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PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ 
FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE SÃO JOSÉ 
CENTRO UNIVERSITÁRIO MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ 
CURSO DE PEDAGOGIA 
 
 
 
 
MARLETE RENOSTO SPERANDIO 
 
 
 
 
EDUCAÇÃO BILÍNGUE: 
alternativa pedagógica em uma escola da rede de ensino particular de São José – SC 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
São José 
2015 
 
PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ 
FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE SÃO JOSÉ 
CENTRO UNIVERSITÁRIO MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ 
CURSO DE PEDAGOGIA 
 
 
MARLETE RENOSTO SPERANDIO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EDUCAÇÃO BILINGUE: 
alternativa pedagógica em uma escola da rede de ensino particular de São José – SC 
 
 
 
 
 
Trabalho elaborado para a disciplina de 
Conclusão de Curso (TCCII) do Curso de 
Pedagogia, como requisito parcial para o curso 
de graduação em Pedagogia do Centro 
Universitário Municipal de São José- USJ. 
 
Orientadora: Prof.ª Ma. Marinez Chiquetti 
Zambon 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
São José 
 
2015 
 
 
 
 
 
AGREDECIMENTOS 
 
Agradeço primeiramente a Deus e a meus pais pela vida, ao meu marido Luis 
Sperandio e meus filhos Thiago Luís e Débora Eloise Sperandio pelo incentivo e apoio em 
vários momentos da minha vida. Aos meus pais Elias e Santinha Renosto, pela minha vida e 
educação a mim dada. 
Meus colegas de faculdade em especial as colegas Acione, Ana Cristina, Luana, e das 
amizades que foram feitas no decorrer de minha vida. 
A minha orientadora, Profa. Ma. Marinez Chiquetti Zambon, pela dedicação na 
orientação desse tema e no desenvolvimento do trabalho. 
A todos os professores do Centro Universitário Municipal de são José – USJ, em especial aos 
professores da Pedagogia que com certeza, foram de extrema importância nesse caminho 
percorrido 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ao meu marido, Luis, aos meus filhos Thiago 
Luís e Debora Eloise 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
““O que se opõe ao descuido e ao 
descaso é o cuidado. Cuidar é mais 
que um ato; é uma atitude. Portanto, 
abrange mais que um momento de 
atenção. Representa uma atitude de 
ocupação, preocupação, de 
responsabilização e de envolvimento 
afetivo com o outro. ” 
 (Leonard Boff) 
 
RESUMO 
Hoje, é fundamental dominar uma segunda língua e muitas pessoas buscam se preparar melhor 
para o mercado de trabalho através de estudos no exterior, para falar com fluência a língua 
escolhida. A abertura para intercâmbio de estudantes facilitou e contribuiu para ampliar, tanto 
o domínio da segunda língua como os conhecimentos acadêmicos. O presente estudo teve como 
objetivo analisar a Educação Bilíngue em uma escola particular de São José que oferta esse 
modelo pedagógico de educação para seus alunos. Como questão de pesquisa percebeu-se que 
era importante identificar o modelo pedagógico da Educação Bilíngue aplicado nesta escola. 
Na busca pela resposta da questão que norteia o estudo, no primeiro momento, estabeleceu-se 
uma definição para o conceito de Educação Bilíngue e os diferentes tipos de escolas bilíngues 
que estão presentes no território nacional; depois, estudou-se o contexto histórico da educação 
formal no Brasil, que envolve a Educação Bilíngue; analisou-se como é realizada a formação 
do professor bilíngue, como se pode elaborar uma proposta pedagógica envolvendo esse tipo 
de educação, e se escreveu o perfil da criança envolvida de nesse sistema de ensino. Para dar 
suporte ao tema trabalhado foi estabelecido o diálogo com os seguintes autores: Celani, Ferro, 
Moura e Mello. Quanto à metodologia, a pesquisa classifica-se como exploratória, com a 
estrutura de estudo de caso, por investigar apenas o contexto específico e único no município 
de São José. Quanto aos instrumentos, elaboraram-se questionários destinados aos professores 
e à coordenação da escola, para a coleta dos dados que, finalmente, foram analisados. Na análise 
dos gráficos, observou-se que o programa de educação bilíngue que a escola oferece segue uma 
mão dupla, ou seja, os alunos são falantes nas duas línguas. A segunda língua é enriquecida, o 
que torna seus alunos fluentes tanto na escrita quanto na fala do idioma inglês. Com a 
finalização deste trabalho, chegou-se à conclusão de que os objetivos foram alcançados e se 
respondeu à problemática sobre as diferentes abordagens que envolvem a Educação Bilíngue. 
 
Palavras-chave: Educação Bilíngue. Modelo Pedagógico. Crianças. 
 
ABSTRACT 
Today it is critical to master a second language and many people seek to better prepare 
themselves for the labor market through study abroad to speak fluently in your chosen language, 
which facilitated was opening for exchange students, and contributed to expand knowledge, 
both in the field of second language, as well as improve academic knowledge. This study aims 
to analyze bilingual education in a private school in San Jose that offer this pedagogical model 
of education for their students. As a research question one realizes that it was important to 
identify the pedagogical model of Bilingual Education applied this school. Based on the search 
for the answer of the question that guides the study at first the search start giving a definition 
for the concept of bilingual education and the different types of bilingual schools, which are 
present in the country. Also the historical context of formal education in Brazil involving 
bilingual education, followed by analyzing how the formation of the bilingual teacher, and how 
to develop a pedagogical approach involving this type of education and is also described the 
profile of the child involved in this education system. To support the themes worked was 
established dialogue with the following authors: Celani, Iron, Moura, Cavalcanti and Mello. As 
for methodology, the research is classified as descriptive, with the case study framework for 
investigating only the specific context and only in São José, with the instrument questionnaires 
for teachers and school coordination. As for the instruments, it were developed questionnaires 
for teachers and the school's coordination, for the collection of data that ultimately were 
analyzed. In the graphics analysis, we found that the bilingual education program offered by 
the school follows a two-way, that is, students are speakers in both languages. The second 
language is enriched, which makes its students fluent in both written and spoken in the English 
language. With the completion of this work, we came to conclusion that the objectives have 
been met and responded the issues on the different approaches that involve the Bilingual 
Education. 
 
 
Key words: bilingual education, pedagogical model, children. 
 
LISTA DE GRÁFICOS 
Gráfico 1 - Formação acadêmica .............................................................................................. 35 
Gráfico 2 - Participação de Formação Continuada ................................................................... 35 
Gráfico 3 - Proposta pedagógica de alfabetização da segunda língua na escola ...................... 36 
Gráfico 4 - Elaboração do PPP da Educação Bilíngue. ............................................................ 37 
Gráfico 5 - Elaborar o plano de aula para o ensino bilíngue. ................................................... 38 
Gráfico 6 - Projeto interdisciplinar. .......................................................................................... 39 
Gráfico 7 - Conteúdos abordados de outras disciplinas e ensinados nas aulas bilíngues ......... 40 
Gráfico 8 - A metodologia utilizada na Educação Bilíngue. .................................................... 41 
Gráfico 9 - Material didático usado nas aulas bilíngues. .......................................................... 42sobre o modo como o professor intercala os conteúdos de outras 
disciplinas, contextualizando com o Ensino Regular da escola, já que os alunos frequentam os 
dois modelos de ensino, que são a Educação Bilíngue e o Ensino Regular, na mesma instituição. 
 
Gráfico 6 - Projeto interdisciplinar. 
 
Fonte: Elaborado pela autora (2015). 
 
Como se pode perceber no gráfico, 100% dos professores afirmaram que a Educação 
Bilíngue tem base pedagógica em um projeto interdisciplinar. O projeto interdisciplinar ocorre 
quando várias disciplinas são trabalhadas em conjunto e uma completa e contextualiza a outra, 
dando um maior significado aos conteúdos trabalhados na sala de aula. 
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica (DCN, 2013) referem-se 
à interdisciplinaridade da seguinte forma: 
 
0
1
2
3
4
5
6
Há um projeto interdisciplinar?
SIM NÃO
 40 
A interdisciplinaridade pressupõe a transferência de métodos de uma disciplina para 
outra. Ultrapassa-as, mas sua finalidade inscreve-se no estudo disciplinar. Pela 
abordagem interdisciplinar ocorre a transversalidade do conhecimento constitutivo de 
diferentes disciplinas, por meio da ação didático-pedagógica mediada pela pedagogia 
dos projetos temáticos. [...]. (BRAIL 2013, p.28). 
 
 
Os PCN para a Língua Estrangeira (1998, p. 37) afirmam o seguinte: 
 
Há ainda outro aspecto a ser considerado, do ponto de vista educacional. É a função 
interdisciplinar que a aprendizagem de Língua Estrangeira pode desempenhar no 
currículo. O benefício resultante é mútuo. O estudo das outras disciplinas, 
notadamente de História, Geografia, Ciências Naturais, Arte, passa a ter outro 
significado se em certos momentos forem proporcionadas atividades conjugadas com 
o educação de Língua Estrangeira, levando-se em consideração, é claro, o projeto 
educacional da escola. 
 
 
Entende-se que trabalhar com um projeto interdisciplinar consiste em desenvolver a 
prática pedagógica direcionando para a aprendizagem significativa, por isso, a proposta deve 
ser interessante, tanto para os alunos como para os professores. 
 
Gráfico 7 - Conteúdos abordados de outras disciplinas e ensinados nas aulas bilíngues 
 
Fonte: Elaborado pela autora (2015). 
 
Este gráfico mostra que 100% dos entrevistados confirmaram que os professores de 
língua estrangeira passam conteúdo das outras disciplinas nos momentos de ensino bilíngue. 
Como já citado, os alunos do Ensino Regular da escola praticamente são os mesmos da 
Educação Bilíngue, pois este ensino é oferecido no contra turno da Educação Regular. 
0
1
2
3
4
5
6
7
A professora(or) de língua estrangeira passa algum conteúdo de 
outras disciplinas em língua estrangeiras?
SIM
NÃO
 41 
O processo interdisciplinar significa trabalhar diversas disciplinas em torno de uma 
determinada temática, ou seja, é a integração de conteúdos entre as disciplinas favorecendo, 
assim, o aprendizado dos alunos. Os PCN (1999) descrevem como pode ser a 
interdisciplinaridade: 
 
A interdisciplinaridade não dilui as disciplinas, ao contrário, mantém sua 
individualidade. Mas integra as disciplinas a partir da compreensão das múltiplas 
causas ou fatores que intervêm sobre a realidade e trabalha todas as linguagens 
necessárias para a constituição de conhecimentos, comunicação e negociação de 
significados e registro sistemático dos resultados. (BRASIL, 1999, p. 89). 
 
 
Quando a escola promove a interdisciplinaridade de conteúdo, ela promove a união 
entre disciplinas, favorecendo o aprendizado do educando. 
No Gráfico 8, percebe-se como é a metodologia utilizada pelo docente na sala de aula 
para os momentos de Educação Bilíngue. 
 
Gráfico 8 - A metodologia utilizada na Educação Bilíngue. 
 
Fonte: Elaborado pela autora (2015). 
 
Como se pode observar neste gráfico, todos os 6 entrevistados disseram que utilizaram 
métodos com diversidade de trabalho. Entretanto 2 deles marcaram que também utilizam 
técnicas individuais e 2 deles também utilizam trabalhos em grupo com os alunos. 
Oferecer diferentes metodologias de trabalho é importante para o desenvolvimento da 
aprendizagem das crianças. O trabalho em grupo ajuda a criança a aprender com a interação 
com o outro. Vygotsky (1896 -1934, p1), percebeu que as interações sociais instigam as 
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5
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Como é a metodologia utilizada pelo docente na sala de aula para o 
Ensino Bilingue?
Trabalho em Grupos
Individual
Diversidade de Trabalho
 42 
crianças a buscar e desenvolver o conhecimento e só tem significado e internalizado quando é 
intermediado por outra pessoa. A intermediação pode ser o pai, a mãe, o professor, um colega. 
 
Gráfico 9 - Material didático usado nas aulas bilíngues. 
 
