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<p>GESTÃO EM</p><p>SERVIÇO SOCIAL</p><p>Flaviana Aparecida de Mello</p><p>A pesquisa científica</p><p>enquanto ferramenta</p><p>de gestão</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Descrever pesquisa científica, as linhas teóricas, autores e os métodos.</p><p> Identificar as características e funções sociais das pesquisas quantita-</p><p>tivas, qualitativa e qualiquantitativa.</p><p> Reconhecer a pesquisa científica e sua importância nos processos</p><p>de gestão.</p><p>Introdução</p><p>O estudo da pesquisa e sua inserção como prática social no serviço</p><p>social tem sido valorizada principalmente a partir dos anos 1980, quando</p><p>se passa a desenvolver pesquisas a partir da inserção da disciplina no</p><p>processo formativo, bem como com a constituição de programas de</p><p>pós-graduação em nível strictu sensu. Uma prática profissional se desen-</p><p>volve não apenas com um arsenal de técnicas operacionais e, por essa</p><p>razão, deve apropriar-se do conhecimento teórico e científico para que,</p><p>de fato, possa haver entendimento da realidade social vivenciada pelos</p><p>sujeitos. Assim, é necessário desenvolver pesquisas sociais que produzam</p><p>conhecimento real e concreto e, consequentemente, subsídios para a</p><p>promoção de mudanças no âmbito da gestão no sentido de ofertar</p><p>serviços e ações que vão ao encontro das demandas dos usuários.</p><p>Dessa forma, neste capítulo, você vai ter a oportunidade de aprender o</p><p>conceito de pesquisa científica, as linhas teóricas utilizadas no campo das</p><p>ciências sociais e humanas aplicadas, com ênfase na abordagem teórica</p><p>utilizada no serviço social, compreendendo seus métodos e principais</p><p>autores. Além disso, vai ver o que são pesquisas quantitativas, qualitativas</p><p>e qualiquantitativas, identificando suas caracteristicas e funções sociais e</p><p>vendo a importância da pesquisa cientifica no campo da gestão social.</p><p>1 Ciências humanas e sociais: pesquisa</p><p>científica, teorias, métodos e autores</p><p>Podemos compreender a pesquisa científi ca como uma atividade basilar</p><p>que cumpre o papel de indagar e contribuir com a construção da realidade.</p><p>Os procedimentos de pesquisa realizam uma relação entre o conhecimento</p><p>teórico e metodológico e o atualizam diante da realidade com a qual se depara</p><p>no desenvolvimento da pesquisa em percurso (MINAYO et al., 2010).</p><p>De acordo com Severino (2007), a ciência, no sentido que a compreendemos</p><p>atualmente, surge a partir da era moderna da sociedade e vem com o objetivo</p><p>de questionar e tecer críticas à forma como, até então, pensavam-se as coisas</p><p>e a humanidade, o modo metafísico. Acreditava-se, assim, que era possível</p><p>compreender a essência dos problemas simplesmente a partir da razão humana.</p><p>Então, a partir do Renascimento e da Idade Moderna, passou-se a questionar</p><p>essa razão e chegou-se à conclusão de que “[...] só podemos conhecer de fato</p><p>os fenômenos, nunca as essências” (SEVERINO, 2007, p. 110).</p><p>Assim, consideramos que toda pesquisa científica deriva de uma situação</p><p>relacionada a problemas da vida cotidiana e, desse modo, a partir dos problemas</p><p>identificados, reúne o arsenal de teorias, métodos e técnicas para desenvolver</p><p>a pesquisa e executá-la. Cabe ressaltar que, a partir da identificação de uma</p><p>situação prática, deve-se desenvolver uma pergunta que instigue o pesquisa-</p><p>dor a querer pesquisar sobre o assunto em busca de possíveis respostas e/ou</p><p>respostas aproximadas para auxiliá-lo a compreender o problema.</p><p>Já para Demo (1993, p. 128), a pesquisa científica tem por conceito: “[...]</p><p>ser um diálogo crítico e criativo com a realidade, culminando com a elabo-</p><p>ração própria e na capacidade de intervenção. Em tese, pesquisa é a atitude</p><p>de “aprender a aprender”, e, como tal, faz parte de todo o processo educativo</p><p>e emancipatório”.</p><p>Toda pesquisa científica no campo das ciências humanas e sociais parte de</p><p>um diálogo para conseguir compreender a realidade social e, assim, a partir do</p><p>que foi possível constatar, promover mudanças que auxiliem na emancipação</p><p>e no desenvolvimento crítico dos sujeitos. Nesse sentido, Severino (2007, p.</p><p>110) alude que “[...] a ciência é simultaneamente um saber teórico (explica o</p><p>real) e um poder prático (maneja o real pela técnica)”.