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<p>Olá, alunos!</p><p>Sejam bem-vindos ao treinamento de peças.</p><p>O presente e-book contém diversas peças para que você realize o</p><p>treinamento. Sugerimos que você imprima as linhas que estão nas</p><p>páginas seguintes e pratique as peças à mão, consultando apenas a</p><p>legislação permitida, simulando ao máximo as condições que você terá</p><p>no dia da prova.</p><p>Qualquer dúvida, estaremos à disposição para auxiliá-los através da</p><p>ferramenta “Pergunte ao professor”!</p><p>Bons estudos,</p><p>Abraços, Equipe Ceisc.</p><p>2ª FASE OAB | PENAL | 40º EXAME</p><p>Treinamento de peças</p><p>SUMÁRIO</p><p>Queixa-Crime .......................................................................................................................................... 4</p><p>Resposta à Acusação ............................................................................................................................. 6</p><p>Memoriais ................................................................................................................................................ 8</p><p>Apelação ................................................................................................................................................ 10</p><p>Contrarrazões de Apelação ................................................................................................................. 12</p><p>Memoriais do Procedimento do Júri .................................................................................................... 15</p><p>Recurso em Sentido Estrito contra decisão de pronúncia ................................................................. 16</p><p>Agravo em Execução ........................................................................................................................... 18</p><p>Revisão Criminal ................................................................................................................................... 19</p><p>Revogação da Prisão Preventiva ........................................................................................................ 20</p><p>PADRÃO DE RESPOSTAS</p><p>Queixa Crime ........................................................................................................................................ 22</p><p>Resposta à Acusação ........................................................................................................................... 27</p><p>Memoriais .............................................................................................................................................. 32</p><p>Apelação ................................................................................................................................................ 38</p><p>Contrarrazões de Apelação ................................................................................................................. 45</p><p>Memoriais do Procedimento do Júri .................................................................................................... 53</p><p>Recurso em Sentido Estrito contra decisão de pronúncia ................................................................. 56</p><p>Agravo em Execução ........................................................................................................................... 62</p><p>Revisão Criminal ................................................................................................................................... 67</p><p>Revogação da Prisão Preventiva ........................................................................................................ 71</p><p>Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório para</p><p>a 2ª Fase do 40º Exame da OAB e deve ser utilizado para treinamento de peças. Além disso,</p><p>recomenda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação pertinente.</p><p>Bons estudos, Equipe Ceisc.</p><p>Atualizado em abril de 2024.</p><p>Queixa-Crime</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XV EXAME OAB (Adaptada)</p><p>Enunciado</p><p>Enrico, engenheiro de uma renomada empresa da construção civil, possui um perfil em uma das</p><p>redes sociais existentes na Internet e o utiliza diariamente para entrar em contato com seus</p><p>amigos, parentes e colegas de trabalho. Enrico utiliza constantemente as ferramentas da Internet</p><p>para contatos profissionais e lazer, como o fazem milhares de pessoas no mundo</p><p>contemporâneo.</p><p>No dia 07/05/2021, Enrico comemora aniversário e planeja, para a ocasião, uma reunião à noite</p><p>com parentes e amigos para festejar a data em uma famosa churrascaria da cidade de Niterói,</p><p>no estado do Rio de Janeiro. Na manhã de seu aniversário, resolveu, então, enviar o convite por</p><p>meio da rede social, publicando postagem alusiva à comemoração em seu perfil pessoal, para</p><p>todos os seus contatos.</p><p>Helena, vizinha e ex-namorada de Enrico, que também possui perfil na referida rede social e está</p><p>adicionada nos contatos de seu ex, soube, assim, da festa e do motivo da comemoração. Então,</p><p>de seu computador pessoal, instalado em sua residência, um prédio na praia de Icaraí, em</p><p>Niterói, publicou na rede social uma mensagem no perfil pessoal de Enrico.</p><p>Naquele momento, Helena, com o intuito de ofender o ex-namorado, publicou o seguinte</p><p>comentário: “não sei o motivo da comemoração, já que Enrico não passa de um idiota, bêbado,</p><p>irresponsável e sem vergonha!”, e, com o propósito de prejudicar Enrico perante seus colegas</p><p>de trabalho e atingir sua reputação acrescentou, ainda, “ele trabalha todo dia embriagado! No</p><p>dia 10 do mês passado, ele cambaleava bêbado pelas ruas do Rio, inclusive, estava tão bêbado</p><p>no horário do expediente que a empresa em que trabalha teve que chamar uma ambulância para</p><p>socorrê-lo!”.</p><p>Imediatamente, Enrico, que estava em seu apartamento e conectado à rede social por meio de</p><p>seu tablet, recebeu a mensagem e visualizou a publicação com os comentários ofensivos de</p><p>Helena em seu perfil pessoal.</p><p>Enrico, mortificado, não sabia o que dizer aos amigos, em especial a Carlos, Miguel e Ramirez,</p><p>que estavam ao seu lado naquele instante. Muito envergonhado, Enrico tentou disfarçar o</p><p>constrangimento sofrido, mas perdeu todo o seu entusiasmo, e a festa comemorativa deixou de</p><p>ser realizada. No dia seguinte, Enrico procurou a Delegacia de Polícia Especializada em</p><p>Repressão aos Crimes de Informática e narrou os fatos à autoridade policial, entregando o</p><p>conteúdo impresso da mensagem ofensiva e a página da rede social na Internet onde ela poderia</p><p>ser visualizada. Passados cinco meses da data dos fatos, Enrico procurou seu escritório de</p><p>advocacia e narrou os fatos acima. Você, na qualidade de advogado de Enrico, deve assisti-lo.</p><p>Informa-se que a cidade de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, possui Varas Criminais e</p><p>Juizados Especiais Criminais.</p><p>Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso</p><p>concreto acima, redija a peça cabível, excluindo a possibilidade de impetração de “habeas</p><p>corpus”, sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes, datando-a no último dia do prazo.</p><p>(Valor: 5,00 pontos)</p><p>A peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar</p><p>respaldo à pretensão.</p><p>Resposta à Acusação</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXV EXAME</p><p>Enunciado</p><p>Patrick, nascido em 4-6-1960, tio de Natália, jovem de 18 anos, estava na varanda de sua casa</p><p>em Araruama, em 5-3-2017, no interior do Estado do Rio de Janeiro, quando vê o namorado de</p><p>sua sobrinha, Lauro, agredindo-a de maneira violenta, em razão de ciúmes.</p><p>Verificando o risco que sua sobrinha corria com a agressão, Patrick gritou com Lauro, que não</p><p>parou de agredi-la. Patrick não tinha outra forma de intervir, porque estava com uma perna</p><p>enfaixada devido a um acidente de trânsito.</p><p>Ao ver que as agressões não cessavam, foi até o interior de sua residência e pegou uma arma</p><p>de fogo, de uso permitido, que mantinha no imóvel, devidamente registrada, tendo ele</p><p>autorização</p><p>em “reiteradamente ou não”;</p><p>c) aumento da pena-base em relação ao crime de tráfico diante das consequências graves que</p><p>vem causando para a saúde pública e a sociedade brasileira;</p><p>d) afastamento da atenuante da confissão, já que ela teria sido parcial;</p><p>e) afastamento da causa de diminuição do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06, independentemente</p><p>da condenação pelo crime do Art. 35 da Lei nº 11.343/06, considerando que o réu seria portador</p><p>de maus antecedentes, já que responde a ação penal em que se imputa a prática do crime de</p><p>furto;</p><p>f) aplicação do regime inicial fechado, diante da natureza hedionda do delito de tráfico;</p><p>g) afastamento da substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, diante da</p><p>vedação legal do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06. Já o acusado e a defesa técnica, intimados</p><p>do teor da sentença, mantiveram-se inertes, não demonstrando interesse em questioná-la.</p><p>O magistrado, então, recebeu o recurso do Ministério Público e intimou, no dia 05 de novembro</p><p>de 2018 (segunda-feira), sendo terça-feira dia útil em todo o país, você, advogado(a) de João, a</p><p>apresentar a medida cabível.</p><p>Com base nas informações expostas na situação hipotética e naquelas que podem ser inferidas</p><p>do caso concreto, redija a peça cabível, excluídas as possibilidades de habeas corpus e</p><p>embargos de declaração, no último dia do prazo, sustentando todas as teses jurídicas</p><p>pertinentes. (Valor: 5,00)</p><p>EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 1ª VARA CRIMINAL DA</p><p>COMARCA DE MACEIÓ/AL</p><p>Processo nº...</p><p>JOÃO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência,</p><p>apresentar as presentes CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO, com base no artigo 600 do</p><p>Código de Processo Penal, requerendo sejam recebidas, com posterior remessa ao</p><p>Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas.</p><p>As presentes contrarrazões são tempestivas, já que oferecidas dentro do</p><p>prazo de 8 dias, previsto no artigo 600 do Código de Processo Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 13 de novembro de 2018.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE ALAGOAS</p><p>APELANTE: Ministério Público</p><p>APELADO: João</p><p>CONTRARRAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO</p><p>ou RAZÕES DO APELADO</p><p>Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas</p><p>Colenda Câmara Criminal</p><p>I) DOS FATOS</p><p>O réu foi denunciado pela prática do crime tráfico e associação para o tráfico,</p><p>previstos nos artigos 33 e 35, combinado com a causa de aumento do art. 40, inciso IV, todos da</p><p>Lei 11.343/06.</p><p>Ao final da instrução, o Magistrado proferiu sentença parcialmente procedente para</p><p>o fim de condenar o réu pelo crime de tráfico de drogas, aplicando a pena de 01 ano, 11 meses e</p><p>10 dias de reclusão e 195 dias multa, a ser cumprida em regime aberto.</p><p>Inconformado, o Ministério Público interpôs recurso de apelação, acompanhado das</p><p>respectivas razões recursais, no dia 25 de outubro de 2018.</p><p>O Magistrado recebeu o recurso de apelação do Ministério Público e intimou a</p><p>defesa para apresentar a medida cabível no dia 05 de novembro de 2018.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) DA NULIDADE DA INSTRUÇÃO</p><p>Não deve ser reconhecida a nulidade da instrução, em face do interrogatório não ter</p><p>sido o primeiro ato da instrução.</p><p>Isso porque, embora o art. 57 da Lei 11.343/06 disponha que o interrogatório é o</p><p>primeiro ato no procedimento da Lei de Drogas, o Ministério Público não arguiu a nulidade no</p><p>momento adequado, ou seja, na própria audiência.</p><p>Além disso, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça adotam o</p><p>entendimento no sentido de que não há nulidade quando o interrogatório for realizado como último</p><p>ato da instrução, aplicando-se as regras do artigo 400 do Código de Processo Penal, sobretudo</p><p>porque não há violação do princípio do contraditório e ampla defesa.</p><p>Nesse se nítido, deve a alegação da nulidade ser afastada.</p><p>B) DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO</p><p>Deve ser mantida a absolvição em relação à associação para o tráfico, previsto no</p><p>artigo 35 da Lei 11.343/2006.</p><p>Isso porque o réu João e o adolescente se conheceram um dia antes dos fatos,</p><p>praticando, em tese, apenas um delito, não caracterizando, portanto, a relação estável e</p><p>permanente exigida para a incidência do crime de associação para o tráfico.</p><p>Diante disso, deve ser mantida a absolvição em relação ao delito de associação</p><p>para o tráfico.</p><p>C) DA PENA-BASE</p><p>Deve ser mantida a pena-base no mínimo legal. Isso porque a gravidade abstrata do</p><p>crime do tráfico, por si só, não é fundamentação idônea para elevar a pena-base acima do mínimo</p><p>legal.</p><p>Além disso, a ofensa à saúde pública é inerente ao crime de associação para o tráfico</p><p>e tráfico de drogas, ou seja, integra o delito, não podendo tal circunstância ser usada também para</p><p>elevar a pena-base acima do mínimo legal, já que representaria verdadeiro bis in idem.</p><p>Logo, deve ser mantida a pena-base no mínimo legal.</p><p>D) DA ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA</p><p>Deve ser mantida a atenuante da confissão espontânea.</p><p>Isso porque o réu admitiu que a droga apreendida seria destinada à ilícita</p><p>comercialização, sendo a confissão utilizada pelo juiz para fundamentar a sua decisão.</p><p>Logo, deve ser mantida a atenuante da confissão espontânea, prevista no artigo 65,</p><p>inciso III, “d”, do Código Penal, já que considerada pelo Magistrado para fundamentar sua decisão,</p><p>conforme previsão da Súmula 545 do Superior Tribunal de Justiça.