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<p>93</p><p>Q</p><p>ue</p><p>st</p><p>õe</p><p>s</p><p>de</p><p>v</p><p>es</p><p>ti</p><p>bu</p><p>la</p><p>r</p><p>Onde vai como branca alcíone buscando o ro-</p><p>chedo pátrio nas solidões do oceano?</p><p>[…]</p><p>Além, muito além daquela serra, que ainda</p><p>azula no horizonte, nasceu Iracema.</p><p>Iracema, a virgem dos lábios de mel, que ti-</p><p>nha os cabelos mais negros que a asa da graúna,</p><p>e mais longos que seu talhe de palmeira.</p><p>O favo da jati não era doce como seu sorriso;</p><p>nem a baunilha recendia no bosque como seu</p><p>hálito perfumado.</p><p>Mais rápida que a ema selvagem, a morena</p><p>virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde</p><p>campeava sua guerreira tribo, da grande nação</p><p>tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava</p><p>apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as</p><p>primeiras águas.</p><p>ALENCAR, J. de. Iracema. São Paulo: Núcleo, 1993. p. 17-18.</p><p>Considerando o texto, o romance Iracema e o contexto</p><p>do Romantismo brasileiro, assinale o que for correto.</p><p>01. Originalmente concebido como um longo poema</p><p>épico, o romance Iracema traz uma tentativa de</p><p>Alencar de fundir poesia e prosa. Isso fica eviden-</p><p>te nos dois parágrafos iniciais do texto, que, lidos</p><p>em voz alta, revelam uma sequência de versos</p><p>de sete sílabas. Nessa fusão de poesia com pro-</p><p>sa, tem-se uma amostra da liberdade formal dos</p><p>românticos.</p><p>02. O texto evidencia como Alencar, ao contrário de</p><p>outros prosadores do Romantismo, busca uma</p><p>prosa enxuta, quase sem adjetivos.</p><p>04. A narrativa em Iracema caracteriza-se pela li-</p><p>nearidade: os fatos da história são narrados na</p><p>mesma ordem em que ocorrem. Essa linearidade</p><p>é de regra nos romances do Romantismo.</p><p>08. Ao longo de todo o romance, Iracema é com-</p><p>parada a elementos da natureza brasileira; isso</p><p>pode ser associado às tendências nacionalistas</p><p>da literatura romântica.</p><p>16. Ao contrário da tendência romântica para o final</p><p>feliz, em Iracema tem-se um final trágico: a heroí-</p><p>na morre nos braços do amado, após ser flechada</p><p>por Irapuã, que a queria ter como esposa.</p><p>32. Além de indianista, Iracema também pode ser classi-</p><p>ficado como um romance histórico, porque faz refe-</p><p>rência a eventos históricos do Brasil colonial (guerras</p><p>de portugueses contra franceses no Nordeste) e traz</p><p>personagens da história do período, como Martim</p><p>Soares Moreno (Martim), Mel Redondo (Irapuã) e</p><p>Antônio Felipe Camarão (Poti).</p><p>Soma: 41 (01 + 08 + 32)</p><p>11. (Unifesp) Leia o texto.</p><p>Além, muito além daquela serra, que ainda</p><p>azula no horizonte, nasceu Iracema.</p><p>Iracema, a virgem dos lábios de mel, que ti-</p><p>nha os cabelos mais negros que a asa da graúna,</p><p>e mais longos que seu talhe de palmeira.</p><p>O favo da jati não era doce como seu sorriso;</p><p>nem a baunilha recendia no bosque como seu</p><p>hálito perfumado.</p><p>Mais rápida que a ema selvagem, a morena</p><p>virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde</p><p>campeava sua guerreira tribo, da grande nação</p><p>tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava</p><p>apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as</p><p>primeiras águas.</p><p>(José de Alencar, Iracema.)</p><p>a) Explique a construção da personagem em confor-</p><p>midade com os preceitos da literatura romântica.</p><p>Em conformidade com a literatura romântica, a apresentação da</p><p>personagem é associada integralmente à paisagem americana,</p><p>projetando-se sempre à perfeição, como pode ser comprovado pelos</p><p>trechos: tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais</p><p>longos que seu talhe de palmeira e O favo da jati não era doce como</p><p>seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito</p><p>perfumado.</p><p>b) Identifique e exemplifique o recurso linguístico-tex-</p><p>tual recorrente para a construção da personagem.</p><p>A comparação é o principal recurso estilístico usado pelo autor, como</p><p>fica claro em: Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos</p><p>mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de</p><p>palmeira.</p><p>D0-LIT-EM-3013-CA-VU-096-122-LA-M005.indd 93 7/15/15 10:36 AM</p><p>94</p><p>12. Bandeira argumenta que Iracema é “mais poema que romance”, porém, mais ainda se des-</p><p>taca o caráter de mito, o qual Alencar buscou ao acrescentar ao romance o subtítulo de “Lenda</p><p>do Ceará”.</p><p>Alternativa a: incorreta. A referência à história é fundamental para a construção do mito, por isso</p><p>Alencar não a dispensa.</p><p>Alternativa c: incorreta. A mitologia predominante no texto é a tupi. Não há sentido na compa-</p><p>ração estabelecida, tendo em vista que a mitologia pode ser retratada em prosa ou em poesia.</p><p>Alternativa d: incorreta. A intenção primordial era contar a lenda, e a poesia em prosa foi a forma</p><p>estabelecida para atingir esse objetivo.</p><p>Alternativa e: incorreta. O termo superior é o mito, que está acima da poesia, que, por sua vez,</p><p>está acima da prosa.</p><p>12. (Fuvest-SP) Em um poema escrito em louvor de Ira-</p><p>cema, Manuel Bandeira afirma que, ao compor esse</p><p>livro, Alencar:</p><p>[…] escreveu o que é mais poema</p><p>Que romance, e poema menos</p><p>Que um mito, melhor que Vênus.</p><p>Segundo Bandeira, em Iracema:</p><p>a) Alencar parte da ficção literária em direção à nar-</p><p>rativa mítica, dispensando referências a coorde-</p><p>nadas e personagens históricas.</p><p>b) o caráter poemático dado ao texto predomina so-</p><p>bre a narrativa em prosa, sendo, por sua vez, su-</p><p>perado pela constituição de um mito literário.</p><p>c) a mitologia tupi está para a mitologia clássica,</p><p>predominante no texto, assim como a prosa está</p><p>para a poesia.