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<p>Como argumentar em menos tempo</p><p>Material extra</p><p>D</p><p>i</p><p>s</p><p>p</p><p>o</p><p>n</p><p>i</p><p>b</p><p>i</p><p>l</p><p>i</p><p>z</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>p</p><p>o</p><p>r</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>B</p><p>y</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>É proibida a reprodução total ou parcial, inclusive quanto às características gráficas e/ou editoriais. A violação de direitos</p><p>autorais constitui crime (CP, art. 184 e Lei 9.610/80) sujeitando-se à busca e apreensão e indenizações diversas (Lei 9.610/98).</p><p>COMO</p><p>ARGUMENTAR</p><p>EM MENOS</p><p>TEMPO</p><p>DADOS QUE VALEM A PENA</p><p>Segundo a ONU, em 2022, somos oito bilhões de pessoas no mundo,</p><p>oficialmente.</p><p>Segundo a OXFAM, as 20 pessoas mais ricas do Brasil possuem a riqueza</p><p>equivalente à renda de 128 milhões de brasileiros, agora em 2023.</p><p>Brasil é o 2º maior exportador de grãos do mundo segundo a FAO em 2023</p><p>Brasil possui a 3ª maior população carcerária do mundo segundo o Censo do IBGE, divul-</p><p>gado agora em 2023. (mais de 800 mil presos)</p><p>Brasil é o 4º maior produtor de grãos do mundo segundo a FAO em 2023</p><p>Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo e um dos que menos recicla segun-</p><p>do a WWF (Fundo Mundial para a Natureza) em 2023</p><p>Brasil é o 4º país que mais mata ambientalistas no mundo segundo a ONU 2023</p><p>Brasil é o 4º país que mais mata ativistas dos direitos humanos no mundo segundo a</p><p>ONU 2023</p><p>Brasil é o 5º país que mais consome pirataria no mundo segundo a empresa de ciberse-</p><p>gurança americana Akamai , em 2023</p><p>Brasil é o 8º país mais desigual do mundo segundo a ONU em 2023.</p><p>Brasil é o 8º país mais violento do mundo segundo a ONU em 2023</p><p>Brasil é o 10º país que mais desperdiça alimentos, segundo a ONU ou FAO (Organização</p><p>das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), em 2023</p><p>Brasil é a 9ª maior economia do mundo segundo o FMI em 2023</p><p>No Brasil, há 33 milhões de pessoas que passam fome - IPEA (Instituto de pesquisas</p><p>econômicas aplicadas) - (2023)</p><p>No Brasil, há quase 10 milhões de analfabetos segundo o PNAD, 2023</p><p>No Brasil, há mais de 60 milhões de pessoas que vivem na po-</p><p>breza, IBGE (2023)</p><p>No Brasil, há mais de 16 milhões de pessoas que</p><p>vivem em aglomerados subnormais (IBGE, 2023)</p><p>No Brasil, há mais de 280 mil pessoas em</p><p>situação de rua (IPEA, 2023)</p><p>No Brasil, cerca de 100 milhões de pessoas</p><p>não têm acesso à coleta de esgoto, Instituto</p><p>Trata Brasil (2023)</p><p>No Brasil, há quase 40 milhões de trabalhadores</p><p>na informalidade, de acordo com os dados do IBGE</p><p>agora em 2023</p><p>No Brasil, havia 156 milhões de cidadãos aptos a votar, nas</p><p>últimas eleições, em 2022, segundo o TSE.</p><p>Em Portugal, há 10,28 milhões de habitantes</p><p>SUGESTÃO DE ELEMENTOS</p><p>QUE PODEM SER BONS TÓPICOS</p><p>FRASAIS</p><p>Manipulação social historicamente programada (política,</p><p>cultural, urbanística, de consumo, científica e ambiental)</p><p>O perfil da educação brasileira a partir de uma manipulação</p><p>social historicamente programada ou um sintoma de uma</p><p>nação que foi educada (ou mal educada) para ser explorada</p><p>Manutenção de raízes desiguais ou manutenção de um país</p><p>historicamente excludente ou manutenção de uma estrutura</p><p>de dominação imposta ao país</p><p>Um ciclo socioeconômico pautado na persistência da</p><p>desigualdade</p><p>Ausência de pertencimento nacional ou a existência de um</p><p>nacionalismo apenas simbólico</p><p>Modernização pouco moderna</p><p>Manutenção de um paradoxo social</p><p>Analfabetismo social</p><p>Mercantilização de bens essenciais</p><p>IDEIA PARA TÓPICO FRASAL:</p><p>MANIPULAÇÃO SOCIAL</p><p>HISTORICAMENTE</p><p>PROGRAMADA</p><p>O que é?</p><p>Um modelo administrativo voltado à</p><p>dominação como estratégia dos de-</p><p>tentores de poder econômico para</p><p>a manter a sociedade facilmente ma-</p><p>nipulada, com comportamentos previsíveis e</p><p>sem ampla capacidade de mobilização social.</p><p>Repertório sociocultural</p><p>que pode ser usado para</p><p>fundamentar a ideia:</p><p>Cidadania plena do historiador José Murilo de Carvalho</p><p>O que é?</p><p>Cidadania é a capacidade da coexistência de três direitos: civis,</p><p>sociais e políticos. Nessa perspectiva, uma sociedade só contem-</p><p>pla a cidadania plena quando articula esses três direitos, ou seja,</p><p>a ideia de pertencimento não está associada à sobreposição de</p><p>um direito em relação a outro, mas à sua coexistência.</p><p>Para o autor, o problema é que: no Brasil, aconteceram</p><p>primeiro as leis que contemplavam os direitos</p><p>sociais. Somente após isso, surgiu a preocupação</p><p>com a efetivação dos direitos políticos. Com isso,</p><p>a concepção de cidadania foi prejudicada. Em</p><p>um contexto de um Estado paternalista, a busca</p><p>2 REDAÇÃO • FERNANDA PESSOA</p><p>D</p><p>i</p><p>s</p><p>p</p><p>o</p><p>n</p><p>i</p><p>b</p><p>i</p><p>l</p><p>i</p><p>z</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>p</p><p>o</p><p>r</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>B</p><p>y</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>É proibida a reprodução total ou parcial, inclusive quanto às características gráficas e/ou editoriais. A violação de direitos</p><p>autorais constitui crime (CP, art. 184 e Lei 9.610/80) sujeitando-se à busca e apreensão e indenizações diversas (Lei 9.610/98).</p><p>por um novo “salvador” na política enfraqueceu as consciências,</p><p>evitando uma luta eficaz pela consolidação de direitos.</p><p>José Murilo de Carvalho conclui a sua obra destacando os desa-</p><p>fios advindos do fenômeno da fragilização do Estado-nação em</p><p>decorrência da crescente interdependência do mundo e do au-</p><p>mento da cultura do consumo, que impulsiona a troca do status</p><p>de cidadão pelo de consumidor.</p><p>Repertório sociocultural que pode ser usado para</p><p>fundamentar a ideia:</p><p>Projeto proposital de subdesenvolvimento</p><p>do economista Celso Furtado</p><p>O que é?</p><p>Uma análise a qual denuncia que o subdesenvolvimento não é</p><p>uma etapa de um processo de crescimento, mas é algo que foi</p><p>projetado para permanecer no âmbito nacional e justificar as</p><p>desigualdades sociais, pois nenhuma economia (principalmente</p><p>ocidental), que hoje é desenvolvida, foi categorizada como emer-</p><p>gente no passado.