</p><p>A pesquisa científica enquanto ferramenta de gestão2</p><p>Nesse compasso, temos a corrente teórica do positivismo, que, de acordo</p><p>com Triviños (2006), não passou a existir apenas no século XIX, com o filósofo</p><p>Augusto Comte, como alguns outros autores da sociologia e/ou de pesquisa,</p><p>mencionam, mas havia se constituído desde a Antiguidade:</p><p>[...] o positivismo, sem dúvida, não nasceu espontaneamente, no século XIX,</p><p>com Augusto Comte. Suas raízes podem ser encontradas no empiricismo, já na</p><p>Antiguidade. Mas suas bases concretas e sistematizadas estão, seguramente,</p><p>nos séculos XVI, XVII e XVIII, com Bacon, Hobes e Hume, especialmente</p><p>(TRIVIÑOS, 2006, p. 33).</p><p>Essa corrente teórica, no princípio, tem por influência os métodos e con-</p><p>ceitos da matemática e da física para desenvolver explicações acerca da rea-</p><p>lidade social e humana. Assim, de acordo com Minayo et al. (2010, p. 22-23),</p><p>essa teoria tem como método voltar-se para o desenvolvimento de pesquisa</p><p>quantitativa e apropriar-se de princípios para fundamentar-se:</p><p>(a) O mundo social opera de acordo com leis causais.</p><p>(b) O alicerce da ciência é a observação sensorial.</p><p>(c) A realidade consiste em estruturas e instituições identificáveis “a olho</p><p>nu” de um lado e crença e valores de outro. Essas duas ordens de coisas se</p><p>relacionam para fornecer generalizações e regularidades.</p><p>(d) São reais para as Ciências Sociais positivistas os “dados visíveis e iden-</p><p>tificáveis”. [...]</p><p>(e) Os dados recolhidos da realidade empírica das estruturas e instituições</p><p>são suficientes para explicar a realidade social.</p><p>Com a evolução da sociedade e a complexidade em que se apresenta a</p><p>vida humana, o positivismo começa a demonstrar certa insuficiência para</p><p>conseguir fornecer subsídios para a compreensão acerca da realidade. Nesse</p><p>contexto, sociólogos e filósofos foram desenvolvendo outro método, mas sem</p><p>abdicar completamente dos preceitos do positivismo, levando ao surgimento</p><p>do funcionalismo (SEVERINO, 2007).</p><p>Esse novo método de pesquisa se baseia no conhecimento biológico para</p><p>compreender as formas de organização cultural e social; ou seja, observa-se a</p><p>sociedade humana pelo prisma de que essa organização é dividida em partes e</p><p>que cada uma dessas partes deve funcionar harmonicamente para o bem-estar</p><p>de todo o organismo. Por fim, toda atividade cultural e social deve ser funcio-</p><p>nal, isto é, deve possuir uma determinada função na sociedade, delineando</p><p>seus procedimentos e especificando suas articulações no cerne da sociedade.</p><p>3A pesquisa científica enquanto ferramenta de gestão</p><p>Outra corrente teórica que tem relevância nas ciências humanas é o estru-</p><p>turalismo, que, assim como a teoria funcionalista, emana da teoria positivista.</p><p>Nesse método, sua principal hipótese é a de que a sociedade se forma a partir de</p><p>vários jogos de interesses, além de oposições, ausências e pertencimentos, e que</p><p>todas essas questões formam a estrutura da sociedade. Ainda segundo os preceitos</p><p>teóricos do estruturalismo, essa estrutura da sociedade pode, em determinada parte,</p><p>sofrer alterações, o que acaba por afetar a estrutura da sociedade como um todo.</p><p>Já a fenomenologia é uma teoria que se refere a uma experiência elementar</p><p>do conhecimento. Ou seja, seu método de pesquisa busca entender os aconteci-</p><p>mentos através de sua condição inédita de fenômenos legítimos. Nesse contexto,</p><p>Severino (2007) afirma que: O fenômeno se desponta em sua originalidade</p><p>quando a relação sujeito/objeto se “reduz” à relação dicotômica. Isto é, o objeto</p><p>é o próprio fenômeno tal como ele se configura à consciência do sujeito, ou seja,</p><p>como esse fenômeno se desponta e não o que se afirma em relação ao fenômeno.</p><p>Por fim, o marxismo, com sua teoria de materialismo histórico-dialético,</p><p>considera a historicidade dos procedimentos sociais, a condição social</p><p>e eco-</p><p>nômica, além das contradições sociais que há na sociedade.</p><p>Enquanto um método de pesquisa, propõe a abordagem dialética, [...] visto que</p><p>aglutina a proposta de analisar os contextos históricos, as determinações so-</p><p>cioeconômicas dos fenômenos, as relações sociais de produção e de dominação</p><p>com a compreensão das representações sociais (MINAYO et al., 2010, p. 24).