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<p>Classes do Verbo</p><p>GR0364 - (Uerj)</p><p>SOBREVIVEREMOS NA TERRA?</p><p>Tenho interesse pessoal no tempo. Primeiro, meu</p><p>best-seller chama-se Uma breve história do tempo. Segundo,</p><p>por ser alguém que, aos 21 anos, foi informado pelos</p><p>médicos de que teria apenas mais cinco anos de vida e que</p><p>completou 76 anos em 2018. Tenho uma aguda e</p><p>desconfortável consciência da passagem do tempo. Durante</p><p>a maior parte da minha vida, convivi com a sensação de que</p><p>estava fazendo hora extra.</p><p>Parece que nosso mundo enfrenta uma instabilidade</p><p>polí�ca maior do que em qualquer outro momento. Uma</p><p>grande quan�dade de pessoas sente ter ficado para trás.</p><p>Como resultado, temos nos voltado para polí�cos populistas,</p><p>com experiência de governo limitada e cuja capacidade para</p><p>tomar decisões ponderadas em uma crise ainda está para ser</p><p>testada. A Terra sofre ameaças em tantas frentes que é di�cil</p><p>permanecer o�mista. Os perigos são grandes e numerosos</p><p>demais. O planeta está ficando pequeno para nós. Nossos</p><p>recursos �sicos estão se esgotando a uma velocidade</p><p>alarmante. A mudança climá�ca foi uma trágica dádiva</p><p>humana ao planeta. Temperaturas cada vez mais elevadas,</p><p>redução da calota polar, desmatamento, superpopulação,</p><p>doenças, guerras, fome, escassez de água e extermínio de</p><p>espécies; todos esses problemas poderiam ser resolvidos,</p><p>mas até hoje não foram. O aquecimento global está sendo</p><p>causado por todos nós. Queremos andar de carro, viajar e</p><p>desfrutar um padrão de vida melhor. Mas quando as pessoas</p><p>se derem conta do que está acontecendo, pode ser tarde</p><p>demais.</p><p>Estamos no limiar de um período de mudança</p><p>climá�ca sem precedentes. No entanto, muitos polí�cos</p><p>negam a mudança climá�ca provocada pelo homem, ou a</p><p>capacidade do homem de revertê-la. O derre�mento das</p><p>calotas polares ár�ca e antár�ca reduz a fração de energia</p><p>solar refle�da de volta no espaço e aumenta ainda mais a</p><p>temperatura. A mudança climá�ca pode destruir a Amazônia</p><p>e outras florestas tropicais, eliminando uma das principais</p><p>ferramentas para a remoção do dióxido de carbono da</p><p>atmosfera. A elevação da temperatura dos oceanos pode</p><p>provocar a liberação de grandes quan�dades de dióxido de</p><p>carbono. Ambos os fenômenos aumentariam o efeito estufa</p><p>e exacerbariam o aquecimento global, tornando o clima em</p><p>nosso planeta parecido com o de Vênus: atmosfera</p><p>escaldante e chuva ácida a uma temperatura de 250 ºC. A</p><p>vida humana seria impossível. Precisamos ir além do</p><p>Protocolo de Kyoto – o acordo internacional adotado em</p><p>1997 – e cortar imediatamente as emissões de carbono.</p><p>Temos a tecnologia. Só precisamos de vontade polí�ca.</p><p>Quando enfrentamos crises parecidas no passado,</p><p>havia algum outro lugar para colonizar. Estamos ficando sem</p><p>espaço, e o único lugar para ir são outros mundos. Tenho</p><p>esperança e fé de que nossa engenhosa raça encontrará uma</p><p>maneira de escapar dos sombrios grilhões do planeta e,</p><p>deste modo, sobreviver ao desastre. A mesma providência</p><p>talvez não seja possível para os milhões de outras espécies</p><p>que vivem na Terra, e isso pesará em nossa consciência. Mas</p><p>somos, por natureza, exploradores. Somos mo�vados pela</p><p>curiosidade, essa qualidade humana única. Foi a curiosidade</p><p>obs�nada que levou os exploradores a provar que a Terra</p><p>não era plana, e é esse mesmo impulso que nos leva a viajar</p><p>para as estrelas na velocidade do pensamento, ins�gando-</p><p>nos a realmente chegar lá. E sempre que realizamos um</p><p>grande salto, como nos pousos lunares, exaltamos a</p><p>humanidade, unimos povos e nações, introduzimos novas</p><p>descobertas e novas tecnologias. Deixar a Terra exige uma</p><p>abordagem global combinada – todos devem par�cipar.</p><p>STEPHEN HAWKING (1942-2018) Adaptado de Breves</p><p>respostas para grandes questões. Rio de Janeiro: Intrínseca,</p><p>2018.</p><p>Segundo, por ser alguém que, aos 21 anos, foi informado</p><p>pelos médicos de que teria apenas mais cinco anos de vida e</p><p>que completou 76 anos em 2018. (1º parágrafo, sublinhado)</p><p>Os verbos sublinhados descrevem dois fatos que podem ser</p><p>caracterizados, respec�vamente, como:</p><p>a) hipoté�co – realizado</p><p>b) inconcluso – eventual</p><p>c) con�nuo – momentâneo</p><p>d) repe��vo – retrospec�vo</p><p>GR0104 - (Famema)</p><p>Vossas excelências, ilustríssimos senhores e senhoras, trago</p><p>no�cias urgentes de um reino distante. É mister vos alertar,</p><p>Vossas Excelências, que nesta estranha terra os habitantes</p><p>criaram um país onde os mui digníssimos e respeitáveis</p><p>representantes do povo são tratados, imaginem Vossas</p><p>Senhorias, como o próprio povo. Insânia! Dirão que as</p><p>histórias que aqui relato são meras alucinações de contos de</p><p>fada, pois há neste rico reino, que chamam de Suécia, rei,</p><p>rainha e princesas. Mas não se iludam! Os habitantes desta</p><p>terra já �raram todos os poderes do rei, em nome de uma</p><p>democracia que proclama uma tal igualdade entre todos, e o</p><p>1@professorferretto @prof_ferretto</p><p>que digo são coisas que tenho visto com os olhos que esta</p><p>mesma terra um dia há de comer.</p><p>Nestas longínquas comarcas, os mui dis�ntos parlamentares,</p><p>ministros e prefeitos viajam de trem ou de ônibus para o</p><p>trabalho, em sua labuta para adoçar as mazelas do povo. De</p><p>ônibus, Eminências! E muitos castelos há pelos quatro cantos</p><p>deste próspero reino, mas aos egrégios representantes do</p><p>povo é oferecido abrigo apenas em pífias habitações de um</p><p>cômodo, indignas dos ilustríssimos defensores dos direitos</p><p>dos cidadãos e da democracia.</p><p>Este reino está cercado por outros ricos reinos, numa</p><p>península chamada Escandinávia, onde também há príncipes</p><p>e reis, e onde os representantes do povo vivem como</p><p>sobrevive um súdito qualquer. E isto eu também vi, com os</p><p>olhos que esta terra há de comer: em um dos povos vizinhos,</p><p>conhecido como o reino dos noruegueses, os nobres</p><p>representantes do povo chegam a almoçar sanduíches que</p><p>trazem de casa, e que �ram dos bolsos dos paletós quando a</p><p>fome aperta.</p><p>É preciso cautela, Vossas Excelências. Deste reino, que</p><p>chamam de Suécia ainda pouco se ouve falar. Mas as no�cias</p><p>sobre o igualitário reino dos suecos se espalham. Estocolmo,</p><p>6 de janeiro de 2013.</p><p>(Um país sem excelências e mordomias, 2014. Adaptado.)</p><p>“Os habitantes desta terra já �raram todos os poderes do</p><p>rei”.</p><p>Assinale a alterna�va que expressa, na voz passiva, o</p><p>conteúdo dessa oração.</p><p>a) Todos os poderes do rei já �raram os habitantes desta</p><p>terra.</p><p>b) Os habitantes desta terra já �ram todos os poderes do rei.</p><p>c) Os habitantes desta terra já foram �rados por todos os</p><p>poderes do rei.</p><p>d) Todos os poderes do rei já foram �rados pelos habitantes</p><p>desta terra.</p><p>e) Todos os poderes do rei já são �rados pelos habitantes</p><p>desta terra.</p><p>GR0514 - (Enem PPL)</p><p>Slow Food</p><p>A favor da alimentação com prazer e da responsabilidade</p><p>socioambiental, o slow food é um movimento que vai contra</p><p>o ritmo acelerado de vida da maioria das pessoas hoje: o</p><p>ritmo fast-food, que valoriza a rapidez e não a qualidade.</p><p>Traduzido na alimentação, o fast-food está nos produtos</p><p>ar�ficiais, que, apesar de prá�cos, são péssimos à saúde:</p><p>muito processados e muito distantes da sua natureza – como</p><p>os lanches cheios de gorduras, os salgadinhos e biscoitos</p><p>convencionais etc. etc.</p><p>Agora, vamos deixar de lado o fast e entender melhor o slow</p><p>food. Segundo esse movimento, o alimento deve ser:”</p><p>- bom: tão gostoso que merece ser saboreado com calma,</p><p>fazendo de cada refeição uma pausa especial do dia;</p><p>- limpo: bom à saúde do consumidor e dos produtores, sem</p><p>prejudicar o meio ambiente nem os animais;</p><p>- justo: produzido com transparência e hones�dade social e,</p><p>de preferência, de produtores locais.</p><p>Deu pra ver que o slow food traz muita coisa interessante</p><p>para o nosso dia a dia. Ele resgata valores tão importantes,</p><p>mas que muitas vezes passam despercebidos. Não é à toa</p><p>que ele já está contagiando o mundo todo, inclusive o nosso</p><p>país.</p><p>Disponível em: www.maeterra.com.br. Acesso em: 5 ago.</p><p>2017.</p><p>Algumas palavras funcionam como marcadores textuais,</p><p>atuando na organização dos textos e fazendo-os progredir.</p><p>No segundo parágrafo desse texto, o marcador “agora”</p><p>a) define o momento em que se realiza o fato descrito na</p><p>frase.</p><p>b) sinaliza a mudança de foco no tema que se vinha</p><p>discu�ndo.</p><p>c) promove</p><p>autoconstruído, e, por isso, não podemos atribuir a forças</p><p>transcendentes nem os sucessos nem os fracassos. A</p><p>liberdade para forjar sua própria natureza é um dom que</p><p>implica riscos. Se com frequência preferimos olhar apenas</p><p>para a força de uma vontade, que decidiu explorar o mundo</p><p>com as ferramentas da razão, desde a era do Barroco</p><p>sabemos que o real comporta um lado escuro, que não pode</p><p>ser simplesmente esquecido. Ao lado do racionalismo</p><p>triunfante, sempre houve um grito de alerta quanto às trevas</p><p>que rondavam as sociedades modernas.</p><p>O século XX viu essas trevas ocuparem o centro da</p><p>cena mundial e enterrou para sempre a ideia de que o</p><p>progresso da civilização iria nos livrar de nossas fraquezas e</p><p>defeitos. O século da técnica e dos avanços espetaculares da</p><p>ciência foi também o século dos massacres e do</p><p>aparecimento da morte em escala industrial. Tudo se passa</p><p>como se a par�r de agora não pudéssemos mais esquecer da</p><p>besta, que Pico della Mirandola via como uma das</p><p>possibilidades de nossa natureza. O monstro, que rondava a</p><p>razão, e que por tanto tempo pareceu poder ser por ela</p><p>derrotado, aproveitou-se de muitas de suas conquistas para</p><p>criar uma nova iden�dade, que nos obriga a conviver com a</p><p>barbárie no seio mesmo de sociedades que tanto</p><p>contribuíram para criar a imagem iluminada do Ocidente.</p><p>(Adauto Novaes (org.). Mutações, 2008. Adaptado.)</p><p>Dêi�cos: expressões linguís�cas cuja interpretação depende</p><p>da pessoa, do lugar e do momento em que são enunciadas.</p><p>Por exemplo, “eu” designa a pessoa que fala “eu”. Expressões</p><p>como “aqui”, “hoje” devem ser interpretadas em função de</p><p>onde e em que momento se encontra o locutor, quando diz</p><p>“aqui” e “hoje”.</p><p>(Ernani Terra. Leitura do texto literário, 2014. Adaptado.)</p><p>Verifica-se a ocorrência de dêi�co no seguinte trecho:</p><p>a) “O século da técnica e dos avanços espetaculares da</p><p>ciência foi também o século dos massacres e do</p><p>aparecimento da morte em escala industrial.” (3º</p><p>parágrafo)</p><p>b) “Diferentemente dos outros seres, o homem pode</p><p>cons�tuir a própria face e transitar pelos caminhos mais</p><p>elevados, ou degenerar até o nível inferior das bestas.” (1º</p><p>parágrafo)</p><p>c) “A liberdade para forjar sua própria natureza é um dom</p><p>que implica riscos.” (2º parágrafo)</p><p>d) “Ao lado do racionalismo triunfante, sempre houve um</p><p>grito de alerta quanto às trevas que rondavam as</p><p>sociedades modernas.” (2º parágrafo)</p><p>e) “Tudo se passa como se a par�r de agora não pudéssemos</p><p>mais esquecer da besta, que Pico dela Mirandola via como</p><p>uma das possibilidades de nossa natureza.” (3º parágrafo)</p><p>GR0375 - (Unicamp)</p><p>Considerando os sen�dos produzidos pela �rinha, é correto</p><p>afirmar que o autor explora o fato de que palavras como</p><p>“ontem”, “hoje” e “amanhã”</p><p>a) mudam de sen�do dependendo de quem fala.</p><p>b) adquirem sen�do no contexto em que são enunciadas.</p><p>c) deslocam-se de um sen�do concreto para um abstrato.</p><p>d) evidenciam o sen�do fixo dos advérbios de tempo.</p><p>GR0396 - (Fuvest)</p><p>Nasceu o dia e expirou.</p><p>Já brilha na cabana de Araquém o fogo, companheiro da</p><p>noite. Correm lentas e silenciosas no azul do céu, as estrelas,</p><p>filhas da lua, que esperam a volta da mãe ausente. Mar�m</p><p>se embala docemente; e como a alva rede que vai e vem, sua</p><p>vontade oscila de um a outro pensamento. Lá o espera a</p><p>virgem loura dos castos afetos; aqui lhe sorri a virgem</p><p>morena dos ardentes amores.</p><p>Iracema recosta-se langue ao punho da rede; seus olhos</p><p>negros e fúlgidos, ternos olhos de sabiá, buscam o</p><p>16@professorferretto @prof_ferretto</p><p>estrangeiro, e lhe entram n’alma. O cristão sorri; a virgem</p><p>palpita; como o saí, fascinado pela serpente, vai declinando o</p><p>lascivo talhe, que se debruça enfim sobre o peito do</p><p>guerreiro.</p><p>José de Alencar, Iracema.</p><p>É correto afirmar que, no texto, o narrador</p><p>a) prioriza a ordem direta da frase, como se pode verificar</p><p>nos dois primeiros parágrafos do texto.</p><p>b) usa o verbo “correr” (2º parágrafo) com a mesma acepção</p><p>que se verifica na frase “Travam das armas os rápidos</p><p>guerreiros, e correm ao campo” (também extraída do</p><p>romance Iracema).</p><p>c) recorre à adje�vação de caráter obje�vo para tornar a</p><p>cena mais real.</p><p>d) emprega, a par�r do segundo parágrafo, o presente do</p><p>indica�vo, visando dar maior vivacidade aos fatos</p><p>narrados, aproximando-os do leitor.</p><p>e) atribui, nos trechos “aqui lhe sorri” e “lhe entram n’alma”,</p><p>valor possessivo ao pronome “lhe”.</p><p>GR0090 - (Enem)</p><p>No�cias do além</p><p>Aquele que morrer primeiro e for para o céu deverá voltar à</p><p>Terra para contar ao outro como é a vida lá no paraíso. Assim</p><p>ficou combinado entre Francisco e Sebas�ão, amigos</p><p>inseparáveis e apaixonados pelo futebol. Francisco teve</p><p>morte súbita e, passado algum tempo, no meio da noite, sua</p><p>alma apareceu ao colega: — Nossa Senhora, Chico! Você veio</p><p>mesmo!</p><p>— Estou aqui, Tião, para cumprir a minha promessa,</p><p>trazendo-lhe duas no�cias.</p><p>— Então me fala.</p><p>— O céu é uma maravilha, um colosso, uma beleza. Tem</p><p>futebol todo dia.</p><p>— E a outra?</p><p>— A outra é que você está escalado para jogar no meu �me</p><p>amanhã cedo.</p><p>DIAS, M. V. R. Humor na Marolândia. In: ILARI, R. Introdução</p><p>à semân�ca: brincando com a gramá�ca. São Paulo:</p><p>Contexto, 2001</p><p>Esse texto pode ser analisado sob dois pontos de vista que</p><p>incluem situações diferentes de interlocução: a primeira,</p><p>considerando seu produtor e seus potenciais leitores; e a</p><p>segunda, considerando os interlocutores Francisco e</p><p>Sebas�ão. Para cada uma dessas situações o produtor do</p><p>texto tem um obje�vo específico que se determina, não só</p><p>pela situação, mas também pelo gênero textual. Os verbos</p><p>que sinte�zam os obje�vos do produtor nas duas situações</p><p>propostas são, respec�vamente,</p><p>a) entreter e seduzir.</p><p>b) diver�r e informar.</p><p>c) distrair e comover.</p><p>d) recrear e assustar.</p><p>e) alegrar e in�midar.</p><p>GR0358 - (Uerj)</p><p>Três teses sobre o avanço da febre amarela</p><p>1 Como a febre amarela rompeu os limites da Floresta</p><p>Amazônica e alcançou o Sudeste, a�ngindo os grandes</p><p>centros urbanos? A par�r do ano passado, o número de</p><p>casos da doença alcançou níveis sem precedentes nos</p><p>úl�mos cinquenta anos. Desde o início de 2017, foram</p><p>confirmados 779 casos, 262 deles resultando em mortes.</p><p>Trata-se do maior surto da forma silvestre da doença já</p><p>registrado no país1. Outros 435 registros ainda estão sob</p><p>inves�gação.</p><p>2 Como tudo começou? Os navios portugueses vindos</p><p>da África nos séculos XVII e XVIII não trouxeram ao Brasil</p><p>somente escravos e mercadorias. Dois inimigos silenciosos</p><p>vieram junto: o vírus da febre amarela e o mosquito Aedes</p><p>aegyp�. A consequência foi uma série de surtos de febre</p><p>amarela urbana no Brasil, com milhares de mortos2. Por</p><p>volta de 1940, a febre amarela urbana foi erradicada. Mas o</p><p>vírus migrou, pelo trânsito de pessoas infectadas, para zonas</p><p>de floresta na região Amazônica. No início dos anos 2000, a</p><p>febre amarela ressurgiu em áreas da Mata Atlân�ca. Três</p><p>teses tentam explicar o fenômeno.</p><p>3 Segundo o professor Aloísio Falqueto, da Universidade</p><p>Federal do Espírito Santo, “uma pessoa pegou o vírus na</p><p>Amazônia e entrou na Mata Atlân�ca depois, possivelmente</p><p>na altura de Montes Claros, em Minas Gerais, onde surgiram</p><p>casos de macacos e pessoas infectadas”. O vírus teria se</p><p>espalhado porque os primatas da mata eram vulneráveis:</p><p>como o vírus desaparece da região na década de 1940, não</p><p>desenvolveram an�corpos. Logo os macacos passaram a ser</p><p>mortos por seres humanos que temem contrair a doença. O</p><p>massacre desses bichos, porém, é um “�ro no pé”, o que faz</p><p>crescer a chance de contaminação de pessoas. Sem primatas</p><p>para picar na copa das árvores, os mosquitos procuram</p><p>sangue humano3.</p><p>4 De acordo com o pesquisador Ricardo Lourenço, do</p><p>Ins�tuto Oswaldo Cruz, os mosquitos transmissores da</p><p>doença se deslocaram do Norte para o Sudeste, voando ao</p><p>longo de rios e corredores de mata. Es�ma-se que um</p><p>mosquito seja capaz de voar 3 km por dia. Tanto o homem</p><p>quanto o macaco, quando picados, só carregam o vírus da</p><p>febre amarela por cerca de três dias. Depois disso, o</p><p>organismo produz an�corpos4. Em cerca de dez dias,</p><p>primatas e humanos ou morrem ou se curam, tornando-se</p><p>imunes à doença.</p><p>5 Para o infectologista Eduardo Massad, professor da</p><p>Universidade de São Paulo, o rompimento da barragem da</p><p>Samarco, em Mariana (MG), em 2015, teve papel relevante</p><p>na disseminação acelerada da doença no Sudeste. A</p><p>destruição do habitat natural de diferentes espécies teria</p><p>17@professorferretto @prof_ferretto</p><p>reduzido significa�vamente os predadores naturais dos</p><p>mosquitos. A tragédia ambiental ainda teria afetado o</p><p>sistema imunológico dos macacos, tornando-os mais</p><p>susce�veis ao vírus.</p><p>6 Por que é importante determinar a “viagem” do vírus?</p><p>Basicamente, para orientar as campanhas de vacinação. Em</p><p>2014, Eduardo Massad elaborou um plano de imunização</p><p>depois que 11 pessoas morreram ví�mas de febre amarela</p><p>em Botucatu (SP): “Eu fiz cálculos matemá�cos para</p><p>determinar qual seria a proporção da população nas áreas</p><p>não vacinadas que deveria ser imunizada, considerando os</p><p>riscos de efeitos adversos da vacina. Infelizmente, a</p><p>Secretaria de Saúde não adotou essa estratégia. Os casos</p><p>acontecem exatamente nas áreas onde eu havia</p><p>recomendado a vacinação. A Secretaria está correndo atrás</p><p>do prejuízo”. Desde julho de 2017, mais de 100 pessoas</p><p>foram contaminadas em São Paulo e mais de 40 morreram.</p><p>7 O Ministério da Saúde afirmou em nota que, desde</p><p>2016, os estados e municípios vêm sendo orientados para a</p><p>necessidade de intensificar as medidas de prevenção. A</p><p>orientação é que pessoas em áreas de risco se vacinem.</p><p>NATHALIA PASSARINHO. Adaptado de bbc.com, 06/02/2018</p><p>No quinto parágrafo, são apresentadas duas hipóteses acerca</p><p>da disseminação da febre amarela. A marca verbal que</p><p>evidencia a formulação dessas hipóteses é o uso de:</p><p>a) voz a�va</p><p>b) modo subjun�vo</p><p>c) futuro do pretérito</p><p>d) forma no gerúndio</p><p>GR0283 - (Unesp)</p><p>Leia o trecho do romance Grande sertão: Veredas, de</p><p>Guimarães Rosa.</p><p>Sei que estou contando errado, pelos altos.</p><p>Desemendo. Mas não é por disfarçar, não pense. De grave,</p><p>na lei do comum, disse ao senhor quase tudo. Não crio</p><p>receio. O senhor é homem de pensar o dos outros como</p><p>sendo o seu, não é criatura de pôr denúncia. E meus feitos já</p><p>revogaram, prescrição dita. Tenho meu respeito firmado.</p><p>Agora, sou anta empoçada, ninguém me caça. Da vida pouco</p><p>me resta — só o deo-gra�as; e o troco. Bobeia. Na feira de</p><p>São João Branco, um homem andava falando: — “A pátria</p><p>não pode nada com a velhice...” Discordo. A pátria é dos</p><p>velhos, mais. Era um homem maluco, os dedos cheios de</p><p>anéis velhos sem valor, as pedras re�radas — ele dizia:</p><p>aqueles todos anéis davam até choque elétrico... Não. Eu</p><p>estou contando assim, porque é o meu jeito de contar.</p><p>Guerras e batalhas? Isso é como jogo de baralho, verte,</p><p>reverte. Os revoltosos depois passaram por aqui, soldados de</p><p>Prestes, vinham de Goiás, reclamavam posse de todos os</p><p>animais de sela. Sei que deram fogo, na barra do Urucuia, em</p><p>São Romão, aonde aportou um vapor do Governo, cheio de</p><p>tropas da Bahia. Muitos anos adiante, um roceiro vai lavrar</p><p>um pau, encontra balas cravadas. O que vale, são outras</p><p>coisas. A lembrança da vida da gente se guarda em trechos</p><p>diversos, cada um com seu signo e sen�mento, uns com os</p><p>outros acho que nem não misturam. Contar seguido,</p><p>alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância.</p><p>De cada vivimento que eu real �ve, de alegria forte ou pesar,</p><p>cada vez daquela hoje vejo que eu era como se fosse</p><p>diferente pessoa. Sucedido desgovernado. Assim eu acho,</p><p>assim é que eu conto. [...] Tem horas an�gas que ficaram</p><p>muito mais perto da gente do que outras, de recente data. O</p><p>senhor mesmo sabe.</p><p>(Grande sertão: veredas, 2015.)</p><p>Dupla negação: emprego conjugado de palavras nega�vas.</p><p>(Celso Pedro Lu�. Abc da língua culta, 2010. Adaptado.)</p><p>Observa-se a ocorrência de dupla negação no trecho:</p><p>a) “A lembrança da vida da gente se guarda em trechos</p><p>diversos, cada um com seu signo e sen�mento, uns com</p><p>os outros acho que nem não misturam.”</p><p>b) “Mas não é por disfarçar, não pense.”</p><p>c) “O senhor é homem de pensar o dos outros como sendo o</p><p>seu, não é criatura de pôr denúncia.”</p><p>d) “Agora, sou anta empoçada, ninguém me caça.”</p><p>e) “De cada vivimento que eu real �ve, de alegria forte ou</p><p>pesar, cada vez daquela hoje vejo que eu era como se</p><p>fosse diferente pessoa.”</p><p>GR0350 - (Puccamp)</p><p>No museu do passado</p><p>O interesse pela história deu origem aos museus e</p><p>também à decisão de preservar os monumentos históricos. A</p><p>jus�fica�va inicial dessas inicia�vas era: lembrar-se para não</p><p>repe�r. Não deu muito certo, pois nunca paramos de repe�r</p><p>o pior. Na verdade, suspeito que nosso gosto pelos resíduos</p><p>do passado não seja pedagógico. Por que nos importa a</p><p>história? Por que deambulamos pelos museus?</p><p>Acreditamos que os homens devam afirmar-se</p><p>segundo as suas habilidades. Não queremos que o passado</p><p>decida nosso des�no: o que nos importa, em princípio, é o</p><p>futuro. ”Não me fale de suas façanhas de ontem, diga-me o</p><p>que sabe fazer.” Se inventamos a arqueologia, a história, o</p><p>museu, a restauração e a conservação das an�guidades, não</p><p>foi para aprender uma lição. A razão dessa nossa paixão é o</p><p>caráter incompleto da revolução moderna: o futuro é um</p><p>terreno demasiado inquietante e incerto para aceitarmos</p><p>que só ele nos defina; portanto, o passado assombra nossos</p><p>dias.</p><p>Não conseguimos esquecer: proclamamos a</p><p>liberdade dos espíritos, mas cul�vamos an�gos preconceitos</p><p>de raça, cultura e classe. Ou então nos dizemos autônomos,</p><p>mas explicamos nossos atos pelos eventos da nossa infância</p><p>ou pelo legado dos nossos pais.</p><p>Numa cultura diferente da nossa, os restos do</p><p>passado poderiam parecer bem mais importantes do que</p><p>uma vida. Talvez um homem do An�go Regime nos dissesse</p><p>que sem a presença do passado não haveria sociedade nem</p><p>sujeitos. Talvez, para ele, a promessa de futuro con�da no</p><p>18@professorferretto @prof_ferretto</p><p>sorriso de um menino valesse menos do que os artefatos que</p><p>sustentam a memória de um povo.</p><p>(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Terra de ninguém. S.</p><p>Paulo, Cia das Letras, 2004, p. 331-332)</p><p>Transpondo-se para a voz passiva a frase proclamamos a</p><p>liberdade dos espíritos, mas cul�vamos an�gos preconceitos,</p><p>as formas verbais deverão ser</p><p>a) proclamam-se e cul�vam-se.</p><p>b) é proclamada e são cul�vados.</p><p>c) seja proclamada e cul�ve-se.</p><p>d) foram proclamados e cul�varam-se.</p><p>e) proclamavam-se e seriam cul�vados.</p><p>GR0086 - (Unesp)</p><p>Para responder à questão, leia a letra da canção “Bom</p><p>conselho”, de Chico Buarque, composta em 1972.</p><p>Ouça um bom conselho</p><p>Que eu lhe dou de graça</p><p>Inú�l dormir que a dor não passa</p><p>Espere sentado</p><p>Ou você se cansa</p><p>Está provado:</p><p>Quem espera nunca alcança</p><p>Venha, meu amigo</p><p>Deixe esse regaço</p><p>Brinque com meu fogo</p><p>Venha se queimar</p><p>Faça como eu digo</p><p>Faça como eu faço</p><p>Aja duas vezes antes de pensar</p><p>Corro atrás do tempo</p><p>Vim de não sei onde</p><p>Devagar é que não se vai longe</p><p>Eu semeio vento na minha cidade</p><p>Vou pra rua e bebo a tempestade</p><p>(www.chicobuarque.com.br)</p><p>Observa-se, em ambos os pares, rima entre palavras de</p><p>classes grama�cais diferentes em</p><p>a) “graça” / “passa” (1ª estrofe) e “regaço” / “faço” (2ª</p><p>estrofe).</p><p>b) “regaço” / “faço” (2ª estrofe) e “onde” / “longe” (3ª</p><p>estrofe).</p><p>c) “onde” / “longe” (3ª estrofe) e “cidade” / “tempestade”</p><p>(3ª estrofe).</p><p>d) “sentado” / “povoado” (1ª estrofe) e “cansa” / “alcança”</p><p>(1ª estrofe).</p><p>e) “cansa” / “alcança” (1ª estrofe) e “graça” / “passa” (1ª</p><p>estrofe).</p><p>GR0340 - (Fuvest)</p><p>Luc Boltanski e Ève Chiapello demonstram com</p><p>clarezae sagacidade a capacidade antropofágica do</p><p>capitalismo financeiro que “engole” a linguagem do protesto</p><p>e da libertação para transformá-la e u�lizá-la para legi�mar a</p><p>dominação social e polí�ca a par�r do próprio mercado.</p><p>Na dimensão do mundo do trabalho, por exemplo,</p><p>todo um novo vocabulário teve que ser inventado para</p><p>escamotear as novas transformações e melhor oprimir o</p><p>trabalhador. Com essa linguagem aparentemente</p><p>libertadora, passa-se a impressão de que o ambiente de</p><p>trabalho melhorou e o trabalhador se emancipou.</p><p>Assim houve um esforço dirigido para transformar o</p><p>trabalhador em "colaborador", para eufemizar e esconder a</p><p>consciência de sua superexploração; tenta-se</p><p>também</p><p>exaltar os supostos valores de liderança para possibilitar que,</p><p>a par�r de agora, o próprio funcionário, não mais o patrão,</p><p>passe a controlar e vigiar o colega de trabalho. Ou, ainda, há</p><p>a intenção de difundir a cultura do empreendedorismo,</p><p>segundo a qual todo mundo pode ser empresário de si</p><p>mesmo. E, o mais importante, se ele falhar nessa</p><p>empreitada, a culpa é apenas dele. É necessário sempre</p><p>culpar individualmente a ví�ma pelo fracasso socialmente</p><p>construído.</p><p>SOUZA, Jessé. Como o racismo criou o Brasil. Rio de Janeiro:</p><p>Estação Brasil, 2021.