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<p>Caro aluno</p><p>O Hexag Medicina é, desde 2010, referência na preparação pré-vestibular de candidatos às melhores universidades do Brasil.</p><p>Ao elaborar o seu Sistema de Ensino, o Hexag Medicina considerou como principal diferencial em relação aos concorrentes sua exclu-</p><p>siva metodologia em período integral, com aulas e Estudo Orientado (E.O.), e seu plantão de dúvidas personalizado.</p><p>Você está recebendo o livro Estudo Orientado. Com o objetivo de verificar se você aprendeu os conteúdos estudados, este material</p><p>apresenta nove categorias de exercícios:</p><p>aprendizagem: exercícios introdutórios de múltipla escolha para iniciar o processo de fixação da matéria dada em aula.</p><p>Fixação: exercícios de múltipla escolha que apresentam um grau de dificuldade médio, buscando a consolidação do aprendi-</p><p>zado.</p><p>Complementar: exercícios de múltipla escolha com alto grau de dificuldade.</p><p>dissertativo: exercícios dissertativos seguindo a forma da segunda fase dos principais vestibulares do Brasil.</p><p>enem: exercícios que abordam a aplicação de conhecimentos em situações do cotidiano, preparando o aluno para esse tipo de</p><p>exame.</p><p>objetivas (unesp, Fuvest, uniCamp e uniFesp): exercícios de múltipla escolha das universidades públicas de São Paulo.</p><p>dissertativas (unesp, Fuvest, uniCamp e uniFesp): exercícios dissertativos da segunda fase das universidades públicas de São</p><p>Paulo</p><p>uerj (exame de qualiFiCação): exercícios de múltipla escolha que possibilitam a consolidação do aprendizado para o vestibular</p><p>da Uerj.</p><p>uerj (exame disCursivo): exercícios dissertativos que possibilitam a consolidação do aprendizado para o vestibular da Uerj.</p><p>Bons estudos!</p><p>© Hexag SiStema de enSino, 2018</p><p>Direitos desta edição: Hexag Sistema de Ensino, São Paulo, 2023</p><p>Todos os direitos reservados.</p><p>Coordenador-geral</p><p>Murilo de Almeida Gonçalves</p><p>reSponSabilidade editorial, programação viSual, reviSão e peSquiSa iConográfiCa</p><p>Hexag Editora</p><p>editoração eletrôniCa</p><p>Letícia de Brito</p><p>Matheus Franco da Silveira</p><p>projeto gráfiCo e Capa</p><p>Raphael de Souza Motta</p><p>imagenS</p><p>Freepik (https://www.freepik.com)</p><p>Shutterstock (https://www.shutterstock.com)</p><p>Pixabay (https://www.pixabay.com)</p><p>Todas as citações de textos contidas neste livro didático estão de acordo com a legislação, tendo</p><p>por fim único e exclusivo o ensino. Caso exista algum texto a respeito do qual seja necessária a in-</p><p>clusão de informação adicional, ficamos à disposição para o contato pertinente. Do mesmo modo,</p><p>fizemos todos os esforços para identificar e localizar os titulares dos direitos sobre as imagens pu-</p><p>blicadas e estamos à disposição para suprir eventual omissão de crédito em futuras edições.</p><p>O material de publicidade e propaganda reproduzido nesta obra é usado apenas para fins didáticos, não repre-</p><p>sentando qualquer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) e da editora.</p><p>2023</p><p>Todos os direitos reservados para Hexag Sistema de Ensino.</p><p>Rua Luís Góis, 853 – Mirandópolis – São Paulo – SP</p><p>CEP: 04043-300</p><p>Telefone: (11) 3259-5005</p><p>www.hexag.com.br</p><p>contato@hexag.com.br</p><p>ENTRE LETRAS</p><p>GRAMÁTICA 5</p><p>AULAS 45 E 46: ORTOGRAFIA 006</p><p>AULAS 47 E 48: FUNÇÕES DE "A", "QUE" E "SE 022</p><p>AULAS 49 E 50: PONTUAÇÃO I 039</p><p>AULAS 51 E 52: PONTUAÇÃO II 060</p><p>LITERATURA 81</p><p>AULAS 45 E 46: PROSA (60-HOJE) 082</p><p>AULAS 47 E 48: O TEATRO NO BRASIL 104</p><p>AULAS 49 E 50: LITERATURA E OUTRAS ARTES 111</p><p>AULAS 51 E 52: LITERATURA LUSÓFONA CONTEMPORÂNEA:</p><p>PERCEPÇÕES CRÍTICAS SOBRE A LUSOFONIA 124</p><p>SUMÁRIO</p><p>GRAMÁTICA</p><p>ENTRE</p><p>LETRAS</p><p>CADERNO</p><p>DE E.O.</p><p>6  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>E.O. AprEndizAgEm</p><p>1. (IFSP) De acordo com a norma padrão da Língua Por-</p><p>tuguesa, assinale a alternativa em que todas as palavras</p><p>devam ser acentuadas de acordo com a mesma regra de</p><p>acentuação do vocábulo sublinhado na placa abaixo.</p><p>a) Facil/animo (substantivo)/apendice</p><p>b) Ingenuo/varzea/magoa (substantivo)</p><p>c) Virus/alcoolatra/unico</p><p>d) Alibi/antibiotico/monossilabica</p><p>e) Album/maniaco/amidala</p><p>2. (UTFPR) O texto abaixo apresenta inadequações, de</p><p>acordo com a norma padrão. A(s) questão(ões) a seguir</p><p>analisa(m) alguns desses problemas.</p><p>No caminho de Montevideo, dirigindo pela rota beira-</p><p>-mar obrigatóriamente voce vai passar pelo porto de</p><p>Montevideo, lá existe um mercado muito sofisticado com</p><p>ótimos restaurantes. Vale [à pena] uma parada para al-</p><p>moçar no El Palenque, um dos melhores restaurantes do</p><p>Uruguai para comer carnes, é incrivel lá dentro! Paramos</p><p>para conhecer, mas não almoçamos no El Palenque dessa</p><p>vez, pois estavamos com o almoço marcado na Bodega</p><p>Bousa e depois a visita a vinicola. Seguimos viagem pela</p><p>rota 5 em direção a Bodega Bousa (fique atento as pla-</p><p>cas, pois voce pode passar despercebido por elas).</p><p>(Disponível em: http://cozinhachic.com/Diario-De-viagemmonteviDeo-</p><p>vinicolas-e-restaurantes. acesso em 16/01/2017).</p><p>No texto há algumas palavras com erro de acentuação</p><p>gráfica. Assinale a alternativa que registra todas elas</p><p>com os erros corrigidos.</p><p>a) Obrigatoriamente, você, incrível, estávamos, viní-</p><p>cola, você.</p><p>b) Montevidéo, obrigatóriamente, você, pôrto, está-</p><p>vamos, você.</p><p>c) Você, incrível, estávamos, você, pôrto.</p><p>d) Você, incrível, estávamos, vinícola, você.</p><p>e) Montevidéo, obrigatoriamente, você, incrível, viní-</p><p>cola, você.</p><p>3. (COL. Naval) Aumenta o número de adultos que não</p><p>consegue focar sua atenção em uma única coisa por</p><p>muito tempo. São tantos os estímulos e tanta a pressão</p><p>para que o entorno seja completamente desvendado</p><p>que aprendemos a ver e/ou fazer várias coisas ao mes-</p><p>mo tempo. Nós nos tornamos, à semelhança dos com-</p><p>putadores, pessoas multitarefa, não é verdade?</p><p>Vamos tomar como exemplo uma pessoa dirigindo.</p><p>4Ela precisa estar atenta aos veículos que vêm atrás,</p><p>ao lado e à frente, à velocidade média dos carros por</p><p>onde trafega, às orientações do GPS ou de programas</p><p>que sinalizam o trânsito em tempo real, 6às informações</p><p>de alguma emissora de rádio que comenta o trânsito,</p><p>ao planejamento mental feito e refeito várias vezes do</p><p>trajeto que deve fazer para chegar ao seu destino, aos</p><p>semáforos, faixas de pedestres etc.</p><p>Quando me vejo em tal situação, eu me lembro que di-</p><p>rigir, após um dia de intenso trabalho no retorno para</p><p>casa, já foi uma atividade prazerosa e desestressante.</p><p>O uso da internet ajudou a transformar nossa maneira</p><p>de olhar para o mundo. Não mais observamos os deta-</p><p>lhes, por causa de nossa ganância em relação a novas e</p><p>diferentes informações. Quantas vezes sentei em frente</p><p>ao computador para buscar textos sobre um tema e, de</p><p>repente, me dei conta de que estava em temas que em</p><p>nada se relacionavam com meu tema primeiro.</p><p>Aliás, a leitura também sofreu transformações pelo nos-</p><p>so costume de ler na internet. Sofremos de uma ten-</p><p>tação permanente de pular palavras e frases inteiras,</p><p>apenas para irmos direto ao ponto. O problema é que</p><p>alguns textos exigem a leitura atenta de palavra por</p><p>palavra, de frase por frase, para que faça sentido. 5Aliás,</p><p>não é a combinação e a sucessão das palavras que dá</p><p>sentido e beleza a um texto?</p><p>3Se está difícil para nós, adultos, focar nossa atenção,</p><p>imagine, caro leitor, para as crianças. Elas já nasceram</p><p>neste mundo de 8profusão de estímulos de todos os</p><p>tipos; elas são exigidas, desde o início da vida, a dar</p><p>conta de várias coisas ao mesmo tempo; elas são esti-</p><p>muladas com diferentes objetos, sons, imagens etc.</p><p>Aí, um belo dia elas vão para a escola. Professores e</p><p>pais, a partir de então, querem que as crianças prestem</p><p>atenção em uma única coisa por muito tempo. E quando</p><p>elas não conseguem, reclamamos, levamos ao médico,</p><p>ORTOGRAFIALC</p><p>AULAS</p><p>45 E 46 COMPETÊNCIA(s)</p><p>1 e 5</p><p>HABILIDADE(s)</p><p>1, 2, 3 e 17</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 7</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>arriscamos hipóteses de que sejam portadoras de sín-</p><p>dromes que exigem tratamento etc.</p><p>A maioria dessas crianças sabe focar sua atenção, sim.</p><p>Elas já sabem usar programas complexos em seus apa-</p><p>relhos eletrônicos, brincam com jogos desafiantes</p><p>peito,</p><p>Quando houver de possuir-te, esta ardente paixão,</p><p>Eu sentirei em mim, de gozo satisfeito,</p><p>Menor o coração.</p><p>Sei que te amo, e a teus pés a minh’alma abatida</p><p>Beija humilde e feliz o grilhão que a tortura;</p><p>Sei que te amo, e este amor é toda a minha vida,</p><p>Toda a minha ventura.</p><p>Talvez haja entre mim que os passos te acompanho,</p><p>E a abelha que a zumbir vai procurar a flor,</p><p>– Alma ou asas movendo – o mesmo fluido estranho,</p><p>seja instinto ou amor;</p><p>Talvez o que eu presumo irradiação divina,</p><p>Minha nobre paixão, meu fervoroso afeto,</p><p>Por sua vez o sinta o verme da campina,</p><p>O inseto ao pé do inseto...</p><p>(alBerto De oliveira. poesias - segunDa série.</p><p>rio De Janeiro: h. garnier, 1906, p. 20-21.)</p><p>No terceiro verso da quarta estrofe, o eu-poemático escreve</p><p>“o mesmo fluido estranho”. Considerando que o vocábulo</p><p>“fluido” foi adequadamente empregado, explique por que</p><p>o poeta não poderia ter usado a forma acentuada “fluído”.</p><p>4. (Unesp) O acolhimento que dispensou aos seus pro-</p><p>jetos o excelentíssimo senhor ministro do Fomento Na-</p><p>cional, animou o russo a improvisar novos processos que</p><p>levantassem a pecuária no Brasil. Xandu, com o cotovelo</p><p>direito sobre a mesa e a mão respectiva na testa, conside-</p><p>rava Bogóloff com espanto e enternecido agradecimento.</p><p>– Ah! Doutor! disse ele. O senhor vai dar uma glória</p><p>imortal ao meu ministério.</p><p>– Tudo isso, Excelência, é fruto de longos e acurados</p><p>estudos.</p><p>Xandu continuava a olhar embevecido o russo admirá-</p><p>vel; e este aduziu com toda convicção:</p><p>– Por meio da fecundação artificial, Excelência, injec-</p><p>tando germens de uma em outra espécie, consigo ca-</p><p>britos que são ao mesmo tempo carneiros e porcos que</p><p>são cabritos ou carneiros, à vontade.</p><p>Xandu mudou de posição, recostou-se na cadeira; e,</p><p>brincando com o monóculo, disse:</p><p>– Singular! O doutor vai fazer uma revolução nos méto-</p><p>dos de criar! Não haverá objecções quanto à possibili-</p><p>dade, à viabilidade?</p><p>– Nenhuma, Excelência. Lido com as últimas descober-</p><p>tas da ciência e a ciência é infalível.</p><p>20  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>– Vai ser uma revolução!...</p><p>– É a mesma revolução que a química fez na agricultu-</p><p>ra. Penso assim há muitos anos, mas não me tem sido</p><p>possível experimentar os meus processos por falta de</p><p>meios; entretanto, em pequena escala já fiz.</p><p>– O quê?</p><p>– Uma barata chegar ao tamanho de um rato.</p><p>– Oh! Mas... não tem utilidade.</p><p>– Não há dúvida. Uma experiência ao meu alcance, mas,</p><p>logo que tenha meios...</p><p>– Não seja essa a dúvida. Enquanto eu for ministro, não</p><p>lhe faltarão. O governo tem muito prazer em ajudar to-</p><p>das as tentativas nobres e fecundas para o levantamen-</p><p>to das indústrias agrícolas.</p><p>– Agradeço muito e creia-me que ensaiarei outros pla-</p><p>nos. Tenho outras ideias!</p><p>– Outras? fez em resposta o Xandu.</p><p>– É verdade. Estudei um método de criar peixes em seco.</p><p>– Milagroso! Mas ficam peixes?</p><p>– Ficam... A ciência não faz milagres. A cousa é simples.</p><p>Toda a vida veio do mar, e, devido ao resfriamento dos</p><p>mares e à sua concentração salina, nas épocas geológi-</p><p>cas, alguns dos seus habitantes foram obrigados a sair</p><p>para a terra e nela criarem internamente, para a vida de</p><p>suas células, meios térmicos e salinos iguais àqueles em</p><p>que elas viviam nos mares, de modo a continuar per-</p><p>feitamente a vida que tinham. Procedo artificialmente</p><p>da forma que a cega natureza procedeu, eliminando,</p><p>porém, o mais possível, o factor tempo, isto é: provoco</p><p>o organismo do peixe a criar para a sua célula um meio</p><p>salino e térmico igual àquele que ele tinha no mar.</p><p>– É engenhoso!</p><p>– Perfeitamente científico.</p><p>Xandu esteve a pensar, a considerar um tempo perdido,</p><p>olhou o russo insistentemente por detrás do monóculo</p><p>e disse:</p><p>– Não sabe o doutor como me causa admiração o arrojo</p><p>de suas ideias. São originais e engenhosas e o que tisna</p><p>um pouco essa minha admiração, é que elas não partam</p><p>de um nacional. Não sei, meu caro doutor, como é que nós</p><p>não temos desses arrojos! Vivemos terra à terra, sempre</p><p>presos à rotina! Pode ir descansado que a República vai</p><p>aproveitar as suas ideias que hão de enriquecer a pátria.</p><p>Ergueu-se e trouxe Bogóloff até à porta do gabinete,</p><p>com o seu passo de reumático.</p><p>Dentro de dias Grégory Petróvitch Bogóloff era nomea-</p><p>do diretor da Pecuária Nacional.</p><p>(afonso henriques De lima Barreto. numa e a ninfa.)</p><p>O MUNDO ASSOMBRADO PELOS DEMÔNIOS</p><p>Sim, o mundo seria um lugar mais interessante se hou-</p><p>vesse UFOS escondidos nas águas profundas, perto das</p><p>Bermudas, devorando os navios e os aviões, ou se os</p><p>mortos pudessem controlar as nossas mãos e nos escre-</p><p>ver mensagens. Seria fascinante se os adolescentes fos-</p><p>sem capazes de tirar o telefone do gancho apenas com o</p><p>pensamento, ou se nossos sonhos vaticinassem acurada-</p><p>mente o futuro com uma frequência que não pudesse ser</p><p>atribuída ao acaso e ao nosso conhecimento do mundo.</p><p>Esses são exemplos de pseudociência. Eles parecem usar os</p><p>métodos e as descobertas da ciência, embora na realidade</p><p>sejam infiéis à sua natureza – frequentemente porque se</p><p>baseiam em evidência insuficiente ou porque ignoram pis-</p><p>tas que apontam para outro caminho. Fervilham de creduli-</p><p>dade. Com a cooperação desinformada (e frequentemente</p><p>com a conivência cínica) dos jornais, revistas, editoras, rá-</p><p>dio, televisão, produtoras de filmes e outros órgãos afins,</p><p>essas ideias se tornam acessíveis em toda parte.</p><p>(...)</p><p>Não é preciso um diploma de nível superior para co-</p><p>nhecer a fundo os princípios do ceticismo, como bem</p><p>demonstram muitos compradores de carros usados que</p><p>fazem bons negócios. A ideia da aplicação democrática</p><p>do ceticismo é que todos deveriam ter as ferramentas</p><p>essenciais para avaliar efetiva e construtivamente as</p><p>alegações de quem se diz possuidor do conhecimento. O</p><p>que a ciência exige é tão somente que façamos uso dos</p><p>mesmos níveis de ceticismo que empregamos ao com-</p><p>prar um carro usado ou ao julgar a qualidade dos anal-</p><p>gésicos ou da cerveja pelos seus comerciais na televisão.</p><p>Mas as ferramentas do ceticismo em geral não estão à</p><p>disposição dos cidadãos de nossa sociedade. Mal são</p><p>mencionadas nas escolas, mesmo quando se trata da</p><p>ciência, que é seu usuário mais ardoroso, embora o ce-</p><p>ticismo continue a brotar espontaneamente dos desa-</p><p>pontamentos da vida diária. A nossa política, economia,</p><p>propaganda e religiões (Antiga e Nova Era) estão inun-</p><p>dadas de credulidade. Aqueles que têm alguma coisa</p><p>para vender, aqueles que desejam influenciar a opinião</p><p>pública, aqueles que estão no poder, diria um cético,</p><p>têm um interesse pessoal em desencorajar o ceticismo.</p><p>(carl sagan. o munDo assomBraDo pelos Demônios.</p><p>traDuçÃo De rosaura eichemBerg.)</p><p>PREOCUPAÇÃO COM CIGARRO.</p><p>QUE FAZER?</p><p>Quando você acende um cigarro, acende também uma</p><p>preocupação?</p><p>Bem, se você anda preocupado mas gosta muito de fu-</p><p>mar, quem sabe você muda para um cigarro de baixos</p><p>teores de nicotina e alcatrão?</p><p>Quer uma ideia? Century.</p><p>Century é diferente dos outros cigarros de baixos teo-</p><p>res, por motivos fundamentais.</p><p>Century jogou lá embaixo a nicotina e o alcatrão, mas</p><p>não acabou com seu prazer de fumar.</p><p>Isto só foi possível, evidentemente, graças a uma cui-</p><p>dadosa seleção de fumos do mais alto grau de pureza</p><p>e suavidade.</p><p>E à competência do filtro especial High Air Dilution,</p><p>consagrado internacionalmente.</p><p>Não é o cigarro sob medida para você também?</p><p>Pense nisto.</p><p>(texto De puBliciDaDe De cigarros De início Da DécaDa De 1980.)</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 21</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>No quinto parágrafo do texto de Lima Barreto ocorre</p><p>a palavra “germens”, paroxítona terminada em “-ns”,</p><p>que aparece grafada corretamente sem nenhum acento</p><p>gráfico. Tomando por base esta informação,</p><p>a) explique a razão pela qual se escreve no plural</p><p>“germens” sem acento gráfico, enquanto a forma do</p><p>singular “gérmen” recebe tal acento.</p><p>b) apresente outro vocábulo de seu conhecimento em</p><p>que se observa essa mesma diferença de acentuação</p><p>gráfica entre a forma do singular e a forma do plural.</p><p>gAbAritO</p><p>E.O. Aprendizagem</p><p>1. B 2. A 3.</p><p>D 4. D 5. C</p><p>6. A 7. A 8. B 9. C 10. A</p><p>E.O. Fixação</p><p>1. E 2. C 3. E 4. C 5. B</p><p>6. A 7. B 8. B 9. C 10. B</p><p>E.O. Complementar</p><p>1. D 2. C 3. B 4. B 5. A</p><p>E.O. Dissertativo</p><p>1. A falta de acento na forma tônica dá (verbo dar) leva o leitor</p><p>a ler o vocábulo como a preposição "de" contraída com o artigo</p><p>"a", o que gera obscuridade e incoerência no texto e obriga o</p><p>leitor a reler o trecho, buscando descobrir-lhe o sentido.</p><p>2.</p><p>a) A moça quis dizer que o rapaz transpirava muito. O rapaz</p><p>entendeu que ela estava manifestando o desejo de ser dele.</p><p>b) O rapaz entendeu a frase da moça - "Você sua" –</p><p>como se fosse "Vou ser sua". A confusão fonológica</p><p>deveu-se ao fato de o rapaz ter tomado a frase da</p><p>moça pela pronúncia popular.</p><p>3.</p><p>a) O destaque do termo “tuiter” enfatiza a falta de</p><p>prática do autor na rede social a que está associada a</p><p>palavra inglesa “twitter” provocada pelo desinteresse</p><p>que o autor nutre por esse tipo de comunicação.</p><p>b) Sim, Luís Fernando Veríssimo reage com bom humor e</p><p>resignação à autoria incorreta que lhe é atribuída, como no</p><p>trecho: "Como a daquela senhora que reagiu com indigna-</p><p>ção quando eu inventei de dizer que um texto que ela lera</p><p>não era meu:</p><p>— É sim.</p><p>— Não, eu acho que...</p><p>— É sim senhor!</p><p>Concordei que era, para não apanhar. O fato de afirmar</p><p>que concordou só para não ser submetido a violência física</p><p>executada por uma senhora confere humor ao texto e de-</p><p>monstra a submissão do autor perante a situação.</p><p>4. COMPOSIÇÕES INFANTIS</p><p>Comportamento</p><p>Minha mãe diz que não suporta o meu comportamento, mas eu</p><p>é que não entendo o dela. Uma hora, ela me dá uma porção de</p><p>beijinhos; outra hora, põe-me de castigo. Em algumas ocasiões,</p><p>ela fala que eu sou tudo na vida dela, no entanto, em outras, ela</p><p>grita comigo, fala que sou um menino impossível e que, quando o</p><p>meu pai chegar, verei que me acontecerá. Há ocasiões nas quais</p><p>ela chora muito por não saber o que fazer comigo; em outras, eu a</p><p>ouço dizer às visitas que sou muito bonzinho e carinhoso. Por isso,</p><p>desconfio que minha mãe seja a médica e a monstra.</p><p>5. ESPECTADOR é substantivo; denomina aquele que presencia</p><p>um fato, que observa algo ou assiste a um espetáculo.</p><p>EXPECTADOR é adjetivo ou substantivo; refere-se àquele que se</p><p>mantém na expectativa, à espera de algo.</p><p>E.O. Dissertativas</p><p>(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)</p><p>1.</p><p>a) Por se tratar do museu da língua portuguesa.</p><p>b) A palavra "raiz" não deve ser acentuada por ser</p><p>uma oxítona terminada em "Z." – ra-iz.</p><p>No caso de raízes, há o acento por haver um "i" tôni-</p><p>co, formando hiato, sozinho na sílaba - ra-í-zes.</p><p>2. A colocação de acento agudo na palavra “bróder” obedece à</p><p>regra de acentuação das palavras paroxítonas terminadas em “r”.</p><p>3. A forma acentuada da palavra fluído caracteriza o particípio</p><p>do verbo fluir, e sua utilização não é adequada ao contexto do</p><p>poema. Além disso, o texto é formado por quartetos rigorosa-</p><p>mente metrificados, com estrofes de três versos alexandrinos (ou</p><p>dodecassílabos) e um hexassílabo. Para manter a regularidade</p><p>métrica, o poeta utilizou o substantivo “fluido” (com um ditongo,</p><p>o que o caracteriza como uma palavra de duas sílabas). Dessa</p><p>maneira, o verso apresenta a seguinte escansão:</p><p>Al/ma ou/a/sas/mo/ven/do o/mes/mo/flui/do es/tra/nho</p><p>4.</p><p>a) Acentuam-se as palavras paroxítonas termindadas</p><p>em “-n” ; por isso, acentua-se gérmen. As palavras</p><p>terminadas em “-ns”, porém, acentuam-se quando</p><p>são oxítonas (parabéns, por exemplo). Observe-se</p><p>que as palavras terminadas em “-ens” são quase</p><p>sempre formas de plural das palavras que, no singu-</p><p>lar, terminam em “-em”. A regra de acentuação das</p><p>oxítonas manda que elas sejam acentuadas quando</p><p>terminadas em “-em” seguido ou não de “-s”. Con-</p><p>clusão: a regra para acentuar gérmen é uma e a que</p><p>faz com que não se acentue germens é outra.</p><p>b) Hífen - hifens.</p><p>22  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>E.O. AprEndizAgEm</p><p>1. (CFTMG) Com o balanço do trem, seu quimono vo-</p><p>ejava suavemente por sobre o jornal de Opalka, que,</p><p>irritado, revirava os olhos a cada vez que o tecido se</p><p>sobrepunha ao texto que lia.</p><p>stigger, veronica. opisanie Œwiata. sÃo paulo: sesi-sp, 2018. p. 37.</p><p>O termo destacado acima apresenta sentido sintático</p><p>equivalente à sua ocorrência no trecho</p><p>a) “Bopp ensaiou falar, mas percebeu que Opalka</p><p>não estava prestando atenção.” (p. 36).</p><p>b) “Seu ombro encostou no ombro de Opalka, que o</p><p>olhou de esguelha.” (p. 37).</p><p>c) “Era a primeira vez que Opalka se via sozinho em</p><p>toda a viagem.” (p. 133).</p><p>d) “Olhou para os próprios sapatos e viu que tam-</p><p>bém estavam gastos.” (p. 135).</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>A(s) questão(ões) abaixo refere(m)-se ao texto a seguir.</p><p>Um muro para pichar</p><p>Em frente da minha casa existe um muro enorme, todo</p><p>branco. No Facebook, uma postagem me chama aten-</p><p>ção: é um muro virtual e a brincadeira é pichá-lo com</p><p>qualquer frase que vier à cabeça. Não quero pichar o</p><p>mundo virtual, quero um muro de verdade, igual a este</p><p>de frente para a minha casa. Pelas ruas e avenidas, vou</p><p>trombando nos muros espalhados pelos quarteirões,</p><p>repletos de frases tolas, xingamentos e erros de portu-</p><p>guês. Eu bem poderia modificar isso.</p><p>“O caminho se faz caminhando”, essa frase genial, tão</p><p>forte e certeira do poeta espanhol Antonio Machado,</p><p>merece aparecer em diversos muros. Basta pensar um</p><p>pouco e imaginar; de fato, não há caminho, o caminho</p><p>se faz ao caminhar.</p><p>De repente, vejo um prédio inteiro marcado por riscos</p><p>sem sentido e me calo. Fui tentar entender e não me</p><p>faltaram explicações: é grafite, é tribal, coisas de difí-</p><p>cil compreensão. As explicações prosseguem: grafite é</p><p>arte, pichar é vandalismo. O pequeno vândalo escon-</p><p>dido dentro de mim busca frases na memória e, então,</p><p>sinto até o cheiro da lama de Woodstock em letras gar-</p><p>rafais: “Não importam os motivos da guerra, a paz é</p><p>muito mais importante”.</p><p>Feito uma folha deslizando pelas águas correntes do rio</p><p>me surge a imagem de John Lennon; junto dela, outra</p><p>frase: “O sonho não acabou”, um tanto modificada pela</p><p>minha mão, tornando-se: o sonho nunca acaba. E minha</p><p>cabeça já se transforma num muro todo branco.</p><p>Desde os primórdios dos tempos, usamos a escrita</p><p>como forma de expressão, os homens das cavernas</p><p>deixaram pichados nas rochas diversos sinais. Num</p><p>ato impulsivo, comprei uma tinta spray, atravessei a</p><p>rua chacoalhando a lata e assim prossegui até chegar</p><p>à minha sala, abraçado pela ansiedade aumentada a</p><p>cada passo. Coloquei o dedo no gatilho do spray e fi-</p><p>quei respirando fundo, juntando coragem e na mente</p><p>desenhando a primeira frase para pichar, um tipo de</p><p>lema, aquela do Lô Borges: “Os sonhos não envelhe-</p><p>cem” – percebo, num sorrir de canto de boca, o quanto</p><p>os sonhos marcam a minha existência.</p><p>Depois arriscaria uma frase que criei e gosto: “A lagarta</p><p>nunca pensou em voar, mas daí, no espanto da meta-</p><p>morfose, lhe nasceram asas...”. Ou outra, completamen-</p><p>te tola, me ocorreu depois de assistir a um documentá-</p><p>rio, convencido de que o panda é um bicho cativante,</p><p>mas vive distante daqui e sua agonia não é menor das</p><p>dos nossos bichos. Assim pensando, as letras duma</p><p>nova pichação se formaram num estalo: “Esqueçam os</p><p>pandas, salvem as jaguatiricas!”.</p><p>No muro do cemitério, escreveria outra frase que gosto:</p><p>“Em longo prazo estaremos todos mortos”, do John Ke-</p><p>ynes, que trago comigo desde os tempos da faculdade.</p><p>Frases de túmulos ganhariam os muros; no de Salvador</p><p>Allende está consagrado, de autoria desconhecida: “Al-</p><p>guns anos de sombras não nos tornarão cegos.” Sempre</p><p>apegado aos sonhos, picharia também uma do Charles</p><p>Chaplin: “Nunca abandone os seus sonhos, porque se</p><p>um dia eles se forem, você continuará vivendo, mas terá</p><p>deixado de existir”.</p><p>Claro, eu poderia escrever essas frases num livro, num</p><p>caderno ou no papel amassado que embrulha o pão da</p><p>manhã, mas o muro me cativa, porque está ao alcance</p><p>das vistas de todos e quero gritar para o mundo as frases</p><p>que gosto; são tantas, até temo que me</p><p>faltem os muros.</p><p>Poderia passar o dia todo pichando frases, as linhas vão</p><p>se acabando e ainda tenho tanto a pichar... “É preciso</p><p>muito tempo para se tornar jovem”, de Picasso, “Há um</p><p>certo prazer na loucura que só um louco conhece”, de</p><p>Neruda, “Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me</p><p>bem devagarzinho”, cravada por Mário Quintana...</p><p>Encerro com Nietzsche: “Isto é um sonho, bem sei, mas</p><p>quero continuar a sonhar”, que serve para exemplificar o</p><p>que sinto neste momento, aqui na minha sala, escreven-</p><p>do no computador o que gostaria de jogar nos muros lá</p><p>FUNÇÕES DE "A", "QUE" E "SE"LC</p><p>AULAS</p><p>47 E 48 COMPETÊNCIA(s)</p><p>1</p><p>HABILIDADE(s)</p><p>1, 2 e 3</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 23</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>fora, a custo me mantendo calmo, um olho na tela, outro</p><p>voltado para o lado oposto da rua. Lá tem aquele muro</p><p>enorme, branco e virgem, clamando por frases. Não sei</p><p>quanto tempo resistirei até puxar o gatilho do spray.</p><p>aDaptaDo De: alvez, a. l. um muro para pichar. correio Do</p><p>estaDo, fev 2018. Disponível em acesso em: ago. 2018.</p><p>2. (ITA) Assinale a alternativa em que o item sublinhado</p><p>NÃO é pronome relativo.</p><p>a) a brincadeira é pichá-lo com qualquer frase que</p><p>vier à cabeça</p><p>b) ou no papel amassado que embrulha o pão da</p><p>manhã</p><p>c) são tantas, até temo que me faltem os muros</p><p>d) há um certo prazer na loucura que só um louco</p><p>conhece</p><p>e) que serve para exemplificar o que sinto neste</p><p>momento</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:</p><p>Política pública de saneamento básico: as bases do sa-</p><p>neamento como direito de cidadania e os debates so-</p><p>bre novos modelos de gestão</p><p>ana lucia Britto</p><p>professora associaDa Do prourB-fau-ufrJ</p><p>pesquisaDora Do inct oBservatório Das metrópoles</p><p>A Assembleia Geral da ONU reconheceu em 2010 que</p><p>o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário</p><p>é indispensável para o pleno gozo do direito à vida. É</p><p>preciso, para tanto, fazê-lo de modo financeiramente</p><p>acessível e com qualidade para todos, sem discrimina-</p><p>ção. Também obriga os Estados a eliminarem progres-</p><p>sivamente as desigualdades na distribuição de água e</p><p>esgoto entre populações das zonas rurais ou urbanas,</p><p>ricas ou pobres.</p><p>No Brasil, dados do Ministério das Cidades indicam que</p><p>cerca de 35 milhões de brasileiros não são atendidos</p><p>com abastecimento de água potável, mais da metade</p><p>da população não tem acesso à coleta de esgoto, e ape-</p><p>nas 39% de todo o esgoto gerado são tratados. Aproxi-</p><p>madamente 70% da população que compõe o déficit de</p><p>acesso ao abastecimento de água possuem renda do-</p><p>miciliar mensal de até 1/2 salário mínimo por morador,</p><p>ou seja, apresentam baixa capacidade de pagamento, o</p><p>que coloca em pauta o tema do saneamento financei-</p><p>ramente acessível.</p><p>Desde 2007, quando foi criado o Ministério das Cida-</p><p>des, identificam-se avanços importantes na busca de</p><p>diminuir o déficit já crônico em saneamento e pode-se</p><p>caminhar alguns passos em direção à garantia do aces-</p><p>so a esses serviços como direito social. Nesse sentido</p><p>destacamos as Conferências das Cidades e a criação da</p><p>Secretaria de Saneamento e do Conselho Nacional das</p><p>Cidades, que deram à política urbana uma base de par-</p><p>ticipação e controle social.</p><p>Houve também, até 2014, uma progressiva ampliação de</p><p>recursos para o setor, sobretudo a partir do PAC 1 e PAC</p><p>2; a instituição de um marco regulatório (Lei 11.445/2007</p><p>e seu decreto de regulamentação) e de um Plano Nacio-</p><p>nal para o setor, o PLANSAB, construído com amplo de-</p><p>bate popular, legitimado pelos Conselhos Nacionais das</p><p>Cidades, de Saúde e de Meio Ambiente, e aprovado por</p><p>decreto presidencial em novembro de 2013.</p><p>Esse marco legal e institucional traz aspectos essenciais</p><p>para que a gestão dos serviços seja pautada por uma</p><p>visão de saneamento como direito de cidadania: a) arti-</p><p>culação da política de saneamento com as políticas de</p><p>desenvolvimento urbano e regional, de habitação, de</p><p>combate à pobreza e de sua erradicação, de proteção</p><p>ambiental, de promoção da saúde; e b) a transparên-</p><p>cia das ações, baseada em sistemas de informações e</p><p>processos decisórios participativos institucionalizados.</p><p>A Lei 11.445/2007 reforça a necessidade de planeja-</p><p>mento para o saneamento, por meio da obrigatorie-</p><p>dade de planos municipais de abastecimento de água,</p><p>coleta e tratamento de esgotos, drenagem e manejo de</p><p>águas pluviais, limpeza urbana e manejo de resíduos</p><p>sólidos. Esses planos são obrigatórios para que possam</p><p>ser estabelecidos contratos de delegação da prestação</p><p>de serviços e para que possam ser acessados recursos</p><p>do governo federal (OGU, FGTS e FAT), com prazo final</p><p>para sua elaboração terminando em 2017. A Lei reforça</p><p>também a participação e o controle social, através de</p><p>diferentes mecanismos como: audiências públicas, de-</p><p>finição de conselho municipal responsável pelo acom-</p><p>panhamento e fiscalização da política de saneamento,</p><p>sendo que a definição desse conselho também é condi-</p><p>ção para que possam ser acessados recursos do gover-</p><p>no federal.</p><p>O marco legal introduz também a obrigatoriedade da</p><p>regulação da prestação dos serviços de saneamento,</p><p>visando à garantia do cumprimento das condições e</p><p>metas estabelecidas nos contratos, à prevenção e à re-</p><p>pressão ao abuso do poder econômico, reconhecendo</p><p>que os serviços de saneamento são prestados em cará-</p><p>ter de monopólio, o que significa que os usuários estão</p><p>submetidos às atividades de um único prestador.</p><p>fonte: aDaptaDo De http://www.assemae.org.Br/artigos/</p><p>item/1762-saneamento-Basico-como-Direito-De-ciDaDania</p><p>3. (Espcex) Em “ A Assembleia Geral da ONU reconhe-</p><p>ceu em 2010 que o acesso à água potável (...)”, a pala-</p><p>vra “QUE” encontra emprego correspondente em</p><p>a) “(...) os serviços de saneamento são prestados em</p><p>caráter de monopólio, o que significa (...)”</p><p>b) “Esses planos são obrigatórios para que possam</p><p>ser estabelecidos (...)”</p><p>c) “(...) o que significa que os usuários estão submeti-</p><p>dos às atividades de um único prestador.”</p><p>d) “(...) 70% da população que compõe o deficit de</p><p>acesso ao abastecimento (...)”</p><p>e) “(...) e do Conselho Nacional das Cidades, que de-</p><p>ram à política urbana (...)”</p><p>24  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Como prevenir a violência dos adolescentes</p><p>“(...) Quando deparo com as notícias sobre crimes he-</p><p>diondos envolvendo adolescentes, como o ocorrido com</p><p>Felipe Silva Caffé e Liana Friedenbach, fico profunda-</p><p>mente triste e constrangida. Esse caso é consequência</p><p>da baixa valorização da prevenção primária da violência</p><p>por meio das estratégias cientificamente comprovadas,</p><p>facilmente replicáveis e definitivamente muito mais ba-</p><p>ratas do que a recuperação de crianças e adolescentes</p><p>que comentem atos infracionais graves contra a vida.</p><p>Talvez seja porque a maioria da população não se deu</p><p>conta e os que estão no poder nos três níveis não este-</p><p>jam conscientes de seu papel histórico e de sua respon-</p><p>sabilidade legal de cuidar do que tem de mais impor-</p><p>tante à nação: as crianças e os adolescentes, que são o</p><p>futuro do país e do mundo.</p><p>A construção da paz e a prevenção da violência depen-</p><p>dem de como promovemos o desenvolvimento físico,</p><p>social, mental, espiritual e cognitivo das nossas crianças</p><p>e adolescentes, dentro do seu contexto familiar e co-</p><p>munitário. Trata-se, portanto, de uma ação intersetorial,</p><p>realizada de maneira sincronizada em cada comunida-</p><p>de, com a participação das famílias, mesmo que estejam</p><p>incompletas ou desestruturadas (...)”</p><p>“(...) Em relação às crianças e adolescentes que come-</p><p>teram infrações leves ou moderadas – que deveriam ser</p><p>mais bem expressas – seu tratamento para a cidadania</p><p>deveria ser feito com instrumentos bem elaborados e</p><p>colocados em prática, na família ou próxima dela, com</p><p>acompanhamento multiprofissional, desobstruindo as</p><p>penitenciárias, verdadeiras universidades do crime. (...)”</p><p>“(...) A prevenção primária da violência inicia-se com</p><p>a</p><p>construção de um tecido social saudável e promissor,</p><p>que começa antes do nascer, com um bom pré-natal,</p><p>parto de qualidade, aleitamento materno exclusivo até</p><p>seis meses e o complemento até mais de um ano, vaci-</p><p>nação, vigilância nutricional, educação infantil, princi-</p><p>palmente propiciando o desenvolvimento e o respeito</p><p>à fala da criança, o canto, a oração, o brincar, o andar, o</p><p>jogar; uma educação para a paz e a nãoviolência.</p><p>A pastoral da criança, que em 2003 completa 20 anos,</p><p>forma redes de ação para multiplicar o saber e a soli-</p><p>dariedade junto às famílias pobres do país, por meio de</p><p>mais de 230 mil voluntários, e acompanhou no terceiro</p><p>trimestre deste ano cerca de 1,7 milhão de crianças me-</p><p>nores de seis anos e 80 mil gestantes, de mais de 1,2</p><p>milhão de famílias, que moram em 34.784 comunidades</p><p>de 3.696 municípios do país.</p><p>O Brasil é o país que mais reduziu a mortalidade infantil</p><p>nos últimos dez anos; isso, sem dúvida, é resultado da or-</p><p>ganização e universalização dos serviços de saúde pública,</p><p>da melhoria da atenção primária, com todas as limitações</p><p>que o SUS possa ainda possuir, da descentralização e mu-</p><p>nicipalização dos recursos e dos serviços de saúde. A in-</p><p>tensa luta contra a mortalidade infantil, a desnutrição e</p><p>a violência intrafamiliar contou com a contribuição dessa</p><p>enorme rede de solidariedade da Pastoral da Criança. (...)”</p><p>“(...) A segunda área da maior importância nessa pre-</p><p>venção primária da violência envolvendo crianças e</p><p>adolescentes é a educação, a começar pelas creches,</p><p>escolas infantis e de educação fundamental e de nível</p><p>médio, que devem valorizar o desenvolvimento do ra-</p><p>ciocínio e a matemática, a música, a arte, o esporte e a</p><p>prática da solidariedade humana.</p><p>As escolas nas comunidades mais pobres deveriam ter</p><p>dois turnos, para darem conta da educação integral</p><p>das crianças e dos adolescentes; deveriam dispor de</p><p>equipes multiprofissionais atualizadas e capacitadas a</p><p>avaliar periodicamente os alunos. Urgente é incorporar</p><p>os ministérios do Esporte e da Cultura às iniciativas da</p><p>educação, com atividades em larga escala e simples,</p><p>baratas, facilmente replicáveis e adaptáveis em todo o</p><p>território nacional. (...)”</p><p>“(...) Com relação à idade mínima para a maioridade pe-</p><p>nal, deve permanecer em 18 anos, prevista pelo Estatu-</p><p>to da Criança e do Adolescente e conforme orientações</p><p>da ONU. Mas o tempo máximo de três anos de reclusão</p><p>em regime fechado, quando a criança ou o adolescente</p><p>comete crime hediondo, mesmo em locais apropriados</p><p>e com tratamento multiprofissional, que urgentemen-</p><p>te precisam ser disponibilizados, deve ser revisto. Três</p><p>anos, em muitos casos, podem ser absolutamente in-</p><p>suficientes para tratar e preparar os adolescentes com</p><p>graves distúrbios para a convivência cidadã. (...)”</p><p>zilDa arns neumann, 69, méDica peDiatra e sanitarista;</p><p>foi funDaDora e coorDenaDora nacional Da pastoral</p><p>Da criança. (folha De s paulo, 26/11/2003.)</p><p>4. (IFAL) Na frase: “A intensa luta contra a mortalidade</p><p>infantil...” (7º parágrafo), em relação às palavras que</p><p>a constituem, temos presente, respectivamente, as se-</p><p>guintes classes ou categorias gramaticais:</p><p>a) artigo, substantivo, substantivo, verbo, artigo, subs-</p><p>tantivo, adjetivo.</p><p>b) artigo, adjetivo, substantivo, preposição, artigo,</p><p>substantivo, adjetivo.</p><p>c) pronome, adjetivo, substantivo, verbo, artigo, subs-</p><p>tantivo, adjetivo.</p><p>d) artigo, substantivo, verbo, preposição, artigo, subs-</p><p>tantivo, adjetivo.</p><p>e) pronome pessoal oblíquo, adjetivo, substantivo.</p><p>5. (Ufal) Seria necessário QUE todos SE pusessem a agir</p><p>e SE fizessem os reparos necessários.</p><p>Na frase anterior, as partículas QUE e SE classificam-se,</p><p>respectivamente, como</p><p>a) pronome relativo - conjunção condicional - conjun-</p><p>ção integrante</p><p>b) conjunção integrante - pronome oblíquo - partícula</p><p>apassivadora</p><p>c) pronome relativo - pronome oblíquo - conjunção</p><p>integrante</p><p>d) conjunção integrante - conjunção condicional -</p><p>partícula apassivadora</p><p>e) pronome relativo - pronome oblíquo - partícula</p><p>apassivadora</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 25</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>6. (Mackenzie) "Na ata da reunião, registraram-se to-</p><p>das as opiniões dos presentes."</p><p>Assinale a alternativa que apresenta corretamente a</p><p>classificação da partícula SE, na frase acima.</p><p>a) índice de indeterminação do sujeito</p><p>b) pronome reflexivo (objeto direto)</p><p>c) partícula apassivadora</p><p>d) conjunção subordinativa integrante</p><p>e) palavra de realce</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>O desgaste das palavras</p><p>Sou um tonto. Dia destes recebi um recado na secretá-</p><p>ria eletrônica pedindo retorno urgente. Liguei.</p><p>Era um corretor de imóveis querendo me vender um</p><p>lançamento.</p><p>− Qual era a urgência? − perguntei, irritado.</p><p>− Bem... Estamos selecionando alguns clientes e...</p><p>Conversa mole. As pessoas usam a palavra “urgente”</p><p>em mensagens de todo tipo. Ainda sou daqueles que se</p><p>assustam de leve com um e-mail “urgente” para, logo</p><p>depois, descobrir que se trata de um assunto muito cor-</p><p>riqueiro. A palavra está perdendo a força. Daqui a pou-</p><p>co não vai significar mais nada.</p><p>A mesma coisa acontece com o verbo “revelar”. Abro uma</p><p>revista e vejo: atriz “revela” que vai pintar o cabelo de loiro.</p><p>Isso é revelação que se preze? Resultado: quando se quer</p><p>realmente revelar algo se usa “denuncia” ou “confessa”.</p><p>E vip? A sigla surgiu como abreviação de “very impor-</p><p>tant people”. Os vips tinham acesso preferencial a fes-</p><p>tas e eventos de todo tipo. Obviamente, todo mundo</p><p>quis ser tratado como vip. Alguns shows e camarotes</p><p>carnavalescos ficam lotados por manadas de vips. Para</p><p>diferenciar “vips” entre si, nos lugares mais disputados</p><p>surgiram chiqueirinhos para os “supervips” ou “vips</p><p>dos vips”. Em resumo: “vip” não significa absoluta-</p><p>mente coisa nenhuma − somente que a pessoa é rápida</p><p>para descolar um convite com pulseirinha.</p><p>Os anúncios imobiliários são pródigos em detonar pa-</p><p>lavras. “Exclusivo” é um exemplo. Quase todos falam</p><p>em “condomínio exclusivo”, “espaço exclusivo” (e não</p><p>havia de ser, se o proprietário está pagando?). De tão</p><p>comum, “exclusivo” deixou de ser “exclusivo”. Veio o</p><p>“diferenciado”. Ou “único”. Mas como um apartamen-</p><p>to pode ser “diferenciado” ou “único” se está em um</p><p>prédio com mais cinquenta iguais?</p><p>A palavra “amigo” é incrível. Implica uma relação es-</p><p>pecial, mas a maioria fala em “amigos” referindo-se a</p><p>conhecidos distantes. O mesmo ocorre com “abraço”.</p><p>Terminar a mensagem com um “abraço” era suficiente,</p><p>pois era uma forma de oferecer nosso carinho à pessoa.</p><p>Foi tão banalizado que agora se usa “grande abraço”,</p><p>“forte abraço”, mas agora é pouco, pois já surgiu o</p><p>“beijo no coração”. A seguir, o que virá?</p><p>Por que deixar que as palavras se desgastem? Se o que têm</p><p>de mais belo é justamente sua história e o sentimento que</p><p>contêm? Enfim, tudo o que lhes dá realmente significado.</p><p>(walcYr carrasco, veJa sp, 13.08.2008. aDaptaDo)</p><p>7. (IFSP) Considere as frases.</p><p>I. Ainda sou daqueles que se assustam de leve com um</p><p>e-mail “urgente”...</p><p>II. ... para, logo depois, descobrir que se trata de um</p><p>assunto muito corriqueiro.</p><p>III. Isso é revelação que se preze?</p><p>Assinale a alternativa em que o pronome proclítico está</p><p>antes do verbo porque há, como partícula atrativa, um</p><p>pronome relativo.</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) II, apenas.</p><p>c) I e III, apenas.</p><p>d) II e III, apenas.</p><p>e) I, II e III.</p><p>8. (Mackenzie)</p><p>I. "O velho sorriu-SE, deixando apenas escapar em tom</p><p>de dúvida um significativo - Qual..."</p><p>II. "Nada (...) SE conseguiu com a receita; o mal continuou."</p><p>III. - "- Só lhe direi, respondeu a comadre depois de</p><p>alguma hesitação, SE me prometerdes guardar todo o</p><p>segredo, que o caso é muito sério."</p><p>IV. "As três velhas conversaram por largo tempo, não</p><p>porque muitas coisas SE tivessem a dizer..."</p><p>Aponte a sequência correta quanto à classificação mor-</p><p>fológica da palavra SE nessas frases de Manuel Antônio</p><p>de Almeida.</p><p>a) I - partícula expletiva, II - partícula apassivadora, III</p><p>- conjunção subordinativa condicional,</p><p>IV - pronome</p><p>reflexivo.</p><p>b) I - partícula apassivadora, II - partícula expletiva, III</p><p>- conjunção subordinativa condicional, IV - pronome</p><p>reflexivo.</p><p>c) I - pronome reflexivo, II - partícula apassivadora,</p><p>III - conjunção subordinativa integrante, IV - pronome</p><p>reflexivo.</p><p>d) I - partícula expletiva, II - partícula reflexivo, III -</p><p>conjunção subordinativa condicional, IV - pronome</p><p>reflexivo.</p><p>e) I - partícula apassivadora, II - partícula apassiva-</p><p>dora, III - conjunção subordinativa condicional, IV -</p><p>partícula apassivadora.</p><p>9. (Espcex) Em “Há também o que vai para se entregar, ser</p><p>um com o Arpoador, mil-partido.” a palavra “o”, grifada, é</p><p>a) termo essencial da oração.</p><p>b) termo acessório da oração.</p><p>c) palavra expletiva.</p><p>d) termo integrante da oração.</p><p>e) pronome de interesse.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Uma visão do futuro</p><p>1 Estamos ÀS PORTAS de um milênio 2miraculoso. A</p><p>pessoa tem a mão decepada por uma serra elétrica,</p><p>e os médicos conseguirão fazer crescer uma 3nova no</p><p>26  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>mesmo lugar. Casas e carros serão feitos de 4materiais</p><p>que podem consertar-se a si próprios. Um alimento em</p><p>pó incolor com 90% de proteína em sua fórmula po-</p><p>derá ser modificado para ter o sabor que se deseje. As</p><p>previsões acima podem parecer 1ousadas, mas, no fun-</p><p>do, são até conservadoras. Membros reimplantáveis?</p><p>Os cientistas começaram a regenerar a pele humana</p><p>ainda nos anos 70, e atualmente alguns laboratórios</p><p>conseguem produzir válvulas cardíacas com base em</p><p>algumas poucas células. O dia chegará em que subs-</p><p>tituir órgãos humanos defeituosos será rotina. No</p><p>campo dos materiais, já existe um metal, o nitinol,</p><p>que consegue desamassar sua própria superfície sem</p><p>esforço. Basta aplicar um pouco de calor. A comida mi-</p><p>lagrosa? Já existe. É um 5derivado da soja produzido</p><p>pela empresa Archer Daniels Midland desde meados</p><p>dos anos 80.</p><p>2 Pouca coisa se pode dizer sobre o futuro. Não</p><p>sabemos se nossos bisnetos vão passear ou, um</p><p>dia, viver em Marte. Também não sabemos se será</p><p>possível reanimar alguém que já morreu. Não sabe-</p><p>mos quando teremos robôs, escravos, máquinas de</p><p>orgasmo ou naves para viajar no tempo. Sabemos</p><p>apenas que, sejam quais forem os milagres que o</p><p>próximo milênio trouxer, eles serão possíveis graças</p><p>ao mesmo gênio: o computador.</p><p>3 Estamos chegando bem próximos de uma época em</p><p>que os computadores serão capazes de desenhar cópias</p><p>de si mesmos. Ou seja, eles não precisarão da ajuda hu-</p><p>mana para se reproduzir. Assustador? Talvez. Será uma</p><p>época em que, pela primeira vez na história da huma-</p><p>nidade, não seremos os seres mais inteligentes sobre a</p><p>face do planeta. Para alguns cientistas, estaremos en-</p><p>trando no paraíso. Para outros, no inferno. Todos con-</p><p>cordam que estamos cruzando rapidamente a fronteira</p><p>do desconhecido. Computadores já ensaiam formas pri-</p><p>mitivas de pensamento autônomo.</p><p>4 Alguns 6cientistas já se preocupam em garantir que os</p><p>robôs do futuro tragam em sua programação um chip</p><p>da bondade que 7os impeça de fazer mal à humanidade.</p><p>Assumem, assim, que não nos será possível sequer des-</p><p>ligá-los8. Talvez estejam apenas sonhando. Talvez, não.</p><p>[aDaptaDo De] especial Do milênio (parte integrante Da</p><p>veJa, ano 31, nº 51, 23 Dez. 1998, p.126.)</p><p>10. (UFRN) Na estrutura</p><p>Também não sabemos SE será possível reanimar al-</p><p>guém que já morreu.</p><p>o vocábulo destacado corresponde, morfológica e sin-</p><p>taticamente, ao que se encontra em destaque na opção:</p><p>a) Pouca coisa SE pode dizer com certeza sobre o futuro.</p><p>b) Será uma época em QUE (...) não seremos os seres</p><p>mais inteligentes (...)</p><p>c) Alguns cientistas já SE preocupam em garantir (...)</p><p>d) Assumem, assim, QUE não nos será possível sequer</p><p>desligá-los.</p><p>E.O. FixAçãO</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>SOBRE ARTES E ARTISTAS</p><p>"Uma coisa que realmente não existe é aquilo a que se</p><p>dá o nome de Arte. Existem somente artistas. Outrora,</p><p>eram homens que apanhavam terra colorida e modela-</p><p>vam toscamente as formas de um bisão na parede de</p><p>uma caverna; hoje, alguns compram suas tintas e dese-</p><p>nham cartazes para os tapumes; eles faziam e fazem mui-</p><p>tas outras coisas. Não prejudica ninguém chamar a todas</p><p>essas atividades arte, desde que conservemos em mente</p><p>que tal palavra pode significar coisas muito diferentes,</p><p>em tempos e lugares diferentes, e que Arte com A maiús-</p><p>culo não existe. Na verdade, Arte com A maiúsculo pas-</p><p>sou a ser algo de um bicho-papão e de um fetiche. Pode-</p><p>mos esmagar um artista dizendo-lhe que o que ele acaba</p><p>de fazer pode ser muito bom no seu gênero, só que não</p><p>é "Arte". E podemos desconcertar qualquer pessoa que</p><p>esteja contemplando com prazer um quadro, declarando</p><p>que aquilo de que ela gosta não é Arte, mas algo muito</p><p>diferente. Na realidade, não penso que existam quais-</p><p>quer razões erradas para se gostar de um quadro ou de</p><p>uma escultura. Alguém pode gostar de uma paisagem</p><p>porque ela lhe recorda seu berço natal, ou de um retrato</p><p>porque lhe lembra um amigo. Nada há de errado nisso.</p><p>(...) Somente quando alguma recordação irrelevante nos</p><p>torna parciais e preconceituosos, quando instintivamen-</p><p>te voltamos as costas a um quadro magnífico de uma</p><p>cena alpina porque não gostamos de praticar alpinismo,</p><p>é que devemos perscrutar o nosso íntimo para desvendar</p><p>as razões da aversão que estraga um prazer que de ou-</p><p>tro modo poderíamos ter. Há razões erradas para não se</p><p>gostar de uma obra de arte."</p><p>e. h. gomBrich</p><p>1. (Ita) Nas orações "e QUE Arte com A maiúsculo não</p><p>existe" e "o QUE ele acaba de fazer...", as palavras em</p><p>maiúsculo funcionam respectivamente como:</p><p>a) conjunção integrante e pronome relativo</p><p>b) pronome relativo e pronome relativo</p><p>c) conjunção integrante e conjunção integrante</p><p>d) pronome relativo e conjunção integrante</p><p>e) conjunção aditiva e pronome demonstrativo</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:</p><p>Política pública de saneamento básico: as bases do sa-</p><p>neamento como direito de cidadania e os debates so-</p><p>bre novos modelos de gestão</p><p>ana lucia Britto</p><p>professora associaDa Do prourB-fau-ufrJ</p><p>pesquisaDora Do inct oBservatório Das metrópoles</p><p>A Assembleia Geral da ONU reconheceu em 2010 que</p><p>o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário</p><p>é indispensável para o pleno gozo do direito à vida. É</p><p>preciso, para tanto, fazê-lo de modo financeiramente</p><p>acessível e com qualidade para todos, sem discrimi-</p><p>nação. Também obriga os Estados a eliminarem pro-</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 27</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>gressivamente as desigualdades na distribuição de</p><p>água e esgoto entre populações das zonas rurais ou</p><p>urbanas, ricas ou pobres.</p><p>No Brasil, dados do Ministério das Cidades indicam que</p><p>cerca de 35 milhões de brasileiros não são atendidos</p><p>com abastecimento de água potável, mais da meta-</p><p>de da população não tem acesso à coleta de esgoto,</p><p>e apenas 39% de todo o esgoto gerado são tratados.</p><p>Aproximadamente 70% da população que compõe o</p><p>déficit de acesso ao abastecimento de água possuem</p><p>renda domiciliar mensal de até 1/2 salário mínimo por</p><p>morador, ou seja, apresentam baixa capacidade de pa-</p><p>gamento, o que coloca em pauta o tema do saneamento</p><p>financeiramente acessível.</p><p>Desde 2007, quando foi criado o Ministério das Cida-</p><p>des, identificam-se avanços importantes na busca de</p><p>diminuir o déficit já crônico em saneamento e pode-se</p><p>caminhar alguns passos em direção à garantia do aces-</p><p>so a esses serviços como direito social. Nesse sentido</p><p>destacamos as Conferências das Cidades e a criação da</p><p>Secretaria de Saneamento e do Conselho Nacional das</p><p>Cidades, que deram à política urbana uma base de par-</p><p>ticipação e controle social.</p><p>Houve também, até 2014, uma progressiva ampliação de</p><p>recursos para o setor, sobretudo a partir do PAC 1 e PAC</p><p>2; a instituição de um marco regulatório (Lei 11.445/2007</p><p>e seu decreto de regulamentação) e de um Plano Nacio-</p><p>nal para o setor, o PLANSAB, construído com amplo de-</p><p>bate popular, legitimado pelos Conselhos Nacionais das</p><p>Cidades, de Saúde e de Meio Ambiente, e aprovado por</p><p>decreto presidencial em novembro de 2013.</p><p>Esse marco legal e institucional traz aspectos essenciais</p><p>para que a gestão dos serviços seja pautada por uma</p><p>visão de saneamento como direito de cidadania: a) arti-</p><p>culação da política de saneamento com as políticas de</p><p>desenvolvimento urbano e regional, de habitação, de</p><p>combate à pobreza e de sua erradicação, de proteção</p><p>ambiental, de promoção da saúde; e b) a transparên-</p><p>cia das ações, baseada em sistemas de informações e</p><p>processos decisórios participativos institucionalizados.</p><p>A Lei 11.445/2007 reforça a necessidade de planeja-</p><p>mento para o saneamento, por meio da obrigatorie-</p><p>dade de planos municipais de abastecimento de água,</p><p>coleta e tratamento de esgotos, drenagem e manejo de</p><p>águas pluviais, limpeza urbana e manejo de resíduos</p><p>sólidos. Esses planos são obrigatórios para que possam</p><p>ser estabelecidos contratos de delegação da prestação</p><p>de serviços e para que possam ser acessados recursos</p><p>do governo federal (OGU, FGTS e FAT), com prazo final</p><p>para sua elaboração terminando em 2017. A Lei reforça</p><p>também a participação e o controle social, através de</p><p>diferentes mecanismos como: audiências públicas, de-</p><p>finição de conselho municipal responsável pelo acom-</p><p>panhamento e fiscalização da política de saneamento,</p><p>sendo que a definição desse conselho também é condi-</p><p>ção para que possam ser acessados recursos do gover-</p><p>no federal.</p><p>O marco legal introduz também a obrigatoriedade da</p><p>regulação da prestação dos serviços de saneamento,</p><p>visando à garantia do cumprimento das condições e</p><p>metas estabelecidas nos contratos, à prevenção e à re-</p><p>pressão ao abuso do poder econômico, reconhecendo</p><p>que os serviços de saneamento são prestados em cará-</p><p>ter de monopólio, o que significa que os usuários estão</p><p>submetidos às atividades de um único prestador.