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<p>ESTÉTICA E ARTE: PROCESSOS</p><p>DE INOVAÇÃO E CRIATIVIDADE</p><p>NO AUDIOVISUAL</p><p>W</p><p>BA</p><p>07</p><p>19</p><p>_v</p><p>1.</p><p>0</p><p>22</p><p>© 2019 POR EDITORA E DISTRIBUIDORA EDUCACIONAL S.A.</p><p>Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida</p><p>de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou</p><p>qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização,</p><p>por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A.</p><p>Presidente</p><p>Rodrigo Galindo</p><p>Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada</p><p>Paulo de Tarso Pires de Moraes</p><p>Conselho Acadêmico</p><p>Carlos Roberto Pagani Junior</p><p>Camila Braga de Oliveira Higa</p><p>Carolina Yaly</p><p>Giani Vendramel de Oliveira</p><p>Juliana Caramigo Gennarini</p><p>Nirse Ruscheinsky Breternitz</p><p>Priscila Pereira Silva</p><p>Tayra Carolina Nascimento Aleixo</p><p>Coordenador</p><p>Tayra Carolina Nascimento Aleixo</p><p>Revisor</p><p>Rogério Pelizzari de Andrade</p><p>Editorial</p><p>Alessandra Cristina Fahl</p><p>Beatriz Meloni Montefusco</p><p>Daniella Fernandes Haruze Manta</p><p>Hâmila Samai Franco dos Santos</p><p>Mariana de Campos Barroso</p><p>Paola Andressa Machado Leal</p><p>Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)</p><p>Sampaio, Jurema Luzia de Freitas</p><p>S192e Estética e arte: processos de inovação e criatividade no</p><p>audiovisual/ Jurema Luzia de Freitas Sampaio, – Londrina:</p><p>Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2019.</p><p>135 p.</p><p>ISBN 978-85-522-1520-2</p><p>1. Recursos audiovisuais. 2 Gêneros cinematográficos. I.</p><p>Sampaio, Jurema Luzia de Freitas. Título.</p><p>CDD 700</p><p>Responsável pela ficha catalográfica: Thamiris Mantovani CRB-8/9491</p><p>2019</p><p>Editora e Distribuidora Educacional S.A.</p><p>Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza</p><p>CEP: 86041-100 — Londrina — PR</p><p>e-mail: editora.educacional@kroton.com.br</p><p>Homepage: http://www.kroton.com.br/</p><p>mailto:editora.educacional%40kroton.com.br?subject=</p><p>http://www.kroton.com.br/</p><p>3 3</p><p>ESTÉTICA E ARTE: PROCESSOS DE INOVAÇÃO E</p><p>CRIATIVIDADE NO AUDIOVISUAL</p><p>SUMÁRIO</p><p>Apresentação da disciplina 4</p><p>Um pouco de História 6</p><p>Cultura Popular, Cultura de Massa, Indústria Cultural e o Kitsch 33</p><p>TV no Brasil: História e a Estética das novelas 57</p><p>Filmes clássicos: estéticas da linguagem audiovisual 80</p><p>Análise da Produção Nacional: identidade, estética e linguagem 99</p><p>Produção audiovisual na Internet: estética e linguagem de produções</p><p>em plataformas digitais 128</p><p>Os novos modelos de produção audiovisual e o formato streaming 150</p><p>44</p><p>Apresentação da disciplina</p><p>Saudações, “terráqueos”!</p><p>(E se eu estiver falando com algum aluno extraterrestre, saudações,</p><p>igualmente, ok ?)</p><p>Bom... vamos lá! É comum ouvirmos falar em “criatividade & inovação”,</p><p>não é verdade? E, geralmente, as duas palavras vêm associadas, como se</p><p>fossem quase sinônimos. Mas... não são, sabia? Embora, naturalmente,</p><p>elas se relacionem, “criatividade” e “inovação” são conceitos distintos.</p><p>Criatividade é um potencial, uma capacidade inerente aos seres</p><p>humanos, e como diz a pesquisadora do tema, Fayga Ostrower, é “uma</p><p>visão política, histórica e filosófica” (1977, p.17). Em síntese, a criatividade</p><p>é um modo de ser, estar e ver o mundo que se manifesta na capacidade</p><p>de solucionar problemas de forma diferente das usuais, ou seja, de uma</p><p>forma nova. É um “passo” anterior à inovação.</p><p>A inovação é, por sua vez, o resultado da aplicação da criatividade. Ao</p><p>aplicar criatividade na resolução de uma questão, a consequência é</p><p>gerar inovação. Parece até “mágica”! Mas não é, não... É importante</p><p>entender bem que “criatividade & inovação” podem ser desenvolvidas,</p><p>“alimentadas” e que, quanto mais praticarmos, melhores seremos em</p><p>aplicar ambos os conceitos: sendo mais criativos e mais inovadores.</p><p>A disciplina ‘Estética e arte: processos de inovação e criatividade</p><p>no audiovisual’ busca atingir exatamente essa meta: proporcionar</p><p>informações e reflexões para que você alimente seu potencial criativo, a</p><p>fim de desenvolver suas habilidades naturais, seus conhecimentos e seu</p><p>repertório pessoal, gerando inovação, como modo de colaborar efetiva e</p><p>positivamente na profissionalização da produção audiovisual brasileira,</p><p>pela compreensão da importância do embasamento conceitual e teórico</p><p>na formação desses profissionais.</p><p>Yasmim Andrade</p><p>Realce</p><p>Yasmim Andrade</p><p>Realce</p><p>Yasmim Andrade</p><p>Realce</p><p>55 5</p><p>Durante as unidades da disciplina vamos conhecer um pouco da história</p><p>da Linguagem Audiovisual; compreender a influência dos movimentos</p><p>artísticos na produção de conteúdo audiovisual, estudando sobre</p><p>História da Arte. Com isso, vamos buscar desenvolver habilidades</p><p>críticas da estética utilizada nas produções de cinema, TV e Internet;</p><p>analisar fenômenos contemporâneos de comunicação de massa e</p><p>buscar desenvolver o repertório criativo individual e coletivo para</p><p>produção de conteúdo nesses cenários, por meio de reflexões acerca de</p><p>materiais existentes e de criação autoral de novos conteúdos.</p><p>É uma disciplina que vem “para incomodar”, para problematizar e</p><p>“colocar minhocas na cabeça” de profissionais e futuros profissionais</p><p>do audiovisual, instigando você a não se deixar acomodar, ou seja,</p><p>sair das “zonas de confortos” ou “caixinhas”, para usar um vocabulário</p><p>que, “vamos combinar”, embora até “pareça descolado”, é só o uso de</p><p>linguagem popular num texto escrito... (Assim como o emoji aí ao lado...)</p><p>Brincadeiras à parte, vamos “tacar fogo no parquinho”?</p><p>É hora de “arregaçar as mangas” e... “mãos à obra”!</p><p>Conto com você... Vamos?</p><p>Jurema Sampaio1</p><p>OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 1977</p><p>666</p><p>Um pouco de História</p><p>Autora: Jurema L. F. Sampaio</p><p>Objetivos</p><p>• Conhecer a linha do tempo das</p><p>manifestações da arte.</p><p>• Compreender a alternância de preceitos</p><p>estéticos entre os períodos históricos.</p><p>• Investigar a origem dos conceitos</p><p>fundamentais de estética.</p><p>77 7</p><p>1. De onde partimos?</p><p>Toda jornada tem um começo e, para dar início ao nosso estudo,</p><p>vamos conhecer um pouco da História da Arte. A visão que trazemos</p><p>nesta proposta de estudo é uma visão, portanto, histórica. Você</p><p>pode estudar arte de diversos modos, dentre eles, os aspectos</p><p>históricos se configuram como uma forma de contextualizar as</p><p>informações de forma que o passar do tempo oriente nossa visão,</p><p>para construir conhecimento. A ideia é termos uma perspectiva</p><p>panorâmica dos períodos que antecedem a arte na idade moderna,</p><p>no mundo e, em especial, no Brasil.</p><p>Vamos, ainda, procurar entender os caminhos que levaram, no século</p><p>XX, ao evento que se chamou Semana de Arte Moderna de 1922, uma</p><p>das responsáveis por nossa percepção artística, estética e de inovação,</p><p>no mundo contemporâneo.</p><p>Desde a pré-história, as relações entre a humanidade e as</p><p>manifestações artísticas são marcadas pela necessidade de expressar e</p><p>comunicar por meio de vários tipos de suportes: imagens, gestos, sons,</p><p>etc. Da pré-história ao início do século XX, uma imensa quantidade de</p><p>movimentos artísticos compõe uma bagagem de conhecimentos que,</p><p>certamente, colaboram na construção de nossa percepção e, mais certo</p><p>ainda, influenciam nossa visão de mundo e, por consequência, nossas</p><p>poéticas e a estética contemporânea.</p><p>Yasmim Andrade</p><p>Realce</p><p>88</p><p>Figura 1 – Síntese da linha dos períodos históricos,</p><p>da Pré-História à Contemporaneidade</p><p>Fonte: Elaborada pela autora.</p><p>PARA SABER MAIS</p><p>Se fosse para escolher um único livro</p><p>para estudar História da Arte, com</p><p>certeza escolheria o do Gombrich, que</p><p>faz parte da bibliografia deste tema.</p><p>Não o indico porque seja o</p><p>“melhor”, já que temos vários</p><p>autores e vários livros de excelente</p><p>qualidade, mas justamente por ser</p><p>um dos mais tradicionais, e que</p><p>apresenta um grau de profundidade bastante seguro</p><p>em termos de pesquisa e documentação.</p><p>99 9</p><p>Dele podemos partir até mesmo para questionar e</p><p>discordar, visto que o conhecimento deve ser sempre</p><p>questionado mesmo. Mas, se o usarmos como um guia</p><p>para a compreender o “roteiro” dessa “viagem” que foi,</p><p>e é, a História</p><p>propostas. Arte, literatura, cinema,</p><p>música, dança, viagens, tudo é importante para a construção de</p><p>repertórios ricos e que sejam efetivamente úteis como ferramentas de</p><p>criação. Conhecer estilos, saber reconhecer traços característicos, cores,</p><p>sons, imagens, movimentos é o primeiro passo para a criação desde</p><p>relações estéticas e culturais. E, assim, todas as formas de cultura são</p><p>importantes na construção dessas relações.</p><p>A cultura pop, por exemplo, com seus super-heróis, ícones da</p><p>cultura nerd e estreita relação com as tecnologias digitais, apresenta</p><p>relações culturais com mitos gregos, que muitas vezes nem notamos</p><p>claramente, mas estão lá, na composição das criações, que extrapolam</p><p>a sua cultura original e se espalham pelo mundo (Figura 7) pelo</p><p>fenômeno da globalização.</p><p>Figura 7 – Imagens de super-heróis americanos</p><p>Fonte: Rweisswald/iStock.com.</p><p>4949 49</p><p>Os repertórios podem e devem ser sempre atualizados para que</p><p>tenhamos flexibilidade criativa, essa atualização pode ser feita</p><p>sistematicamente, por meio de leituras, frequência a exposições,</p><p>cinema, teatro, em que as novas formas que conhecemos vão se</p><p>acumulando no nosso próprio repertório, como também podem ser</p><p>feitas premeditadamente, por meio de exercícios, projetos e propostas</p><p>que tenham como meta estudar o modo que uma cena ou imagem</p><p>de séculos anteriores poderia ser representada nos dias atuais. Um</p><p>exemplo bastante interessante é a pesquisa da historiadora Dra.</p><p>Suzannah Lipscomb, da Universidade de Roehampton, sobre como</p><p>seriam as imagens de personalidades históricas, atualizadas de acordo</p><p>com suas características, gostos pessoais e costumes, segundo a sua</p><p>época, nos dias atuais. A pesquisa foi combinada com o trabalho de</p><p>artistas digitais para produzir uma galeria de fotos mostrando o que</p><p>figuras históricas podem parecer agora.</p><p>A ideia da pesquisadora foi a de cruzar referências dos hábitos de</p><p>personalidades históricas como Henrique VIII, Elizabeth I, Shakespeare</p><p>e Maria Antonieta, vistos aos olhos do mundo contemporâneo, pela</p><p>cultura das ‘celebridades’. O resultado é bastante interessante! A</p><p>Rainha Maria Antonieta, da França, conhecida por suas excentricidades</p><p>em relação à moda e trocar de roupa três vezes ao dia, na leitura</p><p>contemporânea veste um modelo de grife moderno. Como é relatado</p><p>nos livros de história que usava acessórios variados como uma espécie</p><p>de “termômetro” de seu humor, como os adereços de sua famosa</p><p>peruca, feitos especialmente para ela por seus estilistas, na atualização</p><p>de imagem ela usa um ‘fascinator’, no estilo Philip Treacy, conhecido</p><p>designer de chapéus, inglês, autor de vários desses acessórios para a</p><p>nobreza, inclusive Kate Middleton.</p><p>5050</p><p>Figura 8 – Imagem da Rainha Maria Antonieta, atualizada na pesquisa da</p><p>Dra. Suzannah Lipscomb</p><p>Fonte: THELEGRAPH, The. “Shakespeare e Henrique VIII deram a reforma do século XXI”.</p><p>In: How about that? The Telegraph. Edição de 2 mai.2013. Disponível em: https://www.</p><p>telegraph.co.uk/news/newstopics/howaboutthat/10030286/Shakespeare-and-Henry-VIII-</p><p>given-21st-Century-makeover.html. Acesso em: 26 maio 2019.</p><p>E o Rei Henrique VIII, conhecido por ser vaidoso e generoso, e ostentar</p><p>sua riqueza, teve seu volumoso traje de veludo com mangas bufantes</p><p>atualizado em um terno preto de grife, usando um anel de diamante</p><p>cintilante e um relógio de grife (Figura 8).</p><p>Figura 9 – Imagem do Rei Henrique VIII, atualizada na pesquisa da</p><p>Dra. Suzannah Lipscomb</p><p>Fonte: THELEGRAPH, The. “Shakespeare e Henrique VIII deram a reforma do século XXI”.</p><p>In: How about that? The Telegraph. Edição de 2 mai.2013. Disponível em: https://www.</p><p>telegraph.co.uk/news/newstopics/howaboutthat/10030286/Shakespeare-and-Henry-VIII-</p><p>given-21st-Century-makeover.html. Acesso em: 26 maio 2019.</p><p>https://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/howaboutthat/10030286/Shakespeare-and-Henry-VIII-given-2</p><p>https://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/howaboutthat/10030286/Shakespeare-and-Henry-VIII-given-2</p><p>https://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/howaboutthat/10030286/Shakespeare-and-Henry-VIII-given-2</p><p>https://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/howaboutthat/10030286/Shakespeare-and-Henry-VIII-given-2</p><p>https://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/howaboutthat/10030286/Shakespeare-and-Henry-VIII-given-2</p><p>https://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/howaboutthat/10030286/Shakespeare-and-Henry-VIII-given-2</p><p>5151 51</p><p>A cultura popular brasileira faz parte do repertório de todos nós, brasileiros,</p><p>em maior ou menor escala, respeitando os regionalismos, ampliada ou</p><p>reduzida à medida que viajamos pelos país ou entramos em contato com</p><p>pessoas de outros lugares de origem, com quem trocamos informações.</p><p>Tomemos como exemplo as festas juninas. De origem religiosa, trazidas</p><p>para cá pelos imigrantes, refletem diversas outras influências ao longo</p><p>dos estados brasileiros. Apesar de na essência se assemelharem,</p><p>como a devoção aos santos Juninos, Antônio, João e Pedro, cujas</p><p>datas comemorativas são 13, 24 e 29 de junho, respectivamente, em</p><p>cada região tem itens acrescentados ou subtraídos de acordo com</p><p>as influências de repertórios variados. No nordeste brasileiro são</p><p>muito marcadas, movimentando a economia da região, e em algumas</p><p>localidades, sendo a principal data do calendário de efemérides. Sudeste</p><p>e centro-oeste também contam com suas festas juninas, porém com</p><p>características regionais próprias. No sul, por exemplo, o tradicional</p><p>churrasco não pode faltar, nem as danças gaúchas.</p><p>Nos trabalhos do artista brasileiro Alfredo Volpi podemos encontrar com</p><p>frequência as tradicionais bandeirolas juninas (Figura 9), que enfeitam</p><p>as festas populares, revelando, assim, parte do repertório visual desse</p><p>artista, composto por percepções e experiências estéticas nesse tema.</p><p>Figura 9 – Quadro Bandeirinhas, têmpera sobre tela</p><p>Fonte: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural,</p><p>2019. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra1797/bandeirinhas.</p><p>Acesso em: 24 de maio 2019. Verbete da Enciclopédia.</p><p>http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra1797/bandeirinhas</p><p>5252</p><p>TEORIA EM PRÁTICA</p><p>Numa produção audiovisual, as referências podem acontecer</p><p>de forma sutil ou mais claramente mostradas. Recortadas</p><p>de seus contextos originais, proporcionam novas leituras,</p><p>porém, carregam em si também suas cargas de informação.</p><p>A animação Kunstbar, The Petrie Lounge, de 2002 (http://</p><p>www.whitehouseanimationinc.com/), foi toda construída com</p><p>base em referências a obras artísticas dos “grandes mestres”</p><p>das artes visuais. É muito interessante! Assista à animação</p><p>e reflita sobre as obras apresentadas e a relação que os</p><p>autores fazem na animação, percebendo como releem as</p><p>visualidades dos trabalhos, expressando sentimentos, ideias</p><p>e pensamentos encadeados numa produção nova. Selecione</p><p>entre 5 e 10 obras de sua preferência e faça o rascunho de</p><p>um pequeno roteiro para uma animação de uma historieta</p><p>de sua escolha. Pense em como as obras iriam contar</p><p>sua história e como gostaria de sequenciá-las para que</p><p>construísse o sentido da história que está contando. Você</p><p>pode até mesmo tentar realizar essa animação usando</p><p>algum software simples. Lembre-se que o objetivo é exercitar</p><p>a criatividade e a inovação na integração das referências, não</p><p>necessariamente fazer a animação!</p><p>Veja o trailer em: https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=PD8K7BBAR38</p><p>VERIFICAÇÃO DE LEITURA</p><p>1. As diversas matrizes que embasam a cultura brasileira</p><p>colaboram...</p><p>http://www.whitehouseanimationinc.com/</p><p>http://www.whitehouseanimationinc.com/</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=PD8K7BBAR38</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=PD8K7BBAR38</p><p>5353 53</p><p>a. na composição da identidade das produções</p><p>brasileiras e originam-se de práticas culturais diversas,</p><p>sejam elas regionais ou nacionais.</p><p>b. exclusivamente na Indústria Cultural e não nas</p><p>possibilidades derivadas dessas reflexões.</p><p>c. na Cultura de Massa e na Cultura Popular, mas sem</p><p>estabelecer relações entre as possibilidades.</p><p>d. nas reflexões provocadas pela Indústria Cultural ao se</p><p>transformarem em Cultura Popular.</p><p>e. na construção do estilo Kitsch, pois hora</p><p>complementam, hora questionam as produções</p><p>audiovisuais.</p><p>2. A cultura pop, com seus super-heróis, ícones da cultura</p><p>nerd e estreita relação com as tecnologias digitais</p><p>apresenta relações culturais...</p><p>a. com faraós egípcios.</p><p>b. com a composição das criações.</p><p>c. somente com a sua cultura original.</p><p>d. com a falta de globalização.</p><p>e. com mitos gregos.</p><p>3. A cultura popular brasileira faz parte do repertório de</p><p>todos nós, brasileiros, porque...</p><p>a. cada região tem itens restritos de acordo com</p><p>as influências de repertórios limitados por suas</p><p>fronteiras estaduais.</p><p>5454</p><p>b. o artista brasileiro Alfredo Volpi pinta bandeirolas</p><p>juninas, que enfeitam as festas populares em</p><p>seus quadros.</p><p>c. é ampliada ou reduzida à medida que viajamos pelos</p><p>país ou entramos em contato com pessoas de outros</p><p>lugares de origem, com quem trocamos informações.</p><p>d. revela parte do repertório visual de todos os</p><p>brasileiros como artistas com percepções e</p><p>experiências estéticas nesse tema.</p><p>e. refletem diversas outras influências de origem</p><p>religiosa, trazidas para cá pelos imigrantes, ao longo</p><p>dos estados brasileiros.</p><p>Referências bibliográficas</p><p>ADORNO, T. & HORKHEIMER, M. Dialética do Esclarecimento: Fragmentos</p><p>Filosóficos, 1947.</p><p>ADORNO, Theodor. Indústria cultural e sociedade. Seleção de textos Jorge Mattos</p><p>Brito de Almeida, trad. Juba Elisabeth Levy... [et a1.]. São Paulo: Paz e Terra, 2002.</p><p>ASHTON, Sally-Ann. Cleopatra and Egypt. London: Blackwell Publishing, 2008.</p><p>BANDEIRINHAS. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras.</p><p>São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/</p><p>obra1797/bandeirinhas. Acesso em: 27 de maio 2019. Verbete da Enciclopédia.</p><p>BBC Brasil. Cientista recria rosto de Cleópatra para documentário. BBC Brasil, 16</p><p>de dezembro, 2008. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/</p><p>story/2008/12/081216_cleopatrarosto_np.shtml. Acesso em: 10 maio 2019.</p><p>BOSI, A. Dialética da colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.</p><p>CASCUDO, L.C. Dicionário do Folclore Brasileiro. 11. ed. ilustrada. São Paulo:</p><p>Global, 2002.</p><p>CRAWFORD, A. Who Was Cleopatra? Mythology, propaganda, Liz Taylor and the real</p><p>Queen of the Nile. In: SMITHSONIAN.com, 31 mar. 2007. Disponível em: https://</p><p>www.smithsonianmag.com/history/who-was-cleopatra-151356013/.</p><p>Acesso em: 26 maio 2019.</p><p>http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra1797/bandeirinhas</p><p>http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra1797/bandeirinhas</p><p>https://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2008/12/081216_cleopatrarosto_np.shtml</p><p>https://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2008/12/081216_cleopatrarosto_np.shtml</p><p>https://www.smithsonianmag.com/history/who-was-cleopatra-151356013/</p><p>https://www.smithsonianmag.com/history/who-was-cleopatra-151356013/</p><p>5555 55</p><p>DALRYMPLE. T. Sociedade e Política — Por que Havana Estava Condenada. In:</p><p>Nossa Cultura... ou o que restou dela. Trad. Maurício G. Righi. - 1. ed. São Paulo:</p><p>Realizações Ed., 2015, p.221-230.</p><p>GREENBERG, C. Vanguarda e Kitsch. In: FERREIRA, Glória e MELLO, Cecilia Cotrim de.</p><p>(Org.). Clement Greenberg e o debate crítico. Trad. Maria Luiza X. de A. Borges.</p><p>Rio de Janeiro: Zahar/Funarte, 1997.</p><p>KITSCH. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São</p><p>Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/</p><p>termo3798/kitsch. Acesso em: 26 de maio 2019. Verbete da Enciclopédia.</p><p>NOGUEIRA, André. Conheça o verdadeiro rosto de Cleópatra, a última Rainha</p><p>do Egito. In: AH - Aventuras da História, 22 maio 2019. Disponível em: https://</p><p>aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/conheca-o-verdadeiro-rosto-</p><p>de-cleopatra.phtml. Acesso em: 26 maio 2019.</p><p>PELLING, C. Notes. In: Plutarch. Life of Antony. Cambridge: Cambridge University</p><p>Press, 2005.</p><p>PLUTARCO. Lives IX: Demetrius and Antony; Pyrrhus and Gaius Marius. Trad.</p><p>Bernadotte Perrin. Cambridge/Massachusetts/London: William Heinemann &</p><p>Harvard University Press, 1968.</p><p>SONTAG, S. A vontade radical: estilos. Trad. João Roberto Martins Filho. São Paulo:</p><p>Cia. das Letras, 2015.</p><p>THELEGRAPH, The. Shakespeare e Henrique VIII deram a reforma do século XXI.</p><p>In: How about that? The Telegraph. Edição de 2 maio 2013. Disponível em: https://</p><p>www.telegraph.co.uk/news/newstopics/howaboutthat/10030286/Shakespeare-and-</p><p>Henry-VIII-given-21st-Century-makeover.html. Acesso em: 26 maio 2019.</p><p>Gabarito</p><p>Questão 1 – Resposta: A</p><p>As diversas matrizes que embasam a cultura brasileira colaboram</p><p>na composição da identidade das produções brasileiras e originam-</p><p>se de práticas culturais diversas, sejam elas regionais ou nacionais.</p><p>Desse modo, é possível compreender que a “cultura é o conjunto</p><p>das práticas, das técnicas, dos símbolos e dos valores que se devem</p><p>transmitir às novas gerações para garantir a reprodução de um estado</p><p>de coexistência social” (BOSI, 1992, p.10). Seus valores e estéticas,</p><p>somados aos conceitos, análises e reflexões acerca de propostas</p><p>como Indústria Cultural, Cultura de Massa, Cultura Popular; as</p><p>http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3798/kitsch</p><p>http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3798/kitsch</p><p>https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/conheca-o-verdadeiro-rosto-de-cleopatra.p</p><p>https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/conheca-o-verdadeiro-rosto-de-cleopatra.p</p><p>https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/conheca-o-verdadeiro-rosto-de-cleopatra.p</p><p>https://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/howaboutthat/10030286/Shakespeare-and-Henry-VIII-given-2</p><p>https://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/howaboutthat/10030286/Shakespeare-and-Henry-VIII-given-2</p><p>https://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/howaboutthat/10030286/Shakespeare-and-Henry-VIII-given-2</p><p>5656</p><p>relações entre todas as possibilidades derivadas dessas reflexões</p><p>e, ainda, as variadas proposições estéticas que circulam desde</p><p>a modernidade, como o kitsch, etc., ora complementam, ora</p><p>questionam as produções audiovisuais contemporâneas.</p><p>Questão 2 – Resposta: D</p><p>A cultura pop, por exemplo, com seus super-heróis, ícones da</p><p>cultura nerd e estreita relação com as tecnologias digitais apresenta</p><p>relações culturais com mitos gregos, que muitas vezes nem</p><p>notamos claramente, mas estão lá, na composição das criações,</p><p>que extrapolam a sua cultura original e se espalham pelo mundo</p><p>(Figura 7), pelo fenômeno da globalização.</p><p>Questão 3 – Resposta: C</p><p>A cultura popular brasileira faz parte do repertório de todos</p><p>nós, brasileiros, em maior ou menor escala, respeitando os</p><p>regionalismos, ampliada ou reduzida à medida que viajamos pelos</p><p>país ou entramos em contato com pessoas de outros lugares de</p><p>origem, com quem trocamos informações.</p><p>5757 57</p><p>TV no Brasil: História e a Estética</p><p>das novelas</p><p>Autora: Jurema L. F. Sampaio</p><p>Objetivos</p><p>• Conhecer a história, narrativas e conteúdo</p><p>da televisão brasileira.</p><p>• Compreender o público consumidor dos</p><p>produtos e serviços televisivos.</p><p>• Perceber a transformação da produção com</p><p>o crescente das novas tecnologias.</p><p>5858</p><p>1. A história da TV no Brasil</p><p>Nesta aula vamos conhecer um pouco sobre a História das produções</p><p>de TV no Brasil, desde as primeiras transmissões até a revolução</p><p>digital, trazida com as mudanças provocadas pela evolução das</p><p>tecnologias de informação e comunicação. Vamos também conhecer</p><p>um pouco sobre a estética televisiva, a estrutura narrativa das novelas</p><p>e o perfil do público consumidor de TV, na tentativa de entender os</p><p>caminhos da produção nacional nessa área.</p><p>Voltando algumas décadas do tempo, vamos até a metade do século XX.</p><p>O ano era 1950 e, no dia 18 de setembro, era inaugurada em São Paulo</p><p>a primeira emissora de televisão do Brasil, a TV Tupi. Quando, “às sete</p><p>em ponto” (MORAIS, 1994, p.364), o radialista Walter Forster “esperava a</p><p>luz vermelha da câmera se acender para pronunciar uma breve mensagem:</p><p>Está</p><p>no ar a PRF-3-Tv Tupi de São Paulo, a primeira estação de televisão da</p><p>América Latina”, deu-se o início oficial história da TV no Brasil.</p><p>O pronunciamento e as demais atrações da estreia foram assistidos</p><p>pelos cidadãos da capital paulista, já que “em pontos estratégicos da</p><p>cidade foram instalados 22 receptores nas vitrinas das dezessete lojas</p><p>revendedoras de televisores, em quatro bares e no saguão dos Diários</p><p>Associados, na rua Sete de Abril” (MORAIS, 1994, p. 364).</p><p>Mas a história não começa exatamente nesse ponto. A primeira</p><p>transmissão de TV, que foi efetivamente um marco histórico, foi possível</p><p>como realização de uma mistura de sonho e teimosia de um homem.</p><p>A primeira emissora de TV brasileira foi montada com equipamentos</p><p>trazidos para o país pelo empresário Francisco de Assis Chateaubriand</p><p>Bandeira de Mello, mais conhecido como Assis Chateaubriand.</p><p>Chatô, como era chamado pelos amigos e colegas de trabalho,</p><p>de acordo com o que nos conta Fernando Morais (1994), autor da</p><p>biografia de Assis Chateaubriand, era muito rico e “um dos homens</p><p>5959 59</p><p>mais poderosos do Brasil” (MORAIS, 1994, p.7), dono e diretor dos</p><p>Diários Associados, grupo de comunicação que contava com “sete</p><p>jornais e O Cruzeiro” (MORAIS, 1994, p.189). O poderoso empresário</p><p>tinha uma espécie de ‘trânsito livre’ entre autoridades e celebridades,</p><p>fato que dava ao jornalista uma grande ‘intimidade com o poder’. Isso</p><p>lhe facilitou, e muito, alguns procedimentos para realizar o sonho de</p><p>trazer a televisão para o Brasil.</p><p>Para haver quem assistisse à programação da televisão imaginada,</p><p>Fernando Morais (1994) conta que Chateaubriand importou aparelhos</p><p>de TV, de forma inusitada e “curiosa”. Numa passagem interessante da</p><p>biografia do jornalista, Morais diz que, ao ser alertado para o fato de que</p><p>ninguém no país tinha aparelhos de TV para receber as transmissões</p><p>que ele pretendia realizar, Chatô</p><p>telefonou ao dono de uma grande empresa de importação e exportação</p><p>e pediu-lhe que trouxesse por avião, dos Estados Unidos, duzentos</p><p>aparelhos de tv, de modo que chegassem a São Paulo três dias depois.</p><p>O homem explicou que não era tão simples: por causa da morosa</p><p>burocracia do Ministério da Fazenda, um processo de importação</p><p>(mesmo que fosse agilizado por ordem do presidente da República,</p><p>como Chateaubriand sugeria) iria consumir pelo menos dois meses</p><p>até que os televisores fossem postos no aeroporto de Congonhas.</p><p>Chateaubriand não se assustou:</p><p>- Então traga de contrabando. Eu me responsabilizo. O primeiro receptor</p><p>que desembarcar eu mando entregar no Palácio do Catete, como presente</p><p>meu para o presidente Dutra (MORAIS, 1994, p.363).</p><p>Morais destaca que o jornalista realmente fez o que havia prometido,</p><p>os dois primeiros televisores que recebeu, dos duzentos contrabandeados,</p><p>Chateaubriand deu de presente, respectivamente, a Vera Faria, sua</p><p>secretária particular em São Paulo, e ao presidente Dutra. O de Dutra só</p><p>serviu, durante um ano, como insólita peça de decoração de seu gabinete:</p><p>a TV Tupi do Rio só seria inaugurada em 1951 (MORAIS, 1994, p.365).</p><p>6060</p><p>Essa passagem pitoresca da biografia do ‘quase mitológico’ jornalista</p><p>nos mostra claramente a estreita relação entre Assis e o Presidente</p><p>Eurico Gaspar Dutra, e a influência de Chateaubriand junto às mais</p><p>altas esferas de poder do país.</p><p>Quatro meses depois da festa em São Paulo, foi a vez do Rio de</p><p>Janeiro receber a TV Tupi, com a inauguração acontecida em 20 de</p><p>janeiro de 1951, dia do padroeiro da cidade, São Sebastião. A data</p><p>foi escolhida justamente por ser feriado municipal na cidade, com</p><p>a ideia de conquistar mais expectadores para a chamada TV Tupi</p><p>da Guanabara. O nome mudou depois da fusão dos estados do</p><p>Rio de Janeiro e Guanabara, em 1975, quando a emissora passou</p><p>a se chamar TV Tupi Rio. A TV Tupi “apresentava programa idênticos</p><p>nos dois estados e era obrigada a manter esquemas semelhantes de</p><p>produção naquelas cidades em que Chateaubriand iria instalando suas</p><p>afiliadas” (BRANDÃO, 2010, p.39).</p><p>Em 1952, entrava no ar a terceira emissora de televisão no Brasil e</p><p>a segunda em São Paulo: a TV Paulista, no canal 5. No ano de 1953</p><p>foi inaugurada a TV Record, em SP, e em 1955 a TV Rio é inaugurada,</p><p>juntando-se à Record nas Emissoras Unidas. Também em 1955, no dia</p><p>8 de setembro, entrou no ar a TV Itacolomi canal 4 de Belo Horizonte,</p><p>de propriedade das Emissoras Associadas. Era o início da operação</p><p>da televisão em Minas Gerais. Em 1957 dez emissoras estavam em</p><p>operação no Brasil (MATTOS, 1990, p. 42).</p><p>Em 1959 surge a TV Continental, canal 9, no Rio de Janeiro,</p><p>inaugurando a era do videoteipe, que acabava de chegar ao Brasil.</p><p>A concessão da TV Continental foi cassada em 1972. Em 1960 é</p><p>inaugurada a TV Excelsior em São Paulo e, em 1963, chega a TV</p><p>Excelsior Rio de Janeiro. As duas saíram do ar por decisão do governo</p><p>militar, em 1970. Vale destacar que a TV Excelsior “foi considerada</p><p>como a primeira emissora a ser administrada dentro dos padrões</p><p>empresariais de hoje” (MATTOS, 1990, p.13).</p><p>6161 61</p><p>Em dia 26 de abril de 1965 é inaugurada a TV Globo Rio, de</p><p>propriedade do jornalista Roberto Marinho, dono do jornal O Globo e</p><p>de emissoras de rádio de mesmo nome. A concessão havia sido obtida</p><p>em 1957, quando o Conselho Nacional de Telecomunicações fez um</p><p>decreto público que concedeu a quatro canais de frequência em Rio de</p><p>Janeiro à TV Globo Ltda., com</p><p>uma programação baseada em jornalismo e entretenimento, tendo a</p><p>novela como carro chefe, logo se firma e passa a ser distribuída para</p><p>outros estados por meio de emissoras próprias adquiridas de outros</p><p>empresários, e de emissoras afiliadas. Em pouco tempo forma-se a Rede,</p><p>com a transmissão simultânea da programação da Globo para todo o país.</p><p>(GLOBO, 2013, s/p).</p><p>No dia seguinte à inauguração, estreou, às 17 horas, “Capitão Furacão”,</p><p>primeiro programa infantil e, de noite, “Ilusões Perdidas”, escrita por</p><p>Enia Petri e estrelada por Leila Diniz.</p><p>A TV Tupi Rio e TV São Paulo, e mais 5 emissoras próprias da Rede</p><p>Tupi, operaram até 18 de julho de 1980, quando tiveram suas</p><p>concessões cassadas pelo Governo Federal, por problemas financeiros</p><p>e administrativos, e dívidas com a Previdência Social, como as principais</p><p>justificativas alegadas (RAMOS, 1995).</p><p>Em 19 agosto de 1981 Silvio Santos funda o Sistema Brasileiro de</p><p>Televisão - SBT.</p><p>Em 1983 o empresário Adolpho Bloch, dono da Bloch Editores, consegue</p><p>a concessão de um canal, ao qual batizou de TV Manchete, em referência</p><p>ao maior sucesso editorial de suas empresas, a Revista Manchete.</p><p>Entre 5 de junho de 1983 e 10 de maio de 1999, quando encerrou suas</p><p>atividades, a TV Manchete desenvolveu “uma boa grade de programas</p><p>jornalísticos, esportivos e de entretenimento” (TARDÁGUILA, 2013, s/p).</p><p>6262</p><p>Em maio de 1999, os empresários Amilcare Dallevo e Marcelo de</p><p>Carvalho assumiram todas as concessões da Manchete, transferiram</p><p>a sede para a cidade de Barueri, na Grande São Paulo, e o nome da</p><p>emissora foi mudado para RedeTV! (FOLHA, 2013, s/p).</p><p>PARA SABER MAIS</p><p>A jornalista Cristina Tardáguila, no Observatório da</p><p>Imprensa, tem um artigo bem interessante sobre o destino</p><p>do acervo da TV Manchete quando a emissora pediu</p><p>concordata. Nele, a jornalista discute questões sobre direito</p><p>patrimonial, produções audiovisuais e traz a opinião de</p><p>especialistas em processos de falência. Vale a leitura!</p><p>TARDÁGUILA, Cristina. “TV Manchete, um inventário - na</p><p>prateleira da memória”. In: Observatório da Imprensa,</p><p>edição nº 730, 22 jan. 2013.</p><p>1.1 A transformação da produção</p><p>O início da produção televisiva brasileira se caracterizou por uma</p><p>espécie de laboratório de experimentações. As emissoras não tinham</p><p>parâmetros e seguiram “exibindo uma programação ao vivo, pela</p><p>inexistência do videoteipe” (BRANDÃO, 2010, p.39). Na produção, a falta</p><p>de referências, que poderia ser um problema, também era, ao mesmo</p><p>tempo, uma possibilidade imensa de criação, pois “sem contar com</p><p>qualquer experiência quanto ao uso da imagem, só</p><p>restava aos primeiros</p><p>profissionais a alternativa de aprender fazendo. E assim foi sendo</p><p>montada a equipe pioneira (BRANDÃO, 2010, p. 46).</p><p>Depois da estreia, houve a necessidade de dar continuidade à iniciativa</p><p>e, então, tudo era novidade e, assim, tudo era possível na abordagem</p><p>das pessoas envolvidas.</p><p>6363 63</p><p>E assim foi sendo montada a equipe pioneira, fundada apenas no</p><p>entusiasmo e abnegação de Cassio Gabus Mendes, Luís Gallon, Walter</p><p>Tasca, Régis Cardoso, Walter George Durst, Dionísio de Azevedo, Ribeiro</p><p>Filho, Tulio de Lemos, Walter Avancini, Álvaro Moya, Geraldo Vietri, entre</p><p>outros, em São Paulo. Já no Rio de Janeiro tínhamos João Loredo, Chianca</p><p>de Garcia, Pernambuco de Oliveira, Dermival Costa Lima, Fábio Sabag, Sadi</p><p>Cabral, Herval Rossano, Paulo Bandeira, Daniel Filho, Maurício Sherman e</p><p>inúmeros outros (BRANDÃO, 2010, p. 46).</p><p>A imagem de um imenso laboratório de ideias acompanha o imaginário</p><p>desses primeiros tempos da TV brasileira. O que foi um rico momento</p><p>de criatividade em que, ao olharmos para a história, percebemos que</p><p>de passo em passo as apostas eram feitas numa mistura de criatividade,</p><p>risco calculado e audácia, com tudo bem interessante.</p><p>Uma análise da programação levada ao ar durante os primeiros meses</p><p>mostra claramente um engatinhar hesitante na busca de atrações e</p><p>programas para preencher os horários das transmissões, mas levaria</p><p>ainda algum tempo para que as estações de TV pudessem estruturar</p><p>sua programação, uma verdadeira caixa de surpresas para os primeiros</p><p>telespectadores. Registramos o exemplo do “Teatro Walter Foster”</p><p>(pequenas cenas românticas) apresentado após a estreia da televisão</p><p>nos seus primeiros dias de funcionamento. [...] Antes de partir para</p><p>a encenação de uma peça de fôlego, a TV brasileira ensaiava, em São</p><p>Paulo, pequenas dramatizações destinadas ao público jovem feminino.</p><p>(BRANDÃO, 2010, p. 38-39).