</p><p>Exemplo de parágrafo:</p><p>Nesse sentido, observa-se que um intencional processo</p><p>de alienação social reflete na manutenção de uma nação,</p><p>em grande parte, analfabeta. Mas, por que isso ainda</p><p>acontece? Infelizmente, porque é fruto de um intenso</p><p>projeto político e econômico pautado na persistência de</p><p>um sistema de educação focado não em gerar um povo</p><p>intelectual capaz de promover significativas mudanças</p><p>no corpo coletivo, mas sim em formar uma mão de obra</p><p>explorada voltada para a conservação de uma configura-</p><p>ção tratada como “incivilizável”. Essa forma excludente de</p><p>construção social é chamada pelo historiador José Murilo</p><p>de Carvalho de “Cidadania Operária”, ou seja, uma cidada-</p><p>nia “mínima” e voltada apenas a questões básicas, a qual</p><p>faz com que situações extremamente perversas, como as</p><p>de indivíduos incapacitados de ler e interpretar, perdu-</p><p>rem. Desse modo, planeja-se perpetuar uma expressiva</p><p>parcela da sociedade inapta a promover o “bê-a-bá” de</p><p>qualquer contestação social e que ainda se submete a</p><p>caóticas condições de miséria politicamente impostas.</p><p>Ícaro Tauam</p><p>Exemplo de parágrafo:</p><p>Nesse sentido, é fundamental entender que os baixos</p><p>índices de participação popular no sistema político do</p><p>país advêm de uma alienação social historicamente</p><p>programada. Isso ocorre, porque se percebe um modelo</p><p>educacional ligado à dominação como uma estratégia</p><p>SUGESTÃO DE ELEMENTOS</p><p>QUE PODEM SER BONS TÓPICOS</p><p>FRASAIS</p><p>Manipulação social historicamente programada (política,</p><p>cultural, urbanística, de consumo, científica e ambiental)</p><p>O perfil da educação brasileira a partir de uma manipulação</p><p>social historicamente programada ou um sintoma de uma</p><p>nação que foi educada (ou mal educada) para ser explorada</p><p>Manutenção de raízes desiguais ou manutenção de um país</p><p>historicamente excludente ou manutenção de uma estrutura</p><p>de dominação imposta ao país</p><p>Um ciclo socioeconômico pautado na persistência da</p><p>desigualdade</p><p>Ausência de pertencimento nacional ou a existência de um</p><p>nacionalismo apenas simbólico</p><p>Modernização pouco moderna</p><p>Manutenção de um paradoxo social</p><p>Analfabetismo social</p><p>Mercantilização de bens essenciais</p><p>IDEIA PARA TÓPICO FRASAL:</p><p>MANIPULAÇÃO SOCIAL</p><p>HISTORICAMENTE</p><p>PROGRAMADA</p><p>O que é?</p><p>Um modelo administrativo voltado à</p><p>dominação como estratégia dos de-</p><p>tentores de poder econômico</p><p>para</p><p>a manter a sociedade facilmente ma-</p><p>nipulada, com comportamentos previsíveis e</p><p>sem ampla capacidade de mobilização social.</p><p>Repertório sociocultural</p><p>que pode ser usado para</p><p>fundamentar a ideia:</p><p>Cidadania plena do historiador José Murilo de Carvalho</p><p>O que é?</p><p>Cidadania é a capacidade da coexistência de três direitos: civis,</p><p>sociais e políticos. Nessa perspectiva, uma sociedade só contem-</p><p>pla a cidadania plena quando articula esses três direitos, ou seja,</p><p>a ideia de pertencimento não está associada à sobreposição de</p><p>um direito em relação a outro, mas à sua coexistência.</p><p>Para o autor, o problema é que: no Brasil, aconteceram</p><p>primeiro as leis que contemplavam os direitos</p><p>sociais. Somente após isso, surgiu a preocupação</p><p>com a efetivação dos direitos políticos. Com isso,</p><p>a concepção de cidadania foi prejudicada. Em</p><p>um contexto de um Estado paternalista, a busca</p><p>3FERNANDA PESSOA • REDAÇÃO</p><p>D</p><p>i</p><p>s</p><p>p</p><p>o</p><p>n</p><p>i</p><p>b</p><p>i</p><p>l</p><p>i</p><p>z</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>p</p><p>o</p><p>r</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>B</p><p>y</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>É proibida a reprodução total ou parcial, inclusive quanto às características gráficas e/ou editoriais. A violação de direitos</p><p>autorais constitui crime (CP, art. 184 e Lei 9.610/80) sujeitando-se à busca e apreensão e indenizações diversas (Lei 9.610/98).</p><p>dos detentores de poder para manter uma</p><p>sociedade facilmente manipulada. Essa teoria</p><p>foi estudada pelo economista Celso Furtado,</p><p>no século XX, e permite perceber (ainda hoje)</p><p>o quanto a privação do acesso ao conhecimento de qua-</p><p>lidade forma um país, em sua maioria, com baixo poder</p><p>crítico, alienado e ausente do processo de permanente</p><p>construção. Essa alienação, no Brasil, é fruto de um</p><p>Estado que prioriza uma sociedade alheia a ponto de, em</p><p>um ano eleitoral, como foi 2022, conseguir fazer com que</p><p>o foco de uma grande parte da população tenha sido não</p><p>perder novamente para a Alemanha na Copa do Mundo,</p><p>mesmo sendo eleições decisivas para o cenário democrá-</p><p>tico no país. Isso aconteceu sim e chama a atenção para</p><p>uma sucessão de omissões. Como resultado dessas au-</p><p>sências, observa-se uma população exposta a condições</p><p>degradantes que são diariamente naturalizadas.</p><p>Fernanda Pessoa (euzinha)</p><p>Exemplo de parágrafo:</p><p>Nesse sentido, é fundamental perceber que os baixos</p><p>índices de participação popular no sistema político do</p><p>país advêm de uma alienação social historicamente</p><p>programada. Isso ocorre, porque um modelo educacional</p><p>ultrapassado, autoritário e excludente ainda é usado</p><p>como uma estratégia dos detentores de poder, principal-</p><p>mente econômico, para a manutenção de uma sociedade</p><p>facilmente manipulada. Essa teoria foi estudada pelo eco-</p><p>nomista Celso Furtado e mostra o quanto a privação do</p><p>acesso ao conhecimento de qualidade forma um país (em</p><p>sua maioria) com baixo poder crítico, alienado e ausente</p><p>do processo de permanente construção política. Como re-</p><p>sultado dessas ausências, observa-se uma população que,</p><p>em um ano eleitoral, como 2022, teve como maior foco</p><p>a participação da seleção de futebol na Copa do Mundo</p><p>no Catar e não percebeu, dentre outras graves questões,</p><p>mais uma vez, a persistência de inúmeros cargos políticos</p><p>repassados de pai para filho - quase como uma reprodu-</p><p>ção do sistema de capitanias hereditárias, que tendem a</p><p>se repetir nas eleições de 2024: não é pessimismo, é ciclo</p><p>histórico, por isso é urgente resolver.