</p><p>fonte: aDaptaDo De http://www.assemae.org.Br/artigos/</p><p>item/1762-saneamento-Basico-como-Direito-De-ciDaDania</p><p>2. (Espcex) “Nesse sentido destacamos as Conferências</p><p>das Cidades e a criação da Secretaria de Saneamento e</p><p>do Conselho Nacional das Cidades, que deram à política</p><p>urbana uma base de participação e controle social”.</p><p>No fragmento, o pronome relativo exerce a função</p><p>sintática de</p><p>a) objeto direto e introduz uma explicação.</p><p>b) objeto direto e introduz uma restrição.</p><p>c) objeto indireto e introduz uma explicação.</p><p>d) sujeito e introduz uma restrição.</p><p>e) sujeito e introduz uma explicação.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>O CORPO DA MULHER</p><p>Coisa mais difícil é ser mulher. Não bastassem as sur-</p><p>presas que a fisiologia lhes impõe, as sociedades criam</p><p>regras para cercear-lhes a liberdade de ir e vir e padrões</p><p>rígidos de comportamento e moralidade que não se</p><p>aplicam aos homens.</p><p>De todas as imposições sociais, a mais odiosa é a apro-</p><p>priação indébita do corpo feminino.</p><p>Não é por outra razão que cidadãos de mais de 20 países</p><p>se dão o direito de mutilar os genitais de suas filhas, na</p><p>mais tenra idade. São cirurgias cruentas, sem anestésicos</p><p>nem assepsia, a que o mundo assiste em silêncio acovar-</p><p>dado, em nome do respeito às “tradições culturais”.</p><p>Nós, que nos intitulamos “civilizados”, não chegamos a</p><p>esse nível de barbárie, no entanto, repreendemos a me-</p><p>nina de dois anos quando leva a mão ao sexo ou senta</p><p>com as pernas abertas.</p><p>Na piscina de um condomínio de classe média alta, em</p><p>Cleveland, nos Estados Unidos, minha filha foi admoes-</p><p>tada pela encarregada da segurança por deixar minha</p><p>neta sem a parte de cima do biquíni. O argumento? Pro-</p><p>vocar os homens presentes. Uma criança de cinco anos?</p><p>Na puberdade, com o cérebro inundado pela testoste-</p><p>rona, jamais alguém ousou sugerir que iniciação sexual</p><p>levasse em conta o amor, sentimento que mães e pais</p><p>que se consideram avançados exigem das adolescen-</p><p>tes. Sexo casual exalta a condição masculina, enquanto</p><p>mancha a reputação da mulher. Não é preciso gradua-</p><p>ção em filosofia pura para expor o paradoxo.</p><p>Aos 12 ou 13 anos, idades em que o corpo ensaia com</p><p>graça os primeiros passos em direção mulher adulta,</p><p>os interesses da indústria e da publicidade sexualizam</p><p>com minishorts e camisetas decotadas, o modo de ves-</p><p>tir das meninas.</p><p>Quando saem às ruas com as roupas da moda exibidas</p><p>na TV e nas revistas, elas são acusadas de provocadoras,</p><p>portanto sujeitas às grosserias e ao risco de se torna-</p><p>rem vítimas dos instintos masculinos mais bestiais.</p><p>Ao ficar adultas, são forçadas a atender a um padrão es-</p><p>tético que privilegia a magreza doentia das top models.</p><p>28  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>Sem levar em conta os caprichos da genética, a mulher</p><p>moderna deve ser magra, sobretudo. A exigência de exi-</p><p>bir a ossatura acaba por lhes distorcer a autoimagem.</p><p>Passam a implicar com o pequeno acúmulo de gordura,</p><p>com rugas insignificantes e com celulites só visíveis em</p><p>posições acrobáticas sob o foco de luz.</p><p>No passado, demonstrar interesse por uma mulher era</p><p>elogiar sua beleza; hoje, dizer que está</p><p>mais magra é meio caminho andado.</p><p>Nós, homens, somos complacentes com a autoimagem.</p><p>O sujeito com 20 quilos a mais sai do banho enrolado</p><p>na toalha, para na frente do espelho, bate no abdômen</p><p>avantajado e se vangloria: “tô simpático, tô bonitão”.</p><p>Está para nascer mulher com tamanha autoconfiança.</p><p>Mas é na gravidez que fica demonstrada a superiorida-</p><p>de fisiológica do organismo feminino.</p><p>Produzem apenas um óvulo, enquanto nos obrigam a</p><p>ejacular 300 milhões de espermatozoides, para que se</p><p>deem ao luxo de escolher o mais apto. Daí em diante,</p><p>por conta própria, constroem uma criança de três qui-</p><p>los, sem qualquer participação masculina.</p><p>Na gravidez nosso papel é tão desprezível que precisa-</p><p>mos fazer exame de DNA para comprovar a paternidade.</p><p>Apesar da irrelevância, no entanto, nós é que aprovamos as</p><p>leis que as consideram criminosas em caso de abortamento</p><p>provocado. O sofrimento e as mortes das jovens submeti-</p><p>das a procedimentos realizados nas condições mais desu-</p><p>manas que possamos imaginar não nos sensibilizam.</p><p>Depois de passar décadas espremidas em trajes incô-</p><p>modos e de andar mal equilibradas em saltos de um</p><p>palmo de altura, só lhes restam duas saídas: a cirurgia</p><p>plástica ou o suicídio, providências nem sempre exclu-</p><p>dentes. Antes operar o rosto, aspirar a gordura abdomi-</p><p>nal ou partir deste mundo do que envelhecer.</p><p>Às que ficam mais velhas não sobram alternativas: se</p><p>deixam os cabelos embranquecer são rotuladas de ve-</p><p>lhas, se decidem pintá-los de preto ficam com cara de</p><p>senhoras, se os tingem de loiro são xingadas de exibi-</p><p>das. Se vestem roupas em tons discretos são antiqua-</p><p>das, se acompanham a moda das mais jovens são ridí-</p><p>culas, sem noção.</p><p>As leitoras que me perdoem, mas na próxima encarna-</p><p>ção prefiro nascer homem, outra vez.</p><p>Drauzio varella. www1.folha.uol.com.Br/colunas/</p><p>Drauziovarella/2017/06/1891661-o-corpo-Da-</p><p>mulher.shtml. acessaDo em 28-06-2017</p><p>3. (FCMMG) Assinale a alternativa cujo termo destaca-</p><p>do NÃO é um elemento coesivo.</p><p>a) “... se acompanham a moda das mais jovens são</p><p>ridículas, sem noção.”</p><p>b) “... se deixam os cabelos embranquecer são rotu-</p><p>ladas de velhas...”</p><p>c) “... se decidem pintá-los de preto ficam com cara</p><p>de senhoras...”</p><p>d) “... se dão o direito de mutilar os genitais de suas</p><p>filhas...”</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>A PIPOCA</p><p>ruBem alves</p><p>A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até</p><p>atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competen-</p><p>te com as palavras que com as panelas. Por isso tenho</p><p>mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me</p><p>a algo que poderia ter o nome de “culinária literária”.</p><p>Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo</p><p>da cozinha: cebolas, ora-pro-nóbis, picadinho de carne</p><p>com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas,</p><p>churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um</p><p>livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme</p><p>A festa de Babette, que é uma celebração da comida</p><p>como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas</p><p>limita-</p><p>ções e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi</p><p>como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo – porque a</p><p>culinária estimula todas essas funções do pensamento.</p><p>As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam</p><p>a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretan-</p><p>to, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer so-</p><p>nhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca,</p><p>milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma</p><p>simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimen-</p><p>sões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás,</p><p>conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca.</p><p>E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas</p><p>ideias começaram a estourar como pipoca. Percebi, en-</p><p>tão, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pen-</p><p>sar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que</p><p>estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca</p><p>se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto</p><p>poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu</p><p>pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles</p><p>das pipocas dentro de uma panela.</p><p>Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca</p><p>tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, reli-</p><p>giosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e</p><p>o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque</p><p>vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho</p><p>devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir</p><p>juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a</p><p>Mãe Stella, sábia poderosa do candomblé baiano: que a</p><p>pipoca é a comida sagrada do candomblé...</p><p>A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido. Fosse</p><p>eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos</p><p>graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu fi-</p><p>caria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é</p><p>que, sob o ponto de vista do tamanho, os milhos da</p><p>pipoca não podem competir com os milhos normais.</p><p>Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que hou-</p><p>ve alguém que teve a ideia de debulhar as espigas e</p><p>colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que</p><p>assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.</p><p>Havendo fracassado a experiência com água, tentou a</p><p>gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter</p><p>imaginado. Repentinamente os grãos começaram a es-</p><p>tourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira.</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 29</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os</p><p>grãos duros quebra-dentes se transformavam em flo-</p><p>res brancas e macias que até as crianças podiam comer.</p><p>O estouro das pipocas se transformou, então, de uma</p><p>simples operação culinária, em uma festa, brincadeira,</p><p>molecagem, para os risos de todos, especialmente as</p><p>crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!</p><p>E o que é que isso tem a ver com o candomblé? É que</p><p>a transformação do milho duro em pipoca macia é sím-</p><p>bolo da grande transformação porque devem passar os</p><p>homens para que eles venham a ser o que devem ser.</p><p>O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser</p><p>aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pi-</p><p>poca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para</p><p>comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente,</p><p>nos transformar em outra coisa − voltar a ser crianças!</p><p>Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.</p><p>Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a</p><p>ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com</p><p>a gente. As grandes transformações acontecem quando</p><p>passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do</p><p>mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mes-</p><p>mice e dureza assombrosas. Só que elas não percebem.</p><p>Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.</p><p>Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos</p><p>lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode</p><p>ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar</p><p>doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo</p><p>de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão – sofri-</p><p>mentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos</p><p>remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui.</p><p>E com isso a possibilidade da grande transformação.</p><p>Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela,</p><p>lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua</p><p>hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura,</p><p>fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino</p><p>diferente. Não pode imaginar a transformação que está</p><p>sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que</p><p>ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a</p><p>grande transformação acontece: pum! − e ela aparece</p><p>como uma outra coisa, completamente diferente, que</p><p>ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante</p><p>e feia que surge do casulo como borboleta voante.</p><p>Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está</p><p>representado pela morte e ressurreição de Cristo: a</p><p>ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso</p><p>deixar de ser de um jeito para ser de outro. “Morre e</p><p>transforma-te!” − dizia Goethe.</p><p>Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre</p><p>os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que</p><p>seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha,</p><p>que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a</p><p>me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento</p><p>da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estou-</p><p>rar. Meu amigo William, extraordinário professor-pesquisa-</p><p>dor da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou</p><p>cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com</p><p>certeza ele tem uma explicação científica para os piruás.</p><p>Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não</p><p>valem. Por exemplo: em Minas “piruá” é o nome que se dá</p><p>às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, pas-</p><p>sada dos quarenta, lamentava: “Fiquei piruá!” Mas acho</p><p>que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás</p><p>são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente,</p><p>se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa</p><p>mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o</p><p>dito de Jesus: “Quem preservar a sua vida perdê-la-á.” A</p><p>sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que</p><p>não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida</p><p>inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não</p><p>vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre</p><p>da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não ser-</p><p>vem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas que</p><p>estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que</p><p>sabem que a vida é uma grande brincadeira...</p><p>Disponível em http://www.releituras.com/ruBemalves_pipoca.asp.</p><p>acessaDo em 31 De mai. 2016.</p><p>Obs.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo</p><p>Ortográfico.</p><p>4. (Efomm) Analisando os mecanismos de coesão, assi-</p><p>nale a opção em que o termo sublinhado NÃO retoma</p><p>o termo antecedente, mas funciona como elemento se-</p><p>quencial ou de conexão.</p><p>a) Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culi-</p><p>nária literária".</p><p>b) Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia</p><p>em que a pipoca iria me fazer sonhar.</p><p>c) Um bom pensamento nasce como uma pipoca que</p><p>estoura, de forma inesperada e imprevisível.</p><p>d) Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que</p><p>simbolizam o corpo e o sangue de Cristo (...)</p><p>e) Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:</p><p>MAIS VELHO, POUCOS AMIGOS?</p><p>Um curioso estudo divulgado na última semana mos-</p><p>trou que a redução do número de amigos com a idade,</p><p>tão comum entre os humanos, pode não ser exclusivo</p><p>da nossa espécie. 1Aparentemente, macacos também</p><p>passariam por processo semelhante em suas redes de</p><p>contatos sociais, o que poderia sugerir um caráter evo-</p><p>lutivo desse fenômeno.</p><p>2No trabalho desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa</p><p>com Primatas em Göttingen, Alemanha, se identificou</p><p>uma redução de grooming (tempo dedicado ao cuidado</p><p>com outros indivíduos, como limpar o pelo e catar pio-</p><p>lhos) entre os macacos mais velhos da espécie Macaca</p><p>sylvanus. 3Além disso, eles praticavam grooming em um</p><p>número menor de “amigos”</p><p>ou parentes.</p><p>4Fazer grooming está para os macacos mais ou me-</p><p>nos como o “papo” para nós. 5Da mesma forma que</p><p>o “carinho” humano, ele parece provocar a liberação</p><p>de endorfinas. 6Geram-se, dessa forma, sensações de</p><p>bem-estar tanto em homens como em outros animais.</p><p>Na pesquisa, publicada pelo periódico New Scientist, os</p><p>cientistas perceberam que macacos de 25 anos tiveram</p><p>uma redução de até do tempo de grooming quando</p><p>30  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>comparados com adultos de cinco anos. 7Se esse fenô-</p><p>meno acontece em outros primatas, ele também pode</p><p>ter chegado a nós ao longo do caminho de formação da</p><p>nossa espécie. 8Se chegou, qual teria sido a vantagem</p><p>evolutiva?</p><p>9Durante muito tempo se especulou que esse “encolhi-</p><p>mento” social em humanos seria, na verdade, resultado</p><p>de um processo de envelhecimento, em que depressão,</p><p>morte de amigos, limitações físicas, vergonha da apa-</p><p>rência e menos dinheiro poderiam limitar as novas co-</p><p>nexões. 10Mas, pesquisando os idosos, se percebeu que</p><p>ter menos amigos era muito mais uma escolha pessoal</p><p>do que uma consequência do envelhecer.</p><p>Uma linha de investigação explica que essa redução dos</p><p>amigos seria, na verdade, uma seleção dos mais velhos de</p><p>como usar melhor o tempo. Mas outros especialistas de-</p><p>fendem a ideia de que os mais velhos teriam menos recur-</p><p>sos e defesas para lidar com estresse e ameaças e, assim,</p><p>11escolheriam com mais cautela as pessoas com quem se</p><p>sentem mais seguros (os amigos) para passar seu tempo.</p><p>Bouer, J. Jornal o estaDo De sÃo paulo, caDerno</p><p>metrópole, Domingo, 26 Jun. 2016, p. a23. aDaptaDo.</p><p>5. (FMP) No trecho “Se esse fenômeno acontece em ou-</p><p>tros primatas, ele também pode ter chegado a nós ao lon-</p><p>go do caminho de formação da nossa espécie.” (ref. 7), a</p><p>palavra destacada exerce a mesma função textual que em:</p><p>a) “No trabalho desenvolvido pelo Instituto de Pes-</p><p>quisa com Primatas em Göttingen, Alemanha, se</p><p>identificou uma redução de grooming” (ref. 2)</p><p>b) “Se chegou, qual teria sido a vantagem evolu-</p><p>tiva?” (ref. 8)</p><p>c) “Durante muito tempo se especulou que esse ”en-</p><p>colhimento” social em humanos seria, na verdade,</p><p>resultado de um processo de envelhecimento” (ref. 9)</p><p>d) “Mas, pesquisando os idosos, se percebeu que ter</p><p>menos amigos era muito mais uma escolha pessoal</p><p>do que uma consequência do envelhecer.” (ref. 10)</p><p>e) “escolheriam com mais cautela as pessoas com</p><p>quem se sentem mais seguros (os amigos) para pas-</p><p>sar seu tempo.” (ref. 11)</p><p>6. (Fmp) No trecho “Geram-se, dessa forma, sensações</p><p>de bem-estar tanto em homens como em outros ani-</p><p>mais.” (ref. 6) a forma verbal foi utilizada no plural, por</p><p>respeito às exigências da norma-padrão da língua por-</p><p>tuguesa. Essa mesma flexão deve ser aplicada ao verbo</p><p>destacado em:</p><p>a) Com o aumento da depressão em pessoas de dife-</p><p>rentes idades, é necessário que se procedam a no-</p><p>vos estudos sobre medicamentos mais eficazes.</p><p>b) Os estudos recentes desenvolvidos em institutos</p><p>de pesquisa permitem que se suspeitem das causas</p><p>prováveis do “encolhimento” social.</p><p>c) Apesar de a imprensa divulgar constantemente</p><p>novos medicamentos, desconfiam-se dos métodos</p><p>utilizados nas pesquisas sobre obesidade.</p><p>d) Para detectar os reflexos mais prejudiciais do “en-</p><p>colhimento” social em humanos, necessitam-se de</p><p>estudos com maior número de indivíduos.</p><p>e) Os pesquisadores concordam que é preciso que se</p><p>empreguem muitos esforços para investigar os pro-</p><p>cessos relativos ao envelhecimento.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Eu, Etiqueta</p><p>carlos DrummonD De anDraDe</p><p>Em minha calça está grudado um nome</p><p>que não é meu de batismo ou de cartório,</p><p>um nome... estranho.</p><p>Meu blusão traz lembrete de bebida</p><p>que jamais pus na boca, nesta vida.</p><p>Em minha camiseta, a marca de cigarro</p><p>que não fumo, até hoje não fumei.</p><p>Minhas meias falam de produto</p><p>que nunca experimentei</p><p>mas são comunicados a meus pés.</p><p>(...)</p><p>Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,</p><p>minha gravata e cinto e escova e pente,</p><p>meu copo, minha xícara,</p><p>minha toalha de banho e sabonete,</p><p>meu isso, meu aquilo,</p><p>desde a cabeça até o bico dos sapatos,</p><p>são mensagens,</p><p>letras falantes,</p><p>gritos visuais,</p><p>ordem de uso, abuso, reincidência,</p><p>costume, hábito, premência,</p><p>indispensabilidade,</p><p>e fazem de mim homem-anúncio itinerante,</p><p>escravo da matéria anunciada.</p><p>Estou, estou na moda.</p><p>É doce estar na moda, ainda que a moda</p><p>seja negar minha identidade,</p><p>trocá-la por mil, açambarcando</p><p>todas as marcas registradas,</p><p>todos os logotipos do mercado.</p><p>Com que inocência demito-me de ser</p><p>eu que antes era e me sabia</p><p>tão diverso de outros, tão mim-mesmo,</p><p>ser pensante, sentinte e solitário</p><p>com outros seres diversos e conscientes</p><p>de sua humana, invencível condição.</p><p>Agora sou anúncio,</p><p>ora vulgar, ora bizarro,</p><p>em língua nacional ou em qualquer língua</p><p>(qualquer, principalmente).</p><p>(...)</p><p>Por me ostentar assim, tão orgulhoso</p><p>de ser não eu, mas artigo industrial,</p><p>peço que meu nome retifiquem.</p><p>Já não me convém o título de homem.</p><p>Meu nome novo é coisa.</p><p>Eu sou a coisa, coisamente.</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 31</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>7. (CP2) No poema, nos versos “Em minha calça está</p><p>grudado um nome / que não é meu de batismo ou de</p><p>cartório”, a palavra “que” evita repetição (versos 1 e 2).</p><p>Marque a alternativa em que essa palavra esteja fazen-</p><p>do o mesmo.</p><p>a) “Em minha camiseta, a marca de cigarro / que não</p><p>fumo, até hoje não fumei.” (versos 6-7)</p><p>b) “É doce estar na moda, ainda que a moda / seja</p><p>negar minha identidade,” (versos 26-27)</p><p>c) “Com que inocência demito-me de ser” (verso 31)</p><p>d) “peço que meu nome retifiquem.” (verso 43)</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>REDES SOCIAIS E COLABORAÇÃO EXTREMA: O FIM DO</p><p>SENSO CRÍTICO?</p><p>eugênio mira</p><p>Conectados. Essa palavra nunca fez tanto sentido quan-</p><p>to agora. 1Quando se discutia no passado sobre como</p><p>os homens agiriam com o advento da aldeia global (...)</p><p>não se imaginava o quanto esse processo seria rápido</p><p>e devastador.</p><p>(...) quando McLuhan apresentou o termo, em 1968, 2ele</p><p>sequer imaginaria que não seria a televisão a grande</p><p>responsável pela interligação mundial absoluta, e sim</p><p>a internet, que na época não passava de um projeto</p><p>militar do governo dos Estados Unidos.</p><p>3A internet mudou definitivamente a maneira como nos</p><p>comunicamos e percebemos o mundo. Graças a ela te-</p><p>mos acesso a toda informação do mundo à distância</p><p>de apenas um toque de botão. 4E quando começaram</p><p>a se popularizar as redes sociais, 5um admirável mundo</p><p>novo abriu-se ante nossos olhos. Uma ferramenta cola-</p><p>borativa extrema, que possibilitaria o contato imediato</p><p>com outras pessoas através de suas afinidades, fossem</p><p>elas políticas, religiosas ou mesmo geográficas. Proje-</p><p>tos colaborativos, revoluções instantâneas... 6Tudo seria</p><p>maior e melhor quando as pessoas se alinhassem na ór-</p><p>bita de seus ideais. 7O tempo passou, e essa revolução</p><p>não se instaurou.</p><p>Basta observar as figuras que surgem nos sites de humor</p><p>e outros assemelhados. Conhecidos como memes (termo</p><p>cunhado pelo pesquisador Richard Dawkins, que repre-</p><p>sentaria para nossa memória o mesmo que os genes</p><p>representam para o corpo, ou seja, uma parcela mínima</p><p>de informação), 8essas figuras surgiram com a intenção</p><p>de demonstrar, de maneira icônica, algum sentimento ou</p><p>sensação. 9Ao fazer isso, a tendência de ter uma reação</p><p>diversa daquelas expressas pelas tirinhas é cada vez me-</p><p>nor. Tudo fica branco e preto. 10Ou se aceita a situação, ou</p><p>revolta-se. Sem chance para o debate ou questionamento.</p><p>(...)</p><p>A situação é ainda mais grave quando um dos poucos</p><p>entes criativos restantes na internet produz algum co-</p><p>mentário curto, espirituoso ou reflexivo, a respeito de</p><p>alguma situação atual ou recente... Em minutos pipocam</p><p>cópias da frase por todo lugar. 11Copia-se sem o menor</p><p>bom senso, sem créditos. Pensar e refletir, e depois falar,</p><p>são coisas do passado. O importante agora é 12copiar e</p><p>colar, e depois partilhar. 13As redes sociais desfraldaram</p><p>um mundo completamente novo,</p><p>e o uso que o homem</p><p>fará dessas ferramentas é o que dirá o nosso futuro cul-</p><p>tural. 14Se enveredarmos pela partilha de ideias, gestan-</p><p>do-as em nossas mentes e depois as passando a outros,</p><p>será uma estufa mundial a produzir avanços incríveis em</p><p>todos os campos de conhecimento. Se, no entanto, as</p><p>redes sociais se transformarem em uma rede neural de</p><p>apoio à preguiça de pensar, a humanidade estará fada-</p><p>da ao processo antinatural de regressão. O advento das</p><p>redes sociais trouxe para perto das pessoas comuns os</p><p>amigos distantes, os ídolos e as ideias consumistas mais</p><p>arraigados, mas aparentemente está levando para longe</p><p>algo muito mais humano e essencial na vida em socieda-</p><p>de: o senso crítico. Será uma troca justa?</p><p>http://oBviousmag.org/archives/2011/09/reDes_sociais_e_</p><p>colaBoracao_extrema_o_fim_Do_senso_critico-.</p><p>htm. aDaptaDo. acesso em: 21 fev 2017.</p><p>8. (Epcar (Afa) 2018) O vocábulo SE exerce, na língua</p><p>portuguesa, várias funções. Observe seu uso nos excer-</p><p>tos a seguir.</p><p>I. “Copia-se sem o menor bom senso...” (ref. 11)</p><p>II. “...um admirável mundo novo abriu-se ante nossos</p><p>olhos.” (ref. 5)</p><p>III. “Ou se aceita a situação ou revolta-se.” (ref. 10)</p><p>IV. “O tempo passou, e essa revolução não se instau-</p><p>rou”. (ref. 7)</p><p>Assinale a análise correta.</p><p>a) Em I, o “se” é uma partícula expletiva ou de realce.</p><p>b) Em II, o “se” é uma partícula integrante do verbo.</p><p>c) Em III, o “se” foi utilizado para flexionar o verbo na</p><p>voz passiva sintética em ambas as ocorrências.</p><p>d) Em IV, o “se” classifica-se como pronome apassivador.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Leia o conto “A cartomante”, de Lima Barreto (1881-</p><p>1922), para responder à(s) questão(ões).</p><p>Não havia dúvida que naqueles atrasos e atrapalhações</p><p>de sua vida, alguma influência misteriosa preponderava.</p><p>Era ele tentar qualquer coisa, logo tudo mudava. Esteve</p><p>quase para arranjar-se na Saúde Pública; mas, assim que</p><p>obteve um bom “pistolão1”, toda a política mudou. Se jo-</p><p>gava no bicho, era sempre o grupo seguinte ou o anterior</p><p>que dava. Tudo parecia mostrar-lhe que ele não devia ir</p><p>para adiante. Se não fossem as costuras da mulher, não</p><p>sabia bem como poderia ter vivido até ali. Há cinco anos</p><p>que não recebia vintém de seu trabalho. Uma nota de</p><p>dois mil-réis, se alcançava ter na algibeira por vezes, era</p><p>obtida com auxílio de não sabia quantas humilhações,</p><p>apelando para a generosidade dos amigos.</p><p>Queria fugir, fugir para bem longe, onde a sua miséria</p><p>atual não tivesse o realce da prosperidade passada;</p><p>mas, como fugir?</p><p>Onde havia de buscar dinheiro que o transportasse, a</p><p>ele, a mulher e aos filhos? Viver assim era terrível! Pre-</p><p>so à sua vergonha como a uma calceta2, sem que ne-</p><p>nhum código e juiz tivessem condenado, que martírio!</p><p>32  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>A certeza, porém, de que todas as suas infelicidades vi-</p><p>nham de uma influência misteriosa, deu-lhe mais alen-</p><p>to. Se era “coisa feita”, havia de haver por força quem a</p><p>desfizesse. Acordou mais alegre e se não falou à mulher</p><p>alegremente era porque ela já havia saído. Pobre de sua</p><p>mulher! Avelhantada precocemente, trabalhando que</p><p>nem uma moura, doente, entretanto a sua fragilidade</p><p>transformava-se em energia para manter o casal.</p><p>Ela saía, virava a cidade, trazia costuras, recebia dinhei-</p><p>ro, e aquele angustioso lar ia se arrastando, graças aos</p><p>esforços da esposa.</p><p>Bem! As coisas iam mudar! Ele iria a uma cartomante e</p><p>havia de descobrir o que e quem atrasavam a sua vida.</p><p>Saiu, foi à venda e consultou o jornal. Havia muitos</p><p>videntes, espíritas, teósofos anunciados; mas simpa-</p><p>tizou com uma cartomante, cujo anúncio dizia assim:</p><p>“Madame Dadá, sonâmbula, extralúcida, deita as car-</p><p>tas e desfaz toda espécie de feitiçaria, principalmente</p><p>a africana. Rua etc.”.</p><p>Não quis procurar outra; era aquela, pois já adquirira</p><p>a convicção de que aquela sua vida vinha sendo traba-</p><p>lhada pela mandinga de algum preto-mina3, a soldo do</p><p>seu cunhado Castrioto, que jamais vira com bons olhos</p><p>o seu casamento com a irmã.</p><p>Arranjou, com o primeiro conhecido que encontrou, o</p><p>dinheiro necessário, e correu depressa para a casa de</p><p>Madame Dadá.</p><p>O mistério ia desfazer-se e o malefício ser cortado. A</p><p>abastança voltaria à casa; compraria um terno para</p><p>o Zezé, umas botinas para Alice, a filha mais moça; e</p><p>aquela cruciante vida de cinco anos havia de lhe ficar</p><p>na memória como passageiro pesadelo.</p><p>Pelo caminho tudo lhe sorria. Era o sol muito claro e</p><p>doce, um sol de junho; eram as fisionomias risonhas dos</p><p>transeuntes; e o mundo, que até ali lhe aparecia mau e</p><p>turvo, repentinamente lhe surgia claro e doce.</p><p>Entrou, esperou um pouco, com o coração a lhe saltar</p><p>do peito.</p><p>O consulente saiu e ele foi afinal à presença da pitonisa4.</p><p>Era sua mulher.</p><p>(contos completos, 2010.)</p><p>1pistolão: recomendação de pessoa influente; indivíduo</p><p>que faz essa recomendação.</p><p>2calceta: argola de ferro que, fixada no tornozelo do pri-</p><p>sioneiro, ligava-se à sua cintura por meio de corrente</p><p>de ferro.</p><p>3preto-mina: indivíduo dos pretos-minas (povo que ha-</p><p>bita a região do Grand Popo, no Sudoeste da África).</p><p>4pitonisa: profetisa.</p><p>9. (UEFS 2018) Em “Onde havia de buscar dinheiro que</p><p>o transportasse, a ele, a mulher e aos filhos?” (3º pa-</p><p>rágrafo), o termo sublinhado refere-se ao substantivo</p><p>“dinheiro” e exerce a função sintática de</p><p>a) sujeito.</p><p>b) objeto direto.</p><p>c) objeto indireto.</p><p>d) adjunto adnominal.</p><p>e) adjunto adverbial.</p><p>10. (G1) Na oração "Contam-se casos curiosos sobre os</p><p>índios.", o SE é:</p><p>a) pronome pessoal oblíquo;</p><p>b) índice de indeterminação do sujeito;</p><p>c) pronome apassivador;</p><p>d) pronome reflexivo;</p><p>e) pronome possessivo.</p><p>E.O. COmplEmEntAr</p><p>1. (CPS 2019) Observe as passagens:</p><p>I. “Candidato, me ajuda a comer, candidato!”</p><p>II. “Mas é claro que te ajudo! Tem aí um sanduíche para a gente dividir?”</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a análise correta da função morfológica dos termos destacados nas passagens.</p><p>I. II.</p><p>ME A MAS QUE AÍ A</p><p>a) Pronome pessoal Preposição Conjunção Conjunção Advérbio Artigo</p><p>b) Pronome indefinido Artigo Preposição Pronome relativo Advérbio Preposição</p><p>c) Pronome reflexivo Conjunção Conjunção Pronome relativo Advérbio Pronome pessoal</p><p>d) Pronome pessoal reto Preposição Preposição Pronome relativo Pronome pessoal Artigo</p><p>e) Pronome pessoal Pronome pessoal Conjunção Conjunção</p><p>Pronome</p><p>demonstrativo</p><p>Preposição</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 33</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>2. (Espcex) Assinale a alternativa que apresenta a cor-</p><p>reta classificação da partícula “se”, na sequência em</p><p>que aparece no período abaixo.</p><p>O maquinista se perguntava se a próxima parada seria</p><p>tão tumultuada quanto a primeira, com aquelas pes-</p><p>soas todas se debatendo, os bilhetes avolumando nas</p><p>mãos do cobrador, os reclamos que se ouviam dos mais</p><p>exaltados.</p><p>a) objeto indireto – conectivo integrante – parte do</p><p>verbo – partícula apassivadora</p><p>b) objeto direto – conectivo integrante – pronome</p><p>reflexivo – partícula apassivadora</p><p>c) objeto direto – conjunção integrante – pronome</p><p>recíproco – indeterminação do sujeito</p><p>d) objeto indireto – conjunção integrante – pronome</p><p>reflexivo – partícula apassivadora</p><p>e) objeto direto – conectivo integrador – pronome</p><p>oblíquo – partícula apassivadora</p><p>3. (Mackenzie) Aponte a alternativa que contém um</p><p>QUE classificado morfologicamente como partícula ex-</p><p>pletiva (ou de realce).</p><p>a) "A vida é tão bela que chega a dar medo."</p><p>b) "Havia uma escada que parava de repente no ar."</p><p>c) "Oh! Que revoada, que revoada de asas!"</p><p>d) "O vento que vinha desde o princípio do mundo /</p><p>Estava brincando com teus cabelos..."</p><p>e) "Nós / é que vamos empurrando, dia a dia, sua</p><p>cadeira de rodas."</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Quando a rede vira um vício</p><p>Com o titulo "Preciso de ajuda", fez-se um desabafo</p><p>aos integrantes da comunidade Viciados em Internet</p><p>Anônimos: "Estou muito dependente da web, Não con-</p><p>sigo mais viver normalmente. Isso é muito sério". Logo</p><p>obteve resposta</p><p>de um colega de rede. "Estou na mes-</p><p>ma situação. Hoje, praticamente vivo em frente ao com-</p><p>putador. Preciso de ajuda." Odiálogo dá a dimensão do</p><p>tormento provocado pela dependência em Internet, um</p><p>mal que começa a ganhar relevo estatístico, à medida</p><p>que o uso da própria rede se dissemina. Segundo pes-</p><p>quisas recém-conduzidas pelo Centro de Recuperação</p><p>para Dependência de Internet, nos Estados Unidos, a</p><p>parcela de viciados representa, nos vários países estu-</p><p>dados, de 5% (como no Brasil) a 10% dos que usam a</p><p>web — com concentração na faixa dos 15 aos 29 anos.</p><p>Os estragos são enormes. Como ocorre com um viciado</p><p>em álcool ou em drogas, o doente desenvolve uma tole-</p><p>rância que, nesse caso, o faz ficar on-line por uma eter-</p><p>nidade sem se dar conta do exagero. Ele também sofre</p><p>de constantes crises de abstinência quando está desco-</p><p>nectado, e seu desempenho nas tarefas de natureza in-</p><p>telectual despenca. Diante da tela do computador, vive,</p><p>aí sim, momentos de rara euforia. Conclui uma psicólo-</p><p>ga americana: "O viciado em internet vai, aos poucos,</p><p>perdendo os elos com o mundo real até desembocar</p><p>num universo paralelo — e completamente virtual".</p><p>Não é fácil detectar o momento em que alguém deixa de</p><p>fazer uso saudável e produtivo da rede para estabelecer</p><p>com ela uma relação doentia, como a que se revela nas</p><p>histórias relatadas ao longo desta reportagem. Em todos</p><p>os casos, a internet era apenas "útil" ou "divertida" e foi</p><p>ganhando um espaço central, a ponto de a vida longe da</p><p>rede ser descrita agora como sem sentido. Mudança tão</p><p>drástica se deu sem que os pais atentassem para a gravi-</p><p>dade do que ocorria. "Como a internet faz parte do dia a</p><p>dia dos adolescentes e o isolamento é um comportamen-</p><p>to típico dessa fase da vida, a família raramente detecta</p><p>o problema antes de ele ter fugido ao controle", diz um</p><p>psiquiatra. A ciência, por sua vez, já tem bem mapeados</p><p>os primeiros sintomas da doença. De saída, o tempo na</p><p>internet aumenta — até culminar, pasme-se, numa ro-</p><p>tina de catorze horas diárias, de acordo com o estudo</p><p>americano. As situações vividas na rede passam, então,</p><p>a habitar mais e mais as conversas. É típico o apareci-</p><p>mento de olheiras profundas e ainda um ganho de peso</p><p>relevante, resultado da frequente troca de refeições por</p><p>sanduíches — que prescindem de talheres e liberam uma</p><p>das mãos para o teclado. Gradativamente, a vida social</p><p>vai se extinguindo. Alerta outra psicóloga: "Se a pessoa</p><p>começa a ter mais amigos na rede do que fora dela, é um</p><p>sinal claro de que as coisas não vão bem".</p><p>Os jovens são, de longe, os mais propensos a extrapolar</p><p>o uso da internet. Há uma razão estatística para isso —</p><p>eles respondem por até 90% dos que navegam na rede,</p><p>a maior fatia —, mas pesa também uma explicação de</p><p>fundo mais psicológico, à qual uma recente pesquisa</p><p>lança luz. Algo como 10% dos entrevistados (viciados</p><p>ou não) chegam a atribuir à internet uma maneira de</p><p>"aliviar os sentimentos negativos", tão típicos de uma</p><p>etapa em que afloram tantas angústias e conflitos. Na</p><p>rede, os adolescentes sentem-se ainda mais à vontade</p><p>para expor suas ideias. Diz um outro psiquiatra: "Num</p><p>momento em que a própria personalidade está por se</p><p>definir, a internet proporciona um ambiente favorável</p><p>para que eles se expressem livremente". No perfil da-</p><p>quela minoria que, mais tarde, resvala no vicio se vê,</p><p>em geral, uma combinação de baixa autoestima com</p><p>intolerância à frustração. Cerca de 50% deles, inclusive,</p><p>sofrem de depressão, fobia social ou algum transtorno</p><p>de ansiedade. É nesse cenário que os múltiplos usos da</p><p>rede ganham um valor distorcido. Entre os que já têm o</p><p>vicio, a maior adoração é pelas redes de relacionamen-</p><p>to e pelos jogos on-line, sobretudo por aqueles em que</p><p>não existe noção de começo, meio ou fim.</p><p>Desde 1996, quando se consolidou o primeiro estudo</p><p>de relevo sobre o tema, nos Estados Unidos, a depen-</p><p>dência em internet é reconhecida — e tratada — como</p><p>uma doença. Surgiram grupos especializados por toda</p><p>parte. "Muita gente que procura ajuda ainda resiste à</p><p>ideia de que essa é uma doença", conta um psicólogo.</p><p>O prognóstico é bom: em dezoito semanas de sessões</p><p>individuais e em grupo, 80% voltam a niveis aceitá-</p><p>veis de uso da internet. Não seria factível, tampouco</p><p>desejável, que se mantivessem totalmente distantes</p><p>dela, como se espera, por exemplo, de um alcoólatra</p><p>em relação à bebida. Com a rede, afinal, descortina-se</p><p>34  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>uma nova dimensão de acesso às informações, à produ-</p><p>ção de conhecimento e ao próprio lazer, dos quais, em</p><p>sociedades modernas, não faz sentido se privar. Toda a</p><p>questão gira em torno da dose ideal, sobre a qual já</p><p>existe um consenso acerca do razoável: até duas horas</p><p>diárias, no caso de crianças e adolescentes. Quanto an-</p><p>tes a ideia do limite for sedimentada, melhor. Na avalia-</p><p>ção de uma das psicólogas, "Os pais não devem temer</p><p>o computador, mas, sim, orientar os filhos sobre como</p><p>usá-lo de forma útil e saudável". Desse modo, reduz-se</p><p>drasticamente a possibilidade de que, no futuro, eles</p><p>enfrentem o drama vivido hoje pelos jovens viciados.</p><p>silvia rogar e JoÃo figueireDo, veJa, 24 De março De 2010. aDaptaDo.</p><p>4. (col. naval) Assinale a opção em que a palavra QUE</p><p>não faz referência a um termo que a antecede.</p><p>a) "[...] um mal que começa a ganhar relevo estatísti-</p><p>co [...]". (1° parágrafo)</p><p>b) "[...] o doente desenvolve uma tolerância que, nes-</p><p>se caso [...]".(1° parágrafo)</p><p>c) "[...] resultado da frequente troca de refeições</p><p>por sanduíches - que prescindem de talheres [...]".</p><p>(2° parágrafo)</p><p>d) "No perfil daquela minoria que, mais tarde, resvala</p><p>no vício se vê [...]".(3° parágrafo)</p><p>e) "Não seria factível, tampouco desejável, que se</p><p>mantivessem totalmente [...]".(4° parágrafo)</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>CINZAS DA INQUISIÇÃO</p><p>1 Até agora fingíamos que a Inquisição era um episódio</p><p>da história europeia, que tendo durado do século XII ao</p><p>século XIX, nada tinha a ver com o Brasil. No máximo,</p><p>se prestássemos muita atenção, íamos ouvir falar de um</p><p>certo Antônio José - o Judeu, um português de origem</p><p>brasileira, que foi queimado porque andou escrevendo</p><p>umas peças de teatro.</p><p>2 Mas não dá mais para escamotear. Acabou de se rea-</p><p>lizar um congresso que começou em Lisboa, continuou</p><p>em São Paulo e Rio, reavaliando a Inquisição. O ideal</p><p>seria que esse congresso tivesse se desdobrado por to-</p><p>das as capitais do país, por todas as cidades, que tivesse</p><p>merecido mais atenção da televisão e tivesse sacudi-</p><p>do a consciência dos brasileiros do Oiapoque ao Chuí,</p><p>mostrando àqueles que não podem ler jornais nem fre-</p><p>quentar as discussões universitárias o que foi um dos</p><p>períodos mais tenebrosos da história do Ocidente. Mas</p><p>mostrar isso, não por prazer sadomasoquista, e sim</p><p>para reforçar os ideais de dignidade humana e melho-</p><p>rar a debilitada consciência histórica nacional.</p><p>.......................................................................................</p><p>3 Calar a história da Inquisição, como ainda querem al-</p><p>guns, em nada ajuda a história de instituições e países.</p><p>Ao contrário, isto pode ser ainda um resquício inqui-</p><p>sitorial. E no caso brasileiro essa reavaliação é inesti-</p><p>mável, porque somos uma cultura que finge viver fora</p><p>da história.</p><p>4 Por outro lado, estamos vivendo um momento pri-</p><p>vilegiado em termos de reconstrução da consciência</p><p>histórica. Se neste ano (1987) foi possível passar a</p><p>limpo a Inquisição, no ano que vem será necessário</p><p>refazer a história do negro em nosso país, a propósito</p><p>dos cem anos da libertação dos escravos. E no ano se-</p><p>guinte, 1989, deveríamos nos concentrar para rever a</p><p>"república" decretada por Deodoro. Os próximos dois</p><p>anos poderiam se converter em um intenso período de</p><p>pesquisas, discussões e mapeamento de nossa silen-</p><p>ciosa história. Universidades, fundações de pesquisa e</p><p>os meios de comunicação deveriam se preparar para</p><p>participar desse projeto arqueológico, convocando a</p><p>todos: "Libertem</p><p>que</p><p>exigem atenção constante aos detalhes e, se deixarmos,</p><p>passam horas em uma única atividade de que gostam.</p><p>Mas, nos estudos, queremos que elas prestem atenção</p><p>no que é preciso, e não no que gostam. E isso, caro lei-</p><p>tor, exige a árdua aprendizagem da autodisciplina. Que</p><p>leva tempo, é bom lembrar.</p><p>As crianças precisam de nós, pais e professores, para co-</p><p>meçar a aprender isso. Aliás, boa parte desse trabalho é</p><p>nosso, e não delas.</p><p>Não basta mandarmos que elas prestem atenção: isso</p><p>de nada as ajuda. 13O que pode ajudar, por exemplo, é</p><p>analisarmos o contexto em que estão 7quando precisam</p><p>focar a atenção e organizá-lo para que seja favorável a</p><p>tal exigência. E é preciso lembrar que não se pode espe-</p><p>rar toda a atenção delas por muito tempo: o ensino desse</p><p>quesito no mundo de hoje é um processo lento e gradual.</p><p>(saYÃo, roselY. profusÃo De estímulos.</p><p>folha De s. paulo, 11 fev. 2014.)</p><p>Assinale a opção em que as palavras destacadas rece-</p><p>bem, respectivamente, a mesma classificação quanto à</p><p>acentuação gráfica que as palavras sublinhadas em “Se</p><p>está difícil para nós, adultos [...]. Elas já, nasceram neste</p><p>mundo de profusão de estímulos[...].” (ref. 3).</p><p>a) “Ela precisa estar atenta aos veículos que vêm</p><p>atrás, ao lado e à crente, à velocidade média dos car-</p><p>ros [...].” (ref. 4)</p><p>b) “Aliás, não é a combinação e a sucessão das pala-</p><p>vras que dá sentido a um texto?” (ref. 5)</p><p>c) “[...] às informações de alguma emissora de rádio</p><p>que comenta o trânsito, ao planejamento mental</p><p>[...].” (ref. 6)</p><p>d) “[...] quando precisam focar a atenção e organizá-</p><p>-lo para que seja favorável a tal exigência. E é preciso</p><p>lembrar [...].“ (ref. 7)</p><p>e) “[...] profusão de estímulos [...]; elas são exigidas,</p><p>desde o início da vida, a dar conta de várias coisas</p><p>[...].” (ref. 8)</p><p>4. (CFTSC) PRETO E BRANCO</p><p>Perdera o emprego, chegara a passar fome, sem que</p><p>6ninguém soubesse: por constrangimento, afastara-se</p><p>da roda 7boêmia escritores, jornalistas, um sambista de</p><p>cor que vinha a ser o seu mais velho que antes costuma-</p><p>va frequentar companheiro de noitadas.</p><p>De repente, a salvação lhe apareceu na forma de um</p><p>americano, que lhe oferecia um emprego numa agência.</p><p>Agarrou-se com unhas e dentes à oportunidade, vale</p><p>dizer, ao americano, para garantir na sua nova função</p><p>uma relativa estabilidade.</p><p>E um belo dia vai seguindo com o chefe pela rua 10Mé-</p><p>xico, já distraído de seus passados tropeços, mas trope-</p><p>çando obstinadamente no inglês com que se entendiam</p><p>– quando vê do outro lado da rua um preto agitar a</p><p>mão para ele.</p><p>Era o sambista seu amigo.</p><p>Ocorreu-lhe desde logo que ao americano poderia pa-</p><p>recer estranha tal amizade, e mais ainda incompatível</p><p>com a ética ianque a ser mantida nas funções que pas-</p><p>sara a exercer. Lembrou-se num átimo que o americano</p><p>em geral tem uma coisa muito séria chamada precon-</p><p>ceito racial e seu critério de julgamento da capacidade</p><p>funcional dos subordinados talvez se deixasse influir</p><p>por essa odiosa deformação. Por via das dúvidas corres-</p><p>pondeu ao cumprimento de seu amigo da maneira mais</p><p>discreta que lhe foi possível, mas viu em pânico que ele</p><p>atravessava a rua e vinha em sua direção, sorriso aberto</p><p>e braços prontos para um abraço.</p><p>Pensou rapidamente em se esquivar – não dava tempo: o</p><p>americano também se detivera, vendo o preto aproximar-se.</p><p>Era seu amigo, velho companheiro, um bom sujeito,</p><p>dos melhores mesmo que já conhecera – acaso jamais</p><p>chegara sequer a se lembrar que se tratava de um pre-</p><p>to? Agora, com o gringo ali a seu lado, todo branco e</p><p>sardento, é que percebia pela primeira vez: não podia</p><p>ser mais preto. Sendo assim, tivesse paciência: mais tar-</p><p>de lhe explicava tudo, haveria de compreender. Passar</p><p>fome era muito bonito nos romances de Knut Hamsun,</p><p>lidos depois do jantar, e sem credores à porta. Não teve</p><p>mais dúvidas: virou a cara quando o outro se aproximou</p><p>e fingiu que não o via, que não era com ele.</p><p>E não era mesmo com ele.</p><p>Porque antes de 9cumprimentá-lo, talvez ainda sem</p><p>8tê-lo visto, o sambista abriu os braços para acolher o</p><p>americano – também seu amigo.</p><p>(saBino, fernanDo. a mulher Do vizinho. 7. eD.</p><p>rio De Janeiro: recorD, 1962. p.163-4.)</p><p>Assinale a alternativa correta relativamente à acentua-</p><p>ção gráfica das palavras sublinhadas no texto.</p><p>a) O pronome ninguém (ref. 6) recebe acento por ser</p><p>uma monossílaba tônica terminada em em.</p><p>b) O substantivo boêmia (ref. 7) é acentuado por ser</p><p>palavra proparoxítona.</p><p>c) A combinação da forma verbal ter com o pronome</p><p>oblíquo o, resultou em tê-lo (ref. 8), que é acentuado</p><p>por se tratar de paroxítona terminada em o.</p><p>d) A forma verbal cumprimentá (ref. 9) é acentuada</p><p>porque, ao associar-se ao pronome o, perdeu o r final,</p><p>tornando-se uma oxítona terminada em a.</p><p>e) O substantivo México (ref. 10) recebe acento por-</p><p>que é uma palavra importada, que precisa manter o</p><p>acento original.</p><p>5. (IFAL) Assinale a alternativa em que as palavras, que</p><p>completam a frase abaixo, estão acentuadas correta-</p><p>mente.</p><p>Os tabloides que eles __________, __________ man-</p><p>chetes curtas que todos __________.</p><p>a) leem – tem – veem</p><p>b) lêm – teem – vêm</p><p>c) leem – têm – veem</p><p>d) leem – têm – vêm</p><p>e) lêm – tem – veem</p><p>8  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>6. (COL. Naval) Em que opção a acentuação do termo</p><p>destacado está correta?</p><p>a) A prática da leitura constrói cidadãos capazes de</p><p>entender criticamente a realidade.</p><p>b) De acordo com o texto, pessoas que lêem, desen-</p><p>volvem o raciocínio e falam melhor.</p><p>c) Quando o conferencista enfatizou a importância da</p><p>leitura, foi ovacionado pela platéia.</p><p>d) A ignorância prepotente deforma por estagnação,</p><p>pois o indivíduo pára de questionar.</p><p>e) Se os livros são fundamentais na formação das</p><p>pessoas, é bom que se averigúem as causas da dimi-</p><p>nuição da leitura.</p><p>7. (IFSUL) A partir da entrada em vigor do Acordo Orto-</p><p>gráfico, a palavra assembleia passou a ser grafada sem</p><p>acento agudo. Qual é a alternativa em que um ou mais</p><p>vocábulos, segundo as regras do Acordo Ortográfico,</p><p>foi(ram) acentuado(s) INDEVIDAMENTE?</p><p>a) estóico – proíbe – vôo</p><p>b) hotéis – usuário – volátil</p><p>c) troféus – retórico – hífen</p><p>d) herói – alcoólico – têm</p><p>8. (IFAL) Cientistas americanos apresentaram ontem re-</p><p>sultados preliminares de uma vacina contra o fumo. O</p><p>medicamento impede que a nicotina – componente do</p><p>tabaco que causa dependência – chegue ao cérebro. Em</p><p>ratos vacinados, até da nicotina injetada deixou de</p><p>atingir o sistema nervoso central.</p><p>(o gloBo,18/12/99.)</p><p>Analise as afirmativas a seguir:</p><p>I. A palavra “cérebro” é paroxítona.</p><p>II. “Cientistas” é, no texto, uma palavra masculina, haja</p><p>vista a concordância do adjetivo que a acompanha.</p><p>III. A palavra “até” é monossílabo tônico.</p><p>IV. A palavra “até” é oxítona terminada em “e”, por isso</p><p>é acentuada.</p><p>V. No texto, há três palavras oxítonas que não são acen-</p><p>tuadas graficamente: deixou, atingir e central.</p><p>Estão corretas.</p><p>a) apenas II e IV.</p><p>b) apenas II, IV e V.</p><p>c) apenas I e III.</p><p>d) apenas III e V.</p><p>e) apenas IV e V.</p><p>9. (IFSC)</p><p>Com relação à acentuação gráfica das palavras no texto, é CORRETO afirmar:</p><p>a) A palavra por (quinto quadrinho) deveria ter recebido acento diferencial por se tratar de uma forma verbal.</p><p>b) A palavra parabéns (terceiro quadrinho) recebe um acento diferencial porque está no plural.</p><p>c) A palavra ótima (terceiro quadrinho) recebe acento por ser proparoxítona.</p><p>d) A palavra me (primeiro quadrinho) deveria ter recebido acento, por ser monossílabo tônico terminado em e.</p><p>e) O acento na palavra é (terceiro quadrinho) pode ser classificado como diferencial, porque não há regra que justifique seu uso.</p><p>10. (UTFPR) Em qual alternativa todas as palavras em negrito devem ser acentuadas graficamente?</p><p>a) Atraves de uma lei municipal, varias pessoas recebem ingressos gratis para o cinema.</p><p>b) É dificil correr atras do prejuizo sozinho.</p><p>c) Aqui, em Foz do Iguaçu, a dengue esta sendo um grande problema de saude publica.</p><p>d)</p><p>de novo os escravos", "proclamem</p><p>de novo a República".</p><p>5 Fazer história é fazer falar o passado e o presente</p><p>criando ecos para o futuro.</p><p>6 História é o anti-silêncio. É o ruído emergente das lu-</p><p>tas, angústias, sonhos, frustrações. Para o pesquisador, o</p><p>silêncio da história oficial é um1 silêncio ensurdecedor.</p><p>Quando penetra nos arquivos da consciência nacional,</p><p>os dados e os feitos berram, clamam, gritam, sangram</p><p>pelas prateleiras. Engana-se, portanto, quem julga que</p><p>os arquivos são lugares apenas de poeira e mofo. Ali</p><p>está pulsando algo. Como num vulcão aparentemente</p><p>adormecido, ali algo quer emergir. E emerge. Cedo ou</p><p>tarde. Não se destrói totalmente qualquer documenta-</p><p>ção. Sempre vai sobrar um herege que não foi queima-</p><p>do, um judeu que escapou ao campo de concentração,</p><p>um dissidente que sobreviveu aos trabalhos forçados</p><p>na Sibéria. De nada adiantou aquele imperador chinês</p><p>ter queimado todos os livros e ter decretado que a his-</p><p>tória começasse com ele.</p><p>7 A história recomeça com cada um de nós, apesar dos</p><p>reis e das inquisições.</p><p>(Affonso R. de Sant'Anna. A RAIZ QUADRADA DO AB-</p><p>SURDO. Rio de Janeiro, Rocco, 1989, p. 196-198.)</p><p>5. (Cesgranrio) "O ideal seria QUE esse congresso ti-</p><p>vesse se desdobrado por todas as capitais do país, por</p><p>todas as cidades, QUE tivesse merecido mais atenção</p><p>da televisão e tivesse sacudido a consciência dos bra-</p><p>sileiros do Oiapoque ao Chuí, mostrando àqueles QUE</p><p>não podem ler jornais nem frequentar as discussões</p><p>universitárias o que foi um dos períodos mais tenebro-</p><p>sos da história do Ocidente."</p><p>Assinale a classificação CORRETA das palavras em des-</p><p>taque, respectivamente:</p><p>a) pronome relativo / conjunção integrante / conjun-</p><p>ção integrante.</p><p>b) pronome relativo / conjunção integrante / conjun-</p><p>ção consecutiva.</p><p>c) conjunção integrante / conjunção integrante / pro-</p><p>nome relativo.</p><p>d) conjunção integrante / conjunção consecutiva /</p><p>conjunção comparativa.</p><p>e) conjunção consecutiva / pronome relativo / prono-</p><p>me relativo.</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 35</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>E.O. ObjEtivAs</p><p>(UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp)</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Leia o excerto do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio Vieira</p><p>(1608-1697), para responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa arma-</p><p>da pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse</p><p>trazido à sua presença um pirata, que por ali andava</p><p>roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexan-</p><p>dre de andar em tão mau ofício; porém ele, que não era</p><p>medroso nem lerdo, respondeu assim: “Basta, Senhor,</p><p>que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós,</p><p>porque roubais em uma armada, sois imperador?”. As-</p><p>sim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é gran-</p><p>deza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar</p><p>com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem</p><p>distinguir as qualidades, e interpretar as significações, a</p><p>uns e outros, definiu com o mesmo nome: [...] Se o rei de</p><p>Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão</p><p>e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo</p><p>lugar, e merecem o mesmo nome.