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<p>TEOLOGIA CATEQUÉTICA</p><p>AULA 4</p><p>Profª Cristiane Alves de Almeida Silva</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Vamos partir da estrutura macro do tema, isto é, vamos verificar a</p><p>pedagogia catequética desde a Pedagogia de Deus para com seu povo, a de</p><p>Jesus, do Espírito Santo na Igreja e, consequentemente, na catequese. A partir</p><p>daí, vamos ao conteúdo micro, isto é, a prática realmente de como preparar o</p><p>encontro de catequese.</p><p>TEMA 1 – A PEDAGOGIA DIVINA E A PEDAGOGIA DA CATEQUESE</p><p>Como Deus se comunica? Deus, que é o Criador, precisa se comunicar</p><p>com suas criaturas? Mesmo sendo o Deus onipotente, absoluto em Sua</p><p>grandeza, quer que Suas criaturas, o ser humano, encontre o caminho da</p><p>felicidade, do amor, enfim, da Salvação. Em vista disso, Ele usou do modo que</p><p>Suas criaturas limitadas pudessem conhecê-lo, escutar, compreender e</p><p>obedecer a trilha da Pedagogia Divina que os conduzirá ao objetivo final.</p><p>Inclusive hoje, por meio principalmente das Escrituras, estamos no rumo de</p><p>entender a Pedagogia de Deus em Sua revelação, a Pedagogia de Jesus Cristo</p><p>na encarnação do Verbo, o Mistério Pascal e a condução do Espírito Santo.</p><p>A Trindade Santa orienta o itinerário, por meio da História da Salvação</p><p>na peregrinação da Igreja e em específico da catequese, ou seja, da Iniciação à</p><p>Vida Cristã e da formação permanente para adquirirmos a intimidade com o Pai.</p><p>A catequese aqui citada está relacionada ao contexto amplo, o que depende de</p><p>toda a vida eclesial. Vamos verificar a progressividade da revelação de Deus e</p><p>a plenitude em Jesus Cristo, e ainda o caminho da Igreja santa e pecadora, na</p><p>qual o espírito a conduz, iluminando o seu peregrinar. Vamos possibilitar mais</p><p>espaço e tempo neste tema, considerando-o a base para qualquer metodologia</p><p>empregada e utilizada na catequese.</p><p>1.1 Pedagogia de Deus</p><p>Deus em Sua infinita bondade quis revelar-Se a nós, criaturas, com</p><p>compreensão acanhada, lentos para compreender, por isso ao longo do tempo</p><p>fomos percebendo Deus e suas ações na história. Assim, Deus foi revelando-Se</p><p>aos poucos, gradativamente, progressivamente ao povo eleito.</p><p>3</p><p>No entanto, já dizia a Evangelli Nuntiandi (EN), interpela sobre a</p><p>integridade de nossa fé, pois o anúncio desta Pedagogia Divina pressupõe que</p><p>acreditemos. Só então poderemos apresentar com credibilidade a comunicação</p><p>da Pedagogia Divina. “Acreditais verdadeiramente naquilo que anunciais? Viveis</p><p>aquilo em que acreditais? Pregais realmente aquilo que viveis?” (EN, 2006).</p><p>A paciência de Deus pode-se comparar à Sua misericórdia, pois as</p><p>pessoas, os clãs, as tribos, as sociedades foram processualmente acolhendo,</p><p>por meio dos acontecimentos, que Deus ensinava e os corrigia. Vamos verificar</p><p>em alguns documentos sobre a Palavra de Deus e sobre a catequese, como foi</p><p>ilustrada a manifestação de Deus e seus ensinamentos.</p><p>A «economia» do antigo testamento destinava-se sobretudo a</p><p>preparar, a anunciar profeticamente (Cf. Lc. 24,44; Jo. 5,39; 1 Pd. 1,10)</p><p>e a simbolizar com várias figuras (Cf. 1 Cor. 10,11) o advento de Cristo,</p><p>redentor universal e do reino messiânico. Mas os livros do Antigo</p><p>Testamento, segundo a condição do gênero humano antes do tempo</p><p>da Salvação estabelecida por Cristo, manifestam a todos o</p><p>conhecimento de Deus e do homem, e o modo com que Deus justo e</p><p>misericordioso trata os homens. Tais livros, apesar de conterem</p><p>também coisas imperfeitas e transitórias, revelam, contudo, a</p><p>verdadeira Pedagogia Divina. Por isso, os fiéis devem receber com</p><p>devoção esses livros que exprimem o vivo sentido de Deus, nos quais</p><p>se encontram sublimes doutrinas a respeito de Deus, uma sabedoria</p><p>salutar a respeito da vida humana, bem como admiráveis tesouros de</p><p>preces, nos quais, finalmente, está latente o mistério da nossa</p><p>salvação (DV n 15).</p><p>O documento da CNBB Catequese Renovada (CR) ilustra outro aspecto,</p><p>o de que Deus fala a partir de algo já conhecido da humanidade, que proporciona</p><p>a descobrir e aprender de “algo novo do Seu ser, do Seu amor, da Sua vontade</p><p>[…]” (CR, 1983, n. 48). Através de acontecimentos na vida do povo, Deus por</p><p>meio do Espírito Santo vai iluminando “com luz nova todo o passado e leva a</p><p>uma e mais profunda compreensão do plano de Deus” (CR, 1983, n. 49).</p><p>Do mesmo modo, o Diretório Nacional de Catequese (DNC) explana sobre</p><p>como Deus-Pai agiu na história. Apresenta Deus como educador, um sábio, um</p><p>libertador que convida e acompanha os seus a amadurecer progressivamente a</p><p>fé, até a plenitude da Revelação em Jesus Cristo (DNC, 2006, n. 138). Ainda</p><p>como comunicador, Ele dirige-se ao povo por meio de suas vidas, de suas</p><p>situações e cultura, conduzindo a experiência do mistério da Salvação. “Sua</p><p>pedagogia parte da realidade das pessoas, acolhendo-as e respeitando-as na</p><p>originalidade de sua vocação ou interpelando à conversão” (DNC, 2006, n. 139).</p><p>Também a Tradição, as Escritura e o Magistério eclesial nos mostra que</p><p>além de Deus nos proporcionar a felicidade, ainda ele na Sua beneficência revela</p><p>4</p><p>a nossa própria humanidade. Assim, nos faz reconhecer como homens e</p><p>mulheres que têm a oportunidade de ter a experiência, conhecer e viver com o</p><p>próprio Deus por meio do Espírito Santo. “Deus dá-Se-nos a conhecer como</p><p>mistério de amor infinito, no qual, desde toda a eternidade, o Pai exprime a sua</p><p>Palavra no Espírito Santo” (VD, 2010, n. 6).