</p><p>Fernanda Pessoa (euzinha)</p><p>Exemplo de parágrafo:</p><p>Ademais, percebe-se que o principal entrave para que</p><p>tantas pessoas no Brasil não se registrem é o perfil da</p><p>educação brasileira (a partir de uma alienação social</p><p>historicamente programada) , a qual tem como objetivo</p><p>formar a população apenas como mão de obra. Isso</p><p>acontece, porque, assim como teorizado pelo economista</p><p>José Murilo de Carvalho, observa-se a formação de uma</p><p>“cidadania operária”, a partir da qual a população mais</p><p>vulnerável socioeconomicamente não é estimulada a</p><p>desenvolver um pensamento crítico e é educada (ou mal</p><p>educada) para ser objeto de exploração. Nesse sentido,</p><p>devido a essa disfunção do sistema educacional, o maior</p><p>contingente populacional não conhece seus direitos</p><p>enquanto cidadão, como o de possuir um documento</p><p>de registro civil. Assim, a partir dessa educação falha,</p><p>forma-se um ciclo de desigualdades, observado no fato</p><p>de o país ocupar o 8º lugar entre os mais desiguais do</p><p>mundo, segundo o IBGE, já que, assim como afirmado</p><p>pelo sociólogo Florestan Fernandes, “uma nação com</p><p>acesso a uma educação de qualidade não sujeitaria seu</p><p>povo a condições de precária cidadania”, como observada</p><p>a partir do alto número de pessoas sem o registro no país,</p><p>por exemplo.</p><p>Giovanna da Silva Dias, 1000 na Redação do ENEM - 2021</p><p>OUTRA IDEIA</p><p>PARA TÓPICO FRASAL:</p><p>O PERFIL DA EDUCAÇÃO</p><p>BRASILEIRA A PARTIR DE</p><p>UMA MANIPULAÇÃO SOCIAL</p><p>HISTORICAMENTE PROGRAMADA</p><p>OU UM SINTOMA DE UMA NAÇÃO</p><p>QUE FOI EDUCADA (OU MAL</p><p>EDUCADA) PARA SER</p><p>EXPLORADA</p><p>O que é?</p><p>Um modelo educacional falho, o qual é usado como forma de</p><p>manter a maior parte da sociedade facilmente manipulada, já</p><p>que as reformas são apenas teóricas e não priorizam a constru-</p><p>ção do senso crítico. Isso ocorre, porque a privação do acesso ao</p><p>conhecimento de qualidade mantém o país alienado, ausente do</p><p>processo de permanente construção social e incapaz de romper</p><p>com um sistema voltado à formação de mão de obra barata.</p><p>Exemplo de parágrafo:</p><p>Nesse sentido, é válido perceber o quanto a alarmante si-</p><p>tuação da fome é mais um sintoma de uma nação que foi</p><p>educada (ou mal educada) para ser explorada. Isso ainda,</p><p>ocorre, pois há a naturalização dos problemas sociais do</p><p>país, inclusive, da fome, a qual é atenuada em uma</p><p>4 REDAÇÃO • FERNANDA PESSOA</p><p>D</p><p>i</p><p>s</p><p>p</p><p>o</p><p>n</p><p>i</p><p>b</p><p>i</p><p>l</p><p>i</p><p>z</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>p</p><p>o</p><p>r</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>B</p><p>y</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>É proibida a reprodução total ou parcial, inclusive quanto às características gráficas e/ou editoriais. A violação de direitos</p><p>autorais constitui crime (CP, art. 184 e Lei 9.610/80) sujeitando-se à busca e apreensão e indenizações diversas (Lei 9.610/98).</p><p>José Murilo de Carvalho, observa-se a formação de uma</p><p>“cidadania operária”, a partir da qual a população mais</p><p>vulnerável socioeconomicamente não é estimulada a</p><p>desenvolver um pensamento crítico e é educada (ou mal</p><p>educada) para ser objeto de exploração. Nesse sentido,</p><p>devido a essa disfunção do sistema educacional, o maior</p><p>contingente populacional não conhece seus direitos</p><p>enquanto cidadão, como o de possuir um documento</p><p>de registro civil. Assim, a partir dessa educação falha,</p><p>forma-se um ciclo de desigualdades, observado no fato</p><p>de o país ocupar o 8º lugar entre os mais desiguais do</p><p>mundo, segundo o IBGE, já que, assim como afirmado</p><p>pelo sociólogo Florestan Fernandes, “uma nação com</p><p>acesso a uma educação de qualidade não sujeitaria seu</p><p>povo a condições de precária cidadania”, como observada</p><p>a partir do alto número de pessoas sem o registro no país,</p><p>por exemplo.</p><p>Giovanna da Silva Dias, 1000 na Redação do ENEM - 2021</p><p>OUTRA IDEIA</p><p>PARA TÓPICO FRASAL:</p><p>O PERFIL DA EDUCAÇÃO</p><p>BRASILEIRA A PARTIR DE</p><p>UMA MANIPULAÇÃO SOCIAL</p><p>HISTORICAMENTE PROGRAMADA</p><p>OU UM SINTOMA DE UMA NAÇÃO</p><p>QUE FOI EDUCADA (OU MAL</p><p>EDUCADA) PARA SER</p><p>EXPLORADA</p><p>O que é?</p><p>Um modelo educacional falho, o qual é usado como forma de</p><p>manter a maior parte da sociedade facilmente manipulada, já</p><p>que as reformas são apenas teóricas e não priorizam a constru-</p><p>ção do senso crítico. Isso ocorre, porque a privação do acesso ao</p><p>conhecimento de qualidade mantém o país alienado, ausente do</p><p>processo de permanente construção social e incapaz de romper</p><p>com um sistema voltado à formação de mão de obra barata.</p><p>Exemplo de parágrafo:</p><p>Nesse sentido, é válido perceber o quanto a alarmante si-</p><p>tuação da fome é mais um sintoma de uma nação que foi</p><p>educada (ou mal educada) para ser explorada. Isso ainda,</p><p>ocorre, pois há a naturalização dos problemas sociais do</p><p>país, inclusive, da fome, a qual é atenuada em uma</p><p>tentativa de esconder a herança de desigualdade. Essa</p><p>denúncia foi feita pelo geógrafo Josué de Castro, no século</p><p>XX, mas é visivelmente atemporal e igualmente perversa.</p><p>Com base nessa questão, nota-se que, nos atuais modelos</p><p>de exploração e exportação de commodities, o neocolo-</p><p>nialismo econômico vigora como padrão que submete os</p><p>países de economia primária (dependentes e subdesen-</p><p>volvidos) a um árduo império de fome. Dessa forma, não</p><p>há espaço para contestações: o Brasil se revestiu de uma</p><p>configuração social fundada na escravidão - egoísta e de-</p><p>sigual - a qual, mesmo se comportando como indepen-</p><p>dente há 200 anos, ainda tem seu “café,” cultivado por</p><p>muitos, exposto nas mãos de uma minoria, e</p><p>hoje (muito além da tela expressionista</p><p>de Portinari) se mantém como desejo de</p><p>33 milhões de brasileiros que passam</p><p>fome, segundo o IPEA.</p><p>Thúlio José</p><p>Exemplo de parágrafo:</p><p>Diante desse contexto, é fundamental entender o quanto</p><p>o perfil da educação brasileira frustra o enfrentamento da</p><p>invisibilidade das cuidadoras brasileiras. Isso acontece,</p><p>porque a educação do Brasil tem sido influenciada por</p><p>uma mentalidade colonial retrógrada que não desenvolve,</p><p>intencionalmente, uma identidade própria que seja capaz</p><p>de romper com o sistema ultrapassado voltado à formação</p><p>de mão de obra barata. Nesse sentido, nota-se que desvalo-</p><p>rização em relação às cuidadoras brasileiras é somente um</p><p>dos sintomas de uma nação que foi educada (ou mal-edu-</p><p>cada) para ser explorada a partir de um modelo de ensino</p><p>extremamente arcaico, já que as reformas são apenas teó-</p><p>ricas e não priorizam a construção do senso crítico, que é</p><p>uma exigência óbvia do século XXI. Dessa forma, ao tomar</p><p>como base os estudos da socióloga Eliane Brum, fica evi-</p><p>dente que, à medida que o modelo educacional autoritário</p><p>continua sendo usado como uma estratégia para manter a</p><p>sociedade com uma mentalidade passadista e colonial, a</p><p>precariedade do trabalho de cuidado, tratado como algo</p><p>apto às mulheres, é naturalizada, mantendo-as privadas de</p><p>oportunidades e de um futuro melhor.