</p><p>Profissionais de diversas áreas, das artes e da comunicação, como teatro</p><p>e rádio, envolveram-se na produção e desenvolvimento de propostas de</p><p>conteúdo e formatos de atrações para esse novo suporte e</p><p>Faziam um pouco de tudo, chegando até mesmo a pintar cenários, e</p><p>ajudavam-se mutuamente. Era comum atravessarem as noites, após a</p><p>programação se encerrar, experimentando ângulos diferentes e novas</p><p>tomadas de câmera, pesquisando efeitos especiais e reproduzindo</p><p>truques, misturando ideias próprias com o que viam nos filmes.</p><p>(BRANDÃO, 2010, p. 46).</p><p>6464</p><p>Todas as iniciativas eram válidas e todas também, de algum modo,</p><p>terminavam colaborando para a construção da identidade própria e da</p><p>linguagem da TV brasileira, diferente de outros países.</p><p>Ao contrário da TV americana que já encontrava no cinema uma</p><p>infraestrutura de imagem e som para o fornecimento de recursos</p><p>humanos - bem como experiência com produções de Hollywood</p><p>diretamente para a televisão -, a nossa televisão iria abastecer-se no</p><p>rádio. Como a Vera Cruz encerrava suas produções em 1954 e nas telas</p><p>predominavam as chanchadas, desprezadas como produtos de ínfima</p><p>qualidade, a televisão encontraria no teatro a sua fonte fornecedora de</p><p>pessoal e dramaturgia.</p><p>[...]</p><p>Em toda a América Latina a programação ficcional televisiva norteava-se</p><p>por seus teleteatros aparecendo como programas mais importantes do</p><p>período, mas, tal qual no Brasil, caracterizados pela convergência dos</p><p>recursos técnicos incipientes, pela orientação criativa dos pioneiros e</p><p>pela acolhida de uma audiência que começava a se perfilar. (BRANDÃO,</p><p>2010, p. 40).</p><p>Em 1953, o noticiário Repórter Esso foi trazido do rádio para a TV,</p><p>marcando o início de um formato para telejornais. O radialista</p><p>mineiro Gontijo Teodoro foi o âncora do programa por 18 anos e</p><p>virou sinônimo de confiabilidade, chegando ao ponto de as pessoas</p><p>se referirem ao noticiário como “Se o Repórter Esso não deu, não</p><p>aconteceu” (TEODORO, 2003, s/p).</p><p>Telejornais, programas de entrevistas, teleteatro adulto e infantil,</p><p>como o Sítio do Pica-Pau Amarelo, de 1954, baseado em obra de</p><p>Monteiro Lobato, e atrações como o programa de variedades Alô,</p><p>Doçura!, compunham a programação das emissoras. Ainda em</p><p>1956 foi transmitida a primeira partida de futebol pela televisão</p><p>(MATTOS, 1990, p. 42).</p><p>6565 65</p><p>Em 1956 Manuel da Nóbrega cria o primeiro programa humorístico,</p><p>Praça da Alegria, num formato muito simples: um banco de praça aonde</p><p>os humoristas trazidos do rádio revezavam seus personagens sob a</p><p>coordenação do próprio Nóbrega.</p><p>O programa se tornou um sucesso, sendo referência na TV até os dias</p><p>atuais, em variantes como A praça é Nossa e similares. No mesmo ano, a</p><p>TV Rio cria o TV Rio Ringue, primeiro programa esportivo que exibia lutas</p><p>de boxe ao vivo, aos domingos. No geral, as grades de programação eram</p><p>regionais, porém, “de gêneros diversos, romântico, dramático, humorístico,</p><p>policial ou terror, os teleteatros ocupavam quase todos os horários na</p><p>programação (à tarde, à noite e de madrugada)” (BRANDÃO, 2010, p. 41).</p><p>Em agosto de 1957, uma novidade: uma transmissão entre Rio de</p><p>Janeiro e São Paulo, simultaneamente, com um link entre a TV Rio e a</p><p>TV Record para a transmissão do Grande Prêmio Brasil de Turfe, direto</p><p>do Hipódromo da Gávea no Rio de Janeiro. Essa novidade permitiu o</p><p>surgimento de um novo tipo de produção: as transmissões diretas.</p><p>Assim, em 12 de outubro do mesmo ano, a TV Rio e a TV Record</p><p>transmitiram, direto da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, a missa</p><p>em homenagem à padroeira do Brasil.</p><p>Em 1960 a TV Tupi usou, pela primeira vez, o videoteipe, numa adaptação</p><p>de “Hamlet”, de Shakespeare. Foi o primeiro teleteatro a usar o VT no</p><p>Brasil (MATTOS, 1990, p.43). Também em 1960 foi transmitido pela TV</p><p>Cultura de São Paulo o primeiro Telecurso brasileiro, visando preparar</p><p>candidatos ao “exame de admissão ao ginásio” (MATTOS, 1990, p. 42).</p><p>O ano de 1962 traz um marco para a TV brasileira: foi promulgado o</p><p>Código Brasileiro de Telecomunicações (MATTOS, 1990, p.43) que passou</p><p>a reger as comunicações no Brasil, inclusive a televisão, e o Decreto</p><p>No. 52.795, de 31 de outubro de 1962, regulamentou os serviços de</p><p>radiodifusão, fixando os objetivos do rádio e da televisão, considerados</p><p>de interesse nacional (MATTOS, 1990, p. 43).</p><p>6666</p><p>O Golpe Militar de 1964 tem grande impacto na TV brasileira, que passa</p><p>a sofrer restrições governamentais ao conteúdo veiculado. A situação vai</p><p>ficando cada vez mais restritiva até que em 13 de dezembro 1968 o Ato</p><p>Institucional No. 5 institui de vez a censura prévia de toda a produção,</p><p>como nos esclarece Sérgio Mattos:</p><p>Durante o período compreendido entre 1968 e 1979, os veículos de</p><p>comunicação operaram sob as restrições do Ato Institucional No. 5, o qual</p><p>concedia ao poder executivo federal o direito de censurar os veículos,</p><p>além de estimular a prática da autocensura, evitando assim qualquer</p><p>publicação ou transmissão que pudesse levá-los a ser enquadrados e</p><p>processados na Lei de Segurança Nacional. (MATTOS, 1985, p. 68).</p><p>Até a década de 1980 todas as emissoras têm seu conteúdo e</p><p>programação aprovados pelo governo federal para poder ser exibido.</p><p>Uma lembrança marcante foi a proibição da exibição da telenovela</p><p>“Roque Santeiro”, de Dias Gomes, que só foi veiculada pela Rede Globo</p><p>10 anos depois (MATTOS, 1985, p. 45).</p><p>Nos anos de 1990, a TV brasileira já havia conquistado respeito mundial,</p><p>com diversas premiações internacionais de reconhecimento de mérito,</p><p>como o infanto-juvenil Sítio do Pica-pau Amarelo, exibido entre 1977</p><p>a 1985, que foi considerado pela UNESCO como o melhor programa</p><p>infantil do mundo e o Prêmio Asa de Ouro do Sucesso, à telenovela</p><p>“Dancin’ Days”, produzida pela TV Globo e transmitida no Brasil</p><p>(MATTOS, 1985, p.47).</p><p>ASSIMILE</p><p>“A TV brasileira acompanhava, em sua teledramaturgia,</p><p>a tendência mundial. Basta dizer que em muitos outros</p><p>países, entre eles os Estados Unidos, o ‘live drama’</p><p>constituiu-se na antologia dos anos dourados dos canais</p><p>de TV. A diferença é que lá muitos espetáculos ao vivo</p><p>6767</p><p>67</p><p>foram também registrados em películas e cuidadosamente</p><p>arquivados, deixando, no seu rastro, uma vasta bibliografia</p><p>do período e, no Brasil, mesmo nos anos em que os</p><p>espetáculos já poderiam ser gravados em videoteipe, as</p><p>fitas foram apagadas e grandes espetáculos tele teatrais,</p><p>varridos da memória do público e alijados da história da</p><p>nossa televisão” (BRANDÃO, 2010, p.39-40).</p><p>1.2 A TV por assinatura e o Streaming</p><p>No Brasil, a TV por assinatura tem uma história recente, se comparada</p><p>a outros países, como os EUA. O jornalista Maurício Araújo, estudioso</p><p>sobre o tema, nos conta que</p><p>Oficialmente, a história da TV paga no Brasil teve início no dia 23 de</p><p>fevereiro de 1988, quando o decreto 95.744, do então presidente da</p><p>república José Sarney regulamentou o chamado Serviço Especial de</p><p>Televisão por Assinatura, realizado inicialmente em transmissões através</p><p>da faixa UHF e via satélite. O novo serviço tornou-se realidade em 24</p><p>de março de 1989, quando o Ministério das Comunicações anunciou o</p><p>resultado da concorrência para a exploração da TV paga em São Paulo</p><p>(ARAÚJO, 2010, s/p).</p><p>Na TV por assinatura, o assinante escolhe a programação dos canais</p><p>que exibem conteúdos exclusivos para assinantes. Esse formato foi</p><p>criado pela emissora norte-americana HBO, em 1972. O pagamento</p><p>pela assinatura se justificava na ideia de não haver intervalos</p><p>comerciais, como nas TV abertas, em que os comerciais sustentam as</p><p>emissoras, patrocinando as atrações.</p><p>Porém, hoje em dia, mesmo pagando, não são raros os comerciais nas</p><p>emissoras de TV a cabo, o que torna essa justificativa questionável.</p><p>6868</p><p>O que mais caracteriza a TV por assinatura, hoje em dia, não é a</p><p>exclusividade de conteúdo, embora ainda seja um forte argumento,</p><p>mas a segmentação de interesses de assuntos. Por exemplo, há canais</p><p>temáticos, como esportes ou filmes, em que o assinante tem acesso ao</p><p>conteúdo que deseja, filtrado os demais tipos de produtos televisivos.</p><p>Com uma grade que, com a ajuda da tecnologia contemporânea, é</p><p>controlada pelo telespectador, torna a experiência de assistir televisão</p><p>muito mais personalizada.</p><p>Os serviços de assinatura de TV têm evoluído bastante nas últimas</p><p>décadas, em especial pela concorrência dos serviços de streaming, que</p><p>proporcionam ainda mais personalização de programação, estando</p><p>literalmente nas mãos dos espectadores as escolhas do que e quando</p><p>assistir à programação, podendo parar, retomar, rever a qualquer</p><p>momento o conteúdo escolhido.</p><p>Derivado do verbo stream, em inglês, ‘fluxo’, streaming é uma tecnologia</p><p>que envia informações multimídia, através da transferência de dados</p><p>de forma contínua, utilizando redes de computadores, especialmente a</p><p>Internet, e foi criada para tornar as conexões mais rápidas. Os dados são</p><p>processados de forma diferente dos dados em lote, das transmissões</p><p>mais antigas e, assim, aumentam a velocidade das transmissões,</p><p>permitindo que o usuário assista ao conteúdo ao mesmo tempo em que</p><p>ele é “baixado”, sem necessidade de esperar o carregamento total dos</p><p>dados. Há desafios com o streaming de conteúdo na Internet. Se o usuário</p><p>não tiver largura de banda suficiente em sua conexão com a Internet,</p><p>poderá haver paradas, atrasos ou buffer lento do conteúdo. Alguns</p><p>usuários podem não conseguir transmitir determinados conteúdos devido</p><p>a não terem sistemas de computador ou software compatíveis.</p><p>O termo streaming foi usado pela primeira vez para unidades de fita</p><p>fabricadas pela Data Electronics Inc. para se referir aos seus vídeos que</p><p>permitiam acesso ao que chamou-se “sob demanda”, como também</p><p>é conhecido o serviço, visto o total controle de exibição que o usuário</p><p>tem sobre o conteúdo.</p><p>6969 69</p><p>A TV por streaming é uma realidade e as possibilidades trazidas pelos</p><p>serviços de telefonia mobile (Figura 1) colocam literalmente nas mãos</p><p>dos consumidores as escolhas do que assistir, quando e onde. A</p><p>produção de conteúdo original e de qualidade vai, cada vez mais,</p><p>enfrentar a questão de produzir conteúdo para veiculação em veículos</p><p>cada vez menos hegemônicos, trazendo para perto dos produtores de</p><p>conteúdos a necessidade e obrigatoriedade de conhecer, cada vez mais</p><p>e melhor, seu telespectador.</p><p>Figura 1 – Ilustração que mostra a imensa quantidade de possibilidades</p><p>de programação de uma fornecedora de conteúdos sob demanda</p><p>Fonte: Metamorworks/iStock.com.</p><p>Alguns serviços populares de streaming incluem os sites de</p><p>compartilhamento de vídeos YouTube, Twitch e Mixer, que transmitem</p><p>ao vivo videogame. Netflix e Amazon Video streaming de filmes e</p><p>programas de TV, e Spotify, Apple Music fluxo de música.</p><p>O streaming de música é uma das formas mais populares pelas</p><p>quais os consumidores interagem com a mídia de streaming. Na</p><p>era da digitalização, o consumo privado de música se transformou</p><p>em um bem público, em grande parte devido a um participante do</p><p>mercado: o Napster.</p><p>7070</p><p>O sistema colocou em xeque diversos modelos de negócio de</p><p>comercialização de música ao demonstrar o poder das redes P2P</p><p>(neologismo para “person to person”, em inglês, que significa ‘de pessoa</p><p>para pessoa’ ou distribuição sem intermediários) em transformar qualquer</p><p>arquivo digital em um bem público e compartilhável. Isso também</p><p>impactou as leis, que tiveram que ser rediscutidas, em especial sobre</p><p>direitos autorais e patrimoniais, de propriedade intelectual. Transmitir</p><p>conteúdo protegido por direitos autorais pode envolver a falsificação de</p><p>cópias das obras em questão, mas a tecnologia que permite a transmissão</p><p>em fluxo contínuo ou a visualização de conteúdo na Internet é legal,</p><p>mesmo que o material seja protegido por direitos autorais.</p><p>2. Estética das novelas</p><p>Já vimos que, na origem da TV brasileira, os teleteatros tiveram</p><p>significativa colaboração na construção de um público de</p><p>telespectadores. Junto com as notícias, os teleteatros compunham</p><p>grande parte da programação. O fascínio do brasileiro pela televisão</p><p>é explicado, em parte, pela simplicidade e semelhança com a vida dos</p><p>telespectadores. Diferente de outras formas artísticas,</p><p>na televisão e na percepção do público que visualiza as suas imagens há</p><p>um só tempo, e esse é o presente. Um presente estendido que engloba</p><p>o passado tornando presente e o futuro transfigurado em extensão do</p><p>mesmo presente. (BARBOSA, 2010, p. 34).</p><p>Isso traz identificação e proximidade ao telespectador que se identificou</p><p>imediatamente, em especial com as histórias dos teleteatros, assim</p><p>como já acontecia com as radionovelas.</p><p>Precursores das telenovelas brasileiras, os teleteatros se caracterizavam</p><p>pelo formato “unitário”, que é “um formato de programa levado ao ar uma</p><p>única vez, isto é, numa única transmissão, sem diluí-la em capítulos como são</p><p>as telenovelas ou as minisséries” (BRANDÃO, 2010, p.41). A cada seção, uma</p><p>história é contada (ou recontada, quando novamente exibida) na íntegra.</p><p>7171 71</p><p>No formato “unitário” são estabelecidos “parâmetros de produção</p><p>próprios” (BRANDÃO, 2010, p.42)”, que desenvolviam encenações</p><p>únicas, assemelhadas às peças encenadas em teatros e que, por isso,</p><p>“poderia ultrapassar uma hora de duração” (BRANDÃO, 2010, p. 42). Os</p><p>teleteatros eram sucesso absoluto de público e se constituíram no</p><p>Principal gênero dramático da televisão brasileira a que se assistiu nos</p><p>anos 1950, o teleteatro foi o programa ficcional de maior prestígio junto ao</p><p>público, aos profissionais da televisão e aos críticos que acompanhavam as</p><p>tele peças em todos os horários e emissoras existentes naqueles primeiros</p><p>anos da TV. Isso se deve, em parte, ao fato de que os principais teleteatros</p><p>(“Grande Teatro Tupi”, “TV de Vanguarda”, “TV de Comédia”, “Câmera Um”)</p><p>trazerem para a TV um referencial da chamada “alta cultura”, exibindo os</p><p>clássicos da dramaturgia e literatura mundial e, ainda, levando à telinha</p><p>os atores mais representativos do nosso teatro. Sua produção/exibição se</p><p>organizou com o virtual monopólio de um grupo - a Rede Tupi de Televisão</p><p>- que integrava o primeiro oligopólio da informação</p><p>no Brasil, os Diários</p><p>Associados, de propriedade de Assis Chateaubriand (BRANDÃO, 2010, p. 36).</p><p>Os primeiros teleteatros que fizeram muito sucesso (Tabela 1) chegaram a</p><p>ser exibidos por anos, semanalmente contando uma nova história, em que</p><p>Os telespectadores “privilegiados” com a aquisição de um aparelho de</p><p>TV - sinônimo de status social - assistiam junto aos televizinhos, até a</p><p>madrugada, aos teleteatros que desfilavam um repertório de autores</p><p>como Shakespeare, Ibsen, Goethe, Pirandello, Strindberg, Maughan,</p><p>Dostoievski, Lorca, Nelson Rodrigues, entre outros (BRANDÃO, 2010, p. 39).</p><p>Tabela 1 – Primeiros teleteatros que fizeram sucesso</p><p>Teleteatro Período de exibição Canal</p><p>Tv de Vanguarda 1952 a 1967 (semanal) TV Tupi (SP)</p><p>O Sítio do Pica-Pau Amarelo 1952 a 1963 (semanal) TV Tupi (SP)</p><p>Câmera Um 1953 a 1967 (semanal) TV Tupi (RJ)</p><p>Teatro Cacilda Becker 1953 a 1955 (semanal) TV Paulista e Tv Record</p><p>Teledrama 1955 a 1963 (semanal) TV Paulista</p><p>Fonte: BRANDÃO, Cristina. “As primeiras produções teleficcionais”. In: RIBEIRO, Ana Paula;</p><p>SACRAMENTO, Igor & ROXO, Marco. (Org.) História da televisão no Brasil: do início aos dias</p><p>de hoje. São Paulo: Contexto, 2010. p. 37-55.</p><p>7272</p><p>Não são poucos os estudiosos da TV brasileira que destacam a vocação</p><p>para a dramaturgia da TV brasileira já nos anos iniciais de suas</p><p>produções. Em seguida aos teleteatros vieram as novelas.</p><p>O desafio de produzir uma peça a cada semana, mesmo se mostrando</p><p>como sucesso inicial, trazia complicações de produção que tinham</p><p>custos. Com a ideia de reduzir custos, e espelhados nas novelas</p><p>radiofônicas, surgiu a ideia de contar no formato de novelas, as histórias</p><p>dos teleteatros. Surgiu, assim, a telenovela.</p><p>A primeira telenovela brasileira foi</p><p>Sua Vida me Pertence, que estreou no dia 21 de dezembro de 1951 na</p><p>extinta TV Tupi. Escrita, dirigida e protagonizada por Walter Foster, a</p><p>novela começou a ser exibida pouco mais de um ano após a implantação</p><p>da televisão no Brasil e ficou no ar até o dia 8 de fevereiro de 1952.</p><p>Naquele tempo, como não existia o videoteipe para gravar imagens,</p><p>todos os programas, incluindo a novela, eram encenados ao vivo. Ao</p><p>todo foram 15 capítulos, exibidos às terças e quintas-feiras às 20 horas.</p><p>Sua Vida me Pertence também apresentou o primeiro beijo na boca das</p><p>novelas nacionais, na verdade um selinho bem-comportado entre Foster</p><p>e a atriz Vida Alves. O enredo girava em torno do despertar da paixão de</p><p>um homem mais velho (Foster) por uma jovem garota (Vida). O ator Lima</p><p>Duarte também fazia parte do elenco. (MUNDO ESTRANHO, 2001, s/p).</p><p>Sua Vida me Pertence não só foi a primeira novela brasileira, como a</p><p>primeira telenovela do mundo, nesse formato (MUNDO ESTRANHO, 2001,</p><p>s/p) e ainda guarda outra marca histórica: nela aconteceu o primeiro beijo</p><p>da televisão brasileira. No último capítulo da novela, os protagonistas,</p><p>vividos pelos atores Vida Alves e Walter Foster, trocaram um rápido</p><p>’selinho’, mas o fato ficou marcado quase como um escândalo de ousadia.</p><p>A atriz Vida Alves, que era avó da cantora brasileira Tiê, morreu em 2017,</p><p>aos 88 anos. Até o fim de sua vida ficou marcada pela ousadia da cena</p><p>histórica. Também foi dela outra cena historicamente ousada. Junto com</p><p>7373 73</p><p>Geórgia Gomide também foi a protagonista do primeiro beijo gay da TV</p><p>brasileira, no teleteatro “Calúnia”, no início da década de 1960. Como os</p><p>teleteatros eram ao vivo e sem registro do videoteipe, a cena era relatada</p><p>boca a boca entre atores, e sempre foi confirmada pelas duas atrizes.</p><p>Mesmo com a comparação às “soap operas” norte americanas (termo</p><p>que teve origem em dramas de rádio patrocinados por fabricantes de</p><p>sabão nos EUA, nos anos de 1950), as telenovelas se diferenciam dessas</p><p>pela forma de seriação.</p><p>Enquanto as “soap opera” são exibidas em episódios, com começo, meio</p><p>e fim de cada história contada, por episódio, as telenovelas são exibidas</p><p>em capítulos, como as novelas literárias, que também são fontes de</p><p>inspiração das radionovelas.</p><p>O formato diário de exibição de capítulos só apareceu em 1963, como</p><p>vemos a seguir.</p><p>Já a primeira novela exibida diariamente no Brasil foi produzida pela</p><p>TV Excelsior em 1963. 2-5499 Ocupado foi ao ar em julho daquele ano,</p><p>sendo inicialmente transmitida às segundas, quartas e sextas-feiras. Em</p><p>setembro, a história sobre o amor impossível entre uma detenta que</p><p>trabalhava como telefonista num presídio e um homem que liga para lá</p><p>por engano passou a ser exibida diariamente. Escrita por Dulce Santucci,</p><p>2-5499 Ocupado reuniu pela primeira vez o casal romântico Glória</p><p>Menezes e Tarcísio Meira. (MUNDO ESTRANHO, 2001, s/p).</p><p>3. Quem é o público consumidor de novelas?</p><p>As telenovelas brasileiras são famosas quase no mundo todo, por meio</p><p>de comercialização direta das obras. Avenida Brasil, produção de 2012</p><p>da Rede Globo, é a novela mais vendida para o exterior, e já foi exibida</p><p>em 130 países, levando a cultura brasileira para todo o mundo. O Brasil</p><p>coleciona 12 indicações na categoria de telenovela no International Emmy</p><p>Awards, das quais 6 foram vencedoras.</p><p>7474</p><p>Os temas das produções são variados, muitas vezes literários, e noutras,</p><p>espelham a cultura brasileira em suas produções, além de trazerem ao</p><p>debate público, temas polêmicos e atuais.</p><p>Se hoje e nas telenovelas ou minisséries que encontramos a linguagem e</p><p>o padrão de qualidade, tão procurados no universo ficcional da TV, não</p><p>há dúvida de que o teleteatro, nas duas primeiras décadas de instalação</p><p>da TV brasileira, foi o desbravador do desconhecido terreno da linguagem</p><p>televisiva. (BRANDÃO, 2010, p. 41).</p><p>Os enredos das novelas são executados ao mesmo tempo, cruzam-</p><p>se e levam a novos desenvolvimentos. Um capítulo individual de</p><p>uma novela geralmente alterna entre vários tópicos narrativos</p><p>simultâneos, diferentes, que às vezes podem interconectar-se e afetar-se</p><p>mutuamente ou podem ser totalmente independentes um do outro.</p><p>São chamadas de “obras abertas”, pois os autores iniciam o trabalho</p><p>apresentando uma trama que pode se desenrolar dentro de algumas</p><p>possibilidades, que são definidas ao longo do desenvolvimento da</p><p>trama, contando, inclusive, com a participação do público, direta ou</p><p>indiretamente (por meio de pesquisas de opinião).</p><p>O público que assiste novelas é bastante variado. Senso</p><p>comum, considera-se que o gênero de teledramaturgia seja</p><p>predominantemente assistido por mulheres na faixa de idade adulta,</p><p>mas ainda produtiva. Os dados da pesquisa que o jornalista Ricardo</p><p>Feltrin, colunista da revista ‘TV e Famosos’ (2018) divulgou, baseado</p><p>num estudo junto aos dados consolidados da Kantar Ibope Media para</p><p>saber o perfil de quem assistia às três novelas em cartaz na TV aberta</p><p>em agosto de 2018, da Globo, Record e SBT, mostra que isso está perto</p><p>da verdade. Os resultados são interessantes.</p><p>7575 75</p><p>Tabela 2 – Perfil do público de novelas da TV aberta, agosto de 2018</p><p>“Segundo</p><p>Sol”, da Globo. “Jesus”, da Record. “As Aventuras de</p><p>Poliana”, do SBT.1</p><p>Gênero 62% mulheres X</p><p>38% homens.</p><p>57% mulheres X</p><p>43% de homens .</p><p>66% mulheres e meninas X</p><p>34% de homens e meninos.</p><p>Idade</p><p>27% do público</p><p>está na faixa etária</p><p>entre 35 e 49 anos;</p><p>18% tem de 50 a</p><p>59 anos, e 24% tem</p><p>60 anos ou mais.</p><p>25% têm idade</p><p>entre 35 a 49 anos;</p><p>25%, 60</p><p>anos ou mais;</p><p>19% tem de 50</p><p>a 59 anos.</p><p>17% têm de 4 a 11 anos</p><p>12% tem de 12 a 17 anos;</p><p>8%, de 18 a 24 anos;</p><p>14% vai de 25 a 34 anos;</p><p>21% de 25 a 49 anos;</p><p>11% tem de 50 a 59 anos; e</p><p>16% tem 60 anos ou mais.</p><p>Classe Social</p><p>33% são das</p><p>classes AB;</p><p>30% da classe C1, e</p><p>26% da classe C2;</p><p>12% pertencem</p><p>às classes D e E.</p><p>32% pertencem</p><p>à classe AB;</p><p>24% são da chamada</p><p>classe C1;</p><p>30% da classe C2 e</p><p>14% da classe DE.</p><p>19% de quem vê “Poliana”</p><p>são das classes AB;</p><p>26% são classe C1;</p><p>35% --o maior público--,</p><p>da classe C2; e</p><p>20% da classe D e E.</p><p>1 A Novela do SBT tem forte apelo infantil, assim, a classificação etária é mais abrangente.</p><p>Fonte: Tabela feita pela autora, com dados da pesquisa Kantar Ibope Media divulgados</p><p>na</p><p>Revista TV e Famosos. 25 ago.2018.</p><p>4. Considerações finais</p><p>• Nesta aula vimos um pouco da história da TV no Brasil, suas</p><p>características e destaques. Além de conhecer os aspectos</p><p>históricos, também falamos sobre as atuais tendências do</p><p>mercado de audiovisual no Brasil, em especial sobre as</p><p>possibilidades do streaming como suporte de uma TV cada vez</p><p>mais personalizada.</p><p>• As novelas, tão presentes na cultura brasileira, exercem grande</p><p>influência na sociedade, seja na maneira de se vestir, no jeito de</p><p>abordar um assunto e até mesmo na forma de pensar. Criam</p><p>e disseminam modas, expressões e alteram comportamento,</p><p>quando, por exemplo, os telespectadores se identificam com</p><p>algum personagem e acabam tentando adotar os estilos parecidos</p><p>em sua vida. A cada nova novela personagens e tramas mudam,</p><p>7676</p><p>e os assuntos abordados também, assim, a sociedade vai</p><p>respondendo a este estímulo produzido diariamente. Às vezes</p><p>de forma positiva, noutras, negativa, rejeitando um conceito</p><p>ou proposta, demonstrando sua insatisfação e até mesmo</p><p>imaturidade para lidar com a questão naquele momento.</p><p>TEORIA EM PRÁTICA</p><p>Um programa de TV pode ser classificado como educativo,</p><p>sem que necessariamente tenha sido feito com esse fim. A</p><p>qualidade educativa de uma produção diz respeito ao seu</p><p>conteúdo e à sua forma. Uma animação pode ser educativa, e</p><p>um filme também, assim como uma novela, ou qualquer peça</p><p>da teledramaturgia. Em que aspectos a televisão brasileira</p><p>contribui para a educação e para a educação das pessoas?</p><p>Como a televisão poderia contribuir de maneira mais efetiva</p><p>para elevar o nível educacional e cultural da população?</p><p>Vamos pensar em possíveis soluções, mas que sejam</p><p>possíveis aos indivíduos, e não somente às políticas</p><p>públicas de comunicação. Plagiando o poeta, a TV não</p><p>muda o mundo. A TV pode mudar as pessoas, e pessoas</p><p>mudam o mundo.</p><p>VERIFICAÇÃO DE LEITURA</p><p>1. A primeira emissora de TV do Brasil foi:</p><p>a. Rede Tupi.</p><p>b. TV Globo.</p><p>c. Rede Bandeirantes.</p><p>7777 77</p><p>d. TV Tupi.</p><p>e. Rede Globo.</p><p>2. As telenovelas brasileiras são famosas quase no</p><p>mundo todo...</p><p>a. porque o idioma português é o mais falado no mundo.</p><p>b. por meio de comercialização direta das obras.</p><p>c. porque trazem artistas novos e bonitos no elenco.</p><p>d. importando a cultura estrangeira para o Brasil.</p><p>e. porque ganharam 6 prêmios Oscar.</p><p>3. Qual a diferença entre telenovela e ‘soap opera’?</p><p>a. As “soap opera” são exibidas diariamente e</p><p>por temporadas, as telenovelas são exibidas</p><p>semanalmente, em capítulos.</p><p>b. As “soap opera” são exibidas semanalmente e por</p><p>temporadas, as telenovelas são exibidas diariamente,</p><p>em episódios.</p><p>c. Não há diferenças, ‘soap opera’ e telenovelas são o</p><p>mesmo tipo de teledramaturgia.</p><p>d. As telenovelas são exibidas em episódios, com</p><p>começo, meio e fim de cada história contada, por</p><p>episódio, as ‘soap opera’ são exibidas em capítulos.</p><p>e. As “soap opera” são exibidas em episódios, com</p><p>começo, meio e fim de cada história contada, por</p><p>episódio, as telenovelas são exibidas em capítulos.</p><p>7878</p><p>Referências bibliográficas</p><p>ARAÚJO, Mauricio. O Início da TV por Assinatura no Brasil. In: TV Magazine. 12 dez.</p><p>2010. Disponível em: https://www.tvmagazine.com.br/noticias/o-inicio-da-tv-por-</p><p>assinatura-no-brasil,8521. Acesso em: 26 maio 2019.</p><p>BARBOSA, Marinalva Carlo. Imaginação televisual e os primórdios da TV no Brasil.</p><p>In: RIBEIRO, Ana Paula; SACRAMENTO, Igor & ROXO, Marco. (Org.) História da</p><p>televisão no Brasil: do início aos dias de hoje. São Paulo: Contexto, 2010, p.15-35.</p><p>BRANDÃO, Cristina. As primeiras produções teleficcionais. In: RIBEIRO, Ana Paula;</p><p>SACRAMENTO, Igor & ROXO, Marco. (Org.) História da televisão no Brasil: do início</p><p>aos dias de hoje. São Paulo: Contexto, 2010, p. 37-55.</p><p>FELTRIN, Ricardo. Veja o perfil de quem assiste a novelas da Globo, SBT e Record. In:</p><p>TV e Famosos. 25 ago. 2018. Disponível em: https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/</p><p>ooops/2018/08/25/veja-o-perfil-de-quem-assiste-a-novelas-da-globo-sbt-e-record.</p><p>htm. Acesso em: 24 maio 2019.</p><p>FOLHA ON LINE. RedeTV! comemora 10 anos. In: Folha OnLine. 28 nov.</p><p>2013. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/</p><p>ult10082u658372.shtml. Acesso em: 28 mai.2019.</p><p>GLOBO. Inauguração da TV Globo. In: História do Grupo Globo. 2013. Disponível</p><p>em: http://historiagrupoglobo.globo.com/hgg/index.htm. Acesso em: 28 mai.2019.</p><p>MATTOS, Sérgio. Um Perfil da TV Brasileira. Salvador: Associação Brasileira de</p><p>Agências de Propaganda/ Capítulo Bahia: A TARDE, 1990.</p><p>MATTOS, Sérgio. Estado e Meios de Comunicação: O Controle Econômico. In:</p><p>Comunicação e Transição Democrática. MELO, José Marques de (Org.). Porto</p><p>Alegre: Mercado Aberto, 1985, p. 62-79.</p><p>MORAIS, Fernando. Chatô: o rei do Brasil. Rio de Janeiro: Cia. das Letras, 1994.</p><p>MUNDO ESTRANHO. Qual foi a primeira telenovela brasileira?. In: Revista</p><p>Mundo Estranho. 18 abr. 2011. Disponível em: https://super.abril.com.br/mundo-</p><p>estranho/qual-foi-a-primeira-telenovela-brasileira/. Acesso em: 24 maio 2019.</p><p>RAMOS, José Mário Otiz. Televisão, publicidade e cultura de massa. Petrópolis:</p><p>Vozes, 1995.</p><p>TARDÁGUILA, Cristina. TV Manchete, um inventário - na prateleira da</p><p>memória. In: Observatório da Imprensa, 22 jan. 2013. Disponível em: http://</p><p>observatoriodaimprensa.com.br/tv-em-questao/_ed730_na_prateleira_da_</p><p>memoria/. Acesso em: 28 maio 2019.</p><p>TEODORO, Gontijo. Se o Repórter Esso não deu, não aconteceu. In: Depoimento</p><p>ao Museu da Televisão Brasileira. 06 set.2003. Disponível em: https://</p><p>acervo.oglobo.globo.com/frases/se-reporter-esso-nao-deu-nao-aconteceu-</p><p>19955314#ixzz5pdA6Fsxp. Acesso em: 28 maio 2019.</p><p>https://www.tvmagazine.com.br/noticias/o-inicio-da-tv-por-assinatura-no-brasil,8521</p><p>https://www.tvmagazine.com.br/noticias/o-inicio-da-tv-por-assinatura-no-brasil,8521</p><p>https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/ooops/2018/08/25/veja-o-perfil-de-quem-assiste-a-novelas-da-g</p><p>https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/ooops/2018/08/25/veja-o-perfil-de-quem-assiste-a-novelas-da-g</p><p>https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/ooops/2018/08/25/veja-o-perfil-de-quem-assiste-a-novelas-da-g</p><p>https://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/ult10082u658372.shtml</p><p>https://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/ult10082u658372.shtml</p><p>http://historiagrupoglobo.globo.com/hgg/index.htm</p><p>https://super.abril.com.br/mundo-estranho/qual-foi-a-primeira-telenovela-brasileira/</p><p>https://super.abril.com.br/mundo-estranho/qual-foi-a-primeira-telenovela-brasileira/</p><p>http://observatoriodaimprensa.com.br/tv-em-questao/_ed730_na_prateleira_da_memoria/</p><p>http://observatoriodaimprensa.com.br/tv-em-questao/_ed730_na_prateleira_da_memoria/</p><p>http://observatoriodaimprensa.com.br/tv-em-questao/_ed730_na_prateleira_da_memoria/</p><p>https://acervo.oglobo.globo.com/frases/se-reporter-esso-nao-deu-nao-aconteceu-19955314#ixzz5pdA6Fsxp</p><p>https://acervo.oglobo.globo.com/frases/se-reporter-esso-nao-deu-nao-aconteceu-19955314#ixzz5pdA6Fsxp</p><p>https://acervo.oglobo.globo.com/frases/se-reporter-esso-nao-deu-nao-aconteceu-19955314#ixzz5pdA6Fsxp</p><p>7979 79</p><p>Gabarito</p><p>Questão 1 – Resposta: D</p><p>O ano era 1950 e no dia 18 de setembro era inaugurada, em</p><p>São Paulo, a primeira emissora de televisão do Brasil, a TV Tupi.</p><p>Quando, “às sete em ponto” (MORAIS, 1994, p. 364), o radialista</p><p>Walter Forster “esperava a luz vermelha da câmera se acender para</p><p>pronunciar uma breve mensagem: Está no ar a PRF-3-Tv Tupi de São</p><p>Paulo, a primeira estação de televisão da América Latina”, deu-se o</p><p>início oficial história da TV no Brasil.</p><p>Questão 2 – Resposta: B</p><p>As telenovelas brasileiras são famosas quase no mundo todo, por</p><p>meio de comercialização direta das obras. Avenida Brasil, produção</p><p>de 2012 da Rede Globo, é a novela mais vendida para o exterior, e</p><p>já foi exibida em 130 países, levando a cultura brasileira para todo o</p><p>mundo. O Brasil coleciona 12 indicações na categoria de telenovela</p><p>no International Emmy Awards, das quais 6 foram vencedoras.</p><p>Questão 3 – Resposta: E</p><p>Enquanto as “soap opera” são exibidas em episódios, com começo,</p><p>meio e fim de cada história contada, por episódio, as telenovelas</p><p>são exibidas em capítulos, como as novelas literárias, que também</p><p>são fontes de inspiração das radionovelas.</p><p>808080</p><p>Filmes clássicos: estéticas da</p><p>linguagem audiovisual</p><p>Autora: Jurema L. F. Sampaio</p><p>Objetivos</p><p>• Analisar a estética de filmes clássicos.</p><p>• Observar a linguagem audiovisual</p><p>empregada nas produções.</p><p>• Conhecer obras de grande relevância</p><p>para estudos da história do cinema.</p><p>8181 81</p><p>1. O cinema mudou o mundo e o mundo</p><p>mudou o cinema</p><p>Nesta aula vamos conhecer e analisar um pouco da estética dos filmes</p><p>clássicos. Ao observar a linguagem audiovisual empregada nesses filmes,</p><p>compreendemos o motivo pelos quais se tornaram clássicos e passaram</p><p>a servir de referência para as produções que vieram depois deles.</p><p>Conhecer ao menos um pouco da história do cinema e de como este se</p><p>constituiu como uma linguagem artística, ajuda a compreender o modo</p><p>como os filmes foram e são desenvolvidos, e suas variadas formas de</p><p>expressão estética.</p><p>Em 1895, os irmãos Auguste e Louis Lumière fazem a primeira exibição</p><p>pública de seu invento, o cinematógrafo. Por cerca de vinte minutos, as</p><p>pessoas presentes se encantaram com o aparelho, assistindo a imagens</p><p>de empregados saindo das Fábrica Lumière e da chegada de um trem</p><p>a uma estação, como contam diversos historiadores. Este fato marca a</p><p>invenção do cinema. O impacto no mundo das artes foi tamanho que</p><p>[...] logo, os críticos passaram a considerá-lo um tipo mais recente de arte. No</p><p>século XX, Ricciotto Canudo, intelectual italiano radicado na França, escreveu</p><p>o Manifesto das Sete Artes. “Nele, Canudo define o cinema como a sétima</p><p>arte por ser a arte plástica em movimento, aquela que consegue congregar</p><p>todas as outras em uma só”, diz Ana Maria Giannasi, professora do curso de</p><p>audiovisual do Senac São Paulo (GIANNASI apud LOPES, 2013, s/p).</p><p>ASSIMILE</p><p>Sétima Arte é como o cinema é chamado. Quais são as</p><p>outras seis?</p><p>“São a música, a dança, a pintura, a escultura, a arquitetura</p><p>e a poesia. Essa definição começou a tomar forma na</p><p>8282</p><p>Europa durante o século XVIII, quando surgiu o conceito de</p><p>belas-artes – artes preocupadas com a criação do belo, sem</p><p>utilidade prática, a não ser representar a própria beleza”.</p><p>LOPES, Noêmia. Se o cinema é a sétima arte, quais são as</p><p>outras?. In: Revista Superinteressante, 24 maio 2013.</p><p>MUNDOESTRANHO-134-55-B-620.</p><p>Por sua natureza, ora de entretenimento, ora de comunicação, outras</p><p>vezes, ainda, de expressão artística, não nos parece realmente certo</p><p>afirmar que o cinema seja pertencente à categoria das “Belas Artes”,</p><p>visto que assume funções outras além da representação do belo, como</p><p>o termo define. Mas certamente é uma forma contundente de expressão</p><p>estética que, se analisado frente aos conceitos mais contemporâneos,</p><p>pode ser definido como arte.</p><p>Já em 1900 há a primeira versão para o cinema do romance de William</p><p>Shakespeare, “Romeu e Julieta”, e uma imensa quantidade de produções</p><p>sucederam, numa velocidade assombrosa, durante o século XX, também</p><p>chamado de século das comunicações. De certa forma, o cinema vem</p><p>de uma espécie de ‘evolução’ do teatro, na realidade, a possibilidade de</p><p>registrar o que era encenado pelos atores foi a base dos primeiros filmes</p><p>que se tem registro. Assim, a maioria dos filmes era feita para que fosse</p><p>assistida por um público que estaria sentado confortavelmente em suas</p><p>poltronas, como no teatro, vendo o desenrolar da trama na sua frente.</p><p>Desse modo, as primeiras formas de enquadramento foram também</p><p>reflexo dessa “passividade” dos espectadores. Ou seja, a câmera fazia o</p><p>“papel”, como se fosse o espectador propriamente dito. Estática sobre</p><p>um tripé também estático. Atores se movimentavam e não a câmera.</p><p>Do mesmo modo, a edição dos primeiros filmes era sempre linear,</p><p>cronologicamente montada, de modo a contar histórias com “começo”,</p><p>“meio” e “fim”, exatamente na ordem temporal que os fatos aconteciam.</p><p>8383 83</p><p>As inovações surgiram muito mais por criatividade dos realizadores, que</p><p>decidiram, em dado momento, experimentar coisas novas, do que por</p><p>alguma limitação tecnológica.