</p><p>O Papa Francisco insiste e esclarece a questão: “os cristãos e as cristãs</p><p>devam ser ‘pessoas em saída’”. Na própria história da Salvação, a revelação de</p><p>Deus, na vida e na história de Jesus de Nazaré, realizou-se em eventos de</p><p>encontro e com palavras dialógicas. Inegavelmente, Deus ainda nos mostra,</p><p>educa, corrige em nosso dia a dia. Basta nos entregar ao Seu projeto revelado</p><p>por Seu Filho. Dessa forma, o Diretório para a Catequese (DC) vem confirmar e</p><p>atualizar em poucas palavras, orientando:</p><p>Progressiva e pacientemente, conduz à maturidade o povo eleito e,</p><p>nele, cada indivíduo que o escuta. O Pai, como um brilhante educador,</p><p>transforma os acontecimentos de seu povo em ensinamentos de</p><p>sabedoria (Dt 4, 36-40; 11,2-7), adaptando-se às épocas e situações</p><p>em que vive. Entrega ensinamentos que serão transmitidos de geração</p><p>(Ex 12,25-27; Dt 6,4-8; 6,20-25; 31,12-13; Js 4,20-24), também</p><p>admoesta e educa por meio das provações e sofrimentos (Am 4,6; Os</p><p>7,10; Jr 2,30; Hb 12,4-11; Ap 3,19). (DC, 2020, n. 117-118)</p><p>1.2 Jesus e sua pedagogia</p><p>Pagola (2017) nos mostra Jesus como o mestre da vida, isto é, que</p><p>conduz a um caminho no qual tem opções e escolhas favoráveis à melhor forma</p><p>de vida, para você mesmo e aos outros, refletindo ao próximo. O autor revela</p><p>Jesus como um mestre pouco convencional, O chamando de rabi. Havia Nele a</p><p>imagem de um mestre de sua contemporaneidade. “É um sábio que ensina a</p><p>viver respondendo a Deus” (Pagola, 2017, p. 288). O Filho de Deus mostra um</p><p>caminho estreito que conduz a vida, em que “o reino de Deus exige uma resposta</p><p>nova capaz de transformar tudo pela raiz” (Pagola, 2017, p. 289).</p><p>Jesus vai em busca dos mais vulneráveis e discriminados, pois “não são</p><p>os que têm saúde que precisam de médico, e sim os enfermos” (Pagola, 2017,</p><p>p. 289). Fala, ensina e faz com autoridade: “amai vossos inimigos”, “não julgueis</p><p>e não sereis julgados”. No entanto, não veio só para os pecadores, mas veio</p><p>também para os justos que também necessitam de mudanças para entrar no</p><p>reino, uma mudança a partir do coração (Pagola, 2017, p. 295). “É preciso entrar</p><p>agora mesmo em sua dinâmica” (Pagola, 2017, p. 295).</p><p>5</p><p>A todos deverá chegar a Boa Notícia. Todos estão convidados a crer.</p><p>Não encontrarão no reino de Deus um novo código de leis para regular</p><p>a sua vida, mas um impulso e um horizonte novo para viver</p><p>transformando o mundo de acordo com a verdadeira vontade de Deus.</p><p>No reino de Deus, só se pode entrar com um coração novo, dispostos</p><p>a obedecer a Deus a partir</p><p>das profundezas do próprio ser. O que é</p><p>decisivo é esta transformação radical. (Pagola, 2017, p. 2955-296)</p><p>O autor apresenta a pedagogia de Jesus como um caminho para o reino.</p><p>Ele deve conduzir a uma mudança de vida, conversão, em que o amor é o</p><p>método por excelência, conduzindo a todos. Jesus veio trazer para nós, filhos de</p><p>Abraão, a imagem do Pai e de seu projeto. Isso se concretiza quando cada um</p><p>cuida do próximo como gostaria de ser cuidado. Quando acolhe os pequeninos,</p><p>esses gestos são sinais da presença do Reino vivido e ensinado por Jesus.</p><p>Alberich já analisa a pedagogia de Jesus e a pedagogia que empregamos</p><p>na catequese. Base fundamental para ele é o anúncio de Jesus no serviço da</p><p>palavra e do anúncio. Ele se fundamenta nos documentos do Concílio Vaticano</p><p>II e outros como: Catequese Renovada (CR), Catecismo da Igreja Católica</p><p>(ClgC), Evangelli Nuntiandi (EN), Diretório Geral para a Catequese (DNC),</p><p>Catechesi Tradendae (CT), entre muitos outros.</p><p>O autor que expõe a Palavra de Deus revelada em Jesus Cristo está no</p><p>coração da catequese. Assim, Jesus é a Palavra encarnada de Deus, diz que</p><p>deve ser o centro e vértice da revelação, isto é, palavra suprema e significativa,</p><p>sendo deste modo a tarefa principal o anúncio de Cristo na catequese. Em Jesus,</p><p>há a revelação de Deus ao ser humano, é ofertada a Salvação e a comunhão</p><p>pessoal ao projeto revelado, chamado de dimensão cristocêntrica.</p><p>A Palavra de Deus, o Logos, o Verbo feito carne pelo Espírito foi</p><p>introjetado na história humana. “Jesus foi igual a nós em tudo, menos no pecado”</p><p>(1 Jo 3,5). Assim, por participar de nossa história, devemos espalhar a Boa</p><p>Notícia. Este conteúdo pode se relacionar com a catequese por meio da</p><p>exposição narrativa e dialogal da Palavra de Deus.</p><p>Neste autor, podemos observar uma relação entre a vida de Jesus, com</p><p>o modo catequético; entre a condução a Deus e ao seu povo, com a participação</p><p>no seu reino. A própria vida de Jesus Cristo em seus gestos, ações, palavras,</p><p>atitudes, companhias, ensinamentos, pregações, citações das Escrituras, suas</p><p>parábolas, a forma de conduzir a lei em sua época, mostra o modo único que o</p><p>Mestre assume.</p><p>O Documento de Aparecida (2007) mostra Jesus inteiramente inseparável</p><p>da vida do povo latino americano e caribenho. O documento da Conferência</p><p>6</p><p>Latino-Americana e Caribe (CELAM) especifica a cada proposta a vivência de</p><p>Jesus e nos coloca como seus discípulos que fazem missão, isto é, discípulos</p><p>missionários que vão anunciar a Boa Notícia, para resgatar a vida das pessoas.</p><p>A primeira novidade é que Jesus veio trazer ao mundo a revelação que</p><p>pertencemos à natureza divina, pois somos filhos de Deus e guiados pelo</p><p>Espírito Santo que trouxe o Filho para a nossa nova vivência em Jesus, que deve</p><p>ser comunicado a todos os povos.</p><p>Jesus está a serviço da vida, demonstrado por meio de sua própria vida,</p><p>que na sua divindade nos conduziu à condição divina, as várias dimensões, por</p><p>exemplo, sua amizade que quer a nossa felicidade, sua dimensão “pessoal,</p><p>familiar, social e cultural. […] Ele é o Vivente, que caminha ao nosso lado,</p><p>manifestando-nos o sentido dos acontecimentos, da dor e da morte, da alegria e</p><p>da festa” (Documento de Aparecida, 2007, n. 356). Jesus está a serviço da vida</p><p>plena para todos na vida de qualidade, com felicidade, que deve ir ao encontro</p><p>dos mais vulneráveis que necessitam de socorro, atenção, cuidados, justiça,</p><p>enfim, uma missão que comunique e esteja a serviço da vida.