</p><p>Rafa Júnior - 980 ENEM 2023</p><p>OUTRA IDEIA PARA TÓPICO FRASAL:</p><p>MANUTENÇÃO DE RAÍZES DESIGUAIS</p><p>OU MANUTENÇÃO DE UM PAÍS</p><p>HISTORICAMENTE EXCLUDENTE OU</p><p>MANUTENÇÃO DE UMA ESTRUTURA DE</p><p>DOMINAÇÃO IMPOSTA AO PAÍS</p><p>O que é?</p><p>É a existência de estruturas</p><p>sociais, econômicas, políticas</p><p>e culturais que marginali-</p><p>zaram certos grupos da população</p><p>brasileira ao longo de sua história e ainda</p><p>mantêm graves padrões de discriminação.</p><p>Essa exclusão é baseada em fatores como raça, etnia, classe</p><p>social, gênero, religião e outras características sociais.</p><p>No contexto brasileiro, essa exclusão é marcada por eventos e</p><p>políticas que perpetuam profundas desigualdades.</p><p>Exemplos:</p><p>Colonialismo e Escravidão:</p><p>O Brasil foi colonizado por Portugal e utilizou extensivamente</p><p>trabalho escravo africano. Durante mais de 300 anos, milhões de</p><p>africanos foram trazidos à força para trabalhar nas plantações</p><p>e nas minas brasileiras. A escravidão, por exemplo, criou uma</p><p>sociedade profundamente desigual e racista.</p><p>Após a abolição da escravidão em 1888, ex-escravos e seus</p><p>descendentes continuaram a ser marginalizados, sem acesso à</p><p>terra, à educação ou a oportunidade econômica, o que perpetua</p><p>a exclusão racial e social.</p><p>Desigualdade de Terra e Reforma Agrária:</p><p>A concentração de terras nas mãos de poucos (latifúndios) é uma</p><p>característica histórica do Brasil. As políticas de distribuição de</p><p>terras, muitas vezes, favoreceram pessoas ricas, enquanto os</p><p>pequenos agricultores e trabalhadores rurais foram excluídos.</p><p>Tentativas de reforma agrária ao longo dos anos enfrentaram</p><p>resistência significativa, o que resultou em conflitos agrários e</p><p>continuada marginalização da população rural.</p><p>Políticas Urbanas e Segregação Social:</p><p>A urbanização rápida e desordenada das cidades brasileiras</p><p>levou à criação de favelas e comunidades informais. A falta de</p><p>planejamento urbano inclusivo revela uma nítida divisão entre</p><p>áreas ricas e pobres.</p><p>Os serviços públicos, como educação, saúde e saneamento,</p><p>historicamente foram distribuídos de maneira desigual, conse-</p><p>quentemente, favoreceram áreas mais ricas e deixaram comuni-</p><p>dades pobres sem infraestrutura adequada.</p><p>Educação e Mobilidade Social:</p><p>O acesso à educação de qualidade sempre foi um fator de exclu-</p><p>são. Escolas públicas em áreas pobres, frequentemente sofrem</p><p>com falta de recursos, professores mal pagos e infraestrutura</p><p>integrada.</p><p>5FERNANDA PESSOA • REDAÇÃO</p><p>D</p><p>i</p><p>s</p><p>p</p><p>o</p><p>n</p><p>i</p><p>b</p><p>i</p><p>l</p><p>i</p><p>z</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>p</p><p>o</p><p>r</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>B</p><p>y</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>É proibida a reprodução total ou parcial, inclusive quanto às características gráficas e/ou editoriais. A violação de direitos</p><p>autorais constitui crime (CP, art. 184 e Lei 9.610/80) sujeitando-se à busca e apreensão e indenizações diversas (Lei 9.610/98).</p><p>Essa desigualdade educacional perpetua ciclos de pobreza, já que</p><p>a falta de educação de qualidade limita as oportunidades de em-</p><p>prego e a possibilidade de mobilidade social para os mais pobres.</p><p>Consequências da Exclusão Histórica:</p><p>Desigualdade Econômica: A concentração de renda e rique-</p><p>za nas mãos de poucos perpetua um ciclo de pobreza para a</p><p>maioria. A falta de acesso a oportunidades econômicas e so-</p><p>ciais mantém grandes segmentos da população em condições</p><p>precárias.</p><p>Baixa Mobilidade Social: A exclusão histórica limita a capa-</p><p>cidade das pessoas de melhorar suas condições de vida e uma</p><p>sociedade rigidamente estratificada.</p><p>Violência e Insegurança: A marginalização econômica e</p><p>social contribui para elevados níveis de violência e criminali-</p><p>dade, especialmente, em áreas urbanas pobres.</p><p>Desconfiança nas Instituições: A percepção de que as insti-</p><p>tuições públicas e políticas favorecem apenas os ricos gera</p><p>desconfiança e desilusão entre a população.</p><p>Repertório sociocultural que pode ser usado para</p><p>fundamentar a ideia:</p><p>O colonialismo insidioso do sociólogo</p><p>Boaventura de Sousa Santos</p><p>O que é?</p><p>É uma forma de dominação ainda mais perversa, pois se disfarça</p><p>em meio a conquistas sociais, como a Constituição de 1988, mas</p><p>mantém a maior parte da sociedade dependente e explorada, já</p><p>que muitos desses direitos ainda não são efetivados, por exem-</p><p>plo, o acesso à __________.</p><p>Exemplo de parágrafo:</p><p>Com base nesse cenário, é fundamental perceber que a in-</p><p>segurança alimentar cresce à medida que raízes desiguais</p><p>são mantidas. Isso ocorre, porque, segundo o sociólogo</p><p>Boaventura de S. Santos, há hoje uma espécie de “colo-</p><p>nialismo insidioso”, ou seja, há uma forma de dominação</p><p>ainda mais perversa, pois se disfarça em meio a conquis-</p><p>tas sociais, como a Constituição de 1988, mas mantém</p><p>a maior parte da sociedade dependente e explorada, já</p><p>que muitos desses direitos ainda não são efetivados, por</p><p>exemplo, o acesso à alimentação. A partir disso, nota-se</p><p>a ampliação da vulnerabilidade, inclusive, alimentar, pois</p><p>situações de extrema desigualdade se mantêm com o dis-</p><p>curso de que “somos melhores do que há 100 anos ou de</p><p>que estamos entre as 10 maiores economias mundiais”,</p><p>como se essas questões representassem uma distribuição</p><p>equitativa de recursos. Nesse sentido, uma parcela popu-</p><p>lacional (historicamente negligenciada) continua alheia à</p><p>efetivação de direitos básicos. Assim, é até verdade que o</p><p>país se mantém entre as maiores economias, segundo o</p><p>FMI, mas, neste momento, 33 milhões de pessoas passam</p><p>fome, segundo o IPEA, e isso deixa nítido o grave e desi-</p><p>gual processo de distribuição.