</p><p>Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de</p><p>que um filósofo estoico se atrevesse a escrever uma</p><p>tal sentença em Roma, reinando nela Nero; o que mais</p><p>me admirou, e quase envergonhou, foi que os nossos</p><p>oradores evangélicos em tempo de príncipes católicos,</p><p>ou para a emenda, ou para a cautela, não preguem a</p><p>mesma doutrina. Saibam estes eloquentes mudos que</p><p>mais ofendem os reis com o que calam que com o que</p><p>disserem; porque a confiança com que isto se diz é sinal</p><p>que lhes não toca, e que se não podem ofender; e a cau-</p><p>tela com que se cala é argumento de que se ofenderão,</p><p>porque lhes pode tocar. [...]</p><p>Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo não</p><p>são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de</p><p>sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque</p><p>a mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu pecado</p><p>[...]. O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao</p><p>Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato,</p><p>são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera</p><p>[...]. Não são só ladrões, diz o santo [São Basílio Mag-</p><p>no], os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão</p><p>banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões que mais</p><p>própria e dignamente merecem este título são aqueles</p><p>a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o</p><p>governo das províncias, ou a administração das cidades,</p><p>os quais já com manha, já com força, roubam e despo-</p><p>jam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, es-</p><p>tes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo</p><p>do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se</p><p>furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.</p><p>(essencial, 2011.)</p><p>1. (Unesp 2018) “[...] os ladrões de que falo não são</p><p>aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua for-</p><p>tuna condenou a este gênero de vida [...].” (3º parágrafo)</p><p>Os termos destacados constituem, respectivamente,</p><p>a) um artigo, uma preposição e uma preposição.</p><p>b) uma preposição, um artigo e uma preposição.</p><p>c) um artigo, um pronome e um pronome.</p><p>d) um pronome, uma preposição e um artigo.</p><p>e) uma preposição, um artigo e um pronome.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Leia o conto “A moça rica”, de Rubem Braga (1913-</p><p>1990), para responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>A madrugada era escura nas moitas de mangue, e eu</p><p>avançava no 1batelão velho; remava cansado, com um</p><p>resto de sono. De longe veio um 2rincho de cavalo; de-</p><p>pois, numa choça de pescador, junto do morro, tremulou</p><p>a luz de uma lamparina.</p><p>Aquele rincho de cavalo me fez lembrar a moça que eu</p><p>encontrara galopando na praia. Ela era corada, forte.</p><p>Viera do Rio, sabíamos que era muito rica, filha de um</p><p>irmão de um homem de nossa terra. A princípio a olhei</p><p>com espanto, quase desgosto: ela usava calças compri-</p><p>das, fazia caçadas, dava tiros, saía de barco com os pes-</p><p>cadores. Mas na segunda noite, quando nos juntamos</p><p>todos na casa de Joaquim Pescador, ela cantou; tinha</p><p>bebido cachaça, como todos nós, e cantou primeiro</p><p>uma coisa em inglês, depois o Luar do sertão e uma</p><p>canção antiga que dizia assim: “Esse alguém que logo</p><p>encanta deve ser alguma santa”. Era uma canção triste.</p><p>Cantando, ela parou de me assustar; cantando, ela dei-</p><p>xou que eu a adorasse com essa adoração súbita, mas</p><p>tímida, esse fervor confuso da adolescência – adoração</p><p>sem esperança, ela devia ter dois anos mais do que eu. E</p><p>amaria o rapaz de suéter e sapato de basquete, que cos-</p><p>tuma ir ao Rio, ou (murmurava-se) o homem casado, que</p><p>já tinha ido até à Europa e tinha um automóvel e uma co-</p><p>leção de espingardas magníficas. Não a mim, com minha</p><p>pobre 3flaubert, não a mim, de calça e camisa, descalço,</p><p>não a mim, que não sabia lidar nem com um motor de</p><p>popa, apenas tocar um batelão com meu remo.</p><p>Duas semanas depois que ela chegou é que a encontrei</p><p>na praia solitária; eu vinha a pé, ela veio galopando a</p><p>cavalo; vi-a de longe, meu coração bateu adivinhando</p><p>quem poderia estar galopando sozinha a cavalo, ao lon-</p><p>go da praia, na manhã fria. Pensei que ela fosse passar</p><p>me dando apenas um adeus, esse “bom-dia” que no in-</p><p>terior a gente dá a quem encontra; mas parou, o animal</p><p>resfolegando e ela respirando forte, com os seios agita-</p><p>dos dentro da blusa fina, branca. São as duas imagens</p><p>que se gravaram na minha memória, desse encontro: a</p><p>pele escura e suada do cavalo e a seda branca da blusa;</p><p>aquela dupla respiração animal no ar fino da manhã.</p><p>E saltou, me chamando pelo nome, conversou comigo.</p><p>Séria, como se eu fosse um rapaz mais velho do que ela,</p><p>um homem como os de sua roda, com calças de “palm-</p><p>-beach”, relógio de pulso. Perguntou coisas sobre peixes;</p><p>fiquei com vergonha de não saber quase nada, não sa-</p><p>bia os nomes dos peixes que ela dizia, deviam ser peixes</p><p>de outros lugares mais importantes, com certeza mais</p><p>bonitos. Perguntou se a gente comia aqueles cocos dos</p><p>coqueirinhos junto da praia – e falou de minha irmã, que</p><p>conhecera, quis saber se era</p><p>verdade que eu nadara des-</p><p>de a ponta do Boi até perto da lagoa.</p><p>36  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>De repente me fulminou: “Por que você não gosta de</p><p>mim? Você me trata sempre de um modo esquisito...”</p><p>Respondi, estúpido, com a voz rouca: “Eu não”.</p><p>Ela então riu, disse que eu confessara que não gostava</p><p>mesmo dela, e eu disse: “Não é isso.” Montou o cavalo,</p><p>perguntou se eu não queria ir na garupa. Inventei que</p><p>precisava passar na casa dos Lisboa. Não insistiu, me deu</p><p>um adeus muito alegre; no dia seguinte foi-se embora.</p><p>Agora eu estava ali remando no batelão, para ir no Seve-</p><p>rone apanhar uns camarões vivos para isca; e o relincho</p><p>distante de um cavalo me fez lembrar a moça bonita e</p><p>rica. Eu disse comigo – rema, bobalhão! – e fui remando</p><p>com força, sem ligar para os respingos de água fria, cada</p><p>vez com mais força, como se isto adiantasse alguma coisa.</p><p>(os melhores contos, 1997.)</p><p>1batelão: embarcação movida a remo.</p><p>2rincho: relincho.</p><p>3flaubert: um tipo de espingarda.</p><p>2. (Unesp 2018) “Duas semanas depois que ela chegou</p><p>é que a encontrei na praia solitária; eu viajava a pé, ela</p><p>veio galopando a cavalo”(4º parágrafo)</p><p>Os termos sublinhados constituem, respectivamente,</p><p>a) artigo, preposição, artigo.</p><p>b) artigo, preposição, preposição.</p><p>c) pronome, artigo, artigo.</p><p>d) pronome, preposição, preposição.</p><p>e) pronome, artigo, preposição.</p><p>3. (Fuvest) "É da história do mundo que (1) as elites</p><p>nunca introduziram mudanças que (2) favorecessem a</p><p>sociedade como um todo. Estaríamos nos enganando</p><p>se achássemos que (3) estas lideranças empresariais te-</p><p>riam motivação para fazer a distribuição de rendas que</p><p>(4) uma nação equilibrada precisa ter."</p><p>O vocábulo que está numerado em suas quatro ocorrên-</p><p>cias, nas quais se classifica como conjunção integrante e</p><p>como pronome relativo. Assinalar a alternativa que re-</p><p>gistra a classificação correta em cada caso, pela ordem:</p><p>a) 1. pronome relativo, 2. conjunção integrante, 3.</p><p>pronome relativo, 4. conjunção integrante;</p><p>b) 1. conjunção integrante, 2. pronome relativo, 3.</p><p>pronome relativo, 4. conjunção integrante;</p><p>c) 1. pronome relativo, 2. pronome relativo, 3. conjun-</p><p>ção integrante, 4. conjunção integrante;</p><p>d) 1. conjunção integrante, 2. pronome relativo, 3.</p><p>conjunção integrante, 4. pronome relativo;</p><p>e) 1. pronome relativo, 2. conjunção integrante, 3.</p><p>conjunção integrante, 4. pronome relativo.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>As questões a seguir tomam por base o seguinte frag-</p><p>mento do diálogo Fedro, de Platão (427-347 a.C.). Fedro</p><p>SÓCRATES: – Vamos então refletir sobre o que há pouco</p><p>estávamos discutindo; examinaremos o que seja recitar</p><p>ou escrever bem um discurso, e o que seja recitar ou</p><p>escrever mal.</p><p>FEDRO: – Isso mesmo.</p><p>SÓCRATES: – Pois bem: não é necessário que o orador</p><p>esteja bem instruído e realmente informado sobre a</p><p>verdade do assunto de que vai tratar?</p><p>FEDRO: – A esse respeito, Sócrates, ouvi o seguinte: para</p><p>quem quer tornar-se orador consumado não é indispen-</p><p>sável conhecer o que de fato é justo, mas sim o que pa-</p><p>rece justo para a maioria dos ouvintes, que são os que</p><p>decidem; nem precisa saber tampouco o que é bom ou</p><p>belo, mas apenas o que parece tal – pois é pela aparência</p><p>que se consegue persuadir, e não pela verdade.</p><p>SÓCRATES: – Não se deve desdenhar, caro Fedro, da pa-</p><p>lavra hábil, mas antes refletir no que ela significa. O que</p><p>acabas de dizer merece toda a nossa atenção.</p><p>FEDRO: – Tens razão.</p><p>SÓCRATES: – Examinemos, pois, essa afirmação.</p><p>FEDRO: – Sim.</p><p>SÓCRATES: – Imagina que eu procuro persuadir-te a</p><p>comprar um cavalo para defender-te dos inimigos, mas</p><p>nenhum de nós sabe o que seja um cavalo; eu, porém,</p><p>descobri por acaso uma coisa: “Para Fedro, o cavalo é o</p><p>animal doméstico que tem as orelhas mais compridas”...</p><p>FEDRO: – Isso seria ridículo, querido Sócrates.</p><p>SÓCRATES: – Um momento. Ridículo seria se eu tratasse</p><p>seriamente de persuadir-te a que escrevesses um pane-</p><p>gírico do burro, chamando-o de cavalo e dizendo que</p><p>é muitíssimo prático comprar esse animal para o uso</p><p>doméstico, bem como para expedições militares; que</p><p>ele serve para montaria de batalha, para transportar</p><p>bagagens e para vários outros misteres.</p><p>FEDRO: – Isso seria ainda ridículo.</p><p>SÓCRATES: – Um amigo que se mostra ridículo não é</p><p>preferível ao que se revela como perigoso e nocivo?</p><p>FEDRO: – Não há dúvida.</p><p>SÓCRATES: – Quando um orador, ignorando a natureza</p><p>do bem e do mal, encontra os seus concidadãos na mes-</p><p>ma ignorância e os persuade, não a tomar a sombra de</p><p>um burro por um cavalo, mas o mal pelo bem; quando,</p><p>conhecedor dos preconceitos da multidão, ele a impele</p><p>para o mau caminho,</p><p>– nesses casos, a teu ver, que frutos a retórica poderá</p><p>recolher daquilo que ela semeou?</p><p>FEDRO: – Não pode ser muito bom fruto.</p><p>SÓCRATES: – Mas vejamos, meu caro: não nos teremos</p><p>excedido em nossas censuras contra a arte retórica?</p><p>Pode suceder que ela responda: “que estais a tagarelar,</p><p>homens ridículos?</p><p>Eu não obrigo ninguém – dirá ela – que ignore aver-</p><p>dade a aprender a falar. Mas quem ouve o meu con-</p><p>selho tratará de adquirir primeiro esses conhecimen-</p><p>tos acerca da verdade para, depois, se dedicar a mim.</p><p>Mas uma coisa posso afirmar com orgulho: sem as</p><p>minhas lições a posse da verdade de nada servirá</p><p>para engendrar a persuasão”.</p><p>FEDRO: – E não teria ela razão dizendo isso?</p><p>SÓCRATES: – Reconheço que sim, se os argumentos usu-</p><p>ais provarem que de fato a retórica é uma arte; mas, se</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 37</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>não me engano, tenho ouvido algumas pessoas atacá-la</p><p>e provar que ela não é isso, mas sim um negócio que</p><p>nada tem que ver com a arte. O lacônio declara: “não</p><p>existe arte retórica propriamente dita sem o conheci-</p><p>mento da verdade, nem haverá jamais tal coisa”.</p><p>(platÃo. DiÁlogos. porto alegre: eDitora gloBo, 1962.)</p><p>4. (Unesp) “... para quem quer tornar-se orador consu-</p><p>mado não é indispensável conhecer o que de fato é justo,</p><p>mas sim o que parece justo para a maioria dos ouvintes,</p><p>que são os que decidem; nem precisa saber tampouco o</p><p>que é bom ou belo, mas apenas o que parece tal...”</p><p>Neste trecho da tradução da segunda fala de Fedro,</p><p>observa-se uma frase com estruturas oracionais recor-</p><p>rentes, e por isso plena de termos repetidos, sendo no-</p><p>tável, a este respeito, a retomada do demonstrativo O</p><p>e do pronome relativo QUE em o que de fato é justo, o</p><p>que parece justo, os que decidem, o que é bom ou belo,</p><p>o que parece tal. Em todos esses contextos, o relativo</p><p>QUE exerce a mesma função sintática nas orações de</p><p>que faz parte. Indique-a.</p><p>a) Sujeito.</p><p>b) Predicativo do sujeito.</p><p>c) Adjunto adnominal.</p><p>d) Objeto direto.</p><p>e) Objeto indireto.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Leia o trecho extraído do artigo “Cosmologia, 100”, de</p><p>Antonio Augusto Passos Videira e Cássio Leite Vieira,</p><p>para responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>“Vou conduzir o leitor por uma estrada que eu mesmo</p><p>percorri, árdua e sinuosa.” A frase – que tem algo da es-</p><p>sência do hoje clássico A estrada não percorrida (1916),</p><p>do poeta norte-americano Robert Frost (1874-1963) –</p><p>está em um artigo científico publicado há cem anos,</p><p>cujo teor constitui um marco histórico da civilização.</p><p>Pela primeira vez, cerca de 50 mil anos depois de o</p><p>Homo sapiens deixar uma mão com tinta estampada</p><p>em uma pedra, a humanidade era capaz de descrever</p><p>matematicamente a maior estrutura conhecida: o Uni-</p><p>verso. A façanha intelectual levava as digitais de Albert</p><p>Einstein (1879-1955).</p><p>Ao terminar aquele artigo de 1917, o físico de origem</p><p>alemã escreveu a um colega dizendo que o que pro-</p><p>duzira o habilitaria a ser “internado em um hospício”.</p><p>Mais tarde, referiu-se ao arcabouço teórico que havia</p><p>construído como um “castelo alto no ar”.</p><p>O Universo que saltou dos cálculos de Einstein tinha</p><p>três características básicas: era finito, sem fronteiras e</p><p>estático – o derradeiro traço alimentaria debates e tra-</p><p>ria arrependimento a Einstein nas décadas seguintes.</p><p>Em “Considerações</p><p>Cosmológicas na Teoria da Relativi-</p><p>dade Geral”, publicado em fevereiro de 1917 nos Anais</p><p>da Academia Real Prussiana de Ciências, o cientista</p><p>construiu (de modo muito visual) seu castelo usando as</p><p>ferramentas que ele havia forjado pouco antes: a teoria</p><p>da relatividade geral, finalizada em 1915, esquema teó-</p><p>rico já classificado como a maior contribuição intelectu-</p><p>al de uma só pessoa à cultura humana.</p><p>Esse bloco matemático impenetrável (mesmo para fí-</p><p>sicos) nada mais é do que uma teoria que explica os</p><p>fenômenos gravitacionais. Por exemplo, por que a Terra</p><p>gira em torno do Sol ou por que um buraco negro devo-</p><p>ra avidamente luz e matéria.</p><p>Com a introdução da relatividade geral, a teoria da gra-</p><p>vitação do físico britânico Isaac Newton (1642-1727)</p><p>passou a ser um caso específico da primeira, para si-</p><p>tuações em que massas são bem menores do que as</p><p>das estrelas e em que a velocidade dos corpos é muito</p><p>inferior à da luz no vácuo (300 mil km/s).</p><p>Entre essas duas obras de respeito (de 1915 e de</p><p>1917), impressiona o fato de Einstein ter achado tem-</p><p>po para escrever uma pequena joia, “Teoria da Relati-</p><p>vidade Especial e Geral”, na qual populariza suas duas</p><p>teorias, incluindo a de 1905 (especial), na qual mostra-</p><p>ra que, em certas condições, o espaço pode encurtar, e</p><p>o tempo, dilatar.</p><p>Tamanho esforço intelectual e total entrega ao raciocí-</p><p>nio cobraram seu pedágio: Einstein adoeceu, com pro-</p><p>blemas no fígado, icterícia e úlcera. Seguiu debilitado</p><p>até o final daquela década.</p><p>Se deslocados de sua época, Einstein e sua cosmologia</p><p>podem ser facilmente vistos como um ponto fora da</p><p>reta. Porém, a historiadora da ciência britânica Patri-</p><p>cia Fara lembra que aqueles eram tempos de “cosmo-</p><p>logias”, de visões globais sobre temas científicos. Ela</p><p>cita, por exemplo, a teoria da deriva dos continentes, do</p><p>geólogo alemão Alfred Wegener (1880-1930), marcada</p><p>por uma visão cosmológica da Terra.</p><p>Fara dá a entender que várias áreas da ciência, naque-</p><p>le início de século, passaram a olhar seus objetos de</p><p>pesquisa por meio de um prisma mais amplo, buscando</p><p>dados e hipóteses em outros campos do conhecimento.</p><p>folha De s. paulo, 01.01.2017. aDaptaDo.</p><p>5. (Unesp) Em “Vou conduzir o leitor por uma estrada</p><p>que eu mesmo percorri, árdua e sinuosa.” (1º parágra-</p><p>fo), o termo destacado exerce a mesma função sintática</p><p>do trecho destacado em:</p><p>a) “[...] o derradeiro traço alimentaria debates e</p><p>traria arrependimento a Einstein nas décadas seguin-</p><p>tes.” (4º parágrafo)</p><p>b) “Ela cita, por exemplo, a teoria da deriva dos</p><p>continentes [...].” (10º parágrafo)</p><p>c) “[...] o cientista construiu (de modo muito visual)</p><p>seu castelo usando as ferramentas que ele havia for-</p><p>jado pouco antes [...].” (5º parágrafo)</p><p>d) “Seguiu debilitado até o final daquela déca-</p><p>da.” (9º parágrafo)</p><p>e) “Se deslocados de sua época, Einstein e sua</p><p>cosmologia podem ser facilmente vistos como um</p><p>ponto fora da reta.” (10º parágrafo)</p><p>38  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>gAbAritO</p><p>E.O. Aprendizagem</p><p>1. B 2. C 3. C 4. B 5. B</p><p>6. C 7. C 8. A 9. D 10. D</p><p>E.O. Fixação</p><p>1. A 2. E 3. D 4. B 5. B</p><p>6. E 7. A 8. D 9. A 10. C</p><p>E.O. Complementar</p><p>1. A 2. A 3. E 4. E 5. C</p><p>E.O. Objetivas</p><p>(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)</p><p>1. B 2. D 3. D 4. A 5. B</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 39</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>E.O. AprEndizAgEm</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>UM DOADOR UNIVERSAL</p><p>Tomo um táxi e mando tocar para o hospital do Ipase.</p><p>Vou visitar um amigo que foi operado. O motorista vol-</p><p>ta-se para mim:</p><p>- O senhor não está doente e agora não é hora de visi-</p><p>ta. Por acaso é médico? Ultimamente ando sentindo um</p><p>negócio esquisito aqui no lombo...</p><p>- Não sou médico.</p><p>Ele deu uma risadinha.</p><p>- Ou não quer dar uma consulta de graça, hein, doutor?</p><p>É isso mesmo, deixa para lá. Para dizer a verdade, não</p><p>tem cara de médico. Vai doar sangue.</p><p>- Quem, eu?</p><p>- O senhor mesmo, quem havia de ser? Não tem mais</p><p>ninguém aqui.</p><p>- Tenho cara de quem vai doar sangue?</p><p>- Para doar sangue não precisa ter cara, basta ter san-</p><p>gue. O senhor veja o meu caso, por exemplo. Sempre</p><p>tive vontade de doar sangue. E doar mesmo de graça,</p><p>ali no duro. Deus me livre de vender meu próprio san-</p><p>gue: não paguei nada por ele. Escuta aqui uma coisa,</p><p>quer saber o que mais, vou doar meu sangue e é já.</p><p>Deteve o táxi à porta do hospital, saltou ao mesmo</p><p>tempo que eu, foi entrando:</p><p>- E é já. Esse negócio tem de ser assim: a gente sente</p><p>vontade de fazer uma coisa, pois então faz e acabou-se.</p><p>Antes que seja tarde: acabo desperdiçando esse sangue</p><p>meu por aí, em algum desastre. Ou então morro e nin-</p><p>guém aproveita. Já imaginou quanto sangue desperdi-</p><p>çado por aí nos que morrem?</p><p>- E nos que não morrem? - limitei-me a acrescentar.</p><p>- Isso mesmo. E nos que não morrem! Essa eu gostei.</p><p>Está se vendo que o senhor é moço distinto. Olhe aqui</p><p>uma coisa, não precisa pagar a corrida.</p><p>Deixei-me ficar, perplexo, na portaria (e ele tinha razão,</p><p>não era hora de visitas) enquanto uma senhora recla-</p><p>mava seus serviços:</p><p>- Meu marido está saindo do hospital, não pode andar</p><p>direito...</p><p>- Que é que tem seu marido, minha senhora?</p><p>- Quebrou a perna.</p><p>- Então como é que a senhora queria que ele andas-</p><p>se direito?</p><p>- Eu não queria. Isto é, queria... Por isso é que estou dizen-</p><p>do - confundiu- se a mulher. - O seu táxi não está livre?</p><p>- O táxi está livre, eu é que não estou. A senhora vai me</p><p>desculpar, mas vou doar sangue. Ou hoje ou nunca.</p><p>E gritou para um enfermeiro que ia passando e que nem</p><p>o ouviu:</p><p>- Você aí, ô, branquinho, onde é que se doa sangue?</p><p>Procurei intervir:</p><p>- Atenda a freguesa... O marido dela...</p><p>- Já sei: quebrou a perna e não pode andar direito.</p><p>- Teve alta hoje. - acudiu a mulher, pressentindo simpatia.</p><p>- Não custa nada – insisti. - Ele precisa de táxi. A esta</p><p>hora...</p><p>- Eu queria doar sangue - vacilou ele. - A gente não pode</p><p>nem fazer uma caridade, poxa!</p><p>- Deixa de fazer uma e faz outra, dá na mesma.</p><p>Pensou um pouco, acabou concordando:</p><p>- Está bem. Mas então faço o serviço completo: vai de</p><p>graça. Vamos embora. Cadê o capenga?</p><p>Afastou-se com a mulher, e em pouco passava de novo</p><p>por mim, ajudando-a a amparar o marido, que se arras-</p><p>tava, capengando.</p><p>- Vamos, velhinho: te aguenta aí. Cada uma!</p><p>Ainda acenou para mim, de longe, se despedindo.</p><p>saBino, fernanDo. um DoaDor universal. Disponível em: >. acesso: 08 maio 2017.</p><p>1. (IFPE) Releia os excertos seguintes, extraídos do</p><p>texto:</p><p>I. Não sou médico.</p><p>II. Ou não quer dar uma consulta de graça, hein, doutor?</p><p>III. Para dizer a verdade, não tem cara de médico.</p><p>IV. Para doar sangue não precisa ter cara.</p><p>V. Ele tinha razão, não era hora de visitas.</p><p>Atentando para o uso da vírgula, assinale a única al-</p><p>ternativa que preserva o sentido original expresso pela</p><p>frase no texto.</p><p>a) Ele tinha razão, não, era hora de visitas.</p><p>b) Ou, não, quer dar uma consulta de graça, hein, doutor?</p><p>c) Para dizer a verdade, não, tem cara de médico.</p><p>d) Para doar sangue, não, precisa ter cara.</p><p>e) Sou médico, não.</p><p>PONTUAÇÃO ILC</p><p>AULAS</p><p>49 E 50 COMPETÊNCIA(s)</p><p>1, 6, 8 e 9</p><p>HABILIDADE(s)</p><p>1, 2, 3, 4, 18, 27 e 29</p><p>40  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>André Devinne procura cultivar a ingenuidade – uma</p><p>defesa contra tudo 1o que 2não entende. 3Pressente: há</p><p>alguma coisa irresolvida que 4está em parte alguma,</p><p>mas os nervos sentem- 1. Quem sabe seja uma espé-</p><p>cie de vergonha. Quem sabe o medo enigmático dos</p><p>quarenta anos. Certamente não é a angústia de se ver</p><p>lavando o carro numa tarde de sábado5, um homem de</p><p>sua posição. É até com delicadeza que se entrega ao sol</p><p>das três da tarde, agachado, sem camisa, esfregando o</p><p>pano sujo no pneu, num ritual disfarçado em que evita</p><p>formular seu tranquilo desespero. Assim: ele está numa</p><p>guerra, mas por acaso6; de onde está, submerso na in-</p><p>genuidade, 7à qual 8se agarra sem saber, não consegue</p><p>ver o inimigo. 9Talvez não haja nenhum.</p><p>10– Filha, não fique aí no sol sem camisa.</p><p>A menina recuou até a sombra. Agachou-se, olhos ne-</p><p>gros no pai.</p><p>11– Você vai pra praia hoje?</p><p>André Devinne contemplou o pneu lavado: um bom tra-</p><p>balho.</p><p>12– Não sei. Falou com a mãe?</p><p>– Ela está pintando.</p><p>A filha tem o mesmo olhar da mãe, 13quando Laura, da</p><p>janela do ateliê, observa o mar da Barra, transforman-</p><p>do aquela estreita faixa de azul acima da Lagoa, numa</p><p>outra faixa, de outra cor, mas igualmente suave, na tela</p><p>em branco. Um olhar que investiga sem ferir – que pa-</p><p>rece, de fato, ver o que está lá.</p><p>Devinne espreguiçou-se esticando as pernas14. Largou o</p><p>pano imundo no balde, sentou-se e olhou o céu, o hori-</p><p>zonte, as duas faixas de mar, o azul da Lagoa, vivendo</p><p>momentaneamente o prazer de proprietário. Lembrou-</p><p>-se da lição de inglês – It’s a nice day, isn’t it? – e tentou</p><p>2 de imediato, mas era tarde: o corpo inteiro se povoou</p><p>de lembrança e ansiedade, exigindo explicações. Esta-</p><p>va indo bem, a professora era uma mulher competente,</p><p>agradável, independente. Talvez justo por isso, ele te-</p><p>nha cometido aquela estupidez. Sem pensar, voltou a</p><p>cabeça e acenou para Laura, que do janelão do ateliê</p><p>respondeu- 3 com um gesto. A filha insistiu:</p><p>– Pai, você vai pra praia?</p><p>Mudar todos os assuntos.</p><p>– Julinha, o que é, o que é? Vive casando 15e está sem-</p><p>pre solteiro?</p><p>Ela riu.</p><p>– Ah, pai. Essa é fácil. O padre!</p><p>tezza, c. o fantasma Da infância. rio De</p><p>Janeiro: eD. recorD, 2007. p. 9-10.</p><p>2. (UFRGS) Considere as seguintes propostas de altera-</p><p>ção de sinais de pontuação no texto.</p><p>I. Substituição da vírgula da referência 5 por ponto e</p><p>vírgula.</p><p>II. Substituição do ponto e vírgula da referência 6 por</p><p>ponto final.</p><p>III. Substituição do ponto final da referência 14 por vírgula.</p><p>Desconsiderando eventuais ajustes no emprego de</p><p>letras maiúsculas e minúsculas, quais propostas estão</p><p>corretas?</p><p>a) Apenas I.</p><p>b) Apenas II.</p><p>c) Apenas I e II.</p><p>d) Apenas II e III.</p><p>e) I, II e III.</p><p>3. (Espcex) Leia os versos abaixo e assinale a alterna-</p><p>tiva que apresenta o mesmo emprego das vírgulas no</p><p>primeiro verso.</p><p>“Torce, aprimora, alteia, lima</p><p>A frase; e, enfim,”</p><p>(olavo Bilac)</p><p>a) “E, ao vir do sol, saudoso e em pranto”</p><p>b) “O alvo cristal, a pedra rara,/ O ônix prefiro.”</p><p>c) “Acendeu um cigarro, cruzou as pernas, estalou as</p><p>unhas,...”</p><p>d) “Uns diziam que se matou, outros, que fora para</p><p>o Acre.”</p><p>e) “Mocidade ociosa, velhice vergonhosa.”</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>A MAÇà DE OURO</p><p>A Apple supera a Microsoft em valor de mercado, pre-</p><p>miando o espírito visionário e libertário de Steve Jobs</p><p>12A Microsoft e a Apple vieram ao mundo praticamen-</p><p>te ao mesmo tempo, em meados dos anos 1970, criadas</p><p>na garagem de jovens estudantes. Mas as empresas não</p><p>trilharam caminhos paralelos. A Microsoft desenvolveu</p><p>o sistema operacional mais popular do mundo e rapi-</p><p>damente se tornou uma das maiores corporações ame-</p><p>ricanas, rivalizando com gigantes da velha indústria. A</p><p>Apple, ao contrário, demorou a decolar. 14Fazia produtos</p><p>inovadores, mas que vendiam pouco. 4Isso começou a</p><p>mudar quando Steve Jobs, um de seus fundadores, 6que</p><p>fora afastado nos anos 80, assumiu o comando criativo</p><p>da empresa, em 1996. 11A Apple estava à beira da falên-</p><p>cia e só ganhou sobrevida porque recebeu um 10aporte</p><p>de 150 milhões de dólares de Microsoft. Jobs iniciou o</p><p>lançamento de produtos 8genuinamente revolucionários</p><p>nas áreas que mais crescem na indústria de tecnologia.</p><p>Primeiro com o iPod e a loja virtual iTunes. Depois vieram</p><p>o iPhone e, agora, o iPad. Desde o início de 2005, o pre-</p><p>ço das ações da empresa foi multiplicado por oito. 3Na</p><p>semana passada, a Apple alcançou o cume. 15Tornou-se</p><p>a companhia de tecnologia mais valiosa do mundo, su-</p><p>perando a Microsoft. 13Na sexta-feira, a empresa de Jobs</p><p>tinha valor de mercado de 233 bilhões de dólares, contra</p><p>226 bilhões de dólares da companhia de Bill Gates.</p><p>2A Marca, para além da disputa pessoal entre os 7maio-</p><p>res gênios da nova economia, coroa a estratégia defi-</p><p>nida por Jobs. Quando ele retornou à Apple, tamanha</p><p>era a descrença no futuro da empresa que Michael Dell,</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 41</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>fundador da Dell, afirmou que o melhor a fazer era fe-</p><p>char as portas e devolver o dinheiro a 5seus acionistas.</p><p>Hoje, a Dell vale um décimo da Apple. 1O mérito de Jobs</p><p>foi ter a 9presciência do rumo que o mercado tomaria.</p><p>Barrucho, luís guilherme & tsuBoi, larissa. a maçà De</p><p>ouro. in: revista veJa, 02 De Jun. 2010, p.187. aDaptaDo.</p><p>4. (Epcar (Afa) Assinale a alternativa em que o uso da</p><p>vírgula se dá pela mesma razão da que se percebe no</p><p>trecho abaixo.</p><p>“A Microsoft e a Apple vieram ao mundo praticamente</p><p>ao mesmo tempo, em meados dos anos 1970, criadas</p><p>na garagem de jovens estudantes.” (ref. 12)</p><p>a) “A Marca, para além da disputa pessoal entre os</p><p>maiores gênios da economia, coroa a estratégia defi-</p><p>nida por Jobs.” (ref. 2)</p><p>b) “Na sexta-feira, a empresa de Jobs tinha valor de</p><p>mercado de 233 bilhões de dólares, contra 226 bi-</p><p>lhões de dólares...” (ref. 13)</p><p>c) “... Fazia produtos inovadores, mas que vendiam</p><p>pouco.” (ref. 14)</p><p>d) “Tornou-se a companhia de tecnologia mais valio-</p><p>sa do mundo, superando a Microsoft.” (ref. 15)</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>CAPÍTULO 48</p><p>Conclusão feliz</p><p>[...]</p><p>Passado o tempo indispensável do luto, o Leonardo, em</p><p>uniforme de Sargento de Milícias, recebeu-se na Sé com</p><p>Luisinha, assistindo à cerimônia a família em peso.</p><p>Daqui em diante aparece o reverso da medalha. Se-</p><p>guiu-se a morte de Dona Maria, a do Leonardo-Pataca,</p><p>e uma enfiada de acontecimentos tristes que poupare-</p><p>mos aos leitores, fazendo aqui o ponto final.</p><p>almeiDa, manuel antonio De. memórias De um sargento</p><p>De milícias. rio De Janeiro: eDiouro, p. 121.</p><p>5. (Udesc) Nas alterações da frase “o Leonardo, em uni-</p><p>forme de Sargento de Milícias, recebeu-se na Sé com</p><p>Luisinha”, uma das alternativas apresenta incorreção</p><p>quanto ao emprego formal da vírgula, bem como alte-</p><p>ração de sentido em relação à frase original. Assinale-a.</p><p>a) Em uniforme de Sargento de Milícias, o Leonardo</p><p>encontrou-se na Sé com Luisinha.</p><p>b) O Leonardo, encontrou-se na Sé com Luisinha em</p><p>uniforme de Sargento de Milícias.</p><p>c) Encontrou-se na Sé, e em uniforme de Sargento de</p><p>Milícias, o Leonardo com Luisinha.</p><p>d) Na Sé, e em uniforme de Sargento de Milícias, o</p><p>Leonardo encontrou-se com Luisinha.</p><p>e) Encontrou-se o Leonardo, em uniforme de Sargen-</p><p>to de Milícias, na Sé com Luisinha.</p><p>6. (Espm) Assinale a frase que apresente o melhor uso</p><p>das vírgulas:</p><p>a) Com o desenvolvimento econômico a participação</p><p>dos serviços sofisticados, aumenta e, em consequên-</p><p>cia, a participação da indústria de transformação cai.</p><p>b) Com o desenvolvimento econômico, a participação</p><p>dos serviços sofisticados aumenta, e em consequên-</p><p>cia, a participação da indústria de transformação cai.</p><p>c) Com o desenvolvimento econômico, a participação</p><p>dos serviços sofisticados aumenta, e, em consequên-</p><p>cia, a participação da indústria de transformação cai.</p><p>d) Com o desenvolvimento econômico, a participação</p><p>dos serviços sofisticados aumenta, e, em consequên-</p><p>cia a participação da indústria de transformação cai.</p><p>e) Com o desenvolvimento econômico, a participação</p><p>dos serviços sofisticados aumenta e em consequên-</p><p>cia, a participação da indústria de transformação, cai.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>É preciso estabelecer uma distinção radical entre um</p><p>“brasil” escrito com letra minúscula, nome de um tipo</p><p>de madeira de lei 1ou de uma feitoria interessada em</p><p>explorar uma terra como outra qualquer2, 3e o Brasil</p><p>que designa um povo, uma 4nação, um conjunto de va-</p><p>lores, escolhas e ideais de vida. O “brasil” com b minús-</p><p>culo é apenas um objeto sem vida5, pedaço de coisa que</p><p>morre e não tem a menor condição de 6se reproduzir</p><p>como sistema. 7Mas o Brasil com B maiúsculo é algo</p><p>muito mais</p><p>complexo.</p><p>Estamos interessados em responder esta pergunta: afi-</p><p>nal de contas, o que faz o brasil, BRASIL? Note-se que</p><p>se trata de uma pergunta relacional que, tal como faz</p><p>a própria sociedade brasileira, quer juntar e não dividir.</p><p>Queremos, 8isto sim, descobrir como é que eles se ligam</p><p>entre 9si10; como é que cada um depende do outro; e</p><p>11como os dois formam uma realidade única que existe</p><p>concretamente naquilo que chamamos de “12pátria”.</p><p>13Se a condição humana determina que todos os ho-</p><p>mens devem comer, dormir, trabalhar, reproduzir-se e</p><p>rezar, essa determinação não chega ao ponto de especi-</p><p>ficar também qual comida ingerir, de que modo produ-</p><p>zir e para quantos deuses 14ou espíritos rezar. É precisa-</p><p>mente aqui, nessa espécie de zona indeterminada, mas</p><p>necessária, que nascem as diferenças e, nelas, os estilos,</p><p>os modos de ser e estar; os “15jeitos” de cada grupo</p><p>humano. 16Trata-se, sempre, da questão de identidade.</p><p>Como se constrói uma identidade social? Como um povo</p><p>se transforma em Brasil? 17A pergunta, 18na sua discreta</p><p>singeleza, permite descobrir algo muito importante. É</p><p>que, no meio de uma multidão de experiências dadas</p><p>a todos os homens e sociedades, algumas necessárias</p><p>à própria sobrevivência – como comer, dormir, morrer,</p><p>reproduzir-se etc. – outras acidentais ou históricas –, 19o</p><p>Brasil ter sido descoberto por portugueses e não por</p><p>chineses, a geografia do Brasil ter certas características,</p><p>falarmos 20português e não 21francês, a família real ter</p><p>se transferido para o Brasil no início do século XIX etc.</p><p>–, cada sociedade (e cada ser humano) apenas se utiliza</p><p>de um número limitado de “22coisas” (e de experiên-</p><p>cias) 23para se construir como algo único.</p><p>42  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>24Nessa perspectiva, a chave para entender a 25socie-</p><p>dade brasileira é uma 26chave dupla. 27E, 28para mim, a</p><p>capacidade relacional — do antigo com o moderno – ti-</p><p>pifica e singulariza a sociedade brasileira. Será preciso,</p><p>29portanto, discutir o Brasil como uma 30moeda. Como</p><p>algo que tem dois lados. 31E mais: como uma realida-</p><p>de que nos tem 32iludido, precisamente porque 33nunca</p><p>lhe propusemos esta questão relacional e reveladora:</p><p>afinal de contas, como se ligam as duas faces de uma</p><p>mesma moeda? O que faz o 34brasil, 35Brasil?</p><p>aDaptaDo De: Damatta, r. o que faz o Brasil,</p><p>Brasil? a questÃo Da iDentiDaDe.</p><p>in:_____. o que faz o Brasil, Brasil? rio De</p><p>Janeiro: rocco, 1986. p. 9-17.</p><p>7. (Ufrgs) Considere as seguintes propostas de altera-</p><p>ção de sinais de pontuação no texto.</p><p>I. Supressão da vírgula na referência 2.</p><p>II. Substituição da vírgula na referência 5 por travessão.</p><p>III. Substituição do ponto e vírgula na referência 10 por</p><p>ponto final.</p><p>Desconsiderando eventuais ajustes no emprego de</p><p>letras maiúsculas e minúsculas, quais propostas estão</p><p>corretas, no contexto do parágrafo em que ocorrem?</p><p>a) Apenas I.</p><p>b) Apenas II.</p><p>c) Apenas I e III.</p><p>d) Apenas II e III.</p><p>e) I, II e III.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Leitura - leituras: quando ler (bem) é preciso</p><p>“[...] Alguns leitores ao lerem estas frases (poesia cita-</p><p>da) não compreenderam logo. Creio mesmo é impossível</p><p>compreender inteiramente à primeira leitura pensamen-</p><p>tos assim esquematizados sem uma certa prática.”</p><p>mÁrio De anDraDe – artista</p><p>“Eu sou um escritor difícil</p><p>Que a muita gente enquizila,</p><p>Porém essa culpa é fácil</p><p>De se acabar duma vez:</p><p>É só tirar a cortina</p><p>Que entra luz nesta escurez.”</p><p>mÁrio De anDraDe – lunDu Do escritor Difícil</p><p>No eterno criar e recriar da atividade verbal, a criati-</p><p>vidade, a semanticidade, a intersubjetividade, a mate-</p><p>rialidade e a historicidade são propriedades essenciais</p><p>da linguagem, indispensáveis a todos os atos da fala,</p><p>sejam eles presente, passados ou futuros.</p><p>Porém, é a atividade semântica que intermedeia a co-</p><p>nexão dos seres humanos com o mundo dos objetos, es-</p><p>tabelecendo a relação entre o EU e o Universo, e, junto</p><p>com a alteridade (relação do EU com o Outro, de cará-</p><p>ter interlocutivo), permite a identificação da linguagem</p><p>como tal, pois a linguagem existe não apenas para sig-</p><p>nificar, mas significar alguma coisa para o outro.</p><p>A semanticidade possibilita o indivíduo conceber e re-</p><p>velar as coisas pertencentes ao mundo do real e da ima-</p><p>ginação. Logo, é ao mesmo tempo significação, modo</p><p>de conceber, ou melhor, uma configuração linguística de</p><p>conhecimento, uma organização verbal do pensamento,</p><p>e designação ou referência, aplicação dos conceitos às</p><p>coisas extralinguísticas. [...].</p><p>No processo de leitura do texto, para que o leitor se apro-</p><p>prie desse(s) sentido(s), é necessário que ele domine não</p><p>apenas o código linguístico, mas também compartilhe</p><p>bagagem cultural, vivências, experiências, valores, corre-</p><p>lacione os conhecimentos construídos anteriormente (de</p><p>gênero e de mundo, entre outros) com as novas informa-</p><p>ções expressas no texto; faça inferências e comparações;</p><p>compreenda que o texto não é uma estrutura fechada,</p><p>acabada, pronta; perceba as significações, as intenciona-</p><p>lidades, os dialogismos, o não dito, os silêncios.</p><p>Em resumo, é fundamental que, por meio de uma série</p><p>de contribuições, o interlocutor colabore para a constru-</p><p>ção do conhecimento. Assim, ler não significa traduzir um</p><p>sentido já considerado pronto, mas interagir com o outro</p><p>(o autor), aceitando, ou não, os propósitos do interlocutor.</p><p>profª marina cezar – revista villegagnon.</p><p>ano iv. nº 4. 2009 – texto aDaptaDo.</p><p>8. (Esc. Naval) No trecho a seguir.</p><p>“No eterno criar e recriar da atividade verbal, a criativi-</p><p>dade, a semanticidade, a intersubjetividade, a materia-</p><p>lidade e a historicidade são propriedades essenciais da</p><p>linguagem [...]” (1º parágrafo)</p><p>Assinale a opção em que o comentário acerca do uso</p><p>dos sinais de pontuação está correto, tendo em vista a</p><p>norma-padrão.</p><p>a) A primeira vírgula separa o sujeito do restante da</p><p>frase, as demais separam os apostos.</p><p>b) As vírgulas separam, respectivamente, um adjunto</p><p>adverbial e termos de mesma função sintática.</p><p>c) Todas as vírgulas poderiam ser retiradas, pois não</p><p>há necessidade de pausas no trecho.</p><p>d) É igualmente correto usar ponto e vírgula no lugar</p><p>de cada vírgula presente no trecho.</p><p>e) Pode-se usar um travessão no lugar da primeira</p><p>vírgula e manter as demais sem prejuízo.</p><p>9. (Espcex (Aman)) Marque a opção que justifica a colo-</p><p>cação do ponto e vírgula e da vírgula utilizados por José</p><p>de Alencar no período.</p><p>“Depois Iracema quebrou a flecha homicida; deu a haste</p><p>ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada.”</p><p>a) O ponto e vírgula indica citação e a vírgula indica</p><p>locução.</p><p>b) O ponto e vírgula separa oração coordenada e a</p><p>vírgula separa oração reduzida.</p><p>c) O ponto e vírgula indica citação e a vírgula separa</p><p>termos da oração.</p><p>d) O ponto e vírgula separa oração coordenada e a</p><p>vírgula marca mudança de sujeito.</p><p>e) O ponto e vírgula indica enumeração e a vírgula</p><p>separa termos da oração.</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 43</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>O homem deve reencontrar o Paraíso...</p><p>ruBem alves</p><p>Era uma família grande, todos amigos. Viviam como to-</p><p>dos nós: moscas presas na enorme teia de aranha que</p><p>é a vida da cidade. Todos os dias a aranha que é a vida</p><p>da cidade. Todos os dias a aranha lhes arrancava um</p><p>pedaço. Ficaram cansados. Resolveram mudar de vida:</p><p>um sonho louco: navegar! Um barco, o mar, o céu, as</p><p>estrelas, os horizontes sem fim: liberdade. Venderam o</p><p>que tinham, compraram um barco capaz de atravessar</p><p>mares e sobreviver tempestades.</p><p>Mas para navegar não basta sonhar. É preciso saber.</p><p>São muitos os saberes necessários para se navegar.</p><p>Puseram-se então a estudar cada um aquilo que teria</p><p>de fazer no barco: manutenção do casco, instrumentos</p><p>de navegação, astronomia, meteorologia, as velas, as</p><p>cordas, as polias e roldanas, os mastros, o leme, os pa-</p><p>rafusos, o motor, o radar, o rádio, as ligações elétricas,</p><p>os mares, os mapas... Disse cero o poeta: Navegar é</p><p>preciso,</p><p>a ciência da navegação é saber preciso, exige</p><p>aparelhos, números e medições. Barcos se fazem com</p><p>precisão, astronomia se aprende com o rigor da geome-</p><p>tria, velas se fazem com saberes exatos sobre tecidos,</p><p>cordas e ventos, instrumentos de navegação não infor-</p><p>mam mais ou menos. Assim, eles se tornaram cientistas,</p><p>especialistas, cada um na sua – juntos para navegar.</p><p>Chegou então o momento de grande decisão – para</p><p>onde navegar. Um sugeria as geleiras do sul do Chile,</p><p>outro os canais dos fiordes da Noruega, um outro que-</p><p>ria conhecer os exóticos mares e praias das ilhas do</p><p>Pacífico, e houve mesmo quem quisesse navegar nas</p><p>rotas de Colombo. E foi então que compreenderam que,</p><p>quando o assunto era a escolha do destino, as ciências</p><p>que conheciam para nada serviam.</p><p>De nada valiam, tabelas, gráficos, estatísticas. Os com-</p><p>putadores, coitados, chamados a dar seu palpite, fica-</p><p>ram em silêncio. Os computadores não têm preferên-</p><p>cias – falta-lhes essa sutil capacidade de gostar, que é a</p><p>essência da vida humana. Perguntados sobre o porto de</p><p>sua escolha, disseram que não entendiam a pergunta,</p><p>que não lhes importava para onde se estava indo.</p><p>Se os barcos se fazem com ciência, a navegação faz-se</p><p>com sonhos. Infelizmente a ciência, utilíssima, especia-</p><p>lista em saber como as coisas funcionam, tudo ignora</p><p>sobre o coração humano. É preciso sonhar para se decidir</p><p>sobre o destino da navegação. Mas o coração humano,</p><p>lugar dos sonhos, ao contrário da ciência, é coisa precio-</p><p>sa. Disse certo poeta: Viver não é preciso. Primeiro vem</p><p>o impreciso desejo. Primeiro vem o impreciso desejo de</p><p>navegar. Só depois vem a precisa ciência de navegar.</p><p>Naus e navegação têm sido uma das mais poderosas</p><p>imagens na mente dos poetas. Ezra Pound inicia seus</p><p>Cânticos dizendo: E pois com a nau no mar/ assestamos</p><p>a quilho contra as vagas... Cecília Meireles: Foi, desde</p><p>sempre, o mar! A solidez da terra, monótona/ parece-nos</p><p>fraca ilusão! Queremos a ilusão do grande mar / multipli-</p><p>cada em suas malhas de perigo. E Nietzsche: Amareis a</p><p>terra de vossos filhos, terra não descoberta, no mar mais</p><p>distante. Que as vossas velas não se cansem de procurar</p><p>esta terra! O nosso leme nos conduz para a terra dos nos-</p><p>sos filhos... Viver é navegar no grande mar!</p><p>Não só os poetas: C. Wright Mills, um sociólogo sábio,</p><p>comparou a nossa civilização a uma galera que navega</p><p>pelos mares. Nos porões estão os remadores. Remam</p><p>com precisão cada vez maior. A cada novo dia recebem</p><p>novos, mais perfeitos. O ritmo da remadas acelera. Sa-</p><p>bem tudo sobre a ciência do remar. A galera navega cada</p><p>vez mais rápido. Mas, perguntados sobre o porto do des-</p><p>tino, respondem os remadores: O porto não nos importa.</p><p>O que importada é a velocidade com que navegamos.</p><p>C Wright Mills usou esta metáfora para descrever a nos-</p><p>sa civilização por meio duma imagem plástica: multipli-</p><p>cam-se os meios técnicos e científicos ao nosso dispor,</p><p>que fazem com que as mudanças sejam cada vez mais</p><p>rápidas; mas não temos ideia alguma de para onde na-</p><p>vegamos. Para onde? Somente um navegador louco ou</p><p>perdido navegaria sem ter ideia do para onde. Em re-</p><p>lação à vida da sociedade, ela contém a busca de uma</p><p>utopia. Utopia, na linguagem comum, é usada como so-</p><p>nho impossível de ser realizado. Mas não é isso. Utopia</p><p>é um ponto inatingível que indica uma direção.</p><p>Mário Quintana explicou a utopia com um verso: Se as</p><p>coisas são inatingíveis... ora!/ não é um motivo para</p><p>não querê-las... Que tristes os caminho, se não fora/ A</p><p>mágica presença das estrelas! Karl Mannheim, outro</p><p>sociólogo sábio que poucos leem, já na década de 1920</p><p>diagnosticava a doença da nossa civilização: Não temos</p><p>consciência de direções, não escolhemos direções. Fal-</p><p>tam-nos estrelas que nos indiquem o destino.</p><p>Hoje, ele dizia, as únicas perguntas que são feitas, de-</p><p>terminadas pelo pragmatismo da tecnologia (o impor-</p><p>tante é produzir o objeto) e pelo objetivismo da ciência</p><p>(o importante é saber como funciona), são: Como pos-</p><p>so fazer tal coisa? Como posso resolver este problema</p><p>concreto em particular? E conclui: E em todas essas</p><p>perguntas sentimos o eco intimista: não preciso de me</p><p>preocupar com o todo, ele tomará conta de si mesmo.</p><p>Em nossas escolas é isso que se ensina: a precisa ciência</p><p>da navegação, sem que os estudantes sejam levados a</p><p>sonhar com as estrelas. A nau navega veloz e sem rumo.</p><p>Nas universidades, essa doença assume a forma de pes-</p><p>te epidêmica: cada especialista se dedica com paixão e</p><p>competência, a fazer pesquisas sobre o seu parafuso,</p><p>sua polia, sua vela, seu mastro.</p><p>Dizem que seu dever é produzir conhecimento. Se fo-</p><p>rem bem-sucedidas, suas pesquisas serão publicadas</p><p>em revistas internacionais. Quando se lhes pergunta:</p><p>Para onde seu barco está navegando?, eles respondem:</p><p>Isso não é científico. Os sonhos não são objetos de co-</p><p>nhecimento científico.</p><p>E assim ficam os homens comuns abandonados por</p><p>aqueles que, por conhecerem mares e estrelas, lhes po-</p><p>deriam mostrar o rumo. Não posso pensar a missão das</p><p>escolas, começando com as crianças e continuando com</p><p>os cientistas, como outra que não a da realização do</p><p>dito poeta: Navegar é preciso. Viver não é preciso.</p><p>44  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>É necessário ensinar os precisos saberes da navegação</p><p>enquanto ciência. Mas é necessário apontar com impre-</p><p>cisos sinais para os destinos da navegação: A terra dos</p><p>filhos dos meus filhos, no mar distante... Na verdade,</p><p>a ordem verdadeira é a inversa. Primeiro, os homens</p><p>sonham com navegar. Depois aprendem a ciência da na-</p><p>vegação. É inútil ensinar a ciência da navegação a quem</p><p>mora nas montanhas.</p><p>O meu sonho para a educação foi dito por Bachelard: O</p><p>universo tem um destino de felicidade. O homem deve</p><p>reencontrar o Paraíso. O paraíso é o jardim, lugar de fe-</p><p>licidade, prazeres e alegrias para os homens e mulheres.</p><p>Mas há um pesadelo que me atormenta: o deserto. Hou-</p><p>ve um momento em que se viu, por entre as estrelas, um</p><p>brilho chamado progresso. Está na bandeira nacional...</p><p>E, quilha contra as vagas, a galera navega em direção</p><p>ao progresso, a uma velocidade cada vez maior, e nin-</p><p>guém questiona a direção. E é assim que as florestas</p><p>são destruídas, os rios se transformam em esgotos de</p><p>fezes e veneno, o ar se enche de gases, os campos se</p><p>cobrem de lixo – e tudo ficou feio e triste.</p><p>Sugiro aos educadores que pensem menos nas tecnolo-</p><p>gias do ensino – psicologias e quinquilharias – e tratem</p><p>de sonhar, com os seus alunos, sonhos de um Paraíso.</p><p>Obs.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo</p><p>Ortográfico.</p><p>10. (Efomm 2018) Nos fragmentos que se seguem, é</p><p>possível a presença de uma vírgula, EXCETO no frag-</p><p>mento da alternativa</p><p>a) É necessário ensinar os precisos saberes da nave-</p><p>gação enquanto ciência.</p><p>b) Infelizmente a ciência, utilíssima, especialista em</p><p>saber ‘como as coisas funcionam’, tudo ignora sobre</p><p>o coração humano.</p><p>c) Em nossas escolas é isso que se ensina: a precisa</p><p>ciência da navegação, sem que os estudantes sejam</p><p>levados a sonhar com as estrelas.</p><p>d) Primeiro, os homens sonham com navegar. Depois</p><p>aprendem a ciência da navegação.</p><p>e) Todos os dias a aranha lhes arrancava um pedaço.</p><p>Ficaram cansados.</p><p>E.O. FixAçãO</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Noruega como Modelo de Reabilitação de Criminosos</p><p>O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas</p><p>de reincidência criminal em todo o mundo. No país, a</p><p>taxa média de reincidência (amplamente admitida, mas</p><p>nunca comprovada empiricamente) é de mais ou menos</p><p>70%, ou seja, 7 em cada 10 criminosos voltam a come-</p><p>ter algum tipo de crime após saírem da cadeia.</p><p>Alguns perguntariam "Por quê?". E eu pergunto: "Por</p><p>que não?" O que esperar de um sistema que propõe</p><p>reabilitar e reinserir aqueles que cometerem algum tipo</p><p>de crime, mas nada oferece, para que essa situação re-</p><p>almente aconteça? Presídios em estado de depredação</p><p>total, pouquíssimos programas educacionais e laborais</p><p>para os detentos, praticamente nenhum incentivo cul-</p><p>tural, e,</p><p>ainda, uma sinistra cultura (mas que diverte</p><p>muitas pessoas) de que bandido bom é bandido morto</p><p>(a vingança é uma festa, dizia Nietzsche).</p><p>Situação contrária é encontrada na Noruega. Considerada</p><p>pela ONU, em 2012, o melhor país para se viver (1º no</p><p>ranking do IDH) e, de acordo com levantamento feito pelo</p><p>Instituto Avante Brasil, o 8º país com a menor taxa de ho-</p><p>micídios no mundo, lá o sistema carcerário chega a rea-</p><p>bilitar 80% dos criminosos, ou seja, apenas 2 em cada 10</p><p>presos voltam a cometer crimes; é uma das menores taxas</p><p>de reincidência do mundo. Em uma prisão em Bastoy, cha-</p><p>mada de ilha paradisíaca, essa reincidência é de cerca de</p><p>16% entre os homicidas, estupradores e traficantes que</p><p>por ali passaram. Os EUA chegam a registrar 60% de rein-</p><p>cidência e o Reino Unido, 50%. A média europeia é 50%.</p><p>A Noruega associa as baixas taxas de reincidência ao</p><p>fato de ter seu sistema penal pautado na reabilitação</p><p>e não na punição por vingança ou retaliação do crimi-</p><p>noso. A reabilitação, nesse caso, não é uma opção, ela</p><p>é obrigatória. Dessa forma, qualquer criminoso poderá</p><p>ser condenado à pena máxima prevista pela legislação</p><p>do país (21 anos), e, se o indivíduo não comprovar estar</p><p>totalmente reabilitado para o convívio social, a pena</p><p>será prorrogada, em mais 5 anos, até que sua reintegra-</p><p>ção seja comprovada.</p><p>O presídio é um prédio, em meio a uma floresta, decora-</p><p>do com grafites e quadros nos corredores, e no qual as</p><p>celas não possuem grades, mas sim uma boa cama, ba-</p><p>nheiro com vaso sanitário, chuveiro, toalhas brancas e</p><p>porta, televisão de tela plana, mesa, cadeira e armário,</p><p>quadro para afixar papéis e fotos, além de geladeiras.</p><p>Encontra-se lá uma ampla biblioteca, ginásio de espor-</p><p>tes, campo de futebol, chalés para os presos receberem</p><p>os familiares, estúdio de gravação de música e oficinas</p><p>de trabalho. Nessas oficinas são oferecidos cursos de</p><p>formação profissional, cursos educacionais, e o traba-</p><p>lhador recebe uma pequena remuneração. Para contro-</p><p>lar o ócio, oferecer muitas atividades, de educação, de</p><p>trabalho e de lazer, é a estratégia.</p><p>A prisão é construída em blocos de oito celas cada (al-</p><p>guns dos presos, como estupradores e pedófilos, ficam</p><p>em blocos separados). Cada bloco tem sua cozinha. A</p><p>comida é fornecida pela prisão, mas é preparada pelos</p><p>próprios detentos, que podem comprar alimentos no</p><p>mercado interno para abastecer seus refrigeradores.</p><p>Todos os responsáveis pelo cuidado dos detentos de-</p><p>vem passar por no mínimo dois anos de preparação</p><p>para o cargo, em um curso superior, tendo como obriga-</p><p>ção fundamental mostrar respeito a todos que ali estão.</p><p>Partem do pressuposto que, ao mostrarem respeito, os</p><p>outros também aprenderão a respeitar.</p><p>A diferença do sistema de execução penal norueguês em</p><p>relação ao sistema da maioria dos países, como o bra-</p><p>sileiro, americano, inglês, é que ele é fundamentado na</p><p>ideia de que a prisão é a privação da liberdade, e pautado</p><p>na reabilitação e não no tratamento cruel e na vingança.</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 45</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>O detento, nesse modelo, é obrigado a mostrar progres-</p><p>sos educacionais, laborais e comportamentais, e, dessa</p><p>forma, provar que pode ter o direito de exercer sua li-</p><p>berdade novamente junto à sociedade.</p><p>A diferença entre os dois países (Noruega e Brasil) é a</p><p>seguinte: enquanto lá os presos saem e praticamente</p><p>não cometem crimes, respeitando a população, aqui os</p><p>presos saem roubando e matando pessoas. Mas essas</p><p>são consequências aparentemente colaterais, porque</p><p>a população manifesta muito mais prazer no massacre</p><p>contra o preso produzido dentro dos presídios (a vin-</p><p>gança é uma festa, dizia Nietzsche).</p><p>luiz flÁvio gomes, Jurista, Diretor-presiDente Do instituto</p><p>avante Brasil e coeDitor Do portal atualiDaDesDoDireito.</p><p>com.Br. estou no BlogDolfg.com.Br.</p><p>** colaBorou flÁvia mestriner Botelho, socióloga</p><p>e pesquisaDora Do instituto avante Brasil.</p><p>fonte: aDaptaDo De http://institutoavanteBrasil.com.Br/</p><p>noruega-como-moDelo-De-reaBilitacao-De-criminosos/.</p><p>acessaDo em 17 De março De 2017.</p><p>1. (Espcex (Aman) 2018) Assinale a alternativa em que</p><p>o emprego da vírgula é opcional.</p><p>a) "Partem do pressuposto que, ao mostrarem respei-</p><p>to, os outros também aprenderão a respeitar."</p><p>b) "O detento é obrigado a mostrar progressos, para</p><p>provar que pode ser reincluído na sociedade."</p><p>c) "Os EUA chegam a registrar 60% de reincidência,</p><p>o Reino Unido, 50%."</p><p>d) "Para controlar o ócio, oferecer muitas atividades</p><p>de educação é a estratégia."</p><p>e) "Cada bloco contém uma cozinha, comida forneci-</p><p>da pela prisão e preparada pelos presos."</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>A CONDIÇÃO HUMANA</p><p>A Vita Activa e a Condição Humana</p><p>Com a expressão vita activa, pretendo designar três ati-</p><p>vidades humanas fundamentais: 1labor, trabalho e ação.</p><p>Trata-se de atividades fundamentais porque a cada uma</p><p>delas corresponde uma das condições básicas mediante</p><p>as quais a vida foi dada ao homem na Terra.</p><p>O labor é a atividade que corresponde ao processo</p><p>biológico do corpo humano, 2cujos crescimento espon-</p><p>tâneo, metabolismo e eventual declínio têm a ver com</p><p>as necessidades vitais produzidas e introduzidas pelo</p><p>labor no processo da vida. A condição humana do la-</p><p>bor é a própria vida.