</p><p>O uso dos verbos “passar” (2º parágrafo) e “tentar” (3º</p><p>parágrafo) no texto, em sua forma pronominal, revela</p><p>a) adequação à forma analí�ca da voz passiva.</p><p>b) construção com conjunção integrante.</p><p>c) marcação da impessoalidade do discurso.</p><p>d) informalidade correspondente ao gênero discursivo.</p><p>e) ênfase na reciprocidade da linguagem.</p><p>GR0278 - (Unesp)</p><p>Leia a crônica “A obra-prima”, de Lima Barreto, publicada na</p><p>revista Careta em 25.09.1915.</p><p>Marco Aurélio de Jesus, dono de um grande talento</p><p>e senhor de um sólido saber, resolveu certa vez escrever uma</p><p>obra sobre filologia.</p><p>Seria, certo, a obra-prima ansiosamente esperada e</p><p>que daria ao espírito inculto dos brasileiros as noções exatas</p><p>da língua portuguesa. Trabalhou durante três anos, com</p><p>esforço e sabiamente. Tinha preparado o seu livro que viria</p><p>trazer à confusão, à dificuldade de hoje, o saber de amanhã.</p><p>Era uma obra-prima pelas generalizações e pelos exemplos.</p><p>A quem dedicá-la? Como dedicá-la? E o prefácio?</p><p>E Marco Aurélio resolve meditar. Ao fim de igual</p><p>tempo havia resolvido o di�cil problema.</p><p>A obra seria, segundo o velho hábito, precedida de</p><p>“duas palavras ao leitor” e levaria, como demonstração de</p><p>sua submissão intelectual, uma dedicatória.</p><p>Mas “duas palavras”, quando seriam centenas as que</p><p>escreveria? Não. E Marco Aurélio contou as “duas palavras”</p><p>19@professorferretto @prof_ferretto</p><p>uma a uma. Eram duzentas e uma e, em um lance único,</p><p>genial, destacou em relevo, ao alto da página “duzentas e</p><p>uma palavras ao leitor”.</p><p>Mas “pálida homenagem”... Professor, autor de um</p><p>livro de filologia, cair na vulgaridade da expressão comum:</p><p>“pálida homenagem”? Não. E pensou. E de sua grave</p><p>meditação, de seu profundo pensamento, saiu a frase</p><p>límpida, a grande frase que definia a sua ideia da expressão</p><p>e, num gesto, sulcou o alto da página de oferta com a frase</p><p>sublime: “lívida homenagem do autor”...</p><p>Está aí como um grande gramá�co faz uma obra-</p><p>prima. Leiam-na e verão como a coisa é bela.</p><p>(Sá�ras e outras subversões, 2016.)</p><p>Em “Professor, autor de um livro de filologia, cair na</p><p>vulgaridade da expressão comum: ‘pálida homenagem’?” (8º</p><p>parágrafo), o termo sublinhado está empregado na acepção</p><p>de</p><p>a) “lançar-se rapidamente; a�rar-se, jogar-se”, como em “ela</p><p>caiu no colo da mãe”.</p><p>b) “incorrer em erro, falta; incidir”, como em “durante o</p><p>depoimento, caiu em contradição”.</p><p>c) “deixar-se enganar, ser ví�ma de logro”, como em “ele caiu</p><p>no conto do vigário”.</p><p>d) “cri�car severamente; acusar”, como em “a imprensa caiu</p><p>em cima dos corruptos”.</p><p>e) “entrar em determinado estado ou situação”, como em</p><p>“durante o filme, caiu no sono”.</p><p>GR0097 - (Ufam)</p><p>Leia as frases a seguir:</p><p>I. O animal foi morto.</p><p>II. Comprou-se um automóvel importado.</p><p>III. Por descuido, as duas crianças se machucaram no parque.</p><p>IV. Sou barbeado quase diariamente.</p><p>As vozes verbais das frases anteriores são, respec�vamente:</p><p>a) a�va, passiva analí�ca, reflexiva, passiva sinté�ca.</p><p>b) passiva sinté�ca, passiva analí�ca, a�va, passiva analí�ca.</p><p>c) a�va, passiva sinté�ca, passiva analí�ca, reflexiva.</p><p>d) passiva analí�ca, reflexiva, reflexiva, passiva sinté�ca.</p><p>e) passiva analí�ca, passiva sinté�ca, reflexiva, passiva</p><p>analí�ca.</p><p>GR0352 - (Uerj)</p><p>COM O OUTRO NO CORPO, O ESPELHO PARTIDO</p><p>O que acontece com o sen�mento de iden�dade de</p><p>uma pessoa que se depara, diante do espelho, com um rosto</p><p>que não é seu? Como é possível manter a convicção</p><p>razoavelmente estável que nos acompanha pela vida, a</p><p>respeito do nosso ser, no caso de sofrermos uma alteração</p><p>radical em nossa imagem? Perguntas como essas</p><p>provocaram intenso debate a respeito da é�ca médica</p><p>depois do transplante de parte da face em uma mulher que</p><p>teve o rosto desfigurado por seu cachorro em Amiens, na</p><p>França.</p><p>Nosso sen�mento de permanência e unidade se</p><p>estabelece diante do espelho, a despeito de todas as</p><p>mudanças que o corpo sofre ao longo da vida. A criança</p><p>humana, em um determinado estágio de maturação,</p><p>iden�fica-se com sua imagem no espelho. Nesse caso, um</p><p>transplante (ainda que parcial) que altera tanto os traços</p><p>feno�picos quanto as marcas da história de vida inscritas na</p><p>face destruiria para sempre o sen�mento de iden�dade do</p><p>transplantado? Talvez não. Ocorre que o poder do espelho –</p><p>esse de vidro e aço pendurado na parede – não é tão</p><p>absoluto: o espelho que importa, para o humano, é o olhar</p><p>de um outro humano. A cultura contemporânea do</p><p>narcisismo*, ao remeter as pessoas a buscar con�nuamente</p><p>o testemunho do espelho1, não considera que o espelho do</p><p>humano é, antes de mais nada, o olhar do semelhante.</p><p>É o reconhecimento do outro que nos confirma que</p><p>exis�mos e que somos (mais ou menos) os mesmos ao longo</p><p>da vida, na medida em que as pessoas próximas con�nuam a</p><p>nos devolver nossa “iden�dade”. O rosto é a sede do olhar</p><p>que reconhece e que também busca reconhecimento. É que</p><p>o rosto não se reduz à dimensão da imagem: ele é a própria</p><p>presen�ficação de um ser humano, em sua singularidade</p><p>irrecusável. Além disso, dentre todas as partes do corpo, o</p><p>rosto é a que faz apelo ao outro2. A parte que se comunica,</p><p>expressa amor ou ódio e, sobretudo, demanda amor3.</p><p>A literatura pode nos ajudar a amenizar o drama da</p><p>paciente francesa. O personagem Robinson Crusoé do livro</p><p>Sexta-feira ou os limbos do Pacífico, de Michel Tournier,</p><p>perde a noção de sua iden�dade e enlouquece, na falta do</p><p>olhar de um semelhante que lhe confirme que ele é um ser</p><p>humano. No início do romance, o náufrago solitário tenta</p><p>fazer da natureza seu espelho. Faz do estranho, familiar,</p><p>trabalhando para “civilizar” a ilha e representando diante de</p><p>si mesmo o papel de senhor sem escravos, mestre sem</p><p>discípulos. Mas depois de algum tempo o isolamento</p><p>degrada sua humanidade.</p><p>A paciente francesa, que agradeceu aos médicos a</p><p>recomposição de uma face humana, ainda que não seja a</p><p>“sua”4, vai agora depender de um esforço de tolerância e</p><p>generosidade por parte dos que lhe são próximos. Parentes e</p><p>amigos terão de superar o desconforto de olhar para ela e</p><p>não encontrar a mesma de antes. Diante de um rosto outro,</p><p>deverão ainda assim confirmar que ela con�nua sendo ela. E</p><p>amar a mulher estranha a si mesma que renasceu daquela</p><p>operação.</p><p>MARIA RITA KEHL. Adaptado de folha.uol.com.br,</p><p>11/12/2005.</p><p>*narcisismo − amor do indivíduo por sua própria imagem</p><p>o espelho do humano é, antes de mais nada, o olhar do</p><p>semelhante. (2º parágrafo, sublinhado)</p><p>20@professorferretto @prof_ferretto</p><p>No trecho, a expressão sublinhada enfa�za uma ideia, tal</p><p>como se observa em:</p><p>a) A cultura contemporânea do narcisismo, ao remeter as</p><p>pessoas a buscar con�nuamente o testemunho do</p><p>espelho, (1º itálico)</p><p>b) Além disso, dentre todas as partes do corpo, o rosto é a</p><p>que faz apelo ao outro. (2º itálico)</p><p>c) A parte que se comunica, expressa amor ou ódio e,</p><p>sobretudo, demanda amor. (3º itálico)</p><p>d) A paciente francesa, que agradeceu aos médicos a</p><p>recomposição de uma face humana, ainda que não seja a</p><p>“sua”, (4º itálico)</p><p>GR0354 - (Uerj)</p><p>A questão refere-se ao conto “A terceira margem do rio”, de</p><p>João Guimarães Rosa.</p><p>Guimarães Rosa afirmou, em uma entrevista, que somente</p><p>renovando a língua é que se pode renovar o mundo. Visando</p><p>a essa renovação, recorria a neologismos e inversões pouco</p><p>usuais de termos, explorando novos sen�dos em seus textos.</p><p>Um exemplo dessas inversões encontra-se em:</p><p>a) Nossa mãe era quem regia,</p><p>b) Nossa mãe muito não se demonstrava.</p><p>c) Nossa mãe terminou indo também, de uma vez,</p><p>d) Nossa mãe, vergonhosa, se portou com muita cordura;</p><p>GR0520 - (Fuvest)</p><p>Chegada do Perseverance abre caminho para retorno de</p><p>amostras de Marte</p><p>Agora que o rover Perseverance está seguro e saudável</p><p>na super�cie de Marte, vários grupos de trabalho espalhados</p><p>pelo mundo podem respirar aliviados e pensar nos passos</p><p>futuros do programa de exploração marciana -que vai agora</p><p>focar seus esforços no cobiçado retorno de amostras de volta</p><p>à Terra. A missão atual é um primeiro passo crucial. Afinal,</p><p>cabe ao Percy, como foi apelidado o jipe, fazer o escru�nio e</p><p>a escolha das rochas (comandado por cien�stas na Terra,</p><p>claro) que serão acondicionadas por ele em pequenos tubos</p><p>lacrados e ultrarresistentes e depois deixadas, juntas, em</p><p>algum canto da super�cie de Marte. Ele terá vários anos para</p><p>fazer isso durante a exploração da cratera Jezero, um dos</p><p>locais mais promissores para a busca de evidências de vida</p><p>pregressa marciana.</p><p>Mas e aí, o que vem depois? Nasa e ESA,</p><p>respec�vamente agências espaciais americana e europeia, já</p><p>trabalham conjuntamente nos próximos passos, que</p><p>envolvem pelo menos mais dois, e possivelmente três,</p><p>lançamentos diferentes a fim de trazer de volta o cobiçado</p><p>material. Ainda faltam definições, mas trabalhos 20</p><p>preliminares sugerem a seguinte sequência.</p><p>Em 2026, parte um módulo de pouso com um pequeno</p><p>foguete, de menos de três metros, instalado a bordo.</p><p>Projetada e construída pela Nasa, a nave pousaria próximo</p><p>ao local onde desceu o Perseverance. E aí, talvez par�ndo do</p><p>próprio módulo, talvez enviado num lançamento à parte,</p><p>1um pequeno rover produzido pela ESA encontraria as</p><p>amostras e as instalaria no interior do foguete. 2Em paralelo,</p><p>em 2026 ou 2027, um orbitador com propulsão elétrica,</p><p>outra contribuição da ESA, par�ria da Terra e se instalaria em</p><p>órbita ao redor de Marte. Em meados de 2029, 3o foguete</p><p>seria disparado (o primeiro lançamento feito de outro</p><p>planeta!), colocando a cápsula com as amostras em órbita</p><p>marciana. Lá ela se acoplaria ao orbitador europeu, que por</p><p>sua vez traria o conteúdo de volta à Terra, em 2031. 4A</p><p>empreitada toda custaria cerca de US$ 5 bilhões, sem contar</p><p>os US$ 2,7 bilhões empenhados na missão do Perseverance.</p><p>5A recompensa, contudo, teria valor incomensurável.</p><p>6Cien�stas já �veram a chance de analisar algumas amostras</p><p>de Marte - meteoritos provenientes do planeta vermelho -,</p><p>mas nunca com a chance de escolher quais rochas,</p><p>conhecendo o contexto geológico de onde elas par�ram. E</p><p>7amostras trazidas de volta con�nuam a render novos</p><p>resultados por décadas, conforme equipamentos mais</p><p>sofis�cados surgem para estudá-las. Não à toa, as amostras</p><p>trazidas pelo programa Apollo, que levou humanos à Lua</p><p>entre 1969 e 1972, con�nuam sendo estudadas até hoje.</p><p>Ademais, é fundamental demonstrar a capacidade de trazer</p><p>uma pequena carga de Marte antes que se ambicione trazer</p><p>uma grande carga - como humanos - em uma futura missão</p><p>tripulada.</p><p>Nogueira, S. "Chegada do Perseverance abre caminho para</p><p>retorno de amostras de Marte". Folha de São Paulo.</p><p>21.2.2021, Disponível em: h�ps://bit.Iv/3bZL69q/.Adaptado</p><p>No fragmento "... a nave pousaria próximo ao local onde</p><p>desceu o Perseverance", “próximo" e “onde" são,</p><p>respec�vamente, classificados como</p><p>a) substan�vo e pronome rela�vo.</p><p>b) adje�vo e pronome rela�vo.</p><p>c) advérbio e pronome rela�vo.</p><p>d) adje�vo e advérbio.</p><p>e) advérbio e advérbio.</p><p>GR0264 - (Unesp)</p><p>O caboclo mal-encarado que encontrei um dia em</p><p>casa do Mendonça também se acabou em desgraça. Uma</p><p>limpeza. Essa gente quase nunca morre direito. Uns são</p><p>levados pela cobra, outros pela cachaça, outros matam-se.</p><p>Na pedreira perdi um. A alavanca soltou-se da pedra,</p><p>bateu-lhe no peito, e foi a conta. Deixou viúva e órfãos</p><p>miúdos. Sumiram-se: um dos meninos caiu no fogo, as</p><p>lombrigas comeram o segundo, o úl�mo teve angina e a</p><p>mulher enforcou-se.</p><p>Para diminuir a mortalidade e aumentar a produção,</p><p>proibi a aguardente.</p><p>Concluiu-se a construção da casa nova. Julgo que</p><p>não preciso descrevê-la. As partes principais apareceram ou</p><p>aparecerão; o resto é dispensável e apenas pode interessar</p><p>aos arquitetos, homens que provavelmente não lerão isto.</p><p>Ficou tudo confortável e bonito. Naturalmente deixei de</p><p>21@professorferretto @prof_ferretto</p><p>dormir em rede. Comprei móveis e diversos objetos que</p><p>entrei a u�lizar com receio, outros que ainda hoje não u�lizo,</p><p>porque não sei para que servem.</p><p>Aqui existe um salto de cinco anos, e em cinco anos</p><p>o mundo dá um bando de voltas. Ninguém imaginará que,</p><p>topando os obstáculos mencionados, eu haja procedido</p><p>invariavelmente com segurança e percorrido, sem me deter,</p><p>caminhos certos. Não senhor, não procedi nem percorri. Tive</p><p>aba�mentos, desejo de recuar; contornei dificuldades:</p><p>muitas curvas. Acham que andei mal?</p><p>A verdade é que nunca soube quais foram os meus</p><p>atos bons e quais foram os maus. Fiz coisas boas que me</p><p>trouxeram prejuízo; fiz coisas ruins que deram lucro. E como</p><p>sempre �ve a intenção de possuir as terras de S. Bernardo,</p><p>considerei legí�mas as ações que me levaram a obtê-las.</p><p>Alcancei mais do que esperava, mercê de Deus.</p><p>Vieram-me as rugas, já se vê, mas o crédito, que a princípio</p><p>se esquivava, agarrou-se comigo, as taxas desceram. E os</p><p>negócios desdobraram-se automa�camente.</p><p>Automa�camente. Di�cil? Nada! Se eles entram nos trilhos,</p><p>rodam que é uma beleza. Se não entram, cruzem os braços.</p><p>Mas se virem que estão de sorte, metam o pau: as tolices</p><p>que pra�carem viram sabedoria. Tenho visto criaturas que</p><p>trabalham demais e não progridem.</p><p>Conheço indivíduos preguiçosos que têm faro:</p><p>quando a ocasião chega, desenroscam-se, abrem a boca – e</p><p>engolem tudo.</p><p>Eu não sou preguiçoso. Fui feliz nas primeiras</p><p>tenta�vas e obriguei a fortuna a ser-me favorável nas</p><p>seguintes. Depois da morte do Mendonça, derrubei a cerca,</p><p>naturalmente, e levei-a para além do ponto em que estava</p><p>no tempo de Salus�ano Padilha. Houve reclamações.</p><p>– Minhas senhoras, seu Mendonça pintou o diabo</p><p>enquanto viveu. Mas agora é isto. E quem não gostar,</p><p>paciência, vá à jus�ça.</p><p>Como a jus�ça era cara, não foram à jus�ça. E eu, o</p><p>caminho aplainado, invadi a terra do Fidélis, paralí�co de um</p><p>braço, e a dos Gama, que pandegavam no Recife, estudando</p><p>Direito. Respeitei o engenho do Dr. Magalhães, juiz.</p><p>Violências miúdas passaram despercebidas. As questões</p><p>mais sérias foram ganhas no foro, graças às chicanas de João</p><p>Nogueira.</p><p>Efetuei transações arriscadas, endividei-me, importei</p><p>maquinismos e não prestei atenção aos que me censuravam</p><p>por querer abarcar o mundo com as pernas. Iniciei a</p><p>pomicultura e a avicultura. Para levar os meus produtos ao</p><p>mercado, comecei uma estrada de rodagem. Azevedo</p><p>Gondim compôs sobre ela dois ar�gos, chamou-me patriota,</p><p>citou Ford e Delmiro Gouveia. Costa Brito também publicou</p><p>uma nota na Gazeta, elogiando-me e elogiando o chefe</p><p>polí�co local. Em consequência mordeu-me cem mil-réis.</p><p>(S. Bernardo, 1996.)</p><p>Verifica-se o emprego de verbo no modo impera�vo no</p><p>seguinte trecho:</p><p>a) “Se eles entram nos trilhos, rodam que é uma beleza. Se</p><p>não entram, cruzem os braços.” (7º parágrafo)</p><p>b) “Minhas senhoras, seu Mendonça pintou o diabo</p><p>enquanto viveu. Mas agora é isto.” (10º parágrafo)</p><p>c) “Para diminuir a mortalidade e aumentar a produção,</p><p>proibi a aguardente.” (3º parágrafo)</p><p>d) “Aqui existe um salto de cinco anos, e em cinco anos o</p><p>mundo dá um bando de voltas.” (5º parágrafo)</p><p>e) “Não senhor, não procedi nem percorri. Tive aba�mentos,</p><p>desejo de recuar; contornei dificuldades: muitas curvas.”</p><p>(6º parágrafo)</p><p>GR0105 - (Espm)</p><p>Aborto, porte de armas e o presidente Donald Trump foram</p><p>alguns dos assuntos que dominaram a primeira audiência de</p><p>confirmação do juiz conservador Bre� Kavanaugh para a</p><p>Suprema Corte dos Estados Unidos, realizada em meio a</p><p>protestos de a�vistas e tenta�vas de adiamento do processo</p><p>por parte de democratas. Kavanaugh passará por mais dois</p><p>dias de saba�na, na quarta e na quinta, e testemunhas</p><p>contra e a favor do juiz devem ser ouvidas na sexta.</p><p>(Folha de S.Paulo, 04/09/2018)</p><p>Assinale a afirmação correta sobre o trecho: “... testemunhas</p><p>contra e a favor do juiz devem ser ouvidas na sexta...” A frase</p><p>está:</p><p>a) na voz passiva analí�ca, enfa�zando o sujeito paciente</p><p>“testemunhas”, alvo do processo verbal.</p><p>b) na voz a�va, enfa�zando o agente indeterminado do</p><p>processo expresso pelo verbo.</p><p>c) na voz passiva sinté�ca e, se transpuséssemos para a voz</p><p>a�va, teríamos “devem ouvir testemunhas contra e a favor</p><p>do juiz na sexta”, enfa�zando o sujeito indeterminado.</p><p>d) na voz passiva analí�ca e, se transpuséssemos para a voz</p><p>a�va, teríamos “ouvirão testemunhas contra e a favor do</p><p>juiz na sexta”, realçando o sujeito indeterminado na ação</p><p>de ouvir.</p><p>e) na voz passiva e, se transpuséssemos para a voz a�va,</p><p>teríamos “deverão ouvir testemunhas contra e a favor do</p><p>juiz na sexta”, dando destaque em “testemunhas”.</p><p>GR0528 - (Ufrgs)</p><p>1Leia isto. A depender da maneira como a frase acima</p><p>for falada, ela será entendida como um pedido, uma ordem</p><p>ou uma sugestão. Suponha, por exemplo, que ela seja falada</p><p>por alguém que acabou de chegar do consultório médico e</p><p>não consegue decifrar o que está escrito na receita. Suponha</p><p>agora que seja falada por um o�almologista, apontando para</p><p>a primeira 2linha de um quadro de letras, durante uma</p><p>avaliação o�almológica. Suponha ainda que seja falada por</p><p>um amigo, numa livraria, segurando o novo livro de Daniel</p><p>Galera. Agora suponha que a pessoa com a receita quer, na</p><p>22@professorferretto @prof_ferretto</p><p>verdade, ironizar porque sabe que ninguém vai entender os</p><p>rabiscos do médico e que o amigo, fã de Daniel Galera,</p><p>denuncia com a sugestão o entusiasmo pelo novo livro.</p><p>Suponha, por fim, que 3o paciente examinado comece a ler a</p><p>segunda linha do quadro e seja interrompido pelo</p><p>o�almologista, 4que aponta para a primeira linha e fala.</p><p>“Leia ISTO".</p><p>Como uma mesma 5combinação de sons consegue</p><p>expressar sen�dos diversos? Como vimos, a frase que inicia</p><p>este texto 6pode ser u�lizada para realizar diferentes ações</p><p>(um pedido ou uma ordem, por exemplo), pode indicar uma</p><p>a�tude (ironia, por exemplo) ou uma emoção (alegria,</p><p>entusiasmo, euforia etc.). Também é possível destacar uma</p><p>das palavras da frase, de maneira a indicar um contraste (no</p><p>exemplo, o o�almologista apontou para o que estava escrito</p><p>na primeira linha do quadro, em oposição ao que estava</p><p>escrito na segunda linha). 7A frase, escrita como está, não</p><p>consegue 8sozinha, sem a ajuda de um contexto, expressar</p><p>nenhum desses sen�dos. Quando falada, sim. Mas que</p><p>9propriedades da fala são responsáveis pela diversidade de</p><p>sen�dos que 10ela é capaz de expressar? Não são</p><p>certamente as 11propriedades de cada segmento sonoro</p><p>individual que formam, em combinação, as palavras. São</p><p>propriedades 12que não estão no nível do segmento, mas</p><p>13num nível acima 14dele.</p><p>Uma frase como a de nosso exemplo pode ser</p><p>enunciada mais lenta ou mais rapidamente. Podemos</p><p>sobrepor uma duração 15diferenciada a um mesmo grupo de</p><p>sons. 16Também é 17possível falar a frase 18bem 19baixinho</p><p>ou até mesmo gritá-la. É possível então regular a intensidade</p><p>de enunciação de um mesmo conjunto de sons. Por fim,</p><p>também podemos usar um tom mais grave (grosso) ou mais</p><p>agudo (fino) para falar uma mesma frase.</p><p>Por sua vez, a escrita tenta capturar a entonação de</p><p>diversas. maneiras. Assim, por exemplo,</p><p>temos os sinais de 20pontuação; eles servem para</p><p>indicar se determinada frase é uma pergunta ou uma</p><p>afirmação e também para indicar quando uma frase termina</p><p>e outra começa ou quando ela não terminou por completo e</p><p>ainda há mais por dizer. Na escrita, u�lizamos marcas para</p><p>explicitar que vamos iniciar uma nova porção do discurso,</p><p>u�lizamos maiúsculas ou itálicos para indicar ênfase e assim</p><p>por diante. No entanto, a escrita não consegue expressar</p><p>muito do que é possível com a entonação. Comumente</p><p>temos de indicar 21expressamente que estamos 22sendo</p><p>irônicos ou gen�s, 23por exemplo, para evitar mal-</p><p>entendidos na escrita, O que, mesmo de maneira restrita,</p><p>indica o modo como um texto deve ser lido ou</p><p>compreendido.</p><p>Adaptado de: OLIVEIRA JR., M. O que é entonação? In:</p><p>OTHERO, G. A.; FLORES, V. N. O que sabemos sobre a</p><p>linguagem? São Paulo: Parábola, 2022.</p><p>No bloco superior abaixo, estão listadas palavras re�radas do</p><p>texto; no inferior, afirmações sobre a classe grama�cal</p><p>dessas palavras. Associe adequadamente o bloco superior ao</p><p>inferior.</p><p>(__) linha (ref. 2).</p><p>(__) sozinha (ref. 8).</p><p>(__) diferenciada (ref. 15).</p><p>(__) bem (ref. 18).</p><p>(__) baixinho (ref. 19).</p><p>1. Palavras que estão sendo empregadas como adje�vos.</p><p>2. Palavras que estão sendo empregadas como substan�vos.</p><p>3. Palavras que estão sendo empregadas como advérbios.</p><p>A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de</p><p>cima para baixo, é</p><p>a) 2 – 1 – 1 – 3 – 3.</p><p>b) 1 – 3 – 3 – 2 – 1.</p><p>c) 2 – 3 – 1 – 1 – 2.</p><p>d) 1 – 1 – 3 – 3 – 3.</p><p>e) 2 – 1 – 3 – 1 – 3.</p><p>GR0356 - (Uerj)</p><p>Quem tem o direito de falar?</p><p>A polí�ca não é uma questão apenas de circulação</p><p>de bens e riquezas. Na verdade, a polí�ca é também uma</p><p>questão de circulação de afetos, da maneira como eles irão</p><p>criar vínculos sociais, afetando os que fazem parte desses</p><p>vínculos.</p><p>A maneira como somos afetados define o que somos</p><p>e o que não somos capazes de ver, sen�r e perceber.</p><p>Definido o que vejo, sinto e percebo, definem-se o campo</p><p>das minhas ações, a maneira como julgarei, o que faz parte e</p><p>o que está excluído do meu mundo.</p><p>Percebam, por exemplo, como um dos maiores</p><p>feitos polí�cos de 2015 foi a circulação de uma mera foto, a</p><p>foto do menino sírio morto em um naufrágio no Mar</p><p>Mediterrâneo. Nesse sen�do, foi muito interessante</p><p>pesquisar as reações de certos europeus que invadiram sites</p><p>de no�cias de seu con�nente com posts e comentários. Uma</p><p>quan�dade impressionante deles reclamava daqueles jornais</p><p>que decidiram publicar a foto. Eles diziam basicamente a</p><p>mesma coisa: “parem de nos mostrar o que não queremos</p><p>ver”.</p><p>(...)</p><p>VLADIMIR SAFATLE. Adaptado de Folha de S. Paulo,</p><p>25/09/2015.</p><p>No segundo parágrafo, observa-se a alternância no emprego</p><p>da primeira pessoa do plural com</p><p>a do singular. O emprego da primeira pessoa do singular</p><p>estabelece o efeito de:</p><p>a) revelar uma culpa</p><p>b) antecipar um preconceito</p><p>c) interpelar uma individualidade</p><p>d) reafirmar um posicionamento</p><p>GR0527 - (Eear)</p><p>Leia os provérbios abaixo:</p><p>23@professorferretto @prof_ferretto</p><p>I. Muito riso, pouco siso.</p><p>II. O muito sem Deus não é nada.</p><p>III. Muito ajuda quem não atrapalha.</p><p>A palavra “muito” neles presente é advérbio somente em</p><p>a) III.</p><p>b) I e II.</p><p>c) I e III.</p><p>d) II e III.</p><p>GR0310 - (Unesp)</p><p>Leia o trecho de um ensaio de Michel de Montaigne (1533-</p><p>1592).</p><p>Há alguma razão em fazer o julgamento de um</p><p>homem pelos aspectos mais comuns de sua vida; mas, tendo</p><p>em vista a natural instabilidade de nossos costumes e</p><p>opiniões, muitas vezes me pareceu que mesmo os bons</p><p>autores estão errados em se obs�narem em formar de nós</p><p>uma ideia constante e sólida.</p><p>(...)</p><p>Em toda a An�guidade é di�cil escolher uma dúzia</p><p>de homens que tenham ordenado sua vida num projeto</p><p>definido e seguro, que é o principal obje�vo da sabedoria.</p><p>Pois para resumi-la por inteiro numa só palavra e abranger</p><p>em uma só todas as regras de nossa vida, “a sabedoria”, diz</p><p>um an�go, “é sempre querer a mesma coisa, é sempre não</p><p>querer a mesma coisa”, “eu não me dignaria”, diz ele, “a</p><p>acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se</p><p>não está certa, é impossível que sempre seja uma só e a</p><p>mesma.” Na verdade, aprendi outrora que o vício é apenas o</p><p>desregramento e a falta de moderação; e, por conseguinte, é</p><p>impossível o imaginarmos constante. É uma frase de</p><p>Demóstenes, dizem, que “o começo de toda virtude são a</p><p>reflexão e a deliberação, e seu fim e sua perfeição, a</p><p>constância”. Se, guiados pela reflexão, pegássemos certa via,</p><p>pegaríamos a mais bela, mas ninguém pensa antes de agir:</p><p>“O que ele pediu, desdenha; exige o que acaba de</p><p>abandonar; agita-se e sua vida não se dobra a nenhuma</p><p>ordem.”</p><p>(Michel de Montaigne. Os ensaios: uma seleção, 2010.</p><p>Adaptado.)</p><p>“o começo de toda virtude são a reflexão e a deliberação, e</p><p>seu fim e sua perfeição, a constância” (2º parágrafo)</p><p>Nesse trecho, a segunda vírgula é empregada com a</p><p>finalidade de</p><p>a) separar o voca�vo.</p><p>b)</p><p>indicar a supressão de um verbo.</p><p>c) separar dois objetos diretos.</p><p>d) separar o sujeito de seu predicado.</p><p>e) indicar a supressão do conec�vo “e”.</p><p>GR0383 - (Unicamp)</p><p>Entre todas as palavras do momento, a mais</p><p>flamejante talvez seja desigualdade. E nem é uma boa</p><p>palavra, incomoda. Começa com des. Des de desalento, des</p><p>de desespero, des de desesperança. Des, defini�vamente,</p><p>não é um bom prefixo.</p><p>Desigualdade. A palavra do ano, talvez da década,</p><p>não importa em que dicionário. Doravante ouviremos falar</p><p>muito nela.</p><p>De-si-gual-da-de. Há quem não veja nem soletre,</p><p>mas está escrita no des�no de todos os busões da cidade,</p><p>sen�do centro/subúrbio, na linha reta de um trem. Solano</p><p>Trindade, no sinal fechado, fez seu primeiro rap, “tem gente</p><p>com fome, tem gente com fome, tem gente com fome”,</p><p>somente com esses substan�vos. Você ainda não conhece o</p><p>Solano? Corra, dá tempo. Dá tempo para você entender que</p><p>vivemos essa desigualdade. Pegue um busão da Avenida</p><p>Paulista para a Cidade Tiradentes, passe o vale-transporte na</p><p>catraca e simbora — mais de 30 quilômetros. O patrão</p><p>jardinesco vive 23 anos a mais, em média, do que um</p><p>humaníssimo habitante da Cidade Tiradentes, por todas as</p><p>razões sociais que a gente bem conhece.