</p><p>Um Reino de Deus que Jesus revelou com sua vida nos mostra que deve</p><p>ser de justiça social e caridade cristã, atenta ao Evangelho. Deve buscar a</p><p>dignidade humana a todos, com opção aos que mais precisam, os pobres e os</p><p>excluídos. O documento manifesta ainda uma pedagogia a toda a Igreja,</p><p>incluindo também a catequese, incluindo os gestos de Jesus para com as</p><p>famílias, pessoas e vida, incluindo, o matrimônio, as crianças, os adolescentes</p><p>e os jovens, os idosos, as mulheres — com sua dignidade e participação — e os</p><p>homens, com suas responsabilidades de pai, a cultura da vida e o cuidado com</p><p>o meio ambiente. Estende-se também a realidade sul-americana e retrata as</p><p>atitudes que os cristãos devem acolher e praticar os exemplos de Jesus.</p><p>Finalizando o livro de Lucas com a passagem de Emaús “Fica conosco”,</p><p>com intuito de Jesus auxiliar nos desafios, que o Espírito conduza a ação eclesial</p><p>no caminho a Terra Santa, fazendo arder o nosso coração ao partir do pão na</p><p>Eucaristia, na qual, devemos anunciar e testemunhar a ressurreição do Senhor.</p><p>Com sua Páscoa e sua Palavra, pedimos “ajudai-nos a sentir a beleza de crer</p><p>em vós […]. Fortalecei todos em sua fé, para que sejam vossos discípulos</p><p>missionários!” (Documento de Aparecida, 2007, p. 161-284).</p><p>7</p><p>1.3 A Pedagogia do Espírito Santo na Igreja</p><p>Jesus deixou o Espírito Santo para nos iluminar, proteger, guiar, ensinar,</p><p>santificar, capacitar, advogar, habitar, consolar, transformar, darmos dons, entre</p><p>tantas outras ações, é o Espírito de Deus e de Jesus deixado a nós logo após a</p><p>ascensão de Jesus ao céu, Ele prometeu que sempre estaria conosco para</p><p>sempre (Mt 28, 19-20).</p><p>Conforme o EN, “o Espírito que impulsiona Pedro, Paulo, ou os doze a</p><p>falarem inspira-lhes as palavras que eles devem proferir e desce também ‘sobre</p><p>todos os que ouviram a sua palavra’ (At 10, 44) ” (EN, 1977, n. 75). É com Ele</p><p>que a Igreja foi conduzida, foi crescendo, incorporando os “ensinamentos de</p><p>Jesus e o seu Mistério” (EN, 1977, n. 75).</p><p>A alegria do Evangelho, Evangelli Gaudium (2013) relata, no seu último</p><p>capítulo, a importância do Espírito Santo na vida dos fiéis, porém explica que</p><p>não esperemos ver os resultados, pois eles podem aparecer em outro lugar em</p><p>outro tempo. O Espírito sopra “quando quer e onde quer” (EN, 2013, n. 279),</p><p>temos que ter convicção de que a Igreja necessita de nossos dons (EN, 2013, n.</p><p>279). Acrescenta:</p><p>Para manter vivo o ardor missionário, é necessária uma decidida</p><p>confiança no Espírito Santo, porque Ele “vem em auxilio da nossa</p><p>fraqueza” (Rm 8, 26). Mas esta confiança generosa tem de ser</p><p>alimentada e, para isso, precisamos invocá-lo constantemente. Ele</p><p>pode curar-nos de tudo o que nos faz esmorecer no compromisso</p><p>missionário. (EN, 2013, n. 280)</p><p>O Papa Francisco afirma que devemos nos deixar guiar pelo Espírito de</p><p>Cristo, porque Ele sabe o que precisa e, portanto, não deixemos de invocá-lo.</p><p>Também a água se torna símbolo de vida nova. Do peito de Jesus sai</p><p>água e sangue, após ser transpassado por uma lança de um dos soldados. Para</p><p>o povo libertado da escravidão guiado por Moisés, torna-se símbolo da</p><p>passagem de uma vida de escravos a liberdade de filhos de Deus.</p><p>A Igreja primitiva em que os convertidos se reuniam nas casas para a</p><p>leitura da Palavra de Deus e para alimentar-se da Eucaristia, corpo e sangue de</p><p>Jesus, que acompanha a assembleia graças ao Espírito. Porém, essa inclusão</p><p>na comunidade não se dava automaticamente. Os novos cristãos necessitavam</p><p>de um período de preparação e acompanhamento para mudarem de vida, a</p><p>conversão, conhecer e encontrar Jesus, e a caridade precisavam fazer parte da</p><p>vida renovada dos novos cristãos.</p><p>8</p><p>Logo após a era apostólica, pelo século III, a estrutura básica do</p><p>catecumenato, houve transformações, “mudanças decisivas na organização da</p><p>Igreja, com a distinção entre clero e leigos. […] estrutura eclesiástica assiste a</p><p>uma redução dos ministérios” (Reinert, 2015, p. 120). De uma estrutura e lógica</p><p>familiar, passa a uma realidade distante, física e afetivamente segundo o autor.</p><p>Essa nova estrutura contribui para a mudança também na forma de catequizar,</p><p>aos poucos sofre alterações.</p><p>Com a oficialização do cristianismo, foi-se construindo o chamado tempo</p><p>de cristandade, pois a sociedade e a cultura respiravam a religião, arte,</p><p>sociedade, músicas, ensino, entre outras tantas dimensões do conhecimento</p><p>da</p><p>arte e da cultura principalmente. O conhecimento da fé se dava a partir da</p><p>sociedade, e a Igreja deveria aperfeiçoar a aprendizagem e oferecer os</p><p>sacramentos. Por um longo período de tempo, pouco mudou a metodologia</p><p>catequética. Por meio de perguntas e respostas, com catecismos, o primado da</p><p>doutrina e a sacramentalização, quer dizer, o fim último era a recepção dos</p><p>sacramentos.</p><p>Dentro dessa dinâmica, houve por meio do final do século IX um</p><p>movimento catequético, litúrgico e Bíblico. Outras mudanças relevantes foram</p><p>discutidas na Igreja até que, com o Papa João XXIII, deu-se início ao Concílio</p><p>Vaticano II. A Igreja pode ser renovada em sua estrutura e atualizar a mensagem</p><p>para o tempo contemporâneo. Na sociedade, houve grandes mudanças,</p><p>culturais e de mentalidades. Podemos verificar esse contexto e história por meio</p><p>de vários textos do padre Luiz Alves Lima, testemunha ocular da história</p><p>brasileira de catequese, juntamente com várias outras pessoas de grande</p><p>relevância eclesial e catequética.</p><p>Podemos perceber se a ação do Espírito que age na Igreja, mesmos que</p><p>algumas vezes, o povo dê vários contratestemunhos, várias demonstrações de</p><p>poder, ganância e orgulho. O povo de Deus persiste no caminho da fé rumo ao</p><p>Reino, dando Testemunho e sendo anunciadores desta novidade.