</p><p>3O trabalho é a atividade correspondente ao artificia-</p><p>lismo da existência humana, existência esta não neces-</p><p>sariamente contida no eterno ciclo vital da espécie, e</p><p>cuja mortalidade não é compensada por este último. O</p><p>trabalho produz um mundo “artificial” de coisas, nitida-</p><p>mente diferente de qualquer ambiente natural. Dentro</p><p>de suas fronteiras habita cada vida individual, embora</p><p>esse mundo se destine a sobreviver e a transcender to-</p><p>das as vidas individuais. A condição humana do traba-</p><p>lho é a mundanidade.</p><p>A ação, única atividade que se exerce diretamente entre</p><p>os homens sem a mediação das coisas ou da matéria, cor-</p><p>responde à condição humana da pluralidade, ao fato de</p><p>que homens, e não o Homem, vivem na Terra e habitam o</p><p>mundo. Todos os aspectos da condição humana têm algu-</p><p>ma relação com a política; mas esta pluralidade é especifi-</p><p>camente a condição – não apenas a conditio sine qua non,</p><p>mas a conditio per quam – de toda a vida política. Assim,</p><p>o idioma dos romanos – talvez o povo mais político que</p><p>conhecemos – empregava como sinônimas as expressões</p><p>“viver” e “estar entre os homens” (inter homines esse),</p><p>ou “morrer” e “deixar de estar entre os homens” (inter</p><p>homines esse desinere). Mas, em sua forma mais elemen-</p><p>tar, a condição humana da ação está implícita até mesmo</p><p>em Gênesis (macho e fêmea Ele os criou), se entendermos</p><p>que esta versão da criação do homem diverge, em prin-</p><p>cípio, da outra segundo a qual Deus originalmente criou</p><p>o Homem (adam) – a ele, e não a eles, de sorte que a</p><p>pluralidade dos seres humanos vem a ser o resultado da</p><p>multiplicação4. A ação seria um luxo desnecessário, uma</p><p>caprichosa interferência com as leis gerais do comporta-</p><p>mento, se os homens não passassem de repetições inter-</p><p>minavelmente reproduzíveis do mesmo modelo, todas</p><p>dotadas da mesma natureza e essência, tão previsíveis</p><p>quanto a natureza e a essência de qualquer outra coisa.</p><p>A pluralidade é a condição da ação humana pelo fato de</p><p>sermos todos os mesmos, isto é, humanos, sem que nin-</p><p>guém seja exatamente igual a qualquer pessoa que tenha</p><p>existido, exista ou venha a existir.</p><p>As três atividades e suas respectivas condições têm ínti-</p><p>ma relação com as condições mais gerais da existência</p><p>humana: o nascimento e a morte, a natalidade e a mor-</p><p>talidade. O labor assegura não apenas a sobrevivência</p><p>do indivíduo, mas a vida da espécie. O trabalho e seu</p><p>produto, o artefato humano, emprestam certa perma-</p><p>nência e durabilidade à futilidade da vida mortal e ao</p><p>caráter efêmero do corpo humano. A ação, na medida</p><p>em que se empenha em fundar e preservar corpos po-</p><p>líticos, cria a condição para a lembrança, ou seja, para</p><p>a história. O labor e o trabalho, bem como a ação, têm</p><p>também raízes na natalidade, na medida</p><p>em que sua ta-</p><p>refa é produzir e preservar o mundo para o constante</p><p>influxo de recém-chegados que vêm a este mundo na</p><p>qualidade de estranhos, além de prevê-los e levá-los em</p><p>conta. Não obstante, das três atividades, a ação é a mais</p><p>intimamente relacionada com a condição humana da</p><p>natalidade; o novo começo inerente a cada nascimento</p><p>pode fazer-se sentir no mundo somente porque o recém-</p><p>-chegado possui a capacidade de iniciar algo novo, isto</p><p>é, de agir. Neste sentido de iniciativa, todas as atividades</p><p>humanas possuem um elemento de ação e, portanto, de</p><p>natalidade. Além disto, como a ação é a atividade política</p><p>por excelência, a natalidade, e não a mortalidade, pode</p><p>constituir a categoria central do pensamento político, em</p><p>contraposição ao pensamento metafísico.</p><p>A condição humana compreende algo mais que as</p><p>condições nas quais a vida foi dada ao homem. Os ho-</p><p>mens são seres condicionados: tudo aquilo com o qual</p><p>eles entram em contato torna-se imediatamente uma</p><p>condição de sua existência. O mundo no qual transcor-</p><p>re a vita activa consiste em coisas produzidas pelas</p><p>46  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>atividades humanas; mas, constantemente, as coisas</p><p>que devem sua existência exclusivamente aos homens</p><p>também condicionam os seus autores humanos. Além</p><p>das condições nas quais a vida é dada ao homem na</p><p>Terra e, até certo ponto, a partir delas, os homens</p><p>constantemente criam as suas próprias condições que,</p><p>a despeito de sua variabilidade e sua origem huma-</p><p>na, possuem a mesma força condicionante das coisas</p><p>naturais. O que quer que toque a vida humana ou en-</p><p>tre em duradoura relação com ela, assume imediata-</p><p>mente o caráter de condição da existência humana. É</p><p>por isso que os homens, independentemente do que</p><p>façam, são sempre seres condicionados. Tudo o que</p><p>espontaneamente adentra o mundo humano, ou para</p><p>ele é trazido pelo esforço humano, torna-se parte da</p><p>condição humana. O impacto da realidade do mundo</p><p>sobre a existência humana é sentido e recebido como</p><p>força condicionante. A objetividade do mundo – o seu</p><p>caráter de coisa ou objeto – e a condição humana</p><p>complementam-se uma à outra; por ser uma existên-</p><p>cia condicionada, a existência humana seria impossí-</p><p>vel sem as coisas, e estas seriam um amontoado de</p><p>artigos incoerentes, um não mundo, se esses artigos</p><p>não fossem condicionantes da existência humana.</p><p>arenDt, hannah. a conDiçÃo humana. traDuçÃo</p><p>De roBerto raposo: eDitora Da universiDaDe De sÃo</p><p>paulo, 1981. pp. 15-17 (texto aDaptaDo).</p><p>4Quando se analisa o pensamento político pós-clás-</p><p>sico, muito se pode aprender verificando-se qual das</p><p>duas versões bíblicas da criação é citada. Assim, é tí-</p><p>pico da diferença entre os ensinamentos de Jesus de</p><p>Nazareth e de Paulo o fato de que Jesus, discutindo</p><p>a relação entre marido e mulher, refere-se a Gênesis</p><p>1:27 “Não tendes lido que quem criou o homem desde</p><p>o princípio fê-los macho e fêmea” (Mateus 19:4), en-</p><p>quanto Paulo, em ocasião semelhante, insiste em que</p><p>a mulher foi criada “do homem” e, portanto, “para</p><p>o homem”, embora em seguida atenue um pouco a</p><p>dependência: “nem o varão é sem mulher, nem a mu-</p><p>lher sem o varão” (1 Cor.11:8-12). A diferença indica</p><p>muito mais que uma atitude diferente em relação ao</p><p>papel da mulher. Para Jesus, a fé era intimamente re-</p><p>lacionada com a ação; para Paulo, a fé relacionava-se,</p><p>antes de mais nada, com a salvação. Especialmente in-</p><p>teressante a este respeito é Agostinho (De civitate Dei</p><p>xii.21), que não só desconsidera inteiramente o que</p><p>é dito em Gênesis 1:27, mas vê a diferença entre o</p><p>homem e o animal no fato de ter sido o homem criado</p><p>unum ac singulum, enquanto se ordenou aos animais</p><p>que “passassem a existir vários de uma só vez” (plu-</p><p>ra simul iussit existere). Para Agostinho, a história da</p><p>criação constitui boa oportunidade para salientar-se</p><p>o caráter de espécie da vida animal, em oposição à</p><p>singularidade da existência humana.</p><p>DAS VANTAGENS DE SER BOBO</p><p>O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo</p><p>para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar</p><p>sentado quase sem se mexer por duas horas. Se pergun-</p><p>tado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou</p><p>fazendo. Estou pensando.".</p><p>Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque</p><p>os espertos só se lembram de sair por meio da esperte-</p><p>za, e 1o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe</p><p>vem a ideia.</p><p>O bobo tem oportunidade de ver coisas que os esper-</p><p>tos não veem. Os espertos estão sempre tão atentos</p><p>_____I_____ espertezas alheias que se descontraem</p><p>diante dos bobos, e estes os veem como simples pesso-</p><p>as humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para</p><p>viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto,</p><p>muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.</p><p>_____II_____ desvantagem, obviamente. Uma boba,</p><p>por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido</p><p>para _____III_____ compra de um ar refrigerado de se-</p><p>gunda mão: ele disse que o aparelho era novo, pratica-</p><p>mente sem uso porque se mudara para a Gávea onde</p><p>é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo se-</p><p>quer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a</p><p>opinião deste era de que o aparelho estava tão estra-</p><p>gado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar</p><p>outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo</p><p>é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranquilo,</p><p>enquanto o esperto não dorme à noite com medo de</p><p>ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estôma-</p><p>go. O bobo não percebe que venceu.</p><p>Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem:</p><p>pode receber uma punhalada de quem menos espera.</p><p>É uma das tristezas que o bobo não prevê. César termi-</p><p>nou dizendo a célebre frase: "2Até tu, Brutus?".</p><p>Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!</p><p>Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar</p><p>todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria</p><p>morrido na cruz.</p><p>O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fa-</p><p>zem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como</p><p>toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não con-</p><p>seguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros.</p><p>Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventura-</p><p>dos os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie.</p><p>Aliás não se importam que saibam que eles sabem.</p><p>Há lugares que facilitam mais _____IV_____ pessoas</p><p>serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo,</p><p>com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo.</p><p>Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!</p><p>3Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por</p><p>cima das casas. É quase impossível evitar o excesso de</p><p>amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de</p><p>excesso de amor. E só o amor faz o bobo.</p><p>lispector, clarice. Das vantagens De ser BoBo.</p><p>Disponível em: http://www.revistapazes.com/Das-vantagens-</p><p>De-ser-BoBo/. acesso em 10 De maio De 2017.</p><p>originalmente puBlicaDo no Jornal Do Brasil em 12 De setemBro De</p><p>2. (IME 2018) Marque a opção em que a regra usada</p><p>para a colocação das vírgulas é a mesma encontrada no</p><p>trecho abaixo destacado:</p><p>(…) cujos crescimento espontâneo, metabolismo e</p><p>eventual declínio têm a ver com as necessidades vitais</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 47</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>produzidas e introduzidas pelo labor no processo da</p><p>vida (A condição humana, referência 2).</p><p>a) (…) labor, trabalho e ação (A condição humana,</p><p>referência 1).</p><p>b) O trabalho é a atividade correspondente ao arti-</p><p>ficialismo da existência humana, existência esta não</p><p>necessariamente contida no eterno ciclo vital da es-</p><p>pécie (…) (A condição humana, referência 3).</p><p>c) o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe</p><p>vem a ideia (Das vantagens de ser bobo, referência 1).</p><p>d) Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por</p><p>cima das casas (Das vantagens de ser bobo, referência 3).</p><p>e) "Até tu, Brutus?" (Das vantagens de ser bobo, re-</p><p>ferência 2).</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>SAUDADE DE ESCREVER</p><p>Apesar da concorrência (internet, celular), a carta conti-</p><p>nua firme e forte. Basta uma folha de papel, selo, caneta</p><p>e</p><p>envelope para que uma pessoa do Rio Grande do Norte,</p><p>por exemplo, fique por dentro das fofocas registradas por</p><p>um amigo em São Paulo, dois dias depois. “Adoro receber</p><p>cartas, fico super ansiosa para descobrir o que está escri-</p><p>to”, conta Lívia Maria, de 9 anos. Mas ela admite que faz</p><p>tempo que não escreve nenhuma cartinha. “As últimas fo-</p><p>ram para a Angélica e para um dos programas do Gugu.”</p><p>Isabela, de 9 anos, lembra que, quando morava em</p><p>Curitiba, no Paraná, trocava correspondência com sua</p><p>amiga Raquel, que vive em Belo Horizonte, Minas Ge-</p><p>rais. “Eu ficava sabendo das novidades e não gastava</p><p>dinheiro com telefonemas.”</p><p>Já Amanda, de 10 anos, também gosta de receber car-</p><p>tinhas, mas prefere enviar e-mails. “Atualmente estou</p><p>conversando com meu primo que está nos Estados Uni-</p><p>dos via computador, já que a mensagem chega mais</p><p>rápido e não pago interurbano.”</p><p>tourrucco, Juliana. sauDaDe De escrever. o estaDo De</p><p>sÃo paulo, p.5, 25 Jul.1998. suplemento infantil.</p><p>3. (ifal 2018) O adjunto adverbial vem, normalmente,</p><p>no final da frase, mas ele pode aparecer em outra po-</p><p>sição, basta que se indique esse deslocamento com a</p><p>vírgula. A colocação inadequada do adjunto adverbial,</p><p>porém, poderá prejudicar a compreensão da frase. É o</p><p>que acontece na fala da Amanda, no texto. Das cinco</p><p>reestruturações apresentadas nas alternativas a seguir,</p><p>uma continua com problema. Marque-a.</p><p>a) Atualmente, via computador, estou conversando</p><p>com meu primo que está nos Estados Unidos.</p><p>b) Atualmente estou, via computador, conversando</p><p>com meu primo que está nos Estados Unidos.</p><p>c) Atualmente estou conversando, via computador,</p><p>com meu primo que está nos Estados Unidos.</p><p>d) Atualmente estou conversando com meu primo, via</p><p>computador, que está nos Estados Unidos.</p><p>e) Via computador, atualmente estou conversando</p><p>com meu primo que está nos Estados Unidos.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Proibido para menores de 50 anos. Nos últimos meses,</p><p>em meio ao debate sobre as reformas na Previdência,</p><p>um ponto acabou despertando a atenção. Afinal, existem</p><p>empregos para quem tem mais de 50 anos? Pendurar as</p><p>chuteiras nem sempre é fácil. Às vezes, pode significar</p><p>uma quebra tão grande na rotina que afeta até mesmo o</p><p>emocional. Foi a partir de uma experiência familiar nes-</p><p>ta linha que o paulistano Mórris Litvak criou a startup</p><p>MaturiJobs. Trata-se de uma agência virtual de empregos,</p><p>especializada em profissionais com mais de 50 anos.</p><p>(revista isto é Dinheiro. mercaDo De traBalho. maio/2017. p. 6.)</p><p>4. (Ita 2018) “Nos últimos meses, em meio ao deba-</p><p>te sobre as reformas na Previdência, um ponto acabou</p><p>despertando a atenção.” Na frase transcrita, as vírgulas</p><p>foram utilizadas para</p><p>a) realçar a escrita formal em contraste à escrita informal.</p><p>b) separar um termo complementar da oração principal.</p><p>c) marcar a sobreposição de várias informações in-</p><p>tercaladas.</p><p>d) indicar o deslocamento da informação secundária</p><p>em relação à principal.</p><p>e) antecipar o tempo e o espaço físico da informação</p><p>principal.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>A(s) questão(ões) a seguir está(ão) relacionada(s) ao</p><p>texto abaixo.</p><p>1– Temos sorte de viver no Brasil – dizia meu pai, depois</p><p>da guerra. – Na Europa 2mataram 3milhões de judeus.</p><p>Contava as 4experiências que 5os médicos nazistas fa-</p><p>ziam com os prisioneiros. Decepavam-lhes as cabeças,</p><p>faziam-nas encolher – à maneira, li depois, dos índios</p><p>Jivaros. 6Amputavam pernas e braços. Realizavam es-</p><p>tranhos transplantes: uniam a metade superior de um</p><p>homem _____1_____ metade inferior de uma mulher,</p><p>ou aos quartos traseiros de um bode. 7Felizmente 8mor-</p><p>riam 9essas atrozes quimeras; 10expiravam como seres</p><p>humanos, não eram obrigadas a viver como aberrações.</p><p>(_____2_____ essa altura eu tinha os olhos cheios de</p><p>lágrimas. Meu pai pensava 11que a descrição das malda-</p><p>des nazistas me deixava comovido.)</p><p>12Em 1948 13foi proclamado 14o Estado de Israel. Meu</p><p>pai abriu uma garrafa de vinho – o melhor vinho do</p><p>armazém –, brindamos ao acontecimento. E não saía-</p><p>mos de perto do rádio, acompanhando _____3_____</p><p>notícias da guerra no Oriente Médio. Meu pai estava</p><p>entusiasmado com o novo Estado: em Israel, explicava,</p><p>vivem judeus de todo o mundo, judeus brancos da Eu-</p><p>ropa, judeus pretos da África, judeus da Índia, isto sem</p><p>falar nos beduínos com seus camelos: tipos muito es-</p><p>quisitos, Guedali.</p><p>Tipos esquisitos – aquilo me dava ideias. Por que não</p><p>ir para Israel? 15Num país de gente tão estranha – e,</p><p>16ainda por cima, em guerra – eu certamente não cha-</p><p>48  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>maria a atenção. Ainda menos como combatente, entre</p><p>a poeira e a fumaça dos incêndios. Eu me via correndo</p><p>pelas ruelas de uma aldeia, empunhando um revólver</p><p>trinta e oito, atirando sem cessar; eu me via caindo,</p><p>17varado de balas. 18Aquela, sim, era a 19morte que eu</p><p>almejava, morte heroica, esplêndida justificativa para</p><p>uma vida miserável, de monstro 20encurralado. E, caso</p><p>não morresse, poderia viver depois num kibutz . Eu, que</p><p>conhecia tão bem a vida numa fazenda, teria muito a</p><p>fazer ali. Trabalhador dedicado, os membros do kibutz</p><p>terminariam por me aceitar; numa nova sociedade há</p><p>lugar para todos, mesmo os de patas de cavalo.</p><p>aDaptaDo De: scliar, m. o centauro no JarDim.</p><p>9. eD. porto alegre: l&pm, 2001.</p><p>5. (Ufrgs 2018) Assinale a proposta de mudança no em-</p><p>prego de vírgula que mantém a correção e o sentido do</p><p>enunciado original.</p><p>a) Colocação de vírgula imediatamente após expe-</p><p>riências (ref. 4).</p><p>b) Colocação de vírgula imediatamente após Feliz-</p><p>mente (ref. 7).</p><p>c) Colocação de vírgula imediatamente após que (ref. 11).</p><p>d) Colocação de vírgula imediatamente após país</p><p>(ref. 15).</p><p>e) Colocação de vírgula imediatamente após morte</p><p>(ref. 19).</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Texto 1</p><p>HÁ ESCRITORES QUE SE QUEIXAM, MAS ESCREVER SÓ</p><p>ME TRAZ ALEGRIA</p><p>Passei dois anos escrevendo o livro que acabo de termi-</p><p>nar. 1A tarefa não foi realizada em tempo integral, mas</p><p>nos momentos livres que ainda me restam.</p><p>Há escritores que precisam de silêncio, solidão e am-</p><p>biente adequado para a prática do ofício. 2Se fosse</p><p>esperar por essas condições teria demorado 20 anos</p><p>para publicá-lo, tempo de vida de que não disponho,</p><p>infelizmente.</p><p>Por força da necessidade, aprendi a escrever em qual-</p><p>quer lugar em que haja espaço para sentar com o com-</p><p>putador.</p><p>Por exemplo, nas salas de embarque durante as viagens</p><p>de bate-e-volta que sou obrigado a fazer. Consigo me</p><p>concentrar apesar das vozes esganiçadas que anunciam</p><p>os voos, os atrasos, as trocas de portões, a ordem nas</p><p>filas, os nomes dos retardatários.</p><p>Os avisos vêm aos berros como se fossem destinados</p><p>a uma horda de deficientes auditivos; mal termina</p><p>um, começa outro. Suspeito de uma conspiração das</p><p>companhias aéreas contra a integridade dos tímpa-</p><p>nos dos passageiros.</p><p>3Embora com dificuldade, sou capaz de escrever no</p><p>meio daqueles idiotas que xingam as secretárias pelo</p><p>celular, alguns dos quais o fazem andando nervosamen-</p><p>te de um lado para outro, 4com a intenção declarada</p><p>de atazanar o maior número possível de circunstantes.</p><p>São executivos de terno que empregam adjetivos for-</p><p>tes: incompetente, burra, ignorante. Escutei um deles</p><p>dizer: "Contratei você para cumprir ordens, se fosse</p><p>para pensar escolhia outra pessoa". Nunca os ouvi</p><p>chegar perto desse tom ao falar com o chefe, ocasiões</p><p>identificáveis pela voz melosa e submissa.</p><p>Mal o avião levanta voo, puxo a mesinha e abro o com-</p><p>putador. Estou nas nuvens, às portas do paraíso celes-</p><p>tial. O telefone não vai tocar, ninguém me cobrará o</p><p>texto que prometi, a presença na palestra para a qual</p><p>fui convidado, os e-mails atrasados, nenhum ser huma-</p><p>no me pedirá para apoiar um projeto e não descobrirei</p><p>que me incluíram num grupo de WhatsApp em que os</p><p>300 participantes dão bom dia uns aos outros.</p><p>Já escrevi por 13 horas consecutivas num voo de volta</p><p>da Ásia. Num retorno de Salvador, escrevi uma coluna</p><p>como esta sentado na primeira</p><p>fila, ao lado de um bebê</p><p>com dor de ouvido que chorou sem dar um minuto de</p><p>trégua. Só ficou quietinho, quando o comandante anun-</p><p>ciou que o pouso em Guarulhos fora autorizado.</p><p>Minha carreira de escritor começou com "Estação Ca-</p><p>randiru", publicado quando eu tinha 56 anos. Foi tão</p><p>grande o prazer de contar aquelas histórias, que senti</p><p>ódio de mim mesmo por ter vivido meio século sem</p><p>escrever livros.</p><p>A dificuldade vinha da timidez e da autocrítica. Para</p><p>mim, o que eu escrevesse seria fatalmente comparado</p><p>com Machado de Assis, Gógol, Faulkner, Joyce, Pushkin,</p><p>Turgenev, Dante Alighieri. Depois do que disseram esses</p><p>e outros gênios, que livro valeria a pena ser escrito?</p><p>A resposta encontrei em "On Writing", que reúne en-</p><p>trevistas e textos de Ernest Hemingway sobre o ato de</p><p>escrever. Em conversa com um estudante, Hemingway</p><p>diz que ao escritor de nossos tempos cabem duas alter-</p><p>nativas: escrever melhor do que os grandes mestres já</p><p>falecidos ou contar histórias que nunca foram contadas.</p><p>De fato, se eu escrevesse melhor do que Machado de As-</p><p>sis, poderia recriar personagens como Dom Casmurro ou</p><p>descrever com mais poesia o olhar de ressaca de Capitu.</p><p>Restava a outra alternativa: a vida numa cadeia com</p><p>mais de 7.000 presidiários, na cidade de São Paulo, nas</p><p>últimas décadas do século 20, não poderia ser descrita</p><p>por Tchékhov, Homero ou pelo padre Antonio Vieira. O</p><p>médico que atendia pacientes no Carandiru havia dez</p><p>anos era quem reunia as condições para fazê-lo.</p><p>Seguindo o mesmo critério, publiquei outros livros. Às</p><p>cotoveladas, a literatura abriu espaço em minha agen-</p><p>da. Há escritores talentosos que se queixam dos tor-</p><p>mentos e da angústia inerentes ao processo de criação.</p><p>Não é o meu caso, escrever só me traz alegria.</p><p>Diante da tela do computador, fico atrás das palavras, en-</p><p>contro algumas, apago outras, corrijo, leio e releio até sen-</p><p>tir que o texto está pronto. Às vezes, ficou melhor do que</p><p>eu imaginava. Nesse momento sou invadido por uma sen-</p><p>sação de felicidade plena que vai e volta por vários dias.</p><p>Drauzio varella</p><p>Disponível em:http://www1.folha.uol.com.Br/colunas/</p><p>Drauziovarella/2017/05/1883616-ha-escritores-que-se-queixam-</p><p>mas-escrever-so-me-traz-alegria.shtml acesso em 18 De ago 2017.</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 49</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>TEXTO 2</p><p>Nove manias adotadas por grandes autores mundiais</p><p>na hora de escrever</p><p>Antonio Prata, escritor e colunista da Folha, precisa de</p><p>silêncio. E prefere digitar numa cadeira dobrável, com o</p><p>notebook no colo. Quando viaja, inclusive, despacha o</p><p>apetrecho nas bagagens. Mas quando o transporte não</p><p>é possível... “Eu escrevo em qualquer canto, desde que,</p><p>sim, haja algum silêncio”.</p><p>(...)</p><p>Uma vez começado um livro, o escritor francês Alexan-</p><p>dre Dumas, autor de clássicos como “Os Três Mosque-</p><p>teiros”, trabalhava dia após dia, noite após noite, sem</p><p>cessar, até ver concluído o trabalho. Também não admi-</p><p>tia interrupção, fosse lá de quem fosse...</p><p>(...)</p><p>Disponível em: http://www1.folha.uol.com.Br/</p><p>ilustraDa/2016/07/1795149-no-Dia-nacional-Do-</p><p>escritor-conheca-manias-e-costumes-De-granDes-</p><p>autores.shtml acesso em 20 De ago De 2017.</p><p>6. (ifsul 2018) As vírgulas nos períodos abaixo foram</p><p>empregadas pelo mesmo motivo, EXCETO em:</p><p>a) Consigo me concentrar apesar das vozes esgani-</p><p>çadas que anunciam os voos, os atrasos, as trocas de</p><p>portões, a ordem nas filas, os nomes dos retardatários.</p><p>b) São executivos de terno que empregam adjetivos</p><p>fortes: incompetente, burra, ignorante.</p><p>c) O telefone não vai tocar, ninguém me cobrará o</p><p>texto que prometi, a presença na palestra para a qual</p><p>fui convidado, os e-mails atrasados, nenhum ser hu-</p><p>mano me pedirá para apoiar um projeto e não desco-</p><p>brirei que me incluíram num grupo de WhatsApp em</p><p>que os 300 participantes dão bom dia uns aos outros.</p><p>d) Num retorno de Salvador, escrevi uma coluna como</p><p>esta sentado na primeira fila, ao lado de um bebê com</p><p>dor de ouvido que chorou sem dar um minuto de trégua.</p><p>7. (Espcex (Aman) Marque a alternativa correta quan-</p><p>to ao emprego da vírgula, de acordo com as normas</p><p>gramaticais.</p><p>a) Ele pediu, ao motorista que parasse no hotel.</p><p>b) A vida como diz o ditado popular é breve.</p><p>c) Da sala eu vi sem ser visto todo o crime acontecendo.</p><p>d) Atletas de várias nacionalidades, participarão da</p><p>maratona.</p><p>e) Meus olhos, devido à fumaça intensa, ardiam muito.</p><p>8. (ESPM) A reivindicação do massacre na Charlie Hebdo</p><p>pela facção da al-Qaeda na Península Arábica recoloca</p><p>em primeiro plano um movimento afastado da mídia pe-</p><p>los sucessos militares da Organização do Estado Islâmico.</p><p>le monDe Diplomatique Brasil, 04.02.2016.</p><p>Das afirmações abaixo sobre o uso da vírgula, assinale</p><p>a única correta:</p><p>a) o segmento “pela facção da al-Qaeda na Penínsu-</p><p>la Arábica” é um adjunto adnominal e deveria estar</p><p>entre vírgulas.</p><p>b) poderia haver uma vírgula após o sujeito “A reivin-</p><p>dicação do massacre na Charlie Hebdo”.</p><p>c) deveria haver uma vírgula após o objeto direto “um</p><p>movimento afastado”.</p><p>d) deveria haver uma vírgula após a forma verbal “re-</p><p>coloca”.</p><p>e) o segmento “em primeiro plano” é um adjunto</p><p>adverbial intercalado e poderia estar entre vírgulas.</p><p>9. (EEAR) De acordo com o significado de cada senten-</p><p>ça, marque a opção que apresenta erro em relação à</p><p>presença ou ausência da vírgula.</p><p>a) Eu que não sou o dono da verdade sei que o se-</p><p>nhor está certo.</p><p>b) Maria foi a pessoa rara que escolheu a casa dos</p><p>pais.</p><p>c) Meu avô Tobias, que foi meu modelo de pai, fale-</p><p>ceu quando eu era menino.</p><p>d) Dona Jorgina, que dedicou-se inteiramente ao</p><p>trabalho aos outros, era muito respeitada pelos mais</p><p>novos da família.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Leia o texto abaixo e responda à(s) questão(ões).</p><p>A PIPOCA</p><p>ruBem alves</p><p>A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até</p><p>atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competen-</p><p>te com as palavras que com as panelas. Por isso tenho</p><p>mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me</p><p>a algo que poderia ter o nome de “culinária literária”.</p><p>Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo</p><p>da cozinha: cebolas, ora-pro-nóbis, picadinho de carne</p><p>com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas,</p><p>churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um</p><p>livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme</p><p>A festa de Babette, que é uma celebração da comida</p><p>como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limita-</p><p>ções e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi</p><p>como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo – porque a</p><p>culinária estimula todas essas funções do pensamento.</p><p>As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam</p><p>a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretan-</p><p>to, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer so-</p><p>nhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca,</p><p>milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma</p><p>simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimen-</p><p>sões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás,</p><p>conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca.</p><p>E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas</p><p>ideias começaram a estourar como pipoca. Percebi, en-</p><p>tão, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pen-</p><p>sar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que</p><p>estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca</p><p>se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto</p><p>poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu</p><p>pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles</p><p>das pipocas dentro de uma panela.</p><p>Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca</p><p>tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, reli-</p><p>50  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>giosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e</p><p>o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque</p><p>vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho</p><p>devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir</p><p>juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a</p><p>Mãe Stella,</p><p>O bisneto riscou os papeizinhos com o lapis.</p><p>e) O padrão economico do juiz é elevado.</p><p>E.O. FixAçãO</p><p>1. (IMED)</p><p>ADIANTE SEGUIU A JUSTIÇA</p><p>maria Berenice Dias</p><p>Durante séculos, ninguém titubeava em responder: fa-</p><p>mília, só tem uma – a 2constituída pelos sagrados laços</p><p>do matrimônio. Aos noivos era imposta a obrigação de</p><p>se multiplicarem até a morte, mesmo na tristeza, na</p><p>pobreza e na doença. Tanto que se falava em débito</p><p>conjugal.</p><p>Esse modelito se manteve, ao menos na aparência, _____</p><p>expensas da integridade física e psíquica das mulheres,</p><p>que se mantinham dentro de casamentos esfacelados,</p><p>pois assim exigia a sociedade. Tanto que o casamento</p><p>era indissolúvel. As pessoas até podiam se desquitar, mas</p><p>não podiam se casar de novo. Caso encontrassem um par,</p><p>tornavam-se concubinos e alvos de punições.</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 9</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>As mudanças foram muitas: vagarosas, mas significativas.</p><p>As causas, incontáveis. No entanto, o resultado foi um 10só.</p><p>O conceito de família mudou, se esgarçou. O casamento</p><p>perdeu a sacralidade e permanecer dentro dele deixou de</p><p>ser uma imposição social e uma obrigação legal.</p><p>Veio o 11divórcio. Antes, porém, o 12purgatório da sepa-</p><p>ração, que exigia que se identificassem causas, punin-</p><p>do-se os culpados. A liberdade total de casar e descasar</p><p>chegou somente no ano de 2006.</p><p>A lei regulamentava exclusivamente o casamento. Punia</p><p>com o silêncio toda e qualquer modalidade de estrutu-</p><p>ras familiares que se afastasse do modelo “oficial”.</p><p>E foi assumindo a responsabilidade de julgar que os</p><p>14juízes começaram a alargar o conceito de família. As</p><p>mudanças chegaram _____ Constituição Federal, que</p><p>enlaçou no conceito de família, outorgando-lhes espe-</p><p>cial proteção, outras estruturas de convívio. Além do</p><p>casamento, trouxe, de forma exemplificativa, a união</p><p>estável entre um homem e uma mulher e a chamada</p><p>família parental: um dos pais e seus filhos.</p><p>Adiante ainda seguiu a Justiça. Reconheceu que o rol</p><p>constitucional não é exaustivo, e continuou a reconhe-</p><p>cer como família outras estruturas familiares. Assim</p><p>as famílias anaparentais, constituídas somente pelos</p><p>filhos, sem a presença dos pais; as famílias parentais,</p><p>decorrentes do convívio de pessoas com vínculo de pa-</p><p>rentesco; bem como as famílias homoafetivas, que são</p><p>as formadas por pessoas do mesmo sexo.</p><p>O reconhecimento da homoafetividade como união</p><p>estável foi levado _____ efeito pelo Supremo Tribunal</p><p>Federal no ano de 2011, em decisão unânime e históri-</p><p>ca. Agora esta é a realidade: homossexuais casam, têm</p><p>filhos, ou seja, podem constituir família.</p><p>Ativismo judicial? Não, interpretação da Carta Consti-</p><p>tucional segundo um punhado de princípios fundamen-</p><p>tais. É a Justiça cumprindo o seu papel de fazer justiça,</p><p>mesmo diante da lacuna legal.</p><p>Da inércia, passou o Legislativo, dominado por autointi-</p><p>tulados profetas religiosos, a reagir.</p><p>Não foi outro o intuito do Estatuto da Família, que aca-</p><p>ba de ser aprovado pela comissão especial na Câmara</p><p>dos Deputados (PL 6.583/2013). Tentar limitar o concei-</p><p>to de família à união entre um homem e uma mulher,</p><p>além de afrontar todos os princípios fundantes do Es-</p><p>tado, impõe um retrocesso social que irá retirar direitos</p><p>de todos aqueles que não se encaixam neste conceito</p><p>limitante e limitado.</p><p>Mas _____ mais. Proceder ao cadastramento das en-</p><p>tidades familiares e criar Conselhos da Família é das</p><p>formas mais perversas de excluir direito à saúde, à</p><p>assistência psicossocial, à segurança pública, que são</p><p>asseguradas somente às entidades familiares reconhe-</p><p>cidas como tal. Limitar acesso à Defensoria Pública e à</p><p>tramitação prioritária dos processos à entidade familiar</p><p>definida na lei, às claras tem caráter punitivo.</p><p>O conceito de família mudou. E onde procurar a sua de-</p><p>finição atual? Talvez na frase piegas de Saint-Exupéry:</p><p>na responsabilidade decorrente do afeto.</p><p>(zero hora, caDerno proa, 27-09-2015.)</p><p>Sobre o uso de acento gráfico em vocábulos do texto,</p><p>analise as afirmações que seguem:</p><p>I. Em constituída (ref. 2) e juízes (ref. 14), a letra i recebe</p><p>acento gráfico por razões distintas.</p><p>II. aparência (ref. 3) e purgatório (ref. 12) recebem acen-</p><p>to gráfico em virtude da mesma regra.</p><p>III. As palavras só (ref. 10) e divórcio (ref. 11) são acentu-</p><p>adas a fim de marcar a sonoridade da vogal o.</p><p>Quais estão INCORRETAS?</p><p>a) Apenas I.</p><p>b) Apenas II.</p><p>c) Apenas III.</p><p>d) Apenas I e II.</p><p>e) Apenas I e III.</p><p>2. (IFPE) UMA REVISÃO DE DADOS RECENTES SOBRE A</p><p>MORTE DE LÍNGUAS</p><p>Linguistas preveem que metade das mais de mil línguas</p><p>faladas no mundo desaparecerá em um século – uma</p><p>taxa de extinção que supera as estimativas mais pessi-</p><p>mistas quanto à extinção de espécies biológicas. (...)</p><p>Segundo a Unesco, 96% da população mundial falam só</p><p>4% das línguas existentes. E apenas 4% da humanidade</p><p>partilha o restante dos idiomas, metade dos quais se</p><p>encontra em perigo de extinção. Entre 20 e 30 idiomas</p><p>desaparecem por ano – uma média de uma língua a</p><p>cada duas semanas. (...)</p><p>A perda de línguas raras é lamentável por várias razões.</p><p>Em primeiro lugar, pelo interesse científico que des-</p><p>pertam: algumas questões básicas da linguística estão</p><p>longe de estar inteiramente resolvidas. E essas línguas</p><p>ajudam a saber quais elementos da gramática e do vo-</p><p>cabulário são realmente universais, isto é, resultantes</p><p>das características do próprio cérebro humano.</p><p>A ciência também tenta reconstruir o percurso de anti-</p><p>gas migrações, fazendo um levantamento de palavras</p><p>emprestadas, que ocorrem em línguas sem qualquer</p><p>parentesco. Afinal, se línguas não aparentadas parti-</p><p>lham palavras, então seus povos estiveram em contato</p><p>em algum momento.</p><p>Um comunicado do Programa das Nações Unidas para o</p><p>Meio Ambiente (Pnuma) diz que “o desaparecimento de</p><p>uma língua e de seu contexto cultural equivale a queimar</p><p>um livro único sobre a natureza”. Afinal, cada povo tem</p><p>um modo único de ver a vida. Por exemplo, a palavra rus-</p><p>sa mir significa igualmente “aldeia”, “mundo” e “paz”. É</p><p>que, como os aldeões russos da Idade Média tinham de fu-</p><p>gir para a floresta em tempos de guerra, a aldeia era para</p><p>eles o próprio mundo, ao menos enquanto houvesse paz.</p><p>(Disponível em: . acesso em 28 set. 2015.)</p><p>No início do texto, aparece a forma verbal “preveem”,</p><p>que perdeu o acento circunflexo após o último acordo</p><p>ortográfico.</p><p>Assinale a única alternativa em que todas as palavras</p><p>seguem o padrão de acentuação determinado pelo re-</p><p>ferido acordo.</p><p>10  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>a) Eu fui à feira e comprei cinco pêras e três maçãs.</p><p>b) A sonda espacial acabou de descobrir um novo</p><p>asteróide.</p><p>c) Joana d’Arc é uma mártir da Guerra dos Cem anos.</p><p>d) Ele, estranhamente, saiu sem cumprimentar a platéia.</p><p>e) O Brasil acabou de enviar uma equipe de pesquisa</p><p>ao pólo Sul.</p><p>3. (COL. Naval) Assinale a opção na qual as palavras fo-</p><p>ram acentuadas pelo mesmo motivo que “aritméticos”,</p><p>“prioritária”, “cálculos” e “Taubaté”, respectivamente.</p><p>a) rotatória, cólica, vermífugo, Maringá.</p><p>b) hebdomadário, ausência, andrógino, Itajaí.</p><p>c) farmacêutico, ípsilon, síndrome, Piauí.</p><p>d) alaúde, húngaro, déspota, Grajaú.</p><p>e) anêmona, glúten, nômade, Tribobó.</p><p>4. (IFSC) Texto 1: Livro</p><p>Eu me livro daquele garoto chato</p><p>Com um livro enfiado no meu nariz</p><p>Fingindo achar a história feliz.</p><p>(maria, selma. isso isso. sÃo paulo: peirópolis, 2010. s/p.)</p><p>Texto 2</p><p>Considerando a posição da sílaba tônica e as regras de</p><p>acentuação das palavras, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) As palavras “garoto”, “história”, “feliz” e “nariz”, do texto</p><p>1, são palavras proparoxítonas, e “livro”, “dicionário”, “ter-</p><p>minar” e “nunca”, do texto 2, são palavras oxítonas.</p><p>b) As palavras “história”, do texto 1, e “dicionário”, do</p><p>texto 2, não deveriam estar acentuadas, porque os acen-</p><p>tos agudos não fazem mais parte do português brasileiro.</p><p>sábia poderosa do candomblé baiano: que a</p><p>pipoca é a comida sagrada do candomblé...</p><p>A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido. Fosse</p><p>eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos</p><p>graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu fi-</p><p>caria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é</p><p>que, sob o ponto de vista do tamanho, os milhos da</p><p>pipoca não podem competir com os milhos normais.</p><p>Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que hou-</p><p>ve alguém que teve a ideia de debulhar as espigas e</p><p>colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que</p><p>assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.</p><p>Havendo fracassado a experiência com água, tentou a</p><p>gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter</p><p>imaginado. Repentinamente os grãos começaram a es-</p><p>tourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira.</p><p>Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os</p><p>grãos duros quebra-dentes se transformavam em flo-</p><p>res brancas e macias que até as crianças podiam comer.</p><p>O estouro das pipocas se transformou, então, de uma</p><p>simples operação culinária, em uma festa, brincadeira,</p><p>molecagem, para os risos de todos, especialmente as</p><p>crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!</p><p>E o que é que isso tem a ver com o candomblé? É que</p><p>a transformação do milho duro em pipoca macia é sím-</p><p>bolo da grande transformação porque devem passar os</p><p>homens para que eles venham a ser o que devem ser.</p><p>O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser</p><p>aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pi-</p><p>poca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para</p><p>comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente,</p><p>nos transformar em outra coisa − voltar a ser crianças!</p><p>Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.</p><p>Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a</p><p>ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com</p><p>a gente. As grandes transformações acontecem quando</p><p>passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do</p><p>mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mes-</p><p>mice e dureza assombrosas. Só que elas não percebem.</p><p>Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.</p><p>Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos</p><p>lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode</p><p>ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar</p><p>doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo</p><p>de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão – sofri-</p><p>mentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos</p><p>remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui.</p><p>E com isso a possibilidade da grande transformação.</p><p>Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela,</p><p>lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua</p><p>hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura,</p><p>fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino</p><p>diferente. Não pode imaginar a transformação que está</p><p>sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que</p><p>ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a</p><p>grande transformação acontece: pum! − e ela aparece</p><p>como uma outra coisa, completamente diferente, que</p><p>ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante</p><p>e feia que surge do casulo como borboleta voante.</p><p>Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está</p><p>representado pela morte e ressurreição de Cristo: a</p><p>ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso</p><p>deixar de ser de um jeito para ser de outro. “Morre e</p><p>transforma-te!” − dizia Goethe.</p><p>Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando so-</p><p>bre os piruás com os paulistas descobri que eles igno-</p><p>ram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era go-</p><p>zação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a</p><p>ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu</p><p>conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que</p><p>se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordinário</p><p>professor-pesquisador da Unicamp, especializou-se em</p><p>milhos, e desvendou cientificamente o assombro do es-</p><p>touro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação</p><p>científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia as</p><p>explicações científicas não valem. Por exemplo: em Mi-</p><p>nas “piruá” é o nome que se dá às mulheres que não</p><p>conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta,</p><p>lamentava: “Fiquei piruá!” Mas acho que o poder me-</p><p>tafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas</p><p>pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam</p><p>a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais</p><p>maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito</p><p>de Jesus: “Quem preservar a sua vida perdê-la-á.” A sua</p><p>presunção e o seu medo são a dura casca do milho que</p><p>não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras</p><p>a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca</p><p>macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o</p><p>estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os</p><p>piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.</p><p>Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que</p><p>voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma</p><p>grande brincadeira...</p><p>Disponível em http://www.releituras.com/ruBemalves_pipoca.asp.</p><p>acessaDo em 31 De mai. 2016.</p><p>Obs.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo</p><p>Ortográfico.</p><p>10. (Efomm) Em todos os períodos que se seguem há a</p><p>possibilidade de colocação de vírgula, EXCETO em</p><p>a) A sua presunção e o seu medo são a dura casca do</p><p>milho que não estoura.</p><p>b) Repentinamente os grãos começaram a estourar,</p><p>saltavam da panela com uma enorme barulheira.</p><p>c) Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está</p><p>representado pela morte e ressurreição de Cristo (...)</p><p>d) Com certeza ele tem uma explicação científica para</p><p>os piruás.</p><p>e) De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar.</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 51</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>E.O. COmplEmEntAr</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>MAIS QUE ORWELL, HUXLEY PREVIU NOSSO TEMPO</p><p>hélio gurovitz</p><p>Publicado em 1948, o livro 1984, de George Orwell, saltou</p><p>para o topo da lista dos mais vendidos (...) 1A distopia de</p><p>Orwel, mesmo situada no futuro, tinha um endereço certo</p><p>em seu tempo: o stalinismo. (...) 2O mundo da “pós-verda-</p><p>de”, dos “fatos alternativos” e da anestesia intelectual</p><p>nas redes sociais mais parece outra distopia, publicada</p><p>em 1932: Admirável mundo novo, de Aldous Huxley.</p><p>3Não se trata de uma tese nova. Ela foi levantada pela</p><p>primeira vez em 1985, num livreto do teórico da comu-</p><p>nicação americano Neil Postman: Amusing ourselves to</p><p>death (4Nos divertindo até morrer), relembrado por seu</p><p>filho Andrew em artigo recente no The Guardian. “Na vi-</p><p>são de Huxley, não é necessário nenhum Grande Irmão</p><p>para despojar a população de autonomia, maturidade ou</p><p>história”, escreveu Postman. “Ela acabaria amando sua</p><p>opressão, adorando as tecnologias que destroem sua</p><p>capacidade de pensar. Orwell temia aqueles que proibi-</p><p>riam os livros. Huxley temia que não haveria motivo para</p><p>proibir um livro, pois não haveria ninguém que quisesse</p><p>lê-los. Orwell temia aqueles que nos privariam de infor-</p><p>mação. Huxley, aqueles que nos dariam tanta que sería-</p><p>mos reduzidos à passividade e ao egoísmo. 5Orwell temia</p><p>que a verdade fosse escondida de nós. Huxley, que fosse</p><p>afogada num mar de irrelevância.”</p><p>6No futuro pintado por Huxley, (...) não há mães, pais ou</p><p>casamentos. O sexo é livre. A diversão está disponível</p><p>na forma de jogos esportivos, cinema multissensorial e</p><p>de uma droga que garante o bem-estar sem efeito cola-</p><p>teral: o soma. Restaram na Terra dez áreas civilizadas e</p><p>uns poucos territórios selvagens, onde 7grupos nativos</p><p>ainda preservam costumes e tradições primitivos, como</p><p>família ou religião. “O mundo agora é estável”, diz um</p><p>líder civilizado. “As pessoas são felizes, têm o que dese-</p><p>jam e nunca desejam o que não podem ter. Sentem-se</p><p>bem, estão em segurança; nunca adoecem; 8não têm</p><p>medo da morte; vivem na ditosa ignorância da paixão</p><p>e da velhice; não se acham sobrecarregadas de pais e</p><p>mães; 9não têm esposas, nem filhos, nem amantes por</p><p>quem possam sofrer emoções violentas; são condicio-</p><p>nadas de tal modo que praticamente não podem deixar</p><p>de se portar como devem. E</p><p>se, por acaso, alguma coisa</p><p>andar mal, há o soma.”</p><p>10Para chegar à estabilidade absoluta, foi necessário abrir</p><p>mão da arte e da ciência. “A felicidade universal mantém</p><p>as engrenagens em funcionamento regular; a verdade e a</p><p>beleza são incapazes de fazê-lo”, diz o líder. “Cada vez que</p><p>as massas tomavam o poder público, era a felicidade, mais</p><p>que a verdade e a beleza, o que importava.” A verdade é</p><p>considerada uma ameaça; a ciência e a arte, perigos pú-</p><p>blicos. Mas não é necessário esforço totalitário para con-</p><p>trolá-las. Todos aceitam de bom grado, fazem “qualquer</p><p>sacrifício em troca de uma vida sossegada” e de sua dose</p><p>diária de soma. “Não foi muito bom para a verdade, sem</p><p>dúvida. Mas foi excelente para a felicidade.”</p><p>No universo de Orwell, a população é controlada pela</p><p>dor. No de Huxley, pelo prazer. “Orwell temia que nossa</p><p>ruína seria causada pelo que odiamos. Huxley, pelo que</p><p>amamos”, escreve Postman. Só precisa haver censura, diz</p><p>ele, se os tiranos acreditam que o público sabe a diferença</p><p>entre discurso sério e entretenimento. (...) O alvo de Post-</p><p>man, em seu tempo, era a televisão, que ele julgava ter</p><p>imposto uma cultura fragmentada e superficial, incapaz</p><p>de manter com a verdade a relação reflexiva e racional da</p><p>palavra impressa. 11O computador só engatinhava, e Post-</p><p>man mal poderia prever como celulares, tablets e redes</p><p>sociais se tornariam – bem mais que a TV – o soma con-</p><p>temporâneo. Mas suas palavras foram prescientes: “O que</p><p>afligia a população em Admirável mundo novo não é que</p><p>estivessem rindo em vez de pensar, mas que não sabiam</p><p>do que estavam rindo, nem tinham parado de pensar”.</p><p>aDaptaDo, revista época nº 973 – 13 De fevereiro De 2017, p. 67.</p><p>Distopia = Pensamento, filosofia ou processo discursivo</p><p>caracterizado pelo totalitarismo,</p><p>autoritarismo e opressivo controle da sociedade, repre-</p><p>sentando a antítese de utopia.</p><p>(Bechara, e. DicionÁrio Da língua portuguesa. 1ª eD. rio</p><p>De Janeiro: eDitora nova fronteira, 2011, p. 533).</p><p>1. (Epcar (Afa) 2018) Assinale a alternativa em que a</p><p>análise dos termos presentes no excerto abaixo está de</p><p>acordo com o que prescreve a Gramática Normativa da</p><p>Língua Portuguesa.</p><p>“A distopia de Orwell, mesmo situada no futuro, tinha</p><p>um endereço certo em seu tempo: o stalinismo.” (ref. 1)</p><p>a) O período é composto por três orações, sendo duas</p><p>subordinadas e uma coordenada.</p><p>b) “... mesmo situada no futuro...” é classificada</p><p>como oração subordinada adverbial temporal redu-</p><p>zida de particípio.</p><p>c) “... o stalinismo” é um aposto que se refere ao</p><p>termo imediato que o antecede – “seu tempo”.</p><p>d) As vírgulas servem para isolar a oração subordinada</p><p>adverbial que está inserida em sua oração principal.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>ROMESSA CONTRA SINAIS DA IDADE</p><p>1O tempo passa, e com ele os sinais da idade vão se</p><p>espalhando pelo nosso organismo. Entre eles, os mais</p><p>evidentes 2ficam estampados em nossa pele, e rostos,</p><p>na forma de rugas, flacidez e perda de elasticidade. Um</p><p>estudo publicado ontem no periódico científico Journal</p><p>of Investigative Dermatology, no entanto, identificou</p><p>um mecanismo molecular em células da pele que pode</p><p>estar por trás deste processo, abrindo caminho para o</p><p>desenvolvimento de novos tratamentos para, se não</p><p>impedir, pelo menos retardar o envelhecimento delas e,</p><p>talvez, as de outros tecidos e órgãos do corpo.</p><p>Na pesquisa, cientistas da Universidade de Newcastle,</p><p>no Reino Unido, analisaram amostras de células da pele</p><p>de vinte e sete doadores com entre seis e anos, tiradas</p><p>de locais protegidos do Sol, para determinar se havia</p><p>52  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>alguma diferença no seu comportamento com a idade.</p><p>3Eles verificaram que, quanto mais velha a pessoa, me-</p><p>nor era a atividade de suas mitocôndrias, as “4usinas</p><p>de energia” de nossas células. 5Essa queda, porém, 6era</p><p>esperada, já que há décadas a redução na capacidade</p><p>de geração de energia por essas 7organelas celulares e</p><p>na sua eficiência neste trabalho com o tempo é uma das</p><p>principais vertentes nas teorias sobre envelhecimento.</p><p>/.../</p><p>Baima, césar. o gloBo, 27 De fev. 2016, p. 24.</p><p>2. (Epcar (Afa)) Observe o uso da vírgula nos trechos</p><p>abaixo destacados:</p><p>I. “O tempo passa, e com ele os sinais da idade vão se</p><p>espalhando...” (ref. 1)</p><p>II. “... ficam estampados em nossa pele, e rostos, na for-</p><p>ma...” (ref. 2)</p><p>III. “Eles verificaram que, quanto mais velha a pessoa,</p><p>menor era a atividade de suas mitocôndrias...” (ref. 3)</p><p>IV. “Essa queda, porém, era esperada...” (ref. 5)</p><p>V. “... era esperada, já que há décadas a redução na ca-</p><p>pacidade de geração de energia...” (ref. 6)</p><p>Assinale a opção que apresenta uma análise correta.</p><p>a) No fragmento I, o uso da vírgula é facultativo, ten-</p><p>do em vista que introduz uma oração coordenada</p><p>sindética aditiva.</p><p>b) A vírgula foi utilizada nos excertos II e III pelo mes-</p><p>mo motivo: isolar termos explicativos.</p><p>c) O uso da vírgula, em IV, justifica-se pela presença</p><p>de um termo interferente.</p><p>d) A presença de oração subordinada adverbial, no</p><p>fragmento V, justifica o uso da vírgula.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>A DOENÇA DO AMOR</p><p>luiz felipe ponDé</p><p>Existe de fato amor romântico? Esta é uma pergunta</p><p>que ouço quando, em sala de aula, estamos a discutir</p><p>questões como literatura romântica dos séculos 18 e</p><p>19. 1Quando o público é composto de pessoas mais</p><p>maduras, a tendência é um certo ceticismo, muitas ve-</p><p>zes elegante, apesar de trazer nele a marca eterna do</p><p>desencanto.</p><p>Quando o público é mais 2jovem há uma tendência</p><p>maior de crença no amor romântico. 3Alguns diriam que</p><p>4essa crença é típica da idade jovem e inexperiente, as-</p><p>sim como crianças creem em Papai Noel.</p><p>Mas, em matéria de amor romântico, melhor ainda do</p><p>que ir em busca da literatura dos séculos 18 e 19 é ir 5à</p><p>fonte primária 6: a literatura europeia medieval, verda-</p><p>deira fonte do amor romântico. A literatura conhecida</p><p>como amor cortês.</p><p>Especialistas no assunto, como o suíço Denis de Rouge-</p><p>mont, suspeitavam que a literatura medieval criou uma</p><p>verdadeira expectativa neurótica no Ocidente sobre o</p><p>que seria o amor romântico em nossas vidas concre-</p><p>tas, fazendo com que 7sonhássemos com algo que, na</p><p>verdade, nunca existiu como experiência universal. 8Dos</p><p>castelos da Provence francesa do século 12 ao cinema</p><p>de Hollywood, teríamos perdido o verdadeiro sentido</p><p>do amor medieval, que seria uma doença da qual deve-</p><p>mos fugir como o diabo da cruz.