</p><p>No materialismo histórico e dialético, a compreensão é a de que a teoria não</p><p>pode ser concebida separadamente dos eventos cotidianos da prática. Nesse</p><p>sentido, esse método prioriza a práxis humana, ou seja, qual é o real sentido e</p><p>a intenção que se pretende ao pesquisar/estudar determinada situação social.</p><p>Você sabe o que significa a práxis humana no método marxista? De acordo com Vázquez</p><p>(2011, p. 222), “[...] a atividade propriamente humana apenas se verifica quando os atos</p><p>dirigidos a um objeto para transformá-lo; se iniciam com um resultado ideal, ou um</p><p>fim, e terminam com um resultado efetivo, real”. O que o autor quer nos dizer é que,</p><p>para cada atividade de práxis humana, o ser humano necessita ter um propósito, ou</p><p>seja, uma finalidade que o guia, que o direciona a fazer aquela determinada atividade.</p><p>Assim, a partir do desenvolvimento dessa atividade, consegue-se alcançar um resultado</p><p>real e concreto de transformação da realidade.</p><p>A pesquisa científica enquanto ferramenta de gestão4</p><p>Essa intenção de pesquisa a partir da práxis só tem verdadeiro valor e</p><p>sentido quando está comprometida com a transformação social e humana</p><p>da sociedade. Desse modo, teremos concretizado a real intenção do uso e</p><p>desenvolvimento da práxis na vida humana, que é oportunizar melhorias na</p><p>condição de vida dos sujeitos.</p><p>Veja, no Quadro 1, uma síntese das teorias apresentadas, acompanhadas</p><p>de seus principais teóricos e de uma breve descrição.</p><p>Fonte: Adaptado de Severino (2007).</p><p>Teoria/método Principais téoricos Descrição</p><p>Positivismo Augusto Comte Concepção de que se poderia</p><p>constituir uma física social.</p><p>Funcionalismo Inicia-se com Émile</p><p>Durkheim e Herbert</p><p>Spencer na sociologia. Na</p><p>antropologia, destaca-se</p><p>Bronislaw Malinowski</p><p>Ideia de aproximar-se dos</p><p>estudos biológicos dos</p><p>órgãos para entender o</p><p>campo social — espécie</p><p>de organismo social.</p><p>Estruturalismo Inicialmente, Jacques</p><p>Lacan, Michel Foucault</p><p>e Levi Strauss e,</p><p>posteriormente,</p><p>Louis Althusser.</p><p>Apoia-se na concepção</p><p>de que a vida social se</p><p>organiza sob um modelo</p><p>de sistemas estruturados,</p><p>sempre conforme regras</p><p>de ordenação.</p><p>Fenomenologia Edmund Husserl O sujeito que pesquisa</p><p>e o objeto que pretende</p><p>pesquisar são concebidos</p><p>como puros polos.</p><p>Preocupa-se com os</p><p>fenômenos e com como</p><p>eles são causados.</p><p>Materialismo</p><p>histórico-dialético</p><p>Karl Marx e, por</p><p>conseguinte seu parceiro</p><p>Friedrich Engels.</p><p>Baseia-se em alguns</p><p>pressupostos pertinentes à</p><p>condição da vida humana,</p><p>bem como no modo</p><p>pelo qual os homens</p><p>agem na sociedade.</p><p>Quadro 1. Teorias/métodos para pesquisa científica</p><p>5A pesquisa científica enquanto ferramenta de gestão</p><p>Consideramos ser pertinente o conhecimento a respeito das principais</p><p>teorias com seus respectivos métodos, mas salienta-se que, no âmbito do</p><p>serviço social contemporâneo, o posicionamento teórico e metodológico se</p><p>dá a partir do materialismo histórico-dialético, posicionamento escolhido</p><p>pela categoria após o Movimento de Reconceituação e Renovação do serviço</p><p>social. Assim, a partir da década de 1980, assume-se, então, para o interior da</p><p>formação e prática profissional, a vertente do materialismo, visto que dialo-</p><p>gava com a intenção de romper com as bases religiosa e funcionalista, assim</p><p>como com aquelas técnicas importadas dos Estados Unidos, que permeavam</p><p>o ensino e a prática profissional do serviço social no Brasil. Assim, assume-se</p><p>a teoria social crítica a partir de Karl Marx e, desde então, a matriz teórica</p><p>e metodológica do serviço social brasileiro tem sido essa teoria social com</p><p>seu método de materialismo histórico e dialético, por compreender-se que</p><p>permite analisar as circunstâncias a partir da totalidade social com o objetivo</p><p>de entender a questão social com base na realidade concreta que tangencia a</p><p>vida dos sujeitos e famílias.