</p><p>1.4 Pedagogia catecumenal</p><p>Como já citado nesta disciplina, a pedagogia catecumenal é o</p><p>conhecimento mais aprofundado de sua condução: em que consiste, em que se</p><p>fundamenta o conhecimento adquirido a respeito da concepção, a compreensão</p><p>e aquisição que facilitará a pedagogia catecumenal. Como foi afirmado acima,</p><p>9</p><p>quando o candidato referia decisão de tornar-se cristão, ele era inserido</p><p>gradativamente na comunidade de fé, ou seja, na família cristã. O indivíduo ia</p><p>adquirindo amor e sabedoria através de tempos e etapas próprias, eles iam</p><p>progredindo e evoluindo na Palavra e na liturgia.</p><p>Nessa concepção, o catequista, ou o que acompanha o processo, para</p><p>ser um mediador, um proporcionador para que o candidato a ser um novo cristão,</p><p>realiza o encontro com a pessoa de Jesus Cristo e com todo seu Mistério Pascal.</p><p>Com símbolos, sinais, orações próprias do tempo, oferece práticas educativas e</p><p>formas de aprendizagem significativas, para que o catequista seja um verdadeiro</p><p>mistagogo, que conduz ao Mistério.</p><p>Há um processo de retomada às fontes e com a exortação do Concílio</p><p>Vaticano II, queremos retomar o catecumenato. Porém, na forma de inspiração</p><p>daquele processo que viveram os primeiros cristãos, porque em nosso dia a dia</p><p>há gigantescas diferenças sociais, culturais e até geográficas, que impossibilitam</p><p>uma reprodução do método. Assim, o ideal seria adaptar o catecumenato da</p><p>melhor forma possível, que no fenômeno de ensino-aprendizagem, de inclusão</p><p>na comunidade e participação na liturgia, possa florescer uma nova primavera,</p><p>na qual a Igreja verá surgir cristãos que não são mornos em suas atitudes e</p><p>ações, que carregam a alegria do Evangelho e que testemunhem com suas vidas</p><p>a fé no Cristo.</p><p>Somos inspirados a nos guiar pelos quatro tempos: pré-catecumenato,</p><p>catecumenato, purificação e iluminação e a mistagogia. Nas etapas</p><p>correspondentes, com os símbolos e sinais das entregas, dos escrutínios e</p><p>exorcismos. Conciliando sempre a catequese e a liturgia, para adquirir a</p><p>concepção de que as duas categorias possam complementar-se e ficarem</p><p>imbricadas, inseparáveis.</p><p>Podemos dizer que a pedagogia catecumenal segue os gestos de Jesus,</p><p>no exemplo, da cura do cego filho de Bartimeu, na conversa com a samaritana,</p><p>em Emaús, no diálogo com Nicodemos, também no chamado e no</p><p>acompanhamento dos doze apóstolos.</p><p>TEMA 2 – METODOLOGIA CATEQUÉTICA</p><p>Sobre a metodologia, há muito que se ler, estudar e analisar, porque a</p><p>literatura é extensa e riquíssima, mas aqui vamos nos delimitar a alguns</p><p>10</p><p>documentos e manuais em nível universal e outros em nível nacional após o</p><p>Concílio Vaticano II.</p><p>Primeiramente, o Diretório Geral para a Catequese (1997) não está</p><p>preocupado em trazer concepções de educação ou de metodologias. Ele traz</p><p>alguns elementos da metodologia catequética. Por meio da Pedagogia de Deus,</p><p>torna-se necessário discernir os métodos do tempo vivido, quer dizer, de acordo</p><p>com a cultura vigente, mas com o pressuposto de “com liberdade de espírito</p><p>“tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, amável, honroso, virtuoso ou que de</p><p>qualquer modo mereça louvor (Fl 4,8)” (DGC, 1997, n. 148).</p><p>Há que se observar a idade, desenvolvimento intelectual dos cristãos e</p><p>seu grau de maturidade eclesial e espiritual e por outras realidades e situações</p><p>de vida. Outro aspecto é a questão da relação do conteúdo versus método, o</p><p>catequista deve ter em mente que não há neutralidade na definição de conteúdo</p><p>e seu respectivo método, deve ter clareza que “o método está a serviço da</p><p>revelação e da conversão” (DGC, 1997, n˚149).</p><p>Está presente a concepção do método indutivo e do dedutivo, o primeiro</p><p>se dá a partir “de apresentação de fatos (eventos bíblicos, atos litúrgicos, eventos</p><p>da vida da Igreja e da vida cotidiana…) com o objetivo de discernir o significado</p><p>que eles podem ter na revelação divina” (DGC, 1997, n. 150). E o método</p><p>dedutivo desvenda os fatos a luz das causas, ou seja, é o contrário do outro.</p><p>Outro percurso operativo pode ser reconhecido como kerigmatico ou</p><p>descendente, pois parte da mensagem anunciada se refere à vida, e o</p><p>ascendente ou “existencial” é quando parte das realidades humanas evoluem</p><p>para a iluminação da fé.</p><p>Outro modo de se referir método da experiência de Deus que transforma</p><p>vidas deve ser para “ajudá-las a julgar a luz dos Evangelhos”, a qual vai educar</p><p>para a conversão. E o uso da memorização na catequese deve ser utilizado para</p><p>garantir a memória das principais fórmulas, símbolos da nossa fé, porque se for</p><p>utilizada como memorização mecânica perde todo o sentido de espiritualidade</p><p>ao transcendente. Há que considerar os silêncios, orações, reflexões, diálogos,</p><p>reações espontâneas, trabalhos orais e escritos. Em síntese, o Diretório Geral</p><p>para a Catequese (DGC) traz pouca reflexão a respeito da metodologia e</p><p>somente reforça poucos elementos. No entanto, eles vão ser repetidos em outros</p><p>documentos e manuais também.</p><p>11</p><p>O catequeta Emilio Alberich traz em seu manual inicialmente uma</p><p>discussão a respeito do problema do método catequético, e a sua reflexão para</p><p>que ocorra a eficácia da aprendizagem. Apresenta alguns conceitos de método</p><p>catequético que existem em âmbitos teóricos e práticos da atividade, a saber:</p><p>método roteiro global, em divisão de momentos, “cognitivo, (conhecimento da</p><p>situação), interpretativo (análise e avaliação) momento de planejamento,</p><p>realização e avalição” (Alberich, 2004, p. 328); método catequético particular</p><p>“concebido como sistema estruturado por fatores pessoais, conteudísticos,</p><p>operativos e estruturais […] o método compreende as escolhas referentes aos</p><p>conteúdos (Alberich, 2004, p. 328); método “como sequência de intervenções</p><p>operativas no interior de um projeto tendo em vista determinados objetivos e a</p><p>transmissão dos conteúdos escolhidos […] (ver, julgar, agir); método com</p><p>utilização de algumas dinâmicas, ou seja, atividades, como, por exemplo:</p><p>dinâmica de grupo, estudo de textos, fotolinguagem, entre outros.