</p><p>Para além dos céticos e crentes, a literatura medieval de</p><p>amor cortês é marcante pela sua descrição do que seria</p><p>esse pathos amoroso. Uma doença, uma verdadeira des-</p><p>graça para quem fosse atingindo em seu coração por ta-</p><p>manha tristeza. André Capelão, autor da época (Tratado</p><p>do Amor Cortês, ed. Martins Fontes), sintetiza esse amor</p><p>como sendo uma 9"doença do pensamento". Doença</p><p>essa que podemos descrever como uma forma de obses-</p><p>são em saber o que ela está pensando, o que ela está</p><p>fazendo nessa exata hora em que penso nela, com o que</p><p>ela sonha à noite, como é seu corpo por baixo da roupa</p><p>que a veste, o desejo incontrolável de ouvir sua voz, de</p><p>sentir seu perfume. Mas a doença avança: sentir o gosto</p><p>da sua boca, beijá-10la por horas a fio.</p><p>11Mas, quando em público, jamais deixe ninguém saber</p><p>que se amam. Capelão chega a supor que desmaios fe-</p><p>mininos poderiam ser indicativos de que a infeliz es-</p><p>taria em presença de seu desgraçado objeto de amor</p><p>inconfessável. A inveja dos outros pelos amantes, ape-</p><p>sar de 12condenados a 13tristeza pela interdição sempre</p><p>presente nas narrativas (casados com outras pessoas,</p><p>detentores de responsabilidades públicas e privadas),</p><p>se dá pelo fato que se trata de uma doença encantado-</p><p>ra quando correspondida.</p><p>Nada é mais forte do que o desejo de estar com alguém</p><p>a quem você se sente ligado, mesmo que a milhares de</p><p>quilômetros de distância, sem poder trocar um único</p><p>olhar ou toque com ela.</p><p>O erro dos modernos românticos teria sido a ilusão de</p><p>que esses medievais imaginariam o amor romântico</p><p>numa escala universal e capaz de 14conviver com um</p><p>apartamento de dois quartos, pago em cem anos.</p><p>Não, o amor cortês seria algo que deveríamos temer</p><p>justamente por seu caráter intempestivo e avassalador.</p><p>Sempre fora do casamento, teria contra ele a condena-</p><p>ção da norma social ou religiosa que, aos poucos, 15le-</p><p>varia as suas vítimas à destruição, psicológica ou física.</p><p>Para os medievais, um homem arrebatado por esse</p><p>amor tomaria decisões que destruiriam seu patrimônio.</p><p>A mulher perderia sua reputação. Ambos viriam, neces-</p><p>sariamente, a morrer por conta desse amor, fosse ele</p><p>em batalha, por obrigação de guerreiro, fosse fugindo</p><p>do horror de trair seu melhor amigo com sua até en-</p><p>tão fiel esposa. Ela morreria eventualmente de tristeza,</p><p>vergonha e solidão num convento, buscando a paz de</p><p>espírito há muito perdida. A distância física, social ou</p><p>moral, proibindo a realização plena desse desejo inces-</p><p>sante como tortura cotidiana.</p><p>O poeta mexicano Octavio Paz, que dedicou alguns tex-</p><p>tos ao tema, entendia que a literatura medieval descre-</p><p>via o embate entre virtude e desejo, sendo a desgraça</p><p>dos apaixonados a maldição de ter que 16pôr medida</p><p>nesse desejo 17(nesse amor fora do lugar), em meio à</p><p>insuportável culpa de estar doente de amor.</p><p>texto aDaptaDo. foi puBlicaDo em 16 De maio De</p><p>2016 na folha De s. paulo. Disponível em:</p><p>. acesso em: 21 set. 2016.</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 53</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>3. (ifsul) No que diz respeito ao emprego dos sinais de</p><p>pontuação, é correto afirmar que</p><p>a) falta uma vírgula depois de jovem (ref. 2) para separar</p><p>a oração subordinada adverbial anteposta à principal.</p><p>b) os dois-pontos presentes na referência 6 têm por</p><p>finalidade sinalizar uma enumeração de itens.</p><p>c) as aspas utilizadas na expressão doença do pensa-</p><p>mento (ref. 9) indicam ironia.</p><p>d) os parênteses presentes na referência 17 isolam</p><p>um exemplo de desejo pelo amado.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>O ANJO RAFAEL</p><p>machaDo De assis</p><p>Cansado da vida, descrente dos homens, desconfiado</p><p>das mulheres e aborrecido dos credores, 1o dr. Antero</p><p>da Silva determinou um dia despedir-se deste mundo.</p><p>Era pena. O dr. Antero contava trinta anos, tinha saúde,</p><p>e podia, se quisesse, fazer uma bonita carreira. Verdade</p><p>é que para isso fora necessário proceder a uma comple-</p><p>ta reforma dos seus costumes. Entendia, porém, o nosso</p><p>herói que o defeito não estava em si, mas nos outros;</p><p>cada pedido de um credor inspirava-lhe uma apóstrofe</p><p>contra a sociedade; julgava conhecer os homens, por ter</p><p>tratado até então com alguns bonecos sem consciência;</p><p>pretendia conhecer as mulheres, quando apenas havia</p><p>praticado com meia dúzia de regateiras do amor.</p><p>O caso é que o nosso herói determinou matar-se, e para</p><p>isso foi à casa da viúva Laport, comprou uma pistola e</p><p>entrou em casa, que era à rua da Misericórdia.</p><p>Davam então quatro horas da tarde.</p><p>O dr. Antero disse ao criado que pusesse o jantar na mesa.</p><p>– A viagem é longa, disse ele consigo, e eu não sei se há</p><p>hotéis no caminho.</p><p>Jantou com efeito, tão tranquilo como se tivesse de ir</p><p>dormir a sesta e não o último sono. 2O próprio criado</p><p>reparou que o amo estava nesse dia mais folgazão que</p><p>nunca. Conversaram alegremente durante todo o jantar.</p><p>No fim dele, quando o criado lhe trouxe o café, Antero</p><p>proferiu paternalmente as seguintes palavras:</p><p>3– Pedro, tira de minha gaveta uns cinquenta mil-réis</p><p>que lá estão, são teus. Vai passar a noite fora e não vol-</p><p>tes antes da madrugada.</p><p>– Obrigado, meu senhor, respondeu Pedro.</p><p>– Vai.</p><p>Pedro apressou-se a executar a ordem do amo.</p><p>O dr. Antero foi para a sala, estendeu-se no divã, abriu</p><p>um volume do Dicionário filosófico e começou a ler.</p><p>Já então declinava a tarde e aproximava-se a noite. A lei-</p><p>tura do dr. Antero não podia ser longa. Efetivamente daí a</p><p>algum tempo levantou-se o nosso herói e fechou o livro.</p><p>Uma fresca brisa penetrava na sala e anunciava uma</p><p>agradável noite. Corria então o inverno, aquele benigno</p><p>inverno que os fluminenses têm a ventura de conhecer</p><p>e agradecer ao céu.</p><p>4O dr. Antero acendeu uma vela e sentou-se à mesa para</p><p>escrever. 5Não tinha parentes, nem amigos a quem dei-</p><p>xar carta; entretanto, não queria sair deste mundo sem</p><p>dizer a respeito dele a sua última palavra. Travou da</p><p>pena e escreveu as seguintes linhas:</p><p>Quando um homem, perdido no mato, vê-se cercado de</p><p>animais ferozes e traiçoeiros, procura fugir se pode. De</p><p>ordinário a fuga é impossível. Mas estes animais meus</p><p>semelhantes tão traiçoeiros e ferozes como os outros,</p><p>tiveram a inépcia de inventar uma arma, mediante a</p><p>qual um transviado facilmente lhes escapa das unhas.</p><p>É justamente o que vou fazer.</p><p>Tenho ao pé de mim uma pistola, pólvora e bala; com</p><p>estes três elementos reduzirei a minha vida ao nada.</p><p>Não levo nem deixo saudades. Morro por estar enjoado</p><p>da vida e por ter certa curiosidade da morte.</p><p>Provavelmente, quando a polícia descobrir o meu cadá-</p><p>ver, os jornais escreverão a notícia do acontecimento, e</p><p>um ou outro fará a esse respeito considerações filosó-</p><p>ficas. Importam-me bem pouco as tais considerações.</p><p>Se me é lícito ter uma última vontade, quero que estas</p><p>linhas sejam publicadas no Jornal do Commercio. Os ri-</p><p>madores de ocasião encontrarão assunto para algumas</p><p>estrofes.</p><p>O dr. Antero releu o que tinha escrito, corrigiu em al-</p><p>guns lugares a pontuação, fechou o papel em forma de</p><p>carta, e pôs-lhe este sobrescrito: Ao mundo.</p><p>Depois carregou a arma; e, para rematar a vida com um</p><p>traço de impiedade, a bucha que meteu no cano da pis-</p><p>tola foi uma folha do Evangelho de S. João.</p><p>Era noite fechada. O dr. Antero chegou-se à janela, res-</p><p>pirou um pouco, olhou para o céu, e disse às estrelas:</p><p>– Até já.</p><p>E saindo da janela acrescentou mentalmente:</p><p>– Pobres estrelas! Eu bem quisera lá ir, mas com certeza</p><p>hão de impedir-me os vermes da terra. Estou aqui, e</p><p>estou feito um punhado de pó. É bem possível que no</p><p>futuro século sirva este meu invólucro para macadami-</p><p>zar a rua do Ouvidor. Antes isso; ao menos terei o prazer</p><p>de ser pisado por alguns pés bonitos.</p><p>Ao mesmo tempo que fazia estas reflexões, lançava</p><p>mão da pistola, e olhava para ela com certo orgulho.</p><p>6– Aqui está a chave que me vai abrir a porta deste cár-</p><p>cere, disse ele.</p><p>7Depois sentou-se numa cadeira de braços, pôs as per-</p><p>nas sobre a mesa, à americana, firmou os cotovelos, e</p><p>segurando a pistola com ambas as mãos, meteu o cano</p><p>entre os dentes.</p><p>Já ia disparar o tiro, quando ouviu três pancadinhas à</p><p>porta. Involuntariamente levantou a cabeça. Depois de</p><p>um curto silêncio repetiram-se as pancadinhas. O ra-</p><p>paz não esperava ninguém, e era-lhe indiferente falar</p><p>a quem quer que fosse. Contudo, por maior que seja a</p><p>tranquilidade de um homem quando resolve abandonar</p><p>a vida, é-lhe sempre agradável achar um pretexto para</p><p>prolongá-la um pouco mais.</p><p>O dr. Antero pôs a pistola sobre a mesa e foi abrir a porta.</p><p>4. (IFCE) Em “Não tinha parentes, nem amigos a quem</p><p>deixar carta; entretanto, não queria sair deste mundo</p><p>sem dizer a respeito dele a sua última palavra” (referên-</p><p>54  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>cia 5), o uso do ponto e vírgula se justifica porque</p><p>a) indica um esclarecimento, resultado ou resumo do</p><p>que se disse.</p><p>b) trata de sujeitos diferentes.</p><p>c) anuncia uma enumeração.</p><p>d) alonga a pausa de conjunções adversativas, substi-</p><p>tuindo, assim, a vírgula.</p><p>e) separa orações coordenadas não unidas por con-</p><p>junção, que guardem relação entre si.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Entre as situações linguísticas que o português já viveu</p><p>em seu contato com outras línguas, cabe considerar</p><p>uma situação que se realiza em nossos dias: 1aquela</p><p>em que ele é uma língua de emigrantes. 2Para o leitor</p><p>brasileiro, 3soará talvez estranho que falemos 4aqui do</p><p>português como uma língua de EMIGRANTES, pois o</p><p>Brasil foi antes de mais nada um país para 5o qual se di-</p><p>rigiam em massa, durante</p><p>mais de dois séculos, pessoas</p><p>nascidas em vários países europeus e asiáticos; assim,</p><p>para a maioria dos brasileiros, a 6representação mais</p><p>natural é a da convivência no Brasil com IMIGRANTES</p><p>vindos de outros países. Sabemos, 7entretanto, que, nos</p><p>últimos cem anos, muitos falantes do português foram</p><p>buscar melhores condições de vida, 8partindo não só de</p><p>Portugal para o Brasil, mas 9também desses dois países</p><p>para a América do Norte 10e para vários países da Euro-</p><p>pa: em certo momento, na década de 1970, viviam na</p><p>região parisiense mais de um milhão de portugueses –</p><p>uma população superior 11à 12que tinha então a cidade</p><p>de Lisboa. Do Brasil, têm 1_______ nas últimas décadas</p><p>muitos jovens e trabalhadores, 13dirigindo-se aos qua-</p><p>tro cantos do mundo.</p><p>A existência de comunidades de imigrantes é sempre</p><p>uma situação delicada 14para os próprios imigrantes e</p><p>15para o país que os recebeu: 16normalmente, os imi-</p><p>grantes vão a países que têm interesse em 17usar sua</p><p>força de trabalho, mas qualquer oscilação na economia</p><p>faz 18com que os nativos 2_______ 19sua presença como</p><p>indesejável; as diferenças na cultura e na fala podem</p><p>alimentar preconceitos e desencadear problemas reais</p><p>de diferentes ordens.</p><p>20Em geral, proteger a cultura e a língua do imigrante</p><p>não 21é um objetivo prioritário dos países hospedei-</p><p>ros, mas no caso do português tem havido 3_______.</p><p>Em certo momento, o português foi uma das línguas</p><p>estrangeiras mais estudadas na França; e, em algumas</p><p>cidades do Canadá e dos Estados Unidos, um mínimo</p><p>de vida associativa tem garantido a sobrevivência de</p><p>jornais editados em português, mantidos pelas próprias</p><p>comunidades de origem portuguesa e brasileira.</p><p>aDaptaDo De: ilari, roDolfo; Basso, renato. o português como</p><p>língua De emigrantes. in:___. o português Da gente: a língua que</p><p>estuDamos a língua que falamos. sÃo paulo: contexto, 2006. p. 42-43.</p><p>5. (Ufrgs) Desconsiderando questões de emprego</p><p>de letra maiúscula, assinale a alternativa em que se</p><p>sugere um deslocamento de adjunto adverbial que</p><p>preservaria tanto a correção quanto o sentido do</p><p>segmento original.</p><p>a) Colocação de Para o leitor brasileiro (ref. 2) entre</p><p>vírgulas, imediatamente após aqui (ref. 4).</p><p>b) Deslocamento de entretanto (ref. 7) para imediata-</p><p>mente após partindo (ref. 8).</p><p>c) Passagem de também (ref. 9) para imediatamente</p><p>após e (ref. 10).</p><p>d) Deslocamento de normalmente (ref. 16) para ime-</p><p>diatamente após usar (ref. 17).</p><p>e) Colocação de Em geral (ref. 20) entre vírgulas, ime-</p><p>diatamente após é (ref. 21).</p><p>E.O. dissErtAtivO</p><p>1. (PUC-RJ) Os filósofos chineses viam a realidade, a</p><p>cuja essência primária chamaram tao, como um proces-</p><p>so de contínuo fluxo e mudança. Na concepção deles,</p><p>todos os fenômenos que observamos participam desse</p><p>processo cósmico e são, pois, intrinsecamente dinâmi-</p><p>cos. A principal característica do tao é a natureza cíclica</p><p>de seu movimento incessante; a natureza, em todos os</p><p>seus aspectos – tanto os do mundo físico quanto os dos</p><p>domínios psicológico e social –, exibe padrões cíclicos.</p><p>Os chineses atribuem a essa ideia de padrões cíclicos</p><p>uma estrutura definida, mediante a introdução dos</p><p>opostos yin e yang, os dois polos que fixam os limites</p><p>para os ciclos de mudança: “Tendo yang atingido seu</p><p>clímax, retira-se em favor do yin; tendo o yin atingido</p><p>seu clímax, retira-se em favor do yang”.</p><p>Na concepção chinesa, todas as manifestações do tao</p><p>são geradas pela interação dinâmica desses dois polos</p><p>arquetípicos, os quais estão associados a numerosas</p><p>imagens de opostos colhidas na natureza e na vida so-</p><p>cial. É importante, e muito difícil para nós, ocidentais,</p><p>entender que esses opostos não pertencem a diferen-</p><p>tes categorias, mas são polos extremos de um único</p><p>todo. Nada é apenas yin ou apenas yang. Todos os fenô-</p><p>menos naturais são manifestações de uma contínua os-</p><p>cilação entre os dois polos; todas as transições ocorrem</p><p>gradualmente e numa progressão ininterrupta. A ordem</p><p>natural é de equilíbrio dinâmico entre o yin e o yang.</p><p>capra, fritJof. o ponto De mutaçÃo. sÃo paulo: eDitora</p><p>cultrix. 1982. traDuçÃo De Álvaro caBral, pp. 32-33.</p><p>Mantendo o sentido dos trechos em destaque, reescre-</p><p>va-os atendendo ao que é solicitado. Faça as modifica-</p><p>ções necessárias.</p><p>a) Não use gerúndio:</p><p>“Tendo yang atingido seu clímax, retira-se em favor do yin;</p><p>tendo o yin atingido seu clímax, retira-se em favor do yang”.</p><p>b) Inicie por “A interação”.</p><p>“Na concepção chinesa, todas as manifestações do</p><p>tao são geradas pela interação dinâmica desses dois</p><p>polos arquetípicos.”</p><p>c) Proponha uma nova pontuação para o trecho abai-</p><p>xo, substituindo apenas o sinal de ponto e vírgula e</p><p>os travessões.</p><p>“A principal característica do tao é a natureza cíclica</p><p>de seu movimento incessante; a natureza, em todos os</p><p>seus aspectos – tanto os do mundo físico quanto os dos</p><p>domínios psicológico e social –, exibe padrões cíclicos.”</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 55</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Muitos anos mais tarde, Ana Terra costumava sentar-se na</p><p>frente de sua casa para pensar no passado. E no pensa-</p><p>mento como que ouvia o vento de outros tempos e sentia</p><p>o tempo passar, escutava vozes, via caras e lembrava-se</p><p>de coisas... O ano de 81 trouxera um acontecimento triste</p><p>para o velho Maneco: Horácio deixara a fazenda, a contra-</p><p>gosto do pai, e fora para o Rio Pardo, onde se casara com</p><p>a filha dum tanoeiro e se estabelecera com uma pequena</p><p>venda. Em compensação nesse mesmo ano Antônio ca-</p><p>sou-se com Eulália Moura, filha dum colono açoriano dos</p><p>arredores do Rio Pardo, e trouxe a mulher para a estância,</p><p>indo ambos viver num puxado que tinham feito no rancho.</p><p>Em 85 uma nuvem de gafanhotos desceu sobre a lavou-</p><p>ra deitando a perder toda a colheita. Em 86, quando Pe-</p><p>drinho se aproximava dos oito anos, uma peste atacou</p><p>o gado e um raio matou um dos escravos.</p><p>Foi em 86 mesmo ou no ano seguinte que nasceu Rosa,</p><p>a primeira filha de Antônio e Eulália? Bom. A verdade</p><p>era que a criança tinha nascido pouco mais de um ano</p><p>após o casamento. Dona Henriqueta cortara-lhe o cor-</p><p>dão umbilical com a mesma tesoura de podar com que</p><p>separara Pedrinho da mãe.</p><p>E era assim que o tempo se arrastava, o sol nascia e se</p><p>sumia, a lua passava por todas as fases, as estações iam</p><p>e vinham, deixando sua marca nas árvores, na terra, nas</p><p>coisas e nas pessoas.</p><p>E havia períodos em que Ana perdia a conta dos dias.</p><p>Mas entre as cenas que nunca mais lhe saíram da me-</p><p>mória estavam as da tarde em que dona Henriqueta</p><p>fora para a cama com uma dor aguda no lado direito,</p><p>ficara se retorcendo durante horas, vomitando tudo o</p><p>que engolia, gemendo e suando de frio.</p><p>érico veríssimo. o tempo e o vento, “o continente”, 1956.</p><p>2. (Fgv) Observe o emprego da vírgula nas passagens</p><p>destacadas a seguir e responda ao que se pede.</p><p>- “Foi em 86 mesmo ou no ano seguinte que nasceu Rosa,</p><p>a primeira filha de Antônio e Eulália?” (3º parágrafo)</p><p>- “E era assim que o tempo se arrastava, o sol nascia e</p><p>se sumia, a lua passava por todas as fases, as estações</p><p>iam e vinham, deixando sua marca nas árvores, na terra,</p><p>nas coisas e nas pessoas.” (4º parágrafo)</p><p>a) O que justifica o emprego da vírgula na passagem</p><p>do 3º parágrafo?</p><p>b) Que diferença há nas duas construções do 4º pará-</p><p>grafo para explicar o emprego das vírgulas?</p><p>3. (Fgv) Leia o texto.</p><p>Amorim, pede pra sair</p><p>O fracasso das negociações comerciais de Doha ecoa a</p><p>falência verbal que levou o ministro das Relações Exte-</p><p>riores, Celso Amorim, a entrar nas reuniões com o pé es-</p><p>querdo e a sair delas com a autoridade destroçada por</p><p>duas declarações de natureza intrinsecamente perversa.</p><p>("veJa", 06.08.2008)</p><p>a) Explique o título do texto, associando-o às infor-</p><p>mações apresentadas.</p><p>b) Se fosse retirada a vírgula do título do texto, ha-</p><p>veria alteração de sentido? Justifique a sua resposta.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:</p><p>PRIMEIRO ATO</p><p>Amelinha - (Virando-se para a mãe) 6Edmundo está ino-</p><p>cente. Sem culpa.</p><p>Valdelice - (Fazendo-a calar) Não</p><p>repita 30essa asneira.</p><p>(Pausa) 13Temos de pressioná-lo, minha filha. 14Você não</p><p>tem idade para perceber a ruindade dos homens. Você</p><p>foi 12se-du-zi-da.</p><p>Amelinha - (Sentando-se) 3Seduzida?! Mas eu sei que</p><p>não é verdade!</p><p>Valdelice - A história tem de ser diferente... Trate de se</p><p>convencer 31disso.</p><p>[...]</p><p>Amelinha - 9Não me sinto bem em dizer o que não fiz...</p><p>Agente - Aprenda 21a primeira lição: 2às vezes a verdade</p><p>não é a que se conhece, mas a outra... (Pausa) É ir por</p><p>mim. (Notando o laço de fita da moça) Pra que este laço?</p><p>Amelinha - Foi ideia da mamãe.</p><p>Valdelice - Não a quero desgraciosa diante da autoridade.</p><p>Agente - (Compenetrado) Nada de 1lacinho de fita! Você</p><p>não é anjo de procissão. (Tom) Quem perde a honra não</p><p>se interessa por enfeite. (Ríspido) 15Tire-o.</p><p>Amelinha - (Indecisa) 10Mas eu... eu...</p><p>Agente - (Arrebata-lhe o laço) Bobagem! (Pausa).</p><p>22Retire também 35o ruge, o batom... 28Tenho de pre-</p><p>pará-la para impressionar o delegado, o juiz, todo</p><p>mundo. Do contrário, ninguém defenderá você. (Tom)</p><p>Assanhe os cabelos.</p><p>SEGUNDO ATO</p><p>Benedito - 29(À Amelinha, que continua assustada, mas</p><p>impressionada com a situação que vive). Então, você</p><p>acabou sendo enganada? (Ela aquiesce) 11Levou-a no</p><p>caminhão da entrega sistemática, não foi? (Ela confir-</p><p>ma) Vá ver que era um caminhão Ford. (Ao Permanente)</p><p>Ford! A influência nefasta do capitalismo internacional!</p><p>(Pausa) E os botijões? Balançavam? Sacudiam? (Pausa)</p><p>Estavam cheios... ou vazios?</p><p>Amelinha - (Num sopro) Vazios...</p><p>Benedito - (Eufórico) Vazio! (Pausa, em explosão) Vi-</p><p>bravam, não? (Dramatizando) Imagino como não eram</p><p>ruidosos! (T) Tática de cinema americano, "noir", de</p><p>péssima qualidade. (Pausa) E o carro? Corria veloz? E</p><p>você, gritava?</p><p>Amelinha - (Voz débil, a confirmar) Gritava.</p><p>[...]</p><p>Benedito - (A Amelinha) Então estavam vazios os boti-</p><p>jões (Ela concorda) Vazios... E o carro corria, em dispara-</p><p>da, não? (Ela aquiesce) E fazia aquele ruído...</p><p>Amelinha - (Que vai aderindo, qual participasse de um</p><p>jogo...) 4Um ruído terrível...</p><p>56  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>Benedito - Ah, eu imagino! (T.) 26E o seu desespero?</p><p>Hem, moça?</p><p>Amelinha - Ah, como eu sofri dentro do caminhão...</p><p>Valdelice - (Surpresa, à filha) Você nunca me falou antes</p><p>em caminhão. Que carro é esse?</p><p>Amelinha - (Indiferente) O caminhão, mãe... Caminhão Ford.</p><p>[...]</p><p>Benedito - E depois? Hem? Depois?</p><p>Amelinha - (Enlevada, mais fantasiosa) Ele me apertava</p><p>em seus braços fortes, sem mais querer me soltar. (Tom)</p><p>Meu Deus, era bom, mas eu sofria. (Pausa) Eu me sen-</p><p>tia tonta, desfalecida, principalmente pelo som infernal</p><p>dos botijões... E por cima de tudo, eu tinha medo de</p><p>morrer.</p><p>Benedito - (Animando-a) Mais, mais, vai para a primeira</p><p>página.</p><p>Amelinha - Paramos num lugar distante, como se diz</p><p>mesmo? ... ermo... (Pausa) Onde era? Onde? Ainda hoje</p><p>me pergunto, sem resposta... (Pausa. T.) Nem sei direito.</p><p>23Mas sei que havia uma árvore muito frondosa, e tinha</p><p>um rio largo, perto... e... acho que havia também uma</p><p>cabana. Um velho pescador estava sentado, longe, lon-</p><p>ge, numa pedra...</p><p>Valdelice - 17Minha filha, você está descrevendo o calen-</p><p>dário da sala de jantar!</p><p>[...]</p><p>Benedito - 25E depois, e depois?</p><p>Amelinha - 7Ele começou a puxar o zíper do meu vestido.</p><p>Valdelice - 18Mas você não tem vestido de zíper!!!</p><p>Benedito - Vá contando, me agrada! É matéria de pri-</p><p>meira página.</p><p>Amelinha - 8Por fim, rasgou minha combinação de "nylon".</p><p>Valdelice - "Nylon"?! Você nunca usou 32isso!</p><p>[...]</p><p>Valdelice - (Como se tudo fosse um sonho) Agora que</p><p>você está mais calma, me diga mesmo como é a história</p><p>do caminhão, dos botijões vazios... Onde você conse-</p><p>guiu 33tudo isso?</p><p>Amelinha - E eu sei, mamãe?! 27Simpatizei com o moço,</p><p>e dei de imaginar tudo. (Pausa. T) Será que o meu retra-</p><p>to vai sair bonito no jornal?</p><p>[...]</p><p>Edmundo - (Principia a falar com indecisão, procuran-</p><p>do achar as palavras) 24Amelinha, eu... queria que você</p><p>compreendesse... Por favor, 16conte ao Delegado o que</p><p>em verdade se passou 19entre nós dois... Sei que você é</p><p>direita... (Pausa) Fale.</p><p>Amelinha - (Em tom indefinido, como se na verdade vi-</p><p>vesse outro personagem) 5Será que você já esqueceu?</p><p>Edmundo - Esqueceu o quê? Não compreendo.</p><p>Amelinha - Oh, Edmundo... Vocês, homens, esquecem</p><p>tão ligeiro!</p><p>Edmundo - 20Mas não esqueci nada! Lembro que você</p><p>me chamou à sua casa. E me abraçava, me queria... E eu</p><p>então não pude resistir.</p><p>[...]</p><p>Amelinha - Oh, ao menos hoje, não seja cínico! O ca-</p><p>minhão, os botijões vazios! Vamos, não diga que não</p><p>se lembra! Você me carregou, eu não queria... Me con-</p><p>vidou para ver os enfeites da boleia, e, de repente,</p><p>acionou o motor, partiu veloz. Ah. Foi quando eu gritei,</p><p>gritei: 34Não faça isso. Edmundo! Pare! Pare! E você cor-</p><p>rendo, nem me deu atenção!</p><p>Edmundo - (Ao Delegado) Isso não! Ao menos a verdade!</p><p>campos, eDuarDo. a Donzela DesprezaDa. in:________. três</p><p>peças escolhiDas. fortaleza: eDições ufc, 2007, p.187-221.</p><p>4. (UFC) Dentre algumas funções, A VÍRGULA é empre-</p><p>gada para separar:</p><p>(1) Vocativo;</p><p>(2) Repetições;</p><p>(3) Termos coordenados;</p><p>(4) Oração adjetiva de valor explicativo;</p><p>(5) Orações coordenadas aditivas proferidas com pausa.</p><p>Observe, nas passagens do texto transcritas a seguir, o</p><p>emprego das vírgulas, identifique a razão pela qual fo-</p><p>ram utilizadas e, em seguida, de acordo com o código</p><p>apresentado, preencha os parênteses, estabelecendo a</p><p>correlação adequada entre o uso e a regra.</p><p>1. ( ) "E depois, e depois?" (ref. 25).</p><p>2. ( ) "E o seu desespero? Hem, moça?" (ref. 26).</p><p>3. ( ) "Temos de pressioná-lo, minha filha" (ref. 13).</p><p>4. ( ) "Simpatizei com o moço, e dei de imaginar</p><p>tudo" (ref. 27).</p><p>5. ( ) "Tenho de prepará-la para impressionar o de-</p><p>legado, o juiz, todo mundo" (ref. 28).</p><p>6. ( ) "(À Amelinha, que continua assustada, mas</p><p>impressionada com a situação que vive.)" (ref. 29).</p><p>5. (Ufc) A VÍRGULA também é empregada para isolar ad-</p><p>juntos adverbiais. Com base nesse conhecimento, transcre-</p><p>va, da fala de Benedito, uma frase em que a vírgula está</p><p>empregada para isolar um adjunto adverbial de modo.</p><p>E.O. ObjEtivAs</p><p>(UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp)</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Leia o trecho extraído do artigo “Cosmologia, 100”, de</p><p>Antonio Augusto Passos Videira e Cássio Leite Vieira,</p><p>para responder à(s) questão(ões) a seguir.</p><p>“Vou conduzir o leitor por uma estrada que eu mesmo</p><p>percorri, árdua e sinuosa.” A frase – que tem algo da es-</p><p>sência do hoje clássico A estrada não percorrida (1916),</p><p>do poeta norte-americano Robert Frost (1874-1963) –</p><p>está em um artigo científico publicado há cem anos,</p><p>cujo teor constitui um marco histórico da civilização.</p><p>Pela primeira vez, cerca de 50 mil anos depois de o</p><p>Homo sapiens deixar uma mão com tinta estampada</p><p>em uma pedra, a humanidade era capaz de descrever</p><p>matematicamente a maior estrutura conhecida: o Uni-</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 57</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>verso. A façanha intelectual levava as digitais de Albert</p><p>Einstein (1879-1955).</p><p>Ao terminar aquele artigo de 1917, o físico de origem</p><p>alemã escreveu a um colega dizendo que o que pro-</p><p>duzira o habilitaria a ser “internado em um hospício”.</p><p>Mais tarde, referiu-se ao arcabouço teórico que havia</p><p>construído como um “castelo alto no ar”.</p><p>O Universo que saltou dos cálculos de Einstein tinha</p><p>três características básicas: era finito, sem fronteiras e</p><p>estático – o derradeiro traço alimentaria debates e tra-</p><p>ria arrependimento a Einstein nas décadas seguintes.</p><p>Em “Considerações Cosmológicas na Teoria da Relativi-</p><p>dade Geral”, publicado em fevereiro de 1917 nos Anais</p><p>da Academia Real Prussiana de Ciências, o cientista</p><p>construiu (de modo muito visual) seu castelo usando as</p><p>ferramentas que ele havia forjado pouco antes: a teoria</p><p>da relatividade geral, finalizada em 1915, esquema teó-</p><p>rico já classificado como a maior contribuição intelectu-</p><p>al de uma só pessoa à cultura humana.</p><p>Esse bloco matemático impenetrável (mesmo para fí-</p><p>sicos) nada mais é do que uma teoria</p><p>que explica os</p><p>fenômenos gravitacionais. Por exemplo, por que a Terra</p><p>gira em torno do Sol ou por que um buraco negro devo-</p><p>ra avidamente luz e matéria.</p><p>Com a introdução da relatividade geral, a teoria da gra-</p><p>vitação do físico britânico Isaac Newton (1642-1727)</p><p>passou a ser um caso específico da primeira, para si-</p><p>tuações em que massas são bem menores do que as</p><p>das estrelas e em que a velocidade dos corpos é muito</p><p>inferior à da luz no vácuo (300 mil km/s).</p><p>Entre essas duas obras de respeito (de 1915 e de 1917),</p><p>impressiona o fato de Einstein ter achado tempo para</p><p>escrever uma pequena joia, “Teoria da Relatividade Es-</p><p>pecial e Geral”, na qual populariza suas duas teorias,</p><p>incluindo a de 1905 (especial), na qual mostrara que,</p><p>em certas condições, o espaço pode encurtar, e o tem-</p><p>po, dilatar.</p><p>Tamanho esforço intelectual e total entrega ao raciocí-</p><p>nio cobraram seu pedágio: Einstein adoeceu, com pro-</p><p>blemas no fígado, icterícia e úlcera. Seguiu debilitado</p><p>até o final daquela década.</p><p>Se deslocados de sua época, Einstein e sua cosmologia</p><p>podem ser facilmente vistos como um ponto fora da</p><p>reta. Porém, a historiadora da ciência britânica Patri-</p><p>cia Fara lembra que aqueles eram tempos de “cosmo-</p><p>logias”, de visões globais sobre temas científicos. Ela</p><p>cita, por exemplo, a teoria da deriva dos continentes, do</p><p>geólogo alemão Alfred Wegener (1880-1930), marcada</p><p>por uma visão cosmológica da Terra.</p><p>Fara dá a entender que várias áreas da ciência, naque-</p><p>le início de século, passaram a olhar seus objetos de</p><p>pesquisa por meio de um prisma mais amplo, buscando</p><p>dados e hipóteses em outros campos do conhecimento.</p><p>folha De s. paulo, 01.01.2017. aDaptaDo.</p><p>1. (Unesp) Emprega-se a vírgula para indicar, às vezes, a</p><p>elipse do verbo: “Ele sai agora: eu, logo mais.”</p><p>Evanildo Bechara. Moderna gramática portuguesa,</p><p>2009. Adaptado.</p><p>Verifica-se a ocorrência de vírgula para indicar a elipse</p><p>do verbo no seguinte trecho:</p><p>a) “Entre essas duas obras de respeito (de 1915 e de</p><p>1917), impressiona o fato de Einstein ter achado tem-</p><p>po para escrever uma pequena joia [...]” (8º parágrafo)</p><p>b) “[...] em certas condições, o espaço pode encurtar, e</p><p>o tempo, dilatar.” (8º parágrafo)</p><p>c) “[...] a teoria da relatividade geral, finalizada em</p><p>1915, esquema teórico já classificado como a maior</p><p>contribuição intelectual de uma só pessoa à cultura</p><p>humana.” (5º parágrafo)</p><p>d) “[...] Einstein adoeceu, com problemas no fígado,</p><p>icterícia e úlcera.” (9º parágrafo)</p><p>e) “Ela cita, por exemplo, a teoria da deriva dos conti-</p><p>nentes, do geólogo alemão Alfred Wegener [...]” (10º</p><p>parágrafo)</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>A essência da teoria democrática é a supressão de</p><p>qualquer imposição de classe, fundada no postulado</p><p>ou na crença de que os conflitos e problemas humanos</p><p>— econômicos, políticos, ou sociais — são solucioná-</p><p>veis pela educação, isto é, pela cooperação voluntária,</p><p>mobilizada pela opinião pública esclarecida. Está claro</p><p>que essa opinião pública terá de ser formada à luz dos</p><p>melhores conhecimentos existentes e, assim, a pesquisa</p><p>científica nos campos das ciências naturais e das cha-</p><p>madas ciências sociais deverá se fazer a mais ampla, a</p><p>mais vigorosa, a mais livre, e a difusão desses conheci-</p><p>mentos, a mais completa, a mais imparcial e em termos</p><p>que os tornem acessíveis a todos.</p><p>anísio teixeira, eDucaçÃo é um Direito. aDaptaDo.</p><p>2. (Fuvest) Dos seguintes comentários linguísticos so-</p><p>bre diferentes trechos do texto, o único correto é:</p><p>a) Os prefixos das palavras “imposição” e “imparcial”</p><p>têm o mesmo sentido.</p><p>b) As palavras “postulado” e “crença” foram usadas no</p><p>texto como sinônimas.</p><p>c) A norma-padrão condena o uso de “essa”, no trecho</p><p>“essa opinião”, pois, nesse caso, o correto seria usar</p><p>“esta”.</p><p>d) A vírgula empregada no trecho “e a difusão desses</p><p>conhecimentos, a mais completa” indica que, aí, ocorre</p><p>a elipse de um verbo.</p><p>e) O pronome sublinhado em “que os tornem” tem como</p><p>referente o substantivo “termos”.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Leia uma passagem do livro A vírgula, do filólogo Celso</p><p>Pedro Luft (1921-1995).</p><p>A vírgula no vestibular de português</p><p>“Mas, esta, não é suficiente.”</p><p>“Porque, as respostas, não satisfazem.”</p><p>“E por isso, surgem as guerras.”</p><p>“E muitas vezes, ele não se adapta ao meio em que vive.”</p><p>“Pois, o homem é um ser social.”</p><p>“Muitos porém, se esquecem que...”</p><p>“A sociedade deve pois, lutar pela justiça social.”</p><p>Que é que você acha de quem virgula assim?</p><p>58  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>Você vai dizer que não aprendeu nada de pontuação quem</p><p>semeia assim as vírgulas. Nem poderá dizer outra coisa.</p><p>Ou não lhe ensinaram, ou ensinaram e ele não apren-</p><p>deu. O certo é que ele se formou no curso secundário.</p><p>Lepidamente, sem maiores dificuldades. Mas a vírgula é</p><p>um “objeto não identificado”, para ele.</p><p>Para ele? Para eles. Para muitos eles, uma legião. Amanhã</p><p>serão doutores, e a vírgula continuará sendo um objeto</p><p>não identificado. Sim, porque os três ou quatro mil me-</p><p>nos fracos ultrapassam o vestíbulo... Com vírgula ou sem</p><p>vírgula. Que a vírgula, convenhamos, até que é um obstá-</p><p>culo meio frágil, um risquinho. Objeto não identificado?</p><p>Não, objeto invisível a olho nu. Pode passar despercebido</p><p>até a muito olho de lince de examinador...</p><p>— A vírgula, ora, direis, a vírgula...</p><p>Mas é justamente essa miúda coisa, esse risquinho, que</p><p>maior informação nos dá sobre as qualidades do ensino</p><p>da língua escrita. Sobre o ensino do cerne mesmo da lín-</p><p>gua: a frase, sua estrutura, composição e decomposição.</p><p>Da virgulação é que se pode depreender a consciência,</p><p>o grau de consciência que tem, quem escreve, do pensa-</p><p>mento e de sua expressão, do ir-e-vir do raciocínio, das</p><p>hesitações, das interpenetrações de ideias, das sequên-</p><p>cias e interdependências, e, linguisticamente, da frase e</p><p>sua constituição.</p><p>As vírgulas erradas, ao contrário, retratam a confusão</p><p>mental, a indisciplina do espírito, o mau domínio das</p><p>ideias e do fraseado.</p><p>Na minha carreira de professor, fiz muitos testes de</p><p>pontuação. E sempre ficou clara a relação entre a ma-</p><p>neira de pontuar e o grau de cociente intelectual.</p><p>Conclusão que tirei: os exercícios de pontuação consti-</p><p>tuem um excelente treino para desenvolver a capacidade</p><p>de raciocinar e construir frases lógicas e equilibradas.</p><p>Quem ensina ou estuda a sintaxe — que é a teoria da</p><p>frase (ou o “tratado da construção”, como diziam os</p><p>gramáticos antigos) — forçosamente acaba na impor-</p><p>tância das pausas, cortes, incidências, nexos, etc., ele-</p><p>mentos que vão se espelhar na pontuação, quando a</p><p>mensagem é escrita.</p><p>Pontuar bem é ter visão clara da estrutura do pensamen-</p><p>to e da frase. Pontuar bem é governar as rédeas da frase.</p><p>Pontuar bem é ter ordem, no pensar e na expressão.</p><p>3. (Unesp) As frases abaixo correspondem a tentativas</p><p>de corrigir o erro de virgulação apontado por Celso Pe-</p><p>dro Luft na série de exemplos que apresenta.</p><p>I. “Porque as respostas não satisfazem.”</p><p>II. “E, muitas vezes, ele não se adapta ao meio em que</p><p>vive.”</p><p>III. “Pois o homem é, um ser social.”</p><p>IV. “A sociedade deve, pois, lutar pela justiça social.”</p><p>As frases em que o problema de virgulação foi resolvi-</p><p>do adequadamente estão contidas apenas em:</p><p>a) I e II. d) I, II e IV.</p><p>b) I e III. e) II, III e IV.</p><p>c) I, II e III.</p><p>4. (Fuvest) Em qual destas frases a vírgula foi emprega-</p><p>da para marcar a omissão do verbo?</p><p>a) Ter um apartamento no térreo é ter as vantagens</p><p>de uma casa, além de poder desfrutar de um jardim.</p><p>b) Compre sem susto: a loja é virtual; os direitos, reais.</p><p>c) Para quem não conhece o mercado financeiro, pro-</p><p>curamos usar uma linguagem livre do economês.</p><p>d) A sensação é de estar perdido: você não vai encontrar</p><p>ninguém no Jalapão, mas vai ver a natureza intocada.</p><p>e) Esta é a informação mais importante para a preser-</p><p>vação da água: sabendo usar, não vai faltar.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Leia o excerto do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio Viei-</p><p>ra (1608-1697), para responder à(s)</p><p>questão(ões) a seguir.</p><p>Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa arma-</p><p>da pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse</p><p>trazido à sua presença um pirata, que por ali andava</p><p>roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexan-</p><p>dre de andar em tão mau ofício; porém ele, que não era</p><p>medroso nem lerdo, respondeu assim: “Basta, Senhor,</p><p>que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós,</p><p>porque roubais em uma armada, sois imperador?”. As-</p><p>sim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é gran-</p><p>deza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar</p><p>com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem</p><p>distinguir as qualidades, e interpretar as significações, a</p><p>uns e outros, definiu com o mesmo nome: [...] Se o rei de</p><p>Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão</p><p>e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo</p><p>lugar, e merecem o mesmo nome.</p><p>Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de</p><p>que um filósofo estoico se atrevesse a escrever uma</p><p>tal sentença em Roma, reinando nela Nero; o que mais</p><p>me admirou, e quase envergonhou, foi que os nossos</p><p>oradores evangélicos em tempo de príncipes católicos,</p><p>ou para a emenda, ou para a cautela, não preguem a</p><p>mesma doutrina. Saibam estes eloquentes mudos que</p><p>mais ofendem os reis com o que calam que com o que</p><p>disserem; porque a confiança com que isto se diz é sinal</p><p>que lhes não toca, e que se não podem ofender; e a cau-</p><p>tela com que se cala é argumento de que se ofenderão,</p><p>porque lhes pode tocar. [...]</p><p>Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo não</p><p>são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de</p><p>sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque</p><p>a mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu pecado</p><p>[...]. O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao</p><p>Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato,</p><p>são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera</p><p>[...]. Não são só ladrões, diz o santo [São Basílio Mag-</p><p>no], os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão</p><p>banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões que mais</p><p>própria e dignamente merecem este título são aqueles</p><p>a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o</p><p>governo das províncias, ou a administração das cidades,</p><p>os quais já com manha, já com força, roubam e despo-</p><p>jam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, es-</p><p>tes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 59</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se</p><p>furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.</p><p>(essencial, 2011.)</p><p>5. (Unesp) Verifica-se o emprego de vírgula para indicar</p><p>a elipse (supressão) do verbo em:</p><p>a) “Basta, Senhor, que eu, porque roubo em uma bar-</p><p>ca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada,</p><p>sois imperador?” (1º parágrafo)</p><p>b) “O ladrão que furta para comer não vai nem leva</p><p>ao Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu</p><p>trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta</p><p>esfera [...].” (3º parágrafo)</p><p>c) “O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grande-</p><p>za: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar</p><p>com muito, os Alexandres.” (1º parágrafo)</p><p>d) “Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer</p><p>o que faz o ladrão e o pirata; o ladrão, o pirata e o</p><p>rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo</p><p>nome.” (1º parágrafo)</p><p>e) “Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam</p><p>cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco,</p><p>estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, são</p><p>enforcados: estes furtam e enforcam.” (3º parágrafo)</p><p>gAbAritO</p><p>E.O. Aprendizagem</p><p>1. E 2. D 3. C 4. B 5. B</p><p>6. C 7. B 8. B 9. B 10. A</p><p>E.O. Fixação</p><p>1. B 2. A 3. D 4. D 5. B</p><p>6. D 7. E 8. E 9. A 10. A</p><p>E.O. Complementar</p><p>1. D 2. D 3. A 4. D 5. E</p><p>E.O. Dissertativo</p><p>1.</p><p>a) Considerando que o gerúndio está no verbo “tendo” que apare-</p><p>ce duas vezes no período, a reescrita ficaria: “Quando yang atinge</p><p>seu clímax, retira-se em favor do yin; quando o yin atinge o seu clí-</p><p>max, retira-se em favor do yang” ou “A partir do momento em que</p><p>o yang atinge seu clímax, retira-se em favor do yin; a partir do mo-</p><p>mento em que o yin atinge seu clímax, retira-se em favor do yang”.</p><p>b) Considerando que “a interação dinâmica entre os dois polos</p><p>arquetípicos” é o agente do período na voz passiva, ao passar</p><p>esse termo para o início da oração, pode-se formar um período</p><p>na voz ativa, tornando o agente da passiva agora sujeito da ativa:</p><p>“A interação dinâmica desses dois polos arquetípicos gera todas</p><p>as manifestações do tao na concepção chinesa”.</p><p>c) O ponto e vírgula pode ser substituído por um ponto final,</p><p>indicando o fim de uma ideia e início de outra, agora em novo</p><p>período. Os travessões cumprem a função de agregar uma in-</p><p>formação, assim como os parênteses. Dessa forma, pode-se re-</p><p>escrever assim: “A principal característica do tao é a natureza</p><p>cíclica de seu movimento incessante. A natureza, em todos os</p><p>seus aspectos (tanto os do mundo físico quanto os dos domínios</p><p>psicológico e social), exibe padrões cíclicos.</p><p>2.</p><p>a) No 3º parágrafo, ocorre um aposto: a expressão “a primeira</p><p>filha de Antônio e Eulália” explica o termo antecedente (“Rosa”),</p><p>daí a obrigatoriedade do emprego da vírgula.</p><p>b) No 4º parágrafo, o primeiro trecho é formado por um encade-</p><p>amento de orações coordenadas, com elementos que indicam o</p><p>modo pelo qual “o tempo se arrastava”: por intermédio de uma</p><p>gradação, “o sol nascia e se sumia”, “a lua passava por todas</p><p>as fases” e, de forma mais ampla, “as estações iam e vinham”.</p><p>Já o segundo trecho é um encadeamento de termos com mesma</p><p>função sintática, uma série de adjuntos adverbiais.</p><p>3.</p><p>a) O título do texto remete ao filme "Tropa de Elite", que foi um</p><p>fenômeno de popularidade em 2007.</p><p>No filme, sempre que o personagem Capitão Nascimento queria</p><p>tirar do seu grupo um integrante incompetente, gritava: "Pede</p><p>pra sair!". Sugere-se, dessa forma, a incompetência do mencio-</p><p>nado ministro, que teria demonstrado inépcia ao fazer declara-</p><p>ções que teriam comprometido sua autoridade nas negociações</p><p>de Doha.</p><p>b) Sim, pois, da maneira como o título foi apresentado, entende-</p><p>-se uma exortação para que Celso Amorim peça para sair - das</p><p>negociações de Doha ou do Ministério. Sem usar a vírgula, o</p><p>verbo deixaria de estar no imperativo (pede, segunda pessoa do</p><p>singular) e passaria a ser uma forma do presente do indicativo</p><p>(terceira pessoa do singular); Amorim, por sua vez, deixaria de ser</p><p>um vocativo e passaria a sujeito de pede. Assim, a frase deixaria</p><p>de ser exortativa e passaria a ser declarativa.</p><p>4. (2) - (1) - (1) - (5) - (3) - (4).</p><p>5. "E o carro corria, em disparada, não?"</p><p>E.O. Objetivas</p><p>(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)</p><p>1. B 2. D 3. D 4. B 5. C</p><p>60  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>E.O. AprEndizAgEm</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>ECONOMIA COMPORTAMENTAL LEVA O NOBEL</p><p>Norte-americano Richard H. Thaler diz que ‘para fazer</p><p>uma boa análise em economia deve-se ter em mente</p><p>que as pessoas são humanas’</p><p>Richard H. Thaler recebeu o Prêmio Nobel de Economia</p><p>pelas suas contribuições no campo da economia com-</p><p>portamental. O professor Thaler, nascido em 1945, em</p><p>East Orange, New Jersey (EUA), trabalha na Faculdade</p><p>de Administração da Universidade Booth de Chicago.</p><p>Segundo o comitê do Nobel, ao anunciar o prêmio em</p><p>Estocolmo, Thaler é pioneiro na aplicação da psicologia</p><p>ao comportamento em economia e em explicar como as</p><p>pessoas tomam decisões econômicas, às vezes, rejeitan-</p><p>do a racionalidade.</p><p>Sua pesquisa, disse o comitê, levou o campo compor-</p><p>tamental em economia, de um papel secundário, para</p><p>a corrente principal da pesquisa acadêmica e mostrou</p><p>que o fator tinha importantes implicações para a polí-</p><p>tica econômica.</p><p>Thaler disse, nesta segunda-feira, 9, que a premissa bási-</p><p>ca de suas teorias é a seguinte: “Para fazer uma boa aná-</p><p>lise em economia deve-se ter em mente que as pessoas</p><p>são humanas”. Quando lhe perguntaram como gastaria</p><p>o dinheiro (cerca de US$ 1,1 milhão)</p><p>do prêmio, respon-</p><p>deu: “Esta é uma pergunta bem divertida”. E acrescentou:</p><p>“Tentarei gastá-lo da forma mais irracional possível”</p><p>O prêmio de Economia foi criado em 1968 em memória</p><p>de Alfred Nobel e é concedido pela Academia Real de</p><p>Ciências da Suécia.</p><p>As linhas principais de estudos econômicos em grande</p><p>parte do século 20 basearam-se na hipótese simplificada</p><p>de que as pessoas se comportavam racionalmente. Os</p><p>economistas entendiam que isso não era literalmente</p><p>real, mas argumentaram que estava bem próximo disso.</p><p>O professor Thaler desempenhou um papel central ao</p><p>se distanciar desse pressuposto. Ele não só defendeu</p><p>que os seres humanos são irracionais, o que é algo ób-</p><p>vio, mas também de pouca ajuda. Em vez disso, ele</p><p>mostrou que as pessoas saem da racionalidade de ma-</p><p>neiras coerentes, portanto seu comportamento ainda</p><p>pode ser antecipado.</p><p>O comitê do Nobel descreveu como a teoria de Thaler</p><p>sobre “contabilidade mental” explica de que forma as</p><p>pessoas simplificam as decisões financeiras, concen-</p><p>trando-se no impacto limitado de cada decisão e não</p><p>no seu efeito mais geral. Ele também mostrou como a</p><p>aversão a uma perda pode explicar por que as pessoas</p><p>valorizam muito mais o mesmo item quando são pro-</p><p>prietárias do que quando não o são, fenômeno chama-</p><p>do “efeito de doação”.</p><p>As teorias de Thaler explicam, ainda, porque as reso-</p><p>luções de ano-novo podem ser difíceis de se manter e</p><p>analisam a tensão entre o planejamento de longo prazo</p><p>e a ação no curto prazo. Sucumbir à tentação de curto</p><p>prazo é uma razão importante pela qual muitas pesso-</p><p>as fracassam em seus planos de poupar para quando</p><p>forem idosas, ou fazer escolhas de estilo de vida mais</p><p>saudáveis, de acordo com a pesquisa de Thaler. Ele tam-</p><p>bém demonstrou o quanto mudanças aparentemente</p><p>pequenas na forma como os sistemas funcionam, ou</p><p>como um “empurrãozinho” (“nudging”) – termo que</p><p>ele inventou – pode ajudar as pessoas a exercer melhor</p><p>o autocontrole quando, por exemplo, estão economi-</p><p>zando para a aposentadoria.</p><p>O professor Thaler teve uma rápida participação no</p><p>filme A Grande Aposta, ao lado da atriz e cantora</p><p>Selena Gomez, no qual ele usou a economia com-</p><p>portamental para ajudar a explicar as causas da cri-</p><p>se financeira. Quando perguntaram a ele sobre sua</p><p>“curta carreira em Hollywood”, brincou se dizendo</p><p>desapontado pelo fato de suas façanhas como ator</p><p>não terem sido mencionadas no resumo de suas rea-</p><p>lizações quando o prêmio foi anunciado.</p><p>Por que o trabalho de Thaler foi importante? Seu traba-</p><p>lho forçou os economistas a lidarem com as limitações</p><p>da análise tradicional com base no pressuposto de que</p><p>as pessoas são atores racionais. Ele também tem sido</p><p>excepcionalmente bem-sucedido ao influenciar direta-</p><p>mente políticas públicas. Uma das contribuições mais im-</p><p>portantes é a sua influência sobre a mudança dos planos</p><p>de aposentadoria nos quais os funcionários se inscrevem</p><p>automaticamente e nas apólices que oferecem aos fun-</p><p>cionários a opção de aumentar as contribuições ao longo</p><p>do tempo. Ambos refletem a visão de Thaler de que a</p><p>inércia pode ser usada para moldar resultados benéficos</p><p>sem impor limites à escolha humana.</p><p>appelBaum, BinYamin. Disponível em: .</p><p>acesso em: 11 out. 2017. aDaptaDo.</p><p>PONTUAÇÃO IILC</p><p>AULAS</p><p>51 E 52 COMPETÊNCIA(s)</p><p>1, 6, 8 e 9</p><p>HABILIDADE(s)</p><p>1, 2, 3, 4, 18, 27 e 29</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 61</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>1. (ifpe 2018) As aspas são amplamente utilizadas no</p><p>texto, mas não pelas mesmas razões. Analise o uso das</p><p>aspas nas passagens abaixo e assinale o caso em que</p><p>tal uso indica ironia.</p><p>a) Thaler disse [...] que a premissa básica de suas te-</p><p>orias é a seguinte: “Para fazer uma boa análise em</p><p>economia deve-se ter em mente que as pessoas são</p><p>humanas”. (3º parágrafo).</p><p>b) Quando lhe perguntaram como gastaria o dinhei-</p><p>ro (cerca de US$ 1,1 milhão) do prêmio, respondeu:</p><p>“Esta é uma pergunta bem divertida”. (3º parágrafo).</p><p>c) Quando perguntaram a ele sobre sua “curta carrei-</p><p>ra em Hollywood”, brincou se dizendo desapontado</p><p>pelo fato de suas façanhas como ator não terem sido</p><p>mencionadas no resumo de suas realizações quando</p><p>o prêmio foi anunciado. (9º parágrafo).</p><p>d) [...] (“nudging”) – termo que ele inventou – pode</p><p>ajudar as pessoas a exercer melhor o autocontrole</p><p>quando, por exemplo, estão economizando para a</p><p>aposentadoria. (8º parágrafo).</p><p>e) O comitê do Nobel descreveu como a teoria de</p><p>Thaler sobre “contabilidade mental” explica de que</p><p>forma as pessoas simplificam as decisões financeiras,</p><p>concentrando-se no impacto limitado de cada deci-</p><p>são e não no seu efeito mais geral. (7º parágrafo).</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Era digital desafia exercício profissional</p><p>“A medicina não sobreviverá ao velho método do médi-</p><p>co de família, mas terá que se adaptar”. A afirmação é do</p><p>desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal</p><p>e Territórios (TJDFT), Diaulas Costa Ribeiro, proferida du-</p><p>rante a mesa-redonda “Panorama atual das mídias so-</p><p>ciais e aplicativos na medicina contemporânea”. Para ele,</p><p>as novas tecnologias trazem desafi os que precisam ser</p><p>colocados em perspectiva para garantir a ética e o sigilo.</p><p>“Possivelmente vamos chegar a uma medicina sem</p><p>gosto, distanciada, mas que também funciona. Talvez</p><p>este não seja o fim, mas um recomeço”, ponderou Ri-</p><p>beiro. Segundo ele, antes de gerar um novo modelo de</p><p>atendimento médico, o “dr. Google” – termo que utili-</p><p>zou para indicar as buscas por informações médicas na</p><p>internet – gerou um novo tipo de paciente, que passou</p><p>a conhecer mais sobre as doenças e, por isso, exige um</p><p>novo relacionamento com seu médico.</p><p>O desembargador ainda reforçou a necessidade de se</p><p>rediscutir questões como o uso da internet nessa re-</p><p>lação médico-paciente e a segurança do sigilo médi-</p><p>co neste cenário. “Precisamos refletir sobre algumas</p><p>questões importantes. Quem guardará o sigilo? Ou não</p><p>haverá sigilo? O sigilo médico será mantido ou valerá</p><p>o direito público à informação? Os conflitos serão rein-</p><p>ventados ou serão os mesmos? A solução para os pro-</p><p>blemas será a de sempre?”, indagou.</p><p>Ética – Na perspectiva do médico legista e professor da</p><p>Universidade de Brasília (UnB), Malthus Galvão, embo-</p><p>ra acredite que algumas mudanças serão inevitáveis e</p><p>necessárias, é preciso defender os princípios fundamen-</p><p>tais instituídos pelo Código de ética médica (CEM).</p><p>“As novas mídias devem ser entendidas como um siste-</p><p>ma de interação social, de compartilhamento e criação</p><p>colaborativa de informação nos mais diversos formatos</p><p>e não podemos perder essa oportunidade”, destacou.</p><p>Ele lembra, por exemplo, que desde a Resolução CFM</p><p>1.643/2002, que define e disciplina a prestação de ser-</p><p>viços através da telemedicina, alguns avanços colabo-</p><p>rativos já foram possíveis.</p><p>Galvão apresentou ainda preceitos da Resolução</p><p>CFM 1.974/2011 e também da Lei do Ato Médico</p><p>(12.842/2013), chamando a atenção para alguns cui-</p><p>dados que o médico deve ter ao divulgar conteúdo de</p><p>forma sensacionalista. “Segundo o CEM, é vedada a di-</p><p>vulgação de informação sobre assunto médico de forma</p><p>sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico.</p><p>A internet deve ser usada como um instrumento de pro-</p><p>moção da saúde e orientação à população”, reforçou.</p><p>eDitorial Do Jornal meDicina – puBlicaçÃo oficial Do conselho</p><p>feDeral De meDicina (cfm). Brasília, Jul. 2017, p. 7.</p><p>2. (Fac. Albert Einstein - Medicin 2018) No primeiro pa-</p><p>rágrafo do editorial do CFM, as aspas são empregadas,</p><p>respectivamente, para demarcar</p><p>a) críticas tanto ao Tribunal de Justiça quanto à mesa-</p><p>-redonda de Diaulas Costa Ribeiro.</p><p>b) o dizer tal e qual foi proferido por Diaulas Costa</p><p>Ribeiro e o título da mesa-redonda.</p><p>c) o velho método do médico de família e o estado</p><p>das mídias sociais na medicina atual.</p><p>d) o uso de modernas tecnologias na medicina e a</p><p>fala do desembargador do TJDFT.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>De Caetano a Guimarães Rosa, veja as referências de</p><p>Cármen Lúcia</p><p>em seu discurso de posse</p><p>por luma poletti | 13/09/2016 10:00</p><p>Ao longo de seu discurso de posse, a ministra Cármen</p><p>Lúcia, que assumiu a presidência do Supremo Tribunal</p><p>Federal nesta segunda-feira (12), citou trechos de can-</p><p>ções de Caetano Veloso, Titãs, além de versos de Cecília</p><p>Meirelles, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes</p><p>Campos e fez menção a Riobaldo, personagem de Gran-</p><p>de Sertão: Veredas, clássico de Guimarães Rosa e uma</p><p>das mais. A escolha das referências musicais da minis-</p><p>tra dá pistas sobre sua visão acerca do atual momento</p><p>sociopolítico. Citando o cantor e compositor Caetano</p><p>Veloso, presente na sessão – que interpretou em voz e</p><p>violão o hino nacional – Cármen Lúcia concordou que</p><p>"alguma coisa está fora da ordem".