</p><p>d) ao fundir romance e poema, Alencar, involunta-</p><p>riamente, produziu uma lenda do Ceará, superior</p><p>à mitologia clássica.</p><p>e) estabelece-se uma hierarquia de gêneros literá-</p><p>rios, na qual o termo superior, ou dominante, é a</p><p>prosa romanesca, e o termo inferior, o mito.</p><p>13. (Unicamp-SP) O trecho a seguir foi extraído de Ira-</p><p>cema. Ele reproduz a reação e as últimas palavras de</p><p>Batuiretê antes de morrer:</p><p>O velho soabriu as pesadas pálpebras, e pas-</p><p>sou do neto ao estrangeiro um olhar baço. Depois</p><p>o peito arquejou e os lábios murmuraram:</p><p>– Tupã quis que estes olhos vissem antes de</p><p>se apagarem, o gavião branco junto da narceja.</p><p>O abaeté derrubou a fronte aos peitos, e não</p><p>falou mais, nem mais se moveu.</p><p>(José de Alencar, Iracema: lenda do Ceará.</p><p>Rio de Janeiro: MEC/INL, 1965, p. 171-172.)</p><p>a) Quem é Batuiretê?</p><p>Batuiretê é um ancião a quem todos consultavam, que no passado foi</p><p>um guerreiro valente e chefe dos pitiguaras. Avô de Poti e Jacaúna,</p><p>respectivamente guerreiro e cacique dos pitiguaras, no presente morava,</p><p>sozinho, numa cabana na serra de Maranguab.</p><p>b) Identifique os personagens a quem ele se dirige e</p><p>indique os papéis que desempenham no romance.</p><p>Os personagens a quem ele se dirige são o neto, o guerreiro pitiguara</p><p>Poti (que posteriormente é batizado como Antônio Felipe Camarão) e</p><p>Martim Soares Moreno, colonizador português aliado dos pitiguaras e</p><p>paixão de Iracema, com quem tem um filho, Moacir, símbolo da união</p><p>das duas raças.</p><p>c) Explique o sentido da metáfora empregada por</p><p>Batuiretê em sua fala.</p><p>Na metáfora empregada por Batuiretê, “gavião branco” simboliza o</p><p>predador – o homem branco –, e “narceja”, ave típica da América do</p><p>Sul, representa a presa, o índio. Por meio dessas palavras, o velho índio</p><p>faz a trágica previsão da destruição do seu povo pelo homem branco,</p><p>metaforizando, assim, a exploração do europeu sobre os nativos das</p><p>Américas.</p><p>14. (PUC-RS) Para responder à questão, leia os textos</p><p>que seguem.</p><p>Texto A</p><p>Maria</p><p>Castro Alves</p><p>Onde vais à tardezinha,</p><p>Mucama tão bonitinha,</p><p>Morena flor do sertão?</p><p>A grama um beijo te furta</p><p>Por baixo da saia curta,</p><p>D0-LIT-EM-3013-CA-VU-096-122-LA-M005.indd 94 7/16/15 7:48 PM</p><p>95</p><p>Q</p><p>ue</p><p>st</p><p>õe</p><p>s</p><p>de</p><p>v</p><p>es</p><p>ti</p><p>bu</p><p>la</p><p>r</p><p>Que a perna te esconde em vão…</p><p>Mimosa flor das escravas!</p><p>O bando das rolas bravas</p><p>Voou com medo de ti!…</p><p>Levas hoje algum segredo…</p><p>Pois te voltaste com medo</p><p>Ao grito do bem-te-vi!</p><p>Serão amores deveras?</p><p>Ah! Quem dessas primaveras</p><p>Pudesse a flor apanhar!</p><p>E contigo ao tom d’aragem,</p><p>Sonhar na rede selvagem…</p><p>À sombra do azul palmar!</p><p>Bem feliz quem na viola</p><p>Te ouvisse</p><p>a moda espanhola</p><p>Da lua ao frouxo clarão…</p><p>Com a luz dos astros – por círios,</p><p>Por leito – um leito de lírios…</p><p>E por tenda – a solidão!</p><p>Texto B</p><p>Iracema, sentindo que lhe rompia o seio, bus-</p><p>cou a margem do rio, onde crescia o coqueiro.</p><p>Estreitou-se com a haste da palmeira. A dor</p><p>lacerou suas entranhas; porém logo o choro in-</p><p>fantil inundou sua alma de júbilo.</p><p>A jovem mãe, orgulhosa de tanta ventura, to-</p><p>mou o tenro filho nos braços e com ele arrojou-se</p><p>às águas límpidas do rio. Depois suspendeu-o à</p><p>teta mimosa; seus olhos então o envolviam de</p><p>tristeza e amor.</p><p>– Tu és Moacir, o nascido de meu sofrimento.</p><p>A ará, pousada no olho do coqueiro, repetiu</p><p>Moacir, e desde então a ave amiga unia em seu</p><p>canto ao nome da mãe, o nome do filho.</p><p>O inocente dormia; Iracema suspirava:</p><p>– A jati fabrica o mel no tronco cheiroso do</p><p>sassafrás; toda a lua das flores voa de ramo em</p><p>ramo, colhendo o suco para encher os favos; mas</p><p>ela não prova sua doçura, porque a irara devora</p><p>em uma noite toda a colmeia. Tua mãe também,</p><p>filho de minha angústia, não beberá em teus lá-</p><p>bios o mel de teu sorriso.</p><p>Analise as alternativas que seguem, sobre os textos</p><p>A e B:</p><p>I. A imagem delicada, graciosa e harmoniosa da</p><p>escrava, presente no texto A, exemplifica a ten-</p><p>dência predominante do poeta no que se refere</p><p>ao tratamento da temática da escravidão.</p><p>II. A visão melancólica da natureza presente em</p><p>ambos os textos associa-se ao Romantismo</p><p>exacerbado.</p><p>III. O texto B, numa profusão de imagens ligadas a</p><p>elementos da natureza, relata o nascimento de</p><p>Moacir, que representa a fusão entre o branco e</p><p>o índio, dando origem ao povo brasileiro.</p><p>IV. Ambos os textos expressam o subjetivismo.</p><p>Pela análise das afirmativas, conclui-se que está</p><p>correta a alternativa:</p><p>a) I e II.</p><p>b) I e III.</p><p>c) I, II, III e IV.</p><p>d) II e IV.</p><p>e) III e IV.</p><p>15. (UFSCar-SP) A questão adiante baseia-se no texto a</p><p>seguir.</p><p>Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema.</p><p>A flecha embebida no arco partiu. Gotas de san-</p><p>gue borbulham na face do desconhecido.</p><p>De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu sobre a</p><p>cruz da espada; mas logo sorriu. O moço guer-</p><p>reiro aprendeu na religião de sua mãe, onde a</p><p>mulher é símbolo de ternura e amor. Sofreu mais</p><p>d’alma que da ferida.</p><p>[…]</p><p>A mão que rápida ferira, estancou mais rápi-</p><p>da e compassiva o sangue que gotejava. Depois</p><p>Iracema quebrou a flecha homicida; deu a has-</p><p>te ao desconhecido, guardando consigo a ponta</p><p>farpada.</p><p>O guerreiro falou:</p><p>– Quebras comigo a flecha da paz?