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<p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>CONCEITUALIZAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DA VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR</p><p>Luísa Habigzang</p><p>Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)</p><p>Priscila Lawrenz</p><p>Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)</p><p>Thaís Arnoud</p><p>Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)</p><p>Introdução</p><p>A prevenção e o enfrentamento à violência intrafamiliar estão atrelados ao</p><p>conhecimento sobre esse fenômeno complexo. Conhecer as diferentes formas de violência</p><p>contribui para que profissionais da saúde e da assistência social identifiquem essas situações e,</p><p>a partir daí, tomem decisões sobre estratégias de acolhimento, notificação e encaminhamento</p><p>de acordo com as demandas apresentadas. Dessa forma, este capítulo tem como objetivo</p><p>apresentar o fenômeno da violência nos contextos familiar, doméstico e nas relações íntimas</p><p>com base no Modelo Ecológico e na Teoria da Interseccionalidade, que permitem compreender</p><p>processos de vulnerabilização. Além disso, serão apresentadas as tipologias de violência e as</p><p>consequências dessas experiências para indivíduos, famílias, comunidades e sociedades.</p><p>O que é violência?</p><p>A violência é um problema de saúde pública e uma grave violação de direitos humanos,</p><p>definida como o uso intencional da força física ou do poder, por meio de prática ou ameaça,</p><p>contra si mesmo, outra pessoa, grupo ou comunidade. Trata-se de uma ação que resulta ou tem</p><p>possibilidade de resultar em lesões, danos psicológicos, dificuldades de desenvolvimento ou</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>morte. O fenômeno da violência é compreendido a partir de três categorias: 1) Violência</p><p>autoprovocada: subdividida em comportamento suicida e autolesão; 2) Violência interpessoal:</p><p>subdividida em violência intrafamiliar, violência por parceiro íntimo e violência na</p><p>comunidade; 3) Violência coletiva: subdividida em violência social, política e econômica que</p><p>podem ser cometidas por grupos ou pelo Estado (World Health Organization [WHO], 2002).</p><p>A violência intrafamiliar é caracterizada por toda ação ou omissão que afeta um ou mais</p><p>membros da família, prejudicando o direito ao pleno desenvolvimento, o bem-estar, a</p><p>integridade física e psicológica. Pode ser cometida por qualquer integrante da família, com ou</p><p>sem laço de consanguinidade (Day et al., 2003). Já a violência nas relações íntimas refere-se a</p><p>expressões de violência física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial que ocorrem entre</p><p>pessoas que estão ou estiveram em um relacionamento íntimo afetivo-sexual. É perpetrada por</p><p>parcerias ou ex-parcerias íntimas, independente da existência de laços formais de união ou</p><p>coabitação (Brasil, 2020). Por fim, a violência doméstica é caracterizada por violências que</p><p>ocorrem entre pessoas que habitam a mesma residência, com ou sem laços familiares e/ou</p><p>consanguíneos (Miura et al., 2018). A maior parte das violências intrafamiliares e nas relações</p><p>íntimas caracteriza-se como violência doméstica.</p><p>Modelo Ecológico da Violência</p><p>A violência é um fenômeno multicausal que deve ser compreendido a partir de quatro</p><p>níveis de fatores: individual, relacional, comunitário e macrossocial. Tais níveis são relevantes</p><p>para compreender fatores de risco e de proteção para experienciar violência, bem como seus</p><p>efeitos para a saúde e o desenvolvimento psicossocial. Não devem ser considerados ou</p><p>analisados de forma isolada, pois estão inter-relacionados e são interdependentes, ou seja, o que</p><p>ocorre em um nível gera efeitos nos demais (Dahlberg & Krug, 2006; WHO, 2024). Na Figura</p><p>1, o Modelo Ecológico é apresentado graficamente.</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>Figura 1. Modelo Ecológico</p><p>O nível individual refere-se às características biopsicossociais que podem estar</p><p>associadas à maior ou menor vulnerabilidade à violência. Características como gênero, raça,</p><p>idade, deficiência, identidade sexual, escolaridade, renda, temperamento, saúde prévia,</p><p>estratégias de enfrentamento e habilidades socioemocionais são fatores que atuam aumentando</p><p>ou reduzindo as chances de experienciar violência (Dahlberg & Krug, 2006; WHO, 2024).</p><p>O nível relacional diz respeito aos aspectos da dinâmica familiar ou da relação íntima.</p><p>O vínculo entre o autor da violência e a vítima, as habilidades de comunicação, o histórico</p><p>transgeracional de violência, a adesão da família a papéis estereotipados de gênero e o</p><p>isolamento familiar de redes mais amplas de suporte social são alguns fatores que devem ser</p><p>considerados na análise da situação (Dahlberg & Krug, 2006; WHO, 2024).</p><p>O nível comunitário compreende os elos entre redes formais e informais. Diz respeito à</p><p>atuação em termos de suporte da família, amigos, vizinhos, escola, contexto de trabalho,</p><p>serviços de saúde, assistência social, justiça e segurança. Em nível informal, a credibilidade e</p><p>o apoio dados à vítima por pessoas significativas, o senso de coletividade da vizinhança e o</p><p>suporte afetivo, protetivo e pedagógico da escola são aspectos que podem minimizar ou</p><p>maximizar o tempo de exposição à violência, bem como as suas consequências. Da mesma</p><p>forma, a atuação dos serviços de proteção e atendimento tem papel fundamental. Qualificação</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>dos profissionais, estrutura física dos serviços, garantia de acesso a diferentes grupos sociais e</p><p>estratégias para ações articuladas são fatores que devem ser considerados. Além disso, a</p><p>violência urbana e o desemprego estão relacionados à vulnerabilidade à violência no contexto</p><p>familiar, doméstico e nas relações íntimas (Dahlberg & Krug, 2006; WHO, 2024).