</p><p>Edgar Morin (2000a, p. 387), filósofo contemporâneo, propõe uma abordagem transdis-</p><p>ciplinar e difundiu a teoria da complexidade, que “[...] parte dos fenômenos, ao mesmo</p><p>tempo, complementares, concorrentes e antagonistas, e respeita as coerências diversas”.</p><p>2 As características e funções sociais das</p><p>pesquisas quantitativas, qualitativa e</p><p>qualiquantitativa</p><p>A pesquisa qualitativa tem como objetivo, em seu rol de funções, responder</p><p>a questões relacionadas à realidade social, trabalhando de forma a apresentar</p><p>resultados que não devem ser apenas quantifi cados. A funcionalidade dessa</p><p>pesquisa está no sentido de trabalhar com o universo dos pretextos, signifi cados,</p><p>anseios, crenças, estimações, necessidades, vivências, entre outras questões</p><p>de ordem mais subjetiva.</p><p>No princípio da pesquisa a partir do método positivista, o sujeito homem</p><p>era estimado como um objeto puramente natural, e essa forma de desenvol-</p><p>ver pesquisa não considerava aspectos fundamentais da condição de vida e</p><p>A pesquisa científica enquanto ferramenta de gestão6</p><p>formação desse sujeito (SEVERINO, 2007). Do rol de pesquisas qualitativas,</p><p>citamos, a seguir, as metodologias que se classificam nesse bojo e que são</p><p>apropriadas para sua utilização no campo das ciências humanas e sociais de</p><p>acordo com Severino (2007).</p><p> Pesquisa participante: nessa abordagem, o pesquisador se coloca em</p><p>uma postura de identificação junto aos sujeitos pesquisados, interage</p><p>com eles, observa suas manifestações e as registra.</p><p> Estudo de caso: se concentra em estudar um caso em específico e que</p><p>represente várias outras circunstâncias semelhantes.</p><p> Análise de conteúdo: realiza análise de informações sob o modo</p><p>de discursos pronunciados em distintas linguagens, como gestuais,</p><p>orais, escrito e imagens, e busca compreender o que está oculto nessas</p><p>linguagens.</p><p> Pesquisa ação: tem por finalidade desenvolver uma mudança na situ-</p><p>ação pesquisada.</p><p> Pesquisa etnográfica: estuda o cotidiano com suas diversas situações,</p><p>modos de vida, crenças, organização de um determinado grupo.</p><p> Pesquisa bibliográfica: apropria-se de documentos já desenvolvidos</p><p>por outros pesquisadores, como artigos, teses, dissertações, livros.</p><p> Pesquisa documental: toma documentos como filmes, matérias de</p><p>jornais, documentos legais, entre outros, para desenvolver sua análise</p><p>e compreensão acerca do objeto que esteja estudando.</p><p> Pesquisa de campo: envolve estudos descritivos e analíticos da situação</p><p>pesquisada; ocorre no meio em que o pesquisado vive/convive, e não</p><p>há intervenção por parte do pesquisador.</p><p> Pesquisa exploratória: o pesquisador realiza um levantamento apurado</p><p>de informações acerca do objeto pesquisado.</p><p> Pesquisa explicativa: desenvolve registros e analisa os fenômenos</p><p>estudados objetivando entender o que foi o motivo causador desses</p><p>fenômenos. Essa explicação se dá tanto por meio de métodos quanti-</p><p>tativos quanto pelo uso das outras abordagens qualitativas.</p><p>Para Baptista (1999), a pesquisa qualitativa permite ao pesquisador conhecer</p><p>os fenômenos estudados a partir do aspecto histórico e holístico. A autora ainda</p><p>afirma que, sem exceção, todos os fenômenos estudados possuem relevância</p><p>e importância dos seus significados, e até “[...] o silêncio é considerado um</p><p>dado” (BAPTISTA, 1999, p. 38).</p><p>7A pesquisa científica enquanto ferramenta de gestão</p><p>A respeito da pesquisa quantitativa, Martinelli (1999) informa que se</p><p>caracteriza pela adoção de uma estratégia de pesquisa modelada nas ciências</p><p>naturais e exatas e se baseia em observações empíricas. Esse tipo de pesquisa</p><p>está relacionado à teoria positivista e seu procedimento metodológico de</p><p>pesquisa se apropria das técnicas que apresentam objetividade e neutralidade</p><p>no processo pesquisado. De acordo com Baptista</p><p>(1999, p. 34): “[...] a reali-</p><p>dade é exterior ao indivíduo e a apreensão dos fenômenos é feita de forma</p><p>fragmentada”.</p><p>Nesse tipo de pesquisa, cabe ressaltar que os dados apurados são estudados</p><p>como coisas completamente isoladas do meio social e/ou da realidade. A coleta</p><p>de dados é organizada de modo linear e acumulativo, e todo o procedimento</p><p>analítico se desenvolve fazendo o emprego apenas de uma lógica hipotética-</p><p>-dedutiva com o apoio de estatísticas.