Fonte: Elaborado pela autora (2015). 
 
O Gráfico 9 mostra a diversidade de materiais utilizados pelos professores, sendo que 
5 dos entrevistados marcaram que utilizam todas as alternativas propostas na pesquisa para 
educação bilíngue, igualmente desses cinco, três também tiveram a oportunidade de discorrer 
sobre os outros métodos que são utilizados, obtendo-se as respostas: 
Professor A: Big Book, Picture cards, atividades extras, aulas no laboratório de 
informática. 
Professor B: Caderno de vocabulário, livros de histórias e livros de trabalhos extras. 
Professor C: Teatro, livros de histórias e livro de trabalhos extra. 
Além disso, apenas um entrevistado marcou como opção que usa apenas o livro 
didático para o ensino bilíngue. 
Oferecer aos alunos diferentes linguagens, no formato de estratégias didáticas, é 
importante, pois aulas se tornam divertidas, os alunos não se cansam, se sentem estimulados a 
aprender a língua de forma prazerosa, o que facilita o processo de aprendizagem, motivando a 
criança a falar o segundo idioma. 
Segundo os autores Bécher e Jones (1998), citados por Moura (2009), uma forma 
eficaz de ensinar uma segunda língua é: 
 
[...] usar essa língua com as crianças na vida diária, enquanto está comendo, bebendo, 
brincando com brinquedos, contando, histórias, pintando, fazendo jardinagem, 
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5
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Qual material didático é usado nas aulas bilíngue?
Jogos
Brincadeiras
Música
Apenas livro didático
Todas as opções
 43 
culinária, compras e assim por diante. Motivação não é um problema por que essas 
atividades interessantes são intrinsecamente motivadoras. (BAKER E JONES (1998, 
p.491) apud MOURA 2009, p.104). 
 
 
Usar diferentes tipos de materiais como estratégia de ensino é criar novas 
possibilidades com as múltiplas linguagens que estão disponíveis, hoje, para o ensino de 
línguas, e isso contribui para um bom desempenho na aquisição de uma segunda língua. 
Dando continuidade, apresentam-se as questões abertas, em que os professores 
participantes da pesquisa são denominados pelas letras: A-B-C-D-E, reservando-se a letra F 
para coordenadora. 
1) No caso de docentes multidisciplinar, quais são as disciplinas que compõe esse 
processo? 
Professor A- “Artes, Ciências, Matemática (simples), Geografia, Música, História dos 
Estados Unidos e Reino Unidos”. 
Professor B- “Ciências, Matemática, Biologia (experiências com plantas, Astronomia, 
mistura de cores)”. 
Professor C- “Ciências, Biologias. Matemática, Artes, Música, Geografia”. 
Professor D- Não respondeu. 
Coordenadora F – Não respondeu. 
 
Ser professor interdisciplinar requer competências e domínio teórico e prático da sua 
disciplina, passando-se de uma visão fragmentada para uma concepção igualitária: 
 
Em sala de aula, o professor interdisciplinar deve ser capaz de estimular a curiosidade 
dos alunos, criar oportunidades de aprendizagem integrativa, possibilitar descobertas 
e novas experiências. Ele também exerce a reflexão crítica sobre suas práticas e busca 
melhorar suas estratégias de ensino e as relações com os alunos. Além disso, este 
professor é capaz de proporcionar uma ampliação na visão de mundo dos estudantes,de compreendê-los e aprender com eles. (GARCIA, 2003, p.06). 
 
Nesta perspectiva de ensino, os professores fazem troca de conhecimentos e vivências 
entre si e com isso vão compartilhando e ampliando sua visão de mundo. 
 
2) Na sua concepção como é uma criança bilíngue? Quais as principais 
características? 
Professor A – “Uma crianças bilíngue tem um interesse e uma curiosidade grande de 
aprender coisas conhecidas na língua materna, mas agora, na língua inglesa, quer aprender 
 44 
novidades da língua inglesa e passar essas novidades para a língua materna. O aprendizado 
nessa fase é um diálogo entre ambas as língua”. 
Professor B – “Crianças conectadas com o mundo atual, globalizado, e mais abertas 
para uma consciência universal. Preparação para práticas multidisciplinares e desenvolvem 
raciocínio rápido e desenvolvem rápido a socialização”. 
Professor C – “Crianças conectadas com o mundo atual, globalizado, e mais abertas 
para uma consciência universal. Preparação para as práticas multidisciplinares”. 
Professor D – “São crianças mais criativas, capazes de responder aos desafios e 
problemas mais rapidamente. Possuem uma bagagem cultural bastante ampla, correlacionando 
os conteúdos já adquiridos cotidianamente com os aprendidos em sala”. 
Professor E – “É uma criança dinâmica, que tem acesso a culturas e informações, o 
que apenas quem fala uma segunda língua pode experimentar plenamente”. 
Coordenadora F – “A criança bilíngue apresenta uma capacidade ampliada de 
aquisição de conteúdo. O ensino de um segundo idioma proporciona amplitude da capacidade 
cognitiva. Forma crianças mais preparadas, inclusive, para um futuro mercado de trabalho; 
importante frisar que, quanto mais cedo inicia esse processo, melhores os resultados, isso não 
influencia ou atrapalha o aprendizado da língua materna”. 
 De acordo com as respostas dadas, os professores e a coordenadora concordam que as 
crianças que estão na Educação Bilíngue realmente são mais ativas, respondem facilmente aos 
desafios propostos em sala, são crianças dinâmicas, conectadas com as culturas de outros países. 
Segundo Flory, (2008, p. 442): “Nosso intuito nesse trabalho foi o de explicar possíveis 
influências do bilinguismo infantil sobre o desenvolvimento cognitivo a partir da teoria da 
equilibrarão”. Com esta citação apresentada na sua pesquisa de doutorado o autor revelou que 
as crianças bilíngues realmente têm vantagem no cognitivo em relação às crianças monolíngues. 
Para MEGALE, (2005, p. 04): “Aquisição de novas línguas é considerada de extrema 
importância, pois afeta diversos aspectos do desenvolvimento do indivíduo bilíngue, como por 
exemplo: o desenvolvimento linguístico, neuro -psicológico, cognitivo e sócio - cultural. ” 
Os Parâmetros Curriculares Nacionais para língua Estrangeira (BRASIL, 1998, p.56) 
dizem que: 
Na visão cognitivista desloca-se o foco do ensino para o aluno ou para as estratégias 
que ele utiliza na construção de sua aprendizagem de línguas. Ao ser exposto a língua 
estrangeira, o aluno, com base no que sabe sobre as regras da língua materna, elabora 
hipótese sobre a nova língua e as testa no ato comunicativo em sala de aula ou fora 
dela. 
 45 
A fala destes autores e os pronunciamentos dos PCN vêm ao encontro das descrições 
que os professores apresentaram ao responderem às perguntas, deixando claro que a criança 
bilíngue é vista por eles como mais criativa e que seu processo cognitivo é muito ativo. 
 
3.5 CONCLUSÃO DE DADOS 
Partindo da metodologia da pesquisa e seguindo para a compreensão dos resultados 
coletados, percebeu-se que a proposta da Educação Bilíngue tem aspectos diferenciados, 
tratando da metodologia que explicitamente aborda trabalhos onde há a contextualização da 
teoria e da prática vivenciada no dia-a-dia das crianças, o que tornou o trabalho significativo 
também no processo interdisciplinar. 
Dessa forma, percebeu-se um contexto de educação que segue princípios 
metodológicos centrados no aluno, com a aprendizagem significativa. 
O programa de Educação Bilíngue que a escola oferece segue uma mão dupla - os 
alunos são falantes nas duas línguas. A segunda língua é enriquecida, o que torna seus alunos 
fluentes tanto na escrita quanto na fala do idioma inglês. 
 
 
 
 
 
 46 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Com a finalização deste trabalho, chegou-se à conclusão de que os objetivos foram 
alcançados e se respondeu à problemática quanto às diferentes abordagens que envolvem a 
Educação Bilíngue. 
 O modelo pedagógico da Escola Bilíngue pesquisada é construído com a participação 
do corpo docente da escola e o aluno é elemento importante na construção do modelo 
pedagógico. Na pesquisa realizada, verificou-se que todos os professores foram unânimes em 
afirmar que o modelo pedagógico da escola é sempre voltado para o aluno, com utilização de 
materiais didáticos diferentes e específicos. 
O perfil dos professores que trabalham na Escola Bilíngue mostra que eles são 
professores com curso superior em Letras - Inglês e também em outras áreas do conhecimento, 
sempre participando de cursos para manter uma formação atualizada. Os professores trabalham 
de forma interdisciplinar, o que facilita a comunicação e a visão de mundo entre eles, 
professores, os alunos e a escola. 
Para entender o modelo pedagógico da escola, buscou-se compreender como é o 
desenvolvimento cognitivo das crianças bilíngues na visão dos professores e da coordenação. 
Todos disseram que falar dois idiomas traz benefícios para as crianças, descrevendo-as como 
ágeis, dinâmicas, criativas, com mais consciência de mundo, facilidade de raciocínio, entre 
outros benefícios. Entende-se que a Educação Bilíngue, além favorecer as crianças em muitos 
aspectos, será benéfica no futuro, quando forem para o mercado de trabalho. 
Com este estudo, chegou-se à conclusão de que a Educação Bilíngue voltada para o 
ensino da língua inglesa é pertinente e contempla o que foi questionado no início do trabalho, 
pois o interesse em pesquisar esse tipo de ensino envolveu uma inquietação pessoal. Entender 
como funciona esse sistema de ensino levou a pesquisadora a compreender que, apesar do 
ensino bilíngue estar presente desde os tempos da colonização do Brasil, houve poucas 
pesquisas relacionadas a ele e as legislações e normas que envolvem a Educação Bilíngue 
também são recentes. 
No Brasil, há duas línguas oficiais: o Português e a Língua Brasileira de Sinais 
(LIBRAS), mas devido à globalização, foi necessário implantar novas diretrizes para as escolas 
que se propõem a ensinar os idiomas, além das consideradas línguas oficiais, como as escolas 
Indígenas de Fronteira, as escolas internacionais e as consideradas de prestígio, que oferecem 
outros idiomas como, por exemplo, o inglês. 
 47 
O ensino da língua inglesa se tornou importante devido à globalização econômica, ao 
aumento da competitividade no mercado de trabalho, às tecnologias de comunicação que 
oferecem tantas outras modalidades de informação à população mundial. O inglês é uma língua 
usada em quase todas as nações do mundo, por isso a importância de se aprender a dominar 
este idioma desde pequenos. 
Já é de conhecimento de todos que saber falar e escrever duas ou mais línguas é 
importante, mas a língua inglesa se destaca por ser uma língua falada praticamente em todo o 
globo terrestre. Portanto, aprender a falar inglês cria uma série de vantagens profissionais e 
também pessoais em relação a quem é monolíngue. Essas vantagens ocorrem principalmente 
no campo trabalho, que cada vez está mais seletivo e competitivo. Quem domina a língua 
inglesa tem prioridade. 
Em relação à escola bilíngue onde a pesquisa de campo foi realizada, deve-se 
primeiramente parabenizar pela iniciativa em oferecer esse sistema de educação, pois é a 
primeira na cidade a ter esse diferencial, com profissionais qualificados e uma metodologia que 
garante o aprendizadoda criança. Para propor uma Educação Bilíngue não há técnicas nem 
métodos prontos, a escola tem o papel de ajudar seus alunos a se tornarem cidadãos conscientes, 
que aprendam a lidar com culturas diferentes da sua. 
Como tema para futuras pesquisas, sugere-se uma comparação entre a educação de língua inglesa oferecida nas escolas públicas e a das escolas da rede particular de ensino 
 48 
REFERÊNCIAS 
AFFOLTER. A, Irene. GIARDELLO. P. Ademir. Olhares Sobre O Ensino-Aprendizagem Da 
Língua Inglesa. Unoesc & Ciência – ACHS, Joaçaba, v. 5, n. 1, p. 109-116, jan./jun. 2014. 
 Acesso 
em: 20 mar. 2015. 
 
