Desconforto e das Dores A gestação é uma jornada emocionante, mas também pode trazer desconfortos físicos, como dores nas costas, inchaço e cãibras. O exercício regular oferece uma maneira natural e eficaz de reduzir esses desconfortos, proporcionando alívio para as gestantes. Vamos ver como o exercício pode ser um aliado na redução do desconforto e das dores durante a gravidez: (American College of Obstetricians and Gynecologists, 2020; Pritchett et al., 2017) O exercício focado no fortalecimento muscular pode ajudar a melhorar a postura e aliviar as dores nas costas. Os músculos que sustentam a coluna e a região lombar podem ser fortalecidos por meio de exercícios específicos, reduzindo a pressão sobre a coluna vertebral e aliviando o desconforto. Atividades de alongamento suave podem aumentar a flexibilidade muscular e a amplitude de movimento das articulações. Isso é benéfico para aliviar a tensão muscular e melhorar a mobilidade, o que pode aliviar desconfortos associados à rigidez. Sabe aquele inchaço que muitas grávidas têm, especialmente nas pernas e pés? Isso é um sintoma comum durante a gravidez devido ao aumento do volume sanguíneo e às mudanças na circulação. O exercício ajuda a promover a circulação sanguínea, o que pode reduzir o acúmulo de líquidos nas extremidades e minimizar o inchaço. Cãibras musculares também podem ocorrer durante a gestação devido às mudanças nos níveis de nutrientes e fluidos no corpo. A prática de exercícios ajuda a manter o fluxo sanguíneo adequado para os músculos, contribuindo para reduzir as chances de cãibras. Um outro benefício muito interessante do exercício para gestantes é que ele estimula a liberação de endorfinas, substâncias químicas associadas à sensação de bem-estar e prazer. Essas endorfinas podem atuar como analgésicos naturais, proporcionando EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 110 alívio temporário das dores que gestantes costumam ter. Além disso, a redução do estresse promovida pelo exercício pode contribuir para um alívio geral dos desconfortos. A gravidez pode ser acompanhada de variações emocionais. O exercício não apenas oferece alívio físico, mas também ajuda a melhorar o equilíbrio emocional. A sensação de conquista após a prática de exercícios pode aumentar a autoestima e o humor, influenciando positivamente a percepção dos desconfortos. 10.2.4 Melhora do Humor e do Bem-Estar Mental A gestação traz consigo uma montanha-russa de hormônios que podem influenciar o humor e a saúde mental. O exercício durante a gravidez traz uma série de benefícios para o humor e o bem-estar mental das gestantes. Como mencionamos anteriormente, ele estimula a liberação de endorfinas, melhorando o estresse e a ansiedade e, além disso, o exercício proporciona um senso de realização, melhora a autoimagem e ajuda a aliviar as flutuações emocionais comuns na gravidez. Você já ouviu falar em depressão pós-parto? É quando algumas mães têm sentimentos intensos de tristeza, desesperança, fadiga e falta de interesse nas atividades cotidianas. Elas podem perder o interesse em coisas que antes gostavam de fazer. Isso pode tornar difícil cuidar delas mesmas e do bebê. Os efeitos benéficos do exercício físico podem ajudar nessa parte também. Para termos uma ideia de como o exercício regular traz melhoras na saúde mental de gestantes, uma revisão de literatura sobre o assunto foi feita por Pritchett e colaboradores, em 2017. A coletânea dos estudos somaram um total de 1734 gestantes analisadas, e este levantamento conseguiu demonstrar a eficácia de exercícios aeróbicos na redução dos sintomas depressivos pós-parto. 10.2.5 Preparação Para o Parto A preparação para o parto engloba uma variedade de exercícios e técnicas que visam fortalecer e preparar o corpo da mulher para o processo de parto e também para a recuperação pós-parto. Os exercícios mais indicados para preparar a futura mamãe para o parto inclui exercícios que visam fortalecer grupos musculares específicos, como os músculos do assoalho pélvico e abdominais. Um assoalho pélvico forte é essencial para dar suporte ao útero, bexiga e intestinos, além de ajudar no controle da bexiga e do intestino. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 111 Mas quais exercícios trabalham essas porções do corpo? Existem algumas formas. Uma forma simples é fazer aquela contração de quem está tentando segurar a vontade de urinar. Essa contração trabalha os músculos do assoalho pélvico. Uma boa sugestão de uma sessão de fortalecimento com esse método seria: • Peça para sua aluna ou cliente gestante sentar-se em uma cadeira. • Fale para ela imaginar que está no banheiro e precisa segurar a urina, contraindo os músculos do assoalho pélvico • Mantenha a contração por 3 a 5 segundos. • Relaxe os músculos por 3 a 5 segundos. • Repita o processo 10 a 15 vezes. Peça para ela ficar atenta para não contrair o abdome no lugar. Outros exercícios muito eficientes para o assoalho pélvico são o agachamento e a elevação pélvica. Título: Gestante realizando agachamento Título: Gestante realizando elevação pélvica Fonte: www.istockphoto.com/br/foto/mulher-grávida-exercício-de-agachamento-gm697484884-129181219 Fonte: www.unimed.coop.br/viver-bem/pais-e-filhos/exercicios-fisicos-para-gestantes-sera-que-pode- Note que a elevação pélvica não deve ser adicionado pesos, pois realizar exercícios um pouco mais pesados na posição deitada é bom serem evitados após o primeiro trimestre, já que isso pode comprimir uma importante veia que retorna o sangue ao coração, podendo causar tonturas e desconforto. Para o abdome, o mais indicado para as grávidas é a prancha. Abdominais tradicionais não são recomendados após o primeiro trimestre da gravidez, pois o movimento pode comprimir a barriga. Quando a barriga da mamãe estiver maior, realize a prancha com os braços esticados. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 112 Título: gestante realizando prancha com braços esticados Fonte: br.freepik.com/fotos-premium/mulher-gravida-com-uma-barriga-faz-ioga-em-pe-em-uma-prancha-deitada_43383308.htm Pode ser uma boa idéia fazer um trabalho de fortalecimento da musculatura das costas também, pois à medida que a barriga da mamãe cresce, a sobrecarga na coluna e nas costas vão ficando maiores. Então é bom a futura mamãe já estar com a musculatura das costas fortalecidae preparada, para ela não sofrer com dores na coluna e nas costas nesse período. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Apesar de todos os benefícios comprovados sobre a prática de exercícios físicos na gravidez, é comum muitas mulheres, quando descobrem que estão grávidas, desejarem mudar radicalmente sua vida e, uma dessas mudanças, paradoxalmente, é parar de fazer as atividades físicas que já estavam acostumadas a fazer, quase sempre, por medo. Ainda existem pessoas que acham que fazer uma academia, por exemplo, enquanto está grávida, pode trazer riscos ao bebê. Algumas vezes é por terem ouvido alguma orientação antiga, outras vezes é por falta de conhecimento. Por isso, o profissional de educação física deve sempre divulgar e falar dos benefícios que a atividade física trará, tanto para a mamãe quanto para o bebê, e sempre que você encontrar algum aluno que queira parar de treinar quando descobrir que está grávida, explique para ela todos os benefícios, encoraje-a a procurar bastante informações atualizadas sobre exercícios e gravidez, desde que sempre realize exercícios prescritos e supervisionados por um profissional. 10.3 Riscos e Precauções do Exercício Durante a Gestação Exercícios durante a gestação podem ser benéficos para a saúde da mãe e do bebê, promovendo uma gravidez mais saudável e preparando o corpo para o parto. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 113 No entanto, é importante praticar atividades físicas com cautela e seguir algumas precauções para garantir a segurança durante esse período especial. Durante a gestação, o corpo passa por várias mudanças hormonais e físicas que podem aumentar o risco de lesões musculares e articulares. Tome sempre cuidado com exercícios extenuantes. Estes podem levar a um aumento da temperatura corporal da mãe, o que pode afetar o desenvolvimento do feto. Em casos de gravidez de alto risco ou condições médicas preexistentes, como pressão alta ou diabetes gestacional, o exercício inadequado pode agravar essas condições. Então, durante a gestação, a mulher já está lidando com mudanças físicas e hormonais que podem causar fadiga e desconforto. Exercícios intensos podem aumentar esses sintomas. Antes de iniciar qualquer programa de exercícios, é essencial obter aprovação do médico que está acompanhando a gestação. O profissional poderá avaliar a saúde da mãe e indicar se atividades físicas serão seguras. Título: Gestante fazendo acompanhamento médico Fonte: www.pmvc.ba.gov.br/hospital-municipal-esau-matos-oferece-atendimento-especial-para-jovens-maes/ Sempre opte por atividades de baixo impacto. A musculação é um dos melhores tipos de exercício para gestantes, desde que sempre prescritos e supervisionados por um profissional, e que a quantidade de carga não seja muito alta. Como falamos anteriormente, evite exercícios deitados que tenham que levantar carga, como o supino, por exemplo. Evite exercícios que envolvam saltos, movimentos bruscos ou riscos de quedas. Uma gestante andar de bicicleta, por exemplo, é altamente desaconselhável, pois e se a mamãe cair da bicicleta? É um alto risco para o bebê. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 114 Durante qualquer exercício, procure manter sua aluna ou cliente gestante sempre bem hidratada, para evitar o aumento excessivo da temperatura corporal. É sempre bom estar atento aos sinais do corpo dela. Se ela sentir tonturas, falta de ar, dor abdominal, sangramento vaginal ou contrações, pare o exercício imediatamente e procure assistência médica. Por fim, lembre-se sempre que este período de gestação não é hora da futura mamãe “evoluir” no treino. Os exercícios agora são para a saúde da mamãe e do bebê. Evite exercícios de alta intensidade e treinamento de força que causem excesso de esforço. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 115 CAPÍTULO 11 O ENVELHECIMENTO O envelhecimento é um processo universal e inevitável, uma jornada que todos nós empreendemos desde o momento do nosso nascimento. O envelhecimento é um fato que todo mundo encara, desde que a gente nasce até o fim da vida. É aquele processo natural que mexe com tudo na vida da gente. Mas olha só, mesmo sendo algo que acontece com todo mundo, muita gente ainda evita falar sobre isso ou fica com medo, não curte muito encarar o assunto de frente. Neste capítulo, a ideia é ir fundo nas várias partes do envelhecimento, e compreender melhor alguns aspectos disso. De acordo com o IBGE (2021), o número de pessoas com 60 anos ou mais de idade no país era de 32,9 milhões, o que representava 14,7% da população brasileira. Esse número representa um aumento de 7,6% em relação a 2012, quando o número de idosos era de 29,3 milhões. A expectativa é que esse número continue crescendo nos próximos anos. De acordo com projeções do IBGE, a população idosa brasileira deve chegar a 45,3 milhões em 2030 e 65,2 milhões em 2050. Esse aumento é resultado de uma série de fatores, incluindo o aumento da expectativa de vida, a queda da taxa de natalidade e a migração das pessoas para as cidades. Portanto, o número de idosos praticantes de atividades físicas tende a crescer cada vez mais. Este é um mercado em crescimento para o profissional de educação física. Isso faz com que seja tão importante compreender e saber trabalhar com essa população. 11.1 Caracterização do Envelhecimento À medida que envelhecemos, várias mudanças em nossa mente e corpo podem ser notadas. Algumas dessas mudanças são normais e esperadas, enquanto outras podem ser influenciadas pelo ambiente em que vivemos e pelo nosso estilo de vida. O cabelo pode ficar grisalho e fino, a pele pode perder elasticidade e rugas podem aparecer. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 116 A perda de massa muscular faz com que os idosos fiquem mais fracos, e eles podem também diminuir um pouco a estatura devido a problemas na coluna ou arcos caídos. Muitos idosos usam próteses, como perucas e dentes postiços. Além disso, algumas mudanças fisiológicas se tornam evidentes à medida que envelhecemos. Alterações hormonais, como a menopausa, podem afetar o corpo, aumentando a chance de problemas como a osteoporose. O diabetes tipo 2 também pode aparecer devido a mudanças nos hormônios ou na sensibilidade do corpo à insulina. Algumas doenças, como diferentes estágios de demência, podem estar ligadas a estímulos bioquímicos ou fisiológicos. Em resumo, o envelhecimento traz diversas transformações, algumas normais e outras não, que afetam tanto a mente quanto o corpo (Taylor; Johnson, 2015). Uma pergunta que ainda não tem resposta certa é: “Será que as mudanças no nosso corpo quando envelhecemos são por causa da idade que a gente tem? ou por causa do estilo de vida? Se for por ambos, qual é o mais relevante? Bem, uma resposta que a ciência já tem é que o estilo de vida reflete muito no processo de envelhecimento. No capítulo 12 veremos diversos estudos demonstrando isso. Quando será que a gente realmente começa a envelhecer? Existem várias explicações diferentes, umas religiosas e outras científicas. Na verdade, o envelhecimento começa desde que a gente é concebido e continua acontecendo durante toda a vida. E quando será que paramos de envelhecer? Infelizmente só quando a gente morre. Entre esses dois pontos, o envelhecimento continua. Título: Casal de idosos Fonte: www.pexels.com/pt-br/foto/homem-e-mulher-sorrindo-vestindo-jaquetas-1642883/ EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 117 De acordo com uma ideia chamada de “hipótese fisiológica do envelhecimento”, o processo de ficar mais velho acontece até o ponto em que o corpo não consegue mais manter tudo funcionandobem para as células viverem. O envelhecimento também é afetado por doenças e pelo fato de não usarmos algumas partes do nosso corpo. A função do corpo vai ficando comprometida, a gente perde algumas das nossas habilidades e, eventualmente, a gente morre. 11.2 Teorias do Envelhecimento O processo de envelhecimento ainda não está 100% esclarecido para a ciência, mas existem algumas teorias que explicam o que acontece: (Taylor, Johnson, 2015) 1. Teoria do desgaste: O corpo humano é como uma máquina. Com o uso contínuo, as peças começam a se desgastar e a perder a capacidade de funcionar. A teoria do desgaste afirma que o envelhecimento é causado por esse desgaste. As partes do corpo, como as células, os órgãos e os tecidos, sofrem danos ao longo da vida. Esses danos podem ser causados por fatores internos, como o metabolismo celular, ou por fatores externos, como a poluição, a radiação e o trauma. À medida que as células e os tecidos se desgastam, eles perdem a capacidade de se reparar. Isso leva a problemas de saúde, como doenças cardíacas e câncer 2. Teoria da genética: Os genes são responsáveis por tudo no nosso corpo, incluindo o envelhecimento. As teorias genéticas do envelhecimento afirmam que os genes determinam quando e como nós envelhecemos, como se já tivesse programado neles como será nosso ciclo de vida. Essas teorias sugerem que as células têm um relógio biológico que conta o tempo até que elas morram. Quando as células morrem, elas não são substituídas tão rapidamente quanto antes. Isso leva a uma diminuição na função dos órgãos e tecidos, o que pode levar a problemas de saúde. Alguns exemplos de genes que podem estar envolvidos no envelhecimento incluem: • Genes que controlam o crescimento e a morte celular; • Genes que controlam a reparação do DNA; • Genes que controlam o metabolismo. 3. Teoria do mau funcionamento: O envelhecimento não é somente físico, mas também biológico. Essa teoria diz que o envelhecimento é causado por falhas EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 118 nos sistemas biológicos do corpo, como o cérebro, as glândulas endócrinas (aquelas que produzem hormônios) e o sistema imunológico. Por exemplo, quando um idoso contrai alguma doença, seria por causa do mau funcionamento de seu sistema imunológico. Quando ele começa a não conseguir aprender coisas novas tão bem como antes, seria por um mau funcionamento e falhas do seu cérebro 4. Teoria do acúmulo: O corpo humano está constantemente produzindo resíduos. Essa teoria afirma que o envelhecimento é causado pelo acúmulo desses resíduos no corpo. Esses resíduos podem ser produzidos pelo metabolismo celular, por fatores ambientais ou por uma combinação dos dois. Alguns exemplos de resíduos que podem danificar o organismo e acelerar o processo de envelhecimento são: (Taylor, Johnson, 2015) • Lipofucina: Uma substância que se acumula nas células com o envelhecimento. • Radicais livres: Moléculas instáveis que podem danificar as células, que podem ir se acumulando com o passar dos anos. • Metais pesados: Chumbo, mercúrio e cádmio podem ser encontrados no meio ambiente, na água e nos alimentos. Eles são tóxicos para o corpo e podem causar danos ao sistema nervoso, aos rins e ao fígado • Pesticidas: Os pesticidas são substâncias químicas usadas para controlar pragas. Eles podem ser encontrados em alimentos, água e no ar. Os pesticidas podem causar câncer e diversos outros danos ao organismo. 5. Teoria do encurtamento dos telômeros: Os telômeros são como as pontinhas dos nossos cromossomos do nosso DNA, que são como manuais de instruções para as células do nosso corpo. Quando as células se dividem, esses telômeros encurtam um pouco. Esse encurtamento está ligado ao envelhecimento das células. Quando os telômeros ficam muito curtos, as células podem parar de funcionar direito ou até morrer. Isso faz com que os tecidos e órgãos do corpo também funcionem menos bem, o que é uma parte do envelhecimento. Além disso, ter telômeros muito curtos também pode deixar nosso corpo mais suscetível a doenças como problemas do coração, diabetes e alguns tipos de câncer, que são mais comuns quando ficamos mais velhos (Sahin, Depinho, 2010). EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 119 Título: Ilustração de um cromossomo e seus telômeros Fonte: ww.istockphoto.com/br/vetor/dna-e-cromossomos-telômero-gm961320764-262510526 É importante destacar aqui que todos esses fenômenos não acontecem igual para todos. Tudo isso é influenciado pela forma que vivemos no dia a dia e como cuidamos de nós mesmos, que também têm um papel importante no envelhecimento. 