</p><p>A reflexão sobre os métodos tem como um grande e importante tema a</p><p>mudança de época, na qual filosoficamente e sociologicamente mudaram</p><p>mentalidades, comportamentos e até os aspectos da fé foram influenciados.</p><p>Conforme Carmo (2012), há que se organizar, discutir e colocar em prática</p><p>um novo paradigma que tem referência na mudança de época e na consequente</p><p>mudança de metodologia catequética, ou seja, de modo geral de Evangelização.</p><p>A catequese não pode mais contar a transmissão de fé por meio do</p><p>processo de socialização cultural, […] realça a importância de</p><p>comunidades</p><p>eclesiais que podem estabelecer as condições dialogais</p><p>necessárias para a expressão pessoal da fé. […] A catequese deve</p><p>conduzir a uma experiência de Deus. (Carmo, 2012, p. 40)</p><p>A autora de modo geral reforça a ideia de que hoje em dia há que ser uma</p><p>educação na fé, personalista sem ser individualista, deve ser experiencial sem</p><p>ser intimista e emotiva.</p><p>O Diretório para a Catequese (2020) tem a maior parte confirmando o</p><p>antigo diretório de 1997 e de algumas pesquisas. É o caso da questão do</p><p>conteúdo e a relação com o método, este de 2020 afirma que não há</p><p>neutralidade neste aspecto. Também há necessidade de evitar a oposição ou</p><p>separação, pois há que se respeitar o critério da fidelidade a Deus e às pessoas.</p><p>Então, “natureza da mensagem evangélica com suas fontes, como também</p><p>considere as circunstâncias concretas da comunidade eclesial” (DC, 2020, n.</p><p>194) para a escolha do método (DC, 2020, n. 194). Há pluralidade de métodos,</p><p>12</p><p>que muitas vezes são enriquecidos pelas ciências pedagógicas e a didática,</p><p>somando-se ao primado da graça “pelo encontro da Palavra de Deus com a</p><p>experiência da pessoa” (DC, 2020, n. 195).</p><p>O fato da experiência humana e a memorização são metodologias que</p><p>foram ampliadas as fundamentações, enriquecidas e aprofundadas pelo</p><p>diretório. Há um enfoque na questão da linguagem, com suas relações a</p><p>categorias históricas ou de contextos, das culturas, das consciências ou</p><p>mentalidades, a diversidade de pessoas, sendo que a cada passo calculado</p><p>pedagógico há que se referenciar pelas linguagens específicas, como a</p><p>linguagem narrativa, da arte e a referência com as linguagens e as ferramentas</p><p>digitais. Já anteriormente, o documento EN (1979) afirmava:</p><p>No nosso século tão marcado pelos mass media, ou meios de</p><p>comunicação social, o primeiro anúncio, a catequese ou o</p><p>aprofundamento ulterior da fé não podem deixar de se servir destes</p><p>meios […] a mensagem de que depositária. Neles, ela encontra uma</p><p>versão moderna e eficaz do púlpito. […] atingir com tal mensagem e do</p><p>qual obter para esta uma adesão, um compromisso realmente pessoal.</p><p>(EN, 1979, n. 45)</p><p>Outros meios de evangelizar e formar um discípulo missionário são as</p><p>dimensões do grupo e do espaço. As experiências e atividades contribuem para</p><p>o amadurecimento da consciência e da fé, porque as relações, os processos, as</p><p>celebrações e as vivências na comunidade que relacionamentos autênticos,</p><p>comunicação, animação, participação ativa, senso de identidade e</p><p>pertencimento, fraternidade, socializações, dinâmicas de grupo e disponibilidade</p><p>para o serviço que faz desenvolve o grupo a uma evolução madura que</p><p>testemunha com a vida, no mundo, o Cristo ressuscitado.</p><p>Carmo (2012) apresenta outra argumentação a respeito do grupo. Ela traz</p><p>as discussões ao tempo de mudanças de época, como o individualismo, o</p><p>pragmatismo, convicções e pertenças instáveis. Também segundo ela os valores</p><p>do grupo perdem espaço e valor ao admitirem a predominância do indivíduo.</p><p>Essas mudanças criam um novo tipo de fiel e “tendem à emocionalidade, ao</p><p>imediato, à palperidade. Ele não é feito a projetos longos […] não se sente bem</p><p>com normas” (Carmo, 2012, p. 40).</p><p>13</p><p>2.1 Metodologia no Diretório Nacional de Catequese</p><p>No DNC, a catequese é reconhecida na categoria de processo educativo</p><p>e contém todas as mesmas implicações desse fenômeno. A igreja preocupa-se</p><p>a procurar os melhores meios, adequando a missão.</p><p>A proposta política pedagógica da catequese não assume um único</p><p>método. Ela se apropria de diversos métodos desde que os critérios da</p><p>antropologia cristã e a fidelidade do conteúdo sejam garantidas. Sendo assim, é</p><p>necessário que o catequista tenha conhecimento das ciências humanas, como</p><p>filosofia, psicologia, sociologia e biologia, que contribuem para uma melhor</p><p>abordagem das pessoas, das relações, enfim, as diversas situações que se</p><p>apresentem uma fase de ligação. A contextualização vai poder contribuir para a</p><p>maior habilidade do ensino. A comunicação também tem um vasto campo de</p><p>conhecimento a ser reconhecido e utilizado.</p><p>Na variedade de métodos, o DNC cita alguns que perfazem o repertório</p><p>da Igreja na catequese. O princípio da interação entre fé e vida é</p><p>fundamentalmente o método de Jesus, que o CR já fazia referência: “sugerindo</p><p>um novo modo de organizar o processo catequético: não mais como os</p><p>tradicionais planos de aulas, mas através de um roteiro de atividades evangélico-</p><p>transformadoras” (DNC, 2006, n. 152). Este modo contempla em seu conteúdo</p><p>uma gama qualitativa de formas adequadas a comunicação da fé que veremos</p><p>a frente.</p><p>A partir de um processo participativo, se constroem roteiros, considerando</p><p>o acesso “as Sagradas Escrituras, à liturgia, à doutrina da Igreja, à inserção na</p><p>vida da comunidade eclesial e a experiência, de intimidade com Deus” (DNC,</p><p>2006, n. 152). O Mistério Pascal de Cristo o centro do conteúdo, a que se</p><p>adequem aos simbolismos e sinais que as celebrações litúrgicas e dos fatos da</p><p>vida perfazem como parte integrante do processo educativo.