ALMEIDA, T.L.; RIBES, L. Pesquisa quantitativa ou qualitativa: adjetivação necessária. 
Organizado por Ernani Lampert. Porto Alegre: Sulina, 2000. 
 
APPEL, René, MUYSKEN, Pieter. Bilingüismo y contacto de lenguas. Barcelona: Ariel 
Lingüística, 1996. 
 
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http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=15547-
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______. Parâmetros Curriculares Nacionais.Terceiro e Quatro Ciclo do Ensino 
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. Acesso em novembro de 2015 
 
______. Ministério da Educação e Cultura. Tabela_Fronteira. Brasília:MEC.SED.2015. 
Disponível em: .Acesso em 
novembro de 2015. 
 
FERRIRA,B.H.A, O mini dicionário da língua portuguesa. 4. ed. revista e ampliada do mini 
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CELANI, A. Língua Estrangeira. Não há uma receita na educação de Língua Estrangeira. 
Entrevista concedida a Daniela Almeida. Revista Nova Escola. Disponível 
em: Acesso em: abr. 2015. 
 
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CHIZZOTTI, Antonio. Pesquisa qualitativa em ciências humanas e sociais. Petrópolis: 
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 49 
 
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FLORY, V Elizabete. Influência do Bilinguismo Precoce sobre o desenvolvimento infantil: 
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KRAMER, Sonia. Propostas pedagógicas ou curriculares: subsídios para uma leitura crítica. 
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http://www3.fe.usp.br/secoes/semana08/completos/103.swf
http://www3.fe.usp.br/secoes/semana08/completos/103.swf
http://www.linearclipping.com.br/cnte/detalhe_noticia.asp?cd_sistema=93&codnot=1220639http://www.linearclipping.com.br/cnte/detalhe_noticia.asp?cd_sistema=93&codnot=1220639
 51 
APENDICE A – Questionário 1 
 
REFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ 
FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE SÃO JOSÉ 
CENTRO UNIVERSITÁRIO MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ 
 
Cara Participante, 
 Sou a Marlete Renosto Sperandio, acadêmica da 8ª fase do Curso de Pedagogia do Centro 
Universitário Municipal de São José (USJ) e estou realizando uma pesquisa (TCC) com o 
Título: Educação Bilíngue: uma proposta pedagógica, orientada pela profª. Msc. Marinez 
Chiquetti Zambon. Gostaria de contar com sua colaboração respondendo a esta pesquisa, 
lembrando que sua identidade será mantida em sigilo e que todas as respostas são apenas para 
fins acadêmicos. Ressalto que nas questões abaixo, não existem respostas certas ou erradas, 
mas sim, o que você pensa. Fique a vontade para expressar sua opinião 
 
Pesquisa 
 
1. Você acredita que o educação bilíngue favorece a aprendizagem da criança? 
A: ( ) sim; 
B: ( ) Não. 
 
2. Qual o nível de educaçãoem que a criança começa a participar do educaçãobilíngue na 
escola? 
A: ( ) Educação Infantil; 
B: ( ) Anos Iniciais; Anos Finais; 
C: ( ) EducaçãoMédio. 
 
3. Como é considerada A proposta pedagógica de alfabetização da segunda língua na sua 
escola? 
A: ( ) Um processo natural que vai de encontro do interesse das crianças; 
 52 
B: ( ) Alfabetização da Língua Estrangeira é desenvolvida após os alunos terem sistematizado 
a língua materna; 
C: ( ) É um processo curricular pré-definido. 
 
4.O docente que ministra a língua estrangeira é: 
A:( ) O mesmo que ministra a Língua materna; 
B:( ) Para o educaçãoda segunda língua é outro docente; 
C:( ) O corpo docente e multidisciplinar. 
 
5: No caso de docentes multidisciplinar quais são as disciplinas que compõe esse processo? 
R:____________________________________________________________________ 
 
______________________________________________________________________ 
 
6.Como é a metodologia utilizada pelo docente na sala de aula para o educaçãobilíngue? 
A: ( ) Trabalhos em grupo; 
B: ( ) Individual; 
C: ( ) Diversidade de trabalho. 
D: Outra metodologia. Qual? _______________________________________________ 
 
7.Que material didático é mais usado nas aulas bilíngue? 
A:( ) Jogos; 
B:( ) Brincadeiras; 
C:( ) Música; 
D:( ) livro didático. 
Existem outros materiais? Qual_____________________________________________ 
 
 ______________________________________________________________________ 
 
8. Há uma proposta pedagógica interdisciplinar? 
A:( ) Sim; 
B:( ) Não. 
Em caso afirmativo descreva como é a proposta________________________________ 
 
 53 
______________________________________________________________________ 
 
9. A professora de Língua Estrangeira passa algum conteúdo de outras disciplinas em Língua 
Estrangeira? 
A:( ) Sim; 
B:( ) Não. 
 
10.A escola oferece aos docentes do educaçãobilíngue formação continuada? 
A:( ) Sim; 
B:( ) Não. 
 
11.Na sua percepção como é um criança bilíngue? Quais as suas principais características? 
 
R:_________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
____________________________________________________________ 
 
 
 
 
Muito Obrigada! 
 
 54 
APÊNDICE B – Questionário 2 
 
 
REFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ 
FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE SÃO JOSÉ 
CENTRO UNIVERSITÁRIO MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ 
 
Cara Participante, 
 Sou a Marlete Renosto Sperandio, acadêmica da 8ª fase do Curso de Pedagogia do Centro 
Universitário Municipal de São José (USJ) e estou realizando uma pesquisa (TCC) com o 
Título: Educação Bilíngue: uma proposta pedagógica, orientada pela profª. Msc. Marinez 
Chiquetti Zambon. Gostaria de contar com sua colaboração respondendo a esta pesquisa, 
lembrando que sua identidade será mantida em sigilo e que todas as respostas são apenas para 
fins acadêmicos. Ressalto que nas questões abaixo, não existem respostas certas ou erradas, 
mas sim, o que você pensa. Fique a vontade para expressar sua opinião. 
 
Pesquisa 
 
1.Qual é a sua formação inicial? 
A: ( ) Pedagogia; 
B: ( ) Letras Inglês; 
C: Outra formação qual? __________________________________________________ 
 
 
2.Você participa de cursos de formação continuada? 
A: ( ) Sim; 
B: ( ) Não. 
 
3. Como é a proposta pedagógica de alfabetização da segunda língua na sua escola? 
 
A: ( ) Um processo natural que vai de encontro do interesse das crianças; 
 55 
B: ( ) Alfabetização da Língua estrangeira é desenvolvida após os alunos terem sistematizado 
a língua materna. 
C: ( ) É um processo curricular que é pré-definido. 
 
4. Você participa da elaboração da PPP do EducaçãoBilíngue? 
A: ( ) Sim; 
B: ( ) Não. 
 
5. Você sente dificuldades em elaborar um plano do aula no EducaçãoBilíngue? 
A: ( ) Sim; 
B: ( ) Não; 
C: ( ) O plano de educaçãojá definido pela escola. 
 
6. Há um projeto interdisciplinar? 
A: ( ) Sim; 
B: ( ) Não. 
 
7. A professora de Língua Estrangeira passa algum conteúdo de outras disciplinas em Língua 
Estrangeira? 
A: ( ) Sim; 
B: ( ) Não; 
Encaso afirmativo descreva como é esse trabalho_______________________________ 
 
______________________________________________________________________ 
 
7: No caso de docentes multidisciplinar quais são as disciplinas que compõe esse processo? 
R:____________________________________________________________________ 
 
______________________________________________________________________ 
 
8.Como é a metodologia utilizada pelo docente na sala de aula para o EducaçãoBilíngue? 
 
A: ( ) Trabalhos em grupo; 
B: ( ) Individual; 
 56 
C: ( ) Diversidade de trabalho. 
D: Outra metodologia. Qual? _____________________________________________ 
 
9. Que material didático é usado nas aulas bilíngue? 
 
A:( ) Jogos: 
B:( ) Brincadeiras; 
C:( ) Música; 
D:( ) livro didático. 
Existe outro material? Qual________________________________________________ 
______________________________________________________________________ 
 
10.Na sua concepção como é um criança bilíngue? Quais as suas principais características? 
 
R: ____________________________________________________________________ 
______________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________________
_________________________________________________________________ 
 
 
 Muito Obrigada!LISTA DE TABELAS 
Tabela 1 - Escolas de Fronteira ................................................................................................ 18 
Tabela 2 - Linha do tempo da Educação Bilíngue no Brasil .................................................... 21 
Tabela 3 - Proposta curricular de Santa Catarina ..................................................................... 28 
Tabela 4 - Critérios para ter sucesso na Educação Bilíngue. .................................................... 29 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................. 12 
1.1 JUSTIFICATIVA ............................................................................................................ 12 
1.2 POBLEMÁTICA ............................................................................................................. 12 
1.3 OBJETIVOS .................................................................................................................... 13 
1.3.1 Objetivo geral .............................................................................................................. 13 
1.3.2 Objetivos específicos ................................................................................................... 13 
1.4 ORGANIZAÇÃO DO ESTUDO ..................................................................................... 13 
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................... 15 
2.1 EDUCAÇÃO BILÍNGUE ............................................................................................... 15 
2.1.1 Definindo uma pessoa bilíngue .................................................................................. 16 
2.1.2 O que se compreende por escola bilíngue ................................................................. 16 
2.1.3 Escolas de fronteira ..................................................................................................... 18 
2.1.4 Escola de libras: português para surdos ................................................................... 18 
2.1.5 Escola indígena ............................................................................................................ 19 
2.1.6 Escolas internacionais ................................................................................................. 19 
2.2 O QUE CHAMADOS DE EDUCAÇÃO FORMAL? ..................................................... 20 
2.3 ESCOLAS DE EDUCAÇÃO BILÍNGUE – ESCOLA DE PRESTÍGIO ....................... 22 
2.4 A FORMAÇÃO DO PROFESSOR BILÍNGUE ............................................................. 23 
2.5 CRIANÇA BILÍNGUE E OS PROCESSO COGNITIVOS ........................................... 25 
2.6 PROPOSTA PEDAGÓGICA BILÍNGUE E O PLANEJAMENTO .............................. 27 
3 METODOLOGIA ............................................................................................................. 31 
3.1 CENÁRIO DE PESQUISA ............................................................................................. 32 
3.2 A REALIZAÇÃO DA PESQUISA ................................................................................. 33 
3.3 ANÁLISE DE DADOS ................................................................................................... 33 
3.4 RESULTADO DA PESQUISA ....................................................................................... 34 
3.5 CONCLUSÃO DE DADOS ............................................................................................ 45 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................... 46 
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 48 
APENDICE A – QUESTIONÁRIO 1 ................................................................................... 51 
APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO 2 ................................................................................... 54 
 12 
1 INTRODUÇÃO 
No mundo globalizado é cada vez mais importante dominar uma segunda língua. Tem-
se observado que é fundamental para o desenvolvimento pessoal e que muitas pessoas procuram 
se preparar melhor para o mercado de trabalho, aprimorando seus estudos no exterior. Com a 
abertura para intercâmbio de estudantes, muitos deles buscam aumentar, tanto os 
conhecimentos e o domínio da segunda língua como os conhecimentos acadêmicos, culturais e 
científicos. 
De fato, falar um segundo idioma tomou-se fundamental, quase uma necessidade para 
a vida estudantil e profissional. Nesse sentido, a língua inglesa é a mais ofertada, pois é a língua 
falada em todo o mundo. Hoje, convive-se com uma série de palavras em inglês, sendo possível 
perceber a influência que esta língua exerce sobre o cotidiano das pessoas. Logo, falar a língua 
inglesa tornou-se cada vez mais relevante, e por esta razão a Educação Bilíngue está, aos 
poucos, se expandindo também para a educação formal, sendo que antes era ofertada apenas 
em escolas especializadas, ou seja, que só ofereciam a educação de línguas. 
Este estudo teve como foco em uma escola que oferece esse tipo de educação, que é ofertado 
por poucas escolas de educação regular no município de São José, que faz parte da Grande 
Florianópolis. 
1.1 JUSTIFICATIVA 
A elaboração dessa pesquisa se justifica pela importância da Educação Bilíngue para 
uma sociedade que vivencia o movimento de globalização e porque pode ser um diferencial 
oferecido pelas escolas que prestam o serviço de educação integral para estudantes. 
 