</p><p>E) DO TRÁFICO PRIVILEGIADO</p><p>Deve ser mantida a causa de diminuição pelo tráfico privilegiado, previsto no artigo</p><p>33, § 4º, da Lei 11.343/2006.</p><p>Isso porque o fato de o agente apenas responder por outro processo de furto não</p><p>serve para caracterizar maus antecedentes, conforme previsão da Súmula 444 do Superior</p><p>Tribunal de Justiça, bem como em razão do princípio da presunção da inocência, previsto no</p><p>artigo 5º, LVII, da Constituição Federal/88.</p><p>Logo, deve ser mantida a causa de diminuição do art. 33, §4º, da Lei 11.343/06.</p><p>F) DO REGIME FECHADO</p><p>Deve ser mantido o regime inicial aberto.</p><p>Isso porque o art. 2º, § 1º, da Lei 8.072/90, foi declarado inconstitucional pelo Supremo</p><p>Tribunal Federal, pois viola o princípio da individualização da pena, previsto no art. 5º, XLVI, da</p><p>Constituição Federal/88.</p><p>Além disso, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça pacificaram</p><p>o entendimento no sentido de que o tráfico privilegiado não tem natureza hediondo.</p><p>Sendo assim, o pedido ministerial de aplicação do regime fechado deve ser afastado,</p><p>mantendo-se o regime inicial aberto.</p><p>G) DA PENA RESTRITIVA DE DIREITOS</p><p>Deve ser mantida a substituição da pena restritiva de direitos diante da previsão do</p><p>art. 33, § 4º, da Lei 11.343/06.</p><p>Isso porque a vedação prevista no referido artigo foi declarada inconstitucional pelo</p><p>Supremo Tribunal Federal, por conta da violação do princípio da individualização da pena, previsto</p><p>no artigo art. 5º, XLVI, da Constituição Federal/88. Além disso, a Resolução nº 5 do Senado</p><p>suspendeu a eficácia da vedação prevista no artigo art. 33, § 4º, da Lei 11.343/06.</p><p>Assim, deve ser mantida a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva</p><p>de direitos.</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer NÃO SEJA PROVIDO o recurso de apelação interposto,</p><p>MANTENDO-SE, por conseguinte, a decisão recorrida nos seus exatos termos.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 13 de novembro de 2018.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>Memoriais do Procedimento do Júri</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XI EXAME OAB (Adaptado)</p><p>Enunciado</p><p>Jerusa, atrasada para importante compromisso profissional, dirige seu carro bastante</p><p>preocupada, mas respeitando os limites de velocidade. Em uma via de mão dupla, Jerusa decide</p><p>ultrapassar o carro à sua frente, o qual estava abaixo da velocidade permitida.</p><p>Para realizar a referida</p><p>manobra, entretanto, Jerusa não liga a respectiva seta luminosa</p><p>sinalizadora do veículo e, no momento da ultrapassagem, vem a atingir Diogo, motociclista que,</p><p>em alta velocidade, conduzia sua moto no sentido oposto da via. Não obstante a presteza no</p><p>socorro que veio após o chamado da própria Jerusa e das demais testemunhas, Diogo falece</p><p>em razão dos ferimentos sofridos pela colisão.</p><p>Instaurado o respectivo inquérito policial, após o curso das investigações, o Ministério Público</p><p>decide oferecer denúncia contra Jerusa, imputando-lhe a prática do delito de homicídio doloso</p><p>simples, na modalidade dolo eventual (art. 121 c/c art. 18, I parte final, ambos do CP).</p><p>Argumentou o ilustre membro do Parquet a imprevisão de Jerusa acerca do resultado que</p><p>poderia causar ao não ligar a seta do veículo para realizar a ultrapassagem, além de não atentar</p><p>para o trânsito em sentido contrário. A denúncia foi recebida pelo juiz competente e todos os atos</p><p>processuais exigidos em lei foram regularmente praticados. Finda a instrução probatória, o</p><p>Ministério Público pugnou pela pronúncia da acusada, nos termos da denúncia.</p><p>O advogado de Jerusa é intimado da referida decisão em 02 de agosto de 2013 (sexta-feira).</p><p>Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado (a) de Jerusa, redija</p><p>a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas</p><p>pertinentes. A peça deverá ser datada do último da do prazo para apresentação. (Vale 5,00)</p><p>EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA... VARA CRIMINAL DO</p><p>TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA...</p><p>Processo nº ...</p><p>JERUSA, já qualificada nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência apresentar</p><p>MEMORIAIS, com base 403, § 3º, do Código de Processo Penal, pelos fatos e fundamentos</p><p>jurídicos a seguir expostos:</p><p>I) DA TEMPESTIVIDADE</p><p>Os presentes memoriais são tempestivos, já que apresentados dentro do prazo</p><p>de 5 dias, previsto no artigo 403, § 3º, do Código de Processo Penal.</p><p>II) DOS FATOS</p><p>O Ministério Público ofereceu denúncia contra Jerusa, imputando-lhe a prática</p><p>do delito de homicídio doloso simples, na modalidade dolo eventual (Art. 121, c/c Art. 18,</p><p>inciso I, parte final, ambos do Código Penal).</p><p>Após o encerramento da instrução, o Ministério Público pugnou pela pronúncia.</p><p>A defesa foi intimada no dia 02 de agosto de 2013.</p><p>III) DO DIREITO</p><p>A) DA DESCLASSIFICAÇÃO</p><p>Deve ser reconhecida a desclassificação do delito, com a remessa dos autos</p><p>ao juízo competente.</p><p>Isso porque, ao supostamente não ter acionado a seta luminosa, a ré não</p><p>assumiu o risco nem aceitou o resultado morte, conforme prevê o artigo 18, inciso I (parte</p><p>final), do Código Penal, que adotou, em relação ao dolo eventual, a teoria do</p><p>consentimento. Logo, a ré não agiu com dolo eventual.</p><p>Nesse sentido, a conduta da ré se enquadra, em tese, no artigo 302 do Código</p><p>de Trânsito Brasileiro, definido como homicídio culposo na condução de veículo automotor.</p><p>Em consequência, não havendo crime doloso contra a vida, o Tribunal do Júri</p><p>não é competente para julgar o processo, razão pela qual deve ocorrer a desclassificação do</p><p>delito, nos termos do artigo 419 do Código de Processo Penal, remetendo-se os autos ao</p><p>Juízo competente.</p><p>IV) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer;</p><p>a) A desclassificação do delito de homicídio simples doloso para o delito de</p><p>homicídio culposo na condução de veículo automotor, previsto no artigo 302 da Lei 9.503/97</p><p>(Código de Trânsito Brasileiro), remetendo-se os autos para o Juízo competente, nos termos</p><p>do artigo 419 do Código de Processo Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 09 de agosto de 2013.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>Recurso em Sentido Estrito contra decisão de pronúncia</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXVIII EXAME OAB</p><p>Enunciado</p><p>Túlio, nascido em 1º-1-1996, primário, começa a namorar Joaquina, jovem que recém completou</p><p>15 (quinze) anos. Logo após o início do namoro, ainda muito apaixonado, é surpreendido pela</p><p>informação de que Joaquina estaria grávida de seu ex-namorado, o adolescente João, com quem</p><p>mantivera relações sexuais. Joaquina demonstra toda a sua preocupação com a reação de seus</p><p>pais diante desta gravidez quando tão jovem e, em desespero, solicita ajuda de Túlio para</p><p>realizar um aborto.</p><p>Diante disso, no dia 3-1-2014, em Porto Alegre, Túlio adquire remédio abortivo cuja venda era</p><p>proibida sem prescrição médica e o entrega para a namorada, que, de imediato, passa a fazer</p><p>uso dele. Joaquina, então, expele algo não identificado pela vagina, que ela acredita ser o feto.</p><p>Os pais presenciam os fatos e levam a filha imediatamente ao hospital; em seguida, comparecem</p><p>à Delegacia e narram o ocorrido. No hospital, foi informado pelos médicos que, na verdade,</p><p>Joaquina possuía um cisto, mas nunca estivera grávida, e o que fora expelido não era um feto.</p><p>Após investigação, no dia 20-1-2014, Túlio vem a ser denunciado pelo crime do art. 126, caput,</p><p>c/c. o art. 14, inciso II, ambos do Código Penal, perante o juízo do Tribunal do Júri da Comarca</p><p>de Porto Alegre/RS, não sendo oferecido qualquer instituto despenalizador, apesar do reclamo</p><p>defensivo. A inicial acusatória foi recebida em 22-1-2014.</p><p>Durante a instrução da primeira fase do procedimento especial, são ouvidas as testemunhas e</p><p>Joaquina, assim como interrogado o réu, todos confirmando o ocorrido. As partes apresentaram</p><p>alegações finais orais, e o juiz determinou a conclusão do feito para decisão. Antes de ser</p><p>proferida decisão, mas após manifestação das partes em alegações finais, foram juntados aos</p><p>autos o boletim de atendimento médico de Joaquina, no qual consta a informação de que ela</p><p>não estivera grávida no momento dos fatos, a Folha de Antecedentes Criminais de Túlio sem</p><p>outras anotações e um exame de corpo de delito, que indicava que o remédio utilizado não</p><p>causara lesões na adolescente.</p><p>Com a juntada da documentação, de imediato, sem a adoção de qualquer medida, o magistrado</p><p>proferiu decisão de pronúncia nos termos da denúncia, sendo publicada na mesma data, qual</p><p>seja, 18 de junho de 2018, segunda-feira, ocasião em que as partes foram intimadas.</p><p>Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Túlio, redija a</p><p>peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas</p><p>pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição, considerando-</p><p>se que todos os dias de segunda a sexta-feira são úteis em todo o país. (Valor: 5,00)</p><p>EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA CRIMINAL DO</p><p>TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE PORTO ALEGRE/RS</p><p>Processo nº ...</p><p>TÚLIO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, interpor o</p><p>presente RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, com base no art. 581, inciso IV, do Código de</p><p>Processo Penal.</p><p>Nesse sentido, requer seja recebido o recurso e procedido o juízo de retratação,</p><p>nos termos do art. 589 do Código de Processo Penal. Se mantida a decisão, requer seja</p><p>encaminhado o presente recurso, já com as razões inclusas, ao Tribunal de Justiça do</p><p>Estado do Rio Grande do Sul, para o devido processamento.</p><p>O presente recurso é tempestivo, já que interposto dentro do prazo de 5 dias,</p><p>previsto no artigo 586 do Código de Processo Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 25 de junho de 2018</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL</p><p>Recorrente: TÚLIO</p><p>Recorrido: MINISTÉRIO PÚBLICO</p><p>Processo nº...</p><p>RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO</p><p>Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul</p><p>Colenda Câmara Criminal</p><p>I) DOS FATOS</p><p>O Ministério Público denunciou o recorrente pelo crime de tentativa</p><p>de aborto,</p><p>previsto no art. 126, caput, combinado com art. 14, inciso II, ambos do Código Penal.</p><p>Encerrada a instrução, o Magistrado proferiu decisão pronunciando o</p><p>recorrente pelo crime previsto no art. 126, caput, combinado com art. 14, inciso II, ambos</p><p>do Código Penal.</p><p>A defesa foi intimada da decisão no dia 18 de junho de 2018, segunda-feira.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) DA PRESCRIÇÃO</p><p>Ocorreu a prescrição da pretensão punitiva em abstrato, causa de extinção</p><p>da punibilidade, nos termos do artigo 107, IV, do Código Penal.</p><p>Isso porque a pena máxima do delito de aborto é 04 (quatro) anos de reclusão.</p><p>Logo, o prazo prescricional é de 8 (oito) anos, nos termos do art. 109, inciso IV, do Código</p><p>Penal. Como o réu era menor de 21 (vinte e um) anos de idade à época do fato, o prazo</p><p>prescricional deverá ser contado pela metade, forte art. 115 do Código Penal. Assim o prazo</p><p>prescricional, no caso, é de 04 (quatro) anos.</p><p>Entre a data de recebimento da denúncia, 22-1-2014, até a data de publicação</p><p>da sentença de pronúncia, dia 18-6-2018, decorreram mais de 04 (quatro) anos,</p><p>configurando a prescrição da pretensão punitiva em abstrato do delito em tela.</p><p>Logo, incidiu a causa de extinção da punibilidade pela prescrição, nos termos</p><p>no art. 107, inciso IV, do Código Penal.</p><p>B) DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO</p><p>Deve ser reconhecida a nulidade da instrução e da decisão de pronúncia, em</p><p>face da falta de proposta da suspensão condicional do processo.</p><p>Isso porque o crime de aborto tentando pelo qual foi denunciado possui pena</p><p>mínima não superior a um ano. Além disso, o recorrente é primário e de bons antecedentes,</p><p>conforme folha de antecedentes criminais sem outras anotações juntada no processo, sendo</p><p>preenchidos os requisitos do artigo 89 da Lei nº 9.099/1995.</p><p>Logo, deve ser declarada a nulidade da instrução e da decisão de pronúncia,</p><p>uma vez que não foi oferecida a proposta de suspensão condicional do processo.</p><p>C) DO CERCEAMENTO DE DEFESA</p><p>Deve ser declarada a nulidade da decisão de pronúncia.</p><p>Isso porque, ao não conceder vista do boletim médico e da folha de</p><p>antecedentes criminais à defesa, houve clara violação do princípio do contraditório e da</p><p>ampla defesa, previsto no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal/1988.</p><p>Logo, deve ser anulada a decisão de pronúncia em razão do cerceamento</p><p>de defesa.</p><p>D) DO CRIME IMPOSSÍVEL</p><p>Ocorreu crime impossível, causa de exclusão da tipicidade, prevista no artigo</p><p>17 do Código Penal.</p><p>Isso porque há impropriedade absoluta do objeto, já que Joaquina não</p><p>estava grávida para causar o aborto.</p><p>O reconhecimento do crime impossível gera a atipicidade da conduta e,</p><p>consequentemente, a absolvição sumária pelo fato evidente não constituir crime, com</p><p>base no art. 415, inciso III, do Código de Processo Penal.</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso, com</p><p>a REFORMA DA DECISÃO DE 1º GRAU, para o fim de que:</p><p>a) Seja declarada a extinção da punibilidade, com base no art. 107,</p><p>inciso IV, do Código Penal;</p><p>b) Seja reconhecida a nulidade dos atos processuais, com oferecimento</p><p>de proposta de suspensão condicional do processo;</p><p>c) Seja declarada a nulidade da decisão de pronúncia, por violação do</p><p>princípio da ampla defesa;</p><p>d) Absolvição sumária, com base no art. 415, inciso III, do Código de</p><p>Processo Penal;</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 25 de junho de 2018.