</p><p>– Quem te ensinou, guerreiro branco, a lin-</p><p>guagem de meus irmãos? Donde vieste a estas</p><p>matas, que nunca viram outro guerreiro como</p><p>tu?</p><p>– Venho de bem longe, filha das florestas. Ve-</p><p>nho das terras que teus irmãos já possuíram, e</p><p>hoje têm os meus.</p><p>– Bem-vindo seja o estrangeiro aos campos</p><p>dos tabajaras, senhores das aldeias, e à cabana</p><p>de Araquém, pai de Iracema.</p><p>Iracema, de José de Alencar.</p><p>Em Iracema, Alencar traz como personagem central</p><p>uma índia.</p><p>a) Como se define a personagem Iracema, mulher</p><p>e índia, em relação ao movimento literário a que</p><p>pertenceu Alencar?</p><p>Iracema é uma típica heroína romântica, dotada de grande beleza física,</p><p>reflexo dos encantos naturais do continente americano. Dotada de</p><p>sentimentos nobres, sacrifica-se pelo amor que sente por Martim, abrindo</p><p>mão de sua castidade e rompendo com as tradições do seu povo.</p><p>14. Afirmativa I: incorreta. A tendência predomi-</p><p>nante na produção poética de Castro Alves é a</p><p>denúncia dos males da escravidão.</p><p>Afirmativa II: incorreta. Embora a apresentação de</p><p>paisagens melancólicas seja uma das característi-</p><p>cas do Romantismo, no primeiro texto, esse tipo de</p><p>cenário não está presente.</p><p>Afirmativa III: correta.</p><p>Afirmativa IV: correta.</p><p>D0-LIT-EM-3013-CA-VU-096-122-LA-M005.indd 95 7/15/15 10:36 AM</p><p>96</p><p>b) Os vocativos presentes nas falas de Iracema e do</p><p>moço desconhecido permitem analisar como cada</p><p>um deles concebia o outro. Transcreva esses voca-</p><p>tivos do texto e explique a imagem que Iracema</p><p>tinha do desconhecido e a imagem que ele tinha</p><p>de Iracema.</p><p>O vocativo usado por Iracema é “guerreiro branco”. Martim, por sua</p><p>vez, a chama de “filha das florestas”. A princípio, para Iracema, Martim</p><p>representa uma ameaça, um inimigo a ser combatido. Martim, entretanto,</p><p>ao se deparar com Iracema, crê que a índia pertence à nação tabajara,</p><p>não lhe despertando nenhum sentimento de medo ou ameaça.</p><p>16. (Unicamp-SP) Em Ubirajara, tal como em Iracema e</p><p>em O Guarani, José de Alencar propõe uma interpre-</p><p>tação de Brasil em que o índio exerce um papel central.</p><p>a) Que sentido têm as sucessivas mudanças de nome</p><p>do protagonista no romance?</p><p>Os vários nomes adotados pelo protagonista representam as diversas</p><p>fases de sua vida. Na primeira etapa, o protagonista é um jovem caçador</p><p>chamado Jaguaré. Na segunda etapa, ao enfrentar o guerreiro tocantim</p><p>Pojucã, passa a se chamar Ubirajara (“senhor da lança de duas pontas”).</p><p>Na terceira etapa, afugenta os tapuias e conquista Araci, adotando o</p><p>nome de Jurandir (“trazido pela luz do sol”).</p><p>b) Qual o papel das notas explicativas nesse romance?</p><p>Do que elas tratam em sua maior parte?</p><p>As notas explicativas têm papel fundamental na construção do romance,</p><p>porque por meio delas o autor acrescentou informações históricas,</p><p>etnográficas, sobre o significado de nomes e costumes indígenas,</p><p>conferindo credibilidade à narrativa.</p><p>c) Como o romance e suas notas tratam o ritual an-</p><p>tropofágico, no empenho de construir uma visão</p><p>do período pré-cabralino?</p><p>A antropofagia é apresentada do ponto de vista indígena e não do</p><p>europeu, representando uma prova de heroísmo e exaltação moral do</p><p>prisioneiro e não um simples ato canibal.</p><p>D0-LIT-EM-3013-CA-VU-096-122-LA-M005.indd 96 7/15/15 10:36 AM</p><p>97</p><p>Q</p><p>ue</p><p>st</p><p>õe</p><p>s</p><p>de</p><p>v</p><p>es</p><p>ti</p><p>bu</p><p>la</p><p>r</p><p>17. (UFSCar-SP)</p><p>O trocano ribombou, derramando longe pela</p><p>amplidão dos vales e pelos ecos das montanhas</p><p>a pocema* do triunfo.</p><p>Os tacapes, vibrados pela mão pujante dos</p><p>guerreiros, bateram nos largos escudos retinindo.</p><p>Mas a voz possante da multidão dos guerrei-</p><p>ros cobriu o imenso rumor, clamando:</p><p>– Tu és Ubirajara, o senhor da lança, o ven-</p><p>cedor de Pojucã, o maior guerreiro da nação to-</p><p>cantim.</p><p>[…]</p><p>Quando parou o estrondo da festa e cessou o</p><p>canto dos guerreiros, avançou Camacã, o grande</p><p>chefe dos araguaias.</p><p>[…]</p><p>Assim falou o ancião:</p><p>– Ubirajara, senhor da lança, é tempo de em-</p><p>punhares o grande arco da nação araguaia, que</p><p>deve estar na mão do mais possante. Camacã o</p><p>conquistou no dia em que escolheu por espo-</p><p>sa Jaçanã, a virgem dos olhos de fogo, em cujo</p><p>seio te gerou seu primeiro sangue. Ainda hoje,</p><p>apesar da velhice que lhe mirrou o corpo, ne-</p><p>nhum guerreiro ousaria disputar o grande arco</p><p>ao velho chefe, que não sofresse logo o castigo</p><p>de sua audácia. Mas Tupã ordena que o ancião</p><p>se curve para a terra, até desabar como o tron-</p><p>co carcomido, e que o mancebo se eleve para o</p><p>céu como a árvore altaneira. Camacã revive em</p><p>ti, a glória de ser o maior guerreiro cresce com</p><p>a glória de ter gerado um guerreiro ainda maior</p><p>do que ele.</p><p>(ALENCAR, José de. Ubirajara. 8. ed. São Paulo: Ática, 1984, p. 31-2.)</p><p>*pocema: canto selvagem, clamor.</p><p>O texto apresenta o índio num ritual, exaltando-se o</p><p>guerreiro Ubirajara por vencer o rival, Pojucã.</p><p>a) O que representa o discurso de Camacã para a</p><p>vida na tribo?</p><p>Representa a continuidade da tribo por meio da passagem de comando</p><p>do chefe Camacã, já idoso, para um guerreiro mais jovem, o valoroso</p><p>Ubirajara</p><p>.</p><p>b) Quais as expressões empregadas por Alencar para</p><p>definir a velhice de Camacã? Que figura de lingua-</p><p>gem está contida nessas expressões?</p><p>O próprio Camacã diz que “a velhice lhe mirrou o corpo” e que Tupã</p><p>ordena que o ancião se curve para a terra, até desabar como o tronco</p><p>carcomido. Na primeira, trata-se de uma personificação,</p><p>ou prosopopeia,</p><p>que atribui uma característica humana ao substantivo abstrato velhice.