</p><p>O método ver-julgar-agir trouxe aproximação e eficácia aos povos latino-</p><p>americanos, que com suas experiências e realidades assumiram-nos como parte</p><p>do processo de educação de fé que é dinâmico e não rígido na sua sequência.</p><p>No DNC, foi substituído o termo julgar por iluminar, já que a luz das Escrituras,</p><p>da Tradição e do Magistério se orienta para conduzir a valoração do contexto</p><p>diante da Palavra de Deus. Também foram acrescentados os termos celebrar e</p><p>14</p><p>rever, indicando um processo dialógico, o qual tem seu início, meio, fim,</p><p>avaliação e recomeço a partir dos “ganhos”, das aquisições do conhecimento.</p><p>Também outros diretórios indicam as formas de linguagens adequadas</p><p>aos interlocutores, sua idade, cultura e situação de vida. Os meios e os</p><p>instrumentos exemplificam os meios didáticos, os instrumentos de trabalho.</p><p>Porém, ainda não comentam sobre as linguagens virtuais, sobre as linguagens</p><p>dos nativos digitais nem tão pouco sobre a linguagem da geração de migrantes</p><p>digitais, que no caso somos nós, porque estamos nos adaptando aos sistemas.</p><p>Acrescenta ainda sobre o método de trabalho em grupo, as técnicas de</p><p>oficinas, a realização de reflexões participativas, construção coletiva, a solução</p><p>de problemas e a vivência comunitária contribuem a: “fazer pensar, redescobrir,</p><p>reinventar, novas formas de ver e rever a pratica de conviver e agir segundo o</p><p>Evangelho” (DNC, 2006, n. 164).</p><p>Fala-se sobre a experiência humana e sua grande relevância para o</p><p>campo do conhecimento, da presença, da intimidade com a Palavra de Deus.</p><p>Pode-se utilizar o talento artístico que sabem revelar o conteúdo da experiência</p><p>de forma impactante. Repete o uso da memorização.</p><p>O uso da comunicação social, a mídia como informação, delegando</p><p>muitas vezes o debate ético para as propagandas sobre o materialismo,</p><p>consumismo, gerando falsas expectativas e o desejo competitivo. “O bom uso</p><p>dos meios de comunicação social requer dos agentes de catequese um sério</p><p>esforço de conhecimento, competências e de atualização qualificada” (DNC,</p><p>2006, n. 169).</p><p>A percepção da criatividade nas atividades dos catequistas e dos</p><p>catequizandos são formas de linguagem e ações que contribuem na educação</p><p>da fé. O catequista ainda deve ter intrínseco no seu carisma, que se torna a alma</p><p>do processo, sua espiritualidade, testemunho, amor ao próximo e</p><p>competência/agilidade/eficácia quanto ao método versus conteúdo e tendo como</p><p>base a realidade cultural e social dos catequizandos e da comunidade.</p><p>O DNC dá grande importância à comunidade como catequizadora.</p><p>Mesmo sem consciência, ela é básica e essencial no processo. Como</p><p>testemunha, como evangelizadora por meio de gestos, palavras, ações e</p><p>acolhimento. De forma pública e coletiva, é fonte, lugar e meta da catequese.</p><p>Outro item é o grupo, que diz que o catequista não atua sozinho,</p><p>mas, de forma</p><p>15</p><p>coletiva, deve pertencer ao grupo, favorecendo a identidade e a natureza do</p><p>processo catequético.</p><p>TEMA 3 – PRINCÍPIO DE INTERAÇÃO FÉ E VIDA</p><p>Em primeiro lugar, podemos expressar que este princípio se originou a</p><p>partir da história do movimento catequético por uma catequese renovada,</p><p>delimitamos a partir do Concílio Vaticano II, mas não podemos esquecer que</p><p>mesmo antes do Concílio, já havia movimento por mudanças. O que podemos</p><p>constatar por muitos de seus documentos é que a Palavra de Deus deveria ser</p><p>propagada a todos os fiéis, por exemplo, a Dei Verbum (1965):</p><p>Aprouve a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-Se a Si mesmo</p><p>e tornar conhecido o mistério de Sua vontade (cf. Ef 1,9), pelo qual os</p><p>homens, por intermédio de Cristo, Verbo feito carne, e no Espírito</p><p>Santo, tem acesso ao Pai e se tornam participantes da natureza divina</p><p>(cf. Ef 2,18; 2Ped 1,4). Mediante esta revelação, portanto, o Deus</p><p>invisível (cf. Col 1,15; 1Tim 1,17), levado por Seu grande amor, fala</p><p>aos homens como amigos (cf. Ex 33,11; Jo 15,14-15), […] para os</p><p>convidar à comunhão consigo e nela os receber.</p><p>Lima (2016) afirma a partir dessas questões e relações, Revelação de</p><p>Deus em Si mesmo, encontramos o conteúdo da catequese, e o fato ter ocorrido</p><p>na história da humanidade nos traz a vida do povo. Segundo o autor, por meio</p><p>de “acontecimentos e palavras” (DV, 1965, n. 2) a conexão vida e fé ficou</p><p>evidente.</p><p>A história latino-americana vivida, pelo povo, seus desafios uma vida</p><p>justa, crises políticas, econômicas e outras, possibilitou que a Igreja latino-</p><p>americano fizesse uma compreensão dos fatos e da fé. Articulando ao longo do</p><p>tempo reflexões da Palavra de Deus, a partir da vida do povo, como, por</p><p>exemplo, um dos documentos do CELAM:</p><p>O primeiro deles foi a Conferência de Medelín (1968), que com sua</p><p>releitura do Concílio e densa carga profética, denunciou a miséria</p><p>generalizada no continente latino-americano qualificando-a de injustiça</p><p>que brada aos céus, desordem estabelecida e frustração das mais</p><p>legítimas aspirações humanas. Tal situação tem sua raiz no pecado,</p><p>cuja cristalização aparece evidente nas estruturas injustas. […] a</p><p>libertação deve provir de uma profunda conversão para a justiça, o</p><p>amor e a paz. (Lima, 2016, p. 109)</p><p>Assim, podemos entender que dentro da renovação catequética, houve</p><p>momentos que repensar o princípio norteador, sua relevância e a metodologia</p><p>seria a mais adequada. Notaremos que o CR (1983) já havia prescrito a</p><p>16</p><p>orientação: “realiza-se uma inter-ação (um relacionamento mútuo e eficaz) entre</p><p>experiência de vida e a formulação da fé” (CR, 1983, n. 113).