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>Agravo em Execução</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXIX EXAME OAB (Adaptada)</p><p>Enunciado</p><p>Guilherme foi condenado definitivamente pela prática do crime de lesão corporal seguida de</p><p>morte, sendo-lhe aplicada a pena de 06 anos de reclusão, a ser cumprida em regime inicial</p><p>fechado, em razão das circunstâncias do fato.</p><p>Após cumprir 01 ano da pena aplicada, Guilherme foi beneficiado com progressão para o regime</p><p>semiaberto. Na unidade penitenciária, o apenado trabalhava internamente em busca da remição.</p><p>Durante o cumprimento da pena nesse regime, veio a ser encontrado escondido em seu colchão</p><p>um aparelho de telefonia celular. O diretor do estabelecimento penitenciário, ao tomar</p><p>conhecimento do fato por meio dos agentes penitenciários, de imediato reconheceu na ficha do</p><p>preso a prática de falta grave, apenas afirmando que a conduta narrada pelos agentes, e que</p><p>teria sido praticada por Guilherme, se adequava ao Art. 50, inciso VII, da Lei nº 7.210/84. O</p><p>reconhecimento da falta pelo diretor foi comunicado ao Ministério Público, que apresentou</p><p>promoção ao juízo da Vara de Execuções Penais de São Paulo, juízo este competente,</p><p>requerendo a perda de benefícios da execução por parte do apenado. O juiz competente,</p><p>analisando o requerimento do Ministério Público, decidiu que, “considerando a falta grave</p><p>reconhecida pelo diretor da unidade, impõe-se: a) a regressão do regime de cumprimento de</p><p>pena para o fechado; b) perda da totalidade dos dias remidos; c) reinício da contagem do prazo</p><p>de livramento condicional; d) reinício da contagem do prazo do indulto.”</p><p>Ao ser intimado do teor da decisão, em 09 de julho de 2019, terça-feira, Guilherme entra em</p><p>contato, de imediato, com você, na condição de advogado(a), esclarecendo que nunca fora</p><p>ouvido sobre a aplicação da falta grave, apenas tendo conhecimento de que a Defensoria se</p><p>manifestou no processo de execução após o requerimento do Ministério Público.</p><p>Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Guilherme,</p><p>redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus e embargos de declaração,</p><p>apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do</p><p>prazo para interposição, considerando que, em todos os locais do país, de segunda a sexta-feira</p><p>são dias úteis. (Valor: 5,00).</p><p>EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DE EXECUÇÃO</p><p>PENAL DA COMARCA DE SÃO PAULO/SP</p><p>Processo nº...</p><p>GUILHERME, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado,</p><p>com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência,</p><p>interpor RECURSO DE AGRAVO EM EXECUÇÃO, com base no artigo 197 da Lei 7210/84</p><p>(Lei de Execução Penal).</p><p>Nesse sentido, requer seja recebido o recurso e procedido o juízo de</p><p>retratação, nos termos do artigo 589 do Código de Processo Penal. Se mantida a decisão,</p><p>requer seja encaminhado o presente recurso, já com as razões inclusas, ao Tribunal de</p><p>Justiça do Estado de São Paulo/SP, para o devido processamento.</p><p>O presente recurso é tempestivo, pois interposto dentro do prazo de 5 dias,</p><p>nos termos da Súmula 700 do Supremo Tribunal Federal e artigo 586 do Código de</p><p>Processo Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 15 de julho de 2019.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO</p><p>AGRAVANTE: Guilherme</p><p>AGRAVADO: Ministério Público</p><p>Processo nº...</p><p>RAZÕES DO RECURSO DE AGRAVO EM EXECUÇÃO</p><p>Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo</p><p>Colenda Câmara Criminal</p><p>I) DOS FATOS</p><p>Após cumprir 01 ano da pena aplicada, foi encontrado no colchão do</p><p>Agravante um aparelho de telefone celular, reconhecendo-se, assim, a prática de falta</p><p>grave.</p><p>Magistrado decidiu pela a) regressão do regime de cumprimento da pena para</p><p>o fechado; b) perda da totalidade dos dias remidos; c) reinício da contagem do prazo de</p><p>livramento condicional; d) reinício da contagem do prazo do indulto.</p><p>A defesa técnica foi intimada da decisão no dia 09 de julho de 2019.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) Do reconhecimento de falta grave</p><p>Deve ser declarada a nulidade do reconhecimento da falta grave.</p><p>Isso porque, para o reconhecimento da falta grave é necessário o regular</p><p>procedimento administrativo disciplinar (PAD), com o intuito de assegurar o direito ao</p><p>exercício do princípio da ampla defesa e contraditório, conforme Súmula 533 do Superior</p><p>Tribunal de Justiça.</p><p>Logo, o diretor do estabelecimento carcerário reconheceu a prática de falta</p><p>grave sem instaurar procedimento administrativo e sem garantir o direito de defesa,</p><p>violando os princípios constitucionais.</p><p>Assim, não havendo o reconhecimento da prática de falta grave, não será</p><p>possível aplicar a regressão do cumprimento da pena para o regime fechado.</p><p>B) Da invalidade da perda total dos dias remidos</p><p>Não poderia ser declarada a perda da totalidade dos dias remidos.</p><p>Isso porque o juiz poderia somente decretar a perda de 1/3 dos dias remidos,</p><p>conforme artigo 127 da Lei de Execução Penal.</p><p>Logo, não poderia ser decretada a perda da totalidade dos dias remidos,</p><p>devendo ser decretada a perda de até 1/3 dos dias remidos.</p><p>C) Da contagem do prazo do livramento condicional</p><p>Não poderia o magistrado determinar o reinício da contagem do prazo para o</p><p>livramento condicional.</p><p>Isso porque a decisão proferida pelo magistrado violou o princípio da</p><p>legalidade, não podendo, portanto, a falta grave gerar o reinício da contagem do prazo do</p><p>livramento condicional, conforme se extrai da Súmula 441 do Superior Tribunal de Justiça.</p><p>Logo, deve ser reformada a decisão, para considerar que a falta grave não</p><p>interrompe o prazo para o livramento condicional.</p><p>D) Da contagem do prazo do indulto</p><p>Não poderia o magistrado determinar o reinício da contagem do prazo para o</p><p>indulto.</p><p>Isso porque a decisão proferida pelo magistrado violou o princípio da</p><p>legalidade, não podendo, portanto, a falta grave gerar o reinício da contagem do prazo para</p><p>indulto, nos termos da Súmula 535 do Superior Tribunal de Justiça.</p><p>Logo, deve ser reformada a decisão, para considerar que a falta grave não</p><p>interrompe o prazo para o indulto.</p><p>III – DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer seja CONHECIDO e PROVIDO o presente recurso,</p><p>com a REFORMA DA DECISÃO, para o fim de afastar o reconhecimento da falta grave e</p><p>suas consequências impostas na sentença.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 15 de julho de 2019.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>Revisão Criminal</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL</p><p>Enunciado</p><p>Wilson, primário, nascido em 15/01/2000, foi denunciado pela prática do crime de estupro de</p><p>vulnerável, previsto no Art. 217-A do Código Penal, contra sua enteada, que contava com 12</p><p>(doze) anos de idade à época do fato, ocorrido em 18/09/2019, em Santos/SP. Durante a</p><p>tramitação do processo, Wilson foi devidamente citado, mas não apresentou resposta à acusação,</p><p>nem constituiu advogado. O Magistrado, verificando a desídia do réu, de imediato, decretou sua</p><p>revelia e designou audiência de instrução. Na audiência de instrução, a vítima confirmou que o</p><p>réu teria tocado na sua genitália. Carla, ex-companheira de Wilson e mãe da vítima, disse que sua</p><p>filha reclamou que o réu havia tocado na sua vagina. O réu negou veementemente os abusos,</p><p>não sabendo apontar a razão pela qual estava sendo acusado de tal crime. Ao final dos debates</p><p>orais promovidos pelo Ministério Público e pela Defesa Pública nomeada para o ato, o Magistrado</p><p>proferiu sentença condenando o réu a 10 (dez) anos de reclusão, sem o reconhecimento de</p><p>qualquer atenuante, uma vez que a sentença foi proferida no dia 15 de fevereiro 2021, quando o</p><p>réu já tinha completado 21 anos de idade. Apesar dos recursos interpostos, a sentença transitou</p><p>em julgado, sendo a condenação mantida integralmente. Após dois anos do início do cumprimento</p><p>da pena, Carla, ex-companheira do réu, faleceu. A vítima, após a morte da sua mãe, encorajou-</p><p>se e admitiu que tudo não havia passado de um ardil de sua mãe que obrigou-a a acusar</p><p>falsamente o então padrasto sobre o caso como forma de se “livrar” dele. A vítima retificou suas</p><p>declarações que ensejaram a condenação do réu por meio de ação de justificação.</p><p>Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso</p><p>concreto acima, redija a peça cabível, excluindo a possibilidade de impetração de habeas corpus,</p><p>sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,0)</p><p>EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO</p><p>TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO</p><p>WILSON, nacionalidade..., profissão..., estado civil..., RG..., CPF..., com</p><p>endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., por seu procurador infra-assinado,</p><p>com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência ajuizar</p><p>REVISÃO CRIMINAL, com base no artigo 621, incisos I e II do Código de Processo Penal,</p><p>pelos fatos e fundamentos a seguir expostos.</p><p>I) DOS FATOS</p><p>O requerente foi denunciado pela prática do delito de estupro de vulnerável,</p><p>previsto no artigo 217-A do Código de Processo Penal, ocorrido no dia 18/09/2019.</p><p>Após o encerramento da instrução probatória e oferecimento das alegações</p><p>finais, o Magistrado proferiu decisão, condenando o requerente à pena de 10 anos de</p><p>reclusão, tendo transitado em julgado.</p><p>Passados dois anos do início de cumprimento da pena, a vítima retificou suas</p><p>declarações que ensejaram a condenação do requerente por meio de ação de justificação.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) DA NULIDADE DO PROCESSO</p><p>Deve ser declarada a nulidade do processo que ensejou a condenação do</p><p>réu, com base no artigo 626 do Código de Processo Penal.</p><p>Isso porque o Magistrado não poderia, de imediato, decretar a revelia do</p><p>réu e designar audiência de instrução, mas nomear defensor para apresentar a resposta à</p><p>acusação, conforme prevê o artigo 396-A, § 2º, do Código de Processo Penal.</p><p>Logo, verifica-se a nulidade do processo, por violação do princípio da ampla</p><p>defesa e do contraditório, previsto no artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, bem</p><p>como no artigo 564, inciso III, alínea “c”, do Código de Processo Penal, e Súmula 523 do</p><p>Supremo Tribunal Federal.</p><p>B) DA ABSOLVIÇÃO</p><p>O réu deve ser absolvido, diante da comprovação da falsidade das provas</p><p>que ensejaram sua condenação.</p><p>Isso porque, após a morte de sua mãe, a vítima tomou coragem e admitiu</p><p>que tudo não havia passado de um ardil de sua mãe que obrigou-a a acusar falsamente o</p><p>réu sobre o caso como forma de se “livrar” dele.</p><p>Logo, verifica-se que a sentença condenatória se fundou em depoimento</p><p>comprovadamente falso, já que, em ação de justificação, a vítima retificou suas</p><p>declarações que ensejaram a condenação do réu, autorizando a revisão da condenação,</p><p>nos termos do artigo 621, inciso II, do Código de Processo Penal.</p><p>Assim, o réu deve ser absolvido, com base nos artigos 626 e 386, inciso I,</p><p>ambos do Código de Processo Penal.</p><p>C) DA ATENUANTE DA MENORIDADE</p><p>Se mantida a condenação, deve ser reconhecida a atenuante da</p><p>menoridade, prevista no artigo 65, I, do Código Penal.</p><p>Isso porque o réu, ao tempo do fato, era menor de 21 anos de idade, já que</p><p>nascido no dia 15/01/2000, e o fato, em tese, teria sido praticado em 18/09/2019. Nos</p><p>termos do artigo 65, inciso I, do Código Penal, se o réu for menor de 21 anos à época dos</p><p>fatos, deve o juiz reconhecer a atenuante da menoridade.</p><p>Logo, na hipótese de não ser reconhecida a nulidade do processo e a tese</p><p>absolutória, a pena imposta ao réu deve ser modificada, para que seja reconhecida a</p><p>atenuante da menoridade.</p><p>D) DA LIMINAR</p><p>Após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, o réu deu início</p><p>ao cumprimento da pena.</p><p>Todavia, diante da evidente possibilidade de nulidade do processo e</p><p>absolvição do réu, há justificativa plausível para a suspensão liminar da execução da pena.</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer seja procedente a ação de revisão criminal, a fim de</p><p>que:</p><p>a) Seja declarada a nulidade do processo, nos termos do artigo 626 do</p><p>Código de Processo Penal;</p><p>b) Seja o réu absolvido, nos termos dos artigos 626 e 386, inciso I,</p><p>ambos do Código de Processo Penal;</p><p>c) Subsidiariamente, que seja modificada a pena, com o reconhecimento</p><p>da atenuante da menoridade, nos termos do artigo 65, inciso I, do Código Penal;</p><p>d) Seja suspensa liminarmente a execução da pena;</p><p>e) Seja reconhecido o direito à indenização, nos termos do artigo 630 do</p><p>Código de Processo Penal;</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., data...