</p><p>Na segunda, trata-se de uma comparação.</p><p>Romance regionalista</p><p>Leia o texto a seguir para responder às questões 1 e 2.</p><p>Inocência</p><p>Depois das explicações dadas ao seu hóspe-</p><p>de, sentiu-se o mineiro mais despreocupado.</p><p>– Então, disse ele, se quiser, vamos já ver a</p><p>nossa doentinha.</p><p>– Com muito gosto, concordou Cirino.</p><p>E, saindo da sala, acompanhou Pereira, que o</p><p>fez passar por duas cercas e rodear a casa toda,</p><p>antes de tomar a porta do fundo, fronteira a mag-</p><p>nífico laranjal, naquela ocasião todo pontuado</p><p>das brancas e olorosas flores.</p><p>– Neste lugar, disse o mineiro apontando</p><p>para o pomar, todos os dias se juntam tamanhos</p><p>bandos de graúnas1, que é um barulho dos meus</p><p>pecados. Nocência gosta muito disso e vem sem-</p><p>pre coser debaixo do arvoredo. É uma menina</p><p>esquisita…</p><p>Parando no limiar da porta, continuou com</p><p>expansão:</p><p>– Nem o Sr. imagina… Às vezes, aquela</p><p>criança tem lembranças e perguntas que me fa-</p><p>zem embatucar… Aqui, havia um livro de horas2</p><p>da minha defunta avó… Pois não é que um belo</p><p>dia ela me pediu que lhe ensinasse a ler? … Que</p><p>ideia! Ainda há pouco tempo me disse que quise-</p><p>ra ter nascido princesa… Eu lhe retruquei: E sabe</p><p>você o que é ser princesa? Sei, me secundou3 ela</p><p>com toda a clareza, é uma moça muito boa, muito</p><p>bonita, que tem uma coroa de diamantes na ca-</p><p>beça, muitos lavrados4 no pescoço e que manda</p><p>nos homens… Fiquei meio tonto. E se o Sr. visse</p><p>os modos que tem com os bichinhos?! … Parece</p><p>que está falando com eles e que os entende… […]</p><p>D0-LIT-EM-3013-CA-VU-096-122-LA-M005.indd 97 7/15/15 10:36 AM</p><p>98</p><p>Quando Cirino penetrou no quarto da filha</p><p>do mineiro, era quase noite, de maneira que, no</p><p>primeiro olhar que atirou ao redor de si, só pôde</p><p>lobrigar5, além de diversos trastes de formas an-</p><p>tiquadas, uma dessas camas, muito em uso no</p><p>interior; altas e largas, feitas de tiras de couro</p><p>engradadas. […]</p><p>Mandara Pereira acender uma vela de sebo.</p><p>Vinda a luz, aproximaram-se ambos do leito da</p><p>enferma que, achegando ao corpo e puxando</p><p>para debaixo do queixo uma coberta de algodão</p><p>de Minas, se encolheu toda, e voltou-se para os</p><p>que entravam.</p><p>– Está aqui o doutor, disse-lhe Pereira, que</p><p>vem curar-te de vez.</p><p>– Boas noites, dona, saudou Cirino.</p><p>Tímida voz murmurou uma resposta, ao</p><p>passo que o jovem, no seu papel de médico, se</p><p>sentava num escabelo6 junto à cama e tomava o</p><p>pulso à doente.</p><p>Caía então luz de chapa sobre ela, iluminan-</p><p>do-lhe o rosto, parte do colo e da cabeça, co-</p><p>berta por um lenço vermelho atado por trás da</p><p>nuca.</p><p>Apesar de bastante descorada e um tanto</p><p>magra, era Inocência de beleza deslumbrante.</p><p>Do seu rosto, irradiava singela expressão de</p><p>encantadora ingenuidade, realçada pela meigui-</p><p>ce do olhar sereno que, a custo, parecia coar por</p><p>entre os cílios sedosos a franjar-lhe as pálpebras,</p><p>e compridos a ponto de projetarem sombras nas</p><p>mimosas faces.</p><p>Era o nariz fino, um bocadinho arqueado; a</p><p>boca pequena, e o queixo admiravelmente tor-</p><p>neado.</p><p>Ao erguer a cabeça para tirar o braço de sob</p><p>o lençol, descera um nada a camisinha de crivo</p><p>que vestia, deixando nu um colo de fascinadora</p><p>alvura, em que ressaltava um ou outro sinal de</p><p>nascença.</p><p>Razões de sobra tinha, pois, o pretenso facul-</p><p>tativo7 para sentir a mão fria e um tanto incer-</p><p>ta, e não poder atinar com o pulso de tão gentil</p><p>cliente.</p><p>VISCONDE DE TAUNAY</p><p>Inocência. São Paulo: Ática, 2011.</p><p>1graúna: pássaro de plumagem negra, canto melodioso e</p><p>hábitos eminentemente sociais.</p><p>2livro de horas: livro de preces.</p><p>3secundou: respondeu.</p><p>4lavrados: na província de Mato Grosso, colares de contas</p><p>de ouro e adornos de ouro e prata.</p><p>5lobrigar: enxergar.</p><p>6escabelo: assento.</p><p>7facultativo: médico.</p><p>1. (UERJ) A caracterização de Inocência confirma só</p><p>parcialmente a idealização da heroína romântica.</p><p>Indique uma característica que Inocência apresenta</p><p>em comum com as heroínas românticas e outra que a</p><p>torna diferente dessas heroínas.</p><p>São várias as características que a aproximam da heroína romântica, tais</p><p>como a beleza, a vontade de ser princesa, o físico frágil e o caráter sonhador,</p><p>além de sua relação harmoniosa com a natureza. Os aspectos que a</p><p>distanciam da idealização romântica são sua condição de iletrada, decorrente</p><p>da região interiorana em que vive, e o seu desejo de instruir-se, mesmo tendo</p><p>de enfrentar a sociedade patriarcal local.</p><p>2. (UERJ)</p><p>– Nem o Sr. imagina… Às vezes, aquela crian-</p><p>ça tem lembranças e perguntas que me fazem em-</p><p>batucar… Aqui, havia um livro de horas da minha</p><p>defunta avó… Pois não é que um belo dia ela me</p><p>pediu que lhe ensinasse a ler?… Que ideia! Ainda</p><p>há pouco tempo me disse que quisera ter nascido</p><p>princesa… Eu lhe retruquei: E sabe você o que</p><p>é ser princesa? Sei, me secundou ela com toda a</p><p>clareza, é uma moça muito boa, muito bonita, que</p><p>tem uma coroa de diamantes na cabeça, muitos</p><p>lavrados no pescoço [...]. (l. 19-29)</p><p>O trecho acima faz referência a crenças e valores de</p><p>Inocência e de seu pai, Pereira.</p><p>Apresente dois traços do comportamento de cada um</p><p>desses personagens que revelam a diferença de valo-</p><p>res entre eles. Em seguida, indique a modalidade de</p><p>romance em que tais personagens se inserem.