1.2 POBLEMÁTICA 
Inicialmente, identificou-se a questão que deu norte a todo o processo de pesquisa, que 
é a seguinte: qual o modelo pedagógico da Educação Bilíngue aplicado em uma escola 
particular da rede de educação do Município de São José? 
 
 13 
1.3 OBJETIVOS 
A fim de buscar uma resposta ao problema levantado, estabeleceram-se os objetivos 
apresentados na sequência. 
 
1.3.1 Objetivo geral 
Analisar a proposta a pedagógica em uma escola particular de Educação Bilíngue da 
rede de ensino de São José. 
 
1.3.2 Objetivos específicos 
 Identificar a proposta pedagógica existente na Educação Bilíngue em uma escola 
particular de São José – SC. 
 Investigar o perfil do professor que trabalha com a Educação Bilíngue. 
 Compreender a importância da Educação Bilíngue no desenvolvimento cognitivo das 
crianças, com ênfase na visão das professoras que as acompanham. 
 Analisar como é feito o planejamento pedagógico para a Educação Bilíngue na escola 
estudada. 
 
1.4 ORGANIZAÇÃO DO ESTUDO 
Para compreender melhor esse processo de formação do indivíduo para uma segunda 
língua, realizaram-se leituras de obras de autores que tratam do assunto abordado na presente 
pesquisa, enumerando em tópicos os temas tratados, obtendo-se, assim, uma fundamentação 
teórica sobre a qual se sustentam os argumentos que serão apresentados. 
Quanto aos procedimentos metodológicos, escolheu-se a pesquisa exploratória, 
analisando a instituição com o método de estudo de caso. Utilizou-se como instrumento de 
pesquisa o questionário, com uma abordagem quali-quantitativa para fazer a análise e 
interpretação dos dados. Os questionários foram entregues aos professores e à coordenação de 
uma escola bilíngue situada na cidade de São José - SC. 
 14 
Para finalizar o estudo, apresentam-se as considerações finais, com as impressões da 
pesquisadora no desenvolvimento do estudo, relacionando os dados obtidos à pergunta que 
nasceu da sua inquietação durante suas vivências, a fim de alcançar o objetivo geral e os 
específicos trabalhados no desenvolvimento da pesquisa. Deixa-se claro que o estudo desse 
tema não se finda com a presente pesquisa, apenas se trata de relatar e observar um fragmento 
do começo de uma caminhada no que se refereà Educação Bilíngue. 
 
 
 
 
 15 
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
Para a melhor entendimento do leitor e com base nos autores estudados, dividiram-se 
os temas tratados nesta parte do trabalho em tópicos. 
No primeiro tópico, apresenta-se uma definição para os diferentes tipos de escolas 
bilíngues, que hoje estão presentes, ainda que discretamente, em território nacional, falando 
sobre o contexto histórico da educação formal no Brasil e os processos que envolvem a 
Educação Bilíngue. 
No segundo tópico, analisa-se como é constituída a educação formal no Brasil, desde 
a implantação das primeiras escolas brasileiras, e como a Educação Bilíngue encontrou base 
legal, foi implantada e se sustenta em diferentes abordagens pedagógicas e formatos. 
No terceiro tópico, discorre-se sobre a importância da formação dos professores que 
atuam na educação formal e na Educação Bilíngue, e sobre a relevância da oferta de um curso 
que proporcione a esse profissional uma formação com base pedagógica específica para 
trabalhar com este tipo de educação. 
No quarto tópico, discute-se sobre a importância da Educação Bilíngue para o 
desenvolvimento das crianças, com vários autores que defendem a ideia de que as crianças que 
aprendem dois ou mais idiomas têm um ganho cognitivo expressivo, deixando claro que, para 
que isso aconteça, é necessário que a escola bilíngue tenha uma boa proposta pedagógica. 
No quinto tópico se apresenta o relato da discussão sobre a importância do 
planejamento da proposta pedagógica nas escolas que se propõem a oferecer a Educação 
Bilíngue. 
 
2.1 EDUCAÇÃO BILÍNGUE 
A Educação Bilíngue tem como princípio oferecer o ensino de mais de uma língua em 
seu espaço. Para explicar o que representa este tipo de educação é necessário apresentar a 
definição da expressão educação bilíngue, segundo Mello (2002, p.05): 
 
 
 [...] expressão educação bilíngue tem sido frequentemente usada na sua acepção mais 
abrangente para incluir todas as situações em que duas ou mais línguas estão em 
contato, fazendo-se a distinção entre as suas diversas tipologias somente quando o 
contexto ou a situação requer um maior detalhamento técnico. De maneira 
semelhante, quando se usam as expressões escola bilíngue e/ou sala de aula bilíngue, 
 16 
faz-se referência à possibilidade de ocorrência de uso de mais de uma língua nesses 
contextos, mesmo quando se espera que uma única língua seja usada na maior parte 
das interações que ocorrem nesses contextos. 
 
 
 
Compreendendo o conceito de Educação Bilíngue emitido por Mello, fica mais fácil 
dar o significado e contextualizar a sua importância para o desenvolvimento da pessoa que hoje 
é cidadã do mundo. Continuando e contextualizando os significados de Educação Bilíngue, é 
necessário apresentar e definir o conceito de uma pessoa bilíngue. 
 
2.1.1 Definindo uma pessoa bilíngue 
Procurando a definição de bilíngue, encontraram-se vários significados, entre eles o 
que está no dicionário Aurélio, que define bilíngue como: “escrito ou falado em duas línguas, 
adjetivo, pessoa que fala duas línguas. ” (2002, p. 32). 
Mas há vários autores que também escrevem sobre o que é ser uma pessoa bilíngue, e 
entre tantos termos, o que chamou a atenção é o que consta na obra de Appel e Muysken, autores 
que assim descrevem a pessoa bilíngue: 
 
 
Um bilíngue deve possuir um domínio de duas ou mais línguas igual que a um nativo, 
em outro extremo [..] a teoria de Macnamara que propõe que uma pessoa pode vir a 
ser qualificada como bilíngue se além de possuir as habilidades em sua primeira 
língua, possuir algumas das quatro habilidades em uma das quatro habilidades, entre 
elas ouvir, falar, compreender e ler. (BLOOMFIELD; MACNAMARA apud APPEL; 
UYSKEN,1996, p.11). 
 
Compreendendo o que é uma pessoa bilíngue na visão dos autores apresentados e a 
partir dessa definição, faz-se um breve relato sobre os tipos de escolas bilíngues que existem 
hoje, no Brasil, contextualizando o foco principal desta pesquisa e a Educação Bilíngue que, 
neste estudo, é voltada para língua inglesa. 
2.1.2 O que se compreende por escola bilíngue 
O Brasil é um país composto de culturas diferentes, em que se falam diversas línguas, 
mas aqui há somente alguns modelos de escolas oficiais bilíngues, que estão associadas às 
escolas indígenas e à língua de sinais, que é específica para o público formado de pessoas 
 17 
surdas, existindo também as consideradas de prestígio, como as escolas internacionais (inglês, 
espanhol, francês etc.). 
As escolas indígenas e a língua de sinais ou Libras, que é para a população de surdos, 
são mantidas para garantir aos índios e surdos o direito a estarem em contanto com sua língua 
de origem, nas escolas regulares, mas foi preciso lutar para que fosse criado um currículo para 
atender esse público, pois, anteriormente, só era ensinada a língua oficial, que é o ‘Português’. 
Como diz Moura (2009, p. 53): “Exemplos dessas escolas são as escolas bilíngue indígena onde 
a língua materna é a de herança e as escolas para surdos em que a língua de sinais é L1, enquanto 
a língua portuguesa é L2”. 
Ainda segundo Moura, (2009, p.53): “A globalização econômica ampliou a 
mobilidade, aumentou a competitividade no mercado e difundiu as tecnologias de comunicação 
à distância ampliando o acesso à informação, por parte da população mundial e seus efeitos 
também se fazem sentir nas línguas. ”. 
No Brasil não foi diferente, por conta disso, começaram a surgir várias modalidades 
de ensino de línguas, obrigando as autoridades a organizarem um currículo específico para este 
grupo de indivíduos. Moura (2009) dá ênfase aos diferentes contextos em que a Educação 
Bilíngue se faz presente, mas segundo ele, são os fatores sociais que determinam quais são os 
objetivos do programa: “Esses fatores são determinantes para a construção dos objetivos do 
programa do financiamento e das decisões acadêmicas que envolvem a construção do currículo 
e as práticas de ensino. ” (MOURA, 2009, p. 54). 
Nesse sentido, para se caracterizar como bilíngue, uma escola precisa se organizar e 
se estruturar em todos os aspectos, para promover uma educação de qualidade. De acordo 
com Moura (2009, p. 53): 
 
O currículo deve promover carga horaria dedicada ao ensino de cada língua, presente 
como meio de instrução nas áreas do conhecimento. O ambiente deve promover o 
contato com todas as línguas por meio de oferecimento de materiais e oportunidades 
de inserção. Os professores precisam ter o necessário conhecimento do objeto de 
ensino com as línguas – para poder ensiná-las pela comunicação com os alunos. 
 
Pensando no currículo que envolve as escolas bilíngues, na valorização do ensino e na 
importância do preparo do professor para oferecer o ensino com qualidade, como o autor 
descreve, e dando continuidade ao desenvolvimento do tema, faz-se um breve relato sobre os 
tipos de Educação Bilíngue que existem, hoje, no Brasil. 
 18 
2.1.3 Escolas de fronteira 
Segundo o site do MEC (Ministério da Educação e Cultura), as escolas situadas nas 
fronteiras do Brasil com outros países são denominadas de Escola de Fronteira. O Projeto 
Escola Intercultural Bilíngue de Fronteira (PEIBF) tem o intuito de promover o intercâmbio 
entre professores dos países do Mercosul. Esse projeto foi criado em 2005 e em 2008 e 2009 já 
contava com 26 escolas em cinco países. Na Tabela 1 a seguir, apresentam-se as cidades em 
que estão situadas as escolas de fronteiras. 
 
Tabela 1 - Escolas de Fronteira 
Brasil Em outros países 
Dionísio Cerqueira (SC) – 1 escola Bernardo Irigoyen (Argentina) - 1 
Foz do Iguaçu (PR) – 1 escola Puerto Iguazu (Argentina) - 1 
Uruguaiana (RS) – 1 escola Paso de Los Libres (Argentina) - 1 
São Borja (RS) – 2 escolas Santo Tomé (Argentina) - 2 
Itaqui (RS) – 1 escola Alvear (Argentina) - 1 
Itaqui – 1 escola La Cruz (Argentina) - 1 
Chuí (RS) – 1 escola Chuy (Uruguai)- 1 
Jaguarão (RS) – 2 escolas Rio Branco (Uruguai) - 2 
Ponta Porã (MS) - 1 escola Pedro Juan Caballero (Paraguai) – 1 
Pacaraima (RR) – 2 escolas Santa Elena de Uiarén (Venezuela) 2 
Total – 13 escolas no Brasil Total – 13 escolas nos 4 países 
Fonte: Adaptado de BRASIL, 2015, Ministério de Educação e Cultura. 
 
O principal objetivo desse projeto é “a integração de estudantes e professores 
brasileiros com os alunos e professores dos países vizinhos”, integrando as fronteiras e dando 
oportunidade do aprendizado das duas línguas. 
 