</p><p>"Caetanos e não caetanos deste Brasil tão plural con-</p><p>cluem em uníssono: alguma coisa está fora de ordem,</p><p>fora da nova ordem mundial", disse a ministra. "O que</p><p>nos cumpre, a nós servidores públicos em especial, é</p><p>questionar e achar resposta: de qual ordem está tudo</p><p>fora...", acrescentou.</p><p>62  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>O cantor já se posicionou contra o governo do presiden-</p><p>te Michel Temer, nos bastidores da cerimônia de abertu-</p><p>ra das Olimpíadas de 2016.</p><p>A nova presidente do STF também citou a música "Co-</p><p>mida", da banda Titãs. "Cumpre-nos dedicar-nos de for-</p><p>ma intransigente e integral a dar cobro ao que nos é</p><p>determinado pela Constituição da República e que de</p><p>nós é esperado pelo cidadão brasileiro, o qual quer saú-</p><p>de, educação, trabalho, sossego para andar em paz por</p><p>ruas, estradas do país e trilhas livres para poder sonhar</p><p>além do mais. Que, como na fala do poeta da música po-</p><p>pular brasileira, ninguém quer só comida, quer também</p><p>diversão e arte".</p><p>Um dos compositores da canção citada é Arnaldo Antu-</p><p>nes, que também se posicionou contra o impeachment</p><p>de Dilma Rousseff nas redes sociais.</p><p>Versos</p><p>Cármen Lúcia também citou versos da escritora Cecí-</p><p>lia Meireles, ao dizer que "liberdade é um sonho que</p><p>o mundo inteiro alimenta" – da obra Romanceiro da</p><p>Inconfidência, lançada em 1953.</p><p>"Se, no verso de Cecília Meireles, a liberdade é um so-</p><p>nho, que o mundo inteiro alimenta, parece-me ser a</p><p>Justiça um sentimento, que a humanidade inteira aca-</p><p>lenta", discursou a ministra.</p><p>Mais adiante em seu discurso, Cármen Lúcia fez menção</p><p>a um personagem do livro Grande Sertão: Veredas, do</p><p>escritor mineiro (tal como a ministra) Guimarães Rosa.</p><p>"Riobaldo afirmava que 'natureza da gente não cabe</p><p>em nenhuma certeza'. Mas parece-me que a natureza</p><p>da gente não se aguenta em tantas incertezas. Especial-</p><p>mente quando o incerto é a Justiça que se pede e que</p><p>se espera do Estado", disse a nova presidente do STF.</p><p>Em seguida, outro escritor mineiro foi lembrado por</p><p>Cármen Lúcia. "Em tempos cujo nome é tumulto escrito</p><p>em pedra, como diria Drummond, os desafios são maio-</p><p>res. Ser difícil não significa ser impossível. De resto, não</p><p>acho que para o ser humano exista, na vida, o impossí-</p><p>vel", disse a ministra, em referência ao poema "Nosso</p><p>tempo", do escritor mineiro.</p><p>A sucessora de Ricardo Lewandowski concluiu o discur-</p><p>so citando um terceiro escritor mineiro: Paulo Mendes</p><p>Campos. "O Judiciário brasileiro sabe dos seus compro-</p><p>missos e de suas responsabilidades. Em tempo de dores</p><p>multiplicadas, há que se multiplicarem também as espe-</p><p>ranças, à maneira da lição de Paulo Mendes Campos",</p><p>disse Cármen Lúcia, em referência "Poema Didático",</p><p>de Paulo Mendes Campos.</p><p>Disponível em: http://congressoemfoco.uol.com.Br/</p><p>noticias/De-caetano-a-guimaraes-rosa-veJaas-referencias-</p><p>De-carmen-lucia-em-seu-Discurso-De-posse/.</p><p>acesso em: 26 set.2016. [aDaptaDo]</p><p>3. (PUC-SP) "Riobaldo afirmava que 'natureza da gente</p><p>não cabe em nenhuma certeza'. Mas parece-me que a</p><p>natureza da gente não se aguenta em tantas incertezas.</p><p>Especialmente quando o incerto é a Justiça que se pede</p><p>e que se espera do Estado".</p><p>Nesse trecho do terceiro parágrafo da parte Versos,</p><p>Luma Poletti emprega as aspas simples dentro das as-</p><p>pas duplas para</p><p>a) identificar com as simples o texto de Guimarães</p><p>Rosa e as duplas a fala de Riobaldo.</p><p>b) evidenciar com as simples o discurso de Cármen</p><p>Lúcia e com as duplas pensamento de Riobaldo.</p><p>c) assinalar com as simples o dizer de Riobaldo e com</p><p>as duplas o discurso da ministra.</p><p>d) indicar com as simples a natureza da gente e com</p><p>as duplas o discurso de Cármen Lúcia.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>O que você faz com o seu tempo?</p><p>Estudo mostra que 35% dos brasileiros se dizem es-</p><p>cravos das rotinas. Novas tecnologias e acúmulo de</p><p>tarefas dão a sensação de mais velocidade. O estudo</p><p>analisou, pela primeira vez, como os brasileiros fazem</p><p>uso e como se relacionam com o tempo, destacando</p><p>diferenças regionais e determinando perfis com base</p><p>nas entrevistas.</p><p>Foram identificados dois tipos de pessoas: aquelas</p><p>que se relacionam com o tempo observando a passa-</p><p>gem na vida e outros que interagem diretamente com</p><p>o cotidiano.</p><p>“A pessoa que se sente escrava é aquela que está sem-</p><p>pre correndo atrás do tempo perdido. Geralmente, acu-</p><p>mula muitas tarefas sem conseguir se planejar para a</p><p>execução”, explica Silvia Cervellini, diretora executiva</p><p>de negócios do Ibope Inteligência.</p><p>Mas o tempo está passando mais rápido hoje do que</p><p>na época de nossos avós? O que mudou, diz Lauro Luiz</p><p>Samojeden, chefe do Departamento de Física da UFPR,</p><p>é que, com a celeridade das informações e o acúmulo</p><p>de tarefas, a sensação é de que o tempo está passando</p><p>com mais velocidade.</p><p>Foram as máquinas e as novas tecnologias que deram</p><p>um novo ritmo ao uso do tempo pelos homens, explica</p><p>o professor de Filosofia da PUCPR, Jelson Oliveira. Para</p><p>ele, as máquinas surgiram com a promessa de abreviar</p><p>o tempo de produção, mas essa estratégia deu mais</p><p>tempo para que fossem acumuladas novas tarefas – a</p><p>pesquisa mostra que 22% dos brasileiros dizem reali-</p><p>zar atividades simultâneas, índice que na Região Sul é</p><p>de 43,5%.</p><p>“A tecnologia abreviou o tempo, mas fez com que as</p><p>pessoas estejam conectadas sempre, ampliando a sen-</p><p>sação de mais tarefas e menos tempo. Esse novo ritmo</p><p>está moldando as relações humanas, incluindo nos rela-</p><p>cionamentos uma desculpa pronta: a falta de tempo”,</p><p>acrescenta Oliveira.</p><p>fonte: iBope inteligência. infografia: faBiane lima/</p><p>gazeta Do povo (acessaDo em 23.03.2014)</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 63</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>4. (UTFPR) Em relação ao texto, considere as seguintes</p><p>afirmativas sobre a pontuação:</p><p>I. No segundo parágrafo, os dois pontos (:) foram usa-</p><p>dos para introduzir uma explicação.</p><p>II. No terceiro parágrafo, as aspas são empregadas para</p><p>indicar uma citação.</p><p>III. No quarto parágrafo, o ponto de interrogação pode</p><p>ser substituído pelo ponto de exclamação sem prejuízo</p><p>para o sentido do texto.</p><p>Está(ão) correta(s) apenas:</p><p>a) I.</p><p>b) II.</p><p>c) III.</p><p>d) I e II.</p><p>e) II e III.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>5. (CFTRJ) O recurso expressivo usado na tirinha está</p><p>corretamente explicado na alternativa:</p><p>a) A gíria “joça” carrega valor apreciativo.</p><p>b) A onomatopeia “Primm! Primm!” reproduz o som</p><p>da televisão ligada.</p><p>c) As reticências em “Perdi tudo...” reforçam a tristeza</p><p>da personagem.</p><p>d) As exclamações em “Atende essa joça!!!” expres-</p><p>sam euforia da personagem.</p><p>6. (UFPR) Observe a pontuação do trecho a seguir:</p><p>Faz alguma diferença lavar a cabeça duas vezes como</p><p>indicam as embalagens de xampu?</p><p>Não fique de cabelo em pé, mas você já deve ter gas-</p><p>to litros de produto à toa. Na prática, o que importa é</p><p>o tempo de permanência do xampu nos fios, e não a</p><p>quantidade de aplicações. A ação dos princípios ativos</p><p>deve durar 3 minutos 1– o que também não depende da</p><p>espuma, que apenas dá a sensação de limpeza. Quando</p><p>começou essa orientação 2(na década de 50), até havia</p><p>uma razão para repetir, já que não se lavava a cabe-</p><p>ça com frequência. Só que os novos</p><p>xampus são mais</p><p>eficientes e ninguém passa mais de uma semana sem</p><p>usá-los 3(quer dizer, espero que você não passe). (...)</p><p>(galileu, Jul. 2011, p. 21.)</p><p>Sobre a pontuação do trecho acima, considere as se-</p><p>guintes afirmativas:</p><p>1Se substituíssemos o travessão (ref.1) por parênteses</p><p>– fechados depois da palavra “limpeza” – não haveria</p><p>prejuízo de sentido nem de adequação à norma.</p><p>2Os parênteses da referência 2 inserem uma explicação</p><p>ou especificação do que foi dito.</p><p>3Os parênteses da referência 3 são usados com intenção</p><p>de fazer uma síntese do que foi dito anteriormente.</p><p>Assinale a alternativa correta.</p><p>a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira.</p><p>b) Somente a afirmativa 2 é verdadeira.</p><p>c) Somente a afirmativa 3 é verdadeira.</p><p>d) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.</p><p>e) As afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>A queda do poderoso machão</p><p>Paula Cesarino Costa</p><p>OMBUDSMAN* da Folha de S.Paulo</p><p>folha De s.paulo, 09/04/2017</p><p>Em janeiro de 2016, a Folha anunciou a estreia de blog</p><p>voltado à discussão das questões de gênero e do cha-</p><p>mado empoderamento feminino. Nascido do movimen-</p><p>to #Agora É Que São Elas, em que mulheres ocuparam o</p><p>espaço de colunistas homens nos jornais, o blog homô-</p><p>nimo se somava a dezenas de outros. Interpretei como</p><p>saudável a oferta de novos temas aos leitores do jornal.</p><p>Neste espaço, já alertara de que os tempos de redes</p><p>sociais turbulentas sinalizavam a hora de reinventar as</p><p>páginas de opinião. Contabilizava, em agosto de 2016,</p><p>32 mulheres entre os 130 colunistas do jornal.</p><p>Na madrugada da sexta, 31 de março, o #Agora É Que</p><p>São Elas publicou um post de potencial arrebatador nas</p><p>redes sociais. O post "José Mayer me assediou" foi co-</p><p>locado no ar à 0h45. Nele, a figurinista Susllem Tonani</p><p>acusava o ator de tê-la assediado durante oito meses</p><p>na TV Globo. De manhã, o texto já era lido e comparti-</p><p>lhado nas redes sociais. Por volta das 10h, a Folha tirou-</p><p>-o do ar sem dar explicação.</p><p>Cobrei do jornal, na crítica interna que circula em torno</p><p>das 12h30, a obrigação de prestar satisfação ao leitor.</p><p>Só às 14h22 foi publicada a justificativa para o sumiço</p><p>do post: "O conteúdo foi retirado do ar porque des-</p><p>respeitou o princípio editorial da Folha de só publicar</p><p>64  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>acusação após ouvir e registrar os argumentos da parte</p><p>acusada, salvo nos casos em que isso não for possível".</p><p>Às 17h30, o texto voltou a ficar disponível, ao mesmo</p><p>tempo em que era publicada reportagem que resumia</p><p>as acusações da figurinista e ouvia o ator. Ele negava o</p><p>que lhe havia sido imputado. A TV Globo dizia não co-</p><p>mentar assuntos internos, mas assegurava que haveria</p><p>apuração rigorosa, "ouvidos todos os envolvidos, em</p><p>busca da verdade".</p><p>Houve mobilização de funcionárias da emissora, que cul-</p><p>minou em manifesto, cujo título se tornaria emblemático</p><p>em camisetas e posts: "Mexeu com uma, mexeu com to-</p><p>das". Três dias depois do post original, a emissora divul-</p><p>gou a decisão de suspender José Mayer. Em carta, o ator</p><p>assumiu ter errado e pediu desculpas. Tropeçou ao resu-</p><p>mir o episódio como "brincadeira" e tentar dividir sua</p><p>culpa com a geração de homens acima de 60 anos, como</p><p>se fossem vítimas de uma catequese única e perversa.</p><p>A polêmica alcançou o topo das redes sociais, chegando</p><p>a estar entre os dez assuntos mais comentados do mun-</p><p>do no Twitter. A retirada do ar do post pela Folha, sem</p><p>explicação imediata, mas deixando rastros digitais, ge-</p><p>rou reclamações e suscitou a elaboração de conjecturas:</p><p>"Acredito que a Folha precisa explicar o que motivou</p><p>a retirada. Se está compactuando com uma operação</p><p>abafa por parte da Globo ou se apurou erros no relato",</p><p>registrou um leitor. O editor-executivo da Folha, Sérgio</p><p>Dávila, diz que a Direção foi surpreendida com o con-</p><p>teúdo e determinou sua retirada temporária até que o</p><p>outro lado fosse ouvido. "Nesse intervalo, uma reporta-</p><p>gem foi publicada para explicar o que havia acontecido.</p><p>Não foi, portanto, sem qualquer explicação", afirma.</p><p>Para Dávila, no caso concreto, não havia impeditivo</p><p>para que o procedimento-padrão de ouvir o outro lado</p><p>não fosse respeitado.</p><p>A Folha tem hoje 124 colunistas e 48 blogs. Grande par-</p><p>te dos leitores não diferencia uns de outros. Mas, na</p><p>estrutura interna do jornal, blogueiros e colunistas são</p><p>tratados de forma diferenciada. Todos os colunistas são</p><p>lidos por editores ou pelos secretários de Redação an-</p><p>tes que seus textos sejam publicados.</p><p>Os blogs são acompanhados a posteriori, pela própria</p><p>natureza de "diário" que a modalidade comporta. Os</p><p>autores cuidam diretamente da publicação dos textos.</p><p>Argumenta Dávila que todos os que escrevem na Fo-</p><p>lha, incluindo blogueiros, devem submeter quaisquer</p><p>acusações de prática ilegal aos seus editores antes</p><p>de publicá-las.</p><p>É dever das titulares de um blog feminino e feminista tra-</p><p>zer a público, sabendo ser verdadeira, uma denúncia de</p><p>prática machista. É dever do jornal trabalhar tal informa-</p><p>ção e dar voz àquele que é acusado do que quer que seja.</p><p>O correto teria sido a publicação do texto original no</p><p>blog, com remissão simultânea para reportagem pro-</p><p>duzida pelo corpo editorial da Folha, submetida aos</p><p>padrões exigidos pelo Manual de Redação de isenção,</p><p>transparência e equilíbrio. A retirada do ar explicitou</p><p>falhas de comunicação e procedimento.</p><p>Um poderoso machão sucumbiu. Os tempos são outros.</p><p>Uma leitora, no entanto, lembrou a ombudsman de que</p><p>nesta semana a Ilustrada ganhou três novos colunistas</p><p>de humor. Eles dividirão espaço com o consagrado José</p><p>Simão. Todos são homens. Também não há mulheres, por</p><p>exemplo, no quadrado da charge da página 2 da Folha.</p><p>*Ombudsman é uma expressão de origem sueca que</p><p>significa "representante do cidadão". A palavra é</p><p>formada pela união de "ombuds" (representante) e</p><p>"man" (homem). O termo surgiu em 1809, nos países</p><p>escandinavos, para designar um Ouvidor-Geral do Par-</p><p>lamento, responsável em mediar e tentar solucionar as</p><p>reclamações da população junto ao governo.</p><p>Hoje em dia, o ombudsman se transformou em uma</p><p>profissão presente em quase todas as grandes e mé-</p><p>dias empresas, sejam públicas ou privadas. A função do</p><p>búds, como também são conhecidos, é a de enxergar os</p><p>problemas e pontos negativos de determinada empre-</p><p>sa ou instituição, a partir da ótica do consumidor/cida-</p><p>dão, e tentar solucionar as crises de maneira imparcial.</p><p>Dentro da imprensa, o ombudsman é o intermediador</p><p>entre a editoria do jornal, por exemplo, e seus leitores.</p><p>Nos Estados Unidos, a função de ombudsman surgiu</p><p>nos anos 1960. No Brasil, o cargo existe desde 1989,</p><p>quando o jornal Folha de S. Paulo publicou a primeira</p><p>editoria do seu ombudsman, que ficaria responsável em</p><p>ser o porta-voz dos leitores, solucionando e transmitin-</p><p>do as suas reclamações para o jornal.</p><p>Em muitas empresas o ombudsman é ligado ao depar-</p><p>tamento de Serviços Jurídicos.</p><p>Disponível em: https://www.significaDos.com.Br/omBuDsman/.</p><p>acesso em: 13 maio 2017. [aDaptaDo para fins De vestiBular.]</p><p>7. (Pucsp) Indique em qual passagem as aspas são em-</p><p>pregadas para assinalar o pronunciamento do jornal:</p><p>a) “José Mayer me assediou” [terceiro parágrafo]</p><p>b) “O conteúdo foi retirado do ar porque desrespeitou</p><p>o princípio editorial da Folha de só publicar acusação</p><p>após ouvir e registrar os argumentos da parte acu-</p><p>sada, salvo nos casos em que isso não for possível”</p><p>[quarto parágrafo]</p><p>c) (...) “ouvidos todos os envolvidos, em busca da ver-</p><p>dade” [quinto parágrafo]</p><p>d) “Mexeu com uma, mexeu com todas” [sexto parágrafo]</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>OGX poderá ficar com campos em caso de recuperação</p><p>“A OGX está bastante avisada que, em meio a tudo isso</p><p>que ela está vivendo, ela tem que ter uma fiel obser-</p><p>vância ao contrato, tem que estar atenta para o cum-</p><p>primento das cláusulas contratuais”, afirmou Magda</p><p>Chambriard, diretora-geral da ANP.</p><p>Entre outras, as cláusulas abrangem fornecimento de</p><p>garantias, realização dos planos de desenvolvimento,</p><p>c) A palavra “história”, do texto 1, é uma palavra pa-</p><p>roxítona e está corretamente acentuada; e “você”, do</p><p>texto 2, é uma palavra oxítona e deve ser acentuada</p><p>da mesma forma que “café”, “dendê”.</p><p>d) As palavras “história”, do texto 1, e “dicionário”, do</p><p>texto 2, foram acentuadas corretamente, mas possuem</p><p>regras de acentuação diferentes, porque a primeira é</p><p>considerada paroxítona e, a segunda, proparoxítona.</p><p>e) As palavras “nariz” e “feliz”, do texto 1, deveriam</p><p>estar acentuadas assim como as palavras “terminar”,</p><p>“ler”, “grosso” e “nunca”, do texto 2, que deveriam</p><p>receber acento circunflexo.</p><p>5. (IFSC)</p><p>Sobre o texto apresentado na tirinha é CORRETO</p><p>afirmar que:</p><p>a) O pronome “vocês”, no primeiro quadrinho, é acen-</p><p>tuado por ser uma palavra paroxítona terminada em s.</p><p>b) A forma verbal “é”, que aparece no segundo e quin-</p><p>to quadrinhos, é acentuada com base na regra que</p><p>manda acentuar as palavras monossílabas tônicas ter-</p><p>minadas em e (no quarto quadrinho não tem é).</p><p>c) O substantivo “país”, no segundo quadrinho, recebe</p><p>acento porque é uma palavra oxítona terminada em is.</p><p>d) O substantivo “país”, no segundo quadrinho, rece-</p><p>be acento diferencial para não ser confundido com o</p><p>adjetivo “pais”.</p><p>e) A regra que justifica o acento no pronome “nin-</p><p>guém”, que aparece no segundo e terceiro quadri-</p><p>nhos, também justifica que se acentue o advérbio</p><p>“ontem”, opcionalmente.</p><p>6. (IFSC) ASSALTO</p><p>Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados con-</p><p>tra o preço do chuchu:</p><p>– Isto é um assalto!</p><p>Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Al-</p><p>guém, correndo, foi chamar o guarda. Um minuto de-</p><p>pois, a rua inteira, atravancada, mas provida de admi-</p><p>rável serviço de comunicação espontânea, sabia que se</p><p>estava perpetrando um assalto ao banco. Mas que ban-</p><p>co? Havia banco naquela rua? Evidente que sim, pois do</p><p>contrário como poderia ser assaltado?</p><p>– Um assalto! Um assalto! – a senhora continuava a</p><p>exclamar, e quem não tinha escutado escutou, multipli-</p><p>cando a notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas</p><p>e legumes era como a própria sirene policial, documen-</p><p>tando, por seu uivo, a ocorrência grave, que fatalmente</p><p>se estaria consumando ali, na claridade do dia, sem que</p><p>ninguém pudesse evitá-la.</p><p>Moleques de carrinho corriam em todas as direções,</p><p>atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as mer-</p><p>cadorias que transportavam. Não era o instinto de pro-</p><p>priedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo</p><p>transporte. E no atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se,</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 11</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>melancias rolavam, tomates esborrachavam-se no as-</p><p>falto. Se a fruta cai no chão, já não é de ninguém; é de</p><p>qualquer um, inclusive do transportador. Em ocasiões</p><p>de assalto, quem é que vai reclamar uma penca de ba-</p><p>nanas meio amassadas?</p><p>– Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!</p><p>O ônibus na rua transversal parou para assuntar. Pas-</p><p>sageiros ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não</p><p>se via nada. O motorista desceu, desceu o trocador, um</p><p>passageiro advertiu:</p><p>– No que você vai a fim de ver o assalto, eles assaltam</p><p>sua caixa.</p><p>Ele nem escutou. Então os passageiros também acha-</p><p>ram de bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de</p><p>saber, que vem movendo o homem, desde a idade da</p><p>pedra até a idade do módulo lunar.</p><p>Outros ônibus pararam, a rua entupiu.</p><p>– Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas. Assim eles</p><p>não podem dar no pé.</p><p>– É uma mulher que chefia o bando!</p><p>– Já sei. A tal dondoca loura.</p><p>– A loura assalta em São Paulo. Aqui é a morena.</p><p>– Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.</p><p>– Minha Nossa Senhora, o mundo tá virado!</p><p>– Vai ver que está é caçando marido.</p><p>– Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue</p><p>escorrendo!</p><p>– Sangue nada, tomate.</p><p>Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora</p><p>a uma joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a</p><p>bala. E havia joias pelo chão, braceletes, relógios. O que</p><p>os bandidos não levaram, na pressa, era agora objeto</p><p>de saque popular. Morreram no mínimo duas pessoas, e</p><p>três estavam gravemente feridas.</p><p>Barracas derrubadas assinalavam o ímpeto da convul-</p><p>são coletiva. Era preciso abrir caminho a todo custo.</p><p>No rumo do assalto, para ver, e no rumo contrário, para</p><p>escapar. Os grupos divergentes chocavam-se, e às ve-</p><p>zes trocavam de direção: quem fugia dava marcha à ré,</p><p>quem queria espiar era arrastado pela massa oposta.</p><p>Os edifícios de apartamentos tinham fechado suas por-</p><p>tas, logo que o primeiro foi invadido por pessoas que</p><p>pretendiam, ao mesmo tempo, salvar o pelo e contem-</p><p>plar lá de cima. Janelas e balcões apinhados de mora-</p><p>dores, que gritavam:</p><p>– Pega! Pega! Correu pra lá!</p><p>– Olha ela ali!</p><p>– Eles entraram na kombi ali adiante!</p><p>– É um mascarado! Não, são dois mascarados!</p><p>Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhado-</p><p>ra, a pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e</p><p>como não havia espaço, uns caíam por cima de outros.</p><p>Cessou o ruído. Voltou. Que assalto era esse, dilatado no</p><p>tempo, repetido, confuso?</p><p>– Olha o diabo daquele escurinho tocando matraca! E a</p><p>gente com dor de barriga, pensando que era metralhadora!</p><p>Caíram em cima do garoto, que soverteu na multidão. A</p><p>senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando</p><p>sempre:</p><p>– É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verda-</p><p>deiro assalto!</p><p>(anDraDe, carlos DrummonD. assalto. in: para gostar</p><p>De ler. vol. 3. sÃo paulo: Ática, 1979. p. 12-14.)</p><p>Em relação à acentuação gráfica, leia e analise as se-</p><p>guintes afirmações:</p><p>I. As palavras notícias, relógio, ânsia e contrário são</p><p>acentuadas por serem paroxítonas e terminarem em</p><p>ditongo.</p><p>II. Os vocábulos pé, lá, aí e já recebem acento tônico por</p><p>serem monossílabos tônicos.</p><p>III. As palavras veículo, módulo, ímpeto e ônibus rece-</p><p>bem acento gráfico por serem proparoxítonas.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA.</p><p>a) Apenas as afirmações I e III são verdadeiras.</p><p>b) Apenas a afirmação II é verdadeira.</p><p>c) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras.</p><p>d) Apenas as afirmações II e III são verdadeiras.</p><p>e) Todas as afirmações são verdadeiras.</p><p>7. (UFRGS) No século XV, viu-se a Europa invadida por</p><p>uma raça de homens que, vindos ninguém sabe de</p><p>onde, se espalharam em bandos por todo o seu terri-</p><p>tório. Gente inquieta e andarilha, deles afirmou Paul</p><p>de Saint-Victor que era mais fácil predizer o ........ das</p><p>nuvens ou dos gafanhotos do que seguir as pegadas da</p><p>sua invasão. Uns risonhos despreocupados: passavam a</p><p>vida esquecidos do passado e descuidados do futuro.</p><p>Cada novo dia era uma nova aventura em busca do es-</p><p>casso alimento para os manter naquela jornada. Trajo?</p><p>No mais completo ........: ........ sujos e puídos cobriam-</p><p>-lhes os corpos queimados do sol. Nômades, aventurei-</p><p>ros, despreocupados – eram os boêmios.</p><p>Assim nasceu a semântica da palavra boêmio. O nome</p><p>gentílico de 9Boêmia passou a aplicar-se ao 8indivíduo</p><p>despreocupado, de existência irregular, relaxado no ves-</p><p>tuário, vivendo ao 11deus-dará, à toa, na vagabundagem</p><p>alegre. 12Daí também o substantivo boêmia. Na defini-</p><p>ção de Antenor Nascentes: vida despreocupada e ale-</p><p>gre, vadiação, estúrdia, vagabundagem. Aplicou-se de-</p><p>pois o termo, especializadamente, à vida desordenada</p><p>e sem preocupações de artistas e escritores mais dados</p><p>aos prazeres da noite que aos trabalhos do dia. Eis um</p><p>exemplo clássico do que se chama degenerescência se-</p><p>mântica. De limpo gentílico – natural ou habitante da</p><p>Boêmia – boêmio acabou carregado de todas essas co-</p><p>notações desfavoráveis.</p><p>A respeito do substantivo boêmia, vale dizer que a forma</p><p>de uso, ao menos no Brasil, é boemia, acento tônico em</p><p>-mi-. E é natural que assim seja, considerando-se que -ia é</p><p>sufixo que exprime condição, estado, ocupação. Conferir:</p><p>alegria, anarquia, barbaria, rebeldia, tropelia, pirataria...</p><p>Penso que sobretudo palavras como folia e orgia devem</p><p>ter influído na fixação da tonicidade de boemia. Notar</p><p>12  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>também o par abstêmio/abstemia. Além do mais, a pro-</p><p>sódia boêmia</p><p>realização dos planos de avaliação, “enfim, todas as</p><p>obrigações dos contratos que ela tem, essa uma condi-</p><p>ção ‘sine qua nom’”, completou Magda.</p><p>(folha De sp, 17.10.2013)</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 65</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>8. (Espm) Ainda se referindo à expressão “sine qua</p><p>nom”, o fato de haver no texto aspas simples antes e</p><p>aspas triplas depois se justifica por:</p><p>a) ocorrer uma transgressão gramatical (falha do jornal).</p><p>b) tratar-se de uma expressão estrangeira no interior</p><p>de uma citação.</p><p>c) destacar uma expressão idiomática combinada</p><p>com uma citação.</p><p>d) estar sendo empregado o sentido irônico da expressão.</p><p>e) tratar-se de um discurso direto dentro de uma citação.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Eram tempos menos duros aqueles vividos na casa de</p><p>Tia Vicentina, em Madureira, subúrbio do Rio, onde Pau-</p><p>linho da Viola podia traçar, sem cerimônia, um prato de</p><p>feijoada - comilança que deu até samba, "No Pagode do</p><p>Vavá". Mas como não é dado a saudades (lembre-se: é o</p><p>passado que vive nele, não o contrário), Paulinho aceitou</p><p>de bom grado a sugestão para que o jantar ocorresse em</p><p>um dos mais requintados italianos do Rio. A escolha pela</p><p>alta gastronomia tem seu preço. Assim que o sambista</p><p>chega à mesa redonda ao lado da porta da cozinha, for-</p><p>ma-se um círculo de garçons, com o maître à frente. [...]</p><p>Paulinho conta que cresceu comendo o trivial. Seu pai</p><p>viveu 88 anos à base de arroz, feijão, bife e batata fri-</p><p>ta. De vez em quando, feijoada. Massa, também. "Mas</p><p>nada muito sofisticado."</p><p>Com exceção de algumas dores de coluna, aos 70 anos,</p><p>goza de plena saúde. O músico credita sua boa forma</p><p>ao estilo de vida, como se sabe, não dado a exageros e</p><p>grandes ansiedades.</p><p>t. carDoso, valor, 28/06/2013. aDaptaDo.</p><p>9. (Fgvrj) Considere estas afirmações sobre elementos</p><p>linguísticos presentes no texto:</p><p>I. O verbo “traçar” pertence a um registro linguístico</p><p>diverso do que predomina no texto.</p><p>II. No trecho "um dos mais requintados italianos do</p><p>Rio”, ocorre elipse de um substantivo.</p><p>III. Com as aspas em "Mas nada muito sofisticado", o au-</p><p>tor do texto imprime, a essa expressão, um tom irônico.</p><p>Tendo em vista o contexto, está correto apenas o que</p><p>se afirma em</p><p>a) I.</p><p>b) II.</p><p>c) III.</p><p>d) I e II.</p><p>e) II e III.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>TURISMO NA FAVELA: E OS MORADORES?</p><p>Água morro abaixo, fogo morro acima e invasão de tu-</p><p>ristas em favelas pacificadas são difíceis de conter. Algo</p><p>precisa ser feito para que a positividade do momento</p><p>não transforme esses lugares em comunidades “só pra</p><p>inglês ver”. As favelas pacificadas tornaram-se alvo de</p><p>uma volúpia consumidora poucas vezes vista no Rio de</p><p>Janeiro. O momento em que se instalaram as Unidades</p><p>de Polícia Pacificadora em algumas favelas foi como se</p><p>tivesse sido descoberto um novo sarcófago de Tutanka-</p><p>mon, o faraó egípcio: uma legião de turistas, pesquisado-</p><p>res, empresários, comerciantes “descobriram” as favelas.</p><p>O Santa Marta, primeira favela a ter uma UPP ao longo</p><p>dos seus quase 80 anos, sempre recebeu, na maioria das</p><p>vezes de forma discreta, visitantes estrangeiros. E, em</p><p>alguns casos, ilustres: Rainha Elizabeth, Senador Kenne-</p><p>dy, Gilberto Gil. Até mesmo Michael Jackson, quando</p><p>gravou seu clipe na favela, não permitiu a presença da</p><p>mídia. A partir de 2008, iniciou-se a era das celebrida-</p><p>des e a exposição da favela para o mundo.</p><p>Algumas perguntas, porém, precisam ser feitas e res-</p><p>pondidas no momento em que o poder público pensa</p><p>em investir nesse filão: o que é uma favela preparada</p><p>para receber turistas? Que “maquiagem1” precisa ser</p><p>feita para que o turista se sinta bem? Que produtos os</p><p>turistas querem encontrar ali? O comércio local deve</p><p>adaptar-se aos turistas ou servir aos moradores? Se o</p><p>Morro não é uma propriedade particular, se não tem um</p><p>dono, todo e cada morador tem o direito de opinar so-</p><p>bre o que está se passando com o seu lugar de moradia.</p><p>Essas e outras questões devem pautar o debate entre</p><p>moradores e gestores públicos sobre o turismo nas fa-</p><p>velas pacificadas. Se os moradores não se organizarem</p><p>e se não assumirem o protagonismo das ações de turis-</p><p>mo e de entretenimento no Santa Marta, vamos assistir</p><p>aos nativos — os de dentro — servindo de testa de</p><p>ferro para empreendimentos e iniciativas dos de fora,</p><p>às custas de uma identidade local que aos poucos vai</p><p>perdendo suas características.</p><p>Tomar os princípios do turismo comunitário — integri-</p><p>dade das identidades locais, protagonismo e autonomia</p><p>dos moradores — talvez ajude-nos a encontrar estraté-</p><p>gias para receber os de fora sem sucumbir às regras</p><p>violentas de um turismo mercadológico.</p><p>itamar silva é presiDente Do grupo eco — santa marta e</p><p>Diretor Do instituto Brasileiro De anÁlises sociais e econômicas</p><p>(iBase). aDaptaDo De: Jornal o Dia, 31/01/2013.</p><p>10. (cftrj) Quando escrevemos, dispomos, entre outros</p><p>recursos, de vários sinais gráficos: as aspas são exem-</p><p>plos disso. No texto, elas foram empregadas em “ma-</p><p>quiagem” (ref. 1) com a intenção de destacar que essa</p><p>palavra sofreu uma alteração de natureza:</p><p>a) semântica.</p><p>b) sintática.</p><p>c) morfológica.</p><p>d) fonética.</p><p>E.O. FixAçãO</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>A VOZ SUBTERRÂNEA</p><p>Às vezes ouvia-se um canto surdo,</p><p>que parecia vir debaixo da terra.</p><p>Até que os homens da superfície,</p><p>66  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>para desvendar o mistério,</p><p>puseram-se a fazer escavações.</p><p>Sim! eram os homens das minas,</p><p>que um desabamento ali havia aprisionado.</p><p>E ninguém suspeitava da sua existência,</p><p>porque já haviam passado três ou quatro gerações!</p><p>Mas a luz forte das lanternas não os ofuscou:</p><p>eles estavam cegos</p><p>– todos, homens, mulheres, crianças.</p><p>Eles estavam cegos... e cantavam!</p><p>quintana, mario. Baú De espantos. 1. eD.</p><p>rio De Janeiro: oBJetiva, 2014.</p><p>1. (PUC-PR 2018) Os sinais de pontuação são importantes</p><p>elementos de expressividade em textos de caráter poético.</p><p>Assim, em “A voz subterrânea”, é CORRETO afirmar que</p><p>a) os pontos de exclamação nos versos 6 e 9 têm a</p><p>mesma finalidade, a saber, rechaçar a incredulidade</p><p>do autor frente os eventos apresentados.</p><p>b) os dois-pontos usados no verso 10 servem para in-</p><p>troduzir uma elucidação sobre a afirmação feita antes</p><p>desse sinal, no mesmo verso.</p><p>c) o travessão do verso 12 introduz um diálogo meta-</p><p>fórico, por isso pode também ser entendido como um</p><p>elemento de realce.</p><p>d) as reticências do verso 13 pervertem o momento</p><p>de maior tensão do texto, criando um paradoxo entre</p><p>as duas orações do mesmo verso.</p><p>e) a vírgula do verso 6 possibilita a ordem indireta da</p><p>oração adjetiva do verso 7, pois introduz uma explica-</p><p>ção quando uma restrição era esperada.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Menino do Acre talvez seja uma das maiores empulha-</p><p>ções da história “mística” do Brasil</p><p>O estudante de Psicologia de 25 anos é produto de uma</p><p>grande jogada de marketing que nem precisou de um</p><p>Washington Olivetto para criá-la</p><p>O “Menino do Acre” talvez fique na história como uma</p><p>das grandes empulhações brasileiras, e a mídia, certa-</p><p>mente para obter audiência e acesso, se não está en-</p><p>dossando diretamente, está sendo conivente com as</p><p>trapalhadas e enganações do 1estudante de Psicologia</p><p>Bruno Borges, de 25 anos.</p><p>2A Argentina tem Jorge Luis Borges. O Brasil contenta-se</p><p>com Bruno Borges, o 3pós-adolescente fujão, que ficou</p><p>desaparecido durante algum tempo, alegando que es-</p><p>tava em busca do conhecimento. (...) Suas ideias sobre</p><p>filosofia e alquimia são lorota pura. Ao desaparecer, 4o</p><p>que o jovem estava buscando? “Busquei o autoconhe-</p><p>cimento. Na alquimia, dizemos que o operador procede</p><p>em busca da pedra filosofal”, afirma. O que isso quer</p><p>dizer? Nada. 5É pura platitude, embromação. 6Qualquer</p><p>livro primário discute o assunto de maneira mais densa.</p><p>Bruno Borges diz que está articulando um projeto para</p><p>mudar a vida das pessoas. Porém, não explica o que é,</p><p>exceto que se trata de “despertar para o mundo do co-</p><p>nhecimento”</p><p>e para a “investigação da verdade”. O po-</p><p>eta Goethe, 7que se considerava alquimista, e o filósofo</p><p>Nietzsche são precisos 8ao discutir temas sobre os quais</p><p>o estudante apenas roça, possivelmente depois da lei-</p><p>tura, não de livros científicos, e sim de obras místicas</p><p>– talvez de terceira categoria ou sem categoria alguma.</p><p>Questionado, Bruno Borges, o nosso Borges “détraqué”,</p><p>sustenta que seu projeto é “uma missão”. O projeto e</p><p>a missão, a rigor, não são expostos de maneira cabal</p><p>(anticientífico, ele avalia que não é preciso demons-</p><p>trar)9; eventualmente, o Menino do Acre trata do tema</p><p>de maneira elíptica, como se não soubesse do que está</p><p>falando ou então 10estaria sonegando alguma coisa de</p><p>caráter seminal, que ainda não pode ser dita, sobretudo</p><p>para os não iniciados.</p><p>Espécie de Policarpo Quaresma da filosofia, vá lá, ou da</p><p>alquimia, vá lá, Bruno Borges sugere que está buscando</p><p>“a verdade da vida”. Entretanto, suas frases são ocas, as</p><p>ideias são uma mistureba de frases de efeito e “concei-</p><p>tos” mal digeridos. (...) O que dizer de um garoto que diz</p><p>que conseguiu “lapidar a pedra filosofal”? A única coisa</p><p>que parece ter lapidado de verdade foi a paciência de</p><p>jornalistas e de leitores e telespectadores e sua própria</p><p>cara de pau. (...) Ele fala em fé, o que sugere que é, claro,</p><p>um místico – e não um cientista precoce, ao estilo de Da-</p><p>rwin e Richard Dawkins. 11Mas certamente não chega aos</p><p>pés de Antônio Conselheiro e do Padre Cícero.</p><p>Há místicos que buscam o autoconhecimento duran-</p><p>te anos e, às vezes, nada encontram. Pois o Menino do</p><p>Acre, em apenas dois meses e sem pesquisas detidas e</p><p>rigorosas, alcançou seus objetivos, sua realização espiri-</p><p>tual. Você leu certo: dois meses! 12O garoto deveria ser</p><p>preparado pelos grandes laboratórios para 13“descobrir”</p><p>um medicamento que “cure” os pacientes que têm Aids.</p><p>14Seria um portento. É possível que, depois de quatro me-</p><p>ses, o Menino do Acre poderia se candidatar ao Prêmio</p><p>Nobel de Medicina ou, 15quem sabe, de Literatura – tal o</p><p>poder de sua imaginação. Ou seja, se ele terminar os dias</p><p>escrevendo autoajuda ou ficção científica, nem Paulo Co-</p><p>elho, o esperto-expert em tudo, ficará surpreso. (...)</p><p>16O Quase-Adulto do Acre revela: “Alguns livros”, dos 14,</p><p>“talvez mereçam permanecer ocultos”. Certos livros de-</p><p>veriam ser qualificados como terrorismo ecológico – um</p><p>atentado às florestas –, então, talvez seja melhor que fi-</p><p>quem ocultos. 17O Menino do Acre talvez seja 18a jogada</p><p>de marketing mais bem urdida dos últimos anos, e 19sem</p><p>a colaboração de Duda Mendonça e Washington Olivetto.</p><p>(...) No final da entrevista, 20tão impressionado quanto</p><p>um conto de Borges é impressionante, o bom, o da</p><p>Argentina, o Menino do Acre ensina aquilo que nem</p><p>Marilena Chauí (...) é capaz de ideologizar: “Por mais que</p><p>as pessoas não percebam, a partir de agora, o conhe-</p><p>cimento será mais valorizado. Quanto mais conheci-</p><p>mento você tiver, mais influente será na sociedade”.</p><p>Ora, o que surpreende é que o Menino do Acre parece</p><p>não ter conhecimento algum, ao menos de maneira</p><p>consistente e sistemática, e, mesmo assim, está se</p><p>tornando tremendamente influente, inclusive conce-</p><p>dendo entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo, e à maior</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 67</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>revista semanal do país, a “Veja”. Não é pouca coisa, não.</p><p>(...)</p><p>Fico na dúvida, filosófica: o Menino do Acre fica melhor</p><p>no papel de alienista, de alienado ou os dois? Ah, o modo</p><p>como mesmerizou o país, 21atraindo jornalistas de todas</p><p>as plagas, alienados mesmo somos nós, que, quem sabe,</p><p>esperamos o Messias, ainda que na forma de um Borges</p><p>piorado e sem “O Aleph”. Borges, o “Adulto Portenho”,</p><p>talvez esteja certo ao ecoar Marco Polo: “O real não é</p><p>mais verdade do que o inventado”.</p><p>(Belém, euler De frança. menino Do acre talvez seJa uma Das</p><p>maiores empulhações Da história “mística” Do Brasil. Disponível</p><p>em: https://www.Jornalopcao.com.Br/colunas-e-Blogs/imprensa/</p><p>menino-Do-acre-talvez-seJa-uma-Das-maiores-empulhacoes-Da-historia-</p><p>mistica-Do-Brasil-102864/. aDaptaDo. acesso em 01 set. 2017)</p><p>2. (UPF 2018) No que concerne a aspectos semântico-sin-</p><p>táticos do texto, está correto o que se afirma em:</p><p>a) As vírgulas que separam a oração “que se considera-</p><p>va alquimista” (referência 7) justificam-se porque evi-</p><p>denciam uma oração restritiva ligada ao nome Goethe</p><p>que a antecede.</p><p>b) No período “quem sabe, de Literatura – tal o poder</p><p>de sua imaginação” (referência 15), o sinal de travessão</p><p>poderia ser substituído por dois-pontos, sem que o sentido</p><p>do texto e sua correção gramatical fossem prejudicados.</p><p>c) Dada a posição que ocupa na oração, “A Argentina”</p><p>(referência 2), caracterizada como termo adverbial, deve-</p><p>ria estar isolada por vírgula, se atendido o rigor gramatical.</p><p>d) As informações e a correção gramatical do texto se-</p><p>riam preservadas, caso, sem que fossem feitas outras al-</p><p>terações, a conjunção coordenativa “Mas”(referência 11)</p><p>fosse substituída pela conjunção aditiva “e”, grafada em</p><p>letra minúscula, e o ponto final que a antecede fosse subs-</p><p>tituído por vírgula.</p><p>e) O uso do ponto e vírgula (;) na referência 9 poderia</p><p>ser substituído por um ponto final (.) sem prejuízo à</p><p>compreensão da ideia, uma vez que separa orações</p><p>independentes.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>O MITO DO TEMPO REAL</p><p>O descompasso entre a velocidade das máquinas e a</p><p>capacidade de compreensão de seus usuários leva a um</p><p>quadro de ansiedade social sem precedentes. Em blogs,</p><p>redes sociais, podcasts e mensagens eletrônicas diver-</p><p>sas todos pedem desculpas pela demora em responder</p><p>às demandas de seus interlocutores, impacientes como</p><p>nunca. E-mails que não sejam atendidos em algumas</p><p>horas acabam encaminhados para outras redes, em um</p><p>apelo público por uma resposta.</p><p>No desespero por contato instantâneo, telefones cha-</p><p>mam repetidamente em horas impróprias, mensagens de</p><p>texto são trocadas madrugada adentro, conversas mul-</p><p>tiplicam-se por comunicadores instantâneos e toda oca-</p><p>sião – do trânsito ao banheiro, do elevador à cama, da</p><p>hora do almoço ao fim de semana – parece uma lacuna</p><p>propícia para se resolver uma pendência.</p><p>[...]</p><p>A resposta imediata a uma requisição é chamada tec-</p><p>nicamente de “tempo real”, mesmo que não haja nada</p><p>verdadeiramente real nem humano nessa velocidade. O</p><p>tempo imediato, sem pausas nem espera, em que tudo</p><p>acontece num estalar de dedos é uma ficção. Desejá-lo</p><p>não aumenta a eficiência. Pelo contrário, pode ser extre-</p><p>mamente prejudicial.</p><p>Muitos combatem a superficialidade nas relações digi-</p><p>tais pelos motivos errados, questionando a validade dos</p><p>“amigos” no Facebook ou “seguidores” no Twitter ao</p><p>compará-los com seus equivalentes analógicos. O pro-</p><p>blema não está na tecnologia, mas na intensidade dis-</p><p>pensada em cada interação. Seja qual for o meio em que</p><p>ele se dê, o contato entre indivíduos demanda tempo, e</p><p>nesse tempo não é só a informação pura e simples que</p><p>se troca. Festas, conversas, leituras, relacionamentos, mú-</p><p>sicas e filmes de qualidade não podem ser acelerados</p><p>ou resumidos a sinopses. Conversas, ao vivo ou media-</p><p>das por qualquer tecnologia, perdem boa parte de sua</p><p>intensidade com a segmentação. O tempo empenhado</p><p>em cada uma delas é muito valioso; não faz sentido eco-</p><p>nomizá-lo, empilhá-lo ou segmentá-lo. O tempo humano</p><p>(que talvez seja irreal, se o “outro” for provado real) é</p><p>bem mais lento. Nossas vidas são marcadas tanto pela</p><p>velocidade quanto pela lentidão.</p><p>[...]</p><p>Essa quebra da sequência histórica faz com que muitos</p><p>processos pareçam herméticos ou misteriosos demais.</p><p>Quando não há uma compreensão das etapas com-</p><p>ponentes de um processo, não há como intervir nelas,</p><p>propondo correções, adaptações ou melhorias. Tal impo-</p><p>tência leva a uma apatia, em que as condições impostas</p><p>são aceitas por falta de alternativa. Escondidos seus pro-</p><p>cessos industriais, os produtos adquirem uma aura quase</p><p>divina, transformando seus usuários em consumidores</p><p>vorazes, que se estapeiam em lojas</p><p>à procura do último</p><p>aparelho eletrônico que se proponha a preencher o vazio</p><p>que sentem.</p><p>Incapazes de propor alternativas ou sugerir mudanças,</p><p>os consumidores são estimulados pela publicidade a</p><p>um gigantesco hedonismo e pragmatismo. A facilidade</p><p>de acesso à abundância leva a uma passividade e a um</p><p>pensamento pragmático que defende a ideia de “vamos</p><p>aproveitar agora, pois quando acontecer um problema</p><p>alguém terá descoberto a solução”, visível na forma com</p><p>que se abordam problemas de saúde, obesidade, consu-</p><p>mo, lixo eletrônico, esgotamento de recursos e poluição</p><p>ambiental. Em alta velocidade há pouco espaço para a</p><p>reflexão. Reduzidos a impulsos e reflexos, corremos o ris-</p><p>co de deixar para trás tudo aquilo que nos diferencia das</p><p>outras espécies.</p><p>(luli raDfahrer. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.Br/</p><p>colunas/luliraDfahrer/1191007-o-mito-Do-tempo-real.shtml.)</p><p>3. (utfpr) Em relação à pontuação do texto, considere as</p><p>afirmativas a seguir.</p><p>I. No segundo parágrafo, o travessão foi empregado para</p><p>isolar a explicação da expressão anterior.</p><p>II. No terceiro parágrafo, as aspas foram empregadas para</p><p>ressaltar o valor significativo da expressão “tempo real”.</p><p>68  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>III. No quarto parágrafo, os parênteses são emprega-</p><p>dos para introduzir uma generalização para a expres-</p><p>são anterior.</p><p>Está(ão) correta(s) apenas:</p><p>a) I.</p><p>b) II.</p><p>c) III.</p><p>d) I e II.</p><p>e) II e III.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>CHUVA FORA DE ÉPOCA DÁ SÓ 18 DIAS DE ALÍVIO ÀS</p><p>REPRESAS DA GRANDE SP</p><p>As primeiras duas semanas de setembro trouxeram chu-</p><p>vas acima da média e ampliaram em 50 bilhões de litros</p><p>as reservas das principais represas da Grande São Paulo.</p><p>Todo esse volume, porém, representa apenas um ligeiro</p><p>alívio nos agonizantes mananciais e deverá ser todo con-</p><p>sumido num intervalo de apenas três semanas de estiagem</p><p>– como aconteceu nos últimos 18 dias do mês de agosto.</p><p>E é justamente essa a previsão dos climatologistas para a</p><p>próxima semana. Segundo essas previsões, a região me-</p><p>tropolitana e seu entorno, onde estão os seis principais</p><p>reservatórios, terá bastante calor e quase nenhuma chuva.</p><p>Setembro é o último mês da estação seca, iniciada em</p><p>abril. A expectativa do governo Geraldo Alckmin (PSDB)</p><p>é que as chuvas em grande volume voltem a partir de ou-</p><p>tubro – na última estação chuvosa, porém, elas só vieram</p><p>em fevereiro e março.</p><p>A Grande SP vive hoje a mais grave seca já registrada.</p><p>faBrício loBel (Disponível em http://www1.folha.uol.</p><p>com.Br/cotiDiano. acesso em 15.09.2015)</p><p>4. (utfpr ) Sobre o texto, identifique como verdadeiras (V)</p><p>ou falsas (F) as seguintes afirmativas:</p><p>( ) A conjunção porém, no segundo parágrafo, intro-</p><p>duz uma ideia de oposição às informações do primei-</p><p>ro parágrafo.</p><p>( ) No segundo parágrafo, o travessão ( – ) foi empre-</p><p>gado para introduzir um esclarecimento à informação</p><p>anterior.</p><p>( ) No terceiro parágrafo, o pronome indefinido onde</p><p>foi empregado para retomar o lugar, citado anterior-</p><p>mente .</p><p>( ) No título da notícia, a palavra alívio recebe acento</p><p>por ser uma paroxítona terminada em - a.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta,</p><p>de cima para baixo.</p><p>a) F – V – F – V.</p><p>b) F – F – V – V.</p><p>c) F – V – V – F.</p><p>d) V – V – F – F.</p><p>e) V – F – F – V.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>1José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde</p><p>ficam os imigrantes logo que chegam. E falou dos equí-</p><p>vocos de nossa política imigratória. 2As pessoas que ele</p><p>encontrou não eram agricultores e técnicos, gente capaz</p><p>de ser útil. Viu músicos profissionais, bailarinas austría-</p><p>cas, cabeleireiras lituanas. Paul Balt toca acordeão, Ivan</p><p>Donef faz coquetéis, Galar Bedrich é vendedor, Serof Ne-</p><p>dko é ex-oficial, Luigi Tonizo é jogador de futebol, Ibolya</p><p>Pohl é costureira. Tudo 15gente para o asfalto, “para entu-</p><p>lhar as grandes cidades”, como diz o repórter.</p><p>6O repórter tem razão. 3Mas eu peço licença para ficar</p><p>imaginando uma porção de coisas vagas, ao olhar essas</p><p>belas fotografias que ilustram a reportagem. Essa linda</p><p>costureirinha morena de Badajoz, essa Ingeborg que faz</p><p>fotografias e essa Irgard que não faz coisa alguma, esse</p><p>Stefan Cromick cuja única experiência na vida parece ter</p><p>sido vender bombons 11– não, essa gente não vai aumen-</p><p>tar a produção de batatinhas e quiabos nem 16plantar</p><p>cidades no Brasil Central.</p><p>7É insensato importar gente assim. Mas o destino das pes-</p><p>soas e dos países também é, muitas vezes, insensato: prin-</p><p>cipalmente da gente nova e países novos. 8A humanidade</p><p>não vive apenas de carne, alface e motores. Quem eram os</p><p>pais de Einstein, eu pergunto; e se o jovem Chaplin quises-</p><p>se hoje entrar no Brasil acaso poderia? Ninguém sabe que</p><p>destino terão no Brasil essas mulheres louras, esses ho-</p><p>mens de profissões vagas. Eles estão procurando alguma</p><p>coisa12: emigraram. Trazem pelo menos o patrimônio de</p><p>sua inquietação e de seu 17apetite de vida. 9Muitos se per-</p><p>derão, sem futuro, na vagabundagem inconsequente das</p><p>cidades; uma mulher dessas talvez se suicide melancolica-</p><p>mente dentro de alguns anos, em algum quarto de pen-</p><p>são. Mas é preciso de tudo para 18fazer um mundo; e cada</p><p>pessoa humana é um mistério de heranças e de taras. Aca-</p><p>so importamos o pintor Portinari, o arquiteto Niemeyer, o</p><p>físico Lattes? E os construtores de nossa indústria, como</p><p>vieram eles ou seus pais? Quem pergunta hoje, 10e que</p><p>interessa saber, se esses homens ou seus pais ou seus avós</p><p>vieram para o Brasil como agricultores, comerciantes, bar-</p><p>beiros ou capitalistas, aventureiros ou vendedores de gra-</p><p>vata? Sem o tráfico de escravos não teríamos tido Macha-</p><p>do de Assis, e Carlos Drummond seria impossível sem uma</p><p>gota de sangue (ou uísque) escocês nas veias, 4e quem nos</p><p>garante que uma legislação exemplar de imigração não</p><p>teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio, Vila Lobos</p><p>mexicano, ou Pancetti chileno, o general Rondon cana-</p><p>dense ou Noel Rosa em Moçambique? Sejamos humildes</p><p>diante da pessoa humana: 5o grande homem do Brasil</p><p>de amanhã pode descender de um clandestino que nes-</p><p>te momento está saltando assustado na praça Mauá13, e</p><p>não sabe aonde ir, nem o que fazer. Façamos uma política</p><p>de imigração sábia, perfeita, materialista14; mas deixemos</p><p>uma pequena margem aos inúteis e aos vagabundos, às</p><p>aventureiras e aos tontos porque dentro de algum deles,</p><p>como sorte grande da fantástica 19loteria humana, pode</p><p>vir a nossa redenção e a nossa glória.</p><p>(Braga, r. imigraçÃo. in: a BorBoleta amarela.</p><p>rio De Janeiro, eDitora Do autor, 1963)</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 69</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>5. (Ita) De acordo com as normas gramaticais de pon-</p><p>tuação,</p><p>I. o travessão da referência 11 serve para realçar uma</p><p>conclusão do que foi dito anteriormente.</p><p>II. os dois pontos da referência 12 podem ser substituí-</p><p>dos por ponto e vírgula.</p><p>III. a vírgula, em “está saltando assustado na praça</p><p>Mauá, e não sabe”, referência 13, pode ser excluída.</p><p>IV. o ponto e vírgula da referência 14 pode ser substitu-</p><p>ído por ponto final.</p><p>Estão corretas apenas</p><p>a) I, II e III.</p><p>b) I, III e IV.</p><p>c) II e III.</p><p>d) II, III e IV.</p><p>e) III e IV.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>RENÚNCIA</p><p>Chora de manso e no íntimo... Procura</p><p>Curtir sem queixa o mal que te crucia:</p><p>O mundo é sem piedade e até riria</p><p>Da tua inconsolável amargura.</p><p>Só a dor enobrece e é grande e é pura.</p><p>Aprende a amá-la que a amarás um dia.</p><p>Então ela será tua alegria,</p><p>E será, ela só, tua ventura...</p><p>A vida é vã como a sombra que passa...</p><p>Sofre sereno e de alma sobranceira,</p><p>Sem um grito sequer, tua desgraça.</p><p>Encerra em ti tua tristeza inteira.</p><p>E pede humildemente a Deus que a faça</p><p>Tua doce e constante companheira...</p><p>BanDeira, manuel. a cinza Das horas. in: estrela Da viDa</p><p>inteira. rio De Janeiro: nova fronteira, 1993, p. 75.</p><p>6. (ifal) A pontuação contribui para a produção dos</p><p>efeitos de sentido no texto. Sobre esse assunto, marque</p><p>a alternativa que apresenta uma afirmação incorreta,</p><p>levando-se</p><p>em consideração as regras de pontuação</p><p>previstas na gramática normativa.</p><p>a) No trecho “E pede humildemente a Deus que a</p><p>faça”, admitir-se-ia o uso da vírgula para intercalar o</p><p>termo “humildemente”.</p><p>b) O ponto, em versos como “Só a dor enobrece e é</p><p>grande e é pura.”, encerra ideias categóricas para as</p><p>quais não se preveem contra-argumentações.</p><p>c) Do ponto de vista pragmático, o sinal dois pontos, no</p><p>segundo verso, serve para expressar uma explicação.</p><p>d) As reticências ao longo do texto criam uma atmos-</p><p>fera intimista, sugestiva e de convite à reflexão.</p><p>e) No verso “A vida é vã como a sombra que pas-</p><p>sa...”, poder-se-ia inserir uma vírgula após a palavra</p><p>“vida”, sem prejuízo sintático e semântico do texto.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>ORAÇÃO</p><p>– “Ave Maria cheia de graça...”</p><p>A tarde era tão bela, a vida era tão pura,</p><p>as mãos de minha mãe eram tão doces,</p><p>havia lá, no azul, um crepúsculo de ouro... lá longe...</p><p>– “Cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita!</p><p>Bendita!”</p><p>Os outros meninos, minha irmã, meus irmãos menores</p><p>meus</p><p>brinquedos, a casaria branca de minha</p><p>terra, a burrinha do vigário pastando</p><p>junto à capela... lá longe...</p><p>Ave cheia de graça</p><p>– “bendita sois entre as mulheres, bendito é o fruto do</p><p>vosso ventre...”</p><p>E as mãos do sono sobre meus olhos,</p><p>e as mãos de minha mãe sobre o meu sonho,</p><p>e as estampas de meu catecismo</p><p>para o meu sonho de ave!</p><p>E isso tudo tão longe... tão longe...</p><p>(lima, Jorge De. poemas. rio; sÃo paulo: recorD, 2004, p. 39)</p><p>7. (ifal) Quanto à pontuação no poema, indique a única</p><p>alternativa correta.</p><p>a) As reticências reforçam no texto o caráter seletivo,</p><p>parcial e vacilante da memória, bem como imprimem</p><p>no poema um tom ainda mais saudosista e polissêmico.</p><p>b) As aspas que se põem antes e depois de algumas</p><p>frases marcam a fala da mãe.</p><p>c) As vírgulas presentes nos versos de dois a quatro</p><p>servem para separar orações coordenadas.</p><p>d) A julgar pelo que ensina a gramática, no excerto “Cheia</p><p>de graça, o Senhor é convosco” a vírgula é opcional.</p><p>e) Embora as exclamações que aparecem no texto não</p><p>se vinculem à emoção do eu lírico, elas denunciam seu</p><p>estado de espírito enquanto recorda o passado.