</p><p>Fernanda Pessoa (euzinha)</p><p>Repertório sociocultural que pode ser usado para</p><p>fundamentar a ideia:</p><p>A sociologia das ausências do sociólogo</p><p>Boaventura de Sousa Santos</p><p>O que é?</p><p>Esse conceito faz parte da sua teoria crítica e pós-colonial, que</p><p>procura entender e transformar as relações de poder e a exclu-</p><p>são social no mundo contemporâneo.</p><p>A “Sociologia das Ausências” visa a denunciar a produção de</p><p>não-existências, ou seja, a forma como certos saberes, práticas</p><p>e grupos sociais são desqualificados e tornados invisíveis pelos</p><p>sistemas hegemônicos de conhecimento e poder.</p><p>Segundo Boaventura de Sousa Santos, a “Sociologia das</p><p>Ausências”</p><p>identifica e desafia cinco modos principais de pro-</p><p>dução de ausências:</p><p>A monocultura do saber e do rigor científico, em que só o co-</p><p>nhecimento científico ocidental é reconhecido como válido,</p><p>desconsiderando outros saberes e epistemologias.</p><p>A monocultura do tempo linear, que privilegia um único modelo</p><p>de desenvolvimento e progresso, ignorando outras temporalida-</p><p>des e formas de vida.</p><p>A monocultura da naturalização das diferenças, que justifica as</p><p>desigualdades sociais como se fossem naturais e inevitáveis.</p><p>A monocultura da universalidade e da globalização, que impõe</p><p>uma visão única de modernidade e desenvolvimento, desvalori-</p><p>zando culturas e modos de vida locais.</p><p>A monocultura do produtivismo capitalista: que considera como</p><p>inexistentes todas as formas de produção econômica que não se</p><p>encaixam no modelo capitalista.</p><p>Ao identificar e combater essas formas de exclusão e invisibili-</p><p>dade, a “Sociologia das Ausências” busca promover uma ecologia</p><p>de saberes, a partir da qual diferentes práticas e conhecimentos</p><p>possam coexistir e ser valorizados.</p><p>Repertório sociocultural que pode ser usado para</p><p>fundamentar a ideia:</p><p>O epistemicídio brasileiro ou o sepultamento</p><p>dos saberes da historiadora Sueli Carneiro</p><p>6 REDAÇÃO • FERNANDA PESSOA</p><p>D</p><p>i</p><p>s</p><p>p</p><p>o</p><p>n</p><p>i</p><p>b</p><p>i</p><p>l</p><p>i</p><p>z</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>p</p><p>o</p><p>r</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>B</p><p>y</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>É proibida a reprodução total ou parcial, inclusive quanto às características gráficas e/ou editoriais. A violação de direitos</p><p>autorais constitui crime (CP, art. 184 e Lei 9.610/80) sujeitando-se à busca e apreensão e indenizações diversas (Lei 9.610/98).</p><p>O que é?</p><p>“Epistemicídio” é um conceito, elaborado por Boaventura de</p><p>Sousa Santos, que trata da destruição de formas de conhecimen-</p><p>to e de culturas que não são assimiladas pela cultura do Ocidente</p><p>que domina, ou seja, fala sobre a produção do conhecimento</p><p>científico construída de acordo com um único modelo.</p><p>O mundo, apesar de sua complexidade, ganhou contornos mo-</p><p>noculturais que barram a popularização de outras formas de</p><p>conhecimento caso destoem do modelo vigente.</p><p>Observação: Boaventura de Sousa Santos criou e popularizou</p><p>o termo epistemicídio; Sueli Carneiro articulou esse conceito à</p><p>situação histórica brasileira.</p><p>“Sepultamento de saberes”</p><p>É como se tivéssemos adotado um sistema de aquisição do</p><p>conhecimento que validasse apenas algumas formas de pen-</p><p>sar e de produzir cultura – normalmente vindas dos próprios</p><p>colonizadores, os quais instituíram quais tipos de saber (e de</p><p>referência) seguir.</p><p>Todas as outras formas de pensar são “sepultadas”. Naturaliza-</p><p>se a exclusão, o preconceito, a invisibilidade...</p><p>Exemplo de parágrafo:</p><p>Ademais, é nítido que as dificuldades de promover um</p><p>verdadeiro reconhecimento e valorização das comunida-</p><p>des tradicionais ascendem à medida que raízes precon-</p><p>ceituosas são mantidas. De fato, com base nos estudos da</p><p>filósofa Sueli Carneiro, é perceptível a existência de um</p><p>“epistemicídio brasileiro” na sociedade atual, ou seja,</p><p>há uma negação da cultura e dos saberes de grupos su-</p><p>balternizados, a qual é ainda mais reforçada por setores</p><p>midiáticos. Em outras palavras, apesar da complexidade</p><p>de cultura dos povos tradicionais, o Brasil assume con-</p><p>tornos monoculturais, uma vez que inferioriza e “sepulta”</p><p>os saberes de tais grupos, cujas relações e produções,</p><p>baseadas na relação harmônica com a natureza, destoam</p><p>do modelo ocidental, capitalista e elitista. Logo, devido</p><p>a um notório preconceito, os indivíduos tradicionais</p><p>permanecem excluídos socialmente e com seus direitos</p><p>negligenciados.</p><p>Carina Moura - Aluna nota 1000 no ENEM 2022</p><p>OUTRA IDEIA PARA TÓPICO FRASAL:</p><p>UM CICLO</p><p>SOCIOECONÔMICO</p><p>PAUTADO NA</p><p>PERSISTÊNCIA DA</p><p>DESIGUALDADE</p><p>O que é?</p><p>Muitos dos problemas do Brasil, inclusive, __________, partem de</p><p>um processo histórico de omissão ou de exploração cujo efeito</p><p>traz de volta a recorrência desse grave problema.</p><p>A sociedade passou a aceitar a desigualdade socioeconômica</p><p>como algo “inevitável”, mesmo quando essa condição é resulta-</p><p>do de estruturas e de práticas sistêmicas. Em outras palavras,</p><p>a desigualdade é vista como uma parte normal ou aceitável da</p><p>ordem social, ao invés de algo que pode e deve ser questionado</p><p>ou transformado.</p><p>Todos os problemas sociais, políticos e econômicos do Brasil são</p><p>cíclicos.</p><p>A naturalização da desigualdade não é orgânica ou</p><p>espontânea, é socialmente construída e reforçada</p><p>pelas condições materiais e, consequentemente,</p><p>imateriais da sociedade, isto é, as estruturas so-</p><p>ciais são fortemente influenciadas pelos interesses</p><p>dos grupos dominantes da sociedade, principalmen-</p><p>te, em países periféricos, como é o caso do Brasil.</p><p>A desigualdade social não é um fenômeno natural, mas é uma</p><p>construção social, reforçada pelas condições materiais (como</p><p>economia, distribuição de recursos, acesso à educação e</p><p>saúde) e imateriais (como valores culturais, normas sociais, e</p><p>ideologias).</p><p>Em outras palavras, as desigualdades não surgem de maneira</p><p>espontânea na sociedade. Elas são criadas e mantidas pelas</p><p>estruturas sociais e econômicas que favorecem determinados</p><p>grupos sociais em detrimento de outros.