</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>Revogação da Prisão Preventiva</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL</p><p>Enunciado</p><p>No dia 29 de setembro de 2014, Paulo Dantas foi encontrado morto na sua residência, localizada</p><p>no Município de Petrópolis/RJ. Ao longo da investigação, a partir das declarações da testemunha</p><p>Marieta Lemos, a autoridade policial passou a suspeitar que Cláudio Valentino tenha sido o autor</p><p>do delito. Na ocasião, Marieta Lemos disse ter recebido mensagem de texto enviada por Cláudio,</p><p>em tom ameaçador, no sentido de que seria melhor ela não testemunhar, para evitar problemas</p><p>a ela e à sua família. Em razão disso, a autoridade policial representou pela prisão preventiva de</p><p>Cláudio, anexando na representação as mensagens enviadas pelo acusado. O Magistrado</p><p>decretou a prisão preventiva, em despacho motivado, aduzindo, como razão de decidir, a</p><p>conveniência da instrução criminal, sendo o mandado de prisão cumprido. Após a conclusão do</p><p>inquérito policial, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Cláudio, imputando-lhe a prática</p><p>de crime de homicídio, previsto no art. 121, “caput”, do Código Penal. Durante a audiência de</p><p>instrução, após ser ouvida sobre os fatos relacionados à morte de Paulo, Marieta disse que a</p><p>ameaça sofrida foi a única proferida por Cláudio. Diante do avançado da hora, o Magistrado</p><p>suspendeu a audiência e designou outra data para oitiva de uma testemunha de defesa faltante</p><p>e interrogatório do réu. Insatisfeito com a atuação do seu antigo defensor, já que ainda estava</p><p>preso, Cláudio contrata você para defendê-lo.</p><p>Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso</p><p>concreto acima, na qualidade de advogado (a) de Cláudio Valentino, redija a peça cabível,</p><p>exclusiva de advogado, no que tange à liberdade de seu cliente, alegando para tanto toda a</p><p>matéria de direito pertinente ao caso. (Valor: 5,00)</p><p>EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CRIMINAL DO</p><p>TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE PETRÓPOLIS/RJ</p><p>Autos nº</p><p>CLÁUDIO VALENTINO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-</p><p>assinado, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, requerer a</p><p>REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA, com base no art. 316 do Código de Processo</p><p>Penal, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos.</p><p>I) DOS FATOS</p><p>No dia 29 de setembro de 2014, Paulo Dantas foi encontrado morto na sua</p><p>residência.</p><p>O requerente teve a sua prisão preventiva decretada, sob o fundamento da</p><p>conveniência da instrução criminal.</p><p>O Ministério Público denunciou o requerente pela prática do delito previsto no</p><p>art. 121, caput, do Código Penal.</p><p>A testemunha Marieta foi ouvida em juízo e diante do avançado da hora, o</p><p>Magistrado suspendeu a audiência e designou outra data para inquirição da testemunha de</p><p>defesa faltante e interrogatório do réu.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) DA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS QUE AUTORIZAM A PRISÃO</p><p>PREVENTIVA</p><p>No caso, a revogação da prisão preventiva é medida que se impõe, pois não</p><p>mais subsiste o motivo que o levou o juiz a decretá-la.</p><p>Conforme se verifica, o Magistrado decretou a prisão preventiva por</p><p>conveniência da instrução criminal.</p><p>Todavia, a testemunha Marieta foi ouvida em juízo e disse não ter sido mais</p><p>ameaçada ao longo da instrução criminal. Assim, o motivo que ensejou a prisão do</p><p>requerente não mais subsiste, uma vez que a testemunha já prestou declarações em juízo.</p><p>Logo, não subsiste nenhum fundamento para a manutenção da prisão</p><p>preventiva do requerente, já que não representa perigo à ordem pública, à ordem</p><p>econômica, à conveniência da instrução criminal ou aplicação da lei penal, estando,</p><p>portanto, ausentes os pressupostos e requisitos previstos no art. 312 do Código de</p><p>Processo Penal.</p><p>B) DO PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DA INOCÊNCIA</p><p>Convém destacar que prevalece no nosso ordenamento jurídico o princípio da</p><p>presunção da inocência, previsto no art. 5º, inciso LVII, da Constituição Federal/1988.</p><p>Logo, o requerente faz jus a responder ao processo em liberdade.</p><p>C) DA MEDIDA CAUTELAR DIVERSA DA PRISÃO</p><p>Da mesma forma, em não sendo concedida a liberdade plena, possível a</p><p>fixação de medida cautelar diversa da prisão, prevista no art. 319 do Código de Processo</p><p>Penal, por se tratar de medida mais conveniente e adequada ao caso, nos termos do art. 282</p><p>do Código de Processo Penal.</p><p>Nesse caso, a medida cautelar diversa da prisão mais adequada seria a</p><p>proibição de o réu manter contato com a testemunha, o que desde logo se compromete, nos</p><p>termos do art. 319, III, do Código de Processo Penal.</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) A revogação da prisão preventiva, com expedição do alvará de</p><p>soltura;</p><p>b) Subsidiariamente, a concessão de medida cautelar diversa da prisão.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local... e data...</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>para tanto. Com intenção de causar lesão corporal que garantisse a debilidade</p><p>permanente de membro de Lauro, apertou o gatilho para efetuar disparo na direção de sua perna.</p><p>Por circunstâncias alheias à vontade de Patrick, a arma não funcionou, mas o barulho da arma</p><p>de fogo causou temor em Lauro, que empreendeu fuga e compareceu à Delegacia para narrar a</p><p>conduta de Patrick.</p><p>Após meses de investigações, com oitiva dos envolvidos e das testemunhas presenciais do fato,</p><p>quais sejam, Natália, Maria e José, estes dois últimos sendo vizinhos que conversavam no portão</p><p>da residência, o inquérito foi concluído, e o Ministério Público ofereceu denúncia, perante o juízo</p><p>competente, em face de Patrick como incurso nas sanções penais do art. 129, § 1º, inciso III, c/c.</p><p>o art. 14, inciso II, ambos do Código Penal. Juntamente com a denúncia, vieram as principais</p><p>peças que constavam do inquérito, inclusive a Folha de Antecedentes Criminais, na qual</p><p>constava outra anotação por ação penal em curso pela suposta prática do crime do art. 168 do</p><p>Código Penal, bem como o laudo de exame pericial na arma de Patrick apreendida, o qual</p><p>concluiu pela total incapacidade de efetuar disparos.</p><p>Em busca do cumprimento do mandado de citação, o oficial de justiça comparece à residência</p><p>de Patrick e verifica que o imóvel se encontrava trancado. Apenas em razão desse único</p><p>comparecimento no dia 26-2-2018, certifica que o réu estava se ocultando para não ser citado e</p><p>realiza, no dia seguinte, citação por hora certa, juntando o resultado do mandado de citação e</p><p>intimação para defesa aos autos no mesmo dia. Maria, vizinha que presenciou a conduta do</p><p>oficial de justiça, se assusta e liga para o advogado de Patrick, informando o ocorrido e</p><p>esclarecendo que ele se encontra trabalhando e ficará embarcado por 15 dias. O advogado entra</p><p>em contato com Patrick por e-mail e este apenas consegue encaminhar uma procuração para</p><p>adoção das medidas cabíveis, fazendo uma pequena síntese do ocorrido por escrito.</p><p>Considerando a situação narrada, apresente, na qualidade do advogado de Patrick, a peça</p><p>jurídica cabível, diferente do habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas de direito</p><p>material e processual pertinentes. A peça deverá ser datada do último dia do prazo. (Valor: 5,00)</p><p>Obs.: A peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar</p><p>respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere</p><p>pontuação.</p><p>Memoriais</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXVI EXAME OAB</p><p>Enunciado</p><p>Em 03 de outubro de 2016, na cidade de Campos, no Estado do Rio de Janeiro, Lauro, 33 anos,</p><p>que é obcecado por Maria, estagiária de uma outra empresa que está situada no mesmo prédio</p><p>em que fica o seu local de trabalho, não mais aceitando a rejeição dela, decidiu que a obrigaria</p><p>a manter relações sexuais com ele, independentemente da sua concordância.</p><p>Confiante em sua decisão, resolveu adquirir arma de fogo de uso permitido, considerando que</p><p>tinha autorização para tanto, e a registrou, tornando-a regular. Precisando que alguém o</p><p>substituísse no local do trabalho no dia do crime, narrou sua intenção criminosa para José,</p><p>melhor amigo com quem trabalha, assegurando-lhe que comprou a arma exclusivamente para</p><p>ameaçar Maria a manter com ele conjunção carnal, mas que não a lesionaria de forma alguma.</p><p>Ainda esclareceu a José, que alugara um quarto em um hotel e comprara uma mordaça para</p><p>evitar que Maria gritasse e os fatos fossem descobertos. Quando Lauro saía de casa, em seu</p><p>carro, para encontrar Maria, foi surpreendido por viatura da Polícia Militar, que havia sido alertada</p><p>por José sobre o crime prestes a acontecer, sendo efetuada a prisão de Lauro em flagrante. Em</p><p>sede policial, Maria foi ouvida, afirmando, apesar de não apresentar documentos, que tinha 17</p><p>anos e que Lauro sempre manteve comportamento estranho com ela, razão pela qual tinha</p><p>interesse em ver o autor dos fatos responsabilizado criminalmente.</p><p>Após receber os autos e considerando que o detido possuía autorização para portar arma de</p><p>fogo, o Ministério Público denunciou Lauro apenas pela prática do crime de estupro qualificado,</p><p>previsto no Art. 213, §1º c/c Art. 14, inciso II, c/c Art. 61, inciso II, alínea f, todos do Código Penal.</p><p>O processo teve regular prosseguimento, mas, em razão da demora para realização da instrução,</p><p>Lauro foi colocado em liberdade. Na audiência de instrução e julgamento, a vítima Maria foi</p><p>ouvida, confirmou suas declarações em sede policial, disse que tinha 17 anos, apesar de ter</p><p>esquecido seu documento de identificação para confirmar, apenas apresentando cópia de sua</p><p>matrícula escolar, sem indicar data de nascimento, para demonstrar que, de fato, era Maria. José</p><p>foi ouvido e também confirmou os fatos narrados na denúncia, assim como os policiais. O réu</p><p>não estava presente na audiência por não ter sido intimado e, apesar de seu advogado ter-se</p><p>mostrado inconformado com tal fato, o ato foi realizado, porque o interrogatório seria feito em</p><p>outra data. Na segunda audiência, Lauro foi ouvido, confirmando integralmente os fatos narrados</p><p>na denúncia, mas demonstrou não ter conhecimento sobre as declarações das testemunhas e</p><p>da vítima na primeira audiência. Na mesma ocasião, foi, ainda, juntado o laudo de exame do</p><p>material apreendido, o laudo da arma de fogo demonstrando o potencial lesivo e a Folha de</p><p>Antecedentes Criminais, sem outras anotações. Encaminhados os autos para o Ministério</p><p>Público, foi apresentada manifestação requerendo condenação nos termos da denúncia. Em</p><p>seguida, a defesa técnica de Lauro foi intimada, em 04 de setembro de 2018, terça-feira, sendo</p><p>quarta-feira dia útil em todo o país, para apresentação da medida cabível.</p><p>Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Lauro, redija a</p><p>peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas</p><p>pertinentes. A peça deverá ser datada do último dia do prazo para interposição. (Valor: 5,00)</p><p>Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar</p><p>respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere</p><p>pontuação.</p><p>Apelação</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXX EXAME OAB</p><p>Enunciado</p><p>Carlos, primário e de bons antecedentes, 45 (quarenta e cinco) anos, foi denunciado como</p><p>incurso nas sanções penais dos arts. 302 da Lei nº 9.503/1997, por duas vezes, e 303, do mesmo</p><p>diploma legal, todos eles em concurso material, porque, de acordo com a denúncia, “no dia 08</p><p>de julho de 2017, em São Gonçalo, Rio de Janeiro, na direção de veículo automotor, com</p><p>imprudência em razão do excesso de velocidade, colidiu com o veículo em que estavam Júlio e</p><p>Mário, este com 9 anos, causando lesões que foram a causa eficiente da morte de ambos”.</p><p>Consta, ainda, da inicial acusatória que, “em decorrência da mesma colisão, ficou lesionado</p><p>Pedro, que passava pelo local com sua bicicleta e foi atingido pelo veículo em alta velocidade de</p><p>Carlos”.</p><p>As mortes de Júlio e Mário foram atestadas por auto de exame cadavérico, enquanto Pedro foi</p><p>atendido em hospital público, de onde se retirou, sem ser notado, razão pela qual foi elaborado</p><p>laudo indireto de corpo de delito com base no boletim de atendimento médico. Pedro nunca</p><p>compareceu em sede policial para narrar o ocorrido e nem ao Instituto Médico Legal, apesar de</p><p>testemunhas presenciais confirmarem as lesões sofridas.</p><p>No curso da instrução, foram ouvidas testemunhas presenciais, não sendo Pedro localizado. Em</p><p>seu interrogatório, Carlos negou estar em excesso de velocidade, esclarecendo que perdeu o</p><p>controle do carro em razão de um buraco existente na pista. Foi acostado exame pericial</p><p>realizado nos automóveis e no local, concluindo que, realmente, não houve excesso de</p><p>velocidade por parte de Carlos e que havia o buraco</p><p>mencionado na pista. O exame pericial,</p><p>todavia, apontou que possivelmente haveria imperícia de Carlos na condução do automóvel, o</p><p>que poderia ter contribuído para o resultado.</p><p>Após manifestação das partes, o juiz em atuação perante a 3ª Vara Criminal da Comarca de São</p><p>Gonçalo/RJ, em 10 de julho de 2019, julgou totalmente procedente a pretensão punitiva do</p><p>Estado e, apesar de afastar o excesso de velocidade, afirmou ser necessária a condenação de</p><p>Carlos em razão da imperícia do réu, conforme mencionado no exame pericial.</p><p>No momento da dosimetria, fixou a pena base de cada um dos crimes no mínimo legal e, com</p><p>relação à vítima Mário, na segunda fase, reconheceu a agravante prevista no art. 61, inciso II,</p><p>alínea h, do CP, pelo fato de ser criança, aumentando a pena base em 3 (três) meses. Não</p><p>havendo causas de aumento ou diminuição, reconhecido o concurso material, a pena final ficou</p><p>acomodada em 04 (quatro) anos e 09 (nove) meses de detenção. Não houve substituição da</p><p>pena privativa de liberdade por restritiva de direitos em razão do quantum final, nos termos do</p><p>art. 44, inciso I, do CP, sendo fixado regime inicial fechado de cumprimento da pena, com</p><p>fundamento na gravidade em concreto da conduta. O Ministério Público foi intimado e manteve-</p><p>se inerte.