</p><p>Inocência era curiosa, sonhadora, vaidosa e tinha a ousadia de querer</p><p>aprender a ler, mesmo em uma sociedade patriarcal repressora. Já seu</p><p>pai era conservador, autoritário, patriarcal e repressor. A modalidade de</p><p>romance é o regionalista, que retrata as paisagens e os personagens do</p><p>interior do Brasil.</p><p>D0-LIT-EM-3013-CA-VU-096-122-LA-M005.indd 98 7/15/15 10:36 AM</p><p>99</p><p>Q</p><p>ue</p><p>st</p><p>õe</p><p>s</p><p>de</p><p>v</p><p>es</p><p>ti</p><p>bu</p><p>la</p><p>r</p><p>3. (UFSC)</p><p>Mandara Pereira acender uma vela de sebo.</p><p>Vinda a luz, aproximaram-se ambos do leito da</p><p>enferma que, achegando ao corpo e puxando</p><p>para debaixo do queixo uma coberta de algodão</p><p>de Minas, se encolheu toda, e voltou-se para os</p><p>que entravam.</p><p>– Está aqui o doutor, disse-lhe Pereira, que</p><p>vem curar-te de vez.</p><p>– Boas-noites, dona, saudou Cirino.</p><p>Tímida voz murmurou uma resposta, ao</p><p>passo que o jovem, no seu papel de médico, se</p><p>sentava num escabelo junto à cama e tomava o</p><p>pulso à doente.</p><p>Caía então luz de chapa sobre ela, iluminan-</p><p>do-lhe o rosto, parte do colo e da cabeça, coberta</p><p>por um lenço vermelho atado por trás da nuca.</p><p>Apesar de bastante descorada e um tanto</p><p>magra, era Inocência de beleza deslumbrante.</p><p>Do seu rosto irradiava singela expressão de</p><p>encantadora ingenuidade, realçada pela meigui-</p><p>ce do olhar sereno que, a custo, parecia coar por</p><p>entre os cílios sedosos a franjar-lhe as pálpebras,</p><p>e compridos a ponto de projetarem sombras nas</p><p>mimosas faces.</p><p>[…]</p><p>Ligeiramente enrubesceu Inocência e des-</p><p>cansou a cabeça no travesseiro.</p><p>– Por que amarrou esse lenço? perguntou em</p><p>seguida o moço.</p><p>– Por nada, respondeu ela com acanhamento.</p><p>– Sente dor de cabeça?</p><p>– Nhor-não.</p><p>– Tire-o, pois: convém não chamar o sangue;</p><p>solte, pelo contrário, os cabelos.</p><p>Inocência obedeceu e descobriu uma espessa</p><p>cabeleira, negra como o âmago da cabiúna e que</p><p>em liberdade devia cair até abaixo da cintura.</p><p>Estava enrolado em bastas tranças, que davam</p><p>duas voltas inteiras ao redor do cocoruto.</p><p>[…]</p><p>Não se descuidou Cirino, antes de se retirar,</p><p>de novamente tomar o pulso e, à conta de procu-</p><p>rar a artéria, assentou toda a mão no punho da</p><p>donzela, envolvendo-lhe o braço e apertando-o</p><p>docemente.</p><p>Saiu-se mal de tudo isso; porque, se tratava</p><p>da cura de alguém, para si arranjava enfermida-</p><p>de e bem grave.</p><p>TAUNAY, V. d’E. Inocência. 3. ed. São Paulo: FTD, 1996. p. 57-58; 72.</p><p>Com base no trecho anterior e no romance Inocência e</p><p>levando em consideração o contexto do Romantismo</p><p>brasileiro, marque a(s) proposição(ões) correta(s).</p><p>01. O episódio descrito no texto refere-se ao momen-</p><p>to em que Cirino vê pela primeira vez Inocência</p><p>e fica tão apaixonado pela moça que até sua ati-</p><p>vidade médica é afetada.</p><p>02. Dois atos de Cirino – pedir a Inocência</p><p>que solte</p><p>os cabelos e tomar-lhe o pulso logo depois de já</p><p>tê-lo feito – podem ter sido motivados não tanto</p><p>3. 01. Correta.</p><p>02. Correta.</p><p>04. Incorreta. Inocência revela-se tímida e delicada, tendo em vista a sua fragilidade por</p><p>encontrar-se doente, portanto não se mostra ousada, corajosa ou ágil nesse excerto.</p><p>08. Incorreta. A doença a que se refere o parágrafo não é a malária, e sim a paixão</p><p>arrebatadora que Inocência provoca nele.</p><p>16. Incorreta. Por representar costumes do interior do Brasil, o autor foi fiel ao re-</p><p>tratar o papel da religião na vida dessas famílias, fazendo, portanto, referências à</p><p>religião.</p><p>32. Correta.</p><p>por razões médicas, mas pelo desejo do rapaz de</p><p>ver melhor a moça e tocá-la.</p><p>04. Inocência reúne algumas características bastante</p><p>comuns em heroínas românticas: ousadia, agili-</p><p>dade, coragem e excepcional beleza.</p><p>08. No último parágrafo, percebe-se como Cirino</p><p>é contagiado pela malária, doença que acome-</p><p>tia Inocência, vindo a ficar depois gravemente</p><p>enfermo.</p><p>16. Diferentemente de outras obras do Romantismo,</p><p>praticamente não existem em Inocência referên-</p><p>cias à religião, quer nas falas das personagens,</p><p>quer nos comentários do narrador.</p><p>32. O romance Inocência explora uma temática</p><p>bastante comum no Romantismo, que é o</p><p>amor impossível e trágico, mas a obra tem</p><p>alguns trechos de humor, como o episódio</p><p>em que Meyer é atacado por formigas e tem</p><p>que se despir.</p><p>Soma: 35 (01 + 02 + 32)</p><p>4. (Acafe-SC) Em relação a Cirino, personagem da obra</p><p>Inocência, de Visconde de Taunay, é correto o que se</p><p>afirma em:</p><p>a) “Homem já de alguma idade, o recém-chegado</p><p>era gordo, de compleição sanguínea, rosto expres-</p><p>sivo e franco. Trajava à mineira e parecia, como</p><p>realmente era, morador daquela localidade”.</p><p>b) Aprendeu a receitar e passou a fazer excursões</p><p>pelo interior, medicando as pessoas, utilizando-</p><p>-se “de alguns conhecimentos de valor positivo,</p><p>outros que a experiência lhe ia indicando ou que a</p><p>voz do povo e a superstição ministravam”.</p><p>c) Padrinho de Inocência, morava “para lá das Par-</p><p>naíbas, já nos terrenos Gerais”.</p><p>d) Depois de descobrir uma nova espécie de bor-</p><p>boleta e denominá-la Papilio Innocentia, em ho-</p><p>menagem à beleza de Inocência, continua a sua</p><p>viagem.</p><p>Leia o texto a seguir para responder às questões de</p><p>5 a 7.</p><p>Chegou o momento em que ter Inocência em</p><p>sua mente não significa ter ingenuidade, mas ter</p><p>a sabedoria e o conhecimento necessários para</p><p>responder às questões sem qualquer dificulda-</p><p>de. Vamos lá!</p><p>O estudo de uma obra literária levanta ques-</p><p>tões relacionadas à vida do autor, ao seu esti-</p><p>lo, aos temas e preocupações que permeiam a</p><p>época.