</p><p>Essas estruturas sociais são moldadas pelos interesses dos</p><p>grupos dominantes, ou seja, aqueles que detêm o poder econô-</p><p>mico, político e social. Esses grupos têm interesse em manter</p><p>o status quo, porque isso garante a continuidade de seus privi-</p><p>légios e do seu poder.</p><p>Nos países periféricos, como o Brasil, essas dinâmicas são ainda</p><p>mais acentuadas. A periferia, no contexto global, refere-se a paí-</p><p>ses que estão em uma posição subordinada no sistema econômi-</p><p>co mundial, geralmente com economias dependentes e menos</p><p>desenvolvidas. Nesse contexto, as desigualdades são exacerba-</p><p>das pelas condições históricas e econômicas específicas desses</p><p>países, onde as elites dominantes têm um papel significativo em</p><p>perpetuar essas desigualdades para manter seus interesses.</p><p>É um fenômeno complexo, que não deve ser visto como inevitá-</p><p>vel ou natural, mas como um resultado das ações e das estrutu-</p><p>ras sociais.</p><p>OUTRA IDEIA PARA TÓPICO FRASAL:</p><p>AUSÊNCIA DE PERTENCIMENTO</p><p>NACIONAL OU A EXISTÊNCIA DE UM</p><p>NACIONALISMO APENAS SIMBÓLICO</p><p>7FERNANDA PESSOA • REDAÇÃO</p><p>D</p><p>i</p><p>s</p><p>p</p><p>o</p><p>n</p><p>i</p><p>b</p><p>i</p><p>l</p><p>i</p><p>z</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>p</p><p>o</p><p>r</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>B</p><p>y</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>É proibida a reprodução total ou parcial, inclusive quanto às características gráficas e/ou editoriais. A violação de direitos</p><p>autorais constitui crime (CP, art. 184 e Lei 9.610/80) sujeitando-se à busca e apreensão e indenizações diversas (Lei 9.610/98).</p><p>O que é?</p><p>É um nacionalismo de uma parte da socie-</p><p>dade que justifica um patriotismo</p><p>a partir dos símbolos nacionais,</p><p>como a bandeira e o hino</p><p>do país, mas não apresenta</p><p>uma visão efetivamente</p><p>coletiva para a diminuição</p><p>das desigualdades sociais.</p><p>Exemplos de uso em diferentes parágrafos:</p><p>Nesse sentido, nota-se o quanto um nacionalismo simbólico é</p><p>usado como forma de mascarar a grave situação de omissão</p><p>social quanto a práticas coletivas para construção de um bem-</p><p>-estar social. Em outras palavras, uma parcela da sociedade</p><p>justifica seu amor à pátria a partir da exibição dos símbolos</p><p>nacionais, como a bandeira e o hino, mas sem uma visão efeti-</p><p>vamente coletiva, que seja capaz de colaborar para a retirada de</p><p>milhares de pessoas da situação de vulnerabilidade e permitir o</p><p>crescimento equitativo do país.</p><p>Nesse sentido, é fundamental perceber o quanto a omissão</p><p>social insidiosa (disfarçada) é responsável por manter padrões</p><p>desiguais e injustos de crescimento do país, inclusive, no proces-</p><p>so de _________. Isso ocorre pois, muitas vezes, há a naturalização</p><p>de um “nacionalismo simbólico”, ou seja, há a justificativa de</p><p>amor à pátria a partir dos símbolos nacionais, como a bandeira</p><p>e o hino nacional, mas sem uma visão efetivamente coletiva, que</p><p>seja capaz de retirar milhares de pessoas da situação de vulne-</p><p>rabilidade e permitir o crescimento equitativo do país.</p><p>Repertório sociocultural que pode ser usado</p><p>para fundamentar a ideia:</p><p>As</p><p>brasileiro</p><p>O economista Celso Furtado com a teoria do subdesenvolvimento</p><p>OUTRA IDEIA PARA</p><p>TÓPICO FRASAL:</p><p>MANUTENÇÃO DE UM</p><p>PARADOXO SOCIAL</p><p>O que é?</p><p>É a persistente situação de desigualdade em um país economi-</p><p>camente desenvolvido, mas socialmente negligente e pobre.</p><p>A “manutenção de um paradoxo social” no Brasil é a coexistência</p><p>de características sociais, econômicas e culturais aparentemen-</p><p>te contraditórias dentro da sociedade brasileira.</p><p>Esse conceito é explorado por diversos sociólogos e antropólo-</p><p>gos para descrever como o Brasil consegue sustentar estruturas</p><p>9FERNANDA PESSOA • REDAÇÃO</p><p>D</p><p>i</p><p>s</p><p>p</p><p>o</p><p>n</p><p>i</p><p>b</p><p>i</p><p>l</p><p>i</p><p>z</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>p</p><p>o</p><p>r</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>B</p><p>y</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>É proibida a reprodução total ou parcial, inclusive quanto às características gráficas e/ou editoriais. A violação de direitos</p><p>autorais constitui crime (CP, art. 184 e Lei 9.610/80) sujeitando-se à busca e apreensão e indenizações diversas (Lei 9.610/98).</p><p>sociais complexas e, por vezes conflitantes, sem resolver com-</p><p>pletamente as tensões e as desigualdades subjacentes.</p><p>Manifestações desse paradoxo social:</p><p>Desigualdade e Democracia:</p><p>O Brasil é uma democracia com instituições políticas relativa-</p><p>mente estáveis, mas ao mesmo tempo enfrenta níveis extremos</p><p>de desigualdade social e econômica. Existe uma tensão constan-</p><p>te entre os princípios democráticos de igualdade e justiça social</p><p>e a realidade de disparidades profundas entre ricos e pobres.</p><p>Formalidade e Informalidade:</p><p>No Brasil, há uma convivência entre setores formais e informais</p><p>da economia. Enquanto as grandes corporações e instituições</p><p>operam dentro de estruturas formais e reguladas, uma parte sig-</p><p>nificativa da população trabalha em empregos informais, muitas</p><p>vezes sem acesso a direitos trabalhistas e benefícios sociais.</p><p>Diversidade Cultural e Exclusão Social:</p><p>O Brasil é conhecido por sua diversidade cultural e racial, sendo</p><p>um dos países mais miscigenados do mundo. No entanto, essa</p><p>diversidade não impede a existência de racismo estrutural e</p><p>exclusão social, já que certos grupos étnicos e raciais enfrentam</p><p>discriminação e desvantagens socioeconômicas.</p><p>Desenvolvimento Econômico e Desigualdade</p><p>Regional:</p><p>Algumas regiões do Brasil, como o Sudeste e o Sul, são altamente</p><p>desenvolvidas e industrializadas, enquanto outras, como o Norte</p><p>e o Nordeste, ainda enfrentam problemas de subdesenvolvimen-</p><p>to e pobreza. Essa disparidade regional perpetua um paradoxo</p><p>dentro do contexto do desenvolvimento nacional.</p><p>Os teóricos que abordam esses paradoxos frequentemente</p><p>enfatizam a necessidade de reconhecer e entender essas contra-</p><p>dições para promover uma sociedade mais justa e equilibrada.</p><p>A análise desses paradoxos revela como as dinâmicas sociais</p><p>e políticas no Brasil são complexas e multifacetadas, exigindo</p><p>soluções que considerem as diversas realidades e desafios en-</p><p>frentados pela população.