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ESTATÍSTICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA Olá! A Estatística Aplicada à Educação Física é uma área que utiliza métodos estatísticos para coletar, analisar e interpretar dados relacionados à prática da Educação Física. Por meio dessa disciplina, é possível obter informações relevantes sobre o desempenho dos alunos, a eficácia de programas de treinamento, o impacto de intervenções educacionais e diversos outros aspectos relacionados à área. A utilização da Estatística na Educação Física contribui para embasar decisões e planejamentos, além de permitir uma avaliação mais precisa e objetiva dos resultados obtidos. Bons estudos! AULA 7 – ESTATÍSTICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA 7 TÉCNICAS E METODOLOGIAS ESTATÍSTICAS NA PESQUISA EM EDUCAÇÃO FÍSICA A primeira definição importante a ser compreendida é a significação entre população e amostra. A população refere-se ao conjunto completo de pessoas, seres ou objetos que possuem pelo menos uma característica em comum. Por outro lado, a amostra é um subconjunto dessa população, compartilhando também a mesma característica comum aos elementos da população. Além disso, é fundamental relembrar os diferentes tipos de variáveis. Elas podem ser qualitativas ou quantitativas. As variáveis qualitativas podem ser nominais, também conhecidas como categóricas. Nesse tipo de variável, as opções de resposta são categorias ou atributos, como sexo ou tipo de modalidades esportivas. Já as variáveis qualitativas ordinais também envolvem atributos, porém existe uma ordenação entre eles, como classificação em um campeonato ou escalas de força. Dependendo dos tipos de variáveis coletadas e do método de seleção da amostra, várias técnicas estatísticas podem ser aplicadas (SILVA, 2017). Antes de iniciar qualquer análise estatística, é importante organizar os dados em um banco de dados. Uma análise inicial que pode ser realizada é a análise descritiva dos dados. Nessa etapa, é possível calcular médias, medidas de posição, desvio-padrão e outras medidas de variabilidade para variáveis quantitativas. Para variáveis categóricas, podem ser construídas tabelas de distribuição de frequências. Além disso, é possível criar gráficos a partir dessas tabelas. No entanto, em muitas situações, a análise descritiva dos dados não é suficiente, e é necessário realizar testes estatísticos para comprovar hipóteses. Existem diversos testes de hipóteses disponíveis, que variam conforme o comportamento de cada variável e o objetivo de cada teste. Esses testes podem ser divididos em paramétricos e não paramétricos, dependendo das características dos dados (SILVA, 2017). 7.1 Testes paramétricos e não paramétricos Os testes paramétricos são utilizados quando os dados amostrais são provenientes de populações que possuem um comportamento próximo ou aproximadamente normal. Esses testes paramétricos requerem suposições específicas sobre a população (ou populações) das quais as amostras são retiradas. Em muitos casos, é necessário assumir que as populações possuam uma distribuição aproximadamente normal (Figura 1), que as variâncias sejam conhecidas ou iguais, ou que as amostras sejam independentes (FREUND, 2006). Figura 1. Distribuição normal. Fonte: lamnee/shutterrstocl.com. Dentre os exemplos de testes paramétricos, destacam-se os testes z, t, ANOVA. Independentemente do teste escolhido, o procedimento para a realização de um teste de hipóteses segue um roteiro padrão: formulação das hipóteses, cálculo da estatística de teste, definição da região crítica e conclusão. Esse roteiro é aplicável, considerando o tipo de variável e o objetivo da análise desejada (SILVA, 2017). 1. Formular as hipóteses: • H0: hipótese nula, hipótese de igualdade; • H1: hipótese alternativa. 2. Achar a estatística de teste que pode ser calculada manualmente ou, então, gerar o teste em um software, como Excel ou SPSS. 3. Determinar a região crítica, verificar se o teste é ou não significativo. 