</p><p>A defesa técnica de Carlos foi intimada em 18 de setembro de 2019, quarta-feira, para adoção</p><p>das medidas cabíveis.</p><p>Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Carlos, redija a</p><p>peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus e embargos de declaração, apresentando todas</p><p>as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição,</p><p>considerando que de segunda a sexta-feira são dias úteis em todos os locais do país. (Valor:</p><p>5,00).</p><p>Contrarrazões de Apelação</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXVII EXAME OAB</p><p>Enunciado</p><p>João, 22 anos, no dia 04 de maio de 2018, caminhava com o adolescente Marcelo, cada um</p><p>deles trazendo consigo uma mochila nas costas. Realizada uma abordagem por policiais, foi</p><p>constatado que, no interior da mochila de cada um, havia uma certa quantidade de drogas, razão</p><p>pela qual elas foram, de imediato, encaminhadas para a Delegacia.</p><p>Realizado laudo de exame de material entorpecente, constatou-se que João trazia 25 g de</p><p>cocaína, acondicionados em 35 pinos plásticos, enquanto, na mochila do adolescente, foram</p><p>encontrados 30 g de cocaína, quantidade essa distribuída em 50 pinos. Após a oitiva das</p><p>testemunhas em sede policial, da juntada do laudo e da oitiva do adolescente e de João, que</p><p>permaneceram em silêncio com relação aos fatos, foram lavrados o auto de prisão em flagrante</p><p>em desfavor do imputável e o auto de apreensão em desfavor do adolescente. Toda a</p><p>documentação foi encaminhada aos Promotores de Justiça com atribuição. O Promotor de</p><p>Justiça, junto à 1ª Vara Criminal de Maceió/AL, órgão competente, ofereceu denúncia em face</p><p>de João, imputando-lhe a prática dos crimes previstos nos artigos 33 e 35, ambos com a causa</p><p>de aumento do Art. 40, inciso VI, todos da Lei nº 11.343/06. Foi concedida a liberdade provisória</p><p>ao denunciado, aplicando-se as medidas cautelares alternativas. Após a notificação, a</p><p>apresentação de resposta prévia e o recebimento da denúncia e da citação, foi designada a</p><p>audiência de instrução e julgamento, ocasião em que foram ouvidas as testemunhas de</p><p>acusação. Estas confirmaram a apreensão de drogas em poder de Marcelo e João, bem como</p><p>que eles estariam juntos, esclarecendo que não se conheciam anteriormente e nem tinham</p><p>informações pretéritas sobre o adolescente e o denunciado. O adolescente, ouvido, disse que</p><p>conhecera João no dia anterior ao de sua apreensão e que nunca o tinha visto antes vendendo</p><p>drogas. Em seguida à oitiva das testemunhas de acusação e defesa, foi realizado o interrogatório</p><p>do acusado, sendo que nenhuma das partes questionou o momento em que este foi realizado.</p><p>Na ocasião, João confirmou que o material que ele e Marcelo traziam seria destinado à ilícita</p><p>comercialização. Ele ainda esclareceu que conhecera o adolescente no dia anterior, que era a</p><p>primeira vez que venderia drogas e que tinha a intenção de praticar o ato junto com o adolescente</p><p>somente aquela vez, com o objetivo de conseguir dinheiro para comprar uma moto.</p><p>Foi acostado o laudo de exame definitivo de material entorpecente confirmando o laudo</p><p>preliminar e a Folha de Antecedentes Criminais de João, onde constava uma anotação referente</p><p>a crime de furto, ainda pendente de julgamento.</p><p>O juiz, após a devida manifestação das partes, proferiu sentença julgando parcialmente</p><p>procedente a pretensão punitiva estatal. Em um primeiro momento, absolveu o acusado do crime</p><p>de associação para o tráfico por insuficiência probatória. Em seguida, condenou o réu pela</p><p>prática do crime de tráfico de drogas, ressaltando que o réu confirmou a destinação das drogas</p><p>à ilícita comercialização. No momento de aplicar a pena, fixou a pena base no mínimo legal,</p><p>reconhecendo a existência da atenuante da confissão espontânea; aumentou a pena em razão</p><p>da causa de aumento do Art. 40, inciso VI, da Lei nº 11.343/06 e aplicou a causa de diminuição</p><p>de pena do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06, restando a pena final em 1 ano, 11 meses e 10</p><p>dias de reclusão e 195 dias multa, a ser cumprida em regime inicial aberto. Entendeu o</p><p>magistrado pela substituição da pena privativa de liberdade por duas restritivas de direitos.</p><p>O Ministério Público, ao ser intimado pessoalmente em 22 de outubro de 2018, apresentou o</p><p>recurso cabível, em 25 de outubro de 2018, acompanhado das respectivas razões recursais,</p><p>requerendo:</p><p>a) nulidade da instrução, porque o interrogatório não foi o primeiro ato, como prevê a Lei nº</p><p>11.343/06;</p><p>b) condenação do réu pelo crime de associação para o tráfico, já que ele estaria agindo em</p><p>comunhão de ações e desígnios com o adolescente no momento da prisão, e o Art. 35 da Lei nº</p><p>11.343/06 fala em “reiteradamente ou não”;</p><p>c) aumento da pena-base em relação ao crime de tráfico diante das consequências graves que</p><p>vem causando para a saúde pública e a sociedade brasileira;</p><p>d) afastamento da atenuante da confissão, já que ela teria sido parcial;</p><p>e) afastamento da causa de diminuição do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06, independentemente</p><p>da condenação pelo crime do Art. 35 da Lei nº 11.343/06, considerando que o réu seria portador</p><p>de maus antecedentes, já que responde a ação penal em que se imputa a prática do crime de</p><p>furto;</p><p>f) aplicação do regime inicial fechado, diante da natureza hedionda do delito de tráfico;</p><p>g) afastamento da substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, diante da</p><p>vedação legal do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06. Já o acusado e a defesa técnica, intimados</p><p>do teor da sentença, mantiveram-se inertes, não demonstrando interesse em questioná-la.</p><p>O magistrado, então, recebeu o recurso do Ministério Público e intimou, no dia 05 de novembro</p><p>de 2018 (segunda-feira), sendo terça-feira dia útil em todo o país, você, advogado(a) de João, a</p><p>apresentar a medida cabível.</p><p>Com base nas informações expostas na situação hipotética e naquelas que podem ser inferidas</p><p>do caso concreto, redija a peça cabível, excluídas as possibilidades de habeas corpus e</p><p>embargos de declaração, no último dia do prazo, sustentando todas as teses jurídicas</p><p>pertinentes. (Valor: 5,00)</p><p>Memoriais do Procedimento do Júri</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XI EXAME OAB (Adaptado)</p><p>Enunciado</p><p>Jerusa, atrasada para importante compromisso profissional, dirige seu carro bastante</p><p>preocupada, mas respeitando os limites de velocidade. Em uma via de mão dupla, Jerusa decide</p><p>ultrapassar o carro à sua frente, o qual estava abaixo da velocidade permitida.</p><p>Para realizar a referida manobra, entretanto, Jerusa não liga a respectiva seta luminosa</p><p>sinalizadora do veículo e, no momento</p><p>da ultrapassagem, vem a atingir Diogo, motociclista que,</p><p>em alta velocidade, conduzia sua moto no sentido oposto da via. Não obstante a presteza no</p><p>socorro que veio após o chamado da própria Jerusa e das demais testemunhas, Diogo falece</p><p>em razão dos ferimentos sofridos pela colisão.</p><p>Instaurado o respectivo inquérito policial, após o curso das investigações, o Ministério Público</p><p>decide oferecer denúncia contra Jerusa, imputando-lhe a prática do delito de homicídio doloso</p><p>simples, na modalidade dolo eventual (art. 121 c/c art. 18, I parte final, ambos do CP).</p><p>Argumentou o ilustre membro do Parquet a imprevisão de Jerusa acerca do resultado que</p><p>poderia causar ao não ligar a seta do veículo para realizar a ultrapassagem, além de não atentar</p><p>para o trânsito em sentido contrário. A denúncia foi recebida pelo juiz competente e todos os atos</p><p>processuais exigidos em lei foram regularmente praticados. Finda a instrução probatória, o</p><p>Ministério Público pugnou pela pronúncia da acusada, nos termos da denúncia.</p><p>O advogado de Jerusa é intimado da referida decisão em 02 de agosto de 2013 (sexta-feira).</p><p>Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado (a) de Jerusa, redija</p><p>a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas</p><p>pertinentes. A peça deverá ser datada do último da do prazo para apresentação. (Vale 5,00)</p><p>Recurso em Sentido Estrito contra decisão de pronúncia</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXVIII EXAME OAB</p><p>Enunciado</p><p>Túlio, nascido em 1º-1-1996, primário, começa a namorar Joaquina, jovem que recém completou</p><p>15 (quinze) anos. Logo após o início do namoro, ainda muito apaixonado, é surpreendido pela</p><p>informação de que Joaquina estaria grávida de seu ex-namorado, o adolescente João, com quem</p><p>mantivera relações sexuais. Joaquina demonstra toda a sua preocupação com a reação de seus</p><p>pais diante desta gravidez quando tão jovem e, em desespero, solicita ajuda de Túlio para</p><p>realizar um aborto.</p><p>Diante disso, no dia 3-1-2014, em Porto Alegre, Túlio adquire remédio abortivo cuja venda era</p><p>proibida sem prescrição médica e o entrega para a namorada, que, de imediato, passa a fazer</p><p>uso dele. Joaquina, então, expele algo não identificado pela vagina, que ela acredita ser o feto.</p><p>Os pais presenciam os fatos e levam a filha imediatamente ao hospital; em seguida, comparecem</p><p>à Delegacia e narram o ocorrido. No hospital, foi informado pelos médicos que, na verdade,</p><p>Joaquina possuía um cisto, mas nunca estivera grávida, e o que fora expelido não era um feto.</p><p>Após investigação, no dia 20-1-2014, Túlio vem a ser denunciado pelo crime do art. 126, caput,</p><p>c/c. o art. 14, inciso II, ambos do Código Penal, perante o juízo do Tribunal do Júri da Comarca</p><p>de Porto Alegre/RS, não sendo oferecido qualquer instituto despenalizador, apesar do reclamo</p><p>defensivo. A inicial acusatória foi recebida em 22-1-2014.</p><p>Durante a instrução da primeira fase do procedimento especial, são ouvidas as testemunhas e</p><p>Joaquina, assim como interrogado o réu, todos confirmando o ocorrido. As partes apresentaram</p><p>alegações finais orais, e o juiz determinou a conclusão do feito para decisão. Antes de ser</p><p>proferida decisão, mas após manifestação das partes em alegações finais, foram juntados aos</p><p>autos o boletim de atendimento médico de Joaquina, no qual consta a informação de que ela</p><p>não estivera grávida no momento dos fatos, a Folha de Antecedentes Criminais de Túlio sem</p><p>outras anotações e um exame de corpo de delito, que indicava que o remédio utilizado não</p><p>causara lesões na adolescente.</p><p>Com a juntada da documentação, de imediato, sem a adoção de qualquer medida, o magistrado</p><p>proferiu decisão de pronúncia nos termos da denúncia, sendo publicada na mesma data, qual</p><p>seja, 18 de junho de 2018, segunda-feira, ocasião em que as partes foram intimadas.</p><p>Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Túlio, redija a</p><p>peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas</p><p>pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição, considerando-</p><p>se que todos os dias de segunda a sexta-feira são úteis em todo o país. (Valor: 5,00)</p><p>Agravo em Execução</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXIX EXAME OAB (Adaptada)</p><p>Enunciado</p><p>Guilherme foi condenado definitivamente pela prática do crime de lesão corporal seguida de</p><p>morte, sendo-lhe aplicada a pena de 06 anos de reclusão, a ser cumprida em regime inicial</p><p>fechado, em razão das circunstâncias do fato.</p><p>Após cumprir 01 ano da pena aplicada, Guilherme foi beneficiado com progressão para o regime</p><p>semiaberto. Na unidade penitenciária, o apenado trabalhava internamente em busca da remição.</p><p>Durante o cumprimento da pena nesse regime, veio a ser encontrado escondido em seu colchão</p><p>um aparelho de telefonia celular. O diretor do estabelecimento penitenciário, ao tomar</p><p>conhecimento do fato por meio dos agentes penitenciários, de imediato reconheceu na ficha do</p><p>preso a prática de falta grave, apenas afirmando que a conduta narrada pelos agentes, e que</p><p>teria sido praticada por Guilherme, se adequava ao Art. 50, inciso VII, da Lei nº 7.210/84. O</p><p>reconhecimento da falta pelo diretor foi comunicado ao Ministério Público, que apresentou</p><p>promoção ao juízo da Vara de Execuções Penais de São Paulo, juízo este competente,</p><p>requerendo a perda de benefícios da execução por parte do apenado. O juiz competente,</p><p>analisando o requerimento do Ministério Público, decidiu que, “considerando a falta grave</p><p>reconhecida pelo diretor da unidade, impõe-se: a) a regressão do regime de cumprimento de</p><p>pena para o fechado; b) perda da totalidade dos dias remidos; c) reinício da contagem do prazo</p><p>de livramento condicional; d) reinício da contagem do prazo do indulto.”</p><p>Ao ser intimado do teor da decisão, em 09 de julho de 2019, terça-feira, Guilherme entra em</p><p>contato, de imediato, com você, na condição de advogado(a), esclarecendo que nunca fora</p><p>ouvido sobre a aplicação da falta grave, apenas tendo conhecimento de que a Defensoria se</p><p>manifestou no processo de execução após o requerimento do Ministério Público.</p><p>Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Guilherme,</p><p>redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus e embargos de declaração,</p><p>apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do</p><p>prazo para interposição, considerando que, em todos os locais do país, de segunda a sexta-feira</p><p>são dias úteis. (Valor: 5,00).