</p><p>Evitei as esta�s�cas nessa crônica. Podia matar de</p><p>desesperança os leitores, os números rendem manchete,</p><p>mas carecem de rostos humanos. Pega a visão, imprensa, só</p><p>há uma possibilidade de fazer a grande cobertura: mire-se na</p><p>desigualdade, talvez não haja mais jeito de achar que os</p><p>pontos da bolsa de valores signifiquem a ideia de fazer um</p><p>país.</p><p>(Adaptado de Xico Sá, A vidinha sururu da desigualdade</p><p>brasileira. Em El País, 28/10/2019. Disponível em</p><p>h�ps://brasil.elpais.com/brasil/2019/10/28/ opinion/</p><p>1572287747_637859.html?�clid</p><p>=IwAR1VPA7qDYs1Q0Ilcdy6UGAJTwBO</p><p>_snMDUAw4yZpZ3zyA1ExQx _XB9Kq2qU. Acessado em</p><p>25/05/2020.)</p><p>Assinale a alterna�va que iden�fica corretamente recursos</p><p>linguís�cos explorados pelo autor nessa crônica.</p><p>a) Uso de verbos no impera�vo, linguagem informal, texto</p><p>impessoal.</p><p>b) Marcas de coloquialidade, uso de primeira pessoa,</p><p>linguagem obje�va.</p><p>c) Marcas de oralidade, uso expressivo de recursos</p><p>ortográficos, subje�vidade do autor.</p><p>d) Uso de variação linguís�ca, linguagem neutra, apelo ao</p><p>tom coloquial.</p><p>GR0334 - (Fuvest)</p><p>Romance LIII ou Das Palavras Aéreas</p><p>Ai, palavras, ai, palavras,</p><p>que estranha potência, a vossa!</p><p>Ai, palavras, ai, palavras,</p><p>sois de vento, ides no vento,</p><p>no vento que não retorna,</p><p>e, em tão rápida existência,</p><p>tudo se forma e transforma!</p><p>24@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Sois de vento, ides no vento,</p><p>e quedais, com sorte nova! (...)</p><p>Ai, palavras, ai, palavras,</p><p>que estranha potência, a vossa!</p><p>Perdão podíeis ter sido!</p><p>— sois madeira que se corta,</p><p>— sois vinte degraus de escada,</p><p>— sois um pedaço de corda...</p><p>— sois povo pelas janelas,</p><p>cortejo, bandeiras, tropa...</p><p>Ai, palavras, ai, palavras,</p><p>que estranha potência, a vossa!</p><p>Éreis um sopro na aragem...</p><p>— sois um homem que se enforca!</p><p>Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência</p><p>Ao subs�tuir a pessoa verbal u�lizada para se referir ao</p><p>substan�vo “palavras” pela 3ª pessoa do plural, os verbos</p><p>dos versos “sois de vento, ides no vento,” (v. 4) / “Perdão</p><p>podíeis ter sido!” (v. 12)! / “Éreis um sopro na aragem...” (v.</p><p>20) seriam conjugados conforme apresentado na alterna�va:</p><p>a) são, vão, podiam, eram.</p><p>b) seriam, iriam, podiam, serão.</p><p>c) eram, foram, poderiam, seriam.</p><p>d) são, vão, poderiam, eram.</p><p>e) eram, iriam, podiam, seriam.</p><p>GR0306 - (Unesp)</p><p>Leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do</p><p>escritor moçambicano Mia Couto (1955 - ).</p><p>Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração ba�a só</p><p>de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava</p><p>parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração</p><p>estancava por demasia de tempo a menina começava a</p><p>esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o</p><p>dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha</p><p>voltava a dar sinal:</p><p>— Mãe, venha ouvir: está a bater!</p><p>A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito</p><p>que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando</p><p>pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela</p><p>voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.</p><p>Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi</p><p>quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram</p><p>só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos</p><p>drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo</p><p>corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao</p><p>leito. Sen�u a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro.</p><p>Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:</p><p>— Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.</p><p>A mãe sor�u-se de medo, aconchegou o lençol como se</p><p>protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma</p><p>pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A</p><p>menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se</p><p>ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou</p><p>apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando</p><p>pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de</p><p>escutar a voz de um pássaro. Depois, re�rou-se, adentrando-</p><p>se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o</p><p>segredo, só entre as duas.[...]</p><p>Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia</p><p>frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa</p><p>imobilidade se prolongou por consecu�vas demoras. A</p><p>menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa</p><p>derradeiragem.</p><p>Pois ela seguia pra�cando vivências, brincando, sempre</p><p>cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à</p><p>noite a mãe não escutava os piares.</p><p>— Agora não sonha, filha?</p><p>— Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!</p><p>Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:</p><p>— Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de</p><p>minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.</p><p>O médico corrigiu os óculos como se entendesse rec�ficar a</p><p>própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar.</p><p>E disse:</p><p>— Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.</p><p>— Morta, a minha menina? Mas, assim...?</p><p>— Esta é a sua maneira de estar morta.</p><p>A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo.</p><p>Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu</p><p>corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava.</p><p>Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a</p><p>re�rada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:</p><p>— Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.</p><p>A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças,</p><p>cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela,</p><p>tocou-lhe como se a miúda inexis�sse. A sua pele não</p><p>desprendia calor.</p><p>— Então, minha querida não escutou nada?</p><p>Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos.</p><p>Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não</p><p>encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.</p><p>Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do</p><p>sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe</p><p>depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e</p><p>filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça</p><p>em sinal de respeito.</p><p>E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única,</p><p>silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de</p><p>dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar,</p><p>a ver se regressam as vozearias das aves.</p><p>(Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)</p><p>Ocorre o pronome apassivador “se” no seguinte trecho:</p><p>25@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) “A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha</p><p>intacta.” (1º parágrafo)</p><p>b) “Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira</p><p>do sol.” (21º parágrafo)</p><p>c) “Clareou a voz, para melhor se autorizar.” (12º parágrafo)</p><p>d) “E o caso se vai seguindo, estória sem história.” (22º</p><p>parágrafo)</p><p>e) “Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem.” (7º</p><p>parágrafo)</p><p>GR0099 - (Unesp)</p><p>Numa an�ga anedota que circulava na hoje falecida</p><p>República Democrá�ca Alemã, um operário alemão</p><p>consegue um emprego na Sibéria; sabendo que toda</p><p>correspondência será lida pelos censores, ele combina com</p><p>os amigos: “Vamos combinar um código: se uma</p><p>carta es�ver</p><p>escrita em �nta azul, o que ela diz é verdade; se es�ver</p><p>escrita em �nta vermelha, tudo é men�ra.” Um mês depois,</p><p>os amigos recebem uma carta escrita em �nta azul: “Tudo</p><p>aqui é maravilhoso: as lojas vivem cheias, a comida é</p><p>abundante, os apartamentos são grandes e bem aquecidos,</p><p>os cinemas exibem filmes do Ocidente, há muitas garotas,</p><p>sempre prontas para um programa – o único senão é que</p><p>não se consegue encontrar �nta vermelha.” Neste caso, a</p><p>estrutura é mais refinada do que indicam as aparências:</p><p>apesar de não ter como usar o código combinado para</p><p>indicar que tudo o que está dito é men�ra, mesmo assim ele</p><p>consegue passar a mensagem. Como? Pela introdução da</p><p>referência ao código, como um de seus elementos, na</p><p>própria mensagem codificada.</p><p>(Bem-vindo ao deserto do real!, 2003.)</p><p>“Um mês depois, os amigos recebem uma carta escrita em</p><p>�nta azul [...].” Assinale a alterna�va que expressa, na voz</p><p>passiva, o conteúdo dessa oração.</p><p>a) Um mês depois, uma carta escrita em �nta azul seria</p><p>recebida pelos amigos.</p><p>b) Os amigos deveriam ter recebido, um mês depois, uma</p><p>carta escrita em �nta azul.</p><p>c) Um mês depois, uma carta escrita em �nta azul foi</p><p>recebida pelos amigos.</p><p>d) Um mês depois, uma carta escrita em �nta azul é recebida</p><p>pelos amigos.</p><p>e) Os amigos receberiam, um mês depois, uma carta escrita</p><p>em �nta azul.</p><p>GR0100 - (Espcex)</p><p>Polí�ca pública de saneamento básico: as bases do</p><p>saneamento como direito de cidadania e os debates sobre</p><p>novos modelos de gestão</p><p>Ana Lucia Bri�o</p><p>Professora Associada do PROURB-FAU-UFRJ</p><p>Pesquisadora do INCT Observatório das Metrópoles</p><p>A Assembleia Geral da ONU reconheceu em 2010 que o</p><p>acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é</p><p>indispensável para o pleno gozo do direito à vida. É preciso,</p><p>para tanto, fazê-lo de modo financeiramente acessível e com</p><p>qualidade para todos, sem discriminação. Também obriga os</p><p>Estados a eliminarem progressivamente as desigualdades na</p><p>distribuição de água e esgoto entre populações das zonas</p><p>rurais ou urbanas, ricas ou pobres.</p><p>No Brasil, dados do Ministério das Cidades indicam que cerca</p><p>de 35 milhões de brasileiros não são atendidos com</p><p>abastecimento de água potável, mais da metade da</p><p>população não tem acesso à coleta de esgoto, e apenas 39%</p><p>de todo o esgoto gerado são tratados. Aproximadamente</p><p>70% da população que compõe o déficit de acesso ao</p><p>abastecimento de água possuem renda domiciliar mensal de</p><p>até 0,5 salário-mínimo por morador, ou seja, apresentam</p><p>baixa capacidade de pagamento, o que coloca em pauta o</p><p>tema do saneamento financeiramente acessível.</p><p>Desde 2007, quando foi criado o Ministério das Cidades,</p><p>iden�ficam-se avanços importantes na busca de diminuir o</p><p>déficit já crônico em saneamento e pode-se caminhar alguns</p><p>passos em direção à garan�a do acesso a esses serviços</p><p>como direito social. Nesse sen�do destacamos as</p><p>Conferências das Cidades e a criação da Secretaria de</p><p>Saneamento e do Conselho Nacional das Cidades, que deram</p><p>à polí�ca urbana uma base de par�cipação e controle social.</p><p>Houve também, até 2014, uma progressiva ampliação de</p><p>recursos para o setor, sobretudo a par�r do PAC 1 e PAC 2; a</p><p>ins�tuição de um marco regulatório (Lei 11.445/2007 e seu</p><p>decreto de regulamentação) e de um Plano Nacional para o</p><p>setor, o PLANSAB, construído com amplo debate popular,</p><p>legi�mado pelos Conselhos Nacionais das Cidades, de Saúde</p><p>e de Meio Ambiente, e aprovado por decreto presidencial</p><p>em novembro de 2013.</p><p>Esse marco legal e ins�tucional traz aspectos essenciais para</p><p>que a gestão dos serviços seja pautada por uma visão de</p><p>saneamento como direito de cidadania: a) ar�culação da</p><p>polí�ca de saneamento com as polí�cas de desenvolvimento</p><p>urbano e regional, de habitação, de combate à pobreza e de</p><p>sua erradicação, de proteção ambiental, de promoção da</p><p>saúde; e b) a transparência das ações, baseada em sistemas</p><p>de informações e processos decisórios par�cipa�vos</p><p>ins�tucionalizados.</p><p>A Lei 11.445/2007 reforça a necessidade de planejamento</p><p>para o saneamento, por meio da obrigatoriedade de planos</p><p>municipais de abastecimento de água, coleta e tratamento</p><p>de esgotos, drenagem e manejo de águas pluviais, limpeza</p><p>urbana e manejo de resíduos sólidos. Esses planos são</p><p>obrigatórios para que possam ser estabelecidos contratos de</p><p>delegação da prestação de serviços e para que possam ser</p><p>acessados recursos do governo federal (OGU, FGTS e FAT),</p><p>com prazo final para sua elaboração terminando em 2017. A</p><p>Lei reforça também a par�cipação e o controle social, através</p><p>de diferentes mecanismos como: audiências públicas,</p><p>definição de conselho municipal responsável pelo</p><p>acompanhamento e fiscalização da polí�ca de saneamento,</p><p>sendo que a definição desse conselho também é condição</p><p>para que possam ser acessados recursos do governo federal.</p><p>26@professorferretto @prof_ferretto</p><p>O marco legal introduz também a obrigatoriedade da</p><p>regulação da prestação dos serviços de saneamento, visando</p><p>à garan�a do cumprimento das condições e metas</p><p>estabelecidas nos contratos, à prevenção e à repressão ao</p><p>abuso do poder econômico, reconhecendo que os serviços</p><p>de saneamento são prestados em caráter de monopólio, o</p><p>que significa que os usuários estão subme�dos às a�vidades</p><p>de um único prestador.</p><p>FONTE: adaptado de</p><p>h�p://www.assemae.org.br/ar�gos/item/1762-saneamento-</p><p>basico-como-direito-de-cidadania</p><p>Marque a alterna�va que mostra a voz passiva pronominal.</p><p>a) Necessita-se de água potável para 35 milhões de</p><p>brasileiros.</p><p>b) Precisa-se de que a coleta de esgoto, em todo o mundo,</p><p>seja uma prioridade.</p><p>c) Trata-se de apenas 39% de todo o esgoto gerado pela</p><p>população.</p><p>d) Iden�ficou-se importante avanço na questão do</p><p>saneamento.</p><p>e) Pode-se caminhar alguns passos em direção à garan�a do</p><p>acesso a esses serviços.</p><p>GR0382 - (Unicamp)</p><p>No conto “O espelho”, de Machado de Assis, uma</p><p>personagem assume a palavra e narra uma história.</p><p>(Machado de Assis, O Espelho. Campinas: Editora da</p><p>Unicamp, 2019.)</p><p>Assinale a alterna�va que explicita sua interlocução com os</p><p>cavalheiros presentes.</p><p>a) “Lembra-me de alguns rapazes que se davam comigo, e</p><p>passaram a olhar-me de revés, durante algum tempo.”</p><p>b) “Ah! pérfidos! Mal podia eu suspeitar a intenção secreta</p><p>dos malvados.”</p><p>c) “Imaginai um homem que, pouco a pouco, emerge de um</p><p>letargo, abre os olhos sem ver, depois começa a ver.”</p><p>d) “O espelho estava naturalmente muito velho; mas via se-</p><p>lhe ainda o ouro, comido em parte pelo tempo.”</p><p>GR0360 - (Uerj)</p><p>Soneto de separação</p><p>De repente do riso fez-se o pranto</p><p>Silencioso e branco como a bruma</p><p>E das bocas unidas fez-se a espuma</p><p>E das mãos espalmadas fez-se o espanto.</p><p>De repente da calma fez-se o vento</p><p>Que dos olhos desfez a úl�ma chama</p><p>E da paixão fez-se o pressen�mento</p><p>E do momento imóvel fez-se o drama.</p><p>De repente, não mais que de repente</p><p>Fez-se de triste o que se fez amante</p><p>E de sozinho o que se fez contente.</p><p>Fez-se do amigo próximo o distante</p><p>Fez-se da vida uma aventura errante</p><p>De repente, não mais que de repente.</p><p>Vinicius de Moraes. São Paulo: Companhia das Letras, 2009</p><p>Uma série de transformações é apresentada pelo verbo fazer</p><p>acompanhado da palavra se.</p><p>Na cena construída no poema, essa estrutura linguís�ca</p><p>produz o seguinte efeito:</p><p>a) apagamento dos parceiros da relação</p><p>b) esquecimento da sensação de perda</p><p>c) neutralização dos espaços de conflito</p><p>d) indefinição do momento da despedida</p><p>GR0258 - (Unesp)</p><p>Leia o soneto “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia”, do</p><p>poeta Gregório de Matos (1636-1696).</p><p>Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,</p><p>Depois da Luz se segue a noite escura,</p><p>Em tristes sombras morre a formosura,</p><p>Em con�nuas tristezas a alegria.</p><p>Porém, se acaba o Sol, por que nascia?</p><p>Se é tão formosa a Luz, por que não dura?</p><p>Como a beleza assim se transfigura?</p><p>Como o gosto da pena assim se fia?</p><p>Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,</p><p>Na formosura não se dê constância,</p><p>E na alegria sinta-se tristeza.</p><p>Começa o mundo enfim pela ignorância,</p><p>E tem qualquer dos bens por natureza</p><p>A firmeza somente na inconstância.</p><p>(Poemas escolhidos, 2010.)</p><p>Verifica-se a ocorrência de um termo subentendido,</p><p>mas</p><p>citado no verso anterior, em:</p><p>a) “Se é tão formosa a Luz, por que não dura?” (2ª estrofe)</p><p>b) “Como o gosto da pena assim se fia?” (2ª estrofe)</p><p>c) “Em con�nuas tristezas a alegria.” (1ª estrofe)</p><p>d) “Na formosura não se dê constância,” (3ª estrofe)</p><p>e) “Depois da Luz se segue a noite escura,” (1ª estrofe)</p><p>GR0361 - (Uerj)</p><p>O ensino da �sica sempre foi um grande desafio. Nos</p><p>úl�mos anos, muitos esforços foram feitos com o obje�vo de</p><p>ensiná-la desde as séries iniciais do ensino fundamental, no</p><p>contexto do ensino de ciências. Porém, como disciplina</p><p>27@professorferretto @prof_ferretto</p><p>regular, a �sica aparece no ensino médio, quando se torna</p><p>“um terror” para muitos estudantes.</p><p>Várias pesquisas vêm tentando iden�ficar quais são</p><p>as principais dificuldades do ensino de �sica e das ciências</p><p>em geral. Em par�cular, a queixa que sempre se detecta é</p><p>que os estudantes não conseguem compreender a</p><p>linguagem matemá�ca na qual, muitas vezes, os conceitos</p><p>�sicos são expressos. Outro ponto importante é que as</p><p>questões que envolvem a �sica são apresentadas fora de</p><p>uma contextualização do co�diano das pessoas, o que</p><p>dificulta seu aprendizado. Por fim, existe uma enorme</p><p>carência de professores formados em �sica para ministrar as</p><p>aulas da disciplina.</p><p>As pessoas que vão para o ensino superior e que não</p><p>são da área de ciências exatas pra�camente nunca mais têm</p><p>contato com a �sica, da mesma maneira que os estudantes</p><p>de �sica, engenharia e química poucas vezes voltam a ter</p><p>contato com a literatura, a história e a sociologia. É triste</p><p>notar que a especialização na formação dos indivíduos</p><p>costuma deixá-los distantes de partes importantes da nossa</p><p>cultura, da qual as ciências �sicas e as humanidades fazem</p><p>parte.</p><p>Mas vamos pensar em soluções. Há alguns anos,</p><p>ofereço um curso chamado “Física para poetas”. A ideia não</p><p>é original – ao contrário, é muito u�lizada em diversos países</p><p>e aqui mesmo no Brasil. Seu obje�vo é apresentar a �sica</p><p>sem o uso da linguagem matemá�ca e tentar mostrá-la</p><p>próxima ao co�diano das pessoas. Procuro destacar a beleza</p><p>dessa ciência, associando-a, por exemplo, à poesia e à</p><p>música.</p><p>Alguns dos temas que trabalho em “Física para</p><p>poetas” são inspirados nos ar�gos que publico. Por exemplo,</p><p>“A busca pela compreensão cósmica” é uma das aulas, na</p><p>qual apresento a evolução dos modelos que temos do</p><p>universo. Começando pelas visões mís�cas e mitológicas e</p><p>chegando até as modernas teorias cosmológicas, falo sobre a</p><p>busca por responder a questões sobre a origem do universo</p><p>e, consequentemente, a nossa origem, para</p><p>compreendermos o nosso lugar no mundo e na história.</p><p>Na aula “Memórias de um carbono”, faço uma</p><p>narra�va de um átomo de carbono contando sua história, em</p><p>primeira pessoa, desde seu nascimento, em uma distante</p><p>estrela que morreu há bilhões de anos, até o momento em</p><p>que sai pelo nariz de uma pessoa respirando. Temas como</p><p>astronomia, biologia, evolução e química surgem ao longo</p><p>dessa aula, bem como as músicas “Á�mo de pó” e “Estrela”,</p><p>de Gilberto Gil, além da poesia “Psicologia de um vencido”,</p><p>de Álvares de Azevedo.</p><p>Em “O tempo em nossas vidas”, apresento esse</p><p>fascinante conceito que, na verdade, vai muito além da</p><p>�sica: está presente em áreas como a filosofia, a biologia e a</p><p>psicologia. Algumas músicas de Chico Buarque e Caetano</p><p>Veloso, além de poesias de Vinicius de Moraes e Carlos</p><p>Drummond de Andrade, ajudaram nessa abordagem. Não</p><p>faltou também “Tempo Rei”, de Gil.</p><p>A arte é uma forma importante do conhecimento</p><p>humano. Se músicas e poesias inspiram as mentes e os</p><p>corações, podemos mostrar que a ciência, em par�cular a</p><p>�sica, também é algo inspirador e belo, capaz de criar certa</p><p>poesia e encantar não somente aos �sicos, mas a todos os</p><p>poetas da natureza.</p><p>ADILSON DE OLIVEIRA. Adaptado de cienciahoje.org.br,</p><p>08/08/2016.</p><p>Por exemplo, “A busca pela compreensão cósmica” é uma</p><p>das aulas, na qual apresento a evolução dos modelos que</p><p>temos do universo. (itálico)</p><p>No trecho, a forma verbal sublinhada expressa uma ação que</p><p>se caracteriza como:</p><p>a) interrompida</p><p>b) simultânea</p><p>c) concluída</p><p>d) reiterada</p><p>GR0323 - (Fuvest)</p><p>Sim, estou me associando à campanha nacional</p><p>contra os verbos que acabam em "ilizar". Se nada for feito,</p><p>daqui a pouco eles serão mais numerosos do que os</p><p>terminados simplesmente em "ar". Todos os dias os maus</p><p>tradutores de livros de marke�ng e administração</p><p>disponibilizam mais e mais termos infelizes, que</p><p>imediatamente são operacionalizados pela mídia,</p><p>reinicializando1 palavras que já exis�am e eram</p><p>perfeitamente claras e eufônicas.</p><p>A doença está tão disseminada que muitos verbos</p><p>honestos, com currículo de ó�mos serviços prestados, estão</p><p>a ponto de cair em desgraça entre pessoas de ouvidos</p><p>sensíveis. Depois que você fica alérgico a disponibilizar, como</p><p>você vai admi�r, digamos, “viabilizar2”? É triste demorar</p><p>tanto tempo para a gente se dar conta de que</p><p>"desincompa�bilizar3" sempre foi um palavrão.</p><p>FREIRE, Ricardo. Complicabilizando. Época, ago. 2003.</p><p>Com base no texto, é correto afirmar:</p><p>a) A “campanha nacional” a que se refere o autor tem por</p><p>obje�vo banir da língua portuguesa os verbos terminados</p><p>em “ilizar”.</p><p>b) O autor considera o emprego de verbos como</p><p>“reinicializando” (1º itálico) e “viabilizar” (2º itálico) uma</p><p>verdadeira “doença”.</p><p>c) A maioria dos verbos terminados em “(i)lizar”, presentes</p><p>no texto, foi incorporada à língua por influência</p><p>estrangeira.</p><p>d) O autor, no final do primeiro parágrafo, acaba usando</p><p>involuntariamente os verbos que ele condena.</p><p>e) Os prefixos “des” e “in”, que entram na formação do</p><p>verbo “desincompa�bilizar” (3º itálico), têm sen�do</p><p>oposto, por isso o autor o considera um “palavrão”.</p><p>GR0529 - (Ucs)</p><p>Timidez como virtude</p><p>28@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Luiz Felipe Pondé</p><p>Outro dia ouvia uma colega1, muito inteligente e</p><p>bonita2, dizer da 3“gastura” que sen�a em ouvir pessoas</p><p>falando sobre suas qualidades intelectuais, realizações e</p><p>�tulos. Estando 4eu presente no momento desse infeliz self</p><p>marke�ng que causou a 5“gastura” no estômago da minha</p><p>jovem colega, entendi bem o que ela dizia.</p><p>O 6 ..... de falar das próprias realizações sempre exis�u.</p><p>Mas, hoje, é diferente: ser brega e fazer self marke�ng virou</p><p>uma “ciência”. Hoje, a velha máxima que “toda virtude</p><p>verdadeira é �mida” se transformou em uma informação</p><p>urgente.</p><p>7Toda virtude verdadeira é �mida. Sempre. Sim8, 9sei</p><p>que somos seres de con�nua 10baixa autoes�ma, e que 11o</p><p>mundo prima por nos ferrar todo dia12: gorda, burro,</p><p>brocha, histérica, mal-amado, enfim, adje�vos feitos para</p><p>destruir a 13já frágil autoes�ma que temos. E que,</p><p>14portanto, muitas vezes 15nos faz cair na tentação de</p><p>reafirmar nossos feitos na cara dos outros. Mas há uma</p><p>diferença quando fazemos isso em claro momento de</p><p>desespero e quando fazemos isso achando que estamos</p><p>abafando. 16O fato comentado pela minha colega era este</p><p>segundo caso.</p><p>17Por que toda virtude verdadeira é �mida? Antes de</p><p>tudo, porque a vocação constante à vaidade que nos assola</p><p>deixa a virtude insegura com relação 18..... si mesma. Essa</p><p>dinâmica entre 19a dúvida da virtude versus a certeza da</p><p>vaidade é tema, por exemplo, da clássica polêmica da graça</p><p>entre Santo Agos�nho (354 – 430) e Pelagius (360 – 420).</p><p>Outro traço da virtude é ser desatenta consigo mesma.</p><p>20Por isso, alguns afirmam que a maior de todas as virtudes</p><p>seria a humildade, uma vez que essa é o oposto simétrico da</p><p>vaidade. O co�diano da virtude não é checar a si mesma</p><p>con�nuamente no espelho para ver o quão 21..... ela tem</p><p>sido em ser ela mesma. Essa desatenção consigo mesma é</p><p>traço 22essencial da 23virtude. Associada a ela está a</p><p>percepção de “naturalidade” que toda virtude verdadeira</p><p>transparece.</p><p>Somos naturalmente “equipados” com a capacidade de</p><p>iden�ficar a leveza com a qual alguém age de modo virtuoso.</p><p>Assemelhando-se à manifestação da graça, a leveza da</p><p>virtude �mida e natural equipara-se à beleza sem vaidade.</p><p>Essa “naturalidade” da virtude está descrita por</p><p>Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) quando em seu “É�ca a</p><p>Nicômaco” ele diz que a virtude deve se transformar em uma</p><p>segunda natureza.</p><p>Não se trata de negar o esforço consciente em busca do</p><p>comportamento virtuoso, segundo o filósofo. O esforço é</p><p>real e consciente. Portanto, a �midez da virtude não é fruto</p><p>de sua inconsciência como comportamento. A �midez é</p><p>fruto da naturalidade 24(segunda natureza, nos termos do</p><p>filósofo) que caracteriza uma virtude madura.</p><p>Timidez aqui é quase uma metáfora, não para a</p><p>insegurança enquanto tal, mas para a virtude instalada no</p><p>co�diano do virtuoso que se deixa perceber pelo ato, e não</p><p>pelo anúncio do ato.</p><p>A é�ca é uma ciência prá�ca. A ideia de fazer marke�ng</p><p>da é�ca 25é como se afirmar que um círculo é quadrado.</p><p>Dizer que a virtude é prá�ca e jamais teórica significa dizer</p><p>que só o outro reconhece a virtude em você. A virtude é da</p><p>ordem do ato e não do discurso. 26Se você falar da sua</p><p>virtude, você jamais convencerá uma pessoa razoavelmente</p><p>inteligente e madura da veracidade da sua afirmação. Porque</p><p>quem precisa anunciar sua própria virtude é porque a prá�ca</p><p>dessa virtude não é suficiente para ser reconhecida.</p><p>Por isso, afirma-se que a virtude é pública, 27jamais</p><p>privada. É silenciosa, mas sua existência é atestada pelo</p><p>olhar do outro que a vê acontecer no mundo, sem anunciar</p><p>que está acontecendo. O histórico do seu comportamento,</p><p>reconhecido ao longo do tempo pelas pessoas à sua volta</p><p>(mesmo as que lhe odeiam), se cons�tuirá na substância do</p><p>seu caráter. Esse caráter, ao longo da vida, se cons�tuirá, por</p><p>sua vez, no seu des�no. Por isso, afirma-se que virtude é</p><p>des�no. Sendo ela uma segunda natureza, realizada no</p><p>silêncio do esforço prá�co sem tagarelice, a virtude 28(ou a</p><p>ausência dela) pode se transformar em uma maldição</p><p>29mesmo.