</p><p>Após 25 anos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),</p><p>publique depois de muita discussão, participação e reformulações um texto para</p><p>ser o DNC. Nele, confirma-se e reafirma-se o princípio de interação fé e vida. “O</p><p>método da catequese é fundamentalmente o caminho do seguimento de Jesus</p><p>[…]. Essa confrontação entre a formulação da fé e as experiências de vida</p><p>possibilita uma formação cristã mais consciente” (DNC, 2006, n 152).</p><p>TEMA 4 – ELEMENTOS DO ITINERÁRIO</p><p>Obtendo todo este conteúdo, a Palavra de Deus e estudar a</p><p>fundamentação catequética, torna-se acessível a compreensão do itinerário e</p><p>seus elementos constitutivos. A partir do macro da temática, saber incorporar o</p><p>encontro de catequese e sua preparação, por nossa opção de se deter nas bases</p><p>essenciais, somente então compreender o micro, isto é, ter consciência,</p><p>autonomia e a participação em suas realidades.</p><p>O itinerário constitui um caminho predefinido em que se torna necessário</p><p>para a conquista e a eficácia da meta. Sabendo que a estrutura básica pode</p><p>fazer parte da mesma estrutura do CIgC, com o Crer, Viver, Celebrar e a Oração,</p><p>significando os quatro pilares de nossa fé. E estes pilares podemos observar em</p><p>At 2,42-47, o qual especifica a missão dos apóstolos, ensinamento, comunhão</p><p>fraterna e às orações “e o Senhor acrescentava cada dia ao seu número os que</p><p>seriam salvos” (Jerusalém, 2002).</p><p>Os manuais devem seguir uma estrutura catecumenal e a hierarquia de</p><p>verdades. Inicialmente, o querigma com o anúncio de Jesus. Em seguida, Jesus</p><p>revela o Pai, a aliança que Deus fez com seu povo e a história da Salvação, a</p><p>Igreja, Sacramentos da iniciação, Sacramentos de Cura e Sacramento de</p><p>Serviço e durante todo o processo necessário envolvimento na e com a</p><p>comunidade (Crescer em Comunhão, 2014).</p><p>Simultaneamente, podemos ter vários itinerários, conforme os</p><p>interlocutores e a meta estabelecida, ou seja, para as crianças, adolescentes,</p><p>jovens, adultos ou para formação de catequistas entre outros interlocutores. Há</p><p>variados modelos nas dioceses pelo Brasil, mas vão chegar ao mesmo ponto, a</p><p>formação de discípulos missionários. De modo geral, também depende que tipo</p><p>de caminho vai fazer, no nosso caso, é o itinerário catecumenal. E nele segue</p><p>17</p><p>alguns elementos essenciais independentes do público para proporcionar o</p><p>elemento essencial da Evangelização o encontro com a pessoa de Jesus Cristo.</p><p>Os elementos estão presentes, a cada tempo, progresso e ou</p><p>amadurecimento diagnosticado ou alcançado pelo grupo, ou individualmente,</p><p>pois não podemos esquecer que o caminho é realizado com gradualidade.</p><p>Uma celebração marcará a entrada no próximo tempo. O livro preparado</p><p>Itinerário Catequético: Iniciação à Vida Cristã é um processo de inspiração</p><p>catecumenal, que nos orienta que antes de iniciar o processo, devemos</p><p>promover uma ação, na qual vamos anunciar a realizar um ciclo novo, um</p><p>processo catequético, observando idades, realidades e possibilidades. Então, é</p><p>como os candidatos ou simpatizantes iniciam a caminhada.</p><p>É sabido que neste processo temos alguns agentes especiais que são</p><p>importantes a saber, a família, a comunidade, equipe litúrgica, o presbítero ou</p><p>diácono, catequista, padrinhos e o introdutor.</p><p>Esta caminhada é exercida em quatro tempos: pré-catecumenato, no qual</p><p>é efetuado o querigma. Nele, também é preparado, evidentemente, uma</p><p>calorosa acolhida pela comunidade e pelo catequista. O candidato aceitando dar</p><p>prosseguimento à sua formação é elaborada uma celebração com o rito de</p><p>admissão, o qual é encontrado no RICA — aliás todo o processo está nele. No</p><p>catecumenato é efetuada a catequese propriamente dita, com reflexões e</p><p>aprofundamentos, em um período maior de tempo. Terminada é realizada a</p><p>segunda celebração de preparação aos sacramentos, o rito de eleição, com o</p><p>início do terceiro Tempo de Purificação e Iluminação na quaresma.</p><p>Este período é marcado por preparações próximas aos sacramentos,</p><p>escrutínios, entregas e práticas quaresmais. Tendo completado esta etapa, há a</p><p>celebração dos Sacramentos de Iniciação – na Vigília Pascal. Recebidos os</p><p>sacramentos, os novos cristãos estão preparados para o Tempo de Mistagogia</p><p>no qual, vão analisar suas vidas de fé e compromisso cristão, baseados nas</p><p>leituras da liturgia do tempo pascal. Durante todos os tempos, é considerado o</p><p>envolvimento na comunidade e conversão (IVC, 2017, p. 118-122).</p><p>Com as crianças, os elementos têm que ser mais detalhados nos tempos</p><p>e etapas, pois estes são diluídos, quer dizer, adaptados a um período maior de</p><p>tempo, acompanhamento. De acordo com nosso conhecimento e experiência na</p><p>prática, podemos citar: acolhida, encontro com os pais, encontro com as</p><p>crianças, com desenvolvimento dos temas preestabelecidos pela equipe</p><p>18</p><p>diocesana ou conforme o manual utilizado, com celebrações orantes que</p><p>celebram o conteúdo estudado, celebração dominicais, liturgia, leituras orantes,</p><p>entregas de orações (Creio, Pai-nosso, Ave Maria).</p><p>Também fazem parte desse roteiro a entrega dos símbolos, por exemplo,</p><p>a Bíblia, os encontros com os pais, preparações próximas à recepção do</p><p>sacramento e os retiros. A dimensão do tempo pode também contar como</p><p>elemento porque é essencial, bem como</p><p>a quaresma, a Vigília Pascal e o Tempo</p><p>Pascal, os sacramentos, incluindo confissões, celebrações penitenciais, tempos</p><p>litúrgicos, Bíblia, o momento Mariano, orações, bênçãos e família ou</p><p>responsáveis, padrinhos, introdutores, a comunidade e outras.</p><p>TEMA 5 – A PREPARAÇÃO DO ENCONTRO</p><p>A preparação do encontro é algo essencial aos catequistas e seus</p><p>interlocutores. O catequista deve estar preparado adequadamente em relação</p><p>aos temas e métodos da catequese, ter amadurecimento equilibrado emocional,</p><p>espiritual e religioso, ser sensível às questões sociais, afetivas e culturais, entre</p><p>outros requisitos ao carisma e que se relacionam a vocação de ser catequista.