11.3 Mecanismos Patológicos do Envelhecimento A homeostasia é um termo que significa manter nossas condições internas estáveis e equilibradas (como a temperatura do corpo e o equilíbrio químico do sangue) mesmo quando o ambiente muda, como quando fazemos exercícios. À medida que envelhecemos, demoramos mais para recuperar esse equilíbrio, ou seja, leva mais tempo para nosso corpo se ajustar. Isso pode acontecer porque nossos sentidos para coisas como temperatura, dor e pressão ficam menos sensíveis. Também porque nossas respostas hormonais e automáticas não funcionam tão bem. Além disso, nossas ações para corrigir desequilíbrios podem diminuir. Com o envelhecimento, nosso corpo não mantém o ambiente interno tão bem como antes. As partes que controlam isso – como os sensores do corpo e cerebrais, e os mecanismos para corrigir estes desvios – não funcionam tão eficientemente como quando éramos mais jovens e saudáveis (Taylor; Johnson, 2015). EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 120 O gráfico abaixo mostra as taxas de declínio de algumas funções do corpo, com o passar dos anos: Título: taxas de declínio de função associado ao envelhecimento. Fonte: Taylor, Johnson, 2015 É importante destacar que todas estas alterações mostradas acima, acontecem em idosos sedentários, que não praticam exercícios físicos regularmente. Mais uma vez, é onde mostramos a importância da profissão educação física, onde, por meio de exercícios específicos para essa população, este quadro pode ser radicalmente mudado. Isso tudo será abordado no capítulo 12. O envelhecimento é um processo biológico, psicológico e social complexo que envolve uma série de mudanças físicas, mentais e sociais ao longo do tempo. É uma jornada inevitável que todos os seres humanos enfrentam desde o momento do nascimento até o fim da vida. A caracterização do envelhecimento abrange uma variedade de aspectos que influenciam a forma como as pessoas experimentam essa fase da vida: 11.3.1 Aspectos Biológicos do Envelhecimento O envelhecimento biológico refere-se às mudanças físicas que ocorrem nos sistemas do corpo à medida que o tempo passa. Isso inclui alterações na pele, cabelo e órgãos internos. A diminuição da produção de colágeno e elastina na pele leva a rugas e perda de elasticidade. A perda gradual de massa muscular e densidade óssea é uma característica marcante do envelhecimento, contribuindo para a diminuição da força EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 121 e da mobilidade. Além disso, o sistema imunológico tende a enfraquecer, tornando as pessoas mais suscetíveis a doenças. Dentre as principais causas do envelhecimento, estão: (Sahin, Depinho, 2010; Taylor, Johnson, 2015). - Deterioração Celular e Tecidual: Com o tempo, as células do nosso corpo acumulam danos em seu DNA e outras partes. Isso pode levar à redução da eficiência e função das células, o que, por sua vez, afeta a saúde dos tecidos e órgãos. - Declínio na Renovação Celular: A capacidade de nossas células se renovarem diminui à medida que envelhecemos. Isso resulta em uma menorna diminuição dos sintomas de ansiedade e depressão, ao produzir alterações fisiológicas no corpo, que resultam na liberação de endorfinas, popularmente conhecidas como “hormônios da felicidade”. Isso não é tudo. Estudos sugerem que o exercício físico pode melhorar a qualidade do sono, uma função vital frequentemente perturbada em indivíduos com problemas de saúde mental. Por exemplo, Ropke e colaboradores (2018) encontraram uma associação significativa entre a prática regular de atividades físicas e um sono de melhor qualidade, o que, por sua vez, pode levar a uma melhor saúde mental. Além disso, o exercício físico desempenha um papel essencial no controle do estresse. Em uma meta-análise feita por Beserra e colaboradores (2018), foi observado que a atividade física regular pode reduzir os níveis de cortisol, o chamado “hormônio do estresse”, levando a uma melhor gestão do estresse e à promoção da saúde mental. O exercício físico também pode melhorar a autoestima e a percepção do autoconceito. Um estudo conduzido por Cortela e colaboradores (2013) concluiu que o exercício físico regular pode melhorar a autoestima e a percepção do autoconceito, o que é especialmente importante para a saúde mental. Portanto, como você pode ver, a prática regular de atividades físicas é uma estratégia valiosa para a promoção da saúde mental. E é uma ferramenta acessível e ao alcance de todos. • Prevenção do Câncer O exercício físico tem sido identificado como um fator de proteção eficaz contra vários tipos de câncer. Um estudo em larga escala realizado por Rezende e colaboradores em 2018, incluindo 770 mil pacientes com câncer, revelou uma relação inversa significativa entre atividade física regular e incidência de câncer de mama, cólon e pulmão, ou seja, quanto mais ativo fisicamente a pessoa EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 14 é, menores as chances de ela contrair algum destes tipo de câncer. Por isso que a realização de exercícios físicos regulares pode ser uma estratégia bem interessante para a prevenção do câncer. Além disso, os benefícios do exercício físico vão além da prevenção do câncer. Campbell e colaboradores (2021) indicaram que a atividade física regular pode desempenhar um papel importante na recuperação e na melhoria da qualidade de vida de sobreviventes de câncer. Este estudo sugere que os programas de exercícios devem ser incorporados ao tratamento e ao plano de cuidados pós- tratamento para pacientes com câncer. Então veja que interessante! O exercício físico tem um impacto considerável tanto na prevenção do câncer como na recuperação e bem-estar dos sobreviventes do câncer. Assim, a prática regular de exercícios físicos deve ser incentivada em todas as fases da vida. 1.3 Possíveis Riscos do Exercício Físico Incrível quantos benefícios os exercícios físicos podem nos proporcionar, não é! Mas, infelizmente, este campo não é somente um mar de rosas. Um tema que, apesar de ser muito importante, é muitas vezes negligenciado, é: os riscos ocultos e os possíveis malefícios do exercício físico. Sei que você pode estar pensando: “Mas, como assim? Exercício físico não é sempre bom para a saúde?” Bem, em grande parte sim, desde que feitos corretamente, e de acordo com a condição de cada um. Por isso, temos alguns cuidados a observar, antes de se colocar algum aluno ou cliente em um programa de exercícios. A questão é que, apesar dos benefícios incontestáveis do exercício físico regular, melhora do condicionamento cardiovascular, fortalecimento dos músculos, controle do peso, promoção da saúde mental, entre outros, quando praticado sem a orientação de um profissional capacitado, o exercício físico pode trazer problemas significativos. Em um estudo realizado por Ristolainen e colaboradores, em 2014, foi demonstrado os riscos de lesões por uso excessivo em esportes de resistência, destacando a importância da orientação profissional para evitar tais lesões. Ao se exercitar sem orientação profissional, as pessoas podem correr um risco maior de sofrer lesões já que podem não estar cientes das melhores práticas em termos de frequência, duração e intensidade do treinamento. Isso reforça o ponto de que a orientação profissional é fundamental para minimizar o risco de lesões durante o exercício. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 15 Imagine, por exemplo, que você comece a levantar pesos sem saber a forma correta de fazê-lo. O risco de lesionar as costas, os joelhos ou os ombros é bastante elevado. Da mesma maneira, se você começa a correr longas distâncias sem preparo prévio, o impacto repetitivo pode causar problemas nas articulações dos joelhos e tornozelos. A imagem abaixo mostra um problema comum em corredores que não buscaram orientação profissional quanto à intensidade e velocidade corretas para a corrida, tipos de terrenos que devem ser evitado, etc. Título: Jovem com lesão no joelho Fonte: br.freepik.com/fotos-gratis/close-de-jovem-com-lesao-no-joelho_ 104210 ISTO ESTÁ NA REDE Como prevenir lesões durante a prática esportiva? Iniciar uma rotina de exercícios sem a supervisão de um profissional de educação física pode não ser seguro. Da mesma forma, reproduzir a rotina de treinamento de um amigo ou parente pode não ser adequado para você. Portanto, antes de iniciar qualquer atividade física, é aconselhável consultar um profissional para descartar qualquer restrição de saúde. Esteja atento aos seus limites físicos - embora atletas de elite estejam constantemente tentando superar suas barreiras pessoais, quem não é atleta profissional não precisa se sobrecarregar. Preste atenção em como o seu corpo reage a cada exercício. Aumente a intensidade do treino de maneira gradual e sem pressão. Em caso de dor, é importante discutir com o seu treinador. Pratique aquecimento, alongamento e permita-se descansar - o aquecimento prepara músculos, tendões, ligamentos, coração e pulmões para o esforço físico iminente. O descanso também é crucial. Treinar o mesmo grupo muscular todos os dias não acelera o processo de obtenção de resultados.” www.pfizer.com.br/noticias/ultimas-noticias/lesoes-esportivas-em-atletas-amadores EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 16 E não são apenas lesões físicas que podem ocorrer. Há também o risco de problemas cardíacos. O exercício físico intenso pode, em alguns casos, causar arritmias cardíacas e até mesmo levar a um ataque cardíaco, especialmente em pessoas com predisposição genética ou com doença cardíaca pré-existente. Além disso, sem a orientação adequada, pode ser difícil saber a diferença entre o desconforto normal do exercício e os sinais de uma lesão ou problema mais sério. E aí, você pode acabar ignorando um problema que requer atenção médica. Embora seja importante notar que a atividade física regular é geralmente recomendada para a maioria das pessoas, incluindo aquelas com doenças cardíacas, alguns estudos apontam para possíveis riscos para certos grupos de cardiopatas. Deve-se considerar que os exercícios físicos intensos podem acarretar riscos para pessoas com condições cardíacas graves, como insuficiência cardíaca avançada, doença arterial coronariana não controlada, arritmias graves e cardiomiopatia hipertrófica. Um estudo demonstrou que pessoas com insuficiência cardíaca podem correr um risco maior de exacerbação dos sintomas e hospitalização se participarem de atividades físicas de alta intensidade sem supervisão médica adequada (Doehner et al., 2017). O estudo também destacou a importância da individualização do programa de exercícios para pessoas com doenças cardíacas, levando em consideração o estado de saúde e a capacidade de exercício do indivíduo. Título: homem sentindo dores no peito durante uma caminhada Fonte: www.istockphoto.com/br/foto/dores-no-peito-nunca-s%C3%A3o-um-bom-sinalsubstituição de células antigas ou danificadas por novas, o que pode afetar a função dos órgãos. - Acúmulo de Produtos Metabólicos: Com o tempo, substâncias acumulam-se em nossas células que podem interferir nas suas funções normais, prejudicando o funcionamento dos tecidos e órgãos. - Declínio Hormonal: Muitos hormônios essenciais para o funcionamento do corpo diminuem com o envelhecimento. Isso pode afetar várias funções, como o metabolismo, a regulação do sono e a resposta ao estresse. - Inflamação Crônica: O envelhecimento está associado a um aumento da inflamação no corpo. Isso pode ser prejudicial, já que a inflamação crônica está ligada a várias doenças relacionadas à idade, como doenças cardíacas e diabetes. - Acúmulo de Danos Moleculares: Danos às moléculas do nosso corpo, como proteínas, lipídios e DNA, se acumulam ao longo do tempo. Isso pode afetar negativamente a estrutura e a função celular. - Perda de Função dos Órgãos: A medida que envelhecemos, a capacidade de muitos órgãos começa a diminuir, podendo levar a problemas de saúde e maior vulnerabilidade a doenças. - Diminuição da Capacidade de Reparo e Regeneração: A capacidade do corpo de reparar danos e regenerar tecidos diminui com a idade, tornando mais difícil a recuperação de lesões e o reparo de danos celulares. - Declínio do Sistema Imunológico: O sistema imunológico torna-se menos eficaz com a idade, o que pode fazer com que a pessoa idosa fique doente com mais facilidade. - Declínio da Função Cognitiva: O envelhecimento também pode afetar o funcionamento do cérebro, levando a alterações na memória, atenção e outras funções cognitivas EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 122 11.3.2 Aspectos Psicológicos do Envelhecimento O envelhecimento é um processo que não envolve apenas mudanças físicas, mas também aspectos psicológicos que podem influenciar a maneira como as pessoas experimentam essa fase da vida. À medida que as pessoas envelhecem, elas podem enfrentar desafios relacionados à autoimagem e autoestima. Mudanças físicas, como rugas e perda de cabelo, podem afetar a maneira como se veem. Manter uma autoimagem positiva e uma boa autoestima é importante para uma saúde mental saudável. O envelhecimento muitas vezes, também está ligado à mudanças nos papéis sociais, como aposentadoria e a transição para novas formas de interação social. Manter conexões sociais e adotar novos papéis pode ser fundamental para um envelhecimento bem-sucedido. Afinal, todo idoso precisa se sentir útil e querido em seu círculo, seja ele familiar ou de amigos. A saúde mental e emocional tem um papel vital no envelhecimento saudável. Lidar com questões como depressão, ansiedade e solidão é essencial para garantir um bom bem-estar emocional. Outro aspecto importante é a capacidade de uma pessoa idosa lidar com desafios e adversidades. Esta torna-se ainda mais importante com o envelhecimento. Pessoas mais resilientes tendem a enfrentar melhor os altos e baixos associados ao envelhecimento, como perdas de entes queridos e limitações físicas. Mudanças na cognição e na memória são aspectos importantes do envelhecimento. Embora a memória possa declinar com a idade, manter a mente ativa por meio de atividades intelectuais e sociais pode ajudar a manter as funções cognitivas. As expectativas em relação ao envelhecimento podem variar amplamente, afetando a forma como as pessoas percebem essa fase. Pessoas que têm expectativas realistas e mantêm objetivos alcançáveis têm mais probabilidade de se adaptar bem às mudanças. Atitudes em relação ao envelhecimento também podem ser influenciadas pela cultura e pela sociedade. Em algumas culturas, o envelhecimento é valorizado e respeitado, enquanto em outras pode haver alguns estigmas associados a ele (Berkman, Glass, 2000). 11.3.3 Aspectos Sociais do Envelhecimento A rede de apoio social, incluindo amigos, familiares e membros da comunidade, é crucial para o bem-estar dos indivíduos idosos. Ter pessoas em quem confiar, com EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 123 quem interagir e de quem receber apoio emocional e prático pode ajudar a lidar com os desafios do envelhecimento. O isolamento social é um problema comum entre os idosos, podendo ser resultado de perdas, aposentadoria, doenças ou falta de mobilidade. O isolamento social está associado a problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade. Título: Idoso isolado Fonte: www.istockphoto.com/br/foto/triste-idoso-bebendo-sozinho-gm1316201757 A participação ativa na comunidade pode promover um envelhecimento saudável. Participar de grupos sociais, atividades voluntárias ou clubes pode ajudar a manter conexões sociais e um senso de pertencimento. Infelizmente, os idosos frequentemente enfrentam estereótipos negativos, preconceito e estigma relacionados à idade. Isso pode afetar sua autoestima e a maneira como são tratados pela sociedade em geral. Uma forma de combater isso é promover a interação entre diferentes gerações, que pode ser benéfica tanto para os idosos quanto para os mais jovens. Isso permite a troca de experiências, conhecimentos e perspectivas, promovendo uma compreensão mais profunda entre as gerações. É comum vermos que idosos em grupo ficam muito mais alegres. A imagem abaixo fala por si só. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 124 Título: Grupo de idoso fazendo atividades e entretenimento Fonte:olaserragaucha.com.br/semana-da-longevidade-do-sesc-farroupilha-traz-atividades-gratuitas/ Por isso, o ambiente em que os idosos vivem tem um papel muito importante em sua qualidade de vida. Ter acesso a uma moradia adequada e um ambiente seguro, acessível e amigável para idosos é crucial para o bem-estar (Berkman, Glass, 2000). ISTO ESTÁ NA REDE Algumas vezes, vemos notícias na internet com um conteúdo do tipo: “Com atividades gratuitas direcionadas para o público com mais de 50 anos, a Semana da Longevidade do Sesc Farroupilha, em parceria com o Centro de Convivência Idosos São José, realiza, entre os dias 1º e 7 de outubro, atividades gratuitas como palestras voltadas para a saúde e direitos, bingo, missa em homenagem ao Dia Internacional da Pessoa Idosa e baile integrativo.” Realizadas por programas de instituições (como com o Sesc, no exemplo desta notícia, que está com o link abaixo, em parceria com a Prefeitura Municipal), programas sociais como este tem como objetivo comemorar as conquistas, aumentar a consciência e refletir sobre questões do envelhecimento. Eventos assim são muito benéficos para manter pessoas idosas com opções diferentes de atividades para fazer. Muitas vezes, idosos se sentem deslocados e não apropriados a participar de certas atividades. Dessa forma, atividades voltadas para eles especificamente, são uma excelente solução para eles. olaserragaucha.com.br/semana-da-longevidade-do-sesc-farroupilha-traz-atividades- gratuitas/ EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 125 CAPÍTULO 12 BENEFÍCIOS DO EXERCÍCIO NA PREVENÇÃO E TRATAMENTO DE DOENÇAS RELACIONADAS AO ENVELHECIMENTO O envelhecimento é uma parte natural da vida. No entanto, as mudanças que ocorrem no corpo, ao longo do tempo, podem fazer com que o corpo perca um pouco de sua saúde, levando a um aumento nas chances de se contrair doenças e condições crônicas. Felizmente, uma das ferramentas mais poderosas ao nosso alcance para enfrentar esses desafios é o exercício físico regular. Neste capítulo, exploraremos os benefícios do exercício na prevenção e tratamento de doenças relacionadas ao envelhecimento, destacando as maneiras pelas quais ele pode transformar a saúde e a qualidade de vida destes indivíduos. 12.1 Os Fundamentos do Envelhecimento Saudável À medidaque envelhecemos, ocorrem várias mudanças em diferentes sistemas do corpo. O sistema cardiovascular, por exemplo, pode sofrer algumas alterações na elasticidade das artérias e na função cardíaca, o que pode levar a um aumento da pressão arterial e a um maior risco de doenças cardiovasculares. Além disso, a massa muscular tende a diminuir gradualmente, resultando em uma redução da força e da resistência física. A densidade óssea também diminui, tornando os ossos mais frágeis e suscetíveis a fraturas. Enquanto algumas das mudanças que o envelhecimento traz são inevitáveis, muitos fatores de risco e o estilo de vida podem influenciar a rapidez e a gravidade dessas mudanças. Hábitos alimentares inadequados, falta de atividade física, tabagismo e consumo excessivo de álcool são fatores que podem acelerar o processo de envelhecimento e aumentar o risco de desenvolver doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, obesidade e doenças cardíacas. Todas as doenças que já vimos EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 126 anteriormente, não é? Pois é, o envelhecimento, se não tomar os devidos cuidados, aumentam as chances de todas elas. Envelhecer de forma ativa e saudável significa tomar medidas para se proteger das mudanças que acontecem no corpo, à medida que ficamos mais velhos. Isso envolve fazer coisas para nos mantermos saudáveis e diminuir os problemas que podem surgir. Algumas dessas coisas são: fazer exercícios regularmente, comer de forma equilibrada e saudável, manter um peso que seja bom para o nosso corpo e aprender a lidar com o estresse. Também é muito importante não fazer coisas que podem nos prejudicar, como fumar. É também uma boa ideia recomendar o seu aluno idoso ao ir ao médico com frequência para verificar como está sua saúde. É sempre bom descobrir se ele tem algum problema antes que fique sério. Título: Mulher idosa em consulta médica Fonte: br.freepik.com/fotos-premium/medico- atendendo-paciente-idoso-no-hospital_9846794.htm Envelhecer de forma saudável não é só cuidar do corpo, mas também da mente. A saúde da cabeça de nosso aluno idoso é muito importante para ele se sentir bem enquanto vai ficando mais velho. É legal manter a mente ocupada, fazer coisas que façam o cérebro funcionar, ter amigos e conversar com eles e aprender a lidar com o estresse. Tudo isso ajuda muito para a nossa cabeça estar bem enquanto envelhecemos. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 127 Por fim, conforme ficamos mais velhos e nosso corpo muda, é importante ser flexível e forte para enfrentar essas mudanças. Isso é chamado de adaptação e resiliência. É legal aceitar as mudanças que acontecem no nosso corpo e na nossa emoção de maneira positiva, porque isso ajuda a não nos sentir mal por causa do envelhecimento. Também é muito bom para o idoso procurar coisas novas para fazer, gostar de atividades diferentes e continuar tendo um motivo especial na vida. Tudo isso faz com que ele envelheça feliz e satisfeito. 