</p><p>Nada garante que virtude traga “felicidade”.</p><p>No nosso mundo tagarela, marcado pela breguice do</p><p>self marke�ng, a virtude não deve ser apenas �mida, mas a</p><p>própria �midez se torna, a cada dia, uma virtude em si</p><p>mesma. 30E esta é um animal do silêncio. Semelhantes 31.....</p><p>ela são a discrição, a delicadeza, a elegância e a contenção. A</p><p>busca dessas virtudes como forma de sabedoria é um desafio</p><p>para o século 21.</p><p>Disponível em:</p><p>h�ps://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/2018/09/�mid</p><p>como-virtude.shtml. Acesso em: 21 jul. 2022. (Adaptado)</p><p>Assinale a alterna�va que apresenta afirmação correta</p><p>acerca de fragmentos do texto.</p><p>a) O advérbio de modo como (�tulo) expressa intensidade</p><p>entre �midez e virtude.</p><p>b) A conjunção já (ref. 13) circunscreve a autoes�ma no</p><p>tempo.</p><p>c) O adje�vo essencial (ref. 22) associa virtude (ref. 23) à</p><p>noção de fundamental.</p><p>d) A conjunção jamais (ref. 27) opõe as noções de público e</p><p>privado.</p><p>e) O advérbio mesmo (ref. 29) atribui o sen�do de realmente</p><p>à ação citada na oração.</p><p>GR0584 - (Enem PPL)</p><p>O seu cérebro é capaz de quase qualquer coisa. Ele</p><p>consegue parar o tempo, ficar vários dias numa boa sem</p><p>dormir, ler pensamentos, mover objetos a distância e se</p><p>reconstruir de acordo com a necessidade. Parecem</p><p>superpoderes de histórias em quadrinhos, mas são apenas</p><p>algumas das descobertas que os neurocien�stas fizeram ao</p><p>longo da úl�ma década. Algumas dessas façanhas sempre</p><p>fizeram parte do seu cérebro e só agora conseguimos</p><p>perceber. Outras são fruto da ciência: ao decifrar alguns</p><p>mecanismos da nossa mente, os pesquisadores estão</p><p>encontrando maneiras de realizar coisas que antes pareciam</p><p>impossíveis. O resultado é uma revolução como nenhuma</p><p>29@professorferretto @prof_ferretto</p><p>outra, capaz de mudar não só a maneira como entendemos</p><p>o cérebro, mas também a imagem que fazemos do mundo,</p><p>da realidade e de quem somos nós. Siga adiante e entenda o</p><p>que está acontecendo (e aproveite que, segundo uma das</p><p>mais recentes descobertas, nenhum exercício para o seu</p><p>cérebro é tão bom quanto a leitura).</p><p>KENSKI, R. A revolução do cérebro. Superinteressante, ago.</p><p>2006</p><p>Nessa introdução de uma matéria de popularização da</p><p>ciência, são usados recursos linguís�cos que estabelecem</p><p>interação com o leitor, buscando envolvê-lo. Desses recursos,</p><p>aquele que caracteriza a persuasão pretendida de forma</p><p>mais incisiva se dá pelo emprego</p><p>a) do pronome possessivo como em "O seu cérebro é capaz</p><p>de quase qualquer coisa".</p><p>b) de verbos na primeira pessoa do plural como</p><p>"entendemos" e "somos".</p><p>c) de pronomes em primeira pessoa do plural como "nossa"</p><p>e "nós".</p><p>d) de verbos no modo impera�vo como "siga" e "aproveite".</p><p>e) de estruturas linguís�cas avalia�vas como "tão bom</p><p>quanto a leitura".</p><p>GR0585 - (Enem PPL)</p><p>Adorei a pergunta, darling! Tem muita gente que não sabe</p><p>se comportar no elevador do prédio onde mora nem no da</p><p>empresa em que trabalha. Anote as minhas dicas para o bom</p><p>convívio de todos: entre a saia rapidamente (nada de segurar</p><p>a porta para terminar o bate-papo com a sua amiga); ao</p><p>embarcar, cumprimente os que já estão presentes; encerre a</p><p>conversa com o seu colega ao lado ou no celular antes de</p><p>entrar; não entre se o elevador es�ver cheio (o ambiente fica</p><p>insuportável para todos); espere para embarcar, pois a</p><p>preferência é sempre de quem está desembarcando; se você</p><p>sair com o seu pet ou carregar objetos grandes, espere até</p><p>que ele esteja vazio ou use as escadas.</p><p>Ana Maria. 20 JAN. 2012.</p><p>Nas regras de e�queta, a linguagem coloquial promove</p><p>maior proximidade do leitor com o texto. Um recurso para a</p><p>produção desse efeito cons�tui um desvio à variedade</p><p>padrão da língua portuguesa. Trata-se do uso</p><p>a) de palavras estrangeiras, como "darling" e "pet", pois</p><p>afrontam a iden�dade nacional.</p><p>b) do verbo "ter", que foi u�lizado em lugar de "haver" com</p><p>o sen�do de "exis�r".</p><p>c) da forma verbal "adorei", uma expressão exagerada de</p><p>emoção e sen�mento.</p><p>d) do modo impera�vo, �pico das conversas informais.</p><p>e) do substan�vo "bate-papo", que é uma gíria inadequada</p><p>para regras de e�queta.</p><p>GR0590 - (Enem PPL)</p><p>Miss Universo: “As pessoas racistas devem procurar ajuda”</p><p>SÃO PAULO — Leila Lopes, de 25 anos, não é a primeira</p><p>negra a receber a faixa de Miss Universo. A primazia coube a</p><p>Janelle “Penny” Commissiong, de Trinidad e Tobago,</p><p>vencedora do concurso em 1977. Depois dela vieram Chelsi</p><p>Smith, dos Estados Unidos, em 1995; Wendy Fitzwilliam,</p><p>também de Trinidad e Tobago, em 1998, e Mpule Kwelagobe,</p><p>de Botswana, em 1999. Em 1986, a gaúcha Deise Nunes, que</p><p>foi a primeira negra a se eleger Miss Brasil, ficou em sexto</p><p>lugar na classificação geral. Ainda assim a estupidez humana</p><p>faz com que, vez ou outra, surjam manifestações</p><p>preconceituosas como a de um site brasileiro que, às</p><p>vésperas da compe�ção, e se valendo do anonimato de</p><p>quem o criou, emi�u opiniões do �po “Como alguém</p><p>consegue achar uma preta bonita?” Após receber o �tulo, a</p><p>mulher mais linda do mundo — que tem o português como</p><p>língua materna e também fala fluentemente o inglês — disse</p><p>o que pensa de a�tudes como essa e também sobre como</p><p>sua conquista pode ajudar os necessitados de Angola e de</p><p>outros países.</p><p>COSTA, D. Disponível em: h�p://oglobo.globo.com. Acesso</p><p>em: 10 set. 2011 (adaptado).</p><p>O uso da expressão “ainda assim” presente nesse texto tem</p><p>como finalidade</p><p>a) cri�car o teor das informações fatuais até ali veiculadas.</p><p>b) ques�onar a validade das ideias apresentadas</p><p>anteriormente.</p><p>c) comprovar a veracidade das informações expressas</p><p>anteriormente.</p><p>d) introduzir argumentos que reforçam o que foi dito</p><p>anteriormente.</p><p>e) enfa�zar o contrassenso entre o que é dito antes e o que</p><p>vem em seguida.</p><p>GR0594 - (Enem PPL)</p><p>Argumento</p><p>Tá legal</p><p>Eu aceito o argumento</p><p>Mas não me altere o samba tanto assim</p><p>Olha que a rapaziada está sen�ndo a falta</p><p>30@professorferretto @prof_ferretto</p><p>De um cavaco, de um pandeiro e de um tamborim</p><p>Sem preconceito Ou mania de passado</p><p>Sem querer ficar do lado</p><p>De quem não quer navegar</p><p>Faça como o velho marinheiro</p><p>Que durante o nevoeiro</p><p>Leva o barco devagar.</p><p>PAULINHO DA</p><p>VIOLA.</p><p>Disponível</p><p>em:</p><p>www.paulinhodaviola.com.br.</p><p>Acesso em: 6</p><p>dez. 2012.</p><p>Na letra da canção, percebe-se uma interlocução. A posição</p><p>do emissor é conciliatória entre as tradições do samba e os</p><p>movimentos inovadores desse ritmo. A estratégia</p><p>argumenta�va de concessão, nesse cenário, é marcada no</p><p>trecho</p><p>a) “Mas não me altere o samba tanto assim”.</p><p>b) “Olha que a rapaziada está sen�ndo a falta”.</p><p>c) “Sem preconceito / Ou mania de passado”.</p><p>d) “Sem querer ficar do lado / De quem não quer navegar”.</p><p>e) “Leva o barco devagar”.</p><p>GR0596 - (Enem PPL)</p><p>Revolução digital cria a era do leitor-sujeito</p><p>Foi-se uma vez um leitor. Com a revolução digital, quem</p><p>lê passa a ter voz no processo de leitura. “Até outro dia, as</p><p>crí�cas literárias eram exclusividade de um grupo fechado,</p><p>assim como em tantas outras áreas. Agora, temos grupos</p><p>que conversam, trocam, se manifestam em tempo real,</p><p>recomendam ou desaprovam, trocam ideias com os autores,</p><p>par�cipam a�vamente da construção de obras literárias</p><p>cole�vas. Isso é um jeito novo de pensar a escrita, de</p><p>construir memória e o próprio conhecimento”, analisa uma</p><p>professora de comunicação da PUC-MG.</p><p>A secretária Fabiana Araújo, 32, é uma “leitora-sujeito”,</p><p>como Daniela chama esses novos atores do universo da</p><p>leitura. Leitora assídua desde o final da adolescência, quando</p><p>foi seduzida pela série Harry Po�er, só neste ano já leu mais</p><p>de 30 �tulos. Suas leituras não costumam terminar quando</p><p>fecha um livro. Fabiana escreve resenhas de �tulos como</p><p>Es�lhaça-me, romance fantás�co na linha de Crepúsculo,</p><p>publicadas em um blog com o qual foi convidada a colaborar.</p><p>“Escrever sobre um livro é uma forma de relê-lo. E conversar,</p><p>pessoal ou virtualmente, com outros leitores também”,</p><p>defende.</p><p>FANTINI, D. Jornal Pampulha, n. 1 138, maio 2012</p><p>(adaptado).</p><p>As sequências textuais “Até outro dia” e “agora” auxiliam a</p><p>progressão temá�ca do texto, pois delimitam</p><p>a) o perfil social dos envolvidos na revolução digital.</p><p>b) o limite etário dos promotores da revolução digital.</p><p>c) os períodos pré e pós revolução digital.</p><p>d) a urgência e a rapidez da revolução digital.</p><p>e) o alcance territorial da leitura digital.</p><p>GR0601 - (Enem PPL)</p><p>Reclame</p><p>se o mundo não vai bem</p><p>a seus olhos, use lentes</p><p>... ou transforme o mundo.</p><p>ó�ca olho vivo</p><p>agradece a preferência.</p><p>CHACAL.</p><p>Disponível</p><p>em:</p><p>www.escritas.org.</p><p>Acesso</p><p>em:</p><p>14</p><p>ago.</p><p>2014.</p><p>Os gêneros podem ser híbridos, mesclando caracterís�cas de</p><p>diferentes composições textuais que circulam socialmente.</p><p>Nesse poema, o autor preservou, do gênero publicitário, a</p><p>seguinte caracterís�ca:</p><p>a) Extensão do texto.</p><p>b) Emprego da injunção.</p><p>c) Apresentação do �tulo.</p><p>d) Disposição das palavras.</p><p>e) Pontuação dos períodos.</p><p>GR0607 - (Enem PPL)</p><p>Construindo uma irmandade da língua</p><p>A ideia de que a língua portuguesa é pertença de todos</p><p>os seus falantes é hoje quase pacífica. Só meia dúzia de</p><p>ultranacionalistas portugueses insiste ainda no disparate de</p><p>se julgar proprietário exclusivo do idioma. Aliás, ao contrário</p><p>da Commonwealth e da francofonia, a irmandade da língua</p><p>portuguesa não tem um único centro ou voz dominante, e</p><p>essa é precisamente uma das suas maiores virtudes.</p><p>AGUALUSA, J. E. O Globo, 8 maio 2021 (adaptado).</p><p>Nesse texto, o termo “Aliás” ar�cula dois enunciados</p><p>envolvidos numa mesma relação argumenta�va,</p><p>construindo, para o segundo, uma ideia de</p><p>31@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) ques�onamento da origem da língua portuguesa.</p><p>b) semelhança de condições sociais dos falantes do</p><p>português.</p><p>c) acréscimo de fato comprobatório sobre a língua</p><p>portuguesa.</p><p>d) comparação entre o português brasileiro e o europeu.</p><p>e) relevância do português sobre o inglês e o francês.</p><p>GR0618 - (Ufrgs)</p><p>Pede-se a quem souber</p><p>do paradeiro de Luísa Porto</p><p>avise sua residência à Rua Santos Óleos, 48.</p><p>Previna urgente</p><p>solitária mãe enferma</p><p>entrevada há longos anos</p><p>erma de seus cuidados.</p><p>Pede-se a quem avistar Luísa Porto, 37 anos,</p><p>que apareça, que escreva, que mande dizer</p><p>onde está.</p><p>Suplica-se ao repórter-amador,</p><p>ao caixeiro, ao mata-mosquitos,</p><p>ao transeunte,</p><p>a qualquer do povo e da classe média,</p><p>até mesmo aos senhores ricos,</p><p>que tenham pena de mãe aflita</p><p>e lhe res�tuam a filha vola�lizada</p><p>ou pelo menos dêem informações.</p><p>É alta, magra, morena;</p><p>rosto penugento, dentes alvos,</p><p>sinal de nascença junto ao olho esquerdo,</p><p>levemente estrábica.</p><p>Ves�dinho simples. Óculos.</p><p>Sumida há três meses.</p><p>Mãe entrevada chamando.</p><p>Foi fazer compras na feira da praça.</p><p>Não voltou.</p><p>Nada de insinuações quanto à moça casta</p><p>que não �nha, não �nha namorado.</p><p>Algo de extraordinário terá acontecido,</p><p>terremoto, chegada de rei.</p><p>As ruas mudaram de rumo,</p><p>para que demore tanto, é noite.</p><p>Mas há de voltar, espontânea</p><p>ou trazida por mão benigna,</p><p>o olhar desviado e terno,</p><p>canção.</p><p>Mas se acharem</p><p>que a sorte dos povos é mais importante</p><p>e que não devemos atentar</p><p>nas dores individuais,</p><p>se fecharem ouvidos</p><p>a este apelo de campainha,</p><p>não faz mal, insultem a mãe de Luísa,</p><p>virem a página:</p><p>Deus terá compaixão</p><p>da abandonada e da ausente,</p><p>erguerá a enferma, e os membros perclusos</p><p>já se desatam em forma de busca.</p><p>Deus lhe dirá: Vai,</p><p>procura tua filha, beija-a</p><p>e fecha-a para sempre em teu coração.</p><p>Ou talvez não seja preciso esse favor divino.</p><p>A mãe de Luísa (somos pecadores)</p><p>sabe-se indigna de tamanha graça.</p><p>E resta a espera, que sempre é um dom.</p><p>Sim, os extraviados um dia regressam,</p><p>ou nunca, ou pode ser, ou ontem.</p><p>E de pensar realizamos.</p><p>(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de.</p><p>Desaparecimento de Luísa Porto. In: Novos Poemas, v. 1, de</p><p>Carlos Drummond de Andrade: Nova Reunião - 19 Livros de</p><p>Poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1983. p. 230-234.)</p><p>Considere as seguintes afirmações sobre a equivalência entre</p><p>expressões pertencentes a classes grama�cais diferentes.</p><p>I. Embora tenha forma de adje�vo, urgente (l. 04) é usado</p><p>como advérbio e poderia ser subs�tuído por urgentemente,</p><p>sem mudança significa�va no sen�do da frase.</p><p>II. A subs�tuição do adje�vo espontânea (l. 34) pelo advérbio</p><p>espontaneamente mudaria o sen�do da frase.</p><p>III. Embora seja locução verbal, pode ser (l. 58) é usado em</p><p>paralelo aos advérbios nunca (l. 58) e ontem (l. 58) porque</p><p>expressa sen�do semelhante ao do advérbio talvez.</p><p>Quais estão corretas?</p><p>a) Apenas I.</p><p>b) Apenas II.</p><p>c) Apenas I e III.</p><p>d) Apenas II e III.</p><p>e) I, II e III.</p><p>GR0627 - (Ufscar)</p><p>Soneto de fidelidade</p><p>(Vinicius de Moraes)</p><p>De tudo, ao meu amor serei atento</p><p>Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto</p><p>Que mesmo em face do maior encanto</p><p>Dele se encante mais meu pensamento.</p><p>Quero vivê-lo em cada vão momento</p><p>E em seu louvor hei de espalhar meu canto</p><p>E rir meu riso e derramar meu pranto</p><p>Ao seu pesar ou seu contentamento.</p><p>E assim, quando mais tarde me procure</p><p>Quem sabe a morte, angús�a de quem vive</p><p>Quem sabe a solidão, fim de quem ama</p><p>Eu possa me dizer do amor (que �ve):</p><p>Que não seja imortal, posto que é chama</p><p>Mas que seja infinito enquanto dure.</p><p>32@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Disponível em: h�p://bdjur.stj.jus.br. Acesso em: 23 abr.</p><p>2010.</p><p>No segundo verso do poema, no qual o poeta mostra como</p><p>tratará o seu amor, as expressões “com tal zelo”, “sempre” e</p><p>“tanto” dão, respec�vamente, ideia de</p><p>a) Modo – intensidade – modo.</p><p>b) Modo – tempo – intensidade.</p><p>c) Tempo –- tempo – modo.</p><p>d) Finalidade – tempo – modo.</p><p>e) Finalidade – modo – intensidade.</p><p>GR0632 - (Uece)</p><p>Da solidão</p><p>Há muitas pessoas que sofrem do mal da solidão. Basta</p><p>que em redor delas se arme o silêncio, que não se manifeste</p><p>aos seus olhos nenhuma presença humana, para que delas</p><p>se apodere imensa angús�a: como se o peso do céu</p><p>desabasse sobre sua cabeça, como se dos horizontes se</p><p>levantasse o anúncio do fim do mundo.</p><p>No entanto, haverá na terra verdadeira solidão? Não</p><p>estamos todos cercados por inúmeros objetos, por infinitas</p><p>formas da Natureza e o nosso mundo par�cular não está</p><p>cheio de lembranças, de sonhos, de raciocínios, de ideias,</p><p>que impedem uma total solidão?</p><p>Tudo é vivo e tudo fala, em redor de nós, embora com</p><p>vida e voz que não são humanas, mas que podemos</p><p>aprender a escutar, porque muitas vezes essa linguagem</p><p>secreta ajuda a esclarecer o nosso próprio mistério. Como</p><p>aquele Sultão Mamude, que entendia a fala dos pássaros,</p><p>podemos aplicar toda a nossa sensibilidade a esse aparente</p><p>vazio de solidão: e pouco a pouco nos sen�remos</p><p>enriquecidos.</p><p>Pintores e fotógrafos andam em volta dos objetos à</p><p>procura de ângulos, jogos de</p><p>uma comparação que se dá entre dois</p><p>elementos do texto.</p><p>d) indica uma oposição que se verifica entre o trecho</p><p>anterior e o seguinte.</p><p>e) delimita o resultado de uma ação que foi apresentada no</p><p>trecho anterior.</p><p>GR0289 - (Unesp)</p><p>A crônica “Almas penadas”, de Olavo Bilac, publicada</p><p>originalmente em 1902.</p><p>Outro fantasma?... é verdade: outro fantasma. Já</p><p>tardava. O Rio de Janeiro não pode passar muito tempo sem</p><p>o seu lobisomem. Parece que tudo aqui concorre para nos</p><p>impelir ao amor do sobrenatural [...]. Agora, já se não</p><p>adormecem as crianças com histórias de fadas e de almas do</p><p>outro mundo. Mas, ainda há menos de cinquenta anos, este</p><p>era um povo de beatos [...]. [...] Os tempos melhoraram, mas</p><p>guardam ainda um pouco dessa primi�va credulidade.</p><p>Inventar um fantasma é ainda um magnífico recurso para</p><p>quem quer levar a bom termo qualquer grossa pa�faria. As</p><p>almas simples vão propagando o terror, e, sob a capa e a</p><p>salvaguarda desse temor, os pa�fes vão rejubilando.</p><p>O novo espectro que nos aparece é o de Catumbi.</p><p>Começou a surgir vagamente, sem espalhafato, pelo pacato</p><p>bairro — como um fantasma de grande e louvável modés�a.</p><p>E tão esba�do (^1) passava o seu vulto na treva, tão</p><p>su�lmente deslizava ao longo das casas adormecidas — que</p><p>as primeiras pessoas que o viram não puderam em</p><p>consciência dizer se era duende macho ou duende fêmea.</p><p>[...] O fantasma não falava — naturalmente por saber de</p><p>longa data que pela boca é que morrem os peixes e os</p><p>fantasmas... Também, ninguém lhe falava — não por</p><p>experiência, mas por medo. Porque, enfim, pode um homem</p><p>ter nascido num século de luzes e de descrenças, e ter</p><p>mamado o leite do liberalismo nos estafados seios da</p><p>Revolução Francesa, e não acreditar nem em Deus nem no</p><p>Diabo — e, apesar disso, sen�r a voz presa na garganta,</p><p>quando encontra na rua, a desoras (^2), uma avantesma</p><p>(^3)...</p><p>2@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Assim, um profundo mistério cercava a existência do</p><p>lobisomem de Catumbi — quando começaram de aparecer</p><p>ves�gios assinalados de sua passagem, não já pelas ruas,</p><p>mas pelo interior das casas. Não vades agora crer que se</p><p>tenham sumido, por exemplo, as hós�as consagradas da</p><p>igreja de Catumbi, ou que os empregados do cemitério de S.</p><p>Francisco de Paula tenham achado alguma sepultura vazia,</p><p>ou que algum circunspecto pai de família, certa manhã, ao</p><p>despertar, tenha dado pela falta... da própria alma. Nada</p><p>disso. Os fenômenos eram outros. Desta casa sumiram-se as</p><p>arandelas, daquela outra as galinhas, daquela outra as joias...</p><p>E a polícia, finalmente, adquiriu a convicção de que o</p><p>lobisomem, para perpétua e suprema vergonha de toda a</p><p>sua classe, andava acumulando novos pecados sobre os</p><p>pecados an�gos, e dando-se à prá�ca de excessos menos</p><p>merecedores de exorcismos que de cadeia.</p><p>Dizem as folhas (^4) que a polícia,</p><p>competentemente munida de ben�nhos (^5) e de</p><p>revólveres, de amuletos e de sabres, assaltou anteontem o</p><p>reduto do fantasma. Um jornal, dando conta da diligência,</p><p>disse que o delegado achou dentro da casa sinistra — um</p><p>velho pardieiro (^6) que fica no topo de uma ladeira íngreme</p><p>— alguns objetos singulares que pareciam instrumentos</p><p>“pertencentes a gatunos”. E acrescentou: “alguns morcegos</p><p>esvoaçavam espavoridos, tentando apagar as velas acesas</p><p>que os si�ante (^7) empunhavam”.</p><p>Esta nota de morcegos deve ser um chique</p><p>român�co do no�ciarista. No fundo da alma de todo o</p><p>repórter há sempre um poeta... Vamos lá! nestes tempos,</p><p>que correm, já nem há morcegos. Esses feios quirópteros,</p><p>esses medonhos ratos alados, companheiros clássicos do</p><p>terror noturno, já não aparecem pelo bairro civilizado de</p><p>Catumbi. Os animais, que esvoaçavam espavoridos, eram</p><p>sem dúvida os frangões roubados aos quintais das casas... Ai</p><p>dos fantasmas! e mal dos lobisomens! o seu tempo passou.</p><p>(Olavo Bilac. Melhores crônicas, 2005.)</p><p>(^1) esba�do: de tom pálido.</p><p>(^2) a desoras: muito tarde.</p><p>(^3) avantesma: alma do outro mundo, fantasma, espectro.</p><p>(^4) folha: periódico diário, jornal.</p><p>(^5) ben�nho: objeto de devoção contendo orações escritas.</p><p>(^6) pardieiro: prédio velho ou arruinado.</p><p>(^7) si�ante: policial.</p><p>Cons�tui exemplo de interação do cronista com o leitor o</p><p>trecho</p><p>a) “o lobisomem, para perpétua e suprema vergonha de</p><p>toda a sua classe, andava acumulando novos pecados</p><p>sobre os pecados an�gos” (3º parágrafo).</p><p>b) “As almas simples vão propagando o terror, e, sob a capa</p><p>e a salvaguarda desse temor, os pa�fes vão rejubilando”</p><p>(1º parágrafo).</p><p>c) “Não vades agora crer que se tenham sumido, por</p><p>exemplo, as hós�as consagradas da igreja de Catumbi” (3º</p><p>parágrafo).</p><p>d) “as primeiras pessoas que o viram não puderam em</p><p>consciência dizer se era duende macho ou duende fêmea”</p><p>(2º parágrafo).</p><p>e) “O fantasma não falava — naturalmente por saber de</p><p>longa data que pela boca é que morrem os peixes e os</p><p>fantasmas” (2º parágrafo).</p><p>GR0089 - (Enem)</p><p>E se a água potável acabar? O que aconteceria se a água</p><p>potável do mundo acabasse? As teorias mais pessimistas</p><p>dizem que a água potável deve acabar logo, em 2050. Nesse</p><p>ano, ninguém mais tomará banho todo dia. Chuveiro com</p><p>água só duas vezes por semana. Se alguém exceder 55 litros</p><p>de consumo (metade do que a ONU recomenda), seu</p><p>abastecimento será interrompido. Nos mercados, não</p><p>haveria carne, pois, se não há água para você, imagine para o</p><p>gado. Gastam-se 43 mil litros de água para produzir 1 kg de</p><p>carne. Mas, não é só ela que faltará. A Região Centro-Oeste</p><p>do Brasil, maior produtor de grãos da América La�na em</p><p>2012, não conseguiria manter a produção. Afinal, no país, a</p><p>agricultura e a agropecuária são, hoje, as maiores</p><p>consumidoras de água, com mais de 70% do uso. Faltariam</p><p>arroz, feijão, soja, milho e outros grãos.</p><p>Disponível em: h�p://super.abril.com.br. Acesso em: 30 jul.</p><p>2012</p><p>A língua portuguesa dispõe de vários recursos para indicar a</p><p>a�tude do falante em relação ao conteúdo de seu</p><p>enunciado. No início do texto, o verbo “dever”</p><p>a) contribui para expressar uma constatação sobre como as</p><p>pessoas administram os recursos hídricos.</p><p>b) a habilidade das comunidades em lidar com problemas</p><p>ambientais contemporâneos.</p><p>c) a capacidade humana de subs�tuir recursos naturais</p><p>renováveis.</p><p>d) uma previsão trágica a respeito das fontes de água</p><p>potável.</p><p>e) uma situação ficcional com base na realidade ambiental</p><p>brasileira.</p><p>GR0093 - (Enem)</p><p>E-mail no ambiente de trabalho</p><p>T C., consultor e palestrante de assuntos ligados ao</p><p>mercado de trabalho, alerta que a obje�vidade, a</p><p>organização da mensagem, sua coerência e ortografia são</p><p>3@professorferretto @prof_ferretto</p><p>pontos de atenção fundamentais para uma comunicação</p><p>virtual eficaz.</p><p>E, para evitar que erros e falta de atenção resultem</p><p>em saias justas e situações constrangedoras, confira cinco</p><p>dicas para usar o e-mail com bom senso e organização:</p><p>1. Responda às mensagens imediatamente após recebê-las.</p><p>2. Programe sua assinatura automá�ca em todas as</p><p>respostas e encaminhamentos.</p><p>3. Ao final do dia, exclua as mensagens sem importância e</p><p>arquive as demais em pastas previamente definidas.</p><p>4. U�lize o recurso de “confirmação de leitura” somente</p><p>quando necessário.</p><p>5. Evite mensagens do �po “corrente”.</p><p>Disponível em: h�p://no�cias.uol.com.br. Acesso em: 30 jul.</p><p>2012 (fragmento)</p><p>O texto apresenta algumas sugestões para o leitor. Esse</p><p>caráter instrucional é atribuído, principalmente, pelo</p><p>emprego</p><p>a) do modo verbal impera�vo, como em “responda” e</p><p>“programe”.</p><p>b) das marcas de qualificação do especialista, como</p><p>“consultor” e “palestrante”.</p><p>c) de termos específicos do discurso no mundo virtual.</p><p>d) de argumentos favoráveis à comunicação eficaz.</p><p>e) da palavra “dica” no desenvolvimento do texto.</p><p>GR0094 - (Enem)</p><p>Descubra e aproveite um momento todo seu. Quando você</p><p>quebra o delicado chocolate, o irresis�vel recheio cremoso</p><p>começa a derreter na sua boca, acariciando todos os seus</p><p>sen�dos. Criado por nossa empresa. Paixão e amor por</p><p>chocolate desde 1845.</p><p>Veja, n. 2 320, 8 maio 2013 (adaptado).</p><p>O texto publicitário tem a intenção de persuadir o público-</p><p>alvo a consumir determinado produto ou</p><p>luz, eloquência de formas, para</p><p>revelarem aquilo que lhes parece não só o mais está�co dos</p><p>seus aspectos, mas também o mais comunicável, o mais rico</p><p>de sugestões, o mais capaz de transmi�r aquilo que excede</p><p>os limites �sicos desses objetos, cons�tuindo, de certo</p><p>modo, seu espírito e sua alma.</p><p>Façamo-nos também¹ desse modo videntes: olhemos</p><p>devagar para a cor das paredes, o desenho das cadeiras, a</p><p>transparência das vidraças, os dóceis panos tecidos sem</p><p>maiores pretensões. Não procuremos neles a beleza que</p><p>arrebata logo o olhar, o equilíbrio de linhas, a graça das</p><p>proporções: muitas vezes seu aspecto — como o das</p><p>criaturas humanas — é inábil e desajeitado. Mas não é isso</p><p>que procuramos, apenas: é o seu sen�do ín�mo que</p><p>tentamos discernir. Amemos nessas humildes coisas a carga</p><p>de experiências que representam, e a repercussão, nelas</p><p>sensível, de tanto trabalho humano, por infindáveis séculos.</p><p>Amemos o que sen�mos de nós mesmos, nessas variadas</p><p>coisas, já que, por egoístas que somos, não sabemos amar</p><p>senão aquilo em que nos encontramos. Amemos o an�go</p><p>encantamento dos nossos olhos infan�s, quando começavam</p><p>a descobrir o mundo: as nervuras das madeiras, com seus</p><p>caminhos de bosques e ondas e horizontes; o desenho dos</p><p>azulejos; o esmalte das louças; os tranquilos, metódicos</p><p>telhados... Amemos o rumor da água que corre, os sons das</p><p>máquinas, a inquieta voz dos animais, que desejaríamos</p><p>traduzir.</p><p>Tudo palpita em redor de nós, e é como um dever de</p><p>amor aplicarmos o ouvido, a vista, o coração a essa</p><p>infinidade de formas naturais ou ar�ficiais que encerram seu</p><p>segredo, suas memórias, suas silenciosas experiências. A</p><p>rosa que se despede de si mesma, o espelho onde pousa o</p><p>nosso rosto, a fronha por onde se desenham os sonhos de</p><p>quem dorme, tudo, tudo é um mundo com passado,</p><p>presente, futuro, pelo qual transitamos atentos ou distraídos.