</p><p>Repertório sociocultural que pode ser usado</p><p>para fundamentar a ideia:</p><p>Jessé Souza: Sociólogo que tem escrito extensivamente sobre</p><p>desigualdade social, racismo e a elite brasileira. Suas obras,</p><p>como “A Elite do Atraso” e “A Ralé Brasileira,” exploram como</p><p>as estruturas de poder e classe perpetuam desigual-</p><p>dades e paradoxos sociais.</p><p>Marilena Chauí: Filósofa e teórica política, co-</p><p>nhecida por suas análises críticas da sociedade</p><p>brasileira, incluindo os mecanismos de exclusão</p><p>social e a manutenção de hierarquias de poder.</p><p>Vera Telles: Socióloga que tem investigado a informalidade</p><p>e as dinâmicas de exclusão social nas cidades brasileiras,</p><p>analisando como as políticas públicas e a urbanização afetam</p><p>as populações marginalizadas.</p><p>Boaventura de Sousa Santos: Embora seja português, seu</p><p>trabalho tem grande influência no Brasil. Ele é conhecido por</p><p>seu enfoque em epistemologias do sul e por sua análise crítica</p><p>das formas de exclusão social e a manutenção de hierarquias</p><p>no contexto pós-colonial.</p><p>Lilia Schwarcz: Historiadora e antropóloga, Schwarcz tem</p><p>escrito sobre racismo, identidade nacional e como a história</p><p>colonial continua a influenciar a sociedade brasileira contem-</p><p>porânea. Suas obras incluem “Brasil: Uma Biografia,” que ela</p><p>coescreveu com Heloisa Starling.</p><p>OUTRA IDEIA PARA TÓPICO FRASAL:</p><p>ANALFABETISMO SOCIAL</p><p>O que é?</p><p>É a manutenção do estado de ignorância de uma parte da popu-</p><p>lação que não tem instrução mínima sobre os processos básicos</p><p>associados ao seu papel enquanto ser social. Tal problema impe-</p><p>de uma mobilização coletiva e mostra __________________.</p><p>analfabetismo social</p><p>analfabetismo político</p><p>analfabetismo cultural</p><p>analfabetismo econômico</p><p>analfabetismo de consumo</p><p>analfabetismo urbanístico</p><p>analfabetismo científico</p><p>analfabetismo tecnológico</p><p>analfabetismo ambiental</p><p>analfabetismo físico</p><p>O conceito de “analfabetismo social” no Brasil refere-se à in-</p><p>capacidade de amplos setores da população de compreender</p><p>e engajar-se efetivamente nas dinâmicas sociais, políticas e</p><p>econômicas que afetam suas vidas.</p><p>Esse termo pode ser utilizado para descrever uma situação em que</p><p>as pessoas, apesar de terem habilidades básicas de leitura e escrita,</p><p>necessitam de um entendimento mais profundo e crítico sobre o</p><p>funcionamento da sociedade e dos seus direitos como cidadãos.</p><p>Anote aqui</p><p>10 REDAÇÃO • FERNANDA PESSOA</p><p>D</p><p>i</p><p>s</p><p>p</p><p>o</p><p>n</p><p>i</p><p>b</p><p>i</p><p>l</p><p>i</p><p>z</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>p</p><p>o</p><p>r</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>B</p><p>y</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>É proibida a reprodução total ou parcial, inclusive quanto às características gráficas e/ou editoriais. A violação de direitos</p><p>autorais constitui crime (CP, art. 184 e Lei 9.610/80) sujeitando-se à busca e apreensão e indenizações diversas (Lei 9.610/98).</p><p>Graves dimensões dos muitos tipos de analfabetismo:</p><p>Falta de Consciência Cívica:</p><p>Muitas pessoas não têm conhecimento suficiente sobre suas</p><p>responsabilidades e seus direitos cívicos, o que limita sua</p><p>participação em processos democráticos, como eleições, e,</p><p>consequentemente, sua capacidade de exigir responsabilidade</p><p>de seus representantes eleitos.</p><p>Desinformação:</p><p>A proliferação da desinformação e das fake news pode exacerbar</p><p>o analfabetismo social, pois dificulta a capacidade de discernir</p><p>informações confiáveis e tomar decisões informadas sobre todas</p><p>as questões públicas.</p><p>Desconhecimento das Estruturas de Poder:</p><p>Muitos cidadãos desconhecem como as estruturas de poder</p><p>funcionam, incluindo o funcionamento das instituições governa-</p><p>mentais, o sistema judiciário e os mecanismos de elaboração de</p><p>políticas, o que gera o desengajamento social e político.</p><p>Baixo Capital Social:</p><p>A falta de redes sociais que facilitem a troca de informações e</p><p>o apoio mútuo pode contribuir para o analfabetismo social, já</p><p>que as pessoas ficam isoladas das influências que são capazes de</p><p>promover a cidadania ativa.</p><p>Educação Deficiente:</p><p>Um sistema educacional que não promove o pensamento crítico,</p><p>a análise social e a participação cidadã contribui para o analfabe-</p><p>tismo social. A educação que se concentra apenas em habilidades</p><p>técnicas, sem abordar questões sociais e políticas, deixa os indi-</p><p>víduos mal preparados para enfrentar e influenciar a sociedade.</p><p>Exemplos no Contexto Brasileiro:</p><p>Participação Política Limitada:</p><p>O analfabetismo social pode ser visto na baixa participação em</p><p>eleições e na desconfiança generalizada em relação a políticos</p><p>e instituições públicas. Muitas vezes, as pessoas não se sentem</p><p>representadas ou não entendem a importância do voto e da</p><p>participação política.</p><p>Desigualdade Social:</p><p>A falta de compreensão das causas e consequências da desigual-</p><p>dade pode levar à aceitação passiva de condições injustas, sem a</p><p>mobilização necessária para exigir mudanças.</p><p>Direitos Trabalhistas:</p><p>Muitos trabalhadores, especialmente em setores informais, não</p><p>têm conhecimento de seus direitos trabalhistas e, portanto, são</p><p>vulneráveis à exploração.</p><p>O analfabetismo social é uma barreira significativa</p><p>para o desenvolvimento pleno da cidadania e</p><p>para a construção de uma sociedade mais justa e</p><p>equitativa. Abordar essa questão requer esforços</p><p>abrangentes em educação,</p><p>políticas públicas in-</p><p>clusivas, promoção de mídia independente e crítica,</p><p>e a criação de espaços para o diálogo e a participação cidadã.</p><p>Repertório sociocultural que pode ser usado</p><p>para fundamentar a ideia:</p><p>Marilena Chauí: Filósofa e professora, Chauí tem escrito</p><p>extensivamente sobre a democracia, a cidadania e a alienação</p><p>social. Suas análises críticas da sociedade brasileira incluem</p><p>a discussão sobre como a falta de consciência crítica afeta a</p><p>participação política e social.</p><p>Jessé Souza: Sociólogo conhecido por suas análises sobre</p><p>desigualdade social e o papel da elite no Brasil. Ele mostra</p><p>como as estruturas de poder e as dinâmicas de classe contri-</p><p>buem para a perpetuação da desigualdade e da alienação das</p><p>massas.