12.2 Mantendo o Coração do Idoso em Forma Um dos principais benefícios do exercício na prevenção do envelhecimento relacionado a doenças é o impacto positivo que tem sobre o sistema cardiovascular. O exercício aeróbico, como caminhadas, natação e ciclismo, fortalece o músculo cardíaco, melhora a circulação sanguínea e reduz o risco de doenças cardíacas. Além disso, o exercício regular pode ajudar a controlar os níveis de colesterol, reduzindo o acúmulo de placas nas artérias e diminuindo a pressão arterial. O exercício é como um superpoder para o nosso coração. Já é bem demonstrado pela ciência que idosos que se exercitam regularmente têm corações mais saudáveis. Atividades simples como caminhar, nadar ou dançar são ótimas opções. Atividades simples do dia a dia também contam. Subir escadas, fazer jardinagem ou até mesmo passear com o cachorro são formas de manter o coração ativo. Um detalhe importante para a saúde do coração, especialmente pro coração do idoso, é a alimentação. Alimentos saudáveis como frutas, vegetais e grãos integrais são ótimos amigos do coração. Eles fornecem nutrientes que ajudam a mantê-lo em forma. A base para a saúde completa do idoso é ele ter todas as vitaminas e minerais na sua dieta. Título: Ilustração de um casal de idoso com comidas saudáveis Fonte: br.freepik.com/fotos-premium/nutricao-adequada-abandonar-maus-habitos-saude-um-corpo-forte-idade-avancada-para-ser-feliz-e-alegre-e-alegre-casal-de- idosos-idade-avancada-alimentacao-saudavel-frutas-e-legumes_42944277.htm EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 128 O idoso não deve se preocupar apenas em o que incluir na dieta, mas também o que retirar. Um exemplo é o sal refinado. Reduzir ou parar o consumo de sal refinado também é importante para a saúde cardíaca. Muitos alimentos já têm sal, por isso é bom prestar atenção nas embalagens. Em 2018, foi publicado, por Langhammer e colaboradores, uma edição especial da BioMed Research International, com foco no estilo de vida e, em particular, da atividade física como impulsionador de uma vida longa e saudável para os idosos. Os achados deste grande estudo foram de que o exercício físico em pessoas idosas traz benefícios para a saúde, como a redução dos riscos de problemas no coração. Após o exercício, uma das razões para esses benefícios é que o equilíbrio do coração melhora, com a melhora da parte do sistema nervoso que controla o coração. Além disso, o estudo também relatou que, quando idosos fazem treinamento físico, a frequência cardíaca em descanso e durante atividades leves diminui, assim como a pressão arterial. Ao mesmo tempo, a capacidade de bombear sangue aumenta. Isso é especialmente verdadeiro quando estão se esforçando ao máximo, nesse momento o coração bate mais forte, bombeando mais sangue por batida e usando oxigênio de maneira eficaz e, ao mesmo tempo, a pressão nas artérias cai. Isso ajuda o coração a trabalhar melhor e mostra que treinos intensos também são importantes para os idosos. Um outro achado muito interessante deste estudo foi de que exercícios bem planejados podem ser muito úteis para a recuperação após cirurgias cardíacas ou tratamentos em pessoas idosas com problemas no coração. Título: Idoso se exercitando Fonte: www.pexels.com/pt-br/foto/foto-de-homem-correndo-na-praia-2787840/ EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 129 Não podemos nos esquecer que o estresse também afeta o coração. Encontrar maneiras de relaxar é fundamental. Praticar técnicas de relaxamento, como meditação ou simplesmente ler um livro, pode ajudar a manter o coração do idoso tranquilo. 12.3 Preservando a Massa Muscular e a Força do Idoso Enquanto mais pessoas estão vivendo por mais tempo devido aos avanços médicos, a qualidade de vida durante os últimos anos de vida parece estar caindo. Essa queda está ligada à dificuldade do idoso em realizar tarefas simples do dia a dia, frequentemente causada por músculos enfraquecidos. Já é bem demonstrado pela ciência que os idosos podem ganhar mais força muscular, o que oferece esperança para manter a independência por mais tempo. À medida que envelhecemos, nossos músculos tendem a ficar mais fracos, e ir perdendo a massa muscular. Isso se chama Sarcopenia, e está diretamente relacionado à redução da atividade física e a mudanças em nossos músculos e ossos. Essas mudanças incluem músculos que não contraem tão bem, diminuição do tamanho dos músculos, alterações em enzimas que afetam o funcionamento muscular e maior risco de doenças musculares e nervosas. Isso leva a menor flexibilidade e força muscular. No entanto, o treinamento com pesos é, sem dúvidas, a melhor maneira de combater os efeitos negativos do envelhecimento nos músculos,e uma das melhores maneiras de manter o idoso com saúde, em todos os aspectos. Fazendo exercícios apropriados, é possível ver melhorias significativas na força e na massa muscular e, por consequência, na qualidade de vida dos idosos. Isso dá esperança para que os anos mais tarde na vida possam ser mais ativos e independentes (Langhammer et al., 2018). Um estudo realizado por Lichtenberg e colaboradores (2019) teve como objetivo determinar o efeito do treinamento resistido de alta intensidade na sarcopenia em homens idosos com ossos e musculatura fracas. O treinamento foi realizado com uma série em aparelhos de exercícios resistidos, com duas sessões de treinamento por semana, divididas em três fases (variando de 8 a 12 semanas) totalizando 28 semanas. Ao final deste estudo, os resultados mostraram uma melhora significativa da intervenção com exercício na sarcopenia. Foi mostrado um aumento significativo do índice de massa muscular esquelética e na força de preensão manual. Não houve efeitos adversos relacionados ao treinamento. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 130 Título: Idoso realizando exercício resistido Fonte: www.pxfuel.com/pt/free-photo-xceub ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Ainda hoje, existe um certo medo ou crença equivocada de que idosos não deveriam praticar musculação ou que, com o avanço da idade, não adianta mais fazer exercícios de força, pois “já estão velhos e nessa idade não adianta mais” Esses conceitos errôneos podem ser limitadores e prejudiciais para a saúde e bem- estar dos idosos. É importante esclarecer que o corpo humano possui uma notável capacidade de se adaptar e melhorar, independentemente da idade. A prática de musculação em idades avançadas não apenas é segura quando realizada sob orientação adequada, mas também pode trazer uma série de benefícios significativos. O treinamento de resistência não apenas ajuda a manter e aumentar a força muscular, como também melhora a densidade óssea, a coordenação e a qualidade de vida. É crucial - e parte do papel do profissional de educação física - quebrar esses mitos e encorajar os idosos a considerarem a musculação como uma opção valiosa para manter sua saúde e funcionalidade. Com orientação profissional, o treinamento de força pode ser uma ferramenta poderosa para promover a independência, a vitalidade e a qualidade de vida na idade avançada. Estudos, como o que vamos ver nos parágrafos abaixo, têm consistentemente demonstrado que idosos, mesmo em idade avançada, podem conseguir ganhos na força muscular, por meio de treinamento adequado. A abordagem correta, respeitando as capacidades individuais e adaptando o treinamento de acordo, é essencial para garantir uma prática segura e eficaz. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 131 Este mito de que idosos com idade avançada não conseguiriam mais ganhar força e desenvolver a musculatura, apesar de existir até os dias de hoje, já foi desmentido pela ciência há muito tempo. Para termos uma ideia de como este conhecimento não é novo, um estudo publicado no ACSM (American College of Sports Medicine), em 1998, mostrou que: • A participação regular em atividades físicas, incluindo exercícios aeróbicos e de força, é benéfica para o envelhecimento saudável. • O exercício regular pode melhorar a função cardiovascular, reduzir fatores de risco de doenças e aumentar a expectativa de vida. • O treinamento de força ajuda a combater a perda de massa muscular e força associada ao envelhecimento. • O exercício regular promove a saúde óssea, reduz o risco de osteoporose e melhora a estabilidade postural, reduzindo o risco de quedas e lesões. • Além dos benefícios físicos, o exercício regular também pode proporcionar benefícios psicológicos, incluindo a preservação da função cognitiva e alívio dos sintomas de depressão. • Mesmo que o exercício não aumente todos os marcadores tradicionais de desempenho físico, ele melhora a saúde e a capacidade funcional, contribuindo para um estilo de vida mais independente e uma melhor qualidade de vida em adultos mais velhos. 12.4 A Importância do Equilíbrio Para o Idoso Além da força e do condicionamento cardiovascular, o equilíbrio é essencial para uma boa qualidade de vida, à medida que envelhecemos. O equilíbrio é um aspecto crucial para a saúde e bem-estar dos idosos, pois desempenha um papel muito importante na prevenção de quedas e lesões. Com o avanço da idade, há uma tendência natural para a perda de equilíbrio devido a alterações no sistema sensorial, muscular e esquelético. Essas mudanças podem resultar em diminuição da estabilidade, o que aumenta o risco de quedas e compromete a independência e a qualidade de vida dos idosos (Langhammer et al., 2018). À medida que envelhecemos, as quedas podem se tornar um problema sério, trazendo consequências graves para a saúde dos idosos. Além disso, elas podem indicar fragilidade física ou até doenças. No Brasil, um apontamento feito pelo Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) avaliou idosos que vivem em áreas urbanas, e descobriu que 25% deles tiveram quedas. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 132 Esse estudo mostrou que diversos fatores estão relacionados a essas quedas, como ser do sexo feminino, ter 75 anos ou mais, sentir medo de cair devido a calçadas ruins, ter receio de atravessar a rua, sofrer de artrite, reumatismo, diabetes ou depressão. Dados do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia revelam que cerca de 40% dos idosos com 80 anos ou mais sofrem quedas anualmente. Essa frequência é ainda maior entre aqueles que vivem em asilos, casas de repouso ou instituições de longa permanência, chegando a 50% de ocorrência. Exercícios específicos para o equilíbrio podem ser altamente benéficos para os idosos, pois ajudam a melhorar a propriocepção, a coordenação e a força muscular, contribuindo para uma maior estabilidade e segurança nas atividades diárias. Além disso, o treinamento de equilíbrio pode ter impactos positivos na confiança dos idosos em realizar suas tarefas cotidianas, o que pode levar a uma maior autonomia (Langhammer et al., 2018). Em 2019, foi realizada uma meta-análise por Sherrington e colaboradores com o objetivo de avaliar os efeitos (benefícios e malefícios) das intervenções com exercícios na prevenção de quedas em idosos que vivem na comunidade. Este levantamento fez uma análise de 108 ensaios clínicos randomizados, com um total de 23.407 idosos que vivem na comunidade, em 25 países diferentes. A média de idade foi de 76 anos, e 77% eram do sexo feminino. Os principais resultados deste levantamento foram: • Exercícios de todos os tipos reduziram a taxa de quedas em 23%, equivalendo a 195 quedas a menos em um grupo de 1000 pessoas ao longo de um ano. • A prática de exercícios também diminuiu em 15% o número de pessoas que experimentaram uma ou mais quedas. Isso resultou em 72 pessoas a menos sofrendo quedas em um grupo de 1000 pessoas ao longo de um ano. • Exercícios de equilíbrio e funcionais reduziram a taxa de quedas em 24% e o número de pessoas que experimentaram quedas em 13%. • Diferentes tipos de exercícios (principalmente equilíbrio, funcionais e resistência) provavelmente reduzem a taxa de quedas em 34% e o número de pessoas que experimentaram quedas em 22%. 12.4 Promovendo a Saúde Mental e Cognitiva do Idoso Os benefícios do exercício vão além do físico. A atividade física regular também desempenha um papel crucial na saúde mental e cognitiva. A liberação de endorfinas durante o exercício contribui para a redução do estresse, ansiedade e depressão. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 133 Um estudo realizado por Harvey e colaboradores,em 2018, publicado no American Journal of Psychiatry, teve como objetivo abordar se o exercício fornece proteção contra depressão e ansiedade de início recente e, em caso afirmativo, a intensidade e a quantidade de exercício necessária para obter proteção. Foram analisados 33.908 indivíduos, e acompanhados prospectivamente por 11 anos. Foram coletadas medidas validadas de exercício, depressão, ansiedade e uma série de potenciais fatores de confusão e mediação. A conclusão deste levantamento foi de que o exercício regular nos momentos de lazer, de qualquer intensidade, oferece proteção contra depressão futura, mas não contra ansiedade. Os autores também concluíram que pequenas mudanças nos hábitos de exercício da população podem trazer grandes benefícios para a saúde mental de todos e ajudar a evitar muitos casos novos de depressão. Um outro levantamento publicado em 2023 por Xu e colaboradores, teve como objetivo analisar os efeitos do treinamento aeróbico e de resistência na capacidade cognitiva de idosos. Esta meta-análise fez um levantamento de 10 estudos sobre o assunto, e os resultados da pesquisa indicaram que o treinamento com exercícios físicos melhoraram significativamente a capacidade cognitiva dos idosos em várias medidas, incluindo o Mini-Exame do Estado Mental, a Avaliação Cognitiva de Montreal, a Escala de Inteligência de Adultos de Wechsler, a Escala de Memória de Wechsler, o Teste de Classificação de Cartas de Wisconsin, os Testes de Trilhas de Formação, e o Teste de Cores e Palavras de Stroop. Portanto, a conclusão deste estudo foi de que os idosos que participaram de programas de exercícios aeróbicos ou de resistência mostraram melhora significativa em várias avaliações de função cognitiva em comparação com os grupos de controle. Os resultados sugerem que a prática regular de exercícios físicos, tanto aeróbicos quanto de resistência, pode beneficiar a função cognitiva de idosos em diferentes estados mentais. Os autores verificaram que os idosos devem realizar pelo menos exercícios aeróbicos de intensidade moderada e exercícios de resistência em vários dias da semana, para melhorar a capacidade cognitiva. 12.4.1 Prevenindo o Alzheimer O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta principalmente pessoas idosas. É a forma mais comum de demência, caracterizada por perda gradual de memória, capacidades cognitivas e habilidades de pensamento. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 134 A idade avançada é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do Alzheimer. Embora a doença possa afetar pessoas mais jovens, o risco aumenta significativamente à medida que envelhecemos. O envelhecimento é um fator que contribui para as mudanças estruturais e funcionais no cérebro, tornando-o mais suscetível a processos patológicos associados ao Alzheimer. Portanto, a relação entre o Alzheimer e a idade está intrinsecamente ligada, com uma prevalência maior entre os idosos. Mas será que o exercício físico poderia ajudar a prevenir ou diminuir as chances de se contrair Alzheimer? Isso ainda não está totalmente esclarecido na ciência, mas há alguns estudos apontando que sim! Há vários estudos demonstrando que o exercício físico está associado a efeitos positivos na saúde do cérebro. O exercício físico parece afetar positivamente a atrofia cerebral em idosos com Alzheimer, e as intervenções de exercício físico melhoram efetivamente o desempenho cognitivo em pacientes idosos com Alzheimer, o que pode indicar o valor potencial do exercício físico na melhoria do desempenho cognitivo e na prevenção da conversão para demência grave em pessoas com Alzheimer (Sutkowy et al, 2021; Bray et al, 2021; Wei et al, 2022) EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 135 CAPÍTULO 13 AVALIAÇÃO E PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIOS PARA IDOSOS Quando chegamos à terceira idade, a vida começa a ficar marcada por histórias vividas e lições aprendidas. Tudo isso precisa ter a saúde como base, pois uma vida sem saúde não é uma vida feliz. Por isso é necessário que as pessoas entendam o tamanho da importância da atividade física regular, especialmente para pessoas idosas, para se manter e melhorar a saúde. Nesse contexto, a prescrição de exercícios para idosos emerge como uma valiosa ferramenta, pois exercícios físicos fazem bem, mas somente se feitos da forma e intensidade corretos. À medida que ficamos mais velhos, nosso corpo passa por mudanças naturais. Músculos, ossos e articulações se ajustam de maneira diferente. Fazer exercícios regularmente, que se encaixem bem na idade de nosso aluno ou cliente, não só ajuda a combater os efeitos do envelhecimento, mas também os ajuda a se sentirem cheios de energia por mais tempo. No entanto, para atingir esse objetivo de forma eficaz, é importante ter um profissional que saiba orientar, que leve em conta como esse idoso está fisicamente, e o que ele quer alcançar. Neste capítulo, vamos conhecer os nuances da avaliação física nessa fase da vida, destacando a importância de compreender a saúde atual antes de iniciar qualquer programa de exercícios. Além disso, examinaremos os princípios essenciais que orientam a criação de rotinas de exercícios seguras e eficazes, considerando a variedade de necessidades e condições que podem se apresentar. 13.1 Avaliação Diagnóstica: Anamnese Antes de tudo, é de extrema importância que qualquer idoso que for iniciar um programa de exercícios seja orientado a passar por um exame médico. Esse exame considera fatores cruciais para a segurança e bem-estar dos indivíduos mais velhos. Idosos frequentemente apresentam condições de saúde como problemas cardíacos, hipertensão, diabetes e osteoporose, que podem afetar diretamente a capacidade de poder fazer certas atividades físicas. Por meio de uma avaliação médica abrangente, EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 136 é possível identificar quaisquer limitações, riscos e necessidades específicas de cada idoso, permitindo a adaptação do programa de exercícios de acordo com suas condições individuais. Com a liberação médica, a primeira ação a se fazer é uma anamnese (questionário) neste idoso, para que possamos compreender melhor este idoso, e melhor planejar uma rotina de treinos. Na anamnese, os principais pontos a serem abordados são: (Sahin, Depinho, 2010; Taylor, Johnson, 2015; Gambassi et al., 2019) 1. Medicamentos e Suplementos: Quais medicamentos prescritos e suplementos que o idoso esteja tomando, pois alguns podem influenciar nas respostas ao exercício. 2. Lesões Anteriores: Qualquer histórico de lesões, cirurgias ou traumas que possam afetar a capacidade de realizar determinados movimentos ou exercícios. 3. Nível de Atividade Atual: Perguntar se o idoso está parado ou se está fazendo alguma atividade física, quais são essas atividades, e por quanto tempo, para adaptar o novo programa com base nesse ponto de partida. 4. Estilo de Vida: Compreender o dia a dia do idoso, incluindo sua rotina, hábitos alimentares, sono e níveis de estresse. 5. Capacidades Funcionais: Perguntar se o cliente tem dificuldades nas atividades diárias, como subir escadas, caminhar, levantar objetos, para determinar o nível de funcionalidade e identificar áreas que precisam de melhoria. 6. Objetivos: conversar com ele o objetivo que ele deseja com o programa de exercícios (aumento da resistência, perda de peso, fortalecimento muscular, etc) 7. Sintomas durante atividades físicas: Perguntar se ele sente algum sintoma incomum durante alguma atividade que ele faça, como tonturas, falta de ar, dor no peito, fadiga excessiva, para garantir a detecção precoce de problemas. 8. Exames Médicos Recentes: Se disponíveis, exames como avaliação cardíaca, análises de sangue e radiografiaspodem oferecer informações valiosas sobre a saúde geral do idoso. 9. Preferências e Limitações: Conhecer as preferências do seu cliente idoso em relação a tipos de exercícios, horários e ambientes, além de quaisquer limitações específicas que possam afetar a escolha dos exercícios. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 137 Todas estas informações vão possibilitar que o profissional de educação física esteja preparado para desenvolver um programa de exercícios personalizado e seguro, que atenda às necessidades individuais do idoso e promova sua saúde e bem-estar de maneira eficaz. 13.2 Avaliação Física em Idosos No capítulo 6, discutimos com detalhes os procedimentos a serem feitos em uma avaliação física (determinar a composição corporal, capacidade cardiorrespiratória, força muscular, flexibilidade e taxa de metabolismo basal). A avaliação física realizada em idosos não é diferente, ou seja, segue basicamente aqueles mesmos passos. Este tópico servirá então para darmos uma rápida relembrada em cada etapa, e quais delas é necessário alguma adaptação ou modificação para pessoas idosas (Taylor, Johnson, 2015; Gambassi et al., 2019). 1. Composição Corporal: Para a determinação da composição corporal, o mais comum é usar a fita métrica, e medir as circunferências dos segmentos corpo do idoso. Este dado também serve para fazer comparações, em reavaliações periódicas. Título: Mensurando a cintura de um idoso com fita métrica Fonte: pt.dreamstime.com/idosos-medindo-cintura-com-fita-métrica-sorrindo-mulher-idosa-asiática-levantando-mãos-sente-satisfação-feliz-orgulhoso-de- image209567153 Para a determinação do percentual de gordura e de massa magra, duas das técnicas mais comuns são o uso do compasso de dobras cutâneas e a balança de bioimpedância. Enquanto ambas as abordagens oferecem as informações que buscamos, é importante considerarmos alguns pontos ao trabalhar com idosos. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 138 Como vimos anteriormente, o compasso de dobras cutâneas mede a espessura das dobras de pele em várias partes do corpo, e essas medidas são então usadas em equações que estimam o percentual de gordura e massa magra. Embora seja uma abordagem amplamente utilizada, pode não ser a mais recomendada para idosos. A pele envelhecida é mais fina e delicada, e o processo de beliscar e medir as dobras cutâneas pode causar desconforto e até mesmo machucar a pele sensível dos idosos. Portanto, é essencial ter cautela ao aplicar essa técnica nessa população. Título: Utilização do compasso de dobras cutâneas Fonte: www.istockphoto.com/br/foto/compasso-de-calibre-gm157427509-8942669 Por outro lado, a balança de bioimpedância é uma abordagem menos invasiva e potencialmente mais adequada para idosos. Essa balança utiliza uma corrente elétrica de baixa intensidade para medir a resistência do corpo à passagem dessa corrente, o que está diretamente relacionado à composição corporal. Com base na resistência medida, a balança calcula o percentual de gordura, massa magra, hidratação e outros parâmetros. Embora possa haver variações na precisão dependendo da qualidade da balança e do estado de hidratação do indivíduo, essa técnica é geralmente bem tolerada por idosos, evitando o desconforto associado ao uso do compasso de dobras. É importante ressaltar que, para obter resultados precisos ao longo do tempo, manter um nível consistente de hidratação e realizar a medição em condições semelhantes (por exemplo, sempre pela manhã antes do café), e utilizar o mesmo método em avaliações seguintes, são práticas que contribuem para resultados confiáveis. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 139 Portanto, ao selecionar a técnica para estimar o percentual de gordura e massa magra em idosos, é fundamental considerar sua saúde, conforto e tolerância. A balança de bioimpedância pode ser uma alternativa mais suave e menos invasiva, enquanto o compasso de dobras cutâneas deve ser aplicado com cuidado e sensibilidade à pele envelhecida. A escolha da técnica deve ser baseada na segurança e bem-estar dos idosos, garantindo que a avaliação da composição corporal seja realizada de maneira precisa e respeitosa. 2. Capacidade Cardiorrespiratória: Vimos que um dos métodos mais simples para se determinar a capacidade cardiorrespiratória é fazendo o teste de Cooper, que consiste em correr ou caminhar na esteira por 12 minutos. Porém, uma alternativa mais interessante para idosos em idade avançada, idosos frágeis ou que possuem alguma condição de saúde é o teste de 6 minutos. Este teste é particularmente indicado para idosos devido às suas características de baixo impacto e simplicidade, o que o torna mais seguro e acessível para essa população. Existem duas formas de padronização deste teste: o “American Association of Cardiovascular & Pulmonar Rehabilitation” e o “Guidelines for Six-Minute Walk Test”. Basicamente, o teste de 6 minutos consiste em pedir ao idoso que caminhe o máximo que ele conseguir a uma velocidade constante por um período de seis minutos em uma área determinada. Durante o teste, é medido quão longe o idoso consegue caminhar nesse tempo. É permitido o idoso escolher a própria intensidade, e fazer pausas para descanso, caso ele sinta necessidade. A distância percorrida é então usada como um indicador da capacidade cardiorrespiratória do indivíduo. Antes de iniciar o teste, é recomendado aferir a pressão arterial e a frequência cardíaca. No início e ao final do teste, mostre a escala de Borg para seu cliente idoso, e pergunte a ele em qual destes valores ele se identifica mais naquele momento. Use estas diferenças para comparar e avaliar se este teste foi exigente demais para ele. passado um minuto do fim do teste, deve-se aferir a pressão e os batimentos novamente. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 140 Título: Escala de Borg Modificada Fonte: www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/CARTILHA_POS_COVID_19_compactado.pdf 3. Força Muscular: O teste de 1RM (Uma Repetição Máxima) é comumente utilizado para avaliar a força máxima em pessoas de todas as idades. No entanto, para a segurança do idosos, essa abordagem pode não ser a mais adequada. Em vez disso, uma alternativa mais segura e eficaz para avaliar a força muscular em idosos é o teste de repetições submáximas. O teste de repetições submáximas é da seguinte forma: em vez de tentar determinar a quantidade máxima de peso que o idoso pode levantar em um único movimento, você pode selecionar uma carga que permita realizar um número determinado de repetições, como 8 a 12 repetições e, ao fim dessas repetições, avalie junto com ele como foi essa quantidade de carga. Este teste tem a vantagem de ser um teste mais seguro do que o teste de 1RM, pois não exige que o idoso faça um esforço máximo. Isso reduz o risco de lesões e fadiga excessiva. É importante ressaltar que a escolha da carga para o teste de repetições submáximas deve ser feita de maneira cuidadosa. Geralmente, usar uma carga que permita ao idoso executar entre 8 e 12 repetições antes de atingir a fadiga muscular é uma abordagem comum. 4. Flexibilidade: O método que abordamos no capítulo 6 não apresenta nenhuma contra-indicação para o idoso tentar realizá-lo , que seria o Teste de Alcance de Banco de Wells, que mede a flexibilidade dos músculos isquiotibiais e da região lombar. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 141 Consiste em um banco com escala métrica marcada em centímetros. O indivíduo senta-se no chão com as pernas completamente estendidas e os pés encostados na caixa. Ele deve tentar se inclinar paraa frente o máximo possível, deslizando as mãos ao longo da escala no banco, sem dobrar os joelhos, para tentar alcançar o mais longe possível. O único “porém” deste teste é a possibilidade do idoso não conseguir executá-lo. É comum idosos perderem sua flexibilidade com o passar dos anos e com o sedentarismo. 5. Cálculo da Taxa de Metabolismo Basal: A Taxa Metabólica Basal (TMB) é quantidade de energia necessária, geralmente medida em calorias, que o corpo humano necessita em repouso para manter suas funções vitais, como respiração, circulação sanguínea, regulação da temperatura interna e a saúde dos músculos. Determinar a TMB é importante para ajudar a definir as estratégias que serão planejadas para um programa de exercícios. Para se calcular a TMB de seu cliente obeso, a fórmula é a mesma (Harris-Benedict). Porém, é bom observar algumas condições. A primeira é que a TMB diminui com a idade, em média, cerca de 2-3% por década após os 20 anos. Isso ocorre devido à perda de massa muscular e massa óssea, que são tecidos metabolicamente ativos. Outra consideração é que os idosos podem ter doenças crônicas que afetam o TMB, como doenças cardíacas, pulmonares ou renais. Essas doenças podem aumentar o gasto energético em repouso, mas também podem reduzir a capacidade de atividade física, o que pode diminuir o TMB. 13.3 Exercícios Aeróbicos em Idosos Exercícios aeróbicos são ótimas opções de tipos de exercícios para melhorar a saúde cardiovascular de idosos. Porém, antes de iniciar qualquer programa de exercícios, temos que considerar vários fatores para garantir que os idosos obtenham os melhores resultados enquanto minimizam o risco de lesões. Ao trabalhar com idosos, é importante definir metas realistas e alcançáveis. Essas metas podem variar de pessoa para pessoa, levando em consideração a idade, o estado de saúde, a mobilidade e os objetivos individuais. As metas podem incluir a melhoria da resistência cardiovascular, a perda de peso, a redução da pressão arterial, entre outras. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 142 Definida as metas, vamos escolher a atividade adequada para ele. Nem todos os exercícios aeróbicos são adequados para todos os idosos. Levar em consideração as preferências pessoais, bem como a capacidade física, é essencial. Opções como caminhada, natação, ciclismo e dança são geralmente bem toleradas por muitos idosos. A intensidade e a duração dos exercícios devem ser sempre ajustadas de acordo com a capacidade do idoso. Começar com níveis mais baixos de intensidade e aumentar gradualmente é a abordagem mais segura. Como mencionamos antes, é sempre importante aferir a pressão e os batimentos antes e depois do exercício, e um importante acompanhamento é como está os batimentos por minutos durante o exercício (Gambassi et al., 2019). A faixa de batimentos por minuto (BPM) recomendada em exercícios aeróbicos para idosos pode variar de acordo com a capacidade física individual de cada pessoa. O ACSM (American College of Sports Medicine) recomenda que idosos visem uma frequência cardíaca alvo durante o exercício que esteja dentro da faixa de intensidade moderada a vigorosa. Isso geralmente corresponde a 50% a 85% da frequência cardíaca máxima prevista. Como vimos no capítulo 8, para se calcular isso, simplesmente fazemos a conta: 220 - idade. Então, para determinar a faixa de batimentos por minuto durante o exercício, usamos estes critérios: Mínimo: 50% da frequência cardíaca máxima Máximo: 85% da frequência cardíaca máxima Por exemplo, se uma pessoa idosa tiver 70 anos, sua frequência cardíaca máxima prevista seria: frequência cardíaca máxima = 220 - 70 = 150 batimentos por minuto Então, a faixa alvo de frequência cardíaca para essa pessoa durante o exercício aeróbico seria: Mínimo: 50% de 150 = 75 batimentos por minuto Máximo: 85% de 150 = 127,5 batimentos por minuto EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 143 Portanto, monitore e controle a intensidade de seu aluno ou cliente para que sua frequência cardíaca fique entre 75 e 127 batimentos por minuto, durante o exercício aeróbico. O ACSM também recomenda que idosos pratiquem exercícios aeróbicos pelo menos 150 minutos por semana, distribuídos ao longo de vários dias. Isso pode ser dividido em sessões mais curtas de 30 minutos, cinco dias por semana, por exemplo. A segurança é uma prioridade ao prescrever exercícios para idosos. Certificar-se de que o ambiente é seguro, usar calçados apropriados e evitar exercícios que possam aumentar o risco de quedas são aspectos importantes a serem considerados. Monitore sempre o progresso do idoso. Sempre procure ajustar o programa de acordo com as capacidades do idoso. Uma intensidade recomendada para esta população é que ele seja desafiador, mas ainda permita a conversa durante a execução. Por fim, não se esqueça que oferecer incentivo e apoio emocional é vital para manter os idosos motivados a continuar com o programa de exercícios. A participação em grupos de exercícios ou atividades sociais relacionadas à atividade física pode ser especialmente benéfica. 13.4 Exercícios Resistidos Para o Fortalecimento Para Idosos Exercícios com pesos, no passado, eram considerados arriscados e até prejudiciais para pessoas idosas. Hoje em dia, depois de muita pesquisa feita na área, já está mais do que provado que exercícios com pesos é uma das melhores atividades existentes para a saúde do idoso. No entanto, ao planejar um programa de exercícios de fortalecimento para idosos, é importante considerar vários fatores para garantir que seja seguro e eficaz. Os objetivos de fortalecimento podem variar de pessoa para pessoa. Alguns podem querer melhorar a força nas pernas para facilitar a mobilidade, enquanto outros podem estar interessados em fortalecer os músculos do tronco para melhorar a postura. É importante entender os objetivos individuais para personalizar o programa. Uma vez definido isso, escolher os exercícios apropriados é crucial. Os exercícios devem ser adaptados às necessidades e às condições individuais dos idosos. Exercícios que envolvem movimentos funcionais, como agachamentos, levantamentos de peso moderados, flexões de parede e extensões de quadril, são geralmente benéficos. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 144 A intensidade dos exercícios deve ser ajustada com base na capacidade do indivíduo. Para idosos iniciantes, o indicado é começar somente com o peso corporal e resistência elástica. À medida que a força aumenta, é hora de começar com o seu cliente idoso a utilizar pesos livres ou máquinas de musculação. Não se esqueça que, no início, ele aprender a técnica correta do movimento é mais importante do que a quantidade de carga. Sempre mantenha uma carga que ele considere relativamente fácil, até ele aprender a executar corretamente todo o movimento. A frequência dos treinos de fortalecimento pode variar, mas geralmente, 2 a 3 sessões por semana são recomendadas. O volume (a soma do número de séries e repetições) pode variar de acordo com os objetivos e a capacidade física. Com o tempo de treinamento, à medida que os idosos se tornam mais fortes, é importante aumentar gradualmente (e cuidadosamente!) a carga ou a intensidade dos exercícios para continuar desafiando os músculos. Quando este seu aluno idoso começar a conseguir progredir e aumentar a carga, esteja atento sempre à técnica adequada, para evitar lesões. Caso perceba que a técnica de movimento não esteja boa como antes, diminua a carga novamente. Só mantenha a carga elevada quando a técnica de movimento continuar correta. O descanso é importante para a recuperação. Os músculos precisam de tempo para se recuperar entre os treinos de fortalecimento, e idosos podem precisar de um tempo um poucomaior de descanso entre as séries do que um indivíduo mais jovem (Gambassi et al., 2019). Lembre-se: A segurança é sempre a prioridade. Os idosos devem evitar exercícios que causem dor ou desconforto excessivo, e devem estar cientes de suas limitações. Título: Idoso executando exercício de prancha Fonte: www.pexels.com/pt-br/foto/idosos-mais-velhos-exercicio-atividade-fisica-6975784/ EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 145 ANOTE ISSO Um grupo de músculos que é muito importante ser fortalecido no idoso, e que muitas vezes são desprezados, são os músculos da panturrilha. Estes músculos funcionam como um segundo coração para o ser humano. Eles ajudam a aliviar a carga que o coração tem que fazer para que todo o sangue retorne à ele. Ou seja, uma panturrilha fortalecida é um coração menos sobrecarregado 13.5 Exercícios de Equilíbrio e Flexibilidade em Idosos A possibilidade de quedas sempre é uma preocupação em idosos e seus familiares. À medida que envelhecemos, a capacidade de manter o equilíbrio pode diminuir devido a vários fatores, incluindo a perda de massa muscular, alterações na visão e no sistema vestibular (responsável pelo equilíbrio). Portanto, incorporar exercícios de equilíbrio em um programa de condicionamento físico para idosos é fundamental. Em geral, exercícios resistidos que fortaleçam os membros inferiores do idoso ajudam no ganho ou na manutenção do equilíbrio. Porém, nem sempre isso resolve sozinho o problema, e é benéfico se introduzirmos alguns exercícios específicos. Alguns exercícios recomendados para melhorar o equilíbrio em idosos incluem: • Caminhar alternando o apoio de um pé para o outro ajuda a desenvolver a estabilidade em uma perna de cada vez. • Levantar uma perna enquanto se dobra a outra ao nível do joelho, alternando os lados, pode melhorar o equilíbrio estático e dinâmico. Título: Casal de idosos realizando exercício de equilíbrio em uma perna só Fonte: www.istockphoto.com/br/foto/casal-idoso-equilibrando-se-em-uma-perna-gm153907893-15790761 EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 146 • Práticas como ioga e Tai Chi são conhecidas por enfatizar a postura, a respiração e a consciência corporal, contribuindo para a melhoria do equilíbrio. • Exercícios funcionais simulam movimentos da vida diária, como levantar de uma cadeira, subir e descer de um step e utilização de discos de equilíbrio ajudam a desenvolver o equilíbrio durante essas ações rotineiras. 13.6 Abordagem de Condições Médicas Comuns em Idosos Cuidar da saúde dos idosos através de exercícios é importante, mas precisamos ser cuidadosos por causa das condições médicas que eles podem ter. À medida que envelhecemos, nosso corpo muda, e muitos idosos têm problemas de saúde. Vamos falar sobre algumas dessas doenças comuns e como fazer exercícios com estes idosos da melhor maneira possível. Artrite: A artrite é uma inflamação crônica de uma ou mais articulações. É uma condição dolorosa que afeta as articulações, tornando os movimentos difíceis e dolorosos. No entanto, o exercício pode ser uma ferramenta valiosa no gerenciamento da artrite. Se seu aluno ou cliente tiver artrite, faça com ele exercícios de baixo impacto, como natação, ciclismo ou caminhadas suaves, para melhorar a mobilidade das articulações. Exercícios com pesos podem ser uma ferramenta muito boa para prevenir e tratar artrite. Lembre-se de enfatizar a importância de aquecimento e alongamento antes e depois das sessões. Osteoporose: A osteoporose é uma condição em que os ossos se tornam frágeis e propensos a fraturas. Os exercícios de resistência, como levantamento de peso leve, são essenciais para fortalecer os ossos e prevenir quedas. Certifique-se de que os idosos evitem movimentos de alto impacto que possam aumentar o risco de fraturas. Diabetes tipo 2: Muitos idosos lidam com diabetes tipo 2, que pode ser controlada e até mesmo revertida com a atividade física regular. Se seu aluno ou cliente tiver diabetes tipo 2, faça com ele atividades aeróbicas moderadas, como caminhadas rápidas, dança ou natação, para ajudar a controlar os níveis de açúcar no sangue. Exercícios resistidos também é uma boa opção para eles. Incentive a monitorização frequente dos níveis de glicose antes e após o exercício. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 147 Doenças cardíacas: As doenças cardíacas são uma preocupação significativa em idosos. Atividades como caminhadas e ciclismo leve podem ser benéficas para melhorar a saúde cardiovascular. Doença de Alzheimer e demência: Para os idosos que sofrem de doenças cognitivas, como a doença de Alzheimer, exercícios que envolvem atividades cognitivas, como jogos de memória e caminhadas em grupo, podem ser valiosos. Mantenha os exercícios simples e supervisionados, adaptando-os às capacidades individuais. Hipertensão Arterial: A pressão alta é uma condição comum em idosos, e o exercício pode ajudar a controlá-la. Faça com seu aluno idoso hipertenso atividades de baixo impacto, que promovem relaxamento e redução do estresse, o que pode contribuir para a redução da pressão arterial (Sahin, Depinho, 2010; Taylor, Johnson, 2015; Gambassi et al., 2019) EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 148 CAPÍTULO 14 TRABALHO MULTIDISCIPLINAR NA PROMOÇÃO DO EXERCÍCIO A promoção do exercício é fundamental para a melhoria da saúde e do bem-estar da população em geral, afinal, a maioria das pessoas que conhecemos são sedentárias, não é mesmo? Como vimos ao longo dos capítulos deste livro, a atividade física regular desempenha um papel vital na prevenção e no tratamento de uma variedade de condições médicas, além de contribuir para uma vida mais longa e saudável. No entanto, alcançar e manter uma rotina de exercícios bem-sucedida vai muito além de simplesmente fornecer conselhos genéricos e informações dos benefícios da atividade física. É por isso que um trabalho multidisciplinar é uma abordagem essencial na promoção do exercício. Isso implica a colaboração de profissionais de diversas áreas, como médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e, claro, profissionais de educação física. Quando diferentes especialistas trabalham juntos, eles podem criar um plano de exercícios que é feito especialmente para o indivíduo, levando em conta suas necessidades e condições pessoais. Neste capítulo, vamos conversar sobre a importância do trabalho multidisciplinar na promoção do exercício, examinando como esses profissionais podem se unir para desenvolver estratégias eficazes que incentivem as pessoas a adotarem um estilo de vida mais ativo e saudável. Vamos ver as melhores práticas e abordagens que demonstram o impacto positivo que essa colaboração pode ter na saúde e no bem- estar de indivíduos de todas as idades (Sousa, 2021). 