2.1.4 Escola de libras: português para surdos 
Esse tipo de ensino é oferecido nas escolas públicas, desde a Educação Infantil até o 
Ensino Médio. Tendo a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) como primeira língua (L1), o 
Português (L2) como segunda língua, essas escolas são amparadas nos direitos desta população 
de falar a sua língua materna e a segunda língua, que é o Português, e para funcionar, são 
 19 
necessárias algumas medidas, entre elas, a habilitação do curso de Letras em 
LIBRAS/Português para a formação de professores. 
Em Santa Catarina, o campus Palhoça Bilíngue do Instituto Federal de Santa Catarina 
(IFSC) foi inaugurado em 5 de dezembro de 2012, com capacidade para 800 alunos em sala e 
mais de 1.200 a distância. Esse campus é a primeira unidade da Rede Federal de Educação 
Profissional e Tecnológica na modalidade bilíngue – Libras/Português. 
 
2.1.5 Escola indígena 
As escolas indígenas são regulamentadas desde 1999. São escolas públicas bilíngues 
reconhecidas oficialmente e atendem a Educação Infantil, os Anos Iniciais, o Ensino 
Fundamental, o Ensino Médio, a Educação de Jovens e Adultos, com corpo docente, na sua 
maioria, composto por indígenas, tendo como objetivo preservar a cultura indígena. 
Segundo o portal do MEC, o Brasil possui, atualmente, 2.819 escolas indígenas, que 
atendem cerca de 195.000 estudantes indígenas, distribuídos desde a Educação Infantil até o 
Ensino Médio. Mas ainda há uma concentração de 54,4% das matrículas nos anos iniciais do 
Ensino Fundamental, o que pode ocasionar a descaracterização da cultura indígena. 
2.1.6 Escolas internacionais 
No Brasil, as escolas internacionais surgiram a partir da necessidade de educação dos 
filhos de famílias vindas de outros países, mas hoje elas já não são exclusivas aos filhos de 
famílias estrangeiras, sendo formadas por um corpo docente que também é composto de 
professores estrangeiros. 
As escolas internacionais, segundo Moura (2009, p. 56), “são obrigadas a seguirem os 
Parâmetros Curriculares Nacionais, mesmo que os conteúdos sejam administrados no 
estrangeiro, devendo elas devem seguir o calendário escolar brasileiro, o Português nessas 
escolas é tratado como segunda língua. ” Segundo Mello (2002, p. 128): 
 
 
As escolas internacionais que proporcionam instrução em duas línguas e os centros 
binacionais ou institutos de idiomas (Centro Cultural Brasil-Estados Unidos, Cultura 
Inglesa, Aliança Francesa, Instituto Ibero-Americano, Instituto Goethe, etc.) que 
ensinam a língua e a cultura de seus respectivos países representam pequenas ilhas na 
imensidão do nosso território, apesar de estarem eclodindo em várias capitais do país 
escolas que se autodenominam bilíngues. 
 
 20 
Como descreve o autor, as escolas internacionais, ainda são oferecidas de maneira 
incipiente, geralmente se localizam em grandes centros e atendem apenas uma pequena parcela 
da população brasileira. 
 
2.2 O QUE CHAMADOS DE EDUCAÇÃO FORMAL? 
A educação formal pode ser definida como a capacidade de desenvolvimento 
intelectual do ser humano. Seu significado engloba o conhecimento adquirido na escola 
intencionalmente, ou seja, por haver intenção de produzir aprendizado de conteúdo. 
A educação formal é reconhecida oficialmente quando é ofertada pelas escolas oficiais 
reconhecidas pelo MEC, e abrange a Educação Infantil, o Ensino Fundamental, o Ensino 
Médio, a Educação de Jovens e Adultos (EJA), a Educação Superior, a Pós-graduação, o 
mestrado, o doutorado, enfim, todos os níveis que oferecem diplomas. Geralmente é oferecida 
por instituições de ensino credenciadas pelo governo ou submetidas a ele. (BRASIL, 2015, p.1). 
No Brasil, pelo que se tem conhecimento, a primeira escola formal surgiu no período 
jesuítico, tendo sido fundada em Salvador, Bahia, pelo Padre Manuel da Nóbrega, por volta dos 
anos de 1550. A educação formal era oferecida em escolas da Companhia de Jesus, comandadas 
por padres jesuítas que administraram a educação no Brasil de 1549 até 1759. (ROSÁRIO; 
SILVA, 2015, p.5). 
No entanto, não se pode afirmar com exatidão que antes da descoberta do Brasil pelos 
portugueses não houvesse educação. O que se sabe é que os nativos indígenas falavam a língua 
Tupi. Com efeito: 
 
Os padres jesuítas foram os primeiros professores do Brasil se a abordagem recair na 
chamada educação formal – escolarizada. Se considerarmos que antes do chamado 
descobrimento aqui viviam outras pessoas, uma população ameríndia e, se 
considerarmos que o conceito de educação nos remete a uma abrangência 
incalculável, teremos necessariamente que considerar que antes da chegada da 
Companhia de Jesus, existiam aqui outras educações, portanto, outras histórias da 
educação. (ROSÁRIO; SILVA, 2015, p.07). 
 
 
 
Como relatam os autores citados, os colonizadores portugueses trouxeram seu idioma, 
tentando a disseminação da sua língua entre os povos indígenas aqui existentes, mas segundo 
os relatos históricos, houve muita resistência dos indígenas em adotar a língua portuguesa. 
 21 
Então, diante da necessidade dos missionários, de se comunicar, tiveram que aprender o idioma 
falado pelos indígenas. 
O Padre Manuel da Nóbrega chegou a compor uma gramática da língua Tupi em 
Coimbra, em 1595 (Arte da gramática da língua mais usada na costa do Brasil). Pode-se dizer 
que se estabeleceu uma comunicação bilíngue: “Desde os tempos do Brasil colonial quando a 
língua portuguesa foi introduzida no país e seu idioma imposto aos índios por meio da 
catequização e fundação das primeiras escolas pelos jesuítas, passando do ensino da língua 
clássica, grego e latim, entre outras. ” (MOURA, 2009, p. 31). 
A Tabela 2 a seguir apresenta uma linha do tempo com as várias etapas da educação 
formal no Brasil, segundo a fonte: História do ensino de Línguas no Brasil - Projeto do 
Programa de Pós-graduação em Linguística aplicada da Universidade de Brasília, publicado 
pela Revista Nova Escola (2015). 
 
Tabela 2 - Linha do tempo da Educação Bilíngue no Brasil 
Ano Trajetória do ensino de língua estrangeira no Brasil 
 
1500 
Com a chegada dos colonizadores, a Língua Portuguesa começou a ser ensinada aos 
índios, informalmente, pelos jesuítas. Posteriormente, foi considerada a primeira 
língua estrangeira falada em território brasileiro. 
 
1750 
Com a expulsão dos jesuítas e a proibição do ensino e do uso do tupi, o português 
virou língua oficial. Os objetivos eram enfraquecer o poder da Igreja Católica e 
organizar a escola para servir aos interesses do Estado. 
 
1759 
O alvará de 28 de julho determinou a instituição de aulas de Gramática Latina e 
Grego, que continuaram como disciplinas dominantes na formação dos alunos e eram 
ministradas nos moldes jesuíticos. 
 
1808 
Durante o período colonial, a língua francesa era ministrada somente nas escolas 
militares. Com a chegada da família real, esse idioma e o Inglês foram introduzidos 
oficialmente no currículo. 
 
1889 
 Depois da Proclamação da República, as línguas inglesa e alemã passaram a ser 
opcionais nos currículos escolares. Somente no fim do século 19 elas se tornaram 
obrigatórias em algumas séries. 
 
1942 
Na Reforma Capanema, durante o governo de Getúlio Vargas (1882-1954), Latim, 
Francês e Inglês eram matérias presentes no antigo Ginásio. Já no Colegial, as duas 
primeiras continuavam, mas o Espanhol substituiu o Latim. 
 
1945Lançamento do Manual de Espanhol, de Idel Becker (1910-1994), que por muito 
tempo foi a única referência didática do educaçãodo idioma. Idel, argentino 
naturalizado brasileiro, tornou-se um dos pioneiros das pesquisas na área. 
 
1961 
 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) retira a obrigatoriedade do educaçãode 
Língua Estrangeira no Colegial e deixa a cargo dos estados a opção pela inclusão nos 
currículos das últimas quatro séries do Ginásio. 
 22 
 
1970 
Na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é criado o primeiro programa de 
pós-graduação em Língüística Aplicada ao Ensino de Línguas no país, tendo como um 
dos idealizadores Maria Antonieta Alba Celani. 
 
1976 
Com a Resolução 58/76 do Ministério da Educação, há um resgate parcial do ensino 
de Língua Estrangeira Moderna nas escolas. É decretada a obrigatoriedade para o 
Colegial, e não para o Ginásio. 
 
1977 
O professor José Carlos Paes de Almeida Filho, hoje professor da Universidade de 
Brasília, é o primeiro brasileiro a defender uma dissertação de mestrado com foco na 
abordagem comunicativa para o educaçãode um idioma. 
 
1978 
Evento realizado na Universidade Federal de Santa Catarina foi pioneiro no Brasil em 
combater as ideias estruturalistas do método áudio lingual, funcionando como 
semente do movimento comunicativista. 
 
1996 
Publicação da Lei de Diretrizes e Bases que tornou o ensino de Línguas obrigatório a 
partir da 5ª série. No Ensino Médio seriam incluídas uma língua estrangeira moderna, 
escolhida pela comunidade, e uma segunda opcional. 
 
1998 
A publicação dos PCNs de 5ª a 8ª séries listou os objetivos da disciplina. Com base no 
princípio da transversalidade, o documento sugere uma abordagem 
sociointeracionista para o ensino de Língua Estrangeira 
 
1998 
Na edição dos PCNs voltados ao Ensino Médio, a Língua Estrangeira assumiu a função 
de veículo de acesso ao conhecimento para levar o aluno a comunicar-se de maneira 
adequada em diferentes situações. 
 
2005 
A Lei nº 11.161 institui a obrigatoriedade do Ensino de Espanhol. Conselhos Estaduais 
devem elaborar normas para que a medida seja implantada em cinco anos, de acordo 
com a peculiaridade de cada região. 
 
2007 
Foram desenvolvidas novas orientações ao Ensino Médio na publicação PCN+, com 
sugestões de procedimentos pedagógicos adequados às transformações sociais e 
culturais do mundo contemporâneo. 
Fonte: Adaptado de: história do ensino de línguas BRASIL – Revista Nova Escola (2015, p1). 
 
De acordo com a linha do tempo, o Brasil tem uma longa trajetória de Educação 
Bilíngue, o que mostra que é uma conquista que aos poucos vem se efetivando como proposta 
de formação para as crianças. Seguindo as pesquisas, apresentam-se a seguir as escolas que 
oferecem a Educação Bilíngue com o status de escolas de prestígio. 
2.3 ESCOLAS DE EDUCAÇÃO BILÍNGUE – ESCOLA DE PRESTÍGIO 
São escolas regulares que seguem a regulamentação do Ministério da Educação. O que 
as difere é que elas têm uma carga horária diferenciada para oferecer a educação de línguas em 
 23 
currículo. A esse respeito, Moura (2009, p. 57) afirma: “O ensino fundamental segue os 
Parâmetros Curriculares Nacionais, e oferece a língua portuguesa nas principais disciplinas, 
geralmente oferece uma carga de horário maior para inserir a instrução da segunda língua e 
atender à exigência dos órgãos oficiais”. Escolas que dominam a linguagem bilíngue estão 
presentes em quase todas as cidades e atendem os pais que querem que seus filhos aprendam 
mais de um idioma. Geralmente, nessas escolas é ofertado o idioma inglês, sendo esse tipo de 
educação o foco da pesquisa realizada. 
 