</p><p>Por fim, o nível macrossocial diz respeito a aspectos estruturais, como cultura,</p><p>economia, crenças sociais de legitimação da violência, políticas de Estado para prevenção e</p><p>enfrentamento e movimentos internacionais para fortalecimento de direitos humanos. Este nível</p><p>é fundamental para a compreensão de processos sócio-históricos atrelados à vulnerabilização</p><p>de alguns grupos sociais à violência (Dahlberg & Krug, 2006; WHO, 2024).</p><p>Conforme mencionado, os níveis do Modelo Ecológico não devem ser considerados</p><p>isoladamente, pois corre-se o risco de análises reducionistas, simplistas e que podem contribuir</p><p>para a estigmatização e a discriminação. Por exemplo, embora raça, gênero e identidade sexual</p><p>componham características a nível individual, não se pode analisar o fato de que pessoas negras,</p><p>meninas e pessoas LGBTQIA+ estão mais vulneráveis a violências interpessoais sem</p><p>considerar estruturas sociais e culturais mais amplas que contribuem para que esses grupos</p><p>estejam em maior risco, como racismo, sexismo e cisheteronormatividade.</p><p>Nesta perspectiva, as características individuais não constituem um risco em si, mas se</p><p>tornam risco em função de fatores macrossociais. Reduzir a violência a fatores individuais e</p><p>relacionais contribui para a culpabilização das vítimas e das famílias. Por essa razão, os níveis</p><p>comunitários e macrossociais são fundamentais para a análise do fenômeno e devem estar</p><p>contemplados em políticas públicas para efetiva prevenção e enfrentamento</p><p>à violência.</p><p>A Teoria da Interseccionalidade como lente de análise para processos de vulnerabilização</p><p>à violência</p><p>Apesar de o Modelo Ecológico ser abrangente e permitir a compreensão da violência</p><p>como fenômeno contextualizado socialmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) não</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>apresenta uma análise crítica sobre as relações de poder que historicamente vulnerabilizam</p><p>alguns grupos sociais para manutenção de privilégios de outros. Analisar estruturas amplas de</p><p>opressão permite compreender como a violência e a discriminação operam na violação de</p><p>direitos de minorias sociais e na perpetuação de relações de poder desiguais na sociedade. Além</p><p>disso, possibilita analisar processos individuais e coletivos de resistência e de luta por</p><p>transformação e justiça social. Assim, a Teoria da Interseccionalidade é uma poderosa lente de</p><p>análise crítica e permite aprofundar discussões propostas pelo Modelo Ecológico para</p><p>compreensão da violência (Arnoud, Rangel, & Habigzang, no prelo).</p><p>A Teoria da Interseccionalidade é uma relevante contribuição do feminismo negro para</p><p>compreender as experiências de opressão de mulheres negras a partir dos cruzamentos das</p><p>categorias sociais gênero, raça e classe. Nesta perspectiva, a experiência é analisada</p><p>considerando tais cruzamentos ou intersecções. Assim, as experiências de uma mulher negra de</p><p>nível socioeconômico baixo só poderão ser compreendidas a partir da intersecção dos sistemas</p><p>de poder/dominação do racismo, machismo/sexismo e capitalismo (Crenshaw, 1989).</p><p>Posteriormente, a teoria foi ampliada e outras categorias sociais passaram a ser foco de</p><p>análise, como a identidade sexual e de gênero, deficiência, idade, status de cidadania, religião,</p><p>entre outras. Atualmente, portanto, a interseccionalidade é entendida como uma teoria social</p><p>crítica que visa pensar categorias de experiência, identidade e opressão, desde que a análise das</p><p>relações de poder e o imperativo de justiça social sigam presentes (Hancock, 2007). Sistemas</p><p>de opressão, tais como a cisheteronormatividade, o capacitismo e o etarismo operam processos</p><p>de discriminação e exclusão de pessoas LGBTQIA+, pessoas com deficiências, crianças,</p><p>adolescentes e pessoas idosas, colocando-as à margem da sociedade e em maior risco de</p><p>violências. Esses sistemas não operam de maneira unitária e excludente, mas como um</p><p>fenômeno recíproco que produz inequidades sociais complexas (Collins, 2015).</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>Figura 2. Teoria da Interseccionalidade</p><p>A Teoria da Interseccionalidade não foi formulada para compreender violências no</p><p>contexto familiar, mas permite analisar processos e relações sociais de poder que contribuem</p><p>para a vulnerabilização de grupos em função da intersecção de categorias sociais e identitárias.</p><p>Para isso, é importante considerar que os sistemas de opressão atuam em quatro níveis:</p><p>hegemônico, estrutural, disciplinar e interpessoal. O nível hegemônico refere-se às ideologias</p><p>e crenças culturais que foram historicamente construídas e mantidas para diferenciar grupos</p><p>sociais. O nível estrutural compreende como as instituições sociais se organizam e atuam para</p><p>perpetuação de ideologias e crenças discriminatórias, criando barreiras para o desenvolvimento</p><p>pleno de minorias sociais. O nível disciplinar refere-se às hierarquias burocráticas e</p><p>administrativas. Por fim, o nível interpessoal diz respeito às manifestações de discriminação e</p><p>violências que ocorrem entre indivíduos (Alinia, 2015).</p><p>Os níveis de opressão auxiliam a compreender relações de violência interpessoal</p><p>familiar ou nas relações íntimas. Para a ocorrência de violência há um fator determinante: poder</p><p>desigual para controle/subjugação/dominação de alguém. Embora reconheça-se que sistemas</p><p>de opressão não sejam os únicos fatores determinantes, qualquer explicação que ignore relações</p><p>sociais de poder é potencialmente prejudicial para pessoas que foram e são alvo de violência</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>(Straka & Montminy, 2008). As famílias e casais estão inseridos em uma sociedade desigual</p><p>em termos de classe, gênero, raça, idade e identidade sexual. Assim, ideologias e crenças</p><p>culturais discriminatórias também estruturam as relações familiares e íntimas, estando presentes</p><p>em representações, discursos e comportamentos.