14.1 Definição e Importância Uma equipe multidisciplinar é um grupo de especialistas de diversas áreas que colaboram para alcançar um objetivo comum. No contexto da promoção do exercício, essas equipes reúnem conhecimentos variados para criar abordagens abrangentes. O trabalho multidisciplinar na promoção do exercício é um aspecto fundamental no campo da educação física moderna. Entender como diferentes disciplinas se EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 149 complementam para promover a saúde e o bem-estar por meio do exercício é essencial, pois cada profissional funciona como uma peça de um quebra-cabeça, ou seja, cada um cuida de uma parte da saúde. Se juntarmos mais profissionais, conseguiremos juntar todas as peças para trabalhar a saúde de nosso cliente como um todo. Título: Trabalho em equipe multidisciplinar. Cada um com umaparte da solução do problema br.freepik.com/vetores-gratis/pessoas-do-trabalho-em-equipe-com-pecas-de-quebra-cabeca Então, o trabalho em equipe de profissionais de saúde de diferentes áreas se unem para ajudar as pessoas a ficarem mais saudáveis e terem uma vida melhor. Eles fazem isso olhando para todos os aspectos da saúde das pessoas, não só o exercício em si, mas também como ele se encaixa em um estilo de vida saudável. Ou seja, eles entendem que o exercício não é apenas uma atividade isolada, mas faz parte de um conjunto de coisas que nos mantêm saudáveis. A educação física, por si só, não pode abranger todos os aspectos relacionados à saúde e ao exercício. Por isso que a colaboração entre especialistas de diferentes campos é essencial para proporcionar uma visão completa e abrangente dos benefícios do exercício e para desenvolver estratégias eficazes de promoção da atividade física. A importância do trabalho multidisciplinar na promoção do exercício é refletida em várias áreas (Sousa, 2021): 1. Um olhar completo para a saúde: A colaboração entre diferentes disciplinas permite uma avaliação completa da saúde de um indivíduo. Por exemplo, enquanto um profissional de educação física pode prescrever um programa de exercícios, EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 150 um nutricionista pode fornecer orientação nutricional, e um fisioterapeuta pode tratar lesões pré-existentes. Essa abordagem não alcança apenas a condição física, mas também aspectos emocionais e psicológicos que podem afetar a adesão ao exercício. 2. Personalização: Cada indivíduo é único, com necessidades e metas específicas. Dessa forma, uma vantagem de se fazer um trabalho multidisciplinar é adaptar o programa de exercícios de acordo com as necessidades individuais. Isso aumenta a probabilidade de sucesso a longo prazo. 3. Prevenção e Gestão de Doenças: A combinação de conhecimentos de diferentes especialidades contribui para a prevenção e tratamento de doenças crônicas. Profissionais de saúde com especialidades diferentes podem identificar e tratar de várias formas diferentes algumas condições como diabetes, hipertensão e obesidade. Por exemplo, ao invés de tratar um caso de obesidade ou de diabetes somente com dietas, é mais eficiente se tratarmos com dietas e com exercícios específicos. 4. Melhoria da Qualidade de Vida: A promoção do exercício, mais do que melhorar a estética ou o desempenho físico, envolve melhorar a qualidade de vida dos indivíduos, auxiliando-os a alcançar um equilíbrio entre corpo e mente. A contribuição de profissionais multidisciplinares é fundamental para esse objetivo. Título: Equipe multidisciplinar de saúde Fonte: clinicanasnuvens.com.br/blog/equipe-multidisciplinar-de-saude/ 14.2 Como Estabelecer uma Abordagem Multidisciplinar Certo, vimos que é importante, de acordo com o caso, ter mais do que apenas um profissional em um programa de saúde, para tratar um determinado cliente, certo? Mas e agora, quais seriam as etapas para estabelecer essa abordagem? EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 151 O primeiro passo é uma avaliação completa das necessidades e objetivos do indivíduo. Isso pode envolver exames médicos, uma conversa detalhada e avaliações físicas. Como conversamos antes, é fundamental entender o histórico de lesões, metas de condicionamento físico e restrições individuais. Após identificar as necessidades do indivíduo, é hora de reunir uma equipe multidisciplinar qualificada. Essa equipe pode incluir profissionais de diversas áreas, como médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, entre outros. Cada membro trará uma perspectiva única para o tratamento e desenvolvimento de programas de condicionamento físico. É muito importante que todos na equipe se entendam bem. Isso significa que eles devem ter reuniões regulares para conversar e compartilhar informações sobre a saúde da pessoa que estão ajudando. Isso ajuda todos a estarem na mesma página sobre o que estão fazendo. Depois de coletar informações e ouvir as opiniões de todos na equipe, é hora de criar um plano completo para a pessoa. Esse plano deve incluir tudo o que é importante para a saúde, como exercícios, alimentação, apoio emocional, tratamento de lesões e maneiras de evitar problemas futuros. É como um mapa que mostra o caminho para a pessoa ficar mais saudável. Fique de olho no progresso do seu cliente, e faça mudanças no plano quando necessário. Trabalhando em equipe, você terá diferentes perspectivas para entender melhor como a pessoa está indo. Isso significa que você pode fazer ajustes precisos no programa sempre que tiver novas informações. É importante que você se mantenha atualizado com os avanços nas diversas disciplinas relacionadas à saúde e ao treinamento físico. Isso não apenas aprimora seu conhecimento, mas também enriquece sua capacidade de integrar novas práticas e tecnologias em sua abordagem multidisciplinar. Eduque seus clientes sobre os benefícios de uma abordagem multidisciplinar. Explique como essa estratégia pode levar a resultados mais eficazes e duradouros, além de promover uma compreensão mais profunda de sua própria saúde (Sousa, 2021). EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 152 Título: Equipe multidisciplinar reunida Fonte: www.flickr.com/photos/64586261@N02/52607923022 A implementação de uma abordagem multidisciplinar na Educação Física representa um avanço significativo na prestação de cuidados de saúde e condicionamento físico. Ao reunir especialistas de diferentes áreas, você pode fornecer uma experiência mais completa e personalizada aos seus clientes. Não esqueça que três coisas são muito importantes para fazer essa abordagem funcionar bem: trabalhar juntos de forma colaborativa, comunicar-se abertamente, falando uns com os outros de forma honesta e continuar aprendendo sempre. Trabalhar em equipe para cuidar das necessidades únicas de cada cliente vai trazer resultados melhores e promover uma saúde melhor a longo prazo. Um exemplo que podemos usar para mostrar que, as vezes, é necessário pontos de vista bem diferentes um do outro, para compreender um problema como um todo, é a figura abaixo, que mostra um Seminário Multidisciplinar de Diálogo Inter-Religioso Contra a Intolerância Religiosa no Brasil. Algumas religiões possuem crenças e pontos de vista bem diferentes uma da outra. Mas, para combater o preconceito religioso, uma equipe multidisciplinar (representantes de religiões diferentes) se uniram para ensinar uma causa comum. É como se cada representante fosse um profissional de uma certa área, e o cliente fosse a causa comum. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 153 Título: Seminário Nacional Multidisciplinar de Diálogo Inter-Religioso Contra a Intolerância Religiosa no Brasil Fonte: commons.wikimedia.org/wiki/File:1º_Seminário_Nacional_Multidisciplinar_de_Diálogo_Inter-Religioso_Contra_a_Intolerância_Religiosa_no_Brasil_-_Belo_ Horizonte_-_09-05-13_%288724077907%29.jpg 14.3 Estratégias de Conscientização e Promoção do Exercício A promoção do exercício é uma parte essencial da manutenção da saúde e bem- estar. No entanto, muitas pessoas ainda enfrentam desafios para adotar um estilo de vida ativo. Neste guia abrangente, exploraremos uma variedade de estratégias que podem ser usadas para conscientizar as pessoas sobre a importância do exercício e incentivá-las a incorporá-lo em suas vidas diárias (Sousa, 2021). • Educação e Informação: Uma das estratégias mais eficazes para promover o exercício é fornecer educação e informações claras sobre os benefícios do exercício para a saúde. Isso inclui destacar como o exercício pode prevenir doenças, prevenir e combater a obesidade, melhoraro condicionamento físico e a força muscular, reduzir o estresse e aumentar a qualidade de vida. Utilizar fontes confiáveis, como publicações científicas, pode ajudar a transmitir mensagens precisas e baseadas em evidências. • Campanhas de Sensibilização: Campanhas de conscientização são uma ferramenta poderosa para atingir grandes públicos. Elas podem incluir anúncios na mídia, mídias sociais, programas de televisão e eventos comunitários. Essas campanhas podem destacar histórias de sucesso de pessoas que adotaram um estilo de vida ativo e como isso impactou positivamente suas vidas. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 154 • Integração na Educação: Incorporar a educação física nas escolas desde tenra idade é uma estratégia importante para desenvolver hábitos saudáveis. As escolas podem oferecer aulas de educação física regularmente e promover atividades físicas extracurriculares. Isso não apenas ajuda as crianças a adotar um estilo de vida ativo, mas também educa os pais sobre a importância do exercício para seus filhos. ISTO ESTÁ NA REDE “Com grade multidisciplinar de ensino e atendimento psicossocial nas escolas, Louveira fortalece a educação humanizada. A base curricular em Louveira é formada por disciplinas que focam o desenvolvimento global das crianças, por meio de conhecimentos em arte, música, socialização, e o avanço da educação inclusiva e atendimento psicossocial.” Notícias como a descrita acima mostra um exemplo da importância de se ter vários tipos de profissionais para atendimentos específicos. Sem uma equipe multidisciplinar, esse trabalho não seria possível. www.louveira.sp.gov.br/conteudo/com-grade-multidisciplinar-de-ensino-e- atendimento-psicossocial-nas-escolas-louveira-fortalece-educacao-humanizada • Programas de Incentivo: Oferecer programas de incentivo pode motivar as pessoas a se exercitarem. Isso pode incluir descontos em academias, recompensas por atingir metas de atividade física ou a criação de competições saudáveis em locais de trabalho. A ideia é tornar o exercício mais acessível e recompensador. • Acessibilidade e Comodidade: Facilitar o acesso a oportunidades de exercício é fundamental. Isso pode incluir a criação de espaços públicos para atividades físicas, como parques, ciclovias e academias ao ar livre, e a promoção do uso de meios de transporte ativos, como caminhar ou andar de bicicleta. Além disso, incentivar a prática de exercícios em casa por meio de recursos online também pode ser eficaz. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 155 Título: Academia ao ar livre Fonte: commons.wikimedia.org/wiki/File:Academia_ao_ar_livre_e_pista_de_caminhada_no_B._Santa_Helena,_Coronel_Fabriciano_MG.JPG • Parcerias Comunitárias: Trabalhar em parceria com organizações comunitárias, como igrejas, clubes esportivos e grupos de voluntariado, pode ampliar os esforços de conscientização e promoção do exercício. Essas organizações podem oferecer eventos, programas e apoio local, criando um senso de comunidade em torno do exercício. • Uso de Tecnologia: A tecnologia desempenha um papel crescente na promoção do exercício. Aplicativos de rastreamento de atividade, dispositivos vestíveis e plataformas online podem ajudar as pessoas a monitorar seu progresso, definir metas e encontrar motivação. Além disso, a gamificação, que incorpora elementos de jogos em atividades físicas, pode tornar o exercício mais divertido e envolvente. • Promoção de Estilos de Vida Ativos: Além de focar exclusivamente no exercício formal, é importante promover estilos de vida ativos no dia a dia. Isso inclui incentivar a caminhada em vez do uso do carro, subir escadas em vez de usar elevadores e realizar pausas para alongamento no trabalho. • Modelos e Liderança Inspiradora: Pessoas influentes, como atletas, celebridades e líderes comunitários, podem servir como modelos inspiradores. Suas histórias de sucesso e comprometimento com o exercício podem motivar outras pessoas a seguirem o exemplo. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 156 É muito importante que as pessoas saibam mais sobre a importância de se exercitar e façam mais atividades físicas para ficarem saudáveis e evitarem problemas de saúde causados pela falta de movimento. Para conseguir isso, podemos usar várias maneiras, como ensinar, fazer campanhas, oferecer incentivos, tornar as atividades mais acessíveis, colaborar com outras organizações e usar a tecnologia. É preciso entender que não existe uma solução única que funcione para todos, então é melhor usar diferentes estratégias para motivar pessoas de diferentes grupos a serem mais ativas e a viverem de forma mais saudável. Um exemplo de uma estratégia diferente é para quem tem um animal de estimação. Ter um amigo de quatro patas pode ser um incentivo a se exercitar. Encorajar as pessoas a fazer passeios rotineiros com o cachorro, ou brincadeiras rotineiras com o gato, é uma ótima maneira de se exercitar. Título: Mulher idosa caminhando com seu animal de estimação Fonte: dicasrecaz.com/cuidados-especiais-cachorro-idoso/ EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 157 CAPÍTULO 15 EXERCÍCIOS PARA GRUPOS DE RISCO E SAÚDE FRÁGIL No mundo da Educação Física e Saúde, a promoção de atividades físicas é uma missão vital para melhorar a qualidade de vida e prevenir doenças. No entanto, cada indivíduo é único, com diferentes necessidades e desafios de saúde. É nesse contexto que, algumas vezes na profissão, nos deparamos com alguns alunos ou clientes com a saúde frágil, ou que se enquadram na categoria “Grupos de Risco”. Por isso, vamos conversar um pouco sobre algumas condições de saúde delicadas. Aqui, exploraremos os desafios e as oportunidades de trabalhar com indivíduos que, devido a variados fatores, requerem uma abordagem cuidadosa e personalizada para o exercício físico. É comum, pelo conhecimento popular, pensar que pessoas com saúde frágil devem ficar em repouso e fazer o mínimo de esforço possível. Este é um conceito inclusive adotado pela medicina no passado, mas hoje já está mais do que comprovado que este conceito é errôneo. Como é sabido nos dias de hoje, o sedentarismo é uma das principais causas para a saúde ter sido fragilizada. Cenas como as da figura abaixo são muito comuns, onde idosos, por exemplo, passam quase a totalidade de seu dia sentados ou deitados. Título: Casal de idosos sentados Fonte: www.stockvault.net/photo/296536/two-elderly-people-on-a-bench EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 158 Vamos então identificar os grupos de risco e os estados de saúde frágeis mais comuns, e dar idéias de como o profissional de educação física pode trabalhar com estes indivíduos, não apenas promovendo a saúde, mas também garantindo a segurança e o bem-estar de cada um deles. É importante destacar que todos os casos que veremos abaixo, o seu cliente ou aluno idoso deve passar por uma consulta e liberação médica antes de iniciar qualquer programa de exercícios, e também deve manter um acompanhamento médico contínuo. 15.1 Idosos Frágeis À medida que envelhecemos, a fragilidade pode se tornar um desafio significativo para a saúde e a qualidade de vida dos idosos. Alguns idosos têm um histórico de vida que podem tê-los deixado frágeis quando atingiram a terceira idade, tais como histórico de ter uma vida sedentária, alimentação não saudável ou doenças debilitantes. Essas podem ser fatores que fazem este idoso chegar a uma idade avançada com uma saúde mais fragilizada, incluindo grande diminuição na força ou da resistência muscular, do equilíbrio e coordenação. Para isso, um programa elaborado de exercícios específicospara essa condição pode desempenhar um papel fundamental na prevenção e na melhora dessa fragilidade em idosos. Vamos agora ver algumas dicas de como trabalhar com um idoso frágil, usando um plano abrangente com exercícios seguros e eficazes (Taylor; Johnson, 2015). Para a melhoria da força muscular, exercícios de resistência, como levantamento de pesos leves, elásticos de resistência e exercícios com o peso corporal, já fazem uma boa diferença no fortalecimento. Lembre-se que o idoso frágil e sedentário, cargas que parecam ser muito leves, já estão acima do que os músculos dele estão acostumados, e sua musculatura será desenvolvida de uma forma segura. Se for optar por exercícios aeróbicos, dê preferência para os de baixo impacto, como caminhadas e natação, ou sem impacto em aparelhos, como da figura abaixo. Ciclismo pode ser uma boa opção, mas sempre há o risco de quedas, então sempre faça uso da bicicleta ergométrica EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 159 Título: Exemplo de exercício aeróbico sem impacto Fonte: www.flickr.com/photos/governosp/49425118772/in/photostream/ Para a melhoria do equilíbrio e coordenação, exercício como ficar em pé só, pode ser benéfico para o início do programa de treinos, especialmente para essa população frágil. Exercícios de alongamento e flexibilidade devem ser executados sempre com idoso frágeis, pois ajudam a manter a amplitude de movimento das articulações, reduzindo o risco de rigidez e lesões. À medida que os idosos se tornam mais fortes e equilibrados, sua confiança para realizar atividades cotidianas aumenta, o que pode melhorar sua independência. É claro que cada idoso tem que ter seu plano de treinos individualizado para as condições físicas e os objetivos dele, mas alguns exemplos gerais de exercícios para idosos frágeis seria: (Taylor, Johnson, 2015; Gao, 2023). Exercícios aeróbicos: • É indicado esse tipo de exercício no mínimo 3 vezes na semana. Se for feito mais vezes por semana, o benefício é maior, mas sempre respeitando o limite do idoso. • Sempre iniciar gradualmente, e em terreno plano. • À medida que o idoso sentir mais facilidade nas caminhadas, começar a introduzir alguns trechos com uma pequena inclinação • Por segurança, corridas não são recomendadas com essa população, mesmo que já tenha desenvolvido alguma força muscular nos membros inferiores. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 160 Exercícios de Força: • 2 ou 3 vezes por semana são suficientes. • Agachamentos na cadeira são boas opções, pedindo pra ele se sentar e levantar de uma cadeira várias vezes. • Sentado em uma cadeira, peça para ele levantar uma perna e abaixá-la lentamente. • Em exercícios de levantamento de peso, use halteres leves ou elásticos de resistência para exercícios de braço. Exercícios de Equilíbrio: • Melhor se feito nos dias alternados com os dias de treino de força. • Uma boa opção de exercício de equilíbrio é pedir para ele segurar-se em alguma coisa, e levantar uma perna por alguns segundos. Sempre deixe o idoso ao alcance de alguma coisa que ele possa se segurar, enquanto realiza esse exercício, e mesmo assim, esteja sempre atento à segurá-lo, caso ele perca o equilíbrio, pois de acordo com a fragilidade muscular, o idoso pode ter força insuficiente nas mãos para se segurar e prevenir uma queda, e aí quem vai impedi-la é você. • Caminhar em linha reta: Ande com um pé na frente do outro para melhorar o equilíbrio. Exercícios de Alongamento: • Pode ser feito todos os dias • É bom alongar todos os segmentos do corpo, desde o pescoço, até os calcanhares. • Os alongamentos devem ser suaves, para não apenas dar mobilidade, mas tambem relaxar os músculos. Não se esqueça de que, em todos os tipos de exercícios, é importante começar com intensidade leve e aumentá-la gradualmente ao longo do tempo. Além disso, os idosos devem ouvir seus corpos e evitar qualquer exercício que cause dor ou desconforto. Como conversamos no capítulo 12, há uma crença de que idoso, especialmente os frágeis e em idade avançada, não poderiam fazer exercícios resistidos, pois poderiam lhes fazer mal, ou que eles “já estariam muito velhos” para ganharem força. Bem, um estudo que demonstra o quão errôneo está esse raciocínio, foi um dos primeiros estudos a ser realizado em idosos com idade avançada. Aconteceu em 1990 por Fiatarone e colaboradores, e abordou a fraqueza muscular e a mobilidade limitada EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 161 frequentemente encontradas em idosos frágeis, e investigou se esses problemas poderiam ser revertidos através do treinamento de força. O estudo incluiu dez idosos voluntários frágeis institucionalizados, com uma idade média de 90 anos. Os resultados revelaram que, inicialmente, a força muscular estava correlacionada negativamente com o tempo necessário para caminhar. Isso sugere que os participantes mais fracos tinham um tempo de caminhada mais lento. Além disso, a força muscular estava positivamente correlacionada com a massa muscular e a massa livre de gordura, indicando que aqueles com maior força tinham mais massa muscular. Após o programa de treinamento de resistência de alta intensidade, os participantes que completaram o treinamento experimentaram um aumento impressionante na força muscular, com ganhos médios de 174%. Além disso, o tamanho do músculo da coxa aumentou em 9,0%. A velocidade da marcha melhorou em 48% após o treinamento. Veja só que resultados impressionantes! Portanto, os resultados mostraram que o treinamento de resistência com pesos elevados é capaz de produzir ganhos significativos em força muscular, tamanho muscular e mobilidade funcional em idosos frágeis residentes em casas de repouso, mesmo em idades avançadas, até 96 anos. Isso indica que o treinamento de força pode ser uma intervenção muito eficaz para melhorar a qualidade de vida e a função física em idosos com idade avançada. 