2.4 A FORMAÇÃO DO PROFESSOR BILÍNGUE 
A formação dos professores, em especial dos professores de língua inglesa, deve seguir 
o mesmo padrão de formação dos outros professores, nas diferentes áreas do conhecimento. É 
preciso ser formado em Letras- Inglês e se deve procurar fazer atualizações no currículo, 
seguindo um modelo de formação continuada proposto pela instituição na qual se trabalha. 
Conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais Brasil (2013, p. 78), está definido no 
artigo 58: “A formação inicial, nos cursos de licenciatura, não esgota o desenvolvimento dos 
conhecimentos, saberes e habilidades referidas, razão pela qual um programa de formação 
continuada dos profissionais da educação será contemplado no projeto político-pedagógico”. 
Outro documento oficial que também cita a formação do professor é o dos Parâmetros 
Curriculares Nacionais Brasil (2013, p. 25), que assim diz: 
 
Além de uma formação inicial consistente, é preciso considerar um investimento 
educativo contínuo e sistemático para que o professor se desenvolva como 
profissional de educação. O conteúdo e a metodologia para essa formação precisam 
ser revistos para que haja possibilidade de melhoria do ensino. A formação não pode 
ser tratada como um acúmulo de cursos e técnicas, mas sim como um processo 
reflexivo e crítico sobre a prática educativa. Investir no desenvolvimento profissional 
dos professores é também intervir em suas reais condições de trabalho. 
 
 
Mas no caso do professor com a formação específica da língua inglesa, os desafios e 
as exigências são maiores, conforme Rodrigues (2003, p.143): “O cenário em que se insere a 
atuação dos profissionais na área de educação em geral e, em particular os da língua inglesa 
impões desafios e exigências para os quais grande parte dos professores, dada a sua formação 
inicial não se vê preparada para enfrentar. ” 
Para tanto, o professor precisa ultrapassar os limites de sua formação inicial, ir além 
das políticas públicas que indicam o caminho que ele deve percorrer; precisa buscar novas 
 24 
posturas de ensino-aprendizagem, procurar aprender novas estratégias, descobrir novas 
abordagens para ensinar seus alunos. 
Como relata Antonieta Celani, em uma entrevista à Revista Nova Escola, Almeida 
(2015, p.1): "Já baseamos as aulas em tradução e em gramática, mas hoje sabemos que cabe 
ao professor analisar a turma para atuar bem." E ao se referir ao ensino de línguas, Celani faz 
a seguinte pergunta: “O que a formação continuada pode oferecer ao docente da área”? E ela 
mesma responde: 
 
Ele precisa estar preparado para se enxergar e atuar como um pesquisador da própria 
prática. A reflexão proporciona isso a ele. Um dos grandes problemas do professor é 
a solidão. Muitas vezes, ele não tem colegas com quem trocar experiências na escola. 
Por isso, é importante estar sempre alerta para oportunidades em centros de recursos 
e usar a internet para pesquisar e travar contato com o idioma. (CELANI, 2015, p.1). 
 
 
Nesse contexto, de formação inicial ideal para professores do ensino de idioma inglês, 
em que ele pode sentir a solidão, como citado, o profissional dever procurar metodologias 
diferenciadas através de pesquisas, como o método utilizado na Universidade de São Paulo, 
descrito a seguir: 
 
[...], constata, em seu estudo sobre a formação inicial do professor de Inglês, na 
Universidade de São Paulo, a adesão de um modelo de formação profissional 
idealizado. Diz a autora que esse tipo de formação, tal como se apresenta, parece 
“prestar-se à manutenção de formas burocráticas e rotineiras, nas quais impera o 
‘ensinar’ para o ‘saber– fazer’ e nas quais nenhum dos polos (formador e aprendiz) 
interage para o seu desenvolvimento profissional” (FERRO, 1998, p.160, apud 
RODRIGUES, 2004, p.144). 
 
 
Esse modelo de formação continuada foi criado pela Pontifícia Universidade Católica 
de São Paulo (PUC-SP, 1996), juntamente com Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa São 
Paulo (SBCI-SP,1996). Juntas, essas organizações criaram um modelo de formação continuada 
para os professores do ensino da língua inglesa, sendo que seu objetivo era: 
 
 [...] preparar professores, com conteúdo teórico e prático, para identificar as reais 
necessidades dos alunose adequar as aulas ao perfil de cada turma, partindo da 
construção mútua do conhecimento. Com isso, o ensino do idioma passa a ser uma 
atividade mais dinâmica, inclusive com o uso de diversos outros recursos além do 
livro didático. (SBCI-SP, 2010, p.1). 
 
A finalidade desse programa é cooperar para a formação continuada dos professores 
de inglês, tornando-os profissionais críticos, conscientes, dinâmicos em suas aulas, 
encorajando-os a irem além do livro didático. 
 25 
Freire também compartilhava da ideia de que a formação do professor deve ir além do 
curso de graduação. Segundo ele, “ensinar exige pesquisa”: 
 
Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino**. Esses que-fazeres encontraram 
um no corpo do outro. Enquanto ensino contínuo buscando, procurando. Ensino 
porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, 
constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que 
ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade. (FREIRE, 1996, p.23). 
 
 
O professor é uma peça fundamental no processo de ensino aprendizagem, ele é o 
mediador, é ele quem faz a medicação entre o aluno e a cultura, que ensina o modo como o 
aluno vai se apropriar do conhecimento e, assim, promover a sua autonomia. 
Dessa forma, o profissional que trabalha com o ensino bilíngue deve ter seu currículo 
sempre atualizado, buscando novos conhecimentos que são oferecidos em diversas instituições 
de ensino. 
Dando continuidade ao estudo, se faz necessário saber qual a importância da Educação 
Bilíngue para as crianças, conforme será apresentado a seguir. 
 
2.5 CRIANÇA BILÍNGUE E OS PROCESSO COGNITIVOS 
As pessoas vivem em constante busca de novos conhecimentos, novas descobertas. A 
partir de um contexto em que é importante desenvolver novas competências para facilitar a 
vida, quanto mais cedo aprendem, melhor para o desenvolvimento das crianças, que vão ter 
acesso a uma cultura diferente com o domínio de mais uma língua e, assim, criar novas relações 
como o mundo. 
As pesquisas apontam que nos primeiros anos, a área do cérebro humano responsável 
pela linguagem está mais ativa, portanto, no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes 
que possuem mais facilidades para aprender, estar em contato com mais uma nova língua, além 
da língua nativa, contribui para o seu desenvolvimento cognitivo. 
Muitas são as vantagens de se conhecer uma segunda língua. Como apontam a 
psicóloga Elizabete Flory, doutora em bilinguismo pelo Instituto de Psicologia da USP, e Selma 
Moura, em publicação de agosto de 2011, na revista eletrônica: Guerreiro (2011, p.1): “[...] a 
primeira é uma certa antecipação da consciência metalinguística, eles se dão conta de que o 
objeto tem palavras diferentes para representá-lo e diferenciam com qual língua falar com cada 
pessoa” Elas dizem também que outro benefício é uma possível antecipação de pensamento 
 26 
cognitivo em cálculos. E que está ligada à ampliação da lógica, já que as crianças bilíngues 
apressam essa forma de pensar. Elizabete aponta, no entanto, que não é sempre que o 
bilinguismo é acompanhado de vantagens cognitivas. Não dá para falar que ele aumenta a 
inteligência. Mas crescer falando duas línguas pode ter influências positivas em alguns aspectos 
do desenvolvimento cognitivo das crianças. 
Nas crianças, as estruturas cognitivas são mais abertas para a aprendizagem de línguas, 
o que torna ainda mais interessante este processo de Educação Bilíngue. Selma Moura (2011, 
p.1), doutoranda em Linguística Aplicada pela Unicamp e mestre em Educação pela USP 
defende a ideia de que: 
 
 
[…] a criança faz a transferência da alfabetização em uma língua para a outra, mas 
crê que este é um processo bilíngue, e não simultâneo. Não são duas alfabetizações, é 
uma só. Quando a criança entende o código da língua, só vai fazer uma mudança, uma 
transposição de som, observa. Elisabete ressalta que a transferência de conhecimentos 
entre línguas a partir de apenas um processo de alfabetização depende do segundo 
idioma. Quanto mais próximas as línguas, mais existe a transferência do aprendizado. 
Se for português e japonês, ou russo, ou árabe, a criança vai ter de construir também 
um outro sistema. (MOURA, 2011, p.1). 
 
Outra publicação envolvendo pesquisas sobre a Educação Bilíngue, que vai ao 
encontro das afirmações de Elizabete Flory e Selma Moura, é a dos institutos: Concordia 
University, York University e Université de Provence, publicada em fevereiro de 2013, no 
periódico acadêmico Journal of Experimental Child Psychology. Segundo a pesquisa, é 
perceptível que as crianças que aprendem uma nova língua além da língua materna não 
confundem os dois idiomas que aprenderam e tendem a focar mais em tarefas e a desenvolver 
uma atenção melhor do que as crianças que dominam apenas uma língua. 
Segundo os pesquisadores e os institutos citados, a criança bilíngue consegue se 
desenvolver melhor cognitivamente e também é capaz de diferenciar os códigos das duas 
línguas. No entendimento de Megale (2005, p. 4): 
 
[...] a idade de aquisição das línguas é considerada de extrema importância, pois afeta 
diversos aspectos do desenvolvimento do indivíduo bilíngue, como por exemplo: o 
desenvolvimento linguístico, neuro-psicológico, cognitivo e sócio-cultural. De acordo 
com a idade de aquisição da segunda língua, dá-se o bilinguismo infantil, adolescente 
ou adulto. No infantil, o desenvolvimento do bilinguismo ocorre simultaneamente ao 
desenvolvimento cognitivo, podendo consequentemente influenciá-lo. O bilinguismo 
infantil subdivide-se: em bilinguismo simultâneo e bilinguismo consecutivo. No 
bilinguismo simultâneo, a criança adquire as duas línguas ao mesmo tempo, sendo 
expostas as mesmas desde o nascimento. 
 27 
No entanto, a aprendizagem deve acontecer de forma significativa, pois é importante 
não apenas aprender uma nova língua, mas também compreender o significado dela bem como 
o da língua materna. 
O professor tem a tarefa de intervir para que a criança adquira o conhecimento que 
Vygotsky chamou de “Zona do Desenvolvimento Proximal”. Para Silva (2007, p.13): “A Zona 
de Desenvolvimento Proximal é a distância entre aquilo que o ser humano consegue fazer 
sozinho e o que ele consegue desenvolver com a mediação do outro”. Portanto, para a criança 
aprender a segunda língua é necessária a exploração da zona de desenvolvimento proximal, 
para potencializar o seu conhecimento. 
Por isso é que professores e alunos são peças importantes no mecanismo de ensino e 
aprendizagem, também levando em consideração que, para a construção desse conhecimento, 
é necessária uma proposta pedagógica planejada, com o foco no desenvolvimento da 
competência linguística, criando estratégias didáticas para a aprendizagem da segunda língua. 
 Nesse sentido, o tema que será apresentado a seguir relata a importância do processo 
didático de planejar para o ensino bilíngue. 
 
2.6 PROPOSTA PEDAGÓGICA BILÍNGUE E O PLANEJAMENTO 
Para melhor compreender como deve ser elaborado o planejamento, criando ações 
pedagógicas para a Educação Bilíngue nas escolas, entende-se que, primeiramente, se devem 
buscar as informações contidas nos documentos oficiais, especialmente elaborados para a 
educação de língua estrangeira, iniciando com os Parâmetros Curriculares Nacionais Brasil, 
(1998) e dando continuidade com a Proposta Curricular de Santa Catarina (2015), conforme 
será descrito nos próximos parágrafos. 
No documento dos PCN (BRASIL, 1998), voltado para o ensino de línguas 
estrangeiras, relata-se que, ao ensinar uma língua estrangeira, a escola deve levar em conta os 
seguintes fatores: fatores históricos, fatores relativos às comunidades locais e fatores relativos 
à tradição. 
Aprender uma língua estrangeira possibilita ao aluno um melhor nível de 
conhecimento de sua cultura, e à medida que vai conhecendo estanova cultura, poderá entender 
toda a diversidade e complexidade existente no mundo. 
Nessa perspectiva, vale ressaltar que a língua inglesa possibilita ter uma visão ampla 
de mundo, pois é, no momento, a mais falada no mundo, e desse modo, privar o estudante desse 
 28 
conhecimento significa tirar dele a oportunidade de se comunicar e conhecer novas culturas. 
Na realidade, o fato de aprender uma língua estrangeira: 
 
[...] contribui para o processo educacional como um todo, indo muito além da 
aquisição de um conjunto de habilidades linguísticas. Leva a uma nova percepção da 
natureza da linguagem, aumenta a compreensão de como a linguagem funciona e 
desenvolve maior consciência do funcionamento da própria língua materna. Ao 
mesmo tempo, ao promover uma apreciação dos costumes e valores de outras culturas, 
contribui para desenvolver a percepção da própria cultura por meio da compreensão 
da(s) cultura(s) estrangeira(s). O desenvolvimento da habilidade de entender/dizer o 
que outras pessoas, em outros países, diriam em determinadas situações leva, portanto, 
à compreensão tanto das culturas estrangeiras quanto da cultura materna. (BRASIL, 
1998, p. 37). 
 