</p><p>Como já relatado acima, a comunidade faz parte do sistema de educação, a</p><p>comunidade catequista, por exemplos ou a falta deles, o contratestemunho do</p><p>quanto a comunidade evangeliza. Relembrando também que a questão dos</p><p>pilares da fé — crer, viver, celebrar e orar — constituem a base para qualquer</p><p>encontro. Esta dimensão perpassa qualquer tema.</p><p>A Bíblia, o livro por excelência da catequese deve ser o centro do</p><p>encontro, lendo, estudando, orando o tema. Prática muito usada é a leitura</p><p>orante da Bíblia, que os coloca em contato com a Palavra e ao mesmo tempo</p><p>ensina a importância dos momentos de silêncio, a meditar e a orar com o texto</p><p>sagrado.</p><p>Anteriormente ao encontro, o catequista deve se preparar, estudando e</p><p>rezando o tema. Aliás, deve saber qual o objetivo da sua etapa ou ano, e qual</p><p>objetivo do encontro para poder organizá-lo. Também conhecer seus</p><p>catequizandos e interlocutores para adaptar a linguagem, as dinâmicas ou</p><p>oficinas possivelmente utilizadas. Saber também de cada um a sua condição</p><p>familiar e social, ou escolar. Existem outras questões que o saber teórico já os</p><p>tornam claros, por isso uma formação consistente é necessária. Devemos evitar</p><p>o improviso e a falta de preparação.</p><p>19</p><p>Somente então pode iniciar o encontro:</p><p>1. Leitura, estudo e oração a partir do tema do encontro;</p><p>2. Preparação do ambiente;</p><p>3. Acolhida: todos devem construir um vínculo com o catequista e com os</p><p>colegas;</p><p>4. Apresentação do tema e diálogo: coleta de informações para descobrir o</p><p>nível de conhecimento do grupo e dos indivíduos;</p><p>5. Texto bíblico: leitura, meditação, ruminação, oração e contemplação que</p><p>os conduzirá a uma ação, um gesto sócio transformador ou atitude de</p><p>conversão;</p><p>6. Assimilação do conteúdo dentro do princípio fé e vida, que o encontro</p><p>possa fazer parte da vida dos interlocutores: dinâmicas, oficinas, diálogos</p><p>entre outras atividades que conduzem a fixação do conteúdo, ou seja,</p><p>memorização;</p><p>7. Oração: próximo ao local preparado com a Bíblia ou na Igreja;</p><p>8. Preparação para o próximo encontro, por exemplo: se tivermos</p><p>celebração, o ideal é preparar delegando tarefas, se tiver algum lanche,</p><p>escalar quem vai trazer, quem vai ajudar a catequista a arrumar o</p><p>ambiente da catequese, entre outras coisas, dependendo das atividades</p><p>programadas ou sugeridas.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Faça um exercício de memória e lembrar como foi conduzida a sua</p><p>catequese. Qual pedagogia? Qual metodologia? Depois, pode fazer uma</p><p>pesquisa simples, com algumas pessoas próximas. Como foi a catequese delas?</p><p>Por último, compare os métodos antigos com que os existem na sua prática.</p><p>Houve a recomendada mudança de paradigmas para a mudança de época?</p><p>FINALIZANDO</p><p>Podemos verificar uma vasta literatura sobre o tema do método</p><p>catequético. Porém, é essencial acompanhar os estudos, pesquisas,</p><p>conferências, documentos do magistério, pois vão renovar nossa mentalidade</p><p>sobre a mudança de época que estamos vivendo. Período de transição que</p><p>20</p><p>estão em fase de transformações para melhor acolher, acompanhar e</p><p>evangelizar nossos interlocutores.</p><p>21</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BENTO XVI, Papa. Verbum Domini: sobre a Palavra de Deus na vida e na</p><p>missão da Igreja. Paulinas: 2010.</p><p>BÍBLIA. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.</p><p>BOMBONATTO, V. I. Seguimento de Jesus e sentido à vida. Revista de</p><p>Catequese, São Paulo, ano 42, n. 154, jul./dez. 2019, 2019.</p><p>CALKOSKI, C. R. et al. Coleção Crescer em Comunhão. Livro do Catequista.</p><p>Petrópolis: Vozes, 2016.</p><p>CARMO, S. M. do. Um novo paradigma catequético. Revista de Catequese,</p><p>São Paulo, ano 35, n. 139, jul./set. 2012.</p><p>CELAM – Conferência Episcopal Latino-Americano e do Caribe. Documento de</p><p>Aparecida. Texto V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do</p><p>Caribe. 2. ed. São Paulo: Editoras CNBB, Paulus e Paulinas, 2007.</p><p>CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Catequese Renovada:</p><p>orientações e conteúdo. Documento CNBB – 26. 5. ed. São Paulo: Paulinas,</p><p>2007.</p><p>_____. Diretório Nacional de Catequese. Documento CNBB – 84. 5. ed. São</p><p>Paulo: Paulinas, 2007.</p><p>_____. Iniciação à Vida Cristã: itinerário para formar discípulos missionários.</p><p>Documento CNBB – 107. 2. ed. Brasília: CNBB, 2017.</p><p>CONGREGAÇÃO PARA O CLERO. Diretório Geral para a Catequese.</p><p>Coleção Pedagogia da fé. 5. ed. São Paulo: Paulinas, 2009.</p><p>PAULO VI, Papa. Exortação Apostólica Evangelli Nuntiandi sobre a</p><p>Evangelização no mundo contemporâneo. 19. ed. Paulinas: São Paulo, 2006.</p><p>PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA NOVA EVANGELIZAÇÃO.</p><p>Diretório para a Catequese. Documento da Igreja – 61. 1. ed. Brasília: CNBB,</p><p>2020.</p><p>SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO. Ritual da Iniciação</p><p>Cristã de Adultos. 5. ed. 2013. Paulinas. São Paulo: 2001.</p><p>22</p><p>VATICANO. Catecismo da Igreja Católica. Novíssima edição de acordo com o</p><p>texto oficial em latim. São Paulo; Petrópolis: Edições Loyola; Ave Maria;</p><p>Paulinas; Paulus; Vozes, 1997.</p><p>_____. Documentos do Vaticano II: Constituições, Decretos e Declarações.</p><p>Edição Bilíngue. Petrópolis: Vozes, 1966.</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>TEMA 1 – A PEDAGOGIA DIVINA E A PEDAGOGIA DA CATEQUESE</p><p>1.1 Pedagogia de Deus</p><p>1.2 Jesus e sua pedagogia</p><p>1.3 A Pedagogia do Espírito Santo na Igreja</p><p>1.4 Pedagogia catecumenal</p><p>TEMA 2 – METODOLOGIA CATEQUÉTICA</p><p>2.1 Metodologia no Diretório Nacional de Catequese</p><p>TEMA 3 – PRINCÍPIO DE INTERAÇÃO FÉ E VIDA</p><p>TEMA 4 – ELEMENTOS DO ITINERÁRIO</p><p>TEMA 5 – A PREPARAÇÃO DO ENCONTRO</p><p>NA PRÁTICA</p><p>FINALIZANDO</p><p>REFERÊNCIAS</p>

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