</p><p>Revisão Criminal</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL</p><p>Enunciado</p><p>Wilson, primário, nascido em 15/01/2000, foi denunciado pela prática do crime de estupro de</p><p>vulnerável, previsto no Art. 217-A do Código Penal, contra sua enteada, que contava com 12</p><p>(doze) anos de idade à época do fato, ocorrido em 18/09/2019, em Santos/SP. Durante a</p><p>tramitação do processo, Wilson foi devidamente citado, mas não apresentou resposta à acusação,</p><p>nem constituiu advogado. O Magistrado, verificando a desídia do réu, de imediato, decretou sua</p><p>revelia e designou audiência de instrução. Na audiência de instrução, a vítima confirmou que o</p><p>réu teria tocado na sua genitália. Carla, ex-companheira de Wilson e mãe da vítima, disse que sua</p><p>filha reclamou que o réu havia tocado na sua vagina. O réu negou veementemente os abusos,</p><p>não sabendo apontar a razão pela qual estava sendo acusado de tal crime. Ao final dos debates</p><p>orais promovidos pelo Ministério Público e pela Defesa Pública nomeada para o ato, o Magistrado</p><p>proferiu sentença condenando o réu a 10 (dez) anos de reclusão, sem o reconhecimento de</p><p>qualquer atenuante, uma vez que a sentença foi proferida no dia 15 de fevereiro 2021, quando o</p><p>réu já tinha completado 21 anos de idade. Apesar dos recursos interpostos, a sentença transitou</p><p>em julgado, sendo a condenação mantida integralmente. Após dois anos do início do</p><p>cumprimento</p><p>da pena, Carla, ex-companheira do réu, faleceu. A vítima, após a morte da sua mãe, encorajou-</p><p>se e admitiu que tudo não havia passado de um ardil de sua mãe que obrigou-a a acusar</p><p>falsamente o então padrasto sobre o caso como forma de se “livrar” dele. A vítima retificou suas</p><p>declarações que ensejaram a condenação do réu por meio de ação de justificação.</p><p>Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso</p><p>concreto acima, redija a peça cabível, excluindo a possibilidade de impetração de habeas corpus,</p><p>sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,0)</p><p>Revogação da Prisão Preventiva</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL</p><p>Enunciado</p><p>No dia 29 de setembro de 2014, Paulo Dantas foi encontrado morto na sua residência, localizada</p><p>no Município de Petrópolis/RJ. Ao longo da investigação, a partir das declarações da testemunha</p><p>Marieta Lemos, a autoridade policial passou a suspeitar que Cláudio Valentino tenha sido o autor</p><p>do delito. Na ocasião, Marieta Lemos disse ter recebido mensagem de texto enviada por Cláudio,</p><p>em tom ameaçador, no sentido de que seria melhor ela não testemunhar, para evitar problemas</p><p>a ela e à sua família. Em razão disso, a autoridade policial representou pela prisão preventiva de</p><p>Cláudio, anexando na representação as mensagens enviadas pelo acusado. O Magistrado</p><p>decretou a prisão preventiva, em despacho motivado, aduzindo, como razão de decidir, a</p><p>conveniência da instrução criminal, sendo o mandado de prisão cumprido. Após a conclusão do</p><p>inquérito policial, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Cláudio, imputando-lhe a prática</p><p>de crime de homicídio, previsto no art. 121, “caput”, do Código Penal. Durante a audiência de</p><p>instrução, após ser ouvida sobre os fatos relacionados à morte de Paulo, Marieta disse que a</p><p>ameaça sofrida foi a única proferida por Cláudio. Diante do avançado da hora, o Magistrado</p><p>suspendeu a audiência e designou outra data para oitiva de uma testemunha de defesa faltante</p><p>e interrogatório do réu. Insatisfeito com a atuação do seu antigo defensor, já que ainda estava</p><p>preso, Cláudio contrata você para defendê-lo.</p><p>Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso</p><p>concreto acima, na qualidade de advogado (a) de Cláudio Valentino, redija a peça cabível,</p><p>exclusiva de advogado, no que tange à liberdade de seu cliente, alegando para tanto toda a</p><p>matéria de direito pertinente ao caso. (Valor: 5,00)</p><p>PADRÃO DE RESPOSTAS</p><p>Queixa Crime</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XV EXAME OAB (Adaptada)</p><p>Enunciado</p><p>Enrico, engenheiro de uma renomada empresa da construção civil, possui um perfil em uma das</p><p>redes sociais existentes na Internet e o utiliza diariamente para entrar em contato com seus</p><p>amigos, parentes e colegas de trabalho. Enrico utiliza constantemente as ferramentas da Internet</p><p>para contatos profissionais e lazer, como o fazem milhares de pessoas no mundo</p><p>contemporâneo.</p><p>No dia 07/05/2021, Enrico comemora aniversário e planeja, para a ocasião, uma reunião à noite</p><p>com parentes e amigos para festejar a data em uma famosa churrascaria da cidade de Niterói,</p><p>no estado do Rio de Janeiro. Na manhã de seu aniversário, resolveu, então, enviar o convite por</p><p>meio da rede social, publicando postagem alusiva à comemoração em seu perfil pessoal, para</p><p>todos os seus contatos.</p><p>Helena, vizinha e ex-namorada de Enrico, que também possui perfil na referida rede social e está</p><p>adicionada nos contatos de seu ex, soube, assim, da festa e do motivo da comemoração. Então,</p><p>de seu computador pessoal, instalado em sua residência, um prédio na praia de Icaraí, em</p><p>Niterói, publicou na rede social uma mensagem no perfil pessoal de Enrico.</p><p>Naquele momento, Helena, com o intuito de ofender o ex-namorado, publicou o seguinte</p><p>comentário: “não sei o motivo da comemoração, já que Enrico não passa de um idiota, bêbado,</p><p>irresponsável e sem vergonha!”, e, com o propósito de prejudicar Enrico perante seus colegas</p><p>de trabalho e atingir sua reputação acrescentou, ainda, “ele trabalha todo dia embriagado! No</p><p>dia 10 do mês passado, ele cambaleava bêbado pelas ruas do Rio, inclusive, estava tão bêbado</p><p>no horário do expediente que a empresa em que trabalha teve que chamar uma ambulância para</p><p>socorrê-lo!”.</p><p>Imediatamente, Enrico, que estava em seu apartamento e conectado à rede social por meio de</p><p>seu tablet, recebeu a mensagem e visualizou a publicação com os comentários ofensivos de</p><p>Helena em seu perfil pessoal.</p><p>Enrico, mortificado, não sabia o que dizer aos amigos, em especial a Carlos, Miguel e Ramirez,</p><p>que estavam ao seu lado naquele instante. Muito envergonhado, Enrico tentou disfarçar o</p><p>constrangimento sofrido, mas perdeu todo o seu entusiasmo, e a festa comemorativa deixou de</p><p>ser realizada. No dia seguinte, Enrico procurou a Delegacia de Polícia Especializada em</p><p>Repressão aos Crimes de Informática e narrou os fatos à autoridade policial, entregando o</p><p>conteúdo impresso da mensagem ofensiva e a página da rede social na Internet onde ela poderia</p><p>ser visualizada. Passados cinco meses da data dos fatos, Enrico procurou seu escritório de</p><p>advocacia e narrou os fatos acima. Você, na qualidade de advogado de Enrico, deve assisti-lo.</p><p>Informa-se que a cidade de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, possui Varas Criminais e</p><p>Juizados Especiais Criminais.</p><p>Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso</p><p>concreto acima, redija a peça cabível, excluindo a possibilidade de impetração de “habeas</p><p>corpus”, sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes, datando-a no último dia do prazo.</p><p>(Valor: 5,00 pontos)</p><p>A peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar</p><p>respaldo à pretensão.</p><p>EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CRIMINAL DA</p><p>COMARCA DE NITERÓI/RJ</p><p>ENRICO, nacionalidade..., estado civil..., engenheiro, RG..., CPF..., com</p><p>endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua...., por meio do seu procurador infra-</p><p>assinado, com procuração com poderes especiais, vem, respeitosamente, à presença de</p><p>Vossa Excelência, ajuizar a presente QUEIXA-CRIME, com base nos arts. 30, 41 e 44,</p><p>todos do Código de Processo Penal, e art. 100, § 2º, do Código Penal, contra HELENA,</p><p>nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG..., CPF..., com endereço eletrônico...,</p><p>residente na Rua ..., pelos fatos a seguir expostos.</p><p>I – DA TEMPESTIVIDADE</p><p>A presente queixa-crime é tempestiva, pois oferecida dentro do prazo de 6</p><p>meses, previsto no artigo 38 do Código de Processo Penal e artigo 103 do Código Penal.</p><p>II – DOS FATOS</p><p>No dia 07 de maio de 2021, no prédio na praia de Icaraí, em Niterói, a</p><p>querelada Helena difamou e injuriou o querelante, imputando-lhe fato ofensivo à sua</p><p>reputação e ofendeu, ainda, sua dignidade e o decoro.</p><p>Na ocasião, Helena, vizinha e ex-namorada de Enrico, que também possui</p><p>perfil na referida rede social e está adicionada nos contatos do querelante, por meio do seu</p><p>computador pessoal, instalado em sua residência, publicou no perfil pessoal de Enrico o</p><p>seguinte comentário: “não sei o motivo da comemoração, já que Enrico não passa de um</p><p>idiota, bêbado, irresponsável e sem vergonha”, e, com o propósito de prejudicar Enrico</p><p>perante seus colegas de trabalho e denegrir sua reputação, acrescentou que “ele trabalha</p><p>todo dia embriagado! No dia 10 do mês passado, ele cambaleava bêbado pelas ruas do</p><p>Rio, inclusive, estava tão bêbado no horário do expediente que a empresa em que trabalha</p><p>teve que chamar uma ambulância para socorrê-lo!</p><p>Helena, ao utilizar o seu computador pessoal para inserir as expressões</p><p>injuriosas e difamantes, no perfil do querelante em sua rede social, usou meio que facilitou</p><p>a divulgação da difamação e injúria,</p><p>incorrendo na causa de aumento de pena, prevista no</p><p>art. 141, § 2º, do Código Penal.</p><p>III – DO DIREITO</p><p>Ao afirmar que o querelante trabalha todo dia embriagado e que no dia 10 de</p><p>março, ele cambaleava bêbado pelas ruas do Rio, inclusive, estava tão bêbado no horário</p><p>do expediente que a empresa em que trabalha teve que chamar uma ambulância para</p><p>socorrê-lo, a querelada praticou o crime de difamação, previsto no art. 139 do Código Penal.</p><p>Ao afirmar que o querelante não passa de um idiota, bêbado, irresponsável e</p><p>sem vergonha, a querelada praticou o crime de injúria, previsto no art. 140 do Código Penal.</p><p>Helena, ao utilizar o seu computador pessoal para inserir as expressões</p><p>injuriosas e difamantes, no perfil do querelante em sua rede social, usou meio que facilitou</p><p>a divulgação da difamação e injúria, por meio de rede mundial de computador, incidindo,</p><p>por isso, a causa de aumento de pena prevista no art. 141, § 2º, do Código Penal.</p><p>Helena praticou a injúria e a difamação no mesmo contexto, mediante única</p><p>publicação, com desígnios autônomos, em concurso formal imperfeito de crimes, nos</p><p>termos do art. 70, 2ª parte, do Código Penal.</p><p>IV – DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, o querelante requer:</p><p>a) A designação de audiência reconciliação, prevista no artigo 520 do Código</p><p>de Processo Penal;</p><p>b) O recebimento da queixa-crime;</p><p>c) A citação da querelada;</p><p>d) A procedência do pedido, com a consequente condenação da querelada</p><p>pela prática dos crimes do artigo 139 e 140 c/c o artigo 141, § 2º, e artigo 70, todos do</p><p>Código Penal;</p><p>e) A fixação do valor mínimo de indenizatório, nos termos do artigo 387, inciso</p><p>IV, do Código de Processo Penal;</p><p>f) A produção de provas, com a oitiva das testemunhas arroladas.</p><p>ROL DE TESTEMUNHAS:</p><p>1) CARLOS...;</p><p>2) MIGUEL...;</p><p>3) RAMIREZ...</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 6 de novembro de 2021.</p><p>ADVOGADO...</p><p>OAB...</p><p>Resposta à Acusação</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXV EXAME</p><p>Enunciado</p><p>Patrick, nascido em 4-6-1960, tio de Natália, jovem de 18 anos, estava na varanda de sua casa</p><p>em Araruama, em 5-3-2017, no interior do Estado do Rio de Janeiro, quando vê o namorado de</p><p>sua sobrinha, Lauro, agredindo-a de maneira violenta, em razão de ciúmes.</p><p>Verificando o risco que sua sobrinha corria com a agressão, Patrick gritou com Lauro, que não</p><p>parou de agredi-la. Patrick não tinha outra forma de intervir, porque estava com uma perna</p><p>enfaixada devido a um acidente de trânsito.</p><p>Ao ver que as agressões não cessavam, foi até o interior de sua residência e pegou uma arma</p><p>de fogo, de uso permitido, que mantinha no imóvel, devidamente registrada, tendo ele</p><p>autorização para tanto. Com intenção de causar lesão corporal que garantisse a debilidade</p><p>permanente de membro de Lauro, apertou o gatilho para efetuar disparo na direção de sua perna.</p><p>Por circunstâncias alheias à vontade de Patrick, a arma não funcionou, mas o barulho da arma</p><p>de fogo causou temor em Lauro, que empreendeu fuga e compareceu à Delegacia para narrar a</p><p>conduta de Patrick.</p><p>Após meses de investigações, com oitiva dos envolvidos e das testemunhas presenciais do fato,</p><p>quais sejam, Natália, Maria e José, estes dois últimos sendo vizinhos que conversavam no portão</p><p>da residência, o inquérito foi concluído, e o Ministério Público ofereceu denúncia, perante o juízo</p><p>competente, em face de Patrick como incurso nas sanções penais do art. 129, § 1º, inciso III, c/c.</p><p>o art. 14, inciso II, ambos do Código Penal. Juntamente com a denúncia, vieram as principais</p><p>peças que constavam do inquérito, inclusive a Folha de Antecedentes Criminais, na qual</p><p>constava outra anotação por ação penal em curso pela suposta prática do crime do art. 168 do</p><p>Código Penal, bem como o laudo de exame pericial na arma de Patrick apreendida, o qual</p><p>concluiu pela total incapacidade de efetuar disparos.</p><p>Em busca do cumprimento do mandado de citação, o oficial de justiça comparece à residência</p><p>de Patrick e verifica que o imóvel se encontrava trancado. Apenas em razão desse único</p><p>comparecimento no dia 26-2-2018, certifica que o réu estava se ocultando para não ser citado e</p><p>realiza, no dia seguinte, citação por hora certa, juntando o resultado do mandado de citação e</p><p>intimação para defesa aos autos no mesmo dia. Maria, vizinha que presenciou a conduta do</p><p>oficial de justiça, se assusta e liga para o advogado de Patrick, informando o ocorrido e</p><p>esclarecendo que ele se encontra trabalhando e ficará embarcado por 15 dias. O advogado entra</p><p>em contato com Patrick por e-mail e este apenas consegue encaminhar uma procuração para</p><p>adoção das medidas cabíveis, fazendo uma pequena síntese do ocorrido por escrito.