 
A proposta curricular de Santa Catarina vem ao encontro do pensamento de Vygotsky 
(1989), numa perspectiva sócio-histórica, e segundo os autores Irene Aparecida Affolter e 
Ademir Paulo Girardello (2014, p.110), da Universidade do Oeste de Santa Catarina: 
 
Os seres humanos se constituem em situações significativas, nas (e por meio das) 
práticas sociais. Para Bakhtin (1988, p. 113), “A palavra é uma espécie de ponte 
lançada entre mim e os outros.” Assim, põe-se à tona a principal categorização da 
concepção de linguagem do viés bakhtiniano – a interação verbal, no fenômeno 
dialógico. Nesse aspecto, a aprendizagem efetivamente significativa ocorre da relação 
de um sujeito com outrem. Na proposição de Vygotsky (1989), as funções superiores 
da mente se formam da ideação inter à intrapsí- quica. Destarte, a evolução humana 
de biológico a sócio-histórico está em detrimento das relações dialéticas que se 
mantêm com o outro, por meio da mediação da linguagem. (2014, p.110). 
 
 
 
 Assim, a Proposta Curricular de Santa Catarina (1998, p. 95) relata a importância da 
aprendizagem da língua estrangeira, confirmando a relevância que tem o fato de oferecer para 
as crianças a possibilidade de ensino de uma nova língua. Conforme se apresenta na Tabela 3 a 
seguir, a Proposta Curricular de Santa Catarina descreve, em vários momentos, os aspectos 
positivos deste ensino. 
 
Tabela 3 - Proposta curricular de Santa Catarina 
Números Descrição da Proposta Curricular de SC. 
 
1 
 O domínio de uma LE [Língua Estrangeira] se constitui em mais uma possibilidade 
de ampliação do universo cultural do aluno, possibilitando-lhe o acesso e a 
apropriação de conhecimentos de outras culturas [...]; 
 
 
2 
Esse pr O processo de aprendizagem desenvolve no aluno estratégias importantes 
para o desenvolvimento do pensamento e aquisição do conhecimento 
sistematizado. Para discutir essa questão, vamos refletir sobre a relação entre a 
aprendizagem dos conceitos cotidianos e dos conceitos científicos feita por 
Vygotsky. [...]; 
 29 
 
 
3 
[...] quanto mais línguas o sujeito dominar tanto maiores serão as oportunidades de 
apropriação dos conhecimentos de outras culturas, para melhor compreender a sua 
e interagir com o seu meio A aprendizagem de uma LE se constitui, assim, na 
possibilidade de questionar a própria identidade (entendida como unidade e 
estabilidade), [...]; 
 
4 
Num mundo em que os avanços tecnológicos aproximam povos, instituições e 
indivíduos, o estudo de uma língua estrangeira moderna torna-se fundamental. 
Fonte: Adaptado de Santa Catarina (1998, p.96). 
 
Ainda de acordo com a proposta apresentada, que reafirma a importância do ensino de 
línguas na educação formal de Santa Catarina, existem outros aspectos relevantes. Segundo 
Lindholm (1990), um dos principais pesquisadores da área de Educação Bilíngue, que nas suas 
pesquisas apresenta a solução para se desenvolver um programa com estrutura sólida e bem-
sucedida, é necessário levar em conta determinados critérios, conforme a Tabela 4 mostra a 
seguir. 
 
Tabela 4 - Critérios para ter sucesso na Educação Bilíngue. 
Critério da Educação Bilíngue 
1 - Os programas devem fornecer aos alunos um 
tempo mínimo de 4-6 anos de educação bilíngue. 
 
2 - O foco da educação deve ser o mesmo 
currículo geral de que os estudantes 
seguem em outros programas. 
3 - Eles devem proporcionar aos alunos a exposição 
ideal para o idioma (ou seja, a linguagem é 
compreensível e relevante para eles), em que os 
alunos têm várias oportunidades para se comunicar 
no idioma de forma oral e escrita, incluindo um 
língua da qualidade de educação nas duas línguas. 
4 - A língua minoritária (diferente do Inglês) 
deve ser utilizada, pelo menos, 50% do 
tempo de instrução (até 90% do tempo em 
graus mais baixos), e Inglês pelo menos 
10% do tempo. 
5 - O programa deve fornecer um ambiente bilíngue 
aditivo onde todos os alunos têm a oportunidade 
de aprender uma outra língua, enquanto continua 
a desenvolver a sua língua materna. 
6 - As salas de aula devem incluir um saldo 
de alunos de língua minoritária e 
estudantes que participam de atividades 
educativas junto de língua Inglês. 
7 - Interações positivas entre os alunos deve ser 
facilitada pela utilização de estratégias como a 
aprendizagem cooperativa (em que os alunos 
trabalham em pares ou em grupos para atingir um 
objetivo comum acadêmico). 
8 - Deve ser incorporada a estes programas 
características eficazes que têm algumas 
escolas, como pessoal qualificado e 
colaboração entre casa e escola. 
 Fonte: traduzido e adaptado de (Lindholm,1990, p.1). 
 
Seguindo o modelo apresentado por Lindholm (1990), trata-se de uma proposta que 
pode ser aplicada em escolas que se propõem a ter um sistema de ensino com qualidade. Na 
opinião do pesquisador Lindholm (1990), a idade para oferecer o ensino deveria ser em torno 
de 4 a 6 anos, sendo que a Educação Bilíngue deve ter o mesmo foco que a educação formal. 
Isto significa que se deve ensinar com linguagem compreensível, tanto na escrita como na 
oralidade, em um ambiente que favoreça o aprendizado do aluno, com a ajuda de professores 
 30 
fluentes na língua mãe, sendo que o tempo de aula deve ser de, no mínimo, 50% do tempo e, 
no caso dos iniciantes, o tempo deve ser de 90%. Deve-se também valorizar o trabalho em 
grupos e criar uma comunicação saudável entre escola e a família. 
Nesse sentido, a instituição de educação que se propõe a oferecer a Educação Bilíngue 
deve entender que a língua não é apenas um instrumento transmissor de conhecimento, mas 
também deve fazer com que seus alunos entendam o conhecimento adquirido e, a partir dele, 
construam novos conceitos de mundo e de sociedade. 
Para que um programa de Educação Bilíngue tenha sucesso, como apresenta Mello 
(2002, p.131): “é necessário que se saiba como ele se relaciona com os múltiplos níveis do 
contexto em que está situado incluindo a sociedade maior, a comunidade local, a escola e a sala 
de aula. ” 
Dessa forma, a Educação Bilíngue deveria ser uma opção, nas escolas públicas, que 
pode contribuir para uma melhor formação do indivíduo, preparando seus estudantes para serem 
cidadãos do mundo. 
Dando sequência ao desenvolvimento do estudo, a seguir, será relatada a metodologia 
que deu norte ao desenvolvimento da pesquisa. 
 
 
 
 
 
 
 31 
3 METODOLOGIA 
Este trabalho teve como base para seu desenvolvimento, primeiramente, a pesquisa 
bibliográfica, com leitura das mais variadas obras e de artigos científicos; num segundo 
momento, realizou-se a pesquisa de campo para coletados dados em uma escola da rede 
particular de educação, tipo de pesquisa 
A metodologia utilizada no desenvolvimento deste trabalho contemplou a pesquisa 
descritiva. A pesquisa descritiva pode ocorrer na pesquisa documental, pesquisa de campo, 
levantamento etc. Esse tipo de pesquisa estuda os fenômenos naturais que são investigados sem 
a interferência do investigador, levando em consideração que a contribuição das pesquisas 
descritivas é possibilitar novas versões sobre uma realidade já socializada. Para Cervo (1983, 
p. 55): “a pesquisa procura descobrir com a (máxima) precisão possível, a frequência com que 
um fenômeno ocorre, sua relação e conexão com outros, sua natureza e características. A 
pesquisa descritiva se caracteriza como qualitativa e quantitativa. ” 
Também se utilizou o método de estudo de caso porque representa um contexto 
específico, como é o caso da instituição estudada, que representa uma única amostra no 
município de São José. De acordo com Chizzotti (2006, p. 135), o estudo de caso “objetiva 
reunir os dados relevantes sobre o objeto de estudo e, desse modo, alcançar um conhecimento 
mais amplo sobre esse objeto, dissipando as dúvidas, esclarecendo questões pertinentes, e, 
sobretudo, instruindo ações posteriores”. 
Foi definido como instrumento de pesquisa o questionário, que ofereceu ao público-
alvo perguntas fechadas, de acordo com a característica de pesquisa quantitativa, e perguntas 
abertas, dando o enfoque também de pesquisa qualitativa. As questões foram criadas a partir da 
pergunta a ser respondida, levando em consideração o objetivo geral e os específicos propostos 
no estudo. Com relação às perguntas do questionário: 
 
 
[...] podem ser de três tipos, das quais para este estudos nos apropriamos de apenas 
duas: a) abertas (qual é sua opinião?); b) Fechadas (escolhas pré-definidas); na questão 
C, descrita pelo autor não houve a necessidade de usar só para ilustrar vamos 
apresentar a seguir: c) De múltipla escolha (fechada com uma série de respostas 
possíveis, em que o respondente pode assinalar mais de uma resposta). (SILVA; 
MENESES, 2001, p.1). 
 
 
Compreende-se que a pesquisa qualitativa requer do pesquisador uma atenção muito 
maior para as ideias das pessoas, dando sentido à organização das ideias apresentadas, a fim de 
 32 
entender e interpretar os dados do discurso, mesmo quando envolve grupos de participantes e 
ficando claro que ela (a pesquisa quantitativa) depende de relação entre o observador e o 
observado. (D`AMBROSIO, 2004, p.11). 
A pesquisa quantitativa é aquela que, utilizando instrumentos de coleta de informações 
numéricas, pode ser medida ou contada, aplicada a uma amostra representativa de um universo 
a ser pesquisado; ele fornece resultados numéricos, probabilísticos e estatísticos, o que facilita 
a visualização através da apresentação em gráficos. (ALMEIDA; RIBES, 2000, p. 98). 
No desenvolvimento e na aplicação da pesquisa, visou-se buscar informações para 
melhor familiarizar a pesquisadora com o tema proposto. Para a realização deste trabalho 
seguiu-se uma proposta metodológica que englobou algumas etapas: 
a) Recapitulação da fundamentação teórica, em que se aplica as vozes dos autores 
que amparam as ideias da pesquisadora; 
b) Definição da escola para a realização do estudo, sendo uma escola privada, 
 localizada no município de São José; 
c) Levantamento e análise dos dados coletados. 
Dando continuidade à descrição da metodologia, julga-se importante descrever 
também o cenário da pesquisa. 
 