</p><p>Podemos citar como principal metodologia de pesquisa quantitativa a</p><p>pesquisa experimental, que, como o próprio nome indica, desenvolve ações</p><p>experimentais com o objeto pesquisado. Martinelli (1999) alerta para o fato</p><p>de que o que se questiona com esse tipo de pesquisa no campo das ciências</p><p>humanas não são apenas os números, mas, sim, o aporte teórico, que, por sua</p><p>vez, apresenta uma limitação de ampliar as análises e percepções do objeto</p><p>estudado. Por fim, outro ponto de crítica a esse tipo de pesquisa é que, quando</p><p>usado isoladamente, leva o pesquisador a desenvolver análises que generalizam</p><p>de forma equivocada o que se está buscando investigar.</p><p>Após compreendermos a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa,</p><p>vamos explicitar a respeito da união do uso desses dois tipos de abordagens</p><p>de pesquisa. Nas literaturas a respeito de pesquisas, é comum verificarmos</p><p>em alguns autores, como André (1991), Chizzoti (1991), Martinelli (1999)</p><p>e Severino (2007), que essas pesquisas não podem ser analisadas de forma</p><p>fragmentada e, principalmente, como rivais umas às outras.</p><p>André (1991) se apropria dos termos quantitativo e qualitativo para distin-</p><p>guir as tipologias de técnicas de pesquisa e de denominações mais céleres para</p><p>determinar o tipo de pesquisa desempenhada. Por exemplo, a experimental usa</p><p>técnicas de pesquisa quantitativas, e a pesquisa participante usa técnicas da</p><p>pesquisa qualitativa. Martinelli (1999) enfatiza que é corriqueiro, em pesquisa</p><p>qualitativas, que o pesquisador necessite recorrer à pesquisa quantitativa</p><p>e às suas técnicas para compreender empiricamente a situação estudada e</p><p>quantificá-la para conhecê-la melhor.</p><p>Para se compreender dados relacionados ao genocídio da população jovem</p><p>negra e periférica brasileira, por exemplo, faz-se necessário recorrer à pesquisa</p><p>quantitativa para observar as estatísticas que registram a quantidade de jovens</p><p>A pesquisa científica enquanto ferramenta de gestão8</p><p>que morrem e, assim, verificar a faixa etária com mais incidência, qual unidade</p><p>federativa mais apresenta índice de mortalidade, entre outras questões. Nesse</p><p>compasso, com esses dados quantificados, o pesquisador poderá analisá-los</p><p>articulando metodologias de coletas de dados, previamente escolhidas, com</p><p>pesquisa qualitativa para compreender subjetivamente os fenômenos que estão</p><p>envolvidos nessa situação.</p><p>Portanto, podemos aplicar pesquisas qualiquantitativa, ou seja, fazer uma</p><p>articulação entre a pesquisa qualitativa e quantitativa sem excluir uma ou outra;</p><p>juntas e usadas adequadamente, podem contribuir satisfatoriamente para o</p><p>tema objeto de estudo. Assim, nesse sentido, Baptista (1999, p. 40) afirma que:</p><p>Desse modo, o debate deixa de se caracterizar pela oposição e pela coexistência</p><p>pacífica das abordagens, para se construir em uma atitude de compatibilidade</p><p>mútua. Conclui-se que o recomendável seria uma aproximação maior com</p><p>vários métodos e as suas contribuições para o campo temático que se deseja</p><p>pesquisar.</p><p>Martinelli (1999) também contribui apontando que devemos compreender</p><p>essas pesquisas não como rivais, mas, sim, como importantes metodologias de</p><p>pesquisa que contribuem para uma complementaridade no campo da pesquisa</p><p>social. Por fim, o uso de metodologias de pesquisa, independentemente de</p><p>qual for, precisa considerar, sobretudo, a natureza e os objetivos delineados</p><p>para a pesquisa e como o pesquisador pretende desenvolver os estudos de</p><p>sua pesquisa. Deve-se entender, por conclusão, que são procedimentos de</p><p>pesquisa que possuem sua relevância dependendo da natureza do objeto; e,</p><p>no caso das ciências sociais e humanas, quando utilizadas juntas, contribuem</p><p>para uma boa articulação das ideias estudadas e se complementam para um</p><p>bom resultado da realidade pesquisada.