</p><p>Mundo delicado, que não se impõe com violência: que aceita</p><p>a nossa frivolidade ou o nosso respeito; que espera que o</p><p>descubramos, sem anunciar nem pretender prevalecer; que</p><p>pode ficar para sempre ignorado, sem que por isso deixe de</p><p>exis�r; que não faz da sua presença um anúncio exigente</p><p>“Estou aqui! estou aqui!”. Mas, concentrado em sua</p><p>essência, só se revela quando os nossos sen�dos estão aptos</p><p>para descobrirem. E que em silêncio nos oferece sua múl�pla</p><p>companhia, generosa e invisível.</p><p>Oh! se vos queixais de solidão humana, prestai atenção,</p><p>em redor de vós, a essa pres�giosa presença, a essa copiosa</p><p>linguagem que de tudo transborda, e que conversará</p><p>convosco interminavelmente.</p><p>MEIRELES, Cecília. Da solidão. In: MEIRELES, Cecília. Janela</p><p>Mágica. São Paulo: Global, 2016, p. 71-74.</p><p>A expressão destacada no trecho “Façamo-nos também</p><p>desse modo videntes: olhemos devagar para a cor das</p><p>paredes, o desenho das cadeiras, a transparência das</p><p>vidraças, os dóceis panos tecidos sem maiores pretensões.”</p><p>(ref. 1) pode ser subs�tuída sem mudança de sen�do por</p><p>a) entretanto.</p><p>b) mas.</p><p>c) porque.</p><p>d) ainda.</p><p>GR0655 - (Uece)</p><p>Transferência de Neymar ao PSG é golpe de ‘so� power’ do</p><p>Catar a países do Golfo, dizem especialistas</p><p>A transferência do fenômeno(01) brasileiro Neymar ao</p><p>Paris Saint-Germain (PSG) representa uma estratégia de</p><p>marke�ng e um golpe de ‘so� power’ do Catar contra os</p><p>países do Golfo que cortaram relações diplomá�cas com o</p><p>emirado. Esta é a análise de especialistas ouvidos pela</p><p>agência de no�cias France Presse e do comentarista da</p><p>GloboNews (07), Marcelo Lins.</p><p>Neymar se tornou o jogador mais caro da história do</p><p>futebol, com o pagamento da cláusula de rescisão no valor</p><p>de € 222 milhões (R$ 812 milhões).</p><p>Segundo Mathieu Guidere, especialista em geopolí�ca do</p><p>mundo árabe consultado pela AFP(04)(08), o anúncio da</p><p>transferência do jogador ao PSG, que é de um fundo de</p><p>inves�mentos do Catar(06), “foi testado entre catarianos</p><p>33@professorferretto @prof_ferretto</p><p>como uma espécie de estratégia de comunicação que</p><p>ofuscaria o debate em torno de outras considerações, como</p><p>o terrorismo”.</p><p>Marcelo Lins, comentarista da GloboNews, afirmou(02)</p><p>que a transferência beneficia a imagem do Catar. “Um</p><p>pequeno país riquíssimo em petróleo, do Golfo, que bota</p><p>tanto dinheiro para dar alegria a uma torcida, ou a milhões</p><p>de torcedores espalhados pelo mundo... você tem uma volta</p><p>disso na imagem do Catar, que é muito grande”, disse(03) à</p><p>GloboNews. “É uma grande jogada de marke�ng do Catar</p><p>como um todo”, acrescentou.</p><p>O Catar enfrenta a sua pior crise polí�ca em décadas, com</p><p>a Arábia Saudita e outros países do Golfo tendo cortado</p><p>relações diplomá�cas com o emirado por acusações de apoio</p><p>a grupos terroristas. O Catar nega as acusações e diz que o</p><p>obje�vo é prejudicar o emirado rico em gás.</p><p>Com a transferência de Neymar, Doha pode estar de olho</p><p>em inves�r em ‘so� power’(11).O conceito de ‘so� power’</p><p>(‘poder suave’(10),em tradução livre) foi elaborado para</p><p>definir a influência de países nas relações internacionais por</p><p>meio de inves�mentos em ações posi�vas.</p><p>“Esse é um golpe de ‘so� power’. O Catar precisa</p><p>demonstrar ao mundo que, apesar de todas as acusações, é</p><p>o país mais resiliente no Oriente Médio”(12), disse(03) à AFP</p><p>Andreas Krieg, analista de risco polí�co no King’s College de</p><p>Londres(05)(09).“Ter o melhor jogador do mundo mostra ao</p><p>resto do mundo que se o Catar é determinado, eles ainda</p><p>têm os maiores recursos para �rar e, se necessário, usar o</p><p>dinheiro que têm para promover a sua agenda”, acrescentou.</p><p>O custo da transferência de Neymar “envia um sinal</p><p>muito forte para o mundo espor�vo e um sinal muito forte</p><p>de desafio contra os Emirados Árabes Unidos e a Arábia</p><p>Saudita”, disse Krieg. “Eles queriam esse jogador e usaram o</p><p>dinheiro para comprá-lo a qualquer preço”. [...]</p><p>Disponível em:</p><p>.</p><p>No enunciado “O Catar precisa demonstrar ao mundo que,</p><p>apesar de todas as acusações, é o país mais resiliente no</p><p>Oriente Médio” (12), a expressão parenté�ca “apesar de</p><p>todas as acusações” estabelece com a oração com a qual</p><p>está ligada uma relação de:</p><p>a) condição, pois, se o Catar não demonstrar ao mundo que</p><p>é o país mais resiliente do Oriente Médio, ele con�nuará</p><p>ainda sofrendo muitas acusações.</p><p>b) finalidade, porque o propósito do Catar, diante de todas</p><p>as acusações, é o de precisar demonstrar ao mundo que é</p><p>o país mais resiliente do Oriente Médio.</p><p>c) consequência, visto que o mo�vo de o Catar precisar</p><p>demonstrar ao mundo que é o país mais resiliente do</p><p>Oriente Médio deve-se às acusações sofridas.</p><p>d) concessão, já que, independentemente das acusações, o</p><p>Catar precisa demonstrar ao mundo que é o país mais</p><p>resiliente do mundo.</p><p>GR0660 - (Epcar)</p><p>Observe as formas verbais empregadas nos enunciados</p><p>abaixo e assinale V para as proposições verdadeiras e F para</p><p>as falsas. A seguir, marque a sequência correta.</p><p>I) “Se não quiser adoecer, fale de seus sen�mentos.”</p><p>II) “Pessoas nega�vas não enxergam soluções e aumentam</p><p>os problemas.”</p><p>III) “A rejeição de si próprio, a ausência de autoes�ma, faz</p><p>com que sejamos algozes de nós mesmos.”</p><p>IV) “Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as crí�cas, é</p><p>sabedoria, bom senso e terapia.”</p><p>V) “Não viva sempre triste!”</p><p>(__) O presente do indica�vo aparece nos enunciados II, III e</p><p>IV com o obje�vo de exprimir um fato verdadeiro e que não</p><p>pertence a uma época determinada.</p><p>(__) No enunciado I, o verbo “falar” encontra-se no presente</p><p>do subjun�vo e expressa um fato incerto, mas que apresenta</p><p>a expecta�va do locutor de que venha a se realizar.</p><p>(__) Com o obje�vo de manter o paralelismo verbal, se</p><p>colocássemos a primeira forma verbal do período III no</p><p>pretérito perfeito do indica�vo, teríamos que usar a forma</p><p>verbal “fôssemos” na segunda oração.</p><p>(__) O par�cípio do verbo “aceitar”, no enunciado IV, foi</p><p>u�lizado na formação da voz passiva.</p><p>(__) O verbo “viver”, na frase V, encontra-se flexionada na 2ª</p><p>pessoa do singular do impera�vo nega�vo.</p><p>a) F, V, F, F, V.</p><p>b) V, F, V, V, F.</p><p>c) V, F, V, F, F.</p><p>d) F, F, F, V, V.</p><p>GR0690 - (Unifenas)</p><p>CIDADANIA</p><p>E DEMOCRACIA NA ANTIGUIDADE</p><p>Por Leandro Augusto Mar�ns Junior</p><p>Mestre em História Polí�ca pela UERJ</p><p>POLÍTICA NA ANTIGUIDADE</p><p>A An�guidade surge como um período histórico de</p><p>fundamental importância, destacadamente por suas criações</p><p>e legados, muitos dos quais essenciais ao conhecimento</p><p>produzido pelas sociedades humanas.</p><p>Espaço de elaboração dos primeiros sistemas de escrita,</p><p>do teatro, dos jogos olímpicos e de boa parte das áreas do</p><p>conhecimento, a An�guidade assis�u igualmente ao</p><p>surgimento das primeiras cidades e, com elas, do</p><p>aparecimento do Estado enquanto ins�tuição capaz de</p><p>regulamentar o convívio entre os homens. A par�r de então,</p><p>o crescente nível de complexidade das civilizações</p><p>comportou também o fortalecimento das relações polí�cas.</p><p>(...)</p><p>Neste mundo grego, as duas cidades-Estados de maior</p><p>destaque, Atenas e Esparta, possuíam sistemas de governo</p><p>frontalmente diferentes. Enquanto esta úl�ma era</p><p>administrada por uma oligarquia militarizada, a cidade de</p><p>34@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Atenas esteve alicerçada em bases mais democrá�cas,</p><p>cabendo a todos os seus cidadãos o direito de debater os</p><p>des�nos da cole�vidade. O próprio sistema educacional</p><p>ateniense, compromissado com uma formação baseada na</p><p>reflexão e debate acerca da realidade, salienta este traço da</p><p>polí�ca de Atenas.</p><p>CONSOLIDAÇÃO DEMOCRÁTICA</p><p>Na verdade, debates acerca do desenvolvimento de</p><p>organizações polí�cas solidamente democrá�cas, onde</p><p>governantes e governados �vessem uma relação baseada em</p><p>pactos mais igualitários, só puderam ser assis�dos mais</p><p>vastamente com o advento da modernidade. Notadamente a</p><p>par�r do século XVIII – o Século do Iluminismo – boa parte</p><p>do mundo ocidental passa a refle�r sobre a necessidade de</p><p>se estabelecer critérios de cidadania mais amplos,</p><p>fundamentados na igualdade jurídica entre os indivíduos.</p><p>Além disso, baseados nas ideias de pensadores como</p><p>Voltaire e Rousseau, diversos grupos sociais salientam a</p><p>necessidade de separação entre assuntos polí�cos e</p><p>religiosos, advogando a cons�tuição de governos laicos.</p><p>Ao longo dos séculos seguintes diversos povos passaram</p><p>a adotar, com maior ou menor impacto, noções mais amplas</p><p>de cidadania, muito embora ainda hoje possamos notar a</p><p>existência de ditaduras teocrá�cas, caudilhismos e �ranias de</p><p>outras naturezas. A própria cons�tuição da cidadania</p><p>brasileira, por exemplo, tem sido elaborada através de um</p><p>processo de avanços e recuos: se por um lado o século XX</p><p>nos ofertou o direito de voto às mulheres e analfabetos, por</p><p>outro a existência de prá�cas coronelistas como a “compra</p><p>de votos” emperra o desenvolvimento de nossa cidadania</p><p>em sua plenitude.</p><p>Disponível em:</p><p>Acesso em: 22/08/22.</p><p>O trecho “Enquanto esta úl�ma era administrada por uma</p><p>oligarquia militarizada (...)” está na voz passiva analí�ca.</p><p>Respeitando as regras da norma-padrão, se ela fosse</p><p>passada, respec�vamente, para a voz passiva sinté�ca e para</p><p>a voz a�va teríamos:</p><p>a) Enquanto se administrava esta úl�ma e Enquanto uma</p><p>oligarquia militarizada administrava esta úl�ma.</p><p>b) Enquanto se administrou esta úl�ma e Enquanto uma</p><p>oligarquia militarizada administrou esta úl�ma.</p><p>c) Enquanto se administrava esta úl�ma e Enquanto esta</p><p>úl�ma administrava uma oligarquia militarizada.</p><p>d) Enquanto se administra esta úl�ma e Enquanto uma</p><p>oligarquia militarizada administra esta úl�ma.</p><p>e) Enquanto uma oligarquia militarizada administrava esta</p><p>úl�ma e Enquanto se administrava esta úl�ma.</p><p>GR0696 - (Eam)</p><p>Um caminho tortuoso</p><p>1 Do jeito que a ciência é ensinada nas escolas, não é à</p><p>toa que a maioria das pessoas acha que o conhecimento</p><p>cien�fico cresce linearmente, sempre se acumulando. No</p><p>entanto, uma rápida olhada na história da ciência permite</p><p>ver que não é bem assim: o caminho que leva ao</p><p>conhecimento é tortuoso e, às vezes, vai até para trás,</p><p>quando uma ideia errada persiste por mais tempo do que</p><p>deveria.</p><p>2 Isso pode ocorrer por razões como censura polí�ca [...]</p><p>ou por ideologias na classe cien�fica, promulgadas por</p><p>membros influentes.</p><p>3 Apresentar a ciência nas escolas e universidades ou nos</p><p>meios informais de comunicação como um triunfalismo</p><p>infalível da civilização esconde um de seus lados mais</p><p>interessantes: o drama da descoberta, as incertezas da</p><p>cria�vidade.</p><p>4 Cien�stas tendem a reagir nega�vamente às ideias que</p><p>ameaçam o que eles pensam ser a verdade. Por um lado,</p><p>esse ce�cismo é essencial, dado que a maioria das ideias</p><p>novas está errada. Por outro, ele pode revelar um</p><p>conservadorismo que atravanca o avanço do conhecimento.</p><p>Um bom exemplo disso é o experimento de Albert Michelson</p><p>e Edward Morley, realizado em 1887 para detectar o</p><p>movimento da Terra através do éter, o meio material cuja</p><p>função era servir de suporte para a propagação das ondas de</p><p>luz.</p><p>5 Tal qual as ondas de som se propagam no ar, supunha-</p><p>se que as ondas luminosas também necessitassem de um</p><p>meio para se propagar, o éter. O experimento mediria as</p><p>diferenças na velocidade da luz quando um raio luminoso ia</p><p>contra o éter ou a favor, como quando andamos de bicicleta</p><p>e sen�mos um "vento" contra nosso corpo. (Uma bola</p><p>jogada contra ou a favor do "vento" terá velocidades</p><p>diferentes.)</p><p>6 Para total e completa surpresa da comunidade</p><p>cien�fica, o experimento não detectou diferenças na</p><p>velocidade da luz em qualquer direção.</p><p>7 Em meio à perplexidade generalizada, várias tenta�vas</p><p>de explicar o achado foram propostas, inclusive uma por</p><p>George Fitzgerald e Hendrik Lorentz que sugeria que as</p><p>hastes do aparato podiam encolher na direção do</p><p>movimento. Esse encolhimento de fato existe, mas não como</p><p>proposto pelos dois.</p><p>8 Apenas em 1905 Einstein explicou o que estava</p><p>acontecendo, com sua teoria da rela�vidade especial: o éter</p><p>não existe – a velocidade da luz é sempre a mesma, uma</p><p>constante da natureza.</p><p>9 Observações recentes andam ques�onando a existência</p><p>de um outro meio material ainda não detectado, a matéria</p><p>escura. Essa matéria, supostamente feita de par�culas</p><p>diferentes das que compõem o que conhecemos no Universo</p><p>(ou seja, coisas feitas de elétrons, prótons e nêutrons), deve</p><p>ser seis vezes mais abundante que a matéria comum e se</p><p>aglomerar em torno de galáxias, inclusive a nossa.</p><p>10 As observações não detectaram a quan�dade</p><p>esperada de matéria escura. E agora? A coisa é complicada</p><p>porque existem outros métodos de detecção da matéria</p><p>escura que parecem bastante claros. Qualquer que seja a</p><p>resolução do impasse atual, estou certo de que algo de novo</p><p>e surpreendente está para acontecer. Será interessante ver a</p><p>reação da comunidade ao se deparar com o inesperado.</p><p>35@professorferretto @prof_ferretto</p><p>GLEISER, Marcelo. Um caminho tortuoso. Folha de São Paulo,</p><p>29 de abril de 2012. Com adaptações.</p><p>Assinale a opção correta em que o trecho em destaque</p><p>corresponde à voz do verbo:</p><p>a) “Observações recentes andam ques�onando a existência</p><p>[...]" (9º parágrafo) – voz reflexiva.</p><p>b) “Cien�stas tendem a reagir nega�vamente às ideias [...]”</p><p>(4º parágrafo) – voz passiva sinté�ca.</p><p>c) “Do jeito que a ciência é ensinada nas escolas [...]” (1º</p><p>parágrafo) – voz passiva analí�ca.</p><p>d) “[...] várias tenta�vas de explicar o achado foram</p><p>propostas [...]” (7º parágrafo) – voz passiva sinté�ca.</p><p>e) “Tal qual as ondas de som se propagam no ar [...]” (5º</p><p>parágrafo) – voz a�va analí�ca.</p><p>GR0698 - (Famerp)</p><p>Considere os textos dos quatro jornais. Ocorre voz passiva</p><p>a) nos três primeiros, apenas.</p><p>b) em todos eles.</p><p>c) no segundo e no quarto, apenas.</p><p>d) apenas no quarto.</p><p>e) apenas no segundo.</p><p>GR0720 - (Famema)</p><p>“O criminoso pode alegar que foi o segundo eu o autor</p><p>do crime.”</p><p>(Carlos Drummond de Andrade. O avesso das coisas, 1990.)</p><p>Transpondo-se para a voz passiva a oração centrada na</p><p>locução verbal sublinhada, surge a forma verbal:</p><p>a) pôde ser alegado.</p><p>b) pode alegar.</p><p>c) é alegado.</p><p>d) pode ser alegado.</p><p>e) foi alegado.</p><p>GR0721 - (Famema)</p><p>Homo insapiens1</p><p>Vocês se lembram de quando a gente se perdia no campo</p><p>e soltava a rédea ao cavalo e ele voltava</p><p>direi�nho para casa?</p><p>Pois até hoje, quando não me lembro de onde guardei uma</p><p>coisa, desisto de quebrar a cabeça, afrouxo o espírito e eis</p><p>que ele conduz meu passo e minha mão sonâmbula ao lugar</p><p>exato. Quanto a saber qual dos dois, espírito e corpo, é o</p><p>cavaleiro e o cavalo, é questão acadêmica. Só sei que isso</p><p>não me acontece agora na vas�dão do campo, mas dentro</p><p>de uma casa, de uma sala, de um móvel...</p><p>(A vaca e o hipogrifo, 2012.)</p><p>1Homo sapiens: na classificação biológica dos seres, é o</p><p>nome cien�fico do ser humano. Do la�m, significa “homem</p><p>sábio”, racional. “Homo insapiens”, �tulo do texto, é uma</p><p>variação do termo.</p><p>“soltava a rédea ao cavalo e ele voltava direi�nho para casa”</p><p>O termo sublinhado tem sen�do e função sintá�ca</p><p>semelhantes ao termo sublinhado em:</p><p>a) Bianca sempre faz direito sua lição de casa.</p><p>b) André acordou hoje com o pé direito.</p><p>c) Carlos nunca foi um homem direito.</p><p>d) Denise considera que é seu direito rebelar-se contra um</p><p>opressor.</p><p>e) Ernesto ves�u a camisa pelo avesso porque o direito</p><p>estava sujo.</p><p>GR0595 - (Enem PPL)</p><p>A palavra e a imagem têm o poder de criar e destruir, de</p><p>prometer e negar. A publicidade se vale deste recurso</p><p>linguís�co-imagé�co como seu principal instrumento. Vende</p><p>a ficção como o real, o normal como algo fantás�co;</p><p>transforma um carro em um símbolo de pres�gio social, uma</p><p>cerveja em uma loira bonita, e um cidadão comum num</p><p>astro ou estrela, bastando tão somente u�lizar o produto ou</p><p>serviço divulgado. Assim1, fazer o banal tornar-se o ideal é</p><p>tarefa ordinária da linguagem publicitária.</p><p>ALMEIDA, W. M. A linguagem publicitária e o estrangeirismo.</p><p>Língua Portuguesa, n. 35, jan. 2012.</p><p>Alguns elementos linguís�cos estabelecem relações entre as</p><p>diferentes partes do texto. Nesse texto, o vocábulo “Assim”</p><p>(ref. 1) tem a função de</p><p>a) contrariar os argumentos anteriores.</p><p>b) sinte�zar as informações anteriores.</p><p>c) acrescentar um novo argumento.</p><p>d) introduzir uma explicação.</p><p>e) apresentar uma analogia.</p><p>36@professorferretto @prof_ferretto</p><p>GR0726 - (Espcex)</p><p>Assiste à demolição</p><p>— Morou mais de vinte anos nesta casa? Então vai sen�r</p><p>“uma coisa” quando ela for demolida.</p><p>Começou a demolição. Passando pela rua, ele viu a casa</p><p>já sem telhado, e operários, na poeira, removendo caibros.</p><p>Aquele telhado que lhe dera tanto trabalho por causa das</p><p>goteiras, tapadas aqui, reaparecendo ali. Seu quarto de</p><p>dormir estava exposto ao céu, no calor da manhã. Ao fundo,</p><p>no terraço, �nham desaparecido as colunas da pérgula, e a</p><p>cobertura de ramos de buganvília – dois troncos subindo do</p><p>pá�o lá embaixo e enchendo de florinhas vermelhas o chão</p><p>de ladrilho, onde gatos da vizinhança amavam fazer sesta e</p><p>surpreender �co-�cos.</p><p>Passou nos dias seguintes e viu o progressivo desfazer-se</p><p>das paredes, que escancarava a casa de frente e de flancos</p><p>jogando-a por assim dizer na rua. Os marcos das portas</p><p>apareciam emoldurando o vazio. O azul e as nuvens</p><p>circulavam pelos cômodos, em composição surrealista. E o</p><p>pequeno balcão da fachada, cercado de ar, parecia um</p><p>mirante espacial, baixado ao nível dos míopes.</p><p>A demolição prosseguiu à noite, espontaneamente. Um</p><p>lanço de parede desabou sozinho, para fora do tapume,</p><p>quando já cessara na rua o movimento dos lotações. Caiu</p><p>discreto, sem ferir ninguém, apenas avariando – desculpem –</p><p>a rede telefônica.</p><p>A casa encolhera-se, em processo involu�vo. Já agora de</p><p>um só pavimento, sem teto, aspirava mesmo à</p><p>desintegração. Chegou a vez da pequena sala de estar, da</p><p>sala de jantar com seu lambri envernizado a preto, que ele</p><p>passara meses raspando a poder de gilete, para recuperar a</p><p>cor da madeira. E a vez do escritório, parte pensante e</p><p>sen�nte de seu mecanismo individual, do eu mais ín�mo e</p><p>simultaneamente mais público, eu de gavetas sigilosas,</p><p>manuseadas por um profissional da escrita. De todo o tempo</p><p>que vivera na casa, fora ali que passara o maior número de</p><p>horas, sentado, meio corcunda, desligado de</p><p>acontecimentos, ouvindo, sem escutar, rumores que</p><p>chegavam de outro mundo – cantoria de bêbados, motor de</p><p>avião, chorinho de bebê, galo na madrugada.</p><p>E não sen�u dor vendo esfarinharem-se esses</p><p>compar�mentos de sua história pessoal. Nem sequer a</p><p>melancolia do desvanecimento das coisas �sicas. Elas �nham</p><p>durado, cumprido a tarefa. Chega o instante em que</p><p>compreendemos a demolição como um resgate de formas</p><p>cansadas, sentença de liberdade. Talvez sejamos levados a</p><p>essa compreensão pelo trabalho similar, mais surdo, que se</p><p>vai desenvolvendo em nós. E não é preciso imaginar a alegria</p><p>de formas novas, mais claras, a surgirem constantemente de</p><p>formas caducas, para aceitar de coração sereno o fim das</p><p>coisas que se ligaram à nossa vida.</p><p>Fitou tranquilo o que �nha sido sua casa e era um</p><p>amontoado de caliça e �jolo, a ser removido. Em breve</p><p>restaria o lote, à espera de outra casa maior, sem sinal dele e</p><p>dos seus, mas des�nada a concentrar outras vivências. Uma</p><p>ordem, um estatuto pairava sobre os destroços, e tudo era</p><p>como devia ser, sem ilusão de permanência.</p><p>Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Cadeira de balanço.</p><p>12. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1979.</p><p>Vocabulário</p><p>caibro s.m. elemento estrutural de um telhado, geralmente</p><p>peças de madeira que se dispõem da cumeeira ao frechal, a</p><p>intervalos regulares e paralelas umas às outras, em que se</p><p>cruzam e assentam as ripas, frequentemente mais finas e</p><p>compridas, e sobre as quais se apoiam e se encaixam as</p><p>telhas</p><p>pérgula s. f. espécie de galeria coberta de barrotes</p><p>espacejados assentados em pilares, geralmente guarnecida</p><p>de trepadeiras</p><p>buganvília s.f. designação comum às plantas do gênero</p><p>bougainvillea, trepadeira, muito cul�vadas como</p><p>ornamentais</p><p>de flanco s. m. pela lateral</p><p>marco s. m. parte fixa que guarnece o vão de portas e</p><p>janelas, e onde as folhas destas se encaixam, prendendo-se</p><p>por meio de dobradiças</p><p>tapume s. m. cerca ou vala guarnecida de sebe que defende</p><p>uma área; anteparo, geralmente de madeira, com que se</p><p>veda a entrada numa área, numa construção</p><p>lambri s. m. reves�mento interno de parede, usado com fim</p><p>decora�vo ou para proteger contra frio, umidade ou barulho;</p><p>feito de madeira, mármore, estuque, numa só peça ou</p><p>composto por painéis, que vão até certa altura ou do chão ao</p><p>teto (mais usado no plural)</p><p>caliça s.f. conjunto de resíduos de uma obra de alvenaria</p><p>demolida ou em desmoronamento, formado por pó ou</p><p>fragmentos dos materiais diversos do reboco (cal, argamassa</p><p>ressequida) e de pedras, �jolos desfeitos</p><p>lote s. m. porção de terra autônoma que resulta de</p><p>loteamento ou desmembramento; terreno de pequenas</p><p>dimensões, urbano ou rural, que se des�na a construções ou</p><p>à pequena agricultura</p><p>Fonte: HOUAISS, A. e Villar, M. de S. Dicionário Houaiss da</p><p>Língua Portuguesa. Elaborado no Ins�tuto Antônio Houaiss</p><p>de Lexicografia e Banco de Dados da Língua Portuguesa. Rio</p><p>de Janeiro. Obje�va, 2009.</p><p>Marque a alterna�va em que a forma verbal subs�tui</p><p>corretamente a locução verbal sublinhada na seguinte</p><p>oração: “Ao fundo, no terreno, �nham desaparecido as</p><p>colunas da pérgula...”.</p><p>a) havia desaparecido.</p><p>b) havia desaparecidas.</p><p>c) haviam desaparecidas.</p><p>d) haviam desaparecido.</p><p>e) haviam desaparecidos.</p><p>GR0729 - (Pmesp)</p><p>Leia a crônica “Bandidos”, de Luis Fernando Verissimo.</p><p>37@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Nos filmes e histórias em quadrinhos da nossa infância</p><p>recebíamos uma lição da qual só agora me dou conta. Não</p><p>era a que o Bem sempre vence o Mal, embora o herói</p><p>sempre vencesse o bandido. Quem dava a lição era o</p><p>bandido, e era esta: a morte precisa de uma certa</p><p>solenidade.</p><p>A vitória do herói sobre o bandido era banalizada pela</p><p>repe�ção. Para o mocinho, matar era uma coisa corriqueira,</p><p>uma decorrência da sua virtude. Já o bandido era torturado</p><p>pela ideia da morte, pela sua própria vilania, pelo terrível</p><p>poder que cada um tem de acabar com a vida de outro. O</p><p>bandido era incapaz de simplesmente matar alguém, ou</p><p>matar alguém simplesmente. Para ele o ato de matar</p><p>precisava ser lento, trabalhado, ornamentado, erguido acima</p><p>da sua inaceitável vulgaridade — enfim, tão valorizado que</p><p>dava ao herói</p><p>tempo de escapar e ainda salvar a mocinha.</p><p>Pois a verdade é que nenhum herói teria sobrevivido à sua</p><p>primeira aventura se não fosse esta compulsão do vilão de</p><p>fazer da morte uma arte demorada, um processo com</p><p>preâmbulo e apoteose, e significado. Nunca entendi por que</p><p>o bandido não dava logo um �ro na testa do herói quando o</p><p>�nha em seu poder, em vez de deixá-lo suspenso sobre o</p><p>poço dos jacarés por uma corda besuntada que os ratos</p><p>roeriam pouco a pouco, enquanto o gramofone^1 tocava</p><p>Wagner^2. Hoje sei que o vilão queria dar tempo, ao</p><p>mocinho e à plateia, de refle�r sobre a finitude e a</p><p>perversidade humanas.</p><p>Os vilões do meu tempo de ma�nês eram</p><p>invariavelmente “gênios do Mal”, paródias de intelectuais e</p><p>cien�stas cujas maquinações eram frustradas pelo prá�co</p><p>mocinho. A imaginação perdia para a ação porque a</p><p>imaginação, como a hesitação, é a ação retardada, a ação</p><p>precedida do pensamento, do pavor ou, no caso do bandido,</p><p>da volúpia do significado. O Mal era inteligência demais, era</p><p>a obsessão com a morte, enquanto o Bem — o que ficava</p><p>com a mocinha — era o que não pensava na morte. Quando</p><p>recapturava o mocinho, mesmo sabendo que ele escapara da</p><p>morte tão cuidadosamente orquestrada com os ratos e os</p><p>jacarés, o bandido ainda não lhe dava o rápido e defini�vo</p><p>�ro na testa, para ele aprender. Deixava-o amarrado sobre</p><p>uma tábua que lentamente, solenemente, se aproximava de</p><p>uma serra circular, da qual o herói obviamente escaparia de</p><p>novo. E, se pegasse o mocinho pela terceira vez, nem assim o</p><p>bandido abandonaria sua missão didá�ca. Sucumbiria à sua</p><p>outra compulsão fatal, a de falar demais. Mesmo o �ro na</p><p>testa precisava de uma frase antes, uma explicação, um jogo</p><p>de palavras. Geralmente era o que dava tempo para a</p><p>chegada da polícia e a prisão do vilão, derrotado pela</p><p>literatura.</p><p>Pobres vilões. E nós, inconscientemente, torcíamos pelos</p><p>burros</p><p>Luis Fernando Verissimo. O suicida e o computador, 1992.</p><p>1 gramofone: an�go toca-discos.</p><p>2 Wagner: Richard Wagner, compositor alemão do século</p><p>XIX.</p><p>“paródias de intelectuais e cien�stas cujas maquinações</p><p>eram frustradas pelo prá�co mocinho.” (3º parágrafo)</p><p>Ao se transpor esse trecho para a voz a�va, a forma verbal</p><p>resultante será:</p><p>a) frustraria.</p><p>b) frustrariam.</p><p>c) frustrara.</p><p>d) frustravam.</p><p>e) frustrava.</p><p>GR0730 - (Pmesp)</p><p>De acordo com o Dicionário eletrônico Houaiss da língua</p><p>portuguesa, os dêi�cos são expressões linguís�cas que se</p><p>referem “à situação em que o enunciado é produzido, ao</p><p>momento da enunciação e aos atores do discurso”. Por</p><p>exemplo, “eu” designa a pessoa que fala “eu”. Expressões</p><p>como “aqui”, “agora” ou “amanhã” devem ser interpretadas</p><p>em função de onde e em que momento se encontra a pessoa</p><p>que fala, quando diz “aqui”, “agora” ou “amanhã”.