</p><p>5. (UFC-CE) Assinale o que há de correto em cada blo-</p><p>co de declarações, atentando para o fato de que, em</p><p>alguns blocos, aparecerá mais de uma letra.</p><p>1.1. Taunay:</p><p>a) participou da Guerra do Paraguai.</p><p>b) era francês naturalizado brasileiro.</p><p>c) fez anotações durante suas viagens.</p><p>4. Alternativa a: Pereira, pai de Inocência.</p><p>Alternativa c: Antônio Cesário, padrinho de Inocência.</p><p>Alternativa d: Meyer, naturalista alemão que viajava pelo interior procurando no-</p><p>vas espécies de plantas e animais.</p><p>D0-LIT-EM-3013-CA-VU-096-122-LA-M005.indd 99 7/15/15 10:36 AM</p><p>100</p><p>1.2. O estilo de Taunay:</p><p>a) substitui expressões regionais por termos poé-</p><p>ticos.</p><p>b) funde o homem de letras com o homem de ciên-</p><p>cias.</p><p>c) une realismo paisagístico a sentimentalismo ro-</p><p>mântico.</p><p>1.3. O sertanismo de Taunay:</p><p>a) registra a realidade geossocial de tropeiros e si-</p><p>tiantes.</p><p>b) ambienta o conflito entre honra e amor no Centro-</p><p>-Oeste.</p><p>c) considera o indianismo como representante da</p><p>nacionalidade.</p><p>1.4. O autor abre e fecha o romance na seguinte ordem:</p><p>a) descreve a estrada da região / noticia a morte de</p><p>Inocência.</p><p>b) dialoga sobre os costumes locais / explica a morte</p><p>de Cirino.</p><p>c) narra o encontro dos heróis / comenta a exposi-</p><p>ção de Meyer.</p><p>1.5. Os fragmentos de caráter intertextual que prece-</p><p>dem os capítulos chamam-se de:</p><p>a) epílogo.</p><p>b) epígrafe.</p><p>c) epigrama.</p><p>1.6. Analisando o tema da mulher sertaneja, é certo</p><p>afirmar que:</p><p>a) as filhas eram um transtorno para os pais.</p><p>b) a educação feminina incluía a arte de bem re-</p><p>ceber.</p><p>c) o casamento preservava a autonomia das mu-</p><p>lheres.</p><p>1.7. Inocência e Cirino se encontram à janela, evo-</p><p>cando uma cena de Romeu e Julieta. O episódio é idí-</p><p>lico, porque:</p><p>a) censura a paixão dos atores.</p><p>b) narra um colóquio amoroso.</p><p>c) desenvolve um tema exótico.</p><p>6. (UFC-CE) Escreva V ou F, conforme seja verdadeiro</p><p>ou falso o que se afirma a seguir.</p><p>a) Taunay transcreve o apelo de Saint-Pierre: “Consi-</p><p>derai a arte da composição das asas da borboleta…”.</p><p>O romancista atende a este apelo, fazendo com que</p><p>a obra apresente:</p><p>a.1. ( ) simetria na composição de narrativas.</p><p>a.2. ( ) correspondência entre amor e honra.</p><p>a.3. ( ) paralelismo entre Inocência e Innocentia.</p><p>a.4. ( ) analogia quanto ao destino dos heróis e</p><p>da borboleta.</p><p>5.</p><p>1.1. As alternativas a e c estão corretas. Ele era de origem francesa, nasceu e viveu</p><p>no Brasil, mas não era naturalizado brasileiro.</p><p>1.2. As alternativas b e c estão corretas. Há valorização das expressões regionais</p><p>dos lugares retratados em detrimento das expressões mais literárias.</p><p>1.3. As alternativas a e b estão corretas. O indianismo não é representado na</p><p>obra de Taunay.</p><p>1.4. A alternativa a está correta.</p><p>1.5. A alternativa b está correta. Epígrafe é o texto que se cita para introduzir um</p><p>assunto. Já epílogo é o texto correspondente à conclusão de uma obra literária; e</p><p>epigrama é o nome que se dá a uma poesia breve, satírica.</p><p>1.6. A alternativa a está correta. Nas regiões interioranas, a mulher era conside-</p><p>rada um transtorno porque nada podia produzir ou fazer para ajudar os pais, e só</p><p>sairia de casa depois de casada.</p><p>1.7. A alternativa b está correta. Idílico é relativo ao amor delicado, simples, sem</p><p>exageros ou apelos, tal como na cena.</p><p>V</p><p>F</p><p>V</p><p>V</p><p>b) Justifique sua resposta ao que se afirma em a.4.</p><p>A borboleta tem o mesmo destino dos heróis: a morte.</p><p>7. (UFC-CE)</p><p>Inocência é um romance rico de registros cul-</p><p>turais, pois contrapõe, além de diferentes estilos</p><p>de vida, o estrangeiro ao brasileiro e o homem da</p><p>cidade ao sertanejo.</p><p>Com base na obra, escreva S diante dos costumes do</p><p>sertanejo; C diante das atitudes do citadino; E diante</p><p>dos comportamentos do estrangeiro.</p><p>( S ) Acatamento ao desejo dos familiares mais velhos;</p><p>casamento apalavrado; respeito à palavra empe-</p><p>nhada; especulações sobre vidas alheias.</p><p>( S ) Casamento do homem na maturidade; preserva-</p><p>ção da castidade feminina até o casamento; pro-</p><p>teção rigorosa da família; respeito às tradições.</p><p>( C ) Códigos morais tolerantes; flexibilidade ética;</p><p>combinação do saber acadêmico com o popular;</p><p>confiança na mulher.</p><p>( E ) Rigor científico e interesse por pesquisas; des-</p><p>crição objetiva e utilização de dados estatísticos;</p><p>respeito às diferenças de sexo e de classe.</p><p>( S ) Deveres de hospitalidade; divisão peculiar da</p><p>habitação; gosto por devassar novas terras; ri-</p><p>dicularização de comportamentos exóticos.</p><p>D0-LIT-EM-3013-CA-VU-096-122-LA-M005.indd 100 7/15/15 10:36 AM</p><p>101</p><p>Q</p><p>ue</p><p>st</p><p>õe</p><p>s</p><p>de</p><p>v</p><p>es</p><p>ti</p><p>bu</p><p>la</p><p>r</p><p>8. (UFRN) No Romantismo, a temática do amor impos-</p><p>sível surge com frequência em obras de ficção. Encon-</p><p>tramos um bom exemplo no livro Inocência (1872),</p><p>de Visconde de Taunay, protagonizado pelas perso-</p><p>nagens Cirino e Inocência.</p><p>Considerando a perspectiva romântica, explique o</p><p>desenlace trágico da narrativa.</p><p>Cirino e Inocência se apaixonam, mas ela já estava prometida a outro homem,</p><p>Manecão, e o pai dela, Pereira, não queria descumprir a palavra. Manecão</p><p>fica sabendo de tudo, vai ao encontro de Cirino e o mata. Inocência, ao saber</p><p>da morte do amado, acaba morrendo de desgosto.</p><p>9. (UFRGS-RS) Considere as seguintes afirmações so-</p><p>bre a obra de Bernardo Guimarães.