</p><p>O enquadramento do tipo “Point of View” (ponto de vista), em “primeira</p><p>pessoa”, ou seja, como se a câmera estivesse ainda nos olhos do público,</p><p>- mas este participa da cena, e não fica somente a assistindo -, foi uma</p><p>imensa inovação na linguagem cinematográfica, trazendo intensidade</p><p>dramática às cenas memoráveis do cinema, como o ataque no banho,</p><p>em Psicose, de Alfred Hitchcock.</p><p>ASSIMILE</p><p>Uma injustiça histórica: Dentre as técnicas mais copiadas</p><p>de Alfred Hitchcock, estão, além da câmera em primeira</p><p>pessoa, o uso de sombras para gerar ansiedade e</p><p>apreensão no espectador e, principalmente, o uso</p><p>intenso da trilha-sonora para incentivar e construir o</p><p>“clima” das sensações, em especial as de tensão. Apesar</p><p>de ser considerado um gênio como diretor, ele jamais</p><p>ganhou um Oscar de melhor diretor, nem nenhum dos</p><p>grandes prêmios do mundo do cinema, pela direção de</p><p>um filme. Cannes, Veneza, Globo de Ouro ou Bafta jamais</p><p>reconheceram seu trabalho.</p><p>Numa visão panorâmica da construção da linguagem cinematográfica</p><p>e sua consolidação como arte, vamos partir de uma lista de 12 filmes,</p><p>que são considerados pela crítica especializada como clássicos, e</p><p>que de alguma forma contribuíram para a construção da estética do</p><p>cinema. Vamos conhecer os motivos por que foram e são destaques</p><p>até os dias atuais.</p><p>8484</p><p>É natural que, para cada pessoa que construa qualquer lista de “os X</p><p>mais”, em relação a filmes, essa lista incluirá preferências pessoais. Na</p><p>presente lista, para além de gostos pessoais, o que nos guia é a ideia</p><p>da promoção de uma visão estética abrangente sobre os filmes que,</p><p>de forma surpreendente, inovadora e criativa, “mudaram” o cinema</p><p>por algum motivo. De outro modo, seja por inovação técnica ou de</p><p>linguagem, esses filmes trouxeram imensas contribuições ao cinema</p><p>como um todo, configurando-o como arte.</p><p>Na nossa lista de filmes que mudaram o mundo do cinema temos</p><p>alguns inesquecíveis, outros, complexos ou polêmicos, mas todos</p><p>eles marcaram época e a história do cinema ao trazerem para</p><p>a ‘telona’ uma estética específica, um estilo, novas ideias ou um</p><p>gênero em especial, e contribuíram para construir sonhos e imagens</p><p>mentais, estéticas e conceitos.</p><p>1. E o vento levou... (1939).</p><p>2. Cidadão Kane (1941).</p><p>3. O crepúsculo dos deuses (1950).</p><p>4. 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968).</p><p>5. Laranja Mecânica (1971).</p><p>6. O Poderoso Chefão (1972).</p><p>7. Star Wars (1977).</p><p>8. Apocalypse Now (1979).</p><p>9. Blade Runner (1982).</p><p>10. Pulp Fiction (1994).</p><p>11. Matrix (1999).</p><p>12. Avatar (2009).</p><p>8585 85</p><p>Vamos aos filmes!</p><p>1.1 E o vento levou... (1939).</p><p>Diretores: Victor Fleming, com colaboração de George Cukor e Sam Wood.</p><p>Em 1939, a estrutura e a linguagem narrativa do cinema já estavam</p><p>definidas. O som já estava presente nos filmes há mais de uma década</p><p>e alguns filmes já eram coloridos. Com todo esse avanço tecnológico</p><p>na indústria cinematográfica, os estúdios da Metro-Goldwyn-Mayer</p><p>investiram muito nesse projeto. É o clássico dos clássicos, ganhador</p><p>de 10 Oscars, é uma superprodução que se mantém, ainda hoje, como</p><p>o filme mais assistido de todos os tempos. Foi uma das primeiras</p><p>produções em cores no mundo, com seu magnífico Tecnicolor, e a</p><p>memorável trilha sonora de Max Steiner. É a síntese estética do que</p><p>de melhor foi feito na Era de Ouro de Hollywood. A tríplice direção é</p><p>apontada pela crítica como perceptível em alguns momentos quando</p><p>podem ser percebidas as diferenças de estilos.</p><p>Adaptado do romance de mesmo nome, escrito em 1936 por Margaret</p><p>Mitchell, é um romance histórico épico norte-americano que tem</p><p>como pano de fundo da Guerra Civil Americana, a conhecida “Guerra</p><p>da Secessão”. Pioneiro de um estilo de filmes em que acontecimentos</p><p>marcantes da história mundial são tratados como pano de fundo de</p><p>grandes histórias de amor que “não dão certo”, como em “Doutor Jivago”</p><p>(1965), que se passa durante a Revolução Russa e que tem na morte</p><p>do protagonista o fim do romance; e “Titanic” (1997), em que o casal</p><p>central enfrenta a grande tragédia do célebre naufrágio, que os separa</p><p>definitivamente com a morte de Jack; em “E o Vento Levou”, Scarlett</p><p>O’Hara (interpretada por Vivien Leigh) e Rhett Butler (papel do galã</p><p>Clark Gable) se enfrentam e se desentendem boa parte do filme. Até</p><p>mesmo na cena final, antológica, após Scarlett finalmente dizer que o</p><p>ama e implorar que fique, dizendo que não sabe o que vai fazer sem ele,</p><p>Rhett Butler a abandona, com a mais famosa frase de todos os tempos:</p><p>“Francamente, minha querida, eu não dou a mínima”.</p><p>8686</p><p>Figura 1 – Reprodução de ilustração do pôster do filme “E o vento levou”</p><p>Fonte: Traveler1116/iStock.com.</p><p>1.2 Cidadão Kane (1941)</p><p>Diretor: Orson Welles.</p><p>Produtor, corroteirista, diretor e estrela, Orson Welles realizou o filme</p><p>quase biográfico sobre a vida de Charles Foster Kane, personagem</p><p>baseado em parte nos magnatas norte-americanos William Randolph</p><p>Hearst e Joseph Pulitzer. O filme foi indicado para o Oscar em nove</p><p>categorias e considerado por muitos críticos, cineastas e fãs, como</p><p>o maior filme já feito. Cidadão Kane é particularmente elogiado pela</p><p>cinematografia, edição, música e estrutura narrativa, todas consideradas</p><p>inovadoras e definidoras de precedentes. Apesar do sucesso frente a</p><p>crítica, a produção não conseguiu recuperar seus custos nas bilheterias.</p><p>1.3 O Crepúsculo dos Deuses (1950)</p><p>Diretor: Billy Wilder.</p><p>No original, em inglês, chama-se “Sunset Boulevard”. É um filme do</p><p>gênero “noir”. Esse termo cinematográfico é usado principalmente para</p><p>8787 87</p><p>descrever dramas de crimes estilosos de Hollywood, particularmente</p><p>aqueles que enfatizam atitudes cínicas e motivações sexuais. O período</p><p>clássico do cinema noir de Hollywood é do início dos anos 1920 até o</p><p>final dos anos 1950. O filme noir dessa época está associado a um estilo</p><p>de visual discreto, geralmente em preto e branco, que tem raízes na</p><p>cinematografia expressionista alemã. Muitas das histórias prototípicas e</p><p>muito da atitude do noir clássico derivam da escola hard boiled de ficção</p><p>de crime que surgiu nos Estados Unidos durante a Grande Depressão.</p><p>Crepúsculo dos Deuses foi dirigido e coescrito por Billy Wilder, e</p><p>coproduzido e coescrito por Charles Brackett. Aclamado por vários</p><p>críticos na época em que foi lançado, foi indicado para onze Oscars,</p><p>tendo recebido três. É considerado como um dos filmes mais notáveis</p><p>do cinema americano.</p><p>No início, uma voz em ‘off’ começa a narrar a história, que se desenrola</p><p>com todo o ‘climão’ dos filmes da estética ‘noir’. A voz é justamente do</p><p>morto que vai nos contar como o crime ocorreu. “Sunset Boulevard”</p><p>(título original) é o mesmo nome de uma rua, que atravessa toda Los</p><p>Angeles e Beverly Hills, na Califórnia, geralmente associada ao luxo e à</p><p>riqueza, mas a primeira cena do filme, um close da Sunset Boulevard</p><p>numa entrada de esgoto, literalmente.</p><p>Crepúsculo dos Deuses tem seu lugar na história como um dos</p><p>melhores filmes de todos os tempos pela construção da metáfora visual</p><p>que se refere à decadência de costumes no meio cinematográfico,</p><p>transformando o filme numa dura crítica aos costumes da época e</p><p>daquela comunidade, apontando para a real necessidade de saber</p><p>administrar emocionalmente a fama, em especial, a perda dela. Apesar</p><p>do tempo passado, a crítica cabe bem aos dias atuais, à sociedade de</p><p>celebridades, no sentido de alerta, para a percepção de que após os 15</p><p>minutos de fama, como afirmou certa vez o cineasta e pintor americano</p><p>Andy Warhol, tudo pode se perder.</p><p>8888</p><p>1.4 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968)</p><p>Diretor: Stanley Kubrick.</p><p>Em 1968, o filme de Stanley Kubrick revolucionou o cinema de ficção</p><p>cientifica usando técnicas de filmagem e efeitos especiais nunca antes</p><p>vistos em nenhuma outra produção. Suas técnicas, como a grande</p><p>ênfase no visual, poucos diálogos, som como narrativa, imagens</p><p>ambíguas próximas ao surrealismo, criaram novas formas de contar</p><p>uma história e serviram de inspiração, e algumas foram mesmo</p><p>copiadas e repetidas em outros filmes e franquias de ficção cientifica,</p><p>como Star Wars e Star Trek, tornando-se referências no gênero.</p><p>O filme tem uma trilha sonora inesquecível, marcada pelo contraste</p><p>de valsas, como Danúbio Azul, de Johann Strauss II, e o clássico poema</p><p>sinfônico de Richard Strauss, Also sprach Zarathustra, “para mostrar a</p><p>evolução filosófica do Homem, teorizado no trabalho de Friedrich Nietzsche</p><p>de mesmo nome” (HUGES, 2000, p.135).</p><p>1.5 Laranja Mecânica (1971).</p><p>Diretor: Stanley Kubrick.</p><p>O nome original é “A Clockwork Orange”. É um filme de ficção ambientado</p><p>em um futuro distópico, sobre violência e crimes, baseado no romance</p><p>de mesmo nome, de Anthony Burgess. A trilha sonora do filme</p><p>conta com uma primorosa seleção de música clássica, somadas às</p><p>composições autorais com sintetizador eletrônico.</p><p>Laranja Mecânica impressiona por sua linguagem direta e estética</p><p>agressiva, que foi repetidamente rejeitada pela crítica por, segundo</p><p>eles próprios, fazer apologia à violência. Mas o filme mostra tudo de</p><p>maneira tão fortemente literal, justamente porque sua profundidade</p><p>está na instigação de questões acerca das deduções que a sociedade</p><p>faz sobre a violência mostrada de maneira tão clara, e não na violência</p><p>8989 89</p><p>em si. O diretor faz uso de imagens fortes de violência, que chegam</p><p>a ser perturbadoras para tratar de temas difíceis como a própria</p><p>violência da delinquência juvenil, ação de gangues e outros assuntos</p><p>sociais, mas numa distópica Inglaterra de um futuro próximo, propondo</p><p>uma tentativa de interromper a violência promovida pelos jovens</p><p>delinquentes, também uma forma de violência.</p><p>O filme de Kubrick segue a mesma linha de violência explícita</p><p>apresentada no romance de Burgess, em que a questão central do</p><p>filme (como em muitos dos livros de Burgess), é a definição moral de</p><p>“bondade” e o questionamento do sentido de usar terapia psicológica</p><p>para cessar o comportamento violento.</p><p>Ao longo de décadas o filme Laranja Mecânica tem servido de influência</p><p>em diversos campos das artes com o icônico pôster de divulgação, que</p><p>foi criado por Philip Castle, com o layout desenvolvido pelo designer Bill</p><p>Gold, sendo elevado à condição de objeto de arte.</p><p>1.6 O Poderoso Chefão (1972)</p><p>Diretor: Francis Ford Coppola.</p><p>O Poderoso Chefão é considerado um dos mais importantes da</p><p>história do cinema e um dos melhores, de todos os tempos, pela crítica</p><p>especializada. Isso porque inovou na forma de fazer filmes sobre</p><p>mafiosos e, abandonando a estética “noir”, até então usada para tratar</p><p>o tema, trazendo “glamour” e sofisticação ao tratar as personagens.</p><p>Diálogos inteligentes, humor e certo cinismo nas falas, características</p><p>tão presentes nos personagens dirigidos por Coppola, que também</p><p>escreveu o roteiro junto com Mario Puzo, fazem do mafioso Don</p><p>Corleone quase um “galã”, certamente, um mito e são, ainda hoje,</p><p>encontrados como referências ao filme em diversos trabalhos</p><p>cinematográficos e em séries. A fotografia é perfeita e a trilha sonora é</p><p>das que não se esquece nunca mais.</p><p>9090</p><p>O estilo inconfundível e genial de Coppola também pode ser observado</p><p>em outros dos grandes filmes do século XX, como Apocalypse Now e</p><p>Drácula, de Bram Stoker, entre outros. O diretor e produtor já foi indicado</p><p>14 vezes ao Oscar e venceu por 5 vezes.</p><p>1.7 Star Wars (1977)</p><p>Diretor: George Lucas.</p><p>Star Wars marcou uma época e uma geração. Ou gerações, como dizem</p><p>os especialistas e estudiosos em cultura “nerd”. O sucesso do filme foi</p><p>imenso e mudou a forma de se fazer filmes de ficção cientificas. Os efeitos</p><p>especiais, que hoje parecem até mesmo simples e “toscos” para uma</p><p>geração acostumada às maravilhas tecnológicas, foram, nos anos 1970,</p><p>inovadores ao extremo. As guerras espaciais do filme foram consideradas</p><p>um marco para o cinema, pois nunca haviam sido usadas técnicas sequer</p><p>semelhantes, muito menos uma linguagem</p><p>tão inovadora. Mesmo com</p><p>alguns questionamentos sobre o comportamento do fogo e do som no</p><p>espaço, que estariam em oposição aos conhecimentos científicos vigentes,</p><p>o efeito estético foi realmente inovador e sensacional.</p><p>Figura 2 – Personagens de Star Wars, incluindo Darth Vader,</p><p>os Stormtroopers, Chewbacca e Jawas, numa feira Comic Con,</p><p>em Doncaster, Inglaterra</p><p>Fonte: Teamjackson/iStock.com.</p><p>9191 91</p><p>1.8 Apocalypse Now (1979)</p><p>Diretor: Francis Ford Coppola.</p><p>Outro dos trabalhos de Coppola, em que a música The End, do The</p><p>Doors, tocando, mais o barulho dos helicópteros e do ventilador do</p><p>quarto com um Martin Sheen completamente possuído no meio de</p><p>tudo isso abre o filme de forma surpreendente, é Apocalypse Now.</p><p>A sequência de ataque dos helicópteros ao som de “A Cavalgada das</p><p>Valquírias” é um dos momentos de genial equilíbrio estético entre</p><p>música e imagem neste filme que a crítica considera o melhor filme de</p><p>guerra já feito em toda a história do cinema. Há duas versões dele, a</p><p>primeira é a melhor delas, a Redux deixa desejar, e as inclusões feitas</p><p>nela são de qualidade inferior ao filme original. A ácida e crítica frase do</p><p>personagem ‘Coronel “surfista” Kilgore’ (interpretado por Robert Duvall),</p><p>que diz “adoro o cheiro de napalm pela manhã” entrou para as eternas</p><p>citações do cinema, sendo referenciada em diversos outros filmes, em</p><p>momentos de indisfarçável cinismo.</p><p>Ganhou sete prêmios internacionais, dentre eles, a Palma de Ouro, no</p><p>Festival de Cannes de 1979. Levou os prêmios de melhor fotografia</p><p>e melhor som no Oscar de 1980, quando foi indicado também para</p><p>direção de arte, ator coadjuvante, diretor e edição, além de melhor filme</p><p>- drama. No Globo de Ouro, de 1980, ganhou nas categorias de diretor,</p><p>ator coadjuvante, argumento original. No Prêmio David di Donatello,</p><p>de 1980, na Itália, venceu na categoria de “Melhor diretor - filme</p><p>estrangeiro”. É considerado, até hoje, “culturalmente, historicamente</p><p>e esteticamente significante” (COWIE, 1990, p.132) pelo National Film</p><p>Registry, pela crítica contundente à Guerra do Vietña.</p><p>1.9 Blade Runner (1982)</p><p>Diretor: Ridley Scott.</p><p>Blade Runner é considerado pela crítica especializada uma “obra-prima”</p><p>da cultura Cyberpunk. É um filme de ficção científica neo-noir, gênero</p><p>totalmente inovador na época de seu lançamento, ambientado em</p><p>9292</p><p>um futuro distópico de uma Los Angeles de 2019, na qual humanos</p><p>sintéticos são bioprojetados para trabalhar em colônias fora da Terra.</p><p>Quando foi lançado teve um desempenho ruim nos cinemas e</p><p>uma imensa polarização da crítica. Enquanto alguns elogiaram sua</p><p>complexidade temática e visual, outros apontavam um ritmo lento</p><p>de narrativa e falta de ação como pontos fracos. Posteriormente foi</p><p>aclamado como filme cult e considerado um dos melhores filmes de</p><p>ficção científica de todos os tempos.</p><p>Revolucionou a forma de filmar e usar efeitos especiais não</p><p>computadorizados. Seu design de produção se propunha a retratar</p><p>um futuro “modernizado” (para a época), resultando numa estética</p><p>que influenciou muitos filmes de ficção científica, videogames,</p><p>animes e séries de televisão. A trilha sonora, composta por Vangelis, é</p><p>inesquecível e fantástica.</p><p>1.10 Pulp Fiction (1994)</p><p>Diretor: Quentin Tarantino.</p><p>Tarantino é um diretor conhecido por muitos filmes de sucesso, mas</p><p>Pulp Fiction, que também escreveu além de dirigir, é definitivamente</p><p>um dos seus mais icônicos trabalhos. Com diálogos marcantes e cenas</p><p>inesquecíveis, o filme trouxe uma linguagem ágil, forte e não-linear para</p><p>o cinema, ao contar, entremeadamente, várias histórias distintas, ao</p><p>mesmo tempo autônomas e entrelaçadas, uma característica marcante</p><p>das obras do diretor. O autor/diretor inova ao usar recursos comuns da</p><p>linguagem cinematográfica de maneira surpreendente:</p><p>Recursos de flashback e flash forward não são nada novos em narrativas</p><p>cinematográficas, mas seu uso em Pulp Fiction deixa os espectadores</p><p>desnorteados com os ladrões que somem após a sequência de abertura,</p><p>os personagens que morrem e reaparecem etc. Lendo o roteiro, fica</p><p>claro que isso foi planejado desde sua redação. Ainda assim, podemos</p><p>remontar o filme em grandes blocos, como se estivéssemos em um</p><p>processador de textos. (TIETZMANN, 1997, p. 127).</p><p>9393 93</p><p>Pulp Fiction venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1994</p><p>e foi um grande sucesso comercial, além da crítica, que o considera</p><p>a obra-prima de Tarantino, com elogios especiais por seu roteiro. A</p><p>autorreflexividade, estrutura não convencional, extensa homenagem e</p><p>pastiche levaram os críticos a descrevê-lo como um marco cultural pós-</p><p>moderno, influenciando filmes e outras mídias que adotaram elementos</p><p>de seu estilo e de sua estética.</p><p>1.11 Matrix (1999)</p><p>Diretores: Lana (Larry) e Lilly (Andy) Wachowski.</p><p>Matrix revolucionou o cinema com uma técnica inovadora de filmagem,</p><p>criada especialmente para o filme (e usada, posteriormente nas</p><p>sequências), chamada de “Bullet-time”. Nessa técnica, trabalhada</p><p>essencialmente por computadores, o objeto filmado tem sua</p><p>velocidade drasticamente reduzida para ênfase dramática. Outra</p><p>técnica que marcou a estética do filme foi a de usar várias câmeras</p><p>estrategicamente posicionadas ao redor dos objetos que faziam</p><p>centenas de fotos por segundo, fornecendo material para a edição</p><p>trabalhar em modo de câmera super lenta, além de possibilitar o</p><p>“congelamento” total das imagens na montagem. Essa inovação criou</p><p>cenas memoráveis, repletas de carga dramática tão intensa que</p><p>construiu uma nova estética visual: o “efeito Matrix”, nas cenas.</p><p>1.12 Avatar (2009)</p><p>Diretor: James Cameron.</p><p>Filme de ficção científica ambientada em meados do século XXII, escrito</p><p>pelo próprio Cameron em 1994, as filmagens deveriam ocorrer após a</p><p>conclusão de outro filme do diretor: Titanic, de 1997. Porém, segundo</p><p>o próprio diretor, que declarou em diversas entrevistas na época, a</p><p>tecnologia necessária ainda não estava disponível para alcançar sua</p><p>visão do filme. Dessa forma, James Cameron aguardou até 2009 para</p><p>realizar seus sonhos cinematográficos.</p><p>9494</p><p>Avatar estreou em dezembro de 2009, com os críticos se desmanchando</p><p>em elogios aos seus efeitos visuais inovadores, quebrando vários</p><p>recordes de bilheteria e se tornando o filme de maior bilheteria de</p><p>todos os tempos, superando mesmo Titanic, do próprio Cameron, que</p><p>vinha mantendo esses registros por doze anos. Foi o primeiro filme a</p><p>arrecadar mais de 2 bilhões de dólares de bilheteria. Indicado para nove</p><p>Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, ganhou três: Direção de</p><p>Arte, Fotografia e Efeitos Visuais.</p><p>Embora Avatar não tenha sido o primeiro filme a ser feito em formato</p><p>3D, a maneira como o recurso foi utilizado jamais havia sido feito antes.</p><p>Além disso, a fotografia e os efeitos utilizados surpreenderam a todos,</p><p>assistindo ao filme fica difícil diferenciar ficção da realidade, levando o</p><p>público a uma experiência estético sensorial única.</p><p>Figura 3 – Embalagem do DVD de Avatar</p><p>Fonte: ABDESIGN/iStock.com.</p><p>9595 95</p><p>PARA SABER MAIS</p><p>Poderíamos fazer uma lista com 25, 50, 100 filmes! A</p><p>produção cinematográfica do século XX certamente é</p><p>imensa e conta com uma infinidade de modos de análise.</p><p>Cada um dos filmes que traz uma nova ideia, um novo</p><p>aspecto, uma nova leitura do mundo, seja na forma que</p><p>aborda um tema ou como inova ao contar uma história,</p><p>contribuiu de forma significativa para a construção</p><p>do cinema, mas creio que esses, aqui apresentados,</p><p>são suficientes para ajudar a começar a construir um</p><p>bom repertório estético na linguagem audiovisual</p><p>cinematográfica. Se não viu ainda algum deles, corra</p><p>para assistir! Os serviços de streaming oferecem vários</p><p>deles em seus catálogos. Escolha seus preferidos,</p><p>construa suas análises e faça você mesmo sua lista dos</p><p>“X melhores filmes”, que tal?</p><p>É fato que abordamos neste conteúdo 12 filmes comerciais,</p><p>que entraram no circuito “blockbusters”, ou “arrasa quarteirão”,</p><p>movimentando milhares de dólares e um verdadeiro batalhão de</p><p>pessoas</p><p>da Arte, podemos construir uma base</p><p>sólida de conhecimentos.</p><p>Dedique um tempo para conhecer o conteúdo deste livro.</p><p>Vai valer a pena!</p><p>GOMBRICH, E.H. A História da Arte. 16. ed. Rio de Janeiro:</p><p>LTC Editora, 2000.</p><p>ASSIMILE</p><p>Se aceitarmos o significado de arte em função de atividades</p><p>tais como a edificação de templos e casas, realização de</p><p>pinturas e esculturas, ou tessitura de padrões, nenhum povo</p><p>existe no mundo sem arte. Se, por outro lado, entendermos</p><p>por arte alguma espécie de belo artigo de luxo, algo para</p><p>nos deleitar em museus e exposições, ou certa coisa especial</p><p>para usar como preciosa decoração na sala de honra,</p><p>cumpre-nos entender que esse uso da palavra constitui um</p><p>desenvolvimento muito recente e que muitos dos maiores</p><p>construtores, pintores ou escultores do passado nunca</p><p>sonharam sequer com ele (GOMBRICH, 2000, p.14).</p><p>Pré-História</p><p>A arte da pré-história, também chamada de Arte Primitiva, é como</p><p>chamamos os registros arqueológicos encontrados em pesquisas,</p><p>em especial aos referentes ao período Neolítico. Os objetos como</p><p>1010</p><p>esculturas não eram considerados como arte, não no mesmo sentido</p><p>que consideramos o que é a arte atualmente. Acredita-se que as</p><p>imagens rupestres, por exemplo, teriam função ritualística, ou seja,</p><p>eram realizadas para servir às crenças do “pensamento mágico”.</p><p>Segundo Lucien Lévy-Bruhl (1922), essas sociedades tinham o que</p><p>chamou de uma mentalidade “pré-lógica”, baseada em representações</p><p>míticas do pensamento mágico, o que teria levado o homem pré-</p><p>histórico à criação de imagens em rituais para controlar as forças da</p><p>natureza. Ou seja, a representação da vitória na luta com um bisão, por</p><p>exemplo, influenciaria no sucesso da caçada desse animal.</p><p>A arte primitiva não visava o belo, conceito que só veio a surgir na</p><p>antiguidade clássica, com os gregos, nem aspectos decorativos. Os</p><p>povos primitivos não faziam distinção entre imagem e realidade e,</p><p>portanto, também não faz sentido avaliar as manifestações primitivas</p><p>com relação às técnicas de representação, pois as imagens não tinham</p><p>função de expressar realidade, mas sim de representar uma ideia,</p><p>ou um fim religioso, sejam pinturas, esculturas, objetos, máscaras ou</p><p>monumentos megalíticos.</p><p>2. Arte Egípcia</p><p>Falar de Arte Egípcia nos faz lembrar, imediatamente, as imagens das</p><p>pirâmides e da esfinge. Está estreitamente relacionada à religião e,</p><p>embora essa arquitetura seja frequentemente associada à ideia de</p><p>monumentos, sabe-se que por mais recursos que o Egito contasse, por</p><p>mais poder econômico que tivessem os faraós, os custos de construção</p><p>das pirâmides, financeiros e humanos, eram demasiadamente altos para</p><p>se justificarem em um “mero monumento” (GOMBRICH, 2000, p. 24).</p><p>Yasmim Andrade</p><p>Realce</p><p>Yasmim Andrade</p><p>Realce</p><p>Yasmim Andrade</p><p>Realce</p><p>Yasmim Andrade</p><p>Realce</p><p>1111 11</p><p>Com as representações das imagens de seus faraós, nas pinturas</p><p>e baixos-relevos, sendo apresentadas sempre numa mesma</p><p>representação do corpo (com as figuras humanas sempre retratadas</p><p>de perfil e com os olhos, ombros e o tronco voltados para frente),</p><p>criaram o que se convencionou chamar de Lei da Frontalidade, que</p><p>valoriza cada elemento do corpo humano. Pernas, pés e rostos são</p><p>desenhados em perfil, para serem exibidos a maioria de seus detalhes,</p><p>mas o peito é sempre representado de frente. Os olhos também são</p><p>sempre representados de frente, por acreditarem que dessa forma se</p><p>mostram mais característicos e reveladores.</p><p>A escultura egípcia também se desenvolveu apresentando características</p><p>bastante particulares e se caracterizavam por reunir e apresentar uma</p><p>quantidade significativa de informações de caráter social, profissional e</p><p>étnico da pessoa representada.</p><p>No governo de Tutancâmon (o jovem faraó coroado com apenas 9 anos,</p><p>que reinou por aproximadamente 10 anos), a arte egípcia passou a</p><p>exibir uma evidente conotação política, além da religiosa, passando a</p><p>usar os espaços mortuários para também exibir o registro dos grandes</p><p>feitos dos faraós sepultados. O arqueólogo e egiptólogo egípcio Zahi</p><p>Hawass conta que a tumba, descoberta em 1922, “ainda continha peças</p><p>de ouro, tecidos, mobília, armas e textos sagrados que revelam muito sobre</p><p>o Egito de 3400 anos atrás” (HAWASS, 2010, p. 46).</p><p>A máscara mortuária desse faraó (Figura 2), descoberta pelo arqueólogo</p><p>Howard Carter, em 1925, que atualmente está exposta no Museu Egípcio</p><p>no Cairo, de acordo com o egiptólogo Nicholas Reeves, “é uma das mais</p><p>conhecidas obras de arte do mundo” [...],”não só por excelência do túmulo</p><p>de Tutancâmon, mas talvez seja o objeto mais conhecido do próprio Egito</p><p>Antigo” (REEVES, 2015, p. 521-522).</p><p>1212</p><p>Figura 2 – Máscara Mortuária de Tutancâmon</p><p>Fonte: José Ignácio Soto/iStock.com.</p><p>No fim do império de Tutancâmon, a civilização egípcia foi alvo de</p><p>sucessivas invasões de diversos povos, isso trouxe uma série de</p><p>influências estéticas desses povos invasores, principalmente dos gregos,</p><p>promovendo alterações significativas na arte egípcia.</p><p>3. Arte Grega</p><p>A cultura grega é de imensa importância na formação da civilização</p><p>ocidental, cultural e politicamente. A cultura grega exerceu grande</p><p>influência sobre os romanos que, com a expansão do poderio imperial,</p><p>se encarregaram de espalhá-la pelas variadas partes do mundo que se</p><p>incorporaram ao Império Romano ao longo dos séculos.</p><p>Não há dúvida de que a civilização grega foi uma das mais avançadas.</p><p>Os gregos criaram a Filosofia, com Sócrates, Platão e Aristóteles; a</p><p>Democracia e os Jogos Olímpicos, e proporcionaram significativas</p><p>colaborações à arquitetura, escultura, pintura e ao teatro, além de vários</p><p>avanços matemáticos, com os estudos de Pitágoras. A arte Grega se</p><p>caracterizava pela “mestria de movimento e expressão [...], que persistiu até</p><p>à era romana” (GOMBRICH, 2000, p. 83). Deles, herdamos o conceito de</p><p>1313 13</p><p>belo clássico, que perdura até os dias de hoje, com base em equilíbrio</p><p>e harmonia e “a grande revolução da arte grega, a descoberta de formas</p><p>naturais e do escorço ” (GOMBRICH, 2000, p.42).</p><p>Uma das mais significativas contribuições dos gregos para as artes foi</p><p>a criação do teatro. Sendo uma das mais expressivas manifestações</p><p>da cultura grega, o teatro grego é, até hoje, bastante influente nas</p><p>diversas formas de arte.</p><p>Surgido no período arcaico, derivando da organização sistemática das</p><p>manifestações religiosas e festas para Dionísio, deus da fertilidade e do</p><p>vinho (Baco, para os romanos), atinge o ápice em Atenas, no século V a.C.</p><p>O nome “theatrum”, em latim, e “θέατρον” em grego, é derivado do verbo</p><p>“κοιτάξτε” que significa “olhar”, e designava “o lugar de onde se vê” (MALUF</p><p>& AQUINO, p. 62). É tanto o lugar de onde se olha (as arquibancadas)</p><p>quanto o que é visto (a cena na qual o espetáculo acontece).</p><p>Durante o período clássico da história da Grécia (século V a.C.) foram</p><p>estabelecidos os estilos mais conhecidos de teatro: a tragédia e a</p><p>comédia. Ésquilo, o mais antigo dos três grandes tragediógrafos</p><p>atenienses (ARISTÓTELES, 2008, p. 44), e Sófocles, autor de ‘Rei Édipo1’,</p><p>e “um dos três grandes autores da tragédia ática” (ARISTÓTELES, 2008,</p><p>p. 62), são os dramaturgos de maior destaque desta época. Aristófanes,</p><p>“o maior dos comediógrafos atenienses” (ARISTÓTELES, 2008, p.41),</p><p>foi o escritor de sátiras contundentes que criticavam em especial os</p><p>aspectos sociais e políticos da sociedade ateniense.</p><p>Também no período clássico foram erguidos diversos teatros ao ar</p><p>livre. Colinas e montanhas serviam de suporte para a construção de</p><p>arquibancadas apoiadas pelo relevo natural (Figura 3), em torno de</p><p>vales que, por sua boa acústica, proporcionavam excelentes espaços</p><p>para as encenações. Os atores se apresentavam usando máscaras,</p><p>as quais Aristóteles (2008) afirma desconhecer a origem, de acordo</p><p>com o personagem.</p><p>1 Escorço: desenho ou pintura de qualquer objeto que o reproduz de maneira reduzida, em proporções menores.</p><p>1414</p><p>Figura 3 – Teatro Grego no Monte Etna, na Sicília, Itália</p><p>Fonte: Fotooiason/iStock.com.</p><p>que os assistiram. Se formos nos dedicar a estudar cada tipo de</p><p>possíveis estéticas cinematográficas, teríamos que nos debruçar sobre o</p><p>cinema italiano, o cinema francês, o cinema iraniano e mesmo o cinema</p><p>indiano, com as produções fantásticas de Bollywood, cheias de luzes,</p><p>cores música e dança, tão características da cultura indiana.</p><p>Esta aula não pretende ser um fim, ao contrário, coloca-se como</p><p>um início. O começo de uma jornada apaixonante de estudo de</p><p>cinema, essa linguagem tão surpreendente que, por isso mesmo,</p><p>é chamada de sétima arte, numa alusão de grandeza que a</p><p>aproximaria às seis artes clássicas.</p><p>9696</p><p>TEORIA EM PRÁTICA</p><p>Quando um filme se torna um clássico, é comum acontecer</p><p>de sua estética vir a influenciar produções posteriores a</p><p>ele. Um exemplo é a estética visual de Star War, que surgiu</p><p>no ano de 1977, mas se popularizou tanto na cultura pop</p><p>que muitas vezes não nos damos conta da presença dessa</p><p>referência em outras peças de comunicação audiovisual.</p><p>Você notou que quando a 20th Century Fox divulgou dois</p><p>comerciais da animação “Kung Fu Panda 3″, centradas no</p><p>reencontro de Po com sua família desconhecida, uma das</p><p>prévias fazia uma divertida referência a “Star Wars” – mais</p><p>especificamente a uma famosa cena de “O Império Contra-</p><p>Ataca” (1980). Você saberia identificar a cena?</p><p>Ou ainda no filme “O Homem de Aço”, Nicky Fury diz que</p><p>Loki “transformou dois dos homens mais inteligentes que</p><p>ele conheceu em macacos voadores”, logo em seguida, Thor</p><p>pergunta “como assim, eu não entendi?” E em seguida o</p><p>Capitão América diz “eu sim, eu entendi a referência”. Para</p><p>quem não entendeu essa referência no filme, ele se referre</p><p>a “O Magico de Oz”, em que uma Bruxa Verde, que se</p><p>assemelha ao Loki, controla dois macacos voadores.</p><p>Que outros exemplos de referência cruzada em filmes você</p><p>conhece? Procure localizar ao menos um caso e analise</p><p>a forma como a referência foi construída, em especial</p><p>destacando a adequação ao público-alvo.</p><p>VERIFICAÇÃO DE LEITURA</p><p>1. Em 1895 os irmãos Auguste e Louis Lumière fazem</p><p>a primeira exibição pública de seu invento, o</p><p>cinematógrafo. Por cerca de vinte minutos, as pessoas</p><p>presentes se encantaram com o aparelho, assistindo a</p><p>9797 97</p><p>imagens de empregados saindo das Fábrica Lumière e</p><p>da chegada de um trem a uma estação, como contam</p><p>diversos historiadores. Este fato marca:</p><p>a. a invenção do cinema.</p><p>b. a invenção do teatro.</p><p>c. a invenção da fotografia.</p><p>d. a comercialização dos ingressos.</p><p>e. a ocupação dos teatros pelo cinema.</p><p>2. O cinema é chamado de Sétima Arte. Quais são as</p><p>outras seis?</p><p>a. A dança, a pintura, a escultura, a arquitetura, a cirurgia</p><p>e a poesia.</p><p>b. A pintura, a escultura, a maquiagem, a culinária, a</p><p>arquitetura e a poesia.</p><p>c. A escultura, a culinária, a dança, a pintura, a</p><p>arquitetura e a poesia.</p><p>d. A arquitetura, a pintura, a cirurgia, a culinária, a dança</p><p>e a poesia.</p><p>e. A música, a dança, a pintura, a escultura, a arquitetura</p><p>e a poesia.</p><p>3. O diretor de 2001 – Uma Odisseia no Espaço foi o</p><p>mesmo de Laranja Mecânica. O nome dele é:</p><p>a. Billy Wilder.</p><p>b. Quentin Tarantino.</p><p>c. Stanley Kubrick.</p><p>d. George Lucas.</p><p>e. Ridley Scott.</p><p>9898</p><p>Referências bibliográficas</p><p>COWIE, Peter. Coppola (em inglês). Nova Iorque: Charles Scribner’s Sons, 1990.</p><p>HUGHES, David. The Complete Kubrick. Londres: Virgin Publishing Ltda., 2000.</p><p>LOPES, Noêmia. “Se o cinema é a sétima arte, quais são as outras?”. In: Revista</p><p>Superinteressante. 24 maio 2013. MUNDOESTRANHO-134-55-B-620. Disponível</p><p>em: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/se-o-cinema-e-a-setima-arte-quais-</p><p>sao-as-outras/. Acesso em: 20 jun. 2019.</p><p>TIETZMANN, Roberto. “Pulp Fiction e a não-linearidade narrativa”. In: Revista</p><p>FAMECOS. Porto Alegre, v.4, n.7, 1997. Disponível em: http://revistaseletronicas.</p><p>pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/article/view/2992/2274.</p><p>Acesso em: 20 jun. 2019.</p><p>Gabarito</p><p>Questão 1 – Resposta: A</p><p>Em 1895, os irmãos Auguste e Louis Lumière fazem a primeira</p><p>exibição pública de seu invento, o cinematógrafo. Por cerca de vinte</p><p>minutos, as pessoas presentes se encantaram com o aparelho,</p><p>assistindo a imagens de empregados saindo das Fábrica Lumière</p><p>e da chegada de um trem a uma estação, como contam diversos</p><p>historiadores. Este fato marca a invenção do cinema.</p><p>Questão 2 – Resposta: E</p><p>São a música, a dança, a pintura, a escultura, a arquitetura e a</p><p>poesia. Essa definição começou a tomar forma na Europa durante</p><p>o século XVIII, quando surgiu o conceito de belas-artes – artes</p><p>preocupadas com a criação do belo, sem utilidade prática a não</p><p>ser representar a própria beleza.</p><p>Questão 3 – Resposta: C</p><p>Laranja Mecânica e 2001 – Uma Odisseia no Espaço foram ambos</p><p>dirigidos por Stanley Kubrick.</p><p>https://super.abril.com.br/mundo-estranho/se-o-cinema-e-a-setima-arte-quais-sao-as-outras/</p><p>https://super.abril.com.br/mundo-estranho/se-o-cinema-e-a-setima-arte-quais-sao-as-outras/</p><p>http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/article/view/2992/2274</p><p>http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/article/view/2992/2274</p><p>9999 99</p><p>Análise da Produção Nacional:</p><p>identidade, estética e linguagem</p><p>Autora: Jurema L. F. Sampaio</p><p>Objetivos</p><p>• Analisar a Produção Nacional audiovisual.</p><p>• Compreender a estética e linguagem de</p><p>documentários, filmes e séries.</p><p>• Identificar a Identidade nacional e compreender a</p><p>influência de produções estrangeiras.</p><p>100100</p><p>1. Audiovisual no Brasil</p><p>A primeira coisa que vamos abordar nesta aula é a desmistificação</p><p>da ideia de que “o cinema brasileiro é ruim”. Essa é uma daquelas</p><p>frases repetidas, infelizmente, muitas vezes, por quem quer “pagar</p><p>de conhecedor” de cinema, mas que, na verdade, não conhece nada.</p><p>Além de demonstrar um profundo preconceito. O Brasil produz e</p><p>coproduz, sim, muitos filmes excelentes. Além de outros conteúdos</p><p>como séries, filmes de animação, especiais, documentários e</p><p>programas audiovisuais de ótima qualidade.</p><p>O país poucas vezes foi indicado ao Oscar (direta ou indiretamente),</p><p>e nunca conseguiu vencer nessa premiação com uma produção</p><p>totalmente brasileira, mas tem um histórico bastante consistente em</p><p>relação ao prêmio.