</p><p>Verifica-se a ocorrência de dêi�co que se refere ao momento</p><p>da enunciação no seguinte trecho:</p><p>a) “Nos filmes e histórias em quadrinhos da nossa infância</p><p>recebíamos uma lição” (1º parágrafo).</p><p>b) “Nunca entendi por que o bandido não dava logo um �ro</p><p>na testa do herói quando o �nha em seu poder” (2º</p><p>parágrafo).</p><p>c) “Hoje sei que o vilão queria dar tempo, ao mocinho e à</p><p>plateia, de refle�r sobre a finitude e a perversidade</p><p>humanas” (2º parágrafo).</p><p>d) “Geralmente era o que dava tempo para a chegada da</p><p>polícia e a prisão do vilão, derrotado pela literatura” (3º</p><p>parágrafo).</p><p>e) “E nós, inconscientemente, torcíamos pelos burros” (4º</p><p>parágrafo).</p><p>GR0734 - (Pmesp)</p><p>Leia a crônica “Bandidos”, de Luis Fernando Verissimo.</p><p>Nos filmes e histórias em quadrinhos da nossa infância</p><p>recebíamos uma lição da qual só agora me dou conta. Não</p><p>era a que o Bem sempre vence o Mal, embora o herói</p><p>sempre vencesse o bandido. Quem dava a lição era o</p><p>bandido, e era esta: a morte precisa de uma certa</p><p>solenidade.</p><p>A vitória do herói sobre o bandido era banalizada pela</p><p>repe�ção. Para o mocinho, matar era uma coisa corriqueira,</p><p>uma decorrência da sua virtude. Já o bandido era torturado</p><p>pela ideia da morte, pela sua própria vilania, pelo terrível</p><p>poder que cada um tem de acabar com a vida de outro. O</p><p>bandido era incapaz de simplesmente matar alguém, ou</p><p>matar alguém simplesmente. Para ele o ato de matar</p><p>precisava ser lento, trabalhado, ornamentado, erguido acima</p><p>da sua inaceitável vulgaridade — enfim, tão valorizado que</p><p>dava ao herói tempo de escapar e ainda salvar a mocinha.</p><p>Pois a verdade é que nenhum herói teria sobrevivido à sua</p><p>38@professorferretto @prof_ferretto</p><p>primeira aventura se não fosse esta compulsão do vilão de</p><p>fazer da morte uma arte demorada, um processo com</p><p>preâmbulo e apoteose, e significado. Nunca entendi por que</p><p>o bandido não dava logo um �ro na testa do herói quando o</p><p>�nha em seu poder, em vez de deixá-lo suspenso sobre o</p><p>poço dos jacarés por uma corda besuntada que os ratos</p><p>roeriam pouco a pouco, enquanto o gramofone^1 tocava</p><p>Wagner^2. Hoje sei que o vilão queria dar tempo, ao</p><p>mocinho e à plateia, de refle�r sobre a finitude e a</p><p>perversidade humanas.</p><p>Os vilões do meu tempo de ma�nês eram</p><p>invariavelmente “gênios do Mal”, paródias de intelectuais e</p><p>cien�stas cujas maquinações eram frustradas pelo prá�co</p><p>mocinho. A imaginação perdia para a ação porque a</p><p>imaginação, como a hesitação, é a ação retardada, a ação</p><p>precedida do pensamento, do pavor ou, no caso do bandido,</p><p>da volúpia do significado. O Mal era inteligência demais, era</p><p>a obsessão com a morte, enquanto o Bem — o que ficava</p><p>com a mocinha — era o que não pensava na morte. Quando</p><p>recapturava o mocinho, mesmo sabendo que ele escapara da</p><p>morte tão cuidadosamente orquestrada com os ratos e os</p><p>jacarés, o bandido ainda não lhe dava o rápido e defini�vo</p><p>�ro na testa, para ele aprender. Deixava-o amarrado sobre</p><p>uma tábua que lentamente, solenemente, se aproximava de</p><p>uma serra circular, da qual o herói obviamente escaparia de</p><p>novo. E, se pegasse o mocinho pela terceira vez, nem assim o</p><p>bandido abandonaria sua missão didá�ca. Sucumbiria à sua</p><p>outra compulsão fatal, a de falar demais. Mesmo o �ro na</p><p>testa precisava de uma frase antes, uma explicação, um jogo</p><p>de palavras. Geralmente era o que dava tempo para a</p><p>chegada da polícia e a prisão do vilão, derrotado pela</p><p>literatura.</p><p>Pobres vilões. E nós, inconscientemente, torcíamos pelos</p><p>burros.</p><p>Luis Fernando Verissimo. O suicida e o computador, 1992.</p><p>1 gramofone: an�go toca-discos.</p><p>2 Wagner: Richard Wagner, compositor alemão do século</p><p>XIX.</p><p>“Quando recapturava o mocinho, mesmo sabendo que ele</p><p>escapara da morte tão cuidadosamente orquestrada com os</p><p>ratos e os jacarés, o bandido ainda não lhe dava o rápido e</p><p>defini�vo �ro na testa, para ele aprender. Deixava-o</p><p>amarrado sobre uma tábua que lentamente, solenemente,</p><p>se aproximava de uma serra circular, da qual o herói</p><p>obviamente escaparia de novo.” (3º parágrafo)</p><p>Nesse trecho, o cronista relata uma série de fatos ocorridos</p><p>no passado. Um fato anterior a esse tempo passado está</p><p>indicado pela seguinte forma verbal:</p><p>a) “recapturava”.</p><p>b) “escapara”.</p><p>c) “dava”.</p><p>d) “aproximava”.</p><p>e) “escaparia”.</p><p>GR0739 - (Espcex)</p><p>Homem no mar</p><p>Rubem Braga</p><p>De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o mar.</p><p>Não há ninguém na praia, que resplende ao sol. O vento é</p><p>nordeste, e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul das águas,</p><p>pequenas espumas que marcham alguns segundos e</p><p>morrem, como bichos alegres e humildes; perto da terra a</p><p>onda é verde.</p><p>Mas percebo um movimento em um ponto do mar; é um</p><p>homem nadando. Ele nada a uma certa distância da praia,</p><p>em braçadas pausadas e fortes; nada a favor das águas e do</p><p>vento, e as pequenas espumas que nascem e somem</p><p>parecem ir mais depressa do que ele. Justo: espumas são</p><p>leves, não são feitas de nada, toda sua substância é água e</p><p>vento e luz, e o homem tem sua carne, seus ossos, seu</p><p>coração, todo seu corpo a transportar na água.</p><p>Ele usa os músculos com uma calma energia; avança.</p><p>Certamente não suspeita de que um desconhecido o vê e o</p><p>admira porque ele está nadando na praia deserta. Não sei de</p><p>onde vem essa admiração, mas encontro nesse homem uma</p><p>nobreza calma, sinto-me solidário com ele, acompanho o seu</p><p>esforço solitário como se ele es�vesse cumprindo uma</p><p>bela</p><p>missão. Já nadou em minha presença uns trezentos metros;</p><p>antes, não sei; duas vezes o perdi de vista, quando ele</p><p>passou atrás das árvores, mas esperei com toda confiança</p><p>que reaparecesse sua cabeça, e o movimento alternado de</p><p>seus braços. Mais uns cinquenta metros, e o perderei de</p><p>vista, pois um telhado o esconderá. Que ele nade bem esses</p><p>cinquenta ou sessenta metros; isto me parece importante; é</p><p>preciso que conserve a mesma ba�da de sua braçada, e que</p><p>eu o veja desaparecer assim como o vi aparecer, no mesmo</p><p>rumo, no mesmo ritmo, forte, lento, sereno. Será perfeito; a</p><p>imagem desse homem me faz bem.</p><p>É apenas a imagem de um homem, e eu não poderia</p><p>saber sua idade, nem sua cor, nem os traços de sua cara.</p><p>Estou solidário com ele, e espero que ele esteja comigo. Que</p><p>ele a�nja o telhado vermelho, e então eu poderei sair da</p><p>varanda tranquilo, pensando "vi um homem sozinho,</p><p>nadando no mar; quando o vi ele já estava nadando;</p><p>acompanhei-o com atenção durante todo o tempo, e</p><p>testemunho que ele nadou sempre com firmeza e correção;</p><p>esperei que ele a�ngisse um telhado vermelho, e ele o</p><p>a�ngiu".</p><p>Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o meu</p><p>dever, e ele cumpriu o seu. Admiro-o. Não consigo saber em</p><p>que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa; ele não</p><p>estava fazendo nenhum gesto a favor de alguém, nem</p><p>construindo algo de ú�l; mas certamente fazia uma coisa</p><p>bela, e a fazia de um modo puro e viril. Não desço para ir</p><p>esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou meu</p><p>silencioso apoio, minha atenção e minha es�ma a esse</p><p>desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse</p><p>correto irmão.</p><p>(ANDRADE, Carlos Drummond de; et al. Elenco de cronistas</p><p>modernos. 8. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1984. p.128-</p><p>129).</p><p>39@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Em “... nada a favor das águas...", a palavra sublinhada,</p><p>considerando o contexto em que ela aparece, pertence, sob</p><p>o aspecto morfológico, à seguinte classe grama�cal:</p><p>a) Substan�vo.</p><p>b) Adje�vo.</p><p>c) Pronome indefinido.</p><p>d) Verbo.</p><p>e) Advérbio.</p><p>GR00754 - (Albert Einstein)</p><p>Leia a crônica “A decadência do Ocidente”, de Luis Fernando</p><p>Verissimo.</p><p>O doutor ganhou uma galinha viva e chegou em casa com</p><p>ela, para alegria de toda a família. O filho mais moço,</p><p>inclusive, nunca �nha visto uma galinha viva de perto. Já</p><p>�nha até um nome para ela – Margarete – e planos para</p><p>adotá-la, quando ouviu do pai que a galinha seria,</p><p>obviamente, comida.</p><p>— Comida?!</p><p>— Sim, senhor.</p><p>— Mas se come ela?</p><p>— Ué. Você está cansado de comer galinha.</p><p>— Mas a galinha que a gente come é igual a esta aqui?</p><p>— Claro..</p><p>Na verdade o guri gostava muito de peito, de coxa e de</p><p>asa, mas nunca �nha ligado as partes ao animal. Ainda mais</p><p>aquele animal vivo ali no meio do apartamento.</p><p>O doutor disse que queria a galinha ao molho pardo. Há</p><p>anos que não comia uma galinha ao molho pardo. A</p><p>empregada sabia como se preparava galinha ao molho</p><p>pardo?</p><p>A mulher foi consultar a empregada. Dali a pouco o</p><p>doutor ouviu um grito de horror vindo da cozinha. Depois</p><p>veio a mulher dizer que ele esquecesse a galinha ao molho</p><p>pardo.</p><p>— A empregada não sabe fazer?</p><p>— Não só não sabe fazer, como quase desmaiou quando</p><p>eu disse que precisava cortar o pescoço da galinha. Nunca</p><p>cortou um pescoço de galinha.</p><p>Era o cúmulo. Então a mulher que cortasse o pescoço da</p><p>galinha.</p><p>— Eu?! Não mesmo!</p><p>O doutor lembrou-se de uma velha empregada da sua</p><p>mãe. A Dona Noca. Não só cortava pescoços de galinhas,</p><p>como fazia isto com uma certa alegria assassina. A solução</p><p>era a Dona Noca.</p><p>— A Dona Noca já morreu — disse a mulher.</p><p>— O quê?!</p><p>— Há dez anos.</p><p>— Não é possível! A úl�ma galinha ao molho pardo que</p><p>eu comi foi feita por ela.</p><p>— Então faz mais de dez anos que você não come galinha</p><p>ao molho pardo.</p><p>Alguém no edi�cio se disporia a degolar a galinha.</p><p>Fizeram uma rápida enquete entre os vizinhos. Ninguém se</p><p>animava a cortar o pescoço da galinha. Nem o Rogerinho do</p><p>701, que fazia coisas inomináveis com gatos.</p><p>— Somos uma civilização de frouxos! — sentenciou o</p><p>doutor.</p><p>Foi para o poço do edi�cio e repe�u:</p><p>— Frouxos! Perdemos o contato com o barro da vida! E a</p><p>Margarete só olhando.</p><p>Luis Fernando Verissimo. A mãe do Freud, 1997.</p><p>Ao se transpor a oração “Fizeram uma rápida enquete entre</p><p>os vizinhos.” (20º parágrafo) para a voz passiva sinté�ca, a</p><p>forma verbal resultante será:</p><p>a) Fariam.</p><p>b) Fez-se.</p><p>c) Fizeram-se.</p><p>d) Tinham feito.</p><p>e) Far-se-ia.</p><p>GR0773 - (Col. Naval)</p><p>O amigo da onça</p><p>(19)A Onça, que é bicho valente - mas nem sempre</p><p>a�lado, como se pensa – , estava quie�nha (48)no seu</p><p>canto(49), quando lhe apareceu o compadre Lobo(20) e lhe</p><p>foi dizendo:– Saiba de uma coisa, comadre Onça: você - com</p><p>perdão da palavra - não é, como supõe, (78)(58)o bicho mais</p><p>valente e destemido que existe no mundo(59)(79), nem</p><p>também o Leão, com toda a (50)sua prosa(51) de rei dos</p><p>animais.</p><p>(98)(09) – Como assim! – gritou a Onça, enfurecida(99). –</p><p>Então, como é isso, grande pedaço de idiota? (60)(29)Haverá</p><p>bicho mais valente e (38)poderoso do que eu?(10)(39)(61)</p><p>O Lobo, adoçando a voz, respondeu:</p><p>(82)(21) – Ó comadre, me perdoe(83). (68)Estou</p><p>arrependido de dizer tal coisa(69) ... (84)Mas a (52)minha</p><p>intenção (53)foi preveni-la contra um bicho terrível(85) que</p><p>apareceu nesta paragem(22). Uma pessoa prevenida vale</p><p>por duas.</p><p>(11) – Sim, não deixa você de ter alguma razão – (70)</p><p>(30)acudiu a Onça(31) mais acomodada.</p><p>(71). – Mas sempre quero saber o nome desse bicho.</p><p>Como se chama?(12)</p><p>(23) – Esse bicho, comadre, chama-se homem, conforme</p><p>me disse o amigo papagaio. (100)(80)Nunca vi em minha</p><p>vida animal de mais perigosa valen�a(81)(101). Ele sim, e</p><p>ninguém mais, é o que me parece ser mesmo o verdadeiro</p><p>rei dos animais. Basta dizer que, de longe, (92)(32)o vi</p><p>matar(33), com dois espirros, nada menos do que um leão e</p><p>uma hiena(24)(93). Ih! Comadre, com o estrondo dos</p><p>espirros parecia que tudo ia pelos ares. (86)Deus nos livre!</p><p>(87)</p><p>(34) – Oh! Compadre, não me diga!(35)</p><p>– É como lhe conto. (40)E o que mais admira ê ser(41) o</p><p>bicho-homem de pequeno porte. (72)Parece até fraco(73), e</p><p>40@professorferretto @prof_ferretto</p><p>é (96)muito mal servido de unhas e dentes(97). (102)Deve</p><p>ser um bicho misterioso e encantado(103).</p><p>(13) – Pois bem, compadre, (74)estou curiosa(75), e</p><p>desejo que, sem demora, me conduza ao (88)lugar onde se</p><p>encontra tão estranho animal.(14)(89)</p><p>(25)– Ah, comadre, peça-me tudo, menos isso. Pelos</p><p>estragos que, de longe, vi o homem fazer com seus malditos</p><p>espirros, nunca me atreveria a tal aventura ...(26) – Pois</p><p>queira ou não queira, tem de mostrar-me o bicho, ou então,</p><p>agora mesmo perderá a vida.(16)</p><p>– Lã por isso não seja - disse o Lobo amedrontado.-</p><p>Iremos. (62)(01)Mas havemos de tomar todas as</p><p>precauções(02)(63). Eu -com a sua licença - posso correr</p><p>mais do que a comadre. Assim, levaremos uma embira</p><p>daquelas que não arrebentam nunca. (104)Amarro uma das</p><p>pontas no pescoço da comadre e (105) a outra em minha</p><p>cintura. Em caso de perigo, se for preciso fugir, a comadre e</p><p>eu corremos.</p><p>(17)- Fugir! (42)Veja lá o que diz(43)! Você já viu, (54)seu</p><p>podrela(55), alguma vez onça fugir?(18)</p><p>(90) – Não me expliquei bem(91). (44)Eu é que</p><p>fugirei(45). (94)A comadre será apenas arrastada por</p><p>mim(95). Isso não é fugir. Está certo?</p><p>– Está bem. Faremos como propõe.</p><p>(36)E par�ram(37). A Onça com a embira atada ao</p><p>pescoço, e o Lobo, muito respeitoso e �mido, a puxá-la.</p><p>(106)(27)(03)Quando chegaram ao des�no(04)(107), o</p><p>bicho-homem, surpreendido ao avistá-los, �rou da cinta a</p><p>garrucha, e, atarantado, bateu fogo(28), isto é, espirrou,</p><p>uma, duas vezes, que foi mesmo um estrondo de todos os</p><p>diabos.</p><p>O Lobo então mais que depressa disparou numa corrida</p><p>desabalada, redobrando quanto podia as forças para arrastar</p><p>a Onça pela forte embira que (64)�nha atado no (56)pescoço</p><p>dela(57)(65).</p><p>De repente, já muito distante, o Lobo sen�u que (76)a</p><p>Onça estava mais pesada(77). Parou então e contemplou a</p><p>companheira estendida no chão, com os dentes</p><p>arreganhados, sem o mais leve movimento.</p><p>O Lobo, (46)sem perceber que a (66)Onça havia(47)</p><p>morrido enforcada(67)</p><p>no laço da embira - antes pensando</p><p>que es�vesse apenas cansada – , disse-lhe, (05)tremendo</p><p>como varas verdes(06)</p><p>– He lã, comadre! Não ri não (07)que o negócio ê sério!</p><p>(08)</p><p>(GOMES, Lindolfo. In: Os 100 melhores contos de humor da</p><p>literatura universal. Org. Flávio Moreira da Costa. Rio de</p><p>Janeiro: Ediouro, 2001, p. 522-3.)</p><p>Assinale a opção que apresenta um verbo impessoal.</p><p>a) “... o bicho mais valente e destemido que existe no</p><p>mundo, ..." (58)(59).</p><p>b) “Haverá bicho mais valente e poderoso do que eu?" (60)</p><p>(61).</p><p>c) “Mas havemos de tomar todas as precauções." (62)(63).</p><p>d) “... �nha atado no pescoço dela." (64)(65).</p><p>e) “... a Onça havia morrido enforcada ..." (66)(67).</p><p>GR0784 - (Fei)</p><p>Enfim, depois de tanto erro passado</p><p>Tantas retaliações, tanto perigo</p><p>Eis que ressurge noutro o velho amigo</p><p>Nunca perdido, sempre reencontrado.</p><p>É bom sentá-lo novamente ao lado</p><p>Com olhos que contêm o olhar an�go</p><p>Sempre comigo um pouco atribulado</p><p>E como sempre singular comigo.</p><p>Um bicho igual a mim, simples e humano</p><p>Sabendo se mover e comover</p><p>E a disfarçar com o meu próprio engano.</p><p>O amigo: um ser que a vida não explica</p><p>Que só se vai ao ver outro nascer</p><p>E o espelho de minha alma mul�plica...</p><p>(Vinicius de Moraes)</p><p>O trecho destacado de “Sabendo se mover e comover”</p><p>(verso 10) é exemplo de:</p><p>a) voz passiva.</p><p>b) voz a�va.</p><p>c) oração sem sujeito.</p><p>d) oração passiva.</p><p>e) voz reflexiva.</p><p>GR0792 - (Mackenzie)</p><p>Breve história do �que</p><p>A palavra parece nascida da linguagem dos desenhos</p><p>animados. Segundo alguns¹, sua clara origem onomatopaica</p><p>derivaria do alemão �cken, que significa “tocar</p><p>ligeiramente”, ou de um termo da medicina veterinária que,</p><p>já no século XVII, associava �cq e �cquet a um fenômeno no</p><p>qual os cavalos sofrem uma súbita³ suspensão da respiração,</p><p>seguida por um ruído: uma espécie de² soluço² que produz</p><p>no animal comportamentos estranhos⁴ e sofrimento. Daí a</p><p>extensão a várias manifestações que têm em comum a</p><p>rapidez, o caráter repe��vo e pouco controlável e a piora⁵</p><p>em situação de stress.</p><p>Fonte: Rosella Castelnuovo.</p><p>Transpondo a frase uma espécie de soluço que produz no</p><p>animal comportamentos estranhos e sofrimento para a voz</p><p>passiva, a forma verbal destacada acima corresponde a</p><p>41@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) “são produzidos”.</p><p>b) “é produzido”.</p><p>c) “foram produzidos”.</p><p>d) “estão produzidos”.</p><p>e) “havia sido produzido”.</p><p>GR0818 - (Fuvest)</p><p>O império das festas e as festas do império</p><p>O Brasil do século XIX, excluindo-se a primeira e a úl�ma</p><p>década, conviveu intensamente com a realeza. De 1808 a</p><p>1889, os brasileiros acostumaram-se a ter um rei à frente da</p><p>cena polí�ca. Mas se D. João, D. Pedro I, D. Pedro II e a</p><p>princesa Isabel – esta, quando da ausência de seu pai –</p><p>ocuparam o espaço formal do mando execu�vo, no dia a dia</p><p>interagiram com outros reis e rainhas. Estamos falando de</p><p>uma série de personagens que lideravam as festas populares</p><p>e que, provenientes de reinos distantes – presentes na</p><p>memória dos escravos africanos ou nas lembranças dos</p><p>saudosos colonos portugueses −, povoaram o nosso</p><p>assoberbado calendário de festas. Oriundo de tradições</p><p>diversas e de cosmologias par�culares, esse puzzle* ritual fez</p><p>do Brasil o país das festas, o depositário de um arsenal de</p><p>símbolos, costumes e valores.</p><p>Contudo, mais do que isso, tal qual um caleidoscópio,</p><p>essas tradições não foram apenas se reproduzindo, como o</p><p>movimento ro�neiro de um motor. Ao contrário,</p><p>dinamicamente, acabaram por criar festas próprias e leituras</p><p>originais de um material que lhes era anterior. Nesses rituais,</p><p>teatralizava-se um grande jogo simbólico e, entre outros</p><p>figurantes, a realeza era personagem frequente, porém não</p><p>sempre principal.</p><p>* puzzle: confusão; quebra-cabeça.</p><p>(Lilia M. Schwarcz, Valéria M. de Macedo, in: As barbas do</p><p>imperador: D.Pedro II, um monarca nos trópicos.)</p><p>O verbo de “Nesses rituais, teatralizava-se um grande jogo</p><p>simbólico” (úl�mo período) está na voz passiva sinté�ca. Na</p><p>voz passiva analí�ca, adquire a seguinte forma:</p><p>a) era teatralizado.</p><p>b) foi teatralizado.</p><p>c) é teatralizada.</p><p>d) são teatralizados.</p><p>e) foram teatralizadas.</p><p>42@professorferretto @prof_ferretto</p><p>serviço. No</p><p>anúncio, essa intenção assume a forma de um convite,</p><p>estratégia argumenta�va linguis�camente marcada pelo uso</p><p>de</p><p>a) conjunção (quando).</p><p>b) adje�vo (irresis�vel).</p><p>c) verbo no impera�vo (descubra).</p><p>d) palavra do campo afe�vo (paixão).</p><p>e) expressão sensorial (acariciando).</p><p>GR0279 - (Unesp)</p><p>Leia a crônica “A obra-prima”, de Lima Barreto, publicada na</p><p>revista Careta em 25.09.1915.</p><p>Marco Aurélio de Jesus, dono de um grande talento</p><p>e senhor de um sólido saber, resolveu certa vez escrever uma</p><p>obra sobre filologia.</p><p>Seria, certo, a obra-prima ansiosamente esperada e</p><p>que daria ao espírito inculto dos brasileiros as noções exatas</p><p>da língua portuguesa. Trabalhou durante três anos, com</p><p>esforço e sabiamente. Tinha preparado o seu livro que viria</p><p>trazer à confusão, à dificuldade de hoje, o saber de amanhã.</p><p>Era uma obra-prima pelas generalizações e pelos exemplos.</p><p>A quem dedicá-la? Como dedicá-la? E o prefácio?</p><p>E Marco Aurélio resolve meditar. Ao fim de igual</p><p>tempo havia resolvido o di�cil problema.</p><p>A obra seria, segundo o velho hábito, precedida de</p><p>“duas palavras ao leitor” e levaria, como demonstração de</p><p>sua submissão intelectual, uma dedicatória.</p><p>Mas “duas palavras”, quando seriam centenas as que</p><p>escreveria? Não. E Marco Aurélio contou as “duas palavras”</p><p>uma a uma. Eram duzentas e uma e, em um lance único,</p><p>genial, destacou em relevo, ao alto da página “duzentas e</p><p>uma palavras ao leitor”.</p><p>Mas “pálida homenagem”... Professor, autor de um</p><p>livro de filologia, cair na vulgaridade da expressão comum:</p><p>“pálida homenagem”? Não. E pensou. E de sua grave</p><p>meditação, de seu profundo pensamento, saiu a frase</p><p>límpida, a grande frase que definia a sua ideia da expressão</p><p>e, num gesto, sulcou o alto da página de oferta com a frase</p><p>sublime: “lívida homenagem do autor”...</p><p>Está aí como um grande gramá�co faz uma obra-</p><p>prima. Leiam-na e verão como a coisa é bela.</p><p>(Sá�ras e outras subversões, 2016.)</p><p>O cronista narra uma série de fatos ocorridos no passado.</p><p>Um fato anterior a esse tempo passado está indicado pela</p><p>forma verbal sublinhada em</p><p>a) “Eram duzentas e uma e, em um lance único, genial,</p><p>destacou em relevo, ao alto da página ‘duzentas e uma</p><p>palavras ao leitor’.” (6º parágrafo)</p><p>b) “A obra seria, segundo o velho hábito, precedida de ‘duas</p><p>palavras ao leitor’ e levaria, como demonstração de sua</p><p>submissão intelectual, uma dedicatória.” (5º parágrafo)</p><p>c) “A dedicatória, como todas as dedicatórias, seria a ‘pálida</p><p>homenagem’ de seu talento ao espírito amigo que lhe</p><p>ensinara a pensar...” (7º parágrafo)</p><p>d) “E Marco Aurélio resolve meditar.” (4º parágrafo)</p><p>e) “Leiam-na e verão como a coisa é bela.” (9º parágrafo)</p><p>GR0098 - (Unifesp)</p><p>Para responder à questão, leia o trecho do livro Casa-grande</p><p>e senzala, de Gilberto Freyre.</p><p>Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza,</p><p>capela, escola, oficina, santa casa, harém, convento de</p><p>moças, hospedaria. Desempenhou outra função importante</p><p>na economia brasileira: foi também banco. Dentro das suas</p><p>grossas paredes, debaixo dos �jolos ou mosaicos, no chão,</p><p>enterrava-se dinheiro, guardavam-se joias, ouro, valores. Às</p><p>vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos.</p><p>Daí Nossas Senhoras sobrecarregadas à baiana de teteias,</p><p>balangandãs, corações, cavalinhos, cachorrinhos e correntes</p><p>de ouro. Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente</p><p>ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade</p><p>que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito;</p><p>4@professorferretto @prof_ferretto</p><p>mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que “negro</p><p>não devia ter luxo”. Com efeito, chegou a proibir-se, nos</p><p>tempos coloniais, o uso de “ornatos de algum luxo” pelos</p><p>negros.</p><p>Por segurança e precaução contra os corsários, contra os</p><p>excessos demagógicos, contra as tendências comunistas dos</p><p>indígenas e dos africanos, os grandes proprietários, nos seus</p><p>zelos exagerados de priva�vismo, enterraram dentro de casa</p><p>as joias e o ouro do mesmo modo que os mortos queridos.</p><p>Os dois fortes mo�vos das casas-grandes acabarem sempre</p><p>mal-assombradas com cadeiras de balanço se balançando</p><p>sozinhas sobre �jolos soltos que de manhã ninguém</p><p>encontra; com barulho de pratos e copos batendo de noite</p><p>nos aparadores; com almas de senhores de engenho</p><p>aparecendo aos parentes ou mesmo estranhos pedindo</p><p>padres- -nossos, ave-marias, gemendo lamentações,</p><p>indicando lugares com bo�jas de dinheiro. Às vezes dinheiro</p><p>dos outros, de que os senhores ilicitamente se haviam</p><p>apoderado. Dinheiro que compadres, viúvas e até escravos</p><p>lhes �nham entregue para guardar. Sucedeu muita dessa</p><p>gente ficar sem os seus valores e acabar na miséria devido à</p><p>esperteza ou à morte súbita do depositário. Houve senhores</p><p>sem escrúpulos que, aceitando valores para guardar,</p><p>fingiram-se depois de estranhos e desentendidos: “Você está</p><p>maluco? Deu-me lá alguma cousa para guardar?”</p><p>Muito dinheiro enterrado sumiu-se misteriosamente.</p><p>Joaquim Nabuco, criado por sua madrinha na casa-grande de</p><p>Maçangana, morreu sem saber que des�no tomara a ourama</p><p>para ele reunida pela boa senhora; e provavelmente</p><p>enterrada em algum desvão de parede. […] Em várias casas-</p><p>grandes da Bahia, de Olinda, de Pernambuco se têm</p><p>encontrado, em demolições ou escavações, bo�jas de</p><p>dinheiro. Na que foi dos Pires d’Ávila ou Pires de Carvalho, na</p><p>Bahia, achou- -se, num recanto de parede, “verdadeira</p><p>fortuna em moedas de ouro”. Noutras casas-grandes só se</p><p>têm desencavado do chão ossos de escravos, jus�çados</p><p>pelos senhores e mandados enterrar no quintal, ou dentro</p><p>de casa, à revelia das autoridades. Conta-se que o visconde</p><p>de Suaçuna, na sua casa-grande de Pombal, mandou enterrar</p><p>no jardim mais de um negro supliciado por ordem de sua</p><p>jus�ça patriarcal. Não é de admirar. Eram senhores, os das</p><p>casas-grandes, que mandavam matar os próprios filhos. Um</p><p>desses patriarcas, Pedro Vieira, já avô, por descobrir que o</p><p>filho man�nha relações com a mucama de sua predileção,</p><p>mandou matá-lo pelo irmão mais velho.</p><p>(In: Silviano San�ago (coord.). Intérpretes do Brasil, 2000.)</p><p>Ao se transpor a frase “Às vezes guardavam-se joias nas</p><p>capelas, enfeitando os santos.” (1° parágrafo) para a voz</p><p>passiva analí�ca, o termo sublinhado assume a seguinte</p><p>forma:</p><p>a) seriam guardadas.</p><p>b) fossem guardadas.</p><p>c) foram guardadas.</p><p>d) eram guardadas.</p><p>e) são guardadas.</p><p>GR0281 - (Unesp)</p><p>Leia a letra da canção “Bom conselho”, de Chico Buarque,</p><p>composta em 1972.</p><p>Ouça um bom conselho</p><p>Que eu lhe dou de graça</p><p>Inú�l dormir que a dor não passa</p><p>Espere sentado</p><p>Ou você se cansa</p><p>Está provado:</p><p>Quem espera nunca alcança</p><p>Venha, meu amigo</p><p>Deixe esse regaço</p><p>Brinque com meu fogo</p><p>Venha se queimar</p><p>Faça como eu digo</p><p>Faça como eu faço</p><p>Aja duas vezes antes de pensar</p><p>Corro atrás do tempo</p><p>Vim de não sei onde</p><p>Devagar é que não se vai longe</p><p>Eu semeio vento na minha cidade</p><p>Vou pra rua e bebo a tempestade</p><p>(www.chicobuarque.com.br)</p><p>Observa-se rima entre palavras de classes grama�cais</p><p>diferentes em</p><p>a) “graça”/“passa” (1ª estrofe) e “regaço”/“faço” (2ª</p><p>estrofe).</p><p>b) “regaço”/“faço” (2ª estrofe) e “onde”/“longe” (3ª estrofe).