</p><p>Quando se analisa os grupos mais vulnerabilizados à violência doméstica e familiar</p><p>depara-se com índices alarmantes de violências físicas, sexuais e psicológicas contra crianças,</p><p>adolescentes, mulheres, pessoas LGBTQIA+ e pessoas idosas. Além disso, intersecções entre</p><p>idade, gênero, identidade sexual, raça, deficiência e classe geram processos específicos de</p><p>vulnerabilidade. As meninas estão mais vulneráveis a violências sexuais quando comparadas</p><p>aos meninos (United Nations Children’s Fund [UNICEF], 2024). Mulheres bissexuais e trans</p><p>apresentam índices mais elevados de violência nas relações íntimas quando comparadas com</p><p>mulheres heterossexuais e cisgêneras (Garthe et al., 2018; Turell et al., 2017). Crianças na</p><p>primeira infância e pessoas idosas com deficiências estão mais vulneráveis a negligências</p><p>(Hohendorff et al., 2018; Macedo et al., 2020). A sexualidade de pessoas com deficiências</p><p>frequentemente é ignorada devido a crenças capacitistas, e, em muitas ocasiões, suas vivências</p><p>de violência sexual não são investigadas nos serviços de saúde (Dupont et al., 2021). Os índices</p><p>de feminicídio contra mulheres negras tiveram um aumento, enquanto se observou a redução</p><p>entre mulheres brancas (Cerqueira & Bueno, 2023). Para mulheres negras, o acesso aos serviços</p><p>da rede pode estar cercado de barreiras em decorrência do racismo e sexismo estruturais. Assim,</p><p>o cruzamento de categorias sociais e identitárias pode estar associado à vulnerabilização a</p><p>diferentes formas de violência e a maiores dificuldades para acessar serviços para proteção e</p><p>atendimento de qualidade.</p><p>Essas dificuldades ocorrem porque os sistemas de opressão operam nos níveis</p><p>hegemônico, estrutural e disciplinar, gerando iniquidades em atendimentos em delegacias,</p><p>justiça, equipamentos de saúde e assistência social. Profissionais, também socializados em meio</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>a discursos e práticas culturais discriminatórias, podem reproduzir estereótipos, atuar</p><p>reforçando a responsabilização das vítimas a partir de crenças sociais que legitimam e</p><p>naturalizam a violência. Podem, ainda, invalidar ou minimizar o sofrimento ou não se empenhar</p><p>em garantir a segurança e atendimento de alguns grupos baseados em preconceitos pessoais e</p><p>institucionais. Todas essas expressões de violência que ocorrem em serviços que devem garantir</p><p>direitos, e que podem ser praticadas por ação ou omissão, são chamadas de violência</p><p>institucional (Chai et al., 2018). A violência institucional pode agravar a experiência de</p><p>violência interpessoal e contribui para a perpetuação de relações sociais desiguais.</p><p>Tipologias da violência</p><p>A seguir serão apresentadas definições das formas mais comuns de violência que</p><p>ocorrem</p><p>nas relações íntimas e nos contextos doméstico e familiar. Tais definições baseiam-se</p><p>em documentos regulatórios e legislações nacionais, tais como o Estatuto da Criança e do</p><p>Adolescente (Brasil, 1990), a Nota Técnica sobre Notificação de Casos de Maus-Tratos contra</p><p>Crianças e Adolescentes (Brasil, 2002), o Estatuto da Pessoa Idosa (Brasil, 2003), a Lei Maria</p><p>da Penha (Brasil, 2006), o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Brasil, 2015), a Lei da Escuta</p><p>Protegida (Brasil, 2017) e a Lei da Violência Psicológica (Brasil, 2021). Estes são documentos</p><p>que devem subsidiar as práticas de profissionais que atuam nos setores da saúde, assistência</p><p>social, educação, segurança pública e justiça. Para notificações de casos de violência</p><p>interpessoal e autoprovocada é fundamental consultar o Instrutivo de Notificação de Violência</p><p>Interpessoal e Autoprovocada - VIVA (Brasil, 2016).</p><p>● Negligência: caracteriza-se pela omissão de cuidados básicos necessários para prover o</p><p>desenvolvimento físico, afetivo e social. Privação de afeto, estímulo, educação,</p><p>alimentação, higiene e medicação são exemplos de comportamentos negligentes (Brasil,</p><p>2002). Crianças, adolescentes, pessoas com deficiências e pessoas idosas são grupos</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>que estão mais vulneráveis a esta forma de violência devido à necessidade de cuidados.</p><p>Diante da suspeita de um caso de negligência, é importante avaliar se a família dispõe</p><p>dos recursos necessários ou se está em uma situação de vulnerabilidade social pela</p><p>ausência de dinheiro e suporte para atender aos cuidados demandados. No segundo caso,</p><p>a negligência é do Estado ao falhar em prover o acesso a direitos fundamentais à parte</p><p>da população. O papel dos serviços de saúde e assistência social será integrar essa</p><p>família a políticas públicas. É fundamental não responsabilizar as famílias por sua</p><p>situação de pobreza.</p><p>● Violência física: definida como o uso intencional da força física que resulta, ou tem</p><p>possibilidade de resultar, em ameaça para a saúde, a sobrevivência e o desenvolvimento</p><p>(Brasil, 2002). De acordo com a Lei Maria da Penha, violência física é qualquer conduta</p><p>que ofenda a integridade ou a saúde corporal (Brasil, 2006). Inclui ações de bater com</p><p>tapas ou socos, empurrar, beliscar, espancar, chutar, chacoalhar, morder, estrangular,</p><p>queimar e sufocar. A violência física é frequente contra crianças, adolescentes,</p><p>mulheres, pessoas LGBTQIA+, pessoas idosas e pessoas com deficiências.</p><p>● Violência psicológica: envolve agressão verbal e não reconhecimento do valor do</p><p>indivíduo. Abrange situações de humilhação, invalidação emocional, rejeição,</p><p>desprezo, depreciação, discriminação e o estabelecimento de cobranças exageradas</p><p>(Brasil, 2002). A violência psicológica atinge crianças, adolescentes, mulheres, pessoas</p><p>LGBTQIA+, pessoas idosas e pessoas com deficiências. No caso das mulheres, é</p><p>definida como qualquer conduta que cause dano emocional, diminuição da autoestima,</p><p>prejudique o pleno desenvolvimento ou vise degradar ou controlar suas ações,</p><p>comportamentos, crenças e decisões mediante ameaça, constrangimento, humilhação,</p><p>manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto,</p><p>chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à saúde psicológica e à</p><p>autodeterminação (Brasil, 2021). Contra pessoas LGBTQIA+, pode se caracterizar por</p><p>condutas de invalidação da identidade sexual e de gênero, ameaças de revelar a</p><p>identidade a outras pessoas, desqualificação da moral, recusa em utilizar o nome social</p><p>e pronomes de acordo com a identidade de gênero.