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>VELHO MARINHEIRO</p><p>homenagem aos marinheiros</p><p>De sempre... e para sempre.</p><p>28Sou marinheiro porque um dia, muito jovem, estendi</p><p>meu braço diante da bandeira e jurei lhe dar minha vida.</p><p>Naquele dia de sol a pino, com meu novo uniforme</p><p>branco, 21senti-me homem de verdade, como se estives-</p><p>se dando adeus aos tempos de garoto. 29Ao meu lado,</p><p>as vozes de outros jovens soavam em uníssono com a</p><p>minha, vibrantes, e terminamos com emoção, de peitos</p><p>estufados e orgulhosos. 5Ao final, minha mãe veio em</p><p>minha direção, apressada em me dar um beijo. 20Acari-</p><p>ciou-me o rosto e disse que eu estava lindo de unifor-</p><p>me. 6O dia acabou com a família em festa; 11eu lembro-</p><p>-me bem, fiquei de uniforme até de tarde...</p><p>70  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>Sou marinheiro, porque aprendi, naquela Escola, o signi-</p><p>ficado nobre de companheirismo. 7Juntos no sofrimento</p><p>e na alegria, um safando o outro, leais e amigos. Aprendi</p><p>o que é civismo, respeito e disciplina, no princípio, exigi-</p><p>dos a cada dia; depois, como parte do meu ser e, assim,</p><p>para sempre. 23A cada passo havia um novo esforço espe-</p><p>rando e, depois dele, um pequeno sucesso. 26Minha vida,</p><p>agora que olho para trás, foi toda de pequenos sucessos.</p><p>A soma deles foi a minha carreira.</p><p>19No meu primeiro navio, logo cedo, percebi que era no-</p><p>vamente aluno. Todos sabiam das coisas mais do que eu</p><p>havia aprendido. Só que agora me davam tarefas, incum-</p><p>bências, e esperavam que eu as cumprisse bem. 2Pouco a</p><p>pouco, passei a ser parte da equipe, a ser chamado para</p><p>ajudar, a ser necessário. 8Um dia vi-me ensinando aos no-</p><p>vatos 12e dei-me conta de que me tornara marinheiro, de</p><p>fato e de direito, um profissional! 32O navio passou a ser</p><p>minha segunda casa, onde eu permanecia mais tempo, às</p><p>vezes, do que na primeira. Conhecia todos, alguns mais</p><p>até do que meus parentes. Sabia de suas manhas, cacoe-</p><p>tes, preocupações e de seus sonhos. Sem dar conta, meu</p><p>mundo acabava no costado do navio.</p><p>9A soma de tudo que fazemos e vivemos, pelo navio, 14é</p><p>uma das coisas mais belas, que só há entre nós, em mais</p><p>nenhum outro lugar. 24Por isso sou marinheiro, porque</p><p>sei o que é espírito de navio.</p><p>Bons tempos aqueles das viagens, dávamos um duro</p><p>danado no mar, em serviço, postos de combate, ades-</p><p>tramento de guerra, dia e noite. 30O interessante é que</p><p>em toda nossa vida, 15quando buscamos as boas recor-</p><p>dações, elas vêm desse tempo, das viagens e dos navios.</p><p>16Até 13as durezas por que passamos são saborosas 1ao</p><p>lembrar, talvez porque as vencemos e fomos adiante.</p><p>É aquela história dos pequenos sucessos.</p><p>A volta ao porto era um acontecimento gostoso, sempre</p><p>figurando a mulher. Primeiro a mãe, depois a namorada,</p><p>a noiva, a esposa. Muita coisa a contar, a dizer, surpre-</p><p>sas de carinho. A comida preferida, o abraço apertado,</p><p>o beijo quente... e o filho que, na ausência, foi ensinado</p><p>a dizer papai.</p><p>31No início, eu voltava com muitos retratos, principal-</p><p>mente quando vinha do estrangeiro, depois, com o</p><p>tempo, eram poucos, até que deixei de levar a máquina.</p><p>10Engraçado, 22vocês já perceberam que marinheiro ve-</p><p>lho dificilmente baixa a terra com máquina fotográfica?</p><p>Foi assim comigo.</p><p>34Hoje os navios são outros, os marinheiros são outros -</p><p>sinto-os mais preparados do que eu era - mas a vida no</p><p>mar, as viagens, os portos, a volta, estou certo de que</p><p>são iguais. Sou marinheiro, por isso sei como é.</p><p>Fico agora em casa, querendo saber das coisas da Ma-</p><p>rinha. E a cada pedaço que ouço de um amigo, que leio,</p><p>que vejo, me dá um orgulho que às vezes chega a en-</p><p>talar na garganta. 4Há pouco tempo, voltei a entrar em</p><p>um navio. Que coisa linda! 35Sofisticado, limpíssimo, nas</p><p>mãos de uma tripulação que só pode ser muito com-</p><p>petente para mantê-lo pronto. 33Do que me mostraram</p><p>eu não sabia muito. Basta dizer que o último navio em</p><p>que servi já deu baixa. 17Quando saí de bordo, parei no</p><p>portaló, voltei-me para a bandeira, inclinei a cabeça... e,</p><p>minha garganta entalou outra vez.</p><p>Isso é corporativismo; não aquele enxovalhado, que sig-</p><p>nifica o bem de cada um, protegido à custa do desmere-</p><p>cimento da instituição; mas o puro, que significa o bem</p><p>da instituição, protegido pelo merecimento de cada um.</p><p>27Sou marinheiro e, portanto, sou corporativista.</p><p>Muitas vezes 25a lembrança me retorna aos dias da ati-</p><p>va e morro de saudades. 18Que bom se pudesse voltar</p><p>ao começo, vestir aquele uniforme novinho — até um</p><p>pouco grande, ainda recordo — Jurar Bandeira, ser bei-</p><p>jado pela minha falecida mãe...</p><p>3Sei que, quando minha hora chegar, no último instante,</p><p>verei, em velocidade desconhecida, o navio com meus</p><p>amigos, minha mulher, meus filhos, singrando para sem-</p><p>pre, indo aonde o mar encontra o céu... e, se São Pedro</p><p>estiver no portaló, direi:</p><p>– Sou marinheiro, estou embarcando.</p><p>autor DesconheciDo. in: língua portuguesa: leitura e proDuçÃo De texto.</p><p>rio De Janeiro: marinha Do Brasil, escola naval, 2011. p. 6-8)</p><p>Glossário</p><p>- Portaló: abertura no casco de um navio, ou passagem</p><p>junto à balaustrada, por onde as pessoas transitam</p><p>para fora ou para dentro, e por onde se pode movimen-</p><p>tar carga leve.</p><p>8. (Esc. Naval) Que opção analisa corretamente o uso</p><p>das reticências em “O dia acabou com a família em fes-</p><p>ta; eu lembro-me bem, fiquei de uniforme até de tar-</p><p>de...” (ref. 6)?</p><p>a) Destacam a interrupção de uma ideia do locutor,</p><p>para exprimir considerações acessórias.</p><p>b) Marcam a suspensão da voz do autor, para assina-</p><p>lar inflexões de natureza emocional.</p><p>c) Indicam que a ideia que o autor quer exprimir deve</p><p>ser preenchida com a imaginação do leitor.</p><p>d) Cortam a frase do locutor pela interferência de ou-</p><p>tras informações que dão continuidade ao texto.</p><p>e) Assinalam que foram suprimidas possíveis refe-</p><p>rências do autor, com a intenção de</p><p>realçar a última</p><p>ideia enunciada.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>QUERO VOLTAR A CONFIAR</p><p>Fui criado com princípios morais comuns. Quando eu</p><p>era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos</p><p>eram autoridades dignas de respeito e consideração.</p><p>Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto. 23Ini-</p><p>maginável responder de forma mal educada aos mais</p><p>velhos, professores ou autoridades... 24Confiávamos nos</p><p>adultos, porque todos eram pais, mães ou familiares</p><p>da nossa rua, do bairro ou da cidade. Tínhamos medo</p><p>16apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror10...</p><p>22Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que</p><p>perdemos. Tudo que os meus netos um dia enfrentarão.</p><p>Pelo medo no olhar das crianças, dos velhos, dos jovens e</p><p>dos adultos. Direitos humanos para os criminosos, deve-</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 71</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>res ilimitados para os cidadãos honestos. Não levar van-</p><p>tagem em tudo significa ser idiota. 25Trabalhador digno e</p><p>cumpridor dos deveres virou otário. Pagar dívidas em dia</p><p>é ser tonto – anistia para corruptos e sonegadores.</p><p>O que aconteceu conosco4? Professores maltratados</p><p>nas salas de aula14; comerciantes ameaçados por tra-</p><p>ficantes15; grades em nossas janelas e portas. 1Que</p><p>valores são esses5? Automóveis que valem mais que</p><p>abraços. 26Filhas querendo uma cirurgia como presente</p><p>por passarem de ano. Filhos esquecendo o respeito no</p><p>trato com pais e avós. No lugar de senhor, senhora, fi-</p><p>cou 12“oi cara”, ou “como está, coroa”6? Celulares nas</p><p>mochilas de crianças. “O que vais querer em troca de</p><p>um abraço7?” – “A diversão vale mais que um diploma.”</p><p>– “Uma tela gigante 20vale mais que uma boa conver-</p><p>sa.” – “21Mais vale uma maquiagem do que um sorve-</p><p>te.” – 13“Aparecer do que ser.” Quando foi que tudo de-</p><p>sapareceu ou se tornou ridículo8?</p><p>Quero arrancar as grades da minha janela para poder</p><p>tocar nas flores11... Quero me sentar na varanda e dor-</p><p>mir com a porta aberta nas noites de verão. Quero a</p><p>honestidade como motivo de orgulho. Quero a retidão</p><p>de caráter, a cara limpa e o olhar “olho no olho”. Quero</p><p>sair de casa sabendo a hora em que estarei de volta, sem</p><p>medo de assaltos ou balas perdidas. Quero a vergonha</p><p>na cara e a solidariedade. 2Onde a palavra valia mais que</p><p>um documento assinado. Quero a esperança, a alegria,</p><p>a confiança de volta. Quero calar a boca de quem diz:</p><p>“temos que estar 3ao nível de” ao falar de uma pessoa.</p><p>E viva o retorno da verdadeira 19vida, simples como a chu-</p><p>va, limpa como o céu de primavera, leve como a brisa da</p><p>manhã. E 17definitivamente 18bela como cada amanhecer.</p><p>27Quero ter de volta o meu mundo simples e comum,</p><p>onde existam o amor, a solidariedade e a fraternidade</p><p>como bases. 28Vamos voltar a ser gente. A ter indigna-</p><p>ção diante da falta de ética, de moral, de respeito. Cons-</p><p>truir um mundo melhor, mais justo e mais humano, onde</p><p>as pessoas respeitem as pessoas.</p><p>Utopia9?</p><p>Quem sabe.</p><p>Precisamos tentar.</p><p>arnalDo JaBor. Disponível em: http://www.pensaDor.uol.com.Br/</p><p>textos_De_arnalDo_JaBor/2/. Data De acesso: 30/04/2011.</p><p>9. (epcar (Cpcar)) Assinale a alternativa em que há uma</p><p>afirmação correta sobre a pontuação no texto.</p><p>a) Das seis interrogações presentes no texto, (ref. 4,</p><p>5, 6, 7, 8, 9), apenas duas delas são meramente re-</p><p>tóricas, ou seja, visam induzir o leitor a uma reflexão.</p><p>b) As reticências (ref. 10 e 11), em ambas as ocorrên-</p><p>cias, têm a mesma função: indicar a supressão de ele-</p><p>mentos que não são citados devido a sua irrelevância.</p><p>c) As aspas que aparecem nas referências 12 e 13 in-</p><p>dicam citação direta e expressões estranhas à língua,</p><p>respectivamente.</p><p>d) O ponto e vírgula, nas ref. 14 e 15, é usado para</p><p>enumerar constatações feitas pelo locutor em relação</p><p>à realidade atual.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>UM PAPA QUE ERA MULHER</p><p>Em plena Idade Média, na noite de 28 de janeiro do</p><p>ano 814, nascia em uma família de camponeses, na</p><p>aldeia alemã de Ingelheim, uma menina chamada Jo-</p><p>ana. Quando adulta, ela seria a única mulher a exercer</p><p>a função de papa na história da humanidade. Filha de</p><p>um missionário da Igreja Católica, a menina foi criada</p><p>sob os rígidos ditames da religião, que naquela época</p><p>reservava às mulheres poucos direitos e lhes impunha</p><p>muitas proibições, como a alfabetização. Joana viveu</p><p>questionando os cânones de seu tempo, aprendeu o la-</p><p>tim e o grego antes dos 10 anos de idade e aos 16 ado-</p><p>tou a identidade do irmão morto numa batalha. Tudo</p><p>isso para assumir funções eclesiásticas num monastério</p><p>beneditino. Tornou-se papa entre 851 e 853 e morreu ao</p><p>dar à luz uma criança quando tinha 42 anos.</p><p>A sua curiosa e desconhecida trajetória já foi levada às</p><p>telas na década de 1970 em um filme protagonizado pela</p><p>atriz Liv Ullman. Agora, volta com mais apelo em uma</p><p>produção alemã dirigida pelo cineasta Sonke Wortmann.</p><p>O filme baseia-se no livro “Papisa Joana”, da escritora</p><p>inglesa Donna Woolfolk Cross, que acaba de ser lançado</p><p>no Brasil. A autora construiu um romance sustentado por</p><p>informações obtidas em arquivos da Igreja e reconstituiu</p><p>a vida de Joana. Segundo a autora, a história da papisa</p><p>era considerada uma realidade até o século XVII, quando</p><p>disputas religiosas teriam levado o Vaticano a ordenar a</p><p>destruição das provas de sua existência. Na obra, Donna</p><p>Cross lança mão da criatividade, mas garante que conte-</p><p>ve os seus “saltos imaginativos”.</p><p>rangel, n. Disponível em: https://istoe.com.Br/15441.</p><p>acesso em: 02 ago. 2018. (aDaptaDo).</p><p>10. (cftmg 2019) Na última oração do texto, o emprego</p><p>das aspas em “saltos imaginativos” tem a função de</p><p>a) sinalizar a coloquialidade da expressão.</p><p>b) atribuir a ação à autora do romance.</p><p>c) enfatizar uma intenção irônica.</p><p>d) introduzir uma citação direta.</p><p>E.O. COmplEmEntAr</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>DESCOLADOS E BACANAS ADOTAM VIRA-LATAS E PE-</p><p>DEM HÓSTIA 'GLUTEN FREE'</p><p>A tipologia humana contemporânea chama a atenção</p><p>pelo ridículo. Descolados e bacanas são pessoas que</p><p>têm hábitos, afetos e disposições de alma mais avança-</p><p>dos do que os "colados" e os "canas".</p><p>Estes são gente que não consegue acompanhar os pro-</p><p>gressos sociais e se perdem diante das novas formas de</p><p>economia, de sociabilidade e de direitos afetivos. Veja-</p><p>mos alguns exemplos dessa tipologia dos descolados e</p><p>bacanas. Se você não se enquadrar, não chore. Ser um</p><p>72  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>"colado" ou "cana" um dia poderá ascender à condi-</p><p>ção vintage, semelhante ao vinil ou ao filtro de barro.</p><p>A busca de uma alimentação saudável é um traço de</p><p>descolados e bacanas. Um modo rápido e preciso de</p><p>identificá-los é usar a palavra "McDonald's" perto de-</p><p>les. Se a pessoa começar a gritar de horror ou demons-</p><p>trar desprezo, você está diante de um descolado e ba-</p><p>cana. Se você não entender o horror e o desprezo dela</p><p>pelo McDonald's, você é um "colado" e um “cana”.</p><p>Essa busca pela alimentação segura bateu na porta de</p><p>Jesus, coitado. A demanda dos católicos descolados e</p><p>bacanas é que o corpo de Cristo venha sem glúten. Uma</p><p>hóstia "gluten free". O papa, seguramente uma pes-</p><p>soa desocupada, teve que se preocupar com o corpo</p><p>de Cristo sem glúten. A commoditização da religião, ou</p><p>seja, a transformação da religião em produto, um dia</p><p>chegaria a isso: que Jesus emagreça seus fiéis.</p><p>Um segundo tipo de descolado e bacana é aquele pai</p><p>que fica lambendo o filho pra todo mundo achar que ele</p><p>é um "novo homem". Esse "novo homem" é, na verdade,</p><p>um mito pra cobrir a desarticulação crescente das rela-</p><p>ções entre homem e mulher. Homens cuidam de filhos há</p><p>décadas, mas agora pai que cuida de filho virou homem</p><p>descolado e bacana, com direito à licença-paternidade</p><p>de 40 dias, dada por empresas descoladas e bacanas.</p><p>Além de tornar o emprego ainda mais caro (coisa que a</p><p>lei trabalhista faz, inviabilizando o emprego no país), a</p><p>sorte dessas empresas é que as pessoas cada vez mais</p><p>se separam antes de ter filhos. As que não se separam,</p><p>por sua vez, ou têm um filho só ou</p><p>um cachorro. Logo,</p><p>fica barato posar de empresa descolada e bacana. Que-</p><p>ria ver se a moçada fosse corajosa como os antigos e</p><p>tivesse cinco filhos por casal. Com o crescimento da</p><p>cultura pet, logo empresas descoladas e bacanas darão</p><p>licença de uma semana quando o cachorro do casal fi-</p><p>car doente. E esse "direito" será uma exigência do capi-</p><p>talismo consciente. Aliás, descolados e bacanas adotam</p><p>cachorros vira-latas para comprovar seu engajamento</p><p>contra a desigualdade social animal.</p><p>Um terceiro tipo de gente descolada e bacana é o pra-</p><p>ticante de formas solidárias de economia. Este talvez</p><p>seja o tipo mais descolado e bacana dos descritos até</p><p>aqui nessa tipologia de bolso que ofereço a você, a fim</p><p>de que aprenda a se mover neste mundo contemporâ-</p><p>neo tão avançado em que vivemos.</p><p>Uma nova "proposta" (expressões como "proposta" e</p><p>"projeto" são essenciais se você quer ser uma pessoa</p><p>descolada e bacana) é oferecer sua casa "de graça"</p><p>para pessoas morarem com você. Calma! Se o leitor for</p><p>alguém minimamente inteligente, desconfiará dessa pro-</p><p>posta. Algumas dessas propostas ainda vêm temperadas</p><p>com um discurso de "empoderamento" das mulheres</p><p>que colaborariam umas com as outras. Explico.</p><p>Imagine que uma mãe single ofereça um quarto na casa</p><p>dela para outra mulher em troca de ela cuidar do ma-</p><p>ravilhoso e criativo filho pequeno dessa mãe single. En-</p><p>tendeu? Sim, trabalho escravo empacotado pra presente.</p><p>Gourmetizado dentro de um discurso de "solidariedade</p><p>feminina" e economia colaborativa. Na prática, você tra-</p><p>balharia em troca de casa e comida. Essa proposta é ainda</p><p>mais ridícula do que aquela em que você, jovem, recebe a</p><p>"graça" de trabalhar de graça pra um marca famosa que</p><p>combate a fome na África em troca de experiência e para</p><p>enriquecer seu "book". Na China eles são mais solidários</p><p>do que isso, você ganharia pelo menos um dólar.</p><p>Sim, o mundo contemporâneo é ridículo de doer. Com suas</p><p>modinhas e terminologias chiques. Coitada da esquerda</p><p>que abraça essas pautas criativas. Saudades do Lênin?</p><p>(por luiz felipe ponDé. folha De s. paulo, 31 De Julho De</p><p>2017). fonte: http://www1.folha.uol.com.Br/colunas/</p><p>luizfelipeponDe/2017/07/1905751-DescolaDos-eBacanas-</p><p>aDotam-vira-latas-e-peDem-hostia-gluten-free.shtml</p><p>1. (Unioeste 2018) Considerando as palavras entre as-</p><p>pas no texto, assinale a alternativa em que estas NÃO</p><p>criam efeito de ironia sobre os termos aspeados:</p><p>a) “E esse ‘direito’ será uma exigência do capitalismo</p><p>consciente”.</p><p>b) “Uma nova ‘proposta’ é oferecer sua casa ‘de gra-</p><p>ça’ para pessoas morarem com você”.</p><p>c) “Expressões como ‘proposta’ e ‘projeto’ são essenciais</p><p>se você quer se tornar uma pessoa descolada e bacana”.</p><p>d) “Essa proposta é ainda mais ridícula do que aquela</p><p>em que você, jovem, recebe a ‘graça’ de trabalhar de</p><p>graça para uma marca famosa”.</p><p>e) “Algumas dessas propostas ainda vêm temperadas</p><p>com um discurso de ‘empoderamento’ das mulheres”.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>O promotor de justiça Alexandre Couto Joppert foi</p><p>afastado temporariamente da banca examinadora de</p><p>um concurso para o Ministério Público do Estado do Rio</p><p>de Janeiro e será alvo de uma investigação da própria</p><p>Promotoria. Examinador de Direito Penal, durante uma</p><p>prova oral, ele narrou um caso hipotético de estupro</p><p>coletivo e disse que o criminoso que praticou a conjun-</p><p>ção carnal “ficou com a melhor parte, dependendo da</p><p>vítima”. A prova é aberta ao público e algumas pessoas</p><p>gravaram a afirmação do promotor. “Um (criminoso) se-</p><p>gura, outro aponta a arma, outro guarnece a porta da</p><p>casa, outro mantém a conjunção – ficou com a melhor</p><p>parte, dependendo da vítima – mantém a conjunção</p><p>carnal e o outro fica com o carro ligado pra assegurar a</p><p>fuga”, narrou o promotor. Divulgada em redes sociais,</p><p>a afirmação causou revolta. Muitas pessoas acusam o</p><p>promotor de difundir a cultura do estupro. Em nota,</p><p>o procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Ja-</p><p>neiro, Marfan Martins Vieira, informou ter instaurado</p><p>inquérito para apurar a conduta do promotor, além de</p><p>afastá-lo da banca examinadora “até a conclusão da</p><p>apuração dos fatos”. Autor de livros jurídicos, Joppert</p><p>atua na Assessoria de Atribuição Originária em Maté-</p><p>ria Criminal do Ministério Público, setor subordinado à</p><p>Subprocuradoria-Geral de Justiça de Assuntos Institu-</p><p>cionais e Judiciais. O promotor divulgou nota em que</p><p>afirma ter sido mal interpretado, já que se referia ao</p><p>ponto de vista do criminoso. “Ao me referir ao fato do</p><p>executor do ato sexual coercitivo ter ficado com a me-</p><p>lhor parte”, estava tratando da “opinião hipotética do</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 73</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>próprio praticante daquele odioso crime contra a digni-</p><p>dade sexual”.</p><p>aDaptaDo De: grellet, f. polêmica soBre estupro afasta</p><p>promotor. folha De lonDrina. 24 Jun. 2016. geral. p. 7.</p><p>2. (UEL) Com relação aos termos sublinhados no texto,</p><p>considere as afirmativas a seguir.</p><p>I. As aspas usadas ao longo do texto marcam o discurso</p><p>direto do promotor Alexandre Couto Joppert.</p><p>II. O termo “que” pertence à mesma classe gramatical</p><p>nas duas ocorrências apresentadas.</p><p>III. A expressão “além de” reforça o caráter aditivo pre-</p><p>sente no período.</p><p>IV. O termo “mal” modifica a palavra “interpretado”,</p><p>atribuindo-lhe ideia de modo.</p><p>Assinale a alternativa correta.</p><p>a) Somente as afirmativas I e II são corretas.</p><p>b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.</p><p>c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.</p><p>d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.</p><p>e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>O MITO DO TEMPO REAL</p><p>O descompasso entre a velocidade das máquinas e a</p><p>capacidade de compreensão de seus usuários leva a um</p><p>quadro de ansiedade social sem precedentes. Em blogs,</p><p>redes sociais, podcasts e mensagens eletrônicas diver-</p><p>sas todos pedem desculpas pela demora em responder</p><p>às demandas de seus interlocutores, impacientes como</p><p>nunca. E-mails que não sejam atendidos em algumas</p><p>horas acabam encaminhados para outras redes, em um</p><p>apelo público por uma resposta.</p><p>No desespero por contato instantâneo, telefones cha-</p><p>mam repetidamente em horas impróprias, mensagens</p><p>de texto são trocadas madrugada adentro, conversas</p><p>multiplicam-se por comunicadores instantâneos e toda</p><p>ocasião – do trânsito ao banheiro, do elevador à cama,</p><p>da hora do almoço ao fim de semana – parece uma la-</p><p>cuna propícia para se resolver uma pendência.</p><p>[...]</p><p>A resposta imediata a uma requisição é chamada tec-</p><p>nicamente de “tempo real”, mesmo que não haja nada</p><p>verdadeiramente real nem humano nessa velocidade. O</p><p>tempo imediato, sem pausas nem espera, em que tudo</p><p>acontece num estalar de dedos é uma ficção. Desejá-lo</p><p>não aumenta a eficiência. Pelo contrário, pode ser ex-</p><p>tremamente prejudicial.</p><p>Muitos combatem a superficialidade nas relações di-</p><p>gitais pelos motivos errados, questionando a validade</p><p>dos “amigos” no Facebook ou “seguidores” no Twitter</p><p>ao compará-los com seus equivalentes analógicos. O</p><p>problema não está na tecnologia, mas na intensidade</p><p>dispensada em cada interação. Seja qual for o meio</p><p>em que ele se dê, o contato entre indivíduos demanda</p><p>tempo, e nesse tempo não é só a informação pura e</p><p>simples que se troca. Festas, conversas, leituras, relacio-</p><p>namentos, músicas e filmes de qualidade não podem</p><p>ser acelerados ou resumidos a sinopses. Conversas, ao</p><p>vivo ou mediadas por qualquer tecnologia, perdem boa</p><p>parte de sua intensidade com a segmentação. O tempo</p><p>empenhado em cada uma delas é muito valioso; não</p><p>faz sentido economizá-lo, empilhá-lo ou segmentá-lo.</p><p>O tempo humano (que talvez seja irreal, se o “outro”</p><p>for provado real) é bem mais lento. Nossas vidas são</p><p>marcadas tanto pela velocidade quanto pela lentidão.</p><p>[...]</p><p>Essa quebra da sequência histórica faz com que mui-</p><p>tos processos pareçam herméticos ou misteriosos de-</p><p>mais. Quando não há uma compreensão das etapas</p><p>componentes de um processo, não há como intervir</p><p>nelas, propondo correções, adaptações</p><p>ou melhorias.</p><p>Tal impotência leva a uma apatia, em que as condições</p><p>impostas são aceitas por falta de alternativa. Escondi-</p><p>dos seus processos industriais, os produtos adquirem</p><p>uma aura quase divina, transformando seus usuários</p><p>em consumidores vorazes, que se estapeiam em lojas à</p><p>procura do último aparelho eletrônico que se proponha</p><p>a preencher o vazio que sentem.</p><p>Incapazes de propor alternativas ou sugerir mudanças,</p><p>os consumidores são estimulados pela publicidade a</p><p>um gigantesco hedonismo e pragmatismo. A facilida-</p><p>de de acesso à abundância leva a uma passividade e</p><p>a um pensamento pragmático que defende a ideia de</p><p>“vamos aproveitar agora, pois quando acontecer um</p><p>problema alguém terá descoberto a solução”, visível na</p><p>forma com que se abordam problemas de saúde, obesi-</p><p>dade, consumo, lixo eletrônico, esgotamento de recur-</p><p>sos e poluição ambiental. Em alta velocidade há pouco</p><p>espaço para a reflexão. Reduzidos a impulsos e reflexos,</p><p>corremos o risco de deixar para trás tudo aquilo que</p><p>nos diferencia das outras espécies.</p><p>(luli raDfahrer. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.Br/</p><p>colunas/luliraDfahrer/1191007-o-mito-Do-tempo-real.shtml.)</p><p>3. (utfpr) Em relação à pontuação do texto, considere</p><p>as afirmativas a seguir.</p><p>I. No segundo parágrafo, o travessão foi empregado</p><p>para isolar a explicação da expressão anterior.</p><p>II. No terceiro parágrafo, as aspas foram empregadas para</p><p>ressaltar o valor significativo da expressão “tempo real”.</p><p>III. No quarto parágrafo, os parênteses são empre-</p><p>gados para introduzir uma generalização para a</p><p>expressão anterior.</p><p>Está(ão) correta(s) apenas:</p><p>a) I.</p><p>b) II.</p><p>c) III.</p><p>d) I e II.</p><p>e) II e III.</p><p>4. (UFU) Uma barra: na era das mensagens de texto e</p><p>das descrições de perfis no Twitter, ela se tornou um</p><p>sinal de pontuação universal para aqueles que querem</p><p>descrever rapidamente suas atividades sociais (jantar/</p><p>drinques), as ambições de carreira (trabalho/diversão) e</p><p>até mesmo os arranjos amorosos (amigo/amante).</p><p>74  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>Mas, para alguns integrantes da geração Y (aqueles nas-</p><p>cidos entre 1980 e 2000), ela se transformou em uma</p><p>espécie de marcador de identidade (advogada/atriz; re-</p><p>lações públicas/DJ; executiva/cozinheira) para aqueles</p><p>que trabalham em dois (ou mais) mundos diferentes.</p><p>Ao contrário de legiões de americanos que têm vários</p><p>empregos por necessidade, esses jovens escolhem se</p><p>esticar entre várias atividades. Enquanto um trabalho</p><p>geralmente paga as contas, outro permite algo mais cria-</p><p>tivo. Eles consideram esse coquetel de atividades essen-</p><p>cial para o bem-estar e consideram que se concentrar em</p><p>apenas uma coisa para o resto da vida é antiquado.</p><p>“Uma coisa para o resto da minha vida? Absolutamente</p><p>não”, diz Maxwell Hawes 4º, 25, que atualmente se alter-</p><p>na entre uma companhia de tecnologia para publicidade</p><p>em San Francisco e uma start-up (empresa iniciante) e de</p><p>vestuário masculino. “Eu não imagino como seria isso”.</p><p>folha De s. paulo, 28 De DezemBro De 2014.</p><p>A citação, entre aspas, presente no fim do texto relacio-</p><p>na-se à ideia desenvolvida no parágrafo anterior com o</p><p>objetivo de apresentar um(a)</p><p>a) argumento de autoridade.</p><p>b) estratégia de persuasão.</p><p>c) exemplificação como prova.</p><p>d) interlocução direta.</p><p>5. (Fac. Pequeno Príncipe - Medici) Leia o texto a seguir:</p><p>The Edge, do U2, faz história ao se apresentar na Ca-</p><p>pela Sistina</p><p>VATICANO – The Edge, guitarrista da banda irlandesa</p><p>U2, se tornou o primeiro roqueiro a tocar na Capela Sis-</p><p>tina, local que descreveu como "o salão paroquial mais</p><p>bonito do mundo".</p><p>O músico, cujo nome de batismo é David Evans, cantou</p><p>quatro músicas na noite de sábado para um público de</p><p>200 médicos, pesquisadores e filantropos que partici-</p><p>param de uma conferência sobre medicina regenerativa</p><p>no Vaticano.</p><p>Acompanhado por um coral de sete jovens irlandeses</p><p>e vestindo o gorro preto que é sua marca registrada,</p><p>ele tocou violão e cantou um cover de “If it be your</p><p>Will”, de Leonard Cohen, além de versões das músicas</p><p>“Yahweh”, “Ordinary Love” e “Walk on”, do U2.</p><p>The Edge, cujo pai morreu de câncer no mês passado e</p><p>cuja filha superou uma leucemia, faz parte do conselho</p><p>de fundações que trabalham para a prevenção do câncer.</p><p>Disponível em: .</p><p>acesso em: 01/05/2016.</p><p>Os sinais de pontuação, quando bem empregados, contri-</p><p>buem para a expressividade dos textos e podem modifi-</p><p>car o sentido das informações nele apresentadas. Sobre</p><p>a pontuação empregada na notícia a respeito do músico</p><p>The Edge, é CORRETO somente o que se afirma em:</p><p>a) A inserção de uma vírgula antes do pronome relativo</p><p>“que” em “que participaram de uma conferência (...)”</p><p>é facultativa e não promove alteração de sentido.</p><p>b) O excerto “guitarrista da banda irlandesa U2”, no</p><p>1º parágrafo, está entre vírgulas para separar o voca-</p><p>tivo dos demais termos.</p><p>c) A inserção de uma vírgula antes da conjunção “e”</p><p>em “e vestindo o gorro preto”, no penúltimo parágra-</p><p>fo, marcaria a mudança de sujeito.</p><p>d) Os segmentos “cujo nome” e “cujo pai”, no 2º e</p><p>último parágrafo, respectivamente, introduzem expli-</p><p>cações intercaladas no período, por isso são marca-</p><p>dos por vírgulas.</p><p>e) emprego das aspas no 1º e 3º parágrafos do texto</p><p>marca a isenção do periódico que publicou a notícia</p><p>em relação às informações marcadas por esse sinal</p><p>de pontuação.</p><p>E.O. dissErtAtivO</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>GERAÇÃO CANGURU</p><p>gilBerto Dimenstein</p><p>Ao mapear novas tendências de consumo no Brasil, pu-</p><p>blicitários acreditam ter detectado a "Geração Cangu-</p><p>ru". São jovens bem-sucedidos profissionalmente, têm</p><p>entre 25 e 30 anos de idade e vivem na casa dos pais. O</p><p>interesse neles é óbvio: compõem um nicho de consu-</p><p>midores com alto poder aquisitivo.</p><p>Ainda na "bolsa" da mãe, eles mostram que mudaram as</p><p>fronteiras entre o jovem e o adulto. Até pouquíssimo tem-</p><p>po atrás, um marmanjão de 30 anos, enfiado na casa dos</p><p>pais, seria visto como uma anomalia, suspeito de algum</p><p>desequilíbrio emocional que retardou seu crescimento.</p><p>O efeito "canguru" revela que pais e filhos estão mu-</p><p>tuamente mais compreensivos e tolerantes, capazes</p><p>de lidar com suas diferenças. Para quem se lembra dos</p><p>conflitos familiares do passado, marcados pelo choque</p><p>de gerações, os "cangurus" até sugerem um grau de</p><p>civilidade. Não é tão simples assim.</p><p>Estudos de publicitários divulgados nas últimas sema-</p><p>nas indicam um lado tumultuado – e nem um pouco</p><p>saudável – dessa relação familiar. Por trás das frias es-</p><p>tatísticas sobre tendência do mercado, a pergunta que</p><p>aparece é a seguinte: até que ponto os brasileiros mais</p><p>ricos estão paparicando a tal ponto seus filhos que pro-</p><p>duzem indivíduos com baixa autonomia?</p><p>Ao investigar uma amostra de 1.500 mães e filhos, no Rio</p><p>e em São Paulo, a TNS InterScience concluiu que 82% das</p><p>crianças e dos adolescentes influenciam fortemente as</p><p>compras das famílias. A pressão é especialmente intensa</p><p>nas classes A e B, cujas crianças, segundo os pesquisa-</p><p>dores, empregam cada vez mais a estratégia das birras</p><p>públicas para ganhar, na marra, o objeto de desejo.</p><p>Com medo das birras, as mães tentam, segundo a pes-</p><p>quisa, driblar os filhos e não levá-los às compras, espe-</p><p>cialmente nos supermercados, mas, muitas vezes, aca-</p><p>bam cedendo. Os responsáveis pelo levantamento da</p><p>InterScience atribuem parte do problema ao sentimen-</p><p>to de culpa. Isso porque, devido ao excesso de traba-</p><p>lho, os pais ficam muito tempo longe de casa e querem</p><p>compensar a ausência com presentes.</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 75</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>Uma pesquisa encomendada pelo Núcleo Jovem da Abril</p><p>detectou que muitos dos novos consumidores vivem</p><p>uma ansiedade tamanha que nem sequer usufruem o</p><p>que levam para casa. Já estão esperando o produto que</p><p>vai sair. É ninfomania consumista. Jovens relataram que</p><p>nunca usaram, nem mesmo uma vez, roupas que adqui-</p><p>riram. Aposentam aparelhos eletrodomésticos compra-</p><p>dos recentemente porque já estariam defasados.</p><p>Psicólogos suspeitam que essa atitude seja uma fuga</p><p>para aplacar a ansiedade e a carência, provocadas, em</p><p>parte, pela falta de limite. Imaginando-se modernos,</p><p>pais tentam ser amigos de seus filhos e, assim, desfa-</p><p>z-se a obrigação de dizer não e enfrentar o conflito. O</p><p>resultado é, no final, uma desconfiança, explicitada pe-</p><p>los entrevistados, ainda maior em relação aos adultos.</p><p>Outro estudo, desta vez patrocinado pela MTV, detectou</p><p>um início de tendência entre os jovens de insatisfação</p><p>diante de pais extremamente permissivos. Estão deman-</p><p>dando adultos mais pais do que amigos. Para complicar</p><p>ainda mais a insegurança das crianças e dos adolescen-</p><p>tes, a violência nas grandes cidades leva os pais, com-</p><p>preensivelmente, a pilotar os filhos pelas madrugadas,</p><p>para saber se não sofreram uma violência. Brincar nas</p><p>ruas está desaparecendo da paisagem urbana, ajudando</p><p>a formar seres obesos, presos ao computador.</p><p>Há pencas de estudo mostrando como a brincadeira,</p><p>dessas em que nos sujamos, ralamos o joelho na árvore,</p><p>ajuda a desenvolver a criatividade, o senso de autonomia</p><p>e de cooperação. É um espaço de estímulo à imaginação.</p><p>Todos sabemos como é difícil alguém prosperar, com</p><p>autonomia, se não souber lidar com a frustração. Muito</p><p>se estuda sobre a importância da resiliência – a capa-</p><p>cidade de levar tombos e levantar como um elemento</p><p>educativo fundamental.</p><p>Professores contam, cada vez mais, como os alunos</p><p>não têm paciência de construir o conhecimento e de-</p><p>sistem logo quando as tarefas se complicam um pou-</p><p>co. Por isso, entre outras razões, os alunos decepcio-</p><p>nam-se rapidamente na faculdade que exige mais foco</p><p>em poucos assuntos.</p><p>Os educadores alertam que muitos jovens têm dificulda-</p><p>de de postergar o prazer e buscam a realização imediata</p><p>dos desejos; respondem exatamente ao bombardea-</p><p>mento publicitário, inclusive na ingestão de álcool, como</p><p>vamos testemunhar, mais uma vez, nas propagandas de</p><p>cerveja neste verão. Daí o risco de termos "cangurus"</p><p>que fiquem cada vez mais na bolsa (e no bolso) dos pais.</p><p>P.S. – Em todos esses anos lidando com educação comu-</p><p>nitária, posso assegurar que uma das melhores coisas</p><p>que as escolas de elite podem fazer por seus alunos é</p><p>estimulá-los ao empreendedorismo social. É um notável</p><p>treino para enfrentar desafios. Enfrentam-se em asilos,</p><p>creches e favelas os limites e as carências. Conheci ca-</p><p>sos e mais casos de alunos problemáticos que mudaram</p><p>sua cabeça ao desenvolver uma ação comunitária e pas-</p><p>saram, até mesmo, a valorizar o aprendizado curricular.</p><p>http://www1.folha.uol.com.Br/folha/Dimenstein/colunas/gD121205.htm</p><p>1. (UFJF) Leia novamente:</p><p>“São jovens bem-sucedidos profissionalmente, têm en-</p><p>tre 25 e 30 anos de idade e vivem na casa dos pais. O</p><p>interesse neles é óbvio: compõem um nicho de consu-</p><p>midores com alto poder aquisitivo.”</p><p>a) Com base na leitura do texto, identifique 3 fatores</p><p>que justificam o fato de esses jovens apresentarem</p><p>alto poder aquisitivo.</p><p>b) Qual é a função sintático-semântica do uso dos</p><p>dois pontos na última oração do período acima des-</p><p>tacado?</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>ISRAEL, O BEM E O MAL</p><p>Denis russo Burgierman</p><p>Enquanto o país fundado pelas vítimas do Holocausto</p><p>transformou-se em vilão, a pátria de Hitler virou exem-</p><p>plo de fofura. Afinal, os israelenses são bons ou maus? E</p><p>os alemães? A resposta não está neles: está no ambiente.</p><p>Se um viajante do tempo saísse de 1950 e viesse bater</p><p>em 2014, e calhasse de lhe cair em mãos a pesquisa da</p><p>BBC que mede a popularidade dos países, talvez achasse</p><p>que os dados estavam de cabeça para baixo. Segundo</p><p>a pesquisa, realizada com 25 mil pessoas de 24 países,</p><p>a nação mais popular que existe, vista por das pesso-</p><p>as como “uma influência positiva” para o planeta, é a</p><p>Alemanha. Já os países mais malvistos, considerados por</p><p>mais da metade dos terráqueos como uma “influência</p><p>negativa”, são Irã, Paquistão, Coreia do Norte e… Israel.</p><p>O viajante do tempo não entenderia nada. Os alemães,</p><p>portadores da mesma carga genética da nação que</p><p>elegeu e apoiou Hitler no mais horripilante projeto de</p><p>genocídio industrial da história, transformaram-se nos</p><p>fofos do mundo (e olha que a pesquisa foi realizada an-</p><p>tes da Copa de 2014). E Israel, fundado em 1948, em</p><p>nome da liberdade, da justiça e da paz, pelas próprias</p><p>vítimas do nazismo, com amplo apoio dos progressistas,</p><p>disputa, hoje, a lanterna da vilania global apenas com</p><p>ditaduras fundamentalistas (e olha que a pesquisa foi</p><p>realizada antes que bombardeios israelenses matassem</p><p>crianças palestinas brincando em Gaza).</p><p>Se as pessoas que vivem em Israel e na Alemanha pos-</p><p>suem os mesmos genes e as mesmas tradições de seus</p><p>avós, que passaram pela guerra encarnando, respecti-</p><p>vamente, “o bem” e “o mal”, o que mudou em meros</p><p>70 anos? Nosso viajante, se quisesse descobrir a respos-</p><p>ta, poderia ajustar sua máquina do tempo para as 10</p><p>horas do dia 14 de agosto de 1971.</p><p>Naquela manhã de sol, a tranquilidade da rica cidadezi-</p><p>nha californiana de Palo Alto foi subitamente quebrada</p><p>por uma visão rara: policiais algemando um estudante</p><p>branco e conduzindo-o firmemente ao banco de trás da</p><p>viatura, sob o olhar assustado dos vizinhos. Aquele seria</p><p>o primeiro de nove jovens levados presos.</p><p>Nenhum dos nove tinha cometido crime algum – eram</p><p>estudantes saudáveis e comuns que tinham se volunta-</p><p>riado para uma pena de duas semanas numa prisão si-</p><p>mulada, montada num porão da Universidade Stanford,</p><p>em troca de por dia. Os guardas dessa prisão seriam 15</p><p>rapazes tão saudáveis e comuns quanto os prisioneiros,</p><p>contratados pelo mesmo salário. O autor da pesquisa,</p><p>76  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>o psicólogo Philip Zimbardo, definiu por sorteio quem</p><p>seria guarda e quem seria prisioneiro. A partir daí, os</p><p>prisioneiros seriam tratados apenas por números, e fo-</p><p>ram obrigados a referir-se aos guardas como “senhor</p><p>oficial correcional”. Nada de nomes.</p><p>Apenas seis dias depois, o Stanford Prison Experiment</p><p>teve que ser encerrado prematuramente, após vários</p><p>prisioneiros sofrerem colapsos nervosos. A convivência</p><p>entre os dois grupos de rapazes comuns tinha degrin-</p><p>golado para a hostilidade aberta. Os guardas abusaram</p><p>de torturas, humilhações e atos de crueldade gratuita.</p><p>Já os prisioneiros sentiam-se impotentes, deprimidos e</p><p>se tornaram dissimulados e amargos.</p><p>Ao fim do experimento, havia desaparecido qualquer</p><p>sinal de empatia entre um lado e outro. Um guarda</p><p>resumiu como uns viam os outros: “esqueci que os</p><p>prisioneiros eram gente”. Esse fenômeno é conheci-</p><p>do pelos psicólogos como “desumanização”. Segundo</p><p>Zimbardo, a desumanização desliga nosso senso mo-</p><p>ral. Em seu livro O Efeito Lúcifer, ele explica que, quan-</p><p>do isso acontece, pessoas comuns tornam-se capazes</p><p>de cometer atrocidades.</p><p>Para que a desumanização ocorra, é importante apagar a</p><p>individualidade de quem está do outro lado. É o que re-</p><p>velou um outro experimento clássico, realizado em 1963</p><p>por Stanley Milgram, na Universidade Yale. Nesse estudo,</p><p>os sujeitos de pesquisa tinham a tarefa de administrar</p><p>choques elétricos em voluntários vistos através de um</p><p>vidro (os voluntários na verdade eram atores fingindo</p><p>estrebuchar). Em alguns dos testes, uma pessoa na sala</p><p>comentava de passagem que os sujeitos tomando cho-</p><p>ques eram “legais”. Em outros, o comentário era: “eles</p><p>parecem animais”. Embora os atores fingindo levar cho-</p><p>que fossem sempre os mesmos, os sujeitos da pesqui-</p><p>sa estavam muito mais dispostos a eletrocutar o outro</p><p>quando ele era descrito como “animal”.</p><p>É que o primeiro passo para a desumanização é rotular</p><p>o sujeito do outro lado. A partir do momento em que</p><p>acreditamos que o outro não é um ser humano, mas um</p><p>animal, tornamo-nos capazes de basicamente tudo. Um</p><p>ambiente onde há uma grande desigualdade de poder –</p><p>como uma prisão – é o lugar perfeito para que ocorra ro-</p><p>tulagem e, portanto, desumanização. É exatamente</p><p>o que</p><p>existe hoje no Oriente Médio, onde, na prática, todo um</p><p>povo (os palestinos) virou prisioneiro de um país (Israel).</p><p>O que as pesquisas mostram é que, nessas situações, não</p><p>adianta procurar culpados. Não interessa saber quem co-</p><p>meçou a briga ou quem tem mais razão – o que interessa</p><p>é o ambiente. Enquanto os dois povos se relacionarem</p><p>como se estivessem numa prisão, é inevitável que um</p><p>não enxergue a humanidade do outro. Os mais pode-</p><p>rosos tendem a perder a compaixão pelo outro lado, e</p><p>acabam achando normal ser brutal. Os menos poderosos</p><p>tendem a acreditar que seus rivais são todos maus e pre-</p><p>cisam ser destruídos. A única solução para uma situação</p><p>assim é mudar o ambiente. Foi o que a Alemanha fez nas</p><p>últimas três décadas, quando uma sociedade tolerante,</p><p>igualitária e largamente desmilitarizada foi instituída.</p><p>Nós humanos fomos geneticamente programados para</p><p>acreditar que há pessoas boas e más, e que um abis-</p><p>mo separa umas das outras. A realidade é que o mal</p><p>mora em cada um de nós. O primeiro passo para libe-</p><p>rá-lo é acreditar que os inimigos são animais – ou al-</p><p>gum outro rótulo, como “reacionários”, “comunistas”,</p><p>“petralhas”, “tucanalhas”, “macacos”, “argentinos”,</p><p>“feminazis”, “falocratas”, “talibikers”, “burgueses”,</p><p>“evangélicos”, “judeus”, “terroristas”.</p><p>Isso dito, nosso viajante do tempo, depois de ter pre-</p><p>senciado a carnificina da Segunda Guerra Mundial,</p><p>talvez se assustasse ao ver o tom desumanizador dos</p><p>comentários no Facebook de 2014.</p><p>Burgierman, Denis russo. superinteressante.</p><p>Disponível em:. acesso em: 29 ago. 2014.</p><p>2. (Ufjf-pism 3) “Já os países mais malvistos, conside-</p><p>rados por mais da metade dos terráqueos como uma</p><p>‘influência negativa’, são Irã, Paquistão, Coreia do Norte</p><p>e… Israel.”</p><p>a) O autor empregou as reticências para causar que</p><p>efeito argumentativo?</p><p>b) Reescreva a frase, mantendo o mesmo efeito argu-</p><p>mentativo, porém sem empregar as reticências.</p><p>3. (Ufu 2018) As interrupções frequentes e o tom quase</p><p>irônico dos congressistas deixavam claro que estávamos</p><p>assistindo ao mais bem produzido “puxão de orelha” da</p><p>história da internet. A imagem do jovem empresário acu-</p><p>ado, sendo constrangido perante os “representantes do</p><p>povo”, é poderosa: algo está sendo feito.</p><p>O prazer quase sádico que se sente com a reprimenda</p><p>é justificável: em sua saga para tornar o mundo mais</p><p>“aberto e conectado”, o Facebook já errou muito. Com</p><p>os erros, costumam vir as desculpas e, com elas, algu-</p><p>mas mudanças. O que não muda é o modelo de negó-</p><p>cios da empresa que, graças à coleta massiva de dados</p><p>de usuários, pode oferecer sofisticadas ferramentas de</p><p>direcionamento de anúncios, serviço esse que é respon-</p><p>sável por grande parte de sua invejável receita de US$</p><p>40,6 bilhões, só em 2017.</p><p>O que parece não ter ficado claro é que Zuckerberg não</p><p>construiu tudo isso sozinho. O Facebook só existe – e con-</p><p>tinuará existindo – da forma como ele é porque o Con-</p><p>gresso dos EUA nunca implementou um modelo regu-</p><p>latório que protegesse satisfatoriamente a privacidade</p><p>dos usuários de internet. Sempre que surgiram propostas</p><p>nesse sentido, elas foram sumariamente rechaçadas.</p><p>antonialli, DennYs. auDiencias De zucKerBerg no congresso Dos</p><p>eua foram teatro De cúmplices. o estaDo De s. paulo. 12 aBr. 2018.</p><p>Disponível em: . acesso em: 12 aBr. 2018.</p><p>Considerando-se o emprego das aspas no texto, dis-</p><p>corra sobre a opinião do autor com relação aos temas</p><p>abaixo. Indique outros elementos, retirados do texto,</p><p>que justifiquem sua resposta.</p><p>a) Facebook.</p><p>b) Congresso norte-americano.</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 77</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>4. (Fgv) Leia o texto e, em seguida, atenda ao que se pede.</p><p>ESPIGAS CHEIAS OU CHOCHAS</p><p>Este é o momento de cair na real. Não há muita saída para</p><p>o drama da hora, senão consertar o que está quebrado.</p><p>A economia vive de ciclos, curtos e longos. Disso já se</p><p>sabia desde José do Egito, filho de Jacó, que avisou o</p><p>faraó de que sete anos de vacas magras e de espigas</p><p>chochas sucederiam a sete anos de vacas gordas e es-</p><p>pigas cheias.</p><p>Para enfrentar caprichos do setor produtivo desse tipo</p><p>é que a humanidade aprendeu a fazer estoques, a em-</p><p>pilhar reservas e criar fundos de segurança, também</p><p>desde José do Egito ou desde o escravo grego Esopo, o</p><p>autor da fábula da cigarra e da formiga.</p><p>Um dos grandes problemas da economia brasileira é o</p><p>de que enfrenta agora brutal crise fiscal sem que ad-</p><p>ministradores previdentes tenham previsto a tragédia</p><p>nem se preparado para enfrentá-la.</p><p>celso ming, http://economia.estaDao.com.Br, 04/05/2016.</p><p>a) Tendo em vista o assunto desenvolvido no texto,</p><p>o que existe de comum entre a fábula de Esopo e a</p><p>história bíblica de José do Egito?</p><p>b) Entendido em seu sentido literal, o trecho “sem</p><p>que administradores previdentes tenham previsto”</p><p>contém uma incoerência. O emprego de aspas em</p><p>uma das palavras desse trecho, conferindo a ela um</p><p>sentido especial, eliminaria a incoerência? Justifique.</p><p>5. (Ufu) O dino está nu</p><p>Coloquem penas nesse velociraptor</p><p>“Se ele não tivesse dito que atualizaria os dinossauros,</p><p>tudo bem”, reclama Maurilio Oliveira, um dos mais reno-</p><p>mados paleoartistas brasileiros. Ele, no caso, é Colin Trevor-</p><p>row, o americano que assina a direção de Jurassic World,</p><p>quarto filme da franquia inaugurada em 1993 por Steven</p><p>Spielberg. “E quando ele fez essa promessa, anos atrás,</p><p>toda a comunidade paleontológica sentiu um bem-estar”.</p><p>As expectativas submergiram quando saiu a divulgação</p><p>do filme, semanas atrás. “Garanto que no Brasil fui um</p><p>dos primeiros a assistir ao trailer. Como fã, quero estar</p><p>na primeira fila da primeira sessão. Mas como paleo-</p><p>artista, alguém cujo trabalho é traduzir em imagens a</p><p>visão científica dos dinossauros, tenho sérias reservas.”</p><p>A decepção começou já na cena inicial em que surgem</p><p>os protagonistas. “Aqueles bichos correndo junto com</p><p>humanos, os raptores” – ele se refere aos bípedes es-</p><p>verdeados de bracinhos inúteis que trotam ao lado de</p><p>um jipe de safári –, “aqueles bichos tinham penas”.</p><p>Informações como essa surpreendem o leigo incauto</p><p>que conhece o Mesozoico apenas por intermédio de</p><p>Hollywood e ainda reluta em acreditar que dinossau-</p><p>ros – de 60 milhões de anos atrás – nunca perseguiram</p><p>homens das cavernas de 6 milhões.</p><p>Duarte, Douglas. o Dino estÁ nu. piauí. sÃo paulo,</p><p>ano 9, n. 100, p. 13, Jan. 2015. (fragmento)</p><p>Com base na leitura do texto, explique</p><p>a) qual é a função das aspas empregadas ao longo do texto.</p><p>b) qual é o posicionamento do autor do texto em re-</p><p>lação aos dizeres colocados entre aspas, indicando</p><p>outro elemento textual que contribuiu para que você</p><p>reconhecesse a opinião do autor sobre o tema tratado.</p><p>E.O. ObjEtivAs</p><p>(UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp)</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>A(s) questão(ões) a seguir focalizam uma passagem da</p><p>comédia O juiz de paz da roça do escritor Martins Pena</p><p>(1815-1848).</p><p>JUIZ (assentando-se): Sr. Escrivão, leia o outro requerimento.</p><p>ESCRIVÃO (lendo): Diz Francisco Antônio, natural de</p><p>Portugal, porém brasileiro, que tendo ele casado com</p><p>Rosa de Jesus, trouxe esta por dote uma égua. “Ora,</p><p>acontecendo ter a égua de minha mulher um filho, o</p><p>meu vizinho José da Silva diz que é dele, só porque o</p><p>dito filho da égua de minha mulher saiu malhado como</p><p>o seu cavalo. Ora, como os filhos pertencem às mães,</p><p>e a prova disto é que a minha escrava Maria tem um</p><p>filho que é meu, peço a V. Sa. mande o dito meu vizinho</p><p>entregar-me o filho da égua que é de minha mulher”.</p><p>JUIZ: É verdade que o senhor tem o filho da égua preso?</p><p>JOSÉ DA SILVA: É verdade; porém o filho me pertence,</p><p>pois é meu, que é do cavalo.</p><p>JUIZ: Terá a bondade de entregar o filho a seu dono,</p><p>pois é aqui da mulher do senhor.</p><p>JO SÉ DA SILVA: Mas, Sr. Juiz...</p><p>JUIZ: Nem mais nem meios mais; entregue o filho,</p><p>senão, cadeia.</p><p>(martins pena. coméDias (1833-1844), 2007.)</p><p>1. (Unifesp) O emprego das aspas no interior da fala do</p><p>escrivão indica que tal trecho</p><p>a) reproduz a solicitação de Francisco Antônio.</p><p>b) recorre a jargão próprio da área jurídica.</p><p>c) reproduz a fala da mulher de Francisco Antônio.</p><p>d) é desacreditado pelo próprio escrivão.</p><p>e) deve ser interpretado em chave irônica.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Você conseguiria ficar 99 dias sem o Facebook?</p><p>Uma organização não governamental holandesa está</p><p>propondo um desafio que muitos poderão considerar</p><p>impossível: 1ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadi-</p><p>nha” no Facebook. O objetivo é medir o grau de felici-</p><p>dade dos usuários longe da rede social.</p><p>O projeto também é uma resposta aos experimentos psi-</p><p>cológicos realizados pelo próprio Facebook. A diferença</p><p>neste caso é que o teste é completamente voluntário.</p><p>78  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>Ironicamente, para poder participar, o usuário deve tro-</p><p>car a foto do perfil no Facebook e postar um contador</p><p>na rede social.</p><p>Os pesquisadores irão avaliar o grau de satisfação e fe-</p><p>licidade dos participantes no 33º dia, no 66º e no último</p><p>dia da abstinência.</p><p>Os responsáveis apontam que os usuários do Facebook</p><p>gastam em média 17 minutos por dia na rede social. Em</p><p>99 dias sem acesso, a soma média seria equivalente a</p><p>mais de 28 horas, 2que poderiam ser utilizadas em “ati-</p><p>vidades emocionalmente mais realizadoras”.</p><p>(http://coDigofonte.uol.com.Br. aDaptaDo.)</p><p>2. (Unifesp) Considere o enunciado a seguir:</p><p>[...] ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no Fa-</p><p>cebook. (ref. 1)</p><p>[...] que poderiam ser utilizadas em “atividades emocio-</p><p>nalmente mais realizadoras”. (ref. 2)</p><p>Nos dois trechos, utilizam-se as aspas, respectivamen-</p><p>te, para</p><p>a) indicar o sentido metafórico e marcar a fala coloquial.</p><p>b) enfatizar o discurso direto e marcar uma citação.</p><p>c) marcar o sentido pejorativo e enfatizar o sentido me-</p><p>tafórico.</p><p>d) assinalar a ironia e indicar a fala de uma pessoa.</p><p>e) realçar o sentido do substantivo e indicar uma trans-</p><p>crição.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Ossian o bardo é triste como a sombra</p><p>Que seus cantos povoa. O Lamartine</p><p>É monótono e belo como a noite,</p><p>Como a lua no mar e o som das ondas...</p><p>Mas pranteia uma eterna monodia,</p><p>Tem na lira do gênio uma só corda;</p><p>Fibra de amor e Deus que um sopro agita:</p><p>Se desmaia de amor a Deus se volta,</p><p>Se pranteia por Deus de amor suspira.</p><p>Basta de Shakespeare. Vem tu agora,</p><p>Fantástico alemão, poeta ardente</p><p>Que ilumina o clarão das gotas pálidas</p><p>Do nobre Johannisberg! Nos teus romances</p><p>Meu coração deleita-se... Contudo,</p><p>Parece-me que vou perdendo o gosto,</p><p>(...)</p><p>(Álvares De azeveDo, "lira Dos vinte anos")</p><p>3. (Fuvest) "Fibra de amor e Deus que um sopro agita:"</p><p>(verso 7)</p><p>Os dois pontos no final deste verso introduzem uma</p><p>a) citação.</p><p>b) explicação.</p><p>c) enumeração.</p><p>d) gradação.</p><p>e) concessão.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>SINAL FECHADO</p><p>(...)</p><p>- Me perdoe a pressa,</p><p>é a alma dos nossos negócios...</p><p>- Oh, não tem de quê,</p><p>eu também só ando a cem...</p><p>(...)</p><p>- Tanta coisa que eu tinha a dizer,</p><p>mas eu sumi na poeira das ruas...</p><p>- Eu também tenho algo a dizer,</p><p>mas me foge à lembrança...</p><p>- Por favor, telefone, eu preciso beber</p><p>alguma coisa rapidamente...</p><p>- Pra semana...</p><p>- O sinal...</p><p>- Eu procuro você...</p><p>- Vai abrir! Vai abrir!</p><p>- Prometo, não esqueço...</p><p>- Por favor, não esqueça...</p><p>- Não esqueço, não esqueço...</p><p>- Adeus...</p><p>paulinho Da viola.</p><p>4. (Fuvest) O uso reiterado das reticências na letra da</p><p>canção denota o propósito de marcar, na escrita,</p><p>a) as interrupções que ocorreram na breve e apres-</p><p>sada conversa.</p><p>b) a ausência de interesse das personagens em dialogar.</p><p>c) a supressão de falas que poderiam parecer agressivas.</p><p>d) a enumeração de acontecimentos que deram ori-</p><p>gem ao encontro.</p><p>e) as omissões de fatos relevantes que as persona-</p><p>gens decidem ocultar.</p><p>5. (Fuvest) As aspas marcam o uso de uma palavra ou</p><p>expressão de variedade linguística diversa da que foi</p><p>usada no restante da frase em:</p><p>a) Essa visão desemboca na busca ilimitada do lucro,</p><p>na apologia do empresário privado como o "grande</p><p>herói" contemporâneo.