</p><p>OUTRA IDEIA PARA</p><p>TÓPICO FRASAL:</p><p>MERCANTILIZAÇÃO DE</p><p>BENS ESSENCIAIS</p><p>O que é?</p><p>É o processo por meio do qual bens e serviços fun-</p><p>damentais para a vida humana são transformados</p><p>em mercadorias, sujeitos às regras do</p><p>mercado e disponíveis apenas para</p><p>aqueles que podem pagar por eles.</p><p>É um problema grave por suas im-</p><p>plicações sociais, econômicas e éticas,</p><p>especialmente quando se trata de acesso</p><p>a recursos que deveriam ser universais e</p><p>garantidos para todos. Exemplo: acesso à</p><p>água, saúde, educação, moradia e energia.</p><p>Exemplo no parágrafo:</p><p>Nesse sentido, nota-se haver a necessidade do lucro em</p><p>um país cuja base é o capital, mas essa questão não pode</p><p>permitir a negociação de bens fundamentais à vida, como</p><p>a água. Consequentemente, quando algo é precificado, ex-</p><p>clui-se uma parte da sociedade, seleciona quem pode ter</p><p>acesso. Consequentemente, o abismo social é ampliado.</p><p>água, segurança, educação, lazer, alimentação de qualidade,</p><p>dados pessoais, transporte, meio ambiente, moradia, saú-</p><p>de, trabalho, cultura...</p><p>11FERNANDA PESSOA • REDAÇÃO</p><p>D</p><p>i</p><p>s</p><p>p</p><p>o</p><p>n</p><p>i</p><p>b</p><p>i</p><p>l</p><p>i</p><p>z</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>p</p><p>o</p><p>r</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>B</p><p>y</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>É proibida a reprodução total ou parcial, inclusive quanto às características gráficas e/ou editoriais. A violação de direitos</p><p>autorais constitui crime (CP, art. 184 e Lei 9.610/80) sujeitando-se à busca e apreensão e indenizações diversas (Lei 9.610/98).</p><p>Exemplo de Parágrafo:</p><p>Nesse sentido, para entender a falta de recursos hídricos no país, percebe-se que a persistência dos problemas</p><p>associados à seca pouco se limita às condições climáticas, tendo em vista que os esforços políticos são, sem dúvida,</p><p>decisivos para a correção dessas carências. Isso ocorre pois há uma espécie de “mercantilização de bens essenciais”, ou seja,</p><p>o Estado transforma o que é essencial para o indivíduo em produto e a maioria da população não tem como pagar (é o que</p><p>acontece com a água, por exemplo). Essa questão contribui para a manutenção de um poder nutrido por estruturas de domi-</p><p>nação, como o coronelismo e, por mais que essa seja uma das características da Primeira República, é notório que a “cultura</p><p>da recompensa” ainda sobrevive na forma de se fazer política. Tal fato foi estudado pelo economista Celso Furtado, no final</p><p>do século XX, e denuncia, ainda hoje, o quanto a vulnerabilidade das populações que sobrevivem à seca é mantida para que o</p><p>populismo das “relações de favor” continue sendo uma estratégia de manutenção do poder.</p><p>Fernanda Pessoa</p><p>Anote aqui</p><p>12 REDAÇÃO • FERNANDA PESSOA</p><p>D</p><p>i</p><p>s</p><p>p</p><p>o</p><p>n</p><p>i</p><p>b</p><p>i</p><p>l</p><p>i</p><p>z</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>p</p><p>o</p><p>r</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p><p>B</p><p>y</p><p>M</p><p>i</p><p>n</p><p>e</p><p>r</p><p>v</p><p>a</p><p>.</p>políticas públicas in- clusivas, promoção de mídia independente e crítica, e a criação de espaços para o diálogo e a participação cidadã. Repertório sociocultural que pode ser usado para fundamentar a ideia: Marilena Chauí: Filósofa e professora, Chauí tem escrito extensivamente sobre a democracia, a cidadania e a alienação social. Suas análises críticas da sociedade brasileira incluem a discussão sobre como a falta de consciência crítica afeta a participação política e social. Jessé Souza: Sociólogo conhecido por suas análises sobre desigualdade social e o papel da elite no Brasil. Ele mostra como as estruturas de poder e as dinâmicas de classe contri- buem para a perpetuação da desigualdade e da alienação das massas. OUTRA IDEIA PARA TÓPICO FRASAL: MERCANTILIZAÇÃO DE BENS ESSENCIAIS O que é? É o processo por meio do qual bens e serviços fun- damentais para a vida humana são transformados em mercadorias, sujeitos às regras do mercado e disponíveis apenas para aqueles que podem pagar por eles. É um problema grave por suas im- plicações sociais, econômicas e éticas, especialmente quando se trata de acesso a recursos que deveriam ser universais e garantidos para todos. Exemplo: acesso à água, saúde, educação, moradia e energia. Exemplo no parágrafo: Nesse sentido, nota-se haver a necessidade do lucro em um país cuja base é o capital, mas essa questão não pode permitir a negociação de bens fundamentais à vida, como a água. Consequentemente, quando algo é precificado, ex- clui-se uma parte da sociedade, seleciona quem pode ter acesso. Consequentemente, o abismo social é ampliado. água, segurança, educação, lazer, alimentação de qualidade, dados pessoais, transporte, meio ambiente, moradia, saú- de, trabalho, cultura... 11FERNANDA PESSOA • REDAÇÃO D i s p o n i b i l i z a d o p o r M i n e r v a . B y M i n e r v a . É proibida a reprodução total ou parcial, inclusive quanto às características gráficas e/ou editoriais. A violação de direitos autorais constitui crime (CP, art. 184 e Lei 9.610/80) sujeitando-se à busca e apreensão e indenizações diversas (Lei 9.610/98). Exemplo de Parágrafo: Nesse sentido, para entender a falta de recursos hídricos no país, percebe-se que a persistência dos problemas associados à seca pouco se limita às condições climáticas, tendo em vista que os esforços políticos são, sem dúvida, decisivos para a correção dessas carências. Isso ocorre pois há uma espécie de “mercantilização de bens essenciais”, ou seja, o Estado transforma o que é essencial para o indivíduo em produto e a maioria da população não tem como pagar (é o que acontece com a água, por exemplo). Essa questão contribui para a manutenção de um poder nutrido por estruturas de domi- nação, como o coronelismo e, por mais que essa seja uma das características da Primeira República, é notório que a “cultura da recompensa” ainda sobrevive na forma de se fazer política. Tal fato foi estudado pelo economista Celso Furtado, no final do século XX, e denuncia, ainda hoje, o quanto a vulnerabilidade das populações que sobrevivem à seca é mantida para que o populismo das “relações de favor” continue sendo uma estratégia de manutenção do poder. Fernanda Pessoa Anote aqui 12 REDAÇÃO • FERNANDA PESSOA D i s p o n i b i l i z a d o p o r M i n e r v a . B y M i n e r v a .