</p><p>● Violência sexual: trata-se de uma forma de violência que é praticada contra crianças,</p><p>adolescentes, mulheres, pessoas LGBTQIA+, pessoas idosas e pessoas com</p><p>deficiências. Em relação a crianças e adolescentes, a violência sexual consiste em todo</p><p>ato ou jogo sexual, em uma relação heterossexual ou homossexual, cujo agressor está</p><p>em estágio de desenvolvimento psicossexual mais avançado que a vítima. Tem por</p><p>intenção estimulá-la sexualmente ou utilizá-la para obter satisfação sexual. Apresenta-</p><p>se sob a forma de práticas eróticas e sexuais impostas à criança ou ao adolescente pela</p><p>violência física, ameaças ou indução de sua vontade. Abrange atos sem contato físico</p><p>(voyeurismo, exibicionismo, produção de fotos, exposição a materiais pornográficos) e</p><p>ações que incluem contato sem ou com penetração. Engloba, ainda, a situação de</p><p>exploração sexual visando lucros (Brasil, 2002). Na Lei da Escuta Protegida é definida</p><p>como toda ação que se utiliza da criança ou do adolescente para fins sexuais, seja</p><p>conjunção carnal ou outro ato libidinoso, realizado de modo presencial ou por meio</p><p>eletrônico, para estimulação sexual do agente ou de terceiros. Vale ressaltar que</p><p>qualquer conduta sexual com crianças com até 14 anos caracteriza estupro de vulnerável</p><p>(Brasil, 2017). De acordo com a Lei Maria da Penha, configura violência sexual contra</p><p>a mulher qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de</p><p>relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que</p><p>a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a</p><p>impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou</p><p>manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos</p><p>(Brasil, 2006). Em relação à população LGBTQIA+, pode-se incluir ainda a</p><p>objetificação sexual, a fetichização e os estupros corretivos.</p><p>● Violência patrimonial/financeira: a violência patrimonial é definida na Lei Maria da</p><p>Penha como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou</p><p>total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e</p><p>direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades</p><p>(Brasil, 2006). Além das mulheres, pessoas idosas e pessoas com deficiências estão mais</p><p>vulneráveis a experienciar este tipo de violência.</p><p>● Violência moral: definida pela Lei Maria da Penha como qualquer conduta que</p><p>configure calúnia, difamação ou injúria (Brasil, 2006). Trata-se de uma violência</p><p>praticada especialmente contra mulheres.</p><p>Dinâmica da violência familiar</p><p>A família é culturalmente concebida como contexto de afeto e proteção. Contudo, pode</p><p>ser um espaço de experiência de múltiplas violações de direitos. Em função da naturalização e</p><p>da banalização cultural da violência, muitas pessoas podem não reconhecer que estão nessa</p><p>situação. Além disso, crenças sociais que justificam ou legitimam a violência contribuem para</p><p>que as pessoas que estão experienciando esse fenômeno se considerem culpadas ou</p><p>responsáveis pelo que estão sofrendo. Dessa forma, podem sentir vergonha e medo de revelar</p><p>a violência e serem julgadas moralmente. O mito da família como espaço essencialmente de</p><p>afeto e proteção contribui para esses sentimentos. A autoculpabilização torna-se uma barreira</p><p>para o processo de revelação e rompimento do ciclo de violência.</p><p>TÍTULO DO</p><p>ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>Aspectos familiares, tais como segredo e isolamento social, também constituem</p><p>barreiras para a proteção de quem está em situação de violência. O segredo é mantido por meio</p><p>de ameaças e manipulação. O isolamento social é um mecanismo que gera a percepção de</p><p>solidão e desamparo. A pessoa em situação de violência vivencia gradualmente o rompimento</p><p>de vínculos com redes formais e informais de proteção. Aos poucos, se percebe sem amigos,</p><p>sem convivência com a família e a comunidade. O desamparo e a percepção de solidão podem</p><p>contribuir para a manutenção da violência. Além disso, pode haver dependência financeira e</p><p>emocional entre a pessoa que sofre a violência e quem a perpetua.</p><p>O despreparo de profissionais da saúde, assistência social, segurança pública, justiça e</p><p>educação para reconhecer a violência e estabelecer procedimentos de notificação e atendimento</p><p>adequados pode fragilizar a pessoa em situação de violência e contribuir para revitimizações.</p><p>A articulação de ações intersetoriais para proteção e garantia de direitos é fundamental. Além</p><p>disso, são necessários investimentos públicos para o fortalecimento de políticas de prevenção e</p><p>enfrentamento à violência. Esse é um dever do Estado. Ao fornecer à população informações</p><p>que permitam reconhecer expressões de violência e encorajá-las a romper o silêncio e tantas</p><p>barreiras de opressão, é fundamental que uma rede de atendimento esteja constituída para</p><p>garantir seus direitos e promover saúde.</p><p>Consequências da violência</p><p>De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), milhões de pessoas</p><p>em todo o mundo são expostas à violência doméstica e familiar. Uma em cada duas crianças</p><p>foi exposta à violência física, psicológica ou sexual no último ano. Uma em cada quatro</p><p>mulheres já sofreu violência por parceiro íntimo em algum momento da sua vida. Uma em cada</p><p>seis pessoas idosas é vítima de violência a cada ano (WHO, 2022). No Brasil, os dados são</p><p>igualmente graves e alarmantes. Por exemplo, entre os meses de janeiro e junho de 2024, foram</p><p>registrados 905 casos de feminicídios consumados e 1102 casos de tentativas de feminicídio no</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>país (Laboratório de Estudos de Feminicídios, 2024). A prevenção e o enfrentamento à</p><p>violência dependem da identificação dos casos e de um trabalho comprometido da rede de saúde</p><p>e de proteção. Nesse sentido, conhecer as consequências da exposição à violência é relevante</p><p>porque auxilia na sua identificação e enfrentamento.