3.1 CENÁRIO DE PESQUISA 
O estudo foi realizado em uma escola da rede particular de ensino, situada no 
município de São José, Santa Catarina. A escola foi fundada em 1992, começou atendendo o 
Ensino Médio e, no ano de 1995, passou a atender o Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano). No 
ano de 2012, a escola se expandiu, ampliando o atendimento para o Ensino Fundamental I (1º 
ao 5º ano). Neste mesmo ano, começou a oferecer a Educação Bilíngue, sendo a primeira escola 
bilíngue do município de São José, SC. A escola funciona em dois períodos: matutino e 
vespertino. 
A escolha da escola surgiu porque a pesquisadora tinha conhecimento de que a mesma 
ofertava a Educação Bilíngue e porque seus filhos estudaram nesta escola, na etapa de educação 
regular, quando crianças. 
A instituição pesquisada oferece a Educação Bilíngue a partir do último ano da 
Educação Infantil. As aulas acontecem diariamente, das 9h às 12h, com carga horária de 9 
 33 
horas semanais como aula regular e 6 horas de atividades extraclasse. 
Quando a criança ingressa no ensino bilíngue, é feito um teste de nivelamento, para 
que os professores possam verificar o conhecimento de cada aluno. O material didático 
utilizado aborda gramática, conversação, leitura, escrita e fonética. Portanto, os quatro 
fundamentos do aprendizado de idiomas são abordados: listening, speaking, writing and 
Reading (informações obtidas no site da escola - 2015). 
Este foi o espaço onde se realizou a coleta de dados, conforme se apresenta a seguir. 
 
3.2 A REALIZAÇÃO DA PESQUISA 
 
 
O primeiro contato com a escola, para realizar a pesquisa, foi através de e-mail enviado 
à coordenadora geral da instituição, a qual prontamente respondeu, dizendo que seria um prazer 
receber a pesquisadora, explicando que as aulas bilíngues eram oferecidas no período matutino 
e deixando a pesquisadora à vontade para escolher o dia para realizar a coleta de dados. 
A chegada à Instituição, para realizar a pesquisa, foi muito tranquila e cordial. 
Primeiramente, a pesquisadora foi recebida pela secretária, que a conduziu até a sala da 
coordenadora do Ensino Bilíngue, à qual foi entregue o termo de apresentação da Acadêmica 
no campo de pesquisa, com as assinaturas da coordenação do curso de Pedagogia e da 
professora orientadora, ambas do Centro Universitário Municipal de São José – USJ. 
A conversa com a coordenadora foi informal, e se pode sentir a tranquilidade e o prazer 
em ceder o espaço para a pesquisa, porque logo se apresentou a pesquisadora às professoras do 
ensino bilíngue, que prontamente se dispuseram a colaborar para a pesquisa, o que tornou 
dinâmico o processo de coleta de dados, pela rapidez de acesso ao instrumento de pesquisa 
respondido. 
O público alvo desse estudo foi composto pela coordenação da escola bilíngue e pelos 
professores que compõem o corpo docente de ensino bilíngue na instituição. 
 
3.3 ANÁLISE DE DADOS 
 
Para melhor conhecer e identificar a proposta pedagógica da instituição elaborou-se 
 34 
um questionário, composto de 11 questões iguais e específicas para os professores; para a 
coordenação foram aplicadas as 11 questões dos professores e mais 02 questões diferentes, que 
serviram de suporte para melhor compreender a proposta pedagógica da escola bilíngue. As 
perguntas de questionário foram 09 questões fechadas e 02 questões abertas. 
Para a leitura dos gráficos, optou-se pelo modelo “de barras”. Esta escolha se deu por 
possibilitar uma apresentação de todas as informações coletadas, de forma clara e objetiva. 
Através dos gráficos, buscou-se analisar a participação dos docentes que compõem a Educação 
Bilíngue, a fim de identificar a proposta pedagógica inserida no espaço pedagógico. Os gráficos 
são uma ferramenta que amplia a capacidade humana de ler as informações. Segundo Monteiro 
(2009, p.1-5): 
 
 
Os gráficos se apresentam como uma ferramenta cultural que pode ampliar a 
capacidade humana de tratamento de informações quantitativas e de estabelecimento 
de relações entre as mesmas [...]. Os instrumentos tecnológicos, assim como os 
sistemas semióticos, são criados socialmente ao longo do curso da história humana. 
Sua produção estaria vinculada a determinados objetivos de uso que favoreceriam a 
ampliação e especialização das possibilidades humanas de interação e transformação. 
 
 
Dessa forma, de acordo com osprocedimentos metodológicos que envolvem a análise 
dos dados, foram colocadas, nos gráficos, as perguntas que podiam ser analisadas 
quantitativamente; já nas respostas de múltiplas escolhas e nas dissertativas foram destacadas 
as respostas, estabelecendo critérios de importância a partir da questão de pesquisa, procurando 
identificar a proposta pedagógica, conforme se apresenta no tópico a seguir. 
 
3.4 RESULTADO DA PESQUISA 
Primeiramente, procurou-se saber qual a formação inicial dos docentes que trabalham 
na escola bilíngue. Como se visualiza no Gráfico 1, três dos professores responderam que têm 
formação acadêmica inicial em Letras-Inglês; os outros 3 têm outra formação acadêmica. E 
nenhum desses professores tem formação inicial em Pedagogia. 
 
 35 
Gráfico 1 - Formação acadêmica 
 
Fonte: Elaborado pela autora (2015). 
 
Ser professor na área da educação bilíngue é um grande desafio, e o fato de não possuir 
uma formação acadêmica em Letras-Inglês amplia este desfio, por ser um ensino específico da 
área de Letras. 
De acordo com Rodrigues (2003, p.143): “O cenário em que se insere a atuação de 
profissionais da área de educação em geral e, em particular os professores da língua inglesa 
impõe desafios e exigências para os quais grande parte dos profissionais não se vê preparada 
para enfrentar”. Por isso, esses profissionais devem investir em uma formação continuada, 
não somente para obter títulos, mas também para desenvolver a reflexão contínua sobre a 
prática docente. 
 
Gráfico 2 - Participação de Formação Continuada 
 
Fonte: Elaborado pela autora (2015). 
0
1
2
3
4
Qual é a sua formação acadêmica?
Pedagogia
Letra-Inglês
Outra
2
0
1
2
3
4
1
Você participa de cursos de formação continuada?
Sim
Não
 36 
De acordo com o Gráfico 2, no momento da pesquisa, 3 dos professores da escola 
bilíngue participavam de cursos, manifestando a preocupação de dar continuidade a sua 
formação, e os outros 2 não participavam. É importante ressaltar que para ser um bom 
profissional da Educação Bilíngue, a formação continuada é um elemento fundamental na 
carreira, pois as mudanças no âmbito da educação vão acontecendo de forma acelerada e hoje 
é quase uma necessidade estar sempre atento às mudanças. 
Também a Proposta Curricular de Santa Catarina (2015, p.103) diz ser necessário o 
professor investir na sua formação continuada: 
 
Todos sabemos, para dizer em poucas palavras, que a valorização do professorado 
passa pelo investimento na qualidade de sua formação profissional. Mesmo supondo 
que os professores saiam da universidade com formação razoável, ainda é necessário 
garantir a formação continuada. Um dos requisitos para tal é dar-lhe possibilidade de 
acesso às pesquisas aplicadas. E isso se faz através de encontros regulares, com algum 
tipo de acompanhamento e coordenação, que permitam o contato constante com o que 
está sendo discutido e feito. 
 
 
A formação continuada é um investimento pessoal, o professor, como em qualquer 
outra área do conhecimento, deve estar sempre em busca de novas atualizações, pois, hoje, o 
conhecimento se renova constantemente. 
 
No Gráfico 3, apresenta-se a proposta pedagógica da escola, a partir das perguntas 
respondidas. 
Gráfico 3 - Proposta pedagógica de alfabetização da segunda língua na escola 
 
Fonte: Elaborado pela autora (2015). 
0
1
2
3
4
5
6
Como é a proposta pedagógica de alfabetização da segunda língua 
na sua escola?
Um processo natural que vai
ao encontro do interesse das
crianças
Alfabetização da Língua
estrangeira é desenvolvida
após os alunos terem
sistematizado a língua
materna
É um processo curricular que
é pré-definido
 37 
Ao analisar o gráfico apresentado, verificou-se que 5 dos professores disseram que a 
proposta pedagógica da escola vai ao encontro do interesse dos alunos, e apenas 1 respondeu 
que a proposta pedagógica é um processo pré-definido. O que se pode perceber neste gráfico é 
que, segundo a proposta pedagógica dessa escola, o aluno é o centro da atenção. 
Com base em Kramer (1997), considera-se que algumas questões são importantes para 
a elaboração de propostas pedagógicas: 
 
 [...] Uma proposta pedagógica expressa sempre os valores que a constituem, e precisa 
estar intimamente ligada à realidade a que se dirige, explicitando seus objetivos de 
pensar criticamente esta realidade, enfrentando seus mais agudos problemas. Uma 
proposta pedagógica precisa ser construída com a participação efetiva de todos os 
sujeitos – crianças e adultos, alunos, professores e profissionais não docentes, famílias 
e população em geral [...]. (KRAMER, 1997, p. 21). 
 
 
Considerando que organizar uma proposta pedagógica é uma necessidade que deva ir 
ao encontro das necessidades das crianças, bem como das acomodações legais, alguns aspectos 
são fundamentais para realizar efetivamente uma boa proposta pedagógica. 
No Gráfico 4, apresenta-se a participação dos professores na elaboração do Projeto 
Político Pedagógico (PPP) da escola. 
 
Gráfico 4 - Elaboração do PPP da Educação Bilíngue. 
 
Fonte: Elaborado pela autora (2015). 
 
O gráfico mostra que 4 dos professores pesquisados responderam que não participam 
da elaboração do Projeto Político Pedagógico da escola bilíngue e apenas 2 confirmaram que 
ajudam na elaboração do PPP da escola. 
0
1
2
3
4
5
Você partifica da elaboração da PPP do Ensino Bilíngue?
SIM
NÃO
 38 
Segundo Brasil (1998, p.103), nos PCN se declara que é altamente positivo o professor 
participar da elaboração da proposta pedagógica em consonância com o PPP da escola onde ele 
leciona: 
Consideramos altamente positivo tratar assim o ensino-aprendizagem de LE, por 
permitir ao professor a construção de sua proposta pedagógica em consonância com 
o projeto político-pedagógico de sua unidade escolar. Isto significa fazer a experiência 
de observar nossa própria construção, em conformidade com os pressupostos 
psicológicos e filosóficos da Proposta Curricular, construindo-nos também como 
sujeitos dessa história. (BRASIL, 1998, p.103). 
 
 
Portanto, deve-se ter uma atenção maior ao criar o projeto político pedagógico da 
escola, envolvendo todos da comunidade escolar na elaboração deste documento que é tão 
importante para a comunidade escolar. 
Na leitura do Gráfico 5, percebeu-se como é a elaboração do plano de aula de acordo 
com o planejamento da instituição de ensino bilíngue. 
 
Gráfico 5 - Elaborar o plano de aula para o ensino bilíngue. 
 
Fonte: Elaborado pela autora (2015). 
 
Analisando o gráfico, verificou-se que todos os professores disseram que não sentem 
dificuldades em elaborar os planos de aula que dão suporte à prática pedagógica na sala de aula. 
Cabe ressaltar aqui que uma boa aula depende de um bom planejamento, e que este vai desde a 
escolha do tema, dos objetivos, dos materiais disponíveis para a elaboração. Se a escola onde o 
professor trabalha oferece essas e outras condições, realmente, não é difícil planejar e executar 
um plano de aula. 
0
1
2
3
4
5
Você sente dificuldades em elaborar um plano de aula no Ensino 
Bilingue?
SIM
NÃO
 39 
Conforme Brasil (1998, p. 22), no PCN lê-se que é papel do professor planejar, 
implementar e dirigir as atividades didáticas: 
 
Cabe ao professor planejar, implementar e dirigir as atividades didáticas, com o 
objetivo de desencadear, apoiar e orientar o esforço de ação e reflexão do aluno, 
procurando garantir a aprendizagem efetiva. Cabe também assumir o papel de 
informante e interlocutor privilegiado, que tematiza aspectos prioritários em função 
das necessidades dos alunos e de suas possibilidades de aprendizagem. 
 
 
Quando uma aula é bem planejada, isso faz com que os professores se sintam seguros 
para pôr em prática o seu conteúdo programático. 
Os Gráficos 6 e 7 trazem dados sobre o projeto interdisciplinar desenvolvido na 
Educação Bilíngue e ainda

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