</p><p>3 A relevância da pesquisa científica</p><p>nos processos de gestão</p><p>As práticas da pesquisa científi ca, para que possibilitem a construção de</p><p>conhecimento acerca de um saber em relação ao desenvolvimento de ações</p><p>arroladas aos serviços, programas e projetos de políticas públicas, têm suas</p><p>exigências próprias no que tange às informações que se pretende alcançar, de</p><p>modo que, assim, a gestão consiga compreender como está o desenvolvimento</p><p>das ações e se essas atividades estão condizentes com a mudança que se espera</p><p>9A pesquisa científica enquanto ferramenta de gestão</p><p>alcançar na vida da população. A pesquisa é acentuada, de acordo com Barros</p><p>e Lehfeld (1999, p. 30), “[...] como uma forma de estudo de um objeto. Estudo</p><p>sistemático e realizado com a fi nalidade de incorporar os estudos obtidos em</p><p>expressões comunicáveis e comprovadas aos níveis do conhecimento obtido”.</p><p>Além disso, a pesquisa pode ter por signifi cado, segundo Demo (1993), ser a</p><p>categoria de consciência crítica e compete quanto elemento indispensável de</p><p>toda sugestão de ações emancipatórias. Não se propõe a reproduzir a realidade,</p><p>mas a reconstruí-la segundo os interesses e expectativas de quem a esteja</p><p>utilizando para alguma fi nalidade.</p><p>A pesquisa científica também pronuncia sobre a competência de produzir</p><p>informação e conhecimento correspondente à apreensão de alguma realidade</p><p>e situação social. De acordo com Morin (2000b, p. 14):</p><p>O conhecimento do conhecimento deve aparecer como necessidade primeira,</p><p>que servirá de preparação para enfrentar os riscos permanentes de erro e de</p><p>ilusão, que não cessam de parasitar a mente humana. Trata-se de armar cada</p><p>mente no combate vital rumo à lucidez.</p><p>Trata-se da consequência de um método investigativo em que o basilar</p><p>desígnio é deliberar problemas e elucidar ambiguidades mediante o emprego</p><p>de métodos e técnicas científicas. A verificação se assinala como a conciliação</p><p>do ato de examinar, notar, analisar e conhecer os fenômenos, deixando de lado</p><p>um entendimento estruturado a partir de espectros levianos e imediatistas</p><p>(MARQUES; RAMALHO, 2005).</p><p>Destarte, a ação de pesquisa constitui-se para ir além do mero aspecto,</p><p>estabelecendo a seriedade dos desafios e inseguranças da contemporaneidade.</p><p>Nesse compasso, a pesquisa experimentada e adotada no âmbito da gestão</p><p>social torna-se um utensílio que dirige os profissionais para um colóquio</p><p>fecundo com imprecisões e questões, condição indispensável para o desen-</p><p>volvimento de avaliações críticas acerca da realidade pesquisada e analisada.</p><p>Logo, pesquisar é buscar com profundidade respostas às necessidades da</p><p>gestão, de forma a adequar-se e/ou aprimorar-se para voltar-se à população</p><p>com ações que contemplem concretamente suas demandas e, assim, para que</p><p>a política social, por meio dos seus mecanismos, possa alcançar seus objetivos.</p><p>Mais do que associar a teoria e a prática, juntamente com qual método</p><p>de pesquisa será utilizado, qual tipo de pesquisa será desenvolvido e quais</p><p>técnicas serão aplicadas, é necessário ter uma intencionalidade sobre o que se</p><p>pretende pesquisar. Além disso, o profissional que desenvolve a pesquisa no</p><p>âmbito de uma gestão social deve ter conhecimento sobre a realidade sempre</p><p>A pesquisa científica enquanto ferramenta de gestão10</p><p>na perspectiva da totalidade social. A respeito da realidade, contemplando a</p><p>totalidade, deve-se observá-la cuidadosamente, pois, é “[...] a partir da qual</p><p>emergem possibilidades concretas de intervenção: procura um saber abran-</p><p>gente e crítico para construir um saber fazer também crítico e abrangente”</p><p>(BAPTISTA 2006, p. 71).</p><p>Silva (2012) aponta que, no Brasil, o desenvolvimento de pesquisas no</p><p>âmbito da gestão, principalmente relacionada à avaliação de programas</p><p>sociais,</p><p>desenvolveu-se mais precisamente a partir da década de 1980, época que</p><p>demarca um momento histórico da luta contra o regime autocrático militar</p><p>que havia se instaurado no país a partir de 1964. Para se pensar um tipo de</p><p>pesquisa a ser usada nesse contexto de gestão, é mais plausível o uso da</p><p>pesquisa qualitativa e a apropriação de metodologias que possam abarcar os</p><p>sujeitos para a construção de conhecimentos mais fidedignos da realidade.