</p><p>A violência constitui uma experiência adversa, potencialmente traumática, que pode</p><p>afetar negativamente o desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social das vítimas. A</p><p>violência muitas vezes prejudica os indivíduos durante toda a vida. Para além da morte e dos</p><p>ferimentos, pode gerar elevados níveis de estresse que afetam os sistemas nervoso e</p><p>imunológico. Consequentemente, pessoas expostas à violência correm risco significativo de</p><p>desenvolver uma série de problemas de saúde (WHO, 2022). Quanto às consequências físicas,</p><p>destacam-se lesões e ferimentos decorrentes da violência física, infecções sexualmente</p><p>transmissíveis e gravidez indesejada decorrentes da violência sexual, dores, enxaquecas,</p><p>problemas gastrointestinais, disfunções sexuais, doenças crônicas, entre outras. A exposição à</p><p>violência também está associada a alterações em padrões de alimentação e de sono. Em casos</p><p>extremos, a violência pode ocasionar a morte da vítima (WHO, 2012; WHO, 2022).</p><p>As consequências emocionais estão relacionadas a experiências intensas de medo, raiva,</p><p>irritabilidade, tristeza, vergonha e culpa. A violência cria um ambiente instável, imprevisível e</p><p>ameaçador. Logo, a desregulação emocional é uma consequência comum entre pessoas que</p><p>sofreram violência e diz respeito a dificuldades em identificar diferentes estados emocionais e</p><p>estratégias para lidar com eles de forma assertiva. Assim, é possível observar que situações</p><p>desafiadoras, frustrantes ou que remetem a alguma ameaça real ou presumida, geram intensas</p><p>respostas emocionais e dificuldades de autorregulação. A desregulação emocional gera</p><p>prejuízos para os relacionamentos interpessoais, incluindo relações com filhos, amigos, colegas</p><p>e parcerias íntimas, além de efeitos negativos para o desempenho acadêmico e laboral (Muñoz-</p><p>Rivas et al., 2021; Zancan & Habigzang, 2018).</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>As alterações cognitivas estão associadas ao desenvolvimento de crenças e pensamentos</p><p>negativos sobre si, sobre os outros e sobre o futuro. Essas crenças são chamadas de cognições</p><p>pós-traumáticas. Avaliar-se de forma negativa em termos de valor, desempenho e capacidade</p><p>de resolver problemas são cognições negativas sobre si comuns em pessoas que sofreram</p><p>violência. Tais crenças estão relacionadas a prejuízos significativos na autoestima e na</p><p>autoeficácia. Crenças sobre os outros e o futuro referem-se a generalizações de que as pessoas</p><p>não são confiáveis e de que o futuro não será bom ou que nada irá mudar (Amorim et al., 2021).</p><p>Esses aspectos implicam em dificuldades para estabelecer relações positivas e estão associadas</p><p>à desesperança, constituindo um risco significativo para violências autoprovocadas. Além de</p><p>alterações em crenças, a exposição à violência altera funções e processos cognitivos, tais como</p><p>memória, atenção, funções executivas e resolução de problemas. Os prejuízos cognitivos</p><p>contribuem para compreender os efeitos negativos para a aprendizagem e os déficits no</p><p>rendimento escolar ou laboral de pessoas que foram expostas à violência (WHO, 2022).</p><p>As alterações comportamentais podem incluir isolamento social devido a dificuldades</p><p>para estabelecer e manter vínculos interpessoais positivos. Pode-se observar comportamentos</p><p>de agressão em relação a outras pessoas ou contra si mesmo por meio de autolesão ou tentativa</p><p>de suicídio. A exposição à violência também está associada ao abandono de atividades lúdicas</p><p>ou de lazer. Por fim, destaca-se o consumo abusivo de medicamentos, álcool e outras</p><p>substâncias psicoativas (WHO, 2012; WHO, 2022).</p><p>O desenvolvimento ou o agravamento de transtornos mentais estão associados a</p><p>experiências de violência. O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é comum entre</p><p>vítimas de violência e caracteriza-se pelos seguintes sintomas: alterações em cognições e afetos;</p><p>revivência da experiência traumática; evitação de lugares, pessoas e/ou objetos associados ao</p><p>evento traumático; hipervigilância; e excitação fisiológica aumentada (Associação Americana</p><p>de Psiquiatria [APA], 2023). Outros transtornos associados à experiência de violência são os</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>transtornos de humor, transtornos de ansiedade, transtornos alimentares, transtorno por uso de</p><p>substâncias e transtornos de personalidade (Mendonça & Ludermir, 2017; WHO, 2022). É</p><p>importante compreender que todo sintoma é uma tentativa de adaptação ao ambiente hostil e</p><p>imprevisível gerado pela experiência de violência. Nenhum diagnóstico deve ser considerado</p><p>como um fim, mas como meio para a garantia</p><p>de cuidados em saúde mental efetivos.</p><p>Diagnósticos utilizados como um fim têm grande potencial de contribuir com práticas e</p><p>discursos discriminatórios e estigmatizantes.</p><p>Os efeitos da violência são mediados por três fatores: 1) Fatores internos: dizem</p><p>respeito a características do indivíduo, como saúde prévia e estratégias de enfrentamento; 2)</p><p>Fatores relacionados à própria violência: duração, frequência e gravidade dos episódios; relação</p><p>entre vítima e autor; polivitimização (experiência de mais de um tipo de violência); e 3) Fatores</p><p>externos: referem-se ao suporte social, afetivo e de proteção. Inclui redes de apoio informais</p><p>(família, amigos, comunidade) e formais (serviços e instituições que atuam na proteção e</p><p>atendimento). Nesse sentido, o trabalho desempenhado por profissionais nos âmbitos da saúde,</p><p>assistência social, segurança pública, justiça e educação pode contribuir para minimizar os</p><p>impactos da violência.