15.2 Indivíduos com Diabetes Tipo 2 Descompensada Usamos o termo “descompensada” quando o indivíduo portador de diabetes tipo 2 não está conseguindo manter níveis adequados de glicose no sangue, apesar do tratamento, o que pode levar a complicações mais sérias da doença. Pessoas com diabetes tipo 2 descompensada precisam tomar precauções específicas ao realizar exercícios, pois a glicose sanguínea instável pode tornar a prática de atividade física potencialmente arriscada. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (2019), Aqui estão alguns cuidados especiais que devemos tomar com um cliente nessa condição: Monitoramento de perto da glicose no sangue: É essencial monitorar regularmente os níveis de glicose no sangue antes, durante e após o exercício nesse tipo de cliente. Se os níveis de glicose estiverem muito altos ou muito baixos antes do exercício, EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 162 converse com seu cliente sobre isso, e faça adequações no plano de atividades que você elaborou para ele fazer neste dia. No geral, a intensidade de qualquer tipo de exercício deve ser menor do que ele está acostumado. Se for o caso, considere adiar a atividade até que esses níveis estejam dentro da faixa adequada. Planeje bem a alimentação: Se seu cliente ou aluno tiver essa condição de saúde, oriente-o a sempre ter uma refeição ou lanche adequado antes do exercício, especialmente se a atividade for intensa ou duradoura. Um cuidado extra deve ser tomado nesse ponto, e é indicado que ele faça um acompanhamento com nutricionista, para orientações específicas sobre o que comer e quando, de acordo com a rotina de horário que ele for fazer os treinos. Evite Exercícios Intensos em Jejum: Para os diabéticos controlados, esse cuidado sempre é bom,Um estudo realizado por Rombaldi e colaboradores, e publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte em 2014, teve como objetivo verificar o índice e os fatores que se associaram à ocorrência de lesões durante a prática de atividade física no tempo EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 17 de lazer. Este estudo analisou indivíduos na cidade de Pelotas. Este studo determinou que o índice de lesões em praticantes de atividade física, enquanto estavam em alguma atividade de lazer foi de 21%. As lesões mais prevalentes foram contusões (39%), luxações (30%) e distensões (11,3%). Este estudo também verificou que as atividades que tiveram os maiores índices de lesões foram a prática de futebol e musculação. As lesões estiveram associadas ao sexo masculino, idades mais jovens e a indivíduos de cor da pele preta e parda. A conclusão dos autores foi de que, apesar da prevalência de lesões entre praticantes, os benefícios decorrentes do estilo de vida ativo superam estes riscos. Este estudo serve para mostrar que exercícios físicos, apesar de ser uma das melhores coisas que podemos fazer pela saúde, ele só terá esse benefício se for feito de forma correta, e com a devida orientação de um profissional de educação física. Todos os tipos de “auto prescrição” na área da saúde podem trazer problemas. Uma pessoa que se automedica, por exemplo, tomando remédios por conta própria sem consultar um médico, pode trazer problemas à saúde. Uma pessoa que faz dieta por conta própria, sem a orientação de um nutricionista pode estar correndo o risco de ter deficiência de algum nutriente importante para a saúde. No campo da educação física não é diferente. A orientação profissional pode ser o determinante chave para aquele exercício estar sendo aplicado, ou não, da forma correta. A realização de exercícios sem orientação pode levar a uma má gestão do descanso e recuperação, tão importantes quanto o próprio treino para o crescimento muscular e a melhoria da condição física. O excesso de treino, ou overtraining, pode resultar em fadiga crônica, perda de massa muscular e queda no desempenho. Então, lembre-se, não é porque você está se exercitando que está necessariamente fazendo bem para sua saúde. Sempre devemos orientar e conscientizar as pessoas que buscam fazer exercícios, para que o façam com a orientação de vocês, futuros profissionais de educação física, para que possam colher todos os benefícios do exercício físico sem correr riscos desnecessários. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 18 CAPÍTULO 2 O EXERCÍCIO COMO FATOR DE PREVENÇÃO E TERAPIA Neste capítulo, vamos entender e aprofundar em um dos aspectos mais interessantes do exercício físico: a utilização deste como fator de prevenção de doenças e, inclusive, como terapia. Certo, você pode estar se perguntando: prevenção e terapia? Como o exercício pode servir a ambos os propósitos? A resposta é bastante simples: o exercício é poderoso. E a cada dia, nós, profissionais de educação física, continuamos a descobrir mais sobre seu impacto profundo na saúde humana. Você, provavelmente, já ouviu o velho ditado “uma maçã por dia mantém o médico longe”. Essa é uma frase bem comum entre os americanos. No entanto, hoje eu lhe diria que “um treino por dia mantém o médico longe”. O exercício é um poderoso aliado, não apenas na prevenção de várias doenças, mas também como um complemento eficaz no tratamento de muitas outras. Não se engane, porém. Este livro não é uma prescrição para trocar todos os medicamentos por exercícios. A medicina, como a conhecemos, é uma ciência crucial que salva vidas. No entanto, o que estamos discutindo aqui é a combinação da medicina tradicional com a terapia do exercício, uma dupla que pode proporcionar melhor qualidade de vida e até mesmo aumentar a longevidade. Neste capítulo, vamos ampliar a compreensão de como o exercício impacta nossa saúde, desde níveis celulares, até mesmo psicológicos. Veremos como a atividade física regular pode nos ajudar a evitar doenças crônicas neurodegenerativas, como o Alzheimer e Parkinson e certos tipos de câncer. Também exploraremos como o exercício está sendo usado como uma poderosa ferramenta terapêutica para ajudar a tratar uma variedade de condições, desde a depressão até a recuperação da mobilidade após uma lesão. 2.1 Exercício e Prevenção de Doenças O exercício regular é uma ferramenta valiosa para a manutenção da saúde geral. Já está bem consolidado na literatura científica um grande número de doenças que EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 19 o exercício pode manter longe de nós. Um dos mais importantes é a manutenção cerebral e prevenção de doenças neurodegenerativas. Também abordaremos os efeitos sobre a ansiedade e depressão. 2.1.1 A Influência do Exercício na Doença de Alzheimer A Doença de Alzheimer é um tipo de demência que, infelizmente, é irreversível e tende a progredir com o tempo. Ela foi nomeada em homenagem ao médico alemão Alois Alzheimer, que a descreveu pela primeira vez no início do século XX. Com o tempo, essa condição causa a degeneração das células cerebrais, o que resulta em problemas com a memória, pensamento e comportamento (Mayo Clinic, 2018). Em estágios mais avançados, a pessoa pode se tornar incapaz de realizar atividades diárias simples, como se alimentar e se vestir sozinha. A maior parte dos pacientes com Alzheimer tem 65 anos ou mais, mas existem casos de início precoce da doença, antes dos 65. E não, a idade avançada não significa necessariamente que a pessoa desenvolverá Alzheimer, mas é um fator de risco importante, assim como a genética e o estilo de vida (Breijyeh; Jubeh; Buirski, 2020). Os sintomas da Doença de Alzheimer geralmente começam de maneira sutil, como esquecimentos ocasionais, mas, com o tempo, esses lapsos de memória se tornam mais frequentes e acentuados. A pessoa pode esquecer conversas ou compromissos recentes, ter dificuldade em encontrar as palavras certas para expressar pensamentos ou realizar tarefas familiares, entre outros sinais (Karran; Hardy, 2014). Título: Pessoas Idosas são as mais suscetíveis a contraírem Alzheimer Fonte: pixabay.com/pt/photos/dependentes-dem%C3%AAncia-mulher-velho-441405/ EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 20 Lembre-se, o diagnóstico precoce é muito importante, pois permite que a pessoa e sua família planejem o futuro, resolvam questões legais e financeiras, e iniciem tratamentos que podem aliviar alguns sintomas e melhorar a qualidade de vida (Breijyeh; Jubeh; Buirski, 2020). Infelizmente, ainda não há cura para a Doença de Alzheimer, mas existem tratamentos que podem ajudar a aliviar alguns dos sintomas. E é aqui que a educação física entra. A atividade física regular pode ser um aliado para ajudar a prevenir o desenvolvimento desta condição. Portanto, vamos ver algumas informações importantes sobre o papel significativo que o exercício físico regular pode ter na luta contra o Alzheimer. Segundo o artigo de Intlekofer e Cotman, publicado na “Journal of Alzheimer’s Disease” em 2013, a atividade física é um poderoso meio de prevenção e gestão do Alzheimer. Por meio do exercício, nosso corpo libera uma série de substâncias químicas que beneficiam nosso cérebro. Uma dessas substâncias é o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), que ajuda a promover a saúde e a sobrevivência das células cerebrais, além de estimular o crescimento de novas células cerebrais (neurogênese). E não é apenas a saúde celular que é beneficiada. Um estudo de 2015 publicado na revista “Neurobiology of Aging” descobriu que o exercício regular pode reduzir o acúmulo de placas beta-amiloides, uma das principais características patológicase com os diabéticos descompensados, esse cuidado deve ser ainda maior. Por isso é uma boa ideia sempre evitar exercícios vigorosos em jejum, pois isso pode levar a hipoglicemia. É geralmente recomendável orientá-lo a sempre fazer uma refeição leve antes do exercício. Carregue Alimentos de Emergência: Pessoas diabéticas, principalmente os mais graves, que são os descompensados, costumam ter esse hábito, mas sempre há a possibilidade de ele ter esquecido de trazer, ou de já ter tido a necessidade de usá-lo. Então, como uma segurança adicional, é bom sempre ter consigo alimentos de rápida absorção, como glicose em gel ou comprimidos de glicose, em caso de hipoglicemia durante o exercício. Atenção extra aos sintomas: Se seu aluno ou cliente sentir tontura, fraqueza, suor excessivo, palpitações ou qualquer outro sintoma incomum durante o exercício, pare imediatamente o exercício com ele e, se disponível, verifique a glicose com o glicosímetro. Se o valor da glicose estiver abaixo de 70 mg/dL, a ingestão de algum alimento de emergência é necessário. Combine exercícios aeróbicos com resistidos: para diabéticos tipo 2 descompensados, principalmente iniciantes, não faça uma sessão inteira somente com exercícios resistidos EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 163 ou aeróbicos. Faça uma combinação para que nenhum dos tipos de exercício fique muito desgastante. À medida em que seu cliente ou aluno for ganhando condicionamento físico, você pode, gradualmente, aumentando a duração de um tipo de exercício somente Progressão Gradual: Apesar deste procedimento ser o recomendado em qualquer tipo de treino, com qualquer tipo de aluno ou cliente, para grupos de risco como esse, a progressão deve ser feita com mais cuidado ainda. Observe bem se a aptidão física melhora, antes de planejar aumentar a intensidade. Comunique-se com o(s) outro(s) profissional(is): Se ele está fazendo acompanhamento médico, nutricional, ou com outro profissional da saúde, o ideal é que você, junto com ele, mantenha uma comunicação regular com estes outros profissionais, inclusive enviando relatórios do progresso nos exercícios. Essa informação pode ser útil aos demais profissionais, para que eles possam fazer melhor os ajustes necessários, seja na medicação ou na nutrição do indivíduo. Lembre-se de que a segurança é a prioridade ao realizar exercícios com diabetes tipo 2 descompensada. Um plano de exercícios personalizado, juntamente com o monitoramento adequado dos níveis de glicose no sangue e a sua orientação, pode ajudar a aproveitar os benefícios do exercício enquanto se mantém seguro. 15.3 Obesos Mórbidos A obesidade mórbida, também conhecida como obesidade grave ou classe III da obesidade, é uma condição em que há excesso significativo de peso corporal que representa um risco grave para a saúde. Ela é geralmente definida por um índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 40 kg/m². A obesidade mórbida não é apenas uma questão estética, mas uma condição médica que pode estar associada a uma série de problemas de saúde graves, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, apneia do sono, problemas respiratórios e até mesmo um risco aumentado de certos tipos de câncer. A introdução de um programa de exercícios para pessoas com obesidade mórbida deve ser feita com cuidado, sempre fornecendo supervisão adequada, devido aos riscos específicos associados a essa condição. Dessa forma, vamos ver abaixo algumas EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 164 dicas e cuidados que devemos ter ao ingressar obesos mórbidos em um programa de exercícios: (Taylor; Johnson, 2015) Se for trabalhar exercícios aeróbicos, a forma mais segura é trabalhar exercícios sem impacto, como exercícios na água como natação e hidroginástica. Uma excelente opção para trabalhar exercícios aeróbicos com obesos mórbidos é o ciclismo em bicicleta ergométrica. É um exercício que trabalha muito bem o metabolismo aeróbico, permite ajustar facilmente a intensidade e não há impacto. Título: Bicicleta ergométrica Fonte: www.pxfuel.com/en/free-photo-oxxiq Sempre inicie gradualmente os exercícios com baixa intensidade e progressivamente aumente a intensidade e a duração conforme a resistência e força de seu aluno ou cliente melhoram. Isso ajuda a prevenir lesões e evita que ele se sinta sobrecarregado no início. É recomendado que, no início do programa, os exercícios sejam apenas resistidos. É vital que a musculatura seja fortalecida e preparada para o programa de treinos. Somente após a musculatura estar mais fortalecida que exercícios aeróbicos devem ser introduzidos. De preferência, combine exercícios aeróbicos, de resistência e flexibilidade para obter benefícios abrangentes. A variedade ajuda a trabalhar diferentes grupos musculares e melhora a função cardiovascular. Atividades com algum impacto, como uma caminhada mais longa, só deve ser introduzida após um tempo de fortalecimento muscular, principalmente de membros inferiores. Isso vai garantir que as articulações sejam menos sobrecarregadas durante a atividade. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 165 É interessante monitorar a frequência cardíaca durante o exercício aeróbico. Use um monitor de frequência cardíaca para garantir que ele esteja exercitando-se dentro de uma faixa segura para sua condição. Isso ajuda a evitar a sobrecarga cardiovascular. Mantenha seu aluno ou cliente bem hidratado antes, durante e após o exercício. Se estiver suando muito, dê preferência por bebidas isotônicas. A hidratação é crucial para evitar problemas como a hipertermia. Evite exercícios de alto impacto, como corrida ou saltos, que podem aumentar o risco de lesões, mesmo que já esteja com a musculatura de membros inferiores fortalecida. Concentre-se em atividades mais seguras e sustentáveis. Por fim, converse bastante com ele ou ela sobre paciência e consistência. Resultados significativos podem levar tempo. É essencial ser paciente e consistente em sua rotina de exercícios para obter benefícios duradouros. Uma rotina de exercícios específicos é importante para o obeso mórbido conseguir melhorar essa condição, contudo, o tratamento mais efetivo da obesidade mórbida geralmente requer uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir tambem mudanças na dieta, terapia comportamental, medicamentos e, em casos extremos, cirurgia bariátrica. É importante abordar a obesidade mórbida de forma séria, pois as complicações associadas a essa condição podem ser potencialmente fatais e prejudicar significativamente a qualidade de vida (Taylor; Johnson, 2015). ISTO ACONTECE NA PRÁTICA O conhecimento popular é que, para se emagrecer, deve ser feito exercícios aeróbicos, como caminhada e corrida. Na prática da profissão, é muito comum encontrar pessoas obesas que querem emagrecer, e o exercício que vem, em mente, para elas, é “preciso fazer caminhadas”. De fato, caminhar é um exercício que traz inúmeros benefícios à saúde, mas não é dos melhores para a queima de gordura corporal. Então, como profissionais de educação física, precisamos conscientizar essas pessoas de que está no passado o conceito de que exercícios com pesos servem somente para ganhar músculos. Pelo contrário, como vimos em vários estudos citados no capítulo 5, é uma das ferramentas mais eficientes para o aumento do metabolismo basal e, consequentemente, a queima de gordura. Como falamos anteriormente, a forma mais segura de trabalhar com obesos mórbidos é por meio de exercícios com baixo ou nenhum impacto, e a musculação fornece justamente essa condição. Sempre deixe claro, para seu aluno ou cliente obeso mórbido, que exercícios com pesos é uma das formas mais eficientes e seguras de emagrecer. EXERCÍCIO FÍSICO NASDIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 166 15.4 Pessoas com Lesões ou Deficiências Físicas Ao elaborar um programa de exercícios para pessoas com lesões ou deficiências físicas, o profissional de educação física deve adotar uma abordagem cuidadosa e individualizada para garantir que o exercício seja seguro e eficaz. Vamos falar sobre algumas dicas e cuidados que você deve ter, ao treinar seu aluno ou cliente. Logo de início, na anamnese, entenda as limitações funcionais específicas da pessoa devido à lesão ou deficiência. Converse com o cliente para entender suas metas, e procure avaliar seus níveis de dor ou desconforto, para você saber quais tipos de exercícios pode incluir, e quais não pode. Após coletada todas as informações sobre este indivíduo, desenvolva um programa de exercícios individualizado com base nestas informações, levando em consideração, tanto as limitações quanto os objetivos da pessoa. Converse com ele sobre suas preferências e motivações. A aderência ao programa será bem mais eficiente se vocês conseguirem encontrar um bom equilíbrio entre os melhores tipos de exercício para ele, e os tipos de exercício que ele prefere ou que ele consegue fazer melhor. Verifique sempre que seu aluno ou cliente execute os exercícios com a técnica correta e a postura apropriada, pois, caso contrário, podemos piorar a atual situação dessa pessoa. Use equipamentos de suporte, como órteses, se necessário. A supervisão direta é essencial, especialmente durante as primeiras sessões de treinamento. Elabore uma variedade de exercícios que visem diferentes grupos musculares e habilidades funcionais. Isso ajuda a melhorar a mobilidade, a força e a resistência de maneira mais abrangente, mas esteja preparado para fazer ajustes no programa, à medida que a pessoa progride ou enfrenta desafios inesperados devido à lesão ou deficiência. Sempre mantenha uma comunicação constante com o cliente para avaliar o progresso, ajustar metas e ouvir suas preocupações e necessidades. Ajude o aluno ou cliente a entender a importância do programa de exercícios em relação à sua saúde e qualidade de vida. Explique como os exercícios beneficiam sua condição específica. Esteja sempre atento aos níveis de dor ou desconforto durante e após o exercício. Se a pessoa relatar alguma dor persistente ou aguda, ajuste o programa de acordo. Se caso persistir essa dor, não hesite em orientá-lo a procurar ajuda médica. Em muitos casos, o tratamento mais eficaz é esse programa de exercícios seja também com um acompanhamento contínuo de um médico. Isso ajuda, tanto o médico EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 167 a fazer os ajustes que ele julgar necessário no tratamento, quanto para o profissional de educação física a adaptar o plano de treinos. Lembre-se sempre que cada pessoa é única, e as necessidades de treinamento variam de acordo com sua condição. Portanto, a individualização e a segurança devem ser prioridades ao desenvolver um programa de exercícios para pessoas com lesões ou deficiências físicas (Gao, 2023). EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 168 CONCLUSÃO Ao longo deste livro, exploramos os diversos benefícios do exercício físico, e seus riscos se não forem devidamente orientados e planejados. desvendamos seu papel crucial na prevenção e no tratamento de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemias e suas características específicas em gestantes, idosos, obesos, diabéticos e hipertensos. Também destacamos as principais estratégias de intervenção e enfatizamos a importância do trabalho multidisciplinar nessa jornada em busca da saúde plena. A conclusão de nossa exploração é clara: o exercício físico é uma das ferramentas mais poderosas à nossa disposição para viver uma vida mais saudável e plena. Ele é o elixir da vitalidade, o remédio da longevidade e a fonte da alegria. No entanto, como qualquer ferramenta poderosa, ele deve ter a orientação profissional com responsabilidade. Para aqueles que buscam prevenir doenças, o exercício é um escudo protetor que fortalece o coração, mantém o peso sob controle, regula os níveis de açúcar no sangue, controla a pressão arterial e equilibra os lipídios. É uma arma formidável em nossa luta contra os males modernos que ameaçam nossa saúde. Para aqueles que já enfrentam o desafio de doenças crônicas, o exercício é um coadjuvante terapêutico poderoso. Ele auxilia na gestão dessas condições, melhorando a qualidade de vida, reduzindo a dependência de medicamentos e proporcionando um senso renovado de controle sobre a própria saúde. Aprendemos que o exercício é uma peça central do quebra-cabeça da saúde. É uma ferramenta versátil que pode ser adaptada às necessidades individuais, independentemente da idade, condição física ou situação de saúde. Ele é, de fato, o antídoto para a armadilha da vida sedentária em que muitos de nós caímos. Entretanto, a prática do exercício não deve ser vista como uma responsabilidade solitária. Há situações em que devemos empreender juntos com outros profissionais. Médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos, desempenham um papel crucial na orientação e no acompanhamento, assegurando que cada passo na jornada de exercício seja seguro e eficaz. Lembre-se sempre do importante papel que o profissional de educação física tem de incorporar o exercício na vida das pessoas. Cada passo, cada movimento, é um investimento no bem-estar futuro. O poder do exercício está ao seu alcance. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 169 ELEMENTOS COMPLEMENTARES LIVRO Título: Atividade física adaptada: qualidade de vida para pessoas com necessidades especiais. Autor: Márcia Greguol, Roberto Fernandes da Costa Editora: Manole Sinopse: O livro aborda os principais temas e conceitos da atividade física para grupos especiais, tais como Hipertensão arterial, Diabetes, Envelhecimento, Osteoporose, Gravidez e Obesidade. FILME Título: The Weight of the Nation (O peso de uma nação) Ano: 2012 Sinopse: The Weight of the Nation é uma série documental em quatro partes produzida pela rede de televisão a cabo americana HBO. Abordando a crescente epidemia de obesidade nos Estados Unidos, a série documental incluiu a colaboração com os Institutos Nacionais de Saúde, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças e o Instituto de Medicina. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 170 WEB A Mayo Clinic é um dos maiores sites de saúde do mundo. Ele fornece informações de saúde precisas e confiáveis, incluindo exercícios seguros e adaptados a várias condições médicas A escrita é em linguagem simples que é rápida e facilmente compreendida por pessoas de todos os níveis de alfabetização. O conteúdo é baseado na literatura médica e na opinião de especialistas da Mayo Clinic. É listado todas as fontes no final dos artigos. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 171 REFERÊNCIAS ABDALLA, M. M. Ibrahim. Ghrelin - Physiological Functions and Regulation. Eur Endocrinol., v. 11, n. 2, p. 90-95, ago. 2015. ALZHEIMER’S ASSOCIATION. 2020 Alzheimer’s disease facts and figures. Alzheimers Dement, v. 16, 2020. AHLSKOG, J. E. Aerobic exercise: evidence for a direct brain effect to slow Parkinson disease progression. 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EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 21 ISTO ESTÁ NA REDE A Clínica Mayo (Mayo Clinic) é o primeiro e um dos maiores centros de medicina integrada do mundo. Em seu site, ela lançou um grande e detalhado artigo sobre a doença de Alzheimer, e todos os fatores que podem agravar, e que podem melhorar e prevenir a doença. Ela cita que os mesmos fatores de risco associados à doença cardíaca também podem aumentar o risco de demência, podendo levar ao desenvolvimento de Alzheimer. Os fatores principais, segundo a pesquisa, seriam: Falta de exercícios regulares; Obesidade; Pressão alta; Colesterol alto, Diabetes tipo 2 não controlada e uso de cigarros. Note que, com exceção do uso de cigarros, todos os outros fatores são ligados à educação física! Viu só a importância do profissional de educação física para a prevenção e tratamento dessa doença? Título: Clínica Mayo Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Mayo_Clinic 2.1.2 A Influência do Exercício na Doença de Parkinson A doença de Parkinson é uma condição neurológica degenerativa, cuja principal característica é o comprometimento motor, ou seja, afeta os movimentos do indivíduo. Ela foi descrita pela primeira vez pelo Dr. James Parkinson em 1817, mas ainda hoje é uma doença que requer muita pesquisa. No Parkinson, os neurônios que produzem dopamina, localizados numa área do cérebro chamada substância negra, começam a morrer (Postuma et al., 2015). A dopamina é um neurotransmissor que permite que os neurônios se comuniquem entre si, desempenhando um papel crucial na coordenação do movimento. Quando esses neurônios morrem, o cérebro começa a receber menos dopamina, o que causa EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 22 tremores, rigidez muscular, lentidão de movimento e problemas de equilíbrio (Tysnes; Storstein, 2017). Além disso, não é apenas a capacidade motora que é afetada. Muitas pessoas com Parkinson também experimentam uma variedade de sintomas não motores, como depressão, problemas de sono e perda do olfato (Schapira et al, 2017). É mais comum que a doença de Parkinson seja diagnosticada em pessoas com mais de 60 anos. Embora a causa exata seja desconhecida, acredita-se que seja uma mistura de fatores genéticos e ambientais. Infelizmente, ainda não temos uma cura para a doença de Parkinson, mas os medicamentos disponíveis podem aumentar ou substituir a dopamina no cérebro, o que pode ajudar a aliviar os sintomas (Postuma et al., 2015). Em casos mais avançados, uma opção pode ser a cirurgia de estimulação cerebral profunda. Mas e o exercício físico? Ele pode ajudar nisso? A resposta é Sim! Você sabia que o exercício físico regular é uma das ferramentas mais eficazes que temos para combater a doença de Parkinson? Vamos entender melhor isso. Em primeiro lugar, é importante lembrar que o Parkinson é uma doença que afeta principalmente o sistema motor, certo? Agora, imagine se pudéssemos fazer algo para melhorar a força, a flexibilidade e o equilíbrio, tudo de uma vez? Bem, isso é exatamente o que o exercício físico pode fazer (Ahlskog, 2018). A pesquisa também sugere que a prática regular de exercícios físicos pode ajudar a retardar a progressão do Parkinson e melhorar a qualidade de vida. O exercício físico mostrou-se capaz de melhorar tanto os sintomas motores quanto os não motores em pacientes com Parkinson. Mas que tipo de exercício é melhor? Aqui está a boa notícia: parece que muitos tipos diferentes de exercícios podem ser benéficos. A pesquisa mostrou que tanto os exercícios aeróbicos (como caminhar e correr) quanto os exercícios de resistência (como levantar pesos) podem trazer benefícios. Além disso, exercícios que envolvem equilíbrio e flexibilidade, como yoga e tai chi, também mostraram ter efeitos positivos (Yang et al., 2014). A figura abaixo mostra alguns exemplos de exercícios para pessoas com doença de Parkinson: EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 23 Título: Exemplos de exercícios para portadores de Parkinson Fonte: Capa do livro “Manual de exercícios para pessoas com doença de Parkinson” Assim, os profissionais de educação física têm um papel fundamental no tratamento de pessoas com essa condição. O exercício físico pode ser um componente chave para gerenciar essa doença. Este não é mais um campo somente da Medicina, como era antigamente. De fato, a educação física está cada vez mais presente no tratamento de diversos tipos de doenças. 2.1.3 A Influência do Exercício na Ansiedade e Depressão Temos agora um assunto de suma importância para discutir: a influência do exercício na ansiedade e depressão. Este é um tópico que possui uma conexão profunda com nossa saúde mental, um aspecto crucial da nossa vida que às vezes pode ser negligenciado. Em um mundo cada vez mais agitado, ansiedade e depressão tornaram- se assuntos comuns na vida de muitas pessoas (OMS, 2021). Mas você sabia que o exercício físico pode ser um poderoso aliado contra essas condições? EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 24 Primeiro, vamos falar sobre o que a pesquisa tem a dizer. Um estudo publicado por Stanton e Reaburn (2014) na revista ‘Journal of Psychiatric Research’ sugere que a atividade física regular pode diminuir os sintomas de depressão e ansiedade. Em suas palavras, “a atividade física regular tem demonstrado um efeito significativo na melhoria do humor e na redução dos sintomas de depressão e ansiedade”. Isso não é incrível? Outra pesquisa, de Harvey e colaboradores (2018), no ‘The British Journal of Psychiatry’, confirma essas descobertas. Eles analisaram a associação entre o exercício e a redução da incidência de novos casos de depressão e ansiedade em um período de quatro anos. Os resultados foram bastante encorajadores, reforçando a conexão positiva entre exercício e saúde mental. Mas, você deve estar se perguntando, como isso realmente funciona? Bem, quando nos exercitamos, nosso corpo libera vários neurotransmissores, como endorfinas, dopamina e serotonina. Essas substâncias químicas no cérebro desempenham um papel fundamental na regulação do nosso humor e na nossa sensação de bem-estar (Alzheimer Association, 2020). Você pode se perguntar, qual é o tipo de exercício mais eficaz? Caminhada, corrida, yoga, levantamento de peso? A resposta é um pouco mais complexa do que parece. Schuch et al. (2016), em um estudo publicado no ‘American Journal of Psychiatry’, descobriram que qualquer forma de exercício, realizada de forma consistente, pode ter efeitos benéficos na saúde mental. O que realmente importa é encontrar uma atividade que você goste e possa praticar regularmente. Afinal, a consistência é a chave para a eficácia a longo prazo. Em um outro estudo interessante, Chekroud e colaboradores (2018) descobriram que algumas atividades, como esportes de equipe, ciclismo e exercícios aeróbicos de alta intensidade, podem ter um impacto ligeiramente maior na redução dos sintomas de depressão. Contudo, qualquer atividade que aumente sua frequência cardíaca e o faça suar tem potencial para melhorar sua saúde mental. A figura abaixo mostra um exemplo de como a prática de uma atividade física pode ser prazerosa e, inclusive, ser uma formade reunir amigos e aumentar o convívio social. Muitas vezes estes fatores começam a ser cada vez mais abandonados por pessoas com depressão, e o exercício pode ser uma ferramenta muito interessante pra isso, não acha? EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 25 Título: A alegria de se praticar atividade física Fonte:pixabay.com/pt/users/bedrck-3068806 Portanto, é importante ter em mente que, para uma pessoa que está com ansiedade e/ou depressão, para a escolha do tipo de exercício que será benéfica, a escolha pessoal é o fator mais importante, pois essa população tende a desanimar mais facilmente de uma rotina de exercícios. Vale a pena ressaltar, no entanto, que o exercício não deve ser visto como uma solução para todos os males. Em casos de depressão e ansiedade graves, é essencial procurar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra. O exercício pode ser um complemento ao tratamento, mas não deve ser considerado um substituto para terapias e medicação, nos casos mais graves. 2.2 Exercício Como Terapia Coadjuvante Após o nosso mergulho anterior na influência do exercício na ansiedade e depressão, vamos agora explorar um pouco mais a função do exercício como uma terapia coadjuvante. Você já ouviu esse termo antes? A terapia coadjuvante se refere a um tratamento adicional que é usado em conjunto com a terapia principal para aumentar sua eficácia. No caso da saúde mental, isso pode envolver a combinação de tratamentos convencionais, como psicoterapia ou medicação, com a atividade física regular. De acordo com Mikkelsen e colaboradores (2017), os exercícios físicos têm mostrado ser uma terapia coadjuvante eficaz em várias doenças, inclusive na depressão. Eles EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 26 ajudam a melhorar o humor, a autoestima e a qualidade do sono, enquanto também reduzem os níveis de estresse e ansiedade. Uma pesquisa conduzida por Kvam e colaboradores em 2016 também comprova essa premissa. Os autores concluíram que o exercício físico, como uma terapia coadjuvante, é eficaz no tratamento da depressão, tendo um impacto significativo na redução dos sintomas depressivos. Um outro estudo importante foi o de Stubbs e colaboradores em 2017. O grupo de pesquisa descobriu que a prática regular de atividade física pode ser um excelente complemento para a terapia em indivíduos que sofrem de depressão, reafirmando a conexão vital entre o corpo e a mente. Os benefícios do exercício como terapia coadjuvante vão além da depressão e da ansiedade. A atividade física regular também tem sido recomendada para auxiliar no tratamento de outros transtornos de saúde mental, como o transtorno do estresse pós-traumático (PTSD) e o transtorno bipolar. Por exemplo, Rosenbaum e colaboradores (2015) em uma revisão sistemática e meta-análise, descobriram que o exercício pode ter um efeito positivo significativo nos sintomas de PTSD. Eles sugerem que o exercício deve ser considerado como uma intervenção adicional na gestão de PTSD. Já para o transtorno bipolar, Sylvia e colaboradores, em 2014, sugeriram que a atividade física pode desempenhar um papel benéfico na manutenção do humor e na prevenção de episódios maníacos e depressivos. A pesquisa deles indica que a atividade física pode ser uma adição útil ao plano de tratamento de uma pessoa com transtorno bipolar. Vamos ver agora mais alguns exemplos de situações que o exercício pode ser uma ótima terapia coadjuvantes, ou seja, que possa ser um bom complemento para o tratamento de alguma doença: • Doenças cardiovasculares: Em conjunto com medicamentos e mudanças na dieta, o exercício pode ajudar a controlar a pressão arterial, a reduzir o colesterol ruim (LDL) e a aumentar o colesterol bom (HDL), promovendo a saúde cardiovascular. • Diabetes: Junto com medicamentos antidiabéticos e um plano alimentar adequado, o exercício pode ajudar a controlar os níveis de açúcar no sangue, reduzindo a resistência à insulina e promovendo a saúde geral. • Transtornos mentais (como depressão e ansiedade): A terapia e os medicamentos são frequentemente a primeira linha de tratamento, mas, como conversamos antes, o exercício regular pode melhorar significativamente o humor e reduzir os sintomas, proporcionando uma sensação de bem-estar. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 27 • Câncer: Durante e após o tratamento do câncer (quimioterapia e radioterapia), o exercício pode ajudar a melhorar a qualidade de vida, a reduzir a fadiga, a controlar o peso e a diminuir o risco de recidiva. • Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC): Juntamente com medicamentos broncodilatadores, o exercício pode ajudar a melhorar a capacidade respiratória e a qualidade de vida, reduzindo a sensação de falta de ar. • Artrite: Em adição à medicação anti-inflamatória e à fisioterapia, o exercício pode melhorar a mobilidade, a flexibilidade e a força muscular, ajudando a reduzir a dor e a inflamação. • Osteoporose: Juntamente com o tratamento adequado, o exercício pode ajudar a aumentar a densidade óssea e a força muscular, diminuindo o risco de fraturas. Mas, precisamos sempre enfatizar que a inclusão do exercício como terapia coadjuvante deve ser feita sob orientação de um profissional de educação física. Cada indivíduo é único, e o que funciona para um pode não funcionar para outro. É importante personalizar o tratamento para atender às necessidades específicas de cada pessoa. À medida que continuamos a aprender mais sobre as complexidades da saúde mental, é animador ver como algo tão acessível quanto o exercício físico pode desempenhar um papel tão significativo em nosso bem-estar geral. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 28 CAPÍTULO 3 DOENÇAS CARDIOVASCULARES E EXERCÍCIO Neste capítulo, vamos conversar sobre o coração, e sobre a influência do exercício neste órgão tão importante. Você sabia que o coração humano bate cerca de 100.000 vezes por dia? Isso é muito trabalho, e é claro que ele merece nossos cuidados. Então, o que podemos fazer para cuidar do coração? Bem, uma resposta bem simples é: exercício! E o exercício faz um grande bem, não só ao coração, mas para todo o nosso sistema circulatório, e um sistema circulatório saudável significa um corpo saudável. Agora, antes de começar a se imaginar suando em uma academia ou correndo uma maratona, vamos esclarecer que o exercício não precisa ser um tormento. Na verdade, pode ser uma das partes mais divertidas do seu dia. Quando falamos de doenças cardiovasculares - um termo que usamos para descrever uma série de problemas que afetam o nosso coração e os vasos sanguíneos - sabemos que elas são umas das maiores vilãs da nossa saúde. E não vamos esquecer, essas vilãs são, muitas vezes, assintomáticas, ou seja, operam em silêncio até que as coisas se tornem realmente sérias (Negrão et al., 2019). Mas temos uma boa notícia! O exercício pode ser um super-herói poderoso na luta contra essas doenças. Ele fortalece o coração, melhora a circulação, nos ajuda a manter um peso saudável e ainda traz vários outros benefícios para a nossa saúde. Portanto, vamos explorar a relação entre doenças cardiovasculares e exercício. Vamos entender o que acontece em uma doença cardiovascular, e como a nossa profissão pode ser tão importante para a prevenção e até para o tratamento dessa condição. 3.1 Caracterização de Doenças Cardiovasculares Com o passar do tempo, a gente tem visto cada vez mais que se mexer é muito importante pra nossa vida. Além de deixar nosso corpo funcionando melhor e ajudar na saúde de um jeito geral, o exercício pode até prevenir algumas doenças. A doença cardiovascular pode ser evitada só com a prática regular de exercícios. E tem mais: EXERCÍCIO FÍSICONAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 29 esse hábito saudável pode até aumentar nossa expectativa de vida. As pessoas que se exercitam mais, mesmo que tenham alguns riscos de saúde, acabam vivendo mais do que aquelas que não se mexem tanto. E se você já pegou alguma doença, o exercício continua sendo importante. A prática de exercício é recomendada até para quem tem insuficiência cardíaca (Gorgatti e Costa, 2013). As doenças cardiovasculares são consideradas a principal causa de morte em todo o mundo. Essa grande família de problemas de saúde envolve qualquer coisa que possa dar errado com nosso coração ou vasos sanguíneos. Mas como podemos realmente entender essas condições, e o que exatamente são? O coração, que é uma bomba muscular do tamanho do nosso punho, é incrivelmente resistente. Ele bate aproximadamente 100.000 vezes por dia, bombeando o total de cerca de 5.000 litros de sangue. Quando algo dá errado com ele ou com os vasos sanguíneos, entramos no território das doenças cardiovasculares. A seguir, vamos falar sobre os principais problemas cardiovasculares. 3.1.1 A Aterosclerose Uma das mais conhecidas é a Aterosclerose. É quando placas de gordura, incluindo o colesterol, se acumulam nas artérias que levam sangue ao coração. Isso pode levar à angina (dor no peito) e ao ataque cardíaco. Muita gente já ouviu falar nisso, né? A imagem a seguir mostra um vaso sanguíneo parcialmente bloqueado por um acúmulo de gordura, um cenário típico da aterosclerose. Isso acontece quando a gordura se acumula na parede interna do vaso, deixando uma parte do vaso mais estreita, formando o que chamamos de placas de ateroma ou placas de gordura. Título: Vaso sanguíneo parcialmente bloqueado Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Aterosclerose EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 30 Essas placas podem começar a se formar quando o vaso sanguíneo é danificado por razões como fumar, hipertensão ou altos níveis de açúcar no sangue. Com o tempo, essas placas endurecem e estreitam as artérias, limitando o fluxo de sangue rico em oxigênio para seus órgãos e outras partes do seu corpo. O verdadeiro perigo está no fato de que, se uma dessas placas se romper, pode formar um coágulo de sangue que bloqueia o fluxo de sangue. Isso pode levar a um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral (AVC), dependendo de onde o bloqueio ocorre. 