</p><p>Seja a Vera Cruz, passando por diretores como Glauber Rocha, que</p><p>foi um marco no cinema nacional, e os premiados Walter Salles, Laís</p><p>Bodanzky, Anna Muylaert, José Padilha, Fernando Meirelles e Héctor</p><p>Babenco (argentino naturalizado brasileiro), até as produções mais</p><p>contemporâneas, como as séries e web séries, além do conteúdo de</p><p>streaming da Globo Play e de produtoras independentes, o Brasil</p><p>tem um catálogo de produções de valor estético e artístico, que tem</p><p>representatividade mundial. Do ponto de vista internacional, como</p><p>enfatizam Almeida & Butcher (2003, p 48), “Cidade de Deus consolidou</p><p>o interesse do mercado externo no cinema feito por aqui”.</p><p>Também produzem coisas ruins, é claro. Mas Hollywood certamente</p><p>não produz somente coisas boas. Não é verdade?</p><p>Nesta aula vamos conhecer um pouco da produção audiovisual</p><p>brasileira de qualidade, além das novelas, que são reconhecidas</p><p>mundialmente por seu valor, e aprender a reconhecer a qualidade dos</p><p>profissionais e produtos audiovisuais brasileiros.</p><p>101101 101</p><p>ASSIMILE</p><p>Participações brasileiras no Oscar:</p><p>• Em 1945, Ari Barroso, juntamente com o americano Ned</p><p>Washington, concorreu ao Oscar de Melhor Canção pelo</p><p>filme “Brazil”, de 1944, com a música Rio de Janeiro.</p><p>• Em 1959, o filme Orfeu do Carnaval ganhou o prêmio de</p><p>Melhor Filme em Língua Estrangeira. Mas quem levou</p><p>o Oscar foi a França, pois era uma produção do francês</p><p>Marcel Camus.</p><p>• Em 1962, O Pagador de Promessas foi indicado ao</p><p>Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, com o título de</p><p>The Given World.</p><p>• Em 1978, a coprodução franco-brasileira Raoni concorreu</p><p>para Melhor Documentário de Longa Metragem.</p><p>• Em 1982, El Salvador: Another Vietnam concorreu a</p><p>Melhor Documentário.</p><p>• Em 1985, O Beijo da Mulher Aranha, uma produção</p><p>brasileira e norte-americana, concorreu a quatro prêmios:</p><p>Melhor Filme; Melhor</p><p>Diretor, com Hector Babenco;</p><p>Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator, vencendo nesta</p><p>última categoria com o ator William Hurt.</p><p>• Em 1993, com Howard End; 1994, com The Remains os the</p><p>Day e 2000, com Anna e o Rei, a brasileira Luciana Arrighi</p><p>concorreu a Melhor Direção de Arte. Ganhou em 1993.</p><p>• Em 1996, O Qu4trilho, de Fábio Barreto, concorreu a</p><p>melhor filme estrangeiro.</p><p>• Em 1998, O Que é Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto,</p><p>concorreu a melhor filme estrangeiro.</p><p>102102</p><p>• Em 1999, Central do Brasil, do diretor Walter Salles,</p><p>concorreu a Melhor Filme Estrangeiro e Fernanda</p><p>Montenegro estava entre as finalistas ao Oscar de</p><p>Melhor Atriz.</p><p>• Em 2001, Uma História de Futebol, de Paulo Machline,</p><p>concorreu na categoria de Melhor Curta-metragem em</p><p>Live-action.</p><p>• Em 2003, Era do Gelo, de direção de Carlos Saldanha,</p><p>concorreu a Melhor filme de Animação.</p><p>• Em 2004, Cidade de Deus concorreu em quatro</p><p>categorias: Direção, com Fernando Meirelles; Roteiro</p><p>Adaptado, com Bráulio Mantovani; Fotografia, com Sérgio</p><p>Charlone e Montagem.</p><p>• Em 2004, novamente Carlos Saldanha, dirigindo Gone Nutty,</p><p>concorreu como Melhor Curta-metragem de Animação.</p><p>• Em 2005, a coprodução franco-germano-chileno-peruano-</p><p>argentino-norteamericano-brasileira, dirigida por Walter</p><p>Salles, concorreu a Melhor Roteiro Adaptado e ganhou o</p><p>prêmio de Melhor Canção Original.</p><p>• Em 2011, a coprodução brasileira Lixo Extraordinário</p><p>concorreu a Melhor Documentário.</p><p>• Em 2015, O Sal da Terra concorreu a Melhor Documentário.</p><p>• Em 2016, O Menino e o Mundo concorreu a Melhor Filme</p><p>de Animação.</p><p>1.1 Era uma vez...</p><p>A história do cinema no Brasil ocorre em paralelo aos acontecimentos</p><p>mundiais. Pouco depois da apresentação ao mundo do cinematógrafo</p><p>dos irmãos Lumiére, em Paris, em 28 de dezembro de 1895, aconteceu</p><p>no Rio de Janeiro, em julho de 1896, a primeira exibição de cinema</p><p>103103 103</p><p>no país. O filme apresentado foi o mesmo de Paris, “Saída dos</p><p>Trabalhadores da Fábrica Lumière”, dos irmãos Lumiére, “uma iniciativa</p><p>do belga Henri Paillie, um exibidor itinerante” (TRIBUNA, 2011, s/p).</p><p>No ano seguinte, em 1887 é inaugurada a primeira sala de cinema na</p><p>capital carioca, “por iniciativa dos irmãos italianos Paschoal e Afonso</p><p>Segreto, junto com José Roberto Cunha Salles” (SOUZA, 2007, p.21)</p><p>e “as primeiras imagens brasileiras foram captadas sobre película</p><p>cinematográfica e exibidas ao público nesse mesmo ano” (SOUZA,</p><p>2007, p.22). Os irmãos também foram considerados os primeiros</p><p>cineastas no país, uma vez que realizaram várias filmagens da Baía de</p><p>Guanabara, em 1898 (TRIBUNA, 2011, s/p).</p><p>Figura 1 – Cinema Antigo</p><p>Fonte: Selimaksan/iStock.com.</p><p>Em 1908, o cineasta luso-brasileiro António Leal apresenta sua película</p><p>“Os Estranguladores” (SOUZA, 2007, p. 24), considerado o primeiro filme</p><p>de ficção brasileiro, com duração de 40 minutos e, também, o “primeiro</p><p>grande triunfo do cinema brasileiro, alcançando mais de 800 exibições</p><p>em apenas dois meses” (SOUZA, 2007, p. 24) e, “em 1910, chega ao Rio</p><p>de Janeiro Francisco Serrador, que instalara as primeiras salas fixas de</p><p>São Paulo em 1907” (SOUZA, 2007, p. 25).</p><p>104104</p><p>Na mesma época começam a chegar os filmes estrangeiros ao Brasil</p><p>e, “em 1911 alguns cinemas já anunciam a exibição exclusiva de filmes</p><p>americanos da Vitagraph” (SOUZA, 2007, p. 25). É o que os pesquisadores</p><p>chamaram de invasão estrangeira do cinema, “num país que aceitava com a</p><p>maior cordialidade a entrada de interesses estrangeiros em todas as áreas</p><p>de sua estrutura econômica, ninguém sequer pensava na possibilidade</p><p>de dificultar a entrada do filme estrangeiro” (SOUZA, 2007, p.26). Mas a</p><p>produção brasileira resiste, conseguindo realizar trabalhos significativos.</p><p>Em 1916, o mesmo grupo paulista de Inocência, filma O guarani, que</p><p>estreia em noite memorável, sob a dupla égide das bandeiras italiana</p><p>e brasileira, ao som dos acordes de Carlos Gomes, com a presença de</p><p>autoridades especialmente convidadas e a fina flor da colônia italiana em</p><p>São Paulo. Esse filme marca a estreia no cinema de Georgina Marchiani,</p><p>atriz dos grupos Liga Lombarda e Muse Italiche, que seria a estrela de</p><p>outras fitas. Georgina tinha um rosto nobre e bem feito e, como os</p><p>filmes em que trabalhou não existem mais, apenas através de fotografias</p><p>podemos recuperar seu rosto que é o mais próximo de uma “diva italiana”</p><p>de todas as atrizes do cinema brasileiro antigo. Em O guarani, Victorio</p><p>Capellaro não era apenas diretor: representava também o papel de</p><p>Peri. Este O guarani foi precursor de uma série de outros, realizados por</p><p>décadas afora, em São Paulo e no Rio de Janeiro. (SOUZA, 2007, p. 28).</p><p>Com o surgimento do som nos filmes nos anos de 1930, os estúdios</p><p>norte-americanos haviam investido fortunas no negócio e, como</p><p>desdobramento, passaram a investir também em equipar salas de</p><p>exibição para abrir espaços e mercados para seus filmes. Assim,</p><p>passaram a comercializar suas produções em “lotes” e a dominar o</p><p>novo mercado. A situação do cinema nacional ficou tão delicada que o</p><p>governo federal, na figura do presidente Getúlio Vargas, instituiu uma</p><p>comissão nacional para tratar da questão.</p><p>O governo acabou nomeando uma comissão para tratar do assunto,</p><p>mas aconteceu algo que depois se repetiria muitas vezes. Em vez de</p><p>cuidar do cinema brasileiro, foram abordados os problemas da classe</p><p>cinematográfica brasileira, num sentido amplo que abrangia toda a gente</p><p>105105 105</p><p>que tinha sua atividade ligada ao cinema, em primeiro lugar o setor</p><p>do comércio cinematográfico, totalmente subordinado aos interesses</p><p>da indústria americana de cinema. O governo aceitou as sugestões da</p><p>comissão e prometeu: para os comerciantes, a diminuição de 60% das</p><p>taxas que incidiam sobre os filmes importados; para os produtores,</p><p>uma lei obrigando os cinemas a passarem um complemento nacional</p><p>por sessão e uma fita de longa metragem por ano. A promessa para</p><p>os comerciantes e para os americanos foi cumprida imediatamente, e</p><p>ampliou-se ainda mais a entrada em nosso mercado do produto norte-</p><p>americano. (SOUZA, 2007, p. 35).</p><p>Com o Estado Novo, de Getúlio, veio também a censura e, por meio do</p><p>Departamento de Imprensa e Propaganda do Governo Federal, iniciou-</p><p>se produção de jornais cinematográficos, que veiculavam notícias de</p><p>interesse da administração federal (SOUZA, 2007, p. 36).</p><p>A historiadora Lays Rocha (2013, s/p) destaca que merece registro, em</p><p>meio à “invasão norte-americana” das salas de cinema nacionais, e da</p><p>censura imposta pelo governo, a iniciativa de Edgar Roquette-Pinto, que</p><p>cria o Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE), em 1936, e produz</p><p>o filme épico ‘O Descobrimento do Brasil’, com forte apelo nacionalista</p><p>e música de Heitor Villa-Lobos. O uso da música de Villa-Lobos na</p><p>produção foi acusado pelo também músico e pesquisador José Ramos</p><p>Tinhorão, como “arma política de propaganda”. Tinhorão, que havia</p><p>chamado Villa-Lobos de “o maestro da ditadura” (LORENZOTTI, 2009,</p><p>s/p), posteriormente se retrata ao declarar seu arrependimento: “Eu me</p><p>arrependi de ter escrito esse artigo. Claro que ele foi um funcionário da</p><p>ditadura, era publicado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda.</p><p>Mas cheguei à conclusão de que Villa-Lobos não colaborou com a</p><p>ditadura, ele a usou” (LORENZOTTI, 2009, s/p).</p><p>A produção foi um marco importante do cinema nacional, apesar da falta</p><p>de interesse do público, já acostumado às legendas e à grandiosidade</p><p>das produções norte-americanas, e do forte viés ideológico da produção,</p><p>repleta de referências nacionalistas como destacam os historiadores</p><p>Maria Helena Capelato (2007, s/p) e Jorge Edson Garcia:</p><p>106106</p><p>Sem possuir uma indústria cinematográfica capaz de suprir as</p><p>necessidades do mercado, já convertido em bom receptor dos filmes</p><p>hollywoodianos, o cinema educador/nacionalista brasileiro resultou em</p><p>fracasso de bilheteria: os temas [...] não seduziam o espectador, mas sim</p><p>convertiam-se em lemas nacionalistas. (CAPELATO, 2017, s/p).</p><p>O lançamento de o Descobrimento</p><p>do Brasil foi cercado de publicidade</p><p>nos jornais, exibições para as autoridades, mas o filme não alcançou</p><p>propriamente um grande sucesso, nem no Brasil nem em Portugal, onde</p><p>foi exibido pouco depois. Apesar da relevância do episódio na história dos</p><p>dois países, não havia propriamente um enredo que atraísse o público, e os</p><p>poucos diálogos do filme eram, na maior parte, em tupi. (GARCIA, 1997, s/p).</p><p>Os anos de 1930 a 1940 foram muito prósperos para o cinema</p><p>norte-americano, mas, no final da década de 1940, surge a primeira</p><p>iniciativa brasileira de industrialização do cinema, a Companhia</p><p>Cinematográfica Vera Cruz.</p><p>1.2 Companhia Cinematográfica Vera Cruz</p><p>A Companhia Cinematográfica Vera Cruz, ou Vera Cruz, como era</p><p>conhecida, foi um estúdio cinematográfico brasileiro, com sede em São</p><p>Bernardo do Campo/SP, de fundação e propriedade do produtor italiano</p><p>Franco Zampari e do industrial Francisco Matarazzo Sobrinho, que</p><p>produziu e distribuiu filmes entre 1949 e 1954. Era também conhecida</p><p>como a Hollywood Brasileira, tendo produzido ou coproduzido mais de</p><p>40 filmes de longa-metragem (CALLEGARI & GEORGINO, 2013, s/p).</p><p>Na sua melhor fase, os anos de ouro, produziu 18 filmes. Dentre eles, os</p><p>principais foram:</p><p>• Caiçara – Ano: 1950. Diretor: Adolfo Celi.</p><p>• Tico-Tico no Fubá – Ano: 1952. Diretor: Adolfo Celi.</p><p>• Sai da Frente – Ano: 1951/1952. Diretor: Abílio Pereira de Almeida.</p><p>107107 107</p><p>• O Cangaceiro – Ano: 1952. Diretor: Lima Barreto.</p><p>• Sinhá Moça – Ano: 1952/1953. Diretor: Tom Payne e</p><p>Osvaldo Sampaio</p><p>• Floradas na Serra – Ano: 1953/1954. Diretor: Luciano Salce.</p><p>Em 1954, depois de ter entregado seus bens para pagamentos de</p><p>dívidas ao Banespa, Franco Zampari se afastou da companhia. O</p><p>Banespa nomeou o produtor e diretor da companhia, Abílio Pereira de</p><p>Almeida, para gerenciar a companhia e foi criada uma nova empresa,</p><p>chamada Brasil Filmes. Essa empresa produziu sete novos filmes, com a</p><p>estrutura de equipamentos da Vera Cruz.</p><p>Nos anos 1970, a Brasil Filmes estava a ponto de ser fechada, mas os</p><p>irmãos cineastas Walter Hugo e William Khouri decidem se arriscar a</p><p>adquirir várias cotas de acionistas minoritários para assumir a empresa.</p><p>Passaram a produzir filmes até 1976. Na gestão de Wilfred, filho de</p><p>Walter Hugo, a antiga Vera Cruz se dedicou a relançar seus títulos em</p><p>DVD, preservar o acervo e novas produções, como o documentário</p><p>sobre Lima Barreto (CALLEGARI & GEORGINO, 2013, s/p).</p><p>1.3 Companhia Atlântida Cinematográfica</p><p>No início da década de 1950, o cinema nacional, já livre da censura</p><p>de Vargas, enfrenta nova série de questionamentos, causados pela</p><p>insatisfação dos cineastas brasileiros, que estavam bastante perturbados</p><p>pela popularidade de produções como as chanchadas da Companhia</p><p>Atlântida Cinematográfica, que havia sido fundada no Rio de Janeiro</p><p>em 18 de setembro de 1941 (ANCINE, s/d, s/p), por Moacir Fenelon e</p><p>os irmãos José Carlos e Paulo Burle, com o objetivo de “promover o</p><p>desenvolvimento industrial do cinema brasileiro” (ANCINE, s/d, s/p).</p><p>As produções da Atlântida se concentravam, no início, em cinejornais,</p><p>como o Atualidades Atlântida. A partir de 1943</p><p>108108</p><p>se consolidou como a maior produtora brasileira: nesse período foram</p><p>produzidos 12 filmes, como Gente Honesta, de Moacir Fenelon, com</p><p>Oscarito, e Tristezas Não Pagam Dívidas, de José Carlos Burle: foi neste</p><p>filme que Oscarito e Grande Otelo atuaram juntos pela primeira vez. [...]</p><p>Em 1947, o controle da empresa foi assumido pelo exibidor Luís Severiano</p><p>Ribeiro Jr., que imprimiu uma linha mais comercial à produtora. [...] A</p><p>Atlântida produziu um total de 66 filmes até 1962, quando interrompeu</p><p>suas atividades. (ANCINE, s/d, s/p).</p><p>Os cineastas brasileiros se incomodavam muito com o que</p><p>consideravam que as chanchadas da Atlântida promoviam:</p><p>“identificação com a estética e a narrativa do cinema americano</p><p>marcava, até certo ponto, uma relação de dependência do cinema</p><p>brasileiro em relação à indústria de Hollywood”. As chanchadas eram</p><p>filmes “em que predominavam um humor ingênuo, burlesco, de caráter</p><p>popular” (MUNDO ESTRANHO, 2011, s/p), e os críticos da época não</p><p>reconheciam seu valor como arte, fato que só ocorreu mais tarde, nos</p><p>anos de 1970, “quando uma nova geração de especialistas identificou na</p><p>chanchada qualidades até então despercebidas, sobretudo o conteúdo</p><p>crítico de seus enredos” (ANCINE, s/d, s/p).</p><p>O clima de insatisfação inicia-se nos fins da década de 1950, permeia os</p><p>anos de 1960 até depois do Golpe Militar de 1964 e o Ato Institucional</p><p>n.5, de 1968, que instituiu novamente a censura no Brasil.</p><p>Com produtores e diretores como Roberto Santos, em São Paulo, e</p><p>Alex Viany e Nelson Pereira dos Santos n,o Rio de Janeiro (com ‘Rio,</p><p>40 graus’, de 1955), que, influenciados pelo Neorrealismo italiano de</p><p>Rosselini e Mario Serandrei, e pela Nouvelle Vague francesa, partem em</p><p>busca da construção do que chamaram de Realismo Brasileiro (VIANY,</p><p>1970, pp.141-144). Surge então o movimento que ficou conhecido</p><p>como Cinema Novo. Na Bahia desponta um jovem que é alçado ao</p><p>posto de “maior representante do movimento: seu nome é Glauber</p><p>Rocha” (JOHNSON & STAM, 1995, p. 42).</p><p>109109 109</p><p>1.4 O Cinema Novo</p><p>O movimento cinematográfico brasileiro que se definia por uma estética</p><p>em que a ênfase na igualdade social era o marco central. Assuntos fortes</p><p>e duros como racismo e diferenças sociais eram a tônica das produções</p><p>cujo tema mais forte é a “estética da fome”, desenvolvida pelo estreante</p><p>cineasta Glauber Rocha. Depois de Barravento, em 1961, que já abordava</p><p>a dicotomia misticismo-engajamento político, Glauber Rocha realizou sua</p><p>obra-prima, Deus e o Diabo na Terra do Sol. Em seu ensaio de 1965, ‘Uma</p><p>estética da fome’, Glauber (1965, p. 2) afirmou que “a fome latina, por isto,</p><p>não é somente um sistema alarmante: é o nervo da sua própria sociedade</p><p>[...] Nossa originalidade é nossa fome e nossa maior miséria é que esta</p><p>fome, sendo sentida, não é compreendida” (ROCHA, 1965, p.2).</p><p>Figura 2 – Glauber Rocha</p><p>Fonte: Arquivo nacional – Domínio Público. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/</p><p>Glauber_Rocha#/media/Ficheiro:Glauber_Rocha,_sem_data.tif. Acesso em: 24 maio 2019.</p><p>Falar de Glauber Rocha é entrar num mundo quase mítico. Sua</p><p>célebre frase, “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, enfatiza</p><p>entendimento de um cinema engajado na realidade do país e voltado</p><p>para a transformação da sociedade, defendendo o uso dos meios de</p><p>produção artística a serviço da transformação social.</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Glauber_Rocha#/media/Ficheiro:Glauber_Rocha,_sem_data.tif</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Glauber_Rocha#/media/Ficheiro:Glauber_Rocha,_sem_data.tif</p><p>110110</p><p>Caçado depois da promulgação do Ato Institucional 5, em 1968, Glauber</p><p>foi para Cuba, onde realizou o documentário intitulado História do</p><p>Brasil. Em seguida, no Congo, dirigiu o longa ‘O leão das sete cabeças’,</p><p>com temática que denunciava a exploração dos países do Terceiro</p><p>Mundo pelo imperialismo multinacional. Já na Europa, realizou os filmes</p><p>‘Cabeças cortadas’ e ‘Claro’, com forte influência de Jean-Luc Godard,</p><p>cineasta francês que, ao lado do espanhol Luis Buñuel e do italiano Píer</p><p>Paolo Pasolini, foi fonte de inspiração ao jovem Glauber.</p><p>A obra de Glauber Rocha foi realizada no período que antecede ao golpe</p><p>militar de 1964 e se estende até a abertura política, no início da década</p><p>de 1980, espelhando e refletindo esse contexto histórico.</p><p>PARA SABER MAIS</p><p>Filmes de Glauber Rocha como diretor:</p><p>1962 – Barravento.</p><p>1963 – Deus e o Diabo na Terra do Sol.</p><p>1967 – Terra em Transe.</p><p>1969 – O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro.</p><p>1970 – O Leão de Sete Cabeças.</p><p>1970 – Cabeças Cortadas.</p><p>1972 – Câncer.</p><p>1975 – Claro.</p><p>1977 – Di (Curta-metragem).</p><p>1980 – A Idade da Terra.</p><p>111111 111</p><p>2. As políticas públicas de cultura e o audiovisual</p><p>Como pudemos ver, a interferência do governo no cinema nacional</p><p>tem fortes motivações ideológicas, além de comerciais. Inicialmente</p><p>proposta como</p><p>forma de garantir o mercado do filme norte-americano,</p><p>seguida pela tentativa de atendimento das ambições nacionalistas</p><p>de industrialização, podemos perceber que, desde 1932, já há leis de</p><p>obrigatoriedade de exibição de produções brasileiras (para os cinejornais,</p><p>desde 1932 e para os filmes de longa metragem, desde 1939).</p><p>Em 1966, o Instituto Nacional de Cinema Educativo - INCE é</p><p>transformado no Instituto Nacional de Cinema - INC, cujos principais</p><p>objetivos são estimular a produção e exibição de filmes brasileiros</p><p>(SIMIS, 2008, p.252) e em 1969 é criada a Empresa Brasileira de Filmes</p><p>- EMBRAFILME. O governo federal passa a financiar as produções de</p><p>cinema nacional e é criado o Conselho Nacional de Cinema - CONCINE,</p><p>para tratar da legislação do setor. Os recursos para isso vêm da taxação</p><p>sobre os lucros das distribuidoras de filmes estrangeiros no Brasil</p><p>com o sistema de escolha dos filmes a serem financiados totalmente</p><p>controlada pelo governo federal (SIMIS, 2008, p.253).</p><p>2.1 Histórico da indústria nacional cinematográfica</p><p>Entre 1974 e 1984, o cinema brasileiro atingiu o ápice no mercado</p><p>interno de salas de exibição, graças à atuação direta do governo na</p><p>distribuição e na produção, através da EMBRAFILME. Nogueira (apud</p><p>MINISTÉRIO DA CULTURA, 1997-1998, p. 53) mostra a relevância da ação</p><p>da EMBRAFILME, entre 1969 e 1990, para o cinema nacional:</p><p>A Embrafilme atuando como agência distribuidora, financiadora e</p><p>coprodutora, foi a grande propulsora da produção cinematográfica nacional</p><p>durante os anos setenta e oitenta. De 1969 a 1990, a empresa funcionou com</p><p>um orçamento anual de cerca de 12 milhões de dólares, dos quais 70% a 80%</p><p>eram destinados à investimentos na produção de filmes de longa-metragem.</p><p>Esses recursos produziram cerca de 25 filmes por ano, com orçamento de</p><p>produção que se situavam, na média, entre 500 e 600 mil dólares por filme</p><p>(NOGUEIRA apud MINISTÉRIO DA CULTURA, 1997-1998, p. 53).</p><p>112112</p><p>Na década de 1980, a tecnologia do videocassete e o advento</p><p>comercial das videolocadoras causam um impacto significativo no</p><p>cinema nacional. Mesmo a ampliação das atribuições da EMBRAFILME,</p><p>concedida pela Lei n° 6281, de 1975, o modelo de arrecadação é</p><p>abalado com essa nova forma de ver filmes, pois é embasado em</p><p>recolhimento de percentual cobrado das salas de distribuição, e começa</p><p>a ser questionado. A substituição das idas ao cinema pelas sessões</p><p>caseiras de filmes e a consequente diminuição de arrecadação dos</p><p>cinemas apontam para uma necessidade urgente de descobrir novas</p><p>formas de financiamento do cinema nacional. Muitos pesquisadores</p><p>destacam que isso teria sido a ‘ponta do iceberg’, pois acreditam que o</p><p>erro do governo foi centrar a arrecadação somente nas salas de cinema,</p><p>sem vincular a obrigatoriedade de exibição de conteúdo nacional na</p><p>programação das grades das emissoras de televisão para garantir o</p><p>consumo da produção nacional cinematográfica.</p><p>Somente em 1991 surge uma alternativa ao decadente modelo</p><p>de financiamento da EMBRAFILME: a Lei Rouanet, que possibilitou</p><p>uma retomada da produção audiovisual, com um novo modelo de</p><p>financiamento de produção, via isenção fiscal de patrocinadores, ou seja,</p><p>um modelo de intervenção indireta do governo federal. A Lei nº 8.313 é</p><p>de 23 de dezembro de 1991 e também instituiu o Programa Nacional de</p><p>Apoio à Cultura – Pronac.</p><p>A Secretaria do Audiovisual - SAv foi criada pela Lei nº 8.490, de 19 de</p><p>novembro de 1992, com o nome de Secretaria para o Desenvolvimento</p><p>Audiovisual. Tem as atribuições de cuidar e “fomentar a formação,</p><p>produção inclusiva, regionalização, difusão não-comercial,</p><p>democratização do acesso e preservação dos conteúdos audiovisuais</p><p>brasileiros, respeitadas as diretrizes da política nacional do cinema</p><p>e do audiovisual e do Plano Nacional de Cultura” (SAV, 2019, s/p), e é</p><p>responsável por diversos editais de fomento à produção audiovisual</p><p>brasileira, que podem ser acessados na página de Editais e Apoios.</p><p>113113 113</p><p>Em 20 de julho de 1993 é promulgada a Lei do Audiovisual, n. 8.685.</p><p>Segundo o Relatório das Atividades da Secretaria do Audiovisual do</p><p>Ministério da Cultura 1995-2002 (2002, p. 3), no período do governo de</p><p>Fernando Henrique Cardoso “o setor do audiovisual, que começara a</p><p>receber apoio por meio das leis do Mecenato [Rouanet] e Audiovisual,</p><p>passou a ser considerado prioritário para o desenvolvimento nacional”</p><p>(Minc, 2002, p. 3). E no governo do Presidente Luis Inácio Lula da Silva, as</p><p>leis de incentivo permaneceram como um instrumento fundamental para</p><p>a indústria cinematográfica brasileira. Segundo Almeida e Butcher (2003):</p><p>Ambas as leis permitem às empresas que o dinheiro investido na</p><p>produção de filmes brasileiros seja deduzido de seus impostos de renda.</p><p>A Lei do Audiovisual tem dois dispositivos principais: o artigo 1° determina</p><p>que as empresas podem deduzir até 3% do total do seu imposto de renda</p><p>se esse dinheiro for revertido para a produção de obras audiovisuais; o</p><p>artigo 3°, por sua vez, incentiva as distribuidoras estrangeiras a investir</p><p>na produção nacional [como coprodutoras], permitindo a dedução de até</p><p>70% do imposto sobre a remessa de lucros para o exterior [...] A política</p><p>de incentivos fiscais que se estabeleceu obedecia a princípios muito</p><p>diversos, com o Governo Federal transferindo para agentes privados e</p><p>empresas públicas a iniciativa de escolha e investimento nos projetos a</p><p>serem realizados [...] Pela complexidade dos mecanismos, essa política</p><p>demorou alguns anos para apresentar os primeiros resultados, mas o fato</p><p>é que conseguiu fazer a máquina da produção voltar a se movimentar.</p><p>Em um tempo relativamente curto foi retomado o ritmo de lançamentos,</p><p>que chegou a 12 títulos por ano (em 1995), depois 20 e, entre 2000 e 2002,</p><p>estabilizou em cerca de 30 por ano. (ALMEIDA E BUTCHER, 2003, p. 25).</p><p>Os novos modelos de financiamento e produção de cinema e do</p><p>audiovisual em geral abrem caminhos para um novo modo de produzir.</p><p>Os anos de 1990 são anos de intensa atuação no setor.</p><p>Tendo como base essa política de incentivos, bem como o surgimento de</p><p>novas políticas públicas e de novos parâmetros estruturais favoráveis ao</p><p>desenvolvimento da indústria cinematográfica no país, tem aumentado</p><p>114114</p><p>o fluxo anual de produções nacionais e o seu desempenho no mercado</p><p>interno de cinemas frente aos filmes norte-americanos e de demais</p><p>nacionalidades. (MATTA, 2007, p. 9).</p><p>Em matéria do Jornal Valor Econômico, de 2014, a jornalista Ana Paula</p><p>Sousa (2014, p. 28) destaca que a indústria nacional cinematográfica está</p><p>se consolidando, produzindo filmes de sucesso comercial. Sousa diz que</p><p>“o cinema brasileiro bateu recorde em 2013, com mais de 127 longas-</p><p>metragens que chegaram às telas, 9 dos quais fizeram mais de 1 milhão</p><p>de espectadores, enquanto 88 foram visto por menos de 10 mil pessoas,</p><p>de acordo com informações divulgadas pela Agência Nacional do Cinema”,</p><p>com filmes que agradam ao público, como as comédias ‘Minha Mãe é</p><p>uma Peça’ e ‘De Pernas pro Ar 2’, embora a crítica especializada não seja</p><p>muito favorável quando se trata de comentar a qualidade estética das</p><p>produções. O crítico da Folha de São Paulo, Inácio Araújo, afirma que</p><p>o cinema brasileiro continua a buscar seu público. E a referência</p><p>desse público amplo, hoje, é a estética dos programas da Globo ou os</p><p>blockbusters americanos. Esses últimos não podemos imitar. Então o</p><p>cinema imita, no que pode, a Globo. São essas comédias idiotas, com</p><p>atores que se esforçam para imitar atores de teatro colegial, aquela luz</p><p>esbranquiçada. O público responde bem a isso. Que dizer? Não é o cinema</p><p>brasileiro que está doente. É o cinema. (ARANTES, 2014, s/p).</p><p>No entanto, desde que o filme ‘Central do Brasil’ coloca o Brasil</p><p>definitivamente no circuito mundial e a primeira década do século</p><p>XXI conta com produções como ‘Cidade de Deus’ (2002), de Fernando</p><p>Meirelles, ‘Carandiru’ (2003) de Hector Babenco e ‘Tropa de Elite’ (2007)</p><p>de José Padilha.</p><p>PARA SABER MAIS</p><p>A Agência Nacional</p><p>do Cinema – ANCINE - é um órgão</p><p>oficial do governo federal do Brasil, criada por Medida</p><p>Provisória como autarquia especial, e constituída como</p><p>115115 115</p><p>agência reguladora, com sede na cidade de Brasília,</p><p>cujo objetivo é fomentar, regular e fiscalizar a indústria</p><p>cinematográfica e vídeo fonográfica nacional. Instituída</p><p>em 2001, começando a atuar efetivamente em 2002, está</p><p>vinculada ao Ministério da Cultura.</p><p>A mesma medida provisória alterou a legislação sobre a</p><p>Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica</p><p>Nacional – CONDECINE, cujo recolhimento passou a caber à</p><p>ANCINE, sendo parte da contribuição revertida para o custeio das</p><p>atividades da agência reguladora. (MATTA, 2007, p. 10).</p><p>Visite o site da ANCINE e conheça mais sobre as políticas</p><p>de financiamento de cinema no Brasil: https://www.</p><p>ancine.gov.br/</p><p>3. Filmes Brasileiros para não deixar de ver</p><p>Se você ainda acredita que o Cinema Nacional não tem qualidade,</p><p>experimente você mesmo e tire suas conclusões. A seguir, preparamos</p><p>para você uma lista com 15 filmes brasileiros que a crítica destaca como</p><p>muito bons para ver e conhecer.</p><p>3.1 O que é isso, companheiro? (1997)</p><p>Direção: Bruno Barreto.</p><p>Filme que trata da história recente do Brasil, pós golpe de 1964,</p><p>quando, 1968, o Ato Institucional número 5 é implementado,</p><p>acabando com a liberdade de imprensa, instituindo a censura e</p><p>eliminando vários direitos civis dos brasileiros, gerando situações</p><p>limites de tortura e atos extremos, como sequestro de embaixadores</p><p>e o movimento armando.</p><p>https://www.ancine.gov.br/</p><p>https://www.ancine.gov.br/</p><p>116116</p><p>3.2 Central do Brasil (1998)</p><p>Direção: Walter Salles.</p><p>Filme que é considerado pela crítica um marco do cinema brasileiro, por</p><p>recolocar o Brasil no circuito internacional de cinema. Com a indicação</p><p>de Fernanda Montenegro para o Oscar de Melhor Atriz, o filme conta</p><p>a história de uma mulher que ganha a vida escrevendo cartas para</p><p>migrantes analfabetos darem notícias aos parentes deixados para trás</p><p>em suas jornadas de busca de melhores condições de vida, um dos</p><p>grandes temas sociais brasileiros.</p><p>3.3 Bicho de sete cabeças (2000)</p><p>Direção: Laís Bodanzky.</p><p>O tema delicado do filme, o preconceito com relação à loucura e</p><p>os pacientes que precisam de tratamentos, partindo dos próprios</p><p>familiares, é o tema central deste que é um dos filmes brasileiros mais</p><p>sensíveis já produzidos. A moralidade “classe média”, que mascara</p><p>o profundo desrespeito aos problemas mentais por trás de orgulho</p><p>doente de pais que também precisam de apoio para lidar com o</p><p>desequilíbrio do filho.</p><p>3.4 Auto da Compadecida (2000)</p><p>Direção: Guel Arraes.</p><p>A comédia literato-teatral de Ariano Suassuna é a base desse filme</p><p>premiado, que conta, em formato de teatro popular, as aventuras e</p><p>desventuras de Chicó e João Grilo, personagens que retratam o homem</p><p>simples do povo e suas crendices e pequenos golpes para sobreviver. O</p><p>próprio Suassuna declarou, em entrevista de 2000 ao Jornal O Estado de</p><p>São Paulo, sobre a interpretação de Chicó por Matheus Nachtergaele:</p><p>“Sua atuação é impecável, pois consegue passar toda a esperteza do</p><p>personagem, que luta contra o patriarcado rural, a burguesia urbana, a</p><p>polícia, o cangaceiro, e até contra o diabo” (AGÊNCIA ESTADO, 2000, s/p).</p><p>117117 117</p><p>3.5 Abril Despedaçado (2001)</p><p>Direção: Walter Salles.</p><p>A produção suíço-franco-brasileiro de 2001 é baseada no romance</p><p>‘Prilli i Thyer’ de Ismail Kadare, adaptado por Karim Aïnouz. Foi o</p><p>filme que deu a Rodrigo Santoro o “passaporte internacional” do ator,</p><p>quando esteve entre os indicados como Melhor Filme Estrangeiro, no</p><p>Oscar de 2002. Teve uma curtíssima exibição, de apenas uma semana</p><p>em um único cinema, em Salvador, o que é uma pena, pois deixou</p><p>em esquecimento este que é um dos melhores filmes brasileiros já</p><p>feitos. Santoro é brilhante interpretando um jovem atormentado</p><p>pelo pai para vingar a morte do irmão. A história se passa em 1910,</p><p>e é um retrato da organização social do Brasil no início do século XX.</p><p>Vale cada minuto! E entrou na lista da Associação Brasileira de Críticos</p><p>de Cinema (Abraccine), em 2015, como um dos 100 melhores filmes</p><p>brasileiros de todos os tempos.</p><p>3.6 Cidade de Deus (2002)</p><p>Direção: Fernando Meirelles.</p><p>O filme já falava, em 2002, do fenômeno social da gentrificação urbana,</p><p>que foi o conceito base para a criação do bairro chamado Cidade de</p><p>Deus, nos anos de 1960, na cidade do Rio de Janeiro. Baseado no livro</p><p>de mesmo nome, de Paulo Lins, que é considerado um dos primeiros</p><p>romances contemporâneos a narrar a vida dos moradores da favela</p><p>com um ponto de vista dos moradores de uma. Fala da tentativa de</p><p>“afastar os pobres” do centro da cidade, mudando-os obrigatoriamente</p><p>para bairros distantes, ocorrida nos anos 1980. Narrado pela visão de</p><p>Buscapé, personagem que é um dos moradores da favela que cresceu</p><p>dentro do ambiente de violência do bairro, conheceu bandidos célebres</p><p>e conseguiu não ser envolvido no crime, a produção marcou época</p><p>no cinema nacional, sendo considerado o filme símbolo do fim da era</p><p>chamada pelos historiadores de “Cinema de Retomada”. Inovou ao</p><p>118118</p><p>trabalhar com oficinas de atores em comunidades, tendo envolvido</p><p>mais de 500 jovens nessas oficinas, de onde saíram novos e bons atores</p><p>como os intérpretes dos principais papéis. No total, mais de 60 atores</p><p>principais, 150 secundários e 2600 figurantes fazem de Cidade de Deus</p><p>um marco de representatividade negra no cinema brasileiro.</p><p>3.7 Lisbela e o Prisioneiro (2003)</p><p>Direção: Guel Arraes.</p><p>Comédia romântica brasileira, que é uma adaptação da peça de teatro</p><p>de mesmo nome do escritor Osman Lins em coprodução entre a Globo</p><p>Filmes, Natasha Filmes e o estúdio norte-americano Twentieth Century</p><p>Fox. Apresenta uma característica estética de semelhança com as</p><p>novelas televisivas, que é creditada ao fato de ser a primeira experiência</p><p>cinematográfica do diretor Guel Arraes, conhecido diretor de novelas. Um</p><p>destaque especial da crítica sempre foi feito à trilha sonora, com nomes</p><p>como Sepultura, Zé Ramalho, Caetano Veloso e Elza Soares. Este fato</p><p>levou ao lançamento, junto com o filme, de um DVD com apresentações</p><p>ao vivo da trilha, feitas pelos intérpretes dos temas sonoros da trilha, com</p><p>destaque especial para ‘Você Não Me Ensinou a Te Esquecer’, de autoria</p><p>de Fernando Mendes, considerada um clássico da música brega, alçada à</p><p>categoria ‘cult music’ ao ser interpretada por Caetano Veloso como tema</p><p>de Lisbela e Leléu, os protagonistas da história. Recebeu dois prêmios no</p><p>Grande Prêmio Cinema Brasil: melhor ator e melhor trilha sonora. Teve</p><p>ainda mais dez indicações: melhor filme, melhor diretor, melhor ator</p><p>coadjuvante, melhor atriz coadjuvante, melhor roteiro adaptado, melhor</p><p>figurino, melhor maquiagem, melhor montagem e melhor som.</p><p>3.8 Carandiru (2003)</p><p>Direção: Héctor Babenco.</p><p>É um dos filmes nacionais mais conhecidos. E é uma das poucas</p><p>‘superproduções’ nacionais. O roteiro foi baseado no livro ‘Estação</p><p>Carandiru’, do médico Dráuzio Varella, que narra as experiências do</p><p>119119 119</p><p>dr. Dráuzio com a realidade dos presídios brasileiros num trabalho de</p><p>prevenção à AIDS, realizado na antiga “Casa de Detenção de São Paulo,</p><p>mais conhecida como Presídio do Carandiru, bairro onde se localizava a</p><p>instituição. Está na lista dos “100 melhores filmes brasileiros”, segundo</p><p>a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). É ainda um</p><p>dos filmes brasileiros mais premiados e que recebeu maior número de</p><p>indicações de prêmios. Cinco indicações no Prêmio Qualidade Brasil;</p><p>indicado a Melhor filme no Festival Internacional de Cinema de Mar del</p><p>Plata; Melhor Filme, crítica e público, no Festival de Cinema de Havana,</p><p>Cuba; no Grande Prêmio Cinema Brasil recebeu o Prêmio Especial do</p><p>Júri e Prêmio do Público, além de Melhor Diretor e Melhor Roteiro,</p><p>recebendo mais 11 indicações. No Festival Internacional de Cinema de</p><p>Cartagena foi o Melhor Filme e Prêmio de Melhor som, no Prêmio ABC</p><p>de Cinematografia. Teve ainda</p><p>indicação para a Palma de Ouro, em</p><p>Cannes; e para Melhor Filme, no Bangkok International Film Festival.</p><p>3.9 O homem que copiava (2003)</p><p>Direção: Jorge Furtado.