</p><p>I. Em O Garimpeiro,</p><p>o autor utiliza o episódio da ca-</p><p>valhada para defender os costumes interioranos.</p><p>II. Em O seminarista, o autor critica o celibato sacer-</p><p>dotal e o autoritarismo patriarcal, que impedem</p><p>a realização amorosa de Eugênio.</p><p>III. Em Escrava Isaura, através do drama de Isaura/</p><p>Elvira, o autor se alinha à luta abolicionista da</p><p>época.</p><p>Quais estão corretas?</p><p>a) Apenas I.</p><p>b) Apenas II.</p><p>c) Apenas I e III.</p><p>d) Apenas II e III.</p><p>e) I, II e III.</p><p>10. (UERJ)</p><p>A dança dos ossos</p><p>A noite, límpida e calma, tinha sucedido a</p><p>uma tarde de pavorosa tormenta, nas profundas</p><p>e vastas florestas que bordam as margens do Pa-</p><p>ranaíba, nos limites entre as províncias de Minas</p><p>e de Goiás.</p><p>Eu viajava por esses lugares, e acabava de</p><p>chegar ao porto, ou recebedoria, que há entre as</p><p>duas províncias. Antes de entrar na mata, a tem-</p><p>pestade tinha me surpreendido nas vastas e ri-</p><p>sonhas campinas que se estendem até a peque-</p><p>na cidade de Catalão, donde eu havia partido.</p><p>Seriam nove a dez horas da noite; junto a</p><p>um fogo aceso defronte da porta da pequena</p><p>casa da recebedoria, estava eu, com mais algu-</p><p>mas pessoas, aquecendo os membros resfriados</p><p>pelo terrível banho que a meu pesar tomara. A</p><p>alguns passos de nós se desdobrava o largo veio</p><p>do rio, refletindo em uma chispa retorcida, como</p><p>uma serpente de fogo, o clarão avermelhado da</p><p>fogueira. Por trás de nós estavam os cercados e</p><p>as casinhas dos poucos habitantes desse lugar,</p><p>e, por trás dessas casinhas, estendiam-se as flo-</p><p>restas sem fim.</p><p>No meio do silêncio geral e profundo sobres-</p><p>saía o rugido monótono de uma cachoeira próxima,</p><p>que ora estrugia1 como se estivesse a alguns pas-</p><p>sos de distância, ora quase se esvaecia2 em abafa-</p><p>dos murmúrios, conforme o correr da viração.</p><p>No sertão, ao cair da noite, todos tratam de</p><p>dormir, como os passarinhos. As trevas e o silên-</p><p>cio são sagrados ao sono, que é o silêncio da alma.</p><p>Só o homem nas grandes cidades, o tigre nas</p><p>florestas, o mocho3 nas ruínas, as estrelas no céu</p><p>e o gênio na solidão do gabinete costumam velar</p><p>nessas horas que a natureza consagra ao repouso.</p><p>Entretanto, eu e meus companheiros, sem per-</p><p>tencer a nenhuma dessas classes, por uma exce-</p><p>ção de regra estávamos acordados a essas horas.</p><p>Meus companheiros eram bons e robustos ca-</p><p>boclos, dessa raça semisselvática e nômade, de</p><p>origem dúbia entre o indígena e o africano, que</p><p>vagueia pelas infindas florestas que correm ao</p><p>longo do Paranaíba, e cujos nomes, decerto, não</p><p>se acham inscritos nos assentos das freguesias,</p><p>e nem figuram nas estatísticas que dão ao impé-</p><p>rio… não sei quantos milhões de habitantes.</p><p>BERNARDO GUIMARÃES. TUFANO, Douglas (org.) Antologia do conto brasileiro.</p><p>Do Romantismo ao Modernismo. São Paulo: Moderna, 2005.</p><p>1estrugia: vibrava fortemente.</p><p>2esvaecia: desfalecia.</p><p>3mocho: coruja.</p><p>No texto, Bernardo Guimarães emprega diferentes</p><p>figuras de linguagem.</p><p>Observe o fragmento:</p><p>No sertão, ao cair da noite, todos tratam de</p><p>dormir, como os passarinhos. As trevas e o si-</p><p>lêncio são sagrados ao sono, que é o silêncio da</p><p>alma. (l. 29-31)</p><p>5</p><p>10</p><p>15</p><p>20</p><p>25</p><p>30</p><p>35</p><p>40</p><p>45</p><p>D0-LIT-EM-3013-CA-VU-096-122-LA-M005.indd 101 7/15/15 10:36 AM</p><p>102</p><p>Retire desse fragmento uma figura de linguagem,</p><p>nomeando-a. Explique também a relação entre o em-</p><p>prego dessa figura e a estética romântica.</p><p>A figura presente no fragmento é a metáfora, presente na expressão “silêncio</p><p>da alma”, denotando uma visão pessoal, subjetiva em relação à natureza e</p><p>ao mundo.</p><p>11. (UEPA) O problema de Isaura sempre enseja situações</p><p>de violência simbólica. Leia o trecho abaixo em que se</p><p>evidencia uma cena relativa a uma dessas situações e, a</p><p>seguir, assinale o comentário correto sobre ele.</p><p>– Podem-se retirar, – disse Martinho ao oficial</p><p>de justiça e aos guardas, que se achavam posta-</p><p>dos do lado de fora da porta. – Sua presença não</p><p>é mais necessária aqui. – Não há dúvida! – conti-</p><p>nuou ele consigo mesmo; […] Esta escrava é uma</p><p>mina que me parece não estar ainda esgotada.</p><p>(GUIMARÃES: p.100)</p><p>a) Foi extraído de um episódio da época em que</p><p>Isaura vivia na fazenda do pai de Leôncio e con-</p><p>tém a intervenção de Martinho, o irmão de Malvi-</p><p>na, protegendo-a e elogiando sua beleza.</p><p>b) Pertence à época em que Isaura, já foragida, é re-</p><p>conhecida em uma recepção social por Martinho e</p><p>revela sua intenção em tirar proveito do fato.</p><p>c) Pertence à época em que Isaura conhece Álvaro e</p><p>concerne ao momento em que Martinho, seu ad-</p><p>vogado, impede que a capturem.</p><p>d) Foi extraído do episódio em que Martinho, o pai</p><p>de Isaura, impede que a capturem, usando o di-</p><p>nheiro que acumulara para pagar-lhe a alforria.</p><p>e) Situa-se no trecho do romance em que Martinho,</p><p>arrependido da violência de ter denunciado Isau-</p><p>ra, despacha os oficiais de justiça e os guardas,</p><p>impedindo sua captura.</p><p>11. Na cena, Martinho reconhece a escrava Isaura, que estava foragida de seu</p><p>senhor, Leôncio. Sabendo que Leôncio estava à procura da escrava, se aproveita do</p><p>fato de tê-la encontrado para tentar obter algum lucro com a sua captura, e não</p><p>deixar apenas que os oficiais de justiça a levassem de volta.</p><p>12. (Insper-SP) Utilize o texto abaixo para responder à</p><p>questão.