</p><p>Além dos prejuízos individuais, deve-se considerar que a violência tem efeitos</p><p>negativos para a família, a comunidade e a sociedade como um todo. Em relação à família, os</p><p>prejuízos estão relacionados à reprodução de padrões transgeracionais de violência. Adultos</p><p>que sofreram agressões quando crianças e adolescentes apresentam maior risco de conviver</p><p>com parceiro violento, perpetrar violência contra esse parceiro, praticar maus-tratos contra os</p><p>filhos ou deixar de protegê-los nessas situações (Kennedy et al., 2017; WHO, 2007). Além</p><p>disso, outros membros da família podem desenvolver sintomas de TEPT, depressão e ansiedade</p><p>por testemunhar violência. Prejuízos sociais e econômicos para a família, como evasão escolar,</p><p>perda do emprego e estigmatização social também estão associados à violência (WHO, 2022).</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>Por fim, deve-se destacar que toda a sociedade é afetada negativamente pela violência.</p><p>Bilhões de dólares são gastos anualmente em todo o mundo para lidar com as consequências.</p><p>Tais gastos estão associados a despesas com saúde, segurança pública, justiça, instituições para</p><p>acolhimento de vítimas, entre outros. Efeitos culturais negativos também devem ser</p><p>considerados. A violência contribui para a manutenção de relações sociais desiguais de poder</p><p>e opressão, fortalece estereótipos e legitima discursos que responsabilizam as vítimas. Assim,</p><p>o compromisso com a prevenção e o enfrentamento às diferentes formas de violência deve ser</p><p>de cada indivíduo, das instituições e do Estado.</p><p>Referências</p><p>Alinia, M. (2015). On Black feminist thought: Thinking oppression and resistance through an</p><p>intersectional paradigm. Ethnic and Racial Studies, 38(13), 2334-2340.</p><p>https://doi.org/10.1080/01419870.2015.1042520</p><p>Amorim, A. F., Moussa, I. A., Ribeiro, R. K. S. M., Roama-Alves, R. J., & Gonsalves, C. C.</p><p>(2021). Desempenho intelectual e crenças disfuncionais em crianças vítimas de abuso</p><p>sexual. Revista Psicopedagogia, 38(116), 143-151. https://doi.org/10.51207/2179-</p><p>4057.20210024</p><p>Arnoud, T., Rangel, R., Habigzang, L. (no prelo). Diálogos entre a Teoria Bioecológica do</p><p>Desenvolvimento Humanos e a Teoria da Interseccionalidade para compreensão da</p><p>violência contra crianças e adolescentes. In L. F. Habigzang, A. Pessoa, S. Lordello</p><p>(Eds.), Violências contra crianças: Fundamentos teórico-metodológicos a partir da</p><p>Teoria Biológica do Desenvolvimento Humano. Springer/Nature.</p><p>Associação Americana de Psiquiatria [APA]. DSM-5-TR: Manual Diagnóstico e Estatístico de</p><p>Transtornos Mentais. Porto Alegre: Artmed, 2023.</p><p>https://doi.org/10.1080/01419870.2015.1042520</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>Brasil. Lei Federal nº 8.069, de 13 de julho de 1990. (1990). Dispõe sobre o Estatuto da</p><p>Criança e do Adolescente (ECA). 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Brasília, DF: Palácio do Planalto. https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-</p><p>temas/politicas-para-mulheres/arquivo/sobre/a-secretaria/legislacao-1/lei-maria-da-</p><p>penha/lei-maria-da-penha</p><p>Brasil. Lei Federal nº 13.146, de 06 de julho de 2015. (2015). Dispõe sobre o Estatuto da</p><p>Pessoa com Deficiência. Brasília, DF: Palácio do Planalto.</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm</p><p>Brasil, Lei Federal nº 13431, de 04 de abril de 2017. (2017). Dispõe sobre o sistema de</p><p>garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência.</p><p>Brasília, DF: Palácio do Planalto. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-</p><p>2018/2017/lei/l13431.htm</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>Brasil. Lei Federal nº 14.188, de 28 de julho de 2021. (2021). Violência psicológica contra</p><p>mulher. Brasília, DF: Palácio do Planalto. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_</p><p>ato2019-2022/2021/lei/l14188.htm</p><p>Brasil. Ministério da Saúde. Instrutivo de Notificação de Violência Interpessoal e</p><p>Autoprovocada. (2016). https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/viva_instrutivo_</p><p>violencia_interpessoal_autoprovocada_2ed.pdf</p><p>Brasil. Ministério da Saúde. (2020). Violência por parceiro íntimo contra homens e mulheres</p><p>no Brasil: Dados da Vigilância de Violências e Acidentes. https://www.gov.br/saude/pt-</p><p>br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/edicoes/2020/</p><p>boletim_epidemiologico_svs_49.pdf</p><p>Cerqueira, D., & Bueno, S. (2023). Atlas da violência 2023. Brasília: Ipea; FBSP.</p><p>Chai, C. G., Santos, J. P. D., & Chaves, D. G. (2018). Violência institucional contra a mulher:</p><p>O poder judiciário, de pretenso protetor a efetivo agressor. Revista Eletrônica do Curso</p><p>de Direito da UFSM. https://doi.org/10.5902/2317730212162</p><p>Collins, P. H. (2015). Intersectionality’s definitional dilemmas. Annual Review of Sociology,</p><p>41(1), 1-20. https://doi.org/10.1146/annurev-soc-073014-112142</p><p>Crenshaw, K. (1989). Demarginalizing the intersection of race and sex: A Black feminist</p><p>critique of antidiscrimination doctrine, feminist theory, and antiracist politics. 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Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, 25, 9-21.</p><p>https://doi.org/10.1590/S0101-81082003000400003</p><p>Dupont, M. F., Marques, S. S., Arnoud, T. D. C. J., & Habigzang, L. F. (2022). Promoção de</p><p>resiliência e tratamento psicológico para crianças e adolescentes com deficiência vítimas</p><p>de violência sexual. SUBJETIVIDADES, 21(3). https://doi.org/10.5020/</p><p>23590777.rs.v21i3.e11569</p><p>Garthe, R. C., Hidalgo, M. A., Hereth, J., Garofalo, R., Reisner, S. L., Mimiaga, M. J., &</p><p>Kuhns, L. (2018). Prevalence and risk correlates of intimate partner violence among a</p><p>multisite cohort of young transgender women. LGBT Health, 5(6), 333–340.</p><p>https://doi.org/10.1089/lgbt.2018.0034</p><p>Hancock, A.-M. (2007). When multiplication doesn’t equal quick addition: Examining</p><p>intersectionality as a research paradigm. Perspectives on Politics, 5(1), 63-79.</p><p>https://doi.org/10.1017/S1537592707070065</p><p>Hohendorff, J. V., Paz, A. P., Freitas, C. P. 