</p><p>Quando aludimos a respeito da pesquisa, precisamos ressaltar que, para se</p><p>ter maior abrangência das questões que permeiam a totalidade social, devemos</p><p>utilizar a pesquisa qualitativa e, quando nos voltamos a avaliações, é preciso</p><p>atentar para o viés avaliativo que a pesquisa deve assumir. Sobre esse aspecto,</p><p>Silva (2012, documento on-line) diz que esse tipo de pesquisa:</p><p>[...] contrapõe-se à objetividade da ciência positiva, mas requer esforço de</p><p>objetivação na relação do avaliador com a realidade social e com os sujeitos</p><p>que participam do processo de avaliação; fundamenta-se em valores e no</p><p>conhecimento da realidade; valoriza a análise crítica da política ou programa</p><p>social; busca compreender os princípios e fundamentos teórico conceituais</p><p>que orientam a política ou programa avaliado; considera os interesses e pro-</p><p>cura envolver os diferentes sujeitos no processo da política ou programa;</p><p>fundamenta-se em valores e concepções sobre a realidade social, partilhados</p><p>pelos sujeitos da avaliação; contrapõe-se à ideia de neutralidade, não percor-</p><p>rendo um caminho único, e considera os resultados da avaliação como uma</p><p>versão parcial da realidade, posto ser as realidades historicamente construídas</p><p>e dotadas de um caráter relativo e temporal; considera a política ou programa</p><p>como decorrência de vários fatores: ação de sujeitos, especificidades das con-</p><p>junturas, condições financeiras, materiais e elementos culturais envolvidos;</p><p>situa a política social na relação com o Estado e a sociedade; considera que</p><p>toda avaliação é desenvolvida num contexto de sujeitos e interesses; nunca</p><p>é consensual ou definitiva.</p><p>Nesse compasso, é fundamental fortalecer tecnicamente os profissionais</p><p>que atuam na execução das ações de políticas sociais, visto que são eles que</p><p>estão no cotidiano, relacionando-se com o público usuário e desenvolvendo</p><p>conhecimento sobre as demandas e necessidades dessa população. Assim, toda</p><p>pesquisa a ser desenvolvida nessa conjuntura deve, além de reunir um arsenal</p><p>11A pesquisa científica enquanto ferramenta de gestão</p><p>de conhecimento científico de pesquisa, teórico e metodológico, abarcar o</p><p>envolvimento dos técnicos e a participação ativa da população nesse processo.</p><p>Compreendemos, portanto, a importância da participação dos profissionais</p><p>e da população no sentido de repensar, reformular programas, projetos e/ou</p><p>serviços que, de fato, proporcionem ações que alcancem a verdadeira transfor-</p><p>mação na vida dos sujeitos demandatários da ação empreendida pela gestão.</p><p>O conhecimento deve ser colocado a emprego das lutas sociais dos grupos</p><p>considerados mais subalternizados e vulnerabilizados da sociedade sem</p><p>que se tenha essencialmente constituído e organizado com a participação</p><p>por completo das classes mais populares. O basilar é a participação da</p><p>informação crucial a respeito da totalidade que envolve a realidade social</p><p>no desenvolvimento da consciência das classes subalternizadas para ins-</p><p>trumentalização de suas necessidades e demandas, tendo como horizonte a</p><p>mudança social (SILVA, 2012).</p><p>Outro ponto importante é que a prática da devolução do conhecimento siste-</p><p>mático consente o abarcamento de indivíduos atendidos nos programas, desde</p><p>na acepção da verificação até na apreciação e na complementação dos efeitos</p><p>preliminares da ação — o uso de metodologias e de técnicas que contemplam</p><p>e promovem a participação dos indivíduos é proeminente na proposta do uso</p><p>da pesquisa científica no âmbito da gestão social (SILVA, 2012).</p><p>O papel político da avaliação de programas sociais é a linha condutiva que</p><p>orienta a equipe de profissionais que assumem o papel também de pesquisadores</p><p>quando empregam a pesquisa científica nos procedimentos da gestão. Assim, a</p><p>esses profissionais cabe desenvolver uma metodologia de pesquisa participativa</p><p>para pensar e realizar a investigação social; logo, a prática avaliativa (SILVA,</p><p>2012). Portanto, a proposta metodológica de empregar a pesquisa científica</p><p>no âmbito do trabalho da gestão se faz com o envolvimento dos técnicos de</p><p>programas sociais no procedimento de constituição do conhecimento, des-</p><p>pertando o compromisso e a responsabilidade com os efeitos dos programas,</p><p>serviços e projetos e, por consequência, contribuindo para o aprimoramento</p><p>dessas ações e também do próprio técnico (SILVA, 2012).