</p><p>O núcleo de cinema gaúcho é responsável por uma tradição</p><p>cinematográfica de destaque no Brasil. O filme tem um roteiro</p><p>inteligente, que não subestima a audiência, apesar do tema improvável</p><p>de se ter “sucesso financeiro” copiando notas numa máquina</p><p>copiadora. A linguagem narrativa do início é um pouco monótona</p><p>e dá um “tom” quase didático ao filme, o que seria lamentável, mas</p><p>felizmente dura pouco, e logo o filme toma um ritmo interessante.</p><p>Venceu nas categorias de melhor diretor, melhor montagem, melhor</p><p>filme, melhor roteiro original, melhor ator coadjuvante e melhor atriz</p><p>coadjuvante, no Festróia 2004, em Portugal; foi indicado ao Golfinho de</p><p>Ouro no Festival de Havana, Cuba, em 2003 e Lázaro Ramos ganhou o</p><p>prêmio de Melhor Ator, no Troféu APCA 2003.</p><p>120120</p><p>3.10 Cinema, aspirina e urubus (2005)</p><p>Direção: Marcelo Gomes.</p><p>O filme fala de maneira delicada do quanto o próprio cinema tem a</p><p>capacidade de atingir as pessoas. Numa realidade de guerra do ano de</p><p>1942, filmado no sertão e cariri da Paraíba, conta a os desdobramentos</p><p>da declaração de guerra brasileira à Alemanha e as decisões do governo</p><p>brasileiro, com o recrutamento dos nordestinos para ir para a Amazônia</p><p>para trabalhar como ‘Soldados da Borracha’. Um capítulo quase</p><p>esquecido da história do Brasil.</p><p>3.11 O cheiro do ralo (2006)</p><p>Direção: Heitor Dhalia.</p><p>Do mesmo diretor de ‘Nina’, o filme é baseado em livro de mesmo</p><p>nome, do escritor Lourenço Mutarelli, e teve roteiro escrito por Marçal</p><p>Aquino junto com o próprio diretor, Heitor Dhalia. Foi realizado com</p><p>um baixíssimo orçamento para um longa. Apenas 315 mil reais. Mesmo</p><p>assim, consegue ser de uma poesia ímpar e vale a pena conferir o</p><p>motivo dele ter recebido tantos prêmios: no Festival do Rio 2006,</p><p>nas categorias de melhor ator (Selton Mello, dividindo o prêmio com</p><p>Sidney Santiago); prêmio especial do júri e da FIPRESCI da 30ª Mostra</p><p>Internacional de Cinema de São Paulo; Melhor Filme (Júri Oficial e</p><p>Crítica) e Menção Honrosa do Júri Oficial para todo o elenco no 2007</p><p>Sundance Filme Festival; no 4º Festival de Cinema de Campo Grande,</p><p>Melhor Filme Nacional; e no 10º Festival de Cinema de Punta Del Leste,</p><p>Melhor Ator para Selton Mello.</p><p>3.12 Tropa de Elite (2007)</p><p>Direção: José Padilha.</p><p>A violência carioca, junto com a atuação do Batalhão de Operações</p><p>Policiais Especiais - BOPE e da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro,</p><p>são os temas centrais. O roteiro, de Bráulio Mantovani e Rodrigo</p><p>121121 121</p><p>Pimentel, junto com José Padilha, que o dirigiu, baseia-se em elementos</p><p>do livro ‘Elite da Tropa’, de André Batista e Rodrigo Pimentel, em parceria</p><p>com Luiz Eduardo Soares. Muita gente acredita que a popularidade</p><p>deste filme se deu por causa da pirataria sofrida, meses antes do</p><p>lançamento, que teria feito uma divulgação favorável ao filme. A Revista</p><p>Veja chegou a afirmar que “11 milhões de brasileiros teriam visto o filme</p><p>de forma ilegal” (BOSCOV, 2007, s/p). Um tema para além da temática</p><p>central, mas ainda assim importante a ser discutido pelo cinema: a</p><p>pirataria de conteúdos audiovisuais.</p><p>3.13 Estômago (2007)</p><p>Direção: Marcos Jorge.</p><p>O site de crítica cinematográfica Adoro Cinema diz que, segundo a</p><p>descrição do próprio diretor do filme, o curitibano Marcos Jorge, Estômago</p><p>“pode ser definido como ‘uma fábula nada infantil sobre poder, sexo e</p><p>culinária’ (JORGE, 2013, s/p)”. Ao assistir ao filme, você pode perceber</p><p>que ele realmente é isso: Uma fábula nada infantil sobre os temas poder,</p><p>sexo e culinária. O filme foi sucesso “de público & crítica”, como se fala no</p><p>modo popular, por tratar de um tema infelizmente muito perto de todos</p><p>nós, a corrupção do dia a dia, em que as pessoas parecem realmente não</p><p>considerar errado “levar vantagens” em situações cotidianas, obtendo</p><p>‘poder’ em trocas de favores. No Festival do Rio, de 2007, recebeu quatro</p><p>prêmios: melhor filme pelo público, melhor diretor, melhor ator e prêmio</p><p>especial do júri. No Ganhou o Lions Award, no Festival Internacional de</p><p>Rotterdam, na Holanda; e prêmio de participação especial no Festival de</p><p>Berlim de 2008 e melhor filme no Festival de Punta del Este, no Uruguai.</p><p>3.14 De pernas para o ar (2010)</p><p>Direção: Roberto Santucci.</p><p>O primeiro, da sequência de três comédias de mesmo nome, o filme</p><p>é uma crítica bem-humorada ao preconceito quanto ao trabalho de</p><p>mulheres de sucesso profissional. Classificada como “doente” ao se</p><p>122122</p><p>comportar profissionalmente como qualquer empresário de sucesso,</p><p>a protagonista é forçada a acreditar que precisa escolher entre o</p><p>casamento ou a carreira. O tema em si dá a devida importância ao filme,</p><p>mas alguns errinhos de produção fazem parte da crítica especializada</p><p>“torcer o nariz” para o filme, além, claro, do preconceito comum que as</p><p>comédias sofrem da mesma crítica. Como Carina Toledo, em sua crítica</p><p>para o portal de crítica de cinema Omelete, que disse:</p><p>De Pernas pro Ar traz uma premissa relativamente inusitada,</p><p>considerando o espectro das comédias brasileiras. Seu roteiro, no entanto,</p><p>é permeado por uma série de situações comuns ao gênero, que se salvam</p><p>do fracasso total apenas pelo talento para comédia de Ingrid Guimarães,</p><p>que faz rir sem parecer forçada. (TOLEDO, 2010, s/p).</p><p>3.15 Que horas ela volta? (2015)</p><p>Direção: Anna Muylaert.</p><p>Filme lindo, que trata, com um olhar feminino na direção, de um</p><p>delicado tema social ao abordar a realidade da profissão de empregada</p><p>doméstica no Brasil. Mostrando como muitas mulheres têm que</p><p>deixar de lado seus próprios filhos para cuidar dos filhos das famílias</p><p>ricas, como única forma de sustento e os desdobramentos e impactos</p><p>disso em suas próprias vidas e famílias. Delicado, intenso, firme, mas</p><p>esperançoso, ao final. Também está na lista dos “100 melhores filmes</p><p>brasileiros”, segundo a Associação Brasileira de Críticos de Cinema</p><p>(Abraccine) e é, realmente, um belíssimo filme.</p><p>Procure assistir aos filmes indicados nesta lista, minimamente para</p><p>conhecer e ampliar seu repertório audiovisual. E, lembre-se, o cinema</p><p>nacional pode ser ainda melhor, se houver valorização da produção</p><p>brasileira que, como vimos, tem qualidade.</p><p>123123 123</p><p>TEORIA EM PRÁTICA</p><p>Você já deve ter ouvido alguém esbravejar críticas à Lei</p><p>Rouanet, em especial quando algum caso de mau uso dos</p><p>recursos é noticiado. Mas você sabe como funciona a lei</p><p>Rouanet, Lei n. 8313, de 23 de dezembro 1991?</p><p>Vamos imaginar que você tenha em mãos um roteiro</p><p>cinematográfico de boa qualidade e precisa conseguir</p><p>apoio e patrocínio para realizar essa produção. Quais</p><p>são os passos a seguir, para conseguir aprovação via Lei</p><p>Rouanet para iniciar a captação? Vamos elaborar um plano</p><p>de trabalho para isso? Consulte o site do Ministério da</p><p>Cultura, em especial o da Lei de Incentivo à Cultura (http://</p><p>leideincentivoacultura.cultura.gov.br/) e elabore a proposta</p><p>de um projeto cultural para ser apresentado à Comissão</p><p>Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC).</p><p>A Lei 8313 está disponível, na íntegra, em: http://www.planalto.</p><p>gov.br/ccivil_03/leis/L8313cons.htm. Acesso em: 21 jun. 2019.</p><p>VERIFICAÇÃO DE LEITURA</p><p>1. A história do cinema no Brasil ocorre em paralelo aos</p><p>acontecimentos mundiais. Qual desses acontecimentos</p><p>marca o início da história do cinema no Brasil?</p><p>a. A apresentação do filme “Saída dos Trabalhadores</p><p>da Fábrica Lumière”, dos irmãos Lumiére, no Rio</p><p>de Janeiro.</p><p>b. Apresentação ao mundo do cinematógrafo dos irmãos</p><p>Lumiére, em Paris, em 28 de dezembro de 1895.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8313cons.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8313cons.htm</p><p>124124</p><p>c. A inauguração da primeira sala de cinema na capital</p><p>carioca, de propriedade dos irmãos italianos Paschoal</p><p>e Afonso Segreto.</p><p>d. A exibição das primeiras imagens brasileiras captadas</p><p>sobre película cinematográfica, em São Paulo.</p><p>e. Apresentação no Rio de Janeiro</p><p>das filmagens da Baía</p><p>de Guanabara, em 1898.</p><p>2. Com o surgimento do som nos filmes, nos anos de</p><p>1930, os estúdios norte-americanos haviam investido</p><p>fortunas no negócio e, como desdobramento, passaram</p><p>a investir também em</p><p>a. equipar com som salas de exibição.</p><p>b. melhorar o cinema nacional.</p><p>c. abrir espaços e mercados para seus filmes.</p><p>d. comercializar suas produções em “lotes”.</p><p>e. instituir a comissão nacional para tratar da questão.</p><p>3. O filme ‘O Descobrimento do Brasil’, com música de</p><p>Heitor Villa-Lobos marca:</p><p>a. A “invasão norte-americana” das salas de cinema</p><p>nacionais.</p><p>b. A censura imposta pelo governo federal aos filmes</p><p>de guerra.</p><p>c. A criação do Instituto Nacional de Cinema</p><p>Educativo (INCE).</p><p>125125 125</p><p>d. O forte apelo nacionalista pela produção de jornais</p><p>cinematográficos.</p><p>e. A política nacionalista do Estado Novo, Governo de</p><p>Getúlio Vargas.</p><p>Referências bibliográficas</p><p>ADORO CINEMA. “Filmografia de Glauber Rocha”. In: Adoro Cinema. Disponível</p><p>em: http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-368/filmografia/.</p><p>Acesso em: 24 maio 2019.</p><p>AGÊNCIA ESTADO. Suassuna aprova ‘O Auto’ de Guel Arraes. Portal Terra</p><p>Cinema. 15 set. 2000. Disponível em: https://www.terra.com.br/cinema/</p><p>noticias/2000/09/15/005.htm. Acesso em: 24 maio 2019.</p><p>ALMEIDA, P. S.;e BUTCHER, P.. Cinema: desenvolvimento e mercado. São Paulo: Ed.</p><p>Aeroplano, 2003.</p><p>ANCINE. Saiba mais sobre a Atlântida. Disponível em: https://www.ancine.gov.br/</p><p>media/Saiba_mais.pdf. Acesso em: 24 maio 2019.</p><p>ARANTES, Silvia. Cinema brasileiro perdeu espaço em 2014 e a culpa é dos filmes.</p><p>19 DEZ.2014. In: UOL Filmes & Séries. Disponível em: https://cinema.uol.com.br/</p><p>noticias/redacao/2014/12/19/cinema-brasileiro-perdeu-espaco-em-2014-e-a-culpa-</p><p>e-dos-filmes.htm?cmpid=copiaecola. Acesso em: 24 maio 2019.</p><p>BOSCOV, Isabela. “Recorde de Contravenção”. Revista Veja, São Paulo, n. 2030,</p><p>p. 86, 17 out. 2007.</p><p>CALLEGARI, J.; GEORGINO, É. Vera Cruz, a Hollywood brasileira. In: Guia do</p><p>Estudante, 09 maio 2013.</p><p>CAPELATO, Maria Helena. Historiografia brasileira em perspectiva. São Paulo:</p><p>Contexto, 2007.</p><p>GARCIA, Jorge Edson. “Humberto Mauro, 100 anos”. 1997. In: Cinema Brasil. Disponível</p><p>em: http://www.cinemabrasil.org.br/hummauro/. Acesso em: 24 maio 2019.</p><p>JOHNSON, R.; STAM, R. Brazilian Cinema. New York: Columbia, 1995.</p><p>JORGE, Marcos. Estômago. 08 abr. 2013. Apud ADORO CINEMA. Disponível em:</p><p>http://www.adorocinema.com/filmes/filme-138975/criticas/espectadores/.</p><p>Acesso em: 24 maio 2019.</p><p>LORENZOTTI, Elizabeth. “Villa publicada”. In: Revista Entretextos. Grupo de</p><p>pesquisa “Textos da Cultura em Mídias Diferenciadas” (TCULT), ECA-USP. 27</p><p>fev.2009. Disponível em: http://www.usp.br/cje/entretextos/exibir.php?texto_id=21.</p><p>Acesso em: 24 maio 2019.</p><p>http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-368/filmografia/</p><p>https://www.terra.com.br/cinema/noticias/2000/09/15/005.htm</p><p>https://www.terra.com.br/cinema/noticias/2000/09/15/005.htm</p><p>https://www.ancine.gov.br/media/Saiba_mais.pdf</p><p>https://www.ancine.gov.br/media/Saiba_mais.pdf</p><p>https://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2014/12/19/cinema-brasileiro-perdeu-espaco-em-2014-e-a-cu</p><p>https://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2014/12/19/cinema-brasileiro-perdeu-espaco-em-2014-e-a-cu</p><p>https://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2014/12/19/cinema-brasileiro-perdeu-espaco-em-2014-e-a-cu</p><p>http://www.cinemabrasil.org.br/hummauro/</p><p>http://www.adorocinema.com/filmes/filme-138975/criticas/espectadores/</p><p>http://www.usp.br/cje/entretextos/exibir.php?texto_id=21</p><p>126126</p><p>MATTA, João Paulo Rodrigues. “Políticas públicas Federais de apoio à indústria</p><p>cinematográfica brasileira: um histórico de ineficácia na distribuição”. In: Anais</p><p>do III ENECULT - Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura. 23 a 25 maio</p><p>2007. Faculdade de Comunicação - UFBA. Salvador/BA.</p><p>Ministério da Cultura. Secretaria do Audiovisual - SAv. Disponível em: http://</p><p>cultura.gov.br/secretaria/secretarias/sav-secretaria-do-audiovisual/.</p><p>Acesso em: 24 maio 2019.</p><p>Ministério da Cultura – Secretaria do Audiovisual. Relatórios de Atividades da</p><p>Secretaria do Audiovisual: 1995 – 2002. 2002. Disponível em: http://www9.cultura.</p><p>gov.br/relats/sav95_02.pdf. Acesso em: 24 maio 2019.</p><p>Ministério da Cultura – Secretaria para o Desenvolvimento do Audiovisual.</p><p>Economia do Cinema no Brasil. Pesquisa Desenvolvida pelo Ministério da Cultura,</p><p>Brasil, 1997 ou 1998. Disponível em: http://www9.cultura.gov.br/relats/relats.htm.</p><p>Acesso em: 24 maio 2019.</p><p>MUNDO ESTRANHO. O que eram as chanchadas? In: Super Interessante. 18 abr.</p><p>2011. 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Pouco depois da apresentação ao</p><p>mundo do cinematógrafo dos irmãos Lumiére, em Paris, em 28 de</p><p>dezembro de 1895, aconteceu no Rio de Janeiro, em julho de 1896,</p><p>a primeira exibição de cinema no país. O filme apresentado foi o</p><p>mesmo de Paris, “Saída dos Trabalhadores da Fábrica Lumiére”,</p><p>dos irmãos Lumiére. No ano seguinte, em 1887, é inaugurada</p><p>a</p><p>primeira sala de cinema na capital carioca.</p><p>Questão 2 – Resposta: A</p><p>Com o surgimento do som nos filmes nos anos de 1930, os estúdios</p><p>norte-americanos haviam investido fortunas no negócio e, como</p><p>desdobramento, passaram a investir também em equipar salas de</p><p>exibição para abrir espaços e mercados para seus filmes. Assim,</p><p>passaram a comercializar suas produções em “lotes” e a dominar</p><p>o novo mercado. A situação do cinema nacional ficou tão delicada</p><p>que o governo federal, na figura do presidente Getúlio Vargas,</p><p>instituiu uma comissão nacional para tratar da questão.</p><p>Questão 3 – Resposta: E</p><p>A historiadora Lays Rocha (2013, s/p) destaca que merece registro, em</p><p>meio à “invasão norte-americana” das salas de cinema nacionais e da</p><p>censura imposta pelo governo, a iniciativa de Edgar Roquette-Pinto,</p><p>que cria o Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE), em 1936,</p><p>e produz o filme épico ‘O Descobrimento do Brasil’, com forte apelo</p><p>nacionalista e música de Heitor Villa-Lobos. O uso da música de Villa-</p><p>Lobos na produção foi acusado pelo também músico e pesquisador</p><p>José Ramos Tinhorão, como “arma política de propaganda”.</p><p>128128128</p><p>Produção audiovisual</p><p>na Internet: estética e</p><p>linguagem de produções em</p><p>plataformas digitais</p><p>Autora: Jurema L. F. Sampaio</p><p>Objetivos</p><p>• Analisar a estética e a linguagem de produções</p><p>em plataformas digitais.</p><p>• Conhecer e identificar as características de</p><p>material para redes sociais e YouTube.</p><p>• Investigar a ascensão do conteúdo produzido</p><p>por youtubers.</p><p>129129 129</p><p>1. Uma história recente</p><p>Nesta aula você vai conhecer e compreender a estética das produções</p><p>audiovisuais, em especial nas plataformas digitais, como o trabalho</p><p>dos “youtubers”, ou seja, desse pessoal que vem ganhando milhões</p><p>de seguidores e ficando bem famoso, produzindo conteúdo digital,</p><p>distribuído pela internet em canais do YouTube, a mais famosa das</p><p>plataformas. Como destaca Daniella Buttler (2017, s/p):</p><p>Lançar um canal no YouTube e em alguns meses ganhar notoriedade de</p><p>artista pop, foi o destino de muitos jovens brasileiros. E todos começaram</p><p>assim: brincando! Os Youtubers saíram da internet para a livraria, para a</p><p>TV aberta e até para o cinema. Eles começaram no site de vídeos e hoje</p><p>faturam como estrelas internacionais. E alguns deles não são apenas</p><p>ouvidos, mas venerados por milhões que lotam bienais, estádios, livrarias</p><p>e teatros. (BUTTLER, 2017, s/p).</p><p>Você sabe quando surgiu esse verdadeiro fenômeno de comunicação?</p><p>O YouTube foi fundado em 14 de fevereiro de 2005, em San Mateo,</p><p>na Califórnia, EUA, em instalações bastante rudimentares. Lembro de</p><p>conversas em chats da época que diziam que “ficava em cima de uma</p><p>pizzaria e um restaurante japonês” (KLEINA, 2005, s/p). A ideia era bem</p><p>simples: dar suporte ao compartilhamento de vídeos digitais de forma</p><p>mais rápida, nem os próprios criadores tinham muitas expectativas: “os</p><p>criadores nem sabiam direito para onde o site iria e achavam até que seria</p><p>uma plataforma mais privada, para você só hospedar vídeos e mandar para</p><p>pessoas próximas” (KLEINA, 2005, s/p).</p><p>A iniciativa, que não foi a primeira do gênero, foi resultado do trabalho</p><p>e desejo de três “caras” que trabalhavam no PayPal (até o eBay comprar</p><p>o sistema de pagamentos) na época. Eles são Chad Hurley, Steve Chen</p><p>e Jawed Karim. As “e-lendas” da Internet, como costumo chamar, ou</p><p>“mitos”, dizem que Chad, que era designer, juntou-se com Chen e Karim,</p><p>que eram programadores, quando, numa festa, todos reclamavam das</p><p>“agruras” e das “aventuras” de se tentar assistir a vídeos na internet.</p><p>130130</p><p>Dessa conversa nasceu a ideia do YouTube e Chad se tornou o primeiro</p><p>CEO, enquanto Chen ficou com a chefia de tecnologia. Karim, que</p><p>permaneceu somente como acionista, nem é considerado fundador por</p><p>alguns historiadores da internet. Atualmente a sede da empresa fica em</p><p>San Bruno, também na Califórnia, desde que foi adquirida pelo Google,</p><p>em 2006, quando este encerrou as atividades do Google Vídeos.</p><p>Na primeira versão do YouTube só havia, como recursos, os vídeos,</p><p>e as abas de favoritos, mensagens e o seu perfil. Na tela inicial não</p><p>havia nada além do espaço de ‘login’, como nos mostra o print de tela</p><p>a seguir (Figura 1).</p><p>Figura 1 – Homepage do YouTube em 28 de abril de 2005, registro mais</p><p>antigo do WebArquive.Org.</p><p>Fonte: https://web.archive.org/web/20050428014715/http://www.youtube.com/</p><p>Acesso em: 14 jun. 2019.</p><p>O primeiro vídeo da história do YouTube foi um ‘vlog’ curtíssimo postado</p><p>pelo próprio Karim, publicado em 23 de abril de 2005, em que o jovem</p><p>Yakov Lapitsky fala de elefantes no zoológico de San Diego, chamado</p><p>“Me at the zoo” (“Eu no Zoológico”).</p><p>https://web.archive.org/web/20050428014715/http://www.youtube.com/</p><p>131131 131</p><p>A compra pelo Google deu impulso ao YouTube, iniciando o que chamo</p><p>de “era Google” dos serviços de vídeo:</p><p>Em 2006, o YouTube já era uma sensação e um dos sites de maior</p><p>crescimento na rede. A plataforma chamou a atenção da Google, que até</p><p>aquele momento usava o bem inferior Google Vídeos. [...] A revista TIME</p><p>sente que a época estava mudando e coloca “You”, isto é, “Você”, como</p><p>a pessoa do ano de 2006, por causa da explosão de conteúdos criados</p><p>por gente comum e postado na internet. Outro avanço foi nos debates</p><p>presidenciais dos Estados Unidos em 2007, quando a CNN usa na TV</p><p>perguntas feitas e postadas por eleitores no YouTube. Hoje seria tudo</p><p>bem mais fácil, ao vivo e com o chat. Esse ano, o site faz o seu primeiro</p><p>YouTube Awards para premiar os melhores vídeos do site naquele período.</p><p>[...] Aí o YouTube começa a pensar em ganhar dinheiro e fazer os criadores</p><p>faturarem também. Nesse ano, são lançados o programa de parcerias, o</p><p>Content ID para pagamento de direitos autorais e os anúncios dentro dos</p><p>vídeos. O ano de 2008 é marcante pelo surgimento dos vídeos em 480p e</p><p>da versão mobile do site, enquanto o HD só apareceu no ano seguinte. O</p><p>reconhecimento de fala, que é tão poderoso hoje em dia, só foi adicionado</p><p>em 2009 (KLEINA, 2005, s/p).</p><p>Em paralelo aos avanços tecnológicos implementados no site, surgem</p><p>os primeiros “canais” do YouTube, com gente “comum” produzindo</p><p>conteúdo de forma muitas vezes ‘amadora’, mas com qualidade,</p><p>que passou a interessar aos “seguidores”, como são chamados os</p><p>assinantes de um conteúdo/canal.</p><p>Os próprios canais têm história semelhante à do site. Pessoas que</p><p>começaram em suas casas, quase sempre com poucos recursos (um</p><p>notebook, uma câmera doméstica, etc.), falando de coisas de seus</p><p>próprios interesses, sem grandes pretensões de alcance de seguidores.</p><p>Foram crescendo e arregimentando verdadeira legiões de fãs, chegando,</p><p>atualmente, nas casas dos milhões. No início de 2019, registramos que</p><p>os três maiores youtubers do mundo são, em números de seguidores:</p><p>132132</p><p>• PewDiePie: Felix Arvid, um sueco de 27 anos, é o dono do canal</p><p>que reúne mais de 60 milhões de inscritos. Desde 2013, seu</p><p>canal é “o maior do mundo”, segundo o VidMonsters (2019,</p><p>s/p), distribuindo conteúdos de vlog e gameplays, inclusive</p><p>transmissões de partidas entre gamers famosos.</p><p>• Dude Perfect: Os irmãos gêmeos norte-americanos Coby e</p><p>Cory Cotton, mais os amigos Garrett Hilbert, Cody Jones e Tyler</p><p>Toney comandam um canal cuja temática gira em torno de</p><p>entretenimento esportivo. Tem mais de 40 milhões de seguidores.</p><p>• HolaSoyGerman: O espanhol Germán Garmendian, também</p><p>de 27 anos, controla o canal, que também é sobre conteúdos</p><p>de vlog e gameplays. Além disso, também conta com esquetes</p><p>engraçados, que falam de situações complicadas e/ou</p><p>constrangedoras que pessoas comuns passam e enfrentam no</p><p>dia a dia. Tem 39,5 milhões de inscritos.</p><p>A estética predominante dos youtubers de sucesso inclui inteligência,</p><p>irreverência e simpatia, independente do tema/assunto do canal.</p><p>Uma intimidade é criada com os seguidores, que são tratados como</p><p>“amigos”, próximos o suficiente para gerarem a credibilidade e, por</p><p>consequência, a fidelidade de público.</p><p>No Brasil, o fenômeno de comunicação</p><p>digital não fica atrás, quando</p><p>se fala em números de seguidores, e alguns ostentam marcas</p><p>surpreendentes em relação ao número de seguidores. Em alguns casos,</p><p>milhões de pessoas. Endereços como o ‘Porta dos Fundos’, de esquetes</p><p>de humor (com mais de 15 milhões de inscritos, em junho de 2019) e o</p><p>de Júlio Cocielo (do ‘Canal Canalha’, terceira página com maior número</p><p>de inscritos no YouTube Brasil em 2019: mais 18 milhões de assinantes,</p><p>junho de 2019) são empreendimentos de sucesso.</p><p>O Canal KondZilla é o maior canal de YouTube do Brasil e o quarto maior do</p><p>mundo, com mais de 50 milhões de inscritos e 23 bilhões de visualizações</p><p>(KONDZILLA, 2019, s/p). O termo é o nome artístico de Konrad Dantas, um</p><p>produtor brasileiro de vídeos musicais de funk. É o primeiro brasileiro a</p><p>aparecer na lista mundial de maiores canais no YouTube.</p><p>133133 133</p><p>O canal do humorista Whindersson Nunes (com mais de 20 milhões</p><p>de inscritos e mais de 1 bilhão de visualizações, é o nono maior canal</p><p>do mundo em número de seguidores, segundo a jornalista Gabriela</p><p>Zocchi (2018, s/p).</p><p>No segmento infantil, a ‘Galinha Pintadinha’ segue na liderança no Brasil.</p><p>São 17 milhões de inscritos e 10 bilhões de visualizações, segundo os</p><p>dados disponíveis no próprio YouTube (GALINHA PINTADINHA, 2019, s/p).</p><p>Basta uma pesquisa superficial e rápida pelos canais de sucesso para</p><p>perceber que os maiores públicos se concentram em canais “jovens”</p><p>ou dedicados a esse segmento da população e se apresentam, em</p><p>geral, com uma estética leve e baseada em humor. Mas não são</p><p>exclusivamente os jovens que assistem aos youtubers. Muito menos só</p><p>as temáticas dirigidas a esse público as que têm sucesso.</p><p>O Canal ‘5-Minutes Crafts’, que se especializou em vídeos com diversas</p><p>dicas de “Crafts”, ou seja, Trabalhos Manuais, e curiosidades como</p><p>‘dicas para pintar as unhas’, conta com números impressionantes: mais</p><p>de 57 milhões de inscritos e 12 bilhões de visualizações (5-MINUTE</p><p>CRAFTS, 2019, s/p). A versão infantil conta com 13 milhões de</p><p>assinantes no mundo.</p><p>Embora seja o maior deles, o YouTube certamente não é o único site do</p><p>gênero. Nomes como Vimeo, Flickr, DailyMotion, Veoh, ZippCast, Twitch,</p><p>Blip.tv, Viddler e Metacafe (que, por sinal, foi o primeiro site deste tipo</p><p>a ir ao ar na internet, em 2003) são referências mais ou menos comuns</p><p>no nosso dia a dia digital. Certeza você já viu conteúdo em algum deles,</p><p>só não “reparou” no endereço.</p><p>Procure prestar atenção ao que circula nas redes sociais e poderá</p><p>comprovar. Mesmo o Facebook e o Instagram, as redes sociais mais</p><p>tradicionais, têm suporte para distribuição de mídia audiovisual.</p><p>Vamos conhecer alguns deles.</p><p>134134</p><p>1.1 Vimeo</p><p>O Vimeo é um site de compartilhamento de vídeo ad-free com sede</p><p>em Nova York. Concorrente direto do YouTube, foi fundado por Zach</p><p>Klein e Jakob Lodwick, em dezembro de 2004. Ou seja, é anterior ao</p><p>YouTube. Nele os usuários podem fazer upload, partilhar e ver vídeos</p><p>com um diferencial: em 2007, o Vimeo se tornou o primeiro site de</p><p>compartilhamento de vídeos a suportar vídeo de alta definição. Alguns</p><p>usuários se referem a ele, muitas vezes, como “melhor” que o YouTube.</p><p>É verdade que os recursos sociais, o sistema de acompanhamento de</p><p>métricas e o controle de publicidade do Vimeo sejam melhores (não tem</p><p>as irritantes telinhas de monetização do YouTube sobre os vídeos), os</p><p>recursos grátis como legendas, tornar um vídeo 3D e editar um vídeo já</p><p>postado a qualquer hora (coisas que o Vimeo não oferece) seduzem os</p><p>usuários menos experientes. Mas o que mais se destaca na preferência</p><p>dos usuários, e que o Vimeo não oferece aos usuários gratuitos, são</p><p>as ‘Soluções Móveis’ do app YouTube. Apesar de limitadas, o acesso a</p><p>favoritos, histórico, playlists, inscrições, comentários e “populares” da</p><p>rede é amplo. No app Vimeo não é possível carregar vídeos e não há</p><p>acesso aos álbuns e grupos, apenas ao feed, favoritos e “watch later”. Ou</p><p>seja, uma experiência pouco interativa para influenciadores digitais, que</p><p>desejam postar vídeos em ‘tempo real’.</p><p>1.2 Flickr</p><p>Embora muita gente não saiba e considere o Flickr (Figura 2), site</p><p>canadense que foi desenvolvido pela Ludicorp em fevereiro de 2004</p><p>(também antes do YouTube), somente um suporte de flogs, e até mesmo</p><p>ultrapassado, o sistema dá suporte à publicação de vídeos. Não oferece</p><p>os serviços do YouTube e do Vimeo e, por isso, é usado pela maioria</p><p>dos assinantes como armazenador de conteúdo, mas por muito poucos</p><p>como canal de material audiovisual.</p><p>135135 135</p><p>Seu sistema de buscas, que permite localizar conteúdos por buscas de</p><p>cor predominante e tipos de textura, é fascinante para vídeos de arte e,</p><p>claro, fotografias. Mas menos interessante para influenciadores digitais</p><p>construírem e administrarem suas marcas/nomes.</p><p>A obrigatoriedade de ter um e-mail Yahoo para cadastrar-se no serviço</p><p>afasta muita gente que não gosta do servidor de e-mails.</p><p>Figura 2 – Print da página de busca de vídeos do Flickr</p><p>Fonte: https://www.flickr.com/search/?text=v%C3%ADdeos. Acesso em: 14 jun. 2019.</p><p>1.3 Metacafe</p><p>É o primeiro site de distribuição de vídeos do mundo. Fundado por</p><p>Eyal Hertzog, Arik Czerniak e Ofer Adler, em julho de 2003. Segundo a</p><p>jornalista de tecnologia Teresa Furtado, do site TechTudo:</p><p>O Metacafe é um site especializado em entretenimento multimídia, ou</p><p>seja, você encontra conteúdo em categorias como filmes, vídeos, canções,</p><p>videogames e televisão. Seu grande diferencial é parceria com grandes</p><p>estúdios de cinema, gravadoras musicais, ligas esportivas, redes de</p><p>TV e outros. O que proporciona ao usuário um infinito de material de</p><p>qualidade. Seu conteúdo está dividido em três grandes categorias: filmes,</p><p>jogos e música. Dentro delas, temos diversas sub que facilitam seu acesso</p><p>ao que procura. (FURTADO, 2012, s/p).</p><p>https://www.flickr.com/search/?text=v%C3%ADdeos</p><p>136136</p><p>O destaque maior do Metacafe é que não se limita a vídeos, e a</p><p>segmentação de games se subdivide em plataformas disponíveis:</p><p>PlayStation, Xbox 360, Wii, PC, PSP, DS, Mobile e Browse, o que faz a</p><p>alegria dos gamers.</p><p>Conta ainda com um software gratuito que pode ser instalado junto ao</p><p>navegador que permite baixar para sua máquina os conteúdos que mais</p><p>gostar, e um diferencial bastante interessante é que utiliza filtros para</p><p>não repetir vídeos na busca, o que ajuda muito nas pesquisas. Oferece</p><p>monetização para conteúdo de sucesso. Se seu vídeo ultrapassar 20 mil</p><p>visualizações, pagam $5 para cada 1 mil visualizações.</p><p>Figura 3 – Print da página inicial do Metacafe</p><p>Fonte: http://www.metacafe.com/. Acesso em: 14 jun. 2019.</p><p>2. Youtuber ou digital influencer?</p><p>O nome “youtuber” se refere, obviamente, ao suporte, o site YouTube.</p><p>Um youtuber é alguém que comanda um canal no YouTube. Mas com os</p><p>outros sites e possibilidades de compartilhar conteúdos audiovisuais, o</p><p>termo passou a ‘incomodar’ os jornalistas. Em especial, pelo surgimento</p><p>http://www.metacafe.com/</p><p>137137 137</p><p>da ‘monetização’, ou seja, esses canais passaram a valer dinheiro, e</p><p>muito, simplesmente fazer propaganda ‘de graça’ para o YouTube</p><p>começou a impulsionar os jornalistas a buscarem alternativas ao</p><p>termo. Surgiu, então, a expressão “digital influencer”, ou, “influenciador</p><p>digital”, em português. Que é como são chamados mais recentemente</p><p>os criadores de conteúdo audiovisual para web. Ou seja, youtuber é</p><p>um tipo de influenciador digital, que pode ter seu material e conteúdo</p><p>disponível em diversas plataformas.</p><p>Youtubers podem ser considerados os influenciadores mais populares</p><p>em todo o mundo, atualmente, mas os blogueiros foram os primeiros</p><p>influenciadores digitais da internet e a atividade continua em alta. A</p><p>maioria dos blogueiros mantêm uma página com criação de conteúdo,</p><p>mas aparece também em outras plataformas, como Facebook e Instagram.</p><p>De ser considerado uma distração de adolescentes a passar a uma das</p><p>profissões mais cobiçadas da atualidade, os influenciadores digitais</p><p>chegaram ‘para ficar’. Geralmente o influenciador aborda</p><p>um nicho</p><p>específico de atuação, como esporte, educação, nutrição, gastronomia,</p><p>tecnologia, cursos, moda, aventura, saúde, viagens, etc., e com o</p><p>crescimento da base de seguidores expande também para outras áreas.</p><p>Quando um influenciador atinge uma quantia considerável de</p><p>seguidores, desperta o interesse das marcas que atuam no seu nicho</p><p>de mercado e frequentemente passa a receber produtos e serviços</p><p>gratuitos para experimentar. Naturalmente que o objetivo é que eles</p><p>comentem e divulguem a marca. Alguns influenciadores, como as</p><p>blogueiras que vieram do mundo da moda, ou ‘fashion’, têm mesmo</p><p>‘media kit’, detalhando o valor e condições para fazerem divulgação de</p><p>marcas, empresas e produtos: é o chamado publipost, ou postagem</p><p>publicitária. O investimento de empresas em influenciadores digitais é</p><p>chamado de marketing de influência, e essa estratégia tem se mostrado</p><p>bastante eficiente em termos de custo-benefício, pois os bloggers e</p><p>vloggers têm visibilidade e credibilidade junto a seus fãs.</p><p>138138</p><p>Bloggers e vloggers? Blog, vlog ou flog? Que termos são esses? O que</p><p>significam? São todos neologismos, ou seja, palavras novas no nosso</p><p>idioma, ‘importadas’ do universo digital.</p><p>O Jornalista Caio Ramos, da Revista Superinteressante, registra que</p><p>O blog é uma página de internet composta de parágrafos dispostos em</p><p>ordem cronológica, que pode ser atualizada frequentemente. Muitas</p><p>vezes, eles funcionam como uma versão eletrônica e pública dos velhos</p><p>diários pessoais. [...] A atualização é automática e não é necessário</p><p>dominar HTML, o código usado na internet. Mas nem sempre foi assim.</p><p>Por volta de 1996, um weblog era um guia de links, e criá-lo requeria</p><p>conhecimentos específicos. [...] Os blogs explodiram – no bom sentido –</p><p>em 11 de setembro de 2001, quando relataram os ataques terroristas nos</p><p>Estados Unidos minuto a minuto. (RAMOS, 2017, s/p).</p><p>ASSIMILE</p><p>Blog é derivado de ‘weblog’, ou seja, ‘web + ‘log’, ou, “diário</p><p>da rede”, em português. Já usamos o termo ‘blogue’ em</p><p>nosso idioma, mas, na origem, o termo é em inglês: blog.</p><p>Um ‘vlog’ é a abreviação de ‘videoblog’ ou “vídeo diário da</p><p>rede” e, por fim, ‘flog’ vem de “foto + blog”, ou, “foto diário</p><p>da rede” e é o mais “estranho” dos neologismos, pois, em</p><p>inglês, seria ‘photo’ e não ‘foto’.</p><p>3. O que é preciso para ser um digital influencer</p><p>de sucesso</p><p>Os youtubers, como vimos, são os influenciadores digitais que trabalham</p><p>com a plataforma YouTube. Outro tipo de influenciador são os</p><p>Blogueiros, que cuidam de blogues de conteúdos, e os Instagrammers,</p><p>139139 139</p><p>que utilizam o Instagram para produzir conteúdo. Independentemente</p><p>da plataforma usada, a primeira e mais importante condição para ter</p><p>sucesso nesse mercado é ter conteúdo original.</p><p>Em evento da Fundação Telefônica, acontecido em 12 de novembro de</p><p>2012, em Madrid, com transmissão direta via web, a diretora executiva</p><p>da rede de supermercados DIA e fundadora da ideas4all Innovation,</p><p>Ana María Llopiz, chamou de “La Ley de Internet: 90 / 9 / 1” (Figura 4).</p><p>Ou seja, a cada 100 conteúdos disponíveis na rede, 90% das pessoas</p><p>somente replicam, 9% interage com esses conteúdos e somente 1%</p><p>produz conteúdo novo (SAMPAIO, 2014, p. 128): “A ‘inovação’, tão falada</p><p>e mesmo tida como o ‘caminho’ do ‘futuro da Internet’ estaria no conteúdo,</p><p>mas no conteúdo ORIGINAL de quem realmente PRODUZ conteúdo”</p><p>(SAMPAIO, 2014, p. 129).</p><p>Figura 4 – Gráfico ilustrativo da “Lei da Internet 90 / 9 / 1”,</p><p>de Ana María Llopiz</p><p>Fonte: Elaborada pela autora.</p><p>Para ser realmente um(a) bom(boa) digital influencer é preciso trazer algo</p><p>realmente inovador, com qualidade, que interesse às pessoas a ponto</p><p>de fidelizar seguidores, ou seja, a ponto de seus seguidores ‘quererem’</p><p>ver/ouvir o que você tem a dizer.</p><p>140140</p><p>A professora Daniella Barbosa Buttler (2017, s/p), doutora em Linguística</p><p>Aplicada em Estudos da Linguagem pela PUC-SP, disse ao Estadão</p><p>Educação que considera que</p><p>O segredo para ter um canal de sucesso hoje é apresentar o conteúdo</p><p>com um diferencial, irreverente, para não ser apenas mais do mesmo. Há</p><p>que ter a noção que para conseguir sucesso, um Youtuber deve criar algo</p><p>pessoal, único e, de preferência, com qualidade (BUTTLER, 2017, s/p).</p><p>Uma das estratégias, e realmente a mais comum, é o humor. Mas</p><p>não só de humor se sustenta um influenciador digital. Ele(a) precisa</p><p>ter ‘presença’, ter carisma, representar a imagem do que as pessoas</p><p>desejam, seja em moda, seja em produtos de consumo, sejam games,</p><p>enfim, em qualquer segmento.</p><p>Mas a estética dos blogs e vlogs não é estanque ou fixa. Um exemplo</p><p>é o trabalho do influenciador Felipe Neto. Inicialmente, meio que</p><p>buscando seu próprio estilo, Neto aparecia na frente da câmera</p><p>falando palavras desconexas, fazendo piadas e comentários</p><p>aleatórios. O estilo informal abriu caminho para o surgimento</p><p>do primeiro formato do ‘Não Faz Sentido!’. Felipe encontrou seu</p><p>personagem em uma atuação com óculos escuros e comentários</p><p>sobre um tema específico, diferente a cada vídeo novo. Esse foi o</p><p>formato que trouxe a popularização para o seu canal.</p><p>O caso de Kéfera Buchmann, outro fenômeno youtuber, que começou,</p><p>em 2010, em seu canal ‘5inco Minutos’ reclamando das vuvuzelas da</p><p>Copa do Mundo, ‘trocou’ várias vezes de estilo e assumiu diversas</p><p>‘personagens’ antes de assumir seu ‘papel’ que parece ser o definitivo:</p><p>influenciadora digital. Mesmo com atuações como as de escritora e atriz,</p><p>o maior patrimônio de Kéfera é sua imagem. Também vem do exemplo</p><p>de Kéfera as possibilidades de negócios e atividades que se desdobram</p><p>da atuação dos influenciadores digitais.