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The cycles of violence - The relationship</p><p>between childhood maltreatment and the risk of later becoming a victim or perpetrator of</p><p>violence: Key facts. http://apps.who.int/iris/handle/10665/107841</p><p>World Health Organization [WHO]. (2012). Understanding and addressing violence against</p><p>women. https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/77431/WHO_RHR_12.43_eng.pdf</p><p>World Health Organization [WHO]. (2022). Violence info. https://apps.who.int/violence-info/</p><p>World Health Organization [WHO]. (2024). The VPA Approach. https://www.who.int/</p><p>groups/violence-prevention-alliance/approach</p><p>Zancan, R., & Habigzang, L. F. (2018). Regulação Emocional, Sintomas de Ansiedade e</p><p>Depressão em Mulheres com Histórico de Violência Conjugal. 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Pode ser cometida</p><p>por qualquer integrante da família, com ou sem laço de</p><p>consanguinidade.</p><p>Violência nas relações</p><p>íntimas</p><p>Expressões de violência física, psicológica, sexual, moral ou</p><p>patrimonial que ocorrem entre pessoas que estão ou estiveram</p><p>em um relacionamento íntimo afetivo-sexual. É perpetrada por</p><p>parcerias ou ex-parcerias íntimas, independente da existência de</p><p>laços formais de união ou coabitação.</p><p>Violência doméstica</p><p>Violências que ocorrem entre pessoas que habitam a mesma</p><p>residência, com ou sem laços familiares e/ou consanguíneos. A</p><p>maior parte das violências intrafamiliares e nas relações íntimas</p><p>caracteriza-se como violência doméstica.</p><p>Negligência</p><p>Omissão de cuidados básicos necessários para prover o</p><p>desenvolvimento físico, afetivo e social. Privação de afeto,</p><p>estímulo, educação, alimentação, higiene e medicação são</p><p>exemplos de comportamentos negligentes.</p><p>Violência física</p><p>Uso intencional da força física que resulta, ou tem possibilidade</p><p>de resultar, em ameaça para a saúde, a sobrevivência e o</p><p>desenvolvimento. Inclui ações de bater com tapas ou socos,</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>empurrar, beliscar, espancar, chutar, chacoalhar, morder,</p><p>estrangular, queimar e sufocar.</p><p>Violência psicológica</p><p>Agressão verbal e não reconhecimento</p><p>do valor do indivíduo.</p><p>Abrange situações de humilhação, invalidação emocional,</p><p>rejeição, desprezo, depreciação, discriminação e o</p><p>estabelecimento de cobranças exageradas.</p><p>Violência sexual</p><p>Qualquer ato sexual ou tentativa de obtenção de ato sexual por</p><p>violência ou coerção, ataques, comentários ou investidas</p><p>sexuais indesejados, atividades como o tráfico humano ou</p><p>diretamente contra a sexualidade de uma pessoa,</p><p>independentemente da relação com a vítima.</p><p>Violência</p><p>patrimonial/financeira</p><p>Qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição</p><p>parcial ou total de objetos, instrumentos de trabalho,</p><p>documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos</p><p>econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas</p><p>necessidades.</p><p>Violência moral Qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.</p><p>Modelo Ecológico da</p><p>Violência</p><p>Considera a violência um fenômeno multidimensional, que</p><p>pode ser causado por diferentes fatores (individuais,</p><p>relacionais, comunitários e macrossociais). Ajuda a entender</p><p>como esses fatores se influenciam entre si e como a interação</p><p>entre eles pode produzir uma vítima ou um autor de violência.</p><p>Interseccionalidade</p><p>Teoria social crítica desenvolvida a partir do feminismo negro</p><p>que visa compreender experiências a partir das interações entre</p><p>diferentes sistemas de opressão baseados em raça, gênero,</p><p>classe, sexualidade e outras categorias sociais.</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>RESUMO</p><p>● O capítulo aborda o fenômeno da violência, destacando sua complexidade e impactos. São</p><p>apresentados os conceitos de violência intrafamiliar, violência nas relações íntimas e</p><p>violência doméstica. O conhecimento sobre essas formas de violência é crucial para</p><p>profissionais da saúde e da assistência social promoverem intervenções adequadas.</p><p>● De acordo com o Modelo Ecológico, a violência é um fenômeno multicausal que deve ser</p><p>analisado em quatro níveis: individual, relacional, comunitário e macrossocial. Esses níveis</p><p>interagem, influenciando fatores de risco e proteção. A compreensão integrada é necessária</p><p>para prevenir a violência e evitar a culpabilização das vítimas.</p><p>● A Teoria da Interseccionalidade visa compreender experiências a partir das interações entre</p><p>diferentes sistemas de opressão baseados em raça, gênero, classe, sexualidade e outras</p><p>categorias sociais. Essa abordagem crítica permite entender como relações de poder e</p><p>sistemas de opressão contribuem para a vulnerabilização e a discriminação, especialmente</p><p>em contextos de violência.</p><p>● As formas mais comuns de violência nas relações íntimas e no contexto familiar são</p><p>definidas (negligência, violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral),</p><p>ressaltando a vulnerabilidade de crianças, adolescentes, mulheres, pessoas LGBTQIA+,</p><p>pessoas idosas e pessoas com deficiências.</p><p>● A violência intrafamiliar e nas relações íntimas afeta milhões de pessoas globalmente, com</p><p>consequências graves para a saúde física, emocional, cognitiva e social das vítimas. Além</p><p>de danos diretos, a violência provoca impactos transgeracionais, exigindo a colaboração de</p><p>instituições e indivíduos na prevenção e enfrentamento desse fenômeno.</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>INDICAÇÕES DE LEITURAS</p><p>✔ Castro, A. M., Gomes, N. M. F., & de Azevedo Trajano, A. (2023). Violência doméstica e</p><p>interseccionalidade. Caderno Espaço Feminino, 36(2), 347-361.</p><p>https://doi.org/10.14393/CEF-v36n2-2023-18</p><p>✔ Zamora, J. C., & Habigzang, L. F. (2021). Contribuições da Psicologia para</p><p>enfrentamento à violência contra mulheres: Aportes teóricos e práticos. Editora Dialética.