</p><p>Por fim, a preocupação é desenvolver a pesquisa científica como construção</p><p>do conhecimento, espaço de reflexão crítica dos indivíduos a respeito dos ser-</p><p>viços, programas e projetos sociais pesquisados e avaliados e sobre a situação</p><p>social concreta em que os indivíduos e os programas se encontram inseridos.</p><p>Desse modo, contribui para o desenvolvimento de uma consciência sobre a</p><p>realidade social não somente a partir da análise técnica e dos gestores, mas,</p><p>principalmente, escutando os usuários dos programas sociais na perspectiva</p><p>do fortalecimento da luta social por transformação de fato.</p><p>A pesquisa científica enquanto ferramenta de gestão12</p><p>Esse estudo é fundamental para o serviço social, uma vez que, desde o processo de</p><p>graduação, o/a estudante já é inserido no campo da pesquisa social, o que culmina, no</p><p>final da formação, em uma pesquisa que se torna seu trabalho de conclusão de curso.</p><p>Além disso, quando se insere nos espaços de atuação profissional, constantemente</p><p>utilizará a pesquisa, com suas metodologias e técnicas, para analisar o desenvolvimento</p><p>das ações dos projetos, programas e serviços em execução.</p><p>ANDRÉ, M. Técnicas qualitativas e quantitativas de pesquisa: oposição ou convergência?</p><p>Cadernos Ceru, n. 3, 1991.</p><p>BAPTISTA, D. M. T. O debate sobre o uso de técnicas qualitativas e quantitativas de</p><p>pesquisa. In: MARTINELLI, M. L. (org.). Pesquisa qualitativa: um instigante desafio. São</p><p>Paulo: Veras, 1999.</p><p>BAPTISTA, M. V. A investigação em serviço social. São Paulo: Veras, 2006.</p><p>BARROS, A. J. da S.; LEHFELD, N. A. de S. Fundamentos de metodologia científica: um guia</p><p>para a iniciação científica. 2. ed. São Paulo: Makron Books, 2000.</p><p>CHIZZOTTI, A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. São Paulo: Cortez, 1991.</p><p>DEMO, P. Os desafios modernos da educação. Petrópolis: Vozes, 1993.</p><p>MARQUES, A. M. C.; RAMALHO, F. L. M. A pesquisa científica como construção do conhe-</p><p>cimento. Natal: UFRN, 2005.</p><p>MARTINELLI, M. L. (org.). Pesquisa qualitativa: um instigante desafio. São Paulo: Veras, 1999.</p><p>MINAYO, M. C. et al. (org.). Pesquisa social. 29. ed. Petrópolis: Vozes, 2010.</p><p>MORIN, E. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand, 2000a.</p><p>MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2000b.</p><p>SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. São Paulo: Cortez, 2007.</p><p>SILVA, M. O. S. Construindo uma proposta metodológica participativa para desenvolvi-</p><p>mento da pesquisa avaliativa: uma contribuição da teoria crítica para a prática do serviço</p><p>social. Textos & Contextos, v. 11, n. 2, 2012. Disponível em: https://revistaseletronicas.</p><p>pucrs.br/ojs/index.php/fass/article/view/12661. Acesso em: 15 set. 2020.</p><p>13A pesquisa científica enquanto ferramenta de gestão</p><p>Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-</p><p>cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a</p><p>rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de</p><p>local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade</p><p>sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.</p><p>TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências</p><p>sociais: a pesquisa qualitativa em</p><p>educação. São Paulo: Atlas, 2006.</p><p>VÁZQUEZ, A. S. Filosofia da práxis. São Paulo: Expressão Popular, 2011.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>GASPARINI, M. F. V; FURTADO, J. P. Avaliação de programas e serviços sociais no Brasil: uma</p><p>análise das práticas no contexto atual. Serviço Social & Sociedade, n. 117, 2014. Disponível</p><p>em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-66282014000100008&script=sci_art-</p><p>text. Acesso em: 15 set. 2020.</p><p>GUERRA, J. F. do C.; TEODÓSIO, A. dos. S. de S. Pesquisa qualitativa em gestão social:</p><p>uma análise da produção de conhecimento em estudos de caso. Gestão & Tecnologia,</p><p>v. 14, n. 3, 2014. Disponível em: http://revistagt.fpl.edu.br/get/article/view/444. Acesso</p><p>em: 15 set. 2020.</p><p>SILVA, M. O. S. Reconstruindo um processo participativo na produção do conhecimento:</p><p>uma concepção e uma prática. In: BRANDÃO, C. R.; STRECK, D. R. Pesquisa participante:</p><p>o saber da partilha. Aparecida: Ideias & Letras, 2006.</p><p>A pesquisa científica enquanto ferramenta de gestão14</p>