</p><p>141141 141</p><p>Desde 2010, além do canal, Kéfera já lançou 3 livros, participou de 7</p><p>peças de teatro, 7 filmes, 3 novelas, atuou como VJ, fez um programa de</p><p>rádio na Jovem Pan FM de Curitiba e comanda uma série de empresas,</p><p>como a Kéfera Store (loja online, com produtos personalizados do canal</p><p>‘5inco Minutos’); a linha de comidas ‘Fit e Saudáveis’, que inclui a dieta</p><p>líquida ‘Tudo Leve by Kéfera Buchmann’ (sem glúten, zero lactose e</p><p>fibra); a sua própria linha de esmaltes, ‘Oi Oi Gente - Kéfera Buchmann</p><p>by Studio 35’; um sabor de sorvete para a ‘Bacio di Latte’, chamado</p><p>‘Kéfera di Latte’ (zero lactose, associando um problema de saúde da</p><p>moça ao negócio); a ‘Coleção Kéfera’, uma linha de óculos da Chilli</p><p>Beans, que traz armações com hastes com as palavras “Together” e</p><p>“Forever”, frase que a moça tem tatuada no braço; e uma coleção de</p><p>joias para a joalheria Monte Carlo: “junto com outras das quatro das</p><p>maiores youtubers do Brasil — Bruna Santina; Bruna Vieira, Bianca</p><p>Andrade e Taciele Alcoela. Cada uma delas desenhou cinco pingentes</p><p>que representam seus momentos favoritos e suas paixões para a</p><p>coleção” (ASTUTO, 2016, s/p).</p><p>O que se pode perceber, principalmente, é que influenciadores digitais</p><p>trabalham e vendem sua imagem pessoal como se fossem marcas, e</p><p>que essa imagem é seu patrimônio, seu principal conteúdo. Outro ponto</p><p>importante de destacar quando pensamos em desvendar os ‘mistérios’</p><p>dos influenciadores digitais é o tempo. Os vídeos do ‘5inco Minutos’</p><p>quase nunca têm cinco minutos de duração. O que sempre deixou seus</p><p>seguidores curiosos foi ‘explicado’ pela curitibana em várias entrevistas</p><p>como sendo um dos objetivos centrais do canal: oferecer vídeos de, no</p><p>máximo, cinco minutos de duração, demonstrando um conhecimento,</p><p>inicialmente meio que intuitivo, do que viria a se consolidar como uma</p><p>das características importantes dos conteúdos audiovisuais na web que</p><p>‘funcionam’: são curtos, diretos. Isso porque a velocidade de assimilação</p><p>e descarte de informações na atualidade é grande e, programada ou</p><p>não, uma verdade a ser considerada com atenção no planejamento e</p><p>produção de conteúdo audiovisual para web.</p><p>142142</p><p>Os blogueiros foram os primeiros influenciadores digitais da internet</p><p>e a atividade continua em alta. A maioria dos blogueiros mantém uma</p><p>página com criação de conteúdo, mas aparece também em outras</p><p>plataformas, como</p><p>A Grécia antiga já conhece a noção de fantasia teatral: atores usam</p><p>roupas, sapatos que não são os da vida cotidiana. Algumas vezes</p><p>também eram erguidos cenários para proporcionar maior realismo às</p><p>cenas e encenações (BROCKETT, 1999, p. 16-17).</p><p>4. Arte Romana</p><p>A História da cultura romana é dividida basicamente em três momentos</p><p>distintos: monarquia, república e império. A monarquia romana é o</p><p>período mais antigo e suas características são bastante variadas, muito</p><p>ligadas aos reis e seus respectivos reinados. A República Romana teve</p><p>início em 509 a.C. e vai até o estabelecimento do Império Romano</p><p>em 27 a.C. (TITO, 2008, p.8). Por fim, o Império Romano, que nasceu</p><p>oficialmente em 27 a.C. e terminou em 476 d.C., data da queda do</p><p>Império do Ocidente (LE ROUX, 2009), dando início à Idade Média.</p><p>A arte romana é fortemente influenciada pelos padrões estéticos gregos,</p><p>expressando o ideal de beleza. Ao final do século I d.C.m Roma já havia</p><p>superado as influências gregas, vindo a desenvolver criações próprias.</p><p>1515 15</p><p>Na arquitetura, a maior de todas as expressões artísticas dos romanos,</p><p>as edificações abobadadas (GOMBRICH, 2000, p.113) são suas mais</p><p>significativas características. Estão presentes em anfiteatros, templos,</p><p>aquedutos, muralhas, dentre outras formas de arquitetura, que retratam</p><p>a magnitude da civilização romana.</p><p>A pintura romana se distinguia pelo uso do realismo na representação,</p><p>somado à imaginação, nas temáticas, eram geralmente feitas em</p><p>grandes dimensões, se valiam de recursos de ilusão, como a sugestão</p><p>de profundidade. De essência decorativa, os painéis, compostos por</p><p>pessoas, animais e objetos, ocupavam grandes espaços, enriquecendo</p><p>ainda mais a arquitetura.</p><p>Em relação às esculturas, os romanos se diferenciavam dos gregos</p><p>em alguns aspectos. Ao invés da representação do ideal de beleza,</p><p>a escultura romana procurava a ‘cópia fiel’, buscando retratar traços</p><p>particulares dos retratados. Exemplos disso podem ser percebidos na</p><p>estátua do imperador Augusto (Figura 4), datada por volta de 19 a.C.</p><p>O artista retratou as feições reais do Imperador, a couraça e as capas</p><p>romanas. Essas características também podem ser encontradas nos</p><p>relevos esculpidos, retratando acontecimentos e pessoas participantes</p><p>deles, são “os métodos narrativos [...] desenvolvidos pela arte romana”</p><p>(GOMBRICH, 2000, p.83) que colaboravam na propagação das vitórias do</p><p>exército romano e nas conquistas do império.</p><p>Figura 4 – Estátua do Imperador César Augusto. Brindisi, Itália</p><p>Fonte: Fotooiason/iStock.com.</p><p>1616</p><p>Outra grande contribuição da cultura romana às artes foi a criação do</p><p>Teatro Romano, também chamado de Teatro de Arena ou anfiteatro.</p><p>Um anfiteatro é uma espécie de “fusão” de dois teatros gregos em</p><p>uma única construção, espelhados. Os teatros romanos são estruturas</p><p>arquitetônicas amplas, construídas com uso de abóbadas e arcos, que</p><p>acolhiam muitas pessoas e eram compostas de um espaço central em</p><p>formato elíptico, a arena, circundado pelas arquibancadas, com grande</p><p>número de fileiras distribuídas em torno dessa arena.</p><p>Os anfiteatros romanos não apresentavam representações teatrais, mas</p><p>era onde se realizavam grandes espetáculos populares, como as lutas</p><p>dos gladiadores. Para isso, não era necessário um palco para apreciar</p><p>o espetáculo. Esses eventos tinham forte conotação política, pois ao</p><p>entreterem a massa, a mantinham sob controle dos dirigentes, num</p><p>período marcado por grandes desequilíbrios sociais. Dessa prática vem a</p><p>expressão “política do pão e circo” (panem et circenses, em Latim original),</p><p>que “foi usada pela primeira vez durante a administração Caio Graco</p><p>pelo poeta satírico Juvenal em suas Sátira” (GARRAFFONI, 2005, p. 77-78;</p><p>ARAUJO & VIEIRA, 2015, p. 30). As obras desse poeta, que era de origem</p><p>aristocrática, “além de imbuídas de fortes valores morais, demonstram certa</p><p>aversão para com a plebe romana” (GARRAFFONI, 2005, p. 79).</p><p>Juvenal (apud GARRAFFONI, 2005, p. 81-84) descreve a plebe como</p><p>viciada, apática e dependente do pão e do circo dado pelo Império</p><p>Romano, por esse motivo alguns historiadores acabaram utilizando</p><p>dessa expressão para designar o controle da plebe pelos imperadores</p><p>feito através do pão (distribuição do trigo) e do circo (espetáculos).</p><p>(GARRAFFONI, 2005, p. 81-84).</p><p>O maior dos exemplos dos anfiteatros romanos é o Coliseu (Figura 5), em</p><p>Roma, que é considerado uma das sete maravilhas do mundo moderno.</p><p>1717 17</p><p>Figura 5 – Panorâmica interna do Coliseu. Roma, Itália</p><p>Fonte: Power of Forever/iStock.com.</p><p>5. Idade Média</p><p>O fim do Império Romano marca o início da Idade Média, ou período</p><p>medieval, ou, ainda, a idade das trevas. Durou dez séculos, entre os</p><p>séculos V e XV, e é dividida em dois períodos: Alta e Baixa Idade Média.</p><p>A arte desse período se chama Arte Medieval e mantém forte influência</p><p>da igreja católica, o que faz com que a maior parte dos trabalhos desse</p><p>período tenha temática religiosa.</p><p>Com o declínio do Império Romano, o Império Romano do Oriente</p><p>sobrevive e se reorganiza no Império Bizantino, tendo como grande</p><p>expressividade artística sua arte em mosaicos, que perdura até hoje.</p><p>6. Alta Idade Média</p><p>Na Europa, a queda do Império Romano do Ocidente inicia um</p><p>período de reorganização social tendo a igreja Católica como fator de</p><p>centralização, visto que grande parte desse império era cristã. Mesmo</p><p>1818</p><p>com o desmonte do Império Romano do Ocidente, a reorganização</p><p>social não foi pacífica e houve diversos conflitos entre os reinos,</p><p>somados às invasões de povos bárbaros, como francos, celtas e vikings,</p><p>vindo do norte europeu. A cultura greco-romana prevaleceu na maioria</p><p>do ocidente e o cristianismo se expandiu, espalhando monastérios e</p><p>igrejas “de forma surpreendentemente homogênea” (BENTON, 2002, p.55).</p><p>Aperfeiçoando a estética romana, muitas vezes reconstruindo templos</p><p>originais romanos, transformando-os em templos católicos, numa</p><p>tentativa de manter o poderio católico, em que “praticamente todos estes</p><p>espaços foram decorados com pinturas murais” (DOWELL, 1993, p. 37). Isso</p><p>faz com que a estética romana ressurja no que se passou a chamar de</p><p>“Estilo Românico” (BENTON, 2002, p. 55).</p><p>As características do Estilo Românico, o predominante da Alta Idade</p><p>Média, que mais se destacam são “o uso do arco de volta perfeita,</p><p>aberturas de pequena dimensão e o uso de arcaria cega nas paredes”</p><p>(ADAMS, 2001, p. 181-189).</p><p>6.1 Iluminuras e manuscritos</p><p>As principais formas de arte da Alta Idade Média são as Iluminuras.</p><p>Como a alfabetização era quase restrita aos religiosos, eram eles quem,</p><p>geralmente, realizavam a escrita dos textos e as ilustrações e decorações</p><p>dos manuscritos chamadas de iluminuras.</p><p>Em definição simples, um manuscrito iluminado é um texto escrito à</p><p>mão, geralmente em pergaminho, decorado com ilustrações feitas em</p><p>ouro ou prata, e cores oriundas de pigmentos desenvolvidos pelos</p><p>próprios artistas, como o pó de grafite. Os tons de vermelho vinham</p><p>do chumbo (tetróxido de chumbo) ou, como o Carmesim, também</p><p>conhecido como ‘kermes’, que era extraído do inseto ‘Kermes vermilio’.</p><p>O uso de ouro é, de longe, uma das características mais marcantes dos</p><p>manuscritos iluminados. Um manuscrito não era considerado iluminado</p><p>1919 19</p><p>a menos que uma ou muitas iluminações apresentassem detalhes ou</p><p>folhas de ouro ou fossem ‘escovadas’ com partículas de ouro, num</p><p>processo conhecido como polimento. A inclusão do ouro nas iluminuras</p><p>tem muitos significados, por exemplo, se o texto é de natureza religiosa,</p><p>o ouro é um sinal de exaltação do texto.</p><p>Iluminados ou não, os manuscritos eram escritos em pergaminho (mais</p><p>comumente da pele de bezerro, de ovelha ou de cabra) ou foram criados</p><p>como códices (manuscritos gravados em madeira), que haviam substituído</p><p>os pergaminhos. Porém, os textos importantes o suficiente para serem</p><p>iluminados foram escritos sobre pergaminhos da melhor qualidade.</p><p>Seja pelas capitulares, em que o texto é complementado com decoração</p><p>com iniciais trabalhadas,</p><p>Facebook e Instagram.</p><p>PARA SABER MAIS</p><p>O conceito de obsolescência programada surgiu</p><p>após a depressão Norte Americana, na qual Bernard</p><p>London propunha “uma redução na vida útil das</p><p>mercadorias, com o intuito de impulsionar a economia</p><p>norte americana que estava estagnada” (BULOW, 1986,</p><p>pp.729–749). É uma teoria já bastante estudada pelos</p><p>pesquisadores do tema “obsolescência programada”,</p><p>procure conhecer mais sobre este conceito.</p><p>BULOW, Jeremy. An Economic Theory of Planned</p><p>Obsolescence. The Quarterly Journal of Economics (em</p><p>inglês). 101 (4): 729–749. 1986.</p><p>4. Audiovisual nas redes sociais</p><p>As redes sociais são, em si, um fenômeno de comunicação que merece</p><p>estudo dedicado. Os audiovisuais em redes sociais já são uma realidade</p><p>e há uma grande tendência de que, a cada dia mais, ocupem essas</p><p>mesmas redes. Para que conteúdo audiovisual em redes sociais seja</p><p>eficiente, é preciso que seja relevante e traduza os valores do perfil</p><p>que o compartilha. A estética e a linguagem utilizada devem estar</p><p>adequadas ao público-alvo. Assim como em qualquer outra peça de</p><p>comunicação, o planejamento é essencial para o sucesso de qualquer</p><p>estratégia. Com o audiovisual não é diferente.</p><p>143143 143</p><p>Conteúdos bem planejados e bem desenvolvidos ajudam a fidelizar</p><p>públicos por meio de temas e assuntos relevantes e que estejam</p><p>em acordo com o universo do produto ou serviço a que se referem.</p><p>Por mais que seja uma verdade de que é possível fazer um vídeo</p><p>com qualquer smartphone, se a ideia é construir material consistente</p><p>e efetivamente adequado, é extremamente importante pensar na</p><p>qualidade da produção.</p><p>Um dos pontos importantes das redes sociais, e que as vezes é</p><p>esquecido pelos produtores audiovisuais, é que não adianta muito</p><p>haver postagens de vídeos ‘impecáveis’ se não houver oportunidade de</p><p>interação com os seguidores. É essa relação de interação onde “mora”</p><p>o “segredo” dos bons desempenhos de material audiovisual em redes</p><p>sociais. Mais até que a qualidade do vídeo, muitas vezes a interação</p><p>por meio de respostas a comentários, por exemplo, seja em conteúdos</p><p>assíncronos ou em tempo real, as “lives” são essenciais.</p><p>Uma dica importante para orientar o início do planejamento de</p><p>produção audiovisual para rede social: busque construir uma proposta</p><p>em que já nos primeiros 5 ou, no máximo 10 segundos iniciais do seu</p><p>material, seja absolutamente interessante, pois eles é que vão definir a</p><p>permanência ou não do público até o fim.</p><p>Cuide da frequência de exibição do material. Pesquise dias e horários</p><p>mais interessantes para seu público-alvo e mantenha-se o mais possível</p><p>dentro desses parâmetros. E, lembre-se, exposição excessiva pode</p><p>“queimar” um bom material. Junto com o planejamento de mídia é</p><p>muito importante dimensionar a intensidade da exibição da mensagem,</p><p>equilibrando frequência e impacto. Agindo desse modo você já terá</p><p>um ótimo início e isso logo se refletirá nas métricas de seu material.</p><p>Mas lembre-se de sempre manter uma observação constante a essas</p><p>mesmas métricas para monitorar o desempenho, analisando número de</p><p>visualizações, curtidas e interações, verificando sempre a necessidade de</p><p>ajustes para melhorar os resultados da estratégia adotada.</p><p>144144</p><p>As redes sociais oferecem algumas das melhores estratégias para</p><p>engajamento de marcas e produtos, e isso acontece porque têm como</p><p>característica principal o apelo visual – de imagens e vídeos. Mas cada</p><p>uma delas tem seu próprio ritmo, estética e dinâmica de funcionamento.</p><p>O Instagram, por exemplo, pede vídeos mais curtos e diretos. O Facebook</p><p>permite conteúdo um pouco mais extenso, mas, ainda assim, compacto.</p><p>Os motivos para que o YouTube continue sendo o “mais querido” dos</p><p>webplayers de vídeo online não são exatamente unanimidade entre</p><p>especialistas, mas podemos especular alguns deles, com alguma</p><p>segurança, defendidos pela experiência dos profissionais da área.</p><p>Primeiro, o sistema de busca. A busca no YouTube conta com o suporte</p><p>de um sistema robusto e eficiente, faz com que se possa encontrar</p><p>facilmente o que se procura, com poucos cliques ou algumas hashtags.</p><p>O editor online, Creator Academy, disponível gratuitamente, é de fácil</p><p>operação e conta com um banco de recursos também gratuitos, muito</p><p>interessante. Por fim, mas não menos importante, a interface intuitiva,</p><p>simples de usar, sem exigir grandes conhecimentos técnicos também</p><p>é um fator relevante. A Revista Exame veiculou um conteúdo de</p><p>Publicidade Corporativa em que dizia que</p><p>hoje, 74% dos consumidores se orientam por meio de suas redes</p><p>sociais para realizar uma compra, de acordo com estudo realizado pela</p><p>Sprout Social, e, segundo a Nielsen, 84% dos consumidores tomam</p><p>decisão com base nas opiniões de fontes confiáveis, acima de outras</p><p>formas de publicidade. Além disso, de 2016 para 2017, o tempo gasto</p><p>pelos brasileiros na internet dobrou, de 8 horas semanais para 16</p><p>horas semanais. De olho nesses dados, as empresas apostam forte nos</p><p>influenciadores. (DINO, 2018, s/p).</p><p>Qualidade e profissionalização de recursos de áudio, iluminação,</p><p>direção e edição fazem toda a diferença e influenciam diretamente</p><p>na performance de seu material audiovisual para redes sociais. Desse</p><p>modo, mesmo com recursos controlados e principalmente por isso,</p><p>para evitar desperdícios e retrabalho, é essencial planejar o material</p><p>145145 145</p><p>audiovisual de acordo com cada canal de divulgação. É primordial</p><p>começar com um planejamento global, mas não se deve ignorar as</p><p>características de cada rede social. Por isso, adapte as estratégias</p><p>sempre que isso se mostrar necessário.</p><p>A tendência do futuro é a diversificação das fontes de informação e a</p><p>inovação na forma de produzir e absorver conteúdo. E isso se reflete</p><p>na forma como esse conteúdo é apresentado. A profissão de digital</p><p>influencer se apresenta, cada vez mais, como uma forte opção de</p><p>atuação no mercado de comunicação e as empresas de RH são quase</p><p>unânimes em apontá-la com frequência nas listas de “profissões de</p><p>futuro”. Um futuro que já começou.</p><p>TEORIA EM PRÁTICA</p><p>Você deve saber que a maioria dos vídeos comerciais</p><p>tem 15 ou 30 segundos de duração. Mas já reparou</p><p>que dentro do YouTube, antes de um vídeo começar,</p><p>muitas vezes temos comerciais também em vídeo, que</p><p>são exibidos nos canais monetizados, obrigatoriamente</p><p>por cinco segundos antes de aparecer o botão “pular</p><p>anúncios” possa ser acionado? Isso força o usuário a</p><p>assistir ao menos 5 segundos do vídeo comercial, antes</p><p>de poder “pular” a propaganda e ter acesso ao conteúdo</p><p>que deseja ver. Elabore um projeto de roteiro para uma</p><p>peça audiovisual comercial de 15 segundos, em que nos</p><p>5 primeiros segundos seja efetivamente passada uma</p><p>mensagem que mantenha o usuário sem apertar o “pular</p><p>comercial” e o faça querer assistir aos 15 segundos totais</p><p>dos comerciais. Que tipos de mensagem inicial deve haver</p><p>nesses cinco segundos iniciais para que a atenção do</p><p>usuário seja capturada? O que deve ser priorizado nesse</p><p>tempo para que se mantenha SEM apertar o botão de</p><p>‘pular comercial’ e assista a toda peça?</p><p>146146</p><p>VERIFICAÇÃO DE LEITURA</p><p>1. Sobre o YouTube é verdadeiro afirmar que</p><p>a. foi fundado em 14 de fevereiro de 2015 na</p><p>California, EUA.</p><p>b. foi o primeiro serviço de compartilhamento de</p><p>vídeos do mundo.</p><p>c. os próprios criadores tinham muitas expectativas no</p><p>seu lançamento.</p><p>d. foi resultado do trabalho e desejo de três funcionários</p><p>do PayPal.</p><p>e. Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim, os criadores,</p><p>eram programadores.</p><p>2. A estética predominante dos youtubers de</p><p>sucesso inclui...</p><p>a. inteligência, irreverência e simpatia.</p><p>b. irreverência, distanciamento e monetização.</p><p>c. intimidade, inteligência e segmentação.</p><p>d. proximidade, escárnio e distanciamento.</p><p>e. inteligência, formalidade e discrição.</p><p>3. Sobre o público dos youtubers, é verdadeiro</p><p>afirmar que...</p><p>a. são na maioria pessoas superficiais e rápidas.</p><p>147147 147</p><p>b. gostam de uma estética definida e clássica.</p><p>c. só as temáticas dirigidas aos jovens têm sucesso.</p><p>d. são exclusivamente os jovens que assistem aos</p><p>youtubers.</p><p>e. os maiores públicos se concentram em canais jovens.</p><p>Referências bibliográficas</p><p>ASTUTO, Bruno. “Cinco das principais youtubers do país lançam juntas coleção</p><p>de joias. Kéfera Buchmann, Bruna Santina, Bruna Vieira, Bianca Andrade e Taciele</p><p>Alcoela dominam a chamada blogosfera. Revista Época, 22/02/2016 - 12h00 -</p><p>Atualizado 22/02/2016. Disponível em: https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/</p><p>bruno-astuto/noticia/2016/02/cinco-das-principais-youtubers-do-pais-lancam-</p><p>juntas-colecao-de-joias.html. Acesso em: 21 jun. 2019.</p><p>BULOW, Jeremy. An Economic Theory of Planned Obsolescence [Uma Teoria</p><p>Econômica de Obsolescência Programada] (PDF). The Quarterly Journal of</p><p>Economics (em inglês). 101 (4): 729–749. 1986. Disponível em: http://www.murks-</p><p>nein-danke.de/blog/download/An+Economic+Theory+of+Planned+Obsolescence.</p><p>pdf. Acesso em: 21 jun. 2019.</p><p>BUTTLER, Daniella Barbosa. “Youtubers: moda ou tendência irreversível?”. In:</p><p>Estadão Educação. 27 set.2017. Disponível em: https://educacao.estadao.com.</p><p>br/blogs/blog-dos-colegios-humboldt/youtubers-moda-ou-tendencia-irreversivel/.</p><p>Acesso em: 21 jun. 2019.</p><p>DINO - Divulgadores de Notícias. “Influenciadora Digital: profissão é nova aposta de</p><p>mercado, diz master coach”. In: Publicidade Corporativa. Revista Exame. 3 maio</p><p>2018. Disponível em: https://exame.abril.com.br/negocios/dino/influenciadora-</p><p>digital-profissao-e-nova-aposta-de-mercado-diz-master-coach/.</p><p>Acesso em: 21 jun. 2019.</p><p>FURTADO, Teresa. “O que é Metacafe?” In: TechTudo. 8 maio 2012. Disponível em:</p><p>https://www.techtudo.com.br/artigos/noticia/2012/05/o-que-e-metacafe.html.</p><p>Acesso em: 23 jun. 2018.</p><p>GALINHA PINTADINHA, Canal YouTube. Jun.2019. Disponível em: https://www.</p><p>youtube.com/channel/UCBAb_DK4GYZqZR9MFA7y2Xg. Acesso em: 21 jun. 2019.</p><p>https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/bruno-astuto/noticia/2016/02/cinco-das-principais-youtubers-</p><p>https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/bruno-astuto/noticia/2016/02/cinco-das-principais-youtubers-</p><p>https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/bruno-astuto/noticia/2016/02/cinco-das-principais-youtubers-</p><p>http://www.murks-nein-danke.de/blog/download/An+Economic+Theory+of+Planned+Obsolescence.pdf</p><p>http://www.murks-nein-danke.de/blog/download/An+Economic+Theory+of+Planned+Obsolescence.pdf</p><p>http://www.murks-nein-danke.de/blog/download/An+Economic+Theory+of+Planned+Obsolescence.pdf</p><p>https://educacao.estadao.com.br/blogs/blog-dos-colegios-humboldt/youtubers-moda-ou-tendencia-irrever</p><p>https://educacao.estadao.com.br/blogs/blog-dos-colegios-humboldt/youtubers-moda-ou-tendencia-irrever</p><p>https://exame.abril.com.br/negocios/dino/influenciadora-digital-profissao-e-nova-aposta-de-mercado-d</p><p>https://exame.abril.com.br/negocios/dino/influenciadora-digital-profissao-e-nova-aposta-de-mercado-d</p><p>https://www.techtudo.com.br/artigos/noticia/2012/05/o-que-e-metacafe.html</p><p>https://www.youtube.com/channel/UCBAb_DK4GYZqZR9MFA7y2Xg</p><p>https://www.youtube.com/channel/UCBAb_DK4GYZqZR9MFA7y2Xg</p><p>148148</p><p>KLEINA, Nilton. “A história do YouTube, a maior plataforma de vídeos do mundo</p><p>[vídeo]”. In: TecMundo. 11 jul. 2017. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/</p><p>youtube/118500-historia-youtube-maior-plataforma-videos-do-mundo-video.htm.</p><p>Acesso em: 21 jun.2019.</p><p>KONDZILLA, Canal YouTube. Jun.2019. Disponível em: https://www.youtube.com/</p><p>user/CanalKondZilla. Acesso em: 21 jun. 2019.</p><p>RAMOS, Caio. A atualização é automática e não é necessário dominar</p><p>HTML, o código usado na internet. Mas nem sempre foi assim. In: Revista</p><p>Superinteressante. 31 out. 2016. Disponível em: https://super.abril.com.br/</p><p>tecnologia/o-que-e-blog/. Acesso em: 22 jun. 2019.</p><p>SAMPAIO, Jurema L. F. O que se ensina e o que se aprende nas licenciaturas em</p><p>artes visuais a distância? Tese de doutorado. Programa de pós-graduação em</p><p>Artes, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Área de</p><p>Teoria, Ensino e Aprendizagem. Orientação a Profª. Drª. Ana Mae T.B. Barbosa. 2014.</p><p>VIDMONSTERS. “PewDiePie: conheça a história do youtuber mais famoso do</p><p>mundo”. In: Vídeo Marketing. VidMonsters. 10 maio 2019. Disponível em: https://</p><p>vidmonsters.com/blog/youtuber-mais-famoso-do-mundo/. Acesso em: 14 jun. 2019.</p><p>ZOCCHI, Gabriela. Sabia que dois brasileiros estão entre os 10 maiores canais</p><p>do YouTube? Aqui a gente apresenta a lista dos maiores canais no YouTube do</p><p>mundo, considerando o número de inscritos”. In: Revista Capricho, 18 ago. 2018.</p><p>Disponível em: https://capricho.abril.com.br/famosos/sabia-que-dois-brasileiros-</p><p>estao-entre-os-10-maiores-canais-do-youtube/. Acesso em: 21 jun. 2019.</p><p>5-MINUTE CRAFTS KIDS. Canal YouTube. Jun. 2019. Disponível em: https://www.</p><p>youtube.com/channel/UC57XAjJ04TY8gNxOWf-Sy0Q. Acesso em: 21 jun. 2019.</p><p>5-MINUTE CRAFTS. Canal YouTube. Jun. 2019. Disponível em: https://www.youtube.</p><p>com/channel/UC295-Dw_tDNtZXFeAPAW6Aw. Acesso em: 21 jun. 2019.</p><p>Gabarito</p><p>Questão 1 – Resposta: D</p><p>O YouTube foi fundado em 14 de fevereiro de 2005, em San</p><p>Mateo, na Califórnia/EUA. A ideia era bem simples: dar suporte ao</p><p>compartilhamento de vídeos digitais de forma mais rápida, nem</p><p>os próprios criadores tinham muitas expectativas. A iniciativa, que</p><p>não foi a primeira do gênero, foi resultado do trabalho e desejo</p><p>de três “caras” que trabalhavam no PayPal (até o eBay comprar</p><p>o sistema de pagamentos) na época. Eles são Chad Hurley, Steve</p><p>https://www.tecmundo.com.br/youtube/118500-historia-youtube-maior-plataforma-videos-do-mundo-video.h</p><p>https://www.tecmundo.com.br/youtube/118500-historia-youtube-maior-plataforma-videos-do-mundo-video.h</p><p>https://www.youtube.com/user/CanalKondZilla</p><p>https://www.youtube.com/user/CanalKondZilla</p><p>https://super.abril.com.br/tecnologia/o-que-e-blog/</p><p>https://super.abril.com.br/tecnologia/o-que-e-blog/</p><p>https://vidmonsters.com/blog/youtuber-mais-famoso-do-mundo/</p><p>https://vidmonsters.com/blog/youtuber-mais-famoso-do-mundo/</p><p>https://capricho.abril.com.br/famosos/sabia-que-dois-brasileiros-estao-entre-os-10-maiores-canais-do</p><p>https://capricho.abril.com.br/famosos/sabia-que-dois-brasileiros-estao-entre-os-10-maiores-canais-do</p><p>https://www.youtube.com/channel/UC57XAjJ04TY8gNxOWf-Sy0Q</p><p>https://www.youtube.com/channel/UC57XAjJ04TY8gNxOWf-Sy0Q</p><p>https://www.youtube.com/channel/UC295-Dw_tDNtZXFeAPAW6Aw</p><p>https://www.youtube.com/channel/UC295-Dw_tDNtZXFeAPAW6Aw</p><p>149149 149</p><p>Chen e Jawed Karim. Chad era designer, Chen e Karim eram</p><p>programadores. Atualmente a sede da empresa fica em San Bruno,</p><p>também na Califórnia, desde que foi adquirida pelo Google, em</p><p>2006, quando este encerrou as atividades do Google Vídeos.</p><p>Questão 2 – Resposta: A</p><p>A estética predominante dos youtubers de sucesso inclui</p><p>inteligência, irreverência e simpatia, independente do tema/assunto</p><p>do canal. Uma intimidade é criada com os seguidores, que são</p><p>tratados como “amigos”, próximos o suficiente para gerarem a</p><p>credibilidade e, por consequência, a fidelidade de público.</p><p>Questão 3 – Resposta: E</p><p>Basta uma pesquisa superficial e rápida pelos canais de sucesso</p><p>para perceber que os maiores públicos se concentram em</p><p>canais “jovens” ou dedicados a esse segmento da população e</p><p>se apresentam, em geral, com uma estética leve e baseada em</p><p>humor. Mas não são exclusivamente os jovens que assistem aos</p><p>youtubers. Muito menos só as temáticas dirigidas a esse público</p><p>as que têm sucesso.</p><p>150150150</p><p>Os novos modelos de produção</p><p>audiovisual e o formato</p><p>streaming</p><p>Autora: Jurema L. F. Sampaio</p><p>Objetivos</p><p>• Conhecer os novos modelos de produção</p><p>audiovisual.</p><p>• Conhecer os formatos streaming.</p><p>• Diferenciar os modelos de distribuição streaming:</p><p>NetFlix, GloboPlay, Amazon Prime Video.</p><p>151151 151</p><p>1. Tecnologia streaming</p><p>Nesta aula você vai conhecer um pouco sobre os novos modelos de</p><p>produção audiovisual; conhecer os formatos streaming e aprender a</p><p>diferenciar os modelos de distribuição streaming.</p><p>A crescente penetração da Internet na vida cotidiana de milhões de</p><p>pessoas no mundo através de diferentes plataformas tem concentrado as</p><p>especulações e as disputas teóricas</p><p>sobre as lógicas sociais emergentes</p><p>no campo cultural, em especial no mercado do audiovisual. Com as</p><p>mudanças no cenário tecnológico, econômico, artístico e social, renasce</p><p>a preocupação com os novos hábitos culturais que se desenvolvem no</p><p>entorno online e suas funções dentro do atual regime social. (SANTINI &</p><p>CALVI, 2013, p. 161).</p><p>Para entender os novos modelos de produção e consumo de</p><p>audiovisual é importante compreender bem e assimilar a evolução</p><p>tecnológica dos últimos 30 anos, que atingiu em cheio a área. Katia</p><p>Fujisawa (2016, p.118) aponta para o caminho percorrido:</p><p>o consumo de audiovisuais (grande parte gratuita), ou seja, filmes,</p><p>programas de televisão, animações, videoclipes, vídeos amadores etc., são</p><p>principalmente difundidos de duas formas: por download e por streaming</p><p>(tecnologia possibilitada pela banda larga, pela qual o usuário consome o</p><p>conteúdo por transmissão instantânea de dados de áudio e vídeo, sem a</p><p>necessidade de fazer download). (FUJISAWA, 2016, p. 118).</p><p>Dos modelos convencionais de produção (como filmes, de cinema e</p><p>fotografia, discos, fitas, etc.) aos contemporâneos suportes de distribuição</p><p>de conteúdo de modo personalizado e direto, muita coisa aconteceu ao</p><p>audiovisual. Inclusive às linguagens. Os formatos e conteúdos audiovisuais</p><p>incluem os filmes, programas de TV, videogames, videoclipes (vídeos</p><p>musicais), videoarte (net-art), animações (cartoon), vídeos amadores,</p><p>adultos (net-porn), notícias, entretenimento, documentários e vídeos</p><p>152152</p><p>educativos (SANTINI & CALVI, 2013, p. 167) e a “análise fílmica e televisiva</p><p>pode ser transformada em documento para a pesquisa histórica ao articular,</p><p>ao contexto histórico e social que o produziu, um conjunto de elementos</p><p>intrínsecos à expressão audiovisual” (KORNIS, 2008, p. 29).</p><p>Com relação à distribuição e consumo audiovisual na Internet é possível</p><p>perceber duas principais modalidades: assistir aos conteúdos por</p><p>streaming ou fazer download deles e, dentre as plataformas e sistemas</p><p>de difusão e consumo audiovisual na internet, incluem-se:</p><p>1. conteúdos audiovisuais de televisão ou vídeo na web, gratuitos ou</p><p>pagos, que se visualizam em um computador, tablet ou celular com</p><p>conexão a Internet (Internet vídeo to PC/mobile: streaming);</p><p>2. intercâmbio nas Redes P2P e portais de enlaces (file sharing: download);</p><p>3. conteúdos audiovisuais de televisão ou vídeo na web, gratuitos ou</p><p>pagos, que se visualizam em um aparelho de TV (Internet video to TV);</p><p>4. redes de usuários abertas ou fechadas, como no caso dos jogos on-line</p><p>(Internet gaming);</p><p>5. difusão e visualização de conteúdos nas redes sociais (social networks);</p><p>6. difusão de vídeos através do correio eletrônico (web/e-mail);</p><p>7. vídeo comunicações, que incluem todas as aplicações de chamadas</p><p>telefônicas com vídeo, chats e webcams (Internet video communications);</p><p>8. conteúdos audiovisuais ambientais (ambient video), que correspondem</p><p>à transmissão de vídeo através da web em espaços fechados ou</p><p>abertos. (SANTINI & CALVI, 2013, p.167-168).</p><p>A partir daí vamos iniciar nossa “conversa” e conhecer alguns desses</p><p>serviços, como Netflix, GloboPlay e Amazon Prime Video, que oferecem</p><p>streaming de filmes e programas de TV, e Spotify, Apple Music, que</p><p>promovem fluxo de música.</p><p>153153 153</p><p>Figura 1 – Qualquer hora, em qualquer lugar...</p><p>Fonte: damircudic/iStock.com.</p><p>2. Conceito de streaming</p><p>Você sabe o que é streaming?</p><p>O termo streaming foi usado pela primeira vez pela empresa Data Electronics</p><p>Inc. em referência aos vídeos que permitiam acesso “sob demanda”, ou seja,</p><p>sob total controle de exibição de conteúdo, por parte do usuário.</p><p>O termo vem de stream, em inglês, que significa ‘fluxo’. Passou a nomear a</p><p>tecnologia streaming por apresentar a característica de envio de multimídia</p><p>por meio de transferência de dados em modo contínuo, pela internet ou</p><p>outras redes de computadores. O surgimento do streaming se deu devido</p><p>à busca por aumentar a velocidade de conexões de transmissões de dados</p><p>que, antes, eram feitas sob a forma de “pacotes”, ou “lotes”, o que fazia com</p><p>que fosse necessário aguardar toda a transmissão dos dados para, depois,</p><p>ter acesso ao conteúdo. A transmissão em streaming permite que um</p><p>conteúdo seja assistido ao mesmo tempo que é transferido, sem ter que</p><p>esperar o “carregamento” dos dados.</p><p>154154</p><p>Algumas características são necessárias para a efetiva utilização de serviços</p><p>por streaming: a “largura de banda” (que é a medida da capacidade de</p><p>transmissão de bits por segundo de um determinado meio, conexão ou</p><p>rede, determinando a velocidade que os dados passam através desta rede</p><p>específica) é a principal delas, e deve ser ampla o suficiente para não haver</p><p>paradas ou atrasos na transmissão e, assim, tornar o buffer lento. Para</p><p>entender, podemos usar uma metáfora simples, como canos hidráulicos:</p><p>quanto maior a largura do cano, mais quantidade de água passa por ele.</p><p>A televisão por streaming é uma realidade até mesmo em telefonia mobile,</p><p>personalizando ainda mais o consumo de produções audiovisuais.</p><p>Por sinal, este é o principal “desafio” da produção audiovisual</p><p>contemporânea. Quanto mais controle de personalização o usuário/</p><p>expectador tem, maior a necessidade de desenvolvimento de</p><p>produtos e serviços que atendam a essas necessidades e interesses.</p><p>O monitoramento de resultados é, então, a “chave do sucesso” dos</p><p>distribuidores de conteúdo streaming.</p><p>3. Modelos de distribuição streaming</p><p>Tradicionalmente o consumo de audiovisual, antes das tecnologias</p><p>digitais, tinha formas específicas de acontecer. Filmes eram vistos no</p><p>cinema, que era, inclusive, um programa social relevante e movimentava</p><p>negócios paralelos aos da produção cinematográfica, como as salas de</p><p>exibição e mesmo os carrinhos de pipoca em que eram adquiridos os</p><p>saquinhos da iguaria, considerada a melhor companhia para um filme.</p><p>O videocassete já promoveu, nos anos de 1980, uma revolução nesse</p><p>modo de consumo e, consequentemente, também nos negócios anexos,</p><p>pois da ida à sala de cinema, passou-se às seções privadas, às vezes na</p><p>companhia de amigos, para assistir às fitas. Mesmo que acompanhadas</p><p>de pipoca, nessas seções, as pipocas não eram mais adquiridas nos</p><p>carrinhos, mas sim feitas em casa, na maioria das vezes, no micro-ondas,</p><p>tecnologia de popularização contemporânea ao videocassete.</p><p>155155 155</p><p>A música, que antes era ou ouvida em concertos ou adquirida para</p><p>execução particular em algum tipo de mídia de suporte, desde os</p><p>vinis antigos, passando pelas fitas K7 até os CD, ao ser digitalizada e</p><p>compactada, com tecnologias do tipo mp3, passa pela mudança de</p><p>comercialização. Antes, comprávamos discos ou CD, com uma coleção</p><p>de músicas escolhidas pelo produtor musical e/ou artista, sem escolhas.</p><p>Dessa forma, ao adquirir um disco, você levava também algumas faixas</p><p>que não tinha interesse. Depois, a comercialização de faixas individuais</p><p>faz com que a escolha se torne personalizada. Mais recentemente, a</p><p>distribuição de música por streaming dá ainda mais poderes de escolha</p><p>aos consumidores que, agora, pagam não mais pelas faixas, mas pelos</p><p>serviços de execução de música, em que podem selecionar play lists</p><p>completamente personalizadas.