</p><p>b) Pude ver a obra de Machado de Assis de vários ân-</p><p>gulos, sem participar de nenhuma visão "oficialesca".</p><p>c) Nas recentes discussões sobre os "fundamentos"</p><p>da economia brasileira, o governo deu ênfase ao</p><p>equilíbrio fiscal.</p><p>d) O prêmio Darwin, que "homenageia" mortes estú-</p><p>pidas, foi instituído em 1993.</p><p>e) Em fazendas de Minas e Santa Catarina, quem</p><p>aprecia o campo pode curtir o frio, ouvindo "causos"</p><p>à beira da fogueira.</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 79</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>gAbAritO</p><p>E.O. Aprendizagem</p><p>1. C 2. B 3. C 4. D 5. C</p><p>6. D 7. B 8. B 9. D 10. A</p><p>E.O. Fixação</p><p>1. B 2. E 3. D 4. D 5. B</p><p>6. E 7. A 8. B 9. D 10. B</p><p>E.O. Complementar</p><p>1. C 2. C 3. D 4. C 5. D</p><p>E.O. Dissertativo</p><p>1.</p><p>a) Trata-se de jovens bem-sucedidos profissionalmente, que</p><p>pertencem a uma classe social sem problemas econômicos</p><p>e que, apesar de adultos, ainda não moram em espaço pró-</p><p>prio. A ausência de responsabilidades com a sobrevivência</p><p>do cotidiano, facilitada pelo excessivo protecionismo de</p><p>pais, permite que grande parte do salário, auferido pelo bom</p><p>desempenho profissional, seja direcionado para a aquisição</p><p>de produtos oferecidos constantemente em propagandas.</p><p>b) O emprego dos dois-pontos é usado para indicar</p><p>que tudo o que estiver adiante dele detalha ou expli-</p><p>ca a frase anterior.</p><p>2.</p><p>a) O uso das reticências cria o efeito argumentativo</p><p>de quebra de expectativa, como se demarcasse uma</p><p>exclamação com o sentido de “pasme!”, “surpreen-</p><p>dentemente”, pois Israel é um país que tem um povo</p><p>que historicamente foi visto como vítima, sobretudo</p><p>por conta do Holocausto, mas que hoje em dia inte-</p><p>gra o ranking dos países mais malvistos no mundo.</p><p>b) Já os países mais malvistos, considerados por mais da</p><p>metade dos terráqueos como uma “influência negati-</p><p>va”, são Irã, Paquistão, Coreia do Norte e, surpreenden-</p><p>temente/por incrível que pareça/acredite/pasme, Israel.</p><p>3.</p><p>a) Considerando-se o emprego irônico das aspas e relacio-</p><p>nando-as com outros elementos referenciados no texto, in-</p><p>fere-se que o autor, mesmo reconhecendo o caráter "aberto</p><p>e conectado" da rede social Facebook, critica a sequência</p><p>de erros e de mudanças que enfatizam "a coleta massiva</p><p>de dados de usuários" como "modelo de negócios".</p><p>b) O autor discorre sobre a posição ambígua do Congres-</p><p>so Norte-americano partindo do princípio que a represália</p><p>("puxão de orelha") não passava de uma encenação pelo</p><p>fato de "os representantes do povo" norte-americano</p><p>nunca terem implementado um "modelo regulatório”</p><p>que protegesse a privacidade dos usuários de internet, o</p><p>que facilitou a coleta de dados realizada pelo Facebook.</p><p>4.</p><p>a) Tanto a fábula quanto a história bíblica mencionam</p><p>a alternância entre períodos de fartura e de escassez,</p><p>assim como a consequente necessidade de preparação</p><p>para enfrentamento dos momentos de dificuldades. Esse</p><p>apontamento pode ser verificado a partir da menção de</p><p>José do Egito, “filho de Jacó, que avisou o faraó de que</p><p>sete anos de vacas magras e de espigas chochas suce-</p><p>deriam a sete anos de vacas gordas e espigas cheias”</p><p>e da fábula, de conhecimento geral, segundo a qual a</p><p>formiga trabalha ao longo do verão, preparando-se para</p><p>o momento do inverno, o que não é feito pela cigarra.</p><p>b) O emprego das aspas em “previdentes” elimina-</p><p>ria a incoerência, pois a expressão passaria a ser lida</p><p>como ironia: aqueles que deveriam ter se preparado</p><p>para enfrentar uma situação difícil (os administrado-</p><p>res “previdentes”) não o foram.</p><p>5.</p><p>a) No texto, as aspas indicam a ocorrência de discurso di-</p><p>reto: referem-se às falas do entrevistado pela revista Piauí.</p><p>b) O autor do texto concorda com o posicionamento</p><p>do entrevistado. O paleoartista aponta disparidades</p><p>entre o resultado dos estudos a respeito dos dinos-</p><p>sauros e a forma como eles são representados pela</p><p>indústria cinematográfica; a partir disso, o jornalista</p><p>emprega vocabulário que aponta a essa mesma dire-</p><p>estava prejudicada na origem pelo nome</p><p>10próprio Boêmia: esses boêmios não são os que vivem</p><p>na Boêmia...</p><p>(luft, celso peDro. Boêmios, Boêmia e Boemia. in: o romance</p><p>Das palavras. sÃo paulo: Ática, 1996. p. 30-31.)</p><p>Considere os pares de palavras abaixo.</p><p>1. puídos (ref. 7) e indivíduo (ref. 8)</p><p>2. Boêmia (ref. 9) e próprio (ref. 10)</p><p>3. deus-dará (ref. 11) e Daí (ref. 12)</p><p>Em quais pares as palavras respeitam a mesma regra de</p><p>acentuação ortográfica?</p><p>a) Apenas 1.</p><p>b) Apenas 2.</p><p>c) Apenas 3.</p><p>d) Apenas 1 e 2.</p><p>e) Apenas 1 e 3.</p><p>8. (COL. Naval) Quando a rede vira um vício</p><p>Com o titulo “Preciso de ajuda”, fez-se um desabafo aos</p><p>integrantes da comunidade Viciados em Internet Anô-</p><p>nimos: “Estou muito dependente da web, Não consigo</p><p>mais viver normalmente. Isso é muito sério”. Logo ob-</p><p>teve resposta de um colega de rede. “Estou na mesma</p><p>situação. Hoje, praticamente vivo em frente ao compu-</p><p>tador. Preciso de ajuda.” O diálogo dá a dimensão do</p><p>tormento provocado pela dependência em Internet, um</p><p>mal que começa a ganhar relevo estatístico, à medida</p><p>que o uso da própria rede se dissemina. Segundo pesqui-</p><p>sas recém-conduzidas pelo Centro de Recuperação para</p><p>Dependência de Internet, nos Estados Unidos, a parcela</p><p>de viciados representa, nos vários países estudados, de</p><p>5% (como no Brasil) a 10% dos que usam a web – com</p><p>concentração na faixa dos 15 aos 29 anos. Os estragos</p><p>são enormes. Como ocorre com um viciado em álcool</p><p>ou em drogas, o doente desenvolve uma tolerância que,</p><p>nesse caso, o faz ficar on-line por uma eternidade sem se</p><p>dar conta do exagero. Ele também sofre de constantes</p><p>crises de abstinência quando está desconectado, e seu</p><p>desempenho nas tarefas de natureza intelectual despen-</p><p>ca. Diante da tela do computador, vive, aí sim, momentos</p><p>de rara euforia. Conclui uma psicóloga americana: “O vi-</p><p>ciado em internet vai, aos poucos, perdendo os elos com</p><p>o mundo real até desembocar num universo paralelo – e</p><p>completamente virtual”.</p><p>Não é fácil detectar o momento em que alguém deixa de</p><p>fazer uso saudável e produtivo da rede para estabelecer</p><p>com ela uma relação doentia, como a que se revela nas</p><p>histórias relatadas ao longo desta reportagem. Em todos</p><p>os casos, a internet era apenas “útil” ou “divertida” e foi</p><p>ganhando um espaço central, a ponto de a vida longe</p><p>da rede ser descrita agora como sem sentido. Mudança</p><p>tão drástica se deu sem que os pais atentassem para a</p><p>gravidade do que ocorria. “Como a internet faz parte do</p><p>dia a dia dos adolescentes e o isolamento é um compor-</p><p>tamento típico dessa fase da vida, a família raramente</p><p>detecta o problema antes de ele ter fugido ao controle”,</p><p>diz um psiquiatra. A ciência, por sua vez, já tem bem ma</p><p>peados os primeiros sintomas da doença. De saída, o</p><p>tempo na internet aumenta – até culminar, pasme-se,</p><p>numa rotina de catorze horas diárias, de acordo com o</p><p>estudo americano. As situações vividas na rede passam,</p><p>então, a habitar mais e mais as conversas. É típico o apa-</p><p>recimento de olheiras profundas e ainda um ganho de</p><p>peso relevante, resultado da frequente troca de refeições</p><p>por sanduíches – que prescindem de talheres e liberam</p><p>uma das mãos para o teclado. Gradativamente, a vida</p><p>social vai se extinguindo. Alerta outra psicóloga: “Se a</p><p>pessoa começa a ter mais amigos na rede do que fora</p><p>dela, é um sinal claro de que as coisas não vão bem”.</p><p>Os jovens são, de longe, os mais propensos a extrapolar</p><p>o uso da internet. Há uma razão estatística para isso –</p><p>eles respondem por até 90% dos que navegam na rede,</p><p>a maior fatia –, mas pesa também uma explicação de fun-</p><p>do mais psicológico, à qual uma recente pesquisa lança</p><p>luz. Algo como 10% dos entrevistados (viciados ou não)</p><p>chegam a atribuir à internet uma maneira de “aliviar os</p><p>sentimentos negativos”, tão típicos de uma etapa em que</p><p>afloram tantas angústias e conflitos. Na rede, os adoles-</p><p>centes sentem-se ainda mais à vontade para expor suas</p><p>ideias. Diz um outro psiquiatra: “Num momento em que</p><p>a própria personalidade está por se definir, a internet</p><p>proporciona um ambiente favorável para que eles se ex-</p><p>pressem livremente”. No perfil daquela minoria que, mais</p><p>tarde, resvala no vicio se vê, em geral, uma combinação</p><p>de baixa autoestima com intolerância à frustração. Cerca</p><p>de 50% deles, inclusive, sofrem de depressão, fobia social</p><p>ou algum transtorno de ansiedade. É nesse cenário que os</p><p>múltiplos usos da rede ganham um valor distorcido. Entre</p><p>os que já têm o vicio, a maior adoração é pelas redes de</p><p>relacionamento e pelos jogos on-line, sobretudo por aque-</p><p>les em que não existe noção de começo, meio ou fim.</p><p>Desde 1996, quando se consolidou o primeiro estudo</p><p>de relevo sobre o tema, nos Estados Unidos, a depen-</p><p>dência em internet é reconhecida – e tratada – como</p><p>uma doença. Surgiram grupos especializados por toda</p><p>parte. “Muita gente que procura ajuda ainda resiste à</p><p>ideia de que essa é uma doença”, conta um psicólogo.</p><p>O prognóstico é bom: em dezoito semanas de sessões</p><p>individuais e em grupo, 80% voltam a níveis aceitá-</p><p>veis de uso da internet. Não seria factível, tampouco</p><p>desejável, que se mantivessem totalmente distantes</p><p>dela, como se espera, por exemplo, de um alcoólatra</p><p>em relação à bebida. Com a rede, afinal, descortina-se</p><p>uma nova dimensão de acesso às informações, à produ-</p><p>ção de conhecimento e ao próprio lazer, dos quais, em</p><p>sociedades modernas, não faz sentido se privar. Toda a</p><p>questão gira em torno da dose ideal, sobre a qual já</p><p>existe um consenso acerca do razoável: até duas horas</p><p>diárias, no caso de crianças e adolescentes. Quanto an-</p><p>tes a ideia do limite for sedimentada, melhor. Na avalia-</p><p>ção de uma das psicólogas, “Os pais não devem temer</p><p>o computador, mas, sim, orientar os filhos sobre como</p><p>usá-lo de forma útil e saudável”. Desse modo, reduz-se</p><p>drasticamente a possibilidade de que, no futuro, eles</p><p>enfrentem o drama vivido hoje pelos jovens viciados.</p><p>(silvia rogar e JoÃo figueireDo. in: revista veJa, 24 De março De 2010.)</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 13</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>Assinale a opção cujas palavras são, respectivamente,</p><p>acentuadas pela mesma justificativa das que aparecem</p><p>destacadas em “Na avaliação de uma das psicólogas,</p><p>‘os pais não devem temer o computador, mas, sim,</p><p>orientar os filhos sobre como usá-lo de forma útil e sau-</p><p>dável’.” (4° parágrafo)</p><p>a) Família, incluí-lo, saída.</p><p>b) Prognóstico, atrás, fútil.</p><p>c) Plausível, alguém, factível.</p><p>d) Alcoólatra, razoável, vício.</p><p>e) Múltiplos, amá-la, intolerância.</p><p>9. (UFRGS) Darwin passou quatro meses no Brasil, em</p><p>1832, durante a sua 2célebre viagem a bordo do Beagle.</p><p>Voltou impressionado com o que viu: “5Delícia é um ter-</p><p>mo 17insuficiente para exprimir as emoções sentidas por</p><p>um naturalista a 8sós com a natureza em uma floresta</p><p>brasileira”, escreveu. O Brasil, 11porém, aparece de for-</p><p>ma menos 21idílica em seus escritos: “Espero nunca mais</p><p>voltar a um 12país escravagista. O estado da enorme po-</p><p>pulação escrava deve preocupar todos os que chegam ao</p><p>Brasil. Os senhores de escravos querem ver o negro romo</p><p>outra espécie, mas temos todos a mesma origem.”</p><p>Em vez do gorjeio do 6sabiá, o que Darwin guardou</p><p>nos ouvidos foi um som 3terrível que o acompanhou</p><p>por toda a vida: “13Até hoje, se eu ouço um grito, lem-</p><p>bro-me, com dolorosa e clara memória, de quando</p><p>passei numa casa em Pernambuco e ouvi urros 14ter-</p><p>ríveis. Logo entendi que era algum pobre escravo que</p><p>estava sendo torturado,”</p><p>Segundo o 4biólogo Adrian Desmond, “a viagem do Be-</p><p>agle, para Darwin, foi menos 41importante pelos 15es-</p><p>pécimes coletados do que pela 16experiência de teste-</p><p>munhar os horrores da escravidão no Brasil. De certa</p><p>forma, ele escolheu focar na descendência comum do</p><p>homem justamente para mostrar que todas as raças</p><p>eram iguais e, desse modo, enfim, objetar àqueles que</p><p>insistiam em dizer que os negros pertenciam a uma</p><p>espécie diferente e inferior à dos brancos”. Desmond</p><p>acaba de lançar um estudo que mostra a paixão aboli-</p><p>cionista do cientista, revelada</p><p>ção, como “reclama”, “submergiram” e “decepção”.</p><p>E.O. Objetivas</p><p>(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)</p><p>1. A 2. E 3. B 4. A 5. E</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>____________________________________________________________</p><p>ANOTAÇÕES</p><p>80  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>LITERATURA</p><p>ENTRE</p><p>LETRAS</p><p>CADERNO</p><p>DE E.O.</p><p>82  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>E.O. AprEndizAgEm</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>AO CREPÚSCULO, A MULHER</p><p>Ao crepúsculo, a mulher bela estava quieta, e me deti-</p><p>ve a examinar sua cabeça com atenção e o extremado</p><p>carinho de quem fixa uma flor. Sobre a haste do colo</p><p>fino estava apenas trêmula: talvez a leve brisa do mar;</p><p>talvez o estremecimento de seu próprio crepúsculo. Era</p><p>tão linda assim, entardecendo, que me perguntei se já</p><p>estávamos preparados, nós, os rudes homens destes</p><p>tempos, para testemunhar a sua fugaz presença sobre</p><p>a terra. Foram precisos milênios de luta contra a ani-</p><p>malidade, milênios de milênios de sonho para se obter</p><p>esse desenho delicado e firme. Depois os ombros são</p><p>subitamente fortes, para suster os braços longos; mas</p><p>os seios são pequenos, e o corpo esgalgo foge para a</p><p>cintura breve; logo as ancas readquirem o direito de ser</p><p>graves, e as coxas são longas, as pernas desse escorço</p><p>de corça, os tornozelos de raça, os pés repetindo em</p><p>outro ritmo a exata melodia das mãos.</p><p>Ela e o mar entardeciam, mas, a um leve movimento</p><p>que fez, seus olhos tomaram o brilho doce da adoles-</p><p>cência, sua voz era um pouco rouca. Não teve filhos.</p><p>Talvez pense na filha que não teve... A forma do vaso</p><p>sagrado não se repetirá nestas gerações turbulentas</p><p>e talvez desapareça para sempre no crepúsculo que</p><p>avança. Que fizemos desse sonho de deusa? De tudo o</p><p>que lhe fizemos só lhe ficou o olhar triste, como diria o</p><p>pobre Antônio, poeta português. O desejo de alguns a</p><p>seguiu e a possuiu; outros ainda se erguerão como tor-</p><p>vas chamas rubras, e virão crestá-la, eis ali um homem</p><p>que avança na eterna marcha banal.</p><p>Contemplo-a... Não, Deus não tem facilidade para de-</p><p>senhar. Ele faz e refaz sem cessar Suas figuras, porque</p><p>o erro e a desídia dos homens entorpecem Sua mão:</p><p>de geração em geração, que longa paciência Ele não</p><p>teve para juntar a essa linha do queixo essa orelha bre-</p><p>ve, para firmar bem a polpa da panturrilha. Sim, foi a</p><p>própria mão divina em um momento difícil e feliz. De-</p><p>pois Ele disse: anda... E ela começou a andar entre os</p><p>humanos. Agora está aqui entardecendo; a brisa em</p><p>seus cabelos pensa melancolias. As unhas são rubras;</p><p>os cabelos também ela os pintou; é uma mulher de nos-</p><p>so tempo; mas neste momento, perto do mar, é menos</p><p>uma pessoa que um sonho de onda, fantasia de luz en-</p><p>tre nuvens, avideusa trêmula, evanescente e eterna.</p><p>Mas para que despetalar palavras tolas sobre sua cabe-</p><p>ça? Na verdade não há o que dizer; apenas olhar, olhar</p><p>como quem reza, e depois, antes que a noite desça de</p><p>uma vez, partir.</p><p>ruBem Braga. a traiçÃo Das elegantes. r.J.:</p><p>eDitora saBiÁ, 1967, pp.61-63.</p><p>1. (FCMMG) A crônica de Rubem Braga, ao abordar o</p><p>corpo feminino, demonstra:</p><p>a) atitude compassiva em relação às diferentes fases</p><p>da vida.</p><p>b) visão crítica no confronto entre privilégios mascu-</p><p>linos e femininos.</p><p>c) perspectiva lírica na contemplação de um ser ex-</p><p>posto à ação do tempo.</p><p>d) viés sociológico mesclado ao lirismo na fixação de</p><p>um episódio do cotidiano.</p><p>TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:</p><p>1José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde</p><p>ficam os imigrantes logo que chegam. E falou dos equí-</p><p>vocos de nossa política imigratória. 2As pessoas que</p><p>ele encontrou não eram agricultores e técnicos, gente</p><p>capaz de ser útil. Viu músicos profissionais, bailarinas</p><p>austríacas, cabeleireiras lituanas. Paul Balt toca acor-</p><p>deão, Ivan Donef faz coquetéis, Galar Bedrich é vende-</p><p>dor, Serof Nedko é ex-oficial, Luigi Tonizo é jogador de</p><p>futebol, Ibolya Pohl é costureira. Tudo 15gente para o</p><p>asfalto, “para entulhar as grandes cidades”, como diz</p><p>o repórter.</p><p>6O repórter tem razão. 3Mas eu peço licença para ficar</p><p>imaginando uma porção de coisas vagas, ao olhar essas</p><p>belas fotografias que ilustram a reportagem. Essa linda</p><p>costureirinha morena de Badajoz, essa Ingeborg que</p><p>faz fotografias e essa Irgard que não faz coisa alguma,</p><p>esse Stefan Cromick cuja única experiência na vida pa-</p><p>rece ter sido vender bombons 11– não, essa gente não</p><p>vai aumentar a produção de batatinhas e quiabos nem</p><p>16plantar cidades no Brasil Central.</p><p>7É insensato importar gente assim. Mas o destino das</p><p>pessoas e dos países também é, muitas vezes, insen-</p><p>sato: principalmente da gente nova e países novos. 8A</p><p>humanidade não vive apenas de carne, alface e moto-</p><p>res. Quem eram os pais de Einstein, eu pergunto; e se</p><p>o jovem Chaplin quisesse hoje entrar no Brasil acaso</p><p>poderia? Ninguém sabe que destino terão no Brasil es-</p><p>sas mulheres louras, esses homens de profissões vagas.</p><p>Eles estão procurando alguma coisa12: emigraram. Tra-</p><p>zem pelo menos o patrimônio de sua inquietação e de</p><p>PROSA (60-HOJE)LC</p><p>AULAS</p><p>45 E 46 COMPETÊNCIA(s)</p><p>2 e 5</p><p>HABILIDADE(s)</p><p>5, 15, 16 e 17</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 83</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>seu 17apetite de vida. 9Muitos se perderão, sem futu-</p><p>ro, na vagabundagem inconsequente das cidades; uma</p><p>mulher dessas talvez se suicide melancolicamente den-</p><p>tro de alguns anos, em algum quarto de pensão. Mas é</p><p>preciso de tudo para 18fazer um mundo; e cada pessoa</p><p>humana é um mistério de heranças e de taras. Acaso</p><p>importamos o pintor Portinari, o arquiteto Niemeyer,</p><p>o físico Lattes? E os construtores de nossa indústria,</p><p>como vieram eles ou seus pais? Quem pergunta hoje,</p><p>10e que interessa saber, se esses homens ou seus pais</p><p>ou seus avós vieram para o Brasil como agricultores,</p><p>comerciantes, barbeiros ou capitalistas, aventureiros ou</p><p>vendedores de gravata? Sem o tráfico de escravos não</p><p>teríamos tido Machado de Assis, e Carlos Drummond</p><p>seria impossível sem uma gota de sangue (ou uísque)</p><p>escocês nas veias, 4e quem nos garante que uma le-</p><p>gislação exemplar de imigração não</p><p>por seus 7diários e cartas</p><p>pessoais. “A extensão de seu interesse no combate à</p><p>ciência de cunho racista 9é surpreendente, e pudemos</p><p>detectar um ímpeto moral por 10trás de seu trabalho</p><p>sobre a evolução humana – uma crença na ‘irmandade</p><p>racial’ que tinha origem em seu ódio ao escravismo e</p><p>que o levou a pensar numa descendência comum.”</p><p>(haag, c. o elo perDiDo tropical. pesquisa</p><p>fapesp, n. 159, p. 80 - 85, maio 2009.)</p><p>Assinale a alternativa em que as três palavras são</p><p>acentuadas graficamente pela mesma razão.</p><p>a) célebre (ref. 2) - terrível (ref. 3) - biólogo (ref. 4)</p><p>b) Delícia (ref. 5) - sabiá (ref. 6) - diários (ref. 7)</p><p>c) sós (ref. 8) - é (ref. 9) - trás (ref. 10)</p><p>d) porém (ref. 11) - país (ref. 12) - Até (ref. 13)</p><p>e) terríveis (ref. 14) - espécimes (ref. 15) - experiência</p><p>(ref. 16)</p><p>10. (EPCAR) QUARTO DE DESPEJO</p><p>“O grito da favela que tocou a consciência do mundo</p><p>inteiro”</p><p>2 de MAIO de 1958. Eu não sou indolente. Há tempos</p><p>que eu pretendia fazer o meu diario. Mas eu pensava</p><p>que não tinha valor e achei que era perder tempo.</p><p>...Eu fiz uma reforma para mim. Quero tratar as pessoas</p><p>que eu conheço com mais atenção. Quero enviar sorriso</p><p>amavel as crianças e aos operarios.</p><p>...Recebi intimação para comparecer as 8 horas da noite</p><p>na Delegacia do 12. Passei o dia catando papel. A noite</p><p>os meus pés doiam tanto que eu não podia andar.</p><p>Começou chover. Eu ia na Delegacia, ia levar o José Car-</p><p>los. A intimação era para ele. O José Carlos tem 9 anos.</p><p>3 de MAIO. ...Fui na feira da Rua Carlos de Campos, ca-</p><p>tar qualquer coisa. Ganhei bastante verdura. Mas ficou</p><p>sem efeito, porque eu não tenho gordura. Os meninos</p><p>estão nervosos por não ter o que comer.</p><p>6 de MAIO. De manhã não fui buscar agua. Mandei o</p><p>João carregar. Eu estava contente. Recebi outra intima-</p><p>ção. Eu estava inspirada e os versos eram bonitos e eu</p><p>esqueci de ir na Delegacia. Era 11 horas quando eu re-</p><p>cordei do convite do ilustre tenente da 12ª Delegacia.</p><p>...o que eu aviso aos pretendentes a política, é que o</p><p>povo não tolera a fome. É preciso conhecer a fome para</p><p>saber descrevê-la.</p><p>Estão construindo um circo aqui na Rua Araguaia, Circo</p><p>Theatro Nilo.</p><p>9 de MAIO. Eu cato papel, mas não gosto. Então eu pen-</p><p>so: Faz de conta que estou sonhando.</p><p>10 de MAIO. Fui na Delegacia e falei com o Tenente. Que</p><p>homem amavel! Se eu soubesse que ele era tão amavel,</p><p>eu teria ido na Delegacia na primeira intimação.</p><p>(...) O Tenente interessou-se pela educação dos meus</p><p>filhos. Disse-me que a favela é um ambiente propen-</p><p>so, que as pessoas tem mais possibilidades de delinquir</p><p>do que tornar-se util a patria e ao país. Pensei: se ele</p><p>sabe disso, porque não faz um relatorio e envia para</p><p>os politicos? O Senhor Janio Quadros, o Kubstchek, e o</p><p>Dr Adhemar de Barros? Agora falar para mim, que sou</p><p>uma pobre lixeira. Não posso resolver nem as minhas</p><p>dificuldades.(...) O Brasil precisa ser dirigido por uma</p><p>pessoa que já passou fome. A fome tambem é profes-</p><p>sora. Quem passa fome aprende a pensar no proximo e</p><p>nas crianças.</p><p>11 de MAIO. Dia das mães. O céu está azul e branco. Pa-</p><p>rece que até a natureza quer homenagear as mães que</p><p>atualmente se sentem infeliz por não realizar os desejos</p><p>de seus filhos. (...) O sol vai galgando. Hoje não vai cho-</p><p>ver. Hoje é o nosso dia. (...) A D. Teresinha veio visitar-me.</p><p>Ela deu-me 15 cruzeiros. Disse-me que era para a Vera</p><p>ir no circo. Mas eu vou deixar o dinheiro para comprar</p><p>pão amanhã, porque eu só tenho 4 cruzeiros.(...) Ontem</p><p>eu ganhei metade da cabeça de um porco no frigorifi-</p><p>co. Comemos a carne e guardei os ossos para ferver. E</p><p>com o caldo fiz as batatas. Os meus filhos estão sempre</p><p>com fome. Quando eles passam muita fome eles não são</p><p>exigentes no paladar. (...) Surgiu a noite. As estrelas</p><p>14  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>estão ocultas. O barraco está cheio de pernilongos. Eu</p><p>vou acender uma folha de jornal e passar pelas paredes.</p><p>É assim que os favelados matam mosquitos.</p><p>13 de MAIO. Hoje amanheceu chovendo. É um dia sim-</p><p>patico para mim. É o dia da Abolição. Dia que comemo-</p><p>ramos a libertação dos escravos. Nas prisões os negros</p><p>eram os bodes expiatorios. Mas os brancos agora são</p><p>mais cultos. E não nos trata com desprezo.</p><p>Que Deus ilumine os brancos para que os pretos sejam</p><p>feliz. (...) Continua chovendo. E eu tenho só feijão e sal.</p><p>A chuva está forte. Mesmo assim, mandei os meninos</p><p>para a escola. Estou escrevendo até passar a chuva para</p><p>mim ir lá no Senhor Manuel vender os ferros. Com o di-</p><p>nheiro dos ferros vou comprar arroz e linguiça. A chuva</p><p>passou um pouco. Vou sair. (...) Eu tenho dó dos meus fi-</p><p>lhos. Quando eles vê as coisas de comer eles brada: Viva</p><p>a mamãe!. A manifestação agrada-me. Mas eu já perdi</p><p>o habito de sorrir. Dez minutos depois eles querem mais</p><p>comida. Eu mandei o João pedir um pouquinho de gor-</p><p>dura a Dona Ida. Mandei-lhe um bilhete assim:</p><p>“Dona Ida peço-te se pode me arranjar um pouquinho</p><p>de gordura, para eu fazer sopa para os meninos. Hoje</p><p>choveu e não pude catar papel. Agradeço. Carolina”</p><p>(...) Choveu, esfriou. É o inverno que chega. E no inverno</p><p>a gente come mais. A Vera começou a pedir comida. E</p><p>eu não tinha. Era a reprise do espetaculo. Eu estava com</p><p>dois cruzeiros. Pretendia comprar um pouco de farinha</p><p>para fazer um virado. Fui pedir um pouco de banha a</p><p>Dona Alice. Ela deu-me a banha e arroz. Era 9 horas da</p><p>noite quando comemos.</p><p>E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a</p><p>escravatura atual – a fome!</p><p>(De Jesus, carolina maria. quarto De DespeJo.)</p><p>Pode-se afirmar que um recorrente problema encontra-</p><p>do no texto, no que se refere ao uso da língua padrão,</p><p>está relacionado à acentuação gráfica. Assinale a alter-</p><p>nativa em que esse fato NÃO ocorre.</p><p>a) “...as pessoas tem mais possibilidades de delinquir...”</p><p>b) “Pretendia comprar um pouco de farinha para fa-</p><p>zer um virado.”</p><p>c) “Nas prisões os negros eram os bodes expiatorios.”</p><p>d) “...os meus pés doiam tanto que eu não podia andar.”</p><p>E.O. COmplEmEntAr</p><p>1. (IFSUL) Crônica parafraseada de uma Síria em guerra</p><p>Ela abre os olhos. Não fosse o cheiro horrível de morte,</p><p>o silêncio seria até agradável, mas o olfato a lembra</p><p>que não há paz – nem pessoas, vizinhos, crianças. A tré-</p><p>gua na manhãzinha não traz esperança. Tão somente</p><p>lhe permite descansar o corpo, mas não a mente. As</p><p>lembranças da noite anterior ainda produzem sobres-</p><p>saltos. Bombas, casas caindo e soldados gritando.</p><p>Levanta-se, bebe o pouco da água que restou do copo</p><p>ao lado da cama. Já não é tão limpa, nem farta como</p><p>antes. Sempre um gosto amargo misturado com</p><p>Abre a geladeira, e só encontra comida enlatada e con-</p><p>gelada. E mesmo não tão congelada assim, já que os cor-</p><p>tes diários de eletricidade derretem as camadas de gelo.</p><p>Os sobrinhos ainda dormem, e ela tenta orar. Não con-</p><p>segue. A mente desconcentra-se facilmente. Em uma</p><p>prece fragmentada, pede a Deus descanso e trégua. E</p><p>faz a oração sem pensar muito. Não precisa; é a mesma</p><p>oração das últimas semanas.</p><p>Ela não quer sair de casa. Não é teimosia, é falta de op-</p><p>ção. “Para onde ir?”, pergunta, com uma voz desesperan-</p><p>çosa. Está tão confusa que não consegue imaginar saídas.</p><p>Nem a piedade de enterrar os mortos o governo per-</p><p>mite. Cadáveres estão espalhados pelas ruas. As for-</p><p>ças de Assad 3impediram de sepultar ou mesmo remo-</p><p>ver os restos mortais. Ou seja, mesmo viva, ela não</p><p>tem como fugir da morte escancarada diante de seus</p><p>olhos. Não é fácil acreditar na vida, quando a realida-</p><p>de grita o contrário.</p><p>Se não podem sepultar os mortos, os sobreviventes</p><p>tentam ao menos ajudar a curar as feridas dos machu-</p><p>cados. Não podem levá-los aos hospitais da cidade, já</p><p>que há um medo generalizado de que o governo pren-</p><p>da os feridos como se fossem prisioneiros de guerra.</p><p>Resta improvisar atendimento nos campos. Não bas-</p><p>tasse a precariedade do atendimento, não há medica-</p><p>mentos suficientes.</p><p>Rebeca, de 32 anos, é trabalhadora autônoma. Ou me-</p><p>lhor, 4era. Agora já não sabe mais o que é e o que faz em</p><p>sua</p><p>cidade Damasco, capital da Síria.</p><p>Crônica parafraseada do depoimento de uma mora-</p><p>dora da capital da Síria (identificada apenas pela le-</p><p>tra “R”) ao jornal Folha de São Paulo, de quarta-feira,</p><p>dia 25. A Síria está em revolta há 16 meses contra</p><p>a ditadura de Bashar al-Assad. Nos últimos dias, o</p><p>confronto contra os rebeldes se acirrou e as mortes</p><p>aumentaram.</p><p>(Disponível em: . acesso em: 14 set. 2015.)</p><p>Sobre a acentuação gráfica, são feitas as seguintes</p><p>afirmações:</p><p>I. As palavras horrível, agradável e fácil seguem a regra</p><p>de acentuação gráfica das oxítonas.</p><p>II. Os vocábulos só, há e já recebem acento gráfico em</p><p>decorrência de regras distintas.</p><p>III. A presença ou a ausência do acento gráfico na pa-</p><p>lavra e é determinante para a classificação gramatical</p><p>desse vocábulo.</p><p>IV. As palavras levá-las, diários, contrário seguem a re-</p><p>gra de acentuação gráfica das paroxítonas.</p><p>Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)</p><p>a) I, III e IV apenas.</p><p>b) II e IV apenas.</p><p>c) I, II, III e IV.</p><p>d) III apenas.</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 15</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>2. (ESPCEX) Assinale a alternativa cujo vocábulo só pode</p><p>ser empregado com acento gráfico.</p><p>a) Diálogo</p><p>b) Até</p><p>c) Análogo</p><p>d) É</p><p>e) Música</p><p>3. (IFAL) À beira da extinção, ave saíra-apunhalada tem</p><p>rara chance de se recuperar na natureza</p><p>A saíra-apunhalada (o nome faz referência à mancha</p><p>vermelha no peito do pássaro, que se assemelha a</p><p>uma “punhalada”) é uma ave simpática de dez cen-</p><p>tímetros, com plumagem branca e cinza. A alcunha,</p><p>que na origem só fazia referência ao visual da espécie,</p><p>agora serve bem como indicação simbólica do perigo</p><p>pelo qual passa a saíra: estimativas indicam que só</p><p>existem 50 delas na natureza. Para protegê-la, ONGs</p><p>e órgãos ambientalistas do governo lutam para que</p><p>seja criada uma reserva florestal de 5 mil hectares na</p><p>região serrana capixaba.</p><p>A saíra-apunhalada vive em bandos e se alimenta de</p><p>pequenos insetos e frutos. Ela vive no alto de florestas</p><p>da Mata Atlântica, e está aí a sua maior fraqueza, já que</p><p>dessa vegetação foi destruída pelo homem. A ave, que</p><p>também era encontrada em Minas Gerais, hoje só pode</p><p>ser vista no Espírito Santo.</p><p>“A extinção está associada à destruição secular da Mata</p><p>Atlântica, porque a espécie só sobrevive em florestas mui-</p><p>to bem conservadas”, diz o biólogo Edson Ribeiro Luiz,</p><p>coordenador de projetos da SAVE Brasil, ONG ligada</p><p>à Bird Life International, que tem como foco a prote-</p><p>ção das aves brasileiras. “Em território capixaba, onde</p><p>existe apenas um bloco de vegetação preservado, elas</p><p>tendem a ficar ilhadas.”</p><p>A luta para proteger a ave ganhou força no mês pas-</p><p>sado, quando aconteceu no Estado o Avistar, principal</p><p>evento de observação de pássaros do país. Tendo na</p><p>saíra-apunhalada o seu símbolo, a festa foi o incentivo</p><p>que faltava para que o Instituto Estadual de Meio Am-</p><p>biente (IEMA) estabelecesse o prazo de março de 2016</p><p>para a constituição da reserva. A decisão final, porém,</p><p>continua nas mãos do governo.</p><p>(Disponível em: . acesso em: 13/11/2015.)</p><p>Quanto à acentuação das palavras, assinale a afirmação</p><p>verdadeira.</p><p>a) Os vocábulos “é”, “já” e “só” recebem acento por</p><p>constituírem monossílabos tônicos fechados.</p><p>b) As palavras “saíra”, “destruída” e “aí” acentuam-</p><p>-se pela mesma razão.</p><p>c) Acentuam-se “simpática”, “centímetros”, “simbó-</p><p>lica” porque todas as paroxítonas são acentuadas.</p><p>d) A palavra “tendem” deveria ser acentuada grafica-</p><p>mente, como “também” e “porém”.</p><p>e) O nome “Luiz” deveria ser acentuado graficamen-</p><p>te, pela mesma razão que a palavra “país”.</p><p>4. (IFSUL)</p><p>TEXTO 1</p><p>O PREÇO DE SER DE VERDADE</p><p>fernanDa pinho</p><p>Acabei de ler um livro que me marcou bastante. Cha-</p><p>ma-se “A Extraordinária Garota Chamada Estrela”, do</p><p>autor Jerry Spinelli. Estrela tem um rato de estimação,</p><p>fica feliz quando seu time faz cesta no basquete (mas</p><p>quando o outro time pontua, também), distribui cartões</p><p>de aniversários para desconhecidos, usa as roupas de</p><p>que gosta (e isso pode ser um vestido que esteve na</p><p>moda duzentos anos atrás), tenta trazer um pouco de</p><p>alegria tirando canções de seu ukulele que leva sempre</p><p>a tiracolo. Num primeiro momento, junto com o impac-</p><p>to de sua chegada à escola nova, Estrela desperta sim-</p><p>patias. Afinal, este livro nada mais é que uma delicada e</p><p>verdadeira metáfora da vida.</p><p>E a princípio somos assim. Grandes admiradores da au-</p><p>tenticidade. Capazes de fazer discursos inflamados de-</p><p>fendendo a liberdade de cada um fazer o que quiser, res-</p><p>peitar as próprias convicções, seguir o que seu coração</p><p>manda, persistir nos seus sonhos, manter relações com</p><p>quem se sente à vontade, construir seu próprio caminho.</p><p>Lindo, maravilhoso. Se ficar só no discurso, melhor ainda.</p><p>Porque, em algum momento, Estrela vai levantar sus-</p><p>peitas. “Ninguém pode ser tão legal assim”. E da sus-</p><p>peita para a rejeição se passa num piscar de olhos. Por</p><p>que ninguém pode ser “tão legal assim”? Porque ser</p><p>legal demais implica ser diferente e a gente pode até</p><p>admirar pessoas que fazem tudo o que “dá na telha”,</p><p>desde que mantenham uma distância de segurança de</p><p>nós, por favor. E, veja bem, quando eu falo de gente que</p><p>faz tudo o que “dá na telha”, eu não estou me referin-</p><p>do a nada que possa machucar ou prejudicar o outro</p><p>de alguma forma. Estou falando de atitudes inocentes,</p><p>mas que, por sair da previsibilidade, são tratadas quase</p><p>como se fossem atos imperdoáveis.</p><p>Gente que dança como se ninguém estivesse olhando,</p><p>que ignora a uniformização das vitrines e faz a própria</p><p>moda, que se recusa a fazer social em ambientes inóspi-</p><p>tos, que fala a verdade quando questionada, que dá abra-</p><p>ços de dez minutos, que ri na hora que tem vontade de rir,</p><p>que chora na hora que tem vontade de chorar, que fala</p><p>“eu te amo” quando sente que ama, que escolheu não</p><p>perder tempo com quem lhe faz mal, que muda o rumo</p><p>da própria vida, que ignora as etiquetas e as convenções.</p><p>Sabe essa gente louca, sem noção, desvairada, sem juízo,</p><p>perturbada? Então, elas não são nada disso. São apenas</p><p>pessoas autênticas e verdadeiras, que se respeitam muito</p><p>(e só quem se respeita muito é capaz de respeitar o ou-</p><p>tro). Elas não estão fazendo nada de mau. Nada que irá</p><p>prejudicar você ou quem quer que seja. E por que te inco-</p><p>modam tanto? Bom, apenas optaram optaram por fazer</p><p>o que tinham vontade, e não o que você, preso em seu</p><p>mundo limitado e previsível, esperava.</p><p>(Disponível em: . acesso em: 7 aBr. 2015.)</p><p>16  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>TEXTO 2</p><p>COMO NASRUDIN CRIOU A VERDADE</p><p>nasruDin (KhawaJah nasr al-Din)</p><p>– As leis não fazem com que as pessoas fiquem melho-</p><p>res – disse Nasrudin ao rei.</p><p>– Elas precisam, antes, praticar certas coisas de manei-</p><p>ra a entrar em sintonia com a verdade interior, que se</p><p>assemelha apenas levemente à verdade aparente. O</p><p>rei, no entanto, decidiu que ele poderia, sim, fazer com</p><p>que as pessoas observassem a verdade, que poderia</p><p>fazê-las observar a autenticidade – e assim o faria. O</p><p>acesso a sua cidade dava-se através de uma ponte. So-</p><p>bre ela, o rei ordenou que fosse construída uma forca.</p><p>Quando os portões foram abertos, na alvorada do dia</p><p>seguinte, o chefe da guarda estava a postos em frente</p><p>de um pelotão para testar todos os que por ali passas-</p><p>sem. Um edital fora imediatamente publicado: “Todos</p><p>serão interrogados. Aquele que falar a verdade terá seu</p><p>ingresso na cidade permitido. Caso mentir, será enforca-</p><p>do". Nasrudin, na ponte entre alguns populares, deu um</p><p>passo à frente e começou a cruzar a ponte.</p><p>– Aonde o senhor pensa que vai? – perguntou o chefe</p><p>da guarda.</p><p>– Estou a caminho da forca – respondeu Nasrudin, cal-</p><p>mamente. – Não acredito no</p><p>que está dizendo!</p><p>– Muito bem, se eu estiver mentindo, pode me enforcar.</p><p>– Mas se o enforcarmos por mentir, faremos com que</p><p>aquilo que disse seja verdade!</p><p>– Isso mesmo – respondeu Nasrudin, sentindo-se vito-</p><p>rioso. – Agora vocês já sabem o que é a verdade: é ape-</p><p>nas a sua verdade.</p><p>(Disponível em: . acesso em: 14 aBr.2015.)</p><p>Nos textos 1 e 2, aparecem várias palavras acentuadas</p><p>graficamente.</p><p>Em que alternativa as palavras seguem a regra de acen-</p><p>tuação das oxítonas?</p><p>a) terá, juízo, ninguém.</p><p>b) fazê-las, através, será.</p><p>c) vocês, construída, previsível.</p><p>d) imperdoáveis, metáfora, você.</p><p>5. (IFAL) COMO PREVENIR A VIOLÊNCIA DOS ADOLECENTES</p><p>“(...) Quando deparo com as notícias sobre crimes he-</p><p>diondos envolvendo adolescentes, como o ocorrido com</p><p>Felipe Silva Caffé e Liana Friedenbach, fico profunda-</p><p>mente triste e constrangida. Esse caso é consequência</p><p>da baixa valorização da prevenção primária da violência</p><p>por meio das estratégias cientificamente comprovadas,</p><p>facilmente replicáveis e definitivamente muito mais ba-</p><p>ratas do que a recuperação de crianças e adolescentes</p><p>que comentem atos infracionais graves contra a vida.</p><p>Talvez seja porque a maioria da população não se deu</p><p>conta e os que estão no poder nos três níveis não este-</p><p>jam conscientes de seu papel histórico e de sua respon-</p><p>sabilidade legal de cuidar do que tem de mais impor-</p><p>tante à nação: as crianças e os adolescentes, que são o</p><p>futuro do país e do mundo.</p><p>A construção da paz e a prevenção da violência depen-</p><p>dem de como promovemos o desenvolvimento físico,</p><p>social, mental, espiritual e cognitivo das nossas crianças</p><p>e adolescentes, dentro do seu contexto familiar e co-</p><p>munitário. Trata-se, portanto, de uma ação intersetorial,</p><p>realizada de maneira sincronizada em cada comunida-</p><p>de, com a participação das famílias, mesmo que estejam</p><p>incompletas ou desestruturadas (...)”</p><p>“(...) Em relação às crianças e adolescentes que come-</p><p>teram infrações leves ou moderadas – que deveriam ser</p><p>mais bem expressas – seu tratamento para a cidadania</p><p>deveria ser feito com instrumentos bem elaborados e</p><p>colocados em prática, na família ou próxima dela, com</p><p>acompanhamento multiprofissional, desobstruindo as</p><p>penitenciárias, verdadeiras universidades do crime. (...)”</p><p>“(...) A prevenção primária da violência inicia-se com a</p><p>construção de um tecido social saudável e promissor,</p><p>que começa antes do nascer, com um bom pré-natal,</p><p>parto de qualidade, aleitamento materno exclusivo até</p><p>seis meses e o complemento até mais de um ano, vaci-</p><p>nação, vigilância nutricional, educação infantil, princi-</p><p>palmente propiciando o desenvolvimento e o respeito</p><p>à fala da criança, o canto, a oração, o brincar, o andar, o</p><p>jogar; uma educação para a paz e a nãoviolência.</p><p>A pastoral da criança, que em 2003 completa 20 anos,</p><p>forma redes de ação para multiplicar o saber e a soli-</p><p>dariedade junto às famílias pobres do país, por meio de</p><p>mais de 230 mil voluntários, e acompanhou no terceiro</p><p>trimestre deste ano cerca de 1,7 milhão de crianças me-</p><p>nores de seis anos e 80 mil gestantes, de mais de 1,2</p><p>milhão de famílias, que moram em 34.784 comunidades</p><p>de 3.696 municípios do país.</p><p>O Brasil é o país que mais reduziu a mortalidade infantil</p><p>nos últimos dez anos; isso, sem dúvida, é resultado da or-</p><p>ganização e universalização dos serviços de saúde pública,</p><p>da melhoria da atenção primária, com todas as limitações</p><p>que o SUS possa ainda possuir, da descentralização e mu-</p><p>nicipalização dos recursos e dos serviços de saúde. A in-</p><p>tensa luta contra a mortalidade infantil, a desnutrição e</p><p>a violência intrafamiliar contou com a contribuição dessa</p><p>enorme rede de solidariedade da Pastoral da Criança. (...)”</p><p>“(...) A segunda área da maior importância nessa pre-</p><p>venção primária da violência envolvendo crianças e</p><p>adolescentes é a educação, a começar pelas creches,</p><p>escolas infantis e de educação fundamental e de nível</p><p>médio, que devem valorizar o desenvolvimento do ra-</p><p>ciocínio e a matemática, a música, a arte, o esporte e a</p><p>prática da solidariedade humana.</p><p>As escolas nas comunidades mais pobres deveriam ter</p><p>dois turnos, para darem conta da educação integral</p><p>das crianças e dos adolescentes; deveriam dispor de</p><p>equipes multiprofissionais atualizadas e capacitadas a</p><p>avaliar periodicamente os alunos. Urgente é incorporar</p><p>os ministérios do Esporte e da Cultura às iniciativas da</p><p>educação, com atividades em larga escala e simples,</p><p>baratas, facilmente replicáveis e adaptáveis em todo o</p><p>território nacional. (...)”</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 17</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>“(...) Com relação à idade mínima para a maioridade pe-</p><p>nal, deve permanecer em 18 anos, prevista pelo Estatu-</p><p>to da Criança e do Adolescente e conforme orientações</p><p>da ONU. Mas o tempo máximo de três anos de reclusão</p><p>em regime fechado, quando a criança ou o adolescente</p><p>comete crime hediondo, mesmo em locais apropriados</p><p>e com tratamento multiprofissional, que urgentemen-</p><p>te precisam ser disponibilizados, deve ser revisto. Três</p><p>anos, em muitos casos, podem ser absolutamente in-</p><p>suficientes para tratar e preparar os adolescentes com</p><p>graves distúrbios para a convivência cidadã. (...)”</p><p>(zilDa arns neumann, 69, méDica peDiatra e sanitarista; foi</p><p>funDaDora e coorDenaDora nacional Da pastoral Da criança.</p><p>puBlicaDo em: folha De s. paulo, 26/11/2003.).</p><p>Foram retiradas do texto as seguintes palavras acen-</p><p>tuadas: ministérios, replicáveis, adaptáveis, máximo,</p><p>distúrbios, convivências.</p><p>Assinale a alternativa que melhor justifica a acentu-</p><p>ação gráfica.</p><p>a) De todas as palavras destacadas, somente “máximo”</p><p>não se insere na mesma regra de acentuação gráfica.</p><p>b) Todas as palavras mencionadas seguem o mesmo</p><p>padrão ou regra de acentuação gráfica.</p><p>c) Com exceção de “máximo” e “convivência”, que</p><p>são proparoxítonas, as demais palavras são acentua-</p><p>das pelo mesmo motivo.</p><p>d) Três regras de acentuação contemplam as palavras su-</p><p>pracitadas: a das proparoxítonas, a das paroxítonas termi-</p><p>nadas em ditongos e as que terminam em hiato, que, no</p><p>caso em análise, trata-se da palavra “convivência”.</p><p>e) Todas são proparoxítonas.</p><p>E.O. dissErtAtivO</p><p>1. (FGV) O artista Juan Diego Miguel apresenta a exposi-</p><p>ção Arte e Sensibilidade, no Museu Brasileiro da Escultura</p><p>(MUBE) de suas obras que acabam de chegar no país.</p><p>Seu sentido de inovação tanto em temas como em ma-</p><p>teriais que elege é sempre de uma sensação extraordi-</p><p>nária para o espectador.</p><p>Juan Diego sensibiliza-se com os materiais que nos ro-</p><p>deam e lhes da vida com uma naturalidade impressio-</p><p>nante, encontrando liberdade para buscar elementos</p><p>no fauvismo de Henri Matisse, no cubismo de Pablo Pi-</p><p>casso e do contemporâneo de Juan Gris. Uma arte que</p><p>está reservada para poucos.</p><p>(exposiçÃo: De 03 De agosto à 02 De setemBro Das 10 às 19h.)</p><p>Explique a importância da regra do acento diferencial,</p><p>baseando-se na frase – Juan Diego sensibiliza-se com</p><p>os materiais [...] e lhes da vida com uma naturalidade</p><p>impressionante.</p><p>2. (Fgv) Leia o texto.</p><p>"Cuidado com as palavras</p><p>Uma moça se preparou toda para ir ao ensaio de uma</p><p>escola de samba.</p><p>Chegando lá, um rapaz suado pede para dançar e, para</p><p>não arrumar confusão, ela aceita.</p><p>Mas o rapaz suava tanto que ela já não estava supor-</p><p>tando mais. Assim, ela foi se afastando e disse:</p><p>– Você sua, hein!!!</p><p>Ele puxou-a, lascou um beijo e respondeu:</p><p>– Também vô sê seu, princesa!!!"</p><p>(www.munDoDaspiaDas.com/arquivo/2006-2-1.html. aDaptaDo)</p><p>a) Tendo como base a frase da moça, explique o que</p><p>ela quis dizer e o que o rapaz entendeu.</p><p>b) Explique, do ponto de vista fonológico, o que gerou</p><p>a interpretação do rapaz.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO</p><p>E dizem que rola um texto na internet com minha assi-</p><p>natura baixando o pau no “Big Brother Brasil”.</p><p>Não fui eu que escrevi.</p><p>Não poderia escrever nada sobre o “Big Brother Brasil”,</p><p>a favor ou contra, porque sou um dos três ou quatro</p><p>brasileiros que nunca o acompanharam.</p><p>O pouco que vi do programa, de</p><p>passagem, zapeando</p><p>entre canais, só me deixou perplexo: o que, afinal, atraía</p><p>tanto as pessoas – além do voyeurismo* natural da es-</p><p>pécie – numa jaula de gente em exibição?</p><p>Também me dizem que, além de textos meus que nunca</p><p>escrevi, agora frequento a internet com um Twitter.</p><p>Aviso: não tenho tuiter, não recebo tuiter, não sei o que</p><p>é tuiter.</p><p>E desautorizo qualquer frase de tuiter atribuída a mim a</p><p>não ser que ela seja absolutamente genial. Brincadeira,</p><p>mas já fui obrigado a aceitar a autoria de mais de um</p><p>texto apócrifo (e agradecer o elogio) para não causar</p><p>desgosto, ou até revolta. Como a daquela senhora que</p><p>reagiu com indignação quando eu inventei de dizer que</p><p>um texto que ela lera não era meu:</p><p>— É sim.</p><p>— Não, eu acho que...</p><p>— É sim senhor!</p><p>Concordei que era, para não apanhar. O curioso, e o as-</p><p>sustador, é que, em textos de outros com sua assinatura</p><p>e em tuiters falsos, você passa a ter uma vida paralela</p><p>dentro das fronteiras infinitas da internet.</p><p>É outro você, um fantasma eletrônico com opiniões pró-</p><p>prias, muitas vezes antagônicas, sobre o qual você não</p><p>tem nenhum controle,</p><p>— Olha, adorei o que você escreveu sobre o “Big Bro-</p><p>ther”. É isso aí!</p><p>— Não fui eu que...</p><p>— Foi sim!</p><p>(luiz fernanDo veríssimo, http://ogloBo.gloBo.</p><p>com, 30.01.2011. aDaptaDo.)</p><p>* voyeurismo: forma de curiosidade mórbida com rela-</p><p>ção ao que é privativo, privado ou íntimo.</p><p>18  LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>3. (UFTM)</p><p>a) O que o contraste das grafias Twitter e tuiter, em</p><p>destaque no texto, revela sobre o ponto de vista do</p><p>autor acerca desse meio de comunicação virtual?</p><p>b) É correto afirmar que o autor reage com bom humor</p><p>e resignação diante do fato de lhe atribuírem a autoria</p><p>de textos que não escreveu? Justifique, transcrevendo</p><p>e comentando um ou mais trechos do texto.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO</p><p>COMPOSIÇÕES INFANTIS</p><p>O comportamento</p><p>O comportamento é uma coisa que a mamãe diz que</p><p>não suporta o meu mas eu é que não entendo o dela.</p><p>Uma hora ela me dá uma porção de beijinhos, outra</p><p>hora ela me põe de castigo o dia todo. Uma vez ela diz</p><p>que eu sou tudo lá na vida dela, outra vez ela grita:</p><p>"Que menino mais impossível, você vai ver só quando</p><p>seu pai chegar!" Tem umas ocasiões que ela chora mui-</p><p>to porque não sabe mais o que fazer comigo e outras eu</p><p>ouvo ela dizendo pras visitas que "o meu, felizmente, é</p><p>muito bonzinho e muito carinhoso." Eu já desconfio que</p><p>a mamãe é a médica e a monstra.</p><p>http://www.memoriaviva.com.Br/ocruzeiro/ o</p><p>cruzeiro, 3 maio 1959. acesso: aBril 2007.</p><p>4. (UFMG) REESCREVA esse texto, fazendo as adapta-</p><p>ções necessárias para ajustá-lo à norma padrão da lín-</p><p>gua escrita.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO</p><p>O artista Juan Diego Miguel apresenta a exposição</p><p>Arte e Sensibilidade, no Museu Brasileiro da Escultura</p><p>(MUBE) de suas obras que acabam de chegar no país.</p><p>Seu sentido de inovação tanto em temas como em ma-</p><p>teriais que elege é sempre de uma sensação extraordi-</p><p>nária para o espectador.</p><p>Juan Diego sensibiliza-se com os materiais que nos ro-</p><p>deam e lhes da vida com uma naturalidade impressio-</p><p>nante, encontrando liberdade para buscar elementos</p><p>no fauvismo de Henri Matisse, no cubismo de Pablo Pi-</p><p>casso e do contemporâneo de Juan Gris. Uma arte que</p><p>está reservada para poucos.</p><p>exposiçÃo: De 03 De agosto à 02 De setemBro Das 10 às 19h.</p><p>5. (FGV) Nossa língua registra as palavras "espectador"</p><p>e "expectador". Explique a diferença de sentido dessas</p><p>palavras.</p><p>E.O. dissErtAtivAs</p><p>(UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp)</p><p>1. (Unifesp) O Museu da Língua Portuguesa foi inau-</p><p>gurado em São Paulo, em março de 2006. Na ocasião,</p><p>houve um erro num painel, conforme a imagem:</p><p>Sobre isso, Pasquale Cipro Neto escreveu:</p><p>"Na última segunda-feira, foi inaugurado o Museu da</p><p>Língua Portuguesa. Na terça, a imprensa deu destaque</p><p>a um erro de acentuação presente num dos painéis do</p><p>museu (grafou-se 'raiz' com acento agudo no 'i'). Va-</p><p>mos ao que conta (e que foi objeto das mensagens de</p><p>muitos leitores): por que se acentua 'raízes', mas não se</p><p>acentua 'raiz'?"</p><p>(www2.uol.com.Br/linguaportuguesa/artigos.)</p><p>a) Considerando o contexto social, cultural e ideológi-</p><p>co, por que o erro do painel teve grande repercussão?</p><p>b) Responda à pergunta que foi enviada ao professor</p><p>Pasquale por seus leitores.</p><p>2. (Unesp) A questão toma por base uma passagem do</p><p>romance Canaã, de Graça Aranha (1868-1931), e uma</p><p>tira de Henfil (1944-1988).</p><p>CANAÃ</p><p>– Hoje – disse Milkau quando chegaram a um trecho</p><p>desembaraçado da praia –, devemos escolher o local</p><p>para a nossa casa.</p><p>– Oh! não haverá dificuldade, neste deserto, de talhar o</p><p>nosso pequeno lote... – desdenhou Lentz.</p><p>– Quanto a mim, replicou Milkau, uma ligeira inquieta-</p><p>ção de vago terror se mistura ao prazer extraordinário</p><p>de recomeçar a vida pela fundação do domicílio, e pelas</p><p>minhas próprias mãos... O que é lamentável nesta soleni-</p><p>dade primitiva é a intervenção inútil do Estado...</p><p>– O Estado, que no nosso caso é o agrimensor Felicíssimo...</p><p>– Não seria muito mais perfeito que a terra e as suas coisas</p><p>fossem propriedade de todos, sem venda, sem posse?</p><p>– O que eu vejo é o contrário disto. É antes a venalida-</p><p>de de tudo, a ambição, que chama a ambição e espraia</p><p>o instinto da posse. O que está hoje fora do domínio</p><p>amanhã será a presa do homem. Não acreditas que</p><p>o próprio ar que escapa à nossa posse será vendido,</p><p>mais tarde, nas cidades suspensas, como é hoje a ter-</p><p>ra? Não será uma nova forma da expansão da conquis-</p><p>ta e da propriedade?</p><p>– Ou melhor, não vês a propriedade tornar-se cada dia</p><p>mais coletiva, numa grande ânsia de aquisição popular,</p><p>que se vai alastrando e que um dia, depois de se apos-</p><p>sar dos jardins, dos palácios, dos museus, das estradas,</p><p>se estenderá a tudo?... O sentimento da posse morrerá</p><p>com a desnecessidade, com a supressão da ideia da de-</p><p>fesa pessoal, que nele tinha o seu repouso...</p><p>LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 	 19</p><p></p><p></p><p></p><p>V</p><p>O</p><p>LU</p><p>M</p><p>E</p><p>6</p><p>– Pois eu – ponderou Lentz –, se me fixar na ideia de</p><p>converter-me em colono, desejarei ir alargando o meu</p><p>terreno, chamar a mim outros trabalhadores e fundar</p><p>um novo núcleo, que signifique fortuna e domínio... Por-</p><p>que só pela riqueza ou pela força nos emanciparemos</p><p>da servidão.</p><p>– O meu quinhão de terra – explicou Milkau – será o</p><p>mesmo que hoje receber; não o ampliarei, não me</p><p>abandonarei à ambição, ficarei sempre alegremente</p><p>reduzido à situação de um homem humilde entre gen-</p><p>te simples. Desde que chegamos, sinto um perfeito en-</p><p>cantamento: não é só a natureza que me seduz aqui,</p><p>que me festeja, é também a suave contemplação do</p><p>homem. Todos mostram a sua doçura íntima estampada</p><p>na calma das linhas do rosto; há como um longínquo</p><p>afastamento da cólera e do ódio. Há em todos uma re-</p><p>signação amorosa... Os naturais da terra são expansivos</p><p>e alvissareiros da felicidade de que nos parecem os por-</p><p>tadores... Os que vieram de longe esqueceram as suas</p><p>amarguras, estão tranquilos e amáveis; não há grandes</p><p>separações, o próprio chefe troca no lar o seu prestígio</p><p>pela espontaneidade niveladora, que é o feliz gênio da</p><p>sua raça. Vendo-os, eu adivinho o que é todo este País –</p><p>um recanto de bondade, de olvido e de paz. Há de haver</p><p>uma grande união entre todos, não haverá conflitos de</p><p>orgulho e ambição, a justiça será perfeita; não se imo-</p><p>larão vítimas aos rancores abandonados na estrada do</p><p>exílio. Todos se purificarão e nós também nos devemos</p><p>esquecer de nós mesmos e dos nossos preconceitos,</p><p>para só pensarmos nos outros e não perturbarmos a</p><p>serenidade desta vida...</p><p>(graça aranha. canaÃ, 1996.)</p><p>Tomando como referência o sistema ortográfico, expli-</p><p>que por que o cartunista Henfil, ao aportuguesar, com</p><p>intenção irônica, a expressão inglesa my brother, colo-</p><p>cou o acento agudo em Bróder.</p><p>3. (Unesp)</p><p>O QUE EU LHE DIZIA</p><p>Não sei se é certo ou não o que eu li outro dia,</p><p>Onde, já não me lembra, ó minha noiva amada:</p><p>– “A posse faz perder metade da valia</p><p>À cousa desejada.”</p><p>Não sei se após haver saciado no meu</p>

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