3.1.2 Hipertensão Arterial A pressão alta, ou hipertensão arterial, é uma condição de saúde um pouco complicada porque tem várias causas. Basicamente, é quando a pressão do sangue nas suas artérias é muito alta, com a pressão de cima (sistólica) sendo 140 ou mais, e a pressão de baixo (diastólica) sendo 90 ou mais. Essa condição, que geralmente é crônica, normalmente está ligada a problemas com o metabolismo, hormônios e alterações no funcionamento ou na estrutura de órgãos importantes. ANOTE ISSO Há algum tempo atrás, se associava pressão alta com ingestão aumentada de sal. Hoje, sabe-se que há outros fatores que são igualmente (ou até mais) causadores de hipertensão do que simplesmente ingerir sódio demais. Sabe-se também que, muitas vezes, a hipertensão é um sinal de que há alguma outra coisa errada com o organismo. Portanto, quando seu aluno disser que é hipertenso, e ele simplesmente parar por aí, encoraje-o a procurar um especialista para que seja investigado qual o outro problema que acontece com seu corpo (Brandão et al., 2022). No capítulo 8, vamos discutir com mais detalhes sobre o que é a pressão arterial e todas as suas implicações. 3.1.3 Infarto do Miocárdio O miocárdio é a porção mais espessa da parede cardíaca, formada por células do músculo cardíaco. Situa-se entre outras duas camadas menores, chamadas de EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 31 endocárdio e pericárdio. As estruturas do coração são compostas por diferentes camadas, e o miocárdio é uma dessas camadas essenciais. Ele é composto por um tecido muscular cardíaco. O infarto do miocárdio, também conhecido como ataque cardíaco, ocorre quando o fluxo sanguíneo para essa musculatura do coração é interrompido ou reduzido, geralmente por causa de um coágulo sanguíneo formado em uma artéria coronária estreitada por depósitos de gordura, chamados placas de ateroma. Isso pode levar à morte do músculo cardíaco por falta de oxigênio, uma condição conhecida como isquemia (Libby et al., 2016). Título: Músculo mais espesso do coração - o miocárdio Fonte: educalingo.com/pt/dic-pt/cardiaco Os sintomas mais comuns de um ataque cardíaco incluem dor ou desconforto no peito, que pode irradiar para os braços, ombros, pescoço, mandíbula ou costas. Algumas pessoas também podem experimentar falta de ar, suor frio, náuseas, vômitos e desmaios (Amsterdam et al., 2014). Existem vários fatores de risco para o infarto do miocárdio, incluindo tabagismo, obesidade, sedentarismo, hipertensão, diabetes e colesterol alto. Portanto, a adoção de um estilo de vida saudável pode ajudar a reduzir o risco de sofrer um ataque cardíaco (Arnett et al., 2019). 3.2 Benefícios do Exercício na Prevenção e Tratamento Felizmente, o exercício físico exerce um efeito positivo em todas estas doenças. Vamos analisar cada uma destas. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 32 3.2.1 Exercício na Prevenção e Tratamento da Aterosclerose O exercício físico é uma das melhores maneiras de prevenir e tratar a aterosclerose. Ele pode ajudar a reduzir os níveis de colesterol LDL (colesterol ruim), aumentar os níveis de colesterol HDL (colesterol bom), reduzir a pressão arterial e melhorar o fluxo sanguíneo. O exercício físico também pode ajudar a controlar o peso, o que é outro fator de risco para a aterosclerose (Gorgatti e Costa, 2013). Um estudo publicado em 2006 no Journal of the American Medical Association mostrou que pessoas que praticavam exercícios aeróbicos regulares tinham 25% menos probabilidade de morrer de doenças cardiovasculares do que aquelas que não praticavam exercícios. Outro estudo publicado em 2011 no British Medical Journal mostrou que pessoas que praticavam exercícios resistidos com pesos tinham 31% menos probabilidade de desenvolver aterosclerose do que aquelas que não praticavam exercícios. Isso mostra que tanto exercícios aeróbicos quanto exercícios resistidos, são eficientes para essa população. Mas como o exercício pode trazer estes benefícios? O que o exercício faz pra isso tudo acontecer? Vamos entender alguns mecanismos: • Redução da inflamação: A atividade física regular pode ajudar a reduzir a inflamação no corpo, que é um fator-chave no desenvolvimento da aterosclerose (Gleeson et al., 2011). • Melhora da função endotelial: O exercício físico regular melhora a função endotelial, ou seja, a capacidade das artérias de se dilatarem e se contraírem em resposta às necessidades do corpo. Isso pode ajudar a prevenir a formação de placas de ateroma, que são a característica definidora da aterosclerose (Green et al., 2004). • Redução do LDL e aumento do HDL: Exercícios físicos regulares ajudam a reduzir os níveis de lipoproteína de baixa densidade (LDL), também conhecida como “colesterol ruim”, que é um fator de risco para a aterosclerose. Ao mesmo tempo, eles aumentam os níveis de lipoproteína de alta densidade (HDL), ou “colesterol bom”, que pode proteger contra a aterosclerose ao transportar o colesterol dos vasos sanguíneos de volta ao fígado, onde é eliminado (Kodama et al., 2007). Mas quais tipos de exercício são mais indicados, para se ter estes benefícios? Na verdade, tanto exercícios aeróbicos quanto anaeróbicos (resistidos) trazem benefícios para essa população. Para citar alguns exemplos, os exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida, ciclismo e natação,são ótimos para reduzir os níveis de EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 33 colesterol LDL e aumentar os níveis de colesterol HDL. Os exercícios de resistência, como musculação ou funcionais, são ótimos para fortalecer os músculos e ossos, o que pode ajudar a controlar o peso e melhorar o fluxo sanguíneo prejudicado pela aterosclerose. 3.2.1 Exercício na Prevenção e Tratamento da Hipertensão Arterial O exercício aeróbico, no passado, sempre foi identificado como o mais benéfico para pessoas hipertensas, mas hoje se sabe que exercícios resistidos são tão importantes quanto os aeróbicos, desde que não sejam com cargas muito altas. A carga de treinamento deve ser definida com cuidado, considerando a frequência, duração e intensidade. Um exemplo de um plano de treino para hipertensos é uma frequência de pelo menos três sessões semanais, idealmente progredindo para cinco a sete sessões por semana, e a duração começando entre 20 a 30 minutos, podendo até aumentar para 50 a 60 minutos, à medida que as sessões evoluem. A intensidade deve ser moderada, pois o treinamento aeróbico vigoroso não é bom para reduzir a pressão arterial em hipertensos (Gorgatti e Costa, 2013). Como mencionado antes, o capítulo 8 é específico sobre hipertensão, e lá será abordado com mais detalhes todos os benefícios do exercício, cuidados e prescrição para pessoas hipertensas. 3.2.2 Exercício na Prevenção de Infarto no Miocárdio O exercício físico regular é uma poderosa ferramenta para prevenir uma das principais causas de morte no mundo. Aqui está mais um importante papel do profissional de educação física! E todos estes benefícios já foram estudados e publicados. Vamos ver alguns. Segundo uma pesquisa publicada no “Circulation”, a atividade física regular pode reduzir o risco de infarto do miocárdio em até 30% (Sattelmar et al., 2011). Impressionante, não é? Mas como é que isso acontece? Bem, ao praticar exercícios regularmente, você melhora a saúde do seu coração de várias maneiras. Um desses aspectos é o controle da pressão arterial, como vimos anteriormente. Exercícios ajudam a relaxar e dilatar os vasos sanguíneos, reduzindo a pressão arterial (Cornelissen & Smart, 2017). Lembrando que a hipertensão é um dos principais fatores de risco para o infarto. E tem mais, uma revisão sistemática publicada no “British Journal of Sports Medicine” em 2019 revelou que a atividade física regular também melhora o perfil lipídico - EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 34 diminuindo os níveis de LDL (o ‘mau’ colesterol) e triglicerídeos e aumentando o HDL (o ‘bom’ colesterol) (Thompson et al., 2018). O acúmulo de LDL oxidado nas artérias é um dos principais contribuintes para a doença cardíaca. Para se obter todos estes benefícios, quanta atividade física é necessário fazer? Bem, de acordo com as Diretrizes da American Heart Association de 2018, os adultos devem visar pelo menos 150 minutos de atividade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa por semana, ou uma combinação dos dois. A atividade física regular aumenta a capacidade do coração de bombear sangue e melhora a circulação sanguínea. Isto é essencial para a prevenção de coágulos sanguíneos que podem causar um infarto do miocárdio. Também melhora a capacidade do corpo de usar oxigênio, o que pode ajudar a diminuir a pressão arterial e reduzir o risco de desenvolver um infarto. Porém, uma questão frequentemente levantada é se a atividade física moderada ou intensa é mais benéfica neste contexto. Vamos ver os benefícios de cada uma: (American Heart Association, 2018) • Atividade Física Moderada é melhor para: 1. Prevenção a longo prazo: Atividades como caminhar, andar de bicicleta ou nadar em intensidade moderada podem ajudar na redução do risco de eventos cardíacos ao longo dos anos. 2. Redução de estresse: A intensidade moderada permite que a atividade também sirva como uma forma de relaxamento e redução do estresse, um fator de risco conhecido para doenças cardíacas. 3. Menos exigente para o coração: Para indivíduos que já tiveram um infarto ou têm outros problemas cardíacos, exercícios moderados podem ser uma maneira mais segura de se manter ativo sem sobrecarregar o coração. • Atividade Física Intensa é melhor para: 1. Melhoria cardiovascular rápida: Atividades como corridas, treino intervalado de alta intensidade (HIIT) ou esportes competitivos podem proporcionar ganhos rápidos na capacidade cardiovascular. 2. Eficiência: Oferece benefícios em um período de tempo mais curto em comparação com exercícios moderados. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 35 3. Estímulo metabólico: Exercícios de alta intensidade podem ajudar a melhorar a sensibilidade à insulina e o perfil lipídico, ambos fatores que, quando otimizados, podem reduzir o risco de infarto. 4. Desafio mental: Além dos benefícios físicos, a superação de desafios em exercícios intensos pode fortalecer a mente, contribuindo para maior determinação e autocontrole. Embora tanto a atividade moderada quanto a intensa ofereçam benefícios para a saúde cardiovascular, a escolha entre elas deve considerar as características individuais, histórico médico e objetivos. Se seu aluno já sofreu um infarto ou está em alto risco deve, em particular, buscar orientação médica antes de iniciar ou modificar sua rotina de exercícios. Independente da intensidade escolhida, o fundamental é manter-se ativo, pois a inatividade física é um dos principais inimigos do coração. Encontrar uma prática de exercício que se alinhe às preferências pessoais e que possa ser mantida regularmente, sempre com a sua orientação, como um futuro profissional de educação física, é essencial na jornada de proteção contra o infarto do miocárdio. Lembre-se sempre: o exercício físico regular é um dos melhores amigos da saúde do coração! 3.3 Estratégias de Intervenção Vivemos em um mundo que promove cada vez mais o sedentarismo. A tecnologia, embora benéfica em muitos aspectos, também facilitou a adoção de um estilo de vida com pouca ou nenhuma atividade física. Todos nós conhecemos pessoas que pegam o carro pra ir à padaria, que fica a 5 quadras de distância, não é mesmo? O preço dessa conveniência é um aumento nas taxas de obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e outras doenças crônicas. Compreender a importância do exercício físico na prevenção e gestão destas condições é fundamental, assim como encontrar estratégias eficazes para incorporá-lo em nosso dia-a-dia. A seguir, vamos conversar sobre algumas estratégias de intervenção para promover o exercício físico. Educação: A primeira etapa para estimular as pessoas a adotarem um estilo de vida ativo é educá-las sobre os benefícios do exercício físico regular. Uma estratégia eficaz para isso é fornecer informações de qualidade, claras e acessíveis. Isto pode ser realizado por meio de palestras, workshops, programas de conscientização e materiais EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 36 educativos. Essa educação deve incluir não apenas os benefícios do exercício, mas também a forma correta de se exercitar para evitar lesões (Piercy et al., 2018). Aconselhamento Individualizado: Cada indivíduo é único e, portanto, enfrentará barreiras únicas à prática de exercícios. O aconselhamento individualizado, que leva em conta os desafios e circunstâncias de cada um, pode ser uma maneira eficaz de ajudar as pessoas a superarem essas barreiras. Este aconselhamento pode ser realizado por profissionais de saúde, e aqui, mais uma vez, entra o profissional de educação física! É uma responsabilidade interessante, não é? Apoio Social: O apoio social é um fator crucial na adesão a um programa de exercícios. Oincentivo de amigos, familiares e colegas pode ser o empurrão que algumas pessoas precisam para se manterem ativas. Afinal, quem não gosta de reunir os amigos para fazer algo legal, não é! Grupos de exercícios ou clubes de caminhada, por exemplo, podem fornecer um ambiente social positivo que encoraja a atividade física regular. Título: Amigos se reúnem para treinar e socializar Fonte: www.blog.bioritmo.com.br/lifestyle/dia-do-amigo/ Ambiente Propício: O acesso a espaços adequados para a prática de exercícios, como parques, academias e ciclovias, pode ser um fator determinante na adesão a um programa de exercícios. Políticas públicas podem desempenhar um papel importante na criação desses espaços, tornando mais fácil para as pessoas se exercitarem regularmente (Sallis et al., 2016). É comum pessoas, principalmente com idade mais avançada, não gostarem de ambientes como a academia de musculação. Espaços abertos como parques podem ser uma alternativa muito interessante e motivadora para essas pessoas entrarem em uma rotina de treinos. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 37 Título: Aula de ginástica em parque Fonte: pxhere.com/pt/photo/613374 Incorporar Exercícios na Rotina Diária: Para muitas pessoas, encontrar tempo para se exercitar pode ser um desafio. No entanto, é possível incorporar a atividade física à rotina diária de maneiras simples. Por exemplo, andar a pé ou de bicicleta para o trabalho, usar as escadas em vez do elevador, fazer pausas ativas durante o trabalho, ou até mesmo realizar exercícios durante os intervalos comerciais na televisão. Essas pequenas mudanças podem se somar a uma quantidade significativa de atividade física ao longo do tempo. Tecnologia: A tecnologia também pode ser usada como uma ferramenta para promover o exercício físico. Dispositivos de monitoramento de atividade, aplicativos de fitness e jogos de videogame ativos podem tornar o exercício mais divertido e motivador. Além disso, essas ferramentas podem ajudar as pessoas a monitorar seu progresso, o que pode ser um poderoso incentivo para manter a atividade física (Paponetti et al., 2019). Enfim, enquanto o exercício físico regular é vital para a saúde e bem-estar, a adesão a um programa de exercícios pode ser desafiadora. No entanto, ao empregar estratégias como educação, aconselhamento individualizado, apoio social, fornecimento de um ambiente propício, incorporação de exercícios na rotina diária e uso da tecnologia, podemos superar esses desafios e tornar o exercício uma parte integrante de nossas vidas. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 38 CAPÍTULO 4 A OBESIDADE Neste capítulo, vamos conversar bastante sobre um assunto que, sem dúvida, é um dos maiores desafios de saúde da nossa era: a obesidade, um dos maiores problemas de saúde pública do mundo. A obesidade, uma condição que está alcançando proporções epidêmicas em todo o mundo, é mais do que apenas um problema estético. Está profundamente ligada à saúde e ao bem-estar de milhões de pessoas. Este é um assunto que tem despertado cada vez mais interesse, tanto de profissionais de saúde, quanto das pessoas em geral. Por isso essa discussão tem grande relevância para todos nós. A obesidade não é um problema que existe isoladamente. Ela anda de mãos dadas com uma variedade de doenças graves, tais como diabetes tipo 2, doenças cardíacas, hipertensão, e certos tipos de câncer, para citar apenas alguns. Ao mesmo tempo, a obesidade carrega um peso psicológico imenso, muitas vezes levando à depressão, ansiedade e baixa autoestima. A magnitude e o impacto desta condição não devem ser subestimados. ISTO ESTÁ NA REDE Devido à mudanças nos padrões alimentares e no estilo de vida nas últimas décadas, a obesidade se tornou uma verdadeira pandemia. Segundo dados do IBGE, a proporção de obesos na população, mais que dobrou no país entre 2003 e 2019, passando de 12,2% para 26,8%. Nesse período, a obesidade feminina subiu de 14,5% para 30,2% , enquanto a obesidade masculina passou de 9,6% para 22,8%. Outro dado do IBGE mostra que, em 2019, uma em cada quatro pessoas de 18 anos ou mais anos de idade no Brasil estava obesa, o equivalente a 41 milhões de pessoas. Já o excesso de peso atingia 60,3% da população de 18 anos ou mais de idade, o que corresponde a 96 milhões de pessoas, sendo 62,6% das mulheres e 57,5% dos homens. Esses números mostram que a obesidade e o excesso de peso são um problema de saúde pública no Brasil. Os números são surpreendentes e o impacto é sentido em todos os aspectos da sociedade, desde os custos de saúde até a produtividade no trabalho e a qualidade de vida. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 39 A prevalência de excesso de peso aumenta com a idade e ultrapassa os 50% na faixa etária de 25 a 39 anos de idade. Nessa faixa de idades, a proporção de sobrepeso é um pouco mais elevada no sexo masculino (58,3%) do que no feminino (57,0%). No entanto, nos demais grupos etários, os percentuais de excesso de peso eram maiores entre as mulheres. www.gov.br/pt-br/noticias/saude-e-vigilancia-sanitaria/2020/10/pesquisa-do-ibge-mostra-aumento-da-obesidade-entre-adultos Título: amostra de mulheres obesas Fonte: www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/160401_obesidade_brasil_lab Você pode estar se perguntando, por que alguns indivíduos se tornam obesos e outros não? É uma pergunta válida e complexa. Como mencionado, há uma série de fatores em jogo. Alguns são óbvios, como a ingestão excessiva de alimentos altamente calóricos combinada com um estilo de vida sedentário. Outros são menos tangíveis, incluindo a influência da publicidade de alimentos, a disponibilidade de alimentos saudáveis, o estresse e a falta de sono. Existe também algum fator genético, que desempenham um papel significativo e muitas vezes são mal compreendidos. Vamos discutir com mais detalhes todos estes aspectos no decorrer deste capítulo. EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES PROF. RONALDO ANDERSON DE MEDEIROS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 40 Embora a obesidade possa parecer uma montanha difícil de escalar, a boa notícia é que a educação física é uma das principais ferramentas para se prevenir ou reverter esse mal. Mas para enfrentar a obesidade de maneira eficaz, precisamos entender o problema em toda a sua complexidade. Portanto, vamos, ao longo deste e dos próximos capítulos, descobrir, aprender e, o mais importante, encontrar maneiras de enfrentar e superar a obesidade. 4.1 Caracterização da Obesidade Vamos agora um pouco mais a fundo e exploraremos a caracterização dessa condição. Então, o que é realmente a obesidade? Em termos simples, é uma condição em que uma pessoa acumula excesso de gordura corporal a ponto de prejudicar sua saúde. Mas acredite, é muito mais complexo do que isso. Por trás desta definição simples, existe uma teia intrincada de fatores genéticos, ambientais, psicológicos e sociais, que vamos desvendar ao longo deste livro. Agora, o que significa “caracterizar” a obesidade? Significa entender os diferentes aspectos da obesidade e como ela se manifesta em diferentes indivíduos. A obesidade não é uma condição única e homogênea, mas sim, uma condição complexa e multifatorial que pode se manifestar de maneiras diferentes. De fato, recentes pesquisas sugerem a existência de vários “fenótipos” de obesidade (Vecchie et al., 2018). Os fenótipos são subcategorias que descrevem as variações individuais da obesidade, levando em conta uma variedade de fatores como distribuição de gordura corporal, grau de adiposidade e associação com condições metabólicas e cardiovasculares. Uma das formas mais simples e comuns de caracterizar a obesidade é através do Índice de Massa Corporal (IMC). O IMC é uma medida simples que usa a relação entre