</p><p>c) “onde”/“longe” (3ª estrofe) e “cidade”/“tempestade” (3ª</p><p>estrofe).</p><p>d) “sentado”/“provado” (1ª estrofe) e “cansa”/“alcança” (1ª</p><p>estrofe).</p><p>e) “cansa”/“alcança” (1ª estrofe) e “graça”/“passa” (1ª</p><p>estrofe).</p><p>GR0088 - (Enem)</p><p>Querido Sr. Clemens,</p><p>Sei que o ofendi porque sua carta, não datada de outro dia,</p><p>mas que parece ter sido escrita em 5 de julho, foi muito</p><p>abrupta; eu a li e reli com os olhos turvos de lágrimas. Não</p><p>usarei meu maravilhoso broche de peixe-anjo se o senhor</p><p>não quiser; devolverei ao senhor, se assim me for pedido...</p><p>OATES, J. C. Descanse em paz. São Paulo: Leya, 2008.</p><p>Nesse fragmento de carta pessoal, quanto à sequenciação</p><p>dos eventos, reconhece-se a norma-padrão pelo(a)</p><p>5@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) colocação pronominaI em prócIise.</p><p>b) uso recorrente de marcas de negação.</p><p>c) emprego adequado dos tempos verbais.</p><p>d) preferência por arcaísmos, como “abrupta” e “turvo”.</p><p>e) presença de qualificadores, como “maravilhoso” e “peixe-</p><p>anjo”.</p><p>GR0261 - (Unesp)</p><p>Leia o trecho do</p><p>livro Em casa, de Bill Bryson, para responder</p><p>à questão.</p><p>Quase nada, no século XVII, escapava à astúcia dos</p><p>que adulteravam alimentos. O açúcar e outros ingredientes</p><p>caros muitas vezes eram aumentados com gesso, areia e</p><p>poeira. A manteiga �nha o volume aumentado com sebo e</p><p>banha. Quem tomasse chá, segundo autoridades da época,</p><p>poderia ingerir, sem querer, uma série de coisas, desde</p><p>serragem até esterco de carneiro pulverizado. Um</p><p>carregamento inspecionado, relata Judith Flanders,</p><p>demonstrou conter apenas a metade de chá; o resto era</p><p>composto de areia e sujeira. Acrescentava-se ácido sulfúrico</p><p>ao vinagre para dar mais acidez; giz ao leite; terebin�na1 ao</p><p>gim. O arsenito de cobre era usado para tornar os vegetais</p><p>mais verdes, ou para fazer a geleia brilhar. O cromato de</p><p>chumbo dava um brilho dourado aos pães e também à</p><p>mostarda. O acetato de chumbo era adicionado às bebidas</p><p>como adoçante, e o chumbo avermelhado deixava o queijo</p><p>Gloucester, se não mais seguro para comer, mais belo para</p><p>olhar.</p><p>Não havia pra�camente nenhum gênero que não</p><p>pudesse ser melhorado ou tornado mais econômico para o</p><p>varejista por meio de um pouquinho de manipulação e</p><p>engodo. Até as cerejas, como relata Tobias Smolle�,</p><p>ganhavam novo brilho depois de roladas, delicadamente, na</p><p>boca do vendedor antes de serem colocadas em exposição.</p><p>Quantas damas inocentes, perguntava ele, �nham saboreado</p><p>um prato de deliciosas cerejas que haviam sido “umedecidas</p><p>e roladas entre os maxilares imundos e, talvez, ulcerados de</p><p>um mascate de Saint Giles”?</p><p>O pão era par�cularmente a�ngido. Em seu romance</p><p>de 1771, The expedi�on of Humphry Clinker, Smolle� definiu</p><p>o pão de Londres como um composto tóxico de “giz, alume 2</p><p>e cinzas de ossos, insípido ao paladar e destru�vo para a</p><p>cons�tuição”; mas acusações assim já eram comuns na</p><p>época. A primeira acusação formal já encontrada sobre a</p><p>adulteração generalizada do pão está em um livro chamado</p><p>Poison detected: or frigh�ul truths, escrito anonimamente</p><p>em 1757, que revelou segundo “uma autoridade altamente</p><p>confiável” que “sacos de ossos velhos são usados por alguns</p><p>padeiros, não infrequentemente”, e que “os ossuários dos</p><p>mortos são revolvidos para adicionar imundícies ao alimento</p><p>dos vivos”.</p><p>(Em casa, 2011. Adaptado.)</p><p>1 terebin�na: resina extraída de uma planta e usada na</p><p>fabricação de vernizes, diluição de �ntas etc.</p><p>2 alume: designação dos sulfatos duplos de alumínio e</p><p>metais alcalinos, com propriedades adstringentes, usado na</p><p>fabricação de corantes, papel, porcelana, na purificação de</p><p>água, na clarificação de açúcar etc</p><p>É invariável quanto a gênero e a número o termo sublinhado</p><p>em:</p><p>a) “o resto era composto de areia e sujeira” (1º parágrafo).</p><p>b) “O pão era par�cularmente a�ngido” (3º parágrafo).</p><p>c) “O açúcar e outros ingredientes caros” (1º parágrafo).</p><p>d) “uma autoridade altamente confiável” (3º parágrafo).</p><p>e) “um pouquinho de manipulação e engodo” (2º parágrafo).</p><p>GR0102 - (Unicentro)</p><p>Passando a frase: “Ela havia feito muitos doces de leite para</p><p>a festa” para a voz passiva, obtém-se:</p><p>a) Doces de leite para a festa foram feitos.</p><p>b) Muitos doces de leite para a festa haviam sido feitos por</p><p>ela.</p><p>c) Fizeram-se muitos doces de leite por ela para a festa.</p><p>d) Muitos doces de leite havia ela feito para a festa.</p><p>e) Para a festa ela fez muitos doces de leite.</p><p>GR0301 - (Unesp)</p><p>Trecho inicial da crônica “Está aberta a sessão do júri”, de</p><p>Graciliano Ramos, publicada originalmente em 1943.</p><p>O Dr. França, Juiz de Direito numa cidadezinha</p><p>sertaneja, andava em meio século, �nha gravidade imensa,</p><p>verbo escasso, bigodes, colarinhos, sapatos e ideias de</p><p>pontas muito finas. Ves�a-se ordinariamente de preto, exigia</p><p>que todos na jus�ça procedessem da mesma forma – e</p><p>chegou a mandar re�rar-se do Tribunal um jurado</p><p>inconveniente, de roupa clara, ordenar-lhe que voltasse</p><p>razoável e fúnebre, para não prejudicar a decência do</p><p>veredicto.</p><p>Não via, não sorria. Quando parava numa esquina,</p><p>as cavaqueiras dos vadios gelavam. Ao afastar-se, mexia as</p><p>pernas matema�camente, os passos mediam setenta</p><p>cen�metros, exatos, apesar de barrocas¹ e degraus. A</p><p>espinha não se curvava, embora descesse ladeiras, as mãos e</p><p>os braços executavam os movimentos indispensáveis, as</p><p>duas rugas horizontais da testa não se aprofundavam nem se</p><p>desfaziam.</p><p>Na sua biblioteca digna e sábia, volumes bojudos,</p><p>tratados majestosos, severos na encadernação negra</p><p>semelhante à do proprietário, emper�gavam-se – e nenhum</p><p>ousava deitar-se, inclinar-se, quebrar o alinhamento</p><p>rigoroso.</p><p>Dr. França levantava-se às sete horas e recolhia-se à</p><p>meia-noite, fizesse frio ou calor, almoçava ao meio-dia e</p><p>jantava às cinco, ouvia missa aos domingos, comungava de</p><p>seis em seis meses, pagava o aluguel da casa no dia 30 ou no</p><p>dia 31, entendia-se com a mulher, parcimonioso, na</p><p>linguagem usada nas sentenças, linguagem arrevesada e</p><p>arcaica das ordenações. Nunca julgou oportuno modificar</p><p>esses hábitos salutares.</p><p>6@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Não amou nem odiou. Contudo exaltou a virtude,</p><p>emanação das existências calmas, e condenou o crime,</p><p>infeliz consequência da paixão.</p><p>Se atentássemos nas palavras emi�das por via oral,</p><p>poderíamos afirmar que o Dr. França não pensava. Vistos os</p><p>autos, etc., perceberíamos entretanto que ele pensava com</p><p>alguma frequência. Apenas o pensamento de Dr. França não</p><p>seguia a marcha dos pensamentos comuns. Operava, se não</p><p>nos enganamos, deste modo: “considerando isto,</p><p>considerando isso, considerando aquilo, considerando ainda</p><p>mais isto, considerando porém aquilo, concluo.” Tudo se</p><p>formulava em obediência às regras – e era impossível</p><p>qualquer desvio.</p><p>Dr. França possuía um espírito, sem dúvida, espírito</p><p>redigido com circunlóquios, dividido em capítulos, �tulos,</p><p>ar�gos e parágrafos. E o que se distanciava desses</p><p>parágrafos, ar�gos, �tulos e capítulos não o comovia, porque</p><p>Dr. França está livre dos tormentos da imaginação.</p><p>(Graciliano Ramos. Viventes das Alagoas, 1976.)</p><p>^1 barroca: monte de terra ou de barro.</p><p>Expressa sen�do hipoté�co a forma verbal sublinhada em:</p><p>a) “Dr. França possuía um espírito, sem dúvida, espírito</p><p>redigido com circunlóquios, dividido em capítulos, �tulos,</p><p>ar�gos e parágrafos.” (7º parágrafo)</p><p>b) “Ao afastar-se, mexia as pernas matema�camente, os</p><p>passos mediam setenta cen�metros, exatos, apesar de</p><p>barrocas e degraus.” (2º parágrafo)</p><p>c) “Vistos os autos, etc., perceberíamos entretanto que ele</p><p>pensava com alguma frequência.” (6º parágrafo)</p><p>d) “Tudo se formulava em obediência às regras – e era</p><p>impossível qualquer desvio.” (6º parágrafo)</p><p>e) “Nunca julgou oportuno modificar esses hábitos</p><p>salutares.” (4º parágrafo)</p><p>GR0372 - (Uerj)</p><p>O coração do meu Tony é uma constelação de cinco pontos.</p><p>Um pentágono. Eu, Rami, sou a primeira-dama, a rainha-</p><p>mãe. Depois vem a Julieta, a enganada, ocupando o posto de</p><p>segunda-dama. Segue-se a Luísa, a desejada, no lugar de</p><p>terceira-dama. A Saly, a apetecida, é a quarta. Finalmente a</p><p>Mauá Sualé, a amada, a caçulinha, recém-adquirida. (cap. 5)</p><p>Ruínas de uma família. A Lu, a desejada, par�u para os</p><p>braços de outro com véu e grinalda. A Ju, a enganada, está</p><p>loucamente apaixonada por um velho português cheio de</p><p>dinheiro. A Saly, a apetecida, enfei�çou o padre italiano que</p><p>até deixou a ba�na só por amor a ela. A Mauá, a amada, ama</p><p>outro alguém. (cap. 43)</p><p>A repe�ção de estruturas nos dois trechos citados aponta</p><p>para as condições de vida das mulheres, que passam de uma</p><p>postura passiva a um comportamento a�vo. Essa</p><p>transformação é marcada pela alternância entre os seguintes</p><p>elementos:</p><p>a) nomeações e marcas de ênfase</p><p>b) metáforas “pentágono” e “ruínas”</p><p>c) atributos e formas verbais conjugadas</p><p>d) ironias “uma constelação” e “uma família”</p><p>GR0096 - (Enem)</p><p>A rapidez é destacada como uma das qualidades do serviço</p><p>anunciado, funcionando como estratégia de persuasão em</p><p>relação ao consumidor do mercado gráfico. O recurso da</p><p>linguagem verbal que contribui para esse destaque é o</p><p>emprego</p><p>a) do termo “fácil" no início do anúncio, com foco no</p><p>processo.</p><p>b) de adje�vos que valorizam a ni�dez da impressão.</p><p>c) das</p><p>formas verbais no futuro e no pretérito, em</p><p>sequência.</p><p>d) da expressão intensificadora “menos do que" associada à</p><p>qualidade.</p><p>e) da locução “do mundo" associada a “melhor", que</p><p>quan�fica a ação.</p><p>GR0259 - (Unesp)</p><p>Leia o trecho do livro Em casa, de Bill Bryson, para responder</p><p>à questão.</p><p>Quase nada, no século XVII, escapava à astúcia dos</p><p>que adulteravam alimentos. O açúcar e outros ingredientes</p><p>caros muitas vezes eram aumentados com gesso, areia e</p><p>poeira. A manteiga �nha o volume aumentado com sebo e</p><p>7@professorferretto @prof_ferretto</p><p>banha. Quem tomasse chá, segundo autoridades da época,</p><p>poderia ingerir, sem querer, uma série de coisas, desde</p><p>serragem até esterco de carneiro pulverizado. Um</p><p>carregamento inspecionado, relata Judith Flanders,</p><p>demonstrou conter apenas a metade de chá; o resto era</p><p>composto de areia e sujeira. Acrescentava-se ácido sulfúrico</p><p>ao vinagre para dar mais acidez; giz ao leite; terebin�na1 ao</p><p>gim. O arsenito de cobre era usado para tornar os vegetais</p><p>mais verdes, ou para fazer a geleia brilhar. O cromato de</p><p>chumbo dava um brilho dourado aos pães e também à</p><p>mostarda. O acetato de chumbo era adicionado às bebidas</p><p>como adoçante, e o chumbo avermelhado deixava o queijo</p><p>Gloucester, se não mais seguro para comer, mais belo para</p><p>olhar.</p><p>Não havia pra�camente nenhum gênero que não</p><p>pudesse ser melhorado ou tornado mais econômico para o</p><p>varejista por meio de um pouquinho de manipulação e</p><p>engodo. Até as cerejas, como relata Tobias Smolle�,</p><p>ganhavam novo brilho depois de roladas, delicadamente, na</p><p>boca do vendedor antes de serem colocadas em exposição.</p><p>Quantas damas inocentes, perguntava ele, �nham saboreado</p><p>um prato de deliciosas cerejas que haviam sido “umedecidas</p><p>e roladas entre os maxilares imundos e, talvez, ulcerados de</p><p>um mascate de Saint Giles”?</p><p>O pão era par�cularmente a�ngido. Em seu romance</p><p>de 1771, The expedi�on of Humphry Clinker, Smolle� definiu</p><p>o pão de Londres como um composto tóxico de “giz, alume 2</p><p>e cinzas de ossos, insípido ao paladar e destru�vo para a</p><p>cons�tuição”; mas acusações assim já eram comuns na</p><p>época. A primeira acusação formal já encontrada sobre a</p><p>adulteração generalizada do pão está em um livro chamado</p><p>Poison detected: or frigh�ul truths, escrito anonimamente</p><p>em 1757, que revelou segundo “uma autoridade altamente</p><p>confiável” que “sacos de ossos velhos são usados por alguns</p><p>padeiros, não infrequentemente”, e que “os ossuários dos</p><p>mortos são revolvidos para adicionar imundícies ao alimento</p><p>dos vivos”.</p><p>(Em casa, 2011. Adaptado.)</p><p>1 terebin�na: resina extraída de uma planta e usada na</p><p>fabricação de vernizes, diluição de �ntas etc.</p><p>2 alume: designação dos sulfatos duplos de alumínio e</p><p>metais alcalinos, com propriedades adstringentes, usado na</p><p>fabricação de corantes, papel, porcelana, na purificação de</p><p>água, na clarificação de açúcar etc</p><p>“O acetato de chumbo era adicionado às bebidas como</p><p>adoçante” (1º parágrafo). Preservando-se a correção</p><p>grama�cal e o seu sen�do original, essa oração pode ser</p><p>reescrita na forma:</p><p>a) Adicionava-se o acetato de chumbo às bebidas como</p><p>adoçante.</p><p>b) Adiciona-se o acetato de chumbo às bebidas como</p><p>adoçantes.</p><p>c) Eram adicionadas às bebidas como adoçante o acetato de</p><p>chumbo.</p><p>d) Adicionam-se às bebidas como adoçante o acetato de</p><p>chumbo.</p><p>e) Adicionavam-se às bebidas como adoçante o acetato de</p><p>chumbo.</p><p>GR0303 - (Unesp)</p><p>Leia a crônica “Elegia do Guandu”, de Carlos Drummond de</p><p>Andrade, publicada originalmente em 2 de novembro de</p><p>1974.</p><p>E se reverenciássemos neste 2 de novembro os</p><p>mortos do Guandu, que descem a correnteza, a caminho do</p><p>mar - o mar que eles não alcançam, pois encalham na areia</p><p>das margens, e os urubus os devoram?</p><p>Perdoai se apresento matéria tão feia, em dia de</p><p>flores consagradas aos mortos queridos. Estes não são</p><p>amados de ninguém, ou o são de mínima gente. Seus corpos,</p><p>não há quem os reclame, de medo ou seja lá pelo que for.</p><p>Se algum deles tem sorte de derivar pela res�nga da</p><p>Marambaia e ali é recolhido por pescadores - ah, peixe</p><p>menos desejado - ganha sepultura anônima, que a piedade</p><p>dos humildes providencia. Mas não é prudente pescar</p><p>mortos do Guandu: há sempre a perspec�va de</p><p>interrogatórios que fazem perder o dia de trabalho, às vezes</p><p>mais do que isso: a liberdade, que se confisca aos suspeitos e</p><p>aos que explicam mal suas pescarias macabras.</p><p>São marginais caçados pela polícia ou por outros</p><p>marginais, são suicidas, são acidentados? Di�cil classificá-los,</p><p>se não trazem a marca registrada dos trucidadores ou estes</p><p>sinais: mãos amarradas, amarrado de vários corpos, pesos</p><p>amarrados aos pés. Estes úl�mos são mortos fáceis de</p><p>catalogar, embora só se lhes vejam as cabeças em rodopio à</p><p>flor d’água, mas os que vêm boiando e fluindo, fluindo e</p><p>boiando, em sonho aquá�co deslizante, estes desesperaram</p><p>da vida, ou a vida lhes faltou de surpresa?</p><p>Os mortos vão passando, procissão falhada. Eis</p><p>desce o rio um lote de seis, uns aos outros ligados pela corda</p><p>fraternizante. É espetáculo para se ver da janela de</p><p>moradores de Itaguaí, assistentes ribeirinhos de novela de</p><p>espaçados capítulos. Ver e não contar. Ver e guardar para</p><p>conversas ín�mas:</p><p>- Ontem, na �ntura da madrugada, passaram três</p><p>garrafinhas. Eu vi, chamei a Teresa pra espiar também...</p><p>Garrafinhas chamam-se eles, os trucidados com</p><p>chumbo aos pés, e não mais como ficou escrito em livros de</p><p>cartório. O garrafinha nº1 não é diferente do garrafinha nº2</p><p>ou 3. Foram todos nivelados pelo Guandu. Como frascos</p><p>vazios, de pequeno porte e nenhuma importância, lá vão rio</p><p>abaixo, Nova Iguaçu abaixo, rumo do esquecimento das</p><p>garrafas e dos crimes que cometeram ou não cometeram, ou</p><p>dos crimes que neles foram come�dos.</p><p>[⋯]</p><p>8@professorferretto @prof_ferretto</p><p>O Guandu não responde a inquéritos nem a</p><p>repórteres. Não dis�ngue, carrega. Não comenta, não julga,</p><p>não reclama se lhe corrompem as águas; transporta. Em sua</p><p>impessoalidade serve a desígnios vários, favorece a vida que</p><p>quer se desembaraçar da morte, facilita a morte que quer se</p><p>libertar da vida. Pela jus�ça sumária, pelo absurdo, pelo</p><p>desespero.</p><p>Mas não é ao Guandu que cabe dedicar uma elegia,</p><p>é aos mortos do Guandu, nos quais ninguém pensa no dia de</p><p>pensar os e nos mortos. Os criminosos, os não criminosos, os</p><p>que se destruíram, os que resvalaram. Mortos sem sepultura</p><p>e sem lembrança. Trágicos e apagados deslizantes na</p><p>correnteza. Passageiros do Guandu, apenas e afinal.</p><p>(Carlos Drummond de Andrade. Os dias lindos, 2013.)</p><p>O cronista dirige-se explicitamente a seu leitor no trecho:</p><p>a) “São marginais caçados pela polícia ou por outros</p><p>marginais, são suicidas, são acidentados?” (4º parágrafo)</p><p>b) “Perdoai se apresento matéria tão feia, em dia de flores</p><p>consagradas aos mortos queridos.” (2º parágrafo)</p><p>c) “— Ontem, na �ntura da madrugada, passaram três</p><p>garrafinhas. Eu vi, chamei a Teresa pra espiar também...”</p><p>(6º parágrafo)</p><p>d) “Não comenta, não julga, não reclama se lhe corrompem</p><p>as águas; transporta.” (8º parágrafo)</p><p>e) “Mas não é ao Guandu que cabe dedicar uma elegia, é aos</p><p>mortos do Guandu, nos quais ninguém pensa no dia de</p><p>pensar os e nos mortos.” (9º parágrafo)</p><p>GR0095 - (Enem)</p><p>Em junho de 1913, embarquei para a Europa a fim de me</p><p>tratar num sanatório suíço. Escolhi o de Clavadel, perto de</p><p>Davos-Platz, porque a respeito dele me falara João Luso, que</p><p>ali passara um inverno com a senhora. Mais tarde vim a</p><p>saber que antes de exis�r no lugar um sanatório, lá es�vera</p><p>por algum tempo Antônio Nobre. “Ao cair das folhas", um de</p><p>seus mais belos sonetos, talvez o meu predileto, está datado</p><p>de “Clavadel, outubro, 1895". Fiquei na Suíça até outubro de</p><p>1914.</p><p>BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova</p><p>Aguilar, 1985.</p><p>No relato de memórias do autor, entre os recursos usados</p><p>para organizar a sequência dos eventos narrados, destaca-se</p><p>a</p><p>a) construção de frases curtas a fim de conferir dinamicidade</p><p>ao texto.</p><p>b) presença de advérbios de lugar para indicar a progressão</p><p>dos fatos.</p><p>c) alternância de tempos do pretérito para ordenar os</p><p>acontecimentos.</p><p>d) inclusão de enunciados com comentários e avaliações</p><p>pessoais.</p><p>e) alusão a pessoas marcantes na trajetória de vida do</p><p>escritor.</p><p>GR0103 - (Unifesp)</p><p>Qualquer discussão sobre o tempo deve começar com uma</p><p>análise de sua estrutura, que, por falta de melhor expressão,</p><p>devemos chamar de "temporal". É comum dividirmos o</p><p>tempo em passado, presente e futuro. O passado é o que</p><p>vem antes do presente e o futuro é o que vem depois. Já o</p><p>presente é o "agora", o instante atual.</p><p>Isso tudo parece bastante óbvio, mas não é. Para definirmos</p><p>passado e futuro, precisamos definir o presente. Mas,</p><p>segundo nossa separação estrutural, o presente não pode ter</p><p>duração no tempo, pois nesse caso poderíamos definir um</p><p>período no seu passado e no seu futuro. Portanto, para</p><p>sermos coerentes em nossas definições, o presente não</p><p>pode ter duração no tempo. Ou seja, o presente não existe!</p><p>A discussão acima nos leva a outra questão, a da origem do</p><p>tempo. Se o tempo teve uma origem, então exis�u um</p><p>momento no passado em que ele passou a exis�r. Segundo</p><p>nossas modernas teorias cosmogônicas, que visam explicar a</p><p>origem do Universo, esse momento especial é o momento da</p><p>origem do Universo "clássico". A expressão "clássico" é</p><p>usada em contraste com "quân�co", a área da �sica que lida</p><p>com fenômenos atômicos e subatômicos.</p><p>[...]</p><p>As descobertas de Einstein mudaram profundamente nossa</p><p>concepção do tempo. Em sua teoria da rela�vidade geral, ele</p><p>mostrou que a presença de massa (ou de energia) também</p><p>influencia a passagem do tempo, embora esse efeito seja</p><p>irrelevante em nosso dia a dia. O tempo rela�vís�co adquire</p><p>uma plas�cidade definida pela realidade �sica á sua volta. A</p><p>coisa se complica quando usamos a rela�vidade geral para</p><p>descrever a origem do Universo.</p><p>(Folha do S.Paulo. 07.06.1998.)</p><p>“Em sua teoria da rela�vidade geral, ele mostrou que a</p><p>presença de massa (ou de energia) também influencia a</p><p>passagem do tempo, embora esse efeito seja irrelevante em</p><p>nosso dia a dia.” (4º parágrafo)</p><p>Ao se converter o trecho destacado para a voz passiva, o</p><p>verbo “influencia” assume a seguinte forma:</p><p>9@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) é influenciada.</p><p>b) foi influenciada.</p><p>c) era influenciada.</p><p>d) seria influenciada.</p><p>e) será influenciada.</p><p>GR0297 - (Unesp)</p><p>Trecho do livro A solidão dos moribundos, do sociólogo</p><p>alemão Norbert Elias.</p><p>Não mais consideramos um entretenimento de</p><p>domingo assis�r a enforcamentos, esquartejamentos e</p><p>suplícios na roda. Assis�mos ao futebol, e não aos</p><p>gladiadores na arena. Se comparados aos da An�guidade,</p><p>nossa iden�ficação com outras pessoas e nosso</p><p>compar�lhamento de seus sofrimentos e morte</p><p>aumentaram. Assis�r a �gres e leões famintos devorando</p><p>pessoas vivas pedaço a pedaço, ou a gladiadores, por astúcia</p><p>e engano, mutuamente se ferindo e matando, dificilmente</p><p>cons�tuiria uma diversão para a qual nos prepararíamos com</p><p>o mesmo prazer que os senadores ou o povo romano. Tudo</p><p>indica que nenhum sen�mento de iden�dade unia esses</p><p>espectadores àqueles que, na arena, lutavam por suas vidas.</p><p>Como sabemos, os gladiadores saudavam o imperador ao</p><p>entrar com as palavras “Morituri te salutant” (Os que vão</p><p>morrer te saúdam). Alguns dos imperadores sem dúvida se</p><p>acreditavam imortais. De todo modo, teria sido mais</p><p>apropriado se os gladiadores dissessem “Morituri moriturum</p><p>salutant” (Os que vão morrer saúdam aquele que vai</p><p>morrer). Porém, numa sociedade em que �vesse sido</p><p>possível dizer isso, provavelmente não haveria gladiadores</p><p>ou imperadores. A possibilidade de se dizer isso aos</p><p>dominadores — alguns dos quais mesmo hoje têm poder de</p><p>vida e morte sobre um sem-número de seus semelhantes —</p><p>requer uma desmitologização da morte mais ampla do que a</p><p>que temos hoje, e uma consciência muito mais clara de que</p><p>a espécie humana é uma comunidade de mortais e de que as</p><p>pessoas necessitadas só podem esperar ajuda de outras</p><p>pessoas. O problema social da morte é especialmente di�cil</p><p>de resolver porque os vivos acham di�cil iden�ficar-se com</p><p>os moribundos.</p><p>A morte é um problema dos vivos. Os mortos não</p><p>têm problemas. Entre as muitas criaturas que morrem na</p><p>Terra, a morte cons�tui um problema só para os seres</p><p>humanos. Embora compar�lhem o nascimento, a doença, a</p><p>juventude, a maturidade, a velhice e a morte com os</p><p>animais, apenas eles, dentre todos os vivos, sabem que</p><p>morrerão; apenas eles podem prever seu próprio fim,</p><p>estando cientes de que pode ocorrer a qualquer momento e</p><p>tomando precauções especiais — como indivíduos e como</p><p>grupos — para proteger- se contra a ameaça da aniquilação.</p><p>(A solidão dos moribundos, 2001.)</p><p>No primeiro parágrafo, a impessoalidade da linguagem está</p><p>bem exemplificada no trecho:</p><p>a) “Se comparados aos da An�guidade, nossa iden�ficação</p><p>com outras pessoas e nosso compar�lhamento de seus</p><p>sofrimentos e morte aumentaram.”</p><p>b) “Como sabemos, os gladiadores saudavam o imperador</p><p>ao entrar com as palavras ‘Morituri te salutant’ (Os que</p><p>vão morrer te saúdam).”</p><p>c) “Assis�mos ao futebol, e não aos gladiadores na arena.”</p><p>d) “Tudo indica que nenhum sen�mento de iden�dade unia</p><p>esses espectadores àqueles que, na arena, lutavam por</p><p>suas vidas.”</p><p>e) “Não mais consideramos um entretenimento de domingo</p><p>assis�r a enforcamentos, esquartejamentos e suplícios na</p><p>roda.”</p><p>GR0515 - (Enem PPL)</p><p>Reclame</p><p>se o mundo não vai bem</p><p>a seus olhos, use lentes</p><p>... ou transforme o mundo.</p><p>ó�ca olho vivo</p><p>agradece a preferência.</p><p>CHACAL. Disponível em: www.escritas.org. Acesso em: 14</p><p>ago. 2014.</p><p>Os gêneros podem ser híbridos, mesclando caracterís�cas de</p><p>diferentes composições textuais que circulam socialmente.</p><p>Nesse poema, o autor preservou, do gênero publicitário, a</p><p>seguinte caracterís�ca:</p><p>a) Extensão do texto.</p><p>b) Emprego da injunção.</p><p>c) Apresentação do �tulo.</p><p>d) Disposição das palavras.</p><p>e) Pontuação dos períodos.</p><p>GR0341 - (Fuvest)</p><p>Os verbos “detonar” e “avariar”, no texto, são exemplos de</p><p>10@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) usos linguís�cos próprios de gêneros da área jurídica.</p><p>b) termos cujos sen�dos se contradizem na composição da</p><p>�ra.</p><p>c) vocábulos empregados informalmente.</p><p>d) recursos linguís�cos inadequados à situação de</p><p>comunicação.</p><p>e) escolhas vocabulares associadas ao contexto de cada</p><p>personagem.</p><p>GR0300 - (Unesp)</p><p>Trecho inicial da crônica “Está aberta a sessão do júri”, de</p><p>Graciliano Ramos, publicada originalmente em 1943.</p><p>O Dr. França, Juiz de Direito numa cidadezinha</p><p>sertaneja, andava em meio século, �nha gravidade imensa,</p><p>verbo escasso, bigodes, colarinhos, sapatos e ideias de</p><p>pontas muito finas. Ves�a-se ordinariamente de preto, exigia</p><p>que todos na jus�ça procedessem da mesma forma – e</p><p>chegou a mandar re�rar-se do Tribunal um jurado</p><p>inconveniente, de roupa clara, ordenar-lhe que voltasse</p><p>razoável e fúnebre, para não prejudicar a decência do</p><p>veredicto.</p><p>Não via, não sorria. Quando parava numa esquina,</p><p>as cavaqueiras dos vadios gelavam. Ao afastar-se, mexia as</p><p>pernas matema�camente, os passos mediam setenta</p><p>cen�metros, exatos, apesar de barrocas¹ e degraus. A</p><p>espinha não se curvava, embora descesse ladeiras, as mãos e</p><p>os braços executavam os movimentos indispensáveis, as</p><p>duas rugas horizontais da testa não se aprofundavam nem se</p><p>desfaziam.</p><p>Na sua biblioteca digna e sábia, volumes bojudos,</p><p>tratados majestosos, severos na encadernação negra</p><p>semelhante à do proprietário, emper�gavam-se – e nenhum</p><p>ousava deitar-se, inclinar-se, quebrar o alinhamento</p><p>rigoroso.</p><p>Dr. França levantava-se às sete horas e recolhia-se à</p><p>meia-noite, fizesse frio ou calor, almoçava ao meio-dia e</p><p>jantava às cinco, ouvia missa aos domingos, comungava de</p><p>seis em seis meses, pagava o aluguel da casa no dia 30 ou no</p><p>dia 31, entendia-se com a mulher, parcimonioso, na</p><p>linguagem usada nas sentenças, linguagem arrevesada e</p><p>arcaica das ordenações. Nunca julgou oportuno modificar</p><p>esses hábitos salutares.