</p><p>✔ Cartilha “Vamos conversar?", produzida pela ONU Mulheres: ilustra os diferentes tipos</p><p>de violência contra a mulher. Disponível em: http://www.onumulheres.org.br/wp-</p><p>content/uploads/2016/04/CARTILHA_DF.pdf</p><p>✔ Conselho Federal de Psicologia. (2023). Referências técnicas para atuação de psicólogas,</p><p>psicólogos e psicólogues em políticas públicas para população LGBTQIA+. Disponível</p><p>em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2023/06/RT_LGBT_crepop_Web.pdf</p><p>✔ Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa.</p><p>Departamento de Apoio à Gestão Participativa. (2013). Política nacional de saúde</p><p>integral de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Disponível em:</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_saude_lesbicas_gays.pdf</p><p>INDICAÇÕES DE FILMES E DOCUMENTÁRIOS</p><p>✔ Vídeo "Como a violência influencia o desenvolvimento das crianças?", produzido pelo</p><p>núcleo Ciência pela Infância. Disponível em: https://ncpi.org.br/publicacao/como-a-</p><p>violencia-influencia-o-desenvolvimento-das-criancas/</p><p>✔ Vídeo "Saiba o que é interseccionalidade", de Ana Paula Xongani. Disponível em:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=4ZT3rQpvvSY&t=199s</p><p>✔ Vídeo "Mulheres negras no SUS", de Jurema Werneck. Disponível em:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=Xdq9eiZO8Mw</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>QUESTÕES PARA DISCUSSÃO</p><p>Agora é o momento de avaliar os conhecimentos adquiridos a partir da realização da formação</p><p>e da leitura deste capítulo. Por favor, leia e responda às questões apresentadas abaixo.</p><p>1) Qual das seguintes afirmações caracteriza a violência intrafamiliar?</p><p>a) É sempre perpetrada por membros da família biológica.</p><p>b) Refere-se a ações que prejudicam o bem-estar e a integridade de qualquer membro da família,</p><p>independentemente do laço consanguíneo.</p><p>c) Ocorre exclusivamente em relacionamentos formais, como casamentos.</p><p>d) É um fenômeno que não pode ser classificado em tipologias.</p><p>e) Envolve apenas atos físicos de agressão.</p><p>2) Quais fatores devem ser considerados no nível relacional do Modelo Ecológico para</p><p>entender a violência?</p><p>a) Características biopsicossociais da vítima.</p><p>b) Economia e políticas públicas.</p><p>c) Dinâmica familiar, habilidades de comunicação e histórico de violência transgeracional.</p><p>d) O suporte da comunidade e da rede de proteção.</p><p>e) Nenhum fator é relevante nesse nível.</p><p>3) Qual é a principal contribuição da Teoria da Interseccionalidade na análise da</p><p>violência?</p><p>a) Focar exclusivamente em fatores individuais de vulnerabilidade.</p><p>b) Ignorar as relações de poder entre diferentes grupos sociais.</p><p>c) Compreender a opressão considerando cruzamentos de categorias sociais como gênero, raça</p><p>e classe.</p><p>d) Reduzir a análise da violência a questões de comportamento individual.</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>e) Analisar a violência apenas no contexto familiar.</p><p>4) Qual das seguintes definições caracteriza a violência psicológica conforme descrito no</p><p>texto?</p><p>a) O uso intencional da força física que resulta em lesões corporais.</p><p>b) A omissão de cuidados básicos para o desenvolvimento de indivíduos vulneráveis.</p><p>c) A subtração ou destruição de bens e direitos de uma pessoa.</p><p>d) A agressão verbal e não reconhecimento do valor do indivíduo, envolvendo humilhação e</p><p>desprezo.</p><p>e) A imposição de práticas sexuais indesejadas através de coerção.</p><p>5) Qual das alternativas a seguir representa uma consequência da violência</p><p>doméstica e</p><p>familiar mencionada no texto?</p><p>a) Aumento da autoestima das vítimas.</p><p>b) Melhoria nas relações interpessoais.</p><p>c) Estímulo ao aprendizado e ao desempenho escolar.</p><p>d) Redução das despesas com saúde.</p><p>e) Desenvolvimento de transtornos mentais, como o Transtorno de Estresse Pós-Traumático.</p><p>Respostas corretas: 1 - b; 2 - c; 3 - c; 4 - d; 5 - e.</p><p>TÍTULO DO ARTIGO RESUMIDO (até 5 palavras)</p><p>Último sobrenome dos autores (não incluir na submissão)</p><p>Formação de Profissionais do SUS e do SUAS para Atuação em Casos de Violência Intrafamiliar</p><p>17 de outubro a 28 de novembro de 2024</p><p>SOBRE AS AUTORAS</p><p>Luísa Fernanda Habigzang é psicóloga pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos</p><p>(UNISINOS), mestre em Psicologia do Desenvolvimento e doutora em Psicologia pela</p><p>Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Realizou seu pós-doutorado também na</p><p>UFRGS. É professora do curso de graduação e do Programa de Pós-Graduação de Psicologia</p><p>da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Coordena o Grupo de</p><p>Pesquisa Violência, Vulnerabilidade e Intervenções Clínicas (GPeVVIC). É pesquisadora</p><p>bolsista produtividade CNPq - Nível 1C. Seus temas de pesquisa são: violência intrafamiliar,</p><p>violências de gênero e contra diversidade sexual, efeitos da violência para desenvolvimento</p><p>psicossocial. E-mail:luisa.habigzang@pucrs.br</p><p>Priscila Lawrenz é psicóloga (CRP 07/30311) pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos</p><p>(UNISINOS), mestre e doutora em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio</p><p>Grande do Sul (PUCRS) e realiza pós-doutorado na mesma instituição. É professora do curso</p><p>de graduação em Psicologia da Unisinos. Integra o Grupo de Pesquisa Violência,</p><p>Vulnerabilidade e Intervenções Clínicas (GPeVVIC). Seus temas de pesquisa são:</p><p>desenvolvimento humano, violência, maus-tratos contra as crianças, estresse de minoria;</p><p>orientação sexual; gênero; implementação e avaliação de intervenções. E-mail:</p><p>prisci.lawrenz@gmail.com</p><p>Thaís Arnoud é psicóloga (CRP 07/33569), mestre e doutoranda em Psicologia pela Pontifícia</p><p>Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), vinculada ao Grupo de Pesquisa</p><p>Violência, Vulnerabilidade e Intervenções Clínicas (GPeVVIC). Realizou estágio de Doutorado</p><p>Sanduíche na Sapienza Università di Roma com bolsa CAPES-Print (2023-2024). E-mail:</p><p>thaiscjarnoud@gmail.com</p>