</p><p>Considerando a situação narrada, apresente, na qualidade do advogado de Patrick, a peça</p><p>jurídica cabível, diferente do habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas de direito</p><p>material e processual pertinentes. A peça deverá ser datada do último dia do prazo. (Valor: 5,00)</p><p>Obs.: A peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar</p><p>respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere</p><p>pontuação.</p><p>EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA CRIMINAL DA</p><p>COMARCA DE ARARUAMA/RJ</p><p>Processo nº...</p><p>PATRICK, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência apresentar</p><p>RESPOSTA À ACUSAÇÃO, com base nos arts. 396 e 396-A, ambos do Código de</p><p>Processo Penal, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:</p><p>I) DA TEMPESTIVIDADE</p><p>A presente Resposta à Acusação é tempestiva, uma vez que apresentada</p><p>dentro do prazo de 10 dias, na forma do artigo 396 do Código de Processo Penal.</p><p>II) DOS FATOS</p><p>O Ministério Público ofereceu denúncia contra o réu como incurso nas sanções</p><p>penais do art. 129, § 1º, inciso III, c/c art. 14, inciso II, ambos do Código Penal.</p><p>O oficial de justiça, considerando que o réu se ocultava para não ser citado,</p><p>procedeu à citação por hora certa.</p><p>III) DO DIREITO</p><p>A) DA NULIDADE DA CITAÇÃO</p><p>Deve ser declarada a nulidade da citação.</p><p>Isso porque Patrick não estava se ocultando para ser citado, pois sua</p><p>residência estava fechada porque ele estava trabalhando em embarcação e o oficial de</p><p>justiça somente compareceu em uma oportunidade.</p><p>Além disso, o oficial de justiça compareceu apenas uma vez na residência do</p><p>réu, sendo necessário procurar o réu duas vezes sem o encontrar para efetivar a citação por</p><p>hora certa, nos termos do art. 362 do Código de Processo Penal c/c o art. 252 do Código de</p><p>Processo Civil. Assim, verifica-se a nulidade da citação, nos termos do art. 564, inciso III,</p><p>alínea e, do Código de Processo Penal.</p><p>B) DO CRIME IMPOSSÍVEL</p><p>Ocorreu crime impossível, causa de exclusão de tipicidade, nos termos do</p><p>artigo 17 do Código Penal.</p><p>Isso porque a arma de fogo utilizada não era apta a efetuar disparos, conforme</p><p>laudo pericial acostado. Logo, o meio utilizado era absolutamente ineficaz para produzir</p><p>qualquer resultado.</p><p>O reconhecimento do crime impossível gera a atipicidade da conduta e,</p><p>consequentemente, a absolvição sumária pelo fato evidentemente não constituir crime, com</p><p>base no art. 397, inciso III, do Código de Processo Penal.</p><p>C) DA LEGÍTIMA DEFESA</p><p>O Réu agiu em legítima defesa, causa de exclusão da ilicitude, prevista nos</p><p>arts. 25 e 23, inciso II, ambos do Código Penal.</p><p>Isso porque o réu usou moderadamente dos meios que tinha à sua disposição,</p><p>já que estava com a perna enfaixada devido a um acidente de trânsito, para repelir injusta</p><p>agressão praticada contra a sua sobrinha.</p><p>Além disso, Patrick não pretendia matar Lauro, mas apenas lesionar,</p><p>buscando atingir a sua perna, para fazer cessar a agressão. Assim, diante da legítima</p><p>defesa, requer a absolvição sumária, com base</p><p>no art. 397, inciso I, do Código de Processo</p><p>Penal.</p><p>IV) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) Reconhecimento da nulidade do ato de citação, nos termos do art. 564, inciso</p><p>III, alínea e, do Código de Processo Penal;</p><p>b) Absolvição sumária, com base no art. 397, inciso I, do Código de Processo</p><p>Penal.</p><p>c) Absolvição sumária, com base no art. 397, inciso III, do Código de Processo</p><p>Penal.</p><p>d) A produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente prova</p><p>testemunhal.</p><p>ROL DE TESTEMUNHAS:</p><p>1. Maria...;</p><p>2. José...;</p><p>3. Natália...</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 09 de março de 2018.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>Memoriais</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXVI EXAME OAB</p><p>Enunciado</p><p>Em 03 de outubro de 2016, na cidade de Campos, no Estado do Rio de Janeiro, Lauro, 33 anos,</p><p>que é obcecado por Maria, estagiária de uma outra empresa que está situada no mesmo prédio</p><p>em que fica o seu local de trabalho, não mais aceitando a rejeição dela, decidiu que a obrigaria</p><p>a manter relações sexuais com ele, independentemente da sua concordância.</p><p>Confiante em sua decisão, resolveu adquirir arma de fogo de uso permitido, considerando que</p><p>tinha autorização para tanto, e a registrou, tornando-a regular. Precisando que alguém o</p><p>substituísse no local do trabalho no dia do crime, narrou sua intenção criminosa para José,</p><p>melhor amigo com quem trabalha, assegurando-lhe que comprou a arma exclusivamente para</p><p>ameaçar Maria a manter com ele conjunção carnal, mas que não a lesionaria de forma alguma.</p><p>Ainda esclareceu a José, que alugara um quarto em um hotel e comprara uma mordaça para</p><p>evitar que Maria gritasse e os fatos fossem descobertos. Quando Lauro saía de casa, em seu</p><p>carro, para encontrar Maria, foi surpreendido por viatura da Polícia Militar, que havia sido alertada</p><p>por José sobre o crime prestes a acontecer, sendo efetuada a prisão de Lauro em flagrante. Em</p><p>sede policial, Maria foi ouvida, afirmando, apesar de não apresentar documentos, que tinha 17</p><p>anos e que Lauro sempre manteve comportamento estranho com ela, razão pela qual tinha</p><p>interesse em ver o autor dos fatos responsabilizado criminalmente.</p><p>Após receber os autos e considerando que o detido possuía autorização para portar arma de</p><p>fogo, o Ministério Público denunciou Lauro apenas pela prática do crime de estupro qualificado,</p><p>previsto no Art. 213, §1º c/c Art. 14, inciso II, c/c Art. 61, inciso II, alínea f, todos do Código Penal.</p><p>O processo teve regular prosseguimento, mas, em razão da demora para realização da instrução,</p><p>Lauro foi colocado em liberdade. Na audiência de instrução e julgamento, a vítima Maria foi</p><p>ouvida, confirmou suas declarações em sede policial, disse que tinha 17 anos, apesar de ter</p><p>esquecido seu documento de identificação para confirmar, apenas apresentando cópia de sua</p><p>matrícula escolar, sem indicar data de nascimento, para demonstrar que, de fato, era Maria. José</p><p>foi ouvido e também confirmou os fatos narrados na denúncia, assim como os policiais. O réu</p><p>não estava presente na audiência por não ter sido intimado e, apesar de seu advogado ter-se</p><p>mostrado inconformado com tal fato, o ato foi realizado, porque o interrogatório seria feito em</p><p>outra data. Na segunda audiência, Lauro foi ouvido, confirmando integralmente os fatos narrados</p><p>na denúncia, mas demonstrou não ter conhecimento sobre as declarações das testemunhas e</p><p>da vítima na primeira audiência. Na mesma ocasião, foi, ainda, juntado o laudo de exame do</p><p>material apreendido, o laudo da arma de fogo demonstrando o potencial lesivo e a Folha de</p><p>Antecedentes Criminais, sem outras anotações. Encaminhados os autos para o Ministério</p><p>Público, foi apresentada manifestação requerendo condenação nos termos da denúncia. Em</p><p>seguida, a defesa técnica de Lauro foi intimada, em 04 de setembro de 2018, terça-feira, sendo</p><p>quarta-feira dia útil em todo o país, para apresentação da medida cabível.</p><p>Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Lauro, redija a</p><p>peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas</p><p>pertinentes. A peça deverá ser datada do último dia do prazo para interposição. (Valor: 5,00)</p><p>Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar</p><p>respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere</p><p>pontuação.</p><p>EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA... VARA CRIMINAL DA</p><p>COMARCA DE CAMPOS/RJ</p><p>Processo nº...</p><p>LAURO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, apresentar</p><p>MEMORIAIS, com base no artigo 403, § 3º, do Código de Processo Penal, pelos fatos e</p><p>fundamentos a seguir expostos:</p><p>I) DA TEMPESTIVIDADE</p><p>Os presentes memoriais são tempestivos, já que apresentados dentro do prazo</p><p>de 5 dias, previsto no artigo 403, § 3º, do Código de Processo Penal</p><p>II) DOS FATOS</p><p>O réu foi denunciado pela prática de estupro qualificado, previsto no artigo 213,</p><p>§ 1º, combinado com os artigos 14, II, e 61, II, “f ”, todos do Código Penal.</p><p>Encerrada a instrução, O Ministério Público requereu a condenação do réu, nos</p><p>termos da denúncia.</p><p>A defesa foi intimada em 04 de setembro de 2018.</p><p>III) DO DIREITO</p><p>A) DA NULIDADE DA INSTRUÇÃO</p><p>Deve ser declarada a nulidade dos atos processuais realizados durante a</p><p>instrução, diante do cerceamento de defesa.</p><p>Isso porque o réu não foi intimado, e mesmo com a defesa manifestando o</p><p>inconformismo com o ato, a audiência foi realizada.</p><p>Assim, os atos processuais realizados a partir da primeira audiência de</p><p>instrução devem ser anulados, uma vez que a falta de intimação para comparecimento do</p><p>réu em audiência, afronta o princípio da ampla defesa, previsto no artigo 5º, LV, da</p><p>Constituição Federal/88.</p><p>Diante disso, verifica-se a nulidade dos atos da instrução, nos termos do artigo</p><p>564, IV, do Código de Processo Penal</p><p>B) DOS ATOS PREPARATÓRIOS</p><p>Os fatos atribuídos ao réu não constituem crime, pois são atos preparatórios.</p><p>Isso porque o fato de Lauro ter comprado uma arma e guardado em seu quarto</p><p>configura apenas atos preparatórios. Logo, não foi iniciada a execução do crime de estupro,</p><p>haja vista que os atos preparatórios, de regra, não são puníveis.</p><p>Assim, o réu deve ser absolvido, com base no artigo 386, III, do Código de</p><p>Processo Penal.</p><p>C) DA QUALIFICADORA</p><p>Deve ser afastada a qualificadora mencionada pelo Ministério Público.</p><p>Isso porque a vítima não apresentou documentação hábil que comprovasse</p><p>sua idade, apenas apontando que possuía 17 anos. A mera alegação em audiência não é</p><p>suficiente para comprovação de idade, não sendo possível ter certeza, em razão de sua</p><p>aparência física, se era maior de 18 anos.</p><p>Nesse sentido, não há prova nos autos da idade da vítima, devendo ser</p><p>afastada a qualificadora prevista no artigo 213, §1º, do Código Penal.</p><p>D) DA CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL FAVORÁVEL</p><p>Na eventualidade de sentença condenatória, deve a pena-base ser fixada no</p><p>mínimo legal.</p><p>Isso porque foi juntada a folha de antecedentes criminais do réu sem qualquer</p><p>anotação. Logo, o réu ostenta bons antecedentes, devendo a pena-base ser fixada no</p><p>mínimo legal, já que todas as circunstâncias judiciais do artigo 59 do Código Penal são</p><p>favoráveis.</p><p>E) DA AGRAVANTE</p><p>Deve ser afastada a agravante atribuída pelo Ministério Público.</p><p>Isso porque não existia situação de relação familiar ou de coabitação, não</p><p>sendo o crime praticado no âmbito de violência doméstica contra mulher, como prevê a Lei nº</p><p>11.340/06.</p><p>Assim, requer seja afastada a agravante do artigo 61, II, “f”, do Código Penal.</p><p>F) DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA</p><p>Ao ser interrogado, o réu confirmou integralmente os fatos descritos na</p><p>denúncia. Logo, incide a atenuante da confissão espontânea, prevista no artigo</p><p>65, inciso III,</p><p>“d”, do Código Penal.</p><p>Assim, requer seja reconhecida a atenuante da confissão espontânea.</p><p>G) DA TENTATIVA</p><p>A redução pela tentativa deve ser na fração máxima.</p><p>Isso porque, admitindo-se ter sido iniciada a execução, o crime ficou longe da</p><p>consumação.</p><p>Assim, requer seja aplicada a redução máxima de 2/3 em razão da tentativa.</p><p>H) DO REGIME INICIAL ABERTO</p><p>Deve ser fixado o regime inicial aberto ou semiaberto.</p><p>Isso porque, considerando a pena-base no mínimo legal e a redução pela</p><p>tentativa no patamar máximo, a pena não ficaria superior a quatro anos, devendo, portanto, o</p><p>Magistrado fixar o regime inicial de cumprimento de pena no aberto OU semiaberto.</p><p>Logo, na hipótese de eventual condenação, o Magistrado deverá fixar o regime</p><p>aberto OU semiaberto, nos termos do artigo 33, § 2º, “b” OU “c”, do Código Penal, já que o</p><p>réu é primário e as circunstâncias judiciais são favoráveis.</p><p>I) DA SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DA PENA</p><p>Deve ser concedido o benefício da suspensão da execução pena, previsto</p><p>no artigo 77 do Código Penal.</p><p>Isso porque, considerando a pena-base no mínimo legal, o reconhecimento</p><p>da atenuante e o afastamento da agravante e da qualificadora, bem como a redução</p><p>máxima pela tentativa, a pena certamente não será superior a dois anos, sendo, portanto,</p><p>preenchidos os requisitos do artigo 77 do Código Penal.</p><p>Assim, requer a aplicação da suspensão condicional da pena.</p><p>IV) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) seja declarada a nulidade dos atos da instrução em razão da falta de</p><p>intimação do réu para a solenidade;</p><p>b) a absolvição, com base no artigo 386, inciso III, do Código de Processo</p><p>Penal.</p><p>c) seja afastada a qualificadora do artigo 213, § 1º, do Código Penal;</p><p>d) seja aplicada a pena-base no mínimo legal OU seja reconhecida a</p><p>atenuante da confissão espontânea, com base no artigo 65, III, “d”, do Código Penal;</p><p>e) seja afastada a agravante do artigo 61, II, “f”, do Código Penal;</p><p>f) seja aplicada a redução máxima pela tentativa;</p><p>g) seja fixado o regime inicial de cumprimento de pena como sendo o aberto,</p><p>artigo 33, § 2º, “c”, do Código Penal;</p><p>h) seja aplicada a suspensão da pena, com base no artigo 77 do Código</p><p>Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 10 de setembro de 2018.