</p><p>Quando pensamos em televisão, embora ainda seja difícil para alguns se</p><p>desligarem do modelo “grade de programação”, com a ideia de “horário</p><p>nobre” guiando inclusive a comercialização de espaços de propaganda</p><p>comercial, a mudança começou com o videocassete, fazendo com</p><p>que as emissoras passassem a comercializar fitas de vídeos contendo</p><p>programas de sua produção para serem assistidos pelos espectadores</p><p>quando desejassem. Mesmo modelo ainda reproduzido com os DVD</p><p>que, embora os conteúdos já estivessem em suporte digital, o modelo</p><p>de consumo era o mesmo das fitas de videocassete: adquiridos ou</p><p>alugados em empresas locadoras de mídia. Em seguida, o mercado do</p><p>cinema e da TV enfrentam a ideia da TV a cabo, ou TV por assinatura, em</p><p>que o assinante escolhe a programação</p><p>dos canais que deseja assinar</p><p>e que produziam e exibiam conteúdos exclusivos para assinantes. O</p><p>formato de TV por assinatura foi criado pela HBO, em 1972, e, em menos</p><p>de uma década, atingiu grande parte do mundo. A ideia de exclusividade</p><p>de conteúdo da TV por assinatura evoluiu para a de segmentação</p><p>de interesses e surgiram os canais por assinatura temáticos, onde o</p><p>assinante tem acesso com exclusividade e somente ao conteúdo que</p><p>deseja. Esse modelo, porém, ainda guarda aproximação com o modelo</p><p>156156</p><p>convencional, pela ideia “broadcasting” (o sistema de distribuição de</p><p>conteúdo de áudio ou vídeo para comunicação de massa) e a ideia</p><p>de “grade” ainda está presente. Ou seja, o usuário deve se adaptar ao</p><p>horário em que a emissora vai transmitir o conteúdo.</p><p>São as tecnologias digitais contemporâneas, controladas pelo</p><p>telespectador, que tornam a experiência de assistir televisão muito</p><p>mais personalizada. E faz com que os serviços de assinatura de TV</p><p>tenham uma evolução imensa nas duas primeiras décadas do século</p><p>XXI, e caminhemos a passos largos para a consolidação dos conteúdos</p><p>de audiovisual transmídia.</p><p>Uma história transmídia desenrola-se através de múltiplas plataformas</p><p>de mídia, com cada novo texto contribuindo de maneira distinta e valiosa</p><p>para o todo. Na forma ideal de narrativa transmídia, cada meio faz o que</p><p>faz de melhor – a fim de que uma história possa ser introduzida num</p><p>filme, ser expandida pela televisão, romances e quadrinhos; seu universo</p><p>possa ser explorado em games ou experimentado como atração de um</p><p>parque de diversões. (JENKINS, 2008, p. 141).</p><p>Você está preparado para produzir nesse contexto?</p><p>Contradições, confusões e múltiplos pontos de vista são esperados num</p><p>momento de transição, em que um paradigma midiático está morrendo</p><p>e outro está nascendo. Nenhum de nós sabe realmente como viver numa</p><p>nesta época de convergência das mídias, inteligência coletiva e cultura</p><p>participativa. (JENKINS, 2008, p. 248).</p><p>A concorrência trazida pelos serviços de streaming, que proporciona</p><p>ainda mais personalização de programação, acirra também a disputa</p><p>por assinantes, pois os fornecedores como NetFlix, GloboPlay e</p><p>Amazon Prime Video forçam às televisões abertas, inclusive as de</p><p>distribuição via cabo, a reverem constantemente seus objetivos e</p><p>atualizarem seus modelos de negócios.</p><p>157157 157</p><p>3.1 NetFlix</p><p>A NetFlix, fundada em 1997 por Reed Hastings e Marc Randolph, é um</p><p>americano provedor de serviços de mídia.</p><p>O modelo de negócios inicial da Netflix incluía vendas e aluguel de DVD</p><p>por correio, mas Reed Hastings abandonou as vendas cerca de um ano</p><p>após a fundação da empresa se concentrar no negócio inicial de aluguel</p><p>de DVD. Em 2010, a Netflix expandiu seus negócios com o início da</p><p>transmissão de mídia, mantendo os negócios de locação de DVD e, na</p><p>época, também Blu-ray.</p><p>A expansão internacional também acontece em 2010, com</p><p>disponibilização de serviços de streaming no Canadá, e, em seguida, para</p><p>a América Latina e Caribe.</p><p>Somente em 2012 a Netflix entrou no negócio de produção de conteúdo,</p><p>estreando sua primeira série: Lilyhammer. A partir daí, assume cada vez</p><p>mais o papel de produtora, além de distribuidora de conteúdo, criando e</p><p>desenvolvendo uma variedade de conteúdo chamado “Netflix Original”,</p><p>incluído, com destaque, em seu catálogo.</p><p>Figura 2 – NetFlix</p><p>Fonte: mphillips007/iStock.com.</p><p>158158</p><p>3.2 Globoplay</p><p>A plataforma de streaming da Rede Globo de Comunicação, que teve o</p><p>seu lançamento somente em 2017, disputando mercado com a maior</p><p>concorrente, NetFlix, por meio de oferta de conteúdo exclusivo, seu</p><p>principal diferencial: as produções do catálogo da TV Globo, lançadas</p><p>antecipadamente na plataforma.</p><p>Em 2018 começou a disponibilizar um acervo, também exclusivo, de</p><p>produções estrangeiras de sucesso, como as séries norte-americanas</p><p>The Good Doctor e O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale). Para o ano de</p><p>2019 estão previstas novidades, dentre elas, Deadly Class, Modern Family,</p><p>Smallville e Arquivo X.</p><p>E já foram também anunciadas, para entrar no catálogo: Homeland, The</p><p>Vampire Diaries, Will & Grace e American Horror Story, integrando TV</p><p>Globo e Globoplay numa estratégia de “uma plataforma abastecendo e</p><p>divulgando a outra” (COSTA, 2019, s/p), como declarou Fábio Costa, do</p><p>Observatório da Televisão.</p><p>3.3 Amazon Prime Video</p><p>Este é o serviço de streaming da Amazon, que está em expansão para</p><p>mais de 200 países e investimentos em produções originais. A empresa</p><p>do multimilionário Jeff Bezos quer “abocanhar uma fatia” do mercado</p><p>liderado pela NetFlix.</p><p>Tem boa atuação nos computadores, smartphones e tablets, funcionando</p><p>bem nos principais navegadores e não exige nenhum plugin. Desempenha</p><p>com tranquilidade em alguns modelos de TV e nos consoles que também</p><p>suportem NetFlix. Só não está disponível para Chromecast nem Apple</p><p>TV. Em mobile possibilita fazer download do conteúdo para assistir</p><p>posteriormente, mesmo sem conexão à internet, permitindo escolher</p><p>onde armazenará os arquivos: cartão de memória ou armazenamento</p><p>interno. Além de oferecer a opção de app para Android e iOS.</p><p>159159 159</p><p>A Amazon vem produzindo boas séries (“American Gods”, “Jack Ryan”,</p><p>“Maravilhosa Sra. Maisel”, “O Homem do Castelo Alto” e “Transparent”) e</p><p>filmes como “Valerian”, “A Chegada”, “Lady Bird” e “Extraordinário”, mas</p><p>o serviço ainda é mais simples, com um preço único, incluindo “tudo” e</p><p>libera conteúdo em 1080p em todos os principais browsers por meio do</p><p>player em HTML5. Uma grande vantagem!</p><p>4. Mais opções</p><p>Além das que já falamos, ainda existem outras opções de serviços</p><p>que atendam às mais diversas necessidades e objetivos. Esses são</p><p>os principais serviços de streaming em funcionamento no Brasil, em</p><p>junho de 2019.</p><p>HBO Go – É o serviço de streaming exclusivo da HBO. Ótima opção</p><p>para quem é fã das séries exclusivas do canal, como Game of Thrones,</p><p>Westworld, Silicon Valley, O Negócio, Last Week Tonight, entre outras,</p><p>pois você só vai encontrá-las no HBO Go.</p><p>Fox+ – A plataforma de streaming dos canais Fox oferece filmes, séries</p><p>de TV e programas esportivos, além dos 11 canais da rede ao vivo pelo</p><p>aplicativo, independentemente de ter assinatura com TV paga ou plano</p><p>de telefonia. As atrações principais são as series, como “Homeland”,</p><p>“The Walking Dead”, “Os Simpsons”, “The Gifted”, “Vikings” e “Outlander”.</p><p>Também estão disponíveis filmes como “Django Livre”, “João e</p><p>Maria: Caçadores de Bruxas” e outras produções dos estúdios Fox; a</p><p>programação esportiva da Fox Sports e dos canais da National Geographic.</p><p>Telecine Play – Serviço de streaming que se destaca por apresentar,</p><p>antes de todos os outros canais, os lançamentos do ano logo em</p><p>seguida de saírem dos cinemas. Destaques: Lançamentos como</p><p>“Fragmentado”, “Pantera Negra”, “A Forma da Água”, “Maze Runner:</p><p>Cura Mortal”, “Trama Fantasma”, “Star Wars: Os Últimos Jedi”, entre</p><p>outros. A plataforma não possui séries de TV.</p><p>160160</p><p>Crackle – O streaming da Sony que, assim como o Amazon Prime Video,</p><p>produz conteúdo original, além de filmes e séries licenciados.</p><p>Looke – Este serviço de streaming brasileiro, que precisa do app Looke</p><p>(Android ou iPhone), oferece filmes e séries sob demanda (você só paga</p><p>o que usar), mas também possibilita o streaming. No modo assinatura</p><p>é paga uma taxa baixa por mês, como o modelo convencional, e tem</p><p>acesso a alguns títulos, mas não a todo o catálogo.</p><p>Mubi – Oferece um serviço de streaming com curadoria do conteúdo.</p><p>Por uma mensalidade fixa, ele oferece 30 filmes mensais para</p><p>assistir ou baixar. O principal diferencial é o catálogo de filmes ‘cult’ e</p><p>independentes, títulos clássicos ou fora do eixo Hollywoodiano.</p><p>YouTube Premium – A assinatura do YouTube Premium remove</p><p>propagandas e permite download para ver offline no celular, além</p><p>de séries autorais como “Cobra Kai”, “Museo”, “Champaign ILL”,</p><p>“Sideswiped” e “Dallas & Robo”. A assinatura também libera o YouTube</p><p>Music Premium e o Google Play Música.</p><p>NetMovies – Mensalidade</p><p>baixa, que oferece streaming de séries e filmes,</p><p>com catálogo imenso: mais de 12 mil títulos.</p><p>A Google Play Store, a mesma loja de app da Google, oferece a opção</p><p>de alugar filmes. Podem ser encontrados filmes como “It: A Coisa”, “O</p><p>Poderoso Chefinho” e “Mulher-Maravilha”. Procure pela seção “Filmes”</p><p>no Google Play.</p><p>iTunes Store – Se você é usuário Apple, pode alugar filmes pelo iTunes,</p><p>num Mac, iPhone ou iPad. Se for usuário de Windows, pode baixar o</p><p>iTunes para PC e ter acesso ao catálogo.</p><p>Microsoft Store – Opção para quem usa Windows, a seção de Filmes da</p><p>Microsoft Store tem um catálogo bastante interessante para comprar.</p><p>Entre no site da Microsoft Store e procure pela aba Filmes e TV.</p><p>161161 161</p><p>ASSIMILE</p><p>Se você é cliente de alguma operadora de telefonia,</p><p>também dá para assistir a filmes e séries. NET Now Online,</p><p>Vivo Play, Claro Vídeo e Cine Sky HD são algumas opções, e</p><p>os serviços terceirizados como o Telecine Play e o TNT Go</p><p>funcionam com algumas delas.</p><p>Opção não falta!</p><p>Figura 3 – Um mundo de opções nas telas</p><p>Fonte: Vertigo3d/iStock.com.</p><p>PARA SABER MAIS</p><p>Conheça mais sobre o universo profissional do audiovisual</p><p>visitando o site do SindCine (http://www.sindcine.com.</p><p>br/site/), Sindicato dos Trabalhadores na Indústria</p><p>Cinematográfica e do Audiovisual dos Estados de São</p><p>Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do</p><p>Sul, Goiás, Tocantins e Distrito Federal.</p><p>http://www.sindcine.com.br/site/</p><p>http://www.sindcine.com.br/site/</p><p>162162</p><p>No site você encontra a legislação, tabelas de honorários e</p><p>aprende como tirar seu registro da Delegacia Regional do</p><p>Trabalho - DRT, que é o registro profissional da categoria</p><p>nas Superintendências Regionais do Trabalho.</p><p>Novos tempos, novas gerações, novas necessidades.</p><p>O mais importante é estar sempre aberto ao que surge, sem esquecer</p><p>que a atual geração de consumidores já transita de forma transmidiática</p><p>com desenvoltura. Segundo Henry Jenkins (2008), a geração transmídia</p><p>é aquela derivada de uma cultura de participação, habituada a</p><p>consumir conteúdos dispersos sistematicamente entre os múltiplos</p><p>canais com a proposta de criar uma única e coordenada experiência de</p><p>entretenimento (JENKINS, 2008, p.29). Para ele:</p><p>A lógica econômica de uma indústria de entretenimento integrada</p><p>horizontalmente – isto é, uma indústria onde uma única empresa pode ter</p><p>raízes em vários diferentes setores de mídia – dita o fluxo de conteúdos</p><p>pelas mídias. (JENKINS, 2008, p.142).</p><p>O campo da produção de conteúdos audiovisuais digitais interativos</p><p>para televisão digital e multiplataformas no Brasil é ainda pouco</p><p>desenvolvido e demanda soluções criativas e eficientes, mas é uma</p><p>nova perspectiva de atuação para profissionais de audiovisual. “Além da</p><p>digitalização dos equipamentos, uma alteração no conceito de produção</p><p>de conteúdos audiovisuais, que passam agora a contemplar a perspectiva</p><p>de programação não-linear, interativa e para múltiplas plataformas”</p><p>(ANGELUCI & CASTRO, 2010, p. 3).</p><p>Para isso, além de conhecer as linguagens do audiovisual, cada vez</p><p>mais será necessário conhecer padrões de tecnologia para explorar</p><p>adequadamente as possibilidades de criação multiplataformas. Alan</p><p>César Belo Angeluci e Cosette Castro, no Congresso Pan-americano de</p><p>Comunicação - PANAM, afirmaram que</p><p>163163 163</p><p>Interatividade não é nenhuma novidade na televisão mundial desde seus</p><p>primórdios. O que torna essa característica tão inovadora é a possibilidade</p><p>de feedback por parte da audiência através da própria televisão, por</p><p>meio do canal de retorno, seja a partir do controle remoto ou mesmo</p><p>de um celular. Essa inovação é permitida pelo processo de digitalização</p><p>e, sobretudo, pelas características do sistema nipo-brasileiro que rege a</p><p>televisão digital no país. (ANGELUCI & CASTRO, 2010, p. 2).</p><p>Com todo o avanço tecnológico e necessidades de aprendizagem</p><p>novas e constantes, é importante sempre lembrar que é o “humano”</p><p>que faz a diferença, em qualquer produção audiovisual. Como destaca</p><p>Herbert Zettl:</p><p>Mesmo os mais sofisticados equipamentos para produção de televisão</p><p>e interfaces de computador não poderão substituí-lo no processo de</p><p>produção de televisão. Você e sua equipe de trabalho ainda reinam</p><p>absolutos – pelo menos até́ o momento. Os equipamentos não são</p><p>capazes de tomar decisões éticas e estéticas por você nem lhe dizer</p><p>exatamente quais partes de o evento selecionar e como apresentá-las</p><p>para estabelecer uma comunicação ideal. Essas decisões são suas e</p><p>baseiam-se no contexto do propósito geral da comunicação e na interação</p><p>com outros membros da equipe de produção – o pessoal de produção, as</p><p>equipes técnicas, os engenheiros e os funcionários administrativos. Cedo</p><p>ou tarde, você descobrirá que a principal tarefa em produção de televisão</p><p>envolve menos trabalho com equipamentos e mais com pessoas. De</p><p>modo geral, podemos dividir a equipe de produção em equipe não técnica</p><p>e técnica. (ZETTL, 2017, p. 5).</p><p>TEORIA EM PRÁTICA</p><p>Você foi responsabilizado por escolher o serviço de</p><p>assinatura de streaming que sua empresa irá contratar. Com</p><p>o objetivo de fornecer aos funcionários a maior variedade</p><p>164164</p><p>de entretenimento, com o menor custo por pessoa, analise</p><p>os pacotes de serviços disponíveis em sua região e escolha</p><p>três deles para apresentar ao seu chefe como opções. Um</p><p>“completo” (e mais caro), um intermediário, e um com os</p><p>serviços básicos. Argumente em defesa de cada um deles,</p><p>comparando prós e contras, levando em consideração que,</p><p>para atender a um maior número de usuários, deve oferecer,</p><p>em primeiro lugar, acesso multiplataformas. O segundo</p><p>critério de escolha deve ser a possibilidade de interação e/ou</p><p>interatividade com os conteúdos. Leve em consideração ainda</p><p>o percentual de conteúdo por gênero. Por onde começar</p><p>a pesquisa? Como estabelecer as metas e prioridades de</p><p>escolha? Como redigir os resultados? Faça uma planilha</p><p>comparativa como resultado final de sua pesquisa.</p><p>VERIFICAÇÃO DE LEITURA</p><p>1. O termo streaming foi usado pela primeira vez pela</p><p>empresa Data Electronics Inc. em referência aos vídeos</p><p>que permitiam acesso “sob demanda”, ou seja, sob total</p><p>controle de exibição de conteúdo, por parte do usuário.</p><p>O termo vem de stream, em inglês, que significa:</p><p>a. Demanda.</p><p>b. Multimídia.</p><p>c. Contínuo.</p><p>d. Conexões.</p><p>e. Fluxo.</p><p>165165 165</p><p>2. Dos modelos convencionais de produção audiovisual aos</p><p>contemporâneos suportes de distribuição de conteúdo,</p><p>de modo personalizado e direto, muita coisa aconteceu</p><p>ao audiovisual. Inclusive às linguagens. Com relação à</p><p>distribuição e consumo audiovisual na Internet é possível</p><p>perceber duas principais modalidades:</p><p>a. Assistir aos conteúdos por streaming ou fazer</p><p>download deles.</p><p>b. Serviços de streaming como Netflix, GloboPlay e</p><p>Amazon Prime Video.</p><p>c. As plataformas e sistemas de difusão e consumo</p><p>audiovisual na internet.</p><p>d. Os modelos convencionais de produção e os</p><p>contemporâneos suportes de distribuição</p><p>de conteúdo.</p><p>e. Conteúdos audiovisuais de televisão ou vídeo na</p><p>web, gratuitos ou pagos, que se visualizam em um</p><p>computador.</p><p>3. Algumas características são necessárias para a efetiva</p><p>utilização de serviços por streaming, a principal delas é:</p><p>a. Televisão por streaming.</p><p>b. Controle de personalização.</p><p>c. Ampla largura de banda.</p><p>d. Taxas de compactação.</p><p>e. Antenas digitais de TV.</p><p>166166</p><p>Referências bibliográficas</p><p>ANGELUCI, Alan César Belo & CASTRO, Cosette. Oito Categorias para Produção de</p><p>Conteúdo Audiovisual em Televisão Digital e Multiplataformas. In: Congresso</p><p>Pan-americano de Comunicação - PANAM. Brasília, 2010.IPEA - Instituto de Pesquisa</p><p>Econômica Aplicada. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/portal/panam/pdf/GT1_</p><p>Art6_Alan.pdf. Acesso em: 24 jun. 2019.</p><p>COSTA, Fábio. Globoplay: um passo de cada vez na conquista da preferência do</p><p>público de streaming. In: Observatório da Televisão. 06 maio 2019. Disponível em:</p><p>https://observatoriodatelevisao.bol.uol.com.br/critica-de-tv/2019/05/globoplay-um-</p><p>passo-de-cada-vez-na-conquista-da-preferencia-do-publico-de-streaming.</p><p>Acesso em: 24 jun. 2019.</p><p>FUJISAWA, Katia Sayuri. Novas tecnologias aplicadas à comunicação. Londrina:</p><p>Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2016.</p><p>JENKINS, Henry. A Cultura da Convergência. São Paulo: Aleph, 2008.</p><p>KORNIS, Monica Almeida. Cinema, televisão e história. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.</p><p>SANTINI, R. M.; CALVI, J. C. O consumo audiovisual e suas logicas sociais na rede.</p><p>Comunicação, Mídia e Consumo. São Paulo, v. 10, n. 27, p. 159-182, mar. 2013.</p><p>Disponível em: http://revistacmc.espm.br/index.php/revistacmc/article/view/531.</p><p>Acesso em: 21 jun. 2019.</p><p>ZETTL, Herbert. Manual de produção de televisão. São Paulo: Cengage</p><p>Learning, 2017.</p><p>Gabarito</p><p>Questão 1 – Resposta: E</p><p>O termo vem de stream, em inglês, que significa ‘fluxo’. Passou a</p><p>nomear a tecnologia streaming por apresentar a característica de</p><p>envio de multimídia por meio de transferência de dados em modo</p><p>contínuo, pela internet ou outras redes de computadores.</p><p>Questão 2 – Resposta: A</p><p>Com relação à distribuição e consumo audiovisual na Internet,</p><p>é possível perceber duas principais modalidades: assistir</p><p>aos conteúdos por streaming ou fazer download dos mesmos</p><p>e, dentre as plataformas e sistemas de difusão e consumo</p><p>audiovisual na internet.</p><p>http://www.ipea.gov.br/portal/panam/pdf/GT1_Art6_Alan.pdf</p><p>http://www.ipea.gov.br/portal/panam/pdf/GT1_Art6_Alan.pdf</p><p>https://observatoriodatelevisao.bol.uol.com.br/critica-de-tv/2019/05/globoplay-um-passo-de-cada-vez-</p><p>https://observatoriodatelevisao.bol.uol.com.br/critica-de-tv/2019/05/globoplay-um-passo-de-cada-vez-</p><p>http://revistacmc.espm.br/index.php/revistacmc/article/view/531</p><p>167167 167</p><p>Questão 3 – Resposta: C</p><p>Algumas características são necessárias para a efetiva utilização</p><p>de serviços por streaming: a “largura de banda” (que é a</p><p>medida da capacidade de transmissão de bits por segundo</p><p>de um determinado meio, conexão ou rede, determinando a</p><p>velocidade que os dados passam através desta rede específica)</p><p>é a principal delas, e deve ser ampla o suficiente para não haver</p><p>paradas ou atrasos na transmissão e, assim, tornar o buffer</p><p>lento. Para entender, podemos usar uma metáfora simples,</p><p>como canos hidráulicos: quanto maior a largura do cano, mais</p><p>quantidade de água passa por ele.</p><p>168168</p><p>Apresentação da disciplina</p><p>Um pouco de História</p><p>Objetivos</p><p>1. De onde partimos?</p><p>2. Arte Egípcia</p><p>3. Arte Grega</p><p>4. Arte Romana</p><p>5. Idade Média</p><p>6. Alta Idade Média</p><p>7. Baixa Idade Média</p><p>Teoria em prática</p><p>Verificação de leitura</p><p>Referências bibliográficas</p><p>Gabarito</p><p>Cultura Popular, Cultura de Massa, Indústria Cultural e o Kitsch</p><p>Objetivos</p><p>1. O que é cultura?</p><p>2. O que é cultura de massa?</p><p>3. O que é o Kitsch?</p><p>4. Relações culturais e estéticas e a construção de repertórios</p><p>Teoria em prática</p><p>Verificação de leitura</p><p>Referências bibliográficas</p><p>Gabarito</p><p>TV no Brasil: História e a Estética das novelas</p><p>Objetivos</p><p>1. A história da TV no Brasil</p><p>2. Estética das novelas</p><p>3. Quem é o público consumidor de novelas?</p><p>4. Considerações finais</p><p>Teoria em prática</p><p>Verificação de leitura</p><p>Referências bibliográficas</p><p>Gabarito</p><p>Filmes clássicos: estéticas da linguagem audiovisual</p><p>Objetivos</p><p>1. O cinema mudou o mundo e o mundo mudou o cinema</p><p>Teoria em prática</p><p>Verificação de leitura</p><p>Referências bibliográficas</p><p>Gabarito</p><p>Análise da Produção Nacional: identidade, estética e linguagem</p><p>Objetivos</p><p>1. Audiovisual no Brasil</p><p>2. As políticas públicas de cultura e o audiovisual</p><p>3. Filmes Brasileiros para não deixar de ver</p><p>Teoria em prática</p><p>Verificação de leitura</p><p>Referências bibliográficas</p><p>Gabarito</p><p>Produção audiovisual na Internet: estética e linguagem de produções em plataformas digitais</p><p>Objetivos</p><p>1. Uma história recente</p><p>2. Youtuber ou digital influencer?</p><p>3. O que é preciso para ser um digital influencer de sucesso</p><p>4. Audiovisual nas redes sociais</p><p>Teoria em prática</p><p>Verificação de leitura</p><p>Referências bibliográficas</p><p>Gabarito</p><p>Os novos modelos de produção audiovisual e o formato streaming</p><p>Objetivos</p><p>1. Tecnologia streaming</p><p>2. Conceito de streaming</p><p>3. Modelos de distribuição streaming</p><p>4. Mais opções</p><p>Teoria em prática</p><p>Verificação de leitura</p><p>Referências bibliográficas</p><p>Gabarito</p><p>ou seja, pelas bordas (marginalia) e desenhos</p><p>em miniatura, o termo ‘iluminuras’ refere-se a qualquer manuscrito</p><p>decorado ou ilustrado nas tradições ocidentais.</p><p>A iluminação dos manuscritos, como forma de engrandecer</p><p>documentos antigos, auxiliou sua preservação e valor informativo em</p><p>uma era em que novas classes dominantes não eram mais alfabetizadas</p><p>na linguagem usada nos manuscritos.</p><p>Figura 6 – Tomo antigo com ilustração em miniatura, aberto dentro de</p><p>uma vitrine da biblioteca nacional austríaca. Viena, Áustria.</p><p>Fonte: Cristiano Alessandro/iStock.com.</p><p>2020</p><p>Manuscritos iluminados continuaram a ser produzidos no início do</p><p>século XVI, mas em números muito menores e, principalmente, para</p><p>os muito ricos. Eles estão entre os itens mais característicos da arte</p><p>da Idade Média; e também são os mais bem conservados exemplares</p><p>sobreviventes da pintura medieval. De fato, para alguns períodos de</p><p>tempo, eles são os únicos exemplos sobreviventes de pintura.</p><p>7. Baixa Idade Média</p><p>A Baixa Idade Média teve início depois do ano 1000. O estilo artístico</p><p>predominante nesse período é o Gótico, que se desenvolveu no norte</p><p>da França a partir de arte românica no século XII, acompanhado pelo</p><p>desenvolvimento simultâneo da arquitetura e se espalhou por toda a</p><p>Europa Ocidental e grande parte da Europa Central e do Sul.</p><p>As mudanças facilmente reconhecíveis na arquitetura, do romanesco ao</p><p>gótico, e do gótico ao renascentista, são frequentemente usadas para</p><p>definir os períodos da arte e a arquitetura gótica é bastante particular.</p><p>As características mais marcantes da arquitetura gótica eram elementos</p><p>de engenharia, como o arco pontiagudo e o cofre de ‘costelas’, que</p><p>permitiam maior altura e mais espaço para as janelas nos edifícios,</p><p>assim como o uso extensivo de vitrais e as rosáceas, para trazer luz</p><p>e cor para o interior (DUCHER, 1988, p.46). Essas características já</p><p>existiam na arquitetura românica, mas foram usadas de forma mais</p><p>ampla e inovadora para tornar as catedrais góticas “mais altas, mais</p><p>fortes e cheias de luz” (BECHMANN, 1981, p.180).</p><p>A Catedral Basílica de Saint Denis (Figura 7), em Île-de-France, datada</p><p>do início do século XII, concluída em 1144, mostra o primeiro uso de</p><p>todos os elementos da arquitetura gótica numa construção, embora</p><p>a Catedral de Dublim, na Irlanda, fundada no ano 1030 já possa ser</p><p>classificado como estilo pré-gótico.</p><p>2121 21</p><p>Figura 7 – Catedral de St. Denis Paris, França</p><p>Fonte: Stockam/iStock.com.</p><p>O estilo gótico se firmou com a ascensão das cidades, a fundação de</p><p>universidades, o aumento do comércio, o estabelecimento de uma</p><p>economia baseada no dinheiro e a criação de uma classe burguesa</p><p>que podia se dar ao luxo de patrocinar as artes e comissionar obras,</p><p>assim, as formas de arte no período gótico incluem escultura, pintura de</p><p>painéis, vitrais, afrescos e também ainda os manuscritos iluminados.</p><p>Na arte gótica são encontradas imagens cristãs, com ilustrações de</p><p>histórias do Novo e do Antigo Testamentos, lado a lado, e as histórias</p><p>de vida dos santos eram frequentemente descritas em imagens, assim</p><p>como as representações da Virgem Maria, que mudaram da forma</p><p>icônica bizantina para uma mãe mais humana e afetuosa, acariciando</p><p>seu bebê, e mostrando as maneiras refinadas de uma dama</p><p>aristocrática e bem-educada da corte.</p><p>No final do século XIV, desenvolveu-se o sofisticado estilo de corte do</p><p>gótico internacional, que caracteriza o estilo, como o arco em bico,</p><p>e que continuou a evoluir até o final do século XV. Especialmente na</p><p>Alemanha, a arte gótica tardia continuou até o século XVI, antes de ser</p><p>incluída na arte renascentista.</p><p>2222</p><p>Idade Moderna</p><p>O início do século XVI e o período compreendido entre 1453 e 1789 - data</p><p>que marca o início da Revolução Francesa -, chama-se Idade Moderna</p><p>e, junto com o Renascimento, a Era dos Descobrimentos e a Reforma</p><p>Protestante, caracterizam um período de grandes transformações em</p><p>todo o mundo. É importante não confundir Idade Moderna, com Arte</p><p>Moderna, movimento artístico que só vai acontecer no século XX.</p><p>O período moderno tardio começou aproximadamente em meados do</p><p>século XVIII; com marcos históricos que incluem a Revolução Americana,</p><p>a Revolução Industrial, a Grande Divergência e a Revolução Russa.</p><p>Com todos os acontecimentos, mais os avanços científicos que</p><p>acompanharam as evoluções, era de se esperar que as artes refletissem</p><p>todas essas transformações.</p><p>Renascimento</p><p>Também chamado de Renascença, foi um dos mais produtivos períodos</p><p>artísticos, marcando a transição da Idade Média para a modernidade,</p><p>numa ruptura com o passado, e do feudalismo para o capitalismo.</p><p>Iniciado na Toscana, região da Itália, ficou conhecido como a “italianização</p><p>da Europa” pela busca da revalorização das referências da Antiguidade</p><p>Clássica Romana, em oposição direta ao dogmatismo religioso que</p><p>dominava a Idade Média. Racionalidade e ciência são a base na validação</p><p>do ser humano no centro da Criação, e por isso deu-se à principal</p><p>corrente de pensamento deste período o nome de humanismo.</p><p>A pintura é fortemente representada, o desenho era considerado a base</p><p>de todas as artes visuais e seu domínio era um requisito fundamental</p><p>para todo artista. Contando com artistas como Michelangelo, Leonardo</p><p>da Vinci, Rafael e muitos outros, distribuídos entre as fases do Trecento,</p><p>a Quattrocento, a Alta Renascença, o Cinquecento e o Maneirismo</p><p>italiano, a Renascença é um manancial de arte de qualidade inegável.</p><p>2323 23</p><p>Uma das características distintivas da arte renascentista foi o</p><p>desenvolvimento de uma perspectiva linear altamente realista, que foi</p><p>parte de uma tendência mais ampla em direção ao realismo nas artes.</p><p>Os pintores desenvolveram outras técnicas, estudando luz, sombra e,</p><p>especialmente no caso de Leonardo da Vinci, a anatomia humana.</p><p>Figura 8 – O Homem Vitruviano de Leonardo da Vince</p><p>Fonte: Vaara/iStock.com.</p><p>Em paralelo a essas mudanças nos métodos artísticos, também surgia</p><p>um desejo renovado de retratação da natureza e desvendar questões</p><p>da estética, com os trabalhos de Leonardo, Michelangelo e Rafael</p><p>representando o ápice artístico do belo, que foram muito imitados</p><p>por outros artistas. São ainda notáveis no período: Sandro Botticelli,</p><p>trabalhando para os Medici, em Florença, Donatello, outro florentino, e</p><p>Ticiano, em Veneza, entre outros.</p><p>2424</p><p>Barroco</p><p>Desenvolveu-se, primeiramente, nas artes visuais, em especial pintura</p><p>e escultura, manifestando-se também na literatura, teatro e na música.</p><p>Surgiu no século XVII, na Itália, e se estendeu por toda a Europa.</p><p>Holanda, Bélgica, França e Espanha em especial, permanecendo ativo</p><p>até o XVIII. Na América Latina chegou ainda no século XVII, trazido por</p><p>artistas que viajavam para estudar na Europa.</p><p>Aconteceu em paralelo à contrarreforma do catolicismo (em reação á</p><p>reforma protestante) iniciada com a convocação do Concílio de Trento</p><p>(1545-1563). Foi financiado pela Igreja Católica, que patrocinou grande</p><p>parte da produção artística da época como parte da estratégia de</p><p>recobrar os fiéis perdidos para os protestantes, por meio de uma arte</p><p>carregada de intencionalidade político-religiosa. Obras impregnadas</p><p>de imagens naturalistas com temas da espiritualidade, como que para</p><p>construir uma visão “real” de conceitos abstratos religiosos, como</p><p>paraíso, céu e inferno, anjos e demônios.</p><p>Figura 9 – O Êxtase de Santa Teresa</p><p>Fonte: Filipe Lopes/iStock.com.</p><p>2525 25</p><p>Elementos rebuscados, retorcidos, excesso de detalhes, ouro e prata,</p><p>além de pedras preciosas, acrescentam a suntuosidade exagerada que</p><p>caracteriza o período. Na arquitetura, o palácio de Versalhes talvez não</p><p>seja a sua expressão maior, mas é um exemplo consistente do barroco</p><p>francês. Os principais artistas barrocos foram: Caravaggio, Pieter</p><p>Bruegel, Bernini (Figura 9), Van Dyck, Rembrandt, Diego Velasquez.</p><p>No Brasil, o Barroco assumiu características bastante significativas.</p><p>Enquanto na Europa o barroco encerrou-se definitivamente no fim do</p><p>século XIV, com o início</p><p>das vanguardas, por aqui ele influenciou até</p><p>por boa parte do século XX, com especial destaque para o Barroco</p><p>Mineiro, que tem em Aleijadinho (escultor) e Mestre Ataíde (pintor) seus</p><p>principais representantes.</p><p>Neoclassicismo e o Iluminismo</p><p>Ao final do século XVIII – o século das luzes – o mundo conhece um novo</p><p>movimento cultural: o Iluminismo. Também chamado de Século de</p><p>Frederico, em referência ao rei filósofo Frederico da Prússia. O século da</p><p>razão, do pensamento, em que nomes como Newton, Espinosa, Locke,</p><p>Descartes, Diderot, Montesquieu, Pope, Gibbon, Rousseau, Hume, Voltaire</p><p>e Kant surgem e se destacam, espalhando seus ideais de pensamento</p><p>laico. O homem é o centro e seu pensamento é seu guia, sem necessidade</p><p>de igreja ou reis para dizerem o que ele deve ou não fazer e pensar.</p><p>Alguns consideram a publicação de Isaac Newton, ‘Principia</p><p>Mathematica’, de 1687, como o primeiro grande trabalho iluminista.</p><p>Porém, os historiadores datam o Iluminismo entre 1715 a 1789, desde</p><p>o início do reinado de Luís XV até a Revolução Francesa e terminando</p><p>na virada do século XIX. O período se caracteriza pela ampla divulgação</p><p>de ideias de filósofos e cientistas, por meio de encontros em academias</p><p>científicas, lojas maçônicas, salões literários, cafeterias e em livros</p><p>impressos, revistas e panfletos. As ideias do Iluminismo minaram</p><p>a autoridade da monarquia e da Igreja e abriram o caminho para</p><p>2626</p><p>as revoluções políticas dos séculos XVIII e XIX. Uma variedade de</p><p>movimentos do século XIX, incluindo o liberalismo e o neoclassicismo,</p><p>consolidam-se como herança intelectual.</p><p>A arte produzida no período se chama Neoclássica e um dos principais</p><p>destaques é Goya, que abraçou os princípios iluministas, acreditava</p><p>na razão e na liberdade como os caminhos a serem seguidos pela</p><p>humanidade. “O triunfo da claridade sobre as trevas, herdado do Iluminismo,</p><p>é celebrado reiteradamente por obras demonstrativas de uma tradição</p><p>consolidada.” (COLI, 1996, p.303). Outros artistas que merecem menção</p><p>são: Joseph Wrigth, com seus fortes efeitos de luz e sombra (princípios do</p><p>chiaroscuro), utilizava luz artificial e, principalmente, velas; Jacques Louis</p><p>David, com seus “A Morte de Marat” e “O Juramento dos Horácios”.</p><p>O Neoclassicismo no Brasil deve sua existência à influência europeia,</p><p>onde era cultivado desde meados do século XVIII. Com a instalação</p><p>da corte portuguesa no Rio de Janeiro desde 1808, a arquitetura sofre</p><p>imenso impacto neoclássico, trazido pelas preferências dos europeus</p><p>que aqui chegaram e, com a chegada da Missão Artística Francesa,</p><p>em 1816, e a fundação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, o</p><p>neoclassicismo, com seus arcos e deuses, foi institucionalizado e seu</p><p>ensino sistematizado num modelo conhecido como Academismo.</p><p>A Arte Moderna - Os Ismos</p><p>O século XIX foi uma época agitada para as artes. Durante e maior parte</p><p>do século, o Neoclassicismo, o Romantismo e o Realismo se alternaram</p><p>como principais estilos. Na aproximação do fim do século, no entanto,</p><p>os avanços tecnológicos e científicos, como a invenção da fotografia e do</p><p>cinema, os questionamentos sobre qual seria, então, a função da arte,</p><p>agitam a cena artística mundial.</p><p>Surgiram: o Impressionismo, Pós-Impressionismo, Expressionismo,</p><p>Fauvismo, Cubismo, Abstracionismo, Futurismo, Dadaísmo, Surrealismo,</p><p>Construtivismo, Concretismo, Simbolismo... São tantos os “ismos”</p><p>distribuídos em pouco tempo, muitos deles em paralelo. O maior</p><p>destaque é a efervescência em que o mundo das artes se encontrava na</p><p>virada do século XX.</p><p>2727 27</p><p>E a chamada Arte Moderna. O modernismo abrange vários estilos,</p><p>com uma ideia em comum: questionar a arte convencional. Cada um</p><p>desses movimentos tem suas características próprias, artistas que os</p><p>representam em maior ou menor intensidade, e mesmo alguns que</p><p>iniciam suas carreiras num movimento, atravessam outros, ou mudam</p><p>seus estilos ao longo do tempo.</p><p>Cada um dos movimentos merece ser estudado detalhadamente, para</p><p>que se possa conhecer suas visualidades, porém é mais importante</p><p>ainda entender a transição que a arte enfrentou nessas buscas dos</p><p>artistas. Ou seja, entender o percurso de construção da visualidade</p><p>contemporânea da representação da realidade para a sua interpretação,</p><p>pelas novas e diversas formas propostas pelos artistas.</p><p>Da imagem como índice até a imagem/objeto conceito de Duchamp,</p><p>a abstração cromática de Kandinsky, que deságua no expressionismo</p><p>e, posteriormente, na iconização. Ou da análise formal cubista, que</p><p>também abstrai, só que pela forma. Passa pela análise lógica de</p><p>Mondrian, a cinética e o minimalismo, alterando a percepção da função</p><p>da arte, ampliando possibilidades e abrindo perspectivas. Assim, a arte</p><p>contemporânea resultante desse processo assimila, digere e retorna</p><p>tudo isso em sua essência.</p><p>Para compreender a visualidade contemporânea, é preciso entender,</p><p>também, como ela se formou, constituindo-se como resultado de</p><p>séculos de experimentações, pesquisas e conhecimento acumulados,</p><p>desde os povos primitivos.</p><p>A Semana de Arte Moderna de 1922</p><p>O Brasil foi descoberto durante a época das Grandes Navegações, em</p><p>1500, ou seja, no início da Idade Moderna. Assim, é comum acreditar</p><p>que a história da arte do Brasil se resuma às manifestações artísticas</p><p>ocorridas depois da colonização. Porém, as primeiras manifestações</p><p>artísticas do Brasil, como dos povos primitivos, registradas na Serra da</p><p>Capivara, no Piauí, e a arte indígena mostram que a arte está no Brasil</p><p>desde bem antes dos portugueses aportarem nas terras brasileiras.</p><p>2828</p><p>No início do século XX, com a arte brasileira espelhando as influências</p><p>da Europa e suas escolas artísticas, um grupo de intelectuais brasileiros,</p><p>composto por artistas, escritores e jornalistas, incomodava-se com a</p><p>falta de uma identidade nas produções nacionais.