4. Conclusão experimental. O teste z é utilizado para comparar duas médias amostrais quando o desvio- padrão populacional é conhecido. No entanto, na maioria das situações, o desvio- padrão populacional é desconhecido, o que nos leva a utilizar o teste t. Existem diferentes tipos de teste t, também conhecidos como teste t-Student. A lógica por trás dos testes baseados em duas amostras é que duas amostras retiradas da mesma população podem fornecer estimativas diferentes para um parâmetro devido ao acaso (DOANE; SEWARD, 2014). A distribuição t é muito similar à distribuição normal em termos de formato. A distribuição t varia conforme o tamanho da amostra, e quanto maior o tamanho da amostra, mais ela se assemelha à distribuição normal, até que se tornem equivalentes. O teste t para comparação de médias é usado quando temos duas amostras e desejamos verificar se as médias são iguais ou diferentes entre os dois grupos. Por exemplo, um treinador de corrida de 100 metros tem dois grupos de competição e precisa decidir qual inscrever para o próximo campeonato. Ele decide realizar uma série de cronometragem para cada grupo, composto por 10 atletas cada. O treinador escolherá o grupo com a média de tempo mais rápida, e, caso as médias de tempo sejam semelhantes, ele dará preferência ao grupo com maior experiência em competições. Sabendo que há uma variabilidade nos tempos de cada grupo, o treinador entende que não é suficiente apenas comparar as médias simplesmente. Ele precisa realizar um teste para determinar se as médias são estatisticamente iguais ou diferentes, ou seja, se há uma diferença significativa entre elas. A seguir estão listados os tempos em segundos dos atletas de cada grupo em um tiro de 100 metros rasos (SILVA, 2017). Tabela 1. Tempos em segundos dos atletas dos grupos A e B. Fonte: Silva, 2017. Primeiramente, formulamos as hipóteses: • H0: as médias do grupo A são iguais às do grupo B; • H1: as médias do grupo A são diferentes das do grupo B. O teste pode ser realizado com o uso do Excel e retoma os seguintes resultados: Tabela 2. Teste T: duas amostras presumindo variâncias equivalentes Fonte: Silva, 2017. Ao analisar os resultados, observamos que a estatística de teste é igual a - 0,9562, com um valor p correspondente de 0,1758, que é superior ao nível de significância de 5%. Isso indica que não podemos rejeitar a hipótese nula. Portanto, concluímos que as médias de tempo dos dois grupos são iguais, permitindo ao treinador levar o grupo com mais tempo de experiência em competições, com um nível de significância de 5% (SILVA, 2017). Outro teste t comum é o teste t pareado, que compara as médias antes e depois de um tratamento, avaliando a diferença entre a média de um indivíduo antes do tratamento e a medida do mesmo indivíduo após o tratamento. Outro teste amplamente utilizado é o teste ANOVA, que verifica a igualdade entre mais de duas médias. Esse método compara todas as médias em um único teste e pretende identificar se há pelo menos uma diferença significativa entre os grupos. Se o resultado for estatisticamente significativo, são aplicadas técnicas de comparação múltipla de médias, usando uma das várias abordagens disponíveis (CALLEGARI-JACQUES, 2007). Por exemplo, suponhamos que desejemos comparar três equipes em um campeonato de halterofilismo e verificar se o peso médio levantado é igual na categoria acima de +109 kg. Tabela 3. Comparação entre três equipes Fonte: Silva, 2017. As hipóteses seriam as seguintes: • H0: a média de peso é igual para as três equipes; • H1: pelo menos uma das equipes tem média de peso diferente. Os resultados retirados dosoftware Excel são os seguintes: Tabela 4. Resultados do Excel Fonte: Silva, 2017. Com base na estatística de teste de valor 4,43 e um valor p de 0,03, que é menor do que o nível de significância de 0,05, podemos rejeitar a hipótese nula. Isso nos leva a concluir que pelo menos uma das equipes possui uma média de peso diferente, com