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>Apelação</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXX EXAME OAB</p><p>Enunciado</p><p>Carlos, primário e de bons antecedentes, 45 (quarenta e cinco) anos, foi denunciado como</p><p>incurso nas sanções penais dos arts. 302 da Lei nº 9.503/1997, por duas vezes, e 303, do mesmo</p><p>diploma legal, todos eles em concurso material, porque, de acordo com a denúncia, “no dia 08</p><p>de julho de 2017, em São Gonçalo, Rio de Janeiro, na direção de veículo automotor, com</p><p>imprudência em razão do excesso de velocidade, colidiu com o veículo em que estavam Júlio e</p><p>Mário, este com 9 anos, causando lesões que foram a causa eficiente da morte de ambos”.</p><p>Consta, ainda, da inicial acusatória que, “em decorrência da mesma colisão, ficou lesionado</p><p>Pedro, que passava pelo local com sua bicicleta e foi atingido pelo veículo em alta velocidade de</p><p>Carlos”.</p><p>As mortes de Júlio e Mário foram atestadas por auto de exame cadavérico, enquanto Pedro foi</p><p>atendido em hospital público, de onde se retirou, sem ser notado, razão pela qual foi elaborado</p><p>laudo indireto de corpo de delito com base no boletim de atendimento médico. Pedro nunca</p><p>compareceu em sede policial para narrar o ocorrido e nem ao Instituto Médico Legal, apesar de</p><p>testemunhas presenciais confirmarem as lesões sofridas.</p><p>No curso da instrução, foram ouvidas testemunhas presenciais, não sendo Pedro localizado. Em</p><p>seu interrogatório, Carlos negou estar em excesso de velocidade, esclarecendo que perdeu o</p><p>controle do carro em razão de um buraco existente na pista. Foi acostado exame pericial</p><p>realizado nos automóveis e no local, concluindo que, realmente, não houve excesso de</p><p>velocidade por parte de Carlos e que havia o buraco mencionado na pista. O exame pericial,</p><p>todavia, apontou que possivelmente haveria imperícia de Carlos na condução do automóvel, o</p><p>que poderia ter contribuído para o resultado.</p><p>Após manifestação das partes, o juiz em atuação perante a 3ª Vara Criminal da Comarca de São</p><p>Gonçalo/RJ, em 10 de julho de 2019, julgou totalmente procedente a pretensão punitiva do</p><p>Estado e, apesar de afastar o excesso de velocidade, afirmou ser necessária a condenação de</p><p>Carlos em razão da imperícia do réu, conforme mencionado no exame pericial.</p><p>No momento da dosimetria, fixou a pena base de cada um dos crimes no mínimo legal e, com</p><p>relação à vítima Mário, na segunda fase, reconheceu a agravante prevista no art. 61, inciso II,</p><p>alínea h, do CP, pelo fato de ser criança, aumentando a pena base em 3 (três) meses. Não</p><p>havendo causas de aumento ou diminuição, reconhecido o concurso material, a pena final ficou</p><p>acomodada em 04 (quatro) anos e 09 (nove) meses de detenção. Não houve substituição da</p><p>pena privativa de liberdade por restritiva de direitos em razão do quantum final, nos termos do</p><p>art. 44, inciso I, do CP, sendo fixado regime inicial fechado de cumprimento da pena, com</p><p>fundamento na gravidade em concreto da conduta. O Ministério Público foi intimado e manteve-</p><p>se inerte.</p><p>A defesa técnica de Carlos foi intimada em 18 de setembro de 2019, quarta-feira, para adoção</p><p>das medidas cabíveis.</p><p>Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Carlos, redija a</p><p>peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus e embargos de declaração, apresentando todas</p><p>as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição,</p><p>considerando que de segunda a sexta-feira são dias úteis em todos os locais do país. (Valor:</p><p>5,00).</p><p>EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 3ª VARA CRIMINAL DA</p><p>COMARCA DE SÃO GONÇALO/RJ</p><p>Processo nº...</p><p>CARLOS, já qualificado nos autos, por meio de seu procurador infra-</p><p>assinado, conforme procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa</p><p>Excelência, interpor o presente RECURSO DE APELAÇÃO, com base no art. 593, inciso I,</p><p>do Código de Processo Penal.</p><p>Assim, requer seja recebido e processado o recurso, já com as razões</p><p>inclusas, remetendo-se os autos ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.</p><p>O presente recurso é tempestivo, pois interposto dentro do prazo de 5 dias,</p><p>na forma do artigo 593, caput, do Código de Processo Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 23 de setembro de 2019.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO</p><p>Apelante: CARLOS</p><p>Apelado: MINISTÉRIO PÚBLICO</p><p>Processo nº...</p><p>RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO</p><p>Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro</p><p>Colenda Câmara Criminal</p><p>I – DOS FATOS</p><p>O réu foi denunciado pela prática do delito do art. 302, por duas vezes, e art.</p><p>303, ambos da Lei nº 9.503/1997, na forma do art. 69 do Código Penal.</p><p>Foram ouvidas as testemunhas da acusação e interrogado o réu. A vítima</p><p>Pedro não foi localizada para ser ouvida.</p><p>O juiz proferiu a sentença condenando o réu a pena privativa de liberdade</p><p>de 04 (quatro) anos e 09 (nove) meses.</p><p>II – DO DIREITO</p><p>A) DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE</p><p>Ocorreu a extinção da punibilidade, pela decadência do direito de</p><p>representação, em relação ao crime de lesão corporal culposa na direção de veículo</p><p>automotor contra a vítima Pedro.</p><p>Isso porque a vítima Pedro não realizou o exame de corpo de delito e não</p><p>compareceu em sede policial para narrar o ocorrido. Logo, não há representação,</p><p>condição de procedibilidade para a ação penal, conforme prevê o art. 88 da Lei nº</p><p>9.099/1995 e art. 291, § 1º da Lei nº 9.503/1997.</p><p>Assim, considerando que se passaram mais de 06 (seis) meses desde a</p><p>ciência da autoria do fato, incidiu a extinção da punibilidade de Carlos no que tange ao</p><p>delito de lesão corporal culposa na condução de veículo automotor, com base no art. 107,</p><p>inciso IV do Código Penal e art. 38 do Código de Processo Penal.</p><p>B) DA INEXISTÊNCIA DE IMPRUDÊNCIA</p><p>O Magistrado não poderia ter condenado o réu em razão da imperícia,</p><p>pois o Ministério Público não narrou na denúncia este fato, violando o princípio da</p><p>correlação.</p><p>Isso porque foi acostado exame pericial realizado nos automóveis e no</p><p>local, concluindo que, realmente, não houve excesso de velocidade por parte de Carlos e</p><p>que havia o buraco mencionado na pista.</p><p>Assim, como não houve comprovação da imprudência e nem do excesso</p><p>de velocidade, pugna-se pela absolvição de Carlos, com base no art. 386, inciso VII do</p><p>Código de Processo Penal.</p><p>C) DA AGRAVANTE</p><p>Deve ser afastada a agravante prevista no art. 61, inciso II, alínea “h” do</p><p>Código Penal.</p><p>Isso porque não havia possibilidade de o réu saber que havia criança no</p><p>veículo que estavam Júlio e Mário. Além disso, tal agravante somente pode ser aplicada aos</p><p>crimes dolosos e, não ao crime culposo como é o caso, sob pena de configuração de</p><p>responsabilidade penal objetiva.</p><p>Assim, requer seja afastada a agravante em razão da idade da vítima,</p><p>prevista no art. 61, inciso II, alínea h, do Código Penal.</p><p>D) DO CONCURSO FORMAL</p><p>Deve ser reconhecido o concurso formal de crimes.</p><p>Isso porque o réu com única conduta produziu os resultados imputados</p><p>na denúncia.</p><p>Logo, requer seja afastado o concurso material de crimes, reconhecendo</p><p>o concurso formal dos delitos, devendo ser usado, se mantida a condenação, o critério</p><p>da exasperação da pena, com base no art. 70 do Código Penal.</p><p>E) DO REGIME CARCERÁRIO</p><p>Deve ser fixado o regime inicial aberto ou semiaberto.</p><p>Isso porque, nos termos do art. 33, caput, do Código Penal, não é</p><p>possível fixar o regime inicial fechado ao agente condenado pela prática de crime punido</p><p>unicamente com pena de detenção.</p><p>Além disso, se considerada a pena-base no mínimo legal, o afastamento</p><p>da agravante e a aplicação do critério da exasperação, a pena não será superior a 4</p><p>anos, razão pela qual cabe o regime aberto, nos termos do artigo 33, § 2º, “c”, do Código</p><p>Penal.</p><p>Assim, requer o afastamento do regime fechado, aplicando-se o regime</p><p>aberto ou semiaberto.</p><p>F) DA SUBSTITUIÇÃO PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR</p><p>RESTRITIVA DE DIREITOS</p><p>Deve ser concedida a substituição da pena privativa de liberdade por</p><p>restritiva de direitos, já que preenchidos os requisitos do artigo 44 do Código Penal.</p><p>Isso porque, em relação aos crimes culposos, como regra, é cabível a</p><p>substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos qualquer que seja a pena,</p><p>já que o limite do art. 44, inciso I, do Código Penal é aplicável exclusivamente aos crimes</p><p>dolosos.</p><p>Assim, requer a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva</p><p>de direitos.</p><p>III DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer seja CONHECIDO e PROVIDO o presente recurso,</p><p>com a reforma da decisão, a fim de que:</p><p>a) Seja declarada extinta a punibilidade de Carlos no que tange ao delito de</p><p>lesão corporal culposa na condução de veículo automotor, com base no art. 107, inciso</p><p>IV, do Código Penal</p><p>b) Seja o réu absolvido, com base no art. 386, inciso VII do Código de</p><p>Processo Penal</p><p>c) Seja afastada a agravante em razão da idade da vítima, prevista no art. 61,</p><p>inciso II, alínea h, do Código Penal;</p><p>d) Seja afastado o concurso material de crimes;</p><p>e) Seja afastado o regime fechado, aplicando-se o regime aberto ou</p><p>semiaberto;</p><p>f) Seja realizada a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva</p><p>de direitos.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 23 de setembro de 2019.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>Contrarrazões de Apelação</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXVII EXAME OAB</p><p>Enunciado</p><p>João, 22 anos, no dia 04 de maio de 2018, caminhava com o adolescente Marcelo, cada um</p><p>deles trazendo consigo uma mochila nas costas. Realizada uma abordagem por policiais, foi</p><p>constatado que, no interior da mochila de cada um, havia uma certa quantidade de drogas, razão</p><p>pela qual elas foram, de imediato, encaminhadas para a Delegacia.</p><p>Realizado laudo de exame de material entorpecente, constatou-se que João trazia 25 g de</p><p>cocaína, acondicionados em 35 pinos plásticos, enquanto, na mochila do adolescente, foram</p><p>encontrados 30 g de cocaína, quantidade essa distribuída em 50 pinos. Após a oitiva das</p><p>testemunhas em sede policial, da juntada do laudo e da oitiva do adolescente e de João, que</p><p>permaneceram em silêncio com relação aos fatos, foram lavrados o auto de prisão em flagrante</p><p>em desfavor do imputável e o auto de apreensão em desfavor do adolescente. Toda a</p><p>documentação foi encaminhada aos Promotores de Justiça com atribuição. O Promotor de</p><p>Justiça, junto à 1ª Vara Criminal de Maceió/AL, órgão competente, ofereceu denúncia em face</p><p>de João, imputando-lhe a prática dos crimes previstos nos artigos 33 e 35, ambos com a causa</p><p>de aumento do Art. 40, inciso VI, todos da Lei nº 11.343/06. Foi concedida a liberdade provisória</p><p>ao denunciado, aplicando-se as medidas cautelares alternativas. Após a notificação, a</p><p>apresentação de resposta prévia e o recebimento da denúncia e da citação, foi designada a</p><p>audiência de instrução e julgamento, ocasião em que foram ouvidas as testemunhas de</p><p>acusação. Estas confirmaram a apreensão de drogas em poder de Marcelo e João, bem como</p><p>que eles estariam juntos, esclarecendo que não se conheciam anteriormente e nem tinham</p><p>informações pretéritas sobre o adolescente e o denunciado. O adolescente, ouvido, disse que</p><p>conhecera João no dia anterior ao de sua apreensão e que nunca o tinha visto antes vendendo</p><p>drogas. Em seguida à oitiva das testemunhas de acusação e defesa, foi realizado o interrogatório</p><p>do acusado, sendo que nenhuma das partes questionou o momento em que este foi realizado.</p><p>Na ocasião, João confirmou que o material que ele e Marcelo traziam seria destinado à ilícita</p><p>comercialização. Ele ainda esclareceu que conhecera o adolescente no dia anterior, que era a</p><p>primeira vez que venderia drogas e que tinha a intenção de praticar o ato junto com o adolescente</p><p>somente aquela vez, com o objetivo de conseguir dinheiro para comprar uma moto.</p><p>Foi acostado o laudo de exame definitivo de material entorpecente confirmando o laudo</p><p>preliminar e a Folha de Antecedentes Criminais de João, onde constava uma anotação referente</p><p>a crime de furto, ainda pendente de julgamento.</p><p>O juiz, após a devida manifestação das partes, proferiu sentença julgando parcialmente</p><p>procedente a pretensão punitiva estatal. Em um primeiro momento, absolveu o acusado do crime</p><p>de associação para o tráfico por insuficiência probatória. Em seguida, condenou o réu pela</p><p>prática do crime de tráfico de drogas, ressaltando que o réu confirmou a destinação das drogas</p><p>à ilícita comercialização. No momento de aplicar a pena, fixou a pena base no mínimo legal,</p><p>reconhecendo a existência da atenuante da confissão espontânea; aumentou a pena em razão</p><p>da causa de aumento do Art. 40, inciso VI, da Lei nº 11.343/06 e aplicou a causa de diminuição</p><p>de pena do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06, restando a pena final em 1 ano, 11 meses e 10</p><p>dias de reclusão e 195 dias multa, a ser cumprida em regime inicial aberto. Entendeu o</p><p>magistrado pela substituição da pena privativa de liberdade por duas restritivas de direitos.</p><p>O Ministério Público, ao ser intimado pessoalmente em 22 de outubro de 2018, apresentou o</p><p>recurso cabível, em 25 de outubro de 2018, acompanhado das respectivas razões recursais,</p><p>requerendo:</p><p>a) nulidade da instrução, porque o interrogatório não foi o primeiro ato, como prevê a Lei nº</p><p>11.343/06;</p><p>b) condenação do réu pelo crime de associação para o tráfico, já que ele estaria agindo em</p><p>comunhão de ações e desígnios com o adolescente no momento da prisão, e o Art. 35 da Lei nº</p><p>11.343/06 fala</p>

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