</p><p>Não amou nem odiou. Contudo exaltou a virtude,</p><p>emanação das existências calmas, e condenou o crime,</p><p>infeliz consequência da paixão.</p><p>Se atentássemos nas palavras emi�das por via oral,</p><p>poderíamos afirmar que o Dr. França não pensava. Vistos os</p><p>autos, etc., perceberíamos entretanto que ele pensava com</p><p>alguma frequência. Apenas o pensamento de</p><p>Dr. França não</p><p>seguia a marcha dos pensamentos comuns. Operava, se não</p><p>nos enganamos, deste modo: “considerando isto,</p><p>considerando isso, considerando aquilo, considerando ainda</p><p>mais isto, considerando porém aquilo, concluo.” Tudo se</p><p>formulava em obediência às regras – e era impossível</p><p>qualquer desvio.</p><p>Dr. França possuía um espírito, sem dúvida, espírito</p><p>redigido com circunlóquios, dividido em capítulos, �tulos,</p><p>ar�gos e parágrafos. E o que se distanciava desses</p><p>parágrafos, ar�gos, �tulos e capítulos não o comovia, porque</p><p>Dr. França está livre dos tormentos da imaginação.</p><p>(Graciliano Ramos. Viventes das Alagoas, 1976.)</p><p>^1 barroca: monte de terra ou de barro.</p><p>O cronista intromete-se explicitamente no texto no seguinte</p><p>trecho:</p><p>a) “Contudo exaltou a virtude, emanação das existências</p><p>calmas, e condenou o crime, infeliz consequência da</p><p>paixão.” (5º parágrafo)</p><p>b) “Dr. França possuía um espírito, sem dúvida, espírito</p><p>redigido com circunlóquios, dividido em capítulos, �tulos,</p><p>ar�gos e parágrafos.” (7º parágrafo)</p><p>c) “O Dr. França, Juiz de Direito numa cidadezinha sertaneja,</p><p>andava em meio século, �nha gravidade imensa, verbo</p><p>escasso, bigodes, colarinhos, sapatos e ideias de pontas</p><p>muito finas.” (1º parágrafo)</p><p>d) “Operava, se não nos enganamos, deste modo:</p><p>‘considerando isto, considerando isso, considerando</p><p>aquilo, considerando ainda mais isto, considerando porém</p><p>aquilo, concluo.’” (6º parágrafo)</p><p>e) “E o que se distanciava desses parágrafos, ar�gos, �tulos e</p><p>capítulos não o comovia, porque Dr. França está livre dos</p><p>tormentos da imaginação.” (7º parágrafo)</p><p>GR0091 - (Enem)</p><p>Certa vez minha mãe surrou-me com uma corda nodosa que</p><p>me pintou as costas de manchas sangrentas. Moído, virando</p><p>a cabeça com dificuldade, eu dis�nguia nas costelas grandes</p><p>lanhos vermelhos. Deitaram-me, enrolaram-me em panos</p><p>molhados com água de sal – e houve uma discussão na</p><p>família. Minha avó, que nos visitava, condenou o</p><p>procedimento da filha e esta afligiu-se. Irritada, ferira-me ã</p><p>toa, sem querer. Não guardei ódio a minha mãe: o culpado</p><p>era o nó.</p><p>RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro: Record, 1998.</p><p>Num texto narra�vo, a sequência dos fatos contribui para a</p><p>progressão temá�ca. No fragmento, esse processo é indicado</p><p>pela</p><p>a) alternância das pessoas do discurso que determinam o</p><p>foco narra�vo.</p><p>b) u�lização de formas verbais que marcam tempos</p><p>narra�vos variados.</p><p>c) indeterminação dos sujeitos de ações que caracterizam os</p><p>eventos narrados.</p><p>d) justaposição de frases que relacionam seman�camente os</p><p>acontecimentos narrados.</p><p>e) recorrência de expressões adverbiais que organizam</p><p>temporalmente a narra�va.</p><p>GR0513 - (Enem PPL)</p><p>11@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Como ocorrem os eclipses solares?</p><p>Quando a Lua passa exatamente entre a Terra e o Sol, o astro</p><p>que ilumina nosso planeta some por alguns minutos. O</p><p>espetáculo só ocorre durante a lua nova e apenas nas</p><p>ocasiões em que a sombra projetada pelo satélite a�nge</p><p>algum ponto da super�cie do planeta. Aliás, é o tamanho</p><p>dessa sombra que vai determinar se o desaparecimento do</p><p>astro será total, parcial ou anular. Geralmente, ocorrem ao</p><p>menos dois eclipses solares por ano. Um eclipse solar é uma</p><p>excelente oportunidade para estudar melhor o Sol.</p><p>Disponível em: h�ps://mundoestranho.abril.com.br. Acesso</p><p>em: 21 ago. 2017 (adaptado).</p><p>Nesse texto, a palavra “aliás” cumpre a função de</p><p>a) promover uma conclusão de ideias valendo-se das</p><p>informações da frase anterior.</p><p>b) indicar uma mudança de assunto e de foco no tema</p><p>desenvolvido.</p><p>c) conectar a informação da frase anterior com a da</p><p>posterior.</p><p>d) conferir um caráter mais coloquial à reportagem.</p><p>e) salientar a negação expressa na frase posterior.</p><p>GR0101 - (Uefs)</p><p>Leia o texto de Georges Jean.</p><p>A história do an�go Egito teria ficado, sem dúvida, em</p><p>grande parte desconhecida ou obscura, se Champollion e os</p><p>egiptólogos não �vessem penetrado no segredo da escrita</p><p>“hieroglífica” que recobre os inumeráveis monumentos do</p><p>vale e do delta do Nilo.</p><p>Esta escrita, ao contrário da cuneiforme – austera,</p><p>geométrica, abstrata –, é fascinante, poé�ca e realmente</p><p>viva. Porque é feita de desenhos admiravelmente es�lizados:</p><p>cabeças humanas, pássaros, animais diversos, plantas e</p><p>flores.</p><p>Sumérios e egípcios habitavam a mesma região do mundo e</p><p>suas civilizações apresentavam muitos pontos em comum.</p><p>Por essa razão, os pesquisadores ainda se interrogam sobre</p><p>eventuais equivalências entre os pictogramas de uns e os</p><p>hieróglifos de outros. Contudo, por enquanto, ainda se está</p><p>no terreno das hipóteses e a pesquisa está longe de ser</p><p>concluída.</p><p>Segundo os an�gos egípcios, foi o próprio deus Thot quem</p><p>teria criado a escrita, dando-a depois aos homens. A palavra</p><p>“hieróglifo”, que designa os caracteres da escrita egípcia,</p><p>significa, de fato, “escrita dos deuses” (do grego hieros,</p><p>“sagrado”, e gluphein, “gravar”).</p><p>Os primeiros documentos contendo inscrições em hieróglifos</p><p>remontam ao terceiro milênio a.C.; porém, parece que a</p><p>escrita surgiu antes. Em todo caso, não sofreu nenhuma</p><p>transformação notável até aproximadamente 390 d.C., nem</p><p>mesmo quando o Egito estava sob o domínio romano.</p><p>Simplesmente, o número de símbolos cresceu, passando de</p><p>setecentos a cinco mil, no momento da ocupação romana.</p><p>(A escrita: memória dos homens, 2008. Adaptado.)</p><p>“Sumérios e egípcios habitavam a mesma região” (3º</p><p>parágrafo)</p><p>Passada à voz passiva e man�do o sen�do original, a oração</p><p>transforma-se em:</p><p>a) A mesma região habitavam sumérios e egípcios.</p><p>b) A mesma região era habitada por sumérios e egípcios.</p><p>c) A mesma região foi habitada por sumérios e egípcios.</p><p>d) A mesma região habitava sumérios e egípcios.</p><p>e) A mesma região é habitada por sumérios e egípcios.</p><p>GR0293 - (Unesp)</p><p>Ar�go “Pó de pirlimpimpim”, do neurocien�sta brasileiro</p><p>Sidarta Ribeiro.</p><p>Alcançar o aprendizado instantâneo é um desejo</p><p>poderoso, pois o cérebro sem informação é pouco mais que</p><p>estofo de macela 1. Emília, a sabida boneca de Monteiro</p><p>Lobato, aprendeu a falar copiosamente após engolir uma</p><p>pílula, adquirindo de supetão todo o vocabulário dos seres</p><p>humanos ao seu redor. No filme Matrix (1999), a ingestão de</p><p>uma pílula colorida faz o personagem Neo descobrir que</p><p>todo o mundo em que sempre viveu não passa de uma</p><p>simulação chamada Matriz, dentro da qual é possível</p><p>programar qualquer coisa. Poucos instantes depois de se</p><p>conectar a um computador, Neo desperta e profere</p><p>estupefato: “I know kung fu”.</p><p>Entretanto, na matriz cerebral das pessoas de carne</p><p>e osso, vale o dito popular: “Urubu, pra cantar, demora.” O</p><p>aprendizado de comportamentos complexos é di�cil e</p><p>demorado, pois requer a alteração massiva de conexões</p><p>neuronais. Há consenso hoje em dia de que o conteúdo dos</p><p>nossos pensamentos deriva dos padrões de a�vação de</p><p>vastas redes neuronais, impossibilitando a aquisição</p><p>instantânea de memórias intrincadas.</p><p>Mas nem sempre foi assim. Há meio século,</p><p>experimentos realizados na Universidade de Michigan</p><p>pareciam indicar que as planárias, vermes aquá�cos</p><p>passíveis de condicionamento clássico, eram capazes de</p><p>adquirir, mesmo sem treinamento, associações es�mulo-</p><p>resposta por ingestão de um extrato de planárias já</p><p>condicionadas. O resultado, aparentemente revolucionário,</p><p>sugeria que os substratos materiais da memória são</p><p>moléculas. Contudo, estudos posteriores demonstraram que</p><p>a ingestão de planárias não condicionadas também acelerava</p><p>o aprendizado, revelando um efeito hormonal genérico,</p><p>independente do conteúdo das memórias presentes nas</p><p>planárias ingeridas.</p><p>A ingestão de memórias é impossível porque elas</p><p>são estados complexos de redes neuronais, não um quantum</p><p>de significado como a pílula da Emília. Por outro lado, é sim</p><p>possível acelerar a consolidação das memórias por meio da</p><p>o�mização de variáveis fisiológicas envolvidas no processo.</p><p>Uma linha de pesquisa importante diz respeito ao sono, cujo</p><p>bene�cio à consolidação de memórias já foi comprovado. Em</p><p>2006, pesquisadores alemães publicaram um estudo sobre</p><p>os efeitos mnemônicos da es�mulação cerebral com ondas</p><p>lentas (0,75 Hz) aplicadas durante o sono por meio de um</p><p>12@professorferretto @prof_ferretto</p><p>es�mulador elétrico. Os resultados mostraram que a</p><p>es�mulação de baixa frequência é suficiente para melhorar o</p><p>aprendizado de diferentes tarefas. Ao que parece, as</p><p>oscilações lentas do sono são puro pó de pirlimpimpim.</p><p>(Sidarta Ribeiro. Limiar: ciência e vida contemporânea,</p><p>2020.)</p><p>1 macela: planta herbácea cujas flores costumam ser usadas</p><p>pela população como estofo de travesseiros.</p><p>Pode ser reescrito na voz passiva o seguinte trecho do ar�go:</p><p>a) “Há consenso hoje em dia de que o conteúdo dos nossos</p><p>pensamentos deriva dos padrões de a�vação de vastas</p><p>redes neuronais” (2º parágrafo).</p><p>b) “Uma linha de pesquisa importante diz respeito ao sono”</p><p>(4º parágrafo).</p><p>c) “A ingestão de memórias é impossível porque elas são</p><p>estados complexos de redes neuronais” (4º parágrafo).</p><p>d) “Em 2006, pesquisadores alemães publicaram um estudo</p><p>sobre os efeitos mnemônicos da es�mulação cerebral” (4º</p><p>parágrafo).</p><p>e) “Alcançar o aprendizado instantâneo é um desejo</p><p>poderoso” (1º parágrafo).</p><p>GR0092 - (Enem)</p><p>DECRETO N. 28 314, DE 28 DE SETEMBRO DE 2007</p><p>Demite o Gerúndio do Distrito Federal e dá outras</p><p>providências.</p><p>O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, no uso das</p><p>atribuições que lhe confere o ar�go 100, incisos VII e XXVI,</p><p>da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA:</p><p>Art. 1º Fica demi�do o Gerúndio de todos os órgãos do</p><p>Governo do Distrito Federal.</p><p>Art. 2º Fica proibido, a par�r desta data, o uso do gerúndio</p><p>para desculpa de INEFICIÊNCIA.</p><p>Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua</p><p>publicação.</p><p>Art. 4º Revogam-se as disposições em contrário.</p><p>Brasília, 28 de setembro de 2007. 119° da República e 48° de</p><p>Brasília</p><p>Disponível em: www.dodf.gov.br. Acesso em: 11 dez. 2017</p><p>Esse decreto pauta-se na ideia de que o uso do gerúndio,</p><p>como "desculpa de ineficiência", indica</p><p>a) conclusão de uma ação.</p><p>b) realização de um evento.</p><p>c) repe�ção de uma prá�ca.</p><p>d) con�nuidade de um processo.</p><p>e) transferência de responsabilidade.</p><p>GR0275 - (Unesp)</p><p>Leia o texto extraído da primeira parte, in�tulada “A terra”,</p><p>da obra Os sertões, de Euclides da Cunha. A obra resultou da</p><p>cobertura jornalís�ca da Guerra de Canudos, realizada por</p><p>Euclides da Cunha para o jornal O Estado de S.Paulo de</p><p>agosto a outubro de 1897, e foi publicada apenas em 1902.</p><p>Percorrendo certa vez, nos fins de setembro [de</p><p>1897], as cercanias de Canudos, fugindo à monotonia de um</p><p>canhoneio1 frouxo de �ros espaçados e soturnos,</p><p>encontramos, no descer de uma encosta, anfiteatro irregular,</p><p>onde as colinas se dispunham circulando um vale único.</p><p>Pequenos arbustos, icozeiros2 virentes viçando em tufos</p><p>intermeados de palmatórias3 de flores ru�lantes, davam ao</p><p>lugar a aparência exata de algum velho jardim em abandono.</p><p>Ao lado uma árvore única, uma quixabeira alta,</p><p>sobranceando a vegetação franzina.</p><p>O sol poente desatava, longa, a sua sombra pelo</p><p>chão e protegido por ela — braços largamente abertos, face</p><p>volvida para os céus — um soldado descansava.</p><p>Descansava... havia três meses.</p><p>Morrera no assalto de 18 de julho [de 1897]. A</p><p>coronha da Mannlicher 4 estrondada, o cinturão e o boné</p><p>jogados a uma banda, e a farda em �ras, diziam que</p><p>sucumbira em luta corpo a corpo com adversário possante.</p><p>Caíra, certo, derreando-se à violenta pancada que lhe sulcara</p><p>a fronte, manchada de uma escara preta. E ao enterrarem-</p><p>se, dias depois, os mortos, não fora percebido. Não</p><p>compar�ra, por isto, a vala comum de menos de um côvado</p><p>de fundo em que eram jogados, formando pela úl�ma vez</p><p>juntos, os companheiros aba�dos na batalha. O des�no que</p><p>o removera do lar desprotegido fizera-lhe afinal uma</p><p>concessão: livrara-o da promiscuidade lúgubre de um fosso</p><p>repugnante; e deixara-o ali há três meses – braços</p><p>largamente abertos, rosto voltado para os céus, para os sóis</p><p>ardentes, para os luares claros, para as estrelas fulgurantes...</p><p>E estava intacto. Murchara apenas. Mumificara</p><p>conservando os traços fisionômicos, de modo a incu�r a</p><p>ilusão exata de um lutador cansado, retemperando-se em</p><p>tranquilo sono, à sombra daquela árvore benfazeja. Nem um</p><p>verme — o mais vulgar dos trágicos analistas da matéria —</p><p>lhe maculara os tecidos. Volvia ao turbilhão da vida sem</p><p>decomposição repugnante, numa exaustão impercep�vel.</p><p>Era um aparelho revelando de modo absoluto, mas</p><p>suges�vo, a secura extrema dos ares.</p><p>(Os sertões, 2016.)</p><p>1 canhoneio: descarga de canhões. 2 icozeiro: arbusto de</p><p>folhas coriáceas, flores de tom verde-pálido e frutos</p><p>bacáceos. 3 palmatória: planta da família das cactáceas, de</p><p>flores amarelo-esverdeadas, com a parte inferior vermelha,</p><p>ou róseas, e bagas vermelhas. 4 Mannlicher: rifle projetado</p><p>por Ferdinand Ri�er von Mannlicher.</p><p>Observa-se o emprego de voz passiva no trecho</p><p>13@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) “Descansava... havia três meses.” (3º parágrafo)</p><p>b) “Caíra, certo, derreando-se à violenta pancada que lhe</p><p>sulcara a fronte, manchada de uma escara preta.” (4º</p><p>parágrafo)</p><p>c) “Nem um verme — o mais vulgar dos trágicos analistas da</p><p>matéria — lhe maculara os tecidos.” (5º parágrafo)</p><p>d) “Volvia ao turbilhão da vida sem decomposição</p><p>repugnante, numa exaustão impercep�vel.” (5º parágrafo)</p><p>e) “E ao enterrarem-se, dias depois, os mortos, não fora</p><p>percebido.” (4º parágrafo).</p><p>GR0319 - (Fuvest)</p><p>(...) procurei adivinhar o que se passa na alma duma</p><p>cachorra. Será que há mesmo alma em cachorro? Não me</p><p>importo. O meu bicho morre desejando acordar num mundo</p><p>cheio de preás. Exatamente o que todos nós desejamos. A</p><p>diferença é que eu quero que eles apareçam antes do sono,</p><p>e padre Zé Leite pretende que eles nos venham em sonhos,</p><p>mas no fundo todos somos como a minha cachorra Baleia e</p><p>esperamos preás. (...)</p><p>Carta de Graciliano Ramos a sua esposa.</p><p>(...) Uma angús�a apertou-lhe o pequeno coração. Precisava</p><p>vigiar as cabras: àquela hora cheiros de suçuarana deviam</p><p>andar pelas ribanceiras, rondar as moitas afastadas.</p><p>Felizmente os meninos dormiam na esteira, por baixo do</p><p>caritó onde sinhá Vitória guardava o cachimbo.</p><p>(...)</p><p>Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de</p><p>preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme.</p><p>As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num</p><p>pá�o enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo</p><p>cheio de preás, gordos, enormes.</p><p>Graciliano Ramos, Vidas secas.</p><p>A comparação entre os fragmentos, respec�vamente, da</p><p>Carta e de Vidas secas, permite afirmar que</p><p>a) “será que há mesmo” e “acordaria feliz” sugerem dúvida.</p><p>b) “procurei adivinhar” e “precisava vigiar” significam</p><p>necessidade.</p><p>c) “no fundo todos somos” e “andar pelas ribanceiras”</p><p>indicam lugar.</p><p>d) “padre Zé Leite pretende” e “Baleia queria dormir”</p><p>indicam intencionalidade.</p><p>e) “todos nós desejamos” e “dormiam na esteira” indicam</p><p>possibilidade.</p><p>GR0087 - (Enem)</p><p>Novas tecnologias</p><p>Atualmente, prevalece na mídia um discurso de exaltação</p><p>das novas tecnologias, principalmente aquelas ligadas às</p><p>a�vidades de telecomunicações. Expressões frequentes</p><p>como “o futuro já chegou”, “maravilhas tecnológicas” e</p><p>“conexão total com o mundo” “fei�chizam” novos produtos,</p><p>transformando-os em objetos do desejo, de consumo</p><p>obrigatório. Por esse mo�vo, carregamos hoje nos bolsos,</p><p>bolsas e mochilas o “futuro” tão festejado.</p><p>Todavia, não podemos reduzir-nos a meras ví�mas de um</p><p>aparelho midiá�co perverso, ou de um aparelho capitalista</p><p>controlador. Há perversão, certamente, e controle, sem</p><p>sombra de dúvida. Entretanto, desenvolvemos uma relação</p><p>simbió�ca de dependência mútua com os veículos de</p><p>comunicação, que se estreita a cada imagem compar�lhada</p><p>e a cada dossiê pessoal transformado em objeto público de</p><p>entretenimento.</p><p>Não mais como aqueles acorrentados na caverna de</p><p>Platão, somos livres para nos aprisionar por espontânea</p><p>vontade a esta relação sadomasoquista com as estruturas</p><p>midiá�cas, na qual tanto controlamos quanto somos</p><p>controlados.</p><p>SAMPAIO, A. S. A micro�sica do espetáculo. Disponível em:</p><p>h�p://observatoriodaimpresa.com.br. Acesso em: 1 mar.</p><p>2013 (adaptada).</p><p>Ao escrever um ar�go de opinião, o produtor precisa criar</p><p>uma base de orientação linguís�ca que permita alcançar</p><p>os</p><p>leitores e convencê-los com relação ao ponto de vista</p><p>defendido. Diante disso, nesse texto, a escolha das formas</p><p>verbais em destaque obje�va</p><p>a) criar relação de subordinação entre leitor e autor, já que</p><p>ambos usam as novas tecnologias.</p><p>b) enfa�zar a probabilidade de que toda população brasileira</p><p>esteja aprisionada às novas tecnologias.</p><p>c) indicar, de forma clara, o ponto de vista de que hoje as</p><p>pessoas são controladas pelas novas tecnologias.</p><p>d) tornar o leitor copar�cipe do ponto de vista de que ele</p><p>manipula as novas tecnologias e por elas é manipulado.</p><p>e) demonstrar ao leitor sua parcela de responsabilidade por</p><p>deixar que as novas tecnologias controlem as pessoas.</p><p>GR0285 - (Unesp)</p><p>Leia a crônica de Machado de Assis, publicada em</p><p>19.05.1888.</p><p>Eu pertenço a uma família de profetas après coup 1,</p><p>post facto 2, depois do gato morto, ou como melhor nome</p><p>tenha em holandês. Por isso digo, e juro se necessário for,</p><p>que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim</p><p>prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos</p><p>debates, tratei de alforriar um molecote que �nha, pessoa</p><p>dos seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada;</p><p>entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos,</p><p>e dei um jantar.</p><p>Neste jantar, a que os meus amigos deram o nome</p><p>de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco</p><p>pessoas, conquanto as no�cias dissessem trinta e três (anos</p><p>de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.</p><p>No golpe do meio (coup du milieu 3, mas eu prefiro</p><p>falar a minha língua), levantei-me eu com a taça de</p><p>champanha e declarei que, acompanhando as ideias</p><p>pregadas por Cristo, há dezoito séculos, res�tuía a liberdade</p><p>14@professorferretto @prof_ferretto</p><p>ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira</p><p>devia acompanhar as mesmas ideias e imitar o meu</p><p>exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus,</p><p>que os homens não podiam roubar sem pecado.</p><p>Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala,</p><p>como um furacão, e veio a abraçar-me os pés. Um dos meus</p><p>amigos (creio que é ainda meu sobrinho) pegou de outra</p><p>taça, e pediu à ilustre assembleia que correspondesse ao ato</p><p>que eu acabava de publicar, brindando ao primeiro dos</p><p>cariocas. Ouvi cabisbaixo; fiz outro discurso agradecendo, e</p><p>entreguei a carta ao molecote. Todos os lenços comovidos</p><p>apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi</p><p>mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão</p><p>pintando o meu retrato, e suponho que a óleo.</p><p>No dia seguinte, chamei Pancrácio e disse-lhe com</p><p>rara franqueza:</p><p>— Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens</p><p>casa amiga, já conhecida e tens mais um ordenado, um</p><p>ordenado que…</p><p>— Oh! meu senhô! fico.</p><p>— … Um ordenado pequeno, mas que há de crescer.</p><p>Tudo cresce neste mundo; tu cresceste imensamente.</p><p>Quando nasceste, eras um pirralho deste tamanho; hoje</p><p>estás mais alto que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro</p><p>dedos…</p><p>— Artura não qué dizê nada, não, senhô…</p><p>— Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis; mas</p><p>é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales</p><p>muito mais que uma galinha.</p><p>— Eu vaio um galo, sim, senhô.</p><p>— Justamente. Pois seis mil-réis. No fim de um ano,</p><p>se andares bem, conta com oito. Oito ou sete.</p><p>Pancrácio aceitou tudo; aceitou até um peteleco que</p><p>lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas;</p><p>efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco,</p><p>sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil</p><p>adquirido por um �tulo que lhe dei. Ele con�nuava livre, eu</p><p>de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos.</p><p>Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio; daí para</p><p>cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro</p><p>puxão de orelhas, e chamo-lhe besta quando lhe não chamo</p><p>filho do diabo; coisas todas que ele recebe humildemente, e</p><p>(Deus me perdoe!) creio que até alegre.</p><p>O meu plano está feito; quero ser deputado, e, na</p><p>circular que mandarei aos meus eleitores, direi que, antes,</p><p>muito antes de abolição legal, já eu, em casa, na modés�a da</p><p>família, libertava um escravo, ato que comoveu a toda a</p><p>gente que dele teve no�cia; que esse escravo tendo</p><p>aprendido a ler, escrever e contar (simples suposição) é</p><p>então professor de Filosofia no Rio das Cobras; que os</p><p>homens puros, grandes e verdadeiramente polí�cos, não são</p><p>os que obedecem à lei, mas os que se antecipam a ela,</p><p>dizendo ao escravo: és livre, antes que o digam os poderes</p><p>públicos, sempre retardatários, trôpegos e incapazes de</p><p>restaurar a jus�ça na terra, para sa�sfação do céu.</p><p>(Machado de Assis. Crônicas escolhidas, 2013.)</p><p>1 après coup: a posteriori.</p><p>2 post facto: após o fato.</p><p>3 coup du milieu: bebida, às vezes acompanhada de brindes,</p><p>que se tomava no meio de um banquete</p><p>Para evitar a repe�ção de um verbo já mencionado, o</p><p>narrador recorre à elipse de um verbo na frase</p><p>a) “Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como</p><p>um furacão, e veio a abraçar-me os pés.” (4º parágrafo)</p><p>b) “Ouvi cabisbaixo; fiz outro discurso agradecendo, e</p><p>entreguei a carta ao molecote.” (4º parágrafo)</p><p>c) “Quando nasceste, eras um pirralho deste tamanho; hoje</p><p>estás mais alto que eu.” (8º parágrafo)</p><p>d) Pancrácio aceitou tudo; aceitou até um peteleco que lhe</p><p>dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas;</p><p>efeitos da liberdade.” (13º parágrafo)</p><p>e) “Ele con�nuava livre, eu de mau humor; eram dois</p><p>estados naturais, quase divinos.” (13º parágrafo)</p><p>GR0408 - (Unesp)</p><p>Leia o excerto do livro Violência urbana, de Paulo Sérgio</p><p>Pinheiro e Guilherme Assis de Almeida.</p><p>De dia, ande na rua com cuidado, olhos bem abertos.</p><p>Evite falar com estranhos. À noite, não saia para caminhar,</p><p>principalmente se es�ver sozinho e seu bairro for deserto.</p><p>Quando estacionar, tranque bem as portas do carro [...]. De</p><p>madrugada, não pare em sinal vermelho. Se for assaltado,</p><p>não reaja – entregue tudo.</p><p>É provável que você já esteja exausto de ler e ouvir</p><p>várias dessas recomendações. Faz tempo que a ideia de</p><p>integrar uma comunidade e sen�r-se confiante e seguro por</p><p>ser parte de um cole�vo deixou de ser um sen�mento</p><p>comum aos habitantes das grandes cidades brasileiras. As</p><p>noções de segurança e de vida comunitária foram</p><p>subs�tuídas pelo sen�mento de insegurança e pelo</p><p>isolamento que o medo impõe. O outro deixa de ser visto</p><p>como parceiro ou parceira em potencial; o desconhecido é</p><p>encarado como ameaça. O sen�mento de insegurança</p><p>transforma e desfigura a vida em nossas cidades. De lugares</p><p>de encontro, troca, comunidade, par�cipação cole�va, as</p><p>moradias e os espaços públicos transformam-se em palco do</p><p>horror, do pânico e do medo.</p><p>A violência urbana subverte e desvirtua a função das</p><p>cidades, drena recursos públicos já escassos, ceifa vidas –</p><p>especialmente as dos jovens e dos mais pobres –, dilacera</p><p>famílias, modificando nossas existências drama�camente</p><p>para pior. De potenciais cidadãos, passamos a ser</p><p>consumidores do medo. O que fazer diante desse quadro de</p><p>insegurança e pânico, denunciado diariamente pelos jornais</p><p>e alardeado pela mídia eletrônica? Qual tarefa impõe-se aos</p><p>cidadãos, na democracia e no Estado de direito?</p><p>(Violência urbana, 2003.)</p><p>O trecho “As noções de segurança e de vida comunitária</p><p>foram subs�tuídas pelo sen�mento de insegurança e pelo</p><p>isolamento que o medo impõe.” (2º parágrafo) foi construído</p><p>na voz passiva. Ao se adaptar tal trecho para a voz a�va, a</p><p>15@professorferretto @prof_ferretto</p><p>locução verbal “foram subs�tuídas” assume a seguinte</p><p>forma:</p><p>a) subs�tui.</p><p>b) subs�tuíram.</p><p>c) subs�tuiriam.</p><p>d) subs�tuiu.</p><p>e) subs�tuem.</p><p>GR0288 - (Unesp)</p><p>Leia o trecho do ensaio “As mutações do poder e os limites</p><p>do humano”, de Newton Bigno�o.</p><p>A modernidade se construiu a par�r do</p><p>Renascimento à luz da famosa asserção do filósofo italiano</p><p>Pico della Mirandola em seu Discurso sobre a dignidade do</p><p>homem (1486), segundo o qual fomos criados livres e com o</p><p>poder de escolher o que desejamos ser. Diferentemente dos</p><p>outros seres, o homem pode cons�tuir a própria face e</p><p>transitar pelos caminhos mais elevados, ou degenerar até o</p><p>nível inferior das bestas.</p><p>Para Pico della Mirandola, o homem é um ser</p>

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