</p><p>Sua fala era uma vibração de amor, que alvo-</p><p>roçava os corações, o olhar como luz de lâmpada</p><p>encantada, que fascina e desvaira; o sorriso era</p><p>um lampejo de volúpia, que fazia sonhar com as</p><p>delícias do Éden.</p><p>Era enfim o tipo o mais esmerado da beleza</p><p>sensual, mas habitado por uma alma virgem,</p><p>cândida e sensível. Era uma estátua de Vênus</p><p>animada por um espírito angélico.</p><p>Ainda que Eugênio não conhecesse e amas-</p><p>se Margarida desde a infância, ainda que a visse</p><p>então pela primeira vez, era impossível que toda</p><p>a virtude e austeridade daquele cenobita em</p><p>botão não se prostrasse vencido diante daquela</p><p>deslumbrante visão.</p><p>Margarida estava vestida de cor-de-rosa com</p><p>muita graça e simplicidade; tinha por único en-</p><p>feite na cabeça um simples botão de rosa. Eugê-</p><p>nio esteve por muito tempo mudo e entregue a</p><p>um indizível acanhamento diante da companhei-</p><p>ra de sua infância, como se se achasse em pre-</p><p>sença de uma alta e poderosa princesa.</p><p>(GUIMARÃES, Bernardo. O seminarista. São Paulo: FTD, 1994.)</p><p>Considerando-se a organização do texto, é correto</p><p>afirmar que ele é fundamentalmente:</p><p>a) narrativo, pois relata o relacionamento amoroso</p><p>entre os personagens Margarida e Eugênio.</p><p>b) dissertativo, pois apresenta a defesa do ponto de</p><p>vista de Eugênio sobre a personagem Margarida.</p><p>c) injuntivo, pois tem a intenção de instruir o leitor</p><p>acerca das características da personagem.</p><p>d) informativo, pois fornece dados sobre a persona-</p><p>gem Margarida de forma clara e objetiva.</p><p>e) descritivo, pois produz um retrato verbal subjeti-</p><p>vo ao enumerar as características de Margarida.</p><p>13. (Unicamp-SP)</p><p>– […] Quando o Bugre sai da furna, é mau sinal:</p><p>vem ao faro do sangue como a onça. Não foi debalde</p><p>que lhe deram o nome que tem. E faz garbo disso!</p><p>– Então você cuida que ele anda atrás de al-</p><p>guém?</p><p>– Sou capaz de apostar. É uma coisa que toda</p><p>a gente sabe. Onde se encontra Jão Fera, ou hou-</p><p>ve morte ou não tarda.</p><p>Estremeceu Inhá com um ligeiro arrepio, e</p><p>volvendo em torno a vista inquieta, aproximou-se</p><p>do companheiro para falar-lhe em voz submissa:</p><p>– Mas eu tenho-o encontrado tantas vezes,</p><p>aqui perto, quando vou à casa de Zana, e não</p><p>apareceu nenhuma desgraça.</p><p>– É que anda farejando, ou senão deram-lhe</p><p>no rasto e estão-lhe na cola.</p><p>– Coitado! Se o prendem!</p><p>– Ora qual. Dançará um bocadinho na corda!</p><p>– Você não tem pena?</p><p>– De um malvado, Inhá!</p><p>– Pois eu tenho!</p><p>(José de Alencar, Til, em Obra completa, vol. III. Rio de Janeiro: Aguilar, 1958, p. 825.)</p><p>12. O trecho apresentado, embora extraído de um romance, cujo tipo textual pre-</p><p>dominante é a narração, é amplamente descritivo, tendo em vista que descreve a</p><p>beleza de Margarida e o encantamento que causou em Eugênio.</p><p>D0-LIT-EM-3013-CA-VU-096-122-LA-M005.indd 102 7/15/15 10:36 AM</p><p>103</p><p>Q</p><p>ue</p><p>st</p><p>õe</p><p>s</p><p>de</p><p>v</p><p>es</p><p>ti</p><p>bu</p><p>la</p><p>r</p><p>O trecho do romance Til transcrito anterior eviden-</p><p>cia a ambivalência que caracteriza a personagem Jão</p><p>Fera ao longo de toda a narrativa.</p><p>a) Explicite quais são as duas faces dessa ambi-</p><p>valência.</p><p>Jão Fera é um homem que mantinha uma relação de amor e admiração</p><p>por Besita, mãe de Berta (também chamada de Inhá ou de Til), e, após</p><p>a morte trágica da mãe, acaba se tornando uma espécie de guardião</p><p>da menina. Sua intenção é nobre, mas ele acaba se tornando um homem</p><p>temido por cometer crimes.</p><p>b) Exemplifique cada face dessa ambivalência com</p><p>um episódio do romance.</p><p>Há diversas passagens do romance para exemplificar essa ambivalência.</p><p>Por exemplo, num dado momento, ele mata um homem com as próprias</p><p>mãos e, mais adiante, salva Berta de um bando de queixadas (porcos-</p><p>-do-mato).</p><p>14. (Fuvest-SP) Observe o seguinte trecho de Til, de José</p><p>de Alencar, no qual o narrador caracteriza a persona-</p><p>gem Berta:</p><p>Contradição viva, seu gênio é o ser e o não</p><p>ser. Busquem nela a graça da moça e encontra-</p><p>rão o estouvamento do menino; porém mal se</p><p>apercebam da ilusão, que já a imagem da mulher</p><p>despontará em toda sua esplêndida fascinação.</p><p>A antítese banal do anjo-demônio torna-se rea-</p><p>lidade nela, em quem se cambiam no sorriso</p><p>ou no olhar a serenidade celeste com os fulvos</p><p>lampejos da paixão, à semelhança do firmamen-</p><p>to onde ao radiante matiz da aurora sucedem os</p><p>fulgores sinistros da procela.</p><p>a) Segundo o narrador, Berta é uma “contradição</p><p>viva”, cujo “gênio é o ser e o não ser”. Como essa</p><p>característica da personagem se relaciona à prin-</p><p>cipal função que ela desempenha na trama do ro-</p><p>mance?</p><p>Berta é uma personagem que destoa dos demais que estão à sua volta.</p><p>Ela tem a beleza e a atitude corajosa das heroínas românticas, no</p><p>entanto suas atitudes a levam ao destino oposto ao das demais heroínas.</p><p>Ela renuncia ao amor e à família para se dedicar aos mais necessitados:</p><p>Jão Fera, o matador que se arrepende de sua vida pregressa, Zana, a</p><p>escrava louca, e Brás, o menino deficiente a quem ela pretende educar.</p><p>b) Considerando a expressão “anjo-demônio” no</p><p>contexto cultural da época em que foi escrito o ro-</p><p>mance, justifica-se o fato de o narrador classificá-la</p><p>como “antítese banal”? Explique resumidamente.</p><p>A banalidade da antítese se justifica pelo fato de Berta incorporar</p><p>características comuns de personagens femininas da literatura romântica</p><p>(a cara de anjo com a atitude de demônio).</p><p>D0-LIT-EM-3013-CA-VU-096-122-LA-M005.indd 103 7/15/15 10:36 AM</p>

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