um nível de significância de 5%. Agora, vamos abordar os testes não paramétricos. Esses testes são utilizados quando os dados não seguem uma distribuição normal e são conhecidos como testes livres de distribuição. Ao contrário dos testes paramétricos, os testes não paramétricos são adequados para amostras de tamanho pequeno, não exigem a suposição de homogeneidade de variâncias e podem ser aplicados a variáveis qualitativas. Para muitos testes paramétricos, temos um teste equivalente não paramétrico (Tabela 5). Tabela 5. Testes paramétricos e não paramétricos Fonte: Silva, 2017. O teste qui-quadrado, especialmente o teste qui-quadrado de independência, é uma ferramenta importante na análise estatística. Ele permite verificar se há associação entre uma variável nas linhas e uma variável nas colunas de uma tabela de contingência, comparando as frequências observadas na amostra com as frequências esperadas da distribuição amostral (SILVA, 2017). Por exemplo, podemos aplicar o teste qui-quadrado para investigar se existe uma associação entre o ganho de massa magra e o uso de uma suplementação específica. Coletamos dados sobre a utilização do suplemento, classificando os indivíduos em dois grupos: aqueles que utilizaram e aqueles que não utilizaram. Em seguida, analisamos se houve ganho de massa magra ou não para cada indivíduo em uma amostra composta por 114 pessoas. O teste qui-quadrado nos ajudará a determinar se existe uma relação estatisticamente significativa entre essas duas variáveis. Tabela 6. Resultados de amostras Fonte: Silva, 2017. As hipóteses a serem formuladas são as seguintes: • H0: o ganho de massa não está associado à suplementação; • H1: o ganho de massa está associado à suplementação. O teste realizado com o uso do software SPPS encontrou os seguintes resultados: Tabela 7. Resultados de amostras Fonte: Silva, 2017. Com um valor da estatística de teste de 53,143 e um valor p igual a 0,000, menor do que o nível de significância de 0,05, rejeitamos a hipótese nula. O resultado do teste foi estatisticamente significativo, levando-nos a concluir que há uma associação entre o ganho de massa magra e a suplementação, com um nível de significância de 5% (SILVA, 2017). Em conclusão, a estatística aplicada à Educação Física desempenha um papel fundamental na análise e interpretação dos dados coletados nessa área. A compreensão dos conceitos de população, amostra e tipos de variáveis é essencial para a seleção adequada das técnicas estatísticas a serem utilizadas. Os testes paramétricos, como os testes z, t, ANOVA, são empregados quando os dados seguem uma distribuição aproximadamente normal. Eles permitem comparar médias, realizar análises de diferença antes e depois de um tratamento, bem como verificar a igualdade entre várias médias. Por outro lado, os testes não paramétricos são adequados quando os dados não seguem uma distribuição normal. O teste qui-quadrado é um exemplo importante, usado para verificar a associação entre variáveis em uma tabela de contingência. Através da aplicação adequada desses testes estatísticos, é possível obter conclusões sólidas sobre os dados coletados na área da Educação Física. Isso auxilia na tomada de decisões embasadas em evidências e contribui para o avanço do conhecimento nesse campo. A estatística aplicada à Educação Física desempenha um papel crucial na interpretação dos resultados de estudos e na busca por melhores abordagens e estratégias para o aprimoramento do desempenho físico e do bem-estar dos indivíduos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CALLEGARI-JACQUES, I. M. Bioestatística: princípios e aplicações. Artmed. Porto Alegre, 2007. DOANE, D. P.; SEWARD, L. E. Estatística aplicada à administração e economia. 4. ed. AMGH. Porto Alegre, 2014. FREUND, J. E. Estatística aplicada: economia, administração e contabilidade. 11. ed. Bookman. Porto Alegre, 2006. SILVA, J. S. F. Bioestatística e sua aplicação em projetos de pesquisa em educação física. Porto Alegre, 2017.