</p><p>Dessas inquietações, surgiu a ideia de realizar uma Semana de Arte,</p><p>que se configurou como um evento sem precedentes de arte e cultura.</p><p>Foram feitas experimentações e proposições que rompiam com cânones</p><p>da arte clássica, buscando a renovação das linguagens, conceitos e</p><p>mesmo formas de proposição artística, como a declamação poética,</p><p>que até então não era considerada arte. Foi também proposta a</p><p>apresentação de maquetes, trazendo aproximação da arquitetura, até</p><p>então somente vista em desenhos bidimensionais.</p><p>A Semana de Arte Moderna de São Paulo ocorreu entre os dias 11 e 18</p><p>de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal da cidade de São Paulo e se</p><p>perpetuou como marco oficial do início do modernismo no Brasil.</p><p>Participaram do evento: Mário de Andrade, Oswald de Andrade,</p><p>Víctor Brecheret, Anita Malfatti, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet,</p><p>Heitor Villa-Lobos, Tácito de Almeida, Di Cavalcanti e, do Rio de</p><p>Janeiro, vieram os artistas Plínio Salgado e Menotti Del Picchia. Tarsila</p><p>do Amaral, artista brasileira modernista, cujo nome está intima e</p><p>constantemente ligado aos demais artistas, não participou do evento,</p><p>porque estava em viagem à Paris na ocasião.</p><p>Resumindo...</p><p>Nesta aula vimos um resumo amplo da História da Arte, concentrando</p><p>nossa atenção nas características estéticas que construíram o percurso</p><p>que nos levou do surgimento da arte à idade moderna e concentramos</p><p>nosso interesse na Semana de Arte Moderna de 1922, marco da arte</p><p>brasileira que proporcionou a efetivação de uma arte nacional, com</p><p>características próprias.</p><p>2929 29</p><p>Partimos da Pré-História, passamos pela Antiguidade, Idade Média,</p><p>Idade Moderna chegando à Contemporaneidade, percebendo que o</p><p>movimento pendular, ou seja, hora se aproximando, hora se afastando</p><p>dos ideias clássicos, é uma constante ao longo dos séculos e podemos</p><p>constatar que a arte manteve, ao longo de todo esse mesmo tempo, um</p><p>diálogo constante com os acontecimentos da história da humanidade e da</p><p>evolução da ciência, visto que a própria ideia de evolução, tão natural para</p><p>nós nos dias de hoje, vem da ciência. Naturalmente que não tratamos de</p><p>toda a História da Arte, da Pré-História</p><p>à Contemporaneidade. O objetivo</p><p>principal foi o de fazermos justamente uma vista panorâmica para ajudar a</p><p>sua compreensão da construção da visualidade contemporânea, refletida</p><p>nos produtos audiovisuais que nossa sociedade produz e consome.</p><p>Desse modo, do “pensamento mágico” primitivo, que fazia com que</p><p>pintassem animais nas cavernas com a ideia de projetar sua vitória nas</p><p>caçadas, passando pelos objetos rituais de tribos africanas e indígenas</p><p>que buscavam “representar as várias figuras e totens de seus mitos”</p><p>(GOMBRICH, 2000, p. 21), passando pelo Egito antigo; pela arte grega,</p><p>com sua busca da representação do belo; pela religiosidade da idade</p><p>média e o racionalismo pragmático do Renascimento; até chegar</p><p>à Realidade Virtual da contemporaneidade, podemos ressaltar a</p><p>necessidade de representação visual de sua cultura e seus ideais.</p><p>TEORIA EM PRÁTICA</p><p>Reflita sobre a seguinte situação: você já deve ter reparado</p><p>que o que é arte hoje em dia é muitas vezes bem diferente</p><p>do que as expectativas das pessoas consideram que</p><p>seja arte. Como você responderia a uma pessoa que</p><p>questione um trabalho de arte contemporânea com a</p><p>pergunta “mas isso é arte?”, diante de um trabalho que</p><p>ela não compreenda ou em que seja tratado algum tema</p><p>socialmente polêmico? Como explicaria que o conceito de</p><p>arte hoje não segue os mesmos padrões da antiguidade,</p><p>tanto em forma quanto em conteúdo?</p><p>3030</p><p>VERIFICAÇÃO DE LEITURA</p><p>1. No que se baseia a arte primitiva?</p><p>a. No conceito do belo clássico.</p><p>b. Em representações realísticas do pensamento mágico.</p><p>c. Em imagens e rituais para se proteger da natureza.</p><p>d. Para decorar as cavernas para ficarem mais bonitas.</p><p>e. Para representar uma ideia ou um fim religioso.</p><p>2. Na arte gótica são encontradas:</p><p>a. Esculturas sobre as histórias de vida dos santos.</p><p>b. Arcos redondos e construções baixas e robustas.</p><p>c. Imagens cristãs, com ilustrações de histórias somente</p><p>do Novo Testamentos.</p><p>d. Representações da Virgem Maria mostrando as</p><p>maneiras de uma dama da corte.</p><p>e. Templos originais romanos transformados em</p><p>templos católicos, numa tentativa de manter o</p><p>poderio católico.</p><p>3. São artistas do Renascimento:</p><p>a. Caravaggio, Pieter Bruegel e Bernini.</p><p>b. Van Dyck, Rembrandt e Diego Velasquez.</p><p>c. Michelangelo, Leonardo da Vinci e Rafael.</p><p>d. Newton, Espinosa, Locke e Descartes.</p><p>e. Montesquieu, Rousseau e Voltaire.</p><p>3131 31</p><p>Referências bibliográficas</p><p>ADAMS, L.S. A History of Western Art. 3. ed. Boston: McGraw Hill, 2001.</p><p>ARAUJO, A.A.L.; VIEIRA, A.L.B. As Visões Historiográficas sobre o “pão e circo”: a</p><p>plebs no contexto político social da Roma imperial, séculos I-II d.C. 2015. In: Revista</p><p>Mundo Antigo, Ano IV, v. 4, n. 07, jun. 2015. Disponível em: http://www.nehmaat.</p><p>uff.br/revista/2015-1/artigo01-2015-1.pdf. Acesso em: 17 maio 2019.</p><p>ARISTÓTELES. Poética. 3. ed. Trad. Ana Maria Valente. Lisboa: Fundação Calouste</p><p>Gulbekian, 2008.</p><p>BECHMANN, R. Les racines des cathédrals. Paris: Payot, 1981, p. 178-188.</p><p>BENTON, J.R. Art of the Middle Ages. Col: World of Art. London and New York:</p><p>Thames & Hudson, 2002.</p><p>BROCKETT, O.G. & HILDY, F. History of the Theatre. USA: Allyn and Bacon, 1999.</p><p>COLI, Jorge. O sono da razão produz monstros. In: NOVAES, A. (Org.) A crise da</p><p>razão. São Paulo: Cia das Letras, 2006.</p><p>DUCHER, R. Caractéristique des Styles. Paris: Flammarion, 1988.</p><p>DE HAMEL, C. Uma História do Manuscrito Iluminado. New York: Phaidon, 1986.</p><p>. Artesãos medievais: escribas e iluminações. Búfalo: Universidade de</p><p>Toronto, 1992.</p><p>. Guia da Biblioteca Britânica de Iluminação de Manuscritos: História e</p><p>Técnicas. Toronto: Universidade de Toronto, 2001.</p><p>DOWELL, C.R. The Pictorial Arts of the West: 800–1200. Col: Pellican History of Art.</p><p>New Haven: Yale University Press, 1993.</p><p>GARRAFFONI, R.S. Panem et circenses: O século XIX e a construção de um conceito.</p><p>In: GARRAFFONI, R.S. Gladiadores na Roma antiga: Dos combates às paixões</p><p>cotidianas. São Paulo: Annablume: 2005, cap. II.1, p. 68-91.</p><p>GOMBRICH, E.H. A História da Arte. 16. ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2000.</p><p>HAWASS, Z. Rei Tut: segredo de família. In: National Geographic do Brasil. Ano 11,</p><p>n. 126, set. 2010, p. 44-69.</p><p>KANT, I. Que é esclarecimento? In: KANT, I. Textos Seletos. 2. ed. Petrópolis: 1985,</p><p>p.100-117.</p><p>LE ROUX, P. Império Romano. Trad. William Lagos. São Paulo: LP&M, 2009.</p><p>LÉVY-BRUHL, L. La Mentalité primitive. Paris: Librairie Félix Alcan, 1922.</p><p>MALUF, S.D. & AQUINO, R.B. (Org.) Dramaturgia em cena. Maceió/Salvador: UFAL/</p><p>EDUFRA, 2006.</p><p>PUTAM, A.M. Livros e seus criadores durante a Idade Média. Vol. 1. New York:</p><p>Hillary House, 1962.</p><p>http://www.nehmaat.uff.br/revista/2015-1/artigo01-2015-1.pdf</p><p>http://www.nehmaat.uff.br/revista/2015-1/artigo01-2015-1.pdf</p><p>3232</p><p>REEVES, C.N. Bulletin of the Egyptological Seminar, v.19. [S.l.]: New York:</p><p>Egyptological Seminar of New York, 2015.</p><p>TITO, L. História de Roma - Livro I - A Monarquia. Trad. Mônica Costa Vitorino.</p><p>Belo Horizonte: Crisálida, 2008.</p><p>Gabarito</p><p>Questão 1 – Resposta: E</p><p>O povos primitivos não faziam distinção entre imagem e realidade</p><p>e, portanto, também não faz sentido avaliar as manifestações</p><p>primitivas com relação às técnicas de representação, pois as</p><p>imagens não tinham função de expressar realidade, mas sim</p><p>de representar uma ideia ou um fim religioso, sejam pinturas,</p><p>esculturas, objetos, máscaras ou monumentos megalíticos.</p><p>Questão 2 – Resposta: D</p><p>As características mais marcantes da arquitetura gótica eram</p><p>elementos de engenharia, como o arco pontiagudo e o cofre de</p><p>‘costelas’, que permitiam maior altura e mais espaço para as janelas</p><p>nos edifícios, assim como o uso extensivo de vitrais e as rosáceas</p><p>para trazer luz e cor para o interior. Imagens cristãs, com ilustrações</p><p>de histórias do Novo e do Antigo Testamentos, lado a lado, e as</p><p>histórias de vida dos santos eram frequentemente descritas em</p><p>imagens, assim como as representações da Virgem Maria, que</p><p>mudaram da forma icônica bizantina para uma mãe mais humana e</p><p>afetuosa, acariciando seu bebê, e mostrando as maneiras refinadas</p><p>de uma dama aristocrática e bem-educada da corte.</p><p>Questão 3 – Resposta: C</p><p>Caravaggio, Pieter Bruegel, Bernini, Van Dyck, Rembrandt e Diego</p><p>Velasquez são artistas do Barroco. Newton, Espinosa, Locke,</p><p>Descartes, Diderot, Montesquieu, Pope, Gibbon, Rousseau, Hume,</p><p>Voltaire não são artistas, são filósofos. Os artistas do renascimento</p><p>são: Michelangelo, Leonardo da Vinci e Rafael.</p><p>3333 33</p><p>Cultura Popular, Cultura de</p><p>Massa, Indústria Cultural e o Kitsch</p><p>Autora: Jurema L. F. Sampaio</p><p>Objetivos</p><p>• Compreender a influência dos movimentos</p><p>artísticos na produção de conteúdo audiovisual.</p><p>• Compreender o modo como a cultura de massa</p><p>se constrói e como se manifestam os repertórios</p><p>criativos na produção de conteúdo.</p><p>• Diferenciar conceitos como cultura popular,</p><p>gosto e Kitsch nas produções audiovisuais.</p><p>3434</p><p>1. O que é cultura?</p><p>No que diz respeito ao conceito de cultura, segundo Alfredo Bosi (1992,</p><p>p.53), em seu livro Dialética da Colonização, este vem do verbo ‘colo’</p><p>que, para os antigos romanos, significava ‘eu cultivo’, em particular, o</p><p>solo. O sentido básico de ‘colo’ é ‘tomar conta’, ou seja, cuidar. ‘Cultus’,</p><p>o particípio passado de ‘colo’, é aquilo que já foi trabalhado. De ‘cultus’</p><p>deriva outro particípio, o futuro, ‘culturus’, que é o que será trabalhado.</p><p>Inicialmente, a palavra cultura, por ser um derivado de ‘colo’, significava,</p><p>rigorosamente, “aquilo que deve ser cultivado” (BOSI, 1992, p. 53).</p><p>Ainda segundo Bosi (1992, p. 53), “esse significado material da palavra,</p><p>relacionado com a sociedade agrária, durou séculos” e, do ponto de vista</p><p>histórico, a cultura se aproximou de ‘colo’ e se distanciou de ‘cultus’.</p><p>É nesse sentido que compreender o que é cultura é de fundamental</p><p>importância, pois conhecer a cultura do outro é saber como este ser</p><p>humano pode complementar a nossa. Conhecemos muito sobre nós</p><p>mesmos ao compreender o outro, pois:</p><p>[...] o alimento, o vestuário, a relação homem-mulher, a habitação,</p><p>os</p><p>hábitos de limpeza, as práticas de cura, as relações de parentesco, a</p><p>divisão das tarefas durante a jornada e, simultaneamente, as crenças,</p><p>os cantos, as danças, os jogos, a caça, a pesca, o fumo, a bebida,</p><p>os provérbios, os modos de cumprimentar, as palavras tabus, os</p><p>eufemismos, o modo de olhar, o modo de sentar, o modo de andar, o</p><p>modo de visitar e ser visitado, as romarias, as promessas, as festas de</p><p>padroeiro, o modo de criar galinha e porco, os modos de plantar feijão,</p><p>milho e mandioca, o conhecimento do tempo, o modo de rir e de chorar,</p><p>de agredir e de consolar. (BOSI, 1992, p. 53).</p><p>As diversas matrizes que embasam a cultura brasileira colaboram na</p><p>composição da identidade das produções brasileiras e originam-se de</p><p>práticas culturais diversas, sejam elas regionais ou nacionais. Desse</p><p>modo, é possível compreender que a “cultura é o conjunto das práticas,</p><p>das técnicas, dos símbolos e dos valores que se devem transmitir às novas</p><p>gerações para garantir a reprodução de um estado de coexistência social”</p><p>3535 35</p><p>(BOSI, 1992, p.10). Seus valores e estéticas, somados aos conceitos,</p><p>análises e reflexões acerca de propostas como Indústria Cultural, Cultura</p><p>de Massa, Cultura Popular; às relações entre todas as possibilidades</p><p>derivadas dessas reflexões e, ainda, às variadas proposições estéticas que</p><p>circulam desde a modernidade, como o kitsch etc., ora complementam,</p><p>ora questionam as produções audiovisuais contemporâneas.</p><p>A estética das produções audiovisuais brasileiras reflete essa</p><p>multiplicidade de valores estéticos e multiculturais que compõem nossa</p><p>cultura e, assim, abarcam uma imensa pluralidade de estilos e modos</p><p>de ser e fazer, mas mantêm em comum um traço de brasilidade, já</p><p>defendido pelos modernistas, mesmo que, contemporaneamente,</p><p>suavizados pela globalização.</p><p>2. O que é cultura de massa?</p><p>Para Adorno e Horkheimer (1947), Indústria Cultural, voltada para</p><p>produção de bens culturais voltados para serem consumidos sem</p><p>crítica pela massa (1947, p.117) ,distingue-se de Cultura de Massa,</p><p>propriamente, pois “o entretenimento e os elementos da indústria cultural</p><p>já existiam muito tempo antes dela” [a cultura de massa] (1947, p. 63).</p><p>Os processos de produção e distribuição diferenciam os conceitos</p><p>um do outro, isso porque a Indústria Cultural, “ao mesmo tempo que</p><p>já determina o consumo, ela descarta o que ainda não foi experimentado</p><p>porque é um risco” (1947, p.63). E o que está em risco é o lucro. E o lucro</p><p>é a meta, portanto, não pode ser colocado em risco.</p><p>Como Cultura de Massa se origina do povo, seus costumes e modos de</p><p>ser e agir, das regionalizações, e não tem necessariamente ambições</p><p>comerciais, ou seja, não visa ser objeto de venda como meta existencial,</p><p>seu objetivo maior é atingir ao maior número de expectadores/</p><p>consumidores, porém mantendo suas características estéticas originais.</p><p>Já a Indústria Cultural se concentra na repetição massiva de padrões</p><p>estéticos intencionalmente construídos com a finalidade de que sejam</p><p>consumidos, visando o lucro de quem os negocia.</p><p>3636</p><p>É certo que a arte e a cultura, sejam populares ou eruditas (embora essa</p><p>diferenciação também posso ser questionada e problematizada, pois</p><p>carrega em si uma visão específica de modos de produção de arte e</p><p>cultura bastante carregados de ideologias), também podem ser (e são!)</p><p>comercializadas, porém o lucro a qualquer curso não é seu objetivo</p><p>primordial ou principal. Não é sua motivação ou razão de ser. Ou seja,</p><p>arte e cultura produzidas sem originalidade e espontaneidade, feitas a</p><p>fim de atender a um padrão estético de consumo pré-estabelecido, a</p><p>ser comercializada segundo interesses que sejam relativos somente à</p><p>geração de maior lucro, é a essência da Indústria Cultural.</p><p>A Cultura de Massa é, muitas vezes, chamada erroneamente de Cultura</p><p>Popular. O erro se dá por se acreditar que algo ser “popular” seja</p><p>sinônimo de ser massificado e feito exclusivamente com objetivos</p><p>comerciais, ou seja, produzido e consumido sem nenhuma reflexão</p><p>estética, o que não é verdadeiro. Os produtos da Cultura Popular refletem</p><p>as questões estéticas do povo, das comunidades que os produzem.</p><p>É preciso entender, também, que ‘massa’ não é uma definição de classe</p><p>social, e sim uma forma de se referir a maioria da população. Cultura</p><p>de Massa se refere ao alcance numérico de conhecedores. Quanto</p><p>mais gente conhecer e consumir algo, ou seja, a massa (em termos</p><p>numéricos), “melhor”.</p><p>A Cultura de Massa pode ser tanto popular quanto erudita, pois a</p><p>classificação de ‘massa’ não faz referência ao tipo ou qualidade do</p><p>produto cultural e, certamente, a Indústria Cultural se baseia em</p><p>distribuição de seus produtos junto à massa, porém sem buscar</p><p>promover novas experimentações estéticas, e mesmo desencorajando-</p><p>as. As experiências estéticas da cultura de massa são, muitas vezes,</p><p>superficiais, porém proporcionam senso de coletividade à massa</p><p>exposta a elas. Absorve as criações cotidianas populares e elabora</p><p>um ou mais produtos a partir de representações populares, sem se</p><p>preocupar com as significações, e esses produtos só terão vida por</p><p>pouco tempo, pois logo perderão a representação e, então, um novo</p><p>produto será criado, vendido e consumido. Num círculo vicioso que cada</p><p>vez mais pede “novidades”, porém que sejam “seguras”.</p><p>3737 37</p><p>No entanto, é necessário perceber que nem tudo é negativo em</p><p>relação à Indústria Cultural. Muitos pesquisadores acreditam, com</p><p>razão, que, por meio dela, também se pode conseguir alcançar a</p><p>democratização de acesso a produtos culturais pela massa que, de</p><p>outra forma, ficariam restritos às regiões produtoras daquela forma</p><p>ou manifestação, ou a um público restrito.</p><p>PARA SABER MAIS</p><p>Para discutir e estudar sobre Cultura de Massa e suas</p><p>relações com as produções audiovisuais, é importante</p><p>e necessário conhecer e compreender bem o conceito</p><p>de “Indústria Cultural”. Se você ainda não o conhece ou</p><p>tem dúvidas de seu entendimento efetivo, vale a pena</p><p>pesquisar um pouco para aprofundar sua compreensão. O</p><p>termo foi cunhado pelos alemães Theodor Adorno e Max</p><p>Horkheimer para se referir ao lugar da arte na sociedade</p><p>capitalista industrial, na década de 1940, no livro Dialética</p><p>do Esclarecimento: Fragmentos Filosóficos, no capítulo</p><p>chamado “O iluminismo como mistificação das massas”,</p><p>publicado em 1947. Procure conhecer mais sobre Indústria</p><p>Cultural lendo os livros abaixo indicados:</p><p>1. ADORNO, Theodor & HORKHEIMER, Max. Dialética do</p><p>Esclarecimento: Fragmentos Filosóficos, 1947.</p><p>2. ADORNO, Theodor. Indústria cultural e sociedade.</p><p>Seleção de textos Jorge Mattos Brito de Almeida, trad.</p><p>Juba Elisabeth Levy... [et a1.]. São Paulo: Paz e Terra, 2002.</p><p>2.1 Cultura popular X Cultura erudita</p><p>Ao longo da história sempre nos deparamos com ideias interessantes,</p><p>que são apresentadas como opostas entre si, como os termos ‘cultura</p><p>popular’ e ‘cultura erudita’. Em linhas gerais, essa classificação separa</p><p>3838</p><p>a cultura em dois tipos, de acordo com a sua forma de produção,</p><p>sendo a cultura popular feita e destinada ao povo, e a cultura erudita,</p><p>idem, feita e destinada a um público elitizado, que se diferencia</p><p>do povo, por deter um certo nível de ‘saberes’, necessariamente</p><p>superiores aos populares.</p><p>A sociedade de classes separa ‘ato’ de ‘projeto’, o ‘saber’ do ‘fazer’,</p><p>destinando o saber às classes sociais mais abastadas e o fazer aos</p><p>menos favorecidos economicamente e, por isso, considerados inferiores.</p><p>Essas são noções surgidas a partir do ideário romântico europeu</p><p>do século XIX, e são as mesmas que dão origem ao termo Folclore,</p><p>neologismo inglês folk-lore, que designa o “saber do povo”,</p><p>diferenciando-o do “saber erudito” (CASCUDO, 2002, p. 240). Porém, se</p><p>a sociedade não fosse dividida em classes, não haveria uma ‘Cultura</p><p>Popular’, pois esta não teria como se opor à outra cultura qualquer.</p><p>Figura 1 – Ciclo da construção das produções culturais</p><p>Fonte: Elaborada pela autora.</p><p>“Saber” e “fazer” são partes de um todo na construção dos objetos</p><p>culturais (Figura 1) e se alimentam reciprocamente na construção da</p><p>cultura. Assim como Cultura Popular e Cultura Erudita são, ambas, parte</p><p>da Cultura (Figura 2) e seguem alimentando-se mutuamente.</p><p>3939 39</p><p>Figura 2 – Composição da Cultura</p><p>Fonte: Elaborada pela autora.</p><p>A compreensão de que cultura é uma construção viva e constante</p><p>nos faz perceber que não há motivos reais para a diferenciação entre</p><p>popular e erudito, sendo, ambos, parte da cultura, devem, também</p><p>ambos, ter a mesma valorização. No entanto, devemos estar atentos</p><p>às apropriações da cultura por meio da Indústria Cultural, cuidando</p><p>atentamente para que os bens e produtos culturais não se “percam”</p><p>ou “esvaziem-se” de sentido, em função do lucro. Porém, a ampliação</p><p>do acesso a esses mesmos bens deve sempre ser vista como positiva</p><p>quando proporciona democratização de saberes culturais, produzindo</p><p>significados, ainda que novos, pois o próprio processo cultural é,</p><p>como dito, dinâmico e vivo.</p><p>3. O que é o Kitsch?</p><p>Sua definição não é fácil. Em princípio o Kitsch é, para além de um</p><p>estilo artístico, uma estética, um modo de ver o mundo em que os</p><p>parâmetros de regulação são próprios e o conceito de belo é diferente</p><p>do da estética convencional, clássica, é “o feio, discordante e sem sentido,</p><p>passa a ser belo” (SONTAG, 2015, p.15).</p><p>4040</p><p>O estilo se popularizou na década de 1930 com os estudos de Theodor</p><p>Adorno e Clement Greenberg. Para Clement Greenberg, Kitsch “é um</p><p>produto da revolução industrial que, urbanizando as massas da Europa</p><p>ocidental e da América, implantou a chamada alfabetização universal”</p><p>(GREENBERG, 1997, p. 32). Adorno, considera-o no centro da indústria</p><p>cultural. O termo, que significa “empréstimo”, em alemão, defende a</p><p>supressão do senso crítico, gerando, assim, uma percepção e proposição</p><p>diferenciada da estética, “que usa como matéria-prima os simulacros</p><p>aviltados e academicizados da cultura genuína” [...], é experiência por</p><p>procuração e sensações falsificada” (GREENBERG, 1997, p. 32). Também</p><p>chamado de estética do simulacro, evidencia-se, preferencialmente,</p><p>nas simulações, cópias e demais formas “efeitos de fachada”, o que é</p><p>“feito por máquinas” (GREENBERG, 1997, p. 34) , é como um “Maxfield</p><p>Parrish ou um equivalente que penduramos nas nossas paredes, em vez de</p><p>Rembrandt ou Michelangelo” (GREENBERG, 1997, p. 35).</p><p>É considerado como um fenômeno moderno, coincidindo com as</p><p>mudanças sociais nos séculos recentes, como a Revolução Industrial,</p><p>o processo de urbanização, a produção em massa de produtos, de</p><p>materiais modernos e de meios tais, como plásticos, rádio e televisão,</p><p>a ascensão da classe média e a implantação da educação pública,</p><p>tudo isso contribuiu para uma percepção de supersaturação da</p><p>arte produzida para o gosto popular. Flores de plástico, pinguins de</p><p>geladeira, flamingos e anões de jardim, estampas de pele de animais,</p><p>bibelôs e lembrancinhas de viagens, e tudo que “simule” o que não é,</p><p>pertence à estética kitsch. Assim como, em decoração, por exemplo,</p><p>ambientes “montados” com a intenção de “parecer ser” o que não são</p><p>também podem ser classificados como kitsch, como revestimentos,</p><p>cerâmicas e porcelanatos que “imitem” madeiras, pinturas que</p><p>simulem pedras como mármores e granitos. Assim como “a literatura</p><p>popular e comercial, com seus cromotipos, capas de revistas, ilustrações,</p><p>anúncios, subliteratura, histórias em quadrinhos, a música do Tin Pan Alley,</p><p>sapateado, filmes de Hollywood, etc.” (GREENBERG, 2013, p. 32). Assim</p><p>como o pinguim de geladeira (Figura 3), que sugere que o ambiente é</p><p>tão frio que atrairia pinguins, ou seja, a ideia do simulacro, do “como se</p><p>fosse” está presente em vários itens do cotidiano.</p><p>4141 41</p><p>Figura 3 – Pinguim de geladeira</p><p>Fonte: Miriam Mesquita/iStock.com.</p><p>O Kitsch questiona a estética do belo clássico, desconectando-a do</p><p>senso de equilíbrio de harmonia clássicos, para aproximá-lo das</p><p>expressões de experiências estéticas de prazer, independentemente de</p><p>serem, ou não, harmônicas e equilibradas. Embora bastante associados</p><p>às vanguardas, pelos questionamentos estéticos similares que as</p><p>vanguardas artísticas já haviam iniciado na metade do século XIV, o</p><p>Kitsch, como estética popular, retoma-os ao questionar os modos de</p><p>fazer arte convencionais. Vale ressaltar, no entanto, que não procura</p><p>impor nada, mas sim aproximar a arte do povo, trazendo a estética</p><p>popular para o universo elitista das artes convencionais, coisa que</p><p>mesmo as vanguardas não teriam conseguido “desconstruir”.</p><p>Como ferramenta política, o kitsch se mostrou extremamente “útil”</p><p>ao ser usado como estética “oficial” de governantes radicais abusivos,</p><p>totalitaristas, como na Alemanha nazista e na Revolução Comunista</p><p>Russa, que visavam domínio das massas, por refletir o gosto popular</p><p>em suas produções, em oposição e detrimento da estética clássica.</p><p>Como ainda Clemente Greenberg nos esclarece que</p><p>o principal problema com a arte e a literatura de vanguarda, do ponto de</p><p>vista de fascistas e stalinistas, não é que sejam demasiado críticas, mas</p><p>que sejam excessivamente “inocentes”, sendo muito difícil injetar-lhes uma</p><p>propaganda efetiva, ao passo que o kitsch é mais maleável para esse fim.</p><p>4242</p><p>0 kitsch mantem um ditador em estreito contato com a “alma” do povo. Se</p><p>a cultura oficial ficasse acima do nível geral das massas, haveria o perigo</p><p>do isolamento. (GREENBERG, 1997, p. 39).</p><p>Mas o estilo, em si, não se compromete ideologicamente com fascismo</p><p>ou nenhuma outra ideologia, tendo se configurado numa corrente de</p><p>grande peso na cultura norte-americana do pós-guerra, que dali passou</p><p>a influenciar uma verdadeira ressurreição do kitsch em larga escala,</p><p>chegando a ganhar espaço em alguns museus respeitados.</p><p>Tendo autonomia de pensamento estético, os artistas kitsch não se</p><p>preocupam com a manipulação da massa, mas sim em expressar e</p><p>refletir seu gosto e suas experiências estéticas. Artistas como Jeff Koons</p><p>(Figura 4) e o designer de objetos Philippe Starck são adeptos da estética</p><p>kitsch em suas produções.</p><p>Figura 4 – Escultura de Jeff Koons em aço</p><p>Fonte: Jeff Koons/iStock.com.</p><p>ASSIMILE</p><p>Em linguagem popular, costuma-se referir ao Kitsch como</p><p>sinônimo de ‘cafona’, ‘brega’, ou seja, quase os mesmos</p><p>adjetivos que se usam para sinônimos de ‘gosto popular’.</p><p>4343 43</p><p>Porém, o kitsch não é a ausência do “bom gosto”, mas sim o</p><p>questionamento desses conceitos de “bom” ou “mau” gosto,</p><p>que hierarquiza socialmente as classes sociais. Tendo,</p><p>necessariamente, o “bom gosto” estreita relação com as</p><p>classes mais abastadas e, em oposição, o mau “gosto”</p><p>situado nas classes economicamente menos favorecidas.</p><p>Denominar algo como kitsch é, geralmente, pejorativo, pois insinua que</p><p>o item apontado é “berrante”, “inadequado” e mesmo “feio”, em análise</p><p>por estética clássica ou que serve apenas a um propósito ornamental e</p><p>decorativo, em vez de equivaler a um trabalho do que pode ser visto como</p><p>verdadeiro mérito artístico. No entanto, a arte considerada kitsch pode ser</p><p>apreciada de uma maneira totalmente positiva, apesar de considerações</p><p>tendenciosas, em geral elitistas, como a que diz que: “Um gosto pelo kitsch</p><p>entre os abastados é sinal de empobrecimento espiritual; mas entre os pobres</p><p>representa um esforço em nome do belo, uma aspiração sem a probabilidade</p><p>de sua realização” (DALRYMPLE, 2015, p. 227).</p><p>Nesse sentido, sobre a relação do pop com a estética kitsch:</p><p>No período posterior à Segunda Guerra Mundial, 1939-1945, a arte pop</p><p>retira o sentido pejorativo que cerca o kitsch. A arte pop se apresenta como</p><p>um dos movimentos que recusam a separação arte/vida, e o faz - eis um de</p><p>seus traços característicos - pela incorporação das histórias em quadrinhos,</p><p>da publicidade, das imagens televisivas e do cinema. Ao aproximar arte</p><p>e design comercial, os artistas superam, propositadamente, as fronteiras</p><p>entre arte erudita e arte popular, ou entre arte elevada e cultura de massa,</p><p>flertando sistematicamente com o kitsch. Podem ser citadas, entre outros,</p><p>a</p><p>colagem de Richard Hamilton (1922), O que Exatamente Torna os Lares de</p><p>Hoje Tão Diferentes, Tão Atraentes?, de 1956; as naturezas-mortas de Tom</p><p>Wesselmann (1931), compostas com produtos comerciais; os quadrinhos de</p><p>Roy Lichtenstein (1923); as esculturas de Claes Oldenburg (1929), em Duplo</p><p>Hamburguer , 1962; e as obras de Andy Warhol (1928-1987), 32 Latas de</p><p>Sopas Campbell, 1961-1962, Caixa de Sabão Brilho, 1964, entre outras. No</p><p>Brasil as obras de Nelson Leirner (1932) e Wesley Duke Lee (1931-2010) são</p><p>4444</p><p>pioneiras na incorporação dessas discussões. O pós-modernismo da década</p><p>de 1980 rompe mais uma vez, e com resultados diversos, as fronteiras entre</p><p>o kitsch e a chamada arte erudita. (KITSCH, 2019, s/p).</p><p>A seguir, um tópico sobre as relações culturais e estéticas na construção de</p><p>repertórios, incluindo a contribuição dessa intersecção no processo criativo.</p><p>4. Relações culturais e estéticas e a construção de</p><p>repertórios</p><p>O estabelecimento de relações entre estética e cultura é mais simples</p><p>do que parece, e mais comum de acontecer do que nos damos conta. É,</p><p>inclusive, a base de muitos processos criativos.</p><p>Por exemplo, se você fosse convidado, ou convidada, para uma festa à</p><p>fantasia, com temática egípcia, certamente encontraria várias mulheres</p><p>de franjinha e com olhos bem delineados em preto, além de roupas</p><p>brancas, longas e com cintura bem marcada. Não é verdade?</p><p>Tudo isso, numa tentativa de “parecer” com Cleópatra e outros</p><p>elementos da cultura egípcia, perpetuados pelas imagens encontradas</p><p>nos templos e tumbas egípcios, e nos papiros (Figura 5) encontrados nas</p><p>escavações arqueológicas.</p><p>Figura 5 – Reprodução de papiro egípcio</p><p>Fonte: Photoservice/iStock.com.</p><p>4545 45</p><p>Mas a imagem que as pessoas têm de Cleópatra, ou seja, o repertório</p><p>de referências da maioria das pessoas, em que a rainha aparece sempre</p><p>de franjinha e com os belos olhos bem delineados é uma construção do</p><p>cinema norte americano, de 1963. Para destacar os belos olhos violetas</p><p>de Elizabeth Taylor, os figurinistas desenvolveram a personagem com</p><p>essas características. Além disso, propuseram roupas com cintura fina,</p><p>bem marcada, valorização dos seios fartos, igualmente como a atriz</p><p>tinha, e que era valorizado, na época, como padrão de beleza. Sem</p><p>nem comentar a pele clara e as feições delicadas de Liz Taylor, em</p><p>especial o nariz delicado que, definitivamente, não se assemelham às</p><p>características do povo egípcio.</p><p>Cleópatra foi realmente a mais conhecida das rainhas do Egito,</p><p>mas nasceu na cidade de Alexandria, no Egito, que tinha influências</p><p>helenísticas, núbias e semitas, o que está bem longe da imagem</p><p>caucasiana conhecida da rainha. A história registra suas habilidades como</p><p>estadistas e inteligência acima da média, em especial porque, sendo</p><p>mulher numa sociedade machista e patriarcal, destacava-se por sua</p><p>impetuosidade e enfrentamento, usando a astúcia, sedução e raciocínio</p><p>contra a truculência masculina, mas, definitivamente, a beleza não fazia</p><p>parte de seus atributos. Muito menos a beleza clássica de Liz Taylor.</p><p>Certamente, a ideia por trás da escolha da atriz está repleta de referências</p><p>culturais. Principalmente porque, para justificar as conquistas e poder</p><p>de sedução de Cleópatra, a também machista indústria cinematográfica</p><p>norte-americana achou por bem caracterizar seu poder de sedução,</p><p>que conquistou Júlio César e Marco Aurélio, por sua “beleza física”,</p><p>pois somente isso “explicaria” a capacidade de sedução. Uma visão</p><p>culturalmente pejorativa das capacidades das mulheres.</p><p>Para desconstruir essa imagem, muita pesquisa vem sendo feita.</p><p>Segundo a BBC (2008), os restos mortais, descobertos na Turquia,</p><p>da princesa Arisnoe, irmã de Cleópatra, indicam que ela e a mãe de</p><p>Cleópatra tinham um “esqueleto africano” (CRAWFORD, 2007, s/d).</p><p>4646</p><p>Em 2007, a egiptóloga Sally-Ann Ashton (2008), da Universidade de</p><p>Cambridge, baseou-se em gravuras de moedas antigas, em esculturas</p><p>e reproduções de decorações de diversos templos de Dendera, uma</p><p>cidade a oeste do rio Nilo, e imagens gravadas em artefatos antigos,</p><p>como um anel que data da época do seu reinado, há 2 mil anos, para</p><p>buscar reconstituir o rosto da rainha e elencar definitivamente os seus</p><p>traços físicos (BBC, 2008), e criou uma animação 3D baseada em análise</p><p>forense (Figura 5) que mostra Cleópatra como uma mulher de pele</p><p>morena e trancinhas. De acordo com o Smithsonian, uma moeda que</p><p>data de 32 a. C, encontrada em 2007, mostra que Cleópatra tinha um</p><p>“nariz grande, lábios estreitos e um queixo pontiagudo” (CRAWFORD, 2007,</p><p>s/d) e, “além disso, também tinha aproximadamente 1,52 m de altura e pele</p><p>escura” (NOGUEIRA, 2019, s/p). A beleza de Cleópatra (ou a falta dela) era</p><p>irrelevante para os romanos que a conheciam e para o povo egípcio que</p><p>ela governava. Cleópatra tinha carisma e sua sensualidade derivava de</p><p>sua inteligência - o que Plutarco (1968, s/p) descreveu como “o encanto</p><p>de sua conversa”, pois, para o autor, “a atuação política da rainha egípcia</p><p>esteve pautada em sua perspicácia retórica” (PELLING, 2005, s/p).</p><p>Figura 6 – Projeção de como seria o rosto verdadeiro de Cleópatra</p><p>Fonte: ASHTON, Sally-Ann. Cleopatra and Egypt. London: Blackwell Publishing, 2008. AH -</p><p>Aventuras da História, 22 mai.2019. Disponível em: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/</p><p>noticias/reportagem/conheca-o-verdadeiro-rosto-de-cleopatra.phtml.</p><p>Acesso em: 26 maio 2019.</p><p>https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/conheca-o-verdadeiro-rosto-de-cleopatra.p</p><p>https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/conheca-o-verdadeiro-rosto-de-cleopatra.p</p><p>4747 47</p><p>Na indústria cinematográfica, os processos de produção visam</p><p>principalmente o lucro, todos os produtos culturais são pensados para</p><p>que haja um grande consumo por parte das massas, ou seja, para</p><p>que um filme seja um blockbuster. Essa é a essência do Star System</p><p>de Hollywood, a fábrica de estrelas e templo máximo da Indústria</p><p>Cultural que, permeado pela estética kitsch de simulacro, transforma</p><p>pessoas comuns em semideuses, com a construção de imagens que se</p><p>consolidam no imaginário coletivo como ‘verdades’, que nem sempre</p><p>correspondem à história e aos fatos.</p><p>Mais recentemente, a imagem de Cleópatra no cinema foi “atualizada”,</p><p>mas guardando as mesmas ideias que fizeram a base da escolha de Liz</p><p>Taylor nos anos de 1960, ainda aposta na ideia da beleza física como</p><p>razão da capacidade de articulação e sedução da Rainha do Egito. Em</p><p>2018, a atriz apontada para a refilmagem do clássico é Angelina Jolie.</p><p>Sem dúvidas, uma mulher lindíssima, mas também com características</p><p>físicas não compatíveis com as do povo egípcio. A crítica especializada</p><p>apontou, imediatamente, que Jolie é “muito branca” para o papel e</p><p>aponta para a cantora e atriz Lady Gaga como mais adequada.</p><p>Construção de repertórios</p><p>Você sabe o que quer dizer ‘repertório’? Um cantor ou cantora costumam</p><p>interpretar uma série específica de cações em suas apresentações, ou seja,</p><p>costumam ter um repertório que conhecem bem e que está confortável em</p><p>performar. Isso também acontece com as pessoas que não são artistas.</p><p>Todas as informações que vamos acumulando ao longo da vida</p><p>constituem nosso repertório individual, ou seja, temas e assuntos em</p><p>que estamos confortáveis, que não nos causam estranhamento e que</p><p>costumamos conviver. Por exemplo, o repertório culinário. Arroz, feijão,</p><p>carne e vegetais fazem parte do repertório da maioria dos brasileiros,</p><p>sendo mesmo reconhecido como característicos do nosso povo. O</p><p>repertório italiano inclui massas, molhos, etc. O francês, considerado</p><p>requintado, também conta com uma série de pratos característicos,</p><p>como croissant, patês e outros itens.</p><p>4848</p><p>Com todo tipo de assunto podemos falar em repertórios. Quem</p><p>trabalha ou deseja trabalhar com criação ou inovação, em qualquer</p><p>